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Numero do processo: 11020.900616/2016-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 06 16 /2 01 6- 36 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11020.900616/201636 Acórdão n.º 3402005.757 S3C4T2 Fl. 0 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório considerou que o crédito informado no PER/DCOMP foi parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida ou a maior e o despacho decisório, que não reconheceu o direito creditório e deixou de homologar a compensação deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11020.900616/201636 Acórdão n.º 3402005.757 S3C4T2 Fl. 0 3 ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.147 manteve o despacho decisório. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.753, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900612/201658, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.753): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11020.900616/201636 Acórdão n.º 3402005.757 S3C4T2 Fl. 0 4 Preliminar A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11020.900616/201636 Acórdão n.º 3402005.757 S3C4T2 Fl. 0 5 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11020.900616/201636 Acórdão n.º 3402005.757 S3C4T2 Fl. 0 6 preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Mérito Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11020.900616/201636 Acórdão n.º 3402005.757 S3C4T2 Fl. 0 7 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11020.900616/201636 Acórdão n.º 3402005.757 S3C4T2 Fl. 0 8 ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11020.900616/201636 Acórdão n.º 3402005.757 S3C4T2 Fl. 0 9 Recurso Voluntário Negado. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratarse de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11020.900616/201636 Acórdão n.º 3402005.757 S3C4T2 Fl. 0 10 acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Taxa Selic A Recorrente questiona a aplicação da Taxa Selic na correção do crédito tributário, argumentando pela ilegalidade do cálculo de juros moratórios sobre débitos tributários. Não assiste razão à Recorrente, considerando a incidência da Súmula CARF 108, que assim dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11020.900616/201636 Acórdão n.º 3402005.757 S3C4T2 Fl. 0 11 Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 177DF CARF MF
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Numero do processo: 13609.721137/2015-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE NO JULGADO. LAPSO MANIFESTO. CABIMENTO.
Os embargos de declaração têm por finalidade a eliminação de obscuridade, contradição e omissão existentes no julgado, e, ainda, por construção pretoriana, a correção do erro material, sendo certo que a atribuição de efeitos infringentes constitui medida excepcional apenas para atender à necessidade de solucionar tais defeitos. Verificada a obscuridade no julgado, acolhem-se os embargos para sanar o vício constatado.
Numero da decisão: 2401-005.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, sanando a obscuridade e omissão apontadas, alterar o dispositivo do acórdão embargado para: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares, afastar a decadência e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada o montante de R$ 250.000,00.
MIRIAM DENISE XAVIER - Presidente.
LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente convocada), Matheus Soares Leite, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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OBSCURIDADE NO JULGADO. LAPSO MANIFESTO. CABIMENTO. Os embargos de declaração têm por finalidade a eliminação de obscuridade, contradição e omissão existentes no julgado, e, ainda, por construção pretoriana, a correção do erro material, sendo certo que a atribuição de efeitos infringentes constitui medida excepcional apenas para atender à necessidade de solucionar tais defeitos. Verificada a obscuridade no julgado, acolhemse os embargos para sanar o vício constatado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, sanando a obscuridade e omissão apontadas, alterar o dispositivo do acórdão embargado para: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares, afastar a decadência e, no mérito, darlhe parcial provimento para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada o montante de R$ 250.000,00. MIRIAM DENISE XAVIER Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 11 37 /2 01 5- 99 Fl. 590DF CARF MF 2 LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente convocada), Matheus Soares Leite, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Tratamse de Embargos Declaratórios (fls. 573/579) opostos tempestivamente em 13/04/2018 pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão 2401005.150, da 1ª Turma Ordinária, 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, cuja ementa segue transcrita abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Conforme se verifica nos presentes autos, o Contribuinte comprovou parte dos rendimentos lançados pela fiscalização, devendo ser assim, excluídos referidos valores da base de cálculo da infração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DO CONTRIBUINTE. Aplicase o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional, quando se demonstra que a origem do recurso decorre de transferência entre contas de mesma titularidade, não havendo dúvidas sobre a impossibilidade de tributação. PROCEDIMENTO FISCAL. A autoridade autuante procedeu de acordo com a legislação de regência da matéria, possibilitando à interessada, por meio de intimações, manifestarse no curso da ação fiscal para fins de acolhimento de suas alegações, não havendo que se falar em irregularidade no procedimento administrativo que implique nulidade. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. ILEGALIDADE INEXISTENTE. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu Fl. 591DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.833 S2C4T1 Fl. 3 3 pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de Janeiro de 2001. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF nº 38) DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Para os tributos lançados por homologação, quando constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido lançado, por força do art. 173, I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.” O dispositivo do Acórdão recebeu a seguinte redação: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares, afastar a decadência e, no mérito, darlhe parcial provimento para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada o montante de R$ 1.175.524,00, nos termos do voto da relatora.” Alega o Embargante a existência de obscuridade e omissão no acórdão embargado, conforme razões a seguir transcritas: “OBSCURIDADE QUANTO AOS FUNDAMENTOS QUE LEVARAM O COLEGIADO A CONCLUIR QUE OS VALORES TRANSFERIDOS PELO SR. AURELIANO DAS GRAÇAS OLIVEIRA E PELO SR. MARCOS SOARES REZENDE AO SUJEITO PASSIVO FORAM EFETUADOS A TÍTULO DE MÚTUO Pois bem. A partir da leitura do trecho supratranscrito do voto condutor do acórdão ora embargado, extraise que o Colegiado concluiu estarem comprovadas as operações de mútuo que teriam sido celebradas entre o autuado e os Srs. Aureliano das Graças Oliveira e Marcos Soares Rezende. Fl. 592DF CARF MF 4 Ocorre que não restaram claras as razões que levaram a Turma a concluir que os valores transferidos pelo Sr. Aureliano das Graças Oliveira e pelo Sr. Marcos Soares Rezende ao sujeito passivo foram efetuados a título de mútuo. O voto cita como prova dos empréstimos os extratos bancários dos supostos mutuantes e mutuário, fazendo alusão ainda a contratos de mútuo. No que se refere aos extratos bancários entendese, s.m.j., que tais documentos se prestam tão somente a demonstrar que houve um fluxo financeiro entre as contas dos Srs. Aureliano das Graças Oliveira e Marcos Soares Rezende e a conta do contribuinte. Entretanto, resta inexplicado a que título tais depósitos foram efetuados. Quanto aos citados contratos de mútuo, esta procuradora não logrou localizar nos autos qualquer instrumento contratual referente aos Srs. Aureliano das Graças Oliveira e Marcos Soares Rezende. Registrese que, junto com o recurso voluntário foram anexados aos autos alguns contratos de empréstimo, ainda que sem registro em cartório. Entretanto, dentre eles não consta qualquer pacto firmado entre o sujeito passivo e os Srs. Aureliano das Graças Oliveira e Marcos Soares Rezende que pudesse, em tese, justificar a origem dos depósitos bancários. Registrese, ainda, que esta Procuradoria não localizou nos autos outros elementos de prova que conduzissem à conclusão de que foram realizados empréstimos. Destaquese que não há na declaração de ajuste qualquer referência a dívidas de mútuos. Também não há comprovação da devolução dos recursos referentes aos supostos empréstimos. Nesse contexto, fazse mister que o Colegiado esclareça qual foi o conjunto probatório que levou a Turma a concluir que as transferências bancárias realizadas pelos Srs. Aureliano das Graças Oliveira e Marcos Soares Rezende para a conta do sujeito passivo foram realizadas a título de mútuo. E, caso conclua inexistir prova de que as transferências bancárias foram realizadas a título de mútuo, confira efeitos infringentes aos presentes embargos para restabelecer a parte do lançamento respectiva. OMISSÃO QUANTO ÀS PROVAS QUE FORMARAM A CONVICÇÃO SOBRE A EXISTÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE O Colegiado decidiu excluir da base de cálculo do IRPF o valor de R$ 250.000,00 por entender tratarse de transferências entre contas de titularidade do contribuinte (vide trecho supratranscrito do voto do acórdão embargado). Entretanto, a Turma restou omissa no que toca às provas que formaram a sua convicção. Destaquese que, no termo de verificação fiscal, no item 22, o auditor expõe o seguinte: 22. Cumpre esclarecer que constam de alguns extratos bancários históricos – "TRANSF ENTRE AGENC DINH DONISETE GERALDO LEITE", "TRANSF ENTRE AGENC DINH LETICIA DA COSTA OLIVEIRA","TRANSF ENTRE AG CHQ/DINH O PROPRIO FAVORECIDO" – cujas movimentações poderiam indicar, aparentemente, transferências entre contas de mesma titularidade e, Fl. 593DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.833 S2C4T1 Fl. 4 5 portanto, deveriam ser excluídas dos valores tributáveis. Entretanto, conforme Anexo 2 (doc 21.2) deste Termo, verificamos tratarse de valores depositados pelo titular/cotitular em sua conta; porém, em outra agência, daí a nomenclatura “transferência entre agência”. Portanto, para que tais movimentações fossem excluídas dos rendimentos tributáveis, o contribuinte deveria ter comprovado não se tratar de rendimento tributável, o que não o fez em nenhuma oportunidade em que foi intimado para tal. No anexo 2 ao TVF consta um depósito no montante de R$ 250.000,00, que, segundo a autoridade fiscal, não corresponde à transferência entre contas de mesma titularidade, ao contrário do que o nome empregado pode levar a crer. Tal explicação está expressa nos dois asteriscos abaixo da tabela de depósitos. Confirase: [...] Nesse contexto, fazse mister que o Colegiado esclareça se o depósito excluído da base de cálculo do IRPF, no importe de R$ 250.000,00, é aquele efetuado no banco Bradesco, no dia 04/08/2010. Requerse, ainda, que a Turma explicite as razões que a levaram a concluir que se tratava de transferência entre contas da mesma titularidade. E, caso conclua que não houve transferência de valores entre contas de mesma titularidade, confira efeitos infringentes aos presentes embargos para restabelecer a parte do lançamento respectiva.” Submetido à análise de admissibilidade, os aclaratórios foram admitidos, em 10 de maio de 2018, por meio de despacho da Conselheira Presidente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, Dra. Miriam Denise Xavier, o admitindo para apreciação e saneamento da obscuridade e da omissão apontadas, com devolução do processo para relatoria e inclusão em pauta de julgamento (fls. 583/588). É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Os presentes embargos são tempestivos, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1 Da obscuridade. Fl. 594DF CARF MF 6 Alega a Embargante, que o venerando acórdão incorreu no vício da obscuridade quanto aos fundamentos que levaram o colegiado a concluir que os valores transferidos pelo Sr. Aureliano das Graças Oliveira e pelo Sr. Marcos Soares Rezende ao sujeito passivo foram efetuados a título de mútuo. Argumenta que pela leitura do voto condutor do acórdão embargado, é possível extrair que o Colegiado concluiu estarem comprovadas as operações de mútuo que teriam sido celebradas entre o autuado e os Srs. Aureliano das Graças Oliveira e Marcos Soares Rezende. Todavia, afirma que não restaram claras as razões que levaram a Turma a concluir que os respectivos valores transferidos ao sujeito passivo foram efetuados a título de mútuo. Além disso, a Embargante informa que não logrou localizar nos autos qualquer instrumento contratual referente aos Senhores Aureliano das Graças Oliveira e Marcos Soares Rezende que pudesse, em tese, justificar a origem dos depósitos bancários, bem como não localizou nos autos outros elementos de prova que conduzissem à conclusão de que foram realizados empréstimos. Em razão do exposto, pretende a Embargante que o Colegiado esclareça qual foi o conjunto probatório que levou a Turma a concluir que as transferências bancárias realizadas pelos Senhores. Aureliano das Graças Oliveira e Marcos Soares Rezende para a conta do sujeito passivo foram realizadas a título de mútuo. Com razão a Embargante. Após acurada análise dos autos, verifico que, em que pese o Embargado comprove, em documentação anexa ao Recurso Voluntário (fls. 482/522), a movimentação havida entre ele e os Senhores Aureliano das Graças Oliveira e Marcos Soares Rezende, não há, de fato, contrato de mútuo que dê suporte às mencionadas operações. Apesar de constar dos autos inúmeros contratos de mútuo (fls. 296/360), o que de fato levou esta julgadora a lapso manifesto, verificase que nenhum deles se refere a ajuste firmado entre o Embargado e os Senhores Aureliano das Graças Oliveira e Marcos Soares Rezende. Dessa forma, merece acolhimento os embargos neste ponto, com efeitos infringentes, para restabelecer a parte do lançamento referente às operações de mútuo realizadas pelo embargado com os Senhores Aureliano das Graças Oliveira e Marcos Soares Rezende, no valor de R$ 925.524,00 (novecentos e vinte e cinco mil e quinhentos e vinte e quatro reais). 2.2. Da omissão. A Embargante alega, ainda, a existência de omissão no tocante às provas que formaram a convicção sobre a existência de transferência entre contas do próprio contribuinte, no valor de R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais). Com efeito, o colegiado assim decidiu sobre o tema (fl. 568): Fl. 595DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.833 S2C4T1 Fl. 5 7 “Ainda nessa esteira de acontecimentos, ao analisar os autos, verificouse também que houve lançamento calcado em transferência entre contas do próprio Contribuinte, ora recorrente, no valor de R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais), considerado como depósito de origem não identificada, o que é vedado pela legislação que rege a matéria. Assim, não há dúvidas sobre a impossibilidade de transferência entre contas do mesmo contribuinte para apuração de crédito tributário em razão da aplicação do artigo 112 do CTN.” De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fl. 208), o valor acima apontado foi considerado como de origem não comprovada, uma vez que entendeu a Fiscalização, que a referida operação se trata de depósito em cheques referentes a contas e agências diversas do titular e cotitular. Recordese: 22. Cumpre esclarecer que constam de alguns extratos bancários históricos – “‘TRANSF ENTRE AGENC DINH DONISETE GERALDO LEITE’, ‘TRANSF ENTRE AGENC DINH LETICIA DA COSTA OLIVEIRA’,’TRANSF ENTRE AG CHQ/DINH O PROPRIO FAVORECIDO’ – cujas movimentações poderiam indicar, aparentemente, transferências entre contas de mesma titularidade e, portanto, deveriam ser excluídas dos valores tributáveis. Entretanto, conforme Anexo 2 (doc 21.2) deste Termo, verificamos tratarse de valores depositados pelo titular/cotitular em sua conta; porém, em outra agência, daí a nomenclatura “transferência entre agência”. Portanto, para que tais movimentações fossem excluídas dos rendimentos tributáveis, o contribuinte deveria ter comprovado não se tratar de rendimento tributável, o que não o fez em nenhuma oportunidade em que foi intimado para tal.” Por sua vez, consta do Anexo 2 – Termo de Verificação Fiscal de fl. 229 o seguinte: Banco Agência Conta Histórico Documento Data Mês Valor Valor Tributável Referên cia Bradesco 1956 110 TRANSF ENTRE AG CHQ/DINH O PROPRIO FAVORECIDO 0001022903 04/08/2010 ago10 250.000,00 250.000,00 p.32** ** Vejase que se trata de depósito em cheques referentes a contas e agências diversas do titular e cotitular; entretanto, consta do histórico transferência entre agências, como se fosse transferência da própria conta, o que não é o caso. Tratase de depósito cuja origem não foi identificada. Pelo que se colhe do quadro acima, o histórico da movimentação de R$ 250.000,000 decorre de uma operação denominada “TRANSF ENTRE AG CHQ/DINH O PROPRIO FAVORECIDO”. Em que pese a Fiscalização afirme se tratar de “depósito em cheques referentes a contas e agências diversas do titular e cotitular”, não há, nos autos, elementos de convencimento nesse sentido. Fl. 596DF CARF MF 8 Vejase que a denominação indicada pela instituição Bradesco indica que a operação possa ter sido realizada em Cheque “CHQ”, conforme entendeu a fiscalização ou Dinheiro “DINH”, tendo o contribuinte como o próprio favorecido. Assim, ressalvo o meu entendimento no sentido de que em caso de dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato, o artigo 112 do Código Tributário Nacional prescreve que a interpretação da lei tributária deve ser dirigida a favor do contribuinte. Confira se: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Nesse passo, ainda que no voto condutor do julgado não tenha ficado claro a motivação para exclusão do lançamento em debate, ratifico as razões anteriormente apresentadas, acolhendo os embargos, neste ponto, tão somente com o objetivo de clarificar a decisão embargada nos termos acima. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, ACOLHO os Embargos Declaratórios, com efeitos infringentes, para, sanando a obscuridade e omissão apontadas, alterar o dispositivo do acórdão embargado para: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares, afastar a decadência e, no mérito, darlhe parcial provimento para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada o montante de R$ 250.000,00. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Fl. 597DF CARF MF Processo nº 13609.721137/201599 Acórdão n.º 2401005.833 S2C4T1 Fl. 6 9 Fl. 598DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.664977/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
PAGAMENTO MEDIANTE DARF. RECONHECIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
No caso em análise, houve pagamento mediante DARF e, na época, a apresentação de DCTF não constituía crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-005.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 PAGAMENTO MEDIANTE DARF. RECONHECIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. No caso em análise, houve pagamento mediante DARF e, na época, a apresentação de DCTF não constituía crédito tributário. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 49 77 /2 00 9- 91 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.664977/200991 Acórdão n.º 3302005.838 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada (DCOMP), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que fazia jus à homologação da compensação declarada pelo fato de que o crédito informado era proveniente de recolhimento de multa de mora indevida, em razão da denúncia espontânea, tendo em vista o recolhimento espontâneo do tributo devido, nos termos do art. 138 do CTN. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16032.752, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o pagamento extemporâneo de tributo deve se dar com a adição de acréscimos legais (art 161 do CTN) e que a multa de mora tem natureza de indenização por atraso no pagamento, não se aplicando a ela, por conseguinte, a denúncia espontânea. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reafirmou as razões de defesa suscitadas na Manifestação de Inconformidade, ressaltando que a multa moratória tinha natureza punitiva, sendo passível de exclusão por denúncia espontânea, conforme jurisprudência deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo do julgamento do REsp 1.149.022/SP, julgado sob regime dos recursos repetitivos, cujos fundamentos eram de adoção obrigatória pelos membros deste Conselho. Posteriormente, o Recorrente protocolou petição reiterando os argumentos explicitados em sede recursal e juntando documentos para comprovar suas alegações. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.837, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.664976/200947, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.837): O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.664977/200991 Acórdão n.º 3302005.838 S3C3T2 Fl. 4 3 A questão tratada nestes autos não é nova neste Conselho e já foi analisado pela antiga composição desta Turma, nos autos do Processo Administrativo nº 19740.000451/200613, de relatoria da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, que, inclusive, contou com a participação deste relator. Neste caso, por concordar com os argumentos explicitados por aquela relatora para aplicar o instituto da denúncia espontânea e reconhecer o crédito da Recorrente, adoto as razões da citada Conselheira como causa de decidir o presente processo, a saber: Porém, relativamente aos recolhimentos em DARF efetuados, entendo aplicável o instituto da denúncia espontânea, conforme decisões na sistemática de recursos repetitivos nos seguintes Recursos Especiais: nº 962.379 – RS, nº 886.462 – RS e de nº 1.149.022 SP. Assim, nos termos dos Acórdãos dos REsp nº 962.379 – RS e REsp nº 886.462, a prévia declaração e constituição do crédito tributário pelo contribuinte, mediante a entrega de declaração com natureza de confissão de dívida, afasta a aplicação do instituto da denúncia espontânea quanto ao recolhimentos extemporâneos, posteriores ao prazo de entrega da declaração, relativamente aos tributos previamente declarados. Por outro lado, o REsp nº 1.149.022 – SP decidiu que no caso de declaração parcial do débito, acompanhada do respectivo pagamento integral, aplicase a denúncia espontânea em relação à diferença a maior objeto de declaração retificadora, desde que o contribuinte efetue o pagamento desta diferença, concomitante à apresentação da declaração retificadora, antes de qualquer procedimento fiscalizatório. As declarações a que aludem as decisões do STJ são as que possuem a natureza de confissão de dívida e dispensam a administração tributária de empreender esforços administrativos para a constituição do crédito tributário, pois que tais declarações são passíveis de cobrança administrativa. Transcrevese ementa e excerto do voto no REsp 962.379/RS que informa a questão: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Os excertos abaixo esclarecem: [...] 3. Realmente, a jurisprudência sedimentada na 1ª Seção é no sentido de que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.664977/200991 Acórdão n.º 3302005.838 S3C3T2 Fl. 5 4 crédito tributário, que dispensa, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. A propósito, ao julgar o AgRg nos EResp 670.326, de minha relatoria, esta 1ª Seção decidiu o seguinte: [...] Na condição de relator do caso, sustentei, na oportunidade, o seguinte: " (...) Não se pode confundir nem identificar denúncia espontânea com recolhimento em atraso do valor correspondente a crédito tributário devidamente constituído. O art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz referência (art. 134, par. único). A denúncia espontânea é instituto que tem como pressuposto básico e essencial o total desconhecimento do Fisco quanto à existência do tributo denunciado. A simples iniciativa do Fisco de dar início à investigação sobre a existência do tributo já elimina a espontaneidade (CTN, art. 138, par. único). Conseqüentemente, não há possibilidade lógica de haver denúncia espontânea de créditos tributários cuja existência já esteja formalizada (=créditos tributários já constituídos) e, portanto, líquidos, certos e exigíveis. Em tais casos, o recolhimento fora de prazo não é denúncia espontânea e, portanto, não afasta a incidência de multa moratória. Nesse sentido: Luciano Amaro, Direito Tributário Brasileiro, 10ª ed., SP, Saraiva, 2004, p. 440. Conforme assentado em precedente do STJ, "não há denúncia espontânea quando o crédito em favor da Fazenda Pública encontrase devidamente constituído por autolançamento e é pago após o vencimento" (EDcl no REsp 541.468, 1ª Turma, Min. José Delgado, DJ de 15.03.2004). [...] 3. Bem se vê, portanto, que, com a constituição do crédito tributário, por qualquer das citadas modalidades (entre as quais a da apresentação de DCTF ou GIA pelo contribuinte), o tributo pode ser exigido administrativamente, gerando, por isso mesmo, conseqüências peculiares em caso de não recolhimento no prazo previsto em lei: (a) fica autorizada a sua inscrição em dívida ativa, fazendo com que o crédito tributário, que já era líquido, certo e exigível, se torne também exeqüível judicialmente; (b) desencadeiase o início do prazo de prescrição para a sua cobrança pelo Fisco (CTN, art. 174); e (c) inibese a possibilidade de expedição de certidão negativa correspondente ao débito. Quanto a esses aspectos, a jurisprudência do Tribunal é reiterada, conforme se constata dos seguintes precedentes: [...] 4. À luz dessas circunstâncias, fica evidenciada mais uma importante conseqüência, além das já referidas, decorrentes da constituição o crédito tributário: a de inviabilizar a configuração de denúncia espontânea, tal como prevista no art. 138 do CTN. A essa altura, a iniciativa do contribuinte de promover o recolhimento do tributo declarado nada mais representa que um pagamento em atraso. E não se pode confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea. Com base nessa linha de orientação, a 1ª Seção firmou entendimento de que não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos declarados, porém pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que o pagamento seja integral. Assim, v.g, ficou decidido no ERESP 531249/RS, DJ de 09.08.2004, Min. Castro Meira: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.664977/200991 Acórdão n.º 3302005.838 S3C3T2 Fl. 6 5 [...] Restou assentado nos julgados relativos à denúncia espontânea, que a entrega de declaração com natureza de confissão de dívida constitui o crédito tributário, conferindolhe liquidez, certeza e exigibilidade, e dispensa o Fisco da tomada de qualquer outra providência, possibilitando a imediata cobrança administrativa e posterior execução em DAU. Verifica se, porém, para o período autuado que as DCTFs não possuíam esta natureza, haja vista a necessidade de lançamento de ofício com base no artigo 90 da MP 215835/2001. O próprio STJ aplica este entendimento, conforme, por exemplo, no acórdão proferido no AgRg no REsp 1521071/AL: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA INFORMADA EM DCTF. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. PRECEDENTES. DECADÊNCIA CONFIGURADA. 1. Discutese a ocorrência da decadência para os casos em que a compensação foi indevidamente informada na DCTF e o fisco requer a cobrança das diferenças. 2. Nos termos da jurisprudência do STJ, nas hipóteses em que o contribuinte declarou os tributos via DCTF e realizou a compensação nesse mesmo documento, é necessário o lançamento de ofício para que seja cobrada a diferença apurada caso a DCTF tenha sido apresentada antes de 31.10.2003. A partir de 31.10.2003, é desnecessário o lançamento de ofício, todavia os débitos decorrentes da compensação indevida só devem ser encaminhados para inscrição em dívida ativa após notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, cujo recurso suspende a exigibilidade do crédito tributário. 3. Caso em que as DCTFs foram entregues antes de 31.10.2003, logo indispensável o lançamento de ofício, levando à declaração a ocorrência da decadência nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Agravo regimental improvido. Defluise que a denúncia espontânea deve ser admitida para os pagamentos efetuados, pois as DCTFs não possuem o condão de constituir o crédito tributário, fundamento utilizado pelo STJ para afastar a denúncia espontânea. Na realidade, se as DCTFs constituíssem o crédito tributário, o lançamento relativo ao período, deveria ser todo cancelado, pois a cobrança deveria ser efetuada mediante a DCTF, o que não é o caso. Da mesma forma que ocorreu no caso anteriormente citado, no presente processo os débitos de PIS e COFINS foram informados em DCTF como vinculados a compensações, antes de 31/10/2003, quando apenas o saldo a pagar informado em DCTF representava confissão de dívida. Neste período os créditos tributários indevidamente compensados não eram constituídos pela DCTF e deveriam ser objeto de lançamento de ofício. Nos casos concretos ora julgados, em 2004, antes de qualquer ação por parte do Fisco, a Recorrente verificou a inexistência do direito creditório que havia sido utilizado na compensação de débitos de PIS e COFINS relativos a alguns meses dos anos de 2000 e 2001 e, antecipandose à Autoridade Fiscal, realizou o pagamento dos tributos acrescidos de juros. Somente após o pagamento a Recorrente retificou as DCTF e constituiu os créditos tributários, indicando os saldos a pagar nos respectivos valores. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.664977/200991 Acórdão n.º 3302005.838 S3C3T2 Fl. 7 6 Ato contínuo, por equívoco, em julho de 2004 a Recorrente complementou os pagamentos realizados em fevereiro de 2004, recolhendo os valores correspondentes a 20% dos débitos complementares, a título de multa moratória. São esses valores pagos indevidamente a título de multa moratória que constituem os direitos creditórios objeto das compensações realizadas, uma vez caracterizadas as denúncias espontâneas. Ora, conforme entendimento já consolidado pelo STJ nos autos do AgRg no Resp nº 1.521.071 – AL, tratandose de tributo cuja compensação foi informada em DCTF antes de 31/10/2003, não há confissão de dívida, motivo pelo qual é necessário o lançamento de ofício para cobrança do débito compensado. Neste cenário, comprovada a existência de pagamentos indevidos a título de multa moratória em procedimentos caracterizados como denúncia espontânea, há que ser reconhecido o direito creditório apurado pela Recorrente. Diante do exposto, votase pelo provimento do recurso voluntário, para reconhecer o direito da recorrente de compensar o débito informado até o valor indevido da multa de mora recolhido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito do Recorrente de compensar o débito informado até o valor indevido da multa de mora recolhido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.721765/2011-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
No caso, deve-se suprir a omissão na parte dispositiva da decisão discutida acerca do lançamento complementar e registrar, na ementa, o entendimento da Turma sobre a matéria relativa à falta de adição da amortização de ágio matéria.
IRPJ/CSLL. ADIÇÃO DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. IMPROCEDÊNCIA. DESPESA DEDUTÍVEL
A incorporação às avessas ou reversa não é proibida pelo ordenamento jurídico. Realizada por empresas operativas e com objetivo social semelhante, não pode ser tipificada como operação simulada, sobretudo quando se busca de melhor eficiência do ponto de vista operacional.
Assim, no caso concreto, incorreta a conclusão da autoridade fiscal quanto à adição da amortização de ágio, na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL.
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL
Cabem embargos inominados para corrigir inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo, nos termos do art. 66 do Regimento Interno do CARF.
No caso, identificado que no cabeçalho do acórdão recorrido consta que a matéria tratada nos autos seria estranha aos autos, deve-se corrigir o erro apontado.
Numero da decisão: 1301-003.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, sanar as omissões e o erro material apontado e ratificar o decidido no acórdão 1301-002.208.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: Relator José Eduardo Dornelas Souza
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. No caso, deve-se suprir a omissão na parte dispositiva da decisão discutida acerca do lançamento complementar e registrar, na ementa, o entendimento da Turma sobre a matéria relativa à falta de adição da amortização de ágio matéria. IRPJ/CSLL. ADIÇÃO DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. IMPROCEDÊNCIA. DESPESA DEDUTÍVEL A incorporação às avessas ou reversa não é proibida pelo ordenamento jurídico. Realizada por empresas operativas e com objetivo social semelhante, não pode ser tipificada como operação simulada, sobretudo quando se busca de melhor eficiência do ponto de vista operacional. Assim, no caso concreto, incorreta a conclusão da autoridade fiscal quanto à adição da amortização de ágio, na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL. EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL Cabem embargos inominados para corrigir inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo, nos termos do art. 66 do Regimento Interno do CARF. No caso, identificado que no cabeçalho do acórdão recorrido consta que a matéria tratada nos autos seria estranha aos autos, deve-se corrigir o erro apontado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, sanar as omissões e o erro material apontado e ratificar o decidido no acórdão 1301-002.208. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
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AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Embargante TIM CELULAR S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. No caso, devese suprir a omissão na parte dispositiva da decisão discutida acerca do lançamento complementar e registrar, na ementa, o entendimento da Turma sobre a matéria relativa à falta de adição da amortização de ágio matéria. IRPJ/CSLL. ADIÇÃO DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. IMPROCEDÊNCIA. DESPESA DEDUTÍVEL A incorporação às avessas ou reversa não é proibida pelo ordenamento jurídico. Realizada por empresas operativas e com objetivo social semelhante, não pode ser tipificada como operação simulada, sobretudo quando se busca de melhor eficiência do ponto de vista operacional. Assim, no caso concreto, incorreta a conclusão da autoridade fiscal quanto à adição da amortização de ágio, na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL. EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL Cabem embargos inominados para corrigir inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo, nos termos do art. 66 do Regimento Interno do CARF. No caso, identificado que no cabeçalho do acórdão recorrido consta que a matéria tratada nos autos seria estranha aos autos, devese corrigir o erro apontado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 17 65 /2 01 1- 46 Fl. 4591DF CARF MF Processo nº 10480.721765/201146 Acórdão n.º 1301003.502 S1C3T1 Fl. 4.592 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, sanar as omissões e o erro material apontado e ratificar o decidido no acórdão 1301002.208. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo Conselheiro Flávio Franco Correia e por Tim Celular S.A., em face do Acórdão nº 1301002.208, o qual foi proferido por esta Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF para julgamento de recurso voluntário. No referido recurso voluntário, quanto ao mérito, esteve em discussão: 1) Adição não computada na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL Despesa não dedutível – amortização de ágio (Tim Nordeste Telecomunicações S/A anocalendário de 2006, e Tim Nordeste S/A – anoscalendário de 2006, 2007 e 2008). 2) Exclusão não autorizadas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL exclusão indevida do ágio ( Tim Nordeste Telecomunicações S/A anocalendário de 2006 e Tim Nordeste S/A, anoscalendário de 2006, 2007 e 2008) 3) Glosa de compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas (TIM Nordeste S/A Anocalendário de 2006, 2007, 2008 e 2009). 4) Redução do IRPJ (TIM Nordeste Telecomunicações S/A, anocalendário de 2006 consoante Termo de Encerramento, houve deduções indevida no imposto de renda a pagar, tanto na apuração das estimativas mensais quanto na apuração de ajuste, a título de “Deduções de Incentivos Fiscais” e “Isenção e Redução do Imposto", respectivamente, concernentes a incentivo de redução do imposto sobre a renda não restituíveis (incentivos ficais SUDENE), porquanto não houve o reconhecimento do direito pelo titular da unidade da SRF Fl. 4592DF CARF MF Processo nº 10480.721765/201146 Acórdão n.º 1301003.502 S1C3T1 Fl. 4.593 3 da sua jurisdição, consoante determinação do art. 3º do Decreto nº 4.213, de 26 de abril de 2002. 5) Ausência de comprovação das retenções do imposto de renda na fonte; 6) Glosa de estimativa computada a maior na declaração de ajuste 7) Falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos por estimativa mensal multa isolada de 50%; 7) Multa pela não apresentação de arquivos digitais não apresentação dos arquivos de fornecedores e clientes. 8) Aplicação da multa qualificada.; 9) Lançamento complementar da qualificação da multa proporcional aplicada no anocalendário de 2005. O Conselheiro Flávio Franco Correia opôs embargos, suscitando existir vício de omissão e contradição. O então Presidente desta Turma, Conselheiro Waldir Veiga Rocha, os admitiu parcialmente, exclusivamente no que se refere ao tópico "omissão". Na parte admitida, o i. Conselheiro aduziu que a matéria relativa ao lançamento complementar consta do relatório e do voto do Relator, foi discutida e deliberada pelo colegiado, constando a deliberação, inclusive na ementa. No entanto, teria sido omitido esse registro na parte dispositiva do acórdão, que não faz qualquer menção a essa matéria. Por sua vez, o contribuinte também manejou embargos de declaração em face do Acórdão nº 1301002.208, apontando: a) Omissão na parte dispositiva quanto ao provimento do Recurso Voluntário para o fim de afastar o lançamento complementar de multa (fl. 4465); b) Omissão na ementa quanto ao afastamento da exigência decorrente da falta de adição da amortização de ágio (fl. 4467); c) Erro Material Quanto à Matéria objeto do Acórdão (fl.4468). O Presidente desta Turma, Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, recebeu o recurso como embargos de declaração com referência ao item "a" e "b", e como embargos inominados no que tange ao erro material alegado ("c"). No que tange à primeira omissão, alega o contribuinte que teria ocorrido ausência de registro, na parte dispositiva do acórdão, do provimento parcial para afastar o lançamento realizado de forma complementar, alinhandose aos termos mencionados pelo Conselheiro Flávio Franco Correia quando tratou desse mesmo tópico nos embargos por ele opostos. A segunda omissão diz respeito à ementa do decisium, sustentando a embargante que nela teria se deixado de consignar o provimento parcial do recurso para o fim de afastar as exigências decorrentes da falta de adição da amortização de ágio, aduzindo, ainda, que havia duas acusações fiscais relativas ao aproveitamento do ágio, onde uma acusação foi mantida e a outra cancelada e a ementa só teria feito menção à acusação mantida. Fl. 4593DF CARF MF Processo nº 10480.721765/201146 Acórdão n.º 1301003.502 S1C3T1 Fl. 4.594 4 No que pertine ao erro material alegado, sustenta que no cabeçalho do acórdão consta que a matéria tratada nos autos seria "ágio interno", porém, argumenta que o ágio em discussão não foi ágio interno, e acrescenta que no caso dos autos, é incontroverso que se trata de ágio efetivamente pago no âmbito de leilão de privatização de empresas de telecomunicações, não havendo que se falar em ágio interno. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Embargos Conselheiro Flávio Franco Correia Os embargos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade previstos no vigente Regimento Interno do CARF, razão pela qual os conheço e passo a analisálos. De acordo com o Regimento Interno deste Conselho, cabem embargos de declaração nas hipóteses em que o acórdão contenha obscuridade; contradição entre a decisão e seus fundamentos; ou omissão acerca de ponto sobre o qual o órgão julgador deveria pronunciarse. No caso concreto, na parte admitida, sustentou a embargante haver omissão na parte dispositiva da decisão discutida acerca do lançamento complementar que pretendeu exigir a diferença entre a multa de 75%, aplicada no processo nº 10880.721767/201041 e a multa qualificada de 150%. Aduz que essa matéria consta do relatório e do voto do Relator, foi discutida e deliberada pelo Colegiado, constando a deliberação, inclusive, na ementa, nos termos a seguir transcritos: “FRAUDE, SONEGAÇÃO E CONLUIO. POSTERIOR REQUALIFICAÇÃO DOS FATOS. EXIGÊNCIA DE COMPLEMENTO DE MULTA. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR DA DIFERENÇA. IMPOSSIBILIDADE. Segundo o artigo 149, VIII, do CTN, o lançamento pode ser revisto de ofício quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior. Portanto, essa regra exige novas provas para a revisão do lançamento já efetuado, devendose entender que novas provas significam novos fatos, e não novos elementos de prova sobre os mesmos fatos já conhecidos. Assim, ainda que se perceba, a posteriori, que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou simulação, não cabe a revisão de lançamento com suposto supedâneo no inciso VII do artigo 149 do CTN, se não houver fatos novos que favoreçam a qualificação da conduta fraudulenta ou simulada, afinal o artigo 146 do CTN constitui óbice à alteração da qualificação jurídica sobre os mesmos fatos conhecidos ao longo da investigação, que se encerrou com o lançamento de ofício anterior.” Fl. 4594DF CARF MF Processo nº 10480.721765/201146 Acórdão n.º 1301003.502 S1C3T1 Fl. 4.595 5 De fato, a matéria consta do voto apresentado pelo Relator (fls. 4446/4448) e da ementa (fl. 4343). Também é verdade que, na parte dispositiva, não se faz menção à decisão do Colegiado sobre esse ponto. Com efeito, o lançamento complementar decorreu da alteração da qualificação jurídica de fatos conhecidos e apurados ao longo de investigação que se encerrou com o lançamento anterior (processo nº 10880.721767/201041). Assim, de acordo com a decisão do Relator, acompanhado por unanimidade pelos demais Conselheiros, ainda que se perceba, a posteriori, que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou simulação, não cabe a revisão do lançamento com suposto supedâneo no inciso VII do artigo 149 do CTN, se não houver fatos novos que favoreçam a qualificação da conduta dolosa, fraudulenta ou simulada. Desta forma, devese acolher os embargos opostos, para suprir a omissão alegada, devendo ser inserido na parte dispositiva do acórdão nº 1301002.208 a seguinte deliberação: (2.3) afastar o lançamento complementar de multa relativa ao anocalendário de 2005. Embargos Tim Celular S.A. Sustenta a embargante que no julgamento do recurso voluntário, o colegiado deu provimento parcial para afastar o lançamento realizado de forma complementar, que pretendeu qualificar em 150% a multa anteriormente aplicada no percentual de 75%, e cobrar a diferença (75%). Esta matéria já foi analisada acima, sendo reconhecida a existência do vício apontado, não havendo, então, mais o que ser apreciado. A segunda omissão diz respeito à ementa do decisium, sustentando a embargante que nela teria se deixado de consignar o provimento parcial do recurso para o fim de afastar as exigências decorrentes da falta de adição da amortização de ágio. Declara que havia duas acusações fiscais relativas ao aproveitamento do ágio, onde uma acusação foi mantida e a outra cancelada e a ementa só teria feito menção à acusação mantida, nos seguintes termos: ÁGIO AMORTIZADO. FUSÃO, CISÃO E INCORPORAÇÃO. REAPROVEITAMENTO. DO VALOR AMORTIZADO. IMPOSSIBILIDADE. Os artigos 7º e 8º da Lei no 9.532/97 instituíram regras relativas à amortização do ágio ou deságio, específicas para os casos em que há a extinção da participação societária por força de fusão, incorporação ou cisão. Essas mesmas regras prescrevem que a amortização do ágio ou do deságio é exclusivamente realizada na contabilidade. Vale dizer, essa disciplina legal não estabelece o controle do ágio amortizado no LALUR, concomitante à amortização na contabilidade, para efeitos de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a exemplo do que consta no parágrafo único do artigo 391 do RIR/99. Em suma, inexiste prescrição legislativa que autorize o reaproveitamento, após a fusão, a incorporação ou a cisão, do valor já amortizado Fl. 4595DF CARF MF Processo nº 10480.721765/201146 Acórdão n.º 1301003.502 S1C3T1 Fl. 4.596 6 contabilmente que venha a ser revertido, pelo contribuinte, por anterior adição. De fato, apesar da Turma ter dado, por maioria de votos, provimento ao recurso do contribuinte, não foi consignado na ementa o entendimento da Turma sobre a matéria que foi deliberada e julgada em favor do contribuinte. A matéria consiste em: adição não computada na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL Despesa não dedutível – amortização de ágio (Tim Nordeste Telecomunicações S/A anocalendário de 2006, e Tim Nordeste S/A – anoscalendário de 2006, 2007 e 2008). O I. Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, redator do voto vencedor, em seu voto, assim tratou da matéria: No tocante a incorporação às avessas, entendo que o negócio jurídico foi praticado em conformidade com a lei. Dessa forma, não há que se falar em redução indevida de tributo, pois o direito a amortização do ágio está assegurado ao contribuinte, com base no art. 386 do RIR/99. No caso em tela, houve um aumento de capital na 1B2B Participações com ações da TNC, para posterior incorporação da Bitel e das operadoras pela TNC pela própria TNC, e posterior cisão com incorporação pelas empresas operadoras. Após tais sucessivas operações societárias, culminou na incorporação da TIM Nordeste SA, empresa superavitária pela Tim Celular S/A (Recorrente), empresa deficitária. Dessa forma, o voto entendeu que não houve a geração do ágio, uma vez que a mais valia do investimento não foi gerada em ato de aquisição, justamente por pressupor dispêndio para se obter algo de terceiro. Assim, ao glosar o ágio gerado, na apuração do lucro real, o qual acarretou redução do IRPJ e CSLL, acabou por desconsiderar o aproveitamento de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL Pois bem, a incorporação às avessas ou reversa ocorre quando investidora é incorporada pela sociedade investida. Como já salientado no voto condutor, o ágio é apurado por pessoa jurídica que adquire participação societária em outra sociedade cujo investimento é definido como relevante em sociedades controladas ou coligadas, nos termos do art. 384 do RIR/99. Na aquisição de participação societária, desdobrase o custo de aquisição relativamente ao patrimônio líquido, tomandose como base a participação do percentual no capital social da empresa investida. Ou seja, o ágio é a diferença resultante entre o custo Fl. 4596DF CARF MF Processo nº 10480.721765/201146 Acórdão n.º 1301003.502 S1C3T1 Fl. 4.597 7 de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido da sociedade investida. Para efeitos fiscais, a amortização do ágio somente tem seu início a partir do momento em que uma pessoa jurídica absorver patrimônio de outra que detém participação societária, por meio de incorporação, fusão ou cisão, conforme dispõe o art. 386 do RIR/99. Importante ressaltar que a regra de amortização do ágio aplica se, inclusive, no caso de a pessoa jurídica incorporada ter sido a controladora da sociedade que realizará a incorporação, conforme dispõe a alínea “b” do art. 8º da Lei nº 9.532/97. Vejamos: “Art. 8º O disposto no artigo anterior2 aplicase, inclusive, quando: (...) b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” Nesse sentido, o voto condutor acompanhou os moldes da fiscalização, no sentido de que o negócio jurídico teve o intuito exclusivamente fiscal, articulando transferências societárias restritas a empresas relacionadas entre si, não independentes e integrantes do Grupo Tim. Importante ressaltar que o aproveitamento fiscal pela Recorrente da despesa de amortização do ágio depois da reestruturação societária está diretamente vinculado à determinação do fundamento econômico do ágio. Assim, entendo que após a incorporação, o ágio gerado será contabilizado como despesa dedutível de amortização para efeitos fiscais. Por sua vez, quanto ao ponto, ao elaborar a ementa, o redator não fez referência à infração apontada. Confirase: POSSIBILIDADE A incorporação às avessas ou reversa não é proibida pelo ordenamento jurídico. Realizada por empresas operativas e com objetivo social semelhante, não pode ser tipificada como operação simulada, sobretudo quando e a busca de melhor eficiência do ponto de vista operacional. Sendo a ementa síntese da decisão colegiada, deve ela registrar o entendimento da Turma sobre a matéria decidida, qual seja, a falta de adição da amortização de ágio. Desta forma, se faz necessário sua alteração para: IRPJ/CSLL. ADIÇÃO DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. IMPROCEDÊNCIA. DESPESA DEDUTÍVEL A incorporação às avessas ou reversa não é proibida pelo ordenamento jurídico. Realizada por empresas operativas e com Fl. 4597DF CARF MF Processo nº 10480.721765/201146 Acórdão n.º 1301003.502 S1C3T1 Fl. 4.598 8 objetivo social semelhante, não pode ser tipificada como operação simulada, sobretudo quando se busca melhor eficiência do ponto de vista operacional. Assim, no caso concreto, incorreta a conclusão da autoridade fiscal quanto à adição da amortização de ágio, na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL. Por fim, a embargante aponta erro material no acórdão discutido. Como se sabe, as inexatidões materiais devem ser invocadas através de embargos inominados, de acordo com art. 66 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. No presente caso, sustenta a Embargante que no cabeçalho do acórdão, consta que a matéria tratada nos autos seria "Ágio Interno". Argumenta o sujeito passivo que o ágio em discussão no processo em comento não foi ágio interno, e acrescenta que no caso dos autos, é incontroverso que se trata de ágio efetivamente pago no âmbito de leilão de privatização de empresas de telecomunicações, não havendo que se falar em ágio interno. Com efeito, verificase que o ágio tratado nos autos não foi qualificado pela maioria do Colegiado como ágio interno, razão pela qual merece acolhimento a alegação de erro material. Sugerese a substituição por "Amortização de Ágio". Conclusão Com esses fundamentos, voto por acolher os embargos opostos, para suprir as omissões e o erro material apontado, sem efeitos infringentes, e ratificar o decidido no acórdão 1301002.208. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 4598DF CARF MF Processo nº 10480.721765/201146 Acórdão n.º 1301003.502 S1C3T1 Fl. 4.599 9 Fl. 4599DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.000340/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 03 40 /2 00 8- 17 Fl. 227DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário, efls. 215/223, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 0649.851 3ª Turma da DRJ/CTA, efls. 205/210, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade mantendo o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas na DCOMP nº 25265.65884.020408.1.3.046583. O relatório da decisão da DRJ de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Trata o presente processo do pedido de restituição protocolizado em formulário (papel), na data de 24/10/2007, relativo ao crédito de Cofins do 3º trimestre de 2007, no valor de R$ 6.458,12, fundamentado no art. 36 da Lei 10.833, de 2003. Em seu pedido, a contribuinte alega, em síntese, que sofreu a retenção do PIS e da Cofins (no percentual de 3,65%) sobre as operações de comercialização de produtos rurais e prestações de serviço de armazenamento que realizou com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), e que não conseguiu realizar a dedução dos valores retidos na contribuição devida, uma vez que, estando submetida a apuração da contribuição na modalidade não cumulativa, não apurou valor a pagar da contribuição no período, em face de os créditos gerados terem sido superiores ao valor do débito da contribuição. Por sua vez, a Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel – PR, após analisar o pleito constante do presente processo, emitiu, em 09/10/2012, o Despacho Decisório nº 462/2012, indeferindo o pedido de restituição formulado pela interessada. Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. Na seqüência, a autoridade a quo, ao identificar a existência da Declaração Eletrônica de Compensação nº 25265.65884.020408.1.3.046583, a qual utilizouse do crédito requerido no pedido de restituição, emitiu, em 22/10/2012, o Despacho Decisório nº 462/2012 – Retificação, por meio do qual foi indeferido o pedido de restituição e foram não homologadas as compensações declaradas na citada Dcomp. A contribuinte foi cientificada dos mencionados despachos decisórios em 11/10/2012 e em 24/10/2012 e apresentou duas manifestações de inconformidade, cujos teores são resumidos a seguir. Na primeira, apresentada em 23/10/2012, a interessada, primeiramente, após fazer um breve relato dos fatos, destaca que o pedido de restituição não se encontra prescrito, conforme ateste contido no despacho decisório, e que a retenção da Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10935.000340/200817 Acórdão n.º 3201004.280 S3C2T1 Fl. 228 3 contribuição, pela prestação de serviços para a Conab, é um fato incontroverso. A seguir, a contribuinte contesta o posicionamento adotado pela autoridade administrativa. Sustenta que, em conformidade com a legislação (art. 12, da IN RFB 900/2008), a existência de pagamento a maior (via retenção da contribuição) confere a contribuinte o direito à restituição, não sendo necessário analisarse a forma de tributação ou a isenção aplicada. Diz que “basta que o contribuinte não consiga se utilizarse dos valores retidos na fonte para abater de débitos das contribuições no mês de apuração das mesma, para surgir o seu direito ao pedido de restituição”, e que, no seu caso, foi exatamente isto que aconteceu, ou seja, no período em questão não foram apurados débitos da contribuição. Alega, também, que a ausência de contribuição no período consta comprovada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, e que para a análise do pleito não é necessária a verificação das saídas isentas, não tributadas, com suspensão e imunes da empresa. Na sequência, a interessada sustenta que houve erro material na análise de seu pleito. Diz que “A única prova a ser produzida é a da existência da retenção e da quitação dos tributos quando for positiva a sua apuração, o que se deu no presente processo.” Pede, diante do exposto, o acolhimento da manifestação apresentada para o fim de reformar o despacho decisório contestado e reconhecer o direito à restituição solicitada, acrescida dos juros equivalentes à taxa Selic. Na segunda manifestação, apresentada em 05/11/2012, a interessada repete o conteúdo da primeira manifestação acrescentado que: (i) a compensação foi realizada em conformidade com a legislação que rege a matéria e utilizando se do crédito a que tem direito no pedido de restituição; e (ii) que os tributos que foram não homologados devem ter sua exigibilidade suspensa, ao teor do que dispõe o § 5º do art. 66 da IN RFB nº 900, de 2008, combinado com o inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966). É o relatório. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 0649.851 3ª Turma da DRJ/CTA, efls. 205/210, está assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO. Inexistindo comprovação do direito creditório informado em Pedido de Restituição ou em Declaração de Compensação Fl. 229DF CARF MF 4 DCOMP, é de se indeferir o crédito solicitado e de considerar não homologada a compensação declarada. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Dos Fatos Inicialmente a Recorrente argui que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Cascavel, equivocouse ao analisar o pedido, fazendo confusão com isenções, não incidências e imunidades e análises que não tem qualquer relação com o pedido formulado, como se o pedido de restituição tivesse sido realizado com base e fundamento no artigo 27 da Instrução Normativa 900 de 2008. A Recorrente argumenta que o pedido de restituição se refere a créditos retidos da COFINS, pela prestação de serviços da ora Recorrente à CONAB. Alega ainda que o pedido restituição não se encontra prescrito. Do Direito A Recorrente sustenta ter havido pagamento (via retenção) a maior de COFINS do que o valor devido para o período em análise. Fundamenta o pedido restituição no artigo 12, da Instrução Normativa SRF 900/2008. Informa não haver conseguido utilizar os valores retidos na fonte a título de contribuição a COFINS para pagar débitos da mesma espécie no mesmo mês. Assim, adotou o procedimento constante do artigo 34 da IN RFB 900/2008 que trata da compensação de débitos próprios de tributos administrados pela RFB. Sustenta que a única prova necessária para fazer valer o seu direito ao crédito seria da existência da retenção e da quitação dos tributos quando for positiva a sua apuração, o que, segundo a mesma, ocorrera no presente processo. Argumenta quando a suspensão da exigibilidade do crédito nos termos do inciso III, do artigo 151, do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/1966). Do Pedido Ao final do RV a Recorrente pede que seja dado provimento ao recurso para reformar o acórdão da DRJ com a restituição/compensação da COFINS devidamente acrescida de juros pela taxa acumulada da Selic. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. De forma objetiva, a lide cingese quanto a certeza e liquidez do crédito. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10935.000340/200817 Acórdão n.º 3201004.280 S3C2T1 Fl. 229 5 No julgamento de primeira instância consta exatamente que a Recorrente não conseguiu comprovar tais créditos. Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. (Acórdão DRJ, efl. 206) As manifestações de inconformidade da Recorrente não colaboraram para o esclarecimento da dúvida da autoridade administrativa. Ao contrário, parecem enveredar por caminhos diversos da comprovação fática de retenção nas Notas Fiscais emitidas pela Conab. Sobre a necessidade de comprovação, cito trecho do Acórdão de primeira instância. Entendeu a autoridade fiscal que para se usufruir do direito à restituição/compensação previsto na legislação acima, é necessário que se comprove: (i) a retenção realizada; e (ii) o valor da contribuição devida no mês, a qual deve ser realizada pela demonstração da respectiva base de cálculo, composta por todas as receitas tributáveis e as possíveis exclusões (receitas isentas, não tributáveis, suspensões, imunidades e, no caso, receitas decorrentes de atos cooperativos), bem como dos créditos da não cumulatividade. No entanto, conforme se observa pela leitura do despacho decisório, a auditoria realizada pela fiscalização não conseguiu firmar convicção sobre o direito creditório requerido, uma vez que os documentos apresentados (arquivos digitais) não espelham (ou confirmam) as receitas de bens e serviços declaradas no Dacon, não se podendo afirmar com certeza se os valores das Notas fiscais emitidas para a CONAB constam dentro das receitas tributadas que compõem a base de cálculo da contribuição, e, por conseqüência, se houve a configuração da hipótese de restituição/compensação acima tratada. Ou seja, a autoridade a quo concluiu que o direito à restituição/compensação restou prejudicado, posto que não houve a comprovação material do mesmo. (Acórdão DRJ, efl. 209) O juízo a quo entendeu que a Recorrente pouco colaborou para esclarecer a certeza e liquidez. Cito trecho e uso como razão de fundamentar como se meu fosse: Nesse ponto, é bom que se lembre, que a autoridade a quo não mediu esforços para seu intento, mas, infelizmente, a contribuinte pouco colaborou. Talvez, digase, em face de um entendimento equivocado. E assim dessa mesma forma, como se vê na manifestação de inconformidade, a interessada prossegue insistindo em sua tese. Inverte os papéis, age como se não precisasse provar nada e, também, como se autoridade tributária fosse obrigada a Fl. 231DF CARF MF 6 reconhecer o seu suposto direito creditório sem a necessidade de qualquer verificação documental (ou de arquivos eletrônicos). Ora, a interessada esquece, ou simplesmente ignora, que a administração pública tem a sua atividade vinculada à lei e que, no presente caso, a legislação é clara no sentido de que o direito creditório (com direito à restituição ou compensação) somente é devido quando se comprove a impossibilidade de dedução dos valores retidos dos valores a pagar da contribuição no período, consubstanciada, em síntese, na demonstração da base de cálculo e na inexistência da contribuição. Com efeito, é de se dizer que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição da contribuinte, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas pela contribuinte de acordo com a legislação pertinente, autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (Acórdão DRJ, efl. 209) Sobre a necessidade de certeza e liquidez, há farta jurisprudência deste órgão de julgamento. CARF Acórdão nº 3403001.477 do Processo 13882.000037/200271 – Data: 20/03/2012 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ORIGEM CERTEZA. LIQUIDEZ. Compensação de crédito independe de autorização, entretanto, deve ser certo e liquido, constatado por meio de diligência fiscal a certeza, a liquidez decorre do próprio procedimento fiscal, impõe reconhecer o crédito e homologar as compensações efetivadas até o limite dos créditos apurados. CARF Acórdão nº 3403002.579 do Processo 10983.902416/200867 – Data: 24/10/2013 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma a manter o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas na Dcomp nº 25265.65884.020408.1.3.046583. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10935.000340/200817 Acórdão n.º 3201004.280 S3C2T1 Fl. 230 7 Fl. 233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.933766/2009-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
VIA POSTAL. AUSÊNCIA DO "AR". ENVELOPE. CARIMBO DOS CORREIOS. RECURSO TEMPESTIVO. CONHECIMENTO.
No que se refere à tempestividade, se conhece do recurso voluntário interposto no prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância.
Na hipótese de remessa do recurso por via postal, na ausência da cópia do aviso de recebimento "AR", será considerada como data da apresentação aquela constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope que contiver a remessa, quando da postagem da respectiva correspondência.
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA ALHEIA AO PROCESSO. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. INÉPCIA RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO.
O Recurso Voluntário que trata de matéria alheia ao processo evidencia inépcia recursal, não devendo, nesta parte, ser conhecido, em conformidade aos ditames do princípio da dialeticidade.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
DEFESA. ALEGAÇÕES. GENÉRICAS E IMOTIVADAS.
O sujeito passivo, ao se opor de maneira genérica, sem explicitar de forma pormenorizada seu inconformismo, em verdade, não realiza a contestação jurídica à qual estava incumbido de fazê-lo, na medida que não especifica quais incorreções estariam presentes no ato administrativo combatido.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO.
Tendo o Relator consignado na decisão de segunda instância que as partes não apresentaram, relativamente à matéria conhecida, novas razões de mérito perante o Carf, propondo, por consequência, a adoção da decisão recorrida como fundamento para decidir a controvérsia apresentada, é suficiente a transcrição dos termos da decisão da primeira instância.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. DESCONTO DOS DÉBITOS DO MESMO PERÍODO. SALDO CREDOR.
O saldo credor passível de ressarcimento em um dado trimestre deve refletir o saldo efetivamente acumulado no trimestre, descontados os correspondentes débitos apurados em igual período.
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. LIMITE DO CRÉDITO EXISTENTE.
É de se efetuar a compensação do débito tributário, a restituição e o ressarcimento do indébito até no limite do crédito existente, dado que destas hipóteses pressupõe-se a existência de créditos para o encontro de contas débitos versus créditos.
Numero da decisão: 3001-000.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, por desconhecer, em face da inépcia recursal, dos argumentos tecidos acerca da compensação realizada no âmbito de PER/Dcomp estranho àquele que foi objeto de apreciação no Despacho Decisório em questão, e no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 VIA POSTAL. AUSÊNCIA DO "AR". ENVELOPE. CARIMBO DOS CORREIOS. RECURSO TEMPESTIVO. CONHECIMENTO. No que se refere à tempestividade, se conhece do recurso voluntário interposto no prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Na hipótese de remessa do recurso por via postal, na ausência da cópia do aviso de recebimento "AR", será considerada como data da apresentação aquela constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope que contiver a remessa, quando da postagem da respectiva correspondência. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA ALHEIA AO PROCESSO. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. INÉPCIA RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. O Recurso Voluntário que trata de matéria alheia ao processo evidencia inépcia recursal, não devendo, nesta parte, ser conhecido, em conformidade aos ditames do princípio da dialeticidade. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DEFESA. ALEGAÇÕES. GENÉRICAS E IMOTIVADAS. O sujeito passivo, ao se opor de maneira genérica, sem explicitar de forma pormenorizada seu inconformismo, em verdade, não realiza a contestação jurídica à qual estava incumbido de fazê-lo, na medida que não especifica quais incorreções estariam presentes no ato administrativo combatido. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Tendo o Relator consignado na decisão de segunda instância que as partes não apresentaram, relativamente à matéria conhecida, novas razões de mérito perante o Carf, propondo, por consequência, a adoção da decisão recorrida como fundamento para decidir a controvérsia apresentada, é suficiente a transcrição dos termos da decisão da primeira instância. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. DESCONTO DOS DÉBITOS DO MESMO PERÍODO. SALDO CREDOR. O saldo credor passível de ressarcimento em um dado trimestre deve refletir o saldo efetivamente acumulado no trimestre, descontados os correspondentes débitos apurados em igual período. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. LIMITE DO CRÉDITO EXISTENTE. É de se efetuar a compensação do débito tributário, a restituição e o ressarcimento do indébito até no limite do crédito existente, dado que destas hipóteses pressupõe-se a existência de créditos para o encontro de contas débitos versus créditos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 VIA POSTAL. AUSÊNCIA DO "AR". ENVELOPE. CARIMBO DOS CORREIOS. RECURSO TEMPESTIVO. CONHECIMENTO. No que se refere à tempestividade, se conhece do recurso voluntário interposto no prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Na hipótese de remessa do recurso por via postal, na ausência da cópia do aviso de recebimento "AR", será considerada como data da apresentação aquela constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope que contiver a remessa, quando da postagem da respectiva correspondência. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA ALHEIA AO PROCESSO. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. INÉPCIA RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. O Recurso Voluntário que trata de matéria alheia ao processo evidencia inépcia recursal, não devendo, nesta parte, ser conhecido, em conformidade aos ditames do princípio da dialeticidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DEFESA. ALEGAÇÕES. GENÉRICAS E IMOTIVADAS. O sujeito passivo, ao se opor de maneira genérica, sem explicitar de forma pormenorizada seu inconformismo, em verdade, não realiza a contestação jurídica à qual estava incumbido de fazêlo, na medida que não especifica quais incorreções estariam presentes no ato administrativo combatido. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 37 66 /2 00 9- 12 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.933766/200912 Acórdão n.º 3001000.589 S3C0T1 Fl. 117 2 RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Tendo o Relator consignado na decisão de segunda instância que as partes não apresentaram, relativamente à matéria conhecida, novas razões de mérito perante o Carf, propondo, por consequência, a adoção da decisão recorrida como fundamento para decidir a controvérsia apresentada, é suficiente a transcrição dos termos da decisão da primeira instância. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. DESCONTO DOS DÉBITOS DO MESMO PERÍODO. SALDO CREDOR. O saldo credor passível de ressarcimento em um dado trimestre deve refletir o saldo efetivamente acumulado no trimestre, descontados os correspondentes débitos apurados em igual período. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. LIMITE DO CRÉDITO EXISTENTE. É de se efetuar a compensação do débito tributário, a restituição e o ressarcimento do indébito até no limite do crédito existente, dado que destas hipóteses pressupõese a existência de créditos para o encontro de contas débitos versus créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, por desconhecer, em face da inépcia recursal, dos argumentos tecidos acerca da compensação realizada no âmbito de PER/Dcomp estranho àquele que foi objeto de apreciação no Despacho Decisório em questão, e no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 103 a 112) interposto contra a decisão consubstanciada no Acórdão 1152.680, da 2ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE DRJ/REC, referente ao julgamento realizado em 27.04.2016 (efls. 98 a 101). Da decisão de 1ª instância O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa transcrevese, verbis: Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.933766/200912 Acórdão n.º 3001000.589 S3C0T1 Fl. 118 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ABATIMENTO DE DÉBITOS DO PERÍODO. SALDO CREDOR. O valor do saldo credor passível de ressarcimento em um dado trimestre deve refletir o saldo efetivamente acumulado no trimestre, abatidos os valores correspondentes aos débitos apurados no mesmo período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da síntese dos fatos Por sua clareza e síntese, adoto, na parte de interesse ao presente julgamento, o relatório da decisão recorrida, que reproduzo, verbis: Relatório Trata o presente processo de requerimento, formulado via PER/DCOMP (37585.15282.130405.1.1.015944), por meio do qual o contribuinte acima identificado reivindica, para fins de compensação, suposto direito creditório apontado como sendo correspondente a ressarcimento de IPI, referente ao 1º trimestre de 2005, na quantia de R$ 16.925,66 (valor do crédito solicitado/utilizado). A DERAT São Paulo, por meio de despacho decisório eletrônico (fl. 02), emitido em 05/10/2010, reconheceu apenas o valor de R$ 11.872,34, e, consequentemente, homologou parcialmente a compensação declarada. De acordo com a referida decisão administrativa, o reconhecimento apenas de parte do valor pleiteado se deu em face de ter sido constatado que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado e que houve utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Devidamente cientificado, o interessado apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade (fls. 87/89) na qual requer a reforma do ato decisório em causa, recapitulando as circunstâncias que teriam motivado o indeferimento do seu pleito e alegando que não haveria como o valor do crédito a ser ressarcido ser alterado, haja vista que os valores de entrada, saída e estornos por ele informados no pedido seriam idênticos aos que se encontram demonstrados na análise de crédito do despacho decisório. É o que importa relatar. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.933766/200912 Acórdão n.º 3001000.589 S3C0T1 Fl. 119 4 Do recurso voluntário Irresignado com a decisão recorrida, o contribuinte interpôs recurso voluntário para, além de repetir os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, inovar para aduzir a perda parcial de objeto do despacho decisório em exame, ao argumento que este foi exarado somente em outubro de 2010, ou seja, quando já transcorrido mais de cinco anos das declarações de compensação nºs 01035.13843.130405.1.3.018662 e 40674.02848.180805.1.3.018645, uma vez que transmitidas em 13.04.2005 e 18.08.2005, respectivamente, consoante dicção do parágrafo 5º do artigo 74, da Lei nº 9.430, de 1996. Salientando, para tanto, que prazo decadencial para lançamento é questão de ordem pública, podendo ser arguida a qualquer tempo. Ante o exposto, ao pleitear o regular processamento do presente feito, nos termos da legislação de regência, requer o reconhecimento (i) da homologação tácita dos valores compensados ou (ii) da integralidade do crédito restituído e consequente compensações. Do encaminhamento O presente processo digital foi encaminhado em 25.08.2017 para ser analisado por este Carf (efl. 114), sendo, posteriormente, distribuído para este relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo, de plano, que a teor do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, este Colegiado é competente para julgar o presente feito. Da ciência e tempestividade Consta dos autos a Intimação nº 1568/2017 (efl. 102), emitida pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT/SP, com a finalidade de dar ciência ao interessado do acórdão recorrido. Consta também a cópia do Aviso de Recebimento AR, entregue em 12.07.2017. No mesmo documento consta a informação da ECT confirmando a entrega no endereço do destinatário em 14.07.2017 (sexta feira), conforme extraise do carimbo e assinatura do preposto dos Correios. Observase ainda da cópia do envelope juntado à efl. 111 que o interessado postou sua petição recursal em 15.08.2017 (terça feira). Diante dessa peculiaridade, é oportuno transcrever o artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29.09.2011, que regulamenta, dentre outros, o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, verbis: Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.933766/200912 Acórdão n.º 3001000.589 S3C0T1 Fl. 120 5 Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) § 5º Na hipótese de remessa da impugnação por via postal, será considerada como data de sua apresentação a da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, o qual deverá trazer a indicação do destinatário da remessa e o número do protocolo do processo correspondente. § 6º Na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da apresentação da impugnação a constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope que contiver a remessa, quando da postagem da correspondência. § 7º No caso previsto no § 5º, a unidade de preparo deverá juntar, por anexação ao processo correspondente, o referido envelope. Assim, considerase como data da apresentação do recurso aquela constante do carimbo dos Correios aposto no envelope que o encaminhou, qual seja, 15 de agosto de 2017. O artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 06.03.1972, que trata do prazo da interposição de recurso voluntário contra decisão de primeira instância, dispõe, verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Por sua vez, o artigo 5º do mesmo Diploma Regulamentar disciplina como deve ser feita a contagem dos prazos processuais, verbis: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Dessa feita, considerando que no caso sob exame a ciência ocorreu em 14 de julho de 2017 (sexta feira), tendo, portanto, iniciado sua contagem em 17 de julho de 2017 (segunda feira), o trigésimo dia posterior deuse em 15 de agosto de 2017 (terça feira). Portanto, quanto aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, o recurso voluntário mostrase tempestivo, por respeitar o trintídio legal regrado pela legislação processual referenciada. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.933766/200912 Acórdão n.º 3001000.589 S3C0T1 Fl. 121 6 Da admissibilidade parcial do recurso Dispõem o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e os artigos 56 e 60 da Lei nº 9.784, de 29.01.1999, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. *** Art. 56 Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. Art. 60 O recurso interpõese por meio de requerimento no qual o recorrente deverá expor os fundamentos do pedido de reexame, podendo juntar os documentos que julgar convenientes. Conforme no tópico anterior, muito embora os requisitos extrínsecos de admissibilidade se encontrem presentes, há argumentos apresentados no recurso voluntário que não podem ser conhecidos, uma vez que não tem relação direta com a lide objeto destes autos. Digo isso em relação à aduzida perda parcial do objeto do despacho decisório sob exame, ao argumento de que foi exarado somente depois de já transcorrido mais de cinco anos das declarações de compensação nºs 01035.13843.130405.1.3.018662 e 40674.02848.180805.1.3.018645. Tal argumento, não obstante tratarse sim de questão de ordem pública, como bem asseverado pelo recorrente, decerto, não compreende a matéria objeto do litígio, conforme melhor explicitarei em seguida, assim, sob o prisma do princípio da dialeticidade, em atenção às prescrições legais acima reproduzidas, não deve e pode ser conhecida. Desta feita, frisando ainda, a competência material para o julgamento do feito, conheço do recurso, ressalvada a observação supra, posto que atendidos os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do objeto do despacho decisório e sua repercussão processual Para fins de elucidar os limites da apreciação deste voto condutor, se faz oportuno trazer a lume o objeto de apreciação de que trata o Despacho Decisório Nº de Rastreamento 887187674 emitido em 05.10.2010, e os fundamentos da respectiva decisão. Compulsando referido ato administrativo observase que se trata do resultado da análise realizada pela autoridade fiscal competente da Derat São Paulo, procedida sobre o PER/Dcomp nº 37585.15282.130405.1.1.015944, que foi transmitido pelo sujeito passivo para requerer o ressarcimento de crédito de IPI, referente ao período de apuração do 1º trimestre de 2005, que entendia ser de seu direito. Ainda, do seu quadro "3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL" colhese as seguintes informações, ipsis litteris: Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.933766/200912 Acórdão n.º 3001000.589 S3C0T1 Fl. 122 7 Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 16.925,66 Valor do crédito reconhecido: R$ 11.872,34 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento do trimestre em períodos subseqüentes, até a data da apresentação do PER/DCOMP. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 01035.13843.130405.1.3.018662 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 11100.79349.260707.1.3.018760 40674.02848.180805.1.3.018645 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 07167.37545.260707.1.1.012340 37585.15282.130405.1.1.015944 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/10/2010. PRINCIPAL MULTA JUROS 7.815,07 1.563,01 6.197,02 Para informações sobre a análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMP Despacho Decisório". Enquadramento Legal: Art. 11 da Lei nº 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Por escorreito, se o sujeito passivo comprovar que pagou valores a título de tributos que acabam se revelando indevidos, tem ele direito de pedir a sua devolução, em sentido lato, independente de protesto judicial. O termo repetição de indébito tributário está disciplinado no CTN, nos seus artigos 165 a 169, e significa o retorno de importância paga indevidamente. O principal fundamento para a sua restituição está na ausência de causa jurídica para a cobrança pela Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.933766/200912 Acórdão n.º 3001000.589 S3C0T1 Fl. 123 8 Fazenda Pública, com amparo no princípio do enriquecimento ilícito ou sem causa, que é norma geral de repúdio ao locupletamento, e que gera direito a devolução. Verificado no processo que houve pagamento indevido, cabe então à Administração tributária tratar da repetição de indébito tributário em si, suas formas e, principalmente, a quem cabe a devolução do tributo pago indevidamente. Mas tal, conforme extraise do quadro "3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL", não ocorreu, em sua integralidade, ao que referese ao pleito inaugurado com a transmissão do PER/Dcomp nº 37585.15282.130405.1.1.015944, único objeto da contenda tratada nestes autos. Logo, por se tratar de matéria estranha aos presentes autos, o inconformismo do recorrente acerca da extemporaneidade de a Fazenda Pública Federal se pronunciar sobre as compensações efetuadas no âmbito dos PER/Dcomp nºs 01035.13843.130405.1.3.018662 e 40674.02848.180805.1.3.018645, por óbvio, não serão objeto de análise neste voto condutor. Do mérito Da permissão da adoção da decisão recorrida Dispõe o artigo 57 da Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, que aprovou o Ricarf, verbis: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) Da fundamentação adotada Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.933766/200912 Acórdão n.º 3001000.589 S3C0T1 Fl. 124 9 Verificandose que o recorrente reitera perante este colegiado, quanto ao cerne dos argumentos meritórios aduzidos, os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, ao amparo do permissivo regimental estatuído no artigo 57 da Portaria MF 343, de 2015, acima reproduzido, e também em respeito aos ditames da praticidade, economicidade e coerência, os quais, na medida do praticável, devem nortear os feitos da Administração Pública, por acolher integralmente os termos do voto condutor do acórdão recorrido, da lavra do Relator Nelson Barbosa Caldas Júnior, com a devida licença, adotoos, por seus próprios fundamentos, como razão de decidir, que transcrevo a seguir, verbis: Voto Inicialmente, vale registrar, por relevante, que todos os valores estampados no Despacho Decisório combatido derivam de informações prestadas pelo interessado nos documentos eletrônicos transmitidos (PER/DCOMP) e também de registros constantes dos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), assim como as conclusões apresentadas seguem a lógica definida pela RFB para o exame eletrônico da legitimidade dos pedidos de ressarcimento/compensação. Nesse contexto, é de se destacar que a verificação eletrônica que visa atestar a legitimidade do valor pleiteado pelo contribuinte, encetada no âmbito do Sistema de Controle de Créditos e Compensações (SCC), consiste tanto no cálculo do saldo credor de IPI passível de ressarcimento, apurado ao fim do trimestre calendário a que se refere o pedido, como na verificação de que esse saldo se mantém na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP. Constatada a utilização integral ou parcial do saldo credor existente no final do trimestre, indeferese total ou parcialmente o ressarcimento. O fundamento para tal procedimento está baseado no sistema de apuração e utilização dos créditos do imposto (princípio da não cumulatividade), em conformidade com o artigo 195, do RIPI/2002: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2º (Lei nº 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9779, de 1999, art. 11). § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.933766/200912 Acórdão n.º 3001000.589 S3C0T1 Fl. 125 10 o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). (destaques acrescidos) Dessa forma, a apuração de um valor de saldo credor em um dado trimestre não é garantia, por si só, de que tal valor será integralmente passível de ressarcimento. No caso concreto, a teor da tabela complementar ao despacho decisório intitulada “Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível”, anexada às fls. 03/04 dos autos e abaixo transcrita, o já referido sistema SCC identificou, como se observa na coluna "Débitos Ajustados", a ocorrência de débitos de IPI, apurados a partir de informações prestadas pelo próprio interessado e relativas ao trimestre objeto do requerimento, o que acabou determinando a redução do saldo credor a ser ressarcido (coluna i): (...) Conforme se constata, o obstáculo ao deferimento integral do pleito formulado materializouse através da verificação eletrônica da utilização do saldo credor, na qual foi observada a ocorrência e efetivado o abatimento de débitos surgidos no próprio período objeto de requerimento. Por outro lado, importa ressaltar que, a utilização do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, apesar de ter sido indicada na decisão exarada como um dos motivos determinantes ao deferimento parcial do pleito formulado, não ocasionou nenhuma repercussão no valor reconhecido, conforme se observa da tabela denominada “Demonstrativo da Apuração Após o Período do Ressarcimento”, anexada às fls. 04/05 dos autos, de forma que não interferiu de maneira a reduzir ainda mais o valor deferido e, portanto, dispensa maiores comentários a respeito. Reforço aos fundamentos da decisão recorrida que se adota Da restituição, compensação, ressarcimento Da possibilidade de apropriação do crédito Consoante se percebe da leitura da peça recursal acostada às efls. 103 a 112, o Recorrente se opõe de maneira genérica ao Despacho Decisório, mantido incólume pela Decisão Recorrida, deixando de contestar e explicitar, de forma pormenorizada, quais incorreções estariam presentes no referido ato administrativo, não apresenta justificativas, além de não colacionar qualquer documento objetivando contraporse às glosas efetuadas. O que poderia ensejar, inclusive, o não conhecimento por ausência de contestação explicita e conforme, mesmo tendo perfeita compreensão dos fatos que motivaram a apuração do crédito tributário, que, por si só, evidencia que restaram plenamente assegurados o exercício à ampla defesa e ao contraditório. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.933766/200912 Acórdão n.º 3001000.589 S3C0T1 Fl. 126 11 Enfim, verificase que a Fiscalização procedeu ao exame da escrituração, mediante o confronto dos débitos e créditos, num determinado período de apuração do imposto, apurando crédito de IPI a favor do sujeito passivo no importe de R$ 11.872,34. Em outras palavras, inferior ao valor solicitado, que foi no importe de R$ 16.925,66, e como se disse alhures, o contribuinte foi cientificado do procedimento fiscal que apurou corretamente seu crédito e teve oportunidade para se defender da diferença apontada pelo fisco. Daí que, comprovada nos autos a existência de crédito do sujeito passivo para absorver o débito tributário, efetuase a compensação do débito tributário somente até no limite daquele crédito, pois a compensação pressupõe a existência de créditos para o encontro de contas débitos versus créditos. Contrário senso, vejase a legislação de regência artigo 170 do CTN, Lei nº 5.172, de 25.10.1966, onde se confirma, em se tratando de compensação, a necessidade da certeza e liquidez do crédito do sujeito passivo, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Da conclusão Por todo o exposto, encaminho voto no sentido de conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, haja vista que desconhecese, por inépcia recursal, dos argumentos acerca das compensações realizadas no âmbito de PER/Dcomp estranhos àquele que foi objeto de apreciação no Despacho Decisório para, na parte conhecida, negarlhe provimento, mantendo se a decisão exarada em primeira instância. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.722353/2017-94
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE - REDIMENTOS AUFERIDOS DE PENSÃO
O contribuinte que recebe pensão e tendo reconhecida a moléstia grave terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos.
Numero da decisão: 2002-000.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1330; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 191 1 190 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.722353/201794 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.423 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO Recorrente ANDRE GUILHERME WESSEL RODRIGUES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2014 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE REDIMENTOS AUFERIDOS DE PENSÃO O contribuinte que recebe pensão e tendo reconhecida a moléstia grave terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 23 53 /2 01 7- 94 Fl. 191DF CARF MF 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 07 a 12), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício sujeitos a tabela progressiva, recebidos pelo titular, além de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Tal autuação implicou em lançamento de imposto suplementar de R$ 27.802,64, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, as efls. 02 a 63 dos autos, que, conforme a decisão da DRJ: Na impugnação (fls. 4/6), o contribuinte, representado por procurador (fls 13/15), alega inexistir omissão porque os rendimentos foram declarados como isentos e não tributáveis, pois o contribuinte é portador de TEA ou Autismo, incapaz para a vida civil e interditado judicialmente. Os rendimentos pagos pela pessoa jurídica e pela pessoa física decorrem de pensão alimentícia e são descontados de rendimentos de aposentadoria do beneficiário, CPF 167.925.05072. A impugnação foi apreciada na 2ª Turma da DRJ/SDR que, por unanimidade, em 31/07/2017, no acórdão 1543.026, às efls. 79 a 81, julgou a impugnação parcialmente procedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, em 21/09/2017, apresentou recurso voluntário, às efls. 87 a 189, no qual alega, em resumo, que é portador de doença mental que o torna absolutamente incapaz, motivo pelo qual seus proventos seriam isentos. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 25/08/2017, efls. 84, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 21/09/2017, eflls. 87, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O presente processo assentase na suposta omissão de rendimentos, de R$ 141.201,69, recebidos de pessoa jurídica (R$ 29.947,30) e de pessoas físicas (R$ 111.254,39). Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11080.722353/201794 Acórdão n.º 2002000.423 S2C0T2 Fl. 192 3 Em sua peça de defesa, o contribuinte alega inexistir omissão, já que os rendimentos foram declarados como isentos e não tributáveis, pois portador de TEA ou Autismo, incapaz para a vida civil e interditado judicialmente. Assim, seus rendimentos decorrem de pensão alimentícia e são descontados de rendimentos de aposentadoria do beneficiário, CPF 167.925.05072. A decisão da DRJ afastou parte da autuação, conforme se vê: Cabe registrar ainda que as informações constantes nos bancos de dados da RFB indicam que o alimentante, pessoa física, pagou como pensão alimentícia ao contribuinte, no ano calendário 2014, o total de R$ 111.254,39, aí incluídos, R$ 29.947,30, informados como pagos pelo Fundo do Regime Geral de Previdência Social, em Dirf com o CPF docontribuinte, a exigir a revisão do lançamento. (...) Isto posto, voto no sentido de julgar a impugnação procedente em parte, por exonerar R$ 8.235,51, e por manter o imposto de renda de R$ 19.567,13, com os acréscimos legais pertinentes. Da exegese da Lei nº 7.713/88 e do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), comase em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º) XXXIV os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, até o valor de novecentos reais por mês, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista Fl. 193DF CARF MF 4 na tabela de incidência mensal do imposto (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XV, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 28); § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.(grifos nossos) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) IRPF – ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE A Lei prescreve especificamente que prova de moléstia grave somente pode ser feita com laudo de órgão oficial. (Acórdão nº. : 10244.418 14/09/2000) Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11080.722353/201794 Acórdão n.º 2002000.423 S2C0T2 Fl. 193 5 De fato o contribuinte, conforme certidão de interdição, às efls. 102, constata que o contribuinte possui enfermidades mentais, como autismo CID F840, transtorno obsessivo compulsivo CID F421 e retardo mental moderado CID F11, sendo clara a moléstia grave que o acomete. Às efls. 114 a 118 há comprovação que o contribuinte recebe valores à título de pensão de seu genitor. Diante do exposto, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 195DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.000383/2007-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que se verifique se a empresa à época, cumpria os requisitos do art. 195, par. 7o da CF, vencidos o relator (Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) e o Cons. André Henrique Lemos. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. Tiago Guerra Machado. Submetida a primeira votação o mérito, surgiram quatro teses, no colegiado: (a) a de negativa de provimento por carência probatória a cargo do impugnante, que alega em impugnação enquadramento no art. 195, par. 7o da Constituição Federal (CF), sem prova, defendida pelos Cons. Mara Cristina Sifuentes e Rosaldo Trevisan; (b) a de conversão em diligência, para que se verifique se a empresa à época, cumpria os requisitos do art. 195, par. 7o da CF, defendida pelos Cons. Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares e Cássio Schappo; (c) a de negativa de provimento por não ser a empresa uma entidade de assistência social, defendida pelo Cons. Marcos Roberto da Silva; (d) de que a entidade é de assistência social, enquadrando-se no art. 195, par. 7o da CF, defendida pelo relator (Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) e pelo Cons. André Henrique Lemos. Em primeira votação, excluída a tese "c", apoiada somente pelos Cons. Mara Cristina Sifuentes e Rosaldo Trevisan. Em segunda votação, O Cons. Rosaldo Trevisan modificou seu voto e aderiu à tese que propõe a diligência, que, em última votação, prevaleceu, vencidos o relator (Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) e o Cons. André Henrique Lemos. Decidiu ainda o colegiado, por voto de qualidade, vencidos os Cons. Tiago Guerra Machado, André Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Cássio Schappo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado, Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que se verifique se a empresa à época, cumpria os requisitos do art. 195, par. 7o da CF, vencidos o relator (Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) e o Cons. André Henrique Lemos. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. Tiago Guerra Machado. Submetida a primeira votação o mérito, surgiram quatro teses, no colegiado: (a) a de negativa de provimento por carência probatória a cargo do impugnante, que alega em impugnação enquadramento no art. 195, par. 7o da Constituição Federal (CF), sem prova, defendida pelos Cons. Mara Cristina Sifuentes e Rosaldo Trevisan; (b) a de conversão em diligência, para que se verifique se a empresa à época, cumpria os requisitos do art. 195, par. 7o da CF, defendida pelos Cons. Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares e Cássio Schappo; (c) a de negativa de provimento por não ser a empresa uma entidade de assistência social, defendida pelo Cons. Marcos Roberto da Silva; (d) de que a entidade é de assistência social, enquadrando-se no art. 195, par. 7o da CF, defendida pelo relator (Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) e pelo Cons. André Henrique Lemos. Em primeira votação, excluída a tese "c", apoiada somente pelos Cons. Mara Cristina Sifuentes e Rosaldo Trevisan. Em segunda votação, O Cons. Rosaldo Trevisan modificou seu voto e aderiu à tese que propõe a diligência, que, em última votação, prevaleceu, vencidos o relator (Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) e o Cons. André Henrique Lemos. Decidiu ainda o colegiado, por voto de qualidade, vencidos os Cons. Tiago Guerra Machado, André Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Cássio Schappo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado, Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que se verifique se a empresa à época, cumpria os requisitos do art. 195, par. 7o da CF, vencidos o relator (Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) e o Cons. André Henrique Lemos. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. Tiago Guerra Machado. Submetida a primeira votação o mérito, surgiram quatro teses, no colegiado: (a) a de negativa de provimento por carência probatória a cargo do impugnante, que alega em impugnação enquadramento no art. 195, par. 7o da Constituição Federal (CF), sem prova, defendida pelos Cons. Mara Cristina Sifuentes e Rosaldo Trevisan; (b) a de conversão em diligência, para que se verifique se a empresa à época, cumpria os requisitos do art. 195, par. 7o da CF, defendida pelos Cons. Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares e Cássio Schappo; (c) a de negativa de provimento por não ser a empresa uma entidade de assistência social, defendida pelo Cons. Marcos Roberto da Silva; (d) de que a entidade é de assistência social, enquadrandose no art. 195, par. 7o da CF, defendida pelo relator (Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) e pelo Cons. André Henrique Lemos. Em primeira votação, excluída a tese "c", apoiada somente pelos Cons. Mara Cristina Sifuentes e Rosaldo Trevisan. Em segunda votação, O Cons. Rosaldo Trevisan modificou seu voto e aderiu à tese que propõe a diligência, que, em última votação, prevaleceu, vencidos o relator (Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) e o Cons. André Henrique Lemos. Decidiu ainda o colegiado, por voto de qualidade, vencidos os Cons. Tiago Guerra Machado, André Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Cássio Schappo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 40 .0 00 38 3/ 20 07 -6 5 Fl. 529DF CARF MF Processo nº 19740.000383/200765 Resolução nº 3401001.461 S3C4T1 Fl. 530 2 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado, Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase do autos de infração, situados às fls. 282 a 285 (cofins) e 286 a 289 (PIS), em razão da falta de recolhimento de PIS e Cofins, referentes ao período de apuração compreendido entre 06/2003 e 03/2007, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 209.286,32. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, situado às fls. 259 a 269, narra a autoridade fiscal que o procedimento teve início com pesquisa nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil e análise de informações prestadas pela contribuinte por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), que indicaram a ausência recolhimentos ou declarações de débitos de PIS e COFINS no período fiscalizado sob o argumento de ter sido reconhecida a sua imunidade tributária pelo Supremo Tribunal Federal com base na alínea 'c' do inciso VI do art. 150 da Constituição de 1988, na condição de entidade de assistência social em virtude de exercer atividades a título gratuito, i.e., sem contraprestação pecuniária de seus beneficiários. No entendimento da autoridade fiscal, a imunidade se restringe a impostos, não se estendendo às contribuições em apreço e, não tendo a contribuinte apresentado amparo judicial a suas pretensões, procedeu ao lançamento de ofício. A contribuinte, intimada em 07/11/2007, apresentou, em 27/11/2007, a impugnação, situada às fls. 315 a 335, na qual argumentou, em síntese: (i) o § 7° do art. 195 da Constituição de 1988 isenta de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de "assistência social" que atendam às exigências estabelecidas em lei, enquadrandose a impugnante, ora recorrente, neste conceito, pouco importando se atende aos empregados das empresas patrocinadoras; (ii) o Supremo Tribunal Federal reconheceu a imunidade em análise no Recurso Extraordinário nº 235.00309, de relatoria do Ministro Moreira Alves, que entendeu que a imunidade prevista na alínea 'c' do inciso VI do art. 150 alcança as entidades fechadas de previdência privada em que não há a contribuição dos Fl. 530DF CARF MF Processo nº 19740.000383/200765 Resolução nº 3401001.461 S3C4T1 Fl. 531 3 beneficiários, decisão esta de cunho declaratório, cuja coisa julgada irradia efeitos sobre a recorrente; (iii) inexistência de base de cálculo, uma vez que a recorrente não tem faturamento nos termos da Lei nº 9.718/1998 e não pode sofrer a incidência sobre a totalidade de suas receitas, i.e., sobre as contribuições recebidas de suas patrocinadoras, bem como o resultado do programa de investimento. Em 17/04/2012, a 16ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) proferiu o Acórdão DRJ nº 1245.473, situado às fls. 368 a 378, de relatoria do AuditorFiscal Carlos Henrique Gomes, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. ASSISTÊNCIA SOCIAL. As entidades de previdência privada não se encontram abrangidas pelo conceito de assistência social. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. INCIDÊNCIA DA COFINS. A Cofins, devida pelas entidades fechadas de previdência privada, é calculada com base no seu faturamento, entendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. FATURAMENTO. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Os repasses efetuados pelas patrocinadoras das EFPP constituem receitas operacionais, que integram o faturamento ou receita bruta compondo a base de cálculo da COFINS definida na Lei Complementar 70/91 e na Lei 9.718/98. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. ASSISTÊNCIA SOCIAL. As entidades de previdência privada não se encontram abrangidas pelo conceito de assistência social. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. INCIDÊNCIA DO PIS. A Contribuição para o PIS, devida pelas entidades fechadas de previdência privada, é calculada com base no seu faturamento, entendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas FATURAMENTO. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 19740.000383/200765 Resolução nº 3401001.461 S3C4T1 Fl. 532 4 Os repasses efetuados pelas patrocinadoras das EFPP constituem receitas operacionais, que integram o faturamento ou receita bruta compondo a base de cálculo do PIS definida na Lei 9.718/98. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi intimada pessoalmente em 14/01/2013 e, novamente, via postal em 25/02/2013, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 415 e, em 08/02/2013, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 159 a 179, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Extraise do §7° do art. 195 da Constituição de 1988 norma isentiva constitucionalmente qualificada de contribuição para a seguridade social das entidades beneficentes de "assistência social" que atendam às exigências estabelecidas em lei. A discussão a respeito da exigência do preceptivo magno foi ricamente discutida tendo como ponto de partida o a alínea 'c' do inciso VI do art. 150, tendo o Superior Tribunal de Justiça decidido, no AgReg no AResp nº 187.172DF, que, caso comprovado o atendimento aos requisitos ventilados em lei ordinária, improcedente a exigência de certificado próprio e válido para a fruição do beneplácito. Ao se voltar especificamente ao § 7º do art. 195, no entanto, o Supremo Tribunal Federal analisou a própria possibilidade de o legislador ordinário estabelecer requisitos adicionais àqueles do art. 14 do Código Tributário Nacional, o que conduziu ao reconhecimento da repercussão geral do Recurso Extraordinário nº 566.622, matéria, ademais, tratada em controle concentrado nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 2028, nº 2036, nº 2228 e nº 2621. Em 23/02/2017, as ações foram julgadas pelo órgão Plenário, tendo sido formado entendimento no sentido da inconstitucionalidade de lei ordinária estender os requisitos definidos em norma de estatura complementar em lei complementar, em decorrência do disposto no inciso III do art. 146 da Constituição de 1988. Assim, o do §7° do art. 195, ao estatuir isenção constitucional, de efeito imunizante, condicionoua ao atendimento das "exigências estabelecidas em lei", devendose entender lei como "lei complementar". No Recurso Extraordinário nº 566.622 foi fixada, desta feita, a seguinte tese, para fim de repercussão geral: “Os requisitos para o gozo de imunidade hão de estar previstos em lei complementar”. Em outras palavras, são única e exclusivamente os seguintes os requisitos exigíveis, no ordenamento pátrio, para que se reconheça a isenção das contribuições para a seguridade social dirigida às entidades beneficentes de assistência social: (i) não distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (ii) aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; (iii) Fl. 532DF CARF MF Processo nº 19740.000383/200765 Resolução nº 3401001.461 S3C4T1 Fl. 533 5 manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, em conformidade com o seguinte recorte normativo: Constituição Federal de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (...) Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (...) b) a receita ou o faturamento; (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Código Tributário Nacional Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. De toda sorte, a contribuinte se trata de entidade que se ressente de contribuição dos beneficiários, contanto unicamente com aquela proveniente dos patrocinadores. Cabe, assim, o especialíssimo questionamento a respeito de as entidades de previdência privada se encontrarem ou não abrangidas pelo conceito de "assistência social". Sob este pálio, impende observar o seu estatuto social, situado às fls. 290 a 304, cujo trecho abaixo transcrevemos: Fl. 533DF CARF MF Processo nº 19740.000383/200765 Resolução nº 3401001.461 S3C4T1 Fl. 534 6 De fato, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a imunidade em análise no Recurso Extraordinário nº 235.00309, de relatoria do Ministro Moreira Alves, que entendeu que a regra prevista na alínea 'c' do inciso VI do art. 150 alcança as entidades fechadas de previdência privada em que não há a contribuição dos beneficiários, decisão esta de cunho declaratório, cuja coisa julgada, ocorrida em 14/05/2002, irradia efeitos sobre a recorrente ao não ter sido conhecido o recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional: Fl. 534DF CARF MF Processo nº 19740.000383/200765 Resolução nº 3401001.461 S3C4T1 Fl. 535 7 O aresto em referência conferiu definitividade à decisão recorrida, proferida nos seguintes termos em favor da ora recorrente: Fl. 535DF CARF MF Processo nº 19740.000383/200765 Resolução nº 3401001.461 S3C4T1 Fl. 536 8 Tal decisão tem como supedâneo o quanto decidido no Recurso Extraordinário nº 259.7562/RJ e as razões emanadas pela Súmula STF nº 730, editada em 11/12/2003 com a seguinte redação: "A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, "c", da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários" que, aliás, foi objeto da Proposta de Súmula Vinculante nº 109, rejeitada em sessão de 09/04/2015. Observe se que, não obstante a rejeição, há precedente posterior ao enunciado de 2003 em que se reconheceu que a inexistência de contribuição, por parte dos prestadores de serviço, para obtenção de benefícios de previdência privada fechada, conduz ao reconhecimento do direito à imunidade tributária em referência, conforme Segundo Agravo Regimental no Recurso Extraordinário nº 766.352, de relatoria da Ministra Rosa Weber, 1ª Turma, em sessão de 09/04/2014. Argumenta a recorrente, ainda, a inexistência de base de cálculo, uma vez que a recorrente não apresenta faturamento nos termos da Lei nº 9.718/1998, e não pode sofrer a incidência sobre a totalidade de suas receitas, i.e., sobre as contribuições recebidas de suas patrocinadoras, bem como o resultado do programa de investimento. De fato, até o marco miliário traçado pela Lei nº 12.973/2014, a receita bruta não deve, no plano do direito, ser equiparada a receita operacional. A lei de 1998, ao dispor a identidade entre faturamento e receita bruta como totalidade das receitas, indispôsse com o inciso I do art. 195 da Constituição, com o conceito construído pelo direito comercial e com a restrição veiculada pelo art. 110 do Código Tributário Nacional, conforme decisão prolatada pelo Supremo Tribunal Federal nos amplamente conhecidos Recursos Extraordinários nº 346.084/PR, 390.840/MG, 358.273/RS e 357.950/RS, que expungiu do ordenamento, por vício de inconstitucionalidade, o § 1º da art. 3º da Lei 9.718/98, precedente caro ao presente caso, no qual se pretende a cobrança de PIS e Cofins sobre, verbis, "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica", o que não encontra amparo positivo. Tal ocorre, ademais, porque, no caso do PIS, o fundamento de validade tem matriz constitucional no art. 239 que, mais do que recepcionar, alçou à estatura constitucional a Lei Complementar nº 7/1970, encontrando a definição de faturamento, em primeiro momento, na Medida Provisória nº 1.212/1995 e, posteriormente, na Lei nº 9.718/1998. A questão atinente à Cofins resta ainda mais evidente, pois encontra lastro no inciso I do art. 195 da Constituição, encontrandose a definição de faturamento no art. 2º da Lei Complementar nº 70/1991: "faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza". Observese que o conceito legal de “receita bruta” seria expressamente alterado apenas em 2014, com o advento da Lei nº 12.973/2014, que deu nova redação ao art. 12 do Decretolei nº 1.598/1977: Lei nº 12.973/2014 Art. 12. A receita bruta compreende: I. O produto da venda de bens nas operações de conta própria; II. O preço da prestação de serviços em geral; III. O resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV. as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidos nos incisos I a III. Observese que a necessidade expressa pelo legislador de introduzir dispositivo com o fito de prover inovação legislativa revela que, antes de seu advento, não havia norma legal semelhante àquela por ele introduzida e, neste sentido, a Lei nº 12.973/2014, ao incluir no Fl. 536DF CARF MF Processo nº 19740.000383/200765 Resolução nº 3401001.461 S3C4T1 Fl. 537 9 conceito de receita bruta, residualmente, as “receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III”, assente para o fato de que tais receitas não estavam antes abrangidas por esse conceito. Entender de maneira diversa implicaria extravasar o conceito de faturamento, em evidente violação do quanto preceituado pela Lei nº 9.718/1998, pelo art. 110 do Código Tributário Nacional, e pelo inciso I do art. 195 e pelo art. 239 da Constituição Federal. Não obstante, a receita auferida com a remuneração de seus investimentos deve ser considerada, sem margem para maiores ilações, receita financeira, não sujeita, portanto, à incidência das contribuições, e não podem ser equiparadas a faturamento, pois ausente o cunho econômico na relação jurídica entre patrocinadora e entidade de previdência privada. Registramos, a latere, contextualização do debate em torno da tributação das receitas financeiras realizada na Resolução CARF nº 3401001.132, proferida em sessão de 07/03/2017, de nossa relatoria: "A incidência de tais tributos sobre as receitas financeiras tem sido objeto de questionamento no âmbito do Supremo Tribunal Federal, ao tratar da abrangência da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, o que tem sido discutido no Recurso Extraordinário nº 609.096/RS, com repercussão geral reconhecida, e cujos efeitos desbordarão sobre as instituições financeiras, que apuram sob a sistemática cumulativa. Há de se recordar, sob tal perspectiva, que remanesceu, após o julgamento dos Recursos Extraordinários nº 357.950, nº 390.840, nº 358.273 e nº 346.084 em 18/05/2005, dúvida e insegurança sobre a base de cálculo das contribuições para empresas que exploram as atividades financeiras, como é o caso da recorrente. A incerteza se intensificou, ademais, com o voto do Ministro Cezar Peluso proferido nos autos do Recurso Extraordinário nº 400.4798/RJ, em que afirmou que o conceito de faturamento envolve não apenas a venda mercadorias e a prestação de serviços, mas a soma das receitas de suas atividades empresariais, o que ensejou, de todo modo, a edição da Nota Técnica COSIT nº 21/2006 pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional que expressou entendimento no sentido de que os serviços bancários, em conformidade com a Lista Anexa da Lei Complementar nº 116/2003, e de intermediação financeira estariam albergados pelo conceito de faturamento. No ano seguinte, o órgão editou também o Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, utilizado como fundamento pela autoridade fiscal para realizar o lançamento ora combalido, que, com base no voto acima, nas disposições do General Agreement on Trade in Services (GATS), e do Código de Defesa do Consumidor (CDC), concluiu que as receitas decorrentes do objeto social da empresa (receitas operacionais) deverm compor o faturamento. A latere, ainda em virtude da decisão da Suprema Corte de maio de 2005, foi editada, em 03/12/2008, a Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, que alterou a Lei nº 9.718/1998 para a finalidade de restringir a base de cálculo das contribuições ao faturamento. A questão, não obstante, ganhou novo colorido jurídico com a edição da Medida Provisória nº 627/2013, posteriormente convertida na Lei nº 12.973/2014, cujo art. 2º, ao alterar a redação do DecretoLei nº 1.598/1977, inovou o ordenamento jurídico ao definir a receita bruta como (i) o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (ii) o preço da prestação de serviços em geral; (iii) o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (iv) as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nas hipóteses anteriores. Como é cediço, questão sensivelmente diversa, ora tratada como excursus, voltada a empresas que apuram pelo regime nãocumulativo, é aquela referente ao §2º do art. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 19740.000383/200765 Resolução nº 3401001.461 S3C4T1 Fl. 538 10 27 da Lei nº 10.865/2004, que concedeu ao Poder Executivo autorização para reduzir e restabelecer, até os percentuais previstos nos incisos I e II do art. 8º da lei em referência, as alíquotas das contribuições em comento incidentes sobre as receitas financeiras. O art. 1º do Decreto nº 5.442/2005, com fundamento de validade no dispositivo acima descrito, reduziu a zero as alíquotas incidentes sobre as receitas financeiras; contudo, no contexto do chamado "ajuste fiscal", o Poder Executivo editou, em 1º de abril de 2015, o Decreto nº 8.426/2015, restabelecendo as alíquotas das contribuições, com as correções do Decreto nº 8.451/2015. Discutese a inconstitucionalidade da Lei nº 10.865/2004 e, por decorrência, das disposições infralegais que a tomaram como pressuposto de validade, seja por afronta a predicados de reserva de lei para a majoração de tributos, salvo nos casos excepcionalíssimos que atendem a funções de indução do comportamento dos agentes econômicos, ou de indelegabilidade de funções ao Poder Executivo, o que implicaria a nãorevogação (e não a repristinação, pelo caráter interpretativo da decisão) do Decreto nº 5.442/2005" A questão foi decidida no Recurso Especial nº 1.586.950, que tramitou na 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça , sob a relatoria do ministro Napoleão Nunes Maia Filho, e decidiu pela manutenção da tributação das receitas financeiras, havendo manifestação da Ministra Rosa Weber, no Recurso Extraordinário nº 981.760/RS, de que a discussão, que versa sobre legislação infraconstitucional, não é da competência do Supremo Tribunal Federal. A presente discussão, como se percebe, uma vez contextualizada com os elementos acima delineados, cingese à incidência das contribuições sobre receitas financeiras de entidades fechadas de previdência privada. Assim, é possível se entender da seguinte maneira: (i) as remunerações recebidas das patrocinadoras não podem ser equiparadas a faturamento, pois não constituem faturamento; e (ii) a receita reconhecida com a remuneração de seus investimentos deve ser entendida como receita financeira e, logo, insubsistente a cobrança de PIS e Cofins no período em análise. Seja de uma ou outra forma, a contribuinte conta com decisão passada em julgado no sentido de se reconhecer a isenção constitucionalmente qualificada em virtude de se tratar de entidade mantida exclusivamente por seus patrocinadores, o que a qualifica como instituição de assistência social, de acordo com o § 7º do art. 195 da Constituição de 1988, e de acordo com ampla e remansosa jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e, inclusive, com a Súmula STF nº 730/2003, havendo, ademais decisões favoráveis proferidas por este Conselho, uma das quais, destacase, que teve como parte a própria contribuinte ora recorrente, nesta mesma Câmara, no Acórdão CARF nº 3402001.886, proferido em sessão de 23/08/2012, sob a relatoria do Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 30/11/2000 a 31/05/2005 Ementa: COFINS ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA SEM FINS LUCRATIVOS IMUNIDADE § 7º DO ART. 195 DA CF/88 LANÇAMENTO IMPROCEDENTE As entidades fechadas de previdência privada em que não há a contribuição dos beneficiários, mas tãosomente a dos patrocinadores, sem inserem no conceito de instituição de assistência social e fazem jus à imunidade prevista no art. 195, §7º da CF/88, e não estão sujeitas às restrições dos arts. 1º, 4º , 5º e 7º da Lei nº 9.732/98 em face da suspensão de sua eficácia pela Suprema Corte. Precedentes do STF e da CSRF. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DA INCOMPETÊNCIA DAS Fl. 538DF CARF MF Processo nº 19740.000383/200765 Resolução nº 3401001.461 S3C4T1 Fl. 539 11 INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo”, salvo se a respeito dela já se houver pronunciamento do STF, cuja orientação tem efeito vinculante e eficácia subordinante, eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado. Destacase, por pertinente, trecho do acórdão em referência: Realmente, de plano anoto ser assente na jurisprudência deste Conselho que “a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo”, salvo se a respeito dela já houver pronunciamento do STF, cuja orientação tem efeito vinculante e eficácia subordinante, eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado (cf.Ac. do STF Pleno na Reclamação nº 1.770/RN, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ187/468; cf. Ac. do STF Pleno na Reclamação nº 952, rel. Min. Celso de Mello publ. in RTJ 183/486). (...) Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento integral ao recurso voluntário interposto. É como voto. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 19740.000383/200765 Resolução nº 3401001.461 S3C4T1 Fl. 540 12 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Voto Vencedor Conselheiro Tiago Guerra Machado, Relator A despeito do excelente arrazoado do voto do relator, o entendimento que restou majoritário na Turma foi o de que não havia elementos suficientes nos autos para reconhecer de imediato a condição de imune da Recorrente nos termos dos requisitos impostos para o exercício da isenção qualificada ditada no artigo 195, da Constituição Federal de 1988. De fato, o referido artigo assim prevê: Art. 195 (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. No caso presente, não discordo do relator quando afirma, a teor do relatório e voto, que a Recorrente era uma "entidade beneficente de assistência social"; contudo, não há, nos autos, elementos que comprovem o atendimento das exigências estabelecidas em lei nos termos exigidos ao fim do parágrafo acima citado. No caso, o Código Tributário Nacional, o artigo 14 previu requisitos para o gozo da não incidência de tributos a que alude do artigo 9º, alínea "c", inciso IV, do mesmo diploma legal, que se referiu às "das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos" Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a título de lucro ou participação no seu resultado; I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; Fl. 540DF CARF MF Processo nº 19740.000383/200765 Resolução nº 3401001.461 S3C4T1 Fl. 541 13 II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. (...) Diante disso, a Turma, majoritariamente, e em votações consecutivas até o atendimento da maioria necessária para deslindar o caso, decidiu pela conversão do presente em dliligência para que seja verificado se, à época dos fatos, a empresa cumpria os requisitos do artigo 195, parágrafo. 7º da Constituição Federal. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 541DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.903399/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
Numero da decisão: 1301-003.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: GIOVANA PEREIRA DE PAIVA LEITE
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 33 99 /2 00 9- 53 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10283.903399/200953 Acórdão n.º 1301003.563 S1C3T1 Fl. 110 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através de Declaração de Compensação DCOMP, no qual se pleiteia compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ Estimativa mensal (código 2362). O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o argumento de que o crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A empresa apresentou manifestação de inconformidade onde afirma que as compensações foram realizadas em completa harmonia com a legislação vigente. Isto porque calculou e recolheu um determinado valor de IRPJ, com código de arrecadação de estimativa mensal e, posteriormente ao recolhimento, verificou que o valor de IRPJ efetivamente devido montava um valor inferior àquele originalmente pago através de DARF. Acrescenta que o valor recalculado está de acordo com os valores declarados em DCTF e que, uma vez confessada uma dívida efetiva em valor inferior àquele recolhido, teria nascido um crédito tributário. O sujeito passivo alega que por equívoco procedeu ao recolhimento num valor superior àquele efetivamente devido. Argumenta também que não se trata de pagamento por estimativa mensal, uma vez que foi realizado com base em balanço de suspensão ou redução. A DRJ julgou improcedente a manifestação sob o fundamento de que os valores apurados a partir da receita bruta em função de balancete redução correspondem a estimativa mensal e que não havia previsão legal para utilização em DCOMP, de crédito referente a estimativa mensal de IRPJ. Inconformado com a decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário, no qual reafirma a existência de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, reitera os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, declara que a decisão da DRJ vai de encontro a jurisprudência do CARF e, ao final, requer o reconhecimento da homologação das compensações em litígio. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10283.903399/200953 Acórdão n.º 1301003.563 S1C3T1 Fl. 111 3 Voto Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme se depreende do relatório, o cerne da discussão no presente processo é a possibilidade ou não de se compensar pagamento indevido ou a maior recolhido a título de estimativa mensal para aquelas pessoas jurídicas sujeitas à apuração do IRPJ pelo lucro real. O pedido de compensação foi indeferido liminarmente, através de Despacho Decisório Eletrônico, a partir do momento em que o sistema constatou tratarse de recolhimento efetivado sob o código de arrecadação 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL). A Unidade de Origem não se adentrou no mérito do direito creditório, e por conseguinte, não deu oportunidade para o contribuinte produzir provas. O Despacho Eletrônico, bem como o acórdão da DRJ, fundamentaram o indeferimento do pedido de compensação no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, em concomitância com o art. 10 da IN SRF nº 600/2005. O §14º do art.74 da citada lei atribuiu competência a Secretaria da Receita Federal para disciplinar a compensação e, o órgão emitiu instrução normativa que disciplinou a matéria. O art. 10 da IN SRF nº 600/2005, vigente à época, determinava: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Contudo o art.74, §3º, da Lei nº 9.430/96 que tratou das vedações à compensação através de DCOMP, dispôs em seu inciso IX dos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ ou da CSLL, mas nada dispondo acerca de créditos oriundos de pagamento indevido de estimativa mensal, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ......... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10283.903399/200953 Acórdão n.º 1301003.563 S1C3T1 Fl. 112 4 sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) ........ IX os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei. (grifei) É de se observar que a Instrução Normativa fez uma interpretação restritiva de Lei nº 9.430/96, a qual não encontrou guarida na jurisprudência do CARF, que acerca da matéria proferiu a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Transcrevese ainda a redação anterior da súmula: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Para melhor esclarecer a aplicação da súmula, trago à baila trecho do acórdão da CSRF nº 910100.406, de 02/10/2009, utilizado como precedente para elaboração da jurisprudência: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição corno pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, (...) De acordo com o acórdão recorrido, não seria possível caracterizar como indevido o recolhimento da antecipação mensal por estimativa de CSLL efetuado a maior, apenas confrontando referido pagamento com as regras para apuração do valor devido a titulo de antecipação mensal. (...) É o relatório. (...) Nos termos da lei, a pessoa jurídica que opta pelo lucro real anual está obrigada a antecipar, mensalmente, o IRPJ calculado por estimativa. Referida obrigação de antecipar a cada mês uma parcela do IRPJ que será devido ao fim do anocalendário é apurada sobre a base de cálculo estimada, calculada conforme percentuais definidos em lei aplicados sobre a receita bruta do Contribuinte até o mês em que a antecipação é realizada. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10283.903399/200953 Acórdão n.º 1301003.563 S1C3T1 Fl. 113 5 Ainda nos termos da lei, a obrigação de antecipar o imposto pode ser reduzida ou suspensa, conforme o Contribuinte comprove, mediante levantamento de balanços ou balancetes, que o IRPJ, se calculado sobre o lucro real verificado até o momento da apuração da antecipação, é menor do que o valor devido de acordo com o cálculo sobre a base estimada. Em apertada síntese, esse é o regime legal da obrigação de antecipar, mensalmente, o IRPJ, em caso de opção pela apuração do lucro real em base anual. Diferentemente do acórdão recorrido, entendo que o Contribuinte está obrigado ao recolhimento das antecipações mensais nos termos estabelecidos na legislação, seja sobre as bases estimadas, seja sobre a base de cálculo apurada em balanço ou balancete de suspensão ou redução. A meu ver, havendo recolhimento superior àquele imposto por lei, ainda que sob a alcunha de "estimativa", resta caracterizado o recolhimento a maior passível de restituição ou compensação. Como bem observou o acórdão paradigma, a legislação não estabelece que recolhimentos a maior que os estabelecidos pelas regras da apuração da antecipação mensal por estimativa também devem ser considerados como antecipação do imposto. Em outros termos, o recolhimento que exceda o valor apurado de acordo com as regras para o cálculo das antecipações mensais por estimativa não tem natureza de antecipação do imposto, mas de pagamento indevido, restituível nos termos do art. 165 do CTN.(grifei) Nesse diapasão, em observância à Súmula CARF nº 84, reconhecese que é possível a caracterização de indébito a partir de recolhimento de estimativa. Todavia, para fins de homologação da DCOMP, fazse mister a apreciação do direito creditório, ou seja, a comprovação por parte do contribuinte da existência de pagamento indevido, ou seja, que o valor recolhido a título de estimativa mensal, ainda que através de balanço ou balancete suspensão/redução, foi calculado e efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei. Logo, entendo não ser possível homologar, nesse momento, a compensação declarada pelo Contribuinte, uma vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a possibilidade (ou não) de compensação de pagamento da estimativa recolhida a maior. Além do que tal fato implicaria supressão da competência da Unidade de Origem para análise do direito creditório. Nesse sentido, considerando ser possível a restituição/compensação de recolhimento de estimativa mensal, desde que reste caracterizado o indébito, voto no sentido de retornar o processo à Unidade de Origem para examinar o mérito do pedido, nos termos do art. 170 do CTN e proferir Despacho Decisório complementar. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10283.903399/200953 Acórdão n.º 1301003.563 S1C3T1 Fl. 114 6 jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindose assim, o processo de praxe. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 13887.000115/2003-79
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO.
A retificação de ofício da declaração de compensação pode ser realizada se houver erros materiais. A indicação incorreta do crédito inviabiliza a análise da declaração por parte da autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1003-000.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A retificação de ofício da declaração de compensação pode ser realizada se houver erros materiais. A indicação incorreta do crédito inviabiliza a análise da declaração por parte da autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 00 01 15 /2 00 3- 79 Fl. 970DF CARF MF Processo nº 13887.000115/200379 Acórdão n.º 1003000.256 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1232.340, de 23 de julho de 2010, da 8ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório. Por economia processual e em razão de concordar com o Relatório constante no acórdão da DRJ, efetuo a reprodução do mesmo, conforme abaixo: Trata o presente processo de compensação realizada pela interessada acima identificada, com emprego de créditos referentes ao anocalendário 2001, oriundos de saldos negativos de imposto sobre a renda da pessoa jurídica (IRPJ) e contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL), em valores originais respectivamente iguais a R$ 25.397,44 e R$ 285,39. As Dcomp que materializaram o feito são as de fls. 01/02, entregue em 14 de março de 2003, e fls.318/319, protocolada em 15 de abril do mesmo ano. Conforme consta do Despacho Decisório de fls. 411/415, a compensação foi homologada parcialmente em razão do reconhecimento do direito creditório relacionado apenas ao saldo negativo da CSLL informado pela interessada. Segundo a autoridade parecerista, o crédito afeto ao IRPJ inexiste, pois adviria de suposto excesso na compensação de estimativas do imposto no anocalendário 2001, fato não foi confirmado no cotejo dos valores envolvidos. 0 crédito empregado pela interessada para que extinguir parte do IRPJ de 2001 teve origem em saldo negativo de 1998, apurado por sociedade por ela incorporada. Analisando a DIRPJ/98 da incorporada, a Fazenda observou que tal saldo montou R$ 8.060,04, valor insuficiente para a extensão da compensação de estimativas do imposto promovida pela recorrente. Assim, recompondo a apuração do IRPJ de 2001, o Fisco detectou que o resultado declarado em DIPJ pela interessada como negativo era, em verdade, imposto a pagar igual a R$ 45.259,29. Ante o exposto, concluiu a autoridade administrativa pelo reconhecimento do direito creditório de R$ 285,39. Inconformada com a decisão denegatória, da qual tomou ciência em 14/03/2008 (fls. 420), a interessada interpôs, em 10/04/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 421/423. Alegou, em síntese: ● que ocorreu homologação tácita das compensações que fez em 2001; ● que o crédito apurado na DIPJ/2002 não é passível de retificação; e ● que incorreu em "lamentável equivoco" ao declarar que o crédito empregado na compensação do IRPJ de 2001 tinha Fl. 971DF CARF MF Processo nº 13887.000115/200379 Acórdão n.º 1003000.256 S1C0T3 Fl. 4 3 origem em saldo negativo de 1998, pois, em verdade, eles seriam afetos a períodos anteriores. A DRJ/CPS analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. CREDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fazse mister que os créditos empregados em compensação de tributos gozem de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que, em síntese, destaca: (i) que, em 10/04/2008, foi interposta a Manifestação de Inconformidade, e que no item "9", versa que o crédito apurado é somente de 31/12/1998 conforme DCTF Retificadora 1° trimestre de 2001, mais a DCTF Retificadora 2° trimestre de 2001 e, que tudo é em razão da "Alteração do Contrato Social da Sucessora Construção e Comércio Autêntica Ltda, na incorporação realizada em 30/09/1998 do Acervo Cindido da Sucedida Construção e Comércio Araruna Ltda conforme Laudo de Avaliação realizado por KPMG Peat Marwick", e que na verdade o número real e verdadeiro do "IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA A RECUPERAR" é no montante de R$ 135.523,76; (ii) que o Acórdão n°. 1232.340 (Processo nº 13887.000115/200379) da 8 Turma da DRJ/RJ1 relatou a recomposição da DIPJ 2002RETIFICADORA, apurando resultado declarado de Imposto a pagar igual a R$ 45.259,29, isso porque foi levado em consideração os valores informados erroneamente pelo contribuinte; (iii) que a DCTF retificadora demonstra estarem os valores compensados relacionados ao processo nº 1999.61.00.0462168 da 3ª Vara Federal de São Paulo, tendo sido indeferido e, em razão disso, o contribuinte apurou o levantamento da diferença e efetuou o parcelamento. Assim, houve erro da autoridade administrativa por considerar valores já utilizados em DCTF de março de 2002; (iv) por fim, requereu: a) Seja reconsiderada e retificada a data apresentada de 31/12/1998, nas DCTF VERSÃO 2.1: 1º trimestre 2001páginas 3 e 4, (anexo 7); e 2° trimestre 2001páginas 3, 4 e 5, (anexo 8), e ainda a validação do saldo negativo IRPJ sobre o Lucro Real a pagar Ficha 12A Linha 18 na D1PJ 2002, ou seja, o valor R$ 30.072,28 (Trinta Mil, Setenta e Dois Reais e Vinte e Oito Centavos), (DIPJ 2002 = anexo 14); b) Seja reconsiderado e retificado o relatório da Autoridade Administrativa, face as apresentações das cópias anexas especificas do Processo Mandado de Segurança Processo n° 1999.61.00.0462168 da 3ª Vara Federal (anexo 16) e do Processo PAES no Fl. 972DF CARF MF Processo nº 13887.000115/200379 Acórdão n.º 1003000.256 S1C0T3 Fl. 5 4 450300143383 (anexo 17), e ainda, a validação do saldo negativo da CSLL a pagar Ficha 17 Linha 42 na DIPJ 2002, o seja, o valor de R$ 3.887,80 (Três Mil, Oitocentos e Oitenta e Sete Reais e Oitenta Centavos), (D1PJ 2002 = anexo 14); c) Seja o reconhecimento total dos Créditos apresentados na DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PROCESSO n° 13887.000115/200379protocolado na ARFARARAS em 17/03/2003, ou seja, o valor de R$ 12.925,08 (Doze Mil, Novecentos e Vinte e Cinco Reais e Oito Centavos), (anexo 18), e PROCESSO n° 13887.000169/200334protocolado na ARF ARARAS em 15/04/2003, ou seja, o valor de R$ 13.040,21 (Treze Mil, Quarenta Reais e Vinte e Um Centavos), (anexo 19). d)Sejam anulados e cancelados os DARF(s) (DARF 2172= anexo 3); (DARF 6912 = anexo 4,); ( DARF 8109 = anexo 5). É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Na manifestação de inconformidade protocolada, alega a Recorrente que incorreu em erro ao declarar que o crédito empregado na compensação do IRPJ de 2001 tinha origem em saldo negativo de 1998, quando, em verdade, esses créditos teriam origem em períodos anteriores. Em recurso voluntário, a contribuinte traz documentos não apresentados na sua manifestação de inconformidade, requerendo reconsiderações e retificações relacionados à origem do crédito analisado na declaração de compensação em análise. O art. 170 do CTN, que rege a matéria, destaca como condição para realização da compensação a existência de direito líquido e certo, senão vejamos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 destaca em seu artigo 74, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 973DF CARF MF Processo nº 13887.000115/200379 Acórdão n.º 1003000.256 S1C0T3 Fl. 6 5 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...)Não se está negando a possibilidade de haver a alteração da DCOMP, porém é imprescindível que tal retificação se trate de erros formais, que não alterem significativamente o pedido. Ocorre que a Recorrente altera a declaração quando determina o período diferente daquele lançado na declaração, o qual não foi submetido à análise da DRF. A Declaração de Compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no pedido podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente, como determina o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. O equívoco que impede a autoridade julgadora de analisar a liquidez e certeza do crédito não pode ser considerado mero erro de fato ou material. Se o contribuinte informa que o crédito empregado na compensação do IRPJ de 2001 tinha origem em saldo negativo de 1998 é em cima dessa declaração que será realizada a análise quanto ao crédito. O erro de preenchimento indicado impediu a análise do requerimento, isso porque os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação da Declaração de Compensação, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A Recorrente, em seu recurso voluntário, requer a retificação da data apresentada de 31/12/1998, nas DCTF 1º trimestre 2001 e 2° trimestre 2001e ainda a validação do saldo negativo IRPJ sobre o Lucro Real a pagar. Tais retificações não se tratam de meros erros formais, pois inovam a declaração e sua fundamentação. Em razão disso, não é possível se atender ao pedido da Recorrente, porque, em sede de julgamento administrativo de 2ª instância, alterarse o pedido original, seja em valores, seja em razão da motivação apresentada, seja para incluir novos períodos a serem analisados, equivale à supressão de instância administrativa competente, além de eventuais problemas que possam surgir com o instituto da decadência. Nestes termos, a alteração da fundamentação que embasou a Declaração de Compensação original, encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação cuja Fl. 974DF CARF MF Processo nº 13887.000115/200379 Acórdão n.º 1003000.256 S1C0T3 Fl. 7 6 competência de apreciação originária é da DRF jurisdicionante do domicílio fiscal da contribuinte. Isto posto, voto pela improcedência do recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/RJ1. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 975DF CARF MF
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