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Numero do processo: 10880.920507/2009-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 09/03/2006
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
A presença de motivação no despacho decisório, de maneira sucinta porém clara, afasta a preliminar de nulidade do ato administrativo guerreado.
JUNTADA DE PROVAS. PRECLUSÃO.
A pretensão de análise de documentação a ser juntada aos autos, em virtude de prazo exíguo até a manifestação de inconformidade, não pode ser acolhida nesta fase processual, uma vez que a lei é peremptória no sentido de que as provas devem acompanhar a primeira impugnação (ou manifestação de inconformidade), sob pena de preclusão do respectivo direito (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72).
ESTRITA LEGALIDADE. VERDADE MATERIAL. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE.
A alegação de vulneração dos princípios constitucionais supramencionados não fazem o menor sentido na conjuntura deste expediente, em que a recorrente confessa ter se equivocado ao declarar seu débito, porém só veio envidar esforços no sentido de retificá-lo após a extinção desse débito (pelo pagamento e respectiva homologação expressa).
Numero da decisão: 3803-004.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 12/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A presença de motivação no despacho decisório, de maneira sucinta porém clara, afasta a preliminar de nulidade do ato administrativo guerreado. JUNTADA DE PROVAS. PRECLUSÃO. A pretensão de análise de documentação a ser juntada aos autos, em virtude de prazo exíguo até a manifestação de inconformidade, não pode ser acolhida nesta fase processual, uma vez que a lei é peremptória no sentido de que as provas devem acompanhar a primeira impugnação (ou manifestação de inconformidade), sob pena de preclusão do respectivo direito (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72). ESTRITA LEGALIDADE. VERDADE MATERIAL. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. A alegação de vulneração dos princípios constitucionais supramencionados não fazem o menor sentido na conjuntura deste expediente, em que a recorrente confessa ter se equivocado ao declarar seu débito, porém só veio envidar esforços no sentido de retificálo após a extinção desse débito (pelo pagamento e respectiva homologação expressa). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 05 07 /2 00 9- 13 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 EDITADO EM: 12/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: TIM CELULAR S/A, manifesta inconformidade com Despacho Decisório eletrônico , emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo – DERAT 03 que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de PIS/PASEP, cod. de arrecadação 5434, recolhido em 09/03/2006. O citado despacho informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Cientificada, a contribuinte apresentou, manifestação de inconformidade de fls. 07 a 21, apresentando suas razoes, em síntese a seguir: Faz breve relato dos fatos. Alega possuir “elevada quantia creditícia” perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, Pis importação e COFINSexportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP. Alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete Despachos Decisórios , todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte. Reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, , Pis importação e COFINSexportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações. Alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. Discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.920507/200913 Acórdão n.º 3803004.427 S3TE03 Fl. 3 3 Alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado. Discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que “ se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta.” (sic). Alega que qualquer agente fiscal que “ ...”analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada.” (sic). Alega ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido. Cita os princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1[ Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e tributarias. Reclama do exíguo prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informa que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito. Por fim requer a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega Em 24/09/2010, enviou o que chama de complemento à manifestação de inconformidade (fls. 34 a 36), informando ter enviado DCTF retificadora e, por conseqüência, entende ter direito a homologação da compensação declarada. A DRJ em SÃO PAULO I/SP julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 09/03/2006 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, no qual sustenta basicamente os mesmos argumentos esgrimidos na peça vestibular (nulidade do despacho decisório, por falta de fundamentação e violação dos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade) e diz aduzir documentos que não teria juntado antes em virtude do prazo exíguo até a manifestação de inconformidade. Ao final requer a nulidade do despacho decisório ou o acolhimento do pedido de diligência, para exame da escrita fiscal da recorrente, com o fito de confirmar a compensação encetada. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.920507/200913 Acórdão n.º 3803004.427 S3TE03 Fl. 4 5 O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DO DESPACHO DECISÓRIO A preliminar de nulidade do despacho decisório, por alegada carência de fundamentação não merece guarida. Consta do ato administrativo guerreado, de maneira sucinta porém clara, o motivo pelo qual não foi homologada a compensação pleiteada: utilização do DARF discriminado no PER/DCOMP para quitação de outro débito do contribuinte, o qual é apontado em detalhes logo abaixo do campo CARACTERÍSTICAS DO DARF, sob a rubrica UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. Vale referir, outrossim, que a análise feita pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento sobre a questão, ao contrário do que manifesta a recorrente, me parece extremamente digna: Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. Realmente, o caso presente se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 03, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. A contribuinte alega falta de fundamentação para a não homologação mas deveria ser obvio até mesmo para contribuinte que ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse débito , em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior, estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório e a contribuinte pode se defender amplamente como o fez. Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. DA PRECLUSÃO A pretensão de análise de documentação a ser juntada aos autos, em virtude de prazo exíguo até a manifestação de inconformidade, não pode ser acolhida nesta fase processual, uma vez que a lei é peremptória no sentido de que as provas devem acompanhar a primeira impugnação (ou manifestação de inconformidade), sob pena de preclusão do respectivo direito (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72). Nessa toada, se me afigura legítima a resistência já manifestada pelo órgão judicante de primeiro grau, e que nem de longe consubstancia supressão de instância: Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Ao final da manifestação de inconformidade, a requerente protesta pela produção de todos os meios de prova, apresentação de documentos, inclusive diligencias, para corroborar sua argumentação. O processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto nº 70.235/1972 que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)” Já os §§ 4º e 5º do mesmo artigo determinam que: “§ 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5.º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997)” Conforme expressamente previsto no Decreto nº 70.235/1972, em seu artigo 16, § 4º, somente na ocorrência de algumas das hipóteses nele ventiladas é que será possível deferir a juntada de provas documentais posteriormente ao prazo de apresentação da impugnação. A impugnante trouxe os documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal pedido. Como se vê do dispositivo transcrito, a ocasião para apresentação de provas, visando a comprovar o equívoco cometido no preenchimento da DCTF, é no ato de apresentação da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Cabe ressaltar que, até a presente data, dez meses após a apresentação da manifestação de inconformidade, nenhuma documentação foi apresentada pela contribuinte, que se limitou a apresentar DCTF retificadora , não embasada por qualquer documentação comprobatória. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.920507/200913 Acórdão n.º 3803004.427 S3TE03 Fl. 5 7 Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972 que tratam da matéria: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)” (grifei) “Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar, será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)” No caso presente, sendo obrigação da contribuinte apresentar provas do que alega , preferindo não fazêlo, a Receita Federal não promove qualquer ação a respeito, limitando a julgar o processo com os documentos constantes no processo. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, considerandose que essa DCTF retificadora foi apresentada após o despacho decisório, que apreciou as compensações declaradas. DA ESTRITA LEGALIDADE, DA VERDADE MATERIAL, DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE A alegação de vulneração dos princípios constitucionais supramencionados não fazem o menor sentido na conjuntura deste expediente, em que a recorrente confessa ter se equivocado ao declarar seu débito, porém só veio envidar esforços no sentido de retificálo após a extinção desse débito (pelo pagamento e respectiva homologação expressa). Por outra vertente, o contribuinte alegou erro formal na sua declaração, entretanto não trouxe aos autos sua escrituração contábil e fiscal, para fins de prova do alegado. O princípio da verdade material no processo administrativo fiscal não é um dogma que está acima de todas as normas; ao revés, é mitigado pelo sistema, ao privilegiar a preclusão de juntar provas no processo (art. 16 e §§ do Decreto nº 70.235/72). Nessa toada, o pedido de diligência também não merece agasalho, uma vez que não se encontram nos autos qualquer indício de verossimilhança de erro formal. Posto isso, voto por REJEITAR a preliminar e DESPROVER o recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Sala das Sessões, em 20 de agosto de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 188DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720775/2012-81
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2008
COMPENSAÇÃO.GLOSA.CABIMENTO
A compensação efetivada, sem a comprovação dos elementos caracterizadores do efetivo pagamento a maior, autoriza a glosa correspondente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.752
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2008 COMPENSAÇÃO.GLOSA.CABIMENTO A compensação efetivada, sem a comprovação dos elementos caracterizadores do efetivo pagamento a maior, autoriza a glosa correspondente. Recurso Voluntário Negado
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 07 75 /2 01 2- 81 Fl. 942DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.720775/201281 Acórdão n.º 2803002.752 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.720775/201281 Acórdão n.º 2803002.752 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a glosa de compensação efetivada em 06 a 12 de 2008, relativa a pagamentos efetuados entre 01/1998 a 08/2004 – contribuição social sobre subsídios de detentores de mandato eletivo. O r. acórdão – fls 910 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Entregou todos os documentos solicitados. · Disponibilizou os documentos necessários a comprovação da restituição, como folha de pagamento, GFIP e GPS. · Não há como vincular GPS ao pagamento referente aos cargos eletivos, pois esta é documento único de recolhimento, englobando todas as parcelas devidas à seguridade social. · O confronto entre GPS e GFIP permite concluir pelo crédito compensado. · Desnecessidade de retificar GFIP, mera obrigação acessória. · Requer o provimento do recurso, com a improcedência do auto lavrado. É o relatório. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.720775/201281 Acórdão n.º 2803002.752 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Acerca do prazo decadencial, essa discussão encontrase judicializada, conforme decisão exarada nos autos do processo 2008.50.01.0092475, cujo recurso especial encontrase pendente de julgamento. Assim tenho por afastada a manifestação deste Colegiado, nesse ponto, conforme art. 38 parágrafo único da lei 6.830/80 e 126 §3º da lei 8.213/91. Transcrevo excerto da decisão de primeiro grau. JULGO PROCEDENTE EM PARTE o pedido de compensação para determinar à União que reconheça ao autor o direito de compensar as contribuições sociais exigidas nos termos da alínea “h” do inciso I do artigo 12 da Lei 8.212/91, recolhidas nos últimos dez anos anteriores ao ajuizamento da presente ação (06/08/2008), extinguindo o processo com a resolução do mérito nos termos do art. 269, I, do CPC. Continuando, temos que o relatório fiscal detalha as razões da glosa efetivada, quais sejam: · Não correção das GFIP´s · Não comprovação de recolhimentos das parcelas compensadas. · Não apresentação dos documentos comprobatórios das rubricas consideradas, bases de cálculo e deduções que desaguaram nos valores compensados. Foram reiteradas solicitações dos documentos comprobatórios, conforme Termo de Início de Ação fiscal e TIF 01 e 02. Informa ainda a autoridade autuante que o contribuinte apresentou duas planilhas com bases de cálculos distintas, informando que a primeira foi utilizada para a compensação e a segunda da folha de pagamento, o que causa mister, pois a base de cálculo de contribuições é uma só, os fatos geradores constituem base única de apuração. Conclui assim que o sujeito passivo não detalhou como chegou aos valores compensados, não demonstrando a base de cálculo considerada, alíquotas e deduções. Acerca dos pontos levantados, a recorrente limitase a afirmar que entregou todos os documentos necessários a demonstrar o direito à compensação, sendo ainda impossível vincular GPS ao pagamento referente aos cargos eletivos, pois esta é documento único de recolhimento, englobando todas as parcelas devidas à seguridade social. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.720775/201281 Acórdão n.º 2803002.752 S2TE03 Fl. 6 5 Do que posto, tenho que, no caso de compensação, incumbe ao requerente detalhar os valores envolvidos, comprovar o que foi recolhido, apresentar a base correta e apresentar de forma clara a diferença apontada, o que efetivamente não ocorreu. O contribuinte tem todas as informações necessárias a comprovar seu direito, a mera informação de que disponibilizou documentos à fiscalização efetivamente não se presta a alcançar o fim almejado. O fato de a GPS ser documento único de arrecadação, abarcando todas as rubricas referentes à arrecadação, não afasta a obrigação de se comprovar o recolhimento a maior, o qual pode ser feito disponibilizandose toda a base de cálculo, alíquotas consideradas e os recolhimentos efetuados, o que efetivamente não foi feito, apesar de reiterada solicitação da fiscalização. O simples confronto entre GPS e GFIP não se mostra suficiente a comprovar o direito pleiteado sem a requisitada comprovação do que declarado. A autoridade fiscal, em diversas ocasiões Termo de Início de Ação fiscal e TIF 01 e 02, solicita os documentos comprobatórios da base de cálculo de contribuições previdenciárias, o que não foi apresentado. As planilhas entregues – fls 45/57; 79/104, referentes à Prefeitura e Câmara, apenas elenca o que o contribuinte entende como devido, não sendo suficiente a comprovar o que ali consta, e a apresentação de duas bases de cálculo distintas folhas de pagamento e valores utilizados para compensação, apenas confirma a insuficiência da informação prestada. Para se comprovar que recolheu a maior, devese comprovar toda a base de calculo devida pelo contribuinte e não apenas a rubrica envolvida – e os recolhimentos efetuados a maior, quando então poderá ser demonstrado o valor correto a ser compensado. Reproduzo excerto da r. decisão que bem aborda a matéria: 22. O mero confronto entre GFIP e GPS não permite concluir pela regularidade da compensação e a recusa na prestação de esclarecimentos obstou a verificação dos valores que poderiam ter sido compensados. Em suma, o Impugnante quis exercer a faculdade legal de compensar recolhimentos indevidos, mas recusouse a prestar todos os esclarecimentos e apresentar provas que permitissem ao Fisco verificar o direito e a exatidão do procedimento de compensação. 23. A faculdade legal de compensar indébitos não retira da Fazenda o direito de verificar a certeza e liquidez do crédito que o Impugnante oferece à compensação, tanto assim, que o artigo 170 do CTN designou que a lei autorizadora do procedimento estipulasse condições e garantias para sua efetivação, ou atribuísse tal providência à autoridade administrativa. Neste sentido, o artigo 89, caput, da Lei nº 8.212/91 atribuiu à RFB a estipulação dos termos e condições para a restituição e compensação de recolhimentos indevidos, o que se fez através das Instruções Normativas MPS/SRP 03/2005 e 15/2006. Acerca da retificação das GFIP´s, esta obrigação encontrase arrimada no art. 170 do Código Tributário Nacional, que transcrevo. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 946DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.720775/201281 Acórdão n.º 2803002.752 S2TE03 Fl. 7 6 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Assim, deve o contribuinte proceder aos acertos previstos em legislação para poder efetivar a compensação, não tendo a Receita Federal a obrigação de proceder de ofício tal alteração, é o que se depreende da Portaria MPS 133/06 e IN MPS/SRP nº 15/06, transcrevo: Art. 6 º É facultado ao ente federativo, observado o disposto no art. 3º, compensar os valores pagos à Previdência Social com base no dispositivo referido no art. 1º, observadas as seguintes condições: I a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como, a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência setembro de 2004 relativa aos referidos exercentes; Sobre o ponto, o acórdão do TRF2, referente ao citado processo 2008.50.01.0092475, menciona: Quanto ao recurso adesivo da parte autora, em relação à necessidade de se retificar a Dirf [GFIP] para se utilizar o instituto da compensação, verifico que a sentença foi omissa neste ponto. A parte autora silenciou e deixou transcorrer in albis o prazo dos embargos de declaração. A nãointerposição de recurso, implica em sua aceitação, pela parte sucumbente, acarretando, por via de consequência, a preclusão do direito de recorrer. Dessarte, não demonstrado o valor à compensação efetivada, deve o lançamento ser mantido em sua integralidade. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.720775/201281 Acórdão n.º 2803002.752 S2TE03 Fl. 8 7 Fl. 948DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13433.001134/2009-46
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/01/2006, 01/07/2006 a 31/08/2006, 01/11/2006 a 31/12/2006
COFINS. IMUNIDADE CONSTITUCIONAL DO ART. 150, VI, C DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
A imunidade constitucional estabelecida no art. 150, VI, c da Constituição Federal alcança somente os impostos, de sorte que as contribuições sociais não estão abarcadas por ela.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos arts. 9 e 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa, que somente se aplica aos despachos e decisões.
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Raquel Motta Brandao Minatel, Neudson Cavalcante Albuquerque, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2005 a 31/01/2006, 01/07/2006 a 31/08/2006, 01/11/2006 a 31/12/2006 COFINS. IMUNIDADE CONSTITUCIONAL DO ART. 150, VI, C DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A imunidade constitucional estabelecida no art. 150, VI, c da Constituição Federal alcança somente os impostos, de sorte que as contribuições sociais não estão abarcadas por ela. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Estando presentes os requisitos formais previstos nos arts. 9 e 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa, que somente se aplica aos despachos e decisões. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Raquel Motta Brandao Minatel, Neudson Cavalcante Albuquerque, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2080; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 10 1 9 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13433.001134/200946 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.141 – 1ª Turma Especial Sessão de 26 de setembro de 2013 Matéria COFINS/PIS INSTITUIÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS Recorrente ASSOCIAÇÃO DOS FRUTICULTORES DA BACIA POTIGUAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/01/2006, 01/07/2006 a 31/08/2006, 01/11/2006 a 31/12/2006 COFINS. IMUNIDADE CONSTITUCIONAL DO ART. 150, VI, “C” DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A imunidade constitucional estabelecida no art. 150, VI, “c” da Constituição Federal alcança somente os impostos, de sorte que as contribuições sociais não estão abarcadas por ela. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Estando presentes os requisitos formais previstos nos arts. 9 e 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa, que somente se aplica aos despachos e decisões. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 11 34 /2 00 9- 46 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13433.001134/200946 Acórdão n.º 3801002.141 S3TE01 Fl. 11 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Raquel Motta Brandao Minatel, Neudson Cavalcante Albuquerque, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13433.001134/200946 Acórdão n.º 3801002.141 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Contra a empresa já identificada foram lavrados os Autos de Infração, de fls. 161/167 e 171/177, do presente processo, para exigência dos créditos tributários, adiante especificados, referentes aos períodos de apuração constantes dos mencionados autos de infração do PIS e da COFINS: PIS COFINS CONTRIBUIÇÃO 6.184,82 28.545,47 JUROS DE MORA 2.196,61 10.138,36 MULTA PROPORCIONAL 4.638,59 21.409,08 CRÉDITO TRIBUTÁRIO 13.020,02 60.092,91 2.De acordo com o autuante, os referidos autos são decorrentes da falta/insuficiência de recolhimento das contribuições, apuradas nos demonstrativos e descrito às fls. 163/167 e 173/177. 3.Inconformada com as autuações, a contribuinte, por seu procurador, instrumento, fl. 193, apresentou a impugnação, de fls. 185/192, anexou cópias de documentos, fls. 193/195, alegando, em síntese, que: 3.1 – a entidade, ora Impugnante, ser uma Associação Civil sem fins econômicos, que presta serviços para os quais foi instituída (assistência social sem fins lucrativos) e os coloca à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, não sendo, portanto, contribuinte do PIS e da COFINS, por ser uma instituição imune, por força do art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal (CF), corroborado pelo art. 9º, inciso IV, alínea “c”, da Lei nº 5.172/1966 (CTN) e o art. 14 do CTN, pois não distribui qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título. Também, aplica integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais e por manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Ressaltese, que a Entidade jamais produziu, apenas comercializou a produção de seus associados; 3.2 – a Impugnante dedicase a servir de elo entre os pequenos fruticultores e os importadores de outros países, fortalecendo aqueles, para que possam competir com os grandes fruticultores, daí a sua receita ser integralmente decorrente de exportação. Receita essa que, após o pagamento dos custos com a Fl. 239DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13433.001134/200946 Acórdão n.º 3801002.141 S3TE01 Fl. 13 4 exportação (fretes, despesas portuárias, despacho aduaneiro, entre outras), são repassadas aos associados, os quais tributam conforme o regime de tributação adotado por cada produtor; 3.3 – cabe destacar a falta de clareza na constituição do suposto crédito tributário, no auto de infração, tendo em vista que não se visualiza de onde se originaram as omissões de receitas alegadas pela fiscalização. Qual o valor lançado nos livros contábeis? Qual o valor lançado no Registro de Apuração do ICMS? Esses fatos impedem que a Impugnante se defenda adequadamente, num claro cerceamento ao direito de defesa do contribuinte; 3.4 – o auto de infração está fundamentado, principalmente, nos arts. 2º, inciso I, alínea “a”, II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524/2002. No entendimento da Impugnante, está equivocada essa fundamentação legal, uma vez que o art. 79, da Lei nº 11.941/2009 revogou o § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que estabelecia, semelhantemente, o que está disposto no parágrafo único acima descrito, a saber: § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas; 3.5 – assim não há o que se falar em tributação do PIS e da COFINS sobre eventuais receitas, que não façam parte do faturamento de qualquer empresa que seja; 3.6 – em que pese a falta de clareza para se concluir a origem das supostas omissões de receita levantada pela fiscalização, a Impugnante esclarece mais uma vez que as diferenças nas receitas lançadas no Livro Diário com as saídas lançadas no Livro de ICMS, foram ocasionadas em virtude de, quando da exportação, eram emitidas duas notas fiscais, uma para acompanhar as mercadorias até o Cais do Porto do Rio Grande do Norte, com os CFOP 5.502 ou 7.949, e outra, referente à exportação propriamente dita, com os CFOP 7.501. Esta última, referese à receita de exportação que está devidamente contabilizada no livro Diário, enquanto que as notas com CFOP 5.502 ou 7.949, lançadas no Livro de Apuração do ICMS, e não o eram lançadas no livro Diário, uma vez que serviam para acompanhamento da mercadoria até o Cais do Porto; 3.7 – vale destacar o fato de que sobre as receitas de exportação não incidem as contribuições para o PIS e para a COFINS, conforme disposto no art. 14 da MP 2.15825/01, e legislação superveniente, em atendimento ao mandamento superior da Constituição Federal (art. 149, § 2º, inciso I); 3.8 – seja julgado improcedente o auto de infração, desconstituindo o crédito tributário pretendido pelo Fisco e, conseqüentemente, determinar o arquivamento do presente processo. A DRJ no Recife (PE) julgou improcedente o lançamento, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13433.001134/200946 Acórdão n.º 3801002.141 S3TE01 Fl. 14 5 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS. A falta ou insuficiência de recolhimento do PIS constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. PIS. IMUNIDADE. A imunidade concedida pelo § 7º do art. 195 da Constituição Federal alcança apenas as entidades beneficentes de assistência social, desde que atendam às exigências legais elencadas no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. PIS. IMUNIDADE. INAPLICABILIDADE ÀS ASSOCIAÇÕES CIVIS Pelas atividades desempenhadas, as associações civis, ainda que sem fins lucrativos, não se confundem com as entidades beneficentes de assistência social, não lhes sendo aplicável o benefício constitucional a estas restrito. PIS SOBRE O FATURAMENTO. ASSOCIAÇÕES CIVIS. As instituições de educação sujeitamse normalmente à incidência do PIS sobre o faturamento, nos termos da letra “a” do inciso I do art. 2º, c/c o art. 3º, ambos do Decreto nº 4.524, de 2002. EXPORTAÇÃO NÃO INCIDÊNCIA De acordo com o disposto no art. 6º da lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, a COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, devendo dessa forma ser comprovado pela empresa, perante a fiscalização e na impugnação, a existência dessas exportações. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, reitera todos os argumentos expendidos em sua impugnação. Em preliminar, argumenta ser uma associação civil sem fins econômicos, que presta serviços para os quais foi instituída (assistência social sem fins lucrativos) e os coloca à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, não sendo, portanto, contribuinte do PIS e da Cofins, por ser uma instituição imune, por força do art. 150, inciso VI, alínea c, da Constituição Federal (CF), corroborado pelo art. 9°, inciso IV, alínea c, da Lei n° 5.172, de 25 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13433.001134/200946 Acórdão n.º 3801002.141 S3TE01 Fl. 15 6 de outubro de 1966 (CTN),e do art. 14 do CTN, pois não distribui qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título. Esclarece que a associação recebia a produção dos associados (acompanhada de nota fiscal), formando o volume de sorte a permitir firmar e cumprir contrato com os importadores. A seguir, a associação realizava (exportação com nota fiscal própria), destinando a produção recebida ao exterior. Quando do recebimento do valor (exportação), a associação retinha um valor para o custeio da comercialização (fretes, despesas portuárias, despachos aduaneiros etc.), bem como para sua manutenção (despesas administrativas), repassando o saldo remanescente para os associados. Insiste que nunca teve lucro e que os associados declararam na forma da lei, as receitas obtidas com as exportações efetivadas por meio da associação, oferecendoas à tributação segundo o regime tributário a que cada um estava e está submetido. Em suas razões, destaca a falta de clareza na constituição do crédito tributário, o que provoca o cerceamento do direito de defesa da interessada nos termos da Constituição Federal. Neste sentido, colaciona jurisprudência administrativa. Sustenta que a fundamentação legal do auto de infração está equivocada, uma vez que o art. 79, da Lei ° 11.941/2009, revogou o § 1° do art. 3°, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Alega que não há o que se falar em tributação do PIS e da Cofins sobre eventuais receitas, que não façam parte do faturamento de qualquer empresa que seja, reiterando que o Supremo Tribunal Federal já declarou a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. Insiste na tese de que tem somente receitas de exportação, e que estas estão devidamente registradas nos livros contábeis, tanto quanto nos livros fiscais, operações de pleno conhecimento do Fisco, que afinal, fiscalizou a Recorrente. Aduz que sobre as receitas de exportação, não incidem as contribuições para o PIS e para a Cofins, conforme disposto no art. 14, da MP 2.15835/01, e legislação superveniente, em atendimento ao mandamento superior da Constituição Federal (art. 149, § 2°, inciso I). Menciona Solução de Consulta da Receita Federal do Brasil. Por fim, requer, que seja conhecido e provido o seu Recurso para reformando o acórdão da DRJ, julgar improcedente o auto de infração. É o relatório. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13433.001134/200946 Acórdão n.º 3801002.141 S3TE01 Fl. 16 7 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Em preliminar, a recorrente sustenta inicialmente que não está sujeita ao recolhimento da Cofins em face de ofensa ao dispositivo constitucional estabelecido no art. 150, VI, alínea “c” da Constituição Federal, abaixo transcrito: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (...) (grifouse) Da inteligência desta disposição constitucional, é importante consignar que a imunidade alcança somente os impostos, de sorte que as contribuições sociais não estão abarcadas por ela. É preciso insistir no fato de que PIS e Cofins são contribuições sociais e não um imposto, o que afasta a pretensão de imunidade constitucional estabelecida no art. 150, VI, “c” da Constituição Federal. Neste sentido é o entendimento do Excelso Supremo Tribunal Federal ao examinar a constitucionalidade da Lei Complementar nº 70/91 por meio da Ação Direta de Constitucionalidade nº 01/93. Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento desta Ação Direta de Constitucionalidade: Esta Corte, ao julgar o RE 146.733, de que fui relator, e que dizia respeito à contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas instituída pela Lei nº 7.689/88, firmou orientação no sentido de que as contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social tem natureza tributária, embora não se enquadrem entre os impostos”.(grifouse). Por outro lado, a imunidade das contribuições sociais é disciplinada no art. 195, § 7°, da Constituição Federal de 1988, in verbis: Fl. 243DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13433.001134/200946 Acórdão n.º 3801002.141 S3TE01 Fl. 17 8 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Como visto, essa imunidade é destinada apenas às entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei, o que não é o caso da interessada. A propósito, a autoridade administrativa quando da lavratura do Auto de Infração, destacou que a interessada não é uma entidade de assistência social, fato que não foi refutado pela recorrente, senão vejamos: Em 15/05/2008 foi emitido Termo de Constatação que demonstrava ao contribuinte que o mesmo não é Entidade de Assistência Social a que o art. 150, VI, "c", da CF/88 faz referência. Entidade de Assistência Social é aquela que presta serviços relevantes, de natureza social, à parte carente da nossa sociedade. Não tem, portanto direito à imunidade de impostos. Ademais a Associação de Fruticultores da Bacia Potiguar, sociedade civil, conforme art. 2° de seu Estatuto Social tem como objetivo entre outros a comercialização de produtos agrícolas. ASSOCIAÇÃO CIVIL. ISENÇÃO. A Associação civil sem fins lucrativos, para gozar de isenção quanto ao imposto de renda da pessoa jurídica, deve atender aos requisitos previstos na legislação de regência e, especialmente, não praticar atos de natureza econômicofinanceira. Como se constata acima, um dos objetivos desta Associação é a comercialização de produtos agrícolas, portanto a mesma não tem direito a isenção.(grifou se). As razões do recurso voluntário corroboram a tese da autoridade fiscal. A recorrente defende apenas que é uma associação econômica sem fins lucrativos, o que não atende os requisitos estabelecidos na Constituição Federal. Em suma, a recorrente não goza da imunidade prevista no art. 150, VI, alínea “c” da Constituição Federal Por outro lado, a interessada suscita a nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa em face da falta de clareza na constituição do suposto crédito tributário. A argumentação não procede, visto que no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Fl. 244DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13433.001134/200946 Acórdão n.º 3801002.141 S3TE01 Fl. 18 9 "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que o auto de infração foi lavrado por servidor competente e o inciso II aplicase, apenas, aos casos de despachos e decisões, ressaltando que o auto de infração enquadrase na categoria de atos e termos processuais prevista no inciso I do aludido artigo. Ao contrário do alegado de que a autuação não pode prosperar, o lançamento de ofício observou o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72, em especial os requisitos formais estabelecidos nos arts. 9 e 10, de sorte que a alegação de cerceamento de defesa não pode prevalecer, mormente quando se constata que o sujeito passivo demonstra conhecer os fatos motivadores da autuação. Consignese, por pertinente, que as alegações da requerente no sentido de falta de clareza em relação as origens das omissões de receitas não são pertinentes, pois a descrição dos fatos é precisa em relação ao fato de que a apuração do valores devidos da contribuição foram obtidos a partir da receita escriturada pelo contribuinte nos Livros de Apuração de ICMS. Caso discordasse dos valores, a recorrente tinha por obrigações de especificar, por período de apuração, eventuais erros na composição da base de cálculo. Em sede de recurso voluntário não há espaço para alegações genéricas. Não se pode perder de vista que o lançamento de ofício contém todos os elementos necessários e suficientes para a constituição do crédito tributário, em especial a descrição dos fatos foi pormenorizada. De sorte que não há que se falar em violação ao princípio do amplo direito de defesa, pois a requerente teve a oportunidade de apresentar robusta impugnação, além das razões coerentes desse recurso voluntário. Nesses recursos evidenciamse a correta percepção da matéria e da motivação do lançamento. Por tais razões, são insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração por cerceamento de direito de defesa, posto que não houve transgressão aos requisitos formais legalmente exigidos e a requerente pode exercer sua defesa plena, após ter ciência dos fatos motivadores da exigência. De outro giro, a recorrente sustenta que a fundamentação legal do auto de infração está equivocada, uma vez que o art. 79, da Lei ° 11.941/2009, revogou o § 1° do art. 3°, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Mais uma vez são improcedentes as alegações da recorrente. De fato, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Ocorre, todavia, que foi considerado inconstitucional apenas o alargamento da base de cálculo, isto é, o § 1° do art. 3°, da Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, que estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Fl. 245DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13433.001134/200946 Acórdão n.º 3801002.141 S3TE01 Fl. 19 10 Cofins, definindoo como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Assim, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo não se aplica ao caso vertente, pois do confronto dos valores lançados e dos valores escriturados no Livro Registro de Apuração do ICMS, constatase que na base de cálculo das contribuições somente foram incluídas as receitas de venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiro, em regra, código fiscal 5.102. Em outro tópico, a recorrente ainda alega que tem somente receitas de exportação, e que sobre estas não incidem as contribuições para o PIS e para a Cofins, conforme disposto no art. 14, da MP 2.15835/01, e legislação superveniente. Essa assertiva é frontalmente contrária aos valores escriturados no Livro Registro de Apuração do ICMS e nas Demonstrações do Resultado do Exercício dos anos de 2005 e 2006. Como visto, nestes documentos fiscais a interessada, para os períodos de apuração objeto de lançamento de ofício, reconheceu a existência de receitas de venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiro para o mercado interno, código fiscal 5.102. Registrese, por oportuno, que a autoridade fiscal não constituiu de ofício o crédito tributário decorrente de valores escriturados nos referidos documentos fiscais como sendo de receitas de exportação. Além disso, a recorrente não apresentou quaisquer elementos de prova que sustentariam o seu direto, tais como, memórias de cálculo de vendas no mercado interno e para o mercado externo, notas fiscais de venda ao exterior, despachos de exportação etc. Como é sabido, alegar sem provar é mesmo que não alegar. Não se pode perder de vista que o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que tem somente receitas de exportação, a recorrente tinha por obrigação legal de juntar aos autos administrativos os respectivos documentos comprobatórios que alicerçassem o seu direito. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 246DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13433.001134/200946 Acórdão n.º 3801002.141 S3TE01 Fl. 20 11 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13884.906415/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECISÃO PROLATADA NOUTROS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS VERSANDO SOBRE PLEITO SEMELHANTE. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não exclui a espontaneidade o fato de a interessada ter sido intimada de decisões que indeferiram pleitos semelhantes proferidas noutros processos administrativos.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
São nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
Processo anulado.
Numero da decisão: 3202-000.834
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para anular o processo a partir do Despacho Decisório, inclusive. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Luís Eduardo Garrossino Barbieri, que anulavam o processo a partir da decisão da DRJ, inclusive.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para anular o processo a partir do Despacho Decisório, inclusive. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Luís Eduardo Garrossino Barbieri, que anulavam o processo a partir da decisão da DRJ, inclusive. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Adriene Maria de Miranda Veras.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECISÃO PROLATADA NOUTROS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS VERSANDO SOBRE PLEITO SEMELHANTE. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não exclui a espontaneidade o fato de a interessada ter sido intimada de decisões que indeferiram pleitos semelhantes proferidas noutros processos administrativos. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. São nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Processo anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para anular o processo a partir do Despacho Decisório, inclusive. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Luís Eduardo Garrossino Barbieri, que anulavam o processo a partir da decisão da DRJ, inclusive. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 64 15 /2 00 9- 89 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de restituição, cumulado com pedido de compensação de débitos próprios, de crédito da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, com origem em pagamento indevido ou a maior de tributo apurado em janeiro de 2005. Por meio do Despacho Decisório de fl. 80, a unidade de origem não reconheceu o direito vindicado e não homologou a compensação, ao fundamento de que o apontado crédito fora integralmente utilizado para quitar débito da interessada, não restando saldo disponível para compensar os débitos vinculados ao PER/DCOMP. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: O sujeito passivo em referência manifesta sua inconformidade contra a decisão que não homologou a compensação declarada na Dcomp nº 20899.08620.140705.1.3.040401 por meio da qual pretendia extinguir um débito de R$ 2.863,11 referente à Cofins de junho de 2005. O crédito que alega possuir tem origem em DARF utilizado para pagamento de Cofins relativa ao período de apuração 31/01/2005. O Despacho Decisório atacado foi emitido em 09/06/2009 com base na seguinte constatação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP (...) Irresignado com a decisão da DRF, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade. Após descrever os fundamentos da decisão proferida pela Autoridade Fiscal, alega que a DCTF transmitida à época continha informação incorreta, pois informou a Cofins devida no montante de R$ 1.113.172,54 quando o correto seria R$ 1.092.959,26. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13884.906415/200989 Acórdão n.º 3202000.834 S3C2T2 Fl. 188 3 Comunica que procedeu, também, com a retificação da DCTF em junho de 2009 antes da ciência do despacho decisório atacado. Acredita que os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não identificaram as retificações corretas quando do proferimento da decisão. Requer que seja acolhida a manifestação de inconformidade oferecida, acatandose e processandose a retificação promovida bem como se homologando a compensação declarada. Relatei. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas – DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/CPS n.º 38.247, de 21/6/2012 (fls. 86/90), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PROVA. O contribuinte tem o ônus de provar o direito creditório alegado sob pena de indeferimento da compensação realizada. A DCTF retificadora transmitida antes do proferimento do despacho decisório dentro de um contexto em que outras compensações já haviam sido indeferidas não é documento eficaz para cancelar a decisão da DRF. A declaração em Dacon não é meio idôneo de demonstração do direito creditório se estiver em contradição com a DCTF ativa na data da apresentação da Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 97/108, através do qual sustenta, em síntese: Preliminarmente É nula a decisão da DRJ, pois, no âmbito administrativo, devese observar o princípio da verdade material. As Dacons, as DCTFs e os DARFs sempre estiveram à disposição das autoridades fiscais e julgadoras nos sistemas informatizados da RFB, de forma que poderiam ser consultados antes de indeferido o pedido. Mérito Não se homologou a compensação, ao argumento de que as Dacons e as DCTFs retificadoras não poderiam ser utilizadas para fins de comprovação do crédito vindicado, apesar de possuírem o mesmo valor probante das originalmente entregues. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 A DCTF retificadora foi apresentada antes de proferido o Despacho Decisório. Em revisão, apurou a Cofins referente ao mês de janeiro de 2005 em valor inferior ao informado na DCTF (apresenta planilha). A DRF analisou somente o DARF e as declarações originais para proferir a sua decisão. Uma diligência se faz necessária, para permitir uma análise detalhada do conjunto probatório. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O litígio resumese à possibilidade ou não de repetir, e posteriormente compensar por meio de PER/DCOMP, crédito de contribuição originário de pagamento a maior, quando a retificação da Dacon e da própria DCTF se deu em momento anterior à decisão que indeferiu o pleito, mas após a Recorrente ter sido intimada do seu indeferimento nos autos de outros processos administrativos semelhantes. A instância julgadora a quo entendeu impossível a restituição/compensação, ao fundamento de que a DCTF retificadora não seria espontânea, pois, no contexto em que transmitida, a Recorrente já suspeitava que a DCOMP não seria homologada pela RFB, de forma que não poderia servir de prova ou de indício de que o direito creditório alegado realmente existia. Afirmou, na mesma assentada, que a retificadora tratarseia de mera declaração com o só objetivo de evitar a decisão de não homologação. Destinarseia, portanto, apenas para reforçar as argumentações que viriam a ser apresentadas em eventual manifestação de inconformidade. A meu ver, a decisão está equivocada. A uma, porque nada obstava que a Recorrente, ao ser intimada do motivo que levou ao indeferimento de outros pleitos semelhantes, procurasse solucionar ex ante (ou tentar solucionar) o empecilho à concessão do pedido de restituição, de forma a evitar viesse o encartado nos autos a apresentar o mesmo fim. A duas, porque o fato de a Recorrente ter sido intimada de outras decisões proferidas noutros processos administrativos não significa, em hipótese alguma, estivesse excluída a sua espontaneidade, assunto que, aliás, nem há de se cogitar no caso, já que a norma que rege a sua exclusão não se aplica em situações como a ora em exame, haja vista que apenas tem a clara finalidade de afastar a possibilidade de o contribuinte submetido à ação fiscal vir a recolher os tributos não recolhidos ou adimplir as demais obrigações tributárias não satisfeitas no momento oportuno, de forma a afastar as penalidades que, por ocasião do procedimento fiscal, pudessem ser aplicadas de ofício. Tanto é assim que o § 1º do art. 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal no âmbito federal, prevê que o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13884.906415/200989 Acórdão n.º 3202000.834 S3C2T2 Fl. 189 5 intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. O que houve, portanto, foi uma mera decisão administrativa sem os efeitos próprios da exclusão da espontaneidade em relação aos demais processos que envolviam pleitos semelhantes. A três, porque a DCTF retificadora tem a mesma natureza da retificada, substituindoa integralmente (matéria hoje disciplinada no § 1º do art. 9º da IN RFB n.º 1.110, de 2010). E finalmente, a quatro, porque, ainda que eventualmente existam diferenças entre os valores informados nas declarações originais e retificadoras, nada obstava – aliás, tudo indicava – fosse a Recorrente intimada a apresentar a sua escrituração contábil e fiscal, a fim de que fossem dirimidas dúvidas sobre a existência do crédito pretendido. Afinal, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei n.º 9.784, de 1999 (aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal por força de seu art. 69), o administrado tem o direito de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais devem ser objeto de consideração pelo órgão prolator. E ademais, conforme preconiza o art. 39 do mesmo diploma legal, quando necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, devem ser expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Ante o exposto, por considerar cerceado o direito de defesa da Recorrente, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para anular o processo a partir do Despacho Decisório, inclusive. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 191DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10855.910570/2009-59
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 10 57 0/ 20 09 -5 9 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910570/200959 Resolução nº 1802000.256 S1TE02 Fl. 162 2 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação cujo crédito está em suposto pagamento indevido/ a maior do IRPJ (0220) recolhido em 30/06/2006, no valor de R$ 178.121,10, e cujo débito é do IRPJ (0220) relativo ao 2° Trimestre de 2008, vencido em 31/07/2008. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do recurso voluntário, transcrevo o relatório proferido pela 5a Turma da DRJ/RPO, através do Acórdão n° 1435.119, disponível às efls 76 dos autos: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fl. 01, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 0220) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 0220). Por intermédio do despacho decisório de fl. 02, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 05/07, acompanhada dos documentos de fls. 08/46, na qual alega, em síntese, que: a) no Doc 1, DIPJ/2007, consta IRPJ a pagar no valor de R$ 449.183,37, referente ao 1° trimestre de 2006, que foi dividido em três cotas no valor de R$ 149.727,79; b) no Doc 2, DCTF de março de 2006, consta débito de IRPJ do 1° trimestre de 2006, no valor de R$ 449.183,37, onde o mesmo foi dividido em três quotas a ser demonstrado na DCTF do próximo trimestre; c) no Doc 3, DCTF de junho de 2006, consta débito de IRPJ do 1° trimestre de 2006, no valor de R$ 449.183,37, onde o mesmo foi dividido em três cotas no valor de R$ 149.727,79; d) apresenta cópia do DARF, referente ao recolhimento do IRPJ do 1° trimestre de 2006, 3a quota, no valor de R$ 178.121,10, recolhido em 30/06/2006; e) o PER/Dcomp referese à compensação do saldo de R$ 14.900,51 (R$ 12.002,02 do crédito original acrescentado de R$ 2.898,49, referente à taxa Selic acumulada de 24,15%), decorrente da diferença entre o valor apurado para a 3a cota do IRPJ do 1° trimestre de 2006, no montante de R$ 146.347,23, e o valor efetivamente pago na cifra de R$ 174.150,47. Ao final, requer a homologação do crédito. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910570/200959 Resolução nº 1802000.256 S1TE02 Fl. 163 3 Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da manifestação de inconformidade oferecida pelo contribuinte, conforme a seguinte ementa (efls 75): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2006 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR..ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito Passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Irresignada com a manutenção da exigência da qual foi intimada em 03/10/2011, apresentou Recurso Voluntário em 25/10/2011 (efls 83/89), onde refuta que o acórdão recorrido não entrou no mérito da busca pela verdade real, seja por diligência ou outra forma que substanciasse o indeferimento procedido, mas reputando carência probatória, manteve a exigência. Junta documentos adicionais que supostamente comprovam seu direito ao crédito pleiteado. É o relato do essencial. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910570/200959 Resolução nº 1802000.256 S1TE02 Fl. 164 4 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento. Como se extrai do relatório, a autoridade julgadora a quo, entendendo pela insuficiência probatória, manteve o contido pelo Despacho Decisório. A recorrente, por sua vez, insiste na liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado. O Despacho Decisório que não homologou a compensação e instaurou o presente contencioso (efls. 4), estabeleceu que o valor pago de R$ 178.121,10 através de DARF no código 0220 (IRPJ) em 30/06/2006, foi integralmente utilizado para extinguir crédito tributário devido de igual montante e natureza, não restando saldo algum para suportar a compensação declarada através da DCOMP em comento. Ora, a DIPJ versão original, entregue em 06/06/2007 (efls 10/11) traz como valor devido do IRPJ (0220) relativo ao 1° trimestre de 2006 o montante de R$ 449.183,37. Conforme atestam os documentos juntados aos autos, o saldo foi recolhido em três quotas. Já no que tange às DCTFs juntadas aos autos pela recorrente (efls 12/22), atestase que são retificadoras e entregues depois do envio da DCOMP em análise (31/07/2008) – 34956.06017.310708.1.3.042000 (saldo remanescente). Assim, para fins de vinculação ao despacho decisório, os débitos declarados em DCTF retificadora não têm força probatória suficiente a sustentar o direito creditório alegado. Deste fato, surge a necessidade da identificação de outros elementos para atestar a liquidez e certeza do crédito pretendido, que não só na DIPJ. Isto porque, o extrato constante às efls 67 denota que somente a DCTF original havia sido entregue antes da DCOMP apresentada e constava como saldo devedor para o IRPJ (0220) o montante de R$ 522.451,41, resultando em três cotas no montante de R$ 174.150,47, o que importaria na não existência do crédito pretendido, na forma do Despacho Decisório emitido. Ora, da insuficiência de provas pela manifestação de inconformidade apresentada, deveria a autoridade julgadora a quo, converter em diligência o julgamento a fim de apurar a verdadeira condição do crédito pleiteado. Contudo, aplicando com supremacia o art. 333 da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), julgou improcedente a manifestação por ausência de provas. Agora em sede recursal, foram apresentadas provas adicionais, entre os quais: o Balanço Patrimonial (efls 94/98), Balancete Analítico (efls 99/105), DIPJ (efls 106/111), DCTF´s retificadoras (efls. 112/122), Comprovantes de Rendimento (efls. 123/131), os Fl. 148DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910570/200959 Resolução nº 1802000.256 S1TE02 Fl. 165 5 Comprovantes de Arrecadação (efls 132/135), e as DCOMP (efls 24/28) que, contudo, ainda não permitem a completa comprovação do direito creditório pleiteado. Ao que consta na própria DIPJ, a diferença do valor inicialmente declarado em DCTF como devido para o tributo IRPJ (0220) de R$ 522.451,41 para o retificado de R$ 449.183,37 referemse ao Imposto de Renda Retido na Fonte relativos ao 1° Trimestre, no valor de R$ 64.518,97 (Comprovantes de Rendimento efls 137/145) e a dedução relativa ao PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), no valor de R$ 8.749,06. Da análise documental contudo, não há como atestar que o direito creditório pleiteado se encontra líquido e certo em favor da recorrente, visto que não há qualquer identificação de quais rendimentos retidos resultam no montante de R$ 64.518,97, fato também não analisado pelo julgador a quo. Também não há comprovação do direito ao crédito no valor de R$ 8.749,06, relativo ao PAT. Neste sentido dispõe a Súmula CARF n° 80: Súmula CARF n° 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o computo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Diante do exposto, converto o presente julgamento em diligência a fim de que sejam apurados o montante de imposto de renda retido na fonte na forma em que declarados em DIPJ, bem como, seja atestado quanto ao valor utilizado como abatimento do IRPJ devido a título de PAT, da seguinte forma: A recorrente deverá trazer aos autos cópias das notas fiscais emitidas que contém os impostos retidos que perfazem o montante de R$ 64.518,97 e os comprovantes de rendimento das pessoas jurídicas que retiveram esse montante no 1° Trimestre de 2006, devidamente identificados, comprovantes estes que devem ser objeto de validação pela autoridade fiscal; A recorrente também deverá demonstrar o cálculo do montante utilizado a título de PAT, com os documentos que entender cabíveis a fim de satisfazer o alegado direito creditório no montante de R$ 8.749,06. A não comprovação de tais elementos ensejará na improcedência do recurso. Após a realização da diligência, retornemse os autos. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 149DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928322/2009-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre pedido de ressarcimento de contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS processo no 11080.003212/200969), cumulado com solicitações de compensação (a solicitação de que trata especificamente o presente processo é a DCOMP de final 2774, relativa a crédito de Contribuição para o PIS/PASEP referente a janeiro de 2003, conforme documentos de fls. 405, e 408 a 4121), por recolhimento a maior em virtude de mudança no regime de tributação da forma cumulativa para a não cumulativa, tendo em vista o permissivo de aplicação do regime cumulativo a receitas de contratos firmados antes de 31/10/2003, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 28 32 2/ 20 09 -3 5 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.928322/200935 Resolução nº 3403000.481 S3C4T3 Fl. 550 2 preço predeterminado, de bens ou serviços (Lei no 10.833/2003, art. 10, XI). Com o advento da Lei no 11.196/2005 e da Instrução Normativa RFB no 658/2006, e com base em orientação da ANEEL, a empresa retificou as DCTF, declarando pela forma cumulativa as referidas contribuições, gerando o crédito em discussão. Narrase na informação fiscal de fls. 394 a 397 que o interessado efetuou consulta (processo no 11080.006335/200951) sobre o tema, obtendo como resposta (Solução de Consulta no 228 SRRF10/Disit, de 14/12/2009) que a situação se enquadrava no disposto na Nota Técnica Cosit no 1, de 16/02/2007, e no Parecer PGFN/CAT no 1.610, de 01/08/2007, que manifestaram entendimento de que os contratos mantidos com as concessionárias de energia elétrica não possuem caráter predeterminado, em virtude de o reajuste de preços se dar com a utilização de IGPM. Em 10/02/2010 foi interposto recurso especial de divergência à Cosit, tendo em vista a existência de Solução de Consulta em sentido diverso. Como o recurso de divergência não possui efeito suspensivo, a empresa foi fiscalizada e autuada em relação ao anocalendário de 2006 (processo no 11080.722655/201096). Narrase ainda ter havido equívoco por parte do contribuinte em interpretar que a Lei no 11.196/2005 retroagiu a dezembro de 2002, quando o art. 93 de tal lei deixa claro que a retroatividade é a fevereiro de 2004. Assim, o despacho decisório de fls. 388 a 393, emitido em 05/11/2010, não reconhece o direito creditório apresentado no pedido de restituição, e não homologa as declarações de compensação efetuadas com base em tal direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 2 a 64), a empresa esclarece inicialmente que o despacho decisório analisou conjuntamente (nos autos do processo no 11080.003212/200969) diversos processos de compensação da empresa, entre os quais o presente. Preliminarmente, sustenta a nulidade do despacho decisório, por carência de motivação e análise detalhada das compensações solicitadas. No mérito, argumenta que se aplica à empresa o disposto no art. 10, XI da Lei no 10.833/2003, especificamente em relação a contratos de fornecimento de energia elétrica e prestação de serviços conexos, celebrados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a um ano, e a preços predeterminados (há três contratos celebrados em 1997, com vigência de 15 anos, e com preço predeterminado que inclui reajuste automático pelo poder concedente, havendo cláusula alterada em 2001 para estabelecer que o reajuste seria calculado de acordo com o IGPM, não afetando o preço inicialmente acordado, mas tãosomente preservando o equilíbrio contratual). As cláusulas remuneratórias dos contratos são reproduzidas na peça de defesa, sendo que a ANEEL, autoridade competente sobre a matéria, atestou que o preço é predeterminado, e que o índice de reajuste (IGPM) reflete o reajuste dos preços em função do custo da produção. Não obstante devesse recolher pelo regime cumulativo, a empresa continuou a recolher as contribuições na sistemática da não cumulatividade de dezembro de 2002 a fevereiro de 2006. Com o advento da Instrução Normativa SRF no 468/2004 (posteriormente revogada pela Instrução Normativa RFB no 658/2006, sendo que ambas criam restrições não impostas pela Lei, destoando da aceitação de reajuste reconhecida pela Instrução Normativa SRF no 21/1979), da Lei no 11.196/2005, e com a edição da Nota Técnica ANEEL no 224/2006 (endossada pelo Ofício no 1.431/2006), reforçouse o entendimento de que as receitas decorrentes dos contratos deveriam ser tributadas pela sistemática cumulativa, o que justificou os pedidos de ressarcimento/compensação. Por fim, sustenta que o comando do art. 15, V (e por consequência, a exceção estabelecida no art.10, XI) da Lei no 10.833/2003 é aplicável à contribuição para o PIS/PASEP, seja pela redação de tais dispositivos, seja em homenagem à coerência do sistema, e que a afirmação pela inexistência de direito creditório para meses de janeiro e fevereiro de 2006 é prematura, tendo em vista que ainda não foi objeto de julgamento a autuação a que se refere o processo no 11080.722655/201096. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.928322/200935 Resolução nº 3403000.481 S3C4T3 Fl. 551 3 Em 05/07/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 418 a 432), no qual se acorda unanimemente que o procedimento fiscal não é nulo, e que é improcedente a manifestação de inconformidade, por não ser o IGPM um índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei no 11.196/2005 (o IGPM é um índice geral, e não um índice específico para determinada categoria de produtos), e por ser possível a manutenção da cumulatividade para a Contribuição para o PIS/PASEP a receitas oriundas de contratos a preço determinado, celebrados anteriormente a 31/10/2003, apenas a partir de 01/02/2004. Cientificada da decisão de piso em 20/07/2012 (AR à fl. 436), a empresa apresenta recurso voluntário em 20/08/2012 (fls. 438 a 490), no qual reitera a argumentação exposta na manifestação de inconformidade, e agrega que a definição do que seria o “preço predeterminado” a que se refere a lei não incumbe à RFB, tendo em conta o princípio da legalidade para instituição ou majoração de tributos, e que o comando do art. 92 da Lei no 10.833/2003 não autoriza que a norma infralegal altere o fato gerador da obrigação tributária, e se o fizesse seria inconstitucional. Afirma ainda que caso a RFB desejasse aplicar à lei um conceito de “preço predeterminado”, este já existia, dado pela Instrução Normativa SRF no 21/1979, no sentido de contemplar os reajustes. Sustenta derradeiramente que “preço predeterminado”, conforme interpretação sistemática do direito civil, é aquele em que “as partes contratantes têm conhecimento objetivo e real do preço acordado no exato instante em que celebrado o negócio jurídico, ainda que este preço esteja sujeito a eventuais ajustes futuros”, e, sendo o IGPM um índice de recomposição de preço, inclusive regulamentado pelo órgão regulador (ANEEL), não há descaracterização da predeterminação do preço, sendo nesse sentido a jurisprudência dominante. Pedese ainda que o julgamento do presente processo seja conjunto com o do processo no 11080.003212/200969, por serem os feitos intrinsecamente relacionados, tendo por base os mesmos fatos e as mesmas razões jurídicas. É o relatório. Voto O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Conforme narra a recorrente, o despacho decisório que dá origem à discussão aqui travada toma em consideração, conjuntamente, nos autos do processo no 11080.003212/200969 (processo principal), diversos processos de compensação da empresa, entre os quais o presente. Por isso o pedido ao final do recurso voluntário, para que o presente processo seja apreciado em conjunto com o de no 11080.003212/200969. Realmente, observandose o despacho decisório, percebese que foi emitido em relação ao processo indicado como principal (referente ao pedido de restituição de no 11080.003212/200969), informandose como processos apensados os relacionados na coluna “proc. no da planilha do Anexo 03”. Em tal Anexo constam , v.g., os processos no 11080.928322/200935 (que é o presente processo); no 11080.928321/200991, no 11080.928323/200980, no 11080.928324/200924, no 11080.928325/200979, no 11080.928326/200913, no Fl. 552DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.928322/200935 Resolução nº 3403000.481 S3C4T3 Fl. 552 4 11080.928327/200968, no 11080.900179/201051 e no 11080.907305/201006 (todos estes a mim distribuídos em sorteio realizado durante sessão de março de 2013); e ainda outros processos já distribuídos a outros conselheiros (como os de no 11080.935242 a 247..., distribuídos ao Cons. Solon Sehn, da 2a TE da 2a Câmara desta 3a Seção2) ou não distribuídos. Acrescentese que o Auto de Infração referido na informação fiscal que ampara o despacho decisório, em relação ao anocalendário de 2006 (processo no 11080.722655/2010 96), encontrase distribuído ao Cons. Luís Marcelo Guerra de Castro, da 2a TO da 1a Câmara desta 3a Seção3. Contudo, inexiste vinculação entre tal processo e o presente, visto que não se trata aqui das compensações referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2006 (a discussão referente a tais períodos é travada somente nos processos no 11080.003212/200969, no 11080.928336/200959 e no 11080.934541/200953). A lista integral de processos abarcados pelo teor do despacho decisório encontrase no referido Anexo III, às fls. 405 a 407. Como todos estes processos derivam de uma mesma manifestação fiscal, em um mesmo processo principal, de no 11080.003212/200969, ainda pendente de distribuição no âmbito desta Terceira Seção4, voto pela baixa em diligência, aguardandose o julgamento do processo principal para apreciação dos recursos voluntários em relação aos demais processos, como o presente. Rosaldo Trevisan 2 Segundo consulta efetuada no "eprocesso" em 19.jul.2013. 3 Segundo consulta efetuada no "eprocesso" em 19.jul.2013. 4 Segundo consulta efetuada no "eprocesso" em 19.jul.2013. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 19515.720251/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
OPERAÇÃO IMOBILIÁRIA. PAGAMENTOS CONTABILIZADOS COMO RESERVAS PARA AUMENTO DE CAPITAL. OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA DE UNIDADES IMOBILIÁRIAS. Os aportes de recursos contabilizados como reserva para aumento de capital, o qual ao final não se efetiva, devem ser classificados como receitas da atividade da pessoa jurídica que entrega àqueles acionistas unidades imobiliárias resultantes do empreendimento específico por ela realizado.
MULTA QUALIFICADA. INCOMPATIBILIDADE DA MOTIVAÇÃO COM O PROCEDIMENTO FISCAL. Afasta-se a qualificação da penalidade se os motivos expostos não são congruentes com os elementos reunidos durante o procedimento fiscal.
Numero da decisão: 1101-000.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
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PAGAMENTOS CONTABILIZADOS COMO RESERVAS PARA AUMENTO DE CAPITAL. OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA DE UNIDADES IMOBILIÁRIAS. Os aportes de recursos contabilizados como reserva para aumento de capital, o qual ao final não se efetiva, devem ser classificados como receitas da atividade da pessoa jurídica que entrega àqueles acionistas unidades imobiliárias resultantes do empreendimento específico por ela realizado. MULTA QUALIFICADA. INCOMPATIBILIDADE DA MOTIVAÇÃO COM O PROCEDIMENTO FISCAL. Afastase a qualificação da penalidade se os motivos expostos não são congruentes com os elementos reunidos durante o procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 02 51 /2 01 1- 01 Fl. 2127DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720251/201101 Acórdão n.º 1101000.909 S1C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 2128DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720251/201101 Acórdão n.º 1101000.909 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório RESULT CORPORATE PLAZA S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São PauloI que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 21/07/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 4.508.243,78. A decisão recorrida assim resume a acusação: 4. A fiscalização apresenta, por meio do “Termo de Verificação” (TV), resumidamente, o seguinte. 4.1. O contribuinte “RESULT Corporate Plaza S/A” foi constituído em outubro de 2006, e tem como objeto – conforme artigo 3º do estatuto social – “o investimento e participação em negócios em geral, móveis ou imóveis, na qualidade de investidora”. A empresa iniciou em 2007 a construção do “Edifício Result Corporate Plaza”. 4.2. A empresa, por meio de Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 30/11/2006, aumentou o Capital Social de R$1.000,00 para R$5.228.782,88 e em seguida, na mesma Assembléia, para R$6.203.782,88. O primeiro aumento foi subscrito pela empresa “RESULT Construções e Incorporações Ltda”, enquanto o restante R$975.000,00 foi subscrito por seis pessoas físicas. 4.3. As integralizações foram realizadas com bens imóveis, cessão de direitos sobre bens imóveis e benfeitorias preliminares e iniciais acrescidas aos mesmos. 4.4. – Composição do Capital Social: CPF Acionista Valor da subscrição (R$) Percentual (%) 243.201.29849 Result Construções e Incorporações 5.228.282,88 84,276% 243.201.29849 Miguel Tomoo Matsumoto 325.000,00 5,239% 077.221.03812 Alberto Jia Chyi Hsieh 325.000,00 5,239% 860.267.39815 Cleiton de Castro Marques 162.500,00 2,619% 860.267.04868 Paulo de Castro Marques 162.500,00 2,619% 287.530.38568 Ricardo Simões Paes da Silva 250,00 0,004% 089.806.94830 Joscelin Cunha Soares 250,00 0,004% Total 6.203.782,88 100,00% 4.5. A fiscalização reproduz, no TV, o balanço patrimonial dos anoscalendário de 2007 e 2008, da empresa, cabendo destacar os saldos das seguintes contas contábeis, nos respectivos anos: (i) (ATIVO) Imóvel em Construção – R$17.122.175,24 e R$26.969.348,13; (ii) (PASSIVO) Reserva para Aumento do Capital – R$11.608.747,37 e R$20.826.929,99 e; (iii) Resultado Líquido do Exercício – R$1.283,48 e R$(28,94). 4.6. Embora a empresa tenha contabilizado, no anocalendário de 2007, valores recebidos, de pretensos, novos “acionistas”, na conta RESERVA P/ AUMENTO DE CAPITAL, não apresentou à fiscalização a comprovação das alterações do Estatuto Social ou registro de atas, contemplando o aumento de capital. Não há registro de Fl. 2129DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720251/201101 Acórdão n.º 1101000.909 S1C1T1 Fl. 5 4 aumento de capital nos arquivamentos da Junta Comercial do Estado de São Paulo para os anos de 2007 e 2008. 4.7. Nas DIPJ’s dos anos de 2008 (AC2007) e 2009 (AC2008), as pessoas físicas ou pessoas jurídicas, que participaram do empreendimento, receberam a denominação de acionistas, embora não o sejam, uma vez que não houve alteração do Estatuto Social e nem registro dos aumentos de capital e dos direitos e deveres dos novos sócios acionistas. 4.8. Para estas pessoas, que empenharam recursos para construção do “Edifício Result Corporate Plaza”, foram designadas uma ou mais unidades imobiliárias do empreendimento, de acordo com os percentuais constantes da tabela abaixo: CNPJ/CPF Nome Percentual (%) Unidades designadas 09.050.425/000180 CRISAL PARTICIPAÇÕES LTDA 11,45% 61/62/171/172 07.096.619/000190 BONAVISTA PART. E EMP. LTDA 11,45% 81/82/161/162 916.161.66800 RICARDO VANTINI 11,45% 71/72/141/142 077.221.03812 ALBERTO JIA CHIE HSIEH 5,72% 151/152 607.571.59834 JOSÉ LUIZACAR PEDRO 5,72% 181/182 089.806.94830 JOSCELIN CUNHA SOARES 5,72% 51/52 05.571.017/000112 RAFIPAR EMP. E PART. LTDA 5,72% 91/92 243.201.29849 MIGUEL TOMOO MATSUMOTO 5,72% 191/192 287.530.38568 RICARDO SIMOES PAES DA SILVA 5,72% 41/42 530.599.80853 ARIOVALDO MASSI 5,72% 121/122 184.249.45891 SEBASTIÃO SANTOS SILVA FERNANDES 5,72% 201/202 860.267.39815 CLEITON CASTRO MARQUES 2,86% 131 083.508.59881 HÉLIO GONZALEZ RODRIGUES 2,86% 111 860.267.04868 PAULO CASTRO MARQUES 2,86% 132 153.211.57847 REJANE STOCKLER SOUZA 2,86% 102 065.547.55837 JOSÉ ROBERTO ESPOSITO 2,86% 112 473.647.00544 DALTON CAMPOS SOUZA 2,86% 101 00.549.620/000184 RESULT CONSTR. E INCORP. LTDA. 2,69% 31/32 TOTAL 100,00% 4.9. Com base na análise das demonstrações financeiras concluise que a empresa não obteve outras fontes de recursos que possibilitassem a construção do “Edifício Result Corporate Plaza”, além dos valores escriturados como sendo Reserva P/ Aumento de Capital. 4.10. A alegada participação acionária sempre esteve vinculada a uma ou mais unidades imobiliárias do empreendimento em construção, as quais, em alguns casos, foram transacionadas, alugadas, compradas e vendidas. De fato, os denominados “acionistas” ao aportarem os recursos para a constituição da reserva de aumento do capital, receberam em contrapartida uma unidade imobiliária correspondente reservada em seu nome e da qual puderam usufruir e obter benefícios econômicos. 4.11. Foi constatado, através de diligência realizada, que alguns imóveis estavam alugados para terceiros, figurando como proprietários/locadores e beneficiários dos aluguéis os “acionistas” do contribuinte. No “TV” estão identificados os proprietários/locadores (acionistas) e os locatários. 4.12. A fiscalização declara que: “Há indícios, portanto, de tratarse de simulação de aumento de capital para venda disfarçada de imóveis, dado que estas pessoas físicas ou jurídicas, que participaram do empreendimento, não deveriam ter partes do patrimônio da empresa designado como sendo de sua propriedade, pois os bens da entidade não devem ser confundidos com os bens de seus sócios”. 4.13. Informa, ainda, que os documentos emitidos pela Prefeitura do Município de São Paulo: (i) alvará de aprovação e execução de edificação nova; (ii) certificado Fl. 2130DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720251/201101 Acórdão n.º 1101000.909 S1C1T1 Fl. 6 5 de conclusão (Habitese) e (iii) lançamento do IPTU 2011, foram emitidos em nome da empresa “RESULT Construções e Incorporações Ltda”. 4.14. Em 30/11/2009, houve aprovação, em Assembléia Geral Extraordinária, da proposta de atribuir as unidades do “Edifício Result Corporate Plaza” aos seus “acionistas”, além de vários contratos de compra e venda de ações, sempre associadas às unidades imobiliárias, o que fere o Princípio da Entidade, disposto na Seção I, Art. 4º da Resolução nº 750 do Conselho Federal de Contabilidade, que prevê que o patrimônio da entidade não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários. 4.15. Conclui a fiscalização que: “a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido apresentada pela fiscalizada mostra claramente que o Capital Social constituído em 2006 permanece constante ao longo do período de 20072008, enquanto o patrimônio líquido aumenta substancialmente em decorrência do ingresso de recursos sob a denominação de aporte para constituição de reservas para aumento de capital, que à rigor deveriam ter passado pelas contas de resultado, para serem oferecidas à tributação como receitas com venda de imóveis”. 4.16. “Tratase, portanto, de simulação de negócio jurídico com o fim específico de redução das receitas obtidas com a venda de unidades imobiliárias, com benefícios tanto para a empresa fiscalizada quanto para os compradores denominados de “acionistas”, que por este artifício tiveram menor desembolso na aquisição das unidades imobiliárias”. 4.17. Os aportes realizados, para constituição de Reserva p/ Aumento de Capital, nos anos de 2007 e 2008, nos valores respectivos de: R$9.961.084,79 e R$9.218.182,62 foram considerados como receitas omitidas e tributados de acordo com o critério do lucro presumido, opção da contribuinte com a apresentação das suas DIPJ’s. No “TV” estão demonstrados os valores que foram aportados mensalmente. 4.18. A multa de ofício foi qualificada, com base no previsto no artigo 44, da Lei nº 9.430/96 e, foi constituída a Representação Fiscal para Fins Penais. Impugnando a exigência, a autuada afirmou que seus investidores eram todos acionistas, argumentando ser “Sociedade de Propósito Específico”, ou “SPE”, estruturada com o objetivo transparente de arregimentar investidores, para aportarem recursos na sociedade para atendimento de determinada finalidade. Os sócios detinham direitos sobre as ações nominativas, estando livres para negociálas, sem qualquer formalidade de alteração do contrato ou estatuto, servindo como prova dos negócios realizados o registro no “Livro de Registro de Transferência de Ações Nominativas”. Imprópria, daí, a exigência de que fossem apresentadas as alterações do estatuto social nas quais as pessoas físicas listadas tinham adquirido a condição de acionistas da empresa. Asseverou que os valores assim recebidos não se qualificam como receitas, e ainda que assim se admitisse, inexistiria receita realizada durante a fase de construção do Edifício, mas sim adiantamentos, não sujeitos a tributação ainda que por regime de caixa, a teor do art. 1o, §2o da Instrução Normativa SRF nº 104/98. Apontou a existência de condição suspensiva no Acordo de Acionistas da “Result Corporate Plaza S/A” para destinação das unidades (ainda inexistentes), verificandose apenas em 30/11/2009 a sua atribuição aos acionistas. Invocou o regramento contido no art. 22, da Lei nº 9.249/95, acerca do retorno de investimentos societários, e a possibilidade de tributação, apenas, de ganho de capital na pessoa jurídica, em caso de devolução de capital por meio de bens ou direitos Fl. 2131DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720251/201101 Acórdão n.º 1101000.909 S1C1T1 Fl. 7 6 avaliados a valor de mercado. Ainda, argumentou que a tributação pelo lucro presumido segundo o regime de caixa somente é possível por opção do sujeito passivo, sendo a regra o regime de competência, como expresso nas DIPJ apresentadas pela contribuinte. Questionou, ainda: o enquadramento legal da exigência, que não reflete qualquer infração praticada; a classificação da autuada como prestadora de serviços e sua indevida sujeição ao coeficiente de 32% para presunção do lucro; e a qualificação da penalidade, que reputa leviana e intimidatória, estando evidente que agiu com clareza e transparência absoluta, mediante a entrega e disponibilização de todos os seus documentos fiscais e contábeis à fiscalização. Por fim, opôsse à incidência de juros sobre a multa de ofício. A Turma julgadora acolheu parte destes argumentos, reduzindo o coeficiente para determinação da base de cálculo da CSLL, na medida em que o percentual de 32% estaria restrito às atividades indicadas no art. 15, §1o, inciso III da Lei nº 9.249/95, consoante inclusive reconhecido na Solução de Consulta SRRF/6a RF DISIT nº 173/2003. A exoneração do principal lançado, somado à multa de ofício aplicada, foi inferior a R$ 1.000.000,00, razão pela qual não foi interposto recurso de ofício a este Conselho. No mais, a Turma rejeitou a defesa da autuada aduzindo que: · Transcrevendo doutrina acerca da simulação de atos, afirmou existente simulação relativa, pois houve a intenção de realizar um ato jurídico, porém, de natureza diversa daquele que, de fato, se realizou que foi a venda das unidades imobiliárias. Dois fatos deixariam evidente este último objetivo: o aluguel de unidades em que os sócios figuram nos contratos como proprietários/locadores e beneficiários dos aluguéis, ainda como “pretensos” participantes da sociedade e; segundo, o fato ser feita a devolução do capital através da entrega das unidades imobiliárias. · A devolução de capital assemelharseia à operação “casa e descasa”, e a condição suspensiva alegada pela impugnante tinha o objetivo de dar a aparência de que o principal negócio da empresa era a sua exploração econômica ou a sua venda e não a destinação das unidades individualmente a seus acionistas. Ressaltou, ainda, a possibilidade de prova por meio de presunção. · Com relação ao argumento de que a fiscalização considerou erroneamente o regime de caixa na tributação dos valores aportados, afirmou que o procedimento adotado foi o correto tendo a fiscalização considerado a opção feita pela Impugnante do critério de tributação, ou seja, lucro presumido, sendo que o regime de caixa da autuação é mera decorrência da forma de autuação de omissão de receita, que é sempre pelo regime de caixa, não se podendo confundir regime contábil (caixa e competência) com regime de tributação do IRPJ (lucro presumido, real ou arbitrado). · E, quanto à capitulação, que a Impugnante alega que foi insuficiente, o enquadramento legal foi o que se aplica pela infração apurada pela fiscalização; ou seja, omissão de receita prevista no artigo 528 do RIR/99. Ao contrário do que alega, não cabe o artigo 22, da Lei nº 9.249/95 que trata da devolução, com bens, de valores investidos em sociedade e com apuração de ganho de capital. Não é o caso do apurado pela fiscalização, pois, na verdade não houve devolução de capital, mas sim, venda de imóvel. Fl. 2132DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720251/201101 Acórdão n.º 1101000.909 S1C1T1 Fl. 8 7 · Com referência à multa qualificada, concluiu que simulação de constituição de empresa para edificação de imóvel e exploração do negócio de aluguel, sendo na realidade venda de unidades imobiliárias para os pretensos sócios (adquirentes), configura a prova do dolo praticado para se eximir do pagamento dos tributos ora lançados. Presente a situação descrita no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, subsiste a multa aplicada. · Inexistindo lançamento de juros sobre a multa de ofício, incabível sua discussão em sede de impugnação. Em 11/05/2012 foi lavrada intimação para cientificar a contribuinte da decisão em referência (fl. 2109). Consoante documento de fl. 2116, referida intimação, acompanhada do acórdão de impugnação, foi disponibilizada na caixa postal eletrônica da contribuinte em 11/05/2012, verificandose a ciência por decurso de prazo em 26/05/2012. Segundo documento de fl. 2126, em 11/07/2012 a contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos antes citados, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Contudo, em 20/04/2012 a contribuinte já havia interposto recurso voluntário (fls. 2083/2107), posteriormente ratificado em 13/06/2012 (fl. 2117/2118), no qual inicialmente argumenta que a acusação de simulação se fundamentou, basicamente, na inexistência de alteração do Estatuto Social ou de registro das atas das assembléias gerais extraordinárias acerca da alteração no quadro de acionistas, bem como na ofensa ao Princípio da Entidade, impeditivo da aquisição de partes do patrimônio da sociedade pelos acionistas, assim rechaçando os 70 (setenta) anexos de documentação apresentada pela recorrente à Fiscalização. Na seqüência, descreve sua atividade, afirmase sociedade de propósito específico (arrecadar investimentos destinados à construção do Edifício Result Corporate Plaza) na forma de sociedade anônima. Relata que o aumento de capital de R$ 1.000,00 para R$ 5.228.782,88 foi subscrito por Result Construções e Incorporações Ltda, e sua elevação para R$ 6.203.782,88 pelos acionistas Miguel Tomoo Matsumoto, Alberto Jia Chyi Hshieh, Cleiton de Castro Marques e Paulo de Castro Marques, detalhando a forma de integralização. Esclarece que nos anos de 2007 e 2008, alguns acionistas transferiram suas ações a outras pessoas (físicas e/ou jurídicas), respaldados em “Contratos Particulares de Compra e Venda de Ações (Anexo 27), sempre, com a devida anotação no “Livro Registro de Transferência de Ações Nominativas” (Anexo 16) e no “Livro Registro de Ações Nominativas” (Anexo 25), todos, igualmente, apresentados à fiscalização. Destaca a existência de permissivo, neste sentido, no “Acordo de Acionistas” (Anexo 17). E acrescenta que os aportes dos novos acionistas foram contabilizados na conta Reserva de Capital, estando relacionados no “Quadro Consolidado de Composição Acionária” (anexo 14). Toda esta documentação, elaborada à luz do Estatuto e do Acordo de Acionistas, bem como da Lei nº 6.404/76, foi desconsiderada pelo Fisco, que reputou a ausência do arquivamento da ata de assembléia geral extraordinária ou alteração do estatuto social, perante a JUCESP, como ”forte indício” de simulação. Observa que este argumento foi afastado pela Turma Julgadora e nem poderia ser diferente, já que o mero descumprimento de obrigação acessória não tem o condão de invalidar os atos praticados pela Recorrente – e acrescenta que a Lei nº 6.404/76 permite o aumento do capital social ou inclusão de novos acionistas, independente do aludido registro ou arquivamento. Fl. 2133DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720251/201101 Acórdão n.º 1101000.909 S1C1T1 Fl. 9 8 Prossegue afirmando que a acusação de simulação se fundou apenas em indícios. Observa que a contabilização dos valores recebidos em Reservas de Capital é lícita, por não envolverem contraprestação, mas sim resultarem do produto da transferência (venda de ações da própria Companhia). Defende a regularidade do retorno do capital investido na forma de recebimento de aluguéis das unidades imobiliárias ou, ainda, através da própria entrega da unidade ao acionista, porque é razoável um acionista almejar retorno financeiro de seu investimento. Acrescenta que a devolução do capital investido é regida pelo art. 22 da Lei nº 9.249/95. E ademais, a farta documentação apresentada foi desconsiderada pela autoridade fiscal. Aduz que o princípio da legalidade e o princípio da busca da verdade material impedem o agente fiscal de autuar o Recorrente com base em meras presunções humanas e suposições infundadas. Transcreve doutrina acerca do dever de investigação do Fisco, reporta se ao princípio da segurança jurídica e ao princípio da vinculação, e conclui que frente a estes argumentos, somados à ausência de fundamentação legal a amparar a presunção humana do agente fiscal e, em contrapartida, diante da documentação apresentada pela Recorrente, comprovando a licitude de seus autos, a autuação é improcedente. Opõese à qualificação da penalidade, porque pautada, unicamente, em “presunção humana”. A autoridade fiscal teria arbitrado a multa sem ter, em momento algum, comprovado a alegada simulação, e, portanto, eventual dolo ou fraude que alega. Reportase a julgados deste Conselho, invoca a Súmula CARF nº 25 e subsidiariamente aponta o caráter confiscatório de sua exigência, a evidenciar sua inconstitucionalidade, consoante doutrina e decisões judiciais às quais se reporta. Por fim, observa que admitindose, no máximo, uma má interpretação das regras de tributação, aplicável seria o art. 112 do CTN. Fl. 2134DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720251/201101 Acórdão n.º 1101000.909 S1C1T1 Fl. 10 9 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O lançamento decorre da constatação de omissão de receitas correspondentes aos valores contabilizados em conta de Reserva para Aumento de Capital. Nos quadros de fls. 1959 e 1960, a autoridade fiscal vincula os aportes anuais, promovidos por cada uma das pessoas físicas e jurídicas, à unidade imobiliária que teria sido por eles adquirida. Nos anexos de fls. 1941/1942 estão detalhados mensalmente estes valores. A autoridade fiscal não questionou o capital subscrito em 30/11/2006, no valor de R$ 6.203.782,88. Centrouse nos valores que aumentaram o patrimônio líquido da pessoa jurídica para R$ 17.879.125,11 em 2007, e R$ 27.101.074,86 em 2008, ao passo que o resultado líquido destes exercícios fora R$ 1.128,48 em 2007 e prejuízo de R$ 28,94 em 2008. A evolução patrimonial da autuada está espelhada nas demonstrações contábeis assim resumidas no Termo de Verificação Fiscal: Constatando que o quadro societário estampado nas DIPJ dos anoscalendário 2007 e 2008 era diferente daquele que representava o capital integralizado em 30/11/2006, a Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720251/201101 Acórdão n.º 1101000.909 S1C1T1 Fl. 11 10 autoridade fiscal intimou a contribuinte a apresentar as alterações do estatuto social nas quais tenha ocorrido o aumento de capital da empresa Result Corporate Plaza S/A com a efetiva utilização dos recursos escriturados na conta Reservas para aumento de Capital, bem como as alterações do estatuto social nas quais os contribuintes indicados tenham adquirido a condição de acionistas da empresa Result Corporate Plaza S/A nos percentuais indicados, conforme consta na DIPJ do anocalendário 2007. Exigiu, ainda, comprovação da origem externa dos aportes de capital efetuados por cada um dos sócios para composição da Reserva para Aumento de Capital, e a efetiva transferência dos recursos para a empresa, sob pena de caracterizar omissão de receita, nos termos da legislação vigente. Em resposta, a contribuinte disse que o capital social permanecia no valor registrado em 30/11/2006, sendo que os aportes efetuados pelos acionistas durante a construção estão na conta de Reserva para Aumento de Capital, aguardandose o momento oportuno do registro da Incorporação para se fazer a Assembléia de capitalização ou se tomar outra diretriz como a de atribuição de unidades, conforme deliberação a ser tomada pelos acionistas. Esclareceu que a alteração de acionistas não é registrada em estatuto, e que a cessão de ações entre os acionistas é registrada em livro próprio, com assinatura de Termos de Transferências, antes já apresentados. Juntou, naquela ocasião, cópia do Livro de Registro de Ações Nominativas e observou: Há de se ressaltar, também, que os acionistas fizeram entre si, além das transferências assinadas nos Termos de Transferência de Ações, contratos de cessões dessas ações, apesar de prescindíveis, que ora juntamos, envolvendo também os aludidos valores de reserva para aumento de capital, pois a participação no capital social tem a mesma correlação com o percentual dessa reserva de capital, conforme disciplinado no Acordo de Acionistas firmado e arquivado na companhia, cuja cópia já foi anteriormente apresentada. Informou que os aportes foram feitos mediante transferências bancárias e contabilizados em contrapartida às contas de reserva de capital de cada acionista, e complementou: Como as contribuições mensais dos acionistas eram propriamente idênticas para quase todos, pois observavam a participação acionária de cada um dos acionistas na construção do edifício, pois esta é uma sociedade de propósito específico, muitas vezes os valores das transferências bancárias envolviam uma ou mais participações e também um ou mais acionistas por se quotizarem para cumprirem os valores das chamadas de capital (reservas para construção), necessárias para cobrir os valores previamente orçados pela construtora para o cumprimento das obrigações do empreendimento em construção, devidamente contabilizadas nos razões de cada acionista, conforme razões já entregues. Concluiu, assim, que não houve qualquer resquício de valores advindos de vendas ou de outras fontes, pois não houveram e tão somente os acionistas subsidiaram e cobriram o custo de construção e outros custos e despesas inerentes ao empreendimento de uma sociedade de propósito específico. Tem razão a recorrente quando questiona a exigência feita pela Fiscalização acerca de alteração do Estatuto Social para admissão de novos acionistas. Os elementos por ela apresentados são hábeis a demonstrar que alguns acionistas transferiram suas ações a outras pessoas (físicas e/ou jurídicas), respaldados em “Contratos Particulares de Compra e Venda de Ações (Anexo 27), sempre, com a devida anotação no “Livro Registro de Transferência de Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720251/201101 Acórdão n.º 1101000.909 S1C1T1 Fl. 12 11 Ações Nominativas” (Anexo 16) e no “Livro Registro de Ações Nominativas” (Anexo 25), todos, igualmente, apresentados à fiscalização. Todavia, a acusação fiscal não se resumiu a este aspecto. O auditor responsável identificou: 1) os aportes de recursos promovidos em 2007 e 2008, sem que o capital social da pessoa jurídica fosse alterado; 2) a definição do percentual de participação vinculado a uma ou mais unidades imobiliárias do empreendimento construído pela Fiscalizada; 3) a conduta destes acionistas como se proprietários fossem dos imóveis, inclusive locandoos; 4) a deliberação final em 30/11/2009 de atribuir aos acionistas aquelas unidades imobiliárias específicas. Concluiu, assim, que houve simulação de aumento de capital para a venda disfarçada de imóveis. O documento de fls. 484/485 espelha esta realidade: tratase de quadro inicial da composição acionária e transferência de ações que vincula a transferência de ações às unidades imobiliárias identificadas por número, evidenciando que com exceção de algumas unidades originalmente atribuídas aos acionistas que integralizaram capital, as demais foram todas transferidas da principal acionista da autuada (Result Construções e Incorporações) para os novos e antigos acionistas. Ou seja, a Result Construções e Incorporações reduziu sua participação acionária mediante transferência de ações aos novos e antigos acionistas, mas isso para atribuirlhes unidades imobiliárias específicas no empreendimento em construção. Veja se: Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720251/201101 Acórdão n.º 1101000.909 S1C1T1 Fl. 13 12 Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720251/201101 Acórdão n.º 1101000.909 S1C1T1 Fl. 14 13 A partir daí, tais pessoas passaram a se submeter ao “Acordo de Acionistas”, que lhes impunha custear a obra em curso, mas estas contribuições eram contabilizadas como reserva para aumento de capital que a contribuinte não provou ter sido convertida em capital. Ao contrário, apenas apresentou Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada em 30/11/2009 (fls. 662/665), na qual deliberouse a atribuição das frações ideais de terreno correspondentes às unidades autônomas do Edifício Result Corporate Plaza aos acionistas da Companhia nos moldes do Acordo de Acionistas firmado em 30/11/2006, cujo custeio de construção foi suportado com adiantamentos dos mesmos acionistas. Neste documento está especificado que o capital social da pessoa jurídica permanecia representando R$ 6.203.782,88. Estes adiantamentos para custeio de construção são, justamente, os valores contabilizados como Reserva para Aumento de Capital, classificados pela autoridade fiscal como receitas da atividade da pessoa jurídica. E isto porque, como bem observou a autoridade fiscal, o princípio da Entidade preceitua que o patrimônio da entidade não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários. Assim, nas palavras da Fiscalização, não poderiam os acionistas possuir as unidades imobiliárias pertencentes à Entidade. Como as unidades imobiliárias, de fato, Fl. 2139DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720251/201101 Acórdão n.º 1101000.909 S1C1T1 Fl. 15 14 pertencem aos acionistas, claro está que se trata de simulação de participação societária para a venda disfarçada de imóveis. As “contribuições” para cobertura de custos da pessoa jurídica nada mais são do que receitas da atividade, ainda que promovidas por acionistas, na medida em que não representaram regular aumento de capital social. A manutenção destes valores em reserva de capital, mormente considerando que os acionistas já desfrutavam de prerrogativas de proprietários da unidade, evidencia a pertinência da acusação fiscal. Vejase que o mencionado “Acordo de Acionistas” (fls. 266/280) até traz a possibilidade destes aportes serem feitos mediante aumento de capital: Considerando que a previsão de aporte de recursos na empresa necessário para a construção do Edifício é de aproximadamente R$ 17.000.000,00 (Dezessete milhões de reais), que poderá ser tratado como aumento de capital ou reserva para aumento de capital e/ou mútuo dos Acionistas. O aumento de capital, porém, não se verificou. Os acionistas cumpriram com sua obrigação de contribuir com o numerário necessário para a construção do Edifício e para a manutenção daquela Companhia, até sua resolução, mas a autuada contabilizou estes valores como reservas para aumento de capital, que não se efetivou. De outro lado, além de poder locar as unidades, os acionistas também detinham o direito de vendêlas nos seguintes termos do acordo: Tendo em vista a peculiaridade desta Companhia, a possível venda de unidades do Edifício para terceiros, se fará pela simples cessão das ações e dos créditos por ventura existentes na Companhia em nome do Acionista cedente, prevalecendo sempre o direito de preferência. As contribuições classificadas como receitas correspondiam, precisamente, aos créditos acima mencionados: cobertura de custos feitas à pessoa jurídica para que esta lhes entregasse as unidades imobiliárias prometidas. A recorrente insiste tratarse de sociedade de propósito específico, mas isto em nada altera as conclusões fiscais. Este tipo de sociedade somente se distingue das demais em razão de seu objetivo ser a realização de uma atividade determinada, normalmente resultando da união de esforços para a consecução de um ou mais empreendimentos específicos. De outro lado, tem personalidade jurídica, é sujeito de direitos e obrigações como as demais sociedades empresárias ou simples, e a responsabilidade de seus sócios observa as regras gerais do modelo societário adotado. No âmbito tributário, a incidência é autônoma em relação aos seus sócios, e não se sujeita a qualquer obrigação distinta dos demais contribuintes. Diz a recorrente que os valores questionados não envolvem contraprestação, mas sim resultam do produto da transferência (venda de ações da própria Companhia). Contudo, estas alegações em nada socorrem a interessada: o “Acordo de Acionistas” é claro no sentido de que estes valores se prestam a cobrir os custos da execução do empreendimento; a Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 30/11/2009 classifica estes valores como adiantamentos para custeio de construção; e o quadro inicial da composição acionária e transferência de ações denota que o produto da venda de ações da própria Companhia limita se às parcelas integralizadas como capital social. Aliás, de outra forma não poderia ser, porque se estes valores representassem produto da venda de ações da companhia, eles deveriam beneficiar os alienantes, e não o empreendimento. Fl. 2140DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720251/201101 Acórdão n.º 1101000.909 S1C1T1 Fl. 16 15 A interessada também defende a regularidade do retorno do capital investido na forma de recebimento de aluguéis das unidades imobiliárias ou, ainda, através da própria entrega da unidade ao acionista, porque é razoável um acionista almejar retorno financeiro de seu investimento. Contudo, isto em nada altera a conclusão fiscal. Os aportes não se prestaram a aumento de capital, mas sim a custear a execução do empreendimento, e deveriam ter sido reconhecidos como receitas. Em tais condições, as receitas seriam confrontadas com os custos de construção no resultado do período, e o patrimônio da pessoa jurídica seria representado, apenas, pelo aporte inicial de capital, correspondente aos bens imóveis, benfeitorias e recursos financeiros efetivamente integralizados pelos acionistas originais. Eventuais aluguéis resultantes da exploração do imóvel antes da conclusão do empreendimento representariam receitas dos promitentes compradores, o que, aliás, deve ter se verificado, na medida em que os resultados da autuada nada indicam neste sentido. Na conclusão do empreendimento, os acionistas se retirariam recebendo a parcela equivalente à parte ideal dos imóveis integralizados para desenvolvimento do empreendimento, mas o patrimônio deles já estaria integrado pelos investimentos feitos por meio dos pagamentos em favor da autuada. E somente sobre esta parcela de devolução efetiva de capital, correspondente ao que antes foi integralizado, seria aplicável o disposto no art. 22 da Lei nº 9.249/95. Ressalvese, porém, que a autoridade fiscal não questionou a efetiva constituição da autuada como pessoa jurídica ou a natureza do aporte de capital efetivamente promovido pelos acionistas, mas apenas aqueles indevidamente classificados como reserva para aumento de capital, sem que o aumento de capital se efetivasse. E este aspecto repercute na qualificação da penalidade sobre o crédito tributário que deixou de ser recolhido. A autoridade fiscal constatou que a fiscalizada não obteve outras fontes de recursos que possibilitassem a construção do Edifício Result Corporate Plaza, além daqueles autuados. Entendeu que os valores destinados à reserva para aumento de capital foram simulados para ocultar a venda de imóveis. Identificou que a Result Corporate Plaza S/A adotou as medidas necessárias para formalizar as unidades como autônomas, e que em 30/11/2009 os acionistas deliberaram a atribuição das unidades correspondentes a eles. Por fim, apresentou o resultado das diligências que evidenciaram a disponibilidade dos novos acionistas sobre as unidades imobiliárias a eles atribuídas na sociedade, contrariando o princípio da entidade. Destacou a seguinte informação obtida em diligência: Dentre os documentos obtidos nestas diligências, em que ficou provada a venda das unidades imobiliárias para os atuais proprietários, ainda que simulada de participação societária, consta uma declaração do sócio fundador da empresa fiscalizada Result Corporate Plaza S/A, Sr. Ricardo Simões Paes da Silva, que também representa a empresa Result Construções e Incorporações Ltda, obtida junto ao locatário dos conjuntos 201 e 202, de que as referidas unidades pertencem à empresa Meloe Participações Ltda do acionista Sebastião Fernandes e que ainda não estão em seu nome devido ao fato de o empreendimento encontrarse em fase de minuta de especificação, convenção e divisão de condomínio, para então serem atribuídas as unidades autônomas e por fim serem passadas as escrituras definitivas. (ver Anexo 62) A partir daí, a autoridade fiscal conclui, validamente, que o patrimônio líquido da autuada aumentou substancialmente em decorrência do ingresso de recursos sob a denominação de aporte para a constituição de reservas para aumento de capital, que à rigor deveriam ter passado pelas contas de resultado, para serem oferecidos à tributação como receitas com vendas de imóveis. Fl. 2141DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720251/201101 Acórdão n.º 1101000.909 S1C1T1 Fl. 17 16 Todavia, prossegue afirmando que houve simulação de negócio jurídico, com vistas à redução do resultado do exercício. Reitera que a empresa simulou a constituição de uma conta de reserva para aumento de capital, quando, em verdade, efetuou venda dos imóveis, mas afirma que os aportes ali verificados não passam de artifício com vistas à sonegação de tributos. E, observando mais à frente que a prática foi sistemática durante dois anos consecutivos, concluiu: Estando comprovada a simulação de participação societária na empresa Result Corporate Plaza S/A para a venda de imóveis, com a participação de todos os denominados acionistas, como demonstra o documento denominado Acordo de Acionistas (ver Anexo 17) de que todos os envolvidos tinham conhecimento da fraude, configurase o crime contra a ordem tributária previsto no art. 1o, inciso II da Lei nº 8.137/90 c/c os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Notase, nesta parte final da acusação, um outro direcionamento, no sentido de que até mesmo as participações societárias seriam simuladas, e que todos os acionistas teriam conhecimento da fraude, porque pretenderiam, apenas, participar de um negócio jurídico de venda de imóveis. Contudo, para assim afirmar, a autoridade fiscal deveria ter desconsiderado a pessoa jurídica, invalidado todos os aportes de capital, e inclusive formalizado o lançamento em face de Result Construções e Incorporações Ltda, cujo representante legal administrava o empreendimento, como constatado pela Fiscalização. Os elementos dos autos, porém, somente permitem concluir que os acionistas adquiriram ações representativas do investimento inicial para construção de um imóvel, e efetuaram pagamentos à pessoa jurídica autuada para que promovesse esta construção e finalizasse o empreendimento, entregandolhes unidades autônomas cuja representação no empreendimento total determinou o percentual de participação daquelas pessoas no capital social da investida, bem como os demais pagamentos por elas realizados. Estes pagamentos foram indevidamente contabilizados como reserva de capital, porque não se destinaram a posteriores aumentos de capital, mas sim foram devolvidos aos interessados convertidos em unidades autônomas do empreendimento realizado pela autuada. Assim, impõese reconhecer que a acusação fiscal erigiu argumentos dissonantes daqueles evidenciados durante o procedimento fiscal para qualificar a penalidade aplicada ao crédito tributário lançado. Por sua vez, o art. 112, inciso II, do CTN determina a interpretação mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos. Como conseqüência, deve ser afastada a duplicação prevista no §1o do art. 44 da Lei nº 9.430/96, subsistindo apenas a penalidade básica, resultante da falta de recolhimento e declaração dos tributos apurados em procedimento fiscal. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para afastar a qualificação da penalidade. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 2142DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720251/201101 Acórdão n.º 1101000.909 S1C1T1 Fl. 18 17 Fl. 2143DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10166.013087/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2101-000.116
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, para verificação do cargo ocupado pela recorrente. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antônio de Oliveira Souza e Eivanice Canário da Silva, que votaram por dar provimento ao recurso. Redator designado o conselheiro José Raimundo Tosta Santos.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
Alexandre Naoki Nishioka Relator
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2131; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 185 1 184 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.013087/200810 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2101000.116 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 12 de março de 2013 Assunto Diligência Recorrente BRENT HAYES MILLIKAN Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, para verificação do cargo ocupado pela recorrente. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antônio de Oliveira Souza e Eivanice Canário da Silva, que votaram por dar provimento ao recurso. Redator designado o conselheiro José Raimundo Tosta Santos. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ Alexandre Naoki Nishioka – Relator (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 86/88) interposto em 28 de junho de 2011 contra o acórdão de fls. 74/80, do qual o Recorrente teve ciência em 13 de junho de 2011 (fl. 84), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 04/08, lavrado em 05 de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .0 13 08 7/ 20 08 -1 0 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10166.013087/200810 Resolução nº 2101000.116 S2C1T1 Fl. 186 2 novembro de 2007, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos do exterior, verificada no anocalendário de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. Sujeitamse à tributação os rendimentos recebidos por técnicos residentes no País decorrentes da prestação de serviços a Organismos Internacionais de que o Brasil faça parte. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa e a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 74). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 86/88), requerendo seja reconhecida a isenção dos rendimentos recebidos, nos termos do decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp. n.º 1.159.379/DF. É o relatório. Voto Vencedor Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. O cerne da controvérsia consiste em saber se incide imposto de renda sobre os rendimentos de trabalho recebidos por técnicos residentes no Brasil em decorrência de contrato celebrado com a UNESCO, para o exercício de atividades no âmbito de projeto de interesse da referida Agência Internacional. Observo, de início, que a matéria de direito aqui versada foi submetida ao procedimento estabelecido no art. 75 do Regimento Interno deste Conselho, resultando na edição da Súmula CARF nº 39, com efeito vinculante para toda a administração tributária federal (Portaria MF nº 383, de 12/07/2010): Súmula CARF nº 39 Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo Fl. 187DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10166.013087/200810 Resolução nº 2101000.116 S2C1T1 Fl. 187 3 contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Contudo, a 1ª Seção do STJ, em recente julgado submetido ao rito do art. 543C do CPC (acórdão publicado em 07/11/2012), decidiu, por unanimidade, de forma contrária ao entendimento pacificado administrativamente pela Súmula CARF nº 39, em acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. 1. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ – de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional –, e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543 C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. (RESP nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012) Examinando a divergência de entendimentos, tenho para mim que o deslinde da presente controvérsia depende da análise do Contrato de Serviço firmado entre a contribuinte e a UNESCO, que não consta dos autos, já que o STJ entendeu que os "peritos de assistência técnica" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, também estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Neste sentido, proponho a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a fonte pagadora seja intimada a apresentar o(s) Contrato(s) de Serviço relativo ao período de Fl. 188DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10166.013087/200810 Resolução nº 2101000.116 S2C1T1 Fl. 188 4 01/01/2004 a 31/12/2004 e a esclarecer o cargo/função ocupado por Brent Hayes Millikan, CPF nº 285.962.932/72. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Voto Vencido Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No âmbito deste CARF, o entendimento prevalecente sempre foi no sentido de considerar tributáveis os rendimentos auferidos por técnicos, contratados no Brasil, a serviço das Nações Unidas, no âmbito do seu PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, por faltarlhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. A orientação, inclusive, fora corroborada pela CSRF (Recurso 106132019, Acórdão 0400.274, Relatora Designada Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, j. 12/06/2006, m.v.; Recurso 104132013, Acórdão 0400.194, Relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, 14/03/2006, m.v.; Recurso 102132168, Acórdão 0400.005, Relatora Designada Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, j. 15/03/2005, m.v.). Nesse sentido, foi editada a Súmula CARF n.º 39, com o seguinte teor: “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Todavia, cumpre registrar que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia acerca da tributação de tais rendimentos, assim se manifestou, por meio de voto de lavra do Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. 1. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os Fl. 189DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10166.013087/200810 Resolução nº 2101000.116 S2C1T1 Fl. 189 5 benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ – de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional –, e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08.” Bem se vê, portanto, que o STJ consolidou orientação pretérita da 1ª Seção do próprio Tribunal, a qual já havia se pacificado para considerar isentas tais verbas (REsp n.º 1.159.379/DF, relatado pelo então Ministro do STJ TEORI ZAVASCKI). Ocorre, porém, que a matéria tratada no referido recurso menciona apenas o PNUD, nada dispondo acerca de trabalhadores da UNESCO. Cumpre, então, em apertada síntese, discorrer sobre a estrutura da ONU, para, em seguida, analisar o que restou decidido no precedente invocado, de modo a verificar a extensão do decisum do STJ. O Sistema da ONU está formado pelos principais órgãos da Organização (Assembleia Geral, Conselho de Segurança, Conselho Econômico e Social, Secretariado e Corte Internacional de Justiça), além de Programas, Fundos e Agências Especializadas. Atualmente as Nações Unidas têm 26 programas, fundos e agências vinculados de diversas formas com a ONU apesar de terem seus próprios orçamentos e estabelecerem suas próprias regras e metas. Todos os organismos têm uma área específica de atuação, prestam assistência técnica e humanitária nas mais diversas áreas e são organizações autônomas, contando com seus próprios orçamentos e funcionários. Os Programas e Fundos da ONU trabalham com a Assembleia Geral e com o ECOSOC, enquanto que as Agências Especializadas desenvolvem suas funções em parceria somente com o ECOSOC. Assim, temse que a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) é uma agência especializada, ao passo que o PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, agência líder da rede global de desenvolvimento da ONU que trabalha principalmente pelo combate à pobreza e pelo Desenvolvimento Humano, é, assim como os demais Programas e Fundos, parte integrante tanto da Assembleia Geral como do ECOSOC. Diante do exposto, percebese, portanto, que a UNESCO e o PNUD, ainda que desempenhem funções dentro da ONU, são órgãos absolutamente distintos e independentes entre si. Passemos, pois, à inteligência do mérito do precedente do STJ. O art. 5º, II, da Lei n.º 4.506/64 prevê serem isentos do IRPF os rendimentos do trabalho auferidos por servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção. No plano internacional, o art. IV, item 2, alínea "d", do Acordo Básico de Assistência Técnica com a ONU, aprovado pelo Decreto Legislativo n.º 11/1966, promulgado Fl. 190DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10166.013087/200810 Resolução nº 2101000.116 S2C1T1 Fl. 190 6 pelo Decreto n.º 59.308/1966, estabelece que a expressão “perito” compreende, também, qualquer outro pessoal de Assistência Técnica designado pelos Organismos para servir no país, nos termos do acordo. O art. V do mesmo Acordo Básico de Assistência Técnica determina que o governo aplicará aos funcionários dos organismos internacionais e seus peritos de assistência técnica a “Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas”. Referida convenção, adotada em Londres pela Assembléia Geral da ONU, posteriormente aprovada pelo Congresso Nacional brasileiro através do Decreto Legislativo n.º 3/1948, e promulgada pelo Decreto n.º 27.784/1950, dispõe o seguinte em seus artigos V e VI: "Artigo V Funcionários Seção 17 O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo, assim como as do artigo VII. O Secretário Geral submeterá a lista à Assembléia Geral e dará conhecimento da mesma aos Governos de todos os Membros. Os nomes dos funcionários compreendidos nestas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros. Seção 18. Os funcionários da Organização das Nações Unidas: a) gozarão de imunidades de jurisdição para os atos por eles praticados oficialmente (inclusive palavras e obras); b) serão isentos de todo imposto sobre os vencimentos e emolumentos pagos pela Organização das Nações Unidas; c) serão isentos de toda obrigação relativa ao serviço nacional; d) não serão sujeitos, assim como seus cônjuges e membros de suas famílias, que vivem às suas expensas, às disposições que limitam a imigração e às formalidades do registro de estrangeiros; e) gozarão, no que diz respeito às facilidades de câmbio, dos mesmos privilégios que os funcionários de uma categoria comparável pertencentes às missões diplomáticas acreditadas junto ao Governo interessado; f) gozarão, assim como seus cônjuges e os membros de sua família que vivam às suas expensas, das mesmas facilidades de repatriamento que os enviados diplomáticos, em período de crise internacional; g) gozarão do direito de importar livremente seu mobiliário e seus objetos pessoais por ocasião de assumirem, pela primeira vez, as suas funções no país interessado. ........................................................................................................................ Artigo VI Peritos em missão da Organização das Nações Unidas Seção 22 Os peritos se não se tratar dos funcionários especificados no artigo V, quando em missão da Organização das Nações Unidas, gozarão durante o período de sua missão, inclusive o tempo de viagem, dos privilégios e imunidades necessários ao livre exercício de suas funções. Gozarão, especialmente, dos seguintes privilégios e imunidades : a) imunidade de arresto pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais; Fl. 191DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10166.013087/200810 Resolução nº 2101000.116 S2C1T1 Fl. 191 7 b) imunidade de toda jurisdição no que se refere aos atos por eles efetuados no desempenho de suas missões (compreendidas suas palavras e escritos). Esta imunidade continuará a lhes ser concedida mesmo depois que estas pessoas tiverem deixado de cumprir missões da Organização das Nações Unidas; c) inviolabilidade de quaisquer papéis e documentos; d) direito de fazer uso de códigos e de receber documentos e correspondências por correio ou por malas seladas, para as suas comunicações com a Organização das Nações Unidas; e) as mesmas facilidades, no que se refere às regulamentações monetárias ou de câmbio, que as concedidas aos representantes de governos estrangeiros em missão oficial temporária; f) as mesmas imunidades e facilidades, no que se refere às suas bagagens pessoais, que as concedidas aos agentes diplomáticos. Seção 23 Os privilégios e imunidades são concedidos aos peritos no interesse da Organização das Nações Unidas e não em benefício dos mesmos. O Secretário Geral poderá e deverá suspender a imunidade concedida a um perito em todos os casos em que, a seu critério, esta imunidade impedir a aplicação da justiça e puder ser suspensa sem prejuízo aos interesses da Organização.” A decisão do STJ, destarte, fez distinção entre “funcionário”, este com vínculo permanente com a ONU ou organismo internacional, e “perito”, condição que deriva de contrato temporário préfixado ou por empreita a ser realizada. Para os funcionários, somente determinadas categorias podem gozar dos privilégios estabelecidos no Art. V, devendo eles ser indicados em lista pelo Secretário Geral, o que não ocorre em relação aos peritos. Neste ponto, a conclusão a que chegou o Ministro MAURO CAMPBELL, relator do repetitivo, foi a de que a isenção do IR somente beneficia os funcionários da ONU, e não os peritos, que fazem jus a outras imunidades e privilégios que não a isenção do IR. Igualmente, segundo ele não se pode tratar o perito de assistência técnica dos organismos internacionais de modo diferente do que são tratados os peritos da ONU. No entanto, o próprio Relator observa que, em 08/06/2011, foi proferida decisão pela Primeira Seção do STJ, no REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro TEORI ZAVASCKI, firmando o entendimento no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. Nela, entendeu o Min. TEORI que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Desta feita, a pretérita decisão do STJ entendeu que o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas, motivo pelo qual o Min. MAURO CAMPBELL, ressalvando seu entendimento pessoal, curvouse a este posicionamento, em prol da uniformização da jurisprudência. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10166.013087/200810 Resolução nº 2101000.116 S2C1T1 Fl. 192 8 Compulsando o aludido Acordo Básico de Assistência Técnica, temse que ele foi firmado entre o Brasil e a Organização das Nações Unidas, a Organização Internacional do Trabalho, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a Organização de Aviação Civil Internacional, a Organização Mundial de Saúde, a União Internacional de Telecomunicações, a Organização Meteorológica Mundial, a Agência Internacional de Energia Atômica e a União Postal Universal. Desta feita, é inexorável a conclusão no sentido de que, ainda que a decisão do STJ tenha se debruçado, no caso concreto, sobre consultora no âmbito do PNUD, a conclusão a que chegou o relator, adotando o entendimento do Min. TEORI, é a de que a norma isentiva do IR alcança funcionários e peritos de assistência técnica tanto do PNUD como da UNESCO. Como é cediço, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009, no artigo 62A de seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21/12/2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros desse Conselho Administrativo no julgamento dos respectivos recursos. Vejase: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Assim, muito embora a orientação sedimentada neste Conselho até então tenha sido diametralmente oposta, tratandose, o caso concreto, da exata hipótese apreciada sob a sistemática dos recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, cujo trânsito em julgado se deu em 17/01/2013, passamos a adotar, nos termos do aludido art. 62A do Anexo II do RICARF, o entendimento daquela Corte infraconstitucional, considerando as verbas percebidas isentas do imposto de renda. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Relator Fl. 193DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 15374.917003/2009-50
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 16/11/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE.
O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo.
Numero da decisão: 3803-004.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Juliano Eduardo Lirani votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Juliano Eduardo Lirani votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/11/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Juliano Eduardo Lirani votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 70 03 /2 00 9- 50 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 12617.23677.170805.1.7.040096, fls. 2/6, em que utilizou como crédito pagamento a maior de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e SegurosIOF relativo ao fato gerador ocorrido em 16 de novembro de 2002, no valor de R$ 2.443,42, do DARF pago de R$ 22 226,13. Despacho Decisório Eletrônico da Derat/São Paulo, fl. 7, de 9 de abril de 2009, não homologou a DComp, visto que o crédito já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não tendo restado créditos disponíveis, conforme o DARF discriminado no PeR/DComp. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 13/18, a Contribuinte alegou, em síntese, que: a) o crédito utilizado teve origem na apuração de equivoco no procedimento adotado para cálculo do IOF nas operações de empréstimos, conforme laudo técnico em anexo (doc.01); b) equivocouse no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF e não demonstrou a existência de crédito de I0F, e declarou como devido exatamente o valor recolhido; c) os equívocos nas declarações não criam tributos, e não podem, comprovado erro de fato, gerar obrigação tributária; d) se a confissão do contribuinte não estiver de acordo com a lei e com a realidade fática, nenhum valor terá para o juízo tributário, e se o valor confessado não corresponde às hipóteses de incidência, a confissão de divida e o consequente pagamento são absolutamente irrelevantes, não gerando qualquer obrigação tributária; f) o valor realmente devido para esta competência é de R$ 7.469,02, e não R$ 22.226,13, como erroneamente declarado em DCTF". Sustentou que "a existência deste crédito pode ser facilmente observada, bastandose comparar os valores apresentados como devidos, conforme planilha em anexo (doc.2), com a guia de recolhimento da mesma competência (doc.3)”. Em julgamento da lide, a DRJ/Rio de Janeiro I, fls. 107/115, manifestouse pela validade do despacho decisório, aduzindo que: a) na forma da legislação de regência, o instrumento que veicula alteração na DCTF é a DCFT Retificadora, inexistindo previsão normativa para que tal declaração seja substituída por Dcomp, ou pleiteada em sede de manifestação de inconformidade; b) ainda que, em nome da verdade material, a falta de DCTF Retificadora fosse superada, como requer o interessado, não há previsão normativa para que a escrituração contábil da pessoa jurídica e os documentos que a embasam sejam substituídos por planilha, como a que o interessado traz, fls. 70/72; Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.917003/200950 Acórdão n.º 3803004.529 S3TE03 Fl. 163 3 c) aos autos, não foram juntados nem os contratos de empréstimos (relacionados nas ditas planilhas) que deram origem ao I0F, nem a prova da escrituração dos lançamentos contábeis correspondentes; d) tratandose de operações de crédito, como é o caso, o contribuinte do IOF é a pessoa física ou jurídica tomadora do crédito (art. 3º, inciso I, da Lei n° 8.894, de 21 de junho de 1994); ocorre que nas dezenas de operações de empréstimos concedidos as pessoas estão identificadas por números de matriculas na mencionada planilha; e) na forma do art.166 do CTN, a restituição do IOF só pode ser feita a quem suportou tal encargo, ou a quem este houver autorizado. Assim, ainda que o interessado tivesse logrado demonstrar que houve erro na metodologia utilizada no calculo do IOF, tal não o aproveitaria, porque não foi autorizado por aqueles que, efetivamente, suportaram o IOF. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. I0F. ANOCALENDÁRIO DE 2002. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. I0F. ANOCALENDÁRIO 2002. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 8 de outubro de 2011, irresignada, apresentou recurso voluntário, 121/136, em 8 de novembro de 2011, em que reitera os mesmos termos da manifestação de inconformidade e, adicionalmente, pede a realização de diligência para apuração do crédito existente, caso não se ache suficiente o que consta dos autos. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A questão dos autos diz respeito à prova da alegação de direito ao crédito utilizado na compensação, tanto do erro em que incorrera na apuração do imposto, como de sua autorização dos aplicadores/poupadores. A decisão recorrida foi clara ao dispor, com correção, que a planilha anexada à defesa pudesse substituir a escrituração contábil, bem como sobre a necessidade de estarem anexas aos autos cópias dos contratos de mútuo. Mesmo diante dessas balizas legais colocadas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente não os traz aos autos, e, ademais, não teve o desvelo, ao menos, de apresentar qualquer justificativa de impossibilidade de cumprir tais exigências processuais. Argumenta a Recorrente que, por ser entidade de previdência fechada, estaria autorizada pelo contribuinte de direito, o Conselho Deliberativo da entidade, para pleitear a restituição. O argumento é insubsistente e não está ao abrigo da exigência do art. 166 do CTN, já evocado pela decisão de piso, na medida em que aquele que suportou o ônus do imposto é o sujeito apto a autorizar o pedido de restituição. Acrescentese que, conquanto estivesse cumprida tal exigência, ainda estaria prejudicada pela falta de comprovação do indébito. Quanto ao pedido de diligência, pontuese que esta providência de instrução do processo não se presta para levantar as provas que haveriam de estar nos autos desde a apresentação da manifestação de inconformidade, ressalvadas as hipóteses de posterior apresentação constantes do art. 16 do Decreto nº 70.235/721. Ante o que, não pode ser deferido. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.917003/200950 Acórdão n.º 3803004.529 S3TE03 Fl. 164 5 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito). Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13161.720123/2008-25
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR.
É possível a dedução de áreas de preservação permanente e reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. É possível a dedução de áreas de preservação permanente e reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. É possível a dedução de áreas de preservação permanente e reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 01 23 /2 00 8- 25 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13161.720123/200825 Acórdão n.º 2801003.034 S2TE01 Fl. 226 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/CGE/MS. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Exigese da interessada o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata nas Declarações do ITR DITR/2005, no valor total de R$ 132.276,79, referente ao imóvel rural denominado: Fazenda Flanboyant, com Número na Receita Federal NIRF 4.890.0680, com área total de 1.032,1 ha, localizado no município de Batayporã MS, conforme Notificação de Lançamento NL, fls. 65 a 69, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 66, 67 e 69. 2. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados nos exercícios 2004 a 2006, especialmente a Área de Preservação Permanente APP, Área de Reserva Legal ARL e o Valor da Terra Nua VTN, este último somente para 2006, a declarante foi intimada a apresentar diversos documentos comprobatórios, os quais, com base na legislação pertinente, foram listados, detalhadamente, no Termo de Intimação, fls. 01 e 02. Entre os mesmos constam: cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA; Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, relativamente à demonstração de existência da APP conforme enquadramento legal (art. 2o , da lei n° 4.771/1965 Código Florestal), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART; Certidão do Órgão Público competente, caso o imóvel, ou parte dele, esteja inserido em área declarada como de Preservação Permanente nos termos do art. 3o , do Código Florestal, acompanhado do Ato do Poder Público que assim a declarou; cópia da matrícula do registro imobiliário, com da averbação da ARL; cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de averbação da ARL ou Termo de Ajustamento de Conduta e; Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, com atenção aos requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, demonstrando os métodos de avaliação e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, com Grau 2 de fundamentação mínima. Foi informado, inclusive, que, na falta de atendimento à intimação, poderia ser efetuado o lançamento de ofício com o arbitramento do VTN com base nas informações do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, conforme a legislação. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13161.720123/200825 Acórdão n.º 2801003.034 S2TE01 Fl. 227 3 3. Após pedir e ser deferido prorrogação de prazo, fls. 05 a 23, com a carta de fls. 24 e 25 foi apresentada a documentação de fls. 26 a 62, composta por: ADA/2007 transmitido para o IBAMA em 11/02/2008, Laudo de APP, mapa do imóvel, imagem de satélite, matrícula do imóvel, Laudo de Avaliação e ART. 4. Da Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais a Autoridade Fiscal explicou da intimação, dos documentos encaminhados e da análise dos mesmos. Mencionou da legislação relativa aos requisitos legais para a isenção das áreas preservadas, tais como comprovação de existência de florestas e ADA protocolado no IBAMA no prazo legal informando essas áreas. Foi observado que o ADA apresentado havia sido protocolado no IBAMA intempestivamente para os exercícios fiscalizados. Além disso, com relação à APP foi verificado que o laudo não comprovou a existência de floresta, mas, apenas que o imóvel é banhado pelo Rio Baia, Lagoa do Rodrigo e que possui uma boa parte ocupada pelas faixas marginais encharcadas. Relativamente à ARL, embora conste de averbação, o ADA está intempestivo. Em razão dessas constatações foi procedida a glosa da APP e ARL. 5. Procedidas as mencionadas modificações, bem como dos demais dados conseqüentes, foi lavrada a NL, cuja ciência foi dada à interessada em 03/10/2008, sextafeira, fl. 150. Na impugnação, protocolada em 04/11/2008, fls. 71 a 84, a interessada apresentou seus argumentos de discordância alegando, em resumo, o seguinte: 6.1. Em os fatos, tratou da declaração apresentada, da exclusão da APP e ARL, das razões do lançamento constante da NL, bem como afirmou que o imóvel contém, efetivamente, as áreas preservadas nas dimensões declaradas. 6.2. O direito e as bases que fundamentam a improcedência da Autuação Fiscal. Neste item tratou de parte da legislação do ITR. do lançamento por homologação, das áreas não sujeitas à tributação, da não necessidade de prévia comprovação das áreas isentas, entre outros. 6.2.1. Questionou a exigência do ADA afirmando ser ilegal e, para sustentar seus argumentos, reproduziu jurisprudência que dispensa tal ato para a concessão de isenção. 6.2.2. Tratou do levantamento técnico, disse que a ARL foi apurada exatamente como declarada e a APP em dimensão maior, o que fez que a impugnante recolhesse valor de imposto superior ao devido e que, muito embora tivesse direito, dispensa o pedido de repetição do valor recolhido a mais. 6.2.3. Retornou à questão do ADA para indagar como é possível uma simples declaração unilateral do proprietário ser capaz de gerar benefício fiscal e, por outro lado, essa mesma declaração, somada ao laudo apresentado, cujo conteúdo informativo é muito superior ao que se pede no ADA e, ainda, envolvendo Fl. 227DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13161.720123/200825 Acórdão n.º 2801003.034 S2TE01 Fl. 228 4 responsabilidade da impugnante e de terceiro profissional habilitado, na seria capaz de gerar o mesmo benefício ou de constatar a existência das áreas necessárias à isenção. 6.2.4. Entre outros argumentos disse que o fato de o Fiscal considerar 100,0% da área tributável pelo ITR, via de conseqüência pode ensejar duas situações: a) que os 100,0% do imóvel pode ser explorado pelo proprietário, pois, não haveria restrições legais e; b) a afirmação caracteriza falsa imputação de fato criminoso, calúnia, pois não estaria a impugnante respeitando os limites e as proteções ambientais estabelecidos na legislação. 6.3. O Pedido. Por todo o exposto requereu: a) Seja conhecida e julgada integralmente procedente a impugnação, para os fins de determinar a anulação da Notificação de Lançamento. b) Protestou, outrossim, pela juntada posterior de documentos indispensáveis à comprovação de sua defesa, bem como apresentação de outras alegações que, eventualmente, se demonstrem necessárias. c) Requereu, por fim, que durante a fase instrutória seja oficiado o IBAMA para obtenção das informações que se julgar necessária e, principalmente, solicitar a realização de inspeção in loco por técnicos para comprovação das informações prestadas pela impugnante, referente à caracterização das áreas que compõem seu imóvel. 7. A fl. 85 consta a relação dos documentos anexados à impugnação, os quais foram juntados das fls. 86 a 147, sendo os principais, na sua maioria, cópia dos já apresentados à fiscalização. A fl. 154 é uma nova manifestação da interessada, com a qual requereu agilidade no julgamento do processo e, aproveitando a oportunidade, juntou dois Acórdãos do Conselho de Contribuinte referentes a lançamento do ITR/1997, fls. 155 a 173, conforme os quais a declaração feita pelo contribuinte da existência das APP e ARL seria suficiente para isenção do ITR.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 175/185, que restou assim ementado: Áreas de Florestas Preservadas Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA Fl. 228DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13161.720123/200825 Acórdão n.º 2801003.034 S2TE01 Fl. 229 5 em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção – Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Regularmente cientificada daquele acórdão em 16/03/2011 (fl. 191), a interessada, representada por seu advogado (fl. 86/87), interpôs recurso voluntário de fls. 198/215, em 13/04/2010. Em sua defesa, reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de glosa da área de preservação permanente (254,1 ha) e da área de reserva legal (206,4 ha), tendo em vista a apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA. Em relação à área de preservação permanente, ainda foi constatado que o laudo técnico apresentado não comprovou a existência da área declarada de preservação permanente. Quanto ao ADA, há que se esclarecer que sua apresentação passou a ser obrigatória com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do art. 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, fazendo estampar, em seu §1o, que “A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. O prazo para a apresentação do documento foi definido na legislação infralegal. A legislação vigente à época do fato gerador, a Instrução Normativa SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002, em seu art. 9o, §3o, inciso I , determinava a entrega no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da Declaração do ITR DITR. Entretanto, como a lei não fixou prazo para a apresentação do documento, muitos passaram a defender não ser possível se admitir que isso fosse feito por atos infralegais. Após longos debates, a jurisprudência da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais passou a admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal, desde que as áreas deduzidas fossem devidamente comprovadas com documentação complementar. Veja se, como exemplo, a seguinte decisão: Fl. 229DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13161.720123/200825 Acórdão n.º 2801003.034 S2TE01 Fl. 230 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR, LAUDO PERICIAL E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador (reserva legal) e Laudo Pericial do próprio IBAMA, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 9202 01.843, sessão de 26/10/2011, Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) Assim, em homenagem ao entendimento dominante da CSRF, aceito a apresentação intempestiva do ADA, desde que antes do início da ação fiscal. Isso porque, até essa data, seria possível ao órgão ambiental começar espontaneamente procedimento de verificação das informações. Neste processo, o ADA foi apresentado em 11/02/2008 (fl. 26), e o procedimento fiscal se iniciou apenas em 26/05/2008 (fls. 01/02), devendose afastar a intempestividade da entrega do documento como impeditivo à dedução. Superado o óbice à dedução relativo ao ADA intempestivo, ainda restaria ao contribuinte a obrigação de demonstrar a existência da área mediante documentação comprobatória, o que se logrou provar no que tange à área de reserva legal, consoante averbação ocorrida antes do fato gerador, consignada na matrícula do imóvel, à fl. 39, e devidamente reconhecida pela fiscalização. Também é de ser considerar comprovada a área de preservação permanente, como declarada na DITR em tela pois efetivamente o laudo técnico apontou a existência de tal área de preservação ambiental, aliado ao ADA. Apesar de o laudo técnico ter apontado uma área de 385,7 ha (fls. 27/37), entendo que se deve considerar como APP a área efetivamente Fl. 230DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13161.720123/200825 Acórdão n.º 2801003.034 S2TE01 Fl. 231 7 declarada de 254,1 ha na DITR, a uma porque foi declaradas à época do fato gerador, em procedimento espontâneo; a duas porque o laudo foi confeccionados alguns anos após o fato gerador (01/01/2005), em 2008, devendose privilegiar a fonte de informação que está mais próxima dos fatos geradores (DITR), mormente tendo em conta que a APP constante do ADA apresentado em 2008 também corresponde a 254,1 ha . Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 231DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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