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Numero do processo: 13921.000231/2002-43
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997, 1998
MATÉRIA OBJETO DE SÚMULA DO CARF - NÃO CONHECIMENTO DO RESP
Não se conhece de Recurso Especial que discute questão idêntica aquela pacificada em sede de Súmula do CARF, quando tal recurso insurge-se contra decisão que aplicou o direito de forma convergente com o determinado na respectiva Súmula.
SÚMULA CARF Nº 53
Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro líquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n° 1991-15, de 10 de março de 2000.
Numero da decisão: 9101-001.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER o Recurso Especial do Procurador. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva e Rafael Vidal Araújo. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Valmir Sandri.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, Orlando José Gonçalves Bueno (Suplente Convocado), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997, 1998 MATÉRIA OBJETO DE SÚMULA DO CARF - NÃO CONHECIMENTO DO RESP Não se conhece de Recurso Especial que discute questão idêntica aquela pacificada em sede de Súmula do CARF, quando tal recurso insurge-se contra decisão que aplicou o direito de forma convergente com o determinado na respectiva Súmula. SÚMULA CARF Nº 53 Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro líquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n° 1991-15, de 10 de março de 2000.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997, 1998 MATÉRIA OBJETO DE SÚMULA DO CARF NÃO CONHECIMENTO DO RESP Não se conhece de Recurso Especial que discute questão idêntica aquela pacificada em sede de Súmula do CARF, quando tal recurso insurgese contra decisão que aplicou o direito de forma convergente com o determinado na respectiva Súmula. SÚMULA CARF Nº 53 Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro líquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n° 199115, de 10 de março de 2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER o Recurso Especial do Procurador. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva e Rafael Vidal Araújo. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Valmir Sandri. (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 92 1. 00 02 31 /2 00 2- 43 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13921.000231/200243 Acórdão n.º 9101001.952 CSRFT1 Fl. 7 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, Orlando José Gonçalves Bueno (Suplente Convocado), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de n° 10323.277, proferido pela Terceira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. Originalmente, o processo versa sobre auto de infração (fls. 05/07) para exigência de CSLL referente ao primeiro e segundo trimestre 1997, e primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 1998, em virtude da compensação indevida de base de cálculo negativa, em suposto desrespeito ao limite da trava de 30%. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 33/38), alegando que desenvolve unicamente atividade rural, não se sujeitando a trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba – PR que julgou procedente o lançamento, nos termos do acórdão n. 8.393 (fls. 60/68): Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997, 1998 Ementa: NULIDADE. Não se enquadrando nas causas enumeradas no art. 59do Decreto n° 70.235, de 1972, incabível falar em nulidade do lançamento. PROCEDIMENTO FISCAL. MALHA FAZENDA. Cabível o lançamento fiscal sem prévia intimação ao contribuinte, se a infração foi claramente identificada em procedimento de Malha Fazenda. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1997, 1998 Ementa: ATIVIDADE RURAL. LIMITE PARA COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. A tributação favorecida do resultado da atividade rural (Lei n° 8.023, de 1990) somente contempla a compensação integral do lucro real com prejuízos fiscais acumulados, nos anoscalendário em questão, e não pode ser estendida à compensação de base de cálculo negativa de período anterior de CSLL por falta de previsão legal. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13921.000231/200243 Acórdão n.º 9101001.952 CSRFT1 Fl. 8 3 Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 72/86) alegando, preliminarmente, nulidade do auto de infração por ausência de notificação à contribuinte do termo de início da fiscalização. No mérito, reiterou a não incidência na trava em compensação de prejuízos fiscais, quando a contribuinte desenvolve atividade rural. A Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes houve por bem rejeitar as preliminares apresentadas e, no mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário, conforme a ementa do acórdão n.10323.277 (fls. 88/102). Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1998, 1999 Ementa: TERMO DE INÍCIO — a ausência de termo de início não macula o lançamento, pois o procedimento de fiscalização é de natureza inquisitiva; pode ser realizado unilateralmente pela Administração. O direito de defesa e o contraditório são garantidos na fase contenciosa, que se inaugura com a impugnação. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — é dispensável a emissão de MPF em procedimento de malha fiscal. De toda sorte, o MPF é ato de controle administrativo de natureza discricionária. Seus eventuais vícios, incompatibilidades entre seu objeto e o do lançamento, ou mesmo a sua própria ausência, não maculam o procedimento de lançar, pois é vinculado. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DA ATIVIDADE RURAL — antes do advento da Medida Provisória n° 1.99115/00, a contribuição social sobre o lucro da atividade rural submetiase ao limite de 30% para a compensação de suas bases de cálculo negativas. Contra a decisão supramencionada, insurgiuse a Fazenda Nacional que interpôs Recurso Especial (fls. 107/113), afirmando que o incentivo fiscal de não incidência da trava de 30% na compensação sobre atividade rural apenas se aplica ao IRPJ. Para tanto, afirma que inexiste legislação conferindo tal benefício, posicionamento confirmado com a edição da Medida Provisória nº 199115, posterior ao fato gerador em discussão. O Recurso Especial foi submetido ao Exame de Admissibilidade (fls. 115/116), e a ele foi dado seguimento. A contribuinte apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial (fls. 119/128), refutando os argumentos da Procuradoria da Fazenda Nacional quanto à impossibilidade de não se considerar a trava na compensação quando se trata de atividade rural. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Esclareço que o Recurso Especial foi interposto em face de acórdão não unânime, proferido quando ainda estava vigente a Portaria MF n°. 147, de 25/06/2007, e uma vez demonstrada a suposta violação à lei, deve o mesmo ser conhecido. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13921.000231/200243 Acórdão n.º 9101001.952 CSRFT1 Fl. 9 4 A matéria sob enfoque diz respeito à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, especificamente à "COMPENSAÇÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES”, em percentual superior a 30%, sendo o resultado decorrente de atividade rural. Importa esclarecer que em nenhum momento nos autos foi levantada a possibilidade de não se tratar de atividade rural. Tanto o voto vencido quanto o voto vencedor do acórdão recorrido partiram dessa mesma premissa, a qual tampouco foi contestada pela d. Procuradoria. Neste ponto, valhome do voto proferido no acórdão CSRF/0105.375 (Processo nº 104120.003771/200135), ao tratar da mesma matéria: “Ocorre que a empresa se dedica exclusivamente à atividade rural, e está regida quanto à apuração do lucro líquido pela Lei nº 8.023/90. Lei n° 8.023, de 12 de abril de 1990 Art. 4° Considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no anobase. § 1° É indedutível o valor da correção monetária dos empréstimos contraídos para financiamento da atividade rural. § 2° Os investimentos são considerados despesa no mês do efetivo pagamento. Para efeito do Imposto de renda, a própria administração, através da IN SRF 51 de 31.10.95, reconheceu que a limitação de compensação de prejuízos estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 8.981/95, não se aplica às pessoas jurídicas que tenham por objeto a exploração da atividade rural. O SRF ancorou tal dispensa na Lei nº 8.023/90, que rege a atividade rural. IN SRF nº 11/96 Art. 35. Para fins de determinação do lucro real, o lucro líquido, depois de ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda, poderá ser reduzido pela compensação de prejuízos fiscais em até, no máximo, trinta por cento. § 3º O limite de redução de que trata este artigo não se aplica aos prejuízos fiscais apurados pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a exploração de atividade rural, bem como aos apurados pelas empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a programas Especiais de Exportação – BEFIEX, nos termos, respectivamente, da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990 e do artigo 95 da Lei nº 8.981 com redação dada pela Lei nº 9.065, ambas de 1995..” A limitação imposta originariamente pela Lei nº 8.981/1995, não alcançou os contribuintes que tenham por objeto a atividade rural, cuja apuração do lucro é regulamentada por norma específica, ainda vigente. Aliás, tal situação foi reconhecida expressamente pela Secretaria da Receita Federal, conforme se verifica da Instrução Normativa nº 51/1995, verbis: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13921.000231/200243 Acórdão n.º 9101001.952 CSRFT1 Fl. 10 5 “Art. 27 – A partir do anocalendário de 1995, para fins de determinação do lucro real, o lucro líquido, depois de ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda, poderá ser deduzido pela compensação de prejuízos fiscais em até, no máximo, trinta por cento (...) §3º O limite de redução de que trata este artigo não se aplica aos prejuízos fiscais apurados pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a exploração de atividade rural, bem como pelas empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação – BEFIEX, nos termos, respectivamente, da Lei nº 8023, de 12 de abril de 1990 e do art. 95 da Lei nº 8981 com a redação dada pela Lei nº 9065, ambas de 1995. O governo, inclusive, confirmou a não aplicação da referida limitação por meio da legislação abaixo transcrita: MP 199115 de 10 de março de 2.000 Art. 42 – O limite máximo de redução do lucro líquido ajustado, previsto no artigo 16 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural, relativamente à compensação de base negativa da CSLL. Ademais, esta questão já foi pacificada pela jurisprudência deste Conselho, a qual firmou entendimento no sentido de que a limitação de 30% na compensação do lucro líquido ajustado não se aplica às empresas voltadas à atividade rural, de acordo com o que indica a ementa de decisão proferida pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – ATIVIDADE RURAL – COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS ACUMULADAS DE PERÍODOS ANTERIORES – LIMITAÇÃO A 30 DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO (TRAVA) – A limitação a 30% do lucro líquido ajustado para compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas acumuladas da CSLL não é aplicável à atividade rural”. (Recurso nº 105123691, Sessão de 11.08.2003) De tão sedimentada a jurisprudência, esta foi objeto da Súmula n. 53 do CARF, verbis: Súmula CARF nº 53: Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro líquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n° 199115, de 10 de março de 2000. Portanto, tratandose de matéria objeto de súmula, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13921.000231/200243 Acórdão n.º 9101001.952 CSRFT1 Fl. 11 6 Sala das Sessões, 17 de julho de 2014. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 143DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11618.002040/2005-77
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996
PRAZO. RESTITUIÇÃO.
Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados antes de 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; já para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 do CTN.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
De acordo com o art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
APURAÇÃO DO CRÉDITO
Resta análise do levantamento do crédito, de sua liquidez e realização dos citados cálculos do pleito de restituição/compensação, se for o caso. Recurso Voluntário o qual se dá provimento parcial.
Numero da decisão: 3802-002.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente eRelator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Adriene Maria de Miranda Veras, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausência justificada de Solon Sehn
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996 PRAZO. RESTITUIÇÃO. Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados antes de 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; já para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 do CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-C DO CPC. De acordo com o art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APURAÇÃO DO CRÉDITO Resta análise do levantamento do crédito, de sua liquidez e realização dos citados cálculos do pleito de restituição/compensação, se for o caso. Recurso Voluntário o qual se dá provimento parcial.
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RESTITUIÇÃO. Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados antes de 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; já para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 do CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. De acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. APURAÇÃO DO CRÉDITO Resta análise do levantamento do crédito, de sua liquidez e realização dos citados cálculos do pleito de restituição/compensação, se for o caso. Recurso Voluntário o qual se dá provimento parcial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 20 40 /2 00 5- 77 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente eRelator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Adriene Maria de Miranda Veras, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausência justificada de Solon Sehn Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de pedido de restituição do PIS/ PASEP, (fls.01/05) e pedido de Compensação, sendo este formalizado por meio das Declarações de Compensação – PER/DCOMP de fls. 95/98, nas quais são indicados como créditos os pagamentos da referida contribuição, considerados pela postulante como indevidos, relacionados aos períodos de outubro de 1995 a fevereiro (planilhas de fls.36/38),tendo como fundamentação a inconstitucionalidade do art. 18 da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998 (art. 17 da Medida Provisória nº 1.212, de 28.11.1995). 2Inicialmente a contribuinte ingressou às fls.01/05 com um Pedido de Restituição dos pagamentos acima referenciados. O pleito foi indeferido pelo Despacho Decisório de fl.47, do Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa, em razão de aquela autoridade administrativa haver considerado, com base no PARECER DRF/JPA/SAORT Nº 551/2005, às fls.41/46, que, à data da solicitação da restituição – em 08 de junho de 2006 já havia transcorrido o prazo decadencial para o pleito do contribuinte, no que se refere aos pagamentos efetuados, como dispõem os artigos 165, I, e 168, I, do Código Tributário Nacional 3.Cientificada de tal negativa em 22/12/2005 conforme “AR” de fl. 51, a contribuinte, por meio da sua procuradora, assim constituída pelo instrumento de procuração de fl.88, apresentou manifestação de inconformidade, fls. 53/87, na data de 13/01/2006, sem a sua assinatura, tendo sido sanada tal irregularidade em 13/01/2006, com a apresentação, pela contribuinte, às fls.134/168, de manifestação de inconformidade idêntica, na data de 05/02/2007, devidamente assinada pela sua procuradora, na qual constam os seguintes argumentos, em síntese: Fl. 241DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11618.002040/200577 Acórdão n.º 3802002.370 S3TE02 Fl. 242 3 I que uma vez declaradas inconstitucionais a Medida Provisória nº 1.212/95 e suas reedições, convertidas na Lei nº 9.715, de 1998 por infração à norma contida no art.195, § 6º, da Carta Política o contribuinte que recolheu a contribuição do PIS, entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, na forma definida pela referida Medida Provisória, o fez indevidamente, tendo o direito de reaver o que pagou, corrigido monetariamente. II entende que o Despacho Decisório emitido pelo Delegado da Receita Federal em João Pessoa/PB indeferindo a restituição não pode prosperar, pelo equívoco de se alegar que a prescrição decorre da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2445 e 2449 de 1998, que não é o caso, pois a requerente pleiteia a restituição dos valores indevidamente recolhidos sob a égide da Medida Provisória 1212/95, eivada de inconstitucionalidade, visto não ter observado o disposto no art.195, § 6º, da Carta Magna como antes demonstrado; III aduz que também não merece guarida o argumento da decisão recorrida quanto à ocorrência da decadência do direito da manifestante de pleitear a restituição dos valores indevidamente recolhidos a título de contribuição para o PIS no período de apuração de 10/1995 a 12/1996, uma vez que as hipóteses de pagamento indevido, previstas nos incisos do I, II e III do art.165 do CTN, estão situadas no plano da aplicação da lei tributária, e nenhuma delas parte da sua inconstitucionalidade; IV em suma, argúi que o regime que o CTN dedica ao pagamento indevido e à restituição do respectivo montante não se aplica a hipótese de inconstitucionalidade da lei em que fundamenta o pagamento e entende que por decorrência, as regras dos arts.168 e 169, que dispõem sobre a prescrição (sic) somente poderão ser aplicadas se houver necessidade de integrar, analogicamente, a legislação tributária, se for o caso, e, mesmo assim, desde que não leve a conclusão incompatível com a figura da inconstitucionalidade; V invoca entendimento doutrinário de Hugo de Brito Machado e de Gabriel Lacerda Troianelli no sentido de que não haveria prazo para o exercício da compensação tributária após o trânsito em julgado da sentença judicial que o reconheceu e isso pelo simples fato de que o direito à compensação é potestativo (independe da parte contrária para o seu exercício); VI acrescenta que, quanto aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça mantém entendimento de que, na ausência de homologação expressa, o prazo somente começa a contar após decorridos cinco anos do fato gerador, acrescido de mais cinco, sendo este o mesmo entendimento do Segundo Conselho de Contribuintes expressos nos Acórdãos (ementas) ora transcritos; VII cita ainda, como amparo para a sua tese, o Parecer Cosit nº 58, de 26 de outubro de 1998, item 32 que transcreve; VIII tece considerações sobre os efeitos da Lei Complementar 118/2005 que buscou alterar o consolidado entendimento do prazo prescricional decenal Fl. 242DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 para os tributos sujeitos à homologação, para alegar que o STJ já se manifestou no sentido de que esta somente teria eficácia para atos projetados para o futuro, não atingindo atos em curso; IX contesta ainda a alegação exposta no Despacho Decisório questionado de que houve um erro na base de cálculo do PIS devido demonstrado na planilha de fls.26 e tece considerações sobre as mudanças desta introduzidas pelos DecretosLeis nºs 2445 e 2449/88 considerados inconstitucionais pelo STF e suspensa a sua execução pela Resolução nº 49, de 09.10.1995 do Senado Federal, tendo se consolidado o entendimento de que durante todo o período de vigência da contribuição do PIS as regras de sua exigência seriam aquelas definidas na Lei Complementar nº 7/70, cuja sistemática perdurou até a edição da Medida Provisória nº 1.121/95 e conclui que a base de cálculo do PIS instituído por aquela LC é idêntica à do Finsocial criado pelo DecretoLei nº 1940/82; X requer, por todo o exposto, o julgamento da presente manifestação de inconformidade procedente in totum, rejeitando o Despacho Decisório, reconhecendo, por conseqüência, o direito da impugnante à restituição e compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de contribuição para o PIS no período da MP 1212/95, devidamente corrigidos até o momento da efetiva restituição. 4.Após a apresentação da manifestação de inconformidade acima, e antes de seu envio a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a contribuinte formalizou a Declaração de Compensação nº 40467.09681.150905.1.3045140 e juntadas às fls.95/101, apresentando como créditos os pagamentos que serviram de objeto ao Pedido de restituição supracitado e como débitos a serem compensados, o PIS – não cumulativo correspondente ao período de apuração de agosto de 2005, no valor de R$ 236.240,32. 5.Após análise da DECOMP acima, o Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa, acatando o PARECER DRF/JPA/SAORT Nº 073/2006, de fls.102/104, emitiu o Despacho Decisório de fl.105, no qual foi negada a homologação da compensação pretendida com a determinação, por conseqüência, da cobrança do débito confessado na referida declaração, no valor de R$ 236.240,32. 6.O PARECER DRF/JPA/SAORT Nº 073/2006 retrocitado, assim conclui: “O tipo de crédito utilizado na DCOMP como contrapartida forma valores recolhidos a maior do PIS, relativo ao período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, no montante de R$ 236.240,32, conforme demonstrativos anexados às folhas 36/38, posteriormente indeferido segundo PARECER DRF/JPA/SAORT Nº 551/2005, às folhas 41/48. Comprovada a inexistência de crédito disponível, em decorrência disso a compensação apresentada pelo sujeito passivo por meio da PER/DECOMP, não será homologada.” 7.Cientificada de tal negativa em 12/04/2006 conforme “AR” de fl. 110, a contribuinte, por meio da sua procuradora, assim constituída pelo Fl. 243DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11618.002040/200577 Acórdão n.º 3802002.370 S3TE02 Fl. 243 5 instrumento de procuração de fl.125 apresentou manifestação de inconformidade, fls. 111/124, na data de 08/05/2006, em que contesta o indeferimento sob os seguintes argumentos, em síntese: I invoca preliminarmente o art.48 da IN SRF nº 600 de 2005 que lhe dá a faculdade de se manifestar contra o Despacho Decisório que indeferiu o seu pedido de compensação e que foi apresentado dentro do prazo legal; III alega o efeito suspensivo provocado pela manifestação de inconformidade ora apresentada conferido pelo art. 33 da indigitada Instrução Normativa, o que torna necessária a suspensão de qualquer ato tendente à cobrança dos valores compensados até o final do julgamento da referida manifestação de inconformidade perante a DRJ; IV aduz que o Despacho Decisório recorrido indeferiu o seu pedido de restituição de quantias pagas indevidamente a título de contribuição para o PIS, em período de vigência das regras instituídas pela Medida Provisória 1.212, de 1995, importando no valor de R$ 232.378,55, tendo sido tal valor objeto de compensação (Dcomp nº 40467.09681.150905.1.3045140); V que, não obstante a interposição pela ora impugnante de manifestação de inconformidade ainda não julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, foi cientificada do PARECER DRF/JPA/SAORT Nº 073/2006 que não homologou o pedido de compensação, bem como determinou a cobrança dos débitos no valor de R$ 302.009,62; IV que, contudo, o indeferimento do Pedido de Restituição não poderá servir de supedâneo a nãohomologação do Pedido de Compensação que aguarda processamento e julgamento pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, bem como por ser certo o direito da impugnante à restituição dos valores indevidamente recolhidos a título de contribuição para o PIS , mormente em razão da anterior interposição de manifestação de Inconformidade que aguarda processamento e julgamento pela DRJ/Recife, bem como por ser certo o seu direito à restituição dos valores efetivamente recolhidos a título de contribuição para o PIS conforme será demonstrado; V que, ademais, muito embora o fundamento do despacho Decisório recorrido tenha sido o transcurso do prazo para o contribuinte pleitear a devolução dos valores, bem como tenha sido justamente tal indeferimento que ensejou a não homologação do presente pedido de compensação, cumpre repisar os argumentos que deram ensejo à sua inconformidade apresentada no recurso anterior, quais sejam: i) as hipóteses de pagamento indevido, previstas nos incisos do I, II e III do art.165 do CTN, estão situadas no plano da aplicação da lei tributária, e nenhuma delas parte da sua inconstitucionalidade e que, portanto, as regras dos arts.168 e 169, que dispõem sobre a prescrição (sic) somente poderão ser aplicadas se houver necessidade de integrar, analogicamente, a legislação tributária, se for o caso, e, mesmo assim, desde que não leve a conclusão incompatível com a figura da inconstitucionalidade; Fl. 244DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 ii) quanto aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça mantém entendimento de que, na ausência de homologação expressa, o prazo somente começa a contar após decorridos cinco anos do fato gerador, acrescido de mais cinco, sendo este o mesmo entendimento do Segundo Conselho de Contribuintes expressos nos Acórdãos (ementas) ora transcritos. VI que ante o exposto requer a reforma da decisão que indeferiu o seu pedido de compensação e a garantia do seu direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos a maior a título de contribuição para o PIS, bem como a suspensão da exigibilidade dos valores compensados. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 1122.113 de 30/04/2008, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996 PIS/PASEP.RESTITUIÇÃO. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no controle concentrado, e por Resolução do Senado, no controle difuso, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Compensação Não Homologada. O julgamento foi no sentido de considerar improcedente a compensação apresentada pela empresa autuada, tendo em vista não ser mais passível o reconhecimento do direito creditório do pedido de restituição. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11618.002040/200577 Acórdão n.º 3802002.370 S3TE02 Fl. 244 7 Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. A empresa , em 08 de junho de 2005 (protocolado na SAORT) apresentou o Pedido de Restituição de fls. 01/05, solicitando restituição de valores, segundo este, indevidamente recolhidos, nos períodos compreendidos entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, a título da contribuição ao PIS com fundamento na Medida Provisória n° 1.212, editada em 28.11.95. Inicialmente, em sede de preliminar, analiso a questão do prazo para pleitear o seu pedido de restituição. Ressalto, que esta conselheira votava no sentido que prazo para que o sujeito passivo exerça seu direito de requerer a restituição de valores que comprove terem sido recolhidos a maior ou indevidamente é aquele expresso no inciso I do artigo 168, combinado com o inciso I artigo 165, do CTN, ou seja, o pedido deveria ser formulado no prazo máximo de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, inclusive no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como a COFINS e o PIS, que se extinguem com o pagamento antecipado por força do disposto no parágrafo 1º do artigo 150. Como sabemos, o legislador, com intuito de interpretar o artigo 168, I do CTN, em 09 de fevereiro de 2005, por meio da Lei Complementar n° 118, explicitou sua vigência no tempo: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. No entanto, o STF – Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, relatada pela Ministra Ellen Gracie, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC no. 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN” Fl. 246DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Foi reconhecida a Repercussão Geral, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 543B, parágrafo 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Assim sendo, por conta da decisão proferida no RE 566.621, é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados antes de 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 do CTN. Diante do exposto, tendo em vista, pedido de restituição/compensação em 08/06/2005 (antes de 09/06/2005), então o comando do prazo é de 10 anos, portanto, logo, acobertando os pagamentos dos períodos de apuração 10/1995 a 02/1996. Portanto, afastada a preliminar de decadência. No entanto, quanto ao mérito, ou seja, sobre a apuração do crédito, resta análise do levantamento do mesmo, de sua liquidez e realização dos citados cálculos do pleito de restituição/compensação, se for o caso. Em razão dos motivos acima expostos, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para afastar a decadência e devolver os autos ao órgão de origem, para análise do pleito e realização dos citados cálculos do pleito de restituição/compensação, se for o caso. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 247DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 2/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004322/2004-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2000
INDÉBITO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESTITUIÇÃO.
A restituição de indébitos tributários decorrentes de venda de produto sujeito ao regime de pagamento por substituição tributária para frente somente é possível quando não ocorre o fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESTITUIÇÃO. A restituição de indébitos tributários decorrentes de venda de produto sujeito ao regime de pagamento por substituição tributária para frente somente é possível quando não ocorre o fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Campinas (SP) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 43 22 /2 00 4- 41 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 despacho decisório que indeferiu o Pedido Restituição às fls. 03, protocolado em 01/09/2004, decorrentes de pagamentos a maior do PIS, pelo regime de substituição tributária, retidos em excesso pela substituta, para as competências de janeiro de 1999 a junho de 2006, pelo fato de a recorrente ter praticado preços inferiores aos utilizados para a base de cálculo da contribuição. A Delegacia da Receita Federal em Campinas indeferiu o pedido de restituição sob o fundamento de que não existe direito creditório a favor do contribuinte, conforme despacho decisório às fls. 62/64. Inconformada com a decisão daquela DRF, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando razões assim resumidas pela DRJ: • o indeferimento em tela foi alicerçado em total dissonância às mais recentes jurisprudências havidas sobre a mesma matéria, qual seja, baseou tal decisão, num prematuro e irrelevante fundamento, sobre a ilegitimidade do contribuinte, ora requerente. Melhor dizendo, a este titulo, está pacifico em nossos Tribunais, que o ora Requerente (contribuinte substituído), por ser ele quem sofreu efetivamente o ônus da imposição fiscal, é parte legitima ad causam para requerer a restituição dos valores recolhidos a titulo de tributo (PIS). Desta feita, não merece prevalecer o entendimento do presente julgado, eis que, segundo este, tal legitimidade seria da refinaria de petróleo e ou distribuidora, ora ambas contribuintes SUBSTITUTAS; • o Requerente, perante o regime da Substituição Tributária, é considerado o CONTRIBUINTE SUBSTITUÍDO das operações realizadas. (..) Conveniente, porém, se torna para o caso, a aplicação obrigatória da interpretação literal dessa legislação tributária, pois, esta é clara, quando se refere que a refinaria de petróleo e ou as distribuidoras de álcool, somente são obrigadas a cobrança (retenção) e o seu posterior recolhimento (repasse à União), mas que, na verdade quem sofre o ônus da carga tributária nessas operações, é o contribuinte SUBSTITUÍDO; • a intenção da Lei, é reduzir as fases de cobrança dos tributos, deixando assim, a refinaria como responsável pela retenção e recolhimento desses, pertinentes aos contribuintes varejistas, e não a reconhecendo como parte legitima ao mesmo pleito. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0520.466, datado de 07/12/2007, às fls. 73/81, sob as seguintes ementas: “RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE ATIVA. A falta de prova de legitimidade ativa inviabiliza o deferimento de pedido de restituição/compensação. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. FATO GERADOR PRESUMIDO. No caso de substituição tributária só é cabível a restituição da quantia paga na hipótese de não se realizar o fator gerador presumido.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 85/90, requerendo sua reforma, a fim de que se defira seu pedido, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação de inconformidade, ou seja, de que é parte legítima para pleitear os indébitos decorrentes dos pagamentos efetuados a maior, sob o regime de substituição tributária, pelo fato de ter vendido os produtos por preços inferiores ao utilizado Fl. 93DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10830.004322/200441 Acórdão n.º 3301002.318 S3C3T1 Fl. 93 3 para o cálculo da contribuição devida e retida pelo substituto e, ainda, porque, de fato, o ônus tributário foi suportado por ela. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. No presente caso, a recorrente alega que revendeu os produtos adquiridos sob o regime de substituição tributária, no pagamento do PIS, por preços inferiores aos utilizados para o cálculo da contribuição retida pelo substituto. Contudo, não apresentou documentos fiscais, notas fiscais de compra e notas fiscais de vendas à varejo dos produtos comprados e revendidos sob o regime de substituição, mas apenas e tão somente as planilhas às fls. 11/53. Ora, tais planilhas desacompanhadas das notas fiscais de compra e das notas fiscais de venda a varejo dos produtos não provam que as vendas foram efetuadas por valores inferiores aos utilizados pela substituta para o cálculo da contribuição retida e recolhida sob o regime de substituição tributária. Ainda, que tivesse comprovado que as vendas a varejo foram efetuadas por preços inferiores aos da base de cálculo da contribuição utilizada, no regime de substituição tributária, a recorrente não tem direito a restituição dos indébitos decorrentes de tais operações. O Código Tributário Nacional (CTN) assim dispõe a restituição de tributos indiretos cujo ônus, de fato, é suportado pelo consumidor final: “Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” Embora, o PIS seja uma contribuição incidente sobre o faturamento, não deixa de ser um tributo indireto. O fato de ter revendido os produtos por preços inferiores aos adotados (presumidos) para o cálculo da contribuição devida, sob o regime de substituição tributária, não garante que o revendedor tenha assumido o ônus do tributo. O fato de a despesa tributária da contribuição ser computada nos custos para a apuração da margem de comercializa e, conseqüentemente, do lucro operacional implica na transferência do encargo para o consumidor final. Além disto, a Constituição Federal (CF) de 1988, ao tratar de responsabilidade tributária, assim dispõe: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...]. § 7.º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)” Ora, segundo este parágrafo, a restituição de tributo retido/pago sob o regime de substituição tributária somente é possível quando o fato gerador não se realiza. O Supremo Tribunal Federal já firmou jurisprudência sobre esta matéria, decidindo que a restituição somente é possível quando o fato gerador não se concretiza, conforme se verifica da ementa transcrita, a seguir: “RE 352.979 AgR/SP – SÃO PAULO. AG. REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE. BASE DE CÁLCULO PRESUMIDA E VALOR REAL DA OPERAÇÃO. DIFERENÇAS APURAS. RESTITUIÇÃO. 1. É responsável tributário, por substituição, o industrial, o comerciante ou o prestador de serviço, relativamente ao imposto devido pelas anteriores ou subseqüente saídas de mercadorias ou, ainda, por serviços prestados por qualquer outra categoria de contribuinte. Legitimidade do regime de substituição tributária declarada pelo Pleno deste Tribunal. 2. Base de cálculo presumida e valor real da operação. Diferenças apuradas. RESTITUIÇÃO. Impossibilidade, dada a ressalva contida na parte final do artigo 150, § 7º, da Constituição Federal que apenas assegura a imediata e preferencial restituição da quantia paga somente na hipótese em que o fato gerador presumido não se realize. 3. Precedente do Tribunal Pleno. Agravo Regimental não provido.” A Lei nº 9.718, de 1998, que instituiu o regime de substituição para o PIS e a Cofins, assim dispunha: “Art.4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás.” Este dispositivo legal deixa claro que, no regime de substituição tributária, a relação jurídica do contribuinte substituído não desaparece, apenas a sistemática de apurar e recolher o tributo é alterada. No caso específico da substituição tributário do PIS e da Cofins sobre combustíveis, como no presente caso, tanto as refinarias como as distribuidoras e os comerciantes varejistas são contribuintes. O fato gerador de cada operação realizada pelo Fl. 95DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10830.004322/200441 Acórdão n.º 3301002.318 S3C3T1 Fl. 94 5 distribuidor e pelo comerciante varejistas é presumido e, portanto, pode não ocorrer de fato. Se o fato gerador não ocorrer, a norma constitucional referida assegurava a imediata e preferencial restituição da quantia paga. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720591/2010-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PEDIDO DE PERÍCIA E PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. DESNECESSIDADE.
Mostra-se despiciendo o pedido de realização de perícia e de produção de novas provas, uma vez que os autos já contêm informações suficientes ao deslinde da controvérsia. Informações adicionais que o contribuinte considera relevantes já poderiam ter sido trazidos aos autos desde a fase impugnatória, dado tratar-se de elementos relativos a seu processo produtivo, em relação ao qual se pressupõe a existência de controles, de escrituração contábil-fiscal e de especificações técnicas.
ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A lei autoriza o creditamento relativamente a aluguel de máquinas e equipamentos utilizados na atividade da empresa, desde que atendidos os demais requisitos legais.
ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO. DIREITO AO CREDITAMENTO.
Há previsão legal que assegura o direito a creditamento dos encargos de depreciação e amortização de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo e de edificações e benfeitorias utilizados nas atividades da empresa, calculados a partir da vigência do dispositivo legal, observados o período de apuração do pedido de ressarcimento, o prazo máximo permitido e os demais requisitos legais.
Numero da decisão: 3803-006.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório em relação a (i) aluguel de máquinas e equipamentos, (ii) partes, peças (juntas e cachimbos aplicados na tubulação por onde percorre o mineral) e serviços de manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, (iii) serviços de monitoramento e controle do espaço, serviços de montagem elétrica de equipamentos, serviços de manutenção de maquinário industrial, serviços de manutenção de equipamentos de lavra, recondicionamento geral do radiador, transporte rodoviário de insumos importados e manutenção de máquinas do setor produtivo, desde que não acarretem acréscimo de vida útil superior a um ano aos equipamentos e máquinas em que aplicados e (iv) encargos de depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado (máquinas e equipamentos imobilizados e edificações e benfeitorias), calculados a partir da vigência do dispositivo legal e durante o período de apuração deste processo, observado o prazo máximo permitido. Vencido o conselheiro Jorge Victor Rodrigues, que dava provimento total ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PEDIDO DE PERÍCIA E PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. DESNECESSIDADE. Mostra-se despiciendo o pedido de realização de perícia e de produção de novas provas, uma vez que os autos já contêm informações suficientes ao deslinde da controvérsia. Informações adicionais que o contribuinte considera relevantes já poderiam ter sido trazidos aos autos desde a fase impugnatória, dado tratar-se de elementos relativos a seu processo produtivo, em relação ao qual se pressupõe a existência de controles, de escrituração contábil-fiscal e de especificações técnicas. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A lei autoriza o creditamento relativamente a aluguel de máquinas e equipamentos utilizados na atividade da empresa, desde que atendidos os demais requisitos legais. ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO. DIREITO AO CREDITAMENTO. Há previsão legal que assegura o direito a creditamento dos encargos de depreciação e amortização de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo e de edificações e benfeitorias utilizados nas atividades da empresa, calculados a partir da vigência do dispositivo legal, observados o período de apuração do pedido de ressarcimento, o prazo máximo permitido e os demais requisitos legais.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2243; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 680 1 679 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13609.720591/201018 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.455 – 3ª Turma Especial Sessão de 16 de setembro de 2014 Matéria PIS RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO Recorrente KINROSS BRASIL MINERAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, desde que atendidos os demais requisitos legais. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A lei autoriza o creditamento relativamente a aluguel de máquinas e equipamentos utilizados na atividade da empresa, desde que atendidos os demais requisitos legais. ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO. DIREITO AO CREDITAMENTO. Há previsão legal que assegura o direito a creditamento dos encargos de depreciação e amortização de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo e de edificações e benfeitorias utilizados nas atividades da empresa, calculados a partir da vigência do dispositivo legal, observados o período de apuração do pedido de ressarcimento, o prazo máximo permitido e os demais requisitos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 05 91 /2 01 0- 18 Fl. 680DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13609.720591/201018 Acórdão n.º 3803006.455 S3TE03 Fl. 681 2 PEDIDO DE PERÍCIA E PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. DESNECESSIDADE. Mostrase despiciendo o pedido de realização de perícia e de produção de novas provas, uma vez que os autos já contêm informações suficientes ao deslinde da controvérsia. Informações adicionais que o contribuinte considera relevantes já poderiam ter sido trazidos aos autos desde a fase impugnatória, dado tratarse de elementos relativos a seu processo produtivo, em relação ao qual se pressupõe a existência de controles, de escrituração contábilfiscal e de especificações técnicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório em relação a (i) aluguel de máquinas e equipamentos, (ii) partes, peças (juntas e cachimbos aplicados na tubulação por onde percorre o mineral) e serviços de manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, (iii) “serviços de monitoramento e controle do espaço”, “serviços de montagem elétrica de equipamentos”, “serviços de manutenção de maquinário industrial”, “serviços de manutenção de equipamentos de lavra”, “recondicionamento geral do radiador“, “transporte rodoviário de insumos importados” e “manutenção de máquinas do setor produtivo”, desde que não acarretem acréscimo de vida útil superior a um ano aos equipamentos e máquinas em que aplicados e (iv) encargos de depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado (máquinas e equipamentos imobilizados e edificações e benfeitorias), calculados a partir da vigência do dispositivo legal e durante o período de apuração deste processo, observado o prazo máximo permitido. Vencido o conselheiro Jorge Victor Rodrigues, que dava provimento total ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou procedente apenas em parte a Manifestação de Inconformidade manejada pelo contribuinte para se defender contra o despacho decisório da repartição de origem que reconheceu apenas em parte o direito creditório pleiteado, com base na Lei nº 10.637, de 2002, relativo a créditos de PIS não cumulativo, e homologou as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido, restando controvertido nos autos após a decisão de piso o valor de R$ 12.995,13. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13609.720591/201018 Acórdão n.º 3803006.455 S3TE03 Fl. 682 3 A Fiscalização reconheceu em parte o direito creditório pleiteado, tendo procedido à glosa de créditos apurados relativamente a (i) peças e serviços de manutenção de máquinas e equipamentos (retentores, porcas, parafusos, rolamentos, anéis, baterias etc.), considerando que tais itens não se desgastam pela ação direta do produto em fabricação, (ii) “postes” e “estruturas tubulares de aço”, pelo fato de que tais itens encontramse contabilizados no ativo imobilizado, já tendo sido apurados créditos com base em sua depreciação e (iii) serviços e locação de máquinas e equipamentos, por não serem aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e concordou com as glosas relativas aos “serviços prestados” e aos “postes” e “estruturas tubulares de aço”, pelo fato de que estes dois últimos itens já se encontravam contabilizados no ativo imobilizado, submetendose à apuração de créditos pela apropriação de 1/48 calculado sobre o custo dos bens. Requereu o então Manifestante o reconhecimento do restante do direito creditório, com a homologação das respectivas compensações, argüindo, com base em soluções de divergência da Cosit e em ato declaratório interpretativo, tratarse de bens e serviços que se subsumem ao conceito de insumo no âmbito da não cumulatividade das contribuições. Por fim, requereu a realização de perícia, tendo indicado o perito e os quesitos referentes aos exames desejados. O acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG, em que se acolheu em parte a Manifestação de Inconformidade, restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PER. RETIFICAÇÃO. PRAZO. É possível elaborar, mediante utilização do Programa PER/DCOMP, Pedido Eletrônico de Restituição retificador de crédito apurado há mais de cinco anos, desde que, à data de envio do documento original que o contribuinte deseja retificar, o crédito ainda não estava prescrito. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. PARTE E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. As partes e peças de reposição adquiridas para utilização em máquinas e equipamentos são considerados insumos, para fins de creditamento da Contribuição para o PIS, independentemente de entrarem ou não contato direto com os bens produzidos para venda, bastando que referidas partes e peças sejam incorporadas às máquinas e equipamentos que estejam atuando no processo de fabricação ou produção dos referidos bens, desde que não estejam escriturados no ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. SERVIÇOS UTILIZADOS NA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS OU NO PROCESSO PRODUTIVO. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13609.720591/201018 Acórdão n.º 3803006.455 S3TE03 Fl. 683 4 Os serviços contratados de pessoas jurídicas, aplicados sobre as máquinas e equipamentos, são considerados insumos, para fins de creditamento da Contribuição para o PIS, desde que tais máquinas e equipamentos sejam, comprovadamente, aplicados diretamente sobre o produto em transformação. Todavia não são considerados insumos a contratação dos serviços de manutenção da rede elétrica utilizada por essas máquinas e equipamentos. Os demais serviços contratados de pessoas jurídicas somente são considerados insumos, para fins de creditamento da Contribuição para o PIS, se forem, comprovadamente, aplicados diretamente sobre o produto em transformação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O julgador de primeira instância reconheceu o direito ao creditamento em relação às partes e peças de reposição aplicadas em escavadeiras, carregadeiras, tratores, motoniveladoras e caminhões foradeestrada adquiridos da empresa Sotreq S/A, empregados no processo de extração mineral, com a ressalva de que, se tais partes e peças estiverem no ativo imobilizado (cuja utilização represente acréscimo de vida útil superior a um ano ao equipamento), deixam de ser consideradas insumos, podendo gerar créditos decorrentes de depreciação futura. Em relação aos outros itens adquiridos de outras empresas que não a Sotreq S/A., o julgador de piso considerou que, por não terem sido apresentados elementos de prova relativos ao seu efetivo uso no processo produtivo, as glosas deviam ser mantidas. Cientificado da decisão da DRJ Belo Horizonte/MG em 19 de março de 2014, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 17/04/2014 e reconheceu a inexistência de direito ao creditamento em relação aos serviços de “recuperação de esmerilhadeira” e “serviços de manutenção preventiva e corretiva de PAB”, por não se tratar de peças de reposição. Em relação aos bens do ativo imobilizado que haviam sido glosados pela Fiscalização, argüiu o Recorrente que a sua inclusão dentre os itens geradores de crédito decorrera do fato de se tratar de aquisições ocorridas no passado, em razão do quê deveriam tais créditos ser reconhecidos ou, supletivamente, serem objeto de retorno para a escrita fiscal para aproveitamentos futuros, garantindose o direito em relação à parcela da depreciação já incorrida. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias do seu (i) estatuto social atualizado, de (ii) parecer técnico relativo a partes, peças, manutenção e serviços e de (iii) de parecer técnico sobre energia elétrica. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Fl. 683DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13609.720591/201018 Acórdão n.º 3803006.455 S3TE03 Fl. 684 5 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, tratase de Pedidos de Ressarcimento da contribuição para o PIS não cumulativa, cumulados com Declarações de Compensação, formulados com base na Lei nº 10.637, de 2002, em relação aos quais permanecem controvertidas as glosas relativas a determinados bens e serviços que, segundo o Recorrente, se aplicam no processo produtivo e se subsumem no conceito de insumo. De início, devese registrar que a presente análise, no que tange aos elementos fáticos controvertidos, terá como base os resultados apurados e informados pela repartição de origem nas Informações Fiscais, nas planilhas apresentadas pelo Recorrente, não infirmadas pela Fiscalização, e no Despacho Decisório, destacandose a afirmativa da autoridade fiscal no sentido de que a documentação apresentada pelo contribuinte durante a auditoria encontravase em consonância com a escrituração contábilfiscal. Nesse sentido, aqui, não se analisarão questões relativas à comprovação da materialidade dos itens glosados, ou seja, da comprovação de sua efetiva aquisição, dado que já constatada pela autoridade fiscal de origem, mas apenas o direito ao creditamento em face da legislação de regência e do potencial de utilização dos bens e serviços no processo produtivo. Outro dado relevante para a presente análise é o objeto social da pessoa jurídica, que se encontra identificado no estatuto social como se referindo, primordialmente, ao aproveitamento de jazidas minerais através da pesquisa, exploração, extração, beneficiamento, industrialização, transporte, embarque e comércio de bens minerais. Ressaltese que os pareceres técnicos trazidos aos autos pelo Recorrente, por não se encontrarem acompanhados da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), servirão apenas de subsídio à presente análise. No que se refere ao pedido de realização de perícia/diligência, é possível concluir que tal solicitação se mostra despicienda pois os quesitos formulados se referem a informações passíveis de obtenção nas informações fiscais, nas peças recursais apresentadas pelo contribuinte e nos documentos juntados ao longo do procedimento e do processo fiscal, não se justificando, portanto, procrastinar o deslinde da controvérsia. Além disso, a juntada de novos documentos e informações já poderia ter sido providenciada pelo contribuinte desde a fase impugnatória, pois se refere a elementos probatórios préconstituídos, tratandose de documentação que lastreia a gestão e a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica. Conforme exige o § 4º do art. 16 do PAF, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo algumas exceções, nenhuma delas coincidente com o presente caso. Nesse sentido, concluise pela negativa dos pedidos de perícia e de produção de novas provas. Feitas essas considerações, passase à análise por itens do recurso. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13609.720591/201018 Acórdão n.º 3803006.455 S3TE03 Fl. 685 6 Nos termos acima relatados, a Fiscalização glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços, considerandoos não abrangidos pelo conceito de insumos, nos termos do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002. Permanece controvertida nesta instância a glosa relativa aos bens e serviços identificados à fl. 594, que, segundo o Recorrente, se referem a: a) partes, peças e serviços de manutenção de máquinas e equipamentos submetidos a constantes desgastes, insumos esses que, segundo o Recorrente, não acarretam aos equipamentos acréscimo de vida útil superior a um ano; b) serviços aplicados de forma direta no processo produtivo, como os “serviços de montagem elétrica”, “serviços de monitoramento e controle do espaço”, “supervisão técnica” (esses três itens aplicados na montagem e desmontagem de equipamentos), “serviços elétricos e de construção” (manutenção de maquinário industrial), “serviço de recuperação e de limpeza” (manutenção em equipamentos de lavra), “recondicionamento geral do radiador”, “transporte rodoviário de insumos importados”, “manutenção de máquinas do setor produtivo” etc.; c) depreciação de bens do ativo imobilizado. De acordo com informações presentes na Informação Fiscal que embasara a decisão prolatada no despacho decisório sob comento, tais glosas decorreram das seguintes constatações: 1) bens e serviços que não se desgastam pela ação direta do produto em fabricação (junta e cachimbo); 2) serviços e locação de máquinas e equipamentos não aplicados e consumidos na produção ou fabricação do produto; 3) bens do ativo imobilizado submetidos a creditamento pelo valor total da aquisição. De acordo com os pareceres técnicos trazidos aos autos pelo Recorrente, as partes e peças empregadas em máquinas e equipamentos e os serviços de manutenção são efetivamente utilizados no processo produtivo do Recorrente. De início, devese registrar que a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais (PIS e Cofins) não se confunde com a não cumulatividade dos impostos IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos referese ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria. Na não cumulatividade do IPI, por exemplo, o direito ao creditamento refere se às aquisições de insumos que serão aplicados nos produtos industrializados que serão comercializados pelo contribuinteindustrial, encontrandose circunscrita a não cumulatividade à produção do bem. O imposto pago na aquisição de insumos encontrase destacado na nota fiscal e será ele, e tão somente ele, que dará direito ao creditamento. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13609.720591/201018 Acórdão n.º 3803006.455 S3TE03 Fl. 686 7 No processo produtivo de um bem, há eventos de natureza física; enquanto que no auferimento de receitas, temse um complexo de atividades envolvidas que extrapolam os elementos físicos para alcançar, também, os elementos funcionais relevantes. Na não cumulatividade das contribuições, o elemento de valoração não é mais o produto ou mercadoria em si considerado, mas o total das receitas auferidas pelos contribuintes, o que engloba todo o resultado da atividade operacional produtiva da pessoa jurídica. O fato gerador sob interesse não é apenas a saída ou entrada de uma mercadoria ou produto – o que pode se constituir em parte ínfima da atividade global do sujeito passivo –, mas todo o processo produtivo da pessoa jurídica. Nesse sentido, o regime não cumulativo das contribuições sociais não se refere à recuperação, stricto sensu, dos tributos pagos na etapa anterior da cadeia de produção, mas a um conjunto de bens e serviços definido pelo legislador, “tratandose, em realidade, mais como um crédito presumido do que de uma não cumulatividade” 1. Como nos ensina Marco Aurélio Greco2, ao analisar a previsão legal da não cumulatividade das contribuições, a apuração dos créditos de PIS e Cofins envolve um conjunto de dispêndios “ligados a bens e serviços que se apresentem como necessários para o funcionamento do fator de produção, cuja aquisição ou consumo configura conditio sine qua non da própria existência e/ou funcionamento” da pessoa jurídica. Greco considera, ainda, que o termo “insumo” utilizado pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 abrange “os bens e serviços ligados à ideia de continuidade ou manutenção do fator de produção, bem como os ligados à sua melhoria. Ficam de fora da previsão legal os dispêndios que se apresentem num grau de inerência que configure mera conveniência da pessoa jurídica contribuinte (sem alcançar perante o fator de produção o nível de uma utilidade ou necessidade) ou, ainda, que ligados a um fator de produção, não interfiram com o seu funcionamento, continuidade, manutenção e melhoria”. Somente os bens e serviços utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. Para a análise da questão posta, necessário se torna reproduzir os dispositivos legais que cuidam da matéria. A Lei nº 10.637, de 2002, aplicável à contribuição para o PIS na sistemática não cumulativa, disciplina a matéria nos seguintes termos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos 1 ANAN JR., Pedro. A questão do crédito de PIS e Cofins no regime da não cumulatividade. Revista de Estudos Tributário. Porto Alegre: v. 13, n. 76, nov/dez 2010, p. 38. 2 GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Não cumulatividade das contribuições PIS/PASEP e COFINS. IET e IOB/THOMSON, 2004. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13609.720591/201018 Acórdão n.º 3803006.455 S3TE03 Fl. 687 8 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005); (...) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 687DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13609.720591/201018 Acórdão n.º 3803006.455 S3TE03 Fl. 688 9 III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Aplicamse, ainda ao presente caso, os dispositivos da Lei nº 10.833, de 2002, a seguir reproduzidos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) De acordo com os dispositivos legais suprarreproduzidos, é possível constatar que a lei prevê, de forma expressa, o direito de creditamento, independentemente da abrangência do conceito de insumo, relativamente a “aluguéis de (...) máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa” e “edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa”. Notese que tais direitos não se restringem ao processo produtivo da pessoa jurídica, abrangendo a totalidade das atividades da empresa. Logo, encontra embasamento legal explícito apenas o creditamento relativo a aluguel de máquinas e equipamentos e edificações e benfeitorias em imóveis utilizados nas atividades da empresa, desde que atendidos os demais requisitos legais. Acatase, portanto, o direito a crédito em relação a “aluguel de máquinas e equipamentos“ e serviços relativos a edificações e às benfeitorias (ativo imobilizado), sendo que em relação a estes serviços, o crédito deve ser calculado com base nos encargos de depreciação e amortização. Nas aquisições de bens do ativo do ativo imobilizado (máquinas e equipamentos/edificações e benfeitorias), considerando o que dispõe o § 1º, inciso III, do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, acima reproduzido, bem como o disposto no § 4º3 do mesmo artigo e os demais requisitos legais, o direito ao creditamento restringese aos encargos de depreciação e amortização, em razão do quê temse por assegurado tal direito, neste processo, em relação aos encargos calculados a partir da vigência do dispositivo legal, observados o 3 § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13609.720591/201018 Acórdão n.º 3803006.455 S3TE03 Fl. 689 10 período de apuração do pedido de ressarcimento, o prazo máximo permitido e os demais requisitos legais. Quanto às partes, peças (juntas e cachimbos aplicados na tubulação por onde percorre o mineral) e serviços de manutenção de máquinas e equipamentos, itens esses que, segundo o Recorrente, não acarretam aos equipamentos acréscimo de vida útil superior a um ano – glosados pela Fiscalização pelo fato de não se desgastarem pela ação direta do produto em fabricação –, considerando o conceito de insumo acima abordado, concluise que, uma vez utilizados de forma direta no processo produtivo e sendo necessários para o funcionamento do fator de produção, independentemente de contado direito com o produto em fabricação, tais bens e serviços dão direito ao creditamento, observados os demais requisitos legais. No que se refere aos demais serviços glosados, considerando também o conceito de insumo acima abordado, bem como a sua efetiva utilização no processo produtivo, concluise pelo direito de creditamento em relação a “serviços de monitoramento e controle do espaço”, “serviços de montagem elétrica de equipamentos”, “serviços de manutenção de maquinário industrial”, “serviços de manutenção de equipamentos de lavra”, “recondicionamento geral do radiador“, “transporte rodoviário de insumos importados” e “manutenção de máquinas do setor produtivo”, observados os demais requisitos legais, requisitos esses que incluem a aquisição do bem ou do serviço junto a pessoas jurídicas e o não acréscimo de vida útil superior a um ano aos equipamentos e máquinas em que aplicados. Quanto aos demais itens (“supervisão técnica” etc.), dada a sua generalidade ou a ausência de demonstração de sua imprescindibilidade ao funcionamento do fator de produção, concluise pela manutenção da glosa efetuada pela Fiscalização. Diante do exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso, para acolher, mas desde que atendidos os demais requisitos da lei e observados os elementos probatórios averiguados e atestados pela repartição de origem, o direito a crédito em relação a (i) aluguel de máquinas e equipamentos, (ii) partes, peças (juntas e cachimbos aplicados na tubulação por onde percorre o mineral) e serviços de manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, (iii) “serviços de monitoramento e controle do espaço”, “serviços de montagem elétrica de equipamentos”, “serviços de manutenção de maquinário industrial”, “serviços de manutenção de equipamentos de lavra”, “recondicionamento geral do radiador“, “transporte rodoviário de insumos importados” e “manutenção de máquinas do setor produtivo”, desde que não acarretem acréscimo de vida útil superior a um ano aos equipamentos e máquinas em que aplicados e (iv) encargos de depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado (máquinas e equipamentos imobilizados e edificações e benfeitorias), calculados a partir da vigência do dispositivo legal e durante o período de apuração deste processo, observado o prazo máximo permitido. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13609.720591/201018 Acórdão n.º 3803006.455 S3TE03 Fl. 690 11 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10920.906349/2012-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2002
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2002 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 63 49 /2 01 2- 71 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. 2 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trará de manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente ao PER/DCOMP. O pedido de restituição gerado pelo programa PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de ter reconhecido direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, tendo sido pleiteado crédito, correspondente ao DARF recolhido. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de créditos do contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Ressarcimento foi indeferido. Como o enquadramento legal citouse: art. 165 da Lei Nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) Cientificado do Despacho Decisório em 16/08/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, tendo feito referência à legislação que trata da COFINS e do PIS, além de disposições da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional (CTN). Concluiu o manifestante que tais contribuições só podem incidir sobre o fat7uramento que representa, unicamente, o somatório dos valores das opções negociadas. Prosseguindo, argumentou que descabe assentar que os contribuintes do PIS e da COFINS “ faturam ICMS”, uma vez que o ICMS não é receita da empresa e sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrálo. Asseverou também que não se pode aceitar a incidência do PIS e da COFINS sobre outro imposto. Ao final, requer seja acatado o Pedido de Restituição. 3 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 A DRJ de Belo Horizonte (DRJ/BHE) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, cuja ementa do acórdão está assim redigida: ASSUNTO: Contribuição Para Financiamento da Segurança SocialCofins PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDTTO NÃO COMPROVADO Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de Recurso Voluntário, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. É o sucinto relatório. 4 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: 5 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que o ICMS não deve incluir na base de cálculo da COFINS com base no art. 155, inciso II, da CF/88, colacionando precedente de repercussão geral. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) 6 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator 7 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13601.000619/2003-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.767
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori
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JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 01 .0 00 61 9/ 20 03 -4 8 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13601.000619/200348 Resolução nº 3401000.767 S3C4T1 Fl. 147 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração (fls.18/22), pelo qual é exigida a COFINS do período entre julho a dezembro de 1998. O lançamento é constituído também por juros e multa, que, somados ao valor principal, totalizam a exigência fiscal no montante de R$ 423.377,59. A ciência do lançamento foi dada em 18/07/2003. A Contribuinte apresentou impugnação (fls.02/09). Na primeira apreciação, a DRJ em Belo Horizonte/MG converteu o julgamento em diligência para que fosse verificado o crédito alegado pela Contribuinte compensado em seu favor (fls.44/46). Após o relatório de diligência (fls.103/105), a DRJ exonerou parte do lançamento e manteve parte do crédito, prolatando acórdão com a seguinte ementa (fls.106/110): “Os equívocos cometidos quando do lançamento devem ser corrigidos, a fim de que esse possa adequarse a realidade dos fatos. Verificada a falta de recolhimento da contribuição, impõese o lançamento de oficio nos termos da legislação vigente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. Nos autos, não consta a data em que a Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ. Ela interpôs Recurso Voluntário em 25/11/2011 (fls.114/122), com as alegações resumidas abaixo: 1 A descrição dos fatos contidos na autuação é de “falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata”. Contudo, essa descrição gera cerceamento de defesa, vez que não permite que o contribuinte saiba de qual irregularidade está sendo acusado, o que torna o lançamento nulo; 2 Os períodos lançados foram compensados com créditos originados na ação judicial nº 1999.38.00.0027195; 3 A DRJ compensou parte do valor lançado, mas não reconheceu a compensação de parte do mês de setembro, outubro, novembro e dezembro de 1998, por suposta insuficiência do crédito. Contudo, a DRJ calculou os créditos em favor da Recorrente somente com base nos valores principais das DCTFs apresentadas, sem levar em consideração os encargos indevidamente pagos em razão do atraso, o que aumenta o crédito em favor da Recorrente; Fl. 147DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13601.000619/200348 Resolução nº 3401000.767 S3C4T1 Fl. 148 3 4 A autoridade fazendária também não contabilizou em favor da Recorrente o DARF com código 3885 por se tratar de código de recolhimento de PIS. Contudo, essa DARF foi retificada para constar o código 6120, FINSOCIAL. Como esse valor foi indevidamente recolhido, a Recorrente tem direito ao ressarcimento; Ao fim, a Recorrente pediu reformar do acórdão da DRJ para que seja cancelado o lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça Nos autos digitais, não consta a data em que a Recorrente foi intimada, o que impossibilita a análise do requisito de tempestividade para o conhecimento do Recurso Voluntário. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, a fim de que seja cumprida diligência para que se faça a juntada do comprovante de ciência (AR ou documento de ciência pessoal) da decisão de primeira instância ou, na impossibilidade, despacho pormenorizado onde se indique a efetiva data de sua ciência, de modo a permitir a verificação da tempestividade do recurso voluntário. Após a adoção dessa medida, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. Ex positis, converto julgamento em diligência, nos termos propostos acima. É como voto. Relator Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 148DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917850/2011-91
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn.
Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851. Relatório e Voto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 85 0/ 20 11 -9 1 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917850/201191 Resolução nº 3802000.190 S3TE02 Fl. 149 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG, que, por unanimidade, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da nãohomologação de compensação. Aduziu a Recorrente que a origem do crédito seria decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Informa que a contribuição em tela foi apurada sobre a “receita bruta”, com base no dispositivo referenciado ainda em vigor. Com a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo acima, que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, houve por bem a recorrente efetuar uma revisão contábil interna, ocasião em que se constatou recolhimento a maior da contribuição no período mencionado. Sustenta ainda que a decisão do STF deve ser reproduzida pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno (Portaria MF nº 256/09). Aduz a prescindibilidade da retificação da DCTF, apresentando, ao final, documentação contábil e fiscal, bem como demonstrativo do débito. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, proceda a análise de toda documentação apresentada, pugnando pela juntada posterior de documentos, bem como, sendo necessária, a conversão do julgamento em diligência. É o Relatório. Por conter matéria de competência deste Colegiado, estando o crédito pleiteado dentro do seu limite de alçada e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Como se sabe, o §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da Fl. 149DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917850/201191 Resolução nº 3802000.190 S3TE02 Fl. 150 3 classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 150DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001189/2002-05
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. REAPRECIAÇÃO DE FUNDAMENTOS ADOTADOS PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Devem ser rejeitados Embargos opostos por omissão, para forçar o colegiado a reapreciar fundamentos da decisão de 1ª instância, considerados insuficientes para manter a qualificação da multa.
Numero da decisão: 2802-002.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 22/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. REAPRECIAÇÃO DE FUNDAMENTOS ADOTADOS PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Devem ser rejeitados Embargos opostos por omissão, para forçar o colegiado a reapreciar fundamentos da decisão de 1ª instância, considerados insuficientes para manter a qualificação da multa.
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OMISSÃO. REAPRECIAÇÃO DE FUNDAMENTOS ADOTADOS PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Devem ser rejeitados Embargos opostos por omissão, para forçar o colegiado a reapreciar fundamentos da decisão de 1ª instância, considerados insuficientes para manter a qualificação da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 22/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 11 89 /2 00 2- 05 Fl. 421DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional de acórdão que deu provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a qualificação da multa e a multa isolada pelo não recolhimento do imposto pelo carnêleão. De acordo com as razões apresentadas, a decisão de 1ª instância teria dado as razões para a qualificação da multa, portanto, a autuação não teria se dado apenas em razão da omissão dos rendimentos, mas sim, em decorrência da utilização de documentos inidôneos. Daí, incorreta a aplicação da Súmula CARF n. 14. Requer seja sanada a omissão com o enfrentamento da argumentação trazida desde a 1ª instância, a justificar a qualificação da multa. Era o de essencial a ser relatado. Decido. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández Em que pese a invocação da alegada omissão quanto ao não enfrentamento das razões que teriam levado a DRJ a manter a qualificação da multa, não vejo qualquer omissão a ser sanada. Ao contrário do afirmado pela Embargante, a razão de decidir para a exclusão da qualificação da multa não foi apenas o de se tratar de mera omissão de rendimentos, mas, sim, de não ter sido devidamente provado o dolo na conduta do contribuinte na fase de fiscalização. Aliás, a Súmula CARF n.14, foi trazida como mais um elemento adicional na fundamentação, mas não como único elemento a justificar a qualificação da multa, com a ressalva expressa de que a sua redação não tratava exatamente sobre a matéria em julgamento: É o que se depreende da leitura do seguinte trecho do acórdão embargado: Conforme reiterada jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a qualificação da multa pressupõe a prova inequívoca sobre a intenção do agente em fraudar o fisco. Meras ilações de ordem subjetiva são incapazes de suportar lançamento de multa agravada, ainda mais quando a sua mantença implica necessariamente em juízo persecutório penal ao fim do processo administrativo e desprezo ao disposto no artigo 112, II do CTN: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) Fl. 422DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13830.001189/200205 Acórdão n.º 2802002.897 S2TE02 Fl. 3 3 II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos;". No caso em julgamento, a fiscalização não trouxe aos autos prova inequívoca do intuito de fraude e a conclusão pela presença do animus sonegandi se baseia na ausência de comprovação de despesas ou na impossibilidade de realizálas, insuficientes para concluir pela prática de conduta dolosa da Recorrente. (...) Ainda que a Súmula acima não trate especificamente da questão sub judice, sua redação é clara quanto à necessidade de outros elementos, além da simples omissão de rendimentos ou do envio de informações falsas, para suportar a qualificação da multa. (destaques meus). Pelo exposto, dada a ausência de omissão a ser suprida pela estreita via do dos Declaratórios, rejeito os embargos. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator Fl. 423DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/08/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10183.720114/2008-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.
VENDAS A PESSOA FÍSICA COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não há previsão legal para isenção da Cofins da receita de venda realizada para pessoa física com o fim específico de exportação.
RATEIO PROPORCIONAL. COMERCIAL EXPORTADORA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO.
Por expressa determinação legal, é vedado apurar e utilizar créditos vinculados a receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação.
CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO.
Por expressa previsão legal, a partir de agosto de 2004, o crédito presumido da não pode ser objeto de ressarcimento em dinheiro e nem utilizado para compensar outros débitos do contribuinte.
CRÉDITOS. DESPESAS. VINCULO COM A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. CONDIÇÃO.
As despesas com direito ao crédito do PIS e vinculadas à receita de exportação são as únicas que integram o cálculo do rateio proporcional para estabelecer o valor do crédito ressarcir em dinheiro.
DESPESAS COM MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado ao exportador de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação creditar-se de PIS em relação às despesas vinculadas a esta operação.
CRÉDITO PRESUMIDO. ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS. CEREALISTAS. IMPOSSIBILIDADE.
O direito à apuração e ao aproveitamento de crédito presumido nas aquisições de pessoas físicas alcança exclusivamente os estabelecimentos industrias, não havendo previsão para os estabelecimentos comerciais da mesma empresa, inclusive cerealistas que classificam, limpam, secam e armazenam grãos.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. VEDAÇÃO LEGAL.
Por expressa determinação legal, é vedado a atualização monetária e a incidência de juros Selic no ressarcimento da Cofins não cumulativa.
APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CRÉDITO NOVO.
Tendo a RFB utilizado, para cálculo do valor a ressarcir, o valor da despesa de frete informado no pedido de ressarcimento, excluindo os valores glosados, novos valores de despesa de frete não podem se incluídos em sede de manifestação de inconformidade ou de recurso voluntário, por tratar-se de pedido novo, não apreciado pela RFB.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento também quanto ao item 3 do voto condutor do acórdão, e o conselheiro Jonathan Barros Vita que dava provimento também quantos aos itens 1 e 3 do voto condutor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 26/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Jonathan de Barros Vita.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. VENDAS A PESSOA FÍSICA COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há previsão legal para isenção da Cofins da receita de venda realizada para pessoa física com o fim específico de exportação. RATEIO PROPORCIONAL. COMERCIAL EXPORTADORA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO. Por expressa determinação legal, é vedado apurar e utilizar créditos vinculados a receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO. Por expressa previsão legal, a partir de agosto de 2004, o crédito presumido da não pode ser objeto de ressarcimento em dinheiro e nem utilizado para compensar outros débitos do contribuinte. CRÉDITOS. DESPESAS. VINCULO COM A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. CONDIÇÃO. As despesas com direito ao crédito do PIS e vinculadas à receita de exportação são as únicas que integram o cálculo do rateio proporcional para estabelecer o valor do crédito ressarcir em dinheiro. DESPESAS COM MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 01 14 /2 00 8- 98 Fl. 765DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720114/200898 Acórdão n.º 3302002.655 S3C3T2 Fl. 3 2 É vedado ao exportador de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação creditarse de PIS em relação às despesas vinculadas a esta operação. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS. CEREALISTAS. IMPOSSIBILIDADE. O direito à apuração e ao aproveitamento de crédito presumido nas aquisições de pessoas físicas alcança exclusivamente os estabelecimentos industrias, não havendo previsão para os estabelecimentos comerciais da mesma empresa, inclusive cerealistas que classificam, limpam, secam e armazenam grãos. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa determinação legal, é vedado a atualização monetária e a incidência de juros Selic no ressarcimento da Cofins não cumulativa. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CRÉDITO NOVO. Tendo a RFB utilizado, para cálculo do valor a ressarcir, o valor da despesa de frete informado no pedido de ressarcimento, excluindo os valores glosados, novos valores de despesa de frete não podem se incluídos em sede de manifestação de inconformidade ou de recurso voluntário, por tratarse de pedido novo, não apreciado pela RFB. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento também quanto ao item 3 do voto condutor do acórdão, e o conselheiro Jonathan Barros Vita que dava provimento também quantos aos itens 1 e 3 do voto condutor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Jonathan de Barros Vita. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720114/200898 Acórdão n.º 3302002.655 S3C3T2 Fl. 4 3 Relatório No dia 31/01/2006 a empresa AMAGGI EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa, previsto no § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/03, relativo ao 4º o trimestre de 2005. Vinculado ao crédito foi apresentado declarações de compensação. A DRF em Cuiabá MT deferiu, em parte, o pedido da interessada, conforme Relatório e Despacho Decisório de fls. 248/269, pelas seguintes razões: alteração do rateio dos créditos vinculados à exportação em face de vendas a pessoas físicas com o fim exclusivo de exportação; alteração do valor dos créditos presumidos agroindústria; glosas de despesas de depreciação; vedação de créditos relativos a fretes; ajustes relativos às saídas de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação; e a inclusão indevida de créditos decorrentes de fretes sobre vendas relativos às exportações de terceiros. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujas razões estão resumidas no acórdão recorrido nos seguintes termos: a) para a apuração dos créditos à receita de exportação é facultada a escolha entre a apropriação direta e o rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, este último o adotado pela contribuinte; b) todas as operações de vendas com o fim específico de exportação, inclusive aquelas feitas a pessoas físicas que exportaram as mercadorias adquiridas, geram direito ao crédito; c) são desenvolvidas atividades de produção de mercadorias para a alimentação humana e animal, conforme processo descrito; d) há direito ao crédito presumido calculado sobre o total de aquisições efetuadas de pessoas físicas e jurídicas com suspensão das contribuições, ainda que aplicadas na produção das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, e tais créditos podem ser utilizadas para a compensação com outros tributos e contribuições; e) o cálculo do "crédito presumido agroindústria" foi efetuado pelo auditor de forma descentralizada, o que contraria o disposto no art. 15 da Lei n. 9.779/1999, sendo que deveria ter sido considerado o total da aquisição de insumos originários de pessoas físicas no período e, ainda, que deveriam ser contempladas todas as aquisições utilizadas no processo produtivo das mercadorias classificadas nos capítulos 10 e 12 da NCM; f) "as Leis 10.637, 10.833 e 10.925/2004 não fazem qualquer restrição sobre a realização e manutenção do crédito presumido quando aplicados a mercadorias exportadas, donde se deduz que o aproveitamento por compensação ou ressarcimento não poderá ser objeto de restrições por parte da Receita, conforme consta no artigo 2° do ADI n° 15/2005"; g) há direito em "realizar crédito sobre todos os bens incorporados ao ativo imobilizado utilizados na produção, seja industrialização de óleo e farelo de soja, seja na produção de milho e soja beneficiada"; Fl. 767DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720114/200898 Acórdão n.º 3302002.655 S3C3T2 Fl. 5 4 h) a glosa dos créditos das despesas com fretes sobre vendas, referente ao transporte de adubo e cloreto de potássio altera o critério de apuração de créditos adotado pela contribuinte, que é o rateio proporcional, para o método de apropriação direta dos custos; i) foi alterado pelo auditorfiscal o critério de rateio de custos, despesas e encargos com direito a créditos, na proporcionalidade da receita bruta total auferida, conforme adotado pela contribuinte, em face de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação; j) pode ser mantido o crédito de Cofins sobre a totalidade de fretes suportados pela contribuinte e vinculados às operações de exportação, diretas ou indiretas; k) há créditos decorrentes de aquisições de serviços de transporte não utilizados, sendo requerido seja aceita a apresentação extemporânea de demonstrativos e documentos; 1) os créditos devem ser corrigidos pela Selic. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Campo Grande MS indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 0420.558, de 21/05/2010, cuja ementa abaixo se transcreve. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. No caso de declarações de compensação, o litígio no âmbito do Processo Administrativo Fiscal regulado pelo Decreto n. 70.235/1972 somente se instaura se as razões da manifestação de inconformidade forem pertinentes e versarem sobre assuntos sobre os quais recaia a competência das delegacias de julgamento. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A análise de normas segundo os princípios constitucionais é atribuição do Poder Judiciário, cabendo aos agentes fazendários o cumprimento da legislação em vigor. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E DEMONSTRATIVOS. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal as provas documentais devem ser apresentadas junto com a impugnação. CRÉDITOS DE COFINS. PRESCRIÇÕES LEGAIS. Os créditos relativos à contribuição para o Cofins só são reconhecidos no caso de as operações estarem balizadas nas estritas raias das prescrições legais. CRÉDITOS. VALORAÇÃO. A valoração dos créditos é efetuada na forma disposta na legislação, não incidindo juros compensatórios no caso de ressarcimento de créditos de Cofins. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720114/200898 Acórdão n.º 3302002.655 S3C3T2 Fl. 6 5 Ciente desta decisão em 09/07/2010, a interessada ingressou, no dia 05/08/2010, com o recurso voluntário de fls. 470/529, no qual repisa os argumentos da Manifestação de Inconformidade. No dia 06/10/2011 a empresa apresentou ao CARF “Pedido Aditivo ao Recurso Voluntário” para juntar aos autos relação de aquisição de serviços de transportes, segunda ela, não considerados pela fiscalização na base de cálculo para o crédito referente ao 4º trimestre de 2005 – COFINS. Na sessão do dia 23/07/2013, o julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência (Resolução nº 3302000.353) para a RFB tomar as seguintes providências: 1 juntar cópia da petição inicial do Mandado de Segurança nº 0007535 93.2011.4.01.3600; 2 juntar cópia das decisões proferidas, tanto pelo juízo de primeira instância como pelo Tribunal Regional Federal / Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos relacionados ao referido Mandado de Segurança, podendo juntar cópia de certidão de objeto e pé. 3 opinar sobre a existência de concomitância de objeto deste processo com o objeto do referido Mandado de Segurança; 4 dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11 para manifestação. Realizado a diligência, a DRF de Cuiabá – MT respondeu aos referidos quesitos nos seguintes termos: ITEM 1 Juntei às fls. 528 a 564 cópia da petição inicial referente ao Mandado de Segurança n° 000753593.2011.4.01.3600. ITEM 2 Pela movimentação processual juntada às fls. 565 a 569, o Juízo de 1ª instância concedeu em parte a segurança, havendo apelação de ambas as partes do processo. Até o momento, não consta registro de julgamento no âmbito do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A sentença do Juízo de origem já está anexada às fls. 570 a 576. ITEM 3 O presente processo trata de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins Não Cumulativa exportação, relativos ao 4° trimestre de 2005 (PER n° 23734.05976.310106.1.1.09 2608), vonvilados a diversas declarações de compensação (relacionadas à fl. 254). Tal pedido foi deferido parcialmente pelo Serviço competente desta DRF (Despacho Decisório nº 1513/13 fls. 253/261). Como pontuou o i. Conselheiro Relator, parte da glosa decorre da alteração do rateio dos créditos Fl. 769DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720114/200898 Acórdão n.º 3302002.655 S3C3T2 Fl. 7 6 vinculados à exportação, em face de vendas a pessoas físicas com fim especifico de exportação. Por meio do Mandado de Segurança nº 000753593.2011.4.01.3600, a contribuinte busca provimento judicial que lhe garanta o direito aos créditos que foram utilizados na dedução dos débitos resultantes das vendas (com fim de exportação) a pessoas físicas, realizadas nos anos calendário de 2006 e 2007. Portanto, apesar da identidade parcial de matéria, concluo que não há concomitância de objeto do presente processo administrativo com o da ação judicial n° 000753593.2011.4.01.3600, porquanto se referem a períodos de apuração distintos. Ou seja, as decisões proferidas no âmbito da aludida ação judicial não alcançam a determinação dos créditos discutidos no presente processo. Ciente do resultado da diligência, a empresa Recorrente se manifestou para dizer o seguinte: “Sem ressalvas a serem efetuadas pela contribuinte, conforme confirmado pela DRF Cuiabá em diligência efetuada, não há concomitância entre o objeto do processo administrativo 10183.720114/200898 e a ação judicial em mandado de segurança nº 000753593.2011.4.01.3600, por tratarem de períodos de apuração distintos” O processo retornou ao CARF para prosseguir o julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa recorrente apresentou pedido de ressarcimento de créditos da Cofins não cumulativa e a RFB deferiuo, em parte, pelas seguintes razões: 1 alteração do rateio dos créditos vinculados à exportação em face de vendas a pessoas físicas com o fim exclusivo de exportação; 2 alteração do valor dos créditos presumidos agroindústria; 3 glosas de despesas de depreciação; Fl. 770DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720114/200898 Acórdão n.º 3302002.655 S3C3T2 Fl. 8 7 4 vedação de créditos relativos a fretes; 5 ajustes relativos às saídas de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação; e 6 inclusão indevida de créditos decorrentes de fretes sobre vendas relativas às exportações de terceiros. Foi realizado diligência para apurar se há concomitância deste processo com o Mandado de Segurança nº 000753593.2011.4.01.3600. A resposta foi negativa, pelas razões que consta na Informação Fiscal SECAT DRFCuiabá nº 0321/13, transcritas no Relatório. Em seu Recurso Voluntário, a empresa recorrente faz um arrazoado sobre os princípios da administração pública supostamente violados e sobre a nãocumulatividade do PIS e da Cofins, além de combater a quase totalidade das razões das glosas efetuadas. Antes de adentrar no exame do mérito da lide é necessário dizer que não se conhece dos argumentos de inconstitucionalidade, trazidos pela recorrente, porque o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Passemos, agora, ao exame das matérias em litígio, que tratam das glosas de créditos que ocorreram em face de/da: 1 alteração do rateio dos créditos vinculados à exportação em face de vendas a pessoas físicas com o fim exclusivo de exportação; 2 vedação de ressarcimento dos créditos presumidos agroindústria; 3 exclusão, no cálculo do crédito presumido, das aquisições feitas pelos estabelecimentos não industriais da recorrente, cuja mercadoria não foi transferido para um dos dois estabelecimentos industriais da Recorrente; 4 glosas de despesas de depreciação; 5 a glosa dos créditos das despesas com fretes sobre vendas, referentes ao transporte de adubo e cloreto de potássio; 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720114/200898 Acórdão n.º 3302002.655 S3C3T2 Fl. 9 8 6 ajustes na receita bruta e na receita de exportação, do valor da receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação; e 7 inclusão indevida de créditos decorrentes de fretes sobre vendas relativos às exportações de terceiros. Além das contestações acima, a empresa Recorrente está pleiteando a incidência de juros Selic sobre o valor a ressarcir, inclusive sobre o valor que vier a ser reconhecido por este CARF, e protesta pela apresentação de provas relativas às despesas com fretes. 1 Exclusão da receita de exportação de vendas efetuadas a pessoas físicas com o fim específico de exportação no cálculo do rateio proporcional para determinar o crédito ressarcível. A empresa considerou como receita de exportação, passível de ressarcimento de créditos, o valor das vendas efetuadas a pessoas físicas com o fim específico de exportação. Alega a Recorrente que as vendas feitas a pessoas físicas exportadoras tiveram a comprovação de efetiva exportação como confirmou o auditor responsável pela diligência e, portanto, devem estar incluídas entre aquelas geradoras de crédito decorrentes da exportação. A não incidência da Cofins ocorrerá sobre a receita de vendas da empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, conforme previsto no inciso III, do art. 6º da Lei nº 10.833/03. Pessoa física não é empresa e, muito menos, empresa comercial exportadora, a que se refere a Lei. A receita das vendas de mercadorias realizadas pela Recorrente a pessoa física, conforme disse a decisão recorrida, para qualquer finalidade (consumo, revenda, exportação, etc.) está sujeita à incidência da Cofins, conforme determina o art. 1º da Lei nº 10.833/03. A receita assim auferida não é e nem se equipara a receita de exportação, por absoluta falta de previsão legal. Portanto, a receita em questão, por não ser receita de exportação e ser receita de venda no mercado interno, integra a receita bruta total e não integra a receita de exportação, para fins de cálculo do crédito ressarcível. 2 Crédito presumido nas aquisições de Pessoas Físicas – Ressarcimento em dinheiro Inicialmente, é preciso frisar que discussão posta neste tópico não diz respeito ao valor do crédito presumido apurado pela Fiscalização. Esta matéria será apreciada em tópico específico. Nesta parte a lide versa unicamente sobre as possibilidades de aproveitamento do crédito presumido. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720114/200898 Acórdão n.º 3302002.655 S3C3T2 Fl. 10 9 A norma vigente no período de apuração do crédito presumido deste processo autoriza unicamente a dedução do mesmo de débitos da própria exação, sem previsão de ressarcimento em espécie ou de compensação com outros tributos. Ratifico, portanto, os fundamentos da decisão recorrida e a interpretação dada pelo ADI/SRF nº 15/2005, de que “o valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o P1S/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não cumulativa” e que o mesmo “não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento” por falta de previsão legal. Mais, ainda, a autorização para compensação referese a créditos (normal ou presumido) apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e o crédito presumido aqui discutido, a partir de agosto de 2004, passou a ser apurado na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/04. Por estas razões, ratifico a decisão recorrida, nesta parte. 3 Divergências de valores de crédito presumido da agroindústria Alega a Recorrente que o cálculo do "crédito presumido agroindústria" foi efetuado pelo auditor de forma descentralizada, o que contraria o disposto no art. 15 da Lei nº 9.779/99, sendo que deveria ter sido considerado o total da aquisição de insumos originários, de pessoas físicas no período e, ainda, que deveriam ser contempladas todas as aquisições utilizadas no processo produtivo das mercadorias classificadas nos capítulos 10 e 12 da NCM. Além disso, que não há restrição legal sobre a realização e manutenção do crédito presumido nas aquisições de pessoas físicas quando aplicados a mercadorias exportadas. A alegação da Recorrente é no sentido de que no cálculo do crédito presumido devese incluir as aquisições feitas por todos os seus estabelecimentos, não apenas pelos estabelecimentos de Cuiabá – MT e Itacoatiara AM, que a Fiscalização classifica como industriais, até porque os outros estabelecimentos, diz a Recorrente, também são industrias na medida em que realizam o beneficiamento de grãos, realizando as operações de classificação, limpeza, secagem, armazenagem e controle de qualidade dos grãos de soja e milho. As empresas que se dedicam à atividade de aquisição, classificação, limpeza e armazenagem de grãos para posterior revenda denominamse “cerealistas”. As empresas cerealistas, por óbvio, não são empresas industriais. Prova disto é que a Lei nº 10.925/04, ao tratar do crédito presumido do PIS e da Cofins da agroindústria, autorizou a suspensão do PIS e da Cofins nas vendas realizadas por essas empresas para pessoa jurídica tributada pelo lucro real, ou seja, obrigadas ao PIS e à Cofins pelo regime não cumulativo. Ou seja, a lei não autoriza a apuração e o aproveitamento de crédito presumido do PIS e da Cofins pelas empresas cerealistas. O destinatário do benefício é o estabelecimento industrial, mesmo antes da Lei nº 10.925/04, como é o caso dos autos. No caso da Recorrente, ela possui estabelecimentos cerealistas e estabelecimentos industriais. Como disse a decisão recorrida, somente os estabelecimentos industriais produzem mercadorias destinadas ao consumo humano ou animal. Os estabelecimentos cerealistas apenas classificam, limpam, secam, armazenam e revendem grãos Fl. 773DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720114/200898 Acórdão n.º 3302002.655 S3C3T2 Fl. 11 10 (soja e milho) e, no caso da Recorrente, também os transfere para outros estabelecimentos da empresa. Registrese que foi admitido, no cálculo do crédito presumido feito pela Fiscalização, o valor das mercadorias (soja e milho) adquiridas de pessoas físicas e recebidas por transferência dos estabelecimentos cerealistas pelos estabelecimentos industriais da Recorrente, dando efetividade à Lei nº 10.637/02. Portanto, não há que se falar que o procedimento da RFB contrariou as disposições do art. 15 da Lei nº 9.779/99, posto que os estabelecimentos cerealistas da Recorrente não têm direito ao crédito presumido da Lei nº 10.637/02. 4 Glosas de despesas de depreciação; Como relatado, a recorrente requereu o ressarcimento de crédito de Cofins, previsto no art. 6º da Lei nº 10.833/03, que abaixo se transcreve. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. (grifei). § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido Fl. 774DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720114/200898 Acórdão n.º 3302002.655 S3C3T2 Fl. 12 11 mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. O disposto no § 3º, acima reproduzido, não deixa nenhuma dúvida de que os créditos, apurados na forma do art. 3º da mesma Lei, passíveis de ressarcimento são aqueles “apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação” e não somente os relativos aos insumos usados no processo produtivo do bem exportado e à depreciação das máquinas e equipamentos usados no processo produtivo. È necessário haver vínculos entre a despesa com direito a crédito e a receita de exportação. Portanto, a despesa realizada, prevista no art. 3º da Lei nº 10.833/03, que gera direito a crédito de Cofins passível de ressarcimento é exclusivamente aquela vinculada à receita de exportação. Bastam estas duas condições (direito ao crédito e vinculo da despesa com a receita de exportação) porque é só isto que a lei exige. Atendido estas condições, o crédito pode ser objeto de pedido de ressarcimento previsto no § 2º do art. 6º da Lei nº 10.833/03. A Recorrente exporta milho, soja e seus derivados. O milho e a soja são de produção própria ou adquiridos de terceiros. Os estabelecimentos cerealistas da Recorrente recebem os grãos, da lavoura própria ou adquiridos de terceiros, e os armazena, preparandoos previamente (classificação, limpeza e secagem). Parte desses grãos destinase ao mercado interno e parte ao mercado externo. Portanto, todos os equipamentos utilizados na classificação, limpeza, secagem e armazenagem dos grãos, nos estabelecimentos cerealistas que transferiram soja ou milho para os estabelecimentos industriais da Recorrente, no 4º trimestre de 2005, estão vinculados à receita de vendas dos mesmos, tanto no mercado interno como no mercado externo. Sobre os encargos de depreciação dos equipamentos desses estabelecimentos, entendo que tem a Recorrente direito ao rateio proporcional do crédito vinculado à exportação, passível de ressarcimento, cabendo a ela Recorrente provar quais estabelecimentos efetuaram a transferência citada e o valor dos encargos de depreciação incorrido por cada um deles. Por óbvio, não entra no rateio do crédito ressarcível os encargos de depreciação dos estabelecimentos cerealistas que não transferiram milho ou soja para estabelecimentos industriais da Recorrente, no 4º trimestre de 2005. O mesmo tratamento deve ser dado ao crédito das despesas de depreciação reconhecido pela Fiscalização para a atividade de produção de soja e milho da Recorrente. Tais créditos também estão vinculados à receita de exportação e, portanto, devem ser considerados no cálculo do crédito ressarcível, a que se refere o § 3º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03. Nesta parte, dou provimento ao Recurso Voluntário. 5 Créditos de fretes de adubos entre estabelecimentos da Recorrente. Os créditos de fretes de adubo e cloreto de potássio foram glosados pelas seguintes razões: No demonstrativo do contribuinte que relaciona as notas fiscais de fretes que compõem o DACON foi verificado que há fretes Fl. 775DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720114/200898 Acórdão n.º 3302002.655 S3C3T2 Fl. 13 12 relativos ao transporte de adubo e cloreto de potássio nos meses de 05/2005 a 11/2005 que totalizam R$ 1.484.054,23. O contribuinte informou que o adubo e o cloreto de potássio são destinados à Divisão Agro do Grupo Maggi, que são operações exclusivamente do mercado interno. Em razão disso, não geram créditos de exportação e não devem fazer parte do rateio proporcional dos créditos vinculados à exportação. O mesmo entendimento deve ser aplicado ao frete decorrente do transporte desses produtos. Portanto, os fretes de 05/2005 a 10/2005 decorrentes do transporte de adubo e cloreto de potássio serão glosados como créditos de PIS/COFINS exportação. O Despacho Decisório nº 1512DRFCBA tratou esta matéria nos seguintes termos: Fretes Adubo No trimestre em pauta foram incluídas no DACON despesas com fretes relativos a transporte de adubo e cloreto de potássio. Conforme informação do contribuinte, referidos produtos são destinados à Divisão Agro do Grupo Maggi, cujas operações são realizadas exclusivamente no mercado interno. Destarte, o frete correspondente ao transporte dos mencionados produtos não gera créditos de exportação, devendo ser glosado (fl. 251, item 11). Pelo que entendi, a RFB excluiu as despesas acima da base de cálculo do crédito ressarcível (na exportação) porque as mesmas não estão vinculadas à receita de exportação: vinculamse exclusivamente a operações do mercado interno. Constam da relação de Notas Fiscais de frete sobre vendas, fornecida pela Recorrente. As mercadorias transportadas (adubo e cloreto de potássio) destinavamse à Divisão Agro do Grupo Maggi, ou seja, é frete relativo a compra ou a transferência de insumos entre estabelecimentos da Recorrente ou de outra empresa do Grupo Maggi. Portanto, aqui não se discute o direito de crédito destas operações, mas tão somente se o mesmo deve ou não integrar a base de cálculo do crédito ressarcível, ou seja, conforme já se disse acima (ao analisar as despesas de depreciação), se as despesas de frete estão ou não vinculadas à receita de exportação. Em sua defesa, a empresa alega o seguinte: Na análise do direito creditório da Recorrente o agente fiscal glosou o crédito das despesas com fretes sobre vendas, referentes o transporte de adubo e cloreto de potássio, destinadas a Divisão Agro do Grupo, por entender que se trata de operações no mercado interno, e por isso não gerariam crédito em face das exportações. Todavia o argumento apontado pelo agente fazendário não procede, pois conforme já demonstrado, a recorrente optou para a apuração dos créditos vinculados a exportação, com base no Fl. 776DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720114/200898 Acórdão n.º 3302002.655 S3C3T2 Fl. 14 13 parágrafo 8° do artigo 3° da lei 10.833/2003, ou seja, pelo método de rateio proporcional a receita bruta auferida. Ao optar pelo método de apuração dos créditos proporcional pela receita bruta auferida, a recorrente realiza créditos sobre o total das aquisições com direito a crédito no período, e apropria os créditos vinculando proporcionalmente o percentual da receita de exportação em relação ao total da receita bruta auferida no período. Ao glosar os créditos apurados pela Recorrente pretende o agente fiscal alterar o critério de apuração dos créditos adotado pelo contribuinte, rateio proporcional para o método de apropriação direta dos custos, glosando créditos apurados pela Recorrente. Também, por tais argumentos se insurge a contribuinte e requer seja reformada neste ponto o Despacho Decisório, que seja deferido o crédito glosado pelas razões aqui apontadas. Vêse, nas razões de defesa, que a Recorrente sequer tentou desconstituir a alegação da Fiscalização de que as despesas de fretes de adubo e de cloreto de potássio são operações vinculadas exclusivamente ao mercado interno. Este foi o motivo que levou a Fiscalização a excluir os créditos dos fretes do ressarcimento previsto no § 2º do art. 6 da Lei nº 10.833/03, por não atender o disposto no § 3º, do mesmo art. 6º a despesa não está vinculada à receita de exportação. Sem uma palavra e sem nenhuma prova do vínculo da despesa à receita de exportação, não há como acolher as alegações da Recorrente. 6 Exclusão da receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação no cálculo do rateio proporcional para determinar o crédito ressarcível. No cálculo do crédito ressarcível, a RFB excluiu, tanto da receita bruta total como da receita de exportação, o valor da receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação pela seguinte razão, nas suas palavras: Analisando a sistemática em relação às operações de aquisição de mercadorias com fim específico de exportação, a exportação dessas mercadorias, classificadas no CFOP 7501Exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação, bem como os benefícios concedidos, verificouse que, para quem vende com fim específico de exportação, a operação já é considerada como exportação, com os benefícios das desonerações das contribuições de PIS/COFINS das operações anteriores, e, para quem recebe com fim específico de exportação e exporta, atua como intermediário, devendo confirmar a exportação, não tendo nenhum crédito na entrada e nem débito na saída, pois a mesma mercadoria não pode gerar beneficio de exportação novamente. Nesse sentido, o § 4º do art. 6º da Lei 10833/2003 veda a apuração de créditos vinculados à receita de exportação no caso de aquisição de mercadorias com Fl. 777DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720114/200898 Acórdão n.º 3302002.655 S3C3T2 Fl. 15 14 fim específico de exportação e conseqüentemente as receitas de exportação dessas mercadorias não podem ser computadas como Receitas de Exportação Normal para efeito do rateio proporcional de créditos vinculados à exportação. Em resumo, a operação de entrada e saída como um todo não pode afetar o cálculo das operações de compras/exportação que geram direito a crédito. Da mesma forma, as exportações de terceiros devem ser excluídas do total da Receita Bruta para efeito do cálculo do rateio proporcional. A Recorrente alega que, ao agir da forma cima, o AuditorFiscal da RFB alterou o critério de rateio de custos, despesas e encargos com direito a créditos, na proporcionalidade da receita bruta total auferida, conforme adotado pela contribuinte. Esta matéria já esteve em pauta nesta 2ª Turma Ordinário quando do julgamento do recurso voluntário contido no Processo nº 13154.000312/200524, também de interessa da Recorrente. Na oportunidade, entendi que para o rateio proporcional de créditos vinculados à exportação não havia previsão legal para excluir, da receita bruta total e da receita de exportação, o valor da receita de exportação de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação, razão pela qual dei provimento ao recurso do contribuinte, nesta parte, no que fui acompanhado pelos demais membros do Colegiado, conforme Acórdão nº 330201.339, de 10/11/2011. Ocorre que na oportunidade cometi um erro: não analisei as disposições do § 4º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, que fundamentou o procedimento da Fiscalização. Diz o referido dispositivo: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas Fl. 778DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720114/200898 Acórdão n.º 3302002.655 S3C3T2 Fl. 16 15 previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. (grifei). A primeira conclusão que se tira deste dispositivo é que sobre a receita de exportação de mercadorias adquirida com o fim específico de exportação é vedado apurar crédito do PIS e da Cofins, para utilização na forma prevista no § 1º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03. A segunda conclusão que se tira é conseqüência da primeira: a empresa comercial exportadora não tem direito de apurar e utilizar crédito de PIS e de Cofins na forma prevista no § 1º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03. A terceira conclusão, também conseqüência da primeira: a empresa que é, simultaneamente, comercial exportadora e industrial (como é o caso da Recorrente) tem o direito de apurar e utilizar crédito de PIS e de Cofins, na forma prevista no § 1º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, sobre a receita de exportação de produtos de sua fabricação e não tem o direito de apurar e utilizar crédito sobre a receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação. Portanto, no voto condutor do Acórdão nº 330201.339, acima citado, o equívoco está na afirmação de que a Lei não autoriza ajustes “na Receita de Exportação do contribuinte, para fins de cálculo do crédito do PIS vinculado à receita de exportação, a que se refere o § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02”. Como acima se demonstrou, para fins de ressarcimento, a Lei veda expressamente a apuração de crédito da receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação. Portanto, se a receita de exportação da empresa decorre da venda de mercadorias de produção própria e de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação, esta última não pode e não deve compor o cálculo de apuração do crédito a ressarcir. Deve, portanto, ser excluída do valor total da receita de exportação para este fim. Quanto ao ajuste realizado pela Fiscalização na Receita Bruta Total, tem razão a Recorrente porque não existe previsão legal para tal procedimento. No entanto, não há que se prover o recurso nesta parte porque não se recorre para prejudicar e, também, porque o procedimento de excluir a receita de exportação em tela do numerador e do denominador da relação é mais coerente com as disposições do art. 6º da Lei nº 10.833/03. Procedente, portanto, a metodologia de cálculo do crédito a ressarcir realizado pela Fiscalização, que não inovou em nada. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720114/200898 Acórdão n.º 3302002.655 S3C3T2 Fl. 17 16 7 Crédito dos fretes das mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação Sobre este tema, a recorrente alega que incorreu em despesas (frete e outros custos) com as mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação e, portanto, tem direito ao crédito na forma do inciso IX, do art. 3º, c/c no inciso II, do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Por seu turno a decisão recorrida argumenta que: Por todo o exposto, as despesas de fretes sobre vendas só geram crédito conforme o art. 3° da Lei n. 10.833/2003 no caso previsto nos seus incisos I e II, não incluída ai a exportação de mercadorias adquiridas com essa finalidade especifica, cujo alienante é quem tem o direito a fruir o crédito nos termos do art. 6° da Lei n. 10.833/2003. Não resta nenhuma dúvida de que todos os créditos da Cofins relativos aos custos, despesas e encargos incorridos pelo vendedor, e incluído no preço da mercadoria vendida com o fim específico de exportação, são de fruição exclusiva do vendedor da mercadoria e, por esta razão, o adquirente e exportador direto da mercadoria não pode se creditar da Cofins, por força do que dispõe § 4º, do art. 6º c/c inciso III, do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03, abaixo reproduzidos. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à Fl. 780DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720114/200898 Acórdão n.º 3302002.655 S3C3T2 Fl. 18 17 receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I e II do § 3o do art. 1o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Supondo, por exemplo, que a recorrente seja exclusivamente uma empresa comercial exportadora e tenha incorrido nas mesmas despesas de frete de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação. Nestas condições, e à luz do dispositivo legal acima, teria a recorrente direito ao creditamento das despesas com frete e armazenagem? Entendo que não. E não o tem porque a norma de regência (§ 4º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, acima reproduzido) é clara ao proibir a apuração de crédito vinculado à receita de exportação das mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, independente de haver ou não, para o tipo de despesa incorrida, previsão legal de creditamento, quando vinculada às demais receitas. O fato de a recorrente auferir receita de exportação com a venda de produtos de sua fabricação e de produtos fabricados por terceiros, adquiridos com o fim específico de exportação, em nada afeta a proibição legal de apuração de crédito vinculados a receita de exportação de mercadorias adquiridas de terceiros. Portanto, não vejo reparos a fazer na decisão recorrida, nesta parte. 8 Incidência da taxa Selic no ressarcimento O pagamento de juros compensatórios com base na taxa Selic, previsto para a restituição, não pode aplicarse ao ressarcimento por serem despesas distintas e, como bem disse a decisão recorrida, por existir expressa vedação legal para a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos da Cofins, inclusive na hipótese de compensação, nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833/03, regulamentado pela IN SRF nº 460/04, art. 51, § 5º, vigente à época da apresentação da declaração de compensação, que se reproduz. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720114/200898 Acórdão n.º 3302002.655 S3C3T2 Fl. 19 18 Lei nº 10.833/03, artigo 13 (c/c inciso VI do art. 15): Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º; do art. 4º e dos §§ 1° e 2º do art. 6°, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Instrução Normativa SRF nº 460/04, art. 51, § 5º: Art. 51. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: [...] § 5º Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. (o grifo não é do original). Portanto, nesta parte, não procedem as alegações da recorrente. 9 Apresentação de provas relativas às despesas com fretes. A Recorrente alega que revendo seus créditos do período objeto deste processo identificou o não aproveitamento de créditos sobre serviços de transportes passíveis de aproveitamento mas, em função do “exíguo tempo existente entre” a ciência do despacho decisório e o prazo para apresentação de manifestação de inconformidade, solicitou a oportunidade de apresentar, em data oportuna, os demonstrativos e documentos para confirmar esta informação, no que foi indeferido pela decisão recorrida, com fulcro no art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72. A Recorrente justifica sua omissão alegando que o prazo para apresentação da manifestação de inconformidade é limitado a 30 dias e, portanto, é dever do Fisco realizar diligência para quantificar e confirmar os referidos créditos. A decisão recorrida entendeu precluído o direito de a Recorrente apresentar provas posteriores à impugnação (§ 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72). Não obstante à essa decisão, no dia 06/10/2011 a empresa Recorrente apresentou uma relação de aquisição de serviços de transporte que alega não foram considerados pela Fiscalização na base de cálculo para o crédito referente ao 4º trimestre 2005 – COFINS. Conforme se pode constatar nos demonstrativos que acompanham o RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO DO RESSARCIMENTO DE COFINS NÃO CUMULATIVO 2005, no qual se fundou o Despacho Decisório, o valor do frete considerado na apuração do crédito reconhecido foi exatamente o valor informado pela Recorrente em seu Fl. 782DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720114/200898 Acórdão n.º 3302002.655 S3C3T2 Fl. 20 19 pedido de ressarcimento, excluído os valores glosados pela Fiscalização (fretes de adubos e KCl e mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação). Portanto, o valor de eventual crédito adicional decorrente de despesa de frete não informado originalmente pela Recorrente em seu pedido de ressarcimento não pode ser reconhecido originalmente por este Colegiado porque se trata de crédito novo, não apreciado pela autoridade da RFB. Ademais, na relação de fretes apresentada em 06/10/2011, a Recorrente simplesmente relaciona todos os fretes do trimestre sem, contudo, identificar e provar que existem fretes que foram incluídos em seu pedido e não considerados, como alega, pela Fiscalização no cálculo do crédito pleiteado e reconhecido. Por evidente, a Recorrente também não identifica os fretes que não foram por ela incluídos no pedido de ressarcimento original. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância para todos os argumentos suscitados pela Recorrente, exceto quanto à glosa do crédito de depreciação. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a inclusão, no cálculo do crédito ressarcível, do valor do crédito de depreciação, na forma do item 4 deste voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator. 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720114/200898 Acórdão n.º 3302002.655 S3C3T2 Fl. 21 20 Fl. 784DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 19515.003405/2007-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
Inconstitucionalidade De Normas.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
(Súmula nº 02 do CARF)
Juros. Taxa Selic.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
(Súmula nº 4 do Carf)
Multa De Ofício. Descabimento. Natureza Confiscatória.
Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF.
(Súmula nº 02 do CARF)
Súmulas. Observância Obrigatória.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).
Numero da decisão: 1801-002.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004 Inconstitucionalidade De Normas. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula nº 02 do CARF) Juros. Taxa Selic. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4 do Carf) Multa De Ofício. Descabimento. Natureza Confiscatória. Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. (Súmula nº 02 do CARF) Súmulas. Observância Obrigatória. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).
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PAGAMENTOS/COMPRAS NÃO ESCRITURADAS. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracterizam omissão de receita. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova invertese e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula nº 02 do CARF) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4 do Carf) MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 05 /2 00 7- 11 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. (Súmula nº 02 do CARF) SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1634.799/11 exarado pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP 1, efls. 596 a 607, que decidiu julgar procedentes os lançamentos tributários consubstanciados nos Autos de Infração lavrados para as exigências de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, INSS, apurados pelo regime de tributação do Simples, relativos aos meses do anocalendário de 2003, por constatada omissão de receitas caracterizadas por pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração contábil e insuficiência de recolhimento dos tributos, em face à mudança de alíquota do Simples, por causa do acréscimo do faturamento, incluídos os acréscimos legais regulares efls. 421 a 434. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “[...] Irresignada com os lançamentos, em 28 de novembro de 2007 (fl. 484), a autuada apresentou, representada por mandatário (fls. 495 a 499), a impugnação de fls. 484 a 495, instruída com os documentos de fls. 496 a 555, na qual alega, em síntese, o seguinte: não possui toda a documentação hábil para comprovação das supostas entradas pelo fato de que foi vítima de roubos, conforme Boletins de Ocorrência (fls. 318 a 322) já apresentados à fiscalização; Fl. 698DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.003405/200711 Acórdão n.º 1801002.092 S1TE01 Fl. 3 3 já comprovou perante a fiscalização (documentos de fls. 324 a 402) que o dinheiro utilizado para capital de giro da empresa adveio de empréstimos bancários e hipoteca da residência da titular da firma, senhora de 68 anos, proba e honesta; seu objeto social é a compra e venda de cimentos, cujo mercado é muito competitivo, sendo que o lucro bruto da venda do saco de cimento, excluído apenas o seu custo de aquisição, por vezes, chega a R$0,30, razão pela qual possui apenas uma casa onde mora com os netos e dois automóveis caminhonete, cujos valores somados montam a R$ 30.515,00; como possui reputação de boa pagadora junto às grandes cimenteiras, no intuito de ingenuamente ajudar diversos mutirões existentes na região de sua localização, comprava mercadorias por conta e ordem dos mutirões, sem ter obtido qualquer lucro, não sendo possível se falar em faturamento de acordo com o artigo 5° da Lei n° 9.317/1996 e com as legislações referentes à COFINS, ao PIS, ao IRPJ e à CSLL, nem em fato gerador ou crédito tributário; as compras eram entregues diretamente nos locais dos mutirões, de modo que não transitavam por seu estoque e não constam os respectivos registros de entradas nos competentes livros fiscais; houve apenas uma movimentação cíclica de dinheiro, passando uma impressão falsa de acúmulo de capital por parte da impugnante; considerarse a totalidade das supostas entradas como base de cálculo para a incidência de todos os tributos seria decretar a falência da impugnante; encontrase o montante de R$1,31 ao subtrair do valor de R$14,19 (preço atual do saco de cimento constante de folheto informativo de notória empresa revendedora de materiais de construção fl. 555), o valor de R$13,18, registrado em seu Livro de Registro de Inventário em 31 de dezembro de 2003 (fl. 554); ao invés de aplicar as alíquotas dos tributos sobre a base de cálculo arbitrada equivalente à multiplicação do número de sacos de cimento por R$1,31, foram aplicadas as alíquotas dos tributos sobre uma base equivalente ao valor da multiplicação do número de sacos de cimento por aproximadamente R$14,49; a simples constatação de omissão de compras na escrituração do contribuinte, o que segundo a fiscalização ocorreu no presente caso, não autoriza a tributação de receitas omitidas pelo somatório dos valores não escriturados, conforme ementa do antigo Conselho de Contribuintes transcrita, o que demonstra que a base de cálculo utilizada está completamente equivocada e irreal, merecendo ser desconsiderada; a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício deve ser cancelada por ausência de previsão legal expressa, sendo certo que a expressão "débitos decorrentes de tributos e contribuições" contida no artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430 diz respeito apenas ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento, já que a multa não decorre do tributo, mas apenas do descumprimento do dever legal de pagálo; se a intenção do legislador fosse fazer incidir os juros de mora sobre a multa de ofício, bastaria que tivesse consignado expressamente, como o fez no artigo 43, parágrafo único, da mesma Lei n° 9.430/1996, em relação à multa isolada; e Fl. 699DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 decisões transcritas do antigo Conselho de Contribuintes afastam a aplicação da taxa Selic sobre a multa de ofício e determinam a incidência de juros de mora à taxa de 1% a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração. Devido à ultrapassagem em 2003 do limite de receita para permanência no Simples, a autoridade autuante elaborou a Representação Fiscal para Exclusão de Ofício do Simples de fls. 563 a 565. Esta representação, bem como os documentos que a seguiram (fls. 566 a 594), compunham originariamente o processo 19515.003408/200746, juntado ao presente por anexação por força da Portaria do Secretário da Receita Federal do Brasil n° 666, de 24 de abril de 2008 (fls. 562 e 594). Em 26 de novembro de 2007, foi emitido o Ato Declaratório Executivo Dicat/Derat/SPO n° 255 excluindo a autuada do Simples a partir de 01 de janeiro de 2004 (fl. 586), cientificado à interessada em 14/12/2007 (fl. 588). Não consta no processo apresentação de manifestação de inconformidade contra este ato de exclusão do Simples. VOTO A contribuinte foi intimada em 26/04/2007 (Termo de Início de Ação Fiscal fl. 07) a apresentar em vinte dias, entre outros elementos, o Contrato Social e alterações correspondentes dos últimos cinco anos e, relativamente ao anocalendário 2003, o Livro Caixa ou Livros Diário e Razão, os Livros Registro de Entradas e de Saídas de Mercadorias e/ou Serviços e o Livro de Registro de Inventário. Cópia da Declaração e Alteração de Firma Individual encontrase às fls. 43 a 45, cópia do Livro Caixa encontrase às fls. 273 a 286 e cópia do Livro Registro de Entradas encontrase às fls. 287 a 300. Em 30/04/2007, a fiscalização emitiu Intimações a cinco fornecedores da fiscalizada (fls. 27 a 41), determinando que, no prazo de vinte dias, fosse informado, em arquivo magnético e em documentos impressos assinados e datados pelos respectivos representantes, acompanhados de documentos que comprovem a representação, números das notas fiscais, datas de emissão das notas fiscais, códigos das operações (CFOP), valores das notas fiscais,formas de pagamentos e datas de efetivos pagamentos referentes às saídas de mercadorias para todos os estabelecimentos da fiscalizada em 2003. Respostas das fornecedoras com as relações solicitadas, acompanhadas dos documentos que comprovam as representações, encontramse às fls. 46 a 270. De posse das informações colhidas nos fornecedores, o auditorfiscal intimou a fiscalizada em 03/09/2007 (fls. 301 a 314) a, em vinte dias e mediante documentação hábil e idônea, esclarecer a origem dos recursos utilizados para os pagamentos de compras realizadas perante as empresas fornecedoras, conforme planilhas anexas, já que os pagamentos não haviam sido escriturados. Em 24/09/2007 (fl. 315 a 317), a fiscalizada, alegando que não mantinha seus arquivos sistematizados em planilhas, que havia sido vítima de roubos (cópias de Boletins de Ocorrência às fls. 318 a 321) e que os bancos ainda não haviam prestado informações solicitadas, requereu dilação do prazo para atendimento da intimação por mais trinta dias. Em 01/10/2007, a fiscalização reintimou a fiscalizada a prestar os mesmos esclarecimentos no prazo de dez dias (fls. 322 e 323). Em 11/10/2007, a interessada apresentou a resposta de fls. 324 a 329, acompanhada dos documentos de fls. 330 a 401, segundo a qual as origens dos recursos para compra de cimento são empréstimos liberados pela Caixa Econômica Federal em 14/11/2000 no valor de R$59.085,50, garantidos pela casa da titular da firma individual, e outros empréstimos liberados em 17/02/2003 (R$18.000,00), em 21/08/2003 (R$30.000,00) e em 03/06/2004 (R$30.000,00). Fl. 700DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.003405/200711 Acórdão n.º 1801002.092 S1TE01 Fl. 4 5 Contudo, as explicações e documentos apresentados não comprovam a origem dos recursos utilizados para pagar os fornecedores, não só pela falta de escrituração, mas também por falta de vinculação de datas e valores entre os empréstimos obtidos e os pagamentos realizados, que, de acordo com o demonstrativo de fl. 423, montaram a R$3.120.375,21 em 2003. [...] Portanto, a fiscalização não necessita provar cabal e diretamente a omissão de receitas imputada à autuada, pois, como já dito, não existe dúvida que a fiscalização provou que existem pagamentos a fornecedores que não foram escriturados, o que, por si só, já é suficiente para caracterizar a receita omitida. Cabe à fiscalização provar apenas o fato que caracteriza omissão de receita, o que foi feito no presente processo. Com a inversão do ônus da prova, caberia, se fosse o caso, à fiscalizada provar que em seu caso particular não ocorreu a omissão de receitas, apesar de ter ocorrido seu fato caracterizador, ou então que a situação caracterizadora da receita omitida não foi comprovada ou não ocorreu. Mas, como já dito, a autuada nada fez ou apresentou que descaracterizasse o fato ensejador da presunção legal. Não tendo a interessada cautela em escriturar e documentar adequadamente os fatos e manter em boa ordem a escrituração e a documentação cabíveis, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. A responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente, conforme disposto no artigo 136 do Código Tributário Nacional: [...] Desta forma, não invalidam ou minimizam os lançamentos o fato de a autuada ter sido vítima de roubos, da titular da firma individual ser uma senhora de 68 anos, proba e honesta, e de possuir apenas uma casa, onde reside com dois netos, além de dois automóveis de baixo valor. Quanto às alegações de que emprestou seu nome e boa reputação aos mutirões de construção de sua região para que estes pudessem adquirir cimentos, não há nos autos nenhum documento que comprove que as compras e os respectivos pagamentos foram feitos por conta e ordem de terceiros. No lançamento ora impugnado, como já escrito acima, a contribuinte é optante pelo Simples. Portanto, a omissão de receita, decorrente de pagamentos não escriturados, corresponde à base de cálculo dos impostos e contribuições tributados pelo Sistema Simplificado (Simples), de acordo com o disposto no caput do artigo 24 da Lei no 9.249/1995, in verbis: [...] A impugnante afirma que seu lucro bruto é diminuto (R$0,30 por saco de cimento) e que as alíquotas do Simples deveriam ser aplicadas sobre a diferença entre o preço de venda e o preço de aquisição. Neste passo, cabe esclarecer que a receita bruta da atividade é a base de cálculo dos tributos devidos em conformidade com o Simples, de acordo com os artigos 2°, § 2° e 5°, caput, da Lei n° 9.317/1996, que assim dispõe: [...] Desta forma, sobre os pagamentos não escriturados foi aplicado o percentual estabelecido na legislação do Simples, para apuração dos tributos devidos, que são, Fl. 701DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 além do IRPJ, o PIS, a CSLL, a COFINS, o IPI e a Contribuição para Seguridade Social INSS, nos termos do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.317/1996: [...] Assim, tem plena previsão legal a incidência de juros moratórios, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa aplicada, haja vista esta compor o crédito tributário. No entanto, ressaltese que, no demonstrativo constante do auto de infração, não há ainda o acréscimo dos juros sobre a parcela referente às multas. Tal acréscimo será apurado a partir da data do vencimento das multas. [...]” A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 625 a 661, reiterando em parte os termos da defesa exordial, acrescendo, em suma: a firma individual, localizada na periferia de São Paulo, cuja proprietária é septuagenária e semi analfabeta e já sofreu inúmeros assaltos e agressões, sem a proteção do Estado e está sendo exigido por este mesmo Estado uma quantia milionária, ferindo a capacidade contributiva ou a dignidade desta pessoa; não houve incidência tributária, uma vez que não se trata de receita o valor movimentado; os valores constantes dos extratos bancários não representam receitas propriamente ditas, mas a remuneração é representada por parte ínfima dos valores em comento referentes a pequena porcentagem de cimento vendido; discorre sobre doutrina a respeito do conceito de receita; discorre sobre impossibilidade de tributação de receitas de terceiros, concluindo que os valores movimentados em conta corrente da recorrente são meros montantes financeiros, receitas de terceiros; ataca a tributação levada a efeito pela presunção de omissão de receita evidenciada pela compra de mercadorias sem a comprovação da origem de recursos referindose às novas presunções legais criadas pela Lei nº 9.430/96; discorre sobre o conceito de presunção; cita doutrina; conclui que há inadequação na presunção legal estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, pois nem sempre o volume de depósitos injustificados leva ao rendimento omitido correlato; diz que depósito bancário é estoque e não fluxo, portanto não tipifica renda; cita acórdãos jurisprudenciais; cita a Súmula TRF nº 182; passa a discorrer sobre a multa de caráter abusivo e confiscatório imposta na tributação em 75% e sobre a inaplicabilidade dos juros moratórios calculados à taxa Selic, por ofensa ao princípio da legalidade tributária; também insurgese contra a aplicação dos juros sobre a multa aplicada; por derradeiro se insurge contra a exclusão da empresa da sistemática do Simples e diz que o processo que deu origem ao Ato Declaratório de Exclusão não tem decisão transitada em julgado. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 11/07/12, efls. 624; Recurso – 02/08/12, efls. 625 Fl. 702DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.003405/200711 Acórdão n.º 1801002.092 S1TE01 Fl. 5 7 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. I) Da exclusão da empresa do regime de tributação Simples Federal O processo administrativo nº 19515.003408/200746 inicialmente formalizado para receber a Representação Fiscal e tratar da Exclusão do Simples, por ultrapassar o limite legal anual de receitas auferidas, foi anexado aos presentes autos, e, conforme já destacado pela Turma Julgadora de Primeira Instância, devidamente cientificada a recorrente do Ato Declaratório de Exclusão, em 14/12/2007 (Aviso de Recebimento às efls. 588), não houve manifestação de inconformidade contra o referido ato administrativo de exclusão, razão pela qual considerase matéria transitada em julgado e não será apreciada nesta decisão, por precluso o direito da recorrente não exercido em tempo processual hábil. Destaco que sequer foi objeto da impugnação aos lançamentos tributários para as exigências de tributos, ora matéria em litígio, tratandose de matéria totalmente nova oferecida em sede recursal. II) Da tributação imposta contra a recorrente Constatase do exame dos Autos de Infração e Termo de Verificações Fiscal acostados aos presentes autos que a tributação erguida fundamentouse, precipuamente, no artigo 40 da Lei nº 9.430/96, que dispõe: Omissão de Receita Falta de Escrituração de Pagamentos Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. A empresa intimada a apresentar a contabilidade, exibiu à fiscalização os Livros Caixa, Registro de Entradas (cópia integral nos autos), Registro de Saídas, Registro do Inventário, Registro de Apuração de ICMS. A auditoria intimou os fornecedores da empresa fiscalizada, consoante dossiê da contribuinte, realizando o cruzamento entre os produtos vendidos por estes fornecedores (CCB — CIMPOR Cimentos do Brasil Ltda — CNPJ 10.919.934/002048, Camargo Correa Cimentos S/A — CNPJ 62.258.884/000489, Cimento Rio Branco S/A — CNPJ 64.132.236/005395, Cimento Tupi S/A — CNPJ 33.039.223/002408 e Cobrascal Industria de Cal Ltda — CNPJ 44.062.636/0001 33) e o registro destas compras no Livro de Entrada de Mercadorias. Assim está explicitado no Termo de Verificações Fiscais – efls. 420 e ss: “[...] Com base na análise das informações enviadas pelas empresas acima intimadas, constataramse divergências na escrituração nas quais várias notas fiscais e respectivos pagamentos não estavam contabilizados. Dessa forma, foi lavrado o Fl. 703DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Termo de Intimação Fiscal de 03/09/2007 e Termo de ReIntimação de 24/09/2007, onde a empresa fiscalizada foi intimada a comprovar a escrituração no livro de Registro de Entradas dos pagamentos efetuados aos fornecedores relacionados em anexo ao referido Termo e, caso não escriturado, comprovar a origem dos recursos utilizados para a liquidação financeira daquelas compras. DOS VALORES TRIBUTÁVEIS Os valores tributáveis são os pagamentos não escriturados e cuja origem dos recursos não foram comprovados. Esses pagamentos estão demonstrados no Demonstrativo de Notas Fiscais de Fornecedores não escrituradas — fls. 388 a fls. 403 e consolidados no quadro abaixo: [...]” As Notas Fiscais fornecidas pelos fornecedores foram devidamente acostadas aos autos, pois, e ensejaram os demonstrativos elaborados pela fiscalização de pagamentos não escriturados na contabilidade apresentada pela fiscalizada e que constituíram a matéria tributada, por presunção estabelecida em norma tributária de omissão de receitas. A recorrente foi intimada e reintimada no procedimento de auditoria fiscal a esclarecer com quais recursos havia comprado as referidas mercadorias, não logrando êxito em comprovar a origem dos recursos, confirmando a presunção legal. As presunções legais vêm expressas na lei tributária. O próprio legislador destaca situações especiais nas quais os indícios pressupõem a ocorrência do fato gerador, no caso, a obtenção de receita. São situações que de tão excepcionais denunciam o ilícito tributário. Situação deveras conhecida, semelhante à ora analisada, é a constatação do saldo credor do caixa – esta situação é materialmente impossível de ocorrer: se a pessoa jurídica não possui dinheiro em caixa, não poderá fazer o pagamento de despesas. Como pode, então, registrar a contabilidade que a despesa foi paga, sem o respectivo numerário? A situação é tão absurda, que a norma tributária presume o óbvio: em algum momento houve a omissão de receitas. A norma tributária se incumbe de declarar o indício da omissão: é o saldo credor do caixa. Semelhantemente ocorre com o artigo 40 da Lei n° 9.430/96. A entrada de mercadorias no estabelecimento comercial sem a correlata escrituração evidencia a utilização de recursos que transitam à margem dos registros contábeis. A simples alegação de que foram compradas para terceiros, com empréstimo do nome, ou com recursos de empréstimos não contabilizados, ou seja, sem os elementos correspondentes comprobatórios, documentação idônea e hábil (ou seja compatível com datas e valores) não servem para ilidir a tributação realizada. Não há que se falar em acréscimo patrimonial real, mas presumese a omissão de receitas, já que o contribuinte não comprova que a origem daqueles valores que pagaram efetivamente as notas Fiscais emitidas em seu favor são diversos da obtenção de receita advinda da atividade empresarial, evadida, pois, da tributação. As presunções legais, pois, surgem de situações nas quais, com tranqüilidade, os indícios denotam a ocorrência do ilícito tributário. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.003405/200711 Acórdão n.º 1801002.092 S1TE01 Fl. 6 9 E a autoridade fiscal colheu as provas dos indícios enunciados na norma tributária: os pagamentos não escriturados, as omissões em compras – não da presunção, em si, pois esta já está declarada como ilícito, pela própria norma. A presunção, por conseguinte, erguese sobre indícios que devem ser devidamente e fartamente provados, como no presente lançamento. Vale a pena transcrever o artigo 239 do CPP, que conceitua indício: Art.239.Considerase indício a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluirse a existência de outra ou outras circunstâncias. Este link entre os indícios e o fato tributariamente relevante é fornecido pela norma tributária: compras com recursos estranhos à contabilidade Þ omissão de receitas; saldo credor de caixa Þ omissão de receitas; passivo fictício Þ omissão de receitas, e assim por diante. As presunções enunciadas na norma tributária não são absolutas (juris et juris). São presunções legais relativas (juris tantum) o que significa que comportam provas em contrário. Estas provas deverão ser apresentadas pelo contribuinte e a própria norma traz esta condição expressa em seu bojo, pois foge à regra geral relativa ao ônus da prova (pertinente ao fisco). A propósito, o artigo 40 não traz qualquer inovação ao ordenamento jurídico quanto à inversão do ônus da prova. Em todos os casos em que a lei expressamente declare a presunção, o ônus da prova é invertido e, na seara tributária, há muitos casos de presunções legais. Assim dispõem os artigos 924 e 925 do RIR/99: Ônus da Prova Art.924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º). Inversão do Ônus da Prova Art.925.O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §3º). Destarte, verificase que a autoridade fiscal pautouse em estrita observância às normas legais vigentes não havendo qualquer reparo a fazer nos lançamentos tributários realizados. No que respeita às ilações da recorrente a respeito do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, vale dizer, tributação com fulcro em depósitos bancários cuja origem não é justificada pelo titular da conta corrente, bem como a antiga Súmula TRF 182, não aplicável após a vigência da lei nº 9.430/96, são totalmente descabidas visto não se aplicarem ao caso em concreto. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 III) Da natureza confiscatória da multa de ofício e dos juros moratórios calculados à taxa Selic; da aplicação dos juros sobre a multa regular de ofício No que respeita às argüições de inconstitucionalidade das normas tributárias em vigência, que ferem princípios como da capacidade contributiva, da proporcionalidade e/ou tem efeito confiscatório, é defeso a este colegiado administrativo de julgamento se pronunciar sobre o assunto, sendo mansa e pacífica a jurisprudência firmada neste sentido, conforme se depreende da Súmula n. 02 recepcionada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, editada pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Especificamente tratandose dos juros – Selic, o CARF editou a Súmula nº 04: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Destarte, tratandose de matérias sumuladas por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Da aplicação dos juros moratórios sobre o valor da multa de ofício me amparo na tese esposada no Acórdão guerreado. A norma tributária em vigência ao tratar da matéria – juros – referese ao crédito tributário, não somente ao valor do principal (tributo) e sobre as multas aplicadas isoladamente também está previsto a incidência de juros moratórios incidentes, sendo matéria a ser alterada pelo poder legisferante. No mais, adoto as razões de decidir da Turma Julgadora de Primeira Instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 706DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.003405/200711 Acórdão n.º 1801002.092 S1TE01 Fl. 7 11 Fl. 707DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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