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Numero do processo: 10166.726717/2018-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em relação ao Acórdão nº 0343.611, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), de 17 de junho de 2011 (fls. 3.301 a 3.314), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo, conforme ementa a seguir: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 26 71 7/ 20 18 -8 3 Fl. 4030DF CARF MF Processo nº 10166.726717/201883 Resolução nº 1302000.707 S1C3T2 Fl. 4.031 2 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputase válido o auto de infração que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, os quais incluem a completa descrição dos fatos, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa. ENQUADRAMENTO LEGAL GENÉRICO. Não é caso de nulidade de lançamento a existência de enquadramento legal genérico, quando os demais elementos e demonstrativos permitem a compreensão da exigência formulada. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício na forma prevista na legislação. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando a solicitação é apresentada em desacordo com o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indefese o pedido de diligência, quando tal solicitação versar sobre demanda de caráter genérico apresentada com o propósito de deslocar para a Fazenda Pública a responsabilidade pela produção de conjunto probatório cujo encargo compete ao próprio requerente. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A perícia é cabível nas situações em que a averiguação de fatos depende de conhecimentos especializados, sendo desnecessária, portanto, quando tais fatos podem ser comprovados documentalmente, mediante a apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO. A falta de recolhimento, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário, impõe ao Fisco o dever de previamente constituílo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. BASE DE CÁLCULO. Reputase válido o lançamento quando a base de cálculo do tributo devido é obtida a partir do confronto entre os valores declarados em DCTF e os valores constantes da escrituração da empresa como tributo a recolher, mormente quando a alegação de incidência de Fl. 4031DF CARF MF Processo nº 10166.726717/201883 Resolução nº 1302000.707 S1C3T2 Fl. 4.032 3 CSRF sobre valores não pagos é desacompanhada de documentação comprobatória que lhe dê suporte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO. A falta de recolhimento, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário, impõe ao Fisco o dever de previamente constituílo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. BASE DE CÁLCULO. Reputase válido o lançamento quando a base de cálculo do tributo devido é obtida a partir do confronto entre os valores declarados em DCTF e os valores constantes da escrituração da empresa como tributo a recolher, mormente quando a alegação de incidência de CSRF sobre valores não pagos é desacompanhada de documentação comprobatória que lhe dê suporte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. BASE DE CÁLCULO. FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO. A falta de recolhimento, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário, impõe ao Fisco o dever de previamente constituílo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. BASE DE CÁLCULO. Reputase válido o lançamento quando a base de cálculo do tributo devido é obtida a partir do confronto entre os valores declarados em DCTF e os valores constantes da escrituração da empresa como tributo a recolher, mormente quando a alegação de incidência de CSRF sobre valores não pagos é desacompanhada de documentação comprobatória que lhe dê suporte." O presente processo é fruto de procedimento fiscal realizado junto à Recorrente, resultando na lavratura de autos de infração relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), anoscalendários de 2006, 2007, 2008 e 2009 (fls. 03 a 59), com base na constatação de divergência entre os valores retidos na fonte relativos às citadas contribuições e aqueles confessados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Para todas as infrações, foi aplicada a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Fl. 4032DF CARF MF Processo nº 10166.726717/201883 Resolução nº 1302000.707 S1C3T2 Fl. 4.033 4 Todos os referidos autos de infração compunham, originalmente, o processo administrativo nº 10166.720782/201129, do qual o lançamento referente à CSLL foi desmembrado, por razões adiante explicitadas. A partir da descrição contida no próprio corpo dos Autos de Infração, o procedimento fiscal, que se desdobrou de 17/11/2008 a 16/03/2011, pode ser assim sintetizado: Intimado, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal a apresentar a escrituração contábil e fiscal relativa ao anocalendário de 2006, o sujeito passivo alegou que os livros Diário, Razão e Lalur se encontravam em poder do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e que não possuía os referidos documentos em meio magnético. Mediante diligência junto ao MPDFT, o responsável pelo procedimento fiscal constatou que apenas o Livro Razão do referido período estava em poder das autoridades, não tendo localizado os Livros Diário e Lalur. Reintimado, em duas oportunidades, a apresentar a escrituração contábil e fiscal (abrangendo, desta vez, os anoscalendários de 2007, 2008 e 2009), o contribuinte apresentou a escrituração contábil de todos os períodos em meio magnético. Por meio do Termo de Constatação Fiscal de fls. 127 a 177, a Recorrente foi intimada das divergências diagnosticadas entre os valores por ela apurados em sua escrituração e aqueles constantes das declarações apresentadas à Receita Federal, além de, mais uma vez, ter sido intimada a apresentar os Livros Diários dos períodos fiscalizados. Na resposta apresentada, pelo sujeito passivo justifica as divergências basicamente no fato de que os valores retidos na fonte se refeririam a pagamentos a fornecedores não liquidados, de modo que o fato gerador não teria ocorrido. O sujeito passivo foi intimado mais alguma vezes para apresentar os Livros Diários dos anoscalendários fiscalizados devidamente autenticados pela Junta Comercial, apresentando a justificativa de que: "Os livros Diários relativos ao exercício de 2006, encontravamse sob a guarda da Junta Comercial do Distrito Federal para registro, quando, em 14 de junho de 2007 foram apreendidos pela Polícia Civil do Distrito Federal, em cumprimento a ordem judicial emitida a pedido do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. No entanto, a Junta Comercial do Distrito Federal cumpriu a ordem judicial, entregando os referidos livros a Polícia Civil do Distrito Federal, sem o devido registro e, desde então, se recusa a registrar os livros Diários dos exercícios seguintes, ou seja, 2007, 2008 e 2009. A Junta Comercial do Distrito Federal alega que o registro não pode ser realizado em função do salto de numeração dos livros, porém, insiste em ignorar o fato de que está situação foi provocada pela própria Junta Comercial quando não realizou o registro dos livros Diários de 2006 antes de entregalos a Polícia Civil do Distrito Federal." A Recorrente foi intimada, ainda, a apresentar esclarecimentos sobre as planilhas por ela fornecidas para justificar as divergências, tendo respondido na forma dos Fl. 4033DF CARF MF Processo nº 10166.726717/201883 Resolução nº 1302000.707 S1C3T2 Fl. 4.034 5 documentos de fls. 198 a 991, que consistiram em planilhas com detalhamento das retenções realizadas em dados dos fornecedores que sofreram as retenções. Os autos de infração foram lavrados, então, com a exigência das divergências constatadas entre os valores das contribuições retidas na fonte, conforme as informações prestadas pelo sujeito passivo, nas respostas apresentadas, e aqueles confessados por meio das DCTF apresentadas, tendo sido rejeitada a justificativa apresentada de que os valores devidos aos fornecedores (base para as retenções registradas) não teria sido liquidados. Do total das retenções (4,65% dos pagamentos), foi efetuado o rateio correspondente a cada contribuição: CSLL (1,0%), Cofins (3,0%) e Contribuição ao PIS/Pasep (0,65%). Intimado, o sujeito passivo apresentou Impugnação, cujo conteúdo foi sintetizado pelo Acórdão recorrido do seguinte modo: "Da Preliminar. Afirma o interessado que é nulo o procedimento fiscal, uma vez que o auto de infração teria como base enquadramento legal genérico e impreciso, o que impossibilita o pleno exercício de defesa da impugnante e viola o Princípio da Estrita Legalidade. Nesse sentido, consigna que o enquadramento legal contém o apontamento genérico dos artigos 30 e 31 da Lei nº 10.833/2001 e que, “na descrição do fato sobre o qual se pretende impor tributação, não foi realizado o devido cotejo entre o evento analisado e a norma à qual o mesmo se subsume”. Do Mérito. Inconsistência do Levantamento Fiscal Realizado. Alega o impugnante que a autoridade fiscal partiu de premissas incoerentes, visto que, ao comparar o resultado final apontado no Livro Diário com as DCTF, teria considerado provisionamento de numerário para o recolhimento das CSRF como pagamentos efetivamente ocorridos, verbis: Entretanto, a autoridade fiscal, ao averiguar a documentação contábil da empresa Impugnante, considerou os lançamentos constantes de seu Livro Diário como se as CSRF tivessem sido apuradas por meio do Regime de Competência, quando a empresa Impugnante, em atenção a determinação legal, o reteve, recolheu e contabilizou mediante o Regime de Caixa, e ao confrontar os números encontrados com as declarações e os comprovantes de recolhimento de tributo de cada período, encontrou gritante divergência (como já seria de se esperar). Em termos práticos: quando os valores das notas fiscais, referentes a serviços que seriam quitados a prazo, foram lançados no Livro Diário da empresa Impugnante, foram lançados, na mesma competência, os valores provisionados para o pagamento futuro das Contribuições que seriam posteriormente retidas e recolhidas, o que é perfeitamente regular, posto que se trata de mero provisionamento. Nos períodos subsequentes, quando da quitação das parcelas do mesmo serviço, foram lançados tanto o valor do efetivo pagamento quanto o valor recolhido a título da CSRF incidente sobre aquela Fl. 4034DF CARF MF Processo nº 10166.726717/201883 Resolução nº 1302000.707 S1C3T2 Fl. 4.035 6 parcela, de modo a registrar a efetiva saída de valores do caixa da empresa. Tais lançamentos devem ser realizados desta forma, por força de lei. Ocorre que a autoridade fiscalizadora considerou, para apuração do valor devido a título de CSRF, tanto os valores lançados na contabilidade a título de provisionamento quanto de efetiva saída financeira, distorção esta que gerou apuração de valor muito superior ao realmente devido. Ou seja, considerou os valores lançados pelo Regime de Caixa como se tivessem sido lançados pelo Regime de Competência, o que consiste em medida flagrantemente equivocada. Na sua perspectiva, a escrituração do Livro Diário deve ser feita pelo regime de competência (cita a resposta à questão 292 do link Perguntas e Respostas disponibilizado no sítio da RFB) e, na DCTF, os débitos devem ser informados segundo o regime de caixa (justifica tal entendimento pela própria incidência das CSRF, devidas quando do efetivo pagamento, nos termos do art. 35 da Lei nº 10.833/03). Dessa forma, entende o impugnante que é impossível a comparação das informações lançadas no Livro Diário e nas DCTF e enfatiza que o valor apontado no Livro Diário contém o saldo provisionado em competências anteriores e o valor declarado nas DCTF contém somente os valores dos tributos pagos no mês. Anexa, a título de prova, quadros relativos a cada período de apuração, com justificativas para a divergência apontada, em conformidade com a explicação exposta. Multa. Defende o interessado que não cometeu qualquer infração e, portanto, não está passível de sofrer uma sanção. Acrescenta, ainda, que somente seria possível instituir multa de forma isolada caso o Fisco demonstrasse que fora efetivamente descumprida uma obrigação tributária ou um dever instrumental, o que não é o caso dos autos. Produção de novas provas, diligência e perícia. Protesta o requerente, ainda, pela coleta de outras provas, entre elas a documental e a pericial, no caso de os documentos acostados aos autos não serem suficientes para demonstrar todas as alegações apresentadas. Para tanto, nomeou perito e apresentou os quesitos, em conformidade com o art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72. Por fim, pugna o interessado que seja decretada a nulidade do auto de infração, ou, alternativamente, caso os documentos juntados não sejam suficientes para tal, que seja determinada a realização de perícia ou convertido o processo em diligência." A decisão de primeira instância (fls. 3.301 a 3.314) rejeitou a preliminar de nulidade, posto que preenchidos todos os requisitos do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e a acusação estar acompanhada dos elementos de prova necessários à comprovação do ilícito, não havendo qualquer violação ao princípio da legalidade e ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Fl. 4035DF CARF MF Processo nº 10166.726717/201883 Resolução nº 1302000.707 S1C3T2 Fl. 4.036 7 No mérito, não acatou a alegação do sujeito passivo de que os valores das retenções figuram em sua escrituração contábil, inicialmente, como mera provisão e, apenas após a realização dos pagamentos, como tributo devido e efetivamente recolhido. É que, no caso das contribuições retidas, a conta que registra as retenções não representaria tributos devidos pela empresa, mas valores em relação aos quais ela seria mera responsável pela retenção e respectivo recolhimento. Não se tratando de despesas, não seriam passíveis de provisionamento. Salientou que, "admitindose que a empresa tivesse cometido uma impropriedade em sua escrituração, ao utilizar a conta de tributos a recolher como conta de provisão, deveria tal alegação ter sido acompanhada de provas documentais hábeis e idôneas que pudessem possibilitar seu acolhimento". Refutou, ainda, a alegação de que a escrituração do Livro Diário deve ser feita pelo regime de competência, enquanto, na DCTF, os débitos devem ser informados segundo o regime de caixa, com base, mais uma vez, no fato de que as retenções de contribuições sociais não configuram despesas. A decisão rejeitou o protesto para apresentação de novas provas, uma vez que em desacordo com as regras que regem o Processo Administrativo Fiscal. Indeferiu, por fim, os pedidos de diligência e perícia, uma vez que aquela se destinaria a elucidar questões que suscitem dúvidas no julgamento da lide (o que inexistiria in casu); e que esta seria cabível para a averiguação de fatos que dependem de conhecimentos especializados para serem demonstrados, o que, igualmente, não seria o caso dos autos em análise. Após a ciência da decisão, o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário de fls. 3.324 a 3.360, no qual, inicialmente, repete a alegação de nulidade da autuação, que teria representado uma alegação genérica aos arts. 30 e 31 da Lei nº 10.833, de 2001. Em seguida, defende a forma adotada para escriturar provisões relativas aos valores dos tributos retidos, no momento do reconhecimento da dívida a pagar a terceiros, ressalvando que, mesmo que tal procedimentos esteja incorreto, do ponto de vista contábil, não desvirtuaria a verdade dos fatos. Esclarece que os valores registrados na conta "COFINS/PIS/CSLL a Recolher (210301007)" se referem tanto a "valores a recolher no próprio mês (neles contidos os pagamentos relativos à última quinzena do mês anterior e os carregados de competências anteriores), quanto às retenções futuras que somente serão devidas quando do efetivo pagamento dos serviços de terceiros". Ressalta que, em nenhum momento, os referidos valores transitaram por conta de resultado (despesa), de modo a reduzir a base de cálculo dos tributos sobre resultado. Argumenta que os valores a serem confessados nas DCTFs são aqueles devidos segundo o regime de Caixa (quando do pagamento a terceiros), enquanto, na escrituração contábil, as operações são registradas em obediência ao regime de competência (por ocasião da apresentação da nota fiscal relativa aos serviços prestados pelos terceiros). Fl. 4036DF CARF MF Processo nº 10166.726717/201883 Resolução nº 1302000.707 S1C3T2 Fl. 4.037 8 Deste modo, estariam equivocadas as diferenças apontadas pela autoridade fiscal, apontando, com lançamentos contábeis, que isso implicaria mais de uma tributação sobre o mesmo fato gerador. Apresenta demonstrativo, ainda, de que, considerados os valores que recolheu e compensou superariam os valores devidos com base nos registros de contas a pagar a fornecedores. Pede, portanto, a anulação do lançamento, ou a conversão do julgamento em diligência ou a realização de perícia. Argumenta, ainda, que as suas alegações estão provadas pela apresentação do livro Razão, dos DARFs pagos, das DCTFs e da planilhas evidenciando as diferenças que ocorrem entre a contabilidade e as DCTFs, pelos motivos acima explicitados. Em adição, para refutar a decisão recorrida, apresenta todos os comprovantes de pagamentos realizados a terceiros no mês de fevereiro de 2008, a título de amostragem, para corroborar as suas alegações. Por fim, defendendo a realização de diligência ou perícia, aponta que a autoridade julgadora chega a admitir a possibilidade de cometimento de impropriedade na sua escrituração contábil, mas indefere os referidos procedimentos, de forma não fundamentada e contraditória. O processo administrativo nº 10166.720782/201129, no qual os lançamentos relativos à CSLL, Cofins e Contribuição ao PIS/Pasep estavam, originalmente, encartados, foi distribuído a Conselheiro da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF. Por meio da Petição de fls. 3.928 e 3.929, a Recorrente solicitou a redistribuição do processo administrativo nº 10166.720782/201129, para o relator do processo administrativo nº 10166.720781/201184, referente ao lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) decorrente do mesmo procedimento fiscal. Por força de renúncia da Conselheira relatora, o processo administrativo nº 10166.720782/201129 foi redistribuído a Conselheiro da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF (fls. 3.949/3.950). Posteriormente, conforme Petição de fls. 3.962 a 3.965, a Recorrente solicitou a juntada aos autos do processo administrativo nº 10166.720782/201129 de prova pericial, relatório de diligência fiscal e Acórdão referentes ao processo administrativo nº 10166.720781/201184. Em julgamento ocorrido em 1º de fevereiro de 2018, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF declinou a competência para o julgamento do processo administrativo nº 10166.720782/201129 à Primeira Seção do CARF, por força do art. 2º, incisos II e IV do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (fls. 3.999 a 4.007). O processo foi distribuído, então, por sorteio, a este Relator, sendo que, em decorrência da alegação de conflito de competência, foi determinado pela Sra. Presidente do Fl. 4037DF CARF MF Processo nº 10166.726717/201883 Resolução nº 1302000.707 S1C3T2 Fl. 4.038 9 CARF o desmembramento do processo administrativo nº 10166.720782/201129, que passou a conter apenas os autos de infração relativos à Cofins e à Contribuição ao PIS/Pasep (de competência da Terceira Seção de Julgamento), com a formalização dos presentes autos, para julgamento do auto de infração referente à CSRF (fls. 4.009 a 4.023). O presente processo retornou, para julgamento por parte desta Turma Julgadora. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 07 de julho de 2011 (fl. 3.323), tendo apresentado Recurso Voluntário em 05 de agosto de 2011, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por Procuradores, devidamente constituídos conforme fl. 1.133. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso II, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2. DA PRELIMINAR DE NULIDADE A Recorrente sustenta a nulidade da autuação, sob a alegação de que o lançamento seria "baseado em enquadramento legal genérico e impreciso, impossibilitando o pleno exercício da defesa da impugnante e violando o Princípio da Estrita Legalidade". Aduz, ainda, que "o enquadramento legal, na forma como foi exposto no Auto de Infração, deixa o contribuinte à mercê de hipóteses sobre a real pretensão do Fisco ante a genérica descrição dos artigos 30 e 31 da Lei n. 10.833/2001, como fundamento da autuação". As hipóteses de nulidade dos atos praticados no âmbito do processo administrativo fiscal (PAF) são reguladas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, nos seguintes termos: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." A par disso, a existência de vícios na observância aos requisitos prescritos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, poderiam levar ao reconhecimento Fl. 4038DF CARF MF Processo nº 10166.726717/201883 Resolução nº 1302000.707 S1C3T2 Fl. 4.039 10 da nulidade. In verbis "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." (Destacouse) "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." No caso sob apreciação, a leitura do Auto de Infração de fls. 03 e 25 revela que a acusação fiscal é clara: a infração supostamente cometida pela Recorrente seria a ausência de recolhimento de valores de Contribuições Sociais Retidas na Fonte (CSRF), conforme discriminadas por ela própria em sua escrituração contábil. Fica patente que todos os requisitos fixados nos dispositivos legais acima referidos se encontram perfeitamente explicitados e atendidos, como bem reconheceu a autoridade julgadora a quo. Além disso, todos os elementos de prova que embasariam o lançamento foram juntados aos autos e o sujeito passivo apresentou adequadamente a sua defesa, seja em sede de Impugnação seja perante o CARF, não havendo que se falar em cerceamento ao direito de defesa. Não procede a alegada generalidade da autuação quanto à referência aos arts. 30 e 31 da Lei nº 10.833, de 2001. Ora, é exatamente nestes dispositivos legais que estão explicitadas a obrigação da retenção na fonte das contribuições e a alíquota aplicável. Além disso, o auto de infração faz referência à norma legal que fixa o prazo de recolhimento dos valores retidos (Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004). Não procede a argumentação da Recorrente de que deveria ter sido especificada na autuação qual(is) dentre as hipóteses previstas no art. 30 da Lei nº 10.833, de 2001, referir seia(m) aos pagamentos que sofreram as retenções não recolhidas. Ora, tal fato não é relevante à infração apontada. A discussão não se dá em torno do cabimento ou não das retenções, mas da ausência de recolhimento de retenções já reconhecidas pelo contribuinte em sua escrituração contábil. Fl. 4039DF CARF MF Processo nº 10166.726717/201883 Resolução nº 1302000.707 S1C3T2 Fl. 4.040 11 Assim, o cotejo entre esta escrituração (e demonstrativos apresentados pela própria fiscalizada) com os valores confessados em DCTF é suficiente para evidenciar os valores que supostamente não teriam sido recolhidos. O acerto acerca da análise das provas e a apreciação da existência de supostos equívocos na autuação se relacionam ao mérito da discussão, pelo que serão analisados no momento apropriado, e não conduzem à nulidade do lançamento. Rejeito, portanto, a preliminar suscitada. 3. DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA A controvérsia posta nos autos é bem simples: (i) por um lado a autoridade fiscal afirma que a Recorrente reteve valores a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, quando da realização de pagamentos, registrou tais valores na conta contábil "COFINS/PIS/CSLL a Recolher (210301007)", mas deixou de confessálos em DCTF e recolhêlos; (ii) de outra parte, a Recorrente sustenta que os valores registrados na referida conta contábil se referem tanto às retenções sobre valores já pagos a terceiros, quanto a pagamentos somente realizados em períodos posteriores. A distribuição do ônus da prova também não guarda qualquer complexidade: cada uma das partes deve provar a sua alegação. Devese, portanto, ser averiguado, a partir das provas juntadas aos autos, como cada um delas se desincumbiu de tal mister. A acusação fiscal, como já dito, embasase nos registros contábeis fornecidos pela própria Recorrente, conforme detalhamento constante dos Anexos "E" ao Termo de Constatação Fiscal de fls. 127 a 129, montados pelo confronto entre os valores registrados na escrituração contábil do sujeito passivo e os confessados por meio de DCTF. Tratandose, exclusivamente, de informações prestadas pela própria Recorrente, fazem prova contra ela, de modo que lhe incumbe a apresentação de elementos que comprovem que, na conta contábil "COFINS/PIS/CSLL a Recolher (210301007)", há registros referentes a retenções sobre pagamentos ocorridos em períodos posteriores. Junto à Impugnação, a Recorrente apresentou demonstrativos explicitando os valores confessados e recolhidos a título de CSRF, em cada quinzena do período fiscalizado, acompanhados das folhas do Livro Razão, DCTFs, DARFs (e/ou Declarações de Compensação) e relação de títulos pagos que os corroboram (fls. 1.186 a 3.299). O Acórdão combatido deixou de reconhecer a procedência da Impugnação porque a Recorrente não teria apresentado provas suficientes da sua alegação: "Dessa forma, admitindose que a empresa tivesse cometido uma impropriedade em sua escrituração, ao utilizar a conta de tributos a recolher como conta de provisão, deveria tal alegação ter sido acompanhada de provas documentais hábeis e idôneas que pudessem possibilitar seu acolhimento. Fl. 4040DF CARF MF Processo nº 10166.726717/201883 Resolução nº 1302000.707 S1C3T2 Fl. 4.041 12 É que, nessas circunstâncias, a comprovação dos eventos alegados deve ser efetuada mediante a apresentação de material probatório representativo dos fatos, devidamente conjugado com os livros contábeis e fiscais. (...) Desse modo, tais ilações deveriam estar pautadas e suplementadas por meio de documentação fiscal e contábil visando demonstrar os montantes das despesas incorridas e provisionadas, bem como o cálculo dos tributos devidos, hipótese que não foi observada no momento da interposição da peça impugnatória, prejudicando a eficácia da argumentação contrária aos termos do lançamento de ofício. (...)Assim, em vista de todo o exposto e diante da ausência de prova documental hábil e idônea que dê suporte aos argumentos apresentados, não há como acolher a alegação do contribuinte de que a incidência das contribuições sociais, da forma como exigida, deuse sobre pagamentos não realizados ou sobre meras expectativas de pagamentos." Com o Recurso Voluntário, a Recorrente apresenta toda a documentação comprobatória dos títulos pagos, valores retidos e recolhidos, em relação ao mês de fevereiro de 2008 (fls. 3.457 a 3.925). As provas apresentadas pela Recorrente apontam no sentido de que ela, no momento do reconhecimento da obrigação com terceiros realizava o desmembramento, de modo que reconhecia, na conta relativa ao Fornecedor, o montante líquido dos tributos retidos; e nas respectivas contas de tributos a recolher (aí incluída a conta 21010301007), os valores das retenções que seriam realizadas por ocasião do pagamento. Tal fato, quando o pagamento somente era realizado em uma quinzena posterior, enseja as divergências apontadas pela Fiscalização. Segue um exemplo de lançamento ocorrido em 12/02/2008, sendo que o pagamento somente ocorreu em 26/02/2008: Fl. 4041DF CARF MF Processo nº 10166.726717/201883 Resolução nº 1302000.707 S1C3T2 Fl. 4.042 13 Dada a quantidade de documentos apresentados em relação a apenas um mês de um período de quatro anos, é plenamente compreensível que a Recorrente tenhase limitado a apresentar uma amostra. De outra parte, os elementos juntados pela Recorrente, posteriormente, ao Recurso Voluntário, que se referem a documentos produzidos, no âmbito do processo administrativo nº 10166.720781/201184, revelam a realização de prova pericial e diligência fiscal que atestou, parcialmente, a procedência de semelhante alegação da Recorrente em relação ao IRRF. Deste modo, divergindo do Acórdão recorrido, entendo ser necessária a conversão do julgamento em Diligência, para que a autoridade fiscal: (i) intime a Recorrente a lhe apresentar, semelhantemente ao realizado para o mês de fevereiro de 2008, todos os elementos de prova relativos aos demais períodos de apuração, de modo a comprovar a alegação de que, na conta contábil "COFINS/PIS/CSLL a Recolher (210301007)", há registros referentes a retenções sobre pagamentos ocorridos em períodos posteriores; (ii) após o exame da documentação apresentada, inclusive do Laudo Pericial (DOC. 01) e Relatório de Diligência (DOC. 02) juntados por meio da Petição de fls. 3.962 a 3.965, e de demais elementos de prova que julgue necessários, elabore relatório conclusivo tratando das divergências apontadas no auto de infração para cada um dos meses dos anos calendários de 2006, 2007, 2008 e 2009; (iii) dê ciência do resultado da diligência ao sujeito passivo, concedendolhe prazo de trinta dias para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 4042DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721957/2013-68
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/04/2013
NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade de acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa quando a negativa do pedido de produção de provas encontra-se devidamente fundamentado e sem que mereça qualquer reparo.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 10/04/2013
DESRESPEITO À HONRA FUNCIONAL DE SERVIDOR PÚBLICO. DESACATO.
Configura a infração administrativa de desacato desrespeitar a honra funcional de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício de suas funções, acusando-o de mentiroso, de agir de forma discriminatória e vexatória, de ladrão, tratando com escárnio e deboche os agentes fiscais.
VIAJANTE PROCEDENTE DO EXTERIOR. TENTATIVA DE INGRESSAR NO PAÍS COM PRODUTOS DE FORMA IRREGULAR. DESACATO À AUTORIDADE ADUANEIRA. INAPLICABILIDADE DA IMUNIDADE CONSULAR.
A imunidade de jurisdição administrativa conferida ao representante consular alcança apenas os atos realizados no exercício dessa função, que não abrange a tentativa de ingressar no País com produtos de forma irregular nem a prática de desacato contra a autoridade aduaneira
Numero da decisão: 3002-000.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 10/04/2013 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade de acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa quando a negativa do pedido de produção de provas encontra-se devidamente fundamentado e sem que mereça qualquer reparo. Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 10/04/2013 DESRESPEITO À HONRA FUNCIONAL DE SERVIDOR PÚBLICO. DESACATO. Configura a infração administrativa de desacato desrespeitar a honra funcional de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício de suas funções, acusando-o de mentiroso, de agir de forma discriminatória e vexatória, de ladrão, tratando com escárnio e deboche os agentes fiscais. VIAJANTE PROCEDENTE DO EXTERIOR. TENTATIVA DE INGRESSAR NO PAÍS COM PRODUTOS DE FORMA IRREGULAR. DESACATO À AUTORIDADE ADUANEIRA. INAPLICABILIDADE DA IMUNIDADE CONSULAR. A imunidade de jurisdição administrativa conferida ao representante consular alcança apenas os atos realizados no exercício dessa função, que não abrange a tentativa de ingressar no País com produtos de forma irregular nem a prática de desacato contra a autoridade aduaneira
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IMUNIDADE CONSULAR. Recorrente IGNACIO MARTINEZ CASTIGNANI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/04/2013 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade de acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa quando a negativa do pedido de produção de provas encontrase devidamente fundamentado e sem que mereça qualquer reparo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/04/2013 DESRESPEITO À HONRA FUNCIONAL DE SERVIDOR PÚBLICO. DESACATO. Configura a infração administrativa de desacato desrespeitar a honra funcional de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício de suas funções, acusandoo de mentiroso, de agir de forma discriminatória e vexatória, de ladrão, tratando com escárnio e deboche os agentes fiscais. VIAJANTE PROCEDENTE DO EXTERIOR. TENTATIVA DE INGRESSAR NO PAÍS COM PRODUTOS DE FORMA IRREGULAR. DESACATO À AUTORIDADE ADUANEIRA. INAPLICABILIDADE DA IMUNIDADE CONSULAR. A imunidade de jurisdição administrativa conferida ao representante consular alcança apenas os atos realizados no exercício dessa função, que não abrange a tentativa de ingressar no País com produtos de forma irregular nem a prática de desacato contra a autoridade aduaneira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 19 57 /2 01 3- 68 Fl. 171DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 123/129 dos autos: Tratase de Auto de Infração referente a multa por desacato à autoridade aduaneira, no valor de R$ 10.000,00, que foi contestado pelo sujeito passivo. Da Autuação Conforme consta na descrição dos fatos (fl. 29), o Auto de Infração em apreço foi lavrado pelo seguinte motivo: O autuado, no decurso do despacho aduaneiro de sua bagagem acompanhada, desacatou a autoridade aduaneira, conforme descrito no Termo de Ocorrência lavrado em 11/04/2013 no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, anexo aos autos, e registrado no Termo Circunstanciado de nº 006/20134 SR/DPG/MG, lavrado na presença do Delegado da Polícia Federal Dr. Tadeu de Moura Gomes, Termo esse também anexo aos autos. O citado Termo de Ocorrência (fls. 3641) contém a descrição detalhada das ações que segundo a fiscalização caracterizaram o embaraço, consoante trechos a seguir reproduzidos: Dia 10 de abril de 2013, por volta das 21 horas, durante o atendimento do vôo 055 da TAP proveniente de Lisboa, os passageiros Ignacio Martinez Castignani e Marta Ruiz Espinos entraram pelo canal destinado aos passageiros com "Nada a Declarar" e sem preencherem a DBA onde deveriam constar os produtos sujeitos à fiscalização específica. Os referidos passageiros foram orientados pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Augusto Moura Machado para terem suas bagagens passadas pela triagem na máquina de raios X. Neste momento eles questionaram o auditor indagando se estavam sendo direcionados para a triagem apenas por serem espanhóis. O auditor negou, e insistiu que eles deveriam dirigirse à triagem colocando as bagagens na esteira do aparelho de raios X. Tal procedimento era necessário, visto que o Auditor havia sentido o odor de frutas e percebido o volume das mesmas em sacolas plásticas portadas pelos passageiros. Frutas in natura e alimentos de origem animal são mercadorias cuja entrada no país é restrita, controlada pela Vigilância Agropecuária, VIGIAGRO, do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, MAPA. Sua entrada somente ê permitida mediante apresentação de documentação especifica, sendo obrigatório que o portador declare estar trazendo os produtos, de modo a possibilitar a conferência dos mesmos e da respectiva Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10680.721957/201368 Acórdão n.º 3002000.541 S3C0T2 Fl. 172 3 documentação pela fiscalização agropecuária. Sem tal documentação, a entrada dos produtos no país é PROIBIDA. Não custa lembrar que tais disposições visam proteger o território nacional de pragas e doenças passíveis de causar prejuízos incalculáveis ao país. Já neste momento, portanto, havia sido detectado indícios de que a bagagem continha bens de importação proibida. As imagens geradas pela passagem dos volumes no aparelho de Raios X confirmaram os fortes indícios de que havia alimentos no interior das mesmas, revelando cores e formatos de frutas e outros alimentos e produtos, e permitiram firmar convicção quanto à presença na bagagem de mercadorias de entrada restrita. [...] Os passageiros, nervosos e alterados, responderam que não traziam qualquer tipo de alimento ou qualquer produto de origem animal e que os produtos orgânicos que traziam eram somente medicamentos (usaram o termo "medicinas"). Trataram de forma grosseira, os operadores de Raios X, Eliana Chaves Teixeira CI M6994808 e Leônidas Domingues Neves CI M5635196, e a passageira disse que eles tinham a obrigação de carregar suas malas. [...] O passageiro Ignacio acrescentou que o Auditor não poderia duvidar de sua palavra pois eles estavam dizendo a verdade e que o Auditor estava mentindo e que aquilo era um tratamento vexatório (usou o termo "trato vexatório") e que faria uma representação contra todos os Auditores junto ao Itamaraty e junto à Embaixada da Espanha e que os Auditores jamais poderiam colocar os pés na Espanha. [...] Quando o Auditor Bulhões solicitou que as bagagens fossem colocadas sobre a bancada para serem inspecionadas o passageiro disse que não poderiam ser inspecionadas pois eram "malas Diplomáticas". Enquanto outras malas de outros passageiros eram abertas começaram a incitar alguns passageiros a desrespeitarem a fiscalização e a dizer que haveria daí a pouco um Incidente Diplomático Internacional. [...] Enquanto outras malas de outros passageiros eram abertas começaram a incitar alguns passageiros a desrespeitarem a fiscalização e a dizer que haveria daí a pouco um Incidente Diplomático Internacional. [...] Quando solicitado a apresentar a documentação que acompanha as "Malas Diplomáticas" o passageiro afirmou que a fiscalização estava fazendo uma ação ilegal e que imediatamente faria por telefone uma representação junto às "autoridades competentes" e que a partir do momento em que qualquer pessoa tocasse em suas bagagens começariam as retaliações contra qualquer brasileiro que quisesse entrar na Espanha. Em vista das dificuldades para a execução do trabalho o Auditor Bulhões solicitou a presença da Polícia Federal, cujos representantes Charles Farah, Wellington Lara e Paulo Antonio Duarte compareceram imediatamente. [...] Quando o Auditor Bulhões informou aos Representantes da Polícia Federal que havia fortes e bem fundamentados indícios de que havia alimentos nas bagagens ambos os passageiros disseram que o auditor estava mentindo sendo que a passageira dizia, quase gritando e com entonação de escárnio, que o auditor não era um profissional e que não sabia trabalhar e que era portador de "orgulho patológico". Fl. 173DF CARF MF 4 [...] A Secretaria da Receita Federal, ouvida Polícia Federal, e visando evitar desgastes, decidiu que seria feita a retenção das bagagens. Para a instrução dos Termos de Retenção e demais atos são anexadas cópias dos passaportes dos passageiros. Em momentos diferentes, o passageiro acusou o Auditor Bulhões de ter sequestrado seu passaporte e pediu que o devolvesse o que foi feito imediatamente e a passageira tentou tomálo à força do Auditor gritando "ladron", "ladron", o qual para evitar qualquer contato físico com a passageira entregouo ao Agente da Polícia Federal Francisco Cláudio da Silva que, visando evitar qualquer desgaste, devolveuo à passageira. [...] À medida que os alimentos eram encontrados a passageira Marta fazia chacotas e fingia gargalhar e dizia que o Auditor não tinha trabalho útil para fazer e que era ignorante e que estava executando a inspeção como se fosse um caso pessoal e que continuava mentindo ao suspeitar que havia alimentos cuja entrada no Brasil estava sujeita a controle por parte do VIGIAGRO. [...] Os agentes da Polícia Federal que presenciaram os fatos constataram a ocorrência do crime de Desacato a Funcionário Público no Exercício da Função tipificado no artigo 331 do Código Penal Brasileiro e em seguida comunicaramaos passageiros que os mesmos seriam conduzidos à Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais, em Belo Horizonte. Terminadas as formalidades junto à Vigilância Agropecuária foram os passageiros conduzidos pelos Agentes da Polícia Federal Francisco Cláudio da Silva e Charles Farah à citada Superintendência para a devida Lavratura de Termo Circunstanciado de desacato. O Termo Circunstanciado de n° 006/20134SR/DPF/MG foi lavrado na presença do Delegado da Polícia Federal Dr Tadeu de Moura Gomes. Na sequência consta cópia do citado Termo Circunstanciado, em que os auditores fiscais reiteram os fatos narrados anteriormente, sendo que alguns deles foram inclusive presenciados pelos policiais federais chamados para atender a ocorrência, conforme foi ali consignado. A base normativa do lançamento foi indicada no campo ENQUADRAMENTO LEGAL, de onde se destaca o art. 107, III, do Decreto Lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, dispositivo que comina a penalidade objeto da autuação. Da Impugnação Irresignado com a autuação, da qual alega ter tomado ciência em 31/7/2013, o sujeito passivo apresentou impugnação (fls. 5669), em 30/8/2013, na qual alega: a) Tempestividade. A intimação da exigência foi recebida pela funcionária do Instituto Cervantes em Belo Horizonte, Sra. Juliana Guimarães Gomes, no dia 31/7/2013, conforme respectivo aviso de recebimento postal – A/R. b) Imunidade de jurisdição e de execução. O impugnante é diplomata de carreira. Exerce a função de cônsul para assuntos de educação, junto ao Consulado Geral da Espanha, no Rio de Janeiro/RJ, e ocupa o cargo de Diretor do Instituto Cervantes de Belo Horizonte, o qual é uma repartição consular. Assim, são aplicáveis ao caso as Convenções de Viena sobre Relações Diplomáticas e sobre Relações Consulares, as quais lhe conferem imunidade de jurisdição civil e administrativa pelos atos realizados no exercício de suas funções. Ao contrário do que fora equivocadamente relatado no "Termo de Ocorrência", o impugnante e agente diplomático não se encontrava de férias, mas sim retornava a Belo Horizonte a fim de continuar exercendo suas funções como Diretor do Instituto Cervantes. Portanto, o processo administrativo não pode ter prosseguimento, devendo ser cancelado o auto de infração. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10680.721957/201368 Acórdão n.º 3002000.541 S3C0T2 Fl. 173 5 c) Não ocorrência do desacato. O impugnante refuta, frontal e veementemente, de forma integral, o absurdo e descabido relato contido no “Termo de Ocorrência” lavrado pela fiscalização. Jamais desacatou quem quer que seja, nem se recusou a abrir a sua bagagem, sendo que as poucas peças de frutas e o caldo de frango se encontravam em sacolas que foram imediatamente apresentados às autoridades alfandegárias. Ao final da peça defensória constam os seguintes pedidos: Diante de todo o exposto e provado, o impugnante requer, preliminarmente, a observância da imunidade de jurisdição e de execução aqui arguidas e provadas. No mérito, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer seja acolhida a presente impugnação, a fim de que seja cancelado o débito fiscal equivocadamente reclamado. Requer, ainda, a produção de todo gênero de prova em direito permitido e, especialmente, as filmagens de todo o ocorrido na data referida no auto de infração, no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, nos termos do disposto no art. 16, IV e 18 do Decreto n° 70.235/72. Após juntar a impugnação a Unidade de origem encaminhou o processo para julgamento por meio de despacho com o seguinte teor: Trata o presente processo de Auto de Infração de Multa Regulamentar. O contribuinte foi cientificado em 26/07/2013 do AI (ciência postal fl.86) e protocolizou a impugnação em 30/08/2013 (fls. 56 a 85), intempestivamente. Tendo em vista o contribuinte alegar tempestividade, encaminhase o presente processo à DRJ/FOR/CE para providências a seu cargo. Da Conversão do Julgamento em Diligência Ao ser iniciada a análise do presente processo foi constatada a necessidade de esclarecimentos adicionais, conforme Resolução a fls. 8992, o que acarretou o retorno dele à autoridade preparadora para adoção das seguintes medidas: a) Anexar aos autos o Aviso de Recebimento referente à ciência do lançamento. Caso esse documento tenha sido extraviado, juntar outro que vincule o código de identificação constante a fl. 86 à correspondência enviada para cientificação do sujeito passivo, ou que de alguma forma possa comprovar a data em que esse evento ocorreu. b) Oficiar ao Ministério Público Federal solicitando informações sobre a denúncia referente ao crime de desacato objeto do TERMO CIRCUNSTANCIADO N° 006/20134 SR/DPF/MG, lavrado em 10/4/2013, e, caso a mesma já tenha sido oferecida, cópia de seu inteiro teor, bem como da defesa e das decisões já proferidas no âmbito do respectivo processo judicial. Após a resposta do Ministério Público, juntar esses elementos aos autos. c) Caso essa Unidade possua filmagens da área de vistoria de bagagens, e ainda tiver armazenada a do dia em que ocorreram os fatos que ensejaram a autuação, anexála aos autos. Caso contrário, informar a indisponibilidade [...] d) Trazer ao processo outros documentos ou esclarecimentos que a autoridade preparadora entenda necessários ou relevantes [...] e) Cientificar o sujeito passivo da presente Resolução e de seu resultado, bem como do prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar. Em atendimento à diligência solicitada por este Órgão Julgador, a Unidade Preparadora informou que (fls. 94108): 1) o Aviso de Recebimento relativo à ciência do lançamento foi extraviado. Todavia, a comprovação de que o código de rastreamento a fls. 86: “RA810173223BR” é referente a essa correspondência pode ser feita como base no documento a fls. 95, no qual constam os números de registros das correspondências entregues aos Correios. A relativa ao Auto de Infração Fl. 175DF CARF MF 6 destinado a IGNACIO MATINEZ CASTIGNANI está identificada com o nº 3223, sendo que a parte inicial do referido código (RA810017) é fixa. 2) conforme informações obtidas junto ao setor de segurança da Infraero, as imagens da sala de desembarque permanecem disponíveis por um prazo médio de 90 dias, quando são sobrescritas por imagens mais recentes. Tal prazo não é normatizado, o limite é dado pela capacidade de armazenamento do servidor. As imagens, portanto, não estão mais disponíveis, pois os fatos descritos no Auto ocorreram há pouco mais de um ano, em 10 de abril de 2013. 3) Quanto a outros elementos, cabe lembrar a determinação contida no item 3 (convenientemente omitido da impugnação, digase) do art. 50 do DECRETO N° 61.078, DE 26 DE JULHO DE 1967, que Promulga a Convenção de Viena sobre Relações Consulares: 3. A bagagem pessoal que acompanha os funcionários consulares e os membros da sua família que com eles vivam estará isenta de inspeção alfandegária. A mesma só poderá ser inspecionada se houver sérias razões para se supor que contenha objetos diferentes dos mencionados na alínea b) do parágrafo 1 do presente artigo, ou cuja importação ou exportação for proibida pelas leis e regulamentos do Estado receptor ou que estejam sujeitos às suas leis e regulamentos de quarentena. Esta inspeção só poderá ser feita na presença do funcionário consular ou do membro de sua família interessado. Tal disposição, como se pode depreender da leitura do relato dos fatos que integra o Auto (ver trecho abaixo transcrito), foi integralmente seguida, vez que, antes mesmo da inspeção indireta no raio X, já haviam sido constatadas sérias razões para se supor a presença de objetos cuja importação ou exportação é proibida pelas leis e regulamentos brasileiros, e a verificação dos volumes deuse na presença dos passageiros. 4) Em relação ao resultado do Termo Circunstanciado n° 006/20134 SR/DPF/MG, consta Ofício da Procuradoria da República em Minas Gerais (fl. 100) informando que o mesmo foi autuado no 1º Juizado Especial Federal Criminal de Belo Horizonte, sob o n° 937115.2013.4.01.3800, mais houve a transação penal, o que motivou pedido de extinção da punibilidade dos indiciados. Da Manifestação sobre a Diligência Cientificado da diligência em 27/10/2014, o impugnante apresentou manifestação em 25/11/2014 (fls. 113118) na qual aduziu que: 4. O único documento que tem o condão de comprovar a efetiva intimação do impugnante é, sem qualquer dúvida, o respectivo Aviso de Recebimento que, conforme expressamente mencionado na Resolução 08002.640, não consta nos autos [...] 5. Ad argumentandum e em atenção ao princípio da eventualidade, ainda que assim não fosse, o impugnante, tão somente ad cautelam, anexa a esta manifestação o seguinte: (i) declaração firmada pelo Sr. Marcos Antônio Borges, Representante Institucional das empresas TELEMAR NORTE LESTE S.A. e OI SA. que administram o condomínio empresarial situado no endereço para o qual foi enviado o Auto de Infração, objeto da impugnação. Tal declaração atesta que aquelas empresas jamais receberam "... a correspondência enviada pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte – Serviço de Arrecadação de Cobrança – SERAC, dirigida ao Sr. Ignacio Martínez Castignani, registrada sob o n° RA 81017322 3 BR." (doc. 1 j.) e (ii) declaração firmada pela Sra. Juliana Guimarães Gomes que confirma ter recebido "... a correspondência enviada pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte — Serviço de Arrecadação de Cobrança — SERAC, dirigida ao Sr. Ignacio Martínez Castignani, registrada sob o n° RA 810173223 BR." no dia 31 de julho de 2013 (doc. 2 j.). Diante disso, o impugnante requer a juntada aos autos dos referidos documentos, nos termos do art. 16, § 4º, c), do Decreto n° 70.235/72. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10680.721957/201368 Acórdão n.º 3002000.541 S3C0T2 Fl. 174 7 [...] 7. O impugnante, mais uma vez, em atenção ao princípio da eventualidade, nos termos do caput do art. 18, do Decreto n° 70.235/72, requer, desde já, a realização de diligência pertinente a oitiva das pessoas que firmam as declarações ora anexadas (docs. 1 e 2 cit.), a fim de corroborar o seu inteiro teor. 8. Por último, diante de tudo que fora exposto e demonstrado na impugnação, aqui integralmente reiterado, não resta qualquer dúvida de que o "AUTO DE INFRAÇÃO 0615100/00001/13" não se coaduna com o disposto nas Convenções de Viena sobre relações diplomáticas e sobre relações consulares, portanto, o mencionado auto de infração não pode prevalecer. As ameaças de aplicação da jurisdição administrativa e da aplicação de multa não podem concretizarse, sob pena de se ferir de morte as mencionadas Convenções, devidamente ratificadas pelo Estado Brasileiro. Ao final da manifestação são reiterados os pedidos de observância da imunidade de jurisdição e de execução, de improcedência da ação fiscal e de produção de todo gênero de prova em direito permitido. Com sua impugnação (fls. 5669), o contribuinte juntou os documentos de fls. 70/85. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, conforme decisão (fls. 122/140) que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/04/2013 TRANSAÇÃO PENAL. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A transação penal, cuja aceitação não é considerada confissão tácita de culpa, acarreta a extinção da punibilidade no juízo criminal, mas não produz efeito na esfera administrativa, eis que não há pronunciamento judicial acerca da autoria e materialidade do suposto crime. PEDIDO GENÉRICO PELA POSTERIOR PRODUÇÃO DE PROVAS. INEFICÁCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O pedido genérico pela posterior produção de provas é inútil no processo administrativo fiscal, em que a impugnação deve estar instruída com os documentos em que se fundamenta, precluindo o direito de apresentálos noutro momento, exceto nas hipóteses já definidas na legislação regente, as quais independem de prévio protesto. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/04/2013 DESRESPEITO À HONRA FUNCIONAL DE SERVIDOR PÚBLICO. DESACATO. Configura a infração administrativa de desacato desrespeitar a honra funcional de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício de suas funções, acusandoo de mentiroso, de agir de forma discriminatória e vexatória e ainda incitando outros passageiros a desrespeitarem os agentes fiscais. Fl. 177DF CARF MF 8 VIAJANTE PROCEDENTE DO EXTERIOR. TENTATIVA DE INGRESSAR NO PAÍS COM PRODUTOS DE FORMA IRREGULAR. DESACATO À AUTORIDADE ADUANEIRA. INAPLICABILIDADE DA IMUNIDADE CONSULAR. A imunidade de jurisdição administrativa conferida ao representante consular alcança apenas os atos realizados no exercício dessa função, que não abrange a tentativa de ingressar no País com produtos de forma irregular nem a prática de desacato contra a autoridade aduaneira. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado da decisão em 23/03/15 (vide documento à fl. 147/148 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor interpôs, em 22/04/15, Recurso Voluntário (fls. 149/169). Em seu recurso, o contribuinte arguiu, preliminarmente, a nulidade do acórdão, sob fundamento de ter limitado indevidamente sua possibilidade de produção de provas em prejuízo de seu direito de defesa. No mérito, repisou os argumentos de que aplicase ao caso a Convenção de Viena sobre Relações Consulares, incidindo a imunidade de jurisdição administrativa. Argumentou que foi submetido a situação vexatória e que seu ato de exigir o respeito que lhe é devido em razão da referida convenção não pode ser interpretado como desacato. Alegou ter o acórdão se equivocado ao consignar que a passagem do autuado pela alfandega não significa necessariamente que neste momento ele estava representando o país que o designou, sendo este ato comum a qualquer viajante oriundo do exterior, pois, segundo os argumentos do recorrente, a qualidade de representante do estado estrangeiro é indissociável da pessoa do agente diplomático desde que ingressa no território do estado para chegar a seu posto. Arguiu, ainda, que o acórdão teria se utilizado do fato de ter ocorrido uma transação penal para presumir a culpabilidade do autuado, o que seria vedado por lei. Por fim, afirmou refutar integralmente o relato contido no Termo de Ocorrência e os fundamentos adotados pelo acórdão, que considera equivocados, reforçando que não praticou o imputado desacato. Requereu, ao fim, o acolhimento da preliminar de nulidade do acórdão. Caso ultrapassada a preliminar, requereu a observância das imunidades suscitadas, com o cancelamento do débito fiscal. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10680.721957/201368 Acórdão n.º 3002000.541 S3C0T2 Fl. 175 9 Consoante acima narrado, o contribuinte arguiu em seu Recurso Voluntário, resumidamente: (i) em sede preliminar, a nulidade do acórdão, sob fundamento de ter limitado indevidamente sua possibilidade de produção de provas em prejuízo de seu direito de defesa; (ii) no mérito, repisou os argumentos de que se aplica ao caso a Convenção de Viena sobre Relações Consulares, incidindo a imunidade de jurisdição administrativa, argumentou que foi submetido à situação vexatória e que seu ato de exigir o respeito que lhe é devido em razão da referida convenção não pode ser interpretado como desacato. Tais argumentos serão devidamente analisados em sucessivo. 1. Da preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Em sede preliminar, o Recorrente alega nulidade do acórdão da DRJ, sob o fundamento de que este teria limitado indevidamente a sua possibilidade de produção de provas, em prejuízo de seu direito de defesa. Referese o Recorrente, portanto, à parte da decisão recorrida que culminou no entendimento a seguir transcrito, extraído da ementa daquele julgado: PEDIDO GENÉRICO PELA POSTERIOR PRODUÇÃO DE PROVAS. INEFICÁCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O pedido genérico pela posterior produção de provas é inútil no processo administrativo fiscal, em que a impugnação deve estar instruída com os documentos em que se fundamenta, precluindo o direito de apresentálos noutro momento, exceto nas hipóteses já definidas na legislação regente, as quais independem de prévio protesto. Para que melhor se compreenda o cerne da contenda, transcrevo a seguir o teor do voto proferido: Da Ineficácia do Protesto Genérico pela Posterior Produção de Provas Ao finalizar sua impugnação, o autuado requereu a produção de todos os meios de prova admitidos em direito. Esse pedido genérico pela produção de provas não tem utilidade no processo administrativo tributário, em que vige o princípio da concentração da prova no lançamento e na impugnação. O momento para a defesa apresentar provas é predeterminado pela legislação regente, que também especifica os casos em que elas poderão ser aceitas noutra ocasião, independentemente de prévio protesto (art. 16, incisos III e IV e §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972). Observase que, até a data do presente julgamento, a defesa não apresentou novas provas após a entrega da impugnação, nem indicou as que iria produzir ou requerer a produção. Em relação à oitiva de testemunha, requerida pelo impugnante, tornouse desnecessária. Tal procedimento objetivava solucionar controvérsia quanto à data em que foi dada ciência do lançamento, mas a impugnação já foi considerada tempestiva, conforme se decidiu anteriormente. Em suas razões recursais, então, o Recorrente pretende fazer crer que este indeferimento teria, de alguma forma, cerceado o seu direito de defesa. Fl. 179DF CARF MF 10 Entendo que tal pretensão não encontra qualquer razão de ser. Consoante bem analisou a DRJ na decisão recorrida, não há como se acatar o pedido genérico de produção de provas. Até porque, não há como se acatar pedido não expressamente formulado. Para que houvesse cerceamento do direito de defesa do Recorrente, essencial que houvesse um pedido concreto, direto e objetivo formulado, com uma negativa injustificada. Não é esta, contudo, a hipótese dos autos, em que fora apresentado requerimento genérico, cujo indeferimento se apresentada imperioso diante das circunstâncias ali postas. E, especificamente no que tange ao pedido de produção de prova testemunhal, penso que foi acertada a conclusão constante da decisão recorrida no sentido de que esta prova tornouse desnecessária, uma vez que a impugnação findou por ser considerada tempestiva, visto que visava solucionar controvérsia quanto à data em que foi dada ciência do lançamento. Sobre este ponto, alega o Recorrente em seu Recurso que o seu pleito de oitiva de testemunhas não estaria relacionado apenas à controvérsia relacionada à data em que foi dada ciência do lançamento, mas também à confirmação acerca da inexistência do alegado desacato. É o que o se extrai da passagem a seguir, extraída do Recurso Voluntário interposto: É descabida a ilação contida no acórdão recorrido de que a prova testemunhal pretendida pelo recorrente se limitaria a comprovar a tempestividade de sua impugnação, pois a referida prova testemunhal também demonstraria a inexistência do alegado desacato. Não é esta, contudo, a conclusão a que se chega após a análise do pedido de oitiva de testemunhas apresentado pelo contribuinte nos presentes autos, cujo teor transcrevo a seguir (vide fl. 118 dos autos): Reitera, ainda, a produção de todo gênero de prova em direito permitido e, especialmente, a oitiva das pessoas que firmam as declarações aqui anexadas (docs. 1 e 2 cit.), bem como a exibição das filmagens de todo o ocorrido na data referida no auto de infração, no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, nos termos do disposto no art. 16, IV e 18 do Decreto n° 70.235/72. Como se vê, o pedido de oitiva de testemunhas realizado pelo Recorrente estava direcionado especificamente às pessoas que firmam as declarações constantes dos documentos 01 e 02 anexados. E, ao analisar tais documentos, verificase que estes estão relacionados, unicamente, ao tema relativo à tempestividade da impugnação apresentada (Doc 01 declaração da Oi descrevendo como se dá a entrega pelos correios; Doc. 02 declaração da auxiliar administrativa indicando a data em que recebeu a notificação em referência). Vêse, portanto, que a ilação contida no acórdão não é descabida. Decorre dos termos do pedido apresentado pelo próprio Recorrente nos presentes autos. Sendo assim, afasto o argumento preliminar apresentado. 2. Do mérito. Quanto ao mérito, repisou o Recorrente os argumentos de que se aplica ao caso a Convenção de Viena sobre Relações Consulares, incidindo a imunidade de jurisdição administrativa. Argumentou que teria sido submetido à situação vexatória e que seu ato de exigir o respeito que lhe é devido em razão da referida convenção não pode ser interpretado como desacato. Alegou, ainda, ter o acórdão se equivocado ao consignar que a passagem do autuado pela alfândega não significa necessariamente que neste momento ele estava Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10680.721957/201368 Acórdão n.º 3002000.541 S3C0T2 Fl. 176 11 representando o país que o designou, sendo este ato comum a qualquer viajante oriundo do exterior, pois, segundo os argumentos do recorrente, a qualidade de representante do estado estrangeiro é indissociável da pessoa do agente diplomático desde que ingressa no território do estado para chegar a seu posto. Ao final, argumentou que o acórdão teria se utilizado do fato de ter ocorrido uma transação penal para presumir a culpabilidade do autuado, o que seria vedado por lei. Por fim, afirmou refutar integralmente o relato contido no Termo de Ocorrência e os fundamentos adotados pelo acórdão, que considera equivocados, reforçando que não praticou o imputado desacato. Também quanto ao mérito da presente contenda, entendo que não assiste razão ao Recorrente. Isso porque, consoante restou muito bem fundamentado no acórdão recorrido, a Convenção de Viena não é aplicável ao presente caso. Ademais, penso que o acórdão recorrido não presumiu a culpabilidade do autuado em razão da transação penal realizada. O que o acórdão recorrido deixou consignado, em verdade, é que eventual transação penal, cuja aceitação não é considerada confissão tácita de culpa, acarreta a extinção da punibilidade no juízo criminal, mas não produz qualquer efeito na esfera administrativa, eis que não há pronunciamento judicial acerca da autoria e materialidade do suposto crime. Em tal caso, portanto, fica assegurada aos Julgadores administrativos a liberdade para decidir de acordo com o seu livre convencimento. É o que se extrai da passagem da decisão recorrida, a seguir colacionada: Da Ausência de Repercussão da Decisão Judicial na Esfera Administrativa Outro aspecto que também deve ser esclarecido preliminarmente é a repercussão dos procedimentos realizados na esfera judicial, levandose em conta que, apesar de a responsabilidade pela infração administrativa ser independente da penal, se houver decisão pela inexistência material do fato ou pela negativa da autoria, esse entendimento deve ser acatado no julgamento administrativo. A conduta que deu ensejo ao lançamento também foi objeto de Termo Circunstanciado lavrado pela Polícia Federal, o qual chegou a ser autuado no 1º Juizado Especial Federal Criminal de Belo Horizonte, sob o nº 9371 15.2013.4.01.3800. Ocorre que o Ministério Público Federal ofertou transação penal aos indiciados, a qual foi aceita e cumprida, o que motivou o pedido de extinção da punibilidade dos mesmos, conforme consta no Ofício nº 8293/2014 PRMG/GB/EMF, datado de 3/10/2014 (fl. 100), no qual a Procuradoria da República em Minas Gerais presta as seguintes informações: Senhor Inspetor, Cumprimentandoo, informo a Vossa Senhoria que os autos do Termo Circunstanciado supramencionado, em trâmite no 1º Juizado Especial Federal Criminal de Belo Horizonte, foram autuados sob o n° 937115.2013.4.01.3800. Em 06 de fevereiro de 2013, o Ministério Público Federal apresentou oferta de transação penal aos indiciados, a qual foi aceita e cumprida em agosto/2014, o que motivou o pedido de extinção da punibilidade dos mesmos. Em pesquisa ao site da Justiça Federal, verificase que os autos encontramse com movimentação de conclusão para sentença desde 08/09/2014, conforme cópias em anexo. (Destaque na reprodução.) Fl. 181DF CARF MF 12 Pesquisando a situação atual do procedimento judicial, mediante consulta ao sítio do Tribunal Federal da 1ª Região, verificase que já foi proferida sentença, em 12/12/2014 (cuja cópia se anexa aos autos nesta ocasião), sendo que a descrição da movimentação e o trecho da referida decisão ali publicado têm o seguinte teor: DEVOLVIDOS COM SENTENCA SEM EXAME DO MERITO: EXTINCAO DA PUNIBILIDADE TRANSACAO/CUMPRIMENTO CONDIÇÕES (...) ANTE O EXPOSTO, ACOLHO O PARECER DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL E DECLARO EXTINTA A PUNIBILIDADE DOS INDICIADOS IGNACIO MARTINEZ CASTIGNANI E MARTA RUIZ ESPINOS, PELO EFETIVO CUMPRIMENTO DA TRANSAÇÃO PENAL. (...) Nº do Inquérito: 6/20134 Cumprida a transação penal, o Ministério Publicou não ofereceu denúncia, razão pela qual o processo judicial não chegou nem a ser instaurado. Observase que o cumprimento do acordo oferecido pelo MP não configura confissão de culpa. É pacífica a jurisprudência nesse sentido, consoante ilustra o trecho do Acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp nº 844.941 – DF, a seguir reproduzido: ADMINISTRATIVO. TRÂNSITO. [...] TRANSAÇÃO PENAL (ART. 76 DA LEI N. 9.099/95). NATUREZA JURÍDICA. DOUTRINA E PRECEDENTES. NÃO ENQUADRAMENTO NO CONCEITO DE CONDENAÇÃO CRIMINAL. INAPTIDÃO PARA FUNDAMENTAR A CASSAÇÃO DA CNH. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. [...] 3. Natureza jurídica da transação penal: instituto préprocessual, oferecido antes da apresentação da inicial acusatória pelo Parquet, que impede a própria instauração da ação penal, não gera efeitos para fins de reincidência e maus antecedentes, por se tratar de "submissão voluntária à sanção penal, não significando reconhecimento da culpabilidade penal, nem de responsabilidade civil". Doutrina e precedentes do STJ. 4. Portanto, não há como se incluir as hipóteses de transação penal no conceito de "condenação judicial por delito de trânsito", para fins de aplicação do art. 263 do CTB. 5. Em suma: não se cassa CNH em razão de o infrator de trânsito ter sido beneficiado pela transação penal (art. 76 da Lei n. 9.099/95). 6. Recurso especial não provido. (STJ, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Julgamento: 02/12/2010, T2 SEGUNDA TURMA) Observase que a sentença penal extintiva da punibilidade não repercute na apuração da infração administrativa. Nesse caso, não há decisão quanto a autoria ou materialidade do suposto crime, ficando o julgador administrativo livre para decidir conforme sua convicção. Diante do exposto, entendese que não ficou caracterizada a repercussão da sentença penal na esfera administrativa. Feitas essas considerações, tomase conhecimento da impugnação, que foi apresentada por parte legítima e com atendimento aos demais requisitos legais. Em outras palavras, dispôs a DRJ que a decisão proferida naquela instância judicial não teria o condão de modificar a convicção dos julgadores nesta esfera administrativa. Concordo com a decisão recorrida neste particular. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10680.721957/201368 Acórdão n.º 3002000.541 S3C0T2 Fl. 177 13 Sendo assim, por concordar com os fundamentos da decisão recorrida, transcrevoos a seguir, adotandoos desde já como razão de decidir: Da Prática do Desacato De início cabe esclarecer que o desacato que está sendo apreciado no presente processo é referente à infração administrativa capitulada no art. 107, III, do Decreto Lei nº 37/1966, a seguir reproduzido: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] III de R$ 10.000,00 (dez mil reais), por desacato à autoridade aduaneira; (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) A prática dessa infração ficou devidamente demonstrada nos autos. Toda a sequência de fatos, inclusive a necessária intervenção da Polícia Federal e o indiciamento do autuado apontam nesse sentido. Além desses aspectos, tanto o Termo de Ocorrência (fls. 3641) como o Termo Circunstanciado (fls. 4749) lavrados pelas autoridades aduaneira e policial, respectivamente, convergem para esse entendimento. Observase que o desacato foi cometido por ocasião da passagem do autuado pela área de inspeção alfandegária, quando ele se recusou a ter sua bagagem vistoriada e acusou o auditor fiscal responsável pelo procedimento de mentiroso, agir de forma discriminatória e vexatória, não conhecer a lei, e também incitou outros passageiros a desrespeitarem a fiscalização aduaneira, conforme consta nos trechos do Termo de Ocorrência já reproduzidos no Relatório. Destacase aqui a parte conclusiva do referido Termo (final da fl. 41): Caracterização do Desacato Os agentes da Polícia Federal que presenciaram os fatos constataram a ocorrência do crime de Desacato a Funcionário Público no Exercício da Função tipificado no artigo 331 do Código Penal Brasileiro e em seguida comunicaram aos passageiros que os mesmos seriam conduzidos à Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais, em Belo Horizonte. Terminadas as formalidades junto à Vigilância Agropecuária foram os passageiros conduzidos pelos Agentes da Polícia Federal Francisco Cláudio da Silva e Charles Farah à citada Superintendência para a devida Lavratura de Termo Circunstanciado de desacato. Também demonstra a ocorrência do desacato o seguinte excerto do Termo Circunstanciado lavrado pela Polícia Federal (início da fl. 48): [...] Segundo os Auditores BULHÕES e AUGUSTO MOURA, além do Policial Federal CHARLES FARAH, os passageiros passaram a ironizar a fiscalização tendo IGNACIO e MARTA chamado de MENTIROSO o Auditor BULHÕES por seguidas vezes, tendo ainda ambos os passageiros dito em alto tom que aquele procedimento do Auditor era pessoal e não profissional. O Auditor BULHÕES e o Agente Federal CHARLES FARAH informaram que a passageira MARTA acrescentou que o Auditor BULHÕES seria “portador de orgulho patológico”. Informou o Auditor BULHÕES que a passageira MARTA o chamou de Fl. 183DF CARF MF 14 “LADRON”. Esse xingamento foi presenciado por todos e feito em alto e bom som, confirmado aqui pelo Auditor AUGUSTO. (Grifos na reprodução.) Observase que a Sra. “MARTA”, mencionada no referido Termo, cujo nome completo é Marta Ruiz Espinos, também está sendo autuada pelo mesmo motivo do Sr. Ignacio Martínez Castignani, no processo administrativo nº 10680.721956/2013 13. Para trazer maiores esclarecimentos sobre o desacato e confirmar a robustez do conjunto probatório trazido pela fiscalização, são transcritos a seguir trechos do Voto nº 6951/2013, proferido pela 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, que decidiu pela continuidade da persecução penal: Desacatar, segundo ensinamento de Guilherme de Souza Nucci1, “quer dizer desprezar, faltar com o respeito ou humilhar. O objeto da conduta é o funcionário. Pode implicar em qualquer tipo de palavra grosseira ou ato ofensivo contra a pessoa que exerce função pública, incluindo ameaças e agressões físicas”. Na definição de Hungria2, desacato pode ser "qualquer palavra ou ato que redunde em vexame, humilhação, desprestígio ou irreverência ao funcionário". O Supremo Tribunal Federal, em decisão proferida no HC n.º 5944982/RJ, assim definiu o desacato: “Desacatar é ofender a dignidade ou o decoro de funcionário público, no exercício de suas funções, por palavras, gestos, gritos e outros meios”. No caso em análise, como bem observou a Juíza Federal “As manifestações supostamente emitidas pelos cônsules – “mentiroso”, “portador de orgulho patológico” e “ladron” – possuem especial caráter ofensivo ao cargo ocupado e à função exercida pelo Agente da Receita Federal. Lado outro, não se pode afirmar, com a certeza necessária ao arquivamento, que as circunstâncias que rondaram o episódio justificassem o comportamento agressivo, excluindo o dolo”. (Destacou se.) [...] Presentes indícios de autoria e da materialidade, ainda que existam dúvidas, devese dar prosseguimento à persecução penal, considerando que, nesta fase pré processual, há primazia o princípio do in dubio pro societate [...] [...] Com essas considerações, temse que há elementos suficientes para se imputar aos investigados a prática do crime de desacato, previsto no artigo 331 do Código Penal, ao menos em tese, justificandose o prosseguimento da persecução criminal. Se, de fato, os investigados não cometeram ilícito penal, a sentença o dirá após o normal exame do contraditório. (Destacouse.) 1 NUCCI, Guilherme de Souza. Código Penal Comentado – 8ª edição. Editora Revista dos Tribunais, 2008, pág. 1091. 2 Nelson Hungria. Comentários ao Código Penal, 1959, v. IX, p.424 Dada a natureza específica da infração em foco, a prova mais comumente utilizada é a testemunhal. Não é razoável esperar que seja obtida gravação de imagens e sons sempre que um servidor público for agredido verbalmente no exercício de suas funções ou em razão delas. No presente caso, a vítima é Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e os fatos foram presenciados não só por outro Auditor Fiscal, como também por Agentes da Polícia Federal, todos devidamente Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10680.721957/201368 Acórdão n.º 3002000.541 S3C0T2 Fl. 178 15 identificados, os quais acabaram decidindo por conduzir os agressores à Superintendência da Polícia Federal em Belo HorizonteMG, onde foi lavrado Termo Circunstanciado na presença do Delegado responsável. Observase que tanto a Receita Federal como a Polícia Federal são instituições reconhecidas pela qualidade de seu corpo funcional. Assim, também não é razoável admitir que todos os agentes públicos envolvidos na ocorrência sob exame tivessem parado suas atividades habituais para se dedicar ao caso, se os fatos que levaram à prática da infração em foco não tivessem ocorrido. Dessa forma, além das provas testemunhal e documental, o encadeamento lógico dos fatos também leva à ilação de que houve o desacato. O impugnante alegou que: “[...] jamais desacatou quem quer que seja e jamais se recusou a abrir a sua bagagem, sendo que as poucas peças de frutas e o caldo de frango se encontravam nas sacolas e foram imediatamente apresentados às autoridades alfandegárias.” Se o autuado tivesse assim se conduzido, certamente que não teria sido necessário o apoio da Polícia Federal; ele não teria sido conduzido à Superintendência da Polícia Federal para lavratura de Termo Circunstanciado; não teria sido indiciado; e muito provavelmente não teria aceitado a transação penal ofertada pelo Ministério Público. Ressaltase que o defendente não apresentou nenhum elemento para comprovar suas alegações. Apenas requereu que fossem apresentadas as gravações dos fatos que deram ensejo ao lançamento, mas o setor de segurança da Infraero informou não ser possível, já que armazena as imagens gravadas da sala de desembarque por apenas três meses, conforme informação fiscal produzida por ocasião da diligência solicitada por este Órgão Julgador (fl. 96). Observase que tal prova poderia ter sido solicitada diretamente à Infraero, à época dos fatos, uma vez que a ocorrência levou inclusive à lavratura de Termo Circunstanciado pela Polícia Federal. Dessa forma, poderia ter sido evitada a perda das imagens. De qualquer jeito, elas provavelmente seriam insuficientes para demonstrar o ocorrido, a não ser que fosse obtido também o áudio. Por fim, devese esclarecer que a multa aplicada pelo desacato à autoridade aduaneira não tem nenhuma relação com imposto ou taxa alfandegária. Portanto, não está abrangida pelos privilégios e imunidades conferidos pela Convenção de Viena sobre Relações Consulares. Diante do exposto, com base na análise lógicojurídica dos fatos e provas colacionados aos autos, considerase que ficou devidamente comprovada a prática do desacato pelo autuado, tendo agido corretamente a fiscalização ao impor a multa objeto do auto de infração em debate. Da Ausência de Imunidade de Jurisdição Administrativa diante de Ato que Não Foi Praticado no Exercício das Funções Atribuídas ao Representante Consular Embora a imunidade de jurisdição administrativa tenha sido alegada como preliminar, para definir se ela se aplica ao caso sob exame é importante saber primeiro se realmente houve a infração que deu ensejo à multa aplicada ao autuado. É que tal prerrogativa conferida ao representante consular só alcança os atos realizados no exercício de suas funções, e a prática de desacato dificilmente poderia ser enquadrada nessa situação. No presente caso não se enquadra, conforme se passa a demonstrar. Fl. 185DF CARF MF 16 A chamada imunidade consular foi estabelecida pela Convenção de Viena sôbre Relações Consulares de 1963, que foi incorporada ao nosso ordenamento jurídico pormeio do Decreto nº 61.078, de 26 de julho de 1967. Os dispositivos dessa Convenção relevantes para demonstrar o alcance da citada imunidade têm o seguinte teor: ARTIGO 5º Funções Consulares As funções consulares consistem em: a) proteger, no Estado receptor, os interêsses do Estado que envia e de seus nacionais, pessoas físicas ou jurídicas, dentro dos limites permitidos pelo direito internacional; b) fomentar o desenvolvimento das relações comerciais, econômicas, culturais e científicas entre o Estado que envia o Estado receptor e promover ainda relações amistosas entre êles, de conformidade com as disposições da presente Convenção; c) informarse, por todos os meios lícitos, das condições e da evolução da vida comercial, econômica, cultural e científica do Estado receptor, informar a respeito o govêrno do Estado que envia e fornecer dados às pessoas interessadas; d) expedir passaporte e documentos de viagem aos nacionais do Estado que envia, bem como visto e documentos apropriados às pessoas que desejarem viajar para o referido Estado; e) prestar ajuda e assistência aos nacionais, pessoas físicas ou jurídicas, do Estado que envia; f) agir na qualidade de notário e oficial de registro civil, exercer funções similares, assim como outras de caráter administrativo, sempre que não contrariem as leis e regulamentos do Estado receptor; g) resguardar, de acôrdo com as leis e regulamentos do Estado receptor, os intêresses dos nacionais do Estado que envia, pessoas físicas ou jurídicas, nos casos de sucessão por morte verificada no território do Estado receptor; h) resguardar, nos limites fixados pelas leis e regulamentos do Estado receptor, os interêsses dos menores e dos incapazes, nacionais do país que envia [...] i) representar os nacionais do país que envia e tomar as medidas convenientes para sua representação perante os tribunais e outras autoridades do Estado receptor [...] j) comunicar decisões judiciais e extrajudiciais e executar comissões rogatórias de conformidade com os acôrdos internacionais em vigor, ou, em sua falta, de qualquer outra maneira compatível com as leis e regulamentos do Estado receptor; k) exercer, de conformidade com as leis e regulamentos do Estado que envia, os direitos de contrôle e de inspeção sôbre as embarcações que tenham a nacionalidade do Estado que envia, e sôbre as aeronaves nêle matriculadas, bem como sôbre suas tripulações; l) prestar assistência às embarcações e aeronaves a que se refere a alínea k do presente artigo e também às tripulações;[...] Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10680.721957/201368 Acórdão n.º 3002000.541 S3C0T2 Fl. 179 17 m) exercer tôdas as demais funções confiadas à repartição consular pelo Estado que envia, as quais não sejam proibidas pelas leis e regulamentos do Estado receptor, ou às quais este não se oponha, ou ainda as que lhe sejam atribuídas pelos acôrdos internacionais em vigor entre o Estado que envia e o Estado receptor. ARTIGO 43º Imunidade de Jurisdição 1. Os funcionários consulares e os empregados consulares não estão sujeitos à Jurisdição das autoridades judiciárias e administrativas do Estado receptor pelos atos realizados no exercício das funções consulares. 2. As disposições do parágrafo 1 do presente artigo não se aplicarão entretanto no caso de ação civil: a) que resulte de contrato que o funcionário ou empregado consular não tiver realizado implícita ou explicitamente como agente do Estado que envia; ou b) que seja proposta por terceiro como consequência de danos causados por acidente de veículo, navio ou aeronave, ocorrido no Estado receptor. ARTIGO 50º Isenção de impostos e de inspeção Alfandegária 1. O Estado receptor, de acôrdo com as leis e regulamentos que adotar, permitirá a entrada e concederá isenção de quaisquer impostos alfandegários, tributos e despesas conexas, com exceção das despesas de depósito, de transporte e serviços análogos, para: a) os artigos destinados ao uso oficial da repartição consular; b) os artigos destinados ao uso pessoal do funcionário consular e aos membros da família que com êle vivam, inclusive aos artigos destinados à sua instalação. Os artigos de consumo não deverão exceder as quantidades que estas pessoas necessitam para o consumo pessoal. [...] 3. A bagagem pessoal que acompanha os funcionários consulares e os membros da sua família que com êles vivam estará isenta de inspeção alfandegária. A mesma só poderá ser inspecionada se houver sérias razões para se supor que contenha objetos diferentes dos mencionados na alínea b) do parágrafo 1 do presente artigo, ou cuja importação ou exportação fôr proibida pelas leis e regulamentos do Estado receptor ou que estejam sujeitos às suas leis e regulamentos de quarentena. Esta inspeção só poderá ser feita na presença do funcionário consular ou do membro de sua família interessado. ARTIGO 55º Respeito às leis e regulamentos do Estado receptor 1. Sem prejuízo de seus privilégios e imunidades tôdas as pessoas que se beneficiem dêsses privilégios e imunidades deverão respeitar as leis e regulamentos do Estado receptor. Terão igualmente o dever de não se imiscuir nos assuntos internos do referido Estado. Fl. 187DF CARF MF 18 [...] De acordo com as informações constantes nos autos, a conduta tipificada como desacato ocorreu quando o autuado estava desembarcando de vôo proveniente de Lisboa, no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Belo HorizonteMG. Mais precisamente, no momento em que o mesmo passava pela área de inspeção alfandegária e, em razão de sua bagagem ter sido direcionada para inspeção, proferiu palavras dirigidas ao Auditor Fiscal responsável, que as considerou ofensivas a sua dignidade profissional. A questão a ser decidida agora não é se a atitude do autuado se amolda ao tipo infracional no qual foi enquadrada, mas sim se pode ser considerada como exercício dafunção de representante consular. E a resposta é não. A passagem do autuado pela Alfândega, independentemente se ele estava regressando de viagem de férias ou a serviço, é atividade comum a qualquer viajante oriundo do exterior. Não se pode dizer que nesse momento ele estava representando o país que o designou. Além desse aspecto, certamente que as prerrogativas outorgadas pela Convenção de Viena de 1963 não devem servir para o representante consular se esquivar do cumprimento de normas do país em que vai atuar. A própria Convenção de Viena, no retrocitado art. 55, item 1, determinada que “tôdas as pessoas que se beneficiem dêsses privilégios e imunidades deverão respeitar as leis e regulamentos do Estado receptor.” O autuado estava querendo ingressar no País com produtos “in natura”, sem a necessária inspeção do órgão de vigilância agropecuária. Sem a autorização desse órgão, a entrada desse tipo de produto é proibida. Tratase de controle existente em muitos países, cujo objetivo é prevenir a introdução de doenças e pragas que poderiam prejudicar gravemente a atividade agropastoril local. Ressaltase que a fiscalização somente direcionou a bagagem do autuado para inspeção diante dos fortes indícios de que a mesma continha produtos de importação controlada, conforme trecho do Termo de Ocorrência a seguir reproduzido: Os referidos passageiros foram orientados pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Augusto Moura Machado para terem suas bagagens passadas pela triagem na máquina de Raios X. Neste momento eles questionaram o auditor, indagando se estavam sendo direcionados para a triagem apenas por serem espanhóis. O auditor negou, e insistiu que eles deveriam dirigirse à triagem colocando as bagagens na esteira do aparelho de raios X. Tal procedimento era necessário, visto que o Auditor havia sentido o odor de frutas e percebido o volume das mesmas em sacolas plásticas portadas pelos passageiros. Frutas in natura e alimentos de origem animal são mercadorias cuja entrada nos país é restrita, controlada pela Vigilância Agropecuária, VIGIAGRO, do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, MAPA. Além desse aspecto, se as prerrogativas conferidas ao representante consular não devem ser usadas para ludibriar o controle alfandegário relativo a bens de importação controlada ou proibida, menos ainda o autorizam a atacar a honra profissional ou a dignidade da função de servidor responsável pela fiscalização aduaneira. Conforme visto anteriormente, ficou demonstrado que o autuado acabou por praticar essa infração. Em situações como essa não é aplicável a imunidade de jurisdição, que há tempos vem sendo relativizada pela doutrina e jurisprudência. Não se pode admitir que essa prerrogativa, criada para facilitar e proteger a atuação dos representantes diplomáticos, seja aplicada abusivamente, a ponto de estimular arbitrariedades e Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10680.721957/201368 Acórdão n.º 3002000.541 S3C0T2 Fl. 180 19 albergar infrações que inclusive poderiam colocar em risco a própria economia nacional. A título de ilustração, transcrevese a seguir ementa de acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que até hoje é citado em decisões judiciais que consagram a natureza relativa de imunidade diplomática: DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO IMUNIDADE DE JURISDIÇÃO DO ESTADO ESTRANGEIRO EVOLUÇÃO DA IMUNIDADE ABSOLUTA PARA A IMUNIDADE RELATIVA ATOS DE GESTÃO AQUISIÇÃO E UTILIZAÇÃODE IMÓVEL IMPOSTOS E TAXAS COBRADAS EM DECORRÊNCIA DE SERVIÇOS PRESTADOS PELO ESTADO ACREDITANTE. Agindo o agente diplomático como órgão representante do Estado Estrangeiro, a responsabilidade é deste e não do diplomata. A imunidade absoluta de jurisdição do Estado Estrangeiro só foi admitida até o século passado. Modernamente se tem reconhecido a imunidade ao Estado Estrangeiro nos atos de império, submetendose à jurisdição estrangeira quando pratica atos de gestão. O Estado pratica ato "jure gestiones" quando adquire bens imóveis ou móveis. O Egrégio Supremo Tribunal Federal, mudando de entendimento, passou a sustentar a imunidade relativa. Também o Colendo Superior Tribunal de Justiça afasta a imunidade absoluta, adotando a imunidade relativa do Estado Estrangeiro. Não se pode alegar imunidade absoluta de soberania para não pagar impostos e taxas cobrados em decorrência de serviços específicos prestados ao Estado Estrangeiro. Recurso provido. (Destaque na reprodução.) (STJ RO: 6 RJ 1997/00887685, Relator: Ministro GARCIA VIEIRA, Data de Julgamento: 23/03/1999, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJ 10.05.1999 p. 103LEXSTJ vol. 122 p. 210RDR vol. 15 p. 187RSTJ vol. 117 p. 231) Corroborando o que se afirmou, reproduzse a seguir excerto da ementa de Acórdão proferido pelo STJ em 2010: CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ORDINÁRIO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. ESTADO ESTRANGEIRO DEMANDADO. IMUNIDADE DE JURISDIÇÃO. INAPLICABILIDADE, IN CASU. [...] 1. A imunidade de jurisdição só abarca os atos praticados de jure imperii, daí excluídos, portanto, aqueles praticados de jure gestionis, vez que equiparados estes aos atos corriqueiros das vidas civil e comercial comuns. (Precedentes: RO 72/RJ, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUARTA TURMA, DJe de 08/09/2009; e RO 6/RJ, Rel. Min. GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, DJU de 10/05/1999). 2. Hodiernamente não se há de falar mais em imunidade absoluta de jurisdição, vez que se admite seja a mesma excepcionada nas hipóteses em que o objeto litigioso tenha como fundo relações de natureza meramente trabalhista, comercial ou civil, como ocorre na hipótese dos autos, onde o que pretende o autor da demanda é obter reparação civil pelo suposto descumprimento de contrato verbal celebrado com o demandado para a elaboração de projeto para realização de exposição que se realizaria no Rio de Janeiro, sob a denominação de "EXPO MÉXICO SÉCULO XXI" [...] (Destaques na reprodução.) (STJ, Relator: Ministro VASCO DELLA GIUSTINA (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/RS), Data de Julgamento: 20/05/2010, T3 TERCEIRA TURMA) Vêse que, no presente caso, não foi atendido o requisito estabelecido na própria Convenção de Viena de 1963 para gozo da imunidade de jurisdição, uma vez Fl. 189DF CARF MF 20 que a infração que deu ensejo ao lançamento não foi praticada no exercício das funções consulares. A passagem pela área de inspeção alfandegária é atividade comum a qualquer passageiro retornando de viagem para o exterior, e a prática de desacato contra a autoridade aduaneira não tem nenhuma relação com tais funções. Logo, não se pode dizer que, no momento em que cometeu a infração sob exame, o autuado estava agindo em nome do país que o designou. Sendo assim, rejeitase o pedido de aplicação da imunidade administrativa conferida ao representante consular. Conclusão Diante do exposto, com base nos elementos constantes nos autos e na legislação a eles aplicável, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO. Até porque, penso que, no caso concreto aqui analisado, há elementos suficientes nos presentes autos à configuração da infração em questão, principalmente quando se leva em consideração os muitos registros realizados por diferentes funcionários públicos, os quais gozam de fé de ofício. 3. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 190DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.906202/2012-13
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário.
DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA.
Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo.
PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05. APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, Anexo II, Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data.
Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
RESTITUIÇÃO. EXAURIMENTO DO PRAZO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo.
Numero da decisão: 3003-000.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05. APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, Anexo II, Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 RESTITUIÇÃO. EXAURIMENTO DO PRAZO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges - Presidente. Vinícius Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 2 1 1 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.906202/201213 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003000.068 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente AMIGO PRODUCOES FONOGRAFICAS S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05. APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, Anexo II, Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 62 02 /2 01 2- 13 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13896.906202/201213 Acórdão n.º 3003000.068 S3C0T3 Fl. 3 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 RESTITUIÇÃO. EXAURIMENTO DO PRAZO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratam os autos de declaração de compensação PER/DCOMP nº 04624.12771.290710.1.3.043816 , transmitido eletronicamente em 29/07/2010, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. O PER/DCOMP visava compensar o débito nele discriminado com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, no valor de R$ 49.730,83, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 14/11/2002. A partir da análise do PER/DCOMP, foi emitido Despacho Decisório, de acordo com o qual constatouse que, nada data de transmissão do pedido de compensação, já havia sido extinto o direito creditório ali informado, em virtude de terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP, resultando na não homologação da compensação declarada, tendo como fundamento os arts. 165 e 170 do CTN, e art. 74 da Lei nº. 9.430. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou, em síntese, que o PER/DCOMP em litígio encontravase respaldado pelo PER/DCOMP n.º 01712.19249.010607.1.3.040662, já homologado, e que desta compensação havia restado saldo de R$ 2.062,14, para ser usado em compensações futuras. A 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte proferiu decisão nos termos da seguinte ementa: Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13896.906202/201213 Acórdão n.º 3003000.068 S3C0T3 Fl. 4 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO APÓS A EXTINÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, pugnando, em síntese, que não houve decadência do direito creditório indicado na declaração de compensação, pois o crédito pleiteado decorre de tributo cujo lançamento se dá por homologação, para o qual o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do direito creditório deve ser o de homologação ou constituição definitiva do crédito tributário. A recorrente cita jurisprudência a fim de sustentar sua tese de que o prazo para a restituição/compensação de tributos com lançamento por homologação seria de dez anos (tese do 5 + 5) a partir da ocorrência do fato gerador. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. Importa destacar, primeiramente, que a recorrente não trouxe, em sede de recurso voluntário, as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade acerca da legitimidade da utilização dos créditos informados no PER/DCOMP em litígio em face de ter ocorrido homologação de PER/DCOMP anterior, na qual havia restado saldo credor para ser utilizado em compensações futuras. Nesse aspecto, a recorrente aquiesce com a decisão a quo, a qual estabeleceu que a existência de DCOMP transmitida antes da extinção do direito de pleitear restituição de determinado pagamento não legitima compensações com ele efetuadas depois da extinção do direito de postular restituição. De fato, a existência de crédito remanescente em compensação homologada não afasta a necessidade de seu pedido de restituição se dar dentro do prazo decadencial. Essa matéria, no entanto, é questão preclusa, nos termos do art. 17 do Decreto nº. 70.235/72, estranha ao recurso ora analisado. Como já destacado no relatório, a recorrente traz, em sede de Recurso Especial, novos argumentos para afastar a decisão recorrida. Com efeito, em sua impugnação perante a instância a quo, a recorrente não apresentou a tese apresentada em seu Recurso, segundo a qual aos tributos sujeitos a lançamento por homologação deveria ser aplicado o Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13896.906202/201213 Acórdão n.º 3003000.068 S3C0T3 Fl. 5 4 prazo decadencial de dez anos para extinção do direito à restituição/compensação. Tratase, portanto, de matéria não ventilada em sede de manifestação de inconformidade. Tendo em vista que a decadência e a prescrição constituem matérias de ordem pública, podendo, assim, serem conhecidas a qualquer tempo, entendo que os argumentos trazidos no Recurso Voluntário devem ser conhecidos. Não obstante, analisando a tese defendida pela recorrente à luz do caso concreto e das normas a ele aplicáveis, constatase que ocorreu, de fato, a extinção do prazo para o aproveitamento dos créditos apontados na DCOMP transmitida. Explico. A questão da prescrição (ou, no dizer da recorrente, "decadência") concernente ao aproveitamento de créditos de tributos sujeitos a lançamento por homologação foi matéria bastante discutida no direito brasileiro, suscitando calorosos embates em passado razoavelmente recente. Ocorre que, a partir do julgamento do RE 566.621/RS com repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal, tal matéria foi definitivamente decidida, tendo sido consignado que deve se aplicar o prazo de cinco anos para os casos de repetição ou compensação de indébitos aos processos ajuizados a partir de 9 de junho de 2005, aplicando se o prazo de dez anos para os processos anteriores. Eis a ementa da decisão de relatoria da Min. Elle Gracie: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se auto proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13896.906202/201213 Acórdão n.º 3003000.068 S3C0T3 Fl. 6 5 Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tal questão da prescrição foi também definitivamente dirimida no âmbito do CARF, tendo sido exarada a Súmula CARF nº. 91, com efeito vinculante, cujo teor segue transcrito: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Importa registrar que a mencionada súmula é de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 75, Anexo II do RICARF. Por força do art. 62, §2º, Anexo II do RICARF, também é obrigatória a reprodução, pelos conselheiros no âmbito do CARF, das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Nesse caso, inafastável a aplicação do teor da decisão no RE 566.621/RS, acima transcrita, cujo julgamento se deu segundo a sistemática prevista no art. 543B do antigo Código de Processo Civil. As decisões acima transcritas deverão iluminar a análise do caso concreto. Compulsando os autos, constatase que a recorrente transmitiu, em 29/07/2010, o PER/DCOMP nº 04624.12771.290710.1.3.043816, visando compensar débitos de COFINS, indicando que teria créditos da mesma contribuição originado de pagamento decorrente de recolhimento em DARF. Como relatado, tal compensação não foi homologada, tendo a recorrente apresentado, em manifestação de inconformidade, o argumento de que o crédito indicado na referida compensação é, na verdade, proveniente de crédito de pagamento indevido ou a maior, efetuado em 14/11/2002, e utilizado em parte no PER/DCOMP n.º 01712.19249.010607.1.3.040662, já homologado. Tendo em vista que o PER/DCOMP nº 04624.12771.290710.1.3.043816 foi transmitido em data posterior a 9 de junho de 2005, devese aplicar ao caso concreto o prazo para a repetição ou compensação de indébito de cinco anos do fato gerador. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13896.906202/201213 Acórdão n.º 3003000.068 S3C0T3 Fl. 7 6 Assim, considerando que o crédito alegado é do período de apuração de 11/2002 e que o PER/DCOMP nº 04624.12771.290710.1.3.043816 foi transmitido apenas em 29/07/2010, ou seja, após o prazo de cinco anos do pagamento indevido ou a maior (11/2007), concluise que ocorreu a prescrição para a compensação/repetição de indébito. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Vinícius Guimarães Relator Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.904000/2011-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.639
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1062; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.904000/201194 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.639 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 11 de dezembro de 2018 Assunto PIS/COFINS Recorrente PARA AUTOMOVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 04 00 0/ 20 11 -9 4 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10850.904000/201194 Resolução nº 3401001.639 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10850.904000/201194 Resolução nº 3401001.639 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.944834/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/11/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 dias, contados da sua ciência, em conformidade com as regras estabelecidas pelos arts. 33 e 5o do Decreto no 70.235/1972.
Numero da decisão: 3401-005.482
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal apresentada.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos (relator original), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 14/11/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para interposição de Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 dias, contados da sua ciência, em conformidade com as regras estabelecidas pelos arts. 33 e 5o do Decreto no 70.235/1972.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal apresentada. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos (relator original), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/11/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para interposição de Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 dias, contados da sua ciência, em conformidade com as regras estabelecidas pelos arts. 33 e 5o do Decreto no 70.235/1972. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal apresentada. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos (relator original), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 48 34 /2 00 8- 80 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.944834/200880 Acórdão n.º 3401005.482 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Versa o presente sobre o DCOMP, indeferida por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em sua Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) é prestadora de serviços a pessoa jurídica residente no exterior, isenta de recolhimento da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP sob a receita de serviços, conforme MP no 2.15835/2001 (at. 14, III e § 1o); e (b) recolheu indevidamente a COFINS, lançando a débito em DCTF, que retificou antes do despacho decisório. A decisão de primeira instância foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, por carência probatória a cargo da postulante (não comprovação do erro apontado, que teria ensejado a retificação da DCTF). Após ciência da decisão da DRJ, em 23/01/12, a empresa apresentou Recurso Voluntário em 05/03/2012, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando cópia de documentos e livros. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.473, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.925640/200885, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.473): "Conforme relatado a recorrente tomou ciência da decisão da DRJ no dia 23 de janeiro de 2012, através de carta postal com aviso de recebimento. Vejase: Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.944834/200880 Acórdão n.º 3401005.482 S3C4T1 Fl. 0 3 Diante de seu inconformismo a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 05 de março de 2012, conforme carimbo constante na capa do recurso, a seguir exposto: O prazo para interposição de Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 dias, contados da sua ciência. Ademais, a Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal é estabelecida pelos arts. 33 e 5º, do Decreto nº 70.235/72. Oportuno mencionar sobre o Princípio da Continuidade, segundo o qual, iniciada a contagem, incluemse os finais de semana e feriados (não se contam apenas os dias úteis). Diante das considerações explanadas e que a recorrente foi cientificada no dia 23/01/2012, terçafeira, temse que o prazo iniciou no dia 24/01/2012 e encerrou 30 (trinta) dias depois, em 22/02/2012, quartafeira. Portanto, o recurso da recorrente é intempestivo, pois foi interposto apenas no dia 05 de março de 2012, 12 (doze) dias após o término do prazo, sem nenhuma justificativa. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.944834/200880 Acórdão n.º 3401005.482 S3C4T1 Fl. 0 4 Ante o exposto, voto por não conhecer da peça apresentada a título de Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a apresentação da defesa encontrase intempestiva, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer da peça apresentada a título de Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.004272/00-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995
PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL.
O prazo prescricional do pedido administrativo de restituição de indébito, quando efetuado antes de 9 de julho de 2005, é de 10 anos contados do fato gerador. Aplicação da Súmula Carf nº 91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-004.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão apreciada no voto, prossiga na análise do mérito do pedido.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo prescricional do pedido administrativo de restituição de indébito, quando efetuado antes de 9 de julho de 2005, é de 10 anos contados do fato gerador. Aplicação da Súmula Carf nº 91. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão apreciada no voto, prossiga na análise do mérito do pedido. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo prescricional do pedido administrativo de restituição de indébito, quando efetuado antes de 9 de julho de 2005, é de 10 anos contados do fato gerador. Aplicação da Súmula Carf nº 91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão apreciada no voto, prossiga na análise do mérito do pedido. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 42 72 /0 0- 93 Fl. 316DF CARF MF 2 Relatório Reproduzo o relatório da Resolução 3302000.337 (fl. 297): Tratase de Pedido de Restituição de PIS (fl. 02/46), apresentado em 29/09/2000, no valor de R$ 8.207.956,32, através do qual a Recorrente pretende recuperar a contribuição paga a maior, no período de fevereiro/1990 a janeiro/1996, em virtude da aplicação das disposições legais contidas nos DecretosLei n° 2.445/88 e 2.441/88, ambos declarados inconstitucionais. Após a apresentação do pedido a DRF intimou a Recorrente (fls. 51) para apresentar documentos complementares, em especial quaisquer que se referissem a eventual ação judicial própria para discussão da inconstitucionalidade dos DecretosLei em questão, bem como planilhas demonstrativas da diferença entre o PIS devido e o recolhido (a maior). Em resposta à intimação a Recorrente informou que não possuía ação judicial própria (fls. 53/55). Diante da não apresentação da planilha requerida foi novamente intimada a apresentala (fls. 55), o que fez na sequência (fls. 57/59), esclarecendo ainda que as planilhas, de todo modo, já haviam sido apresentadas com o próprio Pedido de Restituição. O Despacho Decisório (fls. 70/73) deferiu apenas parcialmente pedido da Recorrente, no montante de R$ 36.656,44, sob a alegação de que havia decaído o direito ao ressarcimento dos períodos anteriores a 09/1995, pelo decurso do prazo de mais de 05 anos entre a data dos pagamentos indevidos e da apresentação do Pedido de Restituição (em 29/09/2000). Na sequência foram anexados aos autos documentos de controle interno da Receita Federal (fls. 75/79), que tratam dos débitos da Recorrente perante o órgão, apontando a existência de débito de IRPJ com exigibilidade suspensa, bem como de dois débitos (IRPJ e CSLL) enviados para inscrição em dívida ativa. Foi expedida Notificação n° 11/03 (fls. 80), informando à Recorrente queantes da restituição dos valores deferidos seria promovida a compensação de oficio com os débitos identificados em seu nome, caso não se manifestasse contrariamente a tal procedimento. Em seguida há nos autos Despacho (fls. 86) informando sobre a existência de DCOMP que utilizou o crédito objeto destes autos, a qual fora tratada no Processo Administrativo n° 10768.720473/200793,que deveria ser apensado aos presentes autos. De acordo com o Parecer Conclusivo n° 262/07 (fls. 90/ 93), a DCOMP em questão visava à extinção de débito de CSLL, no valor de R$ 2.121.891,47,devida no período de agosto/2003, tendo sido transmitida em 30/09/2003. Ainda segundo o parecer, o DespachoDecisório que autorizou a restituição apenas parcial do crédito pleiteado nestes autos teria sido exarado por Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10410.004272/0093 Acórdão n.º 3201004.853 S3C2T1 Fl. 3 3 autoridade incompetente, sendo, portanto, nulo. Contudo, o parecer indica que através do instituto da convalidação, autoridade competente deveria ratificar o Despacho Decisório de fls. 70/73, assim como deveria ratificar as compensações de ofício efetuadas nos termos da Notificação n° 11/03, de fls. 80. Por fim, deveria haver a homologação da compensação pleiteada apenas até o limite do crédito remanescente. O Despacho Decisório (fls. 94) aprovou e adotou as conclusões do Parecer Conclusivo e ratificou o deferimento apenas parcial da restituição, por conta da decadência de parte do período pleiteado, assim como deferiu a compensação de ofício e homologou a compensação efetuada pela Recorrente até o limite do crédito remanescente (demonstrativo de fls. 95/96). Por fim, determinou a cobrança dos débitos remanescentes. Intimado dos despachos decisórios, a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 108/134) na qual alega: (i) que embora não conste dos autos, apresentou em 26/03/2003 manifestação pela discordância da compensação de ofício pretendida, da qual havia sido intimada por meio da Notificação n° 11/03. Na manifestação a Recorrente informa que não concordara com a compensação pretendida porque o débito em questão havia sido integralmente extinto, em 28/11/2002, por meio de pagamento efetuado com benefícios de anistia, conforme DARF anexado. Tal manifestação, contudo, foi totalmente desconsiderada e ilegalmente mantida a compensação de ofício; (ii) que em 17/05/2005 reiterou por petição as informações e solicitações anteriormente apresentadas, não tendo recebido qualquer resposta, o que evidencia a nulidade e ineficácia da compensação de ofício pretendida pela autoridade fiscal; (iii) que não decaiu seu direito de pleitear a restituição dos valores objeto do presente, pois o prazo decadencial de 05 anos teminício na data da publicação da Resolução do Senado Federal que retirou as disposições inconstitucionais do ordenamento, qual seja, em 10/10/1995. Logo, se seu pedido de restituição foi apresentado em 29/09/2000, ainda estava em tempo de pleitear a restituição de todos os valores pagos indevidamente, devendo o deferimento da restituição ser integral, conforme ampla jurisprudência; (iv) inaplicabilidade das disposições contidas na Lei Complementar n° 118/05, pois de efeitos modificativos, que não alcançariam os pedidos de restituição com base na Resolução n° 49 do Senado Federal; (v) que por meio da Sumula n° 15 do 1° CC o Tribunal Administrativo já reconheceu que a semestralidade do PIS é medida para determinar sua base de cálculo e não prazo de pagamento, o que deve ser respeitado na apuração do indébito que ora se pretende recuperar. Fl. 318DF CARF MF 4 A DRJ indeferiu a Manifestação de Inconformidade da Recorrente (fls. 196/208), mantendo o deferimento apenas parcial da restituição e da compensação realizada pelo contribuinte, por entender que o prazo de 05 anos para pleitear a restituição não teria se iniciado com a Resolução n° 49 do Senado Federal, mas sim com os pagamentosindevidos. Afirma, ainda, que a Lei Complementar n° 118/05 confirma tal entendimento. Quanto à compensação de ofício, e as irregularidades apontadas pela Recorrente, afirma que por não constarem dos autos a listagem das compensações de ofício que foram efetuadas, tampouco as manifestações contrárias à compensação apresentadas pelo contribuinte, não poderia se manifestar sobre o tema. Afirma, por fim, que a Recorrente recolhia PASEP e não PIS, submetendose às disposições contidas na Lei Complementar n° 08/70 e não na Lei Complementar n° 07/70, devendo a contribuição ser exigida com base naquela norma. O Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte (fls. 215/232) reiterou os argumentos anteriormente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade, e requereu a reforma integral da decisão proferida pela DRJ. Anexou a seu Recurso cópia de sua manifestação contrária à compensação de ofício promovida pelas autoridades (fls. 236/237). O processo veio a julgamento no Carf em 25/06/2013, tendo sido convertido em diligência, para esclarecimentos quanto às compensações de ofício e juntada de demonstrativos. A DRF de origem prestou os esclarecimentos às fls. 310, 311 e 313, informando que não houve compensação de ofício, e apontando as folhas 2 a 4, e 74, dos autos, como demonstrativos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo. 1 Compensação de ofício A compensação de ofício é procedimento posterior ao litígio de restituição/compensação, e não faz parte dele. Com efeito, após decidida e liquidada a restituição/compensação, eventuais saldos a restituir em dinheiro ao contribuinte devem ser precedidos de pesquisa quanto a algum débito perante o Fisco, a fim de que se faça a devida compensação. Esse procedimento não se confunde com o pedido de compensação ou Declaração de Compensação, nos quais os débitos são expressamente apontados pelo contribuinte, e extintos por compensação. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10410.004272/0093 Acórdão n.º 3201004.853 S3C2T1 Fl. 4 5 A compensação de ofício referese a débitos em aberto do contribuinte, não extintos. Confirase o dispositivo normativo então vigente: RESTITUIÇÃO Art. 6º À exceção do valor a restituir relativo ao imposto de renda de pessoa física, apurado na declaração de rendimentos, todas as demais restituições em espécie, de quantias pagas ou recolhidas indevidamente ou em valor maior que o devido, a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF, nas hipóteses relacionadas no art. 2º, serão efetuadas a pedido do contribuinte, pessoa física ou jurídica, apresentado no formulário "Pedido de Restituição", constante do Anexo I, à unidade da SRF de seu domicílio fiscal, acompanhado dos comprovantes do pagamento ou recolhimento e de demonstrativo dos cálculos. § 1º O demonstrativo a que se refere o caput deverá conter a base de cálculo efetiva, o valor do tributo ou contribuição pago ou recolhido, o valor efetivamente devido e o saldo a restituir. § 2º No caso de valor a restituir, relativo a imposto de renda de pessoa jurídica, o demonstrativo a que se refere o caput será substituído por cópia da respectiva declaração de rendimentos. § 3º Para efeito da restituição, será verificada a regularidade fiscal de todos os estabelecimentos da empresa, relativamente aos tributos e contribuições administrados pela SRF, bem assim a existência ou não de débitos inscritos em Dívida Ativa da União, mediante consulta aos sistemas de processamento eletrônicos de dados, de onde será extraída e anexada ao processo uma cópia de cada tela que exibir informações acerca desses estabelecimentos. § 4º Constatada a existência de qualquer débito, inclusive objeto de parcelamento, o valor a restituir será utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício, ficando a restituição restrita ao saldo resultante. Atualmente, o mesmo procedimento administrativo é previsto no capítulo V, seção IX, da IN 1.717/2018. Desse modo, é matéria administrativa estranha à competência do Carf, e recurso cabível é o hierárquico, nos termos do capítulo XV da Lei 9.784/99. De qualquer modo, conforme informou a autoridade preparadora, não houve compensação de ofício. Portanto, não conheço do recurso nesta parte. 2 Prazo prescricional para pedido de restituição/compensação administrativo Fl. 320DF CARF MF 6 Para pedidos administrativos de restituição de valor pago a maior que o devido, apresentados antes de 9/06/2005, que é o presente caso, o prazo é de 10 contados do fato gerador, conforme Súmula Carf nº 91 Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Tal súmula vincula os conselheiros do Carf (art. 72do regimento interno) e a Receita Federal, cf. Portaria MF 277/2018. 3 Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão apreciada no voto, prossiga na análise do mérito do pedido. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001454/2001-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RESP Nº 993.164/MG.
O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural utilizados como matéria-prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado inclusive em relação às aquisições efetuadas de pessoas físicas e cooperativas. Recurso Especial nº 993.164/MG, submetido ao regime do artigo 543-C.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS.
Súmula CARF nº19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário.
CORREÇÃO TAXA SELIC. RESSARCIMENTO DE IPI. TERMO INICIAL.
Os ressarcimentos de IPI devem sofrer atualização pela taxa Selic quando haja oposição ilegítima do Fisco ao pedido. O Termo inicial da atualização é o 361º dia do protocolo do pedido, marco da oposição ilegítima do Fisco, cf. art. 24 da Lei 11.457/2007, quando não haja, anteriormente, manifestação da administração contrária à pretensão legítima do contribuinte.
Numero da decisão: 3201-004.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI apurado nos termos da Lei nº 9.363/96 sobre a aquisição de insumos de pessoas físicas e cooperativas, devidamente corrigidos pela Taxa SELIC a partir do 361º dia do protocolo do pedido. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, apenas quanto à matéria relativa à correção monetária pela Taxa SELIC, por entenderem que esta deveria incidir a partir da data do protocolo do pedido. Designado para redigir o voto vencedor Marcelo Giovani Vieira.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RESP Nº 993.164/MG. O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado inclusive em relação às aquisições efetuadas de pessoas físicas e cooperativas. Recurso Especial nº 993.164/MG, submetido ao regime do artigo 543C. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Súmula CARF nº19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. CORREÇÃO TAXA SELIC. RESSARCIMENTO DE IPI. TERMO INICIAL. Os ressarcimentos de IPI devem sofrer atualização pela taxa Selic quando haja oposição ilegítima do Fisco ao pedido. O Termo inicial da atualização é o 361º dia do protocolo do pedido, marco da oposição ilegítima do Fisco, cf. art. 24 da Lei 11.457/2007, quando não haja, anteriormente, manifestação da administração contrária à pretensão legítima do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI apurado nos termos da Lei nº 9.363/96 sobre a aquisição de insumos de pessoas físicas e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 14 54 /2 00 1- 94 Fl. 487DF CARF MF 2 cooperativas, devidamente corrigidos pela Taxa SELIC a partir do 361º dia do protocolo do pedido. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, apenas quanto à matéria relativa à correção monetária pela Taxa SELIC, por entenderem que esta deveria incidir a partir da data do protocolo do pedido. Designado para redigir o voto vencedor Marcelo Giovani Vieira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1435.229, proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que brevemente relatou o feito: O processo administrativo, posteriormente ao seu protocolo, foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos irão pautarse na numeração estabelecida no processo eletrônico. Trata a presente lide de manifestação de inconformidade apresentada contra Despacho Decisório (fls. 81/87) que excluiu do cálculo do crédito presumido de IPI, apurado pela Lei nº 9363/96 e Portaria MF nº 38/97, as parcelas referentes às aquisições de: a) pessoas físicas e cooperativas; b) gastos com combustíveis e lubrificantes, energia elétrica e lenha. Segundo a decisão, o crédito presumido de IPI solicitado, referente ao 1º trimestre de 2001, no valor de R$ 1.095.018,46, foi apurado pela empresa Cargill Citrus LTDA, CNPJ 52.421.294/000129, a qual foi sucedida pela Cargill Agrícola S/A. A decisão reconheceu parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 446.693,97, e homologou as compensações até o limite do crédito aprovado. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 13811.001454/200194 Acórdão n.º 3201004.670 S3C2T1 Fl. 488 3 Regularmente cientificada em 20/09/2010, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 90/109 alegando, em síntese, que são ilegais as restrições feitas por meio de Instruções Normativas, relativas às exclusões em questão, conforme sua análise da legislação e o entendimento dos tribunais e acórdãos do Conselho de Contribuintes citados. Encerrou requerendo a concessão do que foi originalmente pedido, acrescido da taxa SELIC, conforme princípios constitucionais e julgados que cita. Posteriormente, cientificada da “Intimação para Compensação de Ofício nº 4359/2011” em 10/05/2011, a contribuinte apresentou a manifestação de fls. 409/427, requerendo que sejam restituídos em dinheiro os valores que lhe foram deferidos a título de ressarcimento, independentemente de qualquer compensação de ofício. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoa nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins não integram o cálculo do crédito presumido. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com combustíveis e lubrificantes, energia elétrica e lenha. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Em síntese, postula pelo reconhecimento do direito ao crédito presumido de IPI sobre as aquisições realizadas de pessoas físicas e cooperativas, assim como crédito presumido de IPI sobre a aquisição de produtos intermediários (energia elétrica, água, combustíveis, telefonia e lenha), acrescidos da da Taxa SELIC desde a data do protocolo dos pedidos. Fl. 489DF CARF MF 4 Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Nos presentes autos verificase a existência de 3 (três) discussões de mérito: (i) crédito presumido de IPI sobre as aquisições realizadas de pessoas físicas e cooperativas; (ii) crédito presumido de IPI sobre a aquisição de produtos intermediários (energia elétrica, água, combustíveis, telefonia e lenha); (iii) correção monetária pela Taxa SELIC. (i) A primeira matéria em litígio é simples e já se encontra solidificada em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, inclusive com a prolação de Recursos Repetitivos. Conforme se extrai do relato dos fatos, a Recorrente teve seu Pedido de Ressarcimento relativo ao crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363, de 1996, relativo ao 3º trimestre de 1997, parcialmente indeferido. Houve negativa do direito aos créditos oriundos das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Não obstante, no âmbito deste Conselho Administrativos de Recursos Fiscais, a decisão proferida em sede de recurso repetitivo é de aplicação obrigatória, consoante art. 62, inciso II, alínea b do Anexo II do seu Regimento Interno (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015). Verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; Fl. 490DF CARF MF Processo nº 13811.001454/200194 Acórdão n.º 3201004.670 S3C2T1 Fl. 489 5 (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; Desse modo, deve prevalecer no presente julgamento o quanto restou decidido pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 993.164/MG, submetido ao regime do artigo 543C: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 491DF CARF MF 6 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese Fl. 492DF CARF MF Processo nº 13811.001454/200194 Acórdão n.º 3201004.670 S3C2T1 Fl. 490 7 que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como Fl. 493DF CARF MF 8 escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Ou seja, é imperativo o reconhecimento do direito do Recorrente de se apropriar do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363, de 1996, sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. (ii) O Recorrente também requer o reconhecimento do direito ao crédito sobre as aquisições de produtos intermediários, no caso, energia elétrica, água, combustíveis, telefonia e lenha. Defende que: Ora, é justamente o que ocorre com a energia elétrica, água, combustíveis, telefonia e lenha utilizados no processo produtivo da Recorrente! São produtos intermediários que, embora não integrando o produto final, são utilizados no processo de industrialização e, para tanto, são indispensáveis! (...) Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13811.001454/200194 Acórdão n.º 3201004.670 S3C2T1 Fl. 491 9 Quanto A Agua e telefonia, a despeito de não se registrarem precedentes específicos, devem ser tratados sob o mesmo entendimento, por serem, igualmente, produtos intermediários utilizados no processo de industrialização da Recorrente. Cita precedentes judiciais em reforço à sua tese. Nesse ponto, não se socorre a Recorrente de igual sorte. É pacífica a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que, em se tratando de benefício fiscal, o crédito presumido do IPI não pode ser calculado sobre bens que não se agreguem ao produto final. Vejase: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CAUSA EM QUE SE DISCUTE O CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI, COMO RESSARCIMENTO DO PIS/PASEP E COFINS, DE QUE TRATA A LEI 9.363/96. EMPRESA PRODUTORA E EXPORTADORA DE SUCO DE LARANJA CONCENTRADO E CONGELADO. VALORES DOS COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS NAS CALDEIRAS E DOS REAGENTES QUÍMICOS DE LIMPEZA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO EM HARMONIA COM A ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL FIRMADA POR ESTA CORTE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno interposto em 24/06/2016, contra decisão publicada em 22/06/2016, que, por sua vez, julgara recurso interposto contra decisão que inadmitira o Recurso Especial, publicada na vigência do CPC/73. II. Na forma da jurisprudência deste Tribunal, "para a aplicação do entendimento previsto na Súmula 83/STJ, basta que o acórdão recorrido esteja de acordo com a orientação jurisprudencial firmada por esta Corte, sendo prescindível a consolidação do entendimento em enunciado sumular ou a sujeição da matéria à sistemática dos recursos repetitivos" (STJ, AgRg no REsp 1.447.734/SE, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 17/06/2015). No mesmo sentido: STJ, AgRg no REsp 1.337.910/ES, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 25/10/2012; AgRg no REsp 1.318.139/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 03/09/2012. III. A Primeira Turma desta Corte, ao julgar o REsp 529.577/RS, deixou assentado que "o art. 1º da Lei 9.363/96 disciplina o reconhecimento do direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI somente em relação às mercadorias agregadas em processo produtivo a produto final destinado à exportação. A desoneração da carga tributária, como benefício fiscal, e em exceção à regra geral que é a incidência dos Fl. 495DF CARF MF 10 tributos que gerarão o crédito presumido, deve ser interpretada nos exatos termos da previsão legal, sem ampliação ou redução de seu alcance" (STJ, REsp 529.577/RS, Rel.Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, DJU de 14/03/2005). IV. No mesmo sentido a Segunda Turma do STJ, a partir do julgamento do REsp 1.049.305/PR (Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe de 31/03/2011), firmou o entendimento de que "a energia elétrica, o gás natural, os lubrificantes e o óleo diesel (combustíveis em geral) consumidos no processo produtivo, por não sofrerem ou provocarem ação direta mediante contato físico com o produto, não integram o conceito de 'matériasprimas' ou 'produtos intermediários' para efeito da legislação do IPI e, por conseguinte, para efeito da obtenção do crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, na forma do art. 1º da Lei 9.363/96". No mesmo sentido: STJ, AgRg no REsp 1.222.847/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 01/04/2011; REsp 816.496/AL, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, DJe de 19/06/2012; REsp 1.331.033/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 09/04/2013; AgRg no AREsp 843.844/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 27/05/2016; AgRg no REsp 1.493.176/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 02/02/2016. V. Nos presentes autos, consta da sentença que, "considerando que somente há o direito de creditamento do IPI pago anteriormente quando se tratar de insumos que se incorporam ao produto final ou que são consumidos no curso do processo de industrialização, de forma imediata e integral, não há que se falar em crédito no caso em exame. In casu, os combustíveis utilizados nas caldeiras e os reagentes químicos de limpeza não se enquadram em tal definição, posto não se agregarem, direta ou indiretamente, ao produto final". No acórdão recorrido, ao confirmar a sentença, o Tribunal de origem deixou consignado que, "in casu, tanto os combustíveis como os reagentes químicos não são adquiridos com a exclusiva finalidade de elaborar o produto final, não sendo considerados, portanto, matériaprima ou produto intermediário submetido à transformação". VI. Portanto, ao decidir pela impossibilidade de inclusão dos valores relativos aos combustíveis utilizados nas caldeiras e aos reagentes químicos de limpeza, dentre os insumos que integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI, o acórdão do Tribunal de origem alinhouse à jurisprudência do STJ sobre o tema, pelo que incide, na espécie, a Súmula 83/STJ. Impende salientar que a orientação firmada nos supracitados precedentes do STJ, no sentido da impossibilidade de creditamento dos valores relativos aos combustíveis, aplicase, pelas mesmas razões, aos reagentes químicos de limpeza. VII. Agravo interno improvido. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13811.001454/200194 Acórdão n.º 3201004.670 S3C2T1 Fl. 492 11 (AgInt no AREsp 908.161/SP, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/10/2016, DJe 04/11/2016) No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 19, de aplicação obrigatória a este Conselho: Súmula CARF nº19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Destaco que na hipótese dos autos, a despeito de o Recorrente afirmar que os itens glosados integram seu processo produtivo, o fez de forma genérica, sem qualquer indicação de sua efetiva inserção. Ademais, ainda que se possa conjecturar que a energia elétrica ou a água possam se integrar ao produto, jamais se pode falar que "telefonia" integra qualquer espécie de processo produtivo. E, como dito, o Recorrente sequer trouxe qualquer distinção entre tais itens, limitandose à defesa genérica. (iii) Por fim, quanto à correção monetária do crédito postulado, notase item 12 da ementa acima transcrita (REsp 993.164/MG) que o STJ, naquela assentada, reforçou seu entendimento quanto à incidência da Taxa Selic sobre os valores de IPI a serem ressarcidos ao contribuinte, quando existente ato estatal, administrativo ou normativo, que tenha impedido a utilização do direito de crédito de IPI. A decisão proferida no citado REsp nº 993.164/MG é vinculante em todos os seus termos, inclusive no que se refere ao direito de correção dos valores. Não obstante, aduz que tal conclusão está em consonância com o que restou decidido no REsp 1.035.847/RS, também submetido ao rito do artigo 543C, do CPC. Cito: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 497DF CARF MF 12 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007;EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Pelo exposto, é imperativo o reconhecimento do direito do contribuinte a ter ressarcido os valores do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363, de 1996, decorrente das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, devidamente corrigidos pela Taxa SELIC desde a data do pedido, uma vez que se considera como "ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI" a própria Instrução Normativa SRF nº 23 de 1997. Assim, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte para reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI apurado nos termos da Lei nº 9.363/96 sobre a aquisição de insumos de pessoas físicas e cooperativas, devidamente corrigidos pela Taxa SELIC desde a data de apresentação dos pedidos. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 498DF CARF MF Processo nº 13811.001454/200194 Acórdão n.º 3201004.670 S3C2T1 Fl. 493 13 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado. Termo inicial da incidência da taxa Selic nos ressarcimentos de IPI Regra geral e cediço que créditos escriturais não permitem a atualização quando de seu aproveitamento. Não obstante, o STJ firmou entendimento de que é devida atualização dos ressarcimentos de IPI quando haja oposição ilegítima do Fisco, na Súmula 411: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. No mesmo sentido, os Resp´s 993.164/MG e 1.035.847/RS. Todavia, tais decisões não marcaram o termo inicial da atualização. Nesse caso, entendese que não há oposição ilegítima do Fisco dentro do prazo regular de análise, de 360 dias, conforme estabelecido no art. 24 da Lei 11.457/2007: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta dias) a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Assim, o termo inicial da incidência, quando não haja manifestação expressa e contrária à pretensão da recorrente anteriormente, é o 361º dia do protocolo do pedido. Precedente Acórdão Carf 9303007.425. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado Fl. 499DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.901819/2009-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do direito creditório vindicado, atestando se a parcela do saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2004, composto pela estimativa indicada neste processo, ainda está disponível e se é suficiente para homologar, ou não, o PER/DCOMP n.º 07090.68247.120905.1.3.04-0700 (e-fls. 02/06), transmitido em 12/09/2005, efetivando-se cálculo de atualização monetária do direito creditório na forma própria para saldo negativo.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do direito creditório vindicado, atestando se a parcela do saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2004, composto pela estimativa indicada neste processo, ainda está disponível e se é suficiente para homologar, ou não, o PER/DCOMP n.º 07090.68247.120905.1.3.040700 (efls. 02/06), transmitido em 12/09/2005, efetivandose cálculo de atualização monetária do direito creditório na forma própria para saldo negativo. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. RELATÓRIO Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 51/54) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 01 81 9/ 20 09 -1 6 Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10865.901819/200916 Resolução nº 1002000.050 S1C0T2 Fl. 346 2 pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 38/43), proferida em sessão de 15 de dezembro de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 1436.119, da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 12/13) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 25/03/2009 (efl. 07), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 07090.68247.120905.1.3.040700 (efls. 02/06), transmitido em 12/09/2005, e homologou parcialmente a compensação declarada, por não reconhecer a totalidade do direito creditório vindicado, afirmando, outrossim, não restar crédito suficiente disponível para compensação integral dos débitos informados no PER/DCOMP, a partir das características do DARF informado pelo contribuinte, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/07/2004 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no anocalendário. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A DCOMP foi criada como instrumento essencial à eficácia jurídica da compensação tributária realizada por opção do contribuinte, tendo, além de óbvio efeito declaratório, efeito constitutivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/07/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do fidedigno relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 02/06, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 5993) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 5993). Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10865.901819/200916 Resolução nº 1002000.050 S1C0T2 Fl. 347 3 Por intermédio do despacho decisório de fl. 07, foi reconhecido parcialmente direito creditório a favor da contribuinte, no valor de R$ 1.162,93, e, por conseguinte, homologada parcialmente a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi parcialmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, em 28/04/2009, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 12/13, na qual alega, em síntese: a) no anocalendário de 2004, efetuou recolhimento por estimativa de IRPJ no valor de R$ 13.579,94, conforme cópia de DARF em anexo; b) no fechamento do ano base de 2004, apurouse o IRPJ sobre lucro real, no valor de R$ 8.977,82, conforme página 11 da DIPJ/2005, transmitida em 24/04/2009; c) conforme linha 20 da página 11 da DIPJ 2005, recolheu a maior R$ 8.150,66 de IRPJ, que conforme legislação vigente à época poderia ser compensado a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; d) ao apurar IRPJ com base em balancete de redução nos meses de março/2005, maio/2005 e junho/2005, utilizou o valor constante da letra “c” para compensar parte dos valores devidos nos meses informados; e) ao transmitir as PER/Dcomp n.º 07090.68247.120905.1.3.040700, 25181.55356.120905.1.3.04.6000, 12254.35143.120905.1.3.045987, em 12/09/2005, e 05518.70102.310507.1.7.045121retificadora, em 31/05/2007, para compensar os débitos apurados conforme consta da letra “d”, por desconhecimento informou erroneamente como tipo de crédito: pagamento indevido ou a maior, quando o correto seria tipo de crédito: saldo negativo de IRPJ; f) ao analisar as PER/Dcomp acima, o Auditor Fiscal concluiu que os créditos constantes das PER/Dcomp já tinham sido utilizados para quitação de débitos do anocalendário de 2004, não se atentando que no referido ano foi apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 8.150,66, valor esse que poderia ser compensado no anoseguinte. Ao final, solicita o cancelamento do débito e a homologação total da compensação declarada. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 1.788,70, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP no montante pleiteado. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento parcialmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não haver crédito suficiente disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi integralmente quitado, isto é, foi compensado apenas parcialmente. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 30/06/2004 5993 R$ 2.530,65 30/07/2004 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10865.901819/200916 Resolução nº 1002000.050 S1C0T2 Fl. 348 4 Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado Valor Original Disponível 4570231508 R$ 2.530,65 DB: Cód. 5993 PA 30/06/2004 R$ 1.367,72 R$ 1.162,93 Valor Total R$ 1.367,72 R$ 1.162,93 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2009 Principal: R$ 698,70 Multa: R$ 139,74 Juros: R$ 364,23 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae do voto unânime: Conforme relatado, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira (fl. 07) reconheceu parcialmente direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, homologou até o limite do crédito reconhecido a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido utilizado parcialmente para quitação de débitos da contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Contudo, a recorrente vem, em sua defesa, alegar que por um equívoco informou como origem do crédito pagamento indevido ou a maior de IRPJ, quando em realidade a natureza do crédito em questão é de saldo negativo de IRPJ. Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para a pessoa jurídica optante pelo lucro real, temse que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2.º da Lei n.º 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do período de apuração anual, proceder ao confronto entre os valores recolhidos por estimativa e o valor devido do IRPJ apurado. A respeito do tema, cumpre transcrever o disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, mais exatamente os artigos 221 a 232, verbis: “Apuração Anual do Imposto Art. 221. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma desta Seção deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º, § 3.º). (....) Pagamento por Estimativa Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º). Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 3.º, parágrafo único). Base de Cálculo Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10865.901819/200916 Resolução nº 1002000.050 S1C0T2 Fl. 349 5 Art. 223. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observadas as disposições desta Subseção (Lei n.º 9.249, de 1995, art. 15, e Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º). (....) Suspensão, Redução e Dispensa do Imposto Mensal Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei n.º 8.981, de 1995, art. 35, e Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º). (....) Deduções do Imposto Anual Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º, § 4.º): (....) III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230”. Da leitura do texto legal podemos inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230. Conforme legislação acima, a interessada está obrigada, considerando que é optante pelo lucro real, apuração anual, a pagar mensalmente o imposto de renda devido por estimativa com base na receita bruta, com a aplicação de um percentual determinado. Pode também suspender o pagamento desde que proceda aos balancetes mensais, demonstrando que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. No final do ano, o imposto apurado deve ser deduzido dos pagamentos recolhidos sob esta sistemática. Assim, somente o saldo negativo de IRPJ a pagar, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente. No entanto, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações do imposto de renda devido. Diante dessas considerações, esta Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de três premissas: 1.ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2.ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; e 3.ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo do IRPJ e, por conseguinte, o saldo negativo de IRPJ. Inclusive, por se tratar de contribuinte sujeita ao regime de apuração do imposto com base no lucro real, esta deveria, ao fim de cada períodobase de incidência do imposto, apurar o lucro líquido do Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10865.901819/200916 Resolução nº 1002000.050 S1C0T2 Fl. 350 6 exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, que serão transcritos no Livro de Apuração de Lucro Real (LALUR), nos termos dos artigos 7.º e seu § 4.º, e 8.º, inciso I, ambos do Decreto Lei n.º 1.598, de 1977, in verbis: “Art 7.º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (....) § 4.º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8.º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2.º e 3.º do artigo 6.º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1.º); (....).” Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado. Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei n.º 1.598, de 1977, art. 9.º, § 1.º)”. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitandose a tãosomente alegar que o indébito é proveniente de saldo negativo de IRPJ, apuração anual, do anocalendário de 2004, cujas estimativas foram pagas mediante DARF anexados às fls. 21/25 dos autos. Ora, tal qual o pagamento de tributos, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, o pagamento a maior também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para ter o direito de extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10865.901819/200916 Resolução nº 1002000.050 S1C0T2 Fl. 351 7 administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Essas foram as razões de decidir da DRJ. No recurso voluntário, o contribuinte reitera, em outras palavras, os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade, visando devolver a matéria para instância superior. Especialmente, advoga que recolheu por estimativa mensal de IRPJ o valor total de R$ 13.579,94, no anocalendário de 2004, o que estaria demonstrado na folha 126 do Balancete de Encerramento na conta do ativo créditos diversos, além dos DARF´s apresentados e listados, sendo que no fechamento do balanço anual a demonstração do IRPJ para o lucro real resultou no valor devido de R$ 8.977,82, o que estaria comprovado na DIPJretificadora de 2005 (página 11, linha 20), transmitida em 24/04/2009, bem como no Balancete de Encerramento e na folha 136 da conta Demonstração de Resultado do Exercício, consubstanciando saldo negativo de IRPJ na ordem de R$ 8.150,66. Informa que, por força destes autos, possui processo de controle da cobrança dos valores não extintos pela homologação no Processo Administrativo n.º 10865.902307/200977 (Débito). Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído eletronicamente para este relator. É o que importa relatar. VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Observo, em primeiro momento, a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 625,77. Em análise aos requisitos do Recurso Voluntário interposto observo que ele atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10865.901819/200916 Resolução nº 1002000.050 S1C0T2 Fl. 352 8 recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Igualmente, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 14/09/2012, efls. 48/50, protocolo recursal em 10/10/2012, efl. 51), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário e passo a apreciálo. Dos Processos em Julgamento Desde logo, consigno que nesta sessão de julgamento estão sendo apreciados outros recursos voluntários do mesmo contribuinte versando sobre a mesma temática (irresignação por não homologação integral de PER/DCOMP, transmitido como sendo de "pagamento indevido ou a maior", mas indicado em recurso que se cuida de "saldo negativo"), sendo integrados pelos seguintes outros Processos Administrativos Fiscais ns.º: (i) 10865.901820/200941, relativo ao suposto direito creditório decorrente de CSLL de 2004 (estimativa recolhida em 05/2004); (ii) 10865.901821/200995, relativo ao suposto direito creditório decorrente de IRPJ de 2004 (estimativa recolhida em 07/2004); (iii) 10865.901822/200930, relativo ao suposto direito creditório decorrente de CSLL de 2004 (estimativa recolhida em 05/2004); (iv) 10865.901823/200984, relativo ao suposto direito creditório decorrente de IRPJ de 2004 (estimativa recolhida em 10/2004); (v) 10865.901824/200929, relativo ao suposto direito creditório decorrente de CSLL de 2004 (estimativa recolhida em 06/2004); (vi) 10865.901825/200973, relativo ao suposto direito creditório decorrente de IRPJ de 2004 (estimativa recolhida em 09/2004); (vii) 10865.901826/200918, relativo ao suposto direito creditório decorrente de CSLL de 2004 (estimativa recolhida em 04/2004). Estes autos (10865.901819/200916), como em linhas pretéritas relatado, é relativo ao suposto direito creditório decorrente de IRPJ de 2004 (estimativa recolhida em 06/2004). Mérito Considerações introdutórias Quanto ao juízo de mérito do recurso voluntário, trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10865.901819/200916 Resolução nº 1002000.050 S1C0T2 Fl. 353 9 Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, de toda sorte, dentro da sistemática processual administrativa fiscal, as partes tem o dever de cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva. De mais a mais, devese buscar a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo, de modo a dar satisfatividade a resolução do litígio. A processualística dos autos tem regência pautada em normas específicas, principalmente, postas no Decreto n.º 70.235, de 1972, na Lei n.º 9.430, de 1996 e no Decreto n.º 7.574, de 2011, mas também tem regência complementar pela Lei n.º 9.784, de 1999, assim como pela Lei n.º 13.105, de 2015, sendo, por conseguinte, orientado por princípios intrínsecos que norteiam a nova processualística pátria e o dever de agir da Administração Pública conforme a boafé objetiva, pautandose na moralidade, na eficiência e na impessoalidade. Da necessidade de realização de Diligência Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, no qual constou indicação de crédito tendo por natureza suposto "pagamento indevido ou a maior", a Administração Tributária, em Despacho Decisório (DD), não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, sob o argumento de que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido havia sido utilizado integralmente em débito próprio do sujeito passivo. Por sua vez, o contribuinte destaca que, ao final do exercício, apurou saldo negativo, sendo erro de preenchimento a indicação de pagamento a maior. O recolhimento do referido DARF foi por estimativa mensal em forma de antecipação face ao regime escolhido. A DRJ, em breve síntese, analisando o caso, disse que "a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações do imposto de renda devido." Dessarte, concluiu que o direito creditório, face as provas acostadas aos autos até aquele momento, não restava comprovado, necessitando ser demonstrado os lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo do tributo apurado e o saldo negativo formado. Pontuou, inclusive, que o direito creditório vindicado não estava devidamente instruído. No Recurso Voluntário a contribuinte apresentou novos documentos, aliás, extenso rol de documentos relacionados ao direito creditório vindicado (efls. 65/343), consubstanciados nos lançamentos contábeis, apresentando livro diário, balancetes de verificação, balancete de encerramento, apuração de resultado, DIPJ, DARF's de recolhimentos das estimativas, balanço patrimonial e livro de registro de apuração do lucro real. Além do mais, o fez em relação ao exercício de 2004, objeto do litígio, mas também apresentou de anos anteriores. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10865.901819/200916 Resolução nº 1002000.050 S1C0T2 Fl. 354 10 Compulsando os elementos de prova colacionados, ao menos em tese, em verossimilhança (em especial pela análise dos documentos efls. 65/68, 69, 74, 196, 207, 215, 217, 307), observo: (i) a constatação dos pagamentos das antecipações; (ii) a oferta à tributação das receitas do sujeito passivo; e (iii) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado. Consta, pelos documentos, que, em tese, ao fim de cada períodobase de incidência do imposto, o contribuinte apurou o lucro líquido do exercício, vindo a elaborar, com observância das disposições da lei comercial, o balanço patrimonial, a demonstração do resultado e a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, bem como efetivando transcrição no Livro de Apuração de Lucro Real. Neste diapasão, a escrituração contábil e fiscal, mantida com observância das disposições legais, e não consta que seja inidônea, faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o art. 923 do hoje revogado RIR/1999, que é aplicável ao caso em tela por força da máxima tempus regit actum. Contudo, não entendo que o direito creditório ainda esteja plenamente demonstrado, de fato, a título ilustrativo, não consta dos autos informações se o saldo negativo eventualmente já não foi utilizado em outro PER/DCOMP, assim como penso que é importante a verificação da documentação contábil e fiscal pela douta autoridade preparadora, a fim de ser confirmada, inclusive, a idoneidade dos registros. As provas apresentadas pela contribuinte, a despeito de não serem suficientes para comprovar cabalmente o direito creditório, demonstram fortes indícios de que o crédito passível de compensação pode existir. Certamente, o alegado erro de preenchimento, por si só, se estivesse sido mantida a pouca instrução probatória, ensejaria o não provimento de plano do recurso voluntário. Isto porque, não restam dúvidas de que a demonstração do direito creditório ou de sua verossimilhança, a partir da apresentação da escrituração contábil e fiscal, com a evidenciação da composição das estimativas (quer calculadas sobre base de cálculo estimada, quer a partir de balancetes de suspensão ou de redução, com a prova dos recolhimentos realizados ou das retenções suportadas) confrontado com o resultado fiscal apurado ao fim do exercício, a evidenciar o excedente antecipado/retido relativo ao tributo ao final devido, dando azo ao crédito que se convencionou denominar de saldo negativo, integra ônus de prova a ser materializado, inicialmente, pelo contribuinte. De toda sorte, com a nova prova carreada com a irresignação recursal, materializandose a possível existência do indébito, entendo possível analisar o direito creditório, a exemplo da decisão deste Colegiado adotada no Acórdão n.º 1002000.026, de minha relatoria. No entanto, como naquele precedente, o caso passa a exigir realização de diligência. Sendo assim, passo aos pressupostos e fundamentos hábeis a justificar tal providência a ser atendida pela Unidade de Origem. A disciplina legal posta no Decreto n.º 70.235, de 1972, permite, inclusive de ofício, que a autoridade julgadora, na apreciação da prova, determine a realização de diligência, quando entender necessária para formação da sua livre convicção (arts. 29 e 18). A Lei n.º 13.105, de 2015, impõe as partes o dever de cooperar para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva (art. 6.º). Por sua vez, a Lei n.º 9.784, de 1999, prevê Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10865.901819/200916 Resolução nº 1002000.050 S1C0T2 Fl. 355 11 que o administrado (contribuinte) tem direito de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente (art. 3.º, III), sendolhe facilitado o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações (art. 3.º, I). Por último, o Egrégio CARF tem entendido que é possível a apresentação de provas, ainda que em sede de Recurso Voluntário, quando vinculadas a matéria controvertida em litígio previamente instaurado (Acórdãos ns.º 9303005.065). Deveras, as novas provas juntadas com o recurso voluntário devem ser analisadas por estarem em sintonia com a matéria controvertida desde o primeiro momento em que o contribuinte se pronunciou nos autos instaurando o litígio, sendo complementar. De mais a mais, importante destacar a premissa em que se lastreou as razões de decidir do supramencionado Acórdão n.º 9303005.065, que é da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que "a noção de preclusão não pode ser levada às últimas consequências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material" (Acórdão n.º 9202001.634, citado como sendo o paradigma). Vejase a ementa que trago a colação, ipsis litteris: Acórdão n.º 9303005.065 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Data do fato gerador: 24/04/2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. (...) PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte provido. Nesse sentido, os documentos apresentados no recurso voluntário devem ser conhecidos e objeto da diligência a ser realizada pela douta autoridade preparadora, a fim de que apure a efetiva suficiência do crédito. A despeito da tese adotada pela DRJ, em homenagem a verdade material, há que se superar o equívoco cometido pelo contribuinte para analisar manualmente o PER/DCOMP deste processo como fundado em crédito de saldo negativo. Compreendase, de toda sorte, que um crédito que tem por natureza jurídica "pagamento indevido ou a maior" tem o seu valor corrigido desde o mês seguinte ao indébito, que se verifica na data da efetivação do pagamento indevido ou a maior, enquanto isso se o crédito tem por natureza jurídica "saldo negativo" a correção monetária se dá a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração. Portanto, os momentos para a atualização do crédito são bem distintos, pois as naturezas jurídicas são diversas, os efeitos jurídicos são distintos. Por conseguinte, doravante, o tratamento da atualização monetária do direito creditório vindicado, se restar cabalmente comprovado, deverá ser com base no momento de incidência de restituição de saldo negativo. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10865.901819/200916 Resolução nº 1002000.050 S1C0T2 Fl. 356 12 Importa anotar, ainda, que, em verossimilhança, resta demonstrado a existência de saldo negativo em favor da recorrente, da qual faz parte a referida estimativa recolhida, conhecendose o caso sob a forma de saldo negativo. O CARF, aliás, vem se posicionando sobre a possibilidade de analisar o pedido de restituição transmitido como sendo fundamentado em "pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal" como sendo um pedido de restituição fundamentado em "saldo negativo", que é composto pelas estimativas recolhidas e considera o recolhimento a maior delas em comparação com o total do tributo devido encontrado na apuração final do exercício, quando restar demonstrada a verossimilhança das alegações do recorrente quanto a seu possível direito creditório. Neste caso, prestigiase a verdade material e considerase o erro de fato do contribuinte no preenchimento do PER/DCOMP, aplicandose o princípio do formalismo moderado no contencioso administrativo fiscal, de toda sorte, dáse o tratamento específico de análise de restituição de saldo negativo, pois contém, especialmente, particularidades quanto ao momento da atualização monetária, como outrora afirmado. Vejase precedentes do Egrégio Conselho, verbo ad verbum: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. DCOMP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. PEDIDO CONVOLADO EM COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A demonstração de certeza e liquidez quanto à existência de saldo negativo de IRPJ ao final do exercício, por meio de documentos hábeis e idôneos, autoriza a contribuinte a compensar o respectivo valor, ainda que o pedido formulado tenha se referido à pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. (Acórdão 1302003.171) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. TRANSFORMAÇÃO DO PLEITO ORIGINAL BASEADO EM PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM OUTRO, COM FUNDAMENTO NO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. POSSIBILIDADE. Reconhecese a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, (...). (Acórdão 1301003.324) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO. INDICAÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE IRRF NO LUGAR DE SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO.Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido o pedido de restituição e de compensação de forma incorreta, indicando como crédito IRRF quando o correto seria saldo negativo de IRPJ, é possível a Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10865.901819/200916 Resolução nº 1002000.050 S1C0T2 Fl. 357 13 retificação de ofício pela autoridade julgadora. (...). (Acórdão 1201001.344) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE. Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, (...). (Acórdão 1301003.599) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. APRECIAÇÃO. CABIMENTO. O direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação. Este, o pedido, representa o meio e não pode se confundir com o direito material que representa a existência do crédito utilizado para compensar o débito, com a extinção de ambos. O direito que se busca com o pedido de compensação não nasce com o requerimento, mas sim com a apuração do crédito por meio da DIPJ, levando em consideração as receitas, as despesas dedutíveis e os demais critérios fixados em lei para apuração do tributo devido. Assim, cabe à autoridade administrativa apreciar o pedido de compensação levando em consideração o efetivo crédito apurado em DIPJ, desconsiderando eventuais erros no preenchimento da Declaração Compensação DCOMP. Ao apresentar a retificação dos pedidos de compensação, fazendo constar destes o efetivo valor do saldo negativo apurado na DIPJ, a recorrente não está alterando o valor de seu crédito, mas sim corrigindo erro que se verificou quando do preenchimento do pedido de compensação. Recurso Voluntário em Parte. (Acórdão 1402001.667) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10865.901819/200916 Resolução nº 1002000.050 S1C0T2 Fl. 358 14 DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente. (...). (Acórdão 1102001.125) O que especialmente se extrai do entendimento colegiado do Colendo CARF é que havendo erro na declaração a autoridade administrativa deveria retificálo, inclusive, de ofício, em virtude do quanto disposto no § 2.º do art. 147 do Código Tributário Nacional CTN. Afinal, os elementos nos autos indicam que o conteúdo do crédito pretendido é de saldo negativo. O erro é facilmente constatável diante do conjunto probatório e com a apresentação de argumentos e provas convincentes, pelo contribuinte, quanto a verdadeira natureza do direito creditório vindicado, pelo que devese analisar o pedido com fundamento no direito creditório efetivamente intencionado pelo recorrente, especialmente em homenagem ao princípio da verdade material, da eficiência, da economia processual, da razoável duração do processo e da satisfatividade na resolução do litígio, ainda que se possa, após diligência, ser negado o direito creditório do contribuinte, importando, nesta hipótese, que terá sido analisada a pretendida restituição do alegado crédito efetivamente pretendido. Além do mais, tãosomente com a efetiva análise documental, após exauriente verificação pela douta autoridade preparadora, terseá condições de se decidir, com base nas provas colacionadas e no relatório de diligência a ser exarado, acerca do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, outorgandolhe ou não o pretendido direito vindicado nestes autos. Por ora, os elementos dos autos apenas apontam uma verossimilhança nas alegações, prescindindo de confirmação. Alinhome, outrossim, ao entendimento de que a diligência objetiva garantir o amplo exaurimento da análise da materialidade das provas constantes do processo em busca da verdade material, bem como o exaurimento da situação que dá direito efetivo ao crédito. Anotese, igualmente, que, o direito creditório só deve ser negado quando for constatado: (i) a sua efetiva não comprovação, seja porque a documentação é realmente insuficiente para materializar o crédito, seja porque é inidônea ou contraditória ou, simplesmente, por não ter aptidão para atestar a certeza e liquidez do crédito; (ii) a decadência do direito de postular a restituição/ressarcimento; e (iii) se o montante a restituir/ressarcir já tiver sido utilizado, inclusive em outra compensação. Destarte, a fim de dar celeridade ao deslinde desta lide e por economia processual, resolvo baixar o processo em diligência para aferição da suficiência do crédito de modo a permitir, ou não, a homologação da compensação. Somente diante da comprovação, pela autoridade fiscal, de uma dessas três hipóteses acima apontadas é que o direito creditório não deve ser reconhecido. Procedimentos para efetivação da Diligência Para tanto, na diligência deverá a douta autoridade preparadora: Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10865.901819/200916 Resolução nº 1002000.050 S1C0T2 Fl. 359 15 a) Informar se houveram declarações retificadoras relativas ao anocalendário de 2004 e quais constam como aceitas ou rejeitadas na base de dados da SRFB, indicando a que prevaleceu, especialmente quanto a DIPJ, as DCTF´s, o DACON, o LALUR, devendo juntar a cópia integral da versão final ao processo, se ainda não constar dos autos, ou intimar o recorrente a apresentálas, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados; b) Verificar, a partir dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal no Brasil (SRFB) e com base na escrita contábil e fiscal incluída nos autos, além de outras que possa requisitar, se o contribuinte efetivamente apurou saldo negativo, inclusive verificando se realmente os pagamentos de estimativas estão registrados nos sistemas informatizados, verificando, ainda, se esse saldo negativo já não foi objeto de compensação ou de restituição em outro PER/DCOMP ou se não existem outros pedidos de compensação relativos a totalidade do montante do saldo negativo de 2004 pleiteado pela recorrente, considerando, inclusive, os processos anexos, de modo a realizar a diligência do presente feito em conjunto com a dos processos administrativos citados anteriormente e outros porventura existentes relativos ao anocalendário de 2004, efetivando o cotejamento necessário para atestar suficiência ao crédito vindicado, procedendo à análise para fins de verificação do crédito, considerandose, inclusive, homologação já efetivada. Em caso de dúvidas quanto à exatidão de informações prestadas pela contribuinte, a autoridade fiscal deve intimar a recorrente para prestar esclarecimentos complementares acerca do PER/DCOMP em análise, inclusive, como já registrado, podendo requisitar a apresentação de cópia de eventual escrituração contábilfiscal que entenda necessária a verificação da comprovação e suficiência do crédito vindicado. Conclusão Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do direito creditório vindicado, atestando se a parcela do saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2004, composto pela estimativa indicada neste processo, ainda está disponível e se é suficiente para homologar, ou não, o PER/DCOMP n.º 07090.68247.120905.1.3.040700 (efls. 02/06), transmitido em 12/09/2005, efetivandose cálculo de atualização monetária do direito creditório na forma própria para saldo negativo. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, demais disto, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado destas conclusões, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação. Posteriormente, retornemse os autos ao Egrégio CARF para julgamento. É como Voto. (Assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 359DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003323/2006-70
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/02/2006
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO CONSTATADA.
Uma vez constatada a contradição apontada no acórdão recorrido, esta há de ser saneada em sede de julgamento de embargos declaratórios.
Como consequência do saneamento da contradição identificada, o acórdão embargado passa a possuir o conteúdo a seguir indicado: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada, para fins de dar provimento ao Recurso Voluntário, determinando o cancelamento do auto de infração em comento, em razão da sua nulidade por vício material, vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que rejeitava a preliminar suscitada e, no mérito, negava provimento ao Recurso Voluntário".
Numero da decisão: 3002-000.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos, para fins de corrigir a contradição apontada.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Multa. Nulidade. Vício Material. Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado MARCOS ANTONIO DA SILVA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/02/2006 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO CONSTATADA. Uma vez constatada a contradição apontada no acórdão recorrido, esta há de ser saneada em sede de julgamento de embargos declaratórios. Como consequência do saneamento da contradição identificada, o acórdão embargado passa a possuir o conteúdo a seguir indicado: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada, para fins de dar provimento ao Recurso Voluntário, determinando o cancelamento do auto de infração em comento, em razão da sua nulidade por vício material, vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que rejeitava a preliminar suscitada e, no mérito, negava provimento ao Recurso Voluntário". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos, para fins de corrigir a contradição apontada. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 33 23 /2 00 6- 70 Fl. 93DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo da aplicação de multa imposta relacionada à importação de mercadoria atentatória à moral, aos bons costumes, saúde ou ordem pública (máquina "caça níquel). Em sessão de julgamento realizada em 11/04/2018, este Colegiado entendeu pelo provimento do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, consoante se extrai da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/02/2006 MERCADORIA ATENTATÓRIA À MORAL, AOS BONS COSTUMES, À SAÚDE OU À ORDEM PÚBLICA. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A multa prevista no DI nº 37/66, art.107, VII, b, com a redação dada pelo art.77 da Lei 10.833/2003, deverá ser aplicada aos casos em que a importação tenha sido realizada após a sua entrada em vigor. Não sendo possível verificar do auto de infração a data do ato punível, há de ser cancelado o auto de infração por nulidade material. Recurso Voluntário provido. O acórdão, por seu turno, restou assim consignado: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada no recurso, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que rejeitou a preliminar e, no mérito, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que lhe negou provimento. A parte dispositiva do voto proferido naquela oportunidade, por seu turno, dispôs: Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de determinar o cancelamento do auto de infração em comento, em razão da nulidade por vício material. A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada quanto ao conteúdo desta decisão em 16/05/2018 e, em 04/06/2018, opôs embargos declaratórios, apontando contradição no acórdão recorrido. Isso porque, em que pese o acórdão ter indicado que o Colegiado teria julgado o mérito da presente contenda, o voto proferido teria se limitado à análise da nulidade do auto de infração proferido. Consta das fls. 91/92 dos autos, exame de admissibilidade dos embargos, realizado pela Presidente deste Colegiado. Os referidos embargos, então, vieramme conclusos, para fins de julgamento. É o breve relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10675.003323/200670 Acórdão n.º 3002000.546 S3C0T2 Fl. 94 3 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: De início, não é demais tratar da tempestividade dos embargos declaratórios opostos. Consoante acima narrado, a Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada quanto ao conteúdo do acórdão recorrido em 16/05/2018 (vide fl. 85 dos autos), tendo oposto embargos declaratórios em 04/06/2018 (fls. 86/88). Ocorre que, nos termos do parágrafo 3º do art. 7º da Portaria MF nº 527 de 09 de novembro de 2010, os Procuradores da Fazenda Nacional são considerados intimados das decisões do CARF após o término de 30 (trinta) dias contados da data em que os autos forem entregues à PGFN. É o que se extrai da transcrição do referido dispositivo legal: § 3º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN na forma deste artigo. Os Embargos Declaratórios opostos, portanto, são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. Conforme acima relatado, a Procuradoria da Fazenda Nacional aponta que teria havido contradição na decisão recorrida, pois, embora o voto proferido teria se limitado à análise da nulidade do auto de infração, constou do acórdão que o Colegiado teria julgado o mérito da presente contenda. Ao analisar o caso, constato que assiste razão à Recorrente. De fato, da análise do voto proferido quando do julgamento do Recurso Voluntário interposto, a Relatora fez consignar de forma clara que o cancelamento do auto de infração em comento se deu em razão do reconhecimento da sua nulidade, por vício material, não tendo adentrado no mérito da contenda. É o que se extrai do trecho a seguir reproduzido, extraído do voto proferido naquela oportunidade: Consoante acima indicado, verificase que a multa aplicada in casu foi introduzida no ordenamento jurídico em 29/12/2003, e decorre da "importação" de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública. No caso em comento, a fiscalização não embasou a autuação no fato de a autuada ter "importado" as mercadorias em questão, mas entendeu que deveria responsabilizála em razão do disposto no inciso I do art. 603 do Regulamento Aduaneiro, que determina que todos aqueles que, de qualquer forma, concorra para a prática ou dela se beneficie, responde pela infração. De fato, é cediço que o Regulamento Aduaneiro estende a responsabilidade pela prática de infração aduaneiras àqueles que concorram para a sua prática ou dela se beneficiem. Para que possa imputar tal responsabilidade, contudo, é imprescindível que demonstre o vínculo existente entre o contribuinte responsabilizado e a infração apontada. Fl. 95DF CARF MF 4 Em sua defesa, o contribuinte defendeu que a importação teria se dado anteriormente à entrada em vigor da Lei nº 10.833/03, tendo anexado aos autos nota fiscal e parecer técnico que suportariam o seu argumento. A DRJ, por seu turno, entendeu que não havia relação regular possível entre a máquina regularmente importada, descrita no laudo anexado, com as máquinas nas quais foram encontradas as placas eletrônicas contrabandeadas, tendo afastado tal documentação como apta a comprovar que as importações se deram anteriormente à vigência da Lei nº 10.833/03. De outro norte, entendeu que, tratandose de apreensão de mercadorias contrabandeadas, seria na data da apreensão, ocorrida em 22/02/2006, que ocorre o fato infracional punível, com constatação da infração pela autoridade fiscal competente. Da análise da documentação acostada pelo contribuinte aos autos, concordo com a fundamentação da decisão recorrida no sentido de que não há como se fazer uma correlação entre as mercadorias ali importadas e as mercadorias apreendidas pela Polícia Federal, objeto do presente auto de infração. Contudo, discordo da conclusão ali apresentada no sentido de que a ocorrência do ato infracional punível se dá na data da apreensão das mercadorias. Consoante se extrai da leitura da alínea b do inciso VII do art. 107 do DI nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, o ato infracional encontrase expressamente descrito como sendo a "importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública". Entendo, portanto, que a interpretação realizada pela fiscalização vai de encontro à previsão expressa disposta na própria norma que instituiu a penalidade em referência. Nesse contexto, considerando que a penalidade aqui analisada foi introduzida no ordenamento jurídico brasileiro em 2003, tendo indicado como ato punível a "importação", entendo que tal penalidade apenas poderia ser aplicada no que concerne às importações realizadas posteriormente à sua entrada em vigor, pois não há que se falar em retroatividade de norma que impõe penalidade outrora inexistente. Acontece que, da análise do auto de infração combatido, não há como se identificar a data em que as importações foram realizadas, não se sabendo se ocorreram antes ou depois da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, que instituiu a penalidade aqui analisada. Logo, entendo que não se desincumbiu a fiscalização do seu ônus probatório quanto à constituição do crédito tributário exigido, tornando o auto de infração combatido nulo de pleno direito. Nesse mesmo sentido já manifestou o Julgador da DRJ Joaquim Jerônimo da Silva Filho (vide decisão proferida nos autos do Proc. nº 10675.003264/200630), cujo entendimento restou vencido naquela oportunidade pelo voto de qualidade. Por concordar com as razões de decidir ali apresentadas, transcrevo a seguir o seu teor: Da nulidade O art. 59, do Decreto nº 70.235, de 06/03/72, lei instrumental no processo administrativo fiscal (PAF) determina: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Já o art. 142, do CTN, já referido neste voto, estabelece os requisitos essenciais ao lançamento: Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10675.003323/200670 Acórdão n.º 3002000.546 S3C0T2 Fl. 95 5 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Por sua vez, a imposição do dever de a Administração motivar sua decisão para demonstrar a adequação do ato às suas exigências legais, pressupostos necessários de sua existência e validade são encontrados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e o artigo 50 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, esta aplicada subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Decreto 70.235/72 PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: [...] III a descrição do fato; [...] Lei nº 9.784/99 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Os dispositivos legais, acima transcritos, impõem a forma solene para a validade jurídica do auto de infração, como instrumento de exigência do crédito tributário. Essa forma solene visa resguardar a observância ao princípio da legalidade tributária, princípio basilar e norteador de toda atividade administrativa que, por sua vez, alberga o da tipicidade, conforme já dito. Atualmente se sobressai na esfera administrativa a idéia de que além das hipóteses listadas nos incisos I e II do artigo 59 do PAF, também falhas na observância aos requisitos estabelecidos no art. 142, do CTN, ou no art. 10, do PAF, podem redundar na nulidade do lançamento, sempre que tais vícios coloquem em dúvida a correição da constituição do crédito tributário. Vêse, por outro giro, que todos os dispositivos legais acima referidos se correlacionam, não podendo ser considerados isoladamente. No presente caso, estabelecendo uma relação entre eles, podese afirmar que a falha na descrição dos fatos (art. 10, inc. III, do PAF), ocasionou a ausência de motivação “explícita, clara e congruente” (art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/99) que, por Fl. 97DF CARF MF 6 seu turno, inviabilizou a verificação da estreita e plena correspondência entre o fato jurídico e a hipótese de incidência, prevista na lei (se houve a aplicação da penalidade cabível – art. 142, do CTN). Conforme afirmado no tópico precedente, não há como se saber, pelo que se fez constar neste processo, quais os motivos que levaram o autuante a concluir que o Sr. Manoel Beijo Sobrinho seria a pessoa que promovera a “importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública”. O fato de ser ele o proprietário do estabelecimento comercial onde a mercadoria irregular foi apreendida não é suficiente, por si só, para caracterizar a conduta gizada pela lei. Acrescentese, ainda, que a inércia da fiscalização em proceder investigações acerca da importação, como a identificação do importador, a propriedade da máquina e a época em que houve a importação, fragiliza a atuação, afetando sua higidez. Por outro lado, a documentação trazida pelo impugnante, fls. 30/35, não traz elementos suficientes para provar que a máquina “caçaníqueis” apreendida está contemplada na importação a que se refere a aludida documentação. De modo que, sou por considerar o presente lançamento nulo, acatando as ponderações trazidas pela defesa. Cumpre registrar que não se observa natureza formal, mas sim material na falha apontada, pois o vício detectado repercute na essência do lançamento que, em sendo refeito, poderá trazer modificações em mais de um requisito essencial previsto no art. 142, do CTN, inclusive, naquele que se refere à identificação do sujeito passivo. Indeferese o pedido de intimação para o endereço do advogado da autuada. A intimação deve ser enviada para o domicilio fiscal do sujeito passivo, constante dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, em obediência ao disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelas Leis nos 9.532/1997, 11.196/2005, 11.457/2007 e 11.941/2009. CONCLUSÃO Diante do exposto e tudo mais que consta nos autos, voto no sentido de: I preliminarmente, a) REJEITAR o pedido de protesto genérico de provas; b) DECLARAR a NULIDADE do lançamento, por vício material, exonerando o crédito tributário exigido no valor de R$ 1.000,00. Nesta mesma decisão, o Julgador Ricardo Serra Rocha apresentou declaração de voto, através da qual trouxe outros fundamentos que reforçam o entendimento acerca da nulidade do auto de infração combatido. É o que se infere da passagem a seguir transcrita: É cediço que ao autor cabe a prova do fato constitutivo de seu direito, e ao réu, a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, não sendo suficiente a simples alegação, tudo em consonância com o art. 333 do Código de Processo Civil – CPC, in verbis: Civil – CPC, in verbis: Lei nº 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10675.003323/200670 Acórdão n.º 3002000.546 S3C0T2 Fl. 96 7 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Acerca desse dispositivo, assim leciona Humberto Theodoro Júnior 1: “Cada parte, portanto, tem o ônus de provar os pressupostos fáticos do direito que pretenda seja aplicado pelo juiz na solução do litígio. Quando o réu contesta apenas negando o fato em que se baseia a pretensão do autor, todo o ônus probatório recai sobre este. Mesmo sem nenhuma iniciativa de prova, o réu ganhará a causa, se o autor não demonstrar a veracidade do fato constitutivo do seu pretenso direito (...)”.(grifei) Atualmente, não mais se admite que o lançamento possua caráter de prova pré constituída e nem que a sua presunção de legitimidade tenha o condão de inverter o ônus da prova, eximindo a Administração Tributária do dever de provar os fatos que alega. O art. 9º do Decreto nº. 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, textualiza que os autos de infração deverão estar instruídos com todos os elementos indispensáveis à comprovação do fato, in verbis: Decreto nº 70.235/1972 Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, vigente à época) Nesse sentido, Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martínez López se manifestam: “No processo administrativo fiscal federal, temse como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Então o ônus da prova recai a quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar prova de sua ocorrência.(...)” (grifei) Ademais, no PAF (art. 29 do Decreto nº 70.235/1972) a autoridade julgadora é livre para formar sua convicção, in verbis: Decreto nº 70.235/1972 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Ou seja, prevalece o princípio da livre convicção racional, pelo qual a autoridade é livre para decidir conforme a convicção que a prova lhe produzir, devendo, no entanto, fundamentar sua decisão. O próprio Código de Processo Civil (CPC), utilizado subsidiariamente ao PAF, também admite que, na análise das provas, a autoridade julgadora é livre para formar sua convicção, não estando adstrita sequer a laudos periciais, podendo formar sua convicção por outros elementos contidos nos autos, in verbis: Lei nº 5.869/1973 (CPC) Art. 436. O juiz não está adstrito ao laudo pericial, podendo formar a sua convicção com outros elementos ou fatos provados nos autos. No caso em concreto, tenho que as provas trazidas aos autos se sustentam de forma primordial em Auto Circunstanciado, o qual relata que: Fl. 99DF CARF MF 8 Em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão expedido nos autos do processo 2005.38.03.0087918, 2° VF/UBERLANDIA/MG, Foi apreendida pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal em 22/02/2006, 01 (uma) placa para máquina “CaçaNíquel”, no estabelecimento comercial denominado “BAR DO CESAR”, localizado na Rua Bueno Brandão, 1241 – Bairro Martins UberlândiaMG, de propriedade do Sr CÉSAR ODILON DE FARIA, conforme AUTO CIRCUNSTANCIADO K/88, assinado pelo Agente da Polícia Federal e pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, responsáveis pelo cumprimento do mandado, a qual foi entregue ao responsável pelo Depósito de mercadorias Apreendidas da Delegacia da Receita Federal em UberlândiaMG, conforme Termo de Recebimento DRF/UBE/SAPOL/DMA n° 96/2006, de 22/02/2006. Em 23/03/2006, foi lavrado o Auto de Infração para aplicação da pena de perdimento das referidas placas, processo 10675.000926/200610. Todavia, o que aqui está se tratando é a aplicação de penalidade específica pela importação de mercadorias estrangeiras tidas pela autoridade fiscal como atentatórias à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, tudo amparado no art. 107, Inciso VII, “b”, do Decreto lei 37/1966 (na redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003). Nesse ponto, tenho que a fiscalização não cuidou em apontar de forma precisa e fundamentada se a importação em questão se deu na vigência desse referido dispositivo legal, bem como quem a praticou ou de qualquer forma haja concorrido para sua prática ou dela tenha se beneficiado. Assim, especificamente se falando no âmago da penalidade aqui em discussão, percebese a fragilidade das provas apresentadas contra a impugnante. Pois bem. Reza o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN que a constituição do crédito se dá pelo lançamento, de competência privativa da autoridade fiscal, compreendido como o procedimento administrativo, vinculado e obrigatório, tendente a verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, apurar o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei 5.172/1966 (CTN) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, como se verifica no caso, não logrou êxito a autoridade lançadora em demonstrar inequivocamente a ocorrência do fato típico. Como na atividade do lançamento cabe à Administração Tributária empregar todos os meios disponíveis de informação para conhecer e comprovar o fato jurídico, permanecendose no processo administrativo o estado de incerteza quanto aos elementos constitutivos do lançamento, a regra é que a decisão deva ser pela não exigência da exação ou penalidade. Dessa forma, privilegiandose a garantia constitucional da razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/1988), aplicável tanto no âmbito judicial quanto no administrativo, e, considerandose que já fora dada à autoridade lançadora, por ocasião da constituição do crédito, oportunidade de trazer aos autos os necessários elementos probatórios, bem como, o princípio da interpretação Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10675.003323/200670 Acórdão n.º 3002000.546 S3C0T2 Fl. 97 9 benigna ao acusado, prescrito pelo art. 112 do CTN, devido remanescer dúvida quanto à subsunção dos fatos à norma, estou pela insubsistência do lançamento em discussão. Sobre o tema, também já se manifestaram Conselheiros do CARF, a exemplo do trecho voto a seguir colacionado, proferido pelo Conselheiro Gileno Gurjão Barreto no Acórdão nº 3302002.362, oportunidade em que foi acompanhado pelos Conselheiros Alexandre Gomes e Paulo Guilherme Deroulede: Conforme exposto, a multa ora questionada foi inserida no ordenamento jurídico através da Lei nº 10.833/03, sendo que os equipamentos foram apreendidos pela Receita Federal em fiscalização realizada em 22.02.2006, ou seja, posteriormente à entrada em vigor da referida norma. Ocorre, no entanto, que, se por um lado o contribuinte apresenta documentos de outras máquinas cuja importação ocorrera em data anterior (1999) à vigência do dispositivo punitivo, por outro a fiscalização aplicoulhe a multa sem também provar que aquela máquina teria sido importada posteriormente. Ademais, conforme brilhantemente exposto no voto do i. julgador Ricardo Serra Rocha, em nenhum momento a i. fiscalização comprovou se as referidas importações ocorreram antes ou depois da entrada em vigor da norma em questão. E uma vez que o tipo penal da norma recai sobre o ato de “importar”, importante essa análise. Por esse motivo, perfilome da declaração de voto proferida pelo i. julgador Ricardo Serra Rocha, que assim prescreve: “...o que aqui está se tratando é a aplicação de penalidade específica pela importação de mercadorias estrangeiras tidas pela autoridade fiscal como atentatórias à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, tudo amparado no art. 107, Inciso VII, “b”, do Decretolei 37/1966 (na redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003). Nesse ponto, tenho que a fiscalização não cuidou em apontar de forma precisa e fundamentada se a importação em questão se deu na vigência desse referido dispositivo legal, bem como quem a praticou ou de qualquer forma haja concorrido para sua prática ou dela tenha se beneficiado. Assim, especificamente se falando no âmago da penalidade aqui em discussão, percebese a fragilidade das provas apresentadas contra a impugnante. Pois bem. Reza o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN que a constituição do crédito se dá pelo lançamento, de competência privativa da autoridade fiscal, compreendido como o procedimento administrativo, vinculado e obrigatório, tendente a verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, apurar o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei 5.172/1966 (CTN) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 101DF CARF MF 10 Dessa forma, como se verifica no caso, não logrou êxito a autoridade lançadora em demonstrar inequivocamente a ocorrência do fato típico. Como na atividade do lançamento cabe à Administração Tributária empregar todos os meios disponíveis de informação para conhecer e comprovar o fato jurídico, permanecendose no processo administrativo o estado de incerteza quanto aos elementos constitutivos do lançamento, a regra é que a decisão deva ser pela não exigência da exação ou penalidade. Dessa forma, privilegiandose a garantia constitucional da razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/1988), aplicável tanto no âmbito judicial quanto no administrativo, e, considerandose que já fora dada à autoridade lançadora, por ocasião da constituição do crédito, oportunidade de trazer aos autos os necessários elementos probatórios, bem como, o princípio da interpretação benigna ao acusado, prescrito pelo art. 112 do CTN, devido remanescer dúvida quanto à subsunção dos fatos à norma, estou pela insubsistência do lançamento em discussão. CF/1988 Art. 5º (...) LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de2004) Lei 5.172/1966 (CTN) Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; (...) Assim, com a devida vênia, entendo que não restaram configurados todos os elementos nucleares da relação jurídicotributária em pauta. Dessarte, uma vez ocorrida violação a quaisquer dos requisitos essenciais do lançamento, consubstanciase o chamado vício material; vício este que não se coaduna com a contagem de prazo decadencial prescrita pelo inciso II do artigo 173 do CTN, aplicável apenas na ocorrência de nulidade por vício de natureza formal, ou seja, não vinculado à parte substancial do ato. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Ex positis, voto pela nulidade desta autuação pela ocorrência de vício material na edificação do lançamento, não se lhe aplicando a reabertura do prazo decadencial previsto no inciso II do art. 173 do CTN. Por derradeiro, anotese que ao considerar insubsistente o lançamento, não estou a asseverar que a defendente não cometeu a infração em litígio, mas sim que, conforme os elementos probatórios trazidos aos autos, a autoridade lançadora não demonstrou de maneira cabal a ocorrência do fato gerador desta penalidade, qual seja, importação de mercadorias estrangeiras de cunho atentatório à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, vez que não se preocupou em demonstrar minimamente a data de sua ocorrência e quem a praticou, haja concorrido, ou dela se beneficiado, estando assim, maculado o lançamento em apreço, por vício de nulidade material”. Ante o exposto, conheço do recurso e doulhe provimento. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10675.003323/200670 Acórdão n.º 3002000.546 S3C0T2 Fl. 98 11 Por concordar com as razões acima apresentadas, as quais se adequam com perfeição à presente contenda, adotoas como razão de decidir. Em resumo, há de ser reconhecida a nulidade do auto de infração combatido em razão da ausência de elementos suficientes à confirmação acerca da aplicabilidade no tempo da penalidade aplicada ao caso concreto analisado, ou seja, se a norma já se encontrava em vigor à época da infração ali indicada (importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública). É importante que se ressalte que a conclusão a que se chega nesta oportunidade esbarra na identificação da nulidade do auto de infração combatido. Em outras palavras, não se está aqui dispondo que inexistiu a infração combatida, mas apenas que não é possível se aferir, da análise do auto de infração, se a norma que instituiu a penalidade encontravase vigente quanto aos fatos geradores aqui analisados. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de determinar o cancelamento do auto de infração em comento, em razão da nulidade por vício material. Houve, portanto, uma falha no registro do acórdão recorrido, ao consignar que o mérito teria sido julgado pelo Colegiado, falha esta que há de ser corrigida nesta oportunidade, em decorrência do julgamentos dos embargos declaratórios opostos. Sendo assim, onde se lê: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada no recurso, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que rejeitou a preliminar e, no mérito, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que lhe negou provimento. Leiase: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada, para fins de dar provimento ao Recurso Voluntário, determinando o cancelamento do auto de infração em comento, em razão da sua nulidade por vício material, vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que rejeitava a preliminar suscitada e, no mérito, negava provimento ao Recurso Voluntário. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de acolher os embargos declaratórios opostos, para fins de corrigir a contradição apontada. O acórdão embargado, portanto, passa a possuir o conteúdo a seguir indicado: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada, para fins de dar provimento ao Recurso Voluntário, determinando o cancelamento do auto de Fl. 103DF CARF MF 12 infração em comento, em razão da sua nulidade por vício material, vencido o Conselheiro Alberto da Silva Esteves, que rejeitava a preliminar suscitada e, no mérito, negava provimento ao Recurso Voluntário". É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.002297/2009-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. MÃO-DE-OBRA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO.
Restando incontroverso que houve utilização de empresas interpostas se para contratação de mão de obra e colocação à disposição de uma outra pessoa jurídica, a sua desconsideração acarreta em tratar tal estrutura como pagamento pelo fornecimento de mão-de-obra por pessoa física, que não permite direito a crédito no regime não-cumulativo do PIS e Cofins, por expressa vedação legal.
Numero da decisão: 3401-005.724
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Lazaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Lazaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1519; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.002297/200985 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401005.724 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS Recorrente ESTIVAL IMPORTACAO EXPORTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. MÃODEOBRA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Restando incontroverso que houve utilização de empresas interpostas se para contratação de mão de obra e colocação à disposição de uma outra pessoa jurídica, a sua desconsideração acarreta em tratar tal estrutura como pagamento pelo fornecimento de mãodeobra por pessoa física, que não permite direito a crédito no regime nãocumulativo do PIS e Cofins, por expressa vedação legal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Lazaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 22 97 /2 00 9- 85 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13855.002297/200985 Acórdão n.º 3401005.724 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da 2ª Turma da DRJ/REC, que considerou improcedentes as razões da Recorrente contra Despacho Decisório que glosou créditos por ela pleiteados. Do Despacho Decisório Naquela ocasião, a D. Fiscalização não reconheceu créditos decorrentes de aquisição de serviços das empresas referenciadas nos autos por entender que estas se constituíam em interpostas empresas utilizadas para a contratação de empregados com redução de encargos previdenciários. Concluiu assim que os empregados destas interpostas empresas eram, na verdade, empregados da própria recorrente. Os elementos de prova constam dos processos 13855.001760/200971 13855.001761/200916 e 13855.001762/200961. Assim, os créditos foram glosados em virtude de, em diligencia da delegacia previdenciária, haver sido verificado suposto esquema da Recorrente para interpor pessoas jurídicas, tendo, como sócios, empregados a fim de se mitigar a incidência das contribuições previdenciárias. A conclusão, nos lançamentos relativos àqueles processos, é de que haveria vínculo empregatício entre os sócios das empresas e, portanto, seria vedado o crédito de contribuições provenientes de pessoas físicas por expressa previsão em lei. Da Manifestação de Inconformidade A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a motivação fática do indeferimento é “falha, omissa e não condiz com a verdade” e informa que os processos administrativos que motivaram o indeferimento parcial do direito creditório não haviam transitado em julgado, porém não refuta os fatos narrados no Despacho Decisório. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 11046.233, através do qual a manifestação de inconformidade foi tida como improcedente. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação, bem como acrescentou suas considerações trazidas aos processos administrativos que deram azo ao Despacho Decisório de que decorre esse contencioso. É o relatório. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13855.002297/200985 Acórdão n.º 3401005.724 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.716, de 11 de dezembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13855.000846/200987, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.716): "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Todavia, verificase que a Recorrente optou por trazer novos argumentos em sede de Recurso Voluntário com o objetivo de reapreciação de matéria discutida nos processos administrativos de nºs 13.855.001760/200971, 13855.001761/200916 e 13855.001762/200961. Não há como conhecer dessa parcela do recurso em vista de ocorrência de preclusão argumentativa nos termos do Decreto 70.235/1972. Por outro lado, a Recorrente insiste na tese de os fatos causadores dos lançamentos de ofício consignados naqueles processos acima mencionados não se relacionam com os créditos ora glosados, porém nada traz de concreto a fim de embasar essa alegação. Nesse ínterim, insubsistente sua defesa por absoluta ausência de comprovação. Por fim, quanto à alegação de sobrestamento, necessário mencionar que os referidos processos já passaram pelo crivo do CARF, em seguidos julgamentos, que passou a mencionar Do Julgamento dos PAT’s 13.855.001760/200971 e 13855.001761/200916 Tais processos tiveram Acórdãos proferidos em 03.12.2014, sendo desfavorável ao contribuinte quanto ao objeto comum do litígio: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13855.002297/200985 Acórdão n.º 3401005.724 S3C4T1 Fl. 5 4 CARF. SÚMULA 76. SIMULAÇÃO. FORMA DE EVADIRSE DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. INTERPOSTAS PESSOAS. SIMPLES. SAT. LEGALIDADE. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. A utilização de interpostas pessoas enquadradas no SIMPLES para contratação de mão de obra e colocação à disposição de uma outra pessoa jurídica, à fim de não recolher a quota patronal das contribuições previdenciárias, quando comprovado que o único fim desta empresa é desvincular o empregador, não merece surtir efeitos. O enquadramento da empresa no respectivo grau de risco é realizado pelo código CNAE, até a competência 05/2007, em decorrência da aplicação do anexo V do Decreto nº 3.048/99, e pelo CNAE FISCAL, a partir de 06/2007, tendo em vista a alteração do anexo mencionado pelo Decreto nº 6.042/97. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão 2403002.855 Rel. Marcelo Magalhaes Peixoto) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 SIMULAÇÃO. FORMA DE EVADIRSE DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. INTERPOSTAS PESSOAS. SIMPLES A simulação não é aceita como forma de planejamento tributário com vistas a reduzir a carga tributária da empresa. Manobra considerada ilegal. A utilização de interpostas pessoas enquadradas no SIMPLES para contratação de mão de obra e colocação à disposição de uma outra pessoa jurídica, à fim de não recolher a quota patronal das contribuições previdenciárias, Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13855.002297/200985 Acórdão n.º 3401005.724 S3C4T1 Fl. 6 5 quando comprovado que o único fim desta empresa é desvincular o empregador para com uma empresa, há de ser reconhecida a nulidade do negócio por abuso de direito e simulação. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão 2403002.856 Rel. Marcelo Magalhaes Peixoto) Esses processos seguiram para Agravos por parte da Fazenda e do Contribuinte contra essas decisões e consta que, em virtude de adesão a programa de parcelamento (PERT), houve desistência por parte da Recorrente em janeiro de 2018. Do Julgamento do PAT 13855.001762/200961 Esse processo foi apensado aos demais por ocasião do Recurso Especial à CSRF interposto pela Fazenda Nacional, nos termos da Resolução 9202000.166: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara, para que este processo seja apensado ao de n° 13855.001760/200971, que trata de obrigação principal e se encontra pendente de apreciação de agravo interposto em face de exame de admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, sugerindose, ainda a apreciação conjunta por esta CSRF do referido feito de n°. 13855.001760/200971 com o de n°. 13855.001761/200916, para posterior distribuição a este relator para fins de julgamento em conjunto de Recursos Especiais, por conexão, caso aplicável. Portanto, inexistem decisões pendentes diante da desistência da própria Recorrente nos aludidos processos, e, sendo certo Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13855.002297/200985 Acórdão n.º 3401005.724 S3C4T1 Fl. 7 6 que não restaram argumentos de mérito a serem apreciados, não há o que se acolher do Recurso apresentado. Por todo o exposto, conheço parcialmente o Recurso, e, na parte conhecida, negolhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente o Recurso, e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13855.002297/200985 Acórdão n.º 3401005.724 S3C4T1 Fl. 8 7 Fl. 220DF CARF MF
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