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Numero do processo: 13896.907880/2016-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.888
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 88 0/ 20 16 -2 7 Fl. 475DF CARF MF Processo nº 13896.907880/201627 Resolução nº 3201001.888 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 476DF CARF MF Processo nº 13896.907880/201627 Resolução nº 3201001.888 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 477DF CARF MF Processo nº 13896.907880/201627 Resolução nº 3201001.888 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 13896.907880/201627 Resolução nº 3201001.888 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 479DF CARF MF Processo nº 13896.907880/201627 Resolução nº 3201001.888 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 480DF CARF MF Processo nº 13896.907880/201627 Resolução nº 3201001.888 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 481DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.002619/2005-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PEDIDO DE_ RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO.
O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis e demais documentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito.
MPF. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCINDIBILIDADE.
Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular despacho decisório referente a pedido de ressarcimento.
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
Numero da decisão: 3301-005.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis e demais documentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. MPF. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular despacho decisório referente a pedido de ressarcimento. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 26 19 /2 00 5- 68 Fl. 664DF CARF MF Processo nº 13804.002619/200568 Acórdão n.º 3301005.965 S3C3T1 Fl. 665 2 (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do saldo credor da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), relativo a receita de exportações, apurado no regime de incidência nãocumulativa, no valor de R$ 4.098.202,83, referente ao quarto trimestre de 2004, conforme pedido de fl. 1. Com relação ao crédito postulado, foram apresentadas posteriormente várias Declarações de Compensação (DCOMP) informando diversas compensações desse crédito com débitos de vários tributos, conforme processos apensos a este. Segundo os autos, o pedido foi protocolizado junto à Delegacia de Administração Tributária em São PauloSP (Derat), mas a análise do pleito foi transferida à DRF/AraçatubaSP por ordem do SuperintendenteSubstituto da Receita Federal do Brasil na 8° Região Fiscal, conforme portaria de fls. 93 a 95. Ainda segundo os autos,\a interessada, em 17/09/2009 (fls. 126 a 129), foi intimada, para subsidiar a análise do pleito, a apresentar diversos documentos e os arquivos contábeis digitais na forma especificada pela fiscalização. Como não houve resposta, os AFRFB responsáveis pela análise se dirigiram à sede da empresa, em 14/10/2009, para cobrar o atendimento das intimação, sendo recebidos pelo procurador da empresa, que alegou ainda não dispor da documentação requerida. Na oportunidade, a interessada foi reintimada a apresentar os elementos solicitados anteriormente, conforme fls. 132 e 133. Como também não houve resposta, em 21/10/2009, novamente os AFRFB estiveram na sede da empresa, onde, mais uma vez, o seu procurador alegou ainda não dispor da documentação requerida. Desta feita, foi lavrado auto de embaraço à fiscalização, de fls. 134 e 135. Portanto, a fiscalização não reconheceu os créditos do período em virtude da nãoapresentação dos documentos e esclarecimentos na forma solicitada, conforme informação fiscal de fls. 103 a 110. Sendo assim, a DRF/AraçatubaSP, por meio do despacho decisório de fls. 473/478, indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações vinculadas ao pedido. Foram também lavrados autos de infração constituindo o crédito tributário relativo às contribuições não recolhidas em virtude da glosa dos créditos descontados pela contribuinte no trimestre em questão, formalizados no processo n° 15868002023/200972. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 13804.002619/200568 Acórdão n.º 3301005.965 S3C3T1 Fl. 666 3 Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, de fls. 482 a 503, onde, preliminarmente, requer a anulação do despacho decisório, porquanto não foi observado pela fiscalização o local indicado no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) para realização dos trabalhos, que seria no endereço da empresa, em São Paulo, e não em Araçatuba. Ressalta também a impugnante que o fato de várias intimações terem sido assinadas apenas por um dos AFRFB também desobedeceria ao MPF, que não permite atuação individual de um dos auditoresfiscais nele contidos. Quanto a transferência de competência interdelegacias, alega que esta também deveria estar contemplada no MPF e que o próprio o superintendente da Receita Federal deveria ter emitido o mandado, a teor do art. 6° da Portaria RFB n° 11.371, de 2007. Argumenta que o despacho decisório também seria nulo porquanto somente o Delegado da Derat teria competência para prõlatar decisão relativa à requerente, conforme disposto no art. 57 da Instrução Normativa (IN) RFB ng 900, de 2008, que não autoriza a modificação da competência para emissão de despacho decisório relativo a reconhecimento de direito creditório. Alega ainda que a impossibilidade de delegação de poderes também está prevista na Lei n° 9.784, de 1999, arts. 13 e 100. Também reclama que não foi cumprida a formalidade prevista no art. 44 da citada Lei n° 9.784, de 1999, que garante à recorrente o direito de se manifestar no prazo de dez dias após o encerramento da fase de instrução do processo. Afirma que os próprios auditores reconheceram a entrega dos documentos e arquivos digitais, mas em vez de analisarem o material e solicitarem eventuais esclarecimentos em prazo razoável, simplesmente emitiram um parecer negando o pleito Sendo assim, confirma sua intenção de apresentar todos os documentos fiscais, que estão à disposição da fiscalização em seu estabelecimento. Afirma ainda que houve erro e falta de motivação e de legislação para o indeferimento do pleito da recorrente, pois isso só seria possível caso a contribuinte não possuísse efetivamente o direito ao ressarcimento. Mas, segundo ela, a negativa ocorreu porque houve falta de razoabilidade por parte dos AFRFB, que consideraram que ela não tinha nenhum direito, o que não pode ser admitido, pois que não poderia exercer sua atividade sem adquirir insumos,já que é uma das maiores empresas do seu ramo de atividade. Assim, a fiscalização deveria ter ' continuado as diligências no estabelecimento da contribuinte e não ter realizado um levantamento fiscal precário, que não levou em consideração todos os seus documentos. Aduz também que houve cerceamento do direito de defesa, pois não foram apresentados os motivos do indeferimento do pedido, haja vista que os auditores contestaram apenas pequenos elementos componentes do seu direito creditório, não contestando os demais, prejudicando a ampla defesa. Argumenta que o despacho decisório também deve ser cancelado porquanto a postulante não pôde exercer a ampla defesa por não ter sido demonstrado como foi possivel o indeferimento do pleito se foram apresentadas provas da existência do direito creditório. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 13804.002619/200568 Acórdão n.º 3301005.965 S3C3T1 Fl. 667 4 Desta forma, em cumprimento ao princípio da verdade material o despacho decisório deve ser cancelado. Em relação ao que ela denomina mérito, argúi que o despacho em análise deve ser reformado porquanto a postulante possui direito ao, ressarcimento dos créditos da contribuição ao PIS reclamados, como compro os documentos existentes em seu estabelecimento, mas que não os está anexando ao presente “por serem em grande quantidade”, e anexa uma planilha e alguns documentos que demonstrariam as aquisições ocorridas e o direito ao crédito postulado. Alega que o seu direito ao ressarcimento não pode ser contestado porque já teria transcorrido o prazo qüinqüenal de homologação do direito, de cinco anos, previsto no art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN) e no art. 74 Lei n° 9.430, de 1996 Postula também a aplicação da taxa do Selic como juros moratórios, a teor do art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250, de 1995. Reclama também que' o despacho decisório não deferiu as compensação já homologadas tacitamente, conforme previsão do art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996. Requer a realização de perícia e diligência para se constatar a existência do direito creditório, nomeando perito e listando os quesitos que deseja ser respondidos, à fl. 501. Haja vista a existência de grande quantidade de documentos, esclarece que a perícia deverá ser feita no estabelecimento da contribuinte. Solicita o cancelamento do despacho decisório combatido e o reconhecimento do direito creditório por esta DRJ ou, alternativamente, a prolação de nova decisão pela DeratSP ou ainda, caso se considere que a autoridade contestada seja competente para tanto, que esta prolate novo despacho decisório após novas verificações fiscais. Requer ainda a suspensão da exigibilidade dos débitos objeto das compensações informadas em DCOMP. Por fim, solicita que o patrono da requerente também seja intimado de todas as decisões referentes ao presente. Os processos n° 1380400002620/200592 e 15868002023/200972, por possuírem o mesmo objeto, foram apensados ao presente." Em 27/08/10, a DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão foi assim ementado: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDO DE_ RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis e demais documentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 13804.002619/200568 Acórdão n.º 3301005.965 S3C3T1 Fl. 668 5 MPF. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular despacho decisório referente a pedido de ressarcimento. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais e deve ser conhecido. Com fulcro no §1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99, adoto o voto condutor da decisão de primeira instância (Acórdão n° 1430.659), do ilustre julgador Heitor Chaud, como minha razão de decidir: "Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço da impugnação. (. . .) Quanto às alegações relativas a eventuais irregularidades do MPF, primeiramente fazse necessário discorrer, de forma genérica, sobre esse documento nos procedimentos de lançamento do crédito tributário. O Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pela Portaria SRF n° 1.265, de 22/11/1999, e atualmente regulado pela Portaria RFB n° 11.371, de 2007, consiste em documento emitido em decorrência de normas administrativas que regulam a execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) sejam levados a efeito de conformidade com uma ordem específica, a qual pressupõe formalização mediante Mandado de Procedimento Fiscal. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 13804.002619/200568 Acórdão n.º 3301005.965 S3C3T1 Fl. 669 6 Portanto, o MPF deve ser analisado sob duas perspectivas, quais sejam, a do público interno e a do externo. No âmbito interno, tem por objetivo o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos de fiscalização dos tributos e contribuições administradas pela RFB. É uma ordem específica emitida por autoridade competente da RFB para a instauração, pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), dos procedimentos fiscais (art. 2° da Portaria SRF n° 11.371, de 2007). Evidenciase nessa orientação administrativa uma proibição no sentido de que o AFRFB aja por vontade própria na tomada de procedimentos fiscais, além de estabelecer, de forma específica, a obrigatoriedade de executálas. No externo, assegura ao contribuinte sob fiscalização, como agora é de seu direito, conferir a autenticidade da ação fiscal contra si instaurada, possibilitando o conhecimento do tributo que será objeto de investigação, dos períodos a serem verificados, do prazo para a realização do procedimento fiscal e do AFRFB que procederá à fiscalização. Assim, o MPF, bem como suas prorrogações, são atos praticados em paralelo àqueles preparatórios ou integrantes do processo administrativo fiscal, mas somente estes se submetem à regência do Decreto n° 70.235, de 1972. Acrescentese que a Portaria SRF n° 11.371, de 2007, não teve o condão de modificar a competência atribuída ao AuditorFiscal, não o desonerando da atividade vinculada e obrigatória do lançamento, prevista no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Esse dispositivo legal (art. 142) expressamente confere à autoridade administrativa a competência indelegável e privativa de formalizar o lançamento. Essa autoridade, atualmente, nos termos do art. 6° da Lei n°10.593, de 2002, com a redação da Lei n° 11.457, de 2007, é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. Conseqüentemente, verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória, tem ele o dever de promover o lançamento. As portarias da RFB sobre o MPF constituemse, assim, em atos administrativos de hierarquia inferior ao CTN, portanto, o seu descumprimento não tem o condão de provocar a nulidade de lançamento efetuado por servidor competente e com garantia do direito de defesa. Assim, o referido mandado consiste em mera ordem administrativa, emanada dos dirigentes das unidades da Receita Federal do Brasil, para que os auditores executem as atividades fiscais tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Esse instrumento, em realidade, é um mecanismo de proteção para o contribuinte, já que sua veracidade e outras informações a ele relativas podem ser consultadas no sitio da Receita Federal na rede mundial de computadores. Cumpre assinalar que eventual descumprimento do MPF por parte do servidor encarregado de observálo, por caracterizar infração administrativa, deve ser apurado em procedimento administrativo interno da RFB, sendo que o resultado desse procedimento não interfere no lançamento legalmente formalizado. Nesse sentido vinha decidindo o extinto Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme ementas a seguir transcritas: Fl. 669DF CARF MF Processo nº 13804.002619/200568 Acórdão n.º 3301005.965 S3C3T1 Fl. 670 7 NULIDADE INEXISTÊNCIA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL PRORROGAÇÃO O Mandado de Procedimento Fiscal, a despeito da disciplina regulada pela Portaria n” 3007/2001, não tem o condão de invalidar a expressa competência fiscalizatória da autoridade administrativa, disposta no art. 142 do CTN. TAXA SELIC As súmulas 2° e 4° deste E. Conselho já pacificaram a questão da aplicação da Taxa Selic para cálculo dos juros de mora. (1° CC, 1° Câmara, Rec. Voluntário n° 150723, Proc. n° 10735004911/2002 45, Rel. João Carlos de Lima Júnior, Acórdão n° 1019613 7, Sessão de 27/04/2007). (g. n.) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. Eventual falta de ciência do contribuinte na prorrogação do mesmo não implica nulidade do processo se cumpridas todas as regras pertinentes ao processo administrativo fiscal. EXIGÊNCIA FISCAL. FORMALIZAÇÃO. Não provada a violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem nos arts. 7°, 10 e 59 do Decreto n° 70. 235/72, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. À luz do regramento procedimental vigente, o crédito tributário tanto pode ser formalizado através de NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO como de AUTO DE INFRAÇÃO. A teor das disposições contidas nos arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 1972, se AUTO DE INFRAÇÃO, deve ser lavrado por servidor competente; se NOTIFICAÇÃO, deve ser expedida pelo órgão que administra o tributo. TAXA REFERENCIAL. SELIC. LEGALIDADE. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. (Súmula n° 3, do 2° CC). Recurso negado. D. O. U. de 23/05/2008, Seção 1, pág. 65. (2° CC, 2° Câmara, Rec. Voluntário n” 129192, Proc. n° 10882001679/2004 61, Rel. Antônio Lisboa Cardoso, Acórdão n° 20218738, Sessão de 13/02/2008). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 05/10/2000, 17/10/2000, 19/10/2000, 20/10/2000, 23/10/2000, 24/10/2000, 25/10/2000, 27/10/2000 AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Sua ausência não acarreta a nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É competente para lançamento de tributos a autoridade fiscal do domicilio do contribuinte, forte no Regimento Interno da Receita Federal do Brasil e, ainda, no caso, com base no art. 9° do PAF. PRELIMINAR DE INCOMPATIBILIDADE DO FUNDAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO COM O FATO JULGADO. INEXISTÊNCIA. Os fundamentos do auto de infração não se alteram pelo fato de não terem sido considerados extintos os créditos correspondentes a ação transitada em julgado na esfera judicial. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO PARA FINS DE EVITAR A DECADÊNCIA O Fisco detém não só o dever como o direito de efetuar o lançamento com fins de evitar a decadência, motivo pelo qual não há qualquer nulidade nesta situação. DECISÃO JUDICIAL. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Não se aplica o disposto no inciso X do artigo 156 do Código Tributário Nacional nos casos em que o litígio tiver sido conseqüência de Fl. 670DF CARF MF Processo nº 13804.002619/200568 Acórdão n.º 3301005.965 S3C3T1 Fl. 671 8 ação rescisória com concessão de medida cautelar suspensiva dos efeitos da ação judicial transitada em julgado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (3° CC, 2° Câmara, Rec. Voluntário n° 133246, Proc. n” 12466. 003119/200488, Rel. LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Acórdão n° 302 39526, Sessão de 18/06/2008). (g.n.) Assim, não é lícito interpretar que irregularidades relativas ao mandado ou mesmo a ausência do MPF, instrumento instituído por norma infralegal (uma portaria), possa acarretar a nulidade de lançamento dele decorrente, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade que rege a Administração Pública (art. 37 da Carta Magna), devidamente refletido no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN): “A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. ”. Em relação ao caso concreto, ou seja, relativamente ao procedimento de análise de pedido de ressarcimento, a rigor não há previsão para emissão de MPF, porquanto a Portaria RFB n° 11.371, de 2007, prevê três tipos de MPF, a saber: “F” (fiscalização), “D” (diligência) e “E” (especial), este último para os casos de flagrante constatação de infração à legislação tributária. E nem poderia ser diferente, pois, via de regra, o MPF para esses casos seria emitido pela mesma autoridade que prolatará o despacho decisório, qual seja, o delegado da DRF. Assim, não faz sentido o Delegado da Receita Federal expedir MPF para ele mesmo. O fato de os trabalhos de verificação e comprovação do direito creditório estarem sendo conduzidos pela setor de fiscalização da DRF devese ao tipo de trabalho a ser efetuado e não que se trata efetivamente de um procedimento típico de fiscalização tendente a apurar irregularidades ou infrações à legislação tributária, que, em tese, deveria ser precedido da emissão de um MPFF. Desta forma, diante do exposto, eventuais irregularidades no MPF de modo algum podem levar à anulação do despacho decisório, como quer a requerente, primeiramente porquanto esse documento, criado e regulamentado por norma infra legal, constituise em mero instrumento de gerenciamento da atividade fiscal, e, em segundo lugar, porque, para o pedido de ressarcimento, não há previsão explícita para a emissão desse tipo de documento. Digase em adendo que não há nas normas reguladoras do MPF a exigência de que todas as intimações sejam assinadas por todos os auditoresfiscais discriminados no mandado, como quer a interessada. Quanto a possíveis descumprimentos da Lei n° 9.784, de 1999, vale esclarecer que tal lei regula o processo administrativo no âmbito da Administração federal e se aplica apenas subsidiariamente àqueles regidos por lei própria, como o processo administrativo Fiscal (PAF), que é regulado pelo Decreto n° 70.235, de 1972. Assim, não procedem tais alegações, porquanto o presente foi formalizado em obediência ao PAF, não restando brechas para a aplicação subsidiária da Lei n° 9.784, de 1999, nos pontos indicados pela requerente. Em relação à transferência de competências, tal possibilidade está prevista no art. 249 do Regimento Intemo da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 95, de 2007, vigente à época, abaixo transcrito: Fl. 671DF CARF MF Processo nº 13804.002619/200568 Acórdão n.º 3301005.965 S3C3T1 Fl. 672 9 Art. 249. Aos Superintendentes da Receita Federal do Brasil, Delegados da Receita Federal do Brasil, Delegados da Receita Federal do Brasil de Julgamento e InspetoresChefes da Receita Federal do Brasil das ALF e IRF de Classe Especial A, Especial B e Especial C incumbe ainda, no âmbito da respectiva jurisdição: (...) VII transferir, temporariamente, competências e atribuições entre unidades, subunidades e dirigentes subordinados, no interesse da administração. (...) (grifei) Portanto, também não se justifica a alegação da requerente de que somente o Delegado da Derat teria competência para prolatar decisão referente a seu pedido, pois o superintendente regional pode transferir as competências e atribuições entre as unidades da RFB de sua jurisdição, como aconteceu no caso em questão, com a edição da Portaria n° 34, de 2008, a fls. 31 e 32. Antes de adentrar na análise das intimações recebidas pela requerente e nos prazos concedidos, há que esclarecer que, como o presente não trata de um exercício de um direito qualquer, mas sim de concessão de um beneficio que implica renúncia fiscal por parte do ente tributante, a composição do valor do crédito pretendido deve ser devidamente comprovada por parte de quem o postula. Assim, cabe à requerente o ônus da comprovação da existência do crédito postulado. Na verdade, não se pode entender o crédito do PIS/Cofins nãocumulativo como o simples recebimento de um valor em dinheiro pela ocorrência de um fato: exportar. Ele está indissoluvelmente ligado à existência de impostos internos, o que lhe dá a natureza de efetivo beneficio fiscal. Desta forma, como se trata de pedido de natureza exoneratória e de interesse da própria requerente, esta deve contribuir, sempre que solicitada, para a análise do pedido, sob pena de indeferimento do pleito. Tal raciocínio é corroborado pelo artigo 24 da IN SRF n° 460, de 2004, abaixo transcrito , vigente à época da protocolização do pedido: Art. 24. A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referidoš direito bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos da pessoa jurídica a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (ressaltei) Destarte, quando intimada a apresentar documentos e/ou esclarecimentos que levam ao deslinde do processo deve agir com celeridade e presteza e não tentar procrastinar o atendimento das intimações. Quanto ao mérito, a postulante alega que apresentou os arquivos e documentos solicitados, mas, em vez de analisar a documentação e solicitar novos esclarecimentos, a fiscalização apenas proferiu o despacho indeferindo o pleito, sem demonstrar as razões do indeferimento, o que caracterizaria a falta de motivação do lançamento e o cerceamento do direito de defesa. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 13804.002619/200568 Acórdão n.º 3301005.965 S3C3T1 Fl. 673 10 Tais alegações não procedem, pois a contribuinte foi intimada e reintimada a apresentar os elementos necessários à análise do pleito, conforme documentos de fls. 126 a 129, 132 e 133, que sequer foram respondidas. Em duas oportunidades os auditoresfiscais realizaram diligências na sede da empresa, em São Paulo, com o fito de obter os documentos/esclarecimentos necessários, sendo que o representante da postulante alegava que não dispunha dos elementos requeridos. Também foi lavrado auto de embaraço à fiscalização, conforme documentos de fls. 134 e 135. Também carece de fundamentos as alegações de que os fiscais não foram razoáveis, que se furtaram a analisar os documentos e que contestaram apenas pequenos elementos componentes do crédito, mas não os demais, e ainda que deveriam continuar com as diligências, pois diante da negativa da postulante em apresentar os documentos solicitados não há o que se analisar. No que concerne à alegação de que seria impossível exercer suas atividades sem adquirir insumos, cumpre esclarecer que o indeferimento do pleito não foi devido ao fato de que a empresa não adquiriu insumos no período, mas sim porque as aquisições não foram comprovadas na forma e no valor em que foram consideradas pela contribuinte no Dacon, ou seja, pode haver aquisições que não gerem créditos, como as havidas de pessoas físicas, ou que gerem crédito parcial, ou ainda que para gerar crédito dependam da forma de utilização do bem ou serviço, e ainda outras situações específicas que somente podem ser esclarecidas se as operações forem detalhadas e, para isso, é preciso que a postulante forneça todos os elementos e esclarecimentos à fiscalização. Portanto, o fato de os créditos não terem sido atestados pela fiscalização não implica a conclusão de que as operações não aconteceram, mas sim que a requerente não logrou comprovar que as operações ocorreram da forma por ela declarada no Dacon e se deram origem a créditos da contribuição na forma por ela considerada. Como dito acima, por se tratar de~um pleito de natureza exoneratória e portanto onerosa para a Fazenda Publica, a unidade da RFB que o analisa tem por dever de oficio verificar os livros e documentos contábeis e fiscais da contribuinte para confirmação da existência do crédito e do seu valor. A postulante, por sua vez, haja vista que o interesse é somente dela e o processo foi por ela deflagrado, tem por obrigação atender a todas as intimações realizadas pela DRF e colaborar de todas as maneiras para a análise do crédito pleiteado. Assim, como o pedido foi formalizados em junho de 2005, conforme documento de fl. 1, e as intimações relativas a ele foram feitas a partir de setembro de 2009, portanto mais de quatro anos depois, houve tempo mais que suficiente para que os documentos estivessem, pelo menos em parte, previamente separados para a já aguardada solicitação da DRF para análise. Portanto, repitase, como o interesse era exclusivo seu, a interessada ao protocolizar o pedido já deveria ter à disposição da fiscalização todos os elementos de prova, no entanto, mesmo sendo intimada e reintimada diversas vezes e ter tido um prazo considerável, haja vista que entre a ciência da primeira intimação (17/09/2009, fl. 129) e a ciência do despacho decisório (04/02/2010, fl. 480), Fl. 673DF CARF MF Processo nº 13804.002619/200568 Acórdão n.º 3301005.965 S3C3T1 Fl. 674 11 transcorreram mais de quatro meses, os documentos/esclarecimentos não foram apresentados como solicitado. Quanto aos arquivos digitais, a obrigação de mantêlos à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) está prevista no art. Ilda Lei n° 8.218, de 1991, com a redação dada pela Medida Provisória (MP) n° 2.158, de 2001, verbis: Art.11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais g sistemas. pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (..) (realcei) O motivo para a recusa da entrega total da documentação, que seria a quantidade elevada de documentos, conforme a manifestação de inconformidade, não se justifica, visto que, de acordo com a intimação original de fis. 126 a 129, foram solicitados para entrega na repartição da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) apenas arquivos digitais, ou seja, não ocupariam espaço físico. Para o restante dos documentos, foi solicitado que ficassem à disposição da fiscalização no estabelecimento da empresa. Portanto, a “excessiva” quantidade de documentos contra a qual a requerente se insurge, seria formada apenas pelos arquivos contábeis digitais relativos a somente um trimestre. Portanto, não há que se falar em grande quantidade de documentos. Nem se alegue que paralelamente havia outros pedidos de ressarcimento protocolizados em outros processos e daí a existência da “grande quantidade”, pois se a interessada protocolizou vários pedidos referentes a diversos períodos deveria ter os documentos correspondentes a eles à mão, pois, como dito, tratase de um favor fiscal e de seu exclusivo interesse, e, como adrede demonstrado, houve tempo hábil para tanto, dado o tempo transcorrido entre os pedidos e as intimações. Os documentos que, segundo a interessada, confirmariam o crédito, anexados a fls. 521 a 535, tratase apenas de cópias do Livro de Entradas e do Dacon, documentos que não estavam entre os solicitados pela fiscalização. O fato de a interessada afirmar, agora na manifestação de inconformidade, que os documentos estão à disposição na sede da empresa, mesmo que, de fato, estejam, não muda a conclusão contida no despacho decisório em questão, pois a contribuinte deveria ter apresentado os documentos à fiscalização quando instada para tanto, tendo em vista que cabe à autoridade fiscal determinar como será feita a análise do pedido. Assim, nesta fase do procedimento, mesmo que a documentação fosse apresentada em sua totalidade, o que não é o caso, o direito da interessada de ter apreciado o mérito do seu pleito já precluiu, uma vez que, na fase impugnatória, cabe à instância julgadora somente a análise da manifestação de inconformidade e não do mérito do pedido, que inclui a auditoria do crédito, cuja competência, de acordo com a legislação de regência, é do Delegado da Receita Federal do Brasil. Concluindo, em resumo, a postulante, diferentemente do que ela argúi em sua manifestação de inconformidade, teve tempo e oportunidade para apresentar todos documentos/esclarecimentos solicitados. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 13804.002619/200568 Acórdão n.º 3301005.965 S3C3T1 Fl. 675 12 Recapitulando, primeiramente, porque o ônus era exclusivamente seu, já que postulava um beneficio fiscal e deveria ter os elementos de prova disponíveis, além disso, entre o pedido inicial e a primeira intimação transcorreram mais de quatro anos e entre esta e o despacho denegatório, mais de quatro meses. Afora o fato de que a interessada foi intimada e reintimada várias vezes a apresentar a documentação solicitada e tenha havido duas diligências infrutíferas para obtenção dos documentos. Portanto, transcorrido todo esse período, a requerente, além de não apresentar nenhum dos documentos solicitados, sequer atendeu às intimações, assim também não faria sentido que a fiscalização procrastinasse os trabalhos ad eternum para realização de mais diligências, como propõe a postulante. No que tange à alegação de falta de motivação para o indeferimento pois este somente sena possível caso a interessada não possuísse efetivamente o direito ao crédito, cumpre esclarecer que o mérito do pedido não chegou a ser analisado pelos motivos acima expostos e que quem deu causa a essa situação foi a própria requerente ao se recusar a colaborar com a análise. Tampouco há que se falar em não cumprimento do principio da verdade material, pois, da análise dos autos, fica cristalina a impossibilidade de se analisar o direito creditório por falta da documentação necessária causada pela recusa da interessada em apresentála e aos esclarecimentos solicitados. Quanto ao prazo decadencial, vale esclarecer que também não há que se falar em decadência para apresentação de documentos que comprovem saldo credor a ser ressarcido, pois, de acordo com o art. 24 da IN SRF n° 460, de 2004, acima transcrito, a autoridade pode condicionar o deferimento do direito creditório à apresentação da documentação comprobatória de sua composição. Ademais, de acordo com o art. 3° da IN SRF n° 387, de 2004, os contribuintes devem manter controle de todas as operações que influenciem a apuração do crédito, verbis: Art. 3° O sujeito passivo deverá manter controle de todas operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições referidas no art. 2” e dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos, na forma dos arts. 2°, 3”, 5”, 5°A, 7°e 11 da Lei n” 10.637, de 2002, dos arts. 2”, 3°, 4°, 6°, 9°e 12 da Lei n"10.833, de 2003, especialmente quanto: I às receitas sujeitas à apuração da contribuição em conformidade com o art 2 da Lei n” 10.637, de 2002, e com o art. 2°da Lei n° 10.833, de 2003; II às aquisições e aos pagamentos efetuadas a pessoas jurídicas domiciliados no Pais; III aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no inciso I; IV aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação e de vendas a empresas comerciais exportadoras com fim especifico de exportação, que estariam sujeitas à apuração das contribuições em conformidade com o art. 2° da Lei rt” 10.63 7. de 2002, e com o art. 2° da Lei n” 10.833, de 2003, caso as vendas fossem destinadas ao mercado interno; e V ao estoque de abertura, nas hipóteses previstas no art. 11 da Lei n° 10.63 7, de 2002, e no art. 12 da Lei n° 10.833, de 2003. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 13804.002619/200568 Acórdão n.º 3301005.965 S3C3T1 Fl. 676 13 Parágrafo único. O controle a que se refere 0 caput deverá abranger as informações necessárias para a segregação de receitas referida no § 82 do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, e no § 8” do art. 39 da Lei n” 10.833, de 2003, observado o disposto Ano art. 100 da Instrução Normativa n” 247, de 21 de novembro de 2002. (ressaltei) Em relação à homologação tácita das Declaração de Compensação (DCOMP), esclarecese que o prazo para que tal fenômeno ocorra, previsto no art. 74, § 5°, da Lei ng 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei ng 10.833, de 2003, é de cinco anos contados da data da entrega da declaração. Assim, como a DCOMP, relativa a este pedido, mais antiga foi apresentada em 30/06/2005, conforme documento de fl. 461, e o despacho decisório que denegou o pedido foi cientificado à interessada em 04/02/2010 (fl. 480), nenhuma declaração vinculada ao presente foi homologada tacitamente. Diante do exposto podese concluir que não há reparos a se fazer ao despacho decisório de fls. 473 a 478, que não reconheceu o direito creditório pleiteado e considerou não homologadas as DCOMP a ele vinculadas, por impossibilidade material de apreciação do pedido, haja vista a nãoapresentação dos elementos solicitados. Sendo assim, deixase de analisar a alegação referente à aplicação da taxa de juros do Selic ao crédito por desnecessário. Indeferese a perícia solicitada, haja vista que o cumprimento dos seus quesitos, conforme fl. 501, na verdade, equivaleria, na prática, à própria apreciação do pleito. Entretanto, tal apreciação, de acordo com a legislação de regência, deve ser realizada pela DRF, fato que a recorrente, ao se recusar a colaborar, não permitiu que a fiscalização o fizesse, e não por um perito nomeado pela própria requerente. O papel deste se limitaria a elucidar alguma pendência técnica que a postulante considerasse não devidamente apreciada pela autoridade a quo. Portanto, no caso em exame, considerase desnecessária a diligência proposta pela postulante, por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. Com efeito, a perícia somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. Assim, após se recusar a colaborar com a fiscalização na forma solicitada e não atender integralmente às intimações realizadas, não cabe nomear um perito para demonstrar a correção do pedido. Quanto ao pedido de suspensão da exigibilidade dos débitos objeto da compensação, esclarecese que este processo, referente a pedido de ressarcimento, não é o meio adequado para tanto. Tal pleito deve ser interposto contra o ato que exigir os tributos em questão. No entanto, vale assinalar que, a teor do art. 17 da Lei n° 10.833, de 2003, a apresentação da manifestação de inconformidade e do recurso contra decisão que deixa de homologar DCOMP suspende a exigibilidade dos débitos objeto da compensação. Fl. 676DF CARF MF Processo nº 13804.002619/200568 Acórdão n.º 3301005.965 S3C3T1 Fl. 677 14 Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório postulado." Cumpre fazer uma única ressalva ao voto condutor da decisão de piso. O relator mencionou que não é possível a apresentação de documentos na fase impugnatória, o que está em desacordo com o § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, que assim dispõe: "Art. 16. A impugnação mencionará: (. . .) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (. . .)" (g.n.) Não obstante, tal equívoco não comprometeu sua conclusão. A recorrente não comprovou a legitimidade dos créditos cujo ressarcimento pleiteou, apesar de lhe competir tal ônus, nos termos do inciso I do art. 373 da Lei n° 13.105/15 (Código de Processo Civil). Desta forma, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 677DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.906892/2012-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2009 a 31/08/2009
PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a não-homologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa.
AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2009 a 31/08/2009 PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a não-homologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COFINS Recorrente ELRING KLINGER DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2009 a 31/08/2009 PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a nãohomologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 68 92 /2 01 2- 18 Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 13888.906892/201218 Acórdão n.º 3002000.615 S3C0T2 Fl. 1.138 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP (fl. 38/43), cujo crédito teria origem em recolhimento da COFINS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme despacho decisório (fl. 18), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Após ser intimada da decisão, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade e a instruiu com atos constitutivos e de representação da empresa, o Despacho Decisório, o Dacon retificador e o Per/Dcomp original. Em seqüência, analisando os argumentos apresentados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por Acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2009 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 13888.906892/201218 Acórdão n.º 3002000.615 S3C0T2 Fl. 1.139 3 Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, e a tramitação do processo se dá em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 63/73), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, alegando cerceamento do direito de defesa, tanto do Despacho Decisório, como do Acórdão recorrido, e, no mérito repisa argumentos já apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. Anexa aos autos novos documentos. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Esta Turma Julgadora já teve, recentemente, oportunidade de se debruçar exatamente sobre matéria, situação fática e probatória semelhantes as constantes nos presentes autos em outros processos da mesma contribuinte. Como exemplo desse fato, citese o processo administrativo nº 13888.906857/201291, no qual foi proferido o Acórdão nº 3002 000.523 da relatoria da Ilustre Conselheira Larissa Nunes Girard. Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 13888.906892/201218 Acórdão n.º 3002000.615 S3C0T2 Fl. 1.140 4 Assim, por entender que o Acórdão citado espelha perfeitamente o meu entendimento sobre a matéria posta em análise no processo atual, reproduzo excerto daquele voto condutor e adoto como razões de decidir os fundamentos ali lançados: "Preliminar de Nulidade – Cerceamento de Defesa Na alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a recorrente defende que, em prol da verdade material, deveria a autoridade administrativa ter analisado os documentos juntados e solicitado novos documentos (e/ou diligência) para apurar mais alguma informação necessária para a decisão. Prossegue afirmando que a divergência entre Dacon e DCTF não seria motivo suficiente para o indeferimento do pedido, visto que a DCTF por si só não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, motivo pelo o qual deveria o julgador ter procurado esclarecer a razão da divergência entre Dacon e DCTF, em uma análise mais cuidadosa da situação, e que o cerceamento se configura por não ter havido fundamentação baseada na análise dos documentos apresentados. De pronto, chama a atenção a inversão de papéis e responsabilidades pretendida pela recorrente. O que temos, de fato, ao longo de todo este processo, são falhas na atuação do contribuinte. Quando fez a transmissão da declaração de compensação, ela estava em desacordo tanto com o Dacon quanto com a DCTF. Ao se aperceber da divergência, providenciou a retificação apenas do Dacon, mas não da DCTF, que é uma declaração que tem o poder de uma confissão de dívida. Posteriormente, ao protocolar sua manifestação de inconformidade, mesmo sabedor do não provimento do seu pedido, não trouxe aos autos eventuais provas que pudesse ter sobre o montante do débito que considerava realmente devido. Limitouse a juntar o Dacon retificador, documento ao qual a DRJ já tinha acesso. E agora, nesta fase, após a segunda negativa a seu pleito, junta notas fiscais em valor insuficiente para respaldar a redução do débito realizada e protesta contra a omissão da Administração Fazendária, que não teria se ocupado de produzir as provas que a ele caberia. É cediço que, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, cabe ao contribuinte, aquele que alega o direito, o ônus da produção da prova. Tal entendimento, aplicado de forma pacífica nos diversos colegiados do Carf, sustentase no Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União. Por ele, vemos em seu art. 28 que cabe ao interessado a prova dos fatos que alega. Igualmente podemos nos socorrer do Código de Processo Civil, que estabelece em seu art. 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 13888.906892/201218 Acórdão n.º 3002000.615 S3C0T2 Fl. 1.141 5 Portanto, se o contribuinte não exerceu o seu direito no momento e na forma que deveria, não cabe inculpar a Administração por sua desatenção. O Decreto nº 70.235/1972 (PAF) estabelece que a manifestação de inconformidade deve conter os argumentos e provas necessários para a demonstração do que se alega, nos seguintes termos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (grifado) Fica claro pelo texto legal que a recorrente deveria ter produzido as provas quando apresentou sua impugnação/manifestação de inconformidade. No que tange à reclamação pela ausência de diligência, deve ser esclarecido que se trata de procedimento facultativo, disponível para o julgador quando há dúvida substancial, que deve ser sanada para que seja possível a tomada de decisão, nos termos do que dispõe o PAF em seu art. 18, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifado) Segundo se depreende do voto do Acórdão da DRJ, não houve qualquer incerteza que justificasse a determinação de ofício de realização de diligência. Como, de sua parte, o contribuinte também não solicitou o procedimento, possibilidade prevista no PAF, não cabe reclamar do julgador que entendeu existirem elementos suficientes para a decisão e assim a proferiu. Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 13888.906892/201218 Acórdão n.º 3002000.615 S3C0T2 Fl. 1.142 6 Cabem ainda algumas considerações sobre o PER/Dcomp e o despacho decisório. A declaração de compensação (Per/Dcomp) que se analisa teve tratamento eletrônico, que consiste no cruzamento dos dados informados pelo contribuinte em suas declarações, em busca de se encontrar, ao menos, consistência e coerência nas informações, de modo a permitir o deferimento do pleito. Essa sistemática visa ao processamento rápido de um número expressivo de compensações, o que não se alcança com a análise manual. De se ressaltar que esse batimento de dados não é apto para verificar a fidedignidade contidos nas declarações, mas tão somente a coerência entre eles, de tal forma que o mínimo que se exige do contribuinte nesta fase é que preste a mesma informação em sua declaração de compensação e em sua DCTF. Caso se constate divergência, a compensação é indeferida e o contribuinte tem a oportunidade de apresentar explicações e documentos que irão demonstrar o seu direito ao crédito. Portanto, ainda que a verificação eletrônica consista em um procedimento préestabelecido e limitado, de forma alguma o direito de argumentar, explicar ou se defender é reduzido ou retirado do contribuinte. Fazse necessário, ainda, o esclarecimento sobre o propósito e alcance de cada declaração, aspectos que a recorrente trata com impropriedade e tenta utilizar como forma de desacreditar as decisões. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) constitui confissão de dívida, instrumento hábil e suficiente para a cobrança administrativa, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984, sendo enviada para inscrição na Divida Ativa da União em caso de não liquidação dos débitos, e, por isso, é a declaração que a Receita Federal utiliza em suas verificações. O Dacon, por sua vez, é mero demonstrativo da apuração das contribuições sociais, prestandose a detalhar para a Receita Federal como o contribuinte encontrou o valor declarado em DCTF e auxiliar a fiscalização. O Dacon não tem o mesmo status jurídico da DCTF. Por esse motivo, o que consta no Dacon é indício de direito, mas não prova, não havendo qualquer mácula na fundamentação da decisão de primeira instância quando afirma que a retificação de Dacon, destituída de documentos que comprovem a redução do débito não faz prova do direito creditório. (...) Igualmente descabido é o argumento de que a DRJ teria ignorado as alegações e argumentos juntados pela recorrente, sem considerálos em sua decisão. A leitura do voto é suficiente para demonstrar o que se afirma e, por isso, transcrevo a parte final do acórdão recorrido: Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 13888.906892/201218 Acórdão n.º 3002000.615 S3C0T2 Fl. 1.143 7 "No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. Na falta de comprovação do erro, a divergência entre os valores informados em Dacon e DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido de restituição ou da compensação. Nesse ponto, cabe assinalar que a simples indicação de supostos valores corretos em Dacon retificador ou em demonstrativo integrante da manifestação de inconformidade não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas originalmente na DCTF, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior no período considerado e atestar a certeza e liquidez do crédito." (...) Dessa maneira, concluo que não há vício nas decisões que integram este processo, pois estão fundamentadas, foram proferidas por autoridades competentes, os prazos e ciências foram respeitados, os argumentos e o único documento pertinente juntado à manifestação de inconformidade foi analisado. Ademais, e tratase de aspecto elementar para a caracterização do cerceamento de defesa, pelo conteúdo das peças recursais, vêse que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente o motivo da denegação do seu pedido. Pelo o exposto, afasto a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Mérito Tendo compreendido que a mera retificação do Dacon, desacompanhada de documentação que justificasse a redução do débito confessado, não era suficiente para demonstrar o direito, a recorrente traz aos autos provas documentais, pela primeira vez, na fase de recurso voluntário. E requer a sua apreciação, sem maiores considerações sobre o fato de fazêlo intempestivamente. Sobre esse ponto, então, irá residir o cerne deste julgamento. A compensação somente pode ser concedida para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional, e, como já mencionado, que a demonstração da certeza e liquidez nos casos de compensação é ônus que recai sobre o requerente. Assim sendo, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazêlo é quando da apresentação da manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235/1972, que assim instituiu: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 13888.906892/201218 Acórdão n.º 3002000.615 S3C0T2 Fl. 1.144 8 (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Do exposto, extraímos que a recorrente deveria ter juntado a documentação necessária para comprovar o seu direito quando decidiu recorrer do despacho decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo sujeito passivo a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, suprimimos o exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância, em desfavor do contraditório e do rito processual estabelecido no referido Decreto. Consoante ainda o art. 16, transcrito acima, preclui o direito da recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior ou a existência de novos fatos ou razões, ocorridos ou trazidos aos autos após a juntada da manifestação. Ainda sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição fundamentada, na qual fique demonstrada a ocorrência de alguma das exceções. Conforme já abordado, no momento do despacho decisório havia informação discrepante sobre o real débito de Cofins, prestada pelo próprio contribuinte, que desconsiderou que a redução de débitos confessados em DCTF deveria estar amparada por documentos fiscais e contábeis, hábeis a comprovála, como determina o art. 147 do CTN: Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 13888.906892/201218 Acórdão n.º 3002000.615 S3C0T2 Fl. 1.145 9 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Por esse motivo as instruções normativas da Receita Federal que disciplinavam o Dacon, já extinto, determinavam que a pessoa jurídica que retificasse esse Demonstrativo deveria também apresentar DCTF retificadora, confirmando a concepção de que o conteúdo do Dacon pode ser indício de direito, mas não faz prova. É pacífico neste Colegiado que a ausência de retificação da DCTF pode ser superada pela comprovação do direito ao crédito por meio de documentos fiscais e contábeis hábeis e suficientes, mas a manifestação de inconformidade foi instruída apenas com a retificadora do Dacon, que não tem valor de prova, e agora foram juntadas algumas notas fiscais, por amostragem, insuficientes para cobrir a redução que débitos que se pretende, sem justificativa para a apresentação tardia dessa documentação. Incontestável que a situação não se enquadra em nenhuma das alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto e está configurada, por conseqüência, a preclusão temporal. Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal, mas não absoluto, como muitas vezes se pretende. Deve o julgador procurar o equilíbrio com os demais princípios, em especial como os princípios da legalidade e do devido processo legal, principalmente porque se trata de afastar a aplicação de um dispositivo legal que determina expressamente a preclusão. Para tanto, é requisito que o contribuinte tenha exercido seu papel de tentar demonstrar o direito quando devido, ou seja, na interposição da manifestação de inconformidade. Nesse contexto, as provas apresentadas com o recurso voluntário poderiam ser conhecidas com o objetivo de esclarecer um ponto obscuro, complementar uma demonstração já iniciada ou reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo próprio do desenvolvimento da marcha processual. O que se configura inadmissível é a invocação da busca da verdade material com vistas a propiciar ao recorrente a oportunidade de suprir sua própria omissão em fase anterior, que é o que ocorre nestes autos. Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 13888.906892/201218 Acórdão n.º 3002000.615 S3C0T2 Fl. 1.146 10 Tal entendimento é o que prevalece atualmente em diversos colegiados no Carf. A ver os Acórdãos seguintes, todos proferidos em julgamentos realizados em 2018: nº 3201003.476 do conselheiro Marcelo Vieira e nº 1302002.731 do conselheiro Flávio Dias, representativos de decisões em Turmas Ordinárias de diferentes Seções de Julgamento, bem como o Acórdão nº 9303007.555, do conselheiro Luiz Eduardo Santos, nº 9303 006.241, da conselheira Vanessa Cecconello, e nº 9303007.334, do conselheiro Demes Brito, todos da 3ª Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Transcrevese, a título complementar, as razões de decidir da conselheira relatora Vanessa Cecconello no Acórdão nº 9303 006.241, pela pertinência no presente caso: "Esclareçase não se estar privilegiando o formalismo exacerbado em detrimento do princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal. Ocorre que não ficou demonstrada no caso em exame qualquer das hipóteses autorizadoras do acolhimento das provas apresentadas somente na fase recursal, quais sejam: (a) impossibilidade de apresentação oportuna, por força maior; (b) sejam referentes a fato ou a direito supervenientes ou, ainda, (c) destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente veiculados nos autos. Somese aos fundamentos até aqui expendidos, que, conforme consignado no acórdão recorrido, mesmo sendo admitidos os documentos fiscais e contábeis trazidos pelo Sujeito Passivo em sede de recurso voluntário, não seriam suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do indébito tributário. Por conseguinte, demandaria a reabertura da fase de instrução do processo para que a Contribuinte colacionasse aos autos outras provas complementares, as quais provavelmente estavam em seu poder quando da apresentação da manifestação de inconformidade, providência incabível, nesse caso, em sede de recurso. Admitirseia a análise de argumentos e provas novas se os mesmos tivessem sido apresentados com a manifestação de inconformidade e, somente no julgamento da mesma por meio de acórdão, tivessem sido considerados por insuficientes. Nessa hipótese, em prol da busca da verdade real dos fatos e demonstrando, a empresa, o intuito de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, poderseia acolher a complementação das alegações e do conjunto probatório trazido ao processo. Nesse diapasão, os argumentos e provas não trazidos em sede de manifestação de inconformidade, mas tão somente em sede de recurso voluntário e não comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, são considerados preclusos, não podendo ser analisados por este Conselho em sede recursal. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Contribuinte." Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 13888.906892/201218 Acórdão n.º 3002000.615 S3C0T2 Fl. 1.147 11 Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 1147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.900108/2009-91
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ART. 170 do CTN.
A comprovação deficiente do indébito fiscal que se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal
Numero da decisão: 1003-000.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ART. 170 do CTN. A comprovação deficiente do indébito fiscal que se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 01 08 /2 00 9- 91 Fl. 61DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão de 1027.165, proferido pela 5ª Turma da DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não homologando a compensação declarada. Analisando os autos, verificase que a Recorrente efetuou a transmissão do PER/DCOMP n° 18645.18417.290704.1.3.046636 informando a compensação efetuada relativamente a suposto direito creditório a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ). As informações relativas ao suposto direito creditório foram analisadas e concluiuse pelo indeferimento do pedido inexistência do crédito, mediante o Despacho, exarado eletronicamente, (fls. 04), em que constou: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 14.440,47 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Discordando do referido despacho decisório, que não homologou compensações com base nesse valor, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando: a) a existência de pagamento a maior do tributo; b) que as divergências foram devidas a erro no preenchimento da DCTF/2002; c) as informações de recolhimentos de IRPJ e CSLL não foram relacionadas no trimestre de sua competência e sim no último trimestre e d) que na DIPJ 2002 também não relacionou os pagamentos por estimativa. Por sua vez, a DRJ/CTA ao apreciar a dita Manifestação de Inconformidade, entendeu por bem julgála improcedente e manter o despacho decisório Referido acórdão da DRJ restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11040.900108/200991 Acórdão n.º 1003000.525 S1C0T3 Fl. 3 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário, reproduzindo os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade outrora ofertada no sentido de supostamente estaria demonstrada a ocorrência de pagamento a maior de IRPJ, justificandose, assim, o direito à compensação em homenagem ao princípio da verdade material. Alegou, ainda, que por motivos alheios a sua vontade, não foi possível efetuar a retificação da DIPJ, razão pela qual a decisão recorrida entendeu por não reconhecer/vincular o crédito respectivo. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Em suas razões recursais, a Recorrente, basicamente, reproduziu os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade na tentativa frustrada de comprovar o alegado direito creditório. Como bem consta no acórdão recorrido, o qual não merece reforma, do exame dos argumentos delineados e das cópias acostadas aos autos, a Recorrente não logrou êxito em comprovar documentalmente o direito creditório alegado. A propósito, citase trecho do mencionado acórdão tomandoo como fundamento deste, por entender que o mesmo não merecer reforma por ser irretocável sua fundamentação: A liquidez e certeza dos créditos oferecidos em compensação é pressuposto para ela seja homologada (art. 170 do CTN). A existência de erro não foi confirmada por meio de provas (art. 15 e art. 16, § 4°, do Decreto 70.235/72). O ônus da prova é exclusivo de quem alega o direito (art. 333 do Código de Processo Civil). Fl. 63DF CARF MF 4 A contribuinte não tem razão porque o valor do Darf sugerido como crédito já foi utilizado para quitar o débito de estimativa mensal a que estava vinculado. Portanto, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN1), concluise que não deve Secretaria da Receita Federal homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como de fato ocorreu in casu, notadamente com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte em declarações ou demonstrativos por ele entregues. Ora, o crédito usado em compensação deve estar disponível na data da transmissão da PERDCOMP, ou seja, o crédito deve ser líquido e certo naquele momento, fato que não se deu no presente caso, pois, de acordo com os documentos que instruem os autos, não é possível a comprovação do crédito pleiteado, nem tampouco homologação da declaração de compensação efetuada. Nesta senda, a compensação válida pressupõe o encontro de valores líquidos e certos, inclusive, harmônicos com todos os registros e declarações do interessado, não podendo estar presentes incertezas e dúvidas para o cotejo de contas. Ademais, em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, incumbindolhe, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Frisese que é do contribuinte o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do direito creditório. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Por outro lado, no tocante ao argumento de que se a DIPJ tivesse sido retificada o direito creditório teria sido reconhecido, entendo que tal alegação não encontra êxito, pois, como bem decidido pela DRF, na verdade o que ocorreu é que o valor do Darf informado como crédito, fora utilizado para quitar o débito de estimativa mensal a que estava vinculado. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11040.900108/200991 Acórdão n.º 1003000.525 S1C0T3 Fl. 4 5 Em tempo, consultando os demais processos sobre a questão que foram apresentados pela própria Recorrente, identificouse que a matéria semelhante à analisada nos nestes autos foi julgada pela 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária (Processo 1040.900104/200911 Acórdão de nº 1402002.) e seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Considerando tal fato, e para evitar decisões divergentes sobre a mesma matéria, é devida a aplicação da decisão paradigma ao presente processo, em que negouse provimento ao recurso voluntário e ficou assim decidido. "Desta forma, como não foi possível aferir a liquidez e certeza dos créditos oferecidos à compensação, pressuposto para a homologação (art. 170, CTN), pela inexistência de documentos que pudessem comprovar o quanto alegado pelo contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância e a não homologação das compensações declaradas". Ante o exposto, em razão da decisão paradigma antes citada e das razões ora expostas, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o não reconhecimento do direito creditório em questão, e, por conseguinte, a não homologação da compensação pleiteada. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13154.000511/2008-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA PUNITIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF nº 49).
Numero da decisão: 1302-003.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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INCONSTITUCIONALIDADE. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA PUNITIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. A denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF nº 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 4. 00 05 11 /2 00 8- 85 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13154.000511/200885 Acórdão n.º 1302003.440 S1C3T2 Fl. 77 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em relação ao Acórdão nº 0419.995, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (fls. 42 a 44), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE INFORMAÇOES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS DIMOB. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. ESPONTANEIDADE. Comprovada que a declaração foi entregue fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, é de se manter a multa aplicada." A decisão recorrida, assim, resumiu os autos: "UNIQUE CONSTRUTORA E IMOBILIÁRIA LTDA., acima qualificada, foi autuada a recolher a Multa por Atraso na Entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) relativa ao anocalendário 2006, no valor de R$ 60.000,00, conforme Notificação de Lançamento de fls. 25. A contribuinte apresentou impugnação em 11/04/2008 (fls. 01 15), alegando, em síntese, o seguinte: a) a apresentação das declarações foi feito de forma espontânea, antes da prática de qualquer ato por parte da Receita Federal. Dessa forma, evidenciada a espontaneidade temse como consequência inexorável a exclusão da sua responsabilidade relativa à multa pelo atraso na entrega das DIMOB, nos termos do art. 138, do Código Tributário Nacional; b) a aplicabilidade do art. 138 do CTN, tanto às multas punitivas quanto às moratórias, é um ponto que deve ser realçado, conforme o entendimento da jurisprudência adminsitrativa e dos nossos tribunais, conforme ementas de acórdãos que transcreveu; c) a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que ofende o disposto no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal, que veda o confisco e proibe expressamente a utilização de tributo com efeito de confisco, sendo inegável que tal regra deve ser aplicável também às multas tributárias, tanto as moratórias como, no caso presente, a punitiva, Aqui, observase que a multa aplicada de R$ 60.000,00 é maior que o valor das operações Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13154.000511/200885 Acórdão n.º 1302003.440 S1C3T2 Fl. 78 3 informadas nas DIMOB, de R$ 50.000,00 representado pela venda de lote. Por fim, requereu seja acolhida e dado provimento à impugnação e cancelada a notificação fiscal." Os julgadores a quo entenderam não caber manifestação de sua parte quanto à alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, e registraram o entendimento de que o art. 150, inciso IV, da Constituição se refere a tributo e não a multas. Decidiram, ainda, que o instituto da denúncia espontânea trata da obrigação principal, não sendo aplicável ao descumprimento de obrigação acessória. Por fim, consideraram irrelevante a questão do valor da multa ser superior ao da operação declarada e registraram que a boafé da contribuinte não a libera do encargo, posto que a responsabilidade por infração é objetiva. Após a ciência, o sujeito passivo principal apresentou o Recurso Voluntário de fls. 54 a 69, de teor igual ao da Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1. Do conhecimento do Recurso O sujeito passivo foi cientificado, pessoalmente, em 19 de maio de 2010 (fl. 44), tendo apresentado Recurso Voluntário em 18 de junho de 2010, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado pelo responsável legal da Recorrente. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso VI, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2. Do Mérito As únicas alegações apresentadas pela Recorrente dizem respeito a: a) configuração da denúncia espontânea, por meio da apresentação da Dimob, o que excluiria a multa punitiva; b) o valor da multa aplicada configuraria violação à vedação constitucional constante do art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13154.000511/200885 Acórdão n.º 1302003.440 S1C3T2 Fl. 79 4 Ambas matérias são objeto de enunciados de Súmulas por parte do CARF: "Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)" Cabe, portanto, a observância das referidas Súmulas, de modo que voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.920504/2009-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DE INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. EFEITOS.
A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
Numero da decisão: 9202-007.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DE INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 05 04 /2 00 9- 80 Fl. 162DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso especial interposto pelo Contribuinte, acima identificado, em face do Acórdão nº 2201004.324, proferido na Sessão de 07 de março de 2018, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: DCTF Retificadora. Mais especificamente se a simples entrega de declaração retificadora, desacompanhada de elementos comprobatórios, pode ser admitida para alterar despacho decisório de não homologação de compensação, baseado na declaração retificada. Em exame preliminar de admissibilidade da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo, nos termos do Despacho de efls. 126 a 131. Em suas razões recursais a Contribuinte aduz, em síntese, que o Despacho Decisório que não homologou a compensação e que foi considerado válido pela primeira e pela segunda instância de julgamento carece de fundamentação legal; que é inaceitável o fundamento do recorrido para não declarar a nulidade do despacho decisório, que indicava de forma sumária os fatos e os dispositivos legais; que a Contribuinte, equivocadamente, informou na DCTF originalmente apresentada débito de Cofins quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório, porém, posteriormente constatou o pagamento a maior do referido débito, sendo claro o direito creditório; que o mero erro material no preenchimento da DCTF não pode operar quaisquer efeitos negativos ao contribuinte, mormente quando esta é posteriormente retificada; que a .Recorrente não discorda de que a prova do crédito pode ser trazida aos autos posteriormente ao despacho decisório, o que fez, porém o julgador as considerou insuficientes. Por fim, formula pedido, nos seguintes termos: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.920504/200980 Acórdão n.º 9202007.516 CSRFT2 Fl. 3 3 Pelo exposto, a Recorrente espera e requer que seja conhecido e provido o seu Recurso Especial para reformar o Acórdão recorrido fazendo prevalecer o entendimento do Acórdão paradigma, procedendose, consequentemente, a imediata baixa em diligência do caso em tela, a fim de apurar a regularidade dos créditos em questão, para, ao final, confirmar in totum a compensação declarada. Cientificada do Recurso Especial da Contribuinte e do Despacho que lhe deu seguimento em 02/07/2016 (efls. 132), a Fazenda Nacional apresentou, em 03/07/2018, tempestivamente, as Contrarrazões de efls. nº 133 a 141 nas quais aduz, em síntese, que, como a própria contribuinte reconhece, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF; que somente na manifestação de inconformidade é que o Fisco teve ciência de que a contribuinte entendia ter havido erro no preenchimento das DCTF; que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equívoco cometido na elaboração da declaração original; que a contribuinte trouxe os documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal pedido; que a ocasião para apresentação de provas, visando a comprovar o equívoco cometido no preenchimento da DCTF, é no ato de apresentação da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a contribuinte fazêlo em outra oportunidade. que, até a presente data, dez meses após a apresentação da manifestação de inconformidade, nenhuma documentação foi apresentada pela contribuinte, que se limitou a apresentar DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele Conheço. Antes de examinar o mérito, um breve resumo dos fatos. A Contribuinte apresentou DCOMP em que pleiteou a liquidação de débito de Cofins com supostos créditos de IRRF (efls. 02 a 04). A compensação não foi homologada em razão da inexistência dos créditos de IRRF para compensação. (efls. 05 a 06). A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual aduziu, em apertada síntese, que a inexistência dos alegados créditos ocorreu apenas porque não teria retificado DCTF na qual informara indevidamente débito de IRRF já quitado, no valor referido no Despacho Decisória, mas que apresentou posteriormente DCTF retificadora. A DRF/São Paulo/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, com base em síntese, no fundamentos de que DCTF apresentada após o Despacho Decisório não tem o condão de alterar a decisão proferida, pois o que a DRJ e o CARF julgam é a regularidade da decisão em face dos fatos que o Fl. 164DF CARF MF 4 embasaram e que a DCTF retificadora deve vir acompanhada dos elementos comprobatório dos erros apontados e, ainda, que os elementos apresentados eram insuficientes para fazer tal prova. A Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, ao qual se negou provimento, confirmandose a decisão da DRJ. É contra esta decisão que o Contribuinte se insurge, mais especificamente sobre a admissibilidade da DCTF para alterar Despacho Decisório de não homologação de compensação, desacompanhada de elementos comprobatórios dos alegados erros. Entendeu o Acórdão Recorrido que, como a DCTF foi apresentada após a expedição do Despacho Decisório de não homologação, a simples apresentação da DCTF, desacompanhada das provas suficientes do erro no preenchimento da declaração original, não teria o efeito de desconstituir aquela decisão; em sentido oposto, entendeu o Paradigma Acórdão nº 330201.406 que, como a declaração retificadora substitui a declaração original para todos os efeitos, teria havido a inversão do ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar a inexistência do crédito alegado. Concordo com o fundamento do acórdão recorrido de que o Despacho Decisório que não homologou a compensação não merece reparos, pois foi expedido com base nos elementos à disposição da Autoridade Administrativa à época da análise da DCOMP, ocasião em que, de acordo com a DCTF originalmente apresentada, não havia crédito de IRRF. A DCTF é instrumento de confissão de dívida, a teor do art. 5º, § 1º, do Decreto nº 2.124, de 1984. Confirase: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. [...] Portanto, se à época da apresentação do PER/DCOMP e de sua posterior análise pela Autoridade Administrativa o contribuinte tinha apresentado DCTF confessando débito ao qual vinculou determinado pagamento, o valor correspondente a esse pagamento não estava disponível para compensação. E se é assim, o despacho de não homologação do PER/DCOMP não poderia ter outro desfecho. O paradigma, por outro lado, incorre em erro, data maxima venia, ao proclamar que, como a DCTF retificadora substitui a originalmente apresentada em todos os seus efeitos, sua apresentação inverte o ônus da prova. Não inverte. É ônus do sujeito passivo comprovar os dados informados em suas declarações. Assim, tanto no caso de apresentação de DCTF, tanto original quanto retificadora, bem como de DCOMP, o contribuinte tem o ônus comprovar os dados ali informados, e a Autoridade Administrativa tem o poderdever de apurar a veracidade dessas informações. A possibilidade de retificação da DCTF após expedição do Despacho Decisório relativo a PER/DCOMP e seu tratamento foi analisada pela Receita Federal no Parecer Normativo nº 02, de 28 de agosto de 2015. Eis sua ementa: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.920504/200980 Acórdão n.º 9202007.516 CSRFT2 Fl. 4 5 POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declarada s em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. Fl. 166DF CARF MF 6 O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.17 2, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. Em trecho em que se analisa, hipoteticamente, situação idêntica à ora em análise, diz o Parecer: 18. Portanto, mesmo depois da ciência do despacho decisório, pode o interessado apresentar manifestação de inconformidade alegando essencialmente que cometeu equívoco na apresentação da DCTF que respaldaria o crédito pretendido e informando a transmissão da correspondente DCTF retificadora com o intuito de reduzir ou excluir débito tributário confessado. 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). Esse valor, entretanto, tornouse disponível no trâmite do processo administrativo fiscal. Caso o despacho decisório do indeferimento daquele crédito (ou da não homologação da DCOMP) decorreu apenas dessa hipótese preliminar, o órgão julgador poderá baixar o processo administrativo fiscal em diligência, nos termos do art. 18 do PAF, a fim de analisar as questões fáticas envolvendo a análise do crédito. Notese que tal procedimento é fundamental para a segurança do crédito, pois, a princípio, é a DRF que tem as condições de avaliar se aquele crédito já não foi alocado em outro PER/DCOMP, além de questões meramente monetárias que podem gerar improcedência parcial, nos termos dos itens 18.4 e seguintes. Caso a DRJ assim não proceda, o julgador então deverá verificar a efetiva disponibilidade daquele crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), se os valores estão corretos e se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.920504/200980 Acórdão n.º 9202007.516 CSRFT2 Fl. 5 7 18.2. Havendo a baixa em diligência, caso não haja questão de direito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF (ou congênere) deverá rever o despacho decisório, e caso defira integralmente aquele crédito (inclusive homologando integralmente a DCOMP), a lide deixa de ter objeto. Nesse caso, em respeito ao princípio da economia processual, encerrase a competência da DRJ, pois o art. 233 do Regimento Interno dá competência a ela para julgar litígio, o que não mais subsiste. 18.3 Entretanto, na situação anterior, se houver questão de direito a ser analisada no processo administrativo fiscal pela DRJ, a DRF deverá informar as questões fáticas requeridas em diligência, e a lide deverá ser normalmente julgada pela DRJ. Vale dizer, a DRF apenas deve analisar situações fáticas, considerando que a DRJ tenha acatado as questões de direito trazidas pelo sujeito passivo. Sobre o conceito de erro de fato e de direito, ele foi abordado no Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014: Sinteticamente, temse como erro de fato aquele relacionado ao “conhecimento da existência de determinada situação”, que “reclama o desconhecimento de sua existência ou a impossibilidade de sua comprovação à época da constituição do crédito tributário”; enquanto o erro de direito é “consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma”, um “equívoco na valoração jurídica dos fatos” (STJ: AgRg no Recurso Especial nº 1.347.324 – RS, DJe: 14/08/2013; Recurso Especial nº 1.130.545 – RJ, DJe: 22/02/2011). 18.4 Já quando o despacho decisório não for integralmente alterado, ou seja, a restituição não for integralmente deferida (ou a DCOMP não homologada totalmente) por alguma outra questão não objeto da lide, conforme parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser informado para manifestarse no prazo de trinta dias, após o que o processo retornará para julgamento, sem prejuízo da possibilidade de o sujeito passivo concordar com os valores considerados pela DRF na revisão do despacho decisório decorrente da diligência por ela feita e renunciar ao processo administrativo fiscal, aplicandose o disposto na parte final do item 18.2. 18.5. Uma situação deve ficar clara: sempre haverá uma análise da autoridade fiscal/julgadora na situação pretérita daquele caso, mormente quando ela discorda das razões apresentadas pelo sujeito passivo. Nesse caso, a despeito da retificação da DCTF, dentro do seu livre convencimento, a autoridade fiscal/julgadora pode não dar provimento à manifestação de inconformidade, não tendo que se falar no procedimento descrito no item anterior. Afinal, não tendo sido retificada a DCTF previamente à transmissão do PER/DCOMP, o ônus passa a ser do sujeito passivo, conforme item 13. Fl. 168DF CARF MF 8 O parecer não poderia ser mais claro. Competia à DRJ, e, se for o caso, posteriormente, ao CARF, verificar os elementos apresentados na manifestação de inconformidade e decidir sobre a existência ou não do direito creditório e da compensação. Poderiam, para tanto, determinar a realização de diligência com o propósito de confirmar ou infirmar os elementos apresentados. Registrese, por fim, que a mesma questão, envolvendo o mesmo contribuinte e fatos idênticos, foi objeto de decisão da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos Acórdãos nºs.. 9303005.515, 9303005.516, 9303005.517, 9303005.518, 9303 005.519, todos proferidos na Sessão de 15 de agosto de 2017, com a seguinte ementa: DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. No caso sob análise, a Contribuinte não apresentou, na manifestação de inconformidade, nenhum documento comprobatório do erro no preenchimento da DCTF; sequer referiuse à natureza desse erro, limitandose a pedir a realização de diligência com o propósito de verificação dessa autenticidade. No Recurso Voluntário, da mesma forma, nada apresentou, limitandose a reiterar o pedido de diligência. Diante do exposto, conheço do Recurso e, no mérito, negolhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.907344/2009-10
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP.
O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, faz-se necessário a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3003-000.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, faz-se necessário a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, fazse necessário a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 73 44 /2 00 9- 10 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10925.907344/200910 Acórdão n.º 3003000.140 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP nº 15615.20465.221107.1.3.0497, cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS, do período de apuração de março de 2003, no valor original na data de transmissão de R$ 27.976,50, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 12/06/2007. Após processada foi exarado o Despacho Decisório (efls. 15), emitido em 07/10/2009 no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese, que a razão para a não homologação é a de que alocou incorretamente, em DCTF apresentada, recolhimentos anteriormente efetuados. Posteriormente à apresentação da DCOMP, tratou de retificar a DCTF, para fins de corrigir o erro. Pede, assim, a homologação da compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 07 25.725. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o recolhimento já estaria vinculado a um débito declarado em DCTF e a sua retificação se deu posteriormente à apresentação da DCOMP. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual alega que as Perdcomps foram entregues antes do recolhimento do DARF utilizado nas compensações, bem como o Despacho Decisório foi emitido após a retificação da DCTF, portanto, na data da Análise das compensações a fiscalização já tinha todos os dados necessários para análise do pleito, pleiteando a reforma da decisão singular, determinando a sua anulação por ausência de fundamentação legal para a não homologação do crédito pleiteado e a homologação integral dos valores compensados. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10925.907344/200910 Acórdão n.º 3003000.140 S3C0T3 Fl. 4 3 O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior da Cofins, do período de apuração de março de 2003, uma vez que o referido débito foi quitado com a guia de recolhimento com código 2172 no valor de R$ 558,20 autenticada em 14/03/2003 e o saldo restante compensado através da Perdcomp n° 01041.31170.22020.61701.9905, conforme declarado na DCTF retificadora do 1° Trimestre de 2003, apresentada em 18/06/2009 sob recibo n° 19.41.42.88.20. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Da mesma forma fundamentouse a decisão de primeira instância, ressaltando que a retificação da DCTF se deu posteriormente à apresentação da DCOMP. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. De fato não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O próprio comando inserto no art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010, abaixo reproduzido, ao mesmo tempo que afirma que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a redução de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, abre a possibilidade para uma eventual retificação de ofício nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. § 3 º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10925.907344/200910 Acórdão n.º 3003000.140 S3C0T3 Fl. 5 4 inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.(grifei) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. No caso vertente a recorrente indicou no PER/DCOMP um DARF, no valor total de R$ 27.976,50, referente a Cofins Código de Receita 2172, PA 31/03/2003, recolhido em 12/06/2007 (efl. 71), pleiteando a compensação de um pagamento indevido ou a maior no mesmo montante. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, por sua vez, a recorrente alega que o valor apurado a título de Cofins, referente ao mês de março/2003, teria sido quitado com a DARF com código 2172 no valor de R$ 558,20 autenticada em 14/03/2003 (efl. 73), e o saldo restante compensado através da Perdcomp n° 01041.31170.22020.61701.9905, o que daria origem ao crédito objeto da PER/DCOMP em questão. Alega ainda que procedeu à retificação da DCTF, referente ao 1° trimestre de 2003, apresentada em 18/06/2009, sob recibo n° 19.41.42.88.20 (efls. 21/69). Compulsando os autos, verifico que na DCTF retificadora consta que o valor apurado a título de Cofins, referente ao mês de março/2003 foi de R$ 20.691,78, quitado por pagamento através de DARF no montante de R$ 1.034,59 e o restante por compensação no montante de R$ 19.657,19 (efl. 69). Os valores informados pela recorrente na verdade se referem aos valores apurados de Cofins Código de Receita 2172, PA fevereiro/2003. Apesar do equivoco da recorrente quanto a alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior, a peça impugnatória não foi acompanhada dos documentos comprobatórios que embasaram a retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Apesar da recorrente ter providenciado a retificação extemporânea da respectiva DCTF, recebida em 18/06/2009, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da Cofins referente ao período de apuração em discussão e confirmar as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10925.907344/200910 Acórdão n.º 3003000.140 S3C0T3 Fl. 6 5 O Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento além das declarações sob sua responsabilidade que pudesse comprovar a origem do seu crédito, tais como a escrituração contábil e fiscal, ou até mesmo, no caso, a Dacon retificadora. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 213DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.724201/2017-74
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. OUTROS ELEMENTOS DE PROVA.
O reconhecimento da isenção do Imposto de Renda, em relação às moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ, pode ser demonstrada por outros meios de prova que comprovem suficientemente a doença grave.
INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO.
A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova.
Numero da decisão: 2001-001.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. OUTROS ELEMENTOS DE PROVA. O reconhecimento da isenção do Imposto de Renda, em relação às moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ, pode ser demonstrada por outros meios de prova que comprovem suficientemente a doença grave. INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO. A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova.
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MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. OUTROS ELEMENTOS DE PROVA. O reconhecimento da isenção do Imposto de Renda, em relação às moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ, pode ser demonstrada por outros meios de prova que comprovem suficientemente a doença grave. INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO. A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 42 01 /2 01 7- 74 Fl. 118DF CARF MF 2 Relatório Tratase de pedido de revisão de lançamento de imposto de renda pessoa física referente. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os demais documentos do processo. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto o presente acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi dispensada. Assim foi relatada a matéria nesse acórdão: Tratase de impugnação a lançamento fiscal relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao ano calendário de 2014, para exigência de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar no valor de R$ 651,60, acrescido da multa e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes na notificação de lançamento, o crédito tributário foi constituído em razão da omissão de rendimentos de valor recebido do ex cônjuge a título de pensão alimentícia referente ao 13º salário, indevidamente declarado como de tributação exclusiva na fonte. Na impugnação apresentada, às fls. 06/08, a contribuinte alega que, por ser portadora alienação mental (Mal de Alzheimer) em estado avançado, os rendimentos da pensão são isentos, anexa Relatórios Médicos. Consta no voto do acórdão de impugnação : A isenção por moléstia grave é disciplinada no art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, alterado pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, que estabelece: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) A impugnante não apresenta laudo pericial oficial. Traz relatórios médicos emitidos em 2013 (fls. 12) e 2017 (fls. 14), Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10845.724201/201774 Acórdão n.º 2001001.163 S2C0T1 Fl. 3 3 atestando que a paciente se encontra em acompanhamento médico devido a quadro demencial compatível com a doença de Alzheimer. Os atestados apontam que a contribuinte é portadora de moléstia classificada sob o código CID G30.9 (doença de Alzheimer não especificada). Não estabelece que a demência que o acomete seja equivalente a alienação mental. Mesmo que o fizesse, tal equivalência não seria admissível como base para a isenção tributária, considerando que as normas que definem isenção devem ser interpretadas literalmente, como determina o art. 111 do Código Tributário Nacional, não sendo admissível o uso de analogia. A doença de Alzheimer não está incluída entre as moléstias enumeradas na lei de isenção, inciso XIV, art. 6º da Lei 7.713/1998. Ainda, de acordo com o § 4º do art. 39 do RIR, para o reconhecimento de isenções por moléstia grave, a condição deve ser comprovada com laudo médico oficial: Art. 39 (...)§ 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). Além de não se tratar de doença grave relacionada para a isenção, os Relatórios Médicos não atendem à exigência legal do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Dessa forma, não tendo o interessado comprovado o direito que invoca à isenção do imposto de renda por moléstia grave sobre os rendimentos percebidos em 2013, mantémse a omissão de rendimentos apontada no lançamento. O contribuinte reitera as alegações feitas na impugnação. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de discussão relativa a doença grave Apresentou Relatório Médico, do Ambulatório Médico de Especialidades do Governo do Estado de SP. Fl. 120DF CARF MF 4 O contribuinte apresentou elementos de prova indicando possuir doença grave. Entendemos que a fundamentação baseada somente na falta de apresentação de laudo Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10845.724201/201774 Acórdão n.º 2001001.163 S2C0T1 Fl. 4 5 médico não afasta por si a caracterização da doença grave quando há outros meios de prova indicando a doença. Trazemos entendimento do STJ com o qual concordamos, ministro Napoleão Nunes Maia Filho, 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ, relator do caso, AREsp 81.149: “Ainda que conste como preceito legal, a perícia médica oficial não pode ser tida como indispensável ou como o único meio de prova habilitado, sendo necessário ponderarse a razoabilidade de tal exigência legal no caso concreto” E mais recente, mais no ponto do caso em questão e já sendo matéria sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça, que é o órgão do Poder Judiciário do Brasil que assegura a uniformidade à interpretação da legislação federal, trazemos a Súmula 598, que assim dispôs: É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o magistrado entenda suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 08/10/2017. A lei indica, para o caso, a apresentação de laudo, mas o judiciário, ao interpretar a lei, ao aplicar a lei aos fatos, demonstra a importância daquilo que o laudo indica: a existência da doença; e essa doença pode ser comprovada por outros elementos de prova. O judiciário não descumpre a lei, evidentemente, ao ir além do laudo, ao contrário, dá sentido e justiça à lei. Sobre a interpretação literal do texto legal, em cumprimento ao art 111 do CTN, inciso II, que trata de isenção, questão trazida amiúde quando se fala de isenção tributária, trazemos o pensamento do tributarista Carlos da Rocha Guimarães, com o qual concordamos plenamente: O art. 111 "não quer realmente negar que se adote, na interpretação das leis concessivas de isenção, o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma, mas simplesmente impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, alargando, além do seu exato limite, o que diz a letra da lei, sem, no entanto, deixar de incluir, na interpretação do texto legal, todos os casos que a sua significação indica como nele incluídos, sem o que a própria letra da lei também estaria ferida, e a exoneração, assim truncada, ficaria sem sentido." Explicase, em relação ao caso: não se poderia estender a isenção de doença grave para pessoas em casos semelhantes, pessoas com doenças não consideradas graves, pessoas idosas, pessoas desempregadas, pessoas presas, etc. Aqui, sim, para essas outras situações, mesmo que semelhantes, não se pode estender o alcance da norma, porque se interpreta literalmente, a isenção é só para doença grave, doença grave com previsão de isenção. Fl. 122DF CARF MF 6 No entanto, para a caracterização da doença grave prevista em lei, para o exame da prova sobre a doença, se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e processo normal do exame da prova. No exame da documentação entendemos estar caracterizada a doença grave. Os rendimentos recebidos por portador de doença grave são isentos, conforme Lei 7.713/1988, art. 6º. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12259.000192/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. INEXISTÊNCIA DE DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. PRAZO.
No caso de lançamento por homologação, se o contribuinte não tiver efetuado a antecipação de pagamento em relação à base de cálculo apurada pela fiscalização ou se tiver incorrido em dolo, fraude ou simulação, conta-se o prazo decadencial a partir do primeiro do seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
FISCALIZAÇÃO. RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO. ENQUADRAMENTO. SEGURADO EMPREGADO.
Se a fiscalização constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições caracterizadoras da relação de emprego, deve desconsiderar o vínculo pactuado e enquadrar tal segurado como empregado, sob pena de responsabilidade funcional
LEI INTERPRETATIVA. MENÇÃO EXPRESSA. LEI ANTERIOR.
A lei interpretativa é aquela que menciona, expressamente, que está interpretando uma lei anterior e qual é a lei que está sendo interpretada.
CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA.
A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica em ação dolosa, voltada a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária dos fatos geradores das contribuições destinadas à seguridade social e a outras entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação.
CONTRATAÇÃO. TRABALHO INTELECTUAL. PESSOA JURÍDICA. ABUSO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. DESVIO DE FINALIDADE.
É autorizada a contratação de trabalho intelectual por meio de pessoa jurídica, desde que a contratação não envolva abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de sua finalidade.
SUCESSÃO DE EMPRESAS. MULTA MORATÓRIA E PUNITIVA. RESPONSABILIDADE. DATA DA SUCESSÃO. SÚMULA CARF 113.
A responsabilidade tributária da empresa sucessora abrange, além dos tributos devidos pela empresa sucedida, as multas moratórias e punitivas, cujos fatos geradores tenham ocorrido até a data da sucessão. Nessa linha é a Súmula CARF nº 113.
Numero da decisão: 2402-007.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que não conheceram do recurso de ofício. No mérito, por unanimidade de votos, acordaram os membros do colegiado em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecê-lo e, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento ao recurso voluntário.
Julgamento iniciado na sessão de 13/2/19, com início às 9h, e concluído na sessão de 12/3/19, com início às 9h.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado).
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. INEXISTÊNCIA DE DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. PRAZO. No caso de lançamento por homologação, se o contribuinte não tiver efetuado a antecipação de pagamento em relação à base de cálculo apurada pela fiscalização ou se tiver incorrido em dolo, fraude ou simulação, conta-se o prazo decadencial a partir do primeiro do seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. FISCALIZAÇÃO. RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO. ENQUADRAMENTO. SEGURADO EMPREGADO. Se a fiscalização constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições caracterizadoras da relação de emprego, deve desconsiderar o vínculo pactuado e enquadrar tal segurado como empregado, sob pena de responsabilidade funcional LEI INTERPRETATIVA. MENÇÃO EXPRESSA. LEI ANTERIOR. A lei interpretativa é aquela que menciona, expressamente, que está interpretando uma lei anterior e qual é a lei que está sendo interpretada. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica em ação dolosa, voltada a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária dos fatos geradores das contribuições destinadas à seguridade social e a outras entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação. CONTRATAÇÃO. TRABALHO INTELECTUAL. PESSOA JURÍDICA. ABUSO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. DESVIO DE FINALIDADE. É autorizada a contratação de trabalho intelectual por meio de pessoa jurídica, desde que a contratação não envolva abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de sua finalidade. SUCESSÃO DE EMPRESAS. MULTA MORATÓRIA E PUNITIVA. RESPONSABILIDADE. DATA DA SUCESSÃO. SÚMULA CARF 113. A responsabilidade tributária da empresa sucessora abrange, além dos tributos devidos pela empresa sucedida, as multas moratórias e punitivas, cujos fatos geradores tenham ocorrido até a data da sucessão. Nessa linha é a Súmula CARF nº 113.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que não conheceram do recurso de ofício. No mérito, por unanimidade de votos, acordaram os membros do colegiado em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecê-lo e, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento ao recurso voluntário. Julgamento iniciado na sessão de 13/2/19, com início às 9h, e concluído na sessão de 12/3/19, com início às 9h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado).
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DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. INEXISTÊNCIA DE DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. PRAZO. No caso de lançamento por homologação, se o contribuinte não tiver efetuado a antecipação de pagamento em relação à base de cálculo apurada pela fiscalização ou se tiver incorrido em dolo, fraude ou simulação, contase o prazo decadencial a partir do primeiro do seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. FISCALIZAÇÃO. RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO. ENQUADRAMENTO. SEGURADO EMPREGADO. Se a fiscalização constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições caracterizadoras da relação de emprego, deve desconsiderar o vínculo pactuado e enquadrar tal segurado como empregado, sob pena de responsabilidade funcional LEI INTERPRETATIVA. MENÇÃO EXPRESSA. LEI ANTERIOR. A lei interpretativa é aquela que menciona, expressamente, que está interpretando uma lei anterior e qual é a lei que está sendo interpretada. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica em ação dolosa, voltada a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária dos fatos geradores das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 01 92 /2 00 9- 58 Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.197 2 contribuições destinadas à seguridade social e a outras entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação. CONTRATAÇÃO. TRABALHO INTELECTUAL. PESSOA JURÍDICA. ABUSO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. DESVIO DE FINALIDADE. É autorizada a contratação de trabalho intelectual por meio de pessoa jurídica, desde que a contratação não envolva abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de sua finalidade. SUCESSÃO DE EMPRESAS. MULTA MORATÓRIA E PUNITIVA. RESPONSABILIDADE. DATA DA SUCESSÃO. SÚMULA CARF 113. A responsabilidade tributária da empresa sucessora abrange, além dos tributos devidos pela empresa sucedida, as multas moratórias e punitivas, cujos fatos geradores tenham ocorrido até a data da sucessão. Nessa linha é a Súmula CARF nº 113. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que não conheceram do recurso de ofício. No mérito, por unanimidade de votos, acordaram os membros do colegiado em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecêlo e, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento ao recurso voluntário. Julgamento iniciado na sessão de 13/2/19, com início às 9h, e concluído na sessão de 12/3/19, com início às 9h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado). Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos o relatório constante do Acórdão nº 1225.053 da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ I, fls. 802 a 839: Tratase de crédito lançado contra o contribuinte acima identificado, através da Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD DEBCAD n° 37.093.2048, no valor de R$ 6.252.764,37 (seis milhões duzentos e cinquenta e dois mil Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.198 3 setecentos e sessenta e quatro reais e trinta e sete centavos), que acrescido de multa e juros corresponde ao valor consolidado em 11/12/2007 de R$ 15.107.265,29 (quinze milhões cento e sete mil duzentos e sessenta e cinco reais e vinte e nove centavos), relativo ao não recolhimento, no prazo legal, das contribuições previdenciárias devidas, incidentes sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados, relativo as competências 01/1997 a 12/2002. O presente crédito compõese de: a) contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados; b) contribuições previdenciárias a cargo da empresa para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados, denominadas de Seguro de Acidente de TrabalhoSAT; c) contribuições previdenciárias dos segurados empregados, calculada como diferença entre a contribuição efetivamente devida, conforme A. época do fato gerador e a remuneração recebida, e a contribuição efetivamente recolhida em nome de cada segurado; d) contribuições devidas por lei aos terceiros, a cargo da empresa (Salárioeducação, mera, Sesc e Sebrae); e) acréscimos legais devidos, compostos de juros e multa moratória, em face do não recolhimento das contribuições devidas. 2. Esclarece o agente fiscal no relatório fiscal (fls. 348/365) que: 2.1. A ação fiscal iniciouse em 2005 na sociedade empresária TV GLOBO LTDA., CNPJ 33.252.156/000119, conforme Mandado de Procedimento Fiscal n° 9233568, de 15/04/2005 e Mandado de Procedimento Fiscal Complementar 01, de 09/08/2005. Posteriormente, a citada empresa apresentou documentos, comprovando a sua incorporação pela empresa Globo Comunicações e Participações S/A, CNPJ 27.865.757/000102. Em decorrência da sucessão empresarial, com fulcro no art. 132 do Código Tributário Nacional, foi emitido, assim, o Mandado de Procedimento Fiscal n° 927161500, de 27/10/2005, em nome da empresa incorporadora. Em continuação à ação fiscal desenvolvida no ano de 2005, foram emitidos em 2007 o Mandado de Procedimento Fiscal n° 09430717F00 e seus complementares; 2.2. O procedimento fiscal foi iniciado a partir da requisição do Ministério Público do Trabalho, como resultado final do Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.199 4 Inquérito Civil Público n° 602/00, instaurado em face da TV GLOBO LTDA, ora sucedida, que concluiu que "...a inquirida vem fraudando os contratos de trabalho de dezenas de seus empregados, com violação aos direitos sociais assegurados aos trabalhadores no art. 70 da Constituição, além de incorrer em sonegação de verbas ao FGTS, à Previdência Social e A. Receita Federal. A fraude consiste em mascarar a relação de emprego mantida com muitos de seus jornalistas, radialistas e artistas através de uma falsa contratação "civil" com pessoas jurídicas constituídas por aqueles profissionais." 2.3. A fraude à legislação trabalhista caracteriza ato nulo, nos termos do art. 9°, CLT, sem necessidade de declaração judicial; 2.4. A Lei 6.533/78 dispõe sobre a regulamentação de artista e técnico de espetáculos de diversão; 2.5. No presente lançamento, a fiscalização caracterizou os sócios das empresas prestadoras de serviço, no caso os artistas, que prestaram serviço A. TV GLOBO S/A época dos fatos geradores, como sendo segurados empregados da tomadora de serviço, nos termos do art. 12, I, "a" da Lei n° 8.212/91 c/c arts. 2° e 3° da CLT; 2.6. Na análise do contrato de prestação de serviços, ficaram demonstrados os requisitos da caracterização de emprego, quais sejam: serviço prestado por pessoa física, pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. A fiscalização citou as cláusulas dos contratos de prestação de serviço que comprovam a relação de emprego. No anexo 2 do relatório fiscal (fls. 395/426), consta a transcrição de algumas cláusulas que demonstram a relação de emprego, de cada contrato analisado dos artistas; 2.7. 0 presente lançamento engloba os seguintes artistas e empresas interpostas: Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.200 5 2.8. A base de cálculo do presente lançamento, no período de 01/1997 a 12/2002, foi apurada com base nos valores registrados nas contas contábeis 5006, 5007 e 5012, constantes do arquivo magnético fornecido pela empresa. A contribuição do segurado empregado foi apurada, obedecendose ao limite máximo do saláriodecontribuição, sendo deduzidos os valores recolhidos por cada segurado, conforme dados extraídos do sistema CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais, de acordo com anexo 01 do relatório fiscal (fls. 366/394); 2.9. Em face da responsabilidade solidária das empresas integrantes do grupo econômico, nos termos do art. 30, IX da Lei n° 8.212/91, as empresas GLOBOSAT — PROGRAMADORA LTDA., CNPJ 00.811.990/000148 e SIGLASISTEMA GLOBO DE GRAVAÇÕES AUDIOVISUAIS LTDA., CNPJ 28.114.122/000128, devedoras solidárias do presente lançamento, foram cientificadas da presente notificação fiscal de lançamento de débito para exercerem o seu direito de defesa. 3. O Discriminativo Analítico do DébitoDAD, o Discriminativo Sintético do DébitoDSD e o Relatório de LançamentoRL demonstram as bases de cálculo, as alíquotas utilizadas, os valores devidos originários, os acréscimos moratórios e os valores finais devidos. 4. A fundamentação legal do lançamento de crédito é apresentada no Relatório Fiscal e complementada no Anexo "Fundamentos Legais do Débito FLD", onde consta toda a legislação que ampara o lançamento, por rubrica e por competência. DA IMPUGNAÇÃO 5. Inconformada com o lançamento, a empresa GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A (sucessora de TV GLOBO LTDA) contestou o lançamento, através do instrumento de fls. 445/530. Os demais devedores solidários (GLOBOSAT Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.201 6 PROGRAMADORA LTDA e SIGLASISTEMA GLOBO DE GRAVAÇÕES AUDIOVISUAIS LTDA) não impugnaram o lançamento. 6. Em apertada síntese, a empresa alega: 6.1. que ocorreu a decadência do direito de constituição do crédito tributário relativo ao período de 12/1996 a 11/2002, uma vez que a autoridade fiscal não efetuou o respectivo lançamento no prazo de 05 anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 40 do CTN. Alega ainda a inconstitucionalidade do art. 45, I, da Lei n° 8.212/91, colacionando julgados do C. STJ; 6.2. que a autoridade fiscal desconsiderou os contratos de prestação de serviços entre as pessoas jurídicas contratadas e a impugnante, entendendo que haveria relação de emprego entre os sócios das pessoas jurídicas contratadas e a notificada, na qualidade de tomadora de serviço; 6.3. a possibilidade de prestação de serviços artísticos pessoais por pessoas jurídicas e aplicação ao caso concreto do art. 129 da Lei n° 11.196/05; 6.4. a autoridade fiscal invadiu a competência exclusiva da justiça do trabalho ao lavrar NFLD reconhecendo o vínculo empregatício dos sócios das empresas prestadoras de serviço com a notificada. A suposta alegação de nulidade pela autoridade fiscal, com fulcro no art. 9° da CLT, não afasta a necessidade prévia de decisão judicial, o que colide frontalmente com o arts. 114, caput e IX da CRFB/88 que atribui competência exclusiva Justiça de Trabalho para apreciar os conflitos oriundos de relação de trabalho. Esse é o entendimento dos Tribunais Regionais Federais, conforme decisões citadas; 6.5. o lançamento não encontra amparo legal para desconstituição dos negócios jurídicos. A autoridade fiscal desconsiderou os contratos de prestação de serviços celebrados entre a notificada e as empresas contratadas, com fundamento no art. 229, § 2°, do Decreto n° 3.048/99. Tal conduta viola o art. 150, I, CRFB/88 e nos arts. 97, 108 e 116, § único do CTN; 6.6. impossibilidade de enquadramento de pessoa jurídica como segurada da previdência social, em face do art. 12 da Lei n° 8.212/91; 6.7. cerceamento do direito de defesa, em face de inúmeras empresas prestadoras em uma mesma NFLD; 6.8. a impossibilidade de aplicação de penalidade. Não cabe a aplicação da multa moratória em face do art. 100, I, § único do CTN, uma vez que o contribuinte obedeceu às normas complementares das leis editadas pela Administração no que t g ao trabalho de caráter personalíssimo. A notificada, como sucessora da TV GLOBO S/A, só é responsável pelos tributos devidos pelas incorporadas e não pelas multas, nos termos do Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.202 7 art. 132 do CTN. A impossibilidade da aplicação da multa moratória prevista no art. 35 da Lei n° 8.212/91. Ao julgar a impugnação, a 11ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro I/RJ, por unanimidade de votos, reconheceu a ocorrência da decadência em relação as competências de 01/1997 a 11/2001, nos termos do disposto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66, mantendo o restante do lançamento. Em razão do crédito exonerado e do limite de alçada previsto no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3/1/08, o órgão julgador de primeiro grau interpôs recurso de ofício. Cientificada do Acórdão nº 1225.053, em 13/8/09, conforme Termo de Ciência de fl. 842, a contribuinte, por meio de seus advogados (procuração de fls. 560 a 561), interpôs o recurso voluntário de fls. 850 a 897, em 9/9/09, alegando, em síntese, que: 2. DA PRELIMINAR DE DESCABIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO INTERPOSTO NO PROCESSO EM EPÍGRAFE 2.1. Observando a Súmula Vinculante n° 8 do STF (publicada Diário de Justiça DJ de 20.06.2008), a DECISÃO cancelou o crédito tributário relativo ao período de janeiro de 1997 a novembro de 2001. 2.2. A Lei nº 11.417, de 19.12.2006 que regulamentou o art. 103A da Constituição Federal de 1988 (CF/88), inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004 , dispõe que o enunciado de Súmula Vinculante editada pelo STF vinculara a toda a administração pública direta e indireta: [...] 2.5. Dessa forma, não cabe ao Presidente da 11º Turma da DRJ/RJ, expressamente vinculado à referida Súmula, interpor recurso de oficio no presente caso, pelo que a RECORRENTE pede e espera que o referido recurso não seja conhecido por essa E. Segunda Seção do CARF. 3. DA INAPLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN AO CASO CONCRETO 3.1. A DECISÃO entendeu que, "em tese", teria havido simulação dos negócios jurídicos praticados entre a RECORRENTE e as sociedades prestadoras de serviços, bem como fraude a legislação previdenciária, o que atrairia a aplicação da regra contida no art. 173, I, do CTN: [...] 3.2. Em primeiro lugar, não cabe a aplicação do art. 173, I, do CTN às CONTRIBUIÇÕES, quando o dolo, a fraude ou a simulação são apenas presumidos, e não comprovados, conforme se verifica na parte final do § 4º do art. 150 do CTN, [...]. Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.203 8 3.17. Verificase, portanto, que, por não restar comprovado o evidente intuito de fraude e simulação, pressuposto da aplicação do art. 173, I, do CTN aos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase ao presente caso a regra contida no art. 150, § 4º, do CTN, razão por que a totalidade do crédito tributário exigido pela NFLD está extinta por força da decadência. [...] 4. DA FORÇOSA APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8 AO PERÍODO DE DEZEMBRO DE 2001 4.1. Por outro lado, ainda que, por hipótese, fosse aplicável ao caso o art. 173, I, do CTN, o que se admite somente para fins de argumentação, não procede o entendimento da DECISÃO de manter o crédito tributário relativo ao período de dezembro de 2001, sob a alegação de que o termo inicial do prazo decadencial desse período começou a fluir em 01.01.2003, e não em 01.01.2002. [...] 4.2. Com efeito, quando se aplica o art. 173, I, do CTN, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador, e não o primeiro dia do exercício seguinte ao do vencimento da obrigação tributária, como supôs a DECISÃO. 4.3. Isso porque, em se tratando de tributo originalmente sujeito a lançamento por homologação, o inicio do prazo de decadência do direito de lançar começa na data do fato gerador do tributo a que se referir o lançamento; assim, o exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado o exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. Tendo o fato gerador ocorrido em dezembro de 2001, o primeiro dia do exercício seguinte é o dia 01.01.2002, e não 01.01.2003. [...] 4.4. Assim, é fato inconteste que, em 21.12.2007 (data da ciência da autuação), a AUTORIDADE já tinha decaído do direito de constituir o crédito tributário relativo ao mês de dezembro de 2001, ainda que, por hipótese, fosse aplicável ao caso o art. 173, I, do CTN. 5. DA INVASÃO DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. DA FALTA DE AMPARO PARA A LAVRATURA DA NFLD. DA DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. 5.1. A DECISÃO entende que a AUTORIDADE não invade competência exclusiva da Justiça do Trabalho ao lavrar NFLD para reconhecer a existência de vínculo empregatício em relações pactuadas de forma diversa. Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.204 9 5.2. De acordo com a DECISÃO, não teria havido invasão de competência, uma vez que a AUTORIDADE teria apenas constituído o crédito tributário incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, mas não teria julgado, com atributo de coisa julgada, a relação de emprego. [...] 5.6. O art. 114 da CF/88 seja na sua redação originária seja na atual, define, com precisão e amplamente, a competência da Justiça do Trabalho, a saber: dirimir "...controvérsias decorrentes da relação de trabalho". 5.7. Assim, se as partes pactuam relação diversa da relação de emprego e a AUTORIDADE pretende caracterizar essa relação como se fosse de emprego para exigir as respectivas contribuições sociais, competirá à Justiça do Trabalho reconhecer, previamente, a existência do vínculo empregatício, nos termos do art. 114 da CF/88. [...] 5.19. A DECISÃO entende que a AUTORIDADE poderia lavrar a NFLD com base no art. 33, caput, da Lei n° 8.212/91, c/c o art. 229, § 2°, do Decreto n° 3.048/99, com a redação dada pelo Decreto n° 3.265/99. 5.20. O art. 33, caput, da Lei n° 8.212/91 é genérico e não respalda a exigência das CONTRIBUIÇÕES no caso sob análise: o que o referido dispositivo estabelece é a competência do INSS (competência atualmente exercida pela Receita Federal do Brasil) para arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da referida lei. 5.21. A previsão de desconsideração da relação pactuada e o enquadramento dessa relação como de emprego consta, exclusivamente, do art. 229, § 2º, do Decreto nº 3.048/99, [...]. 5.22. Como visto, o § 2º do art. 229 do Decreto nº 3.048/99 apenas autoriza a AUTORIDADE a enquadrar como empregado o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso ou sob qualquer outra denominação. 5.23. Portanto, ainda que o referido § 2º do art. 229 tivesse amparo legal, o que se admite somente para fins de argumentação, ele não pode ser invocado para fundamentar tal desconsideração, já que, no caso concreto, não há a participação de segurados do Regime Geral da Previdência Social. [...] Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.205 10 Da inaplicabilidade do art. 9° da CLT; dos arts. 149, VII; 118, I; 116, I, e 123 do CTN e do art. 167 do Novo Código Civil (NCC) à hipótese 5.44. Com pretensa base no art. 9° da CLT, a AUTORIDADE considerou nulos de pleno direito, independentemente de prévia declaração judicial, os contratos que a RECORRENTE celebrou com diversas pessoas jurídicas que lhe prestaram serviços porque supôs que os referidos contratos teriam visado "encobrir" a relação de emprego mantida com os sócios dessas pessoas jurídicas. [...] 5.47. Ademais, o art. 9° da CLT é dispositivo direcionado à legislação trabalhista, conforme expresso na sua parte final: "preceitos contidos na presente Consolidação". [...] 5.49. Verificase, portanto, que o art. 9° da CLT não aplicável ao caso concreto. 5.50. A DECISÃO alega, ainda, que os arts. 149, VII, 118, I, 116, I, e 123 do CTN e o art. 167 do NCC amparariam a NFLD, porque a RECORRENTE teria dissimulado a ocorrência dos fatos geradores das CONTRIBUIÇÕES. 5.51. Ocorre que os referidos dispositivos legais também não são aplicáveis à hipótese. [...] 5.53. Como visto, os arts. 149, VII, e 118, I, do CTN somente se aplicam às hipóteses de simulação. [...] 5.55. Ora, no caso, os contratos celebrados entre a RECORRENTE e as pessoas jurídicas prestadoras de serviços não aparentam conferir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente os conferem. 5.56. De fato, todos os direitos relativos aos referidos contratos pertencem 6. RECORRENTE e as pessoas jurídicas contratadas, que, inclusive, percebem a remuneração pelos serviços prestados; ou seja, a RECORRENTE e as pessoas jurídicas contratadas almejam todos os efeitos dos atos praticados, não havendo que se falar em simulação. [...] 5.61. [...] o art. 116, I, do CTN não pode ser invocado para justificar a desconsideração, pela AUTORIDADE, das circunstâncias de fato efetivamente ocorridas. Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.206 11 5.62. O art. 123 do CTN também não se aplica à hipótese, como se depreende de sua simples leitura: [...] [...] 6. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA 6.1. Segundo a DECISÃO, não teria havido cerceamento do direito de defesa da RECORRENTE, pois a NFLD estaria revestida de todos os requisitos legais e identificaria todos os sócios das pessoas jurídicas prestadoras de serviços considerados empregados da RECORRENTE. 6.2. A RECORRENTE destaca que, na IMPUGNAÇÃO, não mencionou que a AUTORIDADE não teria observado as formalidades legais para lavrar a NFLD. 6.3. O que a RECORRENTE fez referência foi ao fato de que a AUTORIDADE incorreu em abuso de forma e, consequentemente, cerceou o direito de defesa, ao lavrar uma única NFLD para questionar a relação existente entre a RECORRENTE e diversas pessoas jurídicas contratadas. 6.4. Ora, ao deixar de lavrar uma NFLD para cada pessoa jurídica, a AUTORIDADE inviabilizou o pleno exercício do direito de defesa da RECORRENTE, [...]. 6.5. Vale ressaltar que a AUTORIDADE teve meses para lavrar a NFLD, enquanto a RECORRENTE teve apenas o exíguo prazo legal para apresentar sua IMPUGNAÇÃO, não lhe sendo possível demonstrar as razões de fato e de direito relativas à situação individual de cada uma das empresas contratadas e a cada uma das prestações de serviços, ocorridas no período de janeiro de 1997 a dezembro de 2002. 6.6. Ademais, a inclusão de todas essas razões em uma mesma pega leva o julgador a confundir as especificidades de cada uma das pessoas jurídicas e de cada prestação de serviços, com prejuízo da análise individual de cada fato. 6.7. Dessa forma, tal como foi lavrada, a NFLD impediu que a RECORRENTE exercesse plenamente seu direito de defesa. [...] 7. DA POSSIBILIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ARTÍSTICOS PESSOAIS POR PESSOAS JURÍDICAS 7.1. Nos itens 43 a 73 ("Caracterização do Segurado Empregado"), a DECISÃO discorre sobre a impossibilidade da prestação de serviços artísticos por pessoas jurídicas no caso concreto. 7.2. Ocorre que, ao contrário do alegado, os serviços artísticos podem ser prestados por pessoas jurídicas, seja pelo disposto na Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.207 12 CF/88 e na legislação civil, seja pelo disposto na Lei n° 6.533, de 24.05.1978, seja pelo disposto na legislação tributária (que inclui a previdenciária). [...] 8. DO CARÁTER INTERPRETATIVO DO ART. 129 DA LEI Nº 11.196/05 8.1. A DECISÃO nega o caráter interpretativo do art. 129 da Lei n° 11.196/05, [...]. 8.2. Esse entendimento da DECISÃO está equivocado, pois a lei tributária interpretativa não necessariamente interpreta um único dispositivo de lei nem mesmo um conjunto de dispositivos de uma mesma lei. A interpretação pode ser de toda uma sistemática de tributação, extraída da combinação de diversos dispositivos legais, de uma ou mais leis, contemporâneas ou não. 8.3. É exatamente isso que ocorre com o art. 129 da Lei n° 11.196/05, que apenas expressa entendimento que já se extraia da legislação em vigor na época da sua publicação (como visto na Seção anterior), qual seja, o de que serviços intelectuais, em caráter personalíssimo ou não, podem ser prestados por pessoa jurídica: [...]. 8.16. Logo, tratandose de dispositivo legal interpretativo, o art. 129 da Lei nº 11.196/05 aplicase a fatos anteriores à sua edição. 9. DA APLICAÇÃO RETROATIVA DO ART. 129 DA LEI Nº 11.196/05, AINDA QUE NÃO SEJA INTERPRETATIVO 9.1. Mesmo que se admitisse, apenas para efeito de argumentação, que o art. 129 da Lei nº 11.196/05 não seria interpretativo, ele se aplicaria a fatos anteriores à sua edição ainda não julgados, por ter deixado de considerar infração o nãorecolhimento das CONTRIBUIÇÕES no caso de contratação de pessoas jurídicas para a prestação de serviços intelectuais personalíssimos; [...]. 10. DA CESSÃO DE MÃODEOBRA 10.1. Por outro lado, se os serviços em questão tivessem sido realmente prestados pelos sócios das pessoas jurídicas contratadas com características de relação de emprego, o que se admite somente para fins de argumentação, temse que, do ponto de vista previdenciário, tais serviços deveriam, então, ser considerados de cessão de mãodeobra. 11. DA APLICACAO DO ART. 100, I, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN 11.1. A DECISÃO não se manifestou sobre a aplicação do art. 100, I, parágrafo único, do CTN, ao caso concreto. Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.208 13 11.2. Com efeito, além de ter agido de acordo com a legislação em vigor (Seção 7), a RECORRENTE seguiu as orientações das próprias autoridades administrativas, que sempre admitiram que os trabalhos de caráter personalíssimo pudessem ser executados por intermédio de pessoas jurídicas (PN CST nº 8/86 e art. 148 da IN MPS/SRP n° 3/05, referidos nos itens 7.16. e 7.13., acima, respectivamente). [...] 11.4. De fato, não é justo, razoável nem jurídico punir o contribuinte que agiu de acordo com a orientação exarada pela própria Administração. 11.5. Assim, não cabe A AUTORIDADE impor qualquer penalidade nem cobrar encargos moratórios na presente NFLD. 12. DA EVENTUAL RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE 12.1. Ainda que se entenda que o art. 100, I, parágrafo único, do CTN não seja aplicável ao caso, o que, mais uma vez, admitese para fins de argumentação, temse, ainda, que somente o tributo poderia ser exigido da RECORRENTE, já que ela é sucessora da TV Globo Ltda., conforme atestado pela própria AUTORIDADE. 12.2. Isso porque, ao contrário do alegado na DECISÃO (itens 75 a 80), jamais poderia ser imposta & RECORRENTE a multa moratória prevista no art. 35 da Lei n° 8.212/91, pois esta tem nítido caráter punitivo, conforme assentado por farta jurisprudência do STJ (REsp no 266.676/RS, relator Ministro JOSE DELGADO, 1 1 Turma, unanime, em 16.11.2000; REsp no 476.951/RS, relator Ministro LUIZ FUX, 1 1 Turma, unanime, em 22.04.2003; entre outros). [...] 12.8. Vêse, pois, que as incorporadoras são responsáveis única e exclusivamente pelos tributos devidos pelas incorporadas. 13. DA IMPOSSIBILIDADE DE IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE 13.1. Por fim, mesmo que se entenda que a responsabilidade da RECORRENTE pudesse abranger o valor integral do crédito tributário, o que também se admite somente para argumentar, temse que, desse valor, deve ser excluída a muita indicada na NFLD, pois, no máximo, teria havido a prática de um ato ou a celebração de um negócio ineficaz perante o Fisco, mas não de um ato ilícito. [...] 13.4. O fato de a AUTORIDADE reputar os contratos de prestação de serviços celebrados como ineficazes, invocando, Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.209 14 para tanto, o art. 123 do CTN, não pode levar ao ponto de se considerar que a sucedida tenha cometido infração e, em razão disso, impor uma penalidade à RECORRENTE. (Grifos no original) É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator Do recurso de ofício Do conhecimento Como visto no relatório acima, tratase de recurso de ofício apresentado pelo órgão julgador de primeiro grau, nos termos do art. 1º, da Portaria MF nº 3, de 3/1/08, uma vez que a decisão por ele proferida resultou na exoneração de contribuições previdenciárias e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00. Pois bem, segundo Discriminativo Analítico do Débito Retificado (DADR) de fls. 656 a 801, o montante exonerado corresponde a R$ 5.513.524,28, da seguinte forma: Principal 4.755.304,49 Multa 758.219,79 Total 5.513.524,28 Portanto, tendo em vista que o atual limite de alçada, previsto no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9/2/17, corresponde a R$ 2.500.000,00, conheceremos do recurso de ofício. Quanto à alegação constante do recurso voluntário de que não caberia ao Presidente da 11ª Turma da DRJ/RJ interpor recurso de oficio no presente caso, haja vista a sua expressa vinculação à Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal (STF), entendemos ser possível sim tal recurso, uma vez que sua interposição não se opõe à Súmula Vinculante da Suprema Corte, mas visa a um reexame da decisão recorrida quanto ao montante do crédito exonerado. Até porque, dependendo do critério adotado pela Turma Julgadora de primeiro grau, na apuração do prazo decadencial, ou seja, se com base no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN1), ou com base no art. 173, inciso I, do mesmo código, pode ter sido exonerado um montante maior ou menor do crédito lançado. O Recurso de ofício permite, pois, que seja verificado se, ao cumprir a determinação contida na Súmula Vinculante, o órgão julgador de primeiro grau exonerou o montante correto do crédito lançado. 1 Lei 5.172, de 25/10/66. Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.210 15 Da decisão recorrida de ofício Compulsando a decisão de primeira instância (Acórdão nº 1225.053), vêse que o crédito exonerado decorre, tão somente, do reconhecimento da decadência em relação ao período de 01/1997 a 11/2001, sendo mantido o lançamento em relação ao período de 12/2001 a 12/2002, nos seguintes termos: 35. Logo, em face da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei no 8.212/91 prolatada pelo E. Supremo Tribunal Federal, bem como a edição da Súmula Vinculante n° 8 do mesmo Tribunal, a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias deve obedecer ao prazo decadencial do CTN. [...] 40. No caso ora em exame, o crédito tributário foi constituído em 20/12/2007, com ciência da impugnante em 21/12/2007 (fls. 01), relativo aos fatos geradores do período de 01/1997 a 12/2002. Considerando com base nos elementos de prova contidos nos autos (inquérito civil do Ministério Público do Trabalho e relatório fiscal) e da decisão judicial do Colendo Tribunal Superior do Trabalho (item 72 infra), entendo que se deve aplicar ao caso concreto o art. 173, I do CTN, uma vez que ficaram configuradas, em tese, a simulação de negócios jurídicos e fraude à legislação previdenciária, nos termos do art. 150, § 4° “in fine” do CTN, com o não recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os fatos geradores apurados no presente lançamento. 41. Em face do exposto, considerando a data da ciência da NFLD em 21/12/2007, as competências anteriores a 12/2001 encontramse fulminadas pela decadência, com fulcro no art. 173, I do CTN. Com efeito, tomandose como base a competência 12/2001, com vencimento no dia 02/01/2002, verificase que o prazo decadencial começou a correr em 01/01/2003 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito se tornou exigível) e esgotouse em 01/01/2008, data posterior a constituição desta notificação fiscal. Conforme se observa, o julgado a quo considerou o prazo decadencial de 5 (cinco anos), em observância à Súmula Vinculante nº 8 do STF, aplicando o disposto no art. 173, inciso I do CTN, em razão da ausência de recolhimento antecipado e do fato da autuada ter realizado, em tese, a simulação de negócios jurídicos, bem como ter incorrido em fraude à legislação previdenciária. Pois bem, nos termos do art. 45, da Lei 8.212, de 24/7/91, vigente à época dos fatos geradores, o direito da Seguridade Social de apurar e lançar seus créditos extinguiase em 10 (dez) anos2, porém, em decorrência do julgamento dos Recursos Extraordinários 2 Contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.211 16 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, o Supremo Tribunal Federal (STF) editou, em 12/6/08, a Súmula Vinculante nº 8 (DOU 20/6/2008), nos seguintes termos: São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5º do Decreto Lei nº 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nesta feita, ao analisar os efeitos da edição da Súmula Vinculante nº 8 do STF, assim concluiu o Parecer PGFN/CAT nº 1617, de 1/8/08: a) no caso do pagamento parcial da obrigação, independentemente de encaminhamento de documentação de confissão (DCTF, GFIP ou pedido de parcelamento), o prazo de decadência para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4º, do art. 150, do Código Tributário Nacional; b) no caso de não pagamento, nas hipóteses acima elencadas (com ou sem o encaminhamento de documentação de confissão), o prazo é contado com base no inciso I, do art. 173, do CTN; A esse respeito, vejamos o que dispõe o CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. [...] Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.212 17 Conforme se observa, o prazo para a Seguridade Social apurar e lançar seus créditos passou a ser de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nas hipóteses em que o tributo obedeça ao regime de lançamento por homologação e desde que haja início de pagamento (antecipação), ainda que parcial (art. 150, § 4º, do CTN), ou a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na hipótese de inexistência de início de pagamento (art. 173, I, do CTN), ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (parte final do § 4º, art. 150, do CTN). Em outras palavras, para que o prazo decadencial possa ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, duas condições precisam ser atendidas: (i) a existência de pagamento antecipado e (ii) a não ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Sendo assim, no julgamento do presente recurso de ofício, precisaremos verificar se houve, efetivamente, o pagamento antecipado de contribuições e se, realmente, não ocorreu dolo, fraude ou simulação. Do pagamento antecipado Como visto anteriormente, no caso de lançamento por homologação, para que a contagem do prazo decadencial possa ser feita a partir da ocorrência dos fatos geradores, deve, o contribuinte, ter feito a antecipação de pagamento. Nesse particular, assim dispões a Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Notese que tal súmula está a tratar de salário indireto, ou seja, de verbas recebidas pelo empregado, mas não incluídas, pelo empregador, na base de cálculo das contribuições, como ocorre quando o empregado recebe, por exemplo, participação nos lucros, previdência privada, auxílio educação, etc., porém, pagas em desconformidade com a legislação e a fiscalização enquadra tais verbas com salário. Dessa forma, tendo a empresa recolhido as contribuições normais em relação ao salário do empregado, temse por caracterizada a antecipação de pagamento em relação ao salário indireto pago. Segue nessa linha a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, conforme se observa no seguinte excerto do voto condutor do Acórdão nº 9202005.177, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), deste Conselho: De imediato, refuto a tese do acórdão recorrido de que aplicável, ao caso concreto, a súmula CARF nº 99. A referida súmula teve por objetivo pacificar entendimento nos casos de salários indiretos, em que ocorrem lançamentos de diversas rubricas do conceito latu de remuneração. Referida súmula será aplicável, unicamente, aos lançamentos que envolvam salários indiretos, tais como: PLR, vale alimentação, fornecimento de Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.213 18 educação, plano de saúde, dentre diversas outras utilidades que podem constituir salários indiretos, quando fornecidos fora das hipóteses de exclusão do conceito de salário de contribuição, previstas no art. 28, § 9º da Lei 8.212/91. Fica fácil essa constatação quando verificamos os paradigmas que ensejaram a aprovação da súmula CARF nº 99. Todavia, não é o que não ocorre no caso em análise, uma vez que a base de cálculo, apurada pela fiscalização, diz respeito a segurados que sequer tinham sido considerados como empregados pela Recorrente, mas sim pessoas jurídicas contratadas. Nesse ponto, oportuno trazermos à baila mais essas palavras da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, dessa vez presentes no Acórdão nº 9202005.222: Realmente, quando apuradas diferenças de contribuições sobre um mesmo fato gerador para um mesmo segurado, ou mesmo, lançamento de contribuições previdenciárias sobre rubricas de pagamentos realizadas a segurados da previdência social, em que promoveu o sujeito passivo o recolhimento sobre a remuneração básica do segurado, podemos entender pela existência de antecipação de pagamento, todavia, não é o que encontramos no presente lançamento. Logo, mesmo que a Recorrente tenha efetuado recolhimento em relação à sua folha normal de salários, tais recolhimentos não se amoldam à antecipação prevista no art. 150, do CTN, em relação aos prestadores “pejotizados”, motivo pelo qual deve ser aplicada a regra do art. 173, inciso I, do mesmo diploma. Da ocorrência de fraude, dissimulação e simulação Segundo consta no relatório fiscal de fls. 352 a 370, a fiscalização foi deflagrada a partir de requisição do Ministério Público do Trabalho, como resultado final do Inquérito Civil Público nº 602/00, instaurado em face da Recorrente, no qual assim se concluiu: [...] a inquirida vem fraudando os contratos de trabalho de dezenas de seus empregados, com violação aos direitos sociais assegurados aos trabalhadores no art. 7º da Constituição, além de incorrer em sonegação de verbas ao FGTS, à Previdência Social e à Receita Federal. A fraude consiste em mascarar a relação de emprego mantida com muitos de seus jornalistas, radialistas e artistas através de uma falsa contratação "civil" com pessoas jurídicas constituídas por aqueles profissionais. (Grifo na transcrição constante do relatório fiscal) Como se vê, o Inquérito Civil Público evidenciou a ocorrência de fraude nos contratos de trabalho, com violação a direitos trabalhistas e redução indevida de verbas destinadas ao FGTS, à Previdência Social e à Receita Federal. E tal situação nos parece bastante clara, pois, conforme se observa nos autos, restou inequívoca a caracterização da relação empregatícia, a qual sequer chegou a ser rebatida Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.214 19 pela Recorrente, tanto em seu recurso quanto em sua impugnação. Vide o seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido: 47. Cumpre ressaltar que a impugnante em sua defesa não enfrentou a totalidade dos argumentos contidos no relatório fiscal, em especial no tocante aos requisitos para caracterização como segurado empregado (serviço prestado por pessoa física e pessoalidade, nãoeventualidade, onerosidade e subordinação jurídica) e das provas produzidas pela fiscalização. 48. No tocante à matéria em questão, a impugnante alegou simplesmente que os serviços artísticos podem ser prestados por pessoas jurídicas, de acordo com a legislação tributária, que inclui a previdenciária. Logo, não estão presentes de forma cumulativa os requisitos para caracterização de emprego, nos termos do art. 3° da CLT. Por último, a defendente sustenta a aplicação retroativa do art. 129 da Lei n° 11.196/2005, uma vez que a citada lei é interpretativa, com fulcro no art. 106, I, do CTN. Dessa forma, uma vez que a Recorrente efetuou a contratação de empregados travestida na forma de contratação de pessoas jurídicas, dissimulou contratos de emprego mediante a simulação de contratos com pessoas jurídicas, e assim procedeu, sem sombra de dúvida, com o fim de reduzir obrigações tributárias e trabalhistas. Não há outra leitura. Cabendo destacar, ainda, que a parte final do art. 129, da Lei 11.196/052, repudia o abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, situação essa muito presente no caso em análise. E nem se diga que a Recorrente desconhecida os óbices legais para as contratações efetuadas, pois, além da ordem jurídica não admitir tal desconhecimento3, certamente a Recorrente dispõe de uma assessoria jurídica bastante robusta. Portanto, cristalina está a prática de planejamento tributário evasivo, voltado a evitar, ilicitamente, a ocorrência do fato gerador, mediante fraude, dissimulação e simulação, o que também atrai a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Das competências atingidas pela decadência Diante do quadro que se apresenta, nenhuma das duas condições se mostraram presentes a fim de autorizar a contagem do prazo decadencial a partir dos fatos geradores. Sendo assim, o dies a quo da contagem corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Dessa forma, tendo o lançamento ocorrido em 21/12/07, encontramse atingidas pela decadência as competências de 01/1997 a 11/2001. Sendo assim, não há retoques a se fazer na decisão recorrida. 3 DecretoLei 4.657, de 4/9/42, art. 3º. Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.215 20 Do recurso voluntário Do conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Antes de considerações outras, porém, esclarecemos que os itens 2, 3 e 4 do recurso voluntário já foram apreciados no julgamento do recurso de ofício, razão pela qual entendemos pela desnecessidade de reapreciarmos tais itens no julgamento que ora se inicia. Do alegado cerceamento do direito de defesa Segundo a Recorrente, a Autoridade Fiscal teria incorrido em abuso de forma ao lavrar uma Única Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) em relação às diversas pessoas jurídica contratadas, o que teria impedido o pleno exercício do direito de defesa por prejudicar a “análise individual de cada fato”, uma vez que “teve um exíguo prazo legal” para apresentar a defesa. Em que pesem tais alegações, a defesa pretendida não merece guarida. O prazo para a interposição da impugnação está previsto no art. 15 do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Logo, sendo um prazo legal, não cabe a esta autoridade julgadora avaliar se é ou não um prazo exíguo. Quanto ao fato de ter sido formalizada apenas uma NFLD, também não vemos qualquer abuso de forma ou prejuízo ao exercício do direito de defesa. Segundo se extrai do relatório fiscal, fls. 414 a 431, guardadas as peculiaridades de cada caso, o modus operandi em relação a todas contratações que compõem o objeto da presente NFLD (15 no total) é o mesmo. Logo, nos parece acertada a lavratura de uma única NFLD. Ademais, se a fiscalização tivesse lavrado 15 NFLDs, a Recorrente teria o mesmo prazo de 30 (trinta) dias para impugnar todas elas, e se fosse discorrer sobre a “situação individual de cada uma das empresas contratadas”, em cada uma dessas NFLDs, poderia muito bem ter discorrido sobre todas as contratações na impugnação que apresentou, porém, não o fez. Portanto, improcede o alegado cerceamento de defesa. Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.216 21 Da alegada invasão de competência da Justiça do Trabalho Segundo a Recorrente, compete à Justiça do Trabalho reconhecer a existência de vínculo empregatício e dirimir controvérsias decorrentes da relação de trabalho, nos termos do art. 114 da Constituição Federal, e não às autoridades administrativas, ainda que para fins distintos da relação trabalhista. A Recorrente aduz, ainda, que o art. 33, da Lei 8.212, de 24/7/91, é genérico, e que o art. 229, § 2°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 6/5/99, não se aplica ao caso, uma vez que não haveria a participação se segurados. Pois bem, quanto à alegada invasão de competência, vejamos, primeiramente, o que dispõe a legislação de regência: Art. 114 da Constituição Federal Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: I as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II as ações que envolvam exercício do direito de greve; III as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores; IV os mandados de segurança, “habeas corpus” e “habeas data”, quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição; V os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, o VI as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho VII as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho; VIII a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir; IX outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei. Art. 33 da Lei 8.212/91: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.217 22 único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. Conforme se observa nos dispositivos acima transcritos, à Justiça do Trabalho compete processar e julgar ações decorrentes da relação de trabalho e à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RF) compete arrecadar, fiscalizar e lançar as contribuições previdenciárias. Logo, não se verifica, na legislação, invasão de competência. Quanto ao o aspecto prático da atuação do AuditorFiscal, no enquadramento dos trabalhadores na condição de empregados, ao contrário do que diz a Recorrente, o art. 229, § 2º, do RPS, se aplica sim ao caso em análise. Vejamos, de início, o que dispõe o citado dispositivo: Art. 229 [...] [...] § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do “caput” do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Como se percebe, se a fiscalização constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições caracterizadoras da relação de emprego, deve desconsiderar o vínculo pactuado e enquadrar tal segurado como empregado, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, § único do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Por oportuno, insta transcrevermos a decisão exarada no julgamento do REsp 575.086/PR, de lavra do Ministro Castro Meira e já citada na decisão recorrida: O reconhecimento da relação de emprego para fins de fiscalização, arrecadação e lançamento de contribuições previdenciárias é independente do exame na Justiça Trabalhista. A autarquia previdenciária por meio de seus agentes e fiscais tem competência para reconhecer o vínculo trabalhista, porém, somente para fins de fiscalização, arrecadação e lançamento da contribuição previdenciária, mas à Justiça do Trabalho cabe reconhecer o vínculo trabalhista e os direitos advindos. O agente fiscal do INSS exerce atos próprios quando expede notificação Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.218 23 de lançamento referente a contribuições devidas sobre pagamentos efetuados, podendo submeterse tal avaliação administrativa ou judicial. E nem cabe aqui a alegação da Recorrente de que não haveria a participação de segurados na relação pactuada, pois os trabalhadores contratados, mesmo em sua condição “pejotizada”, são segurados da previdência social. Portanto, improcede a alegação da Recorrente quanto à invasão de competência. Da profissão de artista Da contratação de serviços artísticos pessoais por pessoas jurídicas Nos termos da defesa, a decisão recorrida teria concluído pela impossibilidade da prestação de serviços artísticos por pessoas jurídicas, porém, no entendimento da Recorrente, tal prestação seria possível, segundo previsto na “CF/88 e na legislação civil, seja pelo disposto na Lei n° 6.533, de 24.05.1978, seja pelo disposto na legislação tributária (que inclui a previdenciária)”. Em verdade, a decisão recorrida não asseverou, em nenhum momento, a impossibilidade da prestação de serviços artísticos por pessoas jurídicas, mas, tão somente, mostrou que a profissão de artista é regulada pela Lei 6.533, de 24/5/78, a qual assim estabelece: Art. 1º O exercício das profissões de Artista e de Técnico em Espetáculos de Diversões é regulado pela presente Lei. Art. 2º Para os efeitos desta lei, é considerado: I Artista, o profissional que cria, interpreta ou executa obra de caráter cultural de qualquer natureza, para efeito de exibição ou divulgação pública, através de meios de comunicação de massa ou em locais onde se realizam espetáculos de diversão pública; [...] Art. 9º O exercício das profissões de que trata esta Lei exige contrato de trabalho padronizado, nos termos de instruções a serem expedidas pelo Ministério do trabalho. [...] Art. 35 Aplicamse aos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões as normas da legislação do trabalho, exceto naquilo que for regulado de forma diferente nesta Lei. Como se vê nos dispositivos transcritos acima, a Lei 6.533/78 traz a definição de artista e estabelece a exigência de contrato de trabalho, bem como a aplicação das normas da legislação trabalhista à profissão de artista. Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.219 24 Essa Lei dispõe, ainda, sobre jornada de trabalho, rescisão de contrato de trabalho, carteira de trabalho, entre outras questões. Portanto, se um artista mantiver com seu contratante uma relação empregatícia, obviamente, tal relação deverá estar em consonância com o que dispõe a Lei 6.533/78 e a CLT4, sendo essa a abordagem adotada pelo voto condutor da decisão recorrida, o que está correto. É certo, contudo, que se o artista exercer a sua profissão de modo autônomo, sem que estejam presentes os elementos caracterizadores da relação de emprego, não se exigirá a formalização de um contrato de trabalho, porém, não é o que se observa no caso em análise, como será visto adiante. Portanto, improcede o recurso quanto a esse ponto. Do caráter interpretativo do art. 129 da Lei 11.196/05 Segundo a defesa, a decisão recorrida teria se equivocado ao negar o caráter interpretativo do art. 129 da Lei 11.196/05, pois, em seu entendimento, tal artigo corresponde a um dispositivo legal interpretativo e aplicável a fatos pretéritos, à luz do que dispõe o art. 106, inciso I, do CTN. A Recorrente aduz, ainda, que a “lei tributária interpretativa não necessariamente interpreta um único dispositivo de lei nem mesmo um conjunto de dispositivos de uma mesma lei”, mas pode interpretar “toda uma sistemática de tributação, extraída da combinação de diversos dispositivos legais, de uma ou mais leis, contemporâneas ou não”. Contudo, não comungamos desse entendimento. Primeiramente, cabe destacar que a legislação interpretativa, ainda rara em nosso ordenamento jurídica, protagoniza diversas discussões doutrinárias contra e a favor. Figuras de peso, como Roque Antonio Carrazza5, por exemplo, declaram inexistir tal legislação: Há quem queira – seguindo na traça do art. 106, I, do CTN – que a lei tributária interpretativa retroage até a data da entrada em vigor da lei tributária interpretada. Discordamos, até porque, no rigor dos princípios, não há leis interpretativas. A uma lei não é dado interpretar uma outra lei. A lei é o direito objetivo e inova inauguralmente a ordem jurídica. A função de interpretar leis é cometida a seus aplicadores, basicamente ao Poder Judiciário, que aplica as leis aos casos concretos submetidos à sua apreciação, definitivamente e com força institucional. De qualquer forma, independente da celeuma doutrinária a respeito, fato é que o art. 106, do CTN, contempla tal tipo normativo: 4 Consolidação das Leis do Trabalho DecretoLei 5.452, de 1/5/43. 5 Curso de Direito Constitucional Tributário, 22ª ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 345 e 346. Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.220 25 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Todavia, para que haja a subsunção de uma lei à regra consignada no inciso I do art. 106, precisa que essa lei seja “expressamente interpretativa”. Dessa forma, em nossa ótica, a lei precisa dizer que está interpretando uma lei anterior e qual é a lei que está sendo interpretada. Ademais, nos parece que a doutrina segue nessa linha, senão, vejamos: Paulo Nader6: A interpretação autêntica retroage ao início de vigência do texto interpretado. Especialmente por esse motivo – interpretação retroativa – cuidado especial deverá ter o aplicador da lei, para verificar se o ato interpretado limitouse a revelar o sentido do texto anterior Paulo Dourado Gusmão7: Essa interpretação importa a retroatividade da lei que a estabelece, sendo obrigatória da data em que se entrou em vigor a lei interpretada pelo legislador. Pois bem, vejamos, então, o que dispõe o art. 129, da Lei 11.196/05: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Como se nota, o art. 129 não interpreta nenhum dispositivo legal específico, conforme bem esclarecido pela decisão recorrida: 49. No que tange à aplicação retroativa do art. 129 da Lei n° 11.196/2005 ao caso concreto, a alegação da defendente não encontra guarida pelas seguintes razões. Em primeiro lugar, os fatos geradores ocorreram no período de 01/1997 a 12/2002, a citada lei foi publicada no Diário Oficial de 22/11/2005. O dispositivo legal em referência passou a vigorar os seus efeitos a partir da publicação do texto legal, conforme art. 132, VIII da citada lei. Logo, a referida lei não poderia retroagir, nos termos do art. 5°, XXXVI, CRFB/88 c/c art. 6° da Lei de Introdução do 6 NADER, Paulo. Introdução ao Estudo do Direito. 36ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2014, p. 265. 7 GUSMÃO, Paulo Dourado de. Introdução ao Estudo do Direito. 20ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 219 a 220. Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.221 26 Código Civil (LICC). Ademais, a lei interpretativa, nos termos do art. 106, I do CTN, objetiva elucidar o conteúdo de lei anterior. A atividade interpretativa não é, por natureza, inovadora do ordenamento jurídico, mas apenas esclarecedora do sentido de norma preexistente. No caso concreto, não existe lei anterior. Por último, a lei nova, denominada de interpretativa, deve expressar no seu conteúdo esse objetivo. Tal fato não ocorreu na Lei n° 11.196/2005. O julgado a quo, inclusive, buscando exemplificar o que seria uma lei interpretativa, cita como exemplo a Lei Complementar 118, de 9/2/05, que assim dispõe em seu art. 3º: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Além do mais, não vemos como ser possível uma lei interpretativa interpretar um sistema legislativo, como defende a Recorrente, pois, nesse caso, não teríamos uma lei interpretativa, mas sim uma lei positivando uma nova regra extraída de um determinado contexto sóciolegal. Portanto, correto o entendimento da decisão recorrida, o qual deve ser mantido Da aplicação retroativa do art. 129 da 11.196/05 Segundo a Recorrente, mesmo não se admitindo o caráter interpretativo do art. 129 da 11.196/05, “ele se aplicaria a fatos anteriores à sua edição ainda não julgados, por ter deixado de considerar infração o nãorecolhimento das contribuições no caso de contratação de pessoas jurídicas para a prestação de serviços intelectuais personalíssimos”. Como se nota nesse item da defesa, a Recorrente busca justificar a aplicação retroativa do art. 129, da Lei 11.196/05, invocando o art. 106, inciso II, alínea “a”, do CTN, que assim dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Entretanto, o caso em análise não se amolda a tal comando normativo, pois, o art. 129 não deixou de definir a prestação de serviços intelectuais como infração, mas apenas estabeleceu que tal prestação, em caráter personalíssimo, quando realizada por meio de sociedade prestadora de serviços, se sujeita à legislação aplicável às pessoas jurídicas, contudo, não é o que ocorre no caso em questão, onde há a efetiva contratação de empregados, disfarçada de contratação de pessoas jurídicas. Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.222 27 Logo, improcedente o recurso quanto a esse ponto. Da alegada cessão de mão de obra Segundo a Recorrente, “se os serviços em questão tivessem sido realmente prestados pelos sócios das pessoas jurídicas contratadas com características de relação de emprego, o que se admite somente para fins de argumentação, temse que, do ponto de vista previdenciário, tais serviços deveriam, então, ser considerados de cessão de mãodeobra”. Aqui, mais uma vez, insustentável a defesa apresentada. Na cessão de mão de obra não há relação empregatícia entre a pessoa física prestadora do serviço e a pessoa jurídica tomadora do serviço, que é o que ocorre no caso em exame. Da aplicação do art. 100, inciso I, § único, do CTN Alega a Recorrente que “seguiu as orientações das próprias autoridades administrativas, que sempre admitiram que os trabalhos de caráter personalíssimo pudessem ser executados por intermédio de pessoas jurídicas (PN CST nº 8/86 e art. 148 da IN MPS/SRP n° 3/05, referidos nos itens 7.16. e 7.13., acima, respectivamente), bem como que a decisão recorrida não teria se manifestado sobre o art. 100, inciso I, § único, do CTN”. Todavia, não vemos por que a decisão de primeira instância deveria ter se pronunciado sobre os citados atos administrativos. O item 24 do Parecer Normativo CST nº 8, de 17/4/86, citado pela Recorrente no item 7.17 do recurso voluntário, trata de serviços médicos que podem ser prestados em caráter individual e de forma autônoma, mas que, por conveniência empresarial, são executados por meio de pessoa jurídica: 24. De notar que as exceções postas em evidência trazem de forma explícita o objetivo da lei e conduzem às mesmas conclusões definidas nos itens 10 a 13 deste parecer, ou seja, o campo de incidência da retenção na fonte se restringe aos rendimentos decorrentes do desempenho de trabalhos pessoais da profissão de medicina que, normalmente, poderiam ser prestados em caráter individual e de forma autônoma, mas que, por conveniência empresarial, são executados mediante a interveniência de sociedades civis ou mercantis. Ora, como bem diz esse parecer, tratase de serviços prestados de forma individual e autônoma, ou seja, muito diferente do que ocorre no caso sob foco, onde há relação empregatícia. O art. 148 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14/7/05, por sua vez, dispensa a retenção e o destaque na nota fiscal quando a contratação envolve serviços profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada e prestado pessoalmente pelos sócios, porém, nesse caso, também não há relação empregatícia entre a empresa contratada e a pessoa física prestadora dos serviços: Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.223 28 Art. 148. A contratante fica dispensada de efetuar a retenção e a contratada de registrar o destaque da retenção na nota fiscal, na fatura ou no recibo, quando: [...] III a contratação envolver somente serviços profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada por legislação federal, ou serviços de treinamento e ensino definidos no inciso X do art. 146, desde que prestados pessoalmente pelos sócios, sem o concurso de empregados ou outros contribuintes individuais. Portanto, descabida a defesa quanto a esse ponto. Da responsabilidade da Recorrente Segundo a Recorrente, já que é sucessora da TV Globo Ltda., deveria, no muito, ser responsabilizada apenas pelo tributo devido e não pela multa moratória prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, uma vez que esta tem nítido caráter punitivo. A esse respeito, transcrevemos a decisão de primeira instância, com a qual concordamos e mantemos: 75. A defendente sustenta a impossibilidade da aplicação da penalidade, no caso a multa moratória. Não procede a alegação. Como demonstrado nos autos, a defendente incorporou a TV GLOBO Ltda, CNPJ 33.252.156/000119, assumindo assim a responsabilidade pelos créditos tributários devidos até a data da incorporação, nos termos do art. 129 e 132 do Código Tributário NacionalCTN, bem como o art. 227 da Lei n° 6.404/76 c/c art. 1.116, CC/2002. Cabe a citação do art. 132 do CTN, in verbis: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. 76. Na realidade, o artigo 132 prescreve a responsabilidade da pessoa jurídica pelos débitos anteriormente constituídos ou a serem constituídos, cujos fatos geradores ocorreram antes da incorporação, fusão ou transformação, independente de ser de caráter moratório ou punitivo, pois se incorpora ao patrimônio sucedido. 77. A aplicação da multa de mora decorre do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, nos termos do relatório Fundamentos Legais do Débito — FLD, em especial no item "Acréscimos Legais — Multa", o qual indica expressamente o percentual da multa de mora aplicável aos sujeitos passivos, conforme a fase em que se encontra o débito, ou seja, é aplicada proporcionalmente ao atraso no recolhimento das contribuições, a fim de desestimular a inadimplência, contudo sempre é mantida a sua incidência. Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.224 29 78. Portanto, a multa de mora incidente sobre as contribuições em atraso é fixada por lei ordinária, a qual expressamente declara o seu caráter irrelevável, ou seja, há imposição legal de ordem pública para a aplicação da multa de mora. Não se olvide que, por estar a lei tributária em plena vigência, é dever do agente público seguir e aplicar os seus mandamentos, por estar atrelado ao princípio da legalidade, sob pena de responsabilidade. No caso em comento, minha análise pretende demonstrar que o acessório que paira sobre o débito principal tem suporte jurídico para sua exigibilidade e que o lançamento foi fundamentado nos dispositivos legais pertinentes. 79. Como visto, no presente caso a multa moratória é decorrente de inadimplência das contribuições sociais devidas. Tratase de multa de mora, um acréscimo legal, a qual é distinta da multa aplicada como penalidade pecuniária por infração às obrigações acessórias, esta sim decorrente de ato ilícito, nos termos do artigo 115 e 113, §§ 2° e 3°, do CTN. Assim, a alegação de que a multa de mora não se transfere para a sucessora, de acordo com o artigo 132 do CTN, por ser decorrente de ato ilícito, não prospera. Por último, a sucessora é responsável pelos créditos tributários devidos pela sucedida, incluído neste conceito o valor originário, os juros de mora e a multa moratória na dicção dos arts. 34 e 35 da Lei n° 8.212/91. Acrescentese que a responsabilidade da empresa sucessora pelas multas (tanto moratórias quanto punitivas) da empresa sucedida, já se encontra sumulada neste Conselho, que mantém a responsabilidade, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 113 A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão, independentemente de esse crédito ser formalizado, por meio de lançamento de ofício, antes ou depois do evento sucessório. Da multa imposta Por fim, requer a Recorrente a exclusão da multa indicada na NFLD8, pois em seu entendimento, não teria havido ato ilícito, mas apenas a “celebração de um negócio ineficaz perante o Fiscal”. Acontece, porém, que a multa em questão, prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, deve ser aplicada sempre que as contribuições sociais não forem recolhidas no tempo certo, que é o que ocorre no caso em análise, não cabendo à autoridade lançadora deixar de aplicála, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, § único, do CTN. Sendo assim, independente da natureza do negócio celebrado pela Recorrente, não há como se afastar a multa aplicada, um vez que a NFLD contempla contribuições sociais não recolhidas. 8 Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 12259.000192/200958 Acórdão n.º 2402007.031 S2C4T2 Fl. 1.225 30 Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO tanto ao recurso de ofício quanto ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 1270DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.902125/2008-01
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP.
O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, faz-se necessário a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Numero da decisão: 3003-000.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, faz-se necessário a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-04-01T20:22:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-04-01T20:22:13Z; Last-Modified: 2019-04-01T20:22:13Z; dcterms:modified: 2019-04-01T20:22:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-04-01T20:22:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-04-01T20:22:13Z; meta:save-date: 2019-04-01T20:22:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-04-01T20:22:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-04-01T20:22:13Z; created: 2019-04-01T20:22:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-04-01T20:22:13Z; pdf:charsPerPage: 1552; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-04-01T20:22:13Z | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 2 1 1 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.902125/200801 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003000.176 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 20 de março de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente THORGA ENGENHARIA INDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, fazse necessário a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 21 25 /2 00 8- 01 Fl. 252DF CARF MF Processo nº 11065.902125/200801 Acórdão n.º 3003000.176 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP nº 04759.29883.130404.1.3.040700, cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS, referente ao período de apuração de janeiro de 2004 (data da arrecadação 13/02/2004), no valor original na data de transmissão de R$ 42.712,13. Após processada foi exarado o Despacho Decisório (efls. 02), emitido em 12/08/2008, no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde, preliminarmente informa que enviou a DCOMP retificadora nº 06714.84727.130404.1.7.040520, preenchendo incorretamente os dados dos campos “valor original do crédito inicial” e “crédito original na data da transmissão”. Ao tentar fazer nova retificação em 2008, não foi possível, pois o PER/DCOMP já teria sido objeto de decisão administrativa. No mérito, entende que a DRF já possuía as informações corretas via DACON e mediante o PER/DCOMP nº 04759.29883.130404.1.3.040700. Entende que o PER/DCOMP foi devidamente retificado; que as informações garantem o crédito utilizado na compensação, já sendo isso de conhecimento da DRF; e que tal fato não lesou a DRF. Por fim, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 10 40.377. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o recolhimento já estaria vinculado a um débito declarado em DCTF e a falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual alega, na essência, que o crédito decorre de recolhimento a maior de Cofins ao aplicar a alíquota de 7,6% ao invés de 3% conforme interpretação correta da legislação importando em mero erro material corrigido pela entrega de DCTF retificadora. É o Relatório. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11065.902125/200801 Acórdão n.º 3003000.176 S3C0T3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior da Cofins, do período de apuração de janeiro de 2004, conforme declarado na DCTF retificadora do 1° Trimestre de 2004, apresentada em 13/02/2009 e refletido na correspondente DIPJ. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Da mesma forma fundamentouse a decisão de primeira instância, ressaltando que a retificação da DCTF se deu posteriormente à apresentação da DCOMP. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. De fato não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O próprio comando inserto no art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010, abaixo reproduzido, ao mesmo tempo que afirma que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a redução de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, abre a possibilidade para uma eventual retificação de ofício nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11065.902125/200801 Acórdão n.º 3003000.176 S3C0T3 Fl. 5 4 c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. § 3 º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.(grifei) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. No entanto, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Apesar da recorrente ter providenciado a retificação extemporânea da respectiva DCTF, recebida em 13/02/2009, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da Cofins referente ao período de apuração em discussão e confirmar as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. O Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento além das declarações sob sua responsabilidade que pudesse comprovar a origem do seu crédito, tais como a escrituração contábil e fiscal. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 255DF CARF MF
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