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Numero do processo: 13502.000153/2007-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 0110712004 a 3010912004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE.
Comprovado o erro de fato e a existência de crédito homologa-se a
compensação.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-000.187
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para homologar a compensação pleiteada. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Daniel Santiago — OAB-BA n° 1.675-9.
Nome do relator: MARIA TEREZA MARTINEZ LÓPEZ
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. Comprovado o erro de fato e a existência de crédito homologa-se a compensação. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1' câmara / 1' turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para homologar a compensação pleiteada. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Daniel Santiago — OAB- BA n° 1.675-9. 4•10111, I0 MARCOS CkN DO P iesid nte em" MARIA RESA MARTÍNEZ LOPEZ Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim e Ivan Allegretti (Suplente). o , Processo n° 13502.00015312007-22 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.187 Fl. 180 Relatório Trata-se de pedido de compensação de créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior de Cofins com débitos próprios administrados pela Secretaria da Receita Federal. A DCOMP foi transmitida em 26/10/2005. Em prosseguimento, adoto e transcrevo, a seguir, o relatório que compõe a Decisão Recorrida: "Trata-se de pedido de compensação de crédito próprio, oriundo de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 18.453,45, conforme Declarações de Compensação (DCOMP) de fls. 02/11, com débitos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Conforme Despacho Decisório DRF/CCI n2 190/2007 (lls. 56/57), embasado no Parecer DRF/CCI n 2 015/2007 (fls. 45/52), o pleito foi deferido em parte, reconhecendo o direito ao crédito no valor de R$ 1.024,97, relativo à diferença entre a multa de mora recolhida (R$ 4.927,93) e a efetivamente devida (R$ 3.902,96), em razão da quitação intempestiva do débito da Cofins, e homologar a compensação dos débitos constantes das DCOMP até o limite do crédito reconhecido. Em 14/06/2007, a contribuinte foi comunicada do despacho decisório e carta cobrança dos débitos remanescentes, cuja compensação não foi homologada em razão de insuficiência de crédito (fls. 58 a 63). Em 16/07/2007, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade (fls. 64/76), alegando, em síntese, que: (i) Em 12/11/2004, a manifestante transmitiu DCTF declarando débito da Cofins do período julho de 2004, vencido em 13/08/2004, no valor de R$ 787.310,75 (fls. 92/94). (ii) Fez recolhimento no valor de R$ 147.839,52 (fl. 96) e a compensação do valor remanescente de R$ 639.471,23. (iii) Posteriormente, em face de auditoria interna, constatou o equívoco da apuração, pelo que transmitiu DCTF retificadora, reduzindo o valor declarado de R$ 787.310,75 para R$ 768.857,30, ensejando uma diferença a restituir de R$ 18.453,45. (iv) Assim, a manifestante efetivou a compensação do aludido crédito com débitos próprios de CSLL e Cofins, por meio dos PER/DCOMPs de fls. 120/131, indicando que o crédito tivera origem no DARF de R$ 147.839,52. (v) Mas, por equívoco, ao retificar a DCTF relativa ao crédito, ao invés de reduzir o valor pago Mn DARF, acabou reduzindo o valor compensado, embora as PERIDCOMP não tenham sofrido (2 Processo n° 13502.000153/2007-22 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.187 Fl. 181 qualquer alteração, subsistindo o valor compensado de R$ 639.471,23. (vi) Assim, a autoridade recorrida entendeu por deferir tão- somente o direito à restituição de R$ 1.024,97 relativa ao excedente de multa de mora ao invés dos R$ 18.453,45. (vii) Todavia, percebendo o erro formal cometido, a manifestante procedeu a retificação da DCTF, quanto à Cofins apurada em julho de 2004, que deu origem ao crédito, mantendo o valor de R$ 768.857,30 para a Cofins; reduziu o valor pago com DARF para R$ 129.386,07; e restabeleceu as compensações no valor de R$ 639.471,23, declaradas nas DComp lá referidas. (viii) Por isso, entende que é cristalino o direito à restituição de R$ 18.453,45, pois tão logo constatou o equivoco providenciou a retificação da DCTF, conforme facultado pela legislação que menciona. Ante o exposto, requer a reforma do Despacho Decisório questionado, para declarar o direito à totalidade do crédito pleiteado e homologar a respectiva compensação." Por meio do Acórdão DRJ/SDR n° 15-15.980, de 18 de junho de 2008, os Membros da 4' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA decidiram, por unanimidade de votos, não homologar a compensação. A Ementa dessa decisão possui a seguinte redação: "Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 COMPENSAÇA-0. RETIFICAÇÃO DA DCTF. Incabível a homologação de compensação com base em DCTF retificada após a data de indeferimento do pleito pela autoridade administrativa recorrida. Compensação não homologada." Inconformada com a decisão prolatada pela primeira instância, a contribuinte apresenta recurso voluntário a este Eg.Conselho, no qual, em síntese e fundamentalmente alega que não há vedação legal na legislação normativa para retificação da DCTF tendo em vista que houve erro no preenchimento das declarações apresentadas. Transcreve artigos da IN RFB no 600/2005. Invoca o direito à restituição e possibilidade de retificação da DCTF face o erro formal cometido pela contribuinte. Reitera não ter procedido a nenhuma retificação nas PER/DCOMPs transmitidas e já analisadas pela fiscalização. Invoca a IN n° 786/2007 que dispõe sobre a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) para dizer que não está enquadrada em nenhuma das vedações previstas no art. 11, § 2° da aludida instrução normativa. Quanto ao erro formal, traz jurisprudência da CSRF (AC n° CSRF/01-0079, de 13/06/1980) a qual repele a sobreposição do aspecto formal em detrimento do direito material. No mais cita jurisprudência do Judiciário e das Câmaras do então Conselho de Contribuintes, que no seu entender lhe são favoráveis ao pleito. É o relatório. 3 Processo n° 13502.000153/2007-22 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.187 Fl. 182 Voto Conselheira MARIA TERESA MARTINEZ LÓPEZ, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado tratam os autos de pedido de compensação de créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior de Cofins com débitos próprios administrados pela Secretaria da Receita Federal. O centro de discussão está na possibilidade de retificação de DCTF após a data de indeferimento do pleito pela autoridade administrativa recorrida. Veja-se a ementa da decisão recorrida: "COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. Incabível a homologação de compensação com base em DCTF retificado após a data de indeferimento do pleito pela autoridade administrativa recorrida." A legislação que normatiza a compensação permite que a contribuinte, ao apurar crédito, seja por recolhimento indevido ou a maior de tributo ou contribuição administrados pela SRF, efetue a compensação por meio da Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP. Como a compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de ulterior homologação, a administração, ao verificar a existência de PER/DCOMP em nome da contribuinte, formalizou o presente processo a fim de analisar se a compensação era ou não procedente. A PER/DCOMP apresentada tem como objetivo compensar crédito de Cofins que resultou de pagamento com DARF efetuado a maior, relativamente ao período de apuração de 07/2004, com a própria Cofins e CSLL devidas, respectivamente, em 11/2004 e 09/2005, e devidamente declaradas em DCTF (fls. 25/28 e 33/36). • Ocorre que, em razão de uma série de erros de fato cometidos pela contribuinte ao preencher sua DCTF, o julgador de primeira instância não homologou a compensação. Vejamos o ocorrido com a DCTF que informava o crédito de Cofins: Data Valor do débito DARF Valor C entrega informado vincula do compensa do ád ito DCTF 1 12/11/2004 787.310,75 147.839,52 639.471,23 - DCTF 2 01/02/2006 768.857,30 147.839,52 621.017,78 - ! DCTF 3 12/07/2007 768.857,30 147.839,52 639.471,23 18.453,45 O que se pode constatar pelos autos é que a última DCTF retificadora foi entregue em data posterior à decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari/BA, que ocorreu em 21/05/2007. 4 1 Processo n° 13502.000153/2007-22 S2-CIT1- Acórdão n.° 2101-00.187 Fl. 183 Em razão disso, a DRJ/Salvador entendeu por bem não acatar a retificação sob fundamento ao meu ver equivocado da figura da denúncia espontânea. A entrega não poderia ser considerada espontânea por ter ocorrido após início do procedimento de oficio, conforme previsto no artigo 138 do CTN. A final, concluiu que o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade e impõe o lançamento de oficio dos tributos. Em primeiro lugar, entendo não ser aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea. Vejamos: Mister observar que o caso presente trata de pedido de compensação, e não de lançamento de oficio, portanto, é a partir dessa premissa que temos que analisar a validade ou não da DCTF retificadora de 12/07/2007. Os débitos que seriam exigíveis, no caso presente, seriam aqueles com os quais a contribuinte efetuou compensação (CSLL e Cofins), e não o débito envolvido na DCTF retificadora, que na verdade é a geradora do crédito. Outro aspecto importante, é que a DCTF retificadora não foi apresentada para confessar débito não confessado anteriormente, ao contrário, prestou-se para diminuir o valor originalmente declarado com erro. O procedimento adotado não se encontra em contradição com as vedações previstas na IN n° 600/2005 para retificação da DCTF. Caso realmente não existisse crédito, ainda assim não haveria como se falar em denúncia espontânea uma vez que os débitos de CSLL e Cofins objeto da compensação já estavam confessados em DCTF (fls. 25/28 e 33/36), tanto que se pretendeu efetuar os pagamentos via compensação. Tanto o artigo 138 do CTN como o artigo 47 da Lei n° 9.430/96 aplicam-se aos pagamentos ou declarações de débitos extemporâneos, ou seja, após iniciado o procedimento fiscal, um contribuinte retifica sua DCTF para declarar débitos não declarados e paga-os já durante a fiscalização. Tanto assim que o objetivo de referida legislação é a aplicabilidade ou não de multa, e não a cobrança do crédito em si. Assim, a apresentação da DCTF retificadora após a decisão da DRF é irrelevante para a análise do presente processo eis que o importante é verificar a existência ou . não de crédito. Em verdade, uma vez que o procedimento eletrônico foi transformado em manual para averiguação da veracidade das informações prestadas pela contribuinte, não deveria ter sido ultrapassada justamente a etapa em que se averiguaria a existência do crédito para se ater a pesquisas de formulários eletrônicos. É que, conforme fl. 50 da decisão da DRF, a análise foi realizada com base apenas nas informações contidas no sistema informatizado da SRF. A qualquer momento, se a contribuinte tem como apresentar prova irrefutável e inequívoca da inexistência de débito - muito embora aqui estejamos tratando da existência do crédito, referida prova tem que ser analisada pela autoridade julgadora, posto que não se pode cobrar débito inexistente. Assim, se a contribuinte apontou em sua manifestação de inconformidade que apenas cometeu erro de preenchimento em sua DCTF, a existência do débito deixa de ser líquida e certa, e sua cobrança não deve se efetivar até que se proceda à averiguação necessária. tf, 5 Processo n° 13502.000153/2007-22 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.187 Fl. 184 Aliás, é justamente para que a autoridade julgadora forme seu convencimento é que temos à disposição o artigo 18 do Decreto 70.235/72 1 . Desta forma, se a contribuinte está demonstrando que errou ao apresentar suas informações, mesmo que a retificação da DCTF tenha ocorrido posteriormente à decisão da DRF, não poderia a autoridade julgadora simplesmente ignorar tal fato e dar continuidade à cobrança de débito que se demonstra inexistente, mesmo porque, é na manifestação de inconformidade que a contribuinte deve juntar as provas de sua razão, ainda que referidas provas demonstrem que o erro foi cometido por ela mesma. Ainda, relativamente à compensação, assim está disposto o artigo 4° da 1N/SRF n° 600/05: "Art. 42 A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas." Mas entendo que nem é o caso de se proceder a diligência fiscal, pela documentação acostada aos autos, senão vejamos: A contribuinte apresentou a retificadora da DCTF para, além de regularizar sua situação perante os controles da SRF, poder demonstrar a existência do crédito. À manifestação de inconformidade estão anexadas todas as PER/DCOMPs (fls. 96/131) que compõem o pagamento de Cofins de julho/04 por meio de compensação (R$ 639.471,23) e também do DARF de R$ 147.839,52. Como referidas PER/DCOMPs não sofreram retificações, é certo que no sistema da SRF estão vinculadas ao débito de Cofins de julho/2004 Assim, se o débito desse período de apuração era de R$ 768.857,30, e as compensações representam o pagamento de R$ 639.471,23, restaria efetuar o pagamento via DARF do saldo a pagar de R$ 129.386,07. Portanto, se o saldo a pagar era de R$ 129.386,07 e foi recolhido um DARF de R$147.839,52 (fl. 96), é certo que a diferença entre esses valores (R$ 18.453,45) representa ?ft!- um crédito, com o qual a legislação permite que a contribuinte efetue compensação. No mais, penso aplicável o artigo 2° da Lei ° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, a qual regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, a seguir transcrito: "Art. 2 0 - A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. O princípio da razoabilidade é de fundamental importância na aplicação do Direito e satisfação da Justiça. A razoabilidade I "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine." 6 Processo n° 13502.000153/2007-22 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.187 Fl. 185 contrapõe-se a racionalidade, diante da insuficiência de seus critérios, permitindo soluções que não seriam possíveis no estrito campo do formalismo, e auxiliando na fundamentando das "decisões jurídicas razoáveis"." Não faz nenhum sentido que se insista na cobrança de um débito apenas e tão somente pela não aceitação de uma retificadora de declaração inexata. Por todo o exposto, uma vez comprovada documentalmente a existência de crédito, e demonstrado que a contribuinte apenas cometeu erro de fato ao preencher sua DCTF, voto por dar provimento ao recurso voluntário para homologar a compensação efetuada e determinar o cancelamento da cobrança. Sala das Sessões, em 03 de junho de 2009. 7.; 7 1.-''' "- MARIA TERE 1ARTÍNEZ LÓPEZ f" 7
score : 1.0
Numero do processo: 10783.902389/2013-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.780
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela desnecessidade da diligência, uma vez que somente foram apresentados os DACON e DCTF retificadores.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, sendo substituído pela Conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela desnecessidade da diligência, uma vez que somente foram apresentados os DACON e DCTF retificadores. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, sendo substituído pela Conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada).
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Recorrente BRAZIL TRADING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela desnecessidade da diligência, uma vez que somente foram apresentados os DACON e DCTF retificadores. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, sendo substituído pela Conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada). Relatório Tratase de pedido de compensação relacionado a crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS Não cumulativo. Após a transmissão de despacho decisório não homologando a compensação pleiteada, sob a justificava do crédito pleiteado ter sido utilizado para quitar débito de PIS Não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 02 38 9/ 20 13 -4 6 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10783.902389/201346 Resolução nº 3402001.780 S3C4T2 Fl. 3 2 cumulativo do período, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade informando que os débitos de PIS originariamente informados em DCTF foram revisados e reduzidos, ensejando em pagamento indevido ou a maior no período. Como comprovante, apresentou, dentre outros documentos, cópia da DCTF e DACON retificadores. Esta defesa foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento, nos termos do Acórdão nº 06054.094 que concluiu que a retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original.: Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade do despacho decisório, face a ausência de motivação expressa para a não homologação da compensação pleiteada; (ii) no mérito, a necessidade de reconhecimento do crédito, devidamente respaldado pela retificação dos documentos fiscais (DCTF e DACON). Sustenta a possibilidade de retificação da DCTF para refletir os dados do DACON mesmo após a transmissão do PER/DCOMP (Parecer Normativo COSIT n.º 2/2015), indicando a possibilidade da conversão do processo em diligência para confirmar a validade das informações. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.773, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10783.902380/201335, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.773): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Entendo, contudo, pela necessidade de conversão do processo em diligência para verificar a validade do crédito pleiteado pelo sujeito passivo. Como se depreende dos presentes autos, a Recorrente entende que seria suficiente a retificação do DACON e, posteriormente, da DCTF, para confirmar a validade do seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10783.902389/201346 Resolução nº 3402001.780 S3C4T2 Fl. 4 3 analisados os documentos contábeis e fiscais necessários à confirmar a validade das informações constantes do DACON. Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito (DACON e DCTF retificadores), entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração do PIS devido no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal de origem: (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10783.902389/201346 Resolução nº 3402001.780 S3C4T2 Fl. 5 4 modificadas na apuração do PIS devido no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elabore relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722122/2011-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO.
Comprovado o desvirtuamento da finalidade da entidade isenta, é cabível a suspensão da isenção de associação civil sem fins lucrativos.
REMISSÃO. ARTIGO 30-B DA LEI 11.051/2004.
São remidos os créditos tributários, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa, bem como anistiados os respectivos encargos legais, multas e juros de mora quando relacionados à falta de pagamento da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores passíveis de exclusão das suas bases de cálculo nos termos do art. 30-A, da Lei Federal 11.051/2004.
Numero da decisão: 3401-005.767
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para afastar do lançamento a parcela objeto de remissão pelo artigo 30-B da Lei 11.051/2004, com a redação dada pela Lei 12.649/2012.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente o conselheiro Cássio Schappo.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. Comprovado o desvirtuamento da finalidade da entidade isenta, é cabível a suspensão da isenção de associação civil sem fins lucrativos. REMISSÃO. ARTIGO 30-B DA LEI 11.051/2004. São remidos os créditos tributários, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa, bem como anistiados os respectivos encargos legais, multas e juros de mora quando relacionados à falta de pagamento da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores passíveis de exclusão das suas bases de cálculo nos termos do art. 30-A, da Lei Federal 11.051/2004.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para afastar do lançamento a parcela objeto de remissão pelo artigo 30-B da Lei 11.051/2004, com a redação dada pela Lei 12.649/2012. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente o conselheiro Cássio Schappo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. Comprovado o desvirtuamento da finalidade da entidade isenta, é cabível a suspensão da isenção de associação civil sem fins lucrativos. REMISSÃO. ARTIGO 30B DA LEI 11.051/2004. São remidos os créditos tributários, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa, bem como anistiados os respectivos encargos legais, multas e juros de mora quando relacionados à falta de pagamento da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores passíveis de exclusão das suas bases de cálculo nos termos do art. 30A, da Lei Federal 11.051/2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para afastar do lançamento a parcela objeto de remissão pelo artigo 30B da Lei 11.051/2004, com a redação dada pela Lei 12.649/2012. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 22 /2 01 1- 40 Fl. 2545DF CARF MF Processo nº 19515.722122/201140 Acórdão n.º 3401005.767 S3C4T1 Fl. 2.446 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente o conselheiro Cássio Schappo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 2821 e seguintes) contra decisão da 4ª Turma da DRJ/BSB, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a nulidade de Autos de Infração referente à cobrança de PIS e Cofins, no período de 01/01/2007 a 31/12/2007, em razão da declaração administrativa da perda da isenção tributária realizada por intermédio do Ato Declaratório Executivo no 194, de 03.07.2011. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 1496 e seguintes) de R$2.897.385,27 (dois milhões, oitocentos e noventa e sete mil, trezentos e oitenta e cinco reais e vinte e sete centavos), referente ao Cofins, e de R$ 616.568, 29 (seiscentos e dezesseis mil, quinhentos e sessenta e oito reais e vinte e nove centavos), referente ao PIS. Em síntese, as razões que levaram ao lançamento de ofício foram: · Mediante o Ato Declaratório Executivo nº 194, de 03 de julho de 2011, fls. 940, foi declarada suspensa a isenção tributária da interessada para o anocalendário de 2007, por inobservância ao disposto no artigo 15, caput e § 3º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. · Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal de fls.1487/1494, intimada para apresentação dos livros e documentos de sua escrituração, a interessada manifestou opção, por meio das demonstrações entregues, pela apuração do Lucro Real, considerando como receita os valores recebidos via contratos de prestação de serviços, contribuições associativas, “jóias” pelo ingresso de novos associados, receitas financeiras e outras receitas. Também, apresentou planilha com a demonstração do PIS e Cofins apurados segundo critério de nãocumulatividade. · Nas planilhas apresentadas para apuração do PIS e da Cofins constam as receitas pela prestação de serviços de rádio táxi contratados pelas empresas tomadoras dos serviços, receitas compostas de despesas recuperadas de ingressos de novos associados (jóias), e as outras Fl. 2546DF CARF MF Processo nº 19515.722122/201140 Acórdão n.º 3401005.767 S3C4T1 Fl. 2.447 3 receitas (contribuição dos associados). Não foram computadas as receitas financeiras. · Constam, ainda, os valores de despesas para a apuração dos créditos utilizados como descontos, sendo considerados os valores de despesas relativos a energia elétrica, aluguel (pago a PJ), insumos utilizados na prestação ode serviços pagos a PJ, depreciação de imóvel e equipamentos. · Foram aplicadas as alíquotas 1,65% (Lei nº 10.637/2002) e 7,6% (Lei nº 10.8333/2003) para o cálculo do PIS e Cofins, respectivamente, e aproveitados os recolhimentos efetuados de PisFolha de Pagamento, código de receita 8301, no lançamento do PIS, bem como valores retidos em DIRF pela empresa VALEO Sistemas Automotivos Ltda, tomadora de serviços da ATAG, no mês de março de 2007, de R$ 181,50 para o PIS, e R$ 330,00 para o Cofins.(fls 2491 e seguintes) Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 19.12.2011 (fls. 1517 e seguintes), e apresentou Impugnação, em 17.01.2012 (fls 1536 e seguintes alegando, em síntese, o seguinte: não se enquadra em nenhuma das hipóteses prevista na legislação municipal de exploração de transporte de passageiro por meio de táxi não disponibiliza, fornece ou executa serviço de transporte publico municipal; sua atividade resumise ao serviço de rádiocomunicação para táxis a fim de auxiliar usuários e taxistas objetivando proporcionar maior segurança, dinamismo e diminuição da poluição do meio ambiente com a economia de combustível. Não recebe pagamento de corridas em nome próprio mas em nome dos associados e transfere 100% do pagamento dos clientes para os respectivos associados que fizeram a corrida. Os associados são remunerados pelos passageiros por serviços de transporte. Tais remunerações são receitas dos associados, pessoas físicas. Nada tem a ver com a receita da associação. Sua atividade possui natureza meramente assistencial. O objetivo dos associados da ATAG se agruparem não é essencialmente o desenvolvimento de uma atividade econômica, como uma empresa comercial, mas sim a segurança. não há que se falar em concorrência desleal , pois não se trata de um mercado livre e aberto, mas sim atividade regulada pelo Poder Público, inclusive sujeito a política tarifária, não tendo os agentes privados qualquer discricionalidade quanto a fixação de preços dos serviços prestados. Fl. 2547DF CARF MF Processo nº 19515.722122/201140 Acórdão n.º 3401005.767 S3C4T1 Fl. 2.448 4 o fato de representar seus associados em contratos de prestação de serviços, não desqualifica seu objetivo principal, pelo contrario, o serviço de rádiotaxi reforça segurança direcionada aos taxistas integrantes de seu quadro social. a mensalidade é apurada a partir do rateio dos custos para a manutenção da estrutura à disposição dos associados; a “jóia” é um tipo de contribuição de ingresso do associado, o qual se compromete a pagar parceladamente. não obstante haver sido escriturado como “isenção de mensalidade diretoria”, na verdade tais isenções são concedidas pela diretoria aos associados na forma do artigo 8º do Estatuto Social. ademais, houvesse isenção aos diretores apenas e tãosomente da mensalidade da associação , valor ínfimo diante da movimentação financeira anual da entidade, esta não teria o condão de violar a alínea “a” do parágrafo segundo do artigo 12 da Lei 9.532/97 (não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados). Ante todo o exposto, conclui que a ATAG é uma associação civil que presta os serviços para os quais fora instituída e os coloca à disposição do grupo de associados a que esses serviços se destinam, tudo nos exatos moldes do artigo 15 da Lei 9.532/97. Destaca, assim, a inexistência de atividade econômica, bem como que a transferência de 100% do pagamento dos clientes para os respectivos associados nada mais é que um repasse financeiro, não possuindo natureza jurídica de receita e, por conseguinte, reforça pela manutenção do enquadramento como associação. Em não havendo desvirtuamento da finalidade social, nem a destinação diversa de eventual superávit, permanece incólume a condição de entidade sem fins lucrativos e, consequentemente, inalterada a isenção fiscal. Cita nesse sentido jurisprudência administrativa e judicial. A apuração do PIS e da Cofins ocorreu apenas em decorrência do Ato Declaratório Executivo nº 194, de 03 de julho de 2011, visto que a impugnante não considera como receitas tributáveis os valores apontados pela autoridade fiscal. Na remota hipótese de ser mantida subsistente a suspensão da isenção fiscal, cumpre aferir corretamente a composição da receita bruta da impugnante, haja vista ter sido considerada, conforme fl. 03 do Termo de Verificação FsicalTVF, a quantia de R$ 14.059.917,07 como receita da associação, sendo que tais valores decorrem de boletos pagos por empresas, cujos funcionários utilizaram os serviços de táxi dos associados da impugnante. Ou seja, não decorrem de qualquer prestação de serviços da própria impugnante, razão pelo qual tal montante não se amolda ao conceito de receita ou faturamento para fins de incidência de PIS ou Cofins. Alega, também, que foram consideradas indevidamente receitas a título de jóias não auferidas no anocalendário de 2007, uma vez que tal contribuição poderia ser dividida em até sessenta parcelas. Alternativamente, caso mantida a suspensão da isenção fiscal, requer sejam desconsiderados os valores apontados no TVF (“boleto a receber de empresas”) como receita/faturamento da impugnante, pois tais valores pertencem aos associados e caracterizamse como meros ingressos financeiros, como também sejam considerados apenas ao valores efetivamente recebidos no curso do anocalendário de 2007 a título de jóias. Fl. 2548DF CARF MF Processo nº 19515.722122/201140 Acórdão n.º 3401005.767 S3C4T1 Fl. 2.449 5 Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 0376.751 (fls. 2489 e seguintes), exarado pela da 4ª Turma, DRJ/BSB, em 06.09.2017, através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. Comprovado o desvirtuamento da finalidade da entidade isenta, é cabível a suspensão da isenção de associação civil sem fins lucrativos. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. OBSERVÂNCIA. Tendo a Autoridade Fiscal realizado o procedimento com estrita observância das normas legais, descrito os fatos com coerência e tipificado corretamente as infrações apuradas, descabe o reclamo da autuada de que teria havido desrespeito aos princípios da legalidade. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA . EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. PROVA. JUNTADA POSTERIOR. A prova documental deverá ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que a interessada demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Fl. 2549DF CARF MF Processo nº 19515.722122/201140 Acórdão n.º 3401005.767 S3C4T1 Fl. 2.450 6 Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, uma vez que a ciência do Acórdão ocorreu em 20.10.2017 (fl.2540) e o Recurso Voluntário foi protocolado em 17.11.2017 (fl 2540), e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que tomo seu conhecimento. Da preliminar – Da Suposta Remissão A contribuinte alega ter havido remissão dos débitos lançados por força do artigo 30B, da Lei Federal 11.051/2004, por ocasião da edição da Lei Federal 12.649/2012, e que, por isso, houve a extinção do crédito tributário em discussão, conforme se aduz da leitura abaixo: Art. 30A. As cooperativas de radiotáxi, bem como aquelas cujos cooperados se dediquem a serviços relacionados a atividades culturais, de música, de cinema, de letras, de artes cênicas (teatro, dança, circo) e de artes plásticas, poderão excluir da base de cálculo da contribuição para PIS/Pasep e Cofins: I os valores repassados aos associados pessoas físicas decorrentes de serviços por eles prestados em nome da cooperativa;; II as receitas de vendas de bens, mercadorias e serviços a associados, quando adquiridos de pessoas físicas não associadas; e III as receitas financeiras decorrentes de repasses de empréstimos a associados, contraídos de instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. Parágrafo único. Na hipótese de utilização de uma ou mais das exclusões referidas no caput, a cooperativa ficará também sujeita à incidência da contribuição para o PIS/Pasep, determinada em conformidade com o disposto no art. 13 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Art. 30B. São remidos os créditos tributários, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa, bem como anistiados os respectivos encargos legais, multas e juros de mora quando relacionados à falta de pagamento da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores passíveis de exclusão das suas bases de cálculo nos termos do art. 30A desta Lei das associações civis e das sociedades cooperativas referidas no art. 30A desta Lei. (Redação dada pela lei nº 12.973, de 2014) Assim, nos termos do artigo 30B acima citado, houve a remissão dos créditos tributários, constituídos ou não, referentes à falta de pagamento de PIS/COFINS sobre: Fl. 2550DF CARF MF Processo nº 19515.722122/201140 Acórdão n.º 3401005.767 S3C4T1 Fl. 2.451 7 i. Valores repassados aos associados pessoas físicas decorrentes de serviços por eles prestados em nome da cooperativa;; ii. Receitas de vendas de bens, mercadorias e serviços a associados, quando adquiridos de pessoas físicas não associadas; e iii. Receitas financeiras decorrentes de repasses de empréstimos a associados, contraídos de instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. No presente caso, verificase que os lançamentos das contribuições sociais restaram embasados em sua incidência sobre os valores cobrados de empresas conveniadas, relacionados à prestação de serviços de transporte individual, “jóias” (contribuições dos motoristas para o seu ingresso na cooperativa) e mensalidades (contribuições mensais dos associados para o custeio das atividades desempenhadas pela cooperativa). Contudo, nos termos do próprio relatório fiscal, constatouse que os “boletos a receber de empresas” eram as cobranças efetuadas pela Cooperativa em nome dos seus associados em razão da prestação de serviços de transporte individual cujo montante era repassado aos respectivos associados que havia efetuado a atividade de transporte. Nesse sentido, não parece haver dúvidas de que, sobre a parcela do lançamento referente às cobranças efetuadas pela cooperativa perante terceiros (empresas conveniadas), houve a remissão do crédito tributário, nos termos do artigo 30B, da referida Lei Federal 11.051/2004. Com relação ao crédito remanescente, deverá ser analisado a seguir. Do Mérito Quanto às alegações de mérito presentes no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase a rediscutir o conteúdo do processo administrativo (10880.725466/201178) que culminou na suspensão da isenção das contribuições sociais através do Ato Declaratório 194, da DEFISSPO, para a afastar a exigência fiscal, o que, evidentemente, não é o objeto do presente contencioso. Com isso em mente, e tendo em vista que a Recorrente, em argumento último, protesta pela inclusão de outros créditos no cálculo das contribuições nãocumulativas sem apresentar quaisquer documentos, entendo, por haver carência probatória, ser o caso de manter o restante da decisão ora recorrida. Pelo exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar do lançamento a parcela objeto de remissão pelo artigo 30B, da Lei Federal 11051/2004, com a redação dada pela Lei Federal 12.649/2012. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 2551DF CARF MF Processo nº 19515.722122/201140 Acórdão n.º 3401005.767 S3C4T1 Fl. 2.452 8 Fl. 2552DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.016960/00-37
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
RESSARCIMENTO. GLOSA PARCIAL NÃO CONTESTADA.
Deverá ser mantida a glosa parcial decretada na apreciação de pedido de ressarcimento de créditos de IPI, visto que a manifestação de inconformidade limitou-se a invocar a dependência de matéria discutida em relação a outro processo administrativo, no qual a interessada pediu desistência expressa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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GLOSA PARCIAL NÃO CONTESTADA. Deverá ser mantida a glosa parcial decretada na apreciação de pedido de ressarcimento de créditos de IPI, visto que a manifestação de inconformidade limitouse a invocar a dependência de matéria discutida em relação a outro processo administrativo, no qual a interessada pediu desistência expressa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 69 60 /0 0- 37 Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 316,5 2 Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 218/220 dos autos: O contribuinte acima qualificado formalizou pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, no valor de R$ 33.761,96, referente ao 3° trimestre de 2000, com fundamento no art. 11 da Lei n.° 9.779, de 1999 e Instruções Normativas — IN n.'s. 21, de 1997, e 33, de 1999. À fl. 84, encontrase pedido de compensação com débitos que menciona 2. Em Termo de Informação Fiscal (fls. 164/170), a autoridade diligenciadora opinou pelo deferimento parcial do pedido, no valor de R$ 1.882,89, depois de consignar, dentre outras, as seguintes informações: 2.1. Foram constatadas notas fiscais de entrada, relativas a aquisições de insumos com geração de crédito, que não apresentam data de saída, data de entrada, ou as contém em duplicidade, descrição do produto, identificação do destinatário. Tais documentos foram considerados inidôneos e/ou sem valor legal, como determinam os arts. 248, 300 e 330 do RIPI/98; 2.2. "A requerente não comprovou entrada (através de comprovação de pagamento, comprovação de transporte e escrituração no Livro Registro de Controle da Produção e Estoque ou Fichas semelhantes) de Notas Fiscais, sendo, portanto, glosadas"; 2.3. No Livro de Registro de Apuração de IPI — RAIPI, constatouse: a) créditos referentes a devoluções, para os quais a legislação exige o cumprimento de requisitos que não foram cumpridos; b) créditos decorrentes de aquisição de bens do ativo imobilizado, para os quais a legislação não dá direito a escrituração; c) créditos referentes a aquisições para comercialização, para os quais a legislação não dá direito a escrituração; d) créditos referentes a devoluções de vendas, para os quais a legislação não dá direito a escrituração; e) créditos referentes a transferência para escrituração, para os quais a legislação não dá direito a escrituração; f) créditos referentes a pagamento de DARF, para os quais a legislação não dá direito a escrituração. 2.4. Com relação aos débitos, descreve uma série de irregularidades, todas relativas a erros na classificação do produto, na aplicação de alíquota vigente no momento da saída, na determinação do valor tributável, além de saídas de produtos sem o destaque do IPI, 2.5. Devido às irregularidades constatadas, lavrouse auto de infração, protocolado sob o n.° 10380.011374/200419, no qual se encontram lançadas, detalhadas e comprovadas todas as ocorrências; 2.6. Realizouse a reconstituição da escrita fiscal do período compreendido entre o 1° decênio de abril de 2000 ao 3° decênio de dezembro de 2002, que corresponde ao período auditado; Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 317 3 2.7. O contribuinte procedeu ao estorno dos valores relativos aos pedidos de ressarcimento "sem obedecer a data de protocolização do Processo de Pedido do Ressarcimento e/ou Valor Solicitado". Na reconstituição da data da escrituração do RAIPI, tais valores, até mesmo pela modificação dos saldos após a reconstituição, foram anulados, através de lançamento no Demonstrativo de Dados Apurados, "por essa fiscalização, dos valores correspondentes, na coluna Outros Débitos ou Créditos, como créditos, e relançados, por essa fiscalização, na coluna Outros Débitos ou Créditos, como débitos, obedecendo ao Valor do Saldo reconstituído, reconhecido por essa fiscalização, e a data de protocolízação do Processo de Pedido de Ressarcimento, para cada trimestre" (passa a expor os valores anulados, por período de apuração). 3. À fl. 175, encontrase Despacho Decisório, subscrito pelo chefe do SEORT de DRF de Fortaleza (delegação de competência através da Portaria n.° 148, de 2001, DOU de 01/10/2001), através do qual confere o crédito no valor proposto e homologa parcialmente o pedido de compensação no mesmo montante. 4. No prazo legal (vide fl. 206), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual aduz: 4.1. A empresa foi diligenciada em razão dos pedidos de ressarcimento que protocolizou. Nesta diligência, gerouse auto de infração, no valor de R$ 612.281,87, processado sob o n.° 10380.011374/200419, ora em julgamento na DRJ/Recife; 4.2. O processo em tela está atrelado ao do auto de infração, por isto deverá ser aguardado julgamento deste; 4.3. A Empresa fundamenta a sua defesa no fato de que o auto de infração já foi objeto de impugnação, de modo que qualquer medida antecipada ao julgamento deverá ser improcedente. 5. Ao final, requer o contribuinte o acolhimento da manifestação de inconformidade, para restabelecerse o crédito no valor pleiteado. Em anexo à peça de defesa, o contribuinte acostou a impugnação apresentada nos autos do processo n.° 10380.011374/200419. Além do documento referido no relatório acima transcrito, o contribuinte juntou, com a manifestação de inconformidade (fls. 184/194) procuração, documentos de identificação, contrato social (fls. 203/212). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, por dar provimento parcial à manifestação de inconformidade, para DEFERIR EM PARTE o crédito de IPI solicitado, no valor de R$ 2.691,90 (dois mil, seiscentos e noventa e um reais e noventa centavos), e homologar o pedido de compensação no valor do crédito reconhecido, conforme decisão (fls. 217/228) que restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 Ementa: MANTA LAMINADA. CLASSIFICAÇÃO. O produto "manta laminada", à base de poliuretano, classificase na posição 3921 da TIPI, mesmo que a operação de industrialização lhe dê a característica de artigo pronto para uso. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 317,5 4 ENTRADA DE PRODUTO TRIBUTADO NO ESTABELECIMENTO. NÃOCOMPROVAÇÃO. GLOSA. A nãocomprovação da entrada de produto tributado no estabelecimento do contribuinte, quando intimado pelo fisco a fazêlo, enseja a glosa do crédito registrado. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. GLOSA DO CRÉDITO. Somente quando cumpridos os requisitos previstos na legislação de regência, permitese o creditamento do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 Ementa: FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, NAS SAÍDAS DE NSUMOS DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL, ADQUIRIDOS DE TERCEIROS, COM DESTINO A OUTROS ESTABELECIMENTOS, PARA INDUSTRIALIZAÇÃO OU REVENDA. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO NAS SAÍDAS DE PRODUTOS TRIBUTADOS DO ESTABELECIMENTO, PELA NÃOINCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO, DO VALOR DOS DESCONTOS CONCEDIDOS NAS NOTAS FISCAIS. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pela interessada. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. O MPF constituise em elemento de controle interno da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Solicitação Deferida em Parte O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 22/05/2006 (vide AR à fl. 234 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 19/06/2006, Recurso Voluntário (fls. 239/260). Em seu recurso, o contribuinte reiterou a afirmação da vinculação do presente processo com o processo nº 10380.011374/200419, o qual estaria, igualmente, com recurso voluntário na pendência de julgamento. Nas razões recursais, arguiu a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, visto que não teria apreciado o pedido de diligência do contribuinte, no tocante à apontada existência de prova documental que poderia contrapor a acusação fiscal. Arguiu, também, outro fator de nulidade da decisão, que se consubstanciaria na ausência de prova da acusação fiscal, a qual teria partido da premissa de que o contribuinte teria realizado classificação fiscal de mercadoria incorretamente, sem, contudo, lastrear tal afirmação em prova técnica, a exemplo de perícia. No mérito, expôs seu entendimento acerca da reclassificação de produtos realizada pelo agente do Fisco, reafirmando que o procedimento se baseou em entendimento particular do fiscal, sem lastro em prova técnica. Concluiu, a esse respeito, que as Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 318 5 classificações impostas pela fiscalização não se sustentam pela aplicação das Regras de Harmonização. Acerca da glosa de créditos baseada na inidoneidade de notas fiscais, o contribuinte argumentou que, como a própria decisão recorrida consignou, o Fisco não pode considerar inidôneas notas fiscais se o contribuinte logra demonstrar que nenhum prejuízo decorreu para os cofres públicos. Afirmou, também, que juntou apenas parte das notas fiscais na intenção de que fosse realizada diligência sobre o restante da documentação que detinha, o que foi pedido em sua defesa e não apreciado, conforme arguido em preliminar de seu recurso. Argumentou que, neste aspecto, a acusação fiscal não prospera, o que fora reconhecido em primeira instância, e que confiou na diligência para verificação das demais notas que possui. Afirmou que, em relação à manutenção da glosa dos créditos advindos da compra de mercadorias para comercialização, houve aplicação de dois pesos e duas medidas tanto pela fiscalização como pelo julgamento de primeira instancia. Afirmou sua estranheza em relação ao procedimento fiscal, visto que teria colocado à disposição a documentação fiscal necessária à demonstração do crédito, apta a comprovar o alegado, sem qualquer violação às regras do Fisco. Pediu que sejam diligenciadas as notas fiscais anexas ao recurso. O contribuinte se insurgiu, também, contra a conclusão de serem indevidos os créditos realizados sobre devoluções. Afirmou que tal direito é indiscutível e se alicerça no princípio da não cumulatividade, e mencionou o artigo 167 do RIPI. Arguiu que a prova destas ocorrências é feita pela apresentação da segunda via das notas fiscais, que pertenceriam ao consumidor, mas que, no entanto, foram devolvidas, e que teriam sido apontadas no Livro de Registro de Entradas, sendo esta a forma pela qual o contribuinte considera ter comprovado a devolução de produtos. Informou estar apresentando cópia do livro mencionado. O contribuinte apontou, ainda, a ocorrência de erro material na decisão recorrida, que teria mantido intocada a multa isolada, mesmo tendo reconhecido direito a créditos do contribuinte. Argumentou que a multa deve ser aplicada de acordo com o valor do tributo que eventualmente deixa o contribuinte de lançar em virtude de aproveitamento de créditos indevidos. Pediu, ao fim, a reforma da decisão recorrida, e que a nova decisão seja proferida com vinculação ao julgamento do processo nº 10380.011374/200419, pois neste processo foi requerido: o reconhecimento da nulidade da decisão por cerceamento de defesa ou do lançamento por ausência de motivação, e, no mérito, reconhecimento da improcedência da reclassificação dos produtos, e realização de perícia técnica para confirmar a classificação feita pelo contribuinte, bem como a improcedência do lançamento quanto aos créditos legitimamente aproveitados pelo contribuinte, e a improcedência do lançamento da multa isolada. Juntou contrato social, procuração, cópia do recurso apresentado no processo nº 10380.011374/200419 (fls. 261/287). Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 318,5 6 O processo, então, recebeu a Resolução nº 20400.475 (fl. 289/291) que o converteu em diligência para que fosse aguardado o julgamento do processo nº 10380.011374/200419, dada da vinculação das questões tratadas em ambos. Na sequência dos autos, constam outras Resoluções, pertencentes a outros processos do mesmo contribuinte, convertendoos, igualmente, na diligência de aguardar o julgamento do processo nº 10380.011374/200419 (fls. 299/304). À fl. 305, consta desistência total do contribuinte em relação às peças defensivas apresentadas no processo nº 10380.011374/200419, e a renúncia a quaisquer alegações de direito nelas consignadas, após o que se fizeram os encaminhamentos necessários. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da conexão com o Proc. nº 10380.011374/200419 e seus efeitos De início, é importante mencionar que, por meio da manifestação de inconformidade apresentada nos presentes autos, o Recorrente limitouse a alegar a vinculação da presente contenda ao julgamento realizado no Proc. nº 10380.011374/200419, face à relação intrínseca existente entre eles. É o que se extrai da passagem a seguir, extraída da referida peça de defesa (fls. 184/185): Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 319 7 Ou seja, como se vê acima, o Recorrente não apresentou argumentação própria à manifestação de inconformidade, limitandose a alegar a vinculação entre ditos processos. Em seu Recurso Voluntário, então, adotou estratégia distinta, não tendo se limitado a indicar a vinculação entre ditos processos, mas também reproduzido de forma expressa os argumentos ali dispostos. Acontece que, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, será considerada não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. É o que se extrai da transcrição a seguir: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 319,5 8 Sendo assim, diante da constatação de que o contribuinte optou por apresentar manifestação de inconformidade por meio da qual alegou tão somente a vinculação existente entre os referidos processos, para que a decisão proferida no Proc. nº 10380.011374/200419 fosse transportada para o presente, apenas este fundamento encontrase em discussão perante este Colegiado. Os demais fundamentos são completamente estranhos à presente contenda. Vejase, por exemplo, o argumento apresentado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário de nulidade da decisão da DRJ, visto que não teria apreciado o pedido de diligência supostamente apresentado pelo mesmo. Da leitura da manifestação de inconformidade apresentada nos presentes autos, vêse que o Recorrente não apresentou qualquer pedido de diligência. Este pleito, em verdade, fora apresentado nos autos do Proc. nº 10380.011374/200419, para o qual fora transportada toda a análise meritória da presente contenda. Nesse contexto, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida, a qual analisou corretamente o único fundamento legal constante da manifestação de inconformidade, qual seja, vinculação do presente julgado ao decidido nos autos do Proc. nº 10380.011374/200419. Verificase, ainda, que este Colegiado já havia reconhecido a vinculação entre ditos processos, conforme Resolução nº 20400.475 (fls. 289/291 dos autos), a qual assim dispôs: Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 320 9 Ocorre que, ato contínuo, restou noticiado nos presentes autos a apresentação de petição de desistência total do contribuinte quanto à defesa protocolizada no processo nº Proc. nº 10380.011374/200419, para fins do disposto na Lei nº 11.941/2009 (vide fl. 305 dos autos). Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 320,5 10 Sendo assim, tendo em vista que o único fundamento constante da manifestação de inconformidade apresentada fora de vinculação do presente julgamento à decisão proferida naquelas autos, verificase que o mérito da presente contenda fora transportado para aqueles autos. E, considerando que a decisão proferida pela DRJ, que reconheceu em parte o direito creditório pleiteado, embasouse justamente no conteúdo do voto proferido no Proc. n.° 10380.011374/200419, não há qualquer razão para se modificar o conteúdo da decisão ali proferida. Ademais, diante da existência de petição por meio da qual o Recorrente desiste dos argumentos de defesa protocolizados naqueles autos, não resta alternativa a este Colegiado senão negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente, mantendose a decisão recorrida em sua integralidade. Nesse mesmo sentido, inclusive, já foram proferidas outras decisões que trataram de situação idêntica à presente, relativa ao mesmo contribuinte, a exemplo da ementa e voto a seguir colacionados: EMENTA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 RESSARCIMENTO. GLOSA PARCIAL NÃO CONTESTADA. De se manter a glosa parcial decretada na apreciação de pedido de ressarcimento de créditos de IPI para cuja contestação limitouse a invocar a dependência de matéria discutida em outro processo administrativo no qual a interessada pediu desistência expressa. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido *** VOTO A questão não é nova neste Conselho, adotandose para o presente processo (4º trimestre/2001), o relatório, o voto e as razões de decidir de precedente correlato, da relatoria do Conselheiro Odassi Guerzoni Filho (1º trimestre/2001 Acórdão nº 340101.328, de 07/04/2011 PAF nº 10380.013654/200119) que concluiu no mesmo sentido ora proposto. Como dito acima, o desfecho da lide deste processo estava na completa dependência do resultado do julgamento do processo nº 10380.011374/200419, no qual a fiscalização recompusera os saldos credores de IPI da interessada e não encontrara valor positivo algum capaz de justificar o ressarcimento postulado por meio deste processo. Assim, em face da expressa desistência da Recorrente naquele processo e diante da ausência de qualquer argumento para contestar a glosa efetuada neste processo, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose integralmente os termos da decisão da DRJ. (Acórdão nº 3302005.585, 21 de junho de 2018). Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 321 11 Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 326DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.901387/2013-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB: (i) proceda à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.726826/2013-14; (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, esclarecendo o impacto do referido resultado definitivo sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB: (i) proceda à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.726826/2013-14; (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, esclarecendo o impacto do referido resultado definitivo sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB: (i) proceda à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.726826/201314; (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, esclarecendo o impacto do referido resultado definitivo sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 01 38 7/ 20 13 -1 0 Fl. 6905DF CARF MF Processo nº 11080.901387/201310 Resolução nº 3401001.812 S3C4T1 Fl. 6.906 2 Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em 03 de março de 2014 contra o despacho decisório de nº 078133367 (efl. 2946), de 04 de março de 2014, cientificado em 17 de março de 2014 (efl. 2947), que homologou as compensações com créditos de IPI do 2º trimestre de 2010, contidas em declarações de compensação apresentadas a partir de 08 de novembro de 2011, mas reconheceu um saldo de créditos menor do que o pleiteado, relativamente ao valor ressarcido em espécie. O relatório fiscal de efls. 2949 a 2956 contém as informações sobre as alterações efetuadas que implicaram a redução dos valores. Primeiramente, o saldo credor inicial do período foi reduzido de R$ 118.545.945,59 (efl. 3068, página 6 do PER/DCOMP) para zero (efl. 2949, "Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível"). Essa redução do saldo inicial do mês de abril de 2010 deveuse às infrações apuradas no auto de infração dos processos administrativos n. 10830.726826/201314 (que tratou dos períodos de janeiro de 2009 a junho de 2011) e n. 10830.725456/201217 (períodos de março de 2007 a dezembro de 2008). Ademais, a Fiscalização apurou débitos para os períodos do trimestrecalendário em análise nos presentes autos (coluna "I" do Demonstrativo de Créditos e Débitos"), em valores correspondentes aos débitos de IPI apurados no auto de infração do processo administrativo n. 10830.726826/201314. Na manifestação de inconformidade, a Interessada apresentou considerações preliminares, em que esclareceu o seguinte: 4. Antes de adentrarmos nas situações fáticas e de direito da presente Manifestação de Inconformidade/ cumpre atentarmos para o quanto segue. 5. Primeiramente, é dever ressaltar que o presente valor passível de ressarcimento solicitado pela Requerente já foi parcialmente utilizado por essa quando da denúncia espontânea protocolada perante a RFB em 09 de abril de 2012 (doc. 08), ainda não processada, no valor de R$ 1.216.317,65 (um milhão, duzentos e dezesseis mil, trezentos e dezessete reais e sessenta e cinco centavos). 6. No entanto, por conta do contexto fático que ensejou o presente Despacho Decisório, esse não merece prosperar, uma vez que intrinsecamente vinculado ao Processo Administrativo n° 10830.726826/201314, devendo, portanto, ser apensado a esse último ou então, minimamente, restar suspenso até decisão administrativa definitiva desse. A seguir, tratou do "contexto fático que ensejou o despacho decisório", expondo suas atividades e tratando dos incentivos fiscais da Lei de Informática. Expôs, também, as razões da apuração de saldos credores ressarcíveis de IPI e tratou das infrações apuradas no processo administrativo mencionado. Fl. 6906DF CARF MF Processo nº 11080.901387/201310 Resolução nº 3401001.812 S3C4T1 Fl. 6.907 3 Na sequência, apresentou alegações preliminares quanto à necessidade de julgamento conjunto da manifestação de inconformidade com o auto de infração contido no processo n. 10830.726826/201314, que teria fundamento na Portaria RFB n. 666, de 2008, art. 1º, § 3º. Também citou ementas de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –Carf. Ainda preliminarmente, alegou que o auto de infração que lastreou o despacho decisório seria precário, "em razão da violação e não observância, por parte do Auditor Fiscal, do artigo 142 do Código Tributário Nacional ('CTN') [...]". No mérito, abordou as duas infrações que lhe foram imputadas no auto de infração do processo já mencionado, tratando da inexistência de fato gerador do IPI na revenda de produtos adquiridos no mercado interno, do erro na aplicação da alíquota, de haver destacado IPI em nota fiscal complementar, da não incidência do IPI nas saídas de produtos industrializados para a Zona Franca de Manaus e da correta utilização do PPB. Em 28/06/2016, a 08ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1461.712, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 ENDEREÇO DE INTIMAÇÃO E DOMICÍLIO FISCAL. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA. As intimações são matéria de atribuição da autoridade preparadora, descabendo manifestação da autoridade julgadora quanto ao pedido do contribuinte de que elas sejam enviadas para endereço diverso do de seu domicílio tributário. IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. VALOR REDUZIDO EM FUNÇÃO DE AUTO DE INFRAÇÃO. DECORRÊNCIA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Ao julgamento da manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que deixou de reconhecer parte do direito ao ressarcimento de IPI, em decorrência exclusiva de infrações apuradas em autos de infração já julgados em primeira instância administrativa, devem ser aplicados os efeitos das decisões proferidas nos respectivos processos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 RESSARCIMENTO DE IPI. REDUÇÃO EM RAZÃO DE AUTO DE INFRAÇÃO. CANCELAMENTO PARCIAL DOS DÉBITOS. Fl. 6907DF CARF MF Processo nº 11080.901387/201310 Resolução nº 3401001.812 S3C4T1 Fl. 6.908 4 Revertemse em créditos ressarcíveis ao contribuinte aqueles utilizados para dar cobertura ao IPI não lançado em notas fiscais, apurado em auto de infração do imposto, no que diz respeito aos valores cancelados por decisão administrativa de primeira instância não sujeita a recurso de ofício. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A contribuinte interpôs recurso voluntário, em cujas razões reiterou os argumentos vertidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Em síntese, foi instaurado procedimento fiscal no estabelecimento da contribuinte, que resultou na lavratura de Auto de Infração (que originou o Processo Administrativo n° 10830.726826/201314) que formalizou cobrança de multa de oficio, relativo ao período de janeiro de 2009 a junho de 2011, no montante total de R$ 15.318.094,95 por falta de destaque de IPI em notas fiscais de venda, bem como estorno, mediante lançamento no Livro Registro de Apuração do IPI, de saldo credor de IPI no valor de RS 20.424.126,57. Considerando que eventual cancelamento do auto de infração acabará por repercutir no despacho decisório ora recorrido, na medido em que o cálculo de apresentação do “Demonstrativo de Créditos e Débitos (Ressarcimento de IPI)” acabou por considerar os débitos constituídos no processo administrativos nº 10830.726826/201314, que a contribuinte contesta administrativamente, necessário, antes da formação da convicção do aplicador, certificarse a respeito do desfecho do processo administrativo em apreço. Assim, entendo que o processo não se encontra em condições de julgamento, razão pela qual voto por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Proceder à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.726826/201314; Fl. 6908DF CARF MF Processo nº 11080.901387/201310 Resolução nº 3401001.812 S3C4T1 Fl. 6.909 5 (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, esclarecendo o impacto da resposta aos itens anteriores sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (iv) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 6909DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000246/2008-02
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/10/2015
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. UTILIZAÇÃO DA ANALOGIA. APLICAÇÃO DO ART. 108, I DO CTN.
O protesto judicial possui força interruptiva do prazo prescricional que corre contra o contribuinte para recuperação de tributos recolhidos indevidamente por aplicação de analogia permitida pelo art. 108, I, do CTN face o disposto no art. 174, parágrafo único, II, que admite o protesto judicial como forma de interromper a prescrição para a cobrança do crédito tributário pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 9101-004.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Viviane Vidal Wagner, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2015 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. UTILIZAÇÃO DA ANALOGIA. APLICAÇÃO DO ART. 108, I DO CTN. O protesto judicial possui força interruptiva do prazo prescricional que corre contra o contribuinte para recuperação de tributos recolhidos indevidamente por aplicação de analogia permitida pelo art. 108, I, do CTN face o disposto no art. 174, parágrafo único, II, que admite o protesto judicial como forma de interromper a prescrição para a cobrança do crédito tributário pela autoridade fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Viviane Vidal Wagner, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1500; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.000246/200802 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101004.035 – 1ª Turma Sessão de 14 de fevereiro de 2019 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ITAU SEGUROS S.A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2015 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. UTILIZAÇÃO DA ANALOGIA. APLICAÇÃO DO ART. 108, I DO CTN. O protesto judicial possui força interruptiva do prazo prescricional que corre contra o contribuinte para recuperação de tributos recolhidos indevidamente por aplicação de analogia permitida pelo art. 108, I, do CTN face o disposto no art. 174, parágrafo único, II, que admite o protesto judicial como forma de interromper a prescrição para a cobrança do crédito tributário pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Viviane Vidal Wagner, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 02 46 /2 00 8- 02 Fl. 463DF CARF MF 2 Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 381/395) interposto pela PGFN, cujo objeto referese à possibilidade de interrupção do prazo prescricional para repetição de indébito através de protesto judicial. O acórdão n° 1301002.859 de 15/03/18 (fls. 370/378), ora recorrido, foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2015 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008 PROTESTO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. O protesto judicial visando à suspensão da prescrição do direito de se repetir/compensar indébitos tributários produz efeitos válidos em relação a esta. DIREITO CREDITÓRIO FALTA DE COMPROVAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta no deferimento do pedido e a não homologação das compensações. A ora Recorrente alega em seu Recurso Especial a existência de divergência de interpretação entre o acórdão Recorrido e o acórdão paradigma n. 20312123 que trouxe entendimento no sentido de que deve ser afastada a eficácia de Protesto Judicial formulado pela contribuinte para interromper prazo prescricional, em face de sua aplicabilidade depender de eventual questionamento junto ao Poder Judiciário, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1992 a 30/01/1997 Fl. 464DF CARF MF Processo nº 16327.000246/200802 Acórdão n.º 9101004.035 CSRFT1 Fl. 3 3 Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROTESTO JUDICIAL. Afastase a eficácia de Protesto Judicial formulado pela recorrente para interromper prazo prescricional, em face de sua aplicabilidade depender de eventual questionamento junto ao Poder Judiciário. A Recorrente transcreve o seguinte trecho do voto: Assim, não assiste direito à recorrente para pleitear os valores originados no período de janeiro de 1992 a 30/01/1997, vez que, por ter sido o pedido formulado em 31/01/2002, foram irremediavelmente alcançados pela prescrição. Esse meu entendimento, aqui consignado apenas para a eventualidade de mostrarse pertinente perante este Colegiado o direito da recorrente aproveitarse desses créditos fictos, pressupõe, portanto, o afastamento dos efeitos pretendidos pela recorrente com a realização do Protesto Judicial formulado através do citado Processo Judicial n° 2001.34.00.0084866 em 10/04/2001, quais sejam o de interromper a prescrição haja vista que um dos dispositivos que invoca para tal é o artigo 174, inciso II do parágrafo único, do CTN, que não lhe socorre, por tratar de regras voltadas para o sujeito ativo, no caso, a Fazenda Nacional. Senão, vejamos: (...) Por meio do despacho de admissibilidade de Recurso Especial (fls. 412/415), foi dado seguimento ao recurso. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 423/430) em que não contesta o conhecimento do Recurso Especial mas no mérito alega em síntese que a interpretação trazida pela Recorrente e pelo acórdão paradigma está ultrapassada diante da jurisprudência do STJ que de forma predominante entende que o prazo prescricional para indébito tributário pode ser interrompido pelo Protesto Judicial, com destaque para o julgamento do REsp n. 1.274.601/AM. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Conhecimento Fl. 465DF CARF MF 4 Como mencionado no relatório, a discussão do Recurso Especial ora em análise referese à eficácia do protesto judicial para fins de interromper o prazo prescricional para repetição de indébito pelo contribuinte. O acórdão ora recorrido trata de repetição de CSLL e adotou entendimento de que o STJ já consolidou jurisprudência no sentido de que o CTN elegeu o protesto judicial como instrumento que interrompe o prazo prescricional para cobrança do contribuinte pela Fazenda Pública e que o mesmo racional deve ser aplicado ao contribuinte quando buscar repetição de indébito em obediência ao Princípio da Igualdade entre as partes. Já o acórdão paradigma que trata do tributo IPI afastou a eficácia do protesto judicial por entender que a regra contida no artigo 174, II do CTN se aplica somente à Fazenda Pública. Apesar de tratar de tributos distintos, a discussão é a mesma no acórdão recorrido e no paradigmático, qual seja: efeitos do protesto judicial para fins de interrupção do prazo prescricional para repetição de indébito. Assim entendo estar presente a necessária similitude fática entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigmático, bem como, a divergência jurisprudencial. Portanto, o Recurso Especial merece ser conhecido. Mérito O objeto da presente análise de mérito está concentrado na possibilidade de utilização pelo contribuinte do instrumento do Protesto Judicial para fins de interrupção do prazo prescricional para repetição de indébito. Para tal análise, necessário relembrar alguns dispositivos importante do CTN: " Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: (...) II pelo protesto judicial;" Fl. 466DF CARF MF Processo nº 16327.000246/200802 Acórdão n.º 9101004.035 CSRFT1 Fl. 4 5 Da simples leitura do art. 174, parágrafo único do CTN é possível perceber que quis o legislador prever hipóteses de interrupção do prazo prescricional para fins de cobrança do crédito tributário. A intenção aqui foi a de proteger o direito da parte de ser atingido pela prescrição em razão de eventos alheios à sua vontade. Isso porque, a prescrição como instituto limitador de direito no tempo, visa garantir segurança às relações da vida em sociedade, punindo aqueles que permanecem inertes no exercício de seu direito. Contudo, em determinadas situações, não se trata de inércia do detentor do direito mas de simples impossibilidade de exercício de seu direito. Assim, quis o legislador prever hipóteses de interrupção da fluência do prazo prescricional na relação entre o Fisco e Contribuinte e o fez através das disposições do art. 174 do CTN. Todavia, o art. 174 do CTN é dispositivo dirigido à Fazenda Pública para fins de cobrança do crédito tributário e, de fato, não existe disposição expressa no mesmo sentido em relação ao contribuinte, que possui também um limitador temporal ao exercício de seu direito que é o prazo de 05 anos previsto no art. 168 do CTN. Justamente para tratar de situações de ausência de normas expressas e específicas que o mesmo legislador previu no art. 108 do CTN a necessária aplicação da analogia, dos princípios gerais de direito tributário, dos princípios gerais de direito público e por fim, da equidade. O art. 108 do CTN tem o objetivo claro de dar instrumentos ao operador do Direito Tributário para suprir eventuais omissões do legislador. Esta é a exata situação quando se trata das hipóteses de interrupção do prazo prescricional. Isso porque, não obstante seja indubitável que a relação fisco e contribuinte é composta por direitos e obrigações de ambas as partes, o CTN foi omisso quanto às hipóteses e regras que devam ser aplicadas na situação em que o contribuinte, por motivos diversos, esteja impossibilitado de exercer seu direito de repetição de indébito. Assim, na presente hipótese, conforme preceitua o art. 108 e incisos do CTN, podem (devem) ser aplicados os princípios da Isonomia e da Equidade, ou mesmo lançar mão da analogia, como vias que permitam concluir que uma vez que o Protesto Judicial é causa de interrupção do prazo prescricional para a Fazenda, também o é para o contribuinte que visa buscar valores recolhidos indevidamente. Neste sentido, é a corrente dominante no STJ: REsp 1042524 / RS RECURSO ESPECIAL 2008/00631870 ... 5. O Código Tributário Nacional elege o protesto judicial como causa interruptiva do prazo prescricional, para que a Fazenda Fl. 467DF CARF MF 6 Pública proponha a ação de cobrança de credito tributário (art. 174, parágrafo único, inciso II). Face ao principio da igualdade das partes, no processo (isonomia processual), idêntico tratamento deve ser dispensado ao contribuinte nas ações em que postula a repetição do indébito." (REsp 82.553/DF, Rel. Min. Demócrito Reinaldo, Primeira Turma, julgado em 29.4.1996, DJ 3.6.1996, p. 19.214.) 6. Precedente idêntico: REsp 1329901/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2013, Dje 29/04/2013. REsp 1329901 / RS RECURSO ESPECIAL 2012/01272829 1. O Código Tributário Nacional, se não prevê expressamente a ação cautelar de protesto para o contribuinte, parte do pressuposto de sua existência e possibilidade, ao disciplinar no seu art. 165, caput, que tanto o pedido administrativo de repetição de indébito quanto a ação para a repetição de indébito independem de prévio protesto. 2. O fato de o art. 165, do CTN mencionar o protesto significa que ele é uma faculdade posta ao contribuinte, que a fazenda pública não pode exigir o protesto como condição da repetição. Em resgate histórico, observo que a inserção do dispositivo no CTN, inclusive, foi feita em razão de existir anteriormente a sua vigência interpretação fazendária no sentido de que o protesto judicial do contribuinte (na época feito na forma do art. 720, do CPC/39 DecretoLei n. 1.608/39) era obrigatório para ressalvar seus direitos quando do pagamento que entendeu indevido (cf. Aliomar Baleeiro in "Direito Tributário Brasileiro", 11ª ed. Rio de Janeiro, Forense: 2000, p. 877). 3. Quanto à força interruptiva da prescrição pelo protesto feito pelo contribuinte, aplicase, por analogia permitida pelo art. 108, I, do CTN, o disposto no art. 174, parágrafo único, II, que admite o protesto judicial como forma de interromper a prescrição para a cobrança do crédito tributário. 4. Em se tratando o CTN de norma geral, o seu complemento se dá com a identificação precisa do marco interruptivo da prescrição que é feito por norma específica e conformadora dos direitos processuais, qual seja o art. 219, §1º, do CPC e os dispositivos pertinentes que regulam a ação cautelar de protesto (arts. 867 a 873, do CPC), como toda e qualquer ação judicial. Também merece destaque a decisão do REsp 335942/RS, julgado em 01/10/2009, in verbis: PROCESSUAL CIVIL, ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 1º, 8º E 9º DO DECRETO 20.910/1932. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 16327.000246/200802 Acórdão n.º 9101004.035 CSRFT1 Fl. 5 7 1. O STJ possui entendimento no sentido de que o prazo prescricional referente ao aproveitamento do créditoprêmio de IPI é de cinco anos contados da aquisição do direito, nos termos do Decreto 20.910/1932. 2. Hipótese que se diferencia da restituição de tributo indevidamente recolhido (art. 168, I, do CTN), pois se trata de pedido relativo a benefício fiscal não reconhecido pelo Fisco a ser creditado pelo interessado. 3. O regime jurídico da prescrição deve ser analisado à luz do Decreto 20.910/1932, que prevê a possibilidade de interrupção por uma única vez, recomeçando o lapso temporal a correr pela metade. 4. Ajuizouse medida cautelar de protesto judicial interruptivo da prescrição (art. 867 do CPC; c/c o art. 202, II, do Código Civil), tendo sido citada a recorrente em 6.12.1984. A ação declaratória que originou o presente recurso foi ajuizada em 9.11.1987, isto é, após o transcurso de mais de dois anos e meio do ato interruptivo. Prescrição reconhecida. 5. Recurso Especial provido. (REsp 335.942/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 09/10/2009) Desta sorte, considerando todo o acima exposto, são improcedentes os argumentos trazidos pela ora Recorrente. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL apresentado para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 469DF CARF MF 8 Fl. 470DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.900400/2009-66
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
Numero da decisão: 1003-000.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1850; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 173 1 172 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.900400/200966 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.518 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 13 de março de 2019 Matéria PER/DCOMP Recorrente IHARABRAS S/A INDUSTRÚSTRIAS QUÍMICAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 04 00 /2 00 9- 66 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10855.900400/200966 Acórdão n.º 1003000.518 S1C0T3 Fl. 174 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 35498.63040.140605.1.3.049960, em 15.06.2005, fls. 0102, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), código 2484, determinado sobre a base de cálculo estimada relativo ao mês do dezembro do anocalendário de 2004 no valor de R$8.986,04 contido no DARF de R$4.575.504,01 arrecadado em 31.01.2005 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, efl. 03, em que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 8.986,04 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. [...] Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 6ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1438.162, de 29.06.2012, efls. 3744: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no anocalendário. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10855.900400/200966 Acórdão n.º 1003000.518 S1C0T3 Fl. 175 3 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MULTA DE MORA. PREVISÃO LEGAL. A incidência da multa de mora tem previsão legal, carecendo a autoridade administrativa de competência para afastar sua aplicação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 22.06.2012, efl. 47, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 24.07.2012, efls. 6688, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: II DO DIREITO II.1. DO DIREITO CREDITÓRIO DECORRENTE DA APURAÇÃO DE PAGAMENTO FEITO INDEVIDAMENTE DE CSLL NO ANO CALENDÁRIO 2004 A PROVA DO CRÉDITO DA RECORRENTE 7. O processo administrativo analisa compensação efetuada pela ora Recorrente com crédito decorrente de pagamento indevidamente recolhido de CSLL,cujo período de apuração é 31/12/2004, o qual não foi reconhecido pela D. Autoridade Julgadora da DRJ/RPO. [...] 9. Em que pese o respeito à D. Autoridade Julgadora, os argumentos que a levaram à conclusão diversa da pretendida pela ora Recorrente não se coadunam com a realidade dos fatos, como bem demonstrado em manifestação de inconformidade, e reiterado no presente Recurso. 10. Primeiramente cumpre ressaltar que a Recorrente procedeu o pagamento através de DARF de valor diferente daquele apurado por estimativa relativo à CSLL devida no período do mês de dezembro/2004. Na realidade a apuração feita pela Recorrente era de valor menor do efetivamente recolhido, motivo pelo qual nasceu o direito à compensação em razão do pagamento à maior realizado. 11. Cumpre ressaltar que no mês de dezembro de 2004 os valores de CSLL foram quitados através de pagamento de DARF e através de compensação de outros valores anteriormente pagos à maior, motivo pelo qual, repitase, ao se analisar as indicações financeiras e de lançamentos de débitos e pagamentos de CSLL realizados pela Recorrente verificouse os pagamentos indevidos perseguidos neste procedimento. 12. A referida compensação foi realizada por meio da PER/DCOMP n° 35498.63040.140605.1.3.049960, a qual foi devidamente transmitida em 14/06/2005, conforme demonstra documentação já acostada ao presente processo. 13. Para que não reste dúvida acerca do direito creditório da Recorrente, ressaltese que foi informado, na Ficha 17 da DIPJ 2005 (doe. 03), que o valor da estimativa de CSLL devida no mês de dezembro corresponde a R$ 4.570.445,51, no entanto, consta, na DCTF relativa ao mesmo período, que a Recorrente recolheu um montante de R$ 4.652.228,77. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10855.900400/200966 Acórdão n.º 1003000.518 S1C0T3 Fl. 176 4 14. E para que a prova no presente momento seja contundente a Recorrente consegue mostrar que, ainda que se analise todas as estimativas do anocalendário de 2004, incluindose os valores efetivamente apurados ao final do período, a outra conclusão não se chega que não o pagamento de valores maiores do que os efetivamente devidos à título de CSLL. 15. Apenas de forma sucinta e explicativa, para que todos os argumentos restem comprovados, incluise a informação de que na apuração do final do período a Recorrente constatou dever um montante de R$9.191.476,02 de CSLL, porém, ao somar seus DARF'S e pedidos de compensação, verificou ter quitado o montante de R$ 9.273.259,29. 16. Esclareçase que esse valor é composto pelo recolhimento efetuado, mediante DARF, assim como por compensação de crédito devidamente mencionada na DCTF. (doc. 05). [...]18. Pelo exposto, a Recorrente prova de modo contundente o direito até o momento perseguido, seja pela análise isolada dos recolhimentos feitos em dezembro/2004, seja pela análise completa de todas as estimativas e pagamentos realizados no ano calendário de 2004. 19. Notese, portanto, que a compensação foi efetuada nos moldes do que determinava a legislação vigente à época, inclusive a Instrução Normativa SRF n° 460/2004, não cabendo qualquer censura quanto ao procedimento adotado pela Recorrente. 20. É de se observar que a Recorrente possuía crédito decorrente do pagamento de estimativa da CSLL, relativa a dezembro de 2004, em valor maior do que o efetivamente devido, tendo direito a compensálo com débitos próprios, por meio de "Declaração de Compensação". 21. E, assim o fez, procedendo corretamente à compensação daquele crédito, com a devida atualização aplicável, com débito do mesmo tributo (CSLL/ estimativa mensal) apurado no ano subsequente. 22. Cumpre mencionar que a apuração dos valores devidos a título de CSLL pela Recorrente é feita por meio do sistema de apuração mensal de estimativas a fim de apurar o lucro real anual, e, ainda que essa informação não fosse relevante, fato é que o crédito perseguido é verificado mesmo após o encerramento do período quando se tem a realidade dos valores apurados e devidos. 23. No presente caso, portanto, tratase especificamente de pagamento indevido de CSLL no mês de dezembro do ano calendário 2004. E que, portanto, a partir do momento em que foi efetuado recolhimento de tributo maior do que o apurado para o período, tornase um valor indevidamente recolhido sendo possível compensálo nos períodos subsequentes, exatamente como foi feito. 24. É de se observar que as estimativas de CSLL apuradas naquele ano calendário foram, por sua vez, quitadas por meio de efetivo desembolso de caixa pela Recorrente, conforme faz prova os DARF's apresentados (doe. 06), bem como por meio de compensação de parte dos débitos do mês de dezembro de 2004 nos termos das DTCF's e PER/DCOMPs entregues à RFB. 25. Desse modo, é imperioso concluir que a RFB tinha acesso a toda a documentação que demonstra o efetivo recolhimento a maior da CSLL, tendo plenas condições de reconhecer o crédito ora analisado, bem como de homologar a compensação a ele atrelada. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10855.900400/200966 Acórdão n.º 1003000.518 S1C0T3 Fl. 177 5 26. Não obstante a clareza do direito ora demonstrado, e suportado documentalmente, a DRJ de Ribeirão Preto houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade e não reconhecer o direito creditório da Recorrente. 27. Data vénia, os argumentos utilizados no Acórdão ora recorrido não podem prosperar, motivo pelo qual os D. Conselheiros Julgadores deste Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deverão reformálo integralmente a fim de reconhecer o crédito de CSLL decorrente do pagamento indevido efetuado no período de apuração de dezembro de 2004. [...] 29. Pelo exposto, o direito creditório da Recorrente existe, e não poderá ser tolhido sob pena de se infringir a legislação pertinente. [...] 31. Conforme já demonstrado, a compensação efetuada pela Recorrente foi legítima e observou estritamente os termos da legislação em vigor, a Lei 9.430/1996 e, inclusive, a IN SRF n° 460/2004 vigente à época. [...] 33. Assim, é direito da Recorrente compensar o valor pago a maior a título de CSLL apurado no ano calendário de 2004, o qual não pode ser tolhido pela D. Autoridade Julgadora, sob pena de agir em contrariedade à lei. Negarlhe o direito a compensação, ou impedir a restituição de pagamento indevidamente efetuado constituiria apropriação indébita por parte do Fisco Federal. 34. Pelo exposto, é reconhecido o direito à compensação do crédito de tributo indevidamente recolhido seja com base na legislação tributária, seja com fundamento nas recentes manifestações do CARF a respeito do tema. 35. Contudo, caso assim não entendam V.Sas., é imperioso, ao menos, reconhecer que o valor da estimativa da CSLL, relativa a dezembro de 2004, deve ser considerado na determinação do saldo negativo da CSLL, apurada ao final do período, o qual, de igual forma, é passível de compensação. 36. Desse modo, ainda que indeferido a compensação do valor indevidamente recolhido pela Recorrente, a título de estimativa mensal, o que se admite apenas para fins de argumentação, a compensação pleiteada deve ser homologada até o limite do saldo negativo. [...] 38. Diante do exposto, seja sob a designação de "pagamento indevido ou a maior", ou de "saldo negativo", fato é que a Recorrente recolheu CSLL em valor maior do que o devido, tendo direito a restituir/compensar o crédito dele decorrente. 39. Desse modo, toda a documentação acostada aos autos, que iá eram de conhecimento da RFB, ressaltese, demonstra a existência de crédito de CSLL em favor da Recorrente. Esse direito, portanto, é líquido e certo, contrariamente ao que se afirmou no acórdão ora recorrido. 40. Dessa forma, a Recorrente agiu de acordo com o que determina a legislação tributária federal, e com a jurisprudência do CARF, devendo, desse modo, ver sua compensação homologada. 41. É o que se requer desde já! II.2 DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL QUE DEVE REGER O PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL 42. Não fossem os motivos acima suficientes para comprovar o direito creditório da Recorrente, cumpre destacar que à Autoridade Fiscal cabe averiguar a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10855.900400/200966 Acórdão n.º 1003000.518 S1C0T3 Fl. 178 6 verdade dos fatos, buscando sempre a prevalência do direito realmente existente, independente de eventuais faltas de atendimento às formalidades procedimentais. 43. No processo administrativo federal é o direito material que deverá ser resguardado, ainda que as provas sejam apresentadas após a impugnação ou primeira oportunidade que tenha o contribuinte, sendo dever da Autoridade buscar a verdade material, inclusive por meio de realização de diligências, e fiscalizações. 46. Pelo exposto, uma vez demonstrada a existência do direito creditório, por qualquer meio hábil a comproválo, há que se homologar a compensação efetuada pela Recorrente. 47. Não obstante, caso V.Sas, não se sintam aptos a julgar, de plano, o direito creditório ora analisado, com base na documentação apresentada, a Recorrente pugna pela realização de diligência fiscal a fim de demonstrar cabalmente o direito ora defendido. II.4 DA INAPLICABILIDADE DA MULTA EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO 48. E, para que nenhum dos argumentos lançados no v. acórdão recorrido fique sem contra argumentação cumpre à Recorrente requerer também seja reformada a parte do v. acórdão que declarou subsistente a aplicação da multa de mora. 49. Veja D. Conselheiros, ao restarem analisadas as provas ora carreadas ao presente recurso e no curso do processo, a ora Recorrente logrará êxito em ter seu direito de compensação de pagamento indevido de CSLL reconhecido e, assim, consequentemente, cairá por terra o argumento que manteve a multa de mora. 50. Para o presente caso, se cogitaria aplicação de multa se estivéssemos diante de flagrante falta de recolhimento de tributo. O que não é o caso dos autos! 51. A Recorrente apenas não deixou de efetuar eventual pagamento da estimativa de CSLL em período do ano subsequente, exatamente porque havia recolhido CSLL a maior no exercício fiscal de 2004, ou seja, latente seu direito à compensação. 52. O que pretende o Fisco? O recolhimento de tributo não devido, para sofrer as consequências de eventual demanda judicial de repetição de indébito? 53. A Recorrente em nenhum momento tomou atitudes que prejudicassem o Erário, ou jamais deixou de recolher tributo devido. 54. Assim, em sendo reconhecido seu direito à compensação, reconhecida também a insubsistência da multa aplicada. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: III DOS PEDIDOS 55. Diante do exposto, a ora Recorrente requer (i) seja conhecido e provido o presente Recuso Voluntário, (ii) para a reforma do acórdão ora recorrido, (iii) Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10855.900400/200966 Acórdão n.º 1003000.518 S1C0T3 Fl. 179 7 reconhecendose a existência do direito creditório decorrente do pagamento feito a maior à título de CSLL no ano calendário 2004 (mês de apuração dezembro), (iv) e homologandose a compensação efetuada por meio do PER/DCOMP n° 35498.63040.140605.1.3.049960. 56. Caso os D. Conselheiros entendam que a hipótese dos autos seria de saldo negativo de CSLL, tendo em vista que o recolhimento a maior ocorreu exatamente no mês de dezembro do anocalendário 2004 (mês de encerramento do período de apuração do IR anual), a Recorrente requer o reconhecimento do tributo pago em valor superior ao devido, que venha a ser enquadrado como "saldo negativo". 57. Ainda, protesta pela juntada de quaisquer documentos hábeis a comprovar o direito creditório ora alegado, inclusive por meio da juntada de laudo técnico contábil a ser produzido pela Recorrente. 58. Por fim, caso os D. Conselheiros não se sintam aptos a julgar a matéria ora aventada, requer a realização de diligência fiscal a fim de se demonstrar cabalmente o direito creditório ora analisado. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10855.900400/200966 Acórdão n.º 1003000.518 S1C0T3 Fl. 180 8 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. No Despacho Decisório e na decisão de primeira instância de julgamento foi afastada a possibilidade de análise do Per/DComp ao argumento de que o pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10855.900400/200966 Acórdão n.º 1003000.518 S1C0T3 Fl. 181 9 somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa” (Súmula CARF nº 84). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal ( art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado (art. 165, art. 168 e art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento (Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, impõe, pois, o retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10855.900400/200966 Acórdão n.º 1003000.518 S1C0T3 Fl. 182 10 estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 182DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.910604/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 14/11/2000
JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA. POSSIBILIDADE.
Possibilidade de juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória.
Numero da decisão: 3201-005.087
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, superada a questão enfrentada no voto, os autos retornem à unidade preparadora para que prossiga na análise do pedido
(assinado digiltamente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, superada a questão enfrentada no voto, os autos retornem à unidade preparadora para que prossiga na análise do pedido (assinado digiltamente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
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NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA. POSSIBILIDADE. Possibilidade de juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, superada a questão enfrentada no voto, os autos retornem à unidade preparadora para que prossiga na análise do pedido (assinado digiltamente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 91 06 04 /2 01 1- 19 Fl. 157DF CARF MF 2 Relatório Trata o processo de Pedido de Restituição(PER) que restou indeferido pela DRF de jurisdição, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão, a recorrente apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual alega que o direito creditório pleiteado tem origem na inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Anexa demonstrativos e DIPJ. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do acórdão nº 06052.118. Irresignado com r. julgado, a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde sustenta: a) a inconstitucionalidade do alargamento da base de calculo do §1º, art. 3º da Lei 9.718/98; b) com base na DCTF demonstrou seu direito ao crédito; c) carreou documentos – demonstração de resultados e livro razão; d) que deve se aplicado princípio da verdade material; É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.079, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10865.910592/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.079): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é fato incontroverso que a DRJ adotou entendimento exarado pelo Supremo Tribunal Federal: No presente caso, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, manifestandose sobre o julgamento proferido pelo STF no RE 585.235, delimitou a matéria ali decidida nos seguintes termos: “O PIS/Cofins deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/Cofins as receitas não operacionais. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10865.910604/201119 Acórdão n.º 3201005.087 S3C2T1 Fl. 3 3 Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira).” Contudo, os documentos colacionados não foram suficiente para reconhecer a existência de pagamento a maior, vejamos: Apesar desse entendimento, o pedido não pode ser acatado. Isso porque não existem provas cabais nos autos de que teria havido pagamento a maior do que o devido, relativamente aos recolhimentos confirmados e que já estariam integralmente alocados. De fato. Embora a interessada argumente que os documentos anexados comprovariam que as outras receitas que não as decorrentes do faturamento têm origem nas receitas financeiras, variação cambial ativa, atualização monetária, descontos obtidos e recuperação de custos e despesas, não é isso que se verifica ao analisar os documentos trazidos à lide. Nessa esteira, conclui: Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, além de outros elementos de prova. Na minha ótica, a verdade material é protagonista no Processo Administrativo Fiscal podendo ser apreciada por este CARF, mesmo que não colacionada na instauração do devido processo legal administrativo. Apenas no Acórdão da DRJ o Contribuinte tomou ciência de quais documentos seriam necessário para apuração do seu crédito. Nesse sentido dicção do art. 16, §4º do Dec. 70.235/72, vejamos: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Deste modo o contribuinte apresentou o livro razão no primeiro que exigido, ou seja, apenas no Recurso Voluntário, Fl. 159DF CARF MF 4 assim, sendo prova hábil de seu possível crédito, devendo esse, ser apurado pela unidade de origem. Concluo, o voto é no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que à unidade superada à ausência de documentos hábeis para comprovação do crédito, analise o direito ao crédito do contribuinte, podendo, intimar para apresentar demais documentos caso entenda necessário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que a unidade de origem, superada a ausência de documentos hábeis para comprovação do crédito, analise o direito creditório do contribuinte, podendo intimálo para apresentar demais documentos que entenda necessários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000846/99-16
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 202-00.589
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
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Numero do processo: 10380.730601/2016-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016
DECADÊNCIA
Conforme a Súmula 555 do STJ, quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa.
Nos termos do art. 183, parágrafo único, III, do RIPI/2010, considera-se pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016
RESPONSABILIDADE DO RECORRENTE POR ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO
A autuação em nenhum momento teve por base a falta de conferência, pelo recorrente, da classificação fiscal adotada, bem como nenhuma multa regulamentar foi aplicada por não cumprimento desta exigência, mas tão somente a multa de ofício pelo não recolhimento do IPI devido.
ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO
Para que se caracterize como mudança de critério jurídico, é preciso que a Administração Tributária tenha analisado um fato e o qualificado juridicamente. Não representa mudança de critério de jurídico o auto de infração, cujo lançamento decorreu da glosa de créditos incentivados/fictos, por erro de enquadramento na classificação fiscal da TIPI, quando não houve manifestação anterior da Administração neste sentido nem mesmo um lançamento de ofício anterior, cuja conclusão fiscal foi por outra classificação fiscal do produto.
PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE.
A apropriação de créditos incentivados ou fictos, calculados sobre produtos isentos adquiridos de estabelecimentos localizados na ZFM, somente é admitida se houver alíquota positiva do IPI para o produto/insumo adquirido para industrialização. No caso de identificação de erro na classificação fiscal, cuja classificação correta revela que os produtos adquiridos estavam sujeitos à alíquota zero, não há possibilidade de geração de crédito.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM. TIPI. COMPETÊNCIA. IPI.
É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção estão devidamente classificados na posição NCM da TIPI, não afastando esta competência da RFB a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA REGRIGERANTES. IPI.
Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como kit ou concentrado para refrigerantes constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses kits deverá ser classificado no código próprio da TIPI.
Numero da decisão: 3401-005.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votou pelo provimento em relação à decadência, à classificação das mercadorias e à impossibilidade de glosa de crédito em função de não observação, pelo adquirente, da correção da classificação, e os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Rodolfo Tsuboi, que votaram pelo provimento exclusivamente no que se refere à decadência. Atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado (que declarou impedimento) o Conselheiro Márcio Robson Costa.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente) e Conselheiro Suplente Márcio Robson Costa, convocado para eventuais substituições.
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016 DECADÊNCIA Conforme a Súmula 555 do STJ, quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos do art. 183, parágrafo único, III, do RIPI/2010, considerase pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016 RESPONSABILIDADE DO RECORRENTE POR ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO A autuação em nenhum momento teve por base a falta de conferência, pelo recorrente, da classificação fiscal adotada, bem como nenhuma multa regulamentar foi aplicada por não cumprimento desta exigência, mas tão somente a multa de ofício pelo não recolhimento do IPI devido. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO Para que se caracterize como mudança de critério jurídico, é preciso que a Administração Tributária tenha analisado um fato e o qualificado juridicamente. Não representa mudança de critério de jurídico o auto de infração, cujo lançamento decorreu da glosa de créditos incentivados/fictos, por erro de enquadramento na classificação fiscal da TIPI, quando não houve manifestação anterior da Administração neste sentido nem mesmo um lançamento de ofício anterior, cuja conclusão fiscal foi por outra classificação fiscal do produto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 06 01 /2 01 6- 42 Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.196 2 PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE. A apropriação de créditos incentivados ou fictos, calculados sobre produtos isentos adquiridos de estabelecimentos localizados na ZFM, somente é admitida se houver alíquota positiva do IPI para o produto/insumo adquirido para industrialização. No caso de identificação de erro na classificação fiscal, cuja classificação correta revela que os produtos adquiridos estavam sujeitos à alíquota zero, não há possibilidade de geração de crédito. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM. TIPI. COMPETÊNCIA. IPI. É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção estão devidamente classificados na posição NCM da TIPI, não afastando esta competência da RFB a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA REGRIGERANTES. IPI. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constituise de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matériasprimas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votou pelo provimento em relação à decadência, à classificação das mercadorias e à impossibilidade de glosa de crédito em função de não observação, pelo adquirente, da correção da classificação, e os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Rodolfo Tsuboi, que votaram pelo provimento exclusivamente no que se refere à decadência. Atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado (que declarou impedimento) o Conselheiro Márcio Robson Costa. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.197 3 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente) e Conselheiro Suplente Márcio Robson Costa, convocado para eventuais substituições. Relatório 1. Trata o presente caso de ação fiscal desenvolvida junto ao contribuinte NORSA REFRIGERANTES S/A, com início em 09/04/2015, para verificação da legitimidade dos créditos de IPI lançados em sua EFD Escrituração Fiscal Digital, no período de janeiro/2011 a agosto/2016, bem como da legitimidade dos pedidos de ressarcimento de crédito básico de IPI solicitados através dos PERDCOMP listados na Tabela abaixo: PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO 41258.31284.240413.1.1.01 8440 4o TRIMESTRE 2012 01496.33716.250214.1.1.01 4031 4o TRIMESTRE 2013 27851.35303.231014.1.1.01 0530 1° TRIMESTRE 2014 00204.84668.280515.1.1.01 5746 1o TRIMESTRE 2015 35421.96421.290715.1.1.01 2543 2o TRIMESTRE 2015 28484.56788.081015.1.1.01 9814 3o TRIMESTRE 2015 36339.19982.120116.1.1.01 4135 4o TRIMESTRE 2015 26264.76072.120416.1.1.01 1747 1o TRIMESTRE 2016 33274.11370.180716.1.1.01 5306 2o TRIMESTRE 2016 2. Como resultado do procedimento fiscal, foi lavrado Auto de Infração para o IPI, do qual o contribuinte teve ciência pessoal em 21/12/2016 (à fl. 565), com crédito tributário no valor total de R$ 457.449.996,89, incluindo juros de mora calculados até dezembro de 2016. O AuditorFiscal da Receita Federal responsável identificou as seguintes infrações à legislação tributária, conforme Termo de Verificação Fiscal às fls. 42/71: I PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR NORSA E CREDITAMENTO DE IPI REFERENTE AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE RECOFARMA (...) 2) Da análise da documentação apresentada, constatamos que o estabelecimento industrial produz refrigerantes diversos, classificação fiscal 2202.10.00, bem como preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas, classificação fiscal 2106.90.10. Constatamos também que a empresa creditouse de IPI, no período em análise, relativamente a notas fiscais de entrada onde não se verificou destaque do citado imposto, notas fiscais essas emitidas pela RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA, CNPJ 61.454.393/000106. 3) Intimado a justificar tal prática, o contribuinte informou que estava albergado pelos artigos 81, II, e 95, III, do Decreto n° Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.198 4 7.212, de 15/06/2010 Regulamento do IPI RIPI/2010, e pelo Mandato de Segurança n° 95.00094703, "no qual foi concedida a segurança para reconhecer o seu direito aos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos (concentrados) isentos oriundos da Zona Franca de Manaus e utilizados na fabricação de refrigerantes..." 4) RECOFARMA identificou os produtos que forneceu a NORSA, no período em análise, como "concentrados" da marca da bebida a que se destinavam, adotando a classificação fiscal 2106.90.10 EX 01. 5) Como não há destaque de IPI nas notas fiscais de aquisição dos insumos fornecidos pela RECOFARMA, a sistemática de creditamento adotada pela fiscalizada e autorizada pelo Mandado de Segurança antes citado consiste no seguinte: > Identificase a classificação fiscal do insumo adquirido. > Identificada a classificação fiscal, buscase na TIPI a alíquota de IPI correspondente. > Sobre o valor da nota fiscal do insumo adquirido, aplicase a alíquota de IPI encontrada na TIPI, sendo o resultado encontrado o valor a ser creditado na escrita fiscal a título de IPI. 6) Até 30/09/2012, os produtos enquadrados no EX 01 do código 2106.90.10 eram tributados à alíquota de 27% (Decreto n° 6.006, de 28/12/2006, e Decreto n° 7.660, de 23/12/2011). A partir de 01/10/2012, tais produtos passaram a ser tributados à alíquota de 20% (Decreto 7.742/12, art. 4o, Anexo III, conforme republicação no DOU de 04/06/12). (...) II DA SITUAÇÃO FÁTICA CONSTATADA DO PARQUE FABRIL DA FISCALIZADA 8) Em 27/04/16, esta auditoria visitou o parque industrial da fiscalizada com o objetivo de verificar as instalações do estabelecimento, a disposição física dos insumos e o fluxo de industrialização das bebidas ali produzidas, como é próprio nas fiscalizações do IPI. 9) No curso da visita, a equipe fiscal constatou que todos os insumos identificados nas notas fiscais como "concentrados", fornecidos pela empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA, CNPJ 61.454.393/000106, utilizados para a fabricação dos produtos finais da contribuinte, apresentamse fisicamente dissociados, em partes e embalagens distintas. O formulário de abastecimento da xaroparia, fornecido à fiscalização durante a visita técnica e anexado a este Termo (ANEXO I), e o registro fotográfico feito durante o evento confirmam essa observação. Como exemplo, sem exaustão do tema, listamos abaixo a composição de alguns "concentrados": Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.199 5 • "CONC CCZ Concentrado CocaCola Zero": Parte 1, Parte 2A, Parte 2B, Parte 1B, Parte 1C, Parte 3; • "CONC CC Concentrado CocaCola": Parte 7, Parte 2; • "CONC SP Concentrado Sprite": Parte 1, Parte 1A, Parte 1G, Parte 2; • "CONC SP Zero Concentrado Sprite Zero": Parte 1, Parte 1B, Parte 2, Parte 3. 10) O processo produtivo da fiscalizada (exceto refrigerantes sem açúcar) pode ser resumido da seguinte forma: Os componentes, recebidos dos fornecedores em embalagens individuais, são encaminhados a uma sala de estocagem. A água utilizada para a fabricação das bebidas, após receber tratamento, é misturada com açúcar, insumo que não faz parte dos kits oriundos de Manaus. Dessa maneira, é obtido o xarope simples, que é enviado para outro equipamento. O conteúdo de cada "parte" dos kits é separadamente colocado no tanque para onde foi enviado o xarope simples. O equipamento faz a mistura, resultando no xarope composto. Tal operação industrial é executada seguindo detalhadas especificações técnicas. O xarope composto é dirigido às linhas de enchimento, onde é feita sua diluição. Por se tratar de preparação destinada à produção de refrigerantes, a mistura é dissolvida em água carbonatada. Finalmente, a bebida está pronta para ser consumida. (...) III ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL UTILIZADA 14) Conforme mencionado no item 4 precedente, RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA adotou, para os insumos fornecidos a NORSA no período fiscalizado, a classificação fiscal 2106.90.10 EX 01, própria para "Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado". 15) Os insumos fornecidos por RECOFARMA chegam ao parque industrial da NORSA na forma de kits com vários componentes. Os componentes dos kits (comumente chamados de "partes dos concentrados") são embalados em bombonas, caixas ou contêineres, cujo conteúdo pode ser líquido ou sólido. 16) A auditada afirma que as diferentes "partes dos concentrados" não devem ser classificadas de forma individualizada, defendendo que cada kit proveniente da RECOFARMA é um produto único, mesmo sendo integrado por Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.200 6 diversos itens. Por meio de suas respostas às intimações fiscais, a empresa explicou que tem este entendimento com base na aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e na definição dada pela Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA em seu Parecer Técnico n° 224/2007, que integra a Resolução do Conselho de Administração da Suframa CAS n° 298/2007 (documento anexo a sua resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 08), a qual aprovou o projeto industrial de atualização da RECOFARMA. 17) Como se vê, NORSA entende que as diferentes partes de seus insumos consistem em uma mercadoria única para fins de classificação fiscal, e que tal mercadoria se enquadra no EX 01 do código 2106.90.10 "Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado". Logo, de acordo com o entendimento da fiscalizada, um conjunto de diferentes ingredientes comercializados em embalagens individuais deve ser enquadrado em código de classificação próprio para um "extrato concentrado/sabor concentrado". 18) Não assiste razão à contribuinte. 19) A adquirente, uma das engarrafadoras do Sistema Coca Cola, tendo a RECOFARMA como única fornecedora dessas matériasprimas, reconhece, em essência, não receber um concentrado específico, uno, para fabricação dos seus produtos finais bebidas, mas sim os ingredientes ou "as partes" para produzilos. 20) Os termos "extratos concentrados" ou "sabores concentrados", que dão materialidade textual aos "EX 01 e EX 02" do mencionado código 2106.90.10 contemplam "preparações compostas", constituídas por uma mistura de diversas substâncias, as quais por diluição devem produzir o a bebida da posição 2202. Não é o caso do "concentrado/kit" vendido por RECOFARMA à fiscalizada, pois esse é um conjunto de ingredientes, cada um na sua embalagem individual, portanto não misturados, sem identidade una, tampouco prontos para uso. 21) A empresa, questionada sobre a forma como se daria a interação das partes do concentrado no seu processo fabril, quesito inerente ao Termo de Intimação Fiscal n° 06, assim se pronunciou: "O concentrado é um insumo único, que é acondicionado em partes unicamente para manter características físicoquímicas do produto, que se precocemente misturadas podem comprometer propriedades de aroma, sabor e até durabilidade. Os componentes do concentrado vêm em proporções fixas que devem ser utilizadas conjuntamente e em sua totalidade, conforme instruções de uso fornecidas pelo fabricante." Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.201 7 (...) "05. Assim, os procedimentos executados pela PETICIONÁRIA, na manipulação dos Kits, apenas observam especificações técnicas, pois, como constatado pelos exames laboratoriais, se apenas uma das partes for diluída ou tais tratamentos não forem observados, a preparação resultante não terá as mesmas características de identidade presentes no refrigerante elaborado a partir do kit completo." 23) Com efeito, esta fiscalização não discute a veracidade da afirmação de que ocorreriam reações químicas indesejadas caso a mistura acontecesse no estabelecimento da fornecedora RECOFARMA. Entretanto, tal fato é irrelevante para fins de definição de classificação fiscal de mercadorias. (...) 25) De se realçar, por oportuno, que nas Regras Gerais de Interpretação e na NESH inexiste previsão de que fatores como os citados pela auditada sensibilizem a definição de enquadramento de produtos na nomenclatura. E, naturalmente, tal previsão não poderia existir, pois inegavelmente conduziria a técnica objetiva da classificação fiscal ao terreno pantanoso das circunstâncias mutantes, ensejando margem a situações bubjetivas, incompatíveis com as regras e princípios da classificação fiscal das mercadorias. 26) Ainda, os fatores mencionados pelo contribuinte de especificações técnicas e oportunidade de interação das partes dos kits podem variar conforme o surgimento de avanços tecnológicos. O enquadramento de produtos na nomenclatura, no entanto, deve manter necessária estabilidade. 27) Notese que os kits adquiridos pela fiscalizada oriundos da fornecedora RECOFARMA, declarados como um conjunto comercialmente indivisível para fins de classificação fiscal, jamais poderiam ser enquadrados como uma mercadoria única chamada de "concentrado". Não se desconhece que as tratativas mercantis entre fornecedor e adquirente, em regra, podem ser ultimadas mediante a forma comercial que melhor aprouver a ambos, podendo a transação mercantil agasalhar seus produtos da forma que considerar mais conveniente, conferindolhes os nomes que reputar mais adequados. No entanto, passo largo e descabido a partir disso é a exigência de que a legislação tributária se dobre às suas conveniências. 28) Assim, não encontra guarida na legislação regente da matéria a ficção de cada componente dos kits não se constituir isoladamente numa mercadoria, como quer fazer crer a auditada. 29) Inexiste no mundo mercadológico um bem que, segundo seu material constitutivo, aplicação e origem, não possa ser individualmente classificado no Sistema Harmonizado. As "partes dos kits" adquiridas pela fiscalizada possuem, sim, Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.202 8 classificações próprias, como se verá a seguir, e essas estão identificadas nos Anexos III e IV deste Termo. (...) 32) Considerando que o contribuinte afirmou ser a pessoa jurídica RECOFARMA sua fornecedora exclusiva dos insumos ora em exame nessa fiscalização, bem como considerando que o sujeito passivo, nos termos da sua resposta acima, asseverou que tais insumos chegam a seu parque fabril em idênticascondições físicoquímicas em relação à partida desses do estabelecimento da aludida fornecedora, situada na Zona Franca de Manaus, esta fiscalização, tomando conhecimento de exame pericial já elaborado no âmbito de outro procedimento fiscal em face da própria fornecedora, entendeu por bem, com fundamento nos primados do princípio constitucional da eficiência, assim como dos princípios administrativos da verdade material, da oficialidade e do formalismo moderado, trazer à colação, para instruírem este feito, os referidos laudos periciais (ANEXO II deste Termo), assim como as conclusões daquele procedimento fiscal acerca da correta classificação fiscal das mercadorias objeto da análise pericial. 33) No caso, no exercício de 2014, o Fisco Federal efetuou, em Manaus, a coleta amostral de alguns kits produzidos por RECOFARMA. Esses kits foram objeto de exame laboratorial realizado pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer. 34) O exame laboratorial visou firmar a correta identificação funcional dos componentes dos kits, bem como servir de subsídio para a definição da correta classificação fiscal desses componentes. Assim, esse material probatório específico foi trasladado ao presente feito, tendo em visto serem os kits periciados os mesmos adquiridos por NORSA, conforme já dito acima. (...) 37) Portanto, a fiscalização se utilizou de citados laudos periciais como mais um elemento para elucidar os fatos sob seu crivo. E a conclusão a que chegou foi a de que cada kit não perfaz um produto único, mas sim um conjunto de produtos, cada um com identidade própria. (...) 41) Esclareçase que cada uma das "partes dos kits" adquiridas pela auditada e oriundas da fornecedora RECOFARMA apresenta suas próprias características individuais, sendo que várias dessas podem ser aplicadas em quaisquer produtos da indústria alimentícia e farmacêutica. 42) Na realidade, os componentes dos kits podem, inclusive, ser comercializados individualmente. No caso, por exemplo, do "Concentrado Sprite", composto por quatro partes, nada, além Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.203 9 de questões meramente comerciais, impediria que a fornecedora RECOFARMA industrializasse uma das partes e três diferentes empresas vendessem a NORSA cada uma das demais partes (apenas uma das embalagens individuais contém o aroma do produto, onde está o chamado segredo industrial). 43) De acordo com a legislação, conforme será explanado a partir do item 47, cada uma das "partes" deve seguir sua classificação fiscal própria, independentemente de terem sido fabricadas e embaladas por um único estabelecimento industrial ou por vários estabelecimentos distintos. 44) Notese que, mesmo dentro da própria estrutura atual adotada pelos atores dessa transação fornecedor e adquirente, é possível imaginar situações em que a fornecedora classificasse e comercializasse individualmente as partes. 45) Embora a fiscalizada tenha informado à auditoria, em relação a eventuais "partes do concentrado" que não fossem consumidas no processo fabril, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 06, que "eventual problema que inviabilize o seu uso, requer devolução do concentrado por inteiro (todas as partes) ao fabricante", tal se dá por meras questões de natureza interna contratual de ambos, não por uma inviabilidade procedimental. 46) A título de exemplo, tomese o caso do kit sabor CocaCola, composto de dois contêineres contendo grande quantidade e valor de produtos. Se durante o transporte do kit ocorresse algum problema com a "parte 2", mas a "parte 1" chegasse ao destinatário em perfeito estado, inexistiriam motivos razoáveis para o adquirente, no caso a NORSA, efetuar a destruição ou devolução da "parte 1". O procedimento natural seria a empresa fazer uma nova demanda à fornecedora visando a obtenção de nova remessa, desta feita, contendo apenas a parte faltante. (...) 49) A respeito das mercadorias constituídas pela reunião de artigos diferentes, bem como dos produtos "apresentados em sortidos acondicionados para venda a retalho", as NESH esclarecem: (...) 50) No caso dos kits em exame, verificase que seus componentes não se encontram unidos de forma indissociável e podem, eventualmente, serem comercializados em separado. Portanto, não devem ser considerados como um produto constituído pela reunião de artigos diferentes, para fins de classificação no âmbito do Sistema Harmonizado. 51) Tampouco há que se falar em sortidos acondicionados para venda a retalho. Embora seja constituído de elementos classificados em posições distintas da nomenclatura e de seus elementos servirem à satisfação de uma atividade específica e Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.204 10 bem determinada (a produção de determinada bebida refrigerante), os kits tratados nesta fiscalização não atendem ao requisito previsto na alínea "c" do item X da Nota Explicativa acima reproduzida. 52) Ora, a venda a retalho, também chamada de varejo, caracterizase pela venda de produtos em pequenos volumes, diretamente ao consumidor final. O produto em apreço, entretanto, é nitidamente um produto intermediário, o qual servirá de insumo em uma segunda etapa produtiva da qual se originará o produto acabado, no caso, "bebidas da posição 2202". A dosagem dos componentes também demonstra claramente que se trata de um artigo destinado à aplicação industrial, incompatível, portanto, com o conceito de venda a varejo. 53) Com o propósito de fulminar qualquer dúvida remanescente quanto ao correto entendimento aqui adotado diante da Nota Explicativa XI à Regra 3 b), recorrese à análise levada a efeito pelo Conselho de Cooperação Aduaneira por ocasião da edição da precitada nota explicativa, uma vez suscitada, ainda em 1985, a questão posta aqui. 54) A análise do Conselho de Cooperação Aduaneira acima referida, juntamente com sua tradução juramentada, compõe o ANEXO V deste Termo. Ela evidencia, sem qualquer margem à dúvida, que os componentes individuais destinados à fabricação industrial de bebidas devem ser classificados separadamente nos códigos apropriados a cada um deles, e não como uma mercadoria única. Tratase, simplesmente, da razão de ser da Nota Explicativa XI à Regra 3 b), em nítida colisão com a tese que a fiscalizada pretende fazer prosperar. 55) Não há, pois, como enquadrar os insumos em análise nessa Regra 3.b), pois não são "produtos misturados", nem "obras", e não estão "acondicionados para vencia a retalho". Logo, a possibilidade de classificação de kits ou de conjunto de partes não misturadas como uma mercadoria única está em desalinho com a aludida Regra, que, insistimos, não se aplica aos insumos adquiridos da RECOFARMA. 56) Ainda sobre essa temática, convém analisar a Regra 2.a) do Sistema Harmonizado, que reza: "REGRA 2 a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar." 57) Por produto incompleto ou inacabado, entendese como aquele em que o processo de fabricação foi interrompido em Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.205 11 determinado 'ponto por alguma necessidade ou conveniência de embalagem, manipulação, ou de transporte. Tais produtos devem apresentar as características essenciais do artigo completo ou acabado, e não devem servir para outra finalidade que não seja a de se tornarem o produto completo ou acabado cujas características eles apresentam. 58) Os kits adquiridos pela contribuinte da fornecedora RECOFARMA não apresentam os requisitos acima citados. Por exemplo, no caso do "Concentrado CocaCola Zero", a parte 1B, constituída da matériaprima pura benzoato de sódio, e a parte 1C, constituída da matériaprima pura citrato de sódio, apresentam, cada uma, suas próprias características individuais. Além disso, podem ser aplicadas em qualquer produto da indústria de alimentos e fármacos. Portanto, não apresentam as características essenciais do artigo completo ou acabado, o concentrado, e servem para vários outros fins que não seja o uso em bebidas da posição 2202. Outro exemplo é a parte 3, que é uma preparação à base de edulcorantes e que pode ser aplicada como adoçante em qualquer produto alimentar. Para aplicação da regra em análise, evidentemente que o produto acabado deve ser classificado em código idêntico ao utilizado no momento da saída do produto inacabado, o que não é o caso nesses exemplos. 59) Quanto à segunda parte da Regra 2.a), que trata de um artigo apresentado desmontado ou por montar, há que se considerar que esse enquadramento só é possível se duas condições forem atendidas: a) as operações necessárias sejam simples operações de montagem, e; b) os diferentes elementos sejam montados por meio de porcas, parafusos, soldagem, rebitagem, etc. 60) Esse é o entendimento plasmado na Nota Explicativa VII da Regra 2.a), a seguir transcrita: "VII) Deve considerarse como artigo apresentado no estado desmontado ou por montar, para a aplicação da presente Regra, o artigo cujos diferentes elementos destinamse a ser montados, quer por meios de parafusos, cavilhas, porcas, etc, quer por rebitagem ou soldagem, por exemplo, desde que se trate de simples operações de montagem." 61) Um exemplo clássico da aplicação desta parte da regra 2.a) é a de uma bicicleta, que para ter reduzido o custo de transporte, sai da fábrica desmontada dentro de uma caixa de papelão, cujo volume é bem menor do que aquele que ocuparia a mesma bicicleta já montada. Ao chegar ao seu destino final, por meio de uma simples operação de montagem com ajuste de alguns parafusos e porcas a bicicleta estará montada. Nenhuma outra operação mais complexa ou sofisticada é necessária para alcançar tal objetivo. Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.206 12 62) Posto isso, evidentemente, os kits vendidos por Recofarma ao contribuinte não se enquadram como artigo apresentado desmontado ou por montar. 63) Afastadas, também, as hipóteses de enquadramento suscitadas pela Regra "2.a)" e "3b)", concluise que a classificação fiscal da mercadoria "Concentrados contendo kits" deverá ser efetuada para cada um dos componentes do "kit" individualmente, conforme a composição de cada um deles. (...) 66) Vale sublinhar que esta fiscalização constatou que os componentes de maior representatividade dos kits para fabricação de bebidas classificamse no código NCM 2106.90.10 ("Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas"), cuja alíquota do IPI é zero. Tais partes não se enquadram no EX 01 do subitem 2106.90.10, pois o "extrato concentrado" ou "sabor concentrado" a que alude o citado EX 01 deve conter o extrato vegetal de sua origem e todos os demais aditivos necessários a apresentar, quando diluído, as mesmas características de identidade presentes na bebida elaborada a partir dele. 67) Quanto aos demais itens integrantes dos kits, elencados na TABELA 03 seguinte, a maior parte é igualmente gravada com alíquota "zero", conforme ANEXOS III e IV deste Termo. A exceção é o componente que se enquadra no código NCM 3302.10.00, cuja alíquota é 5%. (...) 70) Esclareçase, no entanto, que os componentes de kits gravados com alíquota positiva, no caso aqueles classificados na posição 3302.10.00 da TIPI, e porventura outros componentes dos kits não periciados também gravados com alíquota diferente de zero, esses, em tese, gerariam crédito em favor da NORSA. Contudo, ante a informação da empresa, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 09, de 05/12/2016, de que não tem "qualquer informação referente ao valor de cada componente do kif, inviável se torna apurar o montante do crédito correspondente a essas partes gravadas com alíquota positiva, tendo em mente a sistemática de creditamento descrita no item 5 deste Termo e posto que o Fisco também não dispõe de elementos suficientes para aquilatar o valor tributável de cada componente. (...) V GLOSA DE CRÉDITOS INDEVIDAMENTE ESCRITURADOS, RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL E PENALIDADES CABÍVEIS (...) Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.207 13 103) NORSA REFRIGERANTES S/A escriturou no RAIPI, em agosto de 2014, a título de outros créditos, a importância de R$ 5.975.044,37. Intimada a se pronunciar sobre a origem do referido montante (Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 08), a empresa apresentou a resposta transcrita abaixo: "12. Por fim, em relação ao item 22, a PETICIONÁRIA esclarece que o valor de R$ 5.975.044,37, escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI), referente ao mês de agosto de 2014, a título de outros créditos, decorre do ajuste dos saldos credores apurados no1° trimestre de 2007 e no 1° trimestre de 2008 que foram estornados indevidamente do RAIPI desses dois trimestres (DOC 03). 13. Esse estorno dos saldos credores do IPI apurados no 1° trimestre de 2007 e no 1º trimestre de 2008 decorrem dos seguintes fatos: I) em seus pedidos de ressarcimento transmitidos, em 30.04.2007 e em 16.04.2008, a PETICIONÁRIA pretendeu utilizar o valor total do saldo credor apurado nos referidos trimestres mas II) ao transmitir os referidos pedidos de ressarcimento, a PETICIONÁRIA indicou com saldo credor valor a menor (DOC 04). 14. Ou seja, o montante de R$ 5.975.044,37 corresponde à parcela dos saldos credores apurados no 1° trimestre de 2007 e no 1o trimestre de 2008, que não foi utilizada nos pedidos de ressarcimento e que tinha sido estornada da escrita fiscal e, pois, tratase de mero retorno à escrita fiscal de saldo credor não utilizado em pedido de ressarcimento. 15. Para facilitar a compreensão dessa Fiscalização, a PETICIONÁRIA junta, em anexo, os RAIPI, bem como as cópias dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação, e as cópias dos processos administrativos decorrentes dos referidos pedidos (PA n°s 10380.904127/201197 e 10380.904131/201155 DOCS. 03 a 06) ". Grifos originais 104) Imediatamente surge, cristalina, a irregularidade: inobservância do prazo quinquenal para a escrituração de créditos extemporâneos. Sem entrarmos no mérito do direito, a escrituração, em agosto de 2014, de parte dos saldos credores do 1º trimestre de 2007 e 1o trimestre de 2008 não pode ser aceita por infringir o citado prazo quinquenal, à luz do art. 1o do Decreto 20.910, de 06 de janeiro de 1932. (...) 106) Firmes nos argumentos explanados acima, efetuamos também a glosa desses R$ 5.975.044,37 no mês de agosto de 2014, ressaltando que a glosa total do período foi de R$ 11.275.318,95, posto que foram glosados outros R$ 5.300.274,58 referentes ao creditamento indevido de IPI na aquisição de insumos da RECOFARMA. Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.208 14 (...) VI DA PLENA OBEDIÊNCIA E RESPEITO À COISA JULGADA PROVENIENTE DA AÇÃO JUDICIAL N° 000947005.1995.4.05.8100 (...) 128) No ponto, não é demais reiterar os termos consignados na decisão judicial que ampara a contribuinte: "concedo a ordem impetrada, para assegurar à parte impetrante o direito de se creditar dos valores relativos ao IPI, nas operações de aquisição de concentrado, ainda que essas operações sejam isentas do mesmo imposto, na origem". 129) De se destacar que, em nenhum momento, foi objeto de mínima querela, análise ou mandamento judicial a identificação precisa e objetiva dos sobreditos produtos adquiridos pela demandante, tampouco qual seria sua correta classificação fiscal. Com efeito, o que passou a integrar o patrimônio juridico tributário da impetrante foi o pleno direito subjetivo de se creditar do importe, a titulo de IPI, relativo à operação de aquisição desses bens, mesmo isentos. 130) Nessa toada, é necessário ficar bem assentado que o Judiciário, em sua decisão definitiva, nada impediu, limitou, abalou ou restringiu o direito/dever, intimamente inerente ao Fisco Federal, de verificar a correção da apuração que vem sendo adotada pelo contribuinte ao longo do tempo no que tange ao cálculo de seus créditos. A decisão judicial outorgou, sim, ao contribuinte o direito ao crédito de IPI nas citadas aquisições, mas não valorou ou quantificou objetivamente tal importe; logo, não adentrou em qualquer metodologia de cálculo no caso concreto. Pensar diferente conduziria à indevida hipótese de o contribuinte manejar a seu absoluto talante, sem qualquer mínima verificação do Fisco Federal, a metodologia e o quantum do crédito considerado, por ela, cabível, vulnerando, assim, o princípio da indisponibilidade do crédito tributário. Conforme visto, após a decisão judicial, o Fisco Federal restou obrigado ao aceite dessa natureza de crédito de IPI da impetrante, porém não lhe restou obstado seu dever legal de avaliar a perfeição do montante apontado pelo contribuinte como correto. A indisponibilidade do crédito tributário é um mantra institucional em benefício da sociedade, destinatária dos recursos públicos. 131) Não é demais ratificar que o passo da correta classificação fiscal dos insumos é assunto nuclear e pressuposto básico à aferição do correto montante de crédito de IPI. (...) 134) Muito embora os insumos de maior relevância no processo fabril estejam corretamente alojados no código 2106.90.10 da TIPI, conforme já visto linhas atrás, eles também não se enquadram no EX 01 do referido código, no entender desta Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.209 15 fiscalização, pois, apesar de serem preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas, seus conteúdos individuais não contêm todos os ingredientes necessários para caracterizar um produto chamado de "extrato concentrado" ou "sabor concentrado", sendolhes atribuída, consequentemente, a alíquota "zero". Quanto aos demais itens integrantes dos kits, elencados na TABELA 03 retro, a maior parte é igualmente gravada com alíquota "zero", conforme também já demonstrado anteriormente. A exceção é o componente que se enquadra no código NCM 3302.10.00, cuja alíquota é 5%. Assim, forçoso foi concluir que a autuada não poderia ter fruído do montante de crédito demonstrado no item 7 deste Termo. (...) 137) Logo, em face do exposto, as conclusões a que chegou esta comissão fiscal se harmonizam plenamente ao ainda vigente comando judicial, apresentado a esta fiscalização pela contribuinte, não tendo o edificado lançamento tributário qualquer mínimo potencial lesivo à higidez da parte dispositiva da sentença, então prolatada nos autos do Mandado de Segurança n° 000947005.1995.4.05.8100, a qual posteriormente perfez coisa julgada. 3. O contribuinte apresentou Impugnação em 23/01/2017, às fls. 573/639, alegando, em síntese: 2.6. A IMPUGNANTE passa a demonstrar a seguir as razões que justificam o cancelamento do AUTO. 3. DA DECADÊNCIA (...) 3.2. Ocorre que, independentemente da análise do mérito da classificação fiscal dos concentrados, que será realizada nas próximas seções, é inconteste que a AUTORIDADE decaiu do direito de glosar a alíquota do crédito de IPI e/ou exigir o respectivo imposto relativamente ao período anterior a 21.12.2011, porque transcorridos mais de cinco anos entre os fatos geradores e a ciência do AUTO, visto que aplicável à hipótese o art. 183, parágrafo único, III, do RIPI/10. (...) 4. DA COISA JULGADA FORMADA NO MSI N° 95.0009470 3 IMPETRADO PELA IMPUGNANTE ISENÇÃO DO ART. 81, II, DO RIPI/IO (BASE LEGAL NO ART. 9º DO DL N° 288/67) 4.1. Inicialmente, deve ser esclarecido que a própria coisa julgada formada no MSI n° 95.00094703, além de ter assegurado à IMPUGNANTE o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus, o que já foi expressamente reconhecido pela própria AUTORIDADE (itens Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.210 16 129 e 130 do Termo de Verificação Fiscal), também tratou da classificação fiscal do concentrado na posição 21.06.90.10, EX. 01, visto que essa questão foi objeto do pedido inicial. 4.2. Com efeito, em 23.05.1995, a IMPUGNANTE impetrou o MSI n° 95.00094703 para que fosse assegurado o seu direito aos créditos de IPI relativos às aquisições de concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus classificados, à época, na posição 2106.90 da TIPI/88 e sujeitos à alíquota de 40% (fl. 2 da respectiva inicial do MSI). (...) 4.12. Nos autos do MSI n° 95.00094703, ao apresentar a sua defesa, a Procuradoria da Fazenda Nacional não questionou a classificação fiscal dos concentrados para refrigerantes na posição 21.06.90 e, pois, qualquer questionamento quanto a esta classificação restou precluso. 4.13. Assim, ao ser concedida a segurança nos termos em que pedido, o TRF 5ª Região confirmou a posição do concentrado para refrigerantes na TIPI, qual seja, 21.06.90.10 EX. 01, porque (i) tal posição constou expressamente do pedido inicial formulado e (ii) não há como se reconhecer a existência de um direito creditório de IPI, sem definir a respectiva classificação fiscal do produto na TIPI. (...) 4.15. No Parecer PGFN n° 405/2003, que é vinculatório para a Administração, a própria PGFN reconheceu que os concentrados para refrigerantes são classificados na posição 21.06.90.10 EX. 01, ao afirmar o direito ao crédito de IPI ao adquirente do concentrado base para bebidas não alcoólicas isentado, à alíquota de 27%: "102. Na aquisição de insumos "isentos", ocorre o fato gerador, a TIPI fixa a alíquota positiva (digamos 1% para mais), mas a lei dispensa seu pagamento. Em hipóteses tais, o STF, no RE n° 212.484, decidiu pelo direito de crédito com base na alíquota (do insumo "xarope" para produção de CocaCola), constante da TIPI (no caso, digamos 27%)." (Grifos da IMPUGNANTE.) (...) 5. DA NÃO RESPONSABILIDADE DA IMPUGNANTE (TERCEIRO, ADQUIRENTE DO CONCENTRADO) POR SUPOSTO ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO 5.1. Ainda que se entendesse que a referida coisa julgada formada no MSI n° 95.00094703 tivesse apenas assegurado o crédito de IPI isento relativo à aquisição de concentrado e não tivesse compreendido a classificação do concentrado na posição 21.06.90.10 EX. 01, o que se admite apenas para fins de argumentação, mesmo assim a IMPUGNANTE teria direito de Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.211 17 calcular o referido crédito à alíquota decorrente da classificação fiscal 21.06.90.10 EX. 01. 5.2. Com efeito, é necessário destacar que resta incontroverso que a IMPUGNANTE é terceiro, adquirente dos referidos concentrados, e que a RECOFARMA, sua fornecedora, foi quem emitiu as notas fiscais, descreveu os produtos e efetuou sua classificação fiscal (DOC. 02). (...) 5.4. Ao regulamentar esse art. 62 da Lei n° 4.502/64, os RIPIs de 1972, 1979 e 1982 acrescentaram que caberia ao adquirente também o exame da correção da classificação fiscal do produto consignada na nota fiscal pelo fornecedor, como se verifica do art. 173 do RIPI/82, que reproduz fielmente os arts. 169 e 266 dos RIPIs de 1972 e 1979, respectivamente: (...) 5.5. Durante a vigência desse art. 173 do RIPI/82, o Fisco chegou a exigir multas dos adquirentes que deixaram de verificar a correção da classificação fiscal adotada pelos fornecedores, conforme se verifica do art. 368 do RIPI/82: "Art. 368. A inobservância do artigo 173 e §§ 1º, 3º e 4º, pelos adquirentes e depositários dos produtos mencionados no mesmo dispositivo, sujeitalosá às mesmas penas cominadas ao industrial ou remetente, pela falta apurada." 5.6. Muito se discutiu, tanto na esfera administrativa, quanto na judicial, se tal acréscimo extrapolava, ou não, o disposto no referido art. 62 da Lei n° 4.502/64. (...) 5.10. Em razão dessa jurisprudência judicial e administrativa, o RIPI/98 suprimiu tal acréscimo regulamentar, no que foi seguido pelos RIPIs de 2002 e 2010 (arts. 266 e 327, respectivamente). (...) 5.13. Registrese, aliás, que, após a referida supressão regulamentar, mas julgando fatos ocorridos ainda na vigência do RIPI/82, o CARF, por força da retroatividade benigna, decidiu pela inexistência dessa obrigação e pela exclusão da multa aplicável nos casos em que envolviam fatos geradores referentes a período da vigência daquele art. 173 do antigo RIPI/82. (...) 6. DA ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO 6.1. Ainda que se afaste do objeto da referida coisa julgada a definição da classificação fiscal do concentrado e ainda que se entenda que o adquirente tem obrigação de verificar a correção Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.212 18 da classificação fiscal do produto constante da nota fiscal, o que se admite apenas para fins de argumentação, mesmo assim a IMPUGNANTE tem direito de calcular o crédito de IPI à alíquota da classificação fiscal constante da nota fiscal. 6.2. Com efeito, cabe destacar que o AUTO viola o art. 146 do CTN, visto que alterou retroativamente o critério jurídico já aceito pela Fiscalização anteriormente. 6.3. Isso porque a IMPUGNANTE sempre aproveitou os créditos de IPI decorrentes da aquisição dos concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus à alíquota prevista da posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI, conforme assegurado pela coisa julgada formada no MSI n° 95.00094703, e a AUTORIDADE sempre observou a referida coisa julgada e aceitou o respectivo crédito. 6.4. Com efeito, o novo critério jurídico adotado pela Fiscalização para passar a não aceitar a alíquota do crédito de IPI decorrente da aquisição dos concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus foi introduzido no ordenamento jurídico, apenas em 22.12.2014, data da ciência do auto de infração lavrado contra a RECOFARMA, fornecedora do referido insumo (e que consignou a classificação na respectiva nota fiscal) e no qual dela (RECOFARMA) se exigiu multa em razão de ter supostamente classificado o concentrado para refrigerantes de forma equivocada, visto que tal insumo não poderia ser classificado em uma única posição; o referido auto de infração pende de decisão final (DOCs. 03 e 04). (...) 6.7. Nesse sentido, confirase o disposto no art. 146 do CTN abaixo transcrito: "Art. 146. A modificação introduzida, de oficio ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercido do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." (...) 7. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES 7.1. DA COMPETÊNCIA DA SUFRAMA PARA DEFINIR A CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS FABRICADOS EM PROJETO INDUSTRIAL APROVADO PARA FRUIÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS E DO ATO ADMINISTRATIVO 7.1.1. Ainda que afastados os argumentos acima desenvolvidos, o que se admite apenas para fins de argumentação, caberia então analisar a competência da SUFRAMA para definir a Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.213 19 classificação fiscal dos produtos fabricados em projeto industrial aprovado para a fruição dos benefícios fiscais previstos no art. 9o do DL n° 288/67 e no art. 6º do DL n° 1.435/75. (...) 7.1.4. Ora, ao definir o processo produtivo básico de cada produto, para fins de fruição de benefícios fiscais, é necessário que a SUFRAMA identifique qual é a classificação fiscal do produto incentivado. 7.1.5. Portanto, é inerente da sua competência para aprovação do PPB, a definição da classificação fiscal do referido produto. 7.1.6. Aliás, neste particular, salientese que a competência da RFB para definir a classificação fiscal de produtos não é exclusiva. (...) 7.2. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO DEFINIDA PELA SUFRAMA 7.2.1. No Termo de Verificação Fiscal, que embasou o presente AUTO, a AUTORIDADE alegou equivocadamente que a SUFRAMA não teria definido a classificação fiscal do concentrado produzido pela RECOFARMA e adquirido pela IMPUGNANTE e que esse concentrado não poderia ser classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011. (...) 7.2.5. Portanto, no exercício efetivo de sua competência e por intermédio da Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007, a SUFRAMA aprovou o projeto industrial da RECOFARMA para fruição dos benefícios fiscais do art. 9o do DL n° 288/67 e do art. 6o do DL n° 1.435/75 em relação ao produto fabricado pela RECOFARMA, o qual foi definido como concentrado para refrigerantes, e que consiste em "... preparações químicas utilizadas como matériaprima para industrialização de bebidas não alcoólicas, com capacidade de diluição superior a 10 partes de bebida para cada parte de concentrado". 7.2.6. Vêse, pois, que, a partir da definição dada pela SUFRAMA ao produto fabricado pela RECOFARMA, a própria SUFRAMA reconhece que o concentrado, por ser "preparações químicas", pode ser entregue desmembrado em partes/kits, sem que isso desnature a sua condição de produto único (de concentrado para bebidas), classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, qual seja, preparações compostas para bebidas com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada concentrado por isso classificado no EX. 01, a qual tinha alíquota de 27%, a saber: (...) Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.214 20 7.3 DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DEFINIDA PELAS REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO E NESH (...) 7.3.5. Por outro lado, também ao contrário do afirmado, as preparações não precisam estar prontas para uso para que sejam classificadas na posição 21.06.90.10 EX. 01. 7.3.6. Isso porque o próprio item 12 da NESH que se refere e esclarece justamente a posição 2106, na qual se incluem os aludidos EX. 01 e EX. 02, estabelece que as preparações compostas podem sofrer um tratamento complementar no estabelecimento do fabricante, antes do processo de elaboração das bebidas: "12) As preparações compostas para fabricação de refrescos ou refrigerantes ou de outras bebidas, constituídas por exemplo, por: (...) Estas preparações destinamse a ser consumidas como bebidas, por simples diluição em água ou depois de tratamento complementar. Algumas preparações deste tipo servem para se adicionar a outras preparações alimentícias." 7.3.7. Tal disposição deixa claro que as preparações compostas não precisam necessariamente já estar "prontas para uso" pelo destinatário de um modo geral; caso contrário, a expressão "depois de tratamento complementar" seria "letra morta". 7.3.8. Ora, esse tratamento complementar ocorre no estabelecimento do fabricante de refrigerantes, no caso a IMPUGNANTE, e antes do início do processo produtivo do refrigerante e, pois, não procede a invocação feita pela AUTORIDADE do art. 5º, II, do RIPI/10, que trata do preparo do refrigerante em si, e, pois, hipótese diversa da discutida nos presentes autos. (...) 7.3.10. Por outro lado, a AUTORIDADE afirma ainda que o item XI da Nota Explicativa referente à Regra Geral de Interpretação 3 b), que teria sido supostamente incluído em razão da decisão do Conselho de Cooperação Aduaneira, de 23.08.1985, reforçaria o fato de os concentrados para refrigerantes, entregues em forma de "kits", não poderiam ser tratados como produtos únicos. 7.3.11. Ocorre que a literalidade da Nota Explicativa XI) da Regra 3b) demonstra o contrário, pois trata dos concentrados como mercadoria unitária, constituída por diferentes componentes, conforme se verifica: "A presente Regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.215 21 proporções fixas para fabricação industrial de bebidas, por exemplo." (grifos da IMPUGNANTE) 7.3.12. Assim, classificar os componentes do concentrado de forma individualizada, ofende a literalidade da Nota Explicativa XI) da Regra 3b) e, pois, o art. 17 do RIPI/2010, que determina a observância da NESH como elemento fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições da TIPI. 7.3.13. Ademais, a razão de ser afastada a aplicação da regra de exceção 3 b) , que determina que os produtos misturados ou sortidos devem ser classificados levando em consideração a posição da matéria ou artigo que lhe confira a característica essencial, é justamente porque existe posição específica na legislação brasileira para os concentrados para refrigerantes e, pois, por essa razão deve ser aplicada a Regra Geral de Interpretação 1. 7.3.14. De fato, as Notas Explicativas III, a) e IV da Regra Geral de Interpretação 1 e a Nota Explicativa X da Regra Geral 2 b) esclarecem que a aplicação da Regra Geral de Interpretação 1 se dá automaticamente quando há uma posição especifica para classificar a mercadoria, sem que seja necessário recorrer às subsequentes Regras Gerais Interpretativas (2 a 6), que são subsidiárias, conforme se verifica: (...) 7.3.15. E, no caso, como já visto, na legislação brasileira, há uma posição especifica, na qual se enquadra, exatamente, o concentrado para refrigerantes, qual seja, a posição 21.06.90.10 EX. 01. (...) 8. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA, JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA 8.1. Ainda que superados todos os argumentos acima desenvolvidos, o que se admite apenas para fins de argumentação, a multa, os juros de mora e a correção monetária também não são devidos em razão do disposto no art. 100, parágrafo único, do CTN, que estabelece que a observância de atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas tem o condão de excluir a cobrança de multa, juros de mora e correção monetária. (...) 8.7. Vêse, pois, que devem ser excluídos a multa, os juros moratórios e a correção monetária exigidos, sob pena de ofensa ao art. 100, parágrafo único, do CTN. 9. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.216 22 9.1. Por outro lado, ainda que superados todos esses argumentos acima desenvolvidos, o que se admite apenas para argumentar, também não seria cabível a imposição de multa no presente caso, em razão do disposto no art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64, que está em pleno vigor. 9.2. O referido art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64 estabelece a não imposição de penalidades aos contribuintes que tiverem agido de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa. Eis o teor do dispositivo em questão: (...) 10. DA LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS GLOSADOS NO VALOR DE R$ 5.975.044,37 10.1. A AUTORIDADE glosou, ainda, créditos de IPI no valor de R$ 5.975.044,37, fundamentandose, para tanto, no entendimento de que, em agosto de 2014, a IMPUGNANTE já teria decaído do direito de lançálos na sua escrita fiscal, por já terem decorridos mais de 5 anos, contados dos l°s trimestres de 2007 e 2008. 10.2. Ocorre que os créditos de IPI no valor de R$ 5.975.044,37, mencionados pela AUTORIDADE, foram devidamente lançados na escrita fiscal nos 1°s trimestres de 2007 e 2008, por ocasião da entrada das mercadorias no estabelecimento da IMPUGNANTE (DOCs. 10 e 11). 10.3. O erro incorrido pela AUTORIDADE decorre do fato de a IMPUGNANTE ter estornado, por equivoco, o valor total dos saldos credores apurados nos l°s trimestres de 2007 e 2008, incluindo o valor de R$ 5.975.044,37 (DOCs. 12 e 13). 10.4. De fato, o valor de R$ 5.975.044,37 não foi incluído nos pedidos de ressarcimento transmitidos em 30.04.2007 e 16.04.2008, referentes aos períodos dos l°s trimestres de 2007 e 2008, sendo este fato incontroverso no presente processo (DOCs. 14 e 15) e, por conseguinte, no caso, o estorno, com a sua reversão, não produziu qualquer efeito fiscal. 10.5. Sendo assim, em agosto de 2014, a IMPUGNANTE realizou mero ajuste na sua escrita fiscal para corrigir o referido equívoco mediante reversão do estorno, o qual não configurou lançamento de um novo crédito, como alega a AUTORIDADE (DOC. 16). (...) 11. DA IMPROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA NO AUTO 11.1. Como aspecto adicional, superados os argumentos acima que afastam a aplicação de qualquer penalidade, o que se admite apenas para fins de argumentação, seria totalmente descabida a incidência de juros sobre a multa de oficio lançada Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.217 23 contra a IMPUGNANTE, porque implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa. 4. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, DRJPorto Alegre (DRJPOA), exarou o Acórdão nº 1058.663 na Sessão datada de 27/04/2017, no qual os seus membros, por unanimidade de votos, não acolheram a preliminar de decadência e, quanto ao mérito, julgaram improcedente a impugnação. O Acórdão restou assim ementado: DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos casos de falta de pagamento, o direito da fazenda pública constituir o crédito tributário relativo ao IPI extinguese em cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre alteração de critério jurídico nem ofensa ao art. 146 do CTN quando a Fiscalização promove autuação baseada em entendimento distinto daquele que seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa da Administração Tributária. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS DE CONCENTRADOS PARA PRODUÇÃO DE BEBIDAS. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como "kit ou concentrado para bebidas" constituise de um conjunto de diferentes matériasprimas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses "kits" deverá ser classificado no código próprio da TIPI. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É cabível a exigência de juros moratórios sobre a penalidade objeto do lançamento em litígio. 5. O contribuinte tomou ciência desta decisão em 15/05/2017 (ver fl. 902). Irresignado com esta decisão, apresentou Recurso Voluntário em 13/06/2017 (ver fl. 904), no qual reproduz, basicamente, os mesmos argumentos já expostos na Impugnação. 6. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário. 7. É o relatório. Voto Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.218 24 Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator I DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA 8. O IPI é tributo cujo lançamento se dá por homologação, conforme previsto no art. 150, caput, da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Para tributos sujeitos a esta espécie de lançamento, o próprio art. 150, em seu § 4º, já fixa o prazo para decadência do direito de lançar o tributo: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 9. Entretanto, como bem destacado pela Procuradoria da Fazenda Nacional em suas Contrarrazões, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp 973.733/SC sob a sistemática de julgamento de Recursos Repetitivos (de observação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno RICARF), decidiu que "não havendo pagamento, não há o que se homologar, e, nesse caso, a extinção do crédito tributário não ocorre após o decurso do prazo definido no § 4º do artigo 150 do CTN, sujeitandose, isto sim, à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal". Vejase o seguinte excerto da Ementa do referido Acórdão do STJ: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, §4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.219 25 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção ...) (REsp nº 973.733/SC, Relator Min. Luiz Fux, Dje: 18/09/2009) 10. O STJ inclusive já sumulou essa questão: Súmula 555: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. 11. No mesmo sentido, trago à colação o seguinte trecho do Acórdão nº 9303006.987 – 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 14/06/2018: O tema não é mais passível de discussão no CARF, a teor do art. 62, § 2º, do RICARF, pois há decisão vinculante do STJ, em acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no julgamento do REsp nº 973.733/SC, trazido pela PGFN em suas Contrarrazões e cuja ementa transcrevo parcialmente a seguir: (...) Para a solução do litígio, resta então unicamente saber o que efetivamente ocorreu no caso concreto, no que se refere (i) ao pagamento antecipado e (ii) à declaração do débito, caso tenha havido o pagamento. O lançamento de ofício foi decorrente de glosas de valores de créditos "fictos" do IPI na aquisição de insumos isentos da Zona Franca de Manaus. Reconstituída a escrita fiscal, foram apurados os valores do tributo objeto do lançamento, com multa de ofício de 75 % e juros de mora. Claro está, portanto, que o estabelecimento autuado não apurou saldo devedor em nenhum dos períodos autuados, não se podendo cogitar, então, de ter havido qualquer pagamento, e nem mesmo declaração de débitos (declarações estas que, ainda que, por equívoco, existissem, em nada poderiam influenciar na solução da lide, em razão da ausência de pagamento). Assim, à vista da jurisprudência vinculante do STJ, aplicase, para fins de delimitação do prazo decadencial, a regra do art. 173, I, do CTN – repito: cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 12. Como se verifica, o tema já está pacificado tanto na esfera administrativa quanto na judicial. Ao contrário do que afirma o recorrente, o deslocamento da regra de decadência para o art. 173, I, não ocorre unicamente em caso de dolo, fraude ou simulação. Tendo em vista que o recorrente não apurou saldo devedor em nenhum dos Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.220 26 períodos autuados, e, consequentemente, não realizou qualquer antecipação de pagamento, não há o que ser homologado. 13. Também não há que se falar, como alega o recorrente, na aplicação à hipótese do art. 183, parágrafo único, III, do RIPI/10: Art. 183. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação deles, nos termos do art. 268 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa. Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. 14. O texto é bem claro ao explicitar que para se considerar existente o pagamento, a dedução deve ser feita com créditos "admitidos". Ora, conforme a autuação fiscal, os créditos não foram admitidos, uma vez que foram objeto de glosa pela fiscalização. Logo, permanece o recorrente sem ter realizado qualquer pagamento a ser homologado, mantendo a decadência sendo verificada com base na regra geral do art. 173, I, do CTN. 15. Mesmo que se alegue que houve créditos admitidos (o que não ocorreu, pois o contribuinte não informou o valor referente às partes do kit que possuíam alíquota positiva), observese que a parte final do dispositivo impõe outra condição: que da apuração não resulte saldo a recolher. Se após a apuração de débitos e créditos resultar saldo a recolher, é preciso que pelo menos uma parcela deste seja paga para que exista pagamento a ser homologado, deslocando a regra de decadência para o comando do art. 150, § 4º, do CTN. 16. Neste sentido, trago à colação o seguinte trecho do Acórdão nº 9303 007.440 – 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 19/09/2018: Aliás, foi salientado no voto condutor do acórdão a quo que a presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III do RIPI/2002 não poderia ser aplicada, pois esse dispositivo regulamentar se refere expressamente a créditos admitidos pelo regulamento, conforme abaixo de observa: (...) Não admitidos os créditos, por consequência, não se considera existentes os pagamentos alegados. Dessarte, em não havendo pagamento de qualquer débito, deslocase a contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme norma extraída do art. 173 do CTN. Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.221 27 17. Não existindo reparos a serem feitos na decisão da DRJ, voto pela improcedência desta preliminar. II DA ALEGAÇÃO DE NÃO RESPONSABILIDADE DO RECORRENTE (TERCEIRO, ADQUIRENTE DO CONCENTRADO) POR SUPOSTO ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO 18. Alega o recorrente que agiu de boafé, não lhe podendo ser atribuída qualquer responsabilidade por um suposto erro de classificação fiscal, pois não era responsável pela emissão das notas fiscais, mas sim sua fornecedora, a RECOFARMA. 19. Entretanto, o art. 136 do CTN determina que a intenção do agente não deve ser levada em conta na definição da responsabilidade por infrações tributárias. O fato de ter agido de boafé não permite ao contribuinte se locupletar de crédito ao qual não tem direito. Mesmo não sendo o responsável pela emissão da nota fiscal e pela classificação fiscal da mercadoria, foi o recorrente quem se apropriou de créditos indevidos, e não a RECOFARMA: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 20. Vale destacar que, caso fosse constatada a intenção do recorrente de fraudar o Fisco, ou seja, presente o dolo, outra teria sido a consequencia da sua conduta, pois incidiria na previsão contida no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 4.502/64 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: (...) Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.222 28 gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 21. A autuação foi realizada com a aplicação da multa básica de 75%, demonstrando que a Autoridade Fiscal não identificou a presença de conduta dolosa do contribuinte, a ensejar a aplicação da multa qualificada de 150%. 22. Alega também o recorrente que a exigência contida no art. 173 do RIPI/82, no sentido de que o adquirente da mercadoria tenha que examinar a correção da classificação fiscal adotada pelo emitente da nota fiscal, não mais existe nos Regulamentos do IPI posteriores. Entretanto, a autuação em nenhum momento teve por base a falta de conferência, pelo recorrente, da classificação fiscal adotada, bem como nenhuma multa regulamentar foi aplicada por não cumprimento desta exigência, mas tão somente a multa de ofício pelo não recolhimento do IPI devido. 23. A autuação foi baseada na glosa de créditos de IPI que a fiscalização verificou serem inexistentes. Nesse contexto, deve a Autoridade Fiscal proceder à reconstituição da escrita fiscal do IPI e, constatada a existência de saldos devedores, proceder ao lançamento do crédito tributário, exatamente como procedeu neste caso concreto. 24. Não existindo reparos a serem feitos na decisão da DRJ, voto por negar provimento a este pedido do Recorrente. III DA ALEGAÇÃO DE ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO 25. Afirma o Recorrente que o Auto de Infração violou o art. 146 do CTN pois, em verificações fiscais anteriores instauradas pelo Fisco, sempre aproveitou os créditos de IPI decorrentes da aquisição dos concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus à alíquota prevista da posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI, conforme assegurado pela coisa julgada formada no MSI n° 95.00094703, e a Autoridade Fiscal sempre aceitou o respectivo crédito. 26. O art. 146 possui a seguinte redação: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 27. Sobre a interpretação deste dispositivo, bem esclarece Ricardo Lodi Ribeiro, em seu artigo "A Proteção da Confiança Legítima do Contribuinte", RDDT nº 145, Outubro/2007, pág. 99: Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.223 29 O dispositivo se refere à manutenção da interpretação administrativa da lei tributária que fixa um determinado entendimento favorável ao contribuinte, dentre os sentidos possíveis oferecidos pela literalidade da lei. Se a Administração identifica como correta uma determinada interpretação da norma e depois verifica que esta não é a mais adequada ao Direito, tem o poderdever de, em nome de sua vinculação com a juridicidade e com a legalidade, promover a alteração do seu posicionamento. Porém, em nome da proteção da confiança legítima, deve resguardar o direito do contribuinte em relação aos lançamentos já realizados. Embora o referido dispositivo legal se refira apenas irreversibilidade do lançamento já efetuado, a tutela da segurança do contribuinte não depende de ter havido a constituição do crédito tributário, se aplicando a qualquer posicionamento da Administração que promova a nova interpretação da norma fiscal em relação a fatos geradores já praticados, incluindo a concessão de isenção, anistia, remissão e moratória. Assim, a proteção se aplica também aos processos de consulta, aos pareceres normativos, aos atos declaratórios ou a qualquer outra manifestação administrativa que adote determinado critério de interpretação da norma, seja em relação ao sujeito passivo, seja em relação a outro contribuinte que esteja em situação legal e fática idêntica. 28. Leandro Paulsen, por sua vez, em Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 8ª ed., Ed. Livraria do Advogado, Porto Alegre, 2006, pág. 1.086, leciona que: O artigo 146 do CTN positiva, em nível infraconstitucional, a necessidade de proteção da confiança do contribuinte na Administração Tributária, abarcando, de um lado, a impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos que implique prejuízo relativamente à situação consolidada à luz de critérios anteriormente adotados e, de outro, a irretroatividade de atos administrativos normativos quando o contribuinte confiou nas normas anteriores. 29. Conforme se depreende a partir da lição destes eminentes juristas, o artigo sob análise tem por objetivo proteger o contribuinte contra alterações em uma mesma acusação fiscal, bem como contra a retroatividade de alterações normativas que possam agravar sua situação fiscal. 30. 25. No que se refere ao lançamento, tratase de uma vedação à alteração do fundamento legal de uma mesma acusação, ou seja, uma mudança na valoração jurídica dos fatos. É nesse sentido que deve ser compreendida a expressão "alteração de critérios jurídicos". No entender da doutrina e jurisprudência majoritários, veda a revisão do lançamento por "erro de direito", permitindo sua revisão apenas nos casos de "erro de fato", ou "erro formal". 31. Nesse sentido, a Súmula 227, de 24/11/1986, do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), recepcionada pelo STJ através do procedimento para o julgamento de recursos especiais repetitivos, como se vê na Ementa do REsp 1303543/RJ, Recurso Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.224 30 Especial 2010/01708453, Relator(a) Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Órgão Julgador: Primeira Turma do STJ. Data do Julgamento: 27/03/2012: 6. No caso concreto, o que se constata é que a autoridade administrativa reconheceu o fato gerador concreto para fins de incidência do ISSQN como sendo uma locação de bens móveis, embora, essa não seja a real atividade desenvolvida pela empresa, como bem captaram o Julgador Singular e o Tribunal Estadual; todavia, não cabe ao Judiciário substituir a Autoridade Fiscal, para dar outra qualificação jurídica aos fatos por ela já analisados, corrigindo, dessa forma, típico erro de direito do lançamento, pois isso afronta o princípio da legalidade, do qual o princípio da tipicidade fechada é corolário, bem como o da segurança jurídica. (...) 7. A Primeira Seção desta Corte encampou a Súmula 227/TFR, segundo a qual a mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento: REsp. 1.130.545/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 22/02/2011, julgado sob o regime do art. 543C do CPC. 8. Se a Autoridade Fiscal enquadrou a atividade da recorrente como locação de bens móveis, e o STF já decidiu que sobre ela não incide ISS (Súmula Vinculante 31), mostrase ilegal a modificação judicial desse critério jurídico, para fins de validar o lançamento efetuado. 32. Eis o que consta do texto dessa Súmula: Tributário. Revisão do lançamento. Inadmissibilidade. Mudança no critério jurídico. A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento. 33. Pela doutrina colacionada, onde se fala em "irreversibilidade do lançamento já efetuado", e "impossibilidade de retratação", bem como pela Súmula 227/TFR e pela jurisprudência acima apresentada, que abordam a questão da revisão de um lançamento já efetuado, concluise que não há qualquer vedação contra um lançamento tributário novo, referente a um fato gerador X, que possua uma interpretação dos fatos diferente daquela constante em lançamentos anteriores, contra os fatos geradores Y e Z. 34. O que não se permite é que a Autoridade Tributária, identificando um lançamento com fundamentação legal equivocada, tendo ocorrido um erro de direito, venha a alterar tal fundamento, substituindoo por outro e acarretando, assim, um agravamento da situação do contribuinte naquela mesma autuação, referente ao mesmo fato gerador, sob o pretexto de adequar o ato administrativo à legislação vigente. No entanto, nada impede que, em futuros lançamentos, faça tal correção, mesmo para fatos geradores passados. 35. Finda essa análise teórica do art. 146 do CTN, deve ser ressaltado que no processo ora em julgamento não houve qualquer "alteração de critério jurídico", pois não houve qualquer manifestação expressa por parte da Administração Tributária no sentido de ratificar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte. 36. O fato de nunca ter sido autuado por determinada conduta não torna a mesma legítima até o momento em que tomar ciência da autuação. O contribuinte tem a obrigação de conhecer a legislação tributária e aplicála corretamente. A Autoridade Tributária tendo conhecimento de irregularidades, a qualquer tempo, tem o dever legal de proceder à Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.225 31 lavratura de Auto de Infração. Não pode o contribuinte esperar ser apenas notificado a mudar sua conduta, ficando o Fisco limitado a só poder autuálo a partir deste momento. Tratase de argumento do recorrente desprovido de qualquer base legal. 37. Por fim, devese ressaltar que mesmo o contribuinte que tenha sido autuado pelas infrações A e B está sujeito a, em futuros lançamentos, sobre períodos de apuração diversos, ser autuado pela infração C, ainda que esta já tivesse ocorrido quando da ação fiscal anterior. O que não poderia acontecer seria uma revisão do primeiro lançamento, para corrigir erro de direito (modificar critério jurídico), ou seja, a fundamentação legal das infrações A e B, trazendo ao contribuinte uma situação mais gravosa; ou, ainda, a realização de um lançamento suplementar sobre o mesmo período por conta da infração C. 38. Outra situação vedada por este dispositivo seria o caso do contribuinte ser autuado por classificar uma mercadoria na posição X, quando o correto seria a posição Y e, em procedimento fiscal posterior, o mesmo contribuinte, agora usando a posição Y, sofrer nova autuação porque o Fisco revisou seu entendimento e concluiu que a posição correta seria a Z. 39. Nesse sentido, as seguintes decisões do CARF: A) Acórdão nº 3402004.073 Terceira Seção de Julgamento 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 26/04/2017 (...) Em meu entendimento, para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. Não se cogita, obviamente, a impossibilidade de o Fisco mudar os critérios jurídicos adotados pelo próprio contribuinte na atividade prévia do sujeito passivo do lançamento por homologação. Como a recorrente não especifica no recurso voluntário qual teria sido o ato administrativo anterior emitido com posicionamento divergente do presente lançamento, pelo contexto de suas alegações, entendese que a recorrente esteja se referindo à ausência de autuações anteriores para reclassificação fiscal dos denominados "kits". No entanto, o art.146 do CTN não abriga a tese da recorrente, o que representaria uma verdadeira mordaça à fiscalização. Com bem expressou o Conselheiro Relator Antonio Bezerra Neto sobre o tema, no seu voto no Acórdão nº 1401001.649–4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 8 de junho de 2016, "Se vingar esse entendimento da Recorrente, passase um atestado de onisciência para a fiscalização, ou seja, ela é obrigada a encontrar toda irregularidade existente na empresa, pois senão, nos anos seguintes, mesmo que detectado essa irregularidade o fiscal não poderia mais autuar, sob o fundamento de que estaria mudando o critério jurídico". Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.226 32 B) Acórdão nº 1201001.463 Primeira Seção de Julgamento 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 09/08/2016 1. Da mudança de critério jurídico, em ofensa ao artigo 146 do CTN (...) De se notar que o comando normativo diz respeito ao ato do lançamento (o que se depreende, inclusive, do próprio capítulo em que redigido) e, nesse sentido, não há qualquer obstáculo para que, em períodos subsequentes, ocorra mudança nos fundamentos da autuação. Cada lançamento é independente no tempo e no espaço, da mesma forma como são os atos administrativos que os veiculam no mundo real. Para tributos distintos ou períodos de apuração diferentes nada impede que os fundamentos da autuação sejam também alterados, até porque o direito funciona de modo dialético e em constante mutação, inclusive de ordem interpretativa. (...) O fato de a contribuinte não ter sido autuada em períodos anteriores, como aduz, em nada altera a obrigação de fazêlo posteriormente, sempre que presentes os requisitos para o lançamento, nos termos do artigo 142 do CTN. O que não se admite é a coexistência de duas ou mais autuações, para o mesmo período, baseadas em critérios diferentes. (...) No caso sob análise não há conflito entre lançamentos, mas sim entendimento diferente daquele esposado em fiscalizações anteriores, que não autuaram a empresa. Ora, o racional da norma busca evitar o conflito positivo entre dois lançamentos com fundamentos diferentes, mas certamente não alcança as hipóteses em que não houve lançamento anterior, até porque resta evidente que a ausência de lançamento sequer possibilita a ocorrência de conflito. Na hipótese de a fiscalização não autuar períodos anteriores, é evidente que a ausência de lançamento não revela manifestação de critério jurídico, em sentido positivo (notese que o CTN condena a mudança nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento). Ora, se lançamento não houve, inexiste mudança de critério, de sorte que a restrição sequer pode ser aplicada. IV DA ALEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA DA SUFRAMA PARA DEFINIR A CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS E DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO DEFINIDA PELA SUFRAMA 40. Sustenta o Impugnante que a SUFRAMA tem competência para aprovar os projetos industriais para fruição dos benefícios previstos no art. 9º do DL n° 288/67 e no art. 6º do DL n° 1.435/75, e que, portanto, seria necessário que esse órgão identifique qual Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.227 33 é a classificação fiscal do produto incentivado. Admite que a RFB também tem competência para definir a classificação fiscal de produtos, mas essa não é exclusiva. 41. Prossegue afirmando que a SUFRAMA, no exercício de tal competência, definiu o produto elaborado por seu fornecedor RECOFARMA como "concentrado para refrigerantes", bem como definiu a classificação fiscal deste produto pela NCM na posição 2106.90.10 Ex. 01, conforme o ato administrativo vinculatório Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007. 42. Os argumentos trazidos pelo Impugnante, entretanto, não podem ser julgados procedentes. Com efeito, a Constituição Federal, em seus arts. 37 e 146, estabelece o seguinte: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XVIII a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei; (...) Art. 146. Cabe à lei complementar: I dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; 43. A Lei Complementar vigente, a que se refere o texto constitucional, é a Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN). A referida Lei, por sua vez, estabelece o seguinte: Art. 7º A competência tributária é indelegável, salvo atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária, conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra, nos termos do § 3º do artigo 18 da Constituição. (...) Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.228 34 Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. 44. 47. Por seu turno, a Lei que regula a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação é a Lei nº 10.593, de 06/12/2002. Esta, em seu art. 6º, com a redação dada pela Lei nº 11.457, de 16/03/2007, estabelece o seguinte: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; (...) e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; II em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. 45. Para disciplinar a competência da RFB sobre o controle aduaneiro, prevista na alínea "c" acima transcrita, o Poder Executivo editou o Decreto nº 6.759, de 05/02/2009 (Regulamento Aduaneiro). Sobre a classificação fiscal de mercadorias, assim dispõe o referido ato normativo: O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, DECRETA: Art. 1º A administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior serão exercidos em conformidade com o disposto neste Decreto. (...) LIVRO V DO CONTROLE ADUANEIRO DE MERCADORIAS Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.229 35 TÍTULO I DO DESPACHO ADUANEIRO CAPÍTULO I DO DESPACHO DE IMPORTAÇÃO (...) Seção V Da Conferência Aduaneira Art. 564. A conferência aduaneira na importação tem por finalidade identificar o importador, verificar a mercadoria e a correção das informações relativas a sua natureza, classificação fiscal, quantificação e valor, e confirmar o cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação. (...) CAPÍTULO VI DO PROCESSO DE CONSULTA Art.790. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, os processos administrativos de consulta, relativos a interpretação da legislação tributária e a classificação fiscal de mercadoria, serão solucionados em instância única (Lei nº 9.430, de 1996, art. 48, caput). (...) §3º A consulta relativa a classificação fiscal de mercadorias será solucionada pela aplicação das disposições dos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 1972, e de normas complementares editadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 9.430, de 1996, art. 50, caput). 46. Tais dispositivos tem por base legal os arts. 48 e 50 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual determina que os processos de consulta relativos à classificação de mercadorias devem seguir os ditames dos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235/72 (norma que regulamenta o Processo Administrativo Federal): Art. 48. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única. § 1º A competência para solucionar a consulta ou declarar sua ineficácia, na forma disciplinada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, poderá ser atribuída: I a unidade central; ou II a unidade descentralizada. Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.230 36 § 2º Os atos normativos expedidos pelas autoridades competentes serão observados quando da solução da consulta. § 3º Não cabe recurso nem pedido de reconsideração da solução da consulta ou do despacho que declarar sua ineficácia. § 4º As soluções das consultas serão publicadas pela imprensa oficial, na forma disposta em ato normativo emitido pela Secretaria da Receita Federal. (...) Art. 50. Aplicamse aos processos de consulta relativos à classificação de mercadorias as disposições dos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e do art. 48 desta Lei. § 1º O órgão de que trata o inciso I do § 1º do art. 48 poderá alterar ou reformar, de ofício, as decisões proferidas nos processos relativos à classificação de mercadorias. (...) § 4º O envio de conclusões decorrentes de decisões proferidas em processos de consulta sobre classificação de mercadorias, para órgãos do Mercado Comum do Sul MERCOSUL, será efetuado exclusivamente pela órgão de que trata o inciso I do § 1º do art. 48. 47. Feita essa digressão legislativa, concluise que é da RFB a competência para, inclusive através de processos de consulta, decidir sobre classificação fiscal. Obviamente, esta competência não se restringe ao âmbito das aduanas (alfândegas), nem a processos de importação/exportação, pois não é possível uma mercadoria ter uma classificação segundo a NCM em uma importação e outra classificação para fins de apuração do IPI. 48. Vale ressaltar que a Autoridade Tributária em nenhum momento questionou a concessão do benefício fiscal por parte da SUFRAMA, pois tal ato realmente de encontra dentro de suas atribuições institucionais. A classificação fiscal, por sua vez, define a alíquota de IPI aplicável ao produto; assim sendo, está diretamente vinculada à apuração do tributo, matéria sobre a qual a Constituição Federal prevê que a administração fazendária tem precedência sobre os demais setores administrativos. V DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DEFINIDA PELAS REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO E PELAS NESH 49. O recorrente afirma que os produtos adquiridos do seu fornecedor RECOFARMA e que deram origem aos créditos de IPI glosados pela fiscalização devem ser classificados na Tabela de Incidência do IPI TIPI/2011 (cujo texto foi aprovado pelo Decreto 7.660, de 23/12/2011), na posição 2106.90.10, EX. 01, sendo incorreto classificar cada um dos seus componentes individualmente, mesmo que estes lhe sejam entregues acondicionados em diversas partes não misturadas, ou seja, não homogeneizadas. 50. A posição 2106.90.10, EX. 01, possui o seguinte texto na TIPI/2011: Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.231 37 Código da posição Texto da posição Alíquota 2106.90.10 Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas 0 Ex 01 Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado 27 51. A fiscalização, por sua vez, entendeu que a classificação dos produtos adquiridos pelo recorrente deveria ser individualizada, uma vez que estes não se caracterizam como uma preparação "composta", ou como um "extrato concentrado ou sabor concentrado", sendo, em verdade, apenas "kits", ou seja, ingredientes ou partes para produzir, já dentro das instalações do recorrente, os "concentrados", sendo enviados pelo fornecedor RECOFARMA acondicionados separadamente, apesar de apresentados em conjunto, sem sofrer qualquer processo de homogeneização. 52. Dessa forma, a classificação fiscal atribuída pela fiscalização foi específica para cada produto acondicionado separadamente, da seguinte forma: TABELA 03 ITEM CÓDIGO NCM ALÍQUOTA KIT SABOR COCACOLA ZERO PARTE 1 2106.90.10 ZERO PARTE 2A 2106.90.10 ZERO PARTE 2B 3302.10.00 5% PARTE 1B 2916.31.21 ZERO PARTE 1C 2918.15.00 ZERO PARTE 3 2106.90.10 ZERO KIT SABOR COCACOLA PARTE 1 2106.90.10 ZERO PARTE 2 2106.90.10 ZERO KIT SABOR SPRITE ZERO PARTE 2 3302.10.00 5% PARTE 1 2918.15.00 ZERO PARTE 1B 2106.90.90 ZERO PARTE 3 2106.90.90 ZERO KIT SABOR SPRITE PARTE 2 3302.10.00 5% PARTE 1 2918.14.00 ZERO PARTE 1A 2116.31.21 ZERO PARTE 1G 2916.19.11 ZERO 53. A identificação de cada um dos produtos acondicionados separadamente e fornecidos ao recorrente pela RECOFARMA, listados na tabela acima, foi realizada nos termos dos Laudos de Análise efetuados pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer: KIT SABOR COCACOLA ZERO Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.232 38 • parte 1 Laudo de Análise n° 1266/20133.0: "Tratase de Preparação, na forma de Solução Aquosa, à base de Extrato de Noz de Cola, Caramelo, Cafeína, Ácido Fosfórico, alfa Terpineno, Limoneno e betaTerpineno"; • parte 2A Laudo de Análise n° 1266/20134.0: "Tratase de Preparação, na forma de Solução Aquosa, à base de Extrato de Noz de Cola, Caramelo, Pineno, Limoneno e Terpineno"; • parte 2B Laudo de Análise n° 1266/20135.0: 'Tratase de Preparação à base de Propileno Glicol, Pineno, Mentadieno e Terpineno, uma Preparação à base de Mistura de Substâncias Odoríferas do tipo utilizada para indústria de bebidas. A mercadoria apresentase na forma líquida"; • parte 1B Laudo de Análise n° 1266/20136.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Tratase de Benzoato de Sódio, Sal Sódico do Ácido Benzóico, Sal de Ácido Monocarboxílico Aromático, Sal de Ácido Monocarboxílico Cíclico. Tratase de composto orgânico de constituição química definida e isolado. A mercadoria apresentase na forma de pó"; • parte 1C Laudo de Análise n° 1266/20137.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Tratase de Citrato de Sódio, Sal Sódico do Ácido Cítrico, Sal de Ácido Carboxílico de Função Álcool mas sem Outra Função Oxigenada, Sal de Ácido Carboxílico que contenha Função Oxigenada Suplementar. Tratase de composto orgânico de constituição química definida e isolado. A mercadoria apresentase na forma de cristais"; • parte 3 Laudo de Análise n° 1266/20138.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Trata se de Preparação á base de Acessulfame de Potássio, Aspartame e Benzoato de Sódio, na forma sólida". KIT SABOR COCACOLA • parte 1 Laudo de Análise n° 1266/20131.0: "Tratase de uma Preparação na forma de Solução Aquosa, à base de Extrato de Noz de Cola, Cafeína, Caramelo, Ácido Fosfórico, Cimeno, Pineno e Limoneno"; • parte 2 Laudo de Análise n° 1266/20132.0: "Tratase de uma Preparação na forma de Solução Aquosa, à base de Extrato de Noz de Cola, Caramelo, Ácido Cítrico, Pineno, Limoneno, Terpineno e Terpinoleho". KIT SABOR SPRITE • parte 2 Laudo de Análise n° 1266/20139.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Tratase de Preparação à base de Álcool Etílico, Mentatrieno, Pineno, Limoneno e Mentadieno, uma Preparação à base de Mistura de Substâncias Odoríferas do tipo utilizada para Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.233 39 indústria de bebidas. A mercadoria apresentase na forma líquida." • parte 1 Laudo de Análise n° 1266/201310.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Tratase de Ácido Cítrico, um Ácido Carboxílico de Função Álcool mas sem Outra Função Oxigenada, Sal de Ácido Carboxílico contendo Funções Oxigenadas Suplementares. Tratase de composto orgânico de constituição química definida e isolado. A mercadoria apresentase na forma de cristais (sólida)"; • parte 1A Laudo de Análise n° 1266/201311.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Tratase de Benzoato de Sódio, Sal Sódico do Ácido Benzóico, Sal de Ácido Monocarboxílico Aromático, Sal de Ácido Monocarboxílico Cíclico. Tratase de composto orgânico de constituição química definida e isolado. A mercadoria apresentase na forma de pó." • parte 1G Laudo de Análise n° 1266/201312.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Tratase de Sorbato de Potássio, Sal do Ácido Sórbico, Sal de Outro Ácido Monocarboxílico Acíclico Não saturado. Tratase de composto orgânico de constituição química definida e isolado. A mercadoria apresentase na forma de grânulos." KIT SABOR SPRITE ZERO • parte 2 Laudo de Análise n° 1266/201313.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Tratase de Preparação à base de Álcool, Sorbato de Potássio, Pineno, Mentadieno e Cimeno, substâncias utilizadas como aromatizantes. A mercadoria apresentase na forma líquida." • parte 1 Laudo de Análise n° 1266/201314.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Tratase de Ácido Cítrico, um Ácido Carboxílico de Função Álcool mas sem Outra Função Oxigenada, um Ácido Carboxílico contendo Funções Oxigenadas Suplementares. Tratase de Ácido Cítrico na forma de cristais (sólida)." • parte 1B Laudo de Análise n° 1266/201315.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Tratase de Preparação à base de Benzoato de Sódio e Sorbato de Sódio. Qualquer Outra Preparação para ser utilizada na Indústria Alimentícia. A mercadoria apresentase na forma sólida." • parte 3 Laudo de Análise n° 1266/201316.0: "Tratase de Preparação à base de Ciclamato de Sódio, Sacarina Sódica e Benzoato de Sódio. A mercadoria apresentase na forma sólida." Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.234 40 54. Do quanto exposto verificase que, para que o contribuinte possa se creditar do IPI nas operações objeto da autuação, fazse necessário determinar quais as alíquotas de IPI que incidiriam nestas operações, caso não fossem isentas. Para tanto, deve realizar a classificação fiscal das mercadorias pela TIPI, e assim obter as alíquotas correspondentes a cada classificação. 55. O recorrente classificou todos os produtos acondicionados separadamente como se fosse um produto único, na posição 2106.90.10, EX. 01, cuja alíquota era de 27% e, posteriormente, de 20%. Fazendo incidir estas alíquotas sobre o valor das suas aquisições isentas de IPI, fornecidas pela RECOFARMA, o recorrente obteve o valor do crédito de IPI registrado em sua escrita fiscal. Vejase o seguinte trecho de seu Recurso Voluntário: 56. A fiscalização, por sua vez, ao realizar a classificação conforme exposto na Tabela 3 acima, verificou que a maioria dos produtos classificavase em posições cuja alíquota de IPI correspondente era zero, e dessa forma glosou os créditos do recorrente. 57. Os arts. 10 a 12 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964, que dispõe sobre o IPI (Imposto de Consumo, à época), determinam como se dará esta classificação: CAPÍTULO III Da Classificação dos Produtos Art. 10. Na Tabela anexa, os produtos estão classificados em alíneas, capítulos, subcapítulos, posições e incisos. § 1º O código numérico e o texto relativo aos capítulos e posições correspondem aos usados pela nomenclatura aprovada pelo Conselho de Cooperação Aduaneira de Bruxelas. Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.235 41 (...) Art. 11. A classificação dos produtos nas alíneas, capítulos, sub capítulos, posições e incisos da Tabela farseá de conformidade com as seguintes regras: (...) Art. 12. As Notas Explicativas da Nomenclatura referida no § 1º do artigo 10, atualizada até junho de 1966, constituem elementos de informação para a correta interpretação das Notas e do texto das Posições constantes da Tabela Anexa. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) 58. Os arts. 15 a 17 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (Regulamento do IPI RIPI/2010), regulamentam a classificação fiscal dos produtos, com base legal na Lei nº 4.502/64: TÍTULO III DA CLASSIFICAÇÃO DOS PRODUTOS Art. 15. Os produtos estão distribuídos na TIPI por Seções, Capítulos, Subcapítulos, Posições, Subposições, Itens e Subitens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). Art. 16. Farseá a classificação de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação RGI, Regras Gerais Complementares RGC e Notas Complementares NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM, integrantes do seu texto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). Art. 17. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH, do Conselho de Cooperação Aduaneira na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, e suas alterações aprovadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das Posições e Subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, Posições e de Subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). 59. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh), versão lusobrasileira, foram aprovadas pelo Decreto nº 435, de 27/01/1992, e alterações posteriores: Art. 1° São aprovadas as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, do Conselho de Cooperação Aduaneira, com sede em Bruxelas, Bélgica, na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, anexas a este Decreto. Parágrafo único. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.236 42 bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome. Art. 2° As alterações introduzidas na Nomenclatura do Sistema Harmonizado e nas suas Notas Explicativas pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (Comitê do Sistema Harmonizado), devidamente traduzidas para a língua portuguesa pelo referido Grupo Binacional, serão aprovadas pelo Ministro da Economia, Fazenda e Planejamento, ou autoridade a quem delegar tal atribuição. Art. 3° Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. 60. O Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH) é um sistema padronizado de codificação e classificação desenvolvido e mantido pela Organização Mundial das Aduanas — OMA, da qual o Brasil faz parte (Decreto 97.409/1988 que promulgou a Convenção Internacional sobre o SH, aprovada pelo Decreto Legislativo 71/1988). 61. A Regra Geral para Interpretação (RGI) nº 1 prevê que classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Tal entendimento é estendido para os textos dos itens, subitens e “Ex”. As regras aplicáveis ao presente caso e as correspondentes notas explicativas são as seguintes: REGRA 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes. NOTA EXPLICATIVA I) A Nomenclatura apresenta, sob uma forma sistemática, as mercadorias que são objeto de comércio internacional. Estas mercadorias estão agrupadas em Seções, Capítulos e Subcapítulos que receberam títulos tão concisos quanto possível, indicando a categoria ou o tipo de produtos que se encontram ali classificados. Em muitos casos, porém, foi materialmente impossível, em virtude da diversidade e da quantidade de mercadorias, englobálas ou enumerálas completamente nos títulos daqueles agrupamentos. (...) III) A segunda parte da Regra prevê que a classificação seja determinada: (...) b) Quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.237 43 (...) REGRA 2 (...) b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. NOTA EXPLICATIVA (...) REGRA 2 b) (Produtos misturados e artigos compostos) X) A Regra 2 b) diz respeito às matérias misturadas ou associadas a outras matérias, e às obras constituídas por duas ou mais matérias. As posições às quais ela se refere são as que mencionam uma matéria determinada, por exemplo, a posição 05.07, marfim, e as que se referem às obras de uma matéria determinada, por exemplo, a posição 45.03, artigos de cortiça. Deve notarse que esta Regra só se aplica quando não contrariar os dizeres das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo (por exemplo, posição 15.03 ... óleo de banha de porco ... sem mistura). Os produtos misturados que constituam preparações mencionadas como tais, numa Nota de Seção ou de Capítulo ou nos dizeres de uma posição, devem classificarse por aplicação da Regra 1. XI) O efeito desta Regra é ampliar o alcance das posições que mencionam uma matéria determinada, de modo a incluir nessas posições a matéria misturada ou associada a outras matérias. Também tem o efeito de ampliar o alcance das posições que mencionam as obras de determinada matéria, de modo a incluir naquelas posições as obras parcialmente constituídas por esta matéria. XII) Contudo, esta Regra não amplia o alcance das posições a que se refere, a ponto de poder nelas incluir mercadorias que não satisfaçam, como exige a Regra 1, os dizeres dessas posições, como ocorre quando se adicionam outras matérias ou substâncias que retiram do artigo a característica de uma mercadoria incluída nessas posições. XIII) Consequentemente, as matérias misturadas ou associadas a outras matérias, e as obras constituídas por duas ou mais matérias, que sejam suscetíveis de se incluírem em duas ou mais Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.238 44 posições, devem classificarse conforme as disposições da Regra 3. REGRA 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: (...) b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, QUANDO FOR POSSÍVEL REALIZAR ESTA DETERMINAÇÃO. (...) NOTA EXPLICATIVA (...) REGRA 3 b) VI) Este segundo método de classificação visa unicamente: 1) Os produtos misturados; 2) As obras compostas por matérias diferentes; 3) As obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; 4) As mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. Esta Regra só se aplica se a Regra 3 a) for inoperante. (...) X) De acordo com a presente Regra, as mercadorias que preencham, simultaneamente, as condições a seguir indicadas devem ser consideradas como “apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”: (...) A expressão “venda a retalho” não inclui as vendas de mercadorias que se destinam a ser revendidas após a sua posterior fabricação, preparação ou reacondicionamento, ou após incorporação ulterior com ou noutras mercadorias. Em consequência, a expressão “mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho” compreende apenas os sortidos que se destinam a ser vendidos ao utilizador final quando as mercadorias individuais se destinam a ser Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.239 45 utilizadas em conjunto. Por exemplo, diferentes produtos alimentícios destinados a serem utilizados conjuntamente na preparação de um prato ou uma refeição, prontoacomer, embalados em conjunto e destinados ao consumo pelo comprador, constituem um “sortido acondicionado para venda a retalho”. (...) Contudo, não se devem considerar como sortidos certos produtos alimentícios apresentados em conjunto que compreendam, por exemplo: – camarões (posição 16.05), pasta (patê) de fígado (posição 16.02), queijo (posição 04.06), bacon em fatias (posição 16.02) e salsichas de coquetel (posição 16.01), cada um desses produtos apresentados numa lata metálica; – uma garrafa de bebida espirituosa da posição 22.08 e uma garrafa de vinho da posição 22.04. No caso destes dois exemplos e de produtos semelhantes, cada artigo deve ser classificado separadamente, na posição que lhe for mais apropriada. Isto aplicase também, por exemplo, ao café solúvel num frasco de vidro (posição 21.01), uma xícara (chávena) de cerâmica (posição 69.12) e um pires de cerâmica (posição 69.12), acondicionados em conjunto para venda a retalho numa caixa de cartão. (...) XI) A presente Regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. 62. O recorrente afirma se basear na RGI 1 para classificar os kits na posição 2106.90.10 Ex.01, da NCM. Sua justificativa para classificar todos os produtos que lhe são fornecidos pela RECOFARMA em uma só posição é a seguinte, conforme seu Recurso Voluntário: 6.3.14. Ademais, a razão de ser afastada a aplicação da regra de exceção 3 b), que determina que os produtos misturados ou sortidos devem ser classificados levando em consideração a posição da matéria ou artigo que lhe confira a característica essencial, é justamente porque existe posição específica na legislação brasileira para os concentrados para bebidas da posição 22.02 e, pois, por essa razão deve ser aplicada a Regra Geral de Interpretação 1. 6.3.15. De fato, as Notas Explicativas III, a) e IV da Regra Geral de Interpretação 1 e a Nota Explicativa X da Regra Geral 2 b) esclarecem que a aplicação da Regra Geral de Interpretação 1 se dá automaticamente quando há uma posição especifica para Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.240 46 classificar a mercadoria, sem que seja necessário recorrer às subsequentes Regras Gerais Interpretativas (2 a 6), que são subsidiárias, conforme se verifica: 63. A RGI 1 apenas especifica que a classificação deve ser determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, e não pelos títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos, os quais têm apenas valor indicativo. Esta é a primeira parte da regra. A segunda parte prevê que a classificação seja determinada de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. 64. A RGI 2, por sua vez, determina que a classificação dos produtos misturados ou artigos compostos, como é o caso em questão (de forma incontroversa, já que o próprio recorrente afirma que se trata de "preparações", ou seja, de misturas, conforme se verá adiante), efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 65. A "RGI 2 b)" diz respeito, especificamente, às matérias misturadas ou associadas a outras matérias, e a sua Nota Explicativa X afirma que os produtos misturados que constituam preparações mencionadas como tais, numa Nota de Seção ou de Capítulo ou nos dizeres de uma posição, devem classificarse por aplicação da Regra 1, como afirma o recorrente. Tal afirmativa, no entanto, é irrelevante para o presente caso, pois não se nega, em momento algum, que a classificação deve ser determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, como requer a RGI 1. 66. A questão decisiva para este caso é saber se todas as mercadorias enviadas pela RECOFARMA para o recorrente devem ser classificadas como mercadoria única, ou se cada volume acondicionado separadamente deverá ter sua própria classificação, a qual será feita, obviamente, em qualquer dos casos, de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, como requer a RGI 1. 67. O objetivo da "RGI 2 b)" é ampliar o alcance das posições que mencionam uma matéria determinada, de modo a incluir nessas posições a matéria misturada ou associada a outras matérias, como afirma a própria Nota XI. Contudo, a Nota XII deixa claro que esta Regra não amplia o alcance das posições a ponto de poder nelas incluir mercadorias nas quais se adicionam outras matérias que retiram do artigo a característica de uma mercadoria incluída nessas posições. 68. Consequentemente, as matérias misturadas ou associadas a outras matérias, que sejam suscetíveis de se incluírem em duas ou mais posições, devem classificarse conforme as disposições da Regra 3. A Nota Explicativa XIII é literal nesse sentido. Mesmo que a tese da recorrente sobre considerar todos as partes acondicionadas separadamente como mercadoria única fosse correta, ainda assim seria necessário valerse da RGI 3, pois as "preparações" são misturas suscetíveis de se incluírem em duas ou mais posições. 69. Neste ponto, fazse necessário comentar a alegação do recorrente de que a RGI 3 seria dispensável, pois existe uma posição específica para a mercadoria, a 2106.90.10 Ex. 01, sendo aplicável, automaticamente, a RGI 1. 70. De acordo com o texto da posição, e seguindo o que determina a RGI 1, para que uma mercadoria se classifique no Ex 01 do código 2106.90.10, deve apresentar as seguintes características: a) que seja uma preparação "composta"; b) que não seja alcoólica; c) que se caracterize como extrato concentrado ou sabor concentrado; d) que seja própria para Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.241 47 elaboração de bebida da posição 22.02; e) que tenha capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. 71. A fiscalização entendeu que as mercadorias adquiridas pelo recorrente junto à RECOFARMA não atenderiam às características "a", "c" e "e". Logo, não poderiam ser classificadas na posição 2106.90.10 Ex. 01, nem mesmo sendo classificadas individualmente. 72. Em relação a se tratar de uma preparação composta, entendo que assiste razão ao recorrente. A Autoridade Fiscal afirma que "preparação" é a mercadoria que esteja preparada, pronta para uso pelo adquirente. No entanto, não informa qual a fonte de que se utiliza para fazer tal afirmação, que contraria o próprio Laudo por ele utilizado para classificar as mercadorias, o qual se refere às Partes 1, 2A, 2B e 3 como sendo "preparação". 73. Além disso, o art. 29 do Decreto nº 6.871, de 04/06/2009, que regulamenta a Lei nº 8.918/94, a qual dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas, traz outro conceito para o que seja um "preparado": Art. 29. Preparado líquido ou concentrado líquido para refrigerante é o produto que contiver suco ou extrato vegetal de sua origem, adicionado de água potável para o seu consumo, com ou sem açúcares. 74. Mesmo que se entenda que não existe um conceito técnico preciso do que seja uma "preparação" nas NESH, o que autorizaria a que se fizesse uso do seu sentido comum, ainda assim verificaria se tratar de "coisa preparada, composta, manipulada, obtida por meio de composição, de forma a poder ser utilizado" ou "qualquer coisa feita, equipada ou composta para determinado fim, que tenha sofrido operação ou processo de aprontar qualquer coisa para uso ou serviço". Como "preparação química", seria uma mistura de substâncias adequadas para uma determinada experiência ou operação química. 75. Nesse sentido, teríamos uma mistura, algo que não fosse uma matéria individual. E "pronto para uso" não significa que não possa sofrer alterações posteriores, ou que tenha que se destinar a um consumidor final. Um produto intermediário, por exemplo, pode perfeitamente ser uma "preparação composta". 76. Entretanto, quando se busca analisar se tal produto seria um extrato concentrado ou sabor concentrado, tal como exige o texto da posição, constatase que assiste razão à fiscalização. De fato, como bem destacado pela Autoridade Fiscal, o art. 13, § 4º, do já citado Decreto nº 6.871/2009, especifica o que seja um produto (extrato ou sabor) concentrado: CAPÍTULO VII DA PADRONIZAÇÃO DAS BEBIDAS Seção I Das Disposições Preliminares Art. 13. A bebida deverá conter, obrigatoriamente, a matéria prima vegetal, animal ou mineral, responsável por sua característica sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco. Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.242 48 (...) § 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal. 77. As mercadorias adquiridas pelo recorrente junto à RECOFARMA, quando diluídas, não apresentam as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal. O AuditorFiscal identificou esse fato a partir da verificação do seu processo produtivo pois, conforme o fluxograma do processo produtivo, constante do TVF, além de todas as partes que compõem os "kits" só serem misturados dentro das instalações do recorrente, também a adição de açúcar (ou de edulcorantes artificiais, no caso das bebidas "zero calorias") só ocorre nesse momento. 78. Dessa forma, não há como se tratar as partes fornecidas pela RECOFARMA, mesmo em conjunto, como um "extrato ou sabor concentrado", segundo o conceito especificado no art. 13, § 4º, do Decreto nº 6.871/2009. 79. Há, ainda, uma segunda razão para a mercadoria não ser classificada na posição 2106.90.10 Ex. 01 por aplicação automática da RGI 1, derivada do motivo acima identificado. Como os "kits" ainda não estão prontos para consumo após a simples diluição, por conta da necessidade de introdução do açúcar na preparação, sua capacidade de diluição não é superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. 80. Como determina o art. 13, § 4º, do Decreto nº 6.871/2009, o "kit", após ser diluído em, no mínimo, 10 partes da bebida para cada parte do concentrado, deveria resultar em um produto "com as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal", o que não ocorre, efetivamente. Assim, esta segunda característica, exigida pelo texto da posição 2106.90.10 Ex. 01, também não restaria atendida. 81. Claro está, portanto, que mesmo que se pudesse considerar todas as partes enviadas pela RECOFARMA como uma mercadoria única, ainda assim não seria possível utilizar a RGI 1 para sua classificação direta na posição 2106.90.10 Ex. 01, pois a sua diluição não resultaria em um produto "com as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal", tendo em vista a necessidade de adição de açúcar ou de edulcorantes artificais, muito menos em um produto "com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado". 82. Esclarecida a tese suscitada pelo recorrente, volto à aplicação das RGI's. Verificado que as "preparações" são misturas suscetíveis de se incluírem em duas ou mais posições, para realizar sua classificação fiscal é necessário valerse da RGI 3, segundo a qual os produtos misturados classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. Tratase de um método de classificação específico para produtos misturados, conforme preconiza a Nota Explicativa VI, da RGI 3 b). 83. Para verificar se é possível determinar se alguma matéria confere ao produto a sua característica essencial, analisaremos as Notas Explicativas X e XI da RGI 3 b), as quais, a meu ver, põe uma pá de cal sobre toda a celeuma: Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.243 49 X) De acordo com a presente Regra, as mercadorias que preencham, simultaneamente, as condições a seguir indicadas devem ser consideradas como “apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”: (...) Contudo, não se devem considerar como sortidos certos produtos alimentícios apresentados em conjunto que compreendam, por exemplo: – camarões (posição 16.05), pasta (patê) de fígado (posição 16.02), queijo (posição 04.06), bacon em fatias (posição 16.02) e salsichas de coquetel (posição 16.01), cada um desses produtos apresentados numa lata metálica; – uma garrafa de bebida espirituosa da posição 22.08 e uma garrafa de vinho da posição 22.04. No caso destes dois exemplos e de produtos semelhantes, cada artigo deve ser classificado separadamente, na posição que lhe for mais apropriada. Isto aplicase também, por exemplo, ao café solúvel num frasco de vidro (posição 21.01), uma xícara (chávena) de cerâmica (posição 69.12) e um pires de cerâmica (posição 69.12), acondicionados em conjunto para venda a retalho numa caixa de cartão. (...) XI) A presente Regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. 84. Observese que, na Nota Explicativa X, são dados três exemplos de produtos vendidos em conjunto, porém acondicionados separadamente: 1) camarões, pasta de fígado, queijo, bacon em fatias e salsichas de coquetel, cada um desses produtos apresentados numa lata metálica; 2) bebida espirituosa da posição 22.08 e vinho da posição 22.04, cada qual em sua respectiva garrafa; e 3) café solúvel, acondicionado em um frasco de vidro, com uma xícara de cerâmica e um pires de cerâmica, porém acondicionados em conjunto para venda a retalho numa caixa de cartão. 85. A Nota afirma, de forma cristalina, que "No caso destes dois exemplos e de produtos semelhantes, cada artigo deve ser classificado separadamente, na posição que lhe for mais apropriada". Dessa forma, não pode ser classificado pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, ou seja, tratado como uma mercadoria única e recebendo uma única classificação fiscal para todo o conjunto. 86. Além disso, a Nota Explicativa XI da RGI 3 b) também não permite que mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.244 50 fabricação industrial de bebidas, possa ser classificado pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, ou seja, tratado como uma mercadoria única. 87. Em relação à Nota Explicativa XI da RGI 3 b) ainda há uma particularidade, bem destacada pelo AuditorFiscal, referente à análise levada a efeito pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (CCA) por ocasião da edição da precitada nota explicativa. Tal análise do CCA, juntamente com sua tradução juramentada, compõe o ANEXO V do TVF. 88. Segundo este documento, a Nota Explicativa XI da RGI 3 b) foi incluído na NESH após análise efetuada pelo Conselho de Cooperação Aduaneira nos anos de 1985 e 1986, em resposta a consultas recebidas de países membros da organização internacional sobre a classificação de produtos com as mesmas características dos "kits para fabricação de bebidas" objeto do presente processo. 89. Da leitura do material, vemos que o referido dispositivo teve por origem consultas sobre a classificação fiscal de bens com características idênticas às dos insumos adquiridos pela recorrente, inclusive bases para elaboração de FANTA (marca produzida pelas empresas do grupo CocaCola) e de um refrigerante sabor Cola. Depois de uma demorada análise, o CCA decidiu que os componentes individuais de bases para fabricação de bebidas deveriam ser classificados separadamente. 90. O texto da análise do CCA, equivale a uma detalhada exposição de motivos para o item XI da Nota Explicativa da RGI 3 b), deixando claro que a criação dessa Nota teve por objetivo determinar que os componentes dos kits para fabricação de bebidas devem ser classificados separadamente nos códigos apropriados para cada um deles. 91. Tendo em vista a existência na NESH de determinação expressa não permitindo classificar em uma única posição da TIPI os componentes individuais dos "kits" contendo ingredientes para elaboração de bebidas, a classificação destas mercadorias deve ser efetuada pela aplicação da RGI 1 sobre cada componente do kit, ou seja, cada componente segue sua classificação própria. Logo, correto, neste aspecto, o entendimento da Autoridade Fiscal. 92. Do quanto exposto neste voto, verificase que nenhum componente dos "kits", isoladamente considerado, pode ser identificado como um extrato ou sabor concentrado. Não se pode atribuir capacidade de diluição a nenhum componente dos kits para fabricação de bebidas. Se o conteúdo de qualquer embalagem individual fosse diluído, não apresentaria as mesmas características sensoriais e físicoquímicas da bebida que se pretende comercializar. Logo, também nesta classificação individual nenhum dos componentes dos "kits" poderia se enquadrar no Ex. 01 da posição 2106.90.10. 93. Resta, agora, verificar se a classificação atribuída pela Autoridade Fiscal a cada uma das partes que compõem os "kits" está correta. Inicialmente, devese observar que o conteúdo de cada componente dos "kits" foi identificado através de laudo técnico elaborado pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer, conforme procedimento detalhado no relatório deste acórdão. Os resultados foram apresentados no Anexo III do TVF, onde também consta, passo a passo, o procedimento realizado pelo Auditor Fiscal para classificar as mercadorias individualmente. 94. Para as partes 1, 2, 2A e 3, a Autoridade Fiscal fez a classificação na posição 2106.90.10. Com base no laudo técnico, onde se descreve a composição de cada uma Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.245 51 das partes, verificase que estas são preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas em outras posições, sendo dos tipos utilizados para elaboração de bebidas, assim como também pretende o recorrente. A diferença, entretanto, é que sua classificação não para neste ponto, pois entende que a posição mais específica seria no Ex. 01. 95. Ocorre que no próprio Anexo III a Autoridade Fiscal faz ampla demonstração de que a diluição destas partes não resultaria no produto final, logo não seriam "concentrados", como exige o texto do Ex. 01, e já bastante discutido neste voto. 96. Entendo, assim, correta a classificação fiscal atribuída pela fiscalização. 97. As demais classificações também foram amplamente detalhadas nos Anexos III e IV do TVF. Analisando tais procedimentos realizados pelo AuditorFiscal, verifiquei que se encontram em concordância com os ditames das RGI's e da NESH, e, assim sendo, concordo com a classificação apresentada e entendo desnecessária sua reprodução neste voto, podendo ser consultadas diretamente nos referidos documentos. 98. Importante ressaltar que o contribuinte, tanto em sua Impugnação quanto em seu Recurso Voluntário, em nenhum momento analisou a classificação realizada pela Autoridade Fiscal e não apresentou qualquer argumento contrário, com exceção de sua tese pela manutenção da classificação por ele mesmo proposta, no Ex. 01 da posição 2106.90.10, a qual já foi rejeitada neste acórdão. 99. Voto por negar provimento ao pedido do Recorrente. VI DA EXIGÊNCIA DE MULTA, JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA 100. Alega o recorrente a impossibilidade de exigência de multa, juros e correção monetária, tendo em vista o disposto no art. 100, parágrafo único, do CTN, que estabelece que a observância de atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas tem o condão de excluir a cobrança de multa, juros de mora e correção monetária. 101. Sustenta que a Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007, aprovou o projeto industrial para fruição do beneficio do art. 9° do DL n° 288/67 e do art. 6º do DL n° 1.435/75 ao concentrado fabricado pela RECOFARMA, bem como teria feito sua classificou na posição 21.06.90.10 EX. 01. Portanto, estaria apenas observando este ato administrativo. 102. Entretanto, o comando normativo do referido art. 100, parágrafo único, do CTN, fala em observância das normas identificadas nos seus incisos, e não de todo e qualquer ato normativo expedido por um órgão público, como a SUFRAMA, neste caso. Observese: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.246 52 II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. 103. Portanto, as normas cuja observância poderia, em tese, excluir a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário, são aquelas listadas nos incisos I a IV deste mesmo artigo, dentre as quais não se incluem os atos administrativos expedidos pela SUFRAMA. 104. Voto por negar provimento ao pedido do Recorrente. VII DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA 105. 95. O Impugnante afirma, ainda, que também não seria cabível a imposição de multa em razão do disposto no art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64: Art. 76. Não serão aplicadas penalidades: (. . .) II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o imposto: a) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado. 106. A interpretação fiscal que justificaria a incidência do dispositivo seria, no seu entender, aquela constante da decisão proferida no julgamento do recurso especial interposto no processo administrativo n° 15956.720043/201316 (Acórdão n° 9303003.517), bem como aquela constante dos Acórdãos: 0202.895, de 28.01.2008, relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim; 0202.752, de 02.07.2007, relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto e 020.683, de 18.11.1997, relator Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima. 107. Ocorre, no entanto, que, posteriormente à edição da Lei nº 4.502/64 foi editado o CTN (1966), que acerca do assunto assim dispôs no seu art. 100, II e parágrafo único: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.247 53 II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; (...) Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. 108. Notase, daí, que a Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), tendo sido recepcionada pela Constituição Federal como a Lei Complementar a que se refere seu art. 146, à qual cabe estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, estabeleceu regra jurídica com a qual o art. 76, II, a, da Lei nº 4.502/64 não é compatível. A partir da vigência do CTN, somente haverá exclusão de penalidades, juros de mora ou atualização monetária para o contribuinte que observar decisão administrativa definitiva se houver uma lei que atribua eficácia normativa às referidas decisões administrativas. E essa lei, até o presente momento, não existe. 109. Nesse sentido, o Parecer Normativo CST nº 390, de 1971, a seguir transcrito, em parte: Decisões de Conselho de Contribuintes não constituem normas complementares da legislação tributária porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. (...) Resumese a dúvida, pois, na delimitação do âmbito de eficácia das decisões proferidas por Conselho de Contribuintes. Necessário esclarecer, na espécie, que, embora o Código Tributário Nacional, em seu art. 100, inciso II, inclua as decisões de órgãos colegiados na relação das normas complementares à legislação tributária, tal inclusão é subordinada à existência de lei que atribua a essas decisões eficácia normativa. Inexistindo, entretanto, até o presente, lei que confira a efetividade de regra geral às decisões dos Conselhos de Contribuintes, a eficácia de seus acórdãos limita se especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. Entendase aí que, não se constituindo em norma geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado. 110. Da mesma forma, a seguinte decisão do CARF: A) Acórdão nº 1101001.161 Primeira Seção de Julgamento 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 26/08/2014 Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.248 54 12 – O interessado solicita a aplicação do art. 76, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 4.502/1964, que trata do “imposto de consumo” e, atualmente, a matriz legal do art. 567, inciso II, alínea “a”, do RIPI/2010 (Decreto nº 7.212/2010). Tal dispositivo possui a seguinte redação: (...) 13 – Inicialmente cabe destacar que o dispositivo legal trata da norma de um tributo específico e não da legislação tributária em geral. Segundo que sua aplicação precisa atender plenamente o art. 100, inciso II, do CTN, que dispõe: (...) III. DECISÕES DE ÓRGÃOS JURISDICIONAIS (...) O art. 100 do CTN é rigoroso: exige que a lei dê efetividade de caráter normativo às decisões desses órgãos, sejam singulares, sejam colegiados. Alguns desses órgãos têm importância capital, porque desempenham a função normativa cometida ao poder Executivo, como é o caso da Comissão de Política Aduaneira e do Conselho Monetário. 15 – A questão também foi abordada no Parecer Normativo CST nº 390/71, publicado no DOU de 4/8/1971: (...) 16 – Diante do exposto, concluise que as decisões do então Conselho de Contribuintes e do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF não têm eficácia normativa, por faltar lei que atribua o caráter. 111. Voto por negar provimento ao pedido do Recorrente. VIII DOS CRÉDITOS GLOSADOS NO VALOR DE R$ 5.975.044,37 112. Alega o recorrente que os créditos de IPI no valor de R$5.975.044,37 foram devidamente lançados na escrita fiscal nos l°s trimestres de 2007 e 2008, por ocasião da entrada das mercadorias no seu estabelecimento, e que o erro incorrido pela DRJ em sua decisão decorre do fato de ter estornado, por equivoco, o valor total dos saldos. 113. Afirma que o valor de R$ 5.975.044,37 não foi incluído nos pedidos de ressarcimento transmitidos em 30/04/2007 e 16/04/2008, referentes aos períodos dos l°s trimestres de 2007 e 2008, sendo este fato incontroverso no presente processo (DOCs. 14 e 15) e, por conseguinte, no caso, o estorno, com a sua reversão, não produziu qualquer efeito fiscal. 114. No entanto, ao contrário do que afirma o recorrente, houve sim a produção de efeito fiscal, qual seja, a dilação do prazo quinquenal para realizar o pedido de compensação dos créditos. Ora, como o próprio recorrente afirma, os pedidos de ressarcimento Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.249 55 referentes aos períodos em que os créditos foram escriturados não incluíram todo o saldo credor dos respectivos períodos, tendo sido efetuado a menor. Esse valor que não foi solicitado é que deu origem ao crédito extemporâneo de R$ 5.975.044,37. 115. Observese que o crédito objeto do presente litígio possui natureza jurídica de dívidas passivas da União, ou seja, direitos do sujeito passivo perante a Fazenda Pública Federal, os quais, em homenagem à segurança jurídica e à estabilidade das relações tributárias, estão sujeitos a prazo para o seu exercício. Resta, portanto, verificar qual o dispositivo legal que rege o tema. 116. Não há dispositivo tratando desta questão no Código Tributário Nacional. Nos arts. 168 e 169 desse diploma legal há apenas regra de prescrição para pedidos de restituição (repetição de indébito tributário), que não se confundem com a regra dos pedidos de ressarcimento ou de compensação, lembrando que a compensação pode se dar com o próprio IPI ou com outros tributos federais. 117. Assim, não havendo norma específica regendo a matéria, devese aplicar a norma geral de prescrição dos direitos contra a Fazenda Pública Federal, regulamentada pelo Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932, recepcionado pela Constituição Federal com força de lei: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. 118. Nos termos do art. 226, inciso I, c/c o art. 256, inciso I, ambos do Ripi/2010, o direito ao crédito nasce com a efetiva entrada das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem no estabelecimento industrial ou equiparado. Reproduzse abaixo os citados dispositivos: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...) Art. 251. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: I nos casos dos créditos básicos, incentivados ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.250 56 119. Mesmo que não seja possível de imediato o pedido de ressarcimento ou compensação com outros tributos, o direito ao crédito nasce com a efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, quando se inicia seu prazo prescricional, até porque o crédito do IPI pode, desde sua escrituração, ser utilizado para compensação (dedução) com os débitos do próprio imposto. 120. Sendo assim, podese concluir que seja qual for a forma de utilização do crédito básico do IPI, o prazo prescricional para o exercício deste direito é de cinco anos, contados da data de entrada da matériaprima, produto intermediário e material de embalagem no estabelecimento industrial ou equiparado. 121. O que poderia ter sido feito, à época, era a retificação do pedido, para incluir o saldo por completo. O procedimento adotado pelo recorrente, entretanto, foi estornar esse valor e lançálo novamente em sua contabilidade em período posterior, agosto de 2014. Ocorre que o mesmo o crédito mais recente, que seria aquele obtido em 31/03/2008 (último dia do 1º trimestre de 2008), prescreveu em 01/04/2013. 122. Se fosse possível realizar o estorno de um crédito para reescriturálo posteriormente, a qualquer tempo, como pretende o contribuinte, os créditos passariam a ser imprescritíveis. Seja qual for o procedimento que o contribuinte deseje utilizar para aproveitar seus créditos contra a União, ou por dedução na própria escrita fiscal com o imposto devido, através de pedidos de ressarcimento ou de compensação, deverá fazêlo dentro do prazo prescricional de 5 anos. 123. Voto por negar provimento ao pedido do Recorrente. IX DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO 124. Sustenta o Impugnante que, ao disciplinar a incidência de juros de mora sobre débitos de qualquer natureza perante a Fazenda Nacional, o parágrafo único do art. 16 do DL n° 2.323, de 1987, dispõe expressamente que juros de mora não incidem sobre o valor da multa. 125. Afirma, ainda, que os artigos atualmente em vigor (art. 59 da Lei n° 8.383/91, e art. 61 da Lei n° 9.430/96), que disciplinam a cobrança de acréscimos legais sobre débitos para com a União Federal, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela RFB, não recolhidos no vencimento, não prevêem a possibilidade de cobrança dos juros na forma pretendida. 126. No entanto, os argumentos do Impugnante são improcedentes. Com efeito, os arts. 113, 139 e 161 do CTN deixam claro que os juros moratórios incidem não apenas sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício, já que ambos compõem o crédito tributário constituído: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.251 57 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (...) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. 127. Da mesma forma, o art. 43 da Lei nº 9.430/96, ao tratar da formalização da exigência de crédito tributário composto exclusivamente por multa ou juros de mora afirma, expressamente, tal possibilidade de incidência: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 128. Nesse sentido segue a jurisprudência da Primeira Turma do STJ (AgRg no REsp 1.335.688/PR, julgado em 04/12/2012), que reiterou o entendimento no sentido de ser "legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário", seguindo a linha já adotada pela Segunda Turma do mesmo Tribunal (REsp nº 1.129.990/PR, julgado em 01/09/2009). 129. No âmbito administrativo, a questão já se encontra pacificada, nos termos da Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. 130. Voto por negar provimento ao pedido do Recorrente. X CONCLUSÃO Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.252 58 Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar provimento. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 1252DF CARF MF
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