Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10580.732653/2010-10
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3302-000.260
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
numero_processo_s : 10580.732653/2010-10
conteudo_id_s : 5335088
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3302-000.260
nome_arquivo_s : Decisao_10580732653201010.pdf
nome_relator_s : JOSE ANTONIO FRANCISCO
nome_arquivo_pdf_s : 10580732653201010_5335088.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
id : 5374541
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046590850072576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1262; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.842 1 1.841 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.732653/201010 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 3302000.260 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 27 de novembro de 2012 Assunto Sobrestamento do recurso Recorrentes RODOVIÁRIO RAMOS LTDA. FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco – Relator Editado em 30/11/2012 Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.843 2 RELATÓRIO Tratase de recurso de ofício e recurso voluntário (fls. 1682 a 1751, 1759 a 1762 e 1763 a 1832) este último apresentado em 15 de fevereiro de 2012 contra o Acórdão no 15 29.446, de 17 de janeiro de 2012, da 4ª Turma da DRJ/SDR (fls. 1659 a 1681), cientificado em 02 de fevereiro de 2012, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS nãocumulativos dos períodos de janeiro a dezembro de 2008, considerou a impugnação procedente em parte, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2008 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser negada a solicitação de diligência considerada desnecessária à solução do litígio. NULIDADE. As argüições de nulidade do auto de infração só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. INCONSTITUCIONALIDADE. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucionalidade de norma legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2008 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMOS UTILIZADOS NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. Não geram crédito para efeito do regime nãocumulativo da Cofins os gastos relativos a rastreamento de veículos e cargas e a seguros de qualquer espécie, uma vez que estes itens não configuram serviços aplicados ou consumidos na prestação de serviço de transporte rodoviário de carga. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. A base de cálculo da Cofins é o faturamento, admitidas apenas as exclusões previstas em lei. Inexistindo autorização expressa da lei para exclusão do valor do ICMS, deve esse imposto compor a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2008 MULTA QUALIFICADA. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA AUTORIDADE LANÇADORA. Incabível o lançamento de multa qualificada sem a demonstração das condutas típicas previstas nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O auto de infração foi lavrado em 07 de dezembro de 2010, de acordo com o termo de fls. 44 a 47. Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.844 3 A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins relativa aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2008. No “Termo de Verificação Fiscal”, a autuante informa que a empresa fiscalizada exerce a atividade operacional de administração logística de estoque de terceiros, armazenagem, distribuição e transporte multimodal de cargas em geral, de produtos farmacêuticos e farmoquímicos, municipal, intermunicipal, interestadual e internacional, franquia empresarial e consultoria e gestão empresarial nas áreas comercial e de esportes em geral. A partir dos documentos apresentados pela empresa em atendimento às diversas intimações feitas pela fiscalização, constatouse que os lançamentos contábeis efetuados em contas de resultado possuem o mesmo histórico, qual seja, “Lançto. Nessa Data”, e ante a impossibilidade de identificação dos beneficiários dos desembolsos feitos, foram solicitados relatórios auxiliares identificando os lançamentos do razão, os beneficiários dos pagamentos, segregação dos pagamentos feitos a pessoa física, bem como os pagamentos efetuados que guardam relação direta com a atividade operacional da fiscalizada, acompanhados dos respectivos comprovantes (documentos de pagamentos). A análise dos documentos apresentados pela contribuinte ensejou as seguintes constatações pela fiscalização: a) DIPJ 2009 A fiscalizada adotou como forma de tributação o Lucro Real, estando, assim, sujeita à apuração e recolhimento da Cofins e do PIS com base na não cumulatividade; b) DACON 2008 A RFB recepcionou em 21/07/2010 demonstrativos retificadores correspondentes ao período fiscalizado, quando a contribuinte já se encontrava sob ação fiscal; c) DCTF 2008 Também quando a contribuinte já se encontrava sob ação fiscal, foram recepcionadas declarações retificadoras relativas ao período de janeiro a maio de 2008 e declarações originais relativas ao período de junho a dezembro de 2008: em 02/07/2010, relativas a janeiro e fevereiro de 2008; em 05/07/2010, relativas ao período de março a agosto de 2008; e em 06/07/2010, relativas ao período de setembro a dezembro de 2008. d) Demonstrativos de apuração dos créditos de PIS e Cofins de 2008 Os demonstrativos apresentados revelam que a fiscalizada utilizou a integralidade dos seus gastos, mês a mês, como base de cálculo dos créditos do PIS e da COFINS no período, ignorando os dispositivos legais que estabelecem normas e critérios para o cálculo dos referidos créditos. Desta forma, segundo a autuante, a fiscalizada, em total desatenção aos dispositivos legais de regência do PIS e da Cofins não cumulativos, (i) creditouse de gastos com remuneração aos seus funcionários, remuneração a contador, advogado, pagamentos diversos a pessoas físicas, dentre outros gastos não sujeitos ao crédito do PIS e da Cofins; (ii) ignorou o que preceitua o artigo 31 da Lei nº 10.865, de 30 de abril Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.845 4 de 2004, que estabelece que o crédito do PIS e da Cofins só pode ser calculado sobre a depreciação/amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos a partir de 30 de abril de 2004; (iii) também não procedeu ao cálculo do crédito presumido do PIS e da Cofins em relação aos pagamentos efetuados aos carreteiros pessoa física, tendo se apropriado integralmente dos gastos. Diante dos inúmeros créditos indevidos de PIS e Cofins utilizados pela fiscalizada no ano calendário de 2008, a autuante elaborou planilha demonstrativa de glosa de créditos, mês a mês, partindo dos valores informados pela fiscalizada nos DACON entregues e abatendo aqueles indevidamente considerados. Com base nos novos números apurados de créditos do PIS e da Cofins, verificouse insuficiência de recolhimento e declaração das contribuições, ensejando, assim, a lavratura do Auto de Infração ora em litígio. Sobre os valores lançados no Auto de Infração, a autuante aplicou a multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), em face do que preceitua o artigo 44, I e §1° da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, por entender ser incontestável que a contribuinte, a despeito de toda a assessoria jurídicocontábil que dispõe, ignorou os dispositivos legais de regência da matéria com a intenção de se eximir da tributação a ela imposta pela legislação fiscal, deixando de declarar e recolher a Cofins e a contribuição para o PIS devidas no período fiscalizado. Por fim, informa a autuante que foi efetuada Representação Fiscal para Fins Penais, considerando o que determina o art. 1º da Lei nº 8.137, de 1990, que trata de crimes contra a ordem tributária. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresenta impugnação, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: 1. Não se consegue entender exatamente a razão da autuação, pois o Auto de Infração em tela, além de totalmente lacônico em termos de motivação e fundamentação, foi lavrado sem o necessário Relatório Fiscal, mínimo ou exíguo que fosse, configurando o inexorável cerceamento do direito de defesa; 2. Chocada com a ausência do Relatório Fiscal, a impugnante ainda procurou, nos outros itens do Auto de Infração, qualquer descrição, explicação ou indicação, ainda que mínima, acerca dos motivos da autuação em tela, ou ainda de seus eventuais fundamentos técnicojurídicos, mas sem sucesso, não sabendo, até o presente momento, os motivos que levaram a auditora fiscal a lavrar o Auto de Infração, sendo nítida, portanto, a sua nulidade, por faltarlhe elemento essencial; 3. De qualquer forma, fazendo um grande cerebrino, ou melhor, um esforço criativo, a impugnante pode apenas imaginar, mas não saber ao certo, que a falta/insuficiência de recolhimento da Cofins aludida no Auto de Infração decorreria da suposta glosa de créditos que haviam sido legitimamente tomados pela empresa; 4. Mesmo que venha a se revelar correta a adivinhação feita pela impugnante, e que realmente se trate da glosa de créditos que a fiscalização entendeu serem indevidos, ainda assim essa assertiva não é, nem de longe, suficiente para constituir a motivação de um ato administrativo, especialmente de um Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.846 5 Auto de Infração, pois, ainda que no Auto de Infração constasse (e não consta!) a afirmação de que se trataria da glosa de créditos indevidos, essa mera alegação não tem o condão de explicar os motivos fáticos e as razões técnicojurídicas que levaram a essa suposta glosa de créditos; 5. As planilhas elaboradas pela autuante apresentam somente cálculos matemáticos, e nelas constam apenas os nomes das contas contábeis, com a indicação numérica dos valores utilizados pela empresa como crédito e se tais valores foram glosados ou "acatados" pela fiscalização; 6. Tomandose como exemplo a conta 4.3.1.06.099 (comunicação externa), há na planilha simplesmente a indicação da conta, a informação de que a impugnante utilizouse de R$64.920,45 como crédito, integralmente glosado pela fiscalização, mas o porquê da glosa não se sabe, por qual razão e por qual motivo todos os créditos utilizados teriam sido considerados indevidos, não havendo qualquer explicação ou motivação e nem mesmo indicação de dispositivo de lei; 7. Há situações em que o cerceamento de defesa é ainda mais grave, como, por exemplo, quanto à conta 4.1.2.04.001, em que apenas parte dos créditos foi glosada, mas considerandose que nessa mesma conta há inúmeros lançamentos contábeis, não pode a impugnante saber quais desses lançamentos foram glosados e quais foram acatados; 8. Há, inclusive, mais de uma conta em que a fiscalização, ao que parece, aceitou, para alguns meses, a integralidade dos créditos tomados pela impugnante e, em outros, glosou totalmente créditos de mesmíssima origem; 9. Também é importante destacar que, intimada em 07/12/2010 acerca da lavratura do Auto de Infração, a impugnante, na desesperada tentativa de encontrar os subsídios que teriam, em tese, embasado a autuação, diligenciou perante a Receita Federal do Brasil RFB em Salvador/BA visando ter acesso aos autos do respectivo Processo Administrativo Fiscal –PAF; 10. Em um primeiro momento, poucos dias após o recebimento do Auto de Infração, o escritório de advocacia que defende a impugnante, situado em São Paulo/SP, enviou estagiário de Direito, devidamente identificado e portador de substabelecimento com poderes específicos para acesso aos autos e obtenção de cópias, e embora o funcionário da RFB tivesse em mãos um CD com a cópia completa do PAF, o seu fornecimento ao mencionado estagiário foi vedado, sob a alegação de que seria necessária a apresentação de procuração firmada por instrumento público, nos termos do art. 5º, caput, da Medida Provisória nº 507, de 2010, e do art. 7º da Portaria RFB nº 2.166, de 2010, exigência essa inaplicável aos advogados por força de liminar conferida em Mandado de Segurança impetrado pelo Conselho Federal da OAB; 11. Embora discordasse dessa esdrúxula exigência, em especial no presente caso, em que corria o prazo para apresentação de impugnação, não lhe restou alternativa senão enviar um advogado, de São Paulo para Salvador, a fim de ter acesso ao Processo Administrativo, diligência, entretanto, mais uma vez frustrada, pois o advogado esteve na Receita Federal no dia 23/12/2010 e foi surpreendido com a informação de que seria necessário o "agendamento de vista", devendo aguardar até o dia 30/12/2010 para ter acesso aos autos, como se nota do anexo "Protocolo do Contribuinte"; 12. Ora, se já existia cópia digital do PAF, disponível instantaneamente aos funcionários com acesso ao sistema da RFB, qual teria sido a razão para se impedir a entrega de Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.847 6 um CD ao advogado representante da impugnante, no próprio dia 23/12/2010?; 13. Assim sendo, somente em 30/12/2010 a impugnante conseguiu ter efetivo acesso ao Processo Administrativo que tramita contra si, ou seja, sete dias antes do término do prazo para apresentação da impugnação, o que, sem dúvidas, prejudicou enormemente a sua defesa; 14. Não há qualquer justificativa para que tenha sido postergado o acesso da impugnante às cópias do PAF em questão, parecendolhe que a RFB, deliberadamente, dificultou o seu acesso no intuito de restringir a sua defesa, tratandose, portanto, de típica, porém inadmissível, arbitrariedade e violação dos Princípios Constitucionais aplicados à Administração Pública, previstos no caput do art. 37 da Carta, em especial o da publicidade, o da moralidade e os da ampla defesa e do contraditório, previstos no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, bem como no art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999; 15. Pelo exposto, percebese que não foi apenas reprovável, mas também absolutamente ilegal e inconstitucional, a restrição ao direito da impugnante de ter acesso ao Processo Administrativo e obter cópias dos seus termos, transcrevendo doutrina e jurisprudência que corroborariam seus argumentos; 16. Por essas razões, há de se devolver o prazo de 30 dias para que a impugnante apresente nova impugnação, havendo, no mínimo, de se reabrir o mencionado prazo por 23 dias, número de dias durante os quais à impugnante não foi permitido ter acesso aos autos, caso contrário restará cristalizada insanável nulidade do Processo Administrativo, que certamente será declarada pelo Poder Judiciário, o que fará todo o procedimento voltar ao seu início; 17. Quanto ao mérito, a legislação federal brasileira obriga que as empresas transportadoras façam contratos de seguro em relação a toda a sua operação, e conforme dispõe o art. 21 da Lei nº 11.442, de 2007, de forma clara e expressa, o não cumprimento dessa determinação implica até mesmo no cancelamento da inscrição da empresa; 18. Como consequência dessa obrigação legal, temse que a contratação de seguros por parte das transportadoras é um "custo obrigatório", sendo que as seguradoras, para considerarem a celebração de contrato, exigem das transportadoras, por exemplo, a contratação de serviços de rastreamento de veículos, de escolta para transporte de determinadas mercadorias, contratação de vigilantes, etc.; 19. Logo, para que uma transportadora possa dar integral cumprimento aos ditames da Lei nº 11.442, de 2007, necessariamente tem que arcar não só com os custos diretamente decorrentes dos contratos que terá de firmar com as seguradoras, mas também cumprir todas as exigências complementares, que implicam em custos adicionais e obrigatórios; 20. Por conseguinte, em se configurando que tais custos não são opcionais, e por fazerem parte daqueles custos direta e indissociavelmente ligados à operação da empresa, temse que eles deveriam, sem sombra de dúvidas, gerar créditos de PIS e de Cofins para tais empresas, mas pelo que se pode perceber do incompleto, desmotivado e confuso Auto de Infração, teria a fiscalização glosado todos os créditos utilizados pela impugnante, entre outros, de "Seguro de Cargas Responsabilidade Civil", "Desvio de Cargas", "Seguro de Transporte Aéreo de Carga", "Seguro de Cargas em Terminal", "Seguro da Frota contra Terceiros", etc., e todos os Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.848 7 custos inerentes ao cumprimento das exigências feitas pelas seguradoras; 21. Os custos com tais seguros estão inseridos diretamente no preço do frete e destacados nos próprios Conhecimentos de Transporte emitidos pela impugnante, o que demonstra que tais valores sequer poderiam ser considerados como receita pura e simples da autuada; 22. Dentre os custos decorrentes de exigências dos contratos de seguros e de gerenciamento de riscos impostos pelas seguradoras como parte do contrato de seguro, a impugnante destaca não só os rastreadores dos veículos instalados em toda a frota, como também escolta armada e vigilantes e porteiros especialmente treinados, mostrandose sem nenhum fundamento jurídico a aparente e injustificada glosa de créditos relativos aos lançamentos a título de "Escolta de Cargas", "Rastreamento Rodoviário de Cargas", "Manutenção de Equipamento de Rastreamento", "Mão de Obra Rastreamento", "Rastreamento Urbano de Cargas", etc., os quais também são destacados no Conhecimento de Transporte como custos que compõem o valor do frete cobrado; 23. A partir de verdadeira "sessão de clarividência", foi possível imaginar que talvez até mesmo créditos de PIS e Cofins relativos a despesas flagrantemente operacionais, ou de insumos, foram indevidamente glosadas, como, por exemplo, as contas contábeis de leasing, em que, nos meses de abril, maio e junho de 2008, todos os créditos tomados pela impugnante em suas 8 contas foram acatados, com exceção da conta "4.31.08.015 Leasing Computadores"; 24. Por meio da análise da já mencionada e malsinada "tabela de glosas" acostada ao presente feito, imaginase que a fiscalização acatou a integralidade dos créditos tomados pela impugnante em relação aos "Transportes Fluviais", mas os créditos tomados em relação a "Balsas e Pedágios" teriam sido aparentemente glosados pela fiscalização, sem nenhuma explicação, embora as razões para uso de balsas sejam exatamente as mesmas para uso do transporte fluvial, estando os créditos de PIS/COFINS a eles referentes contabilizados separadamente apenas por questões de controle interno da empresa; 25. Em relação às despesas com pedágios, a impugnante entende que sequer haveria o que ser discutido quanto à inafastável conclusão de que tais despesas devem gerar créditos de PIS/COFINS para as transportadoras, pois são essenciais, obrigatórias e impossíveis de serem contornadas ou não pagas; 26. Fazendose um hercúleo esforço interpretativo, podese perceber a glosa de créditos tomados em relação às despesas com manutenção da sua frota de caminhões, conforme inúmeras "contas contábeis" mencionadas na suposta "tabela de glosas", como, por exemplo, a de "Pneus e Câmaras Col/Ent", "Manutenção e Equipamento de Rastreamento Rodoviário", "Manutenção Preventiva de Frota Operacional", "Manutenção Corretiva de Frota Operacional", "Material de consumo da Oficina", etc., as quais, bem como as assemelhadas a elas que também tiveram os créditos de PIS e Cofins glosados, se referem às despesas que a empresa incorre para conseguir manter em operação seus veículos; 27. Outra glosa que parece ter sido feita sem maiores explicações por parte da fiscalização foi a de créditos referentes aos “Impressos Legais”, que são documentos cuja emissão é obrigatória por lei, como, por exemplo, formulários de Conhecimento de Transporte, Manifestos de Carga e Ordem de Coleta, que têm que acompanhar todo e qualquer frete feito pela impugnante, tratandose de documentação legalmente exigida e sem a qual o Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.849 8 transporte não pode ser feito; 28. Se a emissão de documentos é feita em cumprimento à rigorosíssima legislação aplicável à hipótese, é decorrência lógica que a impugnante incorre em despesas para viabilizar sua operação, que não são opção da impugnante e, portanto, geram créditos de PIS e Cofins, não se podendo admitir que tais créditos sejam glosados pelo Fisco Federal de forma arbitrária, injustificada e desmotivada; 29. A impugnante imagina, ainda, que a fiscalização tenha incluído na base de cálculo da Cofins supostas receitas que, na verdade, se referiram a “descontos incondicionais” concedidos a seus clientes, o que pode ter ocorrido, talvez, por terem sido contabilizados sob a nomenclatura “Desconto sobre Duplicatas”, por uma questão operacional específica do ramo de atuação da impugnante; 30. Sempre que é contratada por algum cliente para efetuar a entrega de determinado bem, a empresa tem, necessariamente, que expedir o “Conhecimento de Transporte”, no qual estará descrito o valor do frete contratado, o peso e/ou a cubagem da mercadoria a ser entregue, etc., mas ocorre que, por vezes, o cálculo desse peso/cubagem é feito ou lançado de forma equivocada, acabando por gerar no Conhecimento de Transporte um valor de frete superior àquele que efetivamente seria devido pelo contratante do serviço, equívoco somente constatado no momento da entrega da mercadoria, após a checagem do peso/cubagem, quando se verifica que, de fato, o valor do frete foi lançado a maior no Conhecimento de Transporte, não havendo outra forma de ajustar tal valor senão pela concessão de “desconto incondicional”, que, na verdade, é um ajuste de preço concedido ao contratante na própria duplicata, até porque o cálculo do frete fora indicado erroneamente e não pode o cliente pagar além do que realmente seria devido; 31. Essa especificidade atinente ao ramo de negócio da impugnante não pode, de forma alguma, tornar inaplicável a ela o disposto no art. 1º, §3º, inciso V, alínea “a”, da Lei nº 10.833, de 2003; 32. Para comprovar a situação aqui descrita, a impugnante anexa documentos que demonstram toda a troca de correspondências e informações, bem como de todo o processo interno que leva à conclusão de que o valor do frete consignado no Conhecimento de Transporte foi lançado a maior do que o devido, sendo necessária a concessão de um abatimento em função da correção do valor final do frete; 33. Assim sendo, também os valores referentes aos descontos incondicionais concedidos pela impugnante, ainda que sob a classificação contábil de “Descontos sobre Duplicatas”, devem ser excluídos da base de cálculo da Cofins que está sendo cobrada nestes autos; 34. A multa punitiva aplicada pela auditorafiscal, em função provavelmente dessa divergência de interpretação que a impugnante está a imaginar, foi fixada no absurdo percentual agravado de 150%, para o qual, entretanto, somente há autorização legal quando houver fraude ou sonegação fiscal, o que definitivamente não se configurou no presente caso; 35. Uma vez não provada a existência de dolo no ato supostamente sonegatório praticado, não há configuração do elemento típico que justifique a aplicação da multa “dobrada” prevista pela Lei nº 9.430, de 1996, c/c a Lei nº 4.502, de 1964, pois, no máximo, a autuação fiscal caso não seja anulada, como de fato deve ser decorreria de interpretação divergente entre a contribuinte e o Fisco, em relação à legislação aplicável à matéria, notadamente no tocante às despesas de empresas transportadoras que podem gerar créditos de PIS e Cofins; 36. Se um Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.850 9 agente do Fisco entende que determinado contribuinte deixou de recolher um tributo com a intenção de fraudálo ou sonegalo, tem que demonstrar, por meio de provas cabais e inequívocas, que esta foi a sua intenção, mas no presente caso não há uma única palavra descrevendo as razões pelas quais foi aplicada a multa agravada de 150%; 37. Ainda que se reduza a multa de 150% para o percentual de 75% previsto na Lei nº 9.430, de 1996, em razão do reconhecimento da inexistência de qualquer fundamento para o agravamento da multa, temse que esse percentual de 75% ainda se revela total e absurdamente confiscatório; 38. Conforme doutrina e jurisprudência do Tribunal Regional Federal – TRF da 5ª Região, que transcreve, entende a impugnante que o Fisco Federal vem aplicando multas em valores grotesca e notadamente confiscatórios, ferindo de forma patente as garantias constitucionais do contribuinte, notadamente as expressas nos artigos 145, § 1° (Princípio da Capacidade Contributiva) e 150, IV (Princípio da Vedação ao Confisco) da Constituição Federal de 1988, bem como os Princípios Constitucionais da Razoabilidade e da Proporcionalidade; 39. Desta forma, demonstrada a inconstitucionalidade dos tributos confiscatórios, cumpre ressaltar que não só estes estão sujeitos às regras elencadas nos arts. 145, § 1º, e 150, IV, CF, mas também a penalização tributária, pois esta é instituída visando apenas e tão somente sancionar os eventuais ilícitos cometidos pelo contribuinte, não podendo ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado, face à exorbitância do seu valor, bem como à sua desproporcionalidade; 40. Mesmo que a autoridade administrativa julgadora não venha a reconhecer a procedência dos fundamentos levantados pela impugnante, é certeza que, com a intervenção do Poder Judiciário, ficarão afastadas as arbitrariedades cometidas pelos órgãos de arrecadação tributários, ao instituir multas de caráter nitidamente confiscatório, como o é no presente caso; 41. Uma vez que a Cofins, conforme previsão do art. 195, inciso I, alínea “b” da Constituição Federal, incide sobre a receita ou o faturamento, impossível a inclusão do ICMS em sua base de cálculo, pois não há disposição expressa que determine a incidência da Cofins e do PIS sobre os valores pagos a título de ICMS; 42. Tal assertiva restou devidamente comprovada quando se tratou da inconstitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998, pois no julgamento do Recurso Extraordinário nº 346.084PR restou decidido pelo Supremo Tribunal Federal, entre outras coisas, a impossibilidade de a referida lei alterar a base de cálculo constitucionalmente definida da Cofins e do PIS; 43. O caput do art. 2º da Lei Complementar nº 70, de 1991, define a materialidade da Cofins em sintonia com a disposição constitucional, e o seu parágrafo único traz mera declaração ad cautelam para deixar claro que, por exemplo, o IPI não deve ser incluído na base de cálculo, o que não significa que, automaticamente, o ICMS estaria incluso na base de cálculo, mesmo porque se isso fosse verdade, tal assertiva seria incluída na redação do texto legal; 44. Encontrase sob julgamento do STF o Recurso Extraordinário n° 240.785MG, no qual se discute exatamente a constitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, com óbvias consequências para a mesma discussão no que tange ao PIS, sendo importante ressaltar que, até o presente momento, está prevalecendo a tese dos contribuintes, o que, certamente será também o resultado final deste julgamento; 45. O I. Ministro não Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.851 10 declarou a inconstitucionalidade do art. 2°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70, de 1991, ou seja, não foi necessária a declaração abstrata da inconstitucionalidade da lei para que o Ministro Relator verificasse a impossibilidade de que o ICMS integrasse a base de cálculo da Cofins, tendo sido realizada simples interpretação de acordo com os ditames constitucionais vigentes, o que já demonstra que os julgadores da RFB podem apreciar a matéria, por não se fazer necessária a declaração de inconstitucionalidade de nenhum dispositivo de lei; 46. No mínimo, os autos devem ser baixados em diligência para que a fiscalização refaça todo o cálculo do tributo lançado, excluindo o ICMS da base de cálculo da Cofins; 47. Resta patente o equívoco da fiscalização na forma de calcular o tributo, pois no cálculo anterior realizado pela contribuinte, quando os créditos utilizados são maiores do que a própria receita auferida no período, há uma “base de cálculo negativa” da contribuição, não considerada pela auditora ao glosar os créditos tomados pela impugnante, sendo necessária a realização pela fiscalização do cálculo completo da contribuição, considerando a receita auferida pela empresa, descontados os créditos que a própria fiscalização entendeu como válidos (“acatados”, na terminologia da planilha anexa ao Auto de Infração); 48. Mas assim não procedeu a fiscalização, pois parece que a agente fiscal simplesmente aplicou a alíquota da contribuição sobre os créditos glosados, o que resultou em enormes diferenças no cálculo do tributo; 49. Em termos práticos, podese dizer que foram desconsiderados créditos que a própria fiscalização entendeu como devidos, tributandose uma receita fictícia, e, como exemplo, citese o período de janeiro de 2008, em que a fiscalização apurou o total das receitas auferidas de R$23.584.081,96, e, segundo as planilhas da própria autuante, a empresa utilizou nesse período créditos no valor total de R$24.890.084,10 e efetuou “deduções sobre a receita” no valor total de R$1.265.246,46; 50. Pelos cálculos originais da impugnante, os créditos e as deduções totalizavam R$26.155.330,56, excedendo o valor da receita auferida no período (R$23.584.081,96), considerados, entretanto, equivocados pela fiscalização, em virtude da suposta utilização indevida de créditos; 51. Com efeito, foram glosados R$9.567.276,04 de créditos que haviam sido utilizados pela empresa em janeiro de 2008 e as “deduções sobre a receita” de R$ 1.265.246,46, totalizando R$10.832.522,50, conforme apontado na planilha elaborada pela própria auditora; 52. Entende a impugnante que a fiscalização deveria ter subtraído a quantia de R$10.832.522,50 do total de créditos e deduções utilizados pela empresa (R$26.155.330,56), para chegar ao total de créditos efetivamente devidos (R$15.322.808,06), que foram acatados pela própria fiscalização, e subtrair esse número da receita auferida no período (R$23.584.081,96), procedimento com o qual a fiscalização chegaria, no entender da autuante, à efetiva base de cálculo da contribuição; 53. Se a própria fiscalização parece ter concluído que a impugnante auferiu receitas no total de R$23.584.081.96, e que utilizou créditos válidos (acatados pela própria fiscalização) no total de R$15.322.808.07, basta subtrair este montante daquele para se chegar à correta base de cálculo da Contribuição, que é de R$ 8.261.273,89, sobre a qual, em se aplicando a alíquota de 7,6%, chegase ao valor de R$627.856,82 a título de Cofins, o que seria devido pela impugnante. Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.852 11 54. Contudo, a auditora fiscal simplesmente aplicou a alíquota de 7,6% sobre o total dos créditos e deduções glosados (R$10.832.522,50), chegando ao valor de R$823.271.71 lançado de ofício; 55. Logo, somente para o período de janeiro de 2008, há uma relevante diferença de R$195.414,89 indevidamente lançada contra a impugnante, diferença verificada em todos os períodos autuados, de janeiro a dezembro de 2008; 56. No mínimo, é necessário realizar novo cálculo da contribuição, tomandose por base as receitas auferidas, deduzidos os créditos que a fiscalização expressamente acatou, sendo imprescindível a realização de prova pericial contábil nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, indicando, assim, o nome do seu perito e formulando quesitos que pretende ver respondidos. E continua a DRJ: Em face das alegações da impugnante, por meio do Despacho DRJ/SDR nº 43/2011 (fls. 1199/1200) foi determinada a realização de diligência visando: “1) Identificar os lançamentos contábeis dos créditos não considerados no Auto de Infração e os motivos das glosas parciais efetuadas nas contas contábeis “pneus e câmaras col/ent”, “transporte fluvial”, “material consumo ope”, “balsa col/ent”, “lavagem de veículos col/ent”, “pedágio e balsa col/ent”, manutenção preventiva e corretiva, “manutenção de equipamentos ope”, “mão de obra carga/descarga PJ”, “aluguel semireboque” ; “2) Informar os valores das receitas mensais auferidas, em confronto com a linha “Total de Receitas Conforme Fiscalização” da planilha anexada pela impugnante, confirmando se as receitas informadas no DACON já se encontram subtraídas das “deduções sobra a Receita” constantes do demonstrativo elaborado pela autuante; “3) À luz do disposto no inciso V do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, esclarecer as razões de ter sido glosado, em relação aos períodos de apuração de abril a junho de 2008, apenas o crédito da conta “4.31.08.015 Leasing Computadores”, enquanto que para os demais períodos de apuração autuados foram glosados créditos de todas as 8 (oito) contas contábeis relativas às operações de leasing; “4) Cientificar a contribuinte acerca da diligência realizada, reabrindolhe novo prazo para que possa aditar sua impugnação, caso seja de seu interesse.” Desta forma, foram anexados os documentos de folhas 1201/1622, sendo que as conclusões da auditora fiscal constam do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal às folhas 1588/1593, do qual a contribuinte foi cientificada em 19/09/2011, apresentando às folhas 1595/1619 aditamento à sua impugnação. No relatório de diligência, a Fiscalização esclareceu o seguinte, em ordem respectiva aos itens acima enumerados: [...]Resposta: As glosas parciais efetuadas nas contas contábeis abaixo relacionadas são em decorrência de pagamentos de gastos a pessoas físicas, identificados e apurados através dos relatórios auxiliares fornecidos pela fiscalizada, durante a execução do procedimento de fiscalização, que ora estão sendo anexados a este Relatório de Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.853 12 Diligencia. Convém registrar que os relatórios auxiliares recebidos foram compostos por: razão, pagamentos a pessoas físicas e pagamentos a pessoas jurídicas para as contas aqui relacionadas. [...]Já com relação à conta contábil “mão de obra carga/descarga PJ”, as glosas contemplam não só os pagamentos efetuados a pessoas físicas como também pagamentos relativos à mão de obra tomadas de sindicatos e cooperativas, conforme relatório auxiliar fornecido pela fiscalizada e anexado a este relatório. [...] [...]Resposta: Cumpre registrar que a fiscalização não procedeu a levantamentos de Receitas nem tão pouco elaborou planilha com este objetivo, conforme faz crer a linha “Total de Receitas Conforme Fiscalização" da planilha anexada pela impugnante a pagina 1.195 do processo em questão. Visando responder ao questionamento proposto foi elaborado, durante este procedimento de diligencia, um demonstrativo de receitas baseado nas informações contidas nos balancetes e nas DACON's “retificadoras" entregues pela diligenciada em 21072010 a SRFB (paginas 170 a 362 do processo). [...]Verificase, através dos levantamentos acima apontados, que a base de calculo da COFINS constante na Ficha 17 A Linha 1 dos DACONs entregues pela diligenciada em 21072010 a SRFB, estão subtraídas dos montantes apurados nos, grupo “Deduções da Receita Bruta', que por sua vez contempla os valores glosados a titulo de "Deduções sobre a Receita" constantes no demonstrativo elaborado pela fiscalização. Nos meses de janeiro, fevereiro, marco, julho, agosto e novembro de 2008, constatase que a diferença entre a receita bruta nos balancetes e a base de calculo da COFINS nos DACON S e exatamente o montante do grupo "Deduções da Receita Bruta". Quanto aos demais meses, embora os valores não estejam tão evidentes, já que as deduções feitas foram superiores aos montantes do grupo "Deduções da Receita Bruta”, é possível, em virtude da metodologia aplicada, afirmar que as bases de cálculos da COFINS apuradas, pela diligenciada, no ano calendário de 2008 estão subtraídas das “deduções sobre receita" glosadas pela fiscalização. [...] [...]Resposta: A fiscalizada, ora diligenciada, no decorrer da fiscalização realizada não logrou êxito em apresentar os documentos, solicitados através de Termo de Intimação Fiscal lavrado, relativos as contas contábeis de Leasing. Não apresentou nenhum documento de pagamento nem mesmo nenhum dos contratos de Leasing celebrados e em vigência no ano calendário de 2008, tendo tão somente apresentados os mencionados documentos já na fase de impugnação. A análise dos razões (em anexo) das contas contábeis relativas a Leasing (41201015, 41204004, 41205007, 41206007, 43102013, 43108005 e 43108015) possibilita identificar os lançamentos tão somente em relação ao período de apuração de abril a junho de 2008, para os demais períodos o histórico lançado inviabiliza a identificação, razão pela qual não foram considerados. Os documentos acostados na impugnação pela diligenciada revelam as seguintes constatações: Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.854 13 [...] [...]No aditamento, a Interessada alegou que a Fiscalização não teria conseguido suprir as omissões do lançamento original, afirmando não terem sido considerados os custos obrigatórios e diretamente relacionados às atividades da empresa. Várias glosas sequer teriam sido mencionadas pela Fiscalização no relatório. Reiterou os argumentos apresentados na impugnação, discorrendo sobre a não cumulatividade das contribuições. A DRJ, primeiramente, exarou o acórdão de fls. 1623 a 1653, em que decidiu o seguinte, a respeito de cada item discriminado abaixo: Nulidade do auto de infração: afastou a nulidade, considerando que houve descrição suficiente dos fatos; Perícia contábil: afastou a necessidade de sua realização, uma vez que a Fiscalização adotou os valores constantes da escrituração; Créditos da nãocumulatividade: fez diversas considerações sobre as operações que geram direito a crédito, ressaltando a impossibilidade de admitir créditos relativos a mão deobra e de apreciar questões de inconstitucionalidade de lei; Rastreamento e contratos de seguros: considerou que tais custos não poderiam ser admitidos como insumos de produção; Exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: considerou não ser possível afastar a incidência da contribuição sob fundamento de inconstitucionalidade de lei e indeferiu a realização da diligência requerida; Arrendamento mercantil: foram admitidos os “valores informados pela contribuinte a título de “Despesas de Contraprestação de Arrendamento Mercantil”; Desconto sobre duplicatas: considerouse não comprovada a alegação; Cálculo da Cofins lançada de ofício (base de cálculo negativa): considerou que “às bases de cálculo informadas pela contribuinte serão acrescidas as ‘Deduções sobra a Receita’ glosadas pela autuante, identificadas no ‘Mapa Demonstrativo’ que compõe o Auto de Infração; Multa de ofício no percentual de 150%: considerouse não demonstrado o evidente intuito de fraude; Multa confiscatória no percentual de 75%: não apreciou a matéria à vista de se tratar de alegação de inconstitucionalidade de lei. Posteriormente, foi constatado erro material no acórdão (fl. 1658), tendo sido, então, exarado o acórdão mencionado no início do relatório, apenas para corrigir a tabela demonstrativa dos valores relativos aos meses de janeiro a março de 2008. No recurso, a interessada alegou, preliminarmente, a nulidade do auto de infração por falta de motivação. Afirmou que haveria “pontos que ainda precisam de complementações e observações, o que, por si só, já configura vício de motivação [...]”. Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.855 14 Contestou a Primeira Instância, afirmando ter tido “sim grandes dificuldades em analisar o Auto de Infração ora guerreado, justamente pela presença de lacunas diversas na sua fundamentação e descrição pormenorizada dos fatos”. Citou lições da Doutrina e ementas de decisões judiciais e administrativas que trataram do assunto. Iniciou a defesa de mérito afirmando que não seria possível glosar os créditos utilizados, contestando a definição do temo “insumo” adotado pela Primeira Instância. Segundo a Recorrente, que citou também doutrina e jurisprudência, análise sistemática da Constituição e legislação permitiria concluir que o art. 3º da Lei n. 10.833. de 2003, não seria taxativo, “mas meramente exemplificativo”. Defendeu o direito de crédito em relação aos custos obrigatórios com contratação de seguros e a emissão de apólices. Em relação à multa, alegou ser confiscatória, tendo já sido afastada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região em julgamento citado. Por fim, alegou não ser possível incluir o ICMS na base de cálculo da Cofins. É o relatório. Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.856 15 VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator Preliminarmente, analisese a questão do sobrestamento do julgamento do recurso, com base no art. 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do Carf. É que parte das alegações da Interessada diz respeito à inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins/PIS, matéria de repercussão geral reconhecida no âmbito do Recurso Extraordinário n. 574.706 pelo Supremo Tribunal Federal. No âmbito do referido RE, foi determinado o sobrestamento dos processos “nos quais o recurso foi interposto antes da regulamentação da repercussão”, hipótese que demonstra a condição prevista na Portaria Carf n. 1, de 2012. No referido RE, mencionase o fato de que a matéria teve sua discussão iniciada no RE 240.785. Mas o recurso foi retirado de pauta e o julgamento será reiniciado, desconsiderandose o voto do relator original. Nesses processos, conforme esclarecido no Informativo STF n. 437 (http://www.stf.jus.br/portal/informativo/verInformativo.asp?s1=240785&numero=437&pagin a=1&base=INFO), discutese a autorização contida no art. 2º, parágrafo único, da Lei Complementar n. 70, de 1991: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Embora os autos tratem da contribuição nãocumulativa criada pela Lei n. 10.833, de 2003, cujo art. 1º é que define a base de cálculo e suas exclusões (§ 3º), a repercussão geral trata da base de cálculo da contribuição de forma geral, conforme prevista na Constituição. À vista do exposto, voto por sobrestar o julgamento do recurso, até que o STF tenha julgado o RE mencionado. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11040.900885/2008-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
TRIBUTÁRIO. DCTF. PAGAMENTO POSTERIOR AO VENCIMENTO. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO.
Se o contribuinte transmite a DCTF confessando o tributo devido, mas não realiza o pagamento prazo legal, estará em mora, sendo devido, portanto, o pagamento de multa e juros em virtude do seu atraso, que não é ilidida por pagamento realizado posteriormente ao vencimento.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-002.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, RAQUEL MOTTA BRANDÃO MINATEL (SUBSTITUTA) E JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, os conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO R DE ALBUQUERQUE SILVA E NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 TRIBUTÁRIO. DCTF. PAGAMENTO POSTERIOR AO VENCIMENTO. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Se o contribuinte transmite a DCTF confessando o tributo devido, mas não realiza o pagamento prazo legal, estará em mora, sendo devido, portanto, o pagamento de multa e juros em virtude do seu atraso, que não é ilidida por pagamento realizado posteriormente ao vencimento. Recurso negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11040.900885/2008-54
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5331964
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3402-002.310
nome_arquivo_s : Decisao_11040900885200854.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11040900885200854_5331964.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, RAQUEL MOTTA BRANDÃO MINATEL (SUBSTITUTA) E JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, os conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO R DE ALBUQUERQUE SILVA E NAYRA BASTOS MANATTA.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5349451
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046590908792832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1575; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 100 1 99 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.900885/200854 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.310 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2014 Matéria COFINS Recorrente ICALDA INDUSTRIA DE CONSERVAS ALIMENTICIAS LEON LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 TRIBUTÁRIO. DCTF. PAGAMENTO POSTERIOR AO VENCIMENTO. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Se o contribuinte transmite a DCTF confessando o tributo devido, mas não realiza o pagamento prazo legal, estará em mora, sendo devido, portanto, o pagamento de multa e juros em virtude do seu atraso, que não é ilidida por pagamento realizado posteriormente ao vencimento. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 08 85 /2 00 8- 54 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, RAQUEL MOTTA BRANDÃO MINATEL (SUBSTITUTA) E JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, os conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO R DE ALBUQUERQUE SILVA E NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11040.900885/200854 Acórdão n.º 3402002.310 S3C4T2 Fl. 101 3 Relatório Tratamse os autos de Declaração de compensação realizada pelo contribuinte, que objetivou parte do pagamento de CSLL do período de Dez/2003, no valor de R$ 935,94 (novecentos e trinta e cinco reais, e noventa e quatro centavos), com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior relativo à multa de mora em débito de COFINS (confessado espontaneamente), do período de Junho/2004, no valor de R$1.044,15 (hum mil e quarenta e quatro reais e quinze centavos). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório em 26/06/2008, conforme Consulta de Postagem de fls, 10 (numeração eletrônica) o contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade às fls. 1124 (numeração eletrônica), alegando que efetuou o recolhimento em atraso de valor devido a título de Cofins com acréscimo de multa moratória, antes de qualquer notificação por parte do Fisco, bem como antes da entrega da DCTF (31/08/2004), portanto, a multa não seria devida, uma vez que o pagamento equivaleria a uma denúncia espontânea. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa,a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS, através do Acórdão nº. 1020.828 houve por bem em considerar Improcedente o pleito do contribuinte, ementando seu julgamento nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF PAGAMENTO A DESTEMPO IMPROCEDÊNCIA Pacífico o entendimento tanto no âmbito do Poder Judiciário como na esfera administrativa de que não constitui denúncia espontânea o pagamento de valores declarados em DCTF, sendo devida multa de mora pelo pagamento em atraso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Resumidamente a DRJ POA/RS entendeu que valores declarados em DCTF recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea, uma vez que tais débitos já eram de conhecimento do Fisco. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Entendeu, ainda, que o mesmo pode ser dito para os casos em que o recolhimento decorre de pedido de parcelamento. A denúncia seguida de pedido de parcelamento obviamente não está sendo acompanhada de pagamento, como requer a leitura do artigo 138 do CTN. Em se tratando de favor, sujeitase a condições estabelecidas em lei, e estas condições prevêem que o beneficiário do parcelamento fica sujeito aos encargos legais cabíveis, conforme entendimento pacífico do STJ. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado do Acórdão de 1ª Instancia em 28/09/2009, conforme AR de fls. 45 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou tempestivamente, em 19/10/2009, seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade os quais, por brevidade, não os repetirei. DO JULGAMENTO EM 2ª INSTANCIA Distribuído ao CARF, o processo foi a julgamento em sessão datada de 10/08/2011, tendo a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, convertido o julgamento do mesmo em diligência para “que a unidade preparadora esclareça se: a) o débito a que o recolhimento foi vinculado consta em DCTF; b) caso afirmativo, se ela foi entregue antes do recolhimento; c) em caso negativo, qual o instrumento que permitiu a sua vinculação ao pagamento realizado, indicando no caso “processo” a sua natureza, isto é, se o processo referese a parcelamento, lançamento de ofício ou outro.”. DA DILIGÊNCIA Cientificada da Resolução nº 3401000.290, da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, de relatoria do Conselheiro Júlio César Alves Ramos retro descrita, a unidade preparadora acostou à estes autos, às fls. 66/72 – n.e., os seguintes esclarecimentos/documentos: 1) Item “a” confissão do débito em DCTF. O débito de Cofins extinto pelo recolhimento (valor original:R$ 5.220,74 + multa moratória objeto do presente pedido: R$ 1.044,15 + juros) referese ao fato gerador: março/2004, no valor de R$ 5.220,74. Conforme consultas anexadas às fls. 64/66, constatase que o débito está confessado em DCTF, de forma o item “b” requer resposta, ao passo que o item “c” fica prejudicado. 2) Item “b” DCTF foi entregue antes do recolhimento. As consultas informam que a declaração original foi transmitida em 14/05/2004, retificada em 29/04/2008 (DCTF ativa), sendo que em ambas consta o valor já mencionado (fls. 64/66). O pagamento foi realizado em 14/06/2004 (fls. 67), portanto em data que a declaração original estava ativa. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11040.900885/200854 Acórdão n.º 3402002.310 S3C4T2 Fl. 102 5 DO 2º JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA Distribuído ao CARF, o processo foi a julgamento em sessão datada de 20/03/2013, tendo a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, convertido o julgamento do mesmo em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que o sujeito passivo seja cientificado do resultado da diligência realizada, intimandoo para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias, após o que devem os autos retornar à este Colegiado para prosseguimento do julgamento DA 2ª DILIGENCIA Cientificado da Resolução acima mencionada em 02/08/2013, conforme AR de fls. 84 – numeração eletrônica, o contribuinte acostou aos autos a petição de fls. 87– n.e., confirmando a ciência da diligencia efetuada em 30/05/2012, bem como para requerer o provimento do Recurso Voluntário. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 volume, numerados até a folha 99 (noventa e nove), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo, portanto, atendendo aos demais pressupostos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Retornam os autos de diligências determinadas pelas Resoluções nº. 3401 000.290 e nº 3402000.514, nas quais, na primeira Resolução, em sessão de julgamento ocorrida em 10/08/2011, foi determinado à Autoridade Preparadora o esclarecimento de fatos que possibilitam o julgador à efetiva análise e deslinde da causa. Conforme se extrai da diligência promovida pela autoridade preparadora, as consultas informam que a declaração original foi transmitida em 14/05/2004, retificada em 29/04/2008 (DCTF ativa), sendo que em ambas consta o valor já mencionado (fls. 64/66). O pagamento foi realizado em 14/06/2004 (fls. 67), portanto em data que a declaração original estava ativa. Tratase nestes autos acerca da possibilidade de aplicação de multa de mora e juros de mora sobre tributos declarados por meio de DCTF e pagos após o seu vencimento. A DCTF é meio de confissão de dívida, remetida pelo contribuinte à autoridade administrativa, pelo qual é o ato de lançamento transferido para o contribuinte. Após transmitido, a Autoridade Administrativa poderá homologar, expressa ou tacitamente o “autolançamento” realizado pelo contribuinte, ou então, constatando divergências entre os valores declarados e os demais elementos da regra de incidência tributária, efetuará então o lançamento de ofício das diferentes porventura constatadas. Portanto, a partir da transmissão da DCTF, assume o contribuinte a dívida para com a Fazenda Pública, devendo, portanto, realizar o pagamento do tributo dentro do prazo estabelecido pela norma regulamentadora, igualmente conforme a legislação de regência. Se, porventura, não efetivar o recolhimento do tributo declarado em DCTF dentro do prazo legal, incide nos encargos moratórios legalmente previstos, quais seja, os juros de mora pela incidência da SELIC, e a multa moratória de 0,33% ao dia de atraso, limitado a 20%, nos termos da Lei nº 9.430/96, e suas alterações posteriores. Acerca de ser a DCTF instrumento suficiente para a constituição do crédito tributário, permitindo desde logo a inscrição do crédito tributário não pago em dívida ativa para execução fiscal, sem que seja necessário que a Fazenda Pública proceda ao lançamento de juros e multa, assim como, dando os limites do cabimento da denúncia espontânea, é plenamente aplicável ao caso em concreto, o julgamento assentado pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11040.900885/200854 Acórdão n.º 3402002.310 S3C4T2 Fl. 103 7 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, [...] (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Desta forma, se o contribuinte transmite a DCTF confessando o tributo devido, mas não realiza o pagamento do tributo no prazo previsto, estará em mora com seus deveres de contribuinte, sendo devido, portanto, o pagamento de multa e juros em virtude do seu atraso, como forma de retaliação em virtude do seu ato de ingerência, não havendo que se falar em espontaneidade na quitação do tributo, após a referida transmissão de DCTF. Assim sendo, não fosse pelo fato de haver “autolançamento” com a transmissão da DCTF, que por si só constitui o crédito tributário tanto com relação ao principal quanto com relação aos encargos (que estão) legalmente previstos, não há como afastar a exigência da multa e juros de mora. Portanto, estando o tributo declarado em DCTF transmitida, e não tendo o mesmo sido pago no prazo legalmente previsto, temse que é plenamente cabível a imposição de multa e juros de mora sobre os tributos compensados após a sua data de vencimento. Essa matéria já foi pacificada com a aprovação da Súmula STJ nº 360, publicada no DJe de 08/09/2008, in verbis: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Assim sendo, aplico o art. 62A d Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, a fim de acolher o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Na esteira das considerações acima, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e mantenho a decisão recorrida na sua íntegra. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10435.000172/2007-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2003
COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. COMISSÕES PAGAS A AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE.
Integra o faturamento do veículo de comunicação todo o valor recebido do anunciante para veiculação de sua propaganda, dele não se excluindo a parcela paga, a título de comissão de agência, às pessoas jurídicas que realizam a atividade de agenciamento de propaganda.
Numero da decisão: 9303-002.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda e as Conselheiras Nanci Gama e Fabíola Cassiano Keramidas, que davam provimento.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente Substituto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 20/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e Fabíola Cassiano Keramidas (em substituição à Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da Primeira Seção, em substituição ao Presidente Otacílio Cartaxo). Ausentes, justificadamente, o Presidente Otacílio Cartaxo e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. COMISSÕES PAGAS A AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. Integra o faturamento do veículo de comunicação todo o valor recebido do anunciante para veiculação de sua propaganda, dele não se excluindo a parcela paga, a título de comissão de agência, às pessoas jurídicas que realizam a atividade de agenciamento de propaganda.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10435.000172/2007-10
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5343772
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9303-002.887
nome_arquivo_s : Decisao_10435000172200710.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JULIO CESAR ALVES RAMOS
nome_arquivo_pdf_s : 10435000172200710_5343772.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda e as Conselheiras Nanci Gama e Fabíola Cassiano Keramidas, que davam provimento. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente Substituto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 20/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e Fabíola Cassiano Keramidas (em substituição à Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da Primeira Seção, em substituição ao Presidente Otacílio Cartaxo). Ausentes, justificadamente, o Presidente Otacílio Cartaxo e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
id : 5419842
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046590947590144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 5 1 4 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10435.000172/200710 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.887 – 3ª Turma Sessão de 20 de fevereiro de 2014 Matéria COFINS. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE Recorrente REDE NORDESTE DE COMUNICAÇÃO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. COMISSÕES PAGAS A AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. Integra o faturamento do veículo de comunicação todo o valor recebido do anunciante para veiculação de sua propaganda, dele não se excluindo a parcela paga, a título de comissão de agência, às pessoas jurídicas que realizam a atividade de agenciamento de propaganda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda e as Conselheiras Nanci Gama e Fabíola Cassiano Keramidas, que davam provimento. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente Substituto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 20/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e Fabíola Cassiano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 01 72 /2 00 7- 10 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 Keramidas (em substituição à Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da Primeira Seção, em substituição ao Presidente Otacílio Cartaxo). Ausentes, justificadamente, o Presidente Otacílio Cartaxo e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em exame recurso do contribuinte acima identificado contra decisão que manteve lançamento de COFINS sobre os valores que a empresa faturou, recebeu e posteriormente repassou a agências de publicidade a título de comissões. Nele, a recorrente aduz que esses valores não constituem receita sua, o que estaria disciplinado na legislação do setor, embora não cite qualquer ato legal a não ser a Lei 10.925 que cuida da tributação nas agências de publicidade. A decisão recorrida fundamentou sua decisão na não regulamentação do dispositivo da Lei 9.718 que previa a exclusão de valores escriturados como receita mas repassados a outras pessoas jurídicas. É o Relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos O recurso foi bem admitido porquanto juntados paradigmas que cuidaram exatamente da mesma matéria e a ela deram solução contrária à da decisão recorrida. Como é bem sabido, o tema é recorrente e foi novamente enfrentado nos meses de outubro e novembro do ano passado em repetidos processos do mesmo contribuinte relatados pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres e por mim. Nestes últimos, além dos argumentos padrão, tivemos de enfrentar especificamente a aplicabilidade da Lei 12.232, o que me levou a reproduzir os votos proferidos em outubro pelo Conselheiro Henrique. Neste processo, porém, não se argúi tal aplicabilidade, o que me faz retornar a antigo voto por mim proferido ainda no Segundo Conselho de Contribuintes, no qual, acredito, enfrentei todos os demais argumentos comumente presentes quanto à matéria. Peço vênia para reproduzilo na sequência: Devese reafirmar de logo, que nos termos da legislação de regência, faturamento corresponde ao preço dos serviços cobrados. É natural que para obter o seu faturamento a empresa precise remunerar profissionais – pessoas físicas e jurídicas – que para ele contribuem. Aí se incluem, como regra, corretores, agenciadores e quaisquer outros intermediários que, mesmo não tendo vínculo empregatício com a empresa, para ela atraem clientes que produzirão receitas. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10435.000172/200710 Acórdão n.º 9303002.887 CSRFT3 Fl. 6 3 Essa, portanto, a regra que define como custos os valores pagos a título de comissões. A empresa, no entanto, defende que no seu ramo de atividade essa regra não valeria e que os valores pagos às agências não integram o seu faturamento porque seriam, de direito, das pessoas jurídicas que realizaram a atividade de agenciamento das propagandas veiculadas. Mais especificamente, ela defende que esses valores são devidos pelo anunciante à agência e são por aquela entregues ao veículo de divulgação para que, em nome dele, anunciante, efetue o pagamento à agência. Afirma mesmo que isso seria determinado pelo ato legal que disciplina a atividade. Vejamos, por isso, os artigos da Lei nº 4.680/65 que interessam ao caso: CAPÍTULO IV Das Comissões e Descontos devidos aos Agenciadores e às Agências de Propaganda Art 11. A comissão, que constitui a remuneração dos Agenciadores de Propaganda, bem como o desconto devido às Agências de Propaganda serão fixados pelos veículos de divulgação sobre os preços estabelecidos em tabela. Parágrafo único. Não será concedida nenhuma comissão ou desconto sobre a propaganda encaminhada diretamente aos veículos de divulgação por qualquer pessoa física ou jurídica que não se enquadre na classificação de Agenciador de Propaganda ou Agências de Propaganda, como definidos na presente Lei. Art 12. Não será permitido aos veículos de divulgação descontarem da remuneração dos Agenciadores de Propaganda, no todo ou em parte, os débitos não saldados por anunciantes, desde que sua propaganda tenha sido formal e previamente aceita pela direção comercial do veículo da divulgação. Art 13. Os veículos de divulgação poderão manter a seu serviço Representantes (Contatos) junto a anunciantes e Agências de Propaganda, mediante remuneração fixa. Parágrafo único. A função de Representantes (Contato) poderá ser exercida por Agenciador de Propaganda, sem prejuízo de pagamento de comissões, se assim convier às partes. Art 14. Ficam assegurados aos Agenciadores de Propaganda, registrados em qualquer veículo de divulgação, todos os benefícios de caráter social e previdenciário outorgados pelas Leis do Trabalho. Da leitura desses dispositivos não vislumbro nada que sustente a tese da empresa de que quem remunera os profissionais encarregados do agenciamento de publicidade seja o anunciante Fl. 476DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 4 e que caiba ao veículo apenas “repassar” esses valores à agência. O que me parece estar aí disciplinado é exatamente o relacionamento comercial entre tal agenciador – pessoa física ou agência – e o veículo de comunicação, beneficiário direto do exercício profissional que se está regulando, na medida em que ele gera receita para tal veículo. Com efeito, aí não se diz que a agência esteja impedida de cobrar do anunciante diretamente pelos serviços de elaboração da campanha publicitária ou qualquer outro serviço que lhe preste. Aqui o que se regula, em suma, é o serviço prestado ao veículo. Corrobora tal entendimento a ressalva contida no parágrafo único do art. 11: não se pagam comissões se nenhum serviço foi prestado. Ora, é evidente que, mesmo sem esse serviço de intermediação, a propaganda tem de ser criada e produzida por alguém, que deve, por óbvio, ser remunerado pelo anunciante interessado. Não se confundem, pois, a intermediação – o agenciamento – e a criação e produção da propaganda a ser veiculada. Igualmente reforça o entendimento aqui esposado a autorização para que o veículo de divulgação mantenha profissional, por si diretamente remunerado, como contato junto à agência. O “contato” aí mantido só pode se justificar pela captação, para o veículo, da propaganda que está sendo criada pela agência. A empresa citada ainda o art. 53 da Lei 7.450/85 (relativo ao imposto sobre a renda) que indicaria que o próprio Sujeito Ativo reconheceria esse caráter de mero repasse. Vejamos então o que dispõe o artigo: Art 53 Sujeitamse ao desconto do imposto de renda, à alíquota de 5% (cinco por cento), como antecipação do devido na declaração de rendimentos, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas: (Vide Lei nº 9.064 de 1995) I a título de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais; Il por serviços de propaganda e publicidade. Parágrafo único No caso do inciso Il deste artigo, excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva realização dos serviços. Portanto, aqui também não se diz o que quer ler a empresa. Com efeito, tudo que está aí regulado é a obrigatoriedade de desconto na fonte no momento do pagamento. Aí não se diz que esse “pagamento” é feito pelo veículo em nome (ou por conta e ordem) do anunciante. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10435.000172/200710 Acórdão n.º 9303002.887 CSRFT3 Fl. 7 5 A disposição do parágrafo único acima foi disciplinada pela SRF por meio da Instrução Normativa nº 123/92. Mas aí também não se mencionou a hipótese que quer construir o contribuinte. Lá, o que se previu foi a situação oposta: o anunciante entregar à agência – visto que é com ela que ele contrata – os valores devidos ao veículo. Ou seja, é a agência quem “repassa” ao veículo o pagamento devido pelo anunciante e não o contrário. E é por esse motivo que tal valor pode ser abatido da base de cálculo para incidência da retenção. Com essas considerações, não encontro na legislação citada pela contribuinte nada que descaracterize a natureza de custos dos valores que ela paga, a título de remuneração pelo serviço prestado a ela mesma, consistente na obtenção de anunciantes. Com efeito, não divirjo em nada da interpretação adotada pelas autoridades administrativas, tanto a que realizou o lançamento quanto as que o julgaram em primeiro grau. Ou seja, estamos lidando com mera prestação de serviço de intermediação que em nada difere da corretagem praticada em outros ramos senão pelo fato de o objeto da intermediação não ser material. Dito claramente, a agência é remunerada pelo veículo porque “vende” o produto do veículo de comunicação, da mesma forma que qualquer corretor que “vende” ações, imóveis ou qualquer outra coisa. É por esse serviço que o veículo paga à agência, que, sem nenhuma dúvida, aumentou o seu faturamento ao trazerlhe o cliente. Daí que esse pagamento se reveste da natureza simples de custo para o veículo que o paga, necessário, sem dúvida, para a obtenção da receita, e por isso dedutível para efeito de imposto de renda. No que tange à contribuição em tela, devida apenas sobre o faturamento, não há que se falar em abatimento de custos, pelo que, no ponto, ao recurso deve ser negado provimento. Com essas mesmas considerações, nego provimento ao recurso ora em apreço. Júlio César Alves Ramos Relator Fl. 478DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 6 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
score : 1.0
Numero do processo: 19679.000735/2003-40
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 1999
Ementa:
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria. A IN SRF 126/98, aplicada aos fatos geradores de 1999, somente dispensava de apresentação da DCTF a pessoa jurídica imune ou isenta cujo valor mensal dos tributos e contribuições a declarar fosse igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). No caso dos presentes autos, embora os valores declarados intempestivamente fossem inferiores àquele valor, não se trata de empresa imune nem isenta. Portanto, estava obrigada a apresentar as DCTFs, qualquer que seja o valor do tributo informado porque não há limite mínimo de valor.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 1802-002.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1999 Ementa: DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria. A IN SRF 126/98, aplicada aos fatos geradores de 1999, somente dispensava de apresentação da DCTF a pessoa jurídica imune ou isenta cujo valor mensal dos tributos e contribuições a declarar fosse igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). No caso dos presentes autos, embora os valores declarados intempestivamente fossem inferiores àquele valor, não se trata de empresa imune nem isenta. Portanto, estava obrigada a apresentar as DCTFs, qualquer que seja o valor do tributo informado porque não há limite mínimo de valor. DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19679.000735/2003-40
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5347512
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1802-002.154
nome_arquivo_s : Decisao_19679000735200340.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 19679000735200340_5347512.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
dt_sessao_tdt : Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
id : 5452051
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046590972755968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2080; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 79 1 78 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19679.000735/200340 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802002.154 – 2ª Turma Especial Sessão de 07 de maio de 2014 Matéria Obrigação acessória Multa DCTF Recorrente UNOC UNIDADE DE ONCOLOGIA CLÍNICA S/C LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1999 Ementa: DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria. A IN SRF 126/98, aplicada aos fatos geradores de 1999, somente dispensava de apresentação da DCTF a pessoa jurídica imune ou isenta cujo valor mensal dos tributos e contribuições a declarar fosse igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). No caso dos presentes autos, embora os valores declarados intempestivamente fossem inferiores àquele valor, não se trata de empresa imune nem isenta. Portanto, estava obrigada a apresentar as DCTFs, qualquer que seja o valor do tributo informado porque não há limite mínimo de valor. DENÚNCIA ESPONTÂNEA MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 07 35 /2 00 3- 40 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: Por meio do Auto de Infração de fl. 10, o contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário no valor de R$ 1.987,39, a titulo de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 1º, 2°, 3º e 4° trimestre do ano calendário de 1999. 0 enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3º 160 da Lei n° 5.172/1966 (CTN); artigo 11, do Decretolei n° 1.968/1982, com redação dada pelo artigo 10 do Decretolei n° 2.065/1983; artigo 30 da Lei n° 9.249/1995; artigo 1° da IN SRF n° 18/2000; artigo 7º da Lei n° 10.426/2002 e artigo 5° da IN SRF n°255/2002. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fl(s). 01 a 05, na qual alega, em síntese, o seguinte: que a requerente não se enquadrava em nenhuma das condições de obrigatoriedade de apresentação de DCTF previstas no artigo 2° da IN SRF n° 73/1996. que a(s) DCTF(s) em tela foram apresentadas antes de qualquer procedimento da administração. Conclui, que está albergada pelo instituto da denuncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (São Paulo/SPO1) julgou improcedente a impugnação, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1611.589, de 16 de novembro de 2006, assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. 0 cumprimento da obrigação acessória – apresentação de declarações (DCTF) fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Denúncia Espontânea. A prática da entrega, com atraso, da declaração, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.000735/200340 Acórdão n.º 1802002.154 S1TE02 Fl. 80 3 A autuada foi cientificada da mencionada decisão em 19/12/2007, conforme Aviso de Recebimento (AR), e, protocolizou recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 19/01/2008. A Recorrente, em sede recursal, no essencial, traz os mesmos argumentos expendidos na impugnação. Insiste que não se enquadrava em nenhuma das obrigatoriedades imposta pela INSRF n°. 73/1996 e que esta só foi revogada pela IN SRF 255/2002 , portanto, 2 anos após os fatos. Diz que, a IN/SRF n°. 126/1998 não regulamentou a matéria alusiva a faixa de faturamento do recorrente, e, em momento algum disciplinou a obrigatoriedade ou não das empresas de pequeno faturamento e retenção, tampouco, revogou expressamente a IN nº 73/96, mantendoa intocável quanto a dispensa da recorrente. A Recorrente também alega que não houve notificação para apresentar a DCTF; que apresentou as DCTFs espontaneamente antes de qualquer procedimento do fisco, estando, por isso incólume de qualquer penalidade administrativa com supedâneo no artigo 138 do CTN. Aduz que, somente a partir de 27 de dezembro de 2.001 é que se facultou o fisco a imposição de multa pelos artigos 7°. e 8°. da Medida Provisória 16. Portanto, sendo a criação de obrigação tributária acessória matéria sujeita ao PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL temse por evidente a ilegalidade dos autos lavrados atinente a atos anteriores a 27 de dezembro de 2.001. Afirma que, o art. 5°. II da Constituição Federal, desobriga a contribuinte da penalidade, por falta de Lei vigente na época. Finalmente, requer seja provido o Recurso Voluntário, cancelandose o auto de infração lavrado. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O litígio cingese ao lançamento referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa aos 04 (quatro) trimestres de 1999, de que trata o Auto de Infração, fl.10, no qual se exige o crédito tributário no valor de R$ R$ 1.987,39. Consta do mencionado Auto de Infração que as DCTFs dos trimestres, tinham como prazo final para a entrega 21/5/1999, 13/8/1999, 12/11/1999 e 29/02/2000, respectivamente, e somente foram entregues à Receita Federal em 06/07/2001. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 A Recorrente alega que não se enquadrava em nenhuma das obrigatoriedades impostas pela INSRF n°. 73/1996 e que esta só foi revogada pela IN SRF 255/2002 , portanto, 2 anos após os fatos. Diz que, a IN/SRF n°. 126/1998 não regulamentou a matéria alusiva a faixa de faturamento do recorrente, e, em momento algum disciplinou a obrigatoriedade ou não das empresas de pequeno faturamento e retenção, tampouco, revogou expressamente a IN nº 73/96, mantendoa intocável quanto a dispensa da recorrente. A questão é saber se a recorrente estava ou não obrigada a apresentar as DCTFs relativas aos trimestre de 1999 e qual a IN SRF vigente na data do fato gerador da obrigação, se a IN SRF 73/96 ou a IN SRF 126/98. O auto de infração foi cientificado ao contribuinte em 28/07/2003 (AR, fl.12). Gizse que, a IN nº 73/1996, estabelece normas disciplinadoras da Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, instituída pela IN nº 129. de 19/11/1986, enquanto que a IN nº 126, de 30/10/1998, numa nova realidade, instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. Como cediço a IN SRF 126/98, posterior àquela IN 73/96 evocada pela Recorrente, disciplinou a mesma matéria relativa à DCTF de forma diversa, prevalecendo a norma posterior em relação à anterior, mormente quando era a IN SRF 126/98 a vigente à época dos fatos geradores da obrigação. A multa exigida no Auto de Infração se dá pelo atraso na entrega da “Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF”, instituída pela IN nº 126, de 30/10/1998 . Os fatos geradores ocorreram em cada um dos quatro trimestres de 1999, e nesse período quanto à dispensa de DCTF, indubitavelmente estava vigente a IN SRF 126/98, norma complementar exarada pela SRF que somente dispensava de apresentação da DCTF a pessoa jurídica imune ou isenta cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar fosse igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). No caso dos presentes autos, embora os valores declarados intempestivamente fossem inferiores àquele valor, não se trata de empresa imune nem isenta. Logo, a Recorrente por não se enquadrar em nenhuma das situações de dispensa descritas no artigo 3º da IN nº 126/1998, estava obrigada a entrega das DCTFs até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores (§ 2º, artigo 2º da IN nº 126/1998), qualquer que seja o valor do tributo a ser informado porque não há limite mínimo de valor. Vejamos, a Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998. (DOU de 02/11/1998). Institui a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e estabelece normas para a sua apresentação. Alterada pela IN SRF nº 83/99, de 12 de julho de 1999. Alterada pela IN SRF nº 16/00, de 14 de fevereiro de 2000. Revogada pela IN SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.000735/200340 Acórdão n.º 1802002.154 S1TE02 Fl. 81 5 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, e na Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, resolve: Art. 1º Fica instituída a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Art. 2º A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. § 1º Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. § 2º A DCTF deverá ser entregue na unidade da Secretaria da Receita Federal SRF da jurisdição fiscal da pessoa jurídica, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 2º A declaração, gerada pelo programa DCTF 1.0. deverá ser apresentada à Secretaria da Receita Federal SRF, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores, observado o seguinte: (Redação dada pela IN SRF nº 83/99, de 12 de julho de 1999) I se em disquete, será entregue diretamente nas unidades da SRF; (Incluído pela IN SRF nº 83/99, de 12 de julho de 1999) II se utilizado o programa Receitanet, disponível neste endereço, será transmitida via Internet. (Incluído pela IN SRF nº 83/99, de 12 de julho de 1999) § 3º No caso de encerramento de atividades, incorporação, fusão ou cisão, a DCTF deverá ser apresentada até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do evento. Art. 3º Estão dispensadas da apresentação da DCTF, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo: I as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; II as pessoas jurídicas imunes e isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF seja inferior a dez mil reais; III as pessoas jurídicas inativas, assim consideradas as que não realizaram qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial, conforme disposto no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 28, de 05 de março de 1998; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 IV os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas. Parágrafo único. Não está dispensada da apresentação da DCTF, a pessoa jurídica: I excluída do SIMPLES, a partir do 1º trimestre do ano subseqüente ao da exclusão; II cuja imunidade ou isenção houver sido suspensa ou revogada, a partir do trimestre do evento; III anteriormente inativa, a partir do trimestre em que praticar qualquer atividade. ... Nessa ordem de idéia deve ser afastada a argumentação da Recorrente. A Recorrente argúi que, a entrega da declaração foi espontânea e não ocorreu nenhum ato fiscalizatório relacionado à infração em epígrafe, ou seja, não foi dado inicio a nenhum procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionado com a infração, sendo assim, exclui a aplicação da penalidade pecuniária inerente, consoante disposição exarada no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Por oportuno, convém registrar que a jurisprudência ou doutrina citada pela Recorrente em sua defesa serve apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Da mesma forma, se utilizadas neste voto, as citações e transcrições jurisprudenciais ou doutrinárias, terão como objetivo ilustrar e reforçar o posicionamento desta relatora. Conforme se depreende da descrição dos fatos a infração fiscal, decorre do fato como sendo "A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação, enseja a aplicação de multa correspondente a R$ 57,34 (cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos) por mêscalendário ou fração”. Se mais benéfica, enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mêscalendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00. Em caso de inatividade no trimestre aplicase a multa mínima de R$ 200,00. A multa cabível foi reduzida em cinqüenta por cento em virtude da entrega espontânea da declaração, exceto no caso da multa aplicada ter sido a multa mínima." Observase que, no Auto de Infração (fl.10), foi reduzida em cinqüenta por cento a multa relativa ao 4º trimestre de 1999 em virtude da entrega espontânea da DCTF e aplicada a multa mínima de R$ 500,00 (mais benéfica) relativa ao 1º e, 2º e 3º trimestres de 1999. No que tange a alegada ofensa ao artigo 138 do CTN, cumpre ressaltar que a multa lançada de ofício pelo descumprimento da obrigação tributária, conforme previsto na legislação não se aplica ao cumprimento das obrigações acessórias (caso dos presentes autos) o instituto da confissão espontânea de infração, a que se refere o art. 138 da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional — CTN, conforme entendimento esboçado na Súmula nº 49 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Fl. 84DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.000735/200340 Acórdão n.º 1802002.154 S1TE02 Fl. 82 7 Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. A Recorrente ainda alega que, somente a partir de 27 de dezembro de 2.001 é que se facultou o fisco a imposição de multa pelos artigos 7°. e 8°. da Medida Provisória 16. Portanto, sendo a criação de obrigação tributária acessória matéria sujeita ao PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL temse por evidente a ilegalidade dos autos lavrados atinente a atos anteriores a 27 de dezembro de 2.001. Afirma que, o art. 5°. II da Constituição Federal, desobriga a contribuinte da penalidade, por falta de Lei vigente na época. Conforme relatado acima, o enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3º 160 da Lei n° 5.172/1966 (CTN); artigo 11, do Decretolei n° 1.968/1982, com redação dada pelo artigo 10 do Decretolei n° 2.065/1983; artigo 30 da Lei n° 9.249/1995; artigo 1° da IN SRF n° 18/2000; artigo 7º da Lei n° 10.426/2002 e artigo 5° da IN SRF n°255/2002. Por considerar pertinente e enfrentando a argumentação da Recorrente, em sua totalidade, transcrevo a seguinte decisão judicial, cujos fundamentos adoto como razão de decidir: TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 28451 SP 0028451 44.2003.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/03/2013 Ementa: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO RETIDO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. ART. 11 , DL 1.968 /82, COM REDAÇÃO DADA PELO ART. 10 , DL 2.065 /83. VIGÊNCIA SOB A ÉGIDE DA CF/1967 . 1. Agravo retido não conhecido por tratar de matéria idêntica à do recurso de apelação. Ausência de interesse recursal. 2.A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF está inserida dentre as obrigações tributárias acessórias, ou deveres instrumentais tributários, que decorrem da legislação tributária e têm por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113 , § 2º e 160 , do CTN ). 3.No caso em questão, conforme AIIM nº 120750669, a multa cobrada por atraso na entrega da DCTF teve como fundamento o art. 11 , do DL 1.968 /82, com a redação dada pelo art. 10 , do DL 2.065 /83; art. 30 , da Lei nº 9249 /95; art. 1º, da IN SRF 18/00; art. 7º, da Lei 10.426/02 e art. 5º, da IN SRF 255/02. 4.Mesmo antes do advento da Lei nº 10.426 /2002, o dever do contribuinte de prestar informações ao Fisco, bem como a multa em razão de seu atraso ou não apresentação, já estavam previstos no artigo 11 do Decretolei nº 1.968 /1982, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.065 /1983. 5.A despeito de a Constituição Federal de 1988 prescrever que apenas lei, em sentido formal, pode estabelecer penalidades (artigo 5º, inciso II), como o referido decretolei entrou em vigor sob a égide da Constituição Federal de 1967, redação dada pela Emenda Constituição nº 01/69, não há que se cogitar em não recepção daquele ato legislativo, pois, à época, o referido ato era compatível com a Fl. 85DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Carta vigente, que previa, em seu art. 55 , II , a possibilidade de tal espécie normativa regular finanças públicas, inclusive normas tributárias. 6.De rigor, portanto, a manutenção da multa aplicada pelo auto de infração, em consonância com a legislação vigente à época e jurisprudência assente do Superior Tribunal de Justiça e desta Corte Regional. 7.Agravo retido não conhecido. Apelação provida.... Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.015636/2002-97
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso dos autos, verifica-se que houve antecipação de pagamento. Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.233
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Pleno
ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso dos autos, verifica-se que houve antecipação de pagamento. Recurso extraordinário negado.
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10166.015636/2002-97
conteudo_id_s : 5335172
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9900-000.233
nome_arquivo_s : Decisao_10166015636200297.pdf
nome_relator_s : ELIAS SAMPAIO FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10166015636200297_5335172.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
id : 5374545
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591030427648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1565; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 286 1 285 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.015636/200297 Recurso nº 141.335 Extraordinário Acórdão nº 9900000.233 – Pleno Sessão de 07 de dezembro de 2011 Matéria CSLL Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida REFRIGERANTES BRASÍLIA LTDA. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso dos autos, verificase que houve antecipação de pagamento. Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator Fl. 599DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 FORMALIZADO EM: 14/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffman, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Julio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, Jose Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Pedro Anan Junior. Relatório A Fazenda Nacional interpôs, dentro do prazo regimental, recurso extraordinário à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido: “DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldamse à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com esta lei nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no § 4° do seu art. 150. Por outro lado, a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido instituída pela Lei n° 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4°, da Constituição Federal tem natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N° 146.7339SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, 111,"b", da Constituição Federal de 1988. Expirado o prazo de cinco anos sem que autoridade fazendária se tenha pronunciado, homologado está o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. A inconstaucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91 foi consignada na Súmula Vinculante n° 8, da Suprema Corte. Recurso especial provido.” (AC CSRF/01 06.061) Entende que há nítida divergência entre o aresto atacado e o paradigma que apresenta, o Acórdão n.º CSRF/0202.288. Observa que, diferente do ocorrido no presente caso, no paradigma se entendeu que, na falta de pagamento do tributo, se está diante de lançamento de ofício, aplicandose a regra do artigo 173, I do CTN. Pondera que, em não havendo recolhimento, não há o que se homologar, tratando a questão de simples lançamento ex officio a ser feito com espeque no artigo 149, V, do CTN, sendo o termo inicial do prazo decadencial aquele previsto no artigo 173, I, do CTN. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10166.015636/200297 Acórdão n.º 9900000.233 CSRFPL Fl. 287 3 Destaca entendimento recente firmado pelo STJ, no sentido de que não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo disposto no art. 173, I, do CTN. Ao final, requer o provimento do recurso para que se afaste a decadência do lançamento. Realizouse a análise da admissibilidade do recurso extraordinário, concluindose pelo seu seguimento. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões. Afirma que, no tocante à apuração da CSLL relativa ao 3º trimestre de 1997, compensou a base de cálculo declarada para o período com a base de cálculo negativa de períodos anteriores, procedendo ao lançamento e pagamento da contribuição social calculada após feita a aludida compensação. Destaca que declarou, calculou e pagou antecipadamente a CSLL referente ao 3º trimestre de 1997. Assim, não encontra amparo a assertiva lançada pela Fazenda Nacional de que a Recorrida não teria procedido ao pagamento da referida contribuição social. Explica que, tendo havido pagamento antecipado, ainda que eventualmente existisse uma diferença a recolher, não se pode afirmar que o ato homologatório verificado na espécie dos autos teria recaído sobre o vazio, pois autolançamento e pagamento antecipado houve, e sobre ele operouse a homologação tácita. Observa que o acórdão utilizado como paradigma é imprestável para demonstrar a existência de divergência interpretativa no tocante à contagem do prazo decadencial para tributo sujeito a lançamento por homologação. Isso porque o acórdão paradigma não apresenta similitude fática com o v. acórdão recorrido. Tais decisões dizem respeito a autuações fiscais com contornos fáticos diversos, o que ensejou a aplicação de normas tributárias diferentes para solução de cada caso concreto. Ao final, requer o improvimento do recurso extraordinário. Eis o breve relatório. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator 0 recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial n° 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE 0 FISCO CONSTITUIR 0 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, sS' 4 0, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. 0 prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) contase do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 2 I6.758/SP, Rei. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3" ed., Max Limonad, Sao Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. 0 dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte aquele em Fl. 602DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10166.015636/200297 Acórdão n.º 9900000.233 CSRFPL Fl. 288 5 que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte ocorrência do fato imponivel, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, sç 40, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3° ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Aniaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10' ed.,Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Swill, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3° ed., Max Limonad, Sao Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciarias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos iniponiveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994• e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinnqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de oficio substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. 0 Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.° 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF" (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso dos autos, verificase que houve antecipação de pagamento, em virtude de o recorrido ter efetuado recolhimentos antecipados por estimativa, conforme se depreende da leitura da decisão de primeira instância (fls. 668), in verbis: "7. 0 §1 0 do citado artigo determina que 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos ternos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. A impugnante efetuou recolhimentos antecipados de 1RPJ a titulo de estimativa, como comprova a tela de f I. 664. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Essa antecipação é condição necessária para que o crédito tributário decorrente do 1RPJ siga a regra do lançamento por homologação. 8. Uma vez demonstrado que o contribuinte efetuou o pagamento antecipado do tributo, impõese a contagem do prazo decadencial segundo o §4° do art. 150 da Lei n° 5.172/66. Segundo esse parágrafo, Se a lei não fixar prazo à homologação, sera ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 9. 0 presente lançamento em nenhum momento suscitou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Portanto, por se tratar de IRPJ, tributo lançado por homologação, e ter existido o pagamento antecipado do imposto, é de se reconhecer que a homologação tácita pela Fazenda Pública se deu cinco anos após a ocorrência do fato gerador. E, segundo o art. 221 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11.1.1994 (RJR/94), Considerase ocorrido o fato gerador na data do encerramento do períodobase, sem prejuízo 5 das incidências especificas em aplicações financeiras de renda.fixa e de renda variável (Lei n°8.541/92, arts. 3 0, 25, 29 e 36). 10. 0 IRPJ lançado seguiu o regime de apuração anual, referente ao anocalendário de 1997, cuja data de encerramento é de 31.12.1997. .t este o termo de inicio de contagem do prazo decadencial do direito de lançamento que assistia it Fazenda. E, segundo a regra emanada pelo art. 150 da Lei n° 5.172/66, o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário se extinguiu em 31.12.2002. A ciência ao contribuinte deste lançamento foi dada em 22.8.2003, data posterior ei ocorrência da decadência do direito da Fazenda. Portanto, a exigência de IRPJ relativa ao período de apuração de 1997 deve ser afastada por ter sido atingida pela decadência." Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 604DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10166.015636/200297 Acórdão n.º 9900000.233 CSRFPL Fl. 289 7 Fl. 605DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900097/2013-79
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/10/2010
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/10/2010 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10945.900097/2013-79
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5346955
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.044
nome_arquivo_s : Decisao_10945900097201379.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10945900097201379_5346955.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5446790
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591048253440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1769; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 9 1 8 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.900097/201379 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.044 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de fevereiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Recorrente CGS INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 25/10/2010 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 00 97 /2 01 3- 79 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900097/201379 Acórdão n.º 3801003.044 S3TE01 Fl. 10 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900097/201379 Acórdão n.º 3801003.044 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900097/201379 Acórdão n.º 3801003.044 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900097/201379 Acórdão n.º 3801003.044 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900097/201379 Acórdão n.º 3801003.044 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900097/201379 Acórdão n.º 3801003.044 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. . Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900097/201379 Acórdão n.º 3801003.044 S3TE01 Fl. 16 8 prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 14479.000028/2007-10
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2007 a 26/06/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO.
Constitui infração deixar o cedente da mão de obra de elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante.
AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS e o Departamento da Receita Federal - DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício as importâncias que reputarem devidas, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO. ART. 142 DO CTN. CUMPRIMENTO.
Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível
LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. VICIO FORMAL. INEXISTÊNCIA.
Diante de provas cabais de que a fiscalização agiu em conformidade com a legislação de regência, bem como discriminou devidamente quais estabelecimentos não foram declarados, da mesma forma que, da analise das GFIPs apresentada aferiu as omissões contidas nas declarações, não há que se falar em ofensa ao art. 37 da Lei nº 8.212/91.
PEDIDO DE JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO.
O contribuinte somente poderá juntar aos autos, novos documentos, após a impugnação, se, mediante petição demonstrar (i) a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) referir-se a fato ou a direito superveniente; ou (iii) se destinar-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.
DA RELEVAÇÃO DA MULTA. INDEFERIMENTO.
Não faz jus ao benefício de relevação da multa aplicada o contribuinte que não corrige a falta apontada pela fiscalização, conforme dispõe o §1º, do art. 291 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2007 a 26/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO. Constitui infração deixar o cedente da mão de obra de elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS e o Departamento da Receita Federal - DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício as importâncias que reputarem devidas, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO. ART. 142 DO CTN. CUMPRIMENTO. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. VICIO FORMAL. INEXISTÊNCIA. Diante de provas cabais de que a fiscalização agiu em conformidade com a legislação de regência, bem como discriminou devidamente quais estabelecimentos não foram declarados, da mesma forma que, da analise das GFIPs apresentada aferiu as omissões contidas nas declarações, não há que se falar em ofensa ao art. 37 da Lei nº 8.212/91. PEDIDO DE JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. O contribuinte somente poderá juntar aos autos, novos documentos, após a impugnação, se, mediante petição demonstrar (i) a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) referir-se a fato ou a direito superveniente; ou (iii) se destinar-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. DA RELEVAÇÃO DA MULTA. INDEFERIMENTO. Não faz jus ao benefício de relevação da multa aplicada o contribuinte que não corrige a falta apontada pela fiscalização, conforme dispõe o §1º, do art. 291 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 14479.000028/2007-10
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5327743
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Mar 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-003.042
nome_arquivo_s : Decisao_14479000028200710.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 14479000028200710_5327743.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5325875
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591062933504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2332; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 341 1 340 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14479.000028/200710 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.042 – 3ª Turma Especial Sessão de 19 de fevereiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ORTEL ALIMENTACÃO E SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 26/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO. Constitui infração deixar o cedente da mão de obra de elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício as importâncias que reputarem devidas, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO. ART. 142 DO CTN. CUMPRIMENTO. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. VICIO FORMAL. INEXISTÊNCIA. Diante de provas cabais de que a fiscalização agiu em conformidade com a legislação de regência, bem como discriminou devidamente quais estabelecimentos não foram declarados, da mesma forma que, da analise das GFIPs apresentada aferiu as omissões contidas nas declarações, não há que se falar em ofensa ao art. 37 da Lei nº 8.212/91. PEDIDO DE JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 00 28 /2 00 7- 10 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.000028/200710 Acórdão n.º 2803003.042 S2TE03 Fl. 342 2 O contribuinte somente poderá juntar aos autos, novos documentos, após a impugnação, se, mediante petição demonstrar (i) a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) referirse a fato ou a direito superveniente; ou (iii) se destinarse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. DA RELEVAÇÃO DA MULTA. INDEFERIMENTO. Não faz jus ao benefício de relevação da multa aplicada o contribuinte que não corrige a falta apontada pela fiscalização, conforme dispõe o §1º, do art. 291 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.000028/200710 Acórdão n.º 2803003.042 S2TE03 Fl. 343 3 Relatório 1. Cuidase de recurso voluntário interposto pela contribuinte ORTEL ALIMENTACÃO E SERVIÇOS LTDA. em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação interposta e manteve o crédito tributário. 2. De acordo com o sintético relatório fiscal (fls. 07), a empresa foi autuada porque deixou de elaborar folhas de pagamento distintas para cada estabelecimento, e por tomador de serviços (CFL 86). 3. Lavrado o auto de infração, a contribuinte foi dele cientificada em 30/07/.2007, conforme comprovante de fls. 02, tendo apresentado Impugnação às fls. 263/274. 4. Ao analisar os argumentos apresentados pela contribuinte, o Colegiado de primeira instância não acolheu as teses apresentadas. O acórdão restou lavrado com a ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 26/07/2007 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. A obrigação acessória, caracterizada como dever instrumental, não implica em antecipação de pagamento, razão pela qual à correspondente autuação aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, inc. I do Código Tributário Nacional. AUTO DE INFRAÇÃO. LEGALIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento defesa no Auto de Infração emitido com informação precisa dos fatos que ensejaram a autuação, inclusive permitindo ao sujeito passivo alegações de defesa vinculadas aos mesmos. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIO. MULTA. CORREÇÃO DA FALTA. COMPROVAÇÃO. RELEVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. BOA FÉ. AUSÊNCIA DE DOLO. IRRELEVANTE. É requisito indispensável para relevação da penalidade aplicada a comprovação da correção da falta que deu origem a autuação. A penalidade a ser aplicada, nos termos da legislação tributária, independe das circunstâncias ou dos efeitos das infrações, Fl. 343DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.000028/200710 Acórdão n.º 2803003.042 S2TE03 Fl. 344 4 bastando para sua imposição que se caracterize o fato ocorrido como desobediência à legislação tributária. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. VALOR DA MULTA. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. A incidência e o valor da multa correspondente ao descumprimento das obrigações acessórias no campo previdenciário encontramse normatizadas na Lei nº. 8.212/91 e seu regulamento, que contemplam todos os aspectos da hipótese de incidência tributária, competindo a autoridade fiscal, em respeito ao princípio da legalidade, obedecer ao ordenamento das normas legais de regência. PEDIDO DE JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de juntada de novos documentos quando não demonstrado pelo sujeito passivo razões que justifiquem a impossibilidade da apresentação de documentos ou outros elementos no prazo legal para impugnação do Auto de Infração, especialmente quando estes também deixaram de ser apresentados por ocasião da realização da diligência fiscal. DIREITO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NOVA FISCALIZAÇÃO. ÓRGÃO JULGADOR. INCOMPETÊNCIA. À Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ, órgão julgador de primeira instância, compete conhecer e julgar, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais, não detendo competência para determinar a realização de fiscalizações. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” 5. Inconformado com a decisão proferida, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 321/337), no qual aduz, em sede preliminar, a nulidade do acórdão recorrido sob o fundamento de que o Colegiado a quo não enfrentou toda a matéria de mérito trazida no seio da Impugnação. 6. Em seguida, a contribuinte tece considerações acerca dos pressupostos de admissibilidade do recurso e arguiu, ainda preliminarmente, a ausência de fundamentação para o ato administrativo que a imputou o crédito tributário ora discutido. Com isso, conclui estar o procedimento fiscal eivado de nulidade. 7. No mérito, a contribuinte afirma que o Auto de Infração ofende o art. 37, da Lei nº 8.212/91, porque não há, em seus anexos, a discriminação dos nomes dos segurados empregados que a fiscalização concluiu estar omitidos em GFIP’s. Diz ser isso vício formal, que macula de nulidade o procedimento fiscal. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.000028/200710 Acórdão n.º 2803003.042 S2TE03 Fl. 345 5 8. Sustenta, ainda, que a lavratura do Auto de Infração não observou o disposto no artigo 142, do CTN, o que torna o vício insanável. 9. Além disso, aponta a ocorrência de decadência, com base no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, das competências anteriores a 07/2002. 10. Quanto à multa aplicada, a contribuinte requereu sua relevação sob o argumento de que é primário e de que, na hipótese, não concorreu quaisquer das circunstâncias agravantes do artigo 290 do RPS. 11. Por derradeiro, a contribuinte demonstrou sua irresignação com a decisão que indeferiu a juntada de novos documentos. Enfatizou não ter tido tempo hábil para proceder à juntada, sendo que o indeferimento afronta a seu direito constitucional do contraditório e da ampla defesa. 12. Não tendo havido contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a este Conselho para análise e julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.000028/200710 Acórdão n.º 2803003.042 S2TE03 Fl. 346 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA AUSÊNCIA DE NULIDADE 2. Afasto de pronto a nulidade suscitada pela recorrente, repousada sobre os argumentos de que a decisão a quo não teria enfrentado a totalidade dos tópicos lançados na defesa administrativa interposta pela recorrente. 3. Basta uma breve análise do bojo do decisum proferido pela primeira instância para constatar que, ao analisar o arcabouço fático e os argumentos da recorrente, os doutos julgadores, cotejaram minuciosamente cada ponto levantado. Sendo assim, não há o que se falar em omissão quanto a análise dos autos. DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO E DA OBSERVÂNCIA DO ART. 142 DO CTN 4. A recorrente argui ausência de fundamentação para o ato administrativo que a imputou o crédito tributário ora discutido para concluir estar o procedimento fiscal eivado de nulidade. 5. No entanto, razão não lhe assiste. Isso porque não obstante ao relatório fiscal inicialmente apresentado pela fiscalização, esta ainda realizou diligência e elaborou relatório fiscal complementar, fls 105/108, no qual claramente descreve os fatos que culminaram na autuação fiscal conforme se depreende dos trechos claros e elucidativos, que transcrevo do documento fiscal: “a) Que os valores das RAIS/Sistema eram maiores do que o das folhas de pagamento apresentadas tendo sido o débito levantado por aferição indireta com base nos valores e nas competências informados na RAIS constantes do sistema informatizado deste órgão. b) Os estabelecimentos com débito lançados pela fiscalização foram: 0001, 0029, 0030, 0032, cujas RAIS constam do sistema informatizado deste órgão. c) Foram Verificadas todas as GFIPs apresentadas pela empresa e as constantes do sistema informatizado deste órgão, sendo que identificamos que o contribuinte omitiu valores na GFIP devidos à Previdência Social pagos a segurados no período de 01/1999 a 12/2005 referentes aos estabelecimentos 0001, 0029, 0030. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.000028/200710 Acórdão n.º 2803003.042 S2TE03 Fl. 347 7 d) O contribuinte, não elaborou folhas de pagamento distintas para cada estabelecimento e por tomador de serviços (autuado no CFL 86). e) O contribuinte deixou de preparar folhas de pagamentos a todos os segurados a seu serviço (autuado no CFL 30). Este fato impediu a identificação individualizada dos segurados que foram omitidos das fls. de pagamento, consequentemente também não foi possível identificada quais os segurados foram omitidos das GFIPs. Ademais, quanto a alegação de ilegalidade da aferição indireta, notese que a o auditor fiscal justiça claramente os motivos de ter adotado tal procedimento, tendo em vista que “os valores omitidos em GFIP foram objeto do Auto de Infração ao qual se refere esta diligência, e estão demonstrados em planilha (fls 12/13/14) que faz parte integrante do Auto de Infração lavrado quando da fiscalização. Conforme consta da “Nota explicativa” no final da planilha acima mencionada, em relação à contribuição dos segurados empregados, foi aplicada a alíquota mínima, isto é, 8% por tratarse de aferição indireta do débito.(105/106)” 6. Afasto, assim, a alegação de ofensa ao artigo 37 da Lei nº 8.212/91, e consequente vicio formal na elaboração do Auto de Infração oposta pela recorrente, ante provas cabais de que a fiscalização agiu em conformidade com a legislação de regência, bem como discriminou devidamente quais estabelecimentos não foram declarados, da mesma forma que, da análise das GFIPs apresentada aferiu as omissões contidas nas declarações. 7. Outro ponto questionado nas razões recursais da contribuinte é o fato de supostamente a autoridade fiscal não ter observado o disposto no art. 142 do CTN. O referido dispositivo legal determina que compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo o tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. 8. Ao contrário do que afirma a contribuinte, a autoridade fiscalizadora determinou o montante tributável. Como já exposto alhures, diante da não apresentação dos documentos solicitados pela autoridade fiscal, procedeu, nos moldes legais, a aferição indireta dessa quantia. DA DECADÊNCIA 9. Suscita a aplicação de decadência nos moldes do art. 173, I do CTN, no entanto verificase que tal argumento já foi acatado pelo colegiado de primeira instância como segue: “De acordo com art. 173, inc. I do CTN, as contribuições do período 01/1999 a 11/2001 encontramse abrangidas pela decadência (...) assim sendo, devem ser excluídas do presente Fl. 347DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.000028/200710 Acórdão n.º 2803003.042 S2TE03 Fl. 348 8 Auto de infração as multas relativas às ocorrências do período janeiro de 1999 a novembro de 2001 (fl. 127). (...). Conclusão Ante o exposto, VOTO no sentido de considerar improcedente a impugnação mantende parcialmente o crédito tributário lançado, em razão da exclusão de ofício das ocorrência integrante do período abrangido pela decadência.(fl. 138). DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 10. Conforme determina a legislação previdenciária é obrigação da empresa cedente de mão de obra elaborar folhas de pagamento distinta para cada contratante, conforme art. 31, § 5º da Lei nº 8.212/91, in verbis: “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). (...). § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante (grifei). 11. Não obstante as alegações da recorrente de que não cometeu qualquer infração, narra, claramente, o relatório fiscal que (i) a contribuinte não elaborou folhas de pagamento distintas por tomador de serviço, embora constituído como empresa “prestadora de serviços”, relacionandose com várias empresas tomadoras de serviços; (ii) as notas fiscais apresentadas contém valores retidos, fato que corrobora a afirmação de que a contribuinte atua como empresa prestadora de serviços, sujeitandose às normas pertinentes a sua atividade. 12. Vêse que, de fato, houve descumprimento de obrigação acessória, notadamente, os dispositivos supra mencionados e os argumentos apresentados pela recorrente não são hábeis a combater os fundamentos da autuação fiscal, dessa forma mantenho o lançamento fiscal. DA JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS 13. A apresentação do conjunto documental no Processo Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235/72, dáse no momento da apresentação da impugnação ao débito fiscal. Não podendo estenderse tal prazo, por tratarse de preclusão do direito da recorrente. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.000028/200710 Acórdão n.º 2803003.042 S2TE03 Fl. 349 9 14. A contribuinte somente poderá juntar novos documentos aos autos após a impugnação, se, mediante petição demonstrar (i) a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) referirse a fato ou a direito superveniente; ou (iii) se destinarse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. 15. In casu, o pleito da recorrente não subsiste, ante o fato de não se enquadrar em nenhuma das hipóteses elencadas pelo legislador. DA MULTA APLICADA 16. Requer, a recorrente, que a multa seja relevada, no entanto a autuada não cumpre os requisitos legais para tal benefício. Isso porque a multa somente será relevada se o infrator formular pedido e (i) corrigir a falta (totalmente), dentro do prazo da impugnação, ainda que não contestada a infração, e desde que (ii) seja o infrator primário e (iii) não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante, conforme §1º, do art. 291 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. 17. Vêse que são três os requisitos necessários para que a contribuinte faça jus ao benefício da relevação da multa. Sendo que alegar que, somente, ser infrator primário e não possuir circunstancias agravantes não atende ao disposto na norma supra citada, como pretende a recorrente. A contribuinte não corrigiu a falta em sua totalidade. Dessa forma, mantenho a penalidade aplicada. CONCLUSÃO 18. Ante ao exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, negar lhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720832/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). EXISTÊNCIA. AVERBAÇÃO.
A existência de Ato Declaratório Ambiental com a demonstração da área de Reserva Legal juntamente com a averbação da referida área no Registro de Imóvel são suficientes para gozo da isenção.
Numero da decisão: 2201-002.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 19/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR. RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). EXISTÊNCIA. AVERBAÇÃO. A existência de Ato Declaratório Ambiental com a demonstração da área de Reserva Legal juntamente com a averbação da referida área no Registro de Imóvel são suficientes para gozo da isenção.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13971.720832/2007-95
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5338987
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2201-002.327
nome_arquivo_s : Decisao_13971720832200795.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : NATHALIA MESQUITA CEIA
nome_arquivo_pdf_s : 13971720832200795_5338987.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 19/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5390561
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591079710720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1836; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720832/200795 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.327 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2014 Matéria ITR Recorrente ALDO SBRAVATI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). EXISTÊNCIA. AVERBAÇÃO. A existência de Ato Declaratório Ambiental com a demonstração da área de Reserva Legal juntamente com a averbação da referida área no Registro de Imóvel são suficientes para gozo da isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 19/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 08 32 /2 00 7- 95 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 11/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Relatório Por meio da Notificação de Lançamento de fls. 02 lavrada em 03/12/2007, exigese do contribuinte Aldo Sbravati o montante de R$ 98.108,58 de imposto, R$ 45.326,16 de juros de mora e R$ 73.581,43 de multa de ofício, referente ao ITR do exercício de 2004 incidente sobre o imóvel rural denominado Fazenda Pinhal no Município de Cedros em Santa Catarina. Na descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 03 a Autoridade Lançadora relata: · O contribuinte não comprovou a isenção da área de Reserva Legal, através de Ato Declaratório Ambiental (ADA). · O contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel o Valor da Terra Nua (VTN) informado, assim com base no art. 14 da Lei nº 9.393/96, arbitrou o VTN tendo por referência os valores constantes do SIPT. · O imóvel é composto por áreas constantes em duas matrículas de nº 1323 e nº 4322, sendo que apenas nesta última encontrouse averbada área de 561,07 hectares como sendo de utilização limitada (averbação 24322). Assim sendo, foi ajustado o valor declarado, glosandose a parte não averbada. Às fls. 04 foi juntado o Demonstrativo de Apuração do Imposto, onde o Contribuinte informou a título de área de Reserva Legal 1.849,9 ha e VTN de R$ 70.543,40, tendo a Autoridade Lançadora mantido apenas 561 ha de Reserva Legal e alterado o VTN para R$ 1.146.258,27. Às fls. 17 colaciona Ato Declaratório Ambiental datado de 06/10/2010 reconhecendo que dos 2.709,3 ha da Fazenda Pinhal (correspondente às matrículas imobiliárias nº 4322 e nº 1323), 725,8 ha são de APP e 1874,2 são área de Reserva Legal. Às fls. 19 foi apresentado pagamento de taxa vistoria cobrada pelo IBAMA devida por ser proprietário de imóvel rural beneficiado pela isenção do ITR com base em ADA, correspondente a 10% do ITR isentado no exercício de 2001. Às fls. 20 colaciona o pagamento da referida taxa de vistoria do IBAMA referente ao exercício de 2002. Às fls. 31 junta Termo de Compromisso de Manutenção de Floresta submetida a Manejo Florestal Sustentado com área de 1313,20, área de floresta destinada a manejo. A referida declaração é datada de 25/06/1990. O Contribuinte foi notificado do Auto de Infração em 20/12/2007 conforme aviso de recebimento de fls. 52 vindo a apresentar Impugnação em 16/01/2008 acostada às fls. 53, aduzindo: · A matrícula imobiliária de nº 4.322, na AV 24322, leva a efeito em 07/03/1983 noticia a averbação da área de 561,07 ha como de utilização limitada. · A mesma matrícula imobiliária, conforme constante da AV44.322, levada a efeito em 25/06/1990, foi feito gravame perpétuo sobre a área de 1.313,2 ha, também como utilização limitada. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 11/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13971.720832/200795 Acórdão n.º 2201002.327 S2C2T1 Fl. 3 3 · Em 09/10/2000, foi protocolado junto ao IBAMA o ADA informando e gravando novamente, que a área de Reserva Legal montava em 1.874,2 ha, cuja informação foi aceita pelo IBAMA. Informa que o IBAMA emitiu contra o contribuinte, boleto bancário calçado na Lei nº 10.165/00, cobrando o valor de 10% referente ao valor isentado na DITR 2003. · A AV44.322 da matrícula imobiliária bem como a taxa de vistoria do IBAMA cobrada do contribuinte comprovam a existência de área de utilização limitada subsumindose assim o contribuinte no benefício previsto no art. 10, II da Lei 9.393/96. · Retroatividade da art. 10, II, “e” da Lei nº 9.393/96 acrescido pelo art. 48 da Lei nº 11.428/06 com base no art. 106 do CTN. Na sessão do dia 18/09/2009 a 1ª Turma do DRJ/CGE através do acórdão 04 18.651 (fls. 83) julgou improcedente a Impugnação nos seguintes termos: · A exclusão da área de 1.313,2 ha da isenção decorreu do fato de que a averbação AV 44322, de 25.06.90, ser relativa a um Termo de Compromisso de Manutenção de Floresta submetida a Manejo Florestal Sustentado e não a Termo de compromisso de Reserva Legal. Embora a área de 1.313,2 ha seja uma área de Utilização Limitada, esta não se confunde com Área de Utilização Limitada de Reserva Legal, cujo Termo compromisso é específico. Ou seja, foi averbado o Termo de Exploração com Manejo que, se comprovada essa exploração conforme Plano de Manejo Florestal Sustentado — PMFS poderia ser considerada com Área de Exploração Extrativa e não área isenta. Não se trata, assim, de Termo de Reserva Legal, na qual, depois de averbada, também é possível exploração com PMFS, se devidamente autorizada e controlada pelo Órgão Ambiental. · Conforme os incisos, do § 1º, do artigo 10, da Lei nº 9.393/96, em vigor no ano base em foco, este tipo de área, explorada e/ou resultante de exploração controlada, cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, como é o caso, assim afirmado pelo interessado, não estava na lista das exclusões da área tributável do imóvel ao tempo do fato gerador. · A área de utilização limitada com base em PMFS, embora averbada na matrícula do imóvel, não se trata de ARL, não estando, assim regularizada para fins de isenção do ITR nos exercícios fiscalizados. Em razão disso, a pretensa área não deveria estar declarada como isenta, pois, não estava amparada para essa concessão, fato que configura declaração incorreta. · O presente caso não se enquadra a nenhuma das hipóteses do art. 106 do CTN, não sendo aplicável a retroatividade. · tendo em vista que não foi apresentado comprovante de averbação tempestiva, como ARL, da parcela de área glosada por tratase área de exploração extrativa com PMFS, não há como alterar o lançamento efetuado. · Não houve questionamento do VTN. O Contribuinte foi notificado da decisão em 16/10/2009 conforme aviso de recebimento de fls. 94, apresentando Recurso Voluntário em 29/10/2009 às fls. 95, aduzindo: · A averbação de 1.313,2 ha como utilização limitada preenche todos os requisitos para enquadramento no § 2º do art. 16 da Lei nº 4.771/65 que define a Reserva Legal. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 11/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 · Colaciona precedente jurisprudencial da presente Corte Administrativa referente aos ITRs de 1997 e 1998 proferidas no nas sessões dos dias 25 e 26 de maio de 2006 onde os acórdãos enquadraram a área de 1.313,2, ora em tela, como sendo Área de Preservação Permanente, lhe retirando da incidência do ITR. · Retroatividade da art. 10, II, “e” da Lei nº 9.393/96 acrescido pelo art. 48 da Lei nº 11.428/06 com base no art. 106 do CTN que exclui da incidência do ITR as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. · A área do imóvel glosada da exclusão do ITR, também pode ser considerada como de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas, de acordo com a Resolução do CONAMA nº 10/93. · A área glosada preenche todos os requisitos para isenção, enquadrandose no art. 10, §1º, II, b da Lei nº 9.393/96 – área de interesse ecológico, pois assim foi declarada pelo órgão federal competente – CONAMA. · Resumidamente a área de 1.313,2 ha se reveste de todas as condições preceituadas na Lei nº 9.393/96 pelos seguintes motivos: (i) área de utilização limitada grava na matricula do imóvel, (ii) por ser área de preservação permanente, (iii) por ser área de interesse ecológico para proteção de ecossistemas, (iv) por estar situada no âmbito da mata atlântica declarada pela CRFB/88 como patrimônio nacional, (v) por se área com cobertura florestal em estágio avançado de regeneração e não esta sendo objeto de corte (vi) por ser reconhecida tacitamente pelo IBAMA como de Utilização Limitada, conforme ADA e (vii) por já ter sido objeto de julgamento pelo Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheira NATHÁLIA MESQUITA CEIA O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Não há preliminares a serem enfrentadas, passemos ao mérito. Inicialmente, importante destacar que o Contribuinte não se insurgiu acerca do arbitramento do Valor da Terra Nua nem na Impugnação, nem no Recurso Voluntário, havendo, desta feita, preclusão da matéria. A lide é acerca do enquadramento ambiental da área de 1.313,2 ha, e a consequência tributária do referido enquadramento. A DRJ/CGE apontou que o fato de a área ser denominada como utilização limitada, não sendo possível sua exploração total, não se confunde com área de utilização limitada de Reserva Legal, pois se comprovado a exploração da área conforme o plano de manejo florestal sustentado, tal área poderia ser considerada com área de exploração extrativa. Desta feita, uma vez afastando o enquadramento como área de Reserva Legal, excluiu a referida área da incidência do art. art. 10, II da Lei nº 9.393/96. O Termo de Compromisso de Manutenção de Floresta submetido a Manejo Florestal de fls. 31 é de 25/06/1990. Já o Ato Declaratório Ambiental (ADA) de fls. 17 que reconhece 1.874,2 ha como área de Reserva Legal é de 09/10/2000. A referida área reconhecida no ADA corresponde ao somatório das áreas de 561,07 ha e 1.313,2 ha, AV 2 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 11/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13971.720832/200795 Acórdão n.º 2201002.327 S2C2T1 Fl. 4 5 4322 de 07/11/1983 e AV 4.4322 de 17/06/1990 da matrícula imobiliária 4322 respectivamente. No que tange a legislação ambiental é atribuição do IBAMA o enquadramento das limitações administrativas ambientais impostas as propriedades rurais. Isto é, o IBAMA é o órgão com expertise para verificar se a área de 1.313,2 ha enquadrase no inciso III do art. 1º c/c art. 16 § 2º ambos da Lei nº 4.771/65 Código Florestal abrogado, mas vigente à época do fato gerador: “Art. 1° As florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação, reconhecidas de utilidade às terras que revestem, são bens de interesse comum a todos os habitantes do País, exercendose os direitos de propriedade, com as limitações que a legislação em geral e especialmente esta Lei estabelecem. III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001).” Desta feita, não compete a presente Corte Administrativa afastar o enquadramento dado pelo IBAMA de determinada área rural sob pena de invasão de atribuição administrativa, salvo comprovado dolo, fraude ou simulação. Neste contexto, se o Ato Declaratório Ambiental (ADA) de fls. 17 que é posterior ao Termo de Compromisso de Manutenção de Floresta submetido a Manejo Floresta e posterior à averbação do referido Termo à matrícula do imóvel, enquadrou a referida área como Reserva Legal segundo as normas vigentes a época do fato gerador, cabe a presente Corte Administrativa reconhecer o referido enquadramento ambiental. Atentese que o referido ADA foi obtido em 06/10/2000 antes da ocorrência do fato gerador, sendo, portanto, tempestivo. Portanto, em face da existência de ADA (tempestivo) que consta a área de 1.313,2 ha como de Reserva Legal, a referida área deve ser albergada pelo beneficio fiscal. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido dar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 11/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 150DF CARF MF Impresso em 11/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.003177/2008-63
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3201-000.302
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente recurso por força do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministro da Fazenda nº 256 de 2009, bem como da Portaria Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nº 01 de 2012.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 10665.003177/2008-63
conteudo_id_s : 5340717
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3201-000.302
nome_arquivo_s : Decisao_10665003177200863.pdf
nome_relator_s : MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 10665003177200863_5340717.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente recurso por força do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministro da Fazenda nº 256 de 2009, bem como da Portaria Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nº 01 de 2012.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
id : 5400325
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591082856448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1906; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.003177/200863 Recurso nº Resolução nº 3201000.302 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25/01/2012 Assunto Sobrestamento Recorrente SANTOS & DIAS TRANSPORTES E CARVOEJAMENTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente recurso por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministro da Fazenda nº 256 de 2009, bem como da Portaria Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nº 01 de 2012. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano D’AmorimRelator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Daniel Mariz Gudiño, Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “O contribuinte acima identificado apresenta manifestação de inconformidade (fls. 14/26) contra o despacho decisório de fl.12, que Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10665.003177/200863 Resolução n.º 3201000.302 S3C2T1 Fl. 2 2 indeferiu seu pedido de restituição de fl. 01 relativo ao PIS, nos termos resumidos a seguir. Narrando os fatos considerados pela repartição na formalização do presente processo e transcrevendo doutrina e jurisprudência acerca do assunto, propugna pela exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, por juridicamente não poder ser incluído em nenhum dos conceitos correspondentes ao faturamento ou à receita, a exemplo do entendimento exarado pelo Tribunal Superior de Justiça e pelo STF, em face de sua indevida e inconstitucional inclusão, uma vez que não guarda relação com o faturamento, tratandose de receita pertencente ao erário, com afronta ao art. 110 do CTN. Requerendo a atualização do crédito tributário pela Selic, propugna pela procedência da manifestação de inconformidade. Eis o essencial. É o relatório. “ O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BHE no 0228.362, de 30/08/2010, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/02/2004 a 31/03/2008 Faturamento Os valores correspondentes ao ICMS, por expressa falta de previsão legal, não podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” O julgamento foi no sentido de tornar improcedente a manifestação de inconformidade interposta pelo interessado. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano DAmorim O recurso voluntário é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10665.003177/200863 Resolução n.º 3201000.302 S3C2T1 Fl. 3 3 O cerne da questão entre a Recorrente e a decisão recorrida referese à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS. No entanto, tratase de matéria cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706 que assim dispõe: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. (RE 574706 RG, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, julgado em 24/04/2008, DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008 EMENT VOL0231910 PP02174 ) Considerando que o Supremo Tribunal Federal determinou expressamente o sobrestamento de todos os recursos sobre o tema, aplico o art. 62A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, bem como o art. 2º, § 2º, I, da Portaria CARF nº 001 de 2012, para sobrestar o presente recurso voluntário até que esteja transitado em julgado o acórdão a ser proferido no recurso extraordinário acima mencionado. É como voto. Mércia Helena Trajano DAmorimRelator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000703/2005-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA
Os créditos de bens adquiridos para revenda do regime de não-cumulatividade somente podem ser admitidos se tais bens estiverem sujeitos ao pagamento da contribuição. Não tendo sido comprovado nos autos do atendimento desta condição, os bens adquiridos para revenda não geram direito ao crédito do PIS.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO.
Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram crédito das contribuições no regime não-cumulativo quando vinculados a bens diretamente empregados na produção dos bens destinados à venda. Não tendo sido comprovado nos autos o atendimento desta condição, a depreciação não gera direito ao crédito do PIS.
AQUISIÇÃO DE VEÍCULO. COMPROVAÇÃO.
Inexistindo nos autos prova da aquisição de veículos escriturados no Ativo Imobilizado da pessoa jurídica, não há como reconhecer o crédito de PIS relativo à despesa de depreciação destes bens.
DESPESAS FINANCEIRAS DECORRENTES DE EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS DE PESSOA JURÍDICA.
Não tendo sido confirmado, pela autoridade fiscal, em face da documentação apresentada pela interessada, os valores considerados pela contribuinte na apuração do crédito que seriam decorrentes de empréstimos e financiamento de pessoa jurídica, e não tendo sido carreado aos autos, sem sede de recurso, qualquer comprovação de tais valores, incabível o crédito pleiteado.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA ADQUIRIDOS DE
PESSOAS FÍSICAS.
A pessoa jurídica que adquire de pessoa física e revende produtos "in natura", mesmo tendo realizado operação de limpeza, secagem, padronização e armazenagem (cerealista), não faz jus ao crédito presumido do PIS, uma vez que não se enquadra na condição de pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria).
VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL.
A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplica-se aos custos, despesas e encargos que sejam comuns a ambas as receitas.
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de PIS não cumulativo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3202-001.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Tatiana Midori Migiyama.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA Os créditos de bens adquiridos para revenda do regime de não-cumulatividade somente podem ser admitidos se tais bens estiverem sujeitos ao pagamento da contribuição. Não tendo sido comprovado nos autos do atendimento desta condição, os bens adquiridos para revenda não geram direito ao crédito do PIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram crédito das contribuições no regime não-cumulativo quando vinculados a bens diretamente empregados na produção dos bens destinados à venda. Não tendo sido comprovado nos autos o atendimento desta condição, a depreciação não gera direito ao crédito do PIS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULO. COMPROVAÇÃO. Inexistindo nos autos prova da aquisição de veículos escriturados no Ativo Imobilizado da pessoa jurídica, não há como reconhecer o crédito de PIS relativo à despesa de depreciação destes bens. DESPESAS FINANCEIRAS DECORRENTES DE EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS DE PESSOA JURÍDICA. Não tendo sido confirmado, pela autoridade fiscal, em face da documentação apresentada pela interessada, os valores considerados pela contribuinte na apuração do crédito que seriam decorrentes de empréstimos e financiamento de pessoa jurídica, e não tendo sido carreado aos autos, sem sede de recurso, qualquer comprovação de tais valores, incabível o crédito pleiteado. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. A pessoa jurídica que adquire de pessoa física e revende produtos "in natura", mesmo tendo realizado operação de limpeza, secagem, padronização e armazenagem (cerealista), não faz jus ao crédito presumido do PIS, uma vez que não se enquadra na condição de pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria). VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplica-se aos custos, despesas e encargos que sejam comuns a ambas as receitas. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de PIS não cumulativo. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13982.000703/2005-96
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5346373
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-001.184
nome_arquivo_s : Decisao_13982000703200596.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 13982000703200596_5346373.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Tatiana Midori Migiyama. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5440896
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591084953600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2268; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 776 1 775 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13982.000703/200596 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.184 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2014 Matéria PIS/PASEP. PER/DCOMP Recorrente AGRÍCOLA COLFERAI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA Os créditos de bens adquiridos para revenda do regime de não cumulatividade somente podem ser admitidos se tais bens estiverem sujeitos ao pagamento da contribuição. Não tendo sido comprovado nos autos do atendimento desta condição, os bens adquiridos para revenda não geram direito ao crédito do PIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram crédito das contribuições no regime nãocumulativo quando vinculados a bens diretamente empregados na produção dos bens destinados à venda. Não tendo sido comprovado nos autos o atendimento desta condição, a depreciação não gera direito ao crédito do PIS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULO. COMPROVAÇÃO. Inexistindo nos autos prova da aquisição de veículos escriturados no Ativo Imobilizado da pessoa jurídica, não há como reconhecer o crédito de PIS relativo à despesa de depreciação destes bens. DESPESAS FINANCEIRAS DECORRENTES DE EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS DE PESSOA JURÍDICA. Não tendo sido confirmado, pela autoridade fiscal, em face da documentação apresentada pela interessada, os valores considerados pela contribuinte na apuração do crédito que seriam decorrentes de empréstimos e financiamento de pessoa jurídica, e não tendo sido carreado aos autos, sem sede de recurso, qualquer comprovação de tais valores, incabível o crédito pleiteado. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA’ ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 07 03 /2 00 5- 96 Fl. 787DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 A pessoa jurídica que adquire de pessoa física e revende produtos "in natura", mesmo tendo realizado operação de limpeza, secagem, padronização e armazenagem (cerealista), não faz jus ao crédito presumido do PIS, uma vez que não se enquadra na condição de pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria). VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase aos custos, despesas e encargos que sejam comuns a ambas as receitas. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de PIS não cumulativo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Tatiana Midori Migiyama. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de créditos do PIS/Pasep Exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa — Mercado Externo, apresentado em formulário em 31/10/2005, correspondente ao 2º trimestre de 2004, totalizando R$ 134.092,09 (f1. 01), cumulado com Declaração de Compensação, apresentada em formulário na mesma data, pretendendo compensar débitos próprios no total de R$ 39.305,00 (fl. 02), que foi, posteriormente, substituída pela Declaração de Compensação, entregue em 24/11/2005, compensando débitos no valor de R$ 80.000,00 (fl. 108). A DRF em Ponta Grossa/PR, por meio do Despacho Decisório n° 130/2010 (fls. 672/682), a partir das informações fornecidas pela interessada, indeferiu o pedido de ressarcimento formulado e, em conseqüência, não homologou a compensação pretendida. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.000703/200596 Acórdão n.º 3202001.184 S3C2T2 Fl. 777 3 Na análise realizada pela autoridade administrativa, foram feitas glosas dos créditos decorrentes de: 1) Dos Bens para Revenda aquisições de produtos que estavam sujeitos à alíquota diferenciada (alíquotas concentradas e alíquotas reduzidas), como produtos farmacêuticos, cuja venda pelo industrial/importador não está sujeita ao pagamento da contribuição alíquota reduzida a zero (inciso I do art. 1° da Lei nº 10.147/2000) e produtos tributados com alíquota diferenciada concentrada (inciso I do art. 1° e art. 2°), e aquisições que não foi [sic] fornecido [sic] o NCM, totalizando R$ 104.025,61; 2) Das Despesas de Energia Elétrica taxa de iluminação pública e outros valores incluídos na conta mensal, mas que não representam consumo de energia elétrica, e fatura de energia do mês de junho/2004 que deixou de ser apresentada, que totaliza RS 3.273,15; 3) Despesas Financeiras Decorrentes de Empréstimos e Financiamentos por falta de confirmação de alguns valores considerados na apuração do crédito, no valor de R$ 10.703,22; 4) Dos Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado itens constantes do ativo imobilizado que não são efetivamente utilizados na produção de bens e valores de depreciação dos veículos Fiat Strada Working e Volvo NL 12360 4X2T, cujas notas fiscais de entrada não foram apresentadas, totalizando R$ 22.666,02; 5) Do Crédito Presumido — Atividades Agroindustriais crédito presumido apurado sobre aquisição de produtos agrícolas diretamente de pessoas físicas, uma vez que a legislação permitiu o creditamento para as pessoas jurídicas cerealistas a partir de fevereiro de 2004, apenas sobre compras de produtos de origem vegetal in natura, quando as vendas fossem efetuadas às agroindústrias: para o período, algumas vendas de "milho de Grão" atenderam a todos os requisitos exigidos pela legislação, representando, respectivamente, 20%, 30% e 20%, em abril/2004, maio/2004 e junho/2004, do total das vendas; e 6) Do Rateio dos Créditos créditos vinculados ao mercado externo, pelo critério de rateio, mas que foram identificados como totalmente vinculados ao mercado interno. Cientificada em 13/07/2010 (fl. 683), a interessada, por intermédio de seu representante legal (fls. 720/725), ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 688/719, em 12/08/2010, contestando as glosas procedidas pela autoridade administrativa, com o teor a seguir descrito. Argumenta que, por não possuir um sistema de custo integrado, utilizou o critério de rateio proporcional de todos os créditos, tendo sido esse o método por ela adotado em todo o anocalendário, a teor do § 8° do art. 3° da Lei IV 10.637, de 2002, e que a autoridade fiscal não se embasou em nenhuma lei ou instrução normativa, que estabeleça a vinculação dos créditos aos tipos de receita a ser realizada diretamente, sendo uma interpretação pessoal do auditor fiscal. Em relação à glosa de bens para revenda, diz que foi equivocada a inclusão dos créditos relativos a "bens adquiridos para revenda — alíquota zero , tendo sido acertada a glosa efetuada. No entanto, discorda da glosa de R$ 49.268,48 de duas notas fiscais de aquisição de defensivos agrícolas, uma vez que as aquisições ocorreram com amparo em documentos fiscais e sobre elas incidiu a tributação de PIS/Pasep e Cofins, sendo registradas em seus livros fiscais. Chama atenção ao fato de que foi intimada a apresentar um rol de 416 cópias de documentos, em formato digital, referindose aos anos 2003 Fl. 789DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 e 2004, ou seja, após decorridos de seis a sete anos, para atendimento num curto prazo (cinco dias), o que poderia haver ocorrido falha na inclusão de algum documento, por isso, solicita seja desconsiderada a glosa, pois de fato faz jus ao crédito. Quanto às glosas das despesas de energia elétrica, discorda do procedimento fiscal, primeiramente, porque não foi informado com clareza qual a composição dos valores glosados e, depois, porque o Legislador não limitou o crédito, segregando a fatura e detalhando os itens passíveis de crédito, já que o seu objetivo foi conceder o crédito sobre toda a fatura de energia elétrica. No que tange à glosa de despesas financeiras, diz que a não apresentação dos documentos comprobatórios pode ter ocorrido devido a falha involuntária no ato de salvar a cópia digital no CD, já que eram muitas cópias digitais solicitadas, mas as despesas ocorreram e foram registradas nos livros fiscais e na escrita contábil, de forma a possibilitar a apropriação dos referidos créditos. No que se refere a glosa dos encargos de depreciação, diz que: 1) para os bens alocados no "setor administrativo" e no "setor de faturamento" a glosa de R$ 1.039,38 procede; 2) contesta a glosa da depreciação veículos (bens) utilizados na assistência técnica agronômica, para prestação de assistência técnica aos agricultores e garantir a eficiência dos produtos que comercializa, e também para o transporte de mercadorias e grãos, já que necessários a atividade da empresa; e 3) os veículos Fiat Strada e Volvo NLI2360 foram adquiridos com amparo de documentos fiscais e foram devidamente registrados em seus livros a época, permitindo, portanto, o direito ao credito postulado sobre a depreciação dos mesmos. Aduz que o crédito presumido aproveitado está disposto no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que foi permitido em duas hipóteses: no § 5º para as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal e nos §§ 10 e 11 para aquelas pessoas jurídicas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, armazenar, padronizar e comercializar os produtos "in natura" de origem animal ou vegetal; ao contrário do que entendeu o auditor fiscal que partiu do equivocado pressuposto de que o crédito só poderia ter sido pleiteado por agroindústria e não por empresas cerealistas. Outro equívoco da autoridade fiscal é o de que estaria sendo pleiteado somente o crédito previsto no § 11 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, pois o crédito postulado foi também fundamentado no § 10 do art. 3º da Lei n° 10.637/2002, a exemplo do seu principal produto: "soja, que é por ela produzido, está previsto no capitulo 12 e gera direito ao crédito. Enfatiza que devem ser atendidos dois requisitos: ser pessoa jurídica e produzir as mercadorias de origem vegetal ali relacionadas e adquirir bens, no período, diretamente de pessoas físicas residentes no pais, relacionados no inciso II do caput do art. 3º. Entende haver atendido os pressupostos elencados, já que produz as mercadorias de origem vegetal, pois, ao efetuar o processo de secagem, padronização e limpeza dos grãos efetua o processo de produção/industrialização, na modalidade de beneficiamento, conforme art. 3" do RIPI, e que o entendimento de que há industrialização podese buscar na Portaria n° 262, de 1983, do Ministério da Agricultura, que define a padronização necessária para que a soja seja introduzida no mercado, assim como o julgado do STJ que entendeu ser o "arroz beneficiado" um produto industrializado. Diz atender também ao segundo requisito, já que adquire bens e insumos diretamente de pessoas físicas domiciliadas no país. Ressalta que, a partir do dispositivo vigente a partir de 02 de fevereiro de 2004, enquadrase nos requisitos estabelecidos pela lei: adquire diretamente de Fl. 790DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.000703/200596 Acórdão n.º 3202001.184 S3C2T2 Fl. 778 5 pessoas físicas residentes no pais produtos de origem vegetal; exerce cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos ali listados; e o terceiro, que gerou a glosa, é que as vendas tenham sido efetuadas às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal e vegetal (§ 5º), mas cujo requisito também foi atendido, pois as mercadorias foram exportadas para essas pessoas jurídicas (§ 5º) estabelecidas no exterior. Tece consideração acerca da intenção do legislador na concessão do crédito presumido, concluindo que a norma tem o objetivo de não exportar tributos e fez de forma geral. Por fim, solicita seja atualizado monetariamente o valor integral do crédito que tem direito, pois, ao contrário, tipificaria um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública, não podendo ser prejudicada pela demora do Fisco na apreciação de seu pedido.” A DRJCuritiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 732/744), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA. Permitese o crédito nãocumulativo em relação aos valores da energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa e não o valor total constante da fatura da concessionária, onde são cobrados outros serviços. CRÉDITOS. ENCARGOS DE AMORTIZAÇÃO/DEPRECIAÇÃO. BENS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. A partir de 01 de fevereiro de 2004, podese descontar créditos calculados em relação à depreciação apenas de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. AQUISIÇÕES DE VEÍCULOS. BENS PARA REVENDA. DESPESAS FINANCEIRAS. COMPROVAÇÃO. O aproveitamento de créditos no sistema de nãocumulatividade da contribuição para o PIS/Pasep, calculados sobre as aquisições de bens e serviços utilizados como insumo, fica condicionada a comprovação dos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no país. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA' ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. A pessoa jurídica que adquire produtos” in natura" de pessoas físicas residentes no País, realizando operação de limpeza, secagem, padronização e armazenagem para futura Fl. 791DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 comercialização (cerealista), somente faz jus ao crédito presumido, no período de fevereiro a julho de 2004, quanto às vendas realizadas às pessoas jurídicas produtoras de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria). CRÉDITO PRESUMIDO. CEREALISTA. EXPORTAÇÃO. Os produtos adquiridos de pessoas físicas exportados por pessoas jurídicas cerealistas não geram a elas direito a crédito presumido da contribuição. VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATE() PROPORCIONAL. Inexistindo apropriação direta, a determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase aos custos, despesas e encargos, que sejam comuns a ambas as receitas. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SEL1C. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a titulo de ressarcimento de créditos apurados no sistema de nãocumulatividade do P1S/Pasep, por expressa vedação legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 748/783), repisando idênticos argumentos expendidos na impugnação, quais sejam . a) quanto ao rateio das receitas do mercado interno e mercado externo: que não existe nenhuma lei ou instrução normativa que estabeleça que a vinculação dos créditos aos tipos de receita deve ser realizada diretamente, quando for possível identificar a vinculação exclusiva dos créditos a cada tipo de receita; que a lei estabelece que o crédito deve ser determinado a critério a pessoa jurídica, cabendo a esta escolher a forma como irá apurálo: se possuir um sistema de contabilidade de custos integrada, poderá optar pela forma de apropriação direta; se não o possuir, poderá optar pela forma de rateio proporcional – a pessoa jurídica deve optar entre uma ou outra forma de rateio, mas não pode mesclar os dois procedimentos. que usando da faculdade que a lei lhe outorgou, por não possuir um sistema de controle permanente de estoque que lhe permitisse a sua avaliação, visto que seu estoque é apurado com base em levantamento físico e posterior avaliação, não lhe foi possível optar pela apropriação direta, restandolhe a opção do rateio proporcional; b) quanto às glosas dos bens para revenda: que foi equivocada a inclusão dos créditos relativos a "bens adquiridos para revenda alíquota zero”, tendo sido acertada a glosa efetuada. No entanto, discorda da glosa de Fl. 792DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.000703/200596 Acórdão n.º 3202001.184 S3C2T2 Fl. 779 7 R$ 49.268,48 de duas notas fiscais de aquisição de defensivos agrícolas, uma vez que as aquisições ocorreram com amparo em documentos fiscais e sobre elas incidiu a tributação de PIS/Pasep e Cofins, sendo registradas em seus livros fiscais. que foi intimada a apresentar um rol de 416 cópias de documentos, em formato digital, referindose aos anos 2003 e 2004, ou seja, após decorridos de seis a sete anos, para atendimento num curto prazo (cinco dias), o que poderia haver ocorrido falha na inclusão de algum documento, por isso, solicita seja desconsiderada a glosa, pois de fato faz jus ao crédito; c) quanto às glosas das despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica que foi submetida a um tratamento ditatorial, pois o auditor fiscal e o julgador transferiram o ônus da prova ao contribuinte, que, após longo período de tempo, teve apenas 15 dias para apresentar a documentação da forma como quis o fiscal. Afirma que a obrigação seria do fiscal ir à empresa para conferir. que a escrituração contábil faz a prova necessária e que cabe ao fisco comprovar as incorreções; que as referidas despesas financeiras ocorreram e foram registradas na escrita fiscal à época, conforme indicam os livros razão e demais demonstrativos que foram entregues em atendimento à intimação fiscal; d) quanto às glosas dos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado: que a glosa de R$ 1.039,38 é procedente em relação aos bens alocados no "setor administrativo" e no "setor de faturamento"; que é indevida a glosa dos encargos de depreciação restantes, no valor de R$ 21.626,64, calculados sobre os veículos utilizados na Assistência Técnica Agronômica e no transporte de mercadorias, que são atividades de prestação de serviços que dão suporte às vendas; que os veículos Fiat Strada Working e Volvo NLI2360 foram adquiridos com amparo de documentos fiscais e foram devidamente registrados nos livros fiscais e na escrita contábil à época, permitindo, assim, o direito de se creditar em relação à depreciação dos veículos e) quanto ao crédito presumido do PIS/PASEP referente a atividades agroindustriais: que a decisão a quo violou o artigo 111 do CTN ao restringir a aplicação do termo "produzir", que tem clara definição nos artigos 3° e 4° do Regulamento do IPI, como sendo qualquer operação, mesmo incompleta, parcial ou intermediária, prevista no artigo 4º; que a decisão foi equivocada ao entender que o crédito só poderia ser requerido por agroindústria e que, como a contribuinte é empresa cerealista, não teria direito ao crédito. Entende que, para fazer jus ao crédito pretendido, importa saber se a recorrente Fl. 793DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 preenche os requisitos estabelecidos pela lei, não importando se é agroindústria ou cerealista ou se é agroindústria e cerealista ao mesmo tempo; que o crédito presumido aproveitado está disposto no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, e que foi permitido em duas hipóteses: no § 5,º para as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal, e nos §§ 10 e 11, para aquelas pessoas jurídicas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, armazenar, padronizar e comercializar os produtos "in natura" de origem animal ou vegetal, como é o caso da recorrente; ao contrário do que entendeu o auditor fiscal, que partiu do equivocado pressuposto de que o crédito só poderia ter sido pleiteado por agroindústria e não por empresas cerealistas; que a autoridade fiscal equivocadamente entendeu que estava sendo pleiteado somente o crédito previsto no § 11 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, mas o crédito postulado foi também fundamentado no § 10 do art. 3º da Lei n° 10.637/2002, a exemplo do seu principal produto, a soja, que é por ela produzido, está previsto no capitulo 12 e gera direito ao crédito. que, para ter direito ao crédito do PIS/PASEP referente ao §10 do art. 3º da lei nº. 10.637/2002, devem ser atendidos dois requisitos: i. ser pessoa jurídica e produzir as mercadorias de origem vegetal ali relacionadas; e ii. adquirir bens, no período, diretamente de pessoas físicas residentes no pais, relacionados no inciso II do caput do art. 3º; que atende ao primeiro requisito da lei, já que produz, na modalidade de beneficiamento, as mercadorias de origem vegetal (milho, soja e trigo, dentre outros). Afirma que, ao proceder à secagem, padronização e limpeza dos grãos, efetua o processo de produção/industrialização, na modalidade de beneficiamento. Aduz que realiza não somente um dos processos de produção, mas vários deles e simultaneamente. Alega que é infundado o entendimento da autoridade julgadora a quo, de que a contribuinte estaria ampliando a definição do termo “produzir”, vez que é o RIPI quem estabelece que o termo “produzir” é aplicável às várias situações descritas no seu art. 4º; que o entendimento de que há industrialização pode ser buscado na Portaria n° 262, de 1983, do Ministério da Agricultura, a qual define a padronização necessária para que a soja seja introduzida no mercado, assim como o julgado do STJ que entendeu ser o "arroz beneficiado" um produto industrializado; e faz considerações acerca da intenção do legislador ao conceder o crédito presumido, que seria corrigir alguma distorção relacionada à carga tributária que sobrecarrega alguma atividade ou etapa da cadeia produtiva; e f) quanto ao direito à atualização monetária, afirma que tem direito aos créditos corrigidos monetariamente, vez que a correção representa apenas uma atualização do valor nominal da moeda. Alega que a concessão dos créditos sem a atualização monetária implica em enriquecimento ilícito da Fazenda Pública. Ao final, requereu seja dado provimento ao recurso voluntário para : a) que sejam homologadas as declarações de compensação apresentadas; b) seja deferido, na integralidade, o crédito presumido de PIS;e c) seja atualizado monetariamente o valor integral do crédito presumido de PIS pleiteado. É o Relatório. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.000703/200596 Acórdão n.º 3202001.184 S3C2T2 Fl. 780 9 Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Ao teor do relatado, tratam os autos de Pedido de Ressarcimento de créditos do PIS/Pasep Exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa Mercado Externo, correspondente ao 2º trimestre de 2004, no valor total de R$ 134.092,09 (f1. 01), cumulado com Declaração de Compensação, apresentada em formulário na mesma data, pretendendo compensar débitos próprios no total de R$ 39.305,00 (fl. 02), que foi, posteriormente, substituída pela Declaração de Compensação, entregue em 24/11/2005, compensando débitos no valor de R$ 80.000,00 (fl. 108). Dos Bens Adquiridos Para Revenda O art. 3º da Lei nº. 10.637/2002, na redação vigente à época dos fatos alegados, assim estabelece: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) ......................................................................................................... 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) ......................................................................................................... II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) A autoridade fiscal efetuou a glosa em relação aos bens adquiridos para revenda em razão de: a) ter a contribuinte incluído bens ( produtos farmacêuticos) não sujeitos ao pagamento da contribuição (alíquota reduzida a zero) e b) terem sido incluídos produtos farmacêuticos para os quais não foram fornecidos os códigos NCM. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 Em seu recurso voluntário, a contribuinte discorda apenas da glosa efetuada no montante de R$ 49.268,48, que seriam referentes a duas Notas Fiscais de aquisição de defensivos agrícolas e que, segundo afirma a querelante, sobre elas teria incidido a tributação de PIS/Pasep e Cofins. Acontece, porém, que a contribuinte não indica o número das Notas Fiscais, tampouco junta cópia das tais NF aos autos, de forma que não há qualquer comprovação daquilo que alega. Tratandose de pedido de ressarcimento, cujo ônus de provar o direito creditório alegado cabe à contribuinte, há que se manter a glosa efetuada. Dos Encargos de Depreciação dos Bens do Ativo Imobilizado No período entre 01/02/2004 a 31/07/2004, dão direito a crédito do PIS os encargos de depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços, independentemente da data de aquisição (art.3º, VI, e art. 15, II, da Lei n° 10.833/2003, c/c art.31 da Lei nº 10.865/2004). A Fiscalização efetuou a glosa dos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado, tendo em vista que dizia respeito a valores relativos à depreciação de bens do imobilizado que não eram utilizados na produção dos bens destinados à venda. Já a glosa relativa à depreciação de dois veículos Fiat Strada Working e Volvo NL12360 4X2T, temse que esta ocorreu em razão de não terem sido apresentadas as Notas Fiscais de aquisição dos veículos. Em sede de recurso, a querelante incorreu na mesma carência probatória: não comprovou que os bens do imobilizado seriam utilizados na produção dos bens destinados a venda, tampouco juntou aos autos as Notas Fiscais de aquisição dos veículos, razões pelas quais não há como se deferir o crédito pretendido. Das Despesas Financeiras Decorrentes de Empréstimos e Financiamentos de Pessoa Jurídica A contribuinte teve glosados os valores referentes às despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, em razão de a autoridade fiscal, em face da documentação apresentada, não ter confirmado os valores considerados pela contribuinte na apuração do crédito. Em sede de recurso, a contribuinte também não traz nenhum elemento de prova, limitandose a apresentar alegações referentes à dificuldade para apresentar os documentos e a afirmar que as despesas foram realizadas, sem, no entanto, respaldar tal afirmação com elementos de prova. Mais uma vez, por ausência de comprovação do crédito alegado, deve ser mantida a glosa efetuada. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.000703/200596 Acórdão n.º 3202001.184 S3C2T2 Fl. 781 11 Do Crédito Presumido do PIS/PASEP Referente a Atividades Agroindustriais Em fase recursal, centrase a defesa da contribuinte na tentativa de demonstrar que teria direito ao crédito presumido do PIS/PASEP de acordo com os §§ 10 e 11 do art. 3° da Lei n° 10.637/2002, já que preencheria todas as condições ali estabelecidas, quais sejam: i. ser pessoa jurídica e produzir as mercadorias de origem vegetal ali relacionadas; e ii. adquirir bens, no período, diretamente de pessoas físicas residentes no pais, relacionados no inciso II do caput do art. 3º. Vejase o que dispõe o referido §10º do art. 3º da Lei nº. 10.637/2002 Art. 3º. ............................................................................................ § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Alega a recorrente que é produtora das mercadorias de origem vegetal elencadas no §10º acima transcrito, em razão de praticar a atividade de beneficiamento prevista no art. 4º do RIPI. Afirma que o art. 3º daquele Regulamento define o que vem a ser produção. Vejamos o que dispõe a legislação do RIPI invocada pela recorrente: Art. 3º. – Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária Art. 4º. Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: ......................................................................................................... II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento) Vêse, claramente, que a definição do art. 3º do RIPI resumese à identificação do que seja um produto industrializado e, no art. 4º, o que vem a ser Fl. 797DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 industrialização para fins de incidência do IPI. Não há qualquer relação daqueles artigos com a definição de “produção”. Demais disso, se a legislação do PIS/PASEP e da COFINS quisesse se aproveitar de qualquer conceito firmado na legislação do IPI, assim expressamente teria mencionado nas leis nº. 10.637/2002 e 10.833/2003. Por outro lado, ainda que se adotasse a linha de raciocínio equivocada manifestada pela recorrente, e se buscasse o conceito de produtor na legislação do IPI, ainda assim a querelante não se enquadraria como estabelecimento industrial e, por conseguinte, com perdão das obviedades e cacofonias, não poderia ser identificada como “produtor industrial que produz produto industrializado por beneficiamento”, visto que trigo, milho e soja são produtos não tributados pelo IPI (NT), não atendendo a querelanete, assim, ao conceito estabelecido no art. 8º do mesmo RIPI: Art. 8º. Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. É claro que todos os “produtos”, por óbvio, foram “produzidos”, foram objetos de “produção”, mas “produção” no sentido de criação, de origem. No dicionário Aurélio, temse como definição do vernáculo “produzir”: 1. dar nascimento ou origem a; dar o ser a; fazer existir; criar; gerar (...) 2. Fazer aparecer, ocasionar, originar (...). Assim, o produtor dos grãos de soja, milho e trigo é aquele que planta esses produtos, que faz nascer os grãos, não aquele que os adquire. A recorrente não produz soja, milho e trigo; ela adquire estes grãos, como cerealista, e os submete ao processo de limpeza, padronização, secagem e armazenagem. A recorrente é comerciante de cereais, ou seja, é cerealista, jamais podendo ser beneficiada pelo creditamento previsto nos §§10 e 11 da lei nº.10.637/2002. Demais disso, vale repisar as considerações tecidas pela autoridade julgadora de piso: “.......................................................................................................................... De qualquer maneira, analisando a evolução legislativa sobre o tema, é possível facilmente observar a distinção dida para as atividades econômicas de "produção" de mercadorias e o seu "beneficiamento". A Lei nº. 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que trata da incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, mas aplicável à contribuição para o PIS/PASEP, em decorrência do disposto em seu art. 15, estabelecia em seu § 11 do art. 3°, cuja vigência permaneceu de 1º/02/2004 a 31/07/2004: §11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no Pais produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS . devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5º, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta Fl. 798DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.000703/200596 Acórdão n.º 3202001.184 S3C2T2 Fl. 782 13 por cento) daquela prevista no art. 2º sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura." (Negritouse). Posteriormente, a Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (com a redação dada pelas Leis n°11.05:1, de 2004, e n°11.196, de 21/11/2005), veio determinar: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capitulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCMI, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o P1S/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3° das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1° O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM: (Redação dada pela Lei n2 11.196, de 21/11/2005); II pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2° O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1° deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Pais, observado o disposto no § 4' do art. 3º das Leis nºsS 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003." (Destacou se). Por sua vez, a Instrução Normativa SRF n° 660, de 17 de julho de 2006, ao dispor sobre a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a venda de produtos agropecuários e sobre o crédito presumido decorrente da aquisição desses produtos, na forma dos arts. 8°, 9° e 15 da Lei n° 10.925, de 2004, disciplinou: "Art.2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins,) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura, de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: Fl. 799DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b)12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na .fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. (...) Art.3° A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art 22, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; (...) III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária. no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 22. §1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 22; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 22 da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça atividade de comercialização da produção seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção." (Negritou se). Portanto, mostrase correta a glosa procedida pela unidade de origem, no sentido de que a contribuinte não poderia calcular créditos presumidos, até o mês de fevereiro/2004, vinculados a produtos "in natura” de origem vegetal: soja. trigo ou milho adquiridos de pessoas físicas, ainda que os tenha processado mediante classificação, limpeza, secagem, padronização c armazenagem para futura comercialização, pois não havia base legal que sustentasse a utilização desses créditos, à época, a não ser que a contribuinte se enquadrasse na condição de agroindústria, ou seja, que exercesse a atividade agropecuária, pelo cultivo da terra e/ou produção de animais, produzindo mercadorias de origem animal ou vegetal, nos termos do § 10 do art. 3° da lei 10.637, de 2002, o que, como visto, não é o seu caso.” Assim, pelas razões acima postas, também não vislumbro direito ao crédito previsto no §10 do art. 3º da Lei nº. 10.637/2002, requerido pela interessada e defendido no recurso voluntário. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.000703/200596 Acórdão n.º 3202001.184 S3C2T2 Fl. 783 15 Quanto ao crédito presumido previsto nos §5º e §11 do art. 3º da Lei nº. 10.833/2003, temse que a recorrente nada trouxe em seu recurso para defender a existência do direito ao crédito relativo a esses dispositivos. Do Rateio dos Créditos A DRFBPonta Grossa constatou haver rubricas em que era possível identificar que os créditos relativos aos custos, despesas e encargos, estavam totalmente vinculados a Receita do Mercado Interno, isto é, os custos relativos a tais rubricas não se vinculavam a operações de exportação, não sendo possível, portanto, adotar o rateio proporcional em relação aos créditos assim originados. Em razão disso, foram efetuadas correções na DACON, as quais, aliadas às glosas efetuadas, resultaram na existência de crédito em favor da contribuinte. Alega a recorrente que a lei estabelece que o crédito deve ser determinado a critério a pessoa jurídica, cabendo a esta escolher a forma como irá apurálo. Desta forma, a querelante, usando da faculdade que a lei lhe conferiu, decidiu por efetuar o rateio proporcional. O §8º do art. 3º da Lei nº. 10.637/2002 assim estabelece: § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional. aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Como bem salientou a autoridade julgadora a quo, o inciso II acima transcrito deixa claro que a possibilidade do rateio proporcional somente se dá em relação aos custos, despesas e encargos comuns, isto é, que estejam vinculadas tanto às receitas de vendas auferidas no mercado interno quanto às receitas de vendas auferidas no mercado externo. Assim, a despeito de a contribuinte alegar que se utilizou do método de rateio proporcional por não possuir um sistema de controle permanente de estoque que lhe permitisse a sua avaliação, não lhe sendo possível optar pela apropriação direta, fato é que a Fiscalização conseguiu bem identificar os custos, despesas e encargos que estavam vinculados às receitas de vendas auferidas no mercado interno, conforme descreveu às efl.686: “........................................................................................................................... Ocorre que em algumas rubricas é possível identificar que os créditos, relativos aos custos, despesas e encargos, estão totalmente vinculados a Receita do Fl. 801DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 16 Mercado Interno, não sendo possível, portanto, vincular nelas créditos com a Receita de Exportação. A primeira rubrica nesta condição é a de "Bens para Revenda", na qual encontramse registrados somente produtos e mercadorias que foram revendidos no mercado doméstico. Este fato é facilmente constatado pela verificação dos produtos que foram exportados no período: "Milho em Grão" e "Soja em Grão". Estes produtos, segundo consta dos documentos apresentados (declarações que explicam o processo produtivo), foram processados (secagem, padronização, limpeza e armazenagem) antes de serem comercializados, devendo o possível crédito relativo à entrada dos insumos constar da rubrica "Bens Utilizados como Insumos", a qual não registra qualquer valor nos três meses do período analisado. Contudo, com relação à rubrica "Bens para Revenda", todas as notas fiscais relacionadas nesta rubrica referemse a produtos e mercadorias que foram revendidas no mercado nacional, não havendo, portanto, qualquer vinculação com o mercado externo. Com a rubrica "Devoluções de Venda Sujeita A Incidência Nãocumulativa", constatase somente algumas notas fiscais de devolução de vendas de "milho em grão", nos meses de abril e junho, totalizando R$ 901,20. Tais notas encontramse relacionadas no relatório denominado "Rateio dos créditos — Devolução de Vendas vinculadas receita de Exportação" (fls02) Assim, de um total de RS 135.675,16 (total de devoluções de vendas no período), somente referidas notas podem ser consideradas, sendo todas as demais Notas Fiscais relacionadas nesta rubrica relativas a devoluções de produtos e mercadorias que foram comercializados no mercado interno, desvinculadas totalmente da Receita de Exportação. Acertadas, portanto, as correções efetuadas na DACON. Da Atualização Monetária dos Créditos Por óbvio, não tendo sido reconhecido qualquer direito creditório da contribuinte, não há que se falar em correção monetária de créditos. Demais disso, temse que a aplicação de atualização monetária ou incidência de juros de créditos porventura apurados encontramse expressamente vedadas pelo artigo 13 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, aplicado aos PIS por força do art. 15 da Lei nº. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ lº e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do §4º e §5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. ......................................................................................................... Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3º do art. 1º, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos§§ 1º incisos II e III, 10 e 11 do art. 3º, nos §§ 3º e 4º do art. 6º, e nos arts. 7º, 8º, 10, incisos XI a XIV, e 13. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.000703/200596 Acórdão n.º 3202001.184 S3C2T2 Fl. 784 17 É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 803DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
