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Numero do processo: 18336.720105/2013-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 07/01/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO LEGAL DE INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Dessa forma, o recurso voluntário apresentado fora do prazo legal, sem a prova de ocorrência de qualquer fato impeditivo, é intempestivo e, portanto, não pode ser conhecido.
Recurso voluntário Não Conhecido.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO E CONVERSÃO EM MULTA. ORIGEM DOS RECURSOS APLICADOS NA IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não apresentada a documentação capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, tem-se por configurada a interposição fraudulenta de terceiros. Na impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita à penalidade, em razão de sua não-localização, consumo ou transferência a terceiros, aplica-se a conversão pecuniária da pena de perdimento.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Cabe a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada, nos termos do art. 124, inciso I do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário da New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda, por ser intempestivo e em negar provimento ao recurso voluntário da responsável solidária Tol Assessoria Ltda., nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO LEGAL DE INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Dessa forma, o recurso voluntário apresentado fora do prazo legal, sem a prova de ocorrência de qualquer fato impeditivo, é intempestivo e, portanto, não pode ser conhecido. Recurso voluntário Não Conhecido. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO E CONVERSÃO EM MULTA. ORIGEM DOS RECURSOS APLICADOS NA IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não apresentada a documentação capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, temse por configurada a interposição fraudulenta de terceiros. Na impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita à penalidade, em razão de sua nãolocalização, consumo ou transferência a terceiros, aplicase a conversão pecuniária da pena de perdimento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Cabe a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada, nos termos do art. 124, inciso I do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário da New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda, por ser intempestivo e em negar provimento ao recurso voluntário da responsável solidária Tol Assessoria Ltda., nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 72 01 05 /2 01 3- 85 Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.253 2 José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de auto de infração, lavrado na data de 30/04/2013, que constituiu a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro, no valor de R$ 5.584.753,00, em virtude dos fatos a seguir descritos. A fiscalização apurou que a empresa New Track não é a real adquirente das mercadorias importadas e que a mesma operava como interposta pessoa em comércio exterior, praticando assim infração sujeita à pena de perdimento das mercadorias transacionadas. Foi aplicada a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão das mesmas. O Termo de Verificação Fiscal apontou a ocorrência de: 1 Falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, conduzindo à presunção legal de interposição fraudulenta e 2 Utilização de informações falsas em declarações de importação, documento indispensável ao serviço público de despacho aduaneiro de mercadorias. O auto foi lavrado contra o importador ostensivo (NEW TRACK), e como solidária a empresa TOL ASSESSORIA com base no art. 124, I, do CTN. A capitulação legal da interposição fraudulenta foi o art. 23, inciso V e §1º, 2º e 3º do DecretoLei nº 1.455/1976; e art. 689, inciso XXII e §1º do Decreto nº 6.759/2009. Já para a prestação de informações falsas nas declarações de importação: art. 105, inciso VI, do DecretoLei nº 37/1966; art. 23, inciso IV, § 1º e § 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976; art. 689, inciso VI e §1º, do Decreto nº 6.759/2009; e art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 228/2002. As acusações fiscais consubstanciaramse no seguinte: a) Sobre a Origem, Disponibilidade e Transferência dos Recursos Utilizados nas Operações e a Condição de Real Adquirente e/ou Vendedora das Mercadorias Importadas Diretamente Da documentação encaminhada em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização, conforme relacionado ao início deste Relatório, somente os livros Diário e Razão (DOC 08 e DOC 09) e os extratos de movimentação bancária (DOC Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.254 3 11 e DOC 12) prestarseiam, em tese, para que a fiscalizada comprovasse a origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados nas operações. Ocorre que a escrituração apresentada não pode ser aproveitada para efeito de prova a favor da fiscalizada pelos seguintes motivos: a) Falta de autenticação pelo órgão competente do Registro do Comércio nos Livros Diário; b) Escrituração dos Livros Diário em partidas mensais de forma resumida e desacompanhada da escrituração analítica lançada em livros auxiliares, requisito obrigatório no caso de escrituração resumida de Livro Diário; c) Falta de apresentação da documentação probante dos lançamentos escriturados nos Livros Diário. Dessa forma, a única documentação apresentada pela fiscalizada utilizável para fazer prova de que dispunha dos recursos financeiros aplicados em suas operações de importação realizadas por conta própria e/ou que as vendas das mercadorias importadas foram de fato por ela praticadas foi a movimentação financeira constante do extrato da conta bancária mantida no Banco Bradesco (código: 237), agência 1254 (Carolina, Maranhão), contacorrente nº 309656 (DOC 11). Esclareçase que, muito embora a fiscalizada tenha apresentado extrato de uma segunda conta mantida no mesmo Banco e agência, o da contacorrente de nº 330779 (DOC 12), constatouse, de imediato, que as transações financeiras diretamente relacionadas com as operações de comércio exterior da empresa ficaram restritas à contacorrente de nº 309656 e que a segunda conta, além de só apresentar movimentação a partir de janeiro de 2010, foi utilizada em sua maior parte em transações envolvendo pessoas físicas. Dessa forma a fiscalização restringiu a análise da movimentação financeira da empresa à conta de nº 309656. Com vistas a viabilizar a análise levada a efeito pela fiscalização, os valores das operações de débito e crédito constantes no extrato da conta bancária de n° 309656 foram reunidos e sistematizados na planilha analítica constante do DOC 37, conforme abaixo explicitado: Em relação aos créditos: considerando que a fiscalizada realizou tanto importações na condição de adquirente das mercadorias como também por conta e ordem de outras empresas, os créditos bancários foram identificados e, em seguida, segregados em três grupos: 1º) os referentes às transferências em favor da NEW TRACK realizadas pelas contratantes do serviço de importação por conta e ordem; 2º) os admissíveis como resultante de possíveis revendas de mercadorias importadas diretamente pela fiscalizada; 3º) os referentes a motivos outros, como, por exemplo, transferências feitas por pessoas físicas e aquelas onde não tenha sido possível identificar os depositantes. Em relação aos débitos: tendo em vista que cerca de 80% do valor total dos lançamentos a débito na conta bancária da fiscalizada referese a transferências efetuadas em favor de uma única empresa, a TOL ASSESSORIA Aduaneira e Logística de Transportes Ltda., CNPJ: 07.986.277/000184, os lançamentos a débito na conta bancária foram segregados em três grupos: 1º) os referentes às transferências efetuadas em favor da TOL ASSESSORIA; 2º) os referentes aos pagamentos dos contratos das operações de câmbio para importação; 3º) os referentes a outras despesas, tais como recolhimento de ICMS e tarifas bancárias. Os quadros a seguir resumem os resultados desta sistematização na movimentação financeira da fiscalizada: Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.255 4 A partir da análise das informações de movimentação financeira da empresa, ficaram evidenciadas as seguintes principais conclusões: 1°) A fiscalizada não logrou comprovar ter sido a real vendedora das mercadorias importadas diretamente uma vez que, conforme demonstrado no quadro a seguir, o valor total dos créditos segregados na conta bancária da fiscalizada admissíveis como decorrentes de possíveis revendas de mercadorias importadas foi sempre inferior às receitas brutas por ela declaradas. Acrescentese que mesmo em se considerando que todos créditos, a menos dos originados de transferências feitas pelas empresas adquirentes das mercadorias importadas por conta e ordem, fossem produto da revenda de mercadorias importadas diretamente pela fiscalizada permaneceria a realidade de receita declarada muito superior ao ingresso de recursos financeiros admissíveis como produto de revenda de mercadorias. Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.256 5 2°) A fiscalizada não logrou comprovar ser a real adquirente das mercadorias importadas por conta própria tendo em vista que em ficando demonstrado que não era a real vendedora das mercadorias importadas por conta própria e não tendo comprovado, ou mesmo declarado, receita decorrente da prestação de serviço nas importações realizadas por conta e ordem, resta demonstrado também que a NEW TRACK não teria como dispor dos recursos financeiros necessários para as transações de importação por ela registradas como adquirente das mercadorias. Acrescentese que, conforme demonstra o extrato de movimentação financeira da NEW TRACK (DOC 11 e DOC 37), a partir do momento em que teve suas declarações de importação direcionadas para o canal cinza de conferência aduaneira cessaram suas operações de importação como também cessaram as transferências a crédito em sua conta bancária, o que evidencia o casamento entre a importação e o simulacro de revenda das mercadorias importadas, prática muito utilizada para ocultação do verdadeiro adquirente. 3º) Que a ocultação dos verdadeiros adquirentes e/ou vendedores das mercadorias importadas diretamente pela NEW TRACK contou com a participação direta da empresa TOL ASSESSORIA, caso não tenho sido esta a verdadeira adquirente e/ou vendedora das mesmas. Tal convicção foi formada com base nas seguintes constatações: • O saldo positivo entre o total de lançamentos a crédito e os lançamentos a débito segregados como despesas (câmbio e outras despesas) corresponde quase que integralmente aos lançamentos a débito referentes às transferências efetuadas pela NEW TRACK em favor da TOL ASSESSORIA, conforme evidenciado através da sistematização produzida na movimentação financeira da fiscalizada (DOC 37) e resumido, em bases anuais, no quadro abaixo: • Os pagamentos dos tributos federais incidentes sobre as importações realizadas pela NEW TRACK foram feitos na sua totalidade através de débito automático em contas bancárias que não de sua titularidade, especialmente através de conta mantida no Bradesco (código 237), agência 0099 (São Paulo), conta corrente n°: 30111510. Apesar de intimada (DOC 01), a NEW TRACK não informou quem seria o titular desta conta. Mas ainda que tais contas fossem de titularidade da TOL ASSESSORIA, ou por ela utilizada para pagamento dos tributos incidentes nas importações registradas pela NEW TRACK e, com isso, as transferências de recursos financeiros realizadas pela NEW TRACK em favor da TOL ASSESSORIA pudessem em grande parte destinarse, ao pagamento desses tributos, o valor total dos repasses à TOL ASSESSORIA superou em muito o valor dos tributos pagos. Assim é que, conforme mostra o quadro a seguir, ao final dos Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.257 6 três anos sob fiscalização, o saldo das transferências de recursos feitos pela NEW TRACK em favor da TOL ASSESSORIA em relação aos tributos federais pagos totalizou R$ 4.381.284,31 o equivalente a 18% das transferências. • A partir do segundo semestre de 2011, coincidindo com o momento em que praticamente cessaram as importações registradas pela NEW TRACK, em decorrência do seu direcionamento para o canal cinza de conferência aduaneira (DOC 39), a movimentação financeira da TOL ASSESSORIA caiu drasticamente. Assim é que, de acordo com dados extraídos do sistema de Declarações de Informações sobre Movimentação Financeira (DOC 40), o valor total dos créditos em contas bancárias da TOL ASSESSORIA que em 2011 foi de R$ 16.087.270,85 despencou para R$ 394.409,39, em 2012 Aqui chegados, podese concluir que, devido à falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados nas operações, com base na presunção legal estabelecida no art. 23, § 2º do DecretoLei nº 1.455, de 07 de abril de 1976, a NEW TRACK atuou como interposta pessoa, ocultando os reais adquirentes e vendedores das mercadorias por ela importadas na condição de adquirente, e que a TOL ASSESSORIA participou ativamente destas operações, beneficiandose, direta ou indiretamente, das mesmas. Em virtude da impossibilidade de apreensão das mercadorias importadas que já tenham sido consumidas, em conformidade com o §3º do art. 23 do Decreto Lei 1.455/76 e o §1º do art. 689 do Decreto nº6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), convertese a penalidade de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. No caso concreto, foi aplicada a citada multa em relação às mercadorias constantes das declarações de importação registradas pelo estabelecimento matriz da NEW TRACK na condição de adquirente, já desembaraçadas e entregues para consumo, conforme planilha constante no DOC 44. b) Sobre a Prática de Fraudes no Registro de Informações Cambiais nas Declarações de Importação Em meados de abril de 2011, a NEW TRACK teve suas operações de importação direcionadas para o canal cinza de conferência aduaneira pela CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira – COANA (DOC 39). Além da suspeita de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou do responsável pelas operações, havia fortes indícios de que a empresa em questão estava burlando o limite de importações definido para a modalidade de habilitação simplificada/pequena monta, mediante a prestação de informações falsas na ficha câmbio em campo próprio das declarações de importação. Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.258 7 Conforme já citado, em 2008 a NEW TRACK foi habilitada para operar no comércio exterior na modalidade simplificada, submodalidade operações de pequena monta, condição que, em conformidade com a Instrução Normativa SRF n° 650/2006, limitava o valor de suas importações com cobertura cambial, a cada período de seis meses, a US$ 150.000,00. Posteriormente, em março de 2011, quando suas operações de importação já estavam sob suspeitas de fraude cambial, solicitou alteração para habilitação na modalidade ordinária, que não impunha limites ao valor das importações, mas teve o pedido indeferido pela Alfândega do Porto de São Luís/MA. Mediante o procedimento de revisão aduaneira das declarações de importação registradas pela NEW TRACK, levada a efeito no curso da presente fiscalização, constatouse que a empresa manipulou o limite de US$ 150.000,00 das importações por conta própria, utilizandose do seguinte artifício: “No ato do registro da declaração de importação, informava na ficha câmbio tratarse de operação com cobertura cambial e, após o desembaraço aduaneiro, efetuava retificação na declaração alterando as informações na ficha câmbio/modalidade de pagamento de “com” para “sem” cobertura cambial (DOC 42). Por óbvio, o despacho aduaneiro era processado com a informação que se tratava de operação com cobertura cambial de modo a não gerar suspeitas para a fiscalização realizada no curso despacho quanto às informações cambias inicialmente registradas. Após o desembaraço das mercadorias, a empresa, através de seu representante legal, procedia retificação nos dados cambias/modalidade de pagamento para “sem” cobertura cambial, valendose do fato que as retificações pósdesembaraço deste tipo de informação podem ser feitas diretamente pelo importador, sem qualquer participação ou anuência da autoridade aduaneira. Constatouse, também, que na retificação pósdesembaraço o importador informava sistematicamente como motivo para a operação sem cobertura cambial o código “99 – demais motivos”. Quanto a este ponto cabe destacar que existem procedimentos e cuidados a serem tomados pelo importador quando da prestação de informação sobre importação sem cobertura cambial (informações disponíveis na página web da Receita Federal): Importações Sem Cobertura Cambial Se a operação for feita sem cobertura cambial (não havendo remessa de moeda estrangeira), o importador deverá assinalar essa opção e escolher na caixa de texto "Motivos", o motivo da não cobertura cambial. 1) Motivos "30", "57", "66" e "70" * 2) Motivo 32 (Operações em Reais) 3) Demais Motivos Obs: motivo "30": investimento de capital estrangeiro; motivo "57": arrendamento financeiro com prazo superior a 360 dias e com amortização igual ou superior a 75% do valor do bem; motivo "66": arrendamento operacional com prazo superior a 360 dias e com amortização inferior a 75% do valor do bem; motivo "70": arrendamento simples sem opção de compra aluguel ou afretamento prazo superior a 360 dias. Pagamento Antecipado ou À Vista, Sem Operação de Câmbio No caso de Pagamento Antecipado ou À Vista, sem operação de câmbio (inclusive pagamento efetuado com cartão de crédito internacional, ou vale postal internacional até US$ 50.000,00), enquanto não forem criados no Siscomex Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.259 8 códigos e campos específicos para adequar o Sistema às formas de pagamento efetivamente contratadas, a informação sobre câmbio deve ser prestada conforme o procedimento a seguir: • Indicar na ficha “Câmbio” da adição: _ Pagamento SEM COBERTURA CAMBIAL _ Motivo 99 “Outras Importações Sem Cobertura Cambial” • Indicar (conforme o tipo de pagamento) em “Informações Complementares” da DI: _ Se pagamento com RECEITA DE EXPORTAÇÃO (utilização de recursos mantidos no exterior, originários de receita de exportação): _ “Pagamento (antecipado ou à vista) realizado com recursos em moeda estrangeira relativos aos recebimentos de exportações brasileiras de mercadorias ou de serviços para o exterior, e mantidos no exterior conforme § 2º do art. 1º da Lei 11.371/06.” _ Se pagamento com DISPONIBILIDADE GERAL (utilização de recursos mantidos no exterior, originários de disponibilidade geral): _ “Pagamento (antecipado ou à vista) realizado com utilização de disponibilidade própria, no exterior conforme Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais do Banco Central do Brasil (RMCCI, Título 1, Capítulo 1 e Título 2, Capítulo 2).” _ Se pagamento com CARTÃO DE CRÉDITO INTERNACIONAL, ou VALE POSTAL INTERNACIONAL ATÉ US$ 50.000,00 (ou o seu equivalente em outras moedas): _ “Pagamento (antecipado ou à vista) realizado mediante utilização de cartão de crédito internacional emitido no País (ou por meio de vale postal internacional) conforme Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais do Banco Central do Brasil (RMCCI, Título 1, Capítulo 12).” Notese que ao realizar a retificação nas declarações de importação de “com” para “sem” cobertura cambial, a fiscalizada não registrava qualquer informação adicional no campo de “Informações Complementares”, conforme as instruções acima reproduzidas. Ademais, não atendeu as intimações, feitas no curso da presente fiscalização (DOC 01), para prestação de esclarecimentos e justificativas, devidamente documentadas, dos motivos para a realização das operações de importação sem cobertura cambial, ou seja, sem a remessa de moeda estrangeira. Com esse proceder fraudulento, os valores correspondentes das declarações de importação assim retificadas eram debitados na “conta corrente” do valor acumulado de importações feitas pela fiscalizada, cálculo este processado automaticamente nos sistemas de controle aduaneiro da Receita Federal. Por decorrência, agindo dessa forma, a empresa conseguia registrar novas declarações, extrapolando o limite de US$ 150.000,00, para o qual estava habilitada. Ressaltese ainda que em situações anteriormente investigadas, a COANA constatou que este artifício de burlar o controle aduaneiro das importações foi usado por outras empresas de fachada, que não teriam como obter habilitação ordinária (DOC 33). Extração feita no sistema DW Aduaneiro (DOC 42) mostrou que das 194 declarações de importação por conta própria (importador e adquirente) registradas, entre janeiro de 2009 e agosto de 2011, pelo estabelecimento matriz da NEW TRACK, em 168 houve alteração, pósdesembaraço, na ficha câmbio de “com” para “sem” cobertura cambial. Com este agir fraudulento, a NEW TRACK, apesar Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.260 9 de não ter habilitação para tanto, efetuou, entre janeiro de 2009 e agosto de 2011, ou seja em 32 meses, importações por conta própria num valor total próximo a US$ 3 milhões. Acrescentese adicionalmente que, em resposta ao Termo de Início de Fiscalização (DOC 01), a empresa apresentou à fiscalização 28 contratos de câmbio para importação de mercadorias (DOC 13). Cabe destacar em relação aos mesmos: 1°) Em 12 dos 28 contratos de câmbio apresentados foi possível identificar sua vinculação com 18 declarações de importação, conforme planilha constante no DOC 43. Ocorre, porém, que em 16 dessas 18 declarações, com cobertura cambial confirmada através dos contratos de câmbio apresentados, a fiscalizada praticou o procedimento fraudulento citado, retificandoas após o desembaraço aduaneiro de “com” para “sem” cobertura cambial; 2°) Devido à falta de apresentação pela fiscalizada, apesar de intimada, de documentação que confirmasse a participação da empresa nas transações de comércio exterior, como faturas próforma, não foi possível identificar a vinculação com declarações de importação para 16 dos 28 contratos de câmbio apresentados. 3°) Que muito embora tenha apresentado contratos de câmbio que totalizaram R$ 1.893.226,47, o valor total das declarações de importação registradas “com” cobertura cambial e não retificadas após o desembaraço para sem cobertura cambial”, foi de apenas R$ 315.051,89 (DOC 42), fato que confirma a prática sistemática do procedimento fraudulento de retificação da informação cambial pósdesembaraço. 4°) O valor total dos contratos de câmbio apresentados foi de US$ 1.102.193,95, equivalente a R$ 1.893.226,47, que coincide exatamente com os lançamentos a débito na conta bancária da NEW TRACK, segregados nesta fiscalização sob o título “despesas com câmbio” (DOC 37). Este valor, porém, é muito inferior ao valor total das mercadorias importadas por conta própria, que foi de R$ 5.809.151,00. Em assim sendo, a NEW TRACK não trouxe provas do pagamento de mais de R$ 3 milhões aos fornecedores estrangeiros das mercadorias importadas, fato que só vem a corroborar com a conclusão anterior sobre a prática de interposição fraudulenta. Conforme já esclarecido, sem a adoção do procedimento fraudulento de retificação das informações cambias, a NEW TRACK não conseguiria registrar quase que a totalidade das declarações de importação em que figurava como importadora e adquirente das mercadorias. Depreendese, portanto, que o prosseguimento das operações de importação por conta própria com a ocultação dos verdadeiros adquirentes das mercadorias importadas só foi possível devido à utilização do procedimento fraudulento no registro de informações cambiais nas declarações de importação. Dessa forma as duas infrações apuradas (interposição fraudulenta e utilização de informações falsas nas declarações de importação) estão intrinsecamente relacionadas. É certo afirmar, portanto, que o importador se valeu da prestação de informações falsas em documento indispensável ao serviço público de despacho aduaneiro de mercadorias com a finalidade de ludibriar os controles aduaneiros, de competência da Receita Federal do Brasil, e com isso conseguir, de forma fraudulenta, dar prosseguimento às operações de importação em valor superior àquele para o qual estava regularmente habilitada, e, por conseguinte, dar continuidade ao esquema de interposição fraudulenta. Em assim sendo, resta configurado dano ao Erário, aplicandose para o caso concreto a penalidade de PERDIMENTO definida no art. 105, inciso VI, do DecretoLei n° 37/1966; no art. Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.261 10 23, inciso IV e § 1º, do DecretoLei nº 1455/1976; no art. 689, inciso VI do Decreto nº 6.759/2009 e no art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 228/2002. Em virtude da impossibilidade de apreensão das mercadorias importadas, uma vez não localizadas, convertese, nos termos do § 3º do DecretoLei nº 1455/1976 e no § 1º do art. 689 do Decreto nº6.759/2009, a penalidade de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias estrangeiras constantes nas declarações de importação registradas pela autuada na condição de adquirente, já desembaraçadas e entregues. Assim sendo, ficaram sujeitas à aplicação da penalidade acima as mercadorias constantes das declarações de importação onde a fiscalizada inseriu informação cambial falsa com a clara intenção de burlar os controles aduaneiros. Tais declarações, registradas pelo estabelecimento matriz da NEW TRACK, estão relacionadas no DOC 45, parte integrante do presente auto de infração. Ressaltese que, conforme apurado e relatado anteriormente, para essas mesmas declarações incide também a penalidade de perdimento de mercadoria por prática de interposição fraudulenta. A 23ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1, no acórdão nº 1653.924, manteve a integralidade da autuação. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 07/01/2009 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. Em sede de recurso voluntário, as duas empresas apresentaram exatamente os mesmos termos da impugnação. As alegações foram postas nos tópicos assim redigidos: “Princípios Administrativos Aplicáveis” “Infrações imputadas à Recorrente” “Sistema Constitucional Tributário” Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.262 11 “Princípio da legalidade” “Princípios Fundamentais Aplicáveis”. “Violação ao Confisco” “Relevação da pena de perdimento e consequente inexistência ou nulidade da multa imposta” “Prova do Alegado” “Necessidade de individualização das penalidades” É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro Recurso Voluntário da New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. O recurso da importadora ostensiva foi protocolado em 15/09/2014 (fls. 1.223 a 1.246). Todavia, a ciência do Acórdão nº 1653.924 da DRJ/SP1 foi realizada na data de 25/02/2014, conforme fls. 1.163/1.164. O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Dessa forma, o recurso voluntário apresentado fora do prazo legal, sem a prova de ocorrência de qualquer fato impeditivo, é intempestivo e, portanto, não pode ser conhecido. Logo, não conheço o recurso voluntário da New Track. Recurso Voluntário da Tol Assessoria O recurso interposto pela responsável solidária atende aos pressupostos legais, deve, portanto, ser conhecido. As alegações do recurso são (efl.11941217): Em “Princípios Administrativos Aplicáveis”, defende que seu recurso deve ser analisado com observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa e do informalismo, já para as alegações da fiscalização impera o formalismo. Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.263 12 Em “Infrações imputadas à Recorrente”, conclui que é ilegal e equivocada a conclusão da RFB quanto à aplicação da pena de perdimento, uma vez que afronta o sistema constitucional tributário. Em “Sistema Constitucional Tributário”, alega que a pena imposta viola o princípio da legalidade. Em “Princípio da Legalidade”, sustenta que as bases nas quais se funda a RFB IN nº 228/2002, DecretoLei nº 1455/1976 e Decreto nº 7574/2011 não legitimam a conduta do ente público que decretou a perda das mercadorias, pois todo o procedimento e capitulação legal dos autos de infração não estão fundados em lei ordinária, bem como houve invasão da esfera de competência do Poder Legislativo. Por isso, é ilegal a pena aplicada. Em “Princípios Fundamentais Aplicáveis”, alega que a pena de perdimento inviabiliza a atividade financeira da Recorrente, violando a livre iniciativa. Em “Violação ao Confisco”, requer o reconhecimento de que a pena de perdimento ofende o princípio constitucional da vedação ao confisco. Em “Relevação da pena de perdimento e consequente inexistência ou nulidade da multa imposta”, pleiteia a aplicação do art. 736, II, do Decreto nº 6759/2009, no sentido de que o Ministro da Fazenda pode e deve relevar a multa que não resulte em falta de recolhimento de tributo, não havendo o dolo. Em “Prova do Alegado”, afirma que não houve dano ao erário, pois não houve supressão de tributo. Em “Necessidade de individualização das penalidades”, alega que a imposição de qualquer pena à Recorrente dependeria de juízo individualizado da sua culpabilidade, o que fere o disposto no art. 5°, XLV da CF. Além disso há de se instaurar o processo crime e dele resultar sentença condenatória transitada em julgado, obedecendose assim ao devido processo legal. Em seu pedido, requer, verbis: Posto isto, com fundamento nos princípios constitucionais ora invocados REQUER seja o recurso recebido e acolhido em todos os seus termos para que ao final seja dado PROVIMENTO declarando nula a multa aplicada em face da Recorrente, antes às evidentes ilegalidades anotadas e cabalmente demonstradas. Do exposto, observase que a empresa não contestou o mérito da autuação, ou seja, não afrontou as questões relativas às operações de importação. Logo, é ponto incontroverso a ocorrência das importações arroladas no Relatório Fiscal praticadas pela New Track, no período de 2009 a 2010. Ademais, não foram refutadas as acusações da fiscalização quanto à sujeição passiva da empresa Tol Assessoria. A acusação fiscal é de que a Tol Assessoria repassava recursos à empresa New Track e se mantinha oculta dos controles aduaneiros. Na qualidade de financiadora das importações, deveria se apresentar aos órgãos responsáveis pelos controles Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.264 13 aduaneiros mediante a modalidade de importação por “conta e ordem”. Todavia, permaneceu ocultada pela ação da empresa New Track que atuava como interposta pessoa em operações de comércio exterior. A maioria de seus argumentos envolvem o afastamento da legislação vigente e válida por afronta à Constituição, ou seja, são pleitos que não podem sequer obter pronunciamento deste Conselho, tendo em vista o disposto no art. 62 do RICARF e na Súmula CARF n° 2: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 02: o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Consta no auto de infração a descrição minuciosa dos fatos e das provas colacionadas aos autos, quanto ao modus operandi das empresas no esquema das importações. A motivação está clara: foram constados indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira da empresa New Track. A disposição legal do § 2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976 prevê que a ausência de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior enseja o perdimento ou multa substitutiva. Tratase de presunção legal, que pode ser afastada sempre que os sujeitos passivos comprovarem a origem, a disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. Assim, os elementos que constam dos autos são suficientes para apontar a não demonstração da origem dos recursos empregados pela New Track nas operações de importação. Como já mencionado, no período de 2009 até 2010, a Tol Assessoria foi considerada oculta nas operações de importação. Ambas as empresas tiveram a oportunidade de apresentar documentos hábeis para comprovação de recursos financeiros e das operações e não o fizeram. A ocultação do real adquirente das mercadorias decorre da informação falsa na declaração de importação, obrigação acessória relacionada aos tributos incidentes nas operações de comércio exterior. Por conseguinte, por ser a empresa oculta Tol Assessoria, a fiscalização constituiu a responsabilidade solidária contra ela, com base no art. 124, I do CTN e art. 106, IV do DecretoLei nº 37/66. O interesse comum resta demonstrado, não apenas pelo interesse econômico aproveitado na situação que constituiu o fato jurídicotributário em comento neste processo, Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.265 14 mas também pela atuação em conjunto na organização dos esquemas de ocultação na importação. Em suma, todos os traços da pena aplicada estão previstos em veículos normativos válidos e vigentes no sistema, não podendo ter afastada a sua aplicação. De acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, se constatada a hipótese legal da aplicação da pena de perdimento, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício. Diante disso não cabe qualquer pedido de relevação da pena aplicada. Ressaltese que a alegação de que não houve dano ao erário tampouco se sustenta, pois o dano ao erário não significa supressão de tributo. O dano ao Erário é presumido quando se configuram as infrações tipificadas no art. 23 e 24 do Decretolei nº 1.455/76. Logo, tendo ocorrido o cometimento da infração de "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros na importação”, veiculada pelo art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76, está caracterizado o dano ao Erário. Dessa forma, o dano ao Erário decorre do texto da própria lei, então não há que se cogitar da existência ou não de efetivo prejuízo operacional e financeiro ao Poder Público. Portanto, não merece acolhida o pleito de que, na ausência de dano ao erário, o auto deve ser cancelado. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário da New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda, por ser intempestivo, e por negar provimento ao recurso voluntário da responsável solidária Tol Assessoria Ltda. Sala de Sessões, em 31 de agosto de 2017. Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.266 15 Fl. 1266DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006346/2007-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 02/10/2003
RECURSO DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE. LIMITE DE ALÇADA. SÚMULA CARF Nº 103. NÃO CONHECIMENTO.
Conforme disposto na Súmula CARF nº 103, o limite de alçada deve ser aferido na data da análise do recurso ofício pelo órgão revisor. No caso, tendo em vista que a parcela exonerada do lançamento pela decisão recorrida é inferior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 63/2017, vigente no momento atual, não se conhece do recurso de ofício.
DESCRIÇÃO CORRETA DO PRODUTO. MULTA DE OFÍCIO NÃO QUALIFICADA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A multa de ofício não qualificada, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não exige que a conduta da autuada seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja falta de pagamento do tributo, falta de declaração ou declaração inexata, de forma que a eventual boa-fé da recorrente ou a descrição correta do produto na Declaração de Importação não a exime da penalidade.
A partir da vigência do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002, publicado em 11.09.2002, não é mais cabível a exclusão da multa de ofício para a "classificação tarifária errônea" nas circunstâncias especificadas no referido Ato Declaratório, que não traz em sua redação essa hipótese, remanescendo a desoneração apenas para as hipóteses de solicitação indevida de benefícios fiscais (imunidade, isenção, redução, preferência tarifária ou ex tarifário) nas mesmas circunstâncias.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05.
Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica-se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso de Ofício não conhecido
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-004.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso de ofício, bem como em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito. Por voto de qualidade, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário quanto à exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos, neste tópico, os Conselheiros Diego Ribeiro, Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel. Sustentou pela recorrente a Dra. Maria Helena Tinoco Soares, OAB/SP 112.499.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 02/10/2003 RECURSO DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE. LIMITE DE ALÇADA. SÚMULA CARF Nº 103. NÃO CONHECIMENTO. Conforme disposto na Súmula CARF nº 103, o limite de alçada deve ser aferido na data da análise do recurso ofício pelo órgão revisor. No caso, tendo em vista que a parcela exonerada do lançamento pela decisão recorrida é inferior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 63/2017, vigente no momento atual, não se conhece do recurso de ofício. DESCRIÇÃO CORRETA DO PRODUTO. MULTA DE OFÍCIO NÃO QUALIFICADA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A multa de ofício não qualificada, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não exige que a conduta da autuada seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja falta de pagamento do tributo, falta de declaração ou declaração inexata, de forma que a eventual boa-fé da recorrente ou a descrição correta do produto na Declaração de Importação não a exime da penalidade. A partir da vigência do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002, publicado em 11.09.2002, não é mais cabível a exclusão da multa de ofício para a "classificação tarifária errônea" nas circunstâncias especificadas no referido Ato Declaratório, que não traz em sua redação essa hipótese, remanescendo a desoneração apenas para as hipóteses de solicitação indevida de benefícios fiscais (imunidade, isenção, redução, preferência tarifária ou ex tarifário) nas mesmas circunstâncias. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05. Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica-se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso de Ofício não conhecido Recurso Voluntário negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso de ofício, bem como em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito. Por voto de qualidade, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário quanto à exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos, neste tópico, os Conselheiros Diego Ribeiro, Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel. Sustentou pela recorrente a Dra. Maria Helena Tinoco Soares, OAB/SP 112.499. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ADMISSIBILIDADE. LIMITE DE ALÇADA. SÚMULA CARF Nº 103. NÃO CONHECIMENTO. Conforme disposto na Súmula CARF nº 103, o limite de alçada deve ser aferido na data da análise do recurso ofício pelo órgão revisor. No caso, tendo em vista que a parcela exonerada do lançamento pela decisão recorrida é inferior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 63/2017, vigente no momento atual, não se conhece do recurso de ofício. DESCRIÇÃO CORRETA DO PRODUTO. MULTA DE OFÍCIO NÃO QUALIFICADA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A multa de ofício não qualificada, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não exige que a conduta da autuada seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja falta de pagamento do tributo, falta de declaração ou declaração inexata, de forma que a eventual boafé da recorrente ou a descrição correta do produto na Declaração de Importação não a exime da penalidade. A partir da vigência do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002, publicado em 11.09.2002, não é mais cabível a exclusão da multa de ofício para a "classificação tarifária errônea" nas circunstâncias especificadas no referido Ato Declaratório, que não traz em sua redação essa hipótese, remanescendo a desoneração apenas para as hipóteses de solicitação indevida de benefícios fiscais (imunidade, isenção, redução, preferência tarifária ou ex tarifário) nas mesmas circunstâncias. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05. Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 63 46 /2 00 7- 86 Fl. 187DF CARF MF 2 de ofício. Aplicase ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso de Ofício não conhecido Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso de ofício, bem como em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito. Por voto de qualidade, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário quanto à exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos, neste tópico, os Conselheiros Diego Ribeiro, Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel. Sustentou pela recorrente a Dra. Maria Helena Tinoco Soares, OAB/SP 112.499. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício em face de decisão da Delegacia de Julgamento em Florianópolis, que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 02/10/2003 MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. 30% DO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA IMPORTADA. MERCADORIA CORRETAMENTE DESCRITA. AUSÊNCIA DE DOLO OU MÁFÉ. ADN COSIT Nº 12/97. Incabível a aplicação da multa de 30% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada ao desamparo de licença de importação caso a mesma, apesar de erroneamente classificada, Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11128.006346/200786 Acórdão n.º 3402004.618 S3C4T2 Fl. 188 3 esteja corretamente descrita, com elementos suficientes a possibilitar a sua identificação e enquadramento tarifário, desde que ausentes dolo ou máfé. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO (ADN) COSIT Nº 10/97 REVOGADO. É cabível a aplicação da multa de ofício de 75% quando apurada diferença tributária decorrente de classificação tarifária errônea. Incabível o enquadramento preceituado no ADN Cosit nº 10/97 por ter sido revogado pelo ADI SRF nº 13/2002, o qual não mais contempla a classificação incorreta como hipótese de afastamento de incidência da citada penalidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Versa o processo sobre auto de infração para exigências de Imposto sobre a Importação (II), multa de ofício (multa proporcional), multa ao controle administrativo por falta de Licenciamento de Importação, multa proporcional de 1% do valor aduaneiro por classificação incorreta (art. 84, I da Medida Provisória nº 2.15835/2001) e juros de mora, decorrentes de reclassificação fiscal da mercadoria importada, conforme demonstrativo abaixo: Após a análise de Laudo Técnico acerca da mercadoria, entendeu a autoridade fiscal que a descrição fornecida pela importadora não fornecia elementos suficientes para seu correto enquadramento na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), tendo efetuado a reclassificação fiscal do código NCM/SH 2930.90.99 para o de NCM/SH 2930.90.29. A interessada apresentou impugnação, alegando, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: (...) (...) Em sede preliminar, a impugnante reconheceu o equívoco relativo à classificação fiscal e apresentou documentação comprobatória do recolhimento do Imposto de Importação, juros de mora e da multa proporcional ao valor aduaneiro. Circunscreveu o mérito da peça impugnatória à discussão da multa de ofício e do controle administrativo das importações. Defendeuse alegando que, contrariamente ao entendimento do agente lançador, a descrição fornecida apresentavase suficiente à correta identificação do produto, razão pela qual, com fulcro no determinado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit (ADN) nº 12, de 21 de janeiro de 1997, deve ser a multa do controle Fl. 189DF CARF MF 4 administrativo das importações ser cancelada. Além disso, tal penalidade não poderia ser aplicada cumulativamente com a multa de ofício. Ainda relativo à multa do controle administrativo, entende que não pode subsistir por seu caráter confiscatório. Quanto à multa de ofício, por estar a mercadoria corretamente descrita, entende estar amparada pelo ADN nº 10, de 16 de janeiro de 1997, devendo o lançamento nesse aspecto ser cancelado. Por fim, exara entendimento de que os juros de mora são indevidos sobre os valores de multa, cobrados com fulcro na Medida Provisória nº 1.62131/1998, convertida na Lei nº 10.522/2002. (...) O julgador de primeira instância acatou parcialmente as razões de defesa da impugnante, sob os seguintes fundamentos: Em pesquisas em sítios na internet, inclusive do Ministério da Agricultura, verificase que o nome comercial da mercadoria importada coincide com o que se denomina nome de grau técnico: Diafentiuron (Diafenthiuron). Em consultas destes termos em sítios privados retornam as mesmas informações fornecidas pelo laudo oficial acostado aos autos. Assim, considerase que a descrição apresentada pela importadora na DI se apresentava suficiente a possibilitar que a autoridade fiscal procedesse à correta classificação fiscal da mercadoria. Estando, pois, a descrição do produto importado correta, é aplicável o disposto no ADN Cosit nº 12/1997, devendo a multa do controle administrativo das importações ser cancelada. A mesma sorte não socorre a impugnante no tocante à multa de ofício, com fulcro no ADN nº 10/1997, eis que não é possível afastar a incidência da multa prevista no artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96, conforme se infere do Ato Declaratório Interpretativo nº 13/2002. O artigo 44, I, da Lei nº 9.430/1996, determina que a multa será aplicada quando, no lançamento de ofício, se constatar o não pagamento ou recolhimento da diferença de tributo. E esse é precisamente o caso em concreto, pois se constatou que a mercadoria importada foi classificada incorretamente, resultando recolhimento a menor dos tributos sobre ela incidentes. Portanto, procedido ao lançamento de ofício, sobre essas diferenças de tributos devese aplicar a multa acima prevista. Assim, voto pela procedência parcial da impugnação, cancelando a multa do controle administrativo das importações e mantendo a multa de ofício. A autoridade julgadora submeteu a exoneração parcial efetuada no lançamento à apreciação deste CARF por força do recurso necessário. Cientificada desta decisão, por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, na data de 07/01/2015, a interessada apresentou recurso voluntário em 05/02/2015, alegando, em síntese: II.1.1 Correta descrição do Produto Impossibilidade de exigência das penalidades impostas (...) 13. No entanto, ao contrário do que restou decido pela D. DRJ, a correta descrição do produto importado na respectiva Declaração de Importação é suficiente para impedir a incidência não só da multa referentes ao controle administrativo das importações, mas, também, aquela devida por ocasião da falta de Recolhimento do Imposto de Importação. 14. Nesse sentido já decidiu a E. CSRF: (...) Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11128.006346/200786 Acórdão n.º 3402004.618 S3C4T2 Fl. 189 5 16. No mesmo sentido se posicionou a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara deste E. Conselho, consoante se verifica da ementa abaixo transcrita: (...) 18. Vejam I. Conselheiros, esse é exatamente o caso dos autos. É dizer, tendo em vista a correta descrição da mercadoria importada, bem como a legítima boafé da Recorrente para a adoção do NCM utilizado (reconhecida, inclusive, pela D. DRJ), as penalidades aplicadas à Recorrente não podem (e não devem!) subsistir. 19. A despeito do entendimento exarado pela D. DRJ, o Ato Declaratório COSIT (Normativo) nº 13/2002 declara incabível a aplicação das penalidades (aquela prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 leiase: Multa de Ofício) quando a mercadoria é corretamente descrita na declaração de importação: (...) 20. Por essa razão, não há qualquer dúvida quanto à correção da descrição da mercadoria importada pela Recorrente, notadamente quanto ao produto e titularidade do registro, no momento do desembaraço aduaneiro, devendo ser afastada qualquer penalidade neste sentido. II.1.2 SELIC Sobre as Multas de Ofício e de Controle Administrativo A RFB está exigindo as multas aplicadas acrescidas da Taxa Selic, com fundamento legal na MP nº 1.62131/98, controvertida na Lei nº 10.522/02 (artigo 29 e 30). No entanto, essa exigência deve ser afastada, visto que afronta: a) o artigo 161, do CTN, o qual dispõe que somente "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis", ou seja, apenas e tão somente o valor principal deve ser atualizado pelos juros, ressalvado o direito do Fisco exigir a multa correspondente, sem que a mesma seja atualizada; b) o princípio da legalidade, assegurado pela CF/88 (artigo 59, II) e pelo CTN (art. 97). Está condicionada à prévia existência de lei toda e qualquer oneração que se pretenda introduzir no regramento das obrigações às quais se submete o sujeito passivo e tal regra não está sendo observada pelo Fisco ao adotar os artigos 29 e 30, da Lei nº 10.522/02, na apuração do crédito em discussão; c) por conseguinte, também há ofensa ao artigo 2º, I, da Lei nº 9.784/99, tendo em vista que os atos da Autoridade Administrativa estão totalmente vinculados à lei, e d) por fim, os artigos 142, do CTN e 10, do Decreto 70.235/72, e, em decorrência, ofensa ao contraditório e a ampla defesa (artigo 5º, LV, da CF). De fato, tal penalidade (juros sobre multa) não foi objeto de regular lançamento, razão pela qual não pode ser exigida. Fl. 191DF CARF MF 6 23. Vale salientar que a 2ª Turma da CSRF, diante desses argumentos, afastou a incidência dos juros de mora sobre o valor da multa aplicada, conforme ementa a seguir reproduzida: "JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora à taxa SELIC só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada proporcionalmente." (Acórdão 9202002.600 de 07 de março de 2013)(g.n.) 24. E, ad argumentandum e apenas ad argumentandum, caso esse CARF decida pela procedência da cobrança de juros sobre a multa de ofício, a respectiva cobrança deve se limitar a juros de 1% ao mês, conforme decisão abaixo transcrita, in verbis: (...) É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Conforme se depreende do relatório acima: a) foram extintos por pagamento as parcelas relativas ao imposto, juros de mora e multa proporcional de 1% do valor aduaneiro por classificação incorreta; b) de outra parte, o julgador de primeira instância decidiu pela exoneração da multa ao controle administrativo, objeto de recurso de ofício; e c) remanesce ainda na autuação a multa de ofício, ora sob recurso voluntário. Conforme disposto na Súmula CARF nº 1031, o limite de alçada deve ser aferido na data da análise do recurso ofício pelo órgão revisor. Assim, tendo em vista que a parcela exonerada do lançamento pela Delegacia de Julgamento, relativa à multa ao controle administrativo, no valor original de R$1.264.369,98, é inferior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 63/20172, não se conhece do recurso de ofício. 1 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. 2 Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 (Publicado(a) no DOU de 10/02/2017, seção 1, pág. 12) Estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal doBrasil de Julgamento (DRJ). O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11128.006346/200786 Acórdão n.º 3402004.618 S3C4T2 Fl. 190 7 Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Com relação à multa de ofício, é matéria controvertida no recurso voluntário a sua exigência quando corretamente descrito o produto na Declaração de Importação, bem como a sua atualização pela taxa Selic. A multa de ofício foi exigida pela fiscalização em face da falta de pagamento pela contribuinte do Imposto sobre a Importação (II), conforme previsto no art. 44, I da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) Como se vê, a multa de ofício não qualificada, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não exige que a conduta da autuada seja dolosa, bastando, para a sua imputação no caso presente, que haja a falta de pagamento do Imposto sobre a Importação, de forma que a eventual boafé da recorrente ou a descrição correta do produto na Declaração de Importação não lhe socorre neste caso. Não obstante isso, há que se esclarecer que, à época do fato gerador sob análise (02/10/2003), já não mais vigia na Receita Federal o entendimento veiculado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 10/19973, o qual foi expressamente revogado pelo Ato Declaratório Interpretativo nº 13, de 10 de setembro de 2002, que assim dispõe: ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF Nº 13, DE 10 92002(DOU DE 1192002) O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do artigo 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o disposto no artigo 84, e seu § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, DECLARA: 3 ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO Nº 10, DE 16 /01 /1997 [REVOGADO] COORDENAÇÃOGERAL DE TRIBUTAÇÃO COSIT PUBLICADO NA PAG. 01081 EM 20 /01 /1997 Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (...) Fl. 193DF CARF MF 8 Art. 1º – Não constitui infração punível com a multa prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. Art. 2º – Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 10, de 16 de janeiro de 1997. [grifos da Relatora] Dessa forma, à época da importação da recorrente, não mais era cabível a exclusão da multa de ofício para a "classificação tarifária errônea" nas circunstâncias especificadas acima, eis que o Ato Declaratório Interpretativo nº 13/2002, vigente à época do fato gerador, não traz em sua redação essa hipótese, remanescendo a desoneração apenas para as hipóteses de solicitação indevida de benefícios fiscais (imunidade, isenção, redução, preferência tarifária ou ex tarifário). Nessa esteira, não obstante os acórdãos favoráveis à tese da recorrente mencionados no recurso voluntário não tenham efeito vinculante para este Colegiado, cabe também salientar que eles se referem a fatos geradores anteriores à publicação do Ato Declaratório Interpretativo nº 13/2002, a exceção do Acórdão nº 3301001.8784, que embora se refira a fato gerador ocorrido em 09/06/2004, não trata da "classificação tarifária errônea", mas da "indicação indevida de destaque ex", hipótese que continua contemplada no último Ato Declaratório para a desoneração da multa de ofício. Assim, diante da ausência de norma infralegal ou legal desonerativa vigente que beneficiasse a recorrente ao tempo do fato gerador, é de se aplicar o disposto expressamente na norma legal veiculada pelo art. 44, I da Lei nº 9.430/96, que determina a incidência da multa de ofício diante da apuração pela fiscalização autuante do não pagamento espontâneo do imposto à época do seu lançamento de ofício. Por fim, quanto à insurgência relativa a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, entendo que os juros de mora são devidos, nos termos do art. 61, caput e §3° da Lei nº 9.430/96, sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições 4 Ementa do Acórdão nº 3301001.878: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 09/06/2004 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO."EX" TARIFÁRIO. APLICAÇÃO. Os "ex" tarifários estabelecidos para reduzir o Imposto de Importação têm aplicação restrita aos bens expressamente discriminados no ato ministerial e decorrem de prévio exame da Administração Pública, mormente de similaridade, com o objetivo de proteger a indústria nacional, descabendo a interpretação extensiva de forma a beneficiar bens não especificados no ato ministerial e cujas características e finalidades sejam completamente distintas das que foram contempladas. DESTAQUE EX. INDICAÇÃO INCORRETA. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. Excluise a multa de ofício dos créditos tributários lançados e exigidos em decorrência de indicação incorreta do destaque “ex”, tendo em vista a descrição correta do produto importado, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário, nos casos em que não se constate intuito doloso ou máfé por parte do declarante. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11128.006346/200786 Acórdão n.º 3402004.618 S3C4T2 Fl. 191 9 administrados pela Secretaria da Receita Federal" não pagos no prazo previsto, incidindo, portanto, também sobre a multa de ofício, após o respectivo vencimento: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. Ademais, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício após o respectivo vencimento encontra fundamento também no Decretolei nº 1.736/795, cujos dispositivos abaixo transcritos dispõem sobre a incidência dos juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional, inclusive durante o prazo em que a cobrança estiver suspensa em face da interposição de recurso administrativo ou de decisão judicial, cuja regra não se aplicaria somente na hipótese de depósito administrativo ou judicial do montante integral6: Art. 1º Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa 5 Solução de Consulta Cosit nº 47,de 04 de maio de 2016 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: OS JUROS DE MORA INCIDEM SOBRE A TOTALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, DO QUAL FAZ PARTE A MULTA LANÇADA DE OFÍCIO.DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), arts. 113, § 1º, 139 e 161; Lei nº 9.430, de 1996, arts. 44 e 61, § 3º; DecretoLei nº 1.736, de 1979, arts. 2º e 3º. 6 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. [Perguntas e Respostas no sítio da RFB: http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoese demonstrativos/dipjdeclaracaodeinformacoeseconomicofiscaisdapj/respostas2012/caputuloxviii acruscimoslegaisrevisada2012.pdf, acesso em 08/09/2016] (...) 004 Haverá a incidência de juros de mora durante o período em que a cobrança do débito estiver pendente de decisão administrativa? Sim. De acordo com a legislação tributária, há incidência de juros de mora sobre o valor dos tributos ou contribuições devidos e não pagos nos respectivos vencimentos, independentemente da época em que ocorra o posterior pagamento e de se encontrar o crédito tributário na pendência de decisão administrativa ou judicial. A única hipótese em que se suspenderá a fluência dos juros de mora é aquela em que houver o depósito do montante integral do crédito tributário considerado como devido, desde a data do depósito, quer seja este administrativo ou judicial. Se o valor depositado for inferior àquele necessário à liquidação do débito considerado como devido, sobre a parcela não depositada incidirão normalmente os juros de mora por todo o período transcorrido entre o vencimento e o pagamento. Normativo: RIR/1999, art. 953, § 3º, e DecretoLei nº 1.736, de 1979, art. 5º. (...) Fl. 195DF CARF MF 10 de mora, consoante o previsto neste decretolei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) Parágrafo único. A multa de mora será de 20% (vinte por cento), reduzida a 10% (dez por cento) se o pagamento for efetuado no prazo de 90 (noventa) dias, contado a partir da data em que o tributo for devido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) Art 2º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1º. Art 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. Art 4º A correção monetária continuará a ser aplicada nos termos do artigo 5º do Decretolei nº 1.704, de 23 de outubro de 1979, ressalvado o disposto no parágrafo único do artigo 2º deste Decretolei. Art 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. (...) Conforme assentado no Apelação Cível nº 2005.72.01.0000311/SC (TRF4, rel. Vânia Hack de Almeida)7, "Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo". Ao contrário do alegado pela recorrente, a fluência dos juros de mora sobre a multa de ofício durante o curso do processo administrativo fiscal não representa afronta ao art. 161 do CTN, eis que, no próprio CTN, o termo "crédito tributário" não é utilizado somente para se referir à obrigação tributária principal. Conforme se depreende da leitura do art. 142 e 7 APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/SC RELATORA:Juíza Federal VÂNIA HACK DE ALMEIDA EMENTA TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11128.006346/200786 Acórdão n.º 3402004.618 S3C4T2 Fl. 192 11 do art. 113 do CTN, abaixo transcritos, o lançamento constitui o "crédito tributário", que por sua vez pode ser decorrente tanto do tributo como de eventuais penalidades pecuniárias: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 8 Também inexiste a alegada ofensa ao princípio da legalidade, eis que a incidência da taxa Selic é legalmente prevista no art. 61, caput e §3° e no art. 5º, §3º da Lei nº 9.430/969. Nem tampouco há ofensa ao artigos 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235/72, pois a fluência dos juros de mora, seja em face da exigência do próprio tributo ou da multa de ofício, é decorrente, obviamente da lei, e da fluência do tempo após os seus vencimentos sem o devido adimplemento por parte da contribuinte. Não se olvide que inexiste auto de infração que possa prever o momento futuro em que a contribuinte irá extinguir o crédito tributário nele veiculado. 8 "(...) É que resulta claro que o que o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável ao tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para sua cobrança. O direito tem estas liberdades, que não precisam ser objeto de escândalo." (BASTOS, Celso Ribeiro. In MARTINS, Ives Gandra da Silva. Comentários ao Código tributário Nacional, vol. 2. Ed. Saraiva, 1998, p. 148. 9 Art.5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e CustódiaSELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. §4º Nos casos de incorporação, fusão ou cisão e de extinção da pessoa jurídica pelo encerramento da liquidação, o imposto devido deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, não se lhes aplicando a opção prevista no §1º. Fl. 197DF CARF MF 12 Melhor sorte não assiste à recorrente no pleito de incidência de juros a 1% ao mês, conforme bem esclarece Leandro Paulsen10, "Não vislumbramos nenhuma inconstitucionalidade na taxa SELIC. Tem ela base legal e pode ser exigida pelo Fisco. O CTN, embora, em seu art. 161, §1º, refira a taxa de 1% ao mês, o faz em caráter supletivo, deixando, expressamente à lei a possibilidade de dispor de modo diverso. Não estabelece a taxa de 1% como limite, mas como taxa supletiva. A Lei nº 9.065/96 determinou a aplicação da taxa SELIC como juros moratórios e inexiste inconstitucionalidade nisso. (...)". Dessa forma, não havendo qualquer incompatibilidade dos dispositivos legais acima com o CTN, no que concerne à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, eles devem ser aplicados ao presente caso concreto com base na taxa Selic, cuja legitimidade já é matéria já sumulada neste CARF, conforme abaixo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, pelo exposto acima, voto no sentido de não conhecer o recurso de ofício e de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora 10 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2008, p. 1072. Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.721730/2009-47
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. Hipótese em que a averbação de parte da área foi realizada de forma tempestiva.
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA não foi apresentado. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR.
Numero da decisão: 9202-005.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de APP - Área de Preservação Permanente de 252,7 ha, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. Hipótese em que a averbação de parte da área foi realizada de forma tempestiva. ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA não foi apresentado. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de APP Área de Preservação Permanente de 252,7 ha, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 17 30 /2 00 9- 47 Fl. 209DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 220101.564, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente procedimento fiscal de verificação do cumprimento de obrigações tributárias, relativamente ao Imposto Territorial Rural ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata na Declaração do ITR – DITR/2005, no valor de R$ 1.077.666,48, referente ao imóvel rural com NIRF Número do Imóvel na Receita Federal 3.084.6250, com Area Total – ATI de 9.538,0ha, denominado Fazenda 3 Irmãos do Rio Suia Missu, localizado no município de São Felix do Araguaia/MT. O Contribuinte apesentou impugnação, às fls. 46/54. A DRJ de Campo Grande julgou, integralmente, procedente o lançamento, fls. 110/121. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 122/130, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento dos impostos apurados pela falta de apresentação do ADA; julgada procedente a área de utilização limitada declarada como de Reserva Legal e de Preservação Permanente; julgada improcedente a exclusão das áreas de utilização limitada quando da apuração do imposto; finalmente considerar as áreas declaradas como de utilização limitada, excluindose dos valores de referência do VTN. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 143/154, DEU PROVIMENTO EM PARTE ao Recurso Ordinário, para restabelecer a área de preservação permanente declarada e uma área de reserva legal de 4.913,5ha. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10183.721730/200947 Acórdão n.º 9202005.605 CSRFT2 Fl. 210 3 Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. O § 8º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da base de cálculo do ITR. Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido Às fls. 157/171, a Fazenda Nacional igualmente interpôs Recurso Especial por divergência em relação ao seguinte ponto: Necessidade de apresentação tempestiva do ADA os acórdãos, recorrido e paradigmas, partem de premissas fáticas idênticas, tendo em vista que todos discutem lançamentos relativos ao ITR de exercícios posteriores ao advento da Lei nº 10.165/2000, que alterou a redação do art. 17O, da Lei nº 6.938/81, para chegar a conclusões distintas. Enquanto o acórdão impugnado defende que, para a isenção do ITR sobre áreas de reserva legal e de preservação permanente, relativo ao exercício de 2005, é possível dispensar a apresentação do ADA, com base no art. 17O da Lei nº 6.938/81, os acórdãos paradigmas, também tendo por base o mesmo dispositivo legal, entendem que a comprovação da existência da área de reserva legal e de preservação permanente por meio do ADA se tornou indispensável a partir do exercício de 2001 (com a vigência da Lei nº 10.165/2000). Às fls. 178/180, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso especial em relação à indispensabilidade da apresentação do ADA para exclusão das áreas de APP Área de Preservação Permanente e da ARL Área Reserva Legal/Utilização Limitada da tributação do ITR. Às fls. 183/188, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, alegando, preliminarmente, que a premissa da fundamentação do Recurso é equivocada no sentido de que o acórdão recorrido não considerou indispensável a apresentação do ADA para usufruto das áreas isentas de tributação, mas, sim, considerou a área averbada junto à matrícula do imóvel (4,913ha) ao invés da área declarada na apresentação do ITR2005 pelo Contribuinte que constava 6.676,6ha. Na continuidade das contrarrazões, arguiu que o acórdão colado à peça recursal pela Recorrente, em que pese ter apresentado ADA para a isenção tributária pretendida para áreas consideradas de preservação permanente e de utilização limitada, na questão da área de reserva legal, decidiuse pela validade da área averbada junto à matrícula do imóvel como Fl. 211DF CARF MF 4 de reserva legal. Deste modo, rebateu arguindo que, diferente do que se afirma no recurso, em nenhum instante, o ora Recorrido/Contribuinte buscou mitigar as exigências previstas em lei a fim de que pudesse se beneficiar da isenção prevista na legislação para os casos de isenção do ITR. O que se buscou e foi acolhido em parte foi a apuração da verdade real/material, princípio do processo administrativo em consonância com a previsão legal da ampla defesa e do contraditório. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase o presente procedimento fiscal de verificação do cumprimento de obrigações tributárias, relativamente ao Imposto Territorial Rural ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata na Declaração do ITR – DITR/2005, no valor de R$ 1.077.666,48, referente ao imóvel rural com NIRF Número do Imóvel na Receita Federal 3.084.6250, com Area Total – ATI de 9.538,0ha, denominado Fazenda 3 Irmãos do Rio Suia Missu, localizado no município de São Felix do Araguaia/MT. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à indispensabilidade da apresentação do ADA para exclusão das áreas de APP Área de Preservação Permanente e da ARL Área Reserva Legal/Utilização Limitada da tributação do ITR. A questão controvertida diz respeito à exigência da averbação da área de reserva legal a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento, e para isso adoto as razões do acórdão 9202.02146, proferido pela Composição anterior da 2ª Turma da Câmara Superior, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10183.721730/200947 Acórdão n.º 9202005.605 CSRFT2 Fl. 211 5 c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de preservação permanente é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da existência de ADA tempestivo para reconhecimento da área como de preservação permanente e reserva legal. O acórdão recorrido deu razão ao Contribuinte, reconhecendo a porção de terra averbada para fins de ARL e a porção de terra declarada como APP lastrada pelo Laudo Técnico anexado. Saliento que a partir de 2001, para fins de redução do ITR, a previsão expressa é a de que haja comprovação de que houve a comunicação tempestiva ao órgão de fiscalização ambiental, e que isso ocorra por meio de documentação hábil. Entendo aqui que a documentação hábil engloba um conjunto de documentos possíveis e não apenas o protocolo de ADA. Em linhas gerais temos condições diferentes para reconhecimento da isenção quando se trata de (a) área de reserva legal e (b) área de preservação permanente. Fl. 213DF CARF MF 6 (a) Assim quanto a área de Reserva Legal, e meu ver não existe prazo para comprovação de sua existência, logo não é necessário que a averbação da reserva legal seja realizada antes do fato gerador, pois se a área tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é isso que importa para consagração do Direito do Contribuinte, em virtude da aplicação da Verdade Material, privilegiada nos Processos Administrativos Federais por força da Lei 9784/99. (b) Já quanto a área de preservação permanente, para que esta seja considerada isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, não considero a apresentação de ADA como prova exclusiva de sua existência, pois a meu ver existem outros documentos hábeis a esta comprovação, como, por exemplo, laudos, fotos, averbações. Isso é quanto ao direito. Passo agora a análise das provas. No caso dos autos, tratase do imóvel de nome Fazenda 3 irmãos do Suiá Missú, Exercício 2005 observo que o contribuinte de fato não apresentou ADA, mas apresentou averbação e laudo técnico das áreas pretendidas. A Averbação em questão, que se encontra à margem da matrícula do imóvel, fls 31, verso, se refere a Área de Reserva Legal, matrícula 10.377, de acordo com Termo de Preservação Florestal assinado em 30.08.89 e averbado na data de 30.07.92, no importe de 4.913,50 ha. Deste modo, conforme exposto acima a averbação supre a falta do ADA, servindo como prova hábil a comprovação exigida em lei. Quanto a Área de Preservação Permanente esta vem bem delineada no Laudo Técnico, anexado as fls. 34 com respectiva ART – a qual informa a área de APP como 1.909,42 ha. Ressalvo aqui meu entendimento pessoal de que o Laudo Técnico é documento suficiente para reconhecimento da APP. Sendo assim, registrese que o Contribuinte declarou na DITR as seguintes porções de terra: ARL – DECLARADA 6.676,6ha APURADA AI: O (zero) AVERBADA 4.913,50ha APP – DECLARADA 252,7ha APURADA AI: 0 (zero) LAUDO TÉCNICO: 1909,42ha. Diante do enfrentamento dos montantes de terra declarados pelo Contribuinte e aqueles devidamente comprovados considero aptos a serem reconhecidas: para ARL 4.913,50ha (averbados) e para APP – 252,7 declarados e corroborados por laudo técnico com respectiva ART. Devendo, portanto, ser mantida parte da glosa constante do auto de infração, no que se refere a diferença havida entre a ARL declarada 6.676,6 ha e a reconhecida 4.913,50 ha. Neste caso observo que as provas dos autos atendem as exigências para que parte das áreas declaradas sejam reconhecidas como isentas, devendo ser mantido o acórdão recorrido. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e negarlhe provimento. É como voto. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10183.721730/200947 Acórdão n.º 9202005.605 CSRFT2 Fl. 212 7 (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 215DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao voto da nobre relatora, ouso discordar de seu posicionamento quanto aos requisitos para exclusão das áreas de preservação permanente. Acerca do tema, entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Ou seja, mandatório, para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico, que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10183.721730/200947 Acórdão n.º 9202005.605 CSRFT2 Fl. 213 9 Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito de entrega do ADA sequer foi efetivamente cumprido. Ainda a propósito, agora quanto à questão do momento da entrega do ADA, com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, entendo que o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que Fl. 217DF CARF MF 10 concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10183.721730/200947 Acórdão n.º 9202005.605 CSRFT2 Fl. 214 11 integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. Fl. 219DF CARF MF 12 À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Repetindose uma vez mais que como, no caso em questão, não houve entrega do ADA, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à matéria, reformandose o recorrido para restabelecer a glosa de APP Área de Preservação Permanente de 252,7 ha. È como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.903140/2012-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.413
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 40 /2 01 2- 52 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903140/201252 Acórdão n.º 3402004.413 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de PIS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903140/201252 Acórdão n.º 3402004.413 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.676, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903140/201252 Acórdão n.º 3402004.413 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903140/201252 Acórdão n.º 3402004.413 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903140/201252 Acórdão n.º 3402004.413 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903140/201252 Acórdão n.º 3402004.413 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903140/201252 Acórdão n.º 3402004.413 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903140/201252 Acórdão n.º 3402004.413 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.722388/2013-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO EXCLUSIVO DA ADMINISTRAÇÃO. DEVOLUÇÃO INDEVIDA DE VALORES AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE NOVA DCOMP PARA QUITAR OS DÉBITOS ANTERIORMENTE COMPENSADOS.
A situação de exceção deflagrada pelo erro cometido unicamente pela Administração autoriza, na hipótese ora tratada, ultrapassar a legalidade estrita por se entender não aplicável o art. 41 da IN RFB 1.300/2012, buscando-se solução na juridicidade constitucional, suficiente para criar uma norma concreta e específica para o caso em análise, por aplicação direta dos princípios da eficiência e da moralidade administrativa. No caso, a solução dada pelo Fisco constante da NE COREC 1/2013 revela-se apenas como uma das possíveis, não podendo ser negada ao contribuinte a possibilidade de quitar o débito de forma diversa, desde que observando o disposto no artigo 156 do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1401-002.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as Declarações de Compensação 05975.22553.021012.1.3.02-4488, 30854.49750.171012.1.3.02-0827, 01558.11285.061112.1.3.02-9730 e 18698.19001.191112.1.3.02-6073 com a utilização do crédito constante da Declaração de Compensação 06176.72199.150713.1.2.02-7931 (fl. 242-243), sem a aplicação de multa e juros de mora no intervalo entre a apresentação das 4 primeiras DCOMPs e esta última.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano (vice-presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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NE COREC 1/2013 Recorrente ENEVA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO EXCLUSIVO DA ADMINISTRAÇÃO. DEVOLUÇÃO INDEVIDA DE VALORES AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE NOVA DCOMP PARA QUITAR OS DÉBITOS ANTERIORMENTE COMPENSADOS. A situação de exceção deflagrada pelo erro cometido unicamente pela Administração autoriza, na hipótese ora tratada, ultrapassar a legalidade estrita por se entender não aplicável o art. 41 da IN RFB 1.300/2012, buscandose solução na juridicidade constitucional, suficiente para criar uma norma concreta e específica para o caso em análise, por aplicação direta dos princípios da eficiência e da moralidade administrativa. No caso, a solução dada pelo Fisco constante da NE COREC 1/2013 revelase apenas como uma das possíveis, não podendo ser negada ao contribuinte a possibilidade de quitar o débito de forma diversa, desde que observando o disposto no artigo 156 do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as Declarações de Compensação 05975.22553.021012.1.3.024488, 30854.49750.171012.1.3.020827, 01558.11285.061112.1.3.029730 e 18698.19001.191112.1.3.026073 com a utilização do crédito constante da Declaração de Compensação 06176.72199.150713.1.2.027931 (fl. 242243), sem a aplicação de multa e juros de mora no intervalo entre a apresentação das 4 primeiras DCOMPs e esta última. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 23 88 /2 01 3- 56 Fl. 469DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano (vicepresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório A contribuinte inicialmente apresentou pedido de restituição de crédito decorrente do Saldo Negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2010, no montante de R$15.519.582,49. Após, apresentou 10 Declarações de Compensação (DCOMP) vinculadas ao mesmo crédito, em datas diversas. Em 5 de dezembro de 2012 foi proferido despacho decisório no Processo Administrativo 12448.916400/201219 reconhecendo integralmente o direito creditório pleiteado. Todavia, tal despacho decisório considerou que parte do crédito havia sido utilizada em 6 DCOMP, razão pela qual foi concedida a restituição do saldo remanescente (valor original do crédito restituído: R$8.136.059,98). A restituição foi depositada em favor da contribuinte em 21 de novembro de 2012. Em face de a contribuinte ter transmitido outras 4 DCOMP (não consideradas quando dos cálculos efetuados no despacho decisório referente ao PA 12448.916400/201219), a DRF/RJ formalizou o presente processo administrativo, com o objetivo de analisar as DCOMP (i) 05975.22553.021012.1.3.024488 (fls. 4 a 9), transmitida em 02/10/12; (ii) 30854.49750.171012.1.3.020827(fls. 10 a 13), transmitida em 17/10/2012; (iii) 01558.11285.061112.1.3.029730(fls. 14 a 19), transmitida em 06/11/2012; e (iv) 18698.19001.191112.1.3.026073(fls. 20 a 23), transmitida em 19/11/2012. Em 27 de junho de 2013 a DRF/RJ emitiu o Parecer nº 89, concluindo não haver mais saldo disponível para utilização nas 4 DCOMP acima e sugerindo a cobrança da multa isolada prevista no art. 74, § 17, da Lei 9.430/96, porque (i) a apuração do saldo disponível no despacho decisório proferido em 5/12/2012 ocorreu em 28/09/2012, ou seja, em data anterior à apresentação das 4 DCOMP acima referidas; (ii) no despacho decisório foram considerados o pedido de restituição e as 6 DCOMP transmitidas até 28/09/2012. Com base nesse parecer, a DRF/RJ emitiu o despacho decisório de fl. 34 (relativo ao presente processo) em que decidiu: (i) não homologar as 4 DCOMP analisadas (05975.22553.021012.1.3.024488, 30854.49750.171012.1.3.020827, 01558.11285.061112.1.3.029730 e 18698.19001.191112.1.3.026073); e (ii) exigir a multa Fl. 470DF CARF MF Processo nº 12448.722388/201356 Acórdão n.º 1401002.055 S1C4T1 Fl. 470 3 isolada (razão pela qual foi posteriormente lavrado Auto de Infração no PA 12448.729524/201339; fl. 48). O contribuinte então apresentou manifestação de inconformidade. Em 26 de junho de 2014 o processo foi convertido em diligência (fl. 301 304), dandose ciência à contribuinte para que ela devolvesse à Receita Federal o valor indevidamente a ela restituído, de modo que este pudesse ser utilizado nas compensações pleiteadas, de acordo com o previsto na Norma de Execução COREC nº 01/2013 referida norma traz instruções e procedimentos referentes à recuperação de créditos financeiros decorrentes de restituições indevidamente pagas. No entanto, conforme observou o acórdão recorrido, diferentemente de tantos outros contribuintes que, na mesma situação (o que por sinal deu origem à NE COREC 01/2013), espontaneamente procuraram a RFB para que o valor indevidamente restituído fosse utilizado nas compensações pleiteadas, a empresa "optou por não aproveitar tal oportunidade, preferindo requerer que a DRJ examinasse primeiramente o mérito" (fl. 390391). Em 31 de outubro de 2014 a DRJ em São Paulo proferiu o acórdão 16 62.818, analisando o mérito da questão e entendendo que não restou crédito a ser utilizado na compensação dos débitos analisados, razão pela qual não há como se homologar as compensações pleiteadas. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que faça prova de possuir crédito próprio, líquido e certo, contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 DIREITO CREDITÓRIO. DILIGÊNCIA. NÃO OPÇÃO. Foi indevidamente restituído à Recorrente o saldo remanescente do crédito integralmente reconhecido, após compensação com apenas parte dos débitos informados em DCOMP. Além disso, infrutífera a diligência realizada para dar oportunidade à Recorrente de devolver o valor indevido e assim gerar crédito utilizável nas compensações anteriormente não consideradas. Assim, não tendo restado crédito disponível para fazer frente às compensações pleiteadas nas DCOMP ora sob exame, mantémse a decisão recorrida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão acima foi disponibilizada na caixa postal eletrônica do contribuinte em 19 de novembro de 2014 e este tomou ciência do documento por decurso de prazo em 4 de dezembro de 2014 (cf. termo de ciência a fl. 432). Fl. 471DF CARF MF 4 O recurso voluntário foi apresentado em 10 de dezembro de 2014 (fl. 434) e nele o contribuinte pleiteia a homologação da compensação pleiteada, sustentando, em síntese: as 4 compensações transmitidas entre 2/10/2012 e 19/12/2012 deveriam ter sido albergadas pelo despacho decisório de 5/12/2012, eis que transmitidas antes de sua emissão. a Administração Pública tem o dever de primar por princípios constitucionais como o da eficiência além de obedecer ao devido processo legal, e "não pode o contribuinte de boafé ser prejudicado sobremaneira, perdendo direito pleiteado regularmente,(...)" na época, a Recorrente não pode recorrer do despacho decisório de 5/12/2012 eis que não era sucumbente e o despacho fez crer que todas as compensações estavam homologadas, já que não houve expressa designação a respeito dos PER/DCOMPs cujas compensações não foram homologadas; não procede a alegação de que a Recorrente não aproveitou a oportunidade de devolver os valores que indevidamente lhe foram restituídos, já que em resposta à diligência a Recorrente apenas apontou outra alternativa à devolução dos valores, que seria utilizar outro crédito para fins de compensação do principal (saldo negativo apontado na DIPJ 2013), conforme fls. 70/71 e doc. 7 da manifestação de inconformidade (fls. 242/243). Alega que a falta de liquidez para desembolsar de uma vez tamanha quantia e sustenta que o artigo 64 da Lei 9.784/99 assegura ao contribuinte ser intimado a se manifestar antes de ser proferida decisão que possa agravar a sua situação. Conclui, portanto, que "tivesse sido cientificada antes de ser proferida a decisão ora recorrida, a Recorrente teria retificado os PER/DCOMPs ainda em análise, alterando o crédito que deveria ser utilizado para fins da análise do petitório e com vistas a obter decisão homologatória da compensação". conquanto o caso fosse excepcional, a DRJ/SPO resolveu não flexibilizar a norma inserida no artigo 41 da IN RFB 1.300/2012, a qual veda a compensação de débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada ou pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, sendo que no caso a não homologação apenas ocorreu por exclusivo equívoco da Delegacia da Receita Federal. sustenta que a medida mais adequada no caso seria intimar a contribuinte a promover o pagamento do principal, sem mora, permitindo a ela a utilização das diversas formas de extinção do débito tal como estabelece o art. 156 do CTN. requer que caso não seja atendida a possibilidade de se utilizar outro crédito para compensar os débitos ora discutidos, que lhe seja dada oportunidade para liquidar o montante do principal em prazo razoável. requer, ainda, o cancelamento da cobrança dos juros de mora, sustentando que quando transmitidos os PER/DCOMPs indicaram débitos a vencer e sua não homologação ocorreu unicamente por equívoco da Receita Federal, não havendo que se falar em mora que dê causa à cobrança de juros no caso em questão. sustenta a impossibilidade de se cobrar a multa isolada prevista no par. 17 do art. 74 da Lei 9.430/96 (de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, bem como sobre compensação não homologada por falsidade na documentação), ante sua inconstitucionalidade, bem como por violação à tipicidade, Fl. 472DF CARF MF Processo nº 12448.722388/201356 Acórdão n.º 1401002.055 S1C4T1 Fl. 471 5 já que tal multa só é aplicável no caso em que o crédito não existe na época da formulação do pedido de compensação. sustenta a impossibilidade de cobrança de multa de mora ao caso, já que toda multa tem caráter de sanção na medida em que a indenização ao Fisco pela recomposição patrimonial em razão da demora do contribuinte ocorre por meio da cobrança de juros. Alega, ademais, a aplicação do artigo 138 do CTN, entendendo que o caso é de denúncia espontânea pois foi a empresa quem se dirigiu ao Fisco e deu a ele conhecer a existência de débitos tributários de sua responsabilidade, requerendo sua liquidação via compensação. Recebi o processo em distribuição realizada em 22 de junho de 2017. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Estamos diante de um caso peculiar em que o contribuinte formulou pedido de restituição seguido de compensação de um crédito com determinados débitos constantes de 10 DCOMPs e o Fisco reconheceu o crédito integralmente, porém por equívoco reconheceu a compensação de apenas 6 das DCOMPs transmitidas, efetuando a devolução em espécie do valor da diferença. Chamado a devolver o montante que lhe foi entregue indevidamente para assim ver o erro da Administração sanado e finalmente ter suas DCOMPs homologadas integralmente, o contribuinte apresenta uma espécie de "contraproposta" a esta alternativa, consubstanciada na apresentação de novas DCOMPs contendo outros créditos para a quitação dos débitos constantes das 4 DCOMPs inicialmente não homologadas por erro da Administração. Todavia, a Administração não aceitou tal contraproposta, alegando a existência de vedação legal (o artigo 41 da IN RFB 1.300/2012 veda a compensação de débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada ou pendente de decisão definitiva). Como resultado, o contribuinte permaneceu de posse do valor restituído em espécie e suas 4 compensações foram consideradas não homologadas, e, sem que fosse novamente instado a se manifestar, recebeu a cobrança dos tributos confessados com acréscimos legais, além da multa isolada prevista no par. 17 do art. 74 da Lei 9.430/96 (de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido). De fato, a solução mais direta seria o contribuinte aceitar a proposta apresentada pelo Fisco, devolver os recursos e assim ter as compensações homologadas. Afinal, em geral é no mínimo de bom tom que a pessoa que de boafé recebe recursos que sabe serem indevidos não deve utilizálos, mas prontamente devolvêlos a quem de direito. Fl. 473DF CARF MF 6 Todavia, no caso, o suposto credor dos recursos devolvidos indevidamente o Fisco já era, no momento da devolução indevida, devedor do contribuinte, como demonstra a DIPJ 2013 de fls. 242/243. Assim, embora em uma análise superficial da questão sejamos levados a por em dúvida a boa fé do contribuinte, um exame mais detido do caso concreto nos leva a concluir pela absoluta plausibilidade da contraproposta por ele apresentada. É verdade que a Administração deve primar pela legalidade e não pode, em situações regulares, ignorar regras, em especial as por ela mesma editadas. Assim, em geral, a resposta apresentada pelo Fisco de que a contraproposta do contribuinte encontrava limite no art. 41 da IN RFB 1.300/2012 é plenamente válida. Todavia, no caso concreto, em que tudo se iniciou por um equívoco da própria Administração, a estrita legalidade e o consequente comodismo que advém do ato de se respaldar unicamente em regras gerais e abstratas para evitar a solução de casos concretos de maneira mais eficiente e moral, atendendo aos tão caros princípios do art. 37 da CF, poderiam ser afastados. A situação de exceção deflagrada pelo erro cometido unicamente pela Administração autoriza, na hipótese ora tratada, ultrapassar a legalidade estrita por se entender não aplicável o art. 41 da IN RFB 1.300/2012, buscandose solução na juridicidade constitucional, suficiente para criar uma norma concreta e específica para o caso em análise, por aplicação direta dos princípios da eficiência e da moralidade administrativa. Assim, a solução dada pela NE COREC 1/2013 é apenas uma das possíveis, devendo ser aberta ao contribuinte a possibilidade de quitar o débito de forma diversa, desde que obedecendo às formas previstas no artigo 156 do CTN Não obstante os princípios constitucionais, em sua função de cânones interpretativos (ou, para Humberto Ávila, mandamentos de otimização), em geral demandem concretização por meio de regras gerais e abstratas, sendo esta uma escolha exclusiva do legislador, a função dos princípios não se esgota na interpretação, sendo eles também normas jurídicas dotadas de eficácia. Neste sentido, alguns princípios têm tamanha densidade axiológica que independem de mediação concretizadora por meio de regra geral e abstrata, podendo ser objeto de aplicação direta por quaisquer dos Poderes, resultando na criação de uma regra individual e concreta. É o caso dos princípios inscritos no artigo 37 da Constituição, dentre os quais se destaca a moralidade administrativa, conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal, em um dos julgados que culminaram na edição da Súmula Vinculante n. 131: ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. VEDAÇÃO NEPOTISMO. NECESSIDADE DE LEI FORMAL. INEXIGIBILIDADE. PROIBIÇÃO QUE DECORRE DO ART. 37, CAPUT, DA CF. RE PROVIDO EM PARTE. I Embora restrita ao âmbito do Judiciário, a Resolução 7/2005 do Conselho Nacional da Justiça, a prática do nepotismo nos demais Poderes é ilícita. II A vedação do nepotismo não exige a edição de lei formal para coibir a prática. 1 Sumula Vinculante n. 13 "A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal." Fl. 474DF CARF MF Processo nº 12448.722388/201356 Acórdão n.º 1401002.055 S1C4T1 Fl. 472 7 III Proibição que decorre diretamente dos princípios contidos no art. 37, caput, da Constituição Federal. IV Precedentes. V RE conhecido e parcialmente provido para anular a nomeação do servidor, aparentado com agente político, ocupante, de cargo em comissão. (RE 579.951/RN, Tribunal Pleno, Relator Min. Ricardo Lewandowski, j. 20/08/2008, grifamos) Faz parte da atuação com moralidade (e eficiência) evitar invocar questões puramente formais como base para negar um direito do contribuinte que sequer se questiona, como ocorre no caso em questão. Ressaltese que muito embora seja vedado aos julgadores administrativos a declaração de inconstitucionalidade de normas gerais e abstratas (atividade reservada ao Poder Judiciário), estes não estão impedidos de apreciar questões constitucionais, nem de considerar a aplicação de princípios constitucionais no julgamento de casos concretos. Dito de outra forma, a declaração de inconstitucionalidade de normas gerais e abstratas de fato é matéria restrita ao Poder Judiciário, mas isso não significa que os demais Poderes, em sua atuação, não possam apreciar questões sob o prisma constitucional. Desse modo, ressalto que o presente julgado não constitui afronta ao enunciado da Súmula CARF n. 2, segundo o qual "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Diante do exposto, voto pela procedência do recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as Declarações de Compensação 05975.22553.021012.1.3.024488, 30854.49750.171012.1.3.02 0827, 01558.11285.061112.1.3.029730 e 18698.19001.191112.1.3.026073 considerandose a possibilidade de utilização do crédito constante da Declaração de Compensação 06176.72199.150713.1.2.027931 (fl. 242243). Tendo em vista a peculiaridade do caso concreto, tal análise deverá ter em conta, ainda, que não são aplicáveis multa e juros de mora no intervalo entre a apresentação das 4 primeiras DCOMPs e a última. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 475DF CARF MF 8 Fl. 476DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.721999/2015-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. CORRESPONDÊNCIA COM O INFORME DE RENDIMENTOS E COM A DIRF DA FONTE PAGADORA.
O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Numero da decisão: 2201-003.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 25/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. CORRESPONDÊNCIA COM O INFORME DE RENDIMENTOS E COM A DIRF DA FONTE PAGADORA. O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 19 99 /2 01 5- 50 Fl. 222DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 11 a 12, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2010, que constatou a seguinte infração: compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 6.305,50, referente à fonte pagadora Caixa Econômica Federal. Consta ainda da descrição dos fatos: “ Com base nos documentos apresentados apuramos o seguinte: 1) rendimentos totais (aluguéis) recebidos = R$ 153.968,11;total do IRRFonte = R$ 25.714,41; despesas totais (condomínio) = R$ 33.943,62. 2) rendimentos totais líquidos das despesas totais – R$ 120.024,49. 3) participação da contribuinte nos rendimentos totais/aluguéis = 50%. 4) rendimentos tributáveis/aluguéis (50%) = R$ 60.012,25/IRRFonte (50%) = R$ 12.857,21.” Cientificada do lançamento em 21/10/2015 (fl. 199), a interessada apresentou a impugnação de fls. 02 e 04/06, em 18/112015, por intermédio de procurador (procuração a fl. 07) , alegando que: podese ver que a receita informada na declaração do IRPF confere com os valores informados nos informes de rendimentos , tanto que da dona Margarida, como da dona Laurinda, bem como o IR retido na fonte; conforme cópia da matrícula e contrato de locação, os rendimentos de alugueis correspondem a 50% para cada uma; em relação às despesas do condomínio, que foram incluídas pela Caixa Econômica Federal junto com a receita de aluguéis no informe de rendimentos, os valores são diferentes, isto porque como o prédio é usufruto de ambas (Margarida e Laurinda), e não há um condomínio pessoa jurídica, os valores foram reembolsados de acordo com que efetuou os pagamentos das despesas, que no caso somente dona Margarida custeou todas as despesas de condomínio sozinha; a dona Margarida recebeu um montante de R$ 99.913,18, que deduzido as despesas de condomínio de R$ 33.943,66, recebeu o valor líquido de R$ 65.969,56, enquanto que a dona Laurinda não houve reembolso de despesas de condomínio, e lançou o valor integral recebido de R$ 54.054,93, estando correto o declarado na declaração do imposto de renda de pessoa física.; Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10835.721999/201550 Acórdão n.º 2201003.844 S2C2T1 Fl. 3 3 é lamentável que a Caixa Econômica Federal retenha o imposto de renda na fonte sobre o valor do condomínio e ai está toda a causa da divergência; no exercício de 2008, anocalendário 2007, foi autuada pelo mesmo motivo e tudo foi justificado, conforme cópia em anexo, sendo uma situação igual a essa e já apreciada por Vossa Senhoria; não tem cabimento a pretensão do Sr.Fiscal autuante, em fazer uma soma dos dois rendimentos, e excluir o condomínio e o valor líquido dividir para ambas e o pior de tudo, querer glosar o valor do imposto de renda retido na fonte para R$ 12.857,21, quando o montante retido foi de R$ 19.162,71; todos os rendimentos foram declarados e lançados no imposto de renda retido na fonte, de acordo com os informes de rendimentos fornecidos pela Caixa Econômica Federal; não há uma explicação razoável para o imposto ser glosado, principalmente se os valores brutos recebidos por cada uma foram diferentes, e pago a cada uma o valor que arcou individualmente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou improcedente a impugnação, com as seguintes considerações: Quanto ao fato de os informes de rendimentos espelharem valores diferentes dos apurados pela fiscalização, cumpre esclarecer que à fonte pagadora cabe efetuar a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, podendo ser penalizada por informação incorreta prestada, mas isso não elide a responsabilidade da contribuinte pelas informações prestadas em sua declaração de IRPF. A interessada, como contribuinte direto, conforme definição de contribuinte e responsável dada pelo artigo 121 do CTN, cumpre oferecer à tributação na declaração anual o total dos rendimentos recebidos e compensar o IRRF correspondente, independentemente de informação da fonte pagadora e, portanto, a responsabilidade pelas informações prestadas na declaração de rendimentos da pessoa física é do próprio declarante. Quanto ao não aproveitamento do IRRF por parte da Sra. Laurinda, caberia ter sido providenciada por ela uma declaração de ajuste anual retificadora, majorando a compensação do IRRF que a ela cabia. Isto posto, voto no sentido de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte dispôs, em síntese, que a recorrente compensou, em sua declaração, o valor retido de R$ 19.162,71 e a condômina Laurinda declarou corretamente, na sua declaração, o valor recebido de R$ 6.551,70. Fl. 224DF CARF MF 4 Além disso, salientou a recorrente que os rendimentos dos alugueres são metade para cada uma, contudo, ficou demasiadamente comprovado nos autos, que as despesas de condomínio foram custeadas pela recorrente, por isso que o rendimento bruto da recorrente é de R$ 99.913,18 e o da condômino Laurinda de R$ 54.05493, correspondendo justamente essa diferença de rendimento ao reembolso das despesas do condomínio. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 11 a 12, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2010, que constatou a seguinte infração: compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 6.305,50, referente à fonte pagadora Caixa Econômica Federal. Consta ainda da descrição dos fatos: “ Com base nos documentos apresentados apuramos o seguinte: 1) rendimentos totais (aluguéis) recebidos = R$ 153.968,11;total do IRRFonte = R$ 25.714,41; despesas totais (condomínio) = R$ 33.943,62. 2) rendimentos totais líquidos das despesas totais – R$ 120.024,49. 3) participação da contribuinte nos rendimentos totais/aluguéis = 50%. 4) rendimentos tributáveis/aluguéis (50%) = R$ 60.012,25/IRRFonte (50%) = R$ 12.857,21.” Dispõe a decisão recorrida da seguinte forma: Nos casos de aluguéis pagos por pessoa jurídica a mais de um locador, é dever da fonte pagadora (locatário) efetuar a retenção na fonte aplicando a tabela mensal em relação ao valor pago, apresentar DIRF individualizada e fornecer comprovante de rendimentos que couber a cada um e o IRRF correspondente. O art. 15 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), assim regulamenta a questão de rendimentos decorrentes de bens possuídos em condomínio: Quanto ao ônus de manutenção de imóvel possuído em condomínio, o art. 1.315 do Código Civil Brasileiro é cristalino e não deixa quaisquer dúvidas a respeito da matéria: Art. 1.315. O condômino é obrigado, na proporção de sua parte, a concorrer para as despesas de conservação ou divisão da coisa, e a suportar os ônus a que estiver sujeita. Parágrafo único. Presumemse iguais as partes ideais dos condôminos. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10835.721999/201550 Acórdão n.º 2201003.844 S2C2T1 Fl. 4 5 “Art. 15 Os rendimentos decorrentes de bens possuídos em condomínio serão tributados proporcionalmente à parcela que cada condômino detiver. Parágrafo único. Os bens em condomínio deverão ser mencionados nas respectivas declarações de bens, relativamente à parte que couber a cada condômino (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66) Compulsandose os autos, verificase que a declaração da contribuinte foi feita de acordo com o Informe da Caixa Econômica. fls 62, sendo que a DIRF, fls. 203, retrata os mesmos valores. Portanto, correta a compensação realizada pela recorrente. Notase que a diferença apontada pela fiscalização decorre do entendimento de que os valores dos alugueres deveriam constar, na proporção de 50%, das declarações da recorrente e de sua condômina. Contudo, comprovase nos autos que as retenções ocorreram em valores distintos, tendo em vista o pagamento das despesas de condomínio pela recorrente. Ao meu ver, o equívoco teve como causa o Informe e a DIRF, provavelmente, incorretos elaborados pela fonte pagadora, tendo em vista que os valores relativos ao condomínio não deveriam ter constado da retenção, conforme se extrai dos artigos 631 e 632 do regulamento do Decreto 3.000/1999: Art. 631. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma do art. 620, os rendimentos decorrentes de aluguéis ou royalties pagos por pessoas jurídicas a pessoas físicas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 7º, inciso II). Aluguel de Imóveis Art. 632. Não integrarão a base de cálculo para incidência do imposto, no caso de aluguéis de imóveis (Lei nº 7.739, de 1989, art. 14): I o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; II o aluguel pago pela locação do imóvel sublocado; III as despesas para cobrança ou recebimento do rendimento; IV as despesas de condomínio. Ao tratar da compensação referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte, assim dispõe o art. 87, inciso IV, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 26/03/1999, aplicável ao lançamento em questão: “Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei n.º 9.250, de 1995, art. 12): I (...) Fl. 226DF CARF MF 6 IV – o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; (...) § 2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§1º e 2º, e 8º, § 1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). Assim, apesar do provável erro da fonte pagadora quanto da realização da retenção do valor relativo às despesas com o condomínio, houve, comprovadamente, a retenção do valor, consoante declarado pela recorrente (R$ 19.162,71 retenção na fonte). Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.900744/2013-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2011
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurvo Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.120
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 07 44 /2 01 3- 47 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10805.900744/201347 Acórdão n.º 3201003.120 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório PETROLOG SERVIÇOS E ARMAZÉNS GERAIS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição e que procedera à retificação da DCTF, com observância de todos os trâmites administrativos adequados à compensação e que inexistia motivo para a negativa do pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora. Nos termos do Acórdão nº 02056.983, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF original. Destacouse que a retificação da DCTF, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se presta, por si só, para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega, sucintamente, que o crédito pleiteado decorre de ativo imobilizado, obtido em atenção à prerrogativa legal outorgada pelas Leis nº 10.865/2002 e 12.546/2011. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.103, de 30/08/2017, proferido no julgamento do processo 10805.900727/201318, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.103): O recurso é tempestivo e não havendo outros óbices, dele conheço. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10805.900744/201347 Acórdão n.º 3201003.120 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente, reproduzo quadro da decisão recorrida, para mostrar as datas do Darf, da DCTF, do Despacho Decisório e da DCTF retificadora. A retificação da DCTF foi feita após a ciência do Despacho Decisório, e não houve apresentação de provas ou alegação de direito na Manifestação de Inconformidade. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora foi apresentada após o início do procedimento fiscal, e desse modo, não substitui a DCTF original, cf. art. 9º, §2º1 da Instrução Normativa da Receita Federal 1.110/2010, combinada com art. 138, § único2 do CTN e art. 16 da Lei 9.779/963. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo, depois do início do procedimento fiscal, seria necessária prova de sua inexatidão, para o alcance da verdade material, que é objetivo do processo administrativo fiscal. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/994, art. 373, I do CPC5). 1 Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 2 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 3 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 4 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 5 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10805.900744/201347 Acórdão n.º 3201003.120 S3C2T1 Fl. 5 4 A recorrente aduz, genericamente, tratarse de direito de crédito relativo a ativo imobilizado, referindo a Lei 12.546/2012. Não aponta especificamente o dispositivo legal que lhe daria direito. (...) O documento trazido como comprovação do alegado crédito relaciona alguns bens do imobilizado, sem demonstrar qualquer cálculo que se assemelhe ao valor requerido. (...) Desse modo, não havendo qualquer argumentação consistente quanto ao direito de crédito, e a ausência de documentos que comprovem o crédito pretendido, não há como ultrapassar os requisitos de certeza e liquidez exigidos para a Declaração de Compensação, cf. art. 170 do CTN6. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 6 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.901728/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DESPACHO ELETRÔNICO. CRÉDITO UTILIZADO. DIVERGÊNCIA DE DIPJ E DCTF. DILIGÊNCIA. LALUR. APRESENTAÇÃO DAS ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA
O PER/DCOMP inicialmente não homologado por despacho eletrônico em virtude de inexistência de crédito passível de utilização, deve ser revisto e homologado quando, após diligência, a contribuinte apresenta livros contábeis e fiscais, por meio dos quais comprova prejuízo fiscal e pagamento indevido de estimativa mensal.
Numero da decisão: 1302-002.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar, e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente-Substituta
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente-Substituta)
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DESPACHO ELETRÔNICO. CRÉDITO UTILIZADO. DIVERGÊNCIA DE DIPJ E DCTF. DILIGÊNCIA. LALUR. APRESENTAÇÃO DAS ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA O PER/DCOMP inicialmente não homologado por despacho eletrônico em virtude de inexistência de crédito passível de utilização, deve ser revisto e homologado quando, após diligência, a contribuinte apresenta livros contábeis e fiscais, por meio dos quais comprova prejuízo fiscal e pagamento indevido de estimativa mensal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar, e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente-Substituta (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente-Substituta)
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. Recorrente BIORAD LABORATÓRIOS BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DESPACHO ELETRÔNICO. CRÉDITO UTILIZADO. DIVERGÊNCIA DE DIPJ E DCTF. DILIGÊNCIA. LALUR. APRESENTAÇÃO DAS ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA O PER/DCOMP inicialmente não homologado por despacho eletrônico em virtude de inexistência de crédito passível de utilização, deve ser revisto e homologado quando, após diligência, a contribuinte apresenta livros contábeis e fiscais, por meio dos quais comprova prejuízo fiscal e pagamento indevido de estimativa mensal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar, e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa PresidenteSubstituta (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 17 28 /2 00 9- 26 Fl. 341DF CARF MF Processo nº 15374.901728/200926 Acórdão n.º 1302002.355 S1C3T2 Fl. 3 2 Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (PresidenteSubstituta) Relatório Tratase da Resolução nº 110200.072, da extinta 2ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento, determinada face ao Acórdão nº 1238.748, de 15 de julho de 2011, proferido pela 9ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro. A DRJ relatou que o processo versava sobre o PER/DCOMP de fls. 2/6, transmitido em 15/04/2005, por meio do qual a Recorrente pretendia aproveitar crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, arrecadado em 23/02/2001, no valor de R$43.648,25, na data de transmissão. O Despacho Decisório (fl. 8) não homologou a compensação declarada. Concluiuse que, o pagamento indicado no PER/DCOMP teria sido integralmente utilizado. A recorrente manifestou seu inconformismo, em 31/03/2009, alegando, em síntese, que: Conforme DIPJ 2002 (fl. 30), transmitida em 28/06/2002, teve prejuízo fiscal no anocalendário de 2001; "... não havendo fato gerador para incidência do IRPJ o pagamento constante do DARF enquadrase na condição de pagamento a maior reclamando sua disponibilidade para ulterior compensação", fl. 13; "... não existiu base de cálculo para apuração do IRPJ mensal, pois essa, por estimativa, foi negativa", fl. 13, (Base de cálculo da estimativa de janeiro, fl. 31); não existia imposto algum a ser recolhido ao erário; A DCTF retificadora, transmitida em 10/03/2009 (fl. 170), desfaz o equívoco da vinculação do DARF ao suposto débito de IRPJ, referente a janeiro de 2001 (DCTF original, transmitida em 14/05/2001, fls. 132 e 135). No recurso voluntário, suscitou preliminar de nulidade do acórdão recorrido, sob a alegação de que este não estaria fundamentado e teria violado seu direito à ampla defesa e contraditório (por violar a prova dos autos quanto à comprovação do alegado erro praticado em DCTF originária e por deixar de provar que os créditos alegados em declaração de compensação já teriam sido utilizados para quitação de outros débitos. No mérito, reitera suas razões de impugnação, segundo as quais: (i) a Contribuinte teria comprovado a efetiva existência do crédito informado em PER/DCOMP, mediante juntada de DARF/2001, DIPJ 2002 e DCTF retificadoras; e (ii) caberia à autoridade julgadora, de ofício, converter o julgamento em diligência em caso de dúvida sobre a existência do crédito alegado, jamais “presumir pela inexistência do crédito, logo, de forma desfavorável e prejudicial ao contribuinte”. Segundo a Recorrente, em síntese, caso fossem devidamente apreciados pelo acórdão recorrido os documentos acima citados, a única conclusão possível desta análise seria Fl. 342DF CARF MF Processo nº 15374.901728/200926 Acórdão n.º 1302002.355 S1C3T2 Fl. 4 3 o reconhecimento do direito creditório e a homologação da respectiva declaração de compensação. Diante de tais alegações, o pedido de diligência foi acolhido, concluindose que havia a necessidade de instrução do processo para adequado julgamento. Assim, propôsse a conversão do julgamento em diligência para que a DRF adotasse as seguintes providências: (i) atestar a autenticidade da DCTF retificadora trazida aos autos em face das vias originais e da documentação fiscal e contábil da Contribuinte; (ii) atestar, de forma conclusiva e justificada, mediante consulta a documentos e livros fiscais e contábeis da Contribuinte, a correção (ou não) das informações prestadas na DCTF retificadora referida nestes autos, especialmente, mas sem se limitar, à existência (ou não) de saldo de IRPJ a pagar nos meses do ano calendário de 2001 que estariam sendo apontados pela RFB como impeditivos do reconhecimento do direito creditório alegado e consequente homologação da declaração de compensação; (iii) das verificações efetuadas, lavrar Relatório de Diligência circunstanciado e dele dar ciência à Contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias. Em cumprimento, a DRF apresentou o seguinte Despacho de Diligência: Tratase de relatório de Relatório de Diligência requerido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Primeira Seção de Julgamento), nas Resoluções nº 110200.072 e 110200.073 da 1a Câmara/2a Turma Ordinária, de 10/abr/2012. Basicamente, o CARF solicita as seguintes providências: (...) Constatamos nos sistemas da RFB que a DIPJ/2002, original/liberada, no 107942487, transmitida em 28/jun/2002, que a forma de apuração do IRPJ e da CSLL é o Lucro Real Anual. Em todos os meses de apuração das estimativas, quer sejam de IRPJ ou CSLL, a interessada utilizouse de balanços ou balancetes de suspensão ou redução que lhe permite, como o próprio nome sugere, suspender ou reduzir o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda devido por estimativa, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. O contribuinte foi intimado, por meio do Termo de Intimação Fiscal no 48/2014, cuja ciência deuse em 24/jun/2014, a informar/fornecer o(a)(s) seguinte(s) documento(s)/justificativa(s): “ Fotocópias autenticadas de escrituração contábil, mês a mês, do ano calendário 2011 que justifique as divergências encontradas entre o informado em DIPJ/2012 e as DCTFs transmitidas, relativamente a apuração dos tributos IRPJ (cód. receita 2362) e CSLL (cód. receita 2484). Comprovação definitiva de que a base de cálculo do IRPJ e da CSLL (mês a mês) foi negativa, a qual originou prejuízo fiscal em suas principais atividades (receita de revenda de mercadorias e receita de prestação de serviços) por todos os meses do AC de 2001. Haja visto a interessada possuir Fl. 343DF CARF MF Processo nº 15374.901728/200926 Acórdão n.º 1302002.355 S1C3T2 Fl. 5 4 3 filiais ATIVAS e exercer a atividade: CNAE: 4645101 Comércio atacadista de instrumentos e materiais para uso médico, cirúrgico, hospitalar e de laboratórios. Solicitase, então, como exposto acima: 1. fotocópia do Razão Analítico, em Real, detalhado, de 01/jan/2001 a 31/dez/2001, que detalhe MÊS a MÊS as receitas brutas e despesas com receitas brutas; e, 2. fotocópia do Balancete de Verificação, em Real, detalhado, de 01/jan/2001 a 31/dez/2001, que demonstre MÊS a MÊS as receitas brutas e despesas com receitas brutas.” A interessada atendeu à intimação acima citada trazendo a esta SAORT/DRF/STL/MG 12 (doze) encadernações de livros Razão Contábil contendo Razão Analítico e Balancete Analítico, referente aos períodos de janeiro a dezembro/2001. Sobre a estimativa a que se refere este relatório de diligência, IRPJ PA: jan/2001, no Balancete Analítico não há referência de IRPJ a pagar referente ao período, assim como informado na Ficha 11 da DIPJ/2002. Também o contribuinte não se utilizou desta estimativa (nem de outra que porventura pudesse advir no decorrer do anocalendário: meses de fev a dez/2001) para compor o ajuste anual em Saldo Negativo de IRPJ ao final do fato gerador em 31/dez/2001, conforme Linha 16, da Ficha 12A. TABELA 1 As DCTFs transmitidas pela Recorrente, do 1º e 2ºTrim/2001 são: Com relação às DCTFs transmitidas acima, a que contém informação do débito em comento (IRPJ PA jan/2001): 1oTrim/2001, na declaração original (item 01) havia informação de débito de estimativa IRPJ (cód. receita 2362). Esta foi retificada primeiramente em 15/ago/2001 (item 02), antes da ciência dos Despachos Decisórios eletrônicos exarados pelo Sistema de Controle de Crédito – SCC relativos às DComps 00103.28925.150405.1.3.040344 e 06056.95020.130505.1.3.040214, cujas ciências deramse em 04/mar/2009 e 02/abr/2009, respectivamente. A segunda DCTF retificadora (item 03), Liberada/Recebida sem Erro, foi transmitida em 10/mar/2009, ou seja, entre a ciência dos 02 (dois) despachos decisórios. Tanto na primeira quanto na segunda DCTF Retificadora não há menção à apuração de débito de estimativa de IRPJ. Diante do exposto, cumprida a determinação do CARF, em razão da documentação trazida aos autos pelo contribuinte e face as DCTFs registradas nos sistemas da RFB: Fl. 344DF CARF MF Processo nº 15374.901728/200926 Acórdão n.º 1302002.355 S1C3T2 Fl. 6 5 Dêse ciência deste Relatório de Diligência ao contribuinte, intimandoo a buscar a documentação apresentada por meio do TIF no 48. O interessado tem o prazo de 30 (trinta) dias contados a partir da ciência deste Relatório para se manifestar. Após, encaminhemse os autos novamente ao CARF/MF/DF. A Recorrente foi devidamente intimada sobre o resultado da diligência, porém, não apresentou manifestação. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma registrada na primeira oportunidade em que o caso veio a julgamento, o recurso voluntário é tempestivo e a recorrente está devidamente representada. Conheceuse do recurso. Preliminar de Nulidade A Recorrente alega que o despacho decisório que não homologou a DCOMP em questão seria nulo, por falta de fundamentação legal, bem assim pela falta de análise de DARF, DIPJ e DCTF. Verificase que, em realidade a recorrente não atendeu às intimações da DRF para a apresentação escritas contábeis, comerciais e fiscais. Limitouse a apresentar declarações acessórias, sobre as quais a DRF concluiu que não seriam suficientes para comprovar que o erro estaria na DCTF que, inicialmente, confessou débito de IRPJ e CSLL de estimativa mensal. Observase, ainda que o referido Despacho Decisório consignou os dispositivos legais e regulamentares, com base nos quais concluiu por não homologar a DCOMP em questão. Não haveria, portanto, a alegada nulidade. De qualquer forma, entendese que a conversão do julgamento inicial em diligência, concedeu à recorrente a oportunidade de demonstrar a subsistência de seu crédito relativo a pagamento indevido de IRPJ e CSLL por estimativa mensal. Nesse sentido, cabe rejeitar a preliminar de nulidade e adentrarse ao mérito para a apreciação do resultado da diligência, conforme segue. Mérito Fl. 345DF CARF MF Processo nº 15374.901728/200926 Acórdão n.º 1302002.355 S1C3T2 Fl. 7 6 Em conformidade com o Despacho de Diligência retro transcrito, a recorrente apresentou Livros Razão Contábil contendo Razão Analítico e Balancete Analítico, referente aos períodos de janeiro a dezembro/2001. A DRF analisou o respectivo Balancete Analítico e concluiu que não havia IRPJ a pagar, referente janeiro de 2001. Certificouse, portanto, que estava correto o registro na Ficha 11 da DIPJ/2002, quanto à inexistência de imposto a pagar. Da mesma forma, verificouse que não houve registro na Linha 16, da Ficha 12A da DIPJ, quanto ao referido valor pago indevidamente a título de estimativa mensal. Com relação às referidas DCTFs, a DRF verificou que, a indicada no item 1, declaração original (IRPJ PA jan/200; 1oTrim/2001), continha informação de débito de estimativa IRPJ (cód. receita 2362). A primeira retificadora da DCTF original, deuse em 15/08/2001 (item 02 do quadro acima), antes da ciência dos Despachos Decisórios eletrônicos exarados pelo Sistema de Controle de Crédito (SCC), relativos às DComps 00103.28925.150405.1.3.040344 e 06056.95020.130505.1.3.040214, cujas ciências deramse em 04/mar/2009 e 02/abr/2009, respectivamente. A segunda DCTF retificadora (item 03), Liberada/Recebida sem Erro, foi transmitida, em 10/03/2009, ou seja, entre a ciência dos dois despachos decisórios. Sobre as retificadoras, a DRF concluiu que, tanto na primeira quanto na segunda DCTF retificadoras, não mais havia registro sobre o referido débito de estimativa de IRPJ de 01/2001 que constava da DCTF original. Nesse sentido, confirmouse que: a) a recorrente apurou prejuízo fiscal no anocalendário de 2001, conforme balancete analítico e DIPJ 2002 (fl. 30), transmitida em 28/06/2002; b) não houve fato gerador do IRPJ; e c) o pagamento do DARF de R$43.648,25, posição em 23/02/2001, constituise em pagamento indevido, passível de utilização em compensação (fl. 13). Na forma certificada pela DRF, após diligência, é devida a homologação da PER/DCOMP em questão para o reconhecimento do direito creditório da recorrente. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 346DF CARF MF Processo nº 15374.901728/200926 Acórdão n.º 1302002.355 S1C3T2 Fl. 8 7 Fl. 347DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.901584/2012-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.933
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/06/2006 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 15 84 /2 01 2- 29 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901584/201229 Acórdão n.º 3201002.933 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.565, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901584/201229 Acórdão n.º 3201002.933 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901584/201229 Acórdão n.º 3201002.933 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901584/201229 Acórdão n.º 3201002.933 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901584/201229 Acórdão n.º 3201002.933 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901584/201229 Acórdão n.º 3201002.933 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901584/201229 Acórdão n.º 3201002.933 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901584/201229 Acórdão n.º 3201002.933 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901584/201229 Acórdão n.º 3201002.933 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.720025/2011-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
INSUMOS. CONCEITO. REGIME NÃO-CUMULATIVO.
O conceito de insumo utilizado pela legislação na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS denota, por um lado, uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI, por outro lado, tal abrangência não é tão ampla como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. A amplitude do conceito de "insumo" nas Contribuições PIS/PASEP e COFINS limita-se aos bens e serviços essenciais às atividades produtivas de bens e serviços destinados à venda.
DESPESAS DE TRANSPORTE. FUNCIONÁRIOS. INSUMOS.
Não se insere no conceito de insumo o transporte dos funcionários, das suas residências até a empresa e vice versa, por meio do fretamento de transporte.
INDUMENTÁRIA. LOCAÇÃO DE UNIFORMES. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.
A indumentária na indústria de processamento de alimentos por ser necessária e essencial à atividade produtiva, bem como, pela exigência dos órgãos reguladores, insere-se no conceito de insumo nas contribuições PIS/PASEP e COFINS.
SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA INDUSTRIAL REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS.
Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços de manutenção e limpeza industrial, que comprovadamente são empregados em máquinas e equipamentos utilizados na produção de alimentos.
SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS.
Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida.
NÃO-CUMULATIVIDADE. RESÍDUOS INDUSTRIAIS. NÃO GERA DIREITO A CRÉDITO.
Seja pelo critério da essencialidade na cadeia produtiva, seja pelo critério do elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, o tratamento dos resíduos não pode ser considerado insumo para fins de creditamento da Cofins.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. DESPESAS DE ARMAZENAGEM.
Concede-se direito a crédito na apuração não-cumulativa da contribuição as despesas referentes à energia elétrica utilizada na carga a frio dos contêineres nos portos, considerando-se essas despesas como despesas de armazenagem, de acordo com o art. 3, IX da Lei n. 10.833/2003.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. FRETES DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. FRETES DE PRODUTOS ACABADOS.
Concede-se direito à apuração de crédito as despesas de frete contratado relacionado a operações de venda, bem como, as despesas de frete entre os estabelecimentos da própria empresa quando essas estão inseridas no processo produtivo, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedor/exportador.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não-cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte, desde que comprovado pelo contribuinte.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS. BENS ADQUIRIDOS DA COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). GLOSA.
Os valores referentes a insumos adquiridos da CONAB não geram créditos para o adquirente no regime não cumulativo.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE A TOTALIDADE DOS INSUMOS ADQUIRIDOS. POSSIBILIDADE
A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, apropriar-se de créditos do PIS/PASEP e da COFINS calculado sobre o valor total (sem a redução do percentual de participação do parceiro) das aquisições de ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação dos animais, por meio de sistema de integração, considerando o percentual como remuneração do parceiro integrado.
AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO.ALÍQUOTA. REGIME NÃO CUMULATIVO.
O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. COMPENSAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. FORMA DE UTILIZAÇÃO.
O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637/2002.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL.
De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, não incide atualização monetária sobre créditos de COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP objeto de ressarcimento.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3301-003.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar Provimento Parcial, nos seguintes termos: 1. Conceito de insumos para PIS e Cofins não cumulativos referentes a: 1.1 Transporte de funcionários: negar provimento por maioria, vencido o Conselheiro Cássio Schappo; 1.2 Locação de uniformes: dar provimento por unanimidade; 1.3 Limpeza e higiene: dar provimento por maioria, vencido o Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, exclusivamente quanto ao credito referente à câmara frigorífica; 1.4 Construção civil: negar provimento por unanimidade; 1.5 Tratamento de resíduos industriais: negar provimento por voto de Qualidade, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Cássio Schappo, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen, designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho; 1.6 Despesa com energia elétrica: dar provimento por unanimidade; 2. Despesas com fretes de transferência de produtos em elaboração e acabados: dar provimento por unanimidade; 3. Créditos extemporâneos/preclusos: dar provimento por unanimidade, ressaltando-se que a lide restringe-se à admissão dos créditos extemporâneos, negado sumariamente na origem por falta de declaração, a aferição do crédito não foi tratada nos autos, devendo ser executada pela Unidade de Origem, quando da execução do Acórdão; 4. Créditos presumidos: 4.1 Aquisições da Companhia Nacional de Abastecimento CONAB: negar provimento por unanimidade; 4.2 Regularidade do valor da base de cálculo do crédito presumido atribuído pelo Contribuinte: dar provimento por maioria de votos, vencido o Conselheiro José Henrique Mauri; 4.3 Alíquota para o cálculo do crédito presumido: Por unanimidade de votos: (i) dar provimento ao recurso voluntário quanto a aplicação da alíquota de 60% sobre todos os insumos utilizados na produção e (ii) negar provimento no sentido de não ser possível a compensação ou ressarcimento do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004; 4.4 Aplicação da taxa Selic: negar provimento por unanimidade.
José Henrique Mauri - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Cassio Schappo, Larissa Nunes Girard, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 INSUMOS. CONCEITO. REGIME NÃO-CUMULATIVO. O conceito de insumo utilizado pela legislação na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS denota, por um lado, uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI, por outro lado, tal abrangência não é tão ampla como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. A amplitude do conceito de "insumo" nas Contribuições PIS/PASEP e COFINS limita-se aos bens e serviços essenciais às atividades produtivas de bens e serviços destinados à venda. DESPESAS DE TRANSPORTE. FUNCIONÁRIOS. INSUMOS. Não se insere no conceito de insumo o transporte dos funcionários, das suas residências até a empresa e vice versa, por meio do fretamento de transporte. INDUMENTÁRIA. LOCAÇÃO DE UNIFORMES. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. A indumentária na indústria de processamento de alimentos por ser necessária e essencial à atividade produtiva, bem como, pela exigência dos órgãos reguladores, insere-se no conceito de insumo nas contribuições PIS/PASEP e COFINS. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA INDUSTRIAL REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços de manutenção e limpeza industrial, que comprovadamente são empregados em máquinas e equipamentos utilizados na produção de alimentos. SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESÍDUOS INDUSTRIAIS. NÃO GERA DIREITO A CRÉDITO. Seja pelo critério da essencialidade na cadeia produtiva, seja pelo critério do elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, o tratamento dos resíduos não pode ser considerado insumo para fins de creditamento da Cofins. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. Concede-se direito a crédito na apuração não-cumulativa da contribuição as despesas referentes à energia elétrica utilizada na carga a frio dos contêineres nos portos, considerando-se essas despesas como despesas de armazenagem, de acordo com o art. 3, IX da Lei n. 10.833/2003. REGIME NÃO-CUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. FRETES DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. FRETES DE PRODUTOS ACABADOS. Concede-se direito à apuração de crédito as despesas de frete contratado relacionado a operações de venda, bem como, as despesas de frete entre os estabelecimentos da própria empresa quando essas estão inseridas no processo produtivo, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedor/exportador. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não-cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte, desde que comprovado pelo contribuinte. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS. BENS ADQUIRIDOS DA COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). GLOSA. Os valores referentes a insumos adquiridos da CONAB não geram créditos para o adquirente no regime não cumulativo. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE A TOTALIDADE DOS INSUMOS ADQUIRIDOS. POSSIBILIDADE A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, apropriar-se de créditos do PIS/PASEP e da COFINS calculado sobre o valor total (sem a redução do percentual de participação do parceiro) das aquisições de ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação dos animais, por meio de sistema de integração, considerando o percentual como remuneração do parceiro integrado. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO.ALÍQUOTA. REGIME NÃO CUMULATIVO. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. COMPENSAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. FORMA DE UTILIZAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637/2002. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, não incide atualização monetária sobre créditos de COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP objeto de ressarcimento. Recurso Voluntário provido em parte.
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AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 INSUMOS. CONCEITO. REGIME NÃOCUMULATIVO. O conceito de “insumo” utilizado pela legislação na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS denota, por um lado, uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI, por outro lado, tal abrangência não é tão ampla como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. A amplitude do conceito de "insumo" nas Contribuições PIS/PASEP e COFINS limitase aos bens e serviços essenciais às atividades produtivas de bens e serviços destinados à venda. DESPESAS DE TRANSPORTE. FUNCIONÁRIOS. INSUMOS. Não se insere no conceito de insumo o transporte dos funcionários, das suas residências até a empresa e vice versa, por meio do fretamento de transporte. INDUMENTÁRIA. LOCAÇÃO DE UNIFORMES. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. A indumentária na indústria de processamento de alimentos por ser necessária e essencial à atividade produtiva, bem como, pela exigência dos órgãos reguladores, inserese no conceito de insumo nas contribuições PIS/PASEP e COFINS. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA INDUSTRIAL REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços de manutenção e limpeza industrial, que comprovadamente são empregados em máquinas e equipamentos utilizados na produção de alimentos. SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL. REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 00 25 /2 01 1- 96 Fl. 1716DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.716 2 Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida. NÃOCUMULATIVIDADE. RESÍDUOS INDUSTRIAIS. NÃO GERA DIREITO A CRÉDITO. Seja pelo critério da essencialidade na cadeia produtiva, seja pelo critério do elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, o tratamento dos resíduos não pode ser considerado insumo para fins de creditamento da Cofins. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. Concedese direito a crédito na apuração nãocumulativa da contribuição as despesas referentes à energia elétrica utilizada na “carga a frio” dos contêineres nos portos, considerandose essas despesas como despesas de armazenagem, de acordo com o art. 3, IX da Lei n. 10.833/2003. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. FRETES DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. FRETES DE PRODUTOS ACABADOS. Concedese direito à apuração de crédito as despesas de frete contratado relacionado a operações de venda, bem como, as despesas de frete entre os estabelecimentos da própria empresa quando essas estão inseridas no processo produtivo, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedor/exportador. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado nãocumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte, desde que comprovado pelo contribuinte. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. BENS ADQUIRIDOS DA COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). GLOSA. Os valores referentes a insumos adquiridos da CONAB não geram créditos para o adquirente no regime não cumulativo. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE A TOTALIDADE DOS INSUMOS ADQUIRIDOS. POSSIBILIDADE A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, apropriarse de créditos do PIS/PASEP e da COFINS calculado sobre o valor total (sem a redução do percentual de participação do parceiro) das aquisições de ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação dos animais, por meio de sistema de integração, considerando o percentual como remuneração do parceiro integrado. Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.717 3 AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO.ALÍQUOTA. REGIME NÃO CUMULATIVO. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. COMPENSAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. FORMA DE UTILIZAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637/2002. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, não incide atualização monetária sobre créditos de COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP objeto de ressarcimento. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar Provimento Parcial, nos seguintes termos: 1. Conceito de insumos para PIS e Cofins não cumulativos referentes a: 1.1 Transporte de funcionários: negar provimento por maioria, vencido o Conselheiro Cássio Schappo; 1.2 Locação de uniformes: dar provimento por unanimidade; 1.3 Limpeza e higiene: dar provimento por maioria, vencido o Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, exclusivamente quanto ao credito referente à câmara frigorífica; 1.4 Construção civil: negar provimento por unanimidade; 1.5 Tratamento de resíduos industriais: negar provimento por voto de Qualidade, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Cássio Schappo, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen, designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho; 1.6 Despesa com energia elétrica: dar provimento por unanimidade; 2. Despesas com fretes de transferência de produtos em elaboração e acabados: dar provimento por unanimidade; 3. Créditos extemporâneos/preclusos: dar provimento por unanimidade, ressaltandose que a lide restringese à admissão dos créditos extemporâneos, negado sumariamente na origem por falta de declaração, a aferição do crédito não foi tratada nos autos, devendo ser executada pela Unidade de Origem, quando da execução do Acórdão; 4. Créditos presumidos: 4.1 Aquisições da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB: negar provimento por unanimidade; 4.2 Regularidade do valor da base de cálculo do crédito presumido atribuído pelo Contribuinte: dar provimento por maioria de votos, vencido o Conselheiro José Henrique Mauri; 4.3 Alíquota para o cálculo do crédito presumido: Por unanimidade de votos: (i) dar provimento ao recurso voluntário quanto a aplicação da alíquota de 60% sobre todos os insumos utilizados na produção e (ii) negar provimento no sentido de não ser possível a compensação ou ressarcimento do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004; 4.4 Aplicação da taxa Selic: negar provimento por unanimidade. Fl. 1718DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.718 4 José Henrique Mauri Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Cassio Schappo, Larissa Nunes Girard, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 536 a 591) interposto pelo Contribuinte, em 4 de junho de 2014, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1049.787 (fls. 500 a 532), de 29 de abril de 2014, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) – DRJ/POA – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente as manifestações de inconformidade apresentadas. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo de análise e acompanhamento de PER/DCOMP transmitido pela contribuinte em 18/11/2010, através do qual pretendeu ressarcimento de valores credores de PIS nãocumulativo vinculados à receita do mercado externo relativos ao 3o trimestre de 2010. A repartição fiscalizadora efetuou auditoria e produziu Relatório de Ação Fiscal (parte integrante do processo no 13005.721311/201179 – lançamento de multa isolada de PIS/COFINS) onde dissecou, pormenorizadamente, os problemas encontrados, tendo apontado o valor passível de ressarcimento (PlanilhaPERD/COMP–fl.429 –anexa ao Relatório). Foi emitido Parecer em 24/06/2011 com propositura de reconhecimento parcial do direito creditório da contribuinte, sendo proferido, também, o Despacho Decisório de fl. 19, por meio do qual reconheceuse parcialmente o direito creditório relativo ao PIS nãocumulativo vinculado à receita do mercado externo (3o trimestre de 2010). Desse Despacho Decisório a contribuinte tomou ciência em 01/08/2011 (Termo de Intimação de fl. 35) e, não se conformando, apresentou, através de procurador, longa manifestação de inconformidade onde, de início, referiu aos fatos, para, a seguir, argumentar (de forma resumida): 1) Conceito de insumos: as INs SRF n°s 247/2002 e 404/2004 interpretaram o termo insumos em sentido estrito, amoldandoo à forma prevista no Regulamento do Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.719 5 IPI. Mas estes atos normativos não oferecem a melhor interpretação ao art. 3o, inciso II, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, pois tal conceito não se coaduna com a base econômica de PIS/COFINS, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários para a obtenção de receita, vinculada à atividade fim da empresa. Todos os itens glosados no DD combatido encontramse perfeitamente enquadrados na concepção de insumo e de custos/despesas necessárias ao processo produtivo. Para interpretar o conceito de insumo do PIS/COFINS devese adotar não só a previsão de insumo prevista nas INs referidas, como também albergar os custos e despesas que se fizerem necessárias na atividade econômica da empresa, conformando os arts. 290 e 299 do RIR/99. Devese admitir que todos os custos de produção e despesas operacionais incorridos pela empresa na fabricação de produtos destinados à venda, incluindo a prestação de serviços, são insumos, visto que inerentes à materialidade do tributo, isto é, à obtenção de receita. 1.1) Transporte de funcionários: para o transporte dos seus funcionários, responsáveis pela mãodeobra aplicada no processo produtivo, a empresa contrata serviços de transporte de empresas de transporte privadas (fretamento) para o fim de proporcionar o transporte de seus funcionários, de suas residências às instalações da empresa e viceversa. Os serviços tomados das empresas de transporte de passageiros têm como finalidade viabilizar o acesso dos funcionários às instalações da empresa, sem os quais não seria possível a atividade produtiva. Assim, os serviços de transporte municipal e intermunicipal dos funcionários são serviços tomados com o objetivo de viabilizar a mão deobra necessária ao processo produtivo. Por tal razão, tratase de serviço que se enquadra no conceito de insumo previsto no art. 3o, inciso II, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Requer a reforma do DD para o fim de reconhecer o creditamento dos custos/despesas de transporte de funcionários, visto serem serviços de transporte tomados com o objetivo de viabilizar o acesso e o retorno dos funcionários ao setor produtivo da empresa, subsumindose, portanto, ao conceito de insumo de PIS/COFINS. 1.2) Locação de uniformes (indumentária): a empresa aluga uniformes próprios para o manuseio das carnes de aves e suínos, ou seja, indumentárias especiais. Tais indumentárias consistem em vestimentas, calçados, luvas, capacetes e outros itens necessários para que os funcionários possam manusear as carnes de aves e suínos, em condições sanitárias exigidas pela ANVISA. Considerando que a empresa, para estar apta a exercer a sua atividade econômica, necessita utilizar uniformes especiais para o manuseio das carnes de aves e suínos, atendendo assim os requisitos sanitários da ANVISA, concluise que as despesas de locação desses equipamentos são custos vinculados a sua atividade produtiva. O reconhecimento da legitimidade do creditamento dos custos com locação de indumentárias (PIS/COFINS), conforme a inteligência dos arts. 3°, incisos II, § 3o, incisos II das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 c/c os arts. 290 e 299 do RIR/99 deve ser feito. 1.3) Limpeza e higiene: a limpeza e a higiene são requisitos básicos de qualquer empresa que tenha como atividade econômica o fornecimento de produtos alimentícios. Para que seja garantida a boa qualidade dos produtos, bem como eliminado o risco de qualquer tipo de contaminação às carnes de frangos, a empresa periodicamente toma serviços de empresas especializadas em limpezas de imóveis para a limpeza e higienização de seus frigoríficos. A contratação periódica de empresas especializadas em serviços de higienização e limpeza é indispensável ao processo produtivo. A tomada desses serviços são custos indispensáveis ao processo produtivo e como tal se subsume ao conceito de insumo para o PIS/COFINS, devendo ser reconhecida a legitimidade do seu creditamento. Mesmo que se entenda que a tomada de serviços de higienização e a limpeza não consistiriam em custos, Fl. 1720DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.720 6 mas sim em despesas, ainda assim o creditamento de tais serviços estaria albergado pelo art. 299 do RIR/99. Verificase que os dispêndios com os serviços de higiene e limpeza, que preparam os frigoríficos para a atividade produtiva da empresa, se subsumem ao conceito de insumo, com base nos arts. 3o, incisos II das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como nos arts. 290 e 299 do RIR/99. Requer o afastamento da referida glosa. 1.4) Construção civil: no exercício da atividade produtiva, a empresa precisa, periodicamente, contratar empresas tercerizadas para a prestação de serviços de construção civil, seja para a ampliação de dependências de suas instalações frigoríficas, seja para realizar benfeitorias em suas instalações. Face a isso, a empresa creditouse dessas despesas para efeitos de PIS/COFINS. Todavia, o Fisco glosou essas despesas, por entender que não se subsumem ao conceito de insumo e, por conseguinte, efetuou a glosa do direito creditório pleiteado em relação a essa despesa. Ocorre que o creditamento das despesas de edificação e benfeitorias, como é o caso dos serviços contratados, é expressamente permitido pelas Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, como se percebe na dicção dos arts. 3o, incisos VII. É medida de rigor que seja reconhecida a legimitidade do creditamento das despesas de construção civil creditadas pela empresa, visto tal possibilidade estar expressamente prevista na legislação de regência do PIS/COFINS regime não cumulativo. 1.5) Tratamento de resíduos industriais: em todas as etapas do processo produtivo da empresa, seja o produto final que industrializa, há o descarte de resíduos industriais, em decorrência da transformação da matériaprima. Como os resíduos são orgânicos, por uma questão de saneamento e de procedimento sanitário, procedese a locação de células apropriadas para os resíduos sólidos, o que revela que tais dispêndios no tratamento dos resíduos industriais consistem em despesas, as quais devem ser creditadas para efeito de PIS/COFINS, por força do art. 299 do RIR/99. 2) Despesas de energia elétrica: para a carga de frio a empresa contrata prestação de serviços de energia elétrica de empresas especializadas, que, dentro do próprio porto, procedem ao resfriamento dos containeres. Face a necessidade de cargas de frio nos containeres que acondicionam as carnes de aves e produtos derivados que estão aguardando o seu embarque nos portos, para que cheguem ao seu destino final com qualidade e aptas para o consumo, é medida de rigor reconhecer a legitimidade do creditamento dessas despesas para efeitos do PIS/COFINS. Por esta razão, o creditamento da tomada desse serviço (fornecimento de energia elétrica) deve ser reconhecido com fulcro nos arts. 3o, II, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, c/c o art. 299 do RIR/99. 3) Despesas com fretes: a) fretes de produtos em elaboração: nos casos em que o produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade, está se diante de um processo produtivo único, apenas com etapas contínuas de industrialização em unidades diferentes da mesma empresa. Para a remessa dos produtos em elaboração, a empresa necessita contratar prestadoras de serviços de transporte para essa locomoção, o que revela que os fretes são serviços de transporte tomados com a finalidade propiciar a continuidade do processo produtivo, que, por razão de especialização e de racionalização do processo industrial, é concluído em outra unidade. Dessa forma, o frete de produtos em elaboração se subsume ao conceito de insumo previsto nos arts. 3o, incisos II, das Lei n°s 10.637/2002 e Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.721 7 10.833/2003, visto que são serviços contratados para proporcionar a continuidade do processo produtivo; b) fretes de produtos acabados: as carnes de aves, inteiras ou em cortes, são remetidas do frigorífico para outra unidade responsável pelo acondicionamento dos produtos nos containeres, assim como outras unidades responsáveis pela elaboração dos empanados, dos embutidos e de pratos prontos. Essa remessa de produtos acabados, é procedida de vendas aos compradores estrangeiros, de modo que os produtos acabados são transportados após concretizada a operação de venda e com a finalidade de serem exportados. Já com a saída do produto da unidade de origem, destinamse para entrega aos clientes, que por serem estrangeiros se sujeitam ao trâmite da exportação em containeres. Dessa forma, essas operações de fretes de produtos acabados se enquadram no permissivo legal da Lei n° 10.833/2003, que garante o creditamento de COFINS/PIS. As despesas de fretes de produtos acabados entre filiais são despendidas com o propósito de viabilizar a atividade econômica de exportação dos produtos. Como tal, são despesas que se consubstanciam no conceito de insumo do PIS/COFINS, de modo que seu creditamento também pode ser reconhecido com base nos arts. 3o, II, § 3o, incisos II, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como nos arts. 290 e 299 do RIR/99. Seja como frete na operação de venda, seja como despesa necessária à atividade econômica de exportação, o creditamento do frete de produtos acabados deve ser reconhecido, para que seja observada a nãocumulatividade do PIS/COFINS. 4) Créditos extemporâneos/preclusos: nos períodos de apuração de janeiro, novembro e dezembro de 2010, a empresa adjudicou créditos de PIS/COFINS sobre itens do ativo imobilizado que não haviam sido aproveitados em meses anteriores. Tais créditos foram tratados pela fiscalização como extemporâneos. A empresa adjudicou se de forma extemporânea tão somente de créditos originários de cinco anos anteriores ao creditamento, observando os termos estabelecidos no artigo 1o do Decreto n° 20.910, de 1932. É ilegal a decisão do Fisco de vedar o aproveitamento de créditos extemporâneos que seriam passíveis de adjudicação – de cinco anos anteriores. A ilegalidade materializase no fato de tal decisão conflitar com a interpretação integrada do art. 1o do Decreto 20.910/1932 com os dispositivos legais e normativos (Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e INs SRF nos 287/2002 e 404/20), que autorizam que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. Nesse sentido, a empresa requer que o DD seja reformado, lhe sendo restituído o valor que lhe é de direito nos termos da legislação. 5) Crédito presumido: a) aquisições da Conab: sobre as aquisições de milho realizadas pela empresa, apurouse crédito presumido à alíquota de 4,56%, para fim de creditamento do referido insumo adquirido da CONAB. O DD glosou o creditamento dessa aquisição, entendendo que, como a CONAB era intermediária da União, não haveria direito a crédito de PIS/COFINS (não teria havido débito das contribuições na etapa anterior). Fundamentou seu entendimento com base no Comunicado CONAB/DIGES/SUOPE/GECOM n° 158, de 10/05/2006. Essa glosa não merece persistir, visto que o direito ao crédito de PIS/COFINS estão garantidos pelos arts. 3o, incisos II, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, não havendo limitação infra legal, quanto mais de um Comunicado que sequer foi objeto de publicação no DOU (art. 100 do CTN). O fato da CONAB ser uma intermediária da União, não quer dizer que o adquirente não faz jus ao creditamento na aquisição do milho. O fato da União Federal ser imune a incidência de PIS/COFINS, não quer dizer que não há incidência das contribuições na etapa anterior à aquisição do milho, mas tão somente que a receita da União, assim como dos demais Entes da Federação, não Fl. 1722DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.722 8 será tributada. Não significa dizer que a empresa não pode usufruir da não cumulatividade do PIS/COFINS e se creditar da aquisição do insumo, pois não se está diante de uma limitação de um benefício fiscal ao contribuinte, mas apenas de uma imunidade do Ente Federado. Requer o afastamento dessa glosa, assim como das demais, devendo ser reconhecida a legitimidade da aquisição do milho, visto a regularidade do cálculo do crédito presumido realizado; b) regularidade do valor da base de cálculo do crédito presumido: a empresa adquire animais para sua produção e os envia para os centros de criação. Até que os animais estejam prontos para o abate, a empresa procede à manutenção dos mesmos, enviando aos criadores, ração e outros insumos empregados na criação dos frangos. Portanto, empresa a firma com os produtores Parceria Rural nos termos do Decreto no 59.566/1966. A empresa entrega todos os pintos ao produtor integrado, bem como adquire 100% dos insumos utilizados na produção da ração, fornecendo integralmente ao integrados para a alimentação e o desenvolvimento de 100% dos animais, que posteriormente são utilizados em sua totalidade na produção da própria empresa. O produtor integrado não participa com nenhum dos insumos necessários para a criação dos frangos. Toda a ração, medicamentos e todos os demais insumos empregados na criação dos frangos são custeados pela empresa. O produtor integrado contribui exclusivamente com a mãodeobra. O percentual de 9%, mencionado no DD, representa a remuneração da mãodeobra do produtor integrado, para garantir o desenvolvimento dos animais até o momento do abate. A empresa não realiza compra de parte de produção do produtor integrado, mas sim remunera a mãodeobra despendida pelo produtor durante o desenvolvimento dos animais. O fato de remunerar o produtor com valor em torno de 9% do que valem os frangos devolvidos, não significa que tais frangos não sejam da empresa, tampouco que tais frangos pudessem ser vendidos a terceiros. Tratamse de frangos e de insumos da empresa, sendo que o emprego de tais insumos na criação destes frangos em nada retira o direito ao crédito da empresa. A empresa remunera seus integrados pela mão deobra (cuidados e criação dos frangos), mas a totalidade dos insumos deve lhe ser reconhecida, pois 100% dos frangos são de sua propriedade. A Doux Frangosul paga pelo serviço em valor que importa em quantia em torno de 9% do valor dos frangos, mas isso não retira o caráter de propriedade dos mesmos; c) alíquota utilizada para calcular o crédito presumido: o cálculo levado a efeito pela empresa encontra guarida na legislação federal e merece ser mantido, face à estrita observância das normas de regência (art. 3o, § 10 da Lei no 10.637/2002; Lei no 10.833/2003; art. 8o da Lei no 10.925/2004). Desses dispositivos depreendese que a utilização das alíquotas previstas nos incisos I, II e III (art. 8o da Lei no 10.925/2004) tem como critério o produto fabricado pela empresa beneficiária. Considerando que a empresa fabrica produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, e nos códigos 15.01 a 15.06 da NCM, concluise que esta se encontra credenciada ao desconto de crédito presumido com a utilização da alíquota de 60% sobre os insumos adquiridos; d) procedência dos créditos objetos do pedido de ressarcimento: disse o Fisco que o total do valor do crédito presumido não é ressarcível, podendo apenas ser deduzido do PIS/COFINS. Mas é expressamente permitido o ressarcimento do crédito quando a pessoa jurídica, ao final de cada trimestre, não conseguir deduzir seus créditos com débitos próprios ou compensar com débitos próprios (art. 5o da Lei no 10.637/2002; art. 6o, da Lei no 10.833/2003). Além disso, a IN SRF n° 660/2006 alterou por completo a Lei n° 10.925/2004, usurpando competência de normas complementares (art. 8o); Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.723 9 e) modificações ao texto da Lei no 10.925/2004 pela IN SRF no 660/2006: em momento algum o legislador ordinário determinou como condição para cálculo do crédito presumido a aquisição de insumos elaborados ou semielaborados. A IN SRF no 660/2006 modificou indevidamente o texto da Lei no 10.925/2004 ao estabelecer que o crédito presumido de PIS/COFINS fosse calculado com base nos insumos adquiridos pela PJ. Não merece amparo a glosa levada a efeito pelo Fisco, eis que ela se deu com base em ato de natureza complementar, que de forma indevida modificou a legislação de regência. Podese concluir que não merece amparo a fundamentação para a glosa da alíquota de 60% sobre 1,65% e 7,6% para o cálculo do crédito presumido de PIS/COFINS, visto que o critério determinado para cálculo do benefício não são os insumos e sim o produto que a empresa produz. Requer a reforma do DD, para ser reconhecido o direito creditório pleiteado na sua integralidade. 6) Pedidos: a empresa requer que sua manifestação de inconformidade seja recebida e acolhida, reformandose o DD combatido, deferindose totalmente os crédito pleiteados, visto a comprovação da legitimidade daqueles. Requer a possibilidade, durante o trâmite do processo administrativo, de juntada de outros documentos que possam comprovar a legitimidade dos créditos pretendidos e, caso seja entendido necessário, a determinação de diligência fiscal para comprovação dos fatos descritos. Remetido o processo a esta DRJ, foram os autos analisados. Em 14/03/2012 emitiu se pedido de diligência para, em especial, verificações quanto ao redutor aplicado nas glosas de insumos remetidos para os produtores integrados, devendo ser esclarecido se foi esta a parcela do total produzido pelos produtores parceiros que efetivamente coube a estes produtores (se pagos em dinheiro ou em frangos). Em atendimento, o Órgão preparador anexou documentos e produziu Relatório de Diligência Fiscal. Neste assentou (excertos): (...) Em consulta aos arquivos digitais contendo os documentos fiscais do ano de 2010, apresentados pelo contribuinte, verificouse entradas de produtos advindos dos integrados nos estabelecimentos do contribuinte, tendo sido registradas com CFOP 1451 (Retorno de animal do estabelecimento produtor) e CFOP 1101 (Compra para industrialização ou produção rural), de acordo com os valores constantes da tabela demonstrativa abaixo: CFOP Entradas de Integrados 2010 Valor (R$) CFOP 1101 (compra para industrialização ou produção rural) 75.297.506,81* CFOP 1451 (Retorno de animal do estabelecimento produtor) 703.102.854,97* TOTAL ENTRADAS (CFOP 1101 + 1451) 778.400.361,78 % COMPRAS SOBRE TOTAL ENTRADAS (CFOP 1101/TOTAL) 9,67% Verificase que do total das operações de entradas de produtos advindos dos integrados (CFOP 1451 + CFOP 1101), aproximadamente 9% referiramse a aquisições destes produtos (CFOP 1101). Fl. 1724DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.724 10 Desta forma, concluise que a parcela de, aproximadamente, 9% do total produzido pelos produtores parceiros do contribuinte no ano de 2010 coube a estes produtores parceiros, que receberam esta parcela da produção em mercadorias/produtos como pagamento pela prestação de seus serviços, tendo vendido sua parte da produção ao contribuinte fiscalizado, conforme operações de aquisições registradas com CFOP 1101, relacionados na tabela acima. (...) Cientificada do Relatório a contribuinte apresentou nova manifestação em 03/08/2012. Nela registrou (de forma sintética): 1) Valor da base de cálculo do crédito presumido atribuído pela empresa: o intuito do pedido de diligência era de verificar o entendimento do Fisco: como a ração e outros insumos adquiridos e fornecidos pela empresa são entregues aos produtores integrados, tais insumos não se destinariam integralmente à produção própria, vez que parte do resultado desta produção supostamente cabe ao produtor integrado, que realiza algumas etapas de seu processo produtivo. No entendimento do Fisco, uma parcela dos insumos entregues ao produtor integrado não constituiria produção da PJ, não se destinando à venda desta e, portanto, não se enquadrando no dispositivo legal que autoriza a geração de crédito presumido. Conseqüentemente, o valor relativo a esta parte (9%), deveria ser excluído da base de cálculo dos créditos. A empresa entrega todos os pintos ao produtor integrado, bem como adquire 100% dos insumos utilizados na produção da ração, fornecendoos aos integrados, para uso na alimentação e desenvolvimento de 100% dos animais. Esses são, posteriormente, utilizados em sua totalidade na produção da própria empresa. O produtor integrado não participa com nenhum dos insumos necessários para a criação dos frangos. Toda ração, medicamentos e demais insumos empregados na criação dos frangos são custeados pela empresa. O produtor integrado, por sua vez, contribui exclusivamente com a mãodeobra. A empresa fornece 100% dos insumos, suportando o custo do produtor integrado em sua totalidade. Também utiliza 100% dos animais em sua produção. O percentual de 9% mencionado no DD representa remuneração da mão deobra do produtor integrado, para garantir o desenvolvimento dos animais até o momento do abate. A empresa não realiza a compra de parte de produção do produtor integrado, e sim remunera a mãodeobra despendida pelo produtor durante o desenvolvimento dos animais. O fato de remunerar o produtor com valor em torno de 9% do que valem os frangos devolvidos, não significa que tais frangos não sejam da empresa, tampouco que tais frangos pudessem ser vendidos a terceiros. Tratase de frangos e insumos da empresa, sendo que o emprego de tais insumos na criação destes frangos em nada lhe retira o direito ao crédito. Protesta pela posterior juntada de outros documentos que possam comprovar a aquisição de insumos em 2010. 2) Tabela demonstrativa: no Relatório de Diligência Fiscal não há qualquer referência que possa fornecer elementos que possibilitem à empresa, ao menos, deduzir os valores que seriam correspondentes a cada glosa, o que demonstra a nulidade do referido Relatório, bem como do DD, por ausência de fundamentação. O Relatório não descreveu a fundamentação de sua decisão, ou seja, os motivos e dispositivos legais que dariam guarida a tal decisão. O DD sequer individualizou os valores das glosas realizadas pelo Fisco. Faltaram os elementos de convicção da decisão, os elementos fáticos ocorridos e o motivo pelo qual a glosa realizada pelo Fisco foi superior ao valor pleiteado. Retirouse, por consequência, a segurança jurídica e a possibilidade de defesa, visto que não há qualquer explicação, tanto no DD quanto no Relatório, para que o valor das glosas, somado ao valor deferido, seja Fl. 1725DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.725 11 superior ao valor pleiteado. Dessa forma, além de tornarse inócua, prejudica a defesa recursal da empresa por cercear a sua defesa, vez que não foram respeitados os princípios da ampla defesa e do contraditório. Deve ser considerado nulo o ato administrativo pela falta de elemento essencial à sua formação. 3) Pedidos: a) requer seja recebida e acolhida sua manifestação complementar, reconhecendose a nulidade parcial do DD e a nulidade integral do Relatório de Diligência Fiscal, eis que não apresentaram as razões que justificassem as glosas combatidas, bem como o fato da soma das glosas realizadas, com o valor inicialmente deferido pelo Fisco, ser superior ao valor pleiteado pela empresa no período em análise; b) requer seja determinado que a autoridade fiscal de origem realize nova análise dos valores glosados, bem como reaprecie as referidas glosas, considerando os documentos juntados em anexo que demonstram a legitimidade do crédito pleiteado; c) requer, caso não seja acolhido o pedido anterior, o provimento integral de sua Manifestação de Inconformidade, com a consequente reforma do DD, para o fim de deferimento do total dos créditos pleiteados, vista a comprovação da legitimidade daqueles; d) requer a possibilidade de juntar outros documentos que possam comprovar a legitimidade dos créditos pleiteados, bem como, caso se entenda necessário, seja determinada diligência fiscal para comprovar os fatos antes descritos ou para contraditar as alegações que eventualmente sejam feitas. Posteriormente, em 18/10/2012, a contribuinte solicitou juntada de mídia eletrônica (CD). O processo retornou a esta DRJ. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/POA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 66 a 111) apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário (fls. 536 a 591), em 4 de junho de 2014, visando reformar a referida decisão. O Conselho Administrativo de Recurso Fiscais – CARF, por meio da Resolução nº 3202000.295 (fls. 868 a 892), de 15 de outubro de 2014, resolveu converter o julgamento em diligência. O Contribuinte, por sua vez, apresentou Requerimento (fls. 921 a 938), em 12 de junho de 2015, para que houvesse a juntada de laudo técnico em anexo (fls. 940 a 988). Em 27 de abril de 2016 houve, por parte da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (RS), a apresentação de Manifestação Fiscal (fls. 1688 a 1696). Por fim, em 24 de agosto de 2016, o CARF, por meio da Resolução 3402 000.817 (fls. 1709 a 1713) da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, converteu o julgamento em diligência para que haja o apensamento de outros processos do Contribuinte ao processo nº 13005.721311/201179. É o relatório. Voto Vencido Fl. 1726DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.726 12 Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário (fls. 536 a 591), de 4 de junho de 2014, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1049.787 (fls. 500 a 532), de 29 de abril de 2014, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento ao direito de defesa quando a contribuinte é regularmente cientificada do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade, na qual revela conhecer as razões da homologação parcial da compensação declarada. PROTESTO PELA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não tem competência para, em sede de julgamento, negar validade às normas vigentes. ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E JUDICIAIS. MANIFESTAÇÕES DOUTRINÁRIAS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos de segunda instância administrativa ou judicial, bem como a manifestações da doutrina especializada, não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.727 13 e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL EPI. Somente os bens ou serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação é que geram direito ao crédito, sendo certo que os gastos com equipamento de proteção individual e uniformes estão fora deste universo, pois, embora sejam relevantes e até possam ser necessários, não são empregados diretamente na produção, já que se tratam de materiais auxiliares, complementares ao processo produtivo e, por isso, estão fora da literalidade do dispositivo legal, ou seja, estão fora do alcance do conceito de insumo. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA INDUSTRIAL. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição apurada de forma não cumulativa os gastos com serviços de manutenção e limpeza industrial, que não sejam comprovadamente empregados em máquinas e equipamentos utilizados na produção, por não se classificarem como insumos. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À MANUTENÇÃO CIVIL. Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. Somente dão origem a crédito na apuração nãocumulativa da contribuição as despesas referentes à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS PRESUMIDOS. ALÍQUOTAS. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) apenas quando as aquisições se tratarem de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. ALÍQUOTA CONFORME NATUREZA DO INSUMO. Na apuração do crédito presumido, o percentual a ser observado tem relação com a natureza do insumo adquirido, e não do bem/mercadoria produzida. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. O crédito presumido estabelecido pelo art. 8o da Lei no 10.925, de 2004, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência não cumulativa. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.728 14 relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. BENS ADQUIRIDOS DA COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). GLOSA. Os valores referentes a insumos adquiridos da CONAB não geram créditos para o adquirente no regime não cumulativo. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. GLOSA. AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA ÉPOCA PRÓPRIA. DACON. DCTF. É cabível a glosa de créditos extemporâneos, quando, dentro do prazo decadencial de cinco anos, a autuada não retifica as declarações (DACON, DIPJ e DCTF) para demonstrar que efetivamente apurou e não descontou os créditos a que diz fazer jus. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS REFERENTES À PARTE DA PRODUÇÃO PERTENCENTE AO PARCEIRO (INTEGRADO). A legislação somente autoriza a apuração de créditos em relação a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos próprios destinados à venda, não podendo ser estendida à parcela das aves que cabe ao produtor integrado ou parceiro. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Quando da análise do Recurso Voluntário pela 2a. Turma Ordinária, da 2a. Câmara da Terceira Seção de Julgamento, decidiuse por unanimidade de votos, por meio da Resolução nº 3202000.295, converter o julgamento da lide em diligência, elencando diversos pontos a serem esclarecidos pela Fiscalização, como se observa no seguinte trecho da Resolução: Em vista de todo o exposto, e depreendendose da análise dos documentos acostados, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, bem como para fins de clarear o anoitecer do processo produtivo, serviços e produto que aqui transitam, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição, ou perito credenciado junto a Receita Federal do Brasil, que descreva detalhadamente o seu processo produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou vinculados ao processo produtivo e/ou ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: o demonstrar a função de cada bem e/ou evento que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável e essencial ao processo produtivo e/ou para fins de cumprimento do objeto social da empresa; o esclarecer o teor de cada um dos eventos observados pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social; o quanto à construção civil, esclarecer se as benfeitorias foram realizadas nas suas instalações, bem como se foram úteis e necessárias para a atividade da empresa; Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.729 15 o quanto ao frete de produtos em elaboração, demonstrar as etapas contínuas da industrialização nas unidades diferentes da r. empresa. · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto no 7.574/11; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Como resposta à Resolução, o Contribuinte apresentou, em 12 de junho de 2015, Laudo Técnico de Avaliação do Uso de Materiais e Serviços no Processo Produtivo no. 085/2015, em apenso os seus anexos, que apresentou em síntese a seguinte conclusão: Diante do exposto nos capítulos acima, concluímos que os serviços avaliados no presente laudo no mês de abril de 2015, são serviços integrantes ligados ao processo produtivo, sem os quais não seria possível obter; o produto em condições adequadas para o consumo, bem como dispor de instalações suficientemente higienizadas, obtendo desta forma a liberação pelos órgãos fiscalizadores, pelos mercados específicos atendidos pela empresa e a obtenção da certificação de produtos considerados Halal (permitido para consumo), pelo mercado islâmico. (grifouse). A respeito deste laudo técnico, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (RS) apresentou Manifestação Fiscal, alegando o que se segue: Quanto ao “laudo técnico de avaliação do uso de materiais e serviços no processo produtivo” retro anexado ao presente processo, resultante da diligência fiscal requerida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, reproduzse abaixo, por sua total aplicabilidade no que concerne ao objeto da diligência, fundamentação extraída do Acórdão recorrido, integrante deste processo, da 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, que decidiu, por unanimidade de votos, em julgar pela total improcedência das manifestações de inconformidade apresentadas pelo contribuinte: “Acórdão ... Voto (...) Cabe ressaltar que fosse a intenção do legislador que o conceito de insumo alcançasse todas as despesas necessárias ao desenvolvimento da atividade econômica, como pretende o contribuinte, não haveria necessidade de elencar uma a uma as hipóteses de creditamento, como efetivamente disposto pelo legislador nos incisos I a XI dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. (grifouse). A 2a. Turma Ordinária, da 4a. Câmara da Terceira Seção de Julgamento, decidiu, por intermédio da Resolução nº 3402000.817, converter o julgamento em diligência para requerer o apensamento de outros processos do Contribuinte ao processo nº 13005.721311/201179, de relatoria deste conselheiro, conforme se verifica no seguinte trecho da Resolução: Portanto, forte nessa norma administrativa, decido converter o presente julgamento em diligência para determinar que este e os demais processos (13005.720742/2010 37, 13005.720743/201081, 13005.720027/201185, 13005.720025/201196, 13005.720038/201165, 13005.72041/201189, 13005.720363/201128 e 13005.720364/2011 72) retornem à repartição de origem (ARF Montenegro/RS), Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.730 16 devendo ser todos apensados ao processo 13005.721311/201179, no qual se controverte o auto de infração, anexando nele (processo do auto de infração) todas as decisões dos processos em referência, acima listados, e ora em julgamento. Com isto posto cabe a análise do Recurso Voluntário. Neste o Contribuinte alega em sua defesa os seguintes pontos: 1. Conceito de insumos para PIS e Cofins não cumulativos referentes a: 1.1. Transporte de funcionários; 1.2. Locação de uniformes; 1.3. Limpeza e higiene; 1.4. Construção civil; 1.5. Tratamento de resíduos industriais; 1.6. Despesa com energia elétrica. 2. Despesas com fretes de transferência de produtos em elaboração e acabados 3. Créditos extemporâneos/preclusos 4. Créditos presumidos: 4.1. Aquisições da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB; 4.2. Regularidade do valor da base de cálculo do crédito presumido atribuído pelo Contribuinte; 4.3. Alíquota para o cálculo do crédito presumido; 4.4. Aplicação da taxa Selic. Portanto, a partir deste ponto passo a decidir acerca dos pedidos do Contribuinte. 1. Conceito de insumos para PIS e Cofins não cumulativos Por intermédio do art. 3o., II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003 prescrevese as hipóteses de creditamento para efeito de deduções dos valores da base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos, com o aproveitamento de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades produtivas de bens e serviços. Notase que desta prescrição legislativa foram editadas pela Receita Federal do Brasil a Instrução Normativa n. 247/2002 acerca do cálculo do crédito no caso do PIS/PASEP não cumulativo e a Instrução Normativa n. 404/2004 dos créditos a descontar da COFINS nãocumulativa. Para bem lembrar citase o art. 66 da IN n. 247/2002: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: (...) Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.731 17 b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (...) § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Mesmo diante dessa legislação acerca do que pode ou não ser considerado insumo no processo produtivo de bens e serviços, a doutrina e a jurisprudência temse debatido acerca da abrangência deste conceito, visto que historicamente, se, por um lado, o conceito de insumo referente ao IPI é restritivo quanto aos bens e serviços que são considerados insumos para fins de crédito, por outro lado, o conceito trazido pela legislação aplicável ao IRPJ é abrangente, incluindo praticamente todos os bens envolvidos na cadeia produtiva. O entendimento mais atual acerca deste tema, inclusive de acordo com este Colegiado, é que o conceito de insumos para fins de creditamento de PIS e COFINS deve respeitar a legislação pertinente a estas contribuições e no campo da interpretação e sua abrangência balizarse entre os dois conceitos acima explicitados, ou seja, devese considerar a essencialidade dos bens e serviços na sua cadeia produtiva para que se defina a característica de insumo. Se o bem ou serviço em questão está vinculado e é essencial a produção do bem final ele deverá ser considerado como insumo, e, portanto, poderá gerar direito a crédito de PIS e COFINS. Nesse sentido, passaremos a analisar os bens e serviços apontados pelo Contribuinte para que seja verificado, com base na sua essencialidade para o desenvolvimento da atividade produtiva, se devem ser considerados como insumos para fins de creditamento de PIS e COFINS. 1.1. Transporte de funcionários Acerca deste ponto a DRJ/POA, por meio do Acórdão nº 1049.787, entende que o transporte de funcionários, apesar de relevante para o processo produtivo, não é essencial e, portanto, como é apenas um serviço auxiliar, não pode ser considerado insumo para fins de creditamento de PIS e Cofins. Por outro lado, o Contribuinte por meio do Recurso Voluntário ora analisado entende que: Fl. 1732DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.732 18 Ademais, conforme a recente interpretação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, o insumo para efeitos de PIS e COFINS deve ser interpretado não só como os bens e serviços empregados no processo produtivo, mas também como todos os custos e despesas necessárias para a atividade económica da empresa. Nesse diapasão, as despesas de fretamento de funcionários se coadunam ao conceito de insumo, por se caracterizarem como custos indispensáveis ao processo produtivo da Recorrente, que encontram guarida no art.290 do RIR/99, in verbis: (...) Ademais, mesmo que se entendesse que o serviço de transporte de funcionários não seria um custo, mas uma despesa, ainda assim, estariam o fretamento consubstanciado no conceito de insumo, razão pela qual também seria permitido o seu creditamento, com base no art. 299, do RIR/99. (...) Por fim, devese lembrar, que, conforme recentes entendimentos do CARF demonstrados no ponto anterior, o transporte dos funcionários tratase de atividade essencial para o processo produtivo da recorrente, fato pelo qual sem ele não seria possível manter a produção da empresa, ou, no mínimo, afetaria de forma a reduzia a quantidade e a qualidade dos produtos comercializados pela empresa. Assim sendo, o transporte dos funcionários em insumo para a empresa e sendo insumo dando direito ao crédito pleiteado. Por esta razão, requer a reforma do Acórdão para fim de reconhecer o creditamento dos custos/despesas de transporte de funcionários, haja vista serem serviços de transporte tomados com o objetivo de viabilizar o acesso e o retorno dos funcionários ao setor produtivo da Recorrente e, portanto, se subsumem ao conceito de insumo de PIS e COFINS. Nesse mesmo sentido é o entendimento trazido pelo Laudo Técnico apresentado pelo Contribuinte, em resposta à Resolução nº 3202000.295, que converteu o julgamento em diligência. O referido Laudo demonstra as distâncias percorridas pelos funcionários e o itinerário das viagens e conclui o seguinte : Diante do evidenciado acima, concluise que o processo de transporte dos funcionários, das suas residências até a empresa e vice versa, através do fretamento de transporte, é essencial para o processo de produção e obtenção dos produtos, visto que esta mão de obra não se encontra disponível na quantidade suficiente para atender à demanda produtiva da empresa nas regiões em que as empresas estão instaladas. Em que pese o entendimento do Contribuinte, bem como do Laudo Técnico, a respeito do transporte de funcionários, verificase que o mesmo deve ser considerado como custo da produção e que este serviço não pode ser considerado insumo para as atividades produtivas do Contribuinte. Sendo assim, a este respeito considero que o transporte de funcionários não deve ser considerado como insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, nego, portanto, neste ponto, provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. 1.2. Locação de uniforme Fl. 1733DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.733 19 Sobre este ponto o Contribuinte alega que em outras oportunidades já obteve com sucesso o creditamento, para fins de PIS e COFINS, dos gastos decorrentes da locação de uniformes e nesse sentido aduz o que se segue: Com o desiderato de cumprir as exigências sanitárias no seu processo produtivo, a Recorrente aluga uniformes próprios para o manuseio das carnes de aves e suínos, ou seja, indumentárias especiais. Tais indumentárias consistem em vestimentas, calçados, luvas, capacetes e outros itens necessários para que os funcionários possam manusear as carnes de aves e suínos, em condições sanitárias exigidas pela ANVISA. Nesse sentido, a Recorrente juntou notas fiscais desses custos de locação na Manifestação de inconformidade, em anexo. (...) Destarte, considerando que a empresa, para estar apta à exercer a sua atividade econômica, necessita utilizar uniformes especiais para o manuseio das carnes de aves e suínos, atendendo assim os requisitos sanitários da ANVISA, é fácil concluir que as despesas de locação desses equipamentos são custos vinculados à sua atividade produtiva. Portanto, o reconhecimento da legitimidade do creditamento dos custos, com locação de indumentárias, para o PIS e a COFINS, conforme a inteligência do art. 3º, inciso II, §3º, inciso II da Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 c/c os arts. 290 e 299 do RIR/99 e o conceito da essencialidade, assim como já reconheceu o Colendo CARF. No mesmo sentido está o já citado Laudo Técnico que traz o seguinte entendimento: A indumentária, conforme mostra as Fotos 03 e 04, compreende: calças, camisas, macacões e uniformes que são utilizados em todo o processo produtivo do matadouro, conforme recomenda a PORTARIA No. 210, 1998, que expõe: “Será obrigatório o uso de uniforme branco pelos operários (para os homens: gorros, calça e camisa ou macacão, preferentemente protegidos por aventais; para as mulheres touca, calça e blusa ou macacão, este protegido por avental)”. Facultase o uso de uniforme de cor escura para trabalhadores de manutenção de equipamentos e que não manipulem produtos comestíveis. Não será permitido o uso de roupas de cor escura, por baixo do uniforme de trabalho. A proibição da utilização de roupas escuras por baixo do uniforme obriga a empresa a fornecer a vestimenta padronizada e conforme recomendação da portaria. Fotos 03 e 04 – Uniformes em geral (...) Em média a vida útil estimada das calças e macacões é de 02 anos. O desgaste se dá devido a frequente lavagem para higienização, onde são utilizados produtos químicos para a remoção de manchas provenientes do processo produtivo. Além de não atender a recomendação da Portaria, a não utilização destes itens acarretaria em uma baixa qualidade ao produto, pelo fato de não ser utilizado um uniforme padrão higienizado e em condições para garantir que o produto não sofra contaminação. A utilização de jaquetas no processo produtivo, conforme pode ser visto na Foto 05, principalmente nas áreas onde a temperatura deve ser baixa, como nas áreas de congelamento e armazenamento, possui a função de evitar que o operador sofra o resfriamento e/ou congelamento do corpo, sendo obrigado a interromper o trabalho e o fluxo da produção para recompor a temperatura do corpo. Fl. 1734DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.734 20 Diante do evidenciado acima, concluise que a necessidade da empresa em utilizar as indumentárias para garantir os padrões recomentados e evitar interrupções do processo produtivo, é essencial para que se possa obter o produto final nas condições adequadas para a posterior comercialização e consumo. Já o Acórdão ora recorrido entende de forma diversa. Considerouse que a locação de uniformes (indumentária) não é considerada como insumos, pois “embora sejam relevantes e até possam ser necessários, não são empregados diretamente na produção, já que se tratam de elementos auxiliares, complementares ao processo produtivo”. Data vênia ao entendimento consubstanciado no voto do Acórdão ora recorrido, entendo que ao se verificar quais são as atividades produtivas do Contribuinte, e, da obrigatoriedade legal da utilização e manuseio de uniformes (indumentária) de acordo com o que se estabelece como padrão de segurança nas normas regulatórias do setor, não é possível desenvolver as atividades produtivas de forma correta e legal sem a utilização dessa indumentária. Portanto, tendo em vista a essencialidade e a necessidade do uso de uma indumentária específica utilizada pelos funcionários nas atividades produtivas desenvolvidas pelo Contribuinte, voto no sentido de dar, neste ponto, provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. 1.3. Limpeza e higiene O Contribuinte sustenta que o item serviços de limpeza e higiene deve ser incluído no conceito de insumo, possibilitando o creditamento para PIS e COFINS, conforme se verifica no seguinte trecho do recurso: É ululante que a limpeza e a higiene são requisitos básicos de qualquer empresa que tenha como atividade econômica o fornecimento de produtos alimentícios e com a Recorrente, não poderia ser diferente. Para que seja garantida a boa qualidade dos seus produtos, bem como eliminado o risco de qualquer tipo de contaminação às carnes de frangos, a Recorrente, periodicamente toma serviços de empresas especializadas em limpezas de imóveis para a limpeza e higienização de seus frigoríficos, conforme pode ser conferido nas notas fiscais juntadas, por amostragem, na Manifestação de Inconformidade. Como a contratação periódica de empresas especializadas em serviços de higienização e limpeza é indispensável ao processo produtivo da Recorrente, verificase a tomada desses serviços são custos indispensáveis ao seu processo produtivo e como tal se subsume ao conceito de insumo para o PIS e a COFINS, devendo ser reconhecida a legitimidade do seu creditamento. Entretanto, mesmo que se entenda que a tomada de serviços de higienização e a limpeza não consistiriam em custos, mas sim em despesas, ainda assim o creditamento de tais serviços estaria albergado pelo art. 299 do RIR/99 e pelo seu caráter essencial para o processo produtivo do qual sem ele, estaria reduzido a qualidade dos produtos produzidos. Portanto, verificase que os dispêndios com os serviços de higiene e limpeza, que preparam os frigoríficos para a atividade produtiva da empresa, se subsumem ao conceito de insumo, com base no art. 3º, inciso II da Lei nº 10.637/02 e da Lei nº 10.833/03 e nos arts 290 e 299 do RIR/99, bem como pelo conceito da sua essencialidade no processo produtivo que sem ele não manteria a qualidade dos produtos, razão pela qual a Recorrente requer o afastamento da referida glosa. Fl. 1735DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.735 21 Nesse mesmo sentido está o entendimento do Laudo Técnico apresentado pelo Contribuinte que estabelece o seguinte: Os serviços de limpeza e higienização são essenciais para garantir a boa qualidade do produto, bem como eliminar o risco de qualquer tipo de contaminação. Conforme recomenda a PORTARIA No. 210, 1998, no início de cada jornada de trabalho, incluindo as interrupções para refeições, é indispensável que os pisos se apresentem irrepreensivelmente limpos em todos os pontos das salas e anexos. Para isto se faz necessário efetuar a lavagem frequente, principalmente das áreas mais propensas a sujidades. O mesmo se aplica às máquinas e equipamentos que possuem contato direto com os animais já abatidos e com as carnes, caso contrário a Inspeção Federal poderá não autorizar o funcionamento da seção ou seções, conforme prevê a mesma portaria. As Fotos 06 e 07 apresentam o processo de limpeza e higienização de um dos setores da empresa após um dos turnos de trabalho, onde este serviço visa preparar o setor para permitir que o próximo turno possa continuar as operações em conformidade com as recomendações dos órgãos fiscalizadores. Diante do evidenciado acima, concluise que a necessidade da empresa em utilizar os serviços de limpeza e higienização das áreas produtivas da empresa, é essencial para que se possa atender às determinações dos órgãos fiscalizadores e também garantir a obtenção do produto final nas condições adequadas para a posterior comercialização e consumo. Já o Acórdão ora recorrido, mais uma vez, conclui que os custos com limpeza e higiene não devem ser considerados insumos e, portanto, não devem ser objeto de creditamento de PIS e COFINS, e observa que: Ressaltase que razões de ordem mercadológica ou mesmo reguladora, não servem, por si sós, como meios de infirmação da enumeração exaustiva das hipóteses de geração de créditos previstas na legislação tributária. O que importa para a validação do crédito não é a obrigatoriedade da despesa imposta pelo mercado, ou pela lei que regula o setor de atuação da pessoa jurídica, e digase, obrigação extremamente salutar, mas sim a expressa previsão legal de que a despesa gere crédito. Em que pese estar de acordo com os argumentos trazidos pelo órgão julgador ora recorrido, de que uma despesa imposta pelo mercado não implica em obrigatoriedade de tomada de crédito, ocorre que neste caso específico, nas atividades produtivas desenvolvidas pelo Contribuinte, a necessidade de limpeza e higienização são indissociáveis do processo produtivo, ou seja, além da legislação regulatória que determina a obrigatoriedade de padrões de higiene com o fito de garantir as condições higiênicosanitárias do alimento preparado, é intrínseco a atividade produtiva a limpeza e higiene, pois sem isso não se obtém o produto final, isto é, o alimento assim considerado. Com esse entendimento voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao item serviços de limpeza e higiene nesta atividade produtiva. 1.4. Construção civil Outro ponto trazido pelo Contribuinte em seu Recurso Voluntário é a respeito dos custos com serviços de construção civil que, segundo ele, devem ser considerados como insumos para que haja o creditamento de PIS e COFINS. Conforme se verifica no seguinte trecho: Fl. 1736DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.736 22 A Manifestante no exercício da sua atividade produtiva, periodicamente, necessita contratar empresas terceirizadas para a prestação de serviços de construção civil, seja para a ampliação de dependências de suas instalações frigoríficas seja para realizar benfeitorias nas suas instalações, como a reforma de uma caldeira, por exemplo. Em face da contratação desses serviços, a Recorrente creditouse dessas despesas para efeitos de PIS e COFINS. Todavia, a Autoridade Fiscal glosou essas despesas, por entender que não se subsumem ao conceito de insumo e, por conseguinte, efetuou a glosa do direito creditório pleiteado em relação a essa despesa. Ocorre que, o creditamento das despesas de edificação e benfeitorias, como é o caso dos serviços contratados pela Recorrente, é expressamente permitido pelas Leis 10.833/03 e 10.637/02, como se percebe na dicção do art. 3º, inciso VII, in verbis: (...) Tal posição é reforçada pelo Laudo Técnico que neste ponto aduz o seguinte, tanto no que tange a obras civis e locação de mão de obra, quanto a utilização de serviços de guincho e elaboração de projetos: 10.6. OBRAS CIVIS E LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA O item de obras civis compreende a contratação de mão de obra de empresas terceirizadas para a prestação de serviços de construção civil, sendo elas: ampliação das dependências e instalações frigoríficas, benfeitorias nas instalações, reformas, manutenções, entre outros, de forma que se possibilite maximizar a capacidade de produção, melhorar os processos de obtenção do produto existente, além de fornecer melhores condições de higiene tal como mostra a Foto 08, onde está acontecendo a lavagem e pintura da parte externa do prédio e a Foto 09 que está mostrando a manutenção de um piso, que possui a finalidade de diminuir a porosidade garantindo assim a higienização adequada conforme recomenda a PORTARIA No. 210, 1998. Na questão específica do serviço de contratação de serviços terceirizados para construção de benfeitorias, fazse necessário também conforme a PORTARIA No. 210, 1998, a pavimentação das áreas de circulação e, as demais áreas não construídas, desta forma evitando que poeiras e fuligens oriundas do trânsito de veículos possam contribuir para a contaminação das áreas produtivas, seja pelo ar ou pelo trânsito de funcionários que estiverem acessando as proximidades das áreas não pavimentadas. Diante do evidenciado acima, concluise que a necessidade da contratação de serviços de terceiros para efetuar construções de ampliação e benfeitorias, manutenções e reformas, para fins de aumento da produtividade e atendimento às recomendações dos órgãos fiscalizadores, é essencial para que se possa cumprir o objeto social da empresa. 10.6.1. Serviços de guincho e elaboração de projetos Os serviços de guincho são utilizados em reformas, ampliações e em mudanças ou adequações do layout industrial, visando o atendimento da demanda e exigência que o produto impõe ao processo de produção. Tendo em vista as dimensões e o peso do maquinário que, em muitas vezes deve ser reposicionado durante as obras, se faz necessária a contratação de uma empresa especializada que possui os equipamentos adequados e a expertise para a movimentação segura do bem, de forma a garantir que a máquina, equipamento ou recurso esteja a disposição da empresa para entrar em operação o mais rápido possível garantindo assim a continuidade do processo de produção. As Fotos 10 e 11 demonstram a utilização deste serviço. Fl. 1737DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.737 23 Quanto aos serviços para elaboração de projetos de engenharia, estes são utilizados para viabilizar obras civis ou instalações de máquinas e equipamentos com o objetivo de ampliar as instalações da empresa, as quais são essenciais para o devido desenvolvimento do processo produtivo. Além disto, atribuise ao contratado a responsabilidade técnica pelo serviço prestado, garantindo que a execução destes serviços proporcione um nível seguro de continuidade do processo produtivo, evitando com isto, a parada da linha ou empresa para a execução de reparos. Está claro que as despesas efetuadas com a construção civil são custos necessários e inerentes ao exercício da atividade do Contribuinte, mas que de acordo com a legislação não se aproveita o crédito decorrente destas despesas e sim relativas aos encargos com a depreciação do ativo imobilizado. Cito trecho da decisão da DRJ como razões para bem decidir no que tange a este item: Ainda que a contribuinte alegue pela possibilidade de apuração de créditos decorrentes da contratação de empresas terceirizadas para a prestação de serviços de construção civil, eis que se tratam de despesas necessárias ao exercício de sua atividade produtiva, a Lei nº 10.833, de 2003, não permite que haja, por parte das empresas, o aproveitamento da contribuição relativa a valores gastos com benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, mas apenas das relativas aos encargos de depreciação daí decorrentes (inciso III do § 1º do art. 3º). Deveria a empresa incorporar tais gastos com benfeitorias em seu ativo imobilizado – nos casos em que a legislação assim o permite – e, a partir daí, aproveitar como crédito os encargos com depreciação e amortização das edificações. Para isso, no entanto, haveria de observar os dispositivos legais, que limitam a utilização desses créditos à aquisição de edificações novas ou à construção de edificações (§ 5º do art. 6º da Lei nº 11.488, de 2007), podendose aplicar o desconto acelerado somente a partir da conclusão da obra (§ 6º do mesmo artigo). Pelos elementos constantes nos autos, nada disso fica comprovado. Fica claro, pois, que não há como a empresa creditarse diretamente da contribuição incidente sobre tais gastos, devendo ser observada a legislação vigente. Também não há elementos que comprovem o direito ao crédito pretendido, devendo ser mantidas as glosas efetuadas pela Órgão fiscalizador. Assim, me filiando a posição adotada pelo ora recorrido Acórdão, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário neste item referente as despesas com construção civil. 1.5. Tratamento de resíduos industriais O Contribuinte alega em seu Recurso Voluntário que tem direito ao creditamento dos custos empregados no tratamento de resíduos industriais para fins de PIS e COFINS. Nesse sentido cito trecho do recurso para melhor precisar a atividade produtiva desenvolvida para a apreciação do alegado direito creditório e a glosa efetuada: O tratamento de resíduos industriais consiste no descarte apropriado dos materiais orgânicos, separado da matériaprima (carne de aves) em decorrência da transformação do produto industrializado. Sem muito esforço, é possível visualizar que em todas as etapas do processo produtivo da Recorrente, de acordo com o produto que deseja produzir, é contínua a transformação do produto e o descarte dos seus resíduos orgânicos. Fl. 1738DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.738 24 Por exemplo, é possível vislumbrar que no abate de aves, ocorre a limpeza das mesmas, sendo retiradas as penas e outros miúdos não comercializados, para o fim de serem vendidas inteiras (frango, por exemplo) ou em partes (coxa, sobrecoxas, peito, coração, moela, etc.). No caso em que as carnes são preparadas para serem comercializadas em partes, ainda há o caso em que são preparadas em cortes de filés de peito de frango ou de coxa e sobrecoxa das aves, situação em que são separadas das peles e dos ossos. Também na preparação de embutidos, empanados e pratos prontos, pode ser visualizado o descarte de resíduos orgânicos. Enfim, em todas as etapas do processo produtivo da Recorrente, seja o produto final que industrializa, há o descarte de resíduos industriais, em decorrência da transformação da matériaprima. Neste sentido, a Recorrente juntou, por amostragem, notas fiscais de locação de células para resíduos sólidos e de serviços de tratamento dos mesmos, na manifestação de inconformidade. Como os resíduos são orgânicos, por uma questão de saneamento e de procedimento sanitário, a Recorrente procede a locação de células apropriadas para os resíduos sólidos, o que revela que tais dispêndios no tratamento dos resíduos industriais consistem em despesas, as quais devem ser creditadas para efeito de PIS e COFINS, por força do art. 299 do RIR/99 e, também, pela sua essencialidade ao processo produtivo. A mesma linha de argumentação segue no Laudo Técnico apresentado concluindo que “a necessidade da contratação de serviços de terceiros para efetuar coleta, segregação e transporte dos resíduos industriais são essenciais para que se possa cumprir o objeto social da empresa e as recomendações dos órgãos fiscalizadores”. Já o Acórdão ora recorrido entendeu de forma diversa, não considerando os custos com tratamento de resíduos industriais como insumos, logo não sendo possível o creditamento de PIS e Cofins, como se verifica no seguinte trecho do voto: Da mesma forma, as despesas relacionadas a tratamento de resíduos, a despeito de poderem ser consideradas necessárias à vida da empresa, não fazem parte do âmago da fabricação. Por essa razão, não podem ser consideradas intrínsecas à atividade da empresa, não cabendo, dessa forma, sua qualificação como insumo à fabricação, que permitiria o desconto de crédito em relação a elas. Em que pese os argumentos expostos na decisão ora recorrida, na análise de qual é a atividade produtiva desenvolvida pelo Contribuinte, percebese claramente que não se trata de uma simples atividade de tratamento e ou encaminhamento de resíduos industriais, mas que se trata de tratamento de resíduos industriais específicos e previstos como obrigatórios na legislação regulatória d setor produtivo, como por exemplo, o Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal. Assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso do Contribuinte para a tomada de crédito dos custos pertinentes ao tratamento dos resíduos industriais neste setor de produtos de origem animal. 1.6. Despesa com energia elétrica. A respeito dos custos com energia elétrica para a produção, o Contribuinte argumenta que devem ser incluídos no conceito de insumos, possibilitando o creditamento para PIS e Cofins, conforme se verifica no seguinte trecho do ora analisado Recurso: Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.739 25 Dessa maneira, a Recorrente nas suas exportações faz monitoramento da temperatura dos seus containeres que acondicionam os seus produtos (carnes de aves e derivados) e, quando percebe a necessidade de resfriamento da temperatura interna dos seus containeres, procede à chamada “carga de frio” nas acomodações dos próprios portos. Para a “carga a frio”, a Recorrente contrata a prestação de serviços de energia elétrica de empresas especializadas, que, dentro do próprio porto, procedem ao resfriamento dos containeres. Para demonstrar a tomada desse serviço, a Recorrente juntou, por amostragem, no Doc. 09 da Manifestação de Inconformidade, notas fiscais de serviços de fornecimento de energia elétrica, prestados pela empresa TECON RIO GRANDE S.A., cujos serviços foram prestados no interior do Superporto de Rio Grande. Destarte, face a necessidade das “cargas de frio” nos containeres que acondicionam as carnes de aves e produtos derivados, que estão aguardando o seu embarque nos portos, para que cheguem ao seu destino final com qualidade e aptas para o consumo, é medida de rigor reconhecer a legitimidade do creditamento dessas despesas para efeitos do PIS e da COFINS. O Laudo Técnico apresentado pelo Contribuinte relata pormenorizadamente os procedimentos para a exportação e alega que a utilização da energia elétrica é essencial para que se obtenha o produto final em condições consideradas adequadas. Já o Acórdão ora recorrido argumenta no sentido de que o Contribuinte não comprova que a utilização da energia elétrica está relacionada com a condição legal para permitir o creditamento de PIS e COFINS, conforme se verifica no seguinte trecho do voto: No caso da COFINS nãocumulativa, o creditamento de despesas de energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica está previsto na Lei no 10.833, de 2003 (art. 3º, inciso III), com a redação da Lei no 11.488, de 2007. Essa legislação dispõe que poderão ser descontados créditos relativos à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (...) Atentandose ao fixado pela própria contribuinte, a condição legal não se verifica no presente caso relativamente a tais despesas, visto que o consumo da energia elétrica não se dá nos estabelecimentos da empresa. Ademais, no caso em tela devese adotar a interpretação literal na análise da subsunção dos casos concretos às hipóteses de direito ao crédito definidas na legislação, não cabendo a extensão da norma a situações que não estejam nela expressamente previstas. Assim, há que se interpretar restritivamente a legislação referente à sistemática nãocumulativa de apuração de créditos da contribuição. Destarte, correta a glosa aplicada pela Fiscalização. De acordo com a decisão recorrida no sentido de que, conforme a legislação das contribuições PIS/PASEP e COFINS, somente cabe crédito com as despesas de energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não alcançando as despesas de consumo de energia elétrica fora do estabelecimento produtivo. Portanto, não alcançando as despesas de energia elétrica nos portos referentes a "carga a frio" dos contêineres. Entendo também que o referido consumo de energia elétrica na "carga a frio" não se insere no conceito de insumo previsto nas legislações das citadas contribuições. Mas considerando que as "cargas a frio" aplicadas nos contêineres que acondicionam as carnes de aves e produtos derivados, que encontramse nos portos aguardando o embarque, compreendo Fl. 1740DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.740 26 que estas despesas estão contempladas no item armazenagem, o que possibilitaria o direito ao crédito destas despesas. A legislação de regência das contribuições oferta amparo ao crédito das despesas efetuadas com armazenagem. Como no caso da Lei n. 10.833/2003 que assim estabelece: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Tendo em vista as informações trazidas aos autos do processo, entendo que as despesas com serviços especializados de fornecimento de energia elétrica utilizados na “carga a frio” dos contêineres estão incluídos nas despesas de armazenagem contempladas pela legislação. Portanto, voto por dar provimento neste item ao recurso do Contribuinte. 2. Despesas com fretes de transferência de produtos em elaboração e acabados. O Contribuinte aduz que a respeito dos custos com as despesas de fretes de transferência de produtos em elaboração devem ser considerados insumos e, portanto, possibilitar o seu creditamento para fins de PIS e Cofins, conforme se verifica no seguinte trecho do referido Recurso: No seu processo produtivo, a Recorrente em diversas etapas deve proceder a remessa dos produtos em elaboração para outras unidades, como no exemplo da carne de frangos em partes, do frigorífico até as unidades responsáveis pela elaboração de empanados, embutidos e pratos prontos. Não há dúvida que, nesses casos em que o produto começa a ser elaborado em uma unidade da Recorrente e tem o seu processamento final em outra unidade, estamos diante de um processo produtivo único, apenas com etapas contínuas da industrialização em unidades diferentes da mesma empresa. Para a remessa dos produtos em elaboração, a Recorrente necessita contratar prestadoras de serviços de transporte para essa locomoção, o que revela que os fretes são serviços de transporte tomados com a finalidade de propiciar a continuidade do processo produtivo, que, por razão de especialização e de racionalização do processo industrial, é concluído em outra unidade da Recorrente. Dessa forma, o frete de produtos em elaboração se subsume ao conceito de insumo previsto no art. 3º, inciso II, das Lei nº 10.833/03 e 10.637/02, visto que são serviços contratados para proporcionar a continuidade do processo produtivo. Ademais, em consonância com o recente entendimento do CARF e do TRF4 sobre o conceito de insumos para o PIS e a COFINS, verificase que as despesas de frete de produtos em elaboração são verdadeiros custos de produção e essenciais ao processo produtivo e, como tais, se subsumem ao conceito de insumo para o PIS e a COFINS, na forma do art. 290 do RIR/99 e na forma do entendimento jurisprudencial onde tem como base material do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS a essencialidade. O Laudo Técnico apresenta em sua argumentação sobre este ponto o mesmo entendimento trazido pelo Contribuinte em seu Recurso Voluntário e conclui da seguinte forma: Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.741 27 Diante do evidenciado acima, concluise que o processo de transporte do subproduto da unidade de produção para outra unidade de beneficiamento e distribuição é essencial para que se possa obter o produto final para posterior comercialização. A respeito do frete de produtos acabados o Contribuinte também alega que seus custos devem ser considerados insumos e que consequentemente devem dar direito de crédito em PIS e Cofins, conforme se verifica nesse seguinte trecho do Recurso Voluntário: Para exportação de carnes de aves, inteiras ou em cortes, e de produtos elaborados como empanados, embutidos e pratos prontos, por uma questão de logística e de racionalização da operação, cada unidade produtiva remete os seus produtos para a unidade responsável pela “montagem” da carga exportada no container. Dessa forma, as carnes de aves, inteiras ou em cortes, é remetida do frigorífico a outra unidade responsável pelo acondicionamento dos produtos nos containeres, assim como outras unidades responsáveis pela elaboração dos empanados, dos embutidos e de pratos prontos, encaminham os seus produtos para a referida unidade responsável. (...) Ademais, o frete de produtos acabados são essenciais para o processo produtivo da ora Recorrente, sem estes não é possível continuar com as atividades de venda para o mercado externo, ou até mesmo, para o mercado interno. Desta forma, tornandose insumo do processo produtivo devido a sua necessidade/essencialidade, devendo gerar créditos de PIS e COFINS conforme entendimento jurisprudencial já transcrito no decorrer deste petitório. Portando, seja como frete na operação de venda, seja como despesa necessária a atividade econômica de exportação, o creditamento do frete de produtos acabados deve ser reconhecido por esta Colenda Turma para o fim de que seja observada a nãocumulatividade do PIS e da COFINS. O entendimento trazido pelo Laudo Técnico apresentado pelo Contribuinte divide a análise do frete dos produtos acabados para o mercado interno e para o mercado externo, sendo assim cito trecho do referido Laudo para que sirva de elucidação do ponto: Mercado Interno Os produtos acabados, que são transferidos de uma unidade de produção para outra unidade de produção/logística, com vistas de completar a embalagem, fornecer o nível de congelamento adequado e completar pedidos, podem ser identificados através do número do Serviço de Inspeção Federal (SIF) que todo o produto deve possuir, comprovando a procedência do produto. A mesma carga pode conter produtos que foram fabricados em locais diferentes, os quais possuem a finalidade de completar pedidos e também otimizar itinerários. Enfatizando que pode ocorrer a espera de produtos que são fabricados em unidades diferentes para completar um mesmo pedido, desta forma se faz necessário a manutenção do congelamento deste produto. Mercado Externo Para comercialização no mercado externo, os produtos podem ser despachados da unidade de fabricação diretamente para o porto, todavia, os produtos também podem ser transferidos da filial para o armazém central, localizado no município de Montenegro (RS), ou do armazém central para a filial, para que o contêiner seja completado com os produtos e após possa seguir de forma consolidada para o porto. Fl. 1742DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.742 28 A produção de produtos para fins de exportação, somente podem ser comercializados no mercado externo. Desta forma, os produtos destinados para exportação são produzidos sem a necessidade de pedidos, visto que o tempo para atendimento de tais pedidos seria muito extenso, em função dos processos envolvidos desde a seleção do ovo, que irá gerar o pintainho, até a obtenção do frango abatido, conforme mostrado no fluxograma do capítulo 8. Devido ao fato das fábricas não possuírem locais adequados para armazenar os produtos destinados à exportação, e estes ainda não possuírem destino final conhecido, estes produtos são transferidos para o armazém localizado no município de Montenegro (RS), para que assim que o pedido de exportação seja fechado o produto esteja à disposição para compor uma um contêiner e assim, ser despachado para o porto e posteriormente ao destino final. Diante do que foi exposto neste capítulo, concluise que o processo de transporte do produto final entre as unidades da empresa para fins de finalização da embalagem, armazenamento adequado, otimização de entregas e manutenção das condições do produto e embalagem através dos processos de congelamento, é essencial para o processo de obtenção do produto final e atendimento aos pedidos dos clientes e requisitos dos órgãos fiscalizadores. (grifouse). Observase, porém, que o entendimento do ora recorrido Acórdão caminha em outro sentido, ou seja, considera que o frete não se caracteriza insumo na produção do Contribuinte porque o transporte dos produtos se dá entre os estabelecimentos da própria empresa, o que não estaria abarcado na hipótese legal. Cito trecho do voto do referido Acórdão para que se elucide o seu entendimento: A empresa contesta a glosa de despesas com serviços de frete pagos na transferência de produtos acabados/em elaboração entre suas unidades, alegando, em síntese, que tais despesas se subsumem ao conceito de insumo. Como antes assentado, esses desembolsos não são considerados insumos para fins de geração de créditos de COFINS nãocumulativa. Dessa forma, os fretes suportados na transferência de produtos acabados ou em elaboração entre unidades da mesma empresa, não são geradores de créditos nãocumulativos. A legislação expressamente permite o creditamento de valores relativos a despesas com frete de mercadorias em três hipóteses. A primeira, estabelecida no inciso I do art. 3º da Lei no 10.833, de 2003, refere ao caso de bens adquiridos para revenda, onde o frete referente à aquisição de mercadoria pode ser somado ao custo da mercadoria. A segunda é a de se entender a despesa com frete como um bem ou serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem (inciso II do art. 3º da Lei no 10.833, de 2003). A terceira é a do inciso IX do art. 3º da Lei no 10.833, de 2003, que se refere ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Para valerem os créditos, todos estes custos devem ser, necessariamente, suportados pela contribuinte e ser prestados por pessoas jurídicas, com exceção dos créditos presumidos a que se refere o § 19 do art. 3º da Lei no 10.833, de 2003, relativo à subcontratação de pessoa física autônoma por parte das empresas de transporte rodoviário de cargas. Contudo, o frete glosado pelo Fisco não trata de serviço utilizado como insumo na prestação de serviços de transportes ou mesmo no transporte de produtos vendidos. Tratase, sim, de frete utilizado para o transporte entre estabelecimentos da própria empresa, transporte de caráter meramente estratégico para as operações da empresa. Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.743 29 Assim, independentemente do frete ser prestado por pessoas jurídicas, e não obstante a importância operacional do serviço no processo de logística de distribuição da empresa, fato é que não há previsão legal que dê suporte ao entendimento de que esta operação gere créditos no regime da nãocumulatividade. Em que pese o entendimento da DRJ de que as despesas de frete estão circunscritas entre estabelecimentos da própria empresa, me parece claro que além destes existem os fretes para o mercado externo. Entendo que os serviços de frete utilizado para o transporte entre os estabelecimentos da própria empresa não ficam restritos ao “caráter meramente estratégico para as operações da empresa” e sim inseridos no processo produtivo do Contribuinte. Cabe lembrar que a legislação referente ao PIS/PASEP (Lei n. 10.637/2004) e a COFINS (Lei n. 10.833/2003) tratam sobre a possibilidade de creditamento acerca do frete se o consideramos como insumo quanto a previsão do frete na operação de venda quando o ônus for suportado pelo vendedor. A título de base legal citase a Lei n. 10.833/2003 que assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Com essas considerações voto em dar provimento ao recurso do Contribuinte para reformar o acórdão recorrido no sentido de conceder o creditamento dos fretes de produtos em elaboração por entender que são bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e pela previsão de que os fretes na operação de venda em que o ônus é suportado pelo vendedor também estão contemplados pela legislação de regência. 3. Créditos extemporâneos/preclusos O Contribuinte aduz pela ilegalidade da decisão da fiscalização de negar o aproveitamento dos créditos extemporâneos, o que, segundo ele, iria de encontro à interpretação do art. 1º do Decreto 20.910/32, da Lei 10.637/02 e da Lei 10.833/03 que autorizariam que o crédito não aproveitado em determinado mês possa ser aproveitado nos meses subsequentes. Como forma de elucidação do caso cito trecho do Recurso Voluntário: Nos períodos de apuração de janeiro, novembro e dezembro de 2010, a Doux Frangosul Agro Avícola Industrial (Doux) adjudicou créditos da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) sobre itens do ativo imobilizado que não haviam sido aproveitados em meses anteriores. Tais créditos foram tratados pela fiscalização Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.744 30 como “extemporâneos”, aliás nomenclatura como são comumente conhecidos os créditos em tela. Os créditos dessa natureza tem a peculiaridade de terem sua origem em determinado mês (ou período de apuração) e serem adjudicados em mês ou meses subsequentes, portanto a destempo – ou de forma extemporânea. Nesse sentido, a legislação própria da Contribuição ao PIS e da COFINS contém no parágrafo 4º, artigo 3º, respectivamente, da Lei nº10.637, de 30 de dezembro de 2002 (Lei 10.637/02), e da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (Lei 10.833/03), dispositivo que é cristalino no sentido da possibilidade do expediente utilizado pela Doux de adjudicarse de créditos extemporâneos, quando autoriza que “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes”. Aliás, o parágrafo 2º, artigo 66 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 (IN SRF 247/02), para a Contribuição ao PIS, e o parágrafo 2º, artigo 8º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004 (IN SRF 404/04), para a COFINS, contém idêntica redação aos dispositivos legais antes citados, portanto no âmbito da Receita Federal do Brasil (RFB) também está autorizada a prática adotada pela Doux. (...) Tanto o crédito extemporâneo é autorizado, que na recentemente inaugurada Escrituração Fiscal Digital (EFD) de PIS e COFINS está previsto bloco específico para sua escrituração. Segundo o guia prático da escrituração fiscal digital, o bloco 1 serve para fins de: complemento da escrituração, controle de saldos de créditos e de retenções, operações extemporâneas e outras informações. A decisão ora recorrida entendeu que a apuração extemporânea dos créditos realizada pelo Contribuinte “somente poderia ser admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, em especial as DCTF e os DACON (...).”. Nesse mesmo sentido, cito outro trecho do referido voto do Acórdão que bem elucida a posição adotada pelo Colegiado: Notese que a retificação do DACON é exigida não somente para que se possa constituir os créditos decorrentes dos documentos não considerados no DACON original, devendose atentar, principalmente, para o fato de que os saldos de créditos dos Dacon dos meses posteriores à constituição do crédito devem ser retificados para evidenciar o novo crédito. Tratase pois de ficar demonstrado com precisão que o crédito está constituído e o mais importante: que o crédito não foi utilizado em períodos anteriores, condição sine qua non para o aproveitamento futuro. A título ilustrativo, devese observar que através da IN RFB no 1.441, de 2014, o DACON foi extinto relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1o de janeiro de 2014. Tal extinção é aplicável, também, aos casos de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total que ocorreram a partir de 1o de janeiro de 2014. No entanto, permaneceu obrigatória a entrega do DACON para fatos geradores ocorridos até 31/12/2013. Assim, se a empresa deixou de apurar créditos pretensamente admissíveis no tempo correto, ou os apurou em montante menor, poderia realizar a correção a posteriori. Entretanto, deveria obrigatoriamente providenciar as retificações do seu Demonstrativo de Apuração das Contribuições (DACON) e das respectivas Declarações de Débitos e Créditos Federais (DCTF) referentes aos respectivos meses, pois seria com base nesses elementos que se tomaria conhecimento do que a própria contribuinte informou e declarou como débito a recolher, servindo, inclusive, como controle da administração fazendária e confissão de dívida para fins de cobrança tributária. Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.745 31 No caso, a Fiscalização agiu corretamente ao não admitir o aproveitamento de pretensos créditos extemporâneos apontados nos meses de janeiro, novembro e dezembro de 2010, eis que não houve demonstração da origem de eventuais créditos. Com efeito, observado o período decadencial, por meio de declarações (originais/retificadoras) e demais documentação poderia a empresa ter demonstrado que efetivamente apurou e não descontou os créditos que diz fazer jus. A mera alegação da existência dos créditos não assegura que não tenham sido descontados anteriormente. Assim o entendimento da administração fazendária é de que o Contribuinte deveria providenciar as retificações do seu Demonstrativo de Apuração da Contribuições (DACON) e das correspondentes Declarações de Débitos e Créditos Federais (DCTF) para que se pudesse informar à administração fazendária a existência de créditos extemporâneos. Ocorre que como isso não ocorreu, ou seja, o contribuinte não fez as retificações de DACON e DCTF, fica a questão se faz ou não faz jus ao crédito apurado nas contribuições para o PIS e COFINS não cumulativas no prazo de cinco anos a contar da aquisição dos insumos. A questão é que assiste razão ao fisco que é necessário não só alegar a existência de créditos, mas sim demonstrar de forma inequívoca a existência do crédito extemporâneo, daí o entendimento da necessidade das retificadoras. Salientase que o Contribuinte adjudicou de forma extemporânea apenas os créditos que tiveram sua origem nos 5 anos anteriores ao creditamento de acordo com o que estabelece o art. 1o. do Decreto n. 20.910/1932 no que concerne a reinvindicação de direito contra a Fazenda que prescreve em 5 anos da data do ato ou fato do qual se originarem. Porém, como alega o Contribuinte, o sítio da Receita Federal do Brasil na pergunta 60 da seção das perguntas frequentes do EFD admite ser possível requerer os créditos extemporâneos da seguinte forma: Pergunta 60. Como informar um crédito extemporâneo na EFD PIS/COFINS? O crédito extemporâneo deverá ser informado, preferencialmente, mediante retificação da escrituração cujo período se refere o crédito. No entanto, se a retificação não for possível, devido ao prazo previsto na Instrução Normativa RFB no. 1.052, de 2010, a PJ deverá detalhar suas operações através dos registros 1100/1101 (PIS) e 1500/1501 (Cofins). (grifouse). Na decisão proferida por intermédio do Acórdão 3401001.585 do CARF, processo 13981.000257/200520, entendeuse desta forma: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON. Desde que desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte. Com isso posto, fica a questão de se verificar se o Contribuinte demonstra de forma inequívoca a existência do crédito extemporâneo. No Recurso Voluntário o Contribuinte assim se pronuncia acerca da origem do crédito que demonstram os itens do ativo imobilizado objeto da depreciação e a forma da depreciação: Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.746 32 Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.747 33 Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.748 34 Com isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso do Contribuinte para a admissão dos créditos extemporâneos cuja comprovação deverá aferida pela unidade de origem. 4. Créditos presumidos: 4.1. Aquisições da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB; Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.749 35 Houve, por parte da Fiscalização, a glosa de créditos referentes a aquisição, por parte do Contribuinte, de milho proveniente da CONAB, alegando que o direito ao crédito não existiria uma vez que a CONAB é intermediária da União e não teria havido débito das contribuições na etapa anterior, baseando seu entendimento no Comunicado CONAB/DIGES/SUOPE/GECOM nº 158, de 10 de maio de 2006, que assim dispõe: Comunicado no 158, de 10 de maio de 2006, da Diretoria de Gestão de Estoques/Superintendência de Operações/Gerência de Comercialização (DIGES/SUOPE/GECOM) da Conab INFORMAMOS QUE NÃO INCIDE PIS E COFINS NAS RECEITAS PROVENIENTES DAS VENDAS DE ESTOQUES PÚBLICOS REALIZADAS PELA CONAB. ASSIM SENDO, SOLICITAMOS INFORMAR AOS ADQUIRENTES DE PRODUTOS QUE OS MESMOS NÃO FARÃO JUS AO CRÉDITO DO PIS E COFINS SOBRE O VALOR DAS AQUISIÇÕES FEITAS JUNTO À CONAB, DE ACORDO COM O ART. 21 DA LEI 10.865/04, QUE ALTEROU O ART. 3 DA LEI 10.833/02, E O ART. 37 DA LEI 10.865/04, QUE ALTEROU O ART. 3 DA LEI 10.637/02. O Contribuinte discorda de tal glosa e alega que os créditos de PIS e Cofins requeridos estão garantidos pelo art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, e que tal direito não pode ser limitado por um Comunicado. E nesse mesmo sentido o Contribuinte segue argumentando o que se segue: Não é demais ressaltar que, todo o benefício fiscal deve estar previsto em lei, de modo que a norma que venha limitar tal benefício, deve ser introduzida no ordenamento jurídico pelo mesmo veículo introdutor, ou seja, por uma lei. O que não ocorreu no presente caso, haja vista que a restrição em pauta adveio através de um Comunicado. Ademais, o fato da CONAB ser uma intermediária da União, não quer dizer que o adquirente não faz jus ao creditamento da aquisição do milho. O fato da União Federal ser imune a incidência do PIS e da COFINS, não quer dizer que não há incidência do PIS e da COFINS na etapa anterior à aquisição do milho, ou seja, que o produtor não tenha adquirido e aplicado insumos tributados, mas tãosomente que a receita da UNIÃO FEDERAL, assim como os demais Entes da Federação, não terá a sua receita tributada. Em que pese a argumentação trazida aos autos pelo Contribuinte, de que é possível que tenha ocorrido incidência do PIS e da COFINS em etapas anteriores do processo produtivo, fazse necessário que tal fato seja de forma precisa demonstrado para que se possa apurar o valor suportado a montante e daí sim, a adequada discussão acerca da não cumulatividade. Ocorre que de acordo com a legislação das contribuições ao PIS e COFINS nãocumulativas vedase a apuração de créditos sobre bens que não se sujeitaram à incidência das mesmas. Cito o dispositivo legal da Lei n. 10.833/2003 que assim estabelece: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (...) Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.750 36 II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Com isso posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso do Contribuinte por entender que a legislação veda a apuração de créditos sobre bens ou serviços que não se sujeitaram à incidência da contribuição, mantendo, portanto, as glosas nas aquisições da CONAB. 4.2. Regularidade do valor da base de cálculo do crédito presumido atribuído pelo Contribuinte; A Fiscalização, bem como o Acórdão ora recorrido, entendeu que parte dos insumos adquiridos e fornecidos pelo Contribuinte não se destinam à sua própria produção, tendo em vista que parte da produção cabe ao produtor integrado (parceiro), o que excluiria essa parte de insumos da pessoa jurídica do Contribuinte. Conforme se verifica no seguinte trecho do Recurso Voluntário: Entendeu a fiscalização, portanto que uma parcela dos insumos entregues ao produtor integrado não constituiria produção da pessoa jurídica, não se destinando à venda desta e, portanto, não se enquadrando no dispositivo legal que autoriza a geração de crédito presumido. Consequentemente, o valor relativo a esta parte, no presente caso de 9%, deve ser excluído da base de cálculo da geração de créditos. Todavia o entendimento aduzido no referido acórdão não merece persistir. Quanto ao sistema de integração, utilizado pela ora Recorrente, elucidase que a empresa adquire os animais para sua produção e envia os mesmos para os centros de criação (produtores integrados), e até que o animal esteja pronto para o abate, a empresa procede à manutenção dos mesmos, enviando, aos criadores, toda a ração, medicamentos e todos os demais insumos empregados na criação dos frangos. Ou seja, a ora Recorrente entrega todos os pintos e ao produtor integrado, bem como adquire 100% dos insumos utilizados na produção da ração, fornecendo integralmente aos integrados para a alimentação e o desenvolvimento de 100% dos animais, que posteriormente são utilizados em sua totalidade na produção da própria empresa. O produtor integrado não participa com nenhum dos insumos necessários para a criação dos frangos, toda a ração, medicamentos e todos os demais insumos empregados na criação dos frangos são custeados pela Doux Frangosul, o produtor integrado, por sua vez, contribui exclusivamente com a mãodeobra. A ora Recorrente fornece 100% dos insumos, suportando o custo do produtor integrado em sua totalidade e, utiliza 100% dos animais em sua produção. (...) O percentual de 9% (nove por cento), mencionados no despacho decisório, representa a remuneração da mãodeobra do produtor integrado, para garantir o desenvolvimento dos animais até o momento do abate. Com isso o Contribuinte requer que seja reconhecido o direito de crédito sobre a totalidade dos valores da ração e outros insumos, alegando que o ônus dos custos da parceira é suportado inteiramente por ele. Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.751 37 A esse respeito o Acórdão ora recorrido entende de forma diversa, como se verifica no seguinte trecho: Isso verificado, observase que a contribuinte afirma que entrega todos os pintos ao produtor integrado, bem como adquire 100% dos insumos utilizados na produção da ração, fornecendo integralmente ao integrados para a alimentação e o desenvolvimento de 100% dos animais, que posteriormente são utilizados em sua totalidade na produção da própria empresa. No entanto, ao contrário do que diz, apenas em torno de 91% da criação de animais é de sua propriedade, donde a ração e outros insumos fornecidos pela empresa (parceirooutorgante) não se destinam integralmente a aves que resultarão em produção dela própria, eis que uma parte dos animais criados cabe ao produtor rural (integrado). Tal afirmativa está fundada: a) na verificação do item 7 do Termo de Intimação Fiscal no 003, de 04/04/2011 (fl. 505 do processo no 13005.721311/201179 – A empresa deverá informar, quanto ao sistema de produção integrado, qual a parcela percentual média da produção que coube ao produtor integrado no ano de 2010), combinado com a resposta àquela intimação, datada de 13/04/2011 (fls. 508 a 523 do mesmo processo): 7 Quanto ao sistema de produção integrado, a parcela percentual média de produção que coube ao produtor integrado no ano de 2010 é de 9% (nove por cento). b) no Relatório de Diligência Fiscal, produzido em 28/06/2012 em atendimento à diligência solicitada, foi informado que: (...) Em consulta aos arquivos digitais contendo os documentos fiscais do ano de 2010, apresentados pelo contribuinte, verificouse entradas de produtos advindos dos integrados nos estabelecimentos do contribuinte, tendo sido registradas com CFOP 1451 (Retorno de animal do estabelecimento produtor) e CFOP 1101 (Compra para industrialização ou produção rural), de acordo com os valores constantes da tabela demonstrativa abaixo: CFOP Entradas de Integrados 2010 Valor (R$) CFOP 1101 (compra para industrialização ou produção rural) 75.297.506,81* CFOP 1451 (Retorno de animal do estabelecimento produtor) 703.102.854,97* TOTAL ENTRADAS (CFOP 1101 + 1451) 778.400.361,78 % COMPRAS SOBRE TOTAL ENTRADAS (CFOP 1101/TOTAL) 9,67% Verificase que do total das operações de entradas de produtos advindos dos Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.752 38 integrados (CFOP 1451 + CFOP 1101), aproximadamente 9% referiramse a aquisições destes produtos (CFOP 1101). Desta forma, concluise que a parcela de, aproximadamente, 9% do total produzido pelos produtores parceiros do contribuinte no ano de 2010 coube a estes produtores parceiros, que receberam esta parcela da produção em mercadorias/produtos como pagamento pela prestação de seus serviços, tendo vendido sua parte da produção ao contribuinte fiscalizado, conforme operações de aquisições registradas com CFOP 1101, relacionados na tabela acima. (...) Também de ver que, ao contrário da argumentação da contribuinte, não se trata de estabelecerse se a empresa utilizouse de 100% dos animais criados em regime de parceria. Tratase, isso sim, de estabelecerse a quantidade de animais que pertenceram à ela e/ou ao produtor rural (integrado), não importando a forma de remuneração. E isso a própria empresa informou. Além disso, a análise dos CFOPs permite identificar, com clareza, que parte das entradas vindas de integrados, correspondentes ao CFOP 1101, advinha de compras para industrialização, ou seja, se tratavam de aquisições (compras) efetuadas pela empresa, com remuneração em produtos/mercadorias. Disso se pode inferir que tais animais a ela não pertenciam. Nesse passo, verificase que os créditos a que faz jus a pessoa jurídica sujeita à COFINS nãocumulativa, destinados a assegurar a nãocumulatividade de sua incidência, estão arrolados no art. 3o da Lei no 10.833, de 2003, sendo que dentre os créditos passíveis de serem descontados (e que interessam ao caso em tela) estão os previstos no inciso II daquele artigo, que tem a seguinte redação: (...) Examinados esses dispositivos, não se distingue no seu texto restrição à apuração de créditos em relação a insumos utilizados na produção de produtos destinados à venda, fornecidos pela pessoa jurídica a terceiro, encarregado da efetiva produção (criação de animais), mediante contrato de parceria. Ademais, não se pode esquecer que a pessoa jurídica, uma vez recebidos os animais em seu estabelecimento, executará nova etapa de produção, ela própria, mediante o abate e beneficiamento daqueles. Assim, é de aplicar a regra de hermenêutica, proveniente do direito romano, segundo a qual onde a lei não faz distinção, também o intérprete não a deve fazer (ubi lex non distinguit, nec nos distinguere debemus). Entretanto, o fato de parte da produção de animais não caber à pessoa jurídica prejudica seu direito de calcular créditos sobre o total de insumos empregados na criação dos animais. Uma leitura atenta do texto do inciso II do art. 3o da Lei no 10.833, de 2003, permite essa verificação. Observese que esse dispositivo autoriza a apuração de créditos em relação a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Está claro nesse comando, diante de seu contexto, que a produção há de pertencer à pessoa jurídica que apura o crédito e que essa produção há de destinarse à venda, a ser por ela realizada. Ora, a parcela dos animais que cabe ao produtor integrado não constitui produção da pessoa jurídica nem tampouco é destinada à venda pela pessoa jurídica, sendo irrelevante, nesse aspecto, a eventual prática de a processadora dos animais adquirir essa parcela do produtor rural. Os créditos devem ser apurados com observação da quotaparte de cada um dos envolvidos nas operações. Assim, não se pode admitir que a pessoa jurídica calcule créditos sobre a totalidade da ração e outros insumos empregados na criação dos animais. Como conseqüência lógica do explanado no parágrafo anterior, o valor dos créditos a que ela faz jus há Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.753 39 de ser proporcional ao quinhão da produção que efetivamente lhe toca, donde entendese correta a glosa perpetrada pela Fiscalização. Entendo, com a devida vênia, incorreta a glosa efetuada, visto que o Contribuinte entrega todos os pintos ao produtor integrado, bem como adquire 100% dos insumos utilizados na produção da ração, fornecendo integralmente aos integrados para a alimentação e o desenvolvimento de 100% dos animais, que posteriormente são utilizados em sua totalidade na produção da própria empresa. O percentual de 9% é apenas um parâmetro de remuneração do integrado parceiro. Com isso posto voto por dar provimento neste item do Recurso Voluntário do Contribuinte, afastando a glosa efetuada pela administração fazendária. 4.3. Alíquota para o cálculo do crédito presumido; Argumenta o Contribuinte que a Fiscalização, bem como a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, errou em glosar as alíquotas incidentes no cálculo do crédito presumido de PIS e COFINS, alegando que o critério utilizado para calcular o benefício não são os insumos e sim o produto final produzido pelo Contribuinte, o que possibilitaria o direito ao crédito na alíquota de 60% sobre todos os insumos utilizados na produção. Assim dispunha a Lei n. 10.925 de 23 de julho de 2004 acerca da dedução das contribuições PIS e COFINS do credito presumido: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.754 40 § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; II 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todas da TIPI; e III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. Diante dessa legislação o Contribuinte sustenta que as alíquotas previstas nos incisos I, II e III do § 3o, do art. 8o. da Lei 10.925/2004 tem como critério o produto fabricado pela empresa beneficiária, isto é, o produto final. Com isso, como o Contribuinte alega que fabrica produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, e nos códigos 15.01 a 15.06 da NCM, entende que faz jus ao desconto do crédito presumido com alíquota de 60% sobre todos os insumos adquiridos. Nesse sentido, cito um trecho do Recurso ora analisado para que elucide a argumentação trazida aos autos: Verificase que em momento algum o legislador ordinário determina como condição para o cálculo do crédito presumido a aquisição de INSUMOS ELABORADOS OU SEMIELABORADOS. Mesmo assim, a Receita Federal editou a instrução Normativa nº 660/06, a qual modificou indevidamente o texto da Lei Federal nº 10.925/04, ao estabelecer que o crédito presumido de PIS/COFINS fosse calculado com base na Mensagem nº 443, de 23 de julho de 2004, a Autoridade Administrativa glosou o direito creditório da empresa ora Recorrente. Cumpre à ora Recorrente salientar que com o advento da Instrução normativa citada, o objetivo primordial do crédito presumido de PIS/COFINS para as agroindústrias restou afastado, haja vista que o critério para fruição do benefício determinado no diploma regulamentador – aquisição de Insumos elaborados ou semielaborados tais como salsicha, liguiça, mortadela, etc., – em momento algum beneficia o setor agroindustrial. Subsumemse então que a lei federal instituidora do crédito presumido de PIS/COFINS não trouxe em seu bojo a aquisição de insumos como condição ensejadora do benefício em comento. Por conseguinte, esta tarefa não poderia ser incorporada apenas por uma orientação interna da Receita Federal, vez que este ato não poderá dispor contrariamente ao que vem regulamentar. Este é o ancestral princípio do Accessio cedit principali, ou seja, o acessório segue o principal, o acessório está compreendido no principal. Diante da legislação e da controvérsia sobre as alíquotas aplicáveis no crédito presumido citase trecho da decisão ora recorrida que bem fundamenta o entendimento acerca da matéria: No tocante ao percentual a ser aplicado para a apuração de créditos presumidos, o § 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 2004, é claro ao estabelecer qual a alíquota pode ser aplicada sobre o valor das aquisições. Naquela Lei tais alíquotas eram de 60% Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.755 41 para produtos de origem animal, classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, e de 35% para os demais produtos. A partir de junho de 2007 (Lei no 11.488), passouse a aplicar o percentual de 50% para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23 da TIPI (houve revogação pela Lei no 12.865, de 2013). Portanto, considerase correto o cálculo feito pela autoridade fiscal, conforme tabela inserida nas fls. 382 e 383. Ademais, o caput do art. 8o da Lei no 10.925, de 2004, ao criar a possibilidade de calcular crédito presumido estabeleceu que as pessoas jurídicas que produzissem mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nas NCMs ali enumeradas faziam jus ao cálculo de crédito presumido quando adquirissem insumos de pessoas físicas. Crédito presumido, como o próprio nome já deixa claro, é um crédito obtido de forma presumida. A sistemática da nãocumulatividade previa a possibilidade de descontar créditos calculados sobre o valor das aquisições de insumos dos débitos da contribuição, o chamado crédito básico. Esse crédito estava limitado a aquisições de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Todavia, a legislação permitia, em hipóteses específicas, o cálculo do crédito presumido sobre a compra de insumos para a produção das mercadorias enumeradas no caput do art. 8, produtos classificados nas NCMs especificadas. No entanto, ao contrário do que entende a contribuinte, o método de cálculo desse crédito estava diretamente ligado ao insumo adquirido e não à mercadoria produzida, ou seja, a natureza do bem produzido pela empresa é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, sendo que no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. Restam impertinentes, pois, os argumentos da empresa relativos à alíquota aplicável e à forma de apuração dos créditos, entendendose correta a interpretação dada pela autoridade fiscal. O que se depreende da legislação, art. 8o. da Lei n. Lei n. 10.925 de 23 de julho de 2004, é que o montante do crédito deve ser obtido tendo por referência os percentuais variáveis aplicados sobre as alíquotas básicas do PIS e da COFINS e incidentes sobre o valor dos insumos adquiridos. A dúvida interpretativa diz respeito em se saber quais os produtos que a lei estaria se referindo, se os produtos adquiridos como matéria prima para a produção do produto final, ou, de forma contrária, estaria se referindo ao próprio produto final. Neste sentido há que se notar a publicação da Lei no. 12.865/13 que passou a definir em caráter interpretativo qual é o percentual que deve ser aplicando na aquisição de quaisquer insumos utilizados na fabricação de produtos de origem animal que estão classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, e as misturas e preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Assim dispõe a Lei no. 12.865/13: Art. 33. O art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 8o ........................................................................ § 1o ............................................................................... I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); ............................................................................................. Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.756 42 § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” (NR). (grifouse). Assim, percebese que com essa alteração legislativa de como se deve interpretar o art. 8o. da Lei n. Lei n. 10.925, é possível, de acordo com o disposto de que lei interpretativa se aplica a fatos pretéritos ainda não definitivamente julgados, entender que assiste razão ao Contribuinte de utilizar o percentual de 60% sobre todos os insumos utilizados na produção e que estão classificados nos Capítulos 2 a 4, e nos códigos 15.01 a 15.06. Outra questão neste ponto discutida é da forma de utilização do crédito presumido. O Contribuinte aduz: Ao analisar a procedência dos créditos objeto do pedido de ressarcimento formulado pela empresa, a fiscalização entender que os valores relativos ao crédito presumido de PIS/COFINS calculados pela empresa não merecem amparo, tendo em vista que “o total do valor do crédito presumido não é ressarcível, podendo apenas ser deduzido da Contribuição para o PIS e da COFINS, devidas em cada período de apuração, conforme determina o caput do art. 8o. da Lei no. 10.925, de 23 de julho de 2004, combinado como inciso II do § 3o. art. 8o. da Instrução normativa SRF no. 660, de 17 de julho de 2006, que veda expressamente o ressarcimento deste tipo de crédito.” (...) Primeiro, é expressamente permitido o ressarcimento do crédito quando a pessoa jurídica, ao final de cada trimestre, não conseguir deduzir seus créditos com débitos próprios ou compensar com os débitos próprios, pela Lei 10.833/03: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. E, nos mesmos termos, a Lei no. 10.637/02 em relação ao PIS: (...) No que concerne a forma de utilização do crédito presumido entendeu a DRJ de forma diversa. Cito o voto neste item para expor a posição da decisão ora recorrida e como fundamento das razões de decidir: A forma de utilização do crédito presumido apurado de acordo com o art. 8o da Lei no 10.925, de 2004, constou claramente de disposições do ADI SRF no 15, de 2005 (dispôs sobre o crédito presumido de que tratam os arts. 8o e 15 da citada Lei): Art. 1o O valor do crédito presumido previsto na Lei no 10.925, de 2004, arts. 8o e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.757 43 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2o O valor do crédito presumido referido no art. 1o não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei no 10.637, de 2002, art. 5o, § 1o, inciso II, e § 2o, a Lei no 10.833, de 2003, art. 6o,§ 1o, inciso II, e § 2o, e a Lei no 11.116, de 2005, art. 16. (...) (os grifos não constam do original) Nesse ponto, pertinente transcreverse parte de julgado do STJ: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8o DA LEI N. 10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que o ato declaratório interpretativo SRF 15/05 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação que já estava contida na legislação tributária vigente. 2. Precedentes: REsp 1233876/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, Dje 1.4.2011; e REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 31.8.2010. 3. Recurso especial não provido. (REsp no 1.240.954/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe: 21/06/2011) Observada a normatização de regência, verificase que o art. 8o da Lei no 10.925, de 2004, dispunha que as pessoas jurídicas poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração o crédito presumido ali tratado. No normativo referido ou na Lei não há qualquer previsão de utilização de tal crédito, que não a mera dedução da contribuição devida. Atentese que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6o da Lei no 10.833, de 2003, respeitam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3o da referida Lei, donde a conclusão inevitável é a de que o crédito presumido tratado no art. 8o da Lei no 10.925, de 2004, destinase unicamente à dedução dos valores devidos a título de COFINS no período de apuração. Assim, o entendimento no âmbito da RFB, em regra, é de que o crédito presumido eventualmente existente não pode ser objeto de ressarcimento/compensação, o que, aliás, consta não só do precitado ADI no 15, de 2005, mas, também, do art. 8o, § 3o, inciso II, da IN SRF no 660, de 2006. Devese atentar, no entanto, ainda, que conforme o caso se mostra cabível a observação das disposições contidas na Lei no 12.058, de 2009, com suas alterações, especialmente seu art. 33 e parágrafos com seus incisos, bem como na IN RFB no 977, de 2009 (em especial os arts. 11, 12 e 13). Nesse passo, entendese correto o entendimento da autoridade fiscal. Entendo assim que o valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637/2002. Em conclusão neste item, voto por dar provimento ao recurso do Contribuinte no que diz respeito da alíquota de 60% sobre todos os insumos utilizados na produção e que estão classificados nos Capítulos 2 a 4, e nos códigos 15.01 a 15.06. e por negar provimento Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.758 44 quanto a forma da utilização do valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 no sentido de não ser possível a compensação ou ressarcimento. 4.4. Aplicação da taxa Selic. Por fim o Contribuinte requer em seu recurso: (...) considerando que houve vedação do Fisco ao ressarcimento tempestivo da parte do saldo credor da PIS/COFINS não cumulativa, apurado para o 2o. trimestre de 2010, sobre o valor suplementar reconhecido incidirão juros compensatórios, à taxa Selic, a partir da data de protocolo/transmissão do pedido de ressarcimento (PER) em discussão até a data do seu efetivo ressarcimento. A questão aqui é em reconhecer a correção monetária pela taxa SELIC em saldo credor de pedido de ressarcimento. Assim dispõe a Lei no. 10.833/2003: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. De acordo com a legislação aplicável ao caso, voto por negar provimento neste ponto ao recurso do Contribuinte por entender não se aplica a atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores decorrentes do aproveitamento de crédito de acordo com o § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, da Lei n. 10.833/2003. Conclusão De acordo com os autos do processo e da legislação aplicável voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Valcir Gassen Relator Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator designado. O Senhor Presidente deste Colegiado nomeoume redator do voto vencedor no tema do tratamento de resíduos industriais. Reproduzo abaixo, do relatório, trecho da manifestação de inconformidade da contribuinte, após sua ciência do despacho decisório de 27/06/2011: 1.5) Tratamento de resíduos industriais: em todas as etapas do processo produtivo da empresa, seja o produto final que industrializa, há o descarte de Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.759 45 resíduos industriais, em decorrência da transformação da matériaprima. Como os resíduos são orgânicos, por uma questão de saneamento e de procedimento sanitário, procedese a locação de células apropriadas para os resíduos sólidos, o que revela que tais dispêndios no tratamento dos resíduos industriais consistem em despesas, as quais devem ser creditadas para efeito de PIS/COFINS, por força do art. 299 do RIR/99. O minucioso voto do relator traz exemplos do processos da cadeia produtiva da recorrente: Por exemplo, é possível vislumbrar que no abate de aves, ocorre a limpeza das mesmas, sendo retiradas as penas e outros miúdos não comercializados, para o fim de serem vendidas inteiras (frango, por exemplo) ou em partes (coxa, sobrecoxas, peito, coração, moela, etc.). No caso em que as carnes são preparadas para serem comercializadas em partes, ainda há o caso em que são preparadas em cortes de filés de peito de frango ou de coxa e sobrecoxa das aves, situação em que são separadas das peles e dos ossos. Também na preparação de embutidos, empanados e pratos prontos, pode ser visualizado o descarte de resíduos orgânicos. Sobre o conceito de insumo o relator traz o entendimento de que: devese considerar a essencialidade dos bens e serviços na sua cadeia produtiva para que se defina a característica de insumo. Se o bem ou serviço em questão está vinculado e é essencial a produção do bem final ele deverá ser considerado como insumo, e, portanto, poderá gerar direito a crédito de PIS e COFINS. Sobre mesmo conceito, transcrevo ainda emenda de decisão recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste Conselho: CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.760 46 Recurso Especial do Procurador negado. (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 3º Turma, Ac. 9303003.515, de 15/03/2017, rel. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas). Tomese o primeiro processoexempo, o abate de aves. "O descarte de resíduos industriais, em decorrência da transformação da matériaprima" é atividade externa, lateral, ao processo produtivo. As penas e outros miúdos são apenas decorrência do produto comercializável da empresa, não se confundido com este. Qualquer que seja o processo de "limpeza" das aves, envolvendo elementos de corte e lavagem, o que se faz com os restos deste é processo de elementos externos, indiretos, da produção. Se não houver tratamento destes resíduos, o produto, ao final, saíria da linha de produção. Longe de ser essencial, pertence à cadeia produtiva da empresa. Assim, seja pelo critério da essencialidade na cadeia produtiva, seja pelo critério do elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, o tratamento dos resíduos não pode ser considerado insumo para fins de creditamento da Cofins. O mesmo se aplica aos demais processos da cadeia produtiva da recorrente. Embora a jurisprudência deste CARF não seja pacífica com relação ao tema, reproduzo abaixo decisão da Câmara Superior deste Conselho, de novembro de 2016, no mesmo sentido do raciocínio exposto: CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. SERVIÇO DE REMOÇÃO DE LAMA VERMELHA, AREIA E CROSTA. AQUISIÇÕES DE ÁCIDO SULFÚRICO E FRETES RELACIONADOS A ESSAS AQUISIÇÕES, ÓLEO BPF. Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02 e da Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por insumos somente bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou seja, que integrem o processo produtivo e que com eles estejam diretamente relacionados. Recurso Especial do Procurador Provido (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 3º Turma, Ac. 9303004.378, de 09/11/2016, relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas). Ainda que o tratamento dos resíduos em pauta seja determinado por normas regulatórias, como tais normas não incidem sobre atividade essencial para a cadeia produtiva ou se constitua em elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, as respectivas despesas não geram direito a crédito. Abaixo, reproduzo ementa e trecho da fundamentação de decisão pelo creditamento de despesas imposta por norma regulatória, mas apenas quando atinente a Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 13005.720025/201196 Acórdão n.º 3301003.943 S3C3T1 Fl. 1.761 47 produção dos bens ou produtos comercializáveis pela empresa, no caso nas fases agrícola e fabril: EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. IMPOSIÇÃO NORMATIVA. A utilização de E.P.I. é indispensável para a segurança dos funcionários. Imposição prevista na legislação trabalhista, incluindo acordos e convenções firmados pelo sindicato das categorias profissionais dos empregados da empresa. (CARF, 3º Seção, 3º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3302003.155, de 27/04/2016, redator designado Conselheira Lenisa Rodrigues Prado). Sobre os créditos sobre os dispêndios para aquisição de EPI assim se pronunciou a recorrente: "Os equipamentos de proteção individual (aqui incluídas as botinas, macacões e óculos de proteção bandido) são absolutamente indispensáveis à atividade da Recorrente, que fornece a indumentária sem a qual a execução das atividades da capina e aplicação de herbicidas (por exemplo) jamais poderiam ser executadas (...) Restando firmado que o laudo atesta a indispensabilidade dos equipamentos de proteção individual, os quais são de uso obrigatório para evitar acidentes tanto na fase agrícola (corte da madeira, aplicação de agrotóxico, etc) quanto na fase fabril (laminação de celulose, preparo químico da pasta de celulose, etc)". (fl. 11257 grifos do orininal). Assim, nesse tema, votou o colegiado, por voto de qualidade, por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator designado Fl. 1762DF CARF MF
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