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Numero do processo: 13888.721713/2012-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Conselheiro Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Thiago Duca Amoni, e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Conselheiro Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Thiago Duca Amoni, e Wesley Rocha.
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(assinado digitalmente) João Bellini Junior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Conselheiro Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Thiago Duca Amoni, e Wesley Rocha. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por NEUSA MARIA DUARTE VIGAR, em face do acórdão de julgamento n.º 1645.884, proferido pela 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São PauloSP (21ª Turma da DRJ/SP1), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário, com acréscimos legais de juros e multa, totalizando o valor de R$7.013,24, após análise da retificadora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .7 21 71 3/ 20 12 -6 6 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13888.721713/201266 Resolução nº 2301000.677 S2C3T1 Fl. 134 2 O lançamento teve origem na constatação de omissão de rendimentos recebidos pelo INSS.O contribuinte impugnou alegando que os rendimentos seriam isentos, por corresponderem a proventos de aposentadoria e por ser portadora de moléstia grave. A contribuinte não se manifestou em relação à fração do lançamento, referente à omissão de rendimentos pagos pela pessoa jurídica Med Life – CNPJ:08.944.697/000160, no valor de R$ 700,00 e registrado pela fiscalização às fls. 44. A DRJ de origem entendeu que não havia preenchimento dos requisitos legais para a concessão do benefício de isenção por moléstia grave. Por outro lado, a impugnação foi julgada parcialmente procedente para acolher o pedido de afastamento da multa de 75%, tendo em vista que houve recolhimento do valor principal, quando da retificação da declaração (fls. 64 e 65 a 70). Conforme decisão de primeira instância, transcrevo parte das conclusões da DRJ de origem: Constatado, em revisão de ofício da citada declaração retificadora, o enquadramento indevido dos rendimentos tributáveis como isentos por moléstia grave, sem que houvesse atendido os requisitos básicos nesse sentido, procedeuse ao competente lançamento do imposto e à aplicação da multa de ofício de 75%, por declaração inexata (às fls. 43 a 46), sendo incabível o seu cancelamento, conforme solicitado. Entretanto, observase que o valor originário de imposto lançado e impugnado pelo contribuinte (R$ 3.397,23), coincide com o valor originário recolhido pelo contribuinte (R$ 3.397,23), por meio de Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), conforme registrado no banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (às fls. 64 e 65 a 70). Em consulta efetuada ao Sistema PER/DCOMP, verificase que, até a presente data, não consta pedido de restituição do mencionado valor. (....) Quando o imposto houver sido pago anteriormente à ação fiscal e inocorrendo a hipótese do inciso II do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, incabível se torna a exigência da multa de ofício prevista no artigo 44, I do citado texto legal. Portanto, como o Imposto de Renda no valor originário de R$ 3.397,23 foi recolhido em data anterior à apresentação da declaração retificadora que originou o imposto lançado de ofício, cabe afastar a aplicação da multa de ofício de 75,0%, com fulcro no artigo 44, § 1º, inciso I, da Lei 9.430/1996, acima transcrito. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13888.721713/201266 Resolução nº 2301000.677 S2C3T1 Fl. 135 3 A recorrente maneja Recurso Voluntário, por meio de seu procurador devidamente constituído nos autos administrativo, para em síntese ver afastada a exigência fiscal, uma vez que a DRJ teria julgado parcialmente procedente a impugnação excluindo a multa de ofício, porém, mantendo o crédito principal. E nesse sentido, requer a restituição do valor já pago, uma vez que os valores principais teria sido pagos em razão de ter reconhecida a moléstia grave no processo administrativo fiscal de n.º 2010/421852364583379. É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo, tendo a recorrente protocolado recurso por meio de seu procurador devidamente constituído nos autos. Inicialmente, cumpre esclarecer que há noticias nos autos do falecimento da recorrente, conforme se constatou das informações trazidas aos autos pelo Procurador da então recorrente (fl. 100). Por outro lado, antes de analisar o mérito do recurso, este Colegiado em sessão de julgamento constatou haver a existência de processo judicial, do qual foi chancelado sob o n.º 000163862.2013.4.03.6315, que tramitou perante o Juizado Especial Federal de Sorocaba, jurisdição de São Paulo, que versou sobre Imposto de Renda de Pessoa Física, movido pela recorrente em desfavor da União, e que possivelmente seria referente ao respectivo crédito tributário, o que afeta a análise concreta do presente caso e o seu resultado. Assim, é necessário que o processo seja baixado em diligência para a verificação das informações referentes ao processo citado. Nessas circunstâncias, voto pela conversão do julgamento em diligência para que o processo seja remetido à Unidade Preparadora, a fim de que sejam adotadas as medidas de estilo e rotineiras, no intuito de certificar a existência do referido processo, bem como junte ao presente feito cópia da inicial, decisão de mérito seu trânsito em julgado. Após, dêse ciência à Contribuinte, sucessão de Neusa Maria Duarte Vigar, para, querendo, manifestarse dentro do prazo de 30 (trinta) dias. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13888.721713/201266 Resolução nº 2301000.677 S2C3T1 Fl. 136 4 É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.733395/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA
A imposição judicial que impeça o fisco de adotar atos de cobrança não afasta a obrigação da constituição do crédito tributário para prevenir a decadência.
É devida a aplicação da multa de ofício nas situações em que a decisão judicial pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário tenha ocorrido após iniciado o procedimento de ofício.
A interposição de ação judicial favorecida com medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição
Numero da decisão: 2201-004.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/11/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA A imposição judicial que impeça o fisco de adotar atos de cobrança não afasta a obrigação da constituição do crédito tributário para prevenir a decadência. É devida a aplicação da multa de ofício nas situações em que a decisão judicial pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário tenha ocorrido após iniciado o procedimento de ofício. A interposição de ação judicial favorecida com medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1696; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 264 1 263 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.733395/201161 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.006 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de novembro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente EMPREENDIMENTOS EDUCACIONAIS ANCHIETA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2006, 2007, 2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA A imposição judicial que impeça o fisco de adotar atos de cobrança não afasta a obrigação da constituição do crédito tributário para prevenir a decadência. É devida a aplicação da multa de ofício nas situações em que a decisão judicial pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário tenha ocorrido após iniciado o procedimento de ofício. A interposição de ação judicial favorecida com medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 33 95 /2 01 1- 61 Fl. 264DF CARF MF 2 EDITADO EM: 22/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Relatório O presente processo trata de Autos de Infração referentes às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, apuradas no período de 06/2006 a 12/2008. No relatório fiscal de fl. 19 a 34, é possível concluir que, do procedimento fiscal, resultaram os seguintes lançamentos: 37.330.4374 – relativo à contribuição devida pela empresa, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho (GILRAT), incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados professores, com valor consolidado em dezembro de 2011 de R$ 433.511,40, controlado no processo 10580.733394/201117; 37.330.4382 – relativo à contribuição incidente sobre a remuneração de segurados empregados professores, com valor consolidado em dezembro de 2011 de R$ 64.639,46, também controlado no processo 10580.733394/201117; 37.330.4390 relativo à contribuição devida a outras entidades e fundos, incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados professores, controlado no presente processo; 37.330.4447 relativo à contribuição devida pela empresa, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho (GILRAT), incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados não professores, controlado no processo 10580.733396/201114; 37.330.4455 relativo à contribuição incidentes sobre a remuneração de segurados empregados não professores, controlado no processo 10580.733396/201114; 37.330.4463 relativo à contribuição devida a outras entidades e fundos, incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados não professores, controlado no processo 10580733.397/201151; 51.013.3320 relativo a descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa deixado de incluir nas folhas de pagamento parte da remuneração paga aos segurados empregados, controlado no processo 10580733.398/201103; 51.013.3339 relativo a descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa deixado de arrecadar, mediante desconto das remuneração, parte das contribuições devidas pelo empregado, controlado no processo 10580733.398/201103. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10580.733395/201161 Acórdão n.º 2201004.006 S2C2T1 Fl. 265 3 Assim, merece ser destacado que a presente análise está restrita aos DEBCAD 37.330.4374 e 37.330.4382. Em apertada síntese, os lançamentos decorrem da constatação de que a fiscalizada pagava, mensalmente, a seus empregados, remunerações indiretas concedidas sob a forma de bolsas de estudo a dependentes, as quais, a despeito de serem, nos casos dos professores, previstas em Convenções Coletivas de Trabalho, foram consideradas pelo Agente Fiscal como integrantes do salário de contribuição para fins de apuração dos tributos previdenciários. Conforme se verifica em fl. 70/71, o início do procedimento fiscal foi cientificado ao contribuinte em 26 de outubro de 2010, tendo sido exarada, em 05 de novembro de 2010, decisão judicial no MS 3717423.2010.04.01.3300 que resultou na suspensão das exigências fiscais objeto do presente lançamento. Para fins de contagem do prazo decadencial, foi aplicado o art. 173, inciso I, do CTN, por ter o Agente Fiscal considerado a ocorrência de sonegação, nos termos do art. 71 da Lei 4.501/64. Ademais, foi imputada sujeição passiva solidária ao Centro Escolar Aquarius Ltda, CNPJ 08.517.894/000101, em relação aos créditos tributários lançados nos processos 10580.733396/201117 e 10580.733398/201103, por restar caracterizada a existência de Grupo Econômico, em razão constatação de direção, controle ou administração exercida pelos mesmos administradores e por serem as empresas interligadas, utilizando, alternada e concomitantemente, os mesmo empregados, possuindo o mesmo objeto social e estrutura organizacional. Ciente da imputação fiscal em 07 de dezembro de 2011, conforme fl. 2, inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a impugnação de fl. 86 a 106, a qual foi assim relatada pela Autoridade recorrida, fl. 169/170: 3. Cientificada dos Autos de Infração em 07/12/2011, vide fls. 02, a Autuada apresentou, em 27/12/2011, idêntica impugnação para ambos, vide fls. 86/106, em que alega: 3.1. Não incidem contribuições previdenciárias sobre os valores de Bolsa de Estudos destinados à educação de filhos de seus empregados, sejam professores ou não, e tampouco há que se falar em incidência de contribuições para Outras Entidades (Terceiros). 3.2. Defende que deve prevalecer na análise da presente lide o art. 458, § 2º, II da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe que não se enquadra no conceito de salário o fornecimento de educação pelo empregador, seja em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros (compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático), mormente porque tal redação, introduzida pela Lei 10.243/2001, é posterior à Lei 8.212/1991 (cuja definição de salário de contribuição é mais abrangente que a CLT), a qual resta derrogada nesta questão, nos termos do art. 2º, § 1º do DecretoLei 4.657/1942 (Lei de Introdução ao Código Civil). Fl. 266DF CARF MF 4 3.3. Apresenta variados excertos jurisprudenciais e doutrinários, invocando também a Lei 11.096/2005, que instituiu o PROUNI – Programa Universidade para Todos, realçando o caráter assistencial das Bolsas de Estudo, e o Projeto de Lei 52/2008, o qual, além de alterações na legislação do Imposto de Renda, propõe alterações na Lei 8.212/1991, para instituir a não incidência de contribuições sobre as Bolsas de Estudo concedidas a filhos ou enteados de professores do próprio estabelecimento de ensino. 3.4. Protesta pela impossibilidade de autuação, por conta da liminar deferida no Mandado de Segurança 3717423.2010.4.01.3300, cuja amplitude de efeitos foi ampliada através de Embargos Declaratórios. defende que todos os AIOP e AIOA lavrados na ação fiscal em questão constituem desobediência ao determinado em Juízo e, por conta da suspensão da exigibilidade do crédito tributário sob análise, não há que se falar em aplicação de multa pelo descumprimento da obrigação tributária principal. 3.5. Finda pedindo seja ambas a autuação julgada totalmente improcedente. 4. Foram juntados com a defesa, às fls. 107/165, cópias dos seguintes documentos: comprovantes de capacidade postulatória; folha de rosto dos autos de infração; em relação a processo em que a autuada é parte: decisão conferindo à autuada liminar no Mandado de Segurança 3717423.2010.4.01.3300 reformada através de decisão proferida em Embargos Declaratórios, para extensão de seus efeitos sobre as contribuições dos segurados que deveriam ser retidas e recolhidas pela empresa e correspondente Agravo de Instrumento 007916315.2010.4.01.0000/BA; relativamente a processos em que a autuada não é parte: decisões proferidas pelo STF nos Recursos Extraordinários 346.0846/PR, 166.7729/RS, 116.1213/SP, decisão proferida pelo TRF4 em Apelação Cível no Processo 1998.04.01.0911872/ SC. Debruçada sobre os argumentos expressos na impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, por unanimidade de votos, concluiu pela sua improcedência, mas reconheceu, de ofício, a decadência de parte do crédito tributário lançado. As conclusões do Julgador de 1ª instância podem ser assim resumidas (Acórdão de fl. 166 a 180): DO LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA (...)Em relação ao presente lançamento, verificase que, por recorrer ao Poder Judiciário, a empresa renunciou ao direito de ver discutida administrativamente a questão sobre a incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre os valores de Bolsa de Estudos destinados à educação de filhos de empregados professores. (...) Da mesma forma, o lançamento de natureza acautelatória deve seguir seu curso normal, com a prática de todos atos inerentes às diversas fases do processo administrativo, especialmente no que tange à cognição das matérias diferenciadas daquelas Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10580.733395/201161 Acórdão n.º 2201004.006 S2C2T1 Fl. 266 5 aduzidas em juízo. Logo, incabível a suspensão de sua tramitação regular. Nestes termos, o processo administrativo deve prosseguir em relação às matérias diferenciadas, conforme dispõem o artigo 126, parágrafo 3º da Lei nº 8.213/1991, c/c o parágrafo único do artigo 62 do Decreto nº 70.235/1972. DA NÃO COMPROVAÇÃO DO DOLO PRAZO DECADENCIAL (...) o que se verifica no caso em apreço foi que a autoridade fiscal operou o deslocamento do termo a quo do prazo decadencial apenas com fundamento na escrituração incorreta da Folha de Pagamento e da GFIP nas competências do lançamento, abstendose de apontar qualquer outro elemento que indicasse, de forma inequívoca, que a Autuada utilizouse de ardis, de dissimulação, ou mesmo que teve a livre vontade orientada para a prática da omissão de informações relativas aos fatos geradores de contribuição previdenciária. (...) E como o lançamento, cientificado à autuada em 07/12/2011, referese a período parcialmente fulminado pela decadência (período lançado de 01/06/2006 a 31/12/2008, decadente de 01/06/2006 a 30/11/2006), a qual tem seu termo a quo definido nos termos do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional, declaro extintos todos os valores lançados até a competência 11/2006 (...) DA INCIDÊNCIA DE MULTA E JUROS DE MORA (...) Observo que o item 17 do Relatório Fiscal informa que a concessão da medida liminar no Mandado de Segurança 3717423.2010.4.01.3300 foi proferida em 05/11/2010, ou seja, posteriormente ao início da ação fiscal, que ocorreu em 26/10/2010. Assim sendo, nada obsta a aplicação das contribuições lançadas nos AIOP sob exame no cálculo comparativo entre as regras anteriores e posteriores à publicação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, para aplicação da multa mais benéfica, como se verifica nos subitens 11.3 a 11.10 do Relatório Fiscal. (...) Quanto aos juros moratórios, por expressa determinação legal, são devidos, no período de inadimplência, calculados à taxa Selic. (...) Assim, a aplicação da taxa Selic nos créditos constituídos pela RFB segue expressa previsão em lei, devendo esta ser observada pela autoridade fiscal quando no exercício de suas atividades. Cientificada do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, conforme fl. 190, tempestivamente, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fl. 192 a 220, no qual reitera os mesmos argumentos expressos em sede de impugnação. Fl. 268DF CARF MF 6 É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Inicialmente, ressalto que o mérito da questão relacionada à incidência do tributo previdenciário sobre os valores pagos a título de bolsas de estudos destinados à educação de filhos de empregados professores da recorrente foi submetido ao crivo do judiciário, situação sobre a qual este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente, tendo emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo segue abaixo transcrito: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, configurada a renúncia à instância administrativa, entendendo correta a decisão recorrida, que concluiu no mesmo sentido, deixo de conhecer das alegações que buscam afastar a incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, as quais constam do seguinte tópico da peça recursal: 05 Não incidência de contribuição sociais destinadas ao FNDE, INCRA e Sebrae sobre bolsas de estudo concedidas pelo empregador aos dependentes do empregado. Conceito de salário. natureza assistencial do benefício. Necessidade de reforma da decisão recorrida (fl. 196) Passase à análise dos temas relacionados a matérias distintas daquelas discutidas judicialmente. 04. Da decisão do Ilustríssimo Juiz da 4ª Vara Federal do Estado da Bahia. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Impedimento da adoção de quaisquer medidas, por parte do Fisco, voltadas à exigência/cobrança do tributo. Suspensão dos efeitos da RMIT inclusive no tocante à decadência. Afirma a recorrente que, lastreada no argumento de que sobre a rubrica que gerou a autuação não incide contribuição previdenciária, ingressou com Mandado de Segurança junto à 4ª Vara Federal da Seção Judiciária da Bahia, em cuja análise preliminar entendeu o juízo: Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10580.733395/201161 Acórdão n.º 2201004.006 S2C2T1 Fl. 267 7 Posteriormente, tal provimento judicial sofreu alterações por meio de Embargos de Declaração, passando a se constituir nos seguintes termos: Analisando os termos do provimento judicial, a requerente afirma que o Fisco não poderia praticar qualquer ato, direto ou indireto, voltado para a cobrança deste crédito, devendose entender "por qualquer meio ou ato" a abstenção em relação, principalmente, à constituição do crédito em discussão, uma vez que o lançamento nada mais é que o ato que inicia o procedimento de cobrança da exação. Afirma que a situação ora sob exame configura uma das hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário contidas no art. 151 da Lei 5.172/66 ( CTN), que caracteriza verdadeiro obstáculo ao prosseguimento deste processo e à produção dos efeitos da regra matriz das contribuições previdenciárias. Embora o recorrente apresente mais alguns argumentos no mesmo sentido dos acima indicados, desnecessário prosseguir na análise dos mesmos, pois é evidente o equívoco da defesa ao confundir o procedimento fiscal de constituição do crédito tributário com a cobrança administrativa do tributo. O excerto da decisão judicial acima é claro ao impedir que a administração tributária adote ação coercitiva tendente ao recolhimento ou cobrança da contribuição previdenciária. Entretanto, não há qualquer óbice à constituição do crédito tributário pelo lançamento, ou mesmo que o rito administrativo fiscal tenha seguimento com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios, que aguardarão a sentença judicial, ou, de for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida (Decreto 7.574/2011, art. 86, § 2ª). O teor da decisão judicial em tela não interrompe ou suspende o prazo que tem a Fazenda Pública para exercer o direito de promover o lançamento. Por outro lado, a Fl. 270DF CARF MF 8 suspensão da exigibilidade a que alude o art. 151 do CTN está relacionada ao crédito tributário e não há como suspender a exigência deste antes mesmo de seu nascimento. Neste sentido, objetivando evitar prejuízos ao interesse público, a legislação previu a constituição do crédito tributário para prevenir a decadência, nos casos em que um tributo de competência da União esteja suspenso na forma do art. 151, incisos IV e IV do CTN, conforme se observa no excerto da Lei 9.430/96: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Portanto, está correta a decisão recorrida ao considerar regular o lançamento e o prosseguimento do rito administrativo próprio, ressalvando a inexigibilidade do crédito tributário ora discutido até que se conclua a lide judicial ainda em curso, mesmo que antes se esgote a fase administrativa. Por fim, vale destacar que o contribuinte terá direito à interrupção da multa de mora, desde a concessão da medida judicial até 30 dias após a data da publicação da decisão que eventualmente considerar devido o tributo. Naturalmente, caso a decisão definitiva seja pela não incidência do tributo sobre as rubricas que originaram o lançamento, todos os débitos controlados no presente processo serão imediatamente extintos. 06. Da impossibilidade de lançamento de multa por descumprimento de obrigação tributária principal. Crédito tributário com exigibilidade suspensa. Sustenta o recorrente que não pode subsistir o lançamento da multa aplicada em razão do descumprimento da obrigação principal do tributo. Alega que, se há um obstáculo para a produção dos efeitos da regra matriz de incidência tributária das contribuições sociais previdenciárias, não há que se falar em obrigação referente ao inadimplemento do tributo, não há que se falar em descumprimento da norma. Por sua aplicação direta ao tema sob análise, relevante reescrever os termos já acima citados da Lei 9.430/96: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10580.733395/201161 Acórdão n.º 2201004.006 S2C2T1 Fl. 268 9 § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Portanto, a constituição do crédito tributário para prevenir a decadência só não considera a penalidade de ofício se a medida que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário tenha ocorrido antes de iniciado o procedimento de ofício. No caso em tela, como bem destacado no início do Relatório, a decisão judicial foi exarara após o início do procedimento fiscal, sendo devida a aplicação da multa de ofício. Já em relação à fluência de multa de mora, esta apenas se interrompe no momento da concessão da medida judicial, permanecendo assim até 30 dias após a data da publicação da decisão que considerar devido o tributo. Mais uma vez, fica o registro de que, no caso de sucesso no processo judicial, restando indevida a incidência tributária nos termos pretendidos pelo recorrente, os débitos serão extintos e, naturalmente, as multas de mora e de ofício que o acompanham. Corretas as conclusões do Julgador de 1ª Instância. Conclusão: Assim, tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 272DF CARF MF 10 Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.722577/2014-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-000.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 25 77 /2 01 4- 61 Fl. 127DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 4.950,00, a título de imposto de renda pessoa física, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2010. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento de maior relevo e fulcro da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que a Recorrente deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos, de forma supletiva aos recibos apresentados, através de outros documentos, porque aqueles acostados não estariam a representar a efetiva realização dos pagamentos efetuados aos profissionais prestadores dos serviços. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que aos recibos não é conferido valor probante absoluto, necessitando para tal a complementação de provas, com a apresentação de documentação adicional a ser providenciada pela Recorrente, como segue: (...) Na peça fiscal foi imputada ao contribuinte a infração dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 18.000,00, sendo Armando José Venturi Guilherme, CPF 100.367.48870, dentista, R$ 5.000,00; Juliana Tiemi Tamanaha Guilherme, CPF 320.919.52850, fisioterapeuta, RS 5.000,00; Mayara Camila Fernandes, CPF 361.466.31833, fisioterapeuta, R$ 8.000,00. Para a perfeita compreensão das glosas das deduções de despesas médicas efetuadas, devemos considerar os seguintes dispositivos: A Lei n° 9.250, 1995 “Art 8°A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; § 2° O disposto na alínea a do inciso II: Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10830.722577/201461 Acórdão n.º 2001000.187 S2C0T1 Fl. 128 3 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” Em sua defesa, a contribuinte anexa recibos médicos, os quais totalizam despesas médicas no valor pleiteado. Contudo, a fiscalização glosou referida despesa e exigiu que a contribuinte apresentasse comprovantes dos efetivos pagamentos. O argumento de que não há como comprovar o efetivo pagamento de quitação de serviços em espécie não pode prosperar. Ainda mais considerando o valor das despesas. Para tanto, basta apresentar extratos bancários, nos quais reste consignado saques efetuados na data ou em dias anteriores ao dispêndio. Ao final, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 4.950,00, referente à glosa do valor das despesas médicas. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) (...) Fl. 129DF CARF MF 4 (...) (...) Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10830.722577/201461 Acórdão n.º 2001000.187 S2C0T1 Fl. 129 5 (...) É o relatório. Voto Conselheiro José Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A questão aqui tratada é de natureza interpretativa da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, especialmente aquele procedimento que busca amparo na extemporânea existência do art. 11, § 3º e 4º, do Decretolei nº 5.844, de 1943 (transportado para o art. 73 e § 1º do Decreto nº 3.000/99 RIR/99 atual), e de outro a busca do direito, pela Contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à idoneidade ou inidoneidade do documento comprobatório. Fl. 131DF CARF MF 6 O texto base da divergência interpretativa está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (sublinhei e grifei) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10830.722577/201461 Acórdão n.º 2001000.187 S2C0T1 Fl. 130 7 órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. Ademais, o dispositivo legal permite a comprovação por um ou outro meio, admitindo que na falta de um se faça através de outro. Não há no texto legal qualquer indicativo para a exigência das duas comprovações. Observese a clareza do texto quando diz (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99): “..., podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;”. Acrescente se, por oportuno, que o meio de pagamento ‘dinheiro vivo’ dispõe de força legal denominada ‘curso forçado’, ao contrário do ‘cheque’, por isso a importância probante de relevância no documento que quita o pagamento, seja recibo ou nota fiscal de prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada em lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 133DF CARF MF 8 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, o que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado (Estado Novo da era Vargas, de inspiração intervencionista do Estado na economia), mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decretolei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Assim que, o art. 73 do Decreto nº 3.000/99 não encontra sustentação quando busca apoio no DecretoLei nº 5.844/1943, porque lei não é. Portanto, o juízo da autoridade lançadora não pode ser estabelecido de forma subjetiva, tampouco por critérios de proporcionalidades não definidos quanto às deduções exageradas. Tudo para o resguardo do recomendável equilíbrio da relação fiscocontribuinte e do equilíbrio do direito entre as partes na lide, a luz do ordenamento jurídico atual. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10830.722577/201461 Acórdão n.º 2001000.187 S2C0T1 Fl. 131 9 A Lei não dispõe dessa parametrização e nem define de quanto deve ser essa dedução exagerada, tampouco fixa uma percentagem entre gasto com saúde e renda do contribuinte. Qual seria a quantificação razoável dessa comparação? Além disso, incabível a desconfiança fiscal de colocar em dúvida a existência de moléstia ou da necessidade de cuidados médicos ou odontológicos do contribuinte porque o que a lei realmente exige é a comprovação do pagamento da prestação de serviço. Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre médico e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso apontado no Lançamento. É possível que uma família tenha gastos médicos de elevada monta em comparação com a renda de apenas um dos membros, principalmente quando há ocorrência de doença grave ou incurável em algum de seus membros. Exemplificase aqui na comparação com a renda de um só membro. Mas é comum na família dividir rendas e despesas. Seria razoável que uma família convencionasse que um dos membros ficasse responsável financeiramente pelas despesas de dependente ou própria, com alto custo continuado de despesas médicas, e outro membro ficasse responsável pela manutenção dos gastos gerais e/ou de alimentação, por exemplo. Isto seria perfeitamente legal, mesmo que um deles tivesse uma sobrecarga de deduções na sua DIRPF individual. O que não é razoável é alguém de fora, que não vivencia a situação fática, estipular quantitativos aleatórios limitativo do direito atribuído em lei. Esta ocorrência não é pouco comum. Certa vez perguntaram ao Dalai Lama: O que mais te surpreende na humanidade? Ele respondeu: “Os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois gastam o dinheiro para recuperar a saúde...”. Expressão também atribuída posteriormente a Jim Brown. É a constatação, alémfronteiras, de que os gastos com saúde podem ser bem elevados se comprados com os rendimentos pessoais. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, Fl. 135DF CARF MF 10 limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Cabe ressaltar que a decisão de primeiro grau não veda a possibilidade da ocorrência de pagamento dos serviços em espécie porque a moeda brasileira é de curso forçado, obrigando a todos a aceitação em dinheiro para quitação de qualquer obrigação financeira, ao contrário de outros meios de pagamento. A decisão prolatada no Acórdão da DRJ não se fundamenta na falsidade documental, mas a falta de comprovação da necessidade da prestação do serviço médico, por documentação suplementar que indique a ocorrência de moléstia, como se a Autoridade Lançadora fosse ao mesmo tempo fiscal de rendas e dos serviços de saúde. Essa exigência da Autoridade Lançadora fazse inapropriada porque a legislação não requer comprovação da enfermidade, mas sim a comprovação dos pagamentos. No que se refere a limites, o legislador os fixa quando assim o quer. Faz isso, por exemplo, no caso do imposto sobre a renda, na dedução de despesas com instrução, em que limita os gastos com despesas escolares do contribuinte e de seus dependentes, independentemente do valor total que tenha dispendido com instrução no período. No caso de despesas médicas a lei não fixa limites, portanto, desarrazoado critério definidor de quantitativo, proporcionalidade sobre a renda ou qualquer outro parâmetro que “a juízo da Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10830.722577/201461 Acórdão n.º 2001000.187 S2C0T1 Fl. 132 11 autoridade lançadora” possa entender como “deduções exageradas” (art. 73 e §1º do Decreto nº 3.000/99, herdados do DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º e 4º), porque a lei em vigor assim não determina e, “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (inciso II, art. 5º, CF). Logo, legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pela contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. Destarte, é de considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. É de se acolher como verdadeira a prova apresentada pela Contribuinte que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem legalmente e não subjetivamente. Por fim, incabível a exigência que perpassa a relação fiscocontribuinte no intento de comprovar a necessidade do atendimento médico sobre informações que dizem respeito tão somente a relação médicopaciente, em resguardo a intimidade pessoal na questão de saúde da pessoa fiscalizada, de vez que situações absolutamente diferentes e sem pertinência simultânea. No exame da documentação acostada ao processo verificase que a Recorrente apresentou a documentação comprobatória estipulada em lei para a comprovação da despesa e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.721757/2015-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 03/12/2012 a 17/01/2013
OCULTAÇÃO DO REAL INTERESSADO NAS OPERAÇÕES DE MERCADO EXTERNO.
Configura infração e presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem dos recursos empregados, autoriza aplicação da pena de perdimento de mercadorias, não localizadas, impõe conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro ou preço de venda.
Recurso Negado. Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-004.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Redatora Ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
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Configura infração e presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem dos recursos empregados, autoriza aplicação da pena de perdimento de mercadorias, não localizadas, impõe conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro ou preço de venda. Recurso Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Redatora Ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 17 57 /2 01 5- 13 Fl. 186DF CARF MF 2 Relatório Foime designado formalizar o presente voto, como Redatora Ad Hoc, conforme despacho de fls. 185 eprocesso, Acórdão nº 3302004.146, proferido na sessão de 27 de abril de 2017, nos termos do artigo 17, inciso III do Anexo II do RICARF. Na condição de Redatora ad hoc para formalização deste acórdão, passo a transcrever o relatório constante da minuta do voto do Relator Conselheiro Domingos de Sá Filho. "Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que concluiu por manter o lançamento em razão de convertimento de perda de mercadorias em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias por dano ao erário, decorrente de ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, bem como, interposição fraudulenta. Transcrevo o relatório da decisão recorrida por bem demonstrar a situação real dos autos: “Trata o presente processo do Auto de Infração, de fls. 3/4, por meio do qual é feita a exigência de R$ 660.492,05, relativa à multa de que trata o art. 23, §3º do DecretoLei nº 1.455, de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 2002, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, suscetíveis da aplicação da pena de perdimento, por já terem sido consumidas/revendidas ou não localizadas. Relata a auditoria, às fls. 10/35, que restou comprovada a ocultação da real adquirente das mercadorias objeto das Declarações de Importação (DI) nº 1222641307, 1223550682 e 1301170323 a empresa ARAGON PERFURAÇÕES E SONDAGENS LTDA., CNPJ 09.629.907/000199 , amoldando se à infração tipificada no artigo 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455/1976. Informa que as mercadorias contempladas na Nota Fiscal de entrada nº 532, emitida pela Aliança em 05/12/2012, são exatamente as mesmas constantes da DI nº 12/22641307, sendo que, nesta mesma data, foi dada a saída das mercadorias consubstanciada na NF de venda nº 535, para a empresa ARAGON. Já para as DI nº 1223550682 e nº 1301170323, ocorreu situação muito semelhante envolvendo as NF nº 552 e 582, sendo que a venda das mercadorias foi formalizada em data imediatamente posterior àquela da nota fiscal de entrada. Além disto, foram constatados adiantamentos para o custeio destas importações, conforme tabela demonstrada, cujas transferências ocorreram em datas anteriores aos registros das DI, à exceção do valor R$ 71.314,84, ocorrido em fevereiro de 2013. Assim, concluiu a fiscalização que as mercadorias, desde antes de suas importações, já se destinavam à real adquirente ARAGON, porém, não foram seguidos os passos e as condições Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11128.721757/201513 Acórdão n.º 3302004.146 S3C3T2 Fl. 186 3 que devem ser observadas para tais operações, por meio da Instrução Normativa RFB nº 225, de 18 de outubro de 2002, e que o seu descumprimento traz prejuízo ao controle aduaneiro. Observou, ainda, que, embora existisse fundamento jurídico para a aplicação da pena de perdimento das mercadorias objeto das DI relacionadas, estas já foram revendidas/consumidas pelo real adquirente como se viu da resposta à intimação. Cientificadas do lançamento (fls. 57, 63/68, 110 e 114), a empresa ARAGON não apresentou defesa, tendo sido lavrado o Termo de Revelia (fls. 115/116),enquanto a empresa ALIANÇA apresentou impugnação (fls. 72/91), na qual, em síntese: Alega que o entendimento do auditor fiscal encontrase equivocado, pois, somandose os valores dos adiantamentos, não é possível chegar ao real valor descrito nas notas fiscais; que não houve ocultação do sujeito passivo; e que por falta de motivo o auto de infração deve ser anulado. Aduz que não houve ocultação do sujeito passivo, pois o auditor fiscal sabia para quem fora vendida a mercadoria, intimando a suposta empresa ocultada para prestar informações, e que falta clareza na descrição dos fatos, não atendendo a todos os requisitos de validade. Argumenta que deve ser declarada a nulidade do auto de infração, por não haver a perfeita subsunção do fato concreto à hipótese prevista legalmente, e pela imprecisão dos elementos probatórios. Alega incompetência do agente, pois a equipe que formaliza os autos de infração nas importações onde existam indícios de fraude em matéria aduaneira é da Eqpea e não da Eqaufi, que foi responsável pelo lançamento. Aduz que houve a prática de atos com excesso de poderes com relação ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), pois não lhe foram atribuídos poderes para solicitar extratos bancários das contas correntes, ferindo princípios constitucionais. No mérito, reafirma que o auditor fiscal sabe para quem foi vendida a mercadoria, não havendo que se falar em ocultação do sujeito. Informa que realizou as importações por encomenda e não por conta e ordem, e que, em momento algum, foram juntadas provas cabais das alegações do fisco. Defende que, ainda que mantido o entendimento da ocultação do real adquirente em importação por conta e ordem, a pena aplicável seria tão somente a disposta no art. 711, III, da Lei nº 6.759/2009, ou seja, 1% do valor aduaneiro, conforme art. 712, 736, I, e 737, da mesma lei, pois, havendo o pagamento dos tributos a multa há de ser relevada. Requer seja declarada a nulidade do presente auto de infração, pelos motivos expostos, ou que seja desconstituído o lançamento, ou, que seja reduzido o valor da multa para 1%, pelo erro de preenchimento da DI, abstendose dos procedimentos de Fl. 188DF CARF MF 4 cobrança pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Requer a produção de provas, inclusive sustentação oral.” Sobreveio o Recurso Voluntário, tempestivo, apresentado pela empresa Aliança Comercial Importadora e Exportadora Ltda. A solidária ARAGON PERFURAÇÕES E SONDAGENS LTDA não impugnou o lançamento. Mantém os mesmos argumentos da fase inicial, bem como, preliminar de Ausência de Motivo do Lançamento, por entender que faltou o motivo que conduziram o agente público a elaboração do ato administrativo, constaria que a situação fática e jurídica que levou a lavratura do auto de infração não teria ocorrido, segundo o seu raciocínio, não existiu ocultação do real adquirente para realização de operações de comércio exterior. Sustenta também incompetência do agente, alegando, no caso de fraude em matéria aduaneira é da “Eqcol” e não da “Equafi”, quem lavrou o auto em discussão, menciona o artigo 59 do Decreto 70.235/72. Alega, ainda, pratica excedente ao MPF e indeferimento de PRODUÇÃO DE PROVA. Sustenta duplicidade em relação à penalidade aplicada e não caracterização da pena de perdimento. É o relatório." Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Redatora Ad Hoc. Na condição de Redatora Ad Hoc para formalização deste acórdão, passo a transcrever as razões do julgado, constantes da minuta do voto do Conselheiro Domingos de Sá Filho. "Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A matéria devolvida ao exame se refere à ocultação de real adquirente, consequentemente, conversão em pena de perdimento das mercadorias, não localizadas, aplicação de penalidade. Há preliminares, antes de se dirigir ao ponto nodal da situação controvertida, impõese examinar questões atinentes admissibilidade do recurso, que propiciam acesso ao pedido propriamente dito. 1. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11128.721757/201513 Acórdão n.º 3302004.146 S3C3T2 Fl. 187 5 A preliminar não merece prosperar, a sustentação por si só confunde com o mérito, pois se trata de situação fática e jurídica, se existiu ou não ocultação do real adquirente nas operações realizadas de comércio exterior e é o objeto principal do processo. Ademais, o fato do auditor entender tratarse de situação que configure a ocultação, revela o convencimento da autoridade para proceder ao lançamento, por essa razão não se vislumbra existência de elementos capaz de macular o lançamento. Sendo assim, o assunto será examinado quando da apreciação do mérito. 2. COMPETÊNCIA DO AGENTE A competência do auditor da Receita Federal para proceder à auditoria e lançamento decorre de força de lei desde que inerentes à função, por isso o acerto da decisão recorrida. A parda alegação de que a matéria aduaneira é da “Eqcol” e não da “Equafi”, não se sustenta, basta exame da legislação, dispõe o art. 9º do Decreto 70.235/72 e o art. 9º da Lei nº 11.457, de 2007, in verbis: Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Lei nº 11.457, de 2007 Art. 9º A Lei no 10.593, de 6 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições. b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, Fl. 190DF CARF MF 6 restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais. c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados. d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal.” (...) Sendo assim, não merece prosperar, rejeito. 3. VÍCIO NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF disciplina a execução do procedimento fiscal relativo aos tributos e contribuições sociais administrados pela Receita Federal, sendo assim, se revela instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, em síntese, a meu ver, é meramente autorização para que o agente se apresente ao Contribuinte. A ausência desse documento abre a porta para o contribuinte recusar ao atendimento das solicitações efetivadas, entretanto, quaisquer omissão não macula o lançamento. Portanto, não vislumbro qualquer macula capaz de dar azo nulidade. 4. PRODUÇÃO DE PROVA. INDEFERIMENTO A produção de prova é direito constitucional. Os códigos de rito disciplinam os momentos oportunos as quais devem ser exibidas, com exceções daquelas que podem ser objeto ao longo do curso do procedimento, e não há dúvida de que o impedimento configura o cerceamento de defesa. No caso dos autos a irresignação está vinculada ao pedido de produção posterior de provas sustentado na fase de impugnação como se extraí da narração da peça recursal. Como restou bem contornado a questão pelo julgador de piso, a produção de prova deve ocorrer no momento da impugnação, cabe a parte provar as alegações por meio idôneos, juntar os documentos pertinentes ao assunto debatido, requerer outras, perícia desde que justificável, ficando a cargo da autoridade julgar se é conexas deferir ou não. Mesmo em nome da verdade material, deve o interessado fazer prova mínima do alegado, o complemento para momento diferente encontra disciplinado no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, se demonstrado cabe o Julgador deferir, não é o caso dos autos, pois não há qualquer justificativa capaz de convencer o deferimento para outro momento. Sendo deve ser afastada alegação de cerceamento de defesa. NO MÉRITO Inicialmente cabe verificar se ocorreu de fato ocultação do real adquirente das mercadorias nas operações de comércio exterior analisadas neste processo. E nesse aspecto Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11128.721757/201513 Acórdão n.º 3302004.146 S3C3T2 Fl. 188 7 os elementos probatórios na autuação encontram fincados em adiantamentos de recursos financeiros pela empresa ARAGON PERFURAÇÕES E SONDAGENS LTDA. Há demonstração de que houve adiantamento de recursos financeiros relativas às mercadorias importadas pela DI nº 12/22641307, consignadas na nota fiscal de entrada nº 532, sendo as mesmas contidas na nf. Nº 535, esse mesmo fato se repete com DI nº 1223550682 e nº 1301170323. Tomando as datas de importação e os registros da transferência de recursos, constatase antecipação. Essa conduta configura ilícito, pois oculta o real adquirente das mercadorias dos controles aduaneiro, pouco importa se a fiscalização sabe o destinatário da mercadoria, não há como converter situação concreta ilícita diante da lei em operação prevista como sendo importação por “conta e ordem”, importação por encomenda. Simulouse importação direta, no entanto, todas as mercadorias tinham destino certo, ajuste considerado contrário à norma disciplinadora o bastante para considerar infração de ocultação do sujeito passivo. No caso concreto, os adiantamentos são prova contundentes da ocultação real de que trata de adquirente por conta e ordem, restando provado pela fiscalização. Contra essas acusações a defesa contentouse em sustentar a inexistência de ocultação de real interessado, a ocultação está exatamente no fato não ter sido declarado nos documentos de importação que a empresa ARAGON era a interessada. Apurado o fato pela fiscalização, a alegação de que trata de mero erro de fato quanto ao preenchimento dos documentos e no SISCOMEX, tornase inócua, pois não há como aceitar de que tratava de importações por conta e ordem e não por encomenda. Em outros casos a fiscalização tomou como elementos de convicção a incapacidade financeira dos sócios, bem como, da Aliança, no caso concreto demonstra por meio de fluxo de remessa de recursos financeiros da empresa ARAGON para aquela. No tocante ao pedido alternativo no caso de manter o lançamento, que fosse aplicado à multa de 1% (um por cento) em razão do pagamento integral dos tributos, por erro de preenchimento no sistema SISCOMEX, cabe examinar se há possibilidade da substituição da penalidade. A conduta atribuída pela infração encontrase capitulada no art. 23 do Decretolei nº 1.455, 1976, que impõe o perdimento das mercadorias. A acusação de interposição fraudulenta na operação de comércio exterior decorrente da não comprovação da origem dos recursos financeiros empregados na operação, prevê multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. No caso dos autos não se vislumbra possibilidade de substituição, sendo assim, impossibilita acudir o apelo. Diante do exposto, conheço dos recursos voluntários e nego provimento. É como voto." Fl. 192DF CARF MF 8 Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Redatora Ad Hoc Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16539.720014/2014-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
REMUNERAÇÃO À CONTROLADORA INDIRETA NO EXTERIOR PELO LICENCIAMENTO DE DIREITOS SOBRE PROGRAMAS DE COMPUTADOR. INDEDUTIBILIDADE.
As remunerações pagas pela controlada à sua controladora no exterior, pelo licenciamento de direitos sobre programas de computador, ainda que de forma indireta, constituem royalties e são indedutíveis para efeito do Imposto de Renda. A IBM USA não cabe dentro da figura do "autor/criador" traçada pelo direito autoral brasileiro. E os rendimentos que ela recebe, quando autoriza a IBM Brasil a licenciar e distribuir cópias de seus programas de computador, são royalties. Não foi por acaso, e nem por equívoco, que a Lei que "atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais" no Brasil, a Lei nº 9.610/1998, disse com todas as letras em seu art. 11, que o "autor é a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica".
PAGAMENTO DE ROYALTIES A SÓCIOS PESSOA JURÍDICA. REGRA GERAL. INDEDUTIBILIDADE.
Não são dedutíveis os royalties pagos a quaisquer sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou ainda a dirigentes de empresas e a seus parentes ou dependentes.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
PAGAMENTO DE ROYALTIES. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DISPOSIÇÃO EXPRESSA EM INSTRUÇÃO NORMATIVA.
Disposição expressa no Anexo I da IN RFB nº 1.700, de 2017, determina que as regras de indedutibilidade de royalties, previstas no art. 71, caput, alínea a, e parágrafo único, alíneas c a g, da Lei nº 4.506, de 1964, são aplicáveis apenas ao IRPJ, e não à CSLL.
Numero da decisão: 9101-003.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, (i) quanto à dedutibilidade dos royalties em relação ao IRPJ, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; (ii) quanto ao recebimento de royalties por sócio pessoa jurídica, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra e (iii) quanto à dedutibilidade dos royalties em relação à CSLL, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 REMUNERAÇÃO À CONTROLADORA INDIRETA NO EXTERIOR PELO LICENCIAMENTO DE DIREITOS SOBRE PROGRAMAS DE COMPUTADOR. INDEDUTIBILIDADE. As remunerações pagas pela controlada à sua controladora no exterior, pelo licenciamento de direitos sobre programas de computador, ainda que de forma indireta, constituem royalties e são indedutíveis para efeito do Imposto de Renda. A IBM USA não cabe dentro da figura do "autor/criador" traçada pelo direito autoral brasileiro. E os rendimentos que ela recebe, quando autoriza a IBM Brasil a licenciar e distribuir cópias de seus programas de computador, são royalties. Não foi por acaso, e nem por equívoco, que a Lei que "atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais" no Brasil, a Lei nº 9.610/1998, disse com todas as letras em seu art. 11, que o "autor é a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica". PAGAMENTO DE ROYALTIES A SÓCIOS PESSOA JURÍDICA. REGRA GERAL. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis os royalties pagos a quaisquer sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou ainda a dirigentes de empresas e a seus parentes ou dependentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 PAGAMENTO DE ROYALTIES. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DISPOSIÇÃO EXPRESSA EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. Disposição expressa no Anexo I da IN RFB nº 1.700, de 2017, determina que as regras de indedutibilidade de royalties, previstas no art. 71, caput, alínea ‘a’, e parágrafo único, alíneas ‘c’ a ‘g’, da Lei nº 4.506, de 1964, são aplicáveis apenas ao IRPJ, e não à CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 53 9. 72 00 14 /2 01 4- 19 Fl. 786DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, (i) quanto à dedutibilidade dos royalties em relação ao IRPJ, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; (ii) quanto ao recebimento de royalties por sócio pessoa jurídica, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencida a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra e (iii) quanto à dedutibilidade dos royalties em relação à CSLL, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto às seguintes matérias, conforme identificadas pela recorrente: 1 Violação ao artigo 146 do CTN Mudança de critério jurídico; 2 Não são equiparados a royalties os pagamentos a título de exploração de direito autoral efetuados ao próprio criador do bem ou da obra, inclusive pessoa jurídica, nos termos do artigo 22, alínea "d", da Lei 4.506/64; 3 O artigo 71, parágrafo único, alínea "d", da Lei n° 4.506/64 não veda a dedução dos royalties pagos a sócios pessoa jurídica ilegalidade do art. 353, inciso I, do RIR/99; e 4 Inaplicabilidade das regras de dedutibilidade de royalties ao cálculo da CSLL. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 4 3 No exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso apenas em relação às matérias constantes dos itens "2" e "3" acima indicados. Houve negativa de seguimento em relação às matérias tratadas nos itens "1" e "4", conforme o despacho exarado em 30/09/2016 pelo Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Na sequência, a contribuinte apresentou agravo contra o exame de admissibilidade, e esse agravo foi parcialmente acolhido pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que deu seguimento ao recurso também para a matéria tratada no item "4", mas confirmou a negativa de seguimento para a matéria do item "1", em caráter definitivo, conforme o despacho exarado em 28/11/2016. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1201001.462, de 09/08/2016, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário anteriormente apresentado pela contribuinte. O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. A mudança de critério jurídico vedada pelo artigo 146 do Código Tributário Nacional pressupõe a existência de dois ou mais lançamentos fundados em premissas distintas. A inexistência de lançamento anterior não gera conflito positivo e em nada ofende o dispositivo legal, sendo de rigor a autuação sempre que presentes os requisitos vinculantes do artigo 142 do mesmo diploma legal. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CSLL. REMUNERAÇÃO À CONTROLADORA INDIRETA NO EXTERIOR PELO LICENCIAMENTO DE DIREITOS SOBRE PROGRAMAS DE COMPUTADOR. INDEDUTIBILIDADE. As remunerações pagas pela controlada à sua controladora no exterior, pelo licenciamento de direitos sobre programas de computador, ainda que de forma indireta, constituem royalties e são indedutíveis para efeito do Imposto de Renda e da CSLL. PAGAMENTO DE ROYALTIES A SÓCIOS. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis os royalties pagos a quaisquer sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou ainda a dirigentes de empresas e a seus parentes ou dependentes. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Fl. 788DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 5 4 Quanto às matérias admitidas do recurso, a contribuinte desenvolve os argumentos apresentados a seguir: ANÁLISE DE MÉRITO QUANTO À NÃO EQUIPARAÇÃO A ROYALTIES DOS PAGAMENTOS A TÍTULO DE EXPLORAÇÃO DE DIREITO AUTORAL EFETUADOS AO PRÓPRIO CRIADOR DO BEM OU DA OBRA, INCLUSIVE PESSOA JURÍDICA, NOS TERMOS DO ARTIGO 22, ALÍNEA "D" DA LEI 4.506/64 por expressa disposição do artigo 22, "d", da Lei 4.506/64 não são classificados como royalties para fins fiscais os rendimentos oriundos da exploração de direitos autorais quando pagos ao próprio autor ou criador da obra que lhe gerar referidos direitos, sendo justamente o que ocorre no caso concreto em relação aos softwares licenciados pela IBM americana para a Recorrente; no acórdão recorrido, no entanto, foi entendido que os contratos firmados com a referida empresa americana possuiriam a natureza de licenciamento de uso de direito autoral, cuja remuneração seria efetuada a título de royalties; no entanto, a prevalecer o entendimento acima farseá, em última instância, letra morta do comando normativo que se extrai do artigo 22, "d" da Lei 4.506/64, cuja aplicação no caso concreto é impositiva na medida em que no próprio contrato firmado pela Recorrente estão definidos na cláusula primeira, itens 4 e 6, como direitos autorais da IBM americana os programas protegidos pela Copyright IBM em relação aos quais esta tenha ou venha a ter direitos de licenciar ou sublicenciar: 4. Direitos de Autor da IBM significam todos e quaisquer direitos autorais sobre ou referentes a obras artísticas ou literárias, incluindo Programas, desde que válidos no Brasil, para os quais a IBM tem ou poderá vir a ter direito de licenciar ou sublicenciar uma subsidiaria, 6. Programas da IBM significam programas protegidos pela inscrição de Copyright IBM, que são comercializados pela IBM ou suas Subsidiárias, e que são licenciados, autorizados ou de qualquer outra forma fornecidos para a IBM Brasil através deste Contrato. nesse contexto, é irretocável a conclusão de Marco Aurélio Greco no sentido de que "os pagamentos feitos a título de licenciamento e distribuição de software ao seu autor (pessoa física ou jurídica, domiciliada no Exterior) estão enquadrados na ressalva ao conceito de royalty prevista na parte final da alínea 'd' do artigo 22 da Lei n. 4.506/64"; neste contexto, a Recorrente pede vênia ainda para citar outro decisório da 8a Câmara do antigo 1o Conselho de Contribuintes (Acórdão n° 10801.502) no qual foi também entendido que em situações em que o pagamento do direito autoral for percebido pelo próprio autor ou criador da obra não estará configurada situação de royalty, nos precisos moldes estabelecidos pelo artigo 22, alínea "d", da Lei 4506/64; nem se alegue, tal como consta também do v. acórdão recorrido, que a regra da alínea 'd' do artigo 22 da Lei n. 4.506/64 não se aplicaria ao caso concreto porque, por uma particular interpretação das Leis 9.609/98 e 9.610/98 que tratam de direitos autorais no Brasil a IBM americana, na condição de pessoa jurídica, poderia ser "titular de direitos patrimoniais, Fl. 789DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 6 5 mas nunca considerada como criadora da obra intelectual." É o que consta no r. acórdão: [...]; com a vênia devida, a interpretação dada pelo v. acórdão recorrido às referidas leis não poderia se mostrar mais equivocada e, ao mesmo passo, tão distante da realidade que hoje se verifica na indústria de programas de computador; com efeito, a Recorrente já demonstrou que a Lei n° 9.610/98, que alterou, atualizou e consolidou a legislação sobre direitos autorais, incluiu expressamente dentre as obras intelectuais protegidas os programas de computador (softwares) (art. 7o, inciso XII); ao seu turno, ao regular a proteção da propriedade intelectual de programa de computador, a Lei n° 9.609, de 19/02/1998, expressamente estendeu aos programas de computador "o regime de proteção à propriedade intelectual (...) conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País (...)", afastando qualquer dúvida acerca da aplicação da Lei n° 9.610/98 aos softwares; nesse contexto, ao contrário do que entendido no v. acórdão recorrido, deve ser compreendido o artigo 11 da referida Lei n° 9.610/98 que define como "autor" "a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica", estendendo expressamente a proteção que lhe é concedida às pessoas jurídicas (parágrafo único); além disso, a interpretação sistemática das Leis n° 9.609/98 e 9.610/98 revela que, ao tratarem do autor, não fizeram qualquer restrição ou ressalva sobre a possibilidade dele ser uma pessoa jurídica, bem como que a distinção apresentada no acórdão recorrido acerca dos conceitos de "autor" e "titular de direitos autorais" é nada mais do que, com a vênia devida, uma descabida elucubração do ilustre relator do acórdão recorrido; isto porque, não há dúvidas de que o artigo 3°, § 1o, inciso I, da Lei n° 9.609/98 reconhece expressamente que o autor do programa de computador pode ser uma pessoa jurídica, e não apenas detentor de direitos autorais, quando determina que o pedido de registro deve conter "os dados referentes ao autor do programa de computador e ao titular, se distinto do autor, sejam pessoas físicas ou jurídicas " (destaques da Recorrente); reforça esse entendimento o conceito de "obra coletiva", inserto no art. 5º da Lei n° 9.610/98, o qual compreende aquela "criada por iniciativa, organização e responsabilidade de uma pessoa física ou jurídica, que a publica sob seu nome ou marca e que é constituída pela participação de diferentes autores, cujas contribuições se fundem numa criação autônoma"; neste contexto, ressaltando que na atualidade a criação e o comércio dos mais avançados programas de computador estão associados a nomes de multinacionais que conquistaram o mercado e não à desconhecida figura de qualquer pessoa física, de grande contribuição é a parte do texto abaixo transcrita, de autoria de José de Oliveira Ascenção, professor catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa: "Reforçase consideravelmente a posição da empresa, o que é uma constante do regime criado para os programas de computador em todo o mundo. Na realidade, na produção de programas de computador a posição das grandes empresas é fundamental. Basta pensar que ninguém conhece um programa Fl. 790DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 7 6 por ser do Sr. X, mas por ser da Apple, ou Microsoft. " (Direito Autoral. 2a Ed. Rio de Janeiro Ed. Renovar, 1997) os dizeres de Marco Aurélio Greco, em seu parecer já citado (doc. 01), são precisos neste sentido: "(...) Em suma, no mundo moderno, especialmente em softwares de grande porte ou alta complexidade, sua elaboração exige pessoas que se encontram nas mais diversas partes da Terra e que todas trabalhem em plena sintonia de objetivos, tempo, desempenho e resultado. Isto supõe uma organização empresarial que os reúna e dê sentido às suas atividades pontuais, a partir da concepção global do software envolvido. Os desafios nesse campo são muitos e exigem coordenação, sistemas de comunicação, sintonia entre equipes e pessoas no plano profissional, pessoal e cultural etc. Tudo isto faz com que o efetivo autor da obra final (o software em si) seja a pessoa jurídica que assumiu estas atividades globais e coordenou sua elaboração, forneceu as informações necessárias e os equipamentos para tanto, além de prover sistemas eficientes de comunicação e coordenação, bem como teve a habilidade de superar os impasses e desafios que daí surgiram. A capacidade de coordenação, concepção, sintonia e orientação dos diversos participantes no mundo todo são inegavelmente uma expressão de exercício de capacidade criadora da obra final que é desempenhada pela pessoa jurídica como um todo, posto não poder ser atribuída exclusiva e especificamente a nenhuma pessoa física isoladamente considerada. E a existência do organismo empresarial que faz com que a obra seja criada. Em suma, autor do software não é uma pessoa física isolada, nem a mera somatória de pessoas físicas. Autora do software é a pessoa jurídica que com sua capacidade empresarial de organização, coordenação, disponibilização de sistemas etc concebeu e fez com que surgisse o produto final: o software pronto. (...)" de se notar ainda que no v. acórdão recorrido verificase a alusão ao acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do RESP n° 1.322.325/DF como suposto paradigma jurisprudencial que teria encerrado a conclusão de que, ainda que desenvolvida sob o vínculo laboral, ou dever funcional, a autoria de determinada obra ou criação deveria necessariamente recair sobre a respectiva pessoa física; no entanto, grande parte dos trechos daquele acórdão do Superior Tribunal de Justiça transcritos pelo relator do v. acórdão recorrido são artigos doutrinários de Plínio Cabral e Carlos Bittar, incluídos no decisório com a clara intenção de enriquecêlo com Fl. 791DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 8 7 elementos para se delimitar em tese a questão da autoria, inclusive em uma relação de emprego; a leitura da íntegra do voto do relator daquele acórdão exarado nos autos do RESP n° 1.322.325/DF, contudo, revela que nele não restou decidido que a pessoa física lá Recorrente teria sido reconhecida de fato como a criadora da obra cuja autoria estava reclamando na medida em que, diferentemente do que se extrai da aludida doutrina de Plínio Cabral e Carlos Bittar, faltoulhe o requisito da criatividade; de fato, nenhuma pessoa física poderá ser considerada criadora de determinada obra se a tiver produzido nos estritos parâmetros previamente estabelecidos pelo seu empregador, e com dados também fornecidos por este; é justamente o que ocorre no caso concreto já que, na realidade das empresas que atuam na produção de programas de computador, diversas pessoas físicas podem ser contratadas para desenvolver um único software por competências que lhes são próprias, mas sempre agirão circunscritas a dados e parâmetros préestabelecidos pelo empregador e, sobretudo, dentro da estrutura por ele fornecida, sem a qual os softwares não seriam jamais produzidos; neste sentido o Ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça, ao proferir seu voto nos autos do RESP 118962/RJ bem elucidou que "o direito autoral protege a criação de uma obra, caracterizada como sua exteriorização sob determinada forma, não a idéia em si e nem um tema determinado"; é dizer, na esfera de direito autoral atinente a programas de computador, o objeto de proteção caracterizado como sua exteriorização se revela na forma do software desenvolvido sob os comandos da pessoa jurídica empregadora, que como tal será comercializado no mercado, e não a idéia, ou as idéias eventualmente advindas de pessoas físicas contratadas para o seu desenvolvimento; como se vê, portanto, ao contrário do que pretendeu fazer crer o relator do v. acórdão recorrido, no acórdão proferido no RESP n° 1.322.325/DF não foi concluído que a autoria de obras das mais variadas espécies necessariamente seria sempre atribuída a uma pessoa física, ainda que no exercício de um vínculo empregatício, mas sim que a pessoa física lá em questão não poderia ser considerada autora porque lhe faltou o requisito da criatividade, demonstrando, em última análise, que a pretensa regra comporta exceções, tal como aquelas que ocorrem no desenvolvimento e criação de programas de computador; e tanto é assim que outros julgados do Superior Tribunal de Justiça expressamente reconhecem que, em ações de pirataria, empresas como Microsoft são reconhecidas como autoras dos softwares pirateados e por isto devem ser indenizadas. Os trechos abaixo transcritos, extraídos do REsp 768783, bem comprovam esta situação: [...]; ademais, como bem observa Marco Aurélio Greco, "(...) ainda que, apenas para argumentar, a pessoa jurídica não pudesse ser a autora do software, ainda assim ela, quando menos, seria sua criadora o que também colocaria o caso debaixo da ressalva contida na alínea 'd' do artigo 22 da Lei n. 4.506/64 que se refere a pagamentos feitos 'ao autor ou criador do bem ou obra'"; Fl. 792DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 9 8 e nem se alegue ainda, como também constou do acórdão recorrido, que ainda que se admitisse que os softwares em questão pudessem ter a sua autoria creditada a uma pessoa jurídica (IBM americana), "em nenhum momento se faz prova da autoria dos respectivos códigos e expressões ", e prossegue o relator para afirmar que como "o ônus da prova caberia ao interessado, percebese que a Recorrente não logrou êxito em demonstrar tal circunstância, essencial para a sua pretensão, ao menos nos próprios termos por ela defendidos"; ocorre que a natureza das despesas com licenciamento de uso de programa de computador criado pela International Business Machines Corporation não foi objeto de questionamento pela fiscalização, nem pela DRJ. De fato, como visto acima os pagamentos realizados e objeto de glosa pela fiscalização foram feitos com base em contratos celebrados pela IBM americana nos seguintes termos: "Cláusula Segunda 1. A IBM, pelo prazo deste Contrato garante à IBM Brasil sob os Direitos de Autor da IBM uma licença não exclusiva e os direitos de: a) licenciar e distribuir cópias de Programas da IBM para uso de seus Clientes. (...) " nesse contexto, não tendo esta questão jamais sido questionada pela fiscalização, os fatos "sub judice" reputamse incontroversos, sendo descabidas as ponderações acima sustentadas pelo ilustre relator do acórdão recorrido; aliás, ao contrário do que afirmado no acórdão recorrido, a teor do que estabelece o artigo 373 inciso I do Novo Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo, o ônus da prova incumbe sempre ao autor do feito, no caso concreto, ao fisco, e eventual "inversão" de tal ônus somente seria possível nas situações previstas em lei; evidenciase, portanto, ao contrário do que entendido pelo v. acórdão recorrido, que nos termos do artigo 22, "d", da Lei 4.506/64, não há que se falar em royalties no caso concreto na medida em que a empresa International Business Machines Corporation é a autora, ou quando menos criadora, do software que licencia para a Recorrente no Brasil, de modo que as despesas incorridas se subsumem à regra do artigo 299 do RIR/99, sendo dedutíveis, pois, por representarem gastos necessários e normais à sua atividade conforme se infere de seu objeto social (doc. 01 da impugnação), verbis: ''Artigo 2o A Sociedade tem por objeto a pesquisa e o desenvolvimento, a indústria, o comércio e os serviços em geral, inclusive importação e importação; a prestação de serviços de informática, tais como o processamento de dados em geral e outros de natureza correlata; a produção, a comercialização e manutenção de programas de computador; a consultoria na área de informática e a prestação de serviços de integração, instalação e assistência técnica de equipamentos e sistemas de informática; o ensino e treinamento de recursos humanos em serviços de informática; bem Fl. 793DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 10 9 como todas as atividades comerciais e de representação comercial necessárias para o cumprimento de seu objeto social. " ANÁLISE DE MÉRITO ACERCA DO FATO DE QUE O ART. 71, PARÁGRAFO ÚNICO, ALÍNEA "D", DA LEI N° 4.506/64 NÃO VEDA A DEDUÇÃO DOS ROYALTIES PAGOS A SÓCIOS PESSOA JURÍDICA ILEGALIDADE DO ART. 353, INCISO I, DO RIR/99 de fato, mesmo que se entenda que os valores pagos pela Recorrente à International Business Machines Corporation são royalties, o que se admite apenas para argumentar, a norma inserta no art. 71, parágrafo único, alínea "d", da Lei n° 4.506/64 não veda a dedução de royalties pagos a sócios pessoas jurídicas. Confirase: "Art. 71. A dedução de despesas com aluguéis ou royalties' para efeito de apuração de rendimento líquido ou do lucro real sujeito ao imposto de renda, será admitida: (...) Parágrafo único. Não são dedutíveis: (. . . ) d) os 'royalties' pagos a sócios ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; e) os 'royalties' pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, quando: 1) Pagos pela filial no Brasil de empresa com sede no exterior, em beneficio da sua matriz; 2) Pagos pela sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto; (...) " a análise atenta da alínea "d" do parágrafo único do art. 71 da Lei nº 4.506/64 revela que esse dispositivo legal se dirige apenas às pessoas físicas, já que de outro modo ficaria completamente sem sentido a menção feita a "parentes ou dependentes", que se refere indistintamente aos sócios e dirigentes de empresas; sob o pretexto de regulamentar esse dispositivo legal, contudo, o inciso I do art. 353 do RIR/99 introduziu após a palavra "sócios" o aposto "pessoas físicas ou jurídicas", que não consta da norma legal, tampouco constava dos Regulamentos anteriores ao de 1994, nada obstante aquela norma seja de 1964. Confirase: "Art. 353. Não são dedutíveis (Lei n° 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): I os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; (...) " Fl. 794DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 11 10 parece claro que o atual Regulamento do Imposto de Renda, ao pretender impedir a dedução dos royalties pagos aos sócios pessoas jurídicas extrapolou o conteúdo do art. 71, parágrafo único, alínea "d", da Lei nº 4.506/64 o que, dada a sua inferior hierarquia e função instrumental, não poderia fazer, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade; no entanto, sobre o tema foi entendido no v. acórdão recorrido que o artigo 71, parágrafo único, alínea "d", da Lei n° 4.506/64, ao mencionar o termo "sócios", estaria se referindo a qualquer tipo de participação na sociedade, não restrita a pessoas físicas. Confira se: [...]; contudo, data máxima vênia, a interpretação do artigo 71, parágrafo único, alínea "d", da Lei n° 4.506/64 feita pelo i. relator do v. acórdão recorrido é manifestamente equivocada, pois desconsidera a integralidade do texto legal, bem como conduz a resultado absurdo, visto que a prevalecer tal interpretação terseia que admitir que nas hipóteses do artigo 50 da Lei nº 8.383/91, que permite a dedução dos royalties pagos à controladora estrangeira sob certas condições, os mesmos royalties seriam indedutíveis quando pagos à controladora brasileira; com o advento desse dispositivo legal, os royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio em benefício de pessoa jurídica situada no exterior que detenha participação societária, direta ou indireta, na pessoa jurídica brasileira (Lei n° 4.506/64, art. 71, parágrafo único, alínea "e", item 2) passaram a ser dedutíveis do lucro real sob certas condições; sendo assim, se a alínea "d" do parágrafo único do art. 71 da Lei n° 4.506/64 alcançasse os pagamentos feitos a sócios pessoas físicas ou pessoas jurídicas, chegaríamos à conclusão absurda de que os royalties pagos a sócios estrangeiros podem ser deduzidos, ao passo que esses mesmos royalties seriam indedutíveis se pagos à sócia pessoa jurídica brasileira; não faz sentido algum supor que o legislador ordinário pretendeu conferir tratamento mais benéfico aos pagamentos de royalties efetuados por empresas brasileiras a seus sócios no exterior do que àqueles feitos por aquelas mesmas empresas a sócios brasileiros; assim, parece claro que a intenção do legislador ordinário foi tornar indedutíveis apenas as despesas com royalties pagos a sócios pessoas físicas, já que de outro modo, além de ficar totalmente sem sentido a referência feita a "parentes ou dependentes", teríamos que admitir a existência de discriminação legal em detrimento de pagamentos de royalties feitos à sócia brasileira; nesse contexto, a única interpretação possível do art. 71 da Lei nº 4.506/64, que estabelece quais são as despesas que não podem ser deduzidas do lucro real, elencando dentre elas os royalties pagos exclusivamente a sócios pessoas físicas (alínea "d"), é no sentido de que a lei pretende claramente evitar que tais pessoas fossem indevidamente beneficiadas com o recebimento de tais valores que, em tese, poderia caracterizar distribuição disfarçada de lucro; ademais, não fosse esta a finalidade da alínea "d" do parágrafo único do art. 71, e considerando que esses dispositivo legal veda a dedução de todo e qualquer royalty quando pago a sócios, ficariam totalmente sem sentido as previsões da alínea "e", que elenca as hipóteses específicas de indedutibilidade no caso de pagamentos a pessoas jurídicas; Fl. 795DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 12 11 mais ainda, parece óbvio que se tal alínea "d" estivesse se dirigindo também a sócios pessoas jurídicas teria o legislador feito menção expressa, trazendo termos que lhe são próprios, como, por exemplo, matriz, filial, estabelecimento, controladora, controlada, etc, utilizandose técnica redacional semelhante à que se verifica na alínea "e"; os fundamentos acima expostos foram bem apreendidos por Marco Aurélio Greco, conforme se verifica pela análise dos seguintes excertos de seu parecer (doc. 01): [...]; salientese que o acórdão 9101001.908 da Câmara Superior citado no acórdão recorrido não analisou essa questão, na medida em que se limitou a repetir a expressão constante no art. 353, inciso I, do RIR/99, sem tecer qualquer comentário acerca do conflito existente entre esse dispositivo regulamentar e a alínea "d" do parágrafo único do art. 71 da Lei n" 4.506/64; por outro lado, não passou despercebido àquele precedente a contradição que resultaria de se entender incluídas as pessoas jurídicas no inciso I do artigo 353 do RIR/99, face ao disposto no inciso III daquela mesma norma regulamentar. A "solução" dada naquele julgado a esta contradição, contudo, com a máxima vênia, contraria todas as regras conhecidas de hermenêuticas, e não enfrenta a questão da contradição em face do artigo 50 da Lei n° 8.383/91 acima referida; por isso, "data venia", não é possível afirmar, como consta do acórdão recorrido, que "Inexiste, portanto, qualquer ilegalidade ou vicio na norma veiculada pelo artigo 353 do RIR/99, quando cotejado com as disposições do artigo 71, da lei n. 4.506/64.", ainda mais quando se tem em mente que a mesma Câmara Superior de Recursos Fiscais, no já citado e parcialmente transcrito acórdão n° CSRF/0104.629, enfrentou frontalmente a matéria "sub judice" e decidiu que a vedação do artigo 71, parágrafo único, alínea "d", da Lei 4.506/64 não atinge os pagamentos efetuados a título de royalties a sócio pessoa jurídica; de se notar ainda que a jurisprudência de nossos tribunais judiciais não destoa de tal entendimento, sendo o que já decidiu a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça ao entender que se referia apenas a pessoas físicas o artigo 251, alínea "g" do RIR/66 ao tratar como norma de distribuição disfarçada de lucros os empréstimos concedidos a acionista, sócio, dirigente ou participante nos lucros de pessoa jurídica ou aos respectivos parentes ou dependentes por preço menor que o de mercado, verbis: [...] (Recurso Especial nº 384.309 RS 2001/01559320 DJ 27/03/06); pelo exposto, não há dúvidas de que na remota hipótese de se considerar royalties as despesas pagas pela Recorrente em razão do contrato firmado com a IBM americana, de todo modo é inquestionável que a vedação trazida pelo artigo 71, parágrafo único, alínea "d" da Lei 4.506/64 não se aplica a pagamentos efetuados a sócios pessoas jurídicas, sendo impositivo também neste tocante a reforma do r. acórdão recorrido; DEMONSTRAÇÃO DE MÉRITO DA INAPLICABILIDADE DAS REGRAS DE DEDUTIBILIDADE DE ROYALTIES AO CÁLCULO DA CSLL de fato, admitindose novamente apenas para argumentar, que as despesas pagas pela Recorrente à IBM em razão do contrato de licenciamento de software teriam a natureza jurídica de royalties, de todo modo as regras de dedutibilidade estabelecidas em relação ao cálculo do IRPJ não se aplicam à CSLL; Fl. 796DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 13 12 com efeito, no lançamento relativo à CSLL o fisco tomou como base a despesa considerada como indedutível pela legislação do IRPJ, que no entanto não repercute no cálculo da CSLL conforme a legislação em vigor; de fato, a base de cálculo da CSLL está prevista no artigo 2° da Lei 7.689/88, verbis: [...]; como se vê, a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido parte do resultado do exercício apurado de acordo com os princípios da legislação comercial, e a ela não se aplicam as regras de despesas consideradas indedutíveis para fins de apuração do imposto de renda, ou seja, de despesas efetivas que, por determinação legal, devam ser adicionadas na apuração do lucro real, salvo previsão expressa nesse sentido; como já mencionado, no entanto, o i. relator do acórdão recorrido entendeu que a dedução de despesas com royalties seria aplicável também na apuração da base de cálculo da CSLL, e na tentativa de embasar tal entendimento, dentre outros argumentos, foram transcritos os artigos 57, §3° e 4o, e 58 da Lei 8.981/95, bem como o artigo 28 da Lei 9.430/96, cujas redações suportariam a sua conclusão. Confirase: [...]; as demais afirmações trazidas sobre esta questão no v. acórdão recorrido enveredaram para situações em que determinados efeitos atinentes ao cálculo do IRPJ são estendidos, por expressa previsão legal, dada "a quase identidade entre os tributos", para o cálculo da CSLL, e para tanto invocouse como exemplo a extensão dos efeitos dos tratados internacionais para evitar a bitributação àquela contribuição; neste sentido, afirma o ilustre relator que "sempre defendi a aplicabilidade das regras para evitar a bitributação também para a contribuição, posição igual à de autores de escol e que, recentemente, foi finalmente expressa pelo legislador, nos termos do artigo 11, da Lei n. 13.202/2015"; tais afirmações, ao final, levaram o relator a concluir que "Em nome da coerência e de postulados lógicos fundamentais, ou um objeto guarda identidade com outro ou não guarda. Não existe espaço para manobras ou variações ao sabor do intérprete, vale dizer, a CSLL não pode ser suficientemente parecida com o IRPJ para que se aplique as regras dos tratados e, ao mesmo tempo, suficientemente diferente para que as regras de dedutibilidade sejam distintas"; no entanto, nenhuma das afirmações acima tem o condão de infirmar a realidade de que não há no ordenamento tributário nenhuma norma positivada pelo legislador que tenha vedado a dedução de despesas com royalties da base de cálculo da CSLL, tal como o fez em relação à apuração do lucro real; sendo assim, obviamente jamais se poderia admitir que por simples questão de "coerência" fosse extensível à apuração da CSLL uma disposição que, pela vontade do legislador, atinge somente o IRPJ, razão pela qual, também neste tocante, deve ser inteiramente reformado o v. acórdão recorrido; de fato, ao contrário do que entendido, especificamente a este respeito existem já diversos precedentes do antigo Conselho de Contribuintes e também do CARF que expressamente reconhecem que não se aplica à CSLL a indedutibilidade de despesas com royalties por falta de previsão legal. Confirase: [...]; Fl. 797DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 14 13 aliás, são diversas as decisões no sentido de que os artigos 57 da Lei 8.981/95 e 28 da Lei 9.430/96 não justificam a aplicação à CSLL de adições previstas especificamente quanto ao IRPJ, "verbis": [...]; analisando especificamente o invocado artigo 57 da Lei 8.981, entendeu a 1a Turma Ordinária da 2a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes que as regras deste dispositivo atinentes ao cálculo do IRPJ não se aplicam por analogia à CSLL uma vez que ele é expresso no sentido que se deve observar a legislação específica desta contribuição para se apurar a sua base de cálculo. Confirase: [...]; com efeito, aplicar à CSLL as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o IRPJ não significa aplicar as mesmas normas relativas à determinação da base de cálculo (deduções, exclusões e adições); na realidade, é fato notório que quando pretende o legislador que uma regra produza efeitos tanto na base de cálculo do IRPJ como da CSLL, assim o determina expressamente, como aliás se verifica na própria Lei n° 8.981/95, que para limitar a compensação de prejuízos em 30% do lucro líquido ajustado dispôs a esse respeito em dois artigos distintos (art. 42 para o IRPJ e art. 58 para a CSLL), prova exatamente o contrário do que sustenta o ilustre relator do v. acórdão recorrido, pois obviamente seria desnecessária tal previsão se o artigo 57 tivesse a extensão pretendida; no mesmo sentido, quando se pretendeu estender para a CSLL as normas de tributação da renda em bases universais vigentes para o IRPJ desde a Lei n° 9.249/95, foi necessário que o artigo 21 da Medida Provisória n° 2.15835/01 assim expressamente previsse; mais uma vez, quando se pretendeu estender para a CSLL as vedações à compensação de prejuízos previstas para o IRPJ pelos artigos 32 e 33 do Decretolei n° 2.341/87 (respectivamente a mudança cumulativa de controle societário e ramo de atividade e incorporação), foi igualmente necessário que o artigo 22 da Medida Provisória n° 2.15835/01 expressamente dispusesse no sentido de que "Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei no 2.341, de 29 de junho de 1987"; da mesma forma, se houvesse uma necessária identidade entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, por óbvio não faria sentido algum que o artigo 28 da Lei n° 9.430/96, também invocado pelo i. relator do acórdão recorrido, tivesse assim disposto, "verbis": [...]; por fim, conclusão idêntica se aplica à Lei n° 12.973/14, que consignou expressamente no artigo 50 que "Aplicamse à apuração da base de cálculo da CSLL as disposições contidas nos arts. 2º a 8o, 10 a 42 e 44 a 49"; pelo exposto, admitindose para argumentar que as despesas em questão pudessem ser configuradas como royalties, de todo modo fazse necessária a reforma do r. acórdão recorrido diante da ausência de base legal que impeça a dedutibilidade para fins de apuração da base de cálculo da CSLL; DO PEDIDO Fl. 798DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 15 14 portanto, configurada a divergência entre o que foi decidido nos acórdãos paradigmas acima relacionados e o v. acórdão recorrido, mostrase perfeitamente cabível o recurso especial previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do CARF; ante o exposto, pede e espera a Recorrente seja admitido e provido o presente Recurso Especial, reformandose o v. acórdão recorrido na esteira dos paradigmas colacionados para o fim de cancelar integralmente as exigências do IRPJ e CSLL, como medida de direito e de justiça. Como já mencionado, o recurso especial da contribuinte foi admitido em relação às seguintes matérias: 2 Não são equiparados a royalties os pagamentos a título de exploração de direito autoral efetuados ao próprio criador do bem ou da obra, inclusive pessoa jurídica, nos termos do artigo 22, alínea "d", da Lei 4.506/64; 3 O artigo 71, parágrafo único, alínea "d", da Lei n° 4.506/64 não veda a dedução dos royalties pagos a sócios pessoa jurídica ilegalidade do art. 353, inciso I, do RIR/99; e 4 Inaplicabilidade das regras de dedutibilidade de royalties ao cálculo da CSLL. Em 24/03/2017, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência dos despachos que deram seguimento parcial ao recurso especial da contribuinte, e em 05/04/2017, o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DOS FUNDAMENTOS PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO relativamente à dedutibilidade dos pagamentos efetuados pela Recorrente à sua controladora no exterior a título de direitos autorais calculados sobre licenças de uso e distribuição de software e demais questões relacionadas, a PGFN reproduz os mesmos fundamentos apresentados em contrarrazões ao recurso voluntário e, corretamente acatados pelo acórdão recorrido; no tocante aos programas de computador, por meio de legislação específica, o ordenamento jurídico brasileiro conferiu aos direitos relacionados ao seu uso e à sua comercialização o tratamento jurídico dos direitos autorais. É o que expressamente consta do art. 2º da Lei n. 9.609/98, verbis: [...]; no ponto, cabe observar, ainda, que o art. 9º da Lei n. 9.609/98 vincula o uso de softwares no País à prévia obtenção da respectiva licença de uso (o uso do programa de computador no País será objeto de contrato de licença), o que significa dizer que seja qual for a utilização que se dê ao software adquirido (uso próprio ou comercialização), sempre se fará necessário que se obtenha, previamente, contrato de licença de uso do produto; extraise, então, da legislação vigente, que o contrato de aquisição de softwares no exterior para a sua posterior comercialização no País possui a natureza jurídica de contrato de licença de uso de direito autoral; por conseguinte, a remuneração devida nesse tipo de contrato, se faz mediante pagamento de royalties, uma vez que é sob esta rubrica que se remunera a aquisição de direitos autorais; Fl. 799DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 16 15 com efeito, royalty é o pagamento feito, por uma pessoa, física ou jurídica, ao dono de propriedade ou ao criador de um trabalho original, para o privilégio de explorálo comercialmente. É, essencialmente, um método de partilhar o rendimento das vendas de um produto entre os que concorrem com o financiamento e a habilidade de comercialização e os que contribuem com a propriedade intelectual sob a forma de uma realização comercial (Dicionário de Economia, Editora Bloch, Arthur Seldon); frisese ainda a existência de acordos internacionais que dão aos rendimentos pela exploração de direitos autorais o tratamento de royalties. Para efeito ilustrativo, citese o Parecer Normativo CST 37/1974, relativamente ao Acordo SuéciaBrasil, em que se extrai a seguinte conceituação ao termo: [...]; não restam dúvidas de que os direitos pelo uso de programas de computadores, definidos no art. 1º da Lei n. 9.609/98 receberão o mesmo tratamento de direitos autorais e, pois, se lhes aplica a previsão do art. 22, “d” da Lei n. 4.506/64, ou seja, os pagamentos pela exploração de direitos autorais se fazem por meio de royalties; destarte, para fins tributários, o pagamento pela licença de uso de software submetese ao disposto no artigo 71, parágrafo único, alínea “d”, da Lei n. 4.506/64 e art. 353, inciso I, do RIR/1999, que prediz que os royalties pagos a sócios ou dirigentes de empresas são indedutíveis da base de cálculo do IRPJ; feitos os esclarecimentos conceituais, passase ao exame das alegações da contribuinte; ENQUADRAMENTO DOS VALORES PAGOS À CONTROLADORA COMO ROYALTIES: (I) IMPOSSIBILIDADE DE PESSOA JURÍDICA FIGURAR COMO CRIADORA DE OBRA AUTORAL E (II) AUSÊNCIA DE PROVA DA QUALIDADE DE CRIADORA a alegação de que tais valores não se amoldam ao conceito legal de royalties se funda no entendimento de que os pagamentos correspondem à exceção prevista na alínea “d”. Tratarseia, segundo defende a recorrente, de pagamentos direcionados a autor ou criador da obra cujos direitos se negocia; a pretensão da recorrente não merece prosperar eis que: (i) não pode a pessoa jurídica figurar como criadora ou autora de obra intelectual; (ii) ainda que pudesse, a recorrente não logrou comprovar que os pagamentos a título de royalties foram realizados diretamente ao criador ou autor da obra intelectual; a tese formulada pela recorrente parte de equivocada interpretação do art. 11 da Lei n. 9.610/98, que trata dos direitos autorais e, pois, regula o tratamento conferido ao software por força do art. 2º da Lei n. 9.680/97; a previsão é peremptória: a qualidade de autor é atribuível a pessoas físicas. Ao restringir sua previsão às pessoas físicas, o caput estabelece que não é possível a pessoas jurídicas figurarem na condição de autores; a recorrente pretende retirar do parágrafo único, que confere às pessoas jurídicas a proteção concedida ao autor nos casos previstos na Lei, a interpretação de que as Fl. 800DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 17 16 pessoas jurídicas podem assumir a posição de autores ou criadores das criações intelectuais das pessoas a seu serviço; basta, todavia, hermenêutica fulcrada na análise gramatical e lógica da Lei para rejeitar o sentido normativo que almeja a contribuinte; diversamente do que entende, o parágrafo único reforça a previsão do caput. Ao estatuir que poderá aplicar a pessoas jurídicas a proteção concedida ao autor, a norma claramente estabelece que a pessoa jurídica não pode ser autora. Somente há necessidade de estender os direitos (proteção) do autor às pessoas jurídicas porque elas não ostentam aptidão para assumir a condição de autoras, caso em que tal proteção decorreria diretamente dessa condição. Se as pessoas jurídicas pudessem ser autoras, a previsão seria inteiramente dispensável; ademais, verificase que a norma restringe os direitos do autor que podem ser aplicados às pessoas jurídicas. A proteção se estenderá “nos casos previstos nesta Lei”; mais uma vez, a lógica e a semântica conduzem à conclusão de que as pessoas jurídicas não podem ser autoras, pois, se o fossem, gozariam plenamente dos direitos do autor em vez de usufruírem apenas daqueles que lhes são atribuídos por expressa previsão legal; o elemento histórico também ganha relevo para determinar a interpretação do dispositivo em comento. O art. 11 da Lei n. 9.610/98 corrigiu o art. 15 da Lei n. 5.988/73, que afirmava que uma empresa poderia ser titular de obra coletiva. A nova lei, coerente com a previsão do art. 11, em nenhum momento confere autoria a pessoas jurídicas. Elas podem ser titulares de direitos autorais, jamais autoras; nessa linha, notese que a Lei n. 9.609/98, em seu artigo 4º, ao cuidar dos programas de computador desenvolvidos no âmbito de relações funcionais, se utiliza do vocábulo pertencer, para definir quando os direitos da titularidade caberão à pessoa criadora ou à empresa, de forma a reafirmar que o que está ao alcance da pessoa jurídica é obter o direito de propriedade, o domínio sobre o software, mas não a condição de autora; tampouco corrobora o pleito da recorrente a previsão do art. 3º da Lei n. 9.609/98, que estabelece que, no pedido de registro, deverão constar os dados do autor e do titular, sejam pessoas físicas ou jurídicas; dado que as pessoas jurídicas podem ser titulares de direitos autorais, mas carecem de capacidade criativa para serem autoras, como já examinado, a previsão acerca dos registros, ao se referir a pessoas jurídicas, o faz porque elas podem ocupar a posição de titulares de direitos do autor; também inservíveis ao seu propósito os precedentes invocados. O Recurso Especial n. 1.403.865SP e o Recurso Especial n. 1.127.220/SP versaram sobre a proteção dos direitos de uma pessoa jurídica que é titular de direitos autorais; como já dito, titularidade não se confunde com autoria. A autoria corresponde a uma situação fática (fato jurídico em sentido estrito), criação de obra intelectual, da qual derivam direitos (direitos autorais) visando à proteção do trabalho intelectual empregado na criação; Fl. 801DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 18 17 o direito positivo nacional classifica tais direitos em duas classes, morais e patrimoniais. Os primeiros não se alienam nem a eles se pode renunciar (art. 27 da Lei n. 9.610/98); já os direitos patrimoniais de propriedade intelectual são suscetíveis de negociação em âmbito de mercado, são transmissíveis, consoante art. 49 da Lei n. 9.610/98. Por conseguinte, a comprovação da titularidade de tais direitos não permite a inferência de que houve a criação dos programas pelo seu titular; registrese, no ponto, que a Convenção de Berna para proteção do direito autoral consagra a distinção entre autoria e titularidade, resguardando ao autor direitos não patrimoniais: [...]; há titulares de direitos autorais que não são os autores das criações e há criadores que não são titulares dos direitos patrimoniais sobre suas obras, mas ser autor é condição exclusiva de pessoas físicas; nesse sentido, já se posicionou este e. CARF em mais de uma oportunidade: Acórdão 10516451 e Acórdão n. 930301.864: [...]; outro não é o posicionamento que dimana da jurisprudência sedimentada no e. STJ, que enfrentou, em mais de uma oportunidade, a questão da autoria da obra no âmbito da relação empregatícia ( REsp 1322325/DF, REsp 617.130/DF e REsp 121.757/RJ); fazse válido transcrever excerto do julgamento do REsp 1.322.325/DF, que analisa, de forma detida, a questão da autoria de obra intelectual no âmbito da relação funcional: [...]; resta manifesto o óbice à pretensão de que se aplique ao caso a previsão excepcional do art. 22 da Lei n. 4.506/64 e se negue aos valores remetidos em retribuição à licença de uso de software a qualificação de royalties, pois não há que se reconhecer à pessoa jurídica a qualidade de autora ou criadora de obra intelectual; prosseguindo, em respeito ao princípio da eventualidade, cabe consignar que, ainda que houvesse, no ordenamento brasileiro, a possibilidade jurídica de reconhecer às pessoas jurídicas a qualificação de autoras de obras intelectuais, a recorrente teria seu pleito fulminado por ausência de prova; no caso, a recorrente apresentou alegação que entende apta a provocar mudança relevante na relação jurídicotributária, afirmou que a remuneração pelas licenças de uso de programas informatizados era destinada ao criador de tais programas, todavia deixou de constituir a prova correlata à referida argumentação, descumprindo, assim, a imposição do art. 16 do Decreto n. 70.235/72; como se infere da leitura dos elementos colacionados com escopo probatório, o contrato firmado entre a recorrente e a controladora estrangeira, a recorrente não logrou êxito em demonstrar que a beneficiária dos pagamentos é autora ou criadora dos programas que comercializou com a empresa brasileira; as cláusulas contratuais mencionadas pela interessada, acima transcritas, indicam que a International Business Machines Corporation é titular dos direitos autorais, que, Fl. 802DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 19 18 aliás, é a expressão utilizada pela recorrente à fl. 334, mas não se prestam, nem mesmo em tese, a comprovar a autoria ou a criação dos programas de computadores cujos direitos foram licenciados para a contribuinte; para dar suporte à sua alegação, caberia à contribuinte demonstrar, de forma exaustiva, (i) quais foram os programas de computador que constituíram objeto das licenças que ensejaram os pagamentos deduzidos em sua base de cálculo e, em seguida, (ii) evidenciar que todos esses programas foram criados pela pessoa jurídica beneficiária dos pagamentos; dado que não realizou a prova necessária, também porque não se desincumbiu a contribuinte do ônus de comprovar que os valores pagos pela licença de uso se enquadram na hipótese de exclusão do conceito royalties prevista no art. 22 da Lei n.4.506/64, deve ser afastada a pretensão recursal; com o fito de exaurir a questão, cumpre recordar que o ônus da prova acerca da dedutibilidade da despesa cabe à contribuinte, conforme remansosa jurisprudência deste e. CARF. Acostamse os precedentes que seguem a título exemplificativo: [...]; APLICAÇÃO DO ART. 71 DA LEI N. 4.506/64 A PESSOAS JURÍDICAS a recorrente afirma que a expressão “sócio” presente no aludido artigo 71 tem seu âmbito de incidência restrito a pessoas físicas, e, portanto, a redação do RIR/99 que abrangeu as pessoas jurídicas importaria extrapolação carente de fundamento legal; todavia, não há suporte hermenêutico para a interpretação restritiva da palavra “sócio” pretendida pela recorrente; do ponto de vista do direito positivo, observese que o artigo 1.052 e seguintes do Código Civil se referem à palavra “sócio” indistintamente, sem diferir o sócio pessoa física do sócio pessoa jurídica; ademais, a Instrução Normativa DNRC nº 98/2003, a qual aprova o Manual dos Atos de Registro de Sociedade Limitada, prevê expressamente que a pessoa jurídica pode ser sócia nessa espécie empreendimento; descabida, portanto, a interpretação restritiva pregada pela recorrente. Dado que o legislador federal em momento algum distingue a pessoa física da pessoa jurídica na utilização da palavra “sócio”, tampouco cabe ao hermeneuta fazêlo; no presente caso, sequer se pode falar que a recorrente objetiva uma “interpretação restritiva”. Na verdade, o que busca é atuar como legisladora positiva, inserindo no preceito uma distinção que jamais foi veiculada no texto; a referência a “parentes e dependentes” não importa restringir o significado da palavra “sócio”. Não se trata de aposto restritivo, mas sim de diversos núcleos do objeto indireto colocados em paralelo por coordenação, conforme se pode notar da utilização da conjunção aditiva “e”; é dizer: evidentemente a expressão “parentes e dependentes” somente poderia se referir ao sócio pessoa física, uma vez que a pessoa jurídica não tem relações de parentesco. Essa circunstância, contudo, não justifica dizer que a expressão “sócio” só se refere Fl. 803DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 20 19 a pessoas físicas, mas sim que apenas os sócios pessoas físicas têm parentes. A relação lógica se sucede em sentido diverso daquele defendido pela contribuinte. Do fato “somente o sócio pessoa física pode guardar relações de parentesco” não deriva a consequência “que somente pessoas físicas possam ser sócias para fins de aplicação da norma em comento”; tanto é assim que a doutrina, ao comentar o preceito em exame, é clara ao não distinguir sócios pessoas físicas e jurídicas: [...]; a jurisprudência da e. Câmara Superior de Recursos Fiscais já enfrentou a matéria e concluiu no sentido que aqui ora se defende ( Acórdão nº 9101001.908); a recorrente buscar arrimar, ainda, o pedido de afastar a incidência do art. 71 da Lei n. n. 4.507/64 no fato de que a beneficiária dos rendimentos a título de royalties é sua controladora indireta e não direta; todo e qualquer texto legal demanda interpretação para que dele se extraia o sentido adequado à aplicação no caso concreto. Para tanto, é preciso recorrer às regras da hermenêutica, bem definida por Tércio Sampaio Ferraz: [...]; no caso, a interpretação restritiva proposta pela contribuinte retira parcela significativa da eficácia da norma, pois bastaria a interposição de empresa veículo, ou uma reorganização entre as diversas empresas componentes de um mesmo grupo econômico, ainda que todas sejam produtivas, para que o pagamento de royalties a sócios jamais se aperfeiçoe; o caso em apreço é paradigmático, pois todas as empresas do grupo IBM são subsidiárias integrais da Internacional Business Machines Corporation (IBM), a pessoa jurídica beneficiária dos pagamentos (fls. 76 a 79); ante tal quadro, negar aplicação à norma porque formalmente a beneficiária não figura como sócia, embora a empresa brasileira seja, indiretamente, sua subsidiária integral, como bem posto pela decisão de piso, seria negar o mínimo essencial à preservação da eficácia do normativo em discussão, que corresponde a vedar a dedutibilidade do pagamento royalties entre pessoas (físicas ou jurídicas) relacionadas com a empresa que os paga; é preciso ressaltar que este Conselho vem reiteradamente decidindo por não atribuir higidez a estruturas societárias que tenham o único propósito de obstaculizar, de forma direta ou indireta, o recolhimento de tributos; sobre o ponto, acresce transcrever a análise promovida pela autoridade de primeira instância: [...]; a autoridade fiscal cita a recente jurisprudência a respeito da indedutibilidade de royalties pagos a outra empresa em razão da utilização de marca quando ambas fazem parte de um mesmo grupo econômico. Por oportuno, transcrevese o Acórdão nº 1402000.905 do CARF (processo administrativo n.º 16643.000085/200947): [...]; a efetiva ligação entre os envolvidos, seja direta ou indireta, está comprovada nos autos afastandose a independência comercial entre as partes, fato requerido pelo legislador para a dedução dos royalties; Fl. 804DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 21 20 a finalidade do art. 353 do RIR/99 é obstaculizar o favorecimento irregular de sócios ou pessoas ligadas em detrimento do Fisco (fato verificado com a redução do lucro tributável da empresa que paga os royalties) ou em detrimento de outros sócios (fato verificado com a redução dos lucros a serem distribuídos). Como bem salientado pela autoridade fiscal em seu TVF a utilização de via oblíqua para a redução de tributos, por meio da dedução de royalties com restrição do alcance do artigo 71 da Lei n.º 4.506, de 1964, e admitir que o resultado expressamente vedado em lei (pagamento de royalties a sócios) seja atingido por via indireta, por meio de empresa do mesmo grupo, fere o objetivo do artigo em questão; a jurisprudência desta Corte corrobora o entendimento aqui manifestado, reconhecendo que a adequada interpretação do dispositivo deve abarcar a aplicação da norma a sócios indiretos. O Acórdão n. 1402000.905 analisou a questão de maneira detida: [...]; APLICAÇÃO DAS REGRAS DE DEDUTIBILIDADE DO IRPJ À CSLL a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL tem como fundamento constitucional o art. 195, I, “c”, da Constituição Federal, o qual prevê a incidência da contribuição social sobre o lucro do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei; no plano infraconstitucional, a CSLL está disciplinada pela Lei n. 7.689/88, que em seu art. 2º determina que a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. Confirase: [...]; sobre o ponto, de início, cumpre asseverar que a escrituração contábil pela qual se apura o resultado do exercício, ponto de partida para se chegar à base de cálculo tanto do IRPJ como da CSLL, deve observar postulados e princípios contábeis. Assim, pelo princípio da entidade, uma despesa que não é necessária à empresa não deve estar na sua contabilidade; ademais, cabe destacar a proximidade entre as hipóteses de incidência da CSLL e do IRPJ, que há muito vem sendo debatida e reconhecida pela doutrina e jurisprudência dos tribunais pátrios, tendo, inclusive, sido objeto de manifestação do Supremo Tribunal Federal ao apreciar a argüição de inconstitucionalidade da contribuição social em questão no RE 138.284, Relator Min. Carlos Veloso, julgamento em 01.07.1992, DJ. 28.08.1992; no mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar a legalidade da indedutibilidade do valor da CSLL na apuração do lucro real, previsto na Lei n.º 9.316/96, afirmou o seguinte: “É consabido que o aspecto quantitativo do fato gerador da contribuição social sobre o lucro se identifica com o do imposto de renda, pois a base de cálculo do imposto de renda é o montante real, arbitrado ou presumido da renda ou dos proventos tributáveis auferidos no anobase (art. 44 do CTN).” nessa toada, isto é, considerando essa relação de proximidade entre a CSLL e o IRPJ no tocante ao fato gerador e base de cálculo, o legislador ordinário, por meio da Lei 8.891/91 estabeleceu no art. 57 o seguinte: [...]; Fl. 805DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 22 21 o preceptivo legal expressamente consigna se aplicar à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido “as mesmas normas de apuração e pagamento” do Imposto de Renda Pessoa Jurídica; ressaltese que o legislador ordinário não se limitou a dizer que as regras de recolhimento do IRPJ devem ser observadas para a CSLL. Ao revés, foi bastante claro ao determinar que também as regras de apuração são aplicáveis a essa espécie de contribuição social; ora, o que é apurar a não ser compor a base de cálculo tributável, efetuando se as devidas adições, exclusões e compensações previstas em lei. Se a legislação do IRPJ preceitua que determinada parcela deva ser adicionada/excluída ou não considerada para efeito da apuração do lucro real, idêntico procedimento deve ser efetuado para cálculo do valor devido da CSLL, por força do que dispõe o art. 57 da Lei n.º 8.891/91; ainda que a disposição acima não fosse clara o bastante, o art. 28 da Lei n. 9.430/96, afasta qualquer dúvida ao estatuir: [...]; e cumpre ressaltar que, contrariamente ao defendido pela recorrente, tal disposição importa vedação à dedutibilidade das despesas com pagamento de royalties, na medida em que determina aplicação do art. 1º da Lei n. 9.430/96 à CSLL, que dispõe sobre a apuração do IRPJ, estabelecendo que “a partir do anocalendário de 1997”, o tributo será determinado com observância da “legislação vigente”, com as alterações introduzidas pela Lei; não há dúvida de que o art. 71 da Lei n. 4.506/64 era norma vigente ao tempo da edição da Lei n. 9.430/96 e, pois, pela disposição dos artigos 28 e 1º da Lei n. 9.430/96, tornouse aplicável à CSLL; ante o exposto, resta claro que as regras de dedutibilidade da legislação do IRPJ são integralmente aplicáveis na apuração da base de cálculo da CSLL; é este, há muito, o entendimento que prevalece no âmbito desta Corte, conforme Acórdão nº 10708870 da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, cuja ementa abaixo se reproduz: [...]; especificamente sobre a indedutilibidade das despesas oriundas do pagamento de royalties na determinação da base de cálculo da CSLL, já se manifestou o CARF no já referido Acórdão n. 1402000.905: [...]; desse modo, deve ser mantido o lançamento tributário, não merecendo reforma o acórdão recorrido; DO PEDIDO pelo exposto, espera a União (Fazenda Nacional) seja negado provimento ao recurso especial, com a consequente manutenção do entendimento previsto no v. acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 806DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 23 22 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e CSLL sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2009. O motivo da autuação foi a não adição de despesas indedutíveis ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, correspondentes a pagamentos feitos à empresa International Business Machines Corporation (USA) pela licença de uso de software, que configuravam royalties de natureza de direito autoral. A empresa autuada (IBM Brasil) é subsidiária integral da referida empresa americana. O lançamento foi mantido na primeira e também na segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido). A controvérsia que remanesce nessa fase de recurso especial diz respeito a três matérias. 1 QUESTÃO REFERENTE À FIGURA DO AUTOR/CRIADOR DO BEM OU DA OBRA. A contribuinte alega que os pagamentos foram feitos ao próprio criador do bem ou da obra, o que descaracterizaria a figura dos royalties, nos termos do art. 22, alínea "d", da Lei 4.506/64: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: [...] d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. A principal questão a ser enfrentada é se a empresa americana, na condição de pessoa jurídica, poderia ser considerada como autora/criadora de obra intelectual (como defende a contribuinte), ou se ela seria apenas titular de direitos patrimoniais (como entende o Fisco). O acórdão recorrido examinou com bastante profundidade esse assunto. Vale transcrever os seus fundamentos: 2. Da questão dos direitos autorais Fl. 807DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 24 23 Aduz a Recorrente que a legislação brasileira prevê a possibilidade de que os direitos autorais pertençam a pessoa jurídica e que os programas de computador (software) são a eles equiparados. Contudo, os diversos artigos citados pela Recorrente parecem indicar sentido interpretativo diverso daquele atribuído pela interessada. Vejamos. A primeira tese trazida pela Recorrente defende que o artigo 11 da Lei n. 9.610/98 reconhece a possibilidade de que pessoas jurídicas sejam autoras de obras literárias, artísticas ou científicas e que, por força do artigo 2º da Lei n. 9.609/98 igual tratamento deve ser conferido nos casos de programas de computador: Lei n. 9.610/98 Art. 11. Autor é a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica. Parágrafo único. A proteção concedida ao autor poderá aplicarse às pessoas jurídicas nos casos previstos nesta Lei. Lei n. 9.609/98 Art. 2º O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País, observado o disposto nesta Lei. § 1º Não se aplicam ao programa de computador as disposições relativas aos direitos morais, ressalvado, a qualquer tempo, o direito do autor de reivindicar a paternidade do programa de computador e o direito do autor de oporse a alterações nãoautorizadas, quando estas impliquem deformação, mutilação ou outra modificação do programa de computador, que prejudiquem a sua honra ou a sua reputação. (grifamos) Notase, à evidência, que a interpretação laborada pela Recorrente não condiz com os dispositivos legais indicados. De plano, a simples leitura do artigo 11 demonstra que o conceito de autor é inequívoco e não deixa margem para dúvidas: autor é sempre a pessoa física, o indivíduo que a partir de seu gênio ou criatividade manifesta, de forma particular, uma ideia (a autoria não é ideia, mas sim a sua expressão). Sabemos que a construção normativa no Brasil sempre parte do caput (que traz a regra geral) para os incisos ou parágrafos, que veiculam situações especiais, mas nunca no sentido oposto. Notase que a dicção do parágrafo não reconhece que os autores possam ser pessoas jurídicas; em verdade, a norma permite que a proteção concedida ao autor, pessoa física, possa ser estendida às pessoas jurídicas, e ainda assim somente nos casos previstos na própria Lei n. 9.610/98. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 25 24 E nem poderia ser diferente, posto que se as pessoas jurídicas pudessem ser autoras sequer haveria necessidade do parágrafo; afinal, se pudessem assumir a condição de autoras gozariam automaticamente do direito inerente a esta condição e não precisariam que determinada proteção ou benefício lhes fosse estendido. Cabe ainda registrar que a Lei n. 5.988/73 incidentalmente reconhecia a possibilidade de uma pessoa jurídica ser titular de obra coletiva, realizada em seu nome. Contudo, o artigo 15 daquele diploma legal foi revogado pelo artigo 11 da Lei n. 9.610/98, que claramente identifica apenas as pessoas físicas como aptas a figurar como autoras. A confusão decorre da diferença entre ser autor e ser titular de direitos autorais. Existe nítida distinção entre os conceitos de ser autor da obra e ser titular dos seus direitos. Quando alguém escreve um livro certamente se enquadra como autor, mas ao assinar um contrato de publicação com a editora transfere a esta os direitos patrimoniais para a sua exploração, circunstância expressamente prevista na Convenção de Berna, que reconhece a diferença entre autoria e titularidade nos seguintes termos: ARTIGO 6BIS 1) Independentemente dos direitos patrimoniais de autor, e mesmo após a cessão dos referidos direitos, o autor conserva o direito de reivindicar a paternidade da obra e de se opor a qualquer deformação, mutilação ou outra modificação da obra ou a qualquer outro atentado contra a mesma obra, prejudicial à sua honra ou à sua reputação. (grifamos) Ressaltese que o tratamento previsto pela Convenção de Berna foi reproduzido pela Lei do Software, como visto no artigo 2º, § 1º, ao norte transcrito e novamente reproduzido: § 1º Não se aplicam ao programa de computador as disposições relativas aos direitos morais, ressalvado, a qualquer tempo, o direito do autor de reivindicar a paternidade do programa de computador e o direito do autor de oporse a alterações nãoautorizadas, quando estas impliquem deformação, mutilação ou outra modificação do programa de computador, que prejudiquem a sua honra ou a sua reputação. (grifamos) É cediço, portanto, que os direitos autorais são divididos, para efeitos legais, em direitos morais e patrimoniais. Os chamados direitos morais são aqueles que asseguram a autoria da obra intelectual, sendo, portanto, intransferíveis e irrenunciáveis, enquanto que os direitos patrimoniais se referem à exploração econômica da obra e podem ser cedidos ou utilizados por terceiros. Também não procede o argumento da defesa, baseado no artigo 3º, § 1º, I, da Lei n. 9.609/98, que menciona que no pedido de registro do software deverão constar os dados do autor e do titular, sejam pessoas físicas ou jurídicas. Com efeito, o texto corrobora a distinção entre os conceitos e reconhece, apenas, que o titular dos direitos possa ser pessoa jurídica: Fl. 809DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 26 25 Art. 3º Os programas de computador poderão, a critério do titular, ser registrados em órgão ou entidade a ser designado por ato do Poder Executivo, por iniciativa do Ministério responsável pela política de ciência e tecnologia. § 1º O pedido de registro estabelecido neste artigo deverá conter, pelo menos, as seguintes informações: I os dados referentes ao autor do programa de computador e ao titular, se distinto do autor, sejam pessoas físicas ou jurídicas; (...) Isso significa que se a exploração econômica dos direitos estiver a cargo de uma empresa, o registro compreenderá os seus dados e os do autor do programa de computador, posto que seriam, na hipótese, pessoas distintas. Tudo em perfeita consonância com o raciocínio até aqui desenvolvido. Ademais, sem prejuízo de todos os argumentos já apresentados, ressaltamos, por oportuno, que em nenhum momento a legislação brasileira indica que o conceito de autor previsto na Lei n. 9.610/98 é o mesmo daquele previsto para os programas de computador. Tanto assim que as duas normas são distintas e fazem ressalvas ao seu campo de aplicação, como se constata dos artigos já transcritos. O que a Lei n. 9.609/98 (software) faz é aplicar aos programas de computador o regime de proteção conferido às obras literárias ou artísticas, como se depreende da dicção do artigo 2º. Vale dizer, se o legislador entendesse pela total identidade entre os conceitos simplesmente reuniria toda a matéria numa única norma, em vez de publicar duas leis distintas e na mesma data (19 de fevereiro de 1998)! A obviedade dessa circunstância não passou despercebida pela melhor doutrina. Ressaltese, por todos, a posição de Denis Borges Barbosa (provavelmente o maior especialista brasileiro no assunto, recentemente falecido): O regime de proteção dos programas de computador segue, em parte, o da Lei 9.610/98, que protege no Brasil os Direitos Autorais. No entanto, com as muitas alterações introduzidas pela Lei 9.609/98 e a natureza claramente tecnológica dos programas de computador, inegavelmente estamos, na Lei em vigor, na presença de um tertius genus, à maneira de certos Direitos Conexos, cuja regulação acompanha talvez, na esfera internacional, o da Convenção de Berna vale dizer, o da matriz internacional dos Direitos Autorais no que com ela não contraste. (...) Em terceiro lugar, porque evidenciam a impropriedade de um regime autoral puro para a proteção dos programas de computador, guiando Fl. 810DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 27 26 o intérprete quanto as normas da Lei Autoral que merecerão aplicação subsidiária à presente lei. (...) Com efeito, as leis de cunho autoral convivem há muito com as leis de patente, por exemplo, no campo do design, com a parte artística de uma padronagem restando sob o Direito Autoral, e sua aplicação industrial cabendo à patente própria hoje o registro de desenho industrial sob a Lei 9.279/96. Assim, a expressão de um programa pode restar sob a Lei do Software, enquanto que o uso do programa para fins de utilidade industrial, inclusive os conceitos e idéias que subjazem ao algoritmo, podem incidir sob a tutela da lei patentária. Nem o fim estético, literário, artístico ou musical, transfere o programa para o regime geral da lei autoral. A existência de um fim determinado qualquer seja ele é requisito de proteção sob a Lei do Software, mas não modifica a natureza da proteção, que será sempre a da lei específica. (grifamos) Portanto, o regime de proteção específico para os programas de computador é conexo àquele utilizado para as obras literárias e artísticas, o que não significa dizer que a autoria de um software pertença à pessoa jurídica, que poderá, da mesma forma que nos demais casos, ser titular de direitos patrimoniais, mas nunca considerada como criadora da obra intelectual. Essa posição encontra esteio na melhor doutrina e já foi, inclusive, reconhecida pelo STJ, que no REsp 1.322.325/DF analisou o tema da autoria no âmbito das relações de trabalho: Neste caso, quem é o autor? Não há dúvidas sobre isso. Os autoralistas são unânimes em reconhecer unicamente na pessoa física a capacidade para criar a obra de arte e engenho. Este é o pensamento predominante, especialmente nos países cujo ordenamento jurídico segue as concepções romanogermânicas. (...) A lei brasileira protege a empresa, pessoa jurídica, como titular de direitos autorais, mas não como autora. Além disso, é necessário considerar que a Lei n° 9.610/1998 excluiu a figura da obra de arte criada em função de contrato de trabalho ou sob encomenda, o que torna o autor, definitivamente, titular originário dos direitos sobre a obra que criou. Não há mais a figura da obra criada por encomenda ou sob contrato de trabalho, embora no art. 54 encontrese referência à obra futura. (CABRAL, Plínio. A lei de direitos autorais: comentários . 5. ed. São Paulo: Rideel, 2009, p. 6667). E prossegue o Acórdão: No entanto, a partir dessa constatação, que decorre da situação especial de relação empregatícia, nenhum outro direito adquire a empresa nesse relacionamento. Assim, de um lado, remanescem na esfera dos autos os direitos morais e todos os demais direitos patrimoniais não alcançados por sua Fl. 811DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 28 27 atuação específica (dessa forma, não pode a empresa de televisão, depois, sem autorização expressa, extrair novas cópias e locálas ou vendêlas, ou, ainda, transferir a outras a exibição; não pode a empresa jornalística publicar depois, em outros veículos, os trabalhos feitos para jornal; ou a empresa cinematográfica dispor do filme para finalidades outras), a menos que os transfira por meio de contratos adequados, que, de qualquer modo, serão sempre entendidos nos seus estritos limites, obedecidos sempre os direitos morais.(BITTAR, Carlos Alberto. Direito de autor. Rio de Janeiro: Forense, 2013, p. 64). O arremate da decisão do STJ não deixa margem para dúvidas: Nesse passo, mesmo que a referida produção de espírito tenha sido escrita no âmbito de seu dever funcional, o autor/empregado continua sendo o detentor dos direitos autorais, cabendo até mesmo ao empregador, caso pretenda explorar a obra, obter autorização expressa para a sua utilização (LDA, art. 29), sob pena de responsabilização. Portanto, diante da autonomia privada, poderá o autor ceder o direito de exploração econômica da obra ao empregador ou terceiro, isto é, a titularidade poderá ser adquirida por terceiros, seja em virtude de sucessão, pelo fato da morte, seja em razão do contrato, por vontade própria, ou ainda por disposição legal, ressalvando os direitos morais do autor que, por serem inalienáveis, irrenunciáveis e indisponíveis, irão se manter com o criador material da obra, que continuará com o direito de ver reconhecida a sua autoria na criação estética decorrente da paternidade” (grifamos). Concluímos, portanto, que o direito autoral brasileiro expressamente consagra a proteção de obras produzidas pelo gênio e espírito humanos e, nesse contexto, não há como albergar a figura do autor pessoa jurídica. Destaquese que a lei autoral, ao oferecer uma lista exemplificativa do que seriam as "obras intelectuais criadas pelo espírito humano", identifica o alcance da proteção e inclui entre as hipóteses os programas de computador: Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: (...) XII os programas de computador; (...) § 1º Os programas de computador são objeto de legislação específica, observadas as disposições desta Lei que lhes sejam aplicáveis. (grifamos) A ressalva contida no § 1º deixa claro que não existe identidade absoluta nem equivalência total entre as obras intelectuais "tradicionais" e os programas de computador, mas sim proteção equivalente. Obras literárias e artísticas não são softwares e viceversa, assim como não existe, Fl. 812DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 29 28 salvo engano, nenhum livro ou peça musical ou teatral criado por pessoa jurídica. [...] Importante registrar que o entendimento de que o autor/criador tem necessariamente que ser uma pessoa física não advém de uma legislação antiga, superada, com comandos que demandariam atualização. Quem diz que "autor é a pessoa física" é a própria Lei 9.610/1998, que, já no contexto econômico dos dias de hoje, atualizou e consolidou a legislação sobre direitos autorais no Brasil: Art. 11. Autor é a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica. Parágrafo único. A proteção concedida ao autor poderá aplicarse às pessoas jurídicas nos casos previstos nesta Lei. Tem razão o acórdão recorrido quando afirma que a dicção do parágrafo único do art. 11 da Lei 9.610/1998 não reconhece que os autores possam ser pessoas jurídicas, e também quando sustenta que se as pessoas jurídicas pudessem ser autoras sequer haveria necessidade desse parágrafo. Com efeito, se as pessoas jurídicas pudessem assumir a condição de autoras, elas gozariam automaticamente do direito inerente a esta condição, sem precisar que determinada proteção ou benefício lhes fosse estendido. Também acerta o acórdão recorrido quando afirma que a pessoa jurídica poderá ser titular de direitos patrimoniais, mas nunca considerada como autora/criadora da obra intelectual. A distinção entre ser autor e ser titular de direitos autorais, baseada nas dimensões moral e patrimonial do direito do autor, ao contrário do que diz a contribuinte, não configura nenhuma elucubração do voto do relator do acórdão recorrido. A referida Lei 9.610/1998 é farta em dispositivos que apontam para essa distinção: Capítulo II Dos Direitos Morais do Autor Art. 24. São direitos morais do autor: I o de reivindicar, a qualquer tempo, a autoria da obra; [...] Art. 27. Os direitos morais do autor são inalienáveis e irrenunciáveis. Capítulo III Dos Direitos Patrimoniais do Autor e de sua Duração Fl. 813DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 30 29 Art. 28. Cabe ao autor o direito exclusivo de utilizar, fruir e dispor da obra literária, artística ou científica. Art. 29. Depende de autorização prévia e expressa do autor a utilização da obra, por quaisquer modalidades, tais como: [...] Capítulo V Da Transferência dos Direitos de Autor Art. 49. Os direitos de autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a terceiros, por ele ou por seus sucessores, a título universal ou singular, pessoalmente ou por meio de representantes com poderes especiais, por meio de licenciamento, concessão, cessão ou por outros meios admitidos em Direito, obedecidas as seguintes limitações: I a transmissão total compreende todos os direitos de autor, salvo os de natureza moral e os expressamente excluídos por lei; [...] O mesmo se pode dizer sobre a Lei 9.609/1998, que dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual de programa de computador no Brasil: Art. 2º O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País, observado o disposto nesta Lei. § 1º Não se aplicam ao programa de computador as disposições relativas aos direitos morais, ressalvado, a qualquer tempo, o direito do autor de reivindicar a paternidade do programa de computador e o direito do autor de oporse a alterações nãoautorizadas, quando estas impliquem deformação, mutilação ou outra modificação do programa de computador, que prejudiquem a sua honra ou a sua reputação. Os direitos patrimoniais se referem à exploração econômica da obra e podem ser cedidos ou utilizados por terceiros. E é exatamente nesse contexto que atua uma pessoa jurídica, no contexto do resultado econômico, que é a própria razão de ser da sociedade empresária (Código Civil, art. 981). Quando a Lei 4.506/1964 diz que não serão classificados como "royalties" os rendimentos percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra, claramente está focando aí a dimensão moral do direito do autor, que apenas pode existir em uma pessoa física (pessoa natural). Com efeito, pela lista exemplificativa dada pelo referido art. 22 da Lei 4.506/1964, não é difícil perceber que os "royalties", enquanto "rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos", tem a dimensão econômica própria das empresas. Fl. 814DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 31 30 Uma pessoa jurídica nem tem dimensão moral. O que ela tem é a lei e seus atos constitutivos, que previamente já definem a sua razão de ser. Uma pessoa jurídica também não tem a subjetividade criadora das pessoas naturais. Os royalties surgem exatamente na dimensão patrimonial/econômica do direito do autor, na parte em que esse direito se institucionaliza, para circular na economia, e se distancia do verdadeiro titular do processo criativo, do autor (pessoa natural). Tem razão o acórdão recorrido ao afirmar que são os direitos morais que asseguram a autoria da obra. Aliás, isto está expresso no inciso I do art. 24 da Lei 9610/1998: Art. 24. São direitos morais do autor: I o de reivindicar, a qualquer tempo, a autoria da obra; Nesse mesmo passo, também acerta o acórdão recorrido quando afirma "que o direito autoral brasileiro expressamente consagra a proteção de obras produzidas pelo gênio e espírito humanos e, nesse contexto, não há como albergar a figura do autor pessoa jurídica". Efetivamente, a IBM USA não cabe dentro da figura do "autor/criador" traçada pelo direito autoral brasileiro. E os rendimentos que ela recebe, quando autoriza a IBM Brasil a licenciar e distribuir cópias de seus programas de computador, são royalties. O sentido da lei é de proteger o autor, na subjetividade criativa própria das pessoas naturais. Mas essa característica fica dispersa nos processos de produção fortemente institucionalizados das grandes corporações. Além dos dispositivos já mencionados neste voto e no acórdão recorrido, há muitos outros que reforçam as diferenças entre a figura do autor (pessoa física) e do titular de direitos autorais (pessoa física ou pessoa jurídica). O art. 5º, "h", da Lei 9.610/1998, por exemplo, quando define obra coletiva como sendo "a criada por iniciativa, organização e responsabilidade de uma pessoa física ou jurídica, que a publica sob seu nome ou marca e que é constituída pela participação de diferentes autores, cujas contribuições se fundem numa criação autônoma", considerando a participação de uma pessoa jurídica, não deixa de atribuir a autoria para as pessoas físicas ("diferentes autores"). O art. 17 da mesma lei também reforça o entendimento de que o organizador da obra coletiva (onde se encaixa a pessoa jurídica) não pode abarcar a condição de autor, justamente porque lhe falta a dimensão moral: Art. 17. É assegurada a proteção às participações individuais em obras coletivas. § 1º Qualquer dos participantes, no exercício de seus direitos morais, poderá proibir que se indique ou anuncie seu nome na obra coletiva, sem prejuízo do direito de haver a remuneração contratada. § 2º Cabe ao organizador a titularidade dos direitos patrimoniais sobre o conjunto da obra coletiva. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 32 31 § 3º O contrato com o organizador especificará a contribuição do participante, o prazo para entrega ou realização, a remuneração e demais condições para sua execução. Não foi por acaso, e nem por equívoco, que a Lei que "atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais" no Brasil, a Lei nº 9.610/1998, disse com todas as letras em seu art. 11, que o "autor é a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica". Ademais, a correta compreensão da alínea “d” do art. 22 da Lei nº 4.506/64 é corroborada pelo artigo que trata dos rendimentos do trabalho nãoassalariado e assemelhados: Lei nº 4.506/64: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: [...] d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. RIR 99: Art. 45. São tributáveis os rendimentos do trabalho nãoassalariado, tais como (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º): I honorários do livre exercício das profissões de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas; II remuneração proveniente de profissões, ocupações e prestação de serviços nãocomerciais; (...) VII direitos autorais de obras artísticas, didáticas, científicas, urbanísticas, projetos técnicos de construção, instalações ou equipamentos, quando explorados diretamente pelo autor ou criador do bem ou da obra; Assim, cabe NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte em relação a essa primeira divergência. 2 QUESTÃO REFERENTE AO RECEBIMENTO DE ROYALTIES POR SÓCIO PESSOA JURÍDICA Em relação ao fato de os royalties terem sido pagos à sua controladora indireta (IBM USA), a contribuinte alega, em síntese, que a vedação trazida pelo artigo 71, parágrafo único, alínea "d" da Lei 4.506/64 não se aplica a pagamentos efetuados a sócios pessoas jurídicas; que o RIR/99, no inciso I de seu art. 353, introduziu após a palavra "sócios" o aposto "pessoas físicas ou jurídicas", que não consta da norma legal, extrapolando o conteúdo da lei, e incorrendo em ilegalidade; que a interpretação contida no acórdão recorrido conduz a resultado absurdo: os royalties pagos a sócios estrangeiros poderiam ser deduzidos sob certas condições (Lei nº 8.383/1991, art. 50), ao passo que esses mesmos royalties seriam indedutíveis se pagos à sócia pessoa jurídica brasileira; e que se a alínea "d" do parágrafo único Fl. 816DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 33 32 do referido art. 71 tratasse de pessoas jurídicas, ficariam totalmente sem sentido as previsões da alínea "e", que elenca as hipóteses específicas de indedutibilidade no caso de pagamentos a pessoas jurídicas. Eis a redação do dispositivo legal objeto de controvérsia, em negrito: Lei 4.506/64 Art. 71. A dedução de despesas com aluguéis ou "royalties" para efeito de apuração de rendimento líquido ou do lucro real sujeito ao impôsto de renda, será admitida: a) quando necessárias para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento; e b) se o aluguel não constituir aplicação de capital na aquisição do bem ou direito, nem distribuição disfarçada de lucros de pessoa jurídica. Parágrafo único. Não são dedutíveis: a) os aluguéis pagos pelas pessoas naturais pelo uso de bens que não produzam rendimentos, como o prédio de residência; b) os aluguéis pagos a sócios ou dirigentes de emprêsas, e a seus parentes ou dependentes, em relação à parcela que exceder do preço ou valor do mercado; c) as importâncias pagas a terceiros para adquirir os direitos de uso de um bem ou direito e os pagamentos para extensão ou modificação do contrato, que constituirão aplicação de capital amortizável durante o prazo do contrato; d) os "royalties" pagos a sócios ou dirigentes de emprêsas, e a seus parentes ou dependentes; e) os "royalties" pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, quando: 1) Pagos pela filial no Brasil de emprêsa com sede no exterior, em benefício da sua matriz; 2) Pagos pela sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, contrôle do seu capital com direito a voto; Cabe registrar que o art. 50 da Lei 8.383/1991 autorizou a dedução dos royalties previstos na alínea "e" acima transcrita, sob certos limites e condições. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, ao tratar da alínea "d" acima transcrita, realmente acrescentou o aposto "pessoas físicas ou jurídicas" após a palavra "sócios": Art. 353. Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): I os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; Fl. 817DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 34 33 II as importâncias pagas a terceiros para adquirir os direitos de uso de um bem ou direito e os pagamentos para extensão ou modificação do contrato, que constituirão aplicação de capital amortizável durante o prazo do contrato; III os royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, quando: a) pagos pela filial no Brasil de empresa com sede no exterior, em benefício de sua matriz; b) pagos pela sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto, observado o disposto no parágrafo único; [...] Parágrafo único. O disposto na alínea "b" do inciso III deste artigo não se aplica às despesas decorrentes de contratos que, posteriormente a 31 de dezembro de 1991, sejam averbados no Instituto Nacional da Propriedade IndustrialINPI e registrados no Banco Central do Brasil, observados os limites e condições estabelecidos pela legislação em vigor (Lei nº 8.383, de 1991, art. 50). O acórdão recorrido não vislumbrou a alegada ilegalidade do Decreto nº 3000/1999: Com a devida vênia, não consigo vislumbrar qualquer argumento, gramatical, semântico ou jurídico capaz de invalidar o disposto em regulamento, até porque os dois comandos dizem exatamente a mesma coisa. É evidente que a lei, ao dizer "sócios", se refere a qualquer tipo de pessoa com participação na sociedade e não somente às pessoas físicas. O comando legal é claro e diz que são indedutíveis os royalties "pagos a sócios". O fato de, na sequência, existir a menção a "parentes ou dependentes" apenas demonstra a teleologia da norma, que buscou ser o mais ampla possível, até porque a partícula "e", na língua portuguesa, não serve como condicionante, mas como adição a conceitos já expressos. Em síntese, nenhum sócio ou dirigente, inclusive eventuais parentes e dependentes, quando existirem, poderão receber royalties dedutíveis para fins de IRPJ. O pagamento dos valores, por óbvio, decorre de liberalidade da empresa, desde que observadas as limitações legais para a dedutibilidade. [...] É importante destacar que o CARF, enquanto órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, pertencente à Administração Pública Federal, não pode negar validade a um decreto editado pelo Presidente da República. Nesse mesmo passo, o atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, estabelece no art. 62 de seu Anexo II que "fica vedado aos membros Fl. 818DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 35 34 das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade". Ainda que a alegação seja de ilegalidade do decreto, por extrapolar a lei, esse tipo de questionamento implica reflexamente em alegação de inconstitucionalidade, pois é a constituição que impõe limite para expedição de decreto pelo Presidente da República (CF, art. 84, IV fiel execução da lei), de modo que o reconhecimento de que um decreto foi além dos limites legais implicaria, inevitavelmente, no reconhecimento de sua inconstitucionalidade. Há que conhecer também do inciso II do parágrafo único do art. 48 da Lei nº 11.941, de 27/05/2009, que seria incluído pelo art. 16 da Lei nº 12.833, de 20/06/2013, para tratar de prerrogativas do Conselheiro integrante do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, mas que foi vetado. “Parágrafo único. São prerrogativas do Conselheiro integrante do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: (...) II emitir livremente juízo de legalidade de atos infralegais nos quais se fundamentam os lançamentos tributários em julgamento.” As razões do veto são eloquentes e falam por si mesmas: “O CARF é órgão de natureza administrativa e, portanto, não tem competência para o exercício de controle de legalidade, sob pena de invasão das atribuições do Poder Judiciário.” Mesmo diante das observações acima, cabe esclarecer que o art. 353, I, do RIR/99, ao esclarecer que a vedação em pauta abrange tanto sócios pessoas físicas, quanto sócios pessoas jurídicas, não incorre nas contradições apontadas pela contribuinte. Esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao proferir o Acórdão nº 9101001.908, de 13/05/2014, já encontrou a melhor solução para as questões suscitadas pela contribuinte em relação às disposições do art. 353 do RIR/99: Não se trata, como poderia parecer, de concluir genericamente que os royalties de qualquer tipo, pagos a sócios, são sempre indedutíveis, pois uma conclusão dessa ordem resulta em considerar inútil a restrição veiculada pela alínea “b” do inciso III. De fato, a “pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto”, referida no inciso III, “b”, é elemento do conjunto “sócio, pessoa física ou jurídica” contida no inciso I. Assim, despicienda seria a vedação do inciso III, “b”, pois abrangida sempre pela vedação do inciso I, mais ampla. Nessa ordem de ideias, o inciso III só pode ser entendido como excepcionado, para particularizar, a vedação do inciso I. Explicitando: Os royalties pagos a sócio, pessoa física ou jurídica, são indedutíveis, exceto quando se tratar de royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria, Fl. 819DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 36 35 que só serão indedutíveis se pagos por filial no Brasil de empresa com sede no exterior, em benefício de sua matriz, ou pagos por sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto. A conclusão do acórdão guerreado foi em sentido oposto a essa interpretação, pois, assentou que os royalties em questão não se compreendem no inciso III (não decorrerem de uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria), e por isso não são indedutíveis. Ora, o simples fato de os royalties questionados serem pagos a sócio (pessoa física ou jurídica) os insere na regra de indedutibilidade, da qual poderiam ser excluídos (se não fossem pagos a controladora no exterior) se se tratasse de royalties pagos pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria. A vedação contida no inciso III do art. 353 do RIR/99 só pode ser entendida como uma exceção ao inciso I do referido artigo. E o mesmo se pode dizer das alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 71 da Lei 4.506/1964. A regra geral é no sentido de que os royalties pagos a pessoas ligadas são indedutíveis, mas há exceções. Quando a lei diz que "royalties" pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio são indedutíveis quando pagos a pessoas ligadas no exterior, ela diz implicitamente que esses mesmos tipos de royalties são dedutíveis quando pagos a pessoas ligadas no Brasil (salvo se a indedutibilidade tiver outra motivação, p/ ex., a falta de necessidade da despesa, a artificialidade da despesa criada por planejamento fiscal, etc., situações que podem afastar o enquadramento no art. 71, "a", da Lei 4.506/1964, reproduzido no art. 352 do RIR/99, independentemente do enquadramento nas alíneas do parágrafo único do mesmo art. 71). Vale novamente lembrar que o art. 50 da Lei 8.383/1991 autorizou a dedução desses tipos de royalties mencionados acima, mesmo quando pagos a pessoas ligadas no exterior, desde que observados determinados limites e condições. Então, não há nenhuma das contradições apontadas pela contribuinte. A interpretação acima não dá margem para que se permita a dedução de royalties pagos à controladora estrangeira sob certas condições, e não se permita a dedução de royalties nessas mesmas condições, quando eles são pagos à controladora brasileira. Também não há a alegada inutilidade da alínea "e" do parágrafo único do art. 71 da Lei 4.506/1964, por se considerar que a alínea "d" trata de pessoas jurídicas. Como já mencionado, a alínea "d" trata dos royalties em geral, prevendo sua indedutibilidade quando pagos a pessoas ligadas, enquanto que a alínea "e" trata de royalties específicos, admitindo a possibilidade de sua dedução mesmo quando pagos a pessoas ligadas, com maiores condicionantes quando pagos a empresas no exterior. Ou seja, a alínea "d" traz uma regra geral para todos os royalties e a alínea "e" traz regra específica para os royalties de patentes e marcas. Havendo norma específica, pelo Fl. 820DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 37 36 princípio da especialidade, esta prevalece sobre a norma geral (obviamente, quando se tratar de royalties de patentes e marcas), não se podendo alegar a inutilidade da alínea "e". Ademais, o argumento da "letra morta" da alínea "e" também cai por terra ao se constatar que ele igualmente seria válido para a intepretação proposta pelo contribuinte para a alínea "d" (apenas aplicável a pessoas físicas), pois o item 2 da letra "e" fala em "pessoa com domicílio no exterior" e esta pessoa pode ser também pessoa física. Ou ainda, se a letra "e" é vazia de significado, então o será seja em se entendendo como o contribuinte, seja em se entendendo como o Decreto Presidencial. Os incisos I e III do art. 353 do RIR/99 comportam exatamente esse mesmo raciocínio. O que seria contraditório, e sem justificativa razoável, é pensar que a vedação para dedução dos royalties em geral, quando pagos para pessoas ligadas, conforme previsto na alínea "d" do parágrafo único do art. 71 da Lei 4.506/1964, abrange apenas sócios pessoas físicas. O acórdão recorrido, ao examinar questão sobre o fato de os royalties terem sido pagos à pessoa jurídica controladora indireta (IBM USA), traz observações relevantes a esse respeito: Se a vedação expressamente alcança os parentes e dependentes dos sócios, que seriam, no entendimento da lei, vetores oblíquos dos pagamentos, ou seja, receptores de valores que beneficiariam, pela via indireta, os titulares da empresa, qual seria a correta exegese em relação ao controlador indireto sediado no exterior? É inviável, ilógico e juridicamente incorreto afastar, a partir de tal premissa, o alcance da norma no que diz respeito ao controlador da própria empresa. O controlador, ainda que indireto, tem total interesse na atividade econômica e nos resultados da controlada. E mais, detém poder para decidir sobre pagamentos, contratos e demais compromissos jurídicos e financeiros, ao contrário dos parentes e dependentes, que não possuem tal capacidade. Ou seja, se a norma restringe, para fins tributários, o pagamento feito por mera liberalidade sempre que os destinatários são parentes, qual seria a interpretação na hipótese de o beneficiário ser o próprio controlador, vale dizer, a matriz do grupo econômico? Independente do arranjo societário (cuja atual dinâmica e internacionalização não poderia ser prevista pelo legislador, em 1964!), a teleologia, o objetivo e a razão de ser da norma não podem ser outros senão o de evitar a manipulação do resultado, mediante pagamentos a sócios ou quaisquer beneficiários em favor destes. A norma busca vedar, em sentido amplo, a destinação irregular de royalties em benefício dos sócios ou de pessoa que lhe faça as vezes, em prejuízo do Fisco ou mesmo de outros sócios minoritários. Se isso vale, inclusive, quando o beneficiário não compõe a estrutura da corporação nem detém poderes de decisão (como no caso de parentes e dependentes), com mais força e razão o comando se aplica ao controlador indireto, notadamente quando todos os envolvidos são subsidiárias integrais deste. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 38 37 Neste ponto, a questão me parece cristalina: não se trata de lacuna ou omissão legal, mas sim de situação perfeitamente enquadrada na dicção e vontade do legislador, que, por óbvio, não possui dons premonitórios capazes de conhecer, muito antes da realidade fática, as inúmeras variantes que hoje existem nas relações societárias internacionais. Esse tema também não é estranho ao CARF, posto que já se decidiu pela indedutibilidade quando os pagamentos são efetuados entre empresas do mesmo grupo econômico: [...] Portanto, não há como acolher o argumento de que a vedação contida na alínea "d" do parágrafo único do art. 71 da Lei nº 4.506/1964 alcança apenas sócio pessoa física. Caso não fosse assim, bastaria se interpor uma pessoa jurídica entre o pagador e a pessoa física e a norma antielisiva seria contornada. Ademais, tanto a atual Lei das Sociedades por Ações, Lei nº 6.404, de 15/12/1976, quanto a antiga, DecretoLei nº 2.627, de 26/09/1940, vigente muito antes da Lei nº 4.506/1964, já tratavam o termo sócio para designar tanto pessoas físicas como pessoas jurídicas. Analogamente é o tratamento dado pelo Código Civil vigente, a Lei nº 10.406, de 10/01/2002, quanto o anterior Código Civil de 1916, que empregam a palavra ‘sócio’ abrangendo pessoas naturais e sociedades. Portanto, à época de publicação da lei em questão e durante todo o período que se passou até hoje, entendese por sócio os seres humanos e as empresas. Desse modo, também NEGO provimento ao recurso especial da contribuinte em relação a essa segunda divergência. 3 QUESTÃO REFERENTE À DEDUTIBILIDADE DOS ROYALTIES EM RELAÇÃO À CSLL Quanto a esta última divergência, a contribuinte alega que as regras que vedam a dedução dos royalties são próprias do IRPJ, e não se aplicam à CSLL. Sempre houve muita polêmica em torno desse tipo de questão, ou seja, de definir quais regras do IRPJ (relativamente à apuração da base de cálculo) são também aplicáveis à CSLL. A Receita Federal, no intuito de reduzir a litigiosidade em relação a essas questões, editou a IN RFB nº 1.700, de 14/03/2017, listando uma série de ajustes à base de cálculo (adições e exclusões), e identificando quais deles seriam específicos para o IRPJ, e quais seriam aplicáveis aos dois tributos (IRPJ e CSLL). A referida instrução normativa apresenta o "ANEXO I TABELA DE ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO", contendo a seguinte informação sobre a matéria que aqui interessa: Nº Assunto Descrição do ajuste Aplicase ao IRPJ? Aplicase à CSLL? Dispositivo na IN 99 Royalties e O valor dos royalties e das importâncias Sim Não Arts. 85 a Fl. 822DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 39 38 Assistência Técnica, Científica e Administrativa pagas a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, que forem indedutíveis nos termos: (1) dos arts. 52 e 71, caput, alínea ‘a’, e parágrafo único, alíneas ‘c’ a ‘g’, da Lei nº 4.506, de 1964; (2) do art. 50 da Lei nº 8.383, de 1991; (3) do art. 74, caput, da Lei nº 3.470, de 1958; (4) do art. 12 da Lei nº 4.131, de 1962; e (5) do art. 6º do DecretoLei nº 1.730, de 1979. 88 Como se trata de posicionamento do próprio órgão encarregado da administração e fiscalização dos tributos de competência da União, manifestando o mesmo entendimento que é defendido pela contribuinte, penso ser desnecessário outras considerações a respeito disso. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da contribuinte em relação a essa terceira divergência. Em resumo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte quanto à dedutibilidade dos royalties em relação ao IRPJ (questão referente à figura do autor/criador do bem ou da obra, e questão referente ao recebimento de royalties por sócio pessoa jurídica), e de DAR provimento ao recurso quanto à dedutibilidade dos royalties em relação à CSLL. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 823DF CARF MF Processo nº 16539.720014/201419 Acórdão n.º 9101003.062 CSRFT1 Fl. 40 39 Declaração de Voto Não houve apresentação de declaração de voto no prazo regimental de 15 (quinze) dias, contados da data de julgamento do processo. Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, Anexo II: Art. 63. ... § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 824DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900063/2006-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DE TERCEIROS. NÃO VINCULAÇÃO.
APRECIAÇÃO DA NORMA
Apesar de a solução de consulta somente constituir norma aplicável ao consulente, tem-se que a mesma pode ser considerada como princípio informativo para aplicação do direito à parte não consulente. De toda forma, nada impede que o julgador, ao conhecer da matéria posta em julgamento, dê solução equivalente ao posicionamento reiteradamente aceito no âmbito de
soluções de consulta respondidas pela RFB.
TRANSPORTE. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DE LUCRO. ATIVIDADE ACESSÓRIA.
A atividade de carga e descarga de mercadorias como acessória de um serviço de transporte de mercadorias, sujeitase
a mesma tributação aplicada ao serviço de transporte. Para a apuração da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, somente será aplicável o percentual de 8% quando a
prestação de serviços de guindastes, esteiras, guinchos, empilhadeiras e assemelhados, integrarem um contrato de transporte. Por outro lado, será aplicável o percentual de 32%, quando a receita decorrer da prestação de
serviços de guindastes, esteiras, guinchos, empilhadeiras e assemelhados, que não integrem um contrato de transporte.
Numero da decisão: 1401-000.544
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para homologar as DCOMP’s até o limite do direito creditório reconhecido quanto às receitas dos serviços de
transporte comprovados, cujos recolhimentos pelo lucro presumido superaram a alíquota de oito por cento. Julgamento conjunto dos processos nº 10510.900063/200665, 10510.900070/200667,
10510.900074/200645, 10510.900075/200690, 10510.900081/200647,
10510.900082/200691, 10510.900085/200625, 10510.900086/200670,
10510.900087/200614, 10510.900088/200669, 10510.900090/200638,
10510.900092/200627, 10510.900093/200671 e 10510.900094/200616,
nos termos do disposto no § 7º do art. 58
do RICARF.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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NÃO VINCULAÇÃO. APRECIAÇÃO DA NORMA Apesar de a solução de consulta somente constituir norma aplicável ao consulente, temse que a mesma pode ser considerada como princípio informativo para aplicação do direito à parte não consulente. De toda forma, nada impede que o julgador, ao conhecer da matéria posta em julgamento, dê solução equivalente ao posicionamento reiteradamente aceito no âmbito de soluções de consulta respondidas pela RFB. TRANSPORTE. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DE LUCRO. ATIVIDADE ACESSÓRIA. A atividade de carga e descarga de mercadorias como acessória de um serviço de transporte de mercadorias, sujeitase a mesma tributação aplicada ao serviço de transporte. Para a apuração da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, somente será aplicável o percentual de 8% quando a prestação de serviços de guindastes, esteiras, guinchos, empilhadeiras e assemelhados, integrarem um contrato de transporte. Por outro lado, será aplicável o percentual de 32%, quando a receita decorrer da prestação de serviços de guindastes, esteiras, guinchos, empilhadeiras e assemelhados, que não integrem um contrato de transporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para homologar as DCOMP’s até o limite do direito creditório reconhecido quanto às receitas dos serviços de transporte comprovados, cujos recolhimentos pelo lucro presumido superaram a alíquota de oito por cento. Julgamento conjunto dos processos nº 10510.900063/200665, Fl. 68DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900063/200665 Acórdão n.º 1401000.544 S1C4T1 Fl. 2 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, 10510.900081/2006 47, 10510.900082/200691, 10510.900085/200625, 10510.900086/200670, 10510.900087/200614, 10510.900088/200669, 10510.900090/200638, 10510.900092/2006 27, 10510.900093/200671 e 10510.900094/200616, nos termos do disposto no § 7º do art. 58 do RICARF. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Karem Jureidini Dias. Ausente momentaneamente o conselheiro Mauricio Pereira Faro. Relatório A Recorrente é uma empresa privada cujo objeto social consiste na prestação de “serviço de LOCAÇÃO DE GUINDASTES LEVES E PESADOS”, conforme se extrai de seu contrato social em vigor. Nos anoscalendário 2000 e 2001, a Recorrente apurou o imposto de renda pela sistemática de lucro presumido, tendo aplicado o percentual de 32% sobre a totalidade de sua receita bruta para fixação do lucro tributável. Ainda, a Recorrente aderiu a um parcelamento, objetivando pagar débitos de imposto de renda relativos a referidos anoscalendário, consolidado no processo nº 10510.003859/200163, em que indicou, como imposto de renda em débito, aquele apurado pela composição do percentual de 32% sobre o total da sua receita bruta. Referido parcelamento foi encerrado em 31 de julho de 2003 com o pagamento da última parcela. No entanto, o contribuinte, acreditando ter recolhido imposto de renda a maior durante referidos anoscalendário e no respectivo parcelamento, promoveu a retificação de suas DIPJ’s 2001 e 2002, anoscalendário 2000 e 2001, assim como as respectivas DCTF’s, para fazer constar parte de suas receitas como sujeitas ao percentual de 8% para definição do lucro tributável, e não de 32% como havia sido originalmente declarado. Assim, após as retificações, a Recorrente apurou um crédito de imposto de renda decorrente de pagamento indevido. Segundo a Recorrente, o erro incorrido nas declarações originais referese ao percentual de lucro presumido incidente sobre parte dos serviços prestados. Isso porque, segundo defende, quando o serviço de guindastes estiver atrelado a um serviço de transporte, deve a respectiva receita estar sujeita ao percentual de 8% para definição do lucro tributável. Desta feita, a Recorrente promoveu a segregação dos valores oferecidos à tributação, para sujeitar aqueles decorrentes de serviços de transporte ao percentual reduzido, mantendo os demais serviços no percentual de 32% para determinação da base de incidência do imposto. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900063/200665 Acórdão n.º 1401000.544 S1C4T1 Fl. 3 Identificado o recolhimento indevido e a maior, a Recorrente apresentou as DCOMP’s consolidadas nos processos nº 10510.900063/200665, 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, 10510.900081/200647, 10510.900082/2006 91, 10510.900085/200625, 10510.900086/200670, 10510.900087/200614, 10510.900088/200669, 10510.900090/200638, 10510.900092/200627, 10510.900093/2006 71 e 10510.900094/200616. Como crédito, em todas elas foi apontado a diferença pela revisão do percentual do lucro presumido de 32% para 8% em parte das receitas oferecidas à tributação pelo imposto de renda nos anoscalendário 2000 e 2001 e no já citado parcelamento. O primeiro processo posto em julgamento foi o de nº 10510.900081/200647. Neste feito, após analise das notas fiscais emitidas pelas Recorrente nos anoscalendário 2000 e 2001, a Autoridade Fiscal, assim como a DRJ que analisou a manifestação de inconformidade, entendeu por afastar as declarações retificadoras, ao argumento de que as notas fiscais apresentadas pela Recorrente como respaldo à aplicação do percentual de 8% para o lucro presumido não seriam de transporte, pelo que não teria ocorrido o suposto pagamento indevido viabilizador do crédito objeto de restituição. A decisão restou assim ementada: Acórdão _ 1519.4682ªTurma da DRJ/SDR Sessão de 29 de maio de 2009 Processo 10510.900081/200647 Interessado ETINHO GUINDASTES LTDA CNPJ/CPF 01.323.131/000172 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ • Anocalendário: 2002 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE GUINDASTES, GUINCHOS E ASSEMELHADOS. EQUIPARAÇÃO A TRANSPORTE DE CARGAS. EXIGÊNCIA DE CONTRATO DE TRANSPORTE. A prestação de serviços de guindaste somente se equipara ao serviço de transporte de cargas, para efeito de determinação de base de cálculo do imposto de renda, quando for parte integrante de um contrato de transporte, com remuneração exclusivamente do serviço contratado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Configurada a inexistência de direito creditório, incabível a homologação da declaração de compensação. Solicitação Indeferida Por conseqüência, todas as demais DCOMP’s que apontaram o mesmo direito de crédito, após análise da manifestação de inconformidade, tiveram sua solicitação indeferida sob o mesmo fundamento. Inconformada, a Recorrente aviou recurso voluntário em referidos processos, objetivando revisão do julgamento, sob os seguintes argumentos: Fl. 70DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900063/200665 Acórdão n.º 1401000.544 S1C4T1 Fl. 4 1) Nos processo nº 10510.900063/200665, 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, que a decisão do processo nº 10510.900081/200647 não pode servir de fundamento para o indeferimento dos respectivos pedidos de compensação, para os quais sequer foi solicitada a apresentação da documentação da Recorrente; 2) Em todos os processos, no mérito, que a Recorrente exerce duas atividades, quais sejam, (i) locação de guindastes e (ii) serviço de guidastes com transporte de cargas, devendo este sujeitarse à tributação à base de 8%, e não de 32%, pelo que os valores recolhidos a maior caracterizamse como pagamento indevido. Dada a identidade material dos processos nº 10510.900063/200665, 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, 10510.900081/2006 47, 10510.900082/200691, 10510.900085/200625, 10510.900086/200670, 10510.900087/200614, 10510.900088/200669, 10510.900090/200638, 10510.900092/2006 27, 10510.900093/200671 e 10510.900094/200616, promovo, com base no disposto no § 7º do art. 58 do RICARF, o julgamento conjunto dos processos. É este, em suma, o relatório Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator Os recursos são tempestivos e, atendidos os demais requisitos legais, deles conheço. PRELIMINAR. NULIDADE DOS JULGAMENTOS. Nos processos nº 10510.900063/200665, 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, a Recorrente argüiu a nulidade dos julgamentos posto que a decisão que indeferiu o direito de crédito tomou como base o julgamento realizado no processo nº 10510.900081/200647. Sem razão a Recorrente. Os processo ora em julgamento, em especial os supra indigitados, referemse a pedidos de compensação em que se aponta como objeto de restituição o mesmo direito creditório, qual seja, o recolhimento indevido a maior de imposto de renda apurado pela sistemática de lucro presumido nos anoscalendário 2000 e 2001, cujos pagamentos foram consolidados por meio do parcelamento decorrente do processo nº 10510.003859/200163. Desta feita, a solução dada em um dos processos deverá ser a mesma para todos os demais. Isso porque, caso seja reconhecido, total ou parcialmente, o direito creditório Fl. 71DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900063/200665 Acórdão n.º 1401000.544 S1C4T1 Fl. 5 postulado pela Recorrente, a homologação das respectivas DCOMP’s deverá ser promovida no limite do direito de crédito reconhecido. Não existem outras questões em litígio que não sejam relacionadas ao reconhecimento do direito creditório, que é comum a todos os processos. Desta feita, não reconhecido o direito creditório em um processo, a mesma solução deve ser dada a todos os demais. No caso em apreço, a inexistência do direito creditório decorrente de suposto recolhimento indevido a maior do imposto de renda nos anoscalendário 2000 e 2001 foi reconhecida no processo nº 10510.900081/200647, devendo a mesma solução alcançar os demais processos em que se pleiteia a restituição do mesmo direito creditório. Pelo exposto, afasto a preliminar invocada. MÉRITO. DEFINIÇÃO DO DIREITO APLICÁVEL. No mérito, aduz a Recorrente que parte de seu faturamento não se refere à prestação de serviços de guindastes, mas sim a serviços de transporte que envolvem a utilização de caminhões munck, responsáveis por içar as mercadorias que serão transportadas nos respectivos caminhões, pelo que a receita decorrente deste serviço de transporte estaria sujeita ao percentual de 8% para fins de identificação do lucro tributável no sistema de apuração pelo lucro presumido. Segundo seu alega: A base legal, desse entendimento encontrase respaldada na Lei n° 8.981/95, art. 44, Lei n° 9.249/95, arts. 15 e 29, Lei n° 9430/96, arts. l, 25 e 26, Processo de Consulta n° 007/99. 4ª Região Fiscal e Decisão n° 99/98 da 8ª Região Fiscal. Albergadas na jurisprudência da Receita Federal, transmitida mediante a Decisão—N° 99/98, da oitava Região Fiscal, as pessoas jurídicas prestadoras de serviço com guindaste, acompanharam corretamente esse entendimento, e assim, passaram a tributar as receitas relativas a referida atividade com o percentual de 8% (oito por cento) e 32% a atividade e locação de guindaste. Foi o que fez o recorrente. O que torna ineficaz a Decisão da Delegacia de Julgamento de Salvador (Ba)., aqui combatida. Da legislação invocada pela Recorrente, inferese que as empresas prestadoras de serviço em geral submetemse ao percentual de lucro presumido de 32%, sendo que as empresas de transportes de carga sujeitamse ao percentual de lucro presumido de 8%. Já das soluções de consulta tomadas como fundamento para as retificações realizadas pela Recorrente, extraise o seguinte: LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS E GUINDASTES Fl. 72DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900063/200665 Acórdão n.º 1401000.544 S1C4T1 Fl. 6 O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta, relativa a prestação de serviço de guindaste, é de 8% (oito por cento),para fins de determinar a base de cálculo do imposto de renda sobre o lucro presumido.Dispositivos Legais: Lei n° 8.981/95, art. 44; n° 9.249/95, arts. 15 e 29 e n° 9.430/96, arts. 1º, 25 e 26. Processo de Consulta n° 007/99. Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 4a. Região Fiscal. Publicação no DOU: 01.07.1999. MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DECISÃO Nº 99 de 25 de Maio de 1998 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: LUCRO PRESUMIDO O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta, relativa a prestação de serviço de guindaste, é de 8%, para fins de determinar a base de cálculo do imposto de renda sobre o lucro presumido. Para serviços de locação de guindaste este percentual será de 32%. A decisão recorrida afastou a aplicação de referidas soluções de consulta, ao entendimento de que a Recorrente não foi a consulente nessa consulta, pelo que a decisão ali prolatada à ela não se aplicam. Da análise do bojo normativo em análise, identifico que, de fato, a Recorrente não foi parte das soluções de consulta por ela invocadas, pelo que, apesar de as soluções de referidas consultas poderem ser invocadas como princípio informativo para interpretação das normas aplicáveis ao caso, as mesmas não possuem efeito vinculante para fins de se encontrar o direito aplicável à espécie. Nesse contexto, as soluções de consulta invocadas não formam direito subjetivo à parte que não participou do respectivo processo, podendo o referido entendimento ser, ou não aplicado, conforme a análise o caso concreto. Restanos, então, definir o direito aplicável à espécie. Segundo se extrai do disposto no art. 15, inciso, II, alínea ‘a’ a lei nº 9.249/95, o serviço de transporte de carga está sujeito ao percentual de lucro presumido de 8% (oito por cento) sobre a receita auferida. Já os demais serviços em geral, dentre os quais se enquadram os serviços de guindastes, içamento, e recolocação mecânica de produtos e mercadorias, sujeitamse ao percentual de 32% aplicável sobre a receita decorrente da prestação de serviço. A dúvida surge quando, para que o serviço de transporte seja realizado, seja necessário o içamento da mercadoria por meio de guindastes. Com mais precisão ainda surge a dúvida quando referida composição de serviços “içamento+transporte” é feito por meio de caminhão conhecido como munck. Isso porque o munck é um caminhão que tem, atrelado à sua carroceria, um guindaste que possibilita o levantamento de produtos. Vejamos. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900063/200665 Acórdão n.º 1401000.544 S1C4T1 Fl. 7 De início, registro que a identificação da norma aplicável para caracterizar a hipótese de aplicação do percentual de 8% não é o instrumento utilizado para a prestação, mas sim a natureza do próprio serviço. De fato, conforme alega a Recorrente, o caminhão munck é um “caminhão com guincho ou guindaste acoplado, para o carregamento, transporte e descarregamento de cargas em geral”. No entanto, não é todo serviço executado com um caminhão munck que estará sujeito à aplicação do percentual reduzido do lucro presumido. Isso porque o caminhão munck pode ser utilizado para içar a mercadoria e colocála a bordo do caminhão, para o respectivo transporte e posterior desembarque, como também pode ser utilizado apenas para que o serviço de guindastes seja realizado em local facilmente acessível por meio do caminhão. Assim, se o guincho ou guindaste do caminhão munck é utilizado como serviço acessório ao de transporte, aplicase à respectiva receita o percentual de 8% para identificação do lucro presumido. No entanto, se o guincho ou guindaste do caminhão munck for utilizado para movimentação de mercadorias, e não para o seu transporte, aplicase o percentual de 32% para a definição do lucro tributável. Essa mesma lógica deve ser aplicada aos serviços de içamento, guinchamento ou correlatos: se a atividade é acessória e diretamente relacionada ao serviço de transporte contratado, o total da receita estará sujeita ao percentual reduzido do lucro presumido. Se, por sua vez, o serviço de içamento, guinchamento ou correlato tiver sido contratado separadamente, ou não estiver diretamente atrelado ao serviço de transporte de mercadorias, deverá ser aplicado o percentual de 32%. Neste sentido, existem inúmeras soluções de consulta da RFB, valendo ressaltar o seguinte entendimento: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 306 de 26 de Novembro de 2010 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS APLICÁVEIS. A atividade de carga e descarga de mercadorias no pátio do estabelecimento não é propriamente caracterizada como transporte de mercadorias, mas atividade que normalmente acompanha o transporte. Para a apuração da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, somente será aplicável o percentual de 8% quando a prestação de serviços de guindastes, esteiras, guinchos, empilhadeiras e assemelhados, integrarem obrigatoriamente um contrato de transporte, e a receita for auferida exclusivamente em função do serviço de transporte contratado. Por outro lado, será aplicável o percentual de 32%, quando a receita decorrer da prestação de serviços de guindastes, esteiras, guinchos, empilhadeiras e assemelhados, que não integrem um contrato de transporte. Pelo exposto, entendo que somente quando o serviço de guindastes, içamentos e correlatos forem arte de um contrato de serviço de transporte é que a sua receita estará sujeita ao percentual reduzido do lucro presumido, para fins de incidência do imposto de renda. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900063/200665 Acórdão n.º 1401000.544 S1C4T1 Fl. 8 MÉRITO. SUBSUNÇÃO DA NORMA AO FATO. Diante do exposto acima, temse que os serviços de transporte estarão sujeitos ao percentual de 8% incidente sobre a receita bruta auferida, sendo que todos os demais sujeitamse ao percentual de 32%. Da análise da documentação acostada pela Recorrente, identifico que a maioria dos serviços descritos nas notas fiscais estão sujeitos ao percentual de 32%, por se referirem a serviços de munck, em que não está especificada a existência de transporte de mercadorias, locação demunck, locação de guindastes e serviços de içamento não diretamente relacionados a serviços de transporte. No entanto, nas seguintes notas fiscais, estão especificados serviços de transporte, a saber: Fls. Nota fiscal nº Serviço Valor (R$) 55 1132 Serviço de munck para transporte de 01 arco cirúrgico do Hospital João Alves Filho para o Hospital Ciurgica 150,00 59 1090 Serviço de carreta de feiradesom para Aracajú 2.000,00 62 1122 Serviço de carreta para transporte de peças e de um chaminé 900,00 74 1087 Serviço de munck para transporte de caixas de Aracajú para 600,00 76 1083 Serviço de munck – 120 km rodados 520,00 89 1449 Serviço de munck para transporte de materiais 9.920,00 93 1461 Serviço de munck para transporte 150,00 123 1386 Serviço de munck – 140 km rodados 290,00 129 1374 Serviço munck para transporte de uma máquina de coco 210,00 167 1170 Serviço de munck para levar uma estátua na cidade de Tobias Barreto – SE 310,00 177 1140 Serviço de munck para transportar um misturador de Pedra Branca – SE para Renascença – SE e viceversa 1000,00 178 1137 Serviço de munck – 138 km rodados 288,00 Fl. 75DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900063/200665 Acórdão n.º 1401000.544 S1C4T1 Fl. 9 179 1182 Serviço de munck para transportar um arco cirúrgico de um hospital a outro 150,00 Os serviços descritos nas notas fiscais supra elencadas tratam nitidamente de serviços de transporte, estando os mesmos sujeitos ao percentual de 8% para fins de apuração do lucro presumido. Quanto aos serviços descritos nas demais notas fiscais juntadas aos autos, entendo não estar configurado o serviço de transporte, pelo que a eles se aplica o percentual de 32%. Diante do exposto, tendo o recolhimento do imposto de renda sido promovido totalmente com base no lucro presumido apurado pelo percentual de 32%, entendo que parte dos valores recolhidos pela Recorrente tratase de pagamento indevido a maior, passível de restituição. Deve, assim, a autoridade preparadora, considerandose os períodos trimestrais de formação do lucro presumido, acatar as retificações promovidas nas DCOMP’s e DIPJ’s com relação às receitas acima discriminadas, calculandose o lucro presumido sobre referidas bases no percentual de 8%. Feita essa composição, e apurado o pagamento a maior, devem ser homologadas as DCOMP’s no limite do direito creditório ora reconhecido, levandose em consideração, por período, o crédito apontado em cada uma das DCOMP’s. Voto, assim, pelo provimento parcial dos recursos para homologar as DCOMP’s até o limite do direito creditório reconhecido quanto às receitas dos serviços de transporte comprovados, cujos recolhimentos pelo lucro presumido superaram a alíquota de oito por cento. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 76DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR
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Numero do processo: 16327.910610/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 02/04/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.501
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 02/04/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 10 /2 01 1- 31 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910610/201131 Acórdão n.º 3402004.501 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2005. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.746, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 02/04/2005 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910610/201131 Acórdão n.º 3402004.501 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910610/201131 Acórdão n.º 3402004.501 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910610/201131 Acórdão n.º 3402004.501 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.721603/2011-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .7 21 60 3/ 20 11 -2 8 Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10640.721603/201128 Resolução nº 2401000.618 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Nesta oportunidade, por bem descrever a matéria tratada nos presentes autos, adoto o relatório produzido pela respeitável decisão de fls. 224/225, apresentado nos termos seguintes: “Exercício 2010. Anocalendário: 2009. Data da Lavratura da Notificação de Lançamento: 28/02/2011. Data de Ciência da Notificação de Lançamento: 10/03/2011. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a impugnação interposta pelo Sujeito Passivo do Crédito Tributário formalizado mediante a Notificação de Lançamento nº 2010/077008811265463, a fls. 30/35, consistente em Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF em razão de omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de ação da Justiça Federal, e sobre rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, em virtude da não comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a fls. 30/35, a Administração Tributária apurou omissões de rendimentos tributáveis no montante de R$ 66.797,13, sendo R$ 16.186,98 recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, R$ 7.162,83 recebidos da Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social – REFER, estes referentes às diferenças entre o que foi declarado pelo Notificado e o que foi informado mediante DIRF pelas citadas fontes pagadoras, e R$ 43.447,32 recebidos da Justiça Federal, em decorrência de decisão judicial. Segundo a Autoridade Lançadora, ‘A isenção por moléstia grave deve ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estados ou Municípios. O laudo apresentado pelo contribuinte não foi considerado apto para a comprovação tendo em vista não indicar qual foi o Serviço Público emitente. Não são aceitos laudos emitidos por médicos particulares, conforme os apresentados pelo contribuinte.’ Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Notificado apresentou impugnação a fls. 02/06. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10640.721603/201128 Resolução nº 2401000.618 S2C4T1 Fl. 4 3 0937.663 – 4ª Turma da DRJ/JFA, a fls. 76/80, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 08/12/2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 83. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, Oliveiros Mendes interpôs recurso voluntário, a fls. 84/86, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: • Perda do Objeto, sob a alegação de que, após o julgamento de sua impugnação e depois de diligenciar por diversas vezes junto aos órgãos oficiais o recorrente finalmente teve acesso a laudo emitido por serviço médico oficial (documento anexado); • Que é isento do imposto de renda por ser portador de moléstia grave (cardiopatia grave) nos termos do artigo 6°, inciso XIV da lei nº 7.713/1988; • Que existe nos autos prova documental da situação do recorrente, laudo médico pericial emitido por serviço médico oficial (documento em anexo), sendo que a sua juntada só não ocorreu por ocasião da impugnação em razão de força maior, qual seja, recusa da fonte pagadora (INSS) em fornecer o laudo oficial o que permitiria ao contribuinte comprovar sua condição de isento, evitando assim o prolongamento desnecessário deste feito.” Ao analisar o Recurso Voluntário, este egrégio Conselho converteu o julgamento em diligência, para que a Fiscalização apure a Autenticidade do Documento a fl. 87, máxime quanto à sua emissão pela Gerência Regional de Saúde de Juiz de Fora/MG, localizada na Avenida dos Andradas, 222 – Centro – CEP: 36036000 – Juiz de Fora/MG, e para que emita parecer conclusivo quanto a sua prestabilidade para fins da isenção de que trata o art. 39, XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda. Ao final, restou determinado a intimação do sujeito passivo para que tome ciência do resultado e conteúdo da diligência fiscal, e lhe seja concedido o prazo normativo para que, desejando, possa se manifestar nos autos do processo. Em seguida, foram anexados aos autos os documentos de fls. 230/248 e o Relatório de Diligência de fls. 249/250. Após, os autos retornaram a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10640.721603/201128 Resolução nº 2401000.618 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DO MÉRITO 2.1 Da necessidade de diligência Consoante se observa, cuidase de retorno de diligência solicitada por este Conselho Administrativo, que à ocasião, havia determinado o que segue (fl. 227): “Por tais razões, pugnamos pela CONVERSÃO do Julgamento do Recurso Voluntário em DILIGÊNCIA, para que a Fiscalização apure a Autenticidade do Documento a fl. 87, máxime quanto à sua emissão pela Gerência Regional de Saúde de Juiz de Fora/MG, localizada na Avenida dos Andradas, 222 – Centro – CEP: 36036000 – Juiz de Fora/MG, e para que emita parecer conclusivo quanto a sua prestabilidade para fins da isenção de que trata o art. 39, XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda. Por derradeiro, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deverá ser intimado o Sujeito Passivo para que tome ciência do resultado e conteúdo da diligência fiscal ora requestada, e lhe seja concedido o prazo normativo para que, desejando, possa se manifestar nos autos do processo.” (grifei) Em cumprimento à determinação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil anexou aos autos os documentos de fls. 230/248 e o Relatório de Diligência de fls. 249/250. Todavia, o contribuinte interessado não foi intimado a se manifestar sobre os referidos documentos. Assim, com o objetivo de cumprir o que anteriormente havia sido decidido, devem os autos retornar à origem para oportunizar o Recorrente, no prazo legal, para, querendo, manifestese sobre os documentos de fls. 230/248 e o Relatório de Diligência de fls. 249/250. Após, retornem os autos para inclusão em pauta de julgamento. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 257DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.000734/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
GANHO DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS. PRECATÓRIO JUDICIAL.
O contribuinte que cede a terceiros o direito de crédito previsto em precatório judicial sujeita-se à tributação do Imposto de Renda sobre o ganho de capital. O valor do crédito cedido não pode ser considerado como custo de aquisição, uma vez que não foi ainda incorporado ao patrimônio do contribuinte para fins de imposto de renda e, como conseqüência, não pode ser considerado como consumido.
Numero da decisão: 2201-003.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 16/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 GANHO DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS. PRECATÓRIO JUDICIAL. O contribuinte que cede a terceiros o direito de crédito previsto em precatório judicial sujeita-se à tributação do Imposto de Renda sobre o ganho de capital. O valor do crédito cedido não pode ser considerado como custo de aquisição, uma vez que não foi ainda incorporado ao patrimônio do contribuinte para fins de imposto de renda e, como conseqüência, não pode ser considerado como consumido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 16/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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CESSÃO DE DIREITOS. PRECATÓRIO JUDICIAL. O contribuinte que cede a terceiros o direito de crédito previsto em precatório judicial sujeitase à tributação do Imposto de Renda sobre o ganho de capital. O valor do crédito cedido não pode ser considerado como custo de aquisição, uma vez que não foi ainda incorporado ao patrimônio do contribuinte para fins de imposto de renda e, como conseqüência, não pode ser considerado como consumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 16/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 07 34 /2 00 9- 47 Fl. 324DF CARF MF 2 Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 302/314) apresentado em face do Acórdão nº 1049.424, da 8ª Turma da DRJ/POA (fls. 285/293), que negou provimento à impugnação (fls. 238/250) do sujeito passivo ao auto de infração (fls. 3/6) pelo qual se exige crédito tributário de R$ 183.541,87, relativo a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF e acréscimos legais, tendo por base de cálculo ganho de capital apurado na cessão de direitos representados por precatórios judiciais. Segundo o Relatório da Fiscalização (fls. 7/10), a contribuinte e seu cônjuge eram titulares de direitos representados por precatórios judiciais, em ação onde pleitearam a restituição do IOF incidente sobre os valores bloqueados em contas correntes por ocasião do Plano Collor. Teriam efetuado a cessão desses direitos através de escritura lavrada em 01/04/2004, pela qual caberia a cada um o valor de R$ 537.500,00 recebido de forma parcelada. Não houve recolhimento de qualquer valor a título de IRPF tendo por base o ganho de capital auferido na operação descrita. A autoridade fiscal apurou o IR devido pela aplicação da alíquota de 15% incidente sobre cada uma das parcelas recebidas e aplicou a multa de ofício de 75%. A impugnação apresentada pelo sujeito passivo deu origem ao Acórdão recorrido, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 GANHO DE CAPITAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. A cessão de direitos representados por créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública, está sujeita à apuração de ganho de capital, sobre o qual incidirá imposto de renda na forma da legislação pertinente à matéria. A ciência dessa decisão ocorreu em 04/04/2014 (fl. 299) e o recurso voluntário foi tempestivamente apresentado em 02/05/2014 (fls. 302/314). Em suas razões de recorrer, a interessada aduz, em síntese, que: 1. Realizou a venda de um bem e aplicou o produto da venda para que não sofresse perdas irreparáveis, de forma que o valor dos juros compensatórios não pode ser considerado jamais ganho de capital. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 11060.000734/200947 Acórdão n.º 2201003.966 S2C2T1 Fl. 325 3 2. A venda de um imóvel e a consequente aplicação, com a posterior alienação de direitos creditórios não corresponde a indenização a preço pago, por isso não há que se falar em ganho. 3. Não há ganho se a venda ocorreu com deságio, pois o crédito era de R$ 1.181.571,20 e o montante recebido foi de R$ 1.075.000,00. 4. Não é possível afirmar que o custo é zero, pois houve inversão de recursos na construção do imóvel que foi vendido. 5. Não é cabível a aplicação de qualquer multa, pois esta caracterizaria verdadeiro esbulho aos direitos e garantias fundamentais. Com base nesses argumentos, pede que o recurso voluntário seja conhecido e provido, para fins de que o auto de infração seja julgado improcedente. Chegando a este Conselho, o processo compôs lote sorteado em sessão pública a esta Conselheira. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Conforme evidencia o relatório, insurgese a recorrente contra o valor atribuído ao precatório cedido a título de custo de aquisição, defendendo que este deveria espelhar o valor dos direitos que ele representava. Este raciocínio contém uma falha. Explico. O imposto sobre a renda das pessoas físicas adota como critério temporal para a ocorrência do fato gerador o regime de caixa, o que é evidenciado pelas seguintes normas: Lei nº 8.134, de 1990 Art. 2° O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11. Art. 3° O Imposto de Renda na Fonte, de que tratam os arts. 7° e 12 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, incidirá sobre os valores efetivamente pagos no mês. Lei nº 7.713, de 1988 Fl. 326DF CARF MF 4 Art. 7º Ficam sujeito à incidência do imposto de renda na fonte, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei: I os rendimentos do trabalho assalariado, pagos ou creditados por pessoas físicas ou jurídicas; II os demais rendimentos percebidos por pessoas físicas, que não estejam sujeitos à tributação exclusiva na fonte, pagos ou creditados por pessoas jurídicas. § 1º O imposto a que se refere este artigo será retido por ocasião de cada pagamento ou crédito e, se houver mais de um pagamento ou crédito, pela mesma fonte pagadora, aplicarseá a alíquota correspondente à soma dos rendimentos pagos ou creditados à pessoa física no mês, a qualquer título. O art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, por sua vez, tinha a seguinte redação no período em que ocorreram os fatos em análise: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Portanto, enquanto não há a realização financeira, os rendimentos não são oferecidos à tributação pelo imposto de renda e não há a sua incorporação ao patrimônio do contribuinte. Como os direitos representados pelo precatório não compunham ainda o patrimônio para fins de imposto de renda, não houve em relação a eles fato imponível. Na verdade, o fato gerador deste tributo apenas se aperfeiçoou no momento em que houve a cessão dos direitos e o recebimento por ela (cessão). O prejuízo alegado pela recorrente apenas existiria se o direito alienado já estivesse incorporado ao seu patrimônio, no que diz respeito ao imposto de renda. Nesta hipótese, ao cedêlo, estaria consumindoo, o que justificaria que compusesse o custo de aquisição. Dito de outra forma, não pode haver prejuízo em relação a ganhos ainda não existentes e, para efeitos de Imposto sobre a Renda, o ganho que era esperado com a ação judicial não se concretizou. Dessa forma, contraria a lógica que rege o IRPF que o contribuinte adote como custo algo que não chegou a integrar seu patrimônio. Na hipótese em análise, no máximo, poderia demonstrar que incorreu em custos com a ação judicial e esses valores poderiam, a meu ver, serem considerados como custo de aquisição do direito cedido. Esse fato decorre da opção feita pelo legislador, que elegeu o regime de caixa como o adequado para a apuração do imposto de renda das pessoas físicas. As demais alegações, que invocam a origem dos valores que foram depositados na conta bloqueada ou a natureza dos juros a eles incorporados, não merecem melhor sorte. Isso porque ao ceder os direitos representados pelo precatório, a contribuinte abriu mão deles, transferindoos para terceiros. Com efeito, ao transferir seu crédito, o lugar Fl. 327DF CARF MF Processo nº 11060.000734/200947 Acórdão n.º 2201003.966 S2C2T1 Fl. 326 5 ocupado por ela no pólo ativo da relação obrigacional passou a ser ocupado pelo cessionário e a este foram transmitidos todos os direitos, inclusive os acessórios. Neste caso, a cedente deixou de ser credora das parcelas que compunham o direito representado pelo precatório, passando a ser credora do preço pelo qual transferiu seus direitos. Se não é mais credora dessas verbas, não pode invocar sua natureza ou origem para fins de tributação. O valor recebido pela cessão efetuada não se confunde com o pagamento do precatório, já que o negócio jurídico que deu origem a ela também não se confunde com os fatos que deram origem ao crédito cedido. Por fim, registrese que o entendimento aqui esposado está em sintonia com a jurisprudência desse colegiado, conforme evidencia a seguinte ementa, do Acórdão 9202 005.322, relatora a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2007, 2008 PAF PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO. Para efeito de caracterização de divergência jurisprudencial quanto à tributação da operação de cessão de direitos de precatório, é irrelevante que recorrido e paradigma tratem de ações judiciais de diferentes naturezas, quando o paradigma veicula entendimento genérico, no sentido da desvinculação da operação de cessão, da ação judicial que lhe deu causa. GANHO DE CAPITAL CESSÃO DE DIREITOS PRECATÓRIO JUDICIAL O contribuinte que cede a terceiros o direito de crédito previsto em precatório judicial sujeitase à tributação do Imposto de Renda sobre o ganho de capital, cujo custo de aquisição é zero. Do voto vencedor, de lavra da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, destacase: Por outro lado, quanto à operação de cessão de direitos de créditos constantes de precatórios, especificamente quanto ao seu custo, o Poder Judiciário já decidiu exatamente no mesmo sentido do presente voto: "AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. CESSÃO DE CRÉDITO REQUISITADO EM PRECATÓRIO. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. I A cessão do crédito previsto no precatório judicial está sujeita à tributação pelo imposto de renda não por se tratar de rendimento, e sim por haver ganho de capital pelo cedente, a teor do disposto no art. 3º, §3º, da Lei 7.713/88, submetendose, pois, à tributação do Imposto de Renda. II Como consectário lógico, aplicandose a regra inserta no art. 21 da Lei 8.981, de 20 de Janeiro de 1995, deve incidir a alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o valor do ganho auferido, em razão da cessão do crédito espelhado no precatório, mesmo quando realizada com deságio. III Em se tratando de direito creditício em perspectiva, o custo de aquisição será zero, Fl. 328DF CARF MF 6 nos termos do art. 16, §4º, da Lei 7.713/88, pois não existe preço ou valor anterior de aquisição. De consequência, a tributação terá como base de cálculo o valor efetivamente percebido através da cessão. IV Impendese destacar, ademais, que a cessão de crédito encerra negócio jurídico autônomo, havendo, assim, dois fatos geradores para fins de imposto de renda, a saber: a) a cessão propriamente dita; e b) o pagamento do precatório judicial, oportunidade na qual será o cessionário do crédito tributado, inclusive, na qualidade de responsável por força da aquisição que realizou (art. 131, I, do CTN), pela Fazenda Pública titular do respectivo crédito tributário. Não há que falar, pois, sob tal prisma, em bis in idem. V Agravo de instrumento da UNIÃO FEDERAL a que se dá provimento." (AG 201302010072678, Desembargador Federal THEOPHILO MIGUEL, TRF2 QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, V.U., EDJF2R Data:: 11/11/2013) (grifei) Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no mérito, negarlhe provimento. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 329DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003390/2008-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CEREAIS EM BARRA SEM CHOCOLATE.
Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, os cereais em barra, do tipo Neston Banana, Neston Morango, Neston Coco Tostado, Neston Light Damasco, Pêssego e Maçã, Neston Light Frutas Silvestres, classificam-se na posição TIPI 1704.90.90.
Numero da decisão: 9303-005.764
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Valcir Gassen não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Érika Costa Camargos Autran na sessão anterior.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Luiz Augusto do Couto Chagas e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CEREAIS EM BARRA SEM CHOCOLATE. Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, os cereais em barra, do tipo Neston Banana, Neston Morango, Neston Coco Tostado, Neston Light Damasco, Pêssego e Maçã, Neston Light Frutas Silvestres, classificam-se na posição TIPI 1704.90.90.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Valcir Gassen não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Érika Costa Camargos Autran na sessão anterior. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Luiz Augusto do Couto Chagas e Vanessa Marini Cecconello.
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CEREAIS EM BARRA SEM CHOCOLATE. Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, os cereais em barra, do tipo Neston Banana, Neston Morango, Neston Coco Tostado, Neston Light Damasco, Pêssego e Maçã, Neston Light Frutas Silvestres, classificamse na posição TIPI 1704.90.90. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Valcir Gassen não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Érika Costa Camargos Autran na sessão anterior. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 33 90 /2 00 8- 19 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10865.003390/200819 Acórdão n.º 9303005.764 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Luiz Augusto do Couto Chagas e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3302002.000, de 19 de março de 2013 (fls. 208 a 243) do processo eletrônico), proferido Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para considerar improcedente a classificação fiscal do produto “cereal em barra”, sem chocolate, nos termos do voto do redator designado. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração de fls. 03/25 para exigir R$ 5.513.341.10 referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, juros de mora calculados até 29/08/2008 e multa proporcional ao valor do imposto (75%), por ter o estabelecimento promovido saídas de produtos tributados, com falta/insuficiência de lançamento do imposto, face a erro de classificação fiscal e conseqüente erro de alíquota. Cientificado do auto de infração, o Contribuinte apresentou a impugnação de fis. 65/73, acompanhada dos documentos de fls. 74/124, alegando em síntese que a autuação deverá ser julgada improcedente, que não é correta a classificação fiscal pretendida pela Receita Federal para os produtos industrializados e comercializados pela ora impugnante, sem conformidade com as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado . A Autoridade Julgadora da 1ª Instância julgou procedente o lançamento. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para considerar improcedente a classificação fiscal do produto “cereal em barra”, Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10865.003390/200819 Acórdão n.º 9303005.764 CSRFT3 Fl. 4 3 sem chocolate, nos termos do voto do redator designado, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, os cereais em barra com chocolate classificamse na posição TIPI 1806.32.20; o cereal coberto com chocolate branco pertence à posição 1704.90.20 da mesma Tabela e o produto denominado “Chokito Branco” classificase na posição 1806.32.20. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, os cereais em barra classificamse na posição TIPI 1904.20.00. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. É mansa e pacífica a jurisprudência firmada neste Conselho no sentido de que é defeso a este colegiado administrativo de julgamento pronunciarse sobre inconstitucionalidade de leis (aplicação da Súmula CARF nº 02). Recurso Voluntário Provido em Parte. Encontramse identificados no acórdão recorrido como sendo cereais em barra, os produtos "Neston Banana, Neston Morango, Neston Coco Tostado, Neston Light Damasco, Pêssego e Maçã e Neston Light Frutas Silvestres", cuja classificação fiscal restou reformada, mantendo a classificação fiscal 1904.20.00 apresentada pelo contribuinte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 246 a 251) requerendo a reforma do acórdão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, com o restabelecimento da decisão de primeira instância, arguindo que "os produtos Neston Banana, Neston Morango, Neston Coco Tostado, Neston Light Damasco, Pêssego e Maça, Neston Light Frutas Silvestres não podem ser enquadrados na posição 1904, tendo em vista a exceção “a” do item 1904 das Notas Explicativas do Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10865.003390/200819 Acórdão n.º 9303005.764 CSRFT3 Fl. 5 4 Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH)", sendo "correta sua classificação na posição 1704. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de número 320200.129. A comprovação do julgado firmouse pela transcrição de inteiro teor ementa do acórdão no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 286 a 288, sob o argumento que cotejando o acórdão recorrido com o acórdão paradigma, constatouse, de pronto, que houve encaminhamentos distintos para a mesma situação fática, com interpretações diversas da legislação aplicável, tendose, portanto, configurada a divergência jurisprudencial regimentalmente requerida. No acórdão paradigma, referente ao mesmo contribuinte e aos mesmos produtos, decidiuse que a classificação correta das barras de cereal é a mesma que restou reformada no acórdão recorrido deste processo, qual seja, a NCM 1704.90.90. Ainda, de acordo com o voto condutor do acórdão paradigma, "[os] produtos sob exame mostram todas as características típicas de produtos de confeitaria, especialmente em vista da adição de vários tipos de açúcares, compondo uma barra onde se encontram flocos de aveia, cevada e trigo, razão por que devem ter o seu melhor enquadramento na posição “1704”. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 299 a 315, manifestando que seja julgado integralmente improcedente o Recurso Especial e parcialmente mantido o v. acórdão recorrido. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10865.003390/200819 Acórdão n.º 9303005.764 CSRFT3 Fl. 6 5 Conheço do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional por verificar que estão atendidos os requisitos necessários para sua admissibilidade A divergência suscitada pela Fazenda Nacional foi quanto ao método interpretativo para a classificação fiscal do produto Cereal em Barra. O acórdão recorrido decidiu pela procedência da classificação adotada pelo sujeito passivo. Inicialmente, ressalto que de acordo com a Regra Geral n.º 1 para a Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias: “Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes:”. Entretanto, caso pareça que a mercadoria possa classificarse em duas ou mais posições, a classificação deverá efetuar se na forma da Regra Geral nº 3: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificam Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10865.003390/200819 Acórdão n.º 9303005.764 CSRFT3 Fl. 7 6 se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. A Nomenclatura Comum do Mercosul, baseada no Sistema Harmonizado, traz os seguintes dados na época dos fatos: Capítulo 17 Açúcares e produtos de confeitaria Nota. 1. O presente Capítulo não compreende: a) Os produtos de confeitaria que contenham cacau (posição 18.06); b) Os açúcares quimicamente puros (exceto a sacarose, lactose, maltose, glicose e frutose (levulose)) e os outros produtos da posição 29.40; c) Os medicamentos e outros produtos do Capítulo 30. Notas de subposições. 1. Na acepção das subposições 1701.12, 1701.13 e 1701.14, considerase “açúcar bruto” o açúcar que contenha, em peso, no estado seco, uma percentagem de sacarose que corresponda a uma leitura no polarímetro inferior a 99,5°. 2. A subposição 1701.13 abrange unicamente o açúcar de cana obtido sem centrifugação, cujo conteúdo de sacarose, em peso, no estado seco, corresponde a uma leitura no polarímetro igual ou superior a 69º, mas inferior a 93º. O produto contém apenas microcristais naturais xenomórficos, não visíveis a olho nu, envolvidos em resíduos de melaço e de outros componentes do açúcar de cana. Nota Complementar (NC) da TIPI NC (171) Nos termos do disposto na alínea “b” do § 2º do art. 1º da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, com suas posteriores alterações, as saídas dos estabelecimentos industriais ou equiparados a industrial dos produtos classificados no Código 1704.90.10, ficam sujeitas ao Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10865.003390/200819 Acórdão n.º 9303005.764 CSRFT3 Fl. 8 7 imposto de nove centavos por quilograma do produto. NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 17.01 Açúcares de cana ou de beterraba e sacarose quimicamente pura, no estado sólido. 1701.1 Açúcares brutos sem adição de aromatizantes ou de corantes: 1701.12.00 De beterraba 5 1701.13.00 Açúcar de cana mencionado na Nota 2 de subposição do presente Capítulo 5 1701.14.00 Outros açúcares de cana 5 1701.9 Outros: 1701.91.00 Adicionados de aromatizantes ou de corantes 5 1701.99.00 Outros 5 Ex 01 Sacarose quimicamente pura 0 17.02 Outros açúcares, incluindo a lactose, maltose, glicose e frutose (levulose), quimicamente puras, no estado sólido; xaropes de açúcares, sem adição de aromatizantes ou de corantes; sucedâneos do mel, mesmo misturados com mel natural; açúcares e melaços caramelizados. 1702.1 Lactose e xarope de lactose: 1702.11.00 Que contenham, em peso, 99 % ou mais de lactose, expresso em lactose anidra, calculado sobre a matéria seca 0 1702.19.00 Outros 0 1702.20.00 Açúcar e xarope, de bordo (ácer) 0 1702.30 Glicose e xarope de glicose, que não contenham frutose (levulose) ou que contenham, em peso, no estado seco, menos de 20 % de frutose (levulose) 1702.30.1 Glicose 1702.30.11 Quimicamente pura 0 1702.30.19 Outras 5 Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10865.003390/200819 Acórdão n.º 9303005.764 CSRFT3 Fl. 9 8 1702.30.20 Xarope de glicose 0 1702.40 Glicose e xarope de glicose, que contenham, em peso, no estado seco, um teor de frutose (levulose) igual ou superior a 20 % e inferior a 50 %, com exceção do açúcar invertido 1702.40.10 Glicose 0 1702.40.20 Xarope de glicose 0 1702.50.00 Frutose (levulose) quimicamente pura 0 1702.60 Outra frutose (levulose) e xarope de frutose (levulose), que contenham, em peso, no estado seco, um teor de frutose (levulose) superior a 50 %, com exceção do açúcar invertido 1702.60.10 Frutose (levulose) 0 1702.60.20 Xarope de frutose (levulose) 0 1702.90.00 Outros, incluindo o açúcar invertido e os outros açúcares e xaropes de açúcares, que contenham, em peso, no estado seco, 50 % de frutose (levulose) 5 17.03 Melaços resultantes da extração ou refinação do açúcar. 1703.10.00 Melaços de cana 5 1703.90.00 Outros 5 17.04 Produtos de confeitaria sem cacau (incluindo o chocolate branco). 1704.10.00 Gomas de mascar, mesmo revestidas de açúcar 5 1704.90 Outros 1704.90.10 Chocolate branco 5 1704.90.20 Caramelos, confeitos, dropes, pastilhas, e produtos semelhantes 5 1704.90.90 Outros 5 __________________ Capítulo 18 Cacau e suas preparações Notas. 1. O presente Capítulo não compreende as preparações das posições 04.03, 19.01, 19.04, 19.05, 21.05, 22.02, 22.08, 30.03 ou 30.04. 2. A posição 18.06 compreende os produtos de confeitaria que contenham cacau, bem como, ressalvadas as disposições da Nota 1 do presente Capítulo, as outras preparações Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10865.003390/200819 Acórdão n.º 9303005.764 CSRFT3 Fl. 10 9 _ De acordo com notas acima, temos a Nota 1 a) do Capitulo 17 aponta que compreende os açúcares propriamente ditos (sacarose, lactose, maltose, glicose, frutose (levulose), etc), os xaropes, os sucedâneos do mel, os melaços resultantes da extração ou refinação do açúcar, bem como os açúcares e melaços, caramelizados, e os produtos de confeitaria. O açúcar no estado sólido e os melaços podem ser aromatizados ou adicionados de corantes." E o presente Capitulo não compreende: a) os produtos de confeitaria contendo cacau (posição 18..06). As Notas 3 e 4 do Capitulo 19 trazem os seguintes textos: "A presente posição compreende diversas preparações alimentícias obtidas a partir de grãos de cereais (milho, trigo, arroz, cevadas, etc), que tenham sido tratadas por expansão ou torrefação, ou, simultaneamente, por estes dois processos, de forma a tornálos crocantes. As referidas preparações destinamse essencialmente a serem utilizadas, no estado em que se encontram ou misturadas com leite, como alimentos para refeições matinais. Podem serlhes adicionados, no decurso ou após a sua fabricação, sal, açúcar, melaço, extratos de malte ou de frutas, ou cacau, etc." . Entendo que a principio, por força da RGI .3, devemos aplicar a regra b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. Por conseguinte, por força da RGI 3 b), cabenos perquirir qual é a característica essencial dos cereais em barra. A posição 17.04 cuida dos produtos de confeitaria, sem cacau (incluído o chocolate branco). Produtos de confeitaria, em principio, possuem como característica essencial o fato de conter açúcar, correspondendo ao que comumente se denomina "doce" ou “gulosema”. Esta posição conforme acima, engloba a maior parte das preparações alimentícias Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10865.003390/200819 Acórdão n.º 9303005.764 CSRFT3 Fl. 11 10 com adição de açúcar, comercializadas no estado sólido ou semisólido, em geral prontas para consumo imediato, conhecidos por produtos de confeitaria. Verificase que as barras de cereais em questão podem conter açúcar, mas essa não é a sua característica essencial. Ademais, não é só porque um produto contém açúcar que ele deve ser considerado um produto de confeitaria. No caso dos cereais em barra, a propósito, eles não são vendidos e nem consumidos como "doces" ou "guloseimas", geralmente são vendidas como os produtos dietéticos e cereais matinais ou de consumo para dietas. Assim, pelo exposto, parecenos que os cereais em barra não são produtos de confeitaria, haja vista que, muito embora contenham açúcar, esta não é sua característica essencial. Portanto, não podem ser classificados na posição 17.04. Por outro lado, considerandose a posição 19.04, é indubitável que as barras cereais são produtos à base de cereais. De fato, a posição 19.04 cuida da característica essencial dos cereais em barra, qual seja, consistir em preparações contendo cereais. Cito ainda a definição do produto de acordo com a Resolução RDC nº 263, de 22 de setembro de 2005 Produtos de Cereais: são os produtos obtidos a partir de partes comestíveis de cereais, podendo ser submetidos a processos de maceração, moagem, extração, tratamento térmico e ou outros processos tecnológicos considerados seguros para produção de alimentos. A barra de cereais é um produto obtido da compactação de cereais, ou seja, formadas por cereais processados e aglomerados. Podendo ser incorporado diferentes ingredientes. Essa também, foi a conclusão em do colegiado que por maioria de votos, em deu provimento parcial ao recurso voluntário para considerar improcedente a classificação fiscal do produto “cereal em barra”, sem chocolate. Transcrevo excerto do voto vencedor do acórdão recorrido, cujo entendimento confirmo no presente voto e adoto como minhas razões de decidir: Em relação ao classificação fiscal do Cereal em Barra temse duas posições antagônicas a saber: Classificação do Contribuinte 1904.20.00 19.04 Produtos à base de cereais, obtidos por expansão ou por Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10865.003390/200819 Acórdão n.º 9303005.764 CSRFT3 Fl. 12 11 torrefação (flocos de milho (corn flakes), por exemplo); cereais (exceto milho) em grãos ou sob a forma de flocos ou de outros grãos trabalhados (com exceção da farinha, do grumo e da sêmola), précozidos ou preparados de outro modo, não especificados nem compreendidos noutras posições. Classificação da Fiscalização. 1704.90.90 17.04 Produtos de confeitaria sem cacau (incluindo o chocolate branco). 1704.90.90 Outros Como é de conhecimento geral, a classificação fiscal de mercadorias é procedimento complexo e devidamente normatizado. Busco nas Regras Gerais para interpretação do Sistema Harmonizado a seguinte orientação: "REGRA 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas." Verifico junto ao termo de verificação fiscal que acompanha o auto de infração lavrado que a fiscalização entendeu que as barras de cereais deveriam ser classificadas como sendo produtos de confeitaria. Em contraposição a esta posição, a Recorrente cita em suas razões de Recurso as conlcusões do Laudo nº CIAL n°. 080/2005, do Instituto de Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10865.003390/200819 Acórdão n.º 9303005.764 CSRFT3 Fl. 13 12 Tecnologia dos Alimentos, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado de São Paulo (fls. 6830, abaixo transcrito e cujas conclusões adoto como razão de decidir: "Dentro da tabela de imposto sobre produtos industrializados TIPI, concluímos pue o mais adequado para o produto Neston Barra seria a classificação fiscal NCM 1904.20.00, ou seja, Preparações alimentícias obtidas a partir de flocos de cereaisnão torrados ou de misturas de flocos de cereais não torrados com flocos de cereais torrados ou expandidos. "' Entendo assistir razão ao Recorrente neste ponto. Trancrevo da NESH o discriminativo do Capítulo 17 da TIPI: "No presente Capítulo estão compreendidos os açúcares propriamente ditos (sacarose, lactose, maltose, glicose, frutose (levulose), etc), os xaropes, os sucedâneos do mel, os melaços resultantes da extração ou refinação do açúcar, bem como os açúcares e melaços, caramelizados, e os produtos de confeitaria. O açúcar no estado sólido e os melaços podem ser aromatizados ou adicionados de corantes." Em contrapartida, verifco o que informa a nota explicativa do capítulo 19.04: "A presente posição compreende diversas preparações alimentícias obtidas a partir de grãos de cereais (milho, trigo, arroz, cevadas, etc), que tenham sido tratadas por expansão ou torrefação, ou, simultaneamente, por estes dois processos, de forma a tornálos crocantes. As referidas preparações destinamse essencialmente a serem utilizadas, no estado em que se encontram ou misturadas com leite, como alimentos para refeições matinais. Podem serlhes adicionados, no decurso ou após a sua fabricação, sal, açúcar, melaço, extratos de malte ou de frutas, ou cacau, etc." . Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10865.003390/200819 Acórdão n.º 9303005.764 CSRFT3 Fl. 14 13 Também merece destaque o fato de que as mesmas notas explicativas do Sistema Harmonizado da posição 1904, determinam a exclusão desta posição os “Os cereais preparados revestidos de açúcar, ou contendoo numa proporção que lhes confira a característica de produtos de confeitaria (posição 17.04). Assim, a discussão aqui posta reside na possibilidade de caracterização da barra de cereal como sendo produto de confeitaria, contudo da leitura dos dispositivos normativos acima expostos nos leva a conclusão oposta. Isto porque, não entendo ser possível carcterizar as barras de cerais como sendo produto de confeitaria uma vez que possuem em sua composição percentuais de cacau inferiores a 6%, conforme exige a nota 3 do Capitulo 19, a saber: A posição 19.04. não abrange as preparações que contenham mais de 6%, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, nem as revestidas de chocolate ou de outras preparações alimentícias que contenham cacau, da posição 18.06 (posição 18.06) Em face do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10865.003390/200819 Acórdão n.º 9303005.764 CSRFT3 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões a respeito da classificação fiscal da barra de cereais. A grande dúvida reside em definir se uma barra de cereal é produto de confeitaria, situação em que assumiria a posição 1704, ou é preparação à base de cereais, classificandose, então, na posição 1904. Para tanto, não deve ser utilizada a definição de senso comum do que seja um produto de confeitaria, mas aquilo que o Sistema Harmonizado decidiu agrupar sob esse título. Assim, a classificação deve se basear essencialmente nos textos das posições e notas de seção e capítulo, socorrendose, quando necessário, nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). A mera leitura do Capítulo 17 nos mostra que ele compreende, grosso modo, os açúcares em sentido amplo (açúcar, mel, melaço, lactose, frutose, etc.) e os produtos de confeitaria. E, para produto de confeitaria, temos a seguinte explicação na Nota Explicativa da posição 1704: Esta posição engloba a maior parte das preparações alimentícias com adição de açúcar, comercializadas no estado sólido ou semisólido, em geral prontas para consumo imediato, conhecidos por produtos de confeitaria. (grifado) Esse texto demonstra que a posição 1704 foi concebida para ser a posição preferencial das preparações alimentícias com açúcar, em geral prontas para consumo imediato. Consta do Auto de Infração a informação de que os produtos que ora se analisa contêm, em média, entre 20% e 40% de açúcares (uma combinação de xarope de glicose, açúcar e, por vezes, mel). Ainda que o SH não estabeleça um percentual mínimo para Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10865.003390/200819 Acórdão n.º 9303005.764 CSRFT3 Fl. 16 15 se considerar um produto como de confeitaria, tratase de informação importante para a sua caracterização. Por sua vez, a posição 1904 destinase, essencialmente, aos cereais matinais (tipo corn flakes ou müsli), nos quais não é sequer necessária a adição de açúcar e podem ainda prescindir de algum preparo para seu consumo, segundo consta da Nota Explicativa da posição 1904: As referidas preparações destinamse essencialmente a serem utilizadas, no estado em que se encontram ou misturadas com leite, como alimentos para refeições matinais. Podem serlhes adicionados, no decurso ou após a sua fabricação, sal, açúcar, melaço, extratos de malte ou de frutas, ou cacau. (grifado) Do texto da posição 1904, deve ser dada atenção especial ao seu fim, que demonstra a relação desta posição com as demais do Sistema Harmonizado. Importante relembrar que há posições que possuem uma característica atrativa ou, ao contrário, residual, em relação a outras posições. A característica residual da 1904 está expressa no fim do texto da posição: 19.04 Produtos à base de cereais, obtidos por expansão ou por torrefação (flocos de milho (corn flakes), por exemplo); cereais (exceto milho) em grãos ou sob a forma de flocos ou de outros grãos trabalhados (com exceção da farinha, do grumo e da sêmola), précozidos ou preparados de outro modo, não especificados nem compreendidos noutras posições. (grifado) O trecho acima negritado quer dizer que um produto somente será aqui classificado se não estiver compreendido em outra posição, que as demais posições prevalecem sobre esta. As Notas Explicativas do 1904 esclarecem definitivamente a questão ao apontar a exclusão dos cereais que contenham açúcar em proporção de produtos de confeitaria: Também se excluem: a) Os cereais preparados revestidos de açúcar, ou contendoo numa proporção que lhes confira a característica de produtos de confeitaria (posição 17.04). (grifado) Assim, a interpretação que considere o conjunto dos textos e notas pertinentes, nos mostra que, regra geral, as preparações com açúcar ficam no 1704. A 1904 é uma posição de alcance reduzido, destinada aos cereais para refeições matinais, com ou sem Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10865.003390/200819 Acórdão n.º 9303005.764 CSRFT3 Fl. 17 16 açúcar, aos quais normalmente se adiciona leite, na qual se classifica uma preparação de cereais se não estiver compreendida em outra posição. Considerando que a barra de cereais consiste em uma aglomeração de cereais banhados em calda resultante da mistura de diversos açúcares, ela deve ficar na posição de produto de confeitaria. Não há como classificála em uma posição que se destina essencialmente aos cereais matinais e onde somente se classificam as preparações com cereais se já não estiveram compreendidos em outra posição. Em acréscimo, este produto já foi objeto de consulta na Receita Federal, tendo sido classificado na posição 1704, a saber: na Solução de Divergência Coana nº 1/2001 (que pacificou classificação divergente da barra de cereais), na Solução de Consulta nº 79/2003 e na Solução de Consulta nº 116/2010. Consta da Coletânea dos Pareceres de Classificação da Organização Mundial das Aduanas (OMA), organismo responsável pelo Sistema Harmonizado e pela classificação de mercadorias em nível mundial, entre várias outras competências, a classificação da barra de gergelim com mel (conhecida como halvá ou halwa) na posição 1704, o que reforça o raciocínio aqui exposto. A Coletânea dos Pareceres de Classificação da OMA encontrase publicada no site da Receita Federal. Por todo o exposto, a barra de cereal, do tipo Neston Banana, Neston Morango, Neston Coco Tostado, Neston Light Damasco, Pêssego e Maçã, Neston Light Frutas Silvestres, classificase como 1704.90.90, com base na RG1 (texto da posição 1704), RG6 (texto da subposição 1704.90) e RGC1 (texto do item 1704.90.90) da TEC do Mercosul, aprovada pelo Decreto nº 2.376/1997, e subsídio das NESH das posições 1704 e 1904. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 334DF CARF MF
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