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Numero do processo: 17546.001197/2007-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/03/1999, 31/08/2005
AUTO DE INFRAÇÃO - AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO ENTRE OS FATOS NARRADOS PELA FISCALIZAÇÃO E O DISPOSITIVO LEGAL INDICADO COMO INFRINGIDO - NULIDADE - VIOLAÇÃO AO ARTIGO 142 DO CTN.
De acordo com o artigo 10, inciso IV, do Decreto-lei n° 70.235/72, o auto de infração deve conter, obrigatoriamente, a disposição legal infringida. O descumprimento dessa regra, como ocorre no caso em apreço, ofende os princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa, além de violar o artigo 142 do CTN, sendo causa de nulidade do lançamento.
Ademais, a falta de correlação entre a conduta praticada pelo contribuinte e a norma legal indicada como infringida desrespeita, ainda, o princípio da motivação. O prejuízo à parte, inclusive pela impossibilidade de compreensão da controvérsia, é evidente.
NATUREZA DO VÍCIO - MATERIAL X FORMAL.
A nulidade existente neste feito não diz respeito à forma do auto de infração, mas ao seu conteúdo, à sua materialidade, pois os fatos supostamente ocorridos não se enquadram na norma indicada pela fiscalização como infringida. O vício, portanto, é material.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage Relator
EDITADO EM: 29/04/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/03/1999, 31/08/2005 AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO ENTRE OS FATOS NARRADOS PELA FISCALIZAÇÃO E O DISPOSITIVO LEGAL INDICADO COMO INFRINGIDO NULIDADE VIOLAÇÃO AO ARTIGO 142 DO CTN. De acordo com o artigo 10, inciso IV, do Decretolei n° 70.235/72, o auto de infração deve conter, obrigatoriamente, a disposição legal infringida. O descumprimento dessa regra, como ocorre no caso em apreço, ofende os princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa, além de violar o artigo 142 do CTN, sendo causa de nulidade do lançamento. Ademais, a falta de correlação entre a conduta praticada pelo contribuinte e a norma legal indicada como infringida desrespeita, ainda, o princípio da motivação. O prejuízo à parte, inclusive pela impossibilidade de compreensão da controvérsia, é evidente. NATUREZA DO VÍCIO MATERIAL X FORMAL. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 11 97 /2 00 7- 14 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.001197/200714 Acórdão n.º 9202002.604 CSRFT2 Fl. 143 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 29/04/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Consladel Construtora e Laços Detetores e Eletrônica Ltda., CNPJ n° 55.996.615/000101, foi lavrado o auto de infração n° 35.903.6775 (fls. 0119), para a exigência de multa por informação inexata em GFIP no campo referente à retenção de 11% sobre as notas fiscais de serviços emitidas pela empresa, relativamente a competências compreendidas entre 03/1999 e 08/2005. Segundo a autoridade lançadora (fls. 06 e 07): A empresa apesar de obrigada, nos termos do artigo 32, IV da Lei n° 8.212/91, regulamentada pelo artigo 225, IV do Regulamento, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, a "informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária", apresentou a GFIP com informações inexatas no campo de informação da retenção sofrida pela empresa dos seus tomadores de serviço, como pode ser observado no Demonstrativo da retenção informada pela empresa e a retenção correta que deveria ser informada. (...) Pelo descumprimento desta obrigação fica a empresa sujeita à multa prevista no artigo 32, IV, § 6° da Lei no 8.212/91 correspondente a 5% do valor mínimo previsto no artigo 92 da Lei n° 8.212/91, por campo com informações inexatas, limitada aos valores previstos no § 4° do artigo 32, IV do mesmo diploma legal. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.001197/200714 Acórdão n.º 9202002.604 CSRFT2 Fl. 144 3 A multa por infração a este dispositivo aplicada por competência fica limitada por competência, nos termos do referido § 4°, a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no artigo 92 da Lei n°8.212/91, em função do número de segurados mês a mês da empresa. O cálculo do valor limite da multa encontrase no Demonstrativo do valor limite da multa em anexo. Dispõe o artigo 102 da Lei n° 8.212/91 que "os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social". Assim, o valor mínimo previsto no artigo 92 da Lei n° 8.212/91, por meio do artigo 8°, V da Portaria Ministerial n° 822 de 11/05/2005, foi reajustado em R$ 1.101,75. No demonstrativo do total da multa aplicada temos o somatório das multas aplicadas por competência pela informação inexata no campo referente a retenção de 11% sobre as notas fiscais de serviços emitidas pela empresa, que resultou no montante total de R$ 2.699,41. Inicialmente, a Delegacia da Receita Previdenciária em São Bernardo do Campo determinou o encaminhamento dos “... autos ao AFPS EDSON YUFtA , mat. 1.334.850, para elaborar Relatório Fiscal Complementar, no qual informe em quais elementos se baseou para elaborar o discriminativo contendo os valores de retenção sofrida pela Interessada e por ele considerados como corretos.” (fls. 41). No relatório complementar de fls. 42, a autoridade lançadora consignou que: A empresa apesar de obrigada, nos termos do art. 32, IV da Lei n° 8.212/91, regulamentada pelo artigo 225, IV do Regulamento, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, a "informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária", apresentou a GFIP com informações inexatas no campo de informação da retenção sofrida pela empresa dos seus tomadores de serviço, como observado no Demonstrativo Analítico da Retenção informada pela empresa. Neste demonstrativo estão discriminadas as notas fiscais emitidas pela autuada na prestação de serviços; estas notas fiscais foram os elementos que esta fiscalização se baseou para elaborar o Demonstrativo Analítico da Retenção e o valor correto da retenção a ser informada em GFIP. Tal demonstrativo restou elaborado pela fiscalização às fls. 4349. Após a intimação do contribuinte com relação à diligência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) considerou o lançamento procedente (fls. 7173). Fl. 160DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.001197/200714 Acórdão n.º 9202002.604 CSRFT2 Fl. 145 4 Por sua vez, a Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, apreciando o recurso voluntário interposto pela empresa, proferiu o acórdão n° 240201.023, que se encontra às fls. 100102, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/03/1999 a 31/08/2005 ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É nulo o lançamento efetuado quando o fiscal autuante aplicar aos fatos multa com base em dispositivo legal que não se identifica com a infração cometida. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso em razão da nulidade do lançamento. Intimada do acórdão em 04/10/2010 (fls. 103), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 106109, acompanhado dos documentos de fls. 110113, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Insurgese a União (Fazenda Nacional) contra acórdão da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF que deu provimento ao recurso voluntário para anular o Auto de Infração, por vício material; b) O acórdão ora recorrido destoa da jurisprudência consolidada em outras câmaras no ponto em entendeu que a imprecisão do enquadramento legal da infração cometida pelo contribuinte é causa inequívoca de vício insanável do lançamento; c) Em sentido diverso àquele propugnado pelo acórdão atacado, a Primeira e Segunda Turmas desta Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdãos CSRF/0104.780 e CSRF/0202.301) proferiram paradigmas nos quais se verifica que a capitulação errônea ou imprecisa do auto de infração, bem como a ausência de enquadramento legal, não são causas suficientes para provocar a nulidade do lançamento, ainda mais quando o direito à ampla defesa foi exercido em sua plenitude, conforme previsão dos arts. 11, 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72; d) Na remota hipótese, dessa e. Câmara não acolher o entendimento dos paradigmas acima citados, passase a demonstrar que o julgamento recorrido divergiu também do posicionamento de outras Câmaras que defendem que a imprecisão no enquadramento legal da infração imputada ao sujeito passivo, ou seja, a contrariedade ao art. 142 do CTN gera nulidade por vício formal (acórdãos 30131.801 e 30333.365); e) Segundo resulta da disciplina dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n° 70.235/72, a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente Fl. 161DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.001197/200714 Acórdão n.º 9202002.604 CSRFT2 Fl. 146 5 serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; f) Sobre nulidade, a jurisprudência do CARF firmou orientação no sentido de que não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à fiscalizada; g) Na hipótese dos autos, o voto condutor do acórdão guerreado decidiu por anular o auto de infração sob o argumento de que a imprecisão da capitulação legal da infração praticada pelo contribuinte é causa de vício insanável do lançamento; h) Sucede que a descrição dos fatos, bem assim a metodologia utilizada para cálculo do crédito tributário encontramse satisfatoriamente postas nos autos. Todos os elementos essenciais à autuação estão presentes, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade do processo. Deve prevalecer, portanto, os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; i) Assim, não se vislumbra a ocorrência de prejuízo à defesa do contribuinte neste processo, pelo que a decretação da nulidade representa a desnecessária movimentação da máquina pública, com o dispêndio de recursos do erário, para a repetição de atos administrativos válidos, perfeitos e eficazes; j) Na remota hipótese, dessa e. Câmara não acolher o entendimento acima exposto, passase a demonstrar que a imprecisão no enquadramento legal da autuação gera nulidade por vício formal, conforme doutrina de Leandro Paulsen e de acordo com o acórdão n° 10610.087; k) Requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para: a) reformar a decisão recorrida que anulou o lançamento; ou caso assim não entenda, b) anular o Auto de Infração, porém por vício formal. Admitido o recurso através do despacho n° 2400417/2010 (fls. 114116), a contribuinte foi intimada e, devidamente representada, apresentou contrarrazões às fls. 119 120, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido, com base nos argumentos apresentados no recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.001197/200714 Acórdão n.º 9202002.604 CSRFT2 Fl. 147 6 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso para considerar nulo o lançamento. A recorrente insurgiuse com o fundamento de que inexiste nulidade sem prejuízo para a parte, invocando como paradigmas os acórdãos nos CSRF/0104.780 e CSRF/0202.301 e defendendo que não houve cerceamento do direito de defesa. Argumentou, ainda, que, se há nulidade no caso, ela é formal e não material, trazendo como paradigmas os acórdãos nos 30131.801 e 30333.365. Eis as matérias em litígio. Para bem delimitar a controvérsia, trago à colação a seguinte passagem do auto de infração, contida no item “Descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido” (fls. 01): Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 6., também acrescido pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Cumpre destacar, novamente, breve excerto do relatório fiscal da aplicação da multa (fls. 07): Pelo descumprimento desta obrigação fica a empresa sujeita à multa prevista no artigo 32, IV, § 6° da Lei no 8.212/91 correspondente a 5% do valor mínimo previsto no artigo 92 da Lei n° 8.212/91, por campo com informações inexatas, limitada aos valores previstos no § 4° do artigo 32, IV do mesmo diploma legal. Portanto, de acordo com a autoridade lançadora, o fundamento legal da infração imputada à empresa seria o § 6°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91. No voto condutor do acórdão recorrido, da lavra do Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, a nulidade da exigência está assim fundamentada (fls. 101v e 102): Fl. 163DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.001197/200714 Acórdão n.º 9202002.604 CSRFT2 Fl. 148 7 O contribuinte foi autuado e a este fora aplicada multa com fundamento no art. 32, IV em parágrafo 6°, da Lei 8.212/91 por ter deixado de informar em GFIP os valores corretos de retenções de contribuições efetuadas relativamente a pagamentos que foram a si efetuados por terceiros tomadores de serviços. Tal fato se depreende, claramente, da própria descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido, assim redigida as fls. 01: (...) Assim está redigido o dispositivo infringido e a capitulação legal da multa: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: [...] IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). § 6° A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4°. Fica fácil, pois, depreenderse que conforme sustenta o contribuinte em seu recurso voluntário, a natureza da infração cometida não detém semelhança com o fundamento legal da multa que fora aplicada, de modo que o fiscal cometeu equívoco no erro quanto à capitulação legal da multa, pois as retenções, ao contrário do que se possa parecer, possuem relação íntima com os pagamentos das contribuições previdenciárias incidentes, sendo sim relacionadas aos fatos geradores. A sua falta ou incorreta informação em GFIP, portanto, deve ser capitulada com base no § 5° do art. 32, IV, da Lei 8.212/91 e não com base no parágrafo 6° do mesmo artigo. Verificase, portanto, erro material apto a ensejar a nulidade do lançamento, pois ao contribuinte fora aplicada multa que não se identifica com a infração que lhe foi imputada. Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e DOULHE PROVIMENTO para determinar que seja anulado o lançamento por vício material insanável. A regra indicada pela fiscalização e destacada pela decisão recorrida estabelecia que “§ 6° A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4°.” Fl. 164DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.001197/200714 Acórdão n.º 9202002.604 CSRFT2 Fl. 149 8 Este dispositivo não tem relação com os fatos descritos pela autoridade autuante, quais sejam, apresentação de GFIP com informações inexatas quanto a retenções sofridas dos seus tomadores de serviço. Por outro lado, o § 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, que seria o fundamento correto da autuação, segundo o acórdão de segunda instância, assim previa, na redação vigente à época dos fatos em apreço: § 5°. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Percebese, pois, que tratamse de infrações distintas, com penalidades também diferentes. É evidente o erro cometido pela autoridade lançadora, na medida em que a situação narrada pela fiscalização tem estreita relação com os fatos geradores das contribuições previdenciárias (retenções de 11% efetivadas por seus tomadores de serviço), sendo que a regra aplicável ao caso seria o § 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, que não foi indicado como dispositivo legal infringido. Há também equívoco quanto à penalidade aplicada, na medida em que a multa do § 5° é diversa daquela prevista no § 6°. Os fatos em tela demonstram clara violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não se pode olvidar, ainda, que nos termos do artigo 10, inciso IV, do Decretolei n° 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Esta regra restou descumprida no caso em apreço. Na obra Direito Processual Tributário – Processo Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da Doutrina e da Jurisprudência – 2. ed. rev. atual, Porto Alegre: Livraria Fl. 165DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.001197/200714 Acórdão n.º 9202002.604 CSRFT2 Fl. 150 9 do Advogado Ed., 2005, Leandro Paulsen e René Bergmann Ávila fazem os seguintes comentários a respeito deste dispositivo (fls. 29 da obra): São comuns autos de infração em que são indicados inúmeros dispositivos legais, sem indicação precisa de quais especificamente foram infringidos e em que extensão o foram. Esse procedimento, que aparentemente faz conter quase todos os dispositivos legais sobre o tributo em questão, na verdade cerceia o direito de defesa do contribuinte, pois não indica com a especificidade necessária o(s) dispositivo(s) infringido(s). Assim a tentativa de relacionar dispositivos impertinentes à infração específica pode macular de nulidade o auto de infração. Noutros, são indicados apenas os dispositivos regulamentares (do Regulamento do IPI ou do Regulamento do Imposto de Renda, por exemplo), sem a indicação do fundamento legal da infração. E fundamento legal é fundamento de lei ordinária, lei complementar ou medida provisória; nunca, de normas complementares como é o caso de Decretos, Instruções Normativas, Portarias e outros afins, todos infralegais. Neste caso, também é nulo o auto de infração porque não há indicação do fundamento legal. No caso, insisto, a fiscalização não indicou corretamente o dispositivo legal que teria sido violado pela interessada, de modo que é flagrante a nulidade do lançamento. Este Colegiado já teve oportunidade de apreciar a matéria. Refirome ao acórdão n° 920201.760, proferido na sessão de 27/09/2011, que teve como Redator Designado o Conselheiro Marcelo Oliveira, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do Fato Gerador: 06/05/2004 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OCORRÊNCIA. Não deve ser afastada a decisão de nulidade fundada no erro de tipificação da infração cometida pelo sujeito passivo, que, claramente, cerceou seu direito de defesa. Recurso Especial do Procurador Negado. Importante trazer à colação ensinamentos extraídos do voto condutor deste acórdão, proferido pelo Conselheiro Marcelo Oliveira: Clareza e precisão, requisitos determinados pela legislação principalmente na esfera tributária, onde o Estado exige recursos dos particulares – são exigências que o legislador determinou para a proteção do indivíduo perante o Estado. No caso há erro de enquadramento legal para fundamentar a autuação, não é caso de ausência ou falta de dados para a correta compreensão da autuação, mas de erro na elaboração da autuação pelo Fisco, ou seja, a fiscalização verificou a Fl. 166DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.001197/200714 Acórdão n.º 9202002.604 CSRFT2 Fl. 151 10 infração à legislação e utilizou fundamento legal errôneo para autuar o contribuinte. Precisamos tomar muito cuidado na análise das nulidades, principalmente nas que atacam o amplo direito à defesa e o devido processo legal, Princípios Norteadores do Estado Democrático de Direito. Com todo respeito, não conceituar equívoco grave como este como atentatório ao exercício da ampla defesa e do contraditório seria descumprir a determinação do legislador nos requisitos clareza precisão e definição da matéria tributável, além de ferir a proteção que o cuidado presente na legislação defere aos indivíduos. Estas colocações são plenamente aplicáveis ao caso. A jurisprudência da Primeira Turma da CSRF também dá sustentação ao acórdão recorrido, conforme ilustra a ementa do seguinte julgado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — LANÇAMENTO DE OFÍCIO NORMAS PROCESSUAIS — AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE A DESCRIÇÃO DOS FATOS E O ENQUADRAMENTO LEGAL — NULIDADE — O ato de lançamento padecerá de vício insanável quando o motivo de fato não coincidir com o motivo legal invocado, decretandose a nulidade do ato viciado como conseqüência jurídica dessa falta de correspondência entre o motivo (fatos que originaram a ação administrativa) do Auto de Infração e da norma dita como violada em sua motivação. (Acórdão n° 910101.384, Relator Conselheiro José Ricardo da Silva, unânime, julgado em 04/06/2012) Extraio do voto condutor deste acórdão as seguintes passagens: Não se pode olvidar que o processo fiscal tem por finalidade primeira, o controle da legalidade dos atos administrativos, que deve ser observado pelo julgador por força mesma do princípio da verdade material, na busca da descoberta da existência ou não da hipótese de incidência tributária originária do lançamento. Assim, é de fundamental importância a verificação da motivação da exigência fiscal, se é adequada aos fatos e também à norma que a embasou, para que se possa definir a linha divisória entre a legalidade da exigência e o direito do contribuinte. O lançamento, como procedimento administrativo vinculado e obrigatório, é de competência privativa da autoridade administrativa regularmente constituída, devendo este, vincular o fato material da irregularidade fiscal levada a efeito pelo contribuinte, com a norma legal disciplinadora. O Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos Fl. 167DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.001197/200714 Acórdão n.º 9202002.604 CSRFT2 Fl. 152 11 créditos tributários da União, no que respeita aos requisitos formais necessários ao procedimento administrativo de constituição do crédito tributário, prevê em seu artigo 10: (...) Os requisitos retrotranscritos também encontramse inseridos na norma consubstanciada no art. 142 do Código Tributário Nacional e que dão validade jurídica ao lançamento do crédito tributário. A falta de atendimento a essas normas determinam a nulidade do lançamento. No caso, os fatos materialmente ocorridos não se enquadram nas normas invocadas pela Fiscalização, como supostamente violadas, quer dizer, inexistindo subsunção dos fatos às normas, não procede a violação daquelas normas jurídicas invocadas. O ato praticado padecerá de vício insanável toda vez que o motivo de fato não coincidir com o motivo legal e a conseqüência jurídica dessa falta de correspondência entre o motivo (fatos que originaram a ação administrativa) do Auto de Infração e das normas ditas como violadas em sua motivação é a nulidade do ato viciado. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional. Estou integralmente de acordo com tais precedentes da CSRF. Assim e segundo penso, a tese defendida pela Fazenda Nacional não merece prosperar, pois o lançamento é nulo. De acordo com o artigo 2°, caput e § único, inciso VII, da Lei n° 9.784/99: Art. 2°. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) VII – indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; Na obra O Processo Tributário, 6. ed., São Paulo, RT, 2009, p. 237238, analisando a matéria, Cleide Previtalli Cais afirma o seguinte: A efetiva aplicação do princípio da motivação no curso do processo administrativo, entre o contribuinte e a Fazenda Pública, atenda a garantia do devido processo legal, tanto formalmente, porque resulta do art. 2° da Lei n° 9.784/99, bem assim substancialmente na medida em que possibilita conferir a legalidade ou a ilegalidade da decisão administrativa. Assim, Fl. 168DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.001197/200714 Acórdão n.º 9202002.604 CSRFT2 Fl. 153 12 ensejando a adoção das medidas cabíveis pela parte que vier a se entender prejudicada. O princípio da motivação vem assegurado, como critério de estrita observância pela Administração no curso do processo administrativo fiscal, como consta dos incisos VII e VII, do parágrafo único, do art.. 2° da Lei n° 9.784/99, que lhe obriga indicar os pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão, bem como observar as formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados. No caso, a fiscalização deixou de indicar com correção o dispositivo legal infringido, o pressuposto de direito do lançamento, o que ofende os princípios da motivação, do contraditório e da ampla defesa. O prejuízo à parte, inclusive pela impossibilidade de compreensão da controvérsia, é claro. Tenho como evidente, pois, a ocorrência de cerceamento do direito de defesa e a aplicabilidade ao caso do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, segundo o qual: “Art. 59. São nulos: (...) II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” A nulidade não diz respeito à forma do auto de infração, mas ao seu conteúdo, à sua materialidade, pois os fatos supostamente ocorridos não se enquadram na norma indicada pela fiscalização como infringida. Sob minha ótica, a decisão recorrida merece ser confirmada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 169DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 13433.000224/2006-77
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 02 24 /2 00 6- 77 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13433.000224/200677 Acórdão n.º 2801003.711 S2TE01 Fl. 157 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 156.149,24, referente ao exercício de 2002, a título de imposto (R$ 64.137,54), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 48.103,15), além dos juros de mora (R$ 43.908,55). A autuação é decorrente da apuração de classificação indevida de rendimentos, pois o Contribuinte declarou como isentos e não tributáveis rendimentos tributáveis recebidos da Caixa Econômica Federal em face de ação trabalhista (nº 11.3373/91), relativa a expurgos inflacionários da URP (Unidade de Referência de Preços) do mês de fevereiro de 1989. Em sua impugnação, o Contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do acórdão recorrido: 3.1. Em sede preliminar, discorre longamente sobre o conceito de responsabilidade tributária, fixando que o sujeito passivo da obrigação tributária pode ser direto e indireto, sendo que em relação ao sujeito passivo indireto a vinculação pode darse por transferência ou por substituição, conceito por meio do qual a própria lei substitui, desde logo, o sujeito passivo por alguém que está diretamente relacionado com o fato gerador, como ocorre no caso em foco. 3.2. Com base no parágrafo único do art. 45 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), entende que o contribuinte é o titular da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou dos proventos de qualquer natureza, mas que a lei pode atribuir à fonte pagadora dessa renda a condição de responsável (substituto) pelo recolhimento do imposto correspondente, excluindose integralmente a responsabilidade da pessoa substituída (contribuinte). 3.3. Uma vez que a CEF é, por imperativo legal, a substituta tributária do contribuinte o qual não possui legitimidade para figurar no pólo passivo da relação jurídica tributária , jamais o procedimento fiscal poderia ter sido efetuado contra ele, mas contra aquela instituição financeira. 3.4. Ainda a título de preliminar, argúi a nulidade do procedimento fiscal, porquanto se a decisão judicial segundo a qual o imposto não era devido não pode ser oposta contra a Fazenda Pública, em atenção aos limites objetivos da coisa julgada, deveria o tributo ser exigido da Caixa Econômica Federal. 3.5. Transcreve o trecho do Parecer PFN/RN/RWSA nº 01/2006 segundo o qual a União, por não ser parte, não estava obrigada a cumprir decisão proferida no retromencionado processo judicial, comentando não ter havido justificativa para Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13433.000224/200677 Acórdão n.º 2801003.711 S2TE01 Fl. 158 3 redirecionar para o contribuinte o procedimento fiscal inicialmente instaurado contra a CEF. 3.6. Defende que se a informação prestada pela CEF por meio do Oficio nº 63/2002 — de que teria ficado desobrigada de recolher o imposto de renda na fonte sobre as verbas em foco em razão de a decisão judicial homologatória ter estabelecido a nãoincidência do tributo foi aceita pela Receita Federal também deveria ter servido para justificar o não recolhimento do imposto pelo impugnante quando da entrega da Declaração de Ajuste Anual. 3.7. Argúi que o Manual de Preenchimento da Declaração de Ajuste Anual orienta o contribuinte a preencher sua declaração com base no comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, que, no caso objeto do lançamento, classificouos como isentos e nãotributáveis. 3.8. No que tange ao mérito da exigência tributária sob análise, afirma que a verba recebida possui natureza indenizatória, uma vez que se refere à ação trabalhista relativa ao recebimento do índice de 26,05% relativo à URP do mês de fevereiro de 1989 e à integração desses valores às verbas salariais, vencidas e vincendas, e aos seus consectários, quais sejam, FGTS, férias, gratificação natalina e anuênios. Acrescenta que, para firmar o acordo proposto pela CEF, os reclamantes na ação trabalhista renunciaram expressamente à incorporação inicialmente pleiteada. Transcreve trecho do mencionado acordo, arrematando que o rendimento recebido tem natureza de ressarcimento e de compensação pela perda do direito à incorporação das verbas aos salários dos reclamantes ativos, tratandose, portanto, de uma indenização. 3.9. Entende que o Provimento CG/TST nº 01/96 não contém a incoerência mencionada pela autoridade autuante, haja vista que nos consideranda daquele ato normativo no sentido da não incidência do imposto de renda sobre quantias pagas a título de acordo, a Justiça do Trabalho não invadiu a competência constitucionalmente definida para a solução dos litígios concernentes a tributos federais, citando acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal — STF, no Recurso Extraordinário — RE 196517PR. 3.10. Transcreve trecho do Parecer PFN/RN/RWSA nº 01/2006, relativamente às conclusões de que "apenas as verbas de natureza salarial podem sofrer a incidência do imposto de renda' e "a base de cálculo do imposto dependerá de discriminação das verbas", para defender que o crédito recebido não tem natureza salarial, conforme se pode verificar na Folha de Cálculos de Contribuição Previdenciária, elaborada pela Iª Vara da Justiça do Trabalho de Mossoró e anexada à presente impugnação, onde a verba paga foi classificada com o título "outros". Afirma que se a Receita Federal entender de forma diferente, será necessária a realização de perícia contábil, que desde já requer, sendo que, se a perícia não conseguir discriminar as verbas de Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13433.000224/200677 Acórdão n.º 2801003.711 S2TE01 Fl. 159 4 natureza salarial, não poderá a Receita Federal, por mera presunção, submeter todo o valor recebido à tributação. 3.11. Em apoio aos argumentos expendidos, cita e transcreve entendimentos doutrinários diversos e decisões administrativas do então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. 3.12. ao final requer, sucessivamente : i) o acolhimento de sua preliminar referente à ilegitimidade passiva do impugnante; ii) o reconhecimento da nãoincidência do imposto de renda sobre a quantia recebida; iii) a realização de perícia contábil, para discriminar o montante das verbas de natureza salarial; e iv) o afastamento da incidência dos juros mora e da multa de oficio, tendo em vista que o impugnante não laborou com culpa pela nãoretenção do imposto devido. Ao examinar o pleito, a 2ª Turma da DRJ/REC/PE julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão de fls. 85/104, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário; 2001 PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos consubstanciadores do lançamento revestidos de suas formalidades essenciais e, não tendo restado comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte na declaração, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. Tratandose de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos inclusive juros e atualização monetária, a teor do art. 56 do RIR/99 , os quais se sujeitam, ainda, ao ajuste na declaração. IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS, AÇÃO TRABALHISTA. Não há, na legislação que rege o imposto de renda da pessoa física, qualquer hipótese que albergue a isenção sobre quantias Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13433.000224/200677 Acórdão n.º 2801003.711 S2TE01 Fl. 160 5 de natureza salarial pagas a título de acordo realizado na Justiça do Trabalho. Cabe ao interessado comprovar a composição dos valores recebidos em decorrência de acordo celebrado na Justiça do Trabalho, a fim de possibilitar à Administração Tributária promover a respectiva classificação jurídica, com vistas a verificar a incidência ou não do imposto de renda, à luz da legislação de regência da matéria. RESPONSABILIDADE PELAS INFRAÇÕES. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a teor do art. 136 do Código Tributário Nacional. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. PEDIDO DE EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para que sejam excluídos do crédito tributário constituído por meio do lançamento os juros de mora e a multa de oficio. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, mesmo que proferidas por tribunais superiores, só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA E PEDIDO DE PERÍCIA. Nos termos do artigo 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. Deve ser indeferido o pedido de perícia que não contiver os requisitos estabelecidos pelo inciso IV do art. 16 do Decreto d 70.23 5, de 1972, e quando dos autos do processo constarem os elementos necessários à formação da livre convicção do julgador. Lançamento Procedente Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13433.000224/200677 Acórdão n.º 2801003.711 S2TE01 Fl. 161 6 Regularmente cientificado daquele Acórdão em 22/05/2010 (fl. 109), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 110/152, em 02/06/2010, no qual apresenta a seguintes razões de defesa: · Alega, em preliminar, ofensa à capacidade contributiva e ao confisco; · No mérito, aduz que os rendimentos, objeto da autuação, decorrem de acordo em ação trabalhista. A decisão judicial entendeu não haver incidência, com isso declarou os rendimentos não sujeitos à tributação e assim não pode ser responsável pelo tributo que deixou de ser retido pela fonte pagadora, a Caixa Econômica Federal; · Faz diversas considerações sobre a natureza indenizatória do rendimento verba trabalhista recebida e a decisão judicial para concluir pela indevida exigência. Aduz que a Justiça do Trabalho em Provimento normativo declara não haver incidência do IR no acordo trabalhista homologado e o STF, no RE 196.517PR, entendeu competir a Justiça do Trabalho definir a incidência do IR; · Sustenta ainda falta de harmonia entre o Judiciário e a Receita Federal, falta de descriminação dos valores recebido; · Acrescenta a Procuradoria da Fazenda Nacional, em parecer juntado aos autos, entendeu que apenas as verbas de cunho salarial se sujeitam ao imposto. Há erro de cálculo na apuração do imposto, por não excluir a parcela dedutível (isenta). A multa de 75%% é indevida por não haver culpa do autuado, conforme reconheceu o Parecer da PFN; · Não pode ser acusada da omissão de rendimentos , os rendimentos foram declarados sem incidência. Pede reajustamento da base de cálculo pela falta de retenção na fonte. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Deixo de apreciar as questões preliminares suscitadas pelo Recorrente, pois, conforme se verá a seguir, o resultado lhe será favorável. O presente lançamento referese à apuração de classificação indevida de rendimentos que foram recebidos em razão de Ação Trabalhista em que os funcionários pleitearam o pagamento do índice de 26,05% fixado para a URP relativa ao mês de fevereiro Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13433.000224/200677 Acórdão n.º 2801003.711 S2TE01 Fl. 162 7 de 1989 e a integração desses valores às verbas salariais vencidas/vincendas, além de seus consequentes: FGTS, férias, gratificação de natal e anuênios; mas que , em virtude de acordo homologado pela justiça do trabalho, os reclamantes renunciaram expressamente ao direito de incorporação das diferenças e reajustes salariais e seus acessórios aos salários. Como se vê, tratase, na espécie, de rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente cuja tributação ocorreu sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Em relação aos rendimentos recebido acumuladamente, cabe registrar que a Procuradoria da Fazenda Nacional – PGFN, diante da jurisprudência do STJ sobre rendimentos recebidos acumuladamente e com base no Parecer PGFN/CRJ/nº 287/2009, editou o Ato Declaratório nº 1/2009 publicado no Diário Oficial da União de 14/05/2009 e aprovado conforme despacho do Ministro da Fazenda publicado em 13/05/2009, e que teve efeito vinculante sobre o Fisco, com determinação para o cálculo do imposto ser mensal e não global, tanto para rendimentos de aposentaria quanto para rendimentos do trabalho. O referido Ato Declaratório teve sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN/CRJ/nº 2.331/2010, em razão de o Supremo Tribunal Federal, em 20/10/2010, reconhecer repercussão geral aos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406 que versam sobre a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente e cujos julgamentos ainda não foram concluídos. Aliás, Conforme exposição de motivos interministerial nº 111/MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT/ de 23/10/2010, com a edição da Medida Provisória nº497, a qual, em seu art. 20, modificou a Lei nº 7.713/1988, acrescentando lhe o art 12A, a legislação foi alterada por iniciativa do Poder Executivo para contemplar a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal da Justiça, a qual já havia sido adotada pela Administração por meio da Aprovação do Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, seja do trabalho ou de aposentadoria. Importa que, após reiteradas decisões no sentido de que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto, o Superior Tribunal de Justiça STJ fixou o entendimento, em sede de recurso repetitivo, de que o imposto de renda incidente sobre benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, nos termos da seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13433.000224/200677 Acórdão n.º 2801003.711 S2TE01 Fl. 163 8 Verificase, em julgados recentes, que o STJ tem adotado a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP para também afastar a tributação dos rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente pelo regime de caixa, determinando que o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquota próprias a que se referem tais rendimentos, haja vista a ementa da seguinte Decisão: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CP. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei". 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PRAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13433.000224/200677 Acórdão n.º 2801003.711 S2TE01 Fl. 164 9 Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013)(grifei e sublinhei) É de se concluir, portanto, que, na espécie, existe erro de cunho material na apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial com a atribuição da sistemática do artigo 543–C do CPC, e que deve ser de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 164DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10950.904847/2012-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2004
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2004 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 48 47 /2 01 2- 21 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904847/201221 Acórdão n.º 3801004.487 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904847/201221 Acórdão n.º 3801004.487 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904847/201221 Acórdão n.º 3801004.487 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904847/201221 Acórdão n.º 3801004.487 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904847/201221 Acórdão n.º 3801004.487 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904847/201221 Acórdão n.º 3801004.487 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904847/201221 Acórdão n.º 3801004.487 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13971.722604/2011-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007, 01/07/2007 a 30/11/2008
Ementa:
FRACIONAMENTO DA MÃO DE OBRA EM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES
O fracionamento da mão de obra necessária a consecução dos objetivos sociais de uma empresa em outra optante pelo SIMPLES se traduz em prejuízo para a seguridade social, devido ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, devendo o vinculo se dar com a suposta tomadora dos serviços. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formando-se o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST)
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica.
Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas de fato pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço formam um grupo econômico, sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas.
AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.155
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória Código de Fundamento Legal 68, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Fatos Geradores.Caracterização Segurado Empregado: Pessoa Jurídica Recorrente CERÂMICA RAINHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007, 01/07/2007 a 30/11/2008 Ementa: FRACIONAMENTO DA MÃO DE OBRA EM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES O fracionamento da mão de obra necessária a consecução dos objetivos sociais de uma empresa em outra optante pelo SIMPLES se traduz em prejuízo para a seguridade social, devido ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, devendo o vinculo se dar com a suposta tomadora dos serviços. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST) GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas de fato pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço formam um grupo econômico, sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 26 04 /2 01 1- 36 Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória Código de Fundamento Legal 68, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32 A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral. Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.722604/201136 Acórdão n.º 2302003.155 S2C3T2 Fl. 1.916 3 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, com ciência através de registro postal em 16/12/2011, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 03/2007, e de 07/2007 a 11/2008, todos os valores pagos ao segurados que prestaram serviço à autuada, frente à desconsideração da prestação de serviço pelas interpostas pessoas jurídicas HERTA INDÚSTRIA CERÂMICA LTDA. EPP e DARCI POSSAMAI E CIA. LTDA. O relatório fiscal de fls 02/44, explicita que foi desenvolvida auditoria fiscal nas empresas: CERÂMICA RAINHA LTDA., UNICERÂMICA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS CERÂMICOS LTDA., HERTA INDÚSTRIA CERÂMICA LTDA. EPP e DARCI POSSAMAI E CIA. LTDA., restando evidenciado que as duas últimas são inscritas no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, e detém a mão de obra necessária ao processo produtivo, enquanto a receita pela produção se dá na autuada, até 03/2010 e a partir de 04/2010, na UNICERÂMICA, causando evidente prejuízo aos cofres da previdência social, posto que pela simulação existente, não houve recolhimento da cota patronal das contribuições previdenciárias sobre as remunerações dos segurados que efetivamente prestaram serviços ao sujeito passivo. Desta forma, foram constituídos nas empresas CERÂMICA RAINHA LTDA. e UNICERÂMICA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS CERÂMICOS LTDA., os créditos previdenciários relativos à folha de pagamento das empresas interpostas, quanto à parte patronal e terceiros incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, bem como os respectivos autos de infração pelo descumprimento de obrigação acessória. Aduz o relatório fiscal, que as empresas já tinham sofrido auditoria fiscal relativamente ao período de 08/2000 a 10/2002, sendo constituído crédito, através da Notificação Fiscal Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.483.7281 em 28/03/2003, cujo Relatório e seus anexos demonstram, inequivocamente, a constituição de empresas de fachada (optantes pelo SIMPLES) com a finalidade específica de sonegar a contribuição patronal sobre a remuneração dos segurados empregados da empresa CERÂMICA RAINHA, e que os segurados (empregados e contribuintes individuais) registrados, formalmente, nas empresas optantes do SIMPLES, prestavam serviços de fato para CERÂMICA RAINHA, sendo, portanto, caracterizados como segurados empregados desta. Que o débito consubstanciado no processo 13975.001133/200893, foi julgado procedente administrativamente com decisão de primeira instância exarada em 06/05/2003, a qual transitou em julgado sem interposição de recurso em 06/06/2003, sendo incluído em Parcelamento Especial (PAES) em 24/09/2003, do qual foi excluído em 02/09/2008 e inscrito em Dívida Ativa da União em 23/12/2008. Desta forma, embora a autuada tivesse reconhecido o crédito lançado na ação fiscal anterior, continuou com a mesma prática. Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Os elementos de convencimento explanados no relatório fiscal e consubstanciados por provas juntadas aos autos às fls. 683/1282, atestam que: as empresas HERTA IND. CERÂMICA LTDA e DARCI POSSAMAI E CIA. LTDA. não dispõem de patrimônio e de capacidade operacional necessários à consecução de seus objetivos sociais, que dependem econômica e financeiramente da autuada, que a prestação de serviço das empresas é exclusiva para a autuada, que os funcionários das empresas prestadoras de serviço utilizam as instalações, veículos, máquinas e equipamentos pertencentes à autuada e não há qualquer pagamento de aluguel, que a empresa HERTA informou na sua 7ª alteração contratual endereço que não existe, enquanto o endereço onde está localizada a sede da empresa DARCI POSSAMAI E CIA LTDA. é a própria residência do sócio administrador, onde não há qualquer instalação industrial, sendo que ambas as empresa prestadoras, efetivamente, estão instaladas no complexo industrial da CERÂMICA RAINHA e UNICERÂMICA IND.e COM. DE PRODUTOS CERÂMICOS LTDA. que, como já constatado em ação fiscal anterior, as empresas optantes pelo SIMPLES foram constituídas por empregados ou exempregados da autuada, que as despesas com folha de pagamento das prestadoras de serviço foram pagas pela autuada através de transferências bancárias, que o controle de pessoal de todas as empresas, admissões, demissões é realizado pelo Sr. Sérgio Zeferino, empregado da DARCI POSSAMAI LTDA., que a CERÂMICA RAINHA e UNICERÂMICA pagam diversas despesas como de viagens, de aquisição de livros, de alimentação e consulta médica para funcionários da HERTA e da DARCI POSSAMAI; que nos Laudos Técnicos das Condições Ambientais do Trabalho apresentados verificouse que foram elaborados pelo mesmo engenheiro de segurança do trabalho e pela mesma técnica de segurança do trabalho e que as empresas prestadoras de serviço foram tratadas como setores da autuada, pois as atividades estão ligadas à atividade fim daquela, que em reclamatórias trabalhistas juntadas aos autos e interpostas contra todas as empresas, os autores afirmam que os serviços prestados eram em proveito das empresas rés, no mesmo local e sob comando das mesmas pessoas. O relatório diz, ainda, que foi elaborada Representação Fiscal, visando a baixa de ofício das empresas HERTA INDÚSTRIA CERÂMICA LTDA. e DARCI POSSAMAI E CIA. LTDA. Foi lavrado Termo de Sujeição Solidária Passiva da autuada com a empresa UNICERÃMICA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS CERÂMICOS LTDA., fls. 1510, que foi cientificada da autuação através de registro postal em 09/12/2011. A autuada apresentou impugnação e Acórdão de fls.1813/1857, julgou o lançamento procedente. Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.722604/201136 Acórdão n.º 2302003.155 S2C3T2 Fl. 1.917 5 Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) a ilegitimidade da recorrente até o julgamento final da Representação referente à declaração de baixa das empresas HERTA INDÚSTRIA CERÂMICA LTDA. e DARCI POSSAMAI E CIA. LTDA.; b) que tem direito à impugnação quanto à baixa das empresas e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito; c) que sem o trânsito em julgado, não pode lhe ser imputado o crédito previdenciário; d) a incompetência da previdência para reconhecer vínculo empregatício, já que é competência exclusiva da Justiça do Trabalho; e) que não se vale de empresas de fachada para o desempenho de suas atividades, que é empresa séria e cumpridora de suas obrigações tributárias; f) que não impôs nenhum obstáculo à fiscalização e apresentou todos os documentos; g) que é da fiscalização ônus probatório e o fiscal não apresentou elementos suficientes para justificar a autuação; h) que é a empresa mais antiga da região no segmento e por isso muitos dos seus exfuncionários criaram empresas rivais, que há uma concentração de empresas com a mesma atividade, que há entre os moradores espírito de cooperação e por isso o contato mantido entre as empresas; i) que os profissionais mais qualificados, embora funcionários de uma empresa, prestam serviços autônomos a outras nas horas vagas, o que não é proibido; j) que aderiu ao parcelamento do débito anterior devido a planejamento estratégico e não porque tenha concordado com ele; k) que a empresa HERTA existe e seu endereço também; l) que é normal a sede da empresa de DARCI POSSAMAI E CIA. LTDA. ser na casa do sócio, apenas o serviço é prestado em outro local devido à necessidade de espaço; Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 m) que a prestação de serviços não é exclusiva, sendo que o auditor pinçou notas para comprovar seu raciocínio; n) que a recorrente e a UNICERÂMICA são empresas distintas e autônomas, somente seus sócios detêm laços familiares; o) que os sócios da HERTA e da recorrente são distintos, não se admitindo a formação de grupo econômico por suposição, e está ausente a responsabilidade solidária; p) que é absurdo falar em sucessão empresarial da recorrente pela UNICERÂMICA, que inclusive é mais antiga que a recorrente, q) que não pode se manifestar sobre o faturamento das outras empresas; r) que não houve transferências bancárias para pagamento de despesas de outras empresas; s) que não houve transferência de empregados para outras empresas e sim rescisões , apenas não foram pagas as verbas rescisórias, devido à péssima situação financeira; t) que não pagou despesas de funcionários de outras empresas, apenas deslocamentos; que os registros devem ter ocorrido por algum equívoco na contabilidade; u) que os LTCAT’s nada comprovam quanto à prestação de serviço e as procurações outorgadas também nada indicam, sendo, ainda absurda a caracterização da interligação das empresas através de reclamatórias trabalhistas; v) que não há dependência econômica ou administrativa entre as empresas e a simples participação no grupo econômico não gera solidariedade; w) que a autuação é nula porque a autoridade fiscal quebrou o sigilo bancário sem autorização judicial; x) que a multa imposta deve ser revista e corrigida porque o dispositivo legal foi revogado; y) que os empregados da HERTA e DARCI POSSAMAI estavam regulares quanto ao Conselho Curador do FGTS. Por fim, requer que o recurso seja julgado procedente em função das preliminares ou pelas razões de mérito, declarandose insubsistente e nula a autuação fiscal. É o relatório. Fl. 1920DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.722604/201136 Acórdão n.º 2302003.155 S2C3T2 Fl. 1.918 7 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito da admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. De acordo com o relatório fiscal da autuação, o crédito previdenciário decorre da situação fática existente e relatada pela fiscalização no que concerne a descaracterização dos serviços prestados por empresas interpostas. As evidências descritas pelo auditor fiscal e às quais nos reportamos, já que compõem o relatório e por economia processual deixamos de aqui copiálas, dão conta de que a autuada utilizou as empresas HERTA INDÚSTRIA CERÂMICA LTDA. e DARCI POSSAMAI E CIA. LTDA., optantes pelo SIMPLES como interpostas pessoas na contratação de empregados visando o não recolhimento da contribuição previdenciária patronal. A fiscalização relata que em verificação física efetuada no sujeito passivo foi constatado que as empresas funcionam no mesmo local onde labora a recorrente; que os funcionários das empresas prestadoras de serviço HERTA e DARCI POSSAMAI utilizam máquinas e equipamentos da recorrente e que não há o pagamento de qualquer valor pelo uso; que o controle de pessoal é efetuado por um funcionário registrado em uma empresa, mas prestando serviços para todas; que a recorrente paga as despesas das prestadoras com viagens, alimentação, etc, inclusive as despesas relativas à folha de pagamento das terceirizadas, o que foi comprovado pelo fisco como sendo feito através de transferência bancária, fls. 683 e seguintes dos autos. Com relação à composição societária, me reporto integralmente ao relatório fiscal, fls. 02/44, onde consta discriminadamente o nome dos sócios, grau de parentesco e sua participação na composição das sociedades, evidenciando que as empresas com baixo faturamento e por isso, optantes do SIMPLES, foram criadas com o intuito de deixar de pagar a contribuição previdenciária patronal. A fiscalização constatou, portanto, que as empresas exercem ou exerciam suas atividades de forma complementar ficando a mão de obra necessária ao processo produtivo alocada nas empresas optantes pelo SIMPLES desonerandose da cota patronal das contribuições previdenciárias, enquanto a receita pela produção se dá na autuada que possui um reduzido número de funcionários. Os elementos de convencimento expostos pela auditoria fiscal explicitam que as empresas são interdependentes o que se comprova pela dependência financeira e operacional, onde as instalações, maquinários, água, energia elétrica são cedidos pela recorrente às prestadoras de serviço, que trabalham exclusivamente para ela. Ademais tais fatos já haviam sido constatados e levantados em ação fiscal anterior, com o pertinente levantamento do débito, que sequer foi contestado em segunda instância administrativa, optando a ora recorrente pela confissão da dívida e parcelamento dos valores, e que por não ter sido honrado, encontrase hoje inscrito em Dívida Ativa da União. Fl. 1921DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 A recorrente em suas razões não traz qualquer fato novo capaz de elidir a autuação, limitandose a negar os fatos e dizer da falta de provas. Ao contrário do que afirma a recorrente, entendo que a autuação está bem apoiada em provas robustas acostadas às fls. 681 à 1282, onde há desde os extratos bancários comprovando a transferência on line de valores para pagar as folhas de pagamento das empresas prestadoras de serviço,HERTA e DARCI POSSAMAI, fls. 683, quanto em correspondência enviada ao estabelecimento bancário solicitando a transferência de tais valores, fls. 715, bem como às fls. 681, temos uma nota fiscal com anotação feita à margem, lembrando que deve ser lançada por valor inferior para não ultrapassar o teto do faturamento permitido para continuar a empresa HERTA sendo optante do SIMPLES. Há também, comprovantes de despesas bancadas pela autuada em nome das prestadoras, reclamatórias trabalhistas , com reconhecimento de que todas as empresas são responsáveis pelas dívidas trabalhistas e procurações diversas para funcionários de uma empresa com poderes sobre outra, evidenciando que a autuada exercia de fato o poder de mando sobre as prestadoras de serviço HERTA e DARCI POSSAMAI. Há unicidade na linha de comando com procuração outorgada por todas as empresas envolvidas no processo produtivo e a composição societária das sociedades empresárias se dá com integrantes da mesma família e funcionários ou exfuncionários das empresas. Todas exploram a mesma atividade econômica no mesmo parque industrial, no mesmo endereço, com quadro único de empregados, restando comprovadoque todos os empregados trabalham de fato para a autuada. Os segurados prestam serviço de forma habitual em funções que não se prestam a serviço autônomo, permanecem cumprindo horário nas dependências da recorrente, e são a ela subordinados. Ademais, a própria recorrente afirma em suas razões que o serviço é prestado com a colaboração mútua, por praticidade e comodidade, visando a redução de custos. Destarte, é de se informar à recorrente, que a forma escolhida para reduzir seus custos, não encontra guarida na legislação vigente, porquanto trata de uma simulação na contratação formal de mão de obra por empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresa e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, onde estão obrigadas apenas ao recolhimento da contribuição relativa à cota do empregado e dispensadas da contribuição patronal, ao passo que não possuem receita tampouco estrutura operacional para manter uma linha de produção, o que vem a ser suprido pela suposta “tomadora dos serviços”, no caso a recorrente, que é a responsável por toda a receita advinda do faturamento com a produção, mas que não possui mão de obra no processo produtivo e por isso se ilide do pagamento da cota patronal das contribuições previdenciárias. Da forma como disposta esta relação entre as pessoas jurídicas envolvidas é notório o prejuízo causado à Seguridade Social, pois a mão de obra empregada no processo produtivo não serve de base para a incidência da contribuição previdenciária, pois se dá em empresas que possuem um baixo faturamento, o que lhes permite ser optantes do SIMPLES, enquanto a receita fica para a empresa que deve contribuir também com a cota patronal das contribuições previdenciárias, mas por possuir um reduzido número de empregados, pouco recolhe, ou seja, a Previdência Social é que vai arcar com a sangria em seus cofres, na medida em que a mão de obra que produziu o alto faturamento, não serve de base para a incidência contributiva previdenciária. Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.722604/201136 Acórdão n.º 2302003.155 S2C3T2 Fl. 1.919 9 Reitero que por todos os dados constantes do processo é possível aferir que os serviços são prestados por empresas interpostas na contratação formal de mão de obra, servindo para a recorrente se elidir do pagamento da cota patronal da contribuição previdenciária. Desta forma, correta está a constituição do crédito previdenciário, relativamente às folhas de pagamento das empresas interpostas, cujos valores foram tomados como salário de contribuição para a incidência da contribuição patronal de responsabilidade da recorrente. Foi desconsiderada a prestação de serviço através da empresa interposta, por todas as circunstâncias, motivos e evidências relatadas na notificação, para considerar toda a mão de obra empregada no processo produtivo da recorrente como de sua responsabilidade quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias. A capacidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em desconsiderar contratos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo é muito clara na leitura da legislação previdenciária em conjunto com o Código Tributário Nacional CTN. Vejamos o disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN: Art. 116. (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Pela leitura do artigo 33 da Lei n.º 8.212/91 e do parágrafo 2º do artigo 229 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, também fica claro que o Auditor Fiscal da Previdência Social pode desconsiderar o contrato pactuado, quando o segurado preencher as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º do Decreto. LEI N.º 8.212/91 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. DECRETO N.º 3.048/99 Art. 229. (...) § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado (grifei). O referido art. 9º traz o rol de segurados obrigatórios da Previdência Social. No inciso I estão as situações de enquadramento dos segurados empregados, sendo que a relação pactuada nos contratos desconsiderados nessa notificação pode ser observada na alínea "a" (idêntica redação do art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei n.º 8.212/91): Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; No mesmo sentido, também o Tribunal Regional Federal da 4ª Região já vinha decidindo, não deixando dúvidas quanto a essa possibilidade: PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO. RECONHECIMENTO DE RELAÇÃO DE EMPREGO. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS. 1 A competência da Justiça do Trabalho não exclui a das autoridades que exerçam funções delegadas para exercer a fiscalização do fiel cumprimento das normas de proteção do trabalho, entre as quais se incluem o direito à previdência social. 2 No exercício de suas funções, o fiscal pode tirar conclusões diferentes das adotadas pelo contribuinte, sob pena de se consagrar a sonegação. Exigese, contudo, que a decisão decorrente da fiscalização seja fundamentada, quer para que não se ofenda ao princípio da legalidade, ou para que o contribuinte possa exercer o seu direito de defesa. 3 Apelação a que se nega provimento. (AMS n.º 89.04.079543PR, Ac. TRF 400003018, de 20/02/92, 1ª Turma, Rel. Juiz Hadad Viana, DJ de 18/03/92, pág. 5937). A desconsideração das empresas prestadoras de serviços, decorreu da realidade fática encontrada pela fiscalização, qual seja, a existência de relação de emprego entre as pessoas físicas e a empresa ora autuada. E, diante de tal situação, a fiscalização previdenciária tem o poderdever de perquirir acerca da real natureza da relação de trabalho para fins de cobrança da contribuição previdenciária devida. Este é também o entendimento do Egrégio Tribunal Regional Federal da 5ª Região: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. EQUÍVOCO NA INDICAÇÃO DA DECISÃO RESCINDENDA. PRELIMINAR SUPERADA. OBJETO DA AÇÃO ORIGINÁRIA: ANULAÇÃO DE NOTIFICAÇÃO FISCAL EM RAZÃO DA INCOMPETÊNCIA DO INSS PARA CARACTERIZAR RELAÇÃO DE EMPREGO. FUNDAMENTO DA SENTENÇA E DO ACÓRDÃO (RESCINDENDO) DE PROCEDÊNCIA DO PEDIDO: INCONSTITUCIONALIDADE DA EXPRESSÃO Fl. 1924DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.722604/201136 Acórdão n.º 2302003.155 S2C3T2 Fl. 1.920 11 "AUTÔNOMOS E ADMINISTRADORES" (ART. 3O, DA LEI N.º 7.787/89). CARACTERIZAÇÃO DE ERRO DE FATO (ART. 485, IX, DO CPC). DESCONSTITUIÇÃO DA DECISÃO RESCINDENDA E NOVO JULGAMENTO. DETENÇÃO PELO INSS DE PODERES PARA RECONHECER RELAÇÃO DE EMPREGO PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS. RELAÇÃO DE EMPREGO CARACTERIZADA. INEXISTÊNCIA DE PROVA ACERCA DA CONDIÇÃO DE TRABALHADOR AUTÔNOMO, A INFIRMAR A AUTUAÇÃO FISCAL. PROCEDÊNCIA. ... 6 .A FISCALIZAÇÃO DO INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL DETÉM PODERES PARA PERQUIRIR ACERCA DA NATUREZA DA RELAÇÃO DE TRABALHO QUE VINCULA DUAS OU MAIS PESSOAS, PARA FINS DE COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA, CONFORME SEJA O CASO. A ATUAÇÃO INVESTIGATIVA DOS FISCAIS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ESTÁ VOLTADA AO CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA, À PERFECTIBILIDADE DE EFEITOS PREVIDENCIÁRIOS. O RECONHECIMENTO DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA, PARA ESSA FINALIDADE ESPECÍFICA, NÃO TRANSBORDA PARA ALCANÇAR A GERAÇÃO DE EFEITOS TRABALHISTAS, DA MESMA FORMA QUE NÃO PODE FICAR ATRELADO AOS RESULTADOS QUE DECORRERIAM DE EVENTUAL CONTENDA NA JUSTIÇA ESPECIALIZADA, ALTERCAÇÃO ESTA CUJO AJUIZAMENTO FICA NA DEPENDÊNCIA DA VONTADE DO EMPREGADO. A IDENTIFICAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO, NA VIA ADMINISTRATIVA, CONSTITUI UMA FASE PRÉVIA E INDISPENSÁVEL AO LANÇAMENTO DO TRIBUTO PELO AGENTE ARRECADADOR. 7 .HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE SE, DA REALIDADE FÁTICA, EMERGE CARACTERIZADA A RELAÇÃO DE EMPREGO, NÃO HÁ COMO DEIXAR DE SE RECONHECER OS EFEITOS QUE DELA DECORREM PELO FATO DE NÃO ESTAR, A RELAÇÃO EMPREGATÍCIA, DOCUMENTALMENTE REGISTRADA COM ESSA CONFIGURAÇÃO. 8 .DEMONSTRADA A RELAÇÃO DE EMPREGO, PELAS PROVAS COLIGIDAS AOS AUTOS, NÃO INFIRMADAS PELA PARTE RÉ. 9 .PROCEDÊNCIA DO JUDICIUM RESCISSORIUM. (AR 2675 PE, Ac. TRF 500066668, Pleno, dec. unân. De 25/09/2002, DJ de 02/12/2002, pág. 575, Rel. Des. Fed. Francisco Cavalcanti). Fl. 1925DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Impossível negarse a existência de "prejuízo" para a Previdência Social, advindo com a prestação de serviços nos moldes em que feitos, já que não há recolhimento de contribuições previdenciárias na relação havida entre duas pessoas jurídicas. Por derradeiro, é de se ressaltar que a autoridade lançadora não se baseou em meros indícios, mas sim em um conjunto de documentos e outros elementos observados durante a fiscalização. Saliento, ainda, que não ocorreu a despersonificação da pessoa jurídica, mas a análise conjunta da situação fática e de todos os elementos colhidos durante a ação fiscal que permitiu caracterizar os vínculos com a Previdência Social dos segurados que prestavam serviço através das empresa interpostas para com a recorrente. Podese verificar que os serviços prestados estão ligados à atividade meio e fim da autuada, são efetuados nas dependências dessa, mediante remuneração mensal, com caráter não eventual. Também, o Tribunal Superior do Trabalho já se pronunciou pela ilegalidade da contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vínculo diretamente com o tomador, quando existente a pessoalidade e subordinação, como no presente caso. Enunciado do TST Nº 331 Contrato de prestação de serviços. Legalidade Revisão do Enunciado nº 256 O inciso IV foi alterado pela Res. 96/2000 DJ 18.09.2000 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6019, de 3.1.74). Reitero que a desconsideração da pessoa jurídica não está declarando nula a personificação, mas quer dizer que a mesma é ineficaz para a prática de determinados atos como a prestação de serviços que aqui se evidenciou. Por este motivo, é desnecessário aguardar o desfecho do processo relativo à baixa de ofício das empresas terceirizadas. Naquele processo as empresas envolvidas poderão se manifestar e levar suas razões acerca do que estiver sendo tratado naquele processo. Este auto de infração não está tratando da despersonificação da pessoa jurídica, apenas não está considerando a interposição de pessoa jurídica na prestação de serviços por empregados na atividade fim da recorrente. No que se refere à existência de “grupo econômico de fato”, é de se ver que não procede o argumento da recorrente de que não há nos autos prova da existência de grupo econômico. O relatório fiscal foi detalhado ao especificar a existência e configuração do grupo econômico entre as empresas CERÂMICA RAINHA LTDA E UNICERÂMICA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS CERÂMICOS LTDA., na medida em que há comunhão de sócios e objetivos sociais, houve utilização em comum de empregados entre as empresas integrantes do grupo. Há atuação de empresas na mesma unidade, utilizandose da estrutura do grupo. Há representação em comum das empresas, ocorreu movimentação financeira entre as sociedades integrantes do grupo, por meio de pagamento de despesas de uma empresa pela outra, existem inúmeros documentos da UNICERÂMICA assinados por segurados empregados da recorrente, há pagamentos de notas fiscais da UNICERÂMICA pela recorrente, ambas são Fl. 1926DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.722604/201136 Acórdão n.º 2302003.155 S2C3T2 Fl. 1.921 13 responsabilizadas em reclamações trabalhistas, o controle de pessoal, na área de recursos humanos é efetuado por um único funcionário para todas as empresas, há pagamentos realizados pela UNICERÂMICA de despesas efetuadas por empregados das prestadoras HERTA CIA.LTDA e DARCI POSSAMAI E CIA. LTDA. E, ainda é de se ver que a partir de 04/2010 a empresa UNICERÂMICA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS CERÂMICOS LTDA. sucedeu a recorrente assumindo o seu faturamento e a prestação de serviços de todos os empregados e contribuintes individuais alocados nas empresas optantes do SIMPLES. Por tudo isso, entendo que a fiscalização demonstrou de fato a existência do grupo econômico. Mesmo porquê o grupo é caracterizado pela manutenção das personalidades jurídicas autônomas, apenas operacionalmente é que há a comunhão de recursos materiais e de pessoal. Há caracterização do grupo econômico, conforme art. 2º, parágrafo 2º do DecretoLei n ° 5.452 (CLT). § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Já, a solidariedade do grupo econômico está prevista expressamente na lei previdenciária, art. 30, inciso IX da Lei n º 8.212 de 1991: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei; (Ver § 4º do art. 2º da Lei nº 9.719/98) Portanto, correta a identificação dos sujeitos passivos como responsáveis solidários. Ainda com relação a argüição de nulidade da autuação porque o sigilo bancário foi quebrado sem ordem judicial, não possui razão a recorrente, posto que os extratos bancários foram fornecidos pela própria autuada, que entregou os documentos para serem examinados, não havendo que se falar em quebra de sigilo ou autorização judicial para tanto. Portanto, ao constatar a prestação de serviços por empregados para a recorrente, o fisco lavrou o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória referente ao descumprimento de obrigação acessória, qual seja a falta de informação em GFIP de toda a remuneração paga aos segurados que lhe prestaram serviço, no período de 03/2007, 07/2007 a 11/2008, frente a desconsideração dos serviços prestados por interpostas pessoas jurídicas. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Fl. 1927DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao não informar os valores relativos aos pagamentos efetuados aos segurados que lhe prestaram serviço, frente à desconsideração da prestação por interpostas pessoas jurídicas, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem Fl. 1928DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.722604/201136 Acórdão n.º 2302003.155 S2C3T2 Fl. 1.922 15 o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Era considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que era apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Entretanto, as multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 1929DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” No caso em tela, o Fisco ao aplicar a multa fez um somatório da multa moratória de 24% pelo descumprimento da obrigação principal mais a multa de cem por cento relativas as contribuições não declaradas e comparouas com a multa de ofício de 75%. Mas, quanto a aplicação de multa nos autos de infração de omissão de fatos geradores em GFIP, meu entendimento é que à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.722604/201136 Acórdão n.º 2302003.155 S2C3T2 Fl. 1.923 17 Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa , então, deve ser aplicada na forma do art.32 A, I da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 11.941/2009: Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13602.000446/2007-81
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2000
INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP.
Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, deve-se aplicar a norma mais benígna ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a
aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§1º e 3º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, devese aplicar a norma mais benígna ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§1º e 3º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 2. 00 04 46 /2 00 7- 81 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13602.000446/200781 Acórdão n.º 2803003.568 S2TE03 Fl. 86 2 (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13602.000446/200781 Acórdão n.º 2803003.568 S2TE03 Fl. 87 3 Relatório O presente Recurso Voluntário busca a reforma da decisão que manteve o lançamento tratase de lançamento do crédito tributário oriundo à aplicação multa administrativa por infração ao infração ao art. 32, inciso IV, parágrafos 1° e 3° da Lei 8.212, de 24/07/1991, com a redação da Lei 9.528/97, combinado com o art. 225, IV do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999, tendo em vista que,nas competências 06/2003 a 07/2003, a empresa informou os trabalhadores do estabelecimento 19.722.313/00022 na GFIP do estabelecimento 19.722.313/000181, o que ocasionou fatos geradores declarados a maior na GFIP deste estabelecimento, ou seja, GFIP preenchidas em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação. Em seu recurso a parte alega a tempestividade, a inexigibilidade de depósito recursal, a possibilidade de revisão do lançamento e da decisão recorrida, cerceamento de defesa, inconstitucionalidade e ilegalidade da sanção aplicada. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13602.000446/200781 Acórdão n.º 2803003.568 S2TE03 Fl. 88 4 Voto Conselheiro Relator O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido Quanto ao cerceamento de defesa, a mesma não ocorreu, pois o lançamento foi claro em seus motivos legais e fáticos, bem como foi demonstrado como foi apurado, respeitando o art. 142, do CTN, bem como os arts. 33 e 37 da Lei n. 8212/1992. Cumpria a parte trazer elementos probatórios para contradizer o lançamento, como disponibiliza o art. 16, do Dec. 70235. Assim, está correta Auto de Infração, a obrigação de informar em GFIP todos as informações referentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, está prevista no art. 32, IV, da Lei n. 8.212/1991. Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. Por final, quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio da legalidade ou vedação ao confisco, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A, do Anexo II, do Regimento Interno do CARFMF. Todavia, por dever de ofício, ao se verificar a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, §§5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, devese atentar às alterações legais implementadas por esta e sua lei de conversão (Lei n. 11.941/2009), que revogou os parágrafos e incluiu o art 32A, I,. Recentemente, as normas sancionatórias relativas à GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, e provavelmente beneficiam a Recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por Fl. 94DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13602.000446/200781 Acórdão n.º 2803003.568 S2TE03 Fl. 89 5 cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado Fl. 95DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13602.000446/200781 Acórdão n.º 2803003.568 S2TE03 Fl. 90 6 exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retrotatividade benígna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Assim, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), como o entendimento que a aplicação da sanção deve ser regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário e, no mérito, para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§1º e 3º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 16707.006661/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
APURAÇÃO ANUAL DO IMPOSTO. IRRF. ABATIMENTO.
Não há qualquer débito da Recorrente em relação aos tributos reclamados, pois que foram integralmente declarados e quitados, parte pelos tomadores de serviços, na qualidade de substitutos tributários, outra parte pelo parcelamento regularmente concedido
Numero da decisão: 1301-001.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrente EMVIPOL EMPRESA DE VIGILÂNCIA POTIGUAR LTDA., FAZENDA NACIONAL. Recorrida FAZENDA NACIONAL, EMVIPOL EMPRESA DE VIGILÂNCIA POTIGUAR LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 APURAÇÃO ANUAL DO IMPOSTO. IRRF. ABATIMENTO. Não há qualquer débito da Recorrente em relação aos tributos reclamados, pois que foram integralmente declarados e quitados, parte pelos tomadores de serviços, na qualidade de substitutos tributários, outra parte pelo parcelamento regularmente concedido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 66 61 /2 00 8- 97 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário e de Recurso de Ofício interpostos contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ em Recife/PE. Depreendese do presente processo administrativo que em desfavor da contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 08 a 12) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 24 a 28), para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 2.942.597,87 (valores principais, multas e juros proporcionais). De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o lançamento decorreu da glosa do imposto de renda mensal, — bem assim da CSLL —, pago por estimativa, informado na linha 17, ficha 12 A, das DIPJ dos anos objeto da autuação. Lançou se multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais do imposto e da contribuição (infração 002). A contribuinte apresentou Impugnação (fl. 130 a 142), alegando em síntese que os tributos lançados teriam sido parcelados e quitados antes do início da ação fiscal e que as retenções na fonte, efetuadas por pessoas jurídicas de direito público e de direito privado, não teriam sido consideradas na autuação, sendo que o enquadramento legal não seria condizente com a "real situação fática". A 3ª Turma da DRJ em Recife/PE, nos termos do acórdão e voto de folhas 210 a 215, julgou o lançamento parcialmente procedente, assinalando que segundo a impugnação da contribuinte os tributos lançados teriam sido objeto de parcelamento, consubstanciado no processo n° 16707.003017/200603, devidamente liquidado, assinalando, todavia, que tal alegação seria equivocada, porquanto o referido processo consubstanciava parcelamento liquidado relativo às estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, do anocalendário de 2005, de sorte que o Processo nº 10469.400006/200714 — não citado na impugnação — consubstancia parcelamento relativo às estimativas mensais desses tributos, relativas ao ano calendário de 2006. Frisou a decisão recorrida que os valores parcelados dizem respeito aos meses em que se apurou tributo a pagar, ou seja: IRPJ a pagar de setembro e dezembro de 2005 (fls. 49 e 50), totalizando o montante de R$ 251.230,53; e de julho, agosto, setembro, outubro e novembro de 2006 (fls. 89 e 90), no montante de R$ 182.148,64, sendo que a CSLL a pagar de maio, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2005 (fls. 53 a 55), no montante de R$ 145.518,22; e de fevereiro, maio, julho, agosto, setembro, outubro e novembro de 2006 (fls. 92 a 95), no montante de R$ 112.681,09, ocorrendo, todavia, que os valores que foram abatidos no cálculo do imposto e da contribuição, a título de estimativas pagas (fls. 51, 56, 91 e 96), são maiores do que os referidos montantes, não havendo falar em liquidação total, evidentemente. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16707.006661/200897 Acórdão n.º 1301001.284 S1C3T1 Fl. 3 3 Afirmouse, no entanto, que nada obstante deviam ser considerados os valores que foram parcelados, apesar de não terem sido lançados em linha própria (18 da ficha 12 A Parcelamento Formalizado de IR sobre a Base de Cálculo Estimada), nas DIPJ, de sorte que ficaria afastado o argumento de que não caberia multa de ofício por ter parcelado o débito antes da ação fiscal se iniciar, ficando afastada, no entanto, a multa aplicada isoladamente por falta de recolhimento das estimativas. No tocante às alegadas retenções na fonte, assinalou a decisão recorrida que consoante a defesa apresentada, a autuante teria olvidado, no cálculo dos tributos, as retenções na fonte discriminadas nas DIPJ dos anos objeto da autuação, porém, não lhe assistiria razão, porquanto as retenções havidas nos referidos anos foram utilizadas nos balancetes de suspensão/ redução levantados, consoante fichas 11 das DIPJ, de maneira que não havia porque considerálas na apuração do imposto anual, pois o IRRF a ser considerado na apuração anual corresponde apenas à parcela que excede o IRRF utilizado na apuração mensal. Considerouse assim, que por não ter havido excedente do IRRF, que não se informou Imposto de Renda na Fonte na ficha 12A da DIPJ do exercício de 2006 e quanto à DIPJ do exercício de 2007, segundo a decisão recorrida, os valores do IRRF informados (linhas 13 e 14) foram considerados. No tocante ao enquadramento legal, assinalou a decisão que a alegação da contribuinte não procede, pois o inciso III do art. 841 do RIR, de 1999, citado na autuação, calha como uma luva ao que se constatou, porquanto a contribuinte utilizou na apuração anual do imposto (Ficha 12A das DIPJ) valores de estimativas maiores do que os efetivamente pagos, o que implicou em redução do imposto a pagar e que idêntica situação teria ocorrido com a CSLL. Em vistas destas considerações, a decisão ora recorrida considerou procedente em parte a impugnação, para exonerar o crédito no montante R$ 691.578,48, correspondente aos valores principais, e no montante de R$ 342.163,87, corresponde às multas isoladas, e manter o montante de R$ 584.615,41. Foi interposto Recurso de Ofício na forma regimental então vigente e contribuinte foi devidamente cientificada (fls. 220 – 221), tendo apresentado Recurso Voluntário (fls. 224 – 232), argumentando que ao apreciar o mérito da defesa, o acórdão recorrido constatou a existência e quitação do parcelamento e, neste item, julgou improcedente o Auto de Infração, tendo, porém, inovado quanto ao entendimento relativo às retenções na fonte lançando novo fundamento, pelo qual manteve a procedência da infração, enquadrandoa no art. 841, inciso III, do RIR/99, por entender que "a interessada utilizou na apuração anual do imposto (Ficha 12A das DIPJ) valores de estimativas maiores do que os efetivamente pagos, o que implicou em redução do imposto a pagar". Arrazoou a recorrente que, diferentemente do auto de infração original, que vislumbrava total inadimplência da Recorrente, entendeu a turma julgadora que os valores de tributos retidos na fonte configuram pagamento, porém, que sua utilização a maior é que está a lesar o fisco, aduzindo que seu recurso se prestaria para rebater o referido enquadramento, demonstrando a um só tempo que não há débito de IRPJ e CSLL do período fiscalizado e que não houve inexatidão das informações prestadas quanto a tais tributos nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apresentadas em 2006 e 2007. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Voltou a argumentar que as diferenças lançadas são equivalentes ao IRRF que não fora levado em consideração pela Fiscalização, sendo os valores informados nas declarações anuais a título de retenção na fonte, totalizam exatamente R$ 679.806,67, sendo R$ 334.405,60 [2005] + R$ 345.401,07 [2006], valor este que sob alegação da utilização "a maior" do que efetivamente pagos, pretendese lançar de ofício neste procedimento fiscal. Argumentou que tais valores foram devidamente declarados nas fichas próprias da DIPJ, sendo que a recorrente, nos períodos questionados, apurou o valor total de impostos devidos e foram deduzidas as quantias retidas na fonte e, do saldo de imposto a pagar, requereuse o parcelamento, concluindo que, por tal razão, matemática e legalmente falando, nada mais seria devido por ela recorrente. Seguiu argumentando que uma vez comprovada a total extinção do crédito tributário, resultaria a revelação da exatidão com que os valores foram lançados nas obrigações acessórias, de sorte que utilizara a metodologia denominada de Balancete de Suspensão ou Redução, autorizada pela Lei n° 8.981/95, aduzindo que a fim de dar execução a tal prerrogativa do contribuinte, a RFB adota diversas obrigações acessórias, nas quais o declarante tem que detalhar os fatos geradores, suas bases de cálculo e alíquotas utilizadas na apuração do tributo devido, para posterior verificação do fisco, tendente à homologação de seu lançamento. Reputou que no caso em exame, estáse a afirmar que a obrigação acessória preenchida com inexatidão é a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica dos anos calendários 2005 e 2006, mais precisamente a Ficha 12A, linha 17 de 2005 e linha 16 do ano de 2006, tendo o acórdão afirmado que: "as retenções havidas nos referidos anos foram utilizadas nos balancetes de suspensão/redução levantados, consoante fichas 11 das DIPJ (... )", e neste ponto, pretendeu pacificar que não se discute na decisão da Turma a correção do preenchimento da Ficha 11, logo, ao informar as retenções nesta ficha, a Recorrente agiu conforme a norma, anotando que a referida Ficha é identificada pelo título de Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa. Segundo afirmou, extraise da própria dicção da lei que os valores devem ser acumulados para efeito da dedução do imposto total anual devido, sendo esta a sistemática adotada ao longo do preenchimento de toda a Ficha 11, de sorte que seria possível perceber que na apuração mensal do imposto a pagar são somados os valores das linhas 02, 03 e 04, que resulta no total do imposto de renda apurado e deste total, são deduzidos, isto é, subtraídos, o valor do imposto devido, leiase apurado, em meses anteriores Linha 06 – as retenções na fonte — Linhas 07, 09 e 10 e outras deduções autorizadas, sendo que o resultado, quando positivo, será apresentado na linha 12 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR. Afirmou, destarte, que sendo a sistemática de balancete de redução ou suspensão mensal cumulativo, ou por Estimativa, dizse que o pagamento assim realizado é estimado, pois somente no final do período de 12 meses será realizada a consolidação destas estimativas, procedendose à apuração real do lucro e do imposto sobre ele devido, utilizando se para tanto a Ficha 12A, sendo fácil perceber, portanto, que os valores a serem transportados a título de total do imposto devido devem conter aqueles que já foram antecipada e efetivamente pagos, quer seja por meio de retenção direta na fonte, quer seja por recolhimento através de DARF, para, neste encontro de contas final, fazerse a verificação se ainda há crédito do fisco ou do contribuinte, concluindo ter sido este seu procedimento, como se pode perceber na Linha 17 da Ficha 12A no ano de 2005, intitulada Cálculo do Imposto de Renda Sobre o Lucro Real que consolida a Ficha 11 e por isso, é denominada de Imposto de Renda Pago por Estimativa. Quanto à CSLL, as fichas correspondentes ao procedimento acima relatado são as de n°s 16 e 17. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16707.006661/200897 Acórdão n.º 1301001.284 S1C3T1 Fl. 4 5 Indagou onde estaria o apontado equívoco e aduziu que o engano partiu do próprio acórdão, com equivocada interpretação dos itens do manual de ajuda para preenchimento dos formulários eletrônicos das obrigações acessórias, pugnando ao fim pelo provimento do seu Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos demais requisitos formais de recorribilidade, bem assim o Recurso de Ofício atente aos pressupostos regimentais. Admitoos para julgamento. Quanto ao Recurso de Ofício registro de pronto que não há nada a ser provido. Os valores afastados pela DRJ o foram por reconhecido cumprimento de parcelamento por parte da contribuinte, ou seja, presente o parcelamento dos coincidentes débitos, bem como seu cumprimento, correta a decisão ao afastar esta parcela do auto de infração. Quanto à matéria submetida a Recurso Voluntário, relembro que a contribuinte tem sustentado, em resumo, que a Fiscalização teria olvidado, no cálculo dos tributos, as retenções na fonte discriminadas nas DIPJ dos anos objeto da autuação, a decisão recorrida, a seu turno, assinalou não lhe assistiria razão, porquanto as retenções havidas nos referidos anos foram utilizadas nos balancetes de suspensão/ redução levantados, consoante fichas 11 das DIPJ, de maneira que não havia porque considerálas na apuração do imposto anual, pois o IRRF a ser considerado na apuração anual corresponde apenas à parcela que excede o IRRF utilizado na apuração mensal, considerando, destarte, que não ter havido excedente do IRRF, já que não se informou Imposto de Renda na Fonte na ficha 12A da DIPJ do exercício de 2006 e quanto à DIPJ do exercício de 2007, os valores do IRRF informados (linhas 13 e 14) foram considerados. Com efeito, basta que se atente para os valores informados nas declarações anuais a título de retenção na fonte, que totalizam exatamente R$ 679.806,67 (R$ 334.405,60 [2005] + R$ 345.401,07 [2006]), valor este que sob alegação da utilização "a maior" do que efetivamente pago, pretendese lançar de ofício neste procedimento fiscal. Tais valores foram devidamente declarados nas fichas próprias da DIPJ. Sendo a sistemática de balancete de redução ou suspensão mensal cumulativo, ou ainda, por Estimativa, como batizado pela RFB, dizse que o pagamento assim realizado é estimado, pois somente no final do período de 12 meses será realizada a CONSOLIDAÇÃO destas estimativas, procedendose à apuração real do lucro e do imposto sobre ele devido, utilizandose para tanto a Ficha 12A. Fácil perceber, portanto, que os valores a serem transportados a título de TOTAL DO IMPOSTO DEVIDO devem conter aqueles que já foram antecipada e efetivamente pagos, quer seja por meio de retenção direta na fonte, quer seja por recolhimento através de DARF, para, neste encontro de contas final, fazerse a verificação se ainda há crédito do fisco ou do contribuinte. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Foi o que fez a Recorrente, como se pode perceber na Linha 17 da Ficha 12A no ano de 2005, intitulada, Cálculo do Imposto de Renda Sobre o Lucro Real que CONSOLIDA a Ficha 11 e por isso, é denominada de Imposto de Renda Pago por Estimativa. Quanto à CSLL, as fichas correspondentes ao procedimento acima relatado são as de n °s 16 e 17. Na verdade não ocorreu equívoco apontado pela DRJ, na verdade, o engano foi perpetrado pela decisão recorrida, em errônea interpretação para preenchimento dos formulários eletrônicos das obrigações acessórias. Verificandose os documentos trazidos aos autos fica evidente pela análise dos mesmos que não se pode falar em inexatidão do preenchimento das mencionadas obrigações acessórias e, conseqüentemente, não pode a Recorrente ser punida. Vejamos os quadro demostrativos abaixo: DEMONSTRATIVOS ANUAIS Ano Calendário 2005 TOTAL IRPJ e CSLL S/ LUCRO () IR e CS Utilizado Ficha 12A/13 a 15 TOTAL IRPJ e CSLL DEVIDO () TOTAL IR/CS = ESTIMATIVA Parcelamento Deferido (=) SALDO FINAL IR E CS A PAGAR IRPJ 531.260,50 0,00 531.260,50 280.030,02 251.230,53 0,00 CSLL 199.893,80 0,00 199.893,80 54,375,58 145.518,22 0,00 Totais 731.154,30 0,00 731.154,30 334.405,60 396.748,75 Ano Calendário 2006 TOTAL IRPJ e CSLL S/ LUCRO () IR e CS Utilizado Ficha 17A/13 a 15 TOTAL IRPJ e CSLL DEVIDO () TOTAL IR/CS = ESTIMATIVA Parcelamento Deferido (=) SALDO FINAL IR E CS A PAGAR IRPJ 420.823,28 28.897,22 391.426,06 256.741,60 182.148,64 (46.964,18) CSLL 160.136,38 6.522,85 153.613,53 53.239,40 112.681,09 (12.306,96) Totais 580.959,66 35.420,07 545.039,59 309.981,00 294.829,83 DEMONSTRATIVOS POR TRIBUTOS IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA AC TOTAL IRPJ S/ LUCRO () IRRF Utilizado Ficha 12A/1315 TOTAL TRIBUTO DEVIDO () TOTAL IRRF = ESTIMATIVA Parcelamento Deferido (=) SALDO FINAL 2005 531.260,50 0,00 531.260,50 280.030,02 251.230,53 0,00 2006 420.823,28 28.897,22 391.426,06 256.7 1,60 182.148,64 (46.964,18) Totais 952.083,78 28.897,22 923.186,56 536.771,57 433.379,17 (46.964,18 CONSTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO AC TOTAL CSLL S/ LUCRO () CSLL Utilizado Ficha 17A/1315 TOTAL TRIBUTO DEVIDO () TOTAL CSLL = ESTIMATIVA Parcelamento Deferido (=) SALDO FINAL 2005 199.893,80 0,00 199.893,80 54.375,58 145.518,22 0,00 2006 160.136,38 6.522,85 153.613,53 53.239,40 112.681,09 (12.306,96) Totais 360.030,18 6.522,85 353.507,33 107.614,98 258.199,31 (12.306,96) Fl. 288DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16707.006661/200897 Acórdão n.º 1301001.284 S1C3T1 Fl. 5 7 Pelo que dos autos constam assiste razão à RECORRENTE motivo pelo qual encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO E DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. Sala das Sessões, em 12 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 13362.000591/2004-90
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). SÚMULA CARF n° 41.
A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do ITR, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até o início do procedimento fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar a área de reserva legal de 3.207,7809 ha, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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SÚMULA CARF n° 41. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do ITR, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até o início do procedimento fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar a área de reserva legal de 3.207,7809 ha, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 36 2. 00 05 91 /2 00 4- 90 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13362.000591/200490 Acórdão n.º 2801003.757 S2TE01 Fl. 127 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/REC/PE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/09, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR exercício 2000, relativo ao imóvel denominado "Fazenda CG Paraná", localizado no município de Baixa Grande do Ribeiro PI, com área total de 6.928,2 ha, cadastrado na SRF sob o n° 2.744.3736, no valor de R$ 19.653,80 (dezenove mil seiscentos e cinqüenta e três reais e oitenta centavos), acrescido de multa de lançamento de ofício e de juros de mora, calculados até 29/10/2004, perfazendo um crédito tributário total de R$ 48.352,27 (quarenta e oito mil trezentos de cinqüenta e dois reais e vinte e sete centavos) 2.No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2000 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme demonstrativo Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal fl. 05, a fiscalização apurou as seguintes infrações: a) exclusão, indevida, da tributação de 4.528,2 ha de área de preservação permanente; b) exclusão, indevida, da tributação de 1.600,0 ha de área de utilização limitada. As exclusões indevidas, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal fl. 05, têm origem na falta de atendimento à intimação fiscal, para comprovar que as áreas de preservação permanente e de utilização limitada atendiam aos requisitos para serem consideradas áreas não tributáveis pelo ITR. O Auto de Infração foi postado nos correios tendo o contribuinte tomado ciência t i 19/11/2004, conforme AR de fl. 14. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 20/12/2004, a impugnação de fls. 19/71, alegando, em síntese: I que "o autuado era legítimo proprietário de uma área de 6.928,2 hectares, situada Baixa Grande do Ribeiro, sobre as quais existe uma averbação de reserva legal de 1.385,69 hectares "; II que "após o advento do Decreto 750/93, a propriedade sofreu restrição de exploração em que pese a existência de desmaie Fl. 127DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13362.000591/200490 Acórdão n.º 2801003.757 S2TE01 Fl. 128 3 protocolado no Ibama no ano de 1996, conforme pode ser constatado no processo em anexo, com 400,00 hectares. "; III que "Esta área é resultante do requerimento protocolado pelo proprietário anterior e o autuado de posse deste documento iniciou o desmaie de 2.800,00, visando a plantação de grãos. Esta ação gerou um auto de infração pelo Ibama, onde não se considerou o pedido anterior de 400,00 hectares já autorizados". O lançamento foi julgado procedente, conforme Acórdão de fls. 77/83, que restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2000 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. EXIGÊNCIA DO ADA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR está condicionada ao reconhecimento delas pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende, ainda, de sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2000 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente Lançamento Procedente Regularmente cientificado daquele acórdão em 16/07/2007 (fl. 86), o Interessado, representado por seu advogado (fls. 96), interpôs recurso voluntário de fls. 88/95, em 15/08/2007(envelope fl. 87). Em sua defesa, alegou que: · a decisão recorrida deixou de se pronunciar quanto ao Decreto n° 750/93, argüido pelo ora Recorrente, quando da impugnação, o qual reconhecendo que a área onde se encontrava a sua propriedade, Fl. 128DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13362.000591/200490 Acórdão n.º 2801003.757 S2TE01 Fl. 129 4 tratavase de área de transição entre a floresta úmida e a área de cerrado, decretou a restrição de sua exploração, o que caracterizaria esta área como sendo área de interesse ecológico para a proteção de ecossistemas, e que deveria ser levado em consideração quando da apuração do ITR, conforme disposto na alínea "b" do artigo 10 da Lei 9393/1996, acima transcrito: · ao contrário do que restou asseverado na decisão recorrida, o compromisso de reserva legal junto ao IBAMA encontrase devidamente averbado na matrícula do imóvel do ora Recorrente, conforme atesta a cópia do Registro n° 2.243 do 1º Ofício de Imóveis de Ribeiro GonçalvesPI, mais uma razão pela qual impõese a reforma desta decisão. · ainda que fosse possível supor que algumas das áreas do imóvel pudessem ser consideradas tributáveis, haveria de ser levado em conta para a apuração do ITR a existência de culturas, com a devida exclusão destas do valor da terra nua, segundo a base de cálculo prevista pelo acima reproduzido artigo 10, §1°, da Lei n° 9.393/96, e o valor do imposto previsto .o artigo 11 da mesma Lei e nos artigos 32 a 34 do Decreto n° 4382/02. Conforme Resolução n°310200.058 – 1ª Câmara /2ª Turma Ordinária (fl. 102/105), o julgamento foi convertido em diligência à unidade da RFB de origem, a fim de que fosse solicitada a manifestação do Ibama, para confirmar se existe área de reserva legal; em caso positivo, se a mesma foi averbada, qual a área e desde quando é área legal; relativo ao imóvel Fazenda CG Paraná, no município de Baixa Grande do RibeiroPI; tendo em vista compromisso de reserva legal firmado com o próprio IBAMA de acordo com o Registro de Imóveis Ribeiro Gonçalves, Piauí. Em resposta, o IBAMA apresentou os documentos de fls. 110/113. Após ter tido ciência do Relatório de Fiscalização da diligência efetuada pela Superintendência do IBAMA no Estado do Piauí, o Recorrente argumentou que ficou demonstrado que a propriedade em questão é constituída de consideráveis porções que se enquadram como não tributáveis, independentemente de a fiscalização do IBAMA ter defendido o contrário neste caso por conta de suposto não cumprimento da formalidade consistente na averbação. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13362.000591/200490 Acórdão n.º 2801003.757 S2TE01 Fl. 130 5 Cuida o presente lançamento de glosa dos valores declarados como áreas de preservação permanente (4.528,2 ha) e áreas de utilização limitada (1.600 ha). Sobre a exigência do ADA para o exercício de 2000, cabe trazer à colação a Súmula CARF n° 41, que assim dispõe: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Afastada a necessidade do ADA, devese examinar a comprovação do direito alegado. Em decorrência do procedimento de diligência, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA apresentou o Relatório de fls. 110/111 e a Certidão de Averbação de Reserva Legal de fls. 112/113, informando que: · A Fazenda CG Paraná não possuía averbação de RL, mas apenas um Termo de Compromisso de Averbação de Reserva Legal, conforme cópia da Certidão do Inteiro Teor, Vintenária e Ônus fornecida pela Receita Federal; · A RL foi averbada somente após a aquisição da área pela Fazenda Aliança II, conforme Certidão de Averbação de Reserva Legal (cópia em anexo) da Fazenda Aliança II, contida no processo n°. 02020.000240/200433 nessa Superintendência; · Em 04 de março de 2004, houve a averbação da área de reserva legal de 3.207,7809 ha, na Fazenda Aliança II. Com se vê, a averbação da área de reserva legal de 3.207,7809 ocorreu antes do início do procedimento fiscal – 20/07/2004 (fl. 13). Portanto, considerando que o contribuinte estava espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, entendo que ele pode fruir dos isentivos tributários, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, especificamente se anterior ao início do procedimento fiscal pela autoridade tributária, não me parece razoável negar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua (re)composição. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início do procedimento fiscal. Neste sentido, é o entendimento do seguinte julgado: Acórdão nº 210201.862, sessão de 12 de março de 2012 (excerto de ementa) Fl. 130DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13362.000591/200490 Acórdão n.º 2801003.757 S2TE01 Fl. 131 6 ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL RURAL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da benesse tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal. Acórdão nº 210201.815, sessão de 8 de fevereiro de 2012 (excerto) Quanto ao momento da averbação da reserva legal, este Colegiado decidiu no Acórdão 2801003.495, sessão de 14 de abril de 2014, de relatoria do Ilustre Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida: Importante assinalar que nos Embargos de Declaração nos Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 27/11/2013, foi arguida a questão relativa à especificação e averbação da área de reserva legal antes ou durante o procedimento de fiscalização, ou seja, entre a data da ocorrência do fato gerador e a data da lavratura da Notificação de Lançamento. Nada obstante, a insurgência da embargante foi rechaçada sob os seguintes argumentos: Fl. 131DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13362.000591/200490 Acórdão n.º 2801003.757 S2TE01 Fl. 132 7 “A par disso, registro que no julgamento do embargos de declaração opostos contra o acórdão que julgou o recurso especial, o então relator, eminente Ministro Mauro Campbell Marques, assentou que "[e]sta Corte posicionou de forma clara, adequada e suficiente acerca da tese que lhe foi submetida: a necessidade de averbação da reserva legal para que a parte usufrua da isenção prevista no art. 10, inc. II, alínea "a", da Lei nº 9.393/96. Tudo quanto a embargante procura discutir nos embargos de declaração constitui matéria que não foi apreciada pela Corte regional porque a tese jurídica ora analisada nesta instância especial foi prejudicial às demais questões levantadas na apelação”. Ora, se as demais questões suscitadas pela embargante não foram apreciadas no julgamento do recurso especial, também não é possível delas conhecer em sede de embargos de divergência. Constatase, portanto, que a insurgência da embargante não diz respeito a eventual vício de integração do acórdão impugnado, mas à interpretação que lhe foi desfavorável, motivação essa que não se enquadra nas hipóteses de cabimento dos aclaratórios”. Verificase, assim, que a questão relativa ao momento da averbação para fins de obstar ou desconstituir o lançamento fiscal não foi objeto de apreciação pelo STJ, tampouco é definida pelas legislações tributária/ambiental, pelo que esta Turma de julgamento deve se debruçar sobre o tema, de forma a decidir o caso concreto e, quiçá, a servir de subsídio à uniformização da jurisprudência deste Conselho. Nesse contexto, suponha as seguintes situações: a) Contribuinte declara área de reserva legal inexistente (área tributável declarada a menor). Na suspeita de fraude, o Fisco decide levar a cabo uma fiscalização. Nessa hipótese, o que será examinado pela Fiscalização. Obviamente que será o registro do imóvel, de modo que, não havendo a averbação da reserva legal, o tributo será lançado sobre a área total do imóvel (admitindose a inexistência de outras deduções legais); b) Contribuinte declara área de reserva legal existente, sem proceder a averbação. Posteriormente, antes do início do procedimento fiscal, resolve averbar a referida área na matrícula do imóvel. Na suspeita de fraude, o Fisco decide levar a cabo uma fiscalização. Nessa hipótese, o que será examinado pela Fiscalização. Obviamente que será o registro do imóvel, de modo que, havendo a averbação da reserva legal e abstraindose da questão do ADA, que não foi objeto deste lançamento, o tributo não poderá ser lançado, porquanto preenchido os requisitos substancial (existência da área de reserva legal) e formal (averbação da área na matrícula do imóvel). Fl. 132DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13362.000591/200490 Acórdão n.º 2801003.757 S2TE01 Fl. 133 8 Em outras palavras: se no momento do exame pela Autoridade competente o registro do imóvel já evidencia a averbação da área de reserva legal, não me parece razoável a glosa da referida área, haja vista que, com a averbação, se atinge o escopo fundamental de preservação da área averbada. Assim, enquanto o contribuinte estiver espontâneo, nos termos do § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá, a meu ver, por analogia ao dispositivo legal que trata da espontaneidade, averbar a área de reserva legal e fruir da isenção legal respectiva. Anoto, por fim, que depois de iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade restará invalidada e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso ainda não tenha sido averbada. A razão é evidente: a averbação posterior ao início do procedimento fiscal não teria por escopo a preservação da área de reserva legal, mas sim evitar o possível lançamento tributário. Ainda, impor ressaltar que, ao contrário do que defende o peticionário, não existem elementos de provas que demonstram que a propriedade em questão é constituída de outras porções que se enquadram como não tributáveis. Ou seja, não consta dos autos laudo técnico hábil a provar a existência da área de preservação permanente e nem ato do Poder Público declarando qualquer área como de interesse ecológico. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para considerar a área de reserva legal de 3.207,7809 ha. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 133DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 13808.003458/97-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1995
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO
Numero da decisão: 9303-002.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
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PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 34 58 /9 7- 28 Fl. 2377DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 Allegretti (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Relatório Cuidase de recurso especial interposto em face do acórdão proferido pela turma a quo, na parte que tomou como termo inicial para contagem do lapso decadencial de pedido de restituição a data de publicação da Resolução do Senado Federal nº 49/95, que suspendeu os efeitos dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88. Eis a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1995 NORMAS PROCESSUAIS RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. O prazo decadencial para se pedir a restituição do tributo pago indevidamente tem como termo inicial a data de publicação da Resolução que extirpou do ordenamento jurídico a norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. A PGFN apresentou Recurso Especial a esta CSRF alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito decorrente de pagamento indevido é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo, começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. Pede a reforma do julgado. O sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pleiteia a manutenção do acórdão. É o relatório. Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O Contribuinte acima identificado efetuou recolhimentos entre os meses de julho de 1988 e outubro de 1995 e seriam indevidos porque obedeceram as disposições dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, considerados inconstitucionais pelo STF e afastados do mundo jurídico pela Resolução n° 49 do Senado Federal. A Fazenda Recorreu da decisão prolatada pela instância anterior. Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 13808.003458/9728 Acórdão n.º 9303002.923 CSRFT3 Fl. 191 3 Não assiste razão à PGFN, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Na mesma toada, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pagamentos e pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Assim, visto que a interessada protocolizou seu pedido de restituição em 05/09/1997, os pagamentos referentes aos fatos geradores anteriores a 10 anos dessa data estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição,o que não ocorreu in casu, pois o fato gerador mais remoto foi em julho de 1988. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. No presente caso, não existe nenhum período cujo direito a se pleitear a repetição esteja prescrito. Ante o exposto voto por negar provimento do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.915123/2009-74
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 8a Turma da DRJ Campinas (fls. 33/36 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada contra a não homologação da compensação pleiteada pela mesma, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 15 12 3/ 20 09 -7 4 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10830.915123/200974 Resolução nº 3802000.264 S3TE02 Fl. 165 2 DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo relata a instância recorrida, a declaração de compensação apresentada pela contribuinte não foi homologada em vista da integral utilização do pagamento indicado como origem do direito de crédito para quitação de outros débitos confessados pela contribuinte. Notificado do teor do despacho decisório o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em síntese, que a não homologação da compensação decorreu de erro na apresentação da DCTF, mas que já providenciara a retificação da aludida declaração. A manifestação de inconformidade, contudo, não foi acolhida pela primeira instância de julgamento sob o fundamento base de que o direito creditório alegado e a retificação da DCTF do período careciam de comprovação. Cientificado da referida decisão em 01/05/2012 (fls. 39), a interessada apresentou, em 31/05/2012 (fls. 41), o recurso voluntário de fls. 41/53, onde alega o seguinte: a) que, por estar sujeita ao regime da nãocumulatividade da contribuição pode descontar créditos calculados em relação a compras efetuadas no mercado interno de produtos destinados à industrialização (CFOP 111); b) que, ao revisar a apuração da contribuição, verificou que não considerara em sua apuração os créditos advindos das aludidas operações; c) que em razão de o equívoco haver sido identificado antes mesmo da entrega da DACON, a nova apuração já teria sido informada na declaração original em comento, o que ocorreu também em relação à DIPJ; d) que a não homologação da compensação decorreu unicamente da ausência de retificação da DCTF; e) que a decisão administrativa denegatória da compensação seria nula por haver sido proferida antes da verificação da validade do crédito apontado ou de intimação da contribuinte para dirimir ocasionais dúvidas a respeito da divergência entre o valor constante na DCTF e o montante consignado na DACON e na DIPJ; f) que os documentos fiscais anexados seriam suficientes para comprovar o crédito pleiteado, devendo consequentemente, ser declarado “extinto o débito da contribuição para o PIS/PASEP, relativo ao mês de setembro de 2006, objeto do processo administrativo n. 10830.915675/200982, consoante o disposto no artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional”; g) defende a aplicação do princípio da verdade real. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10830.915123/200974 Resolução nº 3802000.264 S3TE02 Fl. 166 3 Diante do exposto, requer seja anulada a decisão de primeira instância, reconhecido o direito creditório reclamado e, consequentemente, extinto o débito tributário objeto do processo administrativo nº 10830.915675/200982. Acaso necessário, pede que o julgamento seja convertido em diligência para apuração dos fatos narrados e sua confirmação frente a escrita fiscal da recorrente. Segundo o extrato de fls. 28 o processo nº 10830.915675/200982 diz respeito ao controle dos saldos remanescentes dos débitos da PIS/Pasep de setembro de 2006. O sujeito passivo acosta aos autos cópia de DARF (fls. 69), cópia de fls. da DACON, da DIPJ e da DCTF retificadora (fls. 70/95), bem como de demonstrativos e de cópias de notas fiscais de aquisição de insumos (fls. 96/134). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme relatado, a ciência da decisão de primeira instância se deu em 01/05/2012 (fls. 39). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 31/05/2012 (fls. 41), tempestivamente, portanto. Muito embora alguns argumentos só tenham sido apresentados nesta instância recursal, deles tomo conhecimento, quer por se referirem a questões de ordem pública – as quais estão dispensadas do requisito do prequestionamento (como a aduzida nulidade da decisão de primeira instância, que no caso presente não restou configurada) –, quer em vista do princípio da efetividade do processo. Tais questões serão abordadas com maiores detalhes quando do julgamento do feito. Concernente ao direito reclamado, importa destacar que a legislação atinente ao regime da incidência nãocumulativa do PIS/PASEP e da COFINS autoriza, de fato, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem algumas ressalvas ao direito de creditamento em tela1. Para comprovar o direito creditório reclamado a recorrente acosta aos autos cópia de DARF (fls. 69), cópia de fls. da DACON, da DIPJ e da DCTF retificadora (fls. 70/95), bem como de demonstrativos e de cópias de notas fiscais de aquisição de insumos (fls. 96/134). 1 Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10830.915123/200974 Resolução nº 3802000.264 S3TE02 Fl. 167 4 Segundo o contrato social anexado aos autos, a suplicante tem como objeto social a fabricação, montagem, manutenção, conserto, compra, venda, importação e exportação de vidro para aplicação industrial arquitetura e automóveis, de TINTAS E PRODUTOS químicos para aplicação industrial, agrícola, bem como as respectivas matérias primas, a prestação de serviços para empresas fabricantes desses itens e a representação de terceiros, podendo participar de outras sociedades como quotista ou acionista. A natureza das atividades exercidas pela interessada, diante dos custos e despesas retratados nos documentos anexados, revela, desde já, que existe, ao menos em parte, direito a desconto de créditos do PIS e da COFINS em vista do regime da nãocumulatividade, e, portanto, na mesma proporção, direito ao reconhecimento do crédito pelo pagamento a maior, já que, segundo alega a interessada, o recolhimento da contribuição foi efetuado sem a utilização de nenhum desconto. O sujeito passivo, em seu recurso, aduz que os valores corretos da contribuição teriam sido informados na DIPJ e na DACON declaradas originalmente. Assevera, também, que a documentação acostada aos autos do processo seria suficiente para comprovar a legitimidade do crédito reclamado. De fato, em exame da ficha 21 da DIPJ do anocalendário de 2004, mês de abril, constase que o valor do PIS/Pasep a pagar no período é de R$ 222.245,07 (ver fls. 90). Tal montante difere em apenas R$ 3,00 da contribuição a pagar informada na DACON (R$ 222.248,07 – ver. fls. 77). Como o débito declarado na DCTF foi de R$ 257.863,40, o crédito em favor do sujeito passivo, considerando como correta a quantia informada na DACON, seria de R$ 35.615,33. Necessário se faz, porém, comprovar se os montantes declarados na DIPJ e na DACON estão alicerçados na documentação de importação acostada aos autos bem como na escrituração contábil da empresa. Da Conclusão Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem, frente à escrituração da empresa e à documentação acostada aos autos, bem como diante de outros documentos que porventura entenda necessários, se manifeste sobre a legitimidade do crédito reclamado relativo ao PIS/Pasep do mês de abril de 2004. Instruído o processo com os esclarecimentos necessários, e cientificados o contribuinte e a Fazenda Nacional do resultado da diligência, deverão os autos ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala de Sessões, em 14 de outubro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10830.915123/200974 Resolução nº 3802000.264 S3TE02 Fl. 168 5 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 14774.000047/2009-73
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
IMPUGNAÇÃO. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia requerido.
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-002.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto, Henrique Heiji Erbano e Meigan Sack Rodrigues, que davam provimento, em parte, ao recurso voluntário, para exonerar a multa de ofício isolada em razão da concomitância com a multa de ofício proporcional.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2006 IMPUGNAÇÃO. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia requerido. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto, Henrique Heiji Erbano e Meigan Sack Rodrigues, que davam provimento, em parte, ao recurso voluntário, para exonerar a multa de ofício isolada em razão da concomitância com a multa de ofício proporcional. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos e Henrique Heiji Erbano.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 COMPENSAÇÕES. NÃO EXTERIORIZAÇÃO AO FISCO. NÃO ACATAMENTO. Não tendo sido as alegadas compensações validamente exteriorizadas ao Fisco seja por Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), seja por Pedido de Compensação ou Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) , não produzem quaisquer efeitos, não podendo, pois, ser acatadas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO POR ESTIMATIVA. ABRANGÊNCIA. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: (I) a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; (II) o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 IMPUGNAÇÃO. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia requerido. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 77 4. 00 00 47 /2 00 9- 73 Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.036 2 Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto, Henrique Heiji Erbano e Meigan Sack Rodrigues, que davam provimento, em parte, ao recurso voluntário, para exonerar a multa de ofício isolada em razão da concomitância com a multa de ofício proporcional. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos e Henrique Heiji Erbano. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.037 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 469 a 472): # DO AUTO DE INFRAÇÃO Contra a empresa supra qualificada foram lavrados, em 15/04/2009, os autos de infração a seguir relacionados1, para exigência de crédito tributário de R$ 257.431,95 (duzentos e cinquenta e sete mil, quatrocentos e trinta e um reais e noventa e cinco centavos), referentes aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2005. [...]. De acordo com a descrição dos fatos (fls. 22 e 23) do auto de IRPJ, foram apuradas as seguintes infrações: a) OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA PELA OCORRÊNCIA DE SALDO CREDOR DA CONTA CAIXA EM 04/01/2005; b) FALTA DE PAGAMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF DO IRPJ E DA CSLL INCIDENTES SOBRE A BASE DE CÁLCULO ANUAL; E c) FALTA DE PAGAMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF DO DÉBITO DE IRPJ E DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. O Termo de Verificação de Infração e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 06/15), parte integrante do auto e infração, assim descreveu as infrações. a) O saldo credor da conta caixa (conta 0005 – DINHEIRO EM ESPÉCIE no livro razão) decorreu de “f) Com base nos demonstrativos e documentos apresentados pelo contribuinte, procedeuse à correção dos saldos diários da conta caixa, registrandose ainda a ocorrência de saldo credor em vários dias do ano calendário de 2005, conforme demonstrativo da conta caixa corrigida, cujo saldo credor máximo, no valor de R$ 51.425,87 ocorreu em 04/01/2005;”, consistindo infração à legislação tributária do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada referente ao mês de janeiro/2005, refletindo também na apuração do PIS/Pasep e COFINS. b) A infração falta de pagamento e declaração em DCTF do IRPJ e da CSLL determinados anualmente sobre o lucro líquido ajustado resultou de apuração de IRPJ e CSLL no ajuste em 31/12/2005, quando também ficou constatado o não registro de pagamento ou débito em DCTF desses tributos, como também a não entrega de correlata Declaração de Compensação – DCOMP. [...]. c) Já a infração falta de pagamento ou declaração em DCTF do IRPJ e da CSLL determinados mensalmente sobre base de cálculo estimada resultou da constatação, na escrituração fiscal, de auferimentos mensais de receitas para os quais 1 IRPJ (fls. 20/25), CSLL (30/35), PIS/Pasep (fls. 38/40) e COFINS (fls. 43/45) Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.038 4 não há registro de pagamentos ou débitos declarados em DCTF de IRPJ e CSLL por estimativa. # DA IMPUGNAÇÃO A contribuinte foi cientificada dos autos em 23/04/2009 e, inconformada, apresentou, por meio de seu procurador, a impugnação de fls. 291 a 303, em 25/05/2009, com as seguintes alegações: i – QUANTO À OMISSÃO DE RECEITASSALDO CREDOR DE CAIXA. i.a) Inconsistências na contabilidade (data de registro dos fatos contábeis) durante o mês, mas que não o saldo final da conta caixa no final do mês, que é sempre devedora; i.b) Relativamente aos fornecedores cujos títulos são pagos em carteira com cheque, que o lançamento contábil do pagamento da duplicata acontece na data do cheque, porém o lançamento contábil do cheque só acontece na data de sua compensação, o que só acontece alguns dias depois. Dessa forma, a conta caixa é primeiramente creditada pelo pagamento do título e, posteriormente, debitada pela compensação do cheque. i.c) Que o suposto saldo credor aconteceu no mês de maior venda, em janeiro de 2005, bastando uma análise na movimentação das compras e vendas de mercadorias durante todo o ano de 2005, para ficar claro que não há omissão de receitas; i.d) Que, em nenhum dos 365 dias do ano de 2005, a conta Caixa apresentou saldo credor no valor de R$ 51.425,87. De onde vem tal valor?; i.e) Que as contas bancárias possuem disponibilidade financeira para suprir a conta Caixa. Que as contas Caixa e Bancos são subcontas do Disponível, que é conta do Ativo Circulante, não havendo que se falar em omissão de receitas, quando há disponibilidade para os pagamentos realizados pelo contribuinte. O saldo devedor da conta bancos demonstra o que já foi explanado, sobre os pagamentos de duplicatas em carteira com cheques. O pagamento foi creditado à conta Caixa, porém o cheque, ainda não compensado, não foi lançado a débito da referida conta. Em face do desencontro dos lançamentos a crédito e a débito de caixa, esta conta pode apresentar saldo supostamente credor, enquanto a conta bancária apresenta um saldo a maior, pela não compensação do cheque emitido; i.f) Que os recebimentos de cartões de crédito transitam pela conta Caixa, debitada como vendas à vista e creditada como depósitos bancários. (Que todos os depósitos bancários passam pela conta Caixa); e i.g) Que, sendo o saldo credor de caixa referente a mais de um período, há de se computar a receita omitida para fechamento do saldo do respectivo período e início do período seguinte, segundo entendimento do CARF transcrito. ii – QUANTO À FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDAFALTA DE PAGAMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF DO IRPJ SOBRE A BASE ANUAL: ii.a) Que, realmente, em 31/12/2005, a impugnante apurou o IRPJ e a CSLL nos valores de R$ 26.159,94 e R$ 15.695,96, respectivamente. Contudo, nos livros Diário e Razão constam os lançamentos de compensação dos tributos apurados no final do ano com os tributos constantes do Ativo Circulante, na conta Impostos e Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.039 5 Contribuições pagos por Estimativa, saldo de pagamentos a maior atualizados pela Selic até 31/12/2005, nos valores de IRPJ Pago por estimativa – R$ 145.079,81 e Contribuição Social por Estimativa – R$ 110.031,38, sendo que esses mesmos livros contábeis serviram como base para autuação, não servindo, porém, para análise dos lançamentos de compensação dos valores devidos na apuração do resultado do exercício com os saldos dos pagamentos a maior nos exercícios anteriores, sendo, portanto, improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, já que devidamente regularizados, em face da compensação legal; e iii – QUANTO À MULTA ISOLADA – FALTA DE PAGAMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF DO DÉBITO SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. iii.a) Que encerrado o p.a., a exigência do recolhimento por estimativa deixa de ter efeito, prevalecendo a exigência do imposto e da contribuição efetivamente devidos, apurados com base no lucro real anual; e iiib) Que, até 31/12/2004, havia saldo de pagamentos a maior de IRPJ (R$ 123.904,53) e CSLL (R$ 93.971,63) a serem compensados no ano de 2005, o que feito, consoante planilha de COMPENSAÇÃO DOS VALORES PAGOS A MAIOR EM EXERCÍCIOS ANTERIORES (anexada), requerendo, portanto, a improcedência da aplicação da multa isolada pela falta de pagamento e de declaração em DCTF do débito do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada, nos valores de R$ 87.135,41 e R$ 43.559,59. iv – REQUER, AINDA, PERÍCIA CONTÁBIL, NOS TERMOS DO ART. 16, IV, DO DECRETO Nº 70.235/72, PARA QUE SE PROVE QUE NÃO HOUVE OMISSÃO DE RECEITAS, ATRAVÉS DA ANÁLISE DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO; E v – Requer, por fim: va) que seja julgada PROCEDENTE a presente impugnação, devendo ser decretada a improcedência da autuação, ou sucessivamente; vb) que seja determinada a compensação dos créditos tributários recolhidos a maior nos períodos anteriores a 2005; vc) que tais créditos sejam devidamente atualizados pela taxa Selic; e vd) a aplicação retroativa da multa menos gravosa – A multa por falta de recolhimento da estimativa mensal, no percentual de 50%, de que trata o artigo 44, II, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo artigo 14 da MP 351/2007. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 467 e 468): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA Caracterizase como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa. Constatada a omissão de receita, impõese a lavratura do auto de infração. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.040 6 OMISSÃO DE RECEITAS LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS) Aplicase às exigências ditas reflexas o decidido em relação à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta de recolhimento ou declaração em DCTF do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. Aplicase a multa exigida isoladamente de 50% sobre os valores de IRPJ apurados mensalmente que deixaram de ser recolhidos/declarados em DCTF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta de recolhimento ou declaração em DCTF da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. Aplicase a multa exigida isoladamente de 50% sobre os valores de CSLL apurados mensalmente que deixaram de ser recolhidos/declarados em DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais necessárias e suficientes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. Considerase não formulado o pedido de perícia e diligência que não atende aos requisitos legais estabelecidos para sua formalização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 01/04/2013 (fls. 498 ND), a tempo, em 02/05/2013, apresenta a interessada Recurso de fls. 500 a 519 ND, instruído com os documentos de fls. 520 a 1.028 ND, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. 4. Requer, ao final, seja efetuada perícia, com o objetivo de esclarecimentos de fatos, indicando, para tanto, o seu perito e os quesitos a serem respondidos. Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.041 7 Em mesa para julgamento. Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 5. Conforme se verifica da análise dos autos, para diversos lançamentos contábeis relativos a futuros recebimentos em conta de Bancos, a Recorrente efetua, primeiramente, o seu lançamento a débito da Conta Caixa e, posteriormente, quando do efetivo recebimento do depósito bancário, esse lançamento, a débito de Caixa, é anulado por um lançamento a crédito da mesma conta. 6. Assim, a conta Caixa acaba por ser empregada para controlar créditos a receber em conta Bancos, funcionando como uma espécie de conta transitória. 7. Esse fato é reconhecido pela fiscalização (Termo de Verificação de Infração e Encerramento de Ação Fiscal, fls. 7): c) De fato, os lançamentos a crédito da conta caixa das transferências efetuadas pelas administradoras de cartão de crédito/débito são indevidos, pois os valores não passaram pelo caixa efetivamente, o que resultou em erro no saldo apresentado, mais credor; d) No entanto, este erro, na verdade, está corrigindo o saldo da conta caixa com relação a erro cometido anteriormente, quando o lançamento das vendas através de cartão foi feito indevidamente a débito da conta caixa, como demonstra a escrituração contábil — todos os lançamentos de venda de mercadoria foram lançados como venda à vista, debitando a conta caixa, independentemente de as vendas terem sido através de pagamento em dinheiro, cheque ou cartão de crédito/débito; 8. Esse procedimento, porém, por corresponder a um débito e posterior crédito à conta Caixa, não resulta em estouros fictícios dessa conta. 9. Fato semelhante ocorre na situação inversa futuros pagamentos em conta de Bancos –, como quando do pagamento de fornecedores e outras despesas por meio de cheques. Aqui, a Recorrente efetua lançamento a crédito da Conta Caixa, quando da emissão do cheque, e lançamento a débito, quando de sua compensação (resposta a intimação fiscal, fls. 69): 2. Pagamentos a Fornecedores em Carteira: Os pagamentos a fornecedores com cobrança em carteira são pagos com cheques. A maioria desses cheques demora alguns dias para serem compensados, uma vez que os fornecedores não efetuam os depósitos deles na data em que recebem o valor das duplicatas. Contudo, o lançamento contábil acontece na data do Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.042 8 efetivo pagamento, debitando a conta do fornecedor e creditando a Conta Caixa. Só quando o cheque é debitado na conta corrente da farmácia, é que acontece o lançamento a débito da Conta Caixa e a crédito da Conta Bancária. 10. Assim, “a falta de sincronia entre a saída de numerário da Conta Caixa, pelo pagamento, e a entrada da compensação do cheque, provoca, erroneamente, supostos saldos credores na Conta Caixa” (fls. 70). 11. Ou seja, “os saldos credores apresentados em determinados dias, na Conta Caixa, são consequência da forma de contabilização adotada no exercício de 2005 pela empresa” (fls. 70). 12. Esse procedimento, sim, por corresponder a um crédito e posterior débito à conta Caixa, pode resultar em estouros fictícios dessa conta. 13. Porém, com base em planilha apresentada pela própria empresa, a fiscalização efetuou ajustes na conta Caixa, considerando esse último fato. 14. Vejase, comparativamente, fls. 90, 157 e 166verso. 15. Vejase que, exemplificativamente, lançamentos contábeis inicialmente efetuados no dia 14/01/2005, data do pagamento em cheque, pela empresa (fls. 90), foram deslocados para o dia 17/01/2005, data da compensação do cheque, pela fiscalização, quando da reconstituição da conta Caixa (fls. 166verso), com base em planilha apresentada pela Recorrente (fls. 157). 16. A própria fiscalização frisou bem esse ponto (Termo de Verificação de Infração e Encerramento de Ação Fiscal, fls. 7, grifouse): e) Quanto à ocorrência de pagamentos em datas diversas das registradas nos lançamentos contábeis, intimouse o contribuinte a apresentar demonstrativo discriminando estes pagamentos e suas respectivas datas de ocorrência, acompanhado de documentos hábeis e idôneos que comprovassem estes fatos; f) Com base nos demonstrativos e documentos apresentados pelo contribuinte, procedeuse à correção dos saldos diários da conta caixa, registrandose, ainda, a ocorrência de saldo credor em vários dias do anocalendário de 2005, conforme demonstrativo da conta caixa corrigida, cujo saldo credor máximo no valor de R$ 51.425,87 ocorreu em 04/01/2005; 17. Dessa forma, não procede a irresignação da Recorrente quanto a esse ponto. 18. Com relação à assertiva da Recorrente de que, em nenhum dos 365 dias do ano de 2005, a conta Caixa apresentou saldo credor no valor de R$ 51.425,87, esse valor foi obtido quando da reconstituição da conta, escoimandose os erros de contabilização por ela mesma apontados. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.043 9 19. Por outro lado, observou a fiscalização, rigorosamente, que, existindo saldo credor de caixa referente a mais de um período, devese computar a receita omitida para fechamento do saldo do respectivo período e início do período seguinte, como reclama a Recorrente (Termo de Verificação de Infração e Encerramento de Ação Fiscal, fls. 7): g) Os demais saldos credores apresentados ao longo do ano, sendo menores do que o valor de R$ 51.425,87, foram desconsiderados, por serem efeitos do saldo credor apresentado em 04/01/2009; 20. No que se refere à alegação de que teria efetuado compensações em sua escrita contábil, relativas aos valores devidos e não recolhidos nem declarados em Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), cumpre ressaltar que, não tendo sido essas alegadas compensações validamente exteriorizadas ao Fisco – seja por Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), seja por Pedido de Compensação ou Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) –, não produzem quaisquer efeitos, não podendo, pois, ser acatadas. 21. Além disso, devem essas compensações ser procedidas pela própria Recorrente, na forma da Lei, não sendo de se admitir a sua efetivação de ofício. 22. Já quanto à multa isolada analisada no tópico seguinte , já foi, ela, aplicada no percentual de 50% (cinquenta por cento) sobre o tributo/contribuição devido, conforme se verifica das tabelas de fls. 14 e 20. Multa isolada 23. Primeiro que tudo, oportuno se faz recordar a magistral advertência de Carlos Maximiliano [Hermenêutica e Aplicação do Direito. 2. ed. Porto Alegre: Globo, 1933. p. 118], no sentido de que: Cumpre evitar, não só o demasiado apego à letra dos dispositivos, como também o excesso contrário, o de forçar a exegese e, deste modo, encaixar na regra escrita, graças à fantasia do hermeneuta, as teses pelas quais este se apaixonou, de sorte que vislumbra no texto ideias apenas existentes no próprio cérebro ou no sentir individual, desvairado por ojerizas e pendores, entusiasmos e preconceitos. A interpretação deve ser objetiva, desapaixonada, equilibrada, às vezes audaciosa, porém não revolucionária, aguda, mas sempre atenta respeitadora da lei. 24. Dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação original (grifouse): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, [...]; II cento e cinquenta por cento, [...]. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.044 10 I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...]; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; 25. Da atenta leitura desse dispositivo legal, observase o seguinte: a) não há qualquer orientação no sentido de que a aplicação da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL devase fazer apenas “no curso do próprio anocalendário”. Haja vista que, segundo a lei, essa multa será exigida da pessoa jurídica “ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”, e não “ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente” (destaque da transcrição). Entender o contrário conduziria ao absurdo de, com relação à estimativa do mês de novembro, por exemplo, ser inviável qualquer procedimento fiscal, haja vista que o seu vencimento se dá como é sabido no último dia útil do mês de dezembro. Estarseia, assim, instituindo, pelas vias tortuosas de mera tese jurisprudencial, verdadeira dispensa de obrigação tributária para esse mês, o que somente seria possível mediante lei; b) se a multa isolada é aplicável “ainda que apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário correspondente” (negrito da transcrição), também é, ela, exigível quando apurado resultado positivo. Seguese, daí, que nada impede a cobrança dessa multa, mesmo que, sobre esse resultado positivo, venha a incidir tributo e respectiva multa de ofício, prevista no inciso I do § 1º da Lei nº 9.430, de 1996 (“juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos”); c) a infração da falta de pagamento de estimativas não deixa de subsistir por ter sido apurado, eventualmente, ao final do ano calendário, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, ou seja, essa infração, por força de lei, não é nem jamais poderia ser condicional, não admitindo uma espécie de “retroatividade benigna”, no sentido de desfazer os seus efeitos. Dessa forma, tendose verificado a hipótese de incidência da multa isolada, fatos posteriores sãolhe de todo estranhos. Há que se destacar, também, que, quando do cometimento da infração Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.045 11 (falta de pagamento de estimativas), não era, ainda, conhecido o resultado anual da empresa; d) se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar resultado negativo ao final do período de apuração anual, a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido (art. 44, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996), senão pela falta de cumprimento de obrigação autônoma que, com aquela, não guarda qualquer nexo de dependência, a saber: o pagamento da estimativa mensal (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), condição suficiente para a aplicação da penalidade. Assim, se não há coincidência de motivação, se as causas são díspares, se os fundamentos são diversos, não cabe falar em duplicidade de punição, não cabe apontar dupla incidência sobre a mesma infração, não cabe alegar bis in idem que, por sinal, somente se aplica a tributos. Advirtase, por pertinente, que a tentativa de se excluir a aplicação da multa isolada ao argumento da suposta “inexistência de prejuízo ao fisco” ou da “não repercussão na órbita do tributo”, esbarra no contido no art. 136 do CTN (“a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”); e) o que se está a cobrar do sujeito passivo é a penalidade pelo cometimento de uma infração, e não qualquer imposto ou contribuição que possa, ao depois, se mostrar passível de restituição. A circunstância de as estimativas não recolhidas base de cálculo dessa penalidade revelaremse, ao final do período de apuração anual (portanto, após o cometimento da infração), total ou parcialmente indevidas, é irrelevante, e não conduz à concessão de uma “anistia” ao sujeito passivo. Essa infração não se desmaterializa pelo fato de, na apuração anual, o imposto efetivamente devido vir a ser menor. Não por outro motivo, aliás, dita multa é denominada “isolada”, ou seja, não possui qualquer vínculo com o tributo devido ao final do período de apuração anual; f) a base de cálculo das estimativas e a do IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual, em princípio, são distintas. Ao tempo que as estimativas são calculadas com base na receita bruta (sobre a qual se aplica um percentual fixado em função da atividade do contribuinte) e acréscimos, a base de cálculo do IRPJ e CSLL é o lucro líquido contábil ajustado pelas adições e exclusões prescritas na legislação. Por conseguinte, o simples fato de as bases de cálculo das respectivas multas (isolada e de ofício, respectivamente), eventualmente, poderem ser coincidentes (v.g., nas hipóteses de omissão de receitas), não significa que esteja havendo dupla incidência ou aplicação concomitante sobre a mesma base de cálculo apurada em procedimento de ofício. Coube ao legislador estabelecer, a seu critério, que a base de Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.046 12 cálculo da multa isolada seria o valor da estimativa não recolhida, como poderia, ele, ter optado por qualquer outra fórmula de cálculo ou, mesmo, ter estabelecido multa de valor fixo para aquela infração, adequando convenientemente a dosagem da correspondente penalidade; g) a lei é clara ao admitir a cobrança de multa isolada por insuficiências de estimativas, mesmo quando apurado resultado negativo ao final do período de apuração anual (ausência de tributo devido). Com que fundamento, então, pode o simples intérprete e aplicador da lei fixar limitações a essa multa, vinculandoa à existência de tributo devido? h) nada impede que o sujeito passivo que não tenha recolhido estimativas ao longo do ano venha a pagar o tributo apurado ao final do período anual: nesse caso, serlheia aplicada apenas a multa por falta de recolhimento de estimativas. Também o sujeito passivo pode ter atendido às condições para apuração do lucro real anual, não efetuando, porém, o pagamento do saldo remanescente do ajuste ao final do ano: nesse caso, serlheia cobrada apenas a diferença de tributo acompanhada da multa de ofício correspondente. Já na hipótese de ter havido omissão total por parte do sujeito passivo, tanto no que diz respeito ao recolhimento de estimativas, quanto no que se refere ao pagamento do saldo anual do imposto, serlheão exigidas as duas penalidades, por se tratar de infrações distintas. A eventual concomitância, portanto, será decorrente desse fato (dupla infração). 26. Acrescentase, por pertinente, que insurgências quanto ao possível montante desproporcional da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL devem ser endereçadas ao legislador que, por sinal, já teve a iniciativa de reduzir o percentual correspondente, de 75% (setenta e cinco por cento) para 50% (cinquenta por cento), não mais prevendo sua duplicação ou aumento de metade, por ocasião da edição da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 27. Por derradeiro, revelase bemvinda a lição de Francesco Carrara (Interpretação e Aplicação das Leis. 2. ed. Coimbra: 1963. p. 129) que, sobre o tema, prelecionou: [...] nada é pior do que o intérprete colocar na lei o que na lei não está, por preferência, ou dela retirar o que nela está, por não lhe agradar o princípio. 28. E também esta, do Supremo Tribunal Federal (STF), em voto proferido pelo eminente Ministro Oscar Corrêa (Revista Brasileira de Direito Processual. Ed. Forense, vol. 50, p. 159): Não pode o juiz, sob alegação de que a aplicação do texto da lei à hipótese não se harmoniza com o seu sentimento de justiça ou Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.047 13 equidade, substituirse ao legislador para formular, de próprio, a regra de direito aplicável. Mitigue o Juiz o rigor da lei, apliquea com equidade e equanimidade, mas não a substitua pelo seu critério. Pedido de perícia 29. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefiro, por prescindível, o pedido da interessada, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993. 30. Há que se observar que, por um lado, tendo sido acatados os dados constantes das planilhas apresentadas pela Recorrente, e, por outro, não sendo admitidas compensações não exteriorizadas ao Fisco, não se justificaria, de qualquer modo, a realização de perícia para tanto. Demais exigências 31. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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