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Numero do processo: 10480.720699/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITO BANCÁRIO. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PROVA EM CONTRÁRIO. RECURSO IMPROVIDO.
À Luz do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, presume-se caracterizada omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações.
No caso concreto, a autuada não comprovou a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, limitando-se a alegações sem apresentar provas.
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. ENTREGA DIPJ INDICANDO QUE A EMPRESA ESTAVA INATIVA. MULTA QUALIFICADA.
Em regra, da presunção de omissão de receita caracterizada por depósito bancário não se pode extrair outra presunção para justificar a qualificação da multa. Contudo, a entrega de declaração indicando empresa sem movimento e/ou inativa é circunstância sobre a qual incide o disposto no artigo 71, da Lei nº 4.502, de 1964, ensejando a qualificadora da multa.
REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF
Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
IRPJ E REFLEXOS. DECADÊNCIA
O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. No caso dos autos, não existindo pagamento antecipado, aplica-se o disposto no artigo 173, I, do CTN. Alegação de decadência rejeitada.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DO CONTRIBUINTE E RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE TERCEIRO. EXISTÊNCIA DE DUAS REGRAS AUTÔNOMAS. REGRA-MATRIZ DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA E A REGRA-MATRIZ DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NECESSIDADE DE IDENTIFICAR QUANDO O SÓCIO PRATICA ATO EM NOME DA SOCIEDADE E QUANDO AGE DE FORMA CONTRÁRIA AO CONTRATO SOCIAL, RESULTANDO DESTA CONDUTA O INADIMPLEMENTO DOS TRIBUTOS.
O sócio torna-se corresponsável pelo pagamento do tributo não por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce a gerência, mas sim por praticar atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, dos quais decorram os créditos tributários exigidos (Inteligência do artigo 135, caput e inciso III, do CTN. Precedente STF. Recurso Extraordinário Recurso Extraordinário nº 562.276/PR, julgado em 03/11/2010. Relatora Ministra Ellen Graice).
Deve se distinguir as situações que caracterizam a imputação de multa qualificada das situações que resultam imputação de responsabilidade a terceiro. Na multa qualificada se está diante de conduta da empresa. Por sua vez, na imputação de responsabilidade tributária a conduta é do terceiro, sócio ou não, mas sempre divorciada do agir e da vontade jurídica da empresa.
Assim, a entrega de DIPJ não indicando a efetiva receita ou mencionado que a contribuinte encontra-se inativa é ato que se atribui à empresa e não a seus sócios para lhes imputar corresponsabilidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos: i) dar provimento parcial ao recurso para excluir a responsabilização dos coobrigados. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Carlos Mozart Barreto Vianna; e, ii) manter a multa de ofício nos moldes aplicados. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Cortez, que reduzia a multa ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Contudo, a entrega de declaração indicando empresa sem movimento e/ou inativa é circunstância sobre a qual incide o disposto no artigo 71, da Lei nº 4.502, de 1964, ensejando a qualificadora da multa. REGIMENTO INTERNO CARF DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 06 99 /2 01 0- 14 Fl. 794DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 1402001.652 S1C4T2 Fl. 0 2 devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. IRPJ E REFLEXOS. DECADÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. No caso dos autos, não existindo pagamento antecipado, aplicase o disposto no artigo 173, I, do CTN. Alegação de decadência rejeitada. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DO CONTRIBUINTE E RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE TERCEIRO. EXISTÊNCIA DE DUAS REGRAS AUTÔNOMAS. REGRAMATRIZ DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA E A REGRAMATRIZ DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NECESSIDADE DE IDENTIFICAR QUANDO O SÓCIO PRATICA ATO EM NOME DA SOCIEDADE E QUANDO AGE DE FORMA CONTRÁRIA AO CONTRATO SOCIAL, RESULTANDO DESTA CONDUTA O INADIMPLEMENTO DOS TRIBUTOS. O sócio tornase corresponsável pelo pagamento do tributo não por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce a gerência, mas sim por praticar atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, dos quais decorram os créditos tributários exigidos (Inteligência do artigo 135, “caput” e inciso III, do CTN. Precedente STF. Recurso Extraordinário Recurso Extraordinário nº 562.276/PR, julgado em 03/11/2010. Relatora Ministra Ellen Graice). Deve se distinguir as situações que caracterizam a imputação de multa qualificada das situações que resultam imputação de responsabilidade a terceiro. Na multa qualificada se está diante de conduta da empresa. Por sua vez, na imputação de responsabilidade tributária a conduta é do terceiro, sócio ou não, mas sempre divorciada do agir e da vontade jurídica da empresa. Assim, a entrega de DIPJ não indicando a efetiva receita ou mencionado que a contribuinte encontrase inativa é ato que se atribui à empresa e não a seus sócios para lhes imputar corresponsabilidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 1402001.652 S1C4T2 Fl. 0 3 Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos: i) dar provimento parcial ao recurso para excluir a responsabilização dos coobrigados. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Carlos Mozart Barreto Vianna; e, ii) manter a multa de ofício nos moldes aplicados. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Cortez, que reduzia a multa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Relatório ANTIQUORUM JOIAS E ANTIGUIDADES LTDA, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou procedente a exigência. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: 1 Tratase de autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica– IRPJ (fls. 428 a 431), do Programa de Integração Social – PIS (fls. 436 a 439), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 444 a 447), e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 451 a 454), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 1.689.311,85 (valores principais, multas e juros). 2 De acordo com o Relatório de Fiscalização das fls. 410 a 419, o lançamento decorreu de omissão de receita, caracterizada pela não comprovação da origem de recursos utilizados em depósitos bancários. Arbitrouse o lucro. Qualificouse a multa de ofício (150%). Lavrouse Termo de Sujeição Passiva Por Responsabilidade Solidária contra os Srs. Sérgio Rozenblit e Adriana Coelho Rozenblit (fls. 420 a 423); 3 Tanto a contribuinte quanto os terceiros arrolados como devedores solidários apresentaram a impugnação de fls. 460 a 488, contrapondose, em síntese, que: 3.1 O lançamento é nulo de pleno direito como também é totalmente improcedente (fl. 511). Dentre os fundamentos para esta tese está a alegação de que "o auto de infração não foi instruído com a devida documentação elaborada pelo fiscal, o que cerceia o direito de defesa (fl. 516) 3.2 – o lançamento seria nulo porque teria sido extrapolado o “prazo estabelecido” no Decreto 70.235, de 1972, para encerramento de procedimento de fiscalização, e porque o direito de defesa teria sido cerceado; Fl. 796DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 1402001.652 S1C4T2 Fl. 0 4 3.3 – terseia operado decadência quanto aos fatos geradores dos dois primeiros trimestres do ano objeto da autuação; 3.3 – parte dos créditos bancários, considerados como receita omitida, teria sido formalizada em duplicidade, porquanto diria respeito a transferências bancárias entre contas de mesma titularidade. Dos valores creditados nas contas bancárias, a título de desconto de cheques, apenas 5% tratarseia de receita (fl. 517). 4. A imputação dos sócios como sujeitos passivos solidários teria sido indevida. A decisão recorrida está assim ementada: SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.TERCEIROS ARROLADOS. Escapa à competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento a análise da responsabilidade de terceiros arrolados nos autos pela Fiscalização. ... OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM DOS RECURSOS. COMPROVAÇÃO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DECADÊNCIA. PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. DÍVIDA. Não havendo pagamento da dívida, o prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação se rege pelo disposto no inciso I do art. 173 do CTN. ... Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. O processo esteve em pauta na sessão de 01/02/2012, ocasião em que o Colegiado, por resolução, converteu o julgamento em diligência para que fossem apreciadas as impugnações apresentadas pelos terceiros responsáveis. A DRJ, por meio do acórdão de fls. 714 e seguintes, manteve a responsabilidade imputada aos recorrentes Sérgio Rozenblit e Adriana Coelho Rozenblit sob o fundamento de que "os sócios com poder de gestão, ao não escriturarem os livros fiscais e contábeis e não manterem controle efetivo das operações da empresa, adrede agiram com o intuito de impedir o conhecimento por parte do fisco da ocorrência de fato de gerador (aspecto material da hipótese de incidência tributária), o que vai de encontro ao art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964 (sonegação); caracterizando desse modo infração à lei, nos termos previstos no art. 135 do CTN." Fl. 797DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 1402001.652 S1C4T2 Fl. 0 5 A empresa autuada foi intimada da decisão em 17/10/2013 (fl. 723) e em 07/11/2013 reiterou seu recurso, desta vez subscrito, também, por Sérgio Rozenblit e Adriana Coelho Rozenblit. A falta de intimação dos terceiros acima indicados restou superada pela apresentação do recurso. Por fim, registro que a multa qualificada decorre das seguintes considerações feitas no Termo de Verificação Fiscal, que em parte se confundem com o lançamento: a) a empresa foi intimada a apresentar os extratos bancários; b) a empresa apresentou alguns extratos bancários, arquivo magnético contendo o lançamento dos extratos e respectivas planilhas; c) o contribuinte não apresentou os livros Diário, Razão, Lalur, Registro de Inventário, Apuração de ICMS, Registro de Entrada, Registro de Saída, o que enseja o arbitramento; d) a empresa foi intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários. Entretanto, a pessoa jurídica fiscalizada não se manifestou. e) a empresa declarou não possuir extratos bancários do período de junho a dezembro/2005 da conta nº 060063814 do Banco Rural; do período de janeiro a maio/2005 da conta nº 069063811 do Banco Rural; do período de janeiro a agosto da conta do Banco Bandepe. Sendo assim, foram requisitadas RMF. f) a empresa auferiu receita materializada mediante depósitos bancários e apesar disto apresentou declaração de inatividade, não efetuou pagamento do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, retardando ou impedindo que a Fazenda tomasse conhecimento da ocorrência dos fatos geradores. É o relatório. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 1402001.652 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso manuseado pela parte interessada está previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, encontrase devidamente fundamentado e foi interposto por quem tem interesse ver a decisão da DRJ reformada. Assim. conheçoo e passo ao exame do mérito. Dado ao fato de que o processo envolve questão relacionada à responsabilidade de terceiro, matéria que não raro tem sido confundida com solidariedade, de início, faço distinção entre estes institutos, com o quadro abaixo com posterior exame do mérito: contribuinte (art. 121, § único, I). Seção I Do sujeito passivo responsável (art. 121, § único, II). Capítulo IV interesse comum situação que constitua o FG. (124, I). Seção II – Solidariedade expressamente designada em lei (art. 124, II). LIVRO II Seção I – Disposição Geral Art. 128 (a lei pode atribuir responsabilidade a terceiro). Capítulo V Seção II – Responsabilidade dos sucessores – Art. 129 a 133. pais; tutores e curadores; adm. de bens de terceiros; Art. 134 inventariante; síndico; tabeliães ... sócios, nos caso de liquidação de sociedade e pessoas. Seção III – Responsabilidade de Terceiros pessoas relacionadas art. 134; Art. 135 mandatários, prepostos... diretores, gerentes ou representantes de PJ. Seção IV – Responsabilidade por infrações. Art. 137 É de responsabilidade do agente quando: I conceituadas como crime; II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III – quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente do dolo específico: das pessoas referidas art. 134, contra aqueles a quem respondem; dos mandatários contra seus mandantes. dos diretores, gerentes de PJ de direito privado contra estas. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 1402001.652 S1C4T2 Fl. 0 7 Do quadro acima depreendese que não pode confundir solidariedade tributária e responsabilidade de terceiros. São figuras jurídicas distintas e como tais decorrem de situações fáticas distintas. A solidariedade tributária inserese na Seção II do no Capítulo IV do Livro II do Código Tributário, que trata do sujeito passivo. A responsabilidade tributária de terceiros, incluindo aqui os sócios de direito e de fato, está disciplinada na Seção III do Capitulo V, do Livro II, do CTN. Necessário distinguir sujeito passivo de responsável tributário. O sujeito passivo de que trata o Capítulo IV pode ser o contribuinte (art. 121, § único I) ou o responsável, quando sem revestir a condição de contribuinte sua obrigação decorra de disposição expressa em lei. Em relação à distinção entre contribuinte e responsável atenhamo nos às normas contidas no parágrafo único do artigo 121, “in verbis”: Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A solidariedade, que não se confunde com responsabilidade de terceiros, decorre das situações previstas no artigo 124, I e II, do CTN, sendo que o interesse comum de que trata o inciso I não se confunde com as situações contidas no inciso II em que a lei pode atribuir a condição de solidário. As hipóteses previstas no artigo 124, I, do CTN (interesse comum), tratam da solidariedade de quem tem qualidade para ser contribuinte direto ou sujeito passivo da obrigação tributária (devedor originário art. 121, I). Ex. IPTU entre coproprietários; Por sua vez, o artigo 124, II, contempla situação em que a lei pode atribuir responsabilidade solidária a pessoas que não revestem a condição de contribuintes, mas por estarem vinculadas ao fato gerador praticado pelo contribuinte podem vir a ser chamadas a responderem pelo crédito tributário, como ocorre, por exemplo, na importação por conta e ordem de terceiros (o artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pelo artigo 77 da MP nº 2.15835, de 2001), ou nos casos de retenção de imposto de renda na fonte. O interesse comum de que trata o artigo 124, I, não é o interesse econômico, mas sim na questão relacionada à prática do fato gerador. Empresas de um mesmo grupo tem interesse econômico no resultado de suas operações, mas este interesse não serve para atribuir a uma delas a condição de solidária, visto que o interesse apto a qualificar a solidariedade é o interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, como ocorre, por exemplo, em caso de copropriedade, com a exigência do IPTU e ITR1.. 1 Neste sentido é a posição do STJ. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. .... LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. [...]4. Na relação jurídicotributária, quando composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuinte, cada uma delas estará obrigada pelo pagamento integral da dívida, perfazendose o instituto da solidariedade passiva. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, Fl. 800DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 1402001.652 S1C4T2 Fl. 0 8 A solidariedade de que trata o artigo 124, incisos I e II, não está relacionada a atos ilícitos e se aplica a quem tem a qualidade para ser sujeito passivo da obrigação tributária, ainda que por responsabilidade decorrente de expressa disposição legal, como é dos exemplos já apontados (situações previstas no artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pela MP nº 2.11535, de 2001 e Lei nº 11.281, de 2006). A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN. Nas hipóteses contidas no artigo 135 vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação). (RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543B do CPC). A responsabilidade de terceiro, por pressupor duas normas autônomas: a regra matriz de incidência tributária e a regramatriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios, nos casos de responsabilidade tributária por atos ilícitos, o auto de lançamento deve descrever, de forma direta e objetiva, a conduta do agente e a norma de incidência. Neste sentido, costumo ilustrar a situação com o seguinte quadro: Na solidariedade Na Responsabilidade de terceiro O fato Situação descrita na lei como suporte fático suficiente para exigência do crédito tributário. O fato Situação descrita na lei que impõe conduta omissiva ou comissiva a alguém, sob pena de responder pelo crédito tributário. A autuação Descreve situação que caracteriza a existência do fato gerador, a obrigação de pagar tributo e o quanto a ser pago. A autuação Descreve a situação irregular praticada pelo terceiro da qual decorre a obrigação de, mesmo sem ter praticado o fato gerador, responder pelos tributos devidos. Os limites O valor total do crédito tributário decorrente do fato gerador. Os limites Responsabilidade limitada aos tributos decorrentes dos atos em que intervir com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos. A defesa Salvo nos casos de débito declarado, o autuado deve ser notificado para apresentar defesa, sob pena de nulidade da inscrição do débito em dívida ativa. A defesa Em qualquer situação o terceiro a quem se imputa infração que caracteriza responsabilidade tributária deve ser notificado para apresentar defesa, sob pena de ineficácia, em relação a ele, do ato administrativo ou judicial que lhe imputar a condição de responsável. A punição Decorre do ato de não pagar tributo. A punição Decorre do ato de praticar conduta omissiva ou comissiva contrária ao direito, da qual resulta o não pagamento de tributo pelo contribuinte direto. haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. .... 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. (REsp 859.616/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJU 15.10.2007). Grifei. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 1402001.652 S1C4T2 Fl. 0 9 Outro detalhe importante é ter presente que o terceiro ou o sócio é responsável não por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce a gerência, mas por praticar ato que caracteriza infração descrita em lei. Ademais, em face das controvérsias surgidas em relação ato tema, diferentemente do que pensam alguns Conselheiros, entendo que “o simples fato de colocar terceira pessoa no contrato social não é o suficiente para atribuir a solidariedade ao sócio de fato”. Ao meu sentir, a solidariedade não decorre do fato de alguém ser sócio de fato ou de direito, mas sim do ato de praticar conduta que resulta no inadimplemento do crédito tributário. O sócio de fato não é responsável pelo simples fato de ser sócio de fato, mas sim por praticar conduta comissiva ou omissiva relacionada a fato gerador do qual decorra tributo que resulte inadimplido. Isto se aplica, igualmente, nas situações em que o sócio de fato ou de direito apropriase dos lucros da empresa sem que esta, por primeiro, tenha pago os tributos devidos. A título de exemplo, citase a retirada de recursos em favor dos sócios de fato, em prejuízo do pagamento dos tributos devidos. Em síntese, é preciso ter presente que a solidariedade entre uma pessoa física e uma pessoa jurídica ou entre duas pessoas jurídicas ou duas pessoas físicas somente ocorre quando ambas participam da relação jurídico tributária. Nada impede, por exemplo, que uma empresa regularmente constituída celebre parceria com profissional, pessoa física, para realizarem pesquisa encomendada por terceiro, ou ainda, que uma empresa ligada à construção civil, junto com engenheiro não integrante da empresa, se unam para executar determinado projeto. Nestes casos, em relação à receita advinda dos serviços prestados haverá solidariedade. O mesmo pode ocorrer em relação ao comércio ou à indústria. Ademais, o artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Do recurso dos terceiros responsáveis Dos fundamentos acima fixados, temse que para existir responsabilidade tributária de terceiro são necessário dois pressupostos: a) existência de crédito tributário a pagar; b) conduta omissiva ou comissiva contrária ao direito, praticada pelo terceiro responsável, da qual resulta o não pagamento de tributo pelo contribuinte direto. Questionase se nas situações em que a empresa entrega DIPJ como inativa ou sem movimento tal situação é suficiente para se imputar responsabilidade tributária a seus sócios. A resposta é não. Aqui se está diante de ato praticado pela pessoa jurídica, relacionado ao cumprimento de obrigação acessória. Igualmente, há que se distinguir as situações que caracterizam a imputação de multa qualificada das situações que resultam imputação de responsabilidade a terceiro. Na multa qualificada se está diante de conduta da empresa. Por sua vez, na imputação de responsabilidade tributária a conduta é do terceiro, sócio ou não, mas sempre divorciada do agir e da vontade jurídica da empresa. A entrega de DIPJ não indicando a Fl. 802DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 1402001.652 S1C4T2 Fl. 0 10 efetiva receita ou ainda mencionado que a empresa encontrase inativa é ato que se atribui à empresa e não a seus sócios. Ademais, dentre as obrigações acessórias está a de entregar, anualmente, a DIPJ. Do não cumprimento de tal obrigação, ou o cumprimento com atraso, resulta a exigência de multa. Contudo, se esta obrigação acessória for satisfeita de modo a ocultar a ocorrência de fato gerador, temse motivos para qualificar a multa e não para imputarse responsabilidade tributária aos sócios da empresa. No termo de sujeição passiva solidária, à fl. 469, destaca a autoridade fiscal: a) O quadro social era formado por Sérgio Rozenblit e Adriana Coelho Rozenblit, sendo que pelo contrato social cabia a ambos a administração da empresa; b) a empresa auferiu receita decorrente de depósitos bancários cuja origem não comprova, não escriturou, não apresentou escrituração contábil e não efetuou o pagamento do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Apresentou declaração de inatividade mencionando que permaneceu durante todo o ano de 2005 sem efetuar qualquer atividade operacional (fl. 470); c) Tendo os sócios agidos com infração à lei, incidiram as hipóteses de responsabilidade tributária solidária dos sócios contidas no artigo 210, VI, do RIR. arts. 124, I e II, 128 e 135, do CTN2. d) Após citar tais artigos a autoridade fiscal transcreve o conteúdo dos mesmos e aponta decisões de DRJ e do CARF destacando que "respondem pelos créditos tributários os administradores que tenham praticados atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (fl. 471). Pelo que se extrai das acusações contidas no termo de responsabilidade, a autoridade fiscal não distingue a conduta da empresa e a de seus sócios e, tampouco, descreve qualquer ato praticado por estes em infração à lei ou ao contrato social. Aqui, à toda evidência, está se imputando responsabilidade aos sócios pelo simples fato destes serem sócios e da empresa ficar devendo tributos. Ora, a norma de incidência da qual resulta a responsabilidade de terceiro em nada se confunde com a norma de incidência da qual resulta a obrigação de pagar tributo. Cada uma destas normas são regras jurídicas autônomas com suporte fático e sujeitos distintos. A obrigação de pagar tributo incide sobre atos jurídicostributários, ao passo que a responsabilidade tributária de terceiro, nas hipóteses previstas no artigo 135, III, decorrem de atos ilícitos dos agentes em relação aos quais se imputa tal responsabilidade. No caso dos autos, a autoridade fiscal descreve condutas da empresa, ainda que praticada por seus agentes. Todavia, não descreve uma única conduta dos sócios, indicando quando, onde, como e o qual ato praticado que ensejou suas respectivas responsabilidades. 2 Quanto à confusão contida neste item que não distingue as situações do artigo 124, I, 124, II, e 135, III, reporto me às considerações que fiz no início deste voto. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 1402001.652 S1C4T2 Fl. 0 11 Neste ponto e tendo por norte os fundamentos contidos na primeira parte deste voto3, dou provimento ao recurso para excluir a corresponsabilidade de Sérgio Rozenblit e Adriana Coelho Rozenblit. As demais questões, quer digam respeito à nulidade, decadência, inexistência da obrigação de pagar tributo e inexistência de situação que caracterize a qualificação da multa, se confundem com o mérito e como tal serão examinadas Da alegação de nulidade por inexistência de termo de prorrogação da fiscalização (fl. 733 do recurso) Conforme se extrai da fl. 51 dos autos, a Administração expediu Mandado de Procedimento Fiscal para ser cumprido até 16/10/2008, podendo ser prorrogado, a critério da autoridade outorgante. Alega o recorrente que não houve prorrogação do MPF, razão pela qual o lançamento é nulo. Pois bem, a este respeito já me posicionei que eventuais vícios no MPF, desde que não resultam na colheita de provas ilícitas, não causam nulidade do lançamento. Neste sentido destaco os seguintes fundamentos contidos em votos anteriores e aqui repisado como razões de decidir. “A portaria da SRF n° 3.007, de 26 de novembro de 2001, revogada pela Portaria RFB nº 4.328, de 05.09.2005, que foi publicada no DOU 08.09.2005, tratava do planejamento das atividades fiscais e estabelecia normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por meio da norma antes referida, se disciplinou a expedição do MPF – Mandado de Procedimento Fiscal que se constitui em elemento de controle da administração tributária. A eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando utilizado para obtenção de provas ilícitas, não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar aquela ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se ocorrerem problemas com a prorrogação do MPF, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributário apurados. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. 3 A conduta ilícita que caracteriza a responsabilidade de terceiro requer a identificação e a prova da existência de atos com excesso de poderes, contrato social ou estatutos e/ou a prática de atos dos quais resulta o inadimplemento dos tributos devidos. O mero não pagamento de tributo não configura responsabilidade subsidiária de quem não faz parte da relação jurídicotributária (REsp 1.101.728/SP, decidido na forma do art. 543C, do CPC). Fl. 804DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 1402001.652 S1C4T2 Fl. 0 12 Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada ao autor ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a pratica daquele ato. Assim, legitimado o AFRF para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por falta de prorrogação do MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. Tem razão os que afirmam que nos termos do artigo 13, § 2°, da Portaria n° 3007, de 2001, “após cada prorrogação, o AFRF responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. (NR) (Redação dada ao artigo pela Portaria SRF nº 1.468, de 06.10.2003, DOU 08.10.2003).” A norma aqui prevista tem sua razão de ser em virtude da circunstância do contribuinte somente estar obrigado a prestar esclarecimentos ao AFRF que estiver devidamente munido de MPF. Vencido o MPF, inicialmente entregue ao contribuinte, este pode condicionar o fornecimento de qualquer informação à apresentação do respectivo instrumento de prorrogação. É por esta razão que a norma prevê que o AFRF, após cada prorrogação, deve informar ao sujeito passivo, sob pena deste, de forma legítima, negarse a contribuir com a fiscalização. A recorrente, à fl. 735, ainda sustenta cerceamento do direito de defesa em face da não prorrogação do MPF. Tal pretensão, com base nos fundamentos acima expostos, não procedem. Para que se verifique situação suficiente a caracterizar cerceamento de defesa deveríamos estar diante de conduta específica, tais como, falta de acesso aos autos ou concessão de prazos sabidamente impossíveis para atender o que fora solicitado, devendo tal circunstância influenciar na impossibilidade de prestar esclarecimentos, ainda que na fase de impugnação ou recurso. Com tais considerações, rejeito as alegações de nulidade. Da omissão de receita e a questão relacionadas a alegação de transferências entre as contas que são indicadas Argumenta a recorrente, na impugnação e no recurso (fls. 517 e 736, respectivamente), que desenvolvia atividade de compras de obras para clientes e que 100% dos valores indicados com as expressões “liberação de desconto de cheques”, destinavamse a tal finalidade, não correspondendo receitas, salvo aproximadamente 5% (cinco por cento) daquele montante, “posto se tratar de intermediação na compra de jóias ou obras de arte. Disse que oportunamente apresentaria planilha com a respectiva receita tributável. Sustenta, ainda, a existência de decadência relativa ao período de janeiro a dezembro de 2005. Alega, ainda, que grande parte dos lançamentos bancários realizados, principalmente da conta do Banco do Brasil e do Banco Bradesco, referemse a transferências realizadas entre si, isto é, contas da mesma titularidade. Informou que para provar tal fato apresentaria, oportunamente, planilha neste sentido (fl. 736). Contudo, tais fatos não passaram de meras alegações. Tanto na impugnação quanto no recurso a recorrente fez tal alegação, sem ter apresentado qualquer prova e/ou planilha com o objetivo de demonstrar os fatos alegados. Assim, diante da presunção de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, sem a existência de provas capaz de afastar a presunção, mantémse o lançamento. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 1402001.652 S1C4T2 Fl. 0 13 Das multas aplicadas O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488, de 2007, ao tratar das multas aplicadas, dispõe in verbis”: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Do que se depreende do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a multa qualificada tem aplicação quando caracterizada uma das situações previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 1964, que tratam da sonegação, fraude e conluio, assim dispondo: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. (grifamos). A regra, neste colegiado, é que a presunção de omissão de receita caracterizada por depósito bancário não se constitui em elemento suficiente para qualificar a multa. Tenho afirmado que de uma presunção (a de omissão de receita) não se pode extrair outra presunção, qual seja, a existência de dolo, fraude ou simulação para qualificar a multa aplicada. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 1402001.652 S1C4T2 Fl. 0 14 Discutese se nos casos de apresentação da DIPJ como inativa se tal fato, por si só, caracteriza omissão dolosa com o intuito de retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador. Neste sentido, a jurisprudência majoritária do colegiado, ainda que não se possa dizer que esteja plenamente consolidada, vem trilhando na linha de que a entrega de declaração indicando empresa sem movimentos e/ou inativa, é circunstância sobre a qual incide o disposto no artigo 71, da Lei nº 4.502, de 1964, ensejando a qualificadora da multa. Da decadência Tendo em vista a alteração do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do artigo 62A, no Anexo II, necessário se faz que este colegiado adote o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido julgada por meio de Recurso Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis a redação do artigo 62A do Anexo II do Ricarf: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No tocante ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 973.733 – SC (2007/01769940), Sessão em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, pacificou entendimento a ser adotado por aquele colegiado, em acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito Fl. 807DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 1402001.652 S1C4T2 Fl. 0 15 tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, inaludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Assim sendo, contrariamente ao posicionamento por mim sempre adotado, por força de previsão regimental do CARF, decido por acolher os critérios estipulados pelo Superior Tribunal de Justiça para aplicação de uma ou outra regra decadencial prevista no Código Tributário Nacional. Voltando ao presente caso, além de concluir por situação que caracteriza dolo, não verifiquei qualquer notícia de pagamento parcial, motivo pelo qual se impõem a aplicação do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional. Sendo assim, como o auto de infração cientificado ao contribuinte em 17/07/2010 (fl. 502) e os fatos geradores se reportam ao anocalendário de 2005, não há que se falar em transcurso do prazo decadencial, não se extinguindo o crédito tributário por essa modalidade. ISSO POSTO, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para excluir a responsabilização dos coobrigados, mantendo a autuação em relação aos demais aspectos. É o voto. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 808DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 1402001.652 S1C4T2 Fl. 0 16 Fl. 809DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10380.905391/2009-23
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
BENEFÍCIO FISCAL DE REDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. RECONHECIMENTO RETROATIVO. EFICÁCIA.
Confere-se eficácia plena a Laudo Constitutivo, e respectivo Ato Declaratório Executivo, que reconheceram o benefício fiscal de redução do imposto de renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos que possuiria se tais normas individuais e concretas houvessem sido editadas contemporaneamente aos fatos tributários.
Numero da decisão: 1803-002.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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RECONHECIMENTO RETROATIVO. EFICÁCIA. Conferese eficácia plena a Laudo Constitutivo, e respectivo Ato Declaratório Executivo, que reconheceram o benefício fiscal de redução do imposto de renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos que possuiria se tais normas individuais e concretas houvessem sido editadas contemporaneamente aos fatos tributários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 53 91 /2 00 9- 23 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 1803002.136 S1TE03 Fl. 96 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 1803002.136 S1TE03 Fl. 97 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 62verso): Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório que indeferiu a declaração de compensação informada por meio do PER/DCOMP nº 40419.98470.080206.1.3.048242. 2. O pedido de compensação objetivava compensar débito(s) com suposto pagamento a maior de Cofins (sic), efetuado em 31/03/2005. O Despacho Decisório (fls. 05/06) considerou improcedente o crédito informado na PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 141.445,22. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. 3. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: os arts. 165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005; art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4. Cientificado da decisão em 03/04/2009 (fls. 07), o administrado apresentou manifestação de inconformidade (fls. 08/11), requerendo a homologação da compensação pleiteada com crédito oriundo de pagamento a maior, com as seguintes alegações: a) O pagamento a maior deveuse ao fato de que o requerente não deduziu corretamente, da base de cálculo do imposto, as receitas da atividade incentivada, nos termos do artigo 223, § 6°, do RIR/1999; b) O crédito que o requerente possui não diz respeito a uma eventual diferença no resultado anual, ou seja, não decorre do ajuste relativo à efetiva base de cálculo do imposto, mas sim ao valor excedente indevidamente recolhido aos cofres públicos; c) Trouxe decisões administrativas em seu favor. 2. Observase que os processos nºs 10380.904901/200945 e, 10380.905391/200923 foram julgados em conjunto, por referiremse ao mesmo crédito pleiteado. 3. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 62): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 97DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 1803002.136 S1TE03 Fl. 98 4 Anocalendário: 2005 INDÉBITO DE ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO IRREGULAR. DEFERIMENTO PARCIAL. Não caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, surgido com a apresentação de Balancete de Suspensão/Redução irregular, deve ser atendido, em parte, o pedido formulado, na forma de saldo negativo, desde que presentes as seguintes condições: (i) o requerente não utilizou o alegado pagamento indevido de estimativa no ajuste anual do imposto ou contribuição; (ii) o sujeito passivo declarou saldo negativo. BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. REGULARIDADE. PRAZO. É irregular o Balancete de Suspensão/Redução, original ou retificador, que houver sido elaborado ou transcrito, nos livros Diário e Lalur, depois do vencimento do débito de estimativa, cujo pagamento se pretenda suspender ou reduzir. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte 4. Cientificada da referida decisão em 27/04/2011 (fls. 69), a tempo, em 20/05/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 73 a 78, nele argumentando, em síntese: a) que, apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ/FOR reconheceu a legitimidade da compensação, mas acolheu apenas em parte o pedido, para excluir do crédito o valor relativo à sua atualização mensal, e determinar que tal atualização somente tivesse início em janeiro de 2006. Para tanto, entendeu que o pagamento da estimativa do IRPJ somente se tornou indevido (a maior) com a apuração do imposto, que ocorreu no dia 31 de dezembro de 2006 (sic), e que, depois de encerrado o exercício, não poderia mais haver a retificação dos Balancetes de Suspensão ou Redução BSR; b) que a decisão recorrida faz indevida referência ao Balancete de Suspensão ou Redução — BSR, que não foi o motivo da constatação do pagamento indevido das antecipações; c) que, na verdade — independentemente da apuração do resultado parcial que ocorre nos referidos balancetes — a Recorrente pagou a estimativa de forma incorreta e a maior. Isso porque deixou de deduzir da base de calculo da estimativa o valor correspondente às receitas da atividade incentivada (Benefício concedido pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste ADENE em 20.12.2005, com efeitos retroativos a janeiro de 2005), nos termos do § 6º do art. 223 do RIR/99); d) que, uma vez aplicada corretamente a legislação que trata da apuração da base de cálculo da estimativa de IRPJ, o valor a ser pago deveria ser bem menor. Assim, tratase de pagamento indevido cujo crédito dele decorrente poderia ser aproveitado no mês seguinte. Como tal, portanto, deve ser considerado para efeito de atualização pela SELIC; Fl. 98DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 1803002.136 S1TE03 Fl. 99 5 e) que, na verdade, a própria decisão recorrida reconhece que o pagamento indevido pode restar consumado no mesmo mês do recolhimento da estimativa, nos casos em que houver erro manifesto na apuração da base de cálculo sobre a receita bruta, como é precisamente o caso de que aqui se cuida. Os julgadores de primeiro grau deixaram de aplicar a SELIC a partir do mês seguinte ao recolhimento indevido apenas em razão do equívoco de considerar relevante o BSR, quando neste caso não o é; f) que, com a revogação do art. 10 da Instrução Normativa nº 600/2005, a Administração Tributária reconheceu o direito de os contribuintes utilizarem o crédito oriundo dos pagamentos indevidos de estimativa de IRPJ para compensar com débitos de outros tributos devidos dentro do mesmo ano, ou seja, antes da apuração feita em dezembro; e g) que não há a menor dúvida, portanto, de que os créditos da Recorrente devem ser atualizados pela SELIC a partir do mês subsequente àquele em que ocorreu o pagamento indevido. Em mesa para julgamento. Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Estimativa paga indevidamente 2. O presente voto se reporta a diversos processos da Recorrente, atinentes a Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), cujos créditos pleiteados, decorrentes de pagamentos indevidos do IRPJ mensal por estimativa, são referentes aos meses de fevereiro, março, setembro, outubro e novembro de 2005 (meses de pagamento). 3. Os despachos decisórios de todos esses processos não homologaram as compensações declaradas mediante Per/DComp, com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 4. Superada essa questão já nas próprias decisões recorridas, adentrouse ao mérito do pedido, manifestandose, essas decisões, em contrariedade parcial ao pleito da Recorrente, sob os seguintes fundamentos: a. que, no caso, se trata de pagamento a maior, ou seja, devido segundo determinação legal vigente à época em que efetuado, e não de pagamento indevido; b. que, tendo o Balancete de Suspensão ou Redução (BSR) a finalidade de suspender ou reduzir o pagamento da estimativa de determinado mês, tais efeitos se exaurem no vencimento da correspondente estimativa, de Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 1803002.136 S1TE03 Fl. 100 6 modo que eles não podem ser produzidos ou retificados posteriormente com eficácia retroativa; c. que o BSR apresentado altera a forma de apuração do débito de estimativa, originalmente determinado sobre a receita bruta (em alguns processos); e d. que o ato concessivo do incentivo fiscal possui caráter constitutivo, não podendo retroagir ao início do ano de 2005. 5. Dessa forma, as decisões recorridas negaram a caracterização de pagamento indevido de estimativa, mas o admitiram como pagamento a maior do imposto, reconhecendo parcialmente o direito creditório pleiteado, considerandoo válido, para efeito de atualização monetária, a partir de janeiro de 2006. 6. Posta assim a questão, cumpre dizer, de início, que é fato incontroverso a existência de direito creditório por parte da Recorrente. 7. A única discussão que remanesce nos autos é quanto ao termo inicial a ser considerado para a efetivação desse direito creditório, se da data de cada pagamento efetuado, no decorrer do anocalendário de 2005, ou se de janeiro de 2006, como entenderam as decisões recorridas. 8. Chamo a atenção para o fato de que não se está diante de pedido de retificação ou de elaboração de BSR, mas de pleito de restituição/compensação de valor pago indevidamente. 9. Assim, não procede a extensa argumentação da decisão recorrida, no sentido de ser impossível dita retificação ou elaboração e de que o BSR apresentado alteraria a forma de apuração do débito de estimativa, originalmente determinado sobre a receita bruta (em alguns processos). 10. Abrese, aqui, um parêntese para se destacar o que segue. 11. Por meio do Laudo Constitutivo nº 0334/2005, de 20 de dezembro de 2005, expedido pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste (ADENE), teve a Recorrente reconhecido o benefício fiscal de Redução do Imposto de Renda, nos termos do art. 13 da Lei nº 4.239, de 27 de junho de 1963, com a nova redação dada pelo art. 3º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e alterações posteriores, conforme Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001 e Decreto nº 4.213, de 26 de abril de 2002, sendo o início do prazo de fruição do benefício o anocalendário de 2005. 12. Posteriormente, pelo Ato Declaratório Executivo nº 016, de 13 de março de 2006, a Delegacia da Receita Federal em FortalezaCE reconheceu que a Recorrente faz jus à redução do imposto de renda, e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração, relativamente ao empreendimento de que trata o Laudo Constitutivo nº 0334/2005, expedido pelo Ministério da Integração Nacional, na forma ali discriminada (Percentual de redução do Imposto de Renda e adicionais não restituíveís: 75% (setenta e cinco por cento); Início do prazo de fruição do beneficio: anocalendário 2005; Prazo total de fruição: 10 anos; Término do prazo de fruição do beneficio: anocalendário de 2014). Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 1803002.136 S1TE03 Fl. 101 7 13. Fechado o parêntese, observase que, na determinação do imposto devido mensalmente com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução (BSR), no período abrangido por esse mesmo balanço ou balancete, admitese a dedução dos incentivos fiscais Regionais de Redução e/ou Isenção do Imposto. 14. Logicamente, se o citado Laudo Constitutivo, e o respectivo Ato Declaratório Executivo, houvesse sido emitido antes do início do anocalendário de 2005, não teria feito uso, a Recorrente, da determinação do imposto devido mensalmente com base em estimativa sobre a receita bruta (o que se deu em alguns processos), mas, sim, daquela primeira (BSR). 15. Não é, pois, correto, se pretender equiparar a situação em análise a uma espécie de “mudança de opção” (em alguns processos), tomada ao livre arbítrio da Recorrente, para a situação excepcional ora analisada. 16. Tratase, como visto, de fato superveniente e relevante, com reflexos retroativos por força de lei, como segue (anocalendário em que o empreendimento entrou em operação 2002): Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000, as pessoas jurídicas que tenham projeto protocolizado e aprovado até 31 de dezembro de 2013 para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste Sudene e Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia Sudam, terão direito à redução de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto sobre a renda e adicionais, calculados com base no lucro da exploração. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º A fruição do benefício fiscal referido no caput deste artigo darseá a partir do anocalendário subseqüente àquele em que o projeto de instalação, ampliação, modernização ou diversificação entrar em operação, segundo laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional até o último dia útil do mês de março do anocalendário subseqüente ao do início da operação. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2º Na hipótese de expedição de laudo constitutivo após a data referida no § 1º, a fruição do benefício darseá a partir do ano calendário da expedição do laudo. § 3º O prazo de fruição do benefício fiscal será de 10 (dez) anos, contado a partir do anocalendário de início de sua fruição. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) 17. Essa, aliás, a conclusão a que chegou a Informação Fiscal que instruiu a edição do mencionado Ato Declaratório Executivo: 4.4. De acordo com os parágrafos 1º a 3º do art. 73 da Instrução Normativa nº 267, de 23 de dezembro de 2002 c/c o § 3º do art. 1º da Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001, com a redação dada pelo art. 32 da Lei nº 11.196/2005, a Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 1803002.136 S1TE03 Fl. 102 8 fruição do benefício se dará, a partir do anocalendário 2005 até o anocalendário 2014, tendo em vista que o empreendimento entrou em operação no anocalendário 2002 e o Laudo Constitutivo foi expedido em 20 de dezembro de 2005 (fls. 24 a 28). 18. E se referido favor fiscal possui, inegavelmente, efeitos ex tunc, não se pode pretender limitar esses efeitos com fundamento em procedimentos adotados pela Recorrente, quando ainda não reconhecido a ela aquele benefício. 19. Portanto, é de se conferir eficácia plena ao Laudo Constitutivo, e respectivo Ato Declaratório Executivo, que reconheceram o benefício fiscal de redução do imposto de renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos que possuiria se tais normas individuais e concretas houvessem sido editadas contemporaneamente aos fatos tributários. 20. Afirma a decisão recorrida que, no caso, se trataria de “pagamento a maior”, ou seja, devido segundo determinação legal vigente à época em que efetuado, e não de “pagamento indevido”. 21. Se, por “pagamento devido” deve ser entendido aquele efetuado de acordo com a lei vigente ao tempo de sua realização – como, aliás, entende a própria decisão recorrida estáse diante de um pagamento indevido, já que a lei vigente àquela época era a que concedia o benefício fiscal à Recorrente, fato esse reconhecido posteriormente, de forma expressa, tanto pela ADENE, quanto pela RFB. 22. Afirma, ainda, a decisão recorrida que a utilização do BSR seria uma opção do contribuinte e se destinaria a suspender ou reduzir o pagamento do imposto/contribuição devido em cada mês (tendo por referência o que seria recolhido com base na receita bruta), uma vez demonstrado que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto/contribuição, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. 23. Sucede, porém, que, no presente caso, em face da retroação do benefício fiscal obtido pela Recorrente, o BSR terá outra função, que não a de simples redução ou suspensão de antecipação mensal, qual seja, apurar se e em que mês no período correspondente, efetuouse pagamento que, em face daquele benefício, não se teria procedido (“pagamento indevido”). 24. Não se trata, portanto, de “gerar pagamento indevido de estimativa”, mas, apenas, de reconhecer a sua inevitável existência no caso em análise. 25. Defende, ainda, a decisão recorrida, que o ato concessivo do incentivo fiscal possuiria caráter constitutivo, não podendo retroagir ao início do ano de 2005. 26. Considerando, porém, que a própria Delegacia da Receita Federal em Fortaleza reconheceu a redução de imposto de renda, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 16, de 13/03/2006, com início do prazo de fruição do beneficio no anocalendário 2005, não se sustenta o alegado “caráter constitutivo do ato concessivo do incentivo fiscal”, mas sim, a sua natureza meramente declaratória, com a inevitável retroação de seus efeitos ao início do anocalendário apontado. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 1803002.136 S1TE03 Fl. 103 9 27. Por fim, ainda que ultrapassado tudo o que se disse, devese ter presente o contido no § 3º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, de seguinte teor (destacouse): Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. [...]. § 3º As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção do benefício a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. 1 28. Considerandose que 100% (cem por cento) da receita da Recorrente é incentivada, apenas 25% dessa receita comporia a base de cálculo para determinação do imposto devido mensalmente com base em estimativa sobre a receita bruta (redução de 75%): 1 Perguntas e Respostas – DIPJ 2006: 604 Na determinação da base de cálculo estimada qual o tratamento aplicável às receitas provenientes de atividades incentivadas (isenção ou redução)? A pessoa jurídica que gozar de incentivos fiscais calculados com base no lucro da exploração poderá excluir da receita bruta total, para fins de determinação da base de cálculo estimada, o valor da receita bruta ou redução a que tiver direito. O valor efetivo do benefício de isenção ou redução calculado com base no lucro da exploração será determinado em 31 de dezembro de cada ano. Disponível em: <www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2006/PergRespDIPJ2006.pdf>. Acesso em: 30 mar. 2014. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 1803002.136 S1TE03 Fl. 104 10 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório, a título de pagamento a maior de estimativa, de R$ 158.172,36, relativo a março de 2005, na parte correspondente à Selic calculada até janeiro de 2006, e homologar a compensação pleiteada dos débitos que a ele façam referência até o limite do direito creditório reconhecido (processos nºs 10380.904901/200945 e, 10380.905391/200923). É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 104DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10640.721001/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314-RG/SP (sob a sistemática do art. 543-B do CPC) e RE 410.054 AgR/MG.
Encaminhe-se o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314-RG/SP (sob a sistemática do art. 543-B do CPC) e RE 410.054 AgR/MG. Encaminhe-se o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira.
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EQUIP. INFORMÁTICA E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC) e RE 410.054 – AgR/MG. Encaminhese o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .7 21 00 1/ 20 11 -7 1 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Resolução nº 1401000.199 S1C4T1 Fl. 397 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Juiz de ForaMG. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Em Contra a pessoa jurídica acima qualificada foram lavrados Autos de Infração de IRPJ (fls. 03/09), PIS (fls. 10/17), COFINS (fls. 18/25) e CSLL (fls. 26/32), em decorrência da apuração de omissão de receitas caracterizada pela existência de depósitos bancários não escriturados, tudo conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, Relatório Fiscal de fls. 45/66 e demonstrativo dos "Totais Mensais dos Créditos Bancários cujas origens não foram comprovadas" fls. 69/70. A empresa foi intimada a apresentar seus livros contábeis e fiscais, sendo que tais documentos não foram levados à fiscalização. Assim, "sem os elementos indispensáveis à apuração do Lucro Real" ou seja, "na ausência de escrita contábil e fiscal", os valores correspondentes às receitas omitidas foram submetidos à tributação com base no Lucro Arbitrado. Foi também lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 33/42) em virtude da existência de pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou sem causa, segundo os valores constantes da planilha "Totais Diários de Valores Reajustados sujeitos ao IRRF" (fls. 67/68). As explicações, fundamentações e caracterização da infração se acham consignadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, Relatório Fiscal de fls. 45/66 e demonstrativo "Totais Diários de Valores Reajustado sujeitos ao IRFonte" (fls. 67/68). Consta no "Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo" (fls. 43/44) que os autos de infração lavrados, depois de formalizados, totalizaram o montante a pagar de R$ 1.471.656,67, incluídos os valores devidos a título de tributo, de multa e de juros de mora, calculados até 28/02/2011. A autoridade fiscal, além de relacionar os fatos geradores correspondentes às infrações apuradas no corpo dos autos de infração, pormenorizouas no Relatório Fiscal de fls. 45/66, que pode ser assim resumido: ... ressaltamos que o Mandado de Procedimento Fiscal, ... teve inclusão de tributo (IRRF) e prazo prorrogado, conforme pode ser confirmado por intermédio no endereço www.receita.fazenda.qov.br (Empresa > Todos os Serviços > Fiscalização > Consulta MPF), devendo a fiscalizada, para tanto, utilizarse do código de acesso informado no Termo de Intimação Fiscal n° 01 ... A ação fiscal ... teve por objeto o confronto da movimentação financeira ... no ano de 2008, na ordem de R$ 1.177.971,08, incompatível com a situação de INATIVIDADE ... para os anos de 2005 a 2007 e com a ausência de declaração (OMISSÃO) em relação ao próprio ano de 2008. Em 09/11/2009, lavramos o Termo de Intimação n° 01 ... Em 10/11/2009, a empresa tomou ciência do ... Termo, por sua sócia Joana D'Arc Pinto, no endereço identificado na epígrafe deste Relatório, chamandonos a atenção o fato de naquele Fl. 397DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Resolução nº 1401000.199 S1C4T1 Fl. 398 3 local não trabalhar nenhuma pessoa, tendo lá apenas uma mesa de escritório e duas cadeiras. Em 20/11/2009, recebemos, ... solicitação ... para dilação no prazo para apresentação dos documentos ... concedemos um prazo ... de 30... dias, somente em relação a tais extratos. ... atendendo novo pedido da empresa ... concedemos prorrogação, até o dia 21/12/2009, para apresentação de toda a documentação ... ... lavramos o Termo de Intimação n° 02, de Reintimação do Termo ... n° 01 ... Não tendo havido atendimento quanto aos documentos bancários solicitados ... Em 12/01/2010, foi assinada a RMFn°s 0610400.2010.000013 ... ... lavramos o Termo de Relntimação Fiscal n° 03, ... reintimando ... para apresentar os documentos e informações requeridas no Termo ... n°01... Em 18/02/2010, recebemos as informações requeridas da instituição financeira Banco do Brasil S.A. ... Junto destas, uma procuração pública em que a empresa nomeava e constituía seu procurador o Senhor Rafael Pinto da Silva, CPF n° 070.174.63609, filho do Senhor Josemar da Silva, à frente identificado como gestor de fato de diversas empresas, inclusive a fiscalizada. Em 10/03/2010 ... , a fiscalizada fez a entrega de extratos bancários (com lacunas, isto é, ... a empresa apresentou também cópias de contratos de prestação de serviços por ela firmados com entidades de governo (não estão sendo anexados, por não terem relação direta com os lançamentos ...). ... lavramos o Termo de Intimação Fiscal n° 04, ... Referida intimação requeria ... a comprovação, ... da origem dos recursos creditados/depositados nas contas de sua titularidade, no ano de 2008, relacionados em planilha anexa ... a empresa foi cientificada de que a falta da comprovação ... ensejaria um lançamento de ofício a título de omissão de receita. Em 13/05/2010, ... , a empresa postou, ... , uma solicitação de prorrogação no prazo para atendimento ao referido Termo de Intimação n° 04. Concedemos os 15 dias ... Não houve atendimento ao ... termo fiscal, restando sem comprovação de origem todos recursos creditados/depositados nas contas de titularidade da fiscalizada ... Em 14/06/2010, lavramos o Termo de Intimação n° 05 ... recebido no endereço da empresa ... Referida intimação requeria a) a comprovação documental exigida por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 04; e b) a comprovação, das operações ou das causas que tinham dado origem às entregas de recursos (pagamentos*) a terceiros ou sócios, especificados no próprio corpo da intimação e em planilha anexa (complementarmente), registrados nas suas contas ... Não houve esclarecimento da fiscalizada quanto a nenhuma operação ou causa correspondente às entregas de recursos questionadas ... Assim sendo, consideramos todos esses pagamentos como feitos a beneficiários não identificados, ainda que algum cheque de sua emissão tenha sido nominal, porquanto não foi identificada a respectiva operação ou causa. A mesma consideração aplicamos no caso de cheques possivelmente emitidos, nominalmente, para quitação de parcelas de impostos, contribuições, taxas e/ou tarifas de serviços, de vez que podem ter sido usados para Fl. 398DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Resolução nº 1401000.199 S1C4T1 Fl. 399 4 pagamentos sem nenhuma relação com a empresa sob fiscalização, ou seja, para quitar dívidas de terceiros (sócios ou não). Em 13/08/2010, lavramos o Termo de Continuidade da Ação Fiscal n° 02, recebido na empresa em 18/08/2010. Em 04/10/2010, nova comunicação de continuidade da ação, recebida na empresa em 07/10/10. Em 01/12/2010, mais uma comunicação no mesmo sentido, sempre alertando para a espera de resposta aos termos ... 04 e 05 ... Novo termo no mesmo sentido em 24/01/2011... A seguir, apresentamos, ... , as infrações verificadas na ação fiscal e os respectivos tratamentos tributário fiscais. Infrações: Pagamento sem causa/operação comprovada Regularmente intimado a prestar esclarecimentos/comprovar, nos termos do artigo 61 da Lei n° 8.981/95, mediante documentação hábil e idônea, acerca das operações ou das causas que deram origem às entregas de recursos (pagamentos) a terceiros ou sócios, correspondentes aos débitos/valores listados na planilha anexa denominada "TOTAIS DIÁRIOS DE VALORES REAJUSTADOS SUJEITOS AO IR FONTE", o sujeito passivo não atendeu à intimação feita, pelo que se aplica o disposto nos artigos 674 e parágrafos, do ... RIR ... O reajustamento da base de cálculo de que trata o §3° aplicável quando a fonte assume o ônus do imposto, foi procedido de acordo com a IN SRF n° 15/2001, artigo 20, §§ Le 2,, I... Omissão de receita caracterizada por créditos bancários com origem não comprovada A pessoa jurídica foi omissa na apresentação de declaração a que estava obrigada para o ano de 2008. Não obstante tal fato, constatamos a existência de atividade da empresa no referido ano, confirmada por elevada movimentação bancária. A empresa, então, sujeitarseia ao Lucro Real. Contudo, após exaustivos pedidos de apresentação de seus livros contábeis e fiscais estes não foram apresentados à Fiscalização. Por isso, sem os elementos indispensáveis à apuração do Lucro Real, equivalendo a dizer na ausência de escrita contábil e fiscal, os valores de receita omitida serão submetidos à tributação com base no Lucro Arbitrado. Aos lançamentos referidos ... caberá a aplicação da multa de ofício estabelecida no artigo 957, inciso II, do RIR/99 uma vez que, ...foi constatada a existência de interposição de pessoas na gestão da empresa. Em consequência do acima exposto, lavraremos uma Representação Fiscal para Fins Penais. Identificação de interposição de pessoas e arrolamento de responsáveis solidários ... , constatamos a existência de interposição de pessoas na representação da empresa fiscalizada; "laranjas", no jargão popular. Por todas as provas que serão apresentadas, em volume mais do que suficiente, formamos nossa convicção de que a identidade dos reais administradores da empresa sob ação fiscal está encoberta pela figura de terceiros ... Em outras palavras, identificamos uma simulação de transferência de responsabilidade tributária para terceiros que não eram os verdadeiros beneficiários Fl. 399DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Resolução nº 1401000.199 S1C4T1 Fl. 400 5 econômicos da atividade empresarial nem tinham condições econômicofinanceiras para satisfazer possíveis compromissos que não fossem saldados pela empresa (em se considerando o volume financeiro de transações realizadas pela pessoa jurídica), e nem detinham capacitação gerencial à evidência. Dando nome e sobrenome, referimonos aos elementos que convergem fortemente na formação da prova da interposição dos sócios de direito da empresa em face de Josemar da Silva e seu filho, Rafael Pinto da Silva. O Relatório Fiscal de 2008 Em 03 de junho de 2008, foi concluído, no âmbito desta Delegacia um Relatório Fiscal ... , que objetivava analisar a situação econômicofiscal de pessoas físicas e jurídicas relacionadas ao contribuinte Josemar da Silva, inscrito no CPF sob o n° 384.356.67634. ... o referido Relatório foi encaminhado ao Ministério Público Federal. Quatro fatos motivaram o feito: Fato 1: uma denúncia que apontava o empresário Josemar da Silva como proprietário, de fato, de diversas empresas e bens, que se encontrariam emnome de terceiros ("laranjas"); ... a) Josemar ... comandaria as empresas com o ... seu filho, Rafael... CPF n° 070.174.63609, porem, ambos não teriam bens, direitos ou sociedades em seus nomes, mas no de funcionários e de pessoas ligadas a eles; b) quase todas as empresas estariam domiciliadas de fato no endereço à Rua Dr. Costa Reis, n° 316, Bairro Bela Aurora, em Juiz de Fora (onde nesta data funciona o callcenter da Receita Federal); Rafael, filho de Josemar, possuiria procurações com poderes para movimentar as contas bancárias das empresas; Antônio Carlos Spineli seria um "testa de ferro" de Josemar, também possuindo procurações com poderes para movimentar as contas bancárias das empresas; a "mansão" localizada no Condomínio Bosque Imperial, casa n° 186, que seria avaliada em R$ 1.500.000,00 estaria em nome de Joyce da Silva, irmã de Josemar, e seria onde residem Janete Maria Pinto da Silva, exesposa de Josemar, e seus filhos, Rafael e Leandro; • Fato 2: o histórico do contribuinte Josemar registrado pela Fiscalização ... justificava a averiguação dos fatos denunciados, senão vejamos: a) Em 06/10/2003, foi encerrada uma ação fiscaliniciada em 2001, na qual apurouse uma movimentação financeira, em 1998, no valor de R$ 13.732.088,43, incompatível com valores declarados ao fisco, vez que a empresa encontravase omissa quanto à entrega da declaração de rendimentos. Documentos ...s comprovaram que os então sócios Rosilda ... e João Batista, foram utilizados como interpostas pessoas (... "laranjas"), e que os reais controladores, agindo por intermédio de procurações que lhes conferiam plenos poderes inclusive de movimentação bancária, eram Josemar ... e seu irmão Gilber ... A ação fiscal resultou no ... processo ... n° 10640.000864/200481,... com responsabilidade solidária ... dos dois últimos..., processo de Representação Fiscal para Fins Penais ... foi encaminhado à Procuradoria Geral da República... b) No mesmo ano de 2003 iniciouse nova ação fiscal, desta feita em face da pessoa jurídica Sprinter Teleinformática e Comércio Ltda, CNPJ 03.051.799/000133, também motivada pela apuração de movimentação financeira incompatível, nos anos de 2000 e 2001, no montante de R$ 20.607.784,30, visto que a empresa entregou suas declarações ... como se inativa estivesse. Mais uma vez verificouse a prática de idêntica estratégia: a utilização de empresa de fachada e de interpostas pessoas, sem capacidade econômicofinanceira, visando ocultar os verdadeiros responsáveis pelos recursos movimentados Josemar da Silva e seu irmão ... c) Ação fiscal ... concluiu pela atribuição ao fiscalizado da responsabilidade pela omissão fraudulenta de rendimentos, caracterizados pela expressiva movimentação financeira existente em nome da fictícia empresa Sprinter inexistente de fato, com a utilização de interpostas pessoas que se Fl. 400DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Resolução nº 1401000.199 S1C4T1 Fl. 401 6 passavam por sócios do empreendimento. Característica marcante desta ação fiscal foi a repetida troca de domicílio tributário por parte do fiscalizado, interpretada como tentativa de dificultar a ação do fisco. O Termo de Início ...foi encaminhado e recebido no ... do cadastro da Receita ... : Rua Dr. Costa Reis, 316, bairro Jardim Bela Aurora, Juiz de Fora MG (que consta da denúncia referida acima como sendo o endereço de fato de diversas empresas atribuídas a Josemar da Silva). Um termo seguinte, ...foi devolvido pelos correios por motivo de mudança de endereço. ... o fiscalizado alterou seu endereço para Alameda Jamanis, 110/1110, bairro Moema, São PauloSP. Correspondência remetida ao novo domicílio também foi devolvida ... Em 11/05/2004, Josemar da Silva alterou seu domicílio para Travessa Jordão, 14, Zona Sul, Rio de JaneiroRJ, deixando ausente o nome do bairro. Pesquisas feitas junto aos correios constataram que o CEP informado correspondia à Favela da Rocinha ... Ciente da candidatura de Josemar da Silva ao cargo de Prefeito de Juiz de Fora, o Delegado da Receita Federal encaminhou ofício à Justiça Eleitoral solicitando informações acerca do endereço informado pelo candidato àquele órgão ... A resposta foi: Rua Tenente Guimarães, 393, bairro Nova Era, Juiz de ForaMG, demonstrando que Josemar da Silva jamais deixara de ter domicílio nesta cidade. Salientese que, no cadastro de Josemar da Silva junto à OAB/MG, atualizado em 31/07/2006 (fis. 135), está registrado como seu endereço comercial a Rua Dr. Costa Reis, 316, Bela Aurora, Juiz de Fora MG. Encerrada em 16/11/2004, a ação fiscal ... resultou na lavratura do auto de infração ... cujo crédito tributário alcançou o valor de R$ 4.655.468,58. ... foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais ... • Fato 3: a licitação para o callcenter da Receita Federal... foi "vencida"por uma das empresas referidas na denúncia citada no Fato 1 a Star Segur Engenharia Ltda. ME, CNPJ 04.424.629/000110 , e teria, a partir de seu funcionamento, localização na circunscrição desta Delegacia; • Fato 4: esta Delegacia foi oficiada pela Procuradoria Regional do Trabalho em Juiz de Fora, com o fito de encaminhar documentos ("falsos") utilizados em processo de licitação pela pessoa jurídica IPEPPI Instituto de Pesquisa e Elaboração de Projetos e Planos Integrados, que também constava do rol de empresas que seriam controladas pelo contribuinte Josemar da Silva; o fato resultou em denúncia oferecida ao Ministério Público do Trabalho. A análise registrada no Relatório Fiscal citado acima abrangia os dados cadastrais de 32 pessoas jurídicas que seriam ligadas a Josemar. Diversas características destas pessoas jurídicas eram comuns entre elas, como denominações muito próximas (Atram II Ltda., Atran II Comércio e Serviços de Limpeza Ltda., Atram II Comércio e Serviços de Limpeza Ltda., dentre outras), sócios e exsócios comuns, endereços comuns, telefones comuns; levando a confirmar que se tratava de um grupo econômico gerido por um mesmo interessado econômico (tendo este, no filho, um cogestor). ... no referido Relatório, não faltaram evidências de "fratura exposta" com movimentações em instituições bancárias em volume muito superior às receitas declaradas ... Da análise fiscal das pessoas físicas ... ligadas a Josemar ficou demonstrada a existência ... de "laranjas", ... patrimônios ínfimos ... usadas na montagem de uma "pirâmide", com o fim ... recursos para justificar enriquecimento dos que se encontram no topo da pirâmide ... O modus operandi dessa pirâmide se daria por meio de transferência de recursos a título de empréstimos ("fictícios") os de baixo da pirâmide emprestando para os de cima. Assim que os valores vão ... tornandose de monta maior, se fossem verdadeiros os empréstimos, era de se esperar que fossem realizados por Fl. 401DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Resolução nº 1401000.199 S1C4T1 Fl. 402 7 meio de operações bancárias. Mas são sempre declarados como realizados em moeda corrente. Por todo o exposto no citado Relatório Fiscal de 2008, tornase evidente a participação de Josemar da Silva como "gerentemor" de todas as empresas do grupo econômico por ele próprio montado para prática de irregularidades fiscais. Entre estas, a fiscalizada Dicaciel Telemed Com. Equip. Inf. Serv. Ltda. ME. As evidências surgidas no curso da ação fiscal As evidências que emergiram no curso da ação fiscal levada a efeito contra a Dicaciel nos levaram às mesmas constatações extraídas dos fatos informados ... no Relatório Fiscal citado ... , ou seja, à participação de Josemar da Silva como "gerente" do grupo econômico do qual faz parte a fiscalizada, tendo, nesta, a ajuda do filho Rafael, senão vejamos: a) A sócia Joana Darc Pinto, CPF n° 925.195.12768, é excunhada de Josemar da Silva e uma das participantes da "pirâmide fraudulenta" referida anteriormente. b) O sócio José da Silva, CPFn° 007.570.00610, épai de Josemar da Silva. c) Conseguimos obter em cartório de registro civil e notas da cidade de Belmiro Braga, uma série de procurações (anexadas à Representação Fiscal para Fins Penais correspondente à autuação sob relato) em que os "laranjas " das empresas do "grupo econômico", ou seja, aqueles que constam oficialmente como seus sócios, conferiam poderes especiais inclusive para representação das pessoas jurídicas junto às instituições financeiras às pessoas mais próximas de Josemar, a saber: Rafael Pinto da Silva (seu filho), João Luiz Rochet, Gilber da Silva (seu irmão), Joana D'Arc Pinto (sua excunhada). Ressaltese que, em uma dessas procurações, ele próprio, Josemar, foi constituido procurador da pessoa jurídica. No caso específico da fiscalizada sob relato, os sócios de direito fizeram uma procuração para o sócio de fato Rafael (filho de Josemar)... Esta prova obtida retira qualquer dúvida quanto a serem Josemar e seu filho co gestores das pessoas jurídicas referidas no Relatório Fiscal elaborado em 2008. d) Verificamos, ainda, na documentação bancária ... a existência de pagamentos estranhos à empresa, pelo que a intimamos a esclarecer e comprovar as respectivas operações ou as causas que lhes deram origem; não tendo sido feito o atendimento à intimação ... , procedemos à tributação dos valores ... , considerando esses desembolsos como feitos a beneficiários não identificados. Este fato, conjugado a todos os demais, indica fortemente a existência de um caixa geral do grupo econômico, em que uma das empresas a este pertencente paga despesas das demais ou de seus sócios (ocultos). Decisão da 2a Vara do Trabalho de Juiz de Fora Muito recentemente (novembro de 2010), a 2° Vara do Trabalho de Juiz de Fora ... proferiu duas decisões (anexas) em que aborda a questão do grupo econômico aqui referido, incluindo neste a empresa Dicacie l... , bem como define o Senhor Josemar da Silva como sócio oculto desse grupo. Segundo a fundamentação utilizada nas decisões ... , "... , constituise grupo econômico, para efeitos da relação de emprego, sempre que uma ou mais entidades, Fl. 402DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Resolução nº 1401000.199 S1C4T1 Fl. 403 8 com personalidade jurídica própria, encontraremse dirigidas, controladas ou administradas por outra, formando grupo industrial, comercial ou 'de qualquer outra espécie econômica'." ... "restou apurado ... nos autos 02/1632/09, cujos depoimentos foram admitidos como prova emprestada..., que as empresas reclamadas (inclusive a Dicaciel) funcionam no mesmo local, exercem a mesma atividade econômica e sujeitamse ao mesmo controle, direção e administração, caracterizando verdadeiro grupo econômico." ... "os depoimentos pessoais colhidos ... , especialmente o da preposta da segunda ré (Dicaciel), evidenciam toda uma rede de fraude na constituição das empresas, inclusive com contratação de sócios/funcionários 'laranja', tudo comandado pelo sócio oculto Josemar da Silva." Por fim, eis algumas partes extraídas da conclusão das decisões proferidas: "POSTO ISSO, julgo PROCEDENTE EM PARTE o pedido para condenar solidariamente os reclamados ... (inclusive a fiscalizada Dicaciel) e JOSEMAR DA SILVA...". (Onegrito e o sublinhado em solidariamente é nosso) Oficiese ao Superintendente Regional da Polícia Federal de São Paulo comunicandolhe que foi apurado neste Juízo que todas as empresas que participaram do processo licitatório n° 08500.036497/200831, constituem na verdade empreendimento do sócio oculto Sr. Josemar da Silva. Todas as empresas mencionadas funcionavam e funcionam em um mesmo endereço em Juiz de Fora. Este Juízo chegou a esta conclusão após a oitiva das partes e testemunhas, cumprindo mencionar que, inclusive, uma das sócias formais da empresa Dicaciel ganhava R$ 600,00 /R$ 700,00, tendo declarado que adquiriu as cotas por R$ 3.000.000,00 em parcelas de R$ 1.500,00, vale dizer, a instrução deste processo convenceu este Juízo de que as empresas são integradas por "laranjas" do Sr. Josemar da Silva ... " ... , evidenciase que o conjunto de elementos ... convergem no sentido da comprovação da existência de uma interposição dos sócios de direito da fiscalizada em face de Josemar da Silva e seu filho, Rafael Pinto da Silva, na gestão da pessoa jurídica sob fiscalização. São estes últimos, os sócios de fato da pessoa jurídica, com claro interesse e gerência sobre seus negócios. Nesse sentido, ao caso aplicamse as seguintes conclusões exaradas no Parecer/PGFN/CRJ/CAT/N° 55/2009: "a) A responsabilidade do dito "sóciogerente ", de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decorre de sua condição de "gerente" (administrador), e não da sua condição de sócio; c) Para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social;" A fiscalização constatou a "existência de interposição fraudulenta de pessoas na gestão da empresa" e, em consequência, emitiu o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 193/194, em 04/03/2011, nomeando Josemar da Silva e Rafael Pinto da Silva como sujeitos passivos solidários nos termos do art. 124 do Código Tributário Nacional. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Resolução nº 1401000.199 S1C4T1 Fl. 404 9 A ciência de Josemar da Silva do referido termo, dos Autos de Infração e respectivos anexos foi dada primeiramente por via postal sendo que no endereço constante do AR de fls. 264, o contribuinte foi dado como desconhecido. E, como consequência da falta de sua localização no endereço fornecido à RFB, foi emitido o Edital n° 012, de 2011 (fl. 265) para ciência. A ciência de Rafael Pinto da Silva se deu da mesma forma, via edital, por resultar infrutífera a via postal. Cientificada dos Autos de Infração, do Relatório Fiscal e do Termo de Sujeição Passiva Solidária (fl. 255), a empresa apresentou impugnação (fls. 271/331), devidamente representada por Joana D'Arc da Silva, alegando em síntese que: Dicaciel Telemed Com Equip. Informática e Serviços Ltda. EPP, ... representada por seu representante legal, ... , vem, respeitosamente apresentar IMPUGNAÇÃO... DO CERCEAMENTO AO DIREITO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA: O ordenamento jurídico brasileiro consubstanciou de forma justa e democrática ... que, aos litigantes em processo judiciais e administrativos, acusados em geral, serão dados o direito ao contraditório e a ampla defesa. O disposto encontrase entabulado no artigo 5o , LV, da Constituição Federal de 1988 ... ... no caso da ampla defesa, este direito é decorrente do contraditório, pois, para que uma pessoa se defenda materialmente de uma acusação, é mister, que a mesma tenha plenos conhecimentos do objeto o qual está sendo processada/denunciada. ... o órgão investigador garantiu tão somente o direito à resistência formal, que é simplesmente conferir prazo para se defender de uma denúncia que consubstancia puros argumentos, desprovida de objetos instrutórios. ... , percebemos a tentativa de criar argumentos acusatórios ... , porém, se esqueceu o r.Relator de fortalecer sua fundamentação com materialidade, ou seja, documentos ... ... Na data de 01/04/11, protocolou ... , requerimento onde pleiteava acesso amplo aos documentos que baseavam a tese acusatória. ... órgão remeteu ... cópia virtual do procedimento fiscal, fonte parcial das acusações. Ao receber o documento, a investigada entendeu que seu pedido não foi atendido por completo, tendo em vista que no processo não constava as cópias de INÚMEROS documentos mencionado no teor do r. Relatório quais sejam, os documentos e provas que supostamente ligam a empresa fiscalizada a outras 32 pessoas jurídicas, procurações dadas a terceiros, conexão entre ao Senhor Rafael Pinto da Silva e Senhor Josemar da Silva, bem como ao Senhor Antônio Carlos Spineli. Assim, na data 13/04/11, a investigada formulou novo requerimento, no sentido de postular a entrega dos documentos faltantes, ALERTANDO E ADVERTINDO que a falta destes, cercearia o contraditório e prejudicaria a ampla defesa ... No caso em concreto, é patente que a investigante ao não proceder à entrega dos documentos requeridos vem prejudicar a defesa da investigada. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Resolução nº 1401000.199 S1C4T1 Fl. 405 10 ... como estamos em meados do mês de Abril de 2011, a fiscalizada, requer desde já, a prescrição dos créditos tributários que porventura existirem em nome da mesma, nos períodos anteriores ao exercício de 2006! DA ILEGALIDADE DA TRIBUTAÇÃO ANUAL (2008) Em se tratando de pessoa jurídica, in casu, uma empresa de pequeno porte, o artigo 42 e seus parágrafos, da Lei n°. 9430/96, é esclarecedor acerca da tributação de eventual omissão de rendimentos ... Neste sentido, o artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional estabelece ... Levando em consideração tal vinculação estabelecida expressamente no texto legal, ... não poderia o Ilmo. Auditor Fiscal ... , ter agido em desconformidade com a legislação supra citada, pois, a sua autuação não obedeceu à legislação de regência, eis que foi realizada com base em fatos geradores anuais (ano de 2008), quando deveria ter sido realizada com base em fatos geradores mensais, sendo NULA de pleno direito ... DA INVALIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL POR OFENSA DIRETA AO PRINCIPIO CONSTITUCIONAL DA IMPESSOALIDADE: A Constituição Federal, no art. 37, caput, trata dos princípios inerentes à Administração Pública, dentre eles, o Princípio da Impessoalidade ... Conforme ensina Carmen Lúcia Antunes Rocha (1994, p. 148 e p. 150): "...O princípio da impessoalidade assegura não apenas que pessoas recebam tratamento particularizado em razão de suas condições específicas, mas também, veda a adoção de comportamento administrativo motivado pelo partidarismo..." ... sobre este Princípio, a PORTARIA n° 500, de 02/05/95, ... é bastante clara ... Por todo o citado, está mais que explanado que a atividade administrativa de fiscalização exige, em face dos Princípios Constitucionais da Impessoalidade, Isonomia e Imparcialidade, que ela seja dirigida uniformemente aos administrados, havendo que se cumprir piamente o programa de fiscalização, sob pena de configuração de perseguição. ... em nenhum momento o Ilmo. Auditor Fiscal indicou as razões e a origem da fiscalização procedida com relação à fiscalizada, bem como em qual programa de fiscalização havia sido ela inclusa ... ... não constam que houve solicitação ao CoordenadorGeral da COFINS, tampouco, que foi concedida autorização ao Sr. Superintendente da Receita Federal de Minas Gerais para a instauração de tais investigações razão pelo qual deve ser considerado NULO por ter origem em fiscalização não autorizada, e de cunho objetivamente pessoal, o que afronta o Principio da Impessoalidade, tudo nos termos do caput do artigo Io, da Portaria n° 500 de 02/05/95, da Secretaria da Receita Federal. DOS FATOS: A Receita aduziu que não houve atendimento quanto aos documentos bancários. Assim, em 23/12/2009, foi lavrada Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) ... Fl. 405DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Resolução nº 1401000.199 S1C4T1 Fl. 406 11 Em 09/02/2010, foi lavrado o Termo de ReIntimação Fiscal n°. 03, reintimando a empresa, mais uma vez, para apresentar os documentos e informações requeridas no Termo de Intimação n°. 01. Em 18/02/2010, foram recebidas informações da instituição financeira Banco do Brasil S/A e junto destas, uma procuração pública em que a empresa nomeava e constituía seu procurador Senhor Rafael Pinto da Silva, CPF n°. 070.174.63609, filho do Senhor Josemar da Silva, à frente identificado como gestor de fato de diversas empresas, inclusive a fiscalizada. Ora Ilustríssimo, esta alegação é totalmente improcedente, inverídica e infundada, pois, a fiscalizada jamais nomeou qualquer pessoa para fazer sua gestão, tal atribuição sempre foi mister dos sócios. ... o r. Relatório está eivado de vícios formais, com manifestações sem a menor fundamentação legal ou prova cabal capaz de sustentar o alegado. a Receita Federal não disponibilizou as referidas procurações de modo a permitir a defesa contestála, pois, impossível sua existência, uma vez que jamais se outorgou a qualquer terceiro sua administração e ou gestão. Em 12/04/2010, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n°. 04, cuja referida intimação requeria da empresa comprovação, ... da origem dos recursos creditados/depositados nas contas de sua titularidade, no ano de 2008 ... A Receita afirmou ... que não houve atendimento ao supra mencionado termo fiscal, restando sem comprovação de origem todos os recursos creditados/depositados nas contas de titularidade da fiscalizada. A Receita alegou que não houve esclarecimento da fiscalizada quanto a nenhuma operação ou causa correspondente às entregas de recursos questionadas ... Assim sendo, considerou todos esses pagamentos como feitos a beneficiários não identificados, ainda que algum cheque de sua emissão tenha sido nominal, porquanto não foi identificada a respectiva operação ou causa. A mesma consideração foi aplicada no case dos cheques possivelmente emitidos, nominalmente, para quitação de parcelas de impostos, contribuições, taxas e/ou tarifas de serviços, de vez que podem ter sido usados para quitar dívidas de terceiros (sócios ou não). Desta forma, sumariamente, a Receita Federal apresentou as infrações as quais a fiscalizada está incursa e respectivos tratamentos tributáriofiscais, quais sejam, o pagamento sem causa/operação comprovada (artigo 61 da Lei n°. 8.981/95 c/c artigo 674 e parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n°. 3000/1999 e, omissão de receita caracterizada por créditos bancários com origem não comprovada. Aos lançamentos de ambas as infrações, a Receita protesta pela aplicação da multa de ofício estabelecida no artigo 957, inciso II, do RIR/99, uma vez que a mesma alegou suposta existência de interposição de pessoas na gestão da empresa fiscalizada (Sr. Rafael Pinto da Silva e seu genitor, Sr. Josemar da Silva). 1 DO MÉRITO: 1. 1 DOS EXTRATOS BANCÁRIOS: A Ação Fiscal ... aduziu que não houve atendimento quanto aos documentos bancários ... , haja vista que a fiscalizada fez a entrega de extratos bancários, com lacunas, isto é, faltando registros referentes a períodos em que houve movimentação de valores, conforme trazidos nos extratos obtidos diretamente do Banco. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Resolução nº 1401000.199 S1C4T1 Fl. 407 12 Desta forma, a fiscalizada entende não haver lacuna alguma, pois, encaminhou ... todos os documentos que lhe foram exigidos ... , não havendo por que a mesma alegar tais brechas, pois, ... a própria instituição financeira já forneceu ... Além dos extratos, o r. Auditor aduziu que a empresa apresentou também cópias de contratos de prestação de serviços por ela firmados com entidades de governo, todavia, não foram anexados, por não terem relação direta com os lançamentos que tomam o Relatório como explicativo. A empresa fiscalizada acha totalmente conveniente, coerente e produtivo que sejam anexados tais contratos tendo em vista que é uma forma da mesma provar que presta serviços para órgãos públicos com probidade, o que mostra sua boafé e ilibada reputação ... ... tais documentos, ... podem servir como elemento de defesa para a empresa fiscalizada, requerendo esta sua juntada aos autos, como mera prevenção. 1.2 DO LIVRO CAIXA: No que tange à exigência da Receita Federal acerca do fornecimento de Livro Caixa pela empresa fiscalizada, esta entende que todos os documentos aos quais pudessem comprovar os balancetes realizados, já foram apresentados impecavelmente. A empresa fiscalizada não apresentou o LivroCaixa, pois, é optante pelo Simples Nacional, sendolhe dispensada a apresentação dos mesmos, com respaldo no artigo 26, §2°, da Lei Complementar 123/2006. Desta forma, como a empresa fiscalizada é de pequeno porte e optante pelo Simples Nacional está efetivamente exonerada de escriturar os livros obrigatórios. 1.3DO PAGAMENTO SEM CAUSA/OPERAÇÃO COMPROVADA: No que tange aos beneficiários dos recursos feitos pela empresa fiscalizada e a comprovação do "destino" de tais pagamentos, o r. Relatório afirmou que: "Não houve esclarecimento da fiscalizada quanto a nenhuma operação ou causa correspondente às entregas de recursos questionadas por meio de termo fiscal sob menção. Assim sendo, consideramos todos esses pagamentos como feitos a beneficiários não identificados ... " ... a fiscalizada apresentou todas as provas ... , que a seu ver, são suficientes e ímpares para o deslinde da fiscalização, demonstrando o destino de todos os rendimentos, cujos pagamentos eram reservados exclusivamente às despesas realizadas pela própria empresa fiscalizada, conforme documentos já juntados aos autos do procedimento fiscal. Não há por que a Receita Federal vir alegando que desconhece os beneficiários sendo que tais provas são capazes de identificálos e ainda, detalhar cada operação ... que deram causa a essas despesas fortuitas. A empresa fiscalizada já comprovou através de documentos juntadas no decorrer do procedimento fiscal que as operações foram feitas junto a uma rede bancária oficial com a emissão de cheques, inclusive, nominais, destinados ao pagamento de DESPESAS DA EMPRESA, no cumprimento de contratos de prestação de serviços, tais como salários, alimentação, compra de combustível, peças, acessórios hidráulicos, pneus, serviços de funilaria, e outras prestações de serviços correlatos, esses desconsiderados pelo Ilmo. Auditor, bem como, empréstimos que a mesma fez, POR NÃO conter saldo de caixa, situação provocada pela própria Administração Pública, tanto que no final e no início dos anos, deixa de pagar seus prestadores de serviço, isto, Fl. 407DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Resolução nº 1401000.199 S1C4T1 Fl. 408 13 em função do encerramento orçamentário e pelo atraso na aprovação pelo Congresso Nacional do novo orçamento. Não há que se cogitar a possibilidade de pagamento sem operação e causa comprovada, pois, a todo tempo, foi informado a origem do dinheiro e para quem o mesmo foi repassado! No que diz respeito à suposição feita no r. relatório pelo fisco acerca dos cheques emitidos nominalmente, foi exatamente uma forma da empresa se resguardar de futuras indagações acerca do destino dos mesmos, pois, o fato de emitilos nominalmente faz com que se possa provar mais facilmente sua boafé, dando a oportunidade para ser identificado os destinos de todos os pagamentos realizados pela fiscalizada. ... a empresa fiscalizada está sendo penalizada até por ter realizado pagamento de tributo, como assim mesmo é confirmado pelo próprio Relatório supra citado; "A mesma consideração aplicamos no caso de cheques emitidos, nominalmente, para quitação de parcelas de impostos, contribuições, taxas e/ou tarifas de serviços", tornando tais alegações um tanto quanto colidentes/contraditórias, pois, ao mesmo tempo a empresa fiscalizada é penalizada pela não comprovação dos pagamentos que realizou, esta sendo penalizada, então, também pela não comprovação do pagamento realizado a título de tributos?! ... o Ilmo. Auditor ingressou em um infundado "campo de abstração", pois, trouxe afirmações, in totum, emanadas de dúvidas quanto aos pagamentos ... 1.4 DA SUPOSIÇÃO DE INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS E ARROLAMENTO DE RESPONSA VEIS SOLIDÁRIOS: 1.4.1 DO RELATÓRIO FISCAL DE 2008: O r. Relatório Fiscal de 2008 analisou genericamente e fez constar o seguinte: "A análise registrada no Relatório Fiscal citado acima abrangia os dados cadastrais de 32 pessoas jurídicas que seriam ligas a Josemar. Diversas características destas pessoas jurídicas eram comuns entre elas, como denominações muito próximas (Atram II Ltda., Atran II...)..." Não restam dúvidas que mais uma vez o Ilmo. Auditor fez alegações baseadas em meras presunções, não havendo sequer como proválas. O fato de existirem pessoas jurídicas com denominações muito próximas não quer dizer absolutamente nada ... Frisase: mesmo se vislumbrássemos a ideia de que há sinais de parentalidade entre tais pessoas mencionadas no Relatório Fiscal, não significa que existe um "gerentemor" e muito menos ligação entre suas empresas ... 1.4.2 DOS PROCESSOS TRAMITADOS NA 2a VARA DO TRABALHO DE JUIZ DE FORA MG: ... o r. Relatório trouxe algumas partes extraídas da conclusão das decisões proferidas em primeira instância. Primordialmente, devese ater ao fato de que tais processos estão sendo apurados em face de Instrução e em sede de Recurso. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Resolução nº 1401000.199 S1C4T1 Fl. 409 14 Portanto, os mesmos não podem servir como elementos probatórios concretos e irrefutáveis, pois, ainda não transitaram em julgado, sendo, inclusive, tais afirmações inverídicas, objeto de contestação via recursos próprios, ainda em tramitação. Além disso, é incabível que tais informações colhidas naqueles autos, juntados no r. Relatório, sirvam como provas emprestadas, tendo em vista que não há decisão final, com consequente formação de coisa julgada material dos mesmos. No caso sob apreciação em que o tema é ventilado, o ato administrativo praticado envolve questões de fato, ao qual se exige o fazimento de prova, devendo ser assegurado o direito de defesa. Frisase novamente: naquela oportunidade, a empresa fiscalizada sequer se manifestou acerca do depoimento das testemunhas que foram ouvidas em Audiência de Instrução, não havendo por que serem usadas como provas capazes de identificar indícios de ligação entre a empresa fiscalizada com terceiros. ... tratavase de audiência trabalhista, a qual nada tem haver com a composição societária da fiscalizada. ... não podem ser levadas como embasamento de um Relatório Fiscal a ponto de imediatamente haver acusação de fraude na constituição de empresas, com o simples fato de ter havido discussão acerca de um assunto totalmente inoportuno em relação à matéria que ali estava sendo discutida, qual seja, Reclamação de um (a) Trabalhador (a). Ademais, merece destaque a omissão do Il m o. Auditor em relação às retenções tributárias realizadas na fonte por todos os órgãos da Administração Pública, ... Portanto, não é difícil apurar os valores retidos, ... O r. Relatório careceu de provas mais precisas capazes de detalhar, com precisão, o concretismo e a veracidade dos fatos em que a Administração fundamenta sua pretensão! Por isso, ROGA POR JUSTIÇA! Nestes termos, Pede deferimento. Juiz de Fora, 18 de Abril de 2011. Joana D'arc Pinto A impugnação foi assinada pela sócia Joana D'Arc Pinto (fl. 331) e, juntamente com ela foi requerida pela mesma fls. 332/333 "cópia ... do procedimento e ... de todos os documentos mencionados no Relatório, quais sejam, as Procurações dadas ao Senhor Rafael Pinto da Silva e Senhor Josemar da Silva; documentação que seria CNJ de todas as 32 empresas e outras as quais a Receita aduz fazerem parte do suposto grupo econômico juntamente com a DICACIEL; documentos que comprovam a ligação do Sr. Antonio Carlos Spinelli com a empresa fiscalizada, bem como cópia da Ação proposta pelo Ministério Público do Trabalho contra a empresa.". É o relatório. A DRJ Manteve os lançamentos, julgando revéis os responsáveis tributários, nos seguintes termos: Fl. 409DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Resolução nº 1401000.199 S1C4T1 Fl. 410 15 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE NA SELEÇÃO DE CONTRIBUINTES PARA A FISCALIZAÇÃO. A seleção de contribuintes para fiscalização, efetuada pela SRF com base em estudos econômicofiscais e critérios técnicos internos previamente estabelecidos, não representa qualquer parcialidade ou pessoalidade com relação ao selecionado. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoas físicas ou jurídicas, depois de intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Na falta de apresentação da escrituração à autoridade fiscal, é cabível o arbitramento dos lucros sobre o valor das receitas omitidas. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Sujeitase à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado a beneficiário não identificado. A incidência aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios quando não for comprovada a operação a que se refere ou a sua causa. LANÇAMENTOS. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS. IRPJ. DECORRÊNCIA. Em se tratando de lançamentos decorrentes dos mesmos pressupostos fáticos dos que serviram de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos ao PIS, à CSLL e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito existente entre eles. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. l.Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da impessoalidade, imparcialidade, legalidade ou da razoabilidade, dentre outros, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2.A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência judicial colacionada não possui legalmente eficácia normativa, não se Fl. 410DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Resolução nº 1401000.199 S1C4T1 Fl. 411 16 constituindo em normas gerais de direito tributário se não atendidos nenhum dos requisitos previstos no § 6° do art. 26A do Decreto n° 70.235, de 1972. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. REVELIA. OCORRÊNCIA. São revéis os sujeitos passivos que não se apresentaram tempestivamente no processo e não impugnaram suas nomeações como responsáveis solidários. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF contra a parte mantida, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o Relatório Fl. 411DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Resolução nº 1401000.199 S1C4T1 Fl. 412 17 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os requisitos de admissibilidade foram atendidos. Não tendo sido atendidas as solicitações de entrega de extratos bancários, os mesmos foram obtidos pela fiscalização, a partir da emissão RMFs aos bancos. Com base nesses extratos lançouse IRPJ/Reflexos com base nos depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas, bem assim IRRF. Entretanto, é de se observar que a constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que autoriza o fornecimento de informações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, encontrase sob a análise do Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC) e RE 410.054 – AgR/MG. Considerando o disposto no § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF (incluído pela Portaria MF nº 69/09) c/c art. 2º da Portaria CARF nº 001/2012, proponho o sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário, até o trânsito em julgado da decisão a ser proferida pelo STF no aludido RE 601.314RG/SP. Encaminhese o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, para que sejam observados os procedimentos previstos no § 3º do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 412DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10920.911144/2012-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 44 /2 01 2- 15 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911144/201215 Acórdão n.º 3801003.341 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911144/201215 Acórdão n.º 3801003.341 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911144/201215 Acórdão n.º 3801003.341 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911144/201215 Acórdão n.º 3801003.341 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911144/201215 Acórdão n.º 3801003.341 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911144/201215 Acórdão n.º 3801003.341 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911144/201215 Acórdão n.º 3801003.341 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911144/201215 Acórdão n.º 3801003.341 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 11474.000038/2007-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2006
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO I, ART. 173 DO CTN.
Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
A aplicação da regra decadencial expressa determina que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2006 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO I, ART. 173 DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. A aplicação da regra decadencial expressa determina que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, motivo do provimento do recurso.
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AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO I, ART. 173 DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. A aplicação da regra decadencial expressa determina que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 47 4. 00 00 38 /2 00 7- 15 Fl. 772DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11474.000038/200715 Acórdão n.º 9202003.215 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0614, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0602, que deu provimento parcial a recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2006 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Encontrase decadente parte do crédito lançado. CESSÃO DE MÃO DE OBRA: RETENÇÃO. ÓRGÃOS PÚBLICOS. Desde 1º.02.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública contratante de serviços de construção civil executados mediante cessão de mão de obra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida no mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa contratada, cedente da mão de obra (Lei nº 8.212/91, art. 31), conforme Parecer AGU/MS 08, de 17/11/2006, aprovado pela Presidência da república em 20/11/2006. RETENÇÃO PREVIDENCIÁRIA DE 11% SOBRE O VALOR DA NOTA FISCAL/FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. CONSTITUCIONALIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE 603191). REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou em 1º/08/2011 que é constitucional a retenção, por parte do tomador de serviço, de 11% sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço para fins de contribuição previdenciária. A decisão foi tomada em julgamento de Recurso Extraordinário (RE 603191) que recebeu status de Repercussão Geral. Isso significa que o entendimento do Supremo será aplicado a todos os processos com matéria idêntica no país. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do (a) Fl. 774DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 relator(a), declarando decadente as competências 02/1999 a 12/2000, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Esclarecendo, o litígio em questão versa sobre como deve ser aplicada a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1 Há decisão divergente sobre a questão, Acórdão 240101.759; 2 Na aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN – conforme decidido no acórdão recorrido – não deve ser excluída a competência dezembro, pois sua exigência só pode vir a ocorrer no ano posterior; 3 Solicita, pelo exposto, a admissibilidade e provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0639, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11474.000038/200715 Acórdão n.º 9202003.215 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Quanto às preliminares, devemos verificar a forma de aplicação da regra decadencial do I, Art. 173 do CTN. A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Por não haver recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência que deve ser aplicada ao caso encontrase no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extingue se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Fl. 776DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, Fl. 777DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11474.000038/200715 Acórdão n.º 9202003.215 CSRFT2 Fl. 5 7 iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733) Destarte, como no lançamento, a ciência do sujeito passivo, momento da constituição do crédito, ocorreu em 12/2006 e o período do lançamento referese a fatos geradores ocorridos nas competências 02/1999 a 07/2006, todas as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000 devem ser excluídas do presente lançamento. Esclarecemos que a competência 12/2000 não deve ser excluída porque a exigibilidade das contribuições constantes em fatos geradores que ocorreram nessa competência somente ocorrerá a partir de 01/2001, quando poderia ter sido efetuado o lançamento. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em dar provimento ao recurso da PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 779DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.902411/2012-36
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
Numero da decisão: 3803-006.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e o suplente.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestirse dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e o suplente. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 24 11 /2 01 2- 36 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de PIS/Cofins Não Cumulativa, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/Cuiabá indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório; b) a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado. Pelo que, concluiu que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido e o crédito declarado em DCTF; d) há diversas situações que acarretam a restituição de valor recolhido: a inclusão indevida de valores na base de cálculo; erro de fato na apuração do imposto; situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo e que são regulamentadas pela IN 900/2008; e) a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; f) calculou a contribuição utilizandose de base de cálculo com valores que incluiu não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas também as demais receitas que não devem compôla; g) utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte; h) “o pedido formulado tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em total consonância com o disposto na Lei 9.430/96”; i) postulou o reconhecimento do crédito somente pela via administrativa, já que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada e cuja ação já transitou em julgado; j) é legítima a sua pretensão em verse restituída do que foi pago sobre base de cálculo indevidamente ampliada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande apresentou a justificação contida no despacho decisório de não homologação e rejeitou a preliminar de nulidade da decisão administrativa, tendo declarado não haver nenhuma das suas hipóteses. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.902411/201236 Acórdão n.º 3803006.076 S3TE03 Fl. 67 3 Rejeitou, ainda, o pedido de diligência para apresentação das provas que, a teor do art. 16, § 4º, a, b, c, e § 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972, deveria ter acompanhado a manifestação de inconformidade No mérito, a improcedência da manifestação de inconformidade foi assentada sobre a falta de certeza e liquidez do crédito utilizado na DComp, comprovação de que deveria terse desincumbido a Manifestante, porquanto seu este ônus. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário:2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 25 de outubro de 2013, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 25 de novembro de 2013, em que levanta como argumento de defesa apenas a nulidade do despacho decisório, por ferir o princípio da motivação dos atos administrativos por não ter fundamentado a decisão e o princípio da ampla defesa – por não dispor a Manifestante das razões de decidir do ato administrativo, de sorte a poder aparelhar a sua manifestação de inconformidade. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, por manter o despacho decisório exarado nas circunstâncias que descreve. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente maneja em seu recurso apenas o argumento de nulidade do despacho decisório e clama pela reforma da decisão recorrida. Com efeito, o Colegiado a quo bem explicou os fatos subjacentes no despacho decisório, deixando claro o motivo que deu suporte à decisão de não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação: o DARF do qual foi destacado o suposto crédito estava inteiramente alocado ao débito por ela mesma confessado em DCTF. Eis os seus termos: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, conforme demonstra o quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” e o quadro resumo das declarações do contribuinte a seguir, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.[grifei] A decisão mencionou a falta de demonstração, pela Manifestante (i) do erro em que se fundara a sua original apuração do débito, (ii) do fundamento em que se baseara a redução da base de cálculo, e (iii) dos elementos de prova, em especial a escrita contábil/fiscal, das alegações. Eis os termos em que se pode identificar este roteiro na decisão: Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Entretanto, o contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas de que o seu crédito provêm de receitas contabilizadas de maneira equivocada. Informa que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte, mas não relata quais são essas ações e se faz parte delas.[grifei] Somente calcada nos requisitos acima destacados, a defesa teria a aptidão de infirmar o encontro de contas processado pela RFB, em que foram considerados os dados informados pela própria Contribuinte. Em contraposição, a Manifestante fora, de fato, genérica na justificativa da origem do seu crédito, como afirmado no acórdão. O delineamento desenhado pelas razões de decidir constituise numa luz que deveria se projetar sobre os argumentos da Recorrente na composição do recurso voluntário. Ainda que não tivesse trazido os citados elementos de prova das bases de cálculo anexados à manifestação de inconformidade, poderia têlo feito no recurso. Somente com o suprimento desta lacuna da defesa, se poderia ter como legítimo o reclamo da Recorrente pelo exercício da ampla defesa, pelo afastamento da preclusão, com base no fato de o despacho decisório não tê la conclamado, expressamente, a apresentar provas, juntamente com a manifestação de inconformidade. A menção na intimação que compõe o despacho decisório, da necessidade de o contribuinte anexar provas na manifestação de conformidade, teria a função de mera lembrança, não é defeito do ato administrativo, porquanto o comando para cumprir este requisito de defesa é legal, segundo regência do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. É ônus do contribuinte. O lançamento por homologação é atividade cometida por lei ao contribuinte, a quem compete apurar o quanto devido do tributo e antecipar o pagamento sem prévia apreciação de autoridade administrativa. Por meio dessa atividade o próprio contribuinte abastece os sistemas de controle da Fazenda, que, assim, já dispõe dos dados para efetuar eventual compensação por ele declarada. A par dessa atividade do contribuinte, a declaração de compensação consubstancia o exercício de direito potestativo de contribuinte que apure crédito perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A consequência dessa sistemática é que débito informado na DComp é extinto pelo contribuinte independentemente Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.902411/201236 Acórdão n.º 3803006.076 S3TE03 Fl. 68 5 de apreciação prévia da Administração Tributária. Esta, dispõe de cinco anos para homologá la. Sob esse rito legal, tornase do contribuinte o ônus de comprovar o direito que ele mesmo constitui por meio da DComp qual seja, a extinção do débito. Com fulcro nos fundamentos acima, mostrase improcedente o argumento da Recorrente de falta de motivação do despacho decisório, e fica configurado o pouco caso em substanciar a recurso com os elementos faltantes na manifestação de inconformidade, já possuindo orientação suficiente da decisão recorrida para tanto. Assim, não merece prosperar o seu pedido de reforma do acórdão guerreado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10240.000032/2011-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
INTEMPESTIVIDADE.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1401-001.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NÃO CONHECER do recurso voluntário em face da intempestividade.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Roberto Armond Ferreira da Silva e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NÃO CONHECER do recurso voluntário em face da intempestividade. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Roberto Armond Ferreira da Silva e Jorge Celso Freire da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 00 32 /2 01 1- 05 Fl. 823DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10240.000032/201105 Acórdão n.º 1401001.131 S1C4T1 Fl. 824 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 13º Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo ISP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Trata o processo de lançamentos (fls. 002/298), ciência da pessoa jurídica em 01/02/2011 (fl. 299), ciência do sujeito passivo solidário Derli José Vargas em 20/01/2011 (fls. 300/302) e do sujeito passivo solidário Ana Viana de Souza em 19/01/2011 (fls. 303/305), decorrentes do SIMPLES FEDERAL (janeiro a junho de 2007) e SIMPLES NACIONAL (julho a dezembro de 2007), compostos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, IPI, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social, no montante de R$ 3.486.903,71, já acrescidos de multa de ofício de 225% e juros de mora calculados até 30/12/2010. 2.Segundo Termo de Verificação Fiscal (fls. 006/015) a infração foi Omissão de Receitas Depósitos Bancários de Origem não Comprovada e a multa foi agravada, conforme §§ 1° e 2° do art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996. O contribuinte não atendeu às intimações para apresentar livros contábeis e extratos bancários. RMF (Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira) foi emitida. Emitiuse Termos de Sujeição Passiva Solidária para Derli José Vargas, de 20/01/2011 (fls. 300/302), e para Ana Viana de Souza, de 19/01/2011 (fls. 303/305),.nos termos do art. 124, I e art. 135, II, do CTN. Destacamos do Termo de Verificação Fiscal: "(...) Em 30/06/2010, com o prazo para atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal esgotado, sem que o contribuinte tenha apresentado a documentação solicitada, e sem que o contribuinte tenha solicitado prorrogação de prazo para atendimento à intimação, foi solicitada a emissão de Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira (RMF), para possibilitar o normal andamento da fiscalização.. (...) Em 09/08/2010 foram expedidos os Termos de Intimação Fiscal n° 002 e 003 para que a sócia e o procurador nomeado para movimentar as contas bancárias em nome do contribuinte (conforme procuração enviada pelo Banco do Brasil S/A) comparecessem à Seção de Fiscalização para prestar esclarecimentos a respeito da localização e atividade da empresa. Apesar de cientificados em 12/08/2010 e 19/08/2010, respectivamente, não houve resposta nem comparecimento de ambos. (... ) Com base nos extratos bancários obtidos por intermédio das requisições de informações sobre movimentação financeira, foi elaborada relação de créditos a serem comprovados, que foi submetida ao contribuinte. Foram dispensados de comprovação os créditos derivados de meras transferências entre contas bancárias de Fl. 824DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10240.000032/201105 Acórdão n.º 1401001.131 S1C4T1 Fl. 825 3 mesma titularidade, cheques devolvidos e estornos de créditos, os quais a fiscalização pôde identificar. As intimações solicitavam ao contribuinte que identificasse e comprovasse, mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, a origem dos recursos relacionados, lançados a crédito nas contascorrentes citadas, demonstrando a relação biunívoca entre tais documentos e os lançamentos efetuados em suas contascorrente. Tendo sido intimado a identificar a origem dos créditos submetidos a sua comprovação, conforme o Termo de Intimação Fiscal 004/2010, o contribuinte não atendeu às intimações. Dessa forma, constatamos transgressões pertinentes à legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), referente ao anocalendário de 2007, e utilizamos a relação dos créditos submetidos ao contribuinte, e não devidamente comprovados, para efetuar o lançamento dos valores dos tributos devidos. (... ) Sendo assim, os valores finais dos depósitos bancários de origem não comprovada do anocalendário 2007 encontramse dispostos no relatório analítico constante do Demonstrativo V desse Termo de Verificação e Constatação Fiscal e tabelaresumo abaixo: Depósitos Bancários Cheques Devolvidos Valor para Competência não Comprov (Anexo III) e Estornos a Débito (Anexo IV) Lançamento (Anexo V) jan/06 1.029.669,49 42.109,79 987.559,70 fev/06 758.293,48 51.136,01 707.157,47 mar/06 696.470,33 51.610,63 644.859,70 abr/06 667.651,12 35.843,15 631.807,97 mai/06 905.719,27 52.307,99 853.411,28 jun/06 808.136,13 55.712,83 752.423,30 jul/06 908.048,43 29.965,90 878.082,53 ago/06 885.284,26 53.519,53 831.764,73 set/06 660.119,34 37.971,10 622.148,24 out/06 781.562,64 32.529,92 749.032,72 nov/06 624.425,07 61.959,91 562.465,16 dez/06 650.039,48 63.805,02 586.234,46 Total 9.375.419,04 568.471,78 8.806.947,26 (...) Fl. 825DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10240.000032/201105 Acórdão n.º 1401001.131 S1C4T1 Fl. 826 4 Considerando a infração anteriormente relatada, houve recomposição das bases de cálculo apuradas mensalmente, o que resultou em insuficiência de recolhimento em relação aos valores declarados pelo Contribuinte, conforme consta do Demonstrativo de Apuração dos Valores Não Recolhidos que acompanham o Auto de Infração. (...) 3. DA SOLIDARIDADE Uma das hipóteses de solidariedade pelo cumprimento da obrigação tributária está prevista no art. 124, inciso I e art. 135, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN)2, fundamentada no interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação tributária principal. Nesse sentido, cumprinos demonstrar a existência da solidariedade entre a empresa A. Viana de Souza ME. e o Sr. Derli José de Vargas procurador nomeado para gerir as contas bancárias da empresa A. Viana de Souza ME., conforme instrumento de procuração enviado pelo Banco do Brasil em atendimento ao RMF n° 02.5.01.00 2010000457. Ao realizar pesquisas nos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatouse que a Sra. Ana Viana de Souza, além se ser sócia da empresa A. Viana de Souza ME., também constava no quadro societário da empresa Vargas & Viana Ltda. em conjunto com o Sr. Derli José de Vargas. Também ficou evidenciado que ambas as empresas acima funcionavam no mesmo local (Rua Carlos Gomes, n° 1223, sala 201, Centro), sendo que posteriormente também tiveram seus endereços alterados para a mesma localização (Rua Joaquim Nabuco, 3200, sala 2014, Olaria), e lá permanecem até a presente data, conforme pode ser verificado no Demonstrativo VIII do Termo de Verificação e Constatação Fiscal. Pois bem, o Sr. Derli José de Vargas, além de ser sócio de uma empresa que funciona no mesmo local da A. Viana de Souza ME., foi nomeado procurador desta e possui todos os poderes para gerir e movimentar as contas bancárias do contribuinte junto ao Banco do Brasil e ao Banco Bradesco, podendo, inclusive, emitir cheques, assinar notas promissórias e contratos, autorizar débitos, transferências e pagamentos de qualquer forma, parcelar e renegociar dívidas, entre outros. Ressaltase que a presente fiscalização está fundamentada na "movimentação financeira incompatível", baseada nos depósitos bancários nas contascorrentes do contribuinte, sendo que o Sr. Derli José de Vargas efetivamente participava na realização dos negócios da organização empresarial, gerindo as respectivas contas bancárias, os quais ensejaram o lançamento do crédito tributário deste auto de infração. (... ) Sem prejuízo do exposto acima, também foi verificado que a empresa A. Viana de Souza ME. sofreu ação reclamatória trabalhista no Fórum Trabalhista de Ariquemes/RO (Processo 00639/2009), sendo que na qualificação das partes na petição inicial consta o Sr. Derli José de Vargas como representante legal da mesma. Ora, se o próprio empregado deixou de colocar a Sra. Ana Viana de Souza como representante legal da A. Viana de Souza ME., resta demonstrado mais um indício no sentido de que, externamente e para todos os efeitos, era efetivamente o Sr. Derli José de Vargas quem geria e organizava referida atividade empresarial. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10240.000032/201105 Acórdão n.º 1401001.131 S1C4T1 Fl. 827 5 (... ) Provas nesse sentido são: a) funcionamento de duas empresas distintas no mesmo local A. Viana de Souza ME. e Vargas & Viana Ltda.; b) o Sr. Derli José de Vargas é, ao mesmo tempo, procurador para movimentar as contas bancárias da A. Viana de Souza ME. e sócio da Vargas & Viana Ltda.; e c) existência de ação trabalhista movida em face da A. Viana de Souza ME., em que consta o Sr. Derli José de Vargas como representante legal da mesma. (... ) 4. DA MULTA DE OFÍCIO 45O fato de o contribuinte ter declarado valores de receitas muito inferiores às efetivamente auferidas caracteriza a intenção de o agente descumprir, de forma deliberada, a obrigação tributária, o que caracteriza o evidente intuito de fraude do sujeito passivo tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, nos termos do art. 44, §1° da Lei n° 9.430/96 e art. 72 da Lei n° 4.502/64. 46O não atendimento às intimações para apresentar livros obrigatórios e justificar a origem dos depósitos bancários tipifica a hipótese de agravamento da penalidade, nos termos do art. 44, §2° da Lei n° 9.430/96." (...) 3.Elaborouse Revisão de Ofício, ciência da pessoa jurídica em 31/03/2011 (fl. 491), do sujeito passivo solidário Derli José Vargas em 02/04/2011 (fls. 497) e do sujeito passivo solidário Ana Viana de Souza em 21/03/2011 (fls. 494), em virtude de se ter constatado que na tabela existente na página 05 do Termo de verificação e Constatação Fiscal foi colocado o ano de 2006 como a competência dos tributos lançados, sendo que o correto seria o ano de 2007. 4.Protocolouse os seguintes documentos de impugnação: a)Em 16/03/2011, em nome do sujeito passivo solidário Ana Viana de Souza (fls. 508), em que destaca que as movimentações constantes dos documentos anexados ao referido processo dizem respeito a capital de giro para a compra e venda de cartões telefônicos, sendo que o imposto de renda era retido na fonte ela Brasil Telecom e ainda o valor restante ou seja o saldo líquido devido a pessoa jurídica A Viana de Souza ME dizia respeito a um percentual, pequeno, nos termos dos contratos anexos. b)Em 16/03/2011, em nome do sujeito passivo solidário Derli José Vargas (fls. 509), em que destaca que as movimentações constantes dos documentos anexados ao referido processo dizem respeito a capital de giro para a compra e venda de cartões telefônicos, sendo que o imposto de renda era retido na fonte ela Brasil Telecom e ainda o valor restante ou seja o saldo líquido devido a pessoa jurídica A Viana de Souza ME dizia respeito a um percentual, pequeno, nos termos dos contratos anexos. c)Em 31/03/2011, em nome do sujeito passivo solidário Ana Viana de Souza (fls. 650/654), em 02/05/2011, em nome do sujeito passivo solidário Derli José Vargas (fls. 655/659), e em 11/07/2011, em nome do sujeito passivo solidário Derli José Vargas (fls. 663/670), em que destaca: Fl. 827DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10240.000032/201105 Acórdão n.º 1401001.131 S1C4T1 Fl. 828 6 A princípio esclarece que as movimentações bancárias alvo da presente investigação, que findou no presente auto de infração são decorrentes da relação contratual havida entre a empresa A. VIANA DE SOUZA ME, com a Brasil Telecom S/A e 14 Brasil Telecom Celular S/A, empresas adquiridas pela OI. Os contratos firmados entre a empresa A. Viana e Brasil Telecom consistiam na distribuição de cartões telefônicos, o que significava uma movimentação de altos valores, pois a empresa ora autuada recebia o crédito de seus "agentes"fixados em todo o estado de Rondônia e com este valor adquiria novos cartões, portanto tratase, o maior volume de capital de giro. O lucro da empresa A. Viana consistia no repasse de um percentual que não ultrapassava 5% do montante de cartões adquiridos para comercialização, conforme constam dos Contratos já apresentados. Em breve síntese, o contrato consistia, segundo os princípios estabelecidos pela operadora, na compra de produtos pela empresa A. Viana como: cartões de orelhão, cartões de recarga para celular físico ou virtual) e chips, para distribuílos em diversos Pontos de Vendas (PDVs ) no Estado de Rondônia, esta é a razão da alta movimentação de valores na conta bancária, o que NAO significa QUE TODO O DINHEIRO ERA DA EMPRESA. Repitase o LUCRO DA EMPRESA NÃO ULTRAPASSAVA 5%. Registre, outrossim, que quando da assinatura dos contratos a operadora exigia, como garantia do crédito que seria fornecido, que a empresa ora autuada através de sua represente abaixo assinada, assinasse uma nota promissória O que sempre foi feito, por exigência Tal garantia tinha como escopo, o fornecimento pela operadora de cartões consignados e após a apuração das vendas, isto é, conforme ia vendendo o valor era depositado na conta da empresa Viana para pagamentos de boletos que a BRT emitia em nome da empresa A Viana No que tange ao questionamento sobre a opção do lucro Simples, lucro real (contabilidade da empresa) temos a esclarecer que a opção foi realizada pela própria orientação do contador em vista de que o lucro real auferido pela empresa, com as vendas dos cartões, era muito baixo Por fim, no que pertine ao imóvel penhorado, esclareço a Sa, que o mesmo encontrase hipotecado para a CEF, (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL) dada a existência de financiamento imobiliário, cuja garantia é o próprio imóvel e ainda tratase de imóvel destinado exclusivamente a minha moradia com minha família, caracterizando bem de família e portanto impenhoráveL Assim, conforme determina a Lei 8009/90, em seu artigo 1o, "o imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta lei " Considerase, para tanto, como imóvel residencial, aquele que seja a única propriedade utilizada pelo casal ou pela entidade familiar para moradia permanente (artigo 5o, Lei 8009/90)^ Têmse, pois, que as exceções à regra da impenhorabilidade, contidas no estatuto legal acima, tratamse de hipóteses taxativamente descritas no artigo 3o e seus incisos, e uma vez que a dívida não se imiscua nestas hipóteses não será lícita a expropriação do bem de família. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10240.000032/201105 Acórdão n.º 1401001.131 S1C4T1 Fl. 829 7 Assim pelas razões expostas, impugna o valor expresso no auto de infração, eis que irreal, requerendo seja retificado o valor do mesmo, considerando o lucro real da empresa, nos termos dos contratos juntados no dia 18/03/2011 A presente impugnação é extensiva ao auto de infração lavrado em desfavor de VIANA DE SOUZA ME e DERLI JOSÉ DE VARGAS, visto que este nada tem a ver com a empresa VIANA, sendo um mero procurador à época das efetivas atividades da empresa. Desta forma, pugna também para que seja excluído o nome deste de qualquer cobrança que possa, supostamente, advir sobre a empresa AVIANA. Requer ainda a remessa de ofício ao Cartório de Imóveis afim de, averbar no inteiro teor da certidão a baixa da penhora" A DRJ Manteve os lançamentos, nos seguintes termos: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 Ementa: SOLIDARIEDADE São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. AGRAVAMENTO Condutas adotadas pelos sujeitos passivos que demonstram o ânimo de fraude e/ou sonegação justificam o agravamento da multa. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 Ementa: SOLIDARIEDADE São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. AGRAVAMENTO Condutas adotadas pelos sujeitos passivos que demonstram o ânimo de fraude e/ou sonegação justificam o agravamento da multa. Frustrada a intimação postal do contribuinte via AR (devolvido por mudança de endereço), a ciência do acórdão se fez por edital afixado em 22/11/2012 (fls. 707), cujo prazo transcorreu in albis, tendo sido lavrado o Termo de Perempção respectivo. Posteriormente foi excluído o Termo de Perempção, pois as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributárias ainda não tinha sido intimadas do resultado de julgamento da DRJ. As pessoas físicas foram intimadas via correio, o Sr. Derli José de Vargas no dia 05/04/2013 e o Sra. Ana Viana de Souza no dia 23/04/2013 (fls. 732). Fl. 829DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10240.000032/201105 Acórdão n.º 1401001.131 S1C4T1 Fl. 830 8 No dia 23/04/2013, a contribuinte (A. Viana de Souza ME) protocolizou recurso, denominado “Recurso especial”. Os responsáveis tributários cientificados não ofereceram os seus recurso voluntários. O processo foi sobrestado, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discutia questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC) e RE 410.054 – AgR/MG). O processo retornou foi redistribuído à minha relatoria novamente, pois a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Tendo em vista a edição desse ato normativo tornouse obrigatória a inclusão em pauta para julgamento os processos referentes às matérias que estão em repercussão geral no Supremo, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. É o relatório. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10240.000032/201105 Acórdão n.º 1401001.131 S1C4T1 Fl. 831 9 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Juízo de admissibilidade Verifico, preliminarmente, que o Recurso foi interposto fora do prazo de trintas dias, contados a partir da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. É de se ver. Frustrada a intimação postal do contribuinte (A. Viana de Souza ME) via AR (devolvido por mudança de endereço), a ciência do acórdão se fez por edital afixado em 22/11/2012 (fls. 707), cujo prazo transcorreu in albis, tendo sido lavrado o Termo de Perempção respectivo. Posteriormente foi excluído o Termo de Perempção, pois as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributárias ainda não tinha sido intimadas do resultado de julgamento da DRJ. As pessoas físicas foram intimadas via correio, o Sr. Derli José de Vargas no dia 05/04/2013 e o Sra. Ana Viana de Souza no dia 23/04/2013 (fls. 732). No dia 23/04/2013, a contribuinte (A. Viana de Souza ME) protocolizou recurso, denominado “Recurso especial”. Os responsáveis tributários cientificados não ofereceram os seus recurso voluntários. Na verdade, em nome do princípio da fungibilidade tomase aqui o denominado “Recurso Especial”, como se recurso voluntário o fosse, uma vez que não houve ainda o julgamento nas câmaras do CARF. Porém, como se vê o recurso está perempto, pois a empresa A. Viana de Souza ME foi notificado via Edital após tentativa frustrada de notificála via Correios. Como o Edital foi afixado em 22/11/2012 e considerase cientificado 30 dias após o décimo quinto dia de sua afixação, verificase que o recurso está perempto em mais de três meses. Cabe salientar, que o prazo em que a empresa ingressou com o seu recurso (23/04/2013) seria um prazo válido para o ingresso dos recursos voluntários dos respectivos responsáveis tributários e não do recurso da empresa. Pelo exposto, voto no sentido NÃO CONHECER do recurso, face à intempestividade. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 831DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10240.000032/201105 Acórdão n.º 1401001.131 S1C4T1 Fl. 832 10 Fl. 832DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10510.900451/2012-94
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação.
INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO.
O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 51 /2 01 2- 94 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta contribuinte transmitiu declaração de compensação em que compensou o débito discriminado no referido PeR/DComp servindose de suposto crédito de pagamento a maior de Cofins. Despacho Decisório da DRF/Aracaju reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente a DComp, por insuficiência de crédito. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Manifestante alegou que: a) a falta de retificação da DCTF não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; b) discorreu sobre o direito à compensação administrativa, fazendo menção à legislação pertinente, tendo ainda tratado da retificação da DCTF e das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a Declaração de Compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Belo Horizonte consignou que o fato evidenciado pelo Despacho Decisório é que o crédito utilizado pela Contribuinte foi alocado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de compensação, além do montante já considerado na decisão. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 11/03/2014, 15 dias após a disponibilização da decisão na caixa postal eCAC, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2014, em que identificou que a origem do crédito era pagamento indevido sobre as receitas decorrentes do fornecimento de medicamentos sujeitos à alíquota zero, com tributação concentrada no produtor, nos termos da Lei nº 10.147/00, com liminar deferida no processo judicial nº 2009.34.00.0314472, confirmada na segurança concedida, em trâmite na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, ascendidos os autos ao TRF1ª Região em 02/05/2001 para o reexame necessário. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10510.900451/201294 Acórdão n.º 3803006.171 S3TE03 Fl. 82 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para admissibilidade, portanto dele conheço. Com efeito, na manifestação de inconformidade a Contribuinte não identifica a origem do crédito que utiliza na declaração de compensação e não anexa documentos nem sua escrita fiscal e contábil para comprovar a sua alegação de pagamento a maior. No recurso voluntário a Recorrente apresentase como substituída no mandado de segurança coletivo impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, ação que teve como objeto a exclusão da base de cálculo das contribuições apuradas por hospitais e clínicas das receitas obtidas com o fornecimento de medicamentos na prestação de serviços, uma vez que tais medicamentos estão sujeitos à incidência concentrada e da alíquota zero relativamente aos demais agentes da cadeia de circulação desses produtos. Anexa Certidão Narrativa de Objeto e Pé contendo o andamento do processo e em que é atestada a concessão de liminar, a posterior concessão da segurança, a subida dos autos para reexame necessário e seu estado de concluso para o relator. Com este argumento a Recorrente inova a sua defesa, trazendo questão que não foi posta perante o juízo de primeiro grau. Reza o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que o impugnante deve arguir na impugnação todas as questões de fato e de direito, bem como apresentar todos os documentos que fazem a prova das alegações. Os processos de restituição, ressarcimento e compensação são de iniciativa do interessado, que se constitui em sujeito ativo no processo fazendo a afirmação do seu direito ao crédito e à concomitante compensação, cabendo a ele, dessa forma, o ônus de instruir o processo com as provas dos fatos constitutivos do seu direito. No presente caso, além de o novo argumento repercutir na supressão da primeira instância, que deixou de apreciar o mérito ora colocado, a Recorrente trouxe apenas a prova quanto à certeza do seu crédito, decorrente da existência da ação judicial em que é parte na condição de substituída processual, com provimento do pedido reconhecendo o direito de não se submeter ao pagamento do PIS/Cofins, porém não se desincumbiu de demonstrar a sua liquidez, comprovandoo por meio de controle segregado dos produtos alvo da exclusão da base de cálculo, bem como, adicionalmente, por meio da escrita contábil e fiscal. Os argumentos da Recorrente apoiados apenas no documento apresentado corresponde à pretensão de obter o provimento do recurso voluntário com base no direito em tese. A prova da certeza do crédito é necessária, mas insuficiente, porquanto não assegura minimamente a existência do seu direito material. Desse modo, a Recorrente apresenta uma defesa que não tem força para lhe favorecer, pois é elementar que restasse provada a materialidade do direito alegado, sintetizada, pelo menos, num demonstrativo de recuperação de crédito, tecnicamente consistente e facilitador de uma possível diligência fiscal, de vez que apresentada apenas na segunda instância. Somente assim, poderia a Recorrente obter, quando menos, alguma parcela de êxito no presente julgamento. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Dessarte, a carência de elementos probatórios que ministrassem em favor da sua alegação realça tão só a inovação no argumento de defesa, que, ante a correção da decisão recorrida, não tem índole bastante para ser conhecida. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso por inovação no argumento de defesa. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 84DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11070.000747/2008-16
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003,2004,2005,2006
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL
Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional se verificada a inexistência do pagamento antecipado.
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PROPAGANDA ELEITORAL GRATUITA VEICULADA PELAS EMPRESAS DE RADIODIFUSÃO. BENEFÍCIO FISCAL.EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. CÁLCULO.
O benefício concedido às pessoas jurídicas emissoras de televisão de ressarcimento fiscal pela utilização de horário para transmissão de programas e propagandas eleitorais gratuitas deve ser calculado consoante previsto nas normas regulamentares, em função do preço efetivamente praticado e do tempo comprovadamente utilizado em programação destinada a publicidade comercial, no período de duração do horário eleitoral.
LUCRO REAL. REDUÇÃO INDEVIDA.
A exclusão do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, somente é possível quando a propaganda eleitoral e partidária seja veiculada em tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à publicidade comercial.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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TERMO INICIAL Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional se verificada a inexistência do pagamento antecipado. NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PROPAGANDA ELEITORAL GRATUITA VEICULADA PELAS EMPRESAS DE RADIODIFUSÃO. BENEFÍCIO FISCAL.EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. CÁLCULO. O benefício concedido às pessoas jurídicas emissoras de televisão de ressarcimento fiscal pela utilização de horário para transmissão de programas e propagandas eleitorais gratuitas deve ser calculado consoante previsto nas normas regulamentares, em função do preço efetivamente praticado e do tempo comprovadamente utilizado em programação destinada a publicidade comercial, no período de duração do horário eleitoral. LUCRO REAL. REDUÇÃO INDEVIDA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 07 47 /2 00 8- 16 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 517 2 A exclusão do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, somente é possível quando a propaganda eleitoral e partidária seja veiculada em tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à publicidade comercial. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0443, com a exigência do crédito tributário no valor de R$4.323,37 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real referente aos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005. O lançamento se fundamenta na redução indevida do lucro real, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes nas Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), fls. 41265 a título de receita bruta da atividade e os montantes excluídos a título de divulgação eleitoral gratuita, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 423430 e com os Demonstrativos de Exibição de Horário Político Rede Nacional, fls. 266402. O valores correspondem à veiculação de propaganda eleitoral de nível nacional e foram fornecidos pela própria Recorrente. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 250 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Fl. 517DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 518 3 Cientificada em 29.05.2008, fl. 416, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 433446, com as alegações abaixo transcritas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: 1.1 O auto de infração ora controvertido foi lavrado sob o argumento de que a Impugnante teria efetuado exclusões do lucro líquido a título de divulgação eleitoral gratuita, no período de 2002 a 2005, era desacordo com a legislação vigente. 1.2 Sustenta a autoridade fiscal que, nos termos dos Decretos n°. 3.786/01 e 5.331/05, a divulgação gratuita de propaganda partidária ou eleitoral passível de exclusão do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, é somente aquela veiculada em tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à publicidade comercial. 1.3 Afirma que a Impugnante se apropriou de valores que diriam respeito à publicidade comercial veiculada em rede nacional, pertencente, portanto, à Rede Globo. Por fim, destaca que o tempo disponibilizado para publicidade comercial não é repassado as redes locais, de modo que a Impugnante não teria direito à exclusão de tais valores da base de cálculo do seu Imposto de Renda. 1.4 Ante o exposto, efetuou a glosa dos valores apropriados a título de veiculação de propaganda eleitoral e inserções realizadas em nível nacional, de acordo com informações e documentos apresentados pela Impugnante. 1.5 Contudo, como se passa a demonstrar, o presente auto de infração não merece prosperar. 2. RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO 2.1 A DECADÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO 2.1.1 Inicialmente, cumpre referir que o presente auto de infração foi lavrado em 26/05/2008 e abrange o período de janeiro/2002 até dezembro/2005. Todavia, no que diz respeito às competências de janeiro/2002 até abril/2003, a autuação foi atingida pela decadência. 2.1.2 De acordo com o artigo 150, parágrafo 4°, do Código Tributário Nacional, na hipótese de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário após o decurso de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo [...] 2.1.4 Sendo assim, considerando que o auto de infração foi lavrado apenas em 26 de maio de 2008, e que parte da autuação diz respeito a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/2002 até abril/2003, esse período encontrase atingido pela decadência, conforme dispõe o artigo 156, inciso V, do CTN [...]. 2.2 INSUBSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO A inadequada demonstração do montante tributável 2.2.1 É obrigação da autoridade administrativa, por competência privativa, quando constitui o crédito tributário pelo lançamento, verificar a ocorrência do fato gerador e terminar a matéria tributável, como dispõe o artigo 142 do Código Tributário Nacional [...]. 2.2.2 Não obstante, o Auto de infração não demonstrou adequadamente a incorreção das deduções efetuadas pelas Impugnante. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 519 4 2.2.3 De fato, o auto de infração desconsiderou que a compensação fiscal pela cedência do horário gratuito, determinada pelos artigos 52, parágrafo único, da Lei n° 9.096/95 e 99 da 9.504/97, envolve mais de um tipo de propaganda partidária ou eleitoral. Cada tipo de propaganda possui normas próprias na Alta '4" regulamentação efetuada pelos Decretos 3.786/2001 e 5.331/2005, como será adiante demonstrado. 2.2.4 Assim, não podem as deduções com os programas de maior duração, chamados de “programetes", serem tratados da mesma forma que as "inserções" de curta duração. 2.2.5 A tabela abaixo contém os valores deduzidos com cada tipo de propaganda eleitoral, por ano: ANO PROGRAMETE [Programas de Maior Duração] INSERÇÕES [Programas de Curta Duração] 2002 R$641.860,00 R$1.087.987,06 2003 R$135.945,60 R$882.604,00 2004 R$416.806,10 R$927.496,14 2005 R$172.268,00 R$977.201,60 2.2.6 O Auto de infração, ao deixar de diferenciar as modalidades de propaganda eleitoral e suas respectivas deduções, torna insubsistente o lançamento tributário. [...] 2.2.8 Deve, portanto, ser declarado insubsistente o auto de infração, por ter efetuado o lançamento tributário sem determinar corretamente a matéria tributável, corno dispõe o artigo 142 do CTN. 2.3 A COMPENSAÇÃO COM A VEICULAÇÃO DE "PROGRAMETES" ELEITORAIS 2.3.1 A compensação fiscal correspondente à divulgação de propaganda eleitoral gratuita veiculada pela Impugnante mediante "programetes", isto é, programas preparados por coligação partidária, partido político ou candidatos, elaborados nos termos e veiculados em horários previamente determinados pelo artigo 47 da Lei n°. 9.504/99, de modo uniforme no país ou região, é regulada pelo artigo 1ª dos Decretos n°. 3.786/01 e 5.331/03, [...] 2.3.2 Conforme se depreende da leitura dos dispositivos acima, a Impugnante está autorizada a excluir do seu lucro líquido valor calculado em razão de dois fatores: "preço do espaço comercializável" e "tempo que seria efetivamente utilizado". 2.3.3 Observese que os dispositivos em questão não referemse a "espaço comercializado" ou a "tempo que foi efetivamente utilizado". Em outras palavras, a legislação vigente determina que, caso a Impugnante utilize tempo que poderia ser comercializado em sua grade de programação para divulgação gratuita de propaganda partidária ou eleitoral, ela terá direito a obtenção da respectiva compensação fiscal. 2.3.4 Ocorre que o presente auto de infração desconsidera o que determinam os Decretos n°. 3.786/01 e 5.331/05. Entende a autoridade fiscal que a Impugnante Fl. 519DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 520 5 teria direito apenas à compensação fiscal sobre o espaço publicitário comercializado e o • tempo efetivamente utilizado para publicidade comercial local. 2.3.5 Ignora, portanto, que, ainda que parte de sua publicidade comercial seja veiculada em cadeia nacional em decorrência de acordos comerciais fechados pela Rede Globo de Televisão , ainda assim, o tempo que acaba sendo disponibilizado para propaganda gratuita eleitoral ou partidária pertence à Impugnante. 2.3.6 Levandose em consideração o teor dos dispositivos mencionados, pouco importa que a divulgação da propaganda eleitoral ou partidária tenha ocorrido nacionalmente. O que é relevante para fins de compensação fiscal, é que a Impugnante abriu mão de espaço publicitário plenamente comercializável c que o tempo disponibilizado efetivamente seria utilizado para fins comerciais. 2.3.7 Ignorar os termos e expressões dos Decretos nº 3.786/01 e 5.331/05 implica em autuação irregular, a qual não deve prevalecer. 2.3.8 Ademais, a presente autuação mostrase, ainda, inválida, porquanto confere interpretação inadequada ao termo "efetiva utilização" empregado na redação dos artigos 1°, dos Decretos nºs 3.786/01 e 5.331/05. 2.3.9 Partindose da premissa de que a divulgação da propaganda eleitoral é realizada por cada rede de televisão regional, em que pese seja veiculado nacionalmente, é inequívoco que o tempo das redes de televisão local, o qual poderia ser destinado à publicidade comercial, acaba sendo utilizado. 2.3.10 A regulamentação da matéria expressamente prevê o cálculo do tempo considerando expressamente as transmissões em bloco, em rede nacional e estadual: Art. 1º (...) § 3 O tempo efetivamente utilizado em publicidade pela emissora não poderá ser superior a vinte e cinco por cento do tempo destinado à propaganda partidária ou eleitoral relativo às transmissões em bloco, em rede nacional e estadual, bem assim aos comunicados, instruções e a outras requisições da Justiça Eleitoral, relativos aos programas partidários de que trata a Lei n° 9.096, de 19 de setembro de 1995, e às eleições de que trata a Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997. 2.3.11 Nesse sentido, a compensação fiscal regulamentada pelos Decretos acima referidos têm o único objetivo de compensar as perdas financeiras decorrentes da utilização de tempo de publicidade comercial para a divulgação de propaganda eleitoral gratuita. Ocorre que, retirar da Impugnante a possibilidade de receber tal compensação fiscal pela veiculação de propaganda eleitoral, apenas porque houve a veiculação em bloco nacional, vai de encontro com a finalidade do benefício fiscal. 2.3.12 Ainda que veiculada nacionalmente, por força da própria legislação eleitoral, a divulgação da propaganda eleitoral é realizada pela Impugnante, em tempo que poderia vir a ser destinado a veiculação de publicidade comercial. Logo, a simples possibilidade de que esse tempo pudesse ser aproveitado para fins comerciais a legitima como titular do direito à compensação fiscal ora controvertida. 2.3.13 Ademais, há que se considerar que o tempo disponível para publicidade é de titularidade integral da emissora, que deixa de aproveitálo em função do horário gratuito previsto pela legislação eleitoral. O fato de parte do tempo disponível ser eventualmente Øcomercializado c cedido para a Rede Globo, para retransmissão das publicidade nacional, em nada altera o direito à compensação fiscal efetuada pela Impugnante, pois a legislação nada prevê sobre a questão. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 521 6 2.3.14 Convém ainda citar que os acordos comerciais da Impugnante com outras emissoras são matéria que não podem utilizada pela fiscalização para impedir o ressarcimento fiscal. Aplicase, por analogia, o artigo 123 do Código Tributário Nacional [...]. Diante dessas considerações, verificase o equívoco do auto de infração controvertido em efetuar a glosa das exclusões realizadas pela Impugnante no que diz respeito ao tempo destinado à publicidade comercial em nível nacional, visto que inegavelmente a Impugnante disponibilizou tempo em sua grade de programação para a divulgação de propaganda eleitoral gratuita, veiculada em bloco nacionalmente, como determina a legislação eleitoral. 2.4 A COMPENSAÇÃO COM VEICULAÇÃO DE INSERÇÕES PARTIDÁRIAS 2.4.1 Já no que diz respeito à compensação fiscal correspondente à divulgação de propaganda eleitoral gratuita • veiculada pela Impugnante mediante inserções partidárias, isto é, chamadas televisivas de curta duração, preparados por coligação partidária, partido político ou candidatos, nos intervalos de sua grade de programação regular, em horários escolhidos por cada rede local encarregada da veiculação, os Decretos n'. 3.786/01 e 5.331/05 estabelecem regra especial para compensação fiscal, nos seguintes termos, respectivamente: Art. 1°. (...) § 3º Considerase efetivamente utilizado em cem por cento o tempo destinado às inserções de trinta segundos e de um minuto transmitidas nos intervalos da programação normal das emissoras. Art. 1°. (...) § 4° Considerase efetivamente utilizado em cem por cento o tempo destinado as inserções de trinta segundos e de um minuto transmitidas nos intervalos da programação normal das emissoras. 2.1.2 Depreendese, portanto, que, no que diz respeito às inserções partidárias não é aplicável, a condição de que o tempo das inserções seja efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada â publicidade comercial local. 2.4.3 Os dispositivos acima referidos são claros ao determinar que a efetiva utilização do tempo das inserções partidárias não está condicionada à possibilidade de destinação à publicidade comercial, seja ela local ou comercial. Fosse essa a intenção do legislador, não haveria motivo para a realização da distinção ora explicitada. 2,4.4 Tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretado literalmente a legislação, como prevê o artigo 111 do Código Tributário Nacional, não cabendo ao intérprete criar restrições não expressamente prevista [...]. 2.4.5 Nesse sentido, se os decretos que regulamentam a compensação fiscal pela divulgação gratuita da propaganda eleitoral expressamente atribuíram conteúdo jurídico diverso à expressão "tempo efetivamente utilizado" no que diz respeito às inserções partidárias, não há que se falar em outros requisitos para a efetivação da compensação fiscal prevista pela legislação. A regulamentação cria uma presunção que não pode ser afastada pelo aplicador: "considerase efetivamente utilizado em cem por cento o tempo destinado às inserções". E foi assim que agiu a Impugnante. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 522 7 2.4.6 Conseqüência disso é que as inserções partidárias efetuadas pela Impugnante devem ser objeto de compensação fiscal na sua integralidade. Conforme referido, a divulgação das inserções partidárias implica em tempo efetivamente destinado à divulgação gratuita de propaganda partidária ou eleitoral pela Impugnante. 2.4.7 E, como não ha duvida que houve a transmissão das i inserções partidárias pela Impugnante em sua grade de programação 1 nos períodos objeto da autuação, não ha que se falar em qualquer restrição à compensação fiscal devida em razão da divulgação de propaganda eleitoral gratuita. 2.4.8 Além disso, podemos verificar que as inserções partidárias, em horário de publicidade comercial de sua titularidade. 2.4.9 Essa informação pode ser comprovada mediante análise das planilhas em anexo, as quais demonstram exemplificativamente que a Impugnante, a RBS TV Santa Rosa, a RBS TV Porto Alegre e a TV Globo Curitiba veicularam suas inserções partidárias em horários distintos de sua grade de programação, o que comprova a utilização autônoma do tempo de publicidade comercial de cada rede local. 2.4.10 Verificado que a propaganda eleitoral na forma de inserções partidárias é veiculada de maneira independente por cada rede de televisão local, em horários ajustados de acordo com a sua grade de programação, incorreta a 'glosa dos valores relativos a apropriação dos valores correspondentes a veiculação de propaganda eleitoral de nível nacional" efetuado pelo auto de infração. 2.4.11 Diante disso, não ha que se falar em qualquer irregularidade no ressarcimento fiscal dos valores relativos à propaganda eleitoral na forma de inserções partidárias no período fiscalizado. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Diante do exposto, REQUER se digne V. Sa. receber a presente IMPUGNAÇÃO, julgandoa integralmente procedente, para o efeito de declarar insubsistente o Auto de infração ora controvertido. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1040.501, de 26.09.2012, fls. 483494: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DEMONSTRAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL. Possuindo o auto de infração todos os requisitos necessários à sua formalização, nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e se não forem Fl. 522DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 523 8 verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, o lançamento não é nulo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. A decadência do direito de constituir o crédito tributário deve observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, quando inexistir pagamento antecipado em tributo sujeito a lançamento por homologação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 EXCLUSÃO DE VALORES RELATIVOS A PROPAGANDA ELEITORAL. HORÁRIO GRATUITO. BENEFÍCIO FISCAL. GLOSA FISCAL. A exclusão do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, somente é possível quando a propaganda eleitoral e partidária seja veiculada em tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à publicidade comercial. Notificada em 06.10.2012, fl. 495, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 29.10.2012, fls. 497512, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Faz um relato sobre a ação fiscal e acrescenta que: A AUTUAÇÃO E A DECISÃO RECORRIDA 1.1A ora Recorrente teve lavrado contra si Auto de Infração em razão de suposta exclusão indevida de lucro líquido a título de divulgação eleitoral gratuita do cálculo do seu Imposto de Renda, no período de 2002 a 2005. Sustenta a autoridade fiscal que, nos termos dos Decretos n°.3.786/01 e 5.331/05, a divulgação gratuita de propaganda partidária ou eleitoral passível de exclusão do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, é somente aquela veiculada em tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à publicidade comercial. Afirma, ainda, a fiscalização que a ora Recorrente teria se apropriado de valores que diriam respeito à publicidade comercial veiculada em rede nacional, pertencente, portanto, à Rede Globo. Por fim, destaca que o tempo disponibilizado para publicidade comercial não é repassado às redes locais, de modo que a ora Recorrente não teria direito à exclusão de tais valores da base de cálculo do seu Imposto de Renda. Apresentada impugnação, a ora Recorrente buscou demonstrar (i) a decadência do auto de infração com relação aos créditos dos períodos de janeiro de 2002 a abril de 2003; (ii) a insubsistência da autuação, em razão da ausência de demonstração, de modo claro e fundamentado, dos valores indevidamente aproveitados pela empresa; e (iii) a insubsistência do auto de infração ante a Fl. 523DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 524 9 correção do critério de cálculo adotado, vez que a legislação exige a observância do valor do espaço comercializável, sendo irrelevantes, portanto, o valor cobrado pela Recorrente ou mesmo a sua utilização efetiva. A decisão recorrida, no entanto, manteve a autuação. Nos termos da fundamentação, a decadência deveria ser afastada porque a apuração do IRPJ desacompanhada do seu pagamento ainda que em virtude da apuração de prejuízo fiscal no período impõe a aplicação do prazo decadencial previsto pelo art. 173, I, do CTN. Ademais, foi reafirmada a incorreção dos critérios de cálculo adotados pela ora Recorrente para a determinação das deduções ora controvertidas. Esses fundamentos, contudo, não merecem prosperar, como se passa a demonstrar. 2. RAZÕES DO RECURSO 2.1 A DECADÊNCIA DAS COMPETÊNCIAS DE JANEIRO DE 2002 A ABRIL DE 2003 2.1.1 A decisão recorrida defende que, em se tratado de tributo sujeito ao lançamento por homologação desacompanhado da antecipação do seu respectivo pagamento, o marco temporal para a contagem do prazo decadencial é aquele indicado no art. 173, I, do Código Tributário Nacional. 2.1.2 Tal entendimento, contudo, não deve prevalecer. Na questão ora examinada não houve antecipação do pagamento de IRPJ porque não foi apurado imposto de renda devido no período fiscalizado. É dizer, a declaração de rendimentos da Recorrente foi apresentada desacompanhada do pagamento simplesmente porque, em virtude da apuração de prejuízo fiscal, não havia imposto a ser pago. 2.1.3 Conforme bem destacado pela própria decisão recorrida, "no caso dos autos, não há recolhimento de IRPJ nesses períodos, pois a autuada apurou prejuízos nos anoscalendário de 2002 e 2003, conforme DIPJ, Ficha 09 A Demonstração do lucro real (fls. 46 e 97)". 2.1.4 Ao adotar o marco temporal estabelecido pelo art. 173, I, do CTN para a contagem do prazo decadencial, a decisão recorrida acaba equiparando a situação ora examinada em que o imposto apenas não foi antecipado porque não havia nada a ser pago àqueles outros casos, em que o contribuinte apura a existência de IRPJ a ser pago antecipadamente, mas acaba deixando de fazêlo. 2.1.5 Neste particular, cumpre salientar que os precedentes do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais utilizados na fundamentação da decisão recorrida tratam de situações em que, apurado imposto de renda devido pelo contribuinte, não houve a antecipação do seu respectivo pagamento. Tratam, portanto, de situações absolutamente diferentes da ora examinada, em que apenas não houve pagamento do tributo porque nada foi apurado pelo contribuinte na ocasião. 2.1.6 Sendo assim e considerando que o contribuinte realizou a apuração do seu imposto de renda de acordo com os critérios legais que entendia aplicáveis na ocasião, tendo submetido tempestivamente tais informações para homologação pela autoridade fiscal, o prazo decadencial para tal análise deve ser aquele previsto pelo art. 150, §4°, do CTN [...]. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 525 10 2.1.8 Sendo assim, considerando que o auto de infração foi lavrado apenas em 26 de maio de 2008, e que parte da autuação diz respeito a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/2002 até abril/2003, esse período encontrase atingido pela decadência, conforme dispõe o artigo 156, inciso V, do CTN. 2.2 A AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO ADEQUADA DO MONTANTE TRIBUTÁVEL 2.2.1Conforme amplamente demonstrado na impugnação apresentada, o regime jurídico que disciplina as deduções na apuração do lucro real pela veiculação de "programetes" é diverso daquele aplicável às "inserções partidárias" de curta duração. 2.2.2 Enquanto nos primeiros os Decretos n°. 3.786/01 e 5.331/05 dimensionam a respectiva dedução com base no "espaço comercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizável", nos últimos não há a necessidade de que as inserções partidárias sejam veiculadas em programação destinada à publicidade comercial. Essa diferenciação não é feita pela ora Recorrente, mas pelos próprios decretos que regulamentam a matéria ora tratada. 2.2.3 Isso posto, cumpre destacar que a autoridade fiscal deixou de observar essa diferença ao lavrar a presente autuação. Ainda que tenha tomado como base planilha de horários e valores apresentada pela Recorrente, o critério utilizado para a glosa dos valores deduzidos foi o mesmo: se tratar ou não de veiculação de propaganda partidária em tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora. 2.2.4 Ocorre que a falta de indicação a respeito de quais valores glosado? dizem respeito às deduções efetuadas pela veiculação de"programetes" e quais se referem à glosa de "inserções partidárias" impede o adequado entendimento da composição do montante tributável. É dizer, a autuação permite apenas a impugnação do critério utilizado pela fiscalização para a glosa das deduções realizadas, mas não oportuniza a impugnação do cálculo do montante tributável realizado em função desse critério. 2.2.5 Observese especificamente no quadro n°. 06 "Valores de Prejuízos Glosados" (fl. 06 auto de infração) que a autuação sequer fundamenta como chegou aos valores glosados ali indicados. Ainda que o critério para a glosa tenha levado em considerado o "tempo efetivamente utilizado pela emissora" não há qualquer menção à forma de cálculo adotada pela fiscalização para determinar como se chegou aos valores ali indicados. 2.2.6 A inadequada descrição demonstração da matéria tributável, por sua vez, implica em descumprimento ao dever estabelecido pelo art. 142, do CTN, [...] Deve, portanto, ser declarado insubsistente o auto de infração, por ter efetuado o lançamento tributário sem determinar corretamente a matéria tributável, como dispõe o artigo 142 do CTN. 2.3 A COMPENSAÇÃO COM A VEICULAÇÃO DE "PROGRAMETES" ELEITORAIS 2.3.1 A decisão recorrida manteve a glosa realizada pela autoridade fiscal sobre os "programetes" veiculados pela Recorrente ao argumento de que as respectivas deduções deveriam ter sido calculadas com base no "tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora". Fl. 525DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 526 11 2.3.2 Tal entendimento, contudo, ignora a disciplina legal da matéria, promovida pelo artigo 47 da Lei n°. 9.504/99, e regulada pelo artigo Io dos Decretos n°. 3.786/01 e 5.331/05, assim dispostos: Art. 1º A partir do anocalendário de 2000, as emissoras de rádio e televisão obrigadas à divulgação gratuita da propaganda eleitoral, nos termos da Lei n° 9.504, de 30 de setembro de 1997, poderão excluir do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, valor correspondente a oito décimos do resultado da multiplicação do preço do espaço comercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à publicidade comercial, no período de duração da propaganda eleitoral gratuita. Art. 1º As emissoras de rádio e televisão obrigadas à divulgação gratuita da propaganda partidária ou eleitoral poderão, na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), excluir do lucro líquido, para efeito de 9 determinação do lucro real, valor correspondente a oito décimos do resultado da multiplicação do preço do espaço comercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à publicidade comercial, no período de duração da propaganda eleitoral ou partidária gratuita. 2.3.2 Conforme se depreende da leitura dos dispositivos acima, a Recorrente está autorizada a excluir do seu lucro líquido valor calculado em razão de dois fatores: "preço do espaço comercializável" e "tempo que seria efetivamente utilizado". 2.3.3 Observese que os dispositivos em questão não se referem a "espaço comercializado" ou a "tempo que foi efetivamente utilizado". A legislação vigente determina que, caso a Recorrente utilize tempo que poderia ser comercializado em sua grade de programação para divulgação gratuita de propaganda partidária ou eleitoral, ela terá direito à obtenção da respectiva compensação fiscal. 2.3.4A presente autuação, assim, desconsidera o que determinam os Decretos n°. 3.786/01 e 5.331/05. Entende a autoridade fiscal que a Recorrente teria direito apenas à compensação fiscal sobre o espaço publicitário comercializado e o tempo efetivamente utilizado para publicidade comercial local. 2.3.5Ignora, portanto, que, ainda que parte de sua publicidade comercial seja veiculada em cadeia nacional em decorrência de acordos comerciais fechados pela Rede Globo de Televisão , ainda assim, o tempo que acaba sendo disponibilizado para propaganda gratuita eleitoral ou partidária pertence à Recorrente. 2.3.6 Levandose em consideração o teor dos dispositivos mencionados, pouco importa que a divulgação da propaganda eleitoral ou partidária tenha ocorrido nacionalmente. O que é relevante para fins de compensação fiscal, é que a Recorrente abriu mão de espaço publicitário plenamente comercializável e que o tempo disponibilizado efetivamente seria utilizado para fins comerciais. 2.3.7 Ignorar os termos e expressões dos Decretos n°. 3.786/01 e 5.331/05 implica em autuação irregular, a qual não deve prevalecer. Ademais, a presente autuação mostrase, ainda, inválida, porquanto confere interpretação inadequada ao termo "efetiva utilização" empregado na redação dos artigos 1º, dos Decretos n°. 3.786/01 e 5.331/05. Partindose da premissa de que a divulgação da propaganda eleitoral é realizada por cada rede de televisão regional, em que pese seja veiculado Fl. 526DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 527 12 nacionalmente, é inequívoco que o tempo das redes de televisão local, o qual poderia ser destinado à publicidade comercial, acaba sendo utilizado. 2.3.10 A regulamentação da matéria expressamente prevê o cálculo do tempo considerando expressamente as transmissões em bloco, em rede nacional e estadual: Art. 1º (...) § 3º O tempo efetivamente utilizado em publicidade pela emissora não poderá ser superior a vinte e cinco por cento do tempo destinado à propaganda partidária ou eleitoral, relativo às transmissões em bloco, em rede nacional e estadual, bem assim aos comunicados, instruções e a outras requisições da Justiça Eleitoral, relativos aos programas partidários de que trata a Lei n° 9.096, de 19 de setembro de 1995, e às eleições de que trata a Lei n° 9.504, de 30 de setembro de 1997. 2.3.11 Nesse sentido, a compensação fiscal regulamentada pelos Decretos acima referidos têm o único objetivo de compensar as perdas financeiras decorrentes da utilização de tempo de publicidade comercial para a divulgação de propaganda eleitoral gratuita. Ocorre que, retirar da Recorrente a possibilidade de receber tal compensação fiscal pela veiculação de propaganda eleitoral, apenas porque houve a veiculação em bloco nacional, vai de encontro com a finalidade do benefício fiscal. .3.12 Ainda que veiculada nacionalmente, por força da própria legislação eleitoral, a divulgação da propaganda eleitoral é realizada pela Impugnante, em tempo que poderia vir a ser destinado à veiculação de publicidade comercial. Logo, a simples possibilidade de que esse tempo pudesse er aproveitado para fins comerciais a legitima como titular do direito à compensação fiscal ora controvertida. 2.3.13 Ademais, há que se considerar que o tempo disponível para publicidade é de titularidade integral da emissora, que deixa de aproveitálo em função do horário gratuito previsto pela legislação eleitoral. O fato de parte do tempo disponível ser eventualmente comercializado e cedido para a Rede Globo, para retransmissão das publicidade nacional, em nada altera o direito à compensação fiscal efetuada pela Recorrente, pois a legislação nada prevê sobre a questão. 2.3.14 Convém ainda citar que os acordos comerciais da Recorrente com outras emissoras são matéria que não podem utilizada pela fiscalização para impedir o ressarcimento fiscal. Aplicase, por analogia, o artigo 123 do Código Tributário Nacional [...]. 2.3.17 Diante dessas considerações, verificase o equívoco do auto de infração controvertido em efetuar a glosa das exclusões realizadas pela Recorrente no que diz respeito ao tempo destinado à publicidade comercial em nível nacional, visto que inegavelmente a Impugnante disponibilizou tempo em sua grade de programação para a divulgação de propaganda eleitoral gratuita, veiculada em bloco nacionalmente, como determina a legislação eleitoral. [...] 2.4 A COMPENSAÇÃO COM VEICULAÇÃO DE INSERÇÕES PARTIDÁRIAS 2.4.1 Já no que diz respeito à compensação fiscal correspondente às inserções partidárias, a decisão recorrida adota interpretação teleológica para afastar da Recorrente às deduções ao argumento de que tal "benefício fiscal" serviria para compensar a perda de espaço comercializável pelas emissoras, razão pela qual também deveria ser aplicado o critério do "tempo efetivamente utilizado com publicidade comercial". Fl. 527DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 528 13 2.4.2 Ora, ao aplicar referido critério, a decisão recorrida desconsidera por completo o texto legal veiculado pelos Decretos n°. 3.786/01 e 5.331/05 que estabelecem regra especial para compensação fiscal de inserções partidárias, nos seguintes termos, respectivamente: Art. 1º (...) § 3º Considerase efetivamente utilizado em cem por cento o tempo destinado às inserções de trinta segundos e de um minuto, transmitidas nos intervalos da programação normal das emissoras. Art. 1º (...) § 4° Considerase efetivamente utilizado em cem por cento o tempo destinado às inserções de trinta segundos e de um minuto, transmitidas nos intervalos da programação normal das emissoras. 2.4.3Depreendese, portanto, que, no que diz respeito às inserções partidárias não é aplicável, a condição de que o tempo das inserções seja efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à publicidade comercial local. O tratamento jurídicotributário dispensado pela legislação às "inserções partidárias" é, portanto, diverso daquele atribuído à veiculação de "programetes". 2.4.4 Os dispositivos acima referidos são claros ao determinar que a efetiva utilização do tempo das inserções partidárias não está condicionada à possibilidade de destinação à publicidade comercial, seja ela local ou comercial. Fosse essa a intenção do legislador, não haveria motivo para a realização da distinção ora explicitada. 2.4.5 Tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretado literalmente a legislação, como prevê o artigo 111 do Código Tributário Nacional, não cabendo ao intérprete criar restrições não expressamente prevista: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) I suspensão ou exclusão do crédito tributário; 2.4.6 Nesse sentido, se os decretos que regulamentam a compensação fiscal pela divulgação gratuita da propaganda eleitoral expressamente atribuíram conteúdo jurídico diverso à expressão "tempo efetivamente utilizado" no que diz respeito às inserções partidárias, não há que se falar em outros requisitos para a efetivação da compensação fiscal prevista pela legislação. A regulamentação cria uma presunção que não pode ser afastada pelo aplicador: "considerase efetivamente utilizado em cem por cento o tempo destinado às inserções". E foi assim que agiu a Recorrente. 2.4.7 Conseqüência disso é que as inserções partidárias efetuadas pela Recorrente devem ser objeto de compensação fiscal na sua integralidade. Conforme referido, a divulgação das inserções partidárias implica em tempo efetivamente destinado à divulgação gratuita de propaganda partidária ou eleitoral pela Recorrente. 2.4.8 E, como não há duvida que houve a transmissão das inserções partidárias pela Recorrente em sua grade de programação nos períodos objeto 15 da autuação, não há que se falar em qualquer restrição à compensação fiscal devida em Fl. 528DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 529 14 razão da divulgação de propaganda eleitoral gratuita. Além disso, podemos verificar que as inserções partidárias, em horário de publicidade comercial de sua titularidade. Essa informação pode ser comprovada mediante análise das planilhas em anexo à impugnação apresentada, as quais demonstram exemplificativamente que a ora Recorrente, a RBS TV Santa Rosa, a RBS TV Porto Alegre e a TV Globo Curitiba veicularam suas inserções partidárias cm horários distintos de sua grade de programação, o que comprova a utilização autônoma do tempo de publicidade comercial de cada rede local. Verificado que a propaganda eleitoral na forma de inserções partidárias é veiculada de maneira independente por cada rede de televisão local, em horários ajustados de acordo com a sua grade de programação, incorreta a "glosa dos valores relativos a apropriação dos valores correspondentes a veiculação de propaganda eleitoral de nível nacional" efetuado pelo auto de infração. Diante disso, não há que se falar em qualquer irregularidade no ressarcimento fiscal dos valores relativos à propaganda eleitoral na forma de inserções partidárias no período fiscalizado. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Diante do exposto, mais com os sábios suprimentos de V. Sa., REQUER seja recebido o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, reformandose a decisão recorrida e, conseqüentemente, julgando improcedente o Auto de Infração, para o efeito de declarar insubsistente o crédito tributário objeto do processo administrativo n° 11070.000747/200816 (MPF nº. 1010800/00214/07, nos termos da fundamentação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente argui que os lançamentos foram alcançados pela decadência. Compete antes de examinar as razões da defesa, analisar a objeção de decadência por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte Fl. 529DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 530 15 ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. Por seu turno, se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco anos se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Esse é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 973.733/SC1, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF2. Ademais, o art. 45 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em conformidade com a Súmula Vinculante nº 8 e assim foi afastado definitivamente do ordenamento jurídico. No presente caso, tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação que se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, uma vez que não se comprovou a existência de pagamento antecipado pela apuração de prejuízos fiscais nos anoscalendário de 2002 e 2003. As notificações dos Autos de Infração dos anoscalendário de 2002 e 2003 foram efetivadas em 29.05.2008, fl. 416, de modo que não se verificou o transcurso do prazo legal de caducidade das exigências. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente alega que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes3. 1 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011. 2 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil. 3 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 531 16 O Auto de Infração foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Por essa razão não restaram caracterizas o abuso de autoridade tampouco excesso de exação. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda do lançamento de ofício e da suposta inadequada apuração do montante tributável. Defende a tese de que atinente à veiculação programas de maior duração/“programete”, ao disponibilizar tempo em sua grade de programação para divulgação de propaganda eleitoral gratuita, veiculada em nível nacional, a legislação lhe garante o direito a exclusão total dos valores do lucro líquido na apuração do lucro real. Ainda, em relação à programas de curta duração/ “inserção” diz não ser aplicável a condição de que o tempo seja efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à publicidade comercial local. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O RIR, de 1999, prevê: Art.250. Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §3º): I os valores cuja dedução seja autorizada por este Decreto e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do período de apuração; Fl. 531DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 532 17 O benefício fiscal destinase a ressarcir as pessoas jurídicas de telecomunicações pela divulgação compulsória de propaganda partidária ou eleitoral de partidos políticos mediante a utilização de seus horários de programação e de propaganda. Sobre o direito a compensação fiscal pela cedência do horário gratuito emissoras de rádio e televisão, a Lei n º 9.096, de 29 de junho de 1995, determina: Art. 52 [...] Parágrafo único. As emissoras de rádio e televisão terão direito a compensação fiscal pela cedência do horário gratuito previsto nesta Lei. O ressarcimento fiscal tem por escopo recompor a receita da Recorrente que cede compulsoriamente o tempo de transmissão. Tem cabimento destacar as peculiaridades entre propaganda partidária e propaganda eleitoral. Na propaganda partidária se divulgam as coligações partidárias é exibida pelas pessoas jurídicas caracterizadas como meios comunicação que gozam de concessão pública, tais como rádio e televisão. Por seu turno, atinente à propaganda eleitoral, tem cabimento transcrever o excerto de decisão proferida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE): Entendese como ato de propaganda eleitoral aquele que leva ao conhecimento geral, ainda que de forma dissimulada, a candidatura, mesmo que apenas postulada, a ação política que se pretende desenvolver ou razões que induzam a concluir que o beneficiário é o mais apto ao exercício de função pública. Sem tais características, poderá haver mera promoção pessoal apta, em determinadas circunstâncias a configurar abuso de poder econômico mas não propaganda eleitoral. (...)" (Acórdão no 16.183, de 17.2.2000, relator Ministro Eduardo Alckmin). 4 Regulamentando a matéria, o Decreto nº 3.786, de 10 de abril de 2001, prevê: Art. 1º A partir do anocalendário de 2000, as emissoras de rádio e televisão obrigadas à divulgação gratuita da propaganda eleitoral, nos termos da Lei no 9.504, de 30 de setembro de 1997, poderão excluir do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, valor correspondente a oito décimos do resultado da multiplicação do preço do espaço comercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à publicidade comercial, no período de duração da propaganda eleitoral gratuita. §1º O preço do espaço comercializável é o preço de propaganda da emissora comprovadamente vigente no mês corrente em que tenha realizado a propaganda eleitoral gratuita. 4 Disponível em: <http://tse.jus.br/hotSites/CatalogoPublicacoes/revista_eletronica/internas/rj13_3/paginas/resolucoes/res21104.ht m> . Acesso em 22 abri.2014. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 533 18 § 2º O tempo efetivamente utilizado em publicidade pela emissora não poderá ser superior a vinte e cinco por cento do tempo destinado à propaganda eleitoral gratuita, relativo às transmissões em bloco, em rede nacional e estadual, bem assim aos comunicados, instruções e a outras requisições da Justiça Eleitoral, relativos às eleições de que trata a Lei no 9.504, de 1997. § 3º Considerase efetivamente utilizado em cem por cento o tempo destinado às inserções de trinta segundos e de um minuto, transmitidas nos intervalos da programação normal das emissoras. §4º O valor apurado poderá ser deduzido da base de cálculo dos recolhimentos mensais de que trata o art. 2o da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1995, bem como da base de cálculo do lucro presumido. § 5º As empresas concessionárias de serviços públicos de telecomunicações, obrigadas ao tráfego gratuito de sinais de televisão e rádio, poderão fazer a exclusão prevista neste artigo, limitada a oito décimos do valor que seria cobrado das emissoras de rádio e televisão pelo tempo destinado à propaganda partidária gratuita e aos comunicados, instruções e a outras requisições da Justiça Eleitoral, relativos às eleições de que trata a Lei no 9.504, de 1997. Por seu turno, a partir de 05.01.2005, a matéria passou a ser regulamenta pelo Decreto nº 5.331, de 04 de janeiro de 2005, no seguinte sentido: Art.1o As emissoras de rádio e televisão obrigadas à divulgação gratuita da propaganda partidária ou eleitoral poderão, na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), excluir do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, valor correspondente a oito décimos do resultado da multiplicação do preço do espaço comercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à publicidade comercial, no período de duração da propaganda eleitoral ou partidária gratuita. §1º O preço do espaço comercializável é o preço de propaganda da emissora, comprovadamente vigente no dia anterior à data de início da propaganda partidária ou eleitoral, o qual deverá guardar proporcionalidade com os praticados trinta dias antes e trinta dias depois dessa data. §2º O disposto no § 1º aplicase à propaganda eleitoral relativa às eleições municipais de 2004. §3º O tempo efetivamente utilizado em publicidade pela emissora não poderá ser superior a vinte e cinco por cento do tempo destinado à propaganda partidária ou eleitoral, relativo às transmissões em bloco, em rede nacional e estadual, bem assim aos comunicados, instruções e a outras requisições da Justiça Eleitoral, relativos aos programas partidários de que trata a Lei Fl. 533DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 534 19 no 9.096, de 19 de setembro de 1995, e às eleições de que trata a Lei no 9.504, de 30 de setembro de 1997. §4º Considerase efetivamente utilizado em cem por cento o tempo destinado às inserções de trinta segundos e de um minuto, transmitidas nos intervalos da programação normal das emissoras §5º Na hipótese do § 4o, o preço do espaço comercializável é o preço de propaganda da emissora, comprovadamente vigente na data e no horário imediatamente anterior ao das inserções da propaganda partidária ou eleitoral. §6º O valor apurado na forma deste artigo poderá ser deduzido da base de cálculo dos recolhimentos mensais de que trata o art. 2o da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como da base de cálculo do lucro presumido. §7º As empresas concessionárias de serviços públicos de telecomunicações, obrigadas ao tráfego gratuito de sinais de televisão e rádio, poderão fazer a exclusão prevista neste artigo, limitada a oito décimos do valor que seria cobrado das emissoras de rádio e televisão pelo tempo destinado à divulgação gratuita da propaganda partidária ou eleitoral e aos comunicados, instruções e a outras requisições da Justiça Eleitoral, relativos aos programas partidários de que trata a Lei no 9.096, de 1995, e às eleições de que trata a Lei no 9.504, de 1997. O Código Brasileiro de Comunicações, instituído pela Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1862, criou a figura da propaganda eleitoral gratuita, mesmo porque exploram a atividade de estação de rádio e de televisão pela sistemática de concessão pública. Para tanto, as pessoas jurídicas podem excluir do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, o valor correspondente a oito décimos do resultado da multiplicação do preço do espaço comercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à publicidade comercial, no período de duração da propaganda eleitoral gratuita. Cumpre observar que o ressarcimento fiscal, como se infere de sua própria denominação, tem como objetivo recompor o resultado da Recorrente que cedeu, por força de lei, parte de sua fonte de receita, no caso, tempo de transmissão. Nesse aspecto, a receita a ser recomposta deve ser aquela que deixou de ser alcançado em razão da cessão compulsória do tempo de transmissão e não a receita que poderia ter sido auferida. Nesse sentido, o benefício concedido às pessoas jurídicas emissoras de televisão de ressarcimento fiscal pela utilização de horário para transmissão de programas e propagandas eleitorais gratuitas deve ser calculado consoante previsto nas normas regulamentares, em função do preço efetivamente praticado e do tempo comprovadamente utilizado em programação destinada a publicidade comercial, no período de duração do horário eleitoral. Temse que a legislação tributária de regência da matéria impõe como requisito para excluídos a título de divulgação eleitoral gratuita do lucro líquido, para efeito de Fl. 534DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 535 20 determinação do lucro real, que a propaganda eleitoral e partidária seja veiculada em tempo que seria efetivamente utilizado pela estação de televisão em programação destinada à publicidade comercial. Assim, como a isenção, esse benefício fiscal deve ser interpretado restritamente, nos termos expressos no art. 111 do Código Tributário Nacional. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento se fundamenta na redução indevida do lucro real, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes nas Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), fls. 41265 a título de receita bruta da atividade e os montantes excluídos a título de divulgação eleitoral gratuita, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 423430 e com os Demonstrativos de Exibição de Horário Político Rede Nacional, fls. 266402. O valores correspondem à veiculação de propaganda eleitoral de nível nacional e foram fornecidos pela própria Recorrente. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 423431, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Em análise das Declarações de Rendimentos da contribuinte em epígrafe na comparação das Exclusões do Lucro Líquido a título de Divulgação Eleitoral Gratuita com a Receita Bruta apurouse que a contribuinte, nos anos analisados (2002 a 2005), excluiu valores que representam percentuais muito elevados, maiores do seria o razoável, como atestam os demonstrativos a seguir: Quadro nº 01 – Receita Bruta e Exclusões Anuais AnoCalendário Receita Bruta Exclusão % 2002 3.092 994,42 1.729.847,45 55,93 2003 3.429.637,89 1.018.549,60 29,70 2004 3.815.742,14 1.348.414,84 35,34 2005 4.017.992,22 1.149.469,60 28,61 [...] Considerando que o tempo destinado à propaganda eleitoral e muito menor que o destinado à publicidade comercial, chamou atenção desta fiscalização a exclusão de valores tão elevados. Vejase que no anocalendário de 2002 a fiscalizada excluiu do seu Lucro Liquido, a titulo de propaganda eleitoral, um valor que corresponde a mais da metade de sua Receita Bruta (55,93%). Nos demais anos verificados o percentual de exclusão ficou em torno de 30% da Receita Bruta, tal situação levou a contribuinte a apurar elevado prejuízo fiscal em todo o período fiscalizado. Outro ponto a ser ressaltado é que a veiculação da propaganda eleitoral gratuita não influenciou na Receita Bruta Mensal, pois apesar da oscilação dos valores registrados a título de propaganda eleitoral a Receita Bruta Mensal se manteve constante. Por exemplo, no mês de junho/2002 a empresa registrou a título de propaganda eleitoral um valor correspondente a 27,7% de sua receita bruta, já no mês de julho/2002 não houve propaganda eleitoral, considerando que parte do tempo Fl. 535DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 536 21 disponível para publicidade comercial em junho foi destinado para propaganda eleitoral, assim no mês de julho quando o tempo destinado em junho a propaganda eleitoral seria utilizado em publicidade comercial deveria ocorrer um aumento na receita bruta porem, a receita se manteve dentro do mesmo padrão. No mês de agosto/2002 quando houve o registro de propaganda eleitoral em valor maior que a própria receita bruta não houve diminuição da receita bruta. Comportamento semelhante pode ser observado em todos os anus bastando para isso observar os quadros 2 a 5 acima. No período verificado (2002 a 2005), as condições para a efetivação das exclusões estão explicitadas nos Decretos n° 3.786, de 10 de abril de 2001 e n° 5.331, de 04 de janeiro de 2005. [...] Notese que tanto o Decreto n° 3.786, de 2001 como o Decreto nº 5.331, de 2005 impõe como requisito para usufruir o direito que a propaganda eleitoral e partidária seja veiculada em tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada a publicidade comercial. Consultando os demonstrativos de apuração dos valores da propaganda eleitoral apresentados pela fiscalizada verificase que grande parte dos valores diz respeito a COMERCIAIS EM REDE NACIONAL valores estes que não poderiam ser apropriados pela fiscalizada, pois, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 001, de 29 de agosto de 2007 (f1. 05), a fiscalizada informou que "procede faturamento direto apenas da publicidade comercial local" (fl. 09). Intimada através do Termo de Intimação n° 02 (fls. 17 a 20) a informar se os valores apurados e excluídos do Lucro Líquido a título de Propaganda Eleitoral Gratuita, referemse a veiculação de tal propaganda em períodos que seriam efetivamente utilizados pela emissora em programação destinada à sua publicidade comercial local. Em sua resposta (fl. 22) a fiscalizada declarou que calculou tais valores de acordo com a legislação em vigor e que com relação a influência da propaganda eleitoral no faturamento da empresa, declarou que com o objetivo de minimizar os impactos de receita, realiza adaptações em sua grade de programação nestes períodos. Como a Televisão Cruz Alta retransmite a programação da Rede Globo de Televisão, a Rede Globo foi intimada a informar, entre outras coisas, se repassa as emissoras que retransmitem o sinal da Rede Globo de Televisão, algum valor da receita auferida com a veiculação de programação comercial de Nível Nacional, caso positivo qual o percentual repassado a TV Cruz Alta (item 03 do Termo de intimação de fl. 11). Em sua resposta a Rede Globo no item 3 (fl. 16) informou que não repassa qualquer valor de receita auferida com veiculação de propaganda, comercial de Nível Nacional à Televisão Cruz Alta Ltda. O relatado no presente termo, especialmente os elevados percentuais da propaganda eleitoral na comparação com a receita bruta e o auferimento de receitas mensais em valores constantes, evidencia que os valores apurados pela fiscalizada a título de veiculação de propaganda eleitoral e partidária gratuita, foram apenas em parte veiculados em período de pelo tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à sua publicidade comercial. Ressaltese que a própria fiscalizada declarou que, com o objetivo de minimizar os impactos de receita, realiza adaptações em sua grade de programação nestes períodos, isto é, ao invés de veicular a propaganda eleitoral gratuita em período de pelo tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à sua publicidade comercial (condição exigida pela Fl. 536DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 537 22 legislação para que os valores possam ser apropriados e excluídos do Lucro Líquido), a fiscalizada fez adaptações e veiculou tal propaganda em períodos destinados a outra programação que não a comercial. Claro está que a possibilidade de reduzir do Lucro Líquido da empresas de comunicação a veiculação de Propaganda Eleitoral Gratuita, tem por objetivo compensar a respectiva perda de receita o que redundaria num pagamento maior do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. No caso da fiscalizada não se vislumbra tal situação, pois, não houve perda de receita, até porque como a própria fiscalizada informou ela realiza adaptações em sua grade de programação, assim parte da propaganda eleitoral foi veiculada em tempo não destinado para utilização em publicidade comercial. Além do que como consta da resposta da Rede Globo, no caso de veiculação de propaganda comercial de Nível Nacional a fiscalizada não percebe valor alguma a título de receita, assim não procede a exclusão de seu Lucro Líquido dos valores correspondentes a divulgação de Propaganda Eleitoral Gratuita de Nível Nacional. ISSO POSTO, no presente Auto de Infração é realizado a glosa dos valores relativos a apropriação dos valores correspondentes a veiculação de propaganda eleitoral de Nível Nacional, conforme demonstrativo abaixo, elaborado com base em documentos apresentados pela fiscalizada (fls. 256 a 394). (grifos acrescentados) Em relação às supostas incorreções constantes no valor tributável, a Recorrente não informou precisamente quais seriam. Restringese apenas a alegar que as deduções com programas de maior duração/“programete e de curta duração/“inserção” não podem ser tratadas da mesma forma, pois cada espécie de propaganda tem regulamentação normativa específica. Cabe ressaltar que o lançamento tomou como base as planilhas com os dados disponibilizados pela própria Recorrente. No Auto de Infração estão indicadas as origens dos valores tributáveis, que constam em demonstrativos apresentados pela Recorrente, não havendo necessidade de identificálos segundo as modalidades descritas (“programetes” ou “inserções”), uma vez que essas informações estão discriminadas nos Demonstrativos de Exibição de Horário Político Rede Nacional, fls. 266402 e fielmente resumidas no Termo de Verificação Fiscal, fls. 423430, cujos dados estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano. Nesse sentido, os valores correspondem à veiculação de propaganda eleitoral de nível nacional foram obtidos em demonstrativos fornecidos pela própria Recorrente de modo que o montante tributável está correto. A Recorrente também foi notificada a prestar esclarecimentos a respeito dos valores percebidos pela participação na publicidade comercial de nível nacional e estadual. Em atendimento, menciona que efetua faturamento direto apenas da publicidade comercial local, sem prejuízo dos benefícios diretos e indiretos advindos da publicidade regional e nacional veiculada em espaços de sua titularidade e ainda que “com o objetivo de minimizar os impactos da receita, realiza adaptações em sua grade de programação nestes períodos”. A exclusão do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, somente é possível quando a propaganda eleitoral e partidária seja veiculada em tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora de televisão em programação destinada a publicidade comercial, causando não obtenção da receita correspondente. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 538 23 É fato incontroverso que a Recorrente fez adaptações em sua grade de programação e veiculou a propaganda eleitoral de nível nacional em períodos que não eram destinados para utilização em publicidade comercial, inclusive as inserções de trinta segundos e de um minuto, que não causaram perdas de receitas. Também não restam dúvidas de que a Rede Globo não repassa qualquer valor de receita auferida com veiculação de propaganda comercial de nível nacional à Recorrente. Por essa razão, não havia tempo de espaço publicitário comercializado pela Recorrente para que se apurasse o valor a ser deduzido da sua base de cálculo dos recolhimentos mensais de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, que trata o art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Nesse sentido, como o permissivo legal de excluir do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, os valores presumidos pertinentes à veiculação de propaganda eleitoral gratuita tem por escopo compensar a não obtenção da receita, e por isso a glosa dos valores relativos à veiculação de propaganda eleitoral de nível nacional está coerente com a verdade material dos fatos. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto, não restando caracterizada a falta de comprovação do ilícito fiscal. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso5. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. 5 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11070.000747/200816 Acórdão n.º 1803002.205 S1TE03 Fl. 539 24 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 539DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 37306.001179/2006-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Quando o acórdão embargado deixa de analisar tese de defesa levantada em sede de recurso voluntário, resta caracterizada a omissão patente de conhecimento dos embargos de declaração.
ALEGADA INCOMPETÊNCIA DO INSS PARA EMISSÃO DE ATO CANCELATÓRIO. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar a infração em todos os seus fundamentos, no caso a demonstrar a alegada incompetência do órgão previdenciário, somente se manifestando a este respeito em sede de recurso voluntário, resta caracterizada a ocorrência da preclusão, em conformidade com o art. 17 do Decreto 70.235/72.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-003.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e rejeitá-los.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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OMISSÃO. CABIMENTO. Quando o acórdão embargado deixa de analisar tese de defesa levantada em sede de recurso voluntário, resta caracterizada a omissão patente de conhecimento dos embargos de declaração. ALEGADA INCOMPETÊNCIA DO INSS PARA EMISSÃO DE ATO CANCELATÓRIO. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar a infração em todos os seus fundamentos, no caso a demonstrar a alegada incompetência do órgão previdenciário, somente se manifestando a este respeito em sede de recurso voluntário, resta caracterizada a ocorrência da preclusão, em conformidade com o art. 17 do Decreto 70.235/72. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e rejeitálos. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 30 6. 00 11 79 /2 00 6- 91 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 37306.001179/200691 Acórdão n.º 2402003.829 S2C4T2 Fl. 215 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela SOCIEDADE GUARULHENSE DE EDUCAÇÃO – SOGE, em face do v. acórdão de fls. 189/191, proferido por esta Eg. Turma, sob o fundamento de ter incorrido em omissão na medida em que das três alegações suscitadas em sede de preliminar, apenas uma delas fora analisada, qual seja, a inadequação do enquadramento do código FPAS. Desta feita, deixou o v. acórdão de se manifestar sobre a alegada necessidade de instauração de procedimento administrativo, cientificandose o contribuinte para que então se procedesse ao Ato Cancelatório de Isenção, sendo que a discussão administrativa alcançou o ano de 2003, o que mostra ser absolutamente inadequada a referência às NFLD’s lançadas nos anos de 2001 e 2002. Além disso, também alega que o v. acórdão não se manifestou quanto a sustentada ausência de legitimidade do INSS para promover o ato cancelatório. Por fim, sustenta que o v. acórdão, ao analisar a questão relativa ao reenquadramento do FPAS não o fez a luz do disposto no art. 139 da IN 03/2005, que exige a necessidade de cientificação do contribuinte para que então se proceda à sua alteração. Prestadas as devidas informações, fora determinada a inclusão do feito em pauta de julgamentos exclusivamente para a análise da omissão sobre a alegada preliminar de impossibilidade do INSS promover o ato cancelatório. Sobre este aspecto, sustenta que resulta como evidente a nulidade do ato cancelatório, pois, na época de sua lavratura, em 21/07/99, não ostentava o então INSS legítimo direito a promover a cassação da isenção do contribuinte, tendo em vista a liminar concedida na ADIN 20285 pelo Em. Min. Marco Aurélio em 14/07/99, referendada pelo plenário do STF em 11/11/99, que e expressa no sentido de tornar ineficaz a disciplina prevista nos "art. 1 0 da lei 9732/98, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso iii, da lei 8212/91 e acrescentoulhes os 3 0, 40 e 5 0 , bem como os arts. 4 0 , 50 e 7 0 , da lei 9732/98"; Alega que referida competência, a época, era do CNAS. É o que bastava relatar. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. De fato ao analisar os Embargos de Declaração apresentados, resta clara a omissão sobre a preliminar aventada naquela ocasião acerca da ausência de competência do INSS para emissão do Ato Cancelatório. Todavia, em que pesem os argumentos trazidos pela recorrente, tenho por não acatálos, tendo em vista que referida matéria de defesa não fora objeto de apontamento na impugnação apresentada, ou mesmo quando intimado o contribuinte para manifestarse sobre o resultado da diligência requerida pelo julgador de primeira instância, de sorte que referida matéria encontrase preclusa, não podendo ser objeto de conhecimento nesta oportunidade por esta Eg. Turma. Sobre o assunto, confirase o art. 17 do Decreto 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer dos embargos e REJEITÁLOS. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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