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Numero do processo: 15504.000232/2008-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2004
IMPUGNAÇÃO INTERPOSTA NÃO CONHECIDA. DEFEITO NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL DO CONTRIBUINTE. JUNTADA DE PROCURAÇÃO ANTIGA. DOCUMENTO LAVRADO POR PESSOA COMPETENTE. A juntada de instrumento de mandado antigo, outorgado por prazo indeterminado ao advogado que patrocina os interesses da recorrente e assinado por pessoa que detinha a competência legal para tanto, vigente à época da outorga, por si só, não tem o condão de ensejar a falta de representação processual nos autos do processo administrativo fiscal.
Decisão de Primeira Instância Anulada.
Numero da decisão: 2401-002.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araujo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2004 IMPUGNAÇÃO INTERPOSTA NÃO CONHECIDA. DEFEITO NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL DO CONTRIBUINTE. JUNTADA DE PROCURAÇÃO ANTIGA. DOCUMENTO LAVRADO POR PESSOA COMPETENTE. A juntada de instrumento de mandado antigo, outorgado por prazo indeterminado ao advogado que patrocina os interesses da recorrente e assinado por pessoa que detinha a competência legal para tanto, vigente à época da outorga, por si só, não tem o condão de ensejar a falta de representação processual nos autos do processo administrativo fiscal. Decisão de Primeira Instância Anulada.
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Recorrente CLUBE ATLÉTICO MINEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2004 IMPUGNAÇÃO INTERPOSTA NÃO CONHECIDA. DEFEITO NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL DO CONTRIBUINTE. JUNTADA DE PROCURAÇÃO ANTIGA. DOCUMENTO LAVRADO POR PESSOA COMPETENTE. A juntada de instrumento de mandado antigo, outorgado por prazo indeterminado ao advogado que patrocina os interesses da recorrente e assinado por pessoa que detinha a competência legal para tanto, vigente à época da outorga, por si só, não tem o condão de ensejar a falta de representação processual nos autos do processo administrativo fiscal. Decisão de Primeira Instância Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 02 32 /2 00 8- 20 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araujo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.000232/200820 Acórdão n.º 2401002.662 S2C4T1 Fl. 182 3 Relatório Tratase de recurso de voluntário interposto por CLUBE ATLÉTICO MINEIRO, em face do acórdão de fls. 67 , por meio do qual foi mantida a integralidade da multa lançada no Auto de Infração n. 37.117.2241, por ter a recorrente apresentado GFIP sem com informações incorretas acerca de dados não relacionados com os fatos geradores de contribuições previdenciárias a que estava sujeita. O relatório fiscal aponta que a recorrente apresentou GFIP com erros de preenchimento dos campos "SALÁRIOFAMÍLIA" e "SALÁRIOMATERNIDADE" das GFIPs nas competências e estabelecimentos citados nos "ANEXOS 1, II e III" . Os valores considerados corretos são os que constam no arquivo digital da folha de pagamento, apresentado à fiscalização em 14112/207, código de identificação dc 25cd74e484db03 c7ba65b6182baa4, rubricas 017 saláriomaternidade , 700 saláriofamília e 709 salário família mês anterior. O lançamento compreende as competências de 11/2004 a 08/2005, com ciência do contribuinte efetivada em 20/12/2007 (fls. 01). A impugnação ofertada apenas requereu a relevação da multa aplicada, diante da documentação que fora juntada. O julgamento de primeira instância, ao analisar a impugnação achou por bem dela não conhecer sob o argumento de que, mesmo tempestiva, a peça contestatória não veio instruída com documentação identificadora dos representantes legais do Clube Atlético Mineiro, já que veio acompanhada com Ata de Eleição e Estatuto desatualizados, vigentes para o triênio 2004/2006, assim como não foi comprovada a legitimidade do procurador constituído. Em seu recurso sustenta não haver defeito na representação processual, pois a documentação societária anexada à impugnação efetivamente identificou os representantes legais da Suplicante que subscreveram o instrumento de mandato outorgado ao advogado que firmou a peça, apontando, inclusive, seus respectivos cargos Presidente e VicePresidente. Acresce que a circunstância de que a documentação societária estaria desatualizada não constitui vício de representação, por si só. É que, no caso dos autos, o instrumento de mandato outorgado ao subscritor da defesa foi expedido em 2005, é dizer, durante o mandato dos representantes legais apontados na Ata de Eleição de fl. 98, razão pela qual não há hipótese de defeito de representação processual ou tampouco ilegitimidade do procurador constituído. Defende, ainda, que no processo administrativo também é aplicável o princípio do formalismo moderado, derivado do artigo 22 da Lei n.° 9.784/99, cuja finalidade é "... facilitar a atuação do particular de modo a que excessos formais não prejudiquem sua colaboração no procedimento de defesa do processo". Fl. 183DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Por fim, sustenta que a necessidade de revisão da multa com base na Lei 11.941/09, bem como atende os requisitos para a relevação da multa, além de se tratar de entidade sujeita a regime especial de tributação, que não se adequa à multa aplicada. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.000232/200820 Acórdão n.º 2401002.662 S2C4T1 Fl. 183 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso merece conhecimento. PRELIMINARES Busca a recorrente ter reconhecido o seu direito de ter os argumentos constantes em sua impugnação analisados em sede de administrativo fiscal. Conforme já relatado, a impugnação interposta não veio a ser conhecida, sob o argumento de que esta não veio instruída com documentação identificadora dos representantes legais do Clube Atlético Mineiro, já que veio acompanhada com Ata de Eleição e Estatuto desatualizados, vigentes para o triênio 2004/2006, assim como não foi comprovada a legitimidade do procurador constituído. O Auto de Infração foi cientificado à recorrente em 20/10/2007, e logo fora apresentada a impugnação, acompanhada de procuração com poderes ad judicia às fls. 95, assinada pelo Presidente da Entidade aos advogados em 16/08/2005, para atuação em processos administrativos e judiciais em qualquer instância no qual verse a outorgante como interessada. Também fora juntado na impugnação o Ato de posse do Presidente que assinou a procuração e a ata da eleição de sua chapa como vencedora das eleições para o triênio de 2004 a 2006, documentos que demonstram, ainda deter o mesmo competência para representação legal da entidade. Às fls. 125 foi proferido despacho pelo il. Auditor fiscal intimando a recorrente a regularizar sua representação processual nos seguintes termos: As impugnações apresentadas contra os lançamentos fiscais em epígrafe não vieram instruídas com documentação que identifique os representantes legais da empresa, a saber: Ata de eleição e estatuto atuais e documento de identidade dos procuradores (originais ou cópias autenticadas). 2. Assim, fica essa empresa intimada a apresentar o(s) mencionado(s) documento(s), no prazo de 5 (cinco) dias contados do recebimento deste, sob pena de não conhecimento da impugnação. De fato, os documentos apontados no despacho de fls. 125, quais sejam as atas de eleição atuais e estatuto atual da entidade não foram juntados aos autos, já que a intimação não foi atendida. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Pois bem, da análise de tais fatos, entendo que a impugnação deva ser conhecida. O instrumento de mandato outorgado ao advogado que assinou a impugnação, apesar de concedido em data anterior àquela da cientificação do contribuinte acerca do lançamento, o foi, à época, firmado por pessoa que detinha competência para tanto, no caso o Presidente da entidade. Ademais, o documento não possuía prazo de validade da outorga de poderes para representação, motivo pelo qual entendo não haver defeito na sua constituição. A dúvida do fiscal autuante resumiuse ao fato de simplesmente ter sido apresentada uma procuração antiga, mas que, notadamente, sem outros elementos constantes nos autos que demonstrem ter a mesma sido revogada ou mesmo que tenha perdido a sua eficácia diante da eleição de nova presidência, não autoriza que o documento, da forma como está, seja desconsiderado. Por tais motivos, voto no sentido de ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, determinando a baixa dos autos à DRJ de origem, para que venham a ser analisados os argumentos de defesa insertos na impugnação. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 186DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10314.003381/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
PAF - INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL - CIÊNCIA - É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário e que haja advogado constituídos nos autos. Considera-se feita a intimação por via postal na data do recebimento constante do Aviso de Recebimento - AR. No caso de habitações coletivas, condomínios verticais ou horizontais em que o carteiro não tenha acesso direto aos apartamentos ou casas é válida a ciência atestada por empregado do condomínio ou outra pessoa que responda pela portaria.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3102-001.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator.
EDITADO EM: 18/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Elias Fernandes Eufrásio.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PAF - INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL - CIÊNCIA - É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário e que haja advogado constituídos nos autos. Considera-se feita a intimação por via postal na data do recebimento constante do Aviso de Recebimento - AR. No caso de habitações coletivas, condomínios verticais ou horizontais em que o carteiro não tenha acesso direto aos apartamentos ou casas é válida a ciência atestada por empregado do condomínio ou outra pessoa que responda pela portaria. Recurso voluntário não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente. (assinado digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Elias Fernandes Eufrásio.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2001; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 231 1 230 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.003381/201089 Recurso nº 894.666 Voluntário Acórdão nº 3102001.622 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2012 Matéria Ocultação de sujeito passivo Recorrente MUITO BROTHER COM DE BRIQUEDOS E UTILIDADES Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PAF INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL CIÊNCIA É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário e que haja advogado constituídos nos autos. Considerase feita a intimação por via postal na data do recebimento constante do Aviso de Recebimento AR. No caso de habitações coletivas, condomínios verticais ou horizontais em que o carteiro não tenha acesso direto aos apartamentos ou casas é válida a ciência atestada por empregado do condomínio ou outra pessoa que responda pela portaria. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 33 81 /2 01 0- 89 Fl. 3006DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Elias Fernandes Eufrásio. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão 1744.441 da 2ª Turma da DRJ/SPII, que julgou improcedente a impugnação. De acordo com o relato da decisão recorrida é possível identificar que: A interessada foi autuada em face da infração capitulada no artigo 618, inciso XXII, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002), punível com a pena de perdimento — "618. Aplica se a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário: (...) XXII – estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros", conforme se depreende do relatório fiscal anexo ao auto de infração. Em razão da impossibilidade de apreensão da mercadoria em pauta, foi a pena de perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, conforme transcrição a seguir de parte do decretolei 1455/76. Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei n°10.637, de 30.12.2002). § 1º 0 dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei no 10.637, de 30.12.2002). § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 30.12.2002). § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei n°10.637, de 30.12.2002) As autoridades aduaneiras aduzem que, em função de procedimento fiscal realizado nos termos da Instrução Normativa SRF n2 228/2002, concluiuse não ser possível a comprovação da origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos financeiros da empresa, bem assim, a condição de real adquirente nas operações de comércio exterior. Fl. 3007DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.003381/201089 Acórdão n.º 3102001.622 S3C1T2 Fl. 232 3 O lançamento informa que a interessada apresentou contabilidade imprestável por duas vezes quando intimada, além de planilhas fraudulentas e depósitos em dinheiro sem identificação do depositante, com informações fraudulentas sobre a origem dos depósitos bancários (utilizandose de fracionamento dos depósitos e depósitos em cheque com cheques não localizados). Acrescenta que a fiscalizada declarava uma receita bruta muito superior à sua movimentação financeira, que havia agendadas com números de contas bancárias em código e falsidade de declarações. Cabe ressaltar que houve decisão judicial para o encerrame fiscalização, o que foi feito com a lavratura do presente auto de infração. A interessada apresentou impugnação de fls. 560 a 682, alegando, em síntese, que: apresentou documentação de ingresso regular e recolheu todos os tributos pela importação e venda dos produtos. em virtude da permanência de seus estabelecimentos lacrados, ajuizou mandado de segurança em 2008 que foi concedido ern sede de agravo. a fiscalização exigiu inclusive documentos de ano calendário prescrito. a fiscalização descumpriu ordem judicial e prorrogou novamente o MPF até 08/04/2010. houve malícia do auditor ao fazer o envio do auto de infração no prazo final judicial concedido para fim da fiscalização. as relações particulares nas negociações dos produtos rib podem ser discutidas pela fiscalização. as irregularidades no MPF ensejam a nulidade do auto de infração. a fiscalização se perdurou por diferença de peso, ainda que não houvesse qualquer dano ao erário. houve quebra de sigilo, descumprimento de ordem judicial e não cumprimento do prazo de noventa dias previsto para ação da fiscalização. a fiscalização se apóia em documentos prescritos. realiza importações por conta e ordem com registro no SISCOMEX. não há lei que determine que tudo deva passar pela conta corrente. os lançamentos contábeis não foram modificados. Fl. 3008DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 quem faz depósitos são os clientes, cabendo aos mesmos identificaremse. não houve origem fraudulenta de depósitos. o minucioso trabalho da fiscalização chegou ao máximo a dispor que não estava comprovado 0,07% de suas movimentações. a Policia Federal desconsiderou a agenda telefônica que possuía alguns códigos internos da empresa. pleiteia a total improcedência do auto de infração. Recebida a impugnação pela repartição a quo em face da tempestividade e aspectos formais, os autos foram remetidos a esta Delegacia de Julgamento e distribuídos ao relator. Após analisar a manifestação de inconformidade, decidiu a 2ª Turma da DRJ/SPII, pelo indeferimento da manifestação de inconformidade nos termos da ementa do voto abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. 0 Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração "de mera conduta", que se materializa quando o sujeito passivo oculta nos documentos de habilitação para operar no comércio exterior, bem assim na declaração de importação e nos documentos de instrução do despacho, a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário ou cambial perpetrado. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. HIPÓTESES. A conversão da Pena de Perdimento em multa poderá ser levada a efeito sempre que as mercadorias sujeitas àquela penalidade tiverem sido dadas a consumo, por meio da sua comercialização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão acima, o contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: a) o recurso interposto é tempestivo em razão da omissão da sala do Contribuinte, que teria resultado no extravio da intimação, de maneira que não se considera válida a notificação entregue ao porteiro; Fl. 3009DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.003381/201089 Acórdão n.º 3102001.622 S3C1T2 Fl. 233 5 b) a decisão recorrida não analisou as provas e argumentos apresentados na defesa, o que motiva a devolução da matéria ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; c) a fiscalização durou aproximadamente dois anos, período que deveria ensejar provas claras e não somente presunções, razão esta que deveria repudiar o presente processo administrativo. Neste passo, alega que realiza importações por conta e ordem com registro no SISCOMEX. d) toda a receita auferida pela Recorrente encontrase declarado em seus livros contábeis e arquivos magnéticos, o que fundamenta que o Termo de Conclusão é absurdo a respeito das considerações ali contidas; e) os depósitos são realizados pelos clientes, o que enseja que os mesmo se identifiquem, não havendo origem fraudulenta dos mesmos; f) o anexo I do item 8.1 deve ser rechaçado tendo em vista os valores irrisórios no que diz respeito ao percentual de notas fiscais canceladas, assim como ao dispor que a fiscalização restou a alegação de que a Recorrente não teria comprovado apenas 0,07% da suas movimentações; g) não é possível alegar o faturamento da Recorrente com base no valor aplicado pela fiscalização, haja vista que refletiria quantias ínfimas perto do referido faturamento; h) a própria Polícia Federal desconsiderou os documentos relativos a uma agenda telefônica que detinha alguns códigos internos da empresa i) por fim, houve cerceamento do direito de defesa em razão da não devolução de alguns documentos entregues. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Fl. 3010DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 Da tempestividade do Recurso Voluntário Antes de entrar nas razões do recurso, e analisar as preliminares arguidas e o próprio mérito, surge a necessidade de se discutir a sua tempestividade, questão apresentada pela própria recorrente. A contribuinte foi intimada do acórdão em 11/10/2010, entretanto apresentou seu recurso apenas em 21/12/2010, sob o argumento de que possuía advogados constituídos que não foram intimados, e que em razão da omissão da sala do contribuinte no aviso de recebimento, não há como considerar validade a intimação. Quanto ao fato de possuir advogados constituídos nos autos, devese afirmar, com base no do Decreto n.º 70.235/1972, que as intimações podem ser feitas por três modalidades, não se estabelecendo ali nenhuma ordem de preferência. Assim, a Administração Tributária pode se valer para, dar ciência ao contribuinte dos atos processuais, das intimações pessoais, postais ou eletrônicas. Eis a norma sobre a matéria: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (...) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (...) No caso dos autos, verificase a opção pela intimação via postal, cujo único requisito de validade é a prova de recebimento da correspondência no domicílio tributário do sujeito passivo. Portanto, apesar de requerida, a intimação na pessoa de patrono habilitado aos autos, não é requisito para validar o ato. Este conselho já se posicionou diversas vezes sobre o tema, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, Fl. 3011DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.003381/201089 Acórdão n.º 3102001.622 S3C1T2 Fl. 234 7 Indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador... 1 Quanto ao argumento de que a empresa não teria sido intimada em seu endereço corretamente, vale destacar, de acordo com às fls. 802 dos autos, que a intimação foi entregue no endereço do contribuinte, entretanto foi recebida pelo porteiro, pois não constava o no “AR” o número da sala da recorrente. Observando os dispositivos legais acima citados, percebese que não há obrigatoriedade para efetivação da intimação de que ocorra a ciência do próprio contribuinte e sim de que mesma tenha sido entregue em seu domicílio fiscal. Pois bem, no caso dos autos não resta dúvida que o domicílio fiscal escolhido pela recorrente foi o endereço descrito no “AR”, apesar de não constar o número da sala do condomínio. Ora, em condomínios empresariais, comerciais e residenciais as correspondências não são entregues diretamente no domicílio do contribuinte e sim nas recepções ou portarias dos mesmos, sendo recebidas por funcionários daqueles condomínios, até porque os responsáveis pelas entregas de correspondências não tem acesso direto as unidades condominiais. Desta mesma forma foi procedido no condomínio da recorrente, pois quedou incontroverso que a notificação foi recebida em 11/10/2010 por um funcionário do condomínio, assim não há como impor tal decurso de prazo ao fisco, o qual ficaria a mercê de procedimentos realizados entre contribuintes e condomínios onde estão localizadas suas sedes, portanto a contagem do prazo deve se observar a data do recebimento do aviso pelo funcionário do condomínio. A presente matéria já foi pacificada tanto na esfera administrativa como na judicial, vejamos: Segundo Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20308305 do Processo 108650022939721Data 10/07/2002 Ementa NORMAS PROCESSUAIS INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL A intimação enviada para o endereço correto do intimado e recebida mediante comprovação por AR implica em presunção de que foi efetivamente recebida , cabendo ao recorrente, por inversão do ônus probatório, comprovar que não foi intimado. O recebimento de intimação por pessoas estranhas ao quadro funcional da destinatária não a invalida, já que é comum a terceirização dos serviços de portaria e vigilância pelas empresas, ou o recebimento, em condomínios, pelos empregados a serviço destes. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÇRIO PRAZOS PEREMPÇÃO O prazo para interposição do recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes é de 30 dias, contados da data da ciência da 1 Acórdão 16349.000567/200760 Fl. 3012DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 decisão de primeira instância, conforme preceitua o art. 33 do Decreto nº. 70.235/72. O recurso interposto fora do prazo legal deve ser considerado perempto. Recurso ao qual não se conhece, por perempto. STJ SEGUNDA TURMA DJe 24/09/2008 REsp 754210 / RS RECURSO ESPECIAL2005/00874382 Relator(a)Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO POSTAL. PESSOA FÍSICA. RT. 23, II DO DECRETO Nº 70.235/72. VALIDADE. 1. Conforme prevê o art. 23, II do Decreto nº 70.235/72, inexiste obrigatoriedade para que a efetivação da intimação postal seja feita com a ciência do contribuinte pessoa física, exigência extensível tãosomente para a intimação pessoal, bastando apenas a prova de que a correspondência foi entregue no endereço de seu domicílio fiscal, podendo ser recebida por porteiro do prédio ou qualquer outra pessoa a quem o senso comum permita atribuir a responsabilidade pela entrega da mesma, cabendo ao contribuinte demonstrar a ausência dessa qualidade. Precedente: Resp. nº. 1.029.153/DF, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 05.05.2008. 2. Validade da intimação e conseqüente ausência de impugnação ao procedimento administrativo fiscal e inexistência do direito ao pagamento com desconto. 3. Recurso especial provido. Pelas razões, não conheço do recurso voluntário ao observar sua intempestividade. Sala de sessões 25 de setembro de 2012. (assinado digitalmente) Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 3013DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.003381/201089 Acórdão n.º 3102001.622 S3C1T2 Fl. 235 9 Fl. 3014DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10830.006630/99-55
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador.
Como o pedido administrativo de repetição de FINSOCIAL foi protocolado em 24/08/1999, permanece o direito de se pleitear a restituição pretendida, já que engloba apenas tributos com fatos geradores ocorridos após 24/08/1989.
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo o direito à restituição dado pelo acórdão recorrido, e determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM : 21/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2255; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 5 1 4 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.006630/9955 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.795 – Pleno Sessão de 29 de agosto de 2012 Matéria FINSOCIAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida FARMÁCIA SAO LUIZ DE CAMPINAS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. Como o pedido administrativo de repetição de FINSOCIAL foi protocolado em 24/08/1999, permanece o direito de se pleitear a restituição pretendida, já que engloba apenas tributos com fatos geradores ocorridos após 24/08/1989. Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo o direito à restituição dado pelo acórdão recorrido, e determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 66 30 /9 9- 55 Fl. 642DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM : 21/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário ao pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fundamento no artigo 9º do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007. Observese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os recursos extraordinários interpostos contra acórdãos proferidos até 30 de junho de 2009 serão, por força do artigo 4° do mesmo Regimento, processados de acordo com o rito previsto no RICSRF. O Acórdão no 0305.613. da 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 279 a 285) reconheceu o direito do contribuinte pleitear, em 24/08/1999, repetição de FINSOCIAL referente a fatos geradores ocorridos de 01/09/1989 a 31/03/1992. A Fazenda Nacional apresentou tempestivamente recurso extraordinário (fls. 289 a 302), onde afirma que somente é possível se pleitear a repetição do indébito no prazo de 5 anos após o recolhimento indevido. Para comprovar a divergência, indicou, como paradigma, o Acórdão CSRF/0400.810, da 4a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado em 03 de março de 2008, cuja ementa se transcreve: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de Fl. 643DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10830.006630/9955 Acórdão n.º 9900000.795 CSRFPL Fl. 6 3 extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos 1 e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 304 e verso, que considerou a divergência jurisprudencial comprovada. Devidamente cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Data do pedido: 24/08/1999. Fatos Geradores: de 01/09/1989 a 31/03/1992. O presente recurso extraordinário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Portanto, dele conheço. Discutese qual o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação, especificamente no caso de tributo declarado inconstitucional. Nessa situação, o CARF está obrigatoriamente vinculado ao posicionamento dos Tribunais Superiores nos termos do art. 62A do anexo II do RICARF, segundo o qual se deve reproduzir o conteúdo das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Isso porque, no Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado em 11/10/2011, com trânsito em julgado em 17/11/2011, o STF decidiu que (a) considerase o prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da LC 118/05, ou seja a partir de 9 de junho de 2005, e (b) para os demais casos, aplicase a posição do STJ de que o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados da ocorrência do fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I do CTN. Não há que se falar em tratamento diverso do acima exposto para o caso de inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido: no RESP nº 1.002.932SP, de 05/11/2009, em regime de Recurso Repetitivo, o Ministro Relator, Luiz Fux, faz expressa referência, em seu voto (fls. 6 e 7) à jurisprudência do STJ, reproduzindo o ERESP n° 4.35835SC, nos termos a seguir: Fl. 644DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 4 ... 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar de declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. ... o Supremo Tribunal Federal confirma essa afirmação, no RE nº 566.621 RS, de 11/10/2011, da relatoria da Ministra Ellen Gracie, em que é definido o critério de aplicação da tese dos 5 + 5 anos, em detrimento da redação dada ao art. 168 do CTN pela Lei Complementar n° 118, de 2005, e, à fl. 11 do voto, é também referida a jurisprudência consolidada do STJ, nos termos a seguir: ... é que a União invoca precedentes relativos a questões específicas, como tributos retidos no regime de substituição tributária e tributos inconstitucionais, em que chegou a haver, é verdade, alguma dúvida quanto à aplicação da regra geral dos 10 anos, mas que não perdurou. Logo, aquela Corte [STJ] firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão da inconstitucionalidade de lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos EREsp 329.160/DF e EREsp 435.835/SC, julgados pela Primeira Seção daquela Corte. Aliás, nada melhor do que o próprio STJ para reconhecer que se tratava de jurisprudência consolidada. esse entendimento foi confirmado pelo próprio STJ, quando adaptou sua jurisprudência à decisão do STF, conforme RESP n° 1.269.570MG, de 23/05/2012, da relatoria do Ministro Mauro Campbell, em que se esclarece que a única alteração foi referente à data da mudança de critério, qual seja, para pedidos a partir da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005. Salientese, adicionalmente, que a expressão "ações ajuizadas" na decisão referida deve ser entendida como a realização do pedido de repetição de valor à autoridade competente para tal, o que inclui o processo administrativo, no âmbito da Administração Tributária. No presente caso, o pedido de repetição do indébito ocorreu antes de 09 de junho de 2005 e, portanto, aplicase o prazo de 10 anos a partir da ocorrência do fato gerador. Como o pedido foi feito em 24/08/1999, estava apto a pleitear a restituição de tributos com fatos geradores ocorridos após 24/08/1989. Dessa forma, como o pleito se refere a fatos geradores ocorridos de 01/09/1989 a 31/03/1992, o direito não estava fulminado pelo transcurso do prazo fatal. Assim, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 645DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10830.006630/9955 Acórdão n.º 9900000.795 CSRFPL Fl. 7 5 Fl. 646DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
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Numero do processo: 10380.913376/2009-59
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
NELSO KICHEL- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente. (documento assinado digitalmente) NELSO KICHEL- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. (documento assinado digitalmente) NELSO KICHEL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 13 37 6/ 20 09 -5 9 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913376/200959 Resolução nº 1802000.126 S1TE02 Fl. 65 2 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.27/39 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Fortaleza (fls. 23/24verso) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 20/06/2008, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 27335.96167.200608.1.3.047327 (fls. 01/04), informando compensação tributária: a) débitos informados: IRPJ, código de receita 236201, período de apuração Maio/2008, data de vencimento 30/06/2008, R$ 595.887,33; CSLL, código de receita 248401, período de apuração Maio/2008, data de vencimento 30/06/2008, R$ 100.736,66; b) crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 510.384,64; que o suposto direito creditório decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 31/07/2005, código de receita 5993 (IRPJOPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REALESTIMATIVA MENSAL), data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 1.876.090,74, conforme comprovante de arrecadação (fls.14 e 42). Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 05/06, pela DRF/Fortaleza, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 510.384,64. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913376/200959 Resolução nº 1802000.126 S1TE02 Fl. 66 3 Ciente dessa decisão em 21/10/2009 (fls. 07/08), a contribuinte, em 20/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 09/12), juntando ainda documentos de fls. 13/18, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Da existência do crédito pleiteado: a) que, em 31/08/2005, efetuou o recolhimento de R$ 1.876.090,74, referente ao IRPJ – Estimativa Mensal, período de apuração: julho de 2005. Comprovante de pagamento (fls. 14 e 42); b) que, ao findar o anocalendário 2005, foi apurado, em verdade, um prejuízo fiscal. Desta forma, inexistindo lucro, não se configurou a situação hipotética descrita na norma tributária apta a configurar a incidência do IRPJ; c) que, assim, o valor recolhido por estimativa, referente ao período de apuração do mês de julho de 2005, foi, de fato, indevido, conforme constatado no fechamento do ano calendário 2005 (prejuízo fiscal). E, sendo indevido, a recorrente utilizou esse crédito para compensar valores a pagar do ano de 2008, nesse ano; que no PER/DCOMP objeto dos autos utilizou parte desse crédito; d) que na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 consta, expressamente, que teve um prejuizo fiscal no anocalendário 2005. Não havendo, por conseguinte, que se cogitar em incidência do IRPJ e da CSLL nesse ano, uma vez que não houve base tributável nesse ano, para efeito desse imposto e da referida contribuição. Juntou cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (parte da Ficha da DIPJ), onde consta Lucro Líquido Negativo do Período de Apuração: R$ 73.173.069,26 (fl. 15); e) que referido prejuízo, também, foi informado na DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, onde restou consignado expressamente que inexistem valores de IRPJ e de CSLL a pagar em 2005 (obs: DCTF retificadora transmitida após ciência do despacho decisório de fls. 05/06); Por fim, com base nessas razões, concluiu a contribuinte: que dúvida não resta da existência do crédito, decorrente da inexistência de base tributável, em face do prejuízo fiscal devidamente comprovado e informado na DIPJ 2006 e na DCTF Retificadora, tudo do anocalendário 2005; que, comprovada a existência do crédito, a Instrução Normativa RFB n.° 900 autoriza a compensacão com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão pela qual requer a revisão do despacho que não homologou a compensação pleiteada. A DRJ/Fortaleza, conforme Acórdão de fls. 23/24verso, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela impossibilidade de aproveitamento de pagamento de estimativa como crédito, cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913376/200959 Resolução nº 1802000.126 S1TE02 Fl. 67 4 Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA COMO CRÉDITO. As estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, passível de restituição somente é o saldo negativo apurado na Declaração de Ajuste Anual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 27/07/2010 (fl. 26), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/08/2010 (fls. 27/39), juntando ainda os documentos de fls.39/57, reiterando as razões já apresentadas na impugnação na primeira instância de julgamento; porém, nesta instância recursal, acresceentou: que, não obstante ter efetuado o pagamento do IRPJ – Estimativa Mensal no montante de R$ 1.876.090,74, período de apuração julho 2005, apurou que não havia imposto de renda a pagar nesse período, pois, na Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, apurou, mediante balanço ou balancete mensal de suspensão/redução, resultado negativo R$ (22.238.973,21), conforme demonstra cópia da referida Ficha da DIPJ 2006, anocalendário 2005, juntada aos autos (fl. 43); que a DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, também, comprova que, com base em balancete de suspensão/redução, sequer havia valor a ser recolhido a esse título, para o período de apuração julho/2005 (fls.44/57); que, através do Balancete de Suspensão/redução, a pessoa jurídica poderá suspender o pagamento do tributo do anocalendário, desde que demonstre que o valor do tributo devido, calculado com base no lucro real do periodo em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago por estimativa dos meses anteriores à quele a que se refere o balanço ou balancete mensal levantado; que, utilizando o direito disposto no artigo 74, da Lei n.° 9.430/96 cumulado com Instruções Normativas baixadas pela RFB, apresentou Declaração de Compensação, compensando o referido crédito do IRPJ (apurado por estimativa e indevidamente recolhido) com outros valores a pagar do ano de 2008, sendo que, no presente PER/DCOMP, utilizou apenas parte desse crédito, atualizado pela SELIC; que, mesmo diante de todo o correto procedimento na forma do artigo 165 do CTN, cumulado com o artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 que regula a compensação de créditos advindos de pagamentos feitos indevidamente ou a maior, teve seu direito creditório negado pela RFB por despacho decisório, sob o fundamento de que o valor a ser compensado já havia sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, não havendo crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP; que, efetuada a retificação da DCTF, (fl. 44), a decisão recorrida, apesar de não rechaçar a existência do crédito, nega o seu aproveitamento sob o argumento de que não Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913376/200959 Resolução nº 1802000.126 S1TE02 Fl. 68 5 poderia ter sido utilizado no PER/DCOMP como IRPJ Estimativa Mensal pagamento indevido ou a maior. De fato, quando do preenchimento da PER/DCOMP, o valor do crédito a ser compensado foi classificado no campo "Tipo de Crédito" como "pagamento indevido ou a maior"; que, entretanto, pela ótica do acórdão recorrido, tal crédito deveria ter sido classificado como “saldo negativo do IRPJ do anocalendário”; que o acórdão objurgado ainda sugere que a recorrente formule novo pedido de compensação, desta vez com a "correta” classificação do crédito; que, mesmo se admitindo que houve o equívoco no preenchimento do campo "Tipo de Crédito" do PER/DCOMP, o que se cogita apenas em atenção ao principio da eventualidade, um erro meramente formal, que não ocasionou absolutamente nenhum prejuízo à RFB, não poderia servir de fundamento para a negativa do direito creditório, uma vez que restou demonstrado nos autos que houve pagamento indevido do IRPJ do período de apuração de julho do ano de 2005. Os documentos acostados comprovam cabalmente a existência do crédito de R$ 1.876.090,74.; que a decisão, ora atacada, ao não reconhecer o crédito, negou vigência aos principios informadores do processo administrativo, dentre eles, os da finalidade, eficiência (economicidade), razoabilidade e da verdade material (Lei n.° 9784/99; art. 2º); que outro ponto merecedor de reparo referese à alusão do acórdão recorrido ao art. 10 da Instrução Normativa SRF n.° 600/2005. Vale ressaltar que referida regra traz vedação à compensação do pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL com esses mesmos tributos no mês imediatamente seguinte, que não é o caso; que a Lei n.° 9.430/96, que dispõe sobre a forma de cálculo e apuração por estimativa mensal do IRPJ e da CSLL, em nenhum momento disciplina que os valores indevidamente pagos ou a maior de estimativa mensal somente poderiam ser utilizados na declaração do IRPJ e da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. Citou, em favor de sua tese, o Acórdão nº 10516.205, Sessão de 06/12/2006, Relator José Clóvis Alves. Ainda, no mesmo sentido, mencionou o Acórdão da CSRF nº 0100.406, de outubro/2009; que tem direito à compensação tributária, citando o art.170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430096. Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu reforma da decisão recorrida, para que seja deferido o crédito pleiteado e homologada a compensação tributária objeto dos autos. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913376/200959 Resolução nº 1802000.126 S1TE02 Fl. 69 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária que, nas fases anteriores do processo, por falta de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, deixou de ser homologada. Nesta instância recursal, nas razões do recurso, a recorrente pediu a revisão da decisão recorrida, pedindo o reconhecimento do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, a extinção dos débitos informados, pela homologação da compensação. Compulsando os autos, constatase que a recorrente, no anocalendário 2005, estava submetida à apuração do IRPJ com base no Lucro Real anual, porém obrigada a antecipar pagamento do imposto por estimativa mensal, com base na receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão ou redução. Em relação à antecipação de pagamento de imposto estimativa mensal do período de apuração julho/2005, a recorrente busca provar, nos autos, que efetuou recolhimento a maior ou indevido do imposto desse período. Nesse sentido, a contribuinte juntou as seguintes provas do suposto pagamento a maior ou indevido do PA julho/2005: a) cópia de parte da Ficha 11 da DIPJ –Cálculo do Imposto de Renda por Estimativa Mensal, onde informou, para o período de apuração julho/2005, Imposto de Renda a Pagar R$ 0,00, em face de resultado negativo apurado para esse período, com base em balancete de suspensão/redução, ou seja, R$ ( 22.238.973,21) (fl. 43). Não consta dos autos cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005. Sequer consta cópia completa da Ficha 11; b) cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral da DIPJ 2006, anocalendário 2005, informando RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO de R$ ( 73.173.069,26) = prejuízo contábil (fl. 15); c) cópia do Comprovante de Arrecadação do IRPJ Estimativa Mensal, período de apuração julho/2005, código de receita 5993 (IRPJOPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REALESTIMATIVA MENSAL), data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 1.876.090,74 (fl.42). d) cópia de DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009 (fls. 44/56). Em face desses documentos juntados, a recorrente demanda a título de direito creditório, nestes autos, parte do referido recolhimento, ou seja, R$ 510.384,64 (valor original), alegando que, na data de transmissão do PER/DCOMP, havia saldo disponível, relativo ao referido recolhimento, a importância de R$ 510.384,64 (valor original) – fl. 02. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913376/200959 Resolução nº 1802000.126 S1TE02 Fl. 70 7 Entretanto, nas fases anteriores do processo, o direito creditório restou denegado, com base na seguinte fundamentação: a) consta do Despacho Decisório da DRF/Fortaleza, de 07/10/2009 (fl. 05), que a recorrente confessara em DCTF débito do IRPJ estimativa mensal do PA Julho/2005 no mesmo valor do pagamento efetuado, ou seja, R$ 1.876.090,74. Crédito pleiteado não disponível. Entretanto, não consta dos autos cópia da respectiva DCTF (primitiva) de confissão do débito do PA julho/2005. A contribuinte juntou cópia da DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, ou seja, DCTF retificadora efetuada após ciência do referido despacho decisório (fls. 44/56); b) consta do Acórdão da DRJ/Fortaleza, de 25/06/2010, que o crédito pleiteado foi denegado pela impossibilidade de aproveitamento de antecipação de pagamento por estimativa mensal como crédito, devendo, primeiro, levar o valor da antecipação de pagamento para a declaração de ajuste anual, pois somente é possível utilizar em compensação tributária o saldo negativo apurado na declaração de ajuste anual (fls. 23/24). Não obstante, entendo que o equívoco na classificação do crédito pleiteado, se foi pedido devolução de antecipação de pagamento do IRPJ do PA julho/2005 e não o saldo negativo do anocalendário 2005, tal situação, por si só, não pode obstar ou prejudicar eventual existência do crédito pleiteado e seu reconhecimento. Entretanto, os elementos de prova constantes dos autos são insuficientes, não permitem a formação de convicção do julgador quanto ao mérito do litígio. Vale dizer, há falhas de instrução do processo. Tornase necessário que a contribuinte, como autora do pedido de aproveitamento de crédito, complete as provas que faltam nos autos, quanto ao seu pretenso direito creditório, nos termos dos arts. 15 e 16, III, do PAF e art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro. No caso, em relação ao pretenso direito creditório, as falhas de instrução do processo são as seguintes: a) consta cópia de parte da Ficha 11 da DIPJ 2006, anocalendário 2005 (fl. 43). Ou seja, sequer consta cópia completa dessa Ficha; b) não há cópia nos autos da Ficha 12 –Cálculo do IR sobre o Lucro Real. Sem cotejar, analisar, os dados dessas Fichas citadas, não há condições de saber se o direito creditório pleiteado já foi, ou não, utilizado na declaração de ajuste anual; c) não consta cópia da DCTF original do PA julho/2005. Nas fls. 44/56, dos autos, há cópia de folhas de DCTF Retificadora, quanto ao PA julho/2005. Então, deve existir nos sistemas internos de controle da RFB (sistemas informatizados) uma DCTF original, pois há uma DCTF retificadora juntada aos autos para o período de apuração relativo ao direito creditório pleiteado. Tornase necessário, por conseguinte, juntar aos autos cópia dessas DCTF (primitiva e retificadora), para comparar os dados ou informações que foram retificadas pela contribuinte; d) não consta dos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do ano calendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, que, inclusive, para terem efeito legal, Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913376/200959 Resolução nº 1802000.126 S1TE02 Fl. 71 8 devem estar registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário. A propósito, transcrevo o disposto no citado dispositivo legal, in verbis: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; (...) e) não consta dos autos cópia do Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do direito creditório pleiteado. Em face disso, para complementação das provas e em consonância com o princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Fortaleza, para as seguintes providências: 1) juntar cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005; 2) juntar cópia completa da DCTF original, relativo ao período de apuração julho/2005; 3) juntar cópia completa da DCTF retificadora de 27/10/2009; 4) intimar a contribuinte para fornecer e juntar aos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do anocalendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário; 5) intimar a contribuinte para apresentar à fiscalização sua escrituração contábil, mormente os Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do seu direito creditório; 6) elaborar relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do resultado da diligência, quanto à existência ou não do direito creditório original pleiteado nos presentes autos e se disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos; 7) intimar a contribuinte do resultado do relatório de diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para, em querendo, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuite, retornem os autos para julgamento. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913376/200959 Resolução nº 1802000.126 S1TE02 Fl. 72 9 Por tudo foi exposto, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10521.000497/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 09/05/2007
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Negados
Numero da decisão: 3102-001.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 09/05/2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negados
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 52 1. 00 04 97 /2 00 7- 15 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. “O Auto de Infração de fls. 01/17, posteriormente complementado pelo de fls. 128/144, foi lavrado para as seguintes exigências: 1 Multa do art. 169, §2.°, I, do DecretoLei n.° 37/66, com a redação da com alteração da Lei n.° 10.833/2003, no valor de R$1.500,00; 2 Multa do art. 84, I, da Medida Provisória n.° 2.15835/2001, combinado com o art. 69 e 81, IV, da lei n.° 10.833/2003, no valor de R$6.000,00; 3 Multa do art. 107, X, "c", do DecretoLei n.° 37/66, com alteração da Lei n.° 10.833/2003, no valor de R$2.600,00. Segundo relato da fiscalização, a DI n.° 07/05991134, com 50 adições, registrada em 09/05/2007, tendo sido selecionada para verificação física e documental, que ao final, foram constatados as seguintes ocorrências infracionais: 1) Apresentação de 13 faturas em desacordo com o Regulamento Aduaneiro, multa de R$200,00, não passível de redução, nos termos do art. 107, X, "c", do DecretoLei n.° 37/66, com redação da Lei n.° 10.833/2003; 2) Classificação incorreta de mercadorias na NCM, multa de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias das adições n.'s 005, 007 e 040, não passível de redução, nos termos do art. 636, I, do RA/2002; 3) Importação sem licença de importação, por estarem mal descritas as mercadorias das adições 005, 007 e 040, multa de 30% sobre o valor aduaneiro, nos termos do art. 633, II, "a", do RAJ2002; 4) Classificação incorreta de mercadorias na NVE, multa de 1% sobre o valor aduaneiro nas adições n.'s 006, 021, 022, 023, 027 e 037, nos termos do art. 636, I, do RA/2002; Fl. 370DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10521.000497/200715 Acórdão n.º 3102001.664 S3C1T2 Fl. 370 3 5) Descrição incompleta da mercadoria descrita na adição n.° 009, multa de 1% sobre o valor aduaneiro, nos termos do art. 69, § 2.°, III, da Lei n.° 10.833/2003; 6) Prestação de forma inexata de informação de natureza comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado nas adições n.'s 029, 030, 043 a 050, multa de 1% sobre o valor aduaneiro, nos termos do art. 69, §§ 1. 0 e 2.°, da Lei n.° 10.833/2003. Cientificada da autuação, a interessada apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 154/165, alegando o que segue: I Incongruência entre a descrição fática e o enquadramento legal da infração descrita como apresentação da fatura em desacordo com as indicações do regulamento. A autuação foi fundamentada nos arts. 497 a 499 do RA/2002, concluindo com base no art. 502 que trata de hipóteses de afastamento da exigência de fatura. Tal conduta é incompatível com a razoabilidade e inviabiliza a ampla defesa do contribuinte. A incompatibilidade entre fatos e enquadramento legal acarreta a nulidade do auto de infração. II A fiscalização reclassificou os componentes eletrônicos importados mas não comprovou a incompatibilidade do código adotado pela impugnante. A fiscalização alega que pelo fato dos fototransistores serem espécies de fotodiodos, e os dois produtos estarem encapsulados no mesmo invólucro, a classificação correta seria a 8541.40.2. Todavia esta classificação abrange dispositivos fotossensiveis semicondutores montados, o que não é exatamente o caso em tela. 0 dispositivo é um composto por um fotodiodo e um fototransistor, acoplados, encapsulados no mesmo invólucro, não transparente, com a função especifica de ser usado como circuito integrado, juntamente com outros dispositivos. Diferentemente de uma cápsula que contivesse somente diodos, que poderia ser utilizada isoladamente, este dispositivo contém um fototransistor e um fotodiodo encapsulados no mesmo invólucro, alterando suas funções originais, não cabendo a classificação pretendida pela fiscalização. Com estas configurações o dispositivo em questão é um circuito integrado, enquadrandose no código utilizado pela impugnante na DI. Ademais as regras de interpretação estabelecem que no caso de dúvida deverá ser utilizada a NCM de maior número (Regra 3c). III As penalidades aplicadas são confiscatórias pois são por descumprimento de obrigações acessórias, assumindo valor desproporcional ao ato praticado pela impugnante. Discorre sobre o principio do não confisco, trazendo doutrina sobre o assunto. Repisa que as multas aplicadas são nulas por seu caráter confiscatório, irrazoabilidade e desproporcionalidade. IV Requer a nulidade do atuo de infração face ao vicio formal existente; prazo para juntada de documentos; o Fl. 371DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 reenquadramento das mercadorias classificadas inadequadamente pela fiscalização e o recalculo das multas para que restem compatíveis, afastando seu caráter confiscatório. o relatório." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu pela procedência parcial da impugnação, quanto a classificação dos fototransistores, que foram classificados pela fiscalização na posição NCM 8541.40.25, cancelando a exigência do principal e das multas vinculadas a importação referentes a reclassificação deste produto. Cientificada da decisão, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações já apresentadas na impugnação, reafirmando a incongruência entre a descrição fática apresentada e o enquadramento legal que fundamente o respectivo auto de infração. A inadequada classificação fiscal atribuída pela fiscalização aduaneira e por fim, pede o cancelamento das multas em razão do seu caráter confiscatório. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Da discussão sobre a motivação e legalidade do Auto de Infração Inicialmente, por tratar de questão preliminar, merece análise da alegação de nulidade do Auto de infração sob o argumento de falta de clareza da fundamentação fática e da motivação par ao lançamento. Nesta matéria não assiste razão ao Recurso. O Auto de Infração foi realizado dentro das normas legais, atendendo todos os requisitos previstos na legislação quanto a formalização do lançamento tributário, a descrição da motivação esta claramente delineada, demarcando a posição daquela autoridade sob o tema em discussão nos autos. A multa foi corretamente descrita e detalhada, sendo o lançamento objeto de impugnação e julgamento pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento e ainda, não tendo as suas pretensões atendidas, a Recorrente protocolou o competente Recurso Voluntário. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa. O procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, ao devido processo administrativo fiscal. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10521.000497/200715 Acórdão n.º 3102001.664 S3C1T2 Fl. 371 5 Da classificação de mercadorias e da mudança de critério jurídico Quanto ao mérito, os argumentos do Recurso não podem prosperar. Os argumento que apontam falhas no trabalho de classificação adotado pela Fiscalização Aduaneira são genéricas e não enfrentam ou trazem qualquer argumento que possam se contrapor as conclusões do Auto de Infração e da decisão de piso. Se a Recorrente não se conforma com a posição adotada é necessária a apresentação de documentos e fatos a embasar a suas alegações, comprovando que as mercadorias estavam corretamente descritas e de forma suficiente para a correta classificação. O que consta do Recurso são as mesmas alegações genéricas já apresentadas na impugnação e já apreciadas no julgamento da primeira instância. A descrição dos fatos constantes do Auto de Infração (fls. 1 a 18), relata o trabalho detalhado da Fiscalização Aduaneira ao identificou as incoerências e a motivação para a reclassificação das mercadorias importadas. Analisando a situação da exigência da prova para aceitação do pedido, lembro da lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Portanto, a alegação genérica contestando a classificação adotada pela Fiscalização Aduaneira, sem a apresentação de fatos que se contraponham ao relatório fiscal constante do Auto de Infração não são suficiente para afastar a classificação adotada no lançamento. Da alegação que as multas teriam caráter confiscatório e ofensa a princípios constitucionais Quanto à alegação que o lançamento estaria ferindo princípios constitucionais. Também aqui não pode prosperar o recurso. Os princípios constitucionais atingiriam o legislador e estando a multa prevista em Lei e em plena vigência, não há que se considerar qualquer ofensa a preceitos constitucionais. Ainda que pudesse restar alguma dúvida sobre a legalidade sob o viés constitucional do lançamento tributário, mesmo assim, este colegiado não poderia apreciar a matéria, diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária” Assim, por mais, que possam ser relevantes e importantes os argumentos constantes do recurso. Este colegiado é compelido a seguir nos seus julgados, as determinações legais e conforme descrito alhures, as multas aplicadas, foram lastreadas em atos legais normativos vigentes e de cumprimento obrigatório por parte da Fiscalização Aduaneira. Conclusão. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 374DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10166.722899/2010-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por WALMIR DUMONT DE RESENDE.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 22 89 9/ 20 10 -6 6 Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10166.722899/201066 Resolução nº 2202000.301 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, WALMIR DUMONT DE RESENDE, foi emitido Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 03/12), referente aos exercícios 2006, 2007 e 2008, anos calendário 2005, 2006 e 2007, por Auditor Fiscal da Receita Federal, da DRF/BrasíliaDF. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores (fl. 003): Imposto 4.543.591,07 Multa Proporcional (Passível de Redução) 3.407.693,30 Juros de Mora (calculados até 30/11/2010) 2.019.238,02 Total do Crédito Tributário Apurado 9.970.522,39 O lançamento acima foi decorrente da(s) seguinte(s) infração(ões): Omissão de Rendimentos – Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrição dos fatos caracterizadores da infração, constantes do Relatório Fiscal, que é parte integrante do Auto de Infração (fls. 981/992). O contribuinte apresenta impugnação, expondo os motivos de fato e de direito que se seguem, aqui transcrito do relatório da autoridade recorrida: Preliminarmente Nulidade A autoridade fiscalizadora, no procedimento fiscal em tela, requisitou explicações e esclarecimentos sobre diversos "montantes" em dinheiro que, no seu entendimento, cuidavam de depósitos bancários individualmente identificados. Desde a primeira notificação, recebida em 30/03/2009, sempre oportunamente, formulou pedidos de prorrogação de prazo, pois não conseguia encontrar o documento comprobatório da origem dos depósitos indicados. Ocorre que após incessantes investigações, percebeu que as intimações da autoridade fiscal solicitavam a origem de valores de depósitos que representavam um somatório de diversos depósitos feitos no mesmo dia e detalhados na "fita de caixa" (entregues ao fisco). Em sendo assim, não havia como explicar os depósitos indicados pelo fisco, simplesmente porque inexistiam nos importes equivocadamente identificados pelo fisco. Constatado o fato, a partir da resposta da Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10166.722899/201066 Resolução nº 2202000.301 S2C2T2 Fl. 4 3 Intimação n° 002 de 12/08/2010, passou a esclarecer ao fiscal que não era possível explicar cada "depósito" tal como por ele indicado, pois se tratavam de vários depósitos efetuados no mesmo dia e, portanto, caberia ao fisco identificar pormenorizada e individualmente cada um dos depósitos. Neste caminho, o impugnante juntou cópia das fitas de caixa em que revelavam os vários depósitos diários na sua conta, ao invés de um único tomado pela autoridade fiscal. Pois bem, mesmo alertado e reconhecendo o erro, a autoridade fiscal literalmente ignora o fato e agride disposição legal expressa contida no 42 da Lei n° 9.430/96, o que pode ser confirmado na simples leitura do relatório fiscal que acompanha o auto de infração, mais precisamente no item 16, que diz: Em apertada síntese, o que a Autoridade Fiscal sempre solicitou, reiteradamente, ao fiscalizado, ora autuado, mas sem pronto atendimento, foi que o mesmo comprovasse origem de todos os créditos/depósitos, individualizadamente, selecionados no anexo do termo de intimação 001 (fls. 36 a 39), não interessando o valor ou quantos cheques correspondiam a cada crédito / depósito. (...) Ora, se o próprio agente fiscal atesta que os depósitos indicados correspondem ao somatório de diversos depósitos feitos no mesmo dia através de vários cheques de diversos emitentes, como admitir a validade da exigência, flagrantemente contra "legem", exatamente na parte que cuida da premissa da presunção, ou seja, de que a intimação deve apontar cada depósito de forma "individualizada". Transcreve jurisprudência. Ademais, é de se levar em conta que o dever probatório é mais elástico em relação às pessoas físicas que, como sabido, não estão obrigadas a manter uma escrituração contábil. Nessa linha, não se pode esquecer que a autoridade administrativa goza de poderes investigatórios plasmados em lei, tendo, como regra, o ônus de perscrutar a gênese dos fatos geradores, conduta da qual não se desincumbiu o fisco. Cabe informar que se junta, no presente momento, cópias das fitas de caixa, a título exemplificativo, de cada ano em discussão, para demonstrar o alegado acima. Atentamos que se trata apenas de forma exemplificativa, porquanto não constarem todas as movimentações, de todas as fitas de caixas, de todos os depósitos efetuados, por se tratar de volume muito grande e por já ter sido juntado com as respostas das intimações realizadas pela autoridade fiscal, se encontrando, pois na posse da fiscalização. Mérito Erro na identificação do Sujeito Passivo O Contribuinte durante o procedimento investigatório informou à autoridade que se tratava de uma conta adjacente, na qual eram movimentadas operações comerciais de "factoring", típicas de Pessoa Jurídica. Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10166.722899/201066 Resolução nº 2202000.301 S2C2T2 Fl. 5 4 Importante que se atente para o fato de que nas últimas intimações foram requeridas pela fiscalização cópia de contratos, livros caixa, razão e algumas planilhas da empresa de factoring, Dumont Factoring e Fomento Mercantil Ltda., muito embora a empresa não estivesse sob o império do Mandado de Procedimento Fiscal. Aliás, a transparência da conduta do impugnante não poderia ser maior, levando ao conhecimento do fisco todas as nuances da situação, nada escondendo. A propósito, em caso absolutamente semelhantes ao destes autos, em inúmeras vezes, diversas DRJs se posicionaram no sentido que a tributação "total" dos depósitos era incorreta, a exemplo do seguinte julgado. Transcreve jurisprudência. É certo, também, que apesar de desobrigado, o impugnante arcou com a tarefa de apresentar os documentos, demonstrando que valores transitados em sua conta bancária tinham relação com operações comerciais e pertencia à empresa de factoring. Contudo, a fiscalização desconsiderou os documentos e argumentos trazidos, aduzindo que o contribuinte não logrou explicar que os depósitos eram efetivamente de terceiros. Ora, ao contribuinte não é dado o direito de verificar a microfilmagem dos cheques/compensação, em razão da Lei de Sigilo Bancário, o que não ocorre em relação à autoridade fiscal, a quem é franqueado pleno acesso à Instituições Financeiras, fazendo concluir que houve recusa em cumprir o seu poder dever de investigar. Como se observa, o pretendido pela fiscalização era que o contribuinte, burlando a lei de sigilo bancário, conseguisse identificar cada emitente dos cheques via compensação, tornando praticamente impossível a produção da prova reclamada. Provas Considerando o impugnante é pessoa física e, portanto, dispensado de escrituração contábil, além da sabida e enorme dificuldade em conseguir cópia de todas as operações junto às instituições financeiras, notadamente depósitos em cheque de terceiros, o que permitiria a explicação das origens dos depósitos objetos do lançamento, protesta, desde logo, pela posterior juntada de razões adicionais, extratos, cópias de cheques e demais documentos. Pedido Assim, com as presentes considerações e diante das evidências, elementos de prova já colacionados e os que porventura vierem aos autos, espera e confia o impugnante que seu apelo seja conhecido e provido para, conseqüentemente, decretar a total e absoluta improcedência da equivocada ação fiscal. A DRJ ao apreciar as razões do contribuinte, julgou a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10166.722899/201066 Resolução nº 2202000.301 S2C2T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito interpõe recurso voluntário onde reitera razões da impugnação, destacando os seguintes pontos: Preliminar de nulidade, tendo em vista que a interessada foi intimada a prestar esclarecimentos sobre depósitos realizados em conjunto. Quando um depósito não se trata de um depósito apenas, mas sim de um somatório de depósitos. De que se tratava de conta adjacente tendo em vista que muito depósitos não seriam dele mas de factoring. Do sigilo bancário. Da existência de conta conjunta, que sempre teria sido informado nos termos que referida conta era conjunta. Apresenta com o recurso cópia de cheque onde indica a conta ser conjunta. Na sessão de 16/05/2012, o processo foi colocado em pauta nesta Turma, tendo sido decidido converter o processo em diligência para esclarecer se a senhora Margareth de Oliveira Resende seria cotitular da referida conta nos anos calendários de 2005 a 2007. Na informação fiscal de fls. 1158, a autoridade fiscal indicam que as contas eram conjuntas. A sua resposta foi fundamentada na declaração de fls. 1159 onde o Banco Bradesco, por seu preposto informa que as contas são conjuntas com a segunda titulas Sra. Margareth de Oliveira Resende. É o relatório. Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10166.722899/201066 Resolução nº 2202000.301 S2C2T2 Fl. 7 6 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. O recorrente no recurso afirma que a Conta objeto do lançamento seria conjunta com a Sra. Margareth de Oliveira Resende, apresenta para isso cópia de cheque às fls. 1137. Ocorre que nos extratos não figura o nome da referida cotitular. Como resultado da resolução, foi intimado o Banco Bradesco a informar se as conta seria conjunta, bem como apresentar comprovantes que no período em análise 2005 a 2007, documentação que comprove tal situação. Entendo que apesar da instituição financeira ter registrado que as contas são conjuntas (fls. 1159), não está comprovado se as mesma eram conjuntas nos anos objeto do lançamento 2005 a 2007. Acrescentese que o próprio termo da diligência solicitada pela autoridade fiscal não foi realizado no que toca as provas de que efetivamente a conta seria conjunta em 2005 a 2007. A declaração do Bradesco, por seu proposto, também não esclarece se no período objeto do lançamento a referida conta seria conjunta, firmando apenas no sentido de que são conjuntas quando do momento da realização da declaração, 05/06/2012. Diante dos fatos, tendo em vista a alegação de conta conjunta, bem como para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de origem reintime o Banco Bradesco para esclarecer definitivamente, se a senhora Margareth de Oliveira Resende seria cotitular da referida conta nos anos calendários de 2005 a 2007. Não basta afirmar que a conta é conjunta agora, é necessário que eventual nova declaração e as provas cadastrais atestem que em 2005 a 2007, a mesma era cotitular. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723262/2010-08
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício:2008
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita
compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando
a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar
em nulidade dos atos em litígio.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de
defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena
de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
LUCRO ARBITRADO.OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracterizase
como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à
pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade
determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e
jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas
infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os
resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram
dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.009
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO ARBITRADO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Processo nº 11080.723262/201008 Acórdão n.º 180101.009 S1TE01 Fl. 3.505 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente em Exercício Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Exclusão do Simples A partir da Representação Fiscal para fins de Exclusão do Simples, fls. 0215, a Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) foi excluída de ofício pelo o Ato Declaratório Executivo DRF/POA/RS nº 168, de 23.08.2010, com efeitos a partir de 01.01.2005, em virtude de prática reiterada de infração à legislação tributária, fl. 2.838 (inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996), formalizado no processo fiscal nº 11080.722736/201096. Também a Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) foi excluída de ofício mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/POA/RS nº 170, de 23.08.2010, com efeitos a partir de 01.07.2007, em virtude de prática reiterada de infração à legislação tributária, fl. 2.839 (inciso V do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e inciso V do art. 5º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007), formalizado no processo fiscal nº 11080.723262/201008. Autos de Infração I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 2.8632.869 com a exigência do crédito tributário no valor de R$455.312,85, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional Processo nº 11080.723262/201008 Acórdão n.º 180101.009 S1TE01 Fl. 3.506 3 qualificada, referente aos terceiros e quarto trimestres do anocalendário de 2007 apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado. O lançamento se fundamenta nas infrações referentes à omissão de receitas de prestação de serviços e receita de prestação de serviços apuradas a partir da receita conhecida pelo cotejo entre os valores informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), Livro Caixa, fls. 2.8252.831 e aqueles constantes nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentadas pelas fontes pagadoras, no caso, companhias aéreas, fls. 36, 411.334. Também foram considerados os valores informados pela pessoa jurídica IATA Internacional Air Transport Association, CNPJ 33.291.022/000107, que é o órgão responsável por centralizar as informações referentes às relações comerciais entre as companhias aéreas e a Recorrente, fls. 1.3352.794. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 532 e art. 537 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 2.8702.877 com a exigência do crédito tributário no valor de R$30.529,11 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único e alínea “a” do inciso I do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. III – O Auto de Infração às fls. 2.8782.885 com a exigência do crédito tributário no valor de R$138.855,52 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 2.8862.892 com a exigência do crédito tributário no valor de R$133.353,16 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Houve a lavratura do Termo de Cientificação de Arrolamento de Bens e Direitos (art. 64 e art. 64A da Lei nº 9.532, 10 de dezembro de 1997). Instauração do Litígio Processo nº 11080.723262/201008 Acórdão n.º 180101.009 S1TE01 Fl. 3.507 4 A Recorrente foi cientificada do Ato Declaratório Executivo DRF/POA/RS nº 168, de 23.08.2010, com efeitos a partir de 01.01.2005, fl. 2.838 e do Ato Declaratório Executivo DRF/POA/RS nº 170, de 23.08.2010, fl. 2.839 em 24.09.2010, fl. 2.841. Também foi intimada dos Autos de Infração em 21.10.2010, fls. 2.867, 2.875, 2.883 e 2.890. Por estas razões, apresentou a manifestação de inconformidade em 05.09.2010, fls. 2.9032.919 e a impugnação em 23.11.2010, fls. 3.0103.027, com as alegações abaixo sintetizadas. Insurgese contra a exclusão do Simples e do Simples Nacional. Tece esclarecimentos sobre a atividade econômica desenvolvida de agência de viagem e turismo aduzindo que atua como agência consolidadora, isto é, pode emitir bilhetes aéreos por ser registrada junto a pessoa jurídica IATA Internacional Air Transport Association. Informa que é a garantidora do risco do negócio entre as companhias aéreas e as outras agências de viagens e turismo. Suscita que nesta qualidade atua como intermediadora na venda de passagens aéreas para outras agências e aufere receita a título de comissão e incentivo por estas operações comerciais, que é variável em razão de diversas circunstâncias. Explica que o vinculo jurídico com as mencionadas agências se limita a habitálas a emitir passagens para os consumidores finais de várias companhias aéreas. Reitera que não comercializa passagens aéreas diretamente com os usuários, mas tãosomente mantém relações comerciais com outras agências. Procura demonstrar que o procedimento fiscal está equivocado em relação ao entendimento de que aufere receita bruta da comercialização de passagens aéreas diretamente ao consumidor final. Embora as faturas emitidas pelas companhias aéreas estejam em seu nome, alega sua atividade é intermediação de negócios e que tem direito tãosomente a comissão e o incentivo, uma vez que repassa os valores correspondentes para outras agências, por força contratual, conforme as provas que diz produzir nos autos. Explica que adota o regime de caixa e que é indevido considerar como receita auferida a parcela do valor que repassa outras agências. Solicita a produção de todos os meios de prova e a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que os atos administrativos devem ser anulados. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1032.816, de 14.07.2011, fls. 3.4503.461: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 OMISSÃO DE RECEITA. REMUNERAÇÃO NA INTERMEDIAÇÃO DE PASSAGENS AÉREAS. Processo nº 11080.723262/201008 Acórdão n.º 180101.009 S1TE01 Fl. 3.508 5 A inclusão parcial da receita auferida na intermediação de vendas de passagens aéreas, caracteriza omissão de receita. RECEITA BRUTA. DEDUÇÃO DE VALORES PAGOS/REPASSADOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Na atividade de intermediação de vendas de passagens aéreas, quando os serviços são prestados por conta e exclusiva responsabilidade de agência de viagens e turismo, que executa a função de “consolidadora”, a totalidade dos valores recebidos das companhias aéreas a título de comissões e incentivos integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda e das contribuições, não tendo amparo legal a dedução dos valores pagos/repassados a terceiros na tributação do Simples Nacional. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. OMISSÃO DE RECEITA A omissão de receita por vários meses seguidos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, implicando na exclusão do Simples Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 INTEMPESTIVIDADE. A impugnação intempestiva não instaura o contraditório. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS, CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Notificada em 12.08.2011, fl. 3.470, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 08.09.2011, fls. 3.4723.492, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Esclarece que o litígio se limita às alegações referentes aos Autos de Infração. Por se tratar de matéria a ser apreciada conjuntamente a este processo, foi juntado o processo nº 11080.726175/201002, fl. 3.448. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Processo nº 11080.723262/201008 Acórdão n.º 180101.009 S1TE01 Fl. 3.509 6 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência 2. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Processo nº 11080.723262/201008 Acórdão n.º 180101.009 S1TE01 Fl. 3.510 7 nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior. Em relação à receita bruta ser conhecida, o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no recebimento de créditos, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. Vale esclarecer que permanece a obrigatoriedade de comprovação das receitas efetivamente recebidas ou auferidas. Este regime não é uma sanção, tanto que a pessoa jurídica, desde que preencha as condições legais, pode optar pelo lucro arbitrado com base na receita conhecida mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido correspondente Processo nº 11080.723262/201008 Acórdão n.º 180101.009 S1TE01 Fl. 3.511 8 ao período. Também pode adotar a tributação com base no lucro presumido nos demais trimestres do anocalendário, desde que não esteja obrigada à apuração pelo lucro real. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. Esta apuração de ofício, todavia, não é inválida pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito que, após regular intimação,deixaram de ser exibidos no procedimento fiscal3. Tem cabimento a análise fática. No presente caso, o somatório dos serviços prestados é o valor total das comissões e incentivos que a Recorrente percebeu pela intermediação na venda de passagens aéreas, conforme valores informados pelas companhias aéreas nas DIRF, fls. 36, 1.3151.334, bem como em relatórios de faturamento emitidos pela TAM Linhas Aéreas S/A, CNPJ 02.012862/000160, referente à vôos domésticos, fls. 411.314 e pela IATA International Air Transport Association, CNPJ 33.291.022/000107, referente à vôos internacionais, fls. 1.335 2.794. Ademais, a Recorrente não dispõe de escrituração completa que viesse a registrar os ingressos e os alegados repasses às agências de turismo, fl. 2.848 e ainda nos contratos apresentados por ocasião da ação fiscal, fls. 2.8082.824 e junto da peça de defesa, fls. 2.978 3.007, revelam que as relações jurídicas e comerciais se dão, em regra, entre a Recorrente e as companhias aéreas. O acordo comercial com a Qantas Airways Limited, CNPJ 03.589.123/0001 44, estabelece os valores da comissão e do incentivo deve ser pago à Recorrente fls. 3.000 3.007. Não há determinação da quantia a ser repassada a outras agências de viagens e turismo, que deveria ser estipulado livremente em contratos de repasse entre aquela e esta, os quais não foram juntados aos autos. Nos acordos comerciais com a British Airways PLC, fls. 2.978 2.985, com a South África Airways, fls. 2.9952.999 e com a Deutsch Lufthansa AG, fls. 2.9912.994 não constam ajustes sobre repasses de valores a outras agências de viagens e turismo, em alguns casos, tãosomente as condições sobre as comissões e incentivos devidos à Recorrente. A American Airlines se limitar a informar que tem obrigação legal de emitir notas fiscais, fl. 2.987. Por seu turno, a Webjet Linhas Aéreas informa o percentual de comissão devido à Recorrente, fls. 2.9882.990, porém, esta pessoa jurídica não está relacionada entre aquelas que estão relacionadas nas Planilhas 1, 2 e 3 elaboradas pelas autoridades fiscais, fls. 2.8542.856. Nas notas fiscais de comissões emitidas pelas agências de viagens e turismo em nome das companhias aéreas que instruem os autos, fls. 2.941 e 2.945, temse que decorrem das faturas emitidas pela Recorrente, fls. 2.943 e 2.946. Analisando todos estes documentos verificase que não foram produzidos no processo novos elementos de prova suficientemente robustos para ilidir a exigência, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. 3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º e art. 47 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15, art. 16 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º, art. 25, art. 26 e art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 59. Processo nº 11080.723262/201008 Acórdão n.º 180101.009 S1TE01 Fl. 3.512 9 No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso4. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade5. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo6. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 4 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 5 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 6 Fundamentação Legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.
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Numero do processo: 10166.911293/2009-60
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/03/2004
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NORMA INTERPRETATIVA. EFEITO RETROATIVO. EXCLUSÃO DA PENALIDADE. CABIMENTO.
Em qualquer caso, deve ser excluída a penalidade por infração à norma tributária expressamente interpretativa e, portanto, com efeito retroativo, incluída, a multa de mora referente ao pagamento ou compensação realizada após o prazo de vencimento do tributo (art. 106, I, do CTN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3802-001.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2004 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). COMPROVADA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO REMANESCENTE. HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL. Uma vez comprovada a certeza e liquidez do crédito do crédito passível de restituição e que o valor do débito é igual ao valor crédito utilizado, homologase integralmente a compensação declarada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/03/2004 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NORMA INTERPRETATIVA. EFEITO RETROATIVO. EXCLUSÃO DA PENALIDADE. CABIMENTO. Em qualquer caso, deve ser excluída a penalidade por infração à norma tributária expressamente interpretativa e, portanto, com efeito retroativo, incluída, a multa de mora referente ao pagamento ou compensação realizada após o prazo de vencimento do tributo (art. 106, I, do CTN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 12 93 /2 00 9- 60 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão proferido pelos membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ – Brasília/DF, em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 Compensação em Atraso – Exigência de Multa de Mora. O débito para com a União, decorrente de tributo e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não compensado no prazo previsto na legislação específica, será acrescido de multa de mora. Compensação – Observância das Condições da Lei. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, mas nas condições estipuladas pela lei. Fundamento de Inconstitucionalidade – Processo Administrativo Fiscal – Vedação Entendimento da SRF Expresso em Atos Normativos. É vedado ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. O julgador deve observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos registrados até a prolação do Acórdão de primeiro grau, peço licença para transcrever a seguir o relatório nele encartado: Cuidam os autos de Dcomp – Declaração de Compensação, débito próprio, com crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10166.911293/200960 Acórdão n.º 3802001.269 S3TE02 Fl. 11 3 Irresignada com a homologação parcial da compensação pela instância "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: O crédito não foi suficiente para quitar o débito informado porque a autoridade fiscal cobrou indevidamente multa de mora; É evidente a improcedência dessa penalidade. A multa a que se refere o art. 61 da Lei 9.430/96 somente se aplica na ocorrência de inadimplemento do tributo por culpa ou dolo do contribuinte e está claro que não houve atraso na quitação do tributo, vez que a contribuinte, de boafé, cumpriu rigorosamente as normas emanadas do Legislativo Federal e SRF, ao tempo em que foram editadas as Lei 10.833/03 e 11.196/05 e as Instruções Normativas 468/2004 e 658/2006; Não há que se falar em atraso de pagamento de tributo em função da compensação realizada, já que o recolhimento indevidamente a maior decorreu de incorreta interpretação dada pela SRF ao comando legal em comento, pois, à época do recolhimento, que sempre ocorreu nos seus respectivos vencimentos, a SRF houvesse interpretado corretamente o disposto na alínea “c” do inciso XI do art. 10 da Lei 10.833/2003, não restaria crédito da contribuinte a compensar via PER/Dcomp e não teria levado a contribuinte a refazer os cálculos, decorrendo daí novos valores de débitos e créditos, gerando, conseqüentemente, a compensação em questão; Destaquese, por fim, que as normas tributárias de caráter interpretativo não podem retroagir para prejudicar, abrangendo aí a aplicação de multa, nos termos do art.106I do CTN (a lei aplicase a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados); Diante do demonstrado e comprovado, requer seja homologada a compensação em sua integralidade e seja declarada nula a imposição de multa de mora decorrente do suposto recolhimento em atraso. Em 04/05/2012, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 29/05/2012, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, informou que no âmbito do Processo n° 14033.003351/200865, que trata de questão análoga a do presente caso, relacionado com a Contribuição para o PIS/Pasep, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário da Recorrente, reconhecendo a inaplicabilidade da multa moratória na compensação de tributos. Também no âmbito dos autos da Ação Anulatória n° 74185720104.01.3400, em curso na 21ª Vara Federal do DF, havia sido proferido sentença afastando a incidência da multa moratória em compensação de débitos/créditos da Cofins, em situação semelhante ao presente recurso. Ambas as decisões foram colacionadas aos autos. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 No final, requereu provimento do presente Recurso Voluntário e a reforma do Acórdão recorrido, para que fosse declarada nula a multa moratória exigida e homologada, por completo, a compensação realizada por meio da DComp colacionada aos autos. Em 30/05/2012, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de junho 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro, em conformidade com o disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, incluindo o limite alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Da leitura do Despacho Decisório colacionado aos autos, extraise que a causa do presente litígio foi a homologação parcial do presente procedimento compensatório, em face do valor do crédito utilizado ter sido inferior ao valor do débito compensado, acrescido da multa de mora, não incluída no computo do valor total do débito informado na DComp em apreço. A Turma de Julgamento de primeira instância manteve o referido Despacho Decisório, sob o argumento de que era devida a cobrança multa mora, porque a compensação fora realizada após o prazo de vencimento do débito e não havia previsão legal para aplicação, ao presente caso, dos efeitos da retroatividade benigna previstos no art. 106, I, do CTN, alegado pela Interessada. No presente Recurso, reafirmou a Recorrente a alegação de que, em face da retroatividade benigna prevista no art. 106, I, do CTN, no caso em tela, era indevida a cobrança da multa de mora sobre o valor do débito compensado, com base no argumento de que tinham natureza interpretativa as normas que introduziram modificação nos critérios de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as receitas relativas aos contratos de longo prazo firmados, por preço determinado, anteriormente a 31 de outubro de 2003. De fato, por força dos esclarecimentos explicitados no art. 1091 da Lei 11.196, de novembro de 2005, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Instrução Normativa SRF nº 638, de 04 de julho de 2006, alterou o critério de apuração das referidas Contribuições incidentes sobre as receitas relativas aos citados contratos, nos casos de reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, para determinar, com 1 "Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § lº do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde lo de novembro de 2003". Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10166.911293/200960 Acórdão n.º 3802001.269 S3TE02 Fl. 12 5 efeito retroativo, que fosse adotado o regime da cumulatividade, ao invés do regime da não cumulatividade, estabelecido na Instrução Normativa SRF nº 468, de 08 de novembro de 2004. Em atendimento a essa nova orientação, a Recorrente refez os cálculos dos valores das Contribuições devidos e realizou a compensação dos novos débitos apurados com os pagamentos indevidos anteriormente realizados dos débitos apurados com base no regime de apuração anteriormente determinado, ou seja, na presente DComp, a Recorrente declarou a compensação do valor do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de julho de 2004, calculo segundo os critério do regime cumulativo, com o crédito do pagamento indevido da referida Contribuição do mesmo mês, apurado de acordo com o regime nãocumulativo. Com base no conteúdo do art. 109 da Lei 11.196, de 2005, entendo que ele inequivocamente introduziu no ordenamento jurídico brasilerio norma tributária de natureza interpretativa, portanto, deve ser aplicada em consonância com o disposto no art. 106, I, do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; [...]. No presente caso, o valor do débito compensado pela Recorrente foi apurado segundo o regime de incidência cumulativa, portanto, em conformidade com a nova orientação estabelecida no referido preceito legal e em cumprimento ao que determinava a Instrução Normativa SRF nº 638, de 04 de julho de 2006. Assim, em face dessa peculiaridade, a multa de mora devida em decorrência da compensação extemporânea do referido débito deve ser excluída, sob pena de afronta ao disposto no art. 106, I, do CTN. É oportuno esclarecer que, no caso em tela, não está em discussão a legalidade da cobrança da multa de mora nos casos de compensação de débito após o prazo de vencimento, em que, em situação normal, tanto o atraso no pagamento quanto a compensação realizada após o prazo de vencimento do tributo, obviamente, configura a mora do sujeito passivo, dando ensejo a aplicação da referida penalidade, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No entanto, a situação objeto da presente lide é distinta, ou seja, aqui se discute a legalidade da cobrança da multa de mora, na hipótese em que o sujeito passivo agiu em consonância com a orientação determinada por norma tributária expedida por autoridade competente da RFB e com efeito retroativo. Veja que, no presente caso, em decorrência do efeito retroativo da novel legislação, um critério diverso de apuração das Contribuições incidentes sobre as referidas receitas foi determinado pela própria Administração Tributária, consequentemente, o cálculo dos novos valores dos débitos atinentes aos períodos anteriores a edição das referidas normas, evidentemente, só poderia ser realizado após a data do vencimento das referidas Contribuições, logo, por impossibilidade material de retroceder no tempo, obviamente, não havia como a Recorrente proceder a quitação dos novos valores no prazo de vencimento originariamente estabelecido. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Assim, resta demonstrada a necessidade de obediência ao mandamento estabelecido no inciso I do art. 106 do CTN, devendo ser excluída qualquer tipo penalidade decorrente da infração à norma interpretada, inclusive, a penalidade de natureza moratório. No mesmo sentido foi o entendimento manifestado pelos nobres Conselheiros integrantes da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento, por meio do Acórdão nº 3102001.126, cuja enunciado da ementa segue transcrita: COMPENSAÇÃO. PEDIDO FORA DO PRAZO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EFEITOS RETROATIVOS. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Não se considera em mora o pedido de compensação do crédito tributário apresentado fora do prazo, quando decorrente de revisão da metodologia de cálculo dos tributos motivada por nova interpretação da legislação tributária determinada em ato editado pelo Poder Público com efeitos retroativos. Recurso Voluntário Provido (Processo n° 14033.003351/2008 65, Recurso Voluntário nº 902.357. Rel. Ricardo Paulo Rosa, Sessão de 08 de julho de 2001) Por fim, entendo oportuno ainda destacar que, no presente procedimento compensatório, o valor do crédito utilizado foi igual ao valor do débito compensado, ou seja, com a compensação em tela não houve qualquer prejuízo ou benefício à Fazenda Nacional nem tampouco à Interessada. De fato, a compensação em apreço teve o condão de restabelecer o mesmo efeito econômicofinanceiro decorrente do pagamento realizado na data de vencimento do tributo, fazendo com que a compensação não agravasse nem minorasse a situação de qualquer das partes, conferindo neutralidade ao procedimento compensatório. Com base nessas considerações, estou plenamente convencido que, no caso em tela, não cabe a aplicação da multa de mora sobre o valor do débito compensado na presente DComp, em consequência, inexiste o saldo remanescente do respectivo débito a ser compensado, conforme disposto no presente Despacho Decisório. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao presente Recurso, para homologar a compensação declarada. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 11041.000123/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2401-000.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 41 .0 00 12 3/ 20 10 -6 1 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11041.000123/201061 Resolução nº 2401000.258 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de retorno de diligência comandada por meio da Resolução nº 2401 00.181 desta 4ª Câmara de Julgamento no intuito de identificar o andamento das NFLD vinculadas aos fatos geradores constantes desse Auto de infração, evitando decisões discordantes, FL. 89 a 92. Para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as informações acerca do lançamento efetuado. O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado sob o n.37.248.2023, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Na fiscalização realizada foi apurado que nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP referentes As competências 02/2005, 12/2005, 01/2006 e 05/2006 a 08/2006 apresentadas, não foram declarados os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias em especial ao que tange aos: • Contribuições devidas a Previdência Social incidentes sobre as remunerações de todos os segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços a empresa; • Contribuições devidas a Previdência Social incidentes sobre a comercialização de produtos rurais adquiridos de produtoras rurais pessoas físicas. Notese que a autoridade fiscal já adequou a multa aplicada aos termos da lei 11.941/2008. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 01/03/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 19/03/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 49. O processo foi baixado em diligência, para que fossem prestados esclarecimentos acerca do argumento do recorrente que possui parcelamento com base na lei 11941/2008. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 59 a 61 . Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 65 a 70. Em síntese requer o recorrente: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11041.000123/201061 Resolução nº 2401000.258 S2C4T1 Fl. 4 3 Tratandose Termo de Inicio de Fiscalização, ele é válido por 60 dias, conforme prevê o § 20 do art. 28 do RPAF/99, podendo ser prorrogado, desde que a prorrogação seja comunicada ao sujeito • passivo, como prevê o § 1° do mesmo dispositivo regulamentar. Ocorre que no presente caso a ação fiscal iniciouse em 18/05/2009, conforme se depreende do Relatório Fiscal do Auto de Infração. Inobstante, o Auto de Infração foi lavrado quase um ano depois, em 19/0312010. Assim, deverá ser declarado nulo o procedimento fiscal porque o Auto de Infração foi lavrado após o prazo de validade do termo de Inicio de Fiscalização, considerando que o autuante não mais estava autorizado a prosseguir com a ação fiscal. No mérito ocorre que os arquivos foram devidamente entregues, tanto que deram origem a outras autuações, de ifs. 37.248.2058, 37.248.2066, 37.248.2074. Ora, Ilustres Julgadores, caso não tivessem sido apresentadas as informações na forma prevista pela Receita Federal, como teria este órgão chegado à conclusão da existência de irregularidades e dividas e feito as autuações acima? O simples fato de existirem erros não pode ser motivo para aplicação de multa de quase R$ 50.000,00, quantia esta referente a folha de pagamento de um mês da empresa, e que retirada do giro, acarretará certamente sérios problemas de caixa e inclusive de pagamento de funcionários. Outrossim, quando da aplicação da multa deixou a Receita Federal de apreciar o que dispõe o art. 32A da Medida Provisória 449 de 2008. Referido dispositivo legal determina que, caso sejam verificadas incorreções ou omissões nas declarações, a empresa deverá ser intimada a corrigílas e só posteriormente, caso não o faça, estará sujeita as multas ali previstas. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. O processo foi baixado em diligência, fls. 89 a 92, tendo a DRFB prestado esclarecimentos no seguinte sentido: DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial ao presente julgamento. A decisão da procedência ou não do presente autode infração está ligado à sorte das Notificações Fiscais lavradas sob fatos geradores de mesmo fundamento, quais sejam: DEBCAD Nº 37.248.2058, 37.248.2066, 37.248.2074, 37.248.2082 e 37.248.209 0 sendo que não se identificou decisão final a respeito das mesmas nos sistemas, nem tampouco é possível identificar de quais fatos geradores constam em cada AI. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível a análise tendo por base o resultado das referidas Notificações Fiscais. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11041.000123/201061 Resolução nº 2401000.258 S2C4T1 Fl. 5 4 Dessa forma, para que se possa proceder ao julgamento, devem ser prestadas informações acerca dos AI – Obrigações Principais conexo(s). Caso os referidas AI já tenham sido quitadas, parceladas ou julgadas deve ser colacionada tal informação aos presentes autos. No caso, requer seja realizado detalhamento acerca do resultado, do período do crédito e da matéria objeto de cada AI, para que se possa identificar corretamente a correlação de cada AI com seu resultado e proceder ao julgamento do auto em questão. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser prestadas as informações nos termos acima descritos. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vista ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento, após ter intimado o contribuinte a prestar as informações descrita na resolução que solicitou esclarecimentos acerca das NFLD correlatas. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11041.000123/201061 Resolução nº 2401000.258 S2C4T1 Fl. 6 5 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Em se tratando de retorno de diligência comandado por este conselho, despiciendo a análise dos pressupostos, tendo em vista já terem sido avaliados quando do primeiro julgamento. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, bem como ter sido o julgamento convertido em diligência anteriormente, ainda persiste a impossibilidade do julgamento. Considerando a conexão do processo ora em julgamento e dos processos DEBCAD Nº 37.248.2058, 37.248.2066, 37.248.2074, 37.248.2082 e 37.248.2090, para o qual, naquela oportunidade, foram solicitados esclarecimentos acerca da situação do resultado das NFLD correlatas. A decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte das Notificações Fiscais lavradas sob fatos geradores de mesmo fundamento, quais sejam: DEBCAD Nº 37.248.2058, 37.248.2066, 37.248.2074, 2 e 37.248.2090 sendo que não se identificou decisão final a respeito das mesmas nos sistemas do CARF, não sendo possível identificar quais fatos geradores constam em cada NFLD, de acordo com as informações descritas pela autoridade fiscal. Observase que o DEBCAD 37.248.2082 (processo 11041.000129/201038) foi sorteado para 3 Câmara de Julgamento, aguardando julgamento. Assim, para evitar decisões discordantes, fazse imprescindível a análise tendo por base o resultado das referidas Notificações Fiscais, tendo em vista que tratam de caracterizações de segurados empregados, seja enquanto contratados por intermédio de cooperativas, ou mesmo de pessoas jurídicas, cuja matéria probatória constante daqueles autos, é imprescindível para que se determine a procedência do processo ora sob julgamento. Contudo, essa informações não tem que ser prestadas pelo contribuinte, mas pelo fisco que procedeu ao lançamento, e que tem condições de identificar o conteudo das NFLD lavradas. Dessa forma, para que se possa proceder ao julgamento, devem ser prestadas informações acerca da NFLD conexo(s). Caso as referidas NFLD já tenham sido quitadas, parceladas ou julgadas deve ser colacionada tal informação aos presentes autos. No caso, requer seja realizado detalhamento acerca do resultado, do novo numero de identificação do Processo (já que a pesquisa por meio do DEBCAD tornase impraticável no âmbito do CARF, do período do crédito e da matéria objeto de cada NFLD, para que se possa identificar corretamente a correlação de cada AI com seu resultado e proceder ao julgamento do auto em questão. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser prestadas as informações nos termos acima descritos. Do resultado da diligência, antes de os Fl. 105DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11041.000123/201061 Resolução nº 2401000.258 S2C4T1 Fl. 7 6 autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vista ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 14485.001778/2007-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2006
LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA.
A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, mas também exige critérios claros e objetivos quando da negociação firmada.
Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00 sujeitam-se às contribuições devidas à seguridade social.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS.
Falece a este Colegiado se manifestar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, ex vi súmula nº 28.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
Reconhecida corretamente, pelo julgador de primeiro grau, o período decadencial com fulcro no artigo 150, §4° do CTN, não há reparo a ser efetivado pelo Colegiado recursal.
CONEXÃO.LANÇAMENTOS EFETUADOS NA MESMA AÇÃO FISCAL.INEXISTÊNCIA.
Em que pese a conveniência do simultâneo julgamento de matérias afins do mesmo contribuinte, evitando-se decisões divergentes versando sobre situações análogas, o fato de existir outro processo de débito em trâmite normal não é fator impeditivo de julgamento por esta Turma do presente lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-001.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marsico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2006 LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, mas também exige critérios claros e objetivos quando da negociação firmada. Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00 sujeitam-se às contribuições devidas à seguridade social. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. Falece a este Colegiado se manifestar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, ex vi súmula nº 28. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Reconhecida corretamente, pelo julgador de primeiro grau, o período decadencial com fulcro no artigo 150, §4° do CTN, não há reparo a ser efetivado pelo Colegiado recursal. CONEXÃO.LANÇAMENTOS EFETUADOS NA MESMA AÇÃO FISCAL.INEXISTÊNCIA. Em que pese a conveniência do simultâneo julgamento de matérias afins do mesmo contribuinte, evitando-se decisões divergentes versando sobre situações análogas, o fato de existir outro processo de débito em trâmite normal não é fator impeditivo de julgamento por esta Turma do presente lançamento. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marsico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2006 LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, mas também exige critérios claros e objetivos quando da negociação firmada. Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00 sujeitamse às contribuições devidas à seguridade social. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. Falece a este Colegiado se manifestar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, ex vi súmula nº 28. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 17 78 /2 00 7- 20 Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001778/200720 Acórdão n.º 2803001.968 S2TE03 Fl. 3 2 Reconhecida corretamente, pelo julgador de primeiro grau, o período decadencial com fulcro no artigo 150, §4° do CTN, não há reparo a ser efetivado pelo Colegiado recursal. CONEXÃO.LANÇAMENTOS EFETUADOS NA MESMA AÇÃO FISCAL.INEXISTÊNCIA. Em que pese a conveniência do simultâneo julgamento de matérias afins do mesmo contribuinte, evitandose decisões divergentes versando sobre situações análogas, o fato de existir outro processo de débito em trâmite normal não é fator impeditivo de julgamento por esta Turma do presente lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marsico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001778/200720 Acórdão n.º 2803001.968 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados que não atenderam aos que previsto na Lei n° 10.101, de 19/12/2000 artigo 2°, §1°, artigo 3°, § 2° e incisos. O acórdão n° 1616.809 fls. 946/965, foi anulado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, sendo então emitido novo acórdão 1626.883, objeto deste recurso. O acórdão impugnado – fls 1.287 e ss, conclui pela procedência parcial da Notificação lavrada, reconhecendo a decadência referente às competências 04/1999 a 08/1999, 02/2000 a 07/2000, 01/2001 a 07/2001 e 10/2001. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · As contribuições em cobro nestes autos são tributos cujo lançamento é por homologação, razão pela qual, tendo havido antecipação do pagamento, a contagem do prazo decadencial quinquenal deve seguir a regra do art. 150, §4° do CTN. · Conexão com os Processos 14485.001705/200738 (Al 37.111.7267) e 14485.001773/200705 (Al 37.133.9359). · Ilegitimidade dos CoResponsáveis Inaplicabilidade do Artigo 135, III, do CTN. · Imunidade das verbas de PLR Art. 7°, XI, da CF/88 Impossibilidade de incidência de Contribuições Previdenciárias no Presente Caso. o O lançamento efetuado decorre do entendimento de que, não tendo a RECORRENTE apresentado critérios objetivos para o pagamento da PLR. (i) não foi estabelecida na Constituição Federal qualquer limitação ao benefício da PLR, de maneira que não pode lei ordinária fazêlo; e (ii) os empregados da RECORRENTE tinham conhecimento prévio dos índices de produtividade, qualidade ou lucratividade que deveriam buscar, uma vez que os acordos eram seqüenciais e seguiam, em geral, os mesmos termos. o A Fiscalização, ratificada pelo v. acórdão recorrido, na contramão da legislação, impõe inúmeras restrições para que sejam aceitos os Acordos Coletivos apresentados pela RECORRENTE, o que fere frontalmente o disposto no inc. XI do art. 7 o da CF. Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001778/200720 Acórdão n.º 2803001.968 S2TE03 Fl. 5 4 o Da devida hermenêutica da legislação aplicável ao caso, concluise o texto constitucional, na parte que desvinculou a PLR da remuneração, é autoaplicável, não podendo ser limitado por legislação infraconstitucional. o Os requisitos enumerados nos incisos dos arts. 2 o e 3 o da Lei n° 10.101/00 têm caráter meramente indicativo, e não poderiam como não fazem afrontar a imunidade objetiva gozada pela PLR em relação às contribuições previdenciárias. o A RECORRENTE adotou expediente plenamente legal, no tocante ao pagamento da PLR; a saber; a Convenção e o Acordo Coletivo, o que demonstra, de forma irrefutável, o cumprimento da legislação trabalhista por parte da RECORRENTE, bem como o respeito e lealdade que esta dedica a seus funcionários, adotando transparência em seu proceder. o Se analisadas as metas estabelecidas no acordo coletivo da RECORRENTE, verificase que estas, de fato, pautamse por índices de produtividade e qualidade do trabalho dos empregados. Com efeito, a Participação nos Lucros é paga a todos os empregados, a partir de critérios bastante claros, definidos previamente, e dos quais os empregados têm pleno conhecimento. Estes critérios encontramse discriminados nas tabelas acostadas aos autos, as quais são cópias idôneas de documentos internos utilizados na empresa RECORRENTE. o O fato de a RECORRENTE parcelar o pagamento da PLR não equivale dizer que o pagamento da PLR é periódico. Este parcelamento é efetuado com vistas a evitarse desfalques no fluxo de caixa da empresa. o Cabe destacar que não se requer a declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo de Lei ou I .orma, mas sim a devida interpretação da Lei n° 10.101/00 o que não é vedado à autoridade administrativa, mas, ao contrário, imposto como poderdever pelo próprio Texto Constitucional. · Suspensão do Procedimento Criminal até o encerramento definitivo do presente Processo. · Ao final, requer: o a) seja acolhida a preliminar de decadência relativa à combatida NFLD, pelos motivos já expostos; o b) seja determinada a exclusão das pessoas físicas e jurídicas arroladas como coresponsáveis do pólo passivo da NFLD combatida; Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001778/200720 Acórdão n.º 2803001.968 S2TE03 Fl. 6 5 o c) ao final, seja parcialmente reformado o v. acórdão recorrido, com o consequente cancelamento total da NFLD n° 37.111.7259 e o arquivamento do processo administrativo instaurado; o d) seja suspenso qualquer ato tendente a iniciar ou notificar outros órgãos acerca do procedimento criminal enquanto não julgado em definitivo o presente processo administrativo. É o relatório. Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001778/200720 Acórdão n.º 2803001.968 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4º e 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. Transcrevemos o artigo 173 : Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria na hipóteses de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001778/200720 Acórdão n.º 2803001.968 S2TE03 Fl. 8 7 “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Já o artigo 150, § 4º, informa: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) No presente caso, a DRJ/SP1 aplicou a regra do art 173, uma vez que o relatório DAD DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO, não registra pagamentos parciais. Da legislação retro, correto o entendimento adotado, o que resultou no reconhecimento da decadência referente a todos os lançamentos que abarcaram competências anteriores a 11/2001, inclusive, uma vez que a ciência do débito foi em 31/10/2007. Nessa linha já se manifestou o STJ, no rito do art. 543C do Código Processual, consoante RESP 973.733/SC e nos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), DJe 26/02/2010, que transcrevo. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001778/200720 Acórdão n.º 2803001.968 S2TE03 Fl. 9 8 tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Ante o exposto, correta a regra decadencial aplicada pelo órgão a quo, não havendo o que reparar no que decidido. DO JULGAMENTO CONJUNTO COM OS PROCESSOS 14485.001705/200738 (Al 37.111.7267) e 14485.001773/200705 (Al 37.133.9359). Em que pese a conveniência do simultâneo julgamento de matérias afins do mesmo contribuinte, evitandose decisões divergentes versando sobre situações análogas, o fato de existir outro processo de débito em trâmite normal não é fator impeditivo de julgamento por esta Turma da presente Notificação. Os documentos de débitos lavrados em razão do descumprimento de obrigação acessória, e do não recolhimento devido caso dos autos são autônomos, com distintos fatos geradores e fundamentação legal diversa, não se exigindo o conjunto julgamento. Nessa linha, no RE 250844/SP, de 29.5.2012, O Min. Luiz Fux explicitou que, no Direito Tributário, inexistiria a vinculação de o acessório seguir o principal, porquanto haveria obrigações acessórias autônomas e obrigação principal tributária. Também não há que se falar em decisões conflitantes, pois o que for decidido no presente processo em nada irá alterar o que decidido em outros processos da mesma empresa a serem julgados nesta ou em outra Turma de julgamento, a comprovar a inexistência de alcance comum entre os mesmos. Os processos seguirão o rito normal, com disponibilização de prazos para recurso, etc., como acontece rotineiramente neste Conselho. A título de registro, em praticamente todas as sessões desta Turma Especial são julgados apenas parte de processos lavrados na mesma ação fiscal, sem se levantar eventuais conexões. Ante o exposto, não vislumbro a conexão suscitada. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001778/200720 Acórdão n.º 2803001.968 S2TE03 Fl. 10 9 A lei 10.101/00 veio a efetivar a previsão constitucional trazida no art. 7º, XI, referente à participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. Complementando, a lei 8.212/91 em seu art. 28 § 9º, exclui a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga de acordo com a lei 10.101/00, do conceito de salário de contribuição. O Relatório fiscal informa: 1. Os valores pagos pela empresa, à titulo de Participação em Lucros e Resultados, foram estipulados de acordo com a clausula 5a do Acordo ou Convenção Coletiva firmado entre o Sindicato das Empresas de Garagens e Estacionamentos do Estado de São Paulo e o Sindicato dos Empregados em Estacionamentos e Garagens do Estado de São Paulo (cópias exemplificativas do Acordo Coletivo 2000/2001 e da Convenção Coletiva 2004/2006) . Os valores pagos durante os anos de 1.999 e 2.000 receberam, nas folhas de pagamento, o nome de ABONO ARTS AC — Verba 1038. Nos anos de 2.001 a 2.006 foi utilizada a verba 1063 — PART LUC E RESULT. Além disso, nos anos de 1.999 a 2.001 o valor do PLR foi dividido em 4 parcelas e nos anos de 2.002 a 2.006 houve o pagamento em 3 vezes. O pagamento do PLR em mais de uma vez contraria o parágrafo segundo do artigo terceiro da Lei 10.101 de 19/12/2000 (anteriormente transcrito), que cita que tal pagamento não pode ser efetuado com periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de 2 vezes no mesmo ano civil. 2. Os acordos ou Convenções Coletivos apresentados não apresentam qualquer meta ou resultado a ser atingido para dar ao empregado o direito à recepção do PLR, apenas condicionando a percepção dos valores ao fato de existir um contrato de trabalho vigente em um determinado período de tempo, conferindo também o direito ao recebimento proporcional ao tempo de trabalho do empregado no período. Portanto a condição para o recebimento é passada, já cumprida, não se trata de meta a ser atingida. O exposto neste item contraria o parágrafo primeiro do artigo segundo da lei 10.101 de 19/12/2000 (acima transcrito). As alegações da empresa no recurso apresentado são as já delineadas no relatório deste voto. Passamos a nos manifestar. A lei 8.212/91 informa: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001778/200720 Acórdão n.º 2803001.968 S2TE03 Fl. 11 10 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; O art. 2º da lei 10.101/00, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, assim traz: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º ... § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. O arcabouço normativo citado traz as linhas gerais que devem ser obedecidas pelas empresas quando da implementação de participações nos resultados ou lucros. Não cabe, na esfera administrativa, avaliar eventual inconstitucionalidade das leis em vigor. É o que também expressamente determina o art. 62 do regimento do CARF, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009. Ad argumentandum tantum, o STJ já abordou a matéria sob o prisma suscitado. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DA EMPRESA. INADMISSIBILIDADE. Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001778/200720 Acórdão n.º 2803001.968 S2TE03 Fl. 12 11 I O artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, instituiu como direito do trabalhador a participação nos lucros da empresa, desvinculada de sua remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A legislação aludida apenas poderá regulamentar a forma como será a participação nos lucros, não podendo, contudo, vincular tais valores à remuneração, sob pena de modificar o entendimento expresso no dispositivo legal constitucional. II A norma encimada é de eficácia plena na parte em que desvincula a verba de participação nos lucros da empresa da remuneração, vedando a cobrança da contribuição social sobre tais valores. No que concerne à forma de participação nos lucros e na gestão da empresa tal norma constitucional é de eficácia contida, pois dependia de lei para sua implementação. III Nesse panorama, mesmo antes do advento da Medida Provisória nº 794/94, já era vedada a exigibilidade da contribuição social incidente sobre valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados. Precedentes: REsp nº 283.512/RS, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 31/03/2003, p. 190 e REsp nº 381.834/RS, Rel. Min. GARCIA VIEIRA, DJ de 08/04/2002, p. 153. IV Recurso especial a que se nega provimento Resta assim demonstrado que a norma constitucional insculpida no art. 7°, inciso XI, é norma de eficácia contida, sendo válida sua implementação pela lei 10.101/00. Do que trazido aos autos, constatamse várias irregularidades que demonstram que a recorrente não obedeceu às regras delineadas, senão vejamos. 1. A cláusula 5ª do acordo 2004/2006 determina: a. 5º PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS: i. Ao título acima, o empregado receberá o importe total de R$ 170,00 (cento e setenta reais), a ser pago em 03 (três) parcelas, sendo a primeira no valor de R$ 60,00 (sessenta 'reais), e as demais no valor de R$ 55,00 (cinquenta e cinco reais) cada uma, respectivamente vencíveis nas datas dos pagamentos dos salários de abril, maio e julho de 2.006, entendendose como datas de vencimento as ocorrentes nos 5 05 (quintos) dias Citeis seguintes de cada um dos meses acima assinalados. ii. Parágrafo único O valor em questão será conferido, proporcionalmente ao tempo de trabalho do empregado, durante o período de 01 de setembro de 2004 a 31 de agosto de 2005, sendo certo que, para fins dessa proporcionalidade, computarseá 1/12 (um doze avos) a cada período superior a 15 (quinze) dias Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001778/200720 Acórdão n.º 2803001.968 S2TE03 Fl. 13 12 trabalhados num mesmo mês limitado tanto a 12/12 (doze doze avos); Das regras do PLR assinado, temos as seguintes conclusões: A lei 10.101/00, em seu art. 2º, §1º, determina expressamente a obrigatoriedade de “regras claras e objetivas” na elaboração do PLR, bem como de mecanismos de aferição. O Min Luiz Fux, relator do REsp 865489 (2006/00747495 24/11/2010), transcreve excerto do acórdão hostilizado que resume o que se espera quando da formalização de planos de participação. "Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados No RESP º 856.160 PR (2006/01182238) da Ministra Eliana Calmon traz elucidativa manifestação sobre o tema. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido. Vejamos seu voto. Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001778/200720 Acórdão n.º 2803001.968 S2TE03 Fl. 14 13 O cerne da controvérsia discutida nos autos reside em se definir se o pagamento realizado pela empresa, a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as normas da MP 794/94, convertida na Lei 10.101/00, tem como consequência a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores. (...) Com efeito, a isenção tributária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados deve observar os limites da lei regulamentadora, no caso a MP 794/94 e a Lei 10.101/00, por força da expressa previsão do art. 7º, XI, da Constituição Federal, cuja redação é a seguinte: (...) Também a Lei 8.212/91 possui idêntica previsão no art. 28, § 9º, "j", condicionando a fruição do benefício fiscal em questão à observância da legislação específica. Confirase(...) À luz da previsão legal acima, portanto, não se sustenta o argumento de que não existe lei determinando a incidência da contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei específica, pois, em tal situação, elas perdem essa característica e são tratadas como remuneração, assim entendida como a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título durante o mês, ou seja, a regra é a tributação, afastada apenas se cumpridas as exigências da lei isentiva. Em outras palavras, para o gozo do benefício fiscal pretendido pela recorrente, tornase indispensável a observância da disciplina da lei específica acerca da forma que deve ser creditada a participação nos lucros, como bem decidiu o Tribunal de origem. (...) Diante disso, tenho por devida a contribuição previdenciária se o creditamento da participação dos lucros ou resultados não observou as disposições legais específicas, como estabelece o art. 28, § 9º, "j", da Lei 8.212/91, e conforme bem decidiu o acórdão recorrido que, por isso mesmo, não merece quaisquer reparos No PLR apresentado, não constam regras claras e objetivas, tampouco os mecanismos de aferição, limitandose a conferir o direito proporcionalmente ao tempo de trabalho, o que foge completamente ao escopo da lei. Como bem trazido pela recorrente, o acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais de nº 920200.503, de relatoria do Conselheiro Elias Sampaio, aponta importantes considerações, que transcrevo. O artigo 7°, inciso XI, da Constituição Federal, ao desvincular a participação nos lucros da remuneração, estabeleceu a exigência de lei que disciplinasse a forma desta participação. Assim, as parcelas relativas à participação nos lucros posteriores à edição da Medida Provisória n° 794/94 devem observar os requisitos por ela impostos. Sobretudo porque o art. 28, inciso I, § 9°, da Lei n° 8.212, condiciona a exclusão de tais Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001778/200720 Acórdão n.º 2803001.968 S2TE03 Fl. 15 14 valores do saláriodecontribuição à observância da legislação de regência.(...) A objetividade e clareza exigida pelo § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/00, nada mais representam do que uma forma de se garantir que não hajam dúvidas que impeçam ou dificultem a qualquer das partes envolvidas o direito a observar o quanto fora acordado. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: há uma integração entre o capital e o trabalho, pela recompensa com a participação nos lucros ou resultados por parte do trabalhador e a empresa ganha em aumento da produtividade. (...) Assim, para a PLR ser paga de acordo com a legislação especifica deve,cumulativamente: a) Resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo; b) Do resultado dessa negociação deverão constar regas claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos e quanto a fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo; c) O resultado da negociação deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; d) Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; e) Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil; f) Por fim, a legislação determina formas de resolução de impasses quanto a PLR: a mediação ou a arbitragem de ofertas finais. (...) Destarte, face ao exposto e considerando as cláusulas do acordo coletivo acima transcritas, neste ponto, não tenho como divergir dos fundamentos adotados pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, ao concluir que foram atendidas as exigências de que dos instrumentos decorrentes da negociação entre empregador e empregados constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, ni verbis: Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001778/200720 Acórdão n.º 2803001.968 S2TE03 Fl. 16 15 Resta patente que as regras devem ser claras e objetivas, devendo também constar elementos efetivos de aferição que comprovem o alcance ou não do que proposto e, repisase, nada disso consta do PLR acostado, nem regras claras, tampouco critérios objetivos de aferição. Vejamos jurisprudência deste Conselho. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DE EMPREGADOS NOS LUCROS (PLR). DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade dos valores pagos à título de Programa de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), depende da adoção de regras claras e objetivas, consignadas em acordo/convenção coletiva do sindicato da categoria ou acordo particular adotado através de prévia negociação com comissão de trabalhadores, contando com a participação do respectivo sindicato da categoria. (...) Processo n° 13808.000154/200228. Acórdão n' 180300.467. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial. Sessão de 08 de julho de 2010. Também o acordo pactuado determina pagamentos em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, em desacordo com o art. 3º, §2º da lei 10.101/00. Temos assim que a Participação nos Lucros e Resultados, na forma pactuada, se desvirtua do que preconizado em lei. Vejamos o disposto no art. 28,I da lei 8.212/91, que versa sobre o conceito de salário de contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Percebese a abrangência do conceito, traduzindo a preocupação do legislador com a amplitude da base de cálculo de importante receita previdenciária. Mesmo que tais verbas remuneratórias não sejam pagas mês a mês, estão abarcadas pela norma, uma vez que esta alcança todo e qualquer rendimento pago, a qualquer título, à pessoa física que preste serviço, nos exatos termos da Constituição e da Lei 8.212/91, posto que atreladas ao efetivo exercício da atividade laboral, comprovando sua natureza salarial, inclusive na linha dos precedentes jurisprudenciais já transcritos REsp 865489 (2006/00747495 24/11/2010) e RESP º 856.160 PR (2006/01182238) e ainda em recente decisão também da Corte Superior: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INCIDÊNCIA. POSSIBILIDADE. OMISSÃO QUANTO À LEI Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001778/200720 Acórdão n.º 2803001.968 S2TE03 Fl. 17 16 DE REGÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. RETORNO DOS AUTOS.NECESSIDADE. (...) 2. A isenção tributária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados deve observar os limites da lei regulamentadora; no caso, a Medida Provisória 794/94 e a Lei n. 10.101/00, e também o art. 28, § 9º, "j", da Lei n. 8.212/91, possuem regulamentação idêntica. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas.(...) REsp 1264410 / PR. Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS. DJe 11/05/2012 Tudo de acordo com o parágrafo 10 do artigo 214 do Decreto 3.048/1999, que aprovou o Regulamento da Previdência Social. Art.214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Não obedecidos os critérios determinados pelo art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c a lei 10.101/00, seja pela ausência de regras e de mecanismos de aferição, seja pelos pagamentos em periodicidade inferior ao que determina a lei, tenho que as importâncias distribuídas se enquadram no conceito de salário de contribuição, sujeitos assim à contribuição previdenciária. DO SEGUIMENTO DA REPRESENTAÇÃO PENAL PARA FINS PENAIS Acerca do seguimento da Representação Penal para Fins Penais, aplicase a súmula 28 do CARF, que transcrevo: Súmula CARF nº 28 Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001778/200720 Acórdão n.º 2803001.968 S2TE03 Fl. 18 17 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. DA EXCLUSÃO DOS SÓCIOS DOS RELATÓRIOS REPLEG E VÍNCULOS Os relatórios REPLEG Relatório de Representantes Legais e VÍNCULOS RELAÇÃO DE VÍNCULOS trazem os responsáveis pela administração da empresa, com sua respectiva qualificação e período de atuação. Os referidos relatórios foram lavrados em consonância com a legislação vigente, não tendo que se falar em retificação dos mesmos. Acrescentese que a presença nos referidos relatórios não implica em automática sanção, pois apenas sintetizam informações que constam dos registros públicos de constituição da própria empresa, disponíveis a qualquer cidadão. A responsabilidade pelos débitos apurados, até o presente momento, é somente da empresa autuada. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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