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Numero do processo: 11080.005640/98-49
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
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Numero da decisão: 3802-001.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento,SolonSehn (ausente momentaneamente), Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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A interessada não consta na listagem do sistema IPMF/93, que é a indicação dos correntistas que não tiveram seu IPMF restituído pelas instituições financeiras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento,SolonSehn (ausente momentaneamente), Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 56 40 /9 8- 49 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 5a Turma da DRJ/POA, a qual, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de renúncia à esfera administrativa apresentada pelo julgador Victor Augusto Lampert, pela interposição de pedido com o mesmo objeto em ação judicial, e, no mérito, por unanimidade de votos, em considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 1993 IPMF. RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO Indefiro o pedido de restituição de IPMF se não houve a comprovação requerida na forma estabelecida em ato normativo da Receita Federal do Brasil para o seu implemento, qual seja, a informação prestada pela instituição acerca da sua efetiva reenção e recolhimento. Ademais, a instituiçãoo financeira declarou não ter qualquer informação sobre a requerente nesse sentido. Solicitação indeferida A decisão seguiuse nos seguintes termos: “Em primeiro lugar, acerca da eventual renúncia à esfera administrativa, vejo que o artigo 26 da Portaria MF n. 58 determina: artigo 26. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável da dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte contra Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. Ora, falase em interposiçãoo de ação judicial com o mesmo objeto. A ação judicial proposta pelo contribuinte foi um mandado de segurança para eximirse do recolhimento do IMPF. Mais tarde, procurou executar ou implementar um comando da sentença que lhe conferia o levantamento dos depósitos realizados, tentando incluir recolhimentos efetuados nesse comando. A decisão judicial, transitada em julgado, foi de que não haveria qualquer direito à execução via judicial de repetição de indébito, uma vez que tal ponto nem foi objeto do pedido inicial nem contemplado pelo julgado exequendo. Vêse que o objeto da ação proposta (eximirse da cobrança de IPMF em mandado de segurança) difere do pedido de restituição dos valores recolhidos indevidamente apresentado no presente processo, fato este confirmado pelo próprio Poder Judiciário. Pelo que, conheço do pedido e passo ao seu exame. As Instrções Normativas de ns. 99, de 1993, e, 9, de 1994, prevêm a necessidade da manifestação da instituição financeira que efetuou a retenção para que o pedido de restituição seja deferido pela Receita Federal, respectivamente, de ofício ou a pedido do contribuinte, nos seguintes termos: Instrução Normativa SRF n. 9. Artigo. 2º Para fins do disposto no artigo 1º, as instituições referidas no inciso III do artigo 2º da Lei Complementar nº 77, de 1993, e no artigo Fl. 360DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.005640/9849 Acórdão n.º 3802001.377 S3TE02 Fl. 112 3 1º da Instrução Normativa nº 70, de 5 de agosto de 19993, deverão informar à Secretaria da Receita Federal, em meio magnético, no prazo de trinta dias da data da publicação desta Instrução Normativa, os seguintes dados, relativos aos contribuintes do IPMF: I – nome ou razão social, e o respectivo número de inscrição do CPF ou CGC; e, II – valor do imposto retido, expresso em UFIR da data do pagamento ou recolhimento. Instrução Normativa SRF nº 9: Artigo 1º A restituição do Imposto Provisório sobre a Movimenntação ou a Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira – IPMF, pago ou recolhido no exercício de 1993, poderá ser solicitada pelo próprio contribuinte, mediante outorga do imposto, de autorização para que forneça, à Secretaria da Receita Federal, às informações necessárias, nos termos dos incisos I e II do artigo 2º da IN SRF nº 99/03. No caso presente, a interessada ingressou com o pedido, sem atender o requisito estabelecido na Instrução Normativa nº 9. A delegacia de origem diligentemente procurou investigar: a) a contribuinte já tinha recebido restituição de ofício, fato não confirmado pelas informações constantes dos seus sistemas; b) o contribuinte estava na listagem daqueles que estavam para receber a restituição de ofício, mas sofreram bloqueio pela existência, à época, de dívida impeditiva, fato também não apurado; c) a instituição financeira sucessora fornecia a informação requerida pela instrução normativa, recebendo, mais uma vez, reposta negativa. Vale a pena transcrever a reposta de fls, 227: Informamos que não foi localizada nenhuma informação sobre o valor de IPMF realtivo a ABASTECEDORA DE COMBUSTÍVEIS BUTIÁ LTDA – CNPJ 96.919.311/0001 28, nos arquivos do BANCO DE VRÉDITO REAL DO RIO GRANDE DO SUL S/A – CNPJ 92.691.320/000110. Portanto, nos estritos termos da Instrução Normativa nº 9 e, em observância ao disposto no artigo 7º da Portari MF nº 58, de 2006, que prevê que “o Julgador deve observar o disposto no artigo 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da SRF expresso em atos normativos”, manifesto me pela improcedência da manifestação de inconformidade. Resta examinar se a exigência da Instrução Normativa é arbitrária ou se exige obrigação que o contribuinte está impossibilitado de atender. Em primeiro lugar, a exigência de informação prestada pela instituição financeira acerca da efetiva retenção e recolhimento previne eventual existência de fato modficativo naqueles documentos bancários (extratos) como, por exemplo, estorno dos valores, com a consequente devolução do imposto referido pela própria instituição financeira ou asua cobrança. A interessada complementa sua manifestação de inconformidade com os lançamentos contábeis referentes à contabilização em livro diário das operações nos extratos, mas não garante ou comprova que nao houve estorno ou devolução de valores pela própria instituição financeira. Em segundo lugar, a afirmação textual do banco é de que não localizou registro de retenção ou recolhimento de valores atítulo de IPMF do citado contribuinte, e não de que não há possibilidade de verificação deste fato pela ausência de tais Fl. 361DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 registros, razão pela qual também não vejo como prosperar o entendimento de aceitar as provas trazidas pelo contribuinte pela impossibilidade da sua comprovação junto à instituição financeira. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem ao direito de restituição do valor retido e recolhido do IPMF, tendo em vista as provas colecionadas aos autos. É o relatório. Admissibilidade do Recurso Preenchidos os requisitos regulares do desenvolvimento positivo do Recurso ora interposto pelo recorrente, voto pelo seu Conhecimento e análise do mérito recursal. Voto Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, relator. Tratase de processo administrativo de pedido de restituição de pagamento de IPMF, relativo ao anocalendário de 1993, no montante de R$ 2.043,60, conforme atualização elaborada pelo próprio recorrente. O recorrente alega que referido valor teria sido efetuado por intermédio da conta corrente nº 01.0031111, junto ao Banco de Crédito Real do Rio Grande do Sul, que fora incorporado pelo Banco BANED S/A e que, posteriormente, este também fora incorporado pelo Banco Bradesco S/A. Em sede recursal, o recorrente alega que a retenção do IPMF ocorreu no dia 03/09/1993 e está provada pelo extrato bancário de fls. 163, a retenção do dia 10/09/1993, pelo extrato de fls. 164, e a retenção do dia 17/09/1193, pelo extrato de fls. 166. Por outro lado, nos termos do despacho decisório da DRF/POA, a Receita Federal esclarece que o recorrente não consta da lista dos correntistas que não tiveram seu IPMF restituídos pelas instutições financeiras pelos sistema IPMF/93 e que a própria instutição financeira Banco Bradesco que foi a sucessora do Banco BANED S/A, após devida intimação, respondeu não localizar nenhuma informação sobre o IPMF do recorrente em seus registros. Portanto, a lide administrativa limitase em saber se os documentos apresentados pelo recorrente atedem à legislação de regência e comprovam seu direito de restituição do IPMF ou se devem prevalecer os documentos trazidos aos autos pelo recorrida. Em termos de processo administrativo, a doutrina entende, de forma clássica, que o processo administrativo é instrumento que decorre do dever do Estado de cumprir a lei. Em regra geral, sua instauração se dá para dirimir conflitos internos da própria estrutura da Administração, funcionando como elemento de controle ou autocontrole de legalidade. Sua importância é de tal monta que alcança o status constitucional, inserido dentre os direitos e garantias fundamentais do cidadão (CF/88, art. 5º, inciso LV), dispondo sobre as garantias processuais da ampla defesa e do contraditório, bem como duração razoável do processo e que garanta a celeridade de sua tramitação (Emenda 45/2004). Conforme doutrina, o processo administrativo tem dois conteúdos propriamente ditos, o formal, que corresponde ao procedimento, e o material, que representa o litígio. Nesse sentido, o processo é o instrumento de que se vale o Estado para exercer sua função de autocontrole. E é aqui que esbarramos em dificuldade de complexa superação Fl. 362DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.005640/9849 Acórdão n.º 3802001.377 S3TE02 Fl. 113 5 porquanto não há uniformidade na doutrina sobre o momento exato em que se inicia a etapa processual tributária. Podemos encontrar diversos termos iniciais, tais como: (i) o processo tributário administrativo somente tem lugar após o esgotamento do iter administrativo de determinação tributária (Francisco Martínes); (ii) a existência de atividade jurisdicional perante tribunais estranhos à Administração (Héctor B. Villegas); e (iii) a etapa administrativa deve necessariamente preceder à contenciosa e por esta ser assimilada de modo que se respeite a tese denominada unidade fundamental do processo tributário (Dino Jarach). Dentre tantas teorias, acreditamos que James Marins seja o doutrinador que melhor determinou o início do processo administrativo. Para o autor (2010: 146), as etapas procedimentais e processuais da atividade lançadora praticadas pela Administração Pública não podem ser confundidas porque têm regulamentos distintos. De modo que, por via de regra, a atividade procedimental precede a etapa contenciosa. A etapa contenciosa (processual), nos dizeres do estudioso citado, “caracterizase pelo aparecimento formalizado do conflito de interesses, isto é, transmudase a atividade administrativa de procedimento para processo no momento em que o contribuinte registra seu inconformismo com o ato praticado pela Administração, seja ato de lançamento de tributo ou qualquer outro ato que, no seu entender, lhe cause gravame, como a aplicação de multa por suposto incumprimento de dever instrumental.” Portanto, o processo administrativo tributário somente tem início com a formalização da lide – litigiosidade administrativa – quer se refira ao conteúdo do lançamento obrigacional tributário, quer se refira à aplicação de multa ou da impugnação ao ato de fiscalização ilegal. A Lei nº 9.784, de 29.01.1999, regula o Processo Administrativo da União Federal, no âmbito da Administração direta ou indireta. Referida norma poderá ser considerada como de aplicação subsidiária mesmo aos procedimentos administrativos específicos regulados em normas próprias, como os processos fiscais do Decreto 70.235/72 e do Decretolei 1.455/76. De tal modo que, quando tais procedimentos administrativos específicos não dispuserem de forma diversa, deve a Administração Pública aproveitar a Lei nº 9.784/99. Na doutrina de James Marins (2010: 239), aprendemos que o iter do Processo Administrativo repartese em quatro etapas sucessivas: a) fase de instauração; b) fase de preparação e instrução; c) fase de julgamento; ed) fase de recurso. Este percurso sucessivo, diz o professor, representa o encadeamento procedimental lógico que deve conter a aptidão mínima para cumprir de modo célere e econômico, o objetivo de formalização definitiva do crédito tributário, sem deixar de assegurar a observância das garantias constitucionais elementares ao procedural dueprocess aplicáveis ao processo administrativo de julgamento, isto é: direito a impugnação (artigo 5º, LIV), direito a autoridade julgadora competente (artigo 5º, LIII); direito ao contraditório (artigo 5º, LV); direito à cognição formal e material ampla (artigo 5º, LV); direito à provas (artigo 5º, LV); direito ao recurso hierárquico (artigo 5º, LV) e etc. Como se depreende do exposto acima, o processo administrativo fiscal marcha sobre os trilhos da legislação, que serve em última análise, como elemento de segurança e certeza aos direitos da Administração e dos administrados. Portanto, preliminarmente, cabe verificar se contribuinte ora recorrente cumpriu as exigências normativas para satisfazer seu pedido de restituição. Conforme decisão da DRJ/POA as Instrções Normativas de nº 99, de 1993, e, 9, de 1994, prevêm a necessidade da manifestação da instituição financeira que efetuou a retenção para que o pedido de Fl. 363DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 restituição seja deferido pela Receita Federal, respectivamente, de ofício ou a pedido do contribuinte, nos seguintes termos: Instrução Normativa SRF n. 9. Artigo. 2º Para fins do disposto no artigo 1º, as instituições referidas no inciso III do artigo 2º da Lei Complementar nº 77, de 1993, e no artigo 1º da Instrução Normativa nº 70, de 5 de agosto de 19993, deverão informar à Secretaria da Receita Federal, em meio magnético, no prazo de trinta dias da data da publicação desta Instrução Normativa, os seguintes dados, relativos aos contribuintes do IPMF: I – nome ou razão social, e o respectivo número de inscrição do CPF ou CGC; e, II – valor do imposto retido, expresso em UFIR da data do pagamento ou recolhimento. Instrução Normativa SRF nº 9: Artigo 1º A restituição do Imposto Provisório sobre a Movimentação ou a Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira – IPMF, pago ou recolhido no exercício de 1993, poderá ser solicitada pelo próprio contribuinte, mediante outorga do imposto, de autorização para que forneça, à Secretaria da Receita Federal, às informações necessárias, nos termos dos incisos I e II do artigo 2º da IN SRF nº 99/03. No caso presente, o recorrente ingressou com o pedido, sem atender o requisito estabelecido na Instrução Normativa nº 9. Notese que a delegacia de origem diligentemente procurou investigar: a) se o contribuinte já tinha recebido restituição de ofício, fato não confirmado pelas informações constantes dos seus sistemas; b) se o contribuinte estava na listagem daqueles que estavam para receber a restituição de ofício, mas sofreram bloqueio pela existência, à época, de dívida impeditiva, fato também não apurado; c) se a instituição financeira sucessora fornecia a informação requerida pela instrução normativa, recebendo, mais uma vez, reposta negativa. Nestes termos, vale a pena transcrever a resposta de fls. 227: Informamos que não foi localizada nenhuma informação sobre o valor de IPMF relativo à ABASTECEDORA DE COMBUSTÍVEIS BUTIÁ LTDA – CNPJ 96.919.311/000128, nos arquivos do BANCO DE VRÉDITO REAL DO RIO GRANDE DO SUL S/A – CNPJ 92.691.320/000110. Em ato contínuo, o recorrente complementa sua manifestação de inconformidade com os lançamentos contábeis referentes à contabilização em livro diário das operações nos extratos, mas não garante ou comprova que não houve estorno ou devolução de valores pela própria instituição financeira. Registrese novamente a afirmação textual do banco é de que não localizou registro de retenção ou recolhimento de valores atítulo de IPMF do recorrente. Entendese, portanto, que o caso em exame, o recorrente não cumpriu de forma eficaz e suficiente a produção da prova do fato constitutivo de seu direito de restituição. Além disso, não cumpriu os estritos termos da Instrução Normativa nº 9. Por fim, vale mencionar que a alegada renúncia tácita, indicada em instância inferior, não deve prevalecer porquanto o pedido judicial é alienígena em relação ao pedido administrativo. Votase, assim, pelo conhecimento e pelo desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 364DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.005640/9849 Acórdão n.º 3802001.377 S3TE02 Fl. 114 7 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10935.907061/2011-73
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/03/2004
PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/03/2004 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
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AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 70 61 /2 01 1- 73 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento nº 015070039) emitido em 03/01/2012, indeferiu o Per/DComp 16898.71347.211205.1.2.047402, sob a alegação de que, a partir do DARF apresentado, o crédito nele informado foi integralmente utilizado no pagamento de outros débitos, não restando saldo credor para a restituição pleiteada. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte alegou que apurou as contribuições ao PIS e à Cofins, com base no art. 3º da então vigente Lei nº 9.718/98; que ampliou o conceito de base de cálculo dessas contribuições e que o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE 346.084, julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo trazido por esse dispositivo legal; que a comprovação do recolhimento efetuado a maior se dá através de planilhas de apuração do PIS, as quais demonstram que compuseram a base de cálculo a receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços e outras receitas – financeiras, aluguéis, recuperação de despesas, bem assim dos DARF’s correspondentes anexos, que comprovam o pagamento do valor apurado. Ao final postula pela restituição dos valores pagos a maior a título de PIS, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional e art. 2º, III, ‘c’, da IN RFB 900/08, acrescidos de juros com base na taxa Selic. Em julgamento realizado em 18/04/2013, por meio do Acórdão nº 0640.310, a decisão proferida pela 3ª Turma DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade aviada, consoante transcrição da ementa a seguir ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/03/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas, posto que a decisão não foi em ADIN, mas em Recurso Extraordinário. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907061/201173 Acórdão n.º 3803005.090 S3TE03 Fl. 7 3 Em apertada síntese a decisão de primeira instância limitouse à alegação de que a declaração de inconstitucionalidade do STF não gerou efeito erga omnes, porém apenas inter partes; que até a edição da Lei nº 11.941, DOU de 29/05/09, que revogou tal dispositivo inconstitucional contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o mesmo era perfeitamente aplicável; e que as condições para o afastamento da aplicação da norma julgada inconstitucional, não se coadunaram com o disposto nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, o que fez em observância ao disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/09. Por tal razão deixou o voto condutor de reconhecer o direito creditório pleiteado, consoante consta da fl. 03 da decisão vergastada. No que atine à questão probatória a referida decisão entendeu que não há nos autos provas do direito alegado, eis que a contribuinte não demonstrou fazer parte de ação judicial na qual foi declarada a inconstitucionalidade do dispositivo informado na peça inaugural, bem assim não trouxe aos autos documentos e livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN, eis que incumbe à interessada trazer aos autos junto à peça contestatória, o direito em que se fundamenta e as provas a que se alude, em conformidade ao art. 16, III, do Dec. Nº 70.235/72. Cientificado do teor da decisão de primeira instância por meio de AR em 29/04/2013 e, com ela irresignado, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 17/05/2013, reiterando os termos expendidos na exordial, de forma minudente, para pugnar pela reforma da decisão hostilizada. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O apelo devolvido a esta Corte versa acerca da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da liquidez e certeza do crédito, cuja restituição foi suscitada pela contribuinte, com a devida atualização de acordo com a taxa Selic. O Supremo Tribunal Federal – STF, reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e em decisão unânime, o Plenário resolveu a questão de ordem constitucional no sentido de reconhecer a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Nos julgamentos realizados no âmbito do CARF a regulação acerca deste tema encontra supedâneo no disposto artigo 62A do RICARF/09, que assim estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Reiteradas vezes como julgador, ao deparar com o tema sob exame, tenho me pronunciado de forma a observar o contido no artigo 62A do Regimento Interno do CARF/09, e igualmente o faço nesta oportunidade, com o fito de solucionar a questão atinente ao reconhecimento do direito alegado pela Recorrente. No que atine à questão probatória, bem se vê que a decisão a quo esteve silente em relação à eficácia da planilha e dos DARF’s correspondentes, colacionados aos autos pela Recorrente, quando da sua manifestação de inconformidade. Quanto a este aspecto o aresto recorrido limitouse a indicar a ausência nos autos de documentos “inominados” e de livros fiscais, que demonstrassem de forma Fl. 46DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907061/201173 Acórdão n.º 3803005.090 S3TE03 Fl. 8 5 inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN. Logo, a conclusão a que chegou a referida decisão é que os documentos apresentados pela Recorrente foram considerados insuficientes para demonstrar a legitimidade de sua pretensão. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sobre as quais a contribuinte não se manifestou. Os juros de mora apurados com base na taxa Selic, por força de norma legal vigente, Conforme Dispõe o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, são devidos, entretanto deles não fará proveito a Recorrente pelas razões explicitadas. Com tais observações oriento o meu voto para NEGAR provimento ao recurso interposto. É assim que voto. Sala de Sessões, em 27 de novembro de 2013. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Relator Relator Fl. 48DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.005276/2007-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa integral.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1457; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.261 1 1.260 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.005276/200780 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.168 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de julho de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Recorrente XINGULEDER COUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 52 76 /2 00 7- 80 Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa integral. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10675.005276/200780 Acórdão n.º 2402004.168 S2C4T2 Fl. 1.262 3 Relatório Tratase de autuação decorrente do não recolhimento de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados, empresa e ao financiamento dos benefício concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a Outras Entidades conveniadas, denominadas Terceiros, incidentes sobre os valores pagos a título de ensino e instrução e seguro de vida, no período compreendido entre 02/2004 a 03/2007. Relatório Fiscal às fls. 525/528, juntado posteriormente em razão de diligência de fls. 524 que apontou para ausência do REFISC junto ao auto de infração. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 372/422. Às fls. 554/567 foi proferido acórdão julgando a impugnação improcedente sob os seguintes fundamentos: 1) Não foram detectados nos autos vícios que pudessem ensejar a sua nulidade; 2) A base de cálculo das contribuições será indiretamente aferida se no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro ou, ainda, se a empresa se recusar a apresentar qualquer documento, sonegar informação ou apresentálas de forma deficiente; 3) A empresa não apresentou documentos suficientes a demonstrar quais segurados receberam os valores lançados como pagamento de ensino e de seguro de vida nas contas contábeis; 4) Quanto aos planos de ensino concedidos pela empresa, a fiscalização observou que ao contrário do que estabelece a norma de isenção o contribuinte não os concedeu a todos os funcionários; 5) Da mesma forma, o seguro de vida deve ser disponibilizado a todos os empregados e estar previsto em convenção coletiva, devendo compor a base de cálculo das contribuições em razão do descumprimento das normas de isenção. Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 572/589 alegando, em síntese: 1) Necessidade de redução da multa aplicada mediante aplicação da retroatividade benigna; Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 2) Nulidade em razão da ausência de critério para fixação da base de cálculo da contribuição previdenciária. A administração está adstrita ao princípio da legalidade não havendo previsão que a autorize efetuar lançamento com base em fato gerador presumido; 3) O benefício referente a ensino e instrução era disponibilizado a todos os empregados, bastando simples requerimento por parte destes; 4) Da mesma forma ocorria com o seguro de vida, que estava acessível a todos os empregados da Recorrente; 5) Os documentos posteriormente juntados devem ser considerados para fins de julgamento, vez que o processo administrativo busca a verdade material; 6) A multa aplicada deve ser excluída da autuação vez que de caráter confiscatório. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10675.005276/200780 Acórdão n.º 2402004.168 S2C4T2 Fl. 1.263 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Preliminar – Nulidade Alega a Recorrente a nulidade da autuação sob o fundamento de que a aferição indireta pela fiscalização vai de encontro com o princípio da estrita legalidade pois somente à lei complementar caberia estabelecer a base de cálculo das contribuições. Não merece guarida a pretensão. O Código Tributário Nacional, em seu art. 148, prevê expressamente a possibilidade de arbitramento pela fiscalização quando omissos ou insuficientes os dados fornecidos pelo contribuinte: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Sendo assim, a alegação da Recorrente de que seria nula a autuação decorrente de aferição indireta é descabida, vez que existente norma autorizativa para tanto. Ademais, conforme se extrai dos autos, de fato durante a atividade fiscal foram solicitados todos os documentos à Recorrente não sendo a autoridade fiscal atendida integralmente, gerando e justificando a necessidade de aferição indireta. No Mérito Da Aplicação da Retroatividade Benigna Pretende a Recorrente a aplicação da retroatividade benigna para aplicação da penalidade menos gravosa ao contribuinte. Acolhese a pretensão. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n°11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/1991). De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP n° 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10675.005276/200780 Acórdão n.º 2402004.168 S2C4T2 Fl. 1.264 7 Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. O Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência de parte dos fatos geradores, são duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. A regra acima mencionada, portanto, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso das demais competências, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Assim, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. Do benefício referente a ensino e instrução A fiscalização lavrou autuação em face da Recorrente considerando como um dos fatos geradores os valores pagos a título de ensino e instrução para alguns funcionários da empresa. O fundamento está justamente no fato de, no entender da fiscalização, o benefício não era acessível a todos os funcionários, deixando de ser observado requisito estabelecido pela norma de isenção. A Lei n° 8.212/91, em seu art. 28, § 9°, alínea t, ao estabelecer norma de isenção vigente à época dos fatos geradores prevê: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Incontroverso o atendimento aos demais requisitos para gozo da isenção especificada acima, restou em discussão a acessibilidade do benefício a todos os empregados e dirigentes da Recorrente. A Recorrente alega em sede de Recurso Voluntário, assim como na Impugnação, que todos os seus empregados têm acesso ao benefício, bastando para tanto que apresente requerimento por escrito. Entretanto, da análise de todos os documentos acostados aos autos, inclusive os juntados posteriormente pela Recorrente, verificase que, apesar de ter o contribuinte Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10675.005276/200780 Acórdão n.º 2402004.168 S2C4T2 Fl. 1.265 9 demonstrado que vários funcionários recebem o benefício, não logrou êxito em comprovar quais seriam as regras aplicáveis para concessão do benefício e, muito menos, comprovou se de fato todos os funcionários – independentemente de cargo ou função – teriam acesso a tal benefício. Meras alegações não têm força de desconstituir a autuação. O fato de a Recorrente alegar e não demonstrar que eventualmente a autoridade fiscal estaria adotando entendimento equivocado não é suficiente para que se verifique se a regra de isenção foi de fato atendida. Neste sentido o CARF decide: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. (CARF, PAF 10925.900559/200829, Acórdão 3801002.959, Relatora Cons. Maria Ines Murgel, sessão de 26/02/2014) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ARBITRAMENTO. OMISSÃO DO CONTRIBUINTE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. O arbitramento da base de cálculo constitui instrumento legítimo da fiscalização, a ser aplicado nas situações em que for imprestável a contabilidade da empresa ou haja omissão na apresentação de documentos, tendo por consequência a transferência do ônus da prova ao contribuinte, a fim de que este comprove ser irreal a base presumida ou arbitrada. MULTAS. Em se tratando de obrigação principal, com o advento da MP nº. 449, quando do lançamento de ofício, aplicase a multa prevista no art. 35 A da Lei nº. 8.212/1991. Recurso Voluntário Negado. (CARF, PAF 10410.721048/201229, Acórdão 2403001.994, Relator Cons. Marcelo Magalhães Peixoto, Sessão de 16/04/2013) Seguro de Vida Assim como no caso do benefício referente a ensino e instrução, a questão que ronda o lançamento de valores referente ao seguro de vida é a acessibilidade a todos os empregados. Reiterando as alegações do tópico anterior, a Recorrente alega mas não prova que todos os seus empregados teriam acesso ao benefício, aplicandose por conseqüência o mesmo entendimento acima esposado. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Conclusão Por todo o supra exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e a ele dou parcial provimento para que, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15463.000687/2010-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
Ementa:
IRPF. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. TRIBUTAÇÃO.
São rendimentos tributáveis os valores recebidos das entidades de previdência privada, nos termos do artigo 33 da Lei 9250/95.
Numero da decisão: 2102-002.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 10/06/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1591; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 38 1 37 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15463.000687/201093 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.972 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2014 Matéria IRPF Recorrente FERNANDA ANTUNES DE SOUZA MAIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 Ementa: IRPF. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. TRIBUTAÇÃO. São rendimentos tributáveis os valores recebidos das entidades de previdência privada, nos termos do artigo 33 da Lei 9250/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 10/06/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 00 06 87 /2 01 0- 93 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Em face da Contribuinte acima identificada, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 08/12, para exigência da importância de R$1.680,85 (um mil, seiscentos e oitenta reais e oitenta e cinco centavos), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2008, anocalendário 2007, correspondente as infrações de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica e Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, conforme discriminado às fls. 09/10. Cientificada do lançamento, a Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 02, por meio do qual alegou,em suma, que em relação a aplicação do FAPI, o desconto do Imposto de Renda seria realizado todas as vezes que houvesse resgate de alguma quantia, tendo esta aplicação sendo realizada pela Contribuinte para poder usufruir da dedução de 12% da renda bruta, e que sempre agiu em conformidade com a legislação. Na análise de suas alegações, os integrantes da 3ª Turma da DRJ/RJ2 decidiram, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, mantendose integralmente o lançamento fiscal, em julgado do qual se extrai a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. Matéria não impugnada. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/72. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Uma vez comprovada a Omissão de Rendimentos há que se manter o Lançamento efetuado pela Fiscalização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte teve ciência de tal decisão em 16.11.2010, e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 36, requerendo o cancelamento do lançamento fiscal, ressaltando ainda o seguinte: Entendo que o resgate que fiz em 2007 tratavase de um saldo de capital que eu havia aplicado,aplicação que já fazia desde 2002. Resgatei R$19.191,47 e foi recolhido R$2.878,72 de Imposto de Renda. Os R$19.191,47 não era rendimento, e, sim meu capital aplicado. Assim zerei a conta... essa quantia do Imposto de Renda, certamente referese a rendimento do tempo que o capital foi aplicado. Desta forma, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 15463.000687/201093 Acórdão n.º 2102002.972 S2C1T2 Fl. 39 3 É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 16.11.2010, como atesta o AR de fls. 34. O Recurso Voluntário foi interposto em 17.11.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. A matéria trazida à análise deste Conselho em sede de Recurso Voluntário versa exclusivamente sobre a infração relativa à omissão de rendimentos recebidos da Itaú Vida e Previdência S.A.. Neste ponto, a decisão recorrida negou provimento à pretensão da Recorrente pelos seguintes motivos: Continuando a análise, de acordo com a impugnação de fl. 01 do presente, a contribuinte afirma que não concorda como a Receita Federal interpretou os dados impugnados, especificando a "aplicação do Fapi" porém não juntou aos Autos quaisquer documentos que contestassem a infração consubstanciada na fl. 07 da Notificação de Lançamento. De acordo com a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf Retificadora datada de 28/08/2009) de fl. 23, a pessoa jurídica liai Vida e Previdência S A CNPJ 53.031.217/000125 no ano calendário de 2007 declarou a impugnante como beneficiária de rendimentos tributáveis no valor de R$19.191,47 com imposto de renda retido na fonte no valor de R$2.878,72. Temos que de acordo com o artigo n° 33 da Lei 9.250/95: Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os beneficios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. A Recorrente sustenta em seu Recurso Voluntário que sempre pautou os seus atos com a maior lisura e que não teve a intenção de burlar o Fisco com sua conduta, mas que acreditava que o valor resgatado a título de Fapi era na realidade a devolução do capital por ela aplicado e não um novo rendimento sujeito ao IR. Seu pedido, porém, não merece acolhida. Isto porque, como bem salientado pela decisão recorrida, os rendimentos em tela são sim tributáveis, nos termos da remansosa jurisprudência deste Conselho, demonstrada através dos julgados abaixo transcritos: IRPF. APOSENTADORIA COMPLEMENTAÇÃO PREVIDÊNCIA PRIVADA São rendimentos tributáveis os Fl. 45DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 valores recebidos das entidades de previdência privada, a partir de 01.01.96, nos termos do artigo 33 da Lei 9250/95, a titulo de complementação de aposentadoria. Recurso negado. (Acórdão nº 10248762 do Processo 13706005770200213) IRPF COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA PAGA POR ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na Declaração de Ajuste Anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada a partir do anocalendário de 1996. Recurso negado. (Acórdão nº 10422708 do Processo 10070000509200171) Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 46DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10920.906344/2012-48
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2002
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2002 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 63 44 /2 01 2- 48 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. 2 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trará de manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente ao PER/DCOMP. O pedido de restituição gerado pelo programa PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de ter reconhecido direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, tendo sido pleiteado crédito, correspondente ao DARF recolhido. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de créditos do contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Ressarcimento foi indeferido. Como o enquadramento legal citouse: art. 165 da Lei Nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) Cientificado do Despacho Decisório em 16/08/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, tendo feito referência à legislação que trata da COFINS e do PIS, além de disposições da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional (CTN). Concluiu o manifestante que tais contribuições só podem incidir sobre o fat7uramento que representa, unicamente, o somatório dos valores das opções negociadas. Prosseguindo, argumentou que descabe assentar que os contribuintes do PIS e da COFINS “ faturam ICMS”, uma vez que o ICMS não é receita da empresa e sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrálo. Asseverou também que não se pode aceitar a incidência do PIS e da COFINS sobre outro imposto. Ao final, requer seja acatado o Pedido de Restituição. 3 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 A DRJ de Belo Horizonte (DRJ/BHE) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, cuja ementa do acórdão está assim redigida: ASSUNTO: Contribuição Para Financiamento da Segurança SocialCofins PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDTTO NÃO COMPROVADO Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de Recurso Voluntário, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. É o sucinto relatório. 4 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: 5 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que o ICMS não deve incluir na base de cálculo do PIS com base no art. 155, inciso II, da CF/88, colacionando precedente de repercussão geral. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) 6 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator 7 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.907056/2011-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/09/2003
PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/09/2003 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 70 56 /2 01 1- 61 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento nº 015070056) emitido em 03/01/2012, indeferiu o Per/DComp 17888.38793.211205.1.2.04.041202, sob a alegação de que, a partir do DARF apresentado, o crédito nele informado foi integralmente utilizado no pagamento de outros débitos, não restando saldo credor para a restituição pleiteada. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte alegou que apurou as contribuições ao PIS e à Cofins, com base no art. 3º da então vigente Lei nº 9.718/98; que ampliou o conceito de base de cálculo dessas contribuições e que o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE 346.084, julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo trazido por esse dispositivo legal; que a comprovação do recolhimento efetuado a maior se dá através de planilhas de apuração do PIS, as quais demonstram que compuseram a base de cálculo a receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços e outras receitas – financeiras, aluguéis, recuperação de despesas, bem assim dos DARF’s correspondentes anexos, que comprovam o pagamento do valor apurado. Ao final postula pela restituição dos valores pagos a maior a título de PIS, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional e art. 2º, III, ‘c’, da IN RFB 900/08, acrescidos de juros com base na taxa Selic. Em julgamento realizado em 18/04/2013, por meio do Acórdão nº 0640.305, a decisão proferida pela 3ª Turma DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade aviada, consoante transcrição da ementa a seguir ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/09/2003 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida Fl. 46DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907056/201161 Acórdão n.º 3803005.085 S3TE03 Fl. 7 3 naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas, posto que a decisão não foi em ADIN, mas em Recurso Extraordinário. Em apertada síntese a decisão de primeira instância limitouse à alegação de que a declaração de inconstitucionalidade do STF não gerou efeito erga omnes, porém apenas inter partes; que até a edição da Lei nº 11.941, DOU de 29/05/09, que revogou tal dispositivo inconstitucional contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o mesmo era perfeitamente aplicável; e que as condições para o afastamento da aplicação da norma julgada inconstitucional, não se coadunaram com o disposto nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, o que fez em observância ao disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/09. Por tal razão deixou o voto condutor de reconhecer o direito creditório pleiteado, consoante consta da fl. 03 da decisão vergastada. No que atine à questão probatória a referida decisão entendeu que não há nos autos provas do direito alegado, eis que a contribuinte não demonstrou fazer parte de ação judicial na qual foi declarada a inconstitucionalidade do dispositivo informado na peça inaugural, bem assim não trouxe aos autos documentos e livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN, eis que incumbe à interessada trazer aos autos junto à peça contestatória, o direito em que se fundamenta e as provas a que se alude, em conformidade ao art. 16, III, do Dec. Nº 70.235/72. Cientificado do teor da decisão de primeira instância por meio de AR em 29/04/2013 e, com ela irresignado, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 17/05/2013, reiterando os termos expendidos na exordial, de forma minudente, para pugnar pela reforma da decisão hostilizada. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 47DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo devolvido a esta Corte versa acerca da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da liquidez e certeza do crédito, cuja restituição foi suscitada pela contribuinte, com a devida atualização de acordo com a taxa Selic. O Supremo Tribunal Federal – STF, reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e em decisão unânime, o Plenário resolveu a questão de ordem constitucional no sentido de reconhecer a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Nos julgamentos realizados no âmbito do CARF a regulação acerca deste tema encontra supedâneo no disposto artigo 62A do RICARF/09, que assim estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Reiteradas vezes como julgador, ao deparar com o tema sob exame, tenho me pronunciado de forma a observar o contido no artigo 62A do Regimento Interno do CARF/09, e igualmente o faço nesta oportunidade, com o fito de solucionar a questão atinente ao reconhecimento do direito alegado pela Recorrente. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907056/201161 Acórdão n.º 3803005.085 S3TE03 Fl. 8 5 No que atine à questão probatória, bem se vê que a decisão a quo esteve silente em relação à eficácia da planilha e dos DARF’s correspondentes, colacionados aos autos pela Recorrente, quando da sua manifestação de inconformidade. Quanto a este aspecto o aresto recorrido limitouse a indicar a ausência nos autos de documentos “inominados” e de livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN. Logo, a conclusão a que chegou a referida decisão é que os documentos apresentados pela Recorrente foram considerados insuficientes para demonstrar a legitimidade de sua pretensão. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sobre as quais a contribuinte não se manifestou. Os juros de mora apurados com base na taxa Selic, por força de norma legal vigente, Conforme Dispõe o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, são devidos, entretanto deles não fará proveito a Recorrente pelas razões explicitadas. Com tais observações oriento o meu voto para NEGAR provimento ao recurso interposto. É assim que voto. Sala de Sessões, em novembro de 2013. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10707.000334/2008-45
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. COMPROVAÇÃO. ESCRITURA PÚBLICA. VALIDADE.
Havendo nos autos suficientes evidências de que o pagamento pela aquisição de bem imóvel não se deu na forma prescrita na Escritura Pública, não é passível de ser considerado valor ali previsto para integrar apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, não tendo demonstrado a Fiscalização, por outros meios, que certa parcela tenha existido. A forma de pagamento estabelecida na Escritura diverge do Instrumento Particular de Compra e Venda e das demais constatações que se retira dos autos e não deve prevalecer para apuração de imposto de renda.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos caracterizada por "acréscimo patrimonial a descoberto" no mês de maio de 2004. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Tânia Mara Paschoalin que negavam provimento ao recurso, nos termos da declaração de voto do Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Mara Eugenia Buonanno Caramico.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. COMPROVAÇÃO. ESCRITURA PÚBLICA. VALIDADE. Havendo nos autos suficientes evidências de que o pagamento pela aquisição de bem imóvel não se deu na forma prescrita na Escritura Pública, não é passível de ser considerado valor ali previsto para integrar apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, não tendo demonstrado a Fiscalização, por outros meios, que certa parcela tenha existido. A forma de pagamento estabelecida na Escritura diverge do Instrumento Particular de Compra e Venda e das demais constatações que se retira dos autos e não deve prevalecer para apuração de imposto de renda. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2149; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 1.271 1 1.270 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10707.000334/200845 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.637 – 1ª Turma Especial Sessão de 18 de julho de 2014 Matéria IRPF Recorrente FAIM ABRAHÃO FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. COMPROVAÇÃO. ESCRITURA PÚBLICA. VALIDADE. Havendo nos autos suficientes evidências de que o pagamento pela aquisição de bem imóvel não se deu na forma prescrita na Escritura Pública, não é passível de ser considerado valor ali previsto para integrar apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, não tendo demonstrado a Fiscalização, por outros meios, que certa parcela tenha existido. A forma de pagamento estabelecida na Escritura diverge do Instrumento Particular de Compra e Venda e das demais constatações que se retira dos autos e não deve prevalecer para apuração de imposto de renda. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos caracterizada por "acréscimo patrimonial a descoberto" no mês de maio de 2004. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Tânia Mara Paschoalin que negavam provimento ao recurso, nos termos da declaração de voto do Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 03 34 /2 00 8- 45 Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10707.000334/200845 Acórdão n.º 2801003.637 S2TE01 Fl. 1.272 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Mara Eugenia Buonanno Caramico. Relatório Adoto como relatório o elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância, cujas partes transcrevo da folha 1253 e seguintes, e que complemento ao final: Contra o Contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 1.070 a 1.077, em virtude da apuração das seguintes infrações: 1) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, em que verificouse excesso de aplicações sobre origens, no mês de maio de 2004, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme Termo de Verificação Fiscal n° 38 de fls. 1.053 a 1.064 e Demonstrativo de Variação Patrimonial de fl. 1.004. Enquadramento Legal: artigos 10 a 3°, e §§, da Lei n° 7.713, de 1988, arts. 1° e 2° da Lei n° 8.134, de 1990, arts. 55, inciso XIII, e parágrafo Alnico, 806 e 807 do RIR11999, e art. 10 da Medida Provisória n° 22/2002, convertida na Lei n° 10.451, de 2002; 2) DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA — dedução indevida de base de cálculo com despesas de previdência privada pleiteadas indevidamente no anocalendário de 2003, conforme Termo de Verificação Fiscal n° 38 de fls. 1.053 a 1.064. Enquadramento legal: art. 11, §3°, do Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 4 0, inciso V, da Lei n° 9.250, de 1995, art. 11 da Lei n° 9.532, de 1997, art. 73, 82 e §1° do RIR199, art. 61 da Medida Provisória n°2.15835. Sobre o imposto apurado, no valor de R$ 13.328,30, foram aplicados multa de 75% e juros de mora regulamentares, com fulcro nos dispositivos legais de fl. 1.276, perfazendo um total de R$ 28.768,32. Após ciência do Auto de Infração em referência em 04/04/2008 (fl. 1.079), o Interessado apresentou em 29/04/2008 a impugnação de fls. 1.083 a 1.093, valendose, em síntese, dos seguintes argumentos: 1) embora não concorde com os termos da referida exigência, o Impugnante procedeu ao recolhimento integral da exigência fiscal relativa A glosa da contribuição A previdência privada, com o beneficio da redução da multa de lançamento de oficio em 50%;4 2) a autoridade lançadora considerou equivocadamente como custo de aquisição do imóvel localizado no Edificio Versailles o valor de R$ 286.466,00; Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10707.000334/200845 Acórdão n.º 2801003.637 S2TE01 Fl. 1.273 3 3) a autoridade lançadora considerou R$ 216.466,00 como pagos mediante recursos próprios e R$ 70.000,00 pelo imóvel permutado como parte do pagamento; 4) apesar de terem sido fornecidos todos os elementos e prestados todos os esclarecimentos, a autoridade lançadora insistiu em considerar como também pagos pelo Impugnante os R$ 63.000,00 informados na escritura de compra e venda, totalizando R$ 173.000,00; 5) o Impugnante tem como comprovar mediante documentação idônea, coincidente em datas e valores, todos os seus argumentos para justificar a variação patrimonial; 6) o Impugnante recolheu imposto sobre o ganho de capital auferido com a alienação do imóvel situado no Edificio Versailles, considerando o custo de aquisição como R$ 220.000,00, sendo R$ 70.000,00 por imóvel permutado como parte do pagamento e R$ 150.000,00 mediante recursos próprios de origem perfeitamente identificada; 7) evidenciase a improcedência do valor de R$ 63.000,00 consignado no demonstrativo de variação patrimonial a titulo de despendidos com a aquisição do imóvel situado no Edificio Versailles; 8) a escritura pública de compra e venda em questão em nenhum momento informa que o valor de R$ 63.000,00 teria sido recebido no dia 25/05/2004, como quer entender a autoridade lançadora; 9) não poderiam ter sido considerados como pagos pelo Impugnante na data da escritura os R$ 173.000,00 pretendidos pela autoridade lançadora, muito menos os R$ 63.000,00 em moeda corrente; 10) excluindose as parcelas indevidamente computadas como custo de aquisição, o valor que deveria constar do demonstrativo de variação patrimonial na linha de aquisição de bens e direitos corresponderia a R$ 158.804,54, sendo certo que as disponibilidades apuradas seriam bastante para respaldar a sua variação patrimonial; 11) ainda que os argumentos e fatos invocados pelo Impugnante não pudessem ser perfeitamente comprovados, o que se cogitaria por necessidade de argumentação, seria certo que a existência de uma escritura pública não legitimaria que as autoridades fiscais não diligenciassem para confirmar o valor do preço descrito, se este foi efetivamente pago, a quem, quando e, se este seria compatível com o negócio jurídico; 12) o efetivo custo de aquisição do imóvel seria R$ 220.000,00, inexistindo o pagamento da verba de R$ 63.000,00 em espécie, no momento da realização da escritura de compra e venda; Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10707.000334/200845 Acórdão n.º 2801003.637 S2TE01 Fl. 1.274 4 13) no caso em exame, a escritura pública deveria ceder lugar ao instrumento particular pois este refletiria não só a realidade econômica da operação de compra e venda, mas sobretudo, para dar ao Contribuinte o mesmo tratamento dispensado e adotado As autoridades fiscais para amparar as suas pretensões de lançamento, em consonância com o entendimento da 4' Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; 14) evidenciase a improcedência do valor de R$ 63.000,00 aposto no demonstrativo de variação patrimonial, devendo o mesmo ser cancelado; 15) adotandose o critério do instrumento particular, se chegaria à conclusão de que o Impugnante não teria auferido a renda que lhe está sendo imputada na autuação nem possuiria qualquer recursos mantidos à margem da tributação, e que o lançamento de oficio impugnado seria inteiramente improcedente, devendo ser cancelado. A Impugnação foi conhecida e tratada pela DRJ nos seguintes termos, em resumo: A infração referente à dedução indevida de contribuição para previdência privada não foi questionada, tendo inclusive sido procedido o recolhimento do valor correspondente e está, portanto, fora do presente litígio; Em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto, após discorrer genericamente sobre a caracterização dessa infração, analisa o demonstrativo de variação patrimonial elaborado pela Fiscalização, especificamente em relação á aquisição do apartamento nº 401 do Edifício Versailles, em Resende/RJ. Delimita que a discordância reside no valor da aquisição: segundo a Fiscalização, R$ 216.466,00, conforme Termo de Verificação Fiscal nº 38 (fls. 1053 a 1064), segundo o contribuinte, R$ 153.466,00. Observase, portanto, a diferença de R$ 63.000,00, que teriam sido pagos em espécie, segundo Escritura Pública (fls. 120 a 123) Assim, concluiu o Julgador em 1ª instância que: “Na hipótese em tela, o Contribuinte, apesar de seu extenso arrazoado, não logrou afastar o pagamento da importância de R$ 63.000,00 em moeda corrente, mencionado na escritura pública de compra e venda de fls. 120 a 123, nem tampouco produzir prova de que tal dispêndio ocorreu em outra data.” Para tal, considerou que a vendedora do imóvel e sua filha corroboraram o pagamento dos R$ 63.000,00, com a afirmação que: “Os elementos dos autos, portanto, corroboram as informações da escritura pública de fls. 120 a 123, não cabendo excluirse do campo das aplicações do mês de maio de 2004 o valor de R$ 63.000,00.” Dessa feita, deuse a decisão recorrida no sentido de considerar improcedente a impugnação e manter o crédito tributário impugnado.Cientificado pessoalmente dessa Decisão em 16/11/2011, conforme folha 1259, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 14/12/2011 onde, em suma, apresenta as seguintes razões: Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10707.000334/200845 Acórdão n.º 2801003.637 S2TE01 Fl. 1.275 5 analisando os demonstrativos elaborados pela Autoridade Lançadora, verifica que a variação patrimonial a descoberto constatada tem origem em “supostos dispêndios”, no mês de maio de 2004, no montante de R$ 221.804,54. assinala que aí está computado o valor de R$ 173.000,00 referente ao pagamento do apartamento nº 401 do Edifício Versailles; o valor constatado de excesso de aplicações em relação às origens decorre de “um único e persistente equívoco” em considerar o custo de aquisição desse imóvel como R$ 286.466,00, sendo R$ 216.466,00 com “recursos próprios” e R$ 70.000,00 por permuta de outro imóvel. para tal, a Fiscalização considerou o que consta da Escritura, mas o contribuinte tem como provar por “outros documentos” que o custo do imóvel foi R$ 220.000,00, sendo pagos R$ 150.000,00 com recursos próprios e R$ 70.000,00 com a permuta do outro imóvel. excluindose as parcelas indevidamente computadas como custo de aquisição, o valor das aplicações no período em comento é perfeitamente suportado pelo valor das disponibilidades existentes. Requer, portanto, que seja reformada a decisão recorrida para julgar improcedentes as exigências fiscais e seus consectários. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, obedecidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro é a existente após a digitalização do processo, transformado em arquivo digital (formato .pdf) Como já esclarecido na Decisão recorrida, a lide resumese à infração descrita como omissão de rendimentos constatada a partir de variação patrimonial a descoberto no ano calendário de 2004, especificamente no mês de maio. A outra infração lançada no Auto constante deste processo não foi questionada especificamente e o contribuinte concordou em efetuar o pagamento do valor correspondente. Não havendo questões preliminares a serem tratadas, vamos direto ao mérito. Bem, o que se há de verificar é o correto valor de aquisição do imóvel representado pelo apartamento nº 401 do Edificío Versailles, localizado em Resende/RJ, para concluir se houve ou não excesso de aplicação de recursos em relação às disponibilidades encontradas, configurando ou não a omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto. Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10707.000334/200845 Acórdão n.º 2801003.637 S2TE01 Fl. 1.276 6 Na folha 1205, consta o Termo de Verificação Fiscal nº 38, elaborado pela Fiscalização em 31/03/2008, onde se verifica que: Consideração do dispêndio da ordem de R$ 216.466,00 (Duzentos e dezesseis mil, quatrocentos e sessenta e seis reais), durante o mês de maio de 2004, para a aquisição do APT 401 DO EDIFÍCIO VERSAILLES, conforme informações constantes da DIRPF 2005 do fiscalizado (fls.14); do Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda de !men/el Urbano (fls.953/955), apresentado pelo mesmo em 23/08/2007; e da Escritura Pública de Compra e Venda (fls.120/123) lavrada em 25/05/2004, no 2 °. Oficio de Justiça de Resende – RJ, Livro 292, fls. 058, diante do dispêndio total consignado na DIRPF 2005 do contribuinte da ordem de R$ 173.000,00 (Cento e setenta e três mil reais). 0 dispêndio foi estabelecido do seguinte modo: (...) C.6) R$ 63.000,00 (Sessenta e três mil reais) pagos em espécie nos termos da Escritura Pública de Compra e Venda (fls.120/123) lavrada em 25/05/2004, no 2°. Oficio de Justiça de Resende – RJ, Livro 292, fls. 058, e entregue pelo fiscalizado na data de 26/01/2007. Além disso, aponta o Termo Fiscal que foram pagos mais R$ 150.000,00 em cheques que discrimina e R$ 3.466,00 a título de ITBI. Disso o contribuinte não discorda, manifestandose contrariamente apenas em relação aos R$ 63.000,00. Diz ainda o referido Termo, na folha 1211: As provas para os valores pagos a titulo de Sinal e principio de pagamento e corretagem para a aquisição APT 401 DO EDIFÍCIO VERSAILLES, e que não constam da Escritura Pública de 25/05/2004, portanto, são os extratos bancários (fls.456) apresentados pelo fiscalizado, sua DIRPF 2005 (fls.14), os extratos bancários (fls.996) apresentados espontaneamente por Terezinha Flecher Lopes, o recibo de quitação condominial (fls.124), a guia de recolhimento do ITBI (fls.127), o respectivo comprovante de pagamento (fls.128), as anotações nos canhotos de cheques (fls. 125) apresentados em 26/01/2007, e o próprio Contrato Particular (fls.1049/1050). 17) Diferentemente, para a parcela de R$ 63.000,00 (Sessenta e três mil reais), descrita na Escritura Pública de 25/05/2004 como paga em espécie, não foram apresentadas pelo fiscalizado, por Terezinha Flecher Lopes ou ainda obtidas pela presente fiscalização quaisquer provas de que a mesma tenha ocorrido de modo diverso ou em data diferente.(grifei) 18)A resposta (fls.758) apresentada por Eliane Flecher Lopes, filha de Terezinha, em 24/04/07, ao Temo de Intimação No. 11, confirma que as informações constantes da Escritura Pública de 25/05/2004, inclusive quanto a parcela em espécie,... Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10707.000334/200845 Acórdão n.º 2801003.637 S2TE01 Fl. 1.277 7 Na folha 889 (processo digital) consta a resposta de Eliane Flecher Lopes, dizendo que recebeu doação em espécie de sua mãe, Teresinha Flecher, “que possuía tal disponível em espécie em face de no dia 25/05/2004, conforme Escritura Pública de compra e venda, ...., vendeu um imóvel pelo valor de R$ 173.000,00, recebendo no ato, em espécie, R$ 63.000,00 e cheque no valor de R$ 110.000,00.”(GRIFEI) Na folha 123, consta a tratada Escritura, onde a vendedora Teresinha Flecher e o comprador Faim Abrahão Filho transferem a propriedade do apartamento nº 401 do edifício em construção denominado Versailles, mediante o preço ajustado de R$ 173.000,00, sendo R$ 110.000,00 mediante cheque e R$ 63.000,00 em dinheiro. Ou seja, a filha da vendedora, Eliane Flecher, apenas ratificou o que estava na Escritura, ao ser instada a tal. Contudo, destaco do Termo Fiscal, na folha 1210: 10) Indica o contribuinte no item 01 de sua resposta que o APT 309 DO EDIFÍCIO MONTESE foi dado como parte do pagamento para a aquisição do APT 401 DO EDIFÍCIO VERSAILLES e que o preço estabelecido para esta operação seria o de R$ 70.000,00 (Setenta mil reais), conforme item 4.2 CONDIÇÕES DE PAGAMENTO, número 3 do Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda de Imóvel Urbano (fls.1049). 11) Desde já esclarecemos que em momento algum a presente fiscalização questionou que o APT 309 DO EDIFÍCIO MONTESE tenha sido dado a Teresinha Flecher Lopes como parte do pagamento para a aquisição DO APT 401 DO EDIFÍCIO VERSAILLES. Ressaltamos, porém, que esta operação em particular NÃO REPRESENTOU QUALQUER ORIGEM DE RECURSOS DURANTE 0 MÊS DE MAIO DE 2004, como mesmo reconhece o contribuinte no item 05 de sua resposta, terceiro parágrafo, por se tratar única e exclusivamente de parte do pagamento a Terezinha Flecher Lopes, conforme consta do Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda de Imóvel Urbano (fls.1049/1050) (SUBLINHEI) Assim, o que verifico é que a Fiscalização admite que o pagamento pela unidade do Edifício Versailles não se deu própria e exclusivamente na forma prevista na Escritura. Admite que houve a transferência de outra unidade imobiliária, como parte do pagamento, e que os cheques não se limitaram a R$ 110.000,00 como lá prescrito, mas importaram em valor maior. Para tal, baseouse no Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda, que consta da folha 1199. Já para concluir que houve o pagamento de R$ 63.000,00 em dinheiro, prendese ao disposto na Escritura, já que não encontrou prova de que tenha havido tal transferência de numerário. Desta feita, aceitando a Fiscalização que tenha havido a transmissão de um bem como parte do pagamento e identificando que os cheques importaram em valor diverso ao da Escritura, e conforme o Instrumento Particular, é de se concluir, enfim, que o pagamento não se deu conforme a Escritura. Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10707.000334/200845 Acórdão n.º 2801003.637 S2TE01 Fl. 1.278 8 Não é razoável exigir que o contribuinte, então, faça prova negativa, no sentido de demonstrar que “não pagou” R$ 63.000,00 em dinheiro, mesmo porque a suposta recebedora não confirmou que os recebeu. Assim, entendo que não está demonstrado nos autos que efetivamente houve o pagamento de R$ 63.000,00 em dinheiro, na transação imobiliária envolvendo o apartamento nº 401 do Edifício Versailles, apesar de previsto na Escritura. Retirandose R$ 63.000,00 do valor R$ 221.804,54, apontado na planilha de folha 1154, verificase então que não houve excesso de dispêndios/aplicações no mês de maio de 2004, em face das origens de recursos identificadas na mesma planilha (fl. 1154). Pelo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso, em relação à infração apontada como “acréscimo patrimonial a descoberto” no mês de maio de 2004, ressaltando mais uma vez que a outra infração não foi impugnada e não integra a presente lide. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Declaração de Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida As folhas citadas nesta “declaração de voto”, exceto nos casos de citação, referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração do processo físico. O Ilustre Relator, Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte para cancelar a infração de “acréscimo patrimonial a descoberto” apurada pela Fiscalização. Permitome discordar do Nobre Relator, pelos motivos que passo a expor. Os fundamentos utilizados para dar provimento parcial ao recurso estão explicitados nos seguintes excertos do voto do Relator, verbis: Assim, o que verifico é que a Fiscalização admite que o pagamento pela unidade do Edifício Versailles não se deu própria e exclusivamente na forma prevista na Escritura. Admite que houve a transferência de outra unidade imobiliária, como parte do pagamento, e que os cheques não se limitaram a R$ 110.000,00 como lá prescrito, mas importaram em valor maior. Para tal, baseouse no Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda, que consta da folha 1199. Já para concluir que houve o pagamento de R$ 63.000,00 em dinheiro, prendese ao disposto na Escritura, já que não Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10707.000334/200845 Acórdão n.º 2801003.637 S2TE01 Fl. 1.279 9 encontrou prova de que tenha havido tal transferência de numerário. Desta feita, aceitando a Fiscalização que tenha havido a transmissão de um bem como parte do pagamento e identificando que os cheques importaram em valor diverso ao da Escritura, e conforme o Instrumento Particular, é de se concluir, enfim, que o pagamento não se deu conforme a Escritura. Não é razoável exigir que o contribuinte, então, faça prova negativa, no sentido de demonstrar que “não pagou” R$ 63.000,00 em dinheiro, mesmo porque a suposta recebedora não confirmou que os recebeu. Assim, entendo que não está demonstrado nos autos que efetivamente houve o pagamento de R$ 63.000,00 em dinheiro, na transação imobiliária envolvendo o apartamento nº 401 do Edifício Versailles, apesar de previsto na Escritura. Observo, por primeiro, que não se trata de fazer prova negativa de que não houve pagamento de R$ 63.000,00 em dinheiro na compra do imóvel, mas sim de afastar a fé pública que ostenta a escritura pública de compra e venda. A escritura pública revestese de solenidades prescritas em lei e demonstra, de forma pública e solene, a substância do ato nela descrito, cujo conteúdo possui presunção de veracidade, nos termos do caput art. 364 do Código de Processo Civil – CPC, assim descrito: Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. É certo que a presunção de veracidade dos documentos públicos não é absoluta, mas sim juris tantum, admitindo, portanto, prova em contrário. No caso concreto, todavia, os documentos apresentados pelo Interessado não têm o condão de afastar a presunção de veracidade da escritura pública do imóvel. Explicase: as condições de pagamento explicitadas no Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda (fls. 1199/1201) são as seguintes: R$ 30.000,00 de sinal + R$ 120.000,00 em cheque + R$ 70.000,00 representados pelo apartamento nº 309 do Edifício Montese, totalizando R$ 220.000,00. Já na declaração apresentada à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB pela vendedora (fl. 1143), mesma pessoa que assinou o Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda na condição de outorgante, as condições de pagamento são as seguintes: R$ 15.491,94 para pagamento dos atrasados do condomínio (cheque 0172) + R$ 14.508,06 pagos diretamente à vendedora (cheque 0173) + R$ 110.000,00 pagos diretamente à vendedora (cheque 0175) + R$ 10.000,00 pagos diretamente à Imobiliária (cheque 0176) + R$ 39.900,00 representados pelo apartamento nº 309 do Edifício Montese, totalizando R$ 189.900,00. Perguntase: os documentos apresentados são suficientes para afastar a presunção de veracidade da escritura pública? A resposta, a meu ver, é negativa, haja vista a discrepância de valores expressa nos dois documentos, que foram subscritos pela mesma pessoa. Se a presunção de veracidade da escritura for afastada, qual dos dois valores deve ser Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10707.000334/200845 Acórdão n.º 2801003.637 S2TE01 Fl. 1.280 10 admitido como verdadeiro: o Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda ou a declaração prestada pela vendedora à RFB? Não tenho resposta para esta pergunta. Mas como aceitar o valor de R$ 216.466,00, a título de dispêndio no fluxo de variação patrimonial, se a escritura revela o valor de R$ 173.000,00? A resposta está no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1208/1209). Nele a Autoridade lançadora explicita os valores que compuseram o montante de R$ 216.466,00, lançado como dispêndio no mês de maio de 2004. De acordo com o referido termo, o dispêndio foi estabelecido da seguinte forma: C.1) R$ 15.491,94 (Quinze mil, quatrocentos e noventa e um reais e noventa e quatro centavos) pagos por meio do cheque REAL 0172, descontado em 25/05/2004 contra a C/C 7.7221484 (extrato fls. 456) e utilizado para pagamento de parcelas em atraso do Condomínio do Edifício Versailles, conforme recibo de valor idêntico (fls.124) apresentado pelo fiscalizado, na data de 26/01/2007, e informações e extratos (fls. 994/995) espontaneamente apresentados por Teresinha Flecher Lopes, na data de 03/01/2008. C.2) R$ 14.508,06 (Quatorze mil, quinhentos e oito reais e seis centavos) pagos por meio do cheque REAL 0173, descontado em 25/05/2004 contra a C/C 7.7221484 (extrato fls.456), e compensado, nesta mesma data, para a conta corrente do Banco HSBC de titularidade de Teresinha Flecher Lopes, conforme informações (fls. 994/996) apresentadas pela mesma na data de 03/01/2008. Ressaltese que os cheques REAL 0172 e REAL 0173 compuseram o valor de R$ 30.000,00 (Trinta mil reais), referente ao Sinal de negócio e principio de pagamento, estabelecido pelo Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda de Imóvel Urbano (fls. 953/955) para a compra do APT 401 DO EDIFÍCIO VERSAILLES. Esta é inclusive a indicação apresentada pelo próprio fiscalizado em 23/08/2007 (fls. 984/985) e em 26/02/2008 (fls. 1049 anverso e verso). C.3) R$ 3.466,00 (Três mil quatrocentos e sessenta e seis reais) pagos por meio do cheque REAL 0174, descontado em 25/05/2004 contra a C/C 7.7221484 (extrato fls. 456), utilizado para fins de pagamento de ITBI referente à compra do imóvel em questão, conforme informações (fls.127/128) prestadas pelo fiscalizado na data de 26/01/2007. C.4) R$ 110.000,00 (Cento e dez mil reais) pagos por meio do cheque REAL 0175, descontado em 25/05/2004 contra a C/C 7.7221484 (extrato fls. 456), e compensado, nesta mesma data, para a conta corrente do Banco HSBC de titularidade de Teresinha Flecher Lopes, conforme informações e extratos (fls.9941996) espontaneamente apresentados pela mesma, na data de 03/01/2008, e Escritura Pública de Compra e Venda (fls.120/123) lavrada em 25/05/2004, no 2 °. Oficio de Justiça de Resende – RJ. C.5) R$ 10.000,00 (Dez mil reais) pagos por meio do cheque REAL 0176, descontado em 26/05/2004 contra a C/C 7.7221484 (extrato fls. 456), utilizado para fins de pagamento de despesas de corretagem, conforme informações prestadas pelo fiscalizado Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10707.000334/200845 Acórdão n.º 2801003.637 S2TE01 Fl. 1.281 11 na data de 26/01/2007 (fls.125 e 130 anverso), informações constantes da DIRPF 2005 (fls.14) do mesmo e informações (fls.994) prestadas por Teresinha Flecher Lopes em 03/01/2008. C.6) R$ 63.000,00 (Sessenta e três mil reais) pagos em espécie nos termos da Escritura Pública de Compra e Venda (fls.120/123) lavrada em 25/05/2004, no 2°. Oficio de Justiça de Resende – RJ, Livro 292, fls. 058, e entregue pelo fiscalizado na data de 26/01/2007. Como se vê, todos os valores considerados pela Fiscalização estão devidamente comprovados nos autos: R$ 173.000,00 constantes da escritura pública + R$ 43.466,00 representados pela emissão do cheque 0172 no valor de R$ 15.491,94, utilizado para pagamento de despesas atrasadas do Condomínio, do cheque 0173 no valor de R$ 14.508,06, creditado diretamente na conta da vendedora, do cheque 0174 no valor de R$ 3.466,00, utilizado para pagamento do ITBI e do cheque 0176 no valor de R$ 10.000,00, utilizado para pagamento de despesas de corretagem (extrato à fl. 543) Em outras palavras: os valores que compuseram o montante do dispêndio de R$ 216.466,00 estão exaustivamente comprovados nos autos, representados pelo valor da escritura pública (fls. 123/124), cuja presunção de veracidade não foi afastada por prova inequívoca em sentido contrário, e pelos valores dos cheques debitados na conta nº 7.7221484 do Banco Real (fl. 543), cujo Interessado é um dos titulares. Anoto, ainda, por oportuno, que a afirmação de que a Fiscalização se baseou no Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda está em desarmonia com a descrição contida no Termo de Verificação Fiscal, haja vista que o valor apurado pela Fiscalização importou no montante de R$ 216.466,00, ao passo que no Instrumento Particular de Compra e Venda o valor totalizou R$ 220.000,00. A menção feita pela Autoridade lançadora, no Termo de Verificação Fiscal, ao Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda, se deu única e exclusivamente para evidenciar que o valor de R$ 30.000,00 pagos a título de sinal correspondia à soma dos cheques 0172 (pagamento de despesas atrasadas do condomínio) e 0173 (creditado diretamente na conta da vendedora). Registro, por fim, que o fato de o valor do dispêndio ter superado o valor da escritura não significa que o valor desta deva ser desconsiderado, se comprovado nos autos, como de fato se comprovou, que o montante pago pelo imóvel correspondeu ao valor constante da escritura adicionado aos valores dos cheques 0172, 0173, 0174 e 0176. Nesse contexto, peço vênia para divergir do Ilustre Relator e voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Numero do processo: 10384.900141/2010-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO-PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. INSUMOS. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A exportação de produto classificado na TIPI como não tributado (NT) não confere direito ao crédito presumido de IPI relativamente aos insumos empregados em seu beneficiamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-001.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor do redator designado, conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Possas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábia Regina Freitas - Relatora.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITOPRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. INSUMOS. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A exportação de produto classificado na TIPI como não tributado (NT) não confere direito ao crédito presumido de IPI relativamente aos insumos empregados em seu beneficiamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor do redator designado, conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Presidente. (assinado digitalmente) Fábia Regina Freitas Relatora. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 01 41 /2 01 0- 09 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Belém (fls. 107/133) que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte (fls. 16/34) em face de despacho decisório de fls. 13/14, que julgou parcialmente procedente o pedido de ressarcimento de créditos presumidos de IPI. O pedido de ressarcimento e declarações de compensação, no caso concreto, tem origem no crédito presumido de IPI relativo ao 1º. trimestre de 2007, que, segundo a DRF de Teresina e a DRJ de Belém, são objeto de PERDCOMPS autuadas sob os ns. 28404.31454.291007.1.1.010836 e 38636.32113.291007.1.3.015818. A DRF/Teresina/PI, embasandose na documentação apresentada pelo próprio contribuinte, elaborou cálculo do crédito pleiteado e homologouo parcialmente. Nesse contexto, concluiu a Delegacia de origem que o valor do crédito presumido atinente ao 1º. Trimestre de 2007 atingiu a monta de R$ 162,54. Nesse passo, concluiu por homologar parcialmente as compensações efetuadas até o montante indicado. Segundo a fiscalização, a razão para a homologação do referido valor teria sido a exclusão das receitas de exportação de produtos nãotributados (NT) da base de cálculo do crédito presumido de IPI. A DRJ, examinando a manifestação interposta, houve por bem desprovêla em acórdão de fls. 107/113, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS “NT”. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2011 REVISÃO DE ATOS ADMINISTRATIVOS. A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogalos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10384.900141/201009 Acórdão n.º 3301001.983 S3C3T1 Fl. 380 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte, devidamente cientificado, interpôs Recurso Voluntário as fls. 117/133 por meio do qual contesta o referido Acórdão, pedindo que a glosa realizada seja julgada improcedente, que segundo o seu entendimento, merece ser integralmente reformado, posto que colide com as provas acostadas nos autos e a jurisprudência aplicável ao caso. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fábia Regina Freitas, Relatora. O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. As matérias postas à apreciação por esta Turma cingemse ao direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação de produtos NT, rechaçado pela DRJ e ao direito à atualização do ressarcimento pela taxa Selic, pleiteado pelo contribuinte. Quanto ao direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação de produtos NT, matéria em exame nestes autos, permitome aproveitar parte de voto da Cons. Judith da Amaral Marcondes Armando, no julgamento do PA nº 10680.006963/200158, ressaltando a necessidade de promover os ajustes correspondentes a esta lide: A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional já afirmou algumas vezes em seus recursos perante o CARF, sobre esta matéria: “É inegável que a meta da norma em apreço é desonerar os produtos exportados, eliminando parcela da carga tributária cumulada ao longo do ciclo produtivo, representada pelas indigitadas contribuições sociais, sendo também irrefutável que, em princípio, esse crédito presumido não guardaria correlação com o IPI. No entanto, esta não foi a opção do legislador ordinário, haja vista que inegavelmente criou um crédito presumido de IPI, em todos os seus contornos, de forma que é incontestável que referido imposto, neste comenos, tangencia aquelas contribuições. Assim, a análise desse texto legal, ainda sob o prisma teleológico, pode levar à inferência diametralmente oposta, qual seja, que o objetivo da Lei foi, em verdade, desonerar apenas os produtos industrializados, visando com isso incentivar a exportação de produtos elaborados com maior valor agregado, em detrimento de produtos em estado quase natural ou com incipiente processo de elaboração, como o caso dos produtos em comento” cf. fls 112 Tendo em conta tais afirmativas, ao meu ver perfeitamente válidas em termos de aspirações ao desenvolvimento nacional com padrões mais elevados de agregação de valor, muito embora julgueas subjetivas, passo à interpretação Fl. 152DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 sistemática como sugere o Procurador em seu arrazoado, e chegarei a conclusão diametralmente oposta à do Procurador. A Lei 9.363, de 1996 em seus arts 1º e 3º parágrafo único diz: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ...................................................................................................... Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarse á, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (os grifos são meus) Aqui observo que o crédito presumido está direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, (não fala de mercadorias nacionais industrializadas) e que o estabelecimento dos conceitos de receita operacional bruta, produção, matérias primas, insumos e materiais de embalagem devem ser buscados no escopo das normas que falam respectivamente do Imposto de Renda e do IPI. Assim sendo, não tenho dúvidas quanto aos produtos que podem gerar os benefícios desta lei 9.363, que são matérias primas, materiais de embalagens e insumos, nas condições estabelecidas na legislação do IPI, isto é, que se consumam no processo produtivo ou integrem o produto final desse processo, e que em algum passo da cadeia produtiva tenham sofrido incidência das contribuições PIS e COFINS. Não tenho dúvidas que a norma não se destina a proteger exportações de maior valor agregado, e menos ainda, de produtos que figurem na TIPI como tributados. Até porque, sabemos, a tributação pelo IPI deixou a muito de ser fundamentada nos princípios que nortearam a criação do tributo, chegando mesmo a não ser seletiva, e não refletir o grau de industrialização do produto. Hoje temos produtos bastante industrializados com notação NT na TIPI, bem assim outros, sem qualquer industrialização com alíquota zero. Passamos ao conceito de crédito presumido: Presumido é o que se pretende verdadeiro à luz de certos conhecimentos previstos. Pode ser entendido como uma probabilidade alta de verdade, ainda Fl. 153DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10384.900141/201009 Acórdão n.º 3301001.983 S3C3T1 Fl. 381 5 que fictício. Pois bem, na proposta de lei introduzida pela Medida Provisória nº. 948, de 23 de março de 1995, ficou clara a inviabilidade de aferir todos os valores de PIS/PASEP/COFINS que oneram o produto final a ser exportado. O Legislador fez a escolha de presumir um valor a ser restituído ao exportador, a título de desoneração de parte dessa tributação. Naturalmente, não estamos aqui diante de uma benesse do Estado. Estamos diante de ponderação racional e objetiva relativa ao princípio de não exportar tributos, na medida exata do interesse comercial, nem mais nem menos. Vejase bem que, de outra forma, poderíamos incorrer nos subsídios considerados da caixa vermelha pela Organização Mundial de Comércio, órgão ao qual o Brasil deve referenciarse. E lhe convém que o faça. Observo que a Lei não determina que se busque na legislação do IPI o conceito de produtor exportador. Vamos aos aspectos históricos do conjunto de normas que regeram o IPI, o crédito prêmio do IPI, e o ressarcimento. Nascidas da LEI Nº. 4.502 DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964, que dispôs sobre o Imposto de Consumo e reorganizou a Diretoria de Rendas Internas, posteriormente regulamentada pelo Decreto nº 61.514, de 12 de outubro de 1967, temos que: Art. 1º O Imposto de Consumo incide sobre os produtos industrializados compreendidos na Tabela anexa. ......................................................................................................... Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. ......................................................................................................... Art. 7º São também isentos ......................................................................................................... § 1º No caso o inciso I, quando a exportação for efetuada diretamente pelo produtor, fica assegurado o ressarcimento, por compensação, do imposto relativo às matérias primas e produtos intermediários efetivamente utilizados na respectiva industrialização, ou por via de restituição, quando não for possível a recuperação pelo sistema de crédito. A referida tabela anexa não incluía o universo de produtos industrializados. Assim sendo, o estabelecimento produtor e exportador a que se refere a Lei nº 9.363, de 1996 poderia, em princípio, ser aquele que produz os produtos tributados ou com alíquota zero, que estão contidas no campo de incidência do hoje IPI. Mas, voltando ainda aos aspectos históricos, na própria Lei inaugural há uma série de excepcionalidades que contextualizam o desejo do legislador Fl. 154DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 dentro de um processo de substituição de importação acelerado, com elevada defesa da produção interna. Andando um pouco mais no tempo, o Decreto Lei nº 1.136, de 1970, pretendendo modernizar o parque industrial brasileiro permitiu o creditamento de IPI a máquinas e outros bens do ativo das empresas. § 2º O Ministro a Fazenda poderá atribuir aos estabelecimentos industriais o direito de crédito do imposto sobre produtos industrializados relativo a máquinas, aparelhos e equipamentos, de produção nacional, inclusive quando adquiridos de comerciantes não contribuintes do referido imposto destinados à sua instalação, ampliação ou modernização e que integrarem o seu ativo fixo, de acordo com as diretrizes gerais de política de desenvolvimento econômico do país. § 3º O regulamento disporá sobre a anulação do crédito ou o restabelecimento de débito, correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo, ou os resultantes da industrialização gozem de isenção ou não estejam tributado. Verificamos que o IPI, utilizado como ferramenta de desenvolvimento econômico se presta a intervenções pontuais, que afetam aspectos macro e micro econômicos, entrando em vigor imediatamente, e produzindo os efeitos politicamente desejados. Tais intervenções nada têm a ver com a industrialização do produto em si, ou com a notação da alíquota na TIPI, mas estão ligadas a qualificação econômica do produto no contexto econômico, de modo especial ao grau de ganho de produtividade que possa conferir aos processos produtivos em que está inserido. Ora, permitome entender que sendo o IPI um imposto de fácil manejo, e federativo, o legislador diz sempre exatamente o que pretende a fim de que não sejam introduzidas interpretações locais que possam alterar a universalidade da norma. Por outro lado, se é possível admitir que a Lei nº 9.363 tenha vindo substituir a normatização de crédito–prêmio de IPI, superado pela realidade internacional dos incentivos não permitidos pela OMC, e que nesse novo contexto estejamos tratando, de fato, de desoneração das exportações, o conceito de produtor exportador não se confunde com o conceito de produtor industrial. E, pode ser que, em razão dessa construção que acabo de propor seja mais adequada à interpretação do que seja empresa produtora exportadora, como aquela que exporta o que produz, já que na mesma lei, no art. 3º parágrafo único, está determinado que devem ser buscados na legislação do IPI os conceitos de produto, matéria prima, insumos e material de embalagem e não de empresa produtora exportadora. Vendo sob esse aspecto, é importante o contexto econômico e político dos incentivos tributários à exportação ou ao desenvolvimento econômico, conforme induz o raciocínio da PGFN. Sabemos que em tempos de incentivo à modernização do parque industrial deuse o crédito pertinente a máquinas e outros bens de ativo das empresas. Hoje, visando tão só não exportar tributos e fomentar a atividade econômica, é essa a razão que se encontra na exposição de motivos que Fl. 155DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10384.900141/201009 Acórdão n.º 3301001.983 S3C3T1 Fl. 382 7 acompanhou a formação da lei, há de se considerar que, qualquer produto exportado, mesmo estando ele fora do campo de incidência do IPI, ou seja notificado como produto NT circunstancialmente, não deve carregar consigo, por razões que passam da análise dessa lide, carga tributária interna. Por essas razões, entendo que a interpretação teleológica que melhor atende ao espírito da lei, hoje, é que empresas produtoras e exportadoras de produtos fora do campo de incidência do IPI podem beneficiarse do regresso de parte da tributação previstos na lei em comento, desde que tenham utilizado em sua produção os insumos, matérias primas e material de embalagem como definidos nas normas do IPI. Seguindo essa interpretação que não julgo apartada dos termos da Lei, encaminho meu voto no sentido de ser cabível o ressarcimento a título de desoneração da carga tributária nas exportações, quando os produtos exportados sejam obtidos a partir de insumos, matérias primas e material de embalagem, adquiridos de quem quer que os tenha produzido, desde que tenham sido objeto de tributação relativa às contribuições para o PIS, PASEP e COFINS em qualquer etapa de suas produções, e desde que consumidos no processo produtivo ou dele fizerem parte nos termos da legislação do IPI, independentemente de ser o produto resultante exportado tributável pelo IPI. Por todo exposto, voto no sentido de incluir no valor das receitas de exportação todos os resultados de vendas ao exterior de produtos sujeitos ou não à incidência do IPI”. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional disse algumas vezes em seus recursos sobre esta matéria: No que se refere à atualização do ressarcimento pela taxa Selic, faço a ressalva de que, a despeito de meu entendimento quanto à matéria, em face da superveniência do art. 62A do Regimento Interno do CARF RICARF, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça devem ser reproduzidas nos julgamentos dos recursos no âmbito deste Tribunal Administrativo. O recorrente teve obstado pela administração tributária a aplicação da referida Taxa, entretanto, verificase a possibilidade da aplicação da TAXA SELIC para o referido caso, conforme podemos observar no seguinte precedente, julgado em 11/07/2012, na 3ª Turma da CSRF (Acórdão nº 930302.061 – PA nº 10920.000255/200133), sob relatoria do Cons. Francisco Maurício: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO IPI – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – ENERGIA ELÉTRICA – TAXA SELIC. ART. 62A DO RICARF A Lei nº9.363/96 não exclui aquisições de insumos adquiridos de não contribuintes . A Súmula nº 19 do CARF não admite a inserção da energia elétrica na base de cálculo do incentivo. De ser admitida a aplicação da Taxa SELIC no ressarcimento a partir da protocolização do pedido. Recurso parcialmente provido”. Nesse sentido, os recursos repetitivos do STJ que estão subjacente a questão do dies a quo para aplicação da taxa Selic, considerado o protocolo do pedido de restituição ou ressarcimento junto à administração tributária. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Conclusão Na esteira do exposto voto por dar provimento ao Recurso Voluntário do sujeito passivo. Sala das Sessões, em 25 de julho de 2013 Fábia Regina Freitas. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10384.900141/201009 Acórdão n.º 3301001.983 S3C3T1 Fl. 383 9 Voto Vencedor Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Discordo da Ilustre Relatora apenas quanto ao direito de a recorrente aproveitar créditos presumidos do IPI sobre os custos com beneficiamento de produtos classificados na TIPI como NT. O benefício fiscal denominado “crédito presumido do IPI”, a título de ressarcimento do PIS e da Cofins incidentes nas aquisições de matérias primas, insumos e materiais intermediários utilizados em produtos industrializados e exportados, foi inicialmente instituído pela Lei nº 9.363, de 13/12/1996, e, posteriormente, por meio da MP nº 2.2022, de 23/08/2001, convertida na Lei nº 10.276, de 10/09/2001, foi criado o regime alternativo. No presente caso, a recorrente reclama ressarcimento apurado nos termos da Lei nº 9.363, de 13/12/1996, que assim dispõe: “Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” Posteriormente, foi editada a IN SRF nº 69, de 06/08/2001, que regulamentou a aplicação desse dispositivo, assim dispondo: “Art. 5º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o art. 1º a empresa produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I a produto industrializado sujeito a alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins.” Fl. 158DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 Ora, segundo os dispositivos legais citados e transcritos acima, o crédito presumido do IPI contempla apenas e tão somente a pessoa jurídica produtora e exportadora, de produtos industrializados por ela e exportados para o exterior diretamente e/ ou via empresa comercial exportadora. Os produtos nãotributados (NT) pelo IPI, nos termos da legislação desse imposto, não se classificam como produtos industrializados e não fazem jus ao crédito presumido do IPI. Portanto, considerando que a recorrente não industrializa produtos e não é contribuinte do IPI, não tem direito ao crédito presumido deste imposto. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Designado. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720449/2011-19
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO.
Aplica se multa qualificada à exigência de impostos e contribuições sonegados, estando caracterizado o dolo e sonegação.
JUROS DE MORA. SELIC. PREVISÃO LEGAL.
Exigem-se juros de mora sobre os impostos e contribuições exigidos de ofício, apurados segundo a variação da taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais - Selic, por expressa previsão legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO.
Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 1802-002.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. Aplica se multa qualificada à exigência de impostos e contribuições sonegados, estando caracterizado o dolo e sonegação. JUROS DE MORA. SELIC. PREVISÃO LEGAL. Exigem-se juros de mora sobre os impostos e contribuições exigidos de ofício, apurados segundo a variação da taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais - Selic, por expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 EXAME DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELO FISCO, SEM ORDEM JUDICIAL. POSSIBILIDADE. É licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001. CONTA BANCÁRIA EM NOME DO SÓCIO. EFETIVO TITULAR. EMPRESA. Quando provado que os valores depositados/creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 04 49 /2 01 1- 19 Fl. 679DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 3 2 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. Aplica se multa qualificada à exigência de impostos e contribuições sonegados, estando caracterizado o dolo e sonegação. JUROS DE MORA. SELIC. PREVISÃO LEGAL. Exigemse juros de mora sobre os impostos e contribuições exigidos de ofício, apurados segundo a variação da taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais Selic, por expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que manteve lançamento realizado para a constituição de crédito tributário no regime de tributação simplificada – Simples Nacional, com fatos geradores ocorridos no período de julho/2007 a dezembro/2008. Os fatos que antecederam o presente recurso estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 0634.202, às efls. 632 a 650: Trata o processo de autos de infração exigindo os impostos e contribuições: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Simples Nacional, págs. 409/410, no valor de R$ 46.904,91, devido à omissão de receitas da atividade, relativas a depósitos bancários não escriturados cuja origem não foi esclarecida, mesmo tendo o contribuinte sido intimado, em contas em nome da empresa e em nome de seu sócio; períodos de apuração mensais de 07/2007 a 12/2008; [...] [...] b) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social CofinsSimples Nacional, págs. 411/412, no valor de R$ 41.371,23 [...] [...] c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Simples Nacional, págs. 413/414, no valor de R$ 24.769,12 [...] [...] d)Contribuição Patronal Previdenciária Simples Nacional, págs. 415/416, no valor de R$ 58.303,68 [...] [...] e) contribuição ao Programa de Integração Social PIS Simples Nacional, págs.417/418, no valor de R$ 9.653,39 [...] [...] 3. Sobre os impostos e contribuições devidos exigemse multa de 150% do art. 44, I e § 1° da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação do art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007; e juros de mora segundo o art. 61, § 3° da Lei n° 9.430, de 1996; o demonstrativo de apuração se encontra às págs. 419/422. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 5 4 4. À págs. 423, encontramse demonstrados pela fiscalização os percentuais aplicáveis sobre a receita bruta apurada com base nos arts. art. 3° § 1°, 13 inciso IV, 18 §§ 1°, 3° e 4°, 25 e 34 da LC n° 123, de 2006, e alterações; arts. 1°, 3°, XVIII, a 5°§ 1°, 6° e 16 da Resolução CGSN n° 05, de 2007 e alterações; arts. 9°, 13 e 14, I e 19 §§1° a 4° da Resolução CGSN n° 30, de 2008. 5. Às págs. 401/407, no Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Ação Fiscal TVF, se encontram demonstrados os procedimentos de fiscalização. 6. Cientificado em 18/08/2011, pág. 426, o interessado apresentou a impugnação tempestiva em 08/09/2011, págs. 429/441, por meio de seu representante legal, págs. 442/444 e anexando Contrato de Mútuo, págs. 445/446. 7. Afirma que a fiscalização confundiu a pessoa física do sócio com a empresa, dado que o auto traz em seu bojo valores que pertencem única e exclusivamente ao sócio, seja por empréstimos de terceiros, ou pela geração de recursos próprios; esclarece que anexa contrato de mútuo entre esse sócio Luiz Fernando da Silva Baú e a empresa, no valor de R$ 1.000.000,00, assinado com reconhecimento de firma em cartório, em 12/07/2005. 8. Reclama que as intimações foram omissas em relação aos créditos/depósitos que relaciona na impugnação à pág. 432/433, portanto, esses valores não atenderam ao disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996; aduz que, em obediência ao art. 142 do CTN, e ao Decreto n° 70.235, de 1972, deveriam compor o auto de infração todos os documentos fiscais, relatórios, termos de intimação, os valores fiscalizados, declarações e demonstrativos; o fiscal deve obedecer rigorosamente a tais requisitos, sob pena de ver nulo o seu trabalho; por esses motivos requer nulidade dos autos por lhes faltarem certeza e liquidez. 9. Invoca a Súmula n° 32 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, referente à titularidade dos depósitos bancários para argumentar que “restou a ser comprovado pela fiscalização que AQUELES valores, ou seja, os especificamente indicados pela fiscalização e outros que compunham os EXTRATOS, pertenciam à impugnante, ou mesmo ao sócio”; assevera que há nos autos somente afirmativa dos autuantes e não provas de que os recursos pertenciam à empresa impugnante, sendo que o fato de que algumas despesas da empresa foram pagas com recursos do sócio, não significa que a totalidade dos recursos recebidos na conta deste pertençam à autuada e que segue contrato de mútuo que prova o contrário 10. Aduz que a autuada deveria ter sido intimada destes valores movimentados ou das “suas” despesas pagas pelo sócio Luiz Fernando da Silva Baú, sob risco de nulidade a teor de Acórdão do Conselho de Contribuintes que transcreve, pois todos os co titulares da conta devem ser intimados. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 6 5 11. Invoca Súmula n° 14 do CARF no sentido de que a simples apuração de omissão de receitas por si só não autoriza a qualificação da multa, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo, o que restou a ser comprovado neste processo, faltando nexo de causalidade, seja quanto à utilização de recursos um do outro, seja, quanto aos depósitos pertencentes à empresa impugnante. 12. Referindose à pág. 4 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (págs. 419/420, do processo), reclama da impropriedade das Tabelas 1 a 4 que ali constam, afirmando que o “auditor ao demonstrar valores de saldos bancários movimentados ou pagos pelo sócio, o faz MISTURANDO anos posteriores com o que foi autuado. Os meses autuados foram de 07/2007 a 12/2007 e 01/2008 a 12/2008, e que nada tem em haver com o demonstrado nas tabelas de 01 a 04.” E aventa a hipótese de o autuante também ter misturado valores dos meses de autuação e aduz que este deveria ter analisado o contrato de mútuo. 13. Argumentando que somente a demonstração analítica dos cálculos de apuração do crédito tributário constituído permite ao impugnante o exercício do direito de ampla defesa e tendo em vista os erros que afirma terem sido cometidos na autuação, requer que conste dos autos que os valores antes apontados fossem devidamente intimados, para que lhe tivesse sido oportunizada ampla defesa até mesmo na fase investigatória, para que o auto seja líquido e exigível. 14. Afirma que o sigilo bancário quebrado sem autorização judicial (conforme a Requisição de Movimentação Financeira RMF ao Bradesco) é ilegal e inconstitucional. 15. Afirma que a inclusão de valores de movimentação na conta corrente em sua totalidade, não corresponde à receita recebida, fato esse que se comprova pelo contrato de mútuo entre o sócio e a empresa impugnante. 16. Reclama da inconstitucionalidade e ilegalidade da adoção da taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais Selic para fins tributários, invocando fatos e motivos apontados por Magistrado do Superior Tribunal de Justiça STJ, pleiteando seu cancelamento na autuação. 17. Conclui reclamando que os autos de infração não preenchem os requisitos legais do sistema Simples. 18. Examinando o processo, esta DRJCTA observou que havia documentos atinentes ao mesmo, como Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF e Intimações referentes ao sóciogerente da empresa Luiz Fernando da Silva Baú, CPF n° 043.699.40974, e à conta bancária Bradesco agência 089 c/c 395463, em nome deste, mas de interesse para o presente processo, dado que se concluiu Fl. 683DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 7 6 que os depósitos ali recebidos tratavamse de receitas da empresa; por isso, tais documentos foram solicitados ao órgão de jurisdição, DRF em Londrina/PR, que os remeteu em forma de Dossiê, processo n° 10010.009566/091106, via sistema e processo. Esses documentos foram anexados ao presente processo e se encontram às págs. 457/651. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR manteve integralmente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 SIMPLES NACIONAL. AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. Preenchem os requisitos legais os autos de infração lavrados no regime do Simples Nacional, referentes a empresa que se encontrava no Simples Federal e que passou a ser optante pelo Simples Nacional a partir de 01/07/2007, não havendo impedimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A Lei n° 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 SIGILO BANCÁRIO. A legislação autoriza à autoridade competente requisitar informações referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, e depois de o sujeito passivo ter sido intimado para a apresentação de Fl. 684DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 8 7 informações sobre movimentações financeiras necessárias à execução do Mandado de Procedimento Fiscal MPF. CONTA BANCÁRIA EM NOME DO SÓCIO. EFETIVO TITULAR. EMPRESA. Quando provado que os valores depositados/creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. Aplicase multa qualificada à exigência de impostos e contribuições sonegados, estando caracterizado o dolo e sonegação. JUROS DE MORA. SELIC. PREVISÃO LEGAL. Exigemse juros de mora sobre os impostos e contribuições exigidos de ofício, apurados segundo a variação da taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais Selic, por expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS, CSLL, CPP. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 25/11/2011, a Contribuinte apresentou em 21/12/2011 o recurso voluntário de fls. 657 a 673, alegando em síntese: EM PRELIMINAR que houve inversão da prova, a qual ofende o art. 142 do CTN e o art. 146, III, “b”, da Constituição Federal; que o art. 142 do CTN possui eficácia de lei complementar, por força da sua recepção pelo art. 146, III, “b” da CF/88, e que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 não poderia criar a presunção em pauta, porque tal diploma é lei ordinária em seus aspectos formal e material; Fl. 685DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 9 8 que a decisão recorrida incorre em erro quando entende que a falta de justificativas do titular nominal da conta bancária, Luiz Fernando Silva Baú, sócio da empresa, acerca dos depósitos/créditos nela recebidos, poderia ensejar a conclusão de que, na realidade, o titular de fato dessa conta era a empresa 5 Estrelas Transportes Rodoviários Ltda., uma vez que a CRF/88 e também o CPP em seu artigo 1861 e o CPC em seu artigo 3472, afirmam ser o silêncio um direito da parte, e por certo tal atitude não pode ser interpretada de forma prejudicial ao Recorrente; que o privilégio contra a auto incriminação, traduzido pelo direito ao silêncio, é direito público subjetivo assegurado a todos, não podendo qualquer órgão estatal punir cidadão que decidir exercer tal direito; que faltou ser provado que os valores eram desviados da pessoa jurídica para a pessoa física do sócio, ou viceversa; que o simples não atendimento das perguntas/intimações da Fiscalização não podem conferir o direito de a Receita vir a tributar a Recorrente; que os valores encontrados na conta corrente do sócio devem a ele ser atribuídos, talvez em um possível auto de infração, e através da legislação pertinente ao caso; que não foi comprovado em nenhum momento que os recursos foram provenientes da pessoa jurídica, e se não provada a sua procedência, os danos deveriam ser suportados somente pela pessoa física do sócio; que a quebra do sigilo bancário através da RMF Requisição de Movimentação Financeira n° 09102002011000083 e Ofício n° 82, não poderia se dar sem autorização judicial; que a autoridade fiscal lançadora e a julgadora teriam que ter observado: o extrato bancário do supridor com coincidência de datas e valores como foram obtidos o ingresso dos valores na conta do sócio declaração do banco depositário da origem do valor do depósito, sobre quem depositou os valores para o sócio, e pulsando os documentos e clientes da Recorrente para identificar quais receitas foram desviadas para a conta do sócio; que transitaram pela conta da 5 Estrelas o valor de R$ 500.928,40 assim já explicitados: em 09/08/2007 recebeu o valor de R$ 226.964,00 de reembolso de SEGURO, conforme comprovado pela própria Fiscalização em seu item 1, das fls. 2 do TVEAF; em 17/09/08 recebeu mais o valor de R$ 273.964,40 pela venda de imobilizado, item 2, fls.2 do TVEAF; que pelo movimento desses recursos não existiam motivos para o sócio Luiz Fernando movimentar recursos da empresa em sua conta corrente particular, pois nesse período estava a sociedade/Recorrente com caixa bem suprido; que não houve “omissão de receita”, uma vez a soma de ingresso dos recursos são superiores à possível “omissão”; que os valores constados na TABELA 1, 2 e 3 podem muito bem ser supridos pelo recebimento de seguros vendas de imobilizado empréstimos mútuos, etc., sendo portanto sem validade a autuação que não buscou detalhar os valores; Fl. 686DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 10 9 DO DIREITO que os fatos apresentados pela Fiscalização se confundem, misturando a pessoa física do sócio com a pessoa jurídica. Nessa tentativa, traz ao auto de infração valores que pela sua natureza pertencem única e exclusivamente ao sócio, seja por empréstimos de terceiros ou ainda pela geração de recursos próprios; que o sócio em seu labor pode muito bem gerar os recursos, haja vista o já citado “contrato de mútuo entre Luiz Fernando da Silva Baú e a Recorrente, no valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), e que o mesmo foi assinado com os reconhecimentos de cartório na data de 12/07/2005 (doc.01); que não pode haver recusa desse documento apenas pelo fato de não ter sido registrado contabilmente; que outras investigações poderiam ter sido encaminhadas, quanto a pessoa física do sócio, e não aconteceram, preferindose um caminho mais fácil; que as intimações foram omissas quanto a vários valores, e que estes deveriam ter sido intimados para esclarecimentos; que não haveria como provar ou mesmo praticar a defesa, uma vez que o sócio e/ou o recorrente não foram intimados dos valores que compõem o auto de infração, ou se intimado, o foi por via transversa, porque a fiscalização já “convicta”, simplesmente sossegou; que em obediência ao art. 142 do CTN e ao Decreto 70.235/72, deveriam compor o auto de infração: todos os documentos fiscais, relatórios, termos de intimações, os valores fiscalizados, declarações e demonstrativos; que faltou ser comprovado pela Fiscalização que os valores autuados e outros que compunham os extratos pertenciam à impugnante, ou mesmo ao sócio. Que simplesmente foi afirmado pela Fiscalização que os recursos pertenciam à Recorrente. Que ademais já foi anexado contrato de mútuo que claramente comprova o contrário do afirmado pela fiscalização; que não constou do lançamento a prova do dolo, fraude ou simulação praticado pelo Recorrente; que a Fiscalização ao demonstrar os valores de saldos bancários movimentados ou pagos pelo sócio, o faz misturando anos anteriores (2006) com o que foi autuado. Os meses autuados foram de 07/2007 a 12/2007 e 01/2008 a 12/2008, e que nada tem em haver com o demonstrado nas tabelas de 05; que a aplicação da taxa Selic é inconstitucional e ilegal, conforme já decidiu o STJ (ementa transcrita). Em 22/06/2012, a teor do § 1º do artigo 62A do RICARF o presente processo restou sobrestado. Todavia, o mencionado dispositivo normativo foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 11 10 Assim, não havendo mais determinação para o sobrestamento, passase ao julgamento do presente processo. Este é o Relatório. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 12 11 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples Nacional, no período de julho/2007 a dezembro/2008. O período de janeiro/2006 a junho/2007 também foi objeto de fiscalização, e a autuação a ele referente, ainda na sistemática do Simples Federal, é objeto do processo nº 11634.720329/201111, que também está sendo examinado nesta mesma sessão de julgamento do CARF. A autuação em pauta está fundamentada em omissão de receita, apurada em razão da falta de comprovação de origem dos valores creditados/depositados em duas contas bancárias, uma em nome da própria empresa (39.9574), e outra em nome do sócio Luiz Fernando da Silva Baú (39.5463), ambas no Banco Bradesco. O Termo de Verificação Fiscal, às fls. 405 e 406, indica os valores creditados nessas contas bancárias, os valores declarados pela Contribuinte e a diferença apurada, conforme o quadro abaixo: Período Descrição Bradesco C399574 Bradesco C395463 Totais Declarado SIMPLES Diferença Apuarada jul/07 CRÉDITOS 54.889,00 17.157,95 ()Devol.Ch depos Total jul/2007 54.889,00 17.157,95 72.046,95 15.020,40 57.026,55 ago/07 CRÉDITOS 47.135,00 22.343,17 ()Devol.Ch depos 7.260,00 Total ago/2007 39.875,00 22.343,17 62.218,17 17.705,19 44.512,98 set/07 CRÉDITOS 82.621,05 29.953,20 ()Devol.Ch depos Total set/2007 82.621,05 29.953,20 112.574,25 15.064,23 97.510,02 out/07 CRÉDITOS 144.850,00 20.417,17 ()Devol.Ch depos 600 Total out/2007 144.250,00 20.417,17 164.667,17 13.856,23 150.810,94 nov/07 CRÉDITOS 41.469,84 27.901,00 ()Devol.Ch depos Total nov/2007 41.469,84 27.901,00 69.370,84 13.247,33 56.123,51 dez/07 CRÉDITOS 90.412,15 14.900,00 ()Devol.Ch depos 50 Total dez/2007 90.362,15 14.900,00 105.262,15 15.576,39 89.685,76 jan/08 CRÉDITOS 68.569,96 13.500,87 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 13 12 ()Devol.Ch depos Total jan/2008 68.569,96 13.500,87 82.070,83 0 82.070,83 fev/08 CRÉDITOS 50.439,00 10.742,00 ()Devol.Ch depos Total fev/2008 50.439,00 10.742,00 61.181,00 14.208,01 46.972,99 mar/08 CRÉDITOS 52.019,00 26.121,62 ()Devol.Ch depos Total mar/2008 52.019,00 26.121,62 78.140,62 6.823,75 71.316,87 abr/08 CRÉDITOS 63.271,79 25.925,68 ()Devol.Ch depos 432 Total abr/2008 62.839,79 25.925,68 88.765,47 10.276,34 78.489,13 mai/08 CRÉDITOS 72.877,18 16.411,87 ()Devol.Ch depos 432 Total mai/2008 72.445,18 16.411,87 88.857,05 18.251,53 70.605,52 jun/08 CRÉDITOS 157.963,50 41.330,00 ()Devol.Ch depos 1.000,00 Total jun/2008 157.963,50 40.330,00 198.293,50 17.200,42 181.093,08 jul/08 CRÉDITOS 34.508,77 36.934,68 ()Devol.Ch depos 417 Total jul/2008 34.091,77 36.934,68 71.026,45 24.381,49 46.644,96 ago/08 CRÉDITOS 106.137,19 35.611,75 ()Devol.Ch depos Total ago/2008 106.137,19 35.611,75 141.748,94 13.798,44 127.950,50 set/08 CRÉDITOS 99.566,63 8.791,96 ()Devol.Ch depos 1.500,00 Total set/2008 99.566,63 7.291,96 106.858,59 15.283,62 91.574,97 out/08 CRÉDITOS 63.702,38 15.892,00 ()Devol.Ch depos Total out/2008 63.702,38 15.892,00 79.594,38 13.764,57 65.829,81 nov/08 CRÉDITOS 101.085,01 1.300,00 ()Devol.Ch depos Total nov/2008 101.085,01 1.300,00 102.385,01 0 102.385,01 dez/08 CRÉDITOS 59.493,90 ()Devol.Ch depos 2.403,40 Total dez/2008 57.090,50 57.090,50 9.104,26 47.986,24 Na presente fase recursal, a Contribuinte traz alguns argumentos que poderiam ensejar a nulidade do lançamento (preliminares), e outros que já envolvem questões de mérito. PRELIMINARES Registro primeiramente que ela teve a ciência dos termos e demonstrativos que compõe o processo, onde estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento e as infrações que lhe foram imputadas, bem como as disposições legais infringidas. Diante disso, a Contribuinte pôde plenamente contestar a exigência fiscal e seus fundamentos, e o fez por meio da impugnação já analisada, e novamente agora, por meio do recurso voluntário sob exame. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 14 13 Alguns aspectos por ela suscitados, que sugerem a ocorrência de cerceamento de direito de defesa (p/ex., falta de intimação de valores que compõem o auto de infração), serão melhor esclarecidos a seguir, no contexto do exame de mérito. Ainda em sede de preliminar, vale destacar que o lançamento sob exame esta lastreado parcialmente na Lei Complementar nº 105/2001, que permite expressamente a obtenção e utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, e a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não cabe o controle de constitucionalidade das leis, conforme, inclusive, dispõe a Súmula CARF nº 02, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A conclusão que se impõe é que é licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001. Desse modo, não restando caracterizada nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto 70.235/1972 PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa, e tampouco caracterizada a utilização de prova obtido por meio ilícito, devem ser rejeitadas as preliminares. MÉRITO Como mencionado, o lançamento está fundamentado em depósitos bancários com origem não comprovada, que foram realizados em duas contas bancárias, uma em nome da própria empresa (39.9574), e outra em nome do sócio Luiz Fernando da Silva Baú (39.546 3), ambas no Banco Bradesco. A identificação destes depósitos se deu a partir de extratos bancários fornecidos pelos próprios interessados (a empresa e seu sócio). A utilização da LC 105/2001, com emissão de RMF, serviu especificamente para colher informações sobre as contas bancárias do sócio Luiz Fernando da Silva Baú, que levaram a Fiscalização a considerar que a conta 39.5463 do Banco Bradesco pertencia de fato à empresa autuada. Essa constatação da auditoria fiscal, que é o aspecto mais combatido pela Recorrente, não decorreu apenas do fato de os interessados (primeiramente o sócio, e depois a empresa) não terem respondido às intimações para prestar esclarecimentos, mas especialmente dos eventos e situações apurados pela Fiscalização, conforme bem registra a decisão recorrida: [...] 2. Mérito 2.1 Ampla defesa até mesmo na fase investigatória, e depósitos em conta de titularidade do sócio. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 15 14 24. Argumentando que somente a demonstração analítica dos cálculos de apuração do crédito tributário constituído permite ao impugnante o exercício do direito de ampla defesa; que deveriam compor o auto de infração todos os documentos fiscais, relatórios, termos de intimação, os valores fiscalizados, declarações e demonstrativos, e que, tendo em vista os erros que afirma terem sido cometidos na autuação, requer que conste dos autos que os valores antes apontados fossem devidamente intimados, para que lhe tivesse sido oportunizada ampla defesa até mesmo na fase investigatória. 25. Cabe resumir os fatos, para responder a estes questionamentos do litigante. 26. O início da fiscalização em relação a este contribuinte se deu em 08/04/2010, com o Termo de Início de Fiscalização de págs. 2/3, respaldado pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) 09.1.02.00.2010.002910. 2.1.1 Fiscalização sobre a pessoa do sóciogerente da empresa Luiz Fernando Silva Baú. 27. Antes da autuada, foi aberta fiscalização sobre a pessoa do sóciogerente da empresa Luiz Fernando Silva Baú, mediante o Termo de Início de Ação Fiscal de 31/03/2010, de págs. 467/473, cientificado em 06/04/2010, respaldado pelo MPFF 09.1.02.00.2010.002902; ele foi intimado a entregar a relação das suas contas bancárias e extratos de contas correntes, aplicações financeiras, cadernetas de poupança, etc, de todas as contas bancários, individuais ou em conjunto, para o período de 2006 a 2008, e cópias de comprovantes de saques e depósitos, nas mesmas. 28. Em 13/05/2010, págs. 466/467, consta que entregou extratos do Banco Bradesco; os extratos se encontram às págs. 100/119, período de 28/12/2006 a 18/12/2008. 29. Em 04/08/2010, foi intimado a justificar a origem de depósitos/créditos recebidos, entre outras, na conta em seu nome no Bradesco agência 089, c/c 395463, págs. 473/495; em 19/10/2010, foi reintimado, sem que tivesse apresentado as justificativas; em 06/12/2010, a fim de verificar a natureza das operações realizadas nessa conta, a fiscalização o intimou e reintimou a apresentar cópias dos cheques da citada conta, relacionados no Termo de Intimação Fiscal n°s 003 e 004, págs. 497/513; Luiz Fernando Silva Baú novamente silenciou; então, mediante a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF de págs. 449/452, foram obtidos tais cópias diretamente do Banco Bradesco e, com base nessas cópias de cheques de pagamentos, foram intimadas as empresas Librelato, MercedesBenz do Brasil, P.B. Lopes e Posto da Lavoura que enviaram suas respostas, págs. 204/349, cuja síntese está às págs. 403/404, no TVF, Tabelas 1 a 5, que evidenciam que essa conta foi utilizada para pagamentos de dispêndios da empresa, sendo que a amostragem abrangeu os anos de 2006, 2007 e 2008. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 16 15 30. Esses elementos, aliados à falta de justificativas do titular nominal dessa conta corrente bancária, que era Luiz Fernando Silva Baú, sócio da empresa, acerca dos depósitos/créditos nela recebidos, ensejaram a conclusão fiscal de que, na realidade, o titular de fato dessa conta é a 5 Estrelas Transportes Rodoviários Ltda. 2.1.2 5 Estrelas Transportes Rodoviários Ltda intimação sobre os depósitos/créditos na conta Bradesco agência 089, c/c 395463, de titularidade de Luiz Fernando Silva Baú. 31.Conseqüentemente, foi apresentado à empresa o Termo de Intimação Fiscal de págs. 194/203, em 18/05/2011, no qual estão descritos os fatos e que se havia evidenciado a movimentação de recursos da empresa nessa conta bancária de titularidade do seu sócio, ou seja, que a movimentação nessa conta era pertinente a operações mercantis da empresa e mantida à margem da escrituração; e simultaneamente com essa notificação da conclusão fiscal, foi a empresa intimada a contestálas e a comprovar com documentação hábil e idônea as origens dos recursos recebidos nessa conta (além de em outra do Banco do Brasil agência04766 c/c 85235, também de titularidade do sócio); nessa intimação, o contribuinte 5 Estrelas Transportes Rodoviários Ltda foi alertada de que a falta de comprovação caracteriza omissão de receitas a teor do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. 32. Na falta de resposta, foi a empresa novamente intimada, mediante o Termo de Intimação Fiscal em 06/06/2011, de idêntico teor, sendo que tampouco houve manifestação da empresa. 33. Conforme TVF (Tabela 6), págs. 405/406, o lançamento fiscal foi efetuado relativamente às contas: a. Bradesco agência 089, c/c 395463, de titularidade de Luiz Fernando Silva Baú, que restou caracterizada como, na realidade, referente a movimentação financeira da empresa; b. Bradesco agência 089, c/c 399574, de titularidade da empresa 5 Estrelas Transportes Rodoviários Ltda. 34. E não foi feito lançamento fiscal relativo aos valores da conta Banco do Brasil agência 04766 c/c 85235, também de titularidade de Luiz Fernando Silva Baú. 2.1.3 Depósitos/créditos recebidos na conta Bradesco agência 089, c/c 399574, de titularidade da empresa 35. A 5 Estrelas Transportes Rodoviários Ltda, depois de receber o Termo de Início de Fiscalização e requerer vários adiamentos, apresentou os extratos da conta Bradesco agência 089, c/c 399574, de sua titularidade (ocorreu erro no relato da pág. 401, no TVF porque os extratos entregues pela empresa foram os da conta de sua titularidade, enquanto que os extratos Fl. 693DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 17 16 da Bradesco agência 089, c/c 395463, conforme cita erroneamente no TVF, de titularidade de Luiz Fernando Silva Baú, foram entregues espontaneamente por este); os extratos da conta Bradesco agência 089, c/c 399574, de titularidade da empresa se encontram às págs. 515/572, referentes ao período de 29/12/2005 a 29/12/2008. 36. Às págs. 4/27, consta a Intimação Fiscal, dirigida à empresa, cientificada em 06/08/2010, intimadoa a informar e comprovar documentalmente a origem e natureza dos depósitos/créditos recebidos na conta Bradesco agência 089, c/c 395463 (sic) e justificar a nãoescrituração dessa conta bancária eis que esta intimação, na realidade, e como evidencia a comparação dos créditos/depósitos ali consignados com os extratos, era referente e com base nos extratos da conta Bradesco agência 089, c/c 399574, de titularidade da empresa. 37. Às págs. 28/49, por meio do Termo de Constatação e Reintimação Fiscal foi a empresa reintimada exatamente nos mesmos termos, em 19/10/2010. 38. O fato de o fiscal ter consignado número errado da conta bancária não foi percebido pelo contribuinte, que recepcionou as intimações e, depois de vários pedidos de prorrogação, apresentou sua resposta de pág. 187, justificando depósitos/créditos na conta Bradesco agência 089, c/c 399574, de titularidade da empresa, cujos depósitos/créditos estão relacionados nas citadas intimações e correspondem aos extratos dessa conta; ele justificou e apresentou documentos comprobatórios de págs. 188/193 os seguintes créditos recebidos: [...] 39. Do exposto fica evidente que não houve falha quanto à intimação prévia do contribuinte acerca dos depósitos/créditos recebidos em contas bancárias e cuja não comprovação da origem ensejaram o lançamento fiscal, dado que tanto do titular nominal Luiz Fernando Silva Baú, sócio da empresa, como a empresa foram intimados e reintimados previamente e dessa forma lhes foi oferecida a oportunidade de se defenderem e apresentarem provas que evitariam a autuação. Porém não o fizeram e tampouco o fazem na impugnação apresentada. 40. Da mesma forma foi a empresa intimada de que os depósitos/créditos na conta Bradesco agência 089, c/c 395463 cuja titularidade nominal é do seu sócio, na realidade se referem a recursos da empresa e como tal, não justificados, seriam objeto de lançamento fiscal, por presunção legal de receita omitida, dado que não escriturados e não declarados à RFB. 2.2 Comprovação de que os valores creditados/depositados na conta Bradesco agência 089, c/c 395463, de titularidade de Luiz Fernando Silva Baú, pertencem à empresa. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 18 17 41. Como descrito, Luiz Fernando Silva Baú não apresentou qualquer justificativa para os créditos/depósitos recebidos na conta bancária de sua titularidade; intimado e reintimado a apresentar cópias de comprovantes de pagamento a partir dessa conta, não os entregou e a fiscalização os requisitou diretamente às instituições financeiras, por meio de RMF; dos pagamentos identificados foi escolhida uma amostragem, tendo sido as empresas intimadas a explicar os pagamentos que receberam de Luiz Fernando Silva Baú; às págs 403/404, estão tabulados tais documentos. 42. A MercedesBenz do Brasil Ltda entregou, págs. 216/224, documentos comprobatórios de aquisição de caminhão trator modelo ano 2008, Nota Fiscal 15217225 de 16/06/2008, pela 5 Estrelas Transportes Rodoviários Ltda, no valor de duas parcelas de R$ 81.200,00 e R$ 243.600,00, pagas em 17/06/2008 (Dep Identific Dinheiro no Bradesco, do qual R$ 31.210,00 foi sob a forma do cheque Bradesco emitido por Luiz Fernando Silva Baú nessa mesma data, nominal à Mercedes Benz do Brasil Ltda) e 28/08/2008 (Oper de Credito), respectivamente, págs. 250/258. 43. A Librelato Implementos Agrícolas e Rodoviários Ltda, págs. 225/246, recebeu adiantamentos pagos em cheques da conta Bradesco agência 089, c/c 395463, de titularidade de Luiz Fernando Silva Baú, cheques n° 350 R$ 4.000,00 de 23/11/2007, n° 351 R$ 4.999,00 de 26/11/2007, n° 352 R$ 4.999,00 de 23/11/2007, n° 362 28/04/2008 conforme as cópias dos cheques às págs. 239/246, para aquisição de implementos rodoviários (Semi Reboque Bitrem) pela 5 Estrelas Transportes Rodoviários Ltda, posteriormente objetos de diversas notas fiscais de venda, tendo sido o saldo financiado pelo BNDES. 44. A P.B.Lopes & Cia Ltda encaminhou documentos, págs. 247/297, comprovando venda de veículos à 5 Estrelas Transportes Rodoviários Ltda e valores recebidos como entrada (tendo sido os saldos financiados pelo Finame) e constam duas cópias de cheques: a. Pág. 294, no valor de R$ 118.300,00, emitido da conta Bradesco agência 089, c/c 39.5463, de titularidade de Luiz Fernando Silva Baú, depositado na conta da P.B Lopes em 31/01/2008, pág. 264, data da emissão da Nota Fiscal de venda de veículo no valor total de R$ 338.000,00 para a 5 Estrelas Transportes Rodoviários Ltda, sendo R$ 118.000,00 a cargo do cliente e o restante Finame, págs. 262 e 265; b. Pág. 296, no valor de R$ 50.000,00, emitido da conta Bradesco agência 089, c/c 395463, de titularidade de Luiz Fernando Silva Baú, depositado na conta da P.B Lopes em 20/08/2008, pág. 273, e da Nota Fiscal de venda de veículo no valor total de R$ 375.000,00 para a 5 Estrelas Transportes Rodoviários Ltda, emitida em Fl. 695DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 19 18 21/08/2008, sendo R$ 75.000,00 a cargo do cliente e o restante Finame, págs. 270, 271 e 273. 45. O Posto Lavoura Ltda, págs. 298/349, informou ter vendido combustíveis para a 5Estrelas Transportes Rodoviários Ltda e para a pessoa física de Luiz Fernando Silva Baú;anexou Históricos de Cheques de pagamentos recebidos da empresa e de Luiz Fernando Silva Baú; constam cópias de cheque de R$ 1.171,00 de 01/01/2006, R$ 1.067,49 de 04/02/2006, 1.138,00 de 13/05/2006, R$ 1.200,00 de 24/06/2006, R$ 1.103,00 de 06/10/2006, R$ 1.098,00 de 22/12/2006, R$ 1.153,00 de 26/02/2007, nominais ao Posto Lavoura Ltda da conta Bradesco agência 089, c/c 395463, de titularidade de Luiz Fernando Silva Baú, págs. 303/304, 308/309, 322/323, 327/328, 337/338, 342/343. 46. Anexo à impugnação foi apresentado Contrato de Mútuo entre o sócio e a empresa, págs. 445/446, assinado por Luiz Fernando Silva Baú, tanto como mutuante (sócio pessoa física) como representante da empresa (sócio administrador da Pessoa jurídica); consta carimbo de reconhecimento da sua firma datado de 12/07/2005, contudo, não consta qualquer empréstimo à empresa nas Declarações apresentadas pela pessoa física do sócio, págs. 611/631; as condições pactuadas são de que o sócio coloca à disposição da empresa, por 36 meses, limite de crédito de R$ 1.000.000,00, com juros segundo do Código Civil; porém não foi anexado qualquer registro contábil dos alegados empréstimos, dos pagamentos ou dos juros; cabe destacar que o autuante examinou a contabilidade e não encontrou registros referentes a movimentações bancárias e tampouco relativas ao Mútuo. 47. Também, verificouse dos registros da RFB de págs. 611/631, que Luiz Fernando Silva Baú só teve como fonte de rendimentos a empresa para os anos de 2006 e 2007 e a empresa autuada e VGBL em 2008 (R$ 2.893,02, no ano); informou em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física no ano calendário 2005, Bens e Direitos (Patrimônio) no valor de R$ 253.415,88 e no ano de 2006, R$ 260.940,12 e R$ 278.354,21 em 2007, portanto, não dispunha desses recursos. 48. Intimado a justificar o ingresso dos recursos nessa conta, silenciou; se lhe pertencessem, haveria alguma justificativa. 49. Assim, sem dúvida se configura, dada a ausência de fontes de renda alternativas de Luiz Fernando Silva Baú a justificarem a origem dos recursos depositados nessa conta corrente de sua titularidade e da qual saíram recursos para pagar contas da empresa, que os recebimentos nessa conta se referiam a receitas de prestação de serviços de transporte pela 5 Estrelas Transportes Rodoviários Ltda. 50. A empresa autuada também, de certa forma, admite ser parte na conta corrente de titularidade do seu sócio, ao reclamar na impugnação que deveria ter sido intimada dos valores movimentados ou das “suas” despesas pagas pelo sócio Luiz Fl. 696DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 20 19 Fernando da Silva Baú, pois todos os cotitulares da conta devem ser intimados, conforme dispõe o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lein° 10.637, de 2002) 51. Como já descrito, não prospera a argumentação de que nem todos os “cotitulares” das contas foram intimados, já que tanto o sócio como a empresa o foram. 52. Dessa forma, correto o entendimento de que os recursos pertencem à empresa, e a autuação lavrada, referente à conta Bradesco agência 089, c/c 395463, nominalmente de titularidade de Luiz Fernando Silva Baú, em nome do efetivo titular que é a empresa. (grifos acrescidos) O conjunto dos fatos narrados deixa bastante evidente que não procede qualquer alegação de cerceamento do direito de defesa. Vêse que a Fiscalização realizou várias intimações, tanto para a empresa, quanto para o seu principal sócio, na busca de esclarecimentos, e os interessados colaboraram muito pouco nesse sentido. Ainda assim, a Fiscalização colheu várias informações que não deixam dúvidas de que a conta bancária 395463 movimentava na verdade recursos da empresa. Não foi comprovada a origem dos depósitos bancários na referida conta, e nem na conta bancária da própria empresa, de nº 39.9574, ambas do Banco Bradesco, o que ensejou a aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 21 20 Nesse ponto, é importante ressaltar que não houve negativa do direito ao silêncio, como alega a Recorrente. O fato é que o art. 42 da Lei 9.430/1996 impõem um ônus ao Contribuinte, de comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, e a ausência dessa comprovação enseja a presunção legal de omissão de receitas. No caso, também não cabe ao CARF examinar as críticas dirigidas à criação de normas que prevêem presunções legais de omissão de receita (entre elas, a prevista no art. 42 da Lei 9.430/1996), em razão da já citada Súmula CARF nº 2. Vale ainda registrar que os ingressos a título de reembolso de seguro e venda de imobilizado tiveram a sua origem comprovada, e não foram objeto de autuação. Contudo, independentemente de seus montantes, eles não podem servir para justificar todos os demais ingressos na conta bancária, que, permanecendo sem comprovação de origem, dão ensejo à incidência da referida presunção legal de omissão de receitas. A Contribuinte, embora tenha tentado justificar o não atendimento das intimações, invocando para isso o direito ao silêncio, alega que as intimações foram omissas quanto a vários valores, e que estes deveriam ter sido intimados para esclarecimentos, o que já indica uma contradição de sua parte. De qualquer forma, a decisão recorrida examinou também esse ponto, esclarecendo que não houve nenhuma omissão de valores nas intimações, eis que a comprovação de origem só é solicitada para os valores que ingressam na conta bancária: [...] 2.3 Intimações Omissas de depósitos relacionados às págs. 432/433. 53. Relaciona cheques de pagamentos ao Posto Lavoura Ltda, emitidos a partir da conta de titularidade de Luiz Fernando silva Baú, listado a seguir, acusando que são valores que compõem a autuação em relação aos quais não houve intimação: [...] 54. Tratandose dos pagamentos, ou seja, saídas de recursos, não foram objetos de autuação por omissão de receitas. 55. No entanto, foram intimados e reintimados, tanto o sócio como a empresa, quanto aos valores depositados/creditados na conta Bradesco de titularidade do primeiro, que a fiscalização concluiu ser, na realidade, pertencente à empresa (Bradesco agê. 089 c/c 395463); e a empresa em relação aos depósitos em conta corrente de sua própria titularidade (Bradesco agê. 089 c/c 399574) e alertados ambos da conclusão fiscal acerca da real titularidade dessa conta e de que, não justificados os recebimentos, seriam considerados receita omitida. As alegações de que a Autoridade Fiscal misturou valores de períodos diferentes; que o lançamento não preenche os requisitos do regime simplificado; e que não há comprovação de dolo para a qualificação da multa já foram examinadas pela decisão de primeira instância administrativa, e a Recorrente não traz nenhum elemento capaz de refutar os seus fundamentos, pelo que os adoto também neste voto, conforme transcrito abaixo: Fl. 698DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 22 21 2.4 Tabelas 1 a 4 do Termo de Verificação Fiscal . 56. Afirma o litigante que o autuante misturou meses de anos posteriores com o ano autuado, nessas tabelas, que se encontram às págs. 403/404, no Termo de Verificação Fiscal; e insinua que autuante também tenha feito o mesmo tipo de confusão quanto aos depósitos/créditos autuados. 57. Podese observar que nessas tabelas estão relacionados os cheques emitidos da conta de titularidade de Luiz Fernando Silva Baú, para pagamentos de dispêndios da empresa, e estão relacionados em ordem cronológica, para cada fornecedor da empresa 5 Estrelas Transportes Rodoviários Ltda. 58. E não há evidência alguma de que o autuante tenha misturado depósitos de um mês com outro, na autuação. [...] 2.7 Autos de Infração. Simples Nacional. Requisitos. 82. Reclama que os autos de infração não preenchem os requisitos legais do sistema Simples. 83. Contudo, não especifica que requisitos faltantes seriam estes. 84. Conforme descrito no TVF, “A empresa foi enquadrada no SIMPLES na condição de Microempresa em 03/08/2004 e, em 01/07/2007, migrou para o regime de tributação SIMPLES NACIONAL.” 85. Conforme a Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, citada na base legal da autuação, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional e revogou o anteriormente vigente regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples (Simples Federal), regido pela Lei n° 9.317, de 1996: [...] 86. Conforme os dispositivos transcritos, as empresas que se encontravam no Simples Federal foram automaticamente consideradas como optantes pelo Simples Nacional a partir de 01/07/2007, desde que não houvesse impedimento. 87. É o caso da empresa autuada, que era optante e declarou pelo Simples Federal até 30/06/2007. 88. No que tange à presunção de omissão de receita que embasou a presente autuação, já se esclareceu neste voto que, conforme o art. 34 da LC n° 123, de 2006, aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata aquela Lei. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 23 22 89. Não se vislumbra incongruência na autuação no regime do Simples Nacional, para o período de 01/07/2007 a 31/12/2008, no presente caso. 2.8 Multa de ofício qualificada. 150%. 90. Invoca Súmula n° 14 do CARF no sentido de que a simples apuração de omissão de receitas por si só não autoriza a qualificação da multa, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo, o que não teria sido comprovado. 91. Nos tópicos “4. Multa qualificada”, o autuante explica que, tendo em vista que os procedimentos adotados pela contribuinte de se utilizar de conta corrente mantida à margem de sua escrita contábil, com o objetivo de não oferecer as referidas receitas à tributação, (cabe aqui lembrar que se tratam de duas contas bancárias autuadas, uma de titularidade da empresa e outra do seu sócio, a qual a fiscalização concluiu ser na realidade da empresa) caracterizam intenção fraudulenta de omitir receitas e diminuir o resultado tributável e, portanto, ensejam a aplicação de multa qualificada de 150%, conforme dispõe do art 44, inciso I e § 1° da Lei 9.430, de 1996, e da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Art. 74. Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas ou quando ocorrerem as hipóteses previstas no art. 85 e em seu parágrafo. § 1° Se idênticas as infrações e sujeitas à pena de multas fixas, previstas no art. 84, aplicase, no grau Fl. 700DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 24 23 correspondente, a pena cominada a uma delas, aumentada de 10% (dez por cento) para cada repetição da falta, consideradas, em conjunto, as circunstâncias qualificativas e agravantes, como se de uma só infração se tratasse. (Vide DecretoLei n° 34, de 1966) (Grifouse.) 92. As conclusões deste voto são de que a empresa sonegou receitas, ou seja, ao declarar a menor que a receita bruta realmente auferida, sistematicamente, em períodos repetidos, não contabilizando a conta bancária de sua titularidade e movimentando recursos em conta bancária no nome do seu sócio, o que evidencia a intenção dolosa da litigante de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. 93. Verificase que a sonegação se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, ou retardar uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de sonegação seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizandose de subterfúgios escamoteiase ocorrência do fato gerador ou retardase o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária; ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, que a diferenciam da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste, seja ela pelos mais variados motivos que se aleguem. 94. Havendo fraude e dolo, correto o lançamento da multa qualificada de 150%. Quanto à aplicação da taxa Selic, cabe apenas registrar que a matéria já está sumulada no CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vale citar novamente a Súmula CARF nº 2 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 701DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11634.720449/201119 Acórdão n.º 1802002.274 S1TE02 Fl. 25 24 Fl. 702DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10380.005333/2007-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 1989
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FÍSICA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. COMPROVAÇÃO VIA DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. VALIDADE.
Nos casos de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física, o fato de o sujeito passivo não informar a data de início e término da construção, na forma que exige a legislação de regência, por se tratar de descumprimento de obrigações acessórias, não tem o condão de deslocar a data da ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias e, por conseguinte, o termo inicial da decadência, cabendo ao contribuinte, porém, comprovar aludidas datas, com documentação hábil e idônea, se chamados pela autoridade fazendária para tanto.
In casu, tratando-se de obra de construção civil, com sua conclusão fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Certidão da Prefeitura Municipal competente, a qual detém fé pública, corroboradas por conjunto probatório robusto, impõe-se o acolhimento do pleito do contribuinte, em observância ao princípio da verdade material.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL.
Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratando-se as INs de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar erovimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 01/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar erovimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 01/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2442; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 138 1 137 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.005333/200736 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.289 – 2ª Turma Sessão de 30 de julho de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TEREZA DE JESUS MARQUES ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 1989 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FÍSICA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. COMPROVAÇÃO VIA DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. VALIDADE. Nos casos de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física, o fato de o sujeito passivo não informar a data de início e término da construção, na forma que exige a legislação de regência, por se tratar de descumprimento de obrigações acessórias, não tem o condão de deslocar a data da ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias e, por conseguinte, o termo inicial da decadência, cabendo ao contribuinte, porém, comprovar aludidas datas, com documentação hábil e idônea, se chamados pela autoridade fazendária para tanto. In casu, tratandose de obra de construção civil, com sua conclusão fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Certidão da Prefeitura Municipal competente, a qual detém fé pública, corroboradas por conjunto probatório robusto, impõese o acolhimento do pleito do contribuinte, em observância ao princípio da verdade material. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratandose as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Recurso especial negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 53 33 /2 00 7- 36 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar erovimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 01/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira. Relatório TEREZA DE JESUS MARQUES, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.864.0024, em 31/08/2006 (AR, fl. 24) referente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pela notificada, concernentes à parte dos segurados, da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre a remuneração decorrente da mãodeobra empregada em construção civil de responsabilidade de pessoa física, apurada por aferição indireta, com espeque no artigo 33, § 4º, da Lei nº 8.212/91, referente à obra residencial realizada no endereço Rua Morelia, n° 1125, Lotes 11 e 12, Bairro Parque Potira, Município de Caucaia/CE, Matrícula CEI sob nº 41.690.00502/65, lançadas na competência 07/2006, conforme Relatório Fiscal, às fls. 13/14. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra decisão da 5a Turma da DRJ em Fortaleza/CE, Acórdão n° 08 11.539/2007, às fls. 40/43, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a egrégia 3° Turma Ordinária da 4ª Câmara, em 02/12/2010, achou por bem conhecer do Recurso da Contribuinte e, por maioria de votos, DARLHE PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 240300.316, com sua ementa abaixo transcrita: ”ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10380.005333/200736 Acórdão n.º 9202003.289 CSRFT2 Fl. 139 3 Período de apuração: 01/08/1998 a 31/07/2007 PREVIDENCIARIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF N°. 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n ° 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. No presente caso, o fato gerador ocorreu entre os anos 1988 a 1989, o lançamento tendo sido cientificado em 31.08.2006, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 40, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de oficio. Recurso Voluntário Provido.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 66/78, com arrimo no artigo 7º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Turmas/Câmaras do CARF/Conselhos a respeito da mesma matéria, consubstanciado nos Acórdãos n°s 20600.637 e 20600.808, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. Sustenta que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum guerreado, na medida em que, ao analisarem lançamentos fiscais lastreados em mesma situação fática, firmaram posicionamento no sentido de que o ônus da prova da ocorrência da decadência é da contribuinte, a qual deverá apresentar documentação pertinente a comprovar o alegado, ao contrário do que restou assentado no decisório combatido, que deslocou aludido ônus probatório ao Fisco. Em defesa de sua pretensão, infere que a contribuinte não contestou a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, se limitando a alegar a decadência do crédito tributário, com base na conclusão da obra há mais de 17 (dezessete) Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 anos, sem conquanto comprovar seu argumento, mediante documentação hábil e idônea, mormente aquela elencada no artigo 482 da IN MPS/SRF nº 03/2005. Contrapõese ao Acórdão recorrido, aduzindo para tanto que o artigo 49, § 1o, b, da Lei nº 8.212/91, exige que o contribuinte comunique ao INSS (atualmente RFB) o início da execução da obra, no prazo de 30 (trinta) dias, cabendo àquele comprovar que a sua realização, total ou parcial, ocorrera em período abarcado pela decadência (artigo 482 da IN MPS/SRF nº 03/2005), razão pela qual a omissão relativamente a tais obrigações acessórias não pode favorecêlo. Alega que a ausência de comunicação do início das obras de construção civil, por parte do contribuinte, impede o início da contagem do prazo decadencial, sob pena de privilegiar a própria torpeza do sujeito passivo, que se utiliza de sua omissão ilegal e clandestina para obter benefícios indevidos em detrimento daqueles outros que cumprem todas as suas obrigações legais. Opõese, ainda, ao decisum recorrido, sob o argumento de contrariar, igualmente, os preceitos contidos no artigo 482 da IN MPS/SRF nº 03/2005, o qual contempla dos documentos exigidos para fins de comprovação da decadência arguida, não tendo a contribuinte apresentado tal documentação de maneira a amparar sua pretensão. Ressalta que nenhum dos dispositivos transcritos ou outros presentes na lei ou outro instrumento normativo, permite inferir que o rol constante do artigo 482 da IN MPS/SRF nº 03/2005 é exemplificativo, o que conduz à conclusão de se tratar de lista taxativa, não permitindo ampliações. Com mais especificidade, assevera que a detida análise dos documentos carreados aos autos revela que as certidões e outros documentos obtidos pelo contribuinte (fls. 30 e 31), em especial a certidão de fl. 30 e o Guia de Recolhimento da Companhia de Água de fl. 31 não atendem aos comandos normativos de regência. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado nos paradigmas a respeito da mesma matéria, consoante se positiva do Despacho nº 2400349/2011, às fls. 91/93. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Procuradoria, a contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 98/99, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10380.005333/200736 Acórdão n.º 9202003.289 CSRFT2 Fl. 140 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, tratase de notificação fiscal exigindo contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração decorrente da mãodeobra empregada em construção civil de responsabilidade de pessoa física, apurada por aferição indireta, com arrimo no artigo 33, § 4º, da Lei nº 8.212/91, referente à obra residencial realizada na Rua Morelia, n° 1125, Bairro Parque Potira, Município de Caucaia/CE, Matrícula CEI sob nº 41.690.00502/65. Ao analisar o caso, a Turma recorrida, achou por bem rechaçar a pretensão fiscal, aplicando o prazo decadencial de 05 (cinco) anos insculpido no Código Tributário Nacional, restando decaído o crédito tributário, por entender que os documentos colacionados aos autos pelo contribuinte comprovam que a obra em referência fora concluída em período decadente. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram entendimento levado a efeito por outras Turmas/Câmaras do CARF/Conselhos a respeito da mesma matéria, consubstanciado nos Acórdãos n°s 20600.637 e 20600.808, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. A fazer prevalecer sua tese, sustenta que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum guerreado, na medida em que, ao analisarem lançamentos fiscais lastreados em mesma situação fática, firmaram posicionamento no sentido de que o ônus da prova da ocorrência da decadência é da contribuinte, a qual deverá apresentar documentação pertinente a comprovar o alegado, ao contrário do que restou assentado no decisório combatido, que deslocou aludido ônus probatório ao Fisco. Contrapõese ao Acórdão recorrido, aduzindo para tanto que o artigo 49, § 1o, b, da Lei nº 8.212/91, exige que o contribuinte comunique ao INSS (atualmente RFB) o início da execução da obra, no prazo de 30 (trinta) dias, cabendo àquele comprovar que a sua realização, total ou parcial, ocorrera em período abarcado pela decadência (artigo 482 da IN MPS/SRF nº 03/2005), razão pela qual a omissão relativamente a tais obrigações acessórias não pode favorecêlo. Alega que a ausência de comunicação do início das obras de construção civil, por parte do contribuinte, impede o início da contagem do prazo decadencial, sob pena de privilegiar a própria torpeza do sujeito passivo, que se utiliza de sua omissão ilegal e clandestina para obter benefícios indevidos em detrimento daqueles outros que cumprem todas as suas obrigações legais. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Ressalta que nenhum dos dispositivos transcritos ou outros presentes na lei ou outro instrumento normativo, permite inferir que o rol constante do artigo 482 da IN MPS/SRF nº 03/2005 é exemplificativo, o que conduz à conclusão de se tratar de lista taxativa, não permitindo ampliações. Mais precisamente, aduz que a detida análise dos documentos carreados aos autos revela que as certidões e outros documentos obtidos pelo contribuinte (fls. 30 e 31), em especial a certidão de fl. 30 e o Guia de Recolhimento da Companhia de Água de fl. 31 não atendem aos comandos normativos de regência. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Consoante se extrai dos autos, a querela estabelecida in casu se fixa em determinar o termo inicial do prazo decadencial inserto no artigo 173, inciso I, do CTN (abaixo transcrito), aplicado no Acórdão recorrido em razão da ausência de antecipação de pagamento, senão vejamos: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Afora entendimento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que com a alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a aplicabilidade do artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal, na forma do entendimento daquele Tribunal Superior, manifestado nos autos do Resp n° 973.733/SC. Em suas razões recursais, inicialmente, pretende a Procuradoria deslocar o termo inicial do prazo decadencial, para a data do conhecimento da obra pelo INSS, a pretexto de o contribuinte ter deixado de informar/comunicar ao fisco as datas de seu início e término. Não obstante as substanciosas razões da Procuradoria, seu insurgimento não tem o condão de macular o Acórdão recorrido. Aliás, vários são os motivos que demonstram a fragilidade e rechaçam a pretensão da Fazenda, como passaremos a demonstrar. De plano, ressaltase que as obrigações tributárias que a contribuinte deixou de cumprir (informar o início e o término da obra) se revestem de natureza acessória, como a própria Procuradoria reconheceu em seu recurso, não se prestando, portanto, a deslocar o fato gerador da obrigação principal objeto da presente notificação e, por conseguinte, o termo inicial da decadência. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10380.005333/200736 Acórdão n.º 9202003.289 CSRFT2 Fl. 141 7 Em verdade, a recorrente faz confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos ao descumprimento de obrigações acessórias. Como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, de conformidade com o artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, obrigação principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação tributária de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento o contribuinte deixar de informar ao INSS o início e/ou término da obra de construção civil de sua responsabilidade. Dessa forma, uma vez constatada a inobservância da obrigação acessória, caberia à autoridade lançadora lavrar o respectivo auto de infração, fato que não tem o condão de alterar a ocorrência do fato gerador do tributo ora exigido, como acima elucidado, sobretudo quando o fisco é quem tem obrigação legal de fiscalizar as declarações (omissas ou não) dos contribuintes, notadamente nos tributos submetidos ao lançamento por homologação promovido pelo contribuinte e sujeito a posterior exame da autoridade fazendária. Aliás, mister se fazer um parêntese na conclusão da recorrente. Destarte, a prevalecer o entendimento da Procuradoria, casos dessa natureza (obra de construção civil sob responsabilidade de pessoas físicas ou jurídicas) não estariam sujeitas ao prazo decadencial, em qualquer lapso temporal pretérito, uma vez que, somente quando constatada a realização da obra pelo Fisco o prazo decadencial começaria a contar, abarcando construções realizadas em qualquer tempo (10, 20, 30 anos anteriores à descoberta). Tal conclusão representa o absoluto afastamento da decadência na relação tributária entre tais contribuintes e o Fisco, o que fere de morte os princípios constitucionais da isonomia, moralidade e segurança jurídica, dentre outros, reproduzidos, igualmente, no artigo 2° da Lei n° 9.784/99, os quais devem ser observados pela Administração em suas atividades, incluindo, conseqüentemente, a Procuradoria da Fazenda Nacional. Com efeito, o artigo 142 do Código Tributário Nacional estabelece que a atividade do lançamento é obrigatória e vinculada por parte das autoridades fazendárias, não cabendo a estes atribuírem responsabilidade ao contribuinte por ter deixado de prestar informações ao Fisco, quando constatada tal omissão fora do prazo decadencial. Ademais, as contribuições previdenciárias em comento incidiram sobre a mãodeobra empregada em construção civil de responsabilidade de pessoa física. Daí porque ser necessário o conhecimento do término da obra, uma vez que com essa informação evidencia a data da ocorrência dos fatos geradores. Neste sentido, aliás, o contribuinte vem sustentando desde o primeiro momento que a obra em referência se iniciou e terminou nos anos de 1988 e 1989. Em defesa de sua pretensão, a contribuinte fez acostar aos autos junto a impugnação escritura pública, datada de 24/03/1988, às fls. 30, informando a aquisição do referido imóvel e Comprovante de ligação de água da Companhia de água e esgoto do Ceará – CAGECE, às fls. 31, além de Boletim de Cadastro de Imóveis – BIC, de fls. 29. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Neste ponto, impende esclarecer que as autoridades lançadora e julgadora de primeira instância não admitiram os documentos apresentados pela autuada, a pretexto de não se enquadrarem integralmente nos requisitos listados no artigo 482, IV, parágrafo 3° da Instrução Normativa /SRP n° 03/05, mormente em razão de se apresentarem como fotocópias. Reforça, ainda, o julgador de primeira instância, que a comprovação do término da obra em período decadencial darseá com a apresentação de certidão expedia pela prefeitura municipal que se reporte ao cadastro imobiliário da época ou registro equivalente, constando o número do cadastro, lançados em período decadente, fazendo referência, igualmente, à área construída. Mais a mais, registra que, em 25/03/2004, a notificada já havia entrado com pedido de isenção de pagamento referente à construção de obra em comento, não tendo, porém, obtido êxito em sua empreitada. Em outra via, a Turma recorrida entendeu por bem acolher o pleito da contribuinte, manifestandose o Conselheiro relator no sentido de que “diante de todos os documentos acostados aos autos, me parece mais razoável em um juízo de verossimilhança, considerar que o termino fático da obra ocorreu entre 1988 e 1989, posto que a fiscalização não evidenciou com provas fáticas que a obra teria terminado em 07/2006.” E “Diante do exposto, concluise que o débito lançado na competência 07/2006 se refere a fatos geradores ocorridos entre 1988 e 1989.” Com o fito de macular a conclusão encimada, a Procuradoria sustenta que há entendimento divergente do adotado, trazendo à baila os Acórdãos n°s 20600.637 e 206 00.808, para fins de comprovação da divergência suscitada, notadamente em relação ao ônus de comprovação, se do Fisco ou da contribuinte, como já alinhavado acima. Com a devida vênia, não podemos compartilhar com o argumento da Procuradoria. A uma porque imputa o cometimento de ilegalidades por parte da contribuinte, objetivando fragilizar os documentos apresentados, sem conquanto demonstrar e comprovar sua ocorrência. A rigor, referida imputação da Fazenda Nacional, além de desprovida de qualquer amparo legal, fático e/ou documental, se apresenta como uma verdadeira inovação às razões do lançamento, uma vez que em nenhum momento o fiscal autante e/ou o julgador de primeira instância suscitaram quaisquer ilegalidades nos atos do contribuinte, não tendo admitido a documentação ofertada por aquele simplesmente porque não se revestia integralmente das formalidades inscritas nas Instruções Normativas supramencionadas. A duas porque equipara os preceitos de Instruções Normativas à lei, o que não representa a melhor interpretação do ordenamento jurídico, como demonstraremos adiante. Mais a mais, olvidouse que o conjunto probatório constante dos autos, acima elencado, além da Certidão da Prefeitura, reforça a tese defendida pelo contribuinte de que a obra restou concluída fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos. Em outras palavras, a documentação apresentada pela contribuinte, no mínimo, tem que ser considerada como princípio de prova que, na pior das hipóteses, possui maior valor probatório que a simples presunção que suporta o lançamento fiscal. Com efeito, é certo que a contribuinte adquiriu aludido imóvel em 24/03/1988, consoante escritura pública de fl. 30. Igualmente, inferese dos autos ter ocorrido ligação de água pela Companhia de água e esgoto do Ceará – CAGECE, em 31/10/1988, como se verifica do comprovante, de fl. 31. Por derradeiro, a Certidão emitida pela Prefeitura de Caucaia/CE Secretaria de Finanças Orçamento e Administração – Boletim de Cadastro de Fl. 139DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10380.005333/200736 Acórdão n.º 9202003.289 CSRFT2 Fl. 142 9 Imóveis – BCI, de fl. 29, emitida em 24/03/2004, faz referência ao período de aquisição do imóvel, como sendo em 1989, registrando a existência de área construída de 98m2, o que nos conduz à conclusão que, de fato, já em 1989 referida residência já havia sido construída, na linha do que restou decidido no Acórdão guerreado. Alfim, no que tange às determinações insertas nas Instruções Normativas nºs INSS DC n° 100/2003 e SRP n° 03/2005, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, não são capazes de oferecer proteção ao seu pleito, porquanto são normas complementares/secundárias, não podendo ser equiparadas/confundidas como “leis”, sobretudo para efeito de conhecimento do presente recurso, sendo defeso, por essa própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;[...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: “ Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos.” Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: “Vinculação absoluta dos atos normativos à lei. “... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Fl. 140DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá de ilegalidade...” (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)” (DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 5ª edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Na esteira desse raciocínio, impõese a manutenção da decadência reconhecida pela Turma recorrida, relativamente à obra objeto do lançamento, admitindose como termo inicial da decadência do artigo 173, inciso I, do CTN, o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador do tributo lançado, em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 3a Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 141DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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