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Numero do processo: 10865.900864/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/01/2002 BONIFICAÇÕES EM MERCADORIA. RECEITA. COMPOSIÇÃO. As receitas, de fato custos/despesas, de bonificações em mercadorias não integram a base de cálculo da Cofins. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Provada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) transmitida, homologa-se a compensação do débito fiscal nela declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 3301-001.552
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2002 BONIFICAÇÕES EM MERCADORIA. RECEITA. COMPOSIÇÃO. As receitas, de fato custos/despesas, de bonificações em mercadorias não integram a base de cálculo da Cofins. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Provada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) transmitida, homologase a compensação do débito fiscal nela declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado Digitalmente) Jose Adão Vitorino de Morais – Relator Fl. 630DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez Lópes, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito tributário de IRPJ, vencido em 30/06/2004, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 02/06, transmitida em 30/06/2004, com crédito financeiro de Cofins, decorrente pagamento a maior efetuado em 15/02/2002, referente à competência de janeiro desse mesmo ano. A DRF não homologou a compensação do débito fiscal declarado sob o argumento de que o crédito financeiro declarado já havia sido utilizado integralmente para quitar o débito da Cofins declarado na respectiva DCTF, para aquele mês, conforme despacho decisório às fls. 07. Cientificada do despacho decisório, inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 10/12), insistindo na homologação da compensação do débito fiscal declarado, alegando, em síntese, que, equivocadamente, incluiu na base de cálculo da contribuição valores correspondentes a bonificações em mercadorias o que resultou em pagamento indevido da contribuição. Em face dessa alegação, a DRJ converteu o julgamento em diligência para que a recorrente fosse intimada a comprovar a incondicionalidade dos descontos concedidos. Em atendimento à diligência, a recorrente apresentou a documentação juntada às fls. 41/579. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo a nãohomologação da compensação do débito declarado, conforme Acórdão nº 1427.443, datado de 01/02/2010, às fls. 582/587, sob a seguinte ementa: “BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. As bonificações concedidas em mercadorias configuram descontos, podendo ser excluídas da receita bruta para efeito de apuração da base de cálculo da Cofins, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. Dispositivos Legais: arts. 2º e 3º, § 2º, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998; e IN SRF nº 51, de 03/11/1978.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (589/596), requerendo a sua reforma a fim de se homologue a compensação do débito fiscal declarado, alegando, em síntese, a mesma razão expendida na manifestação de inconformidade, ou seja, que incluiu indevidamente na base de cálculo da contribuição valores referentes a bonificações concedidas mediante a emissão de notas fiscais das mercadorias dadas o que importou em descontos incondicionais. É o relatório. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10865.900864/200872 Acórdão n.º 330101.552 S3C3T1 Fl. 631 3 Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A questão de mérito se restringe à incidência ou não da Cofins sobre valores de mercadorias dadas em bonificações. A legislação da dessa contribuição com incidência cumulativa, Lei nº 9.718, de 27/11/1998, assim dispões quanto à base de cálculo dessa contribuição: “Art. 2º. As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I. – as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; (...).” Segundo este dispositivo legal, a base de cálculo da contribuição é o faturamento mensal, assim entendido a receita operacional bruta da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços. Os valores das mercadorias dadas em bonificações, ainda tenham sido mediante a emissão de notas fiscais e não descontos incondicionais nas respectivas notas fiscais, não compõem a receita operacional bruta e, portanto, não integram o faturamento, não implicam em ingressos de recursos nem aumento do patrimônio líquido da pessoa jurídica. Além disto, levandose em conta que bonificação em mercadorias pode ser definida como vantagem, benefício, desconto incondicional, redução de preço, dentre outros, podese excluíla da base de cálculo da contribuição, enquadrandoa no inciso I do § 2º do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, citado e transcrito acima. No presente caso, as cópias das notas fiscais às fls. 41/421 e do livro Registro de Saídas de Mercadorias às fls. 422/579, comprovam a concessão de mercadorias dadas em bonificações, sem a imposição de quaisquer requisitos. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 O fato de as bonificações terem sido efetuadas mediante a emissão de notas fiscais específicas que acompanharam as notas fiscais de vendas dos produtos e não como descontos nas respectivas notas fiscais de vendas não descaracteriza a incondicionalidade dos descontos. Assim, demonstrado e provado que a recorrente apurou e pagou a contribuição referente à competência de janeiro de 2002 sobre a receita operacional bruta, sem exclusão dos valores das bonificações, o pagamento a maior decorrente da não exclusão daqueles valores constitui indébito tributário passível de restituição/compensação. A compensação de débito fiscal, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp) e sua extinção por homologação, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado anteriormente, a recorrente faz jus à repetição/compensação do indébito decorrente de pagamento indevido da Cofins sobre valores de mercadorias dadas em bonificações. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de a recorrente excluir da base de cálculo da Cofins, apurada para a competência de janeiro de 2002, os valores das mercadorias dadas em bonificações, conforme as cópias de notas fiscais às fls. 41/421, cabendo a autoridade administrativa competente apurar o indébito tributário sobre tais valores, acrescer ao total apurado juros compensatórios, à taxa Selic, e homologar a compensação do débito declarado até o montante apurado. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 633DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13736.000441/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2004.
IRPF. GRATIFICAÇÃO. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A LEI Nº 8.852 NÃO AUTORGA ISENÇÃO.
A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos e da forma de percepção das rendas ou proventos. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-002.151
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2004. IRPF. GRATIFICAÇÃO. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A LEI Nº 8.852 NÃO AUTORGA ISENÇÃO. A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos e da forma de percepção das rendas ou proventos. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso voluntário Negado.
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IRPF. GRATIFICAÇÃO. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A LEI Nº 8.852 NÃO AUTORGA ISENÇÃO. A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos e da forma de percepção das rendas ou proventos. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Atílio Pitarelli, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida a Notificação de Lançamento com Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2004 (fls. 3/5), referente a omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Comando do Exército no valor de R$ 12.355,20 (doze mil, trezentos e trinta e cinco reais e vinte centavos), apurandose R$ 2.800,09 (dois mil e oitocentos reais e nove centavos) de imposto, que sofre a incidência de multa de ofício e juros de mora. A contribuinte apresentou impugnação solicitando a improcedência do lançamento, tendo em vista que os rendimentos recebidos a título de “Adicional por tempo de serviço e compensação orgânica” estariam entre as hipóteses de exclusão de incidência de tributação do imposto de renda pessoa física, nos termos do inciso III do art. 1º, inciso III, alínea “d” e “n” da Lei nº 8.852, de 1994. A Primeira Turma de Julgamento da DRJ/RIO II, por meio do Acórdão nº 1319.726, entendeu ser procedente o lançamento. Cientificada em 15 de agosto de 2008 (fl. 27), a contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 25 de mesmo mês (fls. 28/29), alegando que: a) os rendimentos correspondem ao “Adicional por Tempo de Serviço e Compensação Orgânica”, indevidamente incluído como rendimentos tributável; e b) a lei nº 8.852, de 1994, no art. 1º, inciso III, alíneas “d” e “n”, reconheceu a ilegalidade da incidência do adicional por tempo de serviço, e assegurou, expressamente, a exclusão das referidas vantagens. É o relatório. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA Processo nº 13736.000441/200814 Acórdão n.º 210202.151 S2C1T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A requerente solicita que seja considerada isenta do imposto de renda a gratificação denominada “Adicional por Tempo de Serviço e Compensação Orgânica”. Não procede a argumentação da contribuinte, haja vista que a Lei nº 8.852, de 1994, no dispositivo citado, não contempla as hipóteses de incidência ou isenção do imposto de renda pessoa física. A lei – que dispõe sobre a aplicação dos art. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal – apenas define o que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para efeitos dos seus dispositivos. As exclusões referemse unicamente ao conceito de remuneração. A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. Ainda, conforme expresso no Código Tributário Nacional, art. 11, a legislação tributária deve ser interpretada literalmente. De acordo com a Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, a tributação independe “da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos [...] e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” Os rendimentos isentos do imposto de renda estão consolidados no Capítulo II do Título IV do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (arts. 39 a 42). E a gratificação referida não está computada entre os rendimentos isentos e não tributáveis. Esse entendimento está expresso na Súmula CARF nº 68: “A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física”. Portanto, de aplicação obrigatória pelos membros deste Colegiado. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 37DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA 4 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 13056.001028/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Simples Nacional Data do fato gerador: 01/01/2009 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL - DÉBITOS COM A SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL D O BRASIL 1- Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal.
2- O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1301-000.800
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por MAIORIA, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator, vencido o conselheiro VALMIR SANDRI.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por MAIORIA, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator, vencido o conselheiro VALMIR SANDRI. (Assinado digitalmente) Alberto Souza Pinto Junior Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator. EDITADO EM: 03/05/2012 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Jaci de Assis Junior, Diniz Raposo e Silva, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri, Paulo Jakson Da Silva Lucas, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Por bem apresentar a realidade dos autos, adoto o relatório presente na r. decisão de origem, que assim aponta: “Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado, em 24/11/2008, às fls. 01/11, em razão de sua exclusão do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte ( Simples Nacional) através do Ato Declaratório Executivo – ADE DRF/NHO n° 340055, de 22 de agosto de 2008 ( fls. 17 ). A referida exclusão ocorreu em virtude do contribuinte possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa e está fundamentada no inciso V do art. 17 da Lei Complementar n° 123/2006 e na alínea "d" do inciso II do art. 3o , combinada com o inciso I do art. 5°, ambos da Resolução CGSN n° 15/2007, produzindo efeitos a partir de 01/01/2009. O contribuinte foi cientificado do ADE através do Edital n° 001/2008 que trata da exclusão do Simples Nacional. O Edital foi publicado no Sítio da RFB na internet em 30/10/2008 e, em 24/11/2008, dentro do prazo, apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando que: 1 Se dedica ao comércio varejista de ferragens e materiais de construção; 2 Desde a sua constituição esteve enquadrado na categoria de empresa de pequeno porte e vinculada ao Simples Federal Lei n° 9.317/1996; 3 Não obstante satisfaça todas as condições para permanência no Simples Nacional, seu "pedido de opção" foi indeferido, consoante Termo de Opção ora impugnado, com base em débito perante a Receita Federal do Brasil oriundo da então Secretaria da Receita Federal cuja exigibilidade não está suspensa; 4 A inscrição em dívida ativa foi objeto de ação incidental de embargos do devedor, havendo causa de suspensão da exigibilidade, impedindo a aplicação do art. 17, inciso V da LC 123/2006; 5 Tanto o Simples Federal quanto o Simples Nacional foram instituídos para atender aos ditames constitucionais, visando dar um tratamento tributário diferenciado para as micro e pequenas empresas, desburocratizando seu funcionamento empresarial e tributário. Discorre sobre a Lei n° 9.317/1996 e LC 123/2006; 6 Padece de inconstitucionalidade material o art. 17, inciso V, da LC 123/2006 que veda o ingresso ao sistema das empresas em débito com o INSS ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; 7 Exigirse que quitem todos os seus débitos tributários para que possam continuar amparados pelo regime jurídico diferenciado, contraria a Constituirão, porque elege critério sequer cogitado pelo Constituinte para condicionar o tratamento diferenciado; e 8 Existe incompatibilidade material entre o dispositivo legal que funda o ato coator e a Constituição Federal de 1.988. Ao final, requer a revisão do ato de indeferimento que culminou na expedição do Termo de Indeferimento de Opção do Simples Nacional.“ Apreciando as razões deduzidas, concluiu a r. decisão recorrida no sentido da improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo, assim, a negativa de opção realizada, em acórdão que, inclusive, restara assim ementado: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13056.001028/200826 Acórdão n.º 1301000.800 S1C3T1 Fl. 2 3 Acórdão 1029.630 6a Turma da D R J / P OA Sessão de 24 de janeiro de 2011 Processo 13056.001028/200826 Interessado FINGER'S MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO E FERRAGEM LTD A A s s u n t o : S i m p l e s N a c i o n a l Data do fato gerador: 01/01/2009 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL DÉBITOS COM A S E C R E T A R I A DA R E C E I T A FEDERAL D O BRASIL Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformada com a conclusão atingida, apresenta a contribuinte o seu competente recurso voluntário, repisando os argumentos aduzidos em sua peça impugnatória, nos termos então apresentados, pretendendo, assim, ver reformada a decisão em exame. Em rápida síntese, é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Ao contrário do que aponta a recorrente, verificase que, nestes autos, não se está a tratar de análise do pedido de opção formulado pelo contribuinte para fins de integração ao regime do SIMPLES NACIONAL, inaugurado com a entrada em vigor das disposições da LC 123/2006 – por ele formulado em 2007 , mas sim de expressa notificação de possível exclusão do sistema a partir de 01/01/2009, tendo em vista a verificação da existência de débitos com exigibilidade não suspensa perante a Fazenda Nacional. Em relação à específica situação fática apontada, verificase que a contribuinte, tanto em sua Manifestação de Inconformidade, quanto agora, no Recurso Voluntário interposto, tece apenas um parágrafo a seu respeito, destacando, in verbis: “8. A recorrente não tem débito perante a Receita Federal do Brasil cuja exigibilidade não esteja suspensa. A inscrição em dívidaativa 0040503166595 aparelha o executivo fiscal n° 157/10600014561 que foi objeto de ação incidental de embargos do devedor consoante depreendese da leitura da documentação ora acostada, havendo causa de suspensão da exigibilidade (artigo 151, incisos I e VI do CTN), a impedir a aplicação do artigo 17, inciso V da Lei Complementar n° 123/2006.” Ocorre que, da leitura dos termos da decisão recorrida, e, ainda, a partir dos documentos contidos nos autos, a realidade fática apresentada é completamente distinta, que, inclusive, é assim destacada pela decisão sub examine: No caso específico deste contribuinte, após o prazo para regularização dos débitos que originaram o ADE, continuavam no sistema nove débitos não previdenciários e uma inscrição na ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN, conforme consulta de fls. 36. Os débitos não previdenciários, em Fl. 86DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 dezembro de 2008, foram parcelados e constam do processo n° 11065.401338/200811, conforme fls. 37/38. Em consulta ao portal da Justiça Federal da 4 a Região, que ora anexo aos autos (fls. 39/53), verifico que o contribuinte entrou com mandado de segurança, em 18/09/2007, com pedido liminar, pedindo a suspensão do ato administrativo que a considerou não passível de opção pelo Simples Nacional, deferindose a migração para a nova sistemática de recolhimento. O impugnante, à época, possuía débitos junto à RFB e à PGFN e não demonstrou a regularização dos mesmos. Foi indeferido o pedido liminar em 24/09/2007 para o mandado de segurança n° 2007.71.08.0111025/RS, confirmado através de sentença em 18/08/2008. O contribuinte entrou com apelação, que foi admitida em 10/10/2008. O processo foi remetido ao Tribunal Regional Federal da 4a Região em 12/11/2008 que, em 18/02/2010, por unanimidade de votos, decidiu negar provimento ao recurso. As alegações e os débitos eram os mesmos que estão sendo discutidos neste processo e a conclusão, no Judiciário, foi de que "se os requisitos legais para a adesão ao Simples Nacional não forem cumpridos, é legítima a exclusão de ofício, observado o contraditório e a ampla defesa". Nesses termos, insubsistentes se apresentam os fundamentos fáticos apresentados pela contribuinte, sendo certo que, além da singela referência, toda a argumentação a seguir deduzida referese, exclusivamente, a considerações a respeito da invalidade das exigências constantes do Art. 17, inciso V da Lei Complementar no 123/2006, o que, entretanto, foge à competência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a teor, inclusive, do que expressamente determinam as disposições da Súmula no 2 do CARF, que assim se apresentam: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por essas razões, inexistem fundamentos nos autos para a admissão das razões deduzidas pela recorrente, tornando, pois, completamente insubsistentes os fundamentos apresentados. Diante disso, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto, mantendo, integralmente, a r. decisão de origem. É como voto. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11543.002793/2008-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF
Nº 68.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.798
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF Nº 68. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso Voluntário Negado
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF Nº 68. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1325.312 (fl. 48, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, e manteve a redução Fl. 68DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 do imposto a restituir de R$8.173,17 para R$1.688,74, conforme Demonstrativo à fl. 07verso, que incluiu para tributação rendimento excluído pelo contribuinte em declaração retificadora (fl. 32). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente Em seu apelo ao CARF o recorrente reafirma que os rendimentos lançados correspondem a adicional por tempo de serviço, que possui natureza não tributável, nos termos do artigo art. 1o, inciso III, alínea “n”, da Lei no 8.852, de 04 de fevereiro de 1994. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, verificase que o litígio persiste pela inconformidade do recorrente quanto ao entendimento explicitado na decisão recorrida em relação à tributação dos rendimentos por ele excluídos na declaração retificadora. Com efeito, a diferença incluída para tributação pela fiscalização corresponde a rendimentos considerados nãotributáveis pelo contribuinte, nos termos da alínea “n”, do inciso III, do art. 1o da Lei nº 8.852, de 1994: Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: I como vencimento básico: a) a retribuição a que se refere o art. 40 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, devida pelo efetivo exercício do cargo, para os servidores civis por ela regidos; (Vide Lei nº 9.367, de 1996) b) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.21510, de 31.8.2001) c) o salário básico estipulado em planos ou tabelas de retribuição ou nos contratos de trabalho, convenções, acordos ou dissídios coletivos, para os empregados de empresas públicas, de sociedades de economia mista, de suas subsidiárias, Fl. 69DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 11543.002793/200846 Acórdão n.º 210101.798 S2C1T1 Fl. 2 3 controladas ou coligadas, ou de quaisquer empresas ou entidades de cujo capital ou patrimônio o poder público tenha o controle direto ou indireto, inclusive em virtude de incorporação ao patrimônio público; II como vencimentos, a soma do vencimento básico com as vantagens permanentes relativas ao cargo, emprego, posto ou graduação; III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: (...) n) adicional por tempo de serviço; (...) O recorrente apresentou declaração retificadora por entender que não incide o imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço, excluídos que foram do conceito de remuneração pelo artigo 1º, inciso III, da Lei nº 8.852, de 1994. Entretanto, essa lei não trata de hipóteses de isenção do imposto de renda, servindo apenas ao propósito de fixar os limites de remuneração dos servidores públicos, nos termos dos artigos 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, até porque tal benefício fiscal somente pode ser concedido mediante lei especifica, nos termos do § 6° do artigo 150 da Constituição Federal de 1988, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. Confirase: § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) De fato, não foi informado pelo interessado a norma legal isentiva, específica, que o beneficiaria, conforme relação minuciosa do artigo 39 do RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999. As verbas recebidas pelo recorrente encontramse incluídas no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, §1°, da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Ademais, o § 4º do mesmo artigo dispõe que: § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Esse entendimento já está consolidado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com a publicação da Súmula CARF n° 68: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 71DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 10166.720225/2011-16
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 DCOMP. DCTF. AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. Compensação considerada não declarada não constitui confissão de dívida, e, em relação à DCTF, tendo sido apresentada retificadora com o escopo de reduzir os débitos primitivamente confessados, impõe-se o lançamento de ofício, mediante auto de infração, para restabelecer o valor real do crédito tributário da Fazenda Pública. DCTF. RETIFICAÇÃO. FALSIDADE. MULTA QUALIFICADA. Apresentar DCTF retificadora que reduz os valores de débitos primitivamente declarados, cuja tentativa de compensação foi frustrada, constitui ato doloso que implica aplicação de multa qualificada. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Ao lançamento das contribuições sociais aplica-se o decidido em relação à exigência principal, formalizada com base nos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 1803-001.282
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DCOMP. DCTF. AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. Compensação considerada não declarada não constitui confissão de dívida, e, em relação à DCTF, tendo sido apresentada retificadora com o escopo de reduzir os débitos primitivamente confessados, impõese o lançamento de ofício, mediante auto de infração, para restabelecer o valor real do crédito tributário da Fazenda Pública. DCTF. RETIFICAÇÃO. FALSIDADE. MULTA QUALIFICADA. Apresentar DCTF retificadora que reduz os valores de débitos primitivamente declarados, cuja tentativa de compensação foi frustrada, constitui ato doloso que implica aplicação de multa qualificada. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Ao lançamento das contribuições sociais aplicase o decidido em relação à exigência principal, formalizada com base nos mesmos fatos e elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10166.720225/201116 Acórdão n.º 180301.282 S1TE03 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foram lavrados os autos de infração às fls. 03/46, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário a seguir discriminado, relativo ao ano calendário de 2006, incluindo juros de mora calculados até 30/12/2010 e multa proporcional qualificada de 150%, totalizando R$ 1.152.027,03: (...) Segundo a descrição dos fatos dos autos de infração, os lançamentos de ofício resultam de procedimento fiscal que detectou as seguintes transgressões à legislação tributária: a) o sujeito passivo transmitiu inicialmente, em 08/04/2008, DCTF confessando os débitos apurados em sua escrituração; b) para extinção dos débitos confessados, apresentou PER/DCOMP lastreados em supostos créditos com a Eletrobrás S/A, pleiteando compensações que foram refutadas pela administração tributária; e c) em ato seguinte, em 03/11/2008, transmitiu DCTF retificadora, reduzindo ardilosamente o valor dos débitos primitivamente confessados. Diante da prática ilícita adotada pelo sujeito passivo, foi efetuado o lançamento de ofício das diferenças entre os valores efetivamente devidos e os informados na DCTF retificadora, com juros de mora e multa de ofício no percentual de 150%, tendo a penalidade sido qualificada em razão do artifício fraudulento da contribuinte, ao apresentar retificadora falsa objetivando reduzir o valor de seus os débitos. Intimada pessoalmente das exigências em 27/01/2011, conforme declaração de ciência nos campos próprios dos autos de Fl. 335DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10166.720225/201116 Acórdão n.º 180301.282 S1TE03 Fl. 3 3 infração, a interessada apresentou em 28/02/2011 a petição impugnativa acostada às fls. 283/294, contestando o procedimento fiscal com os argumentos a seguir sumariados: Preliminarmente, a interessada pugna pela nulidade dos autos de infração, alegando desnecessidade dos lançamentos de ofício, uma vez que os valores originalmente declarados via DCTF foram objeto de compensação, e, no caso, cabe à Fazenda Pública somente exigir o crédito tributário confessado, pois, segundo o § 6º do art. 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, a “declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados”. Neste sentido, acrescenta que, conforme entendimento da Cosit, responsável pela interpretação da legislação fiscal no âmbito da RFB, materializado na Solução de Consulta Interna nº. 03, de 08/01/2004, as declarações de compensação apresentadas após 31/10/2003, data da publicação e entrada em vigor da MP nº. 135, de 2003, tem a força de confissão e instrumento de cobrança administrativa ou judicial, e, nessa trilha, também tem decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Entende que, mesmo tendo havido retificação da DCTF, reduzindo o valor primitivamente declarado, este fato não autorizaria o lançamento de ofício, cabendo o cancelamento da retificadora, e, se fosse o caso, a exigência da multa isolada prevista no art. 74, § 15 c/c § 17, da Lei nº. 9.430, de 1996, ou , na pior das hipóteses, somente se constatada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, de 150%, conforme prescrito no art.44, § 1º, do mesmo dispositivo legal. Acaso rechaçada a questão preliminar, a impugnante discorda da aplicação da multa qualificada, que entende incabível, diante da ausência da constatação de dolo, pois, conforme se aduz da própria descrição dos fatos, o sujeito passivo escriturou corretamente seus livros e declarou os valores correspondentes em DIPJ e DACON, o que é incompatível com a conduta de quem pretende cometer fraude contra a Fazenda Pública. Em defesa desta tese, cita acórdãos do CARF com o entendimento de que não se aplica a qualificação da multa no caso de declaração inexata, razão pela qual requer que, na hipótese de manutenção dos lançamentos do principal, a penalidade seja reduzida para o percentual de 75%. Por fim, protesta contra a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, por falta de previsão legal, invocando o § 3º do art. 61 da Lei nº. 9.430, cuja texto, segundo a impugnante, quando se refere a “débito”, restringese apenas ao valor dos tributos e contribuições, citando em sua defesa, mais uma vez, entendimento do CARF.” Fl. 336DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10166.720225/201116 Acórdão n.º 180301.282 S1TE03 Fl. 4 4 A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: “DCOMP. DCTF. AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. Compensação considerada não declarada não constitui confissão de dívida, e, em relação à DCTF, tendo sido apresentada retificadora com o escopo de reduzir os débitos primitivamente confessados, impõese o lançamento de ofício, mediante auto de infração, para restabelecer o valor real do crédito tributário da Fazenda Pública. DCTF. RETIFICAÇÃO. FALSIDADE. MULTA QUALIFICADA. Apresentar DCTF retificadora que reduz os valores de débitos primitivamente declarados, cuja tentativa de compensação foi frustrada, constitui ato doloso que implica aplicação de multa qualificada. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Ao lançamento das contribuições sociais aplicase o decidido em relação à exigência principal, formalizada com base nos mesmos fatos e elementos de prova.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que reitera as alegações contidas na impugnação, sem questionar os fundamentos da decisão recorrida. Em despacho datado de 2/08/2011, a autoridade administrativa encaminhou o processo a este Conselho, nos seguintes termos: “2. Destacase que, em 09/06/2011, o contribuinte solicitou a disponibilização dos débitos questionados no presente processo para a consolidação do parcelamento da Lei nº 11.941/2009, às fls. 308 a 310, e, posteriormente, em 22/06/2011, apresentou requerimento de inclusão dos débitos no referido parcelamento, às fls. 312. 3. Ocorre que, a despeito de o contribuinte ter se manifestado pela inclusão da totalidade dos débitos da RFB no parcelamento, de acordo com pesquisa no sistema PAEX às fls. 328 a 330, este processo não foi consolidado e não consta nos autos pedido de desistência do recurso voluntário, conforme previsto no art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2, de 03/02/2011. 4. Sendo assim, encaminho este processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF para apreciação do recurso voluntário. “ É o relatório. Voto Fl. 337DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10166.720225/201116 Acórdão n.º 180301.282 S1TE03 Fl. 5 5 Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 13/05/2011 (AR de fls. 306numeração digital). O recurso foi protocolado em 13/06/2011, logo, é tempestivo. Como o recurso é tempestivo e não restou configurada a desistência do recurso voluntário, nos termos do despacho de fls. 333, dele conheço. A recorrente apenas reitera as alegações contidas na impugnação, sem questionar os fundamentos da decisão recorrida. Logo, só nos resta verificarmos se a decisão de primeira instância está correta. Não vislumbro qualquer equívoco na decisão recorrida, cujos fundamentos reproduzo, como razões de decidir do presente voto: “DA PRELIMINAR DE NULIDADE Para dirimir a questão preliminar suscitada pela impugnante, necessário se faz trazer à balha a causa motivadora da rejeição pela autoridade competente da declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo, a qual está expressa na parte conclusiva do despacho decisório acostado às fls. 185/213, cuja dicção se reproduz: 10. (...) CONSIDERANDO que não tem amparo legal a Declaração de Compensação que utiliza crédito decorrente de empréstimo compulsório sobre energia elétrica, por este não ser administrado pela Receita Federal; ......................................................................................................... DECIDO considerar como NÃO DECLARADA a compensação solicitada das fls.01 a 24. 11. Deste Despacho Decisório, não cabe a interposição de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BrasíliaDRJ/ BSA, nem de recurso ao Conselho de Contribuintes, conforme determinado no art. 74, § 13, da Lei nº. 9.430/1966 (parágrafo único incluído pela Lei nº.11.054/2004). De pronto, sem necessidade de recorrer à legislação de regência, há que se destacar uma conclusão óbvia: se a compensação é considerada NÃO DECLARADA, não se pode admitir que, paradoxalmente, venha constituir confissão de dívida. Não se chega a conclusão diferente a partir da interpretação sistemática dos dispositivos da Lei nº. 9.430, de 1996, que regem a matéria. Para começar, o art. 74 da precitada Lei, em seu § 6º, diz textualmente: Fl. 338DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10166.720225/201116 Acórdão n.º 180301.282 S1TE03 Fl. 6 6 Art. 74 (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Mais adiante, no § 12, inciso II, alínea “e” do mesmo artigo, a Lei prossegue com a seguinte dicção: § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I – (...) II em que o crédito: ......................................................................................................... ........................) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. Por fim, o § 13 esclarece, sem qualquer sombra de dúvida, que a compensação considerada não declarada não tem o efeito de confissão previsto no § 6º, nos seguintes termos: § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (g.n.o.). Desnecessário frisar que o efeito de confissão contido no § 6º não se opera no caso de compensação considerada não declarada, em razão de que este parágrafo, pela sequência da numeração natural, está compreendido entre os §§ 5º a 11 do artigo em destaque. No que concerne às DCTF relativas ao ano calendário de 2006, estava vigente à época a Instrução Normativa SRF nº. 583, de 20/12/2005, que, no que tange à retificação, estampava a seguinte determinação: Art. 12. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. (g.n.o). Em suma, tendo em vista que os valores efetivamente devidos não foram confessados na declaração de compensação (considerada não declarada) e a DCTF primitiva foi substituída integralmente pela retificadora, que os reduziu, é cabível a Fl. 339DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10166.720225/201116 Acórdão n.º 180301.282 S1TE03 Fl. 7 7 lavratura dos autos de infração combatidos, para constituição do crédito tributário da Fazenda Nacional mediante lançamento de ofício, na forma do art. 142 do CTN, rejeitandose, por consectário, a preliminar de nulidade suscitada. DA QUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE A multa de ofício foi qualificada em virtude do procedimento espúrio do sujeito passivo, que, ao ver malogrado seu intento de compensar os débitos primitivamente declarados em DCTF com supostos créditos cuja utilização é expressamente vedada pela legislação, apressouse em apresentar DCTF retificadora, reduzindo propositadamente o montante devido. Está configurado que, indubitavelmente, a contribuinte tinha pleno conhecimento do montante exato das obrigações tributárias, espelhadas em seus próprios assentamentos contábeis e fiscais, exibidos ao fisco após intimação, e, propositadamente, para reduzilas, apresentou DCTF com informações falsas, fato que não se confunde declaração inexata, assim entendida aquela que contem erros escusáveis. A apresentação dos registros contábeis e fiscais, em resposta atendimento a intimação, não descaracteriza ou atenua a conduta ilícita da fiscalizada: ao contrário, os mencionados assentamentos são provas documentais de que o ilícito fiscal foi praticado deliberadamente, subsumindose à tipificação prevista no art. 73 da Lei nº. 4.502, de 1964, implicando a qualificação da penalidade, ainda mais porque na DCTF primitiva foram consignados os valores exatos dos débitos. DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Os juros de mora calculados nos autos de infração, conforme se visualiza nos respectivos demonstrativos de apuração, estão incidindo sobre os valores de principal do tributo e contribuições lançados de ofício, e, consequentemente, não cabe a esta instância julgadora apreciar o protesto da impugnante contra a cobrança de tais acréscimos sobre a multa de ofício, por se tratar de matéria alheia aos autos, até este momento processual.” Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 340DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10166.720225/201116 Acórdão n.º 180301.282 S1TE03 Fl. 8 8 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 13811.001455/2002-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE NÃO-CONTRIBUINTES DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. Aquisições pelo produtor-exportador de pessoas físicas e pessoas jurídicas não-contribuintes integram o cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI Nº 9.363, de 1996. SÚMULA CARF N.º 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidas em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. A PARTIR DA CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.
Numero da decisão: 3102-001.104
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Paulo Celani e Ricardo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Álvaro Almeida Filho.
Nota de Correção: Conforme a ata de julgamento do dia 07/2011, o acórdão formalizado como 3102-001.102, e na verdade é o 3102-001.104.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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RESSARCIMENTO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE NÃOCONTRIBUINTES DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. Aquisições pelo produtorexportador de pessoas físicas e pessoas jurídicas nãocontribuintes integram o cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI Nº 9.363, de 1996. SÚMULA CARF N.º 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidas em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. A PARTIR DA CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Paulo Celani e Ricardo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Álvaro Almeida Filho. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI 2 (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur L. de Almeida Filho – Redator do voto vencedor EDITADO EM: 16/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Nanci Gama (VicePresidente), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Sergio Celani e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório A recorrente solicitou o ressarcimento do crédito presumido, apurado no período em destaque, com base na Lei n.º 9.363/96 e na Portaria MF nº 38/97. O pleito foi deferido parcialmente, sendo que a parcela negada deveuse à exclusão, do cálculo do crédito presumido, das compras de bens de pessoas físicas e aquisições de bens que não se incluem no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como estabelecido na legislação do IPI. Tempestivamente, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, ser ilegal restringir, mediante atos administrativos, o que a Lei não teria restringido, como é o caso das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas e de mercadorias efetivamente empregadas no processo produtivo, e que teria direito à atualização dos valores pleiteados. Ampara sua análise da legislação em entendimentos dos tribunais e acórdão do Conselho de Contribuintes. A manifestação de inconformidade foi indeferida pela unidade julgadora da RFB, nos termos do acórdão recorrido, cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não Fl. 2DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.001455/200210 Acórdão n.º 310201.102 S3C1T2 Fl. 1.060 3 integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não bastando simplesmente participar do ciclo produtivo do estabelecimento. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade da lei e dos atos infralegais. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Solicitação Indeferida.” Contra a decisão, a contribuinte ingressou com o recurso voluntário em análise, no qual repete os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani. O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e é da competência da 3a. Seção de Julgamento. Logo, deve ser conhecido. A lei nº 9.363/96, que instituiu o benefício pleiteado pela recorrente, traz, entre outras, as seguintes disposições: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.(Realcei e sublinhei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de Fl. 3DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI 4 embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.(Destaquei) § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2o No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. “Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem.” Vejase que a lei restringe sim quais empresas farão jus ao crédito e quais operações o ensejarão, de modo que o benefício será dispensado apenas às empresas produtoras e, apenas, como ressarcimento da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP1 incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de produto exportado. Logo, as aquisições de produtos pela produtoraexportadora que não tenham sofrido a incidência das citadas contribuições nestas operações de aquisição não estão entre aquelas para as quais a lei atribuiu o benefício. É o caso de aquisições de pessoas físicas ou pessoas jurídicas não contribuintes. Notese que não é preciso recorrer à Instrução Normativa SRF n.º 23/97 para tal conclusão, o que implica não serem relevantes para este julgamento as alegações de que esta norma seria ilegal. Apesar de o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 993.164, representativo de controvérsia, ter decidido que a IN SRF n.º 23/97 é ilegal, tal decisão também não socorre a recorrente. Isto porque, por força do art. 26A do Decreto n.º 70253/72, incluído pela Lei n.º 11.941/2009, é vedado aos órgãos julgadores do processo administrativo fiscal afastar ou deixar de observar lei, ressalvadas apenas as hipóteses previstas no parágrafo 6o. do mesmo artigo, as quais não ocorreram. 1 As leis complementares citadas no art. 1º da Lei nº 9.363/96 tratam da instituição destas contribuições. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.001455/200210 Acórdão n.º 310201.102 S3C1T2 Fl. 1.061 5 Além disso, não se aplica ao caso o art. 62A do Regimento Interno do CARF, porque a decisão do STJ ainda não transitou em julgado. Quanto a energia elétrica e combustíveis, não merece acolhida alegação de que não podem ser excluídos, porque a legislação do IPI permitiria que se incluíssem nos conceitos de matériaprima e produto intermediário todos os insumos consumidos no processo de industrialização, ressalvandose, apenas, os compreendidos entre os bens do ativo permanente. A lei n.º 9.363/96 exige que a empresa beneficiária seja produtora e que os conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem sejam obtidos, subsidiariamente, da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. Uma vez que ela própria não apresenta tais conceitos, a aplicação subsidiária da legislação do IPI se torna relevante. Mais do que subsidiária, ela é fundamental. No julgamento do recurso especial 1.075.508, também submetido ao regime do artigo 543C do CPC, o STJ, interpretando a legislação do IPI, especialmente, o art. 164, I, do Decreto nº 4.544/2002, RIPI/2002, e o art. 147, I, do Decreto nº 2.637/98, revogado pelo RIPI/2002, decidiu que a aquisição de bens que integrem o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporem ao produto final ou cujo desgaste não ocorra imediatamente e integralmente no processo de industrialização não gera direito a crédito do imposto. Esta decisão transitou em julgado em 23/11/2009, logo, por determinação do art. 62A do RICARF, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por seu turno, após enfrentar vários casos versando sobre o que estaria compreendido nos conceitos de matériaprima e produtos intermediários, os antigos Conselhos de Contribuintes e o CARF firmaram entendimento segundo o qual para assim serem considerados, matériasprimas e produtos intermediários, os bens deveriam ser consumidos em contato direto com o produto obtido e exportado. Esta conclusão se extrai da leitura do enunciado da Súmula CARF nº 19, de observância obrigatória pelos membros deste órgão colegiado, por força do art. 72, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22/06/2009, assim redigido: “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.”[Destaquei.] Este entendimento também se confirma – e não é contraditado, como se poderia asseverar , pelo fato de que outra lei, a de n.º 10.276, de 2001, conversão da MP n.º 2.202/01, passou a permitir, expressamente, apenas para aqueles que utilizassem forma alternativa para o cálculo do crédito, prevista na própria lei, a inclusão neste cálculo dos custos com aquisição de energia elétrica e combustíveis, desde que adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo, e dos correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, apenas na hipótese de o encomendante ser o contribuinte do IPI. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI 6 Observese que, ao introduzir os termos “energia elétrica”, “combustíveis” e “prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda” por meio da locução “bem assim”, a lei deixou claro que energia elétrica, combustíveis e serviços decorrentes de industrialização por encomenda não são matériasprimas ou produtos intermediários, ainda que componham o custo de produção. Notese, também, que o fator a ser multiplicado pela base de cálculo obtida conforme o cálculo autorizado por esta lei é diferente do fator a ser multiplicado pela base de cálculo obtida conforme permissão dada pela Lei n.º 9.363/96. E, além disso, outras limitações foram impostas para os casos em que a forma de cálculo alternativa prevista na Lei n.º 10.276/01 pudesse ser utilizada. Cito trechos desta lei:: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. § 2o O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo referida no § 1o, do fator calculado pela fórmula constante do Anexo. § 3o Na determinação do fator (F), indicado no Anexo, serão observadas as seguintes limitações: I o quociente será reduzido a cinco, quando resultar superior; II o valor dos custos previstos no § 1o será apropriado até o limite de oitenta por cento da receita bruta operacional. § 4o A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: I o último trimestrecalendário de 2001, quando exercida neste ano; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.001455/200210 Acórdão n.º 310201.102 S3C1T2 Fl. 1.062 7 II todo o anocalendário, quando exercida nos anos subseqüentes. § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. § 6o Relativamente ao período de 1o de janeiro de 2002 a 31 de dezembro de 2004, a renúncia anual de receita, decorrente da modalidade de cálculo do ressarcimento instituída neste artigo, será apurada, pelo Poder Executivo, mediante projeção da renúncia efetiva verificada no primeiro semestre. § 7o Para os fins do disposto no art. 14 da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000, o montante anual da renúncia, apurado, na forma do § 6º, nos meses de setembro de cada ano, será custeado à conta de fontes financiadoras da reserva de contingência, salvo se verificado excesso de arrecadação, apurado também na forma do § 6o, em relação à previsão de receitas, para o mesmo período, deduzido o valor da renúncia. O aproveitamento desses gastos só abrange períodos a partir do 4º trimestre de 2001 e restringese aos contribuintes que optarem pela sistemática do regime alternativo previsto na Lei nº 10.276, de 2001. Portanto, no caso em discussão, em que a contribuinte não se enquadrou na Lei n.º 10.270/01, energia elétrica e combustíveis, porque não se incluem nos conceitos de matériaprima e produto intermediário, não dão direito ao crédito de IPI. Quanto à aplicação da Taxa Selic para fins de atualização do ressarcimento, destaquese que, no caso deste processo, o crédito pleiteado não diz respeito a repetição de indébito tributário, mas sim a concessão de benefício fiscal na forma de crédito presumido, situação para a qual não há lei que determine seja corrigida monetariamente ou acrescida de juros. Não se pode dizer que tal benefício equivale a uma restituição de indébito tributário, porque não houve pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, nem erro na identificação do sujeito passivo ou no cálculo do montante ou da alíquota aplicável, nem reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, tal como previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, não se tratando de restituição de indébito, não se aplica ao crédito presumido de que trata a lei n.º 9.363/96 o art. 39 da Lei n.º 9.250/95. E uma vez que, por força do princípio da legalidade, não pode a Administração Fazendária aplicar a estes créditos acréscimos a título de atualização monetária ou de juros, também neste ponto os argumentos da recorrente não devem ser acolhidos. Porém, tendo em vista que, no julgamento do recurso especial 1.035.847, também representativo de controvérsia, cuja matéria era a correção monetária de créditos de IPI decorrentes do princípio da nãocumulatividade, sobre os quais não incidiria a correção por falta de previsão legal, o STJ decidiu que a oposição constante de ato legal estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito a estes créditos, postergaria o Fl. 7DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI 8 reconhecimento do direito pleiteado, “exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco”; que esta decisão transitou em julgado em 10/03/2010; e considerando o art. 62A do RICARF, entendo que os casos de solicitação de crédito presumido de IPI, apesar de não haver previsão legal para sua atualização, devam ser corrigidos a partir da data em que ficar caracterizada oposição pela Administração Fazendária. No caso sob discussão, por entender que as aquisições que a recorrente pretende sejam consideradas para fins de inclusão no cálculo do crédito presumido previsto na Lei n.º 9.363/96, não reconhecidas pela fiscalização, não estão amparadas na lei 9.363/96, voto por negar provimento ao recurso voluntário, restando, por conseguinte, prejudicada eventual atualização. Paulo Sergio Celani Relator Voto Vencedor Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Redator designado . Como demonstrado no relato acima a recorrente após requerer o crédito presumido de IPI com base na lei nº 9.363/1997 teve seu crédito parcialmente reconhecido. Dentre os valores glosados se encontram aqueles referentes às aquisições de pessoa física não contribuintes da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, matéria sobre a qual se restringe nossa análise. A lei nº 9.363/96 estabeleceu o crédito presumido de IPI para ressarcimento da COFINS e PIS/PASEP ao definir em seu art. 1º2 que empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais terá direito a crédito presumido do Imposto sobre produtos industrializados, com o ressarcimento das contribuições que incidam sobre as aquisições no mercado interno de matériasprimas. produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo. De acordo com art. 6º da mesma lei, caberá ao Ministro de Estado da Fazenda expedir as instruções necessárias para atender a lei, o que foi atendido através da portaria nº 38/97, a qual autorizou o Secretário da Receita Federal apresentar normas complementares. Neste contexto foi expedida a instrução normativa nº 23/97, revogada pela nº 313/2003 posteriormente revogada pela nº 419/2004, restringindo a dedução do crédito presumido do IPI, às empresas produtoras e exportadores de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. Percebese que a instrução normativa ao impor restrições a lei nº 9.363/96 ultrapassa seus limites, pois excluiu da base de cálculo do crédito presumido do IPI, as 2 Lei nº 9.363/96 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.001455/200210 Acórdão n.º 310201.102 S3C1T2 Fl. 1.063 9 aquisições de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pela COFINS e pelo PIS/PASEP. Sabese que a competência administrativa de julgamento deste Conselho Tributário apenas encontra limite quando do reconhecimento de situações de inconstitucionalidade, por vedação expressa do art. 62 do regimento do CARF, não havendo óbice para aplicação do direito nos demais casos, mesmo que acha a necessidade do afastamento de normas administrativas em face da lei em vigor. A aplicação da instrução normativa em detrimento da lei não é capaz de ocorrer, pois a instrução normativa não tem o condão de reformar lei ordinária, o contrario sim, seria possível, conforme demonstram os ensinamentos do renomado Professor Gabriel Ivo, em sua obra “Norma Jurídica Produção e Controle”: 2.6.1.4 A revogação expressa e instrumentos normativos distintos. A revogação pode ocorrer entre instrumentos introdutores de normas diversos. Um instrumento normativo de hierarquia superior, que fundamente a validade do inferior, pode revogar uma espécie normativa que se encontre em patamar inferior. ...Assim, um instrumento superior pode modificar qualquer outra norma jurídica que emane de um instrumento normativo de hierarquia inferior. A força passiva consiste na capacidade de cada instrumento introdutor de resistir em face de outros instrumentos de hierarquia inferior. Uma norma jurídica somente pode ser modificada por uma norma jurídica que emane de um instrumento normativo superior ou igual, em face do critério cronológico.3 Quanto ao tema o Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 993.164 entendeu que: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. 3 IVO, Gabriel. In: Norma jurídica: produção e controle. São Paulo: Noeses, 2006. 97/98 p. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI 10 INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de Fl. 10DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.001455/200210 Acórdão n.º 310201.102 S3C1T2 Fl. 1.064 11 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos Fl. 11DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI 12 utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público , afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vale ressaltar, apesar da transcrição acima,. que o recurso especial citado foi submetido ao regime do recurso representativo de controvérsia nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil, entretanto a decisão ainda não é definitiva. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.001455/200210 Acórdão n.º 310201.102 S3C1T2 Fl. 1.065 13 Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos oriundos de aquisições a não contribuintes do PIS e da COFINS, os quais deverão ser corrigidos a partir da data da ciência do despacho decisório. Sala de sessões 07 de julho de 2011. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Fl. 13DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 16/08/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 18/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10930.002040/96-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1995 ITR. DECADÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL. CTN, ART. 173, II. INAPLICABILIDADE. O erro na valoração da base de cálculo do imposto configura vício material, por estar ligado ao elemento constitutivo da obrigação tributária, não se aplicando, portanto, ao caso concreto, o prazo de decadência previsto no art. 173, II do CTN. Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.757
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a decadência do direito de lançamento do tributo em discussão. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negavam provimento ao recurso.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DECADÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL. CTN, ART. 173, II. INAPLICABILIDADE. O erro na valoração da base de cálculo do imposto configura vício material, por estar ligado ao elemento constitutivo da obrigação tributária, não se aplicando, portanto, ao caso concreto, o prazo de decadência previsto no art. 173, II do CTN. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a decadência do direito de lançamento do tributo em discussão. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 145DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10930.002040/9637 Acórdão n.º 2101001.757 S2C1T1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 136/140) interposto em 01 de março de 2012 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) (fls. 125/131), do qual o Recorrente teve ciência em 14 de fevereiro de 2012 (fl. 134), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fl. 80, lavrado em 04 de abril de 2011, em decorrência de decisão judicial transitada em julgado que definiu novo valor de terra nua do referido imóvel e assim novo valor de ITR a recolher, relativamente ao exercício de 1995. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 1995 DECADÊNCIA. Declarada a nulidade do lançamento anterior, por decisão judicial que determinou a formalização de novo lançamento e indicou os dados a serem considerados para tanto, resta ao órgão lançador cumprir a determinação judicial, dentro do prazo previsto no art. 173, II do CTN. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fl. 125). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 136/140), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para reconhecer a decadência. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A presente controvérsia gira em torno da nulidade do lançamento do crédito tributário, declarada mediante decisão proferida pelo Poder Judiciário, mais precisamente pela Vara Federal de Execuções Fiscais de Londrina, integrante da Seção Judiciária do Paraná. No mérito a questão posta é verificar se o lançamento anteriormente declarado nulo por ter sido reconhecida a supervalorização do VTNm atribuído pelo Fisco às propriedades do Recorrente estaria eivado de nulidade de natureza formal ou material, tendo Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10930.002040/9637 Acórdão n.º 2101001.757 S2C1T1 Fl. 3 3 como consequência, em caso de nulidade formal, a possibilidade de um novo lançamento nos termos do art. 173, inciso II, do CTN. O primeiro lançamento atribuiu um VTNm que não correspondia à realidade do Município de Jardim Alegre à época, supervalorizandoo e, assim, gerando obrigação tributária também excessiva, conforme reconhecido pela sentença de fls. 51/54, in verbis: “Ante o exposto, com fulcro no art. 269, I, do CPC, julgo procedente o pedido formulado nos presentes embargos, para o efeito reconhecer a supervalorização do VTNm atribuído pelo Fisco às propriedades do embargante. Consequentemente, julgo nulos os lançamentos que deram origem aos débitos inscritos em dívida ativa sob os números: 90 8 98 000 17928 (PAF 10930 002038/9695), 90 8 98 000 17766 (PAF 10930 002040/9637) e 90 8 98 000 181 42 (PAF 10930 002036/9669). Sendo assim, deverá a embargada proceder a novo lançamento com base nos valores da terra nua mínimos fixados nesta sentença: a) Fazenda Dom Bosco R$ 2.421,28; b) Fazenda São Sebastião R$ 1.839,39; c) Fazenda Santa Luzia R$ 2.025,50”. Para melhor elucidar a questão, válido transcrever o disposto no art. 142 do CTN, que trata do lançamento da seguinte forma: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Os requisitos do lançamento definidos no dispositivo acima transcrito representam elementos essenciais para a formação e existência do lançamento, sendo que sua ausência gera insubsistência da autuação, não sua anulação por vício formal. Como cediço, o ato de lançamento visa à constituição do crédito tributário, haja vista ser condição para a Fazenda exercer seu direito ao tributo. Desse modo, segundo Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López, “se a invalidade do lançamento decorre de problemas nos pressupostos de constituição do ato, ou seja, na aplicação da regra matriz de incidência (direito material), dizse que o vício é material. Se a anulação decorre de vício de forma ou de formalização do ato, o vício é formal e se aplica o artigo 13, inciso II, para reinício da contagem do prazo decadencial” (NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. São Paulo: Dialética, 2002. p. 418). Cumpre trazer à baila, ainda, interessante solução apontada por Eurico de Santi, para quem é possível ligar anulação aos vícios de forma, e nulidade aos vícios de matéria no lançamento. Assim, “a anulação decorre do descumprimento dos dispositivos que determinam o atofato de lançamento” (arts. 141, 142, 145, 146 e 149 do CTN), ao passo que “a nulidade decorre de vícios na aplicação da regramatriz de incidência tributária, introjetados na estrutura do atonorma administrativo, seja no antecedente (motivação), seja Fl. 147DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10930.002040/9637 Acórdão n.º 2101001.757 S2C1T1 Fl. 4 4 no consequente (crédito), tais como falta de motivação, defeito na composição ou determinação do sujeito ativo, do sujeito passivo, da base de cálculo ou da alíquota aplicáveis (...)”, ex vi dos arts. 142, 143 e 144 do CTN (SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Decadência e prescrição no direito tributário. 2ª ed. São Paulo: Max Limonad, 2001. pp. 127129). O vício formal, assim, à luz das considerações expostas, está relacionado à instrumentalização do ato de lançamento, como ausência de indicação de local e data da lavratura, identificação da autoridade fiscal etc., como já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais: “VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. No entanto, é elemento formal do lançamento a falta de identificação da autoridade fiscal” (CSRF, 2ª Turma, Recurso n.º 143.713, Relator Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, j. em 31/05/2010). Na presente hipótese, tratase, portanto, de vício material, eis que diretamente relacionado aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ao conteúdo do ato de lançamento, isto é, à base de cálculo do imposto. Não há, destarte, que se falar na aplicação do art. 173, II, do CTN, ou seja, do prazo decadencial contado da data em que se tornar definitiva a decisão que anular o lançamento por vício formal. Aplicável, de outra sorte, o prazo de decadência não qualificado, previsto ou no art. 150, §4º (cinco anos do fato gerador), ou no art. 173, I (5 anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado), ambos do CTN. Entretanto, considerando que o fato gerador do tributo em comento ocorreu em 1994, por qualquer dos critérios um novo lançamento estaria fulminado pela decadência, haja vista que o contribuinte foi notificado do novo lançamento somente em 18/04/2011 (fl. 82). Nem se alegue, por fim, que a presente decisão representa afronta ao quanto decidido pelo Poder Judiciário. De fato, a decisão judicial transitada em julgado determinou que o Fisco realizasse um novo lançamento. Ocorre, porém, que tal conteúdo normativo deve ser compatibilizado com as demais normas do sistema pátrio, em especial do próprio CTN, o que significa dizer que a autoridade fiscal deve proceder a um novo lançamento, desde que dentro do prazo decadencial para tanto, eis que inaplicável o art. 173, II, do CTN. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para reconhecer a decadência do direito de lançamento do tributo em discussão. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 148DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10930.002040/9637 Acórdão n.º 2101001.757 S2C1T1 Fl. 5 5 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001580/2010-76
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. FALTA DE PAGAMENTO.
A contribuição a cargo da empresa abrange o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Se não houve a comprovação do pagamento, correta a autuação que resultou no lançamento ora discutido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. FALTA DE PAGAMENTO. A contribuição a cargo da empresa abrange o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Se não houve a comprovação do pagamento, correta a autuação que resultou no lançamento ora discutido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 15 80 /2 01 0- 76 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001580/201076 Acórdão n.º 2803002.187 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001580/201076 Acórdão n.º 2803002.187 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições previdenciárias da parte de segurados empregados e contribuintes individuais, nas competências de 01/2007 a 13/2007. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 30 de junho de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIB. INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÃO DA PARTE DOS SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração, assim como recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A Auditoria informa que não teria sido possível contatar a empresa no endereço indicado como domicílio tributário desde sua fundação. Assim, notifica do último termo de posse da administração, em nome do Sr. Emílio Gonçalves Filgueiros, como Diretor Financeiro, sendo este o único componente da diretoria desde então. De acordo com o Relatório Fiscal, a auditora fez contato telefônico com acionista não investido da função de administrador à época. Este, imediatamente repassou a solicitação para que a empresa apresentasse à Fiscalização o comprovante de inscrição no CNPJ; DARF. GPS. DIRF, Estatuto Social; Recibo de férias; Registro de ponto, livros Diário nos 16, 17 e 18/2007; livros Razão nos 15, 16 e 17/2007; acordos coletivos e convenções e comprovantes de parcelamento de contribuições previdenciárias. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001580/201076 Acórdão n.º 2803002.187 S2TE03 Fl. 5 4 Todas as demais solicitações levadas no curso da ação fiscal foram realizadas imotivadamente, não vinculadas com o suporte fático à identificação e quantificação do fato gerador da contribuição. Nenhuma diligência foi efetuada no escritório de contabilidade responsável pela escrituração contábil do período fiscalizado, por consequência, sendo ignorada qualquer divergência entre registros contábeis e as informações prestadas à Receita Federal. A cobrança, na forma como se apresenta no auto de infração, não está em conformidade com a legislação vigente, nem tampouco em consonância com a verdade real dos fatos, devendo ser revista pelo CARF, a fim de evitar prejuízos à Recorrente. No início de 2009 a companhia passa por dificuldades de ordem financeira e administrativa, onde foi necessário buscar um novo administrador para gerir suas atividades, e, para tanto, elegeu o Sr. Fulano de Tal, por apresentar novas propostas e expectativas de prosperidade. Ultrapassados poucos meses de sua gestão, o novo administrador começou a desviar sua função de gestor em proveito próprio, iniciando uma engenharia fraudulenta para burlar a legislação, trazendo prejuízos aos acionistas, que só foi descoberto recentemente. Urge ainda mencionar, que os atos com objetivo final de burlar a legislação fiscal jamais chegaram ao conhecimento dos acionistas da ICAPEL quando de sua preparação e consequente execução, sendo tão somente descoberto quando explodiram inúmeras ações fiscais, que por equívoco processual atingiram ilegalmente seus acionistas de direito. No que tange ao auto de infração, este ato administrativo se encontra jungido à diretriz da tipicidade tributária, tanto no plano legislativo quanto no plano da facticidade. Além disso, justificadamente motivado nos limites da estrita legalidade e carreado de elementos probatórios que legitimem a exigência da exação. No presente caso, imputouse a ora Recorrente a obrigação de recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas e creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e segurados contribuintes individuais, conforme descrito no auto de infração. Quanto ao fato narrado, frisase desprovido de qualquer prova que lhe dê sustentação, sendo facilmente ilidido uma vez que não houve a devida solicitação no curso da ação fiscal, não guardando suporte fático à identificação e quantificação do fato gerador da contribuição, elemento indispensável à fixação do nexo de causalidade com a obrigação legalmente imposta. Entendese que para haver a autuação fiscal não se pode restar qualquer fagulha de dúvida ou brecha interpretativa acerca dos fatos, caso contrário, tal ato da Administração Pública tornase arbitrário, ilegal e, principalmente, inconstitucional. Por isso, se faz mister a elucidação dos fatos, e, portanto, pede que se faça a produção de provas periciais nos livros contábeis e declarações enviadas a Receita Federal, conforme artigo 16 do Decreto 70.235/72. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001580/201076 Acórdão n.º 2803002.187 S2TE03 Fl. 6 5 A lavratura do auto de infração não coaduna com o fato ocorrido, muito menos com a capitulação da infração e com a cominação da sanção conferida, cumprindonos afirmar ainda ser a penalidade violadora do princípio da estrita legalidade e da vinculação administrativa. Foi violado o princípio da segurança jurídica. Também foi violado o princípio da proporcionalidade na nova sistemática na aplicação da multa. Sem prejuízo às alegações anteriores concernentes a violações e insubsistência do auto de infração, está devidamente comprovada pelos robustos documentos anexos e a adequada subsunção dos fatos a norma, que a atual exploradora das atividades da Recorrente é o responsável pelos supostos créditos aqui combatidos. Diante do exposto, requer dignese Vossa Senhoria em: a) Receber o presente, haja vista ser adequado e tempestivo, mantendo a suspensão do crédito tributário ex vi do artigo 151, inciso III, do CTN; b) Conhecer o presente Recurso Voluntário para reformar a decisão proferida pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, julgando totalmente provido o recurso para reconhecer a violação do princípio da segurança jurídica, declarando a nulidade do procedimento fiscal e insubsistência do auto de infração por ausência de subsunção do fato a norma, bem como a não ocorrência do fato gerador ficto ou real do gravame, afastando a incidência da multa punitiva e, assim, cancelar do débito fiscal. c) Subsidiariamente, que seja declarada a responsabilidade tributária por sucessão da INSEPA INDÚSTRIA SERRANA DE PAPEL LTDA, nos termos do art. 133 do CTN. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001580/201076 Acórdão n.º 2803002.187 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O contribuinte inicia sua defesa tentando desqualificar o procedimento fiscalizatório levado a efeito pela autoridade administrativa incumbida de tal mister. De início, diz o contribuinte que a tentativa consiste em afirmar que todas as solicitações levadas no curso da ação fiscal foram realizadas imotivadamente, não vinculadas com o suporte fático à identificação e qualificação do fato gerador da contribuição. Da leitura dos argumentos constantes do parágrafo anterior é possível vislumbrar que se trata de uma defesa construída com argumentos genéricos, sem qualquer consistência jurídica capaz de alterar a realidade fáticolegal levantada pela fiscalização e consolidada pelo julgador a quo. O fato de não ter havido nenhuma diligência ao escritório de contabilidade responsável pela escrituração contábil do período fiscalizado não desnatura o trabalho da fiscalização. Aliás, o dever de apresentar a documentação exigida pelo Fisco cabe exclusivamente ao contribuinte. Ora, se ele não apresentou em tempo hábil, os documentos exigidos, não caberá à fiscalização ficar realizando diligências aos endereços indicados pelo contribuinte. A aferição, portanto, foi realizada de forma correta e devidamente fundamentada pela autoridade lançadora. De outra parte, ao contrário das alegações da defesa, a cobrança está em perfeita sintonia com o ordenamento jurídico vigente. As falhas cometidas e devidamente identificadas pela fiscalização são admitidas literalmente pelo contribuinte, como se pode observar de parte do texto contido na defesa apresentada, in verbis: No início de 2009 a companhia passa por dificuldades de ordem financeira e administrativa, onde foi necessário buscar um novo administrador para gerir suas atividades, e, para tanto, elegeu o Sr. Fulano de Tal, por apresentar novas propostas e expectativas de prosperidade. Ultrapassados poucos meses de sua gestão, o novo administrador começou a desviar sua função de gestor em proveito próprio, iniciando uma engenharia fraudulenta para burlar a legislação, trazendo prejuízos aos acionistas, que só foi descoberto recentemente. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001580/201076 Acórdão n.º 2803002.187 S2TE03 Fl. 8 7 Urge ainda mencionar, que os atos com objetivo final de burlar a legislação fiscal jamais chegaram ao conhecimento dos acionistas da ICAPEL quando de sua preparação e consequente execução, sendo tão somente descoberto quando explodiram inúmeras ações fiscais, que por equívoco processual atingiram ilegalmente seus acionistas de direito. Da simples leitura do texto acima transcrito, é possível identificar a ocorrência de fraude à legislação fiscal, situação que confirma de maneira absoluta, o correto procedimento fiscalizatório levado a efeito pela autoridade administrativa incumbida do lançamento. Notase, pois, que as alegações do contribuinte não procedem. Nos itens 9.4 a 10 da decisão recorrida, o julgador a quo deixou bem claro o acerto do trabalho realizado pela fiscalização. Como se pode observar, o auto de infração foi lavrado por servidor competente, conforme dispõe o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, resultando, como se vê, na constituição do crédito tributário nos exatos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN. Não ocorreu, in casu, qualquer violação ao princípio da segurança jurídica e muito menos do princípio da proporcionalidade na nova sistemática na aplicação da multa, como quer fazer crer o contribuinte. Ademais, não considero haver a suposta subsidiariedade invocada pelo contribuinte, tendo em vista que ele próprio dá notícia das fraudes fiscais, entre outras, perpetradas pelo administrador contratado pela sociedade. A contribuição a cargo da empresa abrange o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Se não houve a comprovação do pagamento, correta a autuação que resultou no lançamento ora discutido. Destarte, conheço do recurso em virtude da sua tempestividade, mas negolhe provimento, considerando as razões acima descritas. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001580/201076 Acórdão n.º 2803002.187 S2TE03 Fl. 9 8 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 19515.000093/2004-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1995
ANULAÇÃO DE AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO FORMAL. NULIDADE.
Apenas quando anulado por vício formal, é que de acordo com o Código Tributário Nacional (art. 173), o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se
após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado o lançamento anteriormente
efetuado (inciso II).
DIVERGÊNCIA DIRF. DAA. RESPONSABILIDADE. ÔNUS DA PROVA.
É ônus do RECORRENTE comprovar o erro das informações declaradas pela fonte pagadora em DIRF, pois é fato constitutivo de seu direito, carreando aos autos do processo administrativo os elementos que indiquem a inocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 2102-001.271
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao recurso para cancelar a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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VÍCIO FORMAL. NULIDADE. Apenas quando anulado por vício formal, é que de acordo com o Código Tributário Nacional (art. 173), o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado o lançamento anteriormente efetuado (inciso II). DIVERGÊNCIA DIRF. DAA. RESPONSABILIDADE. ÔNUS DA PROVA. É ônus do RECORRENTE comprovar o erro das informações declaradas pela fonte pagadora em DIRF, pois é fato constitutivo de seu direito, carreando aos autos do processo administrativo os elementos que indiquem a inocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao recurso para cancelar a multa de ofício, nos termos do voto do relator. ASSINADO DIGITALMENTE Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000093/200432 Acórdão n.º 2102001.271 S2‐C1T2 Fl. 144 2 Giovanni Christian Nunes Campos Presidente ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator EDITADO EM 14/03/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Marcelo Gouveia, OABSP 222.429SP, por parte do contribuinte. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 109 a 122, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 96 a 101, que julgou procedente lançamento de IRPF, de fls. 65 a 67, relativo ao anocalendário 1995, lavrado em 08/01/2004, do qual o RECORRENTE tomou ciência em 14/01/2004 (fl. 71 dos autos). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 40.122,04, já inclusos juros de mora e multa de ofício de 75%. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 66, o lançamento teve origem nas seguintes infrações: 001 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA COM INSTRUÇÃO Glosa de despesas com instrução, pleiteadas indevidamente, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/1995 R$ 1.500,00 75,00 Enquadramento Legal: Art. 11, § 3°do DecretoLei n°5.844/43; Art. 12, inciso I, alínea “b”, da Lei n°8.981/95. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000093/200432 Acórdão n.º 2102001.271 S2‐C1T2 Fl. 145 3 002 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) pleiteado indevidamente, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/1995 R$ 29.572,63 75,00 Enquadramento Legal: Art. 16, inciso III, da Lei n°8.981/95. O procedimento teve início com a emissão de Notificação de Lançamento, em 25/11/1996, que apurou imposto a pagar no valor de R$ 36.910,20, em substituição ao valor de imposto a restituir de R$ 18.023,21 informado pelo RECORRENTE em sua declaração de rendimentos referente ao anocalendário 1995 (vide fl. 03 do processo nº 13808.000222/9785, apenso a este). Além de glosar totalmente o valor da dedução de despesas com instrução informada pelo RECORRENTE, a referida Notificação apenas considerou o valor de R$ 38.367,73 a título de imposto retido na fonte. Em 26/03/1999, o primeiro e originário lançamento foi declarado nulo, de ofício, visto que a notificação de lançamento não havia observado os requisitos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN e no art. 11 do Decreto 70.235/72, conforme fl. 141 dos autos anexos (processo nº 13808.000222/9785). A nulidade do lançamento foi proposta por meio de despacho decisório, uma vez que o RECORRENTE havia apresentado sua impugnação intempestivamente, o que impossibilitou o julgamento do processo pela DRJ de primeira instância. Sendo assim, a Divisão de Tributação da DRF de origem propôs, de ofício, que o lançamento fosse declarado nulo, o que foi acatado pelo Delegado da DRF em 14/05/1999. Desta forma, a autoridade lançadora submeteu a declaração do RECORRENTE à nova revisão, o que resultou na lavratura, em 09/02/2000, do auto de infração ora analisado, de fls. 65 a 67. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 58 a 61, a autoridade fiscal constatou o seguinte: “ (...) 3. O contribuinte é sócio da empresa Engecorps Corpo de Engenheiros Consultores S/C Ltda, CNPJ 62.025.440/000150, com um total de 48,30% de participação à época. Tratase de sociedade civil de prestação de serviços de profissões legalmente regulamentadas, em conformidade com o Decretolei n° 2.397, Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000093/200432 Acórdão n.º 2102001.271 S2‐C1T2 Fl. 146 4 de 21 de dezembro de 1987. Consignou em sua Declaração de IRPF/1996, rendimentos recebidos de pessoas jurídicas (Engecorps) no valor de R$ 240.853,55 e uma fonte no valor de R$ 91.907,87, além dos rendimentos de R$ 14.158,50 e fonte de R$ 868,28, da empresa Rodomax Auro Center, CNPJ 66.133.414/000105, mais os rendimentos do INSS no valor de R$ 7.561,00. 4. Os rendimentos recebidos da empresa Engecorps correspondem a R$ 204.410,00, com retenção na fonte de R$ 37.499,45, conforme informado pela empresa em sua Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, do ano de 1995 e reproduzido a seguir. ANO 1995 VALORES EM REAIS MÊS REND. BRUTO DEDUÇÕES IR RETIDO JANEIRO 6.000,00 0,00 1.399,57 FEVEREIRO 6.000,00 0,00 1.285,36 MARÇO 6.000,00 0,00 1.331,73 ABRIL 6.000,00 0,00 1.399,57 MAIO 6.000,00 0,00 1.272,76 JUNHO 6.000,00 0,00 1.313,22 JULHO 6.000,00 0,00 1.311,29 AGOSTO 30.150,00 0,00 7.024,21 SETEMBRO 6.000,00 0,00 1.378,55 OUTUBRO 54.300,00 0,00 16.700,12 NOVEMBRO 6.000,00 0,00 1.296,69 DEZEMBRO 65.960,00 0,00 1.786,38 TOTAL 204.410,00 0,00 37.499,45 5. Cópia das telas do sistema IRF CONSULTA anexas. 6.(...) Considerandose as peculiaridades das sociedades civis de profissões legalmente regulamentadas e a possibilidade de compensação do imposto devido pelo sócio, referente à distribuição de lucros, com o imposto retido da sociedade na prestação de serviços a outras pessoas jurídicas, devese também aceitar as compensações efetuadas, dentro dos limites permitidos pela legislação tributária, para assegurar um tratamento isonômico entre tributação de rendimentos e dedutibilidade da retenção na fonte. 7. O contribuinte diz ter utilizado a compensação nos meses de março (R$ 1.399,57), agosto (R$ 5.712,92), outubro (R$ 15.403,43) e dezembro (R$ 56.194,80). Os valores compensados informados para os três primeiros meses citados estão dentro do limites aceitos, porém o valor de dezembro é superior ao valor compensável naquele mês, visto que o rendimento auferido de R$ 80.353,55, aplicado à tabela progressiva mensal do imposto de renda, resulta em um imposto devido no valor de R$ 26.622,17 (R$ 80.353,55 X 35% menos R$ 1.501,57), que será o limite Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000093/200432 Acórdão n.º 2102001.271 S2‐C1T2 Fl. 147 5 máximo aceito para efeitos de compensação com o imposto retido da sociedade civil, considerandose ainda que o montante retido da sociedade no ano excede o valor total aceito e utilizado. A legislação que rege essa matéria é o Decretolei n° 2.030/83, Decretolei n° 2.067/83, Lei n° 7.450/85, Decretolei n° 2.397/87, IN SRF n° 30/88 e 199/88, que deixam claro que o imposto retido na fonte sobre as receitas da sociedade somente poderá ser compensado com o que a sociedade tiver retido de seus sócios, no pagamento ou crédito dos rendimentos ou lucros (item 10 da IN SRF n° 199, de 1988). Caso o valor do imposto retido da sociedade civil seja superior ao retido dos sócios, o valor excedente poderá ser compensado nos recolhimentos subsequentes (art. 2°, parágrafo 30 do DL n°2.397, de 1988 e item 5 da IN SRF n° 30, de 1988). 8. Após essas considerações, o imposto devido calculado corresponde a R$ 75.277,93, o que resulta, após as compensações, em saldo de imposto devido de R$ 12.074,41, conforme minuta de cálculo anexa. 9. Diante do exposto, alteramos o valor declarado pelo contribuinte do Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 92.776,15 para R$ 63.203,52 e o valor de despesas com instrução de R$ 1.500,00 para zero. 10. Sendo a atividade administrativa de lançamento, vinculada e obrigatória, mediante Auto de Infração, constituímos o crédito tributário referente à majoração indevida no IRRF do ano calendário 1995, apurando saldo do imposto a pagar no valor de R$ 12.074,41, conforme Minuta de Cálculo anexa. (...)” Do acima exposto, compreendese que o limite máximo aceito no mês de dezembro, para efeitos de compensação com o imposto retido da sociedade civil, é o valor de R$ 26.622,17. Desta forma, substituindose na tabela antes transcrita a quantia de R$ 1.786,38, referente ao mês de dezembro, pelo valor de R$ 26.622,17, chegase ao valor total de imposto retido na fonte pela empresa Engecorps de R$ 62.335,24. Este valor somado ao imposto retido pela empresa Rodomax (R$ 868,28), resulta no total de imposto de renda retido na fonte de R$ 63.203,52, valor este que foi considerado pela fiscalização. Desta forma, a autoridade fiscal apurou o imposto de renda a pagar no valor de R$ 12.074,41, conforme minuta de cálculo de fl. 53. DA IMPUGNAÇÃO Em 12/02/2004, o RECORRENTE apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 72 a 77, alegando, em síntese, que: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000093/200432 Acórdão n.º 2102001.271 S2‐C1T2 Fl. 148 6 O presente auto de infração seria nulo por ter sido lavrado após o prazo decadencial de cinco anos do fato gerador. A lei garante ao sócio da empresa o direito de compensar, em sua declaração de ajuste anual, todos os valores recolhidos pela sociedade civil e a título de imposto de renda sobre a parcela dos lucros distribuídos aos sócios, o que evita a dupla tributação de um mesmo rendimento. Assim, na forma do artigo 2°, § 3°, do decretolei nº 2.397/88, o contribuinte tem o direito de compensar o saldo não utilizado em recolhimentos subsequentes que seria justamente o recolhimento devido por ocasião do ajuste anual. Mantido o raciocínio do auditor, o contribuinte tinha o crédito, na declaração de ajuste do anocalendário 1995, de R$ 29.572,63 para compensar com débitos futuros. Valor, portanto, mais do que suficiente para compensar com o alegado imposto devido na referida declaração de ajuste anual. A fiscalização poderia apurar apenas irregularidade formal de preenchimento da declaração de ajuste, mas nunca poderia exigir tributo já recolhido. Segundo o contribuinte RECORRENTE (fls. 75 dos autos): O equívoco da fiscalização encerrase na forma de cálculo, portanto, dos valores a compensar. O agente auditor apurou ser, o valor de crédito de tributo a compensar, retido pela sociedade profissional, igual R$63.203,52 mediante uma glosa de parte do valor declarado por haver compreendido que o contribuinte não poderia ter compensado, no mês de dezembro, a totalidade do valor do tributo retido. Por tais razões, o RECORRENTE requereu a improcedência do auto de infração. Registrese que é matéria não impugnada a glosa de dedução indevida com despesas de instrução, cujo crédito tributário dela decorrente foi apartado e extinto pelo pagamento (fls. 142 dos autos). Não houve a juntada de qualquer documento probante pelo RECORRENTE, em sede de impugnação. DA DECISÃO DA DRJ Da análise da impugnação, a DRJ, às fls. 96 a 101 dos autos, julgou procedente o lançamento imposto de renda, através de acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1995 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000093/200432 Acórdão n.º 2102001.271 S2‐C1T2 Fl. 149 7 Decadência. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Compensação Indevida do IRRF. O imposto de renda retido na fonte sobre receitas de Sociedade Civil de Prestação de Serviços somente poderá ser compensado com o que a sociedade tiver retido de seus sócios no pagamento de rendimentos ou lucros. Glosa de Dedução de Despesas com Instrução. Matéria Não Impugnada. Considerase definitivamente constituído o crédito tributário decorrente de parte do lançamento cuja matéria não foi expressamente impugnada. Lançamento Procedente DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão em 15/01/2009 (fl. 102v. dos autos), apresentou, através de procuradores habilitados à fl. 105, recurso voluntário de fls. 109 a 122, em 13/02/2009. Em seu apelo, o RECORRENTE inovou por completo sua tese de defesa. Para bem delimitar as manifestações do RECORRENTE, ressaltese que a acusação infração em litígio nesse Conselho é – tão somente – a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte pelo RECORRENTE. Como consta desse relatório, na impugnação do RECORRENTE defendeu que (verbis): (...) 15.De fato, mantido o raciocínio do auditor, o contribuinte não poderia haver compensado, no mês de dezembro de 1995, o valor integral do IR que fora antes retido pela fonte pagadora, sociedade profissional. Mas poderia têIo feito realizado a compensação em prestações devidas no futuro, Por isso, o contribuinte tinha o crédito, na declaração de ajuste, de R$ 92.776,15 menos R$63.203,52, que corresponde um crédito a compensar com débitos futuros de cerca de vinte e nove mil reais. Valor, portanto, mais do que suficiente para compensar com o alegado "imposto devido" na declaração de ajuste anual! (...) Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000093/200432 Acórdão n.º 2102001.271 S2‐C1T2 Fl. 150 8 Ocorre que, no voluntário, através de patrono habilitado nos autos, RECORRENTE abandona a tese de defesa anterior a passa a sustentar que: (...) os rendimentos referentes aos dividendos recebidos da sociedade Engecorps foram equivocadamente informados na declaração de imposto de renda do Recorrente, o que acabou gerando a exigência em debate. Na referida declaração constou que os rendimentos recebidos da Sociedade Engecorps foram de R$ 240.853,55 com retenção de IR de R$ 91.907,87, quando, na verdade, os rendimentos foram de R$ 204.410,00 com retenção de R$ 63.802,22, conforme acima comentado. O RECORRENTE acrescenta a seu voluntário a seguinte argumentação: como o lançamento anterior fora lavrado sem a imposição de multa de ofício, considerando que o lançamento em litígio é resultado da anulação do lançamento anterior por vício formal, seria indevida a multa de ofício agora aplicada. Ao recurso voluntário o RECORRENTE acosta – a título de prova – os seguintes documentos: (i) às fls. 129, planilha elaborada pelo RECORRENTE com somas dos valores de imposto de renda na fonte, que totaliza, como retidos pela Engecorps, R$ 63.802,22; (ii) às fls. 130 e 131, extrato que aparentemente indica todos os faturamentos da Engecorps no anocalendário 1995; (iii) às fls. 132 a 137, DARF pagos / recolhidos pela Engecorps, que se somados totalizam R$ 35.699,12. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Em princípio, passo a analisar a decadência dos créditos tributários lançados. O presente lançamento é proveniente de lançamento anterior, referente ao processo nº 13808.000222/9785 (apenso), o qual foi anulado em 14/05/1999 por não conter todos os pressupostos legais do art. 142 do CTN e do art. 11 do Decreto nº 70.235/72, Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000093/200432 Acórdão n.º 2102001.271 S2‐C1T2 Fl. 151 9 conforme Despacho Decisório EQPIR/PF nº 256/99 de fl. 141 do processo anexo, como transcrito a seguir (fl. 56): “(...) Por essa razão, o processo foi enviado à Divisão de Tributação desta DRF/SP para, em sendo possível, procederse a uma eventual análise dos elementos nele constantes, os quais poderiam ensejar a revisão de oficio do lançamento em questão, nos termos dos Artigos 142, 145111 e 149VIII da Lei n° 5.172/66 (CTN). Porém, cabe ressaltar que se trata de lançamento cuja notificação (fls. 03) não contém todos os requisitos estabelecidos no Art. 142 do CTN e no Art. 11 do Decreto n° 70.235/72. De modo que, sem prejuízo do disposto no Art. 17311 do CTN, tal lançamento deve ser declarado nulo, em conformidade com o previsto no Art. 6°41 da INSRF n° 94, de 24 de dezembro de 1997, resguardandose o direito da Fazenda Nacional efetuar novo lançamento em boa e devida forma.” Como visto no relatório, de acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 66, o lançamento teve origem nas seguintes infrações: 001 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) 002 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Todavia, encontrase em litígio, tão somente, a infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Ocorre que, da leitura dos autos e da peça de recurso voluntário, salta aos olhos a concordância do RECORRENTE quanto à acusação de haver cometido a infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, como atesta o trecho transcrito, com fidelidade ao texto original, a seguir (fls. 114 dos autos): Os rendimentos recebidos da sociedade Engecorps foram de R$ 204.410,00, com retenção de IR, no montante R$ 63.802,22; os rendimentos recebidos da Rodomax foram de R$ 14.158,50, com retenção de IR, no montante de R$ 868,28; eos rendimentos de aposentadoria foram de R$ 7.561,00 sem retenção na fonte, totalizando um rendimento anual de R$ 226.129,50 com retenção na fonte de R$ 64.670,50. Ora, a própria autoridade lançadora já havia alertado, no Termo de Verificação Fiscal, a divergência entre o valor declarado como recebido na Engecorps na declaração de ajuste anual do RECORRENTE e o constante da DIRF dessa fonte pagadora,: Fl. 9DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000093/200432 Acórdão n.º 2102001.271 S2‐C1T2 Fl. 152 10 6. Entretanto, o contribuinte declarou rendimentos recebidos da pessoa jurídica Engecorps superior ao constante da DIRF e foram aceitos para determinação dos rendimentos tributáveis. Assim, para os rendimentos das três fontes pagadoras informadas, temos o valor total de R$ 262.573,05 e retenção na fonte de R$ 38.367,73, conforme demonstrativo apresentado de fls. 04*. Considerandose as peculiaridades das sociedades civis de profissões legalmente regulamentadas e a possibilidade de compensação do imposto devido pelo sócio, referente à distribuição de lucros, com o imposto retido da sociedade na prestação de serviços a outras pessoas jurídicas, devese também aceitar as compensações efetuadas, dentro dos limites permitidos pela legislação tributária, para assegurar um tratamento isonômico entre tributação de rendimentos e dedutibilidade da retenção na fonte. Agora, apenas no voluntário, o contribuinte RECORRENTE defende que – de fato – ele, e na a fonte pagadora, havia errado o valor dos rendimentos pagos em seu benefício no anocalendário 1995. Não há dúvidas de que ou a Engecorps ou o RECORRENTE errou a declaração por si preenchida. Contudo, considerando que o RECORRENTE não trouxe aos autos qualquer documento que comprove o acerto da DIRF da fonte pagadora (que informou valor inferior ao declarado pelo sócio), não vejo como presumir que o RECORRENTE é quem errou a sua declaração. Os autos colocam a paradoxal situação: a pessoa física informa que recebeu rendimentos superiores ao que a fonte pagadora diz haver pago, apura o imposto de renda devido, e – depois – acusada de haver aproveitado créditos de imposto de renda na fonte inexistentes, resolve declarar o erro da composição da sua receita. É claro que, agora, socorreria o RECORRENTE a minoração da suas rendas, mas essa prova a ele incumbe, especialmente, fazer. Da análise dos documentos acostados ao recurso voluntário, é impossível aferirse, com razoável margem de segurança, que o RECORRENTE majorou os rendimentos na sua declaração de ajuste do ano calendário 1995. Ademais, não procede a alegação de que a autoridade fiscal apontou o erro do RECORRENTE e – mesmo assim – manteve a tributação sobre as referidas verbas. O que a autoridade fiscal fez foi indicar a incongruências das informações em DIRF com as declaradas no ajuste pelo RECORRENTE, como adiante repito a transcrição: 6. Entretanto, o contribuinte declarou rendimentos recebidos da pessoa jurídica Engecorps superior ao constante da DIRF e foram aceitos para determinação dos rendimentos tributáveis. Assim, para os rendimentos das três fontes pagadoras informadas, temos o valor total de R$ 262.573,05 e retenção na fonte de R$ 38.367,73, Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000093/200432 Acórdão n.º 2102001.271 S2‐C1T2 Fl. 153 11 Ora, à autoridade fiscal, sobremaneira, não cabia presumir o erro do contribuinte e o acerto à declaração da fonte pagadora. O fato constitutivo de direito, é regra, deve prioritariamente ser provado por quem julga se beneficiar dele. Considerando que o RECORRENTE era sócio e detinha mais de 45% de participação na Engecorps, poderia ter instruído o seu recurso voluntário com todos os documentos contábeis e as demonstrações financeiras que auxiliassem a convicção desse julgador, provando que houve sobrevalorização dos rendimentos, especialmente quando o auto de infração decorre de acusação, depois da defesa, expressamente admitida. Quanto à alegada ilegalidade aplicação de multa de ofício em auto de infração decorrente de anulação de lançamento anterior que não imputou a mesma penalidade, entendo que não procede o argumento do RECORRENTE. Como bem suscitado pelo Conselheiro Caio Marcos Cândido no voto vencedor do Recurso 139.666, julgado pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a anulação de ato administrativo por vício formal: devolve à Fazenda Pública a possibilidade de feitura de novo lançamento sobre a mesma matéria tributável, neste sentido reproduzo excerto de voto de lavra da Conselheira Sandra Maria Faroni, no julgamento do recurso nº 124.479: ‘(...) O anterior e tempestivo lançamento para o mesmo períodobase, anulado por vício formal, concede ao fisco mais cinco anos, a contar da data em que se tornar definitiva a decisão que o anulou, para realizar novo lançamento apenas corrigindo os vícios formais. Entretanto, não é dado ao fisco suplementar a anterior exigência anulada sem observar, quanto à suplementação, o prazo de decadência tendo com dies a quo a data da ocorrência do fato gerador’. Ora, a matéria tributável no caso dos autos é idêntica à anterior: glosa de dedução de despesas com instrução e majoração dos créditos de imposto de renda retido pela fonte pagadora. De acordo com o Código Tributário Nacional – CTN (art. 113), a obrigação tributária é principal ou acessória. E a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Sendo assim, entendo que como o auto de infração anteriormente anulado por vício formal não lançou a penalidade pecuniária, não é correto dizer que a anulação desse lançamento interrompeu o prazo decadencial de o Fisco lançar a imposição da multa de ofício. Por óbvio, a penalidade poderia ser lançada dentro do prazo decadencial de cinco anos, mas como não o fez a autoridade fiscal, ao fazêla em 2004, considerando que o fato gerador ocorreu em 1995, já estava decadente o seu direito de lançar. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000093/200432 Acórdão n.º 2102001.271 S2‐C1T2 Fl. 154 12 É bem verdade que, de acordo com o § 20 do art. 172 do CTN, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Se o próprio CTN dissocia a multa do tributo, não é razoável estender os efeitos de anulação de lançamento exclusivo de tributo à multa que não fez parte do lançamento anterior. Em razão do exposto, julgo extinta pela decadência a multa lançada através do auto de infração ora impugnado, pois se referia a fato gerador ocorrido no anocalendário 1995, com lançamento apenas em 2004, sem qualquer causa interruptiva no curso do prazo. Isto posto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a exigência da multa de ofício. ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 12DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 20/01/2012 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13063.000862/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2302-000.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi - Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Adriana Sato, André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Adriana Sato, André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/05/2007 a 31/07/2007 Data do Requerimento de Restituição: 20/08/2007. Tratase de processo formado a partir de Requerimento de Restituição de Contribuições Retidas – RRCR, protocolizado em 20/08/2007, relativo ao período de 05/2007, 06/2007 e 07/2007, mediante o qual o Requerente informa ser optante pelo SIMPLES e não manter contabilidade regular. O pedido de restituição houvese por indeferido, nos termos assentados no Despacho Decisório DD ARF/SRA/RS, de 26/11/2007, a fls. 113/115, em razão de a DRF de Santo Ângelo haver considerado indevido o enquadramento da empresa no SIMPLES, pelo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 63 .0 00 86 2/ 20 07 -2 4 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13063.000862/200724 Resolução nº 2302000.213 S2C3T2 Fl. 192 2 fato do interessado realizar cessão de mão de obra, forma de prestação de serviços vedada à opção pelo SIMPLES. Devidamente cientificado do citado Despacho Decisório, inconformado, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, a fls. 117/122, ao Segundo Conselho de Contribuintes. Em cumprimento às determinações contidas no art. 1º da Portaria 2CC n° 14/2008, a Chefe de Secretaria da Quarta Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determinou o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento competente para julgamento do pleito, conforme despacho a fl. 132. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria/RS lavrou decisão administrativa nos termos do Acórdão a fls. 134/136, julgando procedente a manifestação de Inconformidade e determinando a restituição do valor da retenção que excedesse as contribuições devidas no regime de tributação em que se figurar a empresa requerente no período em debate. Após a ciência do Acórdão ao interessado e antes de dar prosseguimento ao pagamento da restituição, o processo foi encaminhado à SAFIS/DRF/SAO/RS para apreciação quanto à exclusão da empresa do SIMPLES, em virtude de exercício de atividades impeditivas, conforme Despacho a fl. 139, de 22/09/2009. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo/RS emitiu Termo de Constatação Fiscal a fl. 142 onde resta consignado: a) Que os pedidos de restituição não são procedentes; b) Que a empresa realizava atividade vedada à opção pelo SIMPLES; c) Que em 26/10/2011 foram emitidos os Atos Declaratórios Executivos DRF/SAO nº 053 e 054, a fls. 143/144, declarando a exclusão da empresa do Simples Federal a partir de 01/01/2006 (até a extinção do sistema, em 30/06/2007) e do Simples Nacional a partir de 01/07/2007, respectivamente; d) Que na ação fiscal foram lavrados os autos de infração Debcad nº 37.369.3699 e 51.018.7641, relativos a contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos; e) Que não houve lançamento de débito com relação à parte patronal e SAT porque os créditos dos valores retidos em notas fiscais e os recolhimentos em DARF referentes à Previdência Social satisfaziam à exigência; Por fim, opinou o Auditor Fiscal pelo indeferimento da restituição, demonstrando em quadro demonstrativo a existência de débito do contribuinte perante a Seguridade Social. Atos Declaratórios Executivos DRF/SAO nº 053 e 054, de 26/10/2011, a fls. 143/144, respectivamente. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13063.000862/200724 Resolução nº 2302000.213 S2C3T2 Fl. 193 3 Em 07/05/2012, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo/RS emitiu Despacho Decisório – DD, DRF/SAO/SAORT nº 375/2012, a fls. 145/146, indeferindo o pedido de restituição, pelas razões expostas no Termo de Constatação Fiscal a fl. 142. Inconformado, o Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade a fls. 148/158. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS lavrou decisão administrativa aviada no Acórdão a fls. 172/176, não conhecendo a Manifestação de Inconformidade interposta pelo Contribuinte, por considerar ser descabida a rediscussão de matéria já submetida à decisão administrativa definitiva. A empresa foi cientificada da decisão de 1ª Instância no dia 19/07/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 178. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 179/183, requerendo a restituição dos valores perseguidos. Relatados sumariamente os fatos relevantes. 2. VOTO Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator “Foi em diamantina onde nasceu J.K. E a princesa Leopoldina lá resolveu se casar Mas Chica da Silva tinha outros pretendentes E obrigou a princesa a se casar com Tiradentes Laiá, lá laiá, laiá, o bode que deu vou te contar Joaquim José, que também é da Silva Xavier Queria ser dono do mundo E se elegeu Pedro Segundo Das estradas de minas, seguiu pra São Paulo E falou com Anchieta O vigário dos índios Aliouse a Dom Pedro E acabou com a falseta Da união deles dois ficou resolvida a questão E foi proclamada a escravidão Assim se conta essa história Que é dos dois a maior glória A Leopoldina virou trem E Dom Pedro é uma estação também Oô, ô, oô, oô trem tá atrasado ou já passou”. Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) Samba do Crioulo doido Fl. 193DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13063.000862/200724 Resolução nº 2302000.213 S2C3T2 Fl. 194 4 2.1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 19/07/2012. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 17 de agosto do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2.2. DAS PRELIMINARES 2.2.1. DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CERCEAMENTO DE DEFESA. Por meio do Despacho Decisório DD ARF/SRA/RS, de 26/11/2007, a fls. 113/115, a DRF de Santo Ângelo/RS indeferiu o pedido de restituição por considerar indevido o enquadramento da empresa no SIMPLES, em virtude de a atividade por ela realizada, executada mediante cessão de mão de obra, constituise óbice à opção pelo SIMPLES. O Contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório suso referido em 30/11/2007, e apresentou recurso tempestivo em 28/12/2007, a fls. 117/122, época em que a interposição de recursos em face de indeferimento de pedido de restituição de contribuições previdenciárias obedecia ao rito previsto nos artigos 254, 305 a 310 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social Art. 254. Da decisão sobre pedido de restituição de contribuições ou de outras importâncias, cabe recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único do Título I do Livro V. Subseção II Dos Recursos Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 1º de fevereiro de 2007) (grifos nossos) Art. 306. Em se tratando de processo que tenha por objeto a discussão de crédito previdenciário, o recurso de que trata esta Subseção somente terá seguimento se o recorrente pessoa jurídica instruílo com prova de depósito, em favor do Instituto Nacional de Seguro Social, de valor correspondente a trinta por cento da exigência fiscal definida na decisão. Art. 307. A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13063.000862/200724 Resolução nº 2302000.213 S2C3T2 Fl. 195 5 Art. 308. Os recursos tempestivos contra decisões das Juntas de Recursos do Conselho de Recursos da Previdência Social têm efeito suspensivo e devolutivo. (Redação dada pelo Decreto nº 5.699, de 2006) §1º Para fins do disposto neste artigo, não se considera recurso o pedido de revisão de acórdão endereçado às Juntas de Recursos e Câmaras de Julgamento. (Incluído pelo Decreto nº 5.699, de 2006) §2º É vedado ao INSS e à Secretaria da Receita Previdenciária escusaremse de cumprir as diligências solicitadas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como deixar de dar cumprimento às decisões definitivas daquele colegiado, reduzir ou ampliar o seu alcance ou executálas de modo que contrarie ou prejudique seu evidente sentido. (Incluído pelo Decreto nº 5.699, de 2006) Art. 309. Havendo controvérsia na aplicação de lei ou de ato normativo, entre órgãos do Ministério da Previdência e Assistência Social ou entidades vinculadas, ou ocorrência de questão previdenciária ou de assistência social de relevante interesse público ou social, poderá o órgão interessado, por intermédio de seu dirigente, solicitar ao Ministro de Estado da Previdência e Assistência Social solução para a controvérsia ou questão. (Redação dada pelo Decreto nº 3.452, de 2000) §1º A controvérsia na aplicação de lei ou ato normativo será relatada in abstracto e encaminhada com manifestações fundamentadas dos órgãos interessados, podendo ser instruída com cópias dos documentos que demonstrem sua ocorrência. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §2º A Procuradoria Geral Federal Especializada/INSS deverá pronunciarse em todos os casos previstos neste artigo. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) Art. 310. Os recursos de decisões da Secretaria da Receita Federal serão interpostos e julgados, no âmbito administrativo, de acordo com a legislação pertinente. Na sequência, em 10/04/2008, o processo foi encaminhado ao 2º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, então órgão competente para apreciar recursos dos contribuintes contra as decisões relativas a pedidos de restituição de contribuições previdenciárias, conforme Despacho a fl. 129/130. No mesmo sentido também se posicionam as disposições insculpidas no Parágrafo Único do art. 217 da IN SRP nº 3/2005, vigente à data da formalização do ato processual em foco. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 216. Compete ao supervisor da UARP tipos "A" e "B" e à chefia da UARP tipo "C" decidir sobre requerimento de reembolso e de restituição. (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) Fl. 195DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13063.000862/200724 Resolução nº 2302000.213 S2C3T2 Fl. 196 6 Art. 217. Da decisão proferida nos pedidos de que trata o caput do art. 216, será dada ciência ao requerente por meio postal ou por correio eletrônico. Parágrafo único. Da decisão pela improcedência total ou parcial do pedido, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão, devendo, nesta hipótese, serem apresentadas contrarrazões pela SRP. (grifos nossos) Acontece que, em 03 de dezembro de 2008, foi editada a MP nº 449/2008 que fez inserir o §11 ao art. 89 da Lei nº 8.212/1991 determinando que os processos de restituição de contribuições previdenciárias passariam a obedecer ao rito fixado no Decreto nº 70.235/1972. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art.89. As contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (...) §11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e salário maternidade o rito do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) O estudo das questões atávicas à aplicação da lei processual no tempo é objeto de direito intertemporal, cujo regramento observa dois princípios jurídicos fundamentais: o da não retroatividade relativa e o da aplicação imediata das normas de direito processual da lei nova, mesmo aos casos pendentes. O princípio da irretroatividade visa a resguardar a certeza e a segurança jurídica dos atos praticados sob a égide da lei revogada, frente às garantias constitucionais do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada. O da aplicação imediata almeja brindar a imediata eficácia da lei posterior, coroando o princípio tempus regit actum. Deflui da conjugação de tais princípios que as normas de direito processual devem ter aplicação imediata, mesmo sobre os processos ainda em curso, não podendo, todavia, retroagir para alcançar os atos jurídicos perfeitos praticados na vigência da lei revogada. Aliado a tal conclusão, acrescentese que o Direito Brasileiro sufragou o Sistema do Isolamento dos Atos Processuais como forma de delimitar a imediata aplicação das normas de direito processual aos processos em curso, com a única condição de respeitar os atos jurídicos praticados sobre a regência da lei anterior e que possuam valor próprio e independente. A regência ex nunc da lei nova abraça, tão somente, os atos futuros, assim considerados aqueles praticados no processo a partir da vigência e eficácia da nova lei, sendo Fl. 196DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13063.000862/200724 Resolução nº 2302000.213 S2C3T2 Fl. 197 7 assim asseguradas as garantias constitucionais do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada. Os princípios acima invocados encontramse espelhados, em nosso Ordenamento Jurídico, em diversos Diplomas Legais, bem como no Inciso XXXVI do art. 5º da Constituição Federal. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XXXVI a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; Lei de Introdução do Código Civil Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. (Redação dada pela Lei nº 3.238, de 1º.8.1957) §1º Reputase ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. (Parágrafo incluído pela Lei nº 3.238, de 1º.8.1957) §2º Consideramse adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha termo préfixo, ou condição préestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. (Parágrafo incluído pela Lei nº 3.238, de 1º.8.1957) §3º Chamase coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. (Parágrafo incluído pela Lei nº 3.238, de 1º.8.1957) Código de Processo Civil Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes. Código de Processo Penal Art.2o A lei processual penal aplicarseá desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior. A corte Superior de Justiça desta Nação já fez sedimentar em seus julgados um entendimento pacífico que não discrepa de nossas ilações: REsp 1034251/RS Rel. Ministra ELIANA CALMON Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Fl. 197DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13063.000862/200724 Resolução nº 2302000.213 S2C3T2 Fl. 198 8 Publicação/Fonte DJe 15/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE – DECRETAÇÃO EX OFFICIO – POSSIBILIDADE – PRÉVIA OITIVA DA FAZENDA PÚBLICA – ART. 40, §4º DA LEI 6.830/80 (REDAÇÃO DA LEI 11.051/2004) – NORMA DE DIREITO PROCESSUAL – APLICAÇÃO AOS FEITOS AJUIZADOS ANTES DE SUA VIGÊNCIA OMISSÃO ABORDAGEM EXPRESSA INEXISTÊNCIA. 1. Havendo abordagem expressa sobre a tese devolvida à Corte Regional, inexiste omissão sanável por intermédio de embargos de declaração. 2. Na execução fiscal, interrompida a prescrição com a citação pessoal e não havendo bens a penhorar, pode a Fazenda Pública valerse do art. 40 da LEF para suspender o processo pelo prazo de um ano, ao término do qual recomeça a fluir a contagem até que se complete cinco anos, caso permaneça inerte a exequente durante esse período. 3. Predomina na jurisprudência dominante desta Corte o entendimento de que, na execução fiscal, a partir da Lei 11.051/04, que acrescentou o §4º ao artigo 40 da Lei 6.830/80, pode o juiz decretar, de ofício, a prescrição, após ouvida a Fazenda Pública exequente. 4. Tratandose de norma de direito processual, a sua incidência é imediata, aplicandose, portanto, às execuções em curso. 5. O novo art. 219, § 5º, do CPC não revogou o art. 40, §4º, da LEF, nos termos do art. 2º, § 2º, da LICC. 6. Recurso especial provido. AgRg no REsp 1221452/AM Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Publicação/Fonte DJe 02/05/2011 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. DECRETAÇÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO DISPOSTO NO §4º DO ART. 40 DA LEI Nº 6.830/80, ACRESCIDO PELA LEI Nº 11.051/2004. 1. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que a Lei 11.051/2004 é norma de direito processual e, por conseguinte, tem aplicação imediata, alcançando inclusive os processos em curso. Precedentes: REsp 1.015.258/PE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/09/2008; REsp 891.589/PE, Primeira Turma, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, DJ 2/4/2007; REsp 911.637/SC, Primeira Turma, Rel. Ministro Francisco Falcão, DJ 30/4/2007. 2. Agravo regimental não provido. HC 152456/SP Fl. 198DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13063.000862/200724 Resolução nº 2302000.213 S2C3T2 Fl. 199 9 Rel. Ministro FELIX FISCHER Órgão Julgador T5 QUINTA TURMA Publicação/Fonte DJe 31/05/2010 Ementa PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. ART. 302, CAPUT, DO CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO. APLICAÇÃO DO ART. 400 DO CPP COM A NOVA REDAÇÃO CONFERIDA PELA LEI N° 11.719/08. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VALIDADE DO INTERROGATÓRIO DO RÉU REALIZADO SOB A VIGÊNCIA DE LEI ANTERIOR. PRINCÍPIO DO TEMPUS REGIT ACTUM. I A norma de natureza processual possui aplicação imediata, consoante determina o art. 2° do CPP, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior, consagrando o princípio do tempus regit actum (Precedentes). II Assim, nesta linha, o art. 400 do CPP, com a nova redação conferida pela Lei n° 11.719/08, regra de caráter eminentemente processual , possui aplicação imediata, sem prejuízo da validade dos atos processuais realizados em observância ao rito procedimental anterior. III Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa na espécie por ausência de realização de novo interrogatório do ora paciente ao final da audiência de instrução e julgamento, pois o referido ato processual foi validamente realizado pelo Juízo processante antes do advento da novel legislação em observância ao rito procedimental vigente à época, não possuindo a lei processual penal efeito retroativo. Ordem denegada. No caso ora em trato, em face da decisão de 1ª Instância proferida pela DRF de Santo Ângelo/RS, nos termos assentados no Despacho Decisório DD ARF/SRA/RS, a fls. 113/115, que indeferiu o pedido de restituição, o Interessado interpôs Recurso Voluntário a fls. 117/122, em 28/12/2007, o qual foi remetido ao Segundo Conselho de Contribuintes, conforme despacho de 10 de abril de 2008, em plena conformidade com as normas processuais então vigentes e eficazes encartadas nos artigos 254 e 305 do Regulamento da Previdência Social e artigos 216 e 217 da IN SRP nº 3/2005. Ocorre que, ao ser publicada em 03 de dezembro de 2008, a MP nº 449/2008, ao acrescentar o §11 ao art. 89 da Lei nº 8.212/91, determinou, laconicamente, que os processos em curso teriam que observar, a partir daquele instante para o futuro, o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72, respeitandose, por óbvio, a validade e os efeitos dos atos realizados sob a vigência da lei anterior, em razão do princípio da irretroatividade da lei nova. No caso em espécie, a lide objeto do processo em debate já havia sido julgada, em primeira instância, pelo órgão competente e em conformidade com o trâmite estatuído na lei vigente à data de sua realização. Tratase, por conseguinte, de ato jurídico perfeito, na fina acepção adotada pelo §1º do art. 6º da LICC. Ora, sendo o processo um encadeamento de atos praticados pelos sujeitos processuais destinados à obtenção uma decisão final voltada a resolver a lide posta, no curso do Fl. 199DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13063.000862/200724 Resolução nº 2302000.213 S2C3T2 Fl. 200 10 Devido Processo Legal, estando o processo já munido de decisão de 1ª Instância válida e eficaz, o ato seguinte na sequência lógica seria o encaminhamento para o órgão ad quem para distribuição, apreciação e julgamento em segunda instância pelo Colegiado legalmente competente. O procedimento consignado na lei nova é o mesmo, mutatis mutandis, que aquele previsto na lei antiga. Nesta, o órgão de 2ª instância competente era o 2º Conselho de Contribuintes; naquela, a 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos dos artigos 3º e 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Regimento Interno do CARF Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; (grifos nossos) V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. (grifos nossos) §1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. §2° Os recursos interpostos em processos administrativos de cancelamento ou de suspensão de isenção ou de imunidade tributária, dos quais não tenha decorrido a lavratura de auto de infração, incluise na competência da Segunda Seção. §3° Na hipótese do §1°, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: I Da Primeira Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; II Da Segunda Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e da Terceira Seção; III Da Terceira Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado unicamente de competência dessa Seção. Assim, a obediência ao Devido Processo Legal circunscrevese à mera distribuição para o órgão julgador previsto na lei nova, qual seja, a 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nada mais. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13063.000862/200724 Resolução nº 2302000.213 S2C3T2 Fl. 201 11 Mas aí, meteramse os pés pelas mãos. Em 11 de dezembro de 2008, publicouse no Diário Oficial da União a Portaria nº 14, de 09 de dezembro de 2008, do 2º Conselho de Contribuintes, nos seguintes termos: Portaria nº 14, de 09 de dezembro de 2008 Art. 1º Os processos relativos a pedidos de restituição de contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do Parágrafo Único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, de contribuições instituídas a título de substituição e de contribuições devidas a terceiros, que estejam aguardando julgamento no Segundo Conselho de Contribuintes serão encaminhados à Unidade Local da Receita Federal do Brasil da Jurisdição da Autoridade que exarou o Despacho Decisório relativamente ao qual haja a manifestação de inconformidade, com vistas ao encaminhamento à Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente para o julgamento em razão da localidade e matéria, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972. Parágrafo Único. A movimentação será realizada pelo Serviço de Logística e pelas Câmaras especializadas em matéria previdenciária mediante a utilização do Sistema Comprot e, no caso de o processos estar cadastrado no Sincon, com o registro de ocorrência “EXPEDIDO” nesse sistema. Art. 2º Aplicase aos processos de restituição de que trata o art. 1º que chegarem ao Segundo Conselho de Contribuintes, sem ter sido apreciado por Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento o procedimento estabelecido no referido artigo. Em consequência, a Chefe de Secretaria da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF determinou o encaminhamento do Processo Administrativo Fiscal em julgamento à Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ em Santa Maria/RS, conforme Despacho a fl. 132. E então, o angu encaroçou. Em outras palavras, numa só tacada, a Portaria suso transcrita transgrediu o princípio da irretroatividade da lei nova, fez tábula rasa do ato jurídico perfeito, cassou a decisão de 1ª Instância, revogou norma de hierarquia superior, enxovalhou o devido processo legal e bagunçou a segurança jurídica. Ao fazer retornar o processo para julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, a Portaria citada simplesmente ignorou o princípio da irretroatividade da lei, fazendo a lei nova incidir no processo em curso para que fossem praticados atos processuais já consumados pela preclusão consumativa. O que diria Bandeira de Mello diante de tal evento? “Violar um princípio é muito mais grave que transgredir uma norma qualquer. A desatenção ao princípio implica ofensa não Fl. 201DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13063.000862/200724 Resolução nº 2302000.213 S2C3T2 Fl. 202 12 apenas ao específico mandamento obrigatório, mas a todo sistema de comandos. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do princípio atingido, porque representa insurgência contra todo o sistema, subversão de seus valores fundamentais, contumélia irremissível a seu arcabouço lógico e corrosão de sua estrutura mestra. Isto porque, com ofendê lo, abatemse as vigas que sustêm e aluise toda a estrutura nelas esforçada”. (Celso Antônio Bandeira de Mello, Curso de Direito Administrativo, 16.ª ed., São Paulo, Malheiros, 2003, pag. 818). Não parou por aí, não: Cassou Decisão de 1ª Instância válida e eficaz proferida pela DRF de Santo Ângelo/RS, nos termos assentados no Despacho Decisório DD ARF/SRA/RS, a fls. 113/115, a qual somente poderia ser reformada ou declarada nula pelo Órgão de 2ª Instância competente para apreciar o Recurso interposto pelo Interessado. Ou seja, tornou sem efeito, ao arrepio da lei, ato jurídico perfeito. Mas não é só, há mais: Subverteu todo o Devido Processo Legal criando uma instância intermediária não prevista na lei processual e cuja decisão se sobrepõe integralmente à exarada na Instância anterior. Assim, uma decisão administrativa dotada dos atributos de ato jurídico perfeito foi substituída, sem qualquer previsão legal, por outra de mesma hierarquia processual, providência essa que somente poderia emergir de determinação expressa de lei formal, jamais de uma Portaria do Segundo Conselho de Contribuintes. Como é cediço, as Portarias são Atos Administrativos pelos quais as autoridades competentes determinam providências de caráter administrativo gerais ou especiais aos seus subordinados com vistas à execução de leis e serviços, definem situações funcionais e aplicam medidas de ordem disciplinar. Apesar de ato administrativo interno, os efeitos da Portaria podem atingir o público externo, como é o caso das Portarias que reajustam o valor mínimo das multas por infração a dispositivos da Lei de Custeio da Seguridade Social. O que não se admite é que a portaria, ao expedir procedimentos, o faça ao asco da lei, ou inovando a ordem jurídica ou massacrando princípios constitucionais. Isso não pode ser. Mas as atrocidades processuais cometidas no curso do procedimento não se esgotaram. Vejam: Baixados os autos, em razão da Portaria 2CC nº 14/2008, a lide houvese por apreciada e julgada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Santa Maria/RS, que deu provimento à Manifestação de Inconformidade determinando a restituição do valor da retenção que exceder as contribuições devidas no regime de tributação em que se figurar a empresa no período. A decisão de 1ª Instância referida no parágrafo precedente, que no curso do presente processo já era irregular, em razão da ilegal e inconstitucional retroatividade da Lei Processual nova, somente poderia ser reformada pelo órgão competente de 2ª Instância, in casu, a 2ª Seção de Julgamento do CARF. Mas não foi isso que aconteceu. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13063.000862/200724 Resolução nº 2302000.213 S2C3T2 Fl. 203 13 Antes de os autos subirem para o órgão ad quem, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo/RS incluiu o contribuinte na agenda de planejamento fiscal, e com base em Termo de Constatação Fiscal, proferiu o Despacho Decisório DRF/SAO/SAORT n° 375/2012, indeferindo o Pedido de Restituição, que já havia sido deferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria/RS. Em outras palavras, o Despacho Decisório mencionado no parágrafo anterior, com uma só cajadada, matou uma variedade de coelhos. Sem possuir competência legal para tanto, cassou decisão de 1ª Instância proferida pela DRJ em Santa Maria/RS. Por outro lado, tendo a DRJ em Santa Maria/RS dado provimento ao pleito do contribuinte, e inexistindo Recurso de Ofício por parte da Fazenda, considerando que o Sistema Processual Brasileiro não admite a reformatio in pejus, o Contribuinte já possuía em seu patrimônio o direito à restituição do valor da retenção que viesse a exceder as contribuições devidas no regime de tributação em que se figurar a empresa no período em foco, direito este conferido pela DRJ. O Despacho Decisório DRF/SAO/SAORT n° 375/2012, subjugando a decisão da DRJ, aniquilou o Direito Adquirido do Contribuinte mencionado no parágrafo acima, intrometeuse no curso do processo como mais uma instância administrativa, cassando os efeitos da Decisão de 1ª Instância proferida pela DRJ e apreciando o pleito novamente, triturou o Devido Processo Legal, e não deu bola para a Coisa Julgada Administrativa (relativa, não absoluta), eis que o processo já se encontrava adornado com decisão definitiva na instância primeira, e negou vigência às leis processuais, dentre outras barbáries. Como dizia minha Avó, “loucura pouca é bobagem”. Na sequência, em face da decisão do Despacho Decisório suso mencionado, o Interessado apresentou manifestação de inconformidade, a qual não foi conhecida pela DRJ em Porto Alegre, em razão da existência de Decisão Definitiva em 1ª Instância. Por tal razão, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário e, assim, subiram os presentes Autos para apreciação e julgamento. Por todo o exposto, vislumbrase inaplicável, por ilegalidade, as providências administrativas assentadas na Portaria 2CC nº 14/2008 do 2º Conselho de Contribuintes, uma vez que suas determinações subverteram toda uma matriz principiológica constitucional e chocaramse frontalmente com o Devido Processo Legal, corrompendoo. Nesse panorama, mediante mera Portaria, viuse o Interessado alijado de seu direito de ter o Recurso por ele interposto em face da Decisão proferida pelo órgão de 1ª instância apreciado e julgado pelo Colegiado legalmente competente. O Processo Administrativo Fiscal é refratário ao proferimento de despachos e decisões por autoridade incompetente ou que comportem qualquer forma de preterição do direito de defesa, as quais já nascem marcadas sob o estigma da nulidade, a teor do inciso II, in fine, do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13063.000862/200724 Resolução nº 2302000.213 S2C3T2 Fl. 204 14 O Segundo Conselho de Contribuintes não possui competência para expedir norma de ordenação interna que resulte em modificação substancial do Devido Processo Legal, providência essa que demanda lei stricto sensu, de competência do Congresso Nacional, não se contentando o Ordenamento Jurídico com mera Portaria, como sucedâneo. Diante tal cenário, sendo nulas, por carência de fundamento jurídico, as determinações aviadas na citada Portaria 2CC nº 14/2008, assim como a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria/RS a fls. 134/136, pela falta de previsão legal no rito processual vigente e eficaz a data da prática do ato, nulos são todos os demais atos praticados no curso do vertente processo, que dela diretamente dependam ou sejam consequência, a teor do §1º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) Assim sendo, tendo a lei nova encontrado o presente processo no momento processual específico em que o recurso interposto pelo Interessado (fls. 117/122) em face da decisão 1ª Instância (fls. 113/115) jazia no aguardo da prática do ato processual de distribuição ao órgão ad quem para apreciação e julgamento, o Devido Processo Legal exige que a lei nova prossiga deste então, de maneira prospectiva, de forma que, na sequência do encadeamento, o próximo ato a ser praticado seja, exatamente, a distribuição para o órgão de 2ª Instância competente, segundo a lei nova, para a apreciação e julgamento da lide em relevo. Pelos motivos expendidos, voto por ANULAR todos os atos processuais realizados a contar da DECISÃO proferida a fl. 142, inclusive, que determinou o encaminhamento dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo, eis que fundamentada em Portaria flagrantemente ilegal e com preterição do direito de defesa, devendo o processo retornar seu curso sob a nova legislação, de maneira ex nunc, para que seja apreciado e julgado o recurso interposto pelo Interessado a fls. 117/122, em face da decisão 1ª Instância a fls. 113/115. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13063.000862/200724 Resolução nº 2302000.213 S2C3T2 Fl. 205 15 2.3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 2.3.1. DO JULGAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme salientado anteriormente, o vertente processo tem por objeto Requerimento de Restituição de Contribuições Retidas – RRCR, protocolizado em 20/08/2007, relativo ao período de 05/2007, 06/2007 e 07/2007, mediante o qual o Requerente informa ser optante pelo SIMPLES e não manter contabilidade regular. O pedido de restituição foi indeferido, nos termos assentados no Despacho Decisório DD ARF/SRA/RS, de 26/11/2007, a fls. 113/115, em razão de a DRF de Santo Ângelo haver considerado indevido o enquadramento da empresa no SIMPLES, pelo fato do interessado realizar cessão de mão de obra, forma de prestação de serviços vedada à opção pelo SIMPLES. Inconformado com a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Santo Ângelo/RS, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, a fls. 117/122, ao Segundo Conselho de Contribuintes, concentrando seu inconformismo em alegações centradas nos seguintes elementos: · Que o serviço de suporte e manutenção de equipamentos de informática é atividade permitida para fins de enquadramento no regime do simples (Lei 9.317/96), conforme faculta a o art. 4º, IV da lei n° 10.964/2004; · Que a atividade desenvolvida pela recorrente, não pode ser considerada locação de mãodeobra porque lhe faltam os elementos essenciais para a sua caracterização; O busílis da questão reside na validade ou não do enquadramento da empresa Recorrente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, disciplinado pela Lei nº 9.317/96 e, posteriormente, pela Lei Complementar nº 123/2006. No iter procedimental ordinário, não estando o Processo Administrativo Fiscal perfeitamente instruído de molde a sedimentar a convicção do Julgador, a lei processual autoriza que a Autoridade Julgadora determine as diligências que julgar necessárias visando à consolidação do seu convencimento. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13063.000862/200724 Resolução nº 2302000.213 S2C3T2 Fl. 206 16 Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. No caso presente, muito embora o vertente processo não esteja instruído de maneira adequada ao deslinde da controvérsia acerca da exclusão da Notificada do Simples Nacional, a deflagração de incidente processual visando à produção de tal prova não será necessária. Isso porque durante o curso tortuoso em que o vertente processo indevidamente seguiu, foi emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Santo Ângelo/RS, em 26 de outubro de 2011, o Ato Declaratório Executivo nº 053, a fl. 115, determinando a exclusão da empresa ARTE.COM EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ n° 05.293.995/000140, estabelecida na Av. Tucunduva, 277, Sala 01, no Município de Horizontina/RS, do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, instituído pela Lei n° 9.317/1996, face ao exercício de atividade de locação/cessão de mão de obra, a partir de maio de 2005, na forma do disposto nos termos do art. 9º, inciso XIIf, da referida lei, consoante informações contidas no processo administrativo n° 11070.721900/201148, com efeitos no período de 1º de janeiro de 2006 a 30 de junho de 2007. Na mesma data, foi publicado, igualmente, o Ato Declaratório Executivo nº 054, a fl. 144, determinando a exclusão da empresa referida no parágrafo anterior do SIMPLES NACIONAL, instituído pela Lei Complementar n° 123/2006, em razão de a empresa realizar atividade de cessão/locação de mão de obra, além da falta de comunicação de exclusão obrigatória na forma do disposto no art. 29, incisos I e V da Lei Complementar n° 123/2006, consoante informações contidas no processo administrativo n° 11070.721900/201148, com efeitos a contar de 1º de julho de 2007. É certo que, em resistência aos Atos Declaratórios Executivos acima referidos, o ora Recorrente ofereceu Impugnação Administrativa a fls. 129/146 dos autos do Processo Administrativo Fiscal n° 11070.721900/201148, a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, nos termos do Acórdão nº 1039.712 da 6ª Turma da DRJ/POA, a fl. 406/414 do PAF acima aludido, que ratificou a exclusão da empresa em relevo do Simples e do Simples Nacional, nos termos dos Atos Declaratórios Executivos nº 053 e 054, em virtude da prestação de serviços mediante cessão de mão de obra. Em face de Tal decisão administrativa, a Arte.Com Equipamentos de Informática Ltda interpôs Recurso Voluntário a fls. 424/436, ainda pendente de julgamento na 1ª SEJUL/CARF/MF/DF O desfecho definitivo na instância administrativa do Processo Administrativo Fiscal n° 11070.721900/201148 é de visceral significância para decisão a ser proferida nos vertentes autos, em virtude da flagrante relação de prejudicialidade entre ambos. De fato, a eventual improcedência do Recurso Voluntário interposto naquele processo, com a consequente manutenção dos Atos Declaratórios Executivos nº 053 e 054, irá implicar, em tese, a negativa de provimento ao pedido aviado no Requerimento de Restituição de Fl. 206DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13063.000862/200724 Resolução nº 2302000.213 S2C3T2 Fl. 207 17 Contribuições Retidas RRCR, de 11/06/2007, relativo ao período de 05/2007, 06/2007 e 07/2007. A contrário senso, o acolhimento da defesa ofertada no Recurso Voluntário acima citado, e a decorrente cassação dos mencionados atos declaratórios, poderá desaguar no acolhimento total ou parcial do pedido de restituição em foco. Dessarte, tudo depende do desenlace do litígio objeto do PAF n° 11070.721900/201148, uma vez que deste emergirá a decisão de mérito relativa aos Atos Declaratórios Executivos nº 053 e 054, e, daí, o atendimento ou não do pedido formulado no processo aqui em debate. Alea jacta est. Por tais razões, pugnamos pela conversão do presente julgamento em diligência, até a prolação, nos autos do PAF n° 11070.721900/201148, da decisão definitiva de mérito, na instância administrativa, relativa aos Atos Declaratórios Executivos nº 053 e 054 tantas vezes aludidos. Para que não restem dúvidas, a presente diligência deverá ser concluída com a juntada aos vertentes autos da decisão de mérito definitiva, na instância administrativa, a ser proferida nos autos do PAF n° 11070.721900/201148. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deverá ser intimado o Recorrente para que tome ciência do resultado e conteúdo da diligência ora em foco e, desejando, possa se manifestar nos autos do processo, no prazo normativo. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA, nos termos formulados nos parágrafos acima. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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