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Numero do processo: 10880.908964/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
Numero da decisão: 3201-004.639
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AGT ARMAZÉNS GERAIS E TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 89 64 /2 01 3- 16 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.908964/201316 Acórdão n.º 3201004.639 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte. O presente processo trata de Per/Dcomp transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de PIS/PASEP. A unidade de origem indeferiu o pleito do contribuinte sob o fundamento de que, "a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp". Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro no preenchimento da DCTF, já retificada, após a ciência do despacho. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade por intermédio do Acórdão 02056.790. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.908964/201316 Acórdão n.º 3201004.639 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.621, de 12/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.660628/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.621): (...) "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem; constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.908964/201316 Acórdão n.º 3201004.639 S3C2T1 Fl. 5 4 de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.908964/201316 Acórdão n.º 3201004.639 S3C2T1 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.908964/201316 Acórdão n.º 3201004.639 S3C2T1 Fl. 7 6 É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000679/2008-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS. GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO
Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pós graduação), podem ser considerados como curso de capacitação e qualificação profissional se enquadrando, portanto, na hipótese de não incidência prevista na alínea t, § 9º, artigo 28, da Lei 8.212/91, desde que não exista nenhum outro descumprimento legal imputado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 9202-007.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (relatora) e Pedro Paulo Pereira Barbosa, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.720090/2013-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS. GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pós graduação), podem ser considerados como curso de capacitação e qualificação profissional se enquadrando, portanto, na hipótese de não incidência prevista na alínea t, § 9º, artigo 28, da Lei 8.212/91, desde que não exista nenhum outro descumprimento legal imputado pela autoridade fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (relatora) e Pedro Paulo Pereira Barbosa, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.720090/2013-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS. GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pós graduação), podem ser considerados como curso de capacitação e qualificação profissional se enquadrando, portanto, na hipótese de não incidência prevista na alínea “t”, § 9º, artigo 28, da Lei 8.212/91, desde que não exista nenhum outro descumprimento legal imputado pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (relatora) e Pedro Paulo Pereira Barbosa, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10283.720090/201314, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 79 /2 00 8- 67 Fl. 472DF CARF MF Processo nº 19740.000679/200867 Acórdão n.º 9202007.095 CSRFT2 Fl. 473 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional, que visa rediscutir a incidência de contribuições previdenciárias sobre pagamentos feitos a título de auxílioeducação. Em despacho de admissibilidade o Presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao recurso. Em suas razões, a Fazenda Nacional alega, em síntese, que a melhor exegese é a abraçada pelo acórdão paradigma, segundo o qual, tratandose de isenção, devese acolher a interpretação mais restritiva, excluindose da isenção as bolsas de nível superior. Cientificada do Recurso Especial e do Despacho de Admissibilidade, a Contribuinte em suas contrarrazões pugna pela manutenção incólume do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202007.029, de 24/07/2018, proferido no julgamento do processo 10283.720090/201314, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos proferidos naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202007.029): Voto Vencido Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O Recurso foi interposto tempestivamente e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, conforme se extrai do relatório fiscal à efl. 1.461, o lançamento alcança “pagamentos não declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência – GFIP, aos segurados empregados, em reembolso de parte das Fl. 473DF CARF MF Processo nº 19740.000679/200867 Acórdão n.º 9202007.095 CSRFT2 Fl. 474 3 mensalidades de cursos de ensino superior, a título de auxílio educação.” A questão a ser decidida é se o reembolso pela empresa aos empregados, a título de auxílioeducação, de parte do valor das mensalidades de cursos de ensino superior frequentados por estes integram ou não o saláriodecontribuição. Registrese, de início, que, a teor do art. 28, da Lei n° 8.212/1991, integra o saláriodecontribuição do empregado e trabalhador avulso a totalidade das remunerações destinados a retribuir o trabalho, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Confirase: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sente. Embora esse conceito comporte exceções, é a própria Lei nº 8.212, de 1991, no mesmo art. 28, que define as parcelas passíveis de serem excluídas do conceito de saláriode contribuição. Sobre a matéria em discussão, o art. 28, § 9º, “t” da lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998, em vigor na data dos fatos, assim dispunha: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Como se vê, pela alínea ‘t’, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, não integram o saláriodecontribuição o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394/96, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em Fl. 474DF CARF MF Processo nº 19740.000679/200867 Acórdão n.º 9202007.095 CSRFT2 Fl. 475 4 substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. No caso presente, conforme consta do Relatório Fiscal, os valores informados a título de auxílioeducação correspondem a ressarcimentos de mensalidades de cursos de ensino superior. Portanto, de plano, não se enquadram na categoria de “planos educacionais que visem à educação básica”, assim definida pelo art. 21 da Lei nº 9.394, de 1996: Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Quanto a serem cursos de capacitação, a mesma Lei nº 9.394, de 1996, nos artigos 36A a 36D, com redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008, disciplina os ensino técnico de nível médio, e o art. 39, a educação profissional de nível superior. Confirase: Art. 36A. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo, o ensino médio, atendida a formação geral do educando, poderá preparálo para o exercício de profissões técnicas. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Parágrafo único. A preparação geral para o trabalho e, facultativamente, a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 36B. A educação profissional técnica de nível médio será desenvolvida nas seguintes formas: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I articulada com o ensino médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II subseqüente, em cursos destinados a quem já tenha concluído o ensino médio. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Parágrafo único. A educação profissional técnica de nível médio deverá observar: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II as normas complementares dos respectivos sistemas de ensino; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) III as exigências de cada instituição de ensino, nos termos de seu projeto pedagógico. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Fl. 475DF CARF MF Processo nº 19740.000679/200867 Acórdão n.º 9202007.095 CSRFT2 Fl. 476 5 Art. 36C. A educação profissional técnica de nível médio articulada, prevista no inciso I do caput do art. 36B desta Lei, será desenvolvida de forma: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I integrada, oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental, sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio, na mesma instituição de ensino, efetuandose matrícula única para cada aluno; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II concomitante, oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o esteja cursando, efetuandose matrículas distintas para cada curso, e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) a) na mesma instituição de ensino, aproveitandose as oportunidades educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) b) em instituições de ensino distintas, aproveitandose as oportunidades educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) c) em instituições de ensino distintas, mediante convênios de intercomplementaridade, visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 36D. Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de nível médio, quando registrados, terão validade nacional e habilitarão ao prosseguimento de estudos na educação superior.(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Parágrafo único. Os cursos de educação profissional técnica de nível médio, nas formas articulada concomitante e subseqüente, quando estruturados e organizados em etapas com terminalidade, possibilitarão a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão, com aproveitamento, de cada etapa que caracterize uma qualificação para o trabalho. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. (Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008) § 1º Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos, possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos, observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) § 2º A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Fl. 476DF CARF MF Processo nº 19740.000679/200867 Acórdão n.º 9202007.095 CSRFT2 Fl. 477 6 I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II – de educação profissional técnica de nível médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós graduação.(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) § 3º Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pósgraduação organizarseão, no que concerne a objetivos, características e duração, de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008). Esses cursos de educação profissional e técnico de graduação e pósgraduação, referidos no art. 39, § 2º, III, da Lei nº 9.394, de 1996, não se confundem com os cursos superiores em geral, que estão disciplinados nos artigos 43 a 57 da mesma lei. Integram uma categoria à parte, segundo a própria lei, que os define como cursos especiais com conteúdo prático e direcionados para o conhecimento técnico especializado. E como se não bastasse isso, a alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, alem de exigir que se trate de curso de capacitação profissional, exigem que estes “sejam vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa”, o que requer que os tais cursos sejam restritos a determinadas áreas, o que, em momento algum foi demonstrado. O acórdão recorrido, acolhendo alegação do Contribuinte, adotou como razão de decidir o fato de o art. nº 458, § 2º, II do DecretoLei nº 5.452, de 1.943 (CLT) excluir da definição de salários as utilidades concedidas pelo empregador relacionadas a educação. Eis o referido dispositivo: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) [...] § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, Fl. 477DF CARF MF Processo nº 19740.000679/200867 Acórdão n.º 9202007.095 CSRFT2 Fl. 478 7 mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) De fato, é inequívoco que o referido dispositivo exclui os gastos com empregados no custeio de educação do conceito de salário. Porém, não exclui, e nem poderia fazêlo, do conceito de salário decontribuição. O art. 28, da Lei nº 8.212, ao definir as verbas que integram o saláriodecontribuição não restringiu estas ao conceito de salário. Ademais, como vimos, cuidou de delimitar os gastos com educação passíveis de serem excluídos do salário decontribuição. Assim, não há nenhuma contradição entre o art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991 e o art. 458, § 2, II da CLT. Quanto às alegações do contribuinte de que a Constituição da República reconhece a educação como um direito de todos e dever do Estado, não vislumbro a relação entre este ponto e a matéria em discussão. Tratase aqui de definição das base de incidência das contribuições para o custeio da previdência social, também com status constitucional e definida em lei, que delimitou, de forma inequívoca, os gastos com educação dos empregados passíveis de serem excluídos do conceito de salário decontribuição. Nessas condições, os valores pagos aos empregados a título de ressarcimento de mensalidades de cursos superiores não preenchem os requisitos necessários para que sejam excluídos do conceito de saláriodecontribuição. Diante do exposto, CONHEÇO e DOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL interposto pela FAZENDA NACIONAL. (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosar Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora designada Peço licença ao ilustre conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosar para divergir do seu entendimento quanto a possibilidade de exclusão da tributação sobre Bolsas de estudo em nível superior, na forma como encontrase fundamentado no presente lançamento fiscal. Concessão de Bolsa de Estudo em Nível Superior aos Empregados Quanto a concessão de bolsa de estudos nível superior aos empregados, na forma como concedida e descrita no relatório fiscal da infração, fls. 120/128, constituírem, de forma objetiva, salário de contribuição, razão não confiro ao recorrente (PGFN). Fl. 478DF CARF MF Processo nº 19740.000679/200867 Acórdão n.º 9202007.095 CSRFT2 Fl. 479 8 Porém, antes mesmos de passar ao ponto que, no meu entender, ensejou a negativa de provimento ao recurso da Fazenda Nacional, passo a esclarecer como interpreto os dispositivos em relação ao fornecimento de educação aos empregados constituírem ou não salário de contribuição, bem como relacionar esse entendimento ao presente lançamento. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo ser possível a interpretação para que o benefício não constitua salário de contribuição. Conforme acima esclarecido, a legislação pertinente a contribuições previdenciárias possui legislação própria, tanto em relação a parte de custeio Lei 8212/91, como em relação a concessão de benefícios Lei 8213/91, ambas regulamentadas pelo Decreto 3048/99. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 19740.000679/200867 Acórdão n.º 9202007.095 CSRFT2 Fl. 480 9 Assim, primeiramente, ao contrário do trazido no acórdão recorrido, não encontra amparo a exclusão dos valores pagos à título de bolsas de estudos em legislação diversa, mais especificamente o art. 458, §2º da CLT, quando existem pontos específicos sobre o tema na legislação previdenciária que restringe a sua exclusão do conceito de salário de contribuição. O citado art. 458, §2º da Consolidação das Leis dos Trabalho CLT, realmente assim encontrase disposto: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. [...] § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] Ou seja, embora o conceito de salário de contribuição possua correlação com o conceito de remuneração do art. 458 da CLT, o legislador ordinário optou por atribuirlhes limites diversos de exclusão, destacando no art. 28, §9º da lei 8212/90, quais os limites para que a educação, seja na forma de bolsas ou auxílios, seja excluída do conceito de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários. Para os que defendem que o art. 458, §2º foi editado posteriormente à lei 8212/91, o que autorizaria sua aplicação para definição da exclusão das verbas ali elencadas do conceito de salário de contribuição, entendo que razão não lhes assiste, pelos argumentos abaixo expostos: 1º) o custeio previdenciário é regido por legislação própria, sendo que mesmo após a alteração do art. 458, §2º da CLT pela lei 12.761/2012, não houve revogação expressa do art. 28, §9º, 't" da lei 8212/ 91, nem mesmo qualquer alteração para convergência irrestrita dos conceitos de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários e remuneração para efeitos trabalhistas; 2º) por fim, o ponto que entendo mais forte para determinar que o legislador trata as questões de forma diversa, é a alteração do art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 pela Lei nº 12.513, de 2011. Fl. 480DF CARF MF Processo nº 19740.000679/200867 Acórdão n.º 9202007.095 CSRFT2 Fl. 481 10 Apenas nessa lei de 2011, o legislador optou por incluir os dependentes do segurado, mas ainda o fez de forma restrita para efeitos da exclusão do conceito de salário de contribuição, pois define claramente que não é qualquer bolsa para aos dependentes, ou mesmo aos próprios empregados que se encontram excluídos da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Esse fato corrobora o entendimento de que estamos diante de disciplinamentos distintos com regras específicas. Quisesse o legislador nesse momento que as bolsas de estudos de forma irrestrita estivessem excluídas do conceito, bastaria reproduzir o dispositivo da CLT. Porém, assim, não o fez. Apenas para esclarecer, colacionamos o referido dispositivo. Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do salário de contribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Vale destacar que não estamos falando de regra meramente interpretativa, ou mesmo legislação que deixou de considerar infração, determinada conduta, mas de alteração legislativa que excluiu da base de cálculo, ou mesmo do conceito de salário de contribuição determinado benefício. Dessa forma, sua aplicabilidade é restrita aos fatos geradores ocorridos após a sua publicação e dentro dos estritos limites da lei. Quanto a fundamentação de que não possuiria caráter remuneratório, transcrevendo inclusive julgados que indicariam seu caráter indenizatório, também não corroboro desse entendimento. Pelo contrário, o ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente quando a empresa concedeu as BOLSAS DE ESTUDOS. O campo de incidência é delimitado pelo conceito de salário de contribuição, que destaca o conceito de remuneração em sua acepção mais ampla. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado à qualquer título. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em Fl. 481DF CARF MF Processo nº 19740.000679/200867 Acórdão n.º 9202007.095 CSRFT2 Fl. 482 11 decorrência de um trabalho executado, de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de BOLSA DE ESTUDOS EM DESCONFORMIDADE COM A LEI 8212/91, representam alguma espécie de ganho. Na verdade, dito benefício, está inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não salariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado: "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparam se a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Dessa forma, entendo descabida a argumentação de que as BOLSAS sejam fornecidas "PARA" o trabalho, e como tal estariam excluídas do conceito de salário de contribuição. Na verdade, a acepção "para o trabalho" alcança utilidades que estejam relacionadas diretamente ao desempenho profissional, tais como equipamentos eletrônicos, uniformes, utilização de automóveis, telefones, moradia quando condição indispensável para o desempenho profissional, dentre outros. Fl. 482DF CARF MF Processo nº 19740.000679/200867 Acórdão n.º 9202007.095 CSRFT2 Fl. 483 12 Também não corroboro a argumentação de que não possua caráter remuneratório, pois não é considerada retribuição pelo trabalho prestado. Ora, não estamos falando de uma bolsa concedida a terceiros desvinculados de relação de trabalho com a empresa, mas de empregados, cuja concessão da bolsa, nada mais é do que um atrativo indireto de captura de profissionais, que muitas vezes não poderiam ter acesso com o simples salário pago pela instituição. Não discordo do aspecto louvável que se poderia extrair de tal ação, mas a legislação tributária não comporta interpretação extensiva face atitudes altruísticas, salvo nos casos expressamente determinados em lei, em obediência, no caso concreto, ao art. 111 do CTN c//c com o art. 28, I e §9º. 't" da lei 8212/91. Enfrentadas as questões pertinentes a qual legislação e, por conseguinte, exigências legais devem ser atendidas para que a bolsa de estudos esteja excluída do conceito de salário de contribuição, vale ressaltar que discordo do voto do relator, especificamente, sobre a possibilidade de considerar a concessão de bolsa de estudos de nível superior, ou mesmo em nível de pós graduação como excluídos na previsão legal esculpida no art. 28, §9º, "t". senão vejamos novamente o texto legal: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Ao meu entender, quando o legislador descreve: "e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo", acabou por abrir a possibilidade de se interpretar que, os curso de graduação e pós graduação, quando considerados como forma de capacitação profissional, ou seja, desde que vinculados as atividade da empresa, podem estar abrangidos na regra de exclusão prevista na lei. Notese que, embora a fiscalização tenha descrito em seu relatório fiscal as exigências legais, focou a atribuição de caráter salarial apenas no fato de interpretar que o legislador não abarcou cursos de nível superior dentro da exigência legal. Vejamos o trecho que traduz tal conclusão: Fl. 483DF CARF MF Processo nº 19740.000679/200867 Acórdão n.º 9202007.095 CSRFT2 Fl. 484 13 Pelo exposto, resta demonstrado que a educação superior de que trata o Capítulo IV, arts. 43 a 57 da Lei n° 9.394, de 1996, em vista da clara identificação dos diversos níveis e modalidades de educação, bem como as características estabelecidas nesta Lei, não é tida como curso de capacitação e qualificação profissional, entendimento reforçado pela nova redação da Lei n° 9.394/96, promovida pela Lei n° 11.741/08, que apontou o que constitui educação profissional de nível superior, no Capítulo III, deixando de fora os demais cursos superiores então tratados no Capítulo IV. Nestas condições os gastos relativos a educação superior (graduação e pósgraduação) de que trata o Capítulo IV, Lei n° 9.394/96, dispendidos pelo sujeito passivo, estão fora do alcance da isenção prevista na alínea "t", § 9o, art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991 e, portanto, integram o salário de contribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária, por se tratar de valor pago a "qualquer título", conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991. Ou seja, no entender do auditor, os cursos de nível superior não estão abrangidos na exclusão legal. Ressaltese que, não identifiquei no relatório fiscal, qualquer descumprimento em relação a não correlação dos cursos com a atividade exercida pelo empregado, nem tampouco que não era estendido a todos. Seguindo essa mesma linha, o acórdão recorrido descreveu que o requisito de "ser extensível a todos" não restou descumprido, senão vejamos: "Ademais, verificase nos autos que a empresa forneceu aos seus colaboradores, no exercício de 2009, sem distinção, o programa de assistência educacional, nos níveis de graduação, pós graduação e MBA, visando proporcionar condições para que os profissionais por ela contratados pudessem ampliar seus conhecimentos em sua área de atuação." Dessa forma, como a única imputação, por parte da autoridade fiscal, para não aplicação da exclusão prevista no art. 28, §9º, "t" à concessão de bolsas de nível superior no presente lançamento, foi tratarse de nível superior, não posso chancelar seu procedimento, já que não fez qualquer referência ao descumprimento da exigência "não extensível a totalidade de empregados", que no meu entender, encontravase perfeitamente vigente à época dos fatos geradores. Conclusão Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, quanto ao restabelecimento do lançamento em relação às BOLSAS de ESTUDO . É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 19740.000679/200867 Acórdão n.º 9202007.095 CSRFT2 Fl. 485 14 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, Anexo II do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 485DF CARF MF
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Numero do processo: 16366.000246/2010-52
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2006 a 30/06/2006
RECURSO NÃO APRESENTA NOVAS RAZÕES. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS.
O recorrente, afora os argumentos não suscitados na decisão recorrida, apresenta recurso que basicamente repete e reitera as razões da manifestação de inconformidade. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador da segunda instância, pelo Regimento Interno do CARF, da proposta de manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos.
Numero da decisão: 3001-000.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2006 a 30/06/2006 RECURSO NÃO APRESENTA NOVAS RAZÕES. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. O recorrente, afora os argumentos não suscitados na decisão recorrida, apresenta recurso que basicamente repete e reitera as razões da manifestação de inconformidade. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador da segunda instância, pelo Regimento Interno do CARF, da proposta de manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 02 46 /2 01 0- 52 Fl. 89DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Pedido de Compensação Tratase de pedido de compensação declarado nas PER/DCOMP de n. 38522.26795.140606.1.3.570777 e 02024.40168.140706.1.3.579205, retificada pela de n. 24262.80961.270706.1.7.579595, a primeira para créditos referentes a maio de 2006 de R$ 13.000,00 de PIS e de R$ 63.000,00 e 16.000,00 de COFINS, totalizando R$ 95.000,00, enquanto a segunda pretende compensar créditos de COFINS de junho de 2006 no valor de R$ 26.234,21, todos provenientes de decisão judicial transitada em julgado na ação n. 2001.70010073390, da 1ª Vara Federal de Londrina/PR, de modo que o montante somado das duas declarações perfaz R$ 121.234,21 (cento e vinte e um mil duzentos e trinta e quatro reais e vinte e um centavos). Despacho Decisório A autoridade fiscal concluiu por estar comprovado o direito creditório referente à PER/DCOMP n. 38522.26795.140606.1.3.570777 e parcialmente comprovado no tocante à PER/DCOMP n. 24262.80961.270706.1.7.579595, afirmando que os pagamentos realizados foram parcialmente utilizados para a quitação de débitos da contribuinte, portanto, deferiu parcialmente o pedido de compensação, restando um débito de COFINS de R$ 4.921,23. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega, em suma, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal quanto ao direito creditório de PIS e COFINS e à compensação pleiteada. Equívoco na conversão de valores – UFIR e Taxa SELIC Alega a manifestante que houve equívoco na conversão de valores, posto que o art. 53 da Instrução Normativa n. 600/05, vigente à época do pedido, previa que os créditos apurados até 1º de janeiro de 1996 e objeto de pedido ressarcimento e/ou de compensação quantificados em UFIR deveriam ser convertidos em reais com base no valor de R$ 0,8287. Por sua vez, o art. 52, §1º, inciso III, alínea “a” da mesma IN estabelecia que após a data paradigma, a atualização deveria ser acrescida de juros calculados pela Taxa SELIC. Por fim, esclarece que tais previsões normativas foram mantidas pela Instrução Normativa n. 900/08, em seus arts. 72 e 73. DRJ/CTA A manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0638.048 3ª Turma da DRJ/CTA Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16366.000246/201052 Acórdão n.º 3001000.682 S3C0T1 Fl. 90 3 Sessão de 19 de setembro de 2012 Processo 16366.000246/201052 Interessado UNIÃO ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIOS LTDA CNPJ/CPF 77.441.400/000167 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/06/2006, 27/07/2006 COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. VINCULAÇÃO. A compensação determinada em ação judicial com trânsito em julgado deve ser efetuada em conformidade com os estritos termos dessa decisão, sob pena de ofensa à coisa julgada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Inicialmente, cabe esclarecer que os presentes autos passaram pelo processo de digitalização e, em função disso, sofreram a renumeração de suas folhas; assim, as referências de folhas que são feitas neste julgamento (relatório e voto) dizem respeito a essa nova numeração (salvo quando mencionadas em transcrições). Trata o presente processo das Dcomp a seguir relacionadas, nas quais informouse um crédito derivado da ação judicial nº 2001.70.01.0073390, cujo processo de habilitação (nº 10930.000636/200616) informa que na referida ação judicial foi reconhecido o direito à restituição dos valores depositados judicialmente no processo judicial nº 92.20106272, e que haviam sido objeto de conversão em renda da União; o valor do referido crédito indicado pela contribuinte foi de R$ 354.482,48 – fl. 14: Dcomp nº Fls. dos autos 38522.26795.140606.1.3.570777 fls. 04/09 24262.80961.270706.1.7.579595 (retificadora da Dcomp nº 02021.10168.140706.1.3.57 9205) fls. 10/13 A Seção de Orientação e Análise da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina (Saort/DRF/LON), com base no Parecer Saort/DRF/LON nº 912/2010 de fls. 41/43, emitiu o despacho decisório de fl. 44, no qual homologou as compensações objeto da Dcomp nº 38522.26795.140606.13.570777, e homologou parcialmente a compensação objeto da Dcomp nº 24262.80961.270706.1.7.579595, da seguinte forma: data da transmissão Código tributo Período de apuração Vencimento Valor principal Informado Compensação Homologada Compensação Não homologada 27/07/2006 5856 06/2006 14/07/2006 26.364,21 21.442,98 4.921,23 Fl. 91DF CARF MF 4 Cientificada em 23/08/2010 (fl. 53), a interessada apresentou, em 15/09/2010, a manifestação de inconformidade de fls. 54/57, a seguir sintetizada. Alega que houve equívoco nos cálculos efetuados pela RFB, quando da conversão dos valores para fins de cálculo de seu direito creditório. Diz que o art. 53 da IN SRF nº 600/2005, vigente ao tempo da apresentação de seu pedido, determinava que a atualização dos créditos apurados anteriormente a 01/01/1996, como seria o caso em análise, deveria se dar com a aplicação da Ufir vigente em 01/01/1996 (R$ 0,8287); bem como, menciona que o art. 52, § 1º, III, “a” da referida IN dispõe que a partir de 01/01/1996, será aplicada a taxa selic em valores passíveis de restituição/compensação; acrescenta que tais disposições foram mantidas pela IN RFB nº 900/2008, em seus arts. 72 e 73. Argumenta que o cálculo apresentado pela DRF/Londrina considerou a Ufir de dezembro/1995 (R$ 0,7952), em vez de utilizar a Ufir de janeiro/1996, prevista nos precitados dispositivos legais. Apresenta demonstrativos (fl. 56) que explicitariam o equívoco alegado. Em face do exposto, requer a remessa dos autos à DRF de origem para reforma da decisão contestada; pede, ainda, pela posterior juntada de provas e demais documentos necessários à resolução da lide, e para que todas as intimações sejam remetidas para seu endereço, sob pena de nulidade. À fl. 62, despacho da Saort/DRF/Londrina atestando a tempestividade da manifestação de inconformidade. A DRJ considerou que a autoridade fiscal cumpriu a determinação da decisão judicial que embasou o pedido de compensação, aplicando a UFIR devida até dezembro de 1995 e a Taxa SELIC a partir de janeiro de 1996. Isso posto, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente repete os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, quais sejam: Equívoco na conversão de valores – UFIR e Taxa SELIC Aduz a recorrente que a DRJ manteve o erro da autoridade fiscal na conversão de valores, posto que o art. 53 da Instrução Normativa n. 600/05, vigente à época do pedido, previa que os créditos apurados até 1º de janeiro de 1996 e objeto de pedido ressarcimento e/ou de compensação quantificados em UFIR deveriam ser convertidos em reais com base no valor de R$ 0,8287. Por sua vez, o art. 52, §1º, inciso III, alínea “a” da mesma IN estabelecia que após a data paradigma, a atualização deveria ser acrescida de juros calculados pela Taxa SELIC. Por fim, esclarece que tais previsões normativas foram mantidas pela Instrução Normativa n. 1.300/2012. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16366.000246/201052 Acórdão n.º 3001000.682 S3C0T1 Fl. 91 5 Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou parcialmente procedente o pedido de compensação de créditos de PIS e COFINS. Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 07.05.2013, conforme Termo de Abertura de Documento de fl. 74, nos termos do inciso III, alínea “b” do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 29.05.2013, conforme comprova o Termo de Solicitação de Juntada à fl. 75, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS Trata o presente processo de compensação de créditos de PIS e COFINS do período de maio de 2006 e de COFINS de junho de 2006 no valor de R$ 121.234,21. O pedido está lastreado em decisão judicial transitada em julgado da 1ª Vara Federal de Londrina/PR, que determinou a compensação na via administrativa, a qual foi parcialmente deferida pela DRF de Londrina/PR, estando em discussão a forma de conversão de UFIR em reais para os créditos constituídos até 31 de dezembro de 1995, bem como a aplicação da Taxa SELIC a partir de 1º de janeiro de 1996. Fl. 93DF CARF MF 6 MÉRITO A recorrente, repete os argumentos trazidos na defesa de primeira instância, podendo resumirse que a DRJ manteve o erro da autoridade fiscal na conversão de valores,em contrarieda do posto no art. 53 da Instrução Normativa n. 600/05, vigente à época do pedido, previa que os créditos apurados até 1º de janeiro de 1996 e objeto de pedido ressarcimento e/ou de compensação quantificados em UFIR deveriam ser convertidos em reais com base no valor de R$ 0,8287. Da manutenção dos fundamentos da decisão recorrida A decisão de primeira instância administrativa deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos no que se refere a forma de correção dos valores ventilados neste PAF. Dispõe o artigo 57 do Anexo II do RICARF (Portaria MF 343 de 09.06.2015), in verbis: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Transcrevo, assim, o voto da decisão recorrida, uma vez que deverá ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Voto Tomase conhecimento da manifestação de inconformidade apresentada, posto que atende aos requisitos de admissibilidade previstos na legislação. A interessada reclama dos cálculos efetuados pela DRF/Londrina de atualização do direito creditório deferido por meio de ação judicial. Diz que na atualização do montante a ser utilizado nas compensações declaradas não foi empregada a Ufir correta, tal como previsto na IN SRF 600/2005, que diz ser aquela definida para 1º de janeiro de 1996 (R$ 0,8287); afirma que o fisco fez uso da Ufir vigente para dezembro/1995 (R$ 0,7952); reclama, também, da correção de seu indébito pela taxa Selic. Aqui cabe registrar que o cálculo do montante do indébito, antes da atualização feita para dezembro/1995, efetuada nas peças que informam o despacho decisório não foi objeto de contestação por parte da interessada. A solução do litígio exige a verificação da correção dos cálculos que deram base à decisão contestada. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 16366.000246/201052 Acórdão n.º 3001000.682 S3C0T1 Fl. 92 7 Assim, consta do Parecer Saort/DRF/LON nº 912/2010, à fl. 42, o seguinte: “3. A análise da ação judicial foi efetuada no processo de habilitação 10930.000636/200616 pela EQPAJEquipe de Ações Judiciais desta DRF/LON através do despacho cuja cópia consta às fls. 28. 4. Consta do processo de habilitação que a ação judicial (n° 2001.70.01.0073390) foi ajuizada perante a 1' Vara Federal de Londrina e que, de forma objetiva, na referida ação judicial foi reconhecido à contribuinte o direito à restituição dos valores depositados judicialmente no processo n°92.20106272 que haviam sido objeto de conversão em renda da União. 5. 0 valor de crédito indicado pela contribuinte no pedido de habilitação foi de R$ 354.482,48( fls. 13) 6. O valor de direito creditório apurado pela EQPAJ/SACAT/DRF/LON atualizado de acordo com a decisão judicial até 31/12/1995, foi de RS 37.955,69 que corrigidos até 04/2006, data do protocolo do pedido de habilitação correspondem a RS 120.329,55, valor este antes de efetuadas as compensações pretendidas pela contribuinte.”. (Grifouse) Já, no despacho EQPAJ de fl. 28 (renumerada para fl. 32), citado no trecho antes transcrito, consta o seguinte: “Atendendo solicitação da Saort para que esta Eqpaj efetuasse a análise da ação judicial em referência, bem como apurasse o valor do crédito correspondente, com vistas à execução das compensações declaradas em DCOMP's e, considerando que a ação judicial já havia sido objeto de análise quando do pedido de habilitação do crédito (fls. 92/94), informase objetivamente que, na ação judicial acima referida, transitada em julgado em 25/05/2005 (fl. 89 verso), foi reconhecido ao contribuinte o direito à restituição dos valores depositados judicialmente no processo n° 92.20106272 que haviam sido objeto de conversão em renda da União (fl. 66). A correção do crédito foi definida na sentença: "deverá ser corrigido desde as datas dos depósitos judiciais, de acordo com os indices da UFIR até dezembro de 1995, acrescido de juros à taxa Selic a partir de janeiro de 1996”. (Grifouse) Por sua vez, no despacho exarado no processo de habilitação de crédito, cópia às fls. 15/19, na parte em que houve a transcrição das peças judiciais, consta que ficou decidido o seguinte (grifaramse as partes que dizem respeito à correção/atualização do indébito da interessada): “ANALISE DA AÇÃO JUDICIAL A seguir, passase à sumária análise do objeto e situação da Ação Judicial informada pelo sujeito passivo no Quadro 2 do presente Pedido de Habilitação: Ação Ordinária N° 2001.70.01.0073390 OBJETO: ‘...antecipar os efeitos da tutela jurisdicional pretendida pela autora, suspendendose, assim, a exigibilidade do crédito tributário (imposto de renda sobre Fl. 95DF CARF MF 8 lucro liquido), ordenandose à União Federal que se abstenha de promover a conversão do depósito em renda, no caso a soma em dinheiro depositada na conta n. 26520, da agência da Caixa Econômica Federal, n. 1271 (PAB JUSTIÇA FEDERAL), devendo ser traslada cópia dessa decisão para os autos n. 92.201.06271. Requerse seja cientificado o Sr. Gerente da Caixa Econômica Federal n. 1271, PAB JUSTIÇA FEDERAL, para que se abstenha de praticar qualquer ato tendente à liberação ou transferência do dinheiro para a União Federal. Requerse seja julgado procedente o pedido, declarandose a inexistência de relação jurídica entre as partes quanto à obrigação de pagamento do imposto sobre o lucro líquido instituído pelo art. 35 da Lei 7.713/88. Em conseqüência, requerse seja autorizado o levantamento da soma em dinheiro depositada judicialmente na conta n. 26520, da agência da Caixa Econômica Federal, n. 1271 (PAB JUSTIÇA FEDERAL). Sucessivamente, requerse seja a União Federal condenada ao pagamento do valor depositado na referida conta, com a incidência de atualização monetária, juros da taxa Selic e juros de mora. 0 aproveitamento do indébito será de finido ao ensejo da liquidação de sentença, por meio de precatório ou compensação (arts. 66 da Lei 8.383/91 e 73 e 74 da Lei 9.430/96)’. Distribuição por dependência ao processo 1992.70.01.0106276 do dia 29.08.2001. LIMINAR/TUTELA ANTECIPADA: ‘...indefiro o pedido de antecipação da tutela’. Data publicação: 09/10/01. SENTENÇA: ‘julgo procedente o pedido para declarar a inexistência de relação jurídica entre as partes que obrigue a Autora ao recolhimento do imposto de renda sobre o lucro liquido de que trata o artigo 35 da Lei n° 7.713/88 no período controverso e, como conseqüência, condenar a União a restituirlhe o montante correspondente aos valores depositados judicialmente no mandado de segurança n° 92.201.06272, que tramitou perante esse Juízo (fls. 326/330). O crédito da Autora deverá ser corrigido desde as datas dos depósitos judiciais, de acordo com os índices da UFIR até dezembro de 1.995, acrescido de juros á taxa SELIC a partir de janeiro de 1,996, nos termos do artigo 39, 4°, da lei nº 9.250/95. Condeno a União na devolução das custas processuais adiantadas e ao pagamento de honorários advocatícios, que fixo em 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação, nos termos do artigo 20, § 3°, do Código de Processo Civil. Decorrido o prazo para recurso voluntário, encaminhemse os autos ao E. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 16366.000246/201052 Acórdão n.º 3001000.682 S3C0T1 Fl. 93 9 Tribunal Regional Federal da 4 a Região, para o reexame necessário’. Data da publicação/ciência: 27/03/2003. A União Federal apelou da decisão, tendo o TRF da 4a Região negado provimento conforme Acórdão abaixo transcrito. ACÓRDÃO: ‘EMENTA IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. SÓCIO COTISTA. LUCROS NÃO DIVIDIDOS AUTOMAT1CAMENTE. CONTRATO SOCIAL. COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. O termo ‘sóciocotista’, constante no art. 35 da Lei 7.713/88, foi reconhecido como constitucional pelo STF quando o contrato social encerra, por si só, a disponibilidade imediata, quer econômica, quer jurídica, do lucro liquido apurado. Caso o contrato determine que a distribuição dos lucros apurados ao final do anobase dependerá de decisão conjunta dos sócios, a disponibilidade não é automática, sendo inconstitucional a incidência do imposto de renda sobre o lucro liquido, devendo ser compensados/restituídos os valores indevidamente recolhidos. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4 a Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso de apelação e á remessa oficial, nos termos do relatório, voto e notas taquigréficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 04 de fevereiro de 2004. Desembargadora Federal Maria Lúcia Luz Leiria Relatora’. Data da publicação: 25/02/2004. Trânsito em Julgado: 31/03/2004.”. Assim, do que consta dos autos, verificase que a decisão judicial que transitou em julgado estabeleceu a forma em que deveria ser feita a correção do indébito da interessada, qual seja “O crédito da Autora deverá ser corrigido desde as datas dos depósitos judiciais, de acordo com os índices da UFIR até dezembro de 1.995, acrescido de juros à taxa SELIC a partir de janeiro de 1996, nos termos do artigo 39, 4°, da Lei nº 9.250/95.” Dessa forma, com base em tal pronunciamento judicial, os valores originalmente pagos foram corrigidos até 31/12/1995, conforme consta do “Demonstrativo de Saldos de Pagamentos” de fl. 30, cujo montante encontrado foi de R$ 37.955,69, o qual foi utilizado para as compensações, conforme explicitado no “Demonstrativo Analítico de Compensação” de fls. 36/37; notese, nesse demonstrativo, que o crédito da interessada, a partir de 01/01/1996, sofreu a incidência da Selic, ao contrário do que sugere a interessada em sua peça de defesa. Fl. 97DF CARF MF 10 Dessa forma, havendo respeito ao que ficou decidido no judiciário, a autoridade a quo nada mais fez do que obedecer ao comando judicial, não havendo, pois, equívoco em seu procedimento. Notese que é pacífico que a coisa julgada no âmbito do Poder Judiciário não pode ser alterada, a não ser por esse próprio Poder (mediante ação rescisória), sendo constitucional a jurisdição una, na qual são soberanas as decisões do Poder Judiciário. Então, a decisão judicial prolatada necessariamente tem que ser cumprida por ambas as partes envolvidas, em obediência aos termos dos artigos 468 e 472, do Código de Processo Civil, instituído pela Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, que assim dispôs: “art. 468 – A sentença que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas.” (...) “Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros.(...)” Portanto, uma vez que a decisão judicial faz lei entre as partes, não é permitido à autuada, ou ao próprio fisco, modificála, devendo ser aplicada nos exatos termos em que foi passada. A decisão judicial definitiva, proferida nos autos da ação citada nas Dcomp, reconhecendo a existência do indébito vindicado, indicou expressamente a forma em que o mesmo deveria ser corrigido/atualizado. Desta maneira, a análise de qualquer questionamento acerca de outra forma de proceder a essa correção/atualização para o caso concreto encontrase prejudicada, uma vez que a manifestação do Judiciário, expressa na precitada decisão judicial, transitada em julgado, possui efeito vinculante à administração pública. Submetida uma determinada questão ao Poder Judiciário, deve a autoridade administrativa acatar a decisão final proferida naquela esfera. De acordo com o princípio constitucional da unidade de jurisdição, que se encontra consagrado no art. 5.º, XXXV, da Constituição Federal de 1988, a decisão judicial sempre prevalece sobre a decisão administrativa. Desse modo, a ação judicial tratando de determinada matéria infirma a competência administrativa para decidir de modo diverso, afinal, se todas as questões podem ser levadas ao Poder Judiciário, a ele é conferida a capacidade de examinálas de forma definitiva e com o efeito de coisa julgada. Cabe a este órgão julgador, por conseguinte, obedecer o que restou decidido no âmbito do Poder Judiciário, posto que tal decisão é final e soberana Posto isso, VOTO pelo indeferimento da manifestação de inconformidade, e, portanto, pela manutenção da homologação parcial das declarações de compensação em litígio. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 16366.000246/201052 Acórdão n.º 3001000.682 S3C0T1 Fl. 94 11 Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660634/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
Numero da decisão: 3201-004.624
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AGT ARMAZÉNS GERAIS E TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 06 34 /2 01 2- 53 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.660634/201253 Acórdão n.º 3201004.624 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte. O presente processo trata de Per/Dcomp transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de PIS/PASEP. A unidade de origem indeferiu o pleito do contribuinte sob o fundamento de que, "a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp". Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro no preenchimento da DCTF, já retificada, após a ciência do despacho. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade por intermédio do Acórdão 02056.777. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.660634/201253 Acórdão n.º 3201004.624 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.621, de 12/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.660628/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.621): (...) "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem; constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.660634/201253 Acórdão n.º 3201004.624 S3C2T1 Fl. 5 4 de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.660634/201253 Acórdão n.º 3201004.624 S3C2T1 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.660634/201253 Acórdão n.º 3201004.624 S3C2T1 Fl. 7 6 É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.900936/2011-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2005
MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante.
Numero da decisão: 1003-000.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencida a conselheira Bárbara Santos Guedes.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2005 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante.
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Numero do processo: 10880.911563/2006-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/1999
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 30/11/1999
DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR.
Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
Numero da decisão: 1002-000.507
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/1999 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 30/11/1999 DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
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ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/11/1999 DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 15 63 /2 00 6- 14 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10880.911563/200614 Acórdão n.º 1002000.507 S1C0T2 Fl. 55 2 (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP (DRJ/SP1) mediante o Acórdão n.º 1626.462, de 25/08/2010 (efls. 40 e 41). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Tratase de Despacho Decisório, com ciência em 30/07/2008, que não reconheceu o direito creditório valor do crédito original na data da transmissão do PER/DCOMP de R$ 13.380,04 (valor original do crédito inicial de R$ 17.150,37) decorrente de pagamento indevido ou a maior no anocalendário de 1999 provocado integralmente pelo pagamento de estimativa de CSLL em 30/11/1999, pois o valor do DARF discriminado no PER/DCOMP (código de receita 2484) já havia sido integralmente utilizado e, portanto, não homologou a compensação com o débito de R$ 2.428,66 de CSLL do 3º trimestre de 2003 (código de receita 2372, atribuído a lucro presumido ou arbitrado), declarado no PER/DCOMP de n.° 29775.75660.271003.1.3.044301, transmitido em 27/10/2003 (fls. 1 a 10). A manifestação de inconformidade, protocolizada em 14/08/2008 (fl. 11), foi apresentada pelo sócioadministrador (fls. 11 e 26 a 32), acompanhada de elementos de fls. 12 a 25. Alega que o crédito originase de recolhimento da estimativa de R$ 17.150,37, que foi objeto de aproveitamento para compensação de dois outros débitos, restando saldo aproveitável de R$ 10.951,38 sem as respectivas correções monetárias de 1999 a 2003. Anexa cópias das PER/DCOMP. [...] Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10880.911563/200614 Acórdão n.º 1002000.507 S1C0T2 Fl. 56 3 A DRJ/SP1 negou provimento à manifestação de inconformidade, o que levou o contribuinte a interpor recurso voluntário em 07/10/2010 (efls. 44 e 45), no qual argumenta que: a) Não foi feita DCTF retificadora porque na própria DCTF original há a informação do PER/DCOMP relativo ao débito de interesse; b) Todos os elementos foram anexados, não fazendo falta a escrita contábil e fiscal. Ao final pede que seja reconhecida a inconsistência e improcedência da "ação Fiscal", e o cancelamento do débito. É preciso dizer que quando o recurso voluntário diz que "todos os elementos foram anexados" só pode estar se referindo às cópias das PER/DCOMPs, pois nada mais foi juntado por ele aos autos com caráter probatório. O pedido de improcedência da "ação fiscal" será interpretado como improcedência da decisão recorrida, já que não houve ação fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida, conforme constam do recurso voluntário. Mérito. Prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. A questão é exclusivamente de prova. Ou melhor, de falta de prova. A meu ver, a decisão de piso acertadamente não admitiu que a simples declaração (PER/DCOMP) — construção unilateral do contribuinte e sujeita a confirmação via material probatório — desacompanhada de elementos que amparassem as alegações de existência do crédito em favor do contribuinte fossem capazes de evidenciar a existência, liquidez e certeza do crédito pugnado. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10880.911563/200614 Acórdão n.º 1002000.507 S1C0T2 Fl. 57 4 Vejamse os argumentos trazidos no recurso voluntário, trechos transcritos a seguir: [...] Anexo segue copias das per/dcomp. Onde corrobora com o demonstrativo acima. Não há de que reclamar da falta da DCTF retificada. Pois na DCTF original foi confessado a divida e logo em seguida declarada na própria DCTF os dados da PER/DCOMP onde declarase que o crédito serviu para abater o débito aplicado conforme a Legislação da época. Não há do que reclamar da falta de escrituração contábil e fiscal, pois iodos os elementos foi anexado. [...] (sic). O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01/10/2002 a compensação passou a ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Os pedidos de compensação de que trata este processo encontramse em efls.7 a 11, 15 a 21, e, 21 a 26, e datam respectivamente de 27/10/03 e 30/07/03. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1. Não é verdade que as declarações fazem prova inequívoca do que quer que seja declarado. Sempre dependerão, se for necessário por exigência legal ou processual, dos documentos que dão suporte às informações ali registradas/declaradas. Ao contrário do que aponta o recorrente, no caso sob exame a escrita contábil e fiscal faz falta como item probatório, assim como outros itens em caráter supletivo ou acessório. Mesmo a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dos fatos nela registrados se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. O pedido de compensação pressupõe que o contribuinte disponha do material que faça prova de seu direito creditório. Não se trata de imposição acusatória do Fisco contra a qual o pleiteante à compensação possa se defender alegando ausência de provas, pois estas são de produção obrigatória dele, indispensáveis para a determinação da certeza e liquidez do crédito alegado. E o que se vê no presente processo é que tais provas não foram apresentadas, embora tenha tido o recorrente oportunidade para tal. Não foram juntadas às peças de defesa administrativa impetradas. Vale reiterar que cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações3. E vale registrar que dentre as alegações do recurso voluntário nem ao menos consta 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º e art. 9º, § 3.º, do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10880.911563/200614 Acórdão n.º 1002000.507 S1C0T2 Fl. 58 5 que houve retificação da DCTF na qual o débito foi flagrado já correspondendo ao crédito que o recorrente pretende que seja reconhecido como dissociado de qualquer utilização prévia, conforme o teor do Despacho Decisório de efl. 2. Dada a força de confissão de dívida contida na DCTF original, não havendo DCTF retificadora que altere características ligadas aos débitos, isso por si só já reafirma que o crédito pleiteado fora utilizado. Somase a esse contexto o fato de que não foi acostado aos autos nenhum elemento de prova que possa afastar essa conclusão. A informação na PER/DCOMP relativa ao débito não tem dentre suas finalidades a de substituir a DCTF retificadora ou os elementos de prova necessários para subsidiar o convencimento acerca da liquidez e certeza do crédito pretendido pelo recorrente. Por tudo analisado, voto por pelo não provimento do recurso voluntário, posicionandome pela manutenção integral da decisão da DRJ/SP1. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes. 3 Fundamentação legal: § 1.º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.725917/2012-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
O § 10 do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos utilizados nos produtos ali referidos; no caso, os produtos produzidos com o insumo adquirido são produtos de origem animal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-006.198
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. O § 10 do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos utilizados nos produtos ali referidos; no caso, os produtos produzidos com o insumo adquirido são produtos de origem animal. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 59 17 /2 01 2- 05 Fl. 674DF CARF MF Processo nº 18186.725917/201205 Acórdão n.º 3302006.198 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de deferimento parcial do ressarcimento relativo a crédito presumido PIS/Cofins da agroindústria, considerando que a aquisição de bovinos vivos, classificada no inciso III do § 3º do art. 8º da Lei 10.925/2004, fazia jus ao crédito presumido à alíquota de 35% e não de 60%. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, argumentando ser cabível o cálculo por meio da alíquota de 60%, tendo em vista tratarse de frigorífico, cujo produto final comercializado é de origem animal, conforme Solução de Consulta da 8ª Região Fiscal. Segundo o então Manifestante, a segregação do direito ao crédito presumido não podia se dar de acordo com o insumo por afrontar o comando do art. 8º da Lei 10.925/2004, pois se a lei desejasse fixar a alíquota de acordo com os insumos, teria citado a classificação correspondente, em particular, a de animais vivos. Cumpre destacar que a empresa obteve, em embargos de declaração, provimento no sentido de se aplicar a taxa Selic sobre os créditos passíveis de ressarcimento a partir do 1º dia subsequente ao término do prazo de 360 dias da formulação do pedido. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 10056.805, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que, no regime não cumulativo da contribuição (PIS/Cofins), a natureza do bem produzido pela empresa agroindustrial devia ser considerada na aferição do seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, sendo o cálculo do crédito efetuado a partir da alíquota correspondente ao insumo adquirido. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 18186.725917/201205 Acórdão n.º 3302006.198 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.191, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 18186.725910/201285, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.191): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Nos termos do despacho decisório (fls. 129138), a fiscalização alega que a alíquota a ser aplicada sobre os insumos comprados para a agroindústria, prevista pela Lei nº 10.925, de 2004 é de 35%, a saber: "18. O contribuinte tem por objeto social a “exploração de frigorífico abate de bovinos e preparação de carnes, desossa e subprodutos”. Enquanto tal, enquadrase no art. 5º, I, “a”, c/c art. 6º, I, da IN SRF nº 660, de 2006, no que concerne à produção de carnes frescas, refrigeradas ou congeladas, classificadas no capítulo 2 da NCM, próprias e destinadas à alimentação humana ou animal. Portanto, faz jus ao crédito presumido de que trata esse dispositivo quando adquirir bovinos vivos, destinados ao abate e à preparação (“fabricação”) de carnes classificadas no capítulo 2 da NCM, para alimentação humana ou animal: i) de pessoas físicas residentes no Brasil; e, ii) de pessoas jurídicas, domiciliadas no Brasil, com a suspensão das contribuições, nos termos do art. 2º da mesma instrução normativa (art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004). 19. Esclareçase que os bovinos vivos são classificados no capítulo 1 da NCM, mais precisamente na posição 01.02. Sendo assim, o crédito presumido, no caso, deve ser calculado com base no inciso III do parágrafo 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, na forma estabelecida no art. 8º, caput e § 1º, inciso II, da IN SRF nº 660, de 2006, equivalente ao percentual de 35% das alíquotas do PIS/PASEP (35% X 1,65% = 0,5775%) e COFINS (35% X 7,6% = 2,66%). 20. Notese que a suspensão das contribuições, nos termos dos arts. 2º e 3º da IN SRF nº 660, de 2006, aplicase, no caso em questão, unicamente às aquisições feitas de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária ou que seja cooperativa de produção agropecuária, entendendose por atividade agropecuária a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, e por cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. Por sua vez, a Recorrente argumenta que o percentual para os créditos presumidos seria de 60%, para os produtos por ela adquiridos, nos termos da Lei nº 10.925/04. Requer, ainda, seja aplicado o artigo 106, do CTN, Fl. 676DF CARF MF Processo nº 18186.725917/201205 Acórdão n.º 3302006.198 S3C3T2 Fl. 5 4 considerando a alteração promovida pela Lei nº 12.865/2013, que acrescentou o §10º ao artigo 8º, da Lei nº 10.935/2004. Pois bem. Dispõe o artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004, com as alterações promovidas pela Lei nº 12.865/2013: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 677DF CARF MF Processo nº 18186.725917/201205 Acórdão n.º 3302006.198 S3C3T2 Fl. 6 5 III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) IV 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, perante o Poder Executivo na forma do art. 9oA; (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) V 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada perante o Poder Executivo na forma do art. 9oA. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5o Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 6o (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 7o (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 8o (Vide Medida Provisória nº 552, de 2011) (Vide Decreto Legislativo nº 247, de 2012) § 9o (Vide Medida Provisória nº 556, de 2011) (Produção de efeito) Sem eficácia § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) Nos termos do inciso I, do § 3º, do artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004, verificase que a alíquota de 60% está prevista para a aquisição de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4 (cap. 2 Carnes e miudezas, comestíveis; cap. 3 Peixes e crustáceos; cap. 4 Leite e laticínios) e 16 (Preparações de carne, de peixes), e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, que são as aves vivas e os suínos adquiridos pelo contribuinte previstos nos capítulos 2, 4 e 16. Já o § 10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos utilizados nos produtos ali referidos, ou seja, os insumos adquiridos pela Recorrente devem ser considerados à alíquota de 60%. No presente caso, as aquisições realizadas têmse insumos de origem animal, carnes de bois abatidos, que são utilizados para a fabricação de mercadorias de origem animal (carne) e bovinos vivos, destinados ao abate e à preparação (fabricação) de carnes para alimentação humana ou animal, Fl. 678DF CARF MF Processo nº 18186.725917/201205 Acórdão n.º 3302006.198 S3C3T2 Fl. 7 6 devem ser considerado insumo utilizado no produto e, por consequência ser aplicado à alíquota de 60%. Ademais, razão assiste à Recorrente quanto a aplicação do artigo 106, do CTN. Isto porque, conforme preceitua o §10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, "para efeito de interpretação", logo, se trata de uma lei interpretativa, ela deve retroagir. Nesse sentido: Ementa(s) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. TRANSPORTE DE MATÉRIAPRIMA E O UTILIZADO NO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). O frete contratado e suportado pela Recorrente para o transporte de matéria prima e o utilizado no sistema de parceria (integração) não é passível de crédito do PIS/COFINS não cumulativo. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. O montante do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, da alíquota de 60% ou a 35%, em função da natureza do ‘produto’ a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo nele aplicado, nos termos da interpretação trazida pelo artigo 8°, §10 da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n° 12.865/2013. Aplicase retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do art. 106, I do CTN, a norma legal expressamente interpretativa. (Acórdão 3301004277) *** CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. (Acórdão 3402004.904) Em resumo, deve incidir a alíquota de 60% para os produtos adquiridos pela Recorrente. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas ao crédito presumido da Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos ao crédito presumido da Contribuição para o PIS. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 18186.725917/201205 Acórdão n.º 3302006.198 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para fazer incidir a alíquota de 60% no cálculo do crédito presumido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 680DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.917081/2013-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.592
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1591; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.917081/201305 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.592 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente ODEBRECHT AMBIENTAL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA. Trata o presente processo de DCOMP lastreada em crédito oriundo de recolhimento indevido da Cofins, segundo informações do contribuinte. Através de despacho decisório emitido pela DERAT/São Paulo a compensação resultou não homologada. Fundamentou a unidade de origem que, apesar de o DARF discriminado no PER/DCOMP ter sido localizado, fora integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 17 08 1/ 20 13 -0 5 Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10880.917081/201305 Resolução nº 3201001.592 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificada do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o indeferimento do crédito baseouse em mero equívoco no preenchimento da DCTF apresentada pela manifestante. Tal equívoco consistiria em ter declarado, em DCTF (original), valor da contribuição maior que o devido, do que resultou o recolhimento indevido. Informou que no DACON retificador consta o débito da contribuição igual a zero, ou seja, não que não havia valor da contribuição a ser recolhido no período em tela, e que apresentou a DCTF retificadora respectiva, para corrigir o equívoco, após a ciência do despacho decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: (...) COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DE PROVA. CRÉDITO ALEGADO SEM LIQUIDEZ E CERTEZA. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Inexistindo certeza e liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação. DACON. RETIFICAÇÂO.PROVA. A retificação da Dacon, por si só, não demonstra a improcedência do despacho decisório, devendo ser acompanhada da comprovação do erro em que se funde. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário que visa a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Repisa o que suscitou em manifestação de inconformidade: que o pagamento indevido da Contribuição decorreu de erro material no preenchimento do Dacon, conquanto retificado antes da prolação do despacho decisório, entretanto, com a correspondente retificação da DCTF efetuada somente após a ciência do indeferimento do pleito. No Recurso Voluntário alega apresentar a demonstração detalhada do erro cometido e aduz a certeza do direito. Junta no recurso cópias de: extratos de Dacon e DCTF originais e retificadores, DARF, folhas do Razão e Memória de Cálculo da contribuição. Roga pela realização de diligência para a apuração da higidez do crédito que é decorrente de erro no preenchimento de Dacon e DCTF. É o relatório. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10880.917081/201305 Resolução nº 3201001.592 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.587, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10880.917075/201340, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.587): (...) "Inferese do despacho decisório que a não homologação da compensação pleiteada decorreu da ausência de crédito para a quitação de débito vincendo/vencido no momento do encontro de contas o crédito decorrente de pagamento indevido em confronto com o débito confessado em DCTF. Consta no corpo do despacho decisório que o pagamento referente ao DARF indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. A decisão considerou a DCTF originalmente transmitida e não a sua retificadora, transmitida somente após a ciência no despacho decisório. Contudo, conforme aduz a contribuinte o pagamento indevido é decorrente de apuração incorreta informada em seu Dacon, quanto ao valor devido da Contribuição para PIS/Cofins. A retificação foi realizada e por conseguinte transmitiu o pedido de restituição cumulado com compensação. Ocorre que os valor do débito da Contribuição informado em Dacon não corresponde àquele lançado em DCTF (original, não retificada) e não prevalece sobre este (na DCTF) pois a Declaração1 tem efeito jurídico de confissão de dívida e o Demonstrativo2 apenas de informação. Assim, o encontro de contas (crédito x débitos), no que concerne ao pretenso crédito, foi realizado com base em valores divergentes de débitos de PIS/Cofins consignados no Dacon (retificador) e a DCTF (original). A decisão recorrida denegou o pedido sob o fundamento de que a DCTF não fora retificada a contribuinte não carreou aos autos provas do pagamento indevido. 1 IN SRF nº 14/2000 Art. 1º. O art. 1º, da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União 2 Solução de Consulta Interna nº 48 DIPJ e DACON. NATUREZA JURÍDICA. A Dipj e o Dacon tem caráter informativo. Estes documentos não estão enumerados como típicos de confissão de dívida, para efeito de inscrição do saldo a pagar em Dívida Ativa, pelos art. 1° da IN SRF n° 77, de 1998 e § 4°, art, 1°, da IN RFB n° 767, de 2007, nem por outro ato normativo. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10880.917081/201305 Resolução nº 3201001.592 S3C2T1 Fl. 5 4 A recorrente alega, ainda em manifestação de inconformidade, que o pagamento indevido de PIS/Cofins decorreu de erro material no preenchimento do Dacon, conquanto retificado antes da prolação do despacho decisório, contudo, com a correspondente retificação da DCTF somente após a ciência do indeferimento do pleito. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à exigibilidade de retificação da DCTF para comprovação do direito creditório antes da prolação do despacho decisório, nas situações em o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que haja na instauração do contencioso (manifestação de inconformidade) elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tomase como premissa que a singela retificação de DCTF, isoladamente considerada, não ampara o direito à restituição de indébito, e de outra banda, também não pode, por si só, ser obstáculo à sua devolução. In casu, há indício de provas nos argumentos da recorrente e maior probabilidade de sua veracidade exsurge no recurso voluntário e os documentos anexos. Na defesa, a interessada apresenta suas "notas explicativas" para demonstrar que o Dacon original foi preenchido com erro no tocante a apuração do PIS a pagar. O ponto que importa à solução da lide é que, retificado ou não, o valor do saldo credor disponível era suficiente para liquidar o débito e ainda manter saldo credor para o período de apuração seguinte. O quadro demonstrativo de apuração de PIS extraídos das informações do Dacon confirmam o provável erro de apuração da Contribuição devida: Constatase que o saldo credor disponível (item 4) ainda no Dacon original era suficiente para liquidar o débito de PIS (item 3) e restar saldo remanescente. Nada obstante, a contribuinte consignou em sua DCTF original o valor apurado tendoo recolhido por intermédio de DARF. Entendo que de fato é plausível o cometimento de erro material na apuração do PIS pois evidenciouse, com os valores informados pela recorrente, a existência de saldo credor no período suficiente para liquidar o débito apurado. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10880.917081/201305 Resolução nº 3201001.592 S3C2T1 Fl. 6 5 A constatação de erro de fato na apuração de tributos que se transfere para a DCTF implica reconhecer o lapso e reapurar o efetivo valor devido. Mas não se pode tomar por verdadeiro o valor do crédito informado no Dacon retificado, pois há de ser confirmado pela Fiscalização quanto à composição tanto do saldo credor (item 4) como o Pis devido (item 3), por meio do confronto das informações e os documentos da contribuinte. Assim, para se fazer prevalecer o princípio da verdade material, proponho a conversão do julgamento em diligência e o retorno dos autos à Unidade de Origem para a análise do crédito pleiteado e manifestação do Fisco, quanto ao erro de preenchimento do Dacon e DCTF em face dos elementos do recurso voluntário e outras provas que o Fisco entender pertinentes e cabíveis. Do resultado da diligência, dêse ciência à contribuinte, com cópias dos elementos coligidos aos autos, concedendolhe o prazo, improrrogável, de 30 (trinta) dias para manifestação, se assim desejar. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento do julgamento." Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou documentos fiscais e memórias de cálculo que embasam a alegação do equívoco que alega ter cometido. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado converteu o julgamento em diligência, com retorno dos autos à Unidade de Origem, para análise do crédito pleiteado e manifestação do Fisco quanto ao erro de preenchimento do Dacon e DCTF, em face dos elementos do recurso voluntário e outras provas que o Fisco entender pertinentes e cabíveis. Do resultado da diligência, dêse ciência à contribuinte, com cópias dos elementos coligidos aos autos, concedendolhe o prazo, improrrogável, de 30 (trinta) dias para manifestação, se assim desejar. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 373DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003037/2006-96
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL. VENDA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DO ATIVO PERMANENTE. GANHO DE CAPITAL.
Configura omissão de receita o ganho de capital auferido na operação de venda de participações societárias permanentes, cuja alienação deixou de ser registrada nas escritas contábil e fiscal.
O contrato de compra e venda se considera firmado tão logo as partes consintam quanto ao objeto e ao preço. Assim, a existência de contrato assinado pelas partes convencionando a compra e venda de participação societária de maneira incondicional, irrevogável e irretratável, é suficiente para provar a ocorrência da operação e dar ensejo aos respectivos efeitos tributários.
Numero da decisão: 9101-004.016
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
1.0 = *:*
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL. VENDA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DO ATIVO PERMANENTE. GANHO DE CAPITAL. Configura omissão de receita o ganho de capital auferido na operação de venda de participações societárias permanentes, cuja alienação deixou de ser registrada nas escritas contábil e fiscal. O contrato de compra e venda se considera firmado tão logo as partes consintam quanto ao objeto e ao preço. Assim, a existência de contrato assinado pelas partes convencionando a compra e venda de participação societária de maneira incondicional, irrevogável e irretratável, é suficiente para provar a ocorrência da operação e dar ensejo aos respectivos efeitos tributários.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1521; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.101 1 1.100 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10855.003037/200696 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101004.016 – 1ª Turma Sessão de 13 de fevereiro de 2019 Matéria OMISSÃO DE RECEITA. GANHO DE CAPITAL Recorrente N. A. PARTICIPACOES E EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS DE ITU LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL. VENDA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DO ATIVO PERMANENTE. GANHO DE CAPITAL. Configura omissão de receita o ganho de capital auferido na operação de venda de participações societárias permanentes, cuja alienação deixou de ser registrada nas escritas contábil e fiscal. O contrato de compra e venda se considera firmado tão logo as partes consintam quanto ao objeto e ao preço. Assim, a existência de contrato assinado pelas partes convencionando a compra e venda de participação societária de maneira incondicional, irrevogável e irretratável, é suficiente para provar a ocorrência da operação e dar ensejo aos respectivos efeitos tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 30 37 /2 00 6- 96 Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.102 2 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela contribuinte em 15 de junho de 2015 (fl. 1.0301.070) em face do acórdão 180200.505, de 5 de julho de 2010 (fl. 905917), proferido pela 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, o qual deu provimento parcial ao recurso voluntário apenas para reduzir a multa de ofício de 150% para 75%, e recebeu as seguintes ementa e decisão: Acórdão recorrido: 180200.505, de 5 de julho de 2010 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL. VENDA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DO ATIVO PERMANENTE. GANHO DE CAPITAL. RECONHECIMENTO DA INFRAÇÃO IMPUTADA. Configura omissão de receita o ganho de capital auferido na operação de venda de participações societárias permanentes, cuja alienação deixou de ser registrada na escrita contábil e fiscal. Além disso, o recolhimento dos tributos sobre o ganho de capital, ainda que em parte, no curso da lide administrativa, implica reconhecimento da infração imputada. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. DOLO ESPECÍFICO. NÃO COMPROVADO. Não caracterizado o dolo de fraude ou sonegação fiscal, impõese a redução da multa de 150% para 75%. JUROS SELIC. CABÍVEL. MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custodia SELIC para títulos federais (Súmula n° 4 do CARF). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento principal, por sua intima relação de causa e efeito. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.103 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, deram provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de 150% para 75%, nos termos do voto do Relator. Contra este acórdão a Fazenda opôs embargos de declaração que foram rejeitados (acórdão 1802000.801, de 22 de fevereiro de 2011). Também a contribuinte opôs embargos de declaração, tendo estes sido acolhidos, em parte, sem efeitos infringentes, nos termos do acórdão 1802002.277, de 26 de agosto de 2014, proferido pela 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, para correção do erro de informação constante do acórdão embargado atinente a dividendos do ano calendário 2007: de “não teve recebimento de dividendos” para “teve recebimento de dividendos”. Em seu recurso especial, a Recorrente alega divergência em relação aos seguintes precedentes Acórdão paradigma: 1201000.962, de 12/02/2014 (processo 10855.003035/200605) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2004 GANHO DE CAPITAL. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. CANCELAMENTO. Quando o conjunto probatório demonstra que a venda de ações não foi realizada e, portanto, não houve ganho de capital, o auto de infração deve ser cancelado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso. Acórdão paradigma: 2802001.977, de 18/02/2014 (processo 10855.003001/200611) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE COTAS E DE AÇÕES NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA. Cancelase o lançamento referente a Ganho de Capital quando o conjunto de evidências dos autos demonstra que a operação não se deu no ano e nos valores que constaram no lançamento. Recurso provido. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do(a) redator(a) designado(a). Vencido o(s) Conselheiro(s) Jaci de Assis Junior (relator) e Dayse Fernandes Leite. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.104 4 Em síntese, a divergência apontada reside em que, enquanto os acórdãos apontados como paradigmas reputaram insuficiente, para a caracterização do ganho de capital, a existência de um contrato celebrado entre as partes, sem distrato e sem alteração contratual (fls. 1.040 e segs), o acórdão recorrido considerou que a existência do instrumento contratual, sem distrato e sem alteração contratual, é apta a demonstrar a operação de venda de participações societárias permanentes, cuja alienação deixou de ser registrada na escrita contábil e fiscal. Contexto fático dos autos Trata o presente processo de auto de infração cientificado ao contribuinte em novembro de 2006 consubstanciando a exigência de IRPJ e CSLL (fl. 143), acrescidos de multa qualificada de 150% e juros de mora, perfazendo o crédito tributário de R$ 634.030,70 (fl. 13). A acusação é de omissão de receita não operacional (ganho de capital) oriunda de alienação de participação societária à empresa Jadangil Participações e Representações Ltda., em 26 de novembro de 2004, pelo valor de R$700.000,00, conforme instrumento particular de fls. 4953. Conforme Termo de Constatação (fls. 132135), a contribuinte não teria registrado em sua contabilidade o recebimento dos R$ 700.000,00 em 2004, nem informado em sua declaração de imposto de renda o ganho de capital decorrente da venda, no valor de R$ 683.421,58, correspondente à diferença entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil de R$16.578,42, conforme documento de fl. 78. Nas peças de impugnação e recurso voluntário o contribuinte alegou que a transação foi desfeita no mês seguinte, portanto anterior ao término de formação do fato gerador, já que este é complexivo, razão pela qual não haveria consequências tributárias mesmo que tivesse havido o pagamento em moeda corrente, o que não aconteceu. Como prova de que o negócio foi desfeito a contribuinte argumentou que as partes envolvidas continuaram com os seus patrimônios inalterados e que continuou se comportando como acionista mesmo após 2004, tendo inclusive recebido dividendos (fl. 288). Alegou, subsidiariamente, que a negociação de ações e quotas de capital social envolve sua própria atividade social e, por isso, não há que se falar em ganho de capital, estando o lançamento incorreto. Por sua vez, o acórdão recorrido reporta que, na sustentação oral da sessão de julgamento de 05 de julho de 2010 a Contribuinte defendeu a tese ou argumento do “Contrato de Gaveta”, qual seja, que o negócio jurídico ficou por certo tempo em stand by, tendo sido registrado na escrituração contábil e fiscal apenas em 2007, de modo que o fato gerador do IRPJ e da CSLL teria ocorrido apenas em 2007 e não em 26 de novembro de 2004. Estas afirmações foram baseadas em documentos juntados aos presentes autos em maio de 2007 (fls. 928950), em especial trechos de diligência constante dos autos do processo administrativo n° 10855.003040/200618, cujo sujeito passivo é a empresa Jadangil Participações e Representações Ltda, autuada justamente pelo fato de não ter registrado na escrituração contábil e fiscal a operação de aquisição das participações societárias em questão. A fl. 950 consta documento reportando que a ora Recorrente recebeu dividendos da Schincariol Participações e Representações S.A. no anocalendário de 2007, não tendo recebido em 2004 a 2006. Consta também que apurou ganho de capital no 4o trimestre de 2007 e pagou IRPJ e CSLL respectivos em janeiro de 2018, sem dizer o valor. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.105 5 O despacho de admissibilidade de recurso especial de fls. 1.0771.088 admitiu o recurso. A Procuradoria apresentou contrarrazões (fls. 1.0901.098) em que alega, preliminarmente, a "diversidade dos contextos fáticos e do conjunto probatório exposto e analisado nas decisões selecionadas pelo recorrente como paradigmas e no acórdão recorrido", sem apontar as razões para tanto. No mérito, sustenta: (i) quanto à alegação de que não houve o fato gerador porque a transação foi desfeita no mês seguinte, observa que esta não restou provada, já que não foi apresentado qualquer distrato. Aduz, também, que o contrato, quando então firmado, correspondeu a ato jurídico perfeito, de modo que para efeitos fiscais é irrelevante que o negócio tenha sido posteriormente desfeito. Por fim, observa que a alegação de que não houve o pagamento em moeda corrente não condiz com o que foi pactuado no contrato, no qual consta que os vendedores receberam no ato, em moeda corrente, a integralidade do preço ajustado, bem como que a alegação de que o pagamento se deu por meio de nota promissória a título pro soluto, mesmo tivesse sido comprovada pela recorrente, não alteraria a tributação levada a efeito no auto de infração, já que os títulos de crédito pro soluto são dados com efeito de pagamento, como se dinheiro fossem, operando a novação do negócio que lhes deu origem. (ii) quanto à base de cálculo, defende que está correto o procedimento fiscal ao considerar como receitas não operacionais (ganho de capital) aquelas resultantes das alienações das participações societárias em tela, por se tratar de alienação de direito patrimonial, classificável no conceito de ativo permanente, não sendo aplicáveis, no caso, os coeficientes de presunção do lucro presumido. É o relatório. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Admissibilidade recursal O recurso especial do contribuinte é tempestivo e atendeu aos requisitos de admissibilidade, não tendo havido suficiente questionamento pela parte recorrida no tocante à admissibilidade do recurso, motivo pelo qual concordo e adoto as razões do i. Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF para conhecimento do Recurso Especial, nos termos do permissivo do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/1999. De fato, tanto o lançamento que ora se discute quanto o auto de infração objeto do processo 10855.003001/200611 (acórdão 2802001.977), tiveram como elemento indiciário o mesmo documento (fls. 1.040 e segs), assinado em 26 de novembro de 2004, o qual objetiva a alienação de participações nas diversas sociedades listadas em seu anexo único (fl. 1.045) e indica, como "Vendedores", a Recorrente/N.A. PART. REP. LTDA e ALCIDES Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.106 6 VARGAS PORTEIRO, e como "Compradora" JADANGIL PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA.. Vejase neste sentido trecho relevante do documento: "Através deste instrumento particular, de um lado, "N.A. PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES DE ITU LTDA.". pessoa jurídica de direito privado constituída no Brasil, inscrita no CNPJ/MF sob o n.e 58.648.734/000161, com sede na cidade de Itu, no Estado de São Paulo, na Avenida Belo Horizonte, n.e 383, Bairro Brasil, e ALCIDES VARGAS PORTEIRO, brasileiro, casado, empresário, portador da cédula de identidade RG. nº 6.071.925SSP/SP e, inscrito no CPF/MF sob n.? 187.210.798 20, residente e domiciliado na cidade de Itu, Estado de São Paulo, na Avenida Belo Horizonte, n.g 383 Bairro Brasil, neste ato doravante designados respectivamente como PRIMEIRA VENDEDORA e SEGUNDO VENDEDOR, em conjunto designados simplesmente como VENDEDORES, de outro, "JADANGIL PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA.". pessoa jurídica de direito privado constituída no Brasil, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 58.648.775/000158, estabelecida na cidade de Itu, Estado de São Paulo, na Praça Amazonas, n.g 211, Bairro Brasil, neste ato e doravante designada simplesmente como COMPRADORA; (...) 1. As partes resolvem que os VENDEDORES vendem para a COMPRADORA a totalidade da participação societária que possuem na forma individualizada em todas as sociedades dispostas e relacionadas no ANEXO ÚNICO, nas quais têm participação, pelo preço global certo e ajustado de R$ 850.000,00 (oitocentos e cinqüenta mil reais), sendo R$ 700.000,00 (setecentos mil reais) pagos à PRIMEIRA VENDEDORA e R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais) pagos ao SEGUNDO VENDEDOR. (...)" O acórdão recorrido considerou que tal documento, obtido mediante apreensão realizada pela Polícia Federal, é suficiente para indicar a ocorrência do fato gerador objeto do lançamento ora combatido. Assim votou o relator: (...) O instrumento de venda das participações societárias permanentes — cópia anexada aos autos — está devidamente firmado pelas partes. Nele os vendedores dão expressa quitação pelo recebimento da importância, em moeda corrente nacional, tudo conforme, inclusive, descrito no Termo de Constatação. Este contrato, celebrado na forma escrita, é válido até que se prove o contrário. Evidentemente, no caso de desfazimento, exige também a forma escrita, caso contrário o instrumento poderá ser levado a registro a qualquer momento. Não é crivel, tendo em vista a prática corrente no ambiente empresarial, que um contrato por escrito de venda de participações societárias seja desfeito apenas oralmente. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.107 7 Não convence, também, a afirmação de que o pagamento do negócio foi feito por meio de uma nota promissória recebida a titulo "pro soluto", posteriormente cancelada. Caso assim fosse, evidentemente tal circunstância constaria de contrato. (...) Quanto ao fato da alienante das participações societárias ter continuado com as participações societárias tidas corno alienadas, ainda por algum tempo, não impressiona esse argumento, e é obvio o motivo. Ou seja: o intuito era, por algum tempo, manter a operação incógnita junto a terceiros, inclusive, do fisco (e o foi), logo — nesse tempo não houve alteração no registro de titularidade. Por isso, explicase a redundância de cláusulas no instrumento contratual, resguardando em excesso o pactuado, ao reiterar a irrevogabilidade e irretratabilidade da avença, obrigando as partes, seus herdeiros e sucessores, a qualquer titulo. Por sua vez, no processo que envolveu o contribuinte Alcides Vargas Porteiro (n.º 10855.003001/200611) a Turma entendeu, por meio do acórdão 2802001.977 ora indicado como paradigma , que a operação não se deu no ano e nos valores que constaram do lançamento. Isso não porque o contribuinte trouxe ao processo provas contundentes em sentido contrário, mas apenas porque o contrato em questão foi considerado insuficiente como prova da operação de alienação de participação societária. Neste sentido, transcrevo a íntegra do voto vencedor: Em que pese o respeito pelo judicioso voto proferido pelo Eminente Conselheiro Jaci de Assis Junior, a quem rendo minhas homenagens, peço vênia para dele divergir, pelas razões a seguir expostas. Como já dito, o recurso é tempestivo e deve ser conhecido naquilo que constitui seu objeto, qual seja a omissão de ganho de capital por alienação de participação societária não negociada em bolsa. Os elementos dos autos, complementados pelo trabalho de diligência fiscal e pela manifestação do recorrente após a diligência formam um conjunto de evidências de que o ganho de capital a que se reportou o lançamento não se deu em 2004. Este conjunto de evidências é formado, dentre outros elementos, de provas da manutenção do recorrente na condições de sócio/cotista nas DIPJ e nas Atas das sociedade, formalização das transferências na Junta Comercial e nos Livros de Transferência de Ações somente em anos posteriores. Reconhecese que o fato gerador do ganho de capital, previsto no §3º do art. 3º da Lei 7.713/1988, pode se dar de diversas formas (alienação, promessa de cessão de direitos, etc) e que não há nos autos o documento “distrato” a que se referiu o recorrente na peça recursal, entretanto as evidências demonstram que, ao menos de fato, houve um distrato ou havia Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.108 8 alguma espécie de condição suspensiva em relação ao contrato particular apreendido que se reportava a 2004. A interpretação do supramencionado dispositivo legal concomitantemente com os art. 43 e incisos I e II do 116 do CTN, recomendam que, na aplicação do comando legal, se seja reconhecido que o conjunto de evidências em favor das alegações do recorrente é mais forte que a única prova em que se pautou a fiscalização. O lançamento tomou o instrumento particular de alienação como um único prova em que se baseou, de forma que não remanesce comprovação suficiente para apurar omissão de ganho de capital, ao menos no ano calendário a que se refere a autuação. Isto posto, sou pelo provimento do recurso voluntário, para cancelar o lançamento. No mesmo sentido, o segundo acórdão paradigma (1201000.962, processo 10855.003035/200605) igualmente considerou o conjunto probatório insuficiente e cancelou o auto de infração que objetivou tributar o ganho de capital supostamente obtido em 26 de novembro de 2004 pela Empresa de Participações e Representações Flora de Itu Ltda. na suposta venda de participação societária da empresa Schincariol Participações e Representações Ltda. ao adquirente AleadriSchinni Participações e Representações Ltda., em autuação semelhante à presente. Naqueles autos, também fez parte da argumentação de defesa a tese de que o contrato havia sido desfeito, tendo sido confirmado, mediante diligência, que a venda não constou quer do Livro Registro de Transferência de Ações da sociedade dita alienada quer dos livros Diário e Razão das empresas vendedora e adquirente. A similitude fática entre os acórdãos paradigma e o recorrido é evidente, restando, portanto, caracterizada a divergência na interpretação da legislação tributária em relação à decisão recorrida, nos termos do artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Ressalto que a discussão quanto à base de cálculo adotada no auto de infração não está abrangida pelos acórdãos paradigmas apontados, de maneira que restrinjo a admissibilidade do recurso à questão sobre se o contrato de compra e venda é ou não documento suficiente para basear o lançamento fiscal ora combatido. Diante do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte nos termos acima expostos. Mérito Superada a questão do conhecimento, a discussão meritória diz respeito à suficiência da prova apresentada pela fiscalização para basear o lançamento efetuado. Assim, a pergunta que se coloca é: a existência de um instrumento de compra e venda incondicional, irrevogável e irretratável, assinado pelas partes e com firma reconhecida, é suficiente para comprovar a operação de alienação de participação societária, mesmo no caso em que vendedor e comprador não registram a operação em suas contabilidades nem providenciam a Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.109 9 regular transferência da participação societária mediante anotação no livro societário correspondente? Como visto, o acórdão recorrido entendeu que sim, enquanto os paradigmas apontaram em sentido contrário. Para a análise dessa questão entendo que é relevante examinar, ainda que brevemente, as características do contrato de compra e venda, a começar pela sua tipificação legal. Neste sentido, o Código Civil (Lei 10.406/2002) assim preceitua: Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro. Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerarseá obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. Da leitura de tais dispositivos depreendese que o contrato de compra e venda é, em regra, daqueles classificados como bilaterais (ou seja, deles defluem obrigações recíprocas para cada uma das partes), onerosos (implicam sacrifício patrimonial para os contratantes) e consensuais (operamse pelo simples acordo de vontades, independentemente de quaisquer formalidades). Essa última característica indica que o fato de a participação societária não ter sido efetivamente entregue (ou seja, o fato de não haver anotação no Livro Registro de Transferência de Ações e/ou registro na Junta Comercial), assim como o fato de a vendedora permanecer se comportando como sócia, a princípio não possuem qualquer influência sobre a validade e eficácia da avença em questão. Com efeito, a legislação é clara em indicar que o contrato de compra e venda se considera firmado tão logo as partes consintam quanto ao objeto e ao preço, de maneira que a prova de que seu objeto não foi entregue não mais diz respeito à formação do contrato mas à fase seguinte, relativa à sua execução. De se destacar que também são irrelevantes para a validade do contrato alegações a respeito de não ter havido o pagamento do preço, eis que tal circunstância também não mais se relaciona à fase de formação do contrato mas à verificação sobre se ele foi ou não cumprido, necessariamente posterior. Assim, a legislação parece indicar que a existência de um contrato de compra e venda irrevogável e irretratável faz prova suficiente para afirmar que a operação efetivamente ocorreu, sobretudo quando e é o caso o contrato não subordina a venda a qualquer condição. O Código Civil também prevê, em seu artigo 472, que "O distrato fazse pela mesma forma exigida para o contrato.", o que indica que, a princípio, a prova do desfazimento do contrato escrito deve igualmente ser escrita. E a análise do contrato em discussão revela que nada nele aponta em sentido contrário. Assim, o que temos nos presentes autos é que o Fisco baseou o lançamento em prova escrita (o contrato assinado pelas partes) enquanto o contribuinte busca infirmar tal Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.110 10 prova com meras alegações a exemplo da que o contrato foi desfeito um mês depois sem trazer provas de que isso tenha ocorrido. Ressalto que não vejo como o fato de a operação não ter sido registrada nas contabilidades de comprador e vendedor possa fazer prova em favor do contribuinte ora Recorrente. Na verdade, tratase da própria acusação fiscal: ter realizado a venda sem as formalizações próprias isto é, sem contabilizar o recebimento do preço nem, obviamente, registrar contabilmente a posse das participações adquiridas. Assim, não merece reparos o acórdão recorrido, em especial quando aponta: (...) Apesar de afirmar em suas razões que o negócio celebrado em 26/11/2004 teria sido desfeito no mês seguinte, a recorrente não trouxe aos autos qualquer prova desta alegação, limitandose a afirmar que nada havia mudado em termos de titularidade das suas participações societárias. O instrumento de venda das participações societárias permanentes — cópia anexada aos autos — está devidamente firmado pelas partes. Nele os vendedores dão expressa quitação pelo recebimento da importância, em moeda corrente nacional, tudo conforme, inclusive, descrito no Termo de Constatação. Este contrato, celebrado na forma escrita, é válido até que se prove o contrário. Evidentemente, no caso de desfazimento, exige também a forma escrita, caso contrário o instrumento poderá ser levado a registro a qualquer momento. Não é crível, tendo em vista a prática corrente no ambiente empresarial, que um contrato por escrito de venda de participações societárias seja desfeito apenas oralmente. Não convence, também, a afirmação de que o pagamento do negócio foi feito por meio de uma nota promissória recebida a titulo "pro soluto", posteriormente cancelada. Caso assim fosse, evidentemente tal circunstância constaria de contrato. (...) Também vejo pouca relevância na alegação da ora Recorrente de que recebeu dividendos após 2004. No caso, conforme apurou o acórdão de embargos 1802002.277, a Recorrente apenas conseguiu provar o recebimento de dividendos para o anocalendário de 2007 quando o presente processo já existia e ano em que, por sinal, a DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Tal informação, em tese, poderia até ser um indício, mas no caso dos autos não é forte o suficiente a ponto de servir de prova de um suposto distrato oral de um contrato celebrado por escrito, detalhado, assinado e com firmas reconhecidas. Vale observar que a tese do "contrato de gaveta" defendida extemporaneamente apenas em sede de sustentação oral realizada por ocasião do julgamento do recurso voluntário, conforme relatado e reiterada no recurso especial também não merece Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.111 11 acolhida. Primeiro porque o argumento, não aventado em momento próprio, precluiu (cf. artigo 16 do Decreto 70.235/1972). E mesmo que assim não fosse, o fato de as partes guardarem um contrato na gaveta para apenas o assumirem perante terceiros anos depois não é capaz de deslocar seus efeitos tributários para momento posterior à data de sua celebração. Muito diferente seria se as partes, para além de guardar o contrato na gaveta, tivessem subordinado o negócio a alguma condição suspensiva, já que, nesse caso, o artigo 117, I, do CTN daria guarida ao deslocamento do fato gerador. Não obstante, no caso concreto, tendo a avença sido celebrada em 2004, com as partes acordando quanto ao objeto do contrato e ao preço, temse que o negócio estava firmado e já era capaz de produzir seus efeitos tributários próprios. Irretocáveis, nesse ponto, as considerações do acórdão de embargos 1802002.277, que reproduzo abaixo e adoto como razões complementares de decidir: Ora, o fato gerador do tributo é um evento jurídico involuntário, em relação aos contribuintes; ocorre e decorre automaticamente, por exemplo, da celebração do negócio jurídico (instrumento de venda e compra de participação societária, de 26/11/2004). Não há possibilidade legal das partes signatárias do negócio jurídico transigirem, no sentido de definir, escolher o momento mais adequado a partir do qual aceitam e consideram ocorrido o fato gerador do tributo (retardando sua publicidade para terceiros, normente o fisco), em relação ao negócio jurídico celebrado em 26/11/2004. A propósito, o Código Tributário Nacional – CTN (art. 123) veda qualquer ajuste entre particulares, no sentido de deslocar, para o futuro, o fato gerador do tributo em relação ao negócio jurídico já celebrado e sua responsabilidade. Transcrevo, a seguir, o texto, o comando, do citado dispostivo legal, in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Como visto, ajustes particulares, no sentido de manter o negócio jurídico celebrado incógnito, em stand by, sem registro na escrituração contábil (“Contrato de Gaveta”), para deslocar o fato gerador para frente, não podem ser opostos contra o Fisco. Por isso, o argumento do “Contrato de Gaveta” configura um despautério. A tese ou o argumento do “contrato de gaveta”, defendida pela Embargante, por conseguinte, coloca por terra, sepulta de vez, a tese ou argumento do distrato contratual. Então, o contrato de venda de participação societária foi celebrado em 26/11/2004 e sempre existiu, desde então. O fato gerador do IRPJ e da CSLL, no caso, como já decidido pelo Acórdão embargado, ocorreu, deuse em 26/11/2004, data Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 9101004.016 CSRFT1 Fl. 1.112 12 da celebração do negócio jurídico, conforme instrumento contratual particular de venda das participações societárias da SCHINCARIOL PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA. (...) Em suma, a distribuição de dividendos em 2007 pela SCHINCARIOL PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA à Embargante (informação constante da DIPJ e consoante Relatório de Diligência) é um fato irrelevante, não tem o condão de interferir no mérito já decidodo pelo Acórdão embargado. Vale dizer, não interfere na validade, para efeitos tributários , do contrato celebrado em 26/11/2004, data da ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, pela omissão de receitas – ganho de capital, pois a tese ou argumento do Distrato não prosperou (faltou a Contribuinte provar que tivessse ocorrido o distrato formal) e a tese ou argumento do “Contrato de Gaveta”, além de confirmar e reafirmar o negócio jurídico celebrado em 26/11/2004, não pode ser oposto ao Fisco para deslocar o fato gerador dos tributos para 01/10/2007, pois ajustes particulares para deslocamento do fato gerador de tributo não têm validade contra o Fisco (CTN, art. 123). A venda da participação societária, por derradeiro, ocorreu em 26/11/2004. (...) Em resumo, entendo que é o caso de se manter a decisão recorrida. Conclusão Do exposto, oriento meu voto no sentido conhecer do recurso especial do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900001/2014-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra divergiram quanto ao quesito da reunião do contribuinte e da Procuradoria da Fazenda Nacional, indicado no parágrafo 19 do voto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra divergiram quanto ao quesito da reunião do contribuinte e da Procuradoria da Fazenda Nacional, indicado no parágrafo 19 do voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório 1. Tratase de Manifestação de Inconformidade contra despacho que denegou PERD/COMP's apresentados pelo contribuinte referente à COFINS nãocumulativa, vinculada à exportação no 2o trimestre de 2011. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 00 00 1/ 20 14 -7 8 Fl. 876DF CARF MF Processo nº 16682.900001/201478 Resolução nº 3402001.681 S3C4T2 Fl. 877 2 2. Em suma, estamos diante da conhecida discussão a respeito do conceito de insumo para fins de incidência de PIS e COFINS, a qual gravita em torno de uma postura mais restritiva por parte da Receita Federal do Brasil, o que se dá com fundamento nas INs n.s 247/02 e 404/04, bem como de uma visão mais ampla por parte dos contribuintes, que atrelam o conceito de insumo a ideia de despesa dedutível, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda. 3. Partindo do sobredito pressuposto, ou seja, de que insumo para fins de crédito de PIS e COFINS é aquele conceito estrito e aproximado da legislação do IPI (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) diretamente empregados na fase de industrialização, a fiscalização glosou inúmeros créditos tomados pela recorrente. 4. Assim, partindo desta premissa e analisando documentos fiscais eletrônicos, planilhas e notas fiscais entregues pela recorrente ao longo do procedimento administrativo, a fiscalização glosou inúmeros itens creditados pela recorrente: 5. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou a citada manifestação de inconformidade de fls. 03/85, oportunidade em que, após discorrer acerca da metodologia que entende pertinente para o creditamento de PIS e COFINS, refutou as glosas perpetradas pela fiscalização. 6. Uma vez processada, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Florianópolis (acórdão n. 0739.414 fls. 570/608), o que se deu nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 Fl. 877DF CARF MF Processo nº 16682.900001/201478 Resolução nº 3402001.681 S3C4T2 Fl. 878 3 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Cofins somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS À CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. É vedado o direito a créditos da Cofins não cumulativa sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; nos casos de isenção, quando os bens sejam revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. BENS UTILIZADOS EM TRANSPORTE INTERNO. Os veículos, máquinas, equipamentos e embarcações utilizados no transporte interno de matériasprimas, produtos em elaboração e produtos acabados, não geram direito ao crédito, dado não se poder considerar tais bens empregados na fabricação de produtos. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM ALUGUÉIS COM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. VEÍCULOS E EMBARCAÇÕES. INAPLICABILIDADE. A possibilidade de tomada de créditos sobre despesas de aluguéis com máquinas e equipamentos, não alcança os veículos e embarcações. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. 7. Diante de tal situação, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em análise (fls. 621/718), oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação, bem como trouxe aos autos laudo técnico de fls. 720/752, o qual confirmaria as suas razões. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 16682.900001/201478 Resolução nº 3402001.681 S3C4T2 Fl. 879 4 8. Não obstante, em julho de 2018, a recorrente apresentou parecer técnico contábil realizado pela Pricewaterhouse Coopers Contadores Públicos Ltda. PWC, retratado em planilha que analisa cada uma das glosas perpetradas pela fiscalização e que atestaria a juridicidade dos seus créditos, parecer este que está acostado aos autos como documento não paginável que segue a petição de fls. 755/766. 9. Por fim, em novembro do corrente ano, o contribuinte apresentou um outro parecer técnico (fls. 855/875) para tratar do conceito de essencialidade em cada uma das etapas da atividade empresarial exercida pela empresa. 10. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 11. Conforme se observa dos autos, a questão não é nova neste Tribunal. Trata se da infindável discussão de creditamento de PIS e COFINS e do conceito legal de insumo. Durante muito tempo esta questão foi indevidamente discutida em um altiplano normativo, na medida em que a autoridade fiscal pautava suas autuações com base no disposto na Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004. Em suma, a autoridade fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, aplicando, pois, conceito de insumo similar àquele desenvolvido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. 12. Acontece que o conceito de insumo admitido por este Tribunal denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Neste mesmo diapasão foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado de caráter vinculante (REsp n. 1.221.170, julgado sob o rito de recursos repetitivos), cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a Fl. 879DF CARF MF Processo nº 16682.900001/201478 Resolução nº 3402001.681 S3C4T2 Fl. 880 5 imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 13. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. 14. Diante deste quadro, é prudente que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins sejam analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. 15. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, em especial depois da apresentação de variados laudos técnicos acostados pelo contribuinte no sentido de aparentemente atestar seu direito, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora, para que: Fl. 880DF CARF MF Processo nº 16682.900001/201478 Resolução nº 3402001.681 S3C4T2 Fl. 881 6 (i) seja esclarecida pela Autoridade Fiscal a participação de cada um dos itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa. 16. Ademais, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. 17. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencados, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. 18. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. 19. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), dos laudos técnicos aqui acostados e do parecer técnico que será preparado pela unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF1, para que cooperem2 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e, portanto, indevidas, bem como quais glosas entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. 1 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 2 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 881DF CARF MF Processo nº 16682.900001/201478 Resolução nº 3402001.681 S3C4T2 Fl. 882 7 20. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 21. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. 22. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 882DF CARF MF
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