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Numero do processo: 11080.900052/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES DA LIDE. ORIGEM DO CRÉDITO.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo - no caso de compensação tributária, limitada pelo conteúdo do despacho decisório e pela defesa sobre a origem do crédito pleiteado -, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF não deve ser conhecida.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo de PIS/COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão.
Numero da decisão: 3402-006.075
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, não conhecer em parte do Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, quanto aos argumentos da ilegalidade da aplicação da SELIC e a inconstitucionalidade da multa aplicada; e (ii) por maioria de votos, quanto a exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES DA LIDE. ORIGEM DO CRÉDITO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo - no caso de compensação tributária, limitada pelo conteúdo do despacho decisório e pela defesa sobre a origem do crédito pleiteado -, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF não deve ser conhecida. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo de PIS/COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão.
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NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES DA LIDE. ORIGEM DO CRÉDITO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo no caso de compensação tributária, limitada pelo conteúdo do despacho decisório e pela defesa sobre a origem do crédito pleiteado , de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF não deve ser conhecida. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo de PIS/COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão. Acordam os membros do Colegiado, não conhecer em parte do Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, quanto aos argumentos da ilegalidade da aplicação da SELIC e a inconstitucionalidade da multa aplicada; e (ii) por maioria de votos, quanto a exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 00 52 /2 00 8- 17 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11080.900052/200817 Acórdão n.º 3402006.075 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1016.106, proferido pela DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, mantendo assim a negativa de homologação da compensação pretendida. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente contestou o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, afirmou que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base de cálculo tributável com base no disposto no art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/1998, gerando assim, indébitos compensáveis. Devidamente cientificada da decisão da DRJ, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde repisou os fundamentos desenvolvidos em sua manifestação de inconformidade, bem como acresceu os seguintes fundamentos: (i) a inclusão do ICMS na base de cálculo da exação em comento seria indevida; (ii) a ilegalidade da SELIC como fator de correção do crédito tributário; e, ainda (iii) a multa aplicada apresentaria caráter confiscatório, motivo pelo qual deveria ser afastada. É o relatório Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11080.900052/200817 Acórdão n.º 3402006.075 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.073, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.900040/200892, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.073): "I. Do não conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 5. Conforme destacado no relatório desenvolvido no presente voto, parte dos fundamentos desenvolvidos no presente recurso voluntário inovam a lide, na medida em que externados apenas em sede de recurso voluntário. É o caso dos seguintes tópicos da peça recursal: (i) a inclusão do ICMS na base de cálculo da exação em comento seria indevida; (ii) a ilegalidade da SELIC como fator de correção do crédito tributário; e, ainda (iii) a multa aplicada apresentaria caráter confiscatório, motivo pelo qual deveria ser afastada. 6. Acontece que, em sua manifestação de inconformidade, o ora recorrente não desenvolveu tais fundamentos. Dessa feita, está precluso o direito do contribuinte, em sede de recurso voluntário, debater as exigências tratadas nos itens "ii" e "iii" alhures, nos exatos termos do disposto no art. 17 do Decreto n. 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 7. Não se tratando de questões de ordem pública, que poderiam ser reconhecidas de ofício e em qualquer grau de jurisdição, em razão da aplicação subsidiária do art. 485, § 3o, c.c. o art. 15, ambos do Novo Código de Processo Civil1, não 1 "Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: (...). 3o O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. (...)." Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11080.900052/200817 Acórdão n.º 3402006.075 S3C4T2 Fl. 0 4 poderia o recorrente, em grau recursal, inovar a lide, sob pena de haver notória supressão de instância judicativa. 8. Neste sentido, não conheço dos fundamentos desenvolvidos pelo recorrente no sentido de combater (i) a ilegalidade da aplicação da SELIC, bem como (ii) a inconstitucionalidade da multa aplicada no caso em tela. (...)2 Lembremos que o presente processo fiscal iniciouse por manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de Porto Alegre relativo à COFINS, em virtude exame de declaração de compensação, a qual não foi homologada por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. Foi essa a motivação adotada pela Administração Tributária no despacho decisório, o qual impõe os limites do processo administrativo e a impossibilidade de sua alteração, nos moldes esculpidos pelo artigo 146 do CTN. A Recorrente, por sua vez, contestou o referido Parecer alegando que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título da Contribuição ao PIS e da COFINS, conforme disposição da Lei 9.718/98, constatou valores pagos a maior. O cerne da inconformidade da Recorrente foi o conceito de receita bruta, instituído pela lei acima referida, alegando ser o indébito que pleiteia decorrente da tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também afirma que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. Ou seja: segundo a própria Recorrente, o indébito tributário pleiteado, que fora utilizado para compensar débitos via declaração de compensação, são decorrentes de pagamentos indevidos porque fundados em interpretação equivocada do conceito de receita, discussão essa amplamente conhecida a respeito da Lei n. 9.718/98. Como poderia agora, nesse pé do processo administrativo, vir alegar que o indébito, na realidade, o crédito decorre da indevida inclusão do ICMS na base da cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS? Isso só demonstra a iliquidez e incerteza do crédito tributário utilizado pelo contribuinte, inclusive no que tange à sua base legal, tudo indo na contramão das determinações que regem a matéria (artigos 165 e 170 do "Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." 2 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu na discussão sobre o conhecimento do recurso voluntário quanto a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Íntegra do voto pode ser consultada no processo paradigma (11080.900040/200892) Fl. 104DF CARF MF Processo nº 11080.900052/200817 Acórdão n.º 3402006.075 S3C4T2 Fl. 0 5 Código Tributário Nacional, bem como o artigo 74 e seguintes da Lei n. 9.430/96). Mas a verdade é que nem isso a Recorrente alega. Em seu longo Recurso Voluntário, de repente passa a discorrer sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS (fls 54), em nenhum momento apontando nem provando como essa discussão implicaria no presente processo administrativo, no crédito utilizado na declaração de compensação ou porque foi extemporaneamente apresentada. Enfim, na hipótese de efetivamente a Recorrente ter direito à restituição de indébito tributário, decorrente da imprópria tributação das contribuições sociais com o ICMS compondo a sua base, deverá iniciar outro processo administrativo, requerendo pelas vias cabíveis a devolução de tais valores, demonstrando e provando a pertinência da decisão proferida pelo STF no RE n. 574.706. Eis aí o correto caminho processual a ter tomado. Tratase, portanto, de questão que além de extrapolar os limites do presente dissídio, é preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, e não vejo razão para o afastamento da citada regra in casu. Desta feita, a mencionada matéria de defesa não deve ser conhecida por este Colegiado. Por essas razões, especificamente com relação ao tópico da defesa atinente inclusão do ICMS na base da cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, voto no sentido de não conhêlo. (...) (ii.b) Do mérito propriamente dito 35. Superada a proposta acima, mister se faz a análise do mérito propriamente dito do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, o que faz nos seguintes termos. (...)3 (2) Do crédito vindicado pelo contribuinte com fundamento no inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998 39. A questão de fundo não é nova neste Tribunal e diz respeito a (in)aplicabilidade imediata do inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998, que assim prescreve: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). 3 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu no julgamento do mérito. Íntegra do voto pode ser consultada no processo paradigma (11080.900040/200892) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11080.900052/200817 Acórdão n.º 3402006.075 S3C4T2 Fl. 0 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (...). (grifos nosso). 40. A questão aqui travada foi bem tratada pelo acórdão n. 3302004.903, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que assim prescreveu em seu voto acompanhado a unanimidade pela turma julgadora: Esclarecida a situação a fática, examinase a seguir as normas objeto da controvérsia: Lei nº 9.718, de 1998: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;(grifei) A norma em destaque foi expressamente revogada pela alínea b do inciso IV da art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 2000: • Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000 (DOU, de 10/06/2000): Art.47.Ficam revogados: [...] IV a partir da publicação desta Medida Provisória: (...); b) o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.(grifei). Dos atos acima transcritos constatase que o inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718, de 1998 é uma norma que depende de regulamentação, tipificada portanto segundo Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11080.900052/200817 Acórdão n.º 3402006.075 S3C4T2 Fl. 0 7 a doutrina abalizada como norma de eficácia limitada, que é aquela que depende de uma regulamentação e integração por meio de normas infraconstitucionais. É digno de nota que a matéria em tela foi objeto de vários precedentes nesse E. Conselho, a exemplo dos acórdãos: 380200.893, de 20/03/2012, 3302002.174, de 26/06/2013 e 3202001.051, de 20/01/2014. Nesse sentido, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão 3202001.051, de 20/01/2014, ex vi do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000 COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EFICÁCIA CONDICIONADA À EDIÇÃO DE NORMA REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. A Lei nº 9.718/98 admitia, em seu artigo 3º, § 2º, inciso III, a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, exclusão esta, contudo, condicionada à edição de norma regulamentadora. Tal norma de eficácia limitada, embora vigente, nunca chegou a ter eficácia, já que não editado o decreto regulamentador.(grifei) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Excertos do voto: Como visto, a decisão recorrida indeferiu o restituição solicitada e não homologou as compensações pleiteadas pela Recorrente, fundamentalmente, em decorrência da ausência de regulamentação, pelo Poder Executivo, da norma que previa a exclusão de valores computados como receitas e transferidos para terceiros (art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98). Por conseguinte, a declaração de compensação apresentada não pode ser homologada por Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11080.900052/200817 Acórdão n.º 3402006.075 S3C4T2 Fl. 0 8 falta de certeza e liquidez dos indébitos utilizados. Não há reparos a fazer na decisão recorrida. De fato, o dispositivo legal acima referenciado – que, posteriormente, foi expressamente revogado pelo artigo 47, inciso IV, alínea “b”, da MP no 1.99118, de 09/06/2000, posteriormente convertido na Medida Provisória no 2.15835, de 2001 – tratava da possibilidade de exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS dos valores que, computados como receita, fossem transferidos para outra pessoa jurídica, contudo, “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, conforme se observa da simples leitura do preceito em comento, verbis: (...) Tais normas regulamentadoras, no entanto, nunca chegaram a ser editadas. Destarte, a norma em comento, embora vigente, nunca produziu efeitos.(grifei). Por esse motivo, a Secretaria da Receita Federal, inclusive, editou o Ato Declaratório nº 056, de 20 de julho de 2000, nos seguintes termos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. A meu ver, o próprio Poder Legislativo, ao criar a possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas para outra pessoa jurídica, condicionando a sua aplicação à edição de normas regulamentadoras a serem expedidas pelo Poder Executivo, demonstrou sua intenção de dar ao citado dispositivo natureza de norma de eficácia limitada. Por ausência de regulamentação tal norma tornouse inaplicável, já que não acompanhada dos comandos Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11080.900052/200817 Acórdão n.º 3402006.075 S3C4T2 Fl. 0 9 operacionais e disciplinadores que o Poder Legislativo outorgara ao Poder Executivo para tanto.(grifei) Desse modo, não cabe a este órgão de julgamento, ao alvedrio de norma regulamentadora específica, dada sua inexistência, usurpar de competência que não é a sua para fixar, segundo seu juízo, as particularidades necessárias à eficácia do comando então previsto em lei. Nesse sentido, é remansosa a jurisprudência do CARF. Confiramse os seguintes acórdãos: nº 20180596, de 20/09/2007; nº 20218928, de 09/04/2008; nº 220100.334, de 05/06/2009; nº 3302000.725, de 08/12/2010; 380200.893, de 20/03/2012. O mesmo cunho decisório tem sido adotado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, a exemplo do AgRg no Ag 977750 SC, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES , SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2011, DJe 22/03/2011, cuja ementa e excertos do voto a seguir se transcrevem: PROCESSUAL CIVIL. VÍCIO DE OMISSÃO. ALEGAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA UNICIDADE RECURSAL. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, INC. III, DA LEI N. 9.718/98. NECESSIDADE DE REGULAMENTAÇÃO. 1. A via apropriada para questionar a existência de omissão, contradição ou obscuridade em decisão monocrática é a dos embargos de declaração, dirigido ao relator, e não a do agravo regimental. As finalidades dos recursos são diversas e a Segunda Turma não vem permitindo nestes casos a mescla de espécies recursais distintas, em atenção ao princípio da unicidade recursal. Precedentes. 2. O art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, que excluía da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores que, computados como receita, foram transferidos a outra pessoa jurídica , nunca teve eficácia, em virtude da ausência de norma regulamentadora exigida em tal dispositivo, posteriormente revogado com a edição da MP 1.99118/2000. (grifei). 3. Precedentes: AgRg no REsp 1074304/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 1.7.2010; AgRg no REsp 1072533/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 25.5.2009; AgRg no REsp 969.967/RS, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 26.11.2007; AgRg no Ag 913.463/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.10.2007; e AgRg no REsp 708.619/SC, Rel. Min. Denise Arruda, DJ 23.10.2006. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11080.900052/200817 Acórdão n.º 3402006.075 S3C4T2 Fl. 0 10 4. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido Excertos do voto: Quanto ao mérito, a decisão merece ser mantida por seus próprios fundamentos, os quais transcrevo. Dessumese do exame dos autos que o entendimento sufragado pelo Tribunal de origem está perfeitamente alinhado com o posicionamento do STJ no sentido de não ser possível a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores que fossem transferidos a outra pessoa jurídica, ao integrarem a receita da empresa, pois tal procedimento dependia de regulamentação sobre a matéria, em atenção ao princípio da legalidade. (grifei). Entrementes, com o advento da MP n. 1.99118/2000, houve a revogação da norma que previa a exclusão pretendida (art. 3º, §2º, III, da Lei n. 9.718/98), o que retirou totalmente a sua eficácia no plano jurídico.(grifei). E mais recentemente no AgInt no AREsp 288345/ RN, AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL2013/00189748: Data do Julgamento 02/02/2017 Data da Publicação/Fonte DJe 08/02/2017 EMENTA [...]PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: [...] 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11080.900052/200817 Acórdão n.º 3402006.075 S3C4T2 Fl. 0 11 [...] (REsp 1144469 PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2016, DJe 02/12/2016) (...). 41. Ademais, convém destacar que, em outros períodos que não o aqui tratado, o próprio contribuinte já possui decisões no sentido de afastar sua pretensão. É o que se observa dos seguintes acórdão deste Tribunal: 3803006.885, 3803006.876 e 3803006.884, dentre outros. 42. Assim, empregando como meu as razões de decidir externadas no acórdão n. 3302004.903 acima reproduzido e, ainda, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, encaminho meu voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer de parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.004885/97-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
APURAÇÃO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI.
A apuração de créditos presumidos do IPI deve respeitar os respectivos períodos de apuração, sendo vedada a transposição de saldo devedor de determinado período para período subsequente.
PEDIDOS DE RESSARCIMEMNTO E COMPENSAÇÃO.
As compensações declaradas pelo contribuinte vinculam-se a determinado Pedido de Ressarcimento, sendo vedado à fiscalização examinar créditos apurados em períodos distintos daquele informado pelo contribuinte para fins de homologação.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RESP Nº 993.164/MG.
O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural utilizados como matéria-prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado inclusive em relação às aquisições efetuadas de pessoas físicas e cooperativas. Recurso Especial nº 993.164/MG, submetido ao regime do artigo 543-C.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS.
Súmula CARF nº19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário.
Numero da decisão: 3201-004.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI apurado nos termos da Lei nº 9.363/96 sobre a aquisição de insumos de pessoas físicas e determinar o refazimento da apuração do IPI de modo a considerar corretamente os períodos de apuração, não transposição de saldos devedores entre períodos e vinculação entre Pedidos de Ressarcimento e Compensação apresentados pelo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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A apuração de créditos presumidos do IPI deve respeitar os respectivos períodos de apuração, sendo vedada a transposição de saldo devedor de determinado período para período subsequente. PEDIDOS DE RESSARCIMEMNTO E COMPENSAÇÃO. As compensações declaradas pelo contribuinte vinculamse a determinado Pedido de Ressarcimento, sendo vedado à fiscalização examinar créditos apurados em períodos distintos daquele informado pelo contribuinte para fins de homologação. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RESP Nº 993.164/MG. O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado inclusive em relação às aquisições efetuadas de pessoas físicas e cooperativas. Recurso Especial nº 993.164/MG, submetido ao regime do artigo 543C. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Súmula CARF nº19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 48 85 /9 7- 59 Fl. 1448DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI apurado nos termos da Lei nº 9.363/96 sobre a aquisição de insumos de pessoas físicas e determinar o refazimento da apuração do IPI de modo a considerar corretamente os períodos de apuração, não transposição de saldos devedores entre períodos e vinculação entre Pedidos de Ressarcimento e Compensação apresentados pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 0113.010, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito presumido do IPI, previsto na Lei n° 9.363/1996 e regulamentado através da Portaria MF n° 38/97, cumulado com Pedidos/Declarações de Compensação para extinção de débitos de CSLL, PIS e COFINS. Ao presente processo, encontramse juntados por apensação os seguintes processos:10280.005470/9739; 10280.000461/9841; 10280.005915/9753 e 10280.002212/9818. 0 presente processo e, os demais juntados por apensação, contêm pedidos de ressarcimento referente ao crédito presumido de IPI apurado no 1 0 trimestre de 1997 no valor total de R$ 98.299,42. A fim de averiguar a exatidão do crédito pleiteado, os autos foram encaminhados ao SEFIS/DRF/BELÉM para realização de diligência fiscal. O Sefis da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém, após procedimento fiscal que visou à comprovação e aferição dos valores pleiteados pela contribuinte, elaborou o relatório de diligência n° 1, cópia as fls. 675 a 679, do qual extraimos alguns excertos: Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 10280.004885/9759 Acórdão n.º 3201004.667 S3C2T1 Fl. 1.449 3 1. Como os produtos finais da empresa são chapas de madeira compensada, prensada ou aglomerada, foram aceitas pela fiscalização, como geradoras de crédito, as aquisições de madeira em tora ou beneficiada (efetuadas junto a pessoas juridicas), a cola, os componentes para a produção da cola, a fibra de vidro, a fita gomada, as lixas e as massas. Outras foram recusadas, por não ter sido comprovado que exercem ação direta sobre os produtos Oleo diesel, óleo lubrificante, graxas, cantoneiras, etc.); 2. Verificouse utilização indevida de crédito presumido em diversos períodos (inexistência de saldo de crédito presumido para compensar com o saldo devedor da apuração normal); 3. NÃO E POSSIVEL atender ao pedido de compensação solicitada no processo n° 10280.004885/9759, relativa A CSLL do mês de setembro/1997, no valor de R$ 35.483,47, uma vez que, em 31/10/1997, data de vencimento da obrigação, não havia saldo de crédito presumido suficiente (o saldo era devedor, no valor de R$ 22.894,59); 4. NÃO E POSSIVEL atender ao pedido de compensação solicitada no processo n° 10280.005470/9739, relativa A CSLL do mês de outubro/1997, no valor de R$ 36.853,32, uma vez que, em 30/11/1997, data de vencimento da obrigação, não havia saldo de crédito presumido suficiente (o saldo era apenas de R$ 8.359,08); 5. E POSSIVEL atender ao pedido de compensação solicitada no processo n° 10280.005915/9753, relativa A CSLL do Ines de novembro/1997, no valor de R$ 14.279,32, uma vez que, em 31/12/1997, data de vencimento da obrigação, havia saldo de crédito presumido suficiente para tanto (antes desta compensação, o saldo era de R$ 45.405,27). 6. É POSSIVEL atender ao pedido de compensação solicitada no processo n° 10280.000461/9841, relativa A CSLL do mês de dezembro/1997, no valor de R$ 3.417,25, uma vez que, em 30/01/1998, data de vencimento da obrigação, havia saldo de crédito presumido suficiente para tanto (antes desta compensação, o saldo era de R$ 20.767,51); 7. É POSSIVEL atender ao pedido de compensação solicitada no processo n° 10280.002212/9818, relativa A CSLL do mês de março/1998, no valor de R$ 8.166,02, uma vez que, em 30/04/1998, data de vencimento da obrigação, havia saldo de crédito presumido suficiente para tanto (antes desta compensação, o saldo era de R$ 94.715,95). I Jma vez que o relatório de diligência n° 1, cópia As fls. 675 a 679, não fez menção expressa ao valor final deferido de crédito presumido de IPI para o 1° trimestre de 1997, o Seort da DRF/Belém, através do Parecer SEORT/DRF/BEL N° 402, cópia As fls. 726/727, solicitou ao SEFIS/DRF/BEL esclarecimento a respeito. Fl. 1450DF CARF MF 4 O SEFIS/DRF/BEL, através do Relatório Fiscal, cópia A fl. 728, esclareceu da seguinte forma: "Com relactio ao 1° trimestre/1997, o Relatório de Diligência n° I (.) deixa claro, pela leitura integral do item 7c, que a empresa apresentou saldo de crédito presumido compensável apenas a partir do mês de novembro daquele ano (.). Deste modo, não há valor a ser deferido para aquele período". O Seort da DRF/Belém, através do Parecer SEORT/DRF/BEL N° 0233, fls. 121/125, conclui que: "o relatório fiscal lavrado em 19 de maio de 2008, para complementação das informações contidas em Diligencia, asseverou a inexistência de direito creditório pleiteado, relativamente ao período de apuração objeto deste Parecer". 0 Chefe do SEORT/DRF/BELÉM, através do Despacho Decisório de fl. 126, resolveu: a) Considerar, consoante Relatório de Diligência expedido pelo SEFIS/DRF/BEL, improcedente o Pedido de Ressarcimento de Crédito do IPI para o 1° trim/1997; b) Considerar não homologadas as Declarações de Compensação contempladas em todos os formulários anexados aos Processos Administrativos de números: 10280.004885/97 59; 10280.005470/9739; 10280.000461/9841; 10280.005915/9753 e 10280.002212/9818. Contra o Despacho Decisório da fl. 126 (vol. I), do qual foi cientificada em 02/06/2008 (AR à fl. 127v), a requerente apresentou, no devido prazo, em 25/06/2008, a manifestação de inconformidade, fls. 398/416 (vol. III), instruída com procuração e outros documentos, alegando o que vem sintetizado a seguir: DA COBRANCA DOS DÉBITOS: a) Os pedidos de compensação foram indeferidos referentes aos processos es 10280.004885/9759 no valor original de R$ 15.483,47 e 10280.005470/9739 no valor original de R$ 8.359,08, num total de R$ 43.842,55, sob a alegação de insuficiência de crédito, indeferimento esse que ocorreu após a diligência fiscal realizada pela SEFIS/DRF/BEL, conforme conclusão do Parecer SEORT/DRF/BEL n° 0233, de 23/05/2008; b) que, foram reconhecidos, porém, os pedidos de compensação nos processos ifs 10280.005915/9754 e no valor de R$ 45.408,27 e n° 10280.000461/9841 com o valor de R$ 8.166,06 num valor total original de R$53.574,33; porém, equivocadamente o fisco cobra o valor total de R$98.299,42; c) que, há um claro equivoco da autuação haja vista que o Relatório de Diligência Fiscal n° 1 (...) diz no item 7, c: ano calendário 1997, iv "t possível compensação relativa à CSLL, do mês de novembro/1997, no valor de R$ 14.279,32 e, d: ano calendário 1998 — ii "t possível atender ao pedido de compensação solicitada em dezembro/1997, no valor de R$ 3.417,25; Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 10280.004885/9759 Acórdão n.º 3201004.667 S3C2T1 Fl. 1.450 5 d) que, apesar da Diligência Fiscal demonstrar os limites das compensações, limitando os valores a cobrar, as Comunicações n°s 703 e 704/2008, ignoraram por completo os resultados da Diligência Fiscal, o que não é possível, havendo as discrepâncias inadmissíveis entre as conclusões da Diligência e as cobranças efetivas; ORIGENS DE DIVERGÊNCIAS NOS SALDOS DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI: Diz a requerente que houve divergências de valor do crédito de IPI entre os levantamentos da Eidai e da fiscalização, porque no caso dos pedidos de compensação nos anos calendário de 1997 e 2002, a origem das diferenças estava nos anoscalendário de 1995 e 1996, nos quais houve escrituração (creditamento) do crédito presumido de IPI na aquisição de matériasprimas (madeiras em toro) nas aquisições tanto das pessoas jurídicas quanto de pessoas fisicas, indistintamente, mesmo que estas não fossem contribuintes do PIS/COFINS, ao passo que para o fisco, apenas as aquisições da parte de pessoas jurídicas seriam beneficiadas por este incentivo fiscal. Diz, também, que houve discussões sobre o cabimento ou não no caso em que as notas fiscais de produtor ou NFP's (para compra de madeiras em tora) figurava o nome da empresa Eidai tanto como comprador e como vendedor. Informa a requerente que sofreu autuação devido as divergências mencionadas, autuação a que porém, impugnou (processo administrativo fiscal n° 10280.001859/200180), porém perdeu já na la instância administrativa; no entanto, recorreu, porém sem sucesso novamente no Conselho de Contribuintes (2° Conselho de Contribuintes / P Câmara ou la C/2° CC). Que a intenção era recorrer novamente da decisão de indeferimento por recurso especial. Alega que foi firmada a jurisprudência na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), do Conselho de Contribuintes quanto à interpretação dos arts. 1° e 2° da Lei 9.363/96 no sentido de que o beneficio em apreço abrange todas as aquisições de matériasprimas sem distinção de vendedores serem ou não pessoas fisicas ou jurídicas ou, serem ou não contribuintes de PIS/COFINS. Cita e transcreve ementas de acórdãos da Camara Superior de Recursos Fiscais e do STJ, em apoio à sua tese. 0 processo n° 10280.003839/200224, foi desapensado do presente processo por conter pedido de ressarcimento referente ao 2° trimestre de 2002. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 1452DF CARF MF 6 Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 Ementa: APRECIAÇÃO DE PROCESSOS DE RESSARCIMENTO. COMPETÊNCIA. A autoridade competente para proferir despacho decisório em processos de ressarcimento de IPI é aquela que jurisdiciona o domicilio do estabelecimento industrial ou equiparado que efetivamente apurou o crédito. CARTA COBRANÇA. A carta cobrança, expedida em decorrência de compensação frustrada, não comporta manifestação de inconformidade, perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por falta de objeto, mas não impede o recurso, para a segunda instância, contra a nãohomologação da compensação, com efeito suspensivo. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improficuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. Solicitação Indeferida Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Inicialmente, insurgese o Recorrente relativamente ao que alega ser uma contradição existente entre o primeiro "Termo de Encerramento de Diligência, datado de 09/11/2006", SEFIS, e as conclusões que posteriormente embasaram os Despachos Decisórios. Há uma narrativa de fatos que se faz de essencial compreensão para o julgamento. O presente processo controla Pedido de Ressarcimento de crédito de IPI apurado no 1º Trim/1997, além das compensações realizadas como o crédito postulado. Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 10280.004885/9759 Acórdão n.º 3201004.667 S3C2T1 Fl. 1.451 7 Durante o curso do processo foram sendo apresentadas diversas DCOMPs, eventualmente retificadas, cuja análise não se faz imprescindível ao presente feito, posto que o Pedido de Ressarcimento não foi alterado. Às fls. 229 e seguintes, consta o Despacho/DRF/BEL/Nº 221/2003, expedido pelo SEORT (Serviço de Orientação e Análise Tributária), que determinou a verificação dos livros e documentos a fim de averiguar a procedência do crédito postulado, diligência a ser realizada pela SEFIS (Serviço de Fiscalização), divisão competente para tanto. Ressalto que aqui inexiste relação de hierarquia, mas, sim divisão de atribuições regimentais dentro da Receita Federal do Brasil. Às fls. 416 e seguintes, verificase "Termo de Encerramento de Diligência, datado de 09/11/2006", elaborado pela SEFIS, onde se constata que numa mesma diligência foram realizadas as verificações pertinentes a dois processos distintos. O primeiro deles é o presente processo de nº 10280.004885/9759 (1º trimestre de 1997) e o 10280.003839/200224 (2º trimestre de 2002): Esclareçase que ambos os feitos são conexos e estão sendo submetidos à julgamento conjunto. À fl. 421 o relatório elaborado pela SEFIS apresenta sua análise conclusiva quanto aos períodos examinados, iniciando no ano de 1995 e encerrando no ano de 2002: Fl. 1454DF CARF MF 8 Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 10280.004885/9759 Acórdão n.º 3201004.667 S3C2T1 Fl. 1.452 9 Fl. 1456DF CARF MF 10 Após a diligência, o processo foi devolvido para o SEORT, que proferiu o Despacho SEORT/DRF/BEL, de 14/05/2008 (fl. 663 e seguintes), do qual extraio: (...) Em 19/05/2009 o SEFIS apresenta sintético Relatório Fiscal nos seguintes termos (fl 667): Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 10280.004885/9759 Acórdão n.º 3201004.667 S3C2T1 Fl. 1.453 11 Em face do referido despacho, resgato o que consta nos demonstrativos relacionados, alterando a numeração manual então considerada para a atual numeração e processo: Demonstrativo de fls. 259/260 (1997) 468/469 eprocesso O processo, então, é movimentado para o SEORT, que profere o Parecer SEORT/DRF/BEL nº 233/2008, válido apenas para o processo apenso 10280.003839/200224 (fls. 125 e seguintes), alegando não existir saldo de crédito presumido de IPI relativo ao 1º Trim/1997 a ser ressarcido e, consequentemente, deixou de homologar todas as compensações vinculadas. O Despacho Decisório (fl. 137), portanto, é proferido nos mesmos termos do Parecer. Após cuidadoso exame dos autos, concluo o seguinte. Fl. 1458DF CARF MF 12 Nesse ponto existe uma peculiaridade. É que, não obstante o Pedido de Ressarcimento do Processo nº 10280.005915/9753 compreendesse apenas os créditos do 1º Trimestre de 1997, como a Fiscalização efetuou a fiscalização considerando a apuração desde o ano de 1995 até o ano de 2002, as alterações no valor do crédito presumido em determinado exercício impactaram as apurações subsequentes. Ao proceder desse modo, a Fiscalização incorreu em equívocos. Inicialmente, pretendeu efetuar, de ofício a transferência de saldo devedor de IPI entre períodos de apuração distintos, o que é vedado pela legislação. Além disso, desrespeitou a vinculação realizada pelo contribuinte entre Créditos Ressarcíveis e Débitos Compensáveis. Por exemplo, para o 1º Trimestre de 1997, afirmou não ser possível "atender ao pedido de compensação solicitada no processo nº 10280.004885/9759, relativa à CSLL no mês de setembro/1997 (...), uma vez que em 31/10/1997, data de vencimento da obrigação, não havia saldo de crédito presumido suficiente". Ora, se o processo nº 10280.004885/9759 controlava pedido de ressarcimento de crédito de IPI acumulado no 1º Trim.1997, não é possível que se pretenda examinar o saldo credor existente em outubro de 1997 para fins de exame das compensações informadas. No exemplo narrado, se, eventualmente, inexistir saldo credor suficiente de IPI no 1º Trim/97 para a quitação de todos ou parte dos débitos objeto das Declarações de Compensação vinculadas àquele Pedido de Ressarcimento, estas deixarão de ser homologadas e os débitos deverão ser cobrados nos termos da regulamentação vigente (lançamento de ofício ou cobrança de débito declarado). O fato de os períodos em questão estarem atingidos pela decadência à época do despacho decisório não autoriza utilização de procedimento diverso daquele legalmente estabelecido. Se, em determinado período de apuração, após as glosas efetuadas, a Fiscalização observar que houve apuração de saldo negativo não quitado pelo contribuinte, de igual modo deverá efetuar o lançamento da diferença verificada e prosseguir com a cobrança nos termos da regulamentação aplicável. A Fiscalização não pode, assim, efetuar, a seu próprio critério, transferências entre saldos devedores entre períodos de apuração distintos, ou mesmo saldo devedores que já tenha sido objeto de ressarcimento pelo contribuinte, tampouco desrespeitar as vinculações entre ressarcimento e compensações declaradas pelo contribuinte. Vale acrescentar, ainda, que sequer se verifica hipótese de compensação de ofício, uma vez que esta só se aplica aos débitos declarados e não pagos pelos contribuintes, devidamente constituídos no momento da compensação de ofício. Na hipótese dos autos, pretendeuse utilizar a compensação de ofício para débitos ainda não definitivamente constituídos naquele momento, uma vez que a compensação extingue o crédito tributário até posterior manifestação do Fisco em contrário. Ainda nesse aspecto, necessário afastar a seguinte justificativa da DRJ no sentido de validar o trabalho fiscal: Destarte, o contribuinte poderia, por exemplo, pedir ressarcimento, a partir do 2° trimestre de 1997 de créditos relativos ao primeiro trimestre daquele ano ou de trimestres de Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 10280.004885/9759 Acórdão n.º 3201004.667 S3C2T1 Fl. 1.454 13 anos anteriores em um mesmo processo, desde que o fizesse em formulários separados, com indicação do direito creditório respectivo a cada um deles, apoiado em documentação Mas não poderia, por exemplo, pedir ressarcimento de crédito do 1° trimestre de 1997 considerando no valor pleiteado créditos alusivos a anos anteriores. Também não poderia, ainda por exemplo, pleitear créditos do 1° trimestre de 1997 parceladamente, ou seja, de 01.01.1997 a 20.02.1997 em um processo administrativo e de 21.02.1997 a 31.03.1997 em outro. Essas vedações se justificam pela necessidade de efetivo controle da Administração sobre o dinheiro público. (...) Ressaltese, nesse ponto, que não se trata aqui da adoção de excessivo rigor formal para indicar que o direito em questão encontrarseá obstado pelo simples fato de não se haver adotado determinada sistematização, mas sim da inarreddvel constatação de que a confusão de um trimestre com outro impossibilita à Administração verificar questões relativas prescrição do prazo do pleito (estipulado pelo artigo 1° do Decreto n° 20.910/1932 1 ), bem como avaliar a coerência e a confiabilidade dos dados escriturados, de modo a concluir, com precisão, quais as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem que efetivamente fizeram parte do processo produtivo, desde que apoiados em documentação idônea daquele trimestre. Isso porque o direito ao ressarcimento dos créditos cingese concreta aplicação, em certo trimestre, de tais insumos no processo produtivo da empresa fabricante de produto. Verificase nos autos que houve, sim, Pedido de Ressarcimento relativo ao 3º Trimestre de 1997. E, ainda que, inicialmente, a Recorrente tenha apresentado Pedido de Compensação desacompanhado do prévio Pedido de Ressarcimento, tal irregularidade foi sanada no próprio curso do procedimento (fl.11 e seguintes). O mesmo com relação a "pleitear créditos do 1° trimestre de 1997 parceladamente", já que tais pedidos foram devidamente reunidos pela Fiscalização e, esta sim, deveria ter examinado os saldos de crédito presumido ressarcível a cada trimestre, e não mensalmente, como fez. Ademais, eventual descumprimento de obrigação acessória não afasta o caráter de legalidade e vinculação do lançamento tributário. Para tanto, a legislação prevê punições por cumprimento de obrigação tributária, mas jamais sua conversão em tributo. Assim, entendo que merece reparo o Despacho Decisório proferido, devendo ser refeita a apuração do IPI obedecendo aos parâmetros ora demonstrados. Ultrapassada tal questão preliminar, existem aspectos de mérito (exclusivamente de direito) que devem ser examinados no presente julgamento. Inicialmente, há de se examinar as glosas realizadas pela Fiscalização sobre a aquisição de matérias primas de pessoas físicas durante a vigência da Lei nº 9.363/95. Tal Fl. 1460DF CARF MF 14 matéria já se encontra solidificada em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, inclusive com a prolação de acórdão em sede de Recurso Representativo de Controvérsia. No âmbito deste Conselho Administrativos de Recursos Fiscais, a decisão proferida em sede de recurso repetitivo é de aplicação obrigatória, consoante art. 62, inciso II, alínea b do Anexo II do seu Regimento Interno (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015). Verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; Desse modo, deve prevalecer no presente julgamento o quanto restou decidido pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 993.164/MG, submetido ao regime do artigo 543C: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 10280.004885/9759 Acórdão n.º 3201004.667 S3C2T1 Fl. 1.455 15 VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. Fl. 1462DF CARF MF 16 § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 10280.004885/9759 Acórdão n.º 3201004.667 S3C2T1 Fl. 1.456 17 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Ou seja, é imperativo o reconhecimento do direito do Recorrente de se apropriar do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363, de 1996, sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas. Fl. 1464DF CARF MF 18 O Recorrente também requer o reconhecimento do direito ao crédito sobre as aquisições de produtos intermediários, para os quais a Fiscalização entendeu não ser cabível a respectiva apropriação para fins de crédito presumido de IPI, posto trataremse de itens que não possuem ação direta sobre o produto em fabricação. Nesse ponto, não se socorre a Recorrente de igual sorte. É pacífica a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que, em se tratando de benefício fiscal, o crédito presumido do IPI não pode ser calculado sobre bens que não se agreguem ao produto final. Vejase: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CAUSA EM QUE SE DISCUTE O CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI, COMO RESSARCIMENTO DO PIS/PASEP E COFINS, DE QUE TRATA A LEI 9.363/96. EMPRESA PRODUTORA E EXPORTADORA DE SUCO DE LARANJA CONCENTRADO E CONGELADO. VALORES DOS COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS NAS CALDEIRAS E DOS REAGENTES QUÍMICOS DE LIMPEZA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO EM HARMONIA COM A ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL FIRMADA POR ESTA CORTE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno interposto em 24/06/2016, contra decisão publicada em 22/06/2016, que, por sua vez, julgara recurso interposto contra decisão que inadmitira o Recurso Especial, publicada na vigência do CPC/73. II. Na forma da jurisprudência deste Tribunal, "para a aplicação do entendimento previsto na Súmula 83/STJ, basta que o acórdão recorrido esteja de acordo com a orientação jurisprudencial firmada por esta Corte, sendo prescindível a consolidação do entendimento em enunciado sumular ou a sujeição da matéria à sistemática dos recursos repetitivos" (STJ, AgRg no REsp 1.447.734/SE, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 17/06/2015). No mesmo sentido: STJ, AgRg no REsp 1.337.910/ES, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 25/10/2012; AgRg no REsp 1.318.139/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 03/09/2012. III. A Primeira Turma desta Corte, ao julgar o REsp 529.577/RS, deixou assentado que "o art. 1º da Lei 9.363/96 disciplina o reconhecimento do direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI somente em relação às mercadorias agregadas em processo produtivo a produto final destinado à exportação. A desoneração da carga tributária, como benefício fiscal, e em exceção à regra geral que é a incidência dos tributos que gerarão o crédito presumido, deve ser interpretada nos exatos termos da previsão legal, sem ampliação ou redução de seu alcance" (STJ, REsp 529.577/RS, Rel.Ministro Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 10280.004885/9759 Acórdão n.º 3201004.667 S3C2T1 Fl. 1.457 19 FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, DJU de 14/03/2005). IV. No mesmo sentido a Segunda Turma do STJ, a partir do julgamento do REsp 1.049.305/PR (Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe de 31/03/2011), firmou o entendimento de que "a energia elétrica, o gás natural, os lubrificantes e o óleo diesel (combustíveis em geral) consumidos no processo produtivo, por não sofrerem ou provocarem ação direta mediante contato físico com o produto, não integram o conceito de 'matériasprimas' ou 'produtos intermediários' para efeito da legislação do IPI e, por conseguinte, para efeito da obtenção do crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, na forma do art. 1º da Lei 9.363/96". No mesmo sentido: STJ, AgRg no REsp 1.222.847/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 01/04/2011; REsp 816.496/AL, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, DJe de 19/06/2012; REsp 1.331.033/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 09/04/2013; AgRg no AREsp 843.844/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 27/05/2016; AgRg no REsp 1.493.176/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 02/02/2016. V. Nos presentes autos, consta da sentença que, "considerando que somente há o direito de creditamento do IPI pago anteriormente quando se tratar de insumos que se incorporam ao produto final ou que são consumidos no curso do processo de industrialização, de forma imediata e integral, não há que se falar em crédito no caso em exame. In casu, os combustíveis utilizados nas caldeiras e os reagentes químicos de limpeza não se enquadram em tal definição, posto não se agregarem, direta ou indiretamente, ao produto final". No acórdão recorrido, ao confirmar a sentença, o Tribunal de origem deixou consignado que, "in casu, tanto os combustíveis como os reagentes químicos não são adquiridos com a exclusiva finalidade de elaborar o produto final, não sendo considerados, portanto, matériaprima ou produto intermediário submetido à transformação". VI. Portanto, ao decidir pela impossibilidade de inclusão dos valores relativos aos combustíveis utilizados nas caldeiras e aos reagentes químicos de limpeza, dentre os insumos que integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI, o acórdão do Tribunal de origem alinhouse à jurisprudência do STJ sobre o tema, pelo que incide, na espécie, a Súmula 83/STJ. Impende salientar que a orientação firmada nos supracitados precedentes do STJ, no sentido da impossibilidade de creditamento dos valores relativos aos combustíveis, aplicase, pelas mesmas razões, aos reagentes químicos de limpeza. VII. Agravo interno improvido. Fl. 1466DF CARF MF 20 (AgInt no AREsp 908.161/SP, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/10/2016, DJe 04/11/2016) No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 19, de aplicação obrigatória a este Conselho: Súmula CARF nº19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Há, ainda, pleito relativo a determinadas glosas de Notas Fiscais nas quais constatou a empresa EIDAI como vendedora e compradora. Alega que, para a presente processo de IPI, deve ser aplicado o que restou decidido, acerca das provas, em processos do mesmo contribuinte e para o mesmo período relativamente à apuração do IRPJ e CSLL Todavia, com a devida vênia às razões respostas, observo que tal questão não foi tratada pela DRJ, muito provavelmente porque também não constam do relatório de diligência que suportou a recomposição do IPI. Ou seja, não há indício, nos presentes autos, de que tenham sido realizadas glosas sob o fundamento de que a própria Eidai aparecia como vendedora e compradora das mercadorias. O mesmo se refere a divergências relacionadas entre bases de cálculo utilizadas para o IPI e para o FUNRURAL; diferenças de ICMS e demais aspectos relacionados aos processos de IRPJ/CSLL, que teria, sido apreciados de forma equivocada pela Fiscalização. Ainda que tias divergências possam, de fato, existir, não foram pontadas de modo pormenorizado pelo contribuinte. Assim, nada a prover nesse aspecto. Por todo o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte para reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI apurado nos termos da Lei nº 9.363/96 sobre a aquisição de insumos de pessoas físicas e determinar o refazimento da apuração do IPI de modo a considerar corretamente os períodos de apuração do IPI, não transposição de saldos devedores entre períodos e vinculação entre Pedidos de Ressarcimento e Compensação apresentado pelo contribuinte. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 10280.004885/9759 Acórdão n.º 3201004.667 S3C2T1 Fl. 1.458 21 Fl. 1468DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001928/2007-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.604
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETES. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. SELIC. Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA INDUSTRIAL EM LIQUIDAÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 19 28 /2 00 7- 95 Fl. 898DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 3 2 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. Fl. 899DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 4 3 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302003.301, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Fl. 900DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 5 4 Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. Fl. 901DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 6 5 COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindose com as seguintes discussões: (i) dos fretes sobre operações de transferências de mercadorias; (ii) dos fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; (iii) do crédito presumido – atividade agroindustrial – produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; (iv) possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS e Cofins (v) previsão legal para a incidência da Selic. Efetuado o exame de admissibilidade pelo Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, após a apresentação de Agravo pelo contribuinte, mediante reexame da admissibilidade pelo Presidente da CSRF, foi dado seguimento ao recurso especial relativamente às matérias “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferência de insumos e Fl. 902DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 7 6 mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)”, “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes – 61.697.999)”; “enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/Cofins (61.697.4350) e “correção dos créditos pela taxa Selic (61.697.4353)”. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que apresentou, dentre outros, os seguintes argumentos: · Permitir que o contribuinte se credite de despesas necessárias, nos termos da legislação do imposto de renda redundaria em um aumento na distorção na base de cálculo dos tributos; · Como visto, na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; · Há vedação expressa quanto a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins nãocumulativos; · A autorização para ressarcir ou compensar o crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 conforme o inc. I e inc. e II do art. 36 opera efeitos para pedidos de compensação/ressarcimento realizados a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação da lei, isto é, a partir de 01/11/2009, tendo em vista que a publicação da Lei 12.058/2009 ocorreu em 14/10/2009; · Uma vez que a própria Lei estipulou expressamente que a compensação na forma do art. 36 não pode ser aplicada para pedidos de compensação anteriores ao mês subsequente à publicação da lei (novembro de 2009), deve ser negado provimento ao recurso especial do contribuinte neste ponto; · Os artigos 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a incidência da taxa Selic sobre crédito oriundo de ressarcimento de PIS e Cofins nãocumulativa, na medida em que estabelecem que o aproveitamento dessa modalidade de crédito não ensejará atualização monetária ou incidência de juros. É o relatório. Fl. 903DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.593, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 13161.001374/200726, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.593): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos de conhecimento constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de agravo. Eis o que diz o Despacho de agravo (Grifos meus): “[...] O escopo do agravo, nestes termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O despacho agravado, comum a todos eles, concluiu pelo não seguimento nos seguintes termos: (...) Demonstração da legislação interpretada divergentemente [...] Essa fundamentação alcança as cinco matérias que o recorrente queria levar ao colegiado superior, a saber, a: 1) possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre 1.1 despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352); 1.2) despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999); 2) Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 3) Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 4) correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353) O agravo apresentado procura demonstrar que o recurso especial cumpriu todos os requisitos regimentais, em especial, a indicação da legislação contrariada. Pede, ao final, que seja dado seguimento a ele na íntegra. Fl. 904DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 9 8 Com respeito às duas primeiras matérias, afirma que o recurso teria apontado que a legislação contrastada nos acórdãos seria o art. 3º, incisos II e IX das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições (10.637 e 10.833); quanto à terceira, seria o art. 13 da mesma Lei 10.833, já que o paradigma entendeu que ele não se aplicaria quando houvesse impedimento por parte da Administração. Esses os fatos. Para começar, deve ser enfatizado que os recursos foram apresentados quando já estava em vigor a Portaria MF 39, de fevereiro de 2016, que alterou a redação do § 1º do art. 67 do RICARF para: §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Vejase que, com essa alteração, que retirou a expressão "de forma objetiva" antes presente e que vinha levando à interpretação, aqui repetida, de que o parágrafo estaria a impor a indicação precisa e expressa do dispositivo legal interpretado divergentemente, apenas se exige que haja demonstração da legislação tributária que teria sido interpretada de forma divergente. Não se exige, de modo algum, que haja indicação expressa de algum dispositivo legal específico. Essa interpretação menos rigorosa já foi mesmo adotada pela própria Câmara Superior de Recursos Fiscais1: [...] Demais disso, é mesmo fato, como apontado no agravo, que o recurso especial apresentado trazia sim menções às legislações contrariadas. É certo que ele não está estruturado do modo exemplar que caracteriza o despacho que o examinou. Em especial, não destaca ele tópico específico para demonstrar o cumprimento, um a um, dos requisitos previstos no art. 67 do RICARF. Ele principia pela enunciação da matéria que entende ter sido analisada divergentemente, seguida de imediata indicação e transcrição da ementa do pretendido paradigma, passando, ato contínuo, a demonstrar a divergência em si. Isso, não obstante, é igualmente certo que o RICARF, e antes dele o próprio Decreto 70.235, não estabelecem forma rígida para apresentação dos recursos neles previstos. Por isso, ainda que a menção aos atos legais não seja bem ordenada, há de ser reconhecida, e superado, portanto, o óbice apontado. E, por economia processual, vêse desnecessário o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do cumprimento do requisito material de demonstração da divergência em relação às cinco matérias. Ela é manifesta. Com efeito, a primeira, exatamente na forma como enfrentada no recorrido, o foi no primeiro paradigma arrolado. Lá, contrariamente ao que se decidiu aqui, entendeuse possível a tomada de créditos sobre fretes pagos para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos. O mesmo se passa com as outras duas, bastando a leitura de suas ementas para se ver que se trata da mesma matéria com conclusões opostas. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)"; "possibilidade de tomada Fl. 905DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 10 9 de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999)"; "enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)"; "possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)" e "correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353)". Vêse que, relativamente ao item: · Créditos de fretes sobre operação de transferência de mercadorias, houve demonstração de divergência entre os arestos, vez que o aresto recorrido interpretou de uma forma o inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, diferentemente dos indicados como paradigmas que reconheceram o direito ao crédito sobre o mesmo item; · Créditos de fretes sobre compras de fertilizantes e sementes. O aresto recorrido entendeu pela impossibilidade de se constituir crédito sobre o custo de transporte, vez que a mercadoria importada transportada não teria sido onerada pelas contribuições. E os paradigmas se direcionam pelo reconhecimento dos mesmos créditos, vez que o custo do transporte não se vincula ao tratamento tributário dada às mercadorias objeto desse transporte. · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS Da mesma forma, houve a divergência, vez que o aresto paradigma reconhece o direito a apuração e ressarcimento do crédito sobre essas mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 do NCM. · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS Vide item acima. · Taxa Selic, da mesma forma houve a divergência. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em despacho de agravo – ou seja, das seguintes matérias: · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos; · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes); e · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS · Correção dos créditos pela taxa Selic. Ventiladas tais considerações, quanto às duas primeiras matérias trazidas e que envolvem a constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a discorrer. Fl. 906DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 11 10 No que tange à discussão envolvendo a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias, recordase que essa discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303 005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303 006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130, 9303 006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303 006.123, 9303006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303 006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303 006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303 005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303 005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303 005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303 005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Fl. 907DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 12 11 Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Fl. 908DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 13 12 Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Fl. 909DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 14 13 Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Fl. 910DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 15 14 Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Fl. 911DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 16 15 Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E Fl. 912DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 17 16 COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição Fl. 913DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 18 17 essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o transito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, tenho que os custos de fretes de mercadorias entre estabelecimentos são essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Proveitoso ainda trazer que, recentemente, a PGFN publicou a Nota SEI 63/18 – dispondo sobre o conceito de insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, considerando o decidido, em sede de repetitivo, pelo STJ que, por sua vez, entendeu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas INs SRF 247/2002 e 404/2004. Traz, em síntese, que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. E que para constatarmos que tal item seria essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo, seria importante fazer o “teste de subtração”. Eis a parte que traduz esse teste: “[...] Fl. 914DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 19 18 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]” Ou seja, se aplicarmos o teste de subtração para tal custo – a atividade do sujeito passivo seria efetivamente prejudicada. Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de mercadorias entre estabelecimentos. Continuando, relativamente à outra discussão, qual seja, possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes), entendo que tais fretes são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo – o que geraria crédito de PIS e Cofins. Ora, é de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte. Fl. 915DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 20 19 (...)1 Direcionandome para a última matéria trazida em recurso, qual seja, se há ou não correção pela taxa Selic sobre os créditos da Contribuição para o PIS e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da não cumulatividade, independentemente da forma de aproveitamento, curvome à Súmula CARF 125, recémpublicada – que já definiu entendimento no âmbito administrativo: “Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Sendo assim, nessa parte, nego provimento ao recurso do contribuinte. Diante do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e dou provimento parcial ao seu recurso." (...) "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, discordo de sua conclusão, quanto ao enquadramento da atividade de cerealista, como atividade industrial, para efeito de gozo do crédito presumido da agroindústria do PIS e da Cofins, e, consequentemente, quanto ao ressarcimento/compensação do seu saldo credor trimestral. O contribuinte pleiteia créditos presumidos da agroindústria, a título de PIS e da Cofins, calculados sobre os custos das aquisições de produtos agrícolas in natura (soja e milho), beneficiados e vendidos por ele também in natura. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: 1 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do enquadramento da atividade de cerealista como atividade industrial e do consequente direito ao aproveitamento do crédito presumido da agroindústria (a título de PIS e Cofins), por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.593 (processo 13161.001374/200723). Fl. 916DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 21 20 I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, conforme demonstrados nos autos, o contribuinte não utilizou os produtos agrícolas, soja e milho, como matériasprimas para a fabricação de produtos derivados desses cereais. Não houve industrialização alguma. Os cereais foram adquiridos, beneficiados e comercializados in natura nos mercados interno e externo. De fato, o contribuinte exerceu apenas e tão somente as atividades de limpar, secar, padronizar, armazenar e comercializar os cereais, soja e milho, in natura, ou seja, exerceu atividade agrícola que se enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, citado e transcrito anteriormente, que veda, de forma expressa, o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tal atividade. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo. As mercadorias produzidas industrialmente devem ser destinadas à alimentação humana ou animal e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir as matériasprimas de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e/ ou de cerealista, conforme previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004. Quanto ao ressarcimento/compensação do saldo credor do crédito presumido da agroindústria, ora reclamado, embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar tais créditos, demonstrase, a seguir, a falta de amparo legal para o seu ressarcimento/compensação. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: Fl. 917DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 22 21 "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A Cofins não incidirá sobre as receias decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, quanto ao aproveitamento de crédito presumido da agroindústria, a título de PIS e Cofins, e, consequentemente, não reconhecer o seu direito ao ressarcimento/compensação de tais créditos." Fl. 918DF CARF MF Processo nº 13161.001928/200795 Acórdão n.º 9303007.604 CSRFT3 Fl. 23 22 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes relativos ao transporte de insumos adquiridos com alíquota zero. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 919DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720127/2017-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE.
Desde que fundamentado pelo julgador, o indeferimento da perícia é motivo insuficiente para a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado.
DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS.
A diligência não é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete.
ATIVIDADE RURAL. FORMA DE APURAÇÃO DO RESULTADO TRIBUTÁVEL. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. ARBITRAMENTO. MEDIDA EXCEPCIONAL. ALTERAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MANUTENÇÃO DO CRITÉRIO ADOTADO PELO CONTRIBUINTE. LIMITE DO RESULTADO COM BASE NA RECEITA BRUTA.
A forma de apuração do resultado tributável da atividade rural é opção do contribuinte, exercida quando da entrega da Declaração de Ajuste Anual, não cabendo a sua alteração após iniciado o procedimento de ofício e lavrado o auto de infração, de acordo com o que lhe for mais favorável. No caso da opção pela diferença entre a receita bruta total e as despesas de custeio e investimentos, o lançamento de ofício não ficará limitado a 20% da receita bruta do ano-calendário.
O arbitramento da base de cálculo do resultado tributável à razão de 20% da receita bruta do ano-calendário deve constituir medida excepcional no procedimento de ofício. As deficiências de escrituração não conduzem inevitavelmente ao arbitramento quando o agente fiscal constata que o valor probatório do conjunto de documentos que tem à sua disposição não está comprometido, desfrutando de elementos sérios e convergentes para suplantar as irregularidades e apurar a base de cálculo da atividade rural na sistemática de opção do contribuinte.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
(Súmula CARF nº 26)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EMPRÉSTIMOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A alegação de que os valores em conta corrente representam a concessão ou devolução de empréstimos para justificar a origem de depósitos bancários demanda a comprovação por meio de apresentação de documentação hábil e idônea.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. REITERAÇÃO DA CONDUTA. NECESSIDADE DA AVALIAÇÃO DO CONJUNTO PROBATÓRIO. DÚVIDA SOBRE A EXISTÊNCIA DO DOLO.
Para a aplicação de penalidade mais gravosa é necessária a demonstração pela autoridade lançadora da intenção firme do infrator de praticar a conduta ilícita perante o Fisco, não deixando margem de dúvida a respeito da existência do dolo. Quando não evidenciado pelo conjunto probatório a ocorrência das condições que autorizam a majoração da multa de ofício até o importe de 150%, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindo-a ao patamar trivial de 75%.
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O patamar mínimo da multa de ofício é fixo e definido objetivamente pela lei, no percentual de 75%, não dando margem a considerações sobre a graduação da penalidade, o que impossibilita o julgador administrativo afastar ou reduzir a penalidade no lançamento.
RECURSO DE OFÍCIO. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO QUE EXONEROU O SUJEITO PASSIVO.
Confirma-se, pelos seus próprios fundamentos, a decisão de primeira instância que exonerou o sujeito passivo do pagamento de parte do crédito tributário lançado pela fiscalização.
DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. ENCARGOS FINANCEIROS. COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS.
Para fins das despesas de custeio e/ou investimentos, devem ser considerados na apuração do resultado da atividade rural os pagamentos comprovados de encargos financeiros relacionados a empréstimos contraídos para a manutenção e/ou aporte na atividade rural.
Numero da decisão: 2401-005.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas no recurso voluntário. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a qualificadora da multa, reduzindo-a para 75%. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso voluntário. Vencido, em primeira votação, o conselheiro Matheus Soares Leite que dava provimento parcial em maior extensão para recalcular o resultado proveniente da atividade rural em 20% da receita bruta.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012, 2013, 2014 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE. Desde que fundamentado pelo julgador, o indeferimento da perícia é motivo insuficiente para a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado. DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. A diligência não é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. ATIVIDADE RURAL. FORMA DE APURAÇÃO DO RESULTADO TRIBUTÁVEL. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. ARBITRAMENTO. MEDIDA EXCEPCIONAL. ALTERAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MANUTENÇÃO DO CRITÉRIO ADOTADO PELO CONTRIBUINTE. LIMITE DO RESULTADO COM BASE NA RECEITA BRUTA. A forma de apuração do resultado tributável da atividade rural é opção do contribuinte, exercida quando da entrega da Declaração de Ajuste Anual, não cabendo a sua alteração após iniciado o procedimento de ofício e lavrado o auto de infração, de acordo com o que lhe for mais favorável. No caso da opção pela diferença entre a receita bruta total e as despesas de custeio e investimentos, o lançamento de ofício não ficará limitado a 20% da receita bruta do ano-calendário. O arbitramento da base de cálculo do resultado tributável à razão de 20% da receita bruta do ano-calendário deve constituir medida excepcional no procedimento de ofício. As deficiências de escrituração não conduzem inevitavelmente ao arbitramento quando o agente fiscal constata que o valor probatório do conjunto de documentos que tem à sua disposição não está comprometido, desfrutando de elementos sérios e convergentes para suplantar as irregularidades e apurar a base de cálculo da atividade rural na sistemática de opção do contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EMPRÉSTIMOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A alegação de que os valores em conta corrente representam a concessão ou devolução de empréstimos para justificar a origem de depósitos bancários demanda a comprovação por meio de apresentação de documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. REITERAÇÃO DA CONDUTA. NECESSIDADE DA AVALIAÇÃO DO CONJUNTO PROBATÓRIO. DÚVIDA SOBRE A EXISTÊNCIA DO DOLO. Para a aplicação de penalidade mais gravosa é necessária a demonstração pela autoridade lançadora da intenção firme do infrator de praticar a conduta ilícita perante o Fisco, não deixando margem de dúvida a respeito da existência do dolo. Quando não evidenciado pelo conjunto probatório a ocorrência das condições que autorizam a majoração da multa de ofício até o importe de 150%, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindo-a ao patamar trivial de 75%. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O patamar mínimo da multa de ofício é fixo e definido objetivamente pela lei, no percentual de 75%, não dando margem a considerações sobre a graduação da penalidade, o que impossibilita o julgador administrativo afastar ou reduzir a penalidade no lançamento. RECURSO DE OFÍCIO. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO QUE EXONEROU O SUJEITO PASSIVO. Confirma-se, pelos seus próprios fundamentos, a decisão de primeira instância que exonerou o sujeito passivo do pagamento de parte do crédito tributário lançado pela fiscalização. DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. ENCARGOS FINANCEIROS. COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS. Para fins das despesas de custeio e/ou investimentos, devem ser considerados na apuração do resultado da atividade rural os pagamentos comprovados de encargos financeiros relacionados a empréstimos contraídos para a manutenção e/ou aporte na atividade rural.
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INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE. Desde que fundamentado pelo julgador, o indeferimento da perícia é motivo insuficiente para a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado. DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. A diligência não é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. ATIVIDADE RURAL. FORMA DE APURAÇÃO DO RESULTADO TRIBUTÁVEL. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. ARBITRAMENTO. MEDIDA EXCEPCIONAL. ALTERAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MANUTENÇÃO DO CRITÉRIO ADOTADO PELO CONTRIBUINTE. LIMITE DO RESULTADO COM BASE NA RECEITA BRUTA. A forma de apuração do resultado tributável da atividade rural é opção do contribuinte, exercida quando da entrega da Declaração de Ajuste Anual, não cabendo a sua alteração após iniciado o procedimento de ofício e lavrado o auto de infração, de acordo com o que lhe for mais favorável. No caso da opção pela diferença entre a receita bruta total e as despesas de custeio e investimentos, o lançamento de ofício não ficará limitado a 20% da receita bruta do anocalendário. O arbitramento da base de cálculo do resultado tributável à razão de 20% da receita bruta do anocalendário deve constituir medida excepcional no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 01 27 /2 01 7- 83 Fl. 2582DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.583 2 procedimento de ofício. As deficiências de escrituração não conduzem inevitavelmente ao arbitramento quando o agente fiscal constata que o valor probatório do conjunto de documentos que tem à sua disposição não está comprometido, desfrutando de elementos sérios e convergentes para suplantar as irregularidades e apurar a base de cálculo da atividade rural na sistemática de opção do contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EMPRÉSTIMOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A alegação de que os valores em conta corrente representam a concessão ou devolução de empréstimos para justificar a origem de depósitos bancários demanda a comprovação por meio de apresentação de documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. REITERAÇÃO DA CONDUTA. NECESSIDADE DA AVALIAÇÃO DO CONJUNTO PROBATÓRIO. DÚVIDA SOBRE A EXISTÊNCIA DO DOLO. Para a aplicação de penalidade mais gravosa é necessária a demonstração pela autoridade lançadora da intenção firme do infrator de praticar a conduta ilícita perante o Fisco, não deixando margem de dúvida a respeito da existência do dolo. Quando não evidenciado pelo conjunto probatório a ocorrência das condições que autorizam a majoração da multa de ofício até o importe de 150%, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindoa ao patamar trivial de 75%. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O patamar mínimo da multa de ofício é fixo e definido objetivamente pela lei, no percentual de 75%, não dando margem a considerações sobre a graduação da penalidade, o que impossibilita o julgador administrativo afastar ou reduzir a penalidade no lançamento. RECURSO DE OFÍCIO. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO QUE EXONEROU O SUJEITO PASSIVO. Fl. 2583DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.584 3 Confirmase, pelos seus próprios fundamentos, a decisão de primeira instância que exonerou o sujeito passivo do pagamento de parte do crédito tributário lançado pela fiscalização. DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. ENCARGOS FINANCEIROS. COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS. Para fins das despesas de custeio e/ou investimentos, devem ser considerados na apuração do resultado da atividade rural os pagamentos comprovados de encargos financeiros relacionados a empréstimos contraídos para a manutenção e/ou aporte na atividade rural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas no recurso voluntário. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a qualificadora da multa, reduzindoa para 75%. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso voluntário. Vencido, em primeira votação, o conselheiro Matheus Soares Leite que dava provimento parcial em maior extensão para recalcular o resultado proveniente da atividade rural em 20% da receita bruta. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Cuidase de recurso de ofício interposto pelo Presidente da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) e de recurso voluntário manejado pelo sujeito passivo em face do Acórdão nº 0277.812, de Fl. 2584DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.585 4 05/12/2017, cujo dispositivo tratou de considerar parcialmente procedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido no auto de infração (fls. 2.448/2.476): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013, 2014, 2015 GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. Revelamse regulares as glosas de despesas da atividade rural mantidas quando o contribuinte não consegue comprovar por documentos hábeis e idôneos a vinculação de tais despesas com as atividades desenvolvidas. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL NÃO DECLARADA. PREJUÍZOS DA ATIVIDADE RURAL. Os depósitos constantes dos extratos bancários do contribuinte quando identificados como receitas da atividade rural e reconhecidos pelo próprio fiscalizado são assim considerados para fins de lançamento tributário. O prejuízo da atividade rural de anos anteriores utilizados para abater infração de omissão de receitas da atividade rural em anoscalendário anteriores aos do lançamento não poder ser utilizados novamente em favor do contribuinte. RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. OPÇÃO DA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. ALTERAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. A regra geral da tributação dos rendimentos da atividade rural é pelo confronto das receitas brutas com as despesas incorridas no curso do anocalendário. Pode o contribuinte optar, quando da entrega da Declaração de Ajuste Anual, pela tributação de 20% da receita bruta do anocalendário. A opção é exercida no ato da entrega da declaração, no anexo da atividade rural, não podendo o sujeito passivo, a qualquer tempo, mormente depois de iniciado o procedimento de ofício, alterar a opção da tributação de tais rendimentos, de acordo com o que lhe for mais favorável. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, conforme disposto no art. 42 da Lei 9.430/96. Cabe ao sujeito passivo apresentar prova documental que demonstrem que os depósitos bancários realizados em suas contas decorrem da atividade rural, para se beneficiar da Fl. 2585DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.586 5 tributação diferenciada conferida aos rendimentos desse tipo de atividade. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO POSTERIOR. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o impugnante apresentála em momento posterior, salvo se demonstrado motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Indeferese o pedido de perícia quando tal providência for desnecessária à solução da lide. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. ARGUIÇÃO DE EFEITO DE CONFISCO. REDUÇÃO DA PENALIDADE. As informações, em declaração apresentada ao Fisco, de receita da atividade rural reiteradamente inferior às auferidas, com o propósito de reduzir o resultado da atividade rural efetivamente percebido, justificam a imposição de multa de ofício qualificada. A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal. A redução da multa de ofício somente é concedida em casos específicos, se cumpridos os requisitos previstos na legislação tributária. Impugnação Procedente em Parte Extraise do Relatório Fiscal, acostado às fls. 1.745/1.783, que o processo administrativo é composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente aos anoscalendário de 2012, 2013 e 2014, acrescido de juros de mora e multa de ofício, decorrente das seguintes infrações: (i) despesas da atividade rural não comprovadas e/ou indedutíveis, de acordo com a legislação (fls. 1.766/1.768); (ii) compensação indevida de prejuízos da atividade rural (fls. 1.768/1.769); (iii) omissão de receitas da atividade rural (fls. 1.769/1.773); e (iv) omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada (fls. 1.774/1.775). Fl. 2586DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.587 6 Em relação à omissão de receitas da atividade rural, a autoridade lançadora procedeu à qualificação da multa de ofício (fls. 1.777/1.782). O procedimento fiscal contou com o compartilhamento de dados bancários colhidos mediante afastamento do sigilo bancário de investigados, acusados ou condenados no âmbito da denominada "Operação Lavajato", autorizado pela Justiça Federal do Paraná (fls. 29/30). Com o lançamento de ofício, a fiscalização efetuou a alteração do resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício (fls. 31/179). O Auto de Infração está juntado às fls. 1.722/1.742. Cientificado do auto de infração em 14/06/2017, o sujeito passivo impugnou a exigência fiscal em 14/07/2017 (fls. 1.877/1.879 e 1.885/1.931). No julgamento em primeira instância, o colegiado decidiu pela procedência parcial da impugnação, haja vista que houve: (i) redução da glosa de despesas da atividade rural, em razão da comprovação de pagamentos de encargos financeiros decorrentes de empréstimos para a manutenção da fonte produtora dos rendimentos; e (ii) comprovação da origem e natureza de alguns depósitos bancários, considerados pela fiscalização como omissão de rendimentos tributáveis. Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada de que trata a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, a autoridade competente de primeira instância interpôs o recurso de ofício. Intimada em 30/01/2018, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, a pessoa física apresentou recurso voluntário em 28/02/2018, em que aduz os seguintes argumentos de fato e de direito contra a decisão de piso (fls. 2.484/2.488 e 2.490/2.533). (i) em preliminar, a violação aos princípios da estrita legalidade, da ampla defesa e do contraditório, tendo em conta o indeferimento da prova pericial; (ii) com base na busca da verdade material, cabe a realização de diligências junto a instituições financeiras para que apresentem documentos dos valores pagos pelo contribuinte relacionados a amortização, juros e encargos de empréstimos e financiamentos vinculados à sua atividade rural; (iii) no caso do lançamento de ofício, a fiscalização deveria apurar a base de cálculo da atividade rural à razão de 20% (vinte por cento) da receita bruta conhecida; Fl. 2587DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.588 7 (iv) em relação aos valores depositados em conta corrente bancária, supostamente sem origem comprovada, a simples movimentação não corporifica fato gerador do imposto de renda, não sendo possível estabelecer uma correlação direta entre o montante dos depósitos e a omissão de rendimentos; (v) não basta a presunção legal que os depósitos bancários constituem renda tributável, visto que é imprescindível que a autoridade fazendária comprove a utilização dos valores depositados como renda consumida pelo recorrente; (vi) há prova de mútuo firmado entre o recorrente e sua excompanheira Andréa Kushiyama, no total de R$ 360.000,00; (vii) é indevida a aplicação da multa qualificada ao lançamento fiscal, ante a ausência de indícios do intuito doloso na conduta do recorrente com a finalidade de sonegação ou fraude, tendo havido apenas erros cometidos quando da contabilização das receitas e despesas da atividade rural; e (viii) é igualmente cabível a redução da multa de ofício ao patamar de 20%, sob pena de violação da garantia constitucional que impede a utilização de tributo com efeito de confisco. Encaminhado o processo para a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, o Procurador da Fazenda Nacional ofereceu contrarrazões, por meio das quais refuta os argumentos do recurso voluntário e requer o desprovimento do apelo interposto pelo sujeito passivo, mantendose a decisão recorrida (fls. 2.562/2.579). É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Recurso de Ofício Juízo de admissibilidade Fl. 2588DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.589 8 Formalizado na própria decisão, o recurso de ofício foi interposto pela autoridade de primeira instância em harmonia com as normas aplicáveis à matéria, dada que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário em valor superior ao limite de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), estabelecido pela Portaria MF nº 63, de 2017. Uma vez satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, dele tomo conhecimento. Mérito O fiscalizado optou, de acordo com a DAA dos anoscalendário de 2012 a 2014, pela apuração do resultado tributável da exploração da atividade rural mediante a diferença entre os valores das receitas e o montante das despesas de custeio/investimento pagas no respectivo anocalendário (fls. 31/179). A partir do exame de documentos e/ou respostas fornecidos pelo contribuinte, extratos bancários obtidos de instituições financeiras e outros documentos apresentados por terceiros no curso de diligências fiscais o lançamento manteve o critério adotado pelo contribuinte, com apuração das receitas comprovadamente vinculadas a atividade rural e despesas pagas no respectivo no anocalendário. Além disso, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o agente fazendário considerou omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada quando não houve a confirmação que os numerários depositados provinham de receitas do exercício da atividade rural, haja vista a falta de apresentação de documento e/ou justificativa hábil para demonstrar a origem e a natureza dos créditos em conta corrente. Nesse cenário, a exoneração do crédito tributário deve ser confirmada pelos próprios fundamentos do acórdão de primeira instância, cuja decisão de piso mostrouse minudente na análise dos elementos de prova e justificou os pressupostos de fato e direito para a redução do imposto de renda lançado de ofício. Com efeito, quanto às despesas de custeio/investimento, o acórdão de primeira instância acatou a importância R$ 8.003.381,39, relativos a juros bancários de empréstimos contraídos para a manutenção e/ou aporte na atividade rural, com base na apresentação de documentação comprobatória disponibilizada pelo contribuinte na fase do contencioso administrativo. No que tange à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, a documentação acostada pelo impugnante comprovou que créditos bancários, no total de R$ 168.410,50, tiveram origem em fatos não tributáveis ou já submetidos à tributação do imposto. Reproduzo, abaixo, os correspondentes trechos do acórdão de primeira instância, que, desde já, acolho como razões para homologar a decisão que exonerou o sujeito passivo do pagamento de parte do crédito tributário, negando, desse modo, provimento ao recurso de ofício (fls. 2.461/2.474): Fl. 2589DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.590 9 "(...) 3) Glosas de despesas de custeio/investimento (...) Argumentouse ainda que os encargos financeiros decorrentes dos empréstimos realizados para a manutenção da atividade rural não haviam sido informados na coluna de despesas da atividade rural da DIRPF e a documentação comprobatória também não foi disponibilizada completamente aos autuantes durante o procedimento fiscal. De fato, o texto legal transcrito, especialmente o § 11 do artigo 62 da Lei 8.023/90, prevê a possibilidade da dedução dos valores pagos a este título. No seu pedido o impugnante elaborou dois quadros com os valores de encargos financeiros que deveriam ser considerados. O primeiro, à fl. 1.903 diz respeito a despesas financeiras pagas no ano de 2012 no montante de R$ 8.923.310,43 e o segundo correspondente aos juros e acessórios pagos no ano de 2014 no valor de R$ 6.015.786,10, fl. 1.906. Tanto no texto da peça de defesa quanto em documento produzido por empresa de auditoria especializada contratada pelo contribuinte, os valores dos juros pagos em 2013 foram estimados em R$ 4.000.000,00, conforme se observa da leitura de um dos parágrafos da defesa à fl. 1.906 e do próprio documento emitido pela empresa contratada, fl. 1.942. Ainda assim foi elaborado por esta empresa um novo quadro que contempla tanto os valores supostamente pagos nos anos de 2012 (R$ 8.923.310,43) e 2014 (R$ 6.015.786,10) quanto o montante de R$ 4.000.000,00, desembolsado no ano de 2013. Com isto o total de encargos de financiamento da atividade rural a ser considerado alcançaria nos três anoscalendário a importância de R$ 11.330.854,66. (...) De posse da planilha elaborada pela empresa de auditoria, documento que serviu para subsidiar os argumentos de defesa, foi necessário confrontar os valores presentes nesta relação acostada às fls. 1.957 e 1.958 com os discriminativos de despesas da atividade rural entregues pelo contribuinte à equipe de fiscalização. Os documentos disponibilizados à fiscalização fazem parte de arquivos não pagináveis. São documentos entregues pelo contribuinte em mídia digital que a fiscalização, depois de fazer a depuração e os necessários confrontos elaborou planilhas demonstrativas de divergências em relação às despesas da atividade rural. O conteúdo do documento é de conhecimento do contribuinte, até porque ele próprio o disponibilizou aos autuantes, conforme comprova o Termo de anexação de fl. 28. (...) O primeiro exame realizado foi em relação ao anocalendário 2012 em que o contribuinte afirmou ter havido despesas com pagamento de encargos financeiros da ordem de R$ 8.923.310,46. Na relação juntada pela defesa, fls. 1.957 e 1958, de quarenta e quatro (44) pagamentos junto ao Banco do Brasil, apenas um (1) no valor de R$ 16.669,35, ocorrido em Fl. 2590DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.591 10 13/7/2012, relacionado a juros CPR BB JC CTR 381010 não consta da relação de despesas disponibilizadas à fiscalização e acatadas durante o procedimento fiscal. Entretanto, a prova de que os juros foram efetivamente pagos não veio aos autos. A defesa trouxe aos autos diversos documentos bancários dando conta da quitação de encargos financeiros, mas quanto a este valor inerente ao contrato 00381010 somente a Cédula de Produtor Rural de fl. 2.139 foi juntada. Na sequência foram analisados dois pagamentos de encargos junto ao Banco Original nos valores de R$ 3.417.223,57 e R$ 974.790,29 realizados em 28/5/2012 relacionados aos contratos 2355 e 2472. Na documentação entregue à fiscalização tais valores não constam como despesas no ano de 2012 e por isso não foram consideradas. Entretanto, nos documentos juntados pela defesa consta o pagamento de juros referentes a CPR Título 2355 no dia 28/5/2012 no valor de R$ 341.571,88. Desse modo, em relação ao contrato 2355 é acatada a despesa no valor de R$ 3.075.651,69, já deduzido o valor integrante da relação de despesas apresentadas e integralmente o valor de R$ 974.790,29 referente ao contrato 2472, o que totaliza R$ 4.050.441,98. A prova de que de fato os pagamentos foram realizados é o extrato emitido pelo banco na fl. 1.999, no qual é possível identificar o valor dos encargos pagos em cada um dos contratos. Para nove (9) pagamentos constantes na planilha de fl. 1.957 e 1.958 destinados ao banco Santander, cinco deles constam da relação de despesas entregues à fiscalização e que já foram acatados. Todos correspondem a pagamentos no dia 28/2/2012 e estão relacionados aos contratos 520, 530, 540, 550 e 560. Os outros quatro (4) pagamentos ocorridos em 1/12/2012 e relacionados aos contratos 43070, 44070, 45070 e 80501 não figuram no discriminativo de despesas do ano de 2012, mas estão devidamente comprovados nos valores de R$ 4.595,24, R$ 4.689,55, R$ 5.025,99 e R$ 1.047,20, como demonstra o documento de fl. 1.960, o que totaliza R$ 15.357,98. Notase que o valor acatado é superior àquela diferença pleiteada pelo contribuinte. Conforme visto linhas atrás a defesa estimou em R$ 4.000.000,00 o valor dos encargos financeiros pagos no ano de 2013 que não foram incluídos nas planilhas de despesas levadas ao conhecimento da fiscalização. Para verificar a veracidade dos argumentos o cruzamento das informações da planilha elaborada pela empresa de auditoria contratada pelo impugnante com a relação de despesas disponibilizadas à fiscalização revelou que R$ 1.615.732,92 foram destinados ao Banco do Brasil e ao Santander e não foram considerados como despesas da atividade rural. Os valores de R$ 17.118,37 e R$ 1.014.010,51 de 11/1/2013, relacionados ao contrato 1301666 do Banco do Brasil são confirmados à fl. 2.067, assim como os pagamentos de R$ 54.324,98 e R$ 6.129,65 vinculados ao contrato 1671109, comprovados à fl. 2.069 ocorridos em 15/8/2013 e 16/8/2013. Outros quatro pagamentos, desta vez, realizados no banco Santander no dia 1/12/2013 e relacionados aos contratos 80501, 43070, 44070, e 45070 nos valores de R$ 7.571,23, R$ 37.540,35, R$ 33.208,00 e R$ 34.333,23 estão devidamente comprovados à fl. 1.961. No ano de 2014, apesar de quatorze (14) pagamentos relacionados pela defesa não terem constado no discriminativo de despesas disponibilizado à fiscalização, o Fl. 2591DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.592 11 contribuinte juntou aos autos os comprovantes da efetiva quitação de parte dos encargos. Os valores comprovados nas datas de 30/5/2014, 6/6/2014, 11/6/2014 e 30/12/2014 são de R$ 48.915,61, R$ 1.763.624,88, R$ 40.079,97, R$ 2.439,75, R$ 46.989,89, R$ 66.918,09, R$ 1.219.661,36, R$ 319.247,51, R$ 1.577,94, R$ 71,97, e R$ 15.705,23, vinculados aos contratos 130166, 1671109, 1526900, 1532443, 1471277 e 2200073. Três pagamentos não puderam ser aceitos porque não há comprovação do seu desembolso. São os valores relacionados aos contratos 22/000739 (R$ 2.311.589,24), 10422 (R$ 40.079,97) e 2200073 (R$ 1.240,77), este por expressa disposição legal porque correspondente à correção monetária. Especificamente quanto ao contrato 22/000739 juntado às fls. 2.234 a 2.246 o documento se refere a uma novação de dívida contraída junto ao Banco do Brasil com primeira parcela vencendo em 30/10/2014, embora na cláusula que versa sobre encargos financeiros conste que estes serão devidos a partir de 29/4/2014. Mas como dito anteriormente, a exemplo de outros valores que foram acatados, não há qualquer comprovação de que o contribuinte tenha sofrido o desconto ou que tenha realizado o pagamento no valor de R$ 2.311.589,24. Ainda foram considerados cinco (5) pagamentos ao banco Santander no dia 1/12/2014 nos valores de R$ 13.056,07, R$ 4.740,13, R$ 39.058,13, R$ 39.859,49 e R$ 40.930,10 com vinculação aos contratos 80501, 60001611, 43070, 44070 e 45070. A comprovação dos gastos consta da fl. 1.962. O total de despesas acatadas em sede de julgamento no anocalendário 2014 é de R$ 4.031.260,12. A fiscalização elaborou as planilhas 2 e 3 para demonstrar o valor total das despesas incluídas na DIRPF, aquelas apresentadas pelo contribuinte, as não dedutíveis, as dedutíveis, as despesas glosadas e a glosa considerando a compensação de saldo positivo no mês anterior. Neste último caso ocorre o saldo positivo quando o contribuinte comprovou mais despesas que aquelas incluídas na DIRPF. Partindo do mesmo raciocínio da fiscalização, na tabela adiante reproduzida serão acrescentados os valores comprovadamente trazidos pela defesa juntamente com a peça impugnatória, o que irá alterar o total das despesas glosadas. (...) Como se verifica todo o saldo positivo originado em maio de 2012, somado aos saldos positivos apurados em meses posteriores, foram capazes de eliminar os saldos negativos em diversos meses nos três anoscalendário. A apresentação de documentação hábil e idônea pelo contribuinte fez com que parte considerável das despesas glosadas fosse diminuída. Desse modo a glosa de despesas da atividade rural passou a ser de R$ 310.564,20 no anocalendário 2012, R$ 1.685.929,21 no anocalendário 2013 e R$ 629.086,60 no ano calendário 2014. (...)" 4) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada Fl. 2592DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.593 12 (...) A comprovação de origem apta a elidir a tributação em comento, deve ser efetuada com a apresentação de documentação hábil e idônea que permita identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que deixe clara a natureza dos depósitos questionados. Feitos esses registros devem ser examinados os argumentos da defesa em relação a alguns créditos mantidos em suas contas bancárias. Sobre o valor de R$ 146.402,84, depositado em 20/4/2012, de fato a documentação acostada aos autos demonstra que houve uma operação de desconto tendo o contribuinte recebido este valor já abatidos os juros, fl. 2.268. Assim como houve a comprovação da origem e natureza da operação, tal quantia será excluída do lançamento. Da mesma forma deve ser excluído o valor de R$ 4.507,66 porque os documentos acostados às fls. 2.284 a 2.301 comprovam a devolução do valor de título pago. Requereu o contribuinte fosse considerado o valor de R$ 17.500,00 porque segundo o Relatório Fiscal os autuantes afirmaram que quando identificados, foram excluídos todos os créditos decorrentes de transferências originadas de diversas pessoas, entre elas, Maurício de Barros Bumlai. Apesar de não constar o nome de Maurício Bumlai como depositante, é possível verificar pelos documentos de fls. 2.302 e 2.304 que no extrato bancário consta o CPF do depositante. Logo, este valor também deve ser excluído seguindo a linha de raciocínio utilizada pela fiscalização. (...) 8) Da retificação do lançamento (...) Por sua vez as glosas de despesas da atividade rural e parte dos depósitos bancários que subsidiaram a infração de omissão de rendimentos por presunção legal foram parcialmente acatadas, diante das provas trazidas aos autos. Os valores finais de glosa de despesas da atividade rural, após as devidas retificações são os seguintes: 2012 – janeiro, fevereiro, março e abril, respectivamente os valores de R$ 115.339,32, R$ 38.246,08, R$ 52.445,64 e R$ 104.533,16, o que totaliza no anocalendário uma glosa de R$ 310.564,20; 2013 – novembro e dezembro, respectivamente os valores de R$ 759.010,86 e R$ 926.898,35, o que totaliza uma glosa de R$ 1.685.929,21; 2014 – janeiro, fevereiro, março e abril, respectivamente os valores de R$ 132.245,21, R$ 292.825,16, R$ 132.131,46 e R$ 71.884,77, o que totaliza uma glosa de R$629.086,60. Fl. 2593DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.594 13 Considerando a tabela de fls. 1.154 e 1.155 elaborada pela fiscalização e aquela constante das fls. 2.466 e 2.467, que integram este voto, o total de despesas acatadas foi de R$ 403.692,05 em 2012, R$ 4.886.324,53 em 2013 e R$ 2.713.364,81 em 2014. No caso dos depósitos bancários são excluídos os valores de R$ 146.402,84 de 4/2012, R$ 4.507,66 de 1/2013 e R$ 17.500,00 de 10/2014. (...)" Recurso Voluntário Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminares a) Prova pericial Segundo o recorrente, o indeferimento do pedido de perícia pelo acórdão recorrido violou o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, fazendose necessária a anulação do julgamento para permitir a produção da prova pericial tempestivamente requerida. Pois bem. O exame pericial é um meio de prova, necessário apenas quando a elucidação de fato ou a análise de matéria demanda o auxílio de um especialista em determinado ramo específico do conhecimento. É dizer que a realização da perícia não constitui direito subjetivo do interessado. Desde que fundamentado pelo julgador, o indeferimento da perícia não é motivo suficiente para declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica para a elucidação dos fatos e/ou como instrumento de convicção para a solução da lide (art. 18, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). A decisão impugnada motivou expressamente a sua recusa, devidamente consignada no acórdão de origem, entendendo como prescindível a produção da prova pericial solicitada pela parte autuada (fls. 2.473): (...) Do exame da peça impugnatória verificase que o contribuinte requereu a produção de prova pericial, inclusive tendo indicado assistente técnico e quesitos. Fl. 2594DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.595 14 O deferimento para realização de perícia somente é imprescindível quando o fato a ser provado depender de conhecimentos técnicos ou especiais. No presente caso, o autor não contesta as omissões de receita, nem a glosa de compensação de prejuízos da atividade rural. Centra seus esforços na tentativa de provar que realizou despesas em valores superiores àqueles declarados e até mesmo demonstrados à fiscalização durante o procedimento fiscal. Alcançou seus objetivos porque grande parte das despesas cuja comprovação foi trazida em sede de impugnação acabou sendo acatada neste voto. Da mesma forma, os depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte trouxe a prova da origem e natureza também foram excluídos do lançamento. Situações como estas, apesar de demandar certo tempo no cruzamento das informações, não requerem maiores esforços intelectuais. Sendo prescindível a prova pericial, ela deve ser indeferida conforme dispõe o artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Em minha análise, as razões em primeira instância para a desnecessidade da perícia não merecem reparo. Acrescento que as próprias questões indicadas pelo contribuinte demonstram a prescindibilidade da designação de perícia contábil e fiscal para o deslinde do feito. Para melhor visualização da quesitos, eis o rol sugerido pelo recorrente para que fosse respondido pelo "auditor autônomo e independente" (fls. 2.531/2.532): (...) Outrossim, sem prejuízo de apresentação, oportunamente, de quesitos suplementares, o Recorrente oferece as seguintes questões: 1) Poderia e/ou deveria o auditor ter solicitado, no início de processo fiscalização, o Livro Caixa da Atividade Rural? 2) Foram identificados, na documentação apresentada durante o processo de fiscalização, documentos hábeis referentes a pagamentos de juros e encargos de empréstimos e financiamentos rurais? 3) Com base no Relatório de Ação Fiscal, é possível identificar o critério para a glosa de despesas consideradas "indedutíveis" Fl. 2595DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.596 15 conforme demonstrado nas Planilhas 2 e 3? Se sim, qual o critério utilizado? 4) Com base no Relatório de Ação Fiscal, é possível identificar se existe alguma análise, por parte da fiscalização, de despesas de acordo com a sua natureza? Se sim, qual metodologia foi utilizada para tal análise? 5) Com base no Relatório de Ação Fiscal, é possível identificar se houve análise completa, por parte da fiscalização, de todas as fichas da DIRPF, de modo a identificar possíveis inconsistências de informações apresentadas, por natureza, tendo em vista constar na DIRPF valores relevantes de dívidas da atividade rural (operações de crédito)? Em caso afirmativo, qual a conclusão encontrada após esta análise? 6) Tendo em vista que o Passivo Financeiro (ficha "Dívidas da Atividade Rural") é um dos valores mais significativos da DIRPF, é possível identificar no Relatório de Ação Fiscal o motivo da fiscalização não ter circularizado as instituições financeiras acerca dos valores declarados? 7) Outros esclarecimentos pertinentes. Como se percebe do texto em destaque, os quesitos formulados pelo contribuinte estão associados à necessidade de um juízo de compreensão e avaliação sobre o conteúdo do relatório fiscal que acompanha o auto de infração, e seus anexos, cuja autoridade julgadora tem conhecimento bastante para fazêlo, já que intrínseco à sua atribuição funcional, independentemente de auxílio técnico especializado para convicção sobre os fatos e interpretação da matéria litigada. De todo modo, se alguma dúvida houver acerca do procedimento fiscal, o julgador pode solicitar esclarecimentos adicionais ao agente fiscal responsável pelo lançamento, com posterior oferecimento do contraditório ao contribuinte. Não é o caso, contudo. b) Pedido de diligência Em suas razões recursais o sujeito passivo reitera o pedido de intimação de instituições financeiras, nas quais firmou contratos de empréstimos e financiamentos, para obter documentos relativos às operações dos anoscalendário 2012 a 2014, com vistas à comprovação do encargos financeiros pagos vinculados à atividade rural. Pois bem. A determinação de diligência pelo julgador não se destina a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete, já que é atribuição do interessado a demonstração dos fatos que tenha alegado (art. 28, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011). Mais uma vez, reproduzo os fundamentos da decisão de piso, que bem pontuou a questão (fls. 2.472/2.473): (...) Fl. 2596DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.597 16 É bem verdade que a administração tributária deve promover de ofício as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível decidir de maneira justa. Mas tais procedimentos não excluem o dever do contribuinte de produzir as provas necessárias a contraditar aquilo que foi apurado na ação fiscal. (...) Durante o procedimento fiscal os autuantes cumpriram o seu papel e prorrogaram por sucessivas vezes os prazos de intimação para que o contribuinte apresentasse as provas que julgasse necessárias. Já ciente do Relatório de Fiscalização o impugnante deveria ter se dirigido às instituições financeiras e solicitado os referidos comprovantes. Com a documentação juntada na impugnação foi possível reverter parte considerável das despesas glosadas da atividade rural, mas em relação àquelas remanescentes, o contribuinte não pode converter uma faculdade sua em obrigação do Fisco. O pedido na verdade é para que Administração Tributária lhe faça as vezes na busca da prova capaz de desconstituir aquilo que não foi comprovado durante a fiscalização, nem agora em sede de impugnação. (...) De modo análogo a preliminar de perícia, cabe o indeferimento do pedido de diligência formulado pelo recorrente. Mérito a) Apuração do resultado da atividade rural Reclama o autuado que o acórdão recorrido decidiu que, após o início do procedimento fiscal, é vedado ao contribuinte alterar a opção pela forma de tributação do resultado da atividade rural. Todavia, assevera que não é o caso de mudança de critério de apuração do resultado, visto que a fiscalização estava obrigada a apurar no procedimento de ofício a base de cálculo da atividade rural à razão de 20% da receita bruta conhecida do anocalendário. Esse equívoco de entendimento, inclusive, implica a própria nulidade do auto de infração, devido à existência de vício na constituição do crédito tributário, pois se deixou de aplicar a legislação pertinente. Pois bem. De acordo com a legislação, o contribuinte poderá apurar o resultado tributável da atividade rural de duas formas: (i) critério de escrituração do livrocaixa, mediante confronto da receita bruta e das despesas pagas no curso do anocalendário, admitida a compensação de eventuais prejuízos em anoscalendário anteriores; e Fl. 2597DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.598 17 (ii) resultado presumido, à opção do contribuinte, correspondente a 20% (vinte por cento) da receita bruta do anocalendário. Na hipótese de falta de escrituração das receitas e despesas, o lançamento de ofício observará o arbitramento da base de cálculo à razão de 20% da receita bruta do ano calendário. Tal disciplina normativa está prevista na Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, e Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Confirase o Regulamento do Imposto de Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de maio de 1999, em vigor na época dos fatos geradores, que consolidava a matéria: Art. 60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18). § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 1º). § 2º A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 2º). § 3º Aos contribuintes que tenham auferido receitas anuais até o valor de cinqüenta e seis mil reais facultase apurar o resultado da exploração da atividade rural, mediante prova documental, dispensado o Livro Caixa (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 3º). § 4º É permitida a escrituração do Livro Caixa pelo sistema de processamento eletrônico, com subdivisões numeradas, em ordem seqüencial ou tipograficamente. § 5º O Livro Caixa deve ser numerado seqüencialmente e conter, no início e no encerramento, anotações em forma de "Termo" que identifique o contribuinte e a finalidade do Livro. § 6º A escrituração do Livro Caixa deve ser realizada até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente anocalendário. § 7º O Livro Caixa de que trata este artigo independe de registro. (...) Fl. 2598DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.599 18 Art. 63. Considerase resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no anocalendário, correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 14). (...) Art. 68. O resultado da atividade rural, quando positivo, integrará a base de cálculo do imposto, na declaração de rendimentos e, quando negativo, constituirá prejuízo compensável na forma do art. 65 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 9º). (...) Art. 71. À opção do contribuinte, o resultado da atividade rural limitarseá a vinte por cento da receita bruta do ano calendário, observado o disposto no art. 66 (Lei nº 8.023, de 1990, art. 5º). § 1º Essa opção não dispensa o contribuinte da comprovação das receitas e despesas, qualquer que seja a forma de apuração do resultado. § 2º O disposto neste artigo não se aplica à atividade rural exercida no Brasil por residente ou domiciliado no exterior (Lei nº 9.250, de 1995, art. 20, e § 1º). (...) (Destaquei) Como dito alhures, para a apuração espontânea do resultado tributável da atividade rural, o contribuinte preferiu a sistemática geral de tributação dos rendimentos a partir do delimitação da base de cálculo efetiva, isto é, pela diferença entre as receitas brutas e as despesas de custeio e/ou investimento (arts. 60 e 63, do RIR/99). A forma de apuração do resultado, dentre as duas modalidades permitidas, é uma escolha do contribuinte, não cabendo a sua alteração pela fiscalização, salvo na hipótese de arbitramento por falta de escrituração das receitas e despesas em livrocaixa (art. 60, § 2º, do RIR/99). Nesse e noutros casos estabelecidos na legislação federal, a figura do arbitramento do resultado tributável é medida extrema, que aqui deve ser utilizada na impossibilidade de apuração da base de cálculo do imposto de renda segundo o critério desejado pelo sujeito passivo, isto é, de escrituração em livrocaixa e comprovação de receitas e despesas por meio de documentação hábil e idônea (art. 60, do RIR/99). Não é demais lembrar que o arbitramento com limite em 20% da receita bruta poderá ser mais ou menos vantajoso para o contribuinte, quando comparado com a tributação dos rendimentos da atividade rural pelo confronto das receitas e despesas incorridas no ano calendário. Fl. 2599DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.600 19 Em seu arrazoado o recorrente trás aos autos decisão administrativa no sentido de que a escrituração deficiente do livrocaixa, a exemplo de incorreções e omissões de receitas e/ou despesas, equiparase à sua falta de escrituração, dando ensejo ao arbitramento da base de cálculo à razão de 20% da receita bruta do anocalendário, previsto no § 2º do art. 60 do RIR/99 (fls. 2.539/2.552). Não me parece, contudo, a melhor compreensão sobre a matéria, já que, aparentemente, não considera o arbitramento como excepcional na apuração do resultado tributável. É fora de dúvida que a inexistência de escrituração das receitas e despesas em livrocaixa tem o condão de legitimar a via do arbitramento, tendo em vista o descumprimento frontal do comando legal, que prejudicaria a confirmação da veracidade das operações na atividade rural. Acontece que as deficiências na escrituração não conduzem inevitavelmente ao arbitramento quando o agente fiscal percebe que o valor probatório do conjunto de documentos que tem à sua disposição não está comprometido, desfrutando de elementos sérios e convergentes para suplantar as irregularidades e apurar a base de cálculo da atividade rural na sistemática de opção do contribuinte. Essa é a hipótese em apreço. Em primeiro lugar, não há notícias da falta de escrituração de livrocaixa. O que alega a petição recursal é o cometimento de inúmeros equívocos no apontamento das operações de ingressos e saídas de recursos, que culminou na revisão do resultado da atividade rural. Senão vejamos um excerto contido no apelo recursal (fls. 2.509/2.510): (...) A escrituração do livro caixa 2012 a 2014, confiada a profissional da contabilidade, que, pelo que se pode observar não detinha capacidade técnica para tal, pois cometeu erros que culminaram na revisão do seu resultado, mudando então de prejuízo para lucro, ou seja, as declarações de renda dos anos de 2012 a 2014 tiveram a sua opção de tributação da atividade rural comprometidas por erros cometidos nesses e em anos anteriores que apontavam um prejuízo superior a 7 milhões de reais. (...) De posse dos extratos bancários, obtidos a partir de compartilhamento autorizado pela Justiça Federal, e de documentos fiscais e contábeis e/ou esclarecimentos apresentados pelo contribuinte e terceiros, o agente fazendário identificou que os valores declarados não se mostravam corretos, devido à omissão de receitas da atividade rural e à falta de comprovação de despesas. Na ótica do agente fazendário, a documentação existente foi suficiente para a reconstrução do resultado tributável da atividade rural, seguindo a opção utilizada pelo contribuinte, qual seja, a confrontação das receitas oriundas do exercício da atividade e despesas de custeio/investimentos comprovadamente pagas, garantindo ao autuado o exercício do direito de defesa na fase do contencioso administrativo. Fl. 2600DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.601 20 A despeito das falhas na contabilização, não houve, segundo depreendese da avaliação da fiscalização, carência de elementos indispensáveis à descoberta da grandeza econômica através do confronto entre receitas e despesas provenientes do exercício do atividade rural ou a imprestabilidade das fontes disponíveis à fiscalização que justificasse o arbitramento do lucro da atividade através da tributação específica limitada a 20% da receita bruta do anocalendário. Em outra alegação o recorrente argúi que, no anocalendário de 2011, tinha saldo de prejuízo da atividade rural de exercícios anteriores, cujo montante utilizou para fins de compensação na apuração do resultado dos anoscalendário de 2011 a 2014. Em decorrência da deflagração do procedimento fiscal, que abrangeu o mesmo período de 2011 a 2014, todo o prejuízo acumulado foi utilizado pela fiscalização para abatimento no lançamento suplementar de imposto de renda do anocalendário de 2011. Por tal razão, não havendo prejuízo acumulado para ser compensado na apuração do resultado da atividade rural nos anoscalendário de 2012, 2013 e 2014, a escolha recairia sobre a base presumida de 20%, porque mais favorável, em detrimento da opção feita à época da declaração de rendimentos. A toda a evidência, a opção a que faculta a legislação não é condicional, sendo irrelevante se haverá ou não, dentro do prazo decadencial para o lançamento suplementar, lavratura de auto de infração com respeito ao anocalendário em decorrência de omissão de rendimentos e/ou glosa de despesas do período e/ou compensação de prejuízos de anos calendário anteriores. A opção eleita para tributação da atividade rural no envio da declaração de rendimentos tornase definitiva para o sujeito passivo sob ação fiscal, dada a perda da espontaneidade para alteração do critério de fixação da base de cálculo, quando determinado a abertura de procedimento fiscal que visa apurar exatamente as omissões no resultado da referida atividade (art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Nesse cenário fático e normativo, não se cogita da nulidade do lançamento em decorrência de vício material na apuração da base de cálculo do imposto incidente sobre a atividade rural, pela falta de arbitramento em 20% da receita total, haja vista a correção do procedimento da autoridade fiscal. Na sequência do recurso alegase que mesmo não sendo a hipótese de arbitramento haveria a imposição de um limite legal para a tributação do resultado da atividade rural, igual a 20% da receita bruta do anocalendário. Isso porque, levandose em consideração a previsão de uma tributação mais favorecida para os rendimentos da atividade rural, o legislador estipulou um limitador da base de cálculo do imposto de renda devido pela pessoa física relativo à atividade rural, quando o resultado pelo método do confronto entre receitas e despesas revelase mais oneroso para o contribuinte. Tal raciocínio é correto, porém apenas no contexto particular do lançamento por homologação, em que o sujeito passivo verifica a ocorrência do fato gerador, determina a matéria tributável, calcula o montante do tributo devido e antecipa o pagamento sem prévio Fl. 2601DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.602 21 exame da autoridade fazendária (art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional CTN). Com efeito, até a data de entrega da declaração de rendimentos, o contribuinte poderá fazer a opção pelo limite do resultado tributável da atividade rural a 20% da receita bruta do anocalendário (art. 71, do RIR/99). Por outro lado, após iniciado o procedimento fiscal, havendo a perda da espontaneidade do sujeito passivo, a legislação tributária não estabelece um limite para a tributação da atividade rural quando respeitado o critério adotado pelo contribuinte de receitas menos despesas, que privilegia, por sinal, a capacidade contributiva e a identificação de acréscimo patrimonial. Caso fosse a intenção do legislador ordinário fixar um limite para a tributação da atividade rural, em qualquer hipótese de lançamento de ofício, numa medida peculiar no âmbito do imposto de renda, penso que teria inserido dispositivo expresso e induvidoso com tal propósito. Dessa feita, fora do lançamento por homologação, não enxergo a existência de um regime de tributação especial dos produtores rurais que imponha, necessariamente, uma limitação à autuação fiscal com base em 20% da receita bruta da atividade rural no ano calendário, ressalvada a já mencionada hipótese de arbitramento, exatamente porque o procedimento fiscal tem por escopo averiguar e apurar as omissões e incorreções nos valores declarados com observância do critério eleito pelo contribuinte (declarante). Eventuais distorções práticas na apuração do resultado da exploração da atividade rural no lançamento de ofício a partir do cálculo da diferença entre receitas e despesas, em detrimento da aplicação do arbitramento da base de cálculo no limite de 20% da receita bruta, devem ser corrigidas na via própria pelo legislador ordinário. De qualquer modo, caso a base de cálculo do imposto de renda lançado de ofício não pudesse exceder o limite de 20% da receita bruta da atividade rural, o que admito tão somente para fins de raciocínio, o desajuste do auto de infração não configuraria vício material insanável. Realmente, para o saneamento do feito seria suficiente a decisão do colegiado impor o limite não observado pela fiscalização para o crédito tributário lançado, providência esta que não se confunde com a modificação de critério jurídico de apuração do tributo, vedada ao julgador administrativo. Esclareço que todas as decisões administrativas colacionadas pelo recorrente revelamse importantes precedentes para o debate das questões controvertidas neste processo administrativo, não obstante são desprovidas de efeito vinculante para compelir o relator a seguir o mesmo rumo. Por derradeiro, em atenção a um último argumento de defesa, também não é a hipótese de salvaguarda da interpretação mais favorável ao acusado a que alude o art. 112 do CTN. Tal dispositivo aplicase exclusivamente à lei que define infrações ou comina penalidades, não abrangendo a disciplina da base de cálculo do imposto de renda exigido sobre o resultado da atividade rural, hipótese deste processo administrativo. Fl. 2602DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.603 22 Mantenho, portanto, a decisão de piso neste ponto. b) Omissão de rendimentos oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada Nesse tópico, o lançamento abrange valores depositados em conta corrente bancária em que o contribuinte não comprovou a origem na atividade rural, nem outra qualquer, tributável ou não tributável. Consiste a autuação fiscal, portanto, na aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se considera omissão de rendimentos tributáveis quando o titular de conta bancária mantida junto à instituição financeira, após regularmente intimado, deixa de comprovar a origem dos recursos nela creditados: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. (...) Segundo o preceptivo legal, os extratos bancários possuem força probatória, recaindo o ônus de comprovar a origem dos depósitos sobre o contribuinte, por meio de documentação hábil e idônea, sob pena de presumirse rendimentos tributáveis omitidos em seu nome. A Lei nº 9.430, de 1996, revogou o § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990, abaixo reproduzido: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Fl. 2603DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.604 23 Sob a égide do dispositivo legal suprimido do mundo jurídico exigiase a prévia demonstração de sinais exteriores de riqueza pelo agente fiscal para o lançamento de ofício com base na renda presumida decorrente de depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras. A partir de 1997, com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o agente fazendário está dispensado de demonstrar a existência de sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pelo contribuinte, tampouco há necessidade de mostrar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. É o que diz, de forma sintética, o enunciado sumulado nº 26, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assinalo, ainda, que a falta de alinhamento da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, com o fato imponível do imposto sobre a renda previsto na Carta Política de 1988, ou mesmo a ofensa do dispositivo de lei ordinária vergastado ao princípio constitucional da capacidade contributiva, são aspectos que escapam à competência dos órgãos julgadores administrativos. É que argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o "caput" do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dentre os depósitos efetuados considerados pela fiscalização como omissão de rendimentos, estão valores depositados por Andréa Kushiyama, no total de R$ 360.000,00, pessoa que manteve relação afetiva com o recorrente, o qual justifica as transferências bancárias na conta em razão de devoluções de recursos provenientes de operações de mútuo realizadas entre aquela e o contribuinte (fls. 1.873/1.875). Para corroborar suas alegações, o recorrente ressalta que consta da sua declaração de rendimentos do exercício de 2015, anocalendário de 2014, a informação da existência do mútuo com Andréa Kushiyama, no valor de R$ 513.000,00 (fls. 148). Aduz também que os extratos bancários juntados aos autos demonstram a realização de depósitos por Andréa Kushiyama em contas bancárias mantidas em nome do recorrente e viceversa (fls. 2.307/2.346). Pois bem. Os valores a título de devolução de empréstimo não constituem rendimentos ou acréscimo patrimonial da pessoa física, devendo haver, à vista disso, clara demonstração da natureza do fato econômico que deu origem aos depósitos efetuados em conta bancária do recorrente. Fl. 2604DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.605 24 Nada obstante, não foi trazido aos autos contrato de mútuo entre as partes que comprove a relação jurídica firmada, assim como o valor de tal avença, tampouco há prova que os valores repassados por Andréa Kushiyama dizem respeito a algum empréstimo antes contraído. É certo que a lei não exige formalidade especial para o contrato de mútuo, logo válida a forma verbal. Porém, tratandose de matéria de prova, o ônus de demonstrar de maneira convincente a existência do mútuo pertence a quem alega tal fato, no caso o recorrente. A mera inclusão, na declaração de ajuste do anocalendário de 2014, da informação que o contribuinte efetuou empréstimo a Andréa Kushiyama, no valor de R$ 513.000,00, não é suficiente para demonstrar a efetiva existência do negócio jurídico, até porque, nessa oportunidade, foi indicada a data de 08/12/2014, posterior aos depósitos de origem não comprovada relacionados pela fiscalização (fls. 1.873/1.875). Além disso, o ato de provar não é sinônimo de colocar à disposição do julgador uma massa de documentos, sem a mínima preocupação em correlacionálos um a um com a movimentação bancária listada pela autoridade tributária, num exercício de ligação entre documento e o fato que se pretende provar (fls. 2.307/2.346). Em outras palavras, a documentação carreada aos autos pelo contribuinte não possibilita qualquer vinculação entre os depósitos realizados pelas partes, não sendo possível estabelecer uma correlação entre algum empréstimo e valores depositados, individualmente ou em conjunto. Assim sendo, mais uma vez não há reparo a ser feito na decisão de piso. c) Multa qualificada Contesta o recorrente a qualificação da multa de ofício, aplicada no percentual de 150%, argumentando, em síntese, que foram cometidos vários erros pela equipe de contabilidade quanto aos registros de receitas e despesas da atividade rural ao longo dos anos calendário, porém não houve dolo, fraude ou simulação que justifique a majoração da penalidade. Pois bem. Reproduzo as palavras do agente lançador para fundamentar a qualificação da multa de ofício, nos termos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, relativamente à infração de omissão de receitas decorrentes da atividade rural (fls. 1.777/1.779): (...) Considerando que a fiscalização comprovou, através da resposta apresentada pelo contribuinte e por terceiros, pelos extratos bancários bem assim outras informações e documentos apresentados pelas instituições financeiras, que, depois de excluir todos os créditos decorrentes de resgates de fundos de investimento e poupança, empréstimos e créditos decorrentes de transferências de outras contas do próprio contribuinte bem Fl. 2605DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.606 25 assim transferências originadas dos senhores MAURICIO DE BARROS BUMLAI, CRISTIANE DE BARROS COSTA MARQUES BUMLAI PAGNONCELLI, GUILHERME DE BARROS COSTA MARQUES BUMLAI e FERNANDO DE BARROS, a maior parte dos numerários depositados nas contas correntes representam receitas da atividade rural do contribuinte, obtidas por vendas de gado, cana de açúcar e muda de cana com a emissão das respectivas notas fiscais do produtor rural; Considerando que, de acordo com a PLANILHA A, anexa a este Relatório, podese observar que, apesar do contribuinte ter emitido as respectivas notas fiscais do produtor rural e ter apresentado as informações e/ou documentos que comprovam que as entradas de numerários referemse a Receita da Atividade Rural, após uma análise na PLANILHA 4, PLANILHA 5 e PLANILHA6, apresentadas no Sub Item IV – c), podemos concluir que o contribuinte, sistematicamente, em todos os meses dos anoscalendário de 2012, 2013 e 2014, OMITIU RECEITA DA ATIVIDADE RURAL em média 22,86% (R$ 6.685.090,44), 39,75% (R$ 15.645.130,97) e 47,05% (R$ 10.281.490,97) respectivamente, com o objetivo único e exclusivo de pagar um valor “IRRISÓRIO” de imposto no ano calendário de 2012 e de NÃO PAGAR IMPOSTO nos anos calendário de 2013 e 2014, a saber: AnoCalendário de 2012 de acordo com o DEMONSTRATIVO DE ATIVIDADE RURAL da DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL – IMPOSTO SOBRE A RENDA – PESSOA FÍSICA – AnoCalendário 2012 – ND: 01/37.351.340 (Fls. 31/66), do total de R$ 29.242.648,08 o contribuinte declarou uma RECEITA BRUTA TOTAL de R$ 22.557.557,64 e uma DESPESA DE CUSTEIO/INVESTIMENTO TOTAL de R$ 18.680.832,66, ou seja, com a “intenção” de pagar menos imposto, somente ofereceu à tributação a diferença (R$ 3.876.724,98) e com a utilização de Prejuízos de períodos anteriores (Glosados conforme item III – B) efetivamente ofereceu à tributação a quantia de R$ 444.600,00. AnoCalendário de 2013 de acordo com o DEMONSTRATIVO DE ATIVIDADE RURAL da DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL – IMPOSTO SOBRE A RENDA – PESSOA FÍSICA – AnoCalendário 2013 – ND: 01/74.425.439 (Fls. 88/120), do total de R$ 39.360.017,47 o contribuinte declarou uma RECEITA BRUTA TOTAL de R$ 23.714.886,50 e uma DESPESA DE CUSTEIO/INVESTIMENTO TOTAL de R$ 21.145.171,89, ou seja, com a “intenção” de pagar menos imposto, somente ofereceu à tributação a diferença (R$ 2.569.714,61) e com a utilização de Prejuízos de períodos anteriores (Glosados conforme item III – B) efetivamente NÃO OFERECEU NENHUM VALOR À TRIBUTAÇÃO, ou seja, neste anocalendário o contribuinte NÃO PAGOU nenhum valor de imposto de renda relativo à Receita da Atividade Rural. Fl. 2606DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.607 26 AnoCalendário de 2014 de acordo com o DEMONSTRATIVO DE ATIVIDADE RURAL da DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL – IMPOSTO SOBRE A RENDA – PESSOA FÍSICA – AnoCalendário 2014 – ND: 01/74.527.428 (Fls. 136/164), do total de R$ 21.853.693,07 o contribuinte declarou uma RECEITA BRUTA TOTAL de R$ 11.572.202,10 e uma DESPESA DE CUSTEIO/INVESTIMENTO TOTAL de R$ 11.502.024,58, ou seja, com a “intenção” de pagar menos imposto, somente ofereceu à tributação a diferença (R$ 70.177,52) e com a utilização de Prejuízos de períodos anteriores (Glosados conforme item III – B) efetivamente NÃO OFERECEU NENHUM VALOR À TRIBUTAÇÃO, ou seja, neste anocalendário o contribuinte NÃO PAGOU nenhum valor de imposto de renda relativo à Receita da Atividade Rural. (...) (DESTAQUES DO ORIGINAL) À vista dos fatos apurados, o agente fiscal entendeu configurado, em tese, crime contra o ordem tributária, além da prática das condutas de sonegação e fraude previstas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, as quais autorizam a duplicação do percentual da multa de ofício (fls. 1.779/1.781): Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A qualificação da multa de ofício encontrará respaldo na lei quando a fiscalização evidencia a prática de sonegação, fraude ou conluio, cuja gravidade do comportamento lesivo do infrator enseja um reprimenda punitiva mais severa, como forma de castigar o transgressor e desestimular condutas afins por parte de outros sujeitos passivos. Para a elevação do patamar básico de 75% é condição indispensável o agente fiscal identificar elementos subjetivos na conduta do infrator, porquanto tanto a sonegação quanto a fraude pressupõem o dolo, sendo insuficiente para cogitar da hipótese tão somente a materialidade da ausência de pagamento/declaração do tributo. Fl. 2607DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.608 27 Vale dizer que a sonegação, fraude ou mesmo o conluio devem possuir base probatória autônoma, pela qual se demonstra a vontade livre e consciente do infrator em praticar as condutas ilícitas, em prol de, ao final e ao cabo, viabilizar a supressão ou redução do tributo. Com base nos fatos narrados pelo agente fazendário, o acórdão recorrido acentuou que o contribuinte, de forma sistemática, omitiu receitas provenientes da atividade rural em todos os meses do período fiscalizado, com a finalidade de não pagar o imposto de renda, considerando a proximidade entre os valores de receitas e despesas declarados para os anos de 2012, 2013 e 2014 e a utilização de prejuízos de períodos anteriores. Nada obstante, verifico que a fiscalização comprovou a omissão de receitas da atividade rural do autuado a partir da análise de planilhas e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou terceiros, bem como dos extratos da sua movimentação bancária, compartilhados por decisão judicial, deixando consignado o agente lançador que a quase totalidade das operações estava devidamente documentada pela emissão de notas fiscais do produtor rural (fls. 1.773 e 1.778). Quanto às despesas de custeio/investimentos, as Planilhas "2", "3" e "4" elaboradas pela fiscalização, a partir do levantamento de dados, indicam que, em alguns meses, o agente fazendário acatou valores superiores àqueles efetivamente declarados pelo contribuinte (fls. 1.767/1.768). Além disso, a própria decisão de piso, que está sendo confirmada no recurso de ofício, reputou comprovadas despesas da atividade rural no total de R$ 8.003.381,39, relativas a encargos financeiros de empréstimos realizados para a manutenção da atividade rural, os quais não foram previamente incluídos na declaração de rendimentos pela pessoa física, para fins do resultado da atividade rural. Por sua vez, a compensação de prejuízos de exercícios anteriores, nas declarações dos anoscalendário de 2012 a 2014, não restou glosada pela fiscalização em razão de irregularidade e/ou deficiência na comprovação do prejuízo na exploração da atividade rural naqueles anos, mas sim pelo aproveitamento integral do saldo de prejuízos no lançamento de ofício referente ao anocalendário de 2011, no Processo nº 15956.720215/201602 (fls. 1.761/1.762). Todos esses aspectos, avaliados em conjunto, sinalizam para a possibilidade do cometimento de erros pelo contribuinte na apuração do resultado positivo da atividade rural, conforme alegado no recurso voluntário, não só no tocante à contabilização das despesas como também quanto à inclusão das vendas dos produtos da atividade rural na receita bruta do ano calendário, até porque não se exige um controle financeiro e contábil detalhado para a pessoa física. O confronto entre os dados das Planilhas "7" e "8", que contêm os valores declarados e o cálculo das omissões de receitas lançadas no auto de infração, e a Planilha "A", a qual discrimina a relação de depósitos nas contas bancárias vinculados a receitas da atividade rural, conforme fls. 1.776/1.777 e 1.784/1.867, revela uma série de registros a título de receitas da atividade rural representados por depósitos em conta bancária dos mais variados montantes, inclusive alguns de expressivo valor. Fl. 2608DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.609 28 Tal situação, porém, não foi ressalvada pela autoridade fiscal, dando margem a interpretações diversas, desde o sinal que houve a intenção de ocultar determinados faturamentos expressivos, até a possibilidade de erro de escrituração ou qualquer outro problema em casos específicos na venda de animais. O agente fiscal considerou a omissão de receitas no seu valor global, independentemente do valor e/ou natureza da operação, como decorrente de uma conduta dolosa. Relativamente aos anoscalendário de 2012, 2013 e 2014, a fiscalização detalhou que o contribuinte omitiu receita da atividade rural equivalente aos percentuais de 22.86%, 39,75% e 47,05%, respectivamente, considerados os valores declarados em cada período (fls. 1.771/1.773). Como antes dito, a omissão de receita ou declaração inexata não autoriza, por si só, a qualificação da multa de ofício, sendo necessário demonstrar o dolo subjacente, com a finalidade de sonegação ou fraude. Em meu ponto de vista, a sonegação ou fraude independe do número de vezes que repetida, porque a reiteração da conduta do contribuinte não altera sua natureza. Embora possa revelar indício de ilicitude, o que sugere aprofundamento da investigação, a conduta repetitiva dentro de um mesmo procedimento fiscal não poderá constituirse em fato isolado para dar suporte à duplicação da multa de ofício, devendo estar acompanhada, necessariamente, de outros elementos relacionados às circunstâncias agravantes do comportamento do contribuinte que levem à tipificação da sonegação ou fraude. No caso concreto, a fiscalização relata à omissão reiterada com o objetivo único e exclusivo de pagamento de valor irrisório de imposto de renda no anocalendário, contudo suas palavras não estão respaldadas em indícios fortes que demonstrem a vontade inequívoca do contribuinte dolosamente dirigida à sonegação tributária. É verdade que a frequência com que ocorreram as omissões pode significar que não têm origem somente em falhas de controle. Porém, como antes afirmado, a fiscalização adotou um critério único que o contribuinte agiu intencionalmente, com o propósito de ocultar do Fisco as receitas para pagar menos imposto de renda, desprezando qualquer possibilidade de erros no universo de valores. Não discordo que os fatos narrados pela autoridade fiscal podem apontar indícios da ocorrência de sonegação tributária e, dessa maneira, suficientes para confecção de representação fiscal para fins penais dirigida ao Ministério Público Federal. Na esfera penal a sociedade tem o direito de ver devidamente apuradas eventuais condutas delituosas, cuja instrução probatória no decorrer do processo penal permitirá demonstrar, com os meios disponíveis, a verdade possível dos fatos. Por outro lado, na hipótese de qualificação da multa, além da descrição dos fatos ocorridos, as provas indispensáveis e contundentes para justificar a duplicação do percentual da penalidade devem ser carreadas aos autos pelo agente fiscal, via de regra, no momento da formalização do auto de infração, sem deixar margem a qualquer dúvida, dados os limites existentes para a produção da prova no curso do processo administrativo tributário. Fl. 2609DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.610 29 Em arremate, portanto, entendo que a linguagem de prova utilizada pela fiscalização, apoiada no conjunto probatório, não é convincente da consciência e a vontade do sujeito passivo de impedir/retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência de parte do fato gerador da obrigação tributária, a fim de reduzir o montante de tributo que devia ser recolhido, mesmo considerando a repetição da omissão de receitas nas declarações de rendimentos do anoscalendário de 2012 a 2014. Não estando convencido da existência do dolo do contribuinte objetivando a supressão do tributo, o afastamento da aplicação da multa de ofício qualificada é medida que se impõe, reduzindo ao patamar básico de 75%. d) Redução do percentual da multa de ofício Além da exclusão da multa qualificada, o recorrente assevera cabível a redução da multa de ofício ao limite de 20%, uma vez que aplicada de forma exorbitante no percentual de 75%. Pois bem. Quanto à incidência de multa de ofício no percentual de 75%, transcrevo o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) A multa de ofício incide de maneira proporcional sobre o tributo não declarado/recolhido espontaneamente. O patamar mínimo da penalidade em 75% é fixo e definido objetivamente pela lei, não dando margem a considerações sobre a graduação da penalidade, o que impossibilita o julgador administrativo afastar ou reduzir o percentual no caso concreto. O limite de 20% de que trata o § 2º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, diz respeito à multa de mora, que representa uma sanção pelo atraso no adimplemento da obrigação tributária, situação distinta dos autos. Naquele caso, o contribuinte recolhe de modo espontâneo o tributo a destempo antes de iniciado o procedimento fiscal, cuja penalidade é mais branda. Por fim, cabe reafirmar que escapa à competência dos órgãos julgadores administrativos a análise de questões que digam respeito à ocorrência de efeito confiscatório, haja vista que demandam o exame da incompatibilidade da lei aplicável com preceitos de ordem constitucional, incidindo, como já mencionado, a vedação do enunciado da Súmula CARF nº 2. Fl. 2610DF CARF MF Processo nº 15956.720127/201783 Acórdão n.º 2401005.892 S2C4T1 Fl. 2.611 30 Conclusão Ante o exposto, (i) CONHEÇO do recurso de ofício e NEGOLHE PROVIMENTO; e (ii) CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO as preliminares e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo o percentual da penalidade ao patamar básico de 75%. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 2611DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.908869/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieria - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correa Lima Macedo.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieria Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correa Lima Macedo. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 08 86 9/ 20 12 -5 1 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13896.908869/201251 Resolução nº 3201001.539 S3C2T1 Fl. 3 2 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acimaidentificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: A compensação em epígrafe teve origem em Julho de 2011, quando a empresa constatou após o recolhimento da guia (darf) de cod. nº 2172 no valor de R$ 84.282,23 em 25/08/2011 que o saldo devedor correto da COFINS seria de R$ 23.144,89 e não R$ 84.282,23, sobrando um crédito R$ 61.137,34 de “Pagamento Indevido ou a Maior’ para a compensação do débito acima mencionado. Com este despacho decisório, a empresa analisou sua DCTF e constatou que não foi feito na época a retificação dela ref. julho de 2010 (...). Para este crédito ficar disponível e a PERDCOMP ser aceita, foi feito a retificação da DCTF de 07/2011 em 20/12/2012 (...), desvinculando o crédito desta declaração e liberação para a PERDCOMP em questão . A 14ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto/SP, por meio do Acórdão 1448.491, de 29/01/2014, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 25/08/2011 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado emcompensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13896.908869/201251 Resolução nº 3201001.539 S3C2T1 Fl. 4 3 A DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício tem o mesmo valor da original, e a substitui integralmente, porque a motivação da alteração é espontânea. Todavia, após qualquer procedimento de ofício, a retificação da DCTF incide em ausência de espontaneidade, caracterizando vício de motivação, e por isso, exige comprovação material. Vigia, então, a Instrução Normativa RFB 1110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13896.908869/201251 Resolução nº 3201001.539 S3C2T1 Fl. 5 4 Assim, estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se possa retificálo, após os procedimentos de ofício, é necessária prova de sua inexatidão. É preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2). A escrituração contábil/fiscal difere de meras planilhas quanto à confiabilidade, posto que possuem requisitos de registros e temporalidade. Além disso, a própria contabilidade não prescinde de ser lastreada em documentos do relacionamento da empresa com terceiros, tais como notas fiscais e contratos, a conferir veracidade ao registro. Esses aspectos da força probante dos documentos são tratados nos artigos 219 e 226 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. (...) Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. A obrigação de conservar os registros até que prescrevam os direitos reclamados com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Temse ainda o DecretoLei 486/69, art. 4º: 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13896.908869/201251 Resolução nº 3201001.539 S3C2T1 Fl. 6 5 Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Fechando o arcabouço legal pertinente, temse ainda que, em se tratando de pedido de restituição e consequente compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373, I do CPC4. A decisão recorrida considerou o documento de fl. 102, trazido pela recorrente na Manifestação de Inconformidade, como mera planilha, sem os requisitos de formalidade exigidos para a contabilidade. Não obstante, no Recurso Voluntário, a recorrente trouxe Nota Fiscal com retenção na fonte em valor bem próximo ao reclamado, e folhas do Livro Diário. Nesse contexto, em que o Despacho Decisório não esclarece os elementos necessários para sua contradição, e que os elementos exigidos pela decisão recorrida foram trazidos, ao menos aparentemente, no Recurso Voluntário, entendo que há abrigo na dialética processual, artigo 16 do Decreto 70.235/72 PAF, para consideração das provas trazidas, atento ao princípio da verdade material. Além disso, o Parecer Cosit 2/2015 orienta: 19. Dependendo do momento ou situação em que o PER é indeferido ou a DCOMP é apresentada ou a intimação para autorregularização é feita ou que a não homologação é decidida, é possível que o sujeito passivo não possa mais retificar sua DCTF por alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010. A autoridade administrativa ou julgadora, contudo, ao analisar o caso concreto, pode reconhecer ou não o crédito do sujeito passivo de acordo com as circunstâncias fáticas e/ou materiais contidas no processo. Assim, e com base no artigo 295, combinado com artigo 16, §§4º e 6º6, do PAF, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos documentos apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respetcivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 5 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 6 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13896.908869/201251 Resolução nº 3201001.539 S3C2T1 Fl. 7 6 relatório conclusivo sobre as bases de cálculo corretas. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.906868/2012-71
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/02/2008
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3003-000.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/02/2008 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado.
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 68 68 /2 01 2- 71 Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 13888.906868/201271 Acórdão n.º 3003000.092 S3C0T3 Fl. 3 2 Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS no valor original na data de transmissão de R$ 7.476,33, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/03/2008. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de PIS/PASEP, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 13888.906868/201271 Acórdão n.º 3003000.092 S3C0T3 Fl. 4 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 02 056.394. O fundamento adotado, em síntese, foi o de rejeição da preliminar de nulidade e falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à nulidade tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido e, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação pleiteada. É o Relatório. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 13888.906868/201271 Acórdão n.º 3003000.092 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior, decorrente de revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório e da decisão recorrida por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa, entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a PIS, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 13888.906868/201271 Acórdão n.º 3003000.092 S3C0T3 Fl. 6 5 Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase litigiosa informou a origem do indébito e, posteriormente, juntou a documentação comprobatória que entendeu embasar o seu direito. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer ao contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade. No que tange à reclamação pela ausência de diligências, os artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972 revelam que a sua realização deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando esta entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção. Portanto, a diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Alega a Recorrente que efetuou revisão dos seus créditos da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS e deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no pagamento das contribuições a maior durante todo o período revisado. Para embasar o seu direito juntou ao presente processo DACON original e retificador, demonstrativo dos cálculos, amostras de Notas Fiscais e cópias de fls do Livro Diário. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 13888.906868/201271 Acórdão n.º 3003000.092 S3C0T3 Fl. 7 6 Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), artigo 373, inciso I: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Conforme jurisprudência majoritária do CARF e da posição firmada recentemente pelo STJ, a comprovação no caso do direito creditório referente a revisão de créditos da nãocumulatividade da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS revela a necessidade de aferição casuística da aplicação do conceito de insumos a determinado gasto, tendo sempre em vista a atividade desempenhada pelo contribuinte. Em outras palavras, saber se determinado dispêndio integra o conceito de insumos para fins de direito creditório no regime das contribuições nãocumulativas passa pela análise de sua essencialidade ou relevância em face das particularidades da atividade que determinada empresa desempenha. Nesse contexto, a instrução probatória ganha sensível importância, pois, em cada caso e para cada despesa, deverão ser demonstradas a relevância e a essencialidade dos gastos para atividade empresarial desenvolvida. Em cada caso concreto, a subsunção de um determinado gasto ao conceito de insumos deverá ser pautada pela análise da sua essencialidade e/ou relevância para a atividade produtiva ou de prestação de serviços, levando se em consideração a natureza da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Apesar de ter trazido aos autos DACON original e retificador, demonstrativo dos cálculos, amostras de Notas Fiscais e cópias de fls do Livro Diário, essa documentação é insuficiente para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. As declarações retificadas e demonstrativos produzidos pelo contribuinte, por si só, não fazem prova do direito alegado, bem como, as notas fiscais apresentadas por Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 13888.906868/201271 Acórdão n.º 3003000.092 S3C0T3 Fl. 8 7 amostragem são insuficientes para cobrir a redução dos débitos que se pretende. Apesar da documentação fiscal apresentada, ainda que extemporaneamente, esta não vem acompanhada de esclarecimentos analíticos para demonstrar quais despesas dedutíveis no regime da não cumulatividade deixaram de ser consideradas, seu eventual impacto na apuração do tributo e demais elementos que poderiam servir para comprovar o enquadramento do dispêndio no conceito de insumos para fins de direito creditório no regime das contribuições não cumulativas. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Conforme já abordado, no momento do despacho decisório havia informação discrepante sobre o real débito da contribuição, prestada pelo próprio contribuinte, que desconsiderou que a redução de débitos confessados em DCTF deveria estar amparada por documentos fiscais e contábeis, hábeis a comprovála, como determina o art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 13888.906868/201271 Acórdão n.º 3003000.092 S3C0T3 Fl. 9 8 Fl. 1114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.721406/2013-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/10/2010, 21/01/2011, 22/01/2011, 24/01/2011, 28/01/2011, 25/04/2011, 24/11/2011, 30/11/2011, 01/12/2011, 21/12/2011, 28/01/2012, 28/04/2012, 26/05/2012, 31/05/2012, 27/10/2012, 29/04/2013, 25/07/2013
SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO. VENDA DE CAFÉ. CREDITAMENTO
Comprovada a aquisição de café, de fato, de pessoas físicas, quando os documentos apontavam para uma intermediação por pessoa jurídica, incabível o creditamento integral das contribuições, cabendo apenas o crédito presumido pela aquisição de pessoas físicas.
Numero da decisão: 3401-005.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente o conselheiro Cássio Schappo.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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INTERPOSIÇÃO. VENDA DE CAFÉ. CREDITAMENTO Comprovada a aquisição de café, de fato, de pessoas físicas, quando os documentos apontavam para uma intermediação por pessoa jurídica, incabível o creditamento integral das contribuições, cabendo apenas o crédito presumido pela aquisição de pessoas físicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 14 06 /2 01 3- 46 Fl. 6034DF CARF MF Processo nº 10783.721406/201346 Acórdão n.º 3401005.774 S3C4T1 Fl. 6.035 2 Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente o conselheiro Cássio Schappo. Relatório 1. Tratase de Autos de Infração que objetivaram formalizar cobrança de PIS e de Cofins nãocumulativos não recolhidos decorrentes da glosa de créditos considerados indevidos, acrescidos de juros de mora e de multa qualificada de 150%, em virtude da caracterização de fraude, referentes ao período de apuração compreendido entre 01/01/2009 e 31/12/2010, implicando, assim, a cobrança do valor histórico de R$ 4.950.000,00. 2. Tendo em vista a necessidade de se conhecer a atual situação dos pedidos de ressarcimento e compensação objeto dos processos administrativos formalizados para análise dos pedidos de ressarcimento e compensação de débitos constantes das PER/DCOMP do 4º trimestre de 2008 ao 4º trimestre de 2009, em sessão de 18/03/2015, a 1ª Turma da 1ª Câmara desta 3ª Seção proferiu, por unanimidade de votos, a Resolução CARF nº 3101000.412, de relatoria do Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, situada às fls. 5963 a 5969, para a finalidade de: "(i) informar a situação atual dos processos 10783.907208/201297, 10783.907211/201219, 10783.907209/201231, 10783.907210/201266, 10783.907216/201233, 10783.907212/201255, 10783.907213/201208, 10783.907219/201277, 10783.907220/201200, 10783.907221/201246, 10783.907222/201291, 10783.907218/201222, 10783.907217/201288, 10783.907214/201244; e 10783.907215/201299; (ii) informar se as alterações processadas pela Lei nº 12.995/2014, que acresceu o artigo 7ºA a Lei nº 12.599/2012 alteraram os valores pleiteados nos processos de pedido de ressarcimento e compensação acima referidos, apresentando novo demonstrativo do direito creditório, caso positivo; (iii) caso os referidos processos ainda se encontrem pendentes de julgamento administrativo definitivo, a unidade de origem deverá aguardar o resultado definitivo dos processos, anexando aos presentes autos cópia das decisões definitivas; (iv) informar se as alterações referidas no item anterior alteraram os valores exigidos no presente processo e no processo nº 10783.721406/201346, apresentando novo demonstrativo do crédito tributário exigido, caso positivo; (v) apresentar demonstrativo das operações com fim específico de exportação que foram objeto das glosas efetuadas pela fiscalização" (seleção e grifos nossos). Fl. 6035DF CARF MF Processo nº 10783.721406/201346 Acórdão n.º 3401005.774 S3C4T1 Fl. 6.036 3 3. Em 17/11/2015, a unidade local prestou a Informação Fiscal, situada às fls. 5990 a 5996, e os autos eletrônicos do presente processo foram devolvidos a este Conselho para reinserção em pauta e prosseguimento do julgamento. 4. Cumpre esclarecer que o presente processo é conexo ao Processo Administrativo nº 10783.721404/201357, tendo sido ambos distribuídos à minha relatoria. 5. O Processo Administrativo nº 10783.721404/201357 foi pautado para a sessão de julgamento de 28/09/2017, o que motivou a contribuinte a requerer cópia dos autos em 18/09/2017, logo após, portanto, a publicação da pauta de setembro deste colegiado no Diário Oficial da União (DOU). A contribuinte protocolou, em 21/09/2017, petição, situada às fls. 6.037 a 6.040 daqueles autos, na qual alegou não ter sido intimada da diligência efetuada, motivo pelo qual requereu a retirada do processo da pauta e, subseqüentemente, a sua regular intimação, nos seguintes termos: 6. Por outro lado, mediante análise perfunctória da informação prestada, é possível se denotar que a diligência realizada no processo principal, do qual o presente processo é conexo, concluiu pelo aumento do crédito tributário originalmente cobrado, o que torna ainda mais necessário que a contribuinte seja regularmente intimada de seu conteúdo para que, querendo, apresente a sua respectiva manifestação. 7. Entendemos, naquela oportunidade, que a realização da regular intimação da contribuinte como forma de sanear o presente feito é um custo processual pequeno para se afastar toda e qualquer alegação de preterição do direito de defesa que culminaria na aplicação do inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, evitandose, desta forma, que se levante a mácula da nulidade não apenas sobre o Processo Administrativo nº 10783.721404/201357 (principal), como também sobre o presente Processo Administrativo nº 10783.721406/201346, a ele conexo. Fl. 6036DF CARF MF Processo nº 10783.721406/201346 Acórdão n.º 3401005.774 S3C4T1 Fl. 6.037 4 8. Assim, o presente processo foi devidamente saneado e, tendo sido a contribuinte regularmente intimada da informação fiscal resultante do cumprimento da Resolução CARF nº 3101000.412 de 18/03/2015 e tendo, ao final, restado silente, tendo sido os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento no julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 9. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 10. Reproduzemse, abaixo, os seguintes trechos da decisão recorrida: No quadro legal de regime nãocumulativo, que então se instituía, passou a ser tributariamente interessante adquirir bens e serviços de pessoa jurídica, e não diretamente de pessoa física/produtor rural. Assim, optar por uma pessoa jurídica, no caso atacadista de café, em detrimento de uma produtor rural pessoa física, pode situarse de fato no domínio do assim chamado planejamento tributário do adquirente. Embora, claro, a introdução de um elo a mais na cadeia produtiva eleve os custos desse adquirente, pois aquele atacadista intermediário, além de seus custos operacionais normais, deverá recolher as contribuições incidentes sobre as receitas auferidas nas suas alíquotas normais (1,65% e 7,6%), podendo se creditar no percentual de apenas 35% do crédito, calculado com as mesmas alíquotas. Evidenciase, então, que a aquisição da mercadoria da Pessoa Jurídica, ao invés da aquisição direta do produtor rural, embora, resulte para o adquirente creditamento integral, o seu custo de aquisição necessariamente será maior. De qualquer forma, a escolha por uma forma, ou outra, poderá fazer parte de um planejamento tributário, sem qualquer óbice legal. Situação bem diferente é aquela em que a pessoa jurídica atacadista introduzse nesta cadeia sob os auspícios do adquirente, sob uma aparência de regularidade formal, apenas para gerar crédito para o comprador, porque, neste caso, o procedimento só gera uma vantagem global apreciável, para ambos, se este atacadista não cumprir com ônus tributário que lhe será próprio. Tal situação nada tem de planejamento tributário, tratandose de pura fraude fiscal. As provas dos autos militam a favor de que esta situação tenha de fato ocorrido. Fl. 6037DF CARF MF Processo nº 10783.721406/201346 Acórdão n.º 3401005.774 S3C4T1 Fl. 6.038 5 Devese notar, em primeiro lugar, que a grande parte das pessoas jurídicas atacadistas, fornecedoras indicadas pelo contribuinte interessado, constituídas como visto, quase todas já em pleno regime da nãocumulatividade, estiveram quase sempre em situação irregular no período em que foram fiscalizadas, seja por omissão em relação as suas obrigações acessórias, seja em relação ao pagamento de tributos, várias já com declaração de inaptidão. O quadro abaixo, conforme dados extraídos dos sistemas informatizados da SRFB, resume informações atualizadas, em relação a tais fornecedores da contribuinte: (...) No conjunto, as empresas deste quadro movimentaram em vendas para a interessada, no período entre o 1o trimestre de 2009 e o quarto trimestre de 2010, mais de 53 milhões de reais, mas nada declararam ou recolheram de PIS/Cofins no período. A este quadro de incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total de tributos recolhidos, acrescentado de situação de omissão e inatividade declarada – inapta, baixada ou suspensa , se junta mais um fato, constatado em diligências nas empresas: nenhuma das empresas diligenciadas possui patrimônio ou capacidade operacional, nenhum funcionário contratado, nenhuma estrutura logística. Ora, tudo que se espera de uma empresa atacadista de café é a existência de uma estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café. Ofende, portanto, a qualquer limite de razoabilidade a inexistência de depósitos, funcionários e logística, encontrandose, ao invés disso, escritórios estabelecidos em pequenas salas comerciais de acomodações acanhadas. Tudo indica que as autodenominadas “atacadistas” são empresas de fachadas, que se prestaram a uma simulação/dissimulação de uma operação de compra e venda de café, pois financeiramente movimentavam grandes somas, mas não tinham como operar com as mercadorias. Além do fato de ter, como se viu, uma existência fantasmagórica do ponto de vista da tributação, descumprindo obrigações acessórias e também a principal, consistente em pagar tributo. Na seqüência dos fatos levantados, encontramse depoimentos esclarecedores fornecidos pelos próprios sócios de algumas das empresas atacadistas fornecedoras da interessada. (...) Uma vez identificadas as infrações cometidas, consistentes na criação e apropriação de créditos fiscais referentes a não cumulatividade do PIS e da Cofins, a Administração restaurou as contribuições aos seus reais valores devidos, lançando as diferenças não declaradas, e, ainda, cominou a penalidade fiscal cabível. Fl. 6038DF CARF MF Processo nº 10783.721406/201346 Acórdão n.º 3401005.774 S3C4T1 Fl. 6.039 6 As provas constantes dos autos acima examinadas revelam que a prática reiterada de atos conscientemente planejados não suscitava outra reprimenda senão a multa qualificada de 150% sobre a diferença de tributo devida, prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96; independentemente de outras sanções administrativas e penais também aplicáveis. Dispõe a norma que a multa exasperada é devida nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Como se observa, dentre as hipóteses de fraude capituladas no art. 44, da Lei n.º 9.430, de 1996, emerge, em comum, a figura jurídica do dolo. Contudo, na forma antes demonstrada, a conduta específica e concreta do contribuinte, em relação às suas obrigações fiscais, teve a intenção de reduzir o montante de tributos devidos, mediante expedientes cuidadosamente articulados, destinados a subtrair dos cofres públicos parte substancial da obrigação principal de sua responsabilidade, forjando a existência de créditos referentes ao regime da não cumulatividade. Utilizou para tanto notas fiscais ideologicamente falsas, que não espelhavam a verdade dos negócios jurídicos de que tomou parte. Longe de se tratar de meros equívocos e erros, explicáveis pela negligência, a Fiscalização empreendida logrou êxito em provar prática sistemática e reiterada do contribuinte, traduzida em oferecer menos do que devia à tributação. O intuito doloso restou caracterizado a partir de um trabalho minucioso de colheita de evidências de variada ordem: documentos fiscais e contábeis; levantamento fotográfico, depoimentos de produtores rurais, de corretores de café, de sócios de empresas; declarações das empresas que negociaram com o impugnante. O conjunto probatório conduziu à conclusão da existência de vontade dolosa, premeditada e viciada, dirigida à prática da infração. O padrão de conduta, repetido ao longo do tempo, restou manifestado por atos específicos e reiterados fluindo na direção do mesmo resultado, especificamente, a autoridade fiscal apurou a mesma infração ao longo de todo o período auditado, consistente em declarar créditos fictícios, obtidos mediante a inclusão artificial de uma pessoa jurídica no negócio jurídico efetuado entre produtor rural e a empresa autuada. O contribuinte autuado, ora impugnante, para obter indevidamente créditos na ordem de milhões de reais, utilizou de uma ‘indústria’ erguida e mantida com sua participação essencial, cujo produto são notas fiscais ideologicamente falsas, emitidas por pessoas jurídicas construídas com este fim específico. Empresas essas com patrimônio totalmente incompatível com a atividade declarada e com a suposta movimentação comercial; que não declaram, nem pagam quaisquer tributos, situada em escritórios acanhados em prédios Fl. 6039DF CARF MF Processo nº 10783.721406/201346 Acórdão n.º 3401005.774 S3C4T1 Fl. 6.040 7 comerciais, sem qualquer logística capaz de movimentar cargas, armazenar e, muito menos beneficiar, cargas de café. De fato, a pessoa jurídica buscou iludir a Fazenda Publica, no período em que fora auditada, em relação às contribuições sociais, objeto da fiscalização, em montante da ordem de milhões de reais. Não se trata de eventual omissão de receitas em que o contribuinte deixa de emitir uma nota fiscal, ou de escriturar a receita, ou de oferecer à tributação o devido, ao contrário, no caso sub examine, tratase da existência de fraude planejada, articulada e cuidadosamente executada em longo período de tempo, evidenciada por um padrão preciso de comportamento irregular e repudiado pela lei, não apenas tributária. Concluise que a situação fática apresentada subsumese perfeitamente à multa exasperada de 150%, tipificada art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. (...) Da mesma forma, como nos casos acima enfrentados na segunda instância, os procedimentos descobertos no minucioso trabalho de Fiscalização, evidenciaram consciente intuito de não pagar, ou pagar menos tributos, manifestado em prática reiterada, enquadrável perfeitamente na hipótese prevista na Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 72 e 73, impondo à autoridade fiscal a aplicação da pena pecuniária de 150% sobre as contribuições não recolhidas em conseqüência da fraude perpetrada. (...) Diante de todo o exposto, voto por: (i) indeferir o pedido de apensação; (ii) rejeitar as preliminares de nulidade e; (iii) julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendo integralmente os autos de infração. 11. Reproduzse abaixo, por fidedigno, o relatório da informação fiscal situada às fls. 5.990 a 5.996: Por meio da Resolução n° 3101000411, de 18/03/2015 , os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, resolveram converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência nos termos do voto do relator. No relatório, o e.relator reproduz ementário do Acórdão nº 12.64.948 exarado pela 17ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I, que em sessão do dia 24/04/2014, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação por entender basicamente presente a devida comprovação de “simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fito exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida”. Fl. 6040DF CARF MF Processo nº 10783.721406/201346 Acórdão n.º 3401005.774 S3C4T1 Fl. 6.041 8 Acrescentou que a interessada apresentou recurso voluntário, reprisando os argumentos constantes na impugnação, e indicou ainda “a existência de Processos Administrativos Fiscais nos quais os direitos creditórios estão sendo discutidos, ainda pendentes de decisões definitivas”. Anotou ainda como imprescindível conhecer a situação dos pedidos de ressarcimento e compensação objeto de processos administrativos respectivos. Desse modo, propôs na diligência que a autoridade administrativa adotasse as seguintes providências: i) Informar a situação atual dos processos: 10783.907208/201297, 10783.907211/201219, 10783.907209/201231, 10783.907210/201266, 10783.907216/201233, 10783.907212/201255, 10783.907213/201208, 10783.907219/201277, 10783.907220/201200, 10783.907221/201246, 10783.907222/201291, 10783.907218/201222, 10783.907217/201288, 10783.907214/2012 44 e 10783.907215/201299; ii) Informar se as alterações processadas pela Lei nº 12.995/2014, que acresceu o artigo 7ºA a Lei nº 12.599/2012 alteraram os valores pleiteados nos processos de pedido de ressarcimento e compensação acima referidos, apresentando novo demonstrativo do direito creditório, caso positivo; iii) Caso os referidos processos ainda se encontrem pendentes de julgamento administrativo definitivo, a unidade de origem deverá aguardar o resultado definitivo dos processos, anexando aos presentes autos cópia das decisões definitivas; iv) Informar se as alterações referidas no item anterior alteraram os valores exigidos no presente processo e no processo nº 10783.721406/201346, apresentando novo demonstrativo do crédito tributário exigido, caso positivo; v) Apresentar demonstrativo das operações com fim específico de exportação que foram objeto das glosas efetuadas pela fiscalização. Em 13/05/2015, o CARF encaminhou os autos ao Secat desta DRF. Em 15/05/2015, o processo foi redistribuído ao Sefis pelo Gabinete da DRF VITÓRIA/ES. Desta feita, passase à análise e resposta das providências requeridas. 12. Informa a unidade, em resposta à Resolução CARF n° 3101000411, de 18/03/2015, nos seguintes termos: Providência i) Fl. 6041DF CARF MF Processo nº 10783.721406/201346 Acórdão n.º 3401005.774 S3C4T1 Fl. 6.042 9 A ciência dos Pareceres e Despachos Decisórios dos processos acima listados relativos aos pedidos de ressarcimento e compensação foi realizada pelo Secat da DRF VITÓRIA/ES e ocorreu de forma eletrônica, por força da disponibilização na CAIXA POSTAL, Módulo eCAC do site da Receita Federal. Entretanto, transcorrido o prazo de 15 dias a contar da disponibilização dos referidos documentos, NÃO foram apresentadas manifestações de inconformidade, nos termos do art. 74, §§ 7º a 11, da Lei nº 9.430/96. Sendo assim, foram formalizados processos eletrônicos distintos para inscrição em Dívida Ativa da União dos débitos apurados decorrentes da não homologação das compensações em razão dos Despachos Decisórios, nos exatos termos das comunicações emanadas do Secat da DRF VITÓRIA/ES cientificadas ao contribuinte nas seguintes datas: 21/07/2014, 08/09/2014 e 13/10/2014. Em consequência, os processos em que foram analisados os pedidos de ressarcimento e compensação acima listados, encontramse arquivados. Providência ii) O art. 7º A da Lei nº 12.599/2012, acrescido pela Lei nº 12.995/2014, trata da possibilidade de o contribuinte utilizar o saldo do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei n° 10.925/2004 apurado até 1° de janeiro de 2012 para compensação com débitos próprios ou pedido de ressarcimento em dinheiro. Isso por si só não altera os valores pleiteados nos processos de ressarcimento. Vide resposta relativa a Providência v). Providência iii) Conforme narrado na Providência i), os referidos processos não se encontram pendentes de julgamento administrativo definitivo. Providências iv) e v) Quanto à providência “apresentar demonstrativo das operações com fim específico de exportação que foram objeto das glosas efetuadas pela fiscalização” cabe esclarecer que as ditas operações não foram objeto de glosa. Na verdade, os valores das operações com fim específico de exportação simplesmente NÃO foram considerados para fins do RATEIO PROPORCIONAL entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total (mercado interno e externo), o que provocou diferenças no valor dos créditos no mercado interno e externo e, por consequência, no valor do ressarcimento reconhecido. No presente caso, a receita auferida no mercado externo foi totalmente proveniente de operações com fim específico de exportação. Fl. 6042DF CARF MF Processo nº 10783.721406/201346 Acórdão n.º 3401005.774 S3C4T1 Fl. 6.043 10 Considerando, assim, as disposições normativas, tais como a Instrução Normativa nº 900/2008, que inserem no conceito de exportação a venda a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação, a fiscalização elaborou novos DEMONSTRATIVOS DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS A DESCONSTAR, anexos à presente informação, nos quais considerase a receita em questão para fins de rateio proporcional dos créditos. Reproduzimos abaixo os NOVOS SALDOS DOS CRÉDITOS PASSÍVEIS DE RESSARCIMENTO após a utilização das receitas com fins específicos de exportação no rateio proporcional dos créditos. Sendo assim, considerando os novos saldos dos créditos passíveis de ressarcimento, reproduzimos abaixo novos demonstrativos do crédito tributário a ser exigido no processo nº 10783.721404/201357 (PIS/COFINS a pagar) e no processo nº 10783.721406/201346 (MULTAS DIVERSAS). Fl. 6043DF CARF MF Processo nº 10783.721406/201346 Acórdão n.º 3401005.774 S3C4T1 Fl. 6.044 11 Fl. 6044DF CARF MF Processo nº 10783.721406/201346 Acórdão n.º 3401005.774 S3C4T1 Fl. 6.045 12 Fl. 6045DF CARF MF Processo nº 10783.721406/201346 Acórdão n.º 3401005.774 S3C4T1 Fl. 6.046 13 Fl. 6046DF CARF MF Processo nº 10783.721406/201346 Acórdão n.º 3401005.774 S3C4T1 Fl. 6.047 14 Estas são as informações que entendemos necessárias para subsidiar a apreciação das glosas dos créditos de PIS/COFINS apuradas na COMERCIAL DE CAFÉ STOCKL LTDA. 13. Não tendo as partes apresentado novos argumentos ou razões de defesa perante esta segunda instância administrativa, propõese a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com a alteração da Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, que acrescentou o § 3º ao art. 57 da norma regimental. 14. A questão não é nova a este colegiado. Acresço, neste sentido, aos fundamentos acima expendidos aqueles vertidos no Acórdão CARF nº 3403002.893, proferido em sessão de 27/03/2014, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, cujas razões de decidir devem ser utilizadas para o presente caso: "Esse tópico é aquele ao qual o fisco dedica a maior parte das cerca de 350 páginas do Relatório Fiscal, trazendo resultados de diligências, depoimentos de dezenas de corretores, maquinistas, produtores rurais, registros bancários, e manifestações das empresas envolvidas na situação descrita nos autos. Tais provas, na medida em que se apresentarem relevantes/consistentes, serão tratadas adiante. Por outro lado, a autuada dedica pouco espaço de seu recurso voluntário à matéria (fls. 5838 a 5852, mais da metade delas com simples reproduções de doutrina, e não refutação de provas apresentadas na autuação). A recorrente parte do pressuposto de que realiza atividade lícita, decorrente de “planejamento tributário”, como se depreende dos seguintes excertos do recurso voluntário (fls. 5841/5842): Fl. 6047DF CARF MF Processo nº 10783.721406/201346 Acórdão n.º 3401005.774 S3C4T1 Fl. 6.048 15 “Nesse(sic) esteira de raciocínio, concluise que se houve fraude, esta pertence a quem efetivamente cometeu, mas não a (sic) Recorrente, que agiu dentro da lei aproveitando crédito lícito de empresas que foram habilitadas à (sic) comercializar pela própria Receita Federal do Brasil. (...) Frisase, por questões lícitas de planejamento tributário, a Recorrente deixou de comprar de pessoas físicas e o fez, principalmente a partir da concessão legal retro mencionada , diretamente de pessoas jurídicas regularmente constituídas que, além da aparência de legalidade, eram chanceladas pela própria RFB.” (grifos no original). A uma, confunde a recorrente o cadastro nacional de pessoas jurídicas (CNPJ) da RFB com “habilitação para comercializar”, ou com atestado de regularidade ou confiabilidade da empresa. A consulta a cadastros de empresas (CNPJ ou SINTEGRA) não se presta à verificação de idoneidade ou confiabilidade. Por óbvio tais registros/cadastros atestam tão somente que a empresa está “registrada/cadastrada”, e nada mais. Tanto o é que o resultado das diligências fiscais aponta 28 “pseudoempresas” que vendiam café à recorrente, representando 95,29% do montante das notas fiscais contabilizadas a título de pessoas jurídicas (em um montante de R$ 113.914.229,00): ADAME Café Imp. e Exp. LTDA (fls. 5611 a 5618); ANTHERO B. Marino ME (fls. 5605 a 5611); Café da MONTANHA Com. Exp. (fls. 5611 a 5618); Cafeeira GUANDU Comercial (fls. 5599/5600); CELBA Com. Imp. e Exp. LTDA (fls. 5601/5602); COFFEE TRADE do Brasil LTDA (fls. 5605 a 5611); COFFER SUL Comercial LTDA (fls. 5611 a 5618); COLUMBIA Com. de Café LTDA; CONILON Norte Café LTDA (fls. 5605 a 5611); ENSEADA Com. de Café e Sacar. (fls. 5595/5598); J. UBALDO Bernardo (fls. 5611 a 5618); L & L Com. Exp. de Café LTDA; LUIZ EMILIO Fachetti Pretti (fls. 5605 a 5611); M. BATISTA Coffeee Blend (fls. 5618/5619); MAIS Comércio de Café LTDA (fls. 5611 a 5618); MARACÁ Com. e Exp. de Café (fls. 5611 a 5618); MUNDIAL Com. Exp. de Café (fls. 5611 a 5618); NORTE Prod. Alimentícios LTD. (fls. 5603/5605); NOVA BRASÍLIA Com. de Café. (vide fotos da fachada às fls. 5582/5583); P.A. de CRISTO (fls. 5590/5592); PRINCESA do Norte Alim. LTDA (fls. 5605 a 5611); R. ARAÚJO Cafecol Mercantil; RADIAL Armazéns Gerais LTDA (fls. 5592/5594); RODRIGO Siqueira (fls. 5605 a 5611); ROMA Com. de Café e Sacaria (vide fotos da fachada à fl. 5543); W.G. de AZEVEDO; W. R. da SILVA; e YPIRANGA Comércio de Café (vide fotos da fachada às fls. 5504/5505). O administrador (e sócio, ao lado de seu filho) da COLÚMBIA (Antonio Gava) declarou ao fisco que “a COLUMBIA funciona como recebedora da nota fiscal do produtor e emissora da nota fiscal de saída, que vai para o real proprietário do café, ou melhor, o verdadeiro comprador do café”. A COLÚMBIA, de Fl. 6048DF CARF MF Processo nº 10783.721406/201346 Acórdão n.º 3401005.774 S3C4T1 Fl. 6.049 16 2003 a 2009, apesar de movimentar centenas de milhões de reais em notas, nunca recolheu quaisquer valores em tributos federais (cf. extrato SINAL). O mesmo se passa com a empresa L & L (fl. 5331). Ambas as empresas, assim como diversas outras, não possuem imóveis, veículos, tampouco funcionários. E, quanto à origem dos recursos, afirmaram categoricamente que: “os recursos transitados pela conta da fiscalizada são dos compradores do café, sejam estes corretoras de contratos futuros, especuladores de mercado, indústrias, torrefadores, cerealistas, atacadistas ou exportadores”. As empresas asseveram ainda que NÃO são e NUNCA foram empresas comercializadoras ou atacadistas de café e sim, seus sócios e gestores sempre foram corretores pessoas física, transformados por imposição dos compradores em pessoa jurídica. O comprador exigia que o produtor “guiasse” o produto com nota de produtor para as empresas e elas, em contrapartida, emitiam uma nota fiscal de saída para o comprador. O esquema é notório na região e já foi objeto de diversas operações especiais. Alertaram ainda que estavam sendo constituídas novas empresas na região de Colatina, porque os compradores não mais queriam operar com as empresas “antigas”. Os “Gava” são ainda proprietários da empresa W. R. da SILVA, e justificam a criação da empresa da seguinte forma: “devido a problemas financeiro (sic) com alguns exportadores fomos forçados a transformar a empresa em uma firma de nota fiscal a fim de quitarmos nossa dívida com nota fiscal”. A W. R. SILVA foi comprada de fornecedor da “IMPÉRIO”, e os maquinistas, exportadores e torradores julgaram que a COLÚMBIA estava muito velha e tinha muito tempo de uso, havendo medo de fiscalização. Entre as contascorrentes da W. R. da SILVA operadas por maquinistas, encontrase a de no 97160, operada por Américo José Mai, e usada para transações com a “IMPÉRIO”. Américo confirmou a utilização da conta para “guiar” café para os verdadeiros compradores, e revelou os locais onde eram efetuadas as trocas de notas fiscais do produtor (em Colatina mesmo ou no posto SHELL da João Neiva, com notas trazidas por motoboy). São ainda robustas as provas constantes nos numerosos depoimentos de corretores e produtores. Vejamse, por exemplo, os corretores Luiz Fernandes Alvarenga (que confirma que empresas eram guiadas para fornecer café à “IMPÉRIO”, e que o vendedor indicado nas notas fiscais é um artifício, citando as empresas (que constam de suas confirmações de pedido) COLÚMBIA, L&L, W. R. da SILVA, R. ARAÚJO, NOVA BRASÍLIA, YPIRANGA, e PA de CRISTO, entre outras. Um a um vão se seguindo os exemplos documentados de transações efetuadas com a “IMPÈRIO” onde se caracteriza a intermediação de “pseudoempresa” entre a compradora (“IMPÈRIO”) e o produtor pessoa física. E não se está aqui Fl. 6049DF CARF MF Processo nº 10783.721406/201346 Acórdão n.º 3401005.774 S3C4T1 Fl. 6.050 17 falando das dezenas de depoimentos testemunhais, tão rechaçados pela recorrente, mas de documentos neles juntados, ou discutidos, como os de fls. 5381 (pedido da “IMPÉRIO” para a Casa do Café Corretora, corretora de empresas como COLÚMBIA, W. R. da SILVA, R. ARAÚJO, e NOVA BRASÍLIA, entre outras, envolvendo diretamente os sócios da “IMPÈRIO” e seus funcionários/funcionários de outras empresas do grupo “CHAPADÃO Armazéns Gerais LTDA” /armazémgeral e “STEF Comércio e Transportes LTDA” / transportadora), que atuavam constituindo “pseudoempresas”). Citemse ainda os documentos/exemplos de fls. 5358, 5359, 5360, 5431, 5433, 5434, 5440, 5441, 5449, 5490 a 5500, 5536 a 5541, 5572 a 5575, e alguns fornecidos pela Polícia Federal (fls. 5455/5456 e 5458/5459), pelo MPES (fls. 5463, 5465, e 5467 a 5470). São fartas provas de conexão entre os sócios da empresa recorrente e as “pseudoempresas”, o que afasta em absoluto a tese alegada pela empresa em seu recurso voluntário de que “não há qualquer afirmação destes senhores de que a recorrente participava ou tinha efetivo conhecimento da apontada fraude” (fl. 5839), ou de que “em nenhum deles (‘depoimentos’) há indicação da recorrente ou seus sócios” (5840). E torna surreal a tese de que havia planejamento tributário. O “planejamento” era, em verdade, para iludir o fisco mediante a utilização de interpostas pessoas jurídicas. As numerosas respostas de produtores (dezenas deles, aliadas a outras informações prestadas por dezenas de maquinistas/ corretores) afirmando que sequer preenchiam as notas de venda, sequer sabiam quais eram as empresas intermediárias, e que negociavam com o Sr. Amarildo Stefenoni, sócio da “IMPÉRIO” não parecem ser de partícipes de teoria conspiratória para denegrir o nome da recorrente, que se autointitula “uma das poucas empresas sérias do Município” (fl. 5842). Não há assim presunções (ou generalizações, tendo sido trazidos elementos probatórios em relação a cada uma das empresas que tiveram suas notas fiscais glosadas), mas provas (havendo satisfatório exercício do direito probatório por parte do fisco) que não são individualmente afastadas pela recorrente, que se limita a genericamente afirmar que não há provas, ao invés de se dedicar a refutálas. Não se caracteriza, ainda, a boafé a que se refere o REsp no 1.148.444/MG, pois resta, no caso aqui em análise, ausente a comprovação da veracidade da compra e venda efetuada: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. Fl. 6050DF CARF MF Processo nº 10783.721406/201346 Acórdão n.º 3401005.774 S3C4T1 Fl. 6.051 18 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG, Rel.Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu, ao alienante). 3. In casu, o Tribunal de origem consignou que: "(...)os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc, o que afastaria a boafé do Fl. 6051DF CARF MF Processo nº 10783.721406/201346 Acórdão n.º 3401005.774 S3C4T1 Fl. 6.052 19 terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(REsp 1148444/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/04/2010, DJe 27/04/2010) Ademais, no caso concreto tratado nestes autos a compradora (recorrente) sabia (e concorreu para) o fato de que as notas fiscais não refletem verdadeira operação, mas a ocultação da aquisição de café de pessoas físicas, com a interposição de “pseudoempresas”. Cabível, assim, a exigência efetuada pelo fisco, sendo inaplicável ao caso, por absoluta falta de subsunção, o julgamento do STJ. Da multa de ofício Alega o recorrente que a multa aplicada é injusta, expropriatória e confiscatória, não tecendo quaisquer outras considerações sobre a multa qualificada aplicada, prevista no art. 44, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 11.488/2007. Havendo previsão legal explícita para a multa, incabível o juízo de constitucionalidade (onde residiriam as discussões sobre injustiça, expropriação ou confisco) a seu respeito, por este tribunal administrativo, em face da Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. 15. Em igual sentido, em caso idêntico da mesma contribuinte, decidiu esta turma, por unanimidade de votos, no Acórdão CARF nº 3401005.708, de minha relatoria, proferido em 28/01/2019, julgamento do qual participaram os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan, ausentes o conselheiro Tiago Guerra Machado, substituído pelo conselheiro Müller Nonato Cavalcante (suplente convocado), e a conselheira Mara Cristina Sifuentes, substituída pelo conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. 16. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 6052DF CARF MF Processo nº 10783.721406/201346 Acórdão n.º 3401005.774 S3C4T1 Fl. 6.053 20 Fl. 6053DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.002183/2008-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
CONCOMITÂNCIA PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL.
A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, tornando definitivo o lançamento..
Numero da decisão: 2001-000.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, tornando definitivo o lançamento.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 21 83 /2 00 8- 24 Fl. 427DF CARF MF 2 Contra a contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2005, anocalendário de 2004, por meio da qual foi constatada as seguintes irregularidades: dedução indevida de dependentes, dedução indevida de despesas com instrução, compensação indevida de imposto de renda retido na fonte e dedução indevida de incentivo. A interessado foi cientificada da notificação, apresentou impugnação e alega, em síntese, que teria direito a compensação do imposto de renda retido na fonte pois foi exatamente o valor fornecido pela fonte pagadora e a soma dos valores retidos nos contra cheques. A DRJ Brasília, no decorrer da análise dos fatos, deixa claro seu entendimento no sentido de que com relação às infrações de dedução indevida de dependente, dedução indevida de despesas com instrução e dedução indevida com incentivo, elas não foram objeto de impugnação pelo Contribuinte. Assim, serão consideradas matérias incontroversas. Já com relação a compensação do imposto de renda retido na fonte, entende a DRJ que esta matéria em litígio foi também objeto de apreciação junto ao Poder Judiciário, por meio de ação judicial própria. Em sede de Recurso Voluntário, o qual a Contribuinte denomina "Nova Impugnação" e endereça À DRJ, segue sustentando que não abriu mão da esfera administrativa eis que tem teria entrado com processo seria a FAABB (Federação das Associações de aposentados do Banco do Brasil) e UNAMIBB (União dos acionistas minoritários do Banco do Brasil), da qual ela era associada. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Concomitância de esfera administrativa e judicial Conforme mencionado no relatório acima, a discussão gira em torno da concomitância de esfera administrativa e judicial. A Recorrente sustenta que não teria aberto mão da esfera administrativa eis que tem teria entrado com processo seria a FAABB (Federação das Associações de aposentados do Banco do Brasil) e UNAMIBB (União dos acionistas minoritários do Banco do Brasil), da qual ela era associada. Ocorre que, como associada, a contribuinte faz parte do processo judicial de fato. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10166.002183/200824 Acórdão n.º 2001000.979 S2C0T1 Fl. 3 3 Nos termos do que estabelece a norma do art. 38, caput e parágrafo único, da Lei nº. 6.830/80 o questionamento judicial do tributo importa em renúncia da discussão na esfera administrativa. Alega a contribuinte que não seria parte do processo judicial, mas como associada não resta dúvida de que é parte no processo. A questão dos autos resumese na existência de renúncia quanto à via administrativa em razão da existência de demanda judicial com objeto idêntico. A jurisprudência é no sentido de que, havendo identidade entre ação judicial e o processo administrativo, há a renúncia em relação à interposição de recurso na esfera administrativa, conforme disposto no art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80. Nesta senda entendo que deve ser trazido à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, Fl. 429DF CARF MF 4 como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Neste diapasão, verificando os argumentos e documentos claros trazidos aos autos pela autoridade fiscal, entendo que deve ser mantida integralmente a decisão a quo e ser nao ser conhecido o Recurso Voluntário, pelos motivos exposados . CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 430DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720220/2016-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. LIDE NÃO INSTAURADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se deve conhecer de recurso voluntário, interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva. Caso em que não se instaurou a fase litigiosa do processo administrativo.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
São improfícuos os julgados administrativos trazidos ao conhecimento da Turma pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem que uma lei lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional.
CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO NORMATIVO.
Não cabe a Autoridades Administrativas apreciar a constitucionalidade de normas regularmente integradas ao ordenamento jurídico, função precípua do Poder Judiciário.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO.
Não se encontram presentes no feito elementos ensejadores de nulidade, seja por motivos de competência da autoridade lançadora, seja por violação a preceitos constitucionais.
PORCENTUAL ABUSIVO DA MULTA APLICADA. APLICAÇÃO INDEVIDA DA TAXA SELIC NO CÁLCULO DOS JUROS DEVIDOS.
Nos termos do art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972, não compete à Autoridade Administrativa afastar norma sob fundamento de inconstitucionalidade.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO.
A comprovação de existência de grupo econômico, embora possa ser apta a gerar efeitos nas esferas societária e trabalhista, por exemplo; não pode, isoladamente, gerar efeitos na seara tributária tendo em vista a necessidade de adequação ao tipo legal que, neste caso, determina a existência de interesse comum.
MULTA QUALIFICADA.
A míngua de prova da prática de atos fraudulentos, simulados ou concretizados em conluio com terceiro, nos termos dos arts. 71 a 73, descabe a qualificação da multa de ofício.
DECADÊNCIA NÃO VERIFICADA NO CASO CONCRETO.
Não há decadência do direito de constituir os créditos referentes ao período fiscalizado, pois aos fatos examinados aplica-se o disposto no art. 173, I, do CTN.
RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. ART. 135, III, DO CTN. Nos termos do art. 135 do CTN, responde pelos tributos devidos pela pessoa jurídica o administrador por atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que resta caracterizado pela comprovação da atividade essencialmente ilícita do empreendimento da fiscalizada, desde que tal atividade tenha contribuído diretamente para a concretização do fato gerador de parte da exigência fiscal.
EQUÍVOCO NO PORCENTUAL ADOTADO PARA O CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL
Não merece prosperar o cálculo efetuado pela fiscalizada com base em Solução de Consulta da DISIT da 10a Região Fiscal, de aplicação exclusivamente interpartes.
Numero da decisão: 1302-003.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas e, no mérito, a) também por unanimidade, em manter a exigência principal; b) por maioria de votos, em afastar a aplicação da multa qualificada, vencidos os conselheiros Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (relator) que mantinha integralmente e Maria Lúcia Miceli e Flávio Machado Vilhena Dias que afastavam a qualificação apenas com relação às exigências de IRPJ e CSLL; c) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso do responsável solidário Paulo Roberto Brunetti, quanto à responsabilidade sobre os créditos de IRPJ e CSLL, vencido o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (relator) que votou por manter o vínculo integralmente; e, d) por unanimidade, em dar provimento aos recursos, para exonerar a responsabilidade dos responsáveis solidários AUN ADM E PLADE, JOEL RIBEIRO DOS REIS, ALEXANDRE BARROS CONSULTORIA TRIBUTARIA- EIRELI, TADEU ASCHENBRENNER, WILSON ROGERIO CONSTANTINOV MARTINS, RASTELLI & ADVOGADOS ASSOCIADOS, KETLIN MARIA DO NASCIMENTO FIG, VALTER FERNANDES DE MELLO, HERMINIO SANCHES FILHO, GUSTAVO MENDES PEQUITO, CESAR SOUSA BOTELHO, FIVE CONSULTORIA-EIRELI-ME, EXACTHUS ASSESSORIA CONTABIL, M. INOUE- CONSULTORIA LTDA-ME, GILBERTO JOSÉ TORRES- ME, QUILES PARTICIPAÇÕES LTDA- ME, JOSEMEIRE MOREIRA, REAL ASSESSORIA LTDA - ME, MARCELO LISCIOTTO ZANIN, GERSON LUIZ LAMB, LOGUS ASSESSORIA CONS TREINAMENTOS E INFORMÁTICA LTDA-ME, BORIM & ASSOCIADOS CONSULTORIA TRIBUTARIA LTDA.-ME, HAMILTON CESAR LEAL DE SOUSA, NILTON DO CARMO CHAGAS, HMP X, MAURO SÉRGIO THOME, AP CONSULTORIA E PLANEJAMENTO LTDA-ME, LEANDRO ANTUNES ZERATI, UDELCIO DEMCZUK, BARROS & ROSSI ASSESSORIA CONTABIL LTDA-ME, TOTAL CONSULTORIA LTDA ME, VICENTE LAURIANO FILHO, MC RIO PRETO PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA-ME, EDU MARIANO DE SOUZA JUNIOR, MARCOS ANTONIO CAVILHA, KELLY CRISTINA ATHAYDE, SP CONSULT SÃO PAULO CONSULTORES ASSOSSIADOS LTDA, DIAGRAMA PLANEJAMENTO E CONSULTORIA LTDA e EFRATA CONSULTORIA JURÍDICA E TRIBUTARIA LTDA, votando pelas conclusões do relator, quanto a este ponto, os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. LIDE NÃO INSTAURADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se deve conhecer de recurso voluntário, interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva. Caso em que não se instaurou a fase litigiosa do processo administrativo. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos ao conhecimento da Turma pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem que uma lei lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO NORMATIVO. Não cabe a Autoridades Administrativas apreciar a constitucionalidade de normas regularmente integradas ao ordenamento jurídico, função precípua do Poder Judiciário. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. Não se encontram presentes no feito elementos ensejadores de nulidade, seja por motivos de competência da autoridade lançadora, seja por violação a preceitos constitucionais. PORCENTUAL ABUSIVO DA MULTA APLICADA. APLICAÇÃO INDEVIDA DA TAXA SELIC NO CÁLCULO DOS JUROS DEVIDOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 02 20 /2 01 6- 29 Fl. 31235DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.236 2 Nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não compete à Autoridade Administrativa afastar norma sob fundamento de inconstitucionalidade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. A comprovação de existência de grupo econômico, embora possa ser apta a gerar efeitos nas esferas societária e trabalhista, por exemplo; não pode, isoladamente, gerar efeitos na seara tributária tendo em vista a necessidade de adequação ao tipo legal que, neste caso, determina a existência de interesse comum. MULTA QUALIFICADA. A míngua de prova da prática de atos fraudulentos, simulados ou concretizados em conluio com terceiro, nos termos dos arts. 71 a 73, descabe a qualificação da multa de ofício. DECADÊNCIA NÃO VERIFICADA NO CASO CONCRETO. Não há decadência do direito de constituir os créditos referentes ao período fiscalizado, pois aos fatos examinados aplicase o disposto no art. 173, I, do CTN. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. ART. 135, III, DO CTN. Nos termos do art. 135 do CTN, responde pelos tributos devidos pela pessoa jurídica o administrador por atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que resta caracterizado pela comprovação da atividade essencialmente ilícita do empreendimento da fiscalizada, desde que tal atividade tenha contribuído diretamente para a concretização do fato gerador de parte da exigência fiscal. EQUÍVOCO NO PORCENTUAL ADOTADO PARA O CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL Não merece prosperar o cálculo efetuado pela fiscalizada com base em Solução de Consulta da DISIT da 10a Região Fiscal, de aplicação exclusivamente interpartes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas e, no mérito, a) também por unanimidade, em manter a exigência principal; b) por maioria de votos, em afastar a aplicação da multa qualificada, vencidos os conselheiros Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (relator) que mantinha integralmente e Maria Lúcia Miceli e Flávio Machado Vilhena Dias que afastavam a qualificação apenas com relação às exigências de IRPJ e CSLL; c) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso do responsável solidário Paulo Roberto Brunetti, quanto à responsabilidade sobre os créditos de IRPJ e CSLL, vencido o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (relator) que votou por manter o vínculo integralmente; e, d) por unanimidade, em dar provimento aos recursos, para exonerar a responsabilidade dos responsáveis solidários AUN ADM E PLADE, JOEL RIBEIRO DOS REIS, ALEXANDRE BARROS CONSULTORIA TRIBUTARIA EIRELI, TADEU ASCHENBRENNER, WILSON ROGERIO CONSTANTINOV MARTINS, RASTELLI & ADVOGADOS ASSOCIADOS, KETLIN MARIA DO NASCIMENTO FIG, VALTER FERNANDES DE MELLO, HERMINIO SANCHES FILHO, GUSTAVO MENDES PEQUITO, CESAR SOUSA BOTELHO, FIVE CONSULTORIAEIRELIME, EXACTHUS ASSESSORIA CONTABIL, M. INOUE CONSULTORIA LTDAME, GILBERTO JOSÉ TORRES ME, QUILES PARTICIPAÇÕES LTDA ME, JOSEMEIRE MOREIRA, REAL ASSESSORIA LTDA ME, MARCELO LISCIOTTO ZANIN, GERSON LUIZ LAMB, LOGUS ASSESSORIA CONS TREINAMENTOS E Fl. 31236DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.237 3 INFORMÁTICA LTDAME, BORIM & ASSOCIADOS CONSULTORIA TRIBUTARIA LTDA.ME, HAMILTON CESAR LEAL DE SOUSA, NILTON DO CARMO CHAGAS, HMP X, MAURO SÉRGIO THOME, AP CONSULTORIA E PLANEJAMENTO LTDAME, LEANDRO ANTUNES ZERATI, UDELCIO DEMCZUK, BARROS & ROSSI ASSESSORIA CONTABIL LTDAME, TOTAL CONSULTORIA LTDA ME, VICENTE LAURIANO FILHO, MC RIO PRETO PROCESSAMENTO DE DADOS LTDAME, EDU MARIANO DE SOUZA JUNIOR, MARCOS ANTONIO CAVILHA, KELLY CRISTINA ATHAYDE, SP CONSULT SÃO PAULO CONSULTORES ASSOSSIADOS LTDA, DIAGRAMA PLANEJAMENTO E CONSULTORIA LTDA e EFRATA CONSULTORIA JURÍDICA E TRIBUTARIA LTDA, votando pelas conclusões do relator, quanto a este ponto, os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em exame, transcrevo o relatório da DRJ, complementandoo ao final: Tratase de autos de infração, às fls. 17.71417.883, lavrados para exigir de LANCE CONSULTORIA EMPREENDIMENTOS E GESTÃO DE ATIVOS EIRELI, do titular da entidade, senhor Paulo Roberto Brunetti, e de mais 69 pessoas físicas e jurídicas às quais foi atribuída responsabilidade passiva solidária, crédito tributário total de R$ 25.358.869,27, cf. discriminado abaixo, em razão de haverem sido apuradas: a) aplicação indevida do percentual de determinação do lucro presumido do IRPJ e da Base de Cálculo Presumida da CSLL, no anocalendário de 2012; e b) pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, nos anoscalendário de 2011 e de 2012. Fl. 31237DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.238 4 2. A Fiscalização, informa, no Temo de Descrição dos Fatos, lavrado em 08/10/2016, às fls. 17.55717.655 dos autos do processo, que o objetivo social da fiscalizada, até 08/02/2010, era a impressão de material para uso publicitário, tratamento de dados, provedores de serviço de aplicação e serviços de hospedagem na internet, atividades de cobrança e informações cadastrais e que, a partir de 09/02/2010, passou a ser: outras atividades de serviços financeiros não especificados anteriormente. 3. Acrescenta que o titular da entidade, senhor Paulo Roberto Brunetti, em concurso com outras pessoas fisicas e jurídicas, utiliza se da Lance para alienar a terceiros Títulos da Dívida Pública — TDP, do início do século XX, com o propósito de os adquirentes — devedores da Fazenda Pública — liquidarem débitos tributários constituídos, valendose de "créditos podres". 4.Informa a Autoridade Fiscal a quo: Para se ter uma ideia do montante arrecadado nas vendas de créditos atrelados a títulos públicos antigos, a Lance/Consutec teve movimentação bancária a crédito de quase R$ 140 milhões de reais de 2008 a 2013. Declarou receita bruta em torno de R$ 120 milhões, acarretando o reconhecimento (confissão) de débitos de tributos e contribuições em mais de R$ 29 milhões (atualizados) (Vinte e nove milhões de reais). Destes milhões confessados, recolheu apenas 274 mil reais. (...) PRB [Paulo Roberto Brunetti] obtinha a cártula, relativa ao título, conseguia "laudo pericial" de autenticidade duvidosa. Providenciava também o valor atualizado do título em montante astronômico, por meio de laudos de avaliação, emitidos com amparo em premissas falsas aplicadas a partir de sua emissão, considerando o seu valor de face. Para ter noção dos valores cedidos ou vendidos, firmou cerca de 400 contratos de cessão de direitos sobre títulos prescritos, ilíquidos e/ou imprestáveis, cujos montantes negociados com os adquirentes ultrapassou a cifra de 2 bilhões de reais. 5.. Ao investigar as atividades da Lance, a Fiscalização apurou as seguintes infrações à legislação tributária: Fl. 31238DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.239 5 · aplicação indevida do percentual de determinação do lucro presumido (8% em vez de 32%,) e da CSLL (12% em vez de 32%,), no anocalendário de 2012. · pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou pagamentos sem causa, ensejadores da constituição de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF, nos termos do art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, em razão de 606 lançamentos a débito em contas bancárias da entidade no total de R$ 107.573.347,23, realizados no período entre 01/01/2009 e 31/12/2012. Tais lançamentos encontramse discriminados em tabela às fls. 17.56517.611 do feito. Aplicação de porcentual incorreto 6. No que diz respeito à primeira infração, a Autoridade Fiscal a quo destaca que, no anocalendário de 2011, a contribuinte ofereceu suas receitas a tributação sob o percentual de 32%, cf. DIPJ às fls. 730; entretanto, modificou os porcentuais para 8% (IRPJ) e 12% (CSLL) no anocalendário de 2012. 7.Os dispositivos que regem a matéria são o art. 15, §10, III, ‘c', da Lei n° 9.249, de 1995 para o IRPJ e art. 20 do mesmo diploma legal para a CSLL; ambos estipulam o porcentual de 32% para se chegar a base de cálculo dos tributos. 8. Informa, em seguida, que intimou 69 intermediários — mais tarde responsabilizados solidariamente pelos créditos tributários — a justificar os porcentuais adotados; a grande maioria se baseou na Solução de Consulta COSIT n° 177 de 26/12/2012, publicada em 25/02/2013, (na verdade tratase da Solução de Consulta SRRF 10/DISIT n° 177) segundo a qual os valores obtidos referentes à cessão de precatórios adquiridos de terceiros configurariam receita bruta de pessoa jurídica optante pelo lucro presumido cujo objeto social fosse transacionar créditos judiciais e, nesses casos, a base de cálculo do IRPJ deveria ser apurada com a utilização do percentual de presunção de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. 9. A Fiscalização se antecipa em rebater essa argumentação com fundamento no art. 100 da Constituição em vigor que exige a prolação de sentença judicial para assegurar o registro de precatório. Nos casos analisados, tais sentenças não existem e repisa que a cessão de direitos dos supostos créditos são a fonte de receita para a fiscalizada. 10. Destaca, por fim, que a Solução de Consulta COSIT n° 223, de 14/08/2014, esclarece que, para a atividade da contribuinte e seus agregados, o porcentual a ser empregado é de 32%. Pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado Fl. 31239DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.240 6 11. Autoridade Fiscal a quo esclarece que já no Termo de Intimação n° 5, recebido em 05/07/2013, requisitou que fossem apresentadas explicações concernentes a 606 lançamentos a débito na conta bancária da fiscalizada no montante de R$ 107.573.347,23, no período entre 01/01/2009 e 31/12/2012. Adiante, na Intimação n°07, recebida em 11/11/2013, foram solicitados esclarecimentos referentes a 2.995 lançamentos a débito totalizando R$ 24.886.323,31. Seguiramse novas intimações, solicitando diversos esclarecimentos a respeito dos débitos, quais sejam as de n° 12, 13, 17, 19, 20, 21, 22 e 23, às fls. 535544, 589600, 647804 e 887, 11071115, 12171220, 12331236, 11.07011.141 respectivamente. 12. No período investigado, apurou que a contribuinte não confessou em DCTF, nem recolheu qualquer valor associado a IRRF. 13. As respostas apresentadas por Lance/Consutec ultrapassaram 7.700 registros e excederam a cifra de R$ 112 milhões, por esse motivo, foram organizadas notas explicativas minuciosas para a tabela juntada às fls. 17.65617.713 do feito, que consolida toda a apuração realizada pela Autoridade Fiscal a quo sobre eventos fáticos não esclarecidos pela fiscalizada no curso da Ação Fiscal. 14. O fundamento legal da exação, segundo a Fiscalização, encontra se no art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, que determina a incidência de IRRF à alíquota de 35% a todo pagamento efetuado por pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou sem causa demonstrada. Imputação de Responsabilidade Tributária Paulo Roberto Brunetti 15. Informa a Fiscalização: [grifouse] A partir da Intimação Fiscal n° 16 de 13/04/2015, passamos a efetuar duas intimações idênticas, contendo após seu número, as alíneas "A" e "B": "A": endereçada para o domicílio efetivo do contribuinte, cujo endereço é o escritório de Advocacia Paulo Brunetti & Advogados Associados, CNPJ 08.215.053/000131 e; "B": para o endereço de uma sala situada na cidade de São Paulo, cujo representante legal insiste em identificálo como domicílio fiscal da fiscalizada. Foi a única forma de proporcionar ciência aos RL da fiscalizada, tendo em vista que as correspondências encaminhadas ao domicílio fiscal declarado de oficio são rejeitados pelos recebedores. 16. Por fim, o domicílio da contribuinte foi alterado de oficio para o escritório de advocacia do titular da entidade, por meio de procedimento tratado no PAF n° 16004.720242/201427, no qual consta impugnação oferecida contra a decisão da Administração Tributária, bem como o julgamento que confirmou a alteração do domicílio que transitou em julgado em sede administrativa em 06/2016. Fl. 31240DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.241 7 17. Foi imputada responsabilidade ao senhor Paulo Roberto Brunetti, em razão de atos praticados com excesso de poderes ou infração a lei no comando da entidade cf. estatui o art. 135, III, da Lei n° 5172/66, o Código Tributário Nacional CTN, porque a despeito de assumir o comando da fiscalizada em 26/05/2011, ele era, segundo a Fiscalização, o dirigente de fato da entidade desde 13/07/2006. 18. Informa a Autoridade Fiscal: A despeito do constante no Contrato Social (fls. 10948/10952), demonstraremos com provas robustas que Paulo Roberto Brunetti é o proprietário de fato, com poderes de administração da empresa, há pelo menos dez anos, ou desde que os senhores Carlos Alberto Brunetti e Valdeir Dias do Prado "teriam" adquirido cotas da empresa em 13/07/2006. (..) Paulo Roberto Brunetti é o idealizador das fraudes que culminaram na percepção das receitas de Lance/Consutec. É o operador do direito que sempre figurou como o advogado das partes das dezenas de processos de execução de títulos em face da União. Conforme pode ser verificado, anexamos (Fls. 11036), telas de dez processos dos mais de trinta protocolizados por PRB na Justiça Federal/DF Em todos se verifica a atuação de Paulo Roberto Brunetti como advogados dos autores. 19.Outros sócios que sucederam o irmão do senhor Paulo Roberto Brunetti, Carlos Alberto Brunetti, e o senhor Valdeir Ramos, irmão do sócio de Paulo Roberto Brunetti em seu escritório de advocacia, assim como eles, não dispunham de capacidade empresarial e também estavam envolvidos com a fraude, a ponto de um deles: Geraldo Povoas, chegar a ser preso pela Polícia Federal por ser sócio de uma entidade de fachada, podendo até mesmo ser caracterizado como um "laranja profissional". 20.Em reforço aos argumentos de incapacidade técnica, acrescenta a Fiscalização que há uma procuração pública por meio da qual a contribuinte concedeu, ainda em 23/02/2010, poderes ilimitados ao senhor Brunetti, juntada à fl. 11.048. Por fim arremata afirmando que o senhor Brunetti deixou de cumprir obrigações acessórias sendo responsabilizado também por esse motivo. Pessoas que efetuaram intermediação de negócios nas vendas ou cessões de TDP 21. Além do senhor Brunetti, foi imputada responsabilidade passiva solidária a outras 69 pessoas físicas e jurídicas que intermediaram títulos em parceria com a fiscalizada, cujos valores representaram parte das receitas da atividade desta, cf. indicado na tabela abaixo. Fl. 31241DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.242 8 Fl. 31242DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.243 9 Antes de mencionar os elementos que a levaram a autuar as demais 69 pessoas físicas e jurídicas, a Autoridade Fiscal a quo descreve ainda uma vez o esquema fraudulento de venda de Títulos da Dívida Pública — TDP encabeçado pela fiscalizada Lance e seu titular, verbatim: [Grifouse] No período de 2006 a 2012, o mentor intelectual de fraudes tributárias Paulo Roberto Brunetti e vendedores, acordados entre si de maneira estável e permanente, induziram seus clientes representantes de pessoas jurídicas a adquirirem supostos créditos exequendos contra a União Federal, fundados em títulos da dívida externa brasileira prescritos ou sem valor, e utilizaremnos indevidamente para suspensão da exigibilidade de tributos fazendários federais e compensação de contribuições sociais previdenciárias. Primeiramente, Brunetti e parceiros associados incitaram seus clientes pessoas jurídicas a adquirirem supostos créditos Lastreados em títulos da dívida pública emitidos no início do século XX da empresa Lance/Consutec, atualizados monetariamente em valores exorbitantes para incluílos no polo ativo de ações de execução contra a União Federal, propostas em varas da Seção Judiciária do Distrito Federal (Fls. 10.969). Em seguida, após levarem essas pessoas jurídicas ao polo ativo das ações executivas, Brunetti, patrono da maior parte delas, e demais associados, induziram seus clientes a inserirem a falsa informação de exigibilidade suspensa dos tributos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) e DASN (Declaração Anual do Simples Nacional) por forca de supostas decisões proferidas nas citadas ações e/ou por supostos depósitos no montante integral. Entretanto, essas ações não tratam de matéria tributária e os depósitos foram efetivamente efetuados no montante irrisório de dez ou quinze reais, por tributo por período de apuração, recolhidos por meio de documento de arrecadação oficial, a fim de passar a falsa ideia de atender as condições necessárias para a suspensão da exigibilidade prevista no art. 151 do Código Tributário Nacional. Ressaltese que, de início, alguns clientes levaram ao conhecimento do Judiciário as cobranças efetivadas pela Receita Federal, mediante a impetração de mandados de segurança, solicitando a suspensão da exigibilidade, tendo em vista a apresentação de manifestações de inconformidade, estavam sob o manto do Decreto 70.235/72. Não só a tese foi rechaçada como o Judiciário aplicou multas por litigância de máfé superiores a R$ 100.000,00 (cem mil reais), conforme processos 000506355.2011.4.05.8500, 0005064 40.2011.4.05.8500, 000506525.2011.4.05.8500,0005067 922011.405.85000, 000506877.2011.4.05.8500,0005066 10.2011.4.05.8500. No caso da GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), ou seja, da declaração Fl. 31243DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.244 10 das contribuições sociais previdenciárias, as entidades foram induzidas a inserir um valor no campo "Compensação" suficiente para zerar os valores a pagar da contribuição previdenciária referente à parte patronal. Por intermédio desses procedimentos fraudulentos, o empresário obtém a suspensão temporária da exigibilidade do seu débito fiscal até que seja constatada a irregularidade pela autoridade tributária. Enquanto isso, consegue emitir certidões de regularidade fiscal via Internet e beneficiarse da contagem do prazo prescricional referente à extinção do crédito tributário. Importante esclarecer que os títulos públicos objeto do litígio contra a União Federal foram considerados prescritos em todas as ações de execução julgadas até apresente data (Fls. 10.999). Além disso, consta em sentenças proferidas que o Ministério Público Federal suspeita "que o material probatório anexado à inicial obedece a um padrão, que permite a sua aplicação em distintos processos". (sentença proferida em 17.07.2013 no processo n. 1566323.2011.4.01.3400). Simultaneamente, partir do segundo semestre de 2012, em função de medidas adotadas pela Receita Federal do Brasil (RFB) para coibir essa fraude, observouse mudança no modus operandi adotado pelo mentor intelectual de fraudes tributárias e seus associados, utilizandose de outras empresas e parceiros para as celebrações dos contratos, os quais estão sendo apurados em outros procedimentos fiscais. 23. Em seguida a Autoridade Fiscal a quo remete aos Processos Administrativos Fiscais — PAF n° 16004.720566/201201 e 16004.720241/201482, igualmente julgados por esta 1ª Turma da DRJ/CuritibaPR, para esclarecer que, entre 2008 e meados de 2010, a fiscalizada não se valia de Sociedades em Conta de Participação — SCP, desse modo: Na auditoria fiscal, em face dos pagamentos de comissões a tais vendedores, ficou constatado ter havido a subsunção descrita no parágrafo primeiro do artigo 61 da Lei 8981/95, o qual estabelece que estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todos os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros pela pessoa jurídica, quando não comprovada a sua causa. Esclareçase que a falta de liame objetivo entre os pagamentos aos corretores e as celebrações contratuais das vendas, os quais não preveem as intermediações (Vide contratos de fls. 11147 a 12949) Naqueles dias, como poderiam os representantes legais da Lance/Consutec justificar tais pagamentos? Já que não havia relação negocial entre eles. A consequência foi o lançamento Fl. 31244DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.245 11 sobre todos os pagamentos a tais intermediários, pelos motivos mencionados. 24. A partir do anocalendário de 2010, porém, a situação se modificou, os responsáveis engendraram um artificio para tentar impedir os lançamentos que constituíam créditos tributários contra a fiscalizada; passaram a constituir Sociedades em Conta de Participação — SCP entre os intermediários vendedores dos títulos (na condição de sócios participantes) e a fiscalizada (na condição de sócia ostensiva). Nessas circunstâncias, destaca a Autoridade Fiscal a quo: [Grifouse] (.) o capital integralizado, para todos os contratos de SCP é de apenas R$ 1.000,00 para as duas partes, nos mesmos descrevese que os valores já foram totalmente integralizados. A quase totalidade das SCP foram assinados no início de 2011 ou durante 2010. Não há registro contábil, para os Contratos até 31/12/2010, pois a fiscalizada se auto arbitrou, não apresentando comprovação de tais integralizações. Para os contratos pós 01/2011, verificando os lançamentos da Lance/Consutec, não se identifica lançamentos demonstrando as integralizações, tampouco saldo de contas exprimindo as integralizações das centenas de Sociedades em conta de participação (Fls. 13156/13856). Intimada Lance/Consutec em 15/09/2016 (Fls. 11060), para o atendimento aos requisitos dispostos na IN (RFB) 179/87, para a apresentação da escrituração das operações das SCP, nada foi apresentado. 25. Acrescenta que, entre 2010 e 2014, foram celebrados mais de 400 contratos de SCP com mais de noventa vendedores e distribuídos, a título de comissões, "mais de quarenta e seis milhões de reais", entre 2011 e 2012. 26. Sustenta que tais arranjos societários não estavam de acordo com a lei, porque, depois de intimar os sócios participantes, obteve informações frágeis sobre os negócios entabulados. Ademais, dada a ilicitude do negócio subjacente — a negociação de TDP vencidos —, os contratos de SCP seriam nulos nos termos do art. 104 do Código Civil, Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que disciplina a validade dos negócios jurídicos. 27. Sobre o contrato de cessão propriamente dito, a Autoridade Fiscal, depois de mencionar o objeto envolvendo TDP, conclui: Portanto, é cristalino que, à luz da legislação, exigese que, para que eventuais adquirentes de tais "direitos", levassem seus créditos à compensação com os débitos tributários, necessária e imprescindível o trânsito em julgado. Evidentemente não está a dizerse aqui que aos contratantes é vedada a atividade de comercializar, ceder, vender, comprar Fl. 31245DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.246 12 eventuais "direitos" que entendam ter valoração no mundo das coisas. O que é vedado aos contraentes celebrar pactos com ofensas a lei, o que neste caso é patente e inquestionável. Tanto é verdadeiro, que houve condenação pelo do Juiz da primeira vara cível desta cidade Rio Preto (Processo n° 400724816.2013.8.26.0576), em face de Lance/Consutec e Paulo Roberto Brunetti em mais de 18,5 milhões a título de danos materiais e morais em virtude da cessão de títulos podres à Unimed do Centrooeste e Tocantins, conforme fls. 11033. Em Ação Civil Pública de Improbidade Administrativa, processo 000259839.2012.4.05.8500, que tramita na Justiça Federal em Sergipe, Paulo Roberto Brunetti foi condenado a ressarcir o valor de R$ 3.033.611,35 (três milhões, trinta e três mil e seiscentos e onze reais e trinta e cinco centavos), por ter vendido créditos "podres" à Prefeitura de Muribeca (SE) com o intuito de compensar contribuições previdenciárias referente às cotas patronal e dos segurados. Paulo Roberto Brunetti foi também condenado a mais de quatro anos de prisão em ação penal, processo n° 0003827 97.2013.4.05.8500, por pratica do crime de responsabilidade em conjunto com a prefeita de Muribeca. Na sentença restou demonstrado que o advogado orquestrou e executou a fraude tributária (Fls. 12950). Portanto as comprovações de fartas provas materiais demonstram inequivocamente que: O grupo de fraudadores reuniuse com o propósito de oferecimento a empresários de pretensos direitos, sem que tivesse havido a chancela do poder judiciário, reconhecendo a pretensão deduzida em juízo; A lei proíbe relação contratual que celebre direitos e obrigações baseados em apenas pretensões sobre direitos em face da União, sem que tenha havido o transito em julgado, visando compensação com tributos federais; Consequência do não atendimento aos princípios contratuais, que tais contratos são considerados nulos; Com base no que foi exposto no presente item, sobre a sujeição passiva solidária, não há qualquer proteção jurídica aos vendedores dos títulos, em vista da nulidade absoluta dos contratos de SCP, cujas receitas obtidas motivaram a constituição das infrações dos presentes autos. 28. O fundamento legal da imputação de responsabilidade solidária foi o art. 124, I, do CTN, a respeito do qual a Autoridade Fiscal sustenta: Fl. 31246DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.247 13 (..) sem se falar em fraude, (..) por força da nulidade absoluta dos contratos de SCP ilegais, tais vendedores amoldamse com o interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador, acarreta a responsabilidade solidária, porque tais comissionados envolveramse na prática da atividade tipificada pela norma tributária (ajudaram a vender os títulos e foram regiamente pagos pelo trabalho). (..) pressupõe ter havido fraude ou conluio, em face dos adquirentes e fazenda pública. Doutrina e Jurisprudência declaram ser pacífica a responsabilidade tributária. Multa qualificada 29. Em face da ilicitude intrínseca dos negócios do grupo de entidades envolvidos, a multa foi qualificada no caso concreto nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, c/c o art. 71 (sonegação) da Lei n° 4.502, de 1964 30. Informa, por fim, a Autoridade Fiscal a quo sobre os pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa: [Grifouse] (..) também se constata nos autos de infração contidos nos processos administrativos 16004.720566/201201 e 16004.7202412/201482. Nos autos presentes, não se comprova saídas de recursos da empresa, em quase mil lançamentos, cujo montante ultrapassa 10 milhões de reais. A intenção de subtrair recursos da fiscalizada se agrava, principalmente pelo fato de que a empresa é devedora à Fazenda Pública Federal em quase trinta milhões (débitos atualizados) e que ela, tampouco o sócio de fato não possui bens a fim de satisfazerem os débitos tributários. 31. Antecipase ainda em afastar alegações de decadência argumentando que o dolo antes atrai a aplicação do art. 173, I do CTN. Representação Fiscal para fins Penais 32. Foi elaborada representação fiscal para fins penais, "em face de tais pessoas ou representantes legais, em cumprimento ao disposto no Decreto n.° 2.730, de 19 de agosto de 1998 e Portaria SRF n°2439/2010". Ciência e Impugnação 33. A contribuinte foi intimada em 14/10/2016, cf. cópia de Aviso de Recebimento — AR à fl. 18.154 e apresentou sua impugnação em 14/11/2016 a qual foi juntada às fls. 19.10119.139 dos autos. 34. O senhor Paulo Roberto Brunetti, titular da EIRELI, a quem foi imputada responsabilidade tributária foi intimado em 13/10/2016, cf. Fl. 31247DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.248 14 AR à fl. 18.166 e apresentou impugnação em 11/11/2016, que foi juntada ao feito às fls. 20.01020.025. 35. As demais 69 pessoas físicas e jurídicas imputadas foram intimadas nas datas indicadas às fls. 1 8.1041 8.265. 36. A tabela a seguir indica as pessoas imputadas que não apresentaram impugnação, cuja revelia foi declarada pela Autoridade Preparadora, nos termos do art. 21 do Decreto n°70.235, de 6 de março de 1972. 37. Finalmente, a sociedade empresária Igaratec apresentou impugnação intempestividade, cf. indicado na tabela abaixo. Impugnação de LANCE CONSULTORIA EMPREENDIMENTOS E GESTÃO DE ATIVOS EIRELI Descrição dos Fatos Fl. 31248DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.249 15 38. A impugnante informa que sua atividade econômica principal — CNAE 66.19399 — Outras atividades auxiliares dos serviços financeiros não especificadas anteriormente consiste na cessão de créditos judiciais (títulos públicos externos) que dependem de execuções contra a Fazenda Nacional e são negociados de acordo com o DecretoLei n° 6.019, de 1943. 39. A Autoridade Fiscal aponta a ocorrência de duas infrações à legislação tributária: a) aplicação indevida de percentual de determinação do lucro presumido, 8% em vez de 32% no caso do IRPJ e também 12% em vez de 32% no da CSLL; e b) exação de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF referente a pagamentos a beneficiários não identificados ou a pagamentos sem causa. 40. A Fiscalização desconsiderou os contratos de SCP celebrados pela impugnante, na posição de sócia ostensiva, com parceiros comerciais, que ocupavam a posição de sócios participantes. Dada a suposta existência de fraude, foi aplicado ao caso o art. 173, I, do CTN e qualificada a multa de ofício. 41. Houve ainda Representação Fiscal para Fins Penais, em virtude de supostas práticas que configurariam crime contra a ordem tributária. Questões preliminares Duração exagerada da Fiscalização 42. Restaria extrapolado o tempo razoável do processo, previsto pelo art.5º LXVIII, da Constituição em vigor c/c art. 196 do CTN, porque a impugnante permaneceu submetida a procedimento fiscalizatório por mais de cinco anos, dado que o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal — TDPF n° 08.1.90.002011.021356 foi emitido em 22/06/2011. Sobre o assunto, traz ao feito notável jurisprudência. Decadência parcial do crédito tributário 43. Os créditos tributários em tela — argumenta — envolvem tributos sujeitos à modalidade do lançamento por homologação; nesse regime, o art. 150 do CTN obriga o sujeito passivo a antecipar o pagamento do tributo sem prévio exame da Autoridade Administrativa qual posteriormente o homologará. Nos termos do §4° do mesmo dispositivo, determinase que, caso a lei não fixe prazo outro para essa homologação, ele será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. 44 . Apenas em casos de fraude seria possível cogitar a regra estipulada pelo art. 173 do mesmo diploma legal, que também estabelece prazo de cinco anos, porém contado a partir do primeiro Fl. 31249DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.250 16 dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 45. No caso concreto, sustenta: (..) a Impugnante é pessoa jurídica que figura como sócia ostensiva de SCP. Por meio dos contratos de SCP celebrados, a Impugnante, atuando como sócia ostensiva, efetua a cessão dos direitos creditórios (..)aos cessionários, por meio do devido contrato de cessão de direito, e recebe as quantias pagas pela cessão dos créditos judiciais (..) A receita destas cessões dos créditos judiciais (..), o que corresponde à atividade principal da Impugnante, é devidamente dividida (divisão de lucros) entre a Impugnante e os demais sócios participantes da SCP. Pois então, a parcela que cabe à Impugnante, repitase, na figura de sócia ostensiva, é devidamente submetida à tributação pelo IRPJ/CSLL sob o regime do lucro presumido. Por sua vez, como já dito, a outra parcela é repassada pela Impugnante aos seus sócios participantes na SCP. Foram justamente esses pagamentos (devidamente registrados e comprovados documentalmente pela Impugnante durante todo o procedimento fiscalizatório) é que foram apontados pela Fiscalização como sendo feitos a beneficiários não identificados e por isso indevidamente submetidos ao lançamento de oficio do IRRF (35%) pela Fiscalização. Ocorre que, como fica muito bem demonstrado pela Impugnante no Relatório de Arrecadações via DARFs (sob todos os códigos de receita) (doc.03), documento este emitido pela própria Receita Federal. Como se nota, nos anos fiscalizados (AC 2011 e 2012) constam diversos recolhimentos a título de IRRF (código 1708). Desta feita, uma vez que há o efetivo recolhimento do IRRF, mesmo que eventualmente a menor, o prazo decadencial aplicável é aquele previsto especificamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, isto é, o do art. 150, §4°, do CT1V. 46. Traz ao feito importante jurisprudência judicial e administrativa sobre a matéria decadência. Percentual de Presunção do IRPJ e da CSLL no regime do lucro presumido 47. Inicialmente, a contribuinte descreve a legislação de regência, a saber, o art. 15 da Lei n°9.249, de 1995, reproduzido abaixo, que estabelece um porcentual de 8% para a determinação da base de cálculo do IRPJ na modalidade do lucro presumido e, em seus parágrafos, dispõe sobre exceções que se sujeitam a outros percentuais. Fl. 31250DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.251 17 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei n° 12.973, de 2014) (Vigência) 48. No caso da CSLL — acrescenta — o porcentual correspondente é o de 12% nos termos do art. 22 da Lei n.° 10.684, de 2003, que alterou a redação do art. 20 da Lei no 9.249/99. 49. Traz ao conhecimento o teor da solução de consulta — Solução de Consulta n° 177, de 2012 — que responde a indagação de qual o porcentual deveria ser aplicado no caso de entidades cuja atividade principal fosse a cessão de direitos creditórios ou precatórios adquiridos de terceiros. Segundo a Administração Tributária, deveriam ser aplicados os percentuais de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL. [Grifouse] Solução de Consulta n° 1 77, de 26 de dezembro de 2012 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE DIREITOS. PRECATÓRIOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE DIREITOS. PRECATÓRIOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. Os valores obtidos referentes à cessão de precatórios adquiridos de terceiros configuram receita bruta de pessoa jurídica optante pelo lucro presumido cujo objeto social é transacionar esses créditos judiciais. A base de cálculo do IRPJ deve ser apurada com a utilização do percentual de presunção de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta. (..) Os valores obtidos referentes à cessão de precatórios adquiridos de terceiros configuram receita bruta de pessoa jurídica optante pelo lucro presumido cujo objeto social é transacionar esses créditos judiciais. A base de cálculo da CSLL deve ser apurada com a utilização do percentual de presunção de 12% (doze por cento) sobre a receita bruta. 50. Argumenta que a Solução de Consulta referida vincula apenas a parte que a formulou, contudo, acrescenta: “ o entendimento nelas exarado sem sombra de dúvidas servem (sic) como verdadeiras nortes a serem seguidos pelos demais contribuintes que se encontrem em idêntica situação fálica e de direito". Fl. 31251DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.252 18 51. Reconhece que o entendimento sobre a matéria foi alterado em 2014, por meio da Solução de Consulta COSIT nº 223, de 2014 que abordou precisamente o entendimento anteriormente fixado na referida Solução de Consulta n° 177, de 2012, entretanto, afirma que não é cabível a retroação in pejus no caso em tela tendo em vista a data de ocorrência dos fatos geradores ora discutidos, e mesmo porque, nos termos do art. 100 do Decreto 7.574, de 2011, alterações sobre entendimentos antes firmados atingirão apenas fatos geradores posteriores à ciência do consulente. Regra com a mesma essência se verifica no art. 146 do CTN. 52. Recorre ainda ao art. 9º da IN RFB nº 1.396, de 2013, segundo o qual, as soluções de Consulta da COSIT têm efeito vinculante no âmbito da RFB a partir da data de sua publicação e respaldam o sujeito passivo que as aplicar, independentemente de ser ele o consulente, "desde que se enquadre na hipótese por elas abrangida, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento". 53. No que diz respeito a essa discussão acrescenta a mudança de posição somente foi tomada em 14.08.2014, o que a leva a concluir: Assim, o entendimento fixado pela COSIT em Solução de Consulta vincula não somente a consulente, mas também os demais contribuintes que se encontrem em situação idêntica. Tal vinculação ocorre, contudo, a partir da publicação da respectiva Resposta. Assim, o entendimento fixado pela COSIT em Solução de Consulta vincula não somente a consulente, mas também os demais contribuintes que se encontrem em situação idêntica. Tal vinculação ocorre, contudo, a partir da publicação da respectiva Resposta. 54. Como o lançamento se baseou nesse segundo entendimento, arremata afirmando que, em relação ao percentual aplicável nas atividades da impugnante, no ano calendário de 2012, a Autoridade Fiscal a quo não pode se valer de entendimento exarado pela COSIT no ano de 2014 e que só se tornou vinculante a partir de 14.08.2014. Pagamentos realizados a beneficiários não identificados 55. Afirma a contribuinte que os créditos judiciais que se encontram no fundo de toda a exação são provenientes da dívida pública externa emitida em libras esterlinas. A matéria é disciplinada pelo Decreto Lei n° 6.019, de 1943, e os títulos negociados são reconhecidos como válidos pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central do Brasil. 56. Para destacar a plena validade dos créditos judiciais de que era detentora nos anoscalendário de 2011 e 2012, a impugnante pretendeu juntar aos autos, às fls. 19.14219.277, diversos documentos, como cópias de correspondências eletrônicas e notas da Secretaria do Tesouro Nacional e do Banco Central do Brasil sobre os títulos discutidos, além de cópias de legislação, pareceres de especialistas e certidões de pé sobre processos em tela. Tal intento, Fl. 31252DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.253 19 contudo, foi frustrado porque o conteúdo das folhas 19.14219.209 foi repetido às fls. 19.21019.277, como se verá adiante neste relatório. 57. No corpo da impugnação, esclarece que, no modelo de negócio adotado, figurava como sócia ostensiva de contratos de SCP e, assim, assumia toda a responsabilidade perante os cessionários dos TDP. Depois da conclusão dos negócios de cessão angariados pelos sócios participantes, as receitas assim auferidas eram divididas entre a Lance e seus parceiros de acordo com a participação de cada um nos termos de cada contrato de SCP específico. 58. Argumenta que, a despeito de toda a documentação apresentada durante Ação Fiscal, a Fiscalização considerou que esses pagamentos eram sem causa ou a beneficiários não identificados. Acrescenta que tais pagamentos nunca foram ocultados, e tanto isso é verdade que os beneficiários foram identificados pela Autoridade Fiscal para fins de imputação de responsabilidade solidária. 59. O mesmo se aplica, segundo a impugnante, aos demais pagamentos efetuados a terceiros que não os sócios participantes da SCP. Insiste que todos foram identificados, razão pela qual requer que: (..) sejam aplicados o percentual quanto às saídas/pagamentos as pessoas jurídicas o percentual de 1,5% (IRRF) e para as pessoas físicas a tabela progressiva de (7,5% a 27,5%) se for o caso. Desta feita, não sendo possível se sustentar neste ponto, haja vista a perfeita identificação dos pagamentos feitos com base nos contratos de SCP (vide exemplo contido no doc. 05), a autuação busca se apegar na suposta invalidade ou, como prefere, na "podridão" dos títulos negociados. (..) Ora, a suposta invalidade dos títulos (a qual, frisese, sequer foi comprovada pela Fiscalização) é irrelevante para o curso do processo administrativo e, sobretudo, não constitui fato gerador de obrigação tributária. (..) 60. Nesses termos, requer o afastamento da infração, dada a demonstração da origem dos pagamentos questionados bem como de seus beneficiários. Inexistência de fraude ou dolo 61. Reconhece que a legislação tributária art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 dispõe que a multa pelo lançamento de ofício será qualificada (alíquota de 150%) nos casos de sonegação, fraude ou conluio, e que a existência de práticas dolosas ensejam a substituição do prazo decadencial previsto no art. 150, §4°, do CTN, pelo prazo do art. 173, inciso I, do mesmo Código. 62. Tais condutas dolosas, contudo, não podem ser meramente alegadas pela Autoridade Fiscal, mas cabalmente comprovadas, cf. Fl. 31253DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.254 20 pacífica jurisprudência administrativa e judicial. Refere a Súmula n° 14 do CARF, segundo a qual a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa, sendo necessária a comprovação do intuito de fraude do sujeito passivo. 63. Argumenta a contribuinte: (..) o Agente Fiscal limitouse a alegar que a Impugnante agiu mediante fraude e sonegação, sem, contudo, demonstrar de forma consistente a intenção da Impugnante em sonegar ou fraudar o Fisco (aspecto subjetivo), tampouco a efetiva prática do ilícito (aspecto objetivo). 64. Considera absurdo entendimento da Fiscalização de que os percentuais de presunção do IRPJ e da CSLL 8% e 12%, respectivamente ratificados pela Receita Federal por meio da Solução de Consulta n° 177, de 2012 tenham sido adotados pela impugnante com intuito de sonegar o recolhimento dos tributos. 65. Sobre a não autenticidade dos TDP, acrescenta: (..) é pacificado o entendimento no CARF de que a compensação de títulos públicos não comporta, por si só, a aplicação de multa qualificada, devendose aplicar sobre o principal apenas o percentual de 75%. No mesmo sentido, é o posicionamento quanto à compensação de créditos sem decisão judicial transitada em julgado (..) 66. Não haveria, pois, elementos passíveis de corroborar o lançamento da multa qualificada de 150%, devendo esse ser afastado e, com ele, a repercussão sobre o prazo decadencial antes referido. Petitório 67. Requer o recebimento da impugnação e, em caráter preliminar, a declaração de nulidade dos Autos de Infração em virtude da delongada duração da Ação Fiscal e o reconhecimento da decadência parcial dos créditos lançados referentes a fatos geradores ocorridos antes de outubro de 2011, nos termos do art. 150, §4°, do CTN. 68. No mérito, pede o acolhimento da impugnação pelas razões expostas na peça impugnatória, ou, alternativamente, o afastamento da qualificação da multa. 69. Protesta, por fim, pela posterior juntada de documentação que eventualmente não tenha sido acostada à peça impugnatória, nos termos do art. 16, §§4° e 5° do Decreto n° 70.235, de 1972. Impugnação do senhor Paulo Roberto Brunetti Fl. 31254DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.255 21 70. Depois de descrever resumidamente os fatos, o impugnante repete a argumentação da EIRELI fiscalizada sobre nulidade dos autos de infração em razão da supostamente longa duração do procedimento fiscal. Ausência de responsabilidade pessoal do impugnante 71. No que toca ao mérito, sustenta que meras alegações em torno do percentual de presunção adotado pela pessoa jurídica em determinado anocalendário, ou sobre eventuais pagamentos sem causa ou a terceiros não identificados não possuem força suficiente para ensejar a responsabilização pessoal do titular da entidade, posto que o art. 135, III, do CTN, não possui a amplitude pretendida pela Autoridade Fiscal. 72. Repete a argumentação da EIRELI sobre os percentuais empregados por ela, questiona a ausência de demonstração de dolo que justificasse a qualificação da multa aplicada. 73. Repete igualmente os argumentos da pessoa jurídica no que diz respeito aos pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados. 74. Acrescenta que: De fato, o mencionado dispositivo do CTN impõe que a legislação sancionatória deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida, quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação (...) Desta feita, como não há qualquer comprovação efetiva por parte da Fiscalização de que o Impugnante tenha atuado com dolo, intuito fraudulento ou excesso de poderes em relação às infrações imputadas à empresa Lance, não resta dúvida de que a aplicação do art. 135, III, do CTN (sic) deve ser inteiramente afastada. 75. Conclui requerendo o acolhimento da impugnação e o afastamento da responsabilidade pessoal do impugnante. Impugnações apresentadas pelos responsáveis solidários 76. Por uma questão de economia processual, tendo em vista a elevada quantidade de responsáveis solidários, as impugnações semelhantes ou idênticas serão tratadas em conjunto. Elas foram apresentadas pelas seguintes pessoas físicas e jurídicas. Fl. 31255DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.256 22 77. Em brevíssimo resumo, as pessoas imputadas alegam que: a) há contratos legítimos de SCP celebrados entre as imputadas e a fiscalizada, de acordo com as normas do Direito Civil brasileiro e que não há sinal de dolo nos negócios efetuados; b) ainda de acordo com o Direito Civil que deve ser acompanhado pelo Direito Tributário em SCPs a responsabilidade por todas as obrigações, da sociedade recaem sobre o sócio ostensivo, in casu, LANCE CONSULTORIA EMPREENDIMENTOS E GESTÃO DE ATIVOS EIRELI; c) nula, ao contrário, é a desconsideração da SCP promovida pela Autoridade Fiscal; d) exceto pelo contrato de SCP, não há outros vínculos entre a fiscalizada e as imputadas, e muito menos a formação de grupo econômico; Fl. 31256DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.257 23 e) a receita que circulou entre a fiscalizada e as imputadas consiste de distribuição legítima de lucros nos termos dos contratos de SCP; f) não existe interesse comum entre o valor individual auferido pelas imputadas e o resultado global da fiscalizada, em outras palavras não há interesse comum de todos os negócios desta, com os negócios daquela; g) na ausência de dolo, não há lugar para qualificação da multa no caso concreto. 78. Esses impugnantes alegam que: a) não firmaram contratos de SCP, mas de prestação de serviços; b) um dos interessados: Alexandre de Barros Consultoria Tributária Eireli traz ao conhecimento laudo grafotécnico dando conta de falsidade da assinatura aposta no contrato de SCP apresentado pela Fiscalização; c) a fraude alegada não pode ser presumida e que não houve simulação no caso concreto, além de que não há provas em sentido contrário contra elas; d) não possuem interesse comum com a fiscalizada que justifique a imputação de responsabilidade solidária e que as notas fiscais emitidas, em razão dos contratos celebrados são válidas; e) os eventuais fatos geradores específicos de cada uma delas, não podem ser associados a todos os atos supostamente ilícitos praticados pela fiscalizada; 79. Alegam, por fim, ainda ter havido violação a princípios constitucionais, questionam a qualificação da multa aplicada, a aplicação de juros SELIC no caso concreto e a representação fiscal para fins penais. 80. Quiles Participações argumenta a favor da legalidade do contrato de SCP e sustenta se houve ato praticado com excesso de poder, esse deve ser atribuído ao titular da fiscalizada. 81. Sustenta ademais que haveria decadência no caso concreto, em virtude de haver ocorrido pagamento que atrairiam a aplicação do prazo estipulado pelo art. 150 do CTN. Fl. 31257DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.258 24 Impugnação de Gerson Luiz Lamb 82. O senhor Gerson Luiz Lamb se insurge contra a desconsideração da SCP, que considera nula, dada a licitude de sua constituição. Argumenta que toda a responsabilidade tributária, nos termos da legislação de regência, deve ser atribuída ao sócio ostensivo. 83. Ademais, defendese alegando que não podem ser exigidos dele créditos que não transitaram por suas contas. Impugnação de Joel Ribeiro dos Reis 84. Preliminarmente, o senhor Joel Ribeiro dos Reis alega que sofreu cerceamento no exercício de seu direito de defesa por não lhe ser dado acesso ao procedimento em curso e a documentos da ação fiscal. 85. Acusa a inexistência da SCP e reclama que só pode ser responsabilizado no limite de seus atos. 86. Sustenta, por fim, que não existe vínculo entre ele e a fiscalizada e, por esse motivo, não lhe pode ser imputada responsabilidade solidária. Impugnação de AP Consultoria e Planejamento e Sointeg Consultoria 87. Em singelas impugnações, AP Consultoria e Planejamento e Sointeg Consultoria, se insurgem contra a imputação de responsabilidade solidária sob o argumento de que não há vínculo entre ela e a fiscalizada, muito menos grupo econômico e, desse modo, não há interesse comum que justifique atribuição elaborada pela Autoridade Fiscal. Impugnações de Luís Augusto Antunes Rodrigues e Udelcio Demczuk 88. Os senhores Luiz Augusto Antunes Rodrigues e Udelcio Demczuk afirmam que não há SCP entre eles e a fiscalizada e desse modo não há que se falar em grupo econômico ou interesse comum no caso concreto. Impugnação de Rastelli & Advogados Associados 89. Rastelli & Advogados reconhece a existência de contrato de SCP, mas, dada a licitude do objeto, esse não seria apto a ensejar responsabilidade solidária por supostos ilícitos cometidos pela fiscalizada. Impugnação de BKA Serviços 90. BKA contesta a desconsideração do contrato de SCP com base em presunções, dado que se trata de ajuste legítimo protegido pelo Fl. 31258DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.259 25 ordenamento jurídico nacional e que não foi provada a existência de fraude ou dolo. 91. Acrescenta que tal contrato não implica a existência de vínculo permanente com a fiscalizada, nem tampouco a formação de um grupo econômico. Diligência requerida por esta 1ª Turma da DRJ/CuritibaPR 93. Conforme antes mencionado, constatouse a ausência nos autos de parte da documentação comprobatória referida na peça de impugnação às fls. 19.14219.277, por esse motivo, o feito retornou em diligência à Unidade de Origem, em 05/05/2017, para que a contribuinte fosse intimada a apresentálos. 94. Cumprida a diligência, retornam os autos para julgamento acrescidos de adendo à impugnação, às fls. 24.21024.215, e documentos comprobatórios às fls. 24.216/27.644. 95. É o que importa relatar. Após análise dos argumentos lançados pela fiscalização, pelo contribuinte e pelos responsáveis, a DRJ exarou o seguinte acórdão: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos ao conhecimento da Turma pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem que uma lei lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO NORMATIVO. Não cabe a Autoridades Administrativas apreciar a constitucionalidade de normas regularmente integradas ao ordenamento jurídico, função precípua do Poder Judiciário. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. Não se encontram presentes no feito elementos ensejadores de nulidade, seja por motivos de competência da Fl. 31259DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.260 26 autoridade lançadora, seja por violação a preceitos constitucionais. PORCENTUAL ABUSIVO DA MULTA APLICADA. APLICAÇÃO INDEVIDA DA TAXA SELIC NO CÁLCULO DOS JUROS DEVIDOS. Nos termos do art. 26A do Decreto n° 70.235, de 1972, não compete à Autoridade Administrativa afastar norma sob fundamento de inconstitucionalidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUIU O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. DECADÊNCIA NÃO VERIFICADA NO CASO CONCRETO. Não há decadência do direito de constituir os créditos referentes ao período fiscalizado, pois aos fatos examinados aplicase o disposto no art. 173, I, do CTN em função da autoridade lançadora ter demonstrado à existência fraude nas infrações praticadas. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. ART. 135, III, DO CTN. Nos termos do art. 135 do CTN, responde pelos tributos devidos pela pessoa jurídica o administrador por atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que resta caracterizado pela comprovação da atividade essencialmente ilícita do empreendimento da fiscalizada. EQUÍVOCO NO PORCENTUAL ADOTADO PARA O CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL Não merece prosperar o cálculo efetuado pela fiscalizada com base em Solução de Consulta da DISIT da loa Região Fiscal, de aplicação exclusivamente interpartes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 31260DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.261 27 Inconformados com a referida decisão, alguns dos responsáveis, bem como o contribuinte, interpuseram recursos voluntários, nos quais, em síntese, reafirmaram os argumentos expendidos em sede de impugnação. Tais pontos serão detalhados quando da análise dos referidos recursos, por questão de economia processual. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Da admissibilidade A tabela a seguir indica as pessoas imputadas que apresentaram recurso voluntário. Vejamos: NOME DATA DA CIÊNCIA DATA DO RECURSO FLS. TEMPESTIVO LANCE CONSULTORIA 30/06/17 25/07/17 FLS.29.332 29.371 SIM AUN ADM E PLADE 10/07/17 01/08/17 FLS.30.564 A 30.599 SIM JOEL RIBEIRO DOS REIS 11/07/17 10/08/17 FLS. 31.001 A 31.014 SIM ALEXANDRE BARROS CONSULTORIA 07/07/17 10/08/17 Fls. 29.176 A fls. 29.229 SIM TADEU ASCHENBRENNER 10/07/17 27/07/17 Fls. 30.155 A 30.190 SIM WILSON ROGERIO CONSTANTINO MA 10/07/17 27/07/17 Fls. 30.195 A 30.230 SIM RASTELLI & ADVOGADOS ASSOCIADOS 07/07/17 08/08/17 FLS. 31.057 A 31.098 SIM KETLIN MARIA DO NASCIMENTO FIG 10/07/17 27/07/17 FLS. 29.579 A 29.514 SIM VALTER FERNANDES DE MELLO 11/07/17 03/08/17 FLS. 30.816 A 30.858 SIM HERMINIO SANCHES FILHO 11/07/17 25/07/17 FLS. 29.396 A 29.432 SIM Fl. 31261DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.262 28 PAULO ROBERTO BRUNETTI 11/07/17 25/07/17 FLS. 29.374 A 29.393 SIM GUSTAVO MENDES PEQUITO 11/07/17 27/07/17 FLS. 29.636 A 29.671 SIM CESAR SOUSA BOTELHO 10/07/17 03/08/17 FLS.30.720 A SIM FIVE CONSULTORIA 07/07/17 27/07/17 FLS.29.823 A 29.858 SIM EXACTHUS ASSESSORIA CONTABIL 10/07/17 27/07/17 FLS.29.865 A 29.900 SIM M. INOUE CONSULTORIA LTDAME 07/07/17 27/07/17 FLS. 29.729 A 29.764 SIM GILBERTO JOSÉ TORRES 10/07/17 31/07/17 FLS. 30482 A 30518 SIM QUILES PARTICIPAÇÕES LTDA ME 10/07/17 07/08/17 FLS. 30861 A 30896 SIM JOSIMEIRE MOREIRA 07/07/17 03/08/17 FLS. 30634 A 30671 SIM REAL ASSESSORIA LTDA – ME 08/08/17 (EDITAL) * 28/07/17 FLS. 30249 A 30284 SIM MARCELO LISCIOTTO ZANIN* 03/08/17 27/07/17 FLS.29915 A 29950 SIM GERSON LUIZ LAMB 11/07/17 09/08/17 FLS. 31123 A 31142 SIM LOGUS ASSESSORIA CONS TREINAMENTOS 12/07/17 08/08/17 FLS. 30903 A 30921 SIM BORIM & ASSOCIADOS CONULTÓRIO 11/07/17 27/07/17 FLS. 29776 A 29811 SIM HAMILTON CESAR LEAL DE SOUSA 11/07/17 09/08/17 FLS. 30964 A 30985 SIM NILTON DO CARMO CHAGAS 11/07/17 27/07/17 FLS. 29997 A 30032 SIM Fl. 31262DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.263 29 HMP – X 12/07/17 28/07/17 Fls. 30095 A 30140 SIM MAURO SÉRGIO THOME 11/07/17 27/07/17 NÃO POSSUI SIM AP CONSULTORIA E PLANEJAMENTO 11/07/17 10/08/17 (data da postagem) FLS. 31099 A 31112 SIM LEANDRO ANTUNES ZERATI 11/07/17 31/07/17 FLS. 30610 A 30613 SIM UDELCIO DEMCZUK 12/07/17 10/08/17 FLS. 31017 A 31042 SIM IGARATEC 11/07/17 28/07/17 FLS.30392 A 30427 SIM BARROS & ROSSI – ASSESSORIA 12/07/17 19/07/17 FLS. 29.125 A 29.169 SIM TOTAL CONSULTORIA LTDA ME 11/07/17 28/07/17 FLS. 30433 A 30468 SIM VICENTE LAURIANO FILHO 13/07/17 28/07/17 FLS. 30353 A 30388 SIM MC RIO PRETO PROCESSAMENTO 11/07/17 27/07/17 FLS.29533 A 29568 SIM EDU MARIANO DE SOUZA JUNIOR 11/07/17 09/08/17 FLS. 30940 A 30960 SIM MARCOS ANTONIO CAVILHA 24/07/17 (EDITAL) 27/07/17 FLS. 29491 A 29526 SIM KELLY CRISTINA ATHAYDE 11/07/17 27/07/17 FLS.29675 A 29710 SIM SP CONSULT SÃO PAULO CONSULTOR 25/09/17 ( EDITAL) 27/07/17 FLS. 30038 A 30073 SIM DIAGRAMA PLANEJAMENTO 25/08/17 (EDITAL) 28/07/17 FLS. 30292 A 30327 SIM EFRATA CONSULTORIA JURIDICA 24/08/17 (EDITAL) 03/08/17 FLS. 30674 A 30710 SIM Fl. 31263DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.264 30 Cabe inicialmente esclarecer que a empresa Igaratec por mais que tenha apresentado Recurso Voluntário Tempestivamente, ele não deve ser conhecido tendo em vista que o regramento do processo administrativo fiscal estipula que somente se instaura a fase litigiosa a impugnação tempestiva (apresentada dentro do prazo de 30 dias, contados da ciência do lançamento). No presente caso, a impugnação apresentada foi tida como intempestiva, mediante decisão de primeira instância (vide fls. 27.658). Não conhecida a impugnação não se instaura o litígio administrativo e sequer há que se falar em possibilidade de interposição de recurso voluntário. Feitas essas considerações, conheço dos recursos voluntários conforme a tabela acima. Do Mérito Da análise das Questões Preliminares e do mérito propriamente dito da autuação No que diz respeito a Lance, a lide versa, em caráter preliminar, sobre a decadência de parte da exação e, finalmente, sobre a imputação de pagamentos sem causa, haja vista que tais transferência supostamente estariam relacionadas à divisão de lucros auferidos por meio de contratos de SCP. No mérito, discutese a aplicação de Solução de Consulta da SRRF 10/DISIT referente aos porcentuais aplicados para a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e também a legalidade dos negócios envolvendo os TDP em tela, o que, em sendo legítimos, implicaria a ausência de dolo no caso concreto com reflexos na ocorrência da decadência antes mencionada. O titular da entidade, senhor Paulo Roberto Brunetti, repete os mesmos argumentos da fiscalizada em relação às infrações apontadas pela Fiscalização e contesta a imputação de responsabilidade solidária em virtude de não estarem presentes os pressupostos estipulados pelo art. 135, III, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN. As questões levantadas pelos demais responsáveis solidários que apresentaram Recurso Voluntário, notadamente no que se refere a aplicação do artigo 124, I ao presente caso, serão apreciadas em momento posterior do presente voto. Não há reparos a fazer a decisão de 1ª instância quanto as questões acima suscitadas. Assim, nos termos do art. 57, §3º, do RICARF, adoto as razões de decidir da DRJ que abaixo transcrevo, verbis: Questões preliminares 106. Decisões administrativas proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF são ineficazes para conformar decisões neste momento do processo, pois não constituem normas complementares de Direito Tributário, nos termos do art. 100, II, do C'TN, e desse modo se aplicam apenas aos limites dos casos concretos em que foram proferidas. 107. Sob este aspecto, o Parecer Normativo CST n° 390, de 1971, já se manifestou com relação a esse assunto, nos seguintes termos: Fl. 31264DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.265 31 3. Necessário esclarecer, na espécie, que, embora o Código Tributário Nacional, em seu art. 100, inciso II, inclua as decisões de órgãos colegiados na relação das normas complementares à legislação tributária, tal inclusão é subordinada à existência de lei que atribua a essas decisões eficácia normativa. Inexistindo, entretanto, até o presente, lei que confira a efetividade de regra geral às decisões dos Conselhos de Contribuintes, a eficácia de seus acórdãos limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. 4. Entendase aí que, não se constituindo em norma geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência se não aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado. 108. No que concerne às decisões judiciais trazidas ao feito, do mesmo modo, elas somente se tornam vinculantes para a Administração Tributária, nos termos expostos pelo Parecer PGFN/CDA/CRJ n° 396, de 2012, aprovado pelo Ministro da Fazenda, depois de ser publicada nota da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional que uniformize a atuação da Fazenda Nacional. 109. Assim, não disporia de força vinculativa constituindose tãosomente elementos formadores de convicção a abundante jurisprudência referida pela impugnante. 110. No que diz respeito às alegações de ofensa a princípios e garantias estabelecidos pela Constituição em vigor, como cerceamento de direito defesa ou violação ao contraditório, alegados por diversas impugnantes, a própria apresentação das peças impugnatórias contradiz os argumentos nesse sentido e, no que tange à ilegitimidade de normas aplicadas pela Autoridade Fiscal a quo não cabe a esta Autoridade Julgadora apreciar a inconstitucionalidade ou invalidade dessas normas uma vez que se encontram formalmente integradas ao ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada exclusivamente ao Poder Judiciário. É inócuo, pois, suscitar tais questões na esfera administrativa. 111. Registrese que essa é, ademais, a determinação do art. 26A do Decreto 70.235, de 1972 verbatim: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 112. Restam prejudicados, portanto, todos os argumentos nesse sentido formulados por todas as impugnantes pessoas físicas e jurídicas. Nulidade 113. Não estão presentes, no caso em tela, as hipóteses de nulidade estatuídas pelo art. 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal PAF, verbatim: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 31265DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.266 32 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1°A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei n°8.748, de 1993) 114. A lavratura em tela foi produto da ação de um AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil sem preterição ao direito de defesa que ora se manifesta para todos os impugnantes no momento processual adequado. 115. Não merece acolhida esse tipo de argumento, portanto. 116. Fazse um parêntese para objetar um argumento solto oposto pelo senhor Joel Ribeiro dos Reis, a quem foi imputada responsabilidade solidária, segundo o qual teria sofrido cerceamento de direito de defesa porque não teve acesso ao andamento do feito durante a Ação Fiscal. 117. Não merece prosperar essa linha de raciocínio, porque a Fiscalização de procedimento inquisitorial e que a fase litigiosa se inaugura com a formalização de impugnação nos termos dos art. 14 e 15 do Decreto n° 70.235, de 6 março de 1972, não procede o argumento oferecido, contraditado pela própria peça que o veicula. 118. Alega a fiscalização que está sujeita à ação do Fisco há 5 anos, dado que a ciência do Termo de Início de Fiscalização, lastreado no MPF n° 0819002011021356, ocorreu em 05/07/2011, cf. fls. 26 dos autos; restaria violado, assim, o princípio da duração razoável do processo estatuído no art. 50, LXXVIII, da Constituição em vigor. 119.Esquece a impugnante, contudo, que os autos em tela dizem respeito ao terceiro lançamento efetuado pela Fiscalização em atenção ao mencionado MPF n° 0819002011021356, os outros dois foram objeto dos PAFs n° 16004.720566/201201 e 16004.720241/201482 nos quais se trata de créditos tributários relativos aos anoscalendário de 2008 e 2009 respectivamente. 120. Tendo em vista a complexidade da matéria, envolvendo além das questões tributária, aspectos penais — haja vista as representações que foram elaboradas pelas Autoridades Lançadoras — e ainda a limitação dos recursos à disposição da Fazenda Pública, não se pode alegar que houve morosidade ou retardo na condução da investigação nos casos referidos, ademais, importa registrar que a Ação Fiscal vista em conjunto culminou com a constituição de créditos tributários em todos os casos, dois deles mantidos por esta Turma de Julgamento. 121. Não merece acolhida, portanto, essa questão preliminar. Fl. 31266DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.267 33 122. As demais questões preliminares levantadas pela fiscalizada: inexistência de pagamentos sem causa, dado que as transferências de numerário apontadas pela Fiscalização decorreriam de distribuição de lucros de SCP e a decadência incidente sobre parte do crédito tributário em razão do disposto no art. 150, §4° do CTN, dependem do juízo a ser proferido sobre a idoneidade dos negócios jurídicos empreendidos por Lance e seus associados e colaboradores, que será elaborado em seguida neste voto. Existência de dolo no caso concreto e fundamento da imputação de responsabilidade solidária 123. Dado que se trata de matéria fundamental para a resolução dos múltiplos problemas a serem decididos neste feito, fazse necessário, em primeiro lugar, apreciar com uma grande lente o esquema de negócios construído pela fiscalizada em parceria com as pessoas físicas e jurídicas as quais foi imputada responsabilidade solidária. 124. O diagrama a seguir sintetiza a estrutura da organização 125. Como bem destacou a Autoridade Fiscal a quo, a finalidade última dos negócios jurídicos entabulados pela fiscalizada juntamente com seus parceiros, denominados acima angariadores, independentemente da forma jurídica manejada SCP ou outros contratos de prestação de serviços , era ceder aos clientes, mediante pagamento, TDPs carentes de decisão transitada em julgado, com o propósito de serem empregados esses em compensações de débitos tributários dos adquirentes. 126. Importa, en passant, registrar que tais adquirentes não eram inocentes logrados pelo esquema revelado pela Fiscalização, mas pessoas jurídicas igualmente dedicadas a obter vantagens tributárias per fas et nefas. Fl. 31267DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.268 34 127. Esse tipo de compensação de créditos tributários submetese, desde 2001, ao disposto no art. 170A do CTN reproduzido abaixo. [Grifouse] Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp n°104, de 2001) 128. No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a hipótese legal foi disciplinada pelos arts. 70 e 71 da IN/RFB n° 900, de 2008, vigente ao tempo dos eventos fáticos em tela. Cabe reproduzir os dispositivos normativos mencionados. [Grifouse] DOS CRÉDITOS RECONHECIDOS POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO Art. 70. São vedados o ressarcimento, a restituição, o reembolso e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. (Redação dada pelo (a) Instrução Normativa RFB n°973, de 27 de novembro de 2009) §1° A autoridade da RFB competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição, do ressarcimento, do reembolso ou para homologação da compensação, que lhe seja apresentada cópia do inteiro teor da decisão. (Redação dada pelo (a) Instrução Normativa RFB n°973, de 27 de novembro de 2009) §4° A restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado darse ão na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa. Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicilio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo VIII, devidamente preenchido; IIcertidão de inteiro teor do processo, expedida pela Justiça Federal; (..) Fl. 31268DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.269 35 § 6° O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional quinquenal do título judicial referido no inciso IV do § 4°. 129. A artimanha da fiscalizada de constituir Sociedades em Conta de Participação — SCP para afastar a responsabilidade da maioria dos seus representantes comerciais ocorreu somente a partir do anocalendário de 2011, não tendo sido verificada nos outros dois PAF julgados por esta 1ª Turma. 130. A Fiscalização deixou claro que não foram encontrados lançamentos contábeis referentes à constituição ou movimentação financeira associados a tais SCP na escrituração da contribuinte, matéria não contestada em sede de impugnação. [Grifouse] Para os contratos pós 01/2011, verificando os lançamentos da Lance/Consutec, não se identifica lançamentos demonstrando as integralizações, tampouco saldo de contas exprimindo as integralizações das centenas de Sociedades em conta de participação (Fls. 13156/13856). Intimada Lance/Consutec em 15/09/2016 (Fls. 11060), para o atendimento aos requisitos dispostos na IN (RFB) 179/87, para a apresentação da escrituração das operações das SCP, nada foi apresentado. 131. Toda sistemática referida no Termo de Descrição dos Fatos consiste, portanto, em mera prática de planejamento tributário espúrio, na qual os negócios intermediários SCP ou contratos de prestação de serviços de assessoria consistem em degraus de uma escada que conduz no fim das contas à compensação fraudulenta de tributos de competência da União. 132. A intenção das partes, segundo uma visão finalista do Direito Civil, é inegavelmente elemento de interpretação dos contratos. O plano em tela envolve uma sequência de atos ou negócios pretensamente isolados em que cada etapa posterior depende da que a antecede e todas não possuem outra razão de ser que não a produção dos efeitos pretendidos pelos planejadores tributários — in casu a compensação ilícita de tributos. 133. No caso concreto; podese perceber a seguinte sequência de "step transactions" perseguida pelos envolvidos depois da elaboração do seu modelo de negócio: a) aquisição por valores irrisórios de títulos do início do século XX vencidos; b) elaboração de perícias viciadas que multiplicam imensamente o valor supostamente corrente desses papeis; c) organização da rede de angariadores; d) constituição (na maioria dos casos) de Sociedades em Conta de Participação para eliminar a responsabilidade desses agentes, sejam pessoas físicas ou jurídicas; d) celebração de negócios com os clientes (futuros sonegadores) envolvendo a cessão dos títulos públicos com deságio do valor calculado pela perícia fraudulenta antes referida juntamente com serviços de assessoria jurídica tributária prestados pelo titular da entidade, serviços esses necessários para levar adiante o fim último colimado, que merece ser repetido: deixar de recolher créditos tributários devidos. Fl. 31269DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.270 36 134. A motivação final, sem a qual essa longa cadeia de atos e fatos jurídicos aparentemente lícitos, mas em essência simulados, é apenas e tão somente a sonegação fiscal. Analisar formalmente cada elemento de modo isolado, perdendo de vista o conjunto corresponderia a adotar uma atitude míope incompatível com uma hermenêutica lúcida e atenta aos fins do ordenamento jurídico. 135. A simulação em tela reside na atribuição de valor monetário fictício a papéis desprovidos de importância econômica; Orlando Gomes, há mais de 40 anos, afirmava que a simulação não está no plano da vontade, mas no da causa do negócio — in Introdução ao Direito Civil, 4a edição, Rio de Janeiro: Forense, 1974, p. 423. A causa no caso concreto é ilícita ab ovo. 136. Recapitulando, no caso em tela, a exposição da Autoridade Fiscal a quo, no Termo de Descrição dos Fatos, informa sobre a situação de engenharia fraudulenta em casos apreciados pelo Poder Judiciário: [Grifouse] (..), de início, alguns clientes levaram ao conhecimento do Judiciário as cobranças efetivadas pela Receita Federal, mediante a impetração de mandados de segurança, solicitando a suspensão da exigibilidade, tendo em vista a apresentação de manifestações de inconformidade, estavam sob o manto do Decreto 70.235/72. Não só a tese foi rechaçada como o Judiciário aplicou multas por litigância de máfé superiores a R$ 100.000,00 (cem mil reais), conforme processos induzidas a inserir um valor no campo "Compensação" suficiente para zerar os valores a pagar da contribuição previdenciária referente à parte patronal. 137. Mas a atividade da organização encabeçada pela fiscalizada não deixava de produzir resultados ilícitos, cf. informa ainda a Fiscalização: [ Grifouse] Por intermédio desses procedimentos fraudulentos, o empresário obtém a suspensão temporária da exigibilidade do seu débito fiscal até que seja constatada a irregularidade pela autoridade tributária. Enquanto isso, consegue emitir certidões de regularidade fiscal via Internet e beneficiarse da contagem do prazo prescricional referente à extinção do crédito tributário. 138. Importa registrar igualmente a informação fornecida pela Autoridade Fiscal a quo de que todos esses títulos públicos objeto de litígio contra a União foram considerados prescritos nas respectivas ações de execução julgadas até a presente data, cf. cópias de decisões judiciais acostadas, a título de exemplo, às fls. 10.99911.030. 139.Repetese ainda, dada a relevância, as informações trazidas ao conhecimento pela Fiscalização referentes ao andamento das demandas promovidas pela Lance e seu titular — arquitetos do planejamento tributário em tela perante o Poder Judiciário que demonstram o rechaço Fl. 31270DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.271 37 do mundo jurídico às práticas ilícitas da organização concebida e articulada pelo senhor Paulo Roberto Brunetti. [Grifouse] (..) houve condenação pelo do Juiz da primeira vara cível desta SJ Rio Preto (Processo n° 400724816.2013.8.26.0576) em face de Lance/Consutec e Paulo Roberto Brunetti em mais de 18,5 milhões à título de danos materiais e morais em virtude da cessão de títulos podres à Unimed do Centrooeste e Tocantins, conforme fls. 11033. Em Ação Civil Pública de Improbidade Administrativa, processo 0002598 39.2012.4.05.8500, que tramita na Justiça Federal em Sergipe, Paulo Roberto Brunetti foi condenado a ressarcir o valor de R$ 3.033.611,35 (três milhões, trinta e três mil e seiscentos e onze reais e trinta e cinco centavos), por ter vendido créditos 'podres" à Prefeitura de Muribeca (SE) com o intuito de compensar contribuições previdenciárias referente às cotas patronal e dos segurados Paulo Roberto Brunetti foi também condenado a mais de quatro anos de prisão em ação penal, processo n° 000382797.2013.4.05.8500, por pratica do crime de responsabilidade em conjunto com a prefeita de Muribeca. Na sentença restou demonstrado que o advogado orquestrou e executou a fraude tributária (Fls. 12950). Reproduzse abaixo, o dispositivo da sentença referida, juntado à fl. 12.955 dos autos. 4. Dispositivo Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido, para condenar SANDRA MARIA DA SILVA CONSERVA, INDYRA CLEO DA SILVA CONSERVA, CONSUTEC SERVIÇOS DE COBRANÇA, ADMINISTRADORA DE BENS E CRÉDITO LTDA. PAULO ROBERTO BRUNETT1 E GERALDO ANTÔNIO POVOAS, às sanções aplicadas conforme dosimetria estabelecida no item n 3 desta sentença. Condeno os réus, ainda, nas custas processuais. Sem honorários. Com o trânsito em julgado, adotemse as providências de registro e comunicação acerca da presente condenação. Defiro o pedido de suspensão do sigilo dos autos e determino que a documentação relativa aos dados fiscais e bancários dos réus permaneçam nos autos em envelope lacrado, somente sendo autorizada sua abertura na Secretaria do Juízo, na presença do Diretor de Secretaria ou do Supervisar do Setor, Publiquese. Registrese. Intimemse. Propriá/SE, 26 de janeiro de 2016. TIAGO JOSÉ BRASILEIRO FRANCO Fl. 31271DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.272 38 Juiz Federal respondendo pela 90 Vara Ato no 895/CR, de 21 de outubro de 2015 AVAB Processo n.o: 000259E339.2012.4.05.8500 141. Resta bem assentada, portanto, a natureza ilícita dos negócios perpetrados por Lance e seus angariadores, à luz da finalidade almejada pelo planejamento tributário abusivo, abstraindose de eventual correção formal de suas etapas intermediárias; nessa circunstância, é correta a interpretação dada pela Autoridade Fiscal a quo de que estaria ausente o requisito de validade "objeto lícito" exigido pelo art. 104 do Código Civil, reproduzido abaixo. [Grifouse] Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: I agente capaz; II objeto lícito, possível, determinado ou determinável; III forma prescrita ou não defesa em lei. 142. Acolhese igualmente a conclusão a que chegou a Fiscalização, qual seja a de que um grupo de fraudadores se reuniu com o propósito de oferecer a terceiros supostos direitos, sem a necessária chancela do Poder Judiciário, levando a Juízo pretensão sem chance de sucesso. 143. Observese que até o momento, durante a Ação Fiscal ou em sede de impugnação, nenhum dos interessados logrou trazer ao feito uma demonstração de que as teses encontradas na base das negociações dos TDP e que geraram renda para todos eles seriam minimamente sustentáveis. 144. Registrese que os documentos trazidos ao feito em virtude da diligência requerida em 05/05/2017, juntados às fls. 24.29424.400, consistem de elementos tópicos: correspondência eletrônica ("email") entre particulares; notas do Banco do Brasil e da Secretaria do Tesouro Nacional desacompanhadas das planilhas demonstrativas referidas nelas mesmas ou sujeitas a avaliação de outro órgão (PGFN); leis orçamentárias; parecer encomendado e certidões de pé. 145. Com exceção das certidões de pé, nenhum deles associa um título específico a um negócio celebrado pelos interessados e mesmo as certidões referidas apenas revelam a fragilidade intrínseca do planejamento tributário em tela, comprovado pela ausência de sucesso em ao menos uma ação isolada. (...) Outras conclusões preliminares — decadência e natureza da relação jurídica entre Lance e seus angariadores 150. Dadas as conclusões anteriores passase a analisar a alegação de decadência formulada pela fiscalizada e por Quiles participações ltda. Fl. 31272DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.273 39 151. Recapitulando o raciocínio da impugnante, ela assevera que a) não teria sido comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e b) ocorreram recolhimentos de tributos no período em exame, logo, não haveria dúvida quanto ao termo de início para a contagem do prazo decadencial nesse contexto: a data da ocorrência dos respectivos fatos geradores, nos termos do art. 150, §4°, do CTN. 152. Com efeito, o lançamento do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica IRPJ — revestese da modalidade de lançamento por homologação e, como tal, sujeitase ao prazo decadencial do art.150 do CTN, exceto se restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, hipóteses que atraem a incidência do art.173, I, do mesmo diploma legal, reproduzido abaixo. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 153. Dada a existência da fraude nos negócios comandados por Lance, comprovada além de qualquer dúvida razoável, conforme demonstrado nos parágrafos anteriores, o art. 173 é o dispositivo normativo a ser empregado no caso em tela. Ora, como os anoscalendário fiscalizados foram os de 2011 e 2012, e a ciência dos Autos de Infração se deu em outubro de 2016 para todos os interessados no feito, não há que se falar em decadência no caso concreto. Aplicandose o mesmo raciocínio aos pagamentos efetuados sem demonstração individualizada de suas causas, suscetíveis de tributação cf. art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995. (...) Responsabilidade solidária do senhor Paulo Roberto Brunetti 177. Neste momento, cabe discutir a responsabilidade solidária imputada ao senhor Paulo Roberto Brunetti, titular da entidade fiscalizada, enquadrado no art. 135. III, do CTN, reproduzido a seguir. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (..) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 178. Os argumentos comuns do impugnante com a fiscalizada serão analisados adiante quando se abordar o mérito da constituição do crédito tributário. 179. No caso concreto, observase que, apesar de a pessoa jurídica possuir personalidade própria e distinta de seus sócios ou acionistas, Fl. 31273DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.274 40 sendo, assim, capaz por si mesma de gozar de direitos ou contrair obrigações independentemente da vontade individual daqueles ela é a responsável por seus atos somente se não for comprovado a ocorrência de vício de vontade. 180. É de se notar que o requisito do art. 135, III, do CTN imputa responsabilidade ao autor do ato ilícito seja esse diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado. Destaquese que o fundamento da responsabilização das pessoas elencadas no dispositivo não é sua qualidade de sócio, sua função tanto pode ser a de "sócio gerente" — expressão consagrada na jurisprudência — como de mero representante, gerente ou diretor contratado. Repetese: não é a condição de sócio que determina a responsabilidade pessoal, mas a prática de atos ilícitos — organizar o esquema de distribuição de títulos ilícitos, assesssorar juridicamente os futuros sonegadores a obter o benefício — que foram comprovados acima de qualquer dúvida razoável. 181. Não há excludente, portanto, para a atuação do senhor Paulo Roberto, dada sua participação direta na concepção e operação do empreendimento ilícito, verificamse, pois, os requisitos do inciso III do art. 135 do CTN, e assim é procedente a responsabilização pessoal do impugnante. Multa Qualificada 182. Conforme visto anteriormente, na seção em que se discutiu a responsabilidade solidária, restou comprovada a existência de dolo no caso concreto e no cometimento de fraude nos termos definidos pelos arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 183. A existência de fraude atraem a aplicação do art. 44, I e §10, da Lei n° 9.430, de: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei n°10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei n° 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso 1 do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007A) 184. Andou bem a Autoridade Fiscal a quo na aplicação precisa da Lei ao caso concreto, qualificando a multa imposta à contribuinte e aos responsáveis solidários; e ainda ao formalizar Representação Fiscal para Fl. 31274DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.275 41 Fins Penais nos termos dos arts. 1° e 2° da Portaria RFB n°2.439, de 21 de dezembro de 2010. Valor abusivo da multa e inaplicabilidade da taxa SELIC aos juros calculados 185. Em ambos os casos, não merece acolhida em sede administrativa, discussões contra legem, nos termos do art. 26A do Decreto n° 70.235, de 1972. 186. Exauridas as questões preliminares ou acessórias, passa se a apreciar o mérito da lide. Mérito Apreciação indevida dos dados 187.A fiscalizada alega que os dados por ela apresentados não foram devidamente apreciados no curso da Ação Fiscal. Tal raciocínio é insustentável, o que se observa nos autos, da parte da Autoridade Fiscal, é um tratamento meticuloso dos valores apurados indicados por meio de tabelas com legendas, datas e valores, enquanto a contrapartida da impugnante se reveste exclusivamente de uma defesa retórica despida das explicações sonegadas desde a ação fiscal. 188. Ao contrário do que pretende a impugnante, na peça elaborada pela Autoridade Fiscal a quo restam consignados todos os elementos configuradores da Norma Jurídico Tributária, cf. Lição de CARVALHO, P. de B., reproduzida abaixo — retirada de Curso de Direito Tributário, 17ª ed., São Paulo: Saraiva, 2005, pp. 348349. 189. Em que: Njt — Norma Jurídica Tributária; Ht = Hipótese Tributária; Cm =Critério Material; v = Verbo; c = Complmento; Ce = Critério espacial; Ct = Critério temporal; DSn = DeverSer neutro; DSm = Dever Ser modalizado; Cst = Consequência tributária; CP = Critério pessoal; As = Sujeito ativo; Sp = Sujeito passivo; Cq = Critério quantitativo; bc = Base de cálculo e ai = Alíquota. 190. Em brevíssimo resumo, o quadro indica que presente os elementos próprios da hipótese tributária: o critério material indicado por um verbo e seus complementos, um lugar e um espaço, seguese inexoravelmente a obrigação tributária apurada segundo um critério pessoal (sujeitos ativo e passivo) e outro quantitativo (base de cálculo x alíquota). Fl. 31275DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.276 42 191.No caso em tela, em termos técnicos, a impugnante discute o critério material da hipótese tributária, alega que ele não existe 192. Verificando com cuidado os autos de infração, porém, verificase os termos: "aplicação indevida de percentual de determinação da base de cálculo..." perfeitamente claros e expressos. 193. O mesmo se aplica ao disposto no art. 673 do RIR de 1999, em relação a pagamento sem causa. 194. Não merece prosperar, portanto, tais alegações das impugnantes Equívoco na aplicação de porcentuais para a definição da base de cálculo 195. O argumento da fiscalizada sobre essa questão pode ser sintetiza do seguinte modo: 1) o porcentual aplicado por ela no cálculo dos tributos (8% para o IRPJ e 12% para a CSLL, em vez de 32% nos dois casos) se baseou na Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 177, de 2012; 2) tal Solução de Consulta possuía (reconhece) eficácia interpartes; entretanto 3) deveria ser aplicada pela Autoridade Fiscal a quo à situação concreta. 196. Tal raciocínio, porém, não merece prosperar, porque a solução de consulta referida pela fiscalizada foi proferida por uma divisão regional e tem alcance limitado ao caso concreto que foi chamada a esclarecer, e especialmente em face do teor da Solução de Consulta Cosit n° 223, de 14 de agosto de 2014 — cuja ementa se encontra reproduzida abaixo — e que veio a se tornar vinculante para a Administração Tributária depois de sua publicação em 26/08/2014. [Grifouse] SOLUÇÃO DE CONSULTA COSTT N° 223, DE 14 DE AGOSTO DE 2014 Publicado (a) no DOU de 26/08/2014. Seção 1 PAG 20 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ EMENTA: LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO CESSÃO DE DIREITOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. Os valores auferidos com a cessão de direitos adquiridos de terceiros, inclusive precatórios, configuram receita bruta de pessoa jurídica optante pelo lucro presumido cujo objeto social seja transacionar esses créditos. A base de cálculo do IRPJ deve ser apurada com a utilização do percentual de presunção de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta. DISPOSITIVOS LEGAIS: Constituição Federal/1988, com alterações da EC n° 62, de 2009, art. 100, caput e §§ 2°, 3°, 5°, 13 e 14; Lei n°9.249, de 1995, art. 15; Lei n° 9.430, de 1996, arts. 1° e 25, inciso I; Lei n° 8.981, de 1995, art. 31 e parágrafo único. ASSUNTO: CONTRIBUICÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO — CSLL EMENTA: LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE DIREITOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. Fl. 31276DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.277 43 Os valores auferidos com a cessão de direitos adquiridos de terceiros, inclusive precatórios, configuram receita bruta de pessoa jurídica optante pelo lucro presumido cujo objeto social seja transacionar esses créditos. A base de cálculo da CSLL deve ser apurada com a utilizacão do percentual de presunção de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei n° 9.249, de 1995, arts. 15 e 20; Lei n° 9.430, de 1996, art. 29; Lei n°8.981, de 1995, art. 31 e parágrafo único; IN SRF n°390, de 2004, arts. 85 e 88. 197. Vejase o que dispõe a legislação que rege a matéria arts. 15 e E 20 DA Lei nº 9.249, de 1995, in verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei n° 12.973, de 2014) (Vigência) § 1° Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória n° 232, de 2004) (...) c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2°, 25 e 27 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § lo do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei n°12.973, de 2014) (Vigência) 198. O que pretende a impugnante Lance? Simplesmente que a Autoridade Fiscal ignore o disposto na lei e aplique um entendimento administrativo com eficácia interpartes, local (da 10a Região Fiscal) e já caduco — a referida Solução de Consulta SRRF I 0/DISIT n° 177, de 2012. Deve, adicionalmente, ignorar entendimento posterior, que oferece uma interpretação autêntica e que, em reforço, tomouse vinculante para todos os operadores do Direito no âmbito da Receita Federal do Brasil. 199. Não merece acolhida essa parte da impugnação por se tratar de um evidente disparate lógico. Deve, portanto, ser mantida a autuação nos termos em que foi calculada pela Autoridade Fiscal a quo nos Autos de Infração lavrados. Fl. 31277DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.278 44 Pagamentos a beneficiários sem causa 200. As tabelas a seguir reproduzem os valores constantes de retenções do Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF no sistema DIRF, nos anoscalendário de 2011 e 2012. 201. Ademais, como bem explicitou a Autoridade Fiscal a quo, não foram confessadas retenções na fonte nas DCTF do período fiscalizado. 202. Observase que os valores retidos pela contribuinte — R$ 8.096,76 somandose os dois anoscalendários — situamse muito longe do valor do imposto apurado pela Fiscalização: R$ 5.513.676,71. 203. Com efeito, ao longo da Ação Fiscal — ou ainda em sede de impugnação — cabia à EIRELI demonstrar de modo exaustivo, com documentos comprobatórios, a razão de ser de cada um dos pagamentos discriminados pela Autoridade Lançadora inicialmente nas intimações referidas acima e, finalmente, nos Autos de Infração lavrados. Fl. 31278DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.279 45 204. Limitouse, contudo, a elaborar uma defesa retórica esquivandose de esclarecer o que lhe foi demandado pela Autoridade Fiscal a quo. Nessas circunstâncias, aplicase ao caso concreto o disposto no art. 61 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, reproduzido abaixo. Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. §1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74 da Lei n°8.383, de 1991. §2° Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. §3° O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto 205. Não merece acolhida, portanto, também esse argumento da contribuinte. Da responsabilidade solidária. Aplicação do art. 124,I do CTN Segundo a DRJ a responsabilidade solidária resta caracterizada pelos seguintes motivos, litteris: 146. Igualmente correta é a imputação de responsabilidade solidária com fundamento no interesse comum nos fatos geradores envolvidos, nos termos do art. 124, I, do CTN, reproduzido abaixo. Art. 124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; 147. Dada a articulação entre as partes, condição necessária para levar adiante o planejamento tributário concebido pela Lance, e ainda a simulação essencial que permeia todo esquema fraudulento, concluise que a todos os envolvidos interessa a empreitada, independentemente da roupagem jurídica formal que os associe à fiscalizada ou dos resultados auferidos. 148. Nesse sentido aproveitase o teor do RESP 28168SP, Rel. Min. Antônio de Pádua Ribeiro, DJ de 07081995, p. 23026, verbatim: Importante distinguir, pois, interesse comum no resultado da exploração da atividade econômica ensejadora do fato gerador da obrigação tributária, com o interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador. Fl. 31279DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.280 46 Aquele é irrelevante para gerar da responsabilidade solidária. Este acarreta a responsabilidade solidária, porque as pessoas envolvidas praticam conjuntamente a atividade tipificada pela norma tributária. 149. Depois dessas considerações, chegase a duas conclusões preliminares: 1) os negócios praticados pela fiscalizada em conjunto com as pessoas físicas e jurídicas referidas nos autos pela Autoridade Fiscal a quo são fraudulentos e 2) a responsabilidade solidária que foi imputada aos 69 angariadores desses negócios ilícitos é procedente independente da forma jurídica adotada para fazer parte da organização encabeçada pela EIRELI Lance. (...) Interesse comum dos responsáveis solidários 154. Como vista acima, não importa a forma adotada nos negócios entre a fiscalização e seus angariadores com o propósito de circunscrever a responsabilidade dos membros da organização, seja a de SCP, seja a de contratos de prestação de serviços. Se o objeto último do contrato é ilícito, o instrumento adotado é inválido nos termos do art. 104, II, do Código Civil. 155. Não é possível, pois, a qualquer dos 69 angariadores alcançados pela imputação dos Autos de Infração e, em particular, aos 45 que formalizaram impugnação, evadirse da responsabilidade solidária, por possuírem inegável interesse comum nos termos do art. 124, I, do CTN. 156. O argumento recorrente adotado pelos impugnantes solidários é o do importa distinguir o interesse econômico comum na exploração da atividade, que é indiscutível no caso concreto, com o interesse jurídico comum nas situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias; vale dizer, aquele relacionado com a situação mesma que constitui o núcleo da exação tributária. Com efeito, doutrina e jurisprudência são uníssonas em exigir que seja comprovada a relação jurídica entre as pessoas que se supõe estar vinculadas pela solidariedade. 157. Importa, antes de continuar, entender o que significa "interesse comum"? 158. Há situações econômicas em que mais de uma pessoa ocupa uma mesma posição na relação jurídica em relação a outras na concretização de negócios jurídicos. No caso em tela o que se verifica é a existência de uma organização especializada na distribuição de títulos ilíquidos com o propósito de serem aproveitados em pedidos de compensação formulados por terceiros desavisados ou malintencionados. Notese que os agentes dessa organização não estão em posição oposta uns em relação aos outros, mas são, de facto, sócios do empreendimento ilícito. 159. Nesse contexto, resta caracterizada a responsabilidade solidária na forma prevista no artigo 124, I, da prevista no artigo 124, I, do CTN, posto Fl. 31280DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.281 47 que todos participavam em conjunto do negócio de distribuição de papeis vencidos, vale dizer, estavam ligados à materialidade do fato gerador da obrigação principal e, portanto, tinham interesse comum na sua ocorrência. 160. O vínculo se dava pela gerência e pela operação conforme descrito pela Autoridade Fiscal a quo e reproduzidas antes neste voto. O que se verifica é a existência de um grupo econômico de fato criado com o propósito exclusivo de reduzir riscos que age, contudo, como uma unidade nos benefícios auferidos e como entidades distintas em relação às externalidades negativas dos negócios em especial a incidência de tributos. 161. É pacifico o entendimento que, nessas circunstâncias, o que se verifica é a ocorrência de abuso de direito, conforme estatuído no art. 187 do Código Civil reproduzido abaixo. Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. 162. São solidariamente responsáveis pelos débitos tributários, pois, as pessoas jurídicas envolvidas em grupos econômicos de fato, por serem, na verdade, integrantes de uma mesma sociedade em sentido lato. O interesse comum, assim constituído, enseja a responsabilidade solidária pois decorre da unidade de interesse jurídico das várias pessoas físicas e jurídicas associadas. 163. Segundo Rubens Gomes de Souza in Compêndio de Legislação Tributária 3ª edição, RJ, Ed Financeiras, 1964, p. 67, é solidária a pessoa, física ou jurídica, que realiza, conjuntamente com outra ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação, ou seja, todas as pessoas que tiram uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributado, 164. E ainda segundo CAMELO, B. T. L. in Grupo Econômico de Fato. RDDT170/16, nov/09: (..) quando as várias pessoas jurídicas atuam em conjunto para o benefício de uma só atividade (como vários sócios de uma sociedade de fato), há claro interesse comum nos atos negociais (de propriedade e de circulação). 165. Depreendese, portanto, que forçosamente há uma só entidade ocupando um dos poios de uma relação jurídica, atuando em conjunto para o benefício da atividade ilícita perseguida, com uma mesma estrutura física, confundindose, conforme relato fiscal, administrativa e operacionalmente. 166. Desse modo, escorreita é a conclusão da Fiscalização: todas as pessoas autuadas participavam em conjunto da materialização do fato gerador da obrigação principal, amoldandose, assim, ao que dispõe o art. Fl. 31281DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.282 48 124, I, do CTN. Resta então configurada a responsabilidade tributária de todos os 69 envolvidos, conforme pormenorizadamente identificados nos Termos de Sujeição Passiva Solidária e no Termo de Verificação Fiscal Final juntados aos autos. Em brevíssimo resumo, as pessoas imputadas e as quais tiverem o recurso voluntário conhecido, alegaram em síntese: a) exceto pelo contrato de SCP, não há outros vínculos entre a fiscalizada e as imputadas, e muito menos a formação de grupo econômico; b) a receita que circulou entre a fiscalizada e as imputadas consiste de distribuição legítima de lucros nos termos dos contratos de SCP; c) não existe interesse comum entre o valor individual auferido pelas imputadas e o resultado global da fiscalizada, em outras palavras não há interesse comum de todos os negócios desta, com os negócios daquela; d) não possuem interesse comum com a fiscalizada que justifique a imputação de responsabilidade solidária e que as notas fiscais emitidas, em razão dos contratos celebrados são válidas; e) os eventuais fatos geradores específicos de cada uma delas, não podem ser associados a todos os atos supostamente ilícitos praticados pela fiscalizada; f) se houve ato praticado com excesso de poder, esse deve ser atribuído ao titular da fiscalizada; g) não há vínculo entre ela e a fiscalizada, muito menos grupo econômico e, desse modo, não há interesse comum que justifique atribuição elaborada pela Autoridade Fiscal; h) O contrato de SCP não implica a existência de vínculo permanente com a fiscalizada, nem tampouco a formação de um grupo econômico. Pois bem. Passemos a análise. Com relação à imputação de responsabilidade solidária capitulada no art. 124, I, do CTN efetuada pela fiscalização, passo a demonstrar minha divergência quanto ao entendimento da Turma Julgadora “a quo”, haja vista que a DRJ, ratificando os termos da autuação, atribuiu responsabilidade aos recorrentes pelos seguintes fatos: “1) os negócios praticados pela fiscalizada em conjunto com as pessoas físicas e jurídicas referidas nos autos pela Autoridade Fiscal a quo são fraudulentos e 2) a responsabilidade solidária que foi imputada aos 69 angariadores desses negócios ilícitos é procedente independente da forma jurídica adotada para fazer parte da organização encabeçada pela EIRELI Lance.” Fl. 31282DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.283 49 Relativamente à formação do grupo econômico, a autoridade fiscal apurou o seguinte: O grupo de fraudadores reuniuse com o propósito de oferecimento a empresários de pretensos direitos, sem que tivesse havido a chancela do poder judiciário, reconhecendo a pretensão deduzida em juízo; A lei proíbe relação contratual que celebre direitos e obrigações baseados em apenas pretensões sobre direitos em face da União, sem que tenha havido o transito em julgado, visando compensação com tributos federais; Consequência do não atendimento aos princípios contratuais, que tais contratos são considerados nulos; Com base no que foi exposto no presente item, sobre a sujeição passiva solidária, não há qualquer proteção jurídica aos vendedores dos títulos, em vista da nulidade absoluta dos contratos de SCP, cujas receitas obtidas motivaram a constituição das infrações dos presentes autos. (..) sem se falar em fraude, (..) por força da nulidade absoluta dos contratos de SCP ilegais, tais vendedores amoldamse com o interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador, acarreta a responsabilidade solidária, porque tais comissionados envolveramse na prática da atividade tipificada pela norma tributária (ajudaram a vender os títulos e foram regiamente pagos pelo trabalho). (..) pressupõe ter havido fraude ou conluio, em face dos adquirentes e fazenda pública. Ratificando as razões do lançamento fiscal, portanto, a Turma Julgadora “a quo” entendeu que o fato dos negócios praticados pela fiscalizada em conjunto com as pessoas físicas e jurídicas são fraudulentos, sendo fato suficiente à caracterização do interesse comum inscrito no art. 124, I, CTN. Contudo, não se pode perder de vista que a caracterização do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária é condição imprescindível à configuração da responsabilidade solidária em corolário do disposto em lei, isto é, no art. 124, I, CTN. Isto porque, o direito tributário impõe à administração fiscal a obediência aos primados da tipicidade e estrita legalidade tributária, máxime no que tange à cobrança dos tributos. Ocorre que, só com a efetiva comprovação de fraude perpetrada pelos responsáveis solidários é que atrai a atribuição de responsabilidade tributária a todos os “angariadores” dos negócios do devedor principal. Fl. 31283DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.284 50 Não há disposição legal que justifique a imputação do efeito tributário da “responsabilidade” ante a verificação da existência de nulidade dos contratos firmados pela Lance e os “angariadores” de seus negócios. Conforme orienta Paulo de Barros Carvalho (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 17ª ed., São Paulo: Editora Saraiva, 2005, p.317), a expressão interesse comum, sendo vaga, “não é um roteiro seguro para a identificação do nexo que se estabelece entre os devedores da prestação tributária”, ou seja, para efeito da solidariedade deve prevalecer o critério de que duas ou mais pessoas estejam colocadas sob uma mesma hipótese de incidência tributária, como ocorre no caso do IPTU incidente sobre um mesmo imóvel, pertencente a várias pessoas.” Em outras palavras, não basta que haja um suposto interesse genérico, mas sim um interesse jurídico, no qual há direitos e deveres comuns entre as pessoas situadas em um mesmo lado da relação jurídica que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Logo, a solidariedade que se refere o inciso I, do art. 124, do CTN pressupõe que não haja bilateralidade no centro do fato jurídico tributário, ou seja, pressupõe que os partícipes do fato tributado não estejam em posições contrapostas, com objetivos antagônicos. Portanto, somente é possível sustentar a responsabilidade solidária por interesse comum (art. 124, I do CTN) nos lançamentos fiscais se a Autoridade Fiscal demonstrar que os sujeitos passivos praticaram conjuntamente o fato gerador ou desfrutaram de seus resultados em caso de fraude, situação não evidenciada no presente caso. Nesse sentido é o entendimento do STJ (Resp. 884.845/SC). Vejamos a Ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃOFISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO.SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC.INOCORRÊNCIA. 1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. 2. A Lei Complementar 116/03, definindo o sujeito passivo da regramatriz de incidência tributária do ISS, assim dispõe: "Art. 5º. Contribuinte é o prestador do serviço."6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei." 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido Fl. 31284DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.285 51 dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008). 11. In casu, verificase que o Banco Safra S/A não integra o pólo passivo da execução, tãosomente pela presunção de solidariedade decorrente do fato de pertencer ao mesmo grupo econômico da empresa Safra Leasing S/A Arrendamento Mercantil. Há que se considerar, necessariamente, que são pessoas jurídicas distintas e que referido banco não ostenta a condição de contribuinte, uma vez que a prestação de serviço decorrente de operações de leasing deuse entre o tomador e a empresa arrendadora. Fl. 31285DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.286 52 12. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A. (Grifei) Como se pode observar, a análise da própria estrutura do CTN leva à conclusão de que a solidariedade prevista no artigo 124,I não é espécie de sujeição passiva tributária por responsabilidade indireta, pois o instituto encontra regulamentação em seção distinta e apartada do Capítulo V, que trata da sujeição passiva indireta (responsabilidade tributária). Segundo Misabel Derzi, “a solidariedade é simples forma de garantia, a mais ampla das fidejussórias”. Sendo assim, não pode a fiscalização, lançando mão da solidariedade por “interesse comum”, ampliar a sujeição passiva do tributo, sob pena de infringência frontal ao Princípio da Estrita Legalidade e ao Princípio da Tipicidade (delimitador dos aspectos estruturais da hipótese de incidência) Ante o exposto, dou provimento aos recursos voluntários dos abaixo enumerados para excluílos do polo passivo da presente obrigação tributária. NOME CNPJ/CPF AUN ADM E PLADE 00.874.116/000150 JOEL RIBEIRO DOS REIS 099.931.95820 ALEXANDRE BARROS CONSULTORIA TRIBUTARIA EIRELI 10.328.512/000135 TADEU ASCHENBRENNER 007.037.68832 WILSON ROGERIO CONSTANTINO MA 177.913.90809 RASTELLI & ADVOGADOS ASSOCIADOS 10.358.451/000148 KETLIN MARIA DO NASCIMENTO FIG 955.336.13315 VALTER FERNANDES DE MELLO 025.845.92800 Fl. 31286DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.287 53 HERMINIO SANCHES FILHO 202.639.43852 GUSTAVO MENDES PEQUITO 195.746.77893 CESAR SOUSA BOTELHO 277.450.00874 FIVE CONSULTORIAEIRELIME 09.337188/000132 EXACTHUS ASSESSORIA CONTABIL 56.561.871/000139 M. INOUE CONSULTORIA LTDAME 10.413.621/000150 GILBERTO JOSÉ TORRES ME 10.267.286/000120 QUILES PARTICIPAÇÕES LTDA ME 09.609.676/000151 JOSEMEIRE MOREIRA 106.483.51807 REAL ASSESSORIA LTDA – ME 08.721.034/000187 MARCELO LISCIOTTO ZANIN 169.681.60846 GERSON LUIZ LAMB 589.850.50915 LOGUS ASSESSORIA CONS TREINAMENTOS E INFORMÁTICA LTDA ME 68.221.050/000132 BORIM & ASSOCIADOS – CONULTORIA TRIBUTARIA LTDA.ME 72.868.896/000136 HAMILTON CESAR LEAL DE SOUSA 519.249.19168 NILTON DO CARMO CHAGAS 331.791.23834 Fl. 31287DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.288 54 HMP – X 13.420.214/000169 MAURO SÉRGIO THOME 926.782.89834 AP CONSULTORIA E PLANEJAMENTO LTDAME 26.636.357/000154 LEANDRO ANTUNES ZERATI 322.303.31817 UDELCIO DEMCZUK 600.459.22934 BARROS & ROSSI – ASSESSORIA CONTABIL LTDAME 08.684.610/000163 TOTAL CONSULTORIA LTDA – ME 13.984.326/000142 VICENTE LAURIANO FILHO 980.901.27800 MC RIO PRETO PROCESSAMENTO DE DADOS LTDAME 12.437.391/000176 EDU MARIANO DE SOUZA JUNIOR 704.947.20182 MARCOS ANTONIO CAVILHA 309.132.09953 KELLY CRISTINA ATHAYDE 005.169.03900 SP CONSULT SÃO PAULO CONSULTORES ASSOSSIADOS LTDA 13.983.694/000176 DIAGRAMA PLANEJAMENTO E CONSULTORIA LTDA 04.674.914/000199 EFRATA CONSULTORIA JURIDICA E TRIBUTARIA LTDA 82.269.960/000116 Conclusão Fl. 31288DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.289 55 De todo exposto, voto por: 1) não conhecer do recurso voluntário da empresa IGARATEC; 2) Na parte conhecida, rejeito as preliminares suscitadas, para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário da Lance Consultoria e do seu sócio Paulo Roberto Brunetti, mantendo na íntegra os autos de infração em relação a EIRELI Lance e também por manter a imputação de responsabilidade a seu titular, senhor Paulo Roberto Brunetti, CPF n° 080.810.20870, com fundamento no art. 135, III, do CTN; 3) Dar Provimento aos recursos voluntários dos abaixo enumerados para excluílos do polo passivo da presente obrigação tributária; NOME CNPJ/CPF AUN ADM E PLADE 00.874.116/000150 JOEL RIBEIRO DOS REIS 099.931.95820 ALEXANDRE BARROS CONSULTORIA TRIBUTARIA EIRELI 10.328.512/000135 TADEU ASCHENBRENNER 007.037.68832 WILSON ROGERIO CONSTANTINO MA 177.913.90809 RASTELLI & ADVOGADOS ASSOCIADOS 10.358.451/000148 KETLIN MARIA DO NASCIMENTO FIG 955.336.13315 VALTER FERNANDES DE MELLO 025.845.92800 HERMINIO SANCHES FILHO 202.639.43852 GUSTAVO MENDES PEQUITO 195.746.77893 CESAR SOUSA BOTELHO 277.450.00874 FIVE CONSULTORIAEIRELIME 09.337188/000132 Fl. 31289DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.290 56 EXACTHUS ASSESSORIA CONTABIL 56.561.871/000139 M. INOUE CONSULTORIA LTDAME 10.413.621/000150 GILBERTO JOSÉ TORRES ME 10.267.286/000120 QUILES PARTICIPAÇÕES LTDA ME 09.609.676/000151 JOSEMEIRE MOREIRA 106.483.51807 REAL ASSESSORIA LTDA – ME 08.721.034/000187 MARCELO LISCIOTTO ZANIN* 169.681.60846 GERSON LUIZ LAMB 589.850.50915 LOGUS ASSESSORIA CONS TREINAMENTOS E INFORMÁTICA LTDA ME 68.221.050/000132 BORIM & ASSOCIADOS – CONULTORIA TRIBUTARIA LTDA.ME 72.868.896/000136 HAMILTON CESAR LEAL DE SOUSA 519.249.19168 NILTON DO CARMO CHAGAS 331.791.23834 HMP – X 13.420.214/000169 MAURO SÉRGIO THOME 926.782.89834 AP CONSULTORIA E PLANEJAMENTO LTDAME 26.636.357/000154 LEANDRO ANTUNES ZERATI 322.303.31817 Fl. 31290DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.291 57 UDELCIO DEMCZUK 600.459.22934 BARROS & ROSSI – ASSESSORIA CONTABIL LTDAME 08.684.610/000163 TOTAL CONSULTORIA LTDA – ME 13.984.326/000142 VICENTE LAURIANO FILHO 980.901.27800 MC RIO PRETO PROCESSAMENTO DE DADOS LTDAME 12.437.391/000176 EDU MARIANO DE SOUZA JUNIOR 704.947.20182 MARCOS ANTONIO CAVILHA 309.132.09953 KELLY CRISTINA ATHAYDE 005.169.03900 SP CONSULT SÃO PAULO CONSULTORES ASSOSSIADOS LTDA 13.983.694/000176 DIAGRAMA PLANEJAMENTO E CONSULTORIA LTDA 04.674.914/000199 EFRATA CONSULTORIA JURIDICA E TRIBUTARIA LTDA 82.269.960/000116 4) Destaco que ficam mantidas as demais pessoas físicas e jurídicas como devedores solidários, exonerandose do encargo somente os listados no item 3 da parte dispositiva do presente acórdão. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 31291DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.292 58 Voto Vencedor Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Redator designado. Permissa venia ao D. Relator, mormente quanto a qualificação da multa e a responsabilidade do Sr. Paulo Roberto Brunetti, mais especificamente quanto ao lançamento concernente ao IRPJ e a CSLL, entendo, no que fui acompanhado pela maioria de meus pares, que a demanda encerra uma solução distinta daquela constante o voto vencido. Com efeito, particularmente quanto a exigência do IRPJ e da CSLL, notese que o trabalho fiscal apontou como sua causa justificadora, o erro de apuração dos tributos pela adoção de percentual/base de cálculo equivocada. Isto, não obstante encerrar, de fato, a falta de recolhimento ou recolhimento por valores inferiores aos efetivamente devidos, não permite, outrossim, inferir a ocorrência de qualquer ato ou fato que possa, de alguma forma, tipificar um ato evasivo, fraudulento, simulado ou, de qualquer sorte, tendente à ocluir o próprio fato gerador das exações ou de se lhe modificar os elementos essenciais. Tratase, para além de dúvidas razoáveis, de simples erro material incorrido no cômputo dos montantes devidos, assemelhandose, à toda evidência, ao simples inadimplemento da obrigação principal por equívoco quanto a interpretação da legislação ou mesmo, mero engano quando do ato do preenchimento das competentes declarações. E isto, nem de longe, implica a verificação de quaisquer das hipóteses preconizadas pelo arts. 71 a 73 da Lei 4.502/68, não autorizando, igualmente, a aplicação da grave imputação descrita pelo art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96. Outrossim, e mesmo quanto ao IRRF, também não se vislumbram, aqui, quaisquer elementos suficientes para a imposição da multa qualificada, não bastando, no caso, para gravar de forma tão onerosa a penalidade, a identificação de pagamentos de causa nebulosa, sendo essencial que se decline a prática de atos fraudulentos ou simulados ou, ainda, praticados em conluio com terceiros. E, digase, a existência de interpostas pessoas ou, mesmo, a prática dos atos atentatórios à justiça consistentes na venda de "títulos podres", não obstante criticáveis sob o prisma da responsabilidade civil e, mesmo, sob o foco da moral e do senso de justiça, não indicia a fraude "fiscal"; isto é, estes atos não foram erigidos (ao menos em se considerando os elementos das autos) com o fito de evadirse a tributação, pelo que, evidente também quanto ao IRRF, a impossibilidade de se exigir a multa qualificada. Quanto a responsabilidade do Sr. Paulo Roberto Brunetti, o seu afastamento se impõe, quanto ao IRPJ e a CSLL, como consequência lógica do que foi decidido em relação à qualificação da multa. Se não há provas sobre a prática de atos infracionários, à luz dos preceitos dos arts. 71 a 73, da já citada Lei 4.502, inexiste, igualmente, qualquer possibilidade de se lhe imputar a responsabilidade com espeque nos preceitos do art. 135, III, do CTN, notadamente a luz dos preceitos da Súmula 430 do STJ, cujo enunciado reproduzo a seguir: SÚMULA N. 430. O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Fl. 31292DF CARF MF Processo nº 16004.720220/201629 Acórdão n.º 1302003.222 S1C3T2 Fl. 31.293 59 Quanto ao Fonte, a Turma acompanhou integralmente o Relator, mantendo se, pois, a responsabilidade do Sr. Paulo Roberto Brunetti notadamente por entender que o desenvolvimento de uma atividade ilícita pela empresa, sob a batuta de seu gestor, seria suficiente para demonstrar a prática do ato contrário ao estatuto ou contrato social, descrita no art. 135, III, do CTN. O exercício de tal atividade, todavia, não contribuiu para a falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL, justificandose, aí, o afastamento da responsabilidade tributária exclusivamente quanto a estes dois tributos. A luz dos exposto, voto por dar parcial provimento Recurso Voluntário do contribuinte tão só para afastar a qualificação da multa de ofício. Quanto ao recurso voluntário do devedor solidário Paulo Roberto Brunetti, voto, igualmente, por dar parcial provimento a fim de excluir a sua responsabilidade somente em relação aos créditos relativos ao IRPJ e à CSLL. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 31293DF CARF MF
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Numero do processo: 13681.000008/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 1999, 2000
RECOLHIMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ainda que o recolhimento se mostre indevido, por ser decorrente de exigência prevista em preceito legal declarado inconstitucional pelo STF, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contado da extinção do crédito tributário pelo pagamento.
Numero da decisão: 2201-004.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1725; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 38 1 37 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13681.000008/200942 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.841 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2019 Matéria RESTITUIÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente SERGIO MARCOS SOARES DE BRITO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 1999, 2000 RECOLHIMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ainda que o recolhimento se mostre indevido, por ser decorrente de exigência prevista em preceito legal declarado inconstitucional pelo STF, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contado da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata o presente de recurso formalizado em face do Despacho Decisório nº 186/2009, exarado por delegação de competência do Titular Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros/MG, fl. 32 e 33. O objeto da lide administrativa, formalizada em 05 de janeiro de 2009, é um requerimento de restituição de valores indevidos recolhidos à Previdência Social, no período de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 1. 00 00 08 /2 00 9- 42 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 13681.000008/200942 Acórdão n.º 2201004.841 S2C2T1 Fl. 39 2 01/1999 a 12/2000, com base na alínea "h" do art. 12 da lei 8.212/91, que tinha a seguinte redação: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...) h) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; O pleito foi indeferido, em caráter preliminar, em razão do que prevê o art. 3º da IN MPS/SRF nº 15/20061, que disciplinou especificamente a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Cientificado do indeferimento do pleito, o contribuinte formalizou, tempestivamente, o recurso de fl. 35 e 36, em que apresenta, em síntese, sua convicção de que o prazo para pleitear a restituição deve ser contado a partir do reconhecimento da dívida por parte do INSS e, portanto, não se deve falar em início da contagem de tal prazo antes de se tornar definitiva a decisão judicial sobre o tema. Ademais, sustenta que as Instruções Normativas MPS/SRP não poderia retroagir nem revogar um direito líquido e certo. É o relatório necessário. 1 Art. 3º O direito de efetuar compensação ou de solicitar restituição a que se refere esta Instrução Normativa prescreve em cinco anos, contados a partir do pagamento. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRP nº 18, de 10 de novembro de 2006) Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por atender às demais condições de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. A questão em tela não é nova nesta Corte administrativa e restringese a se definir o momento do início da fluência do prazo decadencial para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente, em razão de norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. É fato que a contribuição previdenciária, na condição de empregado, do exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, que não estivesse vinculado a regime próprio de previdência social, prevista na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei 8.212/91, foi declarada inconstitucional em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, Fl. 39DF CARF MF Processo nº 13681.000008/200942 Acórdão n.º 2201004.841 S2C2T1 Fl. 40 3 nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná, dando azo à Resolução do Senado Federal nº 26/2005 determinando a suspensão da vigência do texto legal, gerando assim efeitos erga omnes. A limitação temporal que motivou o indeferimento do pedido de restituição, embora tenha sido citado pela decisão que esta se deu ao amparo da IN MPS/SRP nº 15/2006, tem seu lastro legal de validade no art. 168 da Lei 5.172/66 (CTN), que assim dispõe: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Portanto, não há de se falar em retroação ou revogação de direito líquido e certo levadas a termo por Instrução Normativa. A previsão contida no inciso II acima não alcança o presente caso concreto, já que o valor pleiteado não decorreu de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, mas tão só de recolhimento efetuado de forma regular, no que se conhece por lançamento por homologação que, nos termos do art. 150 do mesmo CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Portanto, o caso ora sob apreço, enquadrase no inciso I do citado art. 168, por corresponder a cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior. Assim, tendo em vista que o referido comando legal não traz em seu bojo qualquer ressalva, é evidente que o marco inicial para contagem do prazo decadencial é a data da extinção do crédito tributário, que, neste caso, ocorreu com o pagamento. É neste momento que ocorre a violação do direito e, portanto, ocorre o pagamento indevido. Tanto é assim que a Lei Complementar nº 108/2005 tratou de "interpretar" o citado inciso I, prevendo: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966– Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Em julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, o Supremo Tribunal Federal concluiu: RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE Fl. 40DF CARF MF Processo nº 13681.000008/200942 Acórdão n.º 2201004.841 S2C2T1 Fl. 41 4 DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13681.000008/200942 Acórdão n.º 2201004.841 S2C2T1 Fl. 42 5 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido O instituto da decadência se caracteriza pela extinção de um direito por não ter sido exercido no prazo legal, o que leva ao perecimento do próprio direito pela inércia de seu titular. Portando, deveria o contribuinte, no prazo especificado, promover a ação necessária à tutela do seus interesses, já que até o dia 08 de junho de 2005, ainda remanescia intacto seu direito de pleitear a restituição do valor que se discute no presente. Após essa data, aplicável o prazo fixado no art. 168 do CTN e reproduzido no art. 3º da IN MPS/SRF nº 15/2006, cuja fluência, sem o exercício do direito, resulta no necessário reconhecimento de que a inércia do seu titular levou a sua extinção. Assim, não há mácula que imponha a reforma da decisão recorrida. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 42DF CARF MF
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