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Numero do processo: 14033.000283/2005-30
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA VEDADA À ANÁLISE DO CARF.
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
Aplicação da Súmula CARF nº 02.
Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias.
Aplicação da Súmula CARF n. 49.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a homologação parcial de declaração de compensação, quando comprovado que parte do crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez.
Numero da decisão: 1002-000.602
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de violação de princípios constitucionais da legalidade e do não confisco e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA VEDADA À ANÁLISE DO CARF. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor. Aplicação da Súmula CARF nº 02. Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a homologação parcial de declaração de compensação, quando comprovado que parte do crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez.
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MATÉRIA VEDADA À ANÁLISE DO CARF. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Aplicação da Súmula CARF nº 02. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a homologação parcial de declaração de compensação, quando comprovado que parte do crédito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 02 83 /2 00 5- 30 Fl. 398DF CARF MF Processo nº 14033.000283/200530 Acórdão n.º 1002000.602 S1C0T2 Fl. 399 2 nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de violação de princípios constitucionais da legalidade e do não confisco e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Em atenção aos princípios da economia e celeridade processual, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BSA, complementandoo ao final: Cuidam os autos de PER/Dcomp, débito de estimativa mensal/IRPJ, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRRF — Juros Sobre o Capital Próprio. Irresignada com a homologação parcial da compensação pela instancia 'a quo', a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que não procede a glosa de R$ 43.652,68 no valor do crédito pleiteado de R$ 2.977.767,51, visto que o recolhimento efetuado em 05/08/2005 foi feito após o vencimento, sem a multa de mora, por estar protegida pela denúncia espontânea do art. 138 do CTN. A declaração de compensação não foi homologada pela Unidade de Origem, conforme consta no Despacho Decisório de efls. 21. Antes de adentrar no mérito da Manifestação de Inconformidade, a DRJ/BSA, em despacho de diligência, determinou que o processo retornasse para à Unidade de Origem para reanálise dos documentos apresentados pelo ora Recorrente. Concluída a análise, o Delegado da Receita Federal de Brasília homologou parcialmente o valor do recolhimento a maior ou indevido de IRRF no montante de R$ 2.944.114,83, determinando a cobrança do saldo original remanescente de R$ 43.652,68. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 14033.000283/200530 Acórdão n.º 1002000.602 S1C0T2 Fl. 400 3 Diante dos fatos acima o ora Recorrente protocolizou Manifestação de Inconformidade, que foi julgada improcedente pela DRJ/BSA, conforme acórdão n. 0328.644, de 18 de dezembro de 2008 (efl. 321), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 Compensação — IRRF — Juros sobre o Capital Próprio Possibilidade até no Limite do Crédito do Sujeito Passivo Comprovada nos autos a existência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, para absorver o débito tributário, efetuase a compensação do débito tributário até no limite daquele crédito, dado que esta pressupõe existência de créditos para o encontro de contas débitos 'versus' créditos. Denúncia Espontânea — Multa Moratória É inadmissível a aplicação do art. 138 do CTN para afastar a imposição de multa de mora nos casos em que o contribuinte declara a dívida (de tributo sujeito a lançamento por homologação) e efetua o pagamento respectivo a destempo. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 328), no qual, oferece os argumentos abaixo, sintetizados por tópicos. Da Denúncia espontânea Quanto a essa matéria, confirma que "o que ocorreu foi o recolhimento do imposto a destempo com a utilização do instituto da denúncia espontãnea definido pelo art. 138 (...)" e que "a Contribuinte, detectando erro ou equívoco no recolhimento efetuado em 09/04/2003, recolheu a diferença devida espontaneamente e sem estar sob efeito de nenhum procedimento de fiscalização iniciado pela SRFB, sem a incidência de multa de mora". Sustenta que "A denúncia espontânea é instituto que tem como pressuposto básico e essencial o total desconhecimento da Fazenda Pública quanto à existência do tributo denunciado" e que "Da análise fática da questão posta ao juízo dos senhores, outra não deve ser a conclusão senão de que o pressuposto básico foi atendido, ou seja, em nenhum momento a Fazenda Pública, deu notícia à Contribuinte de que o valor recolhido não havia sido efetuado no prazo estipulado pela legislação vigente". Afirma que "A Contribuinte detectando o erro e a insuficiência de pagamento efetuou o pagamento da diferença com a devida incidência dos juros de mora em 05/08/2005 (DOC. 01) e procedeu ao envio da DCTF Retificadora do 2° trimestre de 2003 (DOC. 02) no dia 09/08/2005 (...), em total consonância com o entendimento do Egrégio STJ e da jurisprudência dominante naquele tribunal". Da inexistência de valor a cobrar pela falta de recolhimento Quanto a este tópico diz que "(...) revelase totalmente descabida a cobrança do valor, no sentido de que ao se considerar os valores efetivamente recolhidos como indevidos ou a maior que o devido, a SRFB, corrobora com a declaração retificadora enviada pela Contribuinte de que os valores anteriormente informados como devidos não Fl. 400DF CARF MF Processo nº 14033.000283/200530 Acórdão n.º 1002000.602 S1C0T2 Fl. 401 4 correspondiam à realidade, eis que recolhidos em valor superior ao que denota a base de cálculo para o fato gerador". Afirma que "Insistir na cobrança da diferença de R$ 43.652,68 atualizados, referente a multa de mora elidida pela denúncia espontânea, deverá gerar para a Contribuinte um crédito de igual valor, no sentido de que o valor principal foi considerado como recolhimento indevido ou a maior que o devido". Entende que "não faz sentido cobrar o pagamento de uma estimativa mensal se a empresa suspendera ou reduzira esse recolhimento com base em balanços ou balancetes de determinação parcial efetiva do lucro real e do IR devido e, ainda se, no ajuste anual, esse tributo devido revelouse muito inferior ao montante recolhido, por antecipação, aos cofres públicos". Da multa Sobre este assunto, sustenta que "(...) descabe o lançamento de ofício para o débito referente ao IRPJ, inexistindo fundamento para a imposição de qualquer multa de ofício, uma vez que a aludida penalidade pecuniária constitui acessório da exação principal" e que, por isso, "A multa, em si mesma, segue a sorte do tributo principal que, uma vez inexigível, acarreta inexigibilidade daquela". Afirma que "(...) a penalidade pecuniária constitui espécie de obrigação tributária principal, (art. 113, § 1º do CTN) e, portanto, deve sujeitarse à vedação do efeito confiscatório". Aduz que "No caso em espécie, está caracterizado o exagero da multa aplicada, ao obrigar a Contribuinte ao pagamento de multa equivalente a 20% do tributo exigido" e que "É mais do que um abuso, e violação flagrante e inadmissível de direitos fundamentais dos contribuintes, insculpidos na Constituição Federal". Como forma de lastrear sua argüição, apresenta diversos acórdãos de jurisprudência sobre as matérias questionadas e escólio de doutrina. Ao final requer "seja conhecida e provida a presente peça recursal, de forma a acatar os argumentos apresentados contra os itens do Acórdão ora questionados, para que o mesmo seja reformado, homologando o valor acima, extinguindose definitivamente a cobrança efetuada e a multa de mora associada". É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator Fl. 401DF CARF MF Processo nº 14033.000283/200530 Acórdão n.º 1002000.602 S1C0T2 Fl. 402 5 Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminar Como preliminar de mérito, o Recorrente alega que o lançamento da multa de ofício viola direitos insculpidos na Constituição federal, sob o argumento de que não há fundamento para a imposição da exação fiscal e que a obrigação tributária principal deve sujeitarse à vedação do efeito confiscatório. No que cinge à possível infringência aos Princípios Constitucionais da legalidade e da Vedação ao Confisco levantadas pelo recorrente, registro que não cumpre ao CARF exercer qualquer juízo de constitucionalidade de lei tributária, conforme entendimento sumulado, a seguir transcrito: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em razão do exposto, rejeito a preliminar de mérito suscitada pelo Recorrente. Mérito Quanto ao mérito, inicialmente, observo que a DRF de origem homologou parcialmente o PER/DCOMP n° 15652.14417.240305.1.3.042772, transmitido em 24/03/05, apurando uma diferença de saldo credor decorrente de recolhimento indevido ou a maior no valor de R$ 43.652,68, em relação ao valor originalmente vindicado pelo contribuinte (efls. 241). Em sua Manifestação de Inconformidade, o então manifestante registra que tal diferença foi justificada pelo fato de que o recolhimento efetuado em 05/08/2005, no montante de R$ 305.546,94 (principal de R$ 218.263,41 + juros SELIC, limitados a 20% do principal, de R$ 87.283,53) ter sido o realizado após o vencimento, porém, com utilização do instituto da Denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN. Em seu Recurso Voluntário, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, o Recorrente evoca a aplicação do instituto da denúncia espontânea, argumentando que detectou o erro cometido, efetuou o pagamento da diferença com a devida incidência de juros de mora e procedeu ao envio de DCTF retificadora antes do início de qualquer procedimento fiscal. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 14033.000283/200530 Acórdão n.º 1002000.602 S1C0T2 Fl. 403 6 Não vejo como acolher o pleito do Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para, com base no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF, transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir: Como se viu na síntese do Relatório a contribuinte contesta a não homologação de parte da compensação solicitada, R$ 43.652,68, especificamente, porque o recolhimento foi feito a destempo com juros de mora, sem a multa de mora, mas espontaneamente e sem estar sob efeito de nenhum procedimento de fiscalização. Não pode prevalecer o entendimento da interessada no caso dos autos, pois o pagamento de R$ 11.318.191,04, onde se aloca o pagamento de R$ 305.546,94 (principal e juros de mora), valor recolhido em atraso sem a multa de mora (R$ 43.652,68), corresponde ao valor do débito declarado e confessado em DCTF, originalmente (ver itens 04, 07, 16, 17 e 18). Aliás, a própria jurisprudência alinhavada pela Manifestante traz o entendimento de que é inadmissível a aplicação do art. 138 do CTN para afastar a imposição de multa de mora nos casos em que o contribuinte declara a dívida e efetua o pagamento respectivo a destempo. É importante esclarecer que a compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, e que a compensação pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Confirmase isto no art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Omissis. A análise acima descrita não merece qualquer reparo, porquanto reflete o posicionamento deste julgador quanto ao tema ora examinado e porque seus fundamentos estão em perfeita consonância com a legislação regente da matéria. De arremate, vale dizer que o assunto encontrase sumulado no enunciado 49 do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 14033.000283/200530 Acórdão n.º 1002000.602 S1C0T2 Fl. 404 7 Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 404DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.903911/2013-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.658
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de PIS formulado pela recorrente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 39 11 /2 01 3- 26 Fl. 153DF CARF MF 2 Aludida restituição restou indeferida pela DRF de origem, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição” Regularmente cientificada, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do acórdão nº01033.588.: Cientificado desta decisão apresentou o recurso voluntário ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.626, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903869/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.626): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 7. Pois bem. No presente caso o fecorrente foi cientificado via eletrônica da decisão guerreada, sendo a correspondente mensagem aberta em 24 (vinte e quatro) de fevereiro de 2017 (sextafeira) (fl. 142). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 27 (vinte e sete) de fevereiro de 2017 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 28 (vinte e oito) de março de 2017 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 30 (trinta) de março de 2017 (fl. 145), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto, motivo pelo qual não o conheço. Dispositivo 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10935.903911/201326 Acórdão n.º 3402005.658 S3C4T2 Fl. 3 3 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo. 10. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.723689/2014-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2005
SEGURADORAS. RECEITAS TÍPICAS DO RAMO SECURITÁRIO. COFINS. INCIDÊNCIA.
As receitas oriundas do exercício das atividades típicas do ramo securitário se enquadram no conceito de faturamento e, portanto, devem ser oferecidas à tributação da Cofins.
Numero da decisão: 3401-005.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Em votação preliminar, foi rejeitada pelos demais conselheiros a proposta do relator (Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) de sobrestamento do julgamento. Designado para redigir o voto vencedor em relação à preliminar o Conselheiro Tiago Guerra Machado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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RECEITAS TÍPICAS DO RAMO SECURITÁRIO. COFINS. INCIDÊNCIA. As receitas oriundas do exercício das atividades típicas do ramo securitário se enquadram no conceito de faturamento e, portanto, devem ser oferecidas à tributação da Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Em votação preliminar, foi rejeitada pelos demais conselheiros a proposta do relator (Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) de sobrestamento do julgamento. Designado para redigir o voto vencedor em relação à preliminar o Conselheiro Tiago Guerra Machado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 36 89 /2 01 4- 54 Fl. 541DF CARF MF Processo nº 15504.723689/201454 Acórdão n.º 3401005.759 S3C4T1 Fl. 542 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Trata o presente processo do despacho decisório nº 1.176 – DRF/BHE que indeferiu o pedido de restituição (fls. 305 a 311). É relatado o pedido formulado em papel e a carência de instrução do processo. pedido de restituição de Cofins entregue em 13/05/2014 (fls. 02 em diante), no valor de R$ 132.606.415,69. O crédito alegado decorre de pagamentos a maior da contribuição, em conformidade com o decidido nos autos do Mandado de Segurança nº 2006.38.000.069.884. A contribuinte é instituição financeira de direito privado, encontrandose em liquidação extrajudicial. O crédito foi previamente habilitado. No mandado de segurança de origem do direito, foi pleiteado o reconhecimento da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998. A contribuinte autuada apresentou impugnação tempestiva na qual requereu a total improcedência do auto de infração lavrado. Em 08/11/2017, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) prolatou o Acórdão DRJ nº 1060.929, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido, e cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2005 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. VALOR TRIBUTÁVEL. As receitas operacionais, definidas no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF do Banco Central do Brasil, como aquelas que representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais, são tributáveis, ainda que no regime de apuração cumulativa da contribuição e mesmo se referiremse a recursos próprios. A inclusão das receitas de intermediação financeira, operacionais, não são afetadas pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovido pelo já revogado § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 15504.723689/201454 Acórdão n.º 3401005.759 S3C4T1 Fl. 543 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2005 CRÉDITO. BASE DE CÁLCULO. ÔNUS DA PROVA. O interessado tem o ônus da prova acerca daquilo que alega. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação da existência do direito creditório demandado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2005 RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. CRÉDITO RECONHECIDO VIA JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. O contribuinte que dispuser de reconhecimento creditório decorrente de ação judicial poderá receber o crédito por via de precatório ou proceder à compensação tributária, não sendo possível a restituição administrativa, sob pena de violação ao art. 100, da Constituição Federal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 18/12/2017, a contribuinte foi intimada do resultado do julgamento pela abertura do arquivo correspondente no link Processo Digital do Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC), conforme termo de abertura de documento de fl. 446 e, em 17/01/2017, apresentou recurso voluntário, no qual alega, em síntese: (i) erro da interpretação do julgador de primeira instância administrativa sobre a extensão dos efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 390.840, ao entender, na acepção dada pelo ministro Cezar Peluso, que o faturamento deve compreender os produtos derivados da atividadefim da empresa, enquanto que o colegiado teria entendido, na verdade, que corresponde à venda de mercadorias e à prestação de serviços, ou à combinação de ambos; (ii) impossibilidade de enquadramento das receitas financeiras e equiparadas no conceito de contraprestação pela prestação de serviço, pois, no caso do leasing, não há prestação de serviço, obrigação de fazer, pois o que se remunera é o capital, e não o esforço humano, e tampouco venda de mercadoria, pois o bem arrendado está fora do comércio, devendo o arrendatário pagar em contrapartida a seu uso uma prestação previamente estabelecida; (iii) inaplicabilidade do Parecer PFN/CAT nº 2.773/2007, sobre o qual se funda o lançamento realizado pela autoridade fiscal, pois embasado ora no GATS, que se aplica exclusivamente no âmbito do comércio internacional e entre os Estadosmembros, enquanto que questões de tributação se referem à atuação interna de cada ente federado, ora no CDC para a caracterização de serviços, que tampouco seria uma disposição apta ao nascedouro de obrigação tributária relativa às contribuições sociais em disputa por não terem o condão de modificar a natureza jurídica das atividades financeiras e equiparadas para qualificálas como serviços para fins tributários; (iii) impossibilidade da aplicação da multa de ofício uma vez que, no momento da lavratura do auto de infração, a recorrente dispunha de provimento jurisdicional obtido no em mandado de segurança, que suspendia a exigibilidade dos tributos ora discutidos incidentes sobre receitas não provenientes da venda de mercadorias e serviços ou da combinação de ambos, em conformidade com a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal com efeitos erga omnes; (iv) ilegalidade da cobrança Fl. 543DF CARF MF Processo nº 15504.723689/201454 Acórdão n.º 3401005.759 S3C4T1 Fl. 544 4 dos juros sobre a multa; e (v) subsidiariamente, a necessidade do sobrestamento do presente feito até o ulterior julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 609.096/RS, com repercussão geral reconhecida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão se volta à perquirição dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Pleno do STF (RE 357.950, RE 390.840, RE 358.273 e RE 346.084), naquilo que concerne às instituições financeiras, i.e., se o aresto afastou ou não a tributação sobre as receitas financeiras, neste caso, de instituição financeira, da base de cálculo das contribuições sociais, matéria que, de todo modo, permanece em discussão no Recurso Extraordinário nº 609.096/RS, sob a relatoria do ministro Ricardo Lewandowski. Observese que a questão não é nova a este Conselho, tendo a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais se pronunciado no Acórdão CSRF nº 9303002.934, publicado em 31/01/2014, no sentido de que as receitas decorrentes das atividades do setor financeiro, na qualidade de "atividade empresarial típica", estão sujeitas à incidência das contribuições do PIS e da COFINS, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§ 5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, considerado inconstitucional pelo STF, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data da publicação do acórdão: 31/01/2014 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Fl. 544DF CARF MF Processo nº 15504.723689/201454 Acórdão n.º 3401005.759 S3C4T1 Fl. 545 5 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado. A questão versada no presente caso ganha contornos próprios na medida em que se volta a uma receita específica, aquela decorrente do spread bancário cobrado em operações de arrendamento mercantil ("leasing"). A incidência de tais tributos sobre as receitas financeiras tem sido objeto de questionamento no âmbito do Supremo Tribunal Federal, ao tratar da abrangência da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, o que tem sido discutido no Recurso Extraordinário nº 609.096/RS, com repercussão geral reconhecida, e cujos efeitos desbordarão sobre as instituições financeiras, que apuram sob a sistemática cumulativa. Há de se recordar, sob tal perspectiva, que remanesceu, após o julgamento dos Recursos Extraordinários nº 357.950, nº 390.840, nº 358.273 e nº 346.084 em 18/05/2005, dúvida e insegurança sobre a base de cálculo das contribuições para empresas que exploram as atividades financeiras, como é o caso da recorrente. A incerteza se intensificou, ademais, com o voto do Ministro Cezar Peluso proferido nos autos do Recurso Extraordinário nº 400.4798/RJ, em que afirmou que o conceito de faturamento envolve não apenas a venda mercadorias e a prestação de serviços, mas a soma das receitas de suas atividades empresariais, o que ensejou, de todo modo, a edição da Nota Técnica COSIT nº 21/2006 pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional que expressou entendimento no sentido de que os serviços bancários, em conformidade com a Lista Anexa da Lei Complementar nº 116/2003, e de intermediação financeira estariam albergados pelo conceito de faturamento. No ano seguinte, o órgão editou também o Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, utilizado como fundamento pela autoridade fiscal para realizar o lançamento ora combalido, que, com base no voto acima, nas disposições do General Agreement on Trade in Services (GATS), e do Código de Defesa do Consumidor (CDC), concluiu que as receitas decorrentes do objeto social da empresa (receitas operacionais) deverm compor o faturamento. A latere, ainda em virtude da decisão da Suprema Corte de maio de 2005, foi editada, em 03/12/2008, a Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, que alterou a Lei nº 9.718/1998 para a finalidade de restringir a base de cálculo das contribuições ao faturamento. A questão, não obstante, ganhou novo colorido jurídico com a edição da Medida Provisória nº 627/2013, posteriormente convertida na Lei nº 12.973/2014, cujo art. 2º, ao alterar a redação do DecretoLei nº 1.598/1977, inovou o ordenamento jurídico ao definir a receita bruta como (i) o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (ii) o preço da prestação de serviços em geral; (iii) o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (iv) as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nas hipóteses anteriores. Como é cediço, questão sensivelmente diversa, ora tratada como excursus, voltada a empresas que apuram pelo regime nãocumulativo, é aquela referente ao §2º do art. 27 da Lei nº 10.865/2004, que concedeu ao Poder Executivo autorização para reduzir e restabelecer, até os percentuais previstos nos incisos I e II do art. 8º da lei em referência, as alíquotas das contribuições em comento incidentes sobre as receitas financeiras. O art. 1º do Decreto nº 5.442/2005, com fundamento de validade no dispositivo acima descrito, reduziu a Fl. 545DF CARF MF Processo nº 15504.723689/201454 Acórdão n.º 3401005.759 S3C4T1 Fl. 546 6 zero as alíquotas incidentes sobre as receitas financeiras; contudo, no contexto do chamado "ajuste fiscal", o Poder Executivo editou, em 1º de abril de 2015, o Decreto nº 8.426/2015, restabelecendo as alíquotas das contribuições, com as correções do Decreto nº 8.451/2015. Discutese a inconstitucionalidade da Lei nº 10.865/2004 e, por decorrência, das disposições infralegais que a tomaram como pressuposto de validade, seja por afronta a predicados de reserva de lei para a majoração de tributos, salvo nos casos excepcionalíssimos que atendem a funções de indução do comportamento dos agentes econômicos, ou de indelegabilidade de funções ao Poder Executivo, o que implicaria a nãorevogação (e não a repristinação, pelo caráter interpretativo da decisão) do Decreto nº 5.442/2005. A questão se encontra em julgamento no Recurso Especial nº 1.586.950, que tramita na 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça , sob a relatoria do ministro Napoleão Nunes Maia Filho, havendo manifestação, ainda, da Ministra Rosa Weber, no Recurso Extraordinário nº 981.760/RS, de que a discussão, que versa sobre legislação infraconstitucional, não é da competência do Supremo Tribunal Federal. A presente discussão, como se percebe, uma vez contextualizada com os elementos acima delineados, cingese à incidência das contribuições sobre receitas financeiras de instituições financeiras. Uma vez apresentado o pano de fundo no contexto do qual deverá ser analisado o mérito, fazse necessário se indagar, entre outros pontos controversos, em primeiro lugar se, no julgamento dos Recursos Extraordinários nº 357.950, nº 390.840, nº 358.273 e nº 346.084, em 18/05/2005, de fato restou assentado que o conceito de faturamento é aquele inerente à exploração das "atividades típicas" do objeto social da empresa, como entendeu o Acórdão CSRF nº 9303002.934, ou simplesmente aquela receita decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços ou da combinação de ambos; em segundo lugar, sobre como deverá ser realizada a aplicação das normas que regem o PIS e a Cofins sob a sistemática cumulativa, para fatos geradores praticados no período de apuração de janeiro a dezembro de 2008, diante da decisão extraída dos Recursos Extraordinários nº 547.245/SC e nº 592.905/SC; em terceiro lugar, há de se cotejar a interpretação que se extrai dos itens anteriores com o conceito de faturamento vigente no período, sem se olvidar da disposição contida no art. 2º da Lei Complementar nº 70/1991; e, por fim, qual a extensão do termo "receita financeira" para fins de definição da matéria tributável. Mesmo naqueles casos em que os contribuintes questionam judicialmente a incidência das contribuições, não é possível se afirmar de maneira peremptória a aplicação da súmula obstativa nº 01 deste Conselho, conforme se depreende da Resolução CARF nº 3403000.157, determinada pela 3ª Turma Ordinária desta Câmara, sob a relatoria do Conselheiro Ivan Alegreti e presidência do Conselheiro Antonio Carlos Atulim: Fl. 546DF CARF MF Processo nº 15504.723689/201454 Acórdão n.º 3401005.759 S3C4T1 Fl. 547 7 Neste sentido também a posição já assentada por esta turma na Resolução CARF nº 3401000.917, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, em votação unânime ocorrida em sessão de 23/02/2016, ocasião em que também se observou a indevida recalcitrância da autoridade administrativa, e de cujo voto se extrai o seguinte excerto: "Aqui remetemos à segunda "discordância" da autoridade administrativa, que informa ter havido revogação do § 1o do art. 62A do Regimento Interno do CARF (RICARF), que estabelecia o sobrestamento administrativo como consequência do sobrestamento judicial diante de Repercussão Geral, entre outros, pela Portaria MF no 545, de 18/11/2013. Ocorre que a Resolução pela baixa em diligência, recordese, é de 24/10/2012. Por certo que não poderia este tribunal antever revogação futura do dispositivo que configurava óbice ao julgamento do processo. Em síntese, deveria efetivamente a unidade preparadora ter acompanhado o processo judicial, para verificar o que se passa a discorrer a seguir (andamentos do processo de 2012 até a presente data, providência que sequer foi tomada no despacho da autoridade responsável pela diligência, redigido em 2015 para afirmar que a diligência demandada em 2012 era indevida). (...) Assim, o andamento do processo judicial revelou que a composição da base de cálculo, para efeitos de apuração da Fl. 547DF CARF MF Processo nº 15504.723689/201454 Acórdão n.º 3401005.759 S3C4T1 Fl. 548 8 Contribuição para o PIS/PASEP, não pode ser levada a cabo pela Administração antes do pronunciamento judicial no caso concreto, visto que a ação judicial da recorrente passa a contemplar não só a questão da inconstitucionalidade em sentido estrito do § 1º do artigo 3º da Lei no 9.718/1998, mas a determinação do que deve ser considerado faturamento para instituições financeiras após a referida declaração de inconstitucionalidade. Não há, assim, como apurar administrativamente a liquidez do crédito, no caso concreto, antes do pronunciamento do Poder Judiciário. Pelo exposto, reafirmase o entendimento anteriormente externado na conversão em diligência de que o presente processo deve aguardar o desfecho do processo judicial, simplesmente porque não há como operacionalizar a compensação antes de se saber qual será o provimento judicial obtido em relação à composição da base de cálculo da contribuição. Voto, destarte, no sentido de nova conversão em diligência, para que se aguarde, na unidade preparadora (DRFAracaju), o desfecho do processo judicial no qual se determinará a composição da base de cálculo, necessária à verificação administrativa da liquidez do crédito tributário". Em idêntico sentido, ademais, decidiu esta turma, por unanimidade de votos, na Resolução CARF nº 3401001.131, de minha relatoria, em sessão de 26/01/2017. Há de se admitir, por outro lado, que, uma vez não reconhecida a concomitância da discussão que implicaria a aplicação da Súmula CARF nº 01, mas mera matéria conexa (e uma vez que se reconheça que a conexão não implica necessariamente prejudicialidade), o sobrestamento do processo administrativo tem por objetivo unicamente a precaução ou prudência de evitar uma potencial prejudicialidade externa, de maneira se esperar que o Supremo melhor esclareça não apenas se há ou não a incidência, mas também sobre o que se deve entender como receita financeira. Por conseguinte, não havendo como prosseguir na análise do mérito no presente momento, voto por converter o feito em diligência para que o presente processo administrativo aguarde na unidade local até o ulterior trânsito em julgado, oportunidade em que deverá ser apresentada a decisão final e sua respectiva certidão de trânsito em julgado do Recurso Extraordinário nº 609.096/RS, que sobre o presente processo desbordará seus efeitos transubjetivos, e, em seguida, devolvidos os presentes autos para este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. Nas discussões pelo Colegiado, restou majoritário o entendimento que o sobrestamento do presente não se coaduna com as normas processuais e regimentais em vigor, visavis não existir conexão direta entre a matéria em litígio e o objeto discutido pelo Supremo Fl. 548DF CARF MF Processo nº 15504.723689/201454 Acórdão n.º 3401005.759 S3C4T1 Fl. 549 9 Tribunal Federal,em sede de repercussão geral, em virtude de se tratar de empresa seguradora e não instituição financeira, o que implica inexistência de relação de prejudicialidade imediata que possa ensejar a necessidade, ou, ao menos, a prudência de se converter o processo em diligência para sobrestar o feito. Uma vez firmado que não se está diante de caso de conexão entre a matéria ora controvertida e aquela discutida no Recurso Extraordinário nº 609.096/RS, observase que, leitura do art. 17 da lei nº 4.595/1964, depreendese a definição de instituição financeira como pessoa jurídica que tem como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros, o que não se coaduna com a atividade da empresa seguradora. Resta, portanto, indagar se as receitas em apreço no presente caso são ou não atividades típicas da seguradora, sendo a resposta afirmativa, o que implica incidência da Cofins sobre tais receitas. A questão não é nova a esta turma: tomase de empréstimo a inteligência bem trilhada pelo Acórdão CARF nº 3401002.708, de relatoria do Conselheiro Robson José Bayerl, de cujo voto se recorta, por pertinente, o seguinte excerto: "(...) como bem destacado pela recorrente, as seguradoras não podem ser classificadas como instituições financeiras, para o desiderato de se tributar as receitas financeiras, como pretendido, haja vista que a definição de instituição financeira fornecida pelo art. 17 da Lei nº 4.595/64, pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros , não admite o enquadramento das seguradoras em seus termos. O fato de todas as entidades congêneres às instituições financeiras virem relacionadas no art. 22, § 1º da Lei nº 8.212/91, referenciada textualmente pela Lei nº 9.718/98, não permite inferir que todas devam se submeter à mesma forma de tributação pelo PIS/Pasep e Cofins. Tanto assim que a própria Lei nº 9.718/98 tratou da tributação das pessoas jurídicas atuantes no ramo de seguros privados em dispositivo distinto das instituições financeiras propriamente ditas, inclusive com previsão de deduções específicas e diversas destas últimas, ex vi do art. 3º, §§ 5º e 6º, II c/c art. 1º, IV da Lei nº 9.701/98. Portanto, a equiparação de empresas de seguros às instituições financeiras formulada pela decisão reclamada carece de respaldo legal, não se caracterizando as receitas financeiras como advindas das atividades empresariais típicas de uma sociedade seguradora. segundo o plano de contas da SUSEP, as contas de resultado que representariam a atividade típica da fiscalizada estariam restritas aos subgrupos 311, 312, 313 e 314; que a DRJ partiu de premissa equivocada ao considerála instituição financeira; que as receitas financeiras e as receitas de imóveis seriam, pela Fl. 549DF CARF MF Processo nº 15504.723689/201454 Acórdão n.º 3401005.759 S3C4T1 Fl. 550 10 natureza da pessoa jurídica, de cunho não operacional; que a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, tal como reconhecida no mandamus, afasta a incidência da contribuição sobre tais receitas; e, que o crédito estaria extinto por força do art. 156, X do CTN. No mesmo óbice esbarra a pretensão de se tributar as receitas percebidas pelos investimentos obrigatórios na formação das reservas técnicas, fundos e provisões, em especial, as rendas de imóveis (Receitas de Imóveis de Renda – 37111) É certo que tais receitas são inerentes à atividade securitária, até mesmo por imposição normativa (Resolução CMN nº 3.308/2005, arts. 1º a 3)º, que determina os limites, condições e segmentos onde as disponibilidades devem ser aplicadas (renda fixa, renda variável e imóveis), contudo, não é possível afirmar que o investimento em imóveis para renda, em renda fixa ou variável, ou mesmo as receitas dele originadas, qualificamse como oriundas do exercício das atividades empresariais típicas, como fixado no RE 400.4798/ RJ Isto porque, segundo o estatuto social da pessoa jurídica, seu objeto social é a exploração de seguros dos ramos elementares e do ramo vida, em qualquer de suas modalidades, conforme definidos na legislação vigente. Então, alinhado ao recurso, segundo o plano de contas estabelecido pela Resolução CNSP nº 86/2002, consolidado pela Circular SUSEP nº 424/2011, para o caso destes autos, a receita passível de tributação pela Cofins, por se caracterizar como própria da atividade empresarial, é composta pelos valores registrados nas contas “Prêmio Emitido –31111”, “Prêmio de Retrocessão – 31116”, “ Prêmio Não Ganho (Reversão) – 31120” e “Outras Receitas com Operações de Seguros – 31410”, não alcançando as rubricas “Receitas Financeiras – 36100” e “Receitas de Imóveis de Renda – 37111 Ordinária da 3ª Câmara, tendo o aresto externado o mesmo entendimento que ora se desenvolve neste julgado, como se verifica da redação de sua ementa: “BASE DE CÁLCULO. SEGURADORAS. ALCANCE DA EXPRESSÃO RECEITA BRUTA A base de cálculo da contribuição para o PIS para as seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividadefim. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO O STF DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 15504.723689/201454 Acórdão n.º 3401005.759 S3C4T1 Fl. 551 11 As receitas financeiras e as receitas de imóveis de renda não devem ser incluídas na base de cálculo do PIS das empresas seguradoras, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.” (Acórdão 3302001.875, de 16/04/2013) Interessante destacar que no processo em epígrafe, a própria decisão administrativa de piso promoveu a exoneração de tais verbas e, desta decisão, recorreu de ofício, oportunidade que aproveito para reproduzir excerto do voto prolatado naquela assentada: “Conforme se vê do relatório, a questão aqui discutida diz respeito ao conceito de faturamento para as empresas seguradoras, como base de cálculo da contribuição para o PIS, nos termos previstos no art. 2º da LC nº 70, de 1991, e, no caso específico, em observância da decisão judicial em favor da contribuinte prolatada nos autos da Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707, que declarou inconstitucional, de maneira incidental, o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A autoridade lançadora assevera que a base de cálculo utilizada para o lançamento de ofício do PIS apurada por meio dos valores consignados nas planilhas fornecidas pela contribuinte, conforme modelo da IN SRF 247/2002, em resposta à intimação fiscal, está de acordo com a decisão judicial que o ampara e com o Parecer PGFN nº 2.773, de 2007, já que não foi incluída nenhuma receita contábil iniciada em “38” (receitas não operacionais), ou seja, o lançamento foi efetuado sobre a receita operacional bruta da empresa. A contribuinte, no entanto, alega que a base de cálculo do PIS assim apurada extrapola o conceito de “faturamento”, nos termos da decisão judicial proferida na Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707. Que a autoridade lançadora, sobre a situação das instituições bancárias e seguradoras, quer fazer prevalecer o entendimento no sentido de que a base de cálculo das contribuições deve ser composta das receitas oriundas do seu objeto social (empresa seguradora) e não do “faturamento”, considerado como receitas de prestação de serviços e venda de mercadorias, e que, assim, a base de cálculo do PIS não deve ser extraída da interpretação do fisco sobre os demais dispositivos da Lei nº 9.718, de 1998, não declarados inconstitucionais, e sim unicamente do art. 2º da LC nº 70, de 1991, que delimita de forma rígida quais receitas devem ser computadas no conceito de faturamento. A autoridade julgadora de 1ª instância, entendendo que a questão da inclusão ou não das receitas decorrentes da Fl. 551DF CARF MF Processo nº 15504.723689/201454 Acórdão n.º 3401005.759 S3C4T1 Fl. 552 12 atividade empresarial típica de seguradora no conceito de faturamento não foi objeto de contestação nas ações judiciais impetradas pela contribuinte, decidiu pela manutenção parcial do lançamento, para excluir da base de cálculo, unicamente as receitas financeiras originadas de aplicações financeiras de recursos próprios, resultantes da aplicação em operações no mercado financeiro, as receitas financeiras decorrentes das próprias operações de seguro e de previdência, que são contabilizadas pela empresa no grupo de contas “36 Resultado Financeiro”, e as receitas classificadas como “Receitas de Imóveis de Renda”. Conclui que as receitas geradas pelas atividades típicas das seguradoras, oriundas da carteira de seguros e da carteira de previdência privada complementar, incluemse na base de cálculo da Cofins que deve ser adotada pelo contribuinte, nos termos da decisão judicial proferida Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707. E afirma que devem ser incluídas na base de cálculo da contribuição, além das taxas/comissões cobradas pela seguradora, os valores registrados nas contas denominadas prêmio direto, coseguros, retrocessão e ressarcimento de indenizações. RECURSO DE OFÍCIO Analisase, inicialmente, o recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de 1ª instância, em face da exoneração parcial do crédito tributário lançado, decorrente exatamente da exclusão na base de cálculo do PIS das receitas financeiras originadas de aplicações financeiras de recursos próprios, resultantes da aplicação em operações no mercado financeiro, as receitas financeiras decorrentes das próprias operações de seguro e de previdência, que são contabilizadas pela empresa no grupo de contas “36 Resultado Financeiro”, e as receitas classificadas como “Receitas de Imóveis de Renda”. Como já ressaltado, a empresa impetrou a Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707, com pedido de antecipação de tutela, contestando a aplicação do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Em 12/12/2005 foi concedida a tutela antecipada, confirmada por sentença alterada pela oposição de embargos declaratórios, na qual foi declarado inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assegurando o direito da autora de efetuar o pagamento do PIS levando em conta a base de cálculo prevista na legislação anterior, ou seja, nos moldes do art. 2º da LC nº 70, de 1991, e do art. 3º da Lei nº 9.715, de 1998. O dos recursos de apelação apresentados pela Fazenda e pela impetrante, que foram recebidos somente no efeito devolutivo. O referido §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que pretendia ampliar o conceito de receita bruta, assim dispunha: “Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 15504.723689/201454 Acórdão n.º 3401005.759 S3C4T1 Fl. 553 13 § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” Afastada a regra do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mas permanecendo válidos os demais artigos, conforme decidido judicialmente, não restam dúvidas de que se encontra afastada a possibilidade de se tributar como base de cálculo da PIS/COFINS as receitas da contribuinte que não sejam receitas operacionais, assim consideradas as decorrentes da atividade empresarial típica de seguradora, a exemplo das receitas financeiras originadas de aplicações financeiras de recursos próprios, resultantes da aplicação em operações no mercado financeiro, as receitas financeiras decorrentes das próprias operações de seguro e de previdência, que são contabilizadas pela empresa no grupo de contas “36 Resultado Financeiro”, e as receitas classificadas como “Receitas de Imóveis de Renda”, posto que tais receitas efetivamente não são provenientes do exercício de sua atividadefim, isto é, da exploração de seguros em suas diversas modalidades, conforme definido em seu Estatuto Social (fls. 29/36). Portanto, não há reparos a se fazer no Acórdão n° 0236.659, prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, em 12/12/2011, quanto à exoneração parcial do crédito tributário decorrente das exclusões na base de cálculo das mencionadas receitas e cujos valores encontramse devidamente totalizados no demonstrativo de fl. 1.476.” (destacado) A mesma conclusão foi reprisada nos arestos 3302001.873, de 05/04/2013, e 3302001.874, de 04/04/2013. Em face de todo o exposto, considerando que o lançamento albergou apenas as receitas dos subgrupos “Receitas Financeiras – 36100” e “Receitas de Imóveis de Renda – 37111”, que, como visto, não se caracterizam como receitas próprias do exercício das atividades empresariais do ramo de seguros, dou provimento ao recurso voluntário. Afastada a regra do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mas permanecendo válidos os demais artigos, deve ser considerada como base de cálculo das contribuições em análise as receitas da contribuinte da espécie receitas operacionais, justamente aquelas discutidas no presente julgamento. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 15504.723689/201454 Acórdão n.º 3401005.759 S3C4T1 Fl. 554 14 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Voto Vencedor Conselheiro Tiago Guerra Machado, Redator designado O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Entendo pela inexistência de conexão entre a matéria discutida no Recurso Extraordinário nº 609.096/RS e o presente caso, justamente porque da leitura do art. 17 da lei nº 4.595/1964 se depreende a definição de instituição financeira como pessoa jurídica que tem como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros, o que não se coaduna com a atividade da empresa seguradora. Resta, portanto, indagar se as receitas em apreço no presente caso são ou não atividades típicas da seguradora e, sendo a resposta afirmativa, concluise pela incidência da Cofins sobre tais receitas, não por serem financeiras, mas por serem típicas da empresa autuada. Assim, voto por divergir e negar provimento à proposta atinente ao sobrestamento do presente feito, cabendo a este colegiado a análise do mérito. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Redator desginado Fl. 554DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.910450/2010-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
O ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 somente se opera à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem. Comprovada em procedimento fiscal a inexistência de tais créditos, faz-se necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.124
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Raphael Madeira Abad.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. O ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 somente se opera à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Comprovada em procedimento fiscal a inexistência de tais créditos, fazse necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 04 50 /2 01 0- 73 Fl. 8707DF CARF MF Processo nº 10830.910450/201073 Acórdão n.º 3302006.124 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do ressarcimento de crédito de IPI e de não homologação da compensação declarada, tendo como fundamento a inexistência do crédito pleiteado, dada a inobservância do valor tributável mínimo nas transações da fiscalizada com sua única cliente, empresa interdependente, Unilever Brasil Ltda., conforme reconstituição da escrita fiscal. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, arguindo que determinadas compensações por ele declarados haviam sido homologadas tacitamente, situação essa não reconhecida no trabalho fiscal. Alegou, ainda, que estava ocorrendo cobrança de tributo em duplicidade, em razão da glosa ocorrida em outro processo, e teceu comentários sobre o "valor tributável mínimo". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14064.324, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o ressarcimento previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/98 somente se operava à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, sendo que, uma vez verificada a inexistência de tais créditos, faziase necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando praticamente os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 8708DF CARF MF Processo nº 10830.910450/201073 Acórdão n.º 3302006.124 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.118, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10830.910444/201016, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.118): O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. I Preliminar Sobrestamento e vinculação de processos A recorrente em seu apelo solicitou o sobrestamento do presente feito, até final julgamento de processos judicial, que tem por objeto a existência do crédito objeto do pedido de ressarcimento. Entretanto, entendo não haver a possibilidade de ser atendido o pedido da recorrente, uma vez que o processo administrativo no qual discutiase a existência do crédito, já fora finalizado, sendo certo que em sua decisão restou consignado não existir o crédito pleiteado. Ademais, entendo que um dos princípios que regem o processo administrativo é o da oficialidade, que determina que o processo deva ser impulsionado ex officio, nos exatos termos do inciso XII, do parágrafo único, do art. 2º da Lei nº 9.784/1999. Vale dizer, não há qualquer previsão legal ou regimental que autorize a suspensão do andamento do processo administrativo em razão de processo judicial. Por tais razões rejeito a preliminar trazida pela recorrente. II. Da homologação Tácita Argumenta a recorrente que haveria a homologação tácita das compensações declaradas, tendo em vista ter percorrido o prazo de 5 anos contados da data de entrega da declaração e a prolação do despacho decisório que denegou a compensação. Entretanto, entendo que não há razão que de guarida às alegações trazidas pela recorrente, tendo em vista que o prazo para a contagem do prazo da homologação tácita começa a transcorrere a partir de 04/05/2009, data da retificadora informada no presente processo (art. 78 IN 1300). II Mérito Fl. 8709DF CARF MF Processo nº 10830.910450/201073 Acórdão n.º 3302006.124 S3C3T2 Fl. 5 4 No que diz respeito ao mérito, entendo que melhor sorte não socorre as alegações da recorrente. O que estamos decidindo é a possibilidade de ser deferido o pedido de ressarcimento e homologação de compensação efetuada pela recorrente. As matérias trazidas pela recorrente em seu recurso voluntário que dizem respeito exclusivamente à formação do crédito, não são aqui tratadas, vez que já definitivamente julgadas no processo nº 10480.724644/201156, onde restou decidido não haver crédito em favor da recorrente que pudesse fazer frente a presente pedido de ressarcimento e compensação. Assim, conforme informado no despacho decisório, bem como na decisão da DRJ, não existe crédito passível de ser utilizado para liquidar o débito objeto do pedido de restituição e compensação efetuado pela recorrente. Vale lembrar que a própria recorrente reconhece que o processo administrativo relacionado a existência do crédito esta definitivamente julgado na esfera administrativa, porém, por não concordar com a decisão, discute novamente a matéria, desta vez na esfera judicial. Por derradeiro, ressaltase que as alegações trazidas pela recorrente em seu recurso foram apresentadas de forma genérica, reprisando o que outrora fora discutido em outro processo, como dito no parágrafo anterior, motivo pelo qual não há como serem reconhecidas. Portanto, correto o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação. Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. Ressaltese que, quanto à alegação do Recorrente de homologação tácita da compensação, neste processo ela também não se configurou, pois, conforme se verifica à fl. 247, a Declaração de Compensação original fora transmitida em 14/11/2007, tendo o contribuinte sido cientificado do Despacho Decisório respectivo em 28/05/2012 (fl. 8414). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 8710DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.917925/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2000
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua certeza e liquidez, sem o que não pode ser restituído, ressarcido ou utilizado em compensação. Faltando aos autos o conjunto probatório que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido.
Segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal, Processo Administrativo Fiscal e o Código de Processo Civil, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Numero da decisão: 3201-004.701
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente MULTI OPTICA DISTRIBUIDORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2000 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua certeza e liquidez, sem o que não pode ser restituído, ressarcido ou utilizado em compensação. Faltando aos autos o conjunto probatório que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. 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A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado anteriormente identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro I. O presente processo trata de PER/DCOMP com lastro em crédito de PIS que teria sido recolhido a maior. A Derat/RJO, por meio de despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, sob a alegação de que o pagamento informado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF pelo contribuinte. Para bem relatar os fatos, transcrevese trechos do relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Cientificada do despacho e da cobrança do débito declarado no PER/DComp, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade (...), na qual alega que: Incluiu no cômputo da receita bruta auferida (...) valores auferidos com vendas para a Zona Franca de Manaus. Foi justamente a quantia recolhida indevidamente, levandose em conta as vendas para a Zona Franca de Manaus, que a Requerente utilizou para fins de compensação com o débito indicado no PER/DCOMP. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 15374.917925/200967 Acórdão n.º 3201004.701 S3C2T1 Fl. 4 3 Aos contribuintes que porventura recolhem tributos indevidos ou a maior, há a possibilidade de reaverem esses valores por meio da repetição do indébito, de acordo com o art. 165, caput e inciso I, do CTN. O referido pagamento a maior devese, inicialmente, ao erro cometido pela Requerente ao pagar indevidamente o DARF para o recolhimento do tributo. Quanto às notas fiscais de venda, a Requerente pugna pela posterior juntada aos autos, uma vez que o exíguo prazo a impede de fazer a anexação nesse momento. O Código Tributário Nacional positiva expressamente a regra segundo a qual devem ser devolvidos ao contribuinte os valores por este pagos em virtude de pagamento a maior de tributos. A restituição constitui uma obrigação por parte de quem recebeu o pagamento indevido, e se impõe à Administração Tributária sempre que o contribuinte pagar a maior ou indevidamente um determinado tributo, de acordo com o estabelecido nos artigos 165 e seguintes do CTN. O direito de restituir o tributo pago de forma indevida é imperativo não só do CTN, mas também da Constituição da República. O direito do contribuinte de ressarcimento do indébito tributário, seja via restituição, seja via compensação, fundase em sólidas raízes constitucionais, sendo um corolário dos direitos à propriedade e ao devido processo legal, bem como dos princípios da legalidade e da moralidade. No que tange ao direito material propriamente dito, não recolhimento de PIS e COFINS nas saídas para a Zona Franca de Manaus é importante salientar tratarse de área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos especiais, estabelecidas com a finalidade de criar no interior do Estado do Amazonas um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento. Para implementação e manutenção do projeto na Zona Franca de Manaus, foi determinado que a "exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro." (artigo 4°, do DecretoLei n.° 288, de 28.02.67). Tais características permaneceram mesmo sob a égide da Nova Carta, uma vez que, consoante o artigo 40, do ADCT, a Zona Franca de Manaus ficou mantida como área de livre comercio e de incentivos fiscais. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 15374.917925/200967 Acórdão n.º 3201004.701 S3C2T1 Fl. 5 4 Vale dizer que as saídas de produtos destinados a estabelecimentos situados na Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, consideradas exportação. Concluise, desta forma, as saídas destinadas à Zona Franca de Manaus recebem igual tratamento tributário dispensado as vendas ao exterior. Ou seja, sobre as saídas destinadas à ZFM, não há que se falar em tributação pelas contribuições PIS e COFINS. A legislação evoluiu de tal forma que a considerar isentas do PIS e da COFINS as saídas para a Zona Franca de Manaus. Isto porque, inicialmente tentouse por meio da Medida Provisória n.° 1.8586, excluir da isenção da COFINS e da Contribuição ao PIS estas operações. A teor do disposto no artigo 14 da MP 1.8586, as receitas auferidas com base nas vendas de mercadorias para o exterior não seriam isentas da Contribuição ao PIS. Contudo, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 07.12.2000, deferiu Medida Cautelar nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade n.° 2.348, para o fim de suspender deste dispositivo legal a expressão que excluía da isenção do PIS, as receitas oriundas das vendas para estabelecimentos na Zona Franca de Manaus. Portanto, como nos termos do Decreto n.° 2.346/97, as decisões do Supremo Tribunal Federal que expressamente declarem a inconstitucionalidade de norma legal deverão ser observadas por toda a Administração Pública Federal. Em decorrência, foi editada a MP n°2.15835 que assim prevê: "Art. 14 Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 10 de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) 2° As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...)" Logo, a aplicação da legislação vigente, MP n° 2.15835, é categoricamente no sentido segundo o qual as saídas para a ZFM não são tributadas pela COFINS e pelo PIS. Destarte, é patentemente obrigatória e devida, por todos os motivos demonstrados, a repetição do indébito ora requerida. Aos valores indevidamente pagos, os quais ora requerse sejam repetidos, deve incidir a correção pela taxa SELIC, nos termos da Norma Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 07.06.97. A Autoridade Prolatora do Despacho Decisório cuja reforma se pretende baseouse apenas na DCTF. Mas, como mencionado anteriormente, o direito ao crédito é inegável, não se podendo Fl. 110DF CARF MF Processo nº 15374.917925/200967 Acórdão n.º 3201004.701 S3C2T1 Fl. 6 5 negálo apenas e tão somente porque na DCTF encontrase a informação de pagamento realizado como exigido à época de sua entrega. Houve mudança de regramento e, portanto, neste cenário, as peculiaridades do caso devem ser analisadas consideradas, não se podendo exigir retificação da DCTF, até porque a Requerente não mais pode fazêlo, haja vista o transcurso do prazo. Ante todo o exposto, requere o acolhimento da preliminar de nulidade da decisão atacada. Ultrapassada a preliminar antes referida, no mérito, seja acolhida a manifestação de inconformidade, para reformar parcialmente a decisão combatida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 12051.925, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2000 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário que visa a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 15374.917925/200967 Acórdão n.º 3201004.701 S3C2T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.700, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 15374.917927/200956, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.700): "Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para defini lo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 15374.917925/200967 Acórdão n.º 3201004.701 S3C2T1 Fl. 8 7 Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem, constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão Fl. 113DF CARF MF Processo nº 15374.917925/200967 Acórdão n.º 3201004.701 S3C2T1 Fl. 9 8 preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 15374.917925/200967 Acórdão n.º 3201004.701 S3C2T1 Fl. 10 9 documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Assim, é ônus da interessada comprovar a existência e o quantum de seu crédito, não cabendo imputar à autoridade administrativa o dever de pesquisar e encontrar créditos disponíveis para extinguir seus débitos declarados. Tal situação caracterizaria a inversão do ônus da prova, o que não se admite no presente caso. As diligências não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. De se ressaltar que não há dúvida envolvida no litígio a ser resolvida com diligência fiscal; ao contrário, é situação de completa ausência de prova material do direito pleiteado, em que a contribuinte apegase a supostas dificuldades na juntada, apresentação e análise de provas. Quanto à afirmação de que o princípio da verdade material impende a realização de diligência, é de se esclarecer que tal princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam Fl. 115DF CARF MF Processo nº 15374.917925/200967 Acórdão n.º 3201004.701 S3C2T1 Fl. 11 10 proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi, o que não se configura nos autos. A busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. O processo administrativo fiscal, conquanto admita flexibilização na apresentação de provas, não se coaduna com a supressão de instância e a inversão do ônus probatório Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720401/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
O contribuinte assume o ônus sobre a prova da liquidez e da certeza do crédito, utilizado em Declaração de Compensação, mediante a demonstração do seu direito pela escrituração contábil e fiscal.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais."
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
Numero da decisão: 1201-002.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10280.720405/2009-69, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. O contribuinte assume o ônus sobre a prova da liquidez e da certeza do crédito, utilizado em Declaração de Compensação, mediante a demonstração do seu direito pela escrituração contábil e fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
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EPP????? Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. O contribuinte assume o ônus sobre a prova da liquidez e da certeza do crédito, utilizado em Declaração de Compensação, mediante a demonstração do seu direito pela escrituração contábil e fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 04 01 /2 00 9- 81 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10280.720401/200981 Acórdão n.º 1201002.386 S1C2T1 Fl. 3 2 segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10280.720405/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo recurso voluntário, considerando que o acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, parcialmente, não homologando a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) pela inexistência do crédito suficiente. De acordo com referido despacho decisório, "considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada." Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável suficiente, questionando a incidência de juros e multa de mora sobre o valor devido e vencido, quando da mencionada transmissão da declaração de compensação (DCOMP). É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.376, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10280.720405/2009 69, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.376): "Divergindo sobre os acréscimos de juros e multa de mora sobre o valor declarado à compensação (DCOMP), o contribuinte narrou os seguintes fatos em seu recurso voluntário: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10280.720401/200981 Acórdão n.º 1201002.386 S1C2T1 Fl. 4 3 Todavia, o acórdão recorrido concluiu pela insuficiência do crédito, ressaltando a incidência de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) e multa de mora sobre o valor declarado à compensação (DCOMP), in verbis: Igualmente, quanto à Lei 8.393/1991, haveria a necessidade da prévia transmissão da Declaração de Compensação (artigo 21, § 1º) , como explicitado pelo acórdão recorrido: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10280.720401/200981 Acórdão n.º 1201002.386 S1C2T1 Fl. 5 4 O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". A Lei nº 9.430/1996 regulamentou o procedimento de ressarcimento, restituição e compensação, determinando a incidência dos acréscimos moratórios no seu artigo 61: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifei). Atualmente, a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) orienta sobre o acréscimo de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), não havendo dissidência jurisprudencial sobre o tema: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Isto posto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e NEGOLHE PROVIMENTO." Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10280.720401/200981 Acórdão n.º 1201002.386 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.908963/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
Numero da decisão: 3201-004.638
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1843; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.908963/201371 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201004.638 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AGT ARMAZÉNS GERAIS E TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 89 63 /2 01 3- 71 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.908963/201371 Acórdão n.º 3201004.638 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte. O presente processo trata de Per/Dcomp transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS. A unidade de origem indeferiu o pleito do contribuinte sob o fundamento de que, "a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp". Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro no preenchimento da DCTF, já retificada, após a ciência do despacho. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade por intermédio do Acórdão 02056.750. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2012 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.908963/201371 Acórdão n.º 3201004.638 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.621, de 12/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.660628/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.621): (...) "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem; constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.908963/201371 Acórdão n.º 3201004.638 S3C2T1 Fl. 5 4 de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.908963/201371 Acórdão n.º 3201004.638 S3C2T1 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.908963/201371 Acórdão n.º 3201004.638 S3C2T1 Fl. 7 6 É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720820/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
GLOSA DE DESPESA. COMPROVAÇÃO. Comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da despesa, ela deve ser excluída do lançamento baseado na falta de comprovação da mesma.
LUCRO DA EXPLORAÇÃO. No caso de lançamento de ofício, não é admitida a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento.
CSLL. Aplica-se à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido o que foi decidido para o IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.
Impugnação Procedente em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 1301-003.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 GLOSA DE DESPESA. COMPROVAÇÃO. Comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da despesa, ela deve ser excluída do lançamento baseado na falta de comprovação da mesma. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. No caso de lançamento de ofício, não é admitida a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento. CSLL. Aplica-se à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido o que foi decidido para o IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
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A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 GLOSA DE DESPESA. COMPROVAÇÃO. Comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da despesa, ela deve ser excluída do lançamento baseado na falta de comprovação da mesma. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. No caso de lançamento de ofício, não é admitida a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento. CSLL. Aplicase à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido o que foi decidido para o IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 08 20 /2 00 8- 31 Fl. 14252DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 14253DF CARF MF Processo nº 10280.720820/200831 Acórdão n.º 1301003.505 S1C3T1 Fl. 14.246 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da Resolução CARF 1301000.156, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 133138, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, ano(s)calendário 2004, com crédito total apurado no valor de R$ 253.100.735,65, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 28/11/2008. De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Custos e despesas não comprovados. Também integra os Autos de Infração a Planilha de folhas 139148, onde são detalhas as contas de custos e despesas glosadas. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício de 75 %. O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 18/12/2008 (fls. 156) e apresentou sua impugnação em 19/01/2009 (fls. 10141048), na qual alegou em síntese que: Da glosa das despesas 1. A glosa de todos os valores contabilizados como custos e despesas é inconcebível, conforme jurisprudência administrativa (Recursos Voluntários n° 109.902 e 135.225); 2. Apresentou à fiscalização diversos documentos fiscais e informou a mesma que os demais documentos solicitados se encontravam na filial localizada em Monte Dourado, requerendo, dessa forma, que os apresentasse na Inspetoria da Receita Federal daquele Município, ou então que a Fiscalização se deslocasse para aquela localidade, o que não foi deferido; Das despesas com o PIS e a COFINS A Fiscalização desconsiderou os pagamentos e compensações efetuados para os débitos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); Em relação ao PIS, a Autoridade Autuante, equivocadamente, computou no mês de outubro, em relação à filial de Paranaguá, o valor de R$ 109.349,94, quando na realidade o valor recolhido foi R$ 19.349,94; Em referência ao mês de abr/04, a fiscalização não considerou os estornos contabilizados nas contas 4110100.101302 e 4110100.100402 (doc. n° 10), referentes à COFINS de Paranaguá e Munguba, respectivamente; 6. No período de maiago/04, bem como em nov/04, a Fiscalização não considerou, no cálculo das contribuições devidas pela filial de Munguba, os valores das devoluções constantes do balancete da Impugnante; Fl. 14254DF CARF MF 4 DaCFEM Efetuou o regular recolhimento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais CFEM durante o período apurado; A Fiscalização apurou, como valor devido a título de CFEM, a provisão do quantum devido, quando, na realidade, a Impugnante procedia à apuração do montante efetivo devido e estornava a provisão para, em seguida, realizar o lançamento definitivo do montante devido e pago; Do IRPJ e da CSLL 9. Efetuou o recolhimento do IRPJ e da CSLL através do pagamento de estimativas mensais. Dessa forma, a glosa dessas despesas com estes tributos é indevida; 10. É indevida também pelo fato destas despesas já serem adicionadas na base de cálculo do lucro real; Da apresentação extemporânea de provas 11. Protesta pela posterior juntada de documentos, a fim de que se comprovem os demais custos e despesas glosados pela Fiscalização, tendo em vista que tal documentação é vastíssima e o sistema utilizado pela Impugnante àquela época foi alterado, o que dificulta o levantamento das informações exigidas; Da perícia contábil 12. Requer que seja deferida a realização de perícia contábil, para que fiquem definitivamente comprovados as despesas e custos deduzidos do IRPJ, relativos ao ano calendário 2004. Pelo que apresenta à fl. 182 os requisitos exigidos pelo art. 16 do Decreto n° 70.235/72; Da redução do IRPJ 13. Faz jus ao benefício de redução do Imposto de Renda, conforme Declaração n° 10/2005, expedida pela Agência de Desenvolvimento da Amazônia ADA. Razão porque pede que seja revisto a apuração deste imposto a fim de se considerar o benefício fiscal. Para comprovar o alegado a recorrente trouxe os documentos de folhas 187 879. Em 30/04/2009 e 11/05/2009, apresentou, extemporaneamente, através dos requerimentos de folhas 881884, os documentos que integram os anexos II a XII. Apresentou também, em 03/06/2009, por meio do requerimento de folhas 886887, os documentos que integram os Anexos XIII a XVI. Em 12/07/2009 e 15/09/2009, apresentou outros dois requerimentos (fls. 889, 896897), que tratam dos documentos integrantes dos anexos XVII a XLVII. O processo retornou em diligência à unidade de origem para que esta adotasse as seguintes providências (fls. 900903): Fl. 14255DF CARF MF Processo nº 10280.720820/200831 Acórdão n.º 1301003.505 S1C3T1 Fl. 14.247 5 [...] Juntar aos autos cópia de todas as contas de custos e despesas do Balancete; Certificar se a apuração do resultado declarado na DIPJ corresponde aos valores escriturados na contabilidade, mormente no que diz respeito aos custos e despesas; Identificar as parcelas dos custos e despesas glosados que correspondem, ou não, aos valores declarados pelo contribuinte, levando em consideração os valores dos estornos e das devoluções; Identificar as parcelas dos custos e despesas glosados que foram adicionados pelo contribuinte na apuração do lucro real; 5. Apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte, inclusive após a impugnação, para efeito de comprovação dos custos e despesas em litígio; 6. Dar ciência do resultado da diligência ao sujeito passivo, abrindo prazo de 30 (trinta) dias para manifestação; [...] A unidade de origem diligenciou a recorrente a apresentar os originais dos documentos acostados nos Anexos, referente aos custos e despesas, conforme balancete separado por conta. Após a analise dos documentos apresentados, considerou manterse pertinente as seguintes glosas: R$ 6.004.678,12, relativa ao grupo de contas compras de insumos a prazo (Ficha 4A, item 03, DIPJ); R$ 2.810.504,26, relativa ao grupo de contas Serviços Prestados por Pessoa Jurídica (Ficha 4A, item 13, e Ficha 5A, item 04, DIPJ); R$ 3.093.319,60, relativa aos grupos de contas Outros Custos e Despesas Gerais (Ficha 04A, item 16, e Ficha 5A, item 30, DIPJ); R$ 3.155.057,57, relativa ao grupo de contas Custos/Despesas (Ficha 5A, DIPJ) R$ 4.614.354,61, relativa a subconta Manut. Sindus da conta Manutenção e Reparo de Bens Aplicados na Produção (Ficha 4A, item 8, DIPJ); R$ 1.243.745,57, relativa a subconta Manut. Mecânica da conta Manutenção e Reparo de Bens Aplicados na Produção (Ficha 4A, item 8, DIPJ). Tendo tomado ciência do resultado da diligência, a recorrente apresentou peça denominada "Impugnação" (fls. 10141048), na qual alegou em síntese que: Da decadência A diligência representou um novo lançamento, pois reduziu significativamente a base tributável de R$ 253.100.735,65 para R$ 20.921.661,73. Dessa forma, o novo lançamento está atingido pela decadência, na forma do art. 150, §4°, CTN; Fl. 14256DF CARF MF 6 Se entendesse que não houve um novo lançamento, mas sim uma revisão de ofício do lançamento originariamente efetuado, com fundamento no disposto no art. 149 do CTN, ainda assim seria aplicável o prazo decadencial previsto no art. 150, §4°, do CTN; Nos termo do parágrafo único do art. 149 do CTN, o prazo decadencial que se tem para efetuar a revisão do lançamento é o mesmo que se teria para efetuar o lançamento originário; Não se aplica ao presente caso a disposição contida no art. 173, II, do CTN, que trata do reinício do prazo decadencial a partir da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado; Da nova documentação apresentada Reuniu grande parte da documentação dos custos e despesas que comprovam a glosa mantida pela unidade de origem, documentação essa que se encontra anexada à presente impugnação; Protesta pela apresentação posterior da documentação ainda não localizada; Pela análise da tabela às folhas 10281029, relativa a Insumos, Manut. Sindus e Manut. Mecânica, constatase que, do total de R$ 11.862.780,30, cerca de R$ 7.380.929,35 já se encontram devidamente comprovados pela documentação ora acostada, qual seja, planilha explicativa e respectivas notas fiscais (Doc. 02 fls. 10571224) Pela análise da tabela à fl. 1029, relativa a Serviços Prestados por Pessoa Jurídica, constatase que, do total R$ 2.810.504,26, cerca de R$ 1.333.218,98 já se encontram devidamente comprovados pela planilha explicativa e respectivas notas fiscais (Doc 03 fls. 12261552) Pela análise da tabela à fl. 1030, relativa a Outros Custos e Despesas Gerais, constatase que, do valor total de R$ 4.167.051,01, houve a comprovação, por parte da impugnante, de cerca de R$ 1.593.404,19, conforme planilha em anexo (Doc. 04 fls. 15531554). Que as notas fiscais referentes a esse último valor indicado serão oportunamente juntadas; Pela análise da tabela à folha 1031, relativa a Custos e Despesas, constatase que, do total R$ 6.923.344,47, houve a comprovação, por parte da impugnante, de cerca de R$ 4.580.063,59, conforme planilha em anexo (Doc 05 fls. 15551556). Que as notas fiscais referentes a esse último valor serão oportunamente juntadas; Dos erros cometidos pela fiscalização A Fiscalização desconsiderou os pagamentos e compensações efetuados para os débitos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); A Fiscalização apurou, como valor devido, a título de CFEM, a provisão do quantum devido, quando, na realidade, a Impugnante procedia à apuração do montante efetivo devido e estornava a provisão para, em seguida, realizar o lançamento definitivo do montante devido e pago; Efetuou o recolhimento do IRPJ e da CSLL através do pagamento de estimativas mensais. Dessa forma, a glosa dessas despesas é indevida. Que é Fl. 14257DF CARF MF Processo nº 10280.720820/200831 Acórdão n.º 1301003.505 S1C3T1 Fl. 14.248 7 indevida também pelo fato das despesas com o estes tributos não serem dedutíveis da apuração do lucro real; Que faz jus ao benefício de redução do IRPJ. Analisando esses argumentos e elementos até então contidos nos autos, pronunciouse a douta 1a Turma da DRJ/BEL pela PROCEDÊNCIA PARCIAL DA IMPUGNAÇÃO, destacando, na ementa do acórdão proferido, o seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2004 Ementa: DILIGÊNCIA/PERÍCIA. A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. No caso de lançamento de ofício, não é admitida a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento. GLOSA DE DESPESA. COMPROVAÇÃO. Comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da despesa, ela deve ser excluída do lançamento baseado na falta de comprovação da mesma. CSLL. Aplicase à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido o que foi decidido para o IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em decorrência da exoneração parcial do crédito tributário constituído, consta do acórdão a específica menção à interposição do respectivo RECURSO DE OFÍCIO, nos termos do art. 34 do Decreto 70.235/72, conforme ali expressamente destacado. Após a prolação dessa decisão, mas ainda antes da intimação da contribuinte a respeito de seus termos, foi por ela então apresentado (no dia 31/08/2011) novas planilhas com documentos comprobatórios de custos e despesas por ela suportados, a serem, ainda, devidamente adicionados àqueles anteriormente apresentados, comprovando, assim, a efetiva existência das despesas registradas e, com isso, a invalidade da glosa procedida, o que, entretanto, pelo momento processual em que então se encontravam os autos, não puderam ser então devidamente analisados pela douta DRJ. Intimada a contribuinte do inteiro teor da decisão então proferida no dia 14/09/2011, foi por ela então interposto o seu competente RECURSO VOLUNTÁRIO, protocolado no dia 14/10/2011, arguindo, em apertada síntese, o seguinte: i) A existência de documentação comprobatória da regularidade dos custos e despesas faltantes, já juntadas aos autos mas não analisadas pelo julgador de primeira Fl. 14258DF CARF MF 8 instância; ii) A aplicação de alíquota reduzida do IRPJ em decorrência do gozo de benefício fiscal, tendo em vista estar ela devidamente enquadrada nas hipóteses do benefício SUDAM. Em sessão de 08 de agosto de 2013 entendeu por bem este colegiado converter o presente processo em diligencia, nos termos da Resolução 1301000.156, conforme abaixo: A matéria recebida por este CARF, pelo que se verifica, fundase então em relação ao recurso voluntário , aos montantes remanescentes das glosas efetivadas e que ainda não teriam tido a regular comprovação documental, o que, entretanto, aqui é apresentado simplesmente desconsiderando os documentos acostados pela contribuinte a partir de sua petição de fls. 11.643 e seguintes (protocolo efetivado em 31/08/2011), o que, conforme se destaca em seu recurso, seria suficiente para a comprovação da regularidade senão de todas, mas de grande parte das despesas indevidamente glosadas pela fiscalização quando da lavratura do auto de infração em referência. Em face dessas considerações, e, ainda, tendo em vista a relevância da análise documental para a solução da presente demanda, cumpre ressaltar que a prolação de decisão sem a necessária apreciação dos documentos acostados pela contribuinte representaria, de fato, efetivo e inválido cerceamento ao direito de defesa, o que, definitivamente, deve ser efetivamente privilegiado no âmbito do presente processo administrativo fiscal, como forma de possibilitar, inclusive, a completa e regular apreciação do controle de legalidade do ato administrativo de lançamento efetivado. Diante dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, no sentido de determinar a baixa dos autos à competente unidade preparadora, solicitando, então, a promoção da específica análise dos documentos apresentados pela contribuinte após a apontada petição do dia 31/08/2011 (fls. 11.643 e seguintes), verificandose, assim, a realização, ou não, da efetiva comprovação da regularidade das despesas apontadas nestes autos como glosadas, identificandoas e demonstrandoas em específicos demonstrativos, com vistas a possibilitar, então, a análise por esse CARF e, em caso de julgamento de procedência do recurso voluntário, possibilitando a identificação da específica matéria exonerada, nos termos, inclusive, já antes devidamente promovidos pela autoridade julgadora de primeira instância. Uma vez atendida a diligencia por parte da Fiscalização (fls. 14.198 e segs) e se pronunciado o contribuinte sobre a mesma (Petições de fls. 14.215 e segs e 14.239 e segs), retornaram os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento. É o relatório. Fl. 14259DF CARF MF Processo nº 10280.720820/200831 Acórdão n.º 1301003.505 S1C3T1 Fl. 14.249 9 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Fatos Versa o presente processo sobre os Autos de Infração, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, ano calendário 2004. De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na seguinte infração: Custos e despesas não comprovados. Recurso de Ofício Tratase de Recurso de Ofício interposto da decisão da DRJ (fls. 11.624) proferida pela 1ª Turma da DRJ/BEL, Acórdão 0122.747 de 25/08/2011, que julgou procedente em parte a Impugnação, por unanimidade de votos, exonerando a Contribuinte de parte do lançamento, conforme tabela abaixo: Em virtude de o valor exonerado ter sido superior R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), conforme previsto na Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, o Recurso de Ofício merece ser conhecido. Passamos a analise dos itens de defesa que foram julgados procedentes à Recorrente e levaram à exoneração do crédito acima mencionado (i) DOS GASTOS COM INSUMOS (ii) Da subconta Manut. Sindus (iii) Da subconta Man. Mecânica (iv) DOS SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA. De acordo com o voto condutor da decisão recorrida foram considerados comprovados as despesas cuja recorrente logrou comprovar mediante apresentação de documentação idônea, vejamos: A unidade de origem, por meio de diligência, considerou restar não comprovados os gastos de compras com insumos a prazo, no valor de R$ 6.004.678,12. Analisando os autos, vêse que tais gastos de insumos (não comprovados) estão relacionados na Tabela de folhas 979980, na parte que vai do gasto com Expresso São Lourenço, no valor de R$ 889,64. até o final da tabela. Fl. 14260DF CARF MF 10 Em usa manifestação contra o resultado da diligência, a recorrente traz os comprovantes das compras relacionadas na Tabela 1, a seguir. Tais compras estão inseridas entre aquelas que a fiscalização considerou não comprovadas. Logo, aquelas despesas (relacionadas na Tabela 1) devem ser excluídas do lançamento. Tendo em vista que tratase de matéria de fato e que a Recorrente logrou comprovar as despesas glosadas não vejo motivação para reforma da decisão de primeira instancia no que se refere a este item. Neste sentido, NEGO provimento ao Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fatos Da análise ainda que apenas sumária das circunstâncias apresentadas nos autos, verificase que a discussão aqui empreendida referese, especificamente, à (in)validade da glosa de despesas promovida pela fiscalização em decorrência da suposta não comprovação da sua efetiva realização, decorrente da suposta não apresentação dos respectivos documentos comprobatórios, quando da realização da fiscalização efetivada. A questão da apresentação documental nos presentes autos, de fato, é efetivamente relevante, sobretudo porque, conforme se verifica, com a documentação apresentada nos autos após a impugnação, foi determinada a conversão do julgamento em diligência pela DRJ, e, naquela oportunidade, verificada a validade dos registros contábeis da contribuinte e, com isso, a redução do crédito tributário constituído proporcionalmente aos documentos então apontados. A matéria recebida por este CARF, pelo que se verifica, fundase então – em relação ao recurso voluntário, aos montantes remanescentes das glosas efetivadas cuja analise da documentação relativa foi alvo de diligencia pela unidade de origem conforme relatório de fls. 14.198 e segs. Glosa de despesas Diligência Tendo em vista o minucioso relatório de diligencia em que foram analisados todos os documentos apresentados pela Recorrente, adoto suas conclusões para fins de fundamentação do presente voto no que se refere a este item, Em atenção ao solicitado na Resolução n° 1301000.156 3a Câmara / Ia Turma Ordinária, as fls. 14182 para analisar os documentos acostados as fls. 11643 e seguintes, passamos a informar o que segue: inicialmente nos inteiramos do Acórdão 0122.747 Ia Turma da DRJ/BEL, e detectamos, as fls. 11636, que do valor de RS 20.921.659,73 (vinte milhões, novecentos e vinte e um mil, seiscentos e cinquenta e nove reais e setenta e três centavos), não comprovados na diligência, permaneceu mantido no julgamento o Fl. 14261DF CARF MF Processo nº 10280.720820/200831 Acórdão n.º 1301003.505 S1C3T1 Fl. 14.250 11 valor de R$ 14.314.139.81 (quatorze milhões, trezentos e quatorze mil, cento e trinta e nove reais c oitenta e um centavos), abaixo demonstrado: A vista dos valores mantidos pela DRJ, passamos a analisar os documentos e planilhas apresentadas, pelo recorrente, como segue: COMPRAS INSUMOS A PRAZO R$ 4.394.240,33 (AcórdSo/DRJ/PA6) conforme planilha fls. 12880 o contribuinte logrou comprovar somente o valor de RS 272.484,16 (duzentos e setenta c dois mil, quatrocentos c oitenta e quatro reais e dezesseis centavos), através da NF 1753, fls. 12882, não sendo consideradas as demais NF tendo em vista divergência de valores, e/ou por já ter sido apresentadas, remanescendo o valor de R$ 4.121.756,17 (quatro milhões, cento e vinte e um mil, setecentos c cinquenta e seis reais c dezessete centavos); SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA RS 1.432.881,74 (planilha fls. 12767 Acórdão/DRJ//PA5) consultoria o fiscalizado enxertou comprovantes de hospedagem em holel e viagens, documentos estes que não guardam nenhuma relação com esta conta, logrando comprovar o valor de R$ 7.700,00 (sete mil, setecentos reais), através das NF n°s. 159 e 234; locação de veículos comprovado o valor de R$ 17.658,00 (dezessete mil, seiscentos e cinquenta e oito reais); assistência técnica considerado o valor de R$ 3.523,50 (três mil, quinhentos e vinte e três reais e cinquenta centavos); limpeza industrial os documentos ora apresentados já foram considerados por ocasião da diligência; rec degradadas comprovado o valor de RS 65.533,92 (sessenta e cinco mil, quinhentos e trinta e três reais e noventa e dois centavos); man software comprovado o valor de RS 44.607,66 (quarenta e quatro mil, seiscentos e sete reais e sessenta e.seis centavos); limpeza administrativa nada foi comprovado, portanto mantido o valor anterior; manutenção de veículos comprovado o valor de R$ 10.357,00 (dez mil, trezentos e cinquenta c sete reais); Fl. 14262DF CARF MF 12 auditoria comprovado o valor de R$ 18.400,00 (dezoito mil e quatrocentos reais); assessoria comprovado o valor de RS 21.848,33 (vinte e um mil, oitocentos e quarenta e oito reais e trinta e três centavos); conservação de casas nada apresentou, informando que vai ser apresentado posteriormente. OUTROS CUSTOS E DESPESAS RS 3.093.319,60 (planilha fls. 12903 Acórdão/DRJ//PA6) viagem a serviço comprovado p valor de RS 201.133,29 (duzentos e um mil, cento e trinta e três reais e vinte e nove centavos); telecomunicação comprovado o valor de R$ 77.224,62 (setenta e sete mil, duzentos c vinte e quatro reais c sessenta e dois centavos); hospital comprovado o valor de R$ 7.285,72 (sete mil. duzentos e oitenta e cinco reais e setenta e dois centavos); eventos internos comprovado o valor de RS 384.588,88 (trezentos e oitenta e quatro mil, quinhentos e oitenta e oito reais e oitenta e oito centavos); representação comprovado o valor de R$ 5.533,50 (cinco mil, quinhentos e trinta e três reais e cinquenta centavos); telefone logrou comprovar o valor de R$ 164.651,25 (cento e sessenta e quatro mil, seiscentos c cinquenta e um reais e vinte c cinco centavos); taxi / refeição / serviços comprovado o valor de R$ 14.640,15 (quatorze mil, seiscentos e quarenta reais e quinze centavos), publicações comprovado R$ 1.800,00 (mil e oitocentos reais), demais documentos já haviam sido apresentados, e/ou já foram apresentados em outras contas; feiras o contribuinte para comprovar esta conta apresenta documentos referente a outras contas, com por exemplo eventos, viagem, hospedagem. Fl. 14263DF CARF MF Processo nº 10280.720820/200831 Acórdão n.º 1301003.505 S1C3T1 Fl. 14.251 13 CUSTOS E DESPESAS R$ 3.155.057,57 (planilha fls. 11677 Acórdão/DRJ//PAl) alimentação de acordo com planilha, as fls. 11678/11679 e 11747, foram considerados os valores, comprovados através das NF n°s.: 247, 252, 7178, 7440, 461, 7590, 50744, 565 e 566, no valor de RS 1.952,59 (mil novecentos e cinquenta e dois reais e cinquenta e nove centavos), remanescendo o valor de R$ 27.563,44 (vinte e sete mil, quinhentos e sessenta e três reais e quarenta e quatro centavos); aluguel arrendamento fls. 11753 e 11789, não obstante o fiscalizado informe em suas planilhas número de NF, detectamos que os documentos apresentados, releremse apenas a pagamentos bancários, não identificados, mantido o valor de RS 388,262,76 (trezentos e oitenta e oito mil, duzentos e sessenta e dois reais e setenta e seis centavos); assistência módica planilha as fls. 11792, permanece o valor de K$ 291.888,52 (duzentos e noventa e um mil. oitocentos e oitenta e oito reais e cinquenta e dois centavos), lendo em vista que os documentos, ora apresentados, já Toram considerados por ocasião da diligência; honorários médicos planilhas as Eis. 11804/11805 e 11887, observado que a maioria dos documentos já foram aceitos por ocasião da diligência, foram considerados as NF n°s.: 20, 6108, 8892, 864, 16, 14, 411, 25, 16, 4796, 2422, 417, 19752, 19858, 20013, 17, 4348, 941, 945, 6607, 6796, 6825, 6888, 960, 12, 10228, 10837, 11160, 11235, 11392, 11457, 9108, 9661, 541, 12, 26, 59, 69, 71, 83, 16025 e 16149, no valor de RS 70.177,00 (setenta mil, cento c setenta e sete reais), remanescendo o valor de RS 51.487,91 (cinquenta e um mil, quatrocentos e oitenta e sete reais e noventa e um centavos); viagem tratamento médico planilha fls. 11927/11928, observado os documentos apresentados, foram considerados as NF n"s: 960, 6938, 1192, 7080, 6970, 7100 e 8849, no valor de R$ 1.087,87 (mil e oitenta c sete reais e oitenta e sete centavos), mantido e valor de R$ 36.79831 (Irinta e seis mil, setecentos e noventa e oito reais e trinta e um centavos), destacando que os demais documentos já haviam sido apresentados; medicamentos os documentos apresentados grafados na planilha as Os. 11°77, já foram apresentados, permanecendo o valor de R$ 4.301,61 (quatro mil, trezentos e um real e sessenta e um centavos); Fl. 14264DF CARF MF 14 propaganda e publicidade na planilha as fls. 11677, o contribuinte informa que vai informar este valor posteriormente, logo fica mantido a glosa de RS 44.199,47 (quarenta e quatro mil, cento e noventa e nove reais c quarenta e sete centavos); passagens / férias / depart. Adm foi comprovado o valor de RS 417.805,48 (quatrocentos e dezessete mil, oitocentos e cinco reais e quarenta e oito centavos), ficando mantido o valor de R$ 96.670,96 (noventa e seis mil, seiscentos e setenta reais e noventa e seis centavos); mobilização / desmobilização da relação apresentada foi considerado o valor de R$ 32.214,36 (trinta e dois mil, duzentos e quatorze reais e trinta e seis centavos), restando não comprovado o valor de RS 16.280,59 (dezesseis mil, duzentos e oitenta reais e cinquenta e nove centavos); recrutamento / seleção o fiscalizado nesta oportunidade apresentou documentos que já foram apresentados e considerados por ocasião da diligência / julgamento, portanto permanece não comprovado o valor de RS 77.913,08 (setenta e sete mil, novecentos e treze reais e oito centavos); treinamento não incentivado nesta fase recursal comprovou o valor de RS 93.522,68 (noventa e três mil, quinhentos c vinte e dois reais e sessenta e oito centavos), permanecendo o valor de RS 245.549,39 (duzentos e quarenta e cinco mil, quinhentos e quarenta e nove reais e trinta e nove centavos); mensalidade escolar e transporte os documentos apresentados já foram apreciados por ocasião da diligência / julgamento, permanecendo o valor de R$ 5.940,00 (cinco mil, novecentos e quarenta reais) c R$17.391,80 (dezessete mil, trezentos e noventa c um reais e oitenta centavos), respectivamente; dízimo e CPMF nada apresentou nesta fase recursal, permanecendo os valores de R$ 262.079,07 (duzentos e sessenta e dois mil, setenta e nove reais e sete centavos) e R$ 971.970,68 (novecentos e setenta e um mil, novecentos e setenta reais e sessenta e oito centavos), respectivamente. MANUT SINDUS/MANUT MECÂNICA RS 2.238.640,57 (Acórdâo/DRJ/PA6) Fl. 14265DF CARF MF Processo nº 10280.720820/200831 Acórdão n.º 1301003.505 S1C3T1 Fl. 14.252 15 manut sindus conforme planilha as fls. 12880 o contribuinte nada apresentou, informando que o valor a ser comprovado posteriormente é de R$ 348.450,43 (trezentos e quarenta e oito mil, quatrocentos e cinquenta reais e quarenta e três centavos), quanto a manutenção mecânica na planilha as lis. 12888, foram consideradas as NF n°s.: 2338, 690, 722, 2438, 162, 1852 e 1815, totalizando o valor de RS 193.772,01 (cento e noventa e três mil, setecentos e setenta e dois reais e um centavo). As demais NF não foram consideradas por divergência de valores, sendo mantido nesta ocasião o valor de R$ 2.044.868,56 (dois milhões, quarenta e quatro mil, oitocentos c sessenta e oito reais c cinquenta e seis centavos). Ressaltese que esta ação fiscal referese ao ano calendário 2004, foi encerrada em 2008 e que durante o procedimento, ou seja 1 (um) ano e sete (sete) meses, o fiscalizado não apresentou nenhum documento, só o fazendo por ocasião da impugnação. Passados 6 (seis) anos da fiscalização o recorrente continua a informar que "valores vão ser comprovados posteriormente", cabendo destacar a citação da D RJ em seu Acórdão n° 0122747, fls. 11631, a saber: quanto às provas faltantes, leemse que a perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer aos autos junto com a peça impugnatória" (grifei) Isto posto, à vista dos documentos apresentados, observouse que o contribuinte em quase todas as contas anexou xerocopias de viagens, hospedagem, junto à Itapeuta, Puma, Van Hotel, Riolravel, etc, não sendo nada objetivo, ou seja ao invés de apresentar somente os documentos que motivaram a glosa por ocasião da diligência e/ou os que foram mantidos no julgamento da DRJ, veio nesta oportunidade apresentar documentos que já haviam sido apreciados por ocasião da impugnação, emaranhando desta forma o processo, restando não comprovado o valor de R$ 12.184.637,84 (doze milhões, cento e oitenta e quatro mil, seiscentos e trinta e sete reais c oitenta e quatro centavos conforme tabela abaixo: Do total das glosas mantidas, nesta diligência, propomos a manutenção parcial dos créditos tributários abaixo apurados, sobre os quais devem incidir os acréscimos legais cabíveis. Fl. 14266DF CARF MF 16 Desta forma, voto para que seja alterada a apuração do IRPJ e CSLL na forma da tabela 06 acima. Redução de alíquota SUDAM Em que pesem os argumentos do recorrente, estes não são suficientes para alterar o lançamento fiscal. Tendo em vistas que o recurso sob análise repetiu as alegações constantes da impugnação e por concordar plenamente com a decisão de primeira instância em, relação a este item, peço vênia para transcrever o voto nela contido nos termos do art. 57, III, § 3º do Regimento Interno do CARF. A recorrente solicita a redução da alíquota de incidência do IRPJ sobre a base de cálculo do lançamento, vez que teria direito ao gozo do benefício fiscal concedido pela SUDAM, nos termos do art. 89 da IN SRF 267/02 A redução do IRPJ de empresas jurisdicionadas na área da SUDAM ou da Zona Franca de Manaus (ZFM) diz respeito à exploração de atividades incentivadas (arts. 8189, IN SRF 267/02). Tais incentivos são calculados a partir da apuração do lucro da exploração (art. 57, IN SRF 267/02). Ocorre que, nos termos do art. 66 da IN SRF nº 267, de 23 de dezembro de 2002, é vedada a recomposição do lucro da exploração, quando o ajuste da base tributária é decorrente de lançamento de ofício. Art. 66. No caso de lançamento de ofício, não será admitida a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento para fins de novo cálculo dos incentivos de que trata este Capítulo. Razão por que se denega o pedido da recorrente. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 14267DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.905683/2008-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
DESCUMPRIMENTO DE DILIGÊNCIA. INTIMAÇÃO DA CONTRIBUINTE. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO.
Os autos devem retornar à unidade de origem, quando não se promove a intimação do contribuinte, por solicitação da própria DRJ, sobre o resultado de diligência fiscal por ela determinada (art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972).
Numero da decisão: 3201-004.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora a fim de que se prolate novo Despacho Decisório, após intimar Recorrente a apresentar os Livros Diário e Razão, bem como outros documentos se fizerem necessários à verificação da existência do crédito.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DESCUMPRIMENTO DE DILIGÊNCIA. INTIMAÇÃO DA CONTRIBUINTE. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Os autos devem retornar à unidade de origem, quando não se promove a intimação do contribuinte, por solicitação da própria DRJ, sobre o resultado de diligência fiscal por ela determinada (art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972).
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RESTITUIÇÃO Recorrente CELULAR CRT SOCIEDADE ANONIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DESCUMPRIMENTO DE DILIGÊNCIA. INTIMAÇÃO DA CONTRIBUINTE. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Os autos devem retornar à unidade de origem, quando não se promove a intimação do contribuinte, por solicitação da própria DRJ, sobre o resultado de diligência fiscal por ela determinada (art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora a fim de que se prolate novo Despacho Decisório, após intimar Recorrente a apresentar os Livros Diário e Razão, bem como outros documentos se fizerem necessários à verificação da existência do crédito. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 56 83 /2 00 8- 22 Fl. 328DF CARF MF 2 Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório A interessada apresentou pedido de restituição de PIS, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no período de apuração de março de 2003. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre que não homologou a Declaração de Compensação (Dcomp) 39441.46706.111104.1.7.046506 (em destaque a data de transmissão – fls. 33 a 371). Na Dcomp, a empresa informa crédito, no valor de R$ 188.797,51, decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS nãocumulativo referente ao período de apuração 03/2003, arrecadado no valor total de R$ 652.028,64. O despacho decisório (fl. 38) aponta como motivo para a não homologação da compensação a inexistência de crédito, uma vez que o pagamento efetuado por meio do DARF indicado já teria sido integralmente utilizado para quitar débito confessado pelo próprio contribuinte em DCTF. Em 27/08/2008, a interessada apresenta manifestação de inconformidade (fls. 02 a 31). Alega que ocorreu erro nos valores informados em DCTF. Indica que a base de cálculo e o correto valor apurado encontramse na DIPJ, apresentando como comprovação a declaração retificadora entregue em 2006 (fls. 23 a 25). Na DIPJ, consta R$ 463.222,00 como devido de PIS não cumulativo para 03/2003, e não R$ 652.028,64 (valor da DCTF e Darf). Argumenta que a DIPJ, que retrata toda a mutação patrimonial havida no período de apuração, não pode ser ignorada. O erro é passível de revisão de ofício pelo Fisco. Considera comprovada a legitimidade do indébito, requerendo ser reformado o despacho para reconhecimento do crédito e homologação da compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Londrina (DRF/LON, fl. 40) atesta a tempestividade da manifestação de inconformidade e encaminha para apreciação de DRJ. Contudo, em face da divergência entre declarações prestadas e da insuficiência de comprovação da existência do crédito informado em Dcomp, a DRJ/POA decidiu encaminhar o processo em diligência à DRF jurisdicionante (fl. 43) para providenciar a análise envolvendo a demonstração e composição da base de cálculo e a apuração do PIS nãocumulativo referente ao período de apuração 03/2003, com a sua comprovação junto à empresa por meio de documentos contábeis e/ou fiscais, devendo a DRF pronunciarse a respeito da apuração realizada. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11080.905683/200822 Acórdão n.º 3201004.614 S3C2T1 Fl. 329 3 Na então unidade da jurisdição da empresa, DRF em Porto Alegre (DRF/POA), a empresa foi intimada por auditorfiscal da RFB para apresentar a documentação (fl. 44). Em resposta, a empresa apresentou a manifestação de fls. 46 a 102, indicando que os livros contábeis encontramse à disposição da fiscalização e que não localizou o balancete analítico requisitado, tendo em vista tratarse de documento muito antigo (mais de 10 anos), solicitado quando já não mais estava obrigada a conservar os documentos de comprovação fiscal, conforme art. 37 da Lei 9.430/96. Através da Informação Fiscal DRF/POA/SEORT/PJ (fls. 233 a 235), são prestadas as informações à DRJ, concluindose que não foi possível a comprovação do direito creditório, uma vez que o contribuinte não apresentou o solicitado. O processo retornou à DRJ. É o relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/POA n.º 1056.987, de 01/06/2016 (fls. 240 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa: Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereuse a entrega do balancete de março de 2003 e orientouse a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos. A empresa respondeu a intimação, afirmando não possuir mais o balancete, em face do transcurso do tempo, mas que localizou os Livros Diário e Razão. Fl. 330DF CARF MF 4 A DRJ orientou a unidade preparadora que reabrisse o prazo para apresentação de manifestação da empresa sobre o resultado da diligência. Em face do que se passa a expor, as demais razões de defesa não serão aqui relatadas. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. Em litígio, o direito à restituição/compensação de PIS pago a maior. O pedido eletrônico foi indeferido, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a Recorrente afirma que cometeu um erro no preenchimento dos valores informados em DCTF. Diz que a base de cálculo e o valor correto da contribuição encontravamse na DIPJ, apresentando, como comprovação, a declaração retificadora entregue em 2006. Em consequência dos argumentos de defesa, a DRJ baixou os autos em diligência, para que se promovesse a análise da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a sua comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Daí emitido o Termo de Intimação de fl. 48, com o seguinte teor: Em relação ao crédito apresentado na DComp nº 03969.87086.111104.1.7.046043, alegase que houve erro quanto ao período de apuração desse crédito, devendo ser 02/2003 e não 03/2003 como constou na DComp. A Delegacia de Julgamento constatou que há "insuficiência de comprovação da existência do crédito informado em DComp" e que o contribuinte deve comprovar "por meio de documentos contábeis e/ou fiscais" a "demonstração e composição da base de cálculo e a apuração do PIS cumulativo referente ao período de apuração 02/2003". Essa demonstração deve estar acompanhada do balancete analítico desse mês de fevereiro/2003 (em meio magnético, arquivos digitais SVA1, formato PDF pesquisável). Os livros Diário e Razão desse período deverão estar à disposição desta Fiscalização, caso sejam requeridos. A demonstração deverá incluir a indicação das contas (por totais) que foram utilizadas para a composição da BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDÊNCIA CUMULATIVA, no valor de R$ 87.094.917,27 (linha 29 da Ficha 21 da DIPJ), a partir do valor de R$ 93.627.876,76 (Receita da Revenda de Mercadorias, linha 03 da mesma Fl. 331DF CARF MF Processo nº 11080.905683/200822 Acórdão n.º 3201004.614 S3C2T1 Fl. 330 5 Ficha).Essa demonstração deve estar acompanhada do balancete analítico desse mês de março/2003 (em meio magnético, arquivos digitais SVA1, formato PDF pesquisável). Os livros Diário e Razão desse período deverão estar à disposição desta Fiscalização, caso venham a ser requeridos. A demonstração deverá incluir a indicação das contas (por totais) que foram utilizadas para a composição da BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA, no valor de R$ 463.222,00 a da base de cálculo do "CRÉDITO TOTAL APURADO NO MÊS" linha 23 da Ficha 20 da DIPJ ativa (ND 1332073), "Apuração dos Créditos do PIS/PASEP Regime NãoCumulativo", no valor de R$ 324.226,42. Após requerer prorrogação de prazo, a Recorrente nada apresentou. Segundo a Informação Fiscal de fls. 105/107, informou que "não conseguiu localizar o balancete analítico requerido, tendo em vista se tratar de documento muito antigo (mais de 10 anos) referente ao mês de março de 2003. A ausência de apresentação desse documento, entretanto, não infirma a existência do direito creditório que pleiteia, mormente, levandose em consideração que a intimação ocorreu após transcorridos mais de 5 (cinco) anos da constituição do mesmo, quando já não estava obrigada a conservar os documentos que comprovam suas informações fiscais, nos termos do artigo 37 da Lei nº 9.430/96", grifouse. Afirmou, por fim, que, "dessa maneira, cabe ao fisco comprovar a suposta inexistência do direito creditório...e não o contrário". Com efeito, depois do pedido inicial de prorrogação do prazo, essa foi, de fato, a resposta da Recorrente, mas, no mesmo documento, ela também informou à fiscalização que os Livros Diário e Razão estavam à disposição do Fisco (fl. 59). Embora seja esse o contexto, vimos que a DRJ orientou a unidade preparadora a reabrir o prazo para manifestação da empresa sobre o resultado da diligência. Não houve, porém, a intimação requerida, tampouco intimação anterior para solicitar os Livros antes referidos. Após prestadas as informações, os autos retornaram à DRJ, sem que a Recorrente pudesse, inclusive, promover a sua entrega, os quais, por orientação daquela, deveriam estar a sua disposição. A nosso juízo, a falta desta intimação – previamente determinada pela DRJ – e, mais importante, a não requisição dos Livros Diário e Razão – aos quais a própria unidade preparadora havia exigido que ficassem a sua disposição – comprometeu a higidez do procedimento. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora a fim de que prolate novo Despacho Decisório, após intimar Recorrente a apresentar os Livros Diário e Razão, bem como outros documentos se fizerem necessários à verificação da existência do crédito. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 332DF CARF MF 6 Fl. 333DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721037/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007, 01/07/2007 a 31/07/2007
01/12/2007 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA.
O fato de existir ação judicial tramitando, com suspensão da exigibilidade do crédito, não impede e nem desobriga o fisco de realizar os atos necessários para constituição do crédito fiscal, com o intuito de impedir a decadência, em obediência ao art. 142 do CTN.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. MATÉRIAS IDÊNTICAS.
Conforme dispõe a Súmula CARF 01, importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(Súmula Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)".
DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. FISCO E INTERESSADO. SIMULAÇÃO, CONLUIO OU FRAUDE.
Para a imputação dos artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, o fisco deve apontar os elementos que podem caracterizar o ilícito tributário. A prova nesse caso deve ser atribuída a quem acusa o ilícito praticado, diante do que dispõe o artigo 9º do Decreto 70.235/72, onde a autuação deverá estar instruída com todos elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.
O fisco ao realizar o procedimento adequado com todas as provas necessárias para a comprovação dos fatos ocorridos, repassa ao interessado a obrigação de comprovar as alegações do seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Recurso voluntário provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-005.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, por concomitância com ação judicial, e, na parte conhecida, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício). Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, por concomitância com ação judicial, e, na parte conhecida, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício). Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007, 01/07/2007 a 31/07/2007 01/12/2007 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. O fato de existir ação judicial tramitando, com suspensão da exigibilidade do crédito, não impede e nem desobriga o fisco de realizar os atos necessários para constituição do crédito fiscal, com o intuito de impedir a decadência, em obediência ao art. 142 do CTN. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. MATÉRIAS IDÊNTICAS. Conforme dispõe a Súmula CARF 01, importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(Súmula Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)". DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. FISCO E INTERESSADO. SIMULAÇÃO, CONLUIO OU FRAUDE. Para a imputação dos artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, o fisco deve apontar os elementos que podem caracterizar o ilícito tributário. A prova nesse caso deve ser atribuída a quem acusa o ilícito praticado, diante do que dispõe o artigo 9º do Decreto 70.235/72, onde a autuação deverá estar instruída com todos elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O fisco ao realizar o procedimento adequado com todas as provas necessárias para a comprovação dos fatos ocorridos, repassa ao interessado a obrigação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 10 37 /2 01 1- 64 Fl. 957DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 3 2 de comprovar as alegações do seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Recurso voluntário provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, por concomitância com ação judicial, e, na parte conhecida, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício). Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos. Relatório Sumário sucinto do processo transcrito em nota de rodapé1. Tratase de recurso voluntário interposto por CARGILL AGRÍCOLA S/A., contra o acórdão de julgamento n.º 1656.484, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I SP (2 ª Turma da DRJ/SP1), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário, referente às contribuições previdenciárias sociais, em razão de pagamento de remuneração variável por metas atingidas de seus colaboradores, utilizados pela empresa como " Programa de Bônus", que seriam Participação nos Resultados (PPR), mediante crédito nas contas dos planos de previdência privada complementar dos participantes (indivíduos remunerados pela empresa instituidora do plano, contribuinte em epígrafe) junto à empresa ITAÚ Vida e Previdência S.A., CNPJ n.º 92.661.388/000190 (na época dos fatos, em 2007, denominado UNIBANCO AIG Previdência). O Acórdão recorrido, descreve o seguinte: 1 I. AUTO DE INFRAÇÃO efls. 516 II. TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL efls. 1756 III. IMPUGNAÇÃO efls. 702773 IV. ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO fls. 962978 V. RECURSO VOLUNTÁRIO fls. 820939 Fl. 958DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 4 3 integrantes do presente processo os seguintes Autos de Infração (AI’s) lavrados, pela fiscalização, contra o contribuinte retro identificado: • (1) AI DEBCAD n.º 37.270.0012, no montante de R$ 2.586.250,27 (dois milhões, quinhentos e oitenta e seis mil e duzentos e cinqüenta reais e vinte e sete centavos), consolidado em 10/07/2007, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas às competências 06/2007, 07/2007 e 12/2007; • (2) AI DEBCAD n.º 37.270.0055, no montante de R$ 318.081,66 (trezentos e dezoito mil e oitenta e um reais e sessenta e seis centavos), consolidado em 10/07/2007, referente a contribuições destinadas a terceiros – SalárioEducação, Incra e Sebrae – incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas às competências 06/2007 e 07/2007. O Relatório Fiscal, de fls. 17 a 56, em suma, traz as seguintes informações: • que o crédito lançado se encontra amparado por depósito do montante integral decorrente de ação judicial; • que foram lançadas contribuições decorrentes de remunerações pagas através da previdência privada; • que houve o lançamento de contribuições sobre os pagamentos efetuados pela empresa através de crédito nas contas dos planos de previdência privada complementar dos participantes junto à seguradora ITAU VIDA E PREVIDÊNCIA S A, CNPJ 92.661.388/000190 (na época, UNIBANCO AIG PREVIDÊNCIA), no período de 01/01/2007 a 31/12/2007; • que não foram lançadas as contribuições ao SESI e SENAI, por ter a empresa convênio próprio direto com essas instituições; • que os fatos geradores da contribuição previdenciária constam da contabilidade da empresa sem transitarem pela folha de pagamento nem terem sido declarados em GFIP (Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social) antes do início deste procedimento fiscal, e os respectivos recolhimentos não foram comprovados pela empresa bem como não constam do banco de dados da Receita Federal do Brasil; Fl. 959DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 5 4 • que o contribuinte, em benefício próprio e de seus administradores e empregados contratados – que ocupam funções de gerência e direção – efetuou o pagamento de remuneração variável em razão de metas atingidas – ora intitulado pela empresa de Programa de Bônus, ora de Participação nos Resultados (PPR), mediante crédito em contas de previdência privada, de forma a assegurar sua dedução no lucro real, e a evitar a incidência de contribuições previdencíárias e demais encargos trabalhistas, bem como o pagamento do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no momento do pagamento, propiciando, inclusive, que os ditos empregados submetessem seus rendimentos a uma menor tributação m razão do regime próprio dos planos de previdência privada complementar; • que o pagamento de verbas a título de PPR que estejam em desacordo com a lei específica n.° 10.101/2000 ou pagas a título de Bônus compõe a base de cálculo das contribuições previdenciárias e de terceiros; • que, no caso, houve uma contratação, firmada especificamente entre o empregado e a empresa, acordando o pagamento de uma remuneração variável, em razão dos resultados alcançados pela segunda, que se pressupõem vinculados à atuação do primeiro, se tratando de salário; • que o contribuinte prestou falsa declaração, ao deixar de acrescentar ditas parcelas à base de cálculo da remuneração, e se utilizou de simulação (meio ardiloso) para o pagamento destas verbas remuneratórias, no intuito de evitar a tributação, fazendo este pagamento via aporte em previdência privada e não informando tais parcelas em folha de pagamento; • que foram verificados dados da matriz e das filiais em atividade no período de 01 a 12/2007, tendo sido os levantamentos efetuados pelo estabelecimento da matriz; • que, durante o procedimento fiscal, realizado na empresa CARGILL, foi conduzida diligência na seguradora ITAU VIDA E PREVIDÊNCIA S.A., para coleta de dados sobre o plano de previdência privada utilizado para pagamento desta remuneração; • que a fiscalização iniciou seus trabalhos em 19/07/2010, com a ciência postal pelo contribuinte, com Aviso de Recebimento (AR), do Termo de Início de Procedimento Fiscal; • que o sujeito passivo efetuou o pagamento de remuneração variável/bônus através de depósitos em conta de previdência privada para seus empregados executivos (cargos de gestão) e alguns contribuintes individuais, com o fim de se furtar à tributação; Fl. 960DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 6 5 • que a empresa, em atendimento a Termo de Intimação Fiscal, apresentou listagem com nome, CPF e valor dos aportes feitos por ela, como instituidora do plano, em conta de previdência privada na seguradora ITAU VIDA E PREVIDÊNCIA S.A.; • que esses dados foram comparados com as informações de Folha de Pagamento apresentadas pela empresa em fiscalização, com as GFIP’s entregues via conectividade social pela empresa antes do início da ação fiscal, e com as informações prestadas pela seguradora; • que, dessa análise, verificouse que os valores de aporte em previdência privada não foram informados em Folha de Pagamento e em GFIP da empresa; • que foi constatado, ainda, que cinco beneficiários dos aportes em previdência privada efetuados pela empresa não constavam informados em sua Folha de Pagamento ou GFIP, sendo estes considerados como contribuintes individuais para o levantamento da contribuição previdenciária devida; • que foi elaborada, pela fiscalização, planilha em anexo denominada "Valores de aportes em previdência privada", com os dados provenientes da empresa dos aportes efetuados por ela aos segurados empregados e contribuintes individuais, no total anual de R$ 11.967.367,55 (sendo R$ 2.328.529,40 para contribuinte individual e R$ 9.638.838,15 para empregado); • que a empresa apresentou, ainda, os seguintes documentos referentes aos aportes em previdência privada: boletos bancários que comprovam os pagamentos feitos à seguradora; e, lançamentos contábeis dos valores aportados em 2007 nos planos de previdência privada; • que se pode verificar, através dos lançamentos contábeis, que os valores foram contabilizados pela própria empresa como Bônus (e não previdência privada) e como Adiantamento de Salário em conta transitória, comprovando a tese da fiscalização de que os valores pagos pela empresa através de aporte em previdência privada são parcelas remuneratórias, devendo sofrer incidência da contribuição previdenciária; • que, em atendimento a Termo de Intimação Fiscal, a empresa apresentou esclarecimentos sobre a Política de Remuneração Variável dos funcionários e administradores e o Programa de Bônus para gestores e diretores citados no relatório anual de 2007; • que, segundo informações da empresa e de lançamentos contábeis, o valor gasto pela empresa CARGILL com a política de remuneração variável é de 24 milhões; Fl. 961DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 7 6 • que esse valor é pago através de três modalidades, sendo uma delas (2ª modalidade) para empregados em cargos de gestão – PPR (Programa de Participação nos Resultados para executivos) – premiação anual variável proporcional ao nível do cargo, baseada no atingimento da meta da área de abrangência regional ou global e condicionada e dependente da performance individual acertada previamente com seu gestor; • que o pagamento não é vinculado a um acordo de PLR previamente estabelecido com a empresa, visto que o funcionário acerta sua performance diretamente com seu gestor; • que a empresa gastou R$ 11.967.367,55 nessa 2ª modalidade, que é o pagamento de remuneração variável, ora chamada por ela de PPR ora de Bônus, e a que se atém essa fiscalização, tendo sido esses valores pagos aos seus funcionários através de aportes em conta de previdência privada; • que, não só da leitura dos dispositivos do programa intitulado Política de Remuneração Variável, mas também e principalmente dos fatos constatados nesta fiscalização, é possível afirmar que se trata de bônus em razão dos resultados alcançados pelo sujeito passivo, resultados estes vinculados à atuação dos empregados; • que o rendimento pago na situação em análise não teve a natureza de participação nos resultados da empresa, mas sim de remuneração pelo trabalho; • que a empresa “segregou” alguns empregados e lhes ofereceu uma forma de remuneração sem a incidência do tributo devido e intitulou essa situação de “plano de participação nos lucros exclusivo aos executivos”, diferente do plano geral estabelecido para os demais funcionários; • que este plano fornecido aos executivos, não se trata da participação nos termos da Lei n.° 10.101/2000; • que, ao promover o pagamento em espécie, ainda que sob o título de participação nos resultados, a fonte pagadora fica obrigada à retenção e o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, e o beneficiário sujeitase à tributação da renda mediante aplicação da tabela progressiva, o que não ocorreu no caso em questão, evidenciando mais uma vez a tentativa da empresa de remunerar seus empregados e contribuintes individuais sem a devida tributação; • que o que interessa, para o exame do caso em apreço, é a identificação da natureza jurídica dos pagamentos efetuados cujo “meio” empregado foi a utilização de depósitos em conta de previdência privada complementar; • que a própria fiscalizada confessou, nos documentos anexos 15 e 16: Fl. 962DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 8 7 a) que "as contas e os respectivos lançamentos contábeis dos valores aportados em 2007 nos planos de previdência privada encontramse anexo, no arquivo digital. UNIBANCO: tratase de pagamento de Bônus"; b) que "as importâncias depositadas em juízo de contribuição previdenciária e FGTS referemse aos valores de bônus pagos aos funcionários com cargos de gestão (gestores e diretores), cujos valores foram pagos através de depósito em contas de Previdência Privada junto ao Unibanco Vida e Previdência"; c) que os ocupantes de gestão "receberam o pagamento de bônus através de depósito efetuado em contas de previdência privada junto à Seguradora Unibanco, durante o ano de 2007"; • que, ao fazer o pagamento de bônus mediante crédito em conta de previdência privada, constróise um cenário para que a empresa contratante pretenda: I) a não incidência das contribuições previdenciárias, invocando as disposições do art. 458, § 2º da CLT e do art. 28 § 9º, "p" da Lei 8.212/91, que não consideram salário a utilidade concedida pelo empregador a título de previdência privada; e, II) a exclusão do dever de retenção na fonte, por se tratar de rendimento isento, nos termos do art. 39, do RIR/99; • que a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de PPR (ou bônus) em 2007 está sendo discutida em ação judicial movida pela empresa em julho de 2005 (5 anos antes do início desta ação fiscal) – Ação Declaratória 2005.61000166132 – e os valores foram depositados judicialmente; • que, na petição inicial, referente a propositura dessa ação judicial pela empresa, ela pede que seja declarado seu direito à não inclusão dos valores de PLR em BC do INSS, quer em relação aos benefícios decorrentes dos acordos coletivos, quer em relação aos planos complementares mantidos espontaneamente (ou seja sem prévio acordo), e afirma que mantém programas de PLR diferentes para os estagiários, empregados e empregados executivos; • que o assunto a que se atém a fiscalização é aquele sobre os valores pagos pela empresa a título de PPR (Programa de Participação nos Resultados) aos seus executivos, que são os mesmos valores pagos de acordo com a 2ª modalidade, no valor de R$ 11.967.367,55, durante o ano de 2007; • que, na petição inicial da referida ação judicial, a empresa afirma, ainda, que os empregados executivos receberiam PLR de acordo com planos de bônus próprios mantidos, reconhecendo ela própria que o pagamento de PLR seria, na verdade, pagamento de bônus, parcela esta integrante do salário de contribuição; • que a ação judicial é acompanhada de depósitos judiciais dos montantes devidos das contribuições previdenciárias pela empresa, e as devidas a Outras Entidades e Fundos (Terceiros); Fl. 963DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 9 8 • que, em junho de 2007, foi depositado 23,8% de previdência sobre o valor aportado referente a: 20% da parte patronal, 3% de SAT, 0,2% de INCRA e 0,6% de SEBRAE; • que, em julho e dezembro de 2007, foi depositado 22,8% de previdência sobre o valor aportado referente a: 20% da parte patronal, 2% de SAT, 0,2% de INCRA e 0,6% de SEBRAE; • que, nos três meses, foi recolhido de Terceiros: 2,5% para FNDE, 1% para SENAI e 1,5% para SESI, além de um adicional de 0,2% de SENAI, obrigatório para empresas com mais de 500 funcionários; • que a empresa confirmou, em declaração, que as importâncias depositadas em juízo de contribuição previdenciária e FGTS se referiam aos valores de PPR (bônus) dos diretores depositados em contas de previdência privada junto ao Unibanco Vida e Previdência; • que os aportes feitos em previdência privada não são pagos de forma eventual, tendo sido pagos como contraprestação do trabalho de maneira regular e acertada; • que, como a Lei n.º 8.212/91 e o Decreto n. º 3.048/99 estabelecem exaustivamente as rubricas que não compõem o salário de contribuição, entendese que os abonos de qualquer natureza, concedidos em virtude de lei, dissídio, acordo coletivo ou contrato ou por mera liberalidade, fixos ou variáveis, integram a base de cálculo; • que a intenção de omissão ao fisco é evidente para pagamentos quer seja a título de PPR quer seja de Bônus, pois este pagamento foi omitido da folha de pagamento e igualmente não houve retenção do imposto de renda devido na fonte, como é devida para o pagamento de ambas as rubricas; • que os valores levantados na fiscalização se referem aos valores aportados em Previdência Privada no FGB – Fundo Garantidor de Benefícios; • que não foi apresentado o contrato de plano de previdência privada FGB da empresa com a seguradora Itaú (na época Unibanco) para o ano de 2007; • que tão somente foi entregue à fiscalização o contrato assinado em 01/04/2009 com a cláusula de que os atos praticados em 2007 foram ratificados e convalidados através deste contrato; • que a inexistência de um contrato levase a crer pela Simulação de Negócio Jurídico conforme estabelece o inciso III do parágrafo 1º do artigo 167 do Código Civil (Lei 10.406/2002), sendo que o seu “caput” estabelece que “é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se simulou se válido for na substância e na forma”, Fl. 964DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 10 9 e, no caso, se entendeu que houve uma dissimulação do pagamento de bônus em aportes em contas de previdência privada; • que a empresa e a seguradora tentam dar veste jurídica e validade ao apresentar um contrato que prega retroatividade para justificar uma prática ilícita, ou seja, depósitos por dois anos em contas de previdência privada sem contrato firmado, sem regras definidas, caracterizando depósitos a esmos contabilizados como fraudes; • que houve o uso indevido da previdência privada para pagamento de bônus; • que, no caso em tela, há uma contratação firmada especificamente entre o empregado e a empresa, acordando o pagamento de uma remuneração variável / bônus, em razão de atingimentos de metas, que se pressupõem vinculados à atuação do primeiro, não se tratando de mera liberalidade, sendo o pagamento efetuado como contraprestação do serviço prestado, se tratando de salário; • que somente os executivos – cargos de gestão (conforme afirma a própria empresa em ação judicial impetrada por ela) recebiam remuneração variável / bônus através de depósito em conta de previdência privada; • que o contribuinte procurou ocultar, deliberadamente, do Fisco, o pagamento de verbas de natureza remuneratória; • que a empresa tem a discricionariedade de remunerar qualquer valor aos seus executivos, cabendo ao Fisco, porém, enquadrar essas verbas como incidentes ou não de acordo com sua real natureza; • que o conceito de salário de contribuição é estabelecido pelo artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, estando relacionadas, em seu parágrafo 9º, as parcelas não integrantes do mesmo; • que a previdência privada foi usada somente para que a empresa se esquivasse do pagamento dos tributos devidos, não tendo sido usada para os meios que foi criada; • que a maioria dos executivos da Cargill apresentam saques anuais constantes, como um mecanismo de receberem gratificação, fazendo da Previdência Privada uma conta corrente para obtenção desta gratificação não eventual; • que, no caso destes executivos, não há pretensão de renda futura com a Previdência Privada, mas de recebimento de grandes valores em datas determinadas pelo grupo empresarial que atuam; • que, conforme o artigo 214, § 9°, inciso XV do Decreto 3.048/99 e o art. 28, parágrafo 9°, alínea "p" da Lei 8.212/91, não integra o saláriodecontribuição o valor da contribuições efetivamente pago Fl. 965DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 11 10 pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar privada, aberta ou fechada, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho; • que o plano não deve favorecer alguns empregados (gerentes, diretores) em detrimento dos demais, devendo ser observado o tratamento equânime entre todos os empregados e dirigentes para que não integre o saláriodecontribuição; • que, no caso, a utilização de um plano de previdência complementar foi o instrumento utilizado pelo contribuinte para eximirse da incidência das contribuições sociais sobre pagamentos de salário indireto, efetuados aos funcionários ocupantes de cargos de direção; • que toda a operacionalização da Previdência Privada suplementar paga aos executivos da CARGILL descreve a desvirtuação de um instrumento financeiro legal para o pagamento de remuneração; • que, além de os depósitos efetuados nas contas de previdência privada não possuírem a natureza jurídica de contribuições regulares a planos de previdência privada, os beneficiários de tais depósitos efetuaram os resgates dos aportes vertidos pela empresa em prazos não permitidos pela legislação em vigor; • que os resgates efetuados demonstram que estes não obedeceram à carência de um ano civil completo, contado a partir do primeiro dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente ao da contribuição, estabelecida pelo artigo 56, parágrafo 4º da Resolução CNSP n.° 139/2005; • que foi elaborada planilha como amostragem, com base nas informações fornecidas pela seguradora, informando o resgate efetuado por 37 pessoas (do total de 169 participantes) no ano de 2007 após os aportes efetuados pela empresa; • que esses planos, de maneira incoerente com a normalidade de um plano de previdência privada, começam o ano com saldo zero (saldo em 31/12/2006), os aportes ocorrem em 31/07/2007, e na maioria dos casos descritos, o valor total é resgatado no próprio dia 31/07/2007, encerrando o ano com saldo zero (saldo em 31/12/2007); • que previdência é planejamento para renda futura, que aqui há casos de resgates imediatos ao aporte, e que a única justificativa no desinteresse de geração de renda futura é que, na realidade, os depósitos em questão são simples pagamentos de remuneração variável; • que o resgate constante demonstra que a previdência privada está sendo usada como conta corrente bancária; Fl. 966DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 12 11 • que os planos de previdência privada só foram utilizados como meio de ocultar a real natureza jurídica dos depósitos nele efetuados e, desta forma, se furtar à tributação; • que, em 2007, do total de 169 executivos que tiveram aportes em previdência privada, 94 deles efetuaram resgates totais e 15 efetuaram resgates de parte do que foi aportado, conforme se verificou nos documentos apresentados pela seguradora Itaú; • que, no que diz respeito ao pagamento de verbas remuneratórias mediante depósito em conta de previdência privada, há uma divergência entre a vontade real e a aparente: a fiscalizada quer pagar salário, mas para se furtar à tributação o faz mediante depósitos em conta de previdência privada como se tratassem de contribuições normais a estes planos, havendo o enquadramento no inciso II, § 1º do art. 167 do Código Civil em vigor – simulação do negócio jurídico; • que, além dos depósitos efetuados em conta de previdência privada (que estavam a ocultar o pagamento de remuneração), foram identificados os resgates; • que o resgate não é condição essencial à caracterização das infrações que levaram a esta autuação, sendo tecidas considerações a seu respeito para reforçar a tese de que o contribuinte agiu de má fé, subvertendo este instituto (previdência privada); • que, quando o resgate ocorre de forma indiscriminada, pode indicar, e é este justamente o caso ocorrido com o fiscalizado, que o plano de previdência pode estar servindo a fins ilícitos; • que a fiscalização, após extensiva análise dos fatos apurados, verificou que os depósitos em conta de previdência privada correspondem à remuneração do segurado, e que o creditamento em conta de previdência privada somente se presta a evitar a incidência das contribuições previdenciárias, bem como a retenção do imposto de renda na fonte com base na tabela progressiva, e, ainda, cria condições para que o beneficiário se furte à tributação ou se sujeite a uma menor tributação de seu rendimento, quando do resgate do valor correspondente junto à Entidade de Previdência Privada, sendo estacados os seguintes pontos, para se chegar a tal conclusão: 1) não informação dos pagamentos de bônus (verbas remuneratórias) em folha de pagamento; 2) os lançamentos contábeis dos bônus pagos através de aportes em previdência privada foram feitos em conta de bônus e de adiantamento de salário; 3) o pagamento desse bônus foi feito através de Política de Remuneração Variável que nomeou essa verba de PPR, tendo havido uma tentativa da empresa em remunerar (pagar bônus) através de verba denominada PPR sem que esta obedecesse a lei específica e houvesse a retenção do IRRF; 4) ação judicial promovida pela empresa que afirma serem, os aportes em previdência privada, valores de Fl. 967DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 13 12 pagamento de bônus; 5) a rubrica bônus é parcela integrante do Salário de Contribuição, mesmo que paga sob a nomenclatura de PPR; 6) não retenção do Imposto de Renda devido na Fonte; 7) não existe contrato vigente para o ano de 2007 entre a empresa e a seguradora Itaú para os aportes efetuados no FGB; 8) houve o uso indevido da Previdência Privada como conta corrente; 9) descumprimento das regras de Previdência Privada ao permitir resgates constantes; 10) vantagens ao segurado para o não pagamento do imposto de renda devido; 11) simulação do negócio jurídico; • que a empresa contratante (a fiscalizada) responde, não só pelas contribuições previdenciárias, juros e multa, como também por multa isolada e juros de mora isolados em razão de não ter promovido a retenção e recolhimento do imposto sobre valores em espécie entregues ao beneficiário (auto de infração distinto), ocultados mediante depósitos em conta de previdência privada que não correspondem à contribuição do empregador a planos de previdência privada; • que se aplica, em matéria tributária, o princípio da primazia da realidade, que demonstra que a simples utilização de contas de Previdência Privada, para o pagamento de remuneração variável ajustada, não a transforma em verba não incidente – a real essência do fato gerador é a que deve prevalecer, o instituto utilizado para pagálo visou somente a ocultação da sua real natureza, e a conseqüente fuga das obrigações tributárias; • que a ocorrência da conduta de sonegação por parte do contribuinte fica caracterizada quando se verifica que a fiscalizada tinha total conhecimento da legislação, havendo a desvirtuação de um produto financeiro chamado Previdência Privada, para pagamento de Remuneração Variável; • que o dolo está visível, pois, para evitar que a autoridade fiscal tomasse ciência da obrigação principal em sua totalidade, já que ofereceu outras verbas salariais à tributação, quis disfarçála com o titulo de Previdência Privada, mas, sem as características legais e operacionais inerentes a esta verba; • que o descumprimento de obrigações acessórias ensejou a lavratura dos seguintes Autos de Infração: a) CFL 30 – AIOA 51.002.5803, por deixar de preparar folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB – Processo n.° 19515721144/ 201192; b) CFL 34 – AIOA 51.002.5790, por deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições – Processo n.° 19515721144/ 201192; Fl. 968DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 14 13 c) CFL 68 – AIOA 37.270.0128, por apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias – Processo n.° 9515721.037/ 201164; • que será emitida a devida Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP – PT 19515721038/ 201117), para comunicação à autoridade pública competente para as providências cabíveis; • que não houve lançamento da contribuição previdenciária devida pelo segurados, tendo a auditoria apurado que os segurados que ocupam os cargos de gestão estavam contribuindo sobre limite máximo do saláriodecontribuição à época da ocorrência dos fatos geradores. Constam, no presente processo digital, entre outros, os seguintes documentos relativos aos Autos de Infração: folhas de rosto dos Autos de Infração; DD – Discriminativo do Débito; RL – Relatório de Lançamentos; FLD – Fundamentos Legais do Débito; Mandado de Procedimento Fiscal; Termo de Início de Procedimento Fiscal; Termos de Intimação Fiscal; Termo de Constatação; e, TEPF – Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal. A DRJ de origem, após análise da defesa, lançou entendimento de que a matéria teria sido objeto de contestação judicial, e que, portanto, haveria renúncia à demanda administrativa, tendo em vista o ajuizamento pela contribuinte da ação declaratória n.º 2005.61.00.0166132, que tramita perante a Justiça Federal da Terceira Região, em face do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e da União Federal. Em seu recurso, a contribuinte reproduz as mesmas razões de primeira instância, acrescentando que não pode haver a decretação de renúncia ao seu direito, uma vez que a ação judicial que busca validar o PLR, objeto de autuação, se deu anterior ao período fiscalizatório, e que, ao seu entender, não há renúncia daquilo que ainda não teria sido objeto de Lançamento fiscal. Nesse sentido, alega que: "nos autos daquela ação judicial – que versaria sobre os pagamentos feitos por ela a título de PLR sobre acordos coletivos e sobre os pagamentos feitos espontaneamente, os quais teriam dado ensejo ao presente lançamento – defenderia seu posicionamento de que a participação dos empregados nos lucros e resultados poderia ser implementada por três formas, não excludentes entre si: (i) mediante comissão escolhida pelo empregador e pelos empregados, integrada por um representante do Sindicato (inciso I do art. 2º da Lei n.° 10.101/2000); (ii) por acordo ou convenção coletiva (inciso II do artigo 2º); e, (iii) por planos mantidos espontaneamente pela empresa (art. 3º, § 3º)". Aduz ainda que a existência de depósito judicial constitui em obstáculo ao fisco lançar o crédito fiscal. No mérito, além do que já reproduzido acima, alega a legalidade do plano de previdência privada e dos seus respectivos rasgastes, bem como afirma que não houve a intenção de simulação na relação jurídica realizada entre a instituição seguradora e a empresa autuada. Solicita, ainda, que os valores que ainda não tiver sido resgatados sejam excluídos do Lançamento fiscal, e pede a anulação da autuação. Fl. 969DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 15 14 Por fim, relatase que da presente ação fiscal gerouse outras autuações, que consistem na exigência de obrigação acessória decorrente do fato gerador, bem como da exigência de imposto de renda sobre os aportes realizados (processos n.º 19515.721170/201111; e n.º 19515.721144/201192 e 19515.721294/201104), e que conforme se constatou da tramitação desses processos, este relator solicitou o apensamento desses para julgamento em conjunto, a fim de se evitar decisões conflitantes. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Relator Wesley Rocha O Recurso Voluntário apresentado está revestido do requisito formal de tempestividade. Portanto, dele o conheço. Assim, passo a analisar os pontos alegados pela recorrente. DO DEPÓSITO JUDICIAL E DA PRESENTE AUTUAÇÃO Alega a recorrente que a fiscalização estaria impossibilitada de exigir o crédito fiscal, em razão da existência de depósito judicial referente a valores da presente autuação. Nesse aspecto, sem razão a recorrente. A exigência do presente débito decorre do poderdever da administração em realizar a cobrança dos seus créditos, uma vez que o interesse público está revestido no ato administrativo. Nesse sentido, o processo administrativo fiscal é o meio que a Fazenda Pública se utiliza para cobrar legalmente seus créditos. A legislação obriga o agente fiscal a realizar o ato administrativo, em ato vinculado, verificando assim o fato gerador e o montante devido, determinar a exigência da obrigação tributária e sua matéria tributável, confeccionar a notificação de lançamento, lavrando se o auto de infração, e checar todas essas ocorrências necessárias para as fiscalizações de cobrança, quando da identificação da ocorrência do fato gerador, independente da ação judicial manejada, sendo legítima a lavratura do auto de infração em conformidade com o art. 142, do CTN e com o art. 10 do Decreto n.º70.235/72, conforme dispositivos in verbis: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; Fl. 970DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 16 15 II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula". Ainda, inexiste decisão judicial que impeça o procedimento de lançamento do crédito fiscal. Portanto, correto o lançamento, ainda que pendente de julgamento de litígio judicial, sendo que este, encontrase com sua exigibilidade suspensa, em razão do depósito judicial realizado e das defesas manejadas, conforme dispõe a legislação em vigor. Ademais, o ajuizamento visa prevenir a decadência. DA MATÉRIA ADMINISTRATIVA SOB CONCOMITÂNCIA COM A DEMANDA JUDICIAL Nesse quesito, a decisão de primeira instância identificou que a demanda administrativa guarda relação com a ação judicial ajuizada pela recorrente, antes do início da fiscalização e autuação fiscal. Em análise do relatório fiscal em conjunto com a petição inicial, sentença e recurso de apelação (efls. 316, e seguintes), verificase que há clara concomitância em relação ao que se discute na ação judicial. Inclusive, nas páginas 30 e 31 do eprocesso, existe discriminação de tudo que foi solicitado na petição inicial com o que foi atuado na presente demanda administrativa. A ação declaratória n.º 2005.61.00.0166132, pretende declarar a inexistência de relação jurídicotributário para desobrigar a recorrente ao recolhimento de contribuições previdenciárias e de terceiros sobre os planos de participações nos lucros e resultados estabelecidos por meio dos acordos coletivos e dos planos mantidos espontaneamente por ela, uma vez que tais planos, no seu entendimento, estariam em conformidade com a Lei n.º 10.101/2000. Apesar da autuação ser específica quanto a exigência de contribuições previdenciárias em PPR de empregados em cargos de gerência e de diretores, e da ação judicial ser mais ampla, onde discute também o PPR de funcionários e estagiários (incluindo gerentes e diretores executivos) a matéria registra semelhança, pois os executivos recebiam a participação de acordo com os planos de bônus próprios mantidos espontaneamente pela empresa, e, portanto, caracteriza a concomitância, conforme descrição de parte do relatório fiscal abaixo: Fl. 971DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 17 16 Por outro lado, observase que a ação judicial teve julgado seu mérito quanto aos PPRs de executivos e estagiários. Porém, não foi julgada a matéria no que diz respeito à regularidade plano de participação de resultados de seus funcionários, tendo em vista que o juiz de primeiro grau entendeu que como não havia ainda autuação sobre a contribuinte, não haveria interesse de processual pela demandante, ora recorrente. Com isso, a contribuinte alega que corre o risco de não ter decisão de mérito quanto a possível matéria que não teria sido julgado pelo poder judiciário. Contudo, o ponto central da questão é que fica inviável ter uma decisão administrativa de conteúdo que está posto perante demanda judicial. A decisão da DRJ já se pronunciou sobre isso, afirmando que não caberia "naquele momento da decisão" afastar qualquer incidência das demais contribuições que não foram objetos de análise de mérito da sentença proferida, uma vez que o processo judicial encontravase em andamento, e ainda completou: "É de se notar, também, que o resgate, como informado pela fiscalização, não se trata de condição essencial para a lavratura dos Autos de Infração em tela, tendo sido tal dado trazido aos autos apenas como mais um elemento para reforçar a sua tese de que estaria havendo a subversão da utilização do instituto da previdência privada" (efl. 803). Entretanto, como visto, o recurso de apelação aguarda julgamento pela segunda instância, e nesse sentido, esse colegiado fica impossibilitado de decidir sobre matéria que ainda pende de análise do poder judiciário, diante das normas que regem o PAF e do regimento interno desse Tribunal Administrativo. Com isso, a recorrente alega, ainda, que teria ajuizado a ação judicial antes da fiscalização e que não há renúncia daquilo que ainda nem foi exigido ou debatido. Haveria, no entendimento da recorrente, equívoco quanto ao conceito de "renunciar" a direito que lhe assiste, tendo em vista que não tem como renunciar algo que ainda não ocorreu de fato, não havendo renuncia fáticojurídico que ainda não foi objeto de autuação. Entretanto, a Súmula CARF n.º 1, que foi reeditada em 2018 com aplicação vinculante, concluiu que há renúncia ao direito de discutir a matéria mesmo que ação judicial tenha sido ajuizada antes da ação administrativa, conforme transcrição in verbis: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)". Em que pese a ação judicial ter levantado os valores de forma a verificar verdadeiro lançamento por homologação, a fiscalização levantou e apurou de ofício a ocorrência do fato gerador. Portanto, a aplicação da referida Súmula deve ser de maneira obrigatória por este colegiado, não comportando interpretação diversa ao caso, concluindo pela concomitância das matérias postas em julgamento. DA ACUSAÇÃO DE SIMULAÇÃO E CONLUIO Fl. 972DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 18 17 No que tange a acusação de simulação e conluio, verifico que essa matéria não foi objeto de irresignação judicial, uma vez que a fiscalização ocorreu posteriormente ao ajuizamento da respectiva demanda, não existindo debate na seara judicial sobre os referidos temas, havendo, portanto, o direito de recorrer pela contribuinte. Assim, passo a analisar o tema. Inicialmente, cumpre esclarecer que não houve nenhuma "penalização" referente à aplicação de multas no que diz respeito à simulação e possível conluio, em razão da recorrente ter realizado depósito judicial integral no valor exigido nessa autuação. Assim, o fiscal não aplicou a penalidade de multa nem exigiu os juros de mora2. Em processos administrativos fiscais, a sonegação, fraude ou conluio estão previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72". A dita simulação teria ocorrido, segundo a finalização e do acórdão recorrido, pelo seguinte motivo: "No caso, de acordo com o exposto no Relatório Fiscal, temse que, de fato, houve o desvirtuamento da utilização do instituto da previdência privada, pela empresa, tendo a fiscalização não apenas revelado a prática da simulação, tendo constatado uma divergência entre a vontade real e a aparente da empresa, mas também demonstrado que tal procedimento, adotado por ela, se não impediu, retardou o conhecimento, por parte da Administração Tributária, da ocorrência dos fatos geradores em apreço, e visou modificar as suas características essenciais, 2 Nesse sentido, o auto de infração obedece ao disposto na Súmula CARF nº 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral". (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ainda, assim dispõe a Súmula CARF n° 17: "Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo". (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Fl. 973DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 19 18 ocultando a sua real natureza, e tal conduta se encontra perfeitamente tipificada na legislação de regência. É de se ressaltar, ainda, que, como relatado pela fiscalização: I) a própria empresa confessa, em documentos anexados aos autos, que houve o pagamento de bônus através de depósito efetuado em contas de previdência privada, durante o ano de 2007; II) não foi apresentado contrato de plano de previdência privada FGB da empresa com a seguradora para o ano de 2007, tendo sido realizados depósitos sem contrato firmado". Diante das acusações da fiscalização ao presente caso, vejamos as seguintes circunstâncias. No que diz respeito ao possível "desvirtuamento" da previdência privada entendo que essa acusação não procede, ou não seria a intenção da recorrente, uma vez que, ao meu ver, o depósito judicial dos valores referente aos fato geradores do presente caso se deu anterior à fiscalização, não tendo autuação quanto a isso. O princípio da boafé do contribuinte deve ter interpretação de aplicação ao caso concreto. Nesse sentido, um possível obstáculo criado pela recorrente para com a fiscalização não teria sentido de persistir, tendo em vista que essa, de forma espontânea, apurou a quantia devida, realizando o depósito em juízo e chamou a Fazenda para o litígio judicial, uma vez que entenderia que estaria isenta da tributação ora exigida, e com a demanda pretenderia debater a incidência ou não do tributo exigido. Direito legítimo que lhe assiste. Assim, compreendo que não houve obstáculos criados à fiscalização por parte da contribuinte, mas talvez uma interpretação distinta que a do fisco, uma vez que ao seu entender, mesmo que persista o auto de infração, a contribuinte também alega que a verba paga aos seus diretores seria isenta da contribuição previdenciária. A próprio relatório fiscal e decisão a quo, afirmam que pode não ter tido impedimento de conhecimento dos fatos geradores, mas talvez retardouse a ciência deles. Entendo que essa alegação não possui consistência, pois os fatos apurados e registrados pela contribuinte, afastam qualquer tipo de dilação do conhecimento dos "acontecimentos", tendo em vista que ela mesmo apresentou os valores apurados. Entendo que, não tem como haver obstáculo e nem omissão de fatos quando eles mesmos são apresentados pelo interessado, uma vez que a própria fiscalizada levou ao conhecimento da Fazenda os fatos geradores, e também depositou a quantia relativa às contribuições sociais devidas. Em relação à falta de contrato entre seguradora (banco) e contribuinte, compreendo que esse fato por si só não gera o possível "conluio" entre as partes com o intuito de lesar o fisco. Isso porque, apesar de ser o banco Itaú (Unibanco na época dos fatos) uma grande instituição financeira, e que, ao que se tem ciência, segue a regra de formalização de seus atos e negócios praticados, ele somente tem o condão de intermediar as transações e aportes financeiros, devendo haver mais que a simples "falta de contrato" entre as partes para caracterizar um possível "conluio", capaz a tornar eficaz a prática de simulação. Caberia, portanto, à fiscalização a caracterização de mais elementos que pudesse imputar o consilium fraudis, no que diz respeito ao animus fraudulento, ou também o animus simulandi por parte da contribuinte e terceiro envolvido no ato jurídico. Fl. 974DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 20 19 Segundo Hugo de Brito Machado, "simulação é a ação de fingir a prática de um ato ou negócio jurídico com a finalidade de prejudicar terceiros, especialmente credores, inclusive o Fisco, fazendo com que pareça existir uma situação que na verdade não existe" (Machado, in Introdução ao Planejamento tributário. Malheiros editora, São PauloSP, 2014, pág. 66). Em conteúdo didático, produzido pelo jurista Fábio Piovezan Bozza, que já foi Conselheiro deste Tribunal, verificase que: "dolo, fraude ou simulação, referese a um conjunto de vícios produzidos intencionalmente pelo contribuinte que, de máfé, cria uma situação falsa ou de mera aparência e inebria o julgamento do Fisco sobre uma relação tributária já existente, de modo a eliminála, reduzila ou postergála" (in Planejamento Tributário e Autonomia Privada. Série doutrina tributária v. XV. São Paulo: Quartier Latin, 2015, página 199). Cumpre esclarecer que, quando há a acusação de uma simulação, existe a distribuição do ônus da prova. Nesse sentido, é o que diz o disposto no artigo 9º do Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". Grifouse. Em que pese o ônus da prova dos fatos constitutivos do direito ser do interessado/contribuinte, percebese que com o dispositivo acima citado o legislador quis que nos casos de caracterização de ilícitos houvesse uma espécie de "distribuição do ônus da prova", a fim de que a fiscalização tivesse também que suportar o encargo de provar com elementos indispensáveis à comprovação do ilícito ocorrido. Nesse sentido, esse Conselho já decidiu, em situação a demandar outro conteúdo, mas com a mesma finalidade: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. No processo administrativo de restituição e compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito.” Acórdão de julgamento n.º 1402002.484, em 12/04/2017. O jurista Leandro Paulsen abordando o tema, em seu livro que trata sobre a Constituição e o Código Tributário, explica de maneira mais didática, os elementos e premissas necessárias para imputar no auto de infração as características fraudulentas: "A aplicação de multa qualificada depende da inexistência de dúvida quanto ao caráter doloso da conduta. "... a comprovação da conduta dolosa deve estar cristalina na acusação fiscal. Fl. 975DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 21 20 Tomandose emprestada expressão contida na ementa do Acórdão n. 2202002.106, de 21 de novembro de 2012, o que se quer dizer é que 'O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos'. Assim é que não basta que se presuma a conduta dolosa, sendo também imprescindível para a aplicação dessa penalidade a produção de prova dessa conduta dolosa por parte da fiscalização. Isso porque já existe uma penalidade (de ofício) para o simples fato de não pagamento de tributo, razão pela qual a aplicação da multa qualificada requer algo mais, por ser, nas palavras de Marco Aurélio Greco, 'a exceção da exceção'. Nesse sentido decidiram os Acórdãos ns. 140200752, 140200753 e 140200754, de 30 de setembro de 2012, bem como os Acórdãos ns. 920200.632, de 12 de abril de 2010, 920100.971, de 17 de agosto de 2010, 330100.557, de 26 de maio de 2010, e 1402001.180, de 10 de dezembro de 2012. Outrossim, tal necessidade de comprovação decorre também da previsão do art. 112 do CTN, que determina interpretação mais favorável ao acusado da lei tributária que define infrações, ou comina penalidade, conforme anteriormente analisada, de sorte que nas situações que houver qualquer dúvida quanto à intenção ou a conduta do contribuinte, esse não pode sofrer a penalidade em sua modalidade qualificada." (COVIELLO FILHO, Paulo. A multa qualificada na jurisprudência administrativa. Análise crítica das recentes decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RDDT 218/130, nov/2013). Grifouse. (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 17 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; 2015. pág. 882/883)" Portanto, entendo ser caso de aplicação do art. 112 do CTN, onde utilizase de dispositivo mais favorável ao acusado quando restar dúvidas quanto à autoria, imputabilidade ou punibilidade do fato a determinado caso concreto, conforme dispositivo transcrito abaixo: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação". Como mencionado, não é possível identificar que a recorrente agiu com máfé por meio de elemento de fraude, conluio por ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária do tributo devido, uma vez que esse compreendia que teria o benefício da isenção nas operações realizadas. Tanto é que, para ter segurança jurídica na relação com o fisco, ajuizou ação declaratória de inexistência relação jurídico tributário. Fl. 976DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 22 21 Assim, tendo em vista não ser possível concluir pela aplicabilidade dos artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, não existindo elementos suficientes para aplicar o dispositivo referente à prática de "simulação" ou conluio", afasto as acusações da presente demanda. Conclusão Em face do exposto, voto por dar parcial conhecimento ao Recurso Voluntário, tendo em vista a concorrência do instituto de concomitância, para na parte conhecida DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, afastando a acusação de simulação, conluio ou fraude, nos termos do presente voto. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 977DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 23 22 Fl. 978DF CARF MF
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