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Numero do processo: 13827.000241/2010-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETOS. INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
Somente há que se falar em renúncia à esfera administrativa quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial. Se isso não ocorrer, então não há concomitância e a autoridade administrativa julgadora deve conhecer o mérito do litígio.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1301-003.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13827.000234/2010-65, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETOS. INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Somente há que se falar em renúncia à esfera administrativa quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial. Se isso não ocorrer, então não há concomitância e a autoridade administrativa julgadora deve conhecer o mérito do litígio. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13827.000234/201065, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 02 41 /2 01 0- 67 Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13827.000241/201067 Acórdão n.º 1301003.639 S1C3T1 Fl. 3 2 e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. Relatório COSAN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ em Porto Alegre que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF) e nos §§ 9º e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior a título de Parcelamento da Lei nº 10.684/2003, Código Receita 7122, apresentado em formulário impresso. No formulário, o interessado alegou que o pedido teria por objeto “a restituição da parcela do PAES Parcelamento Especial de que trata a Lei 10.648/2003 10.684/2003, não utilizadas pela RFB na amortização da dívida consolidada no âmbito do PAES, por terem sido recolhidas após a data dos efeitos da exclusão do referido programa, conforme dispõe o § 1º do art. 12 da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 3/2004”. O despacho decisório proferido pela Auditora Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP não reconheceu o direito creditório, pois verificou que o referido pagamento teria sido utilizado para quitar débito do contribuinte inscrito em dívida ativa. No despacho, a autoridade ponderou que a exclusão do PAES teria ocorrido com efeitos a partir de 12/03/2005, mas a Fazenda Nacional teria ajuizado processo de execução fiscal nº 2005.61.09.0031397, no qual teria sido determinado que fossem feitos Redarfs dos recolhimentos referentes ao PAES para que fossem aproveitados na quitação de débitos inscritos em Dívida da União. Assim, em cumprimento à decisão judicial, foram emitidos os Redarfs, alterandose o Código Receita dos pagamentos para 4493 – Dívida Ativa Cofins. Como o pedido de restituição tratava de tributos e contribuições administrados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a ela, para que se manifestasse sobre a procedência do pedido do contribuinte. Em resposta, a PFN se manifestou pelo não reconhecimento do direito creditório, já que o pagamento teria sido imputado ao débito inscrito na CDA nº 80.6.05.04289850. Cientificado do despacho, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de alegando que teria sido excluída do PAES indevidamente, pois teria compensado algumas parcelas com crédito prêmio do IPI, mas que teria autorização judicial para tal procedimento e que também teria ação judicial para ser reincluído no parcelamento (processo nº 2008.61.00.0218613). Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13827.000241/201067 Acórdão n.º 1301003.639 S1C3T1 Fl. 4 3 Defendeu que antes mesmo de ser proferida decisão definitiva judicial, teriam entrado em vigor as Medidas Provisórias nº 449/2008 e 470/2009, as quais teriam permitido o parcelamento de débitos compensados com créditoprêmio de IPI. O interessado afirmou que teria optado por reparcelar os débitos, através da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, mas que teria sido obrigado a desistir e renunciar às ações judiciais para ser incluído em tal parcelamento. Alegou que o montante pago durante sua adesão ao Paes e os débitos consolidados deveriam ter sido aproveitados no novo parcelamento, conforme inc. II, art. 3º da Lei nº 11.941/2009, mas que isso não teria ocorrido. O contribuinte discordou do procedimento da Procuradoria da Fazenda Nacional, por ter imputado os pagamentos sem antes consultálo, alegando ofensa ao contraditório, por não ter sido aberto prazo para impugnação. Atribuiu que teria ocorrido compensação de ofício, conforme o § 2º do art. 49 da IN RFB nº 900/2008, nas imputações de pagamentos levadas a efeito pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mas que não teria sido concedido o prazo de quinze (15) dias para o contribuinte se manifestar. Afirmou que teria impetrado mandado de segurança, processo nº 0004232 59.2011.4.03.6108, para pleitear a nulidade da imputação dos pagamentos ocorridas nas execuções fiscais processo nº 2005.61.09.0031397, 2007.61.09.0060357, 2007.61.09.002017 7 e 2005.61.09.0039128. Alegou que os débitos executados estariam sendo discutidos judicialmente, garantidos por penhora e que não se poderia compensar de ofício débitos do sujeito passivo com a exigibilidade suspensa. Citou o art. 369 do Código Civil, dizendo ser indispensável para a compensação de ofício que o crédito estivesse vencido e fosse exigível. Defendeu que a imputação de débitos não seria permitida nos casos em que houvesse penhora e discussão em embargos à execução, pois haveria o risco da União receber o crédito duas vezes, pela via administrativa (compensação de ofício) e pela via judicial (execução fiscal). Por outro lado, afirmou que na manifestação de inconformidade visava o reconhecimento do crédito, que não deveria ser analisado pela óptica da execução fiscal, mas como crédito originário das parcelas do Paes. O interessado aduziu que o inc. II, do art. 3º, da Lei nº 11.941/2009, deveria prevalecer sobre a IN RFB nº 900/2008, pelo princípio da hierarquia das leis, de modo que o reparcelamento do débito pela Lei nº 11.941/2009 faria com que o as parcelas pagas durante sua opção pelo Paes fossem computadas para amortizar os débitos do novo parcelamento. Concluiu, para requerer a reforma da decisão e o reconhecimento integral do direito creditório. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13827.000241/201067 Acórdão n.º 1301003.639 S1C3T1 Fl. 5 4 Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua improcedente. Entendeu o colegiado a quo que o contribuinte teria submetido ao Poder Judiciário a questão da utilização do pagamento a maior, ora requerido, de ofício por parte da PGFN para quitar outros débitos objeto de execução fiscal. E não havendo mais recolhimento disponível, entenderam os julgadores que não haveria liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do indébito. O contribuinte foi cientificado da decisão e apresentou tempestivamente recurso voluntário. Em síntese, além de reafirmar os argumentos de sua impugnação, questiona a conclusão da decisão de primeira instância de que haveria concomitância da matéria tratada nos presentes autos com o Mandado de Segurança n° 000423259.2011.4.03.6108, tratandose, de questão prejudicial ao deslinde da presente contenda. Requer o sobrestamento do presente julgamento até que seja proferida decisão definitiva no Mandado de Segurança por ela impetrado, e, ao final, seja provido seu recurso, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13827.000241/201067 Acórdão n.º 1301003.639 S1C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.634, de 12/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13827.000234/2010 65, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.634): "1 ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade do recurso, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 MÉRITO Conforme relatado, a Recorrente pleiteia reconhecimento de direito creditório (restituição) de pagamento indevido a título do parcelamento a que se refere a Lei nº 10.684/2003 (PAES código de receita 7122). Contudo, no bojo da Execução Fiscal n° 2005.61.09.0031397, que tramitou perante a 2ª Vara Federal de Piracicaba, deferiuse o pedido formulado pela Fazenda Nacional determinandose que os valores recolhidos indevidamente a título de PAES fossem alocados aos débitos objeto de execução fiscal (por meio do denominado “REDARF”). Após a adoção, por parte da Receita Federal, do procedimento determinado pelo Poder Judiciário, a Fazenda Nacional requereu a extinção da execução, levando o E. Juiz Federal a prolatar sentença de mérito julgando extinta a execução com fundamento no art. 794, inciso I do Código de Processo Civil e a consequente extinção dos embargos à execução fiscal opostos pelo contribuinte (sem resolução de mérito, nos termos do artigo 267, inciso VI, do Código de Processo Civil). Tais decisões transitaram em julgado. Posteriormente, a Recorrente impetrou o Mandado de Segurança n° 000423259.2011.4.03.6108 insurgindose contra o procedimento autorizado adotado na execução fiscal em questão, postulando a anulação das imputações realizadas mediante utilização do pagamento a maior realizado no âmbito do PAES. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13827.000241/201067 Acórdão n.º 1301003.639 S1C3T1 Fl. 7 6 Foi prolatada sentença denegando a segurança, conforme informado pela própria Recorrente. Interposto recurso de apelação, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, constatei que em 07 de junho de 2017 a 3ª Turma daquele Tribunal, por unanimidade de votos, negoulhe provimento1. Opostos embargos de declaração, os mesmos foram 1 DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO RETIDO NÃO REITERADO. MANDADO DE SEGURANÇA. SENTENÇA DE INADEQUAÇÃO DA VIA PROCESSUAL. MÉRITO PREJUDICADO. NULIDADE INEXISTENTE. IMPUGNAÇÃO À IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO FEITA PELO FISCO APÓS AUTORIZAÇÃO JUDICIAL DADA NO EXECUTIVO FISCAL. ALEGAÇÃO DE NULIDADE E DE ILEGALIDADE. VIA IMPRÓPRIA. DISCUSSÃO CABÍVEL EM CADA FEITO EXECUTIVO CONFORME EFEITOS DA DECISÃO E ESTADO DO PROCESSO. DESPROVIMENTO DA APELAÇÃO. 1. Não reiterado, em razões ou contrarrazões, não se conhece do agravo retido. 2. Rejeitada a preliminar de nulidade da sentença, pois assentada a inadequação da via eleita para a discussão proposta, o respectivo mérito resta prejudicado, não se cogitando de falta de motivação da sentença quanto a este pedido. 3. No mérito, as alocações de pagamento contra as quais se insurge a impetrante foram expressamente autorizadas, em 07/02/2007, pelo Juízo da execução fiscal 000313968.2005.4.03.6109, como se constata da cópia da decisão que, naqueles autos, rejeitou a exceção de préexecutividade oposta pelo contribuinte. Nesta medida, tratase de procedimento que, muito embora cabível e realizado, via de regra, na seara administrativa, incidiu, no caso, de maneira superveniente a executivos fiscais já em curso. É dizer, tratase de ato judicializado desde a sua origem, de modo que seus efeitos propriamente originamse nas execuções fiscais em relação às quais procedeu o órgão fazendário ao encontro de contas. 4. Concluise, daí, que correta a sentença, no que entendeu que as imputações de pagamento realizadas de ofício pelo Fisco deveriam ser discutidas nos autos em que foram observados seus efeitos, e não em ação mandamental de liame probatório alheio a tais feitos. 5. A discussão sobre o eventual excesso, por produção de efeitos em outra causa, além daquela em que restou deferida a medida, deve ser deduzida, precisamente, nos autos respectivos, a partir de fatos concretos, e não em sede de mandado de segurança para produzir efeitos genéricos em prejuízo de eventuais atos e decisões judiciais proferidas. 6. A inadequação da via eleita pelo contribuinte para discussão do ato impugnado resta patente da mera análise perfunctória de alguns dos executivos fiscais pertinentes às CDAs afetadas pelo procedimento. É de se observar, por exemplo, que a execução fiscal 000313968.2005.4.03.6109, referida pela sentença, foi extinta, por sentença datada de 07/02/2011 meses antes do ajuizamento do presente mandamus , sem notícia de interposição de recurso, a despeito da apelante reiteradamente referirse ao executivo como "em trâmite". Pretendese, portanto, provimento de viés rescisório, a desconstituir a coisa julgada, formada, aliás, muito depois da própria decisão que determinou as imputações ora contestadas. A hipótese é vedada expressamente pelo artigo 5º, III, da Lei 12.016/2009 e amplamente rejeitada pela jurisprudência. 7. De outra parte, como se constata da consulta ao sistema informatizado da Terceira Região, em decisão datada de 22/06/2015, a execução fiscal 000603516.2007.4.03.6109 foi suspensa, por adesão a parcelamento. Dado que as cópias mais recentes daqueles autos constantes da mídia acostada neste feito datam de 23/05/2011, não há informação disponível sequer para tomar conhecimento da totalidade dos eventos que seriam afetados pela hipotética procedência do pedido deduzido neste apelo, a evidenciar que o presente mandamus é meio impróprio para a análise que se requer. 8. Em ainda um terceiro exemplo, nos autos 000668563.2007.4.03.6109 (embargos à execução fiscal 0003912 16.2005.4.03.6109) os efeitos das alocações de pagamento aqui discutidas foram afastados em sede de apelação, para se reconhecer a existência de causa extintiva anterior do débito (a saber, compensação), rejeitandose, ali, a tese fazendária. 9. É inviável que se analise o ato tido como coator em abstrato e de maneira absolutamente desvinculada de sua própria eficácia, que se propaga diversamente em diferentes execuções fiscais. Portanto, não merece reforma a sentença. 10. Mesmo que assim não fosse, é de se observar que, deferidas judicialmente as imputações, o seu cabimento, se insatisfeito o contribuinte, deveria ter sido objeto de irresignação recursal, a tempo e modo, pela via própria para a articulação da questão. Dado que o agravo de instrumento interposto à decisão em foco (0025162 31.2007.4.03.0000) não veiculou nada a este respeito, é forçosa a conclusão de que o presente mandamus revestir seia de substitutivo recursal (caso o mérito não se encontrasse precluso), caso em que também não é admitido, conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça em caso análogo. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13827.000241/201067 Acórdão n.º 1301003.639 S1C3T1 Fl. 8 7 rejeitados. Houve interposição de recursos especial e extraordinário pelo contribuinte, e, até esta data, não consta no sítio do Tribunal o resultado de suas admissibilidades. No que diz respeito à possível concomitância entre o presente processo administrativo e o Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente, entendo assistir razão ao contribuinte, uma vez que inexiste identidade de objetos entre as demandas administrativa e judicial: enquanto no presente processo se requer o reconhecimento do pagamento indevido no âmbito do PAES, e a consequente restituição dos valores em questão, a discussão no âmbito do processo judicial diz respeito à possibilidade de utilização desse indébito, a pedido da PGFN, para quitação de débitos do contribuinte cobrados em sede de execução fiscal, pedido esse deferido pelo Poder Judiciário em decisão transitada em julgada e que o contribuinte procurou desconstituir por meio da impetração de Mandado de Segurança, sem sucesso até o momento em julgamentos já realizados em primeira e segunda instância. Conforme se observa, não há identidade de objetos entre a demanda, uma vez que não há, cumulativamente, identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativo e judicial, elementos essenciais para caracterização da concomitância. Corroborando tal entendimento, há também inúmeros precedentes do CARF: 11. É certo que, do acervo probatório, o Fisco pautouse, quanto às alocações de pagamento, pela autorização ampla dada pelo Juízo da execução fiscal nº 000313968.2005.4.03.6109, de modo que, nada obstante o ofício 84/2007EFADI tenha se restringido às CDAs 80.2.05.03099919, 80.4.05.00019188, 80.6.05.04289770, 80.6.05.04289850 e 80.7.05.01330458, o procedimento foi adotado também para as dívidas em cobro em outros executivos fiscais. Desta constatação, contudo, não decorre a viabilidade da presente ação mandamental, mas a necessidade de se suscitar este mérito em cada uma das execuções fiscais afetadas, caso entendida como abusiva a conduta do Fisco, pelas razões já expostas. 12. Neste tocante, devese distinguir o mérito das alocações de pagamento efetuadas da legalidade do procedimento adotado. Assim, de dizerse que a decisão que autorizou a realização do procedimento, em determinado âmbito, restou inatacada, não resulta, necessariamente, que tenha havido coisa julgada material quanto à regularidade das alocações de pagamento realizadas, como constou do parecer acadêmico entregue pela apelante à Turma. A matéria poderia ser veiculada, nos autos próprios, inclusive a título de defesa contra ato superveniente praticado pelo Fisco, se existente via processual para tanto, a partir de impugnação a cargo da parte interessada. Não seria possível, porém, usar de mandado de segurança como extensão impugnativa em relação às vias próprias e específicas, como pretendido. 13. Pelo contrário, o alicerce do raciocínio aqui desenvolvido, como se percebe, é justamente o de que a legalidade do procedimento adotado pelo Fisco, se posta em dúvida, deve ser discutida nos autos em que manifestados seus efeitos. É pressuposto lógico do raciocínio, pois, que não está a se considerar, em abstrato e como premissa inarredável, a existência de coisa julgada material a tornar as alocações de pagamento inatacáveis, independentemente da situação processual ocorrida em cada um dos executivos fiscais. 14. Apelação a que se nega provimento. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, negar provimento ao apelo, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 07 de junho de 2017. CARLOS MUTA Desembargador Federal Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13827.000241/201067 Acórdão n.º 1301003.639 S1C3T1 Fl. 9 8 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do Carf. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracterizase pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (Acórdão n° 9303003.348 – 3ª Turma da Câmara Superior, sessão de 10/12/2015, Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Possas) PAF CONCOMITÂNCIA – INOCORRÊNCIA. Não há concomitância, quando não coincidentes os objetos dos processo judicial e administrativa. Precedente do STJ e da CSRF. (Acórdão n° 3402 002.084 – 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, Relator Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça) PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza se a concomitância guando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. [...](Acórdão n° 3402 002.204 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, Relator Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho) No mesmo sentido, assim decidiu o E. STJ: “TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2. A exegese dada ao dispositivo revela que: "O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13827.000241/201067 Acórdão n.º 1301003.639 S1C3T1 Fl. 10 9 com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. (...) Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen e René Bergmann Ávila. Direito Processual Tributário. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003, p. 349). 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência. 4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) ¬ com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior (pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato). 5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. 6. Mutatis mutandis, mencionada exclusão não pode ser tomada com foros absolutos, porquanto, a contrario sensu, tornase possível demandas paralelas quando o objeto da instância administrativa for mais amplo que a judicial. 7. Outrossim, nada impede o reingresso da contribuinte na via administrativa, caso a demanda judicial seja extinto sem julgamento de mérito (CPC, art. 267), pelo que não estará solucionado a relação do direito material. 8. Recurso Especial provido, divergindo do ministro relator. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 840.556¬AM; Reg. nº 2006/0085196 9, em sessão de 26/09/06, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Rel p/Ac Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 20/11/06 p. 286) Tal entendimento é corroborado, inclusive, pela própria RFB, conforme Parecer Normativo Cosit nº 7 de 22 de agosto de 2014: Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13827.000241/201067 Acórdão n.º 1301003.639 S1C3T1 Fl. 11 10 a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta;[grifos nossos] [...] Superada a questão da inexistência de renúncia à esfera administrativa, no mérito, entendo não assistir razão à Recorrente. No que diz respeito ao sobrestamento do feito até o trânsito em julgado no bojo do Mandado de Segurança n° 000423259.2011.4.03.6108, não havendo qualquer decisão que suspenda os efeitos da sentença na Execução Fiscal n° 2005.61.09.00313972 (com decisão transitada em julgado), na qual já se utilizou o crédito ora pleiteado pela Recorrente, há de se prosseguir o presente julgamento administrativo levandose em consideração que o crédito ora requerido não só já foi reconhecido pela própria PGFN ao requerer seu aproveitamento para quitação de débito do contribuinte objeto de execução fiscal, como também exaurido quando de seu aproveitamento integral no bojo daquela contenda executiva. Vejase que o imbróglio não se originou com o pedido da PGFN – em 2007 em aproveitar tais recolhidos, mas sim da tentativa do contribuinte, no ano de 2010, de requerer restituição de valores já utilizados no ano de 2007, ainda que a pedido da PGFN, para o adimplemento de débitos do contribuinte, sendo que tal encontro de contas se deu mediante sentença transitada em julgado e não contestada pela Recorrente. A mera tentativa do contribuinte de anular tal decisão não pode ter o condão de manter sobrestado o julgamento de um pedido de restituição natimorto, pois, no momento do pedido de restituição, os valores pagos a maior já haviam sido utilizados para quitação de outros débitos, e sequer o contribuinte havia impetrado o Mandado de Segurança (proposto somente em 23/05/2011) com objetivo de anular a decisão judicial, digase de passagem, transitada em julgado, que acolheu o pedido da PGFN para utilização dos valores ora requeridos para quitação de débitos do contribuinte. 2 Muito antes pelo contrário, pois, conforme já esclarecido, em 07/06/2017 a 3ª Turma do TRF da 3ª Região confirmou a sentença que denegou a segurança pleiteada. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13827.000241/201067 Acórdão n.º 1301003.639 S1C3T1 Fl. 12 11 No que diz respeito ao mérito do procedimento adotado pela PGFN e da decisão judicial transitada em julgado, por óbvio, este Tribunal Administrativo não possui competência para tal revisão. Como consequência, no mérito, não há mais qualquer indébito a se reconhecer nos presentes autos, sob pena de duplicidade de utilização por parte da Recorrente. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 342DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16306.720836/2013-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Relatório
Nome do relator: GIOVANA PEREIRA DE PAIVA LEITE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de RestituiçãoPER protocolado através da Per/Dcomp 19123.61660.310812.1.2.023408 (fls. 07/33), no qual a Recorrente requereu restituição no valor original total de R$ 2.270.757,40, referente a Saldo Negativo de IRPJ do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 06 .7 20 83 6/ 20 13 -5 2 Fl. 2246DF CARF MF Processo nº 16306.720836/201352 Resolução nº 1301000.649 S1C3T1 Fl. 2.247 2 anocalendário 2011. O saldo negativo é formado por retenções na fonte que totalizam R$ 2.358.658,24. O Despacho Decisório (fls. 495501) reconheceu a existência de saldo negativo de IRPJ AC 2011 no valor de R$ 1.768.782,98 e concluiu pelo reconhecimento parcial do pedido de restituição, nos seguintes termos: · O contribuinte apurou IRPJ devido no valor de R$ 87.900,84 (Alíquota de 15%: R$ 68.791,50 + Adicional: R$ 21.861,00 – P.A.T.: R$ 2.751,66) Linhas 1, 2 e 4– fl. 54); · Foi utilizado na apuração de IRPJ do exercício o montante de R$ 2.358.658,24, conforme declarado na ficha 12A da DIPJ 2012 AC 2011 (fl.54), a título de IRRF. De acordo com consulta ao sistema Portal DIRF (fls.308/494), foi comprovado IRRF, declarado pelas fontes pagadoras, insuficiente para comprovar o montante utilizado pelo contribuinte na apuração do IRPJ do exercício. Ademais, as receitas correspondentes às fontes comprovadas não foram totalmente oferecidas à tributação, conforme ficha 06A da DIPJ 2012 AC 2011 à fl. 42 e detalhamento a seguir. Desta forma, o valor que deve ser utilizado na apuração do IRPJ do exercício é de R$ 2.270.243,01. · Ocorre que as Receitas Financeiras correspondentes totalizaram R$ 40.285,54, tendo sido oferecido à tributação R$ 309.809,02, podendo o IRRF comprovado ser inteiramente validado. Por outro lado, as Receitas de Serviço correspondentes totalizaram R$ 98.435.196,49, tendo sido oferecido à tributação R$ 80.475.856,07. Assim sendo, o IRRF só poderá ser validado em montante proporcional ao valor oferecido à tributação (80.475.856,07/98.435.196,49). · Recalculando os valores comprovados, a partir das considerações acima, teremos o montante final que deve ser utilizado na apuração do IRPJ do exercício, que é de R$ 1.856.683,82: Fl. 2247DF CARF MF Processo nº 16306.720836/201352 Resolução nº 1301000.649 S1C3T1 Fl. 2.248 3 · Portanto, detalhando o cálculo da apuração do IRPJ do ano calendário 2011,teremos: Cientificado em 04/06/2013, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 976/999). Da Manifestação de Inconformidade A DRJ julgou a manifestação procedente em parte por entender que cabia razão ao contribuinte, posto que a autoridade fiscal contabilizou em duplicidade algumas das receitas de prestação de serviços; e que levandose em consideração o reconhecimento de receitas de serviços no valor de R$ 80.475.856,07, além das demais receitas tributadas, o montante de IRRF dedutível, passível de reconhecimento, era de R$ 2.270.243,01. O acórdão da DRJ apresenta suas conclusões nos seguintes termos: Considerandose a apuração de IR a pagar de R$ 87.900,84 e dedução de fonte de R$ 2.270.243,01, o saldo negativo para o anocalendário de 2011 totaliza R$ 2.182.342,17. Em razão de reconhecimento de direito creditório de R$ 1.768.782,98 em decisão administrativa, o valor a ser deferido é de R$ 413.559,19 (R$ 2.182.342,17 R$ 1.768.782,98). Reproduzse a ementa do acórdão da DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de IRPJ apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. Do Recurso Voluntário Ainda inconformada com a decisão da DRJ, em 17/03/2016, a empresa apresentou Recurso Voluntário (fls. 16131629), conforme carimbo de protocolo aposto na primeira página da peça. Consta que a Recorrente foi cientificada do acórdão da DRJ em 15/03/2018, através do seu Domicílio Tributário Eletrônico DTE, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (fl.2063). Todavia, a Recorrente declara que já havia tomado ciência da decisão em 16/02/2016, quando teve acesso eletrônico ao presente processo (fl.1614). Nesse sentido, apresentou petição (fls. 20682069), onde apresenta novamente o recurso voluntário e reitera os Fl. 2248DF CARF MF Processo nº 16306.720836/201352 Resolução nº 1301000.649 S1C3T1 Fl. 2.249 4 fundamentos de fato e de direito, requerendo a análise e provimento do recurso já anexado aos autos. Inicialmente a Recorrente faz uma síntese dos fatos e delimita o saldo negativo do IRPJ AC 2011 não reconhecido no valor de R$ 88.415,23 como o objeto do recurso. Esse valor corresponde à diferença entre o valor dos créditos comprovados pela autoridade fiscal (R$ 2.270.243,01) e aqueles registrados pela Recorrente na DIPJ 2012/ano calendário 2011 (R$ 2.358.658,24). Em relação a esse valor remanescente (R$ 88.415,23), a Recorrente alega que trata única e exclusivamente de exame das provas. Argumenta que após realizar uma minuciosa conciliação entre os tributos retidos no período em comparação com aqueles comprovados pela autoridade fiscal, encontrou uma expressiva diferença em relação ao código 1708, que justificaria quase que integralmente a diferença não reconhecida pela autoridade julgadora. A Recorrente se baseou em dados do Sistema eCAC anexados às fls. 17081732. Após a apresentação do recurso voluntário, apresentou várias petições solicitando a apreciação do pleito uma vez transcorrido o prazo de 360 dias que a administração pública teria para apreciar os pedidos que lhe são submetidos. Não tendo sido atendido o pleito da Recorrente, ingressou com mandado de segurança, no qual foi deferida parcialmente a liminar para determinar à autoridade impetrada que analisasse os processos citados no prazo de 30 dias. É o relatório. Voto Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, Relatora. Da Tempestividade A Recorrente informa que tomou ciência do acórdão da DRJ em 16/02/2016. Consta ciência formal em 15/03/2018. Por conseguinte, reconheço a tempestividade do recurso interposto em 17/03/2016. O recurso atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Do Mérito Primeiramente, fazse mister esclarecer o objeto da discussão. A Recorrente bem resumiu o valor remanescente objeto de recurso, no quadro abaixo: Fl. 2249DF CARF MF Processo nº 16306.720836/201352 Resolução nº 1301000.649 S1C3T1 Fl. 2.250 5 Este valor (R$ 88.415,23) corresponde exatamente à diferença entre a retenção na fonte informada pela Recorrente em seu Pedido de Restituição/PER (R$ 2.358.658,24) e o valor comprovado pela autoridade fiscal no sistema da DIRF (R$ 2.270.243,01). A decisão de piso reconheceu que a autoridade fiscal contabilizou uma parte da receita de serviços em duplicidade, nos seguintes termos (fls. 16081609): A autoridade fiscal reconheceu parcialmente a dedução do IRRF incidente sobre a receita de serviços reduzindo o saldo negativo da contribuinte. A interessada alega que as diferenças apontadas pela autoridade fiscal em relação às receitas de serviços decorrem em parte pela duplicidade no informe de rendimentos de receitas auferidas nos códigos 1708 e 5952, uma vez que se referem a apenas uma operação vinculada a apenas uma nota fiscal. Reforça que a referida DUPLICIDADE foi o que resultou na conclusão da d. autoridade fiscal de que a Recorrente teria deixado de oferecer à tributação o montante de receita de serviços equivalente a R$ 17.959.340,42, que corresponde à diferença entre os R$ 98.435.196,49 apurados no Despacho Decisório combatido e os R$ 80.475.856,07 indicados pela Recorrente em sua DIPJ 2012. Esses rendimentos, adicionados aos outros de código de receita distintos (tais como 6190 e 5987) totalizam exatamente o valor de R$ 80.475.856,07, que foi tributado pela Recorrente como receita de serviços e informado em sua DIPJ 2012, conforme, inclusive reconhecido pela autoridade fiscal. A contribuinte apresentou documentação visando a comprovação das receitas tributadas no montante de R$ 80.475.856,07. A autoridade reconheceu em seu Despacho Decisório o mesmo valor defendido pela contribuinte em relação às receitas tributadas da DIPJ/2012. O montante de R$ 98.435.196,49 de receitas de serviços inclui as receitas de códigos 1708, 6190, 5952 e 5987. Portanto, neste sentido cabe à razão à contribuinte o fato de montante de R$ 98.435.196,49 incluir as receitas dos códigos 5952 e 5987. Levandose em consideração o reconhecimento de receitas de serviços de R$ 80.475.856,07, além das demais receitas tributadas, o montante de IRRF dedutível, passível de reconhecimento, é de R$ 2.270.243,01, conforme discriminado a seguir: Fl. 2250DF CARF MF Processo nº 16306.720836/201352 Resolução nº 1301000.649 S1C3T1 Fl. 2.251 6 Considerandose a apuração de IR a pagar de R$ 87.900,84 e dedução de fonte de R$ 2.270.243,01, o saldo negativo para o anocalendário de 2011 totaliza R$ 2.182.342,17. Em razão de reconhecimento de direito creditório de R$ 1.768.782,98 em decisão administrativa, o valor a ser deferido é de R$ 413.559,19 (R$ 2.182.342,17 R$ 1.768.782,98). Após restar esclarecido que parte da receita de serviços correspondente às retenções havia sido contabilizada em duplicidade, a Recorrente procurou demonstrar a procedência dos valores remanescentes indicados para compor o saldo negativo de IRPJ. De antemão, temos que a procedência do Pedido de Restituição e o reconhecimento do direito creditório depende da comprovação da existência do saldo negativo do IRPJ no AC 2011, formado por retenções na fonte. Em relação a dedução do IRRF para fins de apuração de saldo negativo são necessárias duas condições: 1) que a receita correspondente à retenção tenha sido oferecida à tributação nos termos do inciso III do §4º, do art. 2º da Lei nº 9.430/96 e 2) a comprovação da efetiva retenção de acordo com art. 55 da Lei nº 7.450/85, c/c art. 943, §2º, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), abaixo transcritos: Lei 9.430/96 Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pela pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) (...) §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; Lei 7450/85 Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa Fl. 2251DF CARF MF Processo nº 16306.720836/201352 Resolução nº 1301000.649 S1C3T1 Fl. 2.252 7 física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. RIR/99 Art.943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). (...) §2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§1º e 2º do art. 7º, e no §1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55).(grifei) Apesar de a norma condicionar a dedutibilidade da retenção à apresentação do comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, entendo que outros documentos podem ser aceitos para demonstrar a efetiva retenção dos valores. Para comprovar a diferença de retenções no valor de R$ 88.415,23 não confirmadas pela autoridade fiscal, a Recorrente declara que realizou uma conciliação entre os tributos retidos no período em comparação com aqueles comprovados pela autoridade fiscal e encontrou uma expressiva diferença no código 1708 (IRRF Remuneração Serviços Prestados por PJ), que justificaria quase integralmente a diferença não reconhecida pela autoridade julgadora. Alega que verificou diferença em relação ao código 1708. Afirma que as informações extraídas do próprio sistema da RFB apontam para o montante total de R$ 437.835,65, enquanto as d. autoridades fiscais apresentam valor inferior, na ordem de R$ 351.612,15. e apresentou as seguintes tabelas: Em seguida, a Recorrente apresenta outra tabela, que demonstra como foram apurados os valores retidos na fonte a título de IRPJ, da qual reproduzo um pequeno excerto: Fl. 2252DF CARF MF Processo nº 16306.720836/201352 Resolução nº 1301000.649 S1C3T1 Fl. 2.253 8 Em relação à diferença de R$ 2.191,73, a Recorrente argumenta que não foram oferecidas as condições necessárias para um exame mais profundo da matéria, uma vez que as d. autoridades julgadoras não disponibilizaram as informações completas dos créditos homologados (e.g.: omissão da razão social e CNPJ das fontes pagadoras, respectivos rendimentos, tributos retidos, etc). Nesse sentido, tendo em vista que a Recorrente fez juntar novos documentos, não analisados anteriormente pela Unidade de Origem, qual seja, o comprovante de retenção, por fonte pagadora do Sistema Dirf (fls. 1708 e ss); que afirma que os valores constantes desse comprovante divergem daqueles apurados pela autoridade fiscal, e que não consta do processo os documentos em que o Fisco se baseou para apurar os valores retidos, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para a Unidade de Origem: Verificar se existe a diferença nas retenções efetivadas sob o código de arrecadação 1708 alegada pela Recorrente, entre os valores apurados por ele e aqueles constantes do acórdão da DRJ, e qual seria o valor desta diferença, levando em consideração os valores informados no Pedido de Restituição; Caso exista diferença, verificar se a receita correspondente às retenções foram oferecidas à tributação, segundo regime de competência; Se necessário intimar o contribuinte para apresentar outros documentos que entender necessários (Ex: ECD completa, DRE, etc) ou mesmo intimar a fonte pagadora; Anexar aos autos os documentos que fundamentaram a diligência, para permitir a ampla defesa do contribuinte; Apresentar relatório conclusivo e dar ciência ao contribuinte do relatório da diligência para que, no prazo de 30 dias, o mesmo possa se manifestar conforme determinação constante do art.35 do Decreto nº 7574/2011. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e por converter o julgamento em diligência. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Fl. 2253DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.905904/2008-77
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000
EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL - COFINS.
ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA.
A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Numero da decisão: 3001-000.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL - COFINS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
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PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. Recorrente SAVIPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 59 04 /2 00 8- 77 Fl. 72DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos descritos nos autos, adoto, por transcrição, o sucinto relatório que lastreou a r. decisão recorrida, verbis. Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB jurisdicionante relativo à COntribl1Íçã0 para O PIS/P2lSep, em virtude de exame de declaração de compensação no qual Foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiênciade créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, alega que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis e Cofins, conforme disposição Lei 9.718/98, da constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta 0 conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art. 30, §2, inciso III, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. A decisão recorrida desacolheu a manifestação de inconformidade da empresa alegando que a pretensão da impugnante de excluir da base de cálculo da contribuição valores que alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não Fl. 73DF CARF MF Processo nº 11020.905904/200877 Acórdão n.º 3001000.633 S3C0T1 Fl. 3 3 produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Regularmente cientificada do teor do recorrido, ingressou o contribuinte com Recurso Voluntário, reiterando suas razões impugnatórias constantes da Manifestação de Inconformidade, e alegando mais que a decisão recorrida foi proferida com ausência de fundamentação; desvio de finalidade; com prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal; e sustentando que o crédito é passível de compensação; a legalidade da sua pretensão com fulcro nos incisos do § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.718/1993; a compensabilidade dos créditos reconhecidos; a inaplicabilidade de norma inconstitucional ou ilegal por parte da administração tributária, e concluiu, verbis. Pelo exposto, requer a Recorrente seja provido o presente recurso a fim de que seja homologada a compensação declarada, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a conseqüente refonna do Acórdão DRJ/POA n° 1018.477, de 27 de fevereiro de 2009.. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. O contribuinte foi regularmente cientificada do teor do Acórdão recorrido e ingressou com Recurso Voluntário tempestivo através de procurador habilitado e preenchido os demais pressupostos legais, pelo que dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3001000.624, de 13.12.2018, de minha relatoria, proferido no julgamento do processo 11080.905942/2008 20, da mesma empresa SAVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos termos regimentais, transcrevese aqui os argumentos que fundamentaram mencionado Acórdão que negou provimento ao apelo da parte. Data venia do hercúleo esforço do ilustre advogado da recorrente, entendo que não se sustentam juridicamente as preliminares sustentadas em sede recursal. Com efeito, embora sucinta, a decisão guerreada fundamentou de forma consistente e segura os argumentos que lastrearam sua decisão. Logo, não há falar em falta de fundamentação e/ou desvio de finalidade, tendo em vista que a jurisprudência dos Tribunais Superiores, deste Conselho e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais é firmes e reiterada quanto ao acerto da decisão recorrida. Ademais, incumbe a parte Fl. 74DF CARF MF 4 comprovar a existência do crédito, com liquidez e certeza, e todas as oportunidades foram oferecidas à empresa para tal demonstração. Todavia, a pretensão do recorrente esbarra na ilegalidade de sua pretensão, haja vista que o benefício que daria azo ao crédito pretendido dependia de regulamentação pelo Poder Executivo, o que nunca aconteceu. Tanto isto é verdade que foi editado o Ato Declaratório SRF nº 56/2000 disciplinando a inaplicabilidade do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei nº 9.718/1993; e, posteriormente, foi editada a Medida Provisória nº 2.15835/2001, revogado o alegado benefício fiscal. Consequentemente, rejeito as preliminares suscitadas em sede de Recurso Voluntário. Nos aspectos de mérito, melhor sorte não socorre ao recorrente. Senão, vejamos. Como relatado, a discussão gira em torno de se aceitar (ou não) a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores que a empresa alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou a autoridade recorrida, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Essa matéria, todavia, já é bem conhecida desse colegiado, inclusive dessa Turma Extraordinária que, através do Acórdão nº 3001000.409, de minha relatoria, proferido durante a sessão de 10 de julho próximo passado, consolidou a jurisprudência do CARF no sentido de que, por falta de regulamentação do Poder Executivo, não gerou eficácia aos contribuintes o benefício previsto no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, cujo voto transcrevo a seguir como fundamentos de decidir nestes autos, verbis. 'Como relatado, cuida o presente processo de pedido de compensação, no valor de R$ 6.755,07, mais devidas correções, pela não aplicação do art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.715/98. Demandase, assim, a autoexecutoriedade do artigo em comento e a compensação dos recolhimentos a maior do PIS e COFINS entre fevereiro de 1999 e agosto de 2000. Ambas as decisões recorridas (Despacho Decisório e Acórdão da DRJ/POA) entenderam pelo indeferimento total do pleito do requerente por considerar não ser autoaplicável o benefício constante do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.715/1998, em virtude da expressão “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, normas estas que nunca foram editadas, como expressamente reconhecido pelo Ato Declaratório 56/2000 e pela Instrução Normativa SRF 006/2000, Fl. 75DF CARF MF Processo nº 11020.905904/200877 Acórdão n.º 3001000.633 S3C0T1 Fl. 4 5 atos baixados pelo Secretário da Receita Federal do Brasil. Argumentouse mais, no v. Acórdão recorrido, que a documentação apresentada pelo contribuinte fora insuficiente para a comprovação dos pagamentos alegadamente efetuados pela impugnante, ora recorrente, e que a pretensão encontra óbice também nas disposições da IN/SRF nº 006/2000. ' Ao contrário do trazido pela parte tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não se trata da discussão do decreto ser norma secundária, não podendo, pois, regular o dispositivo em comento. De fato, a discussão sobre a aplicação ou não de algo literalmente previsto no dispositivo legal primário, como o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, diz respeito à constitucionalidade ou não de tal previsão legal, o que não compete à seara administrativa. Para tanto, resta consolidado na Súmula nº 2 do CARF, determinando que o Colegiado “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Além disso, especificamente sobre o dispositivo em questão, o Ato Declaratório SRF nº 56/2000, apresenta os mesmos fundamentos, no sentido de que o dispositivo não seria autoexecutório, in verbis: 'O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuções, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do §2º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998, condição resolutória para sua eficácia (...).' Nesse diapasão, mister é reproduzir trecho do acórdão produzido pela 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre de nº 10 14.542, na página 33 do processo em questão, que ratifica esse escorreito posicionamento: 'Irrelevante, para esse caso, a premissa de que o regulamento não pode alterar o conteúdo da lei, haja vista que, tratandose de dispositivo normativo que não tinha o atributo da auto executoriedade (sic), obviamente, enquanto não expedido o ato regulamentador, embora vigente, não produza efeitos. De fato, foi o dispositivo expressamente revogado pelo inciso IV do art. 47 da Medida Provisória nº 1.88118/2000, sem que houvesse sido regulamentado, não tendo, assim, produzido efeitos no curso de sua vigência. O recorrente trouxe diversas jurisprudências vanguardistas do TRF4 no sentido de não precisar de norma regulamentadora, como o REAgR 378191/RJ, a AP em MS – 74550, proc. 200071070075522, UF: RS e ACAP – 480218, proc. 200170000022294, UF:PR, contidos nas folhas 5153. Contudo, tais jurisprudências não são de Tribunais Superiores e não autorizam a instância administrativa se manifestar sobre questões constitucionais, conforme previsto no Decreto Nº 2.346/1997, porquanto não há uma interpretação inequívoca e definitiva do texto constitucional. Dessarte, conforme o próprio requerente reconhece em seu Recurso (fsl. 50), não há consenso sobre a questão da norma em comento ser autoaplicável ou não. Fl. 76DF CARF MF 6 Por conseguinte, em face de todo o exposto, uma vez não reconhecido o direito do impetrante de recolher os PIS e COFINS nos moldes previstos no art. 3º, §2º, III da Lei 9718/98, conforme sustentado no apelo em julgamento (fls. 55), não há que se falar, também, em direito de efetuar a compensação do montante recolhido indevidamente, com parcelas vincendas dos próprios tributos na forma do art. 66 da Lei 8.383/91, como também sustentado pelo contribuinte em seu apelo, via pedido alternativo (fls. 55/65), partindo da alegada condição (fls. 55), de que a primeira parte do pedido seria provido, fato que não se confirma no caso concreto em exame.' Ademais, a matéria já foi objeto de debate e julgamento pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara deste Colegiado que, em sessão de 25 de maio de 2017, proferiu o Acórdão nº 3301.003.671, por unanimidade de votos, afastando a tese da autoaplicabilidade da norma insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.715/1998 (Proc. 11065.910359/200903), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa, verbis. 'EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.' 'COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Desta forma, voto no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Diante do exposto, e coerente com o meu entendimento esposado quando do julgamento do Processo 11080.905912/200813, Fl. 77DF CARF MF Processo nº 11020.905904/200877 Acórdão n.º 3001000.633 S3C0T1 Fl. 5 7 tendo como recorrente a empresa Trefilaço Trefilação de Metais Ltda., que resultou no Acórdão nº 3001000.409, de 10.07.2018, também desta feita VOTO para tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, para negar provimento ao apelo da recorrente. Diante da decisão paradigma proferida nos autos do processo número 11020.905942/200820, em que figura a mesma Recorrente,. da mesma empresa SAVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., conforme Acórdão nº 3001000.624, de 13 de dezembro de 2018, aplicável ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, também nesta oportunidade VOTO no sentido tomar conhecimento do apelo, rejeitar as preliminares e negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.004965/2003-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) informe, conclusivamente, se os DARF´s pagos e acostados aos autos às fls. 951-957 e 1921-1930 foram regularmente pagos antes do início da ação fiscal, e se foram considerados no lançamento; (ii) concilie os DARF´s para os quais tenha sido comprovado o pagamento com cada competência de cada tributo lançado no auto de infração, elaborando os demonstrativos correspondentes; e (iii) elabore relatório circunstanciado demonstrando os procedimentos adotados na diligência, e intime a recorrente para que, caso seja de seu interesse, manifeste-se sobre o seu conteúdo em trinta dias, retornando os autos, posteriormente, a este CARF.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente)
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) informe, conclusivamente, se os DARF´s pagos e acostados aos autos às fls. 951957 e 19211930 foram regularmente pagos antes do início da ação fiscal, e se foram considerados no lançamento; (ii) concilie os DARF´s para os quais tenha sido comprovado o pagamento com cada competência de cada tributo lançado no auto de infração, elaborando os demonstrativos correspondentes; e (iii) elabore relatório circunstanciado demonstrando os procedimentos adotados na diligência, e intime a recorrente para que, caso seja de seu interesse, manifestese sobre o seu conteúdo em trinta dias, retornando os autos, posteriormente, a este CARF. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 10 .0 04 96 5/ 20 03 -5 4 Fl. 2494DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 2.495 ___________ Tratase de Recurso Voluntário (fls. 698 e seguintes) contra acórdão da DRJ/ que considerou improcedentes as razões ditadas na Impugnação apresentada pela ora Recorrente contra auto de infração relativo à contribuição social para o PIS e a COFINS referentes ao período de junho de 1999 a junho de 2000. Dos Lançamentos Foram lavrados os Autos de Infração (fls. 607/612 e 1540/1545), para exigência de PIS e COFINS no montante originário total de R$340.022,08 (trezentos e quarenta mil e vinte e dois reais e oito centavos) e R$73.618,44 (setenta e três mil seiscentos e dezoito reais e quarenta e quatro centavos), respectivamente. A razão para tal lançamento decorrente de diferenças apuradas entre o valor escriturado e o declarado/pago das contribuições Cofins e PIS, com base em informações colhidas na escrituração contábil, livro Razão, dos anos 1999, 2000 e 2001, cópias anexas (fls. 190/587), "que coincidem com os valores confessados nas informações prestadas à SRF (fls. 177/189) e sistemas da RFB, DCTF e Sinal 04". Da Impugnação A contribuinte apresentou impugnação (fls. 613/621), alegando, preliminarmente, suposta afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório, e quanto ao mérito, alega que o suposto recolhimento a menor decorre da dedução de crédito decorrente de Substituição Tributária nas operações envolvendo combustíveis derivados de petróleo, em específico, a aquisição de óleo diesel, "insumo indispensável à manutenção das atividades sociais da empresa autuada" Nesse sentido, relata que os fornecedores da mercadoria adquirida pela empresa autuada, na condição de substituto tributário, recolhiam os valores devidos a título PIS/COFINS e destacam nas referidas notas fiscais/fatura o valor correspondente ao crédito "cliente consumidor"; de forma que a Recorrente, na apuração do tributo devido a ser recolhido, no período junho/1999 a junho/2000, tais créditos foram deduzidos (compensados), face sua "antecipação" por meio de substituição tributária; Como base legal, ressalta que o art. 4°, da Lei Federal n° 9.718/98 dispunha sobre o aludido regime de substituição tributária, impondo às refinarias a obrigação de cobrar e recolher, na condição de substituto das distribuidoras e dos revendedores varejistas, as contribuições PIS/COFINS, e que a empresa contribuinte adquire como consumidora final, das distribuidoras, grandes quantidades de óleo diesel (granel) para abastecimento de sua frota de veículos. Nesse caso, o "fato tributário (gerador) presumido" do PIS e da Cofins quanto às operações subseqüentes envolvendo revendedores retalhistas e/ou varejistas, não teria se realizado, razão pela qual, com base na Instrução Normativa SRF 6/1999, que disciplinou a substituição tributária das contribuições sociais e o seu ressarcimento, a Recorrente procedeu a compensação na própria apuração. Fl. 2495DF CARF MF Processo nº 10410.004965/200354 Resolução nº 3401001.579 S3C4T1 Fl. 2.496 3 Ressalta, ainda, que o procedimento realizado pela Recorrente foi objeto de Processo Administrativo de Consulta, protocolizado pela empresa autuada, sob o n° 10410.000350/200197 e que a resposta à consulta formulada Solução de Consulta SRRF/4ª RF/DISIT n° 28, de 26/07/2001 concluiu que "somente a partir de 1° de julho de 2000, com a redução a zero das alíquotas do PIS/COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel pelos distribuidores e comerciantes varejistas, não é mais cabível o ressarcimento capitulado na IN SRF n° 06/99, alterada pela IN SRF n° 24/99, eis que o regime de substituição tributária aplicada ao caso deixou de existir"; Por fim, alega que efetuou recolhimento de diferenças apontadas pela Fiscalização entre julho de 2000 até dezembro de 2001, muito tempo antes do lançamento de ofício e apresentou cópia dos DARF´s. Da Diligência A Delegacia de Julgamento, de forma preparatória, decidiu por converter em diligência (fls. 1942 e seguintes) para que fosse esclarecido a extensão da sucessão patrimonial da Recorrente em relação às empresas que originalmente foram destinatárias das notas fiscais de aquisição e que fosse verificado se a compensação da COFINS e do PIS no período de junho de 1999 a junho de 2000 foi feita em consonância com a IN SRF 6/99. Em decorrência disso, foi exarado Termo de Diligência: Fl. 2496DF CARF MF Processo nº 10410.004965/200354 Resolução nº 3401001.579 S3C4T1 Fl. 2.497 4 Da Decisão de Primeira Instância A Delegacia de Julgamento julgou a impugnação procedente em parte, acatando o resultado da diligência, uma vez que afastou as cobranças até fevereiro de 2000 e manteve as cobranças referentes ao exercícios da partir de março daquele ano. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1999 a 30/11/1999, 01/01/2000 a 31/03/2001, 01/05/2001 a 31/12/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESTITUIÇÃO. O direito para pleitear restituição de indébito tributário decorrente de substituição tributária prevista na Lei n° 9.718/98 e na IN SRF n° 06/99 deixa de existir a partir da MP n° 1.99115 de 10.03.2000, que reduziu a zero as alíquotas das contribuições PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda óleo diesel auferida por distribuidores e pelos comerciantes varejistas COFINS. VALORES APURADOS EM DILIGÊNCIA. Fl. 2497DF CARF MF Processo nº 10410.004965/200354 Resolução nº 3401001.579 S3C4T1 Fl. 2.498 5 Deve ser alterado o valor da contribuição apurada em procedimento de oficio quando comprovado em procedimento de diligência mediante documentos da empresa, a constatação para retificálos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/1999 a 30/11/1999, 01/01/2000 a 31/03/2001, 01/05/2001 a 31/12/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESTITUIÇÃO. O direito para pleitear restituição de indébito tributário decorrente de substituição tributária prevista na Lei n° 9.718/98 e na IN SRF n° 06/99 deixa de existir a partir da MP n° 1.99115 de 10.03.2000, que reduziu a zero as alíquotas das contribuições PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda óleo diesel auferida por distribuidores e pelos comerciantes varejistas PIS. VALORES APURADOS EM DILIGÊNCIA. Deve ser alterado o valor da contribuição apurada em procedimento de oficio quando comprovado em procedimento de diligência mediante documentos da empresa, a constatação para retificálos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Da decisão ora recorrida, vale reproduzir o seguinte trecho: 32. Com efeito, diante do apresentado, sabendose que é direito do contribuinte o instituto da Compensação de valores referentes à substituição tributária de aquisição de óleo diesel pela autuada, conforme dispôs o art. 6°, §§ 1° e 40 da IN SRF n° 06/99, entendo que devem ser considerados os valores encontrados pela autoridade diligenciante, deduzida a compensação, até o mês de Fevereiro de 2000, visto que, a partir do mês de Março, a Medida Provisória n° 199115 de 10.03.2000, que promoveu as alterações na Lei n° 9.718, de 1998 e em seu artigo 43, reduziu a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda óleo diesel auferida por distribuidores e pelos comerciantes varejistas. 33. Face ao exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito julgar Procedente em Parte a Impugnação para reduzir os valores dos meses de julho, agosto, outubro de 1999 e fevereiro de 2000 PIS e dos meses de julho, agosto, outubro, novembro de 1999 e fevereiro de 2000 Cofins, e declarar devidos os demais valores dos autos de infração, de fls. 607/612 e 1540/1545, com os respectivos acréscimos legais do presente lançamento fiscal, conforme planilha abaixo: (...) Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 10410.004965/200354 Resolução nº 3401001.579 S3C4T1 Fl. 2.499 6 Do Recurso Voluntário Irresignada com o resultado do julgamento, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que, sucintamente, alega: (a) Nulidade do auto de infração por Cerceamento de Defesa (b) Que a MP 199115/2000 somente entrou em vigor em julho de 2000, razão pela qual a decisão da DRJ deveria afastar a cobrança até junho/2000 e não apenas até fevereiro daquele ano. (c) Que não houve análise dos pagamentos efetuados pela Recorrente no que tange ao período de julho de 2000 a dezembro de 2001, e que a decisão ao manter o lançamento para esse período acabou desconsiderando tais recolhimentos. Do Primeiro Julgamento pelo CARF: Resolução nº 3802000.356 O Recurso foi distribuído à 2ª Turma Especial, dessa Seção, e, em 11.12.2014, foi levado a julgamento. Naquela oportunidade, houve a conversão em diligência para que fosse apurado se os DARF´s acostados nos autos desde a impugnação eram o reflexo dos valores levantados pela fiscalização no lançamento de ofício, especialmente sobre o período de julho/2000 a dezembro/2001. Desta feita, os autos seguiram para o seu cumprimento pela unidade de origem, o que foi feito às fls. 2478 a 2490. Em seguida, em virtude da extinção da Turma que julgara o processo originalmente, os autos foram sorteados a esse conselheiro. É o relatório. VOTO Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que lhe tomo conhecimento. Fl. 2499DF CARF MF Processo nº 10410.004965/200354 Resolução nº 3401001.579 S3C4T1 Fl. 2.500 7 Do Mérito Como se denota da leitura do relatório, tratase de retorno de diligência que foi proposta com o objetivo de aclarar questão de fato supostamente prejudicial, qual seja, se os recolhimentos adicionais das referidas contribuições, efetuados antes mesmo do lançamento, e apresentados ainda na peça impugnatória, foram suficientes para compor o montante lançado a título de PIS e COFINS. Já concordando com a diligência proposta à época, entendo que o presente caso é, de fato, necessário tal esclarecimento; do contrário, não é possível inferir se houve pagamento parcial ou integral, ainda que extemporâneo, pelo contribuinte, tal como esse aduz em seu Recurso Voluntário. Contudo, observando a Informação Fiscal de fls. 2478 e seguintes, em que pese o esmero demonstrado pelo auditor responsável pela diligência, percebo que o objetivo da diligência não foi alcançado. Em verdade, o resultado da diligência se propôs a fazer verdadeira liquidação da decisão de primeiro grau, apontando corretamente que houve equívoco no quadro demonstrativo que aquele acórdão apresentou ao final da sua parte dispositiva; todavia, foi absolutamente silente no que tange à solicitação da Resolução 3802000.356. Diante disso, não vejo outra alternativa se não a de converter novamente o presente Processo em diligência para que a unidade averigúe se: (i) informe, conclusivamente, se os DARF´s pagos e acostados aos autos às fls. 951957 e 19211930 foram regularmente pagos antes do início da ação fiscal, e se foram considerados no lançamento; (ii) concilie os DARF´s para os quais tenha sido comprovado o pagamento com cada competência de cada tributo lançado no auto de infração, elaborando os demonstrativos correspondentes; e (iii) elabore relatório circunstanciado demonstrando os procedimentos adotados na diligência, e intime a recorrente para que, caso seja de seu interesse, manifestese sobre o seu conteúdo em trinta dias, retornando os autos, posteriormente, a este CARF. Após, os autos devem retornar a esse Colegiado, para julgamento. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 2500DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902136/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.591
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 13 6/ 20 13 -2 1 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10850.902136/201321 Resolução nº 3401001.591 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10850.902136/201321 Resolução nº 3401001.591 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11119.000018/98-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 07/07/1998
ISENÇÃO IMPOSTOS. IMPOSSIBILIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SUBSIDIÁRIA INTEGRAL. LEI Nº 9.432/1997, ARTIGO 11, §10.
A não comprovação do requisito exigido no § 10 do artigo 11 da Lei n° 9.432/1997 quanto à condição de subsidiária integral da exportadora estrangeira para a matriz brasileira impede o REGISTRO ESPECIAL BRASILEIRO (REB) sem incidência de impostos e taxas.
Numero da decisão: 3302-006.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 07/07/1998 ISENÇÃO IMPOSTOS. IMPOSSIBILIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SUBSIDIÁRIA INTEGRAL. LEI Nº 9.432/1997, ARTIGO 11, §10. A não comprovação do requisito exigido no § 10 do artigo 11 da Lei n° 9.432/1997 quanto à condição de subsidiária integral da exportadora estrangeira para a matriz brasileira impede o REGISTRO ESPECIAL BRASILEIRO (REB) sem incidência de impostos e taxas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 07/07/1998 ISENÇÃO IMPOSTOS. IMPOSSIBILIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SUBSIDIÁRIA INTEGRAL. LEI Nº 9.432/1997, ARTIGO 11, §10. A não comprovação do requisito exigido no § 10 do artigo 11 da Lei n° 9.432/1997 quanto à condição de subsidiária integral da exportadora estrangeira para a matriz brasileira impede o REGISTRO ESPECIAL BRASILEIRO (REB) sem incidência de impostos e taxas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, por falta de comprovação da condição de subsidiária integral da empresa exportadora para fazer jus à isenção de que trata a Lei nº 9.432/97, relativo a importação registrada em 07/07/1998. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 11 9. 00 00 18 /9 8- 13 Fl. 677DF CARF MF Processo nº 11119.000018/9813 Acórdão n.º 3302006.323 S3C3T2 Fl. 678 2 A autoridade fiscal entendeu que não foi comprovada a condição de subsidiária integral da empresa exportadora. A descrição dos fatos foi a seguinte: "Em procedimento de exame documental, a fiscalização verificou que a documentação apresentada era insuficiente para a concessão do beneficio, dando azo as seguintes exigências, formalizadas em 23/07/1998, por intermédio de função especifica do SISCOMEX, conforme cópias das telas do mesmo (Doc. 02): "Fornecer cópias autenticadas dos documentos (com as respectivas traduções, quando for o caso) que comprovem: 01) que a empresa liberiana SEAMAR SHIPPING CORPORATION, exportadora do navio, subsidiária integral da empresa importadora; 02) que a empresa liberiana SEAMAR SHIPPING CORPORATION, exportadora do navio, é proprietária do mesmo; 03) que o navio foi construido no Brasil; 04) que a SEAMAR SHIPPING CORPORATION obteve a propriedade do navio mediante a transferência pela VALE DO RIO DOCE NAVEGAÇÃO S/A. [...] Mediante estudo pormenorizado dos documentos apresentados, constatouse que o importador não faz jus ao beneficio, posto que um dos requisitos para a concessão deste, a comprovação da condição de subsidiária integral da empresa exportadora, não se verificou. Sem embargo, para que se pudesse considerar a Seamar como subsidiária integral da DOCENAVE, a documentação acostada deveria provar inequivocamente que a totalidade das cotas ou ações daquela empresa pertenciam a esta. Não obstante, nos orienta em sentido contrário o Doc. 07, ao indicar como fundador e subscritor de ação ordinária o Sr. Francis X. Nolan III. A carta da Gerente do Departamento Jurídico da DOCENAVE, informando da condição de representante legal do Sr. Nolan, é insuficiente para reverter a situação posta corn a apresentação do Contrato Social. E apenas e simplesmente uma declaração, que não tem o condão de explicar ou alterar o fato de que a DOCENAVE, consoante documentação apresentada, não detém a totalidade das cotas ou ações da Seamar." A recorrente em impugnação defendeu, em princípio, a existência de uma única empresa denominada SEAMAR SHIPPING CORPORATION, que teria passado por modificações contratuais até 14/11/1996, quando, também por sua conta e ordem, um outro único acionista Francis Nolan III subscrevera uma única ação da empresa. E em 17/12/1996, este único acionista formalizou a cessão e transferência de ações para a DOCENAVE e que esta operação era usual na Libéria. A DRJ, por seu turno, fundamentou a negativa de provimento à impugnação nas seguintes incoerências encontradas (efls. 154 em diante), cujo teor transcrevese: Fl. 678DF CARF MF Processo nº 11119.000018/9813 Acórdão n.º 3302006.323 S3C3T2 Fl. 679 3 "Abstraindose questões relativas à aceitabilidade dos documentos estrangeiros apresentados tendo em vista que fazem prova contra quem os apresentou, passamos ao exame dos elementos contidos nos presente autos. 5. No contrato social de SEAMAR de 20/09/1966 (fls. 92/107) P. B. Satia, J. D. Boyd e E. K. Nugba figuram como únicos signatários, e não consta de tal documento que os referidos signatários tivessem agido em nome da DOCENAVE ou ainda que a DOCENAVE fosse detentora da totalidade do capital da SEAMAR. 6. O CERTIFICADO BACEN,FIRCE/DIAUT/SUAUTIIC 91/173 de 13.11.91", referido na impugnação (fl. 63), encontra se mencionado na Guia de Exportação (fl. 89) sem que nada mais conste dos autos em relação ao tal certificado ou seu conteúdo. 7. Sobre a alegação de que o navio DOCEBETA foi exportado em 1991 para a SEAMAR como investimento, nada existe nos autos além da menção "MERCADORIA REMETIDA PARA FINS DE INVESTIMENTO", constante da Guia de Exportação GE (fl. 89). Não foi esclarecido a que tipo de investimento se refere, se é investimento em participações societárias da SEAMAR ou se é algum outro tipo de investimento. 8. Não foram juntados os textos e respectivas traduções dos atos relativos aos direitos estrangeiros invocados na impugnação, tendo a impugnante se limitado a trazer declaração (fls. 118/121) do VicePresidente Executivo da International Trust Company of Liberia, a respeito de como interpreta as leis liberianas sobre sociedades comerciais. 9. Não se encontra nos autos qualquer informação sobre quais formalidades locais se pretendeu atender e quais adaptações dos estatutos sociais se pretendeu fazer quando da assinatura, em 14/11/1996, do contrato social de fls. 108/112, em obediência A nova legislação sobre sociedades comerciais na Libéria conforme alegado. 10. Não consta dos autos qualquer referência ás alterações que teriam sofrido, entre 20/09/1966 e 14/11/1996, os atos constitutivos da SEAMAR, não se sabendo, portanto como evoluiu a composição de sua participação societária, inclusive para explicar como e quando P. B. Satia, J. D. Boyd e E. K. Nugba deixaram de atuar na empresa. 11. 0 contrato social de 14/11/1996 (fls. 108/112) não indica tratarse de urna alteração ou mesmo de uma adaptação como foi afirmado na impugnação. É um novo ato constitutivo da SEAMAR SHIPPING CORPORATION, que não faz qualquer referência à situação da empresa no passado, pelo contrário, referese apenas ao futuro conforme trechos abaixo transcritos (os grifos são nossos). 0 objetivo social que menciona relaciona um elenco de atividades bem menor do que aquele constante do contrato social de 20/09/1966 (fls. 92/107): Fl. 679DF CARF MF Processo nº 11119.000018/9813 Acórdão n.º 3302006.323 S3C3T2 Fl. 680 4 "CONTRATO SOCIAL DA SEAMAR SHIPPING CORPORATION ..." "A abaixo assinada, para os propósitos de constituir uma sociedade em conformidade ..." "A. A razão social da Social será: SEAMAR SHIPPING CORPORATION." "C. 0 endereço social da Sociedade na Libéria será "D. 0 número de ações que a Sociedade está autorizada a emitir..." "E. A Sociedade terá todo o poder..." "F. 0 nome e endereço postal de cada fundador e subscritor deste Contrato Social..." "I. A existência da empresa irá iniciar no arquivo deste Contrato Social com o Ministro das Relações Exteriores na data de arquivo mencionadas neste Contrato Social." 12. Não consta do presente processo qualquer referência ao arquivamento de que trata a cláusula "I" do contrato social de 14/11/1996 (fl. 111). 13. No documento de fls. 108/112, Francis X. Nolan, Ill figura como único signatário, sem que nada esteja dito em relação à alegada condição de que estaria agindo por conta e ordem da impugnante, ou que esta fosse a detentora, como alega, da totalidade do capital da SEAMAR. 14. Pelo conteúdo do documento de fls. 113/117 está claro que até 17/12/1996 a DOCENAVE não era a detentora integral das ações da SEAMAR, posto que a transferência promovida por Fancis Nolan, Ill, naquela data, menciona expressamente (fl. 113) VENDA "a fim de que a Docenave possa se tornar a única acionista da Sociedade." (grifei). 15. Não veio aos autos qualquer comprovação relacionada com a contabilização, por parte da impugnante, da participação integral que afirma ter na SEAMAR. [...] 17. Pelo contrato social de 20/09/1966 a SEAMAR tinha autorização para emitir apenas 500 ações, cada uma com valor nominal de US$ 1,00 (cláusula "C" fl. 103), e pelo contrato social de 14/11/1996 a autorização era para emitir apenas 1000 ações, cada uma com valor nominal de também US$ 1,00 (cláusula "D" fl. 110). Assim, na hipótese de ser investimento em participações societárias da SEAMAR, não está explicado como o navio DOCELOTUS, avaliado (fls. 89) em US$ 14.000.000,00, foi incorporado ao patrimônio daquela empresa liberiana sem que o seu capital social fosse substancialmente aumentado. Consta ainda que existem outros navios na mesma Fl. 680DF CARF MF Processo nº 11119.000018/9813 Acórdão n.º 3302006.323 S3C3T2 Fl. 681 5 situação. Pelo menos um outro navio, o DOCELOTUS, é certo que está em igual condição conforme processo n° 11119.000019/9878. [...] 19. Não foi informado qual o valor da redução da participação da DOCENAVE na SEAMAR, entretanto certamente seria proporcional ao valor dos navios que passariam a integrar o ativo permanente da DOCENAVE, até porque de outra forma traria problemas contábeis à impugnante, já que, a operação deveria ocorrer sem dispêndio de divisas e a condição avençada na reunião do Conselho de Administração em 26/01/1998 foi a "conseqüente redução do capital social da SEAMAR". Não está explicado como diminuir alguns milhões de dólares (valor dos navios) de um capital de, no máximo, mil dólares (fl. 110). 20. Não existe coerência em nenhum dos fatos que a impugnante apresenta para sustentar sua afirmação de que desde 20/09/1966 a SEAMAR é sua subsidiária integral ou, em outras palavras, que desde aquela data é detentora de 100% das ações da SEAMAR. 21. É enorme a carência de elementos comprobatórios das razões de impugnação. Pelo contrário, os elementos trazidos aos autos, quando não são incoerentes, confirmam a autuação. 22. Ainda que assim não fosse e se pudesse aceitar que a partir de 17/12/1996 a SEAMAR, pela venda referida no documento de fls. 113/117, tivesse passado a ser subsidiária integral da DOCENAVE, tal circunstância não aproveitaria à impugnante, posto que a interpretação literal do dispositivo legal que trata da isenção (§ 10 do artigo 11 da Lei 9.432/1997), abaixo transcrito, tal como é exigida pelo artigo 111 inciso li da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 Código Tributário Nacional (CTN), obriga ao entendimento de que a condição para o beneficio é que ao momento da transferência originária da embarcação da empresa brasileira para a empresa estrangeira, a segunda já deveria ser subsidiária integral da primeira." Em recurso voluntário (efls. 165 em diante), a recorrente apresentou vários documentos para explicar as incoerências levantadas pela DRJ, reapresentando documentos que declaravam a transferência da SEAMAR para a Companhia Vale do Rio Doce em 21/09/1966 e desta para a DOCENAVE em 12/12/1984. Reapresentou o CERTIFICADO BACEN, FIRCE/DIAUT/SUATHC91/713, de 13/11/91, informado na guia de exportação e que informava que os navios foram destinados ao aumento de capital na subsidiária SEAMAR SHIPPING CORPORTATION pela DOCENAVE. Apresentou, ainda, uma tradução na qual a SEAMAR, criada em 1966, nomeia o Sr. Francis Nolan como procurador, efls. 208/209. Trouxe ainda demonstrações financeiras dos exercícios de 1991 e 1992 e pareceres da Price Waterhouse Auditores Independentes que indicam que a SEAMAR Fl. 681DF CARF MF Processo nº 11119.000018/9813 Acórdão n.º 3302006.323 S3C3T2 Fl. 682 6 SHIPPING CORPORATION era subsidiária integral e manteve a alegação de que o contrato social de 14/11/1996 possuía a finalidade de se adequar às leis liberianas. Em 17/08/1999, a antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes baixou o processo 11119.000019/9878 em diligência para apresentação de novos documentos. Em cumprimento da diligência, a recorrente apresentou novos documentos e alterou toda a argumentação até então feita nas peças recursais, efls. 232 a 244, alegando, então que teria havido erro material no preenchimento da DI, pois onde se lia SEAMAR SHIPPING CORPORATION, o correto seria NAVEDOCE SERVIÇOS E EMPREENDIMENTOS. A explicação era de que havia duas empresas distintas que foram criadas com a mesma denominação de SEAMAR SHIPPING CORPORATION. A primeira fora criada em em 20/09/1966, transferindo duas para à CVRD em 21/09/1966 e uma para a DOCENAVE e que a CVRD transferira as duas quotas à recorrente em 12/10/1984, passando a partir daí a ser subsidiária integral da recorrente. Os navios teriam sido exportados para esta SEAMAR, doravante denominada antiga SEAMAR, em 1992, conforme guia de exportação. Alegou, entretanto, que esta empresa, em 26/11/1996, teve sua denominação alterada para SEAMAR INVESTMENTS LIMITED e adquiriu uma nova empresa denominada SEAMAR SHIPPING CORPORATION, doravante denominada nova SEAMAR, com processo conduzido pelo Sr. Francis Nolan III. Esta nova SEAMAR teria sido criada em novembro de 1996. Continuando em sua explicação, a nova SEAMAR decidiu aprovar a oferta feita pela antiga SEAMAR de adquirir 100 ações da nova SEAMAR. A antiga SEAMAR decidiu subscrever as 100 ações mediante a transferência de ativos, incluindo os dois navios DOCEBETA e DOCELOTUS, bem como transferindo seu domicílio para a Ilha da Madeira, Portugal, e adotando o nome de NAVEDOCE – SERVIÇOS E EMPREENDIMENTOS. A recorrente ainda explicou que para repatriar os navios, teria que o fazer pela antiga SEAMAR (cuja denominação fora SEAMAR SHIPPING CORPORATION, depois SEAMAR INVESTMENS LIMITED e, por fim, NAVEDOCE) que era a subsidiária integral e não pela nova SEAMAR, que era subsidiária integral da antiga SEAMAR e não da recorrente. Esta devolução foi documentada pela Resolução de Única Acionista da nova SEAMAR, doc IX, na qual deliberouse reembolsar parte do capital da sua única acionista NAVEDOCE, no valor de US$ 16.500.000,00, em 30/04/1998, mediante a transferência dos dois navios. Por seu turno, a NAVEDOCE teria exportado os navios para a DOCENAVE, por dação em pagamento, pela compra da quota própria de seu capital em poder de sua controladora DOCENAVE, conforme doc. X, com a seguinte cronologia: 1. Carta mandato de 02/02/1998, na qual a recorrente nomeia procurador em Portugal para dividir o capital da NAVEDOCE em duas quotas (uma no exato valor de avaliação dos navios), ceder esta quota à própria NAVEDOCE mediante a transferência dos dois navios; Fl. 682DF CARF MF Processo nº 11119.000018/9813 Acórdão n.º 3302006.323 S3C3T2 Fl. 683 7 2. Acta número três, de 02/02/1998, na qual a NAVEDOCE dá os dois navios como pagamento da aquisição da quota de seu capital; 3. Acta número cinco, de 15/05/1998, para deliberação de alteração do contrato social; 4. Acta Parcial de Pacto, de 30/10/1998, para refletir as alterações das actas três e cinco. Por sua vez, o relatório da diligência fiscal, de efls. 1407 a 1417 do processo 11119.000019/9878, teceu considerações a respeito de todos os documentos, sem efetivamente produzir alguma conclusão a respeito das afirmações alegadas pela recorrente, mas indicando possíveis defeitos nos documentos apresentados como “serem cópias de cópias”, falta de data, contendo apenas mês e ano, cópia não autenticada, traduções juramentadas relativas a uma empresa enquanto o documento em inglês referia a outra empresa, falta de original em inglês etc”. Informou, ainda, que a análise das declarações de imposto de renda e dos pareceres dos auditores independentes concorria para a afirmação de que a NAVEDOCE era subsidiária integral desde 1991 a 1998; Que há discrepância entre a informação relativa à aquisição das 100 ações da nova SEAMAR pela antiga SEAMAR, em 03/12/1996, sem informar no documento a pessoa do Sr. Francis Nolan, que era, pelo documento de 17/12/1996, o único acionista da nova SEAMAR; e que, ao menos, entre 11/12/1996 e 17/12/1996, os navios pertenceram a nova SEAMAR, com uma única quota subscrita pelo Sr Nolan III. A seguir reproduzse excerto do relatório fiscal da diligência: “26.1. Que algumas das cópias autenticadas em cartório acostadas aos autos para atestar o alegado no item 25.2. (doc. IV e IVa, fl. 718, 719, 723, 724 e 725), de documentos particulares em inglês, embora autenticadas "conforme o original a mim apresentado", consoante atestou a tabeliã no verso, não se afiguram, ao menos em análise superficial, cópias derivadas diretamente de documento original, mas sim "cópias de cópias"; 26.2. Que algumas das cópias autenticadas em cartório acostadas aos autos para atestar o alegado no item 25.3. (doc. VI e Via, fl. 752 a 756), de documentos particulares em inglês, embora autenticadas "conforme o original a mim apresentado". consoante atestou a tabeliã no verso, não se afiguram, ao menos em análise superficial, cópias derivadas diretamente de documento original, mas sim "cópias de cópias"; 26.3. Que cópias de documentos referidos no item anterior não contêm data completa, constando apenas menção ao mês de novembro de 1996, estando em branco o espaço reservado ao dia de elaboração dos documentos; 26.4. Que a cópia do documento em inglês correspondente ao doc. VII (fl. 762 e 763) não foi autenticada, e não aparenta ter sido extraída diretamente do documento original; Fl. 683DF CARF MF Processo nº 11119.000018/9813 Acórdão n.º 3302006.323 S3C3T2 Fl. 684 8 26.5. Que as traduções juramentadas dos doc. VII e Vila (fl. 764 a 767 e 770 a 774), destinadas a atestar o alegado nos itens 25.3. e 25.4. referemse a documentos da Seamar Shipping Corporation, enquanto as cópias dos documentos em inglês referemse à Seamar Investments Limited; 26.6. Que não foi acostado original ou cópia em inglês do documento referente à tradução classificada doc. VIIb (fl. 775); 26.7. Que os documentos V (fl. 729 a 748), VIIc (fl. 776 a 795), VIII (fl. 796 a 825) X (fl. 830 e 831), Xa (fl. 832 a 835), Xb (fl. 836 a 840) e Xc (fl. 841 a 846) tratamse de cópias autenticadas no Cartório Notarial Privativo da Zona Franca da Madeira, com visto consular reconhecendo como verdadeira a firma do Ajudante de Cartório que as expediu; 26.8. Que dentre as cópias autenticadas em cartório estrangeiro descritas no item anterior, para fins de atribuição de valor probante, podemos distinguir algumas que consistem tão somente de cópias de documentos particulares (assim os doc. X, Xa, Xb). Outras são cópias autenticadas de certidões cartoriais atestando a conformidade das cópias anexadas com originais arquivados em cartório (assim os doc. V e VIII). Outras ainda correspondem às próprias cópias certificadas pela cartorária como de acordo com os originais arquivados, conforme exemplifica o termo na folha 795v. (assim o doc. VII). 27. Que alega a autuada, consoante item 25.3., que ainda em novembro a Seamar Investments Limited teria adquirido a NOVA SEAMAR, constituída, conforme sustenta, sob sua determinação. A análise desta afirmativa foi prejudicada pela ausência de data completa nos doc. VI e VIa, mas desde já podemos ressaltar algumas questões relevantes. Segundo os documentos de números 06 e 07 (fl. 108 a 118) apresentados com a impugnação, a constituição da NOVA SEAMAR teria ocorrido em 14.11.96 em nome do Sr. Nolan III, e apenas em 17.12.1996 este teria formalizado a "cessão e transferência da totalidade das ações representativas do capital da Seamar Shipping Corporation" (fl. 63). Os atos representado mediante documentos VI e VIa têm por função refletir uma aceitação por parte da NOVA SEAMAR de oferta da ANTIGA SEAMAR para subscrição de ações. Não obstante, até 17.12.1996 o "controle acionário" da NOVA SEAMAR pertencia, ao menos formalmente, e tratamos de documentos formais, ao Sr. Nolan III, que não figura nas decisões da empresa datadas de incerto dia de novembro. Ao invés, consta como signatário único o representante da Seamar Investments Limited, como passou a se denominarse a ANTIGA SEAMAR em 29.11.96 (vide fl. 727). 28. Que ainda no tocante as datas, se a transferência dos navios se deu em 11.12.96 (fl. 762 e seg. doc. VII), formalmente a NOVA SEAMAR passou ao controle da Navedoce (exSeamar Investments Limited e exSeamar Shipping Corporation — ANTIGA SEAMAR) em 17.12.96, embora no documento acima citado — doc. VII — a ANTIGA SEAMAR se refira à NOVA Fl. 684DF CARF MF Processo nº 11119.000018/9813 Acórdão n.º 3302006.323 S3C3T2 Fl. 685 9 SEAMAR como sua subsidiária. Ao menos formalmente, entre os dias 11.12.96 e 17.12.96 o navio Docelotus constou entre os ativos de uma empresa com uma única cota subscrita pelo Sr. Nolan III.” No julgamento proferido pela antiga Primeira Câmara, Acórdão nº 301 29.852, efls. 254 em diante, a relatora entendeu que houve quebra de vínculo entre a recorrente e a nova SEAMAR, pois entre 03/12/96 a 17/12/96 a nova SEAMAR pertencera ao Sr. Nolan III. Entendeu, ainda, a redatora, que as reorganizações societárias empreendidas pela antiga SEAMAR ocorreram sem a existência de atas de assembléias das CVRD e DOCENAVE, em desacordo com o Direito Comercial. Quanto ao erro material, sustentou que, diante de inúmeros erros nos documentos juntados, concluiu que quem, de fato, exportou para a DOCENAVE foi a nova SEAMAR e não a NAVEDOCE, informando que o doc de fls. 827 não é original, enquanto os de fls. 11 e 90 comprovam que os navios vieram da nova SEAMAR. Em embargos, a recorrente defendeu que a redatora do acórdão tinha dúvidas quanto à autenticidade de documentos acostados aos autos e deveria ter convertido o julgamento em diligência, para sanar as dúvidas sob pena de cerceamento de defesa. Alegou também vício insanável quanto à falta de intimação para se manifestar sobre o resultado da diligência, que possui direito à retificação da DI, que a interpretação literal não pode resultar em restringir o objetivo da lei, que a tributação na importação fere o artigo 153, I, da Constituição Federal. Tais embargos não foram admitidos. Irresignada, a recorrente interpôs recurso especial, alegando nulidade por falta de intimação do resultado da diligência, a falta de motivação do acórdão e a interpretação equivocada do artigo 111 do CTN. O recurso, inicialmente, não foi admitido, tendo a recorrente interposto agravo, o qual foi acolhido tão somente quanto à falta de intimação para se manifestar sobre o resultado da diligência. A CSRF, mediante o Acórdão nº 930300.172, anulou a decisão da antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, para que a recorrente pudesse se manifestar sobre o relatório de diligência fiscal produzido nos autos do processo 11119.000019/9878. O despacho de efls. 1775 do processo nº 11119.000019/9878, juntado aos autos em 27/02/2014, noticia que a recorrente foi intimada do resultado da diligência em 21/01/2014 e que nenhuma manifestação foi juntada pela recorrente. No despacho de efls. 582 os autos foram encaminhados á unidade de origem para que esta se pronunciasse sobre o pedido de levantamento das guias de depósitos recursais e substituição de carta de fiança.por seguro garantia, com posterior retorno para julgamento. Conforme decisão de efl. 604, indeferiuse o pedido sobre levantamento de depósitos, que foram levantados mediante medida judicial. A recorrente peticionou à efls. 656, o retorno do processo à origem para análise do pedido de substituição de carta de fiança. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 11119.000018/9813 Acórdão n.º 3302006.323 S3C3T2 Fl. 686 10 Na forma regimental, o processo foi redistribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O recurso voluntário atende aos demais pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Verificase que a lide se refere aos requisitos dispostos no §10 do artigo 11 da Lei nº 9.432/1997, para a importação sem a incidência de imposto de importação e IPI vinculado, seguir transcrito: Art. 11. É instituído o Registro Especial Brasileiro REB, no qual poderão ser registradas embarcações brasileiras, operadas por empresas brasileiras de navegação. [...] § 10. As empresas brasileiras de navegação, com subsidiárias integrais proprietárias de embarcações construídas no Brasil, transferidas de sua matriz brasileira, são autorizadas a restabelecer o registro brasileiro como de propriedade da mesma empresa nacional, de origem, sem incidência de impostos ou taxas. O Registro Especial Brasileiro – REB – foi regulamentado pelo Decreto nº 2.256/1997 e seu artigo dispôs que “as embarcações construídas no Brasil e transferidas por matriz de empresa brasileira de navegação para subsidiária integral no exterior poderão retornar ao registro brasileiro, como de propriedade da mesma empresa nacional de origem, desde que aprovadas em vistoria de condições pelo Ministério da Marinha.” A autoridade fiscal entendeu que a SEAMAR SHIPPING CORPORATION não era subsidiária integral, em razão de que a documentação analisada não comprovava que a totalidade das ações ou quotas desta pertenciam à recorrente. Da leitura do §10 do artigo 11 da Lei nº 9.432/97 e do artigo 11 do Decreto nº 2.256/1997, inferese que a empresa estrangeira deveria possuir a condição de subsidiária integral no momento da exportação original da embarcação ao exterior e no momento de seu retorno, ou seja, na reimportação pela matriz brasileira. Para refutar a acusação fiscal, a recorrente caminhou na linha de defesa de que a SEAMAR SHIPPING CORPORATION, informada na DI, como empresa da Libéria era a reexportadora dos navios para a recorrente. Apresentou comunicação encaminhada ao Tribunal Marítimo, efl. 14, em 02/02/1998, na qual solicitou providências no sentido de inscrição dos dois navios no Registro Especial Brasileiro REB de bandeira liberiana que integravam a frota de sua subsidiária integral na Libéria, denominada SEAMAR SHIPPING CORPORATION. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 11119.000018/9813 Acórdão n.º 3302006.323 S3C3T2 Fl. 687 11 Os documentos apresentados em impugnação continham, de fato, inúmeras inconsistências e as considerações tecidas pela DRJ fizeram todo o sentido, pois, a partir dos elementos acostados aos autos, não se podia afirmar que a SEAMAR SHIPPING fora constituída e era sua subsidiária integral desde 1966 até o momento da importação dos navios DOCEBETA e DOCELOTUS. Em recurso voluntário, a recorrente apresentou vários documentos que explicavam, em parte, as incoerências levantadas pela DRJ. Entretanto, manteve a alegação de que o contrato social de 14/11/1996 possuía a finalidade de se adequar às leis liberianas, o que restou incoerente com o fato de o contrato de 14/11/1996 se referir à constituição de uma nova empresa, como pode ser observado pela DRJ ao comparar os objetos sociais (o do contrato de 14/11/1996 era menos abrangente que o de 1966), bem como por próprios excertos do contrato, transcritos a seguir, além de não apresentar documentos que explicitassem estar o Sr. Francis Nolan III agindo por conta e ordem da DOCENAVE: CONTRATO SOCIAL DA SEAMAR SHIPPING CORPORATION EM CONFORMIDADE COM A LEI DE SOCIEDADES COMERCIAIS DA LIBÉRIA A abaixoassinada, para os propósitos de constituir uma sociedade em conformidade com as disposições da Lei de Sociedades Comerciais da Liberia, conforme alterada (a "Lei"), pelo presente, faz, subscreve, reconhece e arquiva no escritório do Ministro das Relações Exteriores este instrumento para aquele propósito como segue: [...] D. 0 número total de ações que a Sociedade está autorizada a emitir é de 1.000 (mil), todas as quais são na forma nominativa com um valor nominal de US$1,00 (um dólar) por ação; [...] I. A existência da empresa irá iniciar no arquivo deste Contrato Social com o Ministro das Relações Exteriores na data de arquivo mencionadas neste Contrato Social. EM TESTEMUNHO DO QUE, o abaixoassinado fez, subscreveu e ratificou este instrumento neste dia 14 de novembro de 1996. Porém, após a realização da diligência, a recorrente alterou toda a linha de defesa, passando a admitir a existência de duas empresas (confirmando o que a DRJ afirmara sobre o documento relativo à criação de uma nova empresa em 14/11/1996) e que ocorrera erro material no preenchimento da DI, quanto ao nome da empresa, bem como país de exportação. A exportadora seria a NAVEDOCE (antiga SEAMAR) e não a SEAMAR SHIPPING CORPORATION (nova SEAMAR). Inicialmente, entendo, apesar de toda a profusão de nomes parecidos e documentos acostados, que podese admitir que a antiga SEAMAR (posteriormente denominada de SEAMAR INVESTMESTS LIMITED e, em seguida, de NAVEDOCE) era subsidiária integral no momento da exportação, em razão dos documentos acostados como a Ata da Assembléia Extraordinária de Acionistas da SEAMAR SC, datada de 1º/06/1992, na Fl. 687DF CARF MF Processo nº 11119.000018/9813 Acórdão n.º 3302006.323 S3C3T2 Fl. 688 12 qual consta a DOCENAVE como única acionista, o aumento de capital para US$ 79.000.000,00, mediante a incorporação de seis navios, dentre eles o DOCEBETA e DOCELOTUS, Ata de Reunião do Conselho de Administração da DOCENAVE (recorrente) de aquisição das ações da SEAMAR frente à CVRD, datada de 12/12/1984, Nota Explicativa de Parecer da Price Waterhouse Auditores Independentes, de 31/12/91 e 31/12/92, contrato social, DIRPJ ano base de 1991 de efl.299, DIRPJ ano base de 1992, bem como nas DIRPJ de 1993 a 1995 como SEAMAR e nas de 1996 a 1997 como NAVEDOCE. Nos pareceres de efls. 885 a 1242 (processo 11119.000019/9878), consta a informação de que em 1991, a antiga SEAMAR figurava como subsidiária integral da DOCENAVE, com 34.000.000 de ações. De 1992 a 1995, continua figurando como subsidiária integral, mas com 111.000.000 ações. Em 1996, no lugar de SEAMAR SHIPPING CORPORATION aparece a NAVEDOCE com 111.000.000, o que pode ser explicado pela alteração de nome da antiga SEAMAR para SEAMAR INVESTIMENTS LIMITES e, em seguida, para NAVEDOCE em 3/12/1996. Em 1997, continua figurando a NAVEDOCE como subsidiária, mas somente com 1 ação e informação de que a SEAMAR SHIPPING CORPORATION é controlada da NAVEDOCE. Em 1998, nenhuma mais aparece como investida, em razão da alienação em 05/11/98 da NAVEDOCE para a Navegação Vale do Rio Doce, que é controlada direta pela DOCENAVE. Assim, todos estes documentos indicam que a antiga SEAMAR, criada em 1966, e, depois sob o nome de NAVEDOCE, era subsidiária integral da DOCENAVE no período de 1991 a 05/11/1998, período que comportou a exportação e a importação. Também entendo plausível admitir que a exportação dos navios DOCELOTUS e DOCEBETA, em março de 1992 para a SEAMAR SC foi a título de integralização de capital, em vista da guia de exportação (efl.21), certificado emitido pelo Bacen 91.713, de 13/11/91, efl. 203. Outra conclusão que pareceme plausível é que a nova SEAMAR, constituída em novembro de 1996, era subsidiária integral da antiga SEAMAR ou NAVEDOCE e que de 1996 a 1998, a recorrente não possuía ações da nova SEAMAR, o que se pode inferir das demonstrações financeiras de 1996 a 1998 que citam a SEAMAR SHIPPING CORPORATION como controlada indireta da recorrente, mediante a participação de 100% na NAVEDOCE e desta como proprietária integral da nova SEAMAR. Neste ponto, surgiu a primeira dúvida para este relator. No acórdão anulado, a relatora considerou que o documento traduzido de efls. 646 em diante, datado de 17/12/1996, no qual a SEAMAR SHIPPING CORPORATION, mediante seu procurador Francis Nolan, vende, cede e transfere uma ação ordinária da SEAMAR SHIPPING CORPORATION para a DOCENAVE (a recorrente), a fim de que ela se torne a única acionista da SSC, referese à constituição de uma nova empresa e não à antiga SEAMAR, criada em 1966. A questão é intrigante, pois em nenhuma demonstração financeira aparece a nova SEAMAR como investimento direto da recorrente. Por outro lado, o documento de efls. 1320/1327 em diante, datado de 3/12/1996 (antes de 17/12/1996, data em que o Sr. Nolan transferiu uma ação para a DOCENAVE), informou que a antiga SEAMAR, sendo a única acionista da nova SEAMAR (cujo nome é o mesmo SEAMAR SHIPPING CORPORATION) subscreve 100 ações da nova SEAMAR, mudandose para a Ilha da Madeira e alterando o nome para NAVEDOCE. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 11119.000018/9813 Acórdão n.º 3302006.323 S3C3T2 Fl. 689 13 Ora, como pode um documento de 03/12/1996 informar que a NAVEDOCE é a única acionista da SEAMAR SHIPPING CORPORATION e subscrever mais 100 ações e outro documento de 17/12/1996 informar que a SEAMAR SHIPPING CORPORATION, mediante Francis Nolan cede e transfere uma ação ordinária à DOCENAVE afim de que esta se torne a única acionista? A meu ver, este documento de 17/12/1996 não se refere à nova SEAMAR, pois que pelos demais documentos (traduções juntadas e pareceres dos auditores independentes) a nova SEAMAR nunca foi subsidiária integral da DOCENAVE. Talvez este documento de 17/12/1996 se refira à antiga SEAMAR e tenha relação com a alteração constante das notas explicativas da DOCENAVE, nas quais, em 31/12/1995, aparece o investimento de 100% com 111.000.000 quotas na SEAMAR SHIPPING CORPORATION, em 31/12/1996, aparece investimento de 100% com 111.000.000 na NAVEDOCE (coerente com a alteração de nome em 3/12/1996) e, em 31/12/1997, aparece investimento de 100% com uma quota na NAVEDOCE. Mas, enfim, nada se pode afirmar com certeza em relação a esta questão, exceto que há uma incoerência nos documentos apresentados. A despeito disto, a principal questão a ser dirimida é verificar quem efetivamente exportou os navios: se a NAVEDOCE (antiga SEAMAR) ou a SEAMAR SHIPPING CORPORATION (nova SEAMAR). Temse os seguintes documentos juntados quanto a este ponto: 1. DI registrada em 07/07/98, informando como exportador SEAMAR SHIPPING CORPORATION, país exportador sendo a Libéria, efls. 9; 2. Carta enviada ao Tribunal Marítimo solicitando a inscrição no REB dos dois navios provenientes de subsidiária integral da Libéria SEAMAR, em 02/02/1998, efls. 13; 3. Extrato da Ata de Reunião do Conselho de Administração da DOCENAVE, em 26/01/1998, deliberando sobre a transferência dos navios de bandeira liberiana, provenientes da SEAMAR SHIPPING CORPORATION, subsidiária liberiana da DOCENAVE, com redução de capital social na SEAMAR, efls. 14; 4. Certificado de registro permanente, indicando o navio como de propriedade da SEAMAR SC, emitido em 18/06/1997, efls. 15; 5. Assembléia Geral da SEAMAR INVESTMENTS LIMITED subscrevendo 100 ações da nova SEAMAR, em 3/12/1996, efls. 1327 do processo 11119.000019/9878. 6. Assembléia Geral da SEAMAR SHIPPING CORPORATION reduzindo seu capital social para transferir os dois navios à sua única acionista NAVEDOCE, em 30/04/1998, efls. 1381 a 1385 do processo 11119.000019/9878; 7. Carta mandato de 02/02/1998, na qual a recorrente nomeia procurador em Portugal para dividir o capital da NAVEDOCE em duas quotas (uma no exato valor de avaliação dos navios), ceder esta quota à própria NAVEDOCE mediante a transferência dos dois navios, efls. 1387 do processo 11119.000019/9878; Fl. 689DF CARF MF Processo nº 11119.000018/9813 Acórdão n.º 3302006.323 S3C3T2 Fl. 690 14 8. Acta número três, de 02/02/1998, na qual a NAVEDOCE dá os dois navios como pagamento da aquisição da quota de seu capital, afirmando estarem livres e desembaraçados de qualquer ônus, efls. 1390 do processo 11119.000019/9878; 9. Acta número cinco, de 15/05/1998, efls. 1395 do processo 11119.000019/9878, na qual a NAVEDOCE deliberou sobre a divisão do capital em duas quotas, a aquisição de quota própria junto à DOCENAVE, que já foi paga nos termos da Acta número três, de 02/02/1998; 10. Escritura pública em cartório da Ilha da Madeira, efls. 1402 do processo 11119.000019/9878, de 30/10/1998, na qual se declara a divisão das quotas, conforme Acta número cinco. Os docs. de itens 2 a 4 indicam que a recorrente está importando dois navios da SEAMAR SHIPPING CORPORATION, empresa sediada na Libéria e subsidiária integral. Estes documentos justificaram o nome SEAMAR na DI. Já os docs. de 5 a 10 seriam a prova do erro material, pois que os dois navios teriam sido exportados para a antiga SEAMAR (NAVEDOCE) em 1992 (o que este relator entende plausível), transferidos para nova SEAMAR em 3/12/1996, retornados à NAVEDOCE em 30/04/1998 (?), dados em dação em pagamento em 02/02/1998 (?) à DOCENAVE e importados desta em 07/07/1998. Surgem, então, outras dúvidas. A carta enviada ao Tribunal Marítimo data de 02/02/1998, assinada por Nelson Luiz Canini, no Rio de Janeiro, informando que os navios seriam importados da SEAMAR. Porém, no mesmo dia, o Sr. Nelson assinou uma carta mandato dispondo sobre a cessão de quotas na NAVEDOCE e quitação mediante dação em pagamento dos dois navios. E no mesmo dia, a acta número três informa que os navios estão sendo dados em pagamento, livres e desembaraçados. É curioso, uma pessoa, no mesmo dia, afirmar que os navios serão importados de SEAMAR em um documento e em outro, conduzir processo, para que sejam importados da NAVEDOCE. Outro ponto duvidoso diz respeito à data em que os navios teriam retornado à NAVEDOCE. A acta número três data de 02/02/1998, deliberando que os navios estavam sendo dados em pagamento naquele momento, em razão da aquisição de quota própria, livres de ônus, enquanto apenas em 30/04/1998, a Assembléia Geral da nova SEAMAR deliberou sobre a redução de capital e transferência dos navios à NAVEDOCE. Por outro lado, não localizase informação nas notas explicativas relativas a 1998, efls. 886 a 919 do processo 11119.000019/9878, considerações a respeito da redução de capital na subsidiária NAVEDOCE, embora haja informação sobre operações com a SEAMAR SHIPPING CORPORATION, como controlada indireta, efl. 901, informação sobre a alienação da NAVEDOCE para a NAVEGAÇÃO VALE DO RIO DOCE, também controlada da recorrente, efl. 907. Salientase também, que não localizamse nos autos, os lançamentos contábeis referentes à redução de do investimento na NAVEDOCE com o consequente aumento do imobilizado representado pelas aquisições dos dois navios. Verificase que, diante do exposto, existem várias elementos imprecisos e duvidosos a respeito dos documentos apresentados, persistindo mesmo após a proferição do Acórdão nº 30129.852, o qual concluiu que, à vista dos documentos apresentados e de Fl. 690DF CARF MF Processo nº 11119.000018/9813 Acórdão n.º 3302006.323 S3C3T2 Fl. 691 15 diversas inconsistências, os navios foram importados da NAVEDOCE e não da nova SEAMAR. Neste ponto, causou estranheza a este relator o comportamento da recorrente. É que, após a publicação do acórdão negando provimento ao recurso voluntário, a recorrente opôs embargos de declaração alegando que as conclusões da relatora eram contraditórias e obscuras e que deveria ter baixado o processo em diligência para dirimir pontos ainda conflitantes. Em seguida, diante da não admissão dos embargos, a recorrente interpôs recurso especial de divergência, que, ao final, culminou na decisão proferida pela CSRF nº 9303 01.172, em 12/08/2009, anulando o julgamento anterior, em razão de a recorrente não ter sido intimada do relatório de diligência que embasou a decisão anulada, causando o cerceamento de defesa. Esperavase, portanto, que, sendo cientificada do relatório em janeiro de 2014, após ter argumentado que as conclusões da relatora eram contraditórias e obscuras, que deveria o processo ser baixado em nova diligência, que houve cerceamento de defesa ao não ter ciência do relatório diligência, a recorrente pudesse neste tempo até o presente julgamento, juntar provas e esclarecimentos capazes de dirimir as dúvidas colocadas pela relatora e pelo próprio auditor fiscal responsável pela diligência, nos itens 26 a 28 do relatório fiscal, transcritos acima. No entanto, quedouse silente quanto a todas questões levantadas, levando a crer que a arguição de cerceamento de defesa foi meramente formal e processual, sem ter implicado, efetivamente, o não exercício da garantia constitucional. Frisese que para este relator remanescem dúvidas sobre esclarecimentos acerca de: Informação se houve retificação dos documentos enviados ao Tribunal Marítimo, corrigindo a informação quanto à exportadora das embarcações, juntando tais documentos aos autos, de acordo com o §2º do artigo 1º do Decreto nº 2.256/1997, bem como trazer aos autos toda a documentação que serviu para o registro da embarcação no Tribunal Marítimo; Esclarecimento sobre a data em que os navios foram transferidos para a NAVEDOCE, se 02/02/1998 ou 30/04/1998 ou outra data; Esclarecimento sobre a evolução societária da nova SEAMAR, desde sua criação até 31/12/1998; Esclarecimento sobre a que empresa se refere o documento de efls. 646 em diante, de 17/12/1996, uma vez que menciona SEAMAR SHIPPING CORPORATION como sendo transferida à DOCENAVE, quando em toda a defesa pós diligência, foi declarado que a nova SEAMAR era subsidiária integral da NAVEDOCE e não da DOCENAVE; Salientase que, a rigor, não seria cabível a alteração da fundamentação fática e produção de novas provas após o momento da impugnação, quando se definem os limites fáticos e jurídicos da lide1. Ocorre que toda a nova argumentação e suas provas foram juntadas 1 Neste sentido, Acórdão nº 3401003.159: INOVAÇÃO DA LIDE ADMINISTRATIVA. INADMISSIBILIDADE. PRECLUSÃO TEMPORAL. OCORRÊNCIA. A delimitação do litígio administrativo se dá segundo os termos da impugnação ou Fl. 691DF CARF MF Processo nº 11119.000018/9813 Acórdão n.º 3302006.323 S3C3T2 Fl. 692 16 em diligência solicitada no primeiro julgamento de recurso voluntário, o que, a meu ver, somente seria passível de aceitação se demonstrassem inequivocamente a veracidade das novas alegações. Porém, a partir das considerações tecidas pelo relatório fiscal, pela relatora do acórdão anulado e pelas dúvidas elencadas acima neste voto, não é possível concluir que os navios objeto das DIs autuadas foram, inequivocamente, importados da NAVEDOCE, mas, pelo contrário, o documento encaminhado ao órgão público responsável pelo registro da embarcação consta como proveniente da SEAMAR SHIPPING CORPORATION, como defendeu a recorrente desde o início da lide até a interposição do recurso voluntário. E a SEAMAR SHIPPING CORPORATION não era subsidiária integral da recorrente em julho/1998, mas sim sua controlada indireta, conforme os pareceres dos auditores independentes juntados aos autos. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède manifestação de inconformidade porventura apresentados, através da dedução de todas as questões controversas, sob pena de preclusão temporal, a teor dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, ressalva feita exclusivamente às matérias supervenientemente incorporadas nas decisões administrativas proferidas ao longo do procedimento contencios o, não sendo possível a inovação da lide em recursos ou petições posteriores. Fl. 692DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.002616/2001-22
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3003-000.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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FABRICA DE TECIDOS SÃO JOÃO EVANGELISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .0 02 61 6/ 20 01 -2 2 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10640.002616/200122 Resolução nº 3003000.008 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração da contribuição ao PIS, atinente ao primeiro trimestre de 1997, em decorrência de auditoria interna na DCTF apresentada pelo contribuinte. Na referida declaração, o contribuinte informou exigibilidade suspensa, não tendo sido então comprovada a existência de processo judicial. Inconformada, a recorrente apresentou impugnação, aduzindo, em síntese, que havia realizado depósito judicial dos valores objeto do lançamento. Esclareceu, ainda, que os depósitos judiciais atinentes às competências do primeiro trimestre de 1997 foram, equivocadamente, realizados no processo nº. 95.01027716, quando o correto seria efetuálos no processo nº. 1998.38.01.0031960. Prossegue com sua explicação: A recorrente sustenta que o débito sob litígio jamais "lhe seria exigível, haja vista que os depósitos, que não foram sacados, garantem a satisfação dos créditos tributários", pedindo, então, o cancelamento da autuação. Contesta, por fim, a aplicação da taxa SELIC na determinação dos juros de mora. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu decisão, dando provimento parcial à impugnação, tendo excluído a multa de ofício, pela aplicação da retroatividade benigna, e mantido a autuação e a taxa SELIC, nos termos da ementa: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10640.002616/200122 Resolução nº 3003000.008 S3C0T3 Fl. 4 3 Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual argumenta, em síntese, que o depósito judicial tem o condão de constituir o crédito tributário, de maneira que, "(p)or lógica, se o débito está constituído, relativamente ao período cobrado, a Fazenda Nacional não pode se insurgir e promover novo lançamento sobre o referido crédito, incorrendo em duplo lançamento. A Fazenda poderia, apenas, insurgirse contra eventual diferença que constitua crédito não lançado". Pugna, então, pela nulidade do Auto de Infração, em face de suposta ilegalidade de duplo lançamento. De forma subsidiária, a recorrente postula pela conversão do julgamento em diligência para que a RFB proceda à análise dos débitos, tendo em vista os depósitos realizados. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10640.002616/200122 Resolução nº 3003000.008 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Passo à análise do recurso. A autuação atacada teve como fundamento a não comprovação de processo judicial, informado em DCTF, que ampararia a suspensão da exigibilidade dos débitos de PIS atinentes ao primeiro trimestre de 1997. A controvérsia cingese às questões de saber (i) se o depósito do montante integral, no curso da ação judicial, impediria a lavratura do auto de infração e (ii) qual deve ser o encaminhamento, caso seja válido o auto de infração, para a solução de eventual duplicidade de débitos, apontada pela recorrente. Buscando responder à primeira questão, cabe lembrar, antes de tudo, que atualmente não há mais dúvidas de que o depósito judicial do montante integral é suficiente para a constituição do crédito tributário concernente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tal matéria foi pacificada em diversas decisões do Superior Tribunal de Justiça, entre as quais: REsp nº. 1.351.073/RS; DJE: 13/05/2015 TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL DA DÍVIDA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 151, II, DO CTN. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO NÃO CONFIGURADAS. JUROS MORATÓRIOS E MULTA. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Discutese nos autos os efeitos do depósito do montante integral da dívida tributária. 2. Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, "no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vistas à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN, não havendo que se falar em decadência do direito do Fisco de lançar" (REsp 1.008.788/CE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/10/2010, DJe 25/10/2010). Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10640.002616/200122 Resolução nº 3003000.008 S3C0T3 Fl. 6 5 3. O levantamento indevido de depósito judicial autoriza a cobrança da quantia percebida, no prazo prescricional quinquenal, contados da data da extinção do depósito. Hipótese em que não ficou caracterizada a prescrição. 4. Não é cabível, durante o período em que o montante do tributo estava depositado judicialmente, a exigência de juros e multa de mora. Com o levantamento do depósito, a circunstância que elidia a mora deixou de existir, passando a ser devidos os juros e a multa. 5. O levantamento indevido dos valores não convertidos em renda restaura a exigibilidade do débito, podendo ser cobrado pela Fazenda Pública com todos os ônus decorrentes, todavia, somente a partir da data do levantamento. Recurso especial parcialmente provido. REsp nº. 1637092/RS; DJE: 19/12/2016 TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL DA DÍVIDA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 151, II, DO CTN. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. DISPENSA DO ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. SUMULA 83/STJ. 1. Tribunal a quo julgou improcedente a apelação e não reconheceu a decadência quanto aos depósitos efetuados para discutir a exigibilidade de tributo relativo ao período anterior a 23/04/2007. 2. É pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste; como resultado, tornase desnecessário o ato formal de lançamento pela autoridade administrativa no que se refere aos valores depositados. 3. O acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento deste Tribunal Superior, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Incide, in casu, o princípio estabelecido na Súmula 83/STJ: "Não se conhece do Recurso Especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." 4. Recurso especial não provido. REsp nº. 1.216.466/RS ; DJE 04/12/2012 TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL PRESCRIÇÃO INEXISTÊNCIA DEPÓSITO CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO – LEVANTAMENTO INDEVIDO EXIGIBILIDADE TERMO A QUO. 1. O depósito do crédito tributário equivale ao lançamento tributário para fins de constituição da dívida. Precedentes. 2. O levantamento indevido de depósito judicial autoriza a cobrança da quantia percebida, no prazo de prescrição de 5 anos, contados da data da extinção do depósito. 3. Inexistência de prescrição se o ajuizamento ocorreu 3 anos após o levantamento indevido do depósito. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10640.002616/200122 Resolução nº 3003000.008 S3C0T3 Fl. 7 6 4. Recurso especial não provido. A tese consolidada no STJ, segundo a qual o depósito judicial do montante integral constitui o crédito tributário, foi encampada na esfera administrativa, tanto pela Receita Federal do Brasil (RFB) como pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN). No âmbito da PFN, vários pareceres foram exarados nos últimos anos, entre os quais, merece menção o parecer PGFN/CAT/Nº 232/2012, cujo excerto transcrito a seguir deixa claro os efeitos constitutivos do depósito judicial: PGFN/CAT/Nº 232 (...)7. No que se refere ao tema, esta CoordenaçãoGeral de Assuntos Tributários já se pronunciou por meio do Parecer PGFN/CAT/Nº 941/2007. Concluiuse que, no caso de depósito integral do montante em juízo, relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o próprio sujeito passivo calcula o valor, em situação equiparável às declarações por ele apresentadas, constitutivas de confissão de débito. Logo, desnecessário o lançamento pela autoridade fiscal em relação ao quantum depositado e, consequentemente, não há falar em decadência, desenhandose a homologação expressa ou tácita da apuração realizada. Na hipótese de êxito na causa por parte da União, os valores depositados serão convertidos em renda em seu favor. Não obstante, discordando o Fisco dos valores depositados, deverá proceder ao lançamento dentro do quinquênio decadencial, viabilizandose posteriormente a cobrança do montante que exceder ao depositado. (...) Do lado da RFB, vejase, por exemplo, a Solução de Consulta Interna Cosit nº. 3, de 3 de março de 2016, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.DEPÓSITO EM MONTANTE INTEGRAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEVANTAMENTO DOS VALORES.O depósito constitui o crédito tributário, conforme art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), sendo desnecessário o lançamento de ofício para tanto.O levantamento de (valores do) depósito não desconstitui o crédito tributário correspondente, sendo descabida a formalização de lançamento pelo Fisco, visto ser desnecessário, em atenção ao princípio da eficiência.OUTRAS CONDUTAS IRREGULARES. LANÇAMENTO. Para a hipótese de outra conduta irregular, é cabível a autuação fiscal, a fim de deixar caracterizada, na constituição do crédito tributário, dentre outros requisitos, a descrição do fato e a disposição legal infringida.Dispositivos Legais: arts. 108 e 111 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN); art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. No âmbito do CARF, é pacífico o entendimento de que o depósito judicial do montante integral apresenta natureza constitutiva do crédito tributário. Vejase, por exemplo, o Acórdão nº. 3302004.761, Relator Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, julgado na sessão de 26 de setembro de 2017, cuja ementa segue transcrita na parte que interessa à presente análise: DEPÓSITO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10640.002616/200122 Resolução nº 3003000.008 S3C0T3 Fl. 8 7 O depósito do crédito tributário equivale ao lançamento tributário para fins de constituição da dívida, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Entretanto, verificando a sua não integralidade, deve ser promovido o lançamento de ofício do crédito tributário, dentro do qüinqüênio (contado sem qualquer interrupção ou suspensão), para a cobrança das diferenças, sob pena de operarse a decadência do crédito. Parecer PGFN/CAT nº 941/2007, Parecer PGFN/CAT nº 456/2011, Parecer PGFN/CAT nº 232/2012, Parecer PGNF/CRJ nº 383/2012 e Precedente do STJ no REsp nº 1.140.956, submetido ao procedimento de recursos repetitivos. Voltemos, pois, à primeira questão. No tocante ao argumento de improcedência do auto de infração em face da constituição do crédito tributário pelo depósito judicial, predomina, no CARF, o entendimento segundo o qual o depósito judicial não tem o condão de obstar o lançamento, mas, tão somente, impedir a cobrança do respectivo crédito. Tal entendimento está consignado em várias decisões do CARF, entre as quais, vale mencionar o Acórdão nº. 9101003.686, Relatora Conselheira Viviane Vidal Wagner, cujos excertos da ementa e voto condutor estão transcritos abaixo: EMENTA: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009, 2011 DEPÓSITO JUDICIAL DE MONTANTE INTEGRAL. CONSTITUIÇÃO DE OFÍCIO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O entendimento pacificado no STJ em julgamento de recurso afetado como representativo de controvérsia é o de que o depósito do montante integral do crédito tributário suspende sua exigibilidade e veda a prática de atos de cobrança por parte da Administração Tributária, mas não impede ou invalida o lançamento de ofício desses valores, desde que feito com suspensão de exigibilidade e sem a incidência de multa de ofício. EXCERTOS DO VOTO CONDUTOR: Administrativamente, há entendimentos divergentes a respeito de equivalerem, os depósitos judiciais de montantes integrais de valores discutidos judicialmente, à constituição do crédito tributário, de modo que o lançamento de ofício para exigência dos mesmos valores seria indevido. Há divergências, até mesmo, na compreensão da matéria diante da jurisprudência no âmbito do STJ. Há aqueles que entendem que o tema, naquela corte, já se encontra pacificado no sentido de que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário, previstas no art. 151, do CTN, dentre as quais se encontra o depósito judicial do montante integral, impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, incluído aí a lavratura do auto de infração, e que esta tese já teria sido afetada como representativa de controvérsia no julgamento do Resp n° 1.140.956/SP, de forma que essa conclusão deve ser reproduzida pelos conselheiro do CARF, nos termos do art. 62, do RICARF. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10640.002616/200122 Resolução nº 3003000.008 S3C0T3 Fl. 9 8 Mas há outros que julgam que o tema submetido aos efeitos de repetitivo não abarca situações como as do presente caso, já que naquela oportunidade julgamento do Recurso Especial nº 1.1140.956/SP não foi apreciada a possibilidade de formalização de lançamento sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade, em face de crédito tributário objeto de depósito judicial integral, como ocorreu nestes autos. Comecemos, então, por delimitar se a questão em análise teria sido decidida pelo STJ em recurso afetado como representativo de controvérsia e, nessas condições, deve ser reproduzida pelos conselheiros deste colegiado. Em voto proferido no Acórdão nº 1101001.135, a ilustre ex Conselheira Edeli Pereira Bessa, avaliando questão idêntica à dos presentes autos, concluiu, em excelente explanação, que o STJ não havia apreciado, no bojo do repetitivo Resp n° 1.140.956/SP situação em que os valores depositados judicialmente haviam sido constituídos por meio de lançamento de ofício, sem suspensão de exigibilidade e sem a imposição de multa de ofício, tratando aquele julgado, como seus precedentes, de casos em fase de execução de dívida ativa em que os depósitos judiciais foram feitos em valores insuficientes. Assim, em seu voto, imediatamente após transcrever o acórdão do STJ proferido no julgamento do Resp n° 1.140.956/SP , assinalou o seguinte: Porém, observase que a discussão, naqueles autos, tinha em conta execução fiscal promovida em face de sujeito passivo que promovera depósito judicial classificado como insuficiente pela Municipalidade e, assim, inábil a suspender a exigibilidade do crédito tributário. Aqui, o lançamento foi formalizado sem aplicação de penalidade e com o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, inexistindo qualquer questionamento acerca da suficiência do depósito judicial. Por sua vez, o voto condutor do julgado antes mencionado principia observando que: Entrementes, dentre os multifários recursos especiais relacionados à questão da impossibilidade de ajuizamento de executivo fiscal, ante a existência de ação antiexacional conjugada ao depósito do crédito tributário, grande parte referese à discussão acerca da integralidade do depósito efetuado ou da existência do mesmo, razão pela qual impõese o julgamento da controvérsia pelo rito previsto no art. 543C, do CPC, cujo escopo precípuo é a uniformização da jurisprudência e a celeridade processual. (destaques do original) Sob esta ótica, o Superior Tribunal de Justiça manifestouse acerca da implementação da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de depósito judicial, asseverando que sua implementação, quando integral, impede “atos de cobrança”, dentre os quais inseriu a “lavratura do auto de infração e aplicação de multa”, sem apreciar a possibilidade de lançamento sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade. É nesse contexto específico que exsurge o impedimento à lavratura do auto de infração em face de depósito judicial integral do tributo. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10640.002616/200122 Resolução nº 3003000.008 S3C0T3 Fl. 10 9 No mais, o Superior Tribunal de Justiça teve em conta apenas a extinção do crédito tributário em razão da conversão do depósito em renda da Fazenda Pública, bem como a suficiência do depósito judicial no caso concreto em análise, determinando a extinção da execução fiscal em curso. Concluise, do exposto, que o Superior Tribunal de Justiça não decidiu, no rito do art. 543C, acerca da impossibilidade de lançamento, sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade, de tributo depositado judicialmente. É verdade que o mencionado acórdão foi reformado por esta 1ª Turma da CSRF, por voto de maioria de seus componentes, através do acórdão nº 9101003061, de 13/09/2017. Mas isto não impede que esta conselheira exerça seu livre convencimento a respeito da questão, fiandose nas razões de decidir daquele julgado reformado. Em assim sendo, julgo não só oportunas as observações da ex Conselheira Edeli Bessa deduzidas no voto acima reproduzido, como encontro eco de suas arguições nos julgamentos precedentes do STJ que deram origem ao Resp n° 1.140.956/SP. É o que se vislumbra, por exemplo, do teor dos seguintes julgados precedentes: RECURSO ESPECIAL Nº 885.246 ES (2006/01590614): REMESSA NECESSÁRIA APELAÇÃO VOLUNTÁRIA AÇÃO ANULATÓRIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DEPÓSITO DO VALOR INTEGRAL DO DÉBITO FISCAL, EM DINHEIRO SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ART. 151, INCISO II, DO CTN SÚMULA 112 DO STJ AJUIZAMENTO DE AÇÃO DE EXECUÇÃO FISCAL INUTILIDADE SUPOSTA OFENSA AO ART. 16, DA LEI 6.830/80 NÃO OCORRÊNCIA APRECIAÇÃO DE QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA RECURSO IMPROVIDO REMESSA PREJUDICADA. 1. Nos termos da súmula 112 do STJ, e do inciso II, do artigo 151, do Código Tributário Nacional, o depósito do valor correspondente à integralidade do débito fiscal cobrado, em dinheiro, suspende a exigibilidade do crédito tributário. 2. A propositura da ação anulatória de lançamento fiscal, com o depósito do valor integral do crédito cobrado, em dinheiro, impede a Fazenda Pública de promover a execução fiscal, por ausência de exigibilidade do título na qual esta se funda. Ademais, não há utilidade do processo executivo, posto que o crédito tributário será extinto, seja pela sentença que acolha a pretensão anulatória, seja pela conversão do depósito efetuado em renda para o ente tributante. 3. Não há de se falar em ofensa ao artigo 16 da Lei n.º 6.830/80, pois se tratando de condição da ação executiva, questão de ordem pública antecedente, o julgador pode conhecêla de ofício (...) Notase desses e de todos os demais precedentes que basearam o julgamento do Resp n° 1.140.956/SP, que aquela Corte Superior concluiu que os depósitos judiciais em montantes integrais tem o condão de impedir o ajuizamento da ação de execução fiscal Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10640.002616/200122 Resolução nº 3003000.008 S3C0T3 Fl. 11 10 apresentada posteriormente à feitura dos referidos depósitos judiciais ação de cobrança. Daí porque compartilho do entendimento no sentido de que o recurso repetitivo do STJ Resp n° 1.140.956/SP não apreciou situação como a dos presentes autos, em que se discute se os depósitos judiciais integrais impedem a lavratura de auto de infração com suspensão de exigibilidade e sem a imposição de multa de ofício. Ademais, é pertinente ressaltar que o entendimento pacificado no STJ pelo Resp n° 1.140.956/SP, é o de que o depósito do montante integral do crédito tributário suspende sua exigibilidade e veda a prática de atos de cobrança por parte da Administração Tributária. Isto fica bem claro do seguinte trecho do voto nele proferido pelo Exmo Ministro Luiz Fux: [...]Deveras, ao realizarse, no plano fático, a hipótese de incidência contida no antecedente da regra matriz de incidência tributária, vale dizer, a ocorrência do fato gerador, a autoridade fiscal ou o próprio contribuinte procedem ao lançamento, que constitui o crédito tributário, que possibilita a incidência de uma outra norma geral e abstrata, qual seja, a regra matriz de exigibilidade. Nesse segmento, no que tange à matéria atinente à exigibilidade do crédito tributário, verificase a existência de duas normas gerais e abstratas: a regra matriz da exigibilidade e a regra matriz de suspensão da exigibilidade norma de estrutura prevista no art. 151 do CTN. A regra matriz de exigibilidade do crédito tributário, portanto, em seu critério temporal, decorre, simultânea e obrigatoriamente, da constituição do crédito tributário por atonorma do particular (art. 150 do CTN) ou da autoridade fiscal (art. 142, do CTN) e do decurso do lapso temporal para seu vencimento. A regra matriz de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por sua vez, ocorrida alguma das hipóteses previstas no art. 151 do CTN, inibe o critério temporal da regra matriz de exigibilidade, prevalecendo até que descaracterizada a causa que lhe deu azo. Isso significa dizer que as causas suspensivas da exigibilidade aparecem como critérios negativos das hipóteses normativas das regras gerais e abstratas de exigibilidade, que, por isso, não podem ser aplicadas. Por isso que o depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário e impede o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. Nesse sentido, os seguintes precedentes: [...]É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. [...] (*) grifos do original Assim, não se vê, do referido repetitivo, qualquer afirmação feita pelo relator na direção de que os depósitos judiciais de montante integral impeçam a constituição de ofício do Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10640.002616/200122 Resolução nº 3003000.008 S3C0T3 Fl. 12 11 crédito tributário. (grifei) Muito pelo contrário. O que fica bem claro do voto é que os depósitos judiciais integrais impedem a exigibilidade do crédito tributário, o que se dá através da ação de cobrança ou da execução fiscal. Com esta explanação, temse por analisada e afastada a alegação preliminar feita pela interessada em sede de contrarrazões, de não conhecimento do REsp da PFN em razão de que o paradigma indicado para o tema "Depósito do Montante Integral", não teria observado o que decidiu o STJ no Recurso Especial nº 1.140.956/SP, afetado como representativo de controvérsia. (...) Entendo que em casos como o presente, em que não há sequer unanimidade na compreensão da jurisprudência do STJ sobre o tema, é absolutamente compulsória a constituição de ofício do crédito tributário a que se referem os depósitos judiciais de montantes integrais, com a devida suspensão da sua exigibilidade e sem a imposição da multa de ofício, até, inclusive, para proteger a Fazenda Pública dos efeitos do lapso decadencial. Assim se extrai a inteligência da Súmula CARF nº 48: Súmula CARF nº 48. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Em face do exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento para manter o lançamento consubstanciado nos presentes autos, observandose que, na existência dos depósitos judiciais, não poderão ser implementados atos de cobrança do crédito tributário constituído, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ. Da leitura dos excertos acima transcritos, podese concluir que: embora constitua o crédito tributário, afastando, como visto, o argumento de decadência do tributo, o depósito do montante integral não invalida a autuação fiscal. Como bem observou a Conselheira Viviane Vidal Wagner, no Acórdão nº. 9101003.686, não há, no voto condutor do REsp n° 1.140.956/SP, qualquer afirmação no sentido de que os depósitos judiciais de montante integral serviriam para obstar a constituição de ofício do crédito tributário o Fisco poderia, por exemplo, discordar dos valores constituídos pelo depósito ou mesmo buscar delinear com mais minúcia e precisão, pelo lançamento, os elementos da obrigação tributária. Também as diversas decisões precedentes que amparam o referido recurso especial não trazem a tese de que o depósito impediria a lavratura, restringindose, tão somente, à cobrança e execução do crédito tributário. Naturalmente, ocorrendo o depósito do montante integral, a lavratura de auto de infração sobre os mesmos débitos pode se mostrar desnecessária ou descabida, contrária à eficiência, como restou consubstanciado no pronunciamento da própria RFB, por meio da Solução de Consulta Interna Cosit nº. 3/2016. Isso não significa, porém, que o auto de infração seja nulo ou inválido pela existência de depósito judicial integral. Nesse sentido é a NOTA PGFN/CRJ/Nº 1114/2012, a qual, ocupandose, em seu item 63, da delimitação da matéria decidida no REsp n° 1.140.95693/SP, assim se pronunciou: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10640.002616/200122 Resolução nº 3003000.008 S3C0T3 Fl. 13 12 63 RESP 1.140.95693/SP Relator: Min. Luiz Fux Recorrente:Município de São Paulo Recorrido:Fazenda Nacional Data de julgamento: 24/11/2010. Resumo: O depósito do montante integral do débito, nos termos do art. 151, II do CTN, feito no bojo de ação anulatória de crédito, declaratória de inexistência de relação jurídicotributária ou mandado de segurança ajuizados antes da execução fiscal, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal. Isto porque, as causas que suspendem a exigibilidade do crédito tributário impedem o Fisco de realizar os atos de cobrança. Julgada improcedente a ação proposta pelo contribuinte, o depósito feito será convertido em renda em favor da Fazenda, extinguindo o crédito tributário, em conformidade com o art. 156, VI do CTN. Observação: Destaquese que a jurisprudência do STJ restou pacífica no entendimento de que o depósito judicial constitui o crédito tributário, tornando desnecessário o lançamento, não havendo que se falar em decadência. Precedentes: REsp 961.049; Resp 1.008.788; REsp 822.032. * Data da inclusão: 19/04/2011 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o ponto controvertido da interpretação do repetitivo acima diz respeito aos efeitos do depósito judicial em relação ao lançamento do tributo. Isto porque, nos Pareceres CAT 941/2007, 796/2011 e 232/2012, a PGFN consolidou o entendimento de que o depósito do montante integral em ações que discutam a cobrança de crédito tributário não impede o lançamento, mas apenas o torna desnecessário. No entanto, a Corte pareceu consignar que o depósito também impediria o lançamento. Percebese que faltou técnica no uso dos termos pelo julgador na ementa da decisão. O melhor é fazer a exegese do julgado no sentido de que o depósito impede os atos de cobrança posteriores ao lançamento. A nota da PGFN esclarece, com acerto, que a melhor interpretação do voto condutor do julgamento do REsp 1.140.95693/SP é aquela segundo a qual o depósito judicial impede os atos de cobrança posteriores ao lançamento, mas não obsta o lançamento em si. Nesse sentido, importa lembrar o teor da Súmula CARF nº. 48: Súmula CARF nº 48. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. A possibilidade de lançamento de ofício, na ocorrência de depósito do montante integral, também decorre da intelecção da Súmula CARF nº. 5, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Importa registrar que as mencionadas súmulas são de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72, Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10640.002616/200122 Resolução nº 3003000.008 S3C0T3 Fl. 14 13 Pelas razões expostas, entendo que o depósito judicial do montante integral não impede o Fisco de efetuar o lançamento tributário, sem a imposição de multa a qual foi afastada pela decisão recorrida e com a suspensão de sua exigibilidade, lançamento cujo débito deve ser extinto quando da conversão em renda do depósito judicial. Voltome, agora, à questão de fundo, qual seja, a de saber se os débitos objetos da autuação devem ou não subsistir tendo em vista as alegações da recorrente. Compulsando os autos, observase que a recorrente trouxe, desde a impugnação, documentos robustos para sustentar sua alegação de que a autuação é insubsistente. Com efeito, as Guias de Depósito à Ordem da Justiça Federal às fls. 64 a 66, referentes ao PIS dos períodos de apuração de 01/1997 a 03/1997, com valores iguais aos débitos autuados, assim como a decisão judicial à fl. 63, determinando o levantamento dos valores depositados pela recorrente, observandose a parcela a ser convertida em renda da União, se apresentam como documentos incisivos para ao menos apontar para uma possível extinção dos débitos autuados. Sendo assim, voto pela conversão em diligência do presente julgamento, a fim de que a unidade de origem tome as seguintes providências: 1 Verificar se os depósitos enunciados nas Guias de Depósito à Ordem da Justiça Federal às fls. 64 a 66, referentes ao PIS dos períodos de apuração de 01/1997 a 03/1997, foram convertidos em renda da União; 2 Em caso de conversão dos depósitos em renda, proceder à análise e aferição da satisfação dos débitos de PIS constantes da autuação, apurando, em especial, se os créditos convertidos são suficientes e disponíveis para a extinção dos débitos objetos do presente litígio; 3 Elaborar relatório com demonstrativo e parecer conclusivo acerca da (in)subsistência dos débitos em litígio diante da eventual conversão dos respectivos depósitos judiciais, juntando todos os documentos necessários para suportar suas conclusões extratos de sistemas, peças essenciais e decisões judiciais e administrativas pertinentes, etc.; 4. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Vinícius Guimarães Relator Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.940005/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo integralmente o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, por entender que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 40 00 5/ 20 11 -0 3 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10980.940005/201103 Resolução nº 1402000.749 S1C4T2 Fl. 3 2 ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição". Em sua Manifestação de Inconformidade, alegou a Recorrente que efetuou diversos pagamentos espontâneos de tributos devidos, anteriormente a qualquer procedimento de fiscalização ou cobrança, o que motivou a apresentação do pedido de restituição visando a devolução dos valores indevidamente exigidos a título de multa moratória; Entende que faz jus à devolução da multa de mora, já ser mera conseqüência da denúncia espontânea havida com o pagamento do débito antes de qualquer procedimento fiscalizatório e anteriormente à retificação de DCTF. Alega que conforme o art. Nº 138 do CTN, que dispensa o pagamento de multa, seja ela qual for, em casos de denúncia espontânea apresentada antes de o início de qualquer procedimento administrativo, não há que se cogitar na espécie de multa de qualquer natureza. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o Acórdão, ora recorrido, em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o direito creditório, com o entendimento que "aplicase a multa de mora aos pagamentos efetuados em atraso, não se considerando como crédito, compensável, os valores abarcados pela tese da espontaneidade prevista no art. Nº 138 do CTN". Inconformado com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, em que reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.739, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10980.939894/201149, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.739): "O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. A Recorrente alega que a previsão legal contida no artigo 138, do CTN, bem assim a jurisprudência pátria, inclusive na esfera administrativa, contemplam a exclusão da responsabilidade por força da denúncia espontânea e, consequentemente, a inexigibilidade de qualquer multa sobre os valores recolhidos em atraso, seja ela de mora ou de ofício. Afirma que tratandose a hipótese subexamine de procedimento espontâneo da Contribuinte (quitação de tributo, antes da inclusão do pagamento e da entrega da DCTFRetificadora ou de qualquer ato fiscalizatório), a multa de mora cobrada é de todo indevida, razão pela qual a sua devolução é medida que se impõe. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10980.940005/201103 Resolução nº 1402000.749 S1C4T2 Fl. 4 3 Aduz que tendo em vista tais premissas fáticas e legais motivadoras do pedido de restituição ora em debate, temse por configurado o "pagamento a maior ou indevido", passível de aproveitamento, nos termos do artigo 74, da Lei 9.430/96 (com a redação da pela Lei n° 10.637/02), razão pela qual merece reforma o v. acórdão recorrido, a fim de reconhecer o direito creditório da Empresa. Verificase que em relação ao mérito há uma questão fundamental ao deslinde da questão, que é a comprovação da alegada denúncia espontânea. Entendeu o STJ que nos casos em que o contribuinte recolhe o tributo, em atraso, mas antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF, esse pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea com o fim de eximirse da exigência da multa moratória. Diante da decisão sobre denúncia espontânea do STJ, que é de repercussão geral, fazse necessário para a comprovação da mesma, que se verifique se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. Pelos fatos expostos, apresentase a necessidade de diligência para confirmar se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. Após a realização da diligência, prestados os esclarecimentos, poderseá formar definitivamente a convicção necessária ao julgamento meritório deste feito. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, remetendose os autos do presente feito à Unidade Local, para: 1. Pronunciarse sobre a procedência da alegação de espontaneidade apresentada pela recorrente, verificando se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. 2. Juntar ao processo a DCTF com o respectivo comprovante de sua entrega, a fim de se comprovar a pertinência ou não do pagamento da multa e aproveitamento do crédito. 3. Elaborar relatório, trazendo a fundamentação das constatações alcançadas, com justificativas e explicações claras. 4. Após a formulação e juntada do Relatório de Diligência, deverá ser dado vista à Recorrente, para que se manifeste, dentro do prazo legal vigente, garantindo o contraditório e a ampla defesa. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10980.940005/201103 Resolução nº 1402000.749 S1C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903384/2008-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF RETIFICADORA. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ E DACON.
Para que ocorra a comprovação do crédito pleiteado é necessário que ocorra a devida retificação da DCTF e do DACON e o equívoco que gerou a retificação deve ser restar comprovado. A DIPJ possui natureza meramente informativa. O DACON não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal.
Numero da decisão: 3401-005.525
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF RETIFICADORA. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ E DACON. Para que ocorra a comprovação do crédito pleiteado é necessário que ocorra a devida retificação da DCTF e do DACON e o equívoco que gerou a retificação deve ser restar comprovado. A DIPJ possui natureza meramente informativa. O DACON não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF RETIFICADORA. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ E DACON. Para que ocorra a comprovação do crédito pleiteado é necessário que ocorra a devida retificação da DCTF e do DACON e o equívoco que gerou a retificação deve ser restar comprovado. A DIPJ possui natureza meramente informativa. O DACON não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 33 84 /2 00 8- 55 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10882.903384/200855 Acórdão n.º 3401005.525 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Versa o presente sobre o DCOMP indicando como crédito pagamento indevido ou a maior de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em sua Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) embora tenha recolhido DARF de COFINS e tenha declarado esse mesmo valor em DCTF, o valor a pagar no período era ZERO (conforme declarado em DIPJ e DACON); (b) após a entrega da DCTF identificou que possuía diversos créditos não aproveitados em razão do então recém instituído regime não cumulativo; e (c) deve a fiscalização tomar em conta todas as declarações da empresa. Requereu ainda provar o alegado por todos os meios em direito admitidos. A decisão de primeira instância foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, por carência probatória a cargo da postulante (não comprovação do erro apontado), e por não se revestirem a DIPJ e o DACON de instrumentos de confissão de dívida. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.488, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.903377/200853, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.488): "A recorrente interpôs Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no prazo de 30 dias, de acordo com a Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal, a qual é estabelecida pelos arts. 33 e 5º, do Decreto nº 70.235/72. Portanto, dele tomase conhecimento. Segundo o Despacho Decisório, ao comparar o pagamento indicado na DCOMP com a informação de débito Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10882.903384/200855 Acórdão n.º 3401005.525 S3C4T1 Fl. 0 3 constante da DCTF ativa à época, constatase que o valor recolhido via DARF, informado na DCOMP, estava integralmente utilizado para quitação do débito declarado em DCTF, não restando créditos passíveis de compensação. Sustenta a recorrente que, depois de ter apresentado a DCTF, apurou créditos do regime nãocumulativo do PIS e da COFINS, motivo pelo qual refez a apuração do PIS e COFINS e que, por conseguinte, concluiuse que o valor devido naquele período, janeiro de 2004, era zero e não R$ 26.785,48, como havia consignado em DCTF. Diante de tal fato, procedeu à correta declaração em DIPJ e DACON, fato que, segundo a recorrente, gerou crédito de R$ 26.785,48, o qual pretende compensar. Pois bem. Inicialmente é de bom grado ressaltar que cabe ao contribuinte comprovar a existência do crédito que pretende utilizar para compensar com o débito, art. 373, I, do CPC, e à Administração Tributária verificar e validar o referido crédito. Por conseguinte, confirmado o direito creditório, sobrevém a homologação, a qual extingue os débitos objeto da compensação. Assim, para que seja possível a homologação da DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. Registrese que, nos termos do art. 170 do CTN, a compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública. Nesse sentido, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decreto Lei nº 2.124/84, e Instruções da RFB que dispõem sobre a DCTF). Para comprovar que o débito declarado em DCTF e recolhido via DARF era indevido, a recorrente teria que provar que o que havia declarado, confessado e recolhido não era condizente com a realidade, e mais, que outro valor traduziria o realmente devido, ante a legislação tributária aplicável. Denotase que a recorrente se limitou às declarações (DACON e DIPJ), as quais são instrumentos onde o contribuinte fornece à Administração Tributária informações referentes a apuração de impostos e contribuições federais. Indubitavelmente, para que seja constada a veracidade das informações consignadas nas declarações é preciso que estas estejam acompanhadas, no mínimo, dos documentos/registros contábeis e fiscais da declarante. In casu, a recorrente trouxe aos autos, com o viés de comprovar o seu crédito, a DACON e da DIPJ com informações diferentes da DCTF originária e, por conseguinte, arguiu incoerência entre as declarações prestadas. Ou seja, não há Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10882.903384/200855 Acórdão n.º 3401005.525 S3C4T1 Fl. 0 4 prova nos autos; apenas declarações e argumentos, que não têm força de comprovar que o alegado reflete a verdade dos fatos. Oportuno citar o disposto no art. 147, § 1º do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifei) Ressaltase que este Egrégio CARF possui entendimento pacífico no que tange ao objeto da presente controvérsia. Veja se: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Se a razão do pagamento indevido ou a maior foi o equívoco em relação ao regime de apuração da contribuição (cumulativo ou nãocumulativo), tal fato deve restar comprovado. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF e do DACON para a devida comprovação do crédito pleiteado. (CARF – Acórdão 3401005.333, de 25/09/2018 – grifei) [...] VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferilo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2004 DIPJ E DACON. NATUREZA JURÍDICA. A DIPJ possui natureza meramente informativa. A Dacon não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por expressa inexistência de disposição legal. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10882.903384/200855 Acórdão n.º 3401005.525 S3C4T1 Fl. 0 5 O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O nãoatendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a nãohomologação da compensação declarada. (CARF – Acórdão 3001000.544 de 17/10/2018 – grifei) Por fim, reiterase o disposto no acórdão recorrido, no sentido de que a recorrente devia possuir consigo as provas necessárias para a comprovação de seu crédito, uma vez que toda documentação de respaldo à escrituração contábil deve ser mantida em boa ordem e conservada sob a responsabilidade do sujeito passivo para que possa ser colocada à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil enquanto não ocorrida a decadência ou a prescrição dos créditos tributários vinculados aos fatos a que se refiram (art. 195, § único do CTN e art. 264, caput e § 3º, do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999). Ante o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.002514/2009-68
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 25 14 /2 00 9- 68 Fl. 107DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2006, anocalendário de 2005, por meio do qual foram glosadas despesas médicas por falta de comprovação de pagamento, glosa de deduções indevidas a título de dependentes, contribuições à Previdência Privada e FAPI e despesas com instrução, bem como omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que haveria improcedência total do lançamento frente aos documentos apresentados. Junta ao processo recibos e declarações apresentadas pelos profissionais de saúde, ratificando o valor recebido e o tratamento feito, bem como documentação suporte para as demais despesas declaradas e utilizadas como dedutíveis. Pelo exposto, demonstrada a improcedência total do Lançamento, requer que seja acolhida a impugnação. A DRJ São Paulo, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que com relação a despesas com dependente, é procedente o pleito do contribuinte, portanto deve ser restabelecida. O mesmo com relação a despesas com instrução e contribuições à Previdência Privada e FAPI, pois foram comprovadas e restabelecidas como dedutíveis. Foi mantida apenas as despesas médicas com os profissionais Carlos Eduardo Cury e Carlos Eduardo Cury Jr bem como a omissão de rendimentos no valor de R$ 2.420,31 Em sede de Recurso Voluntário, repisa os argumentos e ratifca os demais documentos necessários para tentar comprovar o quanto alegado. Reconhece o débito de R$ 2.420,31 no que se refere ao resgate de previdência junto ao Itapu. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Merece ser ratificado, logo de início, que o único ponto que ainda é objeto da lide é o que se refere a dedutibilidade de despesas médicas com os profissionais Carlos Eduardo Cury e Carlos Eduardo Cury Jr. As demais despesas foram restabelecidas e no que se refere a omissão de parte do resgate feito junto ao Banco Itaú, foi reconhecido o equivoco pelo Recorrente. Sendo assim, não é também mais objeto de discussão em sede de Recurso Voluntário. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10845.002514/200968 Acórdão n.º 2001000.973 S2C0T1 Fl. 3 3 imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os documentos necessários a comprovar as despesas médicas incorridas por ele. A decisão de primeira instancia sustentou que a Recorrente não comprovou as despesas médicas , como dito no relatório. Ou seja, simplesmente a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar que as despesas médicas foram desembolsadas pelo contribuinte, eis que não apresentou nenhum comprovante de pagamento (cópia de cheques ou extratos bancários). Por outro lado, o contribuinte apresenta boa fé e razoabilidade para apresentar todos os documentos ao seu alcance para comprovar a efetividade das despesas médicas incorridas. Desde a impugnação que junta detalhamentos dos serviços médicos pelos quais passou bem como declaração emitida pelos próprios profissionais, ratificando a prestação dos serviços médicos e valores desembolsados. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, Fl. 109DF CARF MF 4 também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se no quanto exposto pelo Contribuinte, ou seja, de que a despesa incorreu de fato e que foi o beneficiária dos serviços, os quais foram devidamente detalhados, entendo que deve ser dado provimento ao recurso para acatar as despesas médicas glosadas . CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar as despesas médicas glosadas. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10845.002514/200968 Acórdão n.º 2001000.973 S2C0T1 Fl. 4 5 (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 111DF CARF MF
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