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Numero do processo: 19515.004894/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Ricardo Ono Hayama.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 89 4/ 20 08 -0 9 Fl. 530DF CARF MF Processo nº 19515.004894/200809 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.465 S2C2T2 Fl. 97 2 RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração de fls. 416 a 424, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2003 e 2004, lavrado contra o contribuinte acima identificado por omissão de rendimentos nas declarações dos exercícios correspondentes, fls. 04 a 11. Esclarece a autoridade administrativa no Termo de Verificação Fiscal, fls. 364/366, que a fiscalização foi reaberta em relação ao contribuinte acima identificado, mediante o Mandado n° 08.190.002008044014, fls. 01, como consequência da fiscalização a contribuinte Fumie Nagase Hayama. Aponta a Auditora Fiscal que tendo expedido intimação para que a contribuinte Fumie Nagase Hayama apresentasse extratos bancários relativos à movimentação financeira na conta corrente do Unibanco S/A, compareceram em 30/08/2007 perante a fiscalização sua filha Iolanda Hayama Osiro e seu cônjuge, informando o falecimento da fiscalizada em 25/08/07. Acrescenta que moravam juntos desde 2003 e que tanto eles como ela, desconheciam a existência de qualquer conta bancária movimentada no Unibanco. Informaram que a contribuinte permaneceu internada desde 11/05/2005, que apresentava déficit cognitivo e estava impossibilitada de exercer os atos da vida civil. Prosseguindo na descrição dos fatos, informa que foi emitida Requisição de Movimentação Financeira — RMF ao Unibanco S/A solicitando extratos bancários da fiscalizada e outros documentos como contrato de abertura de conta, cartão de assinaturas e eventual procuração a terceiro. Ao final foi constatado que o Sr. Ricardo Ono Hayama detinha procuração lhe outorgando amplos poderes para movimentar a conta fiscalizada. Diante dos fatos apurados, a fiscalização concluiu que a conta corrente 132822 5, na agência 474 do Unibanco S/A, tem como titular de fato o Sr. Ricardo Ono Hayama detentor dos recursosque nela transitaram. Prosseguindo em sua narrativa a Auditora informa que o procedimento teve início em 17/06/2008 com o envio do Termo de Intimação para que o contribuinte apresentasse documentação que comprovasse a origem dos recursos depositados na conta bancária em questão. Depois de reiteradas e infrutíferas intimações, sendo a última recebida em 04/08/2008, informa que o contribuinte não compareceu, portanto deixou de comprovar a origem dos créditos bancários, caracterizando a omissão de rendimentos nos anos calendários de 2003 e 2004 nos montantes de R$ 3.088.222,75 e R$ 7.372.377,16 respectivamente. Nas declarações de ajuste anual em ambos exercícios a renda tributável informada pelo contribuinte foi de R$ 14.000,00 Fl. 531DF CARF MF Processo nº 19515.004894/200809 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.465 S2C2T2 Fl. 98 3 Cientificado do lançamento o contribuinte ingressou, , com a impugnação de fls. (fls. 428/453). A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo– DRJ/SPOII, negou provimento a impugnação, nos termos do acórdão 1730.118, de 19 de fevereiro de 2009. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário. É o relatório. Fl. 532DF CARF MF Processo nº 19515.004894/200809 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.465 S2C2T2 Fl. 99 4 VOTO Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral pela utilização de dados obtidos com base em RMF. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Fl. 533DF CARF MF Processo nº 19515.004894/200809 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.465 S2C2T2 Fl. 100 5 Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, Fl. 534DF CARF MF Processo nº 19515.004894/200809 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.465 S2C2T2 Fl. 101 6 concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus Fl. 535DF CARF MF Processo nº 19515.004894/200809 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.465 S2C2T2 Fl. 102 7 parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 536DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.905043/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES.
O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo período-base de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodos-base posteriores.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3401-003.648
Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário, acolhendo o colegiado os valores apurados na diligência, reconhecendo-os como pagamentos a maior.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Bayerl (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo período-base de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodos-base posteriores. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário, acolhendo o colegiado os valores apurados na diligência, reconhecendo-os como pagamentos a maior. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Bayerl (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado.
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COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo períodobase de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodosbase posteriores. Recurso Voluntário Provido. Por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso voluntário, acolhendo o colegiado os valores apurados na diligência, reconhecendoos como pagamentos a maior. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Bayerl (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 50 43 /2 00 8- 86 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10983.905043/200886 Acórdão n.º 3401003.648 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratase de Pedido de Compensação de crédito de contribuição para a PIS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) a não identificação do DARF está associada ao fato de que o recolhimento é uma consolidação das retenções na fonte relativas a quatro exações distintas (IRPJ, CSL, COFINS e PIS), e que a DCOMP, ao incluir os dados relativos ao DARF, segregou o valor retido referente a cada uma destas exações; (ii) não se utilizou das retenções para deduzilas das contribuições devidas relativas aos períodosbase a que se referem, porque só percebeu que a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vinha efetuando tais retenções posteriormente; como já havia anteriormente adimplido as contribuições devidas relativas a estes períodosbase, só lhe restou a utilização daqueles valores retidos e não contemporaneamente deduzidos, para a compensação de débitos posteriores; (iii) está acobertado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, razão pela qual entende que o Despacho Decisório deve ser revisado, com a conseqüente homologação da compensação declarada. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo períodobase de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodosbase posteriores. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade, em especial que a retenção é uma forma de pagamento, e afirmou, ainda, nunca ter utilizado o valor da retenção para fins de redução do saldo a pagar da Contribuição devida. Após encaminhamento e distribuição a este Conselho, resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, proferindo, assim, Resolução CARF para que a unidade local se pronunciasse acerca da existência de DCTF retificadora e sobre o seu acatamento ou não, bem como sobre a existência ou não de pagamento a maior realizado pela contribuinte. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10983.905043/200886 Acórdão n.º 3401003.648 S3C4T1 Fl. 4 3 A unidade, em resposta à diligência formulada, concluiu, em síntese, que verificouse a ilegitimidade ad causam da contribuinte; e que não foi verificada a existência de pagamento a maior no período de apuração analisado. O processo foi encaminhado a este Conselho, e resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter novamente o julgamento em diligência, proferindo, assim, Resolução CARF nº 3401000.605 para conceder prazo para a contribuinte sanar a irregularidade na sua representação processual, bem como se manifestar acerca da resposta formulada em sede de diligência. A unidade realizou nova resposta à diligência, na qual informa ter constatado "(...) a existência de retenção em benefício da recorrente, equivalente à quantia de R$ 10.629,34(código 6147)1, a qual foi realizada pela fonte pagadora Universidade Federal de Santa Catarina (CNPJ 83.899.526/000182), ..., o qual foi obtido por meio de diligência outrora realizada por esta Unidade junto àquela fonte pagadora", e reforçou o entendimento, na mesma oportunidade, de se tratar de crédito inidôneo para fins de compensação, por falta de amparo legal. Em manifestação sobre a diligência, a contribuinte apontou a informação prestada pela autoridade fiscal no sentido de que a empresa de fato teria deixado de se valer da faculdade de dedução do valor relativo à PIS retido na fonte, no montante mencionado, e mencionou, ainda, que a diligência, ao defender que a retenção não pode ser considerada como uma modalidade de pagamento indevido, adentra inadvertidamente a matéria de mérito em momento inoportuno. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.637 de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10983.901975/200850, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.637): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10983.905043/200886 Acórdão n.º 3401003.648 S3C4T1 Fl. 5 4 A questão se resume (i) à comprovação, em primeiro lugar, da afirmação da contribuinte recorrente de que adimpliu as parcelas referentes à Cofins sem antes deduzir os respectivos valores retidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), bem como do quantum retido e não utilizado, e (ii) à resposta à indagação, em segundo lugar, sobre se as retenções na fonte podem ou não ser consideradas "pagamento indevido" ou a maior e, logo, se são ou não suscetíveis de compensação posterior. Quanto à primeira questão, destacamse, da segunda diligência efetuada, os seguintes trechos: "(...) a existência de retenção em benefício da recorrente, equivalente à quantia de R$ 17.281,96 (código 6147), a qual foi realizada pela fonte pagadora Universidade Federal de Santa Catarina (CNPJ 83.899.526/000182), consoante o documento de fls. 146, o qual foi obtido por meio de diligência outrora realizada por esta Unidade junto àquela fonte pagadora. (...) Em consulta aos Sistemas da RFB, notadamente o DIPJ, verificase que a recorrente teria, de fato, deixado de se valer da faculdade de dedução do valor relativo ao PIS/PASEP retido na fonte, nos termos do art. 64, § 3º, da Lei nº 9430/1996, consoante se verifica da Ficha 19a,/Linha 20 – Cálculo do PIS/PASEP (junho/2001), extraído da DIPJ 2002 (entregue à RFB na data de 29/03/2007) – fls. 149" (seleção e grifos nossos). Entendemos que os obstáculos procedimentais, em especial aqueles relativos ao fato de não ter a contribuinte procedido à entrega de DCTF retificadora mencionado pela segunda diligência, possam ser plenamente superáveis caso se comprove a existência efetiva de valores recolhidos a maior, o que de todo modo foi feito por meio da diligência realizada, em conformidade com os trechos acima transcritos, restando, assim, comprovada a alegação de fato da contribuinte. Quanto à segunda questão, de maneira a melhor colocála, o que se discute no presente caso é se houve ou não o recolhimento a maior; neste sentido, descabe se aventar se o valor a ser restituído é proveniente da retenção, pois esta era devida: indevido foi o recolhimento por parte da contribuinte, que, por lapso, deixou de deduzir o valor retido. Assim, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/1996, acresce à fundamentação da contribuinte o fato de que todos os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal se sujeitam à incidência, na fonte do IRPJ, da CSL, da Cofins e do PIS/PASEP, sendo que o "valor retido" é, de um lado, nos termos do § 2º do dispositivo legal, levado a crédito da respectiva conta de receita da União Federal, e, de outro, nos termos do § 3º, é considerado como antecipação do que for devido pela contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. Assim, assiste razão ao despacho decisório quando menciona que a contribuinte não observou a forma adequada para a realização da compensação, i.e., apontar como a origem do crédito o pagamento indevido, mas a retenção realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina. Tal inobservância, no entanto, merece ser superada uma vez constatada a existência do crédito, conforme apontado pela diligência efetuada. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10983.905043/200886 Acórdão n.º 3401003.648 S3C4T1 Fl. 6 5 Neste sentido, ademais, vem decidindo este Conselho, como no Acórdão CARF nº 3401002.805, proferido em sessão de 11/11/2014, de relatoria do Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, que julgou procedente, por unanimidade de votos, o recurso voluntário interposto pela mesma contribuinte do presente caso, em sessão da qual participaram, além do relator, os conselheiros Júlio César Alves Ramos (presidente), Robson José Bayerl, Ângela Sartori, Eloy Eros da Silva e Bernardo Leite de Queiroz Lima, e cuja ementa abaixo se transcreve: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2002 PIS. VALOR RETIDO NA FONTE POR ENTIDADE PÚBLICA. NÃO UTILIZAÇÃO PARA DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. O valor referente à retenção na fonte do PIS por entidade pública e não utilizado pelo contribuinte para dedução do valor devido pode ser posteriormente utilizado para compensar outros débitos. Não obstante, conforme também já decidido por este Conselho em inúmeros casos desta mesma contribuinte, fixase desde já, com a finalidade de se evitar a prorrogação indefinida deste contencioso, que a correção monetária dos valores a maior deverá ser calculada a partir do pagamento indevido, ou seja, jamais a partir do momento da retenção (devida), mas sim a partir do dies a quo do lapso do recolhimento sem a dedução realizado pela empresa, em conformidade com a ementa abaixo transcrita do Acórdão CARF nº 3401002.120, proferido em sessão de 31/01/2013, por unanimidade de votos, e de relatoria do Conselheiro Odassi Guerzoni Filho: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 20/08/2002 PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. RETENÇÃO NA FONTE FEITA POR ÓRGÃO PÚBLICO. DEDUÇÃO LEGAL DO VALOR DEVIDO NÃO EXERCIDA. CARACTERIZAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DO PAGAMENTO E NÃO DA RETENÇÃO. Caracterizase como “pagamento indevido ou a maior” a parcela correspondente ao valor da retenção na fonte feita por órgão publico sobre o valor das receitas auferidas, retenção essa que, por lapso da empresa que sofreu a retenção, deixou de ser utilizada na época correspondente para reduzir o valor da contribuição devida. De outra parte, a atualização monetária do valor reconhecido como pago a maior deve levar em conta a data do recolhimento/pagamento” da contribuição, e não a data em que houve a retenção. Recurso Voluntário Provido em Parte. Assim, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito no valor de R$ 17.281,96, de modo a acolher os exatos e precisos termos, quanto à apuração dos esclarecimentos de fato, da diligência realizada, devendo ser a correção monetária realizada a partir do efetivo pagamento indevido, e não do momento da retenção." Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10983.905043/200886 Acórdão n.º 3401003.648 S3C4T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito no valor de R$ 10.629,34, de modo a acolher os exatos e precisos termos, quanto à apuração dos esclarecimentos de fato, da diligência realizada, devendo ser a correção monetária realizada a partir do efetivo pagamento indevido, e não do momento da retenção. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000806/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO NAS RAZÕES DE RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA NACIONAL. RECEPÇÃO DO RECURSO COMO EMBARGOS INOMINADOS PARA CORREÇÃO DA CONTRADIÇÃO APONTADA.
O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional que aponta a existência de erro material no acórdão recorrido deverá ser recepcionado como embargos inominados, nos termos do art. 66 do RICARF, para correção do vício.
SÚMULA 437 DO TST.INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 71 DA CLT (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 307, 342, 354, 380 e 381 da SBDI1) Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012
Na forma do item II da Súmula n° 437 do TST, é inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública (art. 71 da CLT e art. 7º, XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva. Releva observar o item III da referida súmula que assevera que possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais.
Numero da decisão: 2301-004.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional como embargos inominados e, nessa qualidade, dar-lhe provimento com o objetivo de reconhecer a existência de contradição na parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO NAS RAZÕES DE RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA NACIONAL. RECEPÇÃO DO RECURSO COMO EMBARGOS INOMINADOS PARA CORREÇÃO DA CONTRADIÇÃO APONTADA. O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional que aponta a existência de erro material no acórdão recorrido deverá ser recepcionado como embargos inominados, nos termos do art. 66 do RICARF, para correção do vício. SÚMULA 437 DO TST.INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 71 DA CLT (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 307, 342, 354, 380 e 381 da SBDI1) Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012 Na forma do item II da Súmula n° 437 do TST, é inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública (art. 71 da CLT e art. 7º, XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva. Releva observar o item III da referida súmula que assevera que possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional como embargos inominados e, nessa qualidade, dar-lhe provimento com o objetivo de reconhecer a existência de contradição na parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2125; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 194 1 193 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15540.000806/200823 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2301004.992 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de abril de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado AUTO ÔNIBUS FAGUNDES LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO NAS RAZÕES DE RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA NACIONAL. RECEPÇÃO DO RECURSO COMO EMBARGOS INOMINADOS PARA CORREÇÃO DA CONTRADIÇÃO APONTADA. O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional que aponta a existência de erro material no acórdão recorrido deverá ser recepcionado como embargos inominados, nos termos do art. 66 do RICARF, para correção do vício. SÚMULA 437 DO TST.INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 71 DA CLT (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 307, 342, 354, 380 e 381 da SBDI1) Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012 Na forma do item II da Súmula n° 437 do TST, é inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública (art. 71 da CLT e art. 7º, XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva. Releva observar o item III da referida súmula que assevera que possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional como embargos inominados e, nessa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 08 06 /2 00 8- 23 Fl. 194DF CARF MF 2 qualidade, darlhe provimento com o objetivo de reconhecer a existência de contradição na parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, o qual foi recebido como embargos inominados pela Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção (despacho de admissibilidade às fls. 191), fundados no art. 66 do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343/2015), com o intuito de corrigir supostas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto, existentes no acórdão nº 2403002.920, de 10/02/2015. Referido julgado possui as seguintes ementa e parte dispositiva (grifos nossos): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 AUXÍLIO UNIFORME. CUSTEIO. Não integra o salário de contribuição o valor correspondente a vestuário fornecido ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços. SÚMULA 437 DO TST.INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 71 DA CLT (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 307, 342, 354, 380 e 381 da SBDI1) Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012 Na forma do item II da Súmula n° 437 do TST, é inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública (art. 71 da CLT e art. 7º, XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva. Releva observar o item III da referida súmula que assevera que possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o Fl. 195DF CARF MF Processo nº 15540.000806/200823 Acórdão n.º 2301004.992 S2C3T1 Fl. 195 3 intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, a) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão dos valores pagos a titilo de Auxilio Uniforme (Levantamento IU RUBRICA INDENIZAÇÃO UNIFORME), b) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para manter a Indenização Hora Refeição (Levantamento HR RUBRICA HORA REFEIÇÃO). Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães(relator) e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro; c) por maioria de votos, determinar o recálculo da multa de mora do saldo remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Aduz a Embargante a existência de erro material na parte dispositiva do acórdão no trecho em que declara que a turma acordou, “b) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para manter a Indenização Hora Refeição (Levantamento HRRUBRICA HORA REFEIÇÃO). Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães (relator) e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro”, tendo sido designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. De acordo com a Embargante, a turma teria, na verdade, negado provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Para provar o alegado, ela confronta o teor do voto vencido do conselheiro relator Marcelo Magalhães Peixoto com o teor do voto vencedor do conselheiro redator Ivacir Júlio de Souza. É o relatório. Fl. 196DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Fábio Piovesan Bozza Com razão a ora Embargante. Enquanto o voto vencido do conselheiro relator Marcelo Magalhães Peixoto foi por afastar a incidência da contribuição previdenciária no item que trata da verba denominada “indenização intrajornada”, o voto vencedor do conselheiro redator Ivacir Júlio de Souza foi por manter a referida incidência. Aliás, a redação da parte dispositiva do acórdão embargado já prenunciava tal conclusão ao “manter a Indenização Hora Refeição (Levantamento HRRUBRICA HORA REFEIÇÃO)”. Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional como embargos inominados e, nessa qualidade, darlhe provimento com o objetivo de reconhecer a existência de contradição na parte dispositiva do acórdão embargado, cuja redação passa a ser a seguinte: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, a) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão dos valores pagos a titilo de Auxilio Uniforme (Levantamento IU RUBRICA INDENIZAÇÃO UNIFORME), b) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso para manter a Indenização Hora Refeição (Levantamento HR RUBRICA HORA REFEIÇÃO). Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães(relator) e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro; c) por maioria de votos, determinar o recálculo da multa de mora do saldo remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 15540.000806/200823 Acórdão n.º 2301004.992 S2C3T1 Fl. 196 5 Fl. 198DF CARF MF
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Numero do processo: 10976.000752/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
CONTRIBUIÇÃO A CARGO DO SEGURADOS.
A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições a cargo dos segurados, mediante descontos nas respectivas remunerações, e efetuar os recolhimentos no prazo legal.
AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. BENEFÍCIO. CURSO SUPERIOR RELACIONADO ÀS ATIVIDADES DA EMPRESA. NÃO INCIDÊNCIA.
O custeio de curso superior relacionado às atividades desenvolvidas pela empresa, ainda que não disponibilizado a todos os segurados, é isento da contribuição previdenciária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - TAXA SELIC - APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
Nos termos da Súmula CARF n° 4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-003.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento parcial nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: Relator
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento parcial nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DO SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições a cargo dos segurados, mediante descontos nas respectivas remunerações, e efetuar os recolhimentos no prazo legal. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BENEFÍCIO. CURSO SUPERIOR RELACIONADO ÀS ATIVIDADES DA EMPRESA. NÃO INCIDÊNCIA. O custeio de curso superior relacionado às atividades desenvolvidas pela empresa, ainda que não disponibilizado a todos os segurados, é isento da contribuição previdenciária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF n° 4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 07 52 /2 00 9- 43 Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 612 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento parcial nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0232.558 da 8ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte, reconhecendo a decadência do período compreendido entre 03 e 11/2004 com base no artigo 173, I do CTN, em razão da ausência de recolhimentos. A autuação foi assim sintetizada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração lavrado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, no montante de R$ 636.887,07, nas competências 03/2004 a 12/2007, consolidado em 23/12/2009. Conforme informado no Relatório Fiscal de fls.392/422, o crédito lançado referese à contribuição social destinada à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, conforme discriminado na planilha de fls. 425/501. Foram efetuados os seguintes levantamentos: PR1 PRÊMIO A SEGURADOS — 11/2005 a 05/2006, 07/2006 a 12/2007 —contribuições incidentes sobre pagamento realizado a titulo de Prêmio a segurados empregados (cartão premiação) por intermédio de empresa prestadora de serviço especializada na área de marketing promocional (Incentive Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 613 3 House S/A), apuradas com base nos lançamentos contábeis, notas fiscais e folhas de pagamento. Apesar de intimada, a empresa deixou de discriminar os valores pagos a titulo de Programa de Estimulo ao Aumento de Produtividade, por segurado e por competência, correlacionandoos com as respectivas Notas Fiscais/Faturas, bem como quanto a natureza dos serviços prestados pelos referidos segurados e do vinculo com a empresa. Pelo não atendimento dos esclarecimentos solicitados, a multa aplicada neste levantamento foi agravada em 50%, nos termos do inciso I, do §2° do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. PL1 PRO LABORE A SÓCIOS — 03/2004 a 12/2007 contribuições incidentes sobre pagamento realizado a segurados contribuinte individuais, apuradas com base nos lançamentos contábeis e folhas de pagamento. C11, C21 PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS 01/2005, 05/2005, 07/2005, 09/2005 a 12/2005 contribuições incidentes sobre pagamento realizado a segurados contribuinte individuais, apuradas com base nos lançamentos contábeis e folhas de pagamento. F11, F21, F31 e F41 FRETES A CONTRIB INDIVIDUAIS 11/2004 a 09/2005, /2005 e 12/2005 contribuições incidentes sobre pagamento realizado a segurados contribuinte individuais, apuradas com base nos lançamentos contábeis e folhas de pagamento. AB1 ABONO CCT 2007, 2009 FILIAL 08 — 06/2004 e 08/2006 contribuições incidentes sobre pagamento realizado a titulo de Abono CCT 2007/2009 Filial 08 — código 70, da Folha de Pagamento. Dos Acordos Coletivos apresentados, o único que faz menção ao Abono é a CCT celebrada entre o SINDICOMERCIO e o SECTEO/CF para os anos de 2007/2009. Contudo os valores a titulo de Abono pagos a segurados lotados na Matriz em Contagem/MG e na Filial de Ribeirão das Neves/MG, nos exercícios de 2004 e 2006, não se vinculam ao acordo coletivo apresentado A fiscalização 6) ED1 — REEMBOLSO CONTRATO N PAIVA — 01/2005 a 01/2007 contribuições incidentes sobre valores pagos a titulo de Reembolso Contrato Newton Paiva — código 194, da Folha de Pagamento. Ficou comprovado que a autuada efetuada pagamento das faturas ao Instituto Cultural Newton Ferreira Paiva Ltda e, posteriormente, descontava o valor das faturas, mediante rateio, aos beneficiários, conforme código de desconto 193 — Contrato Newton Paiva, da Folha de Pagamento e simultaneamente promovia o reembolso de parte do valor descontado através do ressarcimento código de provento 194 — Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 614 4 Reembolso Contrato Newton Paiva, correspondendo a aproximadamente 30% do valor da mensalidade. Sobe tais valores incide contribuição, pois se referem a pagamento de curso superior em Gestão de Varejo, não estando, portanto incluído no rol de exclusão/não incidência da Lei n°8.212/91, art.28, §9°, bem como não havia previsão, regulamento ou norma na empresa para concessão do beneficio, restando comprovada sua exclusividade a determinados segurados empregados e sua não extensividade a todos os empregados e dirigentes. CO1 — PAGAMENTO A COOPERATIVAS — 01/2005 a 03/2005, 05/2005, 12/2005 contribuições incidentes sobre pagamento realizado a cooperativas de trabalho. RA a RM — RETENÇÃO NÃO EFET NF FATURA — 09/2004 a 12/2005 — retenção incidente sobre o valor bruto das notas fiscais e faturas ou recibos de prestação de serviços. MA a MP — RETENÇÃO A MENOR NF FAT — 12/2004, 01/2005, 03/2005 a 08/2005, 10/2005, 11/2005, 01/2006 — retenção incidente sobre o valor bruto das notas fiscais e faturas ou recibos de prestação de serviços. S1 — RETENÇÃO NÃO EFET RECIBO — 11/2004 a 06/2005 retenção incidente sobre o valor bruto das notas fiscais e faturas ou recibos de prestação de serviços. S2 — RETENÇÃO NÃO EFET NF SGO — 08/2004 a 09/2005, 12/2005, 01/2006 —retenção incidente sobre o valor bruto das notas fiscais e faturas ou recibos de prestação de serviços. A interessada foi cientificada da presente autuação em 11/01/2010 (Aviso de Recebimento — AR de fl.1611), e apresentou defesa de fls.1615/1663, erri 10/02/2010 (data de postagem dos correios — envelope de fl.1614). Contudo, em 01/03/2010, conforme Requerimento de Desistência de Impugnação (fls.2125/2126), o contribuinte desistiu parcialmente da defesa apresentada, para inclusão das contribuições discriminadas nas planilhas de fls.2127/2136 no parcelamento especial previsto na Lei n° 11.941/2009. Os autos foram, então, encaminhados A. Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem, para as providencias relacionadas ao parcelamento (despachos de fls.2148 e 2151). Assim, o presente auto foi desmembrado, conforme documentos de fls.2158/2226, permanecendo no mesmo apenas a parte "controversa" das contribuições lançadas. Ou seja, parte do débito da qual o contribuinte desistiu de impugnar foi transferida para outro processo (AI DEBCAD no 37.329.6037), que foi incluído em parcelamento, conforme despacho de fls.2228/2229. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 615 5 Foram transferidas para o AI DEBCAD n° 37.329.6037 as contribuições lançadas nas competências 01/2005 a 12/2007, referentes aos levantamento: PL1 — PRO LABORE A SÓCIOS, PR1 — PREMIO A SEGURADOS, C11, C21 — PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS, CO1 — PAGAMENTO A COOPERATIVAS e F11, F21, F41 — FRETES A CONT.INDIVIDUAIS. Permaneceram os seguintes levantamentos/competências: PL1— PRO LABORE A SÓCIOS — 03/2004 a 12/2004 F21, F31 e F41 FRETES A CONTRIB INDIV. 11/2004 e 12/2004 AB1 — ABONO CCT 2007, 2009 FILIAL 08 — 06/2004, 08/2006 ED1 — REEMBOLSO CONTRATO NPAIVA — 01/2005 a 01/2007 RA a RM — RETENÇÃO NÃO EFET NF FATURA — 09/2004 a 12/2005 MA a MP — RETENÇÃO A MENOR NF FAT — 12/2004, 01/2005, 03/2005 a 08/2005, 10/2005, 11/2005, 01/2006 S1 — RETENÇÃO NÃO EFET RECIBO — 11/2004 a 06/2005 S2 — RETENÇÃO NÃO EFET NF SGO — 08/2004 a 09/2005, 12/2005, 01/2006 0 contribuinte foi cientificado do desmembramento, conforme Comunicado de fl.2230 e copia de Aviso de Recebimento de fl.2231. O Relatório Fiscal informa que a recorrente não prestou todos os esclarecimentos e informações solicitados pelo Fisco e também a sistemática adotada em razão dessa falta. Tendo em vista os esclarecimentos prestados de forma deficiente e inconclusa, ou seja, em momento algum a empresa CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, não se empenha em prestar as informações basilares elencadas nos TIF's nos. 004 e 009/2009: discriminar os valores pagos a titulo de PROGRAMA DE ESTIMULO AO AUMENTO DE PRODUTIVIDADE, por segurado e por competência, correlacionandoos com as respectivas Notas Fiscais/Faturas, bem como quanto a natureza dos serviços prestados pelos referidos segurados e do vinculo com a empresa, restou comprovado o não atendimento da prestação de todos os esclarecimentos e informação solicitados pela Fiscalização, a teor dos §§ 1°.e 3 0, do art. 33, da Lei n° 8.212/91. Para a apuração das contribuições previdenciárias devidas, a Fiscalização embasouse nas Notas Fiscais/Faturas apresentadas em resposta ao TIF 003/2009, de 31/03/2009, tomando, tão somente, como saláriodecontribuição os valores brutos pagos a titulo de PROGRAMA DE ESTIMULO AO AUMENTO DE PRODUTIVIDADE, expurgando os valores contidos nos referidos documentos, tais como: comissão sobre serviços e tarifas adicionais, e, elaborando o Anexo: PR— PREMIO A SEGURADOS, integrante do presente Relatório do Auto de Infração. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 616 6 —O Anexo PR/período: 11/2005 a 12/2007, discrimina, mês a mês, os valores devidos relativamente aos saláriosde contribuição e contribuição previdenciária dos segurados empregados, originários da rubrica: PREMIO A SEGURADOS, e, pagos através do PROGRAMA ESTIMULO AUMENTO PRODUTIVIDADE da empresa prestadora INCENTIVE HOUSE S/A. — Pelo fato de não terem sido identificados os segurados empregados foi aplicado a alíquota mínima de 8%(oito) por cento) relativa a contribuição previdenciária do segurado empregado conforme demonstrado no Anexo: PR— PREMIO A SEGURADO, nos termos do art. 33, da Lei 8.212/91. A contabilização dos valores pagos a titulo PREMIO A SEGURADO, com o lançamento das Notas Fiscais/Faturas emitidas pela INCENTIVE HOUSE S/A, na conta contábil 2795 — 5.1.01.07.0032 — OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, ensejou a lavratura do AI — AUTO DE INFRAÇÃO — DEBCAD: 37.211.7686; Constatouse, ainda, que a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, deixou de incluir em suas Folhas de Pagamento os pagamentos efetuados a segurados empregados, à titulo de PREMIO A SEGURADO, através do PROGRAMA ESTIMULO AUMENTO PRODUTIVIDADE por intermédio de empresa prestadora de serviço de marketing promocional, bem como deixou de descontar e arrecadar as contribuições devidas pelos segurados na forma da legislação, motivos pelos quais foram lavrados os Al — AUTOS DE INFRAÇÃO —DEBCAD’s : 37.211.7678 e37.211.7708, respectivamente. 3.1.1.10 — Pelo não atendimento de esclarecimentos pleno demonstrado nos itens 3.11.4 a 31.1.6 retro, inclusive o não atendimento a reiteração dos esclarecimentos pela Fiscalização, nos prazos estabelecidos, foi lavrado o AI —AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD: 37.211.7694, e, restou, ainda, a caracterização da aplicabilidade da multa de lançamento de oficio preconizada no inciso I e § 20 do artigo 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, para o fato gerador apurado mediante a elaboração do Anexo: PR PREMIO A SEGURADO. 3.1.1.11. A Fiscalização cotejando as folhas de pagamentos e resumos, e, GPS — Guias de Recolhimento da Previdência fornecidas pela empresa e registros próprios da RFB constatou que as contribuições devidas à Seguridade Social relativa à parte patronal não foram recolhidas ou parceladas, razão pela qual apurouse de plano o crédito previdenciário. Inconformada com a decisão da qual foi cientificada em 13/07/2011, a recorrente apresentou recurso voluntário, tempestivamente, em 11/08/2011, onde alega, em síntese, que: Impossibilidade da incidência das contribuições previdenciárias sobre marketing de incentivo. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 617 7 Retenção do pró labore dirigentes não são contribuintes obrigatórios e o fisco não pode exigir a retenção e recolhimento por parte da empresa sem verificar se os próprios contribuintes (pessoas físicas) já efetuaram os recolhimentos. Anexa cópias das GPS’s recolhidas . Abono previsto em convenção coletiva. Ocorreu simples equívoco ma utilização de código para a folha de pagamento da recorrente, o que está registrado como abono é reembolso (“não há como se comprovar, mediante documentos ou quaisquer outros meios probatórios que o equívoco ocorreu. Tal fato pode ser facilmente constatado quando a recorrente respondeu à intimação entregando as folhas de pagamento, como dito acima”). Impossibilidade de tributação de verbas pagas a título de educação e formação profissional Reembolso Contrato Newton Paiva. O curso foi oferecido a todos, mas apenas alguns se interessaram, fato que ocorre normalmente em qualquer empresa. O fato de a bolsa ser parcial (30%) contribuiu para esse fato. Tributação de cooperativas inconstitucionalidade.. Retenção cessão de mão de obra/empreitada: Inexistência da obrigação de reter contrato de administração de obra (SGO Construções LTDA). Todos funcionários que trabalharam diretamente na obra são empregados da própria recorrente, submetidos ao controle da SGO. SGO recolheu a totalidade das contribuições por ela devidas. Caso persista o lançamento configuraria caso de duplicidade de tributação. Exigências indevidas de retenção locação de equipamentos e instalação de antena coletiva. Retenções não computadas pela fiscalização. Cumulação de penalidades. Princípios da vedação ao confisco e capacidade contributiva Penalidades. Princípio da proporcionalidade/razoabilidade Penalidades. Impossibilidade da aplicação da multas agravada. SELIC. O julgamento foi convertido em diligência, através da Resolução nº 2403 000.090 4a Câmara / 3a Turma Ordinária (fls. 2402/2411), que foi exarada nos seguintes termos: Inicialmente, cumpre ressaltar, conforme relatado, que o sujeito passivo desistiu parcialmente da defesa apresentada e incluiu em parcelamento as contribuições lançadas nas competências 01/2005 a 12/2007. Disso resultou totalmente incontroversos os levantamentos , que, por essa razão, não serão apreciados neste julgamento: Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 618 8 PR1 — PRÊMIO A SEGURADOS C11, C21 — PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CO1 — PAGAMENTO A COOPERATIVAS Outro ponto que cabe destaque é que o lançamento é específico da contribuição a cargo da empresa, isto é, não contém contribuição de pessoas físicas. Após o julgamento de primeira instância ficam mantidos os seguintes levantamentos e competências: PL1 PRO LABORE A SÓCIOS 12/2004 F21 e F31 FRETES A CONTRIB INDIV. 12/2004 AB1 ABONO CCT 2007, 2009 FILIAL 08 —08/2006 ED1 REEMBOLSO CONTRATO N PAIVA — 01/2005 a 01/2007 RA a RM RETENÇÃO NÃO EFET NF FATURA — 12/2004 a 12/2005 MA a MP RETENÇÃO A MENOR NF FAT — 12/2004 a 01/2006 S1 RETENÇÃO NÃO EFET RECIBO 12/2004 a 06/2005 S2 RETENÇÃO NAO EFET NF SGO 12/2004 a 01/2006 Em razão do recurso apresentado, entendo necessário alguns esclarecimentos por parte da fiscalização. Para tanto, utilizo abaixo, como referência a itemização utilizada no Recurso Voluntário. IV.6.1 Dos pagamentos efetuados para a SGO CONSTRUÇÕES LTDA Várias notas fiscais contém discriminado “Taxa de Administração”. Informar qual a relação entre essa “Taxa de Administração” e o serviço de administração da obra. IV.6.2 Da exigência indevida de retenção sobre atividades não sujeitas a essa sistemática. Identificar se existe algum lançamento referente a: locação de caçamba locação de máquinas, de ferramentas, de equipamentos ou de outros utensílios sem fornecimento de mãodeobra prestação de serviço com cessão de mão de obra onde a utilização de equipamento é inerente à execução dos serviços contratados. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 619 9 IV.6.3 Das notas fiscais cuja retenção não foi computada pela fiscalização Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão. IV.6.4 Impossibilidade de exigência das contribuições previdenciárias decorrentes de serviços não sujeitos à retenção. Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão. A Recorrente solicitou a vinculação deste processo às demais autuações sofridas na mesma ação fiscal (processos 10976.000752/200943, 10976.000754/200932, 10976.000755/200987, 10976.000757/2009 76,10976.000770/200925 e 10976.000758/200911). Observo que por economia processual, restringirei a diligência a este processo, utilizando as manifestações também nos demais. Da diligência deve ser dada ciência à recorrente oportunizando manifestação. A Informação Fiscal em cumprimento à diligência determinada pelo CARF dormita às fls. 2450/2472, cujas passagens mais relevantes correspondem aos excertos abaixo: Preliminarmente, elaborouse o demonstrativo abaixo discriminado, com todas a funções dos funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme cópia, por amostragem de Folhas de Pagamento e Rescisões, apresentadas pelo sujeito passivo em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 016/2009, datado de 01/01/2013, e, que constam das folhas de 1323 a 1602, dos presentes autos, a saber: Ainda, de acordo com o descrito nos itens 3.1.6.4.2, 3.1.6.4.3 e 3.1.6.4.3.1, do Relatório Fiscal, restou demonstrado que as obras de construção do Centro de Distribuição CD, foram executados sob a forma de contratação de EMPREITADA PARCIAL, haja visto, que as diversas empresas sub contratadas, discriminadas no item 3.1.6.4.2, faturaram seus serviços diretamente para o proprietário CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, em consonância com o disposto no inciso IV § 2° do art. 413, da IN SRP 03/2005, acima descrito. O Contrato de Prestação de Serviços, descrito parcialmente no item 3.1.6.4.1 do Relatório Fiscal, na Cláusula Quinta, Parágrafo Segundo, outorga a CONTRATADA SGO CONSTRUÇÕES LTDA, mandato para poder subcontratar com terceiros (subempreiteiros), a construção por administração ou empreitada de serviços, tendo inclusive a própria SGO CONSTRUÇÕES LTDA prestado serviços de mão de obra, Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 620 10 faturando por esses serviços, além da taxa de administração prevista contratualmente, o que por si descaracteriza a modalidade única de “administração”, a teor da definição preconizada no inciso XXX, art. 413, da IN SRP 03/2005, transcrito, acima descrito. Tendo em vista a descaracterização da forma contratação das obras de construção do Centro de Distribuição consoante elementos probatórios elencados no Relatório Fiscal, de empreitada TOTAL para empreitada PARCIAL, o Contrato de Prestação de Serviços – SGO CONSTRUÇÕES LTDA CNPJ: 16.548.646/000148, passou a ter tratamento de empreitada parcial, igualmente aos demais prestadores de serviços, e, sujeito, portanto, a retenção sobre os valores brutos das Notas Fiscais/Faturas ou recibos, emitidas diretamente contra a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA. 4.2. Inferese que a presente indagação acerca da relação entre a “taxa de administração” e serviço de administração da obra, levase a crer que ambos conceitos são similares, porém, no contexto que se apresenta, caracterizamse serem meramente parte integrante da descrição de serviços medidos a serem consignados em campo próprio da Nota Fiscal/Fatura, a uma porque a SGO CONSTRUÇÕES LTDA, não se limitou tão somente à administração da obra de construção, a teor do conceito de “contrato por administração” descrito no inciso XXX do art. 413 da IN retro mencionado, e a duas por ter faturado remuneração de mão de obra a título de reembolso de mão de obra e encargos sociais diretamente para a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, corroborando dessa forma a descaracterização de contrato, exclusive, por administração, para contrato por empreitada PARCIAL. 4.2.1. Portanto, a mera descrição de serviços medidos em Nota Fiscal/Fatura, a qualquer título, pertinente a contrato de empreitada PARCIAL, não tem o condão de elidir as obrigações legais previdenciárias quanto à exigência de destaque da retenção dentre outras, nem tampouco validar o contrato de prestação de serviços, exclusivamente, como sendo por administração, pelas razões acima minudenciadas. IV.6.2 DA EXIGÊNCIA INDEVIDA DE RETENÇÃO SOBRE ATIVIDADES NÃO SUJEITAS A ESSA SISTEMÁTICA Locação de caçamba. Locação de máquinas, de ferramentas, de equipamentos ou de outros utensílios sem fornecimento de mãodeobra. Prestação de serviço com cessão de mão de obra onde a utilização de equipamentos é inerente à execução dos serviços contratados. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 621 11 5. Preliminarmente, não foram identificados nos lançamentos, a atividade de locação de caçamba, sendo as Notas Fiscais/Faturas ora sob exame, tratarem, exclusivamente, de locação de equipamentos/maquinas, a saber: retroescavadeira, motoniveladora, trator e caminhão pipa. 5.1. Na execução de serviços de terraplenagem, ou seja, a movimentação de terra corte/aterro para a implantação de empreendimento/edificação, os equipamentos/maquinas: retro escavadeira, motoniveladora, trator e caminhão pipa, são inerentes à execução dos serviços contratados e a execução dos trabalhos prescinde de mão de obra cedida/empregada, realizada por profissionais especializados(operadores/motoristas habilitados) dadas as especificidades e peculiariadades de cada equipamento. Em face ao julgado no Acórdão 0232.558 8a Turma da DRJ/BHTE, de 01/06/2011, às fls. 2301 ‘ ‘... Para as competências de 03/2004 a 11/2004 ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, devendo as mesmas ser excluídas do lançamento. “ restou aplicado o instituto de decadência relativo as competências setembro/2004 e novembro/2004, sendo, portanto, os valores lançados naqueles meses, passíveis de plano de retificação, anulandose os valores lançados. 5.4. Com relação a competência 12/2004, verificase que houve um lapso de digitação relativa a NF 000183, de 13/12/2004, constante do Anexo: RA A RM RETENÇÃO NÃO EFETUADA S/NOTAS FISCAIS FATURAS de fls. 525 , sendo lançado o valor incorreto de 48.372,00 ao invés do valor correto de R$ 1.518,50. 5.4.1. Sendo assim, os valores lançados no Anexo RA A RM, no tocante as referidas Notas Fiscais ficam retificados conforme discriminados abaixo: 5.4.2. Em relação à totalidade das Notas Fiscais remanescentes relativas às competências 12/2004 a 06/2005, foram expedidos os Ofícios n°s. 234/2013/Saort/DRFCON e 235/2013/Saort/DRF CON,( anexados ao processo) para as empresas R. & R. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA ME CNPJ: 02.150.945/000115 e LOCAÇÃO DE MAQUINAS JM LTDA ME CNPJ: 19.695.683/000177, respectivamente, e, remetidos aos endereços dos sujeitos passivos constantes dos sistemas informatizados da RFB, com a seguinte solicitação de documentação e/ou esclarecimentos, a saber: • Ofício n° 234/2013/Saort/DRFCON R. & R. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA ME: • Ofício n° 235/2013/Saort/DRFCOM LOCAÇAO DE MAQUINAS JM LTDA ME: Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 622 12 “a) Copia do Contrato de Prestação de Serviços, exclusivamente, do período de emissão das Notas Fiscais acima discriminadas, com a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, e, em caso negativo, esclarecer o motivo; Informar, se os serviços prestados e discriminados, foram executados com o emprego equipamentos/máquinas e pessoal (operadores) da LOCAÇAO DE MAQUINAS JM LTDA ME;ou, se trata de aluguel, exclusivamente, de equipamentos/máquinas. Outros esclarecimentos que entender necessários e pertinentes ao assunto. 4. Anexo: cópias da(s) Nota(s) Fiscal(ais) n°(s): 000533, 000535, 000539, 000542, 000544, 000545, 000547, 000549, 000552 a 00560, 000562 a 000569, 000601 a 000603 e 000607.” Citado Ofício n° 234/2013/Saort/DRF/CON, endereçado à R & R LOCAÇAO DE EQUIPAMENTOS LTDA, foi devolvido pelos Correios em 04/06/2013, mediante AR n° RA 70500918 1 BR, com motivo classificado como “ Mudouse”. Conforme explicitado no item 3.1.6.5.1.2 do Relatório Fiscal, inexistindo, portando, a formalização contratual de serviços celebrados com terceiros, reconhecida pela própria CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota fiscal, fatura ou do recibo de prestação de serviço, consoante legislação previdenciária pertinente de regência. Restou, mantido o crédito lançado, relativo às Notas Fiscais acima alencadas no Oficio n° 234/2013/Saort/DRFCON, e, constantes do Anexo: RA A RM, integrante dos presentes Autos, por ter a Impugnante afirmar que não possuía contratos com os empreiteiros em resposta ao TIF 014/2009, de fls. 376 a 380, na qual aduz às fls. 381: “2) No que se refere ao item 1b, a relação com as empresas ora listadas ocorria de forma, fornecedor consumidor, onde fazia se a aquisição e/ou a locação do bem mediante a emissão da nota fiscal, e, seguida efetuavase o pagamento. Em resumo, não foi elaborado nenhum tipo de regulamento/contrato para usufruto ou aquisição de quaisquer serviço ou compra entre a Cema e as referidas empresas.” 5.4.3. Em resposta ao Ofício n° 235/2013/Saort/DRF/CON, o sujeito passivo apresentou correspondência (anexada ao processo) com as alegações seguintes, transcritas, parcialmente: Contagem, Minas Gerais, representado neste ato pelo seu sócio administrador, Aguimar Braga, portador da Carteira de identidade número MG.3.958.170 e CPF.771.235.57620, vem através desta e após ter enviado por email no dia 05 de junho de 2013, a mesma declaração, seguindo a solicitação do auditor por telefone, para formalização da resposta, declarar que: Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 623 13 As Notas de números, 533, 535, 539, 542, 544, 545, 547, 549, 552, 553, 554, 555, 556, 557, 558, 559, 560, 562, 563, 564, 565, 566, 567, 568, 569, 601, 602, 603, 607 emitidas ao cliente CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, entre os períodos de 01/12/2004 até 26/06/2005, tem seus valores totais representando exclusivamente o valor da Locação de Equipamentos. Declaro ainda não existe contrato formal desta prestação de serviços.” 5.4.3.1 Ressaltase que, a despeito das argumentações trazidas pela Locação de Maquinas JM Ltda, o equipamento Retro escavadeira, somente, pode ser por operado por pessoal especializado neste tipo de equipamento, fato este não provado, tampouco pela Impugnante, restando a certeza de que o equipamento foi utilizado nas Obras com o emprego de mãode obra especializada, o que caracteriza de plano a incidência das alíquotas de retenção previstas na legislação previdenciária 5.4.3.2. Em face dos esclarecimentos insuficientes prestados pela Locação de Maquinas JM Ltda, notadamente a ausência de contrato formal daquela prestação de serviços, e, a constatação de que a Impugnante não possuía em seu quadro de funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme demonstrativo, por amostragem, discriminado no item 3 retro, empregados classificados com a função de Operador de Retro escavadeira, fica mantido o crédito lançado, relativo às Notas Fiscais acima alencadas no Oficio n° 235/2013/Saort/DRF CON, e, constantes do Anexo: RA a RM, integrante dos presentes Autos. IV.6.3 DAS NOTAS FISCAIS CUJA RETENÇÃO NAO FOI COMPUTADA PELA FISCALIZAÇÃO Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão 6. Transcrevese, a seguir a tabela de notas fiscais relacionadas pela Impugnante, tida como Das Notas Fiscais Cuja Retenção Não Foi Computada pela Fiscalização: Em face ao julgado no Acórdão 0232.558 8a Turma da DRJ/BHTE, de 01/06/2011, às fls. 2301 ‘ ‘... Para as competências de 03/2004 a 11/2004 ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, devendo as mesmas ser excluídas do lançamento. “ restou aplicado o instituto de decadência relativo as competências setembro/2004 e novembro/2004, sendo, portanto, os valores lançados naqueles meses, relativo às Notas Fiscais n°s. 002856, 002864 e 002887, passíveis de plano de retificação, anulandose os valores lançados. Sendo assim, os valores lançados no Anexo: RA A RM, no tocante as referidas Notas Fiscais ficam retificados conforme discriminados abaixo(...) Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 624 14 6.2. No tocante, a Nota Fiscal n ° 000079 emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141, em 11/01/05 valor R$ 4.590,00, resulta que a Impugnante apresentou no curso do procedimento fiscal à Fiscalização, a Nota Fiscal n° 000079 às fls. 1151, cuja originalidade foi atestada pela autoridade notificante conforme carimbo aposto para fins de instrução do processo e na qual não consta qualquer destaque de retenção previdenciária. Diferentemente, em seu recurso voluntário, a Impugnante, faz juntada da mesma Nota Fiscal n° 000079 às fls. 2069, com a “inclusão manual e EXTEMPORÂNEA” logo abaixo do valor total, a expressão manuscrita “INSS (11%) 504,90 e ISSQN (2%) 91,80” e juntando GPS sem autenticação no valor de R$ 504,90. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, constatase que o suposto valor de retenção “destacado” tardiamente de forma manuscrito, não foi declarado em GFIP pela emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME, nem tampouco, houve a vinculação de segurados à matrícula CEI 40.990.03248/78 da Obra do Centro de Distribuição CEMA, consoante exigência na legislação previdenciária de regência. 6.2.21. Na tela CCORGFIP (anexada ao processo), a empresa FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141,declarou na competência janeiro/2005, o montante de retenção da Lei n° 9.718, o valor de R$ 3.161,11; Na tela DATAPREV/ CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais Tomador de Serviço GFIP(anexada ao processo), consta o seguinte detalhamento do montante de R$3.161,11, declarado à título de retenção na competência janeiro/2005, a saber: Restou demonstrado que não houve o suposto equívoco da Fiscalização assinalado pela Impugnante em sua peça recursal, e, sim o comportamento inadequado da Impugnante ao oferecer ao Fisco, em seu Recurso Voluntário ao CRPS, documentação “rasurada”, com o intuito de elidir de suas obrigações legais a seu tempo. Fica, portanto, mantido na integralidade os valores lançados à título de retenção relativo à Nota Fiscal n ° 000079 emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141, em 11/01/05 valor R$ 4.590,00. 6.3 No tocante, a Nota Fiscal n ° 000041 emitente A & R EMPREITEIRA LTDA ME CNPJ: 02.969.081/000168, em 01/03/05 valor R$ 846,00, resulta que a Impugnante, apresentou no curso do procedimento fiscal à Fiscalização, a Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 625 15 referida Nota Fiscal n° 000041 às fls. 1164, na qual não consta qualquer destaque de retenção previdenciária. Diferentemente, em seu recurso voluntário, a Impugnante, faz juntada da mesma Nota Fiscal às fls. 2071, com a “inclusão manual EXTEMPORÂNEA” logo abaixo do valor total, a expressão manuscrita “INSS (93,06) e ISSQN (16,92)” e juntando GPS sem autenticação no valor de R$ 213,51. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, constatase que o suposto valor de retenção “destacado” tardiamente de forma manuscrito, não foi declarado em GFIP pela emitente A & R EMPREITEIRA LTDA ME, nem tampouco, houve a vinculação de segurados à matrícula CEI 40.990.03248/78 da Obra do Centro de Distribuição CEMA, consoante exigência na legislação previdenciária de regência. Restou demonstrado que não houve o suposto equívoco da Fiscalização assinalado pela Impugnante em sua peça recursal, e, sim o comportamento inadequado da Impugnante ao Fisco documentação rasurada. (...) Ressaltase que, a despeito das argumentações trazidas pela Real Guindastes e Equipamentos Ltda, o equipamento Guindaste, somente, pode ser por operado por pessoal especializado neste tipo de equipamento, fato este não provado, tampouco pela Impugnante, restando a certeza de que o equipamento foi utilizado nas obras com o emprego de mãode obra especializada, o que caracteriza de plano a incidência das alíquotas de retenção previstas na legislação previdenciária. Em face dos esclarecimentos insuficientes prestados pela Real Guindastes e Equipamentos Ltda, notadamente, não ter como afirmar se a locação do Guindaste teve ou não o concurso de mão de obra, e, a constatação de que a Impugnante não possuía em seu quadro de funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme demonstrativo, por amostragem, discriminado no item 3 retro, empregados classificados com a função de Operador de Guindaste, fica mantido o crédito lançado, relativo à Nota Fiscal n° 0004580, constante do Anexo: RA a RM, integrante dos presentes Autos. Com relação a NF 000269, de 28/06/05, foi emitido OFÍCIO N° 239/2013/Saort/DRF/CON, datado de 22/05/2013(anexado ao processo), para a empresa ADVANCED SERVIÇOS LTDA ME, intimando o sujeito passivo os seguintes elementos discriminados abaixo(...) De conformidade com a descrição dos serviços discriminados na NF 000269 acima mencionados, restou comprovado que os serviços de instalação de pararaios e aterramento não estão contemplados como serviços não sujeitos à retenção, ficando mantido o crédito lançado, relativo à Nota Fiscal n° 000269, constante do Anexo: RA A RM, integrante dos presentes Autos. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 626 16 Com relação à NF 000847, de 22/11/05, de fls. 1229, a empresa ENGEFUROS Engenharia e Furos em Concreto Ltda CNPJ: 04.658.491/000113, reconhece a incidência da retenção e discrimina no campo próprio da Nota Fiscal, da seguinte forma: Locação de perfuratriz diamantada dd 160 p/execução furos em concreto 97,50 MãodeObra 52,50 Retenção INSS 11% 5,78 Reconhece, ainda, nas Notas Fiscais de sua emissão, de n°s. 000730, 000737, 000751 e 000827, de fls. 1225 a 1228, respectivamente, a incidência da retenção, mantendo a mesma discriminação dos serviços, acima descrita. A constatação da incidência da retenção está em consonância com o disposto no art. 170, da IN SRP 03/2005 (e IN/INSS/DC n° 100/2003), que não contempla a execução de furos em concreto como não sujeitos a retenção. A citada Nota Fiscal 000847, consta do Anexo: MA A MP RETENÇÃO A MENOR EFETUADA S/NFS/FATURAS, de fls. 539, pelo fato de não ter sido apresentado o Contrato de Prestação de Serviços, restando a incidência sobre o valor bruto da citada Nota Fiscal, sobejando saldo de retenção a menor, objeto do Auto de Infração. Diante do exposto, fica mantido o lançamento do crédito relativo à Nota Fiscal n° 000847, constante do Anexo: MA A MP, integrante dos presentes Autos. Atendida a solicitação de fls. 2410, com os esclarecimentos e considerações do Auditor notificante, bem como a concessão de prazo de 30(trinta dias), para manifestação da Impugnante, a partir da ciência do presente Termo. Cientificada do teor da Informação Fiscal supra, a recorrente apresentou manifestação, alegando, em síntese, que: Com registro dos trabalhadores da obra em seu nome, fica ainda mais inquestionável a validade do contrato e das notas fiscais que não divergem quanto ao ponto de se tratar de obra realizada mediante a administração da SGO CONSTRUÇÕES LTDA. A SGO simplesmente intermediou a terceirização de alguns serviços, sendo reembolsada pela CEMA dos respectivos valores, o que, sem sombra de dúvidas, não transforma administração em empreitada parcial, como equivocadamente pretende a d. Fiscalização. Por fim, cumpre lembrar que a SGO recolheu devidamente todas as contribuições que lhe competia, conforme comprovado nos autos, sem descontar qualquer montante a título de retenção. Dito de outro modo, todas as contribuições foram recolhidas Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 627 17 direta e integralmente pela SGO, sendo que caso a Recorrente também fosse condenada a recolher supostas parcelas que não foram retidas, não há dúvidas de que se trataria de dupla incidência sobre exatamente os mesmos fatos geradores, fato que juridicamente não se pode admitir. O Auto de Infração exige a incidência de contribuições previdenciárias sobre locação de máquinas e equipamentos (retroescavadeira, motoniveladora etc.), ou seja, sobre atividades em que não ocorre o fato gerador das referida exações. Todavia, a d. Fiscalização, ao invés de responder objetivamente a questão, insiste em sua tese de desconsideração dos contratos e notas fiscais relativas a obra realizada pela Recorrente e o que é pior, por mera suposição (sem qualquer suporte fáticoprobatório). As autoridades autuantes consertaram alguns erros constantes do trabalho fiscal, reduzindo valores lançados a maior com relação à algumas notas fiscais, mas quanto ao cerne da discussão jurídica mantiveram seu posicionamento a respeito da tributação sobre aluguel de máquinas e equipamentos. Nesse sentido, duas foram as empresas locadoras que concentraram as notas fiscais autuadas: (i) R & R Locação de Equipamentos Ltda. ME e (ii) Locação de Máquinas JM Ltda. Pois bem, a fim de tentar comprovar sua suposição de que, na verdade, não houve mera locação de equipamentos, mas locação com cessão de mão de obra, o Fisco emitiu intimação para cada uma dessas empresas a fim de que elas esclarecessem se a locação teria sido feita com ou sem o fornecimento de pessoal (operadores). Conforme se verifica dos autos, a JM expressamente afirmou que os valores recebidos da Recorrente decorrem exclusivamente da locação de equipamentos. Em relação às notas fiscais cuja retenção não foi considerada pela Fiscalização restaram atingidas pela decadência o crédito tributário até a competência 11/2004. Sobraram, então, as notas fiscais de nºs 000079 e 000041. Com relação a tais documentos fiscais, em suma, o Fisco acusa o Recorrente de ter incluído informações posteriores sobre a retenção das contribuições previdenciárias, rasurando os documentos depois de sua apresentação ao processo. Afirma, ainda, que as GPSs apresentadas não possuíram autenticação bancária, bem como que não teriam sido identificados os pagamentos informados pelo Contribuinte. Quanto a esse ponto, o que a Recorrente tem a dizer é que realmente as informações sobre a retenção foram incluídas à mão, mas de forma alguma tal procedimento foi realizado posteriormente para elidir suas obrigações fiscais “a seu tempo”. O que pode ter ocorrido é que as primeiras cópias juntadas aos autos foram retiradas das notas originais, portanto sem as informações sobre a retenção. O importante é que efetivamente houve retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias relativas às notas fiscais em comento, não havendo dúvidas sobre a impossibilidade de autuação nesse tocante. Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 628 18 As cópias das GPS em anexo comprovam efetivamente o recolhimento das referidas contribuições e, inclusive, comprovam que tais contribuições foram recolhidas tempestivamente, o que afasta qualquer tese de que a contribuinte teria agido com máfé. Por fim, reitera a Recorrente todas as suas alegações constantes do Recurso Voluntário, notadamente no que tange a improcedência do lançamento efetuado. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da delimitação do litígio Nos termos da decisão de primeira instância, do crédito tributário original, restaram abrangidas pela decadência as competências de 03/2004 a 11/2004. Foram transferidas para o debcad nº 37.329.6037 as parcelas sobre as quais a ora recorrente desistiu da defesa apresentada para a inclusão em parcelamento, que corresponderam ao período de 01/2005 a 12/2007. Dessa forma, a matéria contenciosa se limitou aos seguintes levantamentos e competências: PL1 PRO LABORE A SÓCIOS 12/2004 F21 e F31 FRETES A CONTRIB INDIVIDUAIS 12/2004 AB1 ABONO CCT 2007, 2009 FILIAL 06 e 08/2006 ED1 REEMBOLSO CONTRATO N PAIVA 01/2005 a 01/2007 Destarte, as alegações recursais que não correspondam às matérias sob julgamento não serão apreciadas, vez que há perda de objeto e ausência de interesse processual. Decadência O presente lançamento, originariamente, abrangeu as competências de 03/2004 a 12/2007. A decisão da DRJ reconheceu a decadência do período de 03/2004 a 11/2004, ao aplicar a regra de contagem do prazo decadencial inserta no art, 173, I, do CTN, uma vez que no entendimento daquele colegiado não ocorreu antecipação do pagamento, pelo fato de o próprio sujeito passivo não reconhecer os valores lançados como saláriodecontribuição. Todavia, esse não é o entendimento sedimentado pela Súmula CARF nº 99, verbis: Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 629 19 Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. A ciência do presente lançamento se deu em 11/01/2010, portanto, o período não decadente é de 01/2005 a 12/2007. Desse modo, a decadência deve ser estendida para abranger a competência 12/2004. Estando, pois, decadente o período de 03/2004 a 12/2004. Nova delimitação do litígio Em face da concessão da decadência em maior extensão no tópico precedente, mister se faz uma nova delimitação do litígio, uma vez que alguns levantamentos remanesceu apenas a competência 12/2004, que não fora incluída em parcelamento apenas pelo fato de o sujeito passivo acreditar que estava abarcada pela decadência. Assim, persistem os seguintes levantamentos, que serão analisados nessa sequência ao longo do presente voto: AB1 ABONO CCT 2007, 2009 FILIAL 06 e 08/2006 ED1 REEMBOLSO CONTRATO N PAIVA 01/2005 a 01/2007 Abono Convenção Coletiva de Trabalho De acordo com a Convenção Coletiva do Trabalho 2007/2009, assinada em 27/11/2007, cada segurado empregado fazia jus a um abono, pago em duas parcelas, nos meses de dezembro/2007 e dezembro de 2008. A cláusula da CCT referente ao abono, restou assim redigida: Será pago como abono, para toda a categoria, o valor de R$ 160,00 (cento e sessenta reais), em 02(duas) parcelas iguais de R$ 80,00 (oitenta reais), que serão pagos junto com os salários, respectivamente, dos meses de dezembro/2007 e dezembro de 2008. O pagamento respeitará a proporcionalidade de 1/12 trabalhados, isto é, para cada mês trabalhado por inteiro no ano, terá direito a receber R$ 6,67 (seis reais e sessenta centavos). Depreendese dos termos da Convenção Coletiva de Trabalho que o abono não era eventual e expressamente desvinculado do salário. O empregado já sabia previamente do valor e periodicidade do pagamento, que ocorria no último mês de cada ano. Dessa forma, agiu com a acerto a autoridade fiscal ao considerar tais pagamentos como integrantes da base de cálculo da contribuição previdenciária, eis que não se enquadram na regra de exceção inserta no art. 28, § 9º, “e”, item 7, que expressamente prevê Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 630 20 que não integram o salário de contribuição, exclusivamente: “as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário”. Destarte, não merece provimento o recurso nesse aspecto. Custeio de ensino superior A questão tratada versa sobre a interpretação ao art. 28, § 9º, “t”, com a redação vigente à época dos fatos geradores: t) o valor relativo a plano educacional que vise á educação básica, nos termos do Art. 21 da Lei n° 9.394 de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n° 9. 711, de 20/11/98 A Lei nº 12/513/2011 alterou o dispositivo legal, que passou a ter a seguinte redação: t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) No caso que se cuida, a recorrente custeou de forma parcial o ensino superior de Gestão de Varejo. No entendimento da autoridade lançadora, ratificado pela decisão de piso, não haveria subsunção do fato à norma isentiva, uma vez que a educação superior não se enquadra, por óbvio no conceito de educação básica e nem pode ser entendido como curso de captação e qualificação profissionais. De acordo com a decisão de piso, ainda que referido curso superior fosse considerado como de capacitação e qualificação profissional, a recorrente não faria jus ao benefício legal por não ter estendido o acesso a todos os empregados e dirigentes da empresa. Não obstante a lei se reportar a ocorrência do fato gerador, a alteração do mencionado dispositivo legal pela Lei nº 12/513/2011 foi de grande importância para a compreensão do alcance da norma revogada. A novel legislação modificou os requisitos para a obtenção, não mais exigindo o requisito de que o plano educacional fosse extensivo a todos os empregados. Referida exigência poderia, muitas vezes ser inexequível, vez que os empregados poderiam ter perfis distintos e não estarem aptos a usufruir do benefício concedido pela empresa em igualdades de condição. Exemplifico. Um empregado sem a conclusão do ensino médio não poderia cursar a faculdade de Gestão de Varejo. Destarte, entendo que o fato de a recorrente não ter disponibilizado o reembolso do curso à totalidade dos empregados não pode servir de óbice para aplicação da norma isentiva ao vertente caso. De outra banda, entendo que o curso disponibilizado, não obstante ser de nível superior, tem vinculação com as atividades desenvolvidas pela empresa e, teoricamente, alfim do curso os empregados contemplados estarão mais qualificados e capacitados para o trabalho. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 631 21 Diante do exposto, entendo que o curso de Gestão de Varejo atendeu a finalidade da norma isentiva, razão pela qual os reembolsos respectivos devem ser excluídos da base de cálculo do presente lançamento. Provido o recurso nesse tocante. Da multa de ofício e da multa de mora O presente lançamento contempla as multas de ofício e de mora da redação da Lei nº 11.941/2009. Quanto à aplicação da multa constante deste Auto de Infração, cumpre salientar que a Medida Provisória MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, alterou diversos dispositivos da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, notadamente no que tange à aplicação de penalidades. Em princípio, as multas estabelecidas pela Lei nº 11.941/2009 serão aplicadas a fatos geradores ocorridos após a sua vigência. No entanto, para as infrações com fato gerador anterior a 04/12/2008 (data da entrada em vigor da MP 449/2008), na aplicação de multas para condutas equivalentes, devese observar o princípio da retroatividade benigna, estabelecido pelo inciso II, alínea ”c”, do artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172, de 25/10/1966). Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. Entendo que o novo regime (aplicação da multa de 75%) é mais gravoso. Desse modo, para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP nº 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449 há que se aplicar a multa de 75% (previsão no art. 44 da Lei 9.430). O lançamento que se cuida contempla competências de 01/2005 a 07/2007, devendo ser alterada a forma de cálculo da multa. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), Se a conduta atraso aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do art. 35 do diploma legal acima citado. Incide na espécie, pois, a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 632 22 Entretanto, é assente nessa Turma a necessidade de comparação da multas no momento do pagamento para se perquirir acerca da situação mais benéfica ao contribuinte. Assim, ressalvado o entendimento acima esposado, mas fulcrado no princípio da economia, me curvo ao entendimento da Turma, nos termos seguintes. Para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deve comparar àquela antiga multa por descumprimento de obrigação acessória (regrada na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, § 4o ou §5o da Lei n° 8.212, de 1991), quando somada à multa aplicada no âmbito do(s) NFLD(s) ou AI(s) de obrigação principal conexo(s) (regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II da Lei n° 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei n° 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício, consoante disposto no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. Portanto, no presente caso, devese comparar (i) o resultado da soma da multa lançada mediante os Autos de Infração por descumprimento de obrigação acessória relacionados a GFIP e a multa lançada nos autos deste processo com (ii) a multa estabelecida pelo art. 35A da Lei n° 8.112, de 1991, que remete ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que é de 75%, prevalecendo a menor, que deverá ser verificada pela unidade preparadora no momento do pagamento. Da aplicação da Taxa Selic A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF nº 4 A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Assim sendo, improcedente a argumentação da recorrente quanto à não incidência de juros de mora no presente lançamento. Conclusão Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para: Reconhecer a decadência para abranger a competência 12/2004. Estando, pois, decadente o período de 03/2004 a 12/2004; Excluir o levantamento Reembolso Contrato N Paiva (AuxílioEducação). Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 633 23 Fl. 633DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.000508/2003-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1999
CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO. PRAZO PARA A VERIFICAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.
No momento em que o contribuinte apresenta pedido de compensação/restituição de direito creditório, abre-se o prazo de 5 anos para que o Fisco se pronuncie sobre ele, sob pena de haver a homologação tácita, conforme previsto no § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96. Nesse período de 5 anos, o Fisco tem o dever de verificar a existência do direito creditório pleiteado, sendo esse o único limite temporal à ação fiscal.
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Para fins tributário, a contrapartida dos JCP é despesa financeira e, como tal, deve observar o regime de competência, razão pela qual deve ser considerada despesa do ano em que os JCP foram pagos ou creditados aos sócios.
LANÇAMENTO DECORRENTE - CSLL - Tratando-se de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1302-002.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Ester Marques Lins de Sousa, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997, 1999 CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO. PRAZO PARA A VERIFICAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. No momento em que o contribuinte apresenta pedido de compensação/restituição de direito creditório, abre-se o prazo de 5 anos para que o Fisco se pronuncie sobre ele, sob pena de haver a homologação tácita, conforme previsto no § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96. Nesse período de 5 anos, o Fisco tem o dever de verificar a existência do direito creditório pleiteado, sendo esse o único limite temporal à ação fiscal. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Para fins tributário, a contrapartida dos JCP é despesa financeira e, como tal, deve observar o regime de competência, razão pela qual deve ser considerada despesa do ano em que os JCP foram pagos ou creditados aos sócios. LANÇAMENTO DECORRENTE - CSLL - Tratando-se de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Ester Marques Lins de Sousa, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1999 CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO. PRAZO PARA A VERIFICAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. No momento em que o contribuinte apresenta pedido de compensação/restituição de direito creditório, abrese o prazo de 5 anos para que o Fisco se pronuncie sobre ele, sob pena de haver a homologação tácita, conforme previsto no § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96. Nesse período de 5 anos, o Fisco tem o dever de verificar a existência do direito creditório pleiteado, sendo esse o único limite temporal à ação fiscal. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Para fins tributário, a contrapartida dos JCP é despesa financeira e, como tal, deve observar o regime de competência, razão pela qual deve ser considerada despesa do ano em que os JCP foram pagos ou creditados aos sócios. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL Tratandose de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Ester Marques Lins de Sousa, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 05 08 /2 00 3- 62 Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.089 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Por bem retratar o processo em análise, adoto o relatório da DRJ/SDR à seguir colacionado: Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.090 3 Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.091 4 Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.092 5 Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.093 6 Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.094 7 Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.095 8 Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.096 9 Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.097 10 Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.098 11 Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.099 12 Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.100 13 Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.101 14 Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.102 15 Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.103 16 Após análise das razões expostas pelo contribuinte em sua peça de Manifestação de Inconformidade, a DRJSDR proferiu Acórdão recorrido que ficou ementado da seguinte forma: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO. ANÁLISE DA LIQUIDEZA E CERTEZA. PRAZO DECADENCIAL. INAPLICABILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial, nos termos do §4º do art. 150 do CTN, apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em vista que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se cogita de decadência para verificação da liquidez e certeza de saldos negativos de IRPJ, objeto de pedido de restituição ou de declaração de compensação, que se submete a regramento específico e tem como limite apenas o prazo da homologação tácita de que trata o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430 de 1996. BASE DE CÁLCULO. DESPESA COM JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. INEXISTENTE. Considerando ser cabível e necessária a verificação da liquidez e certeza do crédito postulado por ocasião da análise de direito creditório em pedido de restituição ou em compensação declarada pelo contribuinte e estando demonstrado que a despesa de juros sobre o capital próprio não ocorreu nos anos calendário de 1997 e 1999, visto que a sua contabilização se deu no anocalendário de 2001, mantémse a glosa dos valores Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.104 17 deduzidos indevidamente nas declarações retificadoras, relativas aos anoscalendário de 1997 e 1999. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Inexistindo direito creditório, incabível a homologação da declaração de compensação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997, 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO. ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA. PRAZO DECADENCIAL. INAPLICABILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial, nos termos do §4º do art. 150 do CTN, apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em vista que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se cogita de decadência para verificação da liquidez e certeza de saldos negativos de CSLL, objeto de pedido de restituição ou de declaração de compensação, que se submete a regramento específico e tem como limite apenas o prazo da homologação tácita de que trata o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430 de 1996. BASE DE CÁLCULO. DESPESA COM JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. INEXISTENTE. Considerando ser cabível e necessária a verificação da liquidez e certeza do crédito postulado por ocasião da análise de direito creditório em pedido de restituição ou em compensação declarada pelo contribuinte e estando demonstrado que a despesa de juros sobre o capital próprio não ocorreu nos anos calendário de 1997 e 1999, visto que a sua contabilização se deu no anocalendário de 2001, mantémse a glosa dos valores deduzidos indevidamente nas declarações retificadoras, relativas aos anoscalendário de 1997 e 1999. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Há de se reconhecer, parcialmente, o direito creditório evidenciado nos autos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” A referida decisão julgou Procedente em Parte a Manifestação de Inconformidade para afastar a preliminar.de decadência do direito da Fazenda Pública para se pronunciar a respeito da retificação das declarações e, no mérito, não reconhecer o direito creditório referente aos saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 1997, bem como relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 por serem inexistentes, e por reconhecer, parcialmente, o crédito relativo ao saldo negativo de CSLL, do anocalendário Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.105 18 de 1999, no valor de R$ 125.305,97 (cento e vinte e cinco mil, trezentos e cinco reais e noventa e sete centavos). Da decisão, a Recorrente exerceu o contraditório, interpondo o presente Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese, que o Acórdão recorrido possui dois equívocos: (i) Já havia ocorrido o término lapso temporal de que dispunha a autoridade administrativa para se pronunciar a respeito da retificação das declarações e, (ii) Ficou comprovada que a retificação da declaração objetivara o reconhecimento de diversos erros nas informações prestadas e, não apenas a exclusão dos Juros sobre capital próprio. Com relação ao primeiro item, afirmou que o direito concedido por Lei à Fazenda Pública, para indeferir a retificação dessa declaração, pereceu por decurso do prazo fixado para o seu exercício, resultando na homologação tácita do procedimento da Recorrente. Relativamente ao segundo item, a Recorrente demonstra por planilhas colacionadas ao corpo do texto, por meio das quais pretende demonstrar as parcelas que foram alteradas pelas retificadoras, e assim demonstrar que as declarações foram retificadas por diversos erros de fato, diferentes da exclusão dos juros sobre capital próprio, e que tais retificações foram alteradas estão amparadas pelas normas emanadas pela Secretaria da Receita Federal, devendo a referida compensação ser reestabelecida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator O presente Recurso Voluntário foi apresentado em conformidade com o que dispõe o art. 33, do Decreto 70.235/72, portanto, dele conheço. Pois bem, o tema em análise requer a análise de dois pontos. Primeiramente, devese decidir em relação à existência (ou não) do direito de a Fazenda Pública se pronunciar/analisar a respeito da retificação de declarações após decorridos mais de cinco anos de sua apresentação. Subsidiariamente, caso entendase que a Fazenda Pública dispõe desse direito, cabe analisar o mérito do pedido da restituição do anocalendário de 1997, que foi negado pelo órgão julgador “a quo”, por entenderse que não existiu, no anocalendário de 1997, a despesa referente a juros sobre o capital próprio, no montante de R$5.795.716,33, Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.106 19 deduzida na declaração retificadora, uma vez que a contabilização do referido valor, a título de juros sobre o capital próprio, foi efetuada no anocalendário de 2001, como também não houve o pagamento tempestivo do IRRF incidente sobre o suposto valor dos juros de capital próprio, tendo a contribuinte lançado mão de um artifício para justificar o cumprimento do art. 9º, § 2º, da Lei nº 9.249 de 1995, que consistiu em reduzir em sua DIRPJ retificadora o valor do IRRF anteriormente informado, de R$869.357,45, para zero. Preliminar Do prazo para análise da liquidez e certeza de créditos/débitos da Fazenda Pública Como visto, a DRJSDR entendeu que “o transcurso do prazo decadencial, nos termos do §4º do art. 150 do CTN, apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em vista que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se cogita de decadência para verificação da liquidez e certeza de saldos negativos de CSLL, objeto de pedido de restituição ou de declaração de compensação, que se submete a regramento específico e tem como limite apenas o prazo da homologação tácita de que trata o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430 de 1996.” No entanto, creio não ser esse o melhor juízo sobre a matéria. Em sentido contrário, é possível destacar assente jurisprudência deste Conselho entendendo que o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para constituição do crédito tributário é, igualmente, aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte para fins de apuração do direito creditório concernente ao saldo negativo de recolhimentos do IRPJ/CSLL. Senão, vejamos: “ Número do Processo: 11831.000443/0090 Data da Sessão: 29/03/2011 Relator(a): Antonio José Praga de Souza Nº Acórdão: 1402000.479 Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Esse prazo decadencial também é aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Número do Processo: 11831.000881/200353 Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.107 20 Data da Sessão: 25/02/2011 Relator(a): LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Nº Acórdão: 1402000.454 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 PRELIMINAR. CONHECIMENTO DE PROVAS DOCUMENTAIS JUNTADAS AOS AUTOS APÓS A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Tendo sido determinado à elaboração de novo despacho decisório pela Unidade de origem, para apreciar o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, resta prejudicada a apreciação prévia do conhecimento de provas documentais juntadas aos autos após a impugnação ou recurso. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Esse prazo decadencial também é aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Homologamse tacitamente após 5 anos as declarações de compensação regularmente apresentadas na vigência do art. 74 da Lei 9.430/1996 com redação dada pelo Lei 10.637/2002. Processo volvido à Unidade de origem para proferir novo despacho decisório. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.” (Grifei) Nas situações acima aventadas, o CARF decidiu à luz da legislação e da jurisprudência, que o Fisco tinha 5 (cinco) anos para fiscalizar a apuração do lucro real do contribuinte, mas somente realizou o procedimento depois de tal prazo, quando todos os anos calendário já haviam sido atingidos pelo transcurso do prazo decadencial, aplicandose o prazo decadencial do § 4º do art. 150 do CTN. No caso vertente, afirma a decisão recorrida que após ocorrida a decadência do direito de o Fisco constituir créditos tributários permaneceriam “inalterados os demais poderes conferidos ao Fisco, como, por exemplo, as prerrogativas para verificar as declarações entregues pelo sujeito passivo, bem como a correção de sua escrita contábil e fiscal, em relação a ocorrências que, por sua natureza, devem afetar fatos geradores futuros (prejuízos fiscais, lucro inflacionário, saldos negativos compensáveis, etc).” Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.108 21 No entanto, entendo que a correta interpretação do direito positivo se dá por meio da interpretação sistemática, que é o método de interpretação por excelência do direito positivo, pelo fato de investigar os três planos fundamentais da linguagem, são eles: a sintaxe, a semântica e a pragmática. É só através do percurso destes três planos que conseguimos compreender e decodificar a mensagem dos órgãos credenciados pelo direito positivo a expedir normas. Ora, mesmo inexistindo dispositivo legal expresso acerca do prazo para análise da fiscalização da composição do saldo negativo do IRPJ e do saldo negativo da CSLL elaborada pelo contribuinte, o Código Tributário Nacional no parágrafo único do art. 195 é claro ao afirmar que “os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.” O prazo prescricional a que se refere o dispositivo legal acima mencionado é aquele previsto no art. 174 do CTN, que é de 5 (cinco) anos conforme a redação trazida do no seu caput, tendo em vista que o contribuinte tem também cinco anos para requerer a restituição ou compensação dos valores pagos indevidamente apurados através do saldo negativo do IRPJ e CSLL apontado em sua declaração de rendimento apresentado a Secretaria da Receita Federal do Brasil. No presente processo, discutese a possibilidade de o Fisco glosar a dedução de juros sobre capital próprio procedida pelo contribuinte por considerar inexistentes os saldos negativos pleiteados na DIPJ/1998 e 2000 retificadoras, reconhecendose somente o saldo negativo do IRPJ apurado na DIPJ/2000 original. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo à declaração do contribuinte informando o seu direito creditório junto ao Fisco, por meio da entrega da DIPJ, a autoridade administrativa goza de 5 (cinco) anos para rever o ato praticado pelo contribuinte, sob pena de preclusão do seu direito. O saldo credor de IRPJ e CSLL apurados pela recorrente pode ser utilizado para fins de compensação com qualquer tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, num prazo de 5 (cinco) anos, o mesmo prazo também é válido para o fisco conferir a validade dos créditos. Tal prazo (5 anos) também é aplicável ao Fisco Federal, pois segundo a Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1999, a fiscalização poderá verificar a correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos. O crédito líquido e certo do saldo credor de IRPJ e CSLL são apurados com base na DIPJ entregue pelo contribuinte e, como se detém deste processo, as declarações retificadoras de DIPJs foram transmitidas em 11/03/2002, no entanto, o Fisco apenas manifestouse sobre as referidas declarações em julho de 2007, tempo em que já estava impedida de deliberar acerca da liquidez e certeza do crédito postulado em pedido de restituição ou em compensação declarada pelo contribuinte. Isto porque, como se sabe, a razão de ser do Direito é a regulação das condutas humanas nas suas relações de intersubjetividade. Ele projetase para o futuro, no momento em que dispõe, no antecedente normativo de uma norma geral e abstrata, de uma conduta de possível ocorrência no mundo social, porém se volta para o passado, colhendo as Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.109 22 condutas que juridiciza no presente, ou seja, o processo de positivação do direito parte da previsão hipotética de um fato de possível ocorrência no mundo fenomênico, e caso aconteça, se volta para o passado, relatando em linguagem competente o acontecimento daquele evento, surgindo o fato jurídico, gerando os devidos efeitos legais no presente. O direito não pode se perpetuar no tempo porque o seu objetivo principal é trazer a paz e estabilidade das relações sociais. Logo, o próprio sistema cria mecanismos para garantir a estabilidade do processo de positivação para que não se eternize no tempo. É o que ocorre no caso da coisa julgada, prescrição e decadência. A decadência rompe o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas. Ela é um mecanismo do sistema jurídico para absorção de incertezas. Esse instituto, por razões de estabilidade jurídica, prestigia a transitoriedade das relações econômicas. Regra de decadência tem caráter técnico voltado para a segurança jurídica em seu embate com o tempo. São regras indiferentes à ideia de justiça, como constata Eurico Marcos Diniz de Santi, vejamos: “O tempo consome os fatos e o direito que deles advém. No tempo, a lei ganha sentido, nasce direito. No tempo morrem os fatos, somem as provas. No tempo, e pelo tempo, o direito extingue o direito: ocorre a decadência e a prescrição. Cego tal qual Chronos, o direito, implacável, devora o direito que de sua seiva surge. Decadência e prescrição não são formas de fazer justiça. São formas concretas que o direito encontrou para conviver com esse deus tão poderoso: o tempo.” É em decorrência desses argumentos que não se pode aceitar as afirmações da decisão ora recorrida, pois se fosse assim a fiscalização poderia dirigirse a qualquer contribuinte solicitando documentos fiscais declarações prestadas ao Fisco a 30 (anos) atrás sob o argumento que a decadência não fluiria em desfavor do fisco quando outros fatos jurídicos tributários sejam capazes de repercutir em períodos de apuração futuros, trazendo assim uma enorme insegurança e incerteza ao sistema jurídico. Assim, DOU provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, homologando as compensações até o limite do crédito pleiteado. Mérito Da inexistência de prazo para deliberação sobre pagamento/creditamento dos JCP Mesmo não havendo necessidade de deliberarse sobre o mérito, uma vez que acatouse a preliminar acima suscitada pelo contribuinte, verificase a importância de declarar se diante da posição adotada quanto à questão meritória adotada pela instância julgadora “a quo”. Analisando o mérito, a autoridade julgadora não ter existido, nos anos calendários de 1997 e 1999, a despesa referente a juros sobre o capital próprio, no montante de Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.110 23 R$5.795.716,33 e R$ 13.472.239,27, deduzidas na declarações retificadoras, uma vez que a contabilização do referido valor, a título de juros sobre o capital próprio, foi efetuada no ano calendário de 2001, como também não houve o pagamento tempestivo do IRRF incidente sobre o suposto valor dos juros de capital próprio, tendo a contribuinte lançado mão de um artifício para justificar o cumprimento do art. 9º, § 2º, da Lei nº 9.249 de 1995, que consistiu em reduzir em sua DIRPJ retificadora o valor do IRRF anteriormente informado, de R$869.357,45, para zero. Fundamentou seu entendimento no art. 29 da IN SRF nº 11/96, onde consta que a dedutibilidade – para fins de determinação do lucro real – dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, deve obedecer ao regime de competência. Assim, o r. Acórdão debatido, alcançou que o valor relativo à remuneração de capital próprio deve ser deduzido como despesa financeira, na apuração do resultado do exercício, e que se entende ocorrido seu crédito individualizado, consoante o disposto no artigo 9º da Lei nº 9.249/1995, quando a despesa é escriturada, no períodobase ao qual compete, em contrapartida a conta específica, no passivo exigível, que represente os créditos do sócio ou acionista. Os beneficiários dos juros creditados ou pagos, na hipótese de serem também pessoas jurídicas, devem registrálos contabilmente, observandose, igualmente, o regime de competência dos exercícios. Ponderou que a o pagamento ou crédito de JCP, bem como sua dedutibilidade nos termos e condições estabelecidos pela Lei nº 9.249, de 1995, constituem uma faculdade concedida à pessoa jurídica. Ponderou também, que o período de competência dos JCP é o mesmo da deliberação sobre seu pagamento. No entanto, afirmou que não se pode admitir que não haja prazo definido para tal deliberação. O direito de exercer a opção pelo pagamento ou crédito de JCP não pode subsistir sem que haja algum limite temporal. Essa faculdade não pode ser exercida a qualquer tempo, depois de encerrado o período de apuração do respectivo resultado, como pretende a Impugnante. Portanto, a DRJSDR concluiu que a dedução dos juros sobre o capital próprio, é uma faculdade, que pode ser exercida ou não pela pessoa jurídica, em relação ao período de apuração a que competirem, e quando, dentro das condições e limites fixados, estes são efetivamente pagos ou creditados e devidamente contabilizados. Não merecem acolhimento as razões expostas no v. Acórdão. tornase indispensável a análise da legislação que permite o pagamento de JCP. Vejamos: Lei nº 9249/95 Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.111 24 Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, os juros de que trata este artigo serão adicionados à base de cálculo de incidência do adicional previsto no § 1º do art. 3º. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.112 25 dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. Observase que referido artigo dispõe sobre o modo como devem ser remunerados os juros sobre o capital próprio, estabelecendo que os lucros devem ser calculados antes da atribuição dos juros e que no cálculo da remuneração não será considerado o valor da reserva de reavaliação no patrimônio líquido da pessoa jurídica. Portanto, a legislação trouxe, única e exclusivamente, duas limitações para a possibilidade de dedução dos JCP para a apuração do Lucro Real. O artigo acima transcrito não faz nenhuma restrição temporal acerca do pagamento de juros sobre o capital próprio. Assim, em observância ao princípio da legalidade, a fiscalização não poderia ter atribuído um prazo para o pagamento de JCP senão em virtude de lei. Isso porque, os juros sobre capital próprio constituem uma remuneração dos acionistas em razão dos investimentos realizados na sociedade pagadora dos juros e deve levar em consideração o exercício social da empresa, o que pode não coincidir com o exercício fiscal. Diante disso, os juros podem ser pagos sobre quaisquer períodos de tempo, sejam eles coincidentes com o anocalendário, com exercício social ou com períodobase fiscal. Ou seja, é necessário segregar as implicações no âmbito da legislação comercial e das normas que regulam a dedutibilidade fiscal. Ato continuo, mesmo na eventualidade de considerar que a ausência de deliberação do JCP em exercícios anteriores conduziria à caducidade do direito à dedução do valor do lucro real (direito material), o argumento não prosperaria em virtude da ausência de fundamento legal que ampare esse raciocínio. Isso porque, como bem salientou a DRJ, a deliberação do pagamento de JCP é uma faculdade dos acionistas. Lado outro, a caducidade extingue o direito pelo fato de seu Titular quedarse inerte e não exercer seu direito dentro do prazo legal ou convencional. Ora, se a lei não define prazo para que seja exercida a faculdade atribuída ao contribuinte, não há Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.113 26 que se falar em perda do direito por decurso de prazo que não foi limitado ou fixado por ato legal. Deste modo, não merece prosperar o argumento de preclusão temporal, vez que esse instituto não é aplicável à perda de direito material e tampouco existe previsão legal de prazo para deliberação de pagamento de JCP. Outro ponto que deve ser esclarecido é a alegação da DRJ no sentido de que “é verdade que inexiste vedação expressa a que a sociedade delibere o pagamento de JCP calculados com base em contas de patrimônio líquido de exercício pretérito. Mas também é exato que a lei consagra o princípio da competência no tratamento contábil de despesas. Se não se deliberou na época própria o pagamento ou creditamento dos juros, a conclusão óbvia é que houve renúncia ao direito facultado pela lei.” Equivocase, entretanto, o órgão julgador ao realizar tal afirmação, porque a renúncia a direitos sempre deve ser expressa, não sendo presumida pelo simples não exercício de determinada faculdade, salvo nos casos em que houver expressa previsão legal, que, definitivamente, não é a hipótese dos autos. Analisando o art. 114 do Código Civil, incluso no Capítulo das Disposições Gerais do Negócio Jurídico, cuja redação alerta que “os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretamse estritamente”. Ora, se não há previsão legal sobre a configuração de renúncia de direito no caso de ausência da deliberação do pagamento dos JCP, se até mesmo no Direito Privado a renúncia deve ser interpretada de forma restrita, não vejo como o silêncio do acionista/cotista ser interpretado como ato volitivo de abdicação de direito, gerando efeitos tributários! Ademais, mesmo no caso de se entender pela desobediência do regime de competência, como fundamentou a DRJ, não seria o caso de prosperar o lançamento. Isso porque, o RIR/99 disciplina em seu art. 273 como e quando deve ser realizado o lançamento no caso de inobservância do regime de competência. Confirase a redação do citado dispositivo, litteris: Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.114 27 I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 6º). § 2º O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). Depreendese da leitura do dispositivo acima, que somente constitui fundamento para o lançamento de imposto ou diferença de imposto (inclusive adicional, correção monetária e multa) se dá inobservância do regime de competência resultar postergação do seu pagamento para exercício posterior ao em que seria devido ou redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. Entretanto, o pagamento retroativo de JCP não se enquadra nessa hipótese, justamente porque há a antecipação – e não postergação – do imposto devido, na medida em que a pessoa jurídica opta por deduzir em exercícios subsequentes despesas financeiras que já poderia reduzilas do lucro tributável dos anoscalendário anteriores, caso tivesse optado pela deliberação do pagamento do JCP naquela época. Por fim, de acordo com o Pronunciamento CPC nº 25 passivo “é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos.” Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.115 28 Desta forma, a obrigação de pagamento de JCP somente se torna “obrigação presente” quando da deliberação pelos sócios. A razão é simples: é apenas por meio da deliberação que nasce para a pessoa jurídica a obrigação de remunerar o capital dos sócios. Por outro lado, o direito de exigir a referida remuneração somente surge para os sócios a partir do momento em que deliberam pelo pagamento dos JCP, valendo frisar que não existe nos instrumentos normativos que regulam a matéria qualquer imposição de que a dedução dos JCP deva ser realizada no mesmo exercício financeiro em que realizado o lucro da empresa. O período de competência é, portanto, marcado pelo momento da deliberação dos sócios pelo seu creditamento ou pagamento, não havendo qualquer objeção legal à distribuição acumulada de JCP. O pagamento retroativo e acumulado de JCP é pautado exclusivamente pelos critérios de conveniência financeira da pessoa jurídica e dos seus sócios, cabendolhes a faculdade de deliberar ou não pelo seu pagamento no mesmo ano em que apurado o lucro ou nos exercícios subsequentes, não havendo que se falar em renúncia ou preclusão temporal desse direito. Entender o contrário é violar o princípio do livre exercício da atividade econômica, pois o Fisco, além de não ter respaldo legal para impedir a dedução retroativa do pagamento dos juros sobre capital próprio (já que a legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa), também não tem o direito de interferir na gestão dos negócios da empresa. Tratandose de lançamento reflexo da CSLL, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula. Em razão do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Conclusão Em razão do exposto, voto pelo INTEGRAL PROVIMENTO do presente Recurso, acatando a preliminar de decadência do direito de o Fisco manifestarse sobre a liquidez e certeza do direito creditório após decorridos 5 (cinco) anos da entrega da declaração retificadora pelo contribuinte. É como voto. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.116 29 (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.117 30 Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Redator designado. Com a devida vênia, ouso divergir do voto do I. Relator, pelas razões a seguir expostas. De plano, já sustento que está correta a decisão da DRJ, pois não se pode aplicar uma regra decadencial do direito de o Fisco constituir o crédito tributário, seja o art. 173, I, ou o art. 150, § 4º, ambos do CTN, para limitar no tempo o direito de o Fisco verificar se o contribuinte tem direito creditório, in casu, SNIRPJ e SNCSLL. Ora, por mais conhecidos que sejam, vale trazer à colação os artigos do CTN em tela, primeiro, vejamos o art. 150: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tal dispositivo trata de lançamento por homologação, ou seja, quando o contribuinte tem a obrigação de antecipar o pagamento do tributo antes de qualquer ação fiscal. A regra do § 4º apenas estipula um prazo para o Fisco verificar se o pagamento foi feito em conformidade com a legislação, sob pena de considerálo tacitamente homologado. É absurda a aplicação de tal norma na espécie, a não ser que os meus pares queiram instituir de lege ferenda uma nova homologação com base no § 4º em tela: a “homologação de direito creditório” após 5 anos de sua declaração na DIPJ. Tal interpretação desborda por completo os parâmetros hermenêuticos da norma em tela, pois só a Lei poderia chegar a tanto. Melhor sorte também não tem aqueles que entendem ser aplicável o art. 173, I, se não vejamos como dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Ora, o art. 173 estipula prazo para o Fisco constituir o crédito tributário, não para reconhecer direito creditório de contribuintes. É um erro conceitual do que seja decadência. A decadência decorre de uma inércia do titular no gozo de um direito potestativo, assim, quando falamos do direito de constituir o crédito tributário – que é um direito potestativo – a inércia do Fisco por um determinado prazo, faz com que tal direito pereça, Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.118 31 evento que chamamos de decadência tributária, seja pela regra do art. 173, I ou do art. 150, § 4º, ambos do CTN. Tanto na decadência como na prescrição são dois os fatores de sua ocorrência: a inércia do credor e o transcurso de um prazo legal. Ora, quando estamos tratando de direito creditório, o titular do direito não é o Fisco, mas o contribuinte. Assim, como falar em inércia do Fisco se o gozo do direito depende de seu titular, o contribuinte. Notese que a partir do momento que o contribuinte apurou o SNIRPJ e SNCSLL, começou a correr o prazo do art. 168 do CTN, para que ele contribuinte pleiteasse a restituição ou compensação do seu crédito. Ao fazer o pedido de compensação/ restituição do direito creditório em 20/02/2003, abriuse o prazo de 5 anos para que o Fisco se pronuncie, sob pena de haver a homologação tácita, conforme previsto no § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96. Nesse período de 5 anos, o Fisco tinha o dever de verificar a existência do direito creditório pleiteado, seja lá a qual período ele se referisse. Ou seja, os cinco anos da apresentação da DCOMP é o único prazo legal imposto ao Fisco para concluir a investigação sobre a existência do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Ora, no caso em tela, a recorrente retificou, em 11/03/2002, a DIRPJ dos anoscalendários de 1997 de 1999, para deduzir ali despesas com JCP pagos em 2001, o que gerou ao final uma redução das bases tributáveis do IRPJ e CSLL e, em consequência, IRPJ e CSLL a restituir (saldos negativos de IRPJ e CSLL). O recorrente sustenta, sem qualquer base legal, a existência de um prazo decadencial para o Fisco revisar a DIPJ/DIRPJ, o qual seria de 5 anos da data da apresentação da retificadora. Equivocase a recorrente, pois não existe esse prazo na legislação de regência. O prazo que tem o Fisco é o de cinco anos do fato gerador para constituir TRIBUTO, em caso de lançamento por homologação, o qual não se interrompe ou suspende pela apresentação de DIPJ retificadora. Somese a isso o fato de que o Fisco não revisitou a DIPJ para constituir tributo, mas para verificar se o recorrente tinha o direito creditório pleiteado. Digase en passant, que a única hipótese de interrupção do prazo decadencial tributário está prevista no art. 173, II, do CTN, o qual não se aplica na espécie. Assim, o recorrente e o I. Relator estão a criar de lege ferenda uma nova hipótese de interrupção do prazo decadencial, pela apresentação da DIPJ/DIRPJ retificadora, quando sustentam que o Fisco teria mais 5 anos para apurar o lucro real de 1997 a partir da data da apresentação da retificador em 11/03/2002. Por essas razões, voto por afastar a preliminar de decadência acolhida pelo I. Relator. No mérito, a única questão a ser dirimida, então, é saber se o contribuinte poderia considerar dedutível, nos anoscalendários de 1997 e 1999, os JCP contabilizados como crédito a sócios em 2001. Em situação fática diferente da ora examinada, na qual o contribuinte deduz JCP pagos em um ano, mas referentes a anos anteriores, tenho sustentado que os limites de que tratam o § 1º e o caput do art. 9o da Lei 9.249/95, obrigatoriamente, devem se referir ao mesmo período, ou seja, tanto os lucros e os saldos dos lucros acumulados e reserva de lucros, como a variação da TJLP e os saldos das contas de PL, todos devem se referir ao ano em que há o pagamento dos JCP. No caso, embora a situação seja diferente, a conclusão é a mesma por motivo diverso, se não vejamos. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.119 32 O art. 9º da Lei 9.249/95, ao instituir os JCP, criou, em verdade uma despesa dedutível das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, se não vejamos: "Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (...)" Nesse sentido, a IN SRF 11/1996, no parágrafo único do art. 30, dispôs que, para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real, os juros pagos ou creditados, ainda que imputados aos dividendos ou quando incorporado ao capital social ou mantido em conta de reserva destinada a aumento de capital., deverão ser registrados em contrapartida de despesas financeiras. Não obstante o disposto na lei, é verdade que a Deliberação CVM nº 207, de 13/12/1996, determinou que as companhias não lançassem em resultado a despesa financeira com JCP, mas que fossem lançados a débito de lucros acumulados. A referida deliberação ainda dispunha que: "VIII Caso a companhia opte, para fins de atendimento às disposições tributárias, por contabilizar os juros sobre o capital próprio pagos/creditados ou recebidos/auferidos como despesa ou receita financeira, deverá proceder à reversão desses valores, nos registros mercantis, de forma a que o lucro líquido ou o prejuízo do exercício seja apurado nos termos desta Deliberação." Essa deliberação da CVM, levava os contribuintes a não lançar a contrapartida dos JCP em resultado como despesa financeira, mas a lançar como exclusão do lucro líquido para fins de apuração do lucro real. No entanto, para fins tributário a contrapartida dos JCP são despesas financeiras e, como tal, devem observar o regime de competência. Notese que, no caso em tela, os JCP foram lançados em conta de passivo (Juros a sócios) apenas em 2001, ou seja, é a própria contabilidade da recorrente que reconheceu a despesa como da competência do ano de 2001. Assim, não houve, em 2001, apenas a realização financeira de uma despesa contabilizada, pelo regime de competência, em 1997 e 1999. Na verdade, a despesa foi reconhecida pela própria recorrente como sendo da competência do ano de 2001, pois, em 1997 e 1999, a recorrente apenas lançou indevidamente os valores como exclusões do lucro líquido. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.120 33 Situação diversa seria aquela em que os JCP fossem registrados em conta de passivo nos anos de 1997 e 1999 e apenas o pagamento fosse feito aos sócios (realização financeira) em 2001. Não obstante, haja questões específicas envolvendo a dedutibilidade dos JCP da base ajustada, deixo de abordálas já que tais questões restam prejudicadas pelas conclusões acima expostas, as quais levam também por não reconhecer o SNCSLL em tela. Por essas razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Fl. 1120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.907622/2012-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.399
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1507; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.907622/201234 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.399 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de junho de 2017 Matéria PERDCOMP. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente PARATI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 76 22 /2 01 2- 34 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10925.907622/201234 Acórdão n.º 3302004.399 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba SC pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07034.038. O fundamento adotado, em síntese, foi: (i) que, pagamentos efetuados mediante DARF (vinculados a débitos declarados em DCTF) somente se caracterizam como indevidos ou a maior, quando o contribuinte retifica a DCTF, informando corretamente o débito (a menor); e (ii) que, não procede a alegação da contribuinte de que o ICMS não compõe as bases de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins; e (iii) que o órgão administrativo não pode ser pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, aduzindo (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição; (ii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS; (iii) sobrestamento do feito até o transito em julgado da decisão proferida pelo STF (RE 574.706). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.379, de 28 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.907614/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.379): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10925.907622/201234 Acórdão n.º 3302004.399 S3C3T2 Fl. 4 3 "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 19.03.2014 (fls.43) e protocolou Recurso Voluntário em 07.04.2014 (fls.4653), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 Inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02 Inicialmente é imperioso destacar que nos termos da Súmula nº 02 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Deste modo, a análise da inconstitucionalidade da legislação tributária envolvendo a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS resta totalmente prejudicada. II.2 Ausência de retificação da DCTF direito creditório É incontroverso nos autos que a Recorrente não retificou a DCTF antes de apresentar o Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, fato este que para fiscalização obsta o direito ao crédito buscado pelo contribuinte. Contudo, o fato de a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, por si só, não é motivo suficiente para que seu crédito não seja reconhecido, podendo, tal procedimento, ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte, nos termos do §1º ao art. 147 do CTN, a saber: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10925.907622/201234 Acórdão n.º 3302004.399 S3C3T2 Fl. 5 4 Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/ RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/ PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10925.907622/201234 Acórdão n.º 3302004.399 S3C3T2 Fl. 6 5 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. Superada essa questão, passase a análise da matéria sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS. II.3 ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente, sem contudo provar, que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.785 2/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158): A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10925.907622/201234 Acórdão n.º 3302004.399 S3C3T2 Fl. 7 6 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10925.907622/201234 Acórdão n.º 3302004.399 S3C3T2 Fl. 8 7 técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.907622/201234 Acórdão n.º 3302004.399 S3C3T2 Fl. 9 8 de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10925.907622/201234 Acórdão n.º 3302004.399 S3C3T2 Fl. 10 9 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. II.4 Sobrestamento do processo Por fim, a Recorrente pleiteou o sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do RE 504.706, suplicando pela aplicação do princípio da economia processual. Com todo respeito ao pedido formulado pela Recorrente, as hipóteses de sobrestamento do feito previstas no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, não albergam o pedido do contribuinte, logo, deve ser afastado o requerimento anteriormente citado, por total ausência de fundamento legal. III. Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito e, que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.144.469/PR), aplicável ao presente caso, é no sentido de manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10925.907622/201234 Acórdão n.º 3302004.399 S3C3T2 Fl. 11 10 Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e, não obstante a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.901246/2011-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.474
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 12 46 /2 01 1- 93 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.901246/201193 Acórdão n.º 3301003.474 S3C3T1 Fl. 3 2 indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.872. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10925.901246/201193 Acórdão n.º 3301003.474 S3C3T1 Fl. 4 3 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10925.901246/201193 Acórdão n.º 3301003.474 S3C3T1 Fl. 5 4 Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001084/2009-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2005
IPI. CRÉDITO. MULTA ISOLADA DE 150%. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a multa isolada de 150%, quando se constata falsidade por parte do Contribuinte, o que se caracteriza pela inclusão, na Declaração, de créditos que o Contribuinte sabe serem inexistentes, de fato ou de direito, seja pela não comprovação dos respectivos recolhimentos, seja por não haverem sido comprovado nos autos a respectiva emissão da Nota Fiscal de compra.
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CABIMENTO. Aos órgãos de julgamento administrativo é vedado pronunciar-se sobre argüições de inconstitucionalidade de lei. Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Não há incompatibilidade da Lei nº 8.981/95 com as disposições do artigo 161, § 1º do CTN. Precedentes judiciais e administrativos. Inteligência da Súmula CARF nº 4 e 5.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/08/2005 IPI. CRÉDITO. MULTA ISOLADA DE 150%. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a multa isolada de 150%, quando se constata falsidade por parte do Contribuinte, o que se caracteriza pela inclusão, na Declaração, de créditos que o Contribuinte sabe serem inexistentes, de fato ou de direito, seja pela não comprovação dos respectivos recolhimentos, seja por não haverem sido comprovado nos autos a respectiva emissão da Nota Fiscal de compra. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CABIMENTO. Aos órgãos de julgamento administrativo é vedado pronunciar-se sobre argüições de inconstitucionalidade de lei. Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Não há incompatibilidade da Lei nº 8.981/95 com as disposições do artigo 161, § 1º do CTN. Precedentes judiciais e administrativos. Inteligência da Súmula CARF nº 4 e 5. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2005 IPI. CRÉDITO. MULTA ISOLADA DE 150%. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a multa isolada de 150%, quando se constata falsidade por parte do Contribuinte, o que se caracteriza pela inclusão, na Declaração, de créditos que o Contribuinte sabe serem inexistentes, de fato ou de direito, seja pela não comprovação dos respectivos recolhimentos, seja por não haverem sido comprovado nos autos a respectiva emissão da Nota Fiscal de compra. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CABIMENTO. Aos órgãos de julgamento administrativo é vedado pronunciarse sobre argüições de inconstitucionalidade de lei. Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Não há incompatibilidade da Lei nº 8.981/95 com as disposições do artigo 161, § 1º do CTN. Precedentes judiciais e administrativos. Inteligência da Súmula CARF nº 4 e 5. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 10 84 /2 00 9- 48 Fl. 127DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração referente a Multa Isolada, em função do PER/DCOMP n° 04313.19328.310805.1.3.016687, no qual o contribuinte pleiteia ressarcimento de crédito básico de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) no valor de R$ 973.000,00 (novecentos e setenta e três mil), relativo ao 2° trimestre de 2005, e compensação. Conforme consta da Informação Fiscal às fls. 48/49, o PER/DCOMP n° 04313.19328.310805.1.3.016687, foi transmitido no dia 31/08/2005 e compensava com o suposto crédito de IPI valores declarados em DCTF pelo contribuinte no valor de R$ 972.690,17. Verificouse que o referido PER/DCOMP apresenta todos os campos "zerados", exceto os dados referentes ao crédito no valor de R$ 973.000,00, referente a Nota Fiscal n° 124.578, no valor de R$ 3.000.000,00. A fiscalização, em análise ao livro de apuração do IPI da Recorrente, no período fiscalizado, constatou a inexistência de lançamento da Nota Fiscal nº 124.578 que constava do PER/DCOMP. Regularmente intimada a justificar tal fato, o contribuinte apresentou resposta à fiscalização, informando que desconhecia a Nota Fiscal de entrada de n° 124.578, não se referindo a qualquer operação com a empresa. Posteriormente foi lavrado o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos à empresa MULTILASER INDUSTRIAL LTDA, CNPJ 59.717.553/000102, emitente da Nota Fiscal nº 124.578, a qual foi intimada a apresentar o referido documento fiscal de saída das mercadorias. Em resposta a Multilaser Industrial Ltda., apresentou a Nota Fiscal n° 124.578 que contém o valor, data e destinatário divergente do informado no PER/DCOMP transmitido pela Siderúrgica Bandeirante Ltda. A autoridade lançadora, ante os fatos expostos, indeferiu o Pedido de Ressarcimento de IPI e compensações, relativas ao PER/DCOMP n° 04313.19328.310805.1.3.016687 e lançou a penalidade prescrita no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003 e art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, por restar caracterizado o evidente intuito de fraude e sonegação fiscal, visto que, segundo seu entendimento, a transmissão do PERD/DCOMP não se caracterizava como simples erro por informar débitos próprios da contribuinte compensados com crédito sabidamente inexistentes. Devidamente cientificada do lançamento, a Recorrente apresentou sua impugnação, na qual contesta a compensação indevida; contesta a falta de recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e a falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL); contesta a ação fiscal que concluiu que a interessada teria deixado de incluir na apuração do Lucro Real Trimestral o valor devido a titulo de CSLL; a indedutibilidade da CSLL para fins de apuração do lucro real revelase arbitrária e abusiva por parte do Fisco Federal; alega o desrespeito ao principio constitucional da vedação ao Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13609.001084/200948 Acórdão n.º 3402004.277 S3C4T2 Fl. 128 3 confisco, em vista da exorbitante multa aplicada sobre o débito exigido; argúi a ilegalidade da Taxa Selic para fins de juros moratórios ou de correção moratória; requer, por fim a improcedência do auto de infração, ou ao menos que seja reduzida a multa aplicada e excluída a Taxa Selic. A 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, em sessão de julgamento datada de 29/07/2011, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O acórdão 1134.535 foi assim ementado (fls. 87/92): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 MULTA ISOLADA. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. O principio constitucional da vedação ao confisco está direcionado ao legislador infraconstitucional, no momento da edição da lei, e ao Poder Judiciário, no exercício do controle de constitucionalidade de normas. Não se aplica i atividade de constituição do crédito tributário, vez que a autoridade fiscal está vinculada is disposições constantes do texto legal. Também não há que se falar de sua aplicabilidade na atuação desta instância julgadora, por ser vedada, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a análise de normas mediante critérios de constitucionalidade. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITOS As decisões judiciais fazem coisa julgada is partes, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Não sendo parte do processo judicial, a decisão não é aplicável ao sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 16/01/2012 (fl. 98), a Recorrente tomou ciência do resultado do julgamento da primeira instância. Contra essa decisão, em 14/02/2012 (fl. 101), foi interposto o recurso voluntário (fls. 101/106), para reiterar os argumentos da peça impugnatória e acrescentou, em resumo, os seguintes pontos: a) falta de motivação do lançamento efetuado, a título de multa isolada: o Fisco tomou como base informações inverídicas, que não têm o condão de impor o nascimento de obrigação tributária. Como todo ato administrativo, para a validade do lançamento é necessário que estejam presentes os motivos ensejadores da prática de tal ato, ou seja, que tenha efetivamente ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, pois, caso contrário o ato administrativo será totalmente nulo em face ausência de motivação; Fl. 129DF CARF MF 4 b) da multa aplicada. Ausência de dolo ou má fé. Confisco do patrimônio. A multa de oficio qualificada no elevado patamar de 150%, revelase absurdamente exagerada, considerandose que não se verifica a irregularidade apontada pelo Fisco, sendo certo que, tanto a doutrina quanto a jurisprudência são pela redução ou, até mesmo, pelo cancelamento da multa em casos como este, haja vista a não configuração de dolo, máfé, simulação ou fraude ao Erário por parte da Recorrente; c) da ilegalidade da cobrança de juros Selic art.161 do CTN A "suposta correção monetária" com base na Taxa Selic é evidentemente ilegal por consistir em remuneração do capital. Ademais, nos termos do art. 161 do CTN, que tem status de Lei Complementar, os juros de mora somente podem incidir na taxa de 1% (um por cento) ao mês. Assim, qualquer disposição em sentido contrário, veiculado por ato normativo inferior ao CTN é inconstitucional. Por todo o exposto, requer seja o presente Recurso julgado procedente, anulandose o referido Auto de Infração e determinando o seu cancelamento. Caso este não seja o entendimento dos julgadores, que sejam reduzidos a multa e juros aplicados com a conseqüente reformulação do pretenso crédito tributário. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Durante a análise dos autos, foi arguido conflito de competência do processo em nome da Recorrente. A 1ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste Conselho, mediante Acórdão nº 3101001.562, de 29/01/2014 (efls. 115/118), declinou da competência para o exame da lide em favor da 1ª Seção, sob o argumento de que o presente processo trata de lançamento de multa isolada sobre o valor dos débitos compensados na Dcomp n° 04313.19328.310805.1.3.016687 (débitos de IRPJ, CSLL, IPI, PIS e COFINS), tendo em vista a alegação de falsidade da declaração apresentada, é de competência da Primeira Seção. Por sua vez, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, por meio do despacho de efls. 119/122, de 25/01//2016, defendeu que os fatos que motivaram o lançamento da multa isolada, o direito creditório destas compensações não homologadas baseavase no IPI, razão pela qual entendo ser esta matéria de competência da 3ª Seção de Julgamento. O Presidente do CARF, diante do disposto no artigo 20, inciso IX, c/c § 7º do artigo 6º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (Despacho de fls. 124/126), decidiu o conflito da seguinte forma: "(...) Portanto, há que se acolher o entendimento desenvolvidos pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF no despacho de efls. 120/122, mediante o qual foi suscitado o conflito de competência que ora se dirime. Por todo o exposto, e diante do disposto no artigo 20, inciso IX, c/c § 7º do artigo 6º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, decido o presente conflito de competência no sentido de que a contenda deverá ser julgada pela Terceira Seção de Julgamento". Posto isto, as autos, então, foram sorteados para este Conselheiro. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13609.001084/200948 Acórdão n.º 3402004.277 S3C4T2 Fl. 129 5 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator 1. Da Admissibilidade do Recurso Em 16/01/2012 (fl. 98), a Recorrente tomou ciência do resultado do julgamento, e contra essa decisão, em 14/02/2012 (fl. 101), foi interposto o recurso voluntário (fls. 101/106). O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. 2. Preliminar falta de motivação do AI Alega a Recorrente em seu Recurso que, "(...) Como todo ato administrativo, para a validade do lançamento é necessário que estejam presentes os motivos ensejadores da prática de tal ato. Ou seja, que tenha efetivamente ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, pois, caso contrário o ato administrativo será totalmente nulo em face ausência de motivação". Pois bem. Concretizando essa garantia, o art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72 e o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, determinam a indicação dos fatos e fundamentos que lastreiam a expedição de atos administrativos, bem como que a motivação seja clara, explícita e congruente. É consabido que o Auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 9º, 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, o ato de lançamento, entendido como procedimento administrativo voltado à constituição do crédito tributário, deve obedecer a imperativos de forma que garantam a sua conformação jurídica, o que ocorre perfeitamente no caso dos autos. Quanto à alegação da ausência de prova para a conduta descrita, observo vasta colação de elementos probatórios trazidos aos autos (diligencia, intimações, etc), conforme detalhado no Relatório de Auditoria Fiscal às fls. 59/64, cabendo a análise de sua valoração quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento, matéria atinente ao exame de mérito do litígio, que se dará em ocasião oportuna, posterior ao exame das questões de ordem preliminar. Quanto ao Auto de Infração, o mesmo teve origem em Auditoria realizada pela Fiscalização da RFB, fartamente detalhada em Relatório Fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode Fl. 131DF CARF MF 6 falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Pela leitura do auto de infração, constatase que o Auditor Fiscal não só descreveu de forma suficientemente objetiva e cristalina os fatos o enquadramento legal e normativos. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Deste modo, não merece guarida a alegação de nulidade por falta de motivação ou outra irregularidade, uma vez que foram cumpridos tais requisitos legais, não se enquadrando, portanto, em nenhum dos requisitos do citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Por isso, rejeito a preliminar de nulidade. 3. Da matéria sob litígio Em desfavor da Recorrente, foi lavrado Auto de Infração (Multa isolada) de fls. 65/69, no qual foi constatada compensação indevida efetuada em declaração prestada pela Recorrente no PER/DCOMP nº 04313.19328.310805.1.3.016687, transmitido no dia 31/08/2005. Com base no Enquadramento Legal (fl. 67) e do que consta no RAF Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 59/64), restou apurado um crédito tributário de R$ 1.459.035,26, exclusivamente decorrente de multa isolada (lançado sobre o valor total dos débitos indevidamente compensados, descritos às fls. 60/61 do RAF), prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação vigente à época do 2º trimestrecalendário de 2005, em virtude de compensação indevida com créditos inexistentes de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Conforme consta dos autos, o referido PERD/DCOMP apresenta todos os campos "zerados", exceto os dados referentes ao crédito de IPI no montante de R$ 973.000,00, correspondente à Nota Fiscal nº 212.4578, emitida pelo CNPJ nº 59.717.553/000102, em 06/06/2005, no valor de R$ 3.000.000,00, e aos débitos já informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), que totalizam R$ 972.690,17. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13609.001084/200948 Acórdão n.º 3402004.277 S3C4T2 Fl. 130 7 Alega a Recorrente em seu recurso que, "(...) De outra feita, no presente auto de infração, a multa aplicada sobre o suposto débito apurado pelo agente fiscalizador revela verdadeiro confisco do patrimônio da Recorrente". "(...) Pelo exposto, vêse claramente inexistir ilícito fiscal nas operações realizadas pela Recorrente, ainda mais considerandose que esta não agiu com dolo, máfé ou simulação. Ao contrário, procurou seguir os ditames legais, não podendo sofrer as penalidades decorrentes da ação irregular de terceiros". Como se vê, a Recorrente não se preocupa em demonstrar a existência do alegado crédito de IPI no montante de R$ R$ 973.000,00, decorrente da Nota Fiscal nº 124.578 no valor de R$ 3.000.000,00, limitandose a argumentar sobre o desrespeito ao principio constitucional da vedação ao confisco, da boafé, para refutar a aplicação da multa de 150%. Por outro lado, o Fisco, visando à conferência da regularidade da demanda, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 03, de 25/06/2009 (fls. 34/35), informa a Recorrente de que o MPF tinha sido alterado com a inclusão do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) relativo ao período de abril a junho de 2005, sendo solicitado o Livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI) do anocalendário de 2005 e a apresentação da Nota Fiscal de entrada nº 124.578 emitida pelo CNPJ nº 59.717.553/000102, constante do PERD/DCOMP nº 04313.19328.310805.1.3.016687. A Recorrente apresentou cópias dos livros que foram apensados aos autos às fls. 36/40 e após análise do Livro de Apuração do IPI (RAIPI), a fiscalização constatou que não existe nenhum lançamento da referida Nota Fiscal no Livro. Quanto a apresentação da referida Nota Fiscal de entrada nº 124.578, desta forma informou a Siderúrgica Bandeirantes Ltda. em documento datado de 20/07/2009 (fl. 40): "(...) Tendo sido intimada a apresentar a nota fiscal de entrada de n° 124578, conforme determinado no Termo de Intimação Fiscal acima referido, a empresa ora Contribuinte vem informar que desconhece a nota fiscal acima referida não tendo a mesma dado entrada nos sistemas contábeis da empresa, não se referindo, portanto a qualquer operação com a nossa empresa, não sendo possível, assim, sua apresentação" (grifei). Posto isto, a fiscalização emitiu o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos para a empresa Multilaser Industrial Ltda., CNPJ nº 59.717.553/000102, intimandoa a apresentar a Nota Fiscal de saída nº 124.578 (fls. 41/42). Em resposta, foi apresentada a referida Nota Fiscal, que apresenta valores (R$ 587,46), data e destinatário divergentes do informado no PERD/DCOMP, transmitido pela Siderúrgica Bandeirante Ltda. (doc. fl. 44). Ressalta a autoridade fiscal que "a transmissão do PERD/DCOMP não se caracteriza como erro, tendo em vista que tratase de débitos próprios da contribuinte, que apura débitos do IPI no período do alegado crédito". Portanto, restou presente na compensação em questão os requisitos para a caracterização de fraude e sonegação conforme prescrito nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Assim, a Recorrente não possui direito ao ressarcimento de IPI relativo ao PER/DCOMP n° 04313.19328.310805.1.3.016687, estando sujeito a penalidade prescrita nos Fl. 133DF CARF MF 8 seguintes dispositivos legais: 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996; art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003 e art. 90 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001. Vejase: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e suas alterações: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei n° 10.892, de 2004) I (...). II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifo nosso). Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e suas alterações: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei n° 9.430. de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso (grifei). Concluindo, tendo em vista a legislação acima transcrita, verificase que o contribuinte utilizou créditos inexistentes com evidente intuito de fraude e sonegação fiscal. O crédito presente no PER/DCOMP é inexistente e foi utilizado para extinguir o tributo já declarado pelo próprio contribuinte. Portanto, está sujeito a aplicação da multa isolada. 4. Do efeito confiscatório da multa aplicada constitucionalidade Quanto ao alegado confisco, ressaltase que uma das aplicações do referido principio é direcionada ao legislador infraconstitucional no momento da edição da lei, para que não se faça uso de tributo com efeito confiscatório. Vale destacar que tal principio não se aplica à atividade administrativa de constituição do crédito tributário, em decorrência da vinculação da autoridade fiscal ao principio da legalidade, a teor do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), instituído pela Lei nº 5.172, de 1966. Por essa razão, o AuditorFiscal deve obedecer às disposições constantes do texto legal, sem possibilidade de exame de mérito na aplicação da legislação pertinente, especialmente na constituição do crédito tributário. Quanto aos entendimentos doutrinários transcritos pela impugnante, cabe esclarecer que mesmo a mais respeitável doutrina, ainda que dos mais consagrados Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13609.001084/200948 Acórdão n.º 3402004.277 S3C4T2 Fl. 131 9 tributaristas, não pode ser oposta ao texto explicito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. 5. Da alegada inconstitucionalidade Outro ramo de sua aplicação encontrase no controle de constitucionalidade, com o objetivo de afastar do ordenamento jurídico normas em desacordo com a Constituição. Esta atividade desempenhada de forma exclusiva pelos membros do Poder Judiciário e expressamente vedada no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. No que concerne aos órgãos julgadores administrativos de litígios fiscais, na área federal, estes estão jungidos à observância do contido no art. 26A e § 6º do Dec. nº. 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº. 11.941, de 2009, verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. No mesmo sentido, é vedado ao CARF se manifestar sobre a inconstitucionalidade de lei, nos termos da Súmula CARF nº 2, de observância obrigatória por parte deste colegiado. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 6. Da ilegalidade da cobrança de juros Selic Aduz a Recorrente em seu recurso que "(...) A "suposta correção monetária" com base na Taxa Selic é evidentemente ilegal por consistir em remuneração do capital. Ademais, nos termos do art. 161 do CTN, que tem status de Lei Complementar, os juros de mora somente podem incidir na taxa de 1% (um por cento) ao mês. Assim, qualquer disposição em sentido contrário, veiculado por ato normativo inferior ao CTN é inconstitucional". Essa matéria é recorrente neste Colegiado, sendo minha posição conhecida no sentido de sua pertinência. Nesse ponto, adoto o entendimento inserto no Acórdão 9303002.399, da 3ª Turma da CSRF, julgado em 15/03/2013. Repiso o voto do relator, Henrique Pinheiro Torres, vazado nos seguintes termos, o qual adoto como fundamento de decidir. A obrigação tributária principal, como é de conhecimento de todos, surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente. Essa é a dicção do § 1º do 1art. 113 do CTN. Ao seu turno o art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, sem qualquer margem à dúvida, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza Fl. 135DF CARF MF 10 do crédito a ela correspondente. Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, que se verá será, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica, e a única possível, é que a penalidade é crédito tributário. Estabelecidas essas premissas, o próximo passo é verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do 3art. 161, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que se transcreve linhas abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise, facilmente, sem necessidade de se recorrer a Hermes ou a uma Pitonisa, que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Em síntese, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13609.001084/200948 Acórdão n.º 3402004.277 S3C4T2 Fl. 132 11 subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Para eliminar quaisquer dúvidas que ainda restassem, o Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento sobre a matéria, conforme AgRg no REsp 1.335.688PR, julgado em 04/12/2012: EMENTA:PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Embora o caso paradigmático tratasse de exação de tributo estadual, asseverou o Ministro relator do Agravo: Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4, expressamente dispõe: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Em complemento, a Súmula CARF nº 5, assevera: "Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Assim, voto no sentido de que devem ser mantidos os juros de mora sobre a multa isolada. 4. Conclusão De todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter integralmente o crédito tributário formalizado no Auto de Infração analisado. É como voto. Fl. 137DF CARF MF 12 (Assinatura Digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 138DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720582/2015-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
DECADÊNCIA. CONDUTA DOLOSA NÃO CARACTERIZADA. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
Inexistente a conduta dolosa atribuída à contribuinte o termo inicial do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, de acordo com o art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser reconhecida a decadência dos fatos geradores relativos ao meses de abril, maio, junho e julho de 2010.
INFORMAÇÕES NO DACON. CONDUTA DOLOSA NÃO CARACTERIZADA. INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA.
A entrega do DACON com informações suficientes a permitir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária afasta a aplicação da multa qualificada.
GLOSA DE CRÉDITOS. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. INEXISTÊNCIA DAS RECEITAS E CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES
As alegações de que as receitas e os custos registrados na contabilidade foram indevidamente registrados, tratando-se de repasses de valores recebidos, desacompanhadas de documentos comprobatórios não são hábeis à afastar a glosa dos créditos apurados com base em custos não comprovados.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4
Incidem juros moratórios à taxa Selic sobre os créditos tributários constituídos, de acordo com o disposto no art. 13 da Lei nº 9.065/95 e a Súmula CARF nº 4, de observância obrigatória pelos membros do CARF.
SUSPENSÃO JUROS. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste na legislação tributária hipótese de suspensão de juros moratórios no curso do contencioso administrativo devendo ser mantida a incidência de juros Selic sobre o crédito tributário constituído.
PIS. LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se a mesma solução dada à COFINS, em razão do lançamento estar apoiado nos mesmos elementos de convicção.
Numero da decisão: 1301-002.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 DECADÊNCIA. CONDUTA DOLOSA NÃO CARACTERIZADA. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. Inexistente a conduta dolosa atribuída à contribuinte o termo inicial do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, de acordo com o art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser reconhecida a decadência dos fatos geradores relativos ao meses de abril, maio, junho e julho de 2010. INFORMAÇÕES NO DACON. CONDUTA DOLOSA NÃO CARACTERIZADA. INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA. A entrega do DACON com informações suficientes a permitir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária afasta a aplicação da multa qualificada. GLOSA DE CRÉDITOS. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. INEXISTÊNCIA DAS RECEITAS E CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES As alegações de que as receitas e os custos registrados na contabilidade foram indevidamente registrados, tratando-se de repasses de valores recebidos, desacompanhadas de documentos comprobatórios não são hábeis à afastar a glosa dos créditos apurados com base em custos não comprovados. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4 Incidem juros moratórios à taxa Selic sobre os créditos tributários constituídos, de acordo com o disposto no art. 13 da Lei nº 9.065/95 e a Súmula CARF nº 4, de observância obrigatória pelos membros do CARF. SUSPENSÃO JUROS. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste na legislação tributária hipótese de suspensão de juros moratórios no curso do contencioso administrativo devendo ser mantida a incidência de juros Selic sobre o crédito tributário constituído. PIS. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se a mesma solução dada à COFINS, em razão do lançamento estar apoiado nos mesmos elementos de convicção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
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CONDUTA DOLOSA NÃO CARACTERIZADA. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. Inexistente a conduta dolosa atribuída à contribuinte o termo inicial do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, de acordo com o art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser reconhecida a decadência dos fatos geradores relativos ao meses de abril, maio, junho e julho de 2010. INFORMAÇÕES NO DACON. CONDUTA DOLOSA NÃO CARACTERIZADA. INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA. A entrega do DACON com informações suficientes a permitir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária afasta a aplicação da multa qualificada. GLOSA DE CRÉDITOS. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. INEXISTÊNCIA DAS RECEITAS E CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES As alegações de que as receitas e os custos registrados na contabilidade foram indevidamente registrados, tratandose de repasses de valores recebidos, desacompanhadas de documentos comprobatórios não são hábeis à afastar a glosa dos créditos apurados com base em custos não comprovados. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4 Incidem juros moratórios à taxa Selic sobre os créditos tributários constituídos, de acordo com o disposto no art. 13 da Lei nº 9.065/95 e a Súmula CARF nº 4, de observância obrigatória pelos membros do CARF. SUSPENSÃO JUROS. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 82 /2 01 5- 67 Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 19515.720582/201567 Acórdão n.º 1301002.491 S1C3T1 Fl. 1.119 2 Inexiste na legislação tributária hipótese de suspensão de juros moratórios no curso do contencioso administrativo devendo ser mantida a incidência de juros Selic sobre o crédito tributário constituído. PIS. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase a mesma solução dada à COFINS, em razão do lançamento estar apoiado nos mesmos elementos de convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Tratase o presente processo de recursos de ofício e voluntário interpostos contra o Acórdão nº 0958.655 2ª Turma da DRJ/JFA, que considerou parcialmente procedente a impugnação da contribuinte aos autos de infração de COFINS e PIS, nos valores, respectivamente, de R$ 1.313.383,58 e R$ 285.398,27, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: "Trata o presente processo dos autos de infração, referentes aos fatos geradores apurados no anocalendário 2010, por meio dos quais são exigidos da interessada; 1) a Cofins não cumulativa (fls. 910/916), no valor de R$ 1.313.383,58, acompanhada de multa de 150%; no valor de R$ 1.970.075,39, e juros de mora, calculados até 08/2015, no valor de R$ 640.351,26; 2) o PIS não cumulativo (fls. 903/909), no valor de R$ 285.398,27; acrescidos da multa de 150%, no valor de R$ 428.097,42, e juros de mora, calculados até 08/2015, no valor de R$ 139.145,72. O crédito tributário consolidado corresponde à R$ 4.776.451,64. Os lançamentos tiveram por mote a infração caracterizada por Glosa de Créditos da não cumulatividade. COFINS Art. 1° da Lei Complementar n° 70/91; art. 5° da Lei n° 10.833/03 Art. 1° da Lei n° 10.833/03, com as alterações introduzidas pelo art. 21 da Lei n° 10.865/04 e pelo art. 17 da Lei n° 11.945/09 Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 19515.720582/201567 Acórdão n.º 1301002.491 S1C3T1 Fl. 1.120 3 Art. 3° da Lei n° 10.833/03, com as alterações introduzidas pelo art. 21 da Lei n° 10.865/04, pelo art. 5° da Lei n° 10.925/04, pelo art. 21 da Lei n° 11.051/04, pelo art. 43 da Lei n° 11.196/05, pelo art. 4° da Lei n° 11.307/06, pelo art. 18 da Lei n° 11.488/07, pelo art. 5° da Lei n° 11.787/08, pelos arts. 15 e 36 da Lei n° 11.727/08, pelo art. 25 da Lei n° 11.898/09 e pelo art. 17 da Lei n° 11.945/09 PIS Arts. 1° da Lei Complementar n° 7/70; art. 4° da Lei n° 10.637/02 Art. 3° da Lei n° 10.637/02, com as alterações introduzidas pelo art. 25 da Lei n° 10.684/03, pelo art. 37 da Lei n° 10.865/04, pelo art. 16 da Lei n° 10.925/04, pelo art. 3° da Lei n° 10.996/04, pelo art. 45 da Lei n° 11.196/05, pelo art. 3° da Lei n° 11.307/06, pelo art. 17 da Lei n° 11.488/07, pelo art. 4° da Lei n° 11.787/08, pelo art. 14 da Lei n° 11.727/08, pelo art. 24 da Lei n° 11.898/09 e pelo art. 16 da Lei n° 11.945/09 O procedimento fiscal se encontra esmiuçado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 870/902, de onde se extrai que: (...) O contribuinte tem por objeto social a prestação de serviços advocatícios, sendo que em relação ao período fiscalizado apresentou a respectiva Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ tendo como forma de tributação o LUCRO REAL TRIMESTRAL. (...) Consta nas referidas Representações Fiscais que as fiscalizações nas empresas acima foram motivadas pelo ofício n° 4219/2012, IPL 0462/20054 SR/DPF/AM, que elencou uma série de empresas, entre as quais as empresas acima, com suspeita de executarem operações fraudulentas de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Através do Termo de Início de Fiscalização e dos Termos de Intimação Fiscal n° 01 (ciência em 09/03/201 5) e n° 02 (ciência em 02/04/201 5), o contribuinte foi intimado a esclarecer e comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, quais as operações que deram causa aos pagamentos efetuados através das remessas de recursos ali discriminadas, com origem em conta corrente de sua titularidade, tendo como destinatários as empresas acima. Cabe destacar que o contribuinte já havia sido intimado anteriormente a prestar os mesmos esclarecimentos, em face de diligências fiscais realizadas durante as fiscalizações naquelas empresas. (...) Em 07/04/2015 foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n° 03, onde o contribuinte foi intimado a apresentar: Livro Diário, Livro Razão e Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, relativos ao anocalendário 2010. Os referidos livros foram apresentados em 13/04/2015 onde verificamos que aqueles pagamentos foram contabilizados a débito na conta contábil "3.2.1.01.3201 Serviços de Terceiros" (conta do subgrupo "3.2.1.01 Custos de Serviços", redutora da receita bruta), cujas contrapartidas a crédito se deram em contas do ativo, subgrupo "1.1.1.02 Bancos c/ Movimento". Entretanto, verificamos que na referida conta "3.2.1.01.3201 Serviços de Terceiros" foram lançados diversos pagamentos além daqueles que foram objeto dos termos de intimação até então lavrados. Assim, em 24/04/2015 foi lavrado o Termo de Intimação fiscal n° 04,(...) Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 19515.720582/201567 Acórdão n.º 1301002.491 S1C3T1 Fl. 1.121 4 Novamente, nenhum documento foi apresentado para comprovar as alegações apresentadas. Ainda, no mesmo Termo de Intimação Fiscal n° 04, o contribuinte foi intimado a esclarecer e comprovar a que se referem os valores declarados em DACON, Fichas 06A e 1 6A, Linha 13 Outras Operações com Direito a Crédito, conforme discriminado naquele termo (períodos de apuração abril/2010 a dezembro/2010). Na mesma resposta apresentada em 18/05/2010, o contribuinte apresentou as seguintes alegações (...) Em 02/06/2015 foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n° 05, onde consignamos a entrega ao contribuinte de cópias das DACON relativas ao período de apuração abril/2010 a dezembro/2010, em mídia digital devidamente validada pelo aplicativo SVA. Neste mesmo termo o contribuinte foi novamente intimado a esclarecer e comprovar a que se referem os valores declarados em DACON, Fichas 06A e 16A, Linha 13 Outras Operações com Direito a Crédito, períodos de apuração abril/2010 a dezembro/2010. Em resposta, apresentada em 17/06/2015, além de repetir as alegações apresentadas em 18/05/2015, acrescentou o seguinte: (...) ...há de se reafirmar que a intimada efetivamente não prestou os serviços que geraram a suposta receita operacional registrada em seus assentamentos contábeis e denunciados na Declaração de Informações EconômicoFiscais referente ao exercício 2011 AnoCalendário 2010 e, ao mesmo tempo não houve a tomada dos serviços prestados por terceiros. ...os valores consignados na DACON nas Linhas 13 das Fichas 06A APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/PASEP AQUISIÇÕES NO MERCADO INTERNO REGIME NÃO CUMULATIVO e 16A APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DA COFINS AQUISIÇÕES NO MERCADO INTERNO REGIME NÃO CUMULATIVO, dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais pertinentes aos meses de abril, junho, julho, agosto e setembro de 2010, decorrem de imperfeições esclarecidas a essa fiscalização. Da mesma forma as informações prestadas nas Linhas 01 Receitas de Vendas de Bens e Serviços e 02 Demais Serviços, das Fichas 07A CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Regime Não Cumulativo e 17A CÁLCULO DA COFINS Regime Não Cumulativo, decorrem das impropriedades materiais já esclarecidas e enunciadas pela intimada. (...) Novamente, o contribuinte apresenta apenas alegações sem qualquer documento que comprove os fatos alegados. Portanto, de todo o exposto, o contribuinte não logrou comprovar documentalmente os créditos descontados na apuração do PIS e COFINS, conforme DACON apresentadas. 2. DA INFRAÇÃO PIS/COFINS CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE GLOSA DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 19515.720582/201567 Acórdão n.º 1301002.491 S1C3T1 Fl. 1.122 5 Conforme se verifica nas DACON apresentadas pelo contribuinte, foram descontados créditos na apuração do PIS e COFINS, declarados como "Outras Operações com Direito a Crédito". Intimado a esclarecer e comprovar tais créditos, o contribuinte apenas alegou que houve erro no preenchimento das DACON. Também, verificamos que a DACON relativa ao período de apuração maio/2010 foi apresentada com valores iguais a zero. ' Em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatamos que não há débitos declarados em DCTF relativos a PIS e COFINS para os períodos de apuração abril/2010 a dezembro/2010. Portanto, procederemos à glosa daqueles créditos utilizados indevidamente pelo contribuinte na apuração do PIS e COFINS incidência não cumulativa, efetuando a apuração de ofício daquelas contribuições. Na apuração de ofício do PIS e COFINS incidência não cumulativa, consideramos as receitas de serviços contabilizadas pelo contribuinte, conforme Livro Razão, a seguir demonstradas (...) Do mesmo modo, na apuração de ofício do PIS e COFINS incidência não cumulativa, efetuamos a glosa dos pagamentos/créditos não comprovados pelo contribuinte (ANEXO I do presente termo), restando como "Outras Operações com Direito a Crédito" os seguintes valores (...) Assim, procedemos à apuração de ofício do PIS e COFINS incidência não cumulativa, conforme ANEXO II e ANEXO III ao presente termo, cujos valores apurados, não tendo sido declarados em DCTF nem recolhidos, serão lançados de ofício. (...) 5. DA MULTA QUALIFICADA Ainda, constatada a conduta dolosa do contribuinte, que consistiu em impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, será aplicada a multa qualificada de 150%, nos termos do artigo 44, inciso I e § 1 ° da Lei n° 9.430/96. Ao impugnar a exigência em 03/09/2015, fls. 581/652, a contribuinte, após discorrer sobre a ação fiscal em seus itens I e II, através de seus procuradores, alega, em resumo, que: (...) III PRELIMINAR DECADÊNCIA PIS/PASEP E COFINS 4. Senhores Julgadores, afastada a imputação de multa qualificada que, como se provará no curso desta exordial impugnatória, é totalmente despropositada, infundada, incabível e improcedente, a Impugnante protesta pelo reconhecimento da ocorrência de decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário a título de PIS/PASEP e COFINS referente ao período compreendido entre 30 de abril a 31 de julho de 2010, tendo em vista que o Auto de Infração foi lavrado em 05 de agosto de 2010, com ciência em 07 do mesmo mês e ano. Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 19515.720582/201567 Acórdão n.º 1301002.491 S1C3T1 Fl. 1.123 6 Ressaltese, preliminarmente, que apesar das impropriedades materiais de que se reveste o presente contencioso administrativo fiscal, a Impugnante, no curso do anocalendário de 2010, recolheu, ainda que indevidamente, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. PIS/PASEP e COFINS, conforme atestam seus assentamentos contábeis. Vide Razão Analítico Conta 1.1.3.01.1301 IRRF fls. 637/639 dos autos; Conta 2.1.2.03.2401 Imposto de Renda a Recolher fls. 646/647 dos autos; Conta 1.1.3.01.1302 Contribuição Social fls. 639/641 dos autos; Conta 2.1.2.03.2402 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido fls. 647 dos autos; PIS/PASEP Contas 1.1.3.01.1303 e 2.1.2.03.2403 fls. 641/643 e 647/648 dos autos e COFINS Contas 1.1.3.01.1304 e 2.1.2.03.21404 fls. 643/644 e 649/650 dos autos. (...) IVDO MÉRITO (...) IV.I — MULTA QUALIFICADA IMPROCEDÊNCIA (...) Considerando que no contencioso administrativofiscal ora combatido, o ilustre Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil imputou a Impugnante a multa qualificada de 150% prevista no Art. 44, inciso I e § Io, da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei n.° 11.488, de 15 de junho de 2007, sem qualquer justificativa plausível e fundamentada, conforme se pode vislumbrar na análise percuciente do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante dos autos de infração ora guerreados, mister se faz que sua contestação seja acolhida, a fim de ver reconhecida a sua improcedência, o que será demonstrado a seguir. Por conseqüência, afastada a imputação da multa qualificada ora contestada, que seja acolhida a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário a título de PIS/Pasep e COFINS com base nos fatos geradores referente ao período de 30/04/2010 a 31/07/2010, conforme amplamente exposto em sede preliminar desta peça impugnatória. 21. Senhores Julgadores, o ilustre Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, sem esclarecer, justificar ou provar, presumiu existir do/o ou fraude na ação da Impugnante conforme disposto nos arts. 71 e 72 da Lei n.° 4.502, de 1964 (art. 957, inciso II, do Decreto n. 3000, de 26 de março de 1999), que aprova o Regulamento do Imposto de Renda RIR/99). Preliminarmente cabe indagar: Onde está a figura delituosa do crime contra a ordem tributária, visando impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, tendo em vista que o órgão fazendário tem em seus sistemas gerenciais o registro e o arquivo da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ, as DCTF's e DACON, APRESENTADAS PELA IMPUGNANTE, e mais, A PRÓPRIA IMPUGNANTE DISPONIBILIZOU PARA A AUTORIDADE FISCAL AUTUANTE, OS LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS a fim de que o mesmo pudesse realizar seus trabalhos de auditoria? (...) Com base nas DACON's, ao lavrar o Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração PIS e COFINS, do presente contencioso administrativo fiscal, a digna Autoridade Fiscal Autuante glosou créditos no montante de R$23.110.756,05 (vinte e três milhões, cento e dez mil, setecentos e cinqüenta e seisAreàfe e cinco centavos) fls. 875 dos autos . No mesmo Termo, através dos registros contidos no Livro Razão que lhe foi colocado a disposição, Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 19515.720582/201567 Acórdão n.º 1301002.491 S1C3T1 Fl. 1.124 7 identificou que na conta 3.1.1.01.3001 Receita Bruta Serviços Advocatícios, foram consignadas receitas no montante de R$26.898.220,22 (vinte e seis milhões, oitocentos e noventa e oito mil, duzentos e vinte reais e vinte e dois centavos) fls. 874 dos autos. Estas receitas, a exceção do mês de maio/2010 e algumas inconsistências materiais em relação aos demais meses, foram devidamente informadas nas Fichas 7A Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Regime Não Cumulativo e 17A Cálculo da Cofins Regime Não Cumulativo das DACON's encaminhadas à Impugnante pela Autoridade Fiscal Autuante. Acresçase que todos os dados contidos na coluna "Valor Declarado" àos demonstrativos constantes do Anexo II e 111 do Termo de Verificação Fiscal fls. 885 a 902 dos autos, foram extraídos das DACON's fls. 91 a 439 dos autos, encaminhadas, como já dito, à Impugnante pelo própria Autoridade Fiscal Autuante, documentos estes que constam da base de dados do órgão fazendário. Registrese que em face das DACON's transmitidas para o órgão fazendário pela Impugnante, a digna Autoridade Fiscal Autuante, a seu juízo, constituiu o crédito tributário a título de COFINS no montante original de R$1.313.383,58 e a título de PIS na quantia original de R$285.398,27, acrescidos da multa de ofício e juros moratórios, objeto do Processo Administrativo Fiscal acima referenciado. Portanto, está evidente e devidamente provado e justificado que em nenhum momento a Impugnante procurou impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, como afirmado, equivocadamente pelo digno Auditor Fiscal, pois a autuações ora combatidas PIS/Pasep e COFINS, estão sustentadas em informações que a Impugnante encaminhou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, ou seja, as DAC0N's de fls. 91 a 439 dos autos. (...) IV.2DA GLOSA DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE PIS/COFINS (...) As receitas declaradas, não importando a sua origem, a forma de constituição, se lícitas ou ilícitas, comprovadas ou não, são acolhidas incontestavelmente pelos órgãos fazendários e se prestam, inquestionavelmente, a constituição do crédito tributário. Não há a necessidade de se provar e comprovar a sua efetividade. Entretanto, as despesas e custos e principalmente os custos necessários para a geração das receitas operacionais, devem ser, minudentemente, esclarecidos e comprovados com documentação hábil e idônea, coincidentes com datas e valores dos respectivos dispêndios. É o que se extrai destes autos, ora contestado e impugnado. (...) A Impugnante jamais administrou causas milionárias a ensejar a produção de extraordinárias receitas decorrentes do exercício de advocacia, no montante de R$26.898.220,22 (vinte e seis milhões, oitocentos e noventa e oito mil, duzentos e vinte reais e vinte e dois centavos), e que, por óbvio, até mesmo expressivos escritórios de advocacia apresentam receitas bem mais modestas. Da mesma forma não ocorreram os custos dos serviços prestados na ordem de R$23.110.756,05 (vinte e três milhões, cento e dez mil, setecentos e cinqüenta e seis reais e cinco centavos), pois os destinatários destes recursos financeiros Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 19515.720582/201567 Acórdão n.º 1301002.491 S1C3T1 Fl. 1.125 8 exercem, como demonstrado nesta exordial impugnatória, atividades sócio econômica que em nada se coadunam com uma sociedade de advogados. Como exaustivamente exposto no curso da auditoria fiscal a que foi submetida, a Impugnante foi vitima de uma circunstância jurídico/fiscal/tributária, por total desconhecimento dos fundamentos que norteiam os princípios contábeis/fiscais a que se submetem as pessoas jurídicas prestadoras de serviços, no caso, a advocacia. 26. Ante todo o exposto é de se reafirmar que a Impugnante, como já dito, foi vítima de uma circunstância contábil/fiscal/tributária por total desconhecimento dos seus fundamentos de fato e de direito, porquanto as operações realizadas pela Impugnante estão efetivamente ligadas à intermediação de negócios entre as partes envolvidas e se não houve a realização de receitas operacionais decorrentes de suas atividades advocatícias, na contrapartida não há que se falar em despesas operacionais necessárias à percepção de ditas receitas. (...) resultando o montante de R$65.429.274,06 (sessenta e cinco milhões, quatrocentos e vinte e nove mil, duzentos e setenta e quatro reais e seis centavos), está muito, mas muito além da capacidade contributiva da Impugnante, ferindo mortalmente o disposto no parágrafo primeiro do artigo 145 da Constituição Federal, a seguir transcrito (...) V JUROS MORA TÓRIOS E TAXA SELIC. (...) 29. Da forma como está aplicada nos autos de infração ora impugnados, a Taxa SELIC assume caráter manifestamente confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal. (...) VI JUROS MORATORIOS SUSPENSÃO DE SUA INCIDÊNCIA E EXIGIBILIDADE NO CURSO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) VII DO PEDIDO 34. ínclitos membros da Turma de Julgamento e, em especial, o Senhor Julgador Relator, ante todo o exposto e relatado, a Impugnante comparece perante essa instância de julgamento, requerendo que: > seja afastada a imposição da multa qualificada de 150%; > afastada a multa qualificada, sejam acolhidas a preliminar interposta nesta exordial impugnatória, a fim de se declarar a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário a título de PIS/Pasep e COFINS referente aos meses de abril, maio, junho e julho de 2010, declarandose improcedentes e extinta a exigência fiscal consubstanciada nos Autos de Infração impugnados; > se ultrapassadas as preliminares interpostas, o que se admite apenas por hipótese, no mérito se acolha todas as razões de fato e de direito expendidas nesta exordial Impugnatória, para declarar a improcedência da Autuação Fiscal, posto que fundada em bases inconsistentes e insustentáveis, conforme provado; Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 19515.720582/201567 Acórdão n.º 1301002.491 S1C3T1 Fl. 1.126 9 > se mantido o lançamento, ainda que parcialmente, se afaste a cobrança dos juros moratórios com base na Taxa SELIC; > sucessivamente, requer que não incida os juros moratórios durante o trâmite do processo administrativo fiscal, desde a data da protocolização desta impugnação até decisão final deste contencioso na esfera administrativa; (...) É o relatório." No julgamento realizado em 27 de novembro de 2015, a 2ª Turma da DRJ/JFA julgou parcialmente procedente a impugnação, por meio do acórdão nº 0958.655, assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 GLOSA DE CRÉDITO. REGIME NÃO CUMULATIVO Só podem ser aproveitados os créditos provenientes de custos de serviços que restarem efetivamente comprovados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 GLOSA DE CRÉDITO. REGIME NÃO CUMULATIVO Só podem ser aproveitados os créditos provenientes de custos de serviços que restarem efetivamente comprovados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Para aplicação da multa qualificada tem restar caracterizada a conduta dolosa da contribuinte, sem o que a qualificação não pode prevalecer, reduzindose a multa para o patamar de 75%. DECADÊNCIA. Sem restar caracterizada a conduta dolosa da contribuinte, o início da contagem do prazo decadencial é data da ocorrência do fato gerador, uma vez que restou provado a existência de contribuições retidas para o período em discussão em nome da contribuinte, equivalendo assim a pagamento. TAXA SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Devidamente cientificado em 29/02/2016 (fls. 1.058), o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, em 28/03/2016 (fls. 1.059) , o recurso voluntário de fls. 1.060 a Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 19515.720582/201567 Acórdão n.º 1301002.491 S1C3T1 Fl. 1.127 10 1.106, assinado digitalmente, argumentando, em síntese os itens a seguir relacionados, os quais serão melhor detalhados por ocasião do voto: Solicita que seja negado provimento ao recurso de ofício para manutenção do afastamento da multa qualificada de 150% e reconhecimento da decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir os créditos tributários relativos a COFINS e PIS, referentes ao período de apuração de abril/2010 a julho/2010; Alega a recorrente ter efetuado negócios de intermediação entre partes, pelos quais recebia honorários advocatícios no percentual de 1,5% sobre o montante das operações realizadas, entretanto, equivocadamente, os valores que transitaram por suas contas foram registrados como receitas em sua escrituração contábil . Assim, da mesma forma que não auferiu receitas não houve a tomada de serviços prestados por terceiros. Requer sejam desconsiderados todos os registros contábeis/fiscais pertinentes às supostas receitas e custos referentes à intermediação dos negócios prestados à terceiros, por serem inverídicos e não corresponderem efetivamente às operações realizadas; Caso não sejam acolhidas suas razões de fato e de direito para cancelamento dos lançamentos de ofício, pleiteia que os juros moratórios incidentes sobre o crédito tributário sejam reduzidos para 1%; Requer a suspensão da incidência de juros moratórios no período compreendido entre a impugnação e a decisão final administrativa. É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora RECURSO DE OFÍCIO Tendo em vista que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior ao limite mínimo estabelecido pela Portaria MF nº 63/2017, conheço do recurso de ofício interposto pela 2ª Turma da DRJ/JFA. A fiscalização qualificou a multa de ofício por ter constatado a conduta do dolosa da recorrente, assim descrita nos itens 2 e 5 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 870 a 902): "2. DA INFRAÇÃO PIS/COFINS CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE GLOSA DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE Conforme se verifica nas DACON apresentadas pelo contribuinte, foram descontados créditos na apuração do PIS e COFINS, declarados como "Outras Operações com Direito a Crédito". Intimado a esclarecer e comprovar tais créditos, o contribuinte apenas alegou que houve erro no preenchimento das DACON. Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 19515.720582/201567 Acórdão n.º 1301002.491 S1C3T1 Fl. 1.128 11 Também, verificamos que a DACON relativa ao período de apuração maio/2010 foi apresentada com valores iguais a zero. Em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatamos que não há débitos declarados em DCTF relativos a PIS e COFINS para os períodos de apuração abril/2010 a dezembro/2010.que, conforme acima relatado, não foram comprovados documentalmente. (...) 5. DA MULTA QUALIFICADA Ainda, constatada a conduta dolosa do contribuinte, que consistiu em impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, será aplicada a multa qualificada de 150%, nos termos do artigo 44, inciso I e g 1° da Lei n° 9.430/96." A DRJ considerou inexistente a conduta dolosa acima transcrita e reduziu a multa qualificada para o percentual de 75%, tendo assim motivado sua decisão: "A DCTF aponta os valores a pagar dos tributos, sem indicar como foram apurados. Com base nela, o Fisco pode cobrar os valores ali confessados, sem elementos, entretanto, para verificação de sua veracidade. Elementos esses que se encontram em declarações específicas, como a DIPJ, no tocante ao IRPJ e à CSLL, e o DACON, para o PIS e a Cofins. Nos Dacon verificase que: 1) no Dacon retificador, do mês de abril foi apurado PIS a pagar no valor de R$ 4.352,47 e Cofins, no valor de R$ 19.825,89; 2) o Dacon de maio foi apresentado zerado; 3) nos Dacon ativos de junho a setembro, não foi apurado saldo a pagar de PIS e Cofins, em função das retenções realizadas, gerando para esses períodos de apuração saldo credor de contribuição; 4) para os períodos de apuração de outubro a dezembro houve apuração de contribuição a pagar (PIS e Cofins). As DCTF foram apresentadas sem débitos para todo o anocalendário 2010. [...] No meu entendimento, embora existam divergências entre Dacon e DCTF, para os meses de junho a setembro houve apuração de saldo credor das contribuições em análise e somente o Dacon de maio foi entregue zerado, a motivação registrada no Termo de Verificação Fiscal, para o PIS e a Cofins, mostrase insuficiente para caracterização de dolo e consequente qualificação da multa. Os Dacon apresentados em abril e de junho a dezembro de 2010, traziam informações que possibilitavam ao Fisco conhecer a ocorrência do fato gerador e verificar a conformidade do débito apurado. Isto posto, deve ser cancelada a qualificação da multa, persistindo sua aplicação no percentual de 75%. De modo que, considerase também decaído o lançamento para os meses de abril, maio, junho e julho de 2010." Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 19515.720582/201567 Acórdão n.º 1301002.491 S1C3T1 Fl. 1.129 12 Por entender que não merecem reparos à decisão a quo, adotoa como razões de decidir. Dessa forma, considerando que os DACON apresentados continham informações suficientes a permitir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, correta a decisão da DRJ que afastou a aplicação da multa qualificada, bem assim, considerou atingidos pela decadência os lançamentos de COFINS e PIS relativos aos meses de abril, maio, junho e julho de 2010. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e dele conheço. DA GLOSA DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE Ainda no curso do procedimento fiscal, alegou a recorrente que na qualidade de sociedade de advogados presta, dentre outros serviços, a intermediação de negócios. Aduziu que os valores por ela recebidos no anocalendário de 2010, indevidamente registrados como receita operacional, foram entregues aos destinatários, os quais também foram indevidamente registrados como custos de serviços prestados na conta "3.2.1.01.3201 Serviços de Terceiros". De acordo com a recorrente foram recebidos a título de honorários advocatícios o percentual médio de 1,5% sobre o montante das operações e não os valores indevidamente registrados como receita operacional na conta 3.1.1.01.3001 Serviços Advocatícios. A despeito dessas alegações o contribuinte não apresentou nenhum documento sequer hábil a comproválas, motivo pelo qual a autoridade fiscal efetuou a lavratura dos autos de infração para cobrança dos valores de COFINS e PIS, apurados em decorrência das glosas de créditos pleiteados a título de "Outras Operações com Direito a Crédito", referentes aos custos de serviços não comprovados registrados na conta contábil 3.2.1.01.3201 Serviços de Terceiros, nos meses de abril e junho a dezembro de 2010. Para o mês de maio/2010 a COFINS e PIS devidos foram apurados com base na receita de serviços registrada na conta contábil 3.1.1.01.3001 Serviços Advocatícios. O acórdão recorrido afirmou que a quase totalidade da receita bruta escriturada pela recorrente sofreu tributação na fonte, motivo pelo qual não há como sustentar que referidas receitas não existiram. Com relação à glosa dos créditos referentes a custos de serviços, afirmou o acórdão que por não terem sido comprovados, tais valores não podem afetar a apuração da COFINS e PIS na sistemática da nãocumulatividade. No recurso voluntário apresentado reafirma a recorrente que efetuou operações de intermediação de negócios, entretanto, seus sócios gerentes foram orientados a adotar procedimentos contábeis/fiscais desconectados com a realidade dos fatos. Alega que o próprio julgador da decisão reconheceu este fato, nos autos do processo administrativo nº 19515.720581/201512, no acórdão nº 0958.654 relativo ao IRPJ e CSLL, ao afirmar que "não há relação entre as contas pagadoras registradas em DIRF e as empresas que receberam recursos por serviços prestados à contribuinte, compondo o custo escriturado, conforme anexo que acompanha o TVF." e que "os custos de um escritório de advocacia, via de regra, são muito baixos, uma vez que a principal característica dos serviços prestado está no trabalho intelectual." Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 19515.720582/201567 Acórdão n.º 1301002.491 S1C3T1 Fl. 1.130 13 A despeito de tais afirmações não terem sido proferidas no acórdão ora recorrido, diversamente do alegado pela recorrente, os excertos acima transcritos não corroboram suas alegações. Ao contrário, objetivaram desconstituir as alegações da recorrente de que tratavamse de meros repasses dada a inexistência de qualquer relação entre as fontes pagadoras e as supostas empresas beneficiárias dos repasses. Uma vez comprovada a obtenção das receitas registradas em DIRF é ônus da contribuinte a comprovação de que os valores foram recebidos por conta e ordem de terceiros, todavia, não foram apresentados quaisquer documentos pela recorrente hábeis a comprovar suas alegações. A afirmação do acórdão nº 09.58.654 de que os custos de um escritório de advocacia são relativamente baixos objetivou, exclusivamente, demonstrar a responsabilidade da recorrente pela comprovação dos custos elevados com serviços de terceiros. Com relação ao questionamento da recorrente efetuado no recurso voluntário acerca das receitas obtidas junto à pessoa jurídica Santa Guilhermina Comércio e Representações Ltda, tendo em vista que os valores foram informados em DIRF, compete à recorrente demonstrar que efetuou o repasse do montante recebido. Por fim, vale ressaltar que é da recorrente o encargo de comprovar as alegações de seu interesse. O art. 15 do Decreto nº 70.235/72 estabelece que a impugnação deve estar acompanhada dos documentos em que se fundamentar: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Requer ainda a recorrente a aplicação do princípio da capacidade contributiva e reitera que é fora do contexto racional sob o aspecto jurídico e tributário que uma sociedade composta de dois profissionais, no caso pai e filho, tenham a capacidade de responder por um passivo tributário da ordem de R$ 65.429.274,06. Não compete aos julgadores do CARF apreciar a alegação de eventual ofensa ao princípio da capacidade contributiva, isto porque, nos termos da Súmula CARF nº 2 o órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, correto o acórdão recorrido que julgou procedente a infração relativa à glosa de créditos da nãocumulatividade descontados indevidamente. DOS JUROS SELIC Pugna a recorrente que, caso não sejam acolhidas todas as razões de fato e de direito expendidas no recurso voluntário, os juros moratórios incidentes sobre o crédito tributário constituído sejam limitados ao percentual de 1% ao mês. O pleito da recorrente não encontra amparo legal pois contraria expressamente o disposto no art. 13 da Lei nº 9.065/95, que estabelece a incidência de juros Selic sobre os tributos e contribuições arrecadados pela RFB recolhidos em atraso: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 19515.720582/201567 Acórdão n.º 1301002.491 S1C3T1 Fl. 1.131 14 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Produção de efeito (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Além disso, a matéria encontrase pacificada no CARF tendo sido inclusive objeto da Súmula nº 4, de observância obrigatória pelos julgadores administrativos, por força do art. 72 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF): Súmula CARF nº 4 “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. DA SUSPENSÃO DOS JUROS MORATÓRIOS A recorrente requer em sua peça recursal a suspensão da cobrança de juros moratórios no curso do contencioso administrativo fiscal. Alega que a falta de regulamentação do disposto no parágrafo único do art. 27 do Decreto nº 70.235, o qual determina que os processos serão julgados na ordem e nos prazos estabelecidos em ato do Secretário da Receita Federal do Brasil, observada a prioridade do caput do artigo, deixa o Estado em uma posição bastante cômoda ao apreciar os conflitos, pois julga o feito administrativo fiscal quando e no momento que decidir analisar o litígio. Acrescenta que a administração tributária deve julgar os processos administrativos em tempo razoável sob pena de afronta aos princípios constitucionais da moralidade pública, segurança jurídica, eficiência e interesse público. Por fim, afirma que o descumprimento do prazo máximo de 360 dias para que o órgão profira decisão administrativa, nos termos do art. 24 da Lei nº 11.457/07, deve ensejar, ao mínimo, a suspensão da incidência dos juros moratórios. Apesar de sua extensa argumentação, o pleito da recorrente não encontra amparo legal. Inexiste na legislação tributária hipótese de suspensão de juros moratórios no curso do contencioso administrativo, motivo pelo qual deve ser mantida a incidência de juros moratórios sobre o crédito tributário constituído. CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, voto por negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 19515.720582/201567 Acórdão n.º 1301002.491 S1C3T1 Fl. 1.132 15 Fl. 1132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.000608/2003-23
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IDENTIDADE FÁTICA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO.
Para ser conhecido o Recurso Especial de divergência é necessário que os acórdãos paradigmas tenham analisado situações fáticas e jurídicas similares à situação do acórdão recorrido.
Ausente a similitude fática, não se pode conhecer o Recurso Especial.
RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. INFORME DE RENDIMENTOS E DIRF. DESNECESSIDADE.
Ausência do documento específico elencado na norma infralegal, qual seja o informe de rendimentos e a DIRF, instituídos pela SRFB em obediência ao artigo 943 do RIR/99, não pode ilidir o direito do Contribuinte, desde que outros meios possam provar a retenção e recolhimento.
Numero da decisão: 9101-002.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial quanto ao ônus da prova. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso quanto à exigibilidade do informe de rendimentos como comprovante de retenção do IR para fins de compensação e, no mérito, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IDENTIDADE FÁTICA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. Para ser conhecido o Recurso Especial de divergência é necessário que os acórdãos paradigmas tenham analisado situações fáticas e jurídicas similares à situação do acórdão recorrido. Ausente a similitude fática, não se pode conhecer o Recurso Especial. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. INFORME DE RENDIMENTOS E DIRF. DESNECESSIDADE. Ausência do documento específico elencado na norma infralegal, qual seja o informe de rendimentos e a DIRF, instituídos pela SRFB em obediência ao artigo 943 do RIR/99, não pode ilidir o direito do Contribuinte, desde que outros meios possam provar a retenção e recolhimento.
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CONHECIMENTO. IDENTIDADE FÁTICA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. Para ser conhecido o Recurso Especial de divergência é necessário que os acórdãos paradigmas tenham analisado situações fáticas e jurídicas similares à situação do acórdão recorrido. Ausente a similitude fática, não se pode conhecer o Recurso Especial. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. INFORME DE RENDIMENTOS E DIRF. DESNECESSIDADE. Ausência do documento específico elencado na norma infralegal, qual seja o informe de rendimentos e a DIRF, instituídos pela SRFB em obediência ao artigo 943 do RIR/99, não pode ilidir o direito do Contribuinte, desde que outros meios possam provar a retenção e recolhimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial quanto ao ônus da prova. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso quanto à exigibilidade do informe de rendimentos como comprovante de retenção do IR para fins de compensação e, no mérito, acordam em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 06 08 /2 00 3- 23 Fl. 870DF CARF MF 2 Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Especial da Fazenda Nacional, objetivando discutir duas matérias, a saber: (i) exigibilidade do informe de rendimentos como comprovante de retenção do IR para fins de compensação; e (ii) ônus da prova quanto à certeza e liquidez do crédito tributário indicado em compensação. Na origem, tratase de compensação realizada pelo Contribuinte com parte do saldo credor de IRPJ apurado em sua declaração do anocalendário de 2001. No despacho decisório proferido, a autoridade fiscalizadora procedeu à glosas de antecipações do IRRF retido em 2001 e ao recálculo do Lucro Real em relação ao valor das despesas/adições de JCP paga, concluindo que o crédito pleiteado não existia integralmente. Dessa decisão, houve regular apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte, da qual sobreveio decisão da DRJ reconhecendo em parte o crédito, no seguinte sentido: (i) desconsiderou a glosa da despesa de JCP que reduziu o saldo negativo de IRPJ do AC de 2001, ao argumento de que não é da competência daquela delegacia alterar o resultado declarado em DIPJ/02, devendose limitar somente a verificação do crédito pleiteado, asseverando, ainda, que o direito do Fisco de refazer o crédito desse período fora alcançado pela decadência; (ii) manteve a glosa do crédito relativo ao IRRF sobre aplicações financeiras, sob a fundamentação da não comprovação da tributação dos rendimentos que geraram a retenção. Ainda inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento do Recurso a 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento a ele deu provimento, por unanimidade, conforme ementa e decisão abaixo transcritas: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Fl. 871DF CARF MF Processo nº 11610.000608/200323 Acórdão n.º 9101002.876 CSRFT1 Fl. 871 3 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE IRRF. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. OPERAÇÕES DE SWAP. APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO E EM RENDA FIXA. Não subsiste a glosa de deduções decorrente do confronto entre os rendimentos informados pelas fontes pagadoras em DIRF e aqueles escriturados pela pessoa jurídica no período de referência, sem intimação ao sujeito passivo para esclarecimento das divergências que seriam esperadas em razão dos diferentes regimes de reconhecimento contábil dos rendimentos e de retenção do imposto pelas fontes pagadoras. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. RETENÇÕES DE IMPOSTO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Na hipótese de a fonte pagadora não fornecer o comprovante anual de retenção, sua prova pode se dar por meio dos registros contábeis do beneficiário e de aviso de pagamento do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado." Cientificada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando rediscutir a (i) exigibilidade do informe de rendimentos como comprovante de retenção do IR para fins de compensação; e (ii) ônus da prova quanto à certeza e liquidez do crédito tributário indicado em compensação. Para demonstração da divergência a Fazenda apresenta o Acórdão 1401 001.399, sobre a necessidade de o contribuinte possuir o informe de rendimentos para que o valor do IRRF componha o saldo negativo; e os Acórdãos 3802001.368 e 10516789 sobre a atribuição ao sujeito passivo do dever de comprovar suas alegações, particularmente quanto à certeza e liquidez dos créditos pretendidos. Em suas razões, alega aa Fazenda Nacional, em suma: ü Na hipótese dos autos, a formalidade prescrita em lei, qual seja, a apresentação de comprovante da retenção emitido pela fonte pagadora para a validade da compensação, não foi observada e, mesmo assim, a Câmara deu provimento ao Recurso sem, repisese, motivar o afastamento da norma; ü A lei dispõe expressamente que o imposto retido na fonte somente poderá ser compensado quando o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora (art. 943, §2º, RIR/99); ü Que o afastamento imotivado do art. 943, §2º do RIR/99 corresponde à verdadeira declaração de inconstitucionalidade por meio indireto, o que é vedado ao CARF (Súmula CARF nº 2); Fl. 872DF CARF MF 4 ü Conforme artigo 333, do CPC o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito incumbe ao autor. Aplicada ao contexto da compensação tributária, temse que compete ao contribuinte produzir a prova da certeza e liquidez do crédito que alega ter perante o Fisco; ü O ônus da prova que incumbe ao ente tributante consiste em, uma vez provado o fato constitutivo (crédito) pelo contribuinte, provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele; ü Não procede o entendimento adotado no acórdão recorrido de que cabe à autoridade fiscal a demonstração da inexistência dos elementos informados pelo contribuinte para a formação do crédito. A Autoridade competente deu seguimento ao Recurso Especial, nos seguintes termos: “1) Da Aplicação do Art. 943, §2º do RIR/99. (...) Examinando o acórdão paradigma verificase que traz o entendimento de que "o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos comporá o saldo negativo se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos". O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que "não subsiste a glosa de deduções decorrente do confronto entre os rendimentos informados pelas fontes pagadoras em DIRF e aqueles escriturados pela pessoa jurídica no período de referência, sem intimação ao sujeito passivo para esclarecimento das divergências que seriam esperadas em razão dos diferentes regimes de reconhecimento contábil dos rendimentos e de retenção do imposto pelas fontes pagadoras". Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN. 2) Do Ônus da Prova Quanto à Liquidez e Certeza do Crédito Tributário Indicado à Compensação. (...) Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que "cabe ao sujeito passivo comprovar suas alegações, particularmente quanto à certeza e liquidez dos créditos pretendidos". O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que "na hipótese de a fonte pagadora não fornecer o comprovante anual de retenção, sua prova pode se dar por meio dos registros contábeis do beneficiário e de aviso de pagamento do crédito". Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando Fl. 873DF CARF MF Processo nº 11610.000608/200323 Acórdão n.º 9101002.876 CSRFT1 Fl. 872 5 plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN.” Regularmente intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões, alegando e requerendo, em suma: ü Inadmissibilidade do Recurso da Fazenda; ü Quanto à matéria ônus da prova, não há identidade fática em relação aos paradigmas, porque o recorrido em momento algum se apóia na flexibilização de comprovação do crédito pelo contribuinte, mas na ausência de análise sobre todas as provas produzidas quanto à formação do saldo negativo, notadamente as que comprovam a tributação e contabilização dos rendimentos de operações de swap; ü Os paradigmas apenas apresentam enunciado geral e tratam de casos em que não houve juntada de qualquer documento aos autos pelo contribuinte e juntada exclusiva de declaração de rendimentos; ü No presente caso, houve desconsideração dos documentos juntados, notadamente as retenções provadas, referentes a rendimentos de swap, registrados sob o regime de competência; ü O julgamento do presente recurso ensejará a análise do conjunto probatório, o que é impraticável em sede de Recurso Especial; ü Com relação à outra matéria em discussão, qual seja, aplicabilidade do artigo 943, §2º, RIR/99, alega ser inadmissível o Recurso, pois a Fazenda Nacional trouxe apenas parte da ementa do julgado, adulterando a questão ali travada; ü Alega ainda ausência de similitude fática ; ü No mérito, quanto ao IRRF sobre as receitas financeiras, recordou que o argumento do despacho decisório, chancelado pela DRJ, para reconhecimento parcial do valor componente do saldo negativo levou em conta que nem toda a receita financeira foi tributada pelo Contribuinte no ano de 2001, na medida em que o valor contabilizado informado pelo próprio contribuinte era inferior ao valor informado pelas fontes pagadoras; ü Dessa forma, foi realizado um cálculo proporcional considerando o rendimento contabilizado em 2001 e o rendimento informado total, de modo a apenas aceitar parte do IRRF como componente do saldo negativo; ü Argumenta que está equivocada essa compreensão de que parte das receitas não teria sido tributada, na medida em que tais rendimentos são oriundos de operações de Swap, cujo rendimento não foi considerado no cálculo da proporcionalidade do IRRF, ficando Fl. 874DF CARF MF 6 restrito ao montante de "outras operações financeiras, constante da linha 24 ficha 6A da DIPJ; ü Assim, restando comprovada a tributação da totalidade das receitas financeiras, impõese a manutenção do acórdão recorrido, que considerou na composição do saldo credor de 2001 os rendimentos da operação de swap; ü Sobre a matéria aplicabilidade do artigo 943, §2º, do RIR/99, sustenta o Contribuinte que os documentos acostados aos autos são aptos à comprovação da retenção, não sendo o comprovante de retenção o único meio de prova para fins de dedução da retenção pelo beneficiário do rendimento; ü Que sobre essa matéria o acórdão recorrido também não merece reparo, posto que respeitou os princípios da verdade material, da vedação ao enriquecimento ilícito e da moralidade administrativa. ü Dessa forma requer que seja negado seguimento ou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre o conhecimento do Recurso da Fazenda, entendo prudente o debate, que, para fins didáticos será separado por matéria. CONHECIMENTO MATÉRIA ÔNUS DA PROVA Quanto à matéria ônus da prova, alega o Contribuinte que não há identidade fática em relação aos paradigmas, porque o acórdão recorrido em momento algum se apóia na flexibilização de comprovação do crédito pelo contribuinte, mas na ausência de análise sobre todas as provas produzidas quanto à formação do saldo negativo, notadamente as que comprovam a tributação e contabilização dos rendimentos de operações de swap; Alega que os paradigmas apenas apresentam enunciado geral e tratam de casos em que não houve juntada de qualquer documento aos autos pelo contribuinte e juntada exclusiva de declaração de rendimentos; No presente caso, houve desconsideração dos documentos juntados, notadamente as retenções provadas, referentes a rendimentos de swap, registrados sob o regime de competência; Pois bem. Voltando para o acórdão recorrido é possível perceber que a linha de raciocínio traçada pela Relatora, foi no sentido de que na análise do caso, a autoridade fiscal mediante intimação para averiguação antes do despacho decisório, não orientou seu trabalho na direção correta, na medida em que apenas solicitou comprovação de contabilização de rendimentos do anocalendário 2001, quando, na verdade, deveria também ter solicitado Fl. 875DF CARF MF Processo nº 11610.000608/200323 Acórdão n.º 9101002.876 CSRFT1 Fl. 873 7 comprovação de exercícios anteriores. Isso seria deveras relevante no presente caso, pois trata se de rendimentos de operações de swap e investimentos em fundos e em renda fixa, cujo regime de competência para registro das receitas e a obrigação de reter o IRRF são sobremaneira descasados. Assim, concluiuse que houve a invalidação infundada do saldo apresentado pelo Contribuinte, pelo trabalho fiscal deficiente. Nada se falou quanto ao ônus da prova e a pessoa que dele deve se desincumbir. Para melhor elucidação do acima exposto, importante uma breve análise da decisão recorrida. Começa a Relatora descrevendo a intimação realizada para averiguação das receitas financeiras declaradas na linha 24, da ficha 6A, da DIPJ/2002, no seguinte sentido: Por meio da intimação de fl. 121, a autoridade fiscal exigiu a apresentação de demonstrativo dos valores que compõem as outras receitas financeiras declaradas no item 24 da Ficha 06 A referente ao anocalendário 2001 de sua DIPJ/2002 (R$ 38.085.159,16), juntando cópias dos registros contábeis do IRRF e das receitas financeiras computadas na base de cálculo do IRPJ (cópias das contas do Razão), indicando o item da declaração onde foram incluídos esses rendimentos. Sobre essa intimação, a Relatora concluiu que a autoridade fiscal não intimou o Contribuinte a comprovar a contabilização das receitas financeiras que motivaram as retenções consideradas no saldo negativo de 2001, limitandose a solicitar a demonstração das receitas financeiras contabilizadas em 2001, nos seguintes termos: Vêse, do exposto, que a autoridade fiscal não intimou a contribuinte a comprovar a contabilização das receitas financeiras que motivaram as retenções deduzidas no ano calendário 2001, mas sim a demonstrar a origem das receitas financeiras contabilizadas em 2001 e a indicar o item da declaração no qual elas foram informadas.(...)(g.n( Continua a Relatora dizendo que a resposta apresentada pela contribuinte, por sua vez, está orientada pelo que foi exigido, de modo a detalhar as receitas financeiras contabilizadas no período: (...). A resposta apresentada pela contribuinte, por sua vez, está orientada pelo que foi exigido, e assim detalha as receitas financeiras contabilizadas no período e computadas na linha 24 da Ficha 06 A da DIPJ/2002, no valor total de R$ 38.085.159,16. Deste conjunto, porém, a autoridade fiscal extrai os itens acima planilhados como representativos dos rendimentos que, oferecidos à tributação, permitiriam a dedução do imposto retido na fonte. (...) (g.n) E termina sua análise de que a premissa da conclusão da autoridade fiscal era de que os rendimentos que ensejaram as retenções sofridas deveriam estar computadas na apuração do lucro real do anocalendário 2001: Fl. 876DF CARF MF 8 A conclusão exteriorizada no despacho decisório, portanto, parte da premissa de que os rendimentos que ensejaram as retenções sofridas deveriam estar, necessariamente, computados na apuração do lucro real do anocalendário 2001. Continuando, após transcrever trecho de voto em que trata da contabilização dos rendimentos e retenção do IRRF em operações de swap, no sentido de que rendimentos que devem ser contabilizados em determinado anocalendário pode ter a retenção do IR realizada apenas no ano seguinte, a Relatora assim se manifesta: No presente caso, embora a autoridade fiscal tenha, nos termos antes transcritos, intimado a contribuinte a prestar esclarecimentos, vêse que ela não perquiriu da contabilização dos rendimentos que ensejaram os valores retidos na fonte, e assim também limitou suas análises à comparação linear entre os rendimentos que ensejaram o IRRF informado pelas fontes pagadoras e os valores integrados ao resultado contábil segundo o regime de competência. Nesse contexto, após tecer ainda comentários acerca das regras de contabilização e tributação das operações com fundos de investimentos e sobre aplicações em títulos e valores mobiliários de renda fixa, que também possuem especificidades quanto ao momento da contabilização dos rendimentos e a retenção do imposto, assim conclui a Relatora: Corroborando a possibilidade de os rendimentos questionados pela autoridade fiscal terem sido apropriados, segundo o regime de competência, em períodos anteriores, vêse nos elementos juntados depois do recurso voluntário que, especificamente em relação às operações em Fundo de Investimento Financeiro Kaali junto ao Banco Itaú S/A, houve reconhecimento de receita financeira de R$ 3.317.816,76 (fl. 637), computada no resultado do anocalendário 2000. Por sua vez, a soma deste rendimento àquele acrescido ao lucro do anocalendário 2001 (R$ 24.104.980,08), resulta no total de R$ 27.422.816,69 reconhecido segundo regime de competência, superior aos rendimentos informados pela fonte pagadora nos dois períodos (R$ 3.161.286,17 e R$ 22.436.453,35, totalizando R$ 25.597.739,52), segundo o regime de caixa. Concluise, do exposto, que a autoridade fiscal não reuniu motivação suficiente para restringir a dedução do imposto retido sob rendimentos de aplicações financeiras a R$ 4.822.074,67, devendo ser admitida a dedução integral do valor de R$ 6.087.488,26. (g.n) Foi nesse contexto que se concluiu que houve a invalidação infundada do saldo apresentado pelo Contribuinte, pelo trabalho fiscal deficiente. Nada se falou quanto ao ônus da prova e a pessoa que dele deve se desincumbir. Importante agora avaliar as situações fáticas dos paradigmas apresentados, para identificar ou não a identidade fática. No julgamento do acórdão 3802001.368 analisouse caso em que o contribuinte havia juntado ao processo apenas DACON retificadora para fundamentar seu crédito de COFINS paga a maior. Não houve nesse caso qualquer reparo quanto ao Fl. 877DF CARF MF Processo nº 11610.000608/200323 Acórdão n.º 9101002.876 CSRFT1 Fl. 874 9 procedimento fiscal realizado pela autoridade fiscal em seu trabalho de verificação do saldo mencionado. Vale aqui a transcrição do seguinte trecho do referido voto: Abstraindose dessa questão, temse, contudo, que a recorrente não comprova o crédito tributário reclamado. A título comprobatório do direito, esta alega anexar a ficha 06A da DIPJ, a qual, segundo defende, seria suficiente para demonstrar que a base de cálculo da contribuição teria sido composta unicamente por receitas financeiras não integrantes da citada base de cálculo. Tal documento, contudo, não foi acostado aos autos e, ainda que o fosse, o mesmo, por si só, não seria suficiente para demonstrar o alegado equívoco e o consequente direito creditório que a suplicante alega fazer jus. Com efeito, a interessada não juntou ao processo nenhuma documentação contábil ou fiscal capaz de confirmar o direito reclamado. Constam dos autos unicamente as DACON original e retificadora, bem como a ficha 25 da DIPJ do período, documentos que são insuficientes para a comprovação do direito. Para tanto, deveria a suplicante, por exemplo, ter apresentado o Livro Razão acompanhado do Livro Diário com os lançamentos que alicerçassem as correções aduzidas como legítimas. Em minha opinião esse acórdão não serve como paradigma, pois não tratou de caso em que o trabalho fiscal de averiguação do crédito foi refutado pelo julgador. Vale frisar que no caso do acórdão recorrido houve intimação do contribuinte para comprovação do saldo e demonstração de sua composição e essa intimação foi considerada insuficiente para os fins a que se destinava, de modo que a conclusão sobre o quanto apresentado quedouse equivocada. Salientese, ainda, que a documentação solicitada foi integralmente apresentada pelo Contribuinte. No caso deste paradigma mesmo intimado o contribuinte não apresentou a documentação suficiente. Logo, não vejo identidade fática, de modo a não considerar esse acórdão como paradigma válido à admissibilidade do Recurso da Fazenda. No outro Acórdão paradigma trazido aos autos sequer há menção a intimação do Contribuinte para apresentação de documentos e informações antes da não homologação da compensação, mas ainda assim há clara indicação de que não houve a apresentação de documentos pelo Contribuinte, mesmo após diversas oportunidades dentro das fases do processo administrativo, conforme se pode verificar das seguintes passagens do voto respectivo: O acórdão recorrido atacou esse ponto com bastante firmeza, mostrando, à fl. 240, que apenas a declaração de rendimentos não prova o saldo negativo e que seriam necessárias outras provas, notadamente contábeis. Dentre outras, ressaltou "os registros contábeis de conta no ativo do imposto de renda ou da contribuição social a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, a demonstração do resultado do exercício, o oferecimento à tributação, quando for o caso, das Fl. 878DF CARF MF 10 receitas que ensejaram as retenções, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), tudo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo declarado". (...) Até a presente fase processual, a recorrente teve três oportunidades de acostar provas aos autos: quando do protocolo do pedido de compensação; quando da manifestação de inconformidade sobre a decisão da DRF; e, agora, quando do recurso voluntário a este Colegiado. No mais das vezes, fez anexar cópias de declarações e guias de recolhimento (DARFs) já do conhecimento da Administração, além de planilhas (fls. 227/234) nas quais dá aos pagamentos tratamento individualizado, e não a formação de um saldo negativo ao final de cada ano. Além disso, conforme bem assinalado pela Turma Julgadora a quo, seria esse demonstrativo "instrumento de valia na condição de orientador na pesquisa dos eventuais registros contábeis que pudessem indicar o crédito. Desacompanhado, nada comprova". Ao contrário, não identifico nos autos nenhum balanço patrimonial que comprove o resultado contábil dos anos em questão, nem qualquer demonstrativo detalhado com os ajustes ao lucro líquido, conduzindo à CSLL devida. Também não há qualquer balanço ou balancete de suspensão ou redução, os quais deveriam ter sido levantados e transcritos no livro Diário mensalmente, para dar sustentação à forma de tributação escolhida pela contribuinte, o Lucro Real anual. Menos ainda encontro qualquer registro contábil representativo dos créditos alegados. E, para cumular, ao invés de apresentar as provas em seu favor, vem a recorrente, no recurso voluntário, requerer "diligências e intimações cabíveis". Entendo que, se a recorrente não faz prova de seu direito alegado, não cabe a este colegiado fazêlo. Somente seriam cabíveis diligências para esclarecer algum ponto porventura obscuro, sobre o qual restassem dúvidas. Nunca para estabelecer a certeza e a liquidez dos créditos pretendidos, o que já deveria estar demonstrado desde o início. Nesse contexto, não vejo aqui a identidade fática necessária para que se possa conhecer o Recurso da Fazenda quanto a essa matéria, de modo que voto pelo seu não conhecimento. CONHECIMENTO MATÉRIA APLICABILIDADE DO ARTIGO 943, §2º Quanto ao conhecimento em relação a essa matéria, alega o contribuinte que a ementa do acórdão apresentada pela Fazenda Nacional não foi a ementa integra, conforme exigido pelo RICARF, bem como que não houve a juntada de cópia integral do acórdão paradigma. Pois bem. Analisando a ementa colacionada pela Fazenda em seu Recurso de fato é possível depreender que não houve a supressão de parte da ementa. A ementa colacionada encontrase semelhante àquela disponibilizada no sitio no Tribunal na internet. Fl. 879DF CARF MF Processo nº 11610.000608/200323 Acórdão n.º 9101002.876 CSRFT1 Fl. 875 11 Desse modo, não merece prosperar essa pretensão do Contribuinte. Alega, ainda, ausência de identidade fática, a qual também não vislumbro, posto que há a não apresentação do informe de rendimentos, tal qual o presente caso, e a conclusão de que sua ausência impede que o IRRF componha o saldo. Nesse contexto, conheço do Recurso quanto à essa segunda matéria. MÉRITO MATÉRIA APLICABILIDADE DO ARTIGO 943, §2º, RIR/99 Sobre esse ponto, o Turma a quo decidiu que o comprovante de retenção não é o único meio de prova para fins de dedução da retenção pelo beneficiário do rendimento, até porque seu direito não pode ser inviabilizado pela conduta omissiva da fonte pagadora, no seguinte sentido: Possivelmente por não identificar a declaração da retenção pela fonte pagadora Embraer S/A em DIRF (fls. 112/120), a autoridade fiscal exigiu a apresentação de cópia autenticada do informe de rendimentos que a fonte pagadora deveria ter apresentado à contribuinte. De outro lado, porém, também exigiu esclarecimentos acerca do reconhecimento das receitas de juros sobre o capital próprio, e na resposta de fls. 123/124 a contribuinte informou que oferecera à tributação valor superior àquele consignado na intimação, no total de R$ 318.493.770,07. É certo que a Lei nº 7.450/85 estabelece, em seu art. 55, que o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Por sua vez, o art. 86 da Lei nº 8.981/95 obriga as fontes pagadoras a fornecer tais documentos e fixa multa de cinqüenta Ufirs por documento que deixar de ser fornecido ou fornecido com inexatidão. Todavia, o comprovante de retenção não é o único meio de prova para fins de dedução da retenção pelo beneficiário do rendimento, até porque seu direito não pode ser inviabilizado pela conduta omissiva da fonte pagadora. No presente caso, a contribuinte apresenta o aviso de pagamento que lhe foi enviado pela fonte pagadora possivelmente à época do crédito, demonstra o reconhecimento de receitas compatíveis com a dedução pretendida, e a autoridade fiscal nada questionou acerca do eventual recebimento destes créditos sem a retenção pretendida pela contribuinte. Peso de forma semelhante, eventual ausência do documento específico elencado na norma infralegal, qual seja o informe de rendimentos e a DIRF, instituídos pela SRFB em obediência ao artigo 943 do RIR/99, não pode ilidir o direito do Contribuinte, desde que outros meios possam provar a retenção e recolhimento. Pensar dessa forma seria fazer o contribuinte arcar com o imposto através da retenção que é realizada, pois o valor efetivamente recebido sempre á líquido do imposto, bem Fl. 880DF CARF MF 12 como arcar novamente pela impossibilidade de utilização do valor na composição do seu saldo negativo (especificamente nesse caso). Não penso que seja esse o espírito da norma. Entendo que o §2º da norma em questão, que possui fundamento legal no artigo 55, da Lei 7.450/85 não está vinculado ao documento específico criado pela SRFB. Vejam que a Lei fala em comprovante de retenção e não comprovante de recolhimento: § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). Ora, se a fonte pagadora emite comprovante de retenção, entrega a quem de direito o valor líquido do imposto, não há como negar ao contribuinte o direito à utilização do valor na composição do saldo, pelo simples fato de o comprovante não ser exatamente aquele relativo ao formulário produzido pela SRFB. Nesse contexto, entendo que não deve prosperar o Recurso quanto a essa matéria. Nesse contexto, voto NÃO CONHECER do Recurso quanto a matéria ônus da prova e NEGAR provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, quanto à matéria conhecida. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 881DF CARF MF
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