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Numero do processo: 10680.927908/2016-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 23/07/2010
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.458
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 79 08 /2 01 6- 80 Fl. 48DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10680.927908/201680 Acórdão n.º 3401006.458 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 50DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10680.927908/201680 Acórdão n.º 3401006.458 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 52DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 53DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.904976/2011-74
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O ressarcimento de IPI e a sua compensação com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte.
A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
Numero da decisão: 3003-000.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O ressarcimento de IPI e a sua compensação com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
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CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O ressarcimento de IPI e a sua compensação com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marcos Antônio Borges Presidente. Márcio Robson Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 49 76 /2 01 1- 74 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10825.904976/201174 Acórdão n.º 3003000.252 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Reproduzo o relatório proferido pela DRJ na oportunidade em que apreciou a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho Eletrônico da Delegacia da Receita Federal do Brasil que indeferiu o ressarcimento e, conseqüentemente, nãohomologou as compensações declaradas nos PER/DCOMP, em decorrência de o valor do saldo credor de IPI do período ter sido integralmente utilizado em período posterior. Regularmente cientificada do indeferimento de seu pleito, a empresa apresentou manifestação de inconformidade alegando, em preliminar, a nulidade do despacho decisório, pela falta de clareza na descrição dos fatos, o que não permitiu à manifestante ter o conhecimento exato das infrações supostamente cometidas. Do recurso houve julgamento com o acórdão N.º 1441.956 2ª Turma DRJ/RPO cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não configura cerceamento do direito de defesa quando o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação encontraramse plenamente assegurados. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ao tomar ciência do Acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário juntando provas que antes não haviam sido apresentadas. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10825.904976/201174 Acórdão n.º 3003000.252 S3C0T3 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. Compulsando os autos, verifico que o despacho decisório não homologo ao pedido de ressarcimento requerido pela Recorrente, conforme tela. Vejamos: Prosseguindo e analisando a documentação acostada ao processo, vejo que há o extrato de pedido de ressarcimento (efls 2 a 54), anexados pela Recorrente junto com a Manifestação de inconformidade (efls 61 a 91). Ao proferir o seu julgamento, a DRJ relata que por ausência de saldo suficiente e por adequada decisão da autoridade fiscal, deixa de dar provimento a Manifestação de inconformidade porque, segundo o relator, o valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao protocolização do pedido. Vejamos o voto: (...) A verificação eletrônica da legitimidade do valor pleiteado pelo contribuinte consiste tanto no cálculo do saldo credor de IPI passível de ressarcimento apurado ao fim do trimestre Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10825.904976/201174 Acórdão n.º 3003000.252 S3C0T3 Fl. 5 4 calendário a que se refere o pedido como na verificação se esse saldo se mantém na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP. Constatada a utilização integral do saldo credor existente no final do trimestre em período posterior, indeferese o ressarcimento. O fundamento para tal procedimento está baseado do sistema de apuração e utilização dos créditos do imposto, em conformidade com o artigo 195, do RIPI/2002: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2º (Lei nº 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9779, de 1999, art. 11). § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Certo é que o saldo credor de IPI apurado em um determinado trimestre e utilizado para abatimento de débitos de trimestres posteriores exaurese e, por conseguinte, não pode ser ressarcido (vide planilha anexa ao despacho eletrônico). Caso contrário, a contribuinte deveria recolher aqueles débitos que foram compensados com referidos créditos. Tendo o saldo credor, objeto da presente PER/DCOMP, sido consumido no abatimento de débitos de períodos posteriores, não poderia ser incluído no pedido de ressarcimento, estando correta a decisão da delegacia de origem. Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto do pela improcedência da manifestação de inconformidade. No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, por meio da apresentação de escrituração contábilfiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10825.904976/201174 Acórdão n.º 3003000.252 S3C0T3 Fl. 6 5 Embora o Recurso Voluntário relate que "o demonstrativo da apuração após o período de ressarcimento apresentado pela RFB esta totalmente equivocado, razão pela qual não há motivos para o indeferimento do ressarcimento", as provas somente foram acostadas no Recurso Voluntário, quando na verdade deveriam ter sido juntadas a Manifestação de inconformidade. Analisando os autos, observase que a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente o Pedido de Compensação e alegações. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie, no momento adequado. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; De igual forma é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção das provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10825.904976/201174 Acórdão n.º 3003000.252 S3C0T3 Fl. 7 6 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) De igual forma é o entendimento da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, em decisão consubstanciada no acórdão de nº 1302003.394, nos seguintes termos: Este colegiado têm decidido, reiteradamente, por não conhecer de novos argumentos e provas acostadas aos autos depois da impugnação, tendo em vista nos termos do art. 16 e 17 do PAF, que estabelecem para aquele momento o prazo preclusivo para apresentar os pontos de discordância e as documentos para corroborar suas alegações, salvo se, comprovadamente, reste demonstrada fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, conforme acórdãos abaixo: Acórdão nº 1302002.347, de 22/11/2018 PROCESSUAL PRECLUSÃO. A impugnação deve trazer todos os argumentos e provas necessários à defesa do contribuinte, ressalvadas, apenas, as hipóteses descritas no art. 16 do Decreto 70.235, sob pena de preclusão. Acórdão nº 1302002.159, de 16/10/2018 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO NA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Como se sabe, a parte incumbida do ônus probatório possui o amplo direito de produzir a prova. A parte adversa, em contrapartida, tem o amplo direito à contraprova, pois só assim o contraditório e a ampla defesa serão igualmente garantidas às partes. O ônus de prova é a incumbência que a parte possui de comprovados fatos que lhe são favoráveis no processo, visando à influência sobre a convicção do julgador, nesse sentido, a organização e vinculação dos documentos (hábeis e idôneos) com as matérias impugnadas e a reunião de suas informações na escrituração contábilfiscal seria indispensável para um convencimento. Modernamente defendese a divisão do ônus probandi entre as partes sob a égide da paridade de tratamento entre estas. Francesco Carnelutti, no clássico Teoria Geral do Direito1, assim leciona: 1 CARNELUTTI, Francesco. Teoria geral do direito. (Tradução de Antônio Carlos Ferreira). São Paulo: Lejus, 1999, p.541 (in Temas Atuais de Direito Tributário) Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10825.904976/201174 Acórdão n.º 3003000.252 S3C0T3 Fl. 8 7 Quando um determinado fato é afirmado, cada uma das partes tem interesse em fornecer a prova dele, uma delas a de sua existência e a outra a da sua inexistência; o interesse na prova do fato é, portanto, bilateral ou recíproco.(grifei) Diante da complexidade de um processo de compensação tributária o recorrente deve se preocupar em formar o convencimento do julgador de forma que este seja capaz de fazer presunções simples, aquelas que são consequencias do próprio raciocínio do homem em face dos acontecimentos que observa ordinariamente. Elas são construídas pelo aplicador do direito, de acordo com o seu entendimento e convicções. No dizer de Giuseppe Chiovenda2: São aquelas de que o juiz, como homem, se utiliza no correr da lide para formar sua convicção, exatamente como faria qualquer raciocinador fora do processo. Quando, segundo a experiência que temos da ordem normal das coisas, um ato constitui causa ou efeito de outro, ou de outro se acompanha, nós, conhecida a existência de um dos dois, presumimos a existência do outro. A presunção equivale, pois, a uma convicção fundada sobre a ordem normal das coisas. (grifei) Dispositivo Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. 2 CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil Trad.J. Guimarães Menegale. São Paulo: 1969. v. III.p. 139 Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.900986/2006-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 07.21.893, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de Declaração de Compensação — Per/Dcomp, transmitida em 15/09/2003, onde foi verificado que o valor RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 00 98 6/ 20 06 -9 5 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10920.900986/200695 Resolução nº 3201002.053 S3C2T1 Fl. 98 2 contido no DARF lá discriminado, objeto do pedido de compensação, já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando créditos disponíveis para compensação com os débitos informados. Inconformada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte encaminhou a presente manifestação de inconformidade, na qual aduz que o Per/Dcomp objeto do Despacho Decisório, foi preenchido incorretamente, tendo faltado a informação nos campos "Informado em Processo Administrativo Anterior" e "Número do Processo" (n°. 13973.000286/200329). Informa, ainda, que a DCTF do período de apuração foi preenchida incorretamente, tendo a retificação sido efetuada de acordo com a Intimação n°. 73/2008 do referido processo. Termina por afirmar que estão anexadas as fotocópias do Despacho Decisório do Processo n°. 13973.000286/200329 e da intimação n°. 73/2008, protocolada em 22/02/2008, e que resta demonstrado o erro no preenchimento e a suficiência de saldo. Requer, por fim, que seja retificada a Per/Dcomp e acolhida a impugnação. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Assumo: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Após os autos foram remetidos a este CARF e distribuídos por sorteio à então Conselheira Mércia Helena Trajano DAmorim. Em primeiro exame do feito, esta Turma Julgadora deliberou, por maioria, pela conversão do feito em diligência, tendo sito esta Conselheira designada para a redação do voto vencedor, nos seguintes termos: Por meio de Despacho Decisório eletrônico, a unidade de origem indeferiu o pleito, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos realizados pela Recorrente, mas integralmente utilizados para quitação de débitos dela própria, não restando, assim, crédito disponível para compensação. Não houve, todavia, antes de prolatada a decisão, intimação da Recorrente para apresentar esclarecimentos sobre o pedido que formulou, muito embora, como se sabe, a Lei n.º 9.784, de 1999, que Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10920.900986/200695 Resolução nº 3201002.053 S3C2T1 Fl. 99 3 rege o Processo Administrativo Federal, aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF por força do disposto em seu art. 69, determina que o administrado tem, entre outros direitos perante a Administração Pública, o de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais devem ser objeto de consideração pelo órgão competente (inciso III do art. 3º). Pelo exposto, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para determinar que a unidade de origem promova a intimação da Recorrente para apresentar esclarecimentos e documentos que se fizerem necessários e, sendo o caso, profira novo Despacho Decisório a partir dos esclarecimentos e documentos apresentados. A Contribuinte, intimada, reiterou os argumentos de defesa apresentados, notadamente quanto ao Despacho Decisório proferido no Processo n°. 13973000287/200373, reconhecendo a totalidade do crédito postulado. .É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Em exame do feito, observo que a Resolução anterior redigida por esta Relatora não se mostrou suficientemente clara para que a Autoridade Preparadora efetuasse o adequado exame das questões a serem apuradas em diligência. Isso porque, ao afirmar que a Recorrente não foi intimada a prestar esclarecimentos sobre pedido formulado, diz respeito ao Processo nº 13973.000287/200373, em sede do qual apresentou petição esclarecendo o cometimento de equívoco no preenchimento da DCTF relativa ao período do crédito postulado. Esclareceu, nessa mesma oportunidade, que ao crédito lá controlado, foram vinculados diversos Pedidos de Compensação, dentre os quais aquele analisado no presente feito. Como se verifica pelo relato dos fatos tratase, basicamente, de Declaração de Compensação não homologada em decorrência da constatação de insuficiência do crédito informado. De acordo com a DRF e a DRJ, "o valor contido no DARF lá discriminado, objeto do pedido de compensação, já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando créditos disponíveis para compensação dos débitos informados." No PER/DCOMP examinado a Recorrente indicou como "Valor Original do Crédito Inicial" o montante de R$119.976,00 (fl. 3), oriundo de DARF no valor de R$532.393,50, Código de Receita 2172, PA 30/11/2002, Vencimento e recolhimento em 12/12/2002. (fl. 4) O despacho decisório de fl. 7 informa a não homologação da compensação uma vez que, segundo constava nos sistemas da RFB, o valor originário do DARF (R$532.393,50) havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito em igual montante. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10920.900986/200695 Resolução nº 3201002.053 S3C2T1 Fl. 100 4 Pois bem, em sua impugnação a Recorrente informa a ocorrência de 2 equívocos que ocasionaram o não reconhecimento do crédito, quais sejam: (i) Deixou de informar no PER/DCOMP enviado que o crédito ali pleiteado havia sido informado em Processo Administrativo Anterior, que seria o Processo nº 13973.000287/200373; (ii) Que em sua DCTF relativa ao Período de Apuração 30/11/2002 (PA do crédito utilizado) teria informado o valor equivocado do débito apurado a título de COFINS. Que, embora tenha originariamente informado um débito no valor de R$532.393,50, vinculando a este o pagamento do DARF, também no valor de R$532.393,50, posteriormente efetuou a retificação da DCTF para registrar um débito de COFINS no período no montante de R$ 413.412,48., sendo esta diferença, portanto, a origem do valor do crédito informado no PER/DCOMP de R$119.976,00. Na impugnação junta cópias de petições protocoladas nos autos do referido Processo inicial nº 13973.000287/200373, por meio das quais esclarecia os erros cometidos, informando estarem ali anexados os documentos comprobatórios dos equívocos cometidos, tanto da DCTF, quando no PER/DCOMP, bem como acosta cópia da DCTF retificadora. É incontroverso que a apresentação da DCTF retificadora, por meio da qual ocorreu a "liberação" do crédito postulado pela Recorrente, foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório. E foi esse fato que acarretou a prolação de decisão negativa pela DRJ e que também fundamente o voto proferido pela d. Relatora original do feito. Trago o seguinte trecho do acórdão DRJ: Em que pese o fato da interessada ter retificado o documento no sentido de identificar o recolhimento que diz ter sido indevido, este procedimento foi feito após a análise do .Per/Dcomp que resultou na decisão pela nãohomologação, conforme descrito no Despacho Decisório. Ou seja, o procedimento compensatório, objeto da análise, foi realizado quando ainda não estava configurada a existência do pagamento indevido por meio da respectiva DCTF, documento este em que o sujeito passivo formalmente apura e declara a contribuição devida à Receita Federal. ' Como se constata nos autos, a contribuinte retificou a DCTF em momento posterior ao pleito compensatório, por conseguinte, a compensação teria sido formalizada quando o crédito alegado no Per/Dcomp, objeto do Despacho Decisório, ainda não possuia a liquidez e certeza para que pudesse ser objeto de repetição. Não se trata aqui de invalidar as retificações efetuadas pela contribuinte tanto em sua forma quanto em seu conteúdo mas simplesmente de afirmar que a compensação ora pleiteada so poderia ser validada no caso em que, à data da apresentação do Per/Dcomp sob análise, já tivesse a contribuinte retificado a DCTF e, com isso, conformada juridicamente a existência do pagamento indevido. Ou seja, nem a DRJ, e tampouco a d. Relatora sorteada chegam a adentrar ao mérito no que diz respeito à existência ou não do crédito, mas, apenas, invalidam o procedimento de correção das informações prestadas pretendido pela Recorrente. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10920.900986/200695 Resolução nº 3201002.053 S3C2T1 Fl. 101 5 Todavia, reputo necessário o exame das alegações trazidas pelo Recorrente quanto à existência de erro manifesto no preenchimento de suas declarações. A jurisprudência deste CARF e especialmente desta turma é tranqüila no sentido de afirmar que a correção de erros no preenchimento de declarações pelos contribuintes é possível em sede de procedimento administrativo de revisão do crédito tributário, quando devidamente comprovado o direito pelo contribuinte. Tanto em sua Manifestação de Inconformidade, quanto em em seu Recurso Voluntário, a Recorrente apresentou cópias do Processo Administrativo nº 19973.000287/200373, que demonstram que o crédito utilizado pela Recorrente no valor original de R$119.976,00 foi devidamente reconhecido pela Receita Federal do Brasil. Tratase da Intimação nº 74/2008 de 06/02/2008 (fl. 68) e do Despacho Decisório datado de 24/06/2008 (fls. 69/71), cuja decisão transcrevo: DECISÃO De acordo com o parecer retro, que aprovo, no uso da competência definida pelo artigo 243, II do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n“ 95/2007, e delegada pelo art. 4° da Portaria DRF/Joinville n“ 48/2007, DECIDO deferir o pedido, reconhecendo o direito creditório no valor originário do R 119.976,00 (cento e dezenove mil, novecentos e setenta e seis reais centavos), correspondente ao recolhimento além do devido de COFINS, efetuado em 13/l 2/2002 (fl. 18), acrescido de juros, nos termos do art. 52, § 1°, III, “c", da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, bem como homologando, até o limite deste crédito, a Declaração de Compensação, nos moldes do anexo VI da IN SRF 210/2002, entregue cm 05/05/2003 (fls. 01/02) e retificada em 19/03/2003 (fls. 03 a 05) e as Declarações Eletrônicas de Compensação listadas na primeira folha do presente despacho decisório. Ou seja, pelas cópias apresentadas, me parece incontroverso que a própria Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte houve por bem acatar a integralidade do crédito informado pela Recorrente em seu PER/DCOMP, e que seria decorrente da retificação do erro no preenchimento de sua DCTF, não havendo falar em ausência de liquidez do crédito pleiteado. Nesse sentido, trago à colação os termos do Parecer Normativo COSIT nº 8, de 3 de setembro de 2014: REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10920.900986/200695 Resolução nº 3201002.053 S3C2T1 Fl. 102 6 desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Lado outro, é certo que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não detêm competência para examinar a suficiência do crédito informado para a quitação da totalidade dos débitos declarados, sendo inviável, assim, o julgamento de procedência do Recurso Voluntário apresentado, também consoante citado Parecer COSIT nº 8/2014: COMPETÊNCIA PARA EFETUAR A REVISÃO DE OFÍCIO. Compete à autoridade administrativa da unidade da RFB na qual foi formalizada a exigência fiscal proceder à revisão de ofício do lançamento, inclusive para as hipóteses de tributação previdenciária. REVISÃO DE OFÍCIO – ATO INSTRUMENTO DA REVISÃO. O despacho decisório é o instrumento adequado para que a autoridade administrativa local efetue a revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, a retificação de ofício de débito confessado em declaração, e a revisão de ofício de despacho decisório que decidiu sobre reconhecimento de direito creditório e compensação efetuada. Logo, ao deslinde da presente controvérsia, basta averiguar, diante do crédito já reconhecido nos autos do Processo Administrativo nº 19973.000287/200373, se tal montante é suficiente para a extinção dos débitos declarados nos presentes autos (10920.900006/200816), assim como dos demais processos analisados conjuntamente (10920.900010/200884; 10920.900018/200841; 10920.900028/200886; 10920.900986/200695 e 10920.900988/200684). E, em caso positivo, efetuar a devida vinculação entre crédito reconhecido e débitos declarados. Desse modo, fazse necessário o retorno dos presentes autos ao órgão de origem para que sejam realizadas as providências de verificação do crédito reconhecido no Processo Administrativo nº 19973.000287/200373, bem como a suficiência deste para a extinção dos débitos controlados pelos Processos 10920.900006/200816, 10920.900010/200884; 10920.900018/200841; 10920.900028/200886; 10920.900986/200695 e 10920.900988/200684). Poderão ser solicitados ao contribuinte demais documentos reputados necessários. Pedese, ainda, a anexação de cópia do Processo Administrativo nº 19973.000287/200373 aos presentes autos. Ao final, seja proferido relatório conclusivo, do qual deve ser dado vista ao contribuinte para se manifestar no prazo de 30 dias. Concluído, retornemse os autos para julgamento. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.001543/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2000, 2001
NULIDADE.
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA.
Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem ser deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal.
ÔNUS DA PROVA. FATO IMPEDITIVO, MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO DO AUTOR. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem, revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Numero da decisão: 2201-005.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem ser deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. ÔNUS DA PROVA. FATO IMPEDITIVO, MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO DO AUTOR. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem, revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 15 43 /2 00 6- 01 Fl. 429DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório 1- Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (e-fls. 327/339) por sua precisão e as folhas dos documentos indicados no presente são referentes ao e-fls (documentos digitalizados). Trata o presente processo de Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Física (fls.114/127), Exercício 2001 e 2002, Ano-Calendário 2000 e 2001, lavrado em decorrência de omissão de rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas e de pessoas físicas, assim como multas isoladas por falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnê leão, no valor total de R$ 23.644,33, incluindo imposto, multa de oficio de 75% e juros de mora. O contribuinte, inconformado com a autuação da qual tomou ciência em 11/04/2006 (fl.132), apresentou impugnação em 09/05/2006 (fls. 134/142), alegando, em síntese, que: a) Não se pode e nem se deve silenciar diante do importante fato de a ilustre e honrada Fiscalização, no caso presente, data venia, ter feito o indevido uso de um Auto de Infração (AINF), ao invés de uma Notificação Fiscal de Lançamento (NFL), ainda mais quando essa mesma Fiscalização declara expressamente em uma das peças por ela mesma lavrada, que, para o preparo das suas peças, buscava arrimo nos arts. 50, 15°, 16° e 170, do Dec. n° 70.235/72 (Código de Processo Administrativo Fiscal), consideradas as alterações que lhe foram introduzidas pelas Leis n° 8.748/93 e n° 9.532/97; b) Pela forma do procedimento da honrada Fiscalização autuante, fica suficientemente claro que todo o seu trabalho deu-se no recinto da própria repartição em que trabalha e, portanto, provavelmente, sem a presença do Contribuinte, impossibilitando de ser feita a intimação pessoal do Contribuinte (própria e necessária para um Auto de Infração), foi de imediato para a remessa da sua documentação dentro de um envelope entregue ao Correio, com A.R., sabendo-se que o Auto de Infração deve ser lavrado diante do autuado e com intimação pessoal; se houver recusa da assinatura do autuado, caberia a obtenção de duas testemunhas e só se não conseguir esse testemunho é que, então, recorre-se ao encaminhamento postal e com A.R.; c) O AINF aqui impugnado e os demais atos praticados pela il. Fiscalização autuante constituem, inquestionavelmente, um ato jurídico, mas despido de qualquer valor jurídico, quanto A. pretensão de punir o Autuado, isto porque as próprias Autuantes permissa máxima venha, agiram sem atenção e observância aos ditames legais; não se submeteram ao sagrado princípio do "ato vinculado", agiram, portanto, completamente livres do indispensável respeito As exigências que a Lei lhes impunha nesse mesmo trabalho. Felizmente, hoje vivemos num Estado de Direito; d) Todavia e como um autêntico "pára-raios", nos distantes idos de 2.000 (21.03.00) e com informações que desciam ao final do século p.p., o Autuado, depois de muitas outras idas ao Escritório do seu advogado, por orientação deste, firmou um instrumento jurídico intitulado de "Declaração Unilateral da Vontade" (v. cópia xerografada anexa - Fl. 430DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 doc.03), em cujo documento relatou problemas de incompatibilidades de personalidades entre o Autuado e o seu então sócio na empresa denominada "Casa Francesa Ltda.", o que acarretava para o agora Autuado, a mais completa e total impossibilidade de interferir nas operações que o seu então sócio praticava com inteira liberdade de agir, evidenciando a clara ausência da "affectio societatis" - sem a qual não terá longa existência qualquer sociedade empresarial. Diante do exposto, requer a improcedência do auto de infração impugnado. 02- A impugnação do contribuinte foi julgada procedente em parte de acordo com decisão da DRJ assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No caso do Imposto de Renda Pessoa Física, quando houver a antecipação do pagamento do imposto pelo contribuinte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Lançamento Procedente em Parte. 03 – A turma de piso entendeu que houve decadência do crédito tributário lançado em relação ao ano-calendário de 2000 e portanto, em vista do valor ser abaixo da alçada para encaminhamento a esse E. Sodalício, houve a consolidação da decisão da I. DRJ em relação a esse ponto, sendo que o que está em debate nesse caso é apenas o ano-calendário de 2001, conforme abaixo indicado no dispositivo do acórdão guerreado: Da conclusão Do exposto, voto no sentido de julgar o lançamento procedente em parte, ficando Fl. 431DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 04 - Houve a interposição de recurso voluntário pelo contribuinte às e-fls. 353/389 e documentos às fls. 391/425, sendo o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, Relator. 05 – Conheço do recurso por estarem presentes as condições de admissibilidade. 06 – Existem algumas matérias preliminares arguidas pelo contribuinte quanto a nulidade do lançamento em decorrência de prorrogações dos mandados de procedimento fiscal juntando os documentos de fls. 391/419 que são cópias das Portarias RFB 4.328/2005 e SRF 6.087/2005 que tratam do planejamentos das atividades fiscais e normas de execução de procedimentos fiscais, para demonstrar suas assertivas, e quanto ao mérito o contribuinte inova em parte em suas alegações de defesa alegando em síntese, após inúmeras alegações quanto aos documentos que: Fato marcante é o uso que foi feito da assinatura do ora Recorrente aposta em alguns documentos citados pela i. Fiscalização, assinaturas essas que, por sinal, já foram declaradas falsificadas em exame grafotécnico a que foram submetidas. Este episódio reforça o argumento do Recorrente, na mais pura verdade, de que não são suas tais assinaturas, afora esses documentos terem sido forjados, conforme conclusão a que chegaram os peritos criminais, ainda assim tais documentos não são sequer indícios de que o Recorrente tenha realizado quaisquer supostas transferências/remessas/movimentações financeiras. E, ainda que tais documentos pudessem sugerir qualquer suposta movimentação financeira, no período descrito pelos peritos que elaboraram o Laudo Econômico Financeiro, qual seja - 1997 e 2002, fls. 60- 64 dos autos, constata-se que nesse período o Recorrente já não mais fazia parte da Empresa - Casa Francesa. Com essa explanação, pode-se afirmar que as assinaturas que constam dos documentos contestados pelo Recorrente foram produzidas através de falsificação de documentos forjados, mas não pelo Recorrente. Fl. 432DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 07 – Na segunda parte do recurso o contribuinte alega outros pontos que foram discutidos em defesa e portanto, tratados na decisão de piso a que o recurso pretende ser reformada e é o que está em discussão por esse Colegiado, (as razões e fundamentos utilizados na decisão da DRJ para manutenção do lançamento com base nas alegações de defesa). 08 – Em relação à preliminar aventada de nulidade do lançamento em decorrência das inúmeras prorrogações do mandado de procedimento fiscal, entendo que deve não deve ser conhecida a matéria, pois além de não ser matéria de ordem pública, o contribuinte inova em suas alegações recursais em tema que sequer foi debatido e portanto, não fora objeto de análise pelo colegiado a quo, ocorrendo supressão de instância e ainda, a questão da preclusão temporal de acordo com os termos do Decreto 70.235/72 que diz em seu art. 17: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 09 – Tanto é real que juntou aos autos em seu recurso as Portarias de fls. 391/419 indicadas alhures. Portanto, entendo como não contestada essa matéria, e mesmo que na eventualidade fosse conhecida, é matéria pacificada em diversas Turmas do CARF que essa prorrogação em nada invalida o procedimento de lançamento do crédito tributário, a teor de alguns julgados a seguir colacionados, sendo reproduzido apenas parte da ementa que trata do assunto dos Ac. 2003-000.058 j. 24/04/2019, Ac 2401-006.194 j. 11/04/2019 e Ac. 2202- 004.944 j 12/02/2019, respectivamente: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária. Ainda que houvessem irregularidades em sua emissão ou prorrogação não seriam motivos suficientes para anular o lançamento. (omissis) Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 NULIDADE. ALEGAÇÃO DE VÍCIOS NA PRORROGAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INOCORRÊNCIA. Fl. 433DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 O Mandado de Procedimento Fiscal não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal da autoridade tributária para fiscalizar os impostos e contribuições federais e realizar o lançamento de ofício, constituindo-se em mero instrumento de controle gerencial e administrativo da atividade fiscalizatória. Eventuais irregularidades na sua prorrogação não legitimam a anulação do lançamento, mesmo porque o descumprimento de determinada formalidade não causou prejuízo concreto à parte, que lhe tenha obstaculizado o direito de defesa. NULIDADE. REQUISITOS DO AUTO DE INFRAÇÃO. DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA. Não há que se falar em decretação da nulidade do auto de infração quando o ato administrativo encontra-se revestido dos requisitos exigidos para o lançamento. (omissis) Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO Inexistindo atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento. (omissis) 10 – Portanto, por essas razões, afasto a preliminar de nulidade. 11 – Quanto ao mérito o contribuinte, como dito alhures, inova em parte em suas razões recursais, alegando matéria que não foi controvertida na defesa e junta documento de fls. 421/425 intitulado Laudo de Exame Documentoscópico (Grafotécnico) elaborado pelo Departamento da Polícia Federal. 12 – Nas razões recursais o contribuinte inova nas matérias questionando os documentos utilizados pela fiscalização da seguinte forma: Quanto ao documento de fls. 39-51 dos autos, Ofício n° 944/04-PF/ST/SR/DPF/PR, de 27/05/2004, supostamente expedido pelo Delegado da Polícia Federal - Dr. Paulo Fl. 434DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 Roberto Falcão Ribeiro para o Juiz da 2o Vara Federal do Paraná, apesar de tecer 12 (doze) páginas de uma longa explanação sobre a apuração realizada na Beacon Hill, o documento não se encontra assinado e nem rubricado, portanto, não há como atribuir qualquer existência a esse documento e demais anexos trazidos pelo mesmo a fim de instruir o Procedimento Fiscal de que se trata, porquanto, a ilustre auditora fiscal tenha fundamentado a sua autuação sobre tal documento e o tenha juntado aos autos do processo fiscal, tal documento e respectivos anexos devem ser considerados inexistentes para qualquer efeito jurídico. Agir de forma contrária a esse entendimento, como tenta a i. fiscalização autuante, seria um total desrespeito aos atos administrativos e, conseqüentemente, ao processo administrativo fiscal. Dessa forma, vem o Recorrente requerer a exclusão de tais documentos dos autos do processo administrativo fiscal movido contra o mesmo, quais sejam: - "Representação" do Delegado de Policia Federal do Paraná e respectivos anexos (fls. 39-75 dos autos), constantes do Of 944/04-PF-FT-SR-DPF-PR, posto que, o suposto signatário não chegou sequer a assiná-lo e assim não se pode afirmar que tais documentos chegaram a ter existência ou se não passaram apenas de simples rascunhos. Com isso, tem-se que o "Laudo de Exame Econômico-Financeiro", de n° 1310/2004- INC, datado de 25/05/2004, como anexo do 'Ofício acima citado, também deve ser desconsiderado e desentranhado dos autos em questão, mesmo porque tal documento só contém rubricas não identificadas, está incompleto em sua conclusão e não contém assinatura do seu emissor, conforme se pode comprovar às fls. 60-64 dos autos. Portanto, todos os documentos anexos e vinculados ao Ofício n° 944/04 (fls. 39-75 dos autos), por serem anexos da inexistente "Representação" do Delegado da Policia Federal, também devem ser retirados do referido processo pois, ainda que se pudesse atribuir alguma existência e validade aos ditos documentos, pelo que se observa dos autos, não há nenhum documento comprobatório de qualquer rendimento recebido pelo Recorrido e omitido ao Fisco Federal. O que se leva a concluir assim que as i. auditoras presumiram a ocorrência de um suposto "fato gerador" que, todavia, não restou configurado nos autos dessa ação fiscal. Ademais, no Direito Tributário não cabe a presunção como base para a constituição do crédito tributário. Vê-se, nos autos, portanto, que o Recorrente não assinou tais documentos, bem como que os mesmos não demonstram qualquer tipo de movimentação pelo Recorrente nessas supostas contas/subcontas, bem como de qualquer suposta remessa de valores, muito menos de recebimento de remuneração que, porventura, pudesse ter sido omitida para o fisco. 13 – Chega a inovar na matéria recursal alegando por exemplo que não é titular de nenhuma das contas indicadas pela Fiscalização, tal como indicado no item 6 do acórdão. 14 – Contudo, entendo que não deve ser conhecida essa matéria trazida pelo contribuinte apenas nessa fase recursal, porquanto, além de preclusa a teor do já indicado art. 17 do Decreto 70.235/72, em relação ao documento de fls. 421/425 não há a devida justificativa de não tê-lo juntado na defesa a teor do disposto no art. 16, III e § 4º, “a”, “b” e “c” do Decreto 70.235/72. 1 1 Art. 16. A impugnação mencionará: III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Fl. 435DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 15 – Veja, que nenhum dos motivos acima indicados na norma são aplicáveis ao presente caso, posto que de acordo com o que fora bem destacado na decisão de piso, o contribuinte em nenhum momento de sua defesa questiona tais documentos ou diz que não é titular de tais rendimentos, verbis: Das Infrações O impugnante esclareceu que se encontrava afastado da prática de qualquer ato de gestão da Casa Francesa desde 1996, portanto não pode e nem deve ser responsabilizado por atos e negócios que, se efetivamente realizados, o foram por outras pessoas. No entanto, não descaracteriza os documentos assinados por ele, apontados no Laudo de Exame Econômico — Financeiro, emitido pelo Departamento de Policia Federal e anexados aos autos as fls. 60/75. Também não contesta expressamente o lançamento tributário, mantendo-se, dessa forma, o credito tributário para o ano — calendário 2001, no valor de R$272,34, acrescido da multa de oficio de 75% e demais acréscimos legais. (sem grifos no original) 16 – Não se pode também falar, nesse caso, que há de se observar o princípio da verdade material, pois este nada tem a ver com a preclusão temporal aplicada ao caso, com fulcro no art.16 do Decreto 70.235/72. 17 - Por conseguinte, entendo que esses argumentos, trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não teve oportunidade de conhecer e de se manifestar a autoridade julgadora de primeira instância, não podem ser apreciados por este colegiado em grau de recurso, dada a ocorrência de preclusão consumativa e a supressão de instância. 18 - Nesse sentido, inúmeros são os precedentes deste tribunal no sentido de não conhecer de matéria que não tenha sido submetida à apreciação e julgamento de primeira instância, dos quais cito apenas alguns, ilustrativamente: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2004 a 31/01/2008 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 436DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COOPERATIVA. CLASSIFICAÇÃO POR RAMO. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO. EDUCACIONAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. A classificação por ramo assue caráter didático e não se presta a excluir a incidência tributaria, tão pouco impede a investigação da verdade sobre a operação. Cooperativa educacional é exemplo típico de cooperativas de produção para fins previdenciários, é espécie de cooperativa que, por qualquer forma, detém os meios de produção e seus associados contribuem com serviços laborativos ou profissionais para a produção em comum de bens ou serviços. Assim a cooperativa é equiparada a empresa para fins previdenciários, sujeitando-se ao recolhimento de contribuições sociais quando do crédito de importâncias, a qualquer título, a segurados contribuintes individuais. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULA CARF N°02. A análise de eventual caráter confiscatório da penalidade aplicada envolve a aferição de compatibilidade com a Constituição Federal da legislação tributária que fundamentou a autuação, o que é vedado a este tribunal, conforme Súmula CARF nº 2. Relator(a) RENATA TORATTI CASSINI 07/08/2018 AC.2402-006.482 19 - Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação dos princípios da congruência, estabilização da demanda e do duplo grau de jurisdição administrativa, em ofensa aos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72 (em especial o § 4º do art. 16), bem como aos arts. 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC), mormente quando não há motivo para só agora aduzir os questionamentos referidos, razão pela qual não se conhece de tais argumentos. 20 – No mérito, naquilo que foi objeto de defesa e decisão da instância a quo, ou seja, apenas a matéria indicada em sua defesa nos itens 10 e 12 no contexto relacionado a “non affectio societatis” entendo que não merece ser reformado o V.Acórdão, uma vez tratar-se de matéria comprobatória e o contribuinte em suas alegações apenas traz argumentos relacionados a problemas internos entre os sócios que em nada modificam o lançamento do crédito tributário, inclusive não questionando de forma específica as razões do lançamento. 21 – Quanto as declarações juntadas pelo contribuinte é de se aplicar no caso os termos do art. 123 do CTN que assim dispõe: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Fl. 437DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. 22 – Outrossim, de acordo com o relatório fiscal, foi dado por diversas vezes ao contribuinte a possibilidade de entregar a documentação para comprovação e esclarecimentos de valores, contudo, em diversas oportunidades as respostas do contribuinte foram prolixas, não esclarecendo em nada o assunto. 23 - O julgador não pode ser visto como patrono do contribuinte ou do Fisco, nem seu assistente técnico, motivo pelo qual não lhe cabe pesquisar, nos autos, dentre inúmeros documentos juntados apenas na fase recursal, os dados que poderiam, em tese, ser favoráveis a ele. E sendo do contribuinte tal ônus, cabe ao mesmo comprovar por meio de documentos a origem dos depósitos tomados pela Fiscalização, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 373 do Novo Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária. 24 - Dessa forma, é imperioso, que na segunda instância, que se ofereçam razões ou contra argumentações claras e específicas contra não somente a manutenção do lançamento ou o indeferimento de solicitação, mas também levando em consideração, um mínimo que seja, o que ficou dito na decisão de primeira instância, mormente em se tratando de matéria probatória, como é o caso. 25 - Isso porque as contradições ou erros ainda por ventura existentes por ocasião da decisão de primeira instância devem ser apontadas especificamente para que a instância ad quem, tome conhecimento, e se for o caso faça a revisão necessária. Conclusão 26 - Diante do exposto, conheço e NEGO PROVIMENTO ao recurso na forma da fundamentação. (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 438DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.249 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.001543/2006-01 Fl. 439DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915098/2009-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a comprovação dos créditos de acordo com a documentação apresentada pelo Recorrente.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a comprovação dos créditos de acordo com a documentação apresentada pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no. 1639.80211ª Turma da DRJ/SP1 (fls 132/139): DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP n.º 31689.83572.311008.1.3.040250, transmitida em 31/10/2008, que RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 15 09 8/ 20 09 -3 3 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10880.915098/200933 Resolução nº 3301001.148 S3C3T1 Fl. 301 2 indicava como crédito o pagamento indevido ou a maior de COFINS – código 2172, ocorrido em 20/02/2008, no montante de R$ 124.704,81 (crédito original na data de transmissão), referente ao período de apuração 31/01/2008, com débito próprio de IRPJ – código 2430, com vencimento em 30/09/2008, sendo o valor total do DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) igual a R$ 610.963,05. DO DESPACHO DECISÓRIO 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) em São Paulo emitiu em 23/10/2009, o Despacho Decisório (DD) eletrônico com n.º de rastreamento 849890012, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da interessada, a compensação não foi homologada, sendo apresentada a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 124.704,81 A partir das características do DARF discriminado acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação dos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." 3. Devidamente cientificada do despacho decisório acima, em 06/11/2009 a contribuinte apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade, acompanhada dos seguintes documentos, procuração pública, contrato social, cópia do documento de identificação do advogado, DCTF original, DCTF e DACON retificadores, e demonstrativo de apuração, onde expõe em síntese pelo seguinte: 3.1. Em janeiro de 2008, apurou débito de COFINS no total de R$ 1.387.848,04, o qual foi quitado em 20.2.2008 e posteriormente informado à Receita Federal do Brasil (RFB), por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a qual foi entregue eletronicamente, no dia 7/3/2008. 3.2. Após, alguns dias da aludida entrega, ao rever a exatidão do citado pagamento, verificou ter ocorrido erro no cálculo do tributo, por força do qual se recolheu valor a maior do que o realmente devido, que correspondia a R$ 735.691,18. 3.3. Assim sendo, a requerente detinha crédito frente ao fisco, resultante da diferença do valor levado aos cofres públicos, menos o valor efetivamente devido. Parte deste crédito foi utilizada para a compensação de débito de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica, que somava R$ R$ 118.102,61, em 30/09/2008. 3.4. Cabe esclarecer que, a vista do erro na apuração da COFINS devida, em 04/08/2009, a requerente encaminhou a RFB retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), além da respectiva DCTF retificadora, transmitida em 16/10/2009, para fazer constar o verdadeiro valor do débito. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10880.915098/200933 Resolução nº 3301001.148 S3C3T1 Fl. 302 3 3.5. A fiscalização, todavia, ao analisar a compensação da requerente, emitiu o despacho decisório ora impugnado, glosando o crédito nela utilizado, sob a alegação de que os pagamentos realizados pela requerente foram "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 3.6. Esse aparente desconhecimento da fiscalização poderia ter sido superado com simples intimação, por meio da qual fossem solicitados os esclarecimentos que o pelo Agente Fiscal da Receita Federal do Brasil julgasse necessários. A falta de qualquer verificação fiscal nesse sentido indica que, até o presente momento, a verdade material foi desprestigiada neste processo. 3.7. Diante do exposto, requer seja reconhecida a nulidade do despacho decisório impugnado, por manifesta ausência de investigação dos fatos pela fiscalização e consequente ofensa ao principio da verdade material, e, em não se acatando tal argumento da, seja cancelada a glosa fiscal em questão, pois o crédito compensado está devidamente comprovado e decorre de equivoco na apuração do total devido no período em referencia. 3.8. Por fim, protesta a requerente provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou parcialmente procedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/02/2008 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afastada a nulidade do despacho decisório por ficar evidenciada a inocorrência de preterição do direito de defesa, haja vista que ele consigna de forma clara e concisa o motivo da não homologação da compensação. No caso de apresentação de DCOMP (Declaração de Compensação) com indicação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, não há a previsão de emissão de termo de intimação, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para sanear eventual erro de preenchimento de DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10880.915098/200933 Resolução nº 3301001.148 S3C3T1 Fl. 303 4 Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF e DACON, demonstrando a liquidez e certeza do crédito, se mantém a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório. Aplicamse as regras processuais previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, à manifestação de inconformidade, a qual deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Contribuinte, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. (fls. 142/172), no qual a Recorrente repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. No voto serão abordados os questionamentos. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Defende a Recorrente que há impropriedade do procedimento levado a efeito pela fiscalização e há incoerência nas razões apresentadas pela DRJ para manter o despacho decisório. Assevera que a base legal citada é genérica e padrão para esse tipo de despacho decisório eletrônico, o que não permite quaisquer inferências sobre por qual motivo o crédito foi glosado. Afirma que o enquadramento legal do despacho decisório referese aos arts. 165 e 170 do Código Tributário Nacional, os quais trazem normas gerais autorizando a restituição e compensação dos pagamentos indevidos e o art. 74 da Lei n. 9430, de 27.12.2006, que veicula as regras para a concretização da restituição ou compensação. Ressalta que não há quaisquer indícios das razões que motivaram o indeferimento do crédito. Defende também que a Fiscalização não deveria se limitar a analisar sua declaração de compensação, que errou a não considerar que o pagamento não era devido. Defende também que a Recorrente deveria ter sido intimada para saneamento de eventual erro de preenchimento de DCTF. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10880.915098/200933 Resolução nº 3301001.148 S3C3T1 Fl. 304 5 Diante da conclusão constante da decisão recorrida de que as provas juntadas pela recorrente seriam insuficientes para amparar o crédito por ela pleiteado, a Recorrente junta mais documentos, conforme indica: Desse modo, os documentos contábeis foram apresentados juntamente com o Recurso Voluntário. Contudo, tendo em conta o princípio da verdade material, entendese que tais documentos devem ser objeto de análise. CONCLUSÃO Destarte, tendo em conta o exposto, proponho converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a comprovação dos créditos de acordo com a documentação apresentada pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000322/2010-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.844
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidas as Conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurentiis Galkowicz que entendiam pelo cancelamento do despacho decisório face a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 que lhe serviu de fundamento, mantidas as parcelas reconhecidas pela DRJ.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencidas as Conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurentiis Galkowicz que entendiam pelo cancelamento do despacho decisório face a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 que lhe serviu de fundamento, mantidas as parcelas reconhecidas pela DRJ. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que por unanimidade de votos, reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado no Pedido de Restituição, conforme Ementa abaixo: (...) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 32 2/ 20 10 -3 8 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 16349.000322/201038 Resolução nº 3402001.844 S3C4T2 Fl. 3 2 PIS/PASEP. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. Consoante manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, proferida nos termos do § 5º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002, as contribuições devidas ao PIS e à Cofins devem incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência as receitas não operacionais. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimada desta decisão, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário requerendo a reforma parcial da decisão de primeira instância, com o reconhecimento do direito integral à restituição da contribuição PIS/COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718, bem como diante de alegada liquidez e certeza do direito creditório. Em síntese, o Recurso Voluntário está fundamentado nos seguintes argumentos: i) Os montantes que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou a maior, efetuado com base no art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998; ii) Ao analisar o montante pleiteado, o v. acórdão manteve parcialmente o indeferimento do despacho decisório, sob a alegação de que as "receitas diversas", as "receitas de comissões" e as "receitas com indenizações" não podem ser excluídas da tributação da contribuição ao PIS e da COFINS; iii) Não há controvérsia acerca do mérito do direito creditório pleiteado relativo inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718, restando controvertido somente o cálculo apresentado, única parcela cuja reforma se pretende. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.829, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 16349.000306/201045. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402001.829): "1. Pressupostos legais de admissibilidade Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16349.000322/201038 Resolução nº 3402001.844 S3C4T2 Fl. 4 3 Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Da necessidade de diligência para julgamento do litígio 2.1. Conforme relatado, a decisão recorrida aplicou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, afastando o fundamento do despacho decisório, reconhecendo o direito postulado e quantificando o valor que teria sido recolhido a maior com base na documentação acostada aos autos até aquele momento. Para tanto, considerou a planilha de fls. 76/79, pela qual foi demonstrado que o valor recolhido a maior é decorrente do cálculo do PIS/COFINS sobre as seguintes receitas: Todavia, a Autoridade Julgadora a quo não aceitou a totalidade dos valores apresentados pela Contribuinte por concluir como receitas não operacionais as “Receitas Diversas”, “Receitas de Comissões” e “Receitas com Indenizações”, as quais foram excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS. Não obstante as demais receitas contestadas pela Contribuinte, com relação às "Receitas Diversas", o ilustre Julgador de Primeira Instância concluiu que "pela análise do Livro Razão Acumulado, não é possível se saber, em específico, a que tipo de receita elas se referem, razão pela qual não é possível avaliar se são operacionais ou não." Para demonstrar seu direito creditório, a Recorrente argumenta em defesa que os valores em referência são decorrentes de contratos de fornecimentos pactuados com as empresas Mineração Serra de Fortaleza ("MSF") e Celpav Celulose e Papel Ltda. ("Celpav"), os quais detém a cláusula de demanda obrigatória, pela qual a contratante deve pagar um valor mínimo a título de compensação da pessoa jurídica responsável pelo fornecimento do produto por ocasião da dispensabilidade parcial da quantidade previamente estabelecida pela contratante, como forma de suprir os investimentos necessários. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 16349.000322/201038 Resolução nº 3402001.844 S3C4T2 Fl. 5 4 Alega que tais valores não se revestem da natureza operacional inerente às receitas passíveis de oferecimento à tributação pela contribuição ao PIS e COFINS, visto que não advém de prestação de serviços ou venda de mercadorias. Da análise do processo, em especial dos documentos de fls. 285 a 360, constatase que foram trazidos aos autos em sede recursal os Contratos de Fornecimento dos Gases Industriais informados pela defesa, os quais têm por previsão a cláusula de demanda obrigatória, denominadas de "Cláusulas Taky or Pay". Cabe observar pela possibilidade de recepção de tais documentos, uma vez configurar a previsão do artigo 16, § 4º, alínea "c" e § 6º do Decreto nº 70.235/721, bem como em razão da necessária busca pela verdade material diante do indício do direito invocado. O princípio da verdade material determina que as decisões tenham por base os fatos tais como se apresentam na realidade, devendo ser carreados para o processo todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada, sem limitação às provas colacionadas pelos sujeitos. Para tanto, o Decreto 70.235/72 prevê a liberdade na busca das provas necessárias à formação da convicção do julgador no processo administrativo, conforme prescrevem os artigos 18 e 29. Vejamos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por sua vez, impera reiterar que o único fundamento utilizado em despacho decisório para indeferir o pedido de restituição foi sobre a ausência de competência do Auditor Fiscal para apreciar a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei n° 9.718/1998, sem qualquer menção sobre as receitas que deram origem ao crédito pleiteado pela Contribuinte. 2.2. Considerando que o despacho decisório não analisou a origem dos respectivos créditos, bem como em razão dos documentos trazidos pela Recorrente em fase recursal para comprovar as receitas não acatadas pela DRJ e, para possibilitar melhor conclusão deste Colegiado acerca do direito creditório pleiteado neste processo, proponho a conversão do julgamento em diligência, nos termos do artigo 29 do Decreto nº 1 Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 16349.000322/201038 Resolução nº 3402001.844 S3C4T2 Fl. 6 5 70.235/72 e artigo 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Analisar os documentos trazidos aos autos, bem como intimar a Recorrente para apresentar esclarecimentos e outros documentos que se fizerem necessários para comprovação do direito pleiteado através do Pedido de Restituição (PER) de nº 40920.38117.130606.1.2.04 2078; b) Proceder à análise da natureza das receitas informadas pela Recorrente, em especial quanto às “Receitas Diversas”, as “Receitas de Comissões” e as “Receitas com Indenizações”, afastando o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, nos moldes definidos pelo Supremo Tribunal Federal; c) Apurar o valor de eventual direito creditório da Contribuinte. Observo que devem ser mantidas as parcelas reconhecidas através do Acórdão nº 0657.011, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR; d) Elaborar Relatório Conclusivo com a manifestação da fiscalização acerca dos fatos, provas e fundamentos trazidos ao processo na diligência, acrescentando eventuais observações que entenda pertinentes; e) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Analisar os documentos trazidos aos autos, bem como intimar a Recorrente para apresentar esclarecimentos e outros documentos que se fizerem necessários para comprovação do direito pleiteado através do presente Pedido de Restituição (PER); b) Proceder à análise da natureza das receitas informadas pela Recorrente, em especial quanto às “Receitas Diversas”, as “Receitas de Comissões” e as “Receitas com Indenizações”, afastando o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, nos moldes definidos pelo Supremo Tribunal Federal; Fl. 380DF CARF MF Processo nº 16349.000322/201038 Resolução nº 3402001.844 S3C4T2 Fl. 7 6 c) Apurar o valor de eventual direito creditório da Contribuinte. Observo que devem ser mantidas as parcelas reconhecidas pela DRJ; d) Elaborar Relatório Conclusivo com a manifestação da fiscalização acerca dos fatos, provas e fundamentos trazidos ao processo na diligência, acrescentando eventuais observações que entenda pertinentes; e) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de resolução. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 381DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16542.001236/2007-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual.
Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Súmula CARF nº 68.
Numero da decisão: 2002-001.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Súmula CARF nº 68.
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nome_relator_s : CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1592; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 87 1 86 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16542.001236/200751 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002001.094 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 21 de maio de 2019 Matéria IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente ALCENI FRANCISCO LUCAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Súmula CARF nº 68. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 54 2. 00 12 36 /2 00 7- 51 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 16542.001236/200751 Acórdão n.º 2002001.094 S2C0T2 Fl. 88 2 Relatório Auto de Infração Trata o presente processo de auto de infração – AI (fls. 14/24), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2003. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$2.650,96 para saldo de imposto a restituir de R$776,51. A notificação noticia omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$8.100,00, do Comando do Exército (fl.16). Impugnação Cientificado ao contribuinte em 22/8/2007, o AI foi objeto de impugnação, em 20/9/2007, às fls. 3/36 dos autos, assim sintetizada pela decisão recorrida: Na impugnação de fls. 02/06, inicialmente, o contribuinte coloca conceitos sobre rendimentos do trabalho assalariado e vantagens. Após, remete A Lei n°. 8.852 de 04 de fevereiro de 1994, em seu art. 10 ., III, alínea "n", para alegar que o adicional por tempo de serviço está excluído da remuneração. Na seqüência, argumenta que o Decreto n°. 3.000 de 26 de março de 1999— RIR199, em seu art. 43, em momento algum se reporta A tributação do adicional por tempo de serviço; que este estabelece a tributação sobre a remuneração do trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, mas que a Lei n°. 8.852/94 enfatiza a exclusão do adicional por tempo de serviço da remuneração. Alega, em síntese, que, a Lei n°. 8.852/94 se sobrepõe A Lei n°. 7.713/88; que a referida lei, além de regulamentar os artigos 37 e 39 da Constituição, enfatiza a exclusão dos adicionais da remuneração dos funcionários públicos, não podendo os mesmos serem tributados. Cita, ainda, alguns dispositivos da Lei n°. 8.134/90, a Lei n°. 9.532/97, a Lei n°. 9.887/99 e a Lei n°. 9.532/97, para arrematar que os fundamentos esposados pelo Ministério da Fazenda são inconsistentes por não tratarem do fundamento da discussão, ou seja, a nãotributação sobre os adicionais. A seguir, desenvolve a tese de que o adicional por tempo de serviço, no caso dos funcionários públicos, não se constitui em acréscimo patrimonial, conforme o art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN), mas sim em indenização paga pelo Estado em virtude das vedações impostas ao servidor pela Lei n°. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16542.001236/200751 Acórdão n.º 2002001.094 S2C0T2 Fl. 89 3 11.094/2005 e Lei n°. 8.112/90, as quais dispõem sobre o Regime Jurídico de Servidor Público. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/FNS que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente (fls. 44/47). Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 25/6/2009 (fl. 52), o contribuinte, em 17/7/2009 (fl. 54), apresentou recurso voluntário, às fls. 54/83, no qual repete o teor de sua impugnação, alegando, em especial, que os valores recebidos a título de "adicional por tempo de serviço" seriam isentos a teor da Lei nº 8.852, de 1994. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O litígio recai sobre rendimentos recebidos pelo recorrente do Comando do Exército, os quais ele alega seriam isentos, fundamentando sua pretensão na Lei nº 8.852, de 1994. Não há reparos a se fazer à decisão de piso. A teor dos artigos 4º e 43, do CTN, todos os rendimentos, abstraindose de sua denominação, acordos ou qualquer outra circunstância, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, desde que não elencados no rol das isenções. A classificação dos rendimentos, para efeitos fiscais, será definida por sua natureza jurídica confrontada com a legislação tributária. As verbas isentas do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física são aquelas expressamente previstas no art. 39 do RIR/1999, então vigente. Ainda, segundo os arts. 111, inciso II, e 176, do CTN, a isenção é sempre decorrente de lei, que deve ser interpretada literalmente. Daí resulta, como já dito, que todos os rendimentos, abstraindose sua denominação, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, desde que não agasalhados no rol das isenções. Diante de tais normas e em se tratando a isenção de uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, que devem ser sempre decorrentes de lei e de interpretação literal e restritiva, quaisquer outros rendimentos devem compor o rendimento bruto para efeito de tributação. Nesse aspecto, é certo que o adicional por tempo de serviço não está incluído entre as verbas isentas. Por seu turno, diferentemente do alegado pelo recorrente, a Lei nº 8.852, de 1994, dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo 1º, III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16542.001236/200751 Acórdão n.º 2002001.094 S2C0T2 Fl. 90 4 Nesse sentido, cabe trazer a Súmula CARF nº 68, de observância obrigatória por este Colegiado: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Ao final de sua defesa, o recorrente alega que o crédito estaria prescrito desde 31/12/2007. Essa matéria também já se encontra sumulada, sendo de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Portanto, afastase tal argumento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 90DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.004024/2002-65
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1996
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO.
DECADÊNCIA. MARCOS NORMATIVOS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA.
Não se conhece de recurso especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência evidencia a apreciação de decadência sob marco normativo diferente daquele analisado no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9101-004.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada), que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada), Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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FACTORING FOMENTO COMERCIAL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DECADÊNCIA. MARCOS NORMATIVOS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece de recurso especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência evidencia a apreciação de decadência sob marco normativo diferente daquele analisado no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada), que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO Presidente. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 40 24 /2 00 2- 65 Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 16327.004024/200265 Acórdão n.º 9101004.266 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada), Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de recurso especial interposto por A.F.L. FACTORING FOMENTO COMERCIAL LTDA ("Contribuinte", efls. 1647/1669) em face da decisão proferida no Acórdão nº 19100.030 (efls. 1621/1639), na sessão de 21 de outubro de 2008, no qual o Colegiado decidiu rejeitar a arguição de decadência e demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. A decisão recorrida está assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999 Ementa: NULIDADE. PROVA ILICITA. REMESSA DOS EXTRATOS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. Não há quebra de sigilo bancário, nem ofensa aos princípios constitucionais, a transferência do sigilo a SRF, quebrado por ordem judicial provocada pelo Ministério Publico Federal, que remete os extratos para análise e apuração de eventual cometimento de ilícito tributário, matéria de ordem pública, função atinente ao seu exercício, como custos legis e representante dos interesses do Estado. NULIDADE. ANTERIOR LANÇAMENTO FISCAL. MESMO EXERCÍCIO. MATÉRIA TRIBUTÁVEL DIVERSA. Não é nula, ou improcedente, a autuação posterior no mesmo contribuinte, cujo período já fora objeto de fiscalização, quando realizada por determinação do Delegado da Receita Federal e a autoridade fiscal não incluir na base de cálculo a matéria tributável anteriormente considerada. Tratase de complementação da exigência fiscal, lavrado o Auto de Infração complementar devido a fatos novos conhecidos após o término da ação fiscal anterior e que justificam o reexame do período. DECADÊNCIA. Para o exercício financeiro de 1997, anocalendário de 1996, a opção do contribuinte pelo regime de apuração do lucro só se tornava definitiva quando da entrega da declaração, razão pela qual este é o termo de inicio para contagem do prazo decadencial. Observado pelo auditor fiscal o prazo qüinqüenal, não há que se falar em decadência do lançamento. ARBITRAMENTO. Na falta de escrituração da movimentação financeira praticada pela contribuinte e dos registros contábeis de apropriação das receitas, da não apresentação dos Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 16327.004024/200265 Acórdão n.º 9101004.266 CSRFT1 Fl. 4 3 documentos contábeis e fiscais que fundamentam a contabilidade, ausência de assinatura dos responsáveis pelos Livros e ausência de registro do Livro Diário no órgão próprio, constatase a hipótese descrita no inciso II do artigo 47 da Lei nº 8.981/95, legitimando o arbitramento do lucro. FACTORING. ÍNDICES PUBLICADOS. ENTIDADE RECONHECIDA DA ATIVIDADE DA EMPRESA. Regular o procedimento fiscal que aplicou os índices de fatores de compra mensais publicados pela ANFAC aos somatórios mensais dos créditos bancários espelhados nos extratos bancários de factoring, apurando a base de cálculo para arbitramento cio lucro, antes da edição do artigo 42 da Lei n" 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO LEGAL. É regular o procedimento de fiscalização que, após solicitar a escrituração contábil do contribuinte, examina os extratos bancários para verificar a compatibilidade entre a movimentação financeira e os valores escriturados e declarados ao fisco. Em constatando, relevante disparidade c não justificando, o contribuinte, a origem dos créditos bancários, é licito e um dever proceder ao lançamento por presunção de receita omitida, com fulcro no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova invertese e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário. O litígio decorreu de lançamentos dos tributos incidentes sobre o lucro e o faturamento apurados nos anoscalendário 1996 a 1999 a partir da constatação de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, promovendose o arbitramento dos lucros com base no coeficiente de 38,4% sobre os valores dos depósitos bancários reduzidos em razão da aplicação dos índices da ANFAC no anocalendário 1996. A autoridade julgadora de 1ª instância julgou improcedente a impugnação (efls. 1577/1591). O Colegiado a quo, por sua vez, negou provimento ao recurso voluntário (efls. 1621/1639). Cientificada em 22/12/2008 (efl. 1646), a contribuinte interpôs recurso especial em 05/01/2009 (efls. 1647/1669) no qual arguiu divergências parcialmente admitidas no despacho de exame de admissibilidade de efls. 1695/1698, do qual se extrai: Cientificada em 22/12/2008, fl. 719, a recorrente interpôs Recurso Especial em 05/01/2009, fls. 720/732, alegando divergência jurisprudencial em relação a duas matérias: (1) depósitos bancários e (2) decadência. [...] 2) Decadência Diz que o termo inicial da contagem do prazo de decadência para o tributo que se amolda ao lançamento por homologação encontra respaldo no parágrafo 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Para tanto, cita a ementa do Acórdão Paradigma n° 10323.568. Assim, passo a análise dos pressupostos recursais. [...] Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 16327.004024/200265 Acórdão n.º 9101004.266 CSRFT1 Fl. 5 4 2) Decadência Na parte da ementa objeto de análise do Acórdão Paradigma n° 10323.568 consta: DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4°, do CTN. Essa regra aplicase também à CSLL e à Cofins por força da Súmula n° 8 do STF. Está consignado na parte da ementa objeto de análise do Acórdão Recorrido: DECADÊNCIA Para o exercício financeiro de 1997, anocalendário de 1996, a opção do contribuinte pelo regime de apuração do lucro só se tornava definitiva quando da entrega da declaração razão pela qual este é o termo de inicio para contagem do prazo decadencial. Observado pelo auditor fiscal o prazo qüinqüenal, não há que se falar em decadência do lançamento. A partir da edição da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, o lançamento dos tributos se amoldam à modalidade por homologação, cujo termo de inicio da contagem do prazo decadencial é aquele previsto no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (Acórdãos CSRF nºs 0105.484, 0105.006 e 0105.105). Assim, verificase a divergência. Não satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade nego seguimento ao recurso especial em relação aos depósitos bancários. Satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade dou seguimento ao recurso especial referente a. decadência. A admissibilidade parcial do recurso especial foi confirmada em reexame conforme efls. 1698/1699. Aduz a contribuinte, na parte admitida de seu recurso especial, que na exigência de contribuições sociais se aplica o artigo 150, §4º do CTN, por força da Súmula Vinculante nº 9 do STF, que traduz serem inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Assim, ainda que os depósitos bancários guardassem alguma relação com o conceito de renda, o prazo para a exigibilidade das contribuições sociais já decaiu. Pede, dessa forma, que seja reformado o acórdão recorrido e, consequentemente, reconhecida a decadência e/ou declarando a improcedência da autuação. Destacando as parcelas do crédito tributário alcançadas pelo recurso especial admitido (exigências de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins pertinentes aos períodos de apuração do anocalendário 1996), a autoridade local cientificou o sujeito passivo por meio de edital (efls. 1703/1709) e restituiu os autos ao CARF. Os autos foram entregues à PGFN em 05/10/2010 (efls. 1731/1732), que em 18/10/2010 apresentou contrarrazões (efls. 1733/1742) na qual defende a inadmissibilidade do recurso especial, na medida em que no acórdão recorrido a aplicação da Lei nº 8.541/92 foi determinante para definição do prazo decadencial, aspecto não abordado no paradigma nº 103 23.568, que examinou exigência pertinente ao anocalendário 2002, posterior ao advento da Lei nº 9.430/96. De toda a sorte, a contagem do prazo decadencial no prazo em exame deveria ter em conta que: i) a opção pelo lucro presumido somente se aperfeiçoava com a entrega da DIPJ do último dia do mês de abril do ano seguinte, conforme disposto no art. 13 da Lei nº Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 16327.004024/200265 Acórdão n.º 9101004.266 CSRFT1 Fl. 6 5 8.541/92; ii) a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo relativo às receitas omitidas; e iii) a decisão proferida no âmbito do REsp nº 973.733/SC deveria ser observada porque proferida na sistemática do art. 543 C do Código de Processo Civil. Assim, aplicandose o art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teria início em 01/01/1998 e término em 31/12/2002, mostrandose válido o lançamento cientificado à contribuinte em 27/11/2002. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Recurso especial da contribuinte Admissibilidade A Contribuinte suscitou divergência jurisprudencial quanto à contagem do prazo decadencial em face do que decidido no paradigma nº 10323.568. O acórdão recorrido, porém, afastou a arguição de decadência considerando a circunstância específica de, no ano calendário 1996, a opção pela forma de tributação do lucro ter sido postergada, na forma do art. 13, §2º da Lei nº 8.541/92, para o momento da entrega da declaração de rendimentos, de modo que o fisco teria que esperar a opção do contribuinte para exercer a função fiscalizadora. Registrese que no caso específico a Contribuinte optou pela tributação com base no lucro presumido mediante entrega da DIRPJ em 22/06/1998. Já o paradigma, tendo em conta lançamento referente à apuração do ano calendário 2002, cientificado ao sujeito passivo em 17/05/2007, declarou a decadência das exigências de IRPJ e CSLL no 1º trimestre/2002, bem como as exigências de Contribuição ao PIS e da Cofins referente aos fatos geradores mensais ocorridos até 30/04/2002, inclusive. Isto sob o pressuposto de que não houve imputação de fraude, mediante qualificação da penalidade no lançamento sob análise, bem como em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Logo, tem razão a PGFN quando argúi que o acórdão recorrido teve em conta circunstância específica, pertinente à apuração do anocalendário 1996, não analisada no paradigma, a inviabilizar o dissídio jurisprudencial. Evidente está que os acórdãos comparados se debruçaram sobre apurações submetidas a diferentes marcos normativos. Esclareçase que as exigências a título de Contribuição ao PIS e da Cofins não seriam diretamente afetadas pelas disposições do art. 13, §2º da Lei nº 8.541/92. Contudo, na medida em que são exigências reflexas da omissão de receitas apurada no âmbito do IRPJ e da CSLL, não é possível isolálas da premissa adotada pelo Colegiado a quo para afastar a arguição da decadência. Cumpria à Contribuinte ter embargado o acórdão recorrido para esclarecer este ponto, sem o que a dessemelhança antes referida se aplica, também, à definição da contagem do prazo decadencial destas contribuições. A divergência jurisprudencial somente se caracteriza quando, em situações idênticas ou análogas, e em face do mesmo arcabouço normativo, são adotadas soluções diversas. A divergência jurisprudencial não se estabelece apenas na interpretação da legislação em tese, nem tampouco em matéria de prova, e sim na interpretação das normas, em face de contextos fáticos semelhantes. Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 16327.004024/200265 Acórdão n.º 9101004.266 CSRFT1 Fl. 7 6 A similitude fática é requisito inerente à demonstração da divergência jurisprudencial. Neste sentido é também o maciço entendimento do STJ a respeito da admissão do recurso especial de que trata o art.105, III, c, da Constituição Federal, recurso o qual em muito se aproxima da espécie recursal em exame, visto que ambos colimam a uniformização de entendimentos: A apontada divergência deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. (AgRg no REsp 1510219/SE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 20/11/2015) A demonstração do dissídio jurisprudencial impõe a demonstração da indispensável similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma. (EDcl no AREsp 158.218/RJ, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/10/2015, DJe 06/11/2015). Por tais razões, não restando atendido este requisito de admissibilidade, deve ser NEGADO CONHECIMENTO ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Fl. 1757DF CARF MF
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Numero do processo: 10845.901877/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 6º DA LEI Nº 10.833/2003.
Para fruição da isenção prevista no inciso II do artigo 6º da lei nº 10.833/2003, dois requisitos ou condições são necessários: que o tomador do serviço seja residente ou domiciliado no exterior e que o pagamento por tais serviços representem efetivo ingresso de divisas no território nacional.
EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. INTERMEDIAÇÃO POR REPRESENTANTE NO TERRITÓRIO NACIONAL.
Não é óbice à fruição da isenção prevista no inciso II do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 a existência de intermediário, atuando como mero representante do tomador de serviço, pois como mandatário, não atua em nome próprio, e sim do mandante, no caso, o tomador de serviço domiciliado no exterior.
EXPORTAÇÃO DE SERVIÇO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS/CONDIÇÕES PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA
Tendo a recorrente apresentado Declaração de Compensação onde apresenta um crédito a seu favor, como direito constituído à época da transmissão da DCOMP, cabe a ela, recorrente, o ônus da prova dos fatos e documentos constitutivos do seu direito à isenção prevista no inciso II do artigo 6º da lei nº 10.833/2003, em respeito ao corolário jurídico estabelecido no artigo 373 do Código de Processo Civil quanto ao ônus da prova.
Numero da decisão: 3301-006.090
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini .
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 6º DA LEI Nº 10.833/2003. Para fruição da isenção prevista no inciso II do artigo 6º da lei nº 10.833/2003, dois requisitos ou condições são necessários: que o tomador do serviço seja residente ou domiciliado no exterior e que o pagamento por tais serviços representem efetivo ingresso de divisas no território nacional. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. INTERMEDIAÇÃO POR REPRESENTANTE NO TERRITÓRIO NACIONAL. Não é óbice à fruição da isenção prevista no inciso II do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 a existência de intermediário, atuando como mero representante do tomador de serviço, pois como mandatário, não atua em nome próprio, e sim do mandante, no caso, o tomador de serviço domiciliado no exterior. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS/CONDIÇÕES PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA Tendo a recorrente apresentado Declaração de Compensação onde apresenta um crédito a seu favor, como direito constituído à época da transmissão da DCOMP, cabe a ela, recorrente, o ônus da prova dos fatos e documentos constitutivos do seu direito à isenção prevista no inciso II do artigo 6º da lei nº 10.833/2003, em respeito ao corolário jurídico estabelecido no artigo 373 do Código de Processo Civil quanto ao ônus da prova. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 90 18 77 /2 01 0- 11 Fl. 76DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini . Relatório Tratase de processo formalizado para o tratamento manual de Declaração de Compensação – DCOMP, no qual se declara a compensação de saldo de pagamento indevido ou maior de contribuições, com outros débitos referentes a contribuições. Em análise eletrônica da DCOMP transmitida, a unidade de origem (DRF/SANTOS/SP) emitiu o Despacho Decisório não homologando a compensação pleiteada, alegando que teriam sido localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por seu turno, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, questionando a decisão. Decidindo a matéria impugnada, a DRJ/CAMPINAS julgou improcedente a manifestação de inconformidade por considerar que o interessado não fez prova do direito pleiteado. Inconformado com tal decisão, a requerente apresentou Recurso Voluntário, onde argumenta, em apertada síntese: a) Quanto à origem do crédito, alega que os pagamentos, embora recebidos de empresas brasileiras, dizem respeito a serviços prestados a empresas estrangeiras, os quais seriam efetivamente suportados por tais empresas, que remeteriam divisas ao país. Não caberia a incidência das contribuições PIS/Cofins sobre receitas provenientes de empresas domiciliadas no exterior; b) Colaciona jurisprudência que entende corroborar sua tese, em particular o julgamento dos Embargos Infringentes no 2001.37.00.0001339/MA, pelo Superior Tribunal de Justiça. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10845.901877/201011 Acórdão n.º 3301006.090 S3C3T1 Fl. 3 3 c) Sustenta que a legislação federal acabou por desconsiderar o local de realização do serviço, privilegiando, como critérios identificadores da exportação imunizada, a localização alémfronteira do tomador do serviço e a entrada de divisas no país. Argumenta, nesse trilhar, que para efeitos de não incidência do PIS e da COFINS, considerase suficiente para caracterização da exportação de serviços a ocorrência simultânea das seguintes condições: (i) essa atividade tenha sido desenvolvida em favor de terceiro não residente; e (ii) sua contraprestação acarrete a entrada de divisas no país. d) No caso em tela, embora os contratos tenham sido efetivados mediante a interposição de agente ou representante no Brasil do transportador estrangeiro, e, por conseguinte, embora o pagamento tenha sido realizado por tal representante, em reais, tal fato não descaracterizaria, por si só, para efeitos de nãoincidência do Pis/Pasep e da COFINS. No intuito de corroborar tal entendimento, cita e transcreve parte da Solução de Consulta no 217 SRRF/9a RF /DISIT em 04 de junho de 2009. e) No que concerne ao segundo requisito disposto para a configuração de uma prestação de serviço como exportação entrada de divisas reafirma que, ainda que o preço dos serviços seja pago à recorrente por empresa nacional, representante do armador estrangeiro, é este último, na qualidade de real tomador dos serviços, quem arca com tal encargo, enviando previamente ao país divisas suficientes à sua quitação. Desse modo, defende que o custeio dos serviços prestados pela recorrente, portanto, tem imediata relação com o ingresso de divisas no país. f) Colaciona dispositivos normativos do Banco Central do Brasil, que acompanharia a atividade dos armadores estrangeiros no país mediante rígido controle do fluxo de divisas no país. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301006.087, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10845.901874/201088, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301006.087): Tratase da isenção concedida à COFINS incidente sobre receita de exportação de serviços, conforme artigo 6º, inciso II da Lei nº 10.833/2003 e artigo 14, inciso III da MP nº 2.15835/2001, que estão assim redigidos : Lei nº 10.833/2003 : Fl. 78DF CARF MF 4 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1onão beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Medida Provisória nº 2.15835/2001 : Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10845.901877/201011 Acórdão n.º 3301006.090 S3C3T1 Fl. 4 5 tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto Lei no1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II – revogado pela Lei nº 11.508/2007 IIIa estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. 8.Portanto, o texto legal estabelece duas condições para que tal receita seja isenta da COFINS: que o serviço seja prestado a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliado no exterior e que o pagamento referente a este serviço represente ingresso de divisas no país. 9.O artigo 111 do Código Tributário Nacional exige que a interpretação de normas legais isentivas sejam interpretadas literalmente, não sendo permitido ao julgador ampliar tais limites ao interpretar tal legislação. 10.Neste diapasão, devese observar, no caso presente, se as condições exigidas pela legislação estão satisfeitas, e Fl. 80DF CARF MF 6 devidamente comprovadas, para que se reconheça o direito isencional. A QUESTÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO A PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR – DEFINIÇÃO E INTERMEDIAÇÃO POR REPRESENTANTE LEGAL. 11.A primeira condição já foi exaustivamente analisada pela Administração Tributária, na figura da Secretaria da Receita Federal, pela Solução de Consulta COSIT nº 346/2017, além de esclarecer a definição do termo “exportação de serviços” para interpretação da citada legislação, no Parecer Normativo COSIT nº 1/2018. 12.O citado Parecer Normativo COSIT nº 1/2018 definiu bem o problema que se enfrenta quando se tenta conceituar “exportação de serviços” : O conceito de exportação é incontroverso se atinente à movimentação de bens físicos (produtos ou mercadorias) que transitam pelas fronteiras de um país. O mesmo não acontece se a operação envolve serviços e o dispositivo legal que adota tal expressão sem delimitarlhe o alcance estatui norma aberta, posto que a exportação de serviços per se equivale a um conceito jurídico indeterminado.2 Não existe na doutrina ou na jurisprudência um consenso sobre o que seria exportação de serviços. Por outro lado, o legislador tributário nacional se omite quanto ao tema, limitase a prever a incidência, a não incidência ou a desoneração das operações que envolvem o comércio internacional de serviços, geralmente sem oferecer ao aplicador/intérprete da norma parâmetros que orientem sua subsunção aos casos concretos da vida econômica. O problema não é exclusivo do direito brasileiro e tem sido enfrentado de modo variado pelo legislador estrangeiro que, pragmático, busca evitar o uso do termo exportação (e também importação) ao tratar da tributação de operações que envolvam serviços, pautando a matéria tributária relacionada às operações de comércio internacional ora por meio da prescrição de normas gerais ou específicas que permitam determinar3 o local onde se dá a prestação de serviços, ora pela definição do regime de imposição tributária a ser aplicado conforme a localização do prestador ou do tomador do serviço. Levandose em conta a intenção do legislador de incentivar a atividade econômica no mercado interno, podese propor, para fim de interpretação da legislação tributária, o seguinte conceito de exportação de serviços, ressalvada disposição legal em contrário: Exportação de serviços é a operação realizada entre aquele que, enquanto prestador, atua a partir do mercado doméstico, com seus meios aqui disponíveis, para atender a uma demanda a ser satisfeita em um outro mercado, no exterior, em favor de um tomador que atua, enquanto tal, naquele outro mercado. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10845.901877/201011 Acórdão n.º 3301006.090 S3C3T1 Fl. 5 7 13.O Superior Tribunal de Justiça também já enfrentou o tema da primeira condição no REsp nº 1.268.345MA (2011/0174696 6) de lavra do Ministro Herman Benjamin. 14.Em apertada síntese, o que se conclui da leitura de tais textos citados é que a existência de representante intermediando a transação não afeta a relação comercial de prestação de serviços para o exterior, pois o representante apenas atua como mandatário, qual seja, o representante não atua em nome próprio, e sim em nome do mandante, que está domiciliado no exterior., e também porque o destinatário final do serviço é a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, não o intermediário. 15.Citamos trechos destes atos : REsp nº 1.268.345 – MA : CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL.EMBARGOS INFRINGENTES. LEI 9.715/1998. APLICABILIDADE.ANTERIORIDADE MITIGADA. CONTAGEM A PARTIR DA PUBLICAÇÃO DA PRIMEIRA MEDIDA PROVISÓRIA (MP 1.212/1995). SÚMULA 343 DO STF. INAPLICABILIDADE. I. A Lei 9.537/1997 definiu como prático o aquaviário não tripulante que presta serviços de praticagem embarcado, sendo que o serviço de praticagem consiste no conjunto de atividades profissionais de assessoria ao Comandante requeridas por força de peculiaridades locais que dificultem a livre e segura movimentação da embarcação (art. 2º, XV, e art. 12 da Lei 9.537/1997). II. A mens legis da isenção da COFINS, determinada no art. 6º, II, da Lei 10.833/2003 (redação dada pela Lei 10.865/2004), não se limitou simplesmente ao favorecimento das exportações, mas sim ao ingresso de divisas, visando, inclusive, evitar que as exportações sejam oneradas por tributos na origem, em obediência ao princípio de que a incidência de tributos deve ocorrer no destino, para não haver exportação de tributos. III. Tal concepção foi erigida à condição de imunidade constitucional (art. 149, § 2º, I, da CF/1988), estimuladora da atividade de exportação, norma que deve ser interpretada na compreensão conceitual (REsp.1059041/RS) – AGTAG 2009.01.00.0237498/MG, 7ª Turma do TRF1, Relator Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, eDJF1 de 18/09/2009, p.374. IV. As regras tributárias que dispõem sobre isenção devem ser interpretadas literalmente (art. 111, II, do CTN). Assim, apesar de constar a regra de isenção em legislação que trata do tema importação/exportação (Lei 10.865/2004), assim como constar expressamente a exportação nos incisos I e III do art. 6º da Lei 10.833/2003, o inciso II prevê como Fl. 82DF CARF MF 8 requisitos à isenção requerida, unicamente, que os serviços sejam prestados para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Não pode o exegeta ampliar os prérequisitos à isenção, sob pena de tornar a regra inócua. A utilização de agente ou representante do transportador estrangeiro como intermediário para a realização do serviço de praticagem não tem o condão de afastar a regra de isenção, uma vez que o destinatário final do serviço é a pessoa física ou jurídica residente no exterior, não o intermediário. V. O fato de que o serviço deve ser pago em moeda nacional não desconstitui a prestação de serviços à pessoa física ou jurídica residente no exterior, pois configurada a entrada de divisas pelo pagamento do serviço prestado. Por determinação legal o pagamento de serviço realizado no País não pode se dar por moeda estrangeira, mas sim pelo correspondente em moeda nacional. VI. A COFINS não incide sobre receitas decorrentes de serviços de praticagem prestados para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, nos termos do art. 6º, II, da Lei 10.833/2003. Embargos infringentes a que se dá provimento, para prevalecer o voto vencido. (grifos nossos) O debate restringese ao art. 6º, II, da Lei 10.833/2003, antes transcrito, especificamente quanto ao atendimento aos dois requisitos legais para afastamento da tributação sobre as receitas relativas à prestação do serviço, quais sejam: a) prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior; e b) cujo pagamento represente ingresso de divisas (a redação anterior referiase a pagamento em moeda conversível). (……….) Quanto ao segundo requisito para o benefício fiscal, é incontroverso que o prestador do serviço de praticagem recebe o preço em moeda nacional, pago pelo agente ou representante do transportador estrangeiro. Solução de Consulta COSIT nº 346/2017 : NÃOINCIDÊNCIA. ISENÇÃO. RECEITAS DECORRENTES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A PESSOA FÍSICA OU JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. POSSIBILIDADE DE MERA INTERMEDIAÇÃO ENTRE A PRESTADORA DOS SERVIÇOS E A PESSOA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DO INGRESSO DE DIVISAS. A existência de terceira pessoa, desde que agindo como mera mandatária, ou seja, cuja atuação não seja em nome próprio, mas em nome e por conta do mandante estrangeiro, entre a pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior e a prestadora de serviços nacional, não afeta a relação jurídica negocial exigida para Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10845.901877/201011 Acórdão n.º 3301006.090 S3C3T1 Fl. 6 9 enquadramento nos arts. 6°, inciso II, da Lei n° 10.833, de 2003, e 14, inciso III, da MP 2.15835, de 2001, para o fim de reconhecimento da nãoincidência/isenção da Cofins. DOS FATOS : A Consulente, conforme atesta o seu contrato social, é empresa prestadora de serviços que atua no Porto localizado em Vitória ES, desenvolvendo todas as operações de embarque e desembarque de produtos, transporte, manuseio e armazenamento de materiais e equipamentos; enchimento e esvaziamento de containeres; desembaraço aduaneiro, carregamento e descarregamento de equipamentos, dentre outras atividades. Ocorre que dentre as atividades desenvolvidas está a prestação de serviços para armadores estrangeiros, como operador portuário, agenciamento, suporte com a documentação exigida no país, auxílio logístico, transporte, armazenagem, embarque e desembarque de mercadorias, praticagem, etc. Ademais, a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, contrata um representante comercial no Brasil, Esse representante contrata diversos prestadores de serviços, dentre eles a Consulente. A presente Consulta se refere justamente sobre a exigibilidade da Contribuição ao PIS e a COFINS, sobre as receitas auferidas pela Consulente quando da prestação de serviços para esses importadores estrangeiros. A Consulente, dentre suas atividades, presta serviços, mesmo que de forma indireta a pessoa jurídica domiciliada no exterior. Cabe a isenção descrita na forma das leis acima mencionadas? 8. Cumpre iniciar a análise examinando a primeira condição, a exigência legal de que o tomador de serviço seja residente ou domiciliado no exterior. 9. A situação descrita na petição envolve contratos de prestação de serviços firmados entre pessoa jurídica domiciliada no Brasil e pessoa jurídica tomadora residente ou domiciliada no exterior. Até esse ponto, não restariam muitas dúvidas quanto ao atendimento da primeira condição legalmente imposta. No entanto, tais contratos são efetivados mediante a interposição de agente ou representante no Brasil da empresa estrangeira. 16.Portanto, no caso em exame, afirma a recorrente que é contratada de empresa representante do tomador de serviço, domiciliado no exterior, e, por consequência, presta serviço ao armador domiciliado no exterior. 17.Em tese, está cumprido o primeiro requisito para fruição da isenção, desde que a recorrente comprove, por documentos hábeis, tal prestação serviço, seu vínculo jurídico com a representante do tomador de serviço, a forma como recebe os Fl. 84DF CARF MF 10 valores referentes a tal prestação de serviços, as Notas Fiscais de Serviço emitidas devidamente conciliadas em sua escrita contábil, caracterizando a receita sujeita á isenção da COFINS e, por fim, a demonstração detalhada dos valores que deram origem ao crédito pleiteado na Declaração de Compensação. A QUESTÃO DO EFETIVO INGRESSO DE DIVISAS 18.Mais delicada é a questão do efetivo ingresso de divisas no território nacional, pois que sujeita ao controle da autoridade monetária nacional, o Banco Central do Brasil, que dispõe de várias regras para que se efetive o ingresso de tais valores, com objetivo de estabelecer vários controles, desde o controle do capital que adentra o território nacional, vindo do exterior, com a sempre premente preocupação de que sejam devidamente comprovadas as suas origens, evitandose a fuga de divisas internacional, até o controle da balança comercial nacional, em função do balanço entre as exportações e importações, passando pro um rígido controle e mapeamento da origem e destino de tais valores. 19.Por envolver o delicado tecido das relações internacionais, o Banco Central do Brasil estabeleceu normas rígidas e que acompanham os controles que se estabelecem a nível internacional. 20.Por sua clareza no descrever e analisar tais controles para o caso em exame, transcrevemos o texto da Solução de Consulta COSIT nº 346/2017, da Secretaria da Receita Federal , que adotamos neste voto, para elucidar a questão (esclarecemos que a Circular BACEN nº 3.691, de 2013 foi objeto de diversas atualizações – Circular BCB 3.702/2014; Circular BCB 3.750/2015, Circular BCB 3752/2015, Circular 3.766/2015, Circular 3811/2016; Circular BCB 3813/2016; Circular BCB 3825/2017; Circular BCB 3829/2017; Circular BCB 3845/2017; Circular BCB 3914/2018; Circular BCB 3918/2018): 14. Passase, assim, ao exame da segunda condição, a exigência legal de que o pagamento represente ingresso de divisas no País. 15. A verificação de atendimento da segunda condição estabelecida para o gozo do benefício da não incidência/isenção das contribuições requer uma análise minuciosa das formas disponíveis para efetivação dos pagamentos decorrentes da prestação de serviços objeto desta consulta, confrontandose tais formas com as possibilidades oferecidas no dinâmico universo negocial. 16. Não é difícil vislumbrar o que pretende a norma exonerativa: incentivar aquelas operações de prestação de serviços a pessoas residentes ou domiciliadas no exterior que possam, de forma eficaz, reforçar as divisas nacionais. Tais operações são somente aquelas cujo pagamento represente efetivo ingresso de divisas, e, por conseqüência, capazes de repercutir sobre as Transações Correntes do Balanço de Pagamentos do País. 17. A fim de esclarecer a efetividade do ingresso de divisas nas circunstâncias que envolvem a situação apresentada pela consulente, recorrese às normas emanadas pela autoridade Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10845.901877/201011 Acórdão n.º 3301006.090 S3C3T1 Fl. 7 11 monetária do País, ora consubstanciadas na Circular BACEN nº 3.691, de 16 de dezembro de 2013, que, a partir de 3 de fevereiro de 2014, data de sua entrada em vigor, passou a regulamentar a Resolução nº 3.568, de 29 de maio de 2008, revogando o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI), instituído pela Circular Bacen nº 3.280, de 09 de março de 2005. 18. Dos autos de consulta, não é possível identificar qual é o método de pagamento empregado pelo armador estrangeiro para transferir valores à empresa nacional que contrata a consulente. 19. Por isso, cumpre examinar os mecanismos de que dispõe o armador estrangeiro para efetuar o pagamento dos serviços em pauta, nos termos da Circular BACEN nº 3.691, de 2013. 20. Dispõe a Circular BACEN nº 3.691, de 2013, no Título IV, Capítulo III – Disposições Complementares às Transferências Financeiras Relacionadas ou Não a Operações Comerciais, em relação às obrigações do agente e representante do transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior: Art. 119. Além das informações previstas na regulamentação cambial, as seguintes pessoas físicas e jurídicas devem fornecer ao Banco Central do Brasil, na forma e nas condições por ele estabelecidas, informações relacionadas aos pagamentos e recebimentos referentes às suas atividades: I transportadores, seus agentes ou representantes, bem como empresas que operam o transporte internacional de passageiros, bagagens e cargas; II sociedades seguradoras, resseguradores locais, resseguradores admitidos e corretoras de resseguro. 21. Mais adiante, no Título VII, Capítulo IX – Contas dos Transportadores Residentes, Domiciliados ou com Sede no Exterior, a Circular nº 3.691, de 2013, trata da operacionalização para pagamento das despesas incorridas no País pelo transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior, da seguinte forma: Art. 206. São permitidas a abertura e a manutenção em banco autorizado a operar no mercado de câmbio de conta de depósito em moeda estrangeira titulada por transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior, com base no Decreto nº 42.820, de 1957, e na Resolução nº 3.222, de 29 de julho de 2004, que pode ser alimentada com recursos resultantes da conversão de moeda nacional auferida no País em decorrência de suas atividades. Art. 207. Nos contratos de câmbio celebrados para fins de transferência ao exterior de receitas auferidas no País pelos transportadores residentes, domiciliados ou com sede no Fl. 86DF CARF MF 12 exterior é facultada a retenção transitória de valores estimados para futura utilização no pagamento de despesas incorridas no País. § 1º Os contratos de câmbio tratados no caput são liquidados pelo valor integralmente contratado e de forma pronta, podendo ocorrer o envio de ordem de pagamento ao exterior por valor inferior ao do contrato de câmbio correspondente e a diferença servir para, no prazo de noventa dias, contados da data da contratação do câmbio, ser empregada no pagamento das despesas incorridas no País pelo transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior, devendo, quando do pagamento de tais despesas, ser celebrados os respectivos contratos de câmbio na forma da regulamentação em vigor. § 2º Para fins de apuração dos valores em moeda estrangeira referentes às despesas incorridas no País tratadas no § 1º, a critério das partes, pode ser utilizada qualquer taxa de câmbio que esteja entre as taxas mínima e máxima disponíveis no Sisbacen, no período referente à permanência do veículo transportador em território nacional. § 3º Caso o valor estimado para o custeio de que trata o caput tenha sido superior ao efetivamente despendido no Brasil, deve ser enviada nova ordem de pagamento ao exterior com o valor não utilizado no País, observado o prazo de noventa dias referido no § 1º. Art. 208. É vedada a existência de saldos negativos na conta de que trata o art. 206 e para os valores retidos de que trata o art. 207. (grifouse) 22. Ainda que a conta em moeda estrangeira seja alimentada com recursos provenientes da conversão de moeda nacional auferida no País em decorrência das atividades do transportador estrangeiro e, a partir dessa conta, tais recursos sejam utilizados para o pagamento de despesas incorridas no País, consideram se atendidos os dispositivos da legislação aplicada à Contribuição para o PIS/Pasep PIS/Pasep e à Cofins que reconhecem a isenção/não incidência na hipótese de receitas decorrentes de operações de prestação de serviços para pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior. 23. Cabe observar que se deve analisar essa sistemática de retenção transitória pela natureza dos recursos retidos de titularidade do transportador estrangeiro que, a princípio, seriam remetidos ao exterior (inclusive integrando o contrato de câmbio para transferência ao exterior, que se celebra pelo valor bruto), e que permanecem no País para fazer frente ao pagamento de despesas aqui incorridas. 24. Considerando a natureza dos recursos retidos e, mais ainda, que na sua utilização para pagamento de despesas incorridas no País, no prazo máximo de 90 dias decorridos da contratação do câmbio de saída do País, devem ser celebrados os respectivos contratos de câmbio para aquisição de moeda nacional, também esta sistemática atende às condições legais para fruição da não incidência/isenção ora analisada. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10845.901877/201011 Acórdão n.º 3301006.090 S3C3T1 Fl. 8 13 25. Também é possível identificar como forma de pagamento de despesas incorridas no Brasil o débito em conta em moeda nacional, titulada pelo transportador estrangeiro. 26. Destacase que o Banco Central do Brasil (Bacen), por meio da Resolução nº 3.568, de 29 de maio de 2008, tornou pública deliberação do Conselho Monetário Nacional (CMN), o qual, baseado no § 2º do art. 65 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, assim dispôs sobre conta em moeda nacional titulada por residente ou domiciliado no exterior: “CAPÍTULO V Das Contas em Moeda Nacional de Residentes, Domiciliados ou com Sede no Exterior e Das Transferências Internacionais em Reais Art 23. Consideram se transferências internacionais em reais os créditos ou os débitos realizados em conta de depósito em moeda nacional titulada por pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior, mantida no País em banco autorizado a operar no mercado de câmbio. Art. 24. Devem ser observados nas transferências internacionais em reais, no que couber, os mesmos critérios, disposições e exigências estabelecidos para as operações de compra e de venda de moeda estrangeira e as normas previstas na regulamentação específica. Art. 25. É obrigatório o cadastramento, no Sisbacen, de contas de depósito em moeda nacional, no País, tituladas por pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior. Art. 26. A movimentação ocorrida em conta de depósito de pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais),deve ser registrada no Sisbacen, na forma estabelecida pelo Banco Central do Brasil. Art. 27. É vedada a utilização da conta de depósito de pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior para a realização de transferência internacional em reais de interesse de terceiros. § 1º A vedação de que trata este artigo aplicase inclusive às contas de titularidade de instituições financeiras domiciliadas ou com sede no exterior mantidas em instituições financeiras autorizadas a operar no mercado de câmbio no País. § 2º Excetuase da vedação contida no caput o débito na conta titulada por instituição bancária do exterior, quando destinado ao cumprimento, por instituição autorizada a operar no mercado de câmbio, de ordem de pagamento em reais oriunda do exterior. (§ 2° incluído pela Resolução 3.657, de 17.12.2008) Fl. 88DF CARF MF 14 Art. 28. Podem ser livremente convertidos em moeda estrangeira, para remessa ao exterior, exclusivamente em banco autorizado a operar no mercado de câmbio, os saldos de recursos próprios existentes em conta de depósito de pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior. Art.29. Os débitos e os créditos às contas de depósito tituladas por embaixadas, repartições consulares ou representações de organismos internacionais acreditados pelo Governo brasileiro estão dispensados de comprovação documental e da declaração do motivo da transferência. Art. 30. A movimentação em conta de depósito titulada por embaixada, repartição consular ou representação de organismo internacional acreditado pelo Governo brasileiro, inclusive por valores superiores a R$10.000,00 (dez mil reais), podem ser feitas em espécie ou por qualquer instrumento de pagamento.” (grifouse) 27. Dentre os aspectos da norma transcrita mais relevantes à análise ora procedida, certamente se encontram os seguintes: consideramse transferências internacionais em reais os créditos ou os débitos realizados em conta, mantida no País em moeda nacional e titulada por residente, domiciliado ou com sede no exterior; nas transferências internacionais em reais devem ser observados, no que couber, os mesmos critérios, disposições e exigências estabelecidos para as operações de câmbio em geral; é obrigatório o cadastramento no Sisbacen de contas de depósito em moeda nacional, no País, tituladas por pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior; os saldos de recursos próprios existentes nas contas de pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior podem ser livremente convertidos em moeda estrangeira, para remessa ao exterior, desde que tal operação seja efetuada através de bancos autorizados a operar no Mercado de Câmbio. 28. O Banco Central regulamentou a matéria no Título VI Contas de Domiciliados no Exterior em Moeda Nacional e Transferências Internacionais em Reais, da Circular nº 3.691, de 2013: CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 168. As pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, podem ser titulares de contas de depósito em moeda nacional no País, exclusivamente em agências que operem em câmbio de instituições bancárias autorizadas a operar no mercado de câmbio, observadas as disposições deste título. § 1º As contas de residentes, domiciliados ou com sede no exterior devem conter características que as diferenciem das Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10845.901877/201011 Acórdão n.º 3301006.090 S3C3T1 Fl. 9 15 demais contas de depósito, de modo a permitir sua pronta identificação. § 2º É obrigatório o cadastramento no Sisbacen de contas de depósito em moeda nacional, no País, tituladas por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, na transação PCAM 260, opção 1, pelo banco depositário dos recursos. § 3º O cadastramento a que se refere o § 2º deve ser efetuado concomitantemente à abertura da conta. § 4º Nas transferências amparadas em registros do Banco Central do Brasil, o número do respectivo registro deve ser consignado no campo “Outras Especificações” da tela do Sisbacen. Art. 169. Relativamente ao Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (Cosif): I no subtítulo “4.1.1.60.105 Provenientes de Vendas de Câmbio”, qualquer movimentação a crédito somente pode resultar do efetivo ingresso de moeda estrangeira no País, pela liquidação de operações de câmbio, devendo constar do histórico da partida contábil o número da operação de câmbio correspondente; II eventuais redepósitos de recursos em reais, originalmente decorrentes de saques ou de transferências efetuados a débito do referido subtítulo, devem ser registrados a crédito do subtítulo “4.1.1.60.208 De Outras Origens”; III o subtítulo “4.1.1.60.301 De Instituições Financeiras” restringese aos registros contábeis de contas tituladas por bancos do exterior que mantenham relação de correspondência com o banco brasileiro depositário dos recursos, exercida de forma habitual, expressiva e recíproca, ou possuam com este relação inequívoca de vínculo decorrente de controle de capital, compreendidas as instituições controladas ou controladoras. Parágrafo único. As disposições do inciso III abrangem também as agências no exterior de bancos brasileiros e de bancos estrangeiros autorizados a funcionar no País. Art. 170. As instituições financeiras, no que se refere às relações transfronteiriças entre bancos correspondentes e a outras relações semelhantes, devem: I obter informação suficiente sobre a instituição correspondente de forma a compreender plenamente a natureza de sua atividade e conhecer, a partir de informações publicamente disponíveis, a reputação da instituição e a qualidade da sua supervisão, incluindo se a instituição foi objeto de uma investigação ou de uma ação de autoridade de supervisão, relacionada com a lavagem de Fl. 90DF CARF MF 16 dinheiro ou com o financiamento do terrorismo, e certificar se de que não se trata de instituição que: a) não tenha presença física no país onde está constituída e licenciada; e b) não seja afiliada a nenhum grupo de serviços financeiros que seja objeto de efetiva supervisão; II avaliar os controles adotados pela instituição correspondente destinados ao combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo; III obter aprovação do diretor responsável pelas operações relacionadas ao mercado de câmbio antes de estabelecer novas relações de correspondência; IV documentar as responsabilidades respectivas de cada instituição quanto ao combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. Art. 171. As instituições financeiras que não se enquadrem no disposto no parágrafo único do art. 169 e no art. 170 só podem ser titulares de contas com subtítulos “Provenientes de Vendas de Câmbio” ou “De Outras Origens”. Art. 172. Devem ser observadas nas transferências internacionais em reais, no que couber, os mesmos critérios, disposições e exigências estabelecidos para as operações de câmbio em geral e as orientações específicas previstas neste capítulo. Art. 173. As transferências internacionais do e para o exterior em moeda nacional, de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais), sujeitamse à comprovação documental a ser prestada ao banco no qual é movimentada a conta de domiciliados no exterior. Art. 174. Cumpre aos bancos depositários adotar, com relação aos documentos que respaldam as transferências internacionais em reais, todos os procedimentos prudenciais necessários a evitar a sua reutilização e consequente duplicidade de efeitos, tanto para novas transferências em moeda nacional como para acesso ao mercado de câmbio, bem como exigir a apresentação dos comprovantes de quitação dos tributos incidentes sobre a operação. Art. 175. Podem ser livremente convertidos em moeda estrangeira, para remessa ao exterior, os saldos dos recursos próprios existentes nas contas de pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliados ou com sede no exterior, independentemente do subtítulo, vedada a sua utilização para conversão em moeda estrangeira de recursos de terceiros. Art. 176. As operações de câmbio relativas ao ingresso e ao retorno ao exterior de recursos registrados nas contas de que trata este título devem ser classificadas da seguinte forma: I caso o remetente ou o beneficiário no exterior não seja o próprio titular da conta: sob o fatonatureza específico correspondente ao tipo de operação negociada; Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10845.901877/201011 Acórdão n.º 3301006.090 S3C3T1 Fl. 10 17 II caso o remetente ou o beneficiário no exterior seja o próprio titular da conta: sob o fatonatureza “72502 Capitais Estrangeiros Depósitos e disponibilidades Disponibilidades no País”. Art. 177. É vedada a utilização das contas de residentes, domiciliados ou com sede no exterior para a realização de transferência internacional em reais de interesse de terceiros. § 1º Excetuase o disposto no caput no caso de utilização de conta titulada por instituição financeira do exterior tratada no parágrafo único do art. 169 e no art. 170 para a realização de transferência internacional em reais de interesse de terceiros, utilizandose código de grupo específico, quando destinado ao cumprimento de ordem de pagamento em reais oriunda do exterior por instituição autorizada a operar no mercado de câmbio com código de grupo “60 Ordens de pagamento em reais Terceiros”, observado que em tais situações o banco mantenedor de referida conta: I deve informar, por meio da transmissão de arquivo mensal, ao Banco Central do Brasil as ordens de pagamento de valor inferior a R$10.000,00 (dez mil reais); I I pode informar, por meio da transmissão de arquivo mensal, ao Banco Central do Brasil as ordens de pagamento de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais) e inferior a R$100.000,00 (cem mil reais). § 2º A transmissão do arquivo tratado nos incisos I e II do § 1º é efetuada até o dia cinco de cada mês, contendo dados das transferências efetuadas no mês imediatamente anterior, conforme instruções para sua confecção disponíveis no endereço eletrônico www.bcb.gov.br / menu Câmbio e Capitais Internacionais / Sistemas / Transferências de arquivos. 29. Afora o fato de qualquer crédito ou débito em contas dessa natureza configurar transferência internacional em reais, característica intrínseca já destacada anteriormente, merecem destaque alguns aspectos procedimentais contidos no capítulo acima transcrito, de especial interesse à presente análise: as contas de residentes, domiciliados ou com sede no exterior devem conter características que as diferenciem das demais contas de depósito, de modo a permitir sua pronta identificação; é obrigatório o cadastramento no Sistema de Informações Banco Central (Sisbacen) de contas de depósito em moeda nacional, no País, tituladas por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior; existe no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF), um título específico para registrar os depósitos de que trata este capítulo; as transferências internacionais do e para o exterior em moeda nacional, de valor igual ou superior a R$ 10.000,00 (dez mil Fl. 92DF CARF MF 18 reais), sujeitamse à comprovação documental a ser prestada ao banco; com relação aos documentos que respaldam as transferências internacionais em reais, existe obrigação imposta aos bancos depositários para adotarem todos os procedimentos prudenciais necessários a evitar a sua reutilização e conseqüente duplicidade de efeitos, tanto para novas transferências em moeda nacional como para acesso ao mercado de câmbio, bem como exigir a apresentação dos comprovantes de quitação dos tributos incidentes sobre a operação; as operações de câmbio relativas ao ingresso e ao retorno ao exterior de recursos registrados nas contas de que trata este capítulo são privativas da instituição bancária autorizada a operar no mercado de câmbio depositária dos recursos; as operações de câmbio relativas ao ingresso e ao retorno ao exterior de recursos registrados nas contas de que trata este capítulo devem ser classificadas segundo a identidade das duas pontas envolvidas, de forma a identificar se há, ou não, mesma titularidade. 30. Com relação às movimentações em contas tituladas por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, mantidas no Brasil em moeda nacional, vale transcrever o que dispõe o Banco Central do Brasil no Capítulo II do Título VI da Circular nº 3.691, de 2013: Art. 178. Para fins e efeitos deste título, caracterizam: I ingressos de recursos no País: os débitos efetuados pelo banco depositário em contas tituladas por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, exceto quando se tratar de movimentação direta entre duas contas da espécie; II saídas de recursos do País: os créditos efetuados pelo banco depositário em contas tituladas por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, exceto quando os recursos provierem de venda de moeda estrangeira ou diretamente de outra conta da espécie. Art. 179. O banco depositário dos recursos deve registrar no Sisbacen, transação PCAM260, opção 2, até o segundo dia útil após a realização da operação, todas as transferências internacionais em reais de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais) e aquelas que, independentemente do valor, sejam sujeitas a registro de capitais estrangeiros. § 1º Os registros de que trata o caput abrangem também: I os débitos e créditos realizados em contrapartida à liquidação de operações de câmbio, de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais), classificadas sob a naturezafato “72502”; II as movimentações diretas de recursos entre contas de residentes, domiciliados ou com sede no exterior (naturezafato “72605”), de valor igual ou Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10845.901877/201011 Acórdão n.º 3301006.090 S3C3T1 Fl. 11 19 superior a R$10.000,00 (dez mil reais), ainda que estas não caracterizem transferências internacionais em moeda nacional; III as movimentações realizadas em contrapartidas a operações de câmbio não classificadas como disponibilidades no País. § 2º As informações referentes às transferências internacionais em reais de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais) e inferior a R$100.000,00 (cem mil reais), desde que não sujeitas a registro de capitais estrangeiros, poderão ser enviadas ao Banco Central do Brasil, até o dia cinco de cada mês, por meio de arquivo que contenha os dados das transferências efetuadas no mês imediatamente anterior, conforme instruções para sua confecção disponíveis no endereço eletrônico www.bcb.gov.br / menu Câmbio e Capitais Internacionais / Sistemas / Transferências de arquivos. Art. 180. As movimentações para crédito nas contas de que trata este título devem ser efetuadas por meio de: I débito de conta mantida pelo pagador no próprio banco depositário; II acolhimento de cheque de emissão do pagador, cruzado, nominativo ao banco depositário ou ao titular da conta, contendo no verso a destinação dos recursos e a natureza da transferência; ou III TED, emitida por outra instituição financeira em nome próprio, exclusivamente quando a operação for de seu interesse, ou em nome do pagador, devendo a natureza da transferência, em qualquer caso, ser informada no campo “histórico”. Art. 181. Os débitos nas contas de que trata este título devem ser feitos, exclusivamente para crédito em conta titulada pelo beneficiário no País, por meio de: I TED, documento de crédito (DOC) ou qualquer outra ordem de transferência de fundos, emitidos pelo banco depositário em nome do titular da conta, devendo, no caso de TED, a natureza da transferência ser informada no campo “histórico”; ou II cheque administrativo ou de emissão do titular da conta, quando se tratar de depósito à vista, nominativo ao beneficiário, cruzado, contendo no verso a destinação dos recursos e a natureza da transferência. Art. 182. Pode ser realizada com utilização de qualquer instrumento de pagamento em uso no mercado financeiro, inclusive em espécie, a movimentação de valor inferior a R$10.000,00 (dez mil reais). Art. 183. Nas contas tituladas por embaixada, repartição consular ou representação de organismo internacional acreditado pelo Governo brasileiro, a movimentação de qualquer valor pode ser feita em espécie ou com a utilização Fl. 94DF CARF MF 20 de qualquer instrumento de pagamento em uso no mercado financeiro. § 1º Os débitos e os créditos às contas tituladas por embaixadas e repartições consulares estão dispensados de comprovação documental e da declaração do motivo da transferência, devendo essas operações ser classificadas com os códigos apropriados de “Serviços Diversos Receitas e despesas governamentais”. § 2º Os débitos e os créditos às contas tituladas por organismos internacionais acreditados pelo Governo brasileiro estão dispensados de comprovação documental, devendo essas operações ser classificadas com os códigos apropriados com base nas informações prestadas. § 3º O disposto neste artigo não se aplica às movimentações de recursos em contas particulares de funcionários das referidas entidades. Art. 184. Nas movimentações de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais) é obrigatória a identificação da proveniência e destinação dos recursos, da natureza dos pagamentos e da identidade dos depositantes de valores nestas contas bem como dos beneficiários das transferências efetuadas, devendo tais informações constar do dossiê da operação. Parágrafo único. Devem os cheques utilizados para a movimentação das contas de que trata este capítulo conter, no verso, as informações que permitam efetuar a identificação a que se refere o caput. Art. 185. O banco depositário, recebendo instruções para movimentação em conta de pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior sem o atendimento ao contido neste capítulo, não efetivará a operação, devendo adotar os procedimentos regulamentares para a rejeição ou a devolução do instrumento de pagamento, caracterizando tratarse de transferência internacional em reais. Art. 186. Nas movimentações em contas de que trata este capítulo, relativamente a aplicações financeiras e resgates na própria instituição pelo titular da conta, a operação deve ser classificada sob o código de natureza “72605”, exclusivo para movimentações em reais para fins de registro de aplicações financeiras e resgates no próprio banco depositário, observado que em qualquer caso a destinação ou a proveniência dos recursos deve ser declarada no campo “Outras Especificações” da tela de registro de movimentação do Sisbacen ou do leiaute do arquivo de que trata o § 2º do art. 179. (grifouse) 31. Estabelecem, pois, os arts. 178, I, 181, I e II, 182 e 184, pré citados, que caracterizam “ingressos de recursos no País os débitos efetuados pelo banco depositário em contas em moeda nacional tituladas por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior”, devendo tais débitos “ser feitos, exclusivamente para crédito em conta titulada pelo beneficiário no País, por meio de: I) TED, documento de crédito Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10845.901877/201011 Acórdão n.º 3301006.090 S3C3T1 Fl. 12 21 (DOC) ou qualquer outra ordem de transferência de fundos, emitidos pelo banco depositário em nome do titular da conta, devendo, no caso de TED, a natureza da transferência ser informada no campo “histórico”; ou II)cheque administrativo ou de emissão do titular da conta, quando se tratar de depósito à vista, nominativo ao beneficiário, cruzado, contendo no verso a destinação dos recursos e a natureza da transferência”. 32. Vale notar que pode ser realizada “com utilização de qualquer instrumento de pagamento em uso no mercado financeiro, inclusive em espécie, a movimentação de valor inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais)”, bem como que nas “movimentações de valor igual ou superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais) é obrigatória a identificação da proveniência e destinação dos recursos, da natureza dos pagamentos e da identidade dos depositantes de valores nestas contas bem como dos beneficiários das transferências efetuadas, devendo tais informações constar do dossiê da operação”, devendo os cheques utilizados para a movimentação das contas em pauta conter, no verso, as informações que permitam efetuar a identificação acima referida. 33. Enfim, diante da clareza das normas emanadas pela autoridade monetária, concernentes à movimentação de recursos em moeda nacional mantidos em conta no País titulada por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, bem como tocantes à manutenção em banco autorizado a operar no mercado de câmbio de conta de depósito em moeda estrangeira por pessoa residente ou domiciliado no exterior, concluise que a utilização de qualquer dos mecanismos de pagamento contemplados por tais normais, já aqui destacados, para honrar obrigações contraídas no País decorrentes de serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, atende ao segundo requisito legal para fins de fruição do benefício da não incidência/isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre a receita bruta, i.e., a exigência de que o pagamento represente ingresso de divisas no País. 34. Ademais, não seria razoável presumir que a facilidade operacional concernente à movimentação de recursos, mantidos em conta no País titulada por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, disponibilizada de forma a não desestimular a realização de transações internacionais, seja capaz de alterar a essência das próprias transações. 35. No entanto, diante das características da regulamentação da matéria cambial, as quais, sob a ótica fiscal, demandam a adoção de certas precauções, é de essencial importância consignar que, para caracterização do atendimento da exigência de que o pagamento represente ingresso de divisas no País, não basta o débito em conta mantida no Brasil titulada por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior. Persistirá, sempre, a necessidade do nexo causal entre o pagamento recebido por uma pessoa jurídica nacional mediante o Fl. 96DF CARF MF 22 débito em conta dessa natureza, e a efetiva prestação dos serviços à pessoa residente, domiciliada ou com sede no exterior. 21.Portanto, diante das claras regras de controle estabelecidas pelo BACEN, cabe ao recorrente a comprovação do nexo causal entre os ingressos de divisas no território nacional e a sua receita, por efetiva prestação de serviços, considerandose efetiva a prestação de serviço aquela devidamente comprovada por documentos hábeis a vincular a sua receita ao ingresso de divisas, para que se cumpra o requisito aqui examinado. A COMPROVAÇÃO DAS CONDIÇÕES PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO 22.A efetiva prestação de serviços pode ser comprovada, por exemplo, pela indicação dos números de Conhecimentos de Carga (Bill of Lading) a que se referem as notas fiscais, quando de sua emissão pela pessoa jurídica brasileira como suporte documental a seu faturamento por serviços prestados de agenciamento marítimo, contra o transportador estrangeiro ou seu representante no Brasil que age na condição de mero mandatário. 23.Notese que a necessidade de verificação da efetiva prestação de serviços, e não somente de simples comprovação de que conta de estrangeiro mantida no País seja origem de pagamento recebido, decorre de características da regulamentação que trata das movimentações em contas dessa natureza, tais como: a possibilidade de haver redepósitos; a possibilidade de depósitos terem como procedência “outras origens”; a impossibilidade, e até mesmo a inviabilidade, de os controles existentes cercarem as operações envolvendo valores inferiores a R$ 10.000,00; a possibilidade de depósitos envolvendo valores inferiores a R$ 10.000,00 serem efetivados mediante qualquer instrumento de pagamento em uso no mercado financeiro, inclusive em espécie. 24. Verificase, desse modo, que as receitas decorrentes de pagamentos relativos à prestação dos serviços a residente, domiciliado ou com sede no exterior, representado por pessoa jurídica domiciliada no País, agindo em nome e por conta do mandante, são atingidas pelo manto isencional, disposto no art. 6º, II, da Lei nº10.833, de 2003, e no art. 14, inciso III e § 1º da MP 2.15831, de 2001, desde que tais pagamentos sejam efetuados : por meio de regular ingresso de moeda estrangeira; de débito em conta em moeda nacional titulada pela pessoa tomadora residente, domiciliada ou com sede no exterior, mantida e movimentada na forma da regulamentação em vigor; ou ainda, no caso de tomador transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior, com a utilização dos recursos objetos de registros escriturais de que trata o Capítulo IX do Título VII da Circular BACEN nº 3.691, de 2013. 25. Para fins de cumprimento dos requisitos legais para fruição do benefício da isenção da COFINS na hipótese aqui analisada, Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10845.901877/201011 Acórdão n.º 3301006.090 S3C3T1 Fl. 13 23 não se considera válida qualquer forma de pagamento a pessoa jurídica domiciliada no Brasil, em razão de serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, que não se enquadre entre aquelas admitidas pela Circular BACEN nº 3.691, de 2013. 26. Por exemplo, não seriam objeto de isenção, no caso em exame, receitas resultantes de pagamentos realizados por qualquer outra pessoa física ou jurídica que não a própria pessoa residente, domiciliada ou com sede no exterior, tratese esta outra pessoa de representante da pessoa estrangeira ou não. Tal hipótese, evidentemente, não se confunde com a ação de representante na condição de mero mandatário, ou seja, agindo não em nome próprio, mas em nome e por conta da pessoa residente, domiciliada ou com sede no exterior. Por essa razão a importância da comprovação do nexo causal entre a efetiva prestação de serviço ao tomador domiciliado no exterior e a receita da recorrente. 27. Mesmo que o representante no País de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior tenha sob sua guarda recursos de titularidade do seu representado, oriundos de receitas auferidas, por exemplo, em razão de transporte internacional realizado a residente, domiciliado ou com sede no País, o pagamento realizado utilizando tais recursos, diretamente a prestador de serviços brasileiro, sem transitar por conta, em moeda nacional ou estrangeira, titulada por pessoa residente, domiciliada ou com sede no exterior, não é válido para fins de reconhecimento da isenção em pauta. 28.Ou seja, caso a pessoa física ou jurídica estrangeira se aproveite de quaisquer ajustes negociais, ou mesmo no caso de se valer de recursos anteriormente recebidos por seu representante no País, ou por agente consolidador de carga, sem transitar por conta de sua titularidade no País, considerase não atendida a exigência relativa ao ingresso de divisas. Neste caso, conseqüentemente, não será possível a fruição do benefício da isenção da Cofins pela receita do prestador de serviços nacional. 29.Cabe ainda ressaltar que, em qualquer caso, as receitas auferidas pela pessoa jurídica com a prestação de serviços vinculados a contratos firmados com pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior, ou com seu mandatário, devem ser discriminadas nos livros fiscais desse prestador de forma que permita a sua perfeita identificação, e a demonstração inequívoca de que o pagamento dos serviços por ela prestados deuse na forma das normas cambiais vigentes à época dos fatos. 30.Em suma, somente quando atendidas as normas estabelecidas pela Circular BACEN nº 3.691, de 2013, em vigor desde 4 de fevereiro de 2014, para o pagamento das despesas incorridas no País pela pessoa tomadora residente ou domiciliada no exterior, fica caracterizado o efetivo ingresso de divisas no País, autorizando a aplicação das normas isentivas do artigo 6º, Fl. 98DF CARF MF 24 inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003 e 14, inciso III, e parágrafo 1º da MP 2.15835, de 2001; ou seja, nos termos da legislação cambial ora vigente, as receitas decorrentes de pagamentos relativos à prestação dos serviços para residente, domiciliado ou com sede no exterior, representado por pessoa jurídica domiciliada no País, agindo em nome e por conta do mandante, são protegidas pelo manto isencional com relação á COFINS, desde que tais pagamentos sejam efetuados por meio: 1) de regular ingresso de moeda estrangeira; 2) de débito em conta em moeda nacional titulada pela pessoa tomadora residente, domiciliada ou com sede no exterior, mantida e movimentada na forma da regulamentação em vigor; 3) ou ainda, no caso de tomador transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior, com a utilização dos recursos objeto de registros escriturais de que trata o Capítulo IX do Titulo VII da Circular Bacen nº 3.691, de 2013; ainda que seja utilizada forma de pagamento válida para o fim de enquadramento na hipótese de isenção em foco, persistirá, sempre, a necessidade da comprovação do nexo causal entre o pagamento recebido por uma pessoa jurídica domiciliada no País e a efetiva prestação dos serviços à pessoa, física ou jurídica, residente, domiciliada ou com sede no exterior; não se considera beneficiada pela isenção da COFINS, a prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior cujo pagamento se der mediante qualquer outra forma de pagamento que não se enquadre entre as hipóteses listadas em normas estabelecidas pelo Banco Central do Brasil. os serviços alcançados pela norma de isenção da Cofins, deverão ser contratados por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, ainda que por meio de seu mandatário no País, não abrangendo, porém, os serviços que este, em nome próprio, venha a contratar com a recorrente, ainda que para atendimento de demanda do transportador/armador domiciliado no exterior. as receitas auferidas pela pessoa jurídica com a prestação de serviços vinculados a contratos firmados com pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior, ou com seu mandatário, devem ser discriminadas nos livros fiscais desse prestador de forma que permita a sua perfeita identificação, e a demonstração inequívoca de que o pagamento dos serviços por ela prestados deuse na forma das normas cambiais vigentes à época dos fatos. 31.Diante de todo o exposto no tópico, cabe á recorrente as comprovações dos efetivos ingressos de divisas no território nacional, de acordo com as regras do BACEN, do nexo causal entre a receita de prestação de serviços devidamente registrada e documentada em sua escrita contábil e fiscal e a efetiva prestação de serviço ao tomador, além de seu vínculo jurídico Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10845.901877/201011 Acórdão n.º 3301006.090 S3C3T1 Fl. 14 25 com o representante legal do tomador de serviço e deste representante com o próprio tomador, domiciliado no exterior. 32.Por derradeiro, há que se esclarecer dois pontos : A apresentação de provas e a realização de diligências : O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, é claro ao estabelecer no seu artigo 16 os requisitos para apresentação da impugnação, onde se destacam que a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (artigo 16, III) e as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito (artigo 16, IV), sendo que no seu artigo 29 estabelece que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, ou seja, a diligência tem como pressuposto a busca de esclarecimentos para subsidiar o julgador na sua decisão, não se prestando á produção de provas que devem ser apresentadas pela Recorrente. O ônus da prova : Diante da afirmativa da recorrente de que “ a Recorrente que está pretendendo a nãoincidência do Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, é apenas uma prestadora de serviço do agente/representante nacional do armador estrangeiro, apenas manobram os navios. Assim, causa tamanha indignação, a exigência de tais documentos, vez que o contrato de representação é feito entre o agente/representante e o armador estrangeiro, sendo que apenas estes podem suprir tal exigência, por não ter a Recorrente qualquer vínculo entre essa relação. Novamente, razão não assiste a Recorrida uma vez que ficou exaustivamente demonstrado no presente Recurso, através da citação nas normas emanadas pelo Bacen. Ressaltase novamente a condição do Recorrente de mero prestador de serviços ao agente/representante nacional. Assim, frisa que todas as exigências referentes à comprovação do ingresso de divisas devem ficar a cargo do agenterepresentante nacional, visto que é este quem recebe as receitas do transportador estrangeiro. Assim, quem pode comprovar o regular ingresso de divisas, além do agente/representante nacional, é o Banco Central.”, negandose, portanto, a apresentar comprovação de seu direito, devemos nos socorrer do corolário jurídico estabelecido no artigo 373 da Lei nº 13.105/2015 – Código de Processo Civil : Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 100DF CARF MF 26 no caso presente, tendo a recorrente apresentado Declaração de Compensação onde apresenta um crédito a seu favor, como direito constituído á época da transmissão da DCOMP, cabe ela, recorrente, o ônus da prova dos fatos e documentos constitutivos do seu direito. Conclusão 33.Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e NÃO RECONHEÇO o direito creditório pleiteado, por absoluta falta de provas. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NÃO RECONHECER o direito creditório pleiteado, por absoluta falta de provas. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.689970/2009-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 30/09/2006
COMPENSAÇÃO. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO.
A compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação da existência do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes.
Numero da decisão: 3301-006.340
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação da existência do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata-se de pedido de formalizado por meio de PER/DCOMP, visando a compensar o valor do seu pretenso crédito de COFINS com outros débitos do contribuinte. A DCOMP foi analisada eletronicamente pelos sistemas de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que emitiu Despacho Decisório, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada. O Despacho Decisório atesta que o a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 99 70 /2 00 9- 82 Fl. 2459DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.340 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689970/2009-82 integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual, de maneira repetitiva e mencionando diversas informações alheias ao presente processo administrativo, discorda do despacho decisório, alegando, em apertada síntese, que: a) ao revisar sua escrita fiscal, constatou haver recolhido indevidamente contribuições a título de PIS e COFINS sobre diversos produtos que comercializa, os quais tiveram suas alíquotas incidentes sobre a venda reduzidas a zero, em 2004, 2006 e 2007 ; b) o valor do ICMS incluído no preço de venda, objeto de julgamento em curso no STF, não é receita da empresa, mas sim do Estado, devendo ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS; c) tendo recalculado seus valores devidos de PIS e COFINS com a exclusão das parcelas acima mencionadas, compensou os com seus créditos decorrentes de FINSOCIAL (ação judicial transitada em julgado), de IRPJ e CSLL (recolhimento a maior por não haver incluído os créditos de PIS e COFINS no seu custo) e dos próprios PIS e COFINS recolhidos indevidamente em 2004, 2006 e 2007; os seus Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais – DACON do período abrangido, quando exigíveis, foram retificados, sendo impedido de efetuar o mesmo procedimento quanto às correspondentes Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, por estar sob fiscalização; d) não haveria óbice à compensação declarada no caso em tela e) Por fim, entende demonstrada a insubsistência e a improcedência do Despacho Decisório, requerendo o acolhimento da Manifestação de Inconformidade e a homologação da compensação conforme pleiteada. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, com base no entendimento de que a compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes. Na decisão, foi ainda registrado que consideram-se confessados os débitos declarados na DCTF, pelo que qualquer retificação posterior deve-se fundar em documentação idônea, em especial a escrituração contábil, que justifique as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade, aos quais adicionou o seguinte: houve cerceamento do direito de defesa, porque a DRJ julgou improcedente sua manifestação de inconformidade, sem determinar que fosse realizada diligência para confirmar a legitimidade do crédito. Após a protocolização do recurso voluntário, o contribuinte carreou aos autos petição em que relata que possuía créditos derivados de pagamentos indevidos de PIS e COFINS, realizados sobre vendas de produtos cuja tributação pelas contribuições estava com a alíquota reduzida a zero ou que teriam sido tributadas em etapas anteriores da cadeia produtiva, sob o regime de substituição tributária. Estes créditos foram utilizadas em diversas compensações, instruídas por PER/DCOMP. Fl. 2460DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.340 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689970/2009-82 Tal petição foi acompanhada de Laudo Técnico, referente a pesquisa sobre a legislação e aplicação de testes em registros contábeis e fiscais e cuja conclusão foi a seguinte: "1. Há fundamentação legal para os casos de créditos de PIS e da Cofins, pleiteados pela CALVO, decorrentes de vendas de mercadorias com redução de tributação desses encargos a 0% (zero por cento) ou com substituição tributária, para o período de janeiro de 2004 a janeiro de 2007; 2. As transações comerciais da CALVO são realizadas em grande volume diário, como é de praxe em operações de atacado e varejo de mercadorias de consumo alimentício, bebidas, higiene, cigarros, etc.; 3. Mesmo considerando o elevado o número de operações comerciais diárias, foi possível apurar que há consistência nos registros contábeis e fiscais nesse mencionado período, para determinação de bases de cálculo do PIS e da Cofins, bem como do cumprimento das obrigações acessórias tributárias pertinentes; 4. Há elementos de comprovação das operações comerciais realizadas, incluindo aquelas que foram objeto de pleito de créditos de PIS e da Cofins pela Administração da CALVO, no período de janeiro de 2004 a janeiro de 2007;" Reiterou o pedido de homologação da compensação ou, no mínimo, que fosse realizada diligência. Mencionou, ainda, decisão judicial, que teria determinado que todos os recursos administrativos teriam de ser decididos em 360 dias, nos termos do art. 24 da lei n° 11.457/07. Posteriormente, juntou-se aos autos nova petição no intuito de complementar a anterior, trazendo fatos novos, quais sejam: i) decisão do STF, em sede de repercussão geral, sobre a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; e ii) Laudo Técnico Complementar, referente à análises dos créditos de PIS e COFINS derivados de pagamentos indevidos sobre vendas tributadas à alíquota zero ou sob regime de substituição tributária e referentes à inclusão do ICMS nas bases de cálculo. Tais análises, aplicaram teses sobre os valores de ICMS excluídos das bases de cálculo e sobre a documentação relativa às vendas cujas alíquotas estavam reduzidas a zero e sob o regime de substituição tributária. O referido laudo traz dois anexos. No primeiro, as apurações de PIS e COFINS retificadas. E, no segundo, planilhas com as informações contidas em algumas notas fiscais, citadas de forma exemplificativa, cujas vendas teriam sido equivocadamente submetidas à tributação regular pelas contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, Fl. 2461DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.340 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689970/2009-82 de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-006. 325, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.689955/2009-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.325): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Preliminar Alegou que a decisão da DRJ seria nula, pois, ao não determinar a realização de diligência para confirmar a legitimidade dos créditos da recorrente, teria cerceado seu direito à ampla defesa e ao contraditório. O ônus de comprovar a existência do direito creditório - pagamentos a maior de PIS e COFINS - é de quem alega detê-lo (inciso I do art. 373 da Lei n° 13.105/15 - Código de Processo Civil). E minha interpretação sistemática do Decreto n° 70.235/72 e da Lei n° 9.784/99 é a de que a diligência não se presta para produzir provas, porém esclarecer dúvidas. Assim, cumpria à recorrente o dever de juntar aos autos a documentação suporte dos créditos. Se não o fez, não cabe às instâncias julgadoras solicitar diligências para que seja então trazida a documentação capaz de legitimar os créditos. Nego provimento. Mérito Trata-se de pagamento supostamente a maior de PIS relativo ao mês de setembro de 2006. A recorrente alegou que o pagamento indevido foi resultado da inobservância das legislações fiscais aplicáveis. E trouxe extensos relatórios de auditoria, cujos trabalhos serviriam de prova da legitimidade dos créditos ou, pelo menos, de motivo para que esta turma converta o julgamento em diligência. Os trabalhos de auditoria consistiram em pesquisas nas legislações e aplicação de testes sobre registros contábeis e fiscais. O objetivo foi o de verificar se os procedimentos de cálculo dos créditos de PIS e COFINS estavam de acordo com as legislações aplicáveis e se tinham suporte em registros contábeis e livros, declarações e notas fiscais. Nos relatórios, consignaram que os resultados foram plenamente satisfatórios, isto é, em princípio, poder-se-ia acreditar que a recorrente realmente detinha o direito creditório. Não obstante, meu voto é por negar provimento ao recurso voluntário, por ausência de provas, isto é, pelo mesmo motivo alegado pela DRJ. E por que assim concluí? Em relação ao período de apuração em comento, setembro de 2006, há apenas aquela que seria a "nova" apuração do PIS e por meio do qual não se apura contribuição a pagar - inferir-se-ia, em princípio, que o valor total recolhido de R$ 14.907,60 seria indevido e, portanto, compensável. Contudo, não foram juntados aos autos: o balancete contábil do mês de setembro de 2006, devidamente conciliado com a nova base de cálculo e, notadamente, com as exclusões do ICMS e das vendas supostamente não tributáveis; conciliação da "nova" base de cálculo com DCTF e DACON Retificadores; e as notas fiscais das vendas não tributáveis ou pelo mesmo uma amostra, devidamente acompanhada de conciliações com os livros contábeis e fiscais e a "nova" apuração. E, em virtude da a ausência de tais documentos, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 2462DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.340 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689970/2009-82 Não obstante, cumpre consignar que os conteúdos dos Laudos Técnicos constantes dos autos parecem-me robustos. E que, de forma alguma, este relator deixou de conferir- lhes o devido valor. Contudo, para que reconheçamos um direito creditório, há de existir provas nos autos. Também tenho o dever de mencionar que esta turma privilegia, sempre que admissível, os Princípios da Verdade Material e do Formalismo Moderado. Por diversas vezes, converteu julgamentos em diligências, quando verificou que havia nos autos, senão a totalidade, porém substancial parcela dos documentos que davam suporte ao direito creditório pleiteado. Contudo, reitero que, no caso em tela, sobre o período de apuração de setembro de 2006, há, apenas, a "nova" apuração, o que é definitivamente insuficiente como prova da legitimidade do crédito, bem como para motivar a conversão do julgamento em diligência. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 2463DF CARF MF
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