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Numero do processo: 10980.726426/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 28/02/2007, 17/10/2007, 13/12/2007
ÔNUS DA PROVA. CONSTITUIÇÃO DO FATO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO.
É ônus da fiscalização munir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Na ausência de provas, o lançamento tributário deve ser cancelado.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro José Henrique Mauri.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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CONSTITUIÇÃO DO FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. É ônus da fiscalização munir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Na ausência de provas, o lançamento tributário deve ser cancelado. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro José Henrique Mauri. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase auto de infração que constituiu a exigência de IOF, da ordem de R$ 8.169.100,97, acrescido de multa de ofício à razão de 75% e juros de mora, totalizando o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 64 26 /2 01 1- 15 Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10980.726426/201115 Acórdão n.º 3301004.632 S3C3T1 Fl. 602 2 crédito de R$ 18.217.794,03, por falta de cobrança e recolhimento do imposto sobre operações de repasse de recursos em dinheiro, concedido por pessoa jurídica não financeira a outras pessoas jurídicas, caracterizadas como operações de mútuo. As seguintes contas contábeis foram autuadas: Constou no termo de verificação fiscal, efls. 8793: Em 30 de agosto de 2011 foi lavrado o Termo de Início de Fiscalização, solicitando os contratos de mútuo, realizados com pessoas físicas e jurídicas no anocalendário de 2007 e os DARFs referentes aos recolhimentos de IOF sobre mútuos. Em 28 de setembro de 2011 o contribuinte apresentou os contratos de AFAC, a 25ª Alteração do Contrato Social da Global Village Telecom Ltda e o Aditamento do Contrato de PIK Notes; esclarecendo que os AFACs foram adicionados ao capital da mutuária através da alteração contratual acima citada. Em 03 de outubro de 2011 foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal para que o contribuinte apresentasse: 1.Apresentar a(s) Alteração(ões) do Contrato Social anteriores a de n° 25ª, firmada em 04 de novembro de 2009, mas lavradas a partir de 01 de janeiro de 2007 da Global Village Telecom Ltda, CNPJ 03.420.926/000124; 2.Apresentar o Aditamento do Contrato de PIK Notes, datado de 28 de junho de 2011, traduzido para o vernáculo; 3. Apresentar o Contrato que deu origem ao Aditamento do Contrato de PIK Notes, datado de 28 de junho de 2011, traduzido para o vernáculo; 4. Apresentar o(s) contrato(s) referente aos lançamentos abaixo descritos, lançados no Razão n° 10 (2007) e 11 (2008): Fl. 602DF CARF MF Processo nº 10980.726426/201115 Acórdão n.º 3301004.632 S3C3T1 Fl. 603 3 Em sua Resposta ao Termo de Intimação Fiscal, recebida em 14 de outubro de 2011, o contribuinte apresenta parte dos documentos, solicitando prorrogação do prazo para apresentação do Contrato de "PIK Notes": Em 18 de novembro de 2011 foi apresentada resposta sobre a impossibilidade de localizar o Contrato de "PIK Notes" e esclarecimento sobre o valor do «PIK Notes» escriturado na contabilidade: "A GVT (Holding) na impossibilidade de localizar o contrato original que deu origem ao aditamento do contrato de PIK Notes, vem apresentar esclarecimentos relativos a operação mercantil realizada. A Global Village Telecom Ltda emitiu PIK Notes, as quais estavam em poder da GVT (Holding) S.A., no montante principal era de US$ 206.759.866,79 (duzentos e seis milhões e setecentos e cinquenta e nove mil e oitocentos e sessenta e seis dólares americanos e setenta e nove centavos), valor este atualizado para US$ 222.446.645,11 (duzentos e vinte e dois milhões e quatrocentos e quarenta e seis mil seiscentos e quarenta e cinco dólares americanos e onze centavos), convertidas na data da operação à cotação do dia R$ 2,0960, totalizando R$ 466.248.168,15 (quatrocentos e sessenta e seis milhões duzentos e quarenta e oito mil e cento e sessenta e oito reais e quinze centavos). Ressaltase que tais valores encontramse devidamente escriturados na contabilidade à época da operação, como pode ser visto no Livro Diário e no controle de Variação Cambial apresentado em 19 de Agosto de 2011, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 09.1.01.002011008885." CONTRATOS DE MÚTUO PIK NOTES Conforme relatado acima o Contrato original do "PIK Notes" não foi apresentado. Tendo sido apresentado o Aditamento ao Contrato de ‘PIK Notes’ datado de 28 de junho de 2011, traduzido para o vernáculo, na Resposta recebida em 14 de outubro de 2011. Porém, foi registrado na contabilidade no Razão n° 10, referente ao anocalendário de 2007, na conta contábil n° 12125105 (TÍTULOS A RECEBER LP) em 28/02/2007 o Contrato "PIK Notes" no valor total de R$466.248.168,12 (quatrocentos e sessenta e seis milhões duzentos e quarenta e oito mil e cento e sessenta e oito reais e doze centavos). Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10980.726426/201115 Acórdão n.º 3301004.632 S3C3T1 Fl. 604 4 GVT CAPITAL N.V. Na Resposta ao Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 03/10/11, recebida em 14 de outubro de 2011, foi apresentado pelo contribuinte o Contrato de Mútuo, firmado em 19 de outubro de 2007, realizado com a empresa GVT Capital N.V. das Antilhas Holandesas no valor de US$ 22.540.000,00 (vinte e dois milhões quinhentos e quarenta mil dólares americanos), com vencimento para o dia 30/06/2011. Este contrato de mútuo foi escriturado na conta contábil n° 12125102 (EMPRÉSTIMO PL GVT CAPITAL NV) em 17/10/2011 no valor de R$ 40.707.240,00 (quarenta milhões setecentos e sete mil e duzentos e quarenta reais). MERIDIANA CAYMAN Na Resposta ao Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 03/10/11, recebida em 14 de outubro de 2011, foi apresentado pelo contribuinte o Contrato de Mútuo, firmado em 13 de dezembro de 2007, realizado com a empresa Meridiana Cayman das Ilhas Cayman no valor de R$ 37.346.180,03 (trinta e sete milhões trezentos e quarenta e seis mil cento e oitenta reais e três centavos), com vencimento para o dia 13/10/2011. Este contrato de mútuo foi escriturado na conta contábil nº 12125106 (EMPRÉSTIMO LP MERIDIANA CAYMAN) 13/12/2007 no valor de RS 37.651.323,58 (trinta e sete milhões seiscentos e cinquenta e um mil trezentos e vinte e três reais e cinquenta e oito centavos). FALTA DE RECOLHIMENTO DE IOF SOBRE MÚTUO O item 3 do Termo de Início de Fiscalização determinava a apresentação dos DARF’s sobre as operações de mútuo. Em nenhum momento da auditoria fiscal foram apresentados os DARF’s referentes os mútuos acima citados. Portanto o contribuinte infringiu o disposto no artigo 2º, inciso I, alínea “c” do Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007, in verbis: (...) Os argumentos da impugnação foram assim resumidos pela DRJ: 6. Tempestivamente foi apresentada impugnação ao feito, nos seguintes termos, que a autoridade administrativa levou em consideração duas operações distintas, tomando ambas como hipótese de incidência do IOF, quais sejam: (i) mútuo de recursos financeiros e (ii) operações que envolveram a transferência de dívidas (cessões de crédito/assunção de dívida). 7. Sustenta que a exigência não deve prosperar, pelas seguintes razões: que o auto de infração é nulo em parte, por ausência de fundamentação do próprio auto e do termo de verificação e encerramento da ação fiscal quanto à ocorrência e identificação do fato gerador e de sua base legal, bem como a do sujeito passivo, em relação ao qual o fisco não estabeleceu a posição em que se encontra a Impugnante se contribuinte ou responsável pelo recolhimento do tributo, em claro cerceamento de defesa; que a operação denominada PIK NOTES não configura mútuo, mas sim cessão de crédito, que não é hipótese de incidência do IOF Crédito, nos termos do artigo 13 da Lei n° 9.779/99 e do entendimento pacífico da própria Receita Federal em soluções de consulta e ato declaratório, corroborado Fl. 604DF CARF MF Processo nº 10980.726426/201115 Acórdão n.º 3301004.632 S3C3T1 Fl. 605 5 por parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN); que o conceito de mútuo é legal e não comporta interpretações extensivas. Nos contratos de mútuo firmados com a GVT Capital NV e Meridiana Cayman, regulados pelos artigos 586 a 592 do Código Civil, não há concessão de crédito, mas somente a criação de uma obrigação ao mutuário a restituir ao mutuante aquilo que recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade e que o artigo 13 da Lei n° 9.779/99 é inconstitucional, uma vez que institui nova hipótese de incidência do IOF, alargando a sua base de cálculo, em afronta ao disposto no artigo 153, V da Constituição Federal, no artigo 1o da Lei n° 5.143/66 e no artigo 63 da Lei n° 5.172/66 (CTN). 8. Atacando cada um dos pontos acima, afirma que o lançamento referente à operação de PIK NOTES é parcialmente nulo uma vez que a exigência do IOF foi justificada única e exclusivamente pelos lançamentos na conta contábil "TÍTULOS A RECEBER A LONGO PRAZO". A partir dessa informação, o fiscal autuante conclui, precipitadamente, tratarse de contrato de mútuo, que em momento algum a autuação ou mesmo o termo de verificação apresenta qualquer justificativa ou mesmo demonstra o enquadramento da situação fática como efetiva hipótese de incidência do IOFCrédito enquanto operação de mútuo. 9. Destaca que o fisco deveria, obrigatória e privativamente, realizar o procedimento administrativo a fim de efetivamente verificar a ocorrência do fato gerador (no caso, verificar se a operação efetivamente configura contrato de mútuo), bem como demonstrar a correlação do suposto fato com a hipótese de incidência do IOF. Isso é o que determina o Código Tributário Nacional; que, ainda que a natureza da operação não estivesse clara para a fiscalização, essa não poderia, sem qualquer substrato fático ou documental, lavrar a autuação ora combatida. Deveria, no mínimo, ter intimado novamente a empresa para apresentação de esclarecimentos e que não restou definida se a obrigação tributária decorre de fato gerador praticado pela Impugnante enquanto contribuinte ou se a ela imputouse a obrigação de recolhimento de tributo por fato gerador alheio, enquanto responsável, fato que corrobora a nulidade do lançamento por vício substancial. 10. Reafirma que a operação denominada PIK Notes é cessão de crédito e não operação de mútuo e, portanto, não é hipótese de incidência do IOFCrédito, nos termos do artigo 13 da Lei n° 9.779/99; que o lançamento contábil que deu origem à presente autuação, no tocante à operação de PIK NOTES, em verdade, trata de operação de cessão de crédito e não de contrato de mútuo. Assim, defende que a cessão de crédito não atrai a incidência de IOF, de forma que imperioso o cancelamento da exigência contida na autuação ora combatida. 11. Ainda com relação à cessão de crédito, afirma que tal operação está regulada pelos artigos 286 e seguintes do Código Civil e, como tal, não opera a criação de nova obrigação, mas tão somente a subrogação do cessionário na qualidade creditória do cedente. Há a translação de sujeitos no polo ativo da relação creditícia. Não obstante a mutação subjetiva, resta intocada a substância da obrigação, conservandose todas as características que a definem. Assim, nas operações nas quais haja somente a cessão de crédito, não há o surgimento de uma operação de concessão de crédito, mas tão somente a transferência de um direito que pode ou não ter tido sua origem em um contrato de mútuo, mas também pode ter se originado mediante qualquer outro contrato. Conclusão inexorável é que nas operações de cessão de crédito não resta configurada hipótese de operação de crédito a atrair a incidência do IOF. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10980.726426/201115 Acórdão n.º 3301004.632 S3C3T1 Fl. 606 6 12. Faz menção expressa ao Ato Declaratório SRF n° 30, de 24 de março de 1999, é claro ao afirmar que o IOF não incide sobre as transferências de dívida, transcrevendo o disposto em seu artigo 2º. Menciona algumas Soluções de consulta, as quais não se aplicam ao caso em concreto de vez que em todas elas um dos pólos da operação é uma instituição financeira e, destaca o conteúdo do Parecer PGFN/CAT nº 1.709, de 2005 que também não pode servir de: amparo já que direcionado às empresas que exercem atividade de factoring. Ilustra, ainda, com manifestação jurisprudencial. 13. Volta a repisar que o conceito de mútuo é legal e não comporta interpretações extensivas, contratos de mútuos realizados com GVT Capital NV e Meridiana Cayman, regulados pelos artigos 586 a 592 do Código Civil, não há concessão de crédito para fins de IOF, mas somente a criação de uma obrigação ao mutuário a restituir ao mutuante aquilo que recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. 14. Como último argumento alega a inconstitucionalidade e a ilegalidade do artigo 13 da Lei n° 9.779/99 por instituir nova hipótese de incidência do IOF, com alargamento da sua base de cálculo uma vez que o IOF é imposto incidente sobre operações de crédito e não sobre o patrimônio. 15. Ao final pede que seja julgada procedente a impugnação, com a extinção do crédito tributário e consequente arquivamento do processo fiscal instaurado. A 2ª Turma da DRJ/CTA, acórdão n° 0637.418, negou provimento à impugnação, com decisão assim ementada: AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. Tendo o auto de infração sido lavrado com base em elementos de prova produzidos pelo sujeito passivo, perfeitamente identificados na descrição dos fatos, inexiste obstáculo que impeça o conhecimento da matéria tributável e o exercício da ampla defesa pelo impugnante, razão porque argumentos dessa natureza, invocados para arguir nulidade do procedimento, devem ser rejeitados. FATO GERADOR. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. OCORRÊNCIA. As operações de crédito concedidas por pessoa jurídica a outra pessoa jurídica estão sujeitas à incidência do IOF, sendo do fornecedor dos recursos a responsabilidade pela cobrança e recolhimento do imposto. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE EMPRESAS. INCIDÊNCIA DO IOF. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10980.726426/201115 Acórdão n.º 3301004.632 S3C3T1 Fl. 607 7 OPERAÇÃO DE MÚTUO. INCIDÊNCIA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. As operações de mútuo contratadas entre mutuante constituída e sediada no país e mutuária sediada no exterior estão sujeitas à legislação tributária brasileira, ainda que os recursos tenham sido disponibilizados no exterior. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2007, 17/10/2007, 13/12/2007 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE. Incabível a decretação de nulidade do auto de infração, quando nele contidas as informações necessárias e suficientes para justificar o lançamento. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não se aceita a alegação de cerceamento de defesa quando o auto de detalha o enquadramento legal que efetivamente ensejou a exigência formalizada. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. Em seu recurso voluntário, a empresa repisa os argumentos de sua impugnação, apontando inconsistências no julgamento proferido pela DRJ, principalmente quanto à consideração de que PIK NOTES têm natureza de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital. Requer, preliminarmente, que seja declarada a nulidade parcial da autuação quanto à operação denominada PIK NOTES, por ausência de fundamentação do auto de infração e do termo de verificação fiscal quanto à ocorrência e identificação do fato gerador e de sua base legal, bem como do sujeito passivo. E, que seja extinto integralmente o auto de infração combatido. Posteriormente, em petição, informou o parcelamento dos débitos referentes aos contratos de mútuo financeiro com as empresas GVT Capital NV e Meridiana Cayman. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10980.726426/201115 Acórdão n.º 3301004.632 S3C3T1 Fl. 608 8 Remanesce controvertida a natureza da operação denominada PIK NOTES, se se trata de operação de crédito sujeita ao IOF ou se é operação de cessão de crédito que não caracteriza operação de mútuo. Preliminar Alega a Recorrente que o auto de infração em relação à operação PIK NOTES é nulo, por falta de fundamentação quanto à ocorrência e identificação do fato gerador e de sua base legal, bem como do sujeito passivo, em relação ao qual o fisco não estabeleceu a posição – se de contribuinte ou responsável pelo recolhimento do tributo, acarretando cerceamento ao direito de defesa. Assim, defende que o cerceamento do seu direito de defesa se deu pela ausência de investigação da operação como um todo, para se aferir se se trata de contrato de mútuo. Entendo que esta preliminar se confunde com o próprio mérito do recurso, por isso tratarei dessas questões a seguir. MÉRITO A autuação, mantida pela DRJ, se deu com base na escrituração dos livros Razão n° 10 (2007) e 11 (2008): Com base nessa escrituração, entendeuse que a empresa GVT Holding seria a mutuante de valores para a mutuária Global Village, sendo, por conseguinte, a responsável pela retenção e o recolhimento do IOF. Incidência de IOF nas operações de mútuo entre as partes relacionadas De acordo com o art. 586 do Código Civil, mútuo é: “Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade.” O CTN definiu os fatos geradores e os contribuintes do IOF, nos seus art. 63 e 66, nos seguintes termos: Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10980.726426/201115 Acórdão n.º 3301004.632 S3C3T1 Fl. 609 9 I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; Art. 66. Contribuinte do imposto é qualquer das partes na operação tributada, como dispuser a lei. O art. 13 da Lei nº 9.779/99, amparado no art. 63, I e art. 66 do CTN, determinou a incidência do IOF sobre as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, conforme as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras, verbis: Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. §1º. Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. §2º. Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. §3º. O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador. Para a incidência do IOF, de acordo com o art. 13 da Lei nº 9.779/99, importa verificar tão somente se estão presentes, no caso concreto, as características essenciais do mútuo, sendo irrelevantes aspectos formais mediante os quais a operação se materializa, bem como a natureza de vinculação entre as partes (coligadas, interrelacionadas, grupo econômico). Dessa forma, uma vez identificados os atributos inerentes ao mútuo (art. 586 do CC), a operação deve sujeitarse a incidência do imposto, independentemente de o crédito estar sendo entregue ou disponibilizado por meio de conta corrente ou por qualquer outra forma. Diante isso, devese aferir se tais elementos foram comprovados pela fiscalização no caso em comento. PIK NOTES e adiantamento para futuro aumento de capital – AFAC A decisão recorrida, equivocadamente, atribuiu aos PIK NOTES a natureza de AFAC. Observase do trecho do voto condutor: 52. Questionada sobre o contrato de PIK Notes apresentou, a seguinte justificativa (fl. 06/07): Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10980.726426/201115 Acórdão n.º 3301004.632 S3C3T1 Fl. 610 10 “Que os valores contabilizados a título de AFAC Adiantamento para Futuro Aumento de Capital registrados com a Global Village Telecom Ltda, no montante de R$ 450.144.372,83 (quatrocentos e cinquenta milhões, cento e quarenta e quatro mil e trezentos e setenta e dois reais e oitenta e três centavos) referemse a um futuro aumento de capital, ao qual a entidade concedente receberá quotas ou ações (neste caso quotas) da entidade recebedora. Nestes contratos não havia previsão de cobrança de juros, exceto em caso de cancelamento do contrato, ao passo que, em caso de cancelamento do acordo a Global Village Telecom Ltda deveria ressarcir a GVT (Holding) S.A no mesmo montante entregue, acrescido de juros. Tais adiantamentos efetivamente foram convertidos em aumento de capital, conforme 25ª Alteração do Contrato Social da Global Village Telecom Ltda.” 53. Intimada a apresentar o contrato original que deu origem ao aditamento do contrato de PIK Notes respondeu à fl. 80 que não foi possível localizálo, mas que os valores foram devidamente escriturados à época da operação, conforme registros. 54. Relativamente às duas outras operações que foram objeto do presente lançamento a contribuinte também não apresentou os comprovantes, conforme documentos de fls. 77/79. Tais fatos foram brevemente relatados no Termo de Verificação Fiscal e constituem a base deste lançamento. 55. E aqui cabe fazer um parêntese para esclarecer alguns pontos. Na peça de defesa a contribuinte afirma que a exigência do IOF foi justificada única e exclusivamente pelos lançamentos na conta contábil "TÍTULOS A RECEBER A LONGO PRAZO" e que, a partir dessa informação, o fiscal autuante conclui, precipitadamente, tratarse de contrato de mútuo, que em momento algum a autuação ou mesmo o termo de verificação apresenta qualquer justificativa ou mesmo demonstra o enquadramento da situação fática como efetiva hipótese de incidência do IOFCrédito enquanto operação de mútuo. 56. Pois bem, por primeiro, cabe ressaltar que os dados referentes aos contratos de mútuo que deram origem à autuação e que serviram de base de cálculo do imposto foram extraídos da contabilidade da própria Interessada, a qual deve retratar de forma fidedigna todos os atos e fatos jurídicos que de alguma forma modificam sua situação patrimonial. Conforme acima transcrito, foram os lançamentos feitos nos livros Razão de nº 10 e 11, que deram origem ao questionamento do fisco. 57. Diante disso, não se podem considerar como razoáveis as alegações da interessada de que desconhece os critérios de formação da base de cálculo em reais do tributo, e de que tal fato teria dificultando sua defesa. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10980.726426/201115 Acórdão n.º 3301004.632 S3C3T1 Fl. 611 11 58. Outro ponto questionado referese ao fato de o fisco não ter demonstrado o enquadramento da situação fática como efetiva hipótese de incidência do IOF. A manutenção de valores de mútuos no realizável a longo prazo constitui, por si só, indicativo suficiente para caracterizar a incidência do IOF. Repisese que intimada a apresentar documentos relativos ao contrato de PIK Notes, nada demonstrou. 59. No mais, a autuada, desenvolve toda a defesa sobre o argumento de que tais contratos não caracterizam mútuos e, desta forma, não estariam sujeitos ao IOF. 60. A autuação referese à cobrança de IOF incidente sobre aporte de capital realizado a título de AFAC, conforme os aportes foram contabilizados pela impugnante. 61. Analisandose a natureza jurídica do AFAC, primeiramente é mister caracterizarmos a operação de adiantamento para futuro aumento de capital. Ocorre que a resposta do contribuinte citada pela DRJ foi em relação ao questionamento da fiscalização quanto os contratos de AFAC, celebrados entre as mesmas partes, os quais, de fato, existiram, pois foram juntados aos autos e acatados pela fiscalização, cf. efls. 11ss. Os adiantamentos para futuro aumento de capital são os recursos recebidos pela empresa, de seus acionistas ou quotistas, a serem utilizados com a finalidade de aumentar o capital social. Para que as quantias a título de AFAC não sejam caracterizadas como mútuo, o recebimento dos recursos financeiros deve estar documentado e escriturado, demonstrando a clara intenção de capitalização pelos quotistas, o que foi comprovado nos autos. Constam nos autos os contratos de AFAC e as correspondentes alterações de contrato social. Logo, as operações autuadas não foram as AFAC, mas sim as PIK NOTES que tem natureza diversa. Operações de PIK NOTES Em intimação no procedimento de fiscalização, indagada sobre a operação PIK NOTES, a empresa informou: Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10980.726426/201115 Acórdão n.º 3301004.632 S3C3T1 Fl. 612 12 Instada a apresentar o contrato da operação, informou que não o localizou, apresentando apenas o seu termo aditivo, efls 8 e s e 54 e s (tradução): O aditivo apresentado tem o título de assunção de dívida. E é nítido que a Global Village Telecom deve à GVT (Holding): Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10980.726426/201115 Acórdão n.º 3301004.632 S3C3T1 Fl. 613 13 Tal aditivo contratual é datado de 28 de junho de 2011, mas reportase a um primeiro acordo em 8 de maio de 2006 (documento que não fora juntado aos autos). Defende a Recorrente que os PIK NOTES são cessões de crédito para a subscrição em aumento de seu capital social pela GVT Capital USA. Os PIK NOTES seriam títulos privados de dívida, emitidos pela Global Village e adquiridos pela GVT Capital USA. Em seguida, a GVT Capital USA utilizou os PIK NOTES para subscrever o aumento de capital da GVT Holding. Na Ata da Reunião do Conselho de Administração da GVT Holding – 14/02/2007, às 17h, consta (efls. 186 e ss): Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10980.726426/201115 Acórdão n.º 3301004.632 S3C3T1 Fl. 614 14 Tais deliberações foram aprovadas por unanimidade, cujo valor é o exato da autuação, R$ 421.147.716, 40: Este valor também está estampado no laudo de avaliação de efls. 190206. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10980.726426/201115 Acórdão n.º 3301004.632 S3C3T1 Fl. 615 15 Por sua vez, na Ata da Reunião do Conselho de Administração da GVT Holding – 14/02/2007, às 18h, consta (efls. 207 e ss): Tais deliberações foram aprovadas por unanimidade, cujo valor é o exato da autuação, R$ 21.517.391,10: Este valor também está estampado no laudo de avaliação de efls. 211228. Diante disso, não entendo ter a empresa reconhecido em sua contabilidade que os recursos em foco passaram de sua titularidade para a titularidade das empresas Global Village Telecom Ltda, como mútuo. Ao contrário, a escrituração na conta contábil “títulos a receber a longo prazo”, pode comportar muitas outras operações que não apenas mútuo entre coligadas. Para a Recorrente a operação com a GVT Capital USA é uma cessão de crédito. Como dito acima, os PIK NOTES seriam títulos privados de dívida, emitidos pela Global Village e adquiridos pela GVT Capital USA. Em seguida, a GVT Capital USA utilizou os PIK NOTES para subscrever o aumento de capital da GVT Holding. Os PIK NOTES aparecem nas Atas como B NPA Notes e PIK B. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10980.726426/201115 Acórdão n.º 3301004.632 S3C3T1 Fl. 616 16 Pelo aditivo PIK NOTES, a Global Village seria devedora da GVT Holding. E, pelas atas e laudo de avaliação juntados aos autos, o titular dos PIK NOTES era a GVT Capital USA, que utilizou esses valores para integralizar o capital da GVT Holding. A integralização “paga” com os PIK NOTES geram o valor a receber pela GVT Holding contra a Global Village em decorrência da integralização de capital social pela GVT Capital USA. A GVT Holding passou a ser a credora dos títulos. Do preâmbulo das atas, consta que houve um processo de reestruturação da dívida da Global Village Telecom. A GVT Holding NV (Antilles) e a GVT Capital USA celebraram contrato no exterior, por meio do qual a GVT Holding NV (Antilles) cedeu à GVT USA os créditos representados por títulos da dívida emitida no exterior pela Global Village Telecom. Indago: a aquisição da dívida da Global Village pela GVT Holding NV (Antilles) seria uma operação de mútuo? Entendo que não, porque não se trata de numerário em circulação ou posto à disposição. A Global Village teria dívidas no exterior que foram consubstanciadas em notas promissórias. Em seguida houve a cessão da GVT Holding NV (Antilles) para a GVT Capital USA. Ressalto: sobre todas essas operações não constam quaisquer outros documentos nos autos. Assim, a cessão da GVT Capital USA para a GVT Holding é a segunda cessão. A cessão de crédito, indubitavelmente, não é uma operação de mútuo, nos termos do art. 286 do CC: Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boafé, se não constar do instrumento da obrigação. Os valores subscritos pela GVT Capital USA condizem com a contabilidade da GVT Holding SA, e consequentemente, com o valor da base de cálculo do IOF autuada. A operação global se encaixa, mas não constam nos autos os títulos emitidos pela Global Village no exterior, não consta nos autos a aquisição dos PIK NOTES pela GVT Capital USA ou outros documentos. Ressalto que é absolutamente lícito a integralização de capital por meio de títulos de crédito, bastando que se formalize a operação através do competente instrumento de cessão de direitos (arts. 10 e 106 da Lei nº 6.404/1976). Prescreve o artigo 997, III do Código Civil/2002, que: Art. 997. A sociedade constituise mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10980.726426/201115 Acórdão n.º 3301004.632 S3C3T1 Fl. 617 17 (...) III capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária; Ademais, o art. 8º, caput, § 1º da Lei das S/A exige que a avaliação dos bens seja realizada por empresa especializada, nomeada em assembleia geral e presidida por um dos fundadores. O laudo deve ser fundamentado com os critérios de avaliação. Diante disso, o procedimento estampado nas Atas e laudos de avaliação estão de acordo com a legislação. Logo, a operação entre as coligadas é complexa e pecou a fiscalização em investigar, apurar e constituir as obrigações tributárias possíveis em decorrência dessas operações. Deveria o fiscal, diante da dúvida e complexidade da natureza das operações, intimar a empresa GVT Village Telecom para circularização/fornecimento de mais informações. Por outro lado, a cessão de crédito alegada pela Recorrente é plausível, de acordo com os poucos elementos dos autos trazidos pelo contribuinte. Por todo o exposto, entendo que a fiscalização não cumpriu com o seu ônus probatório de constituir o fato tributário por meio de provas, violando, por conseguinte, o comando do art. 142 do CTN. Não há como se afirmar pelo lacônico termo de verificação fiscal que as operações entre as empresas tiveram a natureza jurídica de mútuos e não de cessão de crédito. Em suma, entendo que falta motivação ao auto de infração, que, por isso, deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 617DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918083/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2006
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.169
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2006 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 80 83 /2 01 2- 19 Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11080.918083/201219 Acórdão n.º 3402005.169 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.868, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.918083/201219 Acórdão n.º 3402005.169 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.918083/201219 Acórdão n.º 3402005.169 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.918083/201219 Acórdão n.º 3402005.169 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.918083/201219 Acórdão n.º 3402005.169 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.918083/201219 Acórdão n.º 3402005.169 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.918083/201219 Acórdão n.º 3402005.169 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.918083/201219 Acórdão n.º 3402005.169 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.918083/201219 Acórdão n.º 3402005.169 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 373DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.002968/2003-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SOCIEDADE DE FATO CARACTERIZADA. ART. 124, INC. I DO CTN. IMPUTAÇÃO AOS SÓCIOS DE FATO. CABIMENTO.
Configurada a sociedade de fato, caracterizada pela interposição de pessoas no quadro societário, revela-se correta a indicação dos verdadeiros sócios como coobrigados, pois é inequívoco, no caso, o interesse comum (dos sócios de fato) na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SOCIEDADE CONSTITUÍDA IRREGULARMENTE MEDIANTE INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS NO QUADRO SOCIETÁRIO. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS DE FATO. ART. 135, III. INFRAÇÃO À LEI CARACTERIZADA.
A constituição da sociedade de forma irregular, mediante a utilização de interposição de pessoas no quadro societário, tem o mesmo efeito da dissolução irregular, posto que em ambos os casos, o Fisco somente pode concretizar a execução fiscal se redirecioná-la aos verdadeiros sócios, titulares do empreendimento.
Numero da decisão: 1302-002.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário José Marcelino de Araújo, nos termos do relatório e voto do relator. Votou pelas conclusões do relator o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca, que manifestou intenção de apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogerio Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 1999, 2000 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SOCIEDADE DE FATO CARACTERIZADA. ART. 124, INC. I DO CTN. IMPUTAÇÃO AOS SÓCIOS DE FATO. CABIMENTO. Configurada a sociedade de fato, caracterizada pela interposição de pessoas no quadro societário, revelase correta a indicação dos verdadeiros sócios como coobrigados, pois é inequívoco, no caso, o interesse comum (dos sócios de fato) na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SOCIEDADE CONSTITUÍDA IRREGULARMENTE MEDIANTE INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS NO QUADRO SOCIETÁRIO. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS DE FATO. ART. 135, III. INFRAÇÃO À LEI CARACTERIZADA. A constituição da sociedade de forma irregular, mediante a utilização de interposição de pessoas no quadro societário, tem o mesmo efeito da dissolução irregular, posto que em ambos os casos, o Fisco somente pode concretizar a execução fiscal se redirecionála aos verdadeiros sócios, titulares do empreendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário José Marcelino de Araújo, nos termos do relatório e voto do relator. Votou pelas conclusões do relator o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca, que manifestou intenção de apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 29 68 /2 00 3- 84 Fl. 3855DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.856 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogerio Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Fl. 3856DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.857 3 Relatório Trata o presente de exigências de IRPJ e CSLL formalizadas contra a interessada acima identificada e responsáveis solidários arrolados: José Marcelino de Araújo e Clésio Wagner de Araújo. O litígio instaurado foi apreciado em segunda instância pela 1ª Câmara do extinto 1ª Conselho de Contribuintes, em 25 de junho de 2008, por meio do Acórdão nº 101 96.791, mediante o qual acordaram os membros daquele colegiado, "por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso interposto por PLR Comércio e Importação Ltda. Por maioria de votos, CONHECER do recurso interposto pela pessoa de José Marcelino de Araújo, arrolado como responsável solidário, para declarar a nulidade do ato de imputação de responsabilidade, por ser matéria de execução fiscal, de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional; vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho que enfrentavam o mérito dessa inclusão. Em primeira votação, por maioria de votos, foi afastada a tese de não conhecimento desses recursos, vencido o Conselheiro Caio Marcos Cândido. No que concerne as demais matérias, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento, e ACOLHER a decadência quanto aos fatos geradores até o 3o. trimestre de 1998, inclusive. No mérito, por unanimidade de votos, manter o arbitramento dos lucros e DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de oficio a 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado". O conteúdo da decisão acima, sobre as matérias discutidas nos autos, está expressa na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998, 1999, 2000 PESSOAS ARROLADAS COMO RESPONSÁVEIS PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A atribuição de responsabilidade pelo crédito tributário é matéria de execução, da esfera de competência da d. Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), devendose anular os atos de atribuição de responsabilidade lavrados pela fiscalização e desconhecer as razões de recurso vinculadas ao tema. No entanto, o enfrentamento das outras questões suscitadas, diversas da atribuição de responsabilidade, tomase imprescindível como forma de assegurar aos recorrentes o direito à ampla defesa e ao contraditório, no âmbito processual regulado pelo Decreto 70.235/72. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 Fl. 3857DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.858 4 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art. 173, I, do Código. Inexistência de pagamento, ou descumprimento do dever de apresentar declarações, não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 ARBITRAMENTO DE LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE NOTAS FISCAIS DE COMPRAS DE MERCADORIAS. IMPOSSIBILIDADE DE VERIFICAÇÃO DO CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS E DO LUCRO REAL. A falta de apresentação de notas fiscais de compras constitui motivo para arbitramento dos lucros da pessoa jurídica, uma vez que impossibilita a verificação, pela autoridade fiscal, da apuração do custo das mercadorias vendidas (CMV) e, conseqüentemente, do lucro real. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998, 1999, 2000 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE PESSOAS SEM CAPACIDADE ECONÔMICOFINANCEIRA NA CONDIÇÃO DE SÓCIAS DE PESSOA JURÍDICA. A inclusão de pessoas de reconhecida incapacidade econômico financeira no quadro societário de pessoa jurídica, em substituição aos verdadeiros sócios, não é suficiente, tão somente, para caracterizar a intenção de sonegar. Tal expediente pode configurar tentativa de frustrar eventual execução fiscal, não punível com multa qualificada. A sonegação se consuma no esforço de encobrir o fato gerador, segundo o tipo penal descrito no art. 71 da Lei 4.502/1964, e não na tentativa de frustrar a cobrança do crédito tributário. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE DECLARAÇÃO. O descumprimento do dever acessório de entrega de declarações de rendimentos não autoriza a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96. DESATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. AGRAVAMENTO DE PERCENTUAL DE MULTA EX OFFICIO. O agravamento dos percentuais de multa ex officio por desatendimento à intimação para prestar informações, de que trata o § 2° do art. 44 da Lei 9.430/96, pressupõe a caracterização da recusa ou do descaso da fiscalizada em relação às intimações da autoridade fiscal. Descabido o agravamento no caso de falta de apresentação de Fl. 3858DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.859 5 documentos que a fiscalizada não dispunha e que, ao fim, motivou o arbitramento dos lucros. Desta decisão foram interpostos recursos especiais pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte e responsáveis solidários arrolados, tendo sido admitidos apenas os recursos interpostos pela Fazenda Nacional e, parcialmente, os recursos dos responsável solidários. Em 15 de maio de 2014 foi proferido o Acórdão nº 9101001.935, mediante o qual, proferiram o seguinte acórdão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, Por unanimidade de votos, recurso provido com retorno à Câmara a quo. Recurso do Contribuinte: 1) Quanto ao Conhecimento: a) Por unanimidade de votos, recurso não conhecido quanto à convalidação do recurso voluntário de Clésio Wagner de Araújo. b) Por maioria de votos, recurso conhecido quanto à responsabilidade de José Marcelino de Araújo. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). c) Por maioria de votos, recurso não conhecido quanto à possibilidade de arbitramento. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). d) Por unanimidade de votos, recurso de Clésio não conhecido por preclusão. 2) Quanto ao Mérito: a) Por maioria de votos, o colegiado considerou o CARF competente para apreciar o mérito da responsabilidade. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) que entendiam que no caso concreto não haveria essa possibilidade. b) Por maioria de votos, o colegiado decidiu pelo retorno à Câmara a quo para manifestação sobre a responsabilidade de José Marcelino de Araújo. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) que votou pela análise da responsabilidade direta pela CSRF e Karem Jureidini Dias que votou pela nulidade completa da decisão. O acórdão da Câmara Superior tem a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998, 1999, 2000 NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL Decisão parcial de mérito, no sistema processual brasileiro, usado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é nula, devendo ser anulada para julgamento único, ante a unicidade do julgamento. NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL A perfeita comprovação do dissídio jurisprudencial é requisito inafastável para legitimar o recurso especial, sem a qual não pode o recurso ser conhecido. DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em não havendo pagamento do tributo, o termo inicial para a contagem Fl. 3859DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.860 6 do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício/período seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido iniciado, exvi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN. Se os autos indicam a ocorrência de pagamento, o termo inicial a ser considerado é a data do fato gerador. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COMPETÊNCIA DO CARF PARA JULGAMENTO. A identificação de coresponsáveis pelo crédito tributário constituído mediante lançamento de oficio remete o exame da atribuição de responsabilidade para o âmbito do processo administrativo tributário regulado pelo Decreto 70.235/72, cujo julgamento em segunda instância compete ao CARF. Devidamente cientificada do acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional não interpôs recurso. Encaminhados os autos à unidade de origem (DRFContagem/MG), a autoridade preparadora determinou a devolução dos autos a este CARF para a apreciação por esta turma do recurso voluntário interposto pelo responsável solidário José Marcelino de Araújo no que tange à sua imputação como responsável. Em 26/01/2017 o processo foi sorteado a este conselheiro para relatar o recurso referido. Por meio do despacho de saneamento foi determinado o retorno dos autos à unidade de origem para ciência aos interessados da decisão da CSRF. Na sequência, foram opostos embargos pelos responsáveis solidários em face do acórdão da CSRF, que foram apreciados e rejeitados conforme Despacho de Admissibilidade de Embargos, exarado pela Presidente da 1ª Turma da CSRF, que determinou a devolução dos autos a este relator para julgamento do recurso do responsável solidário José Marcelino de Araújo, nos termos do Acórdão nº 9101001.936 da CSRF. Portanto a discussão que remanesce nos autos referese exclusivamente à apreciação das razões do recurso voluntário do referido responsável solidário, tão somente quanto ao mérito da sujeição imputada pela fiscalização. A 2ª Turma da DRJBelo Horizonte, ao apreciar as razões de impugnação do referido responsável solidário, proferiu o Acórdão nº 0213.212, manteve a imputação de responsabilidade, conforme sintetizado na seguinte ementa sobre a matéria, verbis: RESPONSABILIDADE PELO CREDITO TRIBUTÁRIO As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 3860DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.861 7 O recorrente José Marcelino foi cientificado em 23/02/2007 (fls. 2273) e apresentou recurso voluntário (fls. 2382 e segs.), no qual contesta a responsabilidade solidária atribuída, no qual repete, em linhas gerais, os argumentos trazidos em sua impugnação que foram bem sintetizados no acórdão recorrido, verbis: [...] Prosseguese com o resumo das impugnações, finalmente quanto àquelas apresentadas pelas pessoas físicas implicadas como responsáveis pelo crédito tributário: [...] C) JOSÉ MARCELINO DE ARAÚJO (FLS. 1612/1674) 1. Dos fatos Os auditores da Receita Federal, no uso de suas atribuições, autuaram a sociedade GARANTIA Ind. Com. e Importação Ltda., exigindo suposto crédito tributário referente ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins exercícios de 1998 a 2000. Destarte, os auditoresfiscais incluíram o impugnante como responsável solidário do pretenso crédito, por mera presunção, sem motivação de ordem fático jurídica que dê suporte. Nesta esteira, referida inclusão não merece prosperar, posto que, conforme restará demonstrado e comprovado, o impugnante não possui nenhuma relação com a sociedade autuada, que implique na responsabilização imputada, sendo inequívoco, ainda, a nulidade do lançamento em relação ao impugnante. 2. Do direito 2.1. Das preliminares 2.1.1. Decadência operada fatos geradores ocorridos em 1998 e primeiro trimestre de 1999 art. 150, § 4o do CTN Teceu o impugnante considerações acerca da decadência, concluindo que houve a homologação tácita do crédito tributário, razão pela qual deve ser acolhida a preliminar suscitada, para o fim de extinguir definitivamente a exigência fiscal referente aos anos de 1998 e primeiro trimestre de 1999. 2.1.2. Ilegitimidade passiva Os fatos imputados ao impugnante advém exclusivamente de presunção, pelo fato de, por meio de quebra ilegal de sigilo bancário, ter a instituição financeira apresentado cadastros bancários anteriores à Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, constando o impugnante como avalista da empresa Garantia. Além disso, baseiase em declaração de três empregados da mesma empresa, cujas declarações não fazem prova para imputação de responsabilização tributária. Em momento algum se constata nos autos provas que permitam atribuir ao impugnante a condição de sujeito passivo da obrigação tributária. Fl. 3861DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.862 8 O simples fato de ter avalizado a empresa autuada em cinco contratos no período de dezembro de 1997 a dezembro de 1998 não autoriza a aplicação da responsabilidade solidária que se pretende imputar ao impugnante por fatos geradores ocorridos entre 1998 e 2000. A imputação de coobrigação em um crédito tributário de mais de RS 8 milhões, por ter avalizado uma empresa com quem mantinha relações comerciais foge às raias do razoável. Cabia à fiscalização provar que o impugnante realizou operações associadas às razões que culminaram na exigência fiscal. Tece considerações acerca de presunção e indícios, ressaltando que a extensão dos efeitos do A.I. sobre o impugnante somente teve nascedouro porque houve a presunção de que este era "o verdadeiro dono do negócio" e que ele detinha poderes e os efetivamente exercia de forma e modo a decidir acerca dos pagamentos ou sua abstenção, das obrigações tributárias da empresa. Diante disso, partiuse de meras presunções, que não geram direito. Quanto aos indícios, sua utilização como prova necessita de extrema cautela, devendo ser aplicada somente quando houver absoluta certeza de que não existem alternativas razoáveis para o caso concreto. A eleição de um terceiro o impugnante como sujeito passivo carece de fundamento e de provas, estas últimas que a fiscalização não junta em nenhum momento. O auto de infração está embasado em meras presunções e suposições da autoridade lançadora que pensa serem provas as declarações prestadas por três ex funcionários da empresa autuada, que não afirmaram em nenhum momento que o impugnante geria a empresa ou que dele recebiam ordens. Ante a desconstituição da presunção, não há que se falar em sua inclusão como responsável solidário neste procedimento, tampouco em razão dos avais prestados em períodos diversos dos referentes ao crédito tributário exigido. O impugnante, como prestador de serviços de corretagem de mercadorias, confirma sua condição de dependência do cliente, o que inclui a empresa Garantia. E, ao contrário do que argumenta o agente fiscal, não participa financeiramente das empresas clientes e tampouco empenha seu patrimônio pessoal. O que faz é, por vezes se sentir na obrigação de melhor atendêlos, com prestação de favores como é o caso de assinar como avalista em contratos bancários, procedimento imprescindível para a conquista do cliente num mercado competitivo. Entretanto, de um aval prestado em 1997 e 1998 originar a presunção de participação em fato gerador de obrigação tributaria de 1999 e 2000 ultrapassa o limite do razoável. Em conclusão, os avais ocorreram tãosomente em razão das atividades comerciais exercidas pelo impugnante, sendo certo não ter havido nenhum ato de gestão ou administração da empresa por parte deste. Quanto à capacidade financeira dos sócios, esta não pode ser medida pelas declarações de imposto de renda ou pelas evasivas declarações do Sr. Orlando. Saiientese que o sócio Orlando é um conhecido empresário no ramo que atua, já tendo sido sócio anteriormente de outras empresas. Da mesma forma o Sr. Pergentino, que já foi sócio de empresas, antes de constituir a Garantia. Fl. 3862DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.863 9 2.1.3. Provas insubsistentes declarações de terceiros não são provas lícitas para imputação de sujeição passiva. Consoante ressaise do Termo de Constatação, os agentes fiscais presumiram a sujeição passiva e elegeram um responsável tributário com base em declarações prestadas por terceiros. Insta frisar que o Decreto n° 70.235, de 1972, não possui previsão expressa com relação a todos os tipos de provas existentes em direito. A prova testemunhal e o depoimento pessoal não estão regulamentos no referido decreto. Cita os arts. 350 e 368 do CPC e jurisprudência, para afirmar que estas informações só produzem a verdade com relação aos declarantes, jamais contra terceiros, como o caso do impugnante. Não obstante, o agente fiscal tomou como verdade absoluta declarações e informações de terceiros que não se prestam para o fim colimado pelos auditores fiscais. Isso porque, o Sr. Geraldo foi detido em frente à empresa que presta serviços, colocado no carro pelos auditoresfiscais e levado para a Receita Federal, conforme relatam testemunhas. Do seu depoimento, dada a falta de nexo nas afirmações, ressaise que foi coagido e induzido a dar respostas de acordo com a vontade fiscal. Ademais, o Sr. Geraldo é um funcionário carregador braçal que trabalhou aproximadamente por seis meses na empresa e não poderia obter nenhuma informação sobre a gestão. Verificase ainda que em nenhum momento disse receber ordens do impugnante, mas de Marcos Giovani Virgílio e outros, sequer tendo afirmado que conhecia o impugnante. Situação idêntica é o depoimento prestado pelas Sras. Adna Costa Silva e Marly Elena Costa empacotadeiras, tomado a socapa pelos auditores, que certamente confundiram suas idéias e distorceram suas palavras, e por ser de pouca instrução, não sabiam das malícias utilizadas na condução do seu depoimento. Tais depoimentos, em nome da ampla defesa, devem ser colhidos novamente, como diligência, desta feita sem coação e na presença das panes. A fiscalização limitouse a imputar a responsabilização ao impugnante com base nestas informações de terceiros, deixando de considerar as declarações do sócio Orlando e de perquirir sobre a titularidade da empresa ao seu gestor e procurador, Sr. Nilton. Esse último não foi ouvido pela fiscalização nem chamado para prestar esclarecimentos, conquanto conste do TVF que ele não teria capacidade financeira. Os comentários maliciosos e sarcásticos sobre o depoimento do sócio Orlando não servem para desconsiderálo, demonstrando apenas a intenção dos agentes fiscais na imputação de responsabilidade a terceiro. É crível, utilizando vocabulário dos auditoresfiscais, que o sócio da empresa autuada não quisesse, perante a fiscalização, se comprometer e, portanto, foi o mais evasivo possível. As vacilações e falta de consistência das assertivas dos empregados declarantes não foram suficientes para abalar o crédito dado pela fiscalização quanto à veracidade de tudo o que fora declarado. Fl. 3863DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.864 10 No relatório de diligências, predominam as opiniões pessoais dos encarregados dos trabalhos, que se constituem em prejulgamentos das situações examinadas, lembrando que é indispensável prova material concreta obtida por meios regulares. As informações prestadas por clientes da empresa (Carrefour e Indústria Rettore) não receberam valoração dos agentes fiscais. Em nenhum momento fornecedor ou cliente alegaram que faziam tratativas com o impugnante. A existência dos avais constitui indício fraco e insubsistente para atribuir responsabilidade tributária por débitos de terceiros. Além do procurador, Sr. Nilton, também o Sr. Rogério de Souza Jacob não foi chamado para participar da fiscalização e prestar esclarecimentos, malgrado tenha sido citado no TVF como representante da empresa. Depoimentos de funcionários próximos da direção e da gestão da empresa também não receberam valoração por parte da fiscalização. Diante disso, diligências e provas testemunhais de quem efetivamente pode esclarecer os fatos atinentes às pessoas ligadas na direção da empresa devem ser feitas porque, embora sem nenhum vínculo com a empresa Garantia que lhe pudesse atribuir responsabilidade tributária, se vê diante do constrangimento e sofrendo danos morais e patrimoniais advindos desta imputação de coobrigação. Quanto aos demais tópicos da defesa (da ausência de conduta concorrente à supressão de tributos pelo impugnante; da impossibilidade do impugnante figurar como responsável solidário do crédito tributário; da inaplicabilidade da teoria da descaracterização da personalidade jurídica pela autoridade administrativa; nulidade do arbitramento com relação ao impugnante; inocorrência do fato gerador; impossibilidade de agravamento da multa; da irretroatividade da Lei Complementar 105/2001), o arrazoado constitui, em linhas gerais, reprodução das impugnações apresentadas pelos demais implicados no processo, conforme resumo feito anteriormente. [...] No seu recurso voluntário o recorrente mais uma vez questiona o uso da prova testemunhal no âmbito do processo administrativo fiscal, argumentando que, ainda que se admita o seu uso nos termos do art. 332 do CPC, conforme entendeu o acórdão recorrido, tal prova ainda seria nula por descumprimento do rito de oitiva de testemunhas previsto no próprio CPC, notadamente nos arts. 407 e 413 a 417 daquele código. Ao final de seu recurso, requer, verbis: Diante do exposto, requer seja dado provimento ao recurso para que seja, em preliminar, excluída a responsabilidade do Recorrente pelo pagamento do crédito tributário constituído contra a Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda, e no mérito julgar improcedente o lançamento fiscal, tendo em vista a decadência, o arbitramento não justificado e o agravamento indevido da multa. É o relatório. Fl. 3864DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.865 11 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. A questão devolvida a este colegiado por decisão da 1ª Turma da CSRF no Acórdão nº 9101001.935, referese à imputação da responsabilidade solidária atribuída ao Sr. José Marcelino de Araújo, que deixou de ser apreciada pelo colegiado da Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. O acórdão de primeiro grau ao apreciar as alegações do responsável solidário arrolado, ora recorrente, assim se pronunciou: III. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO III. 1. ASPECTOS PERTINENTES AOS REGISTROS FEITOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL E PEDIDO DE DILIGÊNCIA Neste tópico será examinada a questão da responsabilidade pelo crédito tributário discutida na impugnação apresentada pelos interessados. No termo fiscal de fls. 42/72, estão relatados os trabalhos de investigação levados a efeito pela fiscalização que culminaram na caracterização dos responsáveis pelos impostos e contribuições devidos neste processo. Particularmente Clésio Wagner de Araújo, pessoa física implicada como responsável, salientou que nunca compôs o quadro societário da empresa Garantia nem exerceu ato de gestão e que não há prova de ligações entre a autuada e a Mundial Atacadista da qual foi sócio. José Marcelino de Araújo argumentou que a fiscalização partiu de meras presunções, inexistindo prova no processo capaz de atestar a responsabilidade tributária. Em relação aos avais prestados, destacou que estes ocorreram em períodos diversos dos referentes ao crédito tributário exigido e que decorreram apenas das atividades comerciais exercidas pelo impugnante. Procurou ainda desqualificar os depoimentos apresentados pelos autuantes, postulando a realização de diligência e a produção de provas testemunhais em relação a estes mesmos depoentes e a outros que considera relevantes. Também ressaltou que clientes e fornecedores da autuada em nenhum momento alegaram que faziam tratativas com o impugnante. Sustentou ainda que prova testemunhal e depoimentos não estão regulamentados no Decreto n° 70.235, de 1972. Sendo extenso o relatório fiscal, procurase em seguida fazer uma exposição resumida dos elementos coletados pela fiscalização, que serviram de base para a caracterização e identificação dos responsáveis pelo crédito tributário: A) Da incapacidade financeira dos sócios Fl. 3865DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.866 12 conforme contrato social, a empresa Garantia foi constituída em janeiro de 1996 pelos sócios Srs. Orlando Passos Pereira e Pergentino José Freitas; analisando as declarações de rendimentos dos citados sócios, ficou evidenciado que estes não revelaram capacidade financeira para estar à frente de uma empresa com o faturamento da magnitude do apresentado nos anos de 1996 e 1997, além de não informarem nenhum rendimento ou outro benefício auferido da Garantia; o Sr. Pergentino retirouse da sociedade em junho de 1997, tendo, em resposta à intimação fiscal, esclarecido que recebeu os valores em dinheiro, sem contudo apresentar nenhum documento comprobatório da operação; o Sr. Orlando não atendeu à intimação, tendo a fiscalização comparecido a sua residência na cidade de Paraguaçu/MG para contatálo: foram destacados os seguintes registros: apesar da receita líquida da empresa nos anos de 1998, 1999 e 2000 (superior a RS15.000.000,00 em cada ano), o sócio residia em casa modesta, pagando aluguel; possuía um único veículo automóvel popular ano 1998; não tinha conhecimento de financiamentos obtidos pela empresa em 1997 e 1998 junto ao Banco Rural S.A (valor acima de R$1.000.000,00), nem sabia os nomes dos fiadores; desconhecia a existência de conta corrente no Banco Bandeirantes S.A. com quem a empresa mantinha a maior movimentação financeira; desconhecia os faturamentos da empresa; demonstrou desconhecimento dos nomes dos funcionários que trabalhavam no escritório da empresa; informou de forma incorreta o nome da pessoa para a qual deu procuração com plenos poderes para administrar a empresa, pessoa esta que assinou todos os cheques emitidos em 1998 (Sr. Nilton Andrade Santos); o Sr. Nilton Andrade Santos foi intimado pela fiscalização, mas não compareceu para prestar esclarecimentos. concluiu a fiscalização que o Sr. Orlando Passos Pereira não é nem nunca foi o verdadeiro dono da Garantia Indústria Comércio e Importação Ltda., mas apenas parte de um esquema de sonegação fiscal cujo objetivo era ocultar os verdadeiros responsáveis pela empresa. B) Dos efetivos titulares da empresa prestaram esclarecimentos exempregados da empresa Garantia, conforme Termos de Comparecimento lavrados (Srs. Geraldo Pedro Silva, Marly Elena Costa Silva e Adna Costa Silva); nos depoimentos transcritos, verificouse que os depoentes foram unânimes ao declarar que o verdadeiro dono da empresa era o Sr. José Marcelino de Araújo; os exempregados da Garantia, Sr. Elísio Rodrigues Reis e Neuza Fernandes Silva, intimados a comparecer para prestar esclarecimentos, informaram, em correspondência enviada via postal, que não poderiam se ausentar do trabalho; foi registrado que estas pessoas trabalhavam no final de 2002 na empresa Mundial Atacadista Ltda., pertencente ao Sr. José Marcelino de Araújo: foram trazidas aos autos informações acerca da empresa Cerealista Morato Ltda. que corroboram os depoimentos das Sras. Marly e Adna, segundo os quais a Garantia representava a continuação das atividades daquela empresa: a Cerealista funcionava no mesmo endereço onde a Garantia passou a funcionar a partir de 1996 (galpão pertencente ao Sr. Clésio Wagner de Araújo, posteriormente alienado para o Fl. 3866DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.867 13 Sr. José Marcelino de Araújo); o telefax da Cerealista aparece em nota fiscal da Garantia; o serviço de contabilidade era feito no mesmo escritório; de acordo com a Rais da Cerealista, em 30/08/1996, todos os empregados foram demitidos; estes mesmos funcionários, com exceção de dois, foram admitidos em abril e maio de 1997 pela Garantia; com base nas Dapis, verificouse que os valores de saídas da Cerealista Morato foram reduzidos substancialmente até setembro de 1996, tendo sido interrompido em outubro do mesmo ano, enquanto a Garantia passou a faturar a partir de setembro/1996; em relação aos sócios da Cerealista Morato Ltda., verificouse que estes não detinham capacidade financeira nem declararam haver recebido nenhum benefício pago pela empresa; o Sr. André Luiz Orício foi empregado da Mundial Atacadista Ltda, corroborando informação prestada pelas Sras. Marly e Adna; a Indústria Rettore de Plásticos Ltda. informou que o contato comercial com as empresas Cerealista e Garantia era feito por intermédio do Sr. Marcos Giovanni, que pertenceu ao quadro de funcionários da Mundial Atacadista, corroborando informações prestadas nos depoimentos mencionados; de acordo com informações da Rais, dos 55 empregados que estavam em atividade em 31/12/2001 na Garantia, em 2002, 17 foram admitidos pela Ancora Armazéns Ltda. e 12, pela Mundial Atacadista Ltda: Sr. Marcos Giovanni Lopes Cançado e Rogério de Souza Jacob constam como sócios da empresa Ancora; o Sr. Rogério de Souza Jacob apresentouse à fiscalização como gerente administrativofinanceiro da Garantia; concluiu a fiscalização que não resta dúvida de que há forte ligação entre as empresas Cerealista Morato, Garantia, Mundial Atacadista e Ancora; o Sr. José Marcelino de Araújo compareceu à Seção de Fiscalização para prestar esclarecimentos, enquanto o Sr. Clésio Wagner de Araújo, apesar de regularmente intimado, deixou de comparecer; analisando os documentos bancários enviados pelo Banco Bandeirantes SA. e Banco Rural S.A., verificouse a existência de informações que reforçam as declarações prestadas pelos exfuncionários da Garantia de que o verdadeiro dono da empresa é o Sr. José Marcelino de Araújo: na ficha de cadastro enviada pelo Bandeirantes ao Unibanco S.A., o Sr. José Marcelino figura como diretor da Garantia: relativamente ao Banco Rural, constam contratos de abertura de crédito nos quais os irmãos José Marcelino e Clésio aparecem como intervenientes garantidores e devedores solidários; na ficha cadastral, o Sr. José Marcelino é identificado como diretor comercial da Garantia e o Sr. Clésio, como sócio da Mundial Atacadista e proprietário de galpões onde então funcionava a empresa Garantia: o Sr. Clésio recebeu recursos pagos pela empresa Garantia, representados por dois cheques relacionados à fl. 68, além dos valores pagos a título de aluguel do galpão supracitado, não tendo se dignado a apresentar qualquer documento comprobatório da motivação pelos recebimentos, conquanto tenha sido regularmente intimado; na escrituração também não foi possível identificar as operações a que se referem os mencionados cheques; Fl. 3867DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.868 14 conclui a fiscalização que as pessoas físicas que constaram no quadro societário das empresas Garantia e Cerealista Morato cederem o nome para figurar como sócios nos contratos sociais em proveito dos Srs. Clésio e José Marcelino. Destacados alguns pontos do TVF, cumpre ainda trazer a lume a conceituação do vocábulo PROVA, constante do livro Vocabulário Jurídico de Plácido e Silva Vol. IV 12a edição Editora Forense. Conceitua prova documental como sendo a prova que se estrutura por documento, papel escrito onde o fato alegado se mostra materializado. Prossegue, discorrendo que a prova documental pode ser argüida de falsa. Neste caso, devendo ser mostrada a falsidade, para que anule seu valor probatório. Salientese também o conceito de prova contrária extraído da mesma edição. E a prova trazida pela parte contrária para destruir a prova feita ou apresentada pela outra pane, ou para anular a presunção legal avocada por ela. Designa, portanto, a contraprova ou demonstração de fatos que possam ter força para anular a força de outros fatos afirmados e demonstrados, ou simplesmente alegados. Nesta circunstância, as forças das duas provas são medidas, para que se verifique qual a predominante. Ou seja, para que se conclua de que lado está a verdade acerca dos fatos afirmados por uma e outra parte. Por sua vez, indícios são fatos conhecidos, comprovados, que se ligam a outro fato que se tem de provar. São a base objetiva do raciocínio, ou da atividade meneai, por via dos quais se pode chegar ao fato desconhecido. Presentes os caracteres de gravidade, precisão e concordância, prestamse como ponto de partida para as presunções relativas, gerando o efeito de inverter o ônus da prova. Apenas um indício, desde que veemente, pode levar a conclusão da ocorrência de um fato. Da mesma forma, vários indícios em si fracos, quer dizer, com baixo teor de gravidade e precisão, podem, somados, fazer prova do ilícito, desde que todos indiquem a mesma direção. Deve ser ressaltado ainda que vale para o processo fiscal a mesma regra do art. 332 do CPC, segundo a qual "todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funde a ação ou a defesa". O trabalho fiscal assim constituído encontra amparo legal também no Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/1999. Reza o art. 276 que a determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. De acordo com o art. 845, II do mesmo regulamento, farseá o lançamento de ofício abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios. O § Io deste dispositivo legal preceitua ainda que os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. Fl. 3868DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.869 15 O art. 911 do RIR/1999 dispõe que os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão as diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados, das informações prestadas e verificar o cumprimento das obrigações fiscais. Finalmente, o art. 927 preceitua que todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante. Expostos de forma resumida os resultados decorrentes de um trabalho criterioso e amplo de investigação levado a efeito pela fiscalização nos estritos limites de suas atribuições regulamentares, confrontados com as impugnações apresentadas, começa a ficar patente a fragilidade dos argumentos dos defendentes. Assim, no que respeita aos depoimentos e testemunhos colhidos pela fiscalização, o seu uso como prova no processo é legítimo e sua força probante não se desfaz pela mera alegação da defesa no sentido de que tais depoimentos seriam frágeis em razão da ocupação dos depoentes ou de sua condição de "pessoas humildes e simples" (sic). Também não há no processo nenhuma prova no sentido de confirmar a alegação do impugnante de que o Sr. Geraldo Pedro Silva teria sido coagido a prestar esclarecimentos, assim como não há resquícios que possam atestar a coação dos demais depoentes (Sras. Marly Elena Costa Silva e Adna Costa Silva) ou a distorção dos fatos relatados, como aduziu o impugnante. Pelo contrário, conforme se viu no TVF, a fiscalização buscou, em outras fontes, dados que corroboraram as informações prestadas pelos exempregados da empresa GARANTIA. Assim, foram trazidas aos autos informações indicando que a Garantia representava a continuação das atividades da Cerealista Morato Ltda, dados confirmando que os sócios dessas empresas não detinham capacidade financeira, informação da Indústria Rettore de Plásticos de que o contato comercial em nome das empresas Cerealista e Garantia era feito pela mesma pessoa (Marcos Giovanni, que pertenceu ao quadro de funcionários da Mundial Atacadista empresa que teve o Sr. Clésio como sócio que, por sua vez, era proprietário dos galpões onde funcionava a Garantia), informações da Rais acerca de empregados que atuaram nas empresas Cerealista Morato, Garantia, Mundial Atacadista e Ancora Armazéns, documentos fornecidos pelo Banco Bandeirantes S.A. e Banco Rural S.A. indicando o Sr. José Marcelino como diretor da Garantia, os Srs. Clésio e José Marcelino como garantidores e devedores solidários da empresa, além de cheques emitidos pela Garantia destinados ao Sr. Clésio que, intimado, não se dignou a esclarecer e justificar os recebimentos. Em relação aos depoimentos prestados pelos exempregados da empresa Garantia, o impugnante postulou ainda, em nome da ampla defesa, que fossem colhidos novamente em diligência, desta feita realizada sem coação e na presença das partes. Também requereu que fossem chamados a se pronunciar especialmente os Srs. Nilton Andrade Santos e o Sr. Rogério de Souza Jacob. Quanto à realização de diligência, cumpre salientar que cabe ao administrador tributário, por força do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. Io da Lei n° 8.748, de 1993, determinar a realização de diligências e perícias quando as entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. Fl. 3869DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.870 16 No presente caso, conforme foi salientado, os depoimentos dos ex empregados constituíram parte do rol de provas formadas pela fiscalização, não se tratando de um elemento isolado. Também foi evidenciado que o impugnante não trouxe ao processo nenhuma prova objetiva que sustente a existência de vício de qualquer ordem que possa invalidar os depoimentos colhidos a termo pela fiscalização, no cumprimento estrito de suas atribuições regulamentares. Quanto à manifestação do Sr. Nilton Andrade Santos, cumpre lembrar que, de acordo com anotação feita no TVF e documentação de fls. 497/498, este foi intimado e não compareceu à Seção de Fiscalização da DRE/Contagem/MG para prestar informações. No tocante ao Sr. Rogério de Souza Jacob, conforme está relatado no TVF, na condição de diretor financeiro da GARANTIA Indústria Comércio e Importação Ltda., recebeu diversas intimações expedidas no curso da ação fiscal e se manifestou no processo (doe. fls. 01/02, 144/145, 160, 167, 171, 180/182, 203), estando ciente dos acontecimentos e, portanto, poderia a qualquer tempo ter apresentado à fiscalização as informações que julgasse relevantes. De qualquer modo, os impugnantes, no exercício pleno de sua defesa representada pela impugnação ora apreciada, poderiam ter trazido aos autos outros documentos ou informações que considerassem de importância para o contencioso instaurado, lembrando que a regra do processo administrativo fiscal é de que são conhecidos todos os documentos que instruírem a impugnação formalizada por escrito tempestivamente. Notese também que é da essência da relação processual que as alegações de parte a parte estejam devidamente instruídas com as respectivas provas (arts. 14, 15 e 16, inciso III do Decreto n° 70.235. de 1972, com alterações posteriores). Nestas condições, deve ser indeferido o pedido de diligência para o fim proposto pelo defendente. Em relação aos avais prestados pelos Srs. Clésio e José Marcelino, a documentação apresentada pelas instituições financeiras não indica se tratar de procedimento normal vinculado a supostas transações comerciais destes senhores com a empresa Garantia, cumprindo lembrar mais uma vez, que o Sr. José Marcelino figura como diretor da Garantia nas fichas cadastrais bancárias (doc. fls. 255 e 273) e o Sr. Clésio recebeu numerário representado por cheques emitidos pela Garantia sem que tenha justificado a operação (fls. 938/941 e 1048/1050), além de ser proprietário de galpões onde funcionou a empresa autuada. Quanto ao período dos avais, os contratos foram firmados em 1998 tendo, em alguns casos, vigorado também em 1999, todos estes períodos abrangidos pelo lançamento (fls. 274/290). Fez ressaltar o impugnante, quanto à capacidade financeira do sócio da empresa Garantia, que esta não pode ser medida pelas declarações de imposto de renda ou pelas evasivas informações prestadas pelo Sr. Orlando Passos Pereira. Entretanto, deixou de observar o defendente que a fiscalização, além das declarações do imposto de renda que, por si só, já fornecem importantes informações acerca da vida fiscal dos contribuintes, realizou diligência no domicílio do sócio contratual, em Paraguaçu/MG, oportunidade em que a capacidade financeira foi aferida também materialmente, conforme foi registrado no TVF e destacado neste voto. Ademais, o sócio demonstrou desconhecimento dos fatos pertinentes à empresa Garantia, tendo passado procuração delegando plenos poderes para administrar a empresa ao Sr. Nilton Andrade Santos, entre outras evidências apresentadas no termo fiscal. Fl. 3870DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.871 17 Portanto, os impugnantes, efetivamente, não rebateram de forma eficaz as evidências expostas no trabalho fiscal, deixando sem respostas os questionamentos que surgiram das provas coletadas pela fiscalização denunciando o envolvimento das pessoas arroladas como responsáveis pelo crédito tributário. Conforme revelam os trechos transcritos abaixo extraídos do TVF, a conclusão da fiscalização a respeito da responsabilidade tributária não está fundada em "meras presunções" ou em opiniões pessoais dos autuantes como quiseram fazer crer os defendentes, e evidencia ainda que a relação entre a empresa GARANTIA Indústria Comércio e Importação Ltda. e os Srs. Clésio Wagner de Araújo e José Marcelino de Araújo vai muito além do que normalmente se pode classificar como meras relações comerciais: Portanto, os documentos aqui analisados revelam a comunhão de interesses, inclusive de bens, entre a pessoa física dos Srs. José Marcelino de Araújo e Clésio Wagner de Araújo e a empresa Garantia Ind. Com. e Importação Ltda., que conjugavam seus esforços, objetivando um fim comum. Os fatos narrados ainda indicam a sucessão entre as empresas que foram constituídas por esses senhores para figurarem à frente de seus negócios, especialmente quanto à empresa Cerealista Morato Ltda., sucedida pela Garantia Ind. Com. e Importação Ltda. Ficaram amplamente demonstrados acima, veementes indícios de que os Srs. José Marcelino de Araújo e Clésio Wagner de Araújo são os verdadeiros donos do negócio que se operou sob a razão social das empresas Garantia Ind. Com. e Importação Ltda. e Cerealista Morato Ltda., além de inequivocamente comprovado que dele se beneficiou diretamente, pelo menos um dos irmãos, o Sr. Clésio Wagner de Araújo. Portanto, são inverídicos os contratos sociais e respectivas alterações onde figuraram como sócios da empresa terceiros que, conforme apuramos, não revelam capacidade de ocupar tal posição. Esses contratos tiveram como objetivo justamente dissimular a identidade dos efetivos titulares dos negócios que foram perpetrados sob a razão social da empresa Garantia Ind. Com. e Importação Ltda. e Cerealista Morato Ltda., visando impedir a satisfação do crédito tributário, haja vista a situação de elevado grau de inadimplência das empresas. [..] Avolumamse, no presente caso, indícios de que esses senhores estavam à frente do negócio, bem como provas cabais de que dele se beneficiou o Sr. Clésio Wagner de Araújo, conforme destacamos no presente Termo, dentre outros: a existência de procuração da Garantia Ind. Com. e Importação Ltda. outorgando plenos poderes a terceiros para administração e movimentação financeira; as cópias de Fichas de Cadastro das Pessoas Físicas responsáveis pela movimentação de conta corrente da Garantia Ind. Com. e Importação Ltda em instituição financeira, dentre as quais constava a do Sr. Clésio Wagner de Araújo; a Ficha de Cadastro da Pessoa Jurídica preenchida para a empresa Garantia Ind. Com. e Importação Ltda, das quais constava o Sr. José Marcelino de Araújo como diretor da empresa, além das cópias de Fichas Cadastrais dos avalistas das operações de crédito da Garantia Ind. Com. e Importação Ltda, das quais constavam os Srs. José Marcelino de Araújo e Clésio Wagner de Araújo. Além desses, dos Fl. 3871DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.872 18 depoimentos dos antigos empregados emergem declarações como a declaração do antigo empregado da empresa Mundial Atacadista Ltda, informando que o Sr. José Marcelino, além de dono da empresa Mundial, era dono da empresa Garantia Ind. Com. e Importação Ltda., ou ainda, a declaração de outro antigo empregados informando ''que a empresa Cerealista Morato Ltda. e a empresa Garantia eram uma empresa só, uma vez que a Cerealista Morato Ltda. encerrou atividade e a Garantia Ind. Com. e Importação Ltda. continuou com a mesma atividade econômica no mesmo local, comercializando os mesmos produtos e, inclusive, com os funcionários que quiseram continuar, sendo que o dono de ambas era o Sr. José Marcelino ". Assim, pelos fatos e documentos analisados neste Termo, ficou demonstrada a prática adotada por JOSÉ MARCELINO DE ARAÚJO E CLÉSIO WAGNER DE ARAÚJO na condução dos negócios de suas empresas, seu modus faciendi, qual seja, a manutenção da mesma atividade mercantil com sucessão das empresas que representam o negócio; o aproveitamento dos mesmos empregados nas empresas inadimplemento constante das empresas em relação aos tributos federais, estando, em regra, omissas de entrega de declarações; encerramento irregular das empresas e, confecção de contratos sociais e alterações contratuais das empresas em nome dos empregados e de terceiros (interposição de pessoas na figura do sócio da pessoa jurídica). O amplo trabalho de fiscalização demonstra, através da documentação anexada a este termo, que as empresas Garantia Ind. Com. e Importação Lida., bem como a sucedida Cerealista Morato Ltda., serviram para a prática de atos negociais em seu nome, mas que na realidade, beneficiaramse dos mesmos, terceiras pessoas, de forma ardilosa, através de artifícios empregados pelos agentes, com vistas à obtenção de lucros sem o devido recolhimento dos tributos federais. Portanto, são atos praticados através de condutas que objetivaram falsear documentos com o fim direto de prejudicar o direito da Fazenda Pública. Dessarte, pela prática regular de todos os atos típicos da sociedade comercial, inclusive com participação financeira e empenho de seu patrimônio pessoal, os Srs. José Marcelino de Araújo e Clésio Wagner de Araújo, demonstram interesse comum nas atividades da empresa, tendo permanecido a ela vinculados de forma irregular, aparentemente como prepostos ou mandatários, por terem simulado a participação de terceiros no capital social da empresa. Portanto, não há dúvidas quanto à caracterização da responsabilidade pelo crédito tributário, dada à robustez das provas que a fundamenta, cuja força probante se sustentou diante das impugnações apresentadas. III.2. ASPECTOS LEGAIS RELATIVOS À CARACTERIZAÇÃO DA RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO No que tange às considerações da defesa acerca de aspectos legais da imputação de responsabilidade pelo crédito tributário, primeiramente ressaltese que, de acordo com o TVF, o fundamento legal eleito pela fiscalização se prende às disposições do art. 124,1 e art. 135, II e III do CTN, que assim prescrevem: Fl. 3872DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.873 19 Art. 124. São solidariamente obrigadas; I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I I os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Em conformidade com os fatos relatados neste voto, extraídos do TVF, está se diante de um caso típico de responsabilidade solidária passiva, fundamentado no art. 124, I do CTN. Ou seja, o que se comprova, no caso vertente, é que os Srs. Clésio Wagner de Araújo e José Marcelino de Araújo tinham interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos ora lançados, dado a abundância de evidências de que conjugavam os seus esforços para um mesmo fim. Ora, existe sociedade, na definição do art. 981 do novo Código Civil Brasileiro, quando duas ou mais pessoas combinam a conjugação de seus esforços ou recursos, para obtenção de um fim comum. Ordinariamente a sociedade constitui se por escrito. Se não existir contrato escrito, a sociedade denominase irregular ou de fato. O Prof. De Plácido e Silva, em sua obra "Vocabulário Jurídico" (10a edição. Forense, vol. IV, págs. 253 e 257), assim as caracteriza: SOCIEDADE DE FATO E a que se forma do acordo entre duas ou mais pessoas para a exploração de negócios em comum, sem atender às formalidades legais de registro de contrato e de firma. As sociedades de fato podem igualmente resultar da existência de sociedades irregulares, ou de sociedades legais, que tiveram seus prazos terminados e não se revigoraram. SOCIEDADE IRREGULAR E a sociedade que está funcionando em transgressão às leis, ou sem preencher as formalidades estabelecidas em lei. As sociedades de fato, em princípio, são sociedades irregulares, tendo uma existência desconforme à lei. As sociedades de fato podem preexistir sem contrato escrito. Assim, comprovamse por fatos circunstanciais, que atestam sua real, ou efetiva existência e a intenção das pessoas que a compõem em manter uma soma de negócios sob uma comunhão de interesses e bens. Em princípio, mesmo que haja um contrato escrito, as sociedades de fato estabelecem entre os sócios uma responsabilidade ilimitada e solidária, de modo que são eles ligados às obrigações assumidas pela sociedade, (grifos acrescentados) Fl. 3873DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.874 20 A existência da sociedade de fato ou irregular pode ser exteriorizada por meio de múltiplas situações, hábeis a caracterizálas, como, por exemplo: a exploração de negócio comum entre duas ou mais pessoas com a formação de um capital, com objetivo de lucro e participação dos sócios nos resultados, faltando, no entanto, contrato escrito; a existência de instrumento escrito, mas não levado a registro; a existência de contratos simulados, como o de trabalho ou de prestação de serviços, com a participação do empregado ou prestador de serviços nos lucros do empreendimento Washington de Barros Monteiro em sua obra "Curso de Direito Civil", 5° volume, 2o parte, página 300, ao tecer comentários sobre as sociedade de fato leciona: Já nas questões de estranhos contra a sociedade, poderão aqueles provarlhe a existência de qualquer modo (art. 1.366, segunda parte). Aliás, escreveu PEDRO LESSA, reproduzindo VIVANTE, que os credores de uma sociedade de fato se acham na feliz posição jurídica de poderem valerse de sua existência, ou desconhecêla, segundo lhe convier. Se provam a existência da sociedade, podem agir contra ela, como entidade distinta dos sócios, se não dispõem de tal prova, podem volverse contra os sócios individualmente. E, acrescenta: E de admitirse provada sua existência, quando as circunstâncias revelarem ter havido entre os seus componentes uma comunhão de interesses para certo fim comum, (grifos acrescentados) O Código Comercial Brasileiro no art. 304. admite a existência da sociedade de fato, bem como esclarece os meios de prova de sua existência: Art. 304 São, porém, admissíveis, sem dependência da apresentação do dito instrumento (escritura), as ações que terceiros possam intentar contra a sociedade em comum ou contra qualquer dos sócios em particular. A existência da sociedade, quando por parte dos sócios se não apresenta instrumento, pode provarse por todos os gêneros de prova admitidos em comércio (art. 122), e até por presunções fundadas em fatos de que existe ou existiu sociedade. Maria Helena Diniz, em sua obra "Curso de Direito Civil Brasileiro", p. 284. ensina que: As pessoas jurídicas intervirão por seus órgãos, ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente (CC, art. 17). O órgão da pessoa jurídica, pontifica Orlando Gomes, é uma ou conjunto de pessoas naturais que exprime sua vontade. Não há aqui uma representação no sentido rigoroso do termo, pois esta pressupõe a conjugação de duas vontades, a do representante e a do representado, o que não ocorre com a pessoa jurídica, pois o seu órgão manifesta apenas a vontade da entidade, havendo uma compenetração entre o órgão e a pessoa jurídica, não se verificando aquela dissociação entre representante e representado, que conservam a própria vontade e autonomia. Poderseá falar que há ai uma representação imprópria. Fl. 3874DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.875 21 Verificase, no presente caso, que o órgão da pessoa jurídica, ou seja, o conjunto de pessoas naturais que exprime a sua vontade, não agiu dentro das formas que preconizam as normas tributárias, pois utilizaram a pessoa jurídica com o intuito de obtenção de lucros à margem da incidência tributária. Nesse sentido, a situação que constituiu o fato gerador consubstanciouse nos negócios realizados conjuntamente por um grupo de pessoas físicas e jurídicas, negócios esses que resultaram em disponibilidade de renda, a ser tributada (art. 43 do CTN). Todas essas pessoas tinham interesse comum nesses negócios, uma vez que, em maior ou menor grau, deles se beneficiaram. De acordo com a defesa, a atribuição de responsabilidade tributária se deu sem obediência ao princípio da legalidade. Todavia, tal alegação não prospera, haja vista que o art. 124,1, do CTN, dá guarida, "in casu", à atribuição de responsabilidade tributária levada a cabo pela fiscalização. Em contraposição a este entendimento, é oportuno valerse das lições de Luciano Amaro (págs. 294 e 295 da obra "Direito Tributário Brasileiro"'): (...) Áliomar Baleeiro afirmou que os casos de "interesse comum" mencionados no art. 124, I, do Código Tributário Nacional devem ser explicitados pela lei. E viu nos arts. 42 e 66 do Código, situações em que caberia a solidariedade passiva; tratase aí de tributos incidentes sobre certas operações, nas quais a lei pode definir como contribuinte qualquer das partes; se um deles é eleito contribuinte o outro poderia ser indicado como responsável solidário. (...) Cabem aqui, porém, algumas observações. Anotese, em primeiro lugar, que, se os casos de "interesse comum" precisassem ser explicitados em lei, como disse Áliomar Baleeiro, o item I do art. 124 seria inútil, pois as hipóteses todas já estariam na disciplina posta pelo item II. Nos casos que se enquadrarem no questionado item I a solidariedade passiva decorre desse próprio dispositivo, sendo desnecessário que a lei de incidência o reitere. Situações outras, não abrangidas pelo item I. é que precisarão ser definidas na lei quando esta quiser eleger terceiro como responsável solidário, (grifos acrescentados) Como se depreende do texto destacado acima, identificada a hipótese de incidência prevista no inciso I do art. 124 do CTN existência de pessoas com interesse comum na situação que deu azo ao fato gerador é inadequado aventarse a necessidade de disposição expressa de lei para caracterizála, uma vez que o próprio dispositivo legai citado já a fundamenta. Também está correto o enquadramento no art. 135, II e III do CTN, considerando, conforme foi ressaltado no TVF de fls. 42/72, que, em decorrência dos fatos evidenciados no trabalho fiscal, os Srs. Clésio Wagner de Araújo e José Marcelino de Araújo são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes e infração à lei, uma vez que foram eles que atuaram sob a razão social da GARANTIA Indústria Comércio e Importação Ltda., colocando interpostas pessoas como titulares da sociedade, ficando inequívoca a participação dessas pessoas nas irregularidades anotadas no TVF. Cabe, ainda, discorrer brevemente acerca do que se deve entender da expressão "infração de lei" do caput do art. 135 do CTN. Fl. 3875DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.876 22 Ora, o CTN não adjetiva a lei que deve ser infringida para que se responsabilize aquelas pessoas elencadas em seu art. 135. E indubitável que a falta de recolhimento do tributo constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura o descumprimento de um dever jurídico decorrente de leis tributárias. Constitui também infração à lei, conforme foi anotado no TVF, a prática de sonegação fiscal, consubstanciada na tentativa do contribuinte de impedir o conhecimento por parte da autoridade fiscal da identidade dos verdadeiros sócios da Garantia, mediante a interposição fictícia de pessoas na figura do sócio da pessoa jurídica, fatos estes que suscitaram inclusive a qualificação da multa de ofício e a formalização do competente processo de representação fiscal para fins penais, matéria que será analisada em maiores detalhes adiante em tópico específico. Temse ainda que são várias as decisões do Poder Judiciário que reafirmam tal entendimento, tais quais: Tributário Execução Fiscal Responsabilidade pessoal dos sócios CTN, art. 135, III. 1. Na sistemática do CTN vigente (art. 135, III), a infração à lei tributária é pressuposto suficiente para determinar a responsabilidade do sóciogerente. 2. O não recolhimento de tributos é infração à lei Tributária, e, como tal, determina a responsabilidade pessoal do gerente da sociedade de capital. 3. Aspectos relacionados ao direito comercial (integralização de capital e origem dos recursos sob constrição) são irrelevantes para o direito tributário, autônomo cientificamente. 4. Apelação impróvida. Sentença confirmada" (TRF, f Região. AC 1374993/MG, rei Juiz Cândido Ribeiro, DJU 19.12.1997, p. 111.547) Tributário Execução Fiscal Embargos de devedor Responsabilidade tributária do sóciogerente CTN/66, art. 135 Lei 8.009/90 Linha telefônica. 1. A omissão no pagamento dos tributos ou contribuições significa, por si só, infração à lei que os instituiu, disto resultando a responsabilidade pessoal dos diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica. 2. A Lei 8.009/90 protege o bem de família de penhora a título de cobrança de contribuições relativas ao FGTS e retroage, a fim de alcançar constrição feita antes de sua vigência. 3. E penhorável o uso de linha telefônica, visto que a Lei 8.009/90 não impõe vedação genérica (TRF, 4a Região, I a Turma, AC 2756496/RS, rei Juiz Vladimir Passos de Freitas, DJU 08.10.1997, p. 83.279) ...A falta de recolhimento de contribuições sociais constitui, por si só, infração de lei, pelo que o sóciogerente pode responder pessoalmente pelos débitos fiscais da empresa (art. 135, III, do CTN). (TRF, 4a Região, 2a Turma, REO 94.04..454567/RS, rei. Juíza Tânia Escobar) Portanto, seja em razão das disposições do art. 124, I ou do art. 135, II e III do CTN, e diante das evidências expostas no trabalho fiscal, a caracterização da responsabilidade pelo crédito tributário das pessoas arroladas pela fiscalização encontra sólido amparo legal. Alegaram também os impugnantes que a autoridade administrativa não possui competência para descaracterizar a personalidade jurídica da empresa a fim de atribuir a responsabilidade a terceiros ou a outra pessoa jurídica. Argumentou ainda que a aplicação dessa teoria só poderia ocorrer mediante ordem judicial. Fl. 3876DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.877 23 No caso vertente, não se pode dizer que houve a descaracterização da personalidade jurídica da empresa autuada, mas a atribuição de responsabilidade tributária a pessoas físicas envolvidas no negócio jurídico operado pela autuada, em consonância com o art. 124, I e o art. 135, II e III do CTN. Notese que o sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa jurídica da empresa GARANTIA Indústria Comércio e Importação Ltda. Descaracterizar a personalidade jurídica da empresa autuada para tãosomente atingir aos seus sócios formais (conforme contrato social) não seria uma medida que. por si só. resguardaria o interesse da Fazenda Nacional. Isso porque restou provado nos autos que houve uma tentativa do contribuinte de impedir o conhecimento por parte da autoridade fiscal da identidade dos verdadeiros sócios da Garantia, mediante a utilização de interpostas pessoas nos contratos sociais e alterações, conforme circunstanciado em minúcias no TVF. Em relação ao tema, vale lembrar que a existência das pessoas jurídicas, dentre elas as sociedades comerciais, começa com a inscrição de seus atos constitutivos no registro que lhes é peculiar (para o comércio, tal registro deve ser feito nas Juntas Comercias). Portanto, as sociedades comerciais que arquivam seus contratos ou atos constitutivos no Registro do Comércio adquirem, assim, personalidade jurídica própria, distinta, pois, das pessoas que a constituem. Desse modo, a sociedade transformase em um novo ser, estranho à individualidade das pessoas que participam de sua constituição, dominando um patrimônio próprio e possuindo órgãos que deliberam e executam, fazendo, assim, cumprir sua vontade. Todavia certo é que, ocorrendo abuso de direito ou fraude através da personalidade jurídica, segundo a doutrina da penetração, devese desconsiderar a personalidade jurídica, isto é, não considerar os efeitos da personificação, para atingir a responsabilidade dos sócios. Em qualquer caso, focalizase a doutrina da superação da personalidade jurídica com o propósito de demonstrar que a personalidade jurídica não constitui um direito absoluto, mas está sujeita e contida pela teoria da fraude contra credores (inclusive o Fisco) e pela teoria do abuso de direito. No caso concreto, pelas provas carreadas nos autos, ficou demonstrado que a pessoa jurídica sonegou tributos, por artifícios que impediram ou retardaram, total ou parcialmente, o conhecimento pela autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. Então, em defesa do interesse público, é possível que o próprio Fisco, sem necessidade de socorrerse ao Poder Judiciário, aja, promovendo a desconsideração da personalidade jurídica, em processo administrativo, como forma de responsabilizar os verdadeiros sócios do empreendimento comercial. Entretanto, a despeito da discussão que envolve a descaracterização da personalidade jurídica, vale notar que a fiscalização, conforme já salientado, deu enfoque à responsabilidade solidária das pessoas físicas, que formaram uma sociedade de fato (irregular), para explorar negócios em comum. [...] Adoto integralmente os argumentos expendidos no acórdão recorrido para a justificar a manutenção da responsabilidade solidária aos responsáveis arrolados, entre os quais o ora recorrente, com base no art. 124, inc. I. Fl. 3877DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.878 24 Com efeito, entendo que restou caracterizada e comprovada pela autoridade fiscal a utilização de interpostas pessoas, sem qualquer condição econômica para compor o quadro social da empresa fiscalizada, ocultando os reais detentores do negócio. O Fisco trouxe, também, elementos convincentes e convergentes que apontam que os Srs. Marcelino (recorrente) e seu irmão Sr. Clésio, são os sócios de fato da empresa, apontando que os mesmos são os proprietários do imóvel no qual a empresa está estabelecida, que os mesmos prestaram aval bancário a empresa em montantes que superam a centena de milhares de reais em operações de empréstimos tomadas pela empresa, que o Sr. Marcelino constava como diretor da empresa em Fichas de Aberturas de contas, situações corroboradas pelos depoimentos de exempregados da empresa que afirmam que, de fato, são eles os proprietários de fato da empresa autuada. Conforme bem destacado nas conclusões do TVF que julgo oportuno transcrever novamente, verbis: Assim, pelos fatos e documentos analisados neste Termo, ficou demonstrada a prática adotada por JOSÉ MARCELINO DE ARAÚJO E CLÉSIO WAGNER DE ARAÚJO na condução dos negócios de suas empresas, seu modus faciendi, qual seja, a manutenção da mesma atividade mercantil com sucessão das empresas que representam o negócio; o aproveitamento dos mesmos empregados nas empresas inadimplemento constante das empresas em relação aos tributos federais, estando, em regra, omissas de entrega de declarações; encerramento irregular das empresas e, confecção de contratos sociais e alterações contratuais das empresas em nome dos empregados e de terceiros (interposição de pessoas na figura do sócio da pessoa jurídica). O amplo trabalho de fiscalização demonstra, através da documentação anexada a este termo, que as empresas Garantia Ind. Com. e Importação Lida., bem como a sucedida Cerealista Morato Ltda., serviram para a prática de atos negociais em seu nome, mas que na realidade, beneficiaramse dos mesmos, terceiras pessoas, de forma ardilosa, através de artifícios empregados pelos agentes, com vistas à obtenção de lucros sem o devido recolhimento dos tributos federais. Portanto, são atos praticados através de condutas que objetivaram falsear documentos com o fim direto de prejudicar o direito da Fazenda Pública. Dessarte, pela prática regular de todos os atos típicos da sociedade comercial, inclusive com participação financeira e empenho de seu patrimônio pessoal, os Srs. José Marcelino de Araújo e Clésio Wagner de Araújo, demonstram interesse comum nas atividades da empresa, tendo permanecido a ela vinculados de forma irregular, aparentemente como prepostos ou mandatários, por terem simulado a participação de terceiros no capital social da empresa. O recorrente reclama que se o acórdão recorrido entende válida a prova testemunhal, com base no art. 332 do CPC, deveria também considerar aplicável os demais artigos daquele código que estabelecem o rito para a oitiva de testemunhas, o que não foi observado pela fiscalização, tornando igualmente inválida a prova. Fl. 3878DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.879 25 Não tem razão a recorrente. O rito estabelecidos nos artigos 407 e 413 a 417 do CPC são claramente destinados ao processo civil judicial. As disposições do CPC aplicamse supletiva e subsidiariamente aos processos administrativos, nos termos do seu art. 15, apenas no que lhes couber. 1 Assim, as normas atinentes à atuação da autoridade judicial na condução dos processos judiciais e aos ritos próprios daqueles processos, por certo, não se aplicam ao processos administrativo fiscal. Por outro lado, como bem destacou o acórdão recorrido, o recorrente não trouxe qualquer elemento de prova que apontasse que os depoimentos prestados pelos ex empregados da fiscalizada contivessem quaisquer vícios. No que concerne ao enquadramento da situação descrita ao art. 124, inc. I do CTN, concordo, também, com a conclusão do acórdão recorrido no sentido de que se configurou uma sociedade de fato dos responsáveis solidários arrolados, na medida em que os sócios formalmente indicados no contrato social não eram os titulares de fato da sociedade, mas sim interpostas pessoas que ocultavam os reais sócios. Agreguese ao fato destacado pela fiscalização de que os referidos responsáveis solidários arrolados adotaram a mesma prática em outros empreendimentos no sentido de utilizar interpostas pessoas no quadro societário de suas empresas e não recolher nenhum dos tributos devidos em face das atividades econômicas por elas desenvolvidas, revelando o claro intuito de frustrar eventuais execuções fiscais. Configurada a sociedade de fato, entendo correta a indicação dos sócios de fato como coobrigados, pois é inequívoco, no caso, o interesse comum (dos sócios de fato) na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. No que concerne à aplicação do art. 135, incs. II e III do CTN, também indicados pela autoridade fiscal para fundamentar a responsabilização, poderseia cogitar que uma vez afastada a aplicação da multa qualificada pelo colegiado da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, não se caracterizaria a infração à lei que justificaria a responsabilização por este critério legal. Com efeito, o Acórdão nº 10196.791, afastou a multa qualificada aplicada, nos termos sintetizados na seguinte ementa, verbis: MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE PESSOAS SEM CAPACIDADE ECONÔMICOFINANCEIRA NA CONDIÇÃO DE SÓCIAS DE PESSOA JURÍDICA. A inclusão de pessoas de reconhecida incapacidade econômico financeira no quadro societário de pessoa jurídica, em substituição aos verdadeiros sócios, não é suficiente, tão somente, para caracterizar a intenção de sonegar. Tal expediente pode configurar tentativa de frustrar eventual execução fiscal, não punível com multa qualificada. A sonegação se consuma no esforço de encobrir o fato gerador, 1 Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Fl. 3879DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.880 26 segundo o tipo penal descrito no art. 71 da Lei 4.502/1964, e não na tentativa de frustrar a cobrança do crédito tributário. O STJ, por meio da Sumula nº 430 consolidou entendimento de que "o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. A jurisprudência do mesmo tribunal admite, no entanto, o redirecionamento da execução fiscal ao sócio em caso de dissolução irregular da sociedade. No presente caso, temse a constituição da sociedade de forma irregular, mediante a utilização de interpostas pessoas, que tem o mesmo efeito da dissolução irregular, posto que em ambos os casos, o Fisco somente pode concretizar a execução fiscal se redirecionála aos sócios de fato. O ilustre desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Luciano Rinaldi, ao discorrer sobre a responsabilidade dos sócios, analisa situação de transferência de quotas de sociedade pelos sócios a interpostas pessoas, destacando a responsabilidade dos verdadeiros sócios pelos tributos não recolhidos, verbis: 2 Há um aspecto que merece atenção especial, concernente a dissolução irregular da empresa quando constatado que o sócio anterior a repassou para outrem de forma artificial, ardilosa, visando ocultação da real titularidade e/ou blindagem patrimonial. Nesses casos, o terceiro, comumente denominado “sóciolaranja”, geralmente desconhece o negócio jurídico, tendo seu nome ilegalmente utilizado para benefício alheio, tornandose sócio (inconsciente) de uma empresa. Essa situação enquadrase juridicamente como dolo, vício de consentimento (artigo 145, Código Civil). Assim, o vício de consentimento decorrente do dolo é anulável (artigo 171, II, CC), tendo como consequência o restabelecimento da situação jurídica anterior (artigo 182, CC). Noutros termos: confirmada a boafé do terceiro, vítima de um esquema ilícito, o negócio jurídico ilegal fica privado de qualquer efeito no mundo jurídico, retroagindo a data da celebração e restabelecido o status quo ante. Entretanto, se o “sóciolaranja” empresta seu nome em ato de conluio com o sócio verdadeiro, mancomunados, estará caracterizado a simulação, causa de invalidação dos negócios jurídicos (artigo 167, parágrafo 1º, I, CC). Nessa circunstância, levando em consideração que “o negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo” (artigo 169, CC) e “as nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz... quando as encontrar provadas” (artigo 168, p.único, CC), é certo que, em caso de transferência simulada de participação societária, a responsabilidade tributária atingirá também o sócio primitivo, ainda que haja dissolução irregular anos depois. 2 A execução fiscal contra sócios e administradores da pessoa jurídica. 12 de junho de 2016. in https://www.conjur.com.br/2016jun12/lucianorinaldiexecucaofiscalsociospessoajuridica. Fl. 3880DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.881 27 Assim, no tocante ao redirecionamento da execução fiscal ao sócio/administrador, restando evidenciada a fraude por meio de vício de consentimento(dolo) ou simulação, a responsabilidade tributária alcançará o mentor do ilícito, por infração da lei (artigo 135, CTN), sendo pouco relevante aferir quem ocupava a gerência da empresa no momento da dissolução irregular. Ora, se o sócio que deixa a sociedade ficticiamente, mediante a transferência de suas quotas, é responsável pelos tributos devidos pela sociedade dissolvida irregularmente, o mesmo deve ocorrer com relação ao sócio de fato, dono do empreendimento, que constitui a empresa em nome de terceiro, interposta pessoa, e deixa de recolher todos os tributos devidos, sob pena de se frustrar a execução fiscal pela Fazenda Pública. Além disso, a utilização de interposta pessoa na constituição formal da empresa tipifica, sem dúvida, uma fraude, que caracteriza a infração à lei por parte dos reais proprietário da empresa. Assim, entendo que deve ser mantida a imputação de responsabilidade também com base no art. 135, do CTN. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 3881DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.882 28 Declaração de Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca No caso em análise, não obstante presentes os pressupostos necessários à tipificação da hipótese tratada pelo art. 135, III, do CTN e, assim, neste particular, não haver quaisquer discordâncias de minha parte com o voto condutor, vale destacar que, quanto ao art. 124, I, também invocado para justificar a responsabilização do solidário, meu entendimento diverge, inclusive, em relação à posição adotada pelo restante do Colegiado. É que, a meu ver, a única interpretação possível acerca do aludido art. 124, I, da Lei Complementar Tributária ex ratione materiae, é de que, para justificar a imposição solidária do dever de recolher o tributo, há que se verificar a existência de um interesse jurídico comum, e não econômico ou, de outra sorte, os sócios das empresas sempre, e sempre, seriam responsabilizáveis pelas dívidas havidas pela sociedade (tornando, pois, letra morta, as regras encartadas nos artigos 132, 133, 134 e 135, todos do mesmo diploma legal). Em suma, a meu ver o interesse na percepção de vantagem econômica não estão abarcado pelas disposições do art. 124, I, até porque, o uso de códigos linguísticos estranhos ao direito para qualificar um fato social é contrário à dogmática jurídica (posição que adoto, inclusive, para a validação, do ponto de vista fiscal/tributário, de operações não dotadas de intento negocial). Apenas a existência de uma relação jurídica comum que encerre um objetivo compartilhado, sendo este objetivo a ocorrência do próprio fato gerador, e não da percepção do fruto advindo deste fato jurígeno (auferir renda ou receita, deter a propriedade), é que legitima, pois, a responsabilização com base no citado dispositivo (respeitados, por óbvio, os entendimentos divergentes). Invoco, neste particular, o escólio de Luciano Amaro que, de forma bem objetiva, ratifica as assertivas acima apostas: Sabendo que a eleição de terceiro como responsável supõe que ele seja vinculado ao fato gerador (art. 128), é preciso distinguir, de um lado, as situações em que a responsabilidade do terceiro deriva do fato de ele ter "interesse comum" no fato gerador (o que dispensa previsão na lei instituidora do tributo) e, de outro, as situações com as quais ele tenha algum outro interesse (melhor se diria, as situações com as quais ele tenha algum vínculo) em razão do qual ele possa ser eleito como responsável. Neste segundo caso é que a responsabilidade solidária do terceiro dependerá de a lei expressamente a estabelecer. 3 E tanto Luciano Amaro, como Paulo de Barros (em seu Curso de Direito Tributário4 deixam extreme de dúvidas que o vínculo a ser observado é, efetivamente, o jurídico; vinculo estabelecido diretamente com o fato jurígeno e não com as consequências deste fato; dentre os exemplos destaquese a responsabilidade dos coproprietários do imóvel 3 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro, 22ª ed., Rio de Janeiro: Saraiva, 2017, p. 345. 4 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário, 8ª ed., Rio de Janeiro: Saraiva, 1996, p. 220. Fl. 3882DF CARF MF Processo nº 13603.002968/200384 Acórdão n.º 1302002.800 S1C3T2 Fl. 3.883 29 em relação à obrigação relativo ao IPTU ou dos vários vendedores de uma mesma mercadoria, quanto ao ICMS. Outro interesse (econômico), que não o destacado acima, como bem pontuado por Luciano Amaro, somente encerraria a responsabilização solidária do terceiro se e quando determinado, expressamente, por lei (art. 124, II, do CTN). Por tais razões, compartilho do entendimento do D. Relator apenas quanto a responsabilização do terceiro fundada nos preceitos do art. 135, III, como afirmei alhures, e, nesta esteira, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 3883DF CARF MF
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Numero do processo: 15987.000676/2009-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE.
A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. VEDAÇÃO DE CRÉDITO. INAPLICABILIDADE.
A pessoa jurídica que adquire produtos de cooperativas tem direito a apropriar-se do crédito correspondente, desde que observadas as demais condições e requisitos legais.
As reduções da base de cálculo sobre a qual incidem as Contribuições devidas pelas cooperativas não atrai a vedação de apropriação de créditos prevista para os casos em que são adquiridos produtos não sujeitos ao pagamento dessas Contribuições. Parecer Cosit nº 65/2014.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-006.701
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial. Não foi conhecida a matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa", vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso integralmente. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE. A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. VEDAÇÃO DE CRÉDITO. INAPLICABILIDADE. A pessoa jurídica que adquire produtos de cooperativas tem direito a apropriar-se do crédito correspondente, desde que observadas as demais condições e requisitos legais. As reduções da base de cálculo sobre a qual incidem as Contribuições devidas pelas cooperativas não atrai a vedação de apropriação de créditos prevista para os casos em que são adquiridos produtos não sujeitos ao pagamento dessas Contribuições. Parecer Cosit nº 65/2014. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial. Não foi conhecida a matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa", vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso integralmente. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS. Recorrente OUTSPAN BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE. A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. VEDAÇÃO DE CRÉDITO. INAPLICABILIDADE. A pessoa jurídica que adquire produtos de cooperativas tem direito a apropriarse do crédito correspondente, desde que observadas as demais condições e requisitos legais. As reduções da base de cálculo sobre a qual incidem as Contribuições devidas pelas cooperativas não atrai a vedação de apropriação de créditos prevista para os casos em que são adquiridos produtos não sujeitos ao pagamento dessas Contribuições. Parecer Cosit nº 65/2014. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 7. 00 06 76 /2 00 9- 61 Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 15987.000676/200961 Acórdão n.º 9303006.701 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial. Não foi conhecida a matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa", vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso integralmente. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento parcial, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3403002.968, de 27 de maio de 2014, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. NOTAS FISCAIS SEM CAUSA. GLOSA. Aquisições de mercadorias amparadas por notas fiscais emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para esse fim, não dão direito a crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. COMPRAS NÃO ONERADAS. VEDAÇÃO LEGAL. A aquisição de bens ou serviços não onerados pela contribuição não dá direito a crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 15987.000676/200961 Acórdão n.º 9303006.701 CSRFT3 Fl. 4 3 O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido A divergência suscitada no recurso especial referese (i) à nulidade da decisão recorrida pelo não suprimento de omissão apontada em sede de embargos declaratórios, (ii) ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa; (iii) ao direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas, mesmo quando elas utilizam as reduções a que tem direito a posteriori e (iv) ao reconhecimento de inexistência de suspensão da incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na atividade de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café. O recurso especial foi admitido em parte, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF. Contrarrazões da Fazenda Nacional foram apresentadas requerendo que não se admita o recurso e, no mérito, que lhe seja negado provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.692, de 15/05/2018, proferido no julgamento do processo 10845.720753/200901, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.692): "Conhecimento do Recurso Especial O recurso especial do contribuinte foi admitido apenas em relação (i) ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa; (ii) ao direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas, mesmo quando elas utilizam as reduções a que tem direito a posteriori e (iii) ao reconhecimento de inexistência de suspensão da incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na atividade de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café. A Fazenda Nacional, em sede de contrarrazões, esforçase em demonstrar que a recorrente não logrou êxito em comprovar a divergência jurisprudencial em relação ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa. Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 15987.000676/200961 Acórdão n.º 9303006.701 CSRFT3 Fl. 5 4 Colho do recurso especial o excerto que bem retrata a linha de raciocínio defendida pela recorrente. Efetuandose o devido cotejo analítico temse que, enquanto o v. acórdão recorrido entende que deve ser mantida a glosa independentemente da comprovação da efetiva realização e pagamento da operação, o primeiro acórdão paradigma, em sentido oposto, assevera que a inidoneidade do fornecedor não afasta o direito de crédito do adquirente se demonstrado a ocorrência das operações e pagamento das transações. Em momento anterior, a recorrente contesta o entendimento defendido pelo i. Relator do acórdão recorrido. Nesse sentido, nos parece incorreto o voto do Ilustre Relator, dado que ignora a jurisprudência do tribunais, inclusive administrativo, e segue no sentido de que independe (sic) a boafé do adquirente (p. i do acórdão): "A propósito da prolatada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente". É curioso observar que a transcrição acima suprime boa parte do conteúdo do parágrafo da qual foi extraída. A parte suprimida deixa claro em seu preâmbulo, que é justamente o fragmento reproduzido no recurso, não é mais do que um comentário obter dictum, pois o fundamento da decisão é outro, em sentido contrário. Observese a íntegra do parágrafo. A propósito da propalada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente. Dito de outra forma, a despeito do amplo conjunto probatório formado nos autos do processo 15983.720078/201247, reproduzido, em parte, na decisão recorrida, que evidencia que Outspan, não só sabia, como participava ativamente do esquema fraudulento2, é irrelevante para o deslinde do presente litígio saber se a recorrente estava envolvida ou não no esquema revelado pelas sobreditas operações. Para tanto, basta que se ateste, no curso deste processo administrativo, que as notas fiscais que ampararam a tomada de crédito são idôneas para esse fim ou não. (grifos meus) E outras considerações presentes no voto condutor da decisão recorrida. A propósito, esta Turma Recursal já analisou a simulação perpetrada por JC Bins Cafeeira Colatina Ltda., MC da Silva Brasil Blend, Do Grão, L&L, Café Brasile, Giubert Café, Reicafé, WG de Azevedo, Ypiranga, entre outras pessoas jurídicas, por ocasião do recurso voluntário interposto nos autos do processo 10783.724858/201118. Na oportunidade, o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no voto condutor do Acórdão nº 3403002.635, de 24 de novembro de 2013, entendeu restar escancarado que ao menos duas dessas pessoa jurídicas (JC Bins e MC da Silva) eram laranjas , cuja própria constituição seria simulada. Quanto às demais, embora não houvesse indício de vício de vontade na sua constituição, a simulação residiria apenas nos próprios contratos de compra e venda que celebravam. As empresas prestavamse ao serviço de troca de notas: recebiam a nota fiscal de produtor, e emitiam nota fiscal de venda à recorrente. O Conselheiro Marcos ainda sublinha que essas empresas... Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 15987.000676/200961 Acórdão n.º 9303006.701 CSRFT3 Fl. 6 5 “...nada compravam, nada vendiam, não tinham estrutura pessoal, operacional e física nenhuma para operar no “comércio atacadista de café”; não tinham estoque, armazéns, funcionários. Nada.” (...) A propósito desse argumento, retomo aqui as pertinentes observações do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, quando analisouo em caso que envolvia os mesmos fornecedores: “Há um abismo de diferença entre a situação destes autos e a do precedente jurisprudencial mencionado. O que disse o STJ é que o contribuinte não pode ser prejudicado pela eventual e desconhecida inidoneidade de terceiro com quem contrata de boafé. A leitura do julgado revela que o tribunal condiciona o aproveitamento do crédito à demonstração de que a compra e venda efetivamente se realizou, justamente para alhear de seus comandos a hipótese de simulação. Aqui, as aquisições junto às empresas JC Bins e MC Silva não se amoldam à hipótese julgada já porque não se trata de negócio com terceiros, como se viu. E as demais aquisições tampouco, agora porque não houve entre as partes compra e venda efetiva. O REsp nº 1.148.444, enfim, consolida entendimento diametralmente contrário ao que favoreceria a recorrente. Há alguma dúvida de que o Colegiado recorrido, pelo menos na pessoa daqueles que não foram vencidos, entendeu que a recorrente estava envolvida nas operações fraudulentas de venda de notas fiscais e, por conseguinte, não se lhe aplicava a presunção de boafé consolidada na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e resguardada pela própria legislação tributária? No comentário transcrito no recurso, o então Relator do processo apenas registrou que, se a situação fosse outra, tomaria decisão idêntica. Mas a situação que o Colegiado enxergou e sobre a qual decidiu, por óbvio, não era outra e sim aquela narrada nos autos. Sua comparação com os fatos noticiados no paradigma demonstra absoluta ausência de identidade fática, se não vejamos. Excerto obtido do acórdão paradigma nº 3802002.382. Ao indeferir o pedido de ressarcimento assentado nessa fundamentação, a decisão recorrida não demanda qualquer reparo, porque, segundo ensina Paulo de Barros Carvalho, não há incompatibilidade entre o princípio constitucional da não cumulatividade e a exigência, para fins de aproveitamento do crédito, de documento hábil e de prova da efetiva ocorrência das operações documentadas: É, portanto, requisito para o aproveitamento do crédito que esteja ele vertido em documento hábil para certificar a ocorrência do fato que dá ensejo à apuração do crédito. [...] Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 15987.000676/200961 Acórdão n.º 9303006.701 CSRFT3 Fl. 7 6 Cabe destacar, nesta exigência [3], a necessidade dos documentos atenderem ao que dispõe a legislação, no tocante à sua confecção, tipo, série e demais peculiaridades. Aquilo que se impõe, no caso, é o dever de o contribuinte conferir os documentos que acompanham os bens adquiridos, buscando identificar se atendem ou não ao que estabelecem os dispositivos legais que tratam da matéria. Nada mais. O derradeiro requisito, também percebido na já mencionada legislação, diz respeito à efetiva ocorrência das operações documentadas, o que já foi previamente lembrado letras acima. Ou, por outras palavras, o que estiver registrado – em documento fiscal – deve refletir a efetiva realização do negócio jurídico, com ingresso, real ou simbólico, da mercadoria no estabelecimento adquirente e o respectivo pagamento. Tais providências, quando tomadas em conjunto, evidenciam a boa fé do contribuinte, eximindo de eventuais responsabilidades caso seja posteriormente verificada a prática de ilícitos por terceiros [4] (grifos acrescidos) De fato, não há uma só palavra em todo o acórdão paradigma que faça menção à participação da autuada no esquema de compra de notas fiscais. Assim, uma vez que tenha comprovado o efetivo pagamento e recebimento das mercadorias, o Colegiado eximiua da responsabilidade pelas irregularidades praticadas por terceiros. Com efeito, como já disse, esse excludente de responsabilidade está previsto na própria legislação tributária. Lei 9.430/96 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. As circunstâncias fáticas do paradigma não coincidem com as que são identificadas nos autos. Aqui, considerouse que a empresa fazia parte e atuava no esquema ilícito de compra e venda de notas fiscais que simulavam operações realizadas por pessoas jurídicas, lá, entendeuse que a empresa tinha agido de boafé. Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 15987.000676/200961 Acórdão n.º 9303006.701 CSRFT3 Fl. 8 7 Assim, nessa parte o recurso especial do contribuinte não deve ser conhecido. Isto posto, uma vez que os demais requisitos de admissibilidade foram observados, passo ao exame de mérito dos assuntos remanescentes. Mérito 1 Direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas A decisão de segunda instância negou o direito de crédito à recorrente para os produtos adquiridos junto às cooperativas tendo em vista essas mercadorias não estarem sujeitas ao pagamento das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins por parte do vendedor, por força da redução da base de cálculo prevista em lei. Observemse os fundamentos do voto (e folha 1.133 e 1.134). A afirmação recursal de que o café é um bem sujeito à incidência do PIS é uma impropriedade. As contribuições sociais não incidem sobre o valor dos bens, mas sobre o faturamento, entendido como tal o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A contrario sensu, não incidem sobre receita não auferida. É o caso do produto das vendas de café adquirido aos cooperados, que é a eles repassado e, consequentemente, excluído da base de cálculo da contribuição apurada pela cooperativa. Ora, nessas condições, o preço de venda do café não foi onerado pela exação, razão pela qual não enseja direito a crédito da contribuição. Tomar crédito sem ter pagado a contribuição, em franco enriquecimento ilícito, as evidências do processo demonstram, muito agradaria ao recorrente, mas é repudiado por todo o ordenamento jurídico pátrio. Há, contudo, Solução de Consulta editada pela Secretaria da Receita Federal tratando do tema. Para maior clareza, transcrevo excerto dela extraídos. Solução de Consulta Cosit nº 65/2014 A dúvida principal da consulente é saber se a aquisição de produtos junto a cooperativas impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. (...) As receitas das coopertativas, regra geral, estão sujeitas ao pagamento das contribuições. As exclusões da base de cálculo às quais as cooperativas têm direito não se confundem com não incidência, isenção, suspensão ou redução de alíquota a 0 (zero) nas suas vendas, o que impediria o aproveitamento de crédito por parte dos compradores de seus produtos. As sociedades cooperativas, além da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o faturamento, também apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários relativamente às operações referidas na MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 15, I a V. (...) Sabendose que, regra geral, não há impedimento ao aproveitamento de créditos nas aquisições de produtos junto a cooperativas, não há mais questão de interpretação da legislação tributária a ser resolvida. Basta aplicar literalmente a legislação referente à situação descrita na consulta, sendo vedada a apuração de créditos em relação às aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 15987.000676/200961 Acórdão n.º 9303006.701 CSRFT3 Fl. 9 8 Até o anocalendário de 2011, enquanto vigiam para o café os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, os exportadores de café não podiam descontar créditos em relação às aquisições do produto com as suspensões previstas nos incisos I e III do art. 9º. Também não havia direito à apuração de créditos nas aquisições do produto com o fim específico de exportação, nos termos do art. 6º, § 4º, e 15, III, da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o art. 39, § 2º, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Por outro lado, havia direito ao creditamento nas aquisições de café já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, tendo em vista que sobre a receita de venda do café submetido a esta operação não se aplicava a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 9º, § 1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004). A partir do anocalendário 2012 não há mais direito ao desconto de créditos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10833, de 2003, em relação às aquisições de café, tendo em vista a suspensão prevista no art. 4º da Lei nº 12.599, de 2012, e, a partir de 10 de julho de 2013, a redução de alíquota a 0 (zero) prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004 (dispositivo incluído pela Lei nº 12.839, de 9 de julho de 2013). Ressalvese as hipóteses de crédito presumido previstas nos arts. 5º e 6º da Lei nº 12.599, de 2012. Ou seja, na situação específica, a empresa tem o direito de apurar créditos nas compras realizadas às cooperativas, desde que a saída do produto da cooperativa não tenha ocorrido com suspensão do pagamento das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Quanto a isso, percebese da leitura do acórdão recorrido que foram identificadas diferentes tipos de operações. No curso do procedimento fiscal, verificouse que, entre os fornecedores da Outspan, figuravam diversas sociedades cooperativas de produtores rurais. Intimadas a respeito da natureza de suas operações e dos procedimentos adotados na apuração das contribuições, especificamente com relação às operações que deram origem aos créditos pleiteados pelo recorrente, inclusive a esclarecer se exerceram cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial6, apurouse que (fls. 19927 e seguintes do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247) algumas cooperativas revenderam produtos adquiridos de cooperados e valeramse da faculdade de excluir da base de cálculo os valores a eles repassados, ao amparo do inc. I do art. 15 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Outras informaram que venderam toda a sua produção com “suspensão do PIS e COFINS”. Nestes dois casos,não se admitiu o creditamento. Um terceiro grupo de cooperativas informou que pequena parte pequena de suas vendas provinha de mercadorias adquiridas a não cooperados, mas que, nada obstante, excluíam da base de cálculo os repasses efetuados a seus cooperados, caso em que a Fiscalização admitiu a tomada de crédito segundo um rateio de receitas, apurado a partir da análise do DACON respectivo, consolidação no demonstrativo “Análise das Cooperativas” com o percentual dos valores aproveitáveis de diversas cooperativas fornecedoras da Outspan (fls. 20015/20016 do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247). Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 15987.000676/200961 Acórdão n.º 9303006.701 CSRFT3 Fl. 10 9 Com base em todo o exposto, deve ser admitido o direito à apropriação de créditos nas aquisições de cooperativas de produtos que não deram saída com suspensão do pagamento das Contribuições. 2 Inexistência de suspensão da incidência das Contribuições Essa matéria foi tangenciada no tópico anterior uma vez que a Fiscalização Federal, como se viu dos excertos transcritos acima, tratou em conjunto as vendas com suspensão e as vendas com redução da base de cálculo. Cuidase, agora, especificamente das vendas com suspensão. As alegações da recorrente são no sentido de que não houve vendas com suspensão do pagamento das Contribuições, como a seguir se lê. Como o destaque da suspensão consiste em erro das fornecedoras ante a atividade agroindustrial evidenciado nas notas, há que se fazer o crédito integral, e eventualmente fiscalizar tais fornecedores. Diferentemente do que se possa imaginar, o café cru, ou o café verde, que são largamente adquiridos pela Recorrente e objeto destas indigitadas notas fiscais, não é o mesmo que café in natura. O café cru em grão, ou verde, certamente foram submetidos à atividade agroindustrial, por passar por padronização, beneficiamento, mistura etc. Ele não é o café moído ou torrado, mas está longe de ser um café in natura, que a Recorrente não adquiriu e que jamais teria a suspensão informada por alguns fornecedores. A sistemática de tributação do café é deveras complexa. À época, o § 6º do art. 8º da Lei 10.925/04 identificava operações com determinados produtos que, nos termos do § 1º1 do art. 9º, não poderiam sair com suspensão da incidência das Contribuições. § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial Por seu turno, o inciso I, do § 1º do art. 8º do mesmo diploma legal especificava operações com determinados produtos que davam direito ao crédito presumido por serem vendidos com suspensão das Contribuições. cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM. 1 § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 15987.000676/200961 Acórdão n.º 9303006.701 CSRFT3 Fl. 11 10 Não é de estranhar que o vendedor que exercesse cumulativamente algumas das atividades acima entendesse que se enquadrava na hipótese do inciso I do § 1º do art. 8º e, assim, vendesse seus produtos com suspensão. De toda sorte, cabia à Recorrente requerer a correção das informações contidas nas notas fiscais de compra dos produtos que adquirira, ex vi art. 62 da Lei 4.502/64. Das Obrigações dos Adquirentes e Depositários Art . 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprêgo ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se êles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao sêlo de contrôle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se êstes satisfazem a tôdas as prescrições legais e regulamentares. (grifos acrescidos) § 1º Verificada qualquer falta, os interessados, a fim de se eximirem de responsabilidade, darão conhecimento à repartição competente, dentro de oito dias do recebimento do produto, ou antes do início do consumo ou da venda, se êste se der em prazo menor, avisando, ainda, na mesma ocasião o fato ao remetente da mercadoria. § 2º Se a falta consistir na inexistência da documentação comprobatória da procedência do produto, relativamente à identificação do remetente (nome e enderêço), o destinatário não poderá recebêlo, sob pena de ficar responsável pelo impôsto e sanções cabíveis. Nestes termos, com fundamento em tudo o que foi exposto até o presente momento, voto pelo não conhecimento do recurso especial do contribuinte em relação à matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa" e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido em parte e, no mérito, o colegiado deulhe parcial provimento, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1771DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.904390/2013-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolveu a Turma converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Breno do Carmo Moreira Vieira e Ailton Neves da Silva em substituição, respectivamente, aos Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, ausentes justificadamente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente Em Exercício), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolveu a Turma converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Breno do Carmo Moreira Vieira e Ailton Neves da Silva em substituição, respectivamente, aos Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, ausentes justificadamente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente Em Exercício), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP relativo a sado negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, do qual, após análise eletrônica dos itens componentes do saldo negativo pretendido, foi emitido despacho decisório eletrônico reconhecendo apenas RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 04 39 0/ 20 13 -2 0 Fl. 1710DF CARF MF Processo nº 16682.904390/201320 Resolução nº 1401000.512 S1C4T1 Fl. 1.710 2 parcialmente os créditos pretendidos e homologando parcialmente as compensações apresentadas. Dos componentes do crédito objeto de análise constatamos que foram não confirmados integralmente os valores relativos às retenções na fonte apresentadas. Foram ainda não homologadas as compensações apresentadas após o decurso do prazo legal de cinco anos da constituição dos créditos. Cientificada da decisão a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade na qual aduziu os seguintes argumentos. Que a maior parte das retenções não confirmadas decorreu de contratos de mútuo realizados pela empresa e de informações incorretas relativas a retenções do Citibank e Unibanco. Informou ainda de outros equívocos nas informações apresentadas relativas às retenções em valores menores. Não apresentou contestação contra a não confirmação das estimativas compensadas com outros créditos A Delegacia de Julgamento, tomando conhecimento da Manifestação de Inconformidade determinou a realização de diligencia para apurar os argumentos apresentados pela manifestante. Na realização da diligencia a Delegacia de Origem intimou a empresa a apresentar uma série de documentos, no entanto, em conclusão da análise informa que não foi apresentado nenhum fato a modificar o entendimento anterior e, mais, ainda, tece uma série de comentários em desfavor da empresa que, no meu entender não foram convenientes ao caso, posto que não se contrapuseram às dificuldades imprimidas pelo próprio órgão contra os contribuintes. Na análise da manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento Julgou procedente em parte reconhecendo apenas os valores relativos às retenções na fonte do Citibank e Unibanco que estavam comprovadas em DIRF. Cientificada da decisão a empresa apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu as seguintes alegações em síntese. 1 – No Recurso apresenta contestação contra a nãohomologação das estimativas compensadas com outros débitos que estariam sendo tratadas em outros processos em fase judicial. 2 – Protesta pero reconhecimento do valor ainda não reconhecido de R$ 2.678.289,63, relativo às retenções na fonte que se encontram registradas na DIRF onde consta a empresa como beneficiária e que não foram aceitos anteriormente, mesmo que não constante da relação do PER/DCOMP, isso em obediência ao princípio da verdade material. É o relatório. Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 16682.904390/201320 Resolução nº 1401000.512 S1C4T1 Fl. 1.711 3 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. O objeto de análise no presente recurso voluntário prendese aos seguintes elementos: 1 Valores de retenção na fonte que a recorrente alega estarem comprovados e que não teriam sido aceitos pela Receita Federal. 2 Valores de estimativas compensadas com outros tributos que não foram confirmadas na prolação do despacho decisório inicial. Verificando que a recorrente apresenta, junto com o seu recurso voluntário os comprovantes de rendimento relativos às retenções na fonte de rendimentos recebidos pelas filiais da recorrente que entende não terem sido aceitas anteriormente. Pelos documentos acostados ao processo verificamos que, no despacho decisório emitido não é possível verificar se os rendimentos que foram confirmados total ou parcialmente eram os percebidos pela matriz ou filiais da recorrente. A recorrente apresenta, junto ao recurso, novamente os comprovantes de rendimentos que ela entende não terem sido considerados na decisão inicial. Apesar de o processo ter sido baixado em diligência para verificação das alegações da empresa esta concluiu não haver novos elementos a modificar o entendimento. Ora, no presente momento o que se busca é a verdade material acerca de quais valores foram retidos na fonte a título de IRPJ da recorrente em todos os recebimentos da matriz e filiais da empresa. Assim, entendemos que deve haver uma complementação da documentação acostada ao processo. Assim, entendemos que deve ser solicitada a complementação da documentação a ser analisada, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que sejam adotadas as seguintes providências: 1 Sejam acostados todos os extratos resumo de DIRF do anocalendário 2008, em que conste como beneficiário o recorrente e todas as suas filiais. 2 Seja elaborada planilha totalizadora com os valores por código de receita com os seguintes elementos: CNPJ do beneficiário (matriz ou filial) Código da Receita Valor do IR retido vinculado a esta receita 3 Seja feita a totalização dos valores que foram retidos a título de IRPJ no anocalendário 2008 com base na planilha do item precedente. Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 16682.904390/201320 Resolução nº 1401000.512 S1C4T1 Fl. 1.712 4 4 Por fim, com base nos valores acima apurados, seja recalculado o valor do saldo negativo de IRPJ em favor da empresa no exercício. Após a elaboração dos demonstrativos acima, que seja dada ciência ao recorrente para, querendo, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias e, após decorrido este prazo, retornese o processo a este CARF para prosseguimento. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 1713DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720329/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERROS NA FORMALIZAÇÃO DO ACÓRDÃO.
Constatados erros na formalização do acórdão embargado, por divergência do quê decidido pela Turma, acolhem-se os embargos para o devido saneamento.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3201-003.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em admitir os Embargos Declaratórios. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Por maioria de votos, acolher os embargos declaratórios. Vencida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Ficaram de apresentar declaração de voto os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Acompanhou o julgamento o representante da Fazenda Nacional, o procurador Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, OAB/DF 19.272.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ERROS NA FORMALIZAÇÃO DO ACÓRDÃO. Constatados erros na formalização do acórdão embargado, por divergência do quê decidido pela Turma, acolhemse os embargos para o devido saneamento. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em admitir os Embargos Declaratórios. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Por maioria de votos, acolher os embargos declaratórios. Vencida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Ficaram de apresentar declaração de voto os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Acompanhou o julgamento o representante da Fazenda Nacional, o procurador Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, OAB/DF 19.272. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 03 29 /2 01 1- 42 Fl. 978DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório Reproduzo relatório do acórdão embargado: Em cumprimento ao despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, eu, Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, transcrevo voto depositado e não formalizado, realizado pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF dado que o Relator, Conselheiro Daniel Mariz Gudino, não mais compõe o Colegiado. Tratase de recurso voluntário interposto por Companhia de Bebidas das Américas – AMBEV, doravante referida como Recorrente, contra o Acórdão nº 1530.752, de 29/05/2012, proferido pela 4ª Turma da DRJ/SDR, que julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário em discussão. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da instância a quo, transcrevese o relatório da decisão recorrida: Tratase de Auto de Infração, fls. 265 a 275, lavrado contra a contribuinte acima identificada, com a exigência do crédito tributário do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 36.956.867,04, incluídos multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora calculados até 30/06/2011. Na Descrição dos Fatos, fls. 267 e 271, o autuante relata que no procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigatórias tributárias apurou que o estabelecimento industrial recolheu a menor o imposto, por ter se utilizado indevidamente de créditos básico e créditos incentivado, conforme descrito no relatório fiscal que faz parte integrante deste auto de infração. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 260 a 264, o autuante relata, em síntese, os seguintes fatos: 1. Créditos básicos decorrentes da aquisição ou entradas de diversos produtos que, embora tenham sido consumidos ou gastos no processo industrial, não tiveram contato físico direto, nem sofreram ou exerceram diretamente ação no produto industrializado, tais como: > Aditivo para soda cáustica, aditivo para ácido e solda komplee boss, aditivo pré enxágüe lavadora de garrafas – utilizados na lavadora das garrafas de vidro; > Graxa lubrificante, lubrificante de esteira, óleo optimol obeen – utilizados na esteira transportadora de produtos e rotuladora; Fl. 979DF CARF MF Processo nº 13502.720329/201142 Acórdão n.º 3201003.623 S3C2T1 Fl. 979 3 > Aditivos Kurita e Kurizet – utilizados no pasteurizador para evitar formação de algas; > Aditivo towerelean – utilizado como aditivo para motores; > Detergente desengordurante, detergente gel ácido, detergente para limpeza de mão, sanitizante ácido – utilizados na assepsia externa das enchedoras, limpeza externa de tanques, assepsia das mãos e limpeza das áreas industriais; > Elemento filtrante – utilizado na remoção de partículas e tratamento da água; > Elemento filtrante carvão aditivado – utilizado na remoção de odores C02. 2. Créditos escriturados no livro RAIPI, sob o título de “OUTROS CRÉDITOS”, decorrentes de aquisição dos produtos concentrados para refrigerantes limão, laranja e uva, kit para fabricação de refrigerantes Pepsi Cola, rolhas metálicas, rolhas e tampas plásticas e filme stretch, provenientes da cidade de Manaus, saídos com isenção do IPI, alguns por força do art. 69, inciso II, outros com base no art. 82, inciso III. Como não há o destaque do imposto na saída dos produtos, o contribuinte não teria, a princípio, direito ao crédito pela aquisição desses produtos. > O art. 175 do RIPI/2002 permite que os estabelecimentos se creditem do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 82 do mesmo diploma legal, desde que para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. Assim, temos a concessão de um crédito incentivado, ou presumido, exclusivamente para os produtos que se enquadrem nas condições do art. 82, III. > Foram encontradas divergências entre os dispositivos legais, utilizados para a isenção dos IPI, informados pela empresa fiscalizada para escriturar os créditos no livro RAIPI, sob o título “OUTROS CRÉDITOS”, e aqueles constantes nas notas fiscais; > De acordo com o demonstrativo apresentado pela empresa, os concentrados de laranja, limão e uva saíram com a isenção do IPI prevista no art. 69, inciso II, do Dec. nº 4.544, de 2002, no entanto, consta nas notas fiscais que tais concentrados saíram com a isenção do IPI prevista no art. 82, inciso III, deste decreto; > Os Kits Pepsi cola, conforme dados do referido demonstrativo, saíram com a isenção do IPI prevista no art. 82, inciso III, do Dec. nº 4.544, de 2002, no entanto, consta nas notas fiscais que tais produtos saíram com a isenção do IPI prevista no art. 69, inciso II, deste decreto; > Dos produtos fabricados pela empresa Arosuco matriz, da qual a AMBEV é proprietária de 100% das cotas de capital, somente o concentrado de refrigerante guaraná se enquadra na exigência do Fl. 980DF CARF MF 4 art. 82, III, pois utiliza a matéria prima agrícola e extrativa vegetal e de produto regional (extrato de guaraná). Os demais concentrados de limão, laranja e uva não utilizam matéria prima extrativa vegetal produzida regionalmente, conforme informação prestada pelo contribuinte nos demonstrativos de redução do coeficiente do Imposto de Importação DCRE, extraídos dos sistemas da Receita Federal do Brasil; > Embora conste no demonstrativo entregue pela empresa fiscalizada que os produtos vendidos pela Pepsi Cola industrial da Amazônia saíram com a isenção prevista no artigo 82, inciso III, podese comprovar que as notas fiscais emitidas pela empresa saíram com a isenção prevista no art. 69, inciso II, confirmando que nenhum produto fabricado por essa empresa se enquadra na exigência do artigo 82, inciso III, por não ter sido elaborado com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais produzidas regionalmente, dados corroborados pelos demonstrativos de redução do coeficiente do Imposto de Importação –DCRE, extraídos dos sistemas da Receita Federal do Brasil; > Dos artigos citados no item anterior, o único que garante ao contribuinte o direito de obter crédito sobre produtos isentos e oriundos da Zona Franca de Manaus e Amazônica Ocidental é o art. 175. E, como já visto, este incentivo só alcança os produtos que se enquadrem no artigo 82, inciso III. Os demais produtos, saídos com a isenção do art. 69, inciso II, não tem dispositivo que ampare a escrituração de crédito, básico ou incentivado, decorrente da aquisição; > Pelo exposto, por serem produtos saídos com isenção do IPI e para os quais não há previsão legal para creditamento incentivado, os créditos do IPI escriturados pelo contribuinte e decorrentes da aquisição do concentrado para refrigerantes limão, laranja e uva, kit para fabricação de refrigerantes Pepsi Cola, rolhas metálicas, rolhas e tampas plásticas e filme stretch deverão ser glosados. Cientificado da exigência fiscal em 13/07/2011, a autuada apresentou, em 12/08/2011, impugnação de folhas 299 a 328, alegando em síntese que: 1. Nulidade do auto de infração – ausência de fundamentação para a descaracterização da isenção prevista no art. 82, inciso III do RIPI/2002: > O Fisco desqualificou os produtos de concentrado de laranja, limão e uva na exigência estabelecida no inciso III, do art. 82, do RIPI/2002, qual seja, "produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental", sem embasamento lógico para tanto; > Da análise dos argumentos utilizados pela Fiscalização, percebese a falta de fundamentação legal do Auto de Infração, haja vista que a glosa do crédito de IPI dos referidos produtos são totalmente desconexos e literalmente inócuos. Isto porque, o Fisco Autuante não esclarece os reais motivos jurídicos fundamentais que ensejaram a autuação nesse item; Fl. 981DF CARF MF Processo nº 13502.720329/201142 Acórdão n.º 3201003.623 S3C2T1 Fl. 980 5 > Deve ser reconhecida a nulidade do auto de infração ora combatido, tendo em vista a preterição de requisito essencial à sua validade, o que finda por cercear o direito da Impugnante à ampla defesa, princípio basilar, de observância obrigatória de todo o processo administrativo e inviabilizara solução do litígio; > Todavia, se, por absurdo, os argumentos ora expostos não encontrarem guarida, verificase que a análise do mérito da acusação não encontrará melhor sorte, conforme a Impugnante passará a demonstrar. 2. Do direito >Ressalta, inicialmente, ser irrelevante a menção ao dispositivo ou fundamento consignado nas Notas Fiscais e nos livros ou o noticiado à Fiscalização para justificar os créditos objeto da glosa. O importante será verificar se, em face da legislação de regência, se existia ou não o direito aos referidos créditos, consoante restará demonstrado. > A fiscalização desqualificou a aquisição de concentrados de uva, limão e laranja, cujas notas fiscais de venda emitidas pela Arosuco indicavam a isenção prevista no art. 82, inciso III, do RIPI/02, sob o equivocado entendimento de que os produtos adquiridos não se enquadram na exigência prevista pela referida norma; > A fiscalização desconsiderou os documentos fiscais e contábeis da impugnante, não demonstrou de forma clara e nem rebateu os referidos documentos apresentados pela autuada, para enquadrar os produtos adquiridos como isento, nos termos do art. 69, inciso II, do RIPI/02; > Os insumos adquiridos pela Pepsi Cola da Amazônia Ltda., referentes aos produtos “Kit Pepsi Cola”, embora a fiscalização tenha enquadrado o produto isento com base no art. 69, II do RIPI/02, a sua saída do estabelecimento industrial se deu com a isenção do IPI baseada no art. 82, III do RIPI/2002; > Os concentrados sabor pepsicola são produzidos a partir de insumo com matéria prima originária da Amazônia Ocidental, o corante caramelo, detendo, portanto, os incentivos fiscais estabelecidos nos Decreto Lei n.° 288/1967 e 1.435/1975, concedidos através da Resolução n.° 356 CAS; o que demonstra a inequívoca incidência do art. 82, III, do RIPI/2002 e a conseqüente legitimidade do creditamento com base no art. 175 do referido Regulamento; > Para que não restem dúvidas quanto ao creditamento desse produto, a Impugnante postula a juntada posterior de declaração do fabricante para demonstrar a composição do produto vendido, a fim de evidenciar o seu enquadramento como produtos isentos sujeitos ao creditamento do IPI; > Quanto aos demais produtos indicados no termo de verificação fiscal, a fiscalização não teve dúvida de que atendiam ao disposto Fl. 982DF CARF MF 6 no art. 69, II, do RIPI/2002, mas ao efetuar a glosa dos créditos de IPI no presente caso, deixou de observar a jurisprudência do STF que tem o entendimento de que os adquirentes fazem jus ao crédito do IPI incidente sobre as matérias primas e material de embalagem, embora não tenha ele sido pago, em razão da dispensa do seu recolhimento face à isenção outorgada aos produtos industrializados na mencionada Zona Franca; >O direito ao crédito do IPI relativo a produtos isentos decorre do princípio constitucional da não cumulatividade previsto no art. 153 da CF, pois a aceitação de entendimento contrária acaba implicando na transformação da isenção em mero diferimento, frustrando toda a sistemática da não cumulatividade. Cita e transcreve ementa e trecho do voto vencedor do Ministro Nelson Jobim ao julgar o RE nº 212.4842/RS; > Ressalta que no julgamento do RE 566.819, ocorrido em 29/10/2009, embora a Corte especial tenha se posicionado pelo não creditamento do IPI para produtos isentos, a matéria relacionada a isenção para a aquisição de produtos fabricados na ZFM não foi apreciada nesse julgado pelo STF; > Discorre sobre o princípio da não cumulatividade – afirma que nãoteria sentido nenhum a isenção se não houvesse o correspondente crédito –, pois o produto seria onerado na operação seguinte. O art. 153, parágrafo 3º, inciso III, da Constituição Federal não conduz a qualquer norma restritiva a não cumulatividade do IPI, ou seja, o legislador constitucional não criou nenhuma limitação ou vedação ao exercício do direito de compensar que se traduz na sistemática de créditos e débitos do mesmo imposto; > A autuação do Fisco Federal glosando os créditos sobre a aquisição de produtos isentos e oriundos da Zona Franca de Manaus acaba por transformar a mencionada isenção em mero diferimento, frustrando a não cumulatividade do imposto; > Resta demonstrado o direito da Impugnante à escrituração do crédito de IPI relativo aos insumos adquiridos na Zona Franca de Manaus para compensação com o próprio IPI em operações subseqüentes, por aplicação do princípio não cumulativo, bem como à máxima efetividade aos dispositivos da Constituição que preconizamprovidências no sentido da redução das desigualdades regionais. Transcreve trecho de texto de Hugo de Brito sobre efeitos da isenção regional; > A glosa dos valores relativos ao item “credito básico indevido” vai de encontro às prescrições contidas na legislação de regência da matéria, ao negar o direito ao creditamento relativo a produtos que efetivamente foram consumidos no respectivo processo industrial; > Da simples leitura dos art. 164, I, e 519, II, do RIPI/2002, inferese que é assegurado o direito ao crédito de IPI relativo àqueles insumos consumidos em decorrência do processo de industrialização e que a única restrição imposta ao exercício Fl. 983DF CARF MF Processo nº 13502.720329/201142 Acórdão n.º 3201003.623 S3C2T1 Fl. 981 7 desse direito referese àqueles bens que integram o ativo permanente da empresa; > Desta forma, inexistindo qualquer outro limite legal ao gozo de tal direito, resta claro que a Impugnante estava juridicamente autorizada a creditarse em relação a todos os produtos modificados ou consumidos na industrialização, mesmo aqueles que não integrassem o produto final, sendo, portanto, totalmente lícito o creditamento de IPI; > Forçoso concluir que a autuação ora combatida vai de encontro às prescrições contidas na legislação de regência da matéria, ao negar o direito ao creditamento relativo a produtos que efetivamente foram consumidos no respectivo processo industrial. A respeito do efetivo consumo dos produtos elencados no item 8.1 a 8.7 do Termo de Verificação Fiscal, os quais tiveram os créditos de IPI decorrente de sua aquisição, equivocadamente, glosados, a Impugnante pleiteia a juntada, em momento posterior ao protocolo da presente defesa administrativa, de Laudo Técnico, onde demonstra o processo produtivo da Autuada e evidencia, de forma pormenorizada, o patente e integral desgaste/consumo sofrido pelos produtos em questão, bem como a imprescindibilidade dos mesmos no processo produtivo; > O Auditor Fiscal Autuante, ao glosar os créditos decorrentes da aquisição dos produtos acima mencionados, levou em consideração interpretação restritiva atribuída ao Parecer Normativo CST nº 65, de 1979; > A necessidade do insumo ser consumido no processo fabril, de que trata o Regulamento do IPI, não demanda que este tenha contato direto com o produto em fabricação, sendo este "requisito" verdadeira inovação criada pelo malfadado Parecer Normativo, repugnada pelo ordenamento jurídico pátrio, que veda a criação, supressão ou modificação de direito por normas hierarquicamente inferiores a que o instituiu; > Conforme restará demonstrado em Laudo Técnico de produção a ser juntado aos autos, não há dúvida de que os produtos cujo crédito foi reputado como indevido atenderam aos requisitos previstos no RIPI/02, já que se constituem em elementos imprescindíveis ao processo produtivo desenvolvido pela Impugnante, perdendo suas características essenciais ou até mesmo deixando de existir depois de finalizado o processo produtivo; > Requer nulidade do auto de infração e, considerando a remota hipótese de a nulidade não ser acatada, requer a improcedência do lançamento fiscal; > Por fim, protesta pela juntada a posterior de documentos e de todos meios de prova admitidos; Em atendimento à diligência solicitada por esta DRJ, fls. 420/422, foram anexados ao presente processo os documentos de Fl. 984DF CARF MF 8 fls. 423 a 503, dentre os quais se destacam as declarações das empresas fornecedoras, fls. 444, 453/454, 472 e 474, e o relatório de diligência, fls. 500 a 503, do qual a contribuinte foi cientificada, fl. 506, manifestandose a respeito às folhas 509 a 555. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL. É improcedente a argüição de nulidade quando verificado que os autos possuem motivação, enquadramento legal e clara descrição dos fatos que resultaram na infração apurada, como também foi concedido à interessada o direito a ampla defesa. AMAZÔNIA OCIDENTAL. DIREITO AO CRÉDITO. O direito ao crédito relativo a aquisições de produtos isentos oriundos da Amazônia Ocidental está condicionado à utilização, na elaboração de tais produtos, de matérias primas agrícolas e extrativas vegetais produzidas regionalmente, desde que os produtos sejam destinados para emprego como matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. PRODUTOS DESONERADOS. CRÉDITOS FICTÍCIOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem onerados pelo imposto e admitidos segundo o entendimento albergado na legislação tributária. CRÉDITOS ADMITIDOS. Somente geram crédito de IPI as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem que integram o produto ou sejam consumidos no processo de industrialização, entendidos esses últimos como os produtos que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. IPI. MULTAS. A falta de recolhimento do IPI é fato punível com a multa de ofício capitulada no art. 80 da Lei n° 4.502, de 1964, sendo que não se confunde a penalidade imposta para coibir ou punir infrações à legislação tributária com a utilização do tributo com efeito de confisco. Inconformada com o resultado do julgamento da instância a quo, a Recorrente interpôs recurso voluntário, de forma tempestiva, Fl. 985DF CARF MF Processo nº 13502.720329/201142 Acórdão n.º 3201003.623 S3C2T1 Fl. 982 9 reiterando os argumentos da sua defesa original no tocante aos créditos básicos oriundos da aquisição de graxa lubrificante, lubrificante de esteira, óleo Optimol Obeen, aditivos Kurita e Kurizet, detergente desengordurante, detergente gel ácido, detergente para limpeza de mão e sanitizante ácido, elementos filtrantes e carvão ativado; e aos créditos presumidos oriundos da aquisição de kit para fabricação de refrigerante Pepsi Cola e filme stretch. Posteriormente, em petição apartada, requereu o sobrestamento do julgamento administrativo em razão da repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 592.891. O processo foi distribuído e sorteado ao Conselheiro Daniel Mariz Gudino, seguindo o rito regimental. É o relatório. Esta Turma decidiu por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, por meio do Acórdão 3201001.873, de 24/02/2015. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 SOBRESTAMENTO. DESNECESSIDADE. A atual redação do Regimento Interno do CARF não impõe o sobrestamento do julgamento em razão de recursos pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal de Justiça. CRÉDITOS BÁSICOS. INSUMOS. REQUISITOS. Somente geram crédito de IPI as matérias primas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem que integram o produto ou sejam consumidos no processo de industrialização, entendidos esses últimos como os produtos que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Posição firmada pelo STJ no julgamento do REsp. 1.075.508/SC cujo acórdão foi submetido ao regime dos recursos repetitivos. Aplicação do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. ISENÇÃO. INSUMOS ORIGINÁRIOS DA ZFM. MATÉRIA PRIMA DE PROCEDÊNCIA DA AMAZÔNIA LEGAL. POSSIBILIDADE. Não há base legal para a interpretação de que a expressão “produção regional” prevista no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75 referese à Amazônia Ocidental. Tal dispositivo, quando versa sobre a Amazônia Ocidental, referese ao local em Fl. 986DF CARF MF 10 que devem estar estabelecidos os estabelecimentos industriais dos produtos isentos. CRÉDITO PRESUMIDO. MANUTENÇÃO. INSUMOS ORIGINÁRIOS DA ZFM. REQUISITOS. A manutenção do crédito de que trata o art. 6º, § 1º, do Decreto Lei nº 1.435/75 é aplicável desde que: a) o produto tenha sido elaborado com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional; b) o produto tenha sido adquirido de estabelecimento industrial localizado na Amazônia Ocidental e cujo projeto tenha sido aprovado pelo Conselho de administração da Suframa; e c) o produto seja empregado pelo industrial adquirente como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao IPI. O dispositivo foi assim redigido: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, suscitando divergência entre o voto do relator e a Ata da sessão. O voto do relator assim dizia: Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para declarar parcialmente improcedente o lançamento combatido. A parte exonerada do lançamento diz respeito ao crédito básico de IPI no tocante à aquisição de aditivos Kurita e Kurizet, elementos filtrantes e carvão ativado; e ao crédito incentivado decorrente da aquisição dos kits para a fabricação de refrigerante Pepsi Cola e do filme stretch. Segundo a PFN, a Ata dizia: Com relação ao item 2 – Créditos presumidos dos kits para fabricação de Pepsi Cola, pelo voto de qualidade negado provimento ao recurso voluntário. RD dr. Winderley. Vencidos os conselheiros Daniel, Erika e Ana Clarissa que davam provimento. Assim, a PFN entende que o teor do acórdão não retrata o julgamento da Turma, devendo os Embargos serem recebidos e providos. No Despacho de Admissibilidade de Embargos, fls. 911/913, a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário opina pelo não acolhimento dos Embargos, porque a PFN não juntou a documentão probatória, isto é, a Ata de Julgamento. Nas folhas do Diário Oficial da União, indicados pela PFN, não havia Ata, mas a Pauta de julgamento. Não obstante, em Despacho de Admissibilidade de Embargos de fls. 936/937, o Presidente da Turma decide de modo diverso, para admitir os Embargos. Fundamentase em documento pesquisado e encontrado pela Secretaria da 3ª Seção, que contém “Ata prévia” com os dizeres mencionados pela PFN, e acrescentou que tal documento não fora alterado. A PFN não havia conseguido trazer o documento ao processo, conforme resposta a intimação, à fls. 903/904. A PFN acrescentou que a Ata publicada era sintetizada, e não tinha os detalhes da “Prévia da Ata”, e a “Prévia da Ata” não estava mais disponível na PFN, após dois anos. Fl. 987DF CARF MF Processo nº 13502.720329/201142 Acórdão n.º 3201003.623 S3C2T1 Fl. 983 11 Transcrevo a referida “prévia da ATA”, na parte que importa (fl. 921): 5 Processo: 13502.720329/201142 Recorrente: COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMERICAS AMBEV e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Retirado de pauta pelo contribuinte Retirado de pauta pela Fazenda Vista Ana Clarissa. O recurso é procedente, portanto, especificamente quanto às glosas dos créditos básicos referentes aos aditivos Kurita e Kurizet, aos elementos filtrantes para a purificação da água que compõe os refrigerantes e ao carvão ativado, que elimina os odores do gás das bebidasgaseificados. Por unanimidade de votos, dado provimento ao recurso voluntário neste item. Com relação ao item 2 – Créditos presumidos dos kits para fabricação de Pepsi Cola, pelo voto de qualidade negado provimento ao recurso voluntário. RD dr. Winderley. Vencidos os conselheiros Daniel, Erika e Ana Clarissa que davam provimento. Com efeito, é de se reconhecer o direito ao crédito incentivado relativamente ao filme stretch adquirido pela Recorrente, uma vez que preenche os requisitos previstos no art. 6º do Decreto Lei nº 1.435, de 1975. A partir de 10/10/2008. Por unanimidade de votos, dado parcial provimento ao recurso neste item. Por unanimidade de votos, dado parcial provimento ao recurso voluntário. A empresa apresenta contrarrazões aos Embargos, sustentando: que cabe à PGFN o dever de apresentar prova dos fatos alegados, sendo incabível a assessoria técnica do Carf substituíla nesse mister; a prova baseada em print de tela do documento “PAUTA DA 1ª TO FEV 2015” não é cabal, porque o fato de não ter sido alterado após 13h54 do dia 26/02/2015, data do julgamento, não confirma que não tenha havido alteração na data no próprio julgamento; que há dúvida razoável sobre a comprovação alegada, propugnando pelo princípio do benefício da dúvida pro contribuinte. É o relatório. Fl. 988DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. Observo, inicialmente, que o acórdão foi formalizado por redator ad hoc, porque o relator original já não pertencia à Turma. Cumpre esclarecer o que ficou decidido pela Turma, relativamente à matéria “crédito incentivado decorrente da aquisição dos kits para a fabricação de refrigerante Pepsi Cola”. Atento ao princípio da verdade material, passo ao largo da questão quanto à propriedade ou impropriedade de a assessoria técnica do Carf ter procedido à juntada da “Prévia da Ata”, que a embargante não conseguiu juntar. O fato é que, para os fins deste julgamento, existe a prévia da Ata nos presentes autos. Em busca da verdade material, formo convicção1 em confiar na “Prévia da Ata”. Sua verossimilhança é ressaltada pelos detalhes, registrando inclusive os Conselheiros que votaram em sentido contrário, e a designação de Conselherio Redator para a matéria, o que denota divergência entre o entendimento da Turma, pelo voto de qualidade, e do relator. Com efeito, a prática de julgamento revela que as Atas e prévias são redigidas após a apuração dos votos, não sendo prática a alteração de prévias ou Atas que signifiquem alteração do resultado. Assim, não me parece verossímil que a prévia da Ata, com tal nível de detalhe, possa ter sido inventada ou alterada, quanto ao resultado. A contradição entre a prévia da Ata e o texto do acórdão pode ser entendida a partir dos fatos seguintes: o relator original não formalizou o voto, tendo deixado o Carf. O redator ad hoc designado para formalizar o acórdão, Conselheiro Carlos Alberto Nascimento, apenas transcreveu o voto que o relator trouxe para julgamento. Se houvesse alguma matéria em que o relator fosse vencido, tal acórdão não teria o registro. Confirase o seguinte trecho do relatório ad hoc (fl. 858): Em cumprimento ao despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, eu, Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, transcrevo voto depositado e não formalizado, realizado pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF dado que o Relator, Conselheiro Daniel Mariz Gudino, não mais compõe o Colegiado. (ressaltei) Assim, o acórdão não foi alterado para refletir a decisão contrária ao relator, porque ele deixou o Carf, e também não foi alterado pelo redator ad hoc, provavelmnte por não ter as anotações do julgamento deste processo, sem consultar a dita prévia da Ata, pensando ser suficiente transcrever o acórdão na redação dada pelo relator original. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 989DF CARF MF Processo nº 13502.720329/201142 Acórdão n.º 3201003.623 S3C2T1 Fl. 984 13 Em resumo, acredito na prévia da Ata, compreendo as razões do erro na formalização do acórdão (por ter sido ad hoc), e voto por acolher os Embargos para sanear a formalização do acórdão embargado. A matéria controvertida, no caso, é a utilização do insumo extrato de caramelo, fabricado com canadeaçúcar plantada no Estado do Mato Grosso, que está na região denominada “Amazônia Legal”, artigo 2º da Lei 5.173/1996, o que, segundo a recorrente, atenderia aos requisitos do artigo 6º do Decretolei nº 1.435/1975. A tese contrária é no sentido de que o termo “produção regional” referido no artigo 6º do Decreto nº 1.435/1975 não se referia à área da Amazônia Legal, mas sim à área da Amazônia Ocidental, de que trata o §4º do artigo 1º do Decretolei 291/1967, o que descaracterizaria a isenção pretendida pela recorrente. Considerando que o acórdão embargado não contém o voto vencedor com o tratamento da matéria nos termos decididos, colaciono e utilizo tese no mesmo sentido, em precedente do Carf, Acórdão 3302004.629, o qual apreciou a mesma tese, da mesma empresa. CRÉDITO DE IPI. INSUMOS ISENTOS ADVINDOS DA ZFM. CREDITAMENTO FICTO. Somente geram crédito ficto de IPI os insumos isentos advindos da Amazônia Ocidental, na qual se inclui o ZFM, como se devido fosse, quando empregados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do imposto, desde que tenham sido elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, por força do Decretolei nº 1.435, de 1975. Ressalto que a utilização de tal fundamento e a integração de tal resultado não significam, necessariamente, a adesão à mesma tese por parte deste Conselheiro relator, ou de qualquer Conselheiro que participa do julgamento destes Embargos. Tratase, apenas, de sanemaneto do acórdão embargado, respeitando o que foi por ele decidido. Pelo exposto, voto por acolher os embargos, corrigindo a ementa e o acórdão embargado, para constar como segue. As partes em caracteres itálicos registram as diferenças em relação ao acórdão embargado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 SOBRESTAMENTO. DESNECESSIDADE. A atual redação do Regimento Interno do CARF não impõe o sobrestamento do julgamento em razão de recursos pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal de Justiça. Fl. 990DF CARF MF 14 CRÉDITOS BÁSICOS. INSUMOS. REQUISITOS. Somente geram crédito de IPI as matérias primas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem que integram o produto ou sejam consumidos no processo de industrialização, entendidos esses últimos como os produtos que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Posição firmada pelo STJ no julgamento do REsp. 1.075.508/SC cujo acórdão foi submetido ao regime dos recursos repetitivos. Aplicação do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. CRÉDITO DE IPI. INSUMOS ISENTOS ADVINDOS DA ZFM. CREDITAMENTO FICTO. Somente geram crédito ficto de IPI os insumos isentos advindos da Amazônia Ocidental, na qual se inclui o ZFM, como se devido fosse, quando empregados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do imposto, desde que tenham sido elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, por força do Decretolei nº 1.435, de 1975. CRÉDITO PRESUMIDO. MANUTENÇÃO. INSUMOS ORIGINÁRIOS DA ZFM. REQUISITOS. A manutenção do crédito de que trata o art. 6º, § 1º, do Decreto Lei nº 1.435/75 é aplicável desde que: a) o produto tenha sido elaborado com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional; b) o produto tenha sido adquirido de estabelecimento industrial localizado na Amazônia Ocidental e cujo projeto tenha sido aprovado pelo Conselho de administração da Suframa; e c) o produto seja empregado pelo industrial adquirente como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao IPI. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto ao crédito presumido sobre os kits para fabricação de Pepsi Cola. Para as demais matérias, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. DANIEL MARIZ GUDINO Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado Fl. 991DF CARF MF Processo nº 13502.720329/201142 Acórdão n.º 3201003.623 S3C2T1 Fl. 985 15 para formalizar o acórdão (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), DANIEL MARIZ GUDINO, CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA e ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN. Relatório Em cumprimento ao despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, eu, Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, transcrevo voto depositado e não formalizado, realizado pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF dado que o Relator, Conselheiro Daniel Mariz Gudino, não mais compõe o Colegiado. Tratase de recurso voluntário interposto por Companhia de Bebidas das Américas – AMBEV, doravante referida como Recorrente, contra o Acórdão nº 1530.752, de 29/05/2012, proferido pela 4ª Turma da DRJ/SDR, que julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário em discussão. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da instância a quo, transcrevese o relatório da decisão recorrida: Tratase de Auto de Infração, fls. 265 a 275, lavrado contra a contribuinte acima identificada, com a exigência do crédito tributário do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 36.956.867,04, incluídos multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora calculados até 30/06/2011. Na Descrição dos Fatos, fls. 267 e 271, o autuante relata que no procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigatórias tributárias apurou que o estabelecimento industrial recolheu a menor o imposto, por ter se utilizado indevidamente de créditos básico e créditos incentivado, conforme descrito no relatório fiscal que faz parte integrante deste auto de infração. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 260 a 264, o autuante relata, em síntese, os seguintes fatos: 1. Créditos básicos decorrentes da aquisição ou entradas de diversos produtos que, embora tenham sido consumidos ou gastos no processo industrial, não tiveram contato físico direto, nem sofreram ou exerceram diretamente ação no produto industrializado, tais como: > Aditivo para soda cáustica, aditivo para ácido e solda komplee boss, aditivo pré enxágüe lavadora de garrafas – utilizados na lavadora das garrafas de vidro; Fl. 992DF CARF MF 16 > Graxa lubrificante, lubrificante de esteira, óleo optimol obeen – utilizados na esteira transportadora de produtos e rotuladora; > Aditivos Kurita e Kurizet – utilizados no pasteurizador para evitar formação de algas; >Aditivo towerelean – utilizado como aditivo para motores; > Detergente desengordurante, detergente gel ácido, detergente para limpeza de mão, sanitizante ácido – utilizados na assepsia externa das enchedoras, limpeza externa de tanques, assepsia das mãos e limpeza das áreas industriais; > Elemento filtrante – utilizado na remoção de partículas e tratamento da água; > Elemento filtrante carvão aditivado – utilizado na remoção de odores C02. 2. Créditos escriturados no livro RAIPI, sob o título de “OUTROS CRÉDITOS”, decorrentes de aquisição dos produtos concentrados para refrigerantes limão, laranja e uva, kit para fabricação de refrigerantes Pepsi Cola, rolhas metálicas, rolhas e tampas plásticas e filme stretch, provenientes da cidade de Manaus, saídos com isenção do IPI, alguns por força do art. 69, inciso II, outros com base no art. 82, inciso III. Como não há o destaque do imposto na saída dos produtos, o contribuinte não teria, a princípio, direito ao crédito pela aquisição desses produtos. > O art. 175 do RIPI/2002 permite que os estabelecimentos se creditem do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 82 do mesmo diploma legal, desde que para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. Assim, temos a concessão de um crédito incentivado, ou presumido, exclusivamente para os produtos que se enquadrem nas condições do art. 82, III. > Foram encontradas divergências entre os dispositivos legais, utilizados para a isenção dos IPI, informados pela empresa fiscalizada para escriturar os créditos no livro RAIPI, sob o título “OUTROS CRÉDTIOS”, e aqueles constantes nas notas fiscais; > De acordo com o demonstrativo apresentado pela empresa, os concentrados de laranja, limão e uva saíram com a isenção do IPI prevista no art. 69, inciso II, do Dec. nº 4.544, de 2002, no entanto, consta nas notas fiscais que tais concentrados saíram com a isenção do IPI prevista no art. 82, inciso III, deste decreto; > Os Kits Pepsi cola, conforme dados do referido demonstrativo, saíram com a isenção do IPI prevista no art. 82, inciso III, do Dec. nº 4.544, de 2002, no entanto, consta nas notas fiscais que tais produtos saíram com a isenção do IPI prevista no art. 69, inciso II, deste decreto; > Dos produtos fabricados pela empresa Arosuco matriz, da qual a AMBEV é proprietária de 100% das cotas de capital, somente o Fl. 993DF CARF MF Processo nº 13502.720329/201142 Acórdão n.º 3201003.623 S3C2T1 Fl. 986 17 concentrado de refrigerante guaraná se enquadra na exigência do art. 82, III, pois utiliza a matéria prima agrícola e extrativa vegetal e de produto regional (extrato de guaraná). Os demais concentrados de limão, laranja e uva não utilizam matéria prima extrativa vegetal produzida regionalmente, conforme informação prestada pelo contribuinte nos demonstrativos de redução do coeficiente do Imposto de Importação DCRE, extraídos dos sistemas da Receita Federal do Brasil; > Embora conste no demonstrativo entregue pela empresa fiscalizada que os produtos vendidos pela Pepsi Cola industrial da Amazônia saíram com a isenção prevista no artigo 82, inciso III, podese comprovar que as notas fiscais emitidas pela empresa saíram com a isenção prevista no art. 69, inciso II, confirmando que nenhum produto fabricado por essa empresa se enquadra na exigência do artigo 82, inciso III, por não ter sido elaborado com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais produzidas regionalmente, dados corroborados pelos demonstrativos de redução do coeficiente do Imposto de Importação –DCRE, extraídos dos sistemas da Receita Federal do Brasil; > Dos artigos citados no item anterior, o único que garante ao contribuinte o direito de obter crédito sobre produtos isentos e oriundos da Zona Franca de Manaus e Amazônica Ocidental é o art. 175. E, como já visto, este incentivo só alcança os produtos que se enquadrem no artigo 82, inciso III. Os demais produtos, saídos com a isenção do art. 69, inciso II, não tem dispositivo que ampare a escrituração de crédito, básico ou incentivado, decorrente da aquisição; > Pelo exposto, por serem produtos saídos com isenção do IPI e para os quais não há previsão legal para creditamento incentivado, os créditos do IPI escriturados pelo contribuinte e decorrentes da aquisição do concentrado para refrigerantes limão, laranja e uva, kit para fabricação de refrigerantes Pepsi Cola, rolhas metálicas, rolhas e tampas plásticas e filme stretch deverão ser glosados. Cientificado da exigência fiscal em 13/07/2011, a autuada apresentou, em 12/08/2011, impugnação de folhas 299 a 328, alegando em síntese que: 1. Nulidade do auto de infração – ausência de fundamentação para a descaracterização da isenção prevista no art. 82, inciso III do RIPI/2002: > O Fisco desqualificou os produtos de concentrado de laranja, limão e uva na exigência estabelecida no inciso III, do art. 82, do RIPI/2002, qual seja, "produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental", sem embasamento lógico para tanto; > Da análise dos argumentos utilizados pela Fiscalização, percebese a falta de fundamentação legal do Auto de Infração, haja vista que a glosa do crédito de IPI dos referidos produtos são Fl. 994DF CARF MF 18 totalmente desconexos e literalmente inócuos. Isto porque, o Fisco Autuante não esclarece os reais motivos jurídicos fundamentais que ensejaram a autuação nesse item; > Deve ser reconhecida a nulidade do auto de infração ora combatido, tendo em vista a preterição de requisito essencial à sua validade, o que finda por cercear o direito da Impugnante à ampla defesa, princípio basilar, de observância obrigatória de todo o processo administrativo e inviabilizara solução do litígio; > Todavia, se, por absurdo, os argumentos ora expostos não encontrarem guarida, verificase que a análise do mérito da acusação não encontrará melhor sorte, conforme a Impugnante passará a demonstrar. 2. Do direito > Ressalta, inicialmente, ser irrelevante a menção ao dispositivo ou fundamento consignado nas Notas Fiscais e nos livros ou o noticiado à Fiscalização para justificar os créditos objeto da glosa. O importante será verificar se, em face da legislação de regência, se existia ou não o direito aos referidos créditos, consoante restará demonstrado. > A fiscalização desqualificou a aquisição de concentrados de uva, limão e laranja, cujas notas fiscais de venda emitidas pela Arosuco indicavam a isenção prevista no art. 82, inciso III, do RIPI/02, sob o equivocado entendimento de que os produtos adquiridos não se enquadram na exigência prevista pela referida norma; > A fiscalização desconsiderou os documentos fiscais e contábeis da impugnante, não demonstrou de forma clara e nem rebateu os referidos documentos apresentados pela autuada, para enquadrar os produtos adquiridos como isento, nos termos do art. 69, inciso II, do RIPI/02; > Os insumos adquiridos pela Pepsi Cola da Amazônia Ltda., referentes aos produtos “Kit Pepsi Cola”, embora a fiscalização tenha enquadrado o produto isento com base no art. 69, II do RIPI/02, a sua saída do estabelecimento industrial se deu com a isenção do IPI baseada no art. 82, III do RIPI/2002; > Os concentrados sabor pepsicola são produzidos a partir de insumo com matéria prima originária da Amazônia Ocidental, o corante caramelo, detendo, portanto, os incentivos fiscais estabelecidos nos Decreto Lei n.° 288/1967 e 1.435/1975, concedidos através da Resolução n.° 356 CAS; o que demonstra a inequívoca incidência do art. 82, III, do RIPI/2002 e a conseqüente legitimidade do creditamento com base no art. 175 do referido Regulamento; > Para que não restem dúvidas quanto ao creditamento desse produto, a Impugnante postula a juntada posterior de declaração do fabricante para demonstrar a composição do produto vendido, a fim de evidenciar o seu enquadramento como produtos isentos sujeitos ao creditamento do IPI; Fl. 995DF CARF MF Processo nº 13502.720329/201142 Acórdão n.º 3201003.623 S3C2T1 Fl. 987 19 > Quanto aos demais produtos indicados no termo de verificação fiscal, a fiscalização não teve dúvida de que atendiam ao disposto no art. 69, II, do RIPI/2002, mas ao efetuar a glosa dos créditos de IPI no presente caso, deixou de observar a jurisprudência do STF que tem o entendimento de que os adquirentes fazem jus ao crédito do IPI incidente sobre as matérias primas e material de embalagem, embora não tenha ele sido pago, em razão da dispensa do seu recolhimento face à isenção outorgada aos produtos industrializados na mencionada Zona Franca; > O direito ao crédito do IPI relativo a produtos isentos decorre do princípio constitucional da não cumulatividade previsto no art. 153 da CF, pois a aceitação de entendimento contrária acaba implicando na transformação da isenção em mero diferimento, frustrando toda a sistemática da não cumulatividade. Cita e transcreve ementa e trecho do voto vencedor do Ministro Nelson Jobim ao julgar o RE nº 212.4842/RS; > Ressalta que no julgamento do RE 566.819, ocorrido em 29/10/2009, embora a Corte especial tenha se posicionado pelo não creditamento do IPI para produtos isentos, a matéria relacionada a isenção para a aquisição de produtos fabricados na ZFM não foi apreciada nesse julgado pelo STF; > Discorre sobre o princípio da não cumulatividade – afirma que não teria sentido nenhum a isenção se não houvesse o correspondente crédito –, pois o produto seria onerado na operação seguinte. O art. 153, parágrafo 3º, inciso III, da Constituição Federal não conduz a qualquer norma restritiva a não cumulatividade do IPI, ou seja, o legislador constitucional não criou nenhuma limitação ou vedação ao exercício do direito de compensar que se traduz na sistemática de créditos e débitos do mesmo imposto; > A autuação do Fisco Federal glosando os créditos sobre a aquisição de produtos isentos e oriundos da Zona Franca de Manaus acaba por transformar a mencionada isenção em mero diferimento, frustrando a não cumulatividade do imposto; > Resta demonstrado o direito da Impugnante à escrituração do crédito de IPI relativo aos insumos adquiridos na Zona Franca de Manaus para compensação com o próprio IPI em operações subseqüentes, por aplicação do princípio não cumulativo, bem como à máxima efetividade aos dispositivos da Constituição que preconizam providências no sentido da redução das desigualdades regionais. Transcreve trecho de texto de Hugo de Brito sobre efeitos da isenção regional; > A glosa dos valores relativos ao item “credito básico indevido” vai de encontro às prescrições contidas na legislação de regência da matéria, ao negar o direito ao creditamento relativo a produtos que efetivamente foram consumidos no respectivo processo industrial; Fl. 996DF CARF MF 20 > Da simples leitura dos art. 164, I, e 519, II, do RIPI/2002, inferese que é assegurado o direito ao crédito de IPI relativo àqueles insumos consumidos em decorrência do processo de industrialização e que a única restrição imposta ao exercício desse direito referese àqueles bens que integram o ativo permanente da empresa; > Desta forma, inexistindo qualquer outro limite legal ao gozo de tal direito, resta claro que a Impugnante estava juridicamente autorizada a creditarse em relação a todos os produtos modificados ou consumidos na industrialização, mesmo aqueles que não integrassem o produto final, sendo, portanto, totalmente lícito o creditamento de IPI; > Forçoso concluir que a autuação ora combatida vai de encontro às prescrições contidas na legislação de regência da matéria, ao negar o direito ao creditamento relativo a produtos que efetivamente foram consumidos no respectivo processo industrial. A respeito do efetivo consumo dos produtos elencados no item 8.1 a 8.7 do Termo de Verificação Fiscal, os quais tiveram os créditos de IPI decorrente de sua aquisição, equivocadamente, glosados, a Impugnante pleiteia a juntada, em momento posterior ao protocolo da presente defesa administrativa, de Laudo Técnico, onde demonstra o processo produtivo da Autuada e evidencia, de forma pormenorizada, o patente e integral desgaste/consumo sofrido pelos produtos em questão, bem como a imprescindibilidade dos mesmos no processo produtivo; > O Auditor Fiscal Autuante, ao glosar os créditos decorrentes da aquisição dos produtos acima mencionados, levou em consideração interpretação restritiva atribuída ao Parecer Normativo CST nº 65, de 1979; > A necessidade do insumo ser consumido no processo fabril, de que trata o Regulamento do IPI, não demanda que este tenha contato direto com o produto em fabricação, sendo este "requisito" verdadeira inovação criada pelo malfadado Parecer Normativo, repugnada pelo ordenamento jurídico pátrio, que veda a criação, supressão ou modificação de direito por normas hierarquicamente inferiores a que o instituiu; > Conforme restará demonstrado em Laudo Técnico de produção a ser juntado aos autos, não há dúvida de que os produtos cujo crédito foi reputado como indevido atenderam aos requisitos previstos no RIPI/02, já que se constituem em elementos imprescindíveis ao processo produtivo desenvolvido pela Impugnante, perdendo suas características essenciais ou até mesmo deixando de existir depois de finalizado o processo produtivo; > Requer nulidade do auto de infração e, considerando a remota hipótese de a nulidade não ser acatada, requer a improcedência do lançamento fiscal; > Por fim, protesta pela juntada a posterior de documentos e de todos meios de prova admitidos; Fl. 997DF CARF MF Processo nº 13502.720329/201142 Acórdão n.º 3201003.623 S3C2T1 Fl. 988 21 Em atendimento à diligência solicitada por esta DRJ, fls. 420/422, foram anexados ao presente processo os documentos de fls. 423 a 503, dentre os quais se destacam as declarações das empresas fornecedoras, fls. 444, 453/454, 472 e 474, e o relatório de diligência, fls. 500 a 503, do qual a contribuinte foi cientificada, fl. 506, manifestandose a respeito às folhas 509 a 555. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL. É improcedente a argüição de nulidade quando verificado que os autos possuem motivação, enquadramento legal e clara descrição dos fatos que resultaram na infração apurada, como também foi concedido à interessada o direito a ampla defesa. AMAZÔNIA OCIDENTAL. DIREITO AO CRÉDITO. O direito ao crédito relativo a aquisições de produtos isentos oriundos da Amazônia Ocidental está condicionado à utilização, na elaboração de tais produtos, de matérias primas agrícolas e extrativas vegetais produzidas regionalmente, desde que os produtos sejam destinados para emprego como matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. PRODUTOS DESONERADOS. CRÉDITOS FICTÍCIOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem onerados pelo imposto e admitidos segundo o entendimento albergado na legislação tributária. CRÉDITOS ADMITIDOS. Somente geram crédito de IPI as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem que integram o produto ou sejam consumidos no processo de industrialização, entendidos esses últimos como os produtos que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. IPI. MULTAS. A falta de recolhimento do IPI é fato punível com a multa de ofício capitulada no art. 80 da Lei n° 4.502, de 1964, sendo que não se confunde a penalidade imposta para coibir ou punir Fl. 998DF CARF MF 22 infrações à legislação tributária com a utilização do tributo com efeito de confisco. Inconformada com o resultado do julgamento da instância a quo, a Recorrente interpôs recurso voluntário, de forma tempestiva, reiterando os argumentos da sua defesa original no tocante aos créditos básicos oriundos da aquisição de graxa lubrificante, lubrificante de esteira, óleo Optimol Obeen, aditivos Kurita e Kurizet, detergente desengordurante, detergente gel ácido, detergente para limpeza de mão e sanitizante ácido, elementos filtrantes e carvão ativado; e aos créditos presumidos oriundos da aquisição de kit para fabricação de refrigerante Pepsi Cola e filme stretch. Posteriormente, em petição apartada, requereu o sobrestamento do julgamento administrativo em razão da repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 592.891. O processo foi distribuído e sorteado ao Conselheiro Daniel Mariz Gudino, seguindo o rito regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Daniel Mariz Gudino O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. I – Introdução Inicialmente cumpre esclarecer que, desde o início da vigência da Portaria MF nº 545, de 2013, os membros do CARF não estão obrigados a sobrestar o julgamento de recursos, de ofício ou voluntário, cujos temas sejam objeto de repercussão geral ou recurso repetitivo pendente de decisão definitiva no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal de Justiça, conforme o caso. O recurso voluntário não apresenta questões preliminares, e, no mérito, foi desmembrado em dois tópicos: (i) créditos básicos: ilegitimidade da glosa dos créditos decorrentes de materiais utilizados no processo industrial; (ii) créditos presumidos: ilegitimidade da glosa de créditos de insumos originários da Zona Franca de Manaus (ZFM). II – Mérito II.1 – Créditos básicos O art. 164, inc. I, do Decreto nº 4.544, de 2002, ou seja, o Regulamento do IPI vigente à época dos fatos (RIPI/2002), previa que o crédito básico do IPI deveria ser calculado do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora Fl. 999DF CARF MF Processo nº 13502.720329/201142 Acórdão n.º 3201003.623 S3C2T1 Fl. 989 23 não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. O trecho em destaque é o cerne da divergência entre a Recorrente e a instância a quo. A decisão da instância a quo está fundamentada no Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, que interpreta trecho em destaque da seguinte forma: o consumo no processo de industrialização impõe alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. A discussão não é nova e já foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça quando julgou o Recurso Especial nº 1.075.508/SC, tendo o acórdão deste julgamento observado o regime do art. 543C do Código de Processo Civil. Confirase a sua ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no Resp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no Resp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e Resp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são Fl. 1000DF CARF MF 24 consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1075508/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/09/2009, DJe 13/10/2009) A partir da leitura da ementa transcrita, percebese que a jurisprudência do STJ acompanha a interpretação adotada no Parecer CST nº 65, de 1979. Registrese, por oportuno, que o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterações posteriores, impõe aos conselheiros o dever de observar as decisões do STJ proferidas em sede de recurso repetitivo, como é o caso em tela. No caso concreto, os créditos básicos de IPI que foram glosados decorreram da aquisição de: graxa lubrificante, lubrificante de esteira, óleo Optimol Obeen, aditivos Kurita e Kurizet, detergente desengordurante, detergente gel ácido, detergente para limpeza de mão e sanitizante ácido, elementos filtrantes e carvão ativado. A Recorrente explica que a graxa lubrificante, o lubrificante de esteira e o óleo Optimol Obeen têm função primordial no funcionamento da esteira transportadora de produtos e rotuladora, o que demonstra claramente que o não há contato direto entre esses insumos e o produto em fabricação. Ela também esclarece que os aditivos Kurita e Kurizet têm a função de evitar a formação de algas no pasteurizador. Segundo o laudo da CETESB, a pasteurização é uma das etapas do processo de envase, na qual o produto é submetido a um aquecimento (até 60ºC), seguido de um rápido resfriamento (até 4ºC), com o objetivo de eliminar microrganismos e prolongar a durabilidade do produto (efls. 643). Como as garrafas de vidro e latas de alumínio integram o produto acabado e passam pelo pasteurizador, que contém a água quimicamente tratada, não se pode dizer que os aditivos Kurita e Kurizet não têm contato direto com o produto em fabricação. O detergente desengordurante, o detergente gel ácido, o detergente para limpeza de mão e sanitizante ácido, segundo a Recorrente, são utilizados na assepsia externa das enchedoras, limpeza externa de tanques, assepsia das mãos dos funcionários e limpeza das áreas comerciais. Não há, portanto, contato direto com o produto em fabricação. Finalmente, no tocante aos elementos filtrantes e ao carvão ativado, parece inegável esse contato direto está presente, eis que atuam diretamente sobre a água (purificação) e o gás (remoção de odores), ambos componentes do produto em fabricação. O recurso é procedente, portanto, especificamente quanto às glosas dos créditos básicos referentes aos aditivos Kurita e Kurizet, aos elementos filtrantes para a purificação da água que Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 13502.720329/201142 Acórdão n.º 3201003.623 S3C2T1 Fl. 990 25 compõe os refrigerantes e ao carvão ativado, que elimina os odores do gás das bebidas gaseificados. II.2 – Créditos presumidos O dissenso sobre os créditos presumidos está atrelado ao disposto no art. 175 do RIPI/2002, que reproduz a essência do art. 6º, § 1º, do DecretoLei nº 1.435, de 1975. Confirase: Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA. (Grifouse) Considerando que tanto os julgadores da instância a quo quanto a Recorrente entenderam que os erros formais cometidos por esta última eram irrelevantes para o deslinde da celeuma dos créditos presumidos, verificase que há dois pontos controvertidos a serem enfrentado por este colegiado, a saber: o alcance da isenção prevista no art. 6º do DecretoLei nº 1.435, de 1975, mais especificamente o significado da expressão “produção regional”; e o conceito de matériaprima para fins de apuração de créditos de IPI. a) Alcance da isenção para produtos elaborados com matérias primas da ZFM: kits para fabricação de refrigerante Pepsi Cola A expressão “produção regional” está prevista no já transcrito art. 6º, caput, do DecretoLei nº 1.435, de 1975, posteriormente reproduzido no art. 84, inc. III, do RIPI/2002. No caso concreto, a Recorrente adquire da PepsiCola da Amazônia Ltda (Pepsi) os kits para fabricação do refrigerante PepsiCola, que, por sua vez, contêm corante caramelo industrializado pela DD Williamson do Brasil (DD Williamson). Tanto a Pepsi quanto a DD Williamson estão sediadas na ZFM, que é englobada pela Amazônia Ocidental. O problema é que o corante caramelo foi fabricado a partir de cana de açúcar produzida no Estado do Mato Grosso, que está Fl. 1002DF CARF MF 26 detnro da região da Amazônia Legal, nos termos do art. 2º da Lei nº 5.173, de 1966 c/c o art. 45 da Lei Complementar nº 31, de 1977, mas está fora na área da Amazônia Ocidental, nos termos do art. 2º do DecretoLei nº 291, de 1967. Consoante a exposição da Recorrente, a produção regional de que trata a norma isencional engloba a produção realizada em toda a região da Amazônia Legal, e não apenas na área da Amazônia Ocidental, como entenderam a fiscalização e os julgadores da instância a quo. Compulsando a jurisprudência do CARF sobre o assunto, verificase que há precedentes desfavoráveis à própria Recorrente. Transcrevese um deles, mais recente, a título exemplificativo, a saber: INSUMOS ISENTOS ADVINDOS DA ZFM. CREDITAMENTO FICTO. Excetuandose à regra, somente geram crédito ficto de IPI os insumos isentos advindos da Amazônia Ocidental, na qual se inclui a ZFM, como se devido fosse, quando empregados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do imposto, desde que tenham sido elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, por força do Decretolei nº 1.435, de 1975. (Acórdão nº 3302002.673, RD Cons. Paulo Guilherme Déroulède, Sessão de 24/07/2014) Analisando os votos da relatora e do redator designado, percebe se, no entanto, que o colegiado não chegou a enfrentar a interpretação proposta pela Recorrente, partindo da premissa de que os insumos cuja aquisição teria dado ensejo à apuração de créditos presumidos de IPI, ou bem não eram fabricados com matériaprima agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, ou bem não eram matériaprima para o produto final. De fato, ao tratar da Amazônia Ocidental, o art. 6º, caput, do DecretoLei nº 1.435, de 1975, referiuse apenas ao local do estabelecimento responsável pela industrialização do produto isento, e não ao local onde deve ser extraída a matériaprima empregada nesse processo industrial. E isso faz sentido, pois, a concessão de isenção e crédito presumido de IPI fomenta diretamente o desenvolvimento industrial na área da Amazônia Ocidental, e, com a crescente demanda dessa nova indústria por matériasprimas, estimulase indiretamente a exploração agrícola e extrativa vegetal na região da Amazônia Legal. Tal entendimento está escorado pela própria Suframa – Superintendência da Zona Franca de Manaus, que enviou à Pepsi o Ofício nº 5.637, de 05.07.2012, em resposta à consulta sobre a aplicação da isenção do art. 6º do DecretoLei nº 1.435, de 1975, quando o insumo do produto final, ambos produzidos na Zona Franca de Manaus, é resultante da industrialização de matéria Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 13502.720329/201142 Acórdão n.º 3201003.623 S3C2T1 Fl. 991 27 prima de origem vegetal extraída na região da Amazônia Legal (efl. 741). Há também solução de consulta em que fica muito claro que a referência à Amazônia Ocidental é exclusiva para o estabelecimento industrial beneficiário da isenção de IPI. Confirase: Processo de Consulta nº 68/12 Órgão: Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 8a. Região Fiscal Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. Ementa: CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. O estabelecimento industrial que adquirir produto isento de IPI de estabelecimento industrial localizado na Amazônia Ocidental fará jus ao crédito do valor do IPI calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos, desde que: a) o produto adquirido seja isento do imposto nos termos do art. 95, inciso III, do Ripi/2010; isto é: que o produto tenha sido elaborado com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária e, ainda, que não se enquadre dentre os produtos ali excetuados; b) o produto tenha sido adquirido de estabelecimento industrial localizado na Amazônia Ocidental e cujo projeto tenha sido aprovado pelo Conselho de administração da SUFRAMA; e c) o produto seja empregado pelo industrial adquirente como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao IPI. Para o cálculo e escrituração do crédito em pauta, deverão ser observadas as disposições do Ripi/2010, salientandose a norma do art. 189, caput e parágrafo único, e a do art. 251, inciso I. Dispositivos Legais: Decreto nº 7.212, de 2010 (Ripi/2010), art.95, inciso III, art. 189, art. 237, e art.251, inciso I. EDUARDO NEWMAN DE MATTERA GOMES Chefe (Data da Decisão: 19.03.2012 25.04.2012) Assim, é inegável que, relativamente aos kits para a fabricação de refrigerantes Pepsi Cola, foram preenchidos os requisitos previstos para a fruição do benefício previsto no art. 6º, § 1º, do DecretoLei nº 1.435, de 1975, razão pela qual o recurso em análise é também procedente neste particular. b) Conceito de matériaprima para fins de apuração de créditos de IPI: filme stretch A discussão acerca do conceito de matéria prima para fins de apuração de créditos de IPI, que motivou a glosa de créditos básicos de IPI, reaparece no tocante aos créditos presumidos, especificamente no tocante ao filme stretch. Segundo a Recorrente, o óleo de dendê constitui matériaprima para a fabricação do filme stretch, sendo que não há discussão Fl. 1004DF CARF MF 28 acerca da sua origem como ocorreu no caso do corante caramelo relativamente aos kits para a fabricação de refrigerante Pepsi Cola. A objeção da fiscalização e dos julgadores da instância a quo diz respeito ao papel do óleo de dendê na fabricação em questão, ou seja, não seria uma matériaprima por não integrar esse produto, nem ser consumido diretamente no seu processo industrial. Contudo, os julgadores da própria instância a quo reconheceram que o óleo de dendê é empregado no processo produtivo do filme stretch (efl. 693), a saber: Destaquese neste caso que, mesmo utilizando o óleo de dendê no processo produtivo – a partir de 19/06/2008 –, a saída do produto mencionado não dá direito a crédito, pois o referido óleo é utilizado, no processo produtivo, especificamente para umidificação da mistura, não se caracterizando como matéria prima na elaboração do filme stretch, nos termos do art. 82, inciso III, do RIPI/2002, requisito imprescindível para fruição do benefício definido neste dispositivo. (Grifouse) O trecho destacado é contraditório, pois reconhece que o óleo de dendê tem contato direto com a mistura da qual resulta o filme stretch. Desse forma, não há como negar que se trata de uma matériaprima do produto. O fato de não constar entre os componentes do filme, no demonstrativo de redução do coeficiente do Imposto de Importação DCRE, extraído dos sistemas da Receita Federal do Brasil (efl. 229), é insuficiente para afirmar que o óleo de dendê não é matériaprima do produto em questão, eis que ele é consumido no processo produtivo de forma direta. Com efeito, é de se reconhecer o direito ao crédito incentivado relativamente ao filme stretch adquirido pela Recorrente, uma vez que preenche os requisitos previstos no art. 6º do DecretoLei nº 1.435, de 1975. III Conclusão Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para declarar parcialmente improcedente o lançamento combatido. A parte exonerada do lançamento diz respeito ao crédito básico de IPI no tocante à aquisição de aditivos Kurita e Kurizet, elementos filtrantes e carvão ativado; e ao crédito incentivado decorrente da aquisição dos kits para a fabricação de refrigerante Pepsi Cola e do filme stretch. Conselheiro Daniel Mariz Gudino Voto Vencedor Para a matéria “ a) Alcance da isenção para produtos elaborados com matérias primas da ZFM: kits para fabricação de refrigerante Pepsi Cola”, tomo de empréstimo as razões de Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 13502.720329/201142 Acórdão n.º 3201003.623 S3C2T1 Fl. 992 29 decidir do Acórdão 3302004.629, que tratou do mesmo tema, para a mesma empresa: ‘Relativamente aos concentrados, a recorrente defendeu que o extrato de caramelo é insumo industrializado a partir do açúcar de cana plantada em Mato Grosso, que atenderia ao requisito de matériaprima originária da região amazônica, definida como Amazônia Legal, conforme artigo 2° da Lei n° 5.173/1966 e conforme documentos expedidos pela SUFRAMA, atestando que o artigo 6° do Decretolei n° 1.435/1975 abrangeria os insumos fabricados com vegetais produzidos na área da Amazônia legal, como seria o caso do corante caramelo produzido pela D.D.Williamson do Brasil Ltda. Defendeu, ainda, que mesmo não admitindo o benefício previsto no artigo 82, III do RIPI/2002, o artigo 40 do ADCT da Constituição Federal garante tratamento diferenciado às aquisições de fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus, matéria que está sujeita à apreciação pelo STF do RE n° 592.891/SP, de repercussão geral reconhecida. A recorrente aduziu, ainda, a ilegitimidade da glosa na aquisição de concentrados, base e edulcorantes para bebidas não alcoólicas, a partir do suposto descumprimento do PPB pelos fornecedores, uma vez que a fiscalização da Secretaria da Receita Federal não possui competência para concluir pelo descumprimento do PPB pelos fornecedores, que agiu de boafé e tomou todas as medidas cabíveis a seu alcance para se resguardar quanto à correção do creditamento, além de que o PPB fora cumprido, pois os concentrados, aditivos e aroma cooler foram produzidos localmente tendo havido a mistura de suas composições sólidas e líquidas na ZFM. Esta turma já se pronunciou sobre grande parte das matérias acima elencadas, especialmente no que tange às aquisições dos extratos de caramelo junto à PepsiCola, à produção de açúcar em Mato Grosso, o alcance da expressão "produção regional", a competência da SUFRAMA x competência da RFB, a possibilidade de tomada de créditos sobre aquisições isentas oriundas da ZFM por força do artigo 40 do ADCT da Constituição Federal, conforme Acórdãos n° 3302002.673, de 24/07/2014, proferido pela Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó no processo n° 11080.727828/201143, n° 3302 003.741, de 29/03/2017, proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento no processo n° 13839.002752/2002 74 e o de n° 3302004.410, proferido pelo Conselheiro Walker Araújo no processo n° 10384.720215/201360. Frisese que em tais julgados, restou decidido que a expressão "produção regional" referida no artigo 6° do Decreto n° 1.435/1975 não se referia à área da Amazônia Legal definida no artigo 2° da Lei n° 5.173/1966, mas sim à área da Amazônia Ocidental, de que trata o §4° do artigo 1° do Decretolei n° 291/1967, referido no artigo 6° do Decreto n° 1.435/1975, a seguir transcrito, não restando caracterizado, conforme a Fl. 1006DF CARF MF 30 acusação fiscal, o atendimento ao requisito previsto no caput do artigo 6°: Art 6° Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4° do art. 1° do Decretolei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1° Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2° Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA. Marcelo Giovani Vieira – Relator. Declaração de Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Em que pese o bem fundamentado voto do d. Relator, manifesto posicionamento diverso ao exposado. Consoante proposta de Despacho de Admissibilidade por mim elaborada (fls. 911 a 919), entendo que os Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional não devem ser admitidos. As razões são exatamente as expostas naquela oportunidade. Não obstante, tal posicionamento restou vencido pela Turma Julgadora que, por voto de qualidade, admitiu o recurso. Todavia, entendo que também no mérito não merecem acolhida as razões da Embargante. Uma vez admitindose que o Acórdão proferido em sede de Recurso Voluntário não apresenta fundamentação, ou, ainda, traz fundamentação não aplicável ao julgamento Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 13502.720329/201142 Acórdão n.º 3201003.623 S3C2T1 Fl. 993 31 proferido, é hipótese de ausência de decisão, e, portanto, necessidade de novo e efetivo julgamento. Nos termos da Lei nº 9.784/99: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V decidam recursos administrativos; VI decorram de reexame de ofício; VII deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. § 2o Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados. § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. Na hipótese dos autos, depreendese dos argumentos da PGFN, acolhidos por ocasião do presente julgamento, que a decisão outrora proferida em sede de Recurso Voluntário não se encontra devidamente fundamentada, uma vez que a motivação exposta não é clara e tampouco congruente com os fatos e fundamentos existentes. Assim, entendo que o ato decisório proferido em desconformidade com tais exigências é nulo de pleno direito, não podendo tal nulidade ser superada pela simples transcrição de fundamentos emprestados de autos distintos. O resultado do julgamento e a decisão formalizada deve corresponder exatamente àquela proferida por ocasião do julgamento, não podendo ser emendada a posteriori, notadamente em face da composição distinta deste colegiado. Pelo exposto, minha conclusão ao presente julgamento é, acaso acolhidos os Embargos de Declaração, o vício apontado na decisão Recorrida, por sua natureza (ausência de fundamentação / vício de motivação), apenas pode ser saneado pela anulação do ato e a prolação de um novo julgamento de mérito. É como voto. Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 1008DF CARF MF 32 Declaração de Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta declaração de voto. Sobre a admissão dos Embargos, a Conselheira Tatiana Belisário ficou de apresentar Declaração de voto, razão pela qual somente informo que a acompanhei no seu voto. Contudo, uma vez admitido os Embargos por voto de qualidade, informo que votei com o relator pelas conclusões porque entendo que esta decisão também serve para registrar e formalizar informações nos autos, sem nenhum prejuízo, de forma que o contribuinte possa fazer uma nova análise e apresentar novos Embargos de Declaração, se entender necessário. Saliento que esta função e medida aclaratória ja foi tomada por esta Turma em julgamento de caso semelhante: Acórdão 3201003.264. Diante do exposto, acompanho o relator no acolhimento dos Embargos de Declaração pelas conclusões. Declaração de voto proferida. (assinatura digital) Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 1009DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.915064/2012-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.259
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o Impugnante alegou que não era contribuinte da Cofins, tratandose de uma cooperativa, nos termos dos artigos 3º e 4º da Lei nº 5.764/71, que somente praticava atos com cooperados. Argumentou que sua atividade era a coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados, de modo que todos seus atos eram cooperativos, isentos da Cofins. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 15 06 4/ 20 12 -3 0 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10830.915064/201230 Resolução nº 3201001.259 S3C2T1 Fl. 117 2 Concluiu, pleiteando o reconhecimento da ineficácia do despacho decisório e do direito creditório e, por conseguinte, a homologação da compensação. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na constatação de que a isenção da Cofins para as cooperativas, prevista no art. 6°, I, da Lei Complementar n° 70, de 1991, vigorou até outubro de 1999, tendo sido revogada expressamente, a partir de novembro de 1999, pela Medida Provisória (MP) nº 1.858 6, de 1999, passando as cooperativas, a partir de então, a apurar a base de cálculo da contribuição da mesma forma das demais pessoas jurídicas. Destacou o órgão julgador de primeira instância que os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente eram passíveis de restituição/compensação se os indébitos reunissem as características de liquidez e certeza. Cientificado da decisão, o contribuinte pleiteou o provimento do Recurso Voluntário, interposto de forma hábil e tempestiva, ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência, em respeito ao princípio da verdade material, arguindo o seguinte: a) possui direito ao crédito pleiteado em respeito ao princípio da verdade material; b) o acórdão recorrido é insubsistente, pois a Administração deveria ter investigado com maior afinco a origem do crédito indicado, não se limitando unicamente à alegação de ausência de crédito; c) a prova de que o mero argumento de vinculação à obrigação confessada em DCTF não é suficiente para a negativa do direito creditório é que somente com a decisão recorrida que os fundamentos de direto foram aduzidos, ao arrepio do contraditório e da ampla defesa, extrapolandose os limites da lide que foram demarcados pelo indeferimento no despacho decisório; d) no acórdão proferido pela DRJ, não foi consignada nenhuma objeção ao fato de se tratar de uma cooperativa, cujos atos cooperativos não sofrem a incidência da Cofins; e) a Constituição Federal prevê tratamento diferenciado às cooperativas e os artigos 3°, 4º e 5º da Lei n° 5.764/1971 trazem, respectivamente, a definição de sociedade cooperativa, as suas características e a possibilidade de adoção de objeto de qualquer gênero de serviços, operação ou atividade; f) a discussão travada nos autos não diz respeito à isenção da Cofins, mas à não incidência da contribuição sobre os atos cooperativos, estes preceituados pelo art. 79 da Lei n° 5764/1971; g) no caso em apreço, há o exercício de coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados, decorrendo das contribuições desses mesmos cooperados todos os valores nela ingressados, valores esses destinados à contratação de médicos, dentistas, psicólogos, serviços de laboratórios e de hospitais, todos eles diretamente ligados à sua atividade. h) a matéria está submetida à Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal (RE 672215). Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10830.915064/201230 Resolução nº 3201001.259 S3C2T1 Fl. 118 3 É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.249, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10830.914988/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.249): Depreendese do caderno processual, que não há oposição em relação ao fato de que a recorrente praticou atos cooperativos. Assim, o cerne da questão está em apreciar o direito de a recorrente ter afastada a tributação pela COFINS, dos atos cooperativos típicos por ela praticados, quais sejam, de operações entre a Cooperativa e seus associados, o que lhe conferiria o direito de ter retornado ao seu patrimônio o valor pago a maior a título de COFINS, o que viabilizaria a compensação pretendida. Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10830.915064/201230 Resolução nº 3201001.259 S3C2T1 Fl. 119 4 Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Os fatos que ensejaram a conversão em diligência do julgamento do processo paradigma também se encontram presentes nestes autos, justificando, por conseguinte, a aplicação da mesma decisão a este processo. Portanto, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem intime o Recorrente para, no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, apresente (i) os cálculos e (ii) outros documentos porventura ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado e se ele é suficiente para a extinção do débito existente, tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que tome conhecimento dos procedimentos realizados pela repartição de origem, inclusive do relatório a ser elaborado pela Fiscalização, e se manifeste, a seu critério, acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 119DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000358/2010-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007
MULTA DE MORA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO, MAS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO, POIS AFASTADA SOMENTE EM CASO DE PAGAMENTO DE VALOR NÃO PREVIAMENTE CONFESSADO.
A compensação é forma distinta da extinção do crédito tributário pelo pagamento, cuja não homologação somente pode atingir a parcela que deixou de ser paga (art. 150, § 6º, do CTN), enquanto, na primeira, a extinção se dá sob condição resolutória de homologação do valor compensado. Como o instituto da denúncia espontânea do art. 138 do CTN e a jurisprudência vinculante do STJ demandam o pagamento, stricto sensu - ainda anterior ou concomitantemente à confissão da dívida (condição imposta somente por força de decisão judicial) -, cabe a cobrança da multa de mora sobre o valor compensado em atraso.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007
MULTA DE MORA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO, MAS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO, POIS AFASTADA SOMENTE EM CASO DE PAGAMENTO DE VALOR NÃO PREVIAMENTE CONFESSADO.
A compensação é forma distinta da extinção do crédito tributário pelo pagamento, cuja não homologação somente pode atingir a parcela que deixou de ser paga (art. 150, § 6º, do CTN), enquanto, na primeira, a extinção se dá sob condição resolutória de homologação do valor compensado. Como o instituto da denúncia espontânea do art. 138 do CTN e a jurisprudência vinculante do STJ demandam o pagamento, stricto sensu - ainda anterior ou concomitantemente à confissão da dívida (condição imposta somente por força de decisão judicial) -, cabe a cobrança da multa de mora sobre o valor compensado em atraso.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-006.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 MULTA DE MORA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO, MAS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO, POIS AFASTADA SOMENTE EM CASO DE PAGAMENTO DE VALOR NÃO PREVIAMENTE CONFESSADO. A compensação é forma distinta da extinção do crédito tributário pelo pagamento, cuja não homologação somente pode atingir a parcela que deixou de ser paga (art. 150, § 6º, do CTN), enquanto, na primeira, a extinção se dá sob condição resolutória de homologação do valor compensado. Como o instituto da denúncia espontânea do art. 138 do CTN e a jurisprudência vinculante do STJ demandam o pagamento, stricto sensu - ainda anterior ou concomitantemente à confissão da dívida (condição imposta somente por força de decisão judicial) -, cabe a cobrança da multa de mora sobre o valor compensado em atraso. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 MULTA DE MORA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO, MAS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO, POIS AFASTADA SOMENTE EM CASO DE PAGAMENTO DE VALOR NÃO PREVIAMENTE CONFESSADO. A compensação é forma distinta da extinção do crédito tributário pelo pagamento, cuja não homologação somente pode atingir a parcela que deixou de ser paga (art. 150, § 6º, do CTN), enquanto, na primeira, a extinção se dá sob condição resolutória de homologação do valor compensado. Como o instituto da denúncia espontânea do art. 138 do CTN e a jurisprudência vinculante do STJ demandam o pagamento, stricto sensu - ainda anterior ou concomitantemente à confissão da dívida (condição imposta somente por força de decisão judicial) -, cabe a cobrança da multa de mora sobre o valor compensado em atraso. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 MULTA DE MORA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO, MAS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO, POIS AFASTADA SOMENTE EM CASO DE PAGAMENTO DE VALOR NÃO PREVIAMENTE CONFESSADO. A compensação é forma distinta da extinção do crédito tributário pelo pagamento, cuja não homologação somente pode atingir a parcela que deixou de ser paga (art. 150, § 6º, do CTN), enquanto, na primeira, a extinção se dá sob condição resolutória de homologação do valor compensado. Como o instituto da denúncia espontânea do art. 138 do CTN e a jurisprudência vinculante do STJ demandam o pagamento, stricto sensu ainda anterior ou concomitantemente à confissão da dívida (condição imposta somente por força de decisão judicial) , cabe a cobrança da multa de mora sobre o valor compensado em atraso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 MULTA DE MORA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO, MAS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO, POIS AFASTADA SOMENTE EM CASO DE PAGAMENTO DE VALOR NÃO PREVIAMENTE CONFESSADO. A compensação é forma distinta da extinção do crédito tributário pelo pagamento, cuja não homologação somente pode atingir a parcela que deixou de ser paga (art. 150, § 6º, do CTN), enquanto, na primeira, a extinção se dá sob condição resolutória de homologação do valor compensado. Como o instituto da denúncia espontânea do art. 138 do CTN e a jurisprudência AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 03 58 /2 01 0- 70 Fl. 569DF CARF MF Processo nº 16327.000358/201070 Acórdão n.º 9303006.011 CSRFT3 Fl. 570 2 vinculante do STJ demandam o pagamento, stricto sensu ainda anterior ou concomitantemente à confissão da dívida (condição imposta somente por força de decisão judicial) , cabe a cobrança da multa de mora sobre o valor compensado em atraso. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, contra Acórdão proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 435 a 441), sob a seguinte Ementa (a mesma da Contribuição para PIS): Relator: Domingos de Sá Filho Acórdão nº: 320200.301 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 BASE DE CÁLCULO. DIFERENÇAS APURADAS PELO SUJEITO PASSIVO. DISPENSA CONSTITUIÇÃO FORMAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Diferenças de tributos sujeitos a lançamento por homologação apuradas pelo próprio sujeito passivo da obrigação e declarado, elide a necessidade da constituição formal por meio de procedimento administrativo fiscal, pois o contribuinte com sua declaração torna a situação impositiva. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 16327.000358/201070 Acórdão n.º 9303006.011 CSRFT3 Fl. 571 3 EXTINÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO. Confirmado em diligência a existência de pagamento por meio de DARF e compensação do débito com crédito informado em DCOMP e DCTF, extingue o crédito tributário. MULTA DE MORA. A extinção do crédito tributário acompanhado de juros de mora antes de qualquer procedimento administrativo fiscal libera o sujeito passivo da penalidade pela multa de mora. O desenrolar dos fatos é um tanto complexo, com desoneração parcial pela instância de piso (em especial no que tange à multa de ofício) e Diligência determinada pelo colegiado a quo na apreciação dos Recursos de Oficio e Voluntário, mas, no que interessa a este julgamento, cumpre consignar que os débitos foram objeto de discussão no Mandando de Segurança nº 2006.61.00.0118294 (questionando a incidência das contribuições sobre receitas de instituições financeiras) e estavam suspensos por decisão liminar, desde 01/06/2006. Posteriormente, em 19/02/2008, houve desistência da referida ação e foram transmitidas, em 26/02/2008, Declarações de Compensação (na forma de DCOMP), para a sua extinção, nelas não contempladas a multa de mora, por entender a autuada que se tratava de quitação espontânea, feita antes do início do procedimento fiscal (ocorrido em 09/03/2010) que culminou nos lançamentos de ofício. Restou a esta Turma discutir tãosomente se cabe ou não a cobrança da multa moratória no caso de compensação feita em atraso, mas anteriormente a medida de fiscalização relacionada com a infração. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inicialmente, apresentou Embargos de Declaração (fls. 443 e 444), alegando obscuridade no Acórdão guerreado (que negou provimento ao Recurso de Ofício e deu provimento ao Recurso Voluntário), os quais foram rejeitados (fls. 459 e 460). Interpôs, então, Recurso Especial (fls. 462 a 468), sob o argumento de que a compensação (regulada pelo art. 170 do CTN e, à época dos fatos geradores em apreço, pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, já com a redação das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003) é forma de extinção (art. 156) distinta do pagamento, exigido para a caracterização da denúncia espontânea prevista no art. 138, não afastando a primeira, assim, a incidência da multa moratória, se feita a destempo: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I – o pagamento; II – a compensação; Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 16327.000358/201070 Acórdão n.º 9303006.011 CSRFT3 Fl. 572 4 E, como implica afastamento da multa, a denúncia espontânea configuraria hipótese de exclusão do crédito tributário, devendo, assim, ser interpretada literalmente a legislação que dela disponha, conforme art. 111, I, também do CTN. Reconhece que o STJ já decidiu, sob o rito dos Recursos Repetitivos (RE nº 1.149.022/SP), que o pagamento em atraso, mas feito antes ou concomitantemente à confissão da dívida, exclui a multa moratória, entendimento que deve ser adotado pelo CARF, na forma regimental, mas salienta que esta interpretação somente se aplica nos casos de pagamento, stricto sensu. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 484 a 491), basicamente alegando que a denúncia espontânea caracterizase também com a compensação, que, da mesma forma que o pagamento antecipado, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação: § 1º do art. 150 do CTN § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Como argumentação complementar, utilizase ainda do § 2º do art. 63 da Lei nº 9.430/96, alegando que “o pagamento” foi realizado “dentro do prazo de 30 dias previsto na referida legislação”. No que tange às decisões judiciais a respeito, cita a Súmula nº 360 do STJ, que, interpretada a contrario sensu, estabelece que a denúncia espontânea é perfeitamente aplicável “nas hipóteses em que os tributos são pagos antes de confessados”. Utilizase também do REsp nº 1.149.022/SP, que vincula o CARF (o que é reconhecido pela PGFN, conforme já visto), e também do AgRg no REsp 1.163.372/RS, este não vinculante, no qual o STJ manifesta o entendimento de que “Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas”. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF, pelo que dele conheço. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 16327.000358/201070 Acórdão n.º 9303006.011 CSRFT3 Fl. 573 5 A matéria a ser decidida neste julgamento, como já dito, é somente se compensação (via Declaração de Compensação) equivale ou não a pagamento, para fins de cabimento ou não da cobrança da multa moratória nos casos de transmissão da DCOMP a destempo, mas antes do início do procedimento fiscal. Para o pagamento, o tema não é mais passível de discussão no CARF (a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno), haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, no RE nº 1.149.022/SP (isto se o pagamento for realizado antes ou concomitantemente à confissão da dívida, conforme Súmula nº 360, também do STJ), em Acórdão submetido à sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/73, antigo Código de Processo Civil. Já para a compensação, não existe decisão judicial ou súmula que vincule este Colegiado. Como bem colocou a PGFN, pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário, conforme estabelece o Código Tributário Nacional (art. 156, I e II, já transcritos), recepcionado como lei complementar, a única capaz de estabelecer normas gerais sobre crédito tributário, como reza a nossa Constituição Federal (grifei): Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Vejamos o que o CTN estabelece sobre compensação: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Notese que, a lei ordinária – e até mesmo normas administrativas – , podem disciplinar o instituto da compensação. Sob a égide do art. 66 da Lei nº 8.383/91, a compensação só poderia ser efetuada “entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie”. Já, em sua redação original, o art. 74 da Lei nº 9.430/96 passou a permitir a compensação entre tributos de espécies diferentes, mediante requerimento à Secretaria da Receita Federal, sob a forma de Pedido de Compensação, inicialmente sem prazo para ser analisado. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 16327.000358/201070 Acórdão n.º 9303006.011 CSRFT3 Fl. 574 6 Com a mudança da redação do referido artigo 74, pela Lei nº 10.637/2002, a compensação passou a ser feita mediante Declaração de Compensação (in casu, elaborada em meio eletrônico, via Sistema PER/DCOMP). Vejamos o que diz a Lei nº 9.430/96 (grifei): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Alega o contribuinte, em suas Contrarrazões, que o pagamento, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação – como a própria denominação desta forma de constituição diz – também está sujeito à condição de sua ulterior homologação. Mas o CTN diz algo mais a respeito (grifei): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Assim, na compensação, é o valor confessado em DCOMP está sob condição resolutória de ulterior homologação, enquanto no pagamento, na realidade, é o que não foi quitado. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 16327.000358/201070 Acórdão n.º 9303006.011 CSRFT3 Fl. 575 7 Isto está claro na lei. O § 1º do art. 150 do CTN fala “sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento”, enquanto o § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 fala em “sua ulterior homologação” Em termos simples: “pagou está pago”; se compensou, há cinco anos para a Administração decidir em que dimensão o crédito está extinto, até o limite compensado. Não se pode equiparar, então, homologação do lançamento com homologação da Declaração de Compensação. Alguém poderia invocar o parágrafo único do art. 156 do CTN para dizer que é lei ordinária que determina estes efeitos. Vejamos o que prescreve o aludido dispositivo: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; (...) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Pode haver irregularidade sobre o que foi efetivamente recolhido aos cofres públicos ?? Por óbvio que não, e se a lei assim dispusesse, seria frontalmente contrária ao prescrito no § 3º do art. 150 do CTN, que determina que o pagamento sempre será “abatido” do valor devido (o que poderia haver é a constatação de que o pagamento foi indevido ou a maior, o que gera, “independentemente de prévio protesto”, o direito à restituição desta parcela, conforme art. 165, também do CTN). Já no que tange à compensação, o caput do art. 170 claramente abre esta possibilidade, pois condiciona a compensação a que os créditos sejam líquidos e certos (o pagamento, naturalmente, é sempre líquido e certo). São formas de extinção distintas, com conseqüências distintas. Não há dúvida. Assim, não se pode aplicar a mesma jurisprudência de uma para a outra – ainda que o STJ já tenha feito isto, mas em decisão não vinculante (Resp nº 1.136.372/RS, citado pelo contribuinte). Por fim, invoca o contribuinte ainda, em suas Contrarrazões, outro dispositivo legal, dizendo que “restou demonstrado que a extinção do crédito tributário deuse antes de qualquer ato fiscalizatório, motivo pelo qual não há óbice para o reconhecimento da denúncia espontânea e, ainda que assim não fosse, deve ser aplicado o disposto no § 2º, do artigo 63 da Lei nº 9.430/96, pois o pagamento fora realizado dentro do prazo de 30 dias previsto na referida legislação”. Observese que ele mesmo fala em pagamento. Ainda, vejamos o que diz a norma em questão: Fl. 575DF CARF MF Processo nº 16327.000358/201070 Acórdão n.º 9303006.011 CSRFT3 Fl. 576 8 Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (...) § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Não houve decisão judicial contrária à pretensão do contribuinte anteriormente à transmissão das DCOMP. Ele desistiu da ação, então não há que se falar nestes 30 dias, pois este prazo está a proteger a autora de uma incerteza que foge ao seu controle, e não de algo que ela mesmo optou por fazer. Ex positis, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 576DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.722157/2014-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2009 a 31/12/2010
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. LIMITES. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO.
A prestação de serviços pessoais por pessoa jurídica encontra limitação quando presentes os requisitos da relação de emprego. Estando presentes as características previstas no artigo 3º da CLT, a Fiscalização tem o poder/ dever de lançar as contribuições previdenciárias incidentes sobre a relação de emprego comprovada.
Numero da decisão: 2201-004.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra, que negaram provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2009 a 31/12/2010 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. LIMITES. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. A prestação de serviços pessoais por pessoa jurídica encontra limitação quando presentes os requisitos da relação de emprego. Estando presentes as características previstas no artigo 3º da CLT, a Fiscalização tem o poder/ dever de lançar as contribuições previdenciárias incidentes sobre a relação de emprego comprovada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra, que negaram provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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POSSIBILIDADE. LIMITES. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. A prestação de serviços pessoais por pessoa jurídica encontra limitação quando presentes os requisitos da relação de emprego. Estando presentes as características previstas no artigo 3º da CLT, a Fiscalização tem o poder/ dever de lançar as contribuições previdenciárias incidentes sobre a relação de emprego comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra, que negaram provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 21 57 /2 01 4- 15 Fl. 7509DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 7ª Turma da DRJ Recife que manteve o lançamento tributário relativo às contribuições sociais previdenciárias devidas pela empresa, inclusive a parcela devida a terceiros, e incidentes sobre valores pagos a pessoas físicas supostamente contratadas para prestação de serviços laborais como pessoa jurídicas Tal crédito foi constituído por meio de Auto de Infração que contém os Debcad's 51.067.5859 e 51.067.5867 (fls. 2907 e 2908 do processo digitalizado), devidamente explicitado pelo Relatório Fiscal de folhas 2929. Mencionados documentos contém crédito tributário no valor de R$ 14.028.187,15, em valores consolidados em agosto de 2014. A ciência pessoal do Auto de Infração, que contém o lançamento referente às contribuições devidas no período de agosto de 2009 a dezembro de 2010, ocorreu em 19 de agosto de 2014, conforme se verifica às folhas 2907. Em 18 de setembro de 2014, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls.7288). Em 03 de janeiro de 2017, a 7ª Turma da DRJ Recife/PE, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 11.54.723 (fls. 7374), de forma unânime, julgou improcedente a defesa administrativa apresentada e tal decisão restou assim ementada: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2009 a 31/12/2010 CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. REQUISITOS LEGAIS. Quando constatada a prestação de serviços com pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação, a fiscalização da Receita Federal do Brasil deve efetuar o enquadramento do prestador na condição de segurado empregado e apurar as contribuições incidentes sobre as respectivas remunerações. O enquadramento do prestador de serviços na condição de segurado empregado deve ser efetuado mesmo quando se trate de trabalho intelectual e a contratação tenha sido formalizada com interposta pessoa jurídica (PEJOTIZAÇÂO), desde que reste configurada a relação de emprego. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2009 a 31/12/2010 PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Inadmissível juntada de provas, em momento posterior à manifestação do interessado, sem que se comprove a ocorrência das situações excepcionadas pela legislação de Fl. 7510DF CARF MF Processo nº 13888.722157/201415 Acórdão n.º 2201004.380 S2C2T1 Fl. 7.510 3 regência do processo administrativo fiscal no âmbito da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2009 a 31/12/2010 IMPUGNAÇÃO. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO. Em razão da apresentação de impugnação tempestiva, o crédito tributário mantém sua exigibilidade suspensa enquanto durar a discussão administrativa. Impugnação Improcedente" Tal decisão tem o seguinte relatório que, por sua clareza e precisão, reproduzo (fls. 645): "A ação Fiscal teve início em decorrência da observação de grande diferença entre as bases salariais declaradas em GFIP e os valores pagos pela autuada a serviços prestados por pessoas Jurídicas. A auditoria prévia apurou que grande parte destes prestadores possuía objeto social idêntico ao da contratante, o que iniciou uma detalhada investigação, que findou na descaracterização de prestadores Pessoas Jurídicas, considerandoos como Segurados Empregados. A partir dos documentos elencados às fls. 2931 a 3018, o auditor autuante chegou às seguintes conclusões: I nos contratos de prestação de Serviço da Resource constava expressa proibição à subcontratação desta prestação de serviços, e na ausência de autorização expressa do contratante, há que se concluir que as pessoas jurídicas estranhas à relação, que atenderam tais contratos integravam o quadro de funcionários da autuada; II contratação de pessoas jurídicas para labor típico de uma relação de emprego: por exemplo, serviços de Gerente de Projetos (TERRASOFT Comercio e Serviços de Informática ME); III pagamentos por hora trabalhada que não se alinham com a contratação de uma pessoa jurídica; IV a atividade objeto de tais contratações coincide com a atividade fim da autuada (Prestação de serviços de Informática CNAE 62040/00), em sentido inverso à sumula 331 do TST; V – verificada subordinação dos contratados quando na confecção de contratos similares com a autuada e quando dos aditivos estabelecendo local de trabalho e projeto de alocação de cada Consultor; Fl. 7511DF CARF MF 4 VI – há decisões judiciais em processos trabalhistas que afirmam a contratação de obreiros por meio de interposta empresa; VII a autuada firmou Termo de compromisso com a fiscalização do Trabalho, com vistas a regularizar flagrante “Pejotização”; VIII grande parte das contratadas emitiu notas fiscais seqüenciais para a autuada e tiveram seus contratos firmados no mesmo dia da contratação da Resource com seus clientes; IX – existem cláusulas contratuais típicas de uma relação de emprego: 3. Da Rescisão e 4. Das Responsabilidades; X – a coincidência entre o responsável legal pela PJ contratada e o prestador do serviço pessoa física, na maioria dos casos; XI – foram observados pagamentos com valores superiores no mês de dezembro, compatíveis com o 13º salário. Ciência dos presentes autos em 19/08/2014 (f. 3018). Em 18/09/2014, o contribuinte apresentou seu inconformismo de fls. 7288 a 7306, assim resumido: A requer suspensão de exigibilidade do crédito e seu regular processamento nos termos do artigo 25, I do Decreto 70.235/72; B tempestividade de sua defesa; C a contribuição previdenciária é obrigatória apenas para quem possui empregados sujeitos ao RGPS; D a autuação não identificou detalhadamente os obreiros que teriam prestado serviços ao impugnante, prejudicando a análise dos requisitos do artigo 3º da CLT; E compromisso com a verdade material; F o exercício profissional individual é garantido na definição de empresário do artigo 966 do Código Civil e do art. 129 da Lei nº 11.196/2005; G houve contratação de PJ que executavam serviços de Informática, mas, fora do escopo de atuação do contribuinte (CNAE 62023/00 e 6203 1/00); H há empresas constituídas antes da contratação da autuada, o que negaria a tese de constituição fraudulenta; I não há vinculação dos valores apurados com nenhum obreiro vinculado ao RGPS; J afirma, ainda Fl. 7512DF CARF MF Processo nº 13888.722157/201415 Acórdão n.º 2201004.380 S2C2T1 Fl. 7.511 5 K ao final, pede, subsidiariamente, que sejam excluídos os valores pagos a PJ com CNAE distintas da autuada e protesta pela juntada adicional de documentos. Trouxe em seu favor (fls. 7323 a 7334): Documentos de representação e Contratos Sociais. Era o que havia a relatar." Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 17 de fevereiro de 2017, (AR de fls. 7374), o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário (fls.7385), cujos argumentos serão analisados ao longo do voto. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso, passo a apreciálo na ordem de suas alegações. DA PRELIMINAR DE NULIDADE: VÍCIO MATERIAL NO LANÇAMENTO Argui, preliminarmente, o Recorrente (fls. 7389): Com efeito, o art. 229, §2º, do Decreto 3.048/99, prevê que se o Auditor Fiscal constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições de empregado, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Fl. 7513DF CARF MF 6 Para tal fim, considerase segurado empregado, nos termos do art. 12, I, “a”, da Lei nº 8.212/91, “aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado”. Isto é, devem existir os mesmos requisitos impostos pelo art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho (“CLT”), quais sejam: a habitualidade, subordinação, pessoalidade e onerosidade. Desta feita, ao constatar referido enquadramento, o Agente Fiscal exigirá o recolhimento das contribuições devidas, por meio da lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento, nos termos do art. 37 da Lei nº 8.212/91. Nessa toada, é indubitável a natureza tributária que ostentam as contribuições previdenciárias, previstas nos arts. 149 e 195 da Constituição. Quanto a isso, Roque A. Carrazza1 assevera com precisão que “todas elas [as contribuições] têm natureza nitidamente tributária, mesmo porque, com a expressa alusão aos ‘arts. 146, III, e 150, I e III’, ambos da Constituição Federal, fica óbvio que deverão obedecer ao regime jurídico tributário, isto é, aos princípios que informam a tributação, no Brasil”. Desta feita, as contribuições devem se submeter à disciplina do Código Tributário Nacional (“CTN”) Lei Complementar expedidora de normas gerais em matéria tributária, cf. art. 146, III, da Constituição – que define o lançamento tributário, em seu art. 142 do Código Tributário Nacional (“CTN”), da seguinte forma: (...) Portanto, constatado o suposto vínculo empregatício, o Agente Fiscal promoverá a constituição do crédito tributário por meio do correspondente lançamento, pelo qual ele verificará a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinará a matéria tributável, calculará o montante devido, identificará o sujeito passivo e, por fim, se for o caso, aplicará a penalidade cabível. Para tal desiderato, o Agente deverá instruir o Auto com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Desta forma, tendo em vista ser o lançamento o pilar de sustentação do crédito tributário constituído, vícios existentes em seu conteúdo invariavelmente acarretam a sua nulidade por vício material. (...)" (negritos originais, sublinhados nossos) Concluindo as considerações acima, a Recorrente entende que houve vício material no lançamento uma vez que a autoridade fiscal, ao vislumbrar a existência de uma relação de emprego encoberta pela contratação de pessoas jurídicas, não soube comprovar a real ocorrência de tal relação de emprego posto que ausentes, segundo o Apelante, a "efetiva demonstração dos elementos caracterizadores do vínculo empregatício (i.e. habitualidade, subordinação, pessoalidade e onerosidade), o lançamento deve ser considerado nulo por vício material, uma vez que o vício atinge o próprio conteúdo do lançamento, isto é, a descrição do fato gerador e a própria matéria tributável." (fls. 7392). Fl. 7514DF CARF MF Processo nº 13888.722157/201415 Acórdão n.º 2201004.380 S2C2T1 Fl. 7.512 7 Ainda segundo o recurso, tal omissão, além de macular o lançamento quanto à descrição do fato gerador e da própria material tributável, imputa outro vício ao lançamento, também de índole material, uma vez que a falta de caracterização dos vínculos de emprego alegados, impõe grave prejuízo ao exercício do contraditório e ampla defesa pelo contribuinte. Não verifico tais vícios no lançamento. Ao contrário do alegado, observo que a Autoridade Fiscal soube cumprir os ditames do artigo 142 do CTN e as prescrições dos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, uma vez que há no auto de infração combatido, a exata descrição dos fatos imputados pelo Fisco, como podemos perceber do excerto abaixo (fls. 2937): DAS CONSTATAÇÕES DA FISCALIZAÇÃO "14.Com base nos levantamentos é documentos colacionados no curso da presente ação fiscal constatouse a prática de contratação de pessoas físicas como pessoa jurídica popularmente conhecida como "pejotização", conforme descrito a seguir. 15.Da análise dos contratos de prestação de serviços firmados com pessoas jurídicas prestadoras de serviço de informática, realizada de forma amostrai, nos termos regulamentares e devidamente cientificada ao sujeito passivo, por meio do Anexo I do Termo de Constatação e Intimação Fiscal 08 3/0 601/2013, o qual resumiu os dados apurados da análise dos contratos de prestação de serviço com "fornecedores"de serviços, bem assim com base em dados obtidos mediante circularização, constatou se que os contratos de prestação de serviço firmados com as mencionadas empresas apresentam elementos que indicam a prática popularmente conhecida como"PEJOTIZAÇÃO", ou seja, contratação de' pessoas físicas como pessoas jurídicas, ir.casu, consultores, analistas de sistemas e programadores. (...)" Com tal imputação, há, segundo o Fisco, a verificação da ocorrência do fato gerador, como se observa no Relatório Fiscal desde as folhas 2938 até 3017. Encontro ainda, às folhas 3017/3018, a precisa determinação da matéria tributável, que se consubstancia por meio dos fundamentos legais do lançamento. Há ainda, o cálculo do tributo devido, por meio da determinação da base de cálculo e das alíquotas aplicáveis (tabelas e, em especial, item 41 do relatório fiscal, fls. 3017) . Considerando ainda que houve a identificação correta do sujeito passivo e a aplicação da penalidade cabível, isto é, a multa prevista em lei, não há que se falar em vício de nulidade conforme o alegado. Impende realçar que, a discussão instaurada pela insurgência do sujeito passivo contra o lançamento, por meio da impugnação desse, e o inconformismo contra a decisão de primeiro grau manifestada por meio do presente recurso não se confundem com o não reconhecimento da nulidade, uma vez que as alegações de mérito, serão apreciadas no momento oportuno. Fl. 7515DF CARF MF 8 O que se verifica, nesse momento, é a higidez do lançamento tributário, consubstanciado em documento que respeitou tanto a forma quanto contém o conteúdo previstos em lei. Logo, em que pesem os argumentos e a jurisprudência deste Conselho apresentados, os mesmos não se aplicam ao caso concreto. Preliminar de nulidade rejeitada. DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO IMPOSTA À RECORRENTE Segundo consta do recurso, a autuação é nula em razão da mesma se firmar em alegações genéricas e meras suposições para demonstrar a existência dos pressupostos da relação de emprego. O excerto abaixo retirado do apelo (fls. 7399), explicita “18. Existência de contratos de prestação de serviço firmados com pessoas jurídicas com remuneração típica de contrato de empregado pessoa física, ou seja, pagamento por hora trabalhada. (...). Importante mencionar que é incomum a contratação de prestação de serviços de pessoa jurídica com pagamento por hora trabalhada, visto que o pagamento por hora é uma característica típica de uma relação de emprego, posto que pressupõe a disponibilidade de um empregado destacado para a execução do trabalho”. Por meio de tal alegação, que soa absurda, o Agente Fiscal possivelmente busca demonstrar a existência de pessoalidade ou habitualidade na relação. Não obstante, ao contrário do que alega, é fato que a contratação de serviços por hora trabalhada não é incomum no mercado e, outrossim, a prestação de serviços por hora trabalhada não necessariamente pressupõe a integral disponibilidade do contratado. Expliquemos Com efeito, é prática comum no mercado, principalmente em serviços técnicos ou intelectuais, a contratação de prestadores de serviços por horas trabalhadas. Como exemplo típico, os contratos de prestação de serviços advocatícios envolvem variadas formas de remuneração, sendo uma delas justamente o pagamento por hora de serviço. Neste caso, não há óbice para que o advogado seja contratado para a confecção de um memorando e seja remunerado por hora dispendida no trabalho. (...) Noutro giro, tendo em vista que a Fiscalização pautouse basicamente pelo levantamento dos prestadores de serviços com objeto social e CNAE semelhantes ao da Recorrente, tornouse tarefa árdua ao Agente Fiscal a efetiva comprovação dos traços de pessoalidade e subordinação existentes entre a Recorrente e cada um (ou ao menos grupos) dos inúmeros prestadores de serviços. Diante disso, novamente o Fiscal se viu forçado a se concentrar em alegações e suposições. É o que se extrai do item 26 do Relatório Fiscal (pág. 11), ipsis litteris: “26. Demais disso, há evidente presença de aspectos de pessoalidade na contratação das pessoas jurídicas para a prestação de serviços de informática, fato evidente após análises do contratopadrão entregues à fiscalização em conjunto com os Fl. 7516DF CARF MF Processo nº 13888.722157/201415 Acórdão n.º 2201004.380 S2C2T1 Fl. 7.513 9 contratos das empresas prestadoras de serviço. Demais disso, é importante salientar que os contratos são flagrantemente semelhantes quanto aos termos contratuais, evidenciando uma subordinação clara aos termos impostos pela contratante, a RESOURCE AMERICANA LTDA.” Ou seja, para a Fiscalização, a existência de contratos padrão constitui prova cabal da existência de pessoalidade e subordinação dos prestadores de serviços em relação à Recorrente. Note que a fiscalização sequer aponta cláusulas contratuais que permitam ao menos chegar próximo à conclusão de que há pessoalidade ou subordinação na relação. Pelo contrário, a Fiscalização limitase a apontar a similaridade nos contratos. (...)" A leitura dos trechos acima transcrito embasam a afirmação: segundo o Recorrente, o Fisco não comprovou os requisitos da relação de emprego, calçando o lançamento somente em suposições, o que fulminaria o lançamento por vício material. Importa realçar, por lealdade processual, que a mesma argumentação, no sentido da falta de comprovação das características do trabalhador empregado, é apresentada pelo sujeito passivo (fls. 7400/7406), quanto à habitualidade, pessoalidade e subordinação. Novamente não cabe razão ao sujeito passivo. Não verifico a nulidade apontada. Houve sim, juntada de provas que segundo o Fisco comprovam a relação de emprego constante da acusação fiscal. Contratos, intimações e suas respostas, declarações fiscais prestadas pelo Contribuinte devidamente confrontadas e outros documentos, subsidiam as alegações da Autoridade Fiscal. Nesse sentido, constato que houve por parte da Administração Tributária, e em sua visão a suposta comprovação dos fatos por ela alegados. O que se irá observar, por ser questão de mérito, é se a provas juntadas comprovam o alegado e se soube o contribuinte, comprovar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do Fisco. Assim, rejeito a preliminar de nulidade e passo ao mérito. DA IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA Segundo o Recorrente, a decisão de primeiro grau não merece prosperar. Não houve a comprovação da necessária relação de emprego, fato indispensável para a cobrança das contribuições previdenciárias incidentes sobre o rendimento recebido pelo segurado empregado. A leitura do recurso, cujas alegações necessariamente se contrapõe aos fundamentos da decisão de piso, demonstra como aliás foi ressaltado pela Autoridade Fl. 7517DF CARF MF 10 Lançadora que a lide se instaura em face da contratação, pelo sujeito passivo, de pessoas jurídicas para lhe prestarem serviço. Transcrevo um trecho do apelo, que corrobora a afirmação (fls. 7407): "A respeito do requisito da pessoalidade, o Acórdão recorrido assentou, em apertada síntese, que nos contratos de prestação de serviços sempre havia a mesma cláusula com menção a um “PRESTADOR DE SERVIÇO”4 e que as empresas contratadas “em sua maioria, emitiam notas sequenciais, o que evidencia a prestação exclusiva de serviços dos sócios para a Autuada, sem provas de haver terceiros empregados”. O primeiro argumento levantado pela decisão da DRJ não possui qualquer prestígio, notadamente porque apegado estritamente numa expressão contratual (“prestador de serviço”), destituída de qualquer sentido jurídico próprio, do qual se possa inferir pela presença do requisito da pessoalidade. Ora Nobres Julgadores, em qualquer contrato de prestação de serviço sempre haverá a figura do “prestador de serviço”, seja ele pessoa física ou jurídica, o que, repisese, não interfere na constatação do requisito da pessoalidade. Quanto ao segundo e principal argumento levantado pela DRJ, no sentido de que o fato de as empresas contratadas, em sua maioria, emitir notas sequenciais, evidencia a prestação exclusiva de serviços dos sócios para a Recorrente, relevando o caráter da pessoalidade, não condiz com a realidade dos fatos. Senão, vejamos. A planilha elaborada pela Recorrente (doc.02), ao copilar as informações contidas na documentação encartada aos autos, revela que do total das 256 empresas prestadoras de serviço que foram consideradas pela fiscalização, 152 delas ou seja, 59,38% não apresentaram notas fiscais sequenciais (doc.03). A par disso, constatouse que no período fiscalizado de 24 meses (de 01/2009 a 12/2010), das 256 empresas prestadoras de serviço que foram consideradas pela fiscalização, 159 delas ou seja, 62,11% emitiram até 12 notas fiscais, o que é incomum nos casos de “pejotização”, em que a fiscalização normalmente demonstra, ao menos, a emissão de notas fiscais durante todo o período fiscalizado. Logo, é fácil verificar que a decisão recorrida, ao afirmar que a maioria das empresas emitiram notas fiscais sequenciais, não buscou a verdade material dos fatos apurados no procedimento fiscal. Ao contrário do que alegado na decisão de primeira instância, a maioria das empresas prestadores de serviço não apresentaram notas fiscais sequenciais. De outro norte, o levantamento realizado pela Recorrente aponta que, do total das 256 empresas prestadoras de serviço, apenas 05 delas – ou seja, 1,95% apresentaram notas fiscais com o mesmo valor (doc.04). Como é cediço, em casos de “pejotização”, além das notas fiscais em sequência, outro indício imprescindível e revelador do Fl. 7518DF CARF MF Processo nº 13888.722157/201415 Acórdão n.º 2201004.380 S2C2T1 Fl. 7.514 11 vínculo empregatício reside no fato de que o valor pago à suposta empresa prestadora de serviço é sempre o mesmo (isto é, não há variações), uma vez que, na realidade, se trata de verdadeiro salário destinado ao empregado. (...) Ora Nobres Julgadores, no caso em tela não há dúvidas de que os elementos indiciários “notas fiscais sequenciais” e “valores fixos/iguais” não estão presentes na maioria absoluta das relações entre as empresas prestadores de serviço e a Recorrente. Aliás, é necessário ressaltar que das 104 empresas prestadoras de serviço que emitiram notas fiscais sequenciais, apenas 035 delas apresentam notas fiscais com valores iguais (doc.05). Diante disso, é inquestionável que das 256 empresas prestadoras de serviço, apenas 03 apresentaram cumulativamente os indícios caracterizadores da “pejotização”, razão pela qual a decisão ora combatida não deve prevalecer, visto que não demonstrado o requisito da pessoalidade. Quanto ao requisito da subordinação, o Acórdão recorrido aduziu que o contrato de prestação de serviços aponta “o inteiro domínio da contratante autuada” e que os contratos firmados com diversos prestadores são praticamente idênticos. No mais, a DRJ sustentou que “não se mostra importante o fato de um PJ existir previamente à prestação de serviços em pauta: a fiscalização não negou a existência das pessoas jurídicas ou afirmou que as mesmas foram constituídas com a finalidade específica de prestar serviços à empresa autuada.”. Quanto ao primeiro argumento, o trecho do contrato de prestação de serviço, citado pelo acórdão, é o seguinte: “1. DO OBJETO 1.1. O objeto do presente Contrato é a Prestação de Serviços de Informática pela CONTRATADA, de acordo com a solicitação da CONTRATANTE, conforme descrita em Aditamentos Contratuais, que se aceitos e assinados pelas partes, passarão a fazer parte integrante deste Contrato. 1.2. O PRESTADOR de serviço concorda que a tomadora poderá alocálo como prestador de serviços de qualquer uma das empresas do Grupo Econômico RESOURCE, sem necessidade de celebração de novo contrato, servindo o presente contrato como base e condição desta celebração com qualquer empresa do Grupo RESOURCE.” Pelo que se verifica, tratase de um précontrato de prestação de serviços de informática, em que as partes estabelecem termos e condições gerais entre elas para a pactuação de futuros contratos de prestação de serviço (“aditamentos contratuais”) em que as partes então firmarão a prestação de serviços específicos de informática. Fl. 7519DF CARF MF 12 Ao contrário do que afirmado pela decisão ora combatida, não há nenhuma menção no trecho acima em que se verifica o inteiro domínio da Recorrente perante as empresas contratadas. Na realidade, tratase de cláusula muito comum em contratos de prestação de serviços, uma vez que em tais relações o mínimo que se espera é que o prestador de serviço atenda as expectativas do tomador. (...)" Encontro na decisão de piso, as seguintes razões de decidir (fls. 7354): Assim, se a auditoria fiscal observa que o contrato formalmente firmado entre pessoas jurídicas na verdade busca escamotear uma relação de emprego, esse negócio jurídico formal há de ser afastado, não havendo que se falar em aplicação do artigo 129 da Lei nº 11.196/2005. Em suma, tendo em vista o exposto até agora, não vislumbro óbice ao enquadramento dos prestadores de serviços como segurados empregados para fins de apuração das contribuições previdenciárias e das contribuições destinadas a outras entidades e fundos. Esse enquadramento deve ser efetuado sempre que restar verificado que a prestação de serviços, a despeito de ter sido formalmente contratada com uma pessoa jurídica, ostenta de fato os elementos essenciais da relação de emprego previstos no art. 3º da CLT e no art. 12, I, “a”, da Lei 8.212/91. Diante dessa conclusão, resta apurar se, no caso concreto, realmente estão presentes os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado, quais sejam, a onerosidade, a pessoalidade, a não eventualidade e a subordinação. Quanto à onerosidade, não há necessidade de muitas considerações, pois os valores devidos pela empresa em decorrência da prestação dos serviços estão previstos nos contratos celebrados com as supostas pessoas jurídicas e encontramse estampados nas notas fiscais de prestação de serviços (planilha de fls. 2943 a 3016). Ademais, não se cogita no presente caso a ocorrência de prestação de serviços a título gratuito, inexistindo então qualquer dúvida a respeito da ocorrência desse elemento da relação de emprego. No que tange à não eventualidade, os elementos coligidos pela fiscalização deixam claro que os serviços não eram prestados de forma esporádica, mas sim de maneira permanente, conforme se pode inferir das relações de pagamentos elaboradas pela fiscalização, nas quais se constata que os prestadores de serviços, em sua grande maioria, laboraram para a empresa autuada em todos ou quase todos os meses do período fiscalizado (01/08/2009 a 31/12/2010). Além disso, os serviços prestados estavam intimamente ligados às atividades permanentes da empresa. Essa situação, no presente caso, mostrase claramente caracterizada pela própria CNAE das PJ contratadas: todas pertencentes ao ramo de Serviços de Tecnologia da Informação. Esse ponto (relação Fl. 7520DF CARF MF Processo nº 13888.722157/201415 Acórdão n.º 2201004.380 S2C2T1 Fl. 7.515 13 entre o serviço e as atividades normais da empresa) é o critério determinante para a verificação da presença da não eventualidade, conforme se depreende do disposto no § 4º do art. 9º do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99: "§ 4º Entendese por serviço prestado em caráter não eventual aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa." Quanto à pessoalidade, entendo que também restou plenamente caracterizada pela documentação acostada pela fiscalização. Observase que nos contratos de prestação de serviços apresentados à fiscalização, sempre havia a mesma cláusula com menção a um PRESTADOR DE SERVIÇO: Adicionalmente, observase, nas GFIP das contratadas, que estas declaravam apenas remuneração para os seus sócios e, em sua maioria, emitiam notas seqüenciais, o que evidencia a prestação exclusiva de serviços dos sócios para a Autuada, sem provas de haver terceiros empregados. (...)" Patente o ponto fulcral do litígio instaurado: a necessidade da comprovação dos requisitos da relação de emprego pelo Fisco, para que subsista o lançamento tributário controvertido. Assim, mister algumas considerações sobre a prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica. Preceitua a Carta da República que a ordem econômica é fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, com expressa garantia para todos do livre exercício de qualquer atividade econômica. Assim está redigido o artigo 170: "Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...) Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei." Fl. 7521DF CARF MF 14 O preceito constitucional é claro em garantir que qualquer do povo pode exercer todo tipo de atividade econômica encontrando, por óbvio, na lei, o limite desse exercício. Dessa constatação, podemos inferir que é lícito ao profissional que presta serviços, fazêlo por meio de uma pessoa jurídica, uma vez que o exercício dessa atividade econômica não encontra óbice legal, tampouco a constituição de uma empresa com essa mister ofende a ordem jurídica. Cediço que a conformação societária dessa pessoa jurídica é critério daquele que a constitui, existindo no ordenamento pátrio diversos modelos societários que se amoldam a esse mister . Constituída a pessoa jurídica, essa ficção passa a contar com a tutela do ordenamento jurídico que empresta personalidade ficta a essa pessoa, que passa a ser objeto e sujeito de direito. Não obstante, a prestação de serviços atividade econômica cujo o objeto é uma obrigação de fazer por vezes também é prestada por uma pessoa física, realizada pelo trabalho dessa pessoa, atividade também valorizada pelo mesmo comando constitucional acima mencionado. Por muito tempo, a doutrina distinguiu pelo atributo da pessoalidade, a prestação de serviços realizado pela pessoa jurídica daquele prestado pela pessoa física. Assim, quando o contratante precisava que tal serviços fosse prestado por determinada pessoa, era essa a contratada, em razão da característica única que é atributo típico do ser humano, do trabalhador. Se, por outro lado, a prestação do serviço se resumia a um objetivo determinado, um 'facere' pretendido, a contratação de pessoa jurídica atendia a essa necessidade, vez que despicienda a característica de personalidade para a execução do objeto do contrato de prestação de serviços. Se por um lado, no âmbito dos contratos, tal diferenciação interessa somente às partes, causando pouco, ou nenhum, impacto a terceiros, por outro, no âmbito tributário, tal diferenciação é ponto fulcral, em razão da diferenciação da exação incidente sobre as duas formas de prestação de serviços, menos onerosa quando prestada por pessoa jurídica. O menor custo tributário, tanto para o contratante, quanto para o prestador de serviços, fomentou uma crescente transformação de pessoas físicas que prestavam serviços, trabalhadores portanto, em empresas. Em 2005, com o advento da Lei nº 11.196, a legislação tributária passou a explicitamente admitir tal fenômeno. Vejamos a redação do artigo 129: "Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil." Claríssima a disposição legal. Havendo prestação de serviços por meio de pessoa jurídica, mesmo que atribuição de obrigações às pessoas físicas, e sendo esses serviços Fl. 7522DF CARF MF Processo nº 13888.722157/201415 Acórdão n.º 2201004.380 S2C2T1 Fl. 7.516 15 de natureza intelectual, assim compreendidos os científicos, os artísticos e os culturais, o tratamento fiscal e previdenciário deve ser aquele aplicável as pessoas jurídicas, exceto no caso de desvio de finalidade ou confusão patrimonial, como consta das disposições do artigo 50 do Código Civil Brasileiro. Não obstante o exposto, cediço recordar que a CLT impõe limite legal à prestação de serviços por pessoa jurídica. Tal limite se expressa exatamente na relação de trabalho. Vejamos as disposições da Lei Trabalhista: " Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. (...) Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação." (destaquei) Patente o limite da prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica: a relação de emprego. Ao recordarmos as disposições do CTN, constantes não só do parágrafo único do artigo 116, como também do inciso VII do artigo 149, podemos asseverar que, encontrando a Autoridade Tributária as características da relação de emprego na contratação de prestação de serviços por pessoa jurídica, surge o direito do Fisco de desconsiderar tal situação jurídica, vez que dissimuladora do contrato de trabalho, e constituir o crédito tributário decorrente da constatação do fato gerador verificado com o trabalho da pessoa física. Dito de maneira diversa: para que haja o lançamento tributário por desconsideração da prestação de serviços por meio de pessoa jurídica é ônus do Fisco a comprovação da existência da relação de emprego entre a pessoa física que prestou os serviços objeto da desconsideração da personalidade jurídica e o contratante desses serviços. A doutrina trabalhista é assente em reconhecer o vínculo de emprego quando presentes, simultaneamente, as características da pessoalidade, da onerosidade, da habitualidade e da subordinação. Confrontemos as disposições da melhor doutrina trabalhista com os ditames específicos da Lei nº 11.196/05, com o objetivo de encontrarmos a exata diferenciação entre a relação de emprego e a prestação de serviços por pessoa jurídica. Em primeiro lugar é necessário observar que a pessoalidade não é relevante no distinção em apreço. Tal afirmação se corrobora com a simples leitura do artigo 129 da Lei Fl. 7523DF CARF MF 16 nº 11.196, que explicitamente afasta a questão do caráter personalíssimo e da atribuição de obrigações às pessoas que compõe a sociedade prestadora de serviços. Em segundo lugar, forçoso reconhecer que a habitualidade não apresenta relevância como fato distintivo entre a prestação de serviços por pessoa física ou jurídica, vez que tanto numa como em outra, a habitualidade, ou ausência desta, podem estar presentes. Nesse ponto é necessário recordar que nas relações comerciais também se instaura uma relação de confiança, decorrente do conhecimento da excelência na prestação de serviços do fornecedor habitual. A análise da onerosidade também não ajuda no traço distintivo. Cediço que tanto no emprego quanto na mera relação comercial de prestação de serviços, o pagamento pelos serviços prestados está presente. Logo, o ponto fulcral da distinção é a subordinação. Somente na relação de emprego o contratante, no caso empregador, subordina o prestador de serviços, no caso , o empregado. Porém, não se pode, sob pena de ofensa ao direito, entender que qualquer forma de direção da prestação de serviços é a subordinação típica das normas trabalhistas. Esta, a subordinação trabalhista, se apresenta em duas situações específicas. A primeira se observa quando o empregador, no nosso caso o contratante da prestação de serviços conduz, ordena, determina a prestação de serviços. É a chamada subordinação subjetiva onde o prestador de serviços, o trabalhador, recebe ordens específicas sobre seu trabalho, assim entendida a determinação de como trabalhar, de como executar as tarefas a ele, trabalhador, atribuídas. É a subordinação típica, aquela presente no modelo fordistataylorista de produção. Modernamente, encontramos o segundo modelo de subordinação, erroneamente chamado por muitos de subordinação jurídica. Não se pode admitir tal denominação, quanto mais a afirmação que esta subordinação decorre do contrato. Ora, qualquer contrato imputa direitos e deveres e por certo, desses decorre subordinação jurídica, posto que derivada de um negócio jurídico que atribui obrigações. Essa moderna subordinação é a chamada subordinação estrutural, nos dizeres de Maurício Godinho Delgado. É a subordinação consubstanciada pela inserção do trabalhador no modelo organizacional do empregador, na relação institucional representada pelo fluxo de informações e de prestação de serviços constante do negócio da empresa contratante desses serviços. Mister realçar que é por meio da subordinação estrutural que o empregador, o tomador de serviços que subordina o prestador, garante seu padrão de qualidade, uma vez que controla todo o fluxo da prestação dos serviços necessários a consecução do mister constante de seu objeto social, ou seja, é por meio de um modelo de organização que há o padrão de qualidade necessário e o controle das atividades e informações imprescindíveis para a prestação final dos serviços, para a elaboração do produto, para a venda da mercadoria que é o fim da atividade econômica pretendida pelo contratante dos serviços, pelo empregador. Com essa considerações, a solução da lide tributária instaurada por meio do presente recurso voluntário será encontrada a partir da comprovação, ou não, da existência da relação de emprego, consubstanciada pela comprovação da subordinação, entre as pessoas físicas que prestaram os serviços mencionados no auto de infração e a Recorrente. Fl. 7524DF CARF MF Processo nº 13888.722157/201415 Acórdão n.º 2201004.380 S2C2T1 Fl. 7.517 17 Voltemos ao caso concreto. Vejamos o que consta do Relatório Fiscal sobre a necessária subordinação para a caracterização dos segurados empregados. Antes porém, recordo que segundo a Autoridade Lançadora, a relação efetivamente ocorrida era de emprego (fls. 3.017): "42. Assim diante das constatações claras da existência de interpostas empresas na contratação de pessoas físicas por parte da FISCALIZADA, RESOUCE AMERICANA LTDA., e tendo em vista a existência dos requisitos previstos no art. 3º da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) para uma relação de emprego, foi constituído de ofício o crédito tributário decorrente da descaracterização das interpostas empresas suprarrelacionadas para a correspondente cobrança da contribuição previdenciária patronal." Retornando a comprovação da subordinação. Consta do relatório fiscal (fls. 2940): "Outro aspecto a ressaltar é a evidente pessoalidade na contratação das interpostas empresas. Grande parte das empresas prestadoras de serviços de informática contratada emitiu no período notas fiscais sequenciais para a FISCALIZADA o que evidencia exclusividade na prestação do serviço. Demais disso, todos os contratos apresentam termos aditivos com especificação do local de trabalho de destino do consultor "PJ contratado" firmado no mesmo dia da assinatura do contrato de prestação de serviço, o que evidencia também a .contratação de mãodeobra para atender a contrato.com cliente em que a subcontratação de pessoa jurídica estava vedada contratualmente. Importante mencionar também que os contratos firmados com "fornecedores", interpostas empresas, evidenciam paralelos claros com um contrato decorrente de relação trabalhista, como por exemplo, as cláusulas dos itens 3. Da Rescisão e 4. Das Responsabilidades, que guardam imensa semelhança com uma relação de emprego. Há cristalina subordinação na prestação de serviço. Tal fato resta claro quando os termos aditivos determinam o local e o projeto ao qual o consultor estará vinculado, conforme planilha enviada à ciência da FISCALIZADA anexa ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal 083/0601/2013. (...)" Ora, o trecho acima deixa claríssimo que o fundamento do entendimento da fiscalização sobre a existência da necessária subordinação para a caracterização da relação de emprego é um planilha enviada pelo FISCO para a Fiscalizada pela qual o fisco intima a empresa a comprovar, segundo consta de tal Termo de Constatação e Intimação 083/0601/2013, que (fls. 2879): Fl. 7525DF CARF MF 18 Não vejo como se pode verificar a comprovação da subordinação com base nos quesitos formulados, quanto mais quando não a resposta solicitada, como se depreende do relatório fiscal (item 37, fls. 2942). Mesmo se considerando o que se admite somente por amor a polêmica, em face da necessária comprovação da ocorrência do fato gerador que a ausência de resposta pelo sujeito passivo possa aproveitar ao Fisco como comprovação de suas alegações, não se caracteriza a subordinação trabalhista pelo fato do prestador de serviço estar sendo alocado no local de interesse do contratante. A prevalecer tal absurdo, um prestador de serviços de manutenção, contratado para conservar uma máquina de determinada empresa, estaria a esta subordinado posto que a empresa é que vai determinar em qual de suas máquina a manutenção deve ser feita. Tal situação se torna tão absurda, que reproduzo a imputação fiscal, com o perdão da repetição: Há cristalina subordinação na prestação de serviço. Tal fato resta claro quando os termos aditivos determinam o local e o projeto ao qual o consultor estará vinculado (...) Fl. 7526DF CARF MF Processo nº 13888.722157/201415 Acórdão n.º 2201004.380 S2C2T1 Fl. 7.518 19 A leitura atenta do longo relatório fiscal, só faz nova menção à subordinação no item 41 (fls. 3017), que transcrevo abaixo: "Importante mencionar que as interpostas empresas listadas na tabela acima cujos rendimentos líquidos pagos, representado pela diferença entre os rendimentos tributáveis pagos e as retenções na fonte, cujo montante no periodo de 08/2009 a 12/2010 importou no valor de R$ 24.014.478,18 (vinte e quatro milhões, quatorze mil, quatrocentos e setenta e oito reais e dezoito centavos) representam as pessoas jurídicas contratadas pela FISCALIZADA, RESOURCE AMERICANA LTDA., com CNAE semelhante à da contratante, em que há evidente presença de pessoalidade na execução dos serviços/trabalhos, continuidade do serviço prestado, corroborado pelos termos dos contratospadrão firmados, sobretudo quanto ao prazo indeterminado para prestação dos serviços, evidente subordinação às condições impostas pela contratante, RESOURCE AMERICANA LTDA. e/ou seus clientes, remuneração característica de uma relação laboral assalariada, bem assim, clara constatação de que os serviços contratados são essencialmente prestados de forma personalíssima, ou seja, evidentemente prestado por uma pessoa fisica, in casu, análise de sistemas, programação, gerenciamento de bancos de dados, programação de computadores, desenvolvimento de softwares, ou seja, serviços de informática em geral que são caracterizados essencialmente pela interação de um e.xpert e um equipamento ou software de informática, exigindo notório conhecimento intelectual pessoal" (destaques nossos) Não se pode verificar comprovação, mesmo indiciária, das relações de emprego imputadas. Não há, com exceção da menção analisada acima, nenhuma outra caracterização da relação de emprego com base nos contratos de prestação de serviços obtidos pela Fiscalização e anexados aos autos (fls.3456 a 3678). Como visto acima, é ponto fulcral da utilização do artigo 9º combinado com o artigo 3º, ambos da CLT, a comprovação dos requisitos da relação de emprego, em especial da subordinação, traço distintivo fulcral da relação especial de trabalho, o emprego, das demais formas de prestação de serviços pessoais. Não há uma única linha no relatório fiscal, com exceção da afirmação que pelo prestador estar vinculado a um projeto ou contratante, que comprove a inserção no modelo organizacional da Recorrente, ou ainda a percepção de ordens ou de hierarquia. Não verifico a comprovação, como dito nem indiciária e por amostragem, dessa característica fulcral da relação de emprego, da subordinação. Assim, forçoso reconhecer as razões recursais. Fl. 7527DF CARF MF 20 CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 7528DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.720058/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
DECADÊNCIA. REVISITAÇÃO DE FATOS OCORRIDOS EM PERÍODOS DECAÍDOS, CUJOS EFEITOS SE DERAM EM PERÍODO NÃO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
A decadência somente se opera em relação à ocorrência do fato gerador, não havendo que ser discutida, tampouco contada, a partir de fatos surgidos anteriormente ao próprio fato gerador. Afastamento que se impõe.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
LUCROS NO EXTERIOR. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS. PROVA.
Alegações trazidas após apresentação de documentos durante a fase de fiscalização devem ser seguidas de documentação inequívoca de sua ocorrência. No caso, os documentos apresentados pela recorrente fazem prova da veracidade de suas alegações, pelo que se propõe reconhecê-los.
LUCROS NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO APURADO. BASE A COMPENSAR.
Se a fiscalização equivocadamente desconsiderou a compensação de prejuízo efetuada pela empresa por concluir que, após sua compensação com os lucros acumulados de períodos mais remotos, restar lucro (acumulado) no período objeto de autuação, impende-se afastar tal interpretação e reconhecer a possibilidade de utilização do referido prejuízo apurado, devendo-se partir da premissa de que os lucros acumulados não devem fazer parte do cálculo, pois já foram tributados nos respectivos períodos em que foram apurados.
PREJUÍZO APURADO NO EXTERIOR. CONVERSÃO EM MOEDA NACIONAL. DATA DA CONVERSÃO.
A data do câmbio para fins de conversão dos prejuízos apurados no exterior é aquela da apuração do resultado do período relativo à apuração do referido resultado negativo.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA DE TRIBUTO.
De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora.
CSLL. REFLEXO.
A CSLL se aplica ao auferimento de lucros do exterior, tal como legislação que dita a incidência do IRPJ, pela estreita relação de causa e efeito entre ambos os tributos.
Numero da decisão: 1401-002.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as alegações de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao aproveitamento do prejuízo fiscal do ano calendário de 2007, convertido, entretanto, em Reais à taxa de câmbio de 31/12/2007. Vencido o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa que dava provimento integral. No que tange aos juros sobre a multa de ofício, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. Declarou-se impedida a Conselheira Livia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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REVISITAÇÃO DE FATOS OCORRIDOS EM PERÍODOS DECAÍDOS, CUJOS EFEITOS SE DERAM EM PERÍODO NÃO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A decadência somente se opera em relação à ocorrência do fato gerador, não havendo que ser discutida, tampouco contada, a partir de fatos surgidos anteriormente ao próprio fato gerador. Afastamento que se impõe. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 LUCROS NO EXTERIOR. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS. PROVA. Alegações trazidas após apresentação de documentos durante a fase de fiscalização devem ser seguidas de documentação inequívoca de sua ocorrência. No caso, os documentos apresentados pela recorrente fazem prova da veracidade de suas alegações, pelo que se propõe reconhecêlos. LUCROS NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO APURADO. BASE A COMPENSAR. Se a fiscalização equivocadamente desconsiderou a compensação de prejuízo efetuada pela empresa por concluir que, após sua compensação com os lucros acumulados de períodos mais remotos, restar lucro (acumulado) no período objeto de autuação, impendese afastar tal interpretação e reconhecer a possibilidade de utilização do referido prejuízo apurado, devendose partir da premissa de que os lucros acumulados não devem fazer parte do cálculo, pois já foram tributados nos respectivos períodos em que foram apurados. PREJUÍZO APURADO NO EXTERIOR. CONVERSÃO EM MOEDA NACIONAL. DATA DA CONVERSÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 72 00 58 /2 01 3- 71 Fl. 843DF CARF MF 2 A data do câmbio para fins de conversão dos prejuízos apurados no exterior é aquela da apuração do resultado do período relativo à apuração do referido resultado negativo. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA DE TRIBUTO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. CSLL. REFLEXO. A CSLL se aplica ao auferimento de lucros do exterior, tal como legislação que dita a incidência do IRPJ, pela estreita relação de causa e efeito entre ambos os tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as alegações de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao aproveitamento do prejuízo fiscal do ano calendário de 2007, convertido, entretanto, em Reais à taxa de câmbio de 31/12/2007. Vencido o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa que dava provimento integral. No que tange aos juros sobre a multa de ofício, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. Declarouse impedida a Conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Fl. 844DF CARF MF Processo nº 16643.720058/201371 Acórdão n.º 1401002.284 S1C4T1 Fl. 844 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), que, por meio do Acórdão 1265.446, de 15 de maio de 2014, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Tratase de lançamentos que exigem do interessado acima as seguintes exações: 1.1 IRPJ, no valor de R$ 11.711.169,67, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora (fls. 624/631); 1.2 CSLL, no valor de R$ 4.216.021,08, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora (fls. 632/638). 2. O fato gerador se refere a 31/12/2008, e a apuração do IRPJ e da CSLL se deu pelo lucro anual. 3. A infração lançada se denomina: Atividades exercidas no exterior por pessoa jurídica domiciliada no país. Lucros auferidos no exterior. 4. O valor apurado foi de R$ 66.920.969,53. 5. Os fatos e circunstâncias que fundamentam o lançamento foram discriminados no Termo de Verificação Fiscal TVF de fls. 641/655. Eis os pontos principais da referida peça. 5.1 A autoridade fiscal, inicialmente, expõe de forma resumida os termos e respostas produzidos ao longo da ação fiscal. 5.2 Destaca aquela autoridade que no anocalendário de 2008 a fiscalizada possuía participação societária no capital das seguintes empresa estrangeiras: EMPRESA TIPO DE EMPRESA PARTICIP. INFORMADA PAÍS Cargill Agrícola S/A T & C Filial 100% Ilhas Turcas e Caicos Cargill Nassau Limited Controlada 100% Ilhas Bahamas 5.3 Após descrever as atividades dessas entidades no exterior (uma controlada e uma filial), a autoridade destaca que, por meio da “Intimação nº 02”, de fls. 208/209, datada de 01/08/2011, solicitou que a fiscalizada demonstrasse os valores que compuseram o montante de R$ 77.592.781,88 adicionado ao lucro líquido do anocalendário 2008, conforme visto na Ficha 9A, linha 9, da DIPJ (fls. 252). 5.4 Segundo a resposta dada pela fiscalizada, fls. 211/212, tal montante assim foi composto: Cargill Nassau Limited US$ 24,257,802.00 Fl. 845DF CARF MF 4 Cargill Agrícola S/A T & C US$ 8,944,073.00 TOTAL US$ 33,201,875.00 TAXA R$ 2,3370 R$ 77.592.781,88 5.5 A autoridade fiscal, com base nos balanços apurados no exterior e fornecidos pela fiscalizada, entendeu que a disponibilização dos lucros apurados no exterior pela coligada Cargill Nassau Limited, no montante de US$ 24.257.802,00, se deu de forma consente com a legislação aplicável, notadamente a IN SRF nº 213, de 2002, norma que dá tratamento aos lucros apurados no exterior. 5.6 Contudo, no que tange ao montante de US$ 8.944.073,00, disponibilizados pela filial da fiscalizada Cargill Agrícola S/A – T&C, localizada nas Ilhas Turks e Caicos, a autoridade fez as seguintes observações: (...) Nas demonstrações financeiras do ano de 2008 da Cargill Agrícola S/A T&C, que foram apresentadas pela fiscalizada, verificase que a esta filial localizada nas Ilhas Turcos e Caicos obteve resultado positivo antes do Imposto de Renda no valor de USD 37.579.490,00 (trinta e sete milhões, quinhentos e setenta e nove mil, quatrocentos e noventa dólares). Em ambas demonstrações (balanço patrimonial e demonstração do resultado o exercício), este montante está definido como "prejuízo líquido do exercício" e "prejuízo líquido antes I.R." Ocorre que ao calcular a diferença entre receitas e despesas apresentadas na demonstração do resultado de 2008, verificase que a Cargill Agrícola S/A T&C obteve resultado positivo (lucro) e não prejuízo como descritos nas demonstrações financeiras. Conforme resposta à intimação n° 02, datada de 03/08/2011 item 3.3 acima disposto, foi disponibilizado pela Cargill Agrícola S/A, como resultado positivo obtido pela filial Cargill Agrícola S/A T&C, o valor de USD 8.944.073,00 (oito milhões, novecentos e quarenta e quatro mil e setenta e três dólares). De acordo com a DIPJ anocalendário 2008, ND 1672982, ficha 09A demonstração do lucro real linha 08 lucros disponibilizados do exterior, o valor total oferecido à tributação foi de R$ 77.592.781,88 (setenta e sete milhões, quinhentos e noventa e dois mil, setecentos e oitenta e um reais e oitenta e oito centavos). 6. CÁLCULO DO RESULTADO POSITIVO AUFERIDO PELA CARGILL AGRÍCOLA S/A T&C E QUE NÃO FOI OFERECIDO À TRIBUTAÇÃO Lucro líquido do exercício antes I.R. 2008 USD 37.579.490,00 ( ) Valor disponibilizado pela Fiscalizada na DIPJ AC 2008 ND 1672982 USD 8.944.073,00 (=) Diferença obtida USD 28.635.417,00 6.2 Para conversão para reais, o parágrafo 4º do art. 25 da Lei 9.249 determina a forma de conversão dos lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil: "§ 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada". 6.3 Câmbio do dia 31/12/2008: 2,3370 fonte: Banco Central do Brasil Portanto, ao efetuar o cálculo do lucro antes do tributo sobre o resultado do Fl. 846DF CARF MF Processo nº 16643.720058/201371 Acórdão n.º 1401002.284 S1C4T1 Fl. 845 5 exercício em dólares temos: US$ 28.635.417,00 X 2,3370 = R$ 66.920.969,53 (sessenta e seis milhões, novecentos e vinte mil, novecentos e sessenta e nove reais e cinqüenta e três centavos). 6.4 O valor expresso em Reais referente ao resultado positivo auferido pela Cargill Agrícola S/A T&C em 2008 e que não foi disponibilizado pela Cargill Agrícola S/A, consiste no montante de R$ 66.920.969,53 (sessenta e seis milhões, novecentos e vinte mil, novecentos e sessenta e nove reais e cinqüenta e três centavos). 7. DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS PAUTADAS NAS NORMAS BRASILEIRAS 7.1 A Fiscalizada, em resposta à intimação nº 02, datada de 17/08/2011, apresentou um balanço patrimonial da Cargill Agrícola S/A T&C, encerrado em 2007 e que apontava patrimônio líquido negativo de R$ 63.256.833,00 (sessenta e seis milhões, duzentos e cinqüenta e seis mil, oitocentos e trinta e três reais negativos) intitulado pelo Contribuinte de documento nº 03, em substituição ao balanço que apresentava o patrimônio líquido de R$ 61.061.158,00 (sessenta e um milhões, sessenta e um mil, centos e cinqüenta e oito reais) documento 04. 7.2 Ao analisar os documentos de nºs 03 e 04, verificase que o balanço patrimonial referente ao documento 03 foi elaborado de acordo com “os princípios de contabilidade brasileiros, para fins de consolidação", ao passo que o documento n° 04, foi preparado de acordo com as normas americanas, para fins de tributação de imposto de renda. Este balanço apresentado anteriormente apresentava o lucro acumulado até 31/12/2006 no valor de USD 113.122.732,00 (cento e treze milhões, cento e vinte e dois mil setecentos e trinta e dois dólares) e no balanço referente ao documento 03, o lucro acumulado de 2006 foi alterado e reduzido para USD 74.351.339,00 (setenta e quatro milhões, trezentos e cinqüenta e um mil, trezentos e trinta e nove dólares). 7.3 Apesar de a Fiscalizada tentar demonstrar que no ano de 2007, a Cargill Agrícola S/A T&C apresentava resultados acumulados negativos, o balanço patrimonial e ser considerado na presente autuação é aquele que foi apresentado originalmente, em resposta ao termo de início de fiscalização, na data de 17/06/2011. A Cargill Agrícola S/A não pode opor os ajustes alegados na resposta da intimação nº 02, de 17/08/2011, pois no momento da distribuição do resultado positivo auferido pela filial Cargill Agrícola S/A T&C, esta é feita de acordo com o resultado apurado de acordo com as normas da legislação local (a moeda oficial das Ilhas Turcos e Caicos é o dólar americano) e não conforme os princípios da legislação brasileira, como reza o já citado artigo 6º da Instrução Normativa 213/02. 8. DA BASE DE CÁLCULO TRIBUTÁVEL O resultado auferido no exterior e não oferecido à tributação no valor de R$ 66.920.969,53 (sessenta e seis milhões, novecentos e vinte mil, novecentos e sessenta e nove reais e cinqüenta e três centavos) no ano de 2008, acima demonstrado será objeto de lançamento de ofício. 5.7 Foi nesses termos que a autoridade fundamentou o lançamento do valor tributável de R$ 66.920.969,53. Fl. 847DF CARF MF 6 6. O enquadramento legal pode ser visto no campo específico de cada lançamento. Impugnação 7. Inconformado com a autuação, a fiscalizada, por meio da peça de fls. 660/671, alegou, em síntese: 7.1 que, tendo em vista o fenômeno da decadência, os fatos geradores anteriores ao anocalendário de 2008 não mais poderiam ser objeto de contestação por parte da fiscalização; assim, é incabível que a fiscalização questione os prejuízos fiscais de anos anteriores e que serviram para absorver, em parte, o lucro contábil do anocalendário de 2008; 7.2 que, conforme se verifica no Balanço Patrimonial da Cargill Agrícola S/A T&C do ano de 2008 (Doc. 04, fls. 702/705), esta filial obteve um resultado positivo de US$ 37.579.490,01, tal como informado nas fichas 34 e 35 da DIPJ do anocalendário de 2008 (Doc. 05, fls. 706/713); 7.3 que, segundo afirma, esta mesma filial fechou o ano de 2007 com prejuízo contábil de US$ 28.635.422,00, assim como se verifica de seu Balanço Patrimonial do ano de 2007 (Doc. 06, fls. 714/718) e das fichas 34 e 35 da DIPJ do ano calendário de 2007 (Doc. 07, fls. 719/725), onde constaria o mesmo valor convertido em reais como "Lucro Líquido Antes do Imposto de Renda" e a inexistência de lucros disponibilizados para este ano; 7.4 que, assim, do resultado de US$ 37.579.490,00, obtido pela Cargill Agrícola S/A T&C, em 2008, foi deduzido o valor de US$ 28.635.422,00 referente ao prejuízo obtido no ano de 2007, chegandose ao resultado de US$ 8.944.068,00, justamente o valor adicionado na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no ano calendário de 2008; 7.5 que a utilização do prejuízo apurado por controladas ou coligadas no exterior somente pode ser compensado com os lucros dessa mesma controlada ou coligada, tal como feito pela impugnante, consoante dispõe o artigo 4º da Instrução Normativa SRF nº 213 de 7 de janeiro de 2002; 7.6 que, desse modo, o valor apontado na DIPJ do anocalendário de 2008 a título de "Lucros Disponibilizados do Exterior" foi assim composto: Apuração dos Lucros no Exterior Resultado Cargill Agrícola S/A T&C (2008) USD 37.579.490,00 Prejuízo Cargill Agrícola S/A T&C (2007) USD 28.635.422,00 Resultado Cargill Nassau Limited (2008) USD 24.257.802,00 Lucros Disponibilizados do Exterior USD 33.201.870,00 7.7 que, a teor do que determina o artigo 6º da Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002, as demonstrações financeiras utilizadas para determinação dos lucros disponibilizados do exterior são exatamente aquelas elaboradas de acordo com a legislação local; 7.8 que o valor apontado pela Fiscalização de US$ 28.635.417,00, a título de lucros auferidos no exterior, e não oferecido à tributação, corresponde exatamente ao prejuízo obtido pela Cargill Agrícola S/A – T & C no anocalendário de 2007 e compensado com o resultado positivo do anocalendário de 2008; e 7.9 que são inaplicáveis os juros de mora sobre a multa de ofício. É o Relatório. Fl. 848DF CARF MF Processo nº 16643.720058/201371 Acórdão n.º 1401002.284 S1C4T1 Fl. 846 7 (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 1265.446, de 15 de maio de 2014, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008 PREJUÍZO ACUMULADO. AUDITORIA FISCAL. LIMITE TEMPORAL PARA VERIFICAÇÃO. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Caso o fato gerador do tributo sofra a influência de saldos de prejuízos acumulados de períodos anteriores, esses saldos, mesmo que constituídos anteriormente a cinco anos do fato gerador, podem ser objeto de verificação pela auditoria fiscal. PREJUÍZO ACUMULADO. ALTERAÇÃO PELA AUDITORIA FISCAL. INOCORRÊNCIA. Verificado que não houve a alegada alteração por parte da fiscalização de dados contábeis informados pelo contribuinte, desconsiderase a impugnação nessa parte. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 LUCROS NO EXTERIOR. PREJUÍZO ACUMULADO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Mantémse o lançamento se não elidido o fato que lhe deu causa. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2008 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito entre ambos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada eletronicamente da decisão da DRJ na data de 02/07/2014 (efls. 744) e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 31/07/2014 (efls. 745 a 755), conforme comprovante de efl. 745, repetindo os mesmos argumentos apresentados na impugnação. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Fl. 849DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. A lide cingese em verificar qual efetivamente é o lucro do exterior apurado no ano de 2008 pela empresa controlada da recorrente, Cargill Agrícola S/A T&C, localizada nas Ilhas Turks e Caicos. PREJUDICIAL DE MÉRITO Decadência Antes de analisar o mérito, porém, convém retratar questão prejudicial invocada pela ora recorrente, que alega aliás, afirma que o fisco não poderia revisitar fatos em período já alcançado pela decadência para verificar seus reflexos em período posterior, mesmo que não decaídos. Quer dizer, trazendo tal premissa ao caso concreto, a recorrente declara que a fiscalização deveria considerar, sem qualquer investigação, o prejuízo de 2007, cuja formação já estaria alcançada pela decadência na data da ciência deste auto de infração (27/11/2003), mesmo que somente tenha sido aproveitado em 2008. Não entendo ter razão a recorrente. A decadência representa a perda do direito da fazenda nacional de efetuar o lançamento fiscal, e tem como termo final o prazo de 5 anos contados: 1) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (conforme inciso I, do art. 173 do CTN); ou 2) da ocorrência do fato gerador do tributo (nos termos do § 4º do art. 150 do CTN). Notese que, em ambos os casos, o termo inicial está intimamente à ocorrência do fato gerador, e não a de fato antecedente a ele. No caso, a fiscalização pode solicitar informações referentes a fatos ocorridos há mais de 5 anos do fato gerador, desde que determinados fatos tenham influenciado no período ainda não alcançado pela decadência. Como exemplo, um contrato de prestação de serviços firmado há mais 10 anos e que gera uma despesa em período não alcançado pela decadência não pode ter sua falta de apresentação fundada na alegação de decadência, pois o reflexo deste contrato foi ocasionado em período ainda não atingido pela caducidade, o que torna imperiosa sua apresentação. Desta forma, afasto o pedido de decadência efetuado pela recorrente. MÉRITO Quanto ao mérito, a recorrente argumenta que o valor utilizado como base de cálculo para lançamento do lucro do exterior, que se refere ao investimento na empresa Cargill Fl. 850DF CARF MF Processo nº 16643.720058/201371 Acórdão n.º 1401002.284 S1C4T1 Fl. 847 9 Agrícola S/A T&C, é justamente o prejuízo apurado em período anterior (ano de 2007), que não foi considerado pelo fisco. Segundo a recorrente, o valor utilizado como base de cálculo para lançamento do IRPJ e da CSLL do ano de 2008 (US$ 28,635,417.00) é justamente o prejuízo apurado no ano de 2007 por sua controlada ( US$ 28,635,422.00). Desta forma, resta verificar se o prejuízo do ano de 2007 foi considerado, ou não, pela fiscalização, para o lançamento referente ao ano de 2008. Entendo que tem razão a recorrente em seu pedido. A fiscalização serviuse das demonstrações contábeis fornecidas pela ora recorrente durante o procedimento fiscal. Entretanto, percebo que o fisco cometeu um equívoco ao entender que o prejuízo apurado no ano de 2007 havia sido totalmente absorvido pelo saldo de lucros acumulados constantes na Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados da filial Cargill Agrícola S/A T&C (efl. 204): Fl. 851DF CARF MF 10 Como visto, na data de 31/12/2007, a filial da recorrente possuía lucro acumulado R$ 61.061.158,00, donde a fiscalização concluiu que não havia prejuízo a compensar no ano de 2008. Ocorre que, até o ano de 2006, a filial Cargill Agrícola T&C empresa apurou lucro líquido em cada exercício, o que ensejou resultado a tributar por sua matriz no Brasil (ora recorrente). Fl. 852DF CARF MF Processo nº 16643.720058/201371 Acórdão n.º 1401002.284 S1C4T1 Fl. 848 11 Já no ano de 2007, a filial Cargill Agrícola T&C apresentou prejuízo contábil de US$ 28,635,422. Logo, a controladora no Brasil, empresa recorrente, não apurou lucro a tributar, decorrente de lucros no exterior, advindo de sua filial. Esse prejuízo contábil, por sua vez, é que foi utilizado no ano de 2008, para abater parte do lucro líquido de US$ 37,579,490, apurado no próprio ano de 2008. Assim, a recorrente efetuou o seguinte cálculo para apuração do lucro real a ser tributado em relação ao lucro apurado pela filial Cargill Agrícola T&C: 1) US$ 37,579,490 US$ 28,635,422 = US$ 8,944,073 Desta forma, o referido lucro, somado ao lucro apurado pela controlada Cargill Nassau Limited no montante de US$ 24,257,802.00, convertidos à taxa de câmbio de 31/12/2008 (2,3370), é que gerou o lucro apurado no exterior pela ora recorrente, que foi adicionado na do lucro real (ficha 09A), veja: Lucros do exterior = [US$ 8,944,073 (lucro apurado pela Cargill Agrícola T&C) + US$ 24,257,802.00 (lucro apurado pela Cargill Nassau Limited)] x 2,3370 (taxa de câmbio em 31/12/2008; Lucros do exterior = R$ 77.592.781,88 O lucro que a fiscalização apurou foi baseado na demonstração de lucros e prejuízos acumulados da ora recorrente. A análise por este aspecto leva à falsa impressão de que a empresa não teria prejuízo a compensar no ano de 2008, em razão de sua absorvição com o lucro acumulado de períodos anteriores. Ora, não é esse o cálculo que deve ser feito. Isto porque todo o lucro acumulado advém de um lucro do exercício que já foi tributado no correspondente ano de seu surgimento. Logo, o prejuízo surgido em determinado período deve ser compensado com o lucro surgido em período posterior. Foi o que fez (corretamente) a recorrente, devendo ser dado provimento ao recurso voluntário quanto a este ponto. Fl. 853DF CARF MF 12 Outra questão a ser debatida é que a recorrente utilizou a taxa de conversão do período em que o lucro do exterior foi apurado, qual seja, 31/12/2008, mesmo que o prejuízo aproveitado tenha surgido em 31/12/2007. A meu ver, isto tem uma razão de ser, independentemente da interpretação da legislação: o prejuízo não terá influência no resultado da controladora brasileira no período em que foi apurado, mas tão somente no período em que houver lucro e este lucro venha a ser compensado com o prejuízo acumulado. Por este motivo é que a conversão somente se dá no momento da apuração de lucro no exercício. E isto é o que diz a regra contida no §3º do art. 6º da IN SRF nº 213/2002: Art. 6º As demonstrações financeiras das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, serão elaboradas segundo as normas da legislação comercial do país de seu domicílio. [...] § 2º As contas e subcontas constantes das demonstrações financeiras elaboradas pela filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, depois de traduzidas em idioma nacional e convertidos os seus valores em Reais, deverão ser classificadas segundo as normas da legislação comercial brasileira, nas demonstrações financeiras elaboradas para serem utilizadas na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. § 3º A conversão em Reais dos valores das demonstrações financeiras elaboradas pelas filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, será efetuada tomandose por base a taxa de câmbio para venda, fixada pelo Banco Central do Brasil, da moeda do país onde estiver domiciliada a filial, sucursal, controlada ou coligada, na data do encerramento do período de apuração relativo à demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros dessa filial, sucursal, controlada ou coligada. [...] § 6º As demonstrações financeiras em Reais das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, deverão ser transcritas ou copiadas no livro Diário da pessoa jurídica no Brasil. Também é a redação do §4º do art. 25 da Lei nº 9.249/1995: § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. Como visto, as redações acima tratam da conversão apenas no momento em que forem apurados lucros, e não prejuízos, razão pela qual entendo correto o procedimento adotado pela recorrente, de utilizar a taxa de conversão estabelecida em 31/12/2008, tanto para o prejuízo quanto para o lucro. Fl. 854DF CARF MF Processo nº 16643.720058/201371 Acórdão n.º 1401002.284 S1C4T1 Fl. 849 13 Desta feita, também entendo que andou bem o cálculo efetuado pela recorrente, razão pela qual proponho dar provimento a recurso quanto a este ponto. Não obstante meu posicionamento quanto à data da conversão, no julgamento deste processo, a maioria da turma entendeu que o prejuízo da controlada no exterior deve ser convertido no momento em que foi apurado (ou seja, em 31/12/2007), situação em que fui vencido. Assim, a turma decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. Desta forma, foi designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para elaborar o voto vencedor quanto a este ponto. Juros sobre Multa de Ofício Como fui vencido somente em relação à minha proposta de dar provimento ao recurso voluntário no que tange à data de conversão do prejuízo a ser compensado, devo enfrentar o argumento da recorrente quanto à não aplicação de juros sobre multa de ofício. Entendo ser incabível o argumento de que a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício fere frontalmente a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional. Em relação a enfrentamento de inconstitucionalidade de norma, tenho a afirmar que este conselheiro não pode se manifestar a respeito desta questão, em razão do quanto disposto na Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em continuidade, tenho a contraargumentar que o art. 161 do CTN determina que ao crédito vencido e não pago acrescemse juros de mora: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Já a parte final da redação do supra dispositivo legal define que a incidência de juros de mora não prejudica a imposição de penalidades. O art. 142 do CTN, por sua vez, apresenta a definição de crédito tributário: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 855DF CARF MF 14 Conforme se extrai da cláusula legal, o crédito tributário é composto pelo montante do tributo devido e pela penalidade cabível. Da conjugação dos dois dispositivos acima, concluise que ao tributo e à multa de ofício (crédito tributário) incidem os juros de mora. Desta forma, aplicase o art. 30 da Lei 10.522/2002, que determina a incidência da Selic como taxa referencial para a atualização do crédito tributário. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Diante do exposto, nego o pedido quanto ao afastamento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Conclusão Diante do exposto, voto por REJEITAR o pedido reconhecimento de decadência para fins de aceitar, sem análise, o prejuízo formado em período anterior ao ano de 2008, e, no mérito, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Voto Vencedor Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado Ouso discordar do ilustre Conselheiro Relator, apesar da elaboração de brilhante voto. Minha discordância, contudo, é apenas em relação à data do câmbio para aferição dos prejuízos a serem compensados. Fl. 856DF CARF MF Processo nº 16643.720058/201371 Acórdão n.º 1401002.284 S1C4T1 Fl. 850 15 Sua interpretação calcase no disposto no art. §4º do art. 25 da Lei nº 9.249/1995, que abaixo reproduzimos: § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. No seu entender, uma vez que inexiste disposição acerca da conversão de prejuízos na data da sua apuração, esta conversão deveria se dar apenas na data vindoura em que vierem a ser apurados lucros. Nada obstante, a ausência de previsão expressa da forma de conversão dos prejuízos fiscais apurados no exterior não significa que seu regime deve ser diverso daquele aplicado aos lucros. Por coerência, a regra deve ser a mesma tanto para resultados positivos (lucros) quanto para negativos (prejuízos). Qualquer previsão diferente entre os dois tipos de resultado deve decorrer de uma razão específica e não da mera ausência de previsão legislativa específica para um deles. Ademais, apesar de a IN SRF nº 213/2002, ato de teor interpretativo emitido pela autoridade fiscal, também não prever a forma de conversão em reais dos prejuízos, devemos levar em conta o § 6º do seu artigo 6º, já transcrito pelo relator, que obriga a transcrição ou cópia das demonstrações financeiras das filiais, sucursais, controladas ou coligadas no exterior, independentemente da natureza dos seus resultados. Tal transcrição, por evidência, deve ser realizada em reais aferidos pelo câmbio de cada um dos exercícios e não apenas daqueles da apuração de lucros. Pelo exposto, voto para negar provimento ao recurso quanto à forma de apuração e aproveitamento do prejuízo compensável da filial Cargill Agrícola S/A T&C, para considerar no cálculo do prejuízo fiscal o câmbio da data da sua apuração (31/12/2007). No mais, digo o voto do ilustre conselheiro relator. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 857DF CARF MF
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