Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 18471.000978/2006-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000, 01/02/2003 a 30/04/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/09/2003 a 30/09/2003, 01/03/2004 a 30/04/2004, 01/07/2004 a 31/07/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. GLOSA DE CRÉDITOS. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao impugnante o ônus probatório daquilo que alega. É imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório nos autos
Numero da decisão: 3201-005.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisario acompanhou o relator pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Laércio Cruz Uliana Junior - Relator
Participaram do julgamento os conelheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafeta Reis, Tatiana Josefovicz Belisario, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201910
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000, 01/02/2003 a 30/04/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/09/2003 a 30/09/2003, 01/03/2004 a 30/04/2004, 01/07/2004 a 31/07/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. GLOSA DE CRÉDITOS. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao impugnante o ônus probatório daquilo que alega. É imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório nos autos
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 18471.000978/2006-94
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6107820
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.947
nome_arquivo_s : Decisao_18471000978200694.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 18471000978200694_6107820.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisario acompanhou o relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior - Relator Participaram do julgamento os conelheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafeta Reis, Tatiana Josefovicz Belisario, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
id : 8019277
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052651117084672
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-09T22:29:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-09T22:29:41Z; Last-Modified: 2019-12-09T22:29:41Z; dcterms:modified: 2019-12-09T22:29:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-09T22:29:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-09T22:29:41Z; meta:save-date: 2019-12-09T22:29:41Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-09T22:29:41Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-09T22:29:41Z; created: 2019-12-09T22:29:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-12-09T22:29:41Z; pdf:charsPerPage: 2121; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-09T22:29:41Z | Conteúdo => SS33--CC 22TT11 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 18471.000978/2006-94 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 3201-005.947 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 23 de outubro de 2019 RReeccoorrrreennttee ORBIS TRUST SECURITIZADORA DE CRÉDITOS IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000, 01/02/2003 a 30/04/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/09/2003 a 30/09/2003, 01/03/2004 a 30/04/2004, 01/07/2004 a 31/07/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. GLOSA DE CRÉDITOS. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao impugnante o ônus probatório daquilo que alega. É imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório nos autos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisario acompanhou o relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior - Relator Participaram do julgamento os conelheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafeta Reis, Tatiana Josefovicz Belisario, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário que foi assim relatado pela DRJ: Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 129 a 134, lavrado em decorrência de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, consubstanciando exigência de crédito tributário no valor total de R$ 1.290.197,95, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 09 78 /2 00 6- 94 Fl. 378DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.947 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000978/2006-94 07/2000, 02/2003 a 04/2003, 07/2003, 09/2003, 03/2004 a 04/2004 e 07/2004, à multa de ofício de 75% e aos juros de mora calculados até 29/09/2006. 2. Relata a Auditora Fiscal, no quadro "Descrição dos fatos e enquadramento legal", à fl. 130, que os valores foram apurados conforme Termo de Verificação Fiscal. 3. No referido Termo (fls. 82/83), a Autoridade Fiscal informa que: 3.1 Ao proceder às Verificações Preliminares, foram constatadas, inicialmente, divergências entre os valores declarados em DCTF e os escriturados nos livros DIÁRIO/RAZÃO da empresa, relativamente ao PIS; 3.2 Em 04/07/2005, foi lavrado Termo de Intimação para que a empresa esclarecesse as discrepâncias apontadas; 3.3 A empresa enviou resposta, em 25/07/2005, esclarecendo algumas diferenças, no entanto, ainda persistiram algumas divergências; 3.4 Relativamente ao ano-calendário de 2000, o contribuinte alegou que efetuou a provisão a maior do que o declarado em DCTF, no mês de julho de 2000, mas compensou no mês agosto de 2000, constituindo provisão a menor, no mesmo valor. No entanto, não consignou essa operação na DCTF apresentada; 3.5 Nos meses de fevereiro, março, julho e setembro de 2003 e março, abril e julho de 2004 o contribuinte informou que realmente existiam as diferenças apontadas c que se fazia necessária a retificação de DCTF. Esclareceu que as provisões efetuadas a maior foram devidamente regularizadas em meses posteriores sem, no entanto, demonstrar essas regularizações e o motivo desses ajustes. Informou, ainda, que essas provisões foram devidamente registradas em conta do AC e posteriormente utilizados em PER/DCOMP; 3.6 Foi constatado que o contribuinte apresentou DCTF retificadoras relativas aos Io , 2o e 3 o trimestres de 2003, respectivamente, em 22/08/2005, 24/11/2004 e 16/08/2005, e I o e 2o trimestres de 2004 em 09/08/2005, e PER/DCOMP em 27/07/2004, 27/08/2004, 30/11/2004, 16/08/2005 e 20/09/2005, ou seja, todas após o termo de início de fiscalização recebido em 07/10/2003; 3.7 Estando o contribuinte sob ação fiscal, não é cabível a apresentação de declarações retificadoras, uma vez que o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo; 3.8 Foram efetuados quadros nos quais constam demonstrados os valores declarados em DCTF (apresentadas no prazo), os escriturados nos livros RAZÃO/DIÁRIO e as diferenças que ensejaram o lançamento de oficio; 3.9 Considerando que houve divergência entre os valores escriturados no livro RAZÃO e os declarados em DCTF, e que o contribuinte não apresentou resposta satisfatória para esclarecer às diferenças apuradas por essa fiscalização, somente apresentando DCTF retificadoras, foi lavrado o Auto de Infração anexo, para a cobrança da Contribuição para o PIS relativa aos meses de julho de 2000, fevereiro, março, abril, julho e setembro de 2003 e março, abril e julho de 2004. 4. Os dispositivos legais infringidos constam da "Descrição dos fatos e enquadramento legal", do referido Auto de Infração, à fls. 130/131. 5. Cientificada em 13/10/2006 (fl. 135), a contribuinte ingressou, em 09/11/2006, com a impugnação de fls. 141 a 145, na qual alega, em síntese, que: 5.1 Parte da diferença lançada já foi quitada mediante pagamento de DARF e PER/DCOMP, e a outra parte sequer é devida; 5.2 A Auditora Fiscal não analisou as Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) dos anos-calendário de 2000, 2003 e 2004 (anexo 3), fornecidas pela Impugnante ao fisco. Os valores da Contribuição para o PIS devida foram declarados como prevê a legislação em vigor, a partir das informações contidas no balancete contábil; Fl. 379DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.947 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000978/2006-94 5.3 Nos meses de julho de 2000, fevereiro de 2003, março de 2003, abril de 2003, março de 2004, conforme relatório da PricewaterhouseCoopers (anexo 5) e escrituração contábil e fiscal da empresa, as diferenças apuradas entre a provisão contábil e o valor declarado como imposto devido na DIPJ, conforme demonstrada na tabela "2.1" e autuada, configuraram erro na escrituração contábil da Impugnada, excesso de provisão de PIS em função do quantum devido pela DIPJ. Nos meses seguintes, o excesso de provisão foi revertido. Não carece, portanto, de lançamento, um erro contábil que não gera qualquer receita bruta para o contribuinte, que possa pela Lei se sujeitar à Contribuição para o PIS; 5.4 Nos meses 02/2003, 03/2003, 04/2003, 07/2003, 09/2003, 03/2004, 04/2004 e 07/2004, não foram observados, ainda, os valores quitados através de DARF e os valores compensados via PER/DCOMP para fins de reduzir o valor a constituir de crédito tributário. É fato: esses créditos tributários, conforme documentos constantes do anexo 4, foram extintos por pagamento ou compensação, nos termos do artigo 156 do CTN, não podendo ser objeto de novo e duplicado lançamento, de ofício; 5.5 Ainda assim, nada justifica o lançamento da Contribuição para o PIS de forma artificial, sem respaldo na base de cálculo apurada e declarada em DIPJ e sem qualquer outra motivação que refute, expressamente, esses cálculos. Afinal, o tributo não deve ser cobrado ou exigido sem lei que o estabeleça (artigo 97 do Código Tributário Nacional - CTN -, artigo 150,1, da Constituição Federal de 1988 - CF/88); 5.6 Cabe à Autoridade Fiscal a homologação da Contribuição para o PIS paga e declarada pela Impugnante (artigo 150 do CTN), mas a exigência do crédito tributário objeto do Auto de Infração deve conter todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do imposto devido e não pago e deve conter a disposição legal infringida, dentre outros (artigo 9o e 10° do Decreto 70.235/76). Essa obrigação está diretamente relacionada ao princípio constitucional da legalidade e publicidade dos atos administrativos (artigo 5o , II e 37 da Constituição Federal de 1988, CF/88), pelos quais a autoridade administrativa deve transparecer a motivação de seus atos mostrando obedecer aos termos da Lei; 5.7 O Auto ora impugnado não menciona qualquer disposição legal infringida pela Impugnante na apuração e quitação de PIS, por pagamento ou compensação. Também não constam nesse Auto quaisquer razões de fato ou de direito que demonstrem ter a Impugnante deixado de cumprir disposição da legislação pertinente; 5.8 Carece o lançamento ora Impugnado da motivação necessária para sua legalidade, nos termos do artigo 9o e 10° do Decreto 70.235/76, do artigo 37 da CF/88, artigo 97 do CTN e 150,1 da CF/88. Esse ato da administração fere, portanto, condição precedente de legalidade já que fere as normas que regem o processo administrativo fiscal. Não deve, então, ser acolhido pela autoridade administrativa julgadora; 5.9 Além disso, no tocante aos lançamentos relativos ao ano de 2000, o artigo 173, I do CTN estabelece que o início do prazo de decadência para lançamento é contado desde o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido feito. Logo, o lançamento relativo a fato gerador de julho de 2000 deve ser considerado nulo de pleno direito posto que perdeu sua força para constituir crédito tributário, por decadência ocorrida em agosto de 2006; e 5.10 Conforme o artigo 147, parágrafos Io e 2o do CTN, não só a autoridade tributária pode aceitar a retificação da declaração feita pelo contribuinte em virtude de erro verificado como, se a retificação for feita durante a fiscalização, deve a autoridade de ofício apreciar o erro e retificar a declaração. Então, nada justifica o fato de as DCTF retificadas não serem avaliadas pela fiscalização, apesar de que não entendemos ser esse um requisito essencial do direito já comprovado pelos argumentos acima. 6. Foram por mim anexados, às fls. 250 a 308, cópias de extratos do sistema de informação da RFB: DIPJ (fls. 250 a 260), DACON (fls. 261 a 271), Gerencial da DCTF (fls. 272 a 292) e SIEF (fls. 293 a 308). Fl. 380DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.947 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000978/2006-94 Seguindo a marcha processual normal, o feito foi julgado conforme consta na ementa: Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000, 01/02/2003 a 30/04/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/09/2003 a 30/09/2003, 01/03/2004 a 30/04/2004, 01/07/2004 a 31/07/2004 FALTA DE RECOLHIMENTO E/OU DECLARAÇÃO. A falta ou insuficiência de recolhimento e/ou declaração da Contribuição para o PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. DECADÊNCIA. PIS. SÚMULA VINCULANTE N° 8 DO STF. Afastada a aplicação do disposto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91 com a publicação da Súmula Vinculante n° 8 do STF, é de se considerar, no que diz respeito ao prazo para constituição de crédito tributário referente à Contribuição para o PIS, o estabelecido pelo § 4 o do artigo 150 do Código Tributário Nacional - 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. BASE DE CÁLCULO. DEVER DE PROVAR. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. No momento de se verificar os fatos constitutivos de seu direito de exigir determinada exação fiscal, a Fazenda Pública tem o dever de provar o que vier a constituir. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. LIMITES DA EXCLUSÃO. O ato que determinar o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do contribuinte somente em relação ao tributo, ao período e à matéria nele expressamente inseridos. RECOLHIMENTO E COMPENSAÇÃO COMPROVADOS. Não deve prosperar o lançamento de ofício motivado por falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS, quando restar comprovada a efetivação de pagamento e/ou compensação, antes de iniciado o procedimento fiscal. Irresignada a contribuinte apresenta recurso voluntário, querendo reforma em síntese que houve equivoco pela fiscalização. Assim, aduz que contestou os débitos. É o relatório. Voto Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, Relator. O Recurso é tempestivo e merece ser conhecido. A contribuinte alega em síntese que merece reforma seu pleito pelo equívoco da fiscalização em relação aos meses de 07/2003 e 09/2003. A contribuinte defende seu crédito com base em confissão de dívida, no entanto, em sua defesa não foi capaz de desconstituir o auto de infração em razão a esses períodos. Também, em recurso voluntário apenas alega que o débito estaria pago em razão da compensação apresentada em fl. 03 (eprocesso), no entanto, sem demonstrar qual evidência. Fl. 381DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.947 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000978/2006-94 Ressalta-se que nos termos do art. 16, III, do Dec. 70.235, que a contribuinte tal dialeticidade: Art. 16. A impugnação mencionará: III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; As razões não devem ser interpretadas como mera inconformismo, mas sim, carregado de ataque a tese com pontos específicos, claros e demonstrando seu direito. Ademais, a DRJ tratou exaustivamente sobre o tema, também, em recurso voluntário a contribuinte não utiliza qualquer dialética ou fundamento para demonstrar seu direito. Assim, não merece prosperar tal pleito. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Laércio Cruz Uliana Junior - Relator Fl. 382DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.908315/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Dec 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Relatório
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13896.908315/2009-58
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6115826
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-000.924
nome_arquivo_s : Decisao_13896908315200958.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 13896908315200958_6115826.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório
dt_sessao_tdt : Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
id : 8026679
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052651137007616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 983; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 129 1 128 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.908315/200958 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.924 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 12 de novembro de 2019 Assunto IRPJ Recorrente EDITORA MANOLE LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 08 31 5/ 20 09 -5 8 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13896.908315/200958 Resolução nº 1402000.924 S1C4T2 Fl. 130 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu manter o r. Despacho Decisório que não homologou o pedido de compensação apresentado pela Recorrente, por ter constatado que o crédito tinha sido utilizado para pagamento de outros débitos da contribuinte. Em seguida, a Recorrente retificou a DCTF e apresentou a manifestação de inconformidade alegando que tem direito ao credito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ do segundo trimestre de 2005, no valor de R$ 119.933,32, conforme se depreende das informações prestadas na DIPJ/2005. O v. acórdão recorrido negou provimento a manifestação de inconformidade por entender que a Recorrente não teria juntado aos autos registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentos hábeis para comprovar a inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade e junta aos autos cópias dos registros contábeis para tentar preencher a lacuna probatória que indicada no v. acórdão recorrido. Os documentos acostados ao Recurso Voluntário são: Registro de saída do período de 04/2005 até 06/2005, Balancete do período de 01/04/2005 até 30/06/2005, Livro Diário do ano de 2005, Balanço patrimonial e Demonstração de Resultado do ano de 2005, Razão Analítico do ano de 2006. De resto, para evitar repetições, colaciono o relatório do v. acórdão recorrido: Tratase de Declaração de Compensação – Dcomp nº 06106.34014.130706.1.3.043110, transmitida eletronicamente em 13/07/2006, com base em suposto crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, oriundo de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: [...] A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, no valor do principal de R$ 119.933,32. Em 22/06/2009 foi emitido Despacho Decisório Eletrônico pela não homologação da compensação, fundamentando na inexistência de crédito. Cientificado dessa decisão, bem como da cobrança dos débitos confessados na DCOMP, o sujeito passivo apresentou manifestação de Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13896.908315/200958 Resolução nº 1402000.924 S1C4T2 Fl. 131 3 inconformidade, acrescida de documentação anexa, onde alega, em síntese, que o crédito pleiteado é proveniente de pagamento a maior de IRPJ do 2º trimestre de 2005, conforme se depreende das informações prestadas na DIPJ/2005. Enfatiza que teria direito ao crédito pleiteado conforme DCTF retificadora apresentada para o período. Assim, entendendo demonstrados os fundamentos que asseguram o direito do seu pleito, requer a reconsideração do despacho decisório, a fim de determinar a homologação da compensação efetuada pela empresa. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13896.908315/200958 Resolução nº 1402000.924 S1C4T2 Fl. 132 4 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e possui os requisitos previstos na legislação, motivos pelos quais deve ser admitido. O r. Despacho Decisório não homologou a compensação requerida devido ao fato de o crédito apontado pela Recorrente ter sido utilizado para extinção de outros débitos da própria requerente. Em sede de manifestação de inconformidade a Recorrente juntou cópia da DCTF retificada relativa ao segundo trimestre de 2005, cópia da DIPJ/2005 e DARF onde indica o crédito que entende objeto da lide, cópia da PER/DCOMP e apresenta alegação de que cometeu um equivoco no preenchimento da primeira DCTF onde indicou indevidamente o valor do débito e afirma que o crédito existe. A DRJ ao julgar a manifestação de inconformidade entendeu que a Recorrente não apresentou provas suficientes para desconstituir a fundamentação do r. Despacho Decisório relativo a utilização do mesmo crédito para quitar outros débitos pertencentes a ela. Ou seja, a DRJ entendeu que além da DCTF ter sido retificada após o r. Despacho Decisório, a Recorrente não apresentou aos autos registros contábeis e fiscais, juntamente com documentos hábeis para comprovar o erro material na apuração do imposto e a inclusão indevida de valores na base de cálculo do débito confessado na DCTF original, motivos que acarretaram o pagamento indevido ou a maior de IRPJ. (a DIPJ/2005 foi juntada desde o início do processo). Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reitera as alegações feitas na manifestação de inconformidade e apresenta os registros contábeis e fiscais para preencher a lacuna probatória informada pelo v. acórdão recorrido e comprovar o erro de fato cometido no preenchimento da DCTF, bem como a existência do crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Os documentos são: Registro de saída do período de 04/2005 até 06/2005, Balancete do período de 01/04/2005 até 30/06/2005, Livro Diário do ano de 2005, Balanço patrimonial e Demonstração de Resultado do ano de 2005, Razão Analítico do ano de 2006. Desta forma, a matéria a ser discutida nos autos é relativa a possibilidade de se aceitar a entrega da DCTF retificada durante o processo administrativo e após ter sido proferido o r. Despacho Decisório e posteriormente analisar se a documentação juntada aos autos comprova o erro de fato cometido pela Recorrente ao preencher a DCTF original. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13896.908315/200958 Resolução nº 1402000.924 S1C4T2 Fl. 133 5 Pois bem. Em relação a possibilidade da apresentação da DCTF retificada após o r. Despacho Decisório, em respeito ao princípio da busca da verdade material, não verifico qualquer óbice. Inclusive, fazendo um paralelo da matéria analisada neste processo, a jurisprudência deste E. Tribunal vai no sentido de que a DCTF pode ser retificada após ter sido proferida decisão da Autoridade Administrativa de Origem. A Título exemplificativo, segue ementa do v. acórdão que decidiu neste sentido: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL, No caso de erro de fato no preenchimento de declaração, o contribuinte deve juntar aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios hábeis à comprovação do direito alegado. Retificada a declaração e apresentada documentação contábil, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado. (10882.900948/200989) No mesmo sentido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Data do fato gerador: 30/04/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL. No caso de erro de fato no preenchimento de declaração, o contribuinte deve juntar aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios hábeis à comprovação do direito alegado. Retificada a declaração e apresentada documentação contábil, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado. (10830.917575/200991) Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13896.908315/200958 Resolução nº 1402000.924 S1C4T2 Fl. 134 6 Da mesma forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF com a sua posterior retificação, com base em documentos hábeis e idôneos, há que se acatar a DIPJ e a DCTF para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica pela Unidade Local Competente. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. (Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno à Unidade de Origem para que analise o crédito referente ao pagamento indevido de CSLL, e prolate um novo Despacho Decisório.) (processo 16327.900106/2008 28). No mesmo sentido da jurisprudência acima colacionada, o Parecer Cosit numero 2 de 28 de agosto de 2015, determina o seguinte: Conclusão 22. Por todo o exposto, concluise: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13896.908315/200958 Resolução nº 1402000.924 S1C4T2 Fl. 135 7 Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; f) o valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e g) Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de3 de setembrode 2014, itens 46 a 53. (grifos acrescentados) Assim de acordo com a jurisprudência e o Parecer Cosit acima colacionados, são admitidas as retificações da DCTF em sede de processo administrativo de análise de Per/DComp, mesmo após ciência do Despacho Decisório, desde que os dados constantes em ambas as declarações sejam convergentes com os dados do PER/DComp e estejam amparadas por documentos contábeis da empresa. Por essa razão, entendo não ter havido a preclusão para juntada de provas nesse caso específico, devendo a Receita Federal analisar as informações contidas nos documentos juntados pela Recorrente em sede de Recurso Voluntário. Ou seja, conforme jurisprudência acima colacionada, em respeito ao princípio da busca da verdade material, se a Recorrente retificar sua declaração e juntar documentação contábil, o erro de fato no preenchimento da DCTF original não pode ser óbice para análise do crédito requerido pela Unidade de Origem. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13896.908315/200958 Resolução nº 1402000.924 S1C4T2 Fl. 136 8 Sendo assim, entendo ser necessário converter o julgamento em diligência para que: 1 encaminhese os autos para a Unidade Fiscal de Origem para se manifestar sobre a existência do crédito pleiteado com base na DIPJ, na DCTF retificada e nos documentos contábeis juntados em sede de Recurso Voluntário. 2 elabore relatório fiscal informando se com base na análise da DIPJ, da DCTF retificada e dos documentos contábeis e fiscais juntados em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente tem direito a restituição do crédito. 3 caso se constate que a Recorrente tem direito ao crédito, informar se o montante pode absorver o débito que se pretende compensar. 4 em seguida retornem os autos para este E. Tribunal julgar o recurso. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, converto o julgamento em diligência. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.724216/2011-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. PRETERIÇÃO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
ART. 112 DO CTN. INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA. INAPLICABILIDADE.
Não havendo dúvidas quanto à interpretação da legislação aplicável, nem quanto aos fatos comprovados nos autos, inexiste motivo que possa ensejar a pretendida interpretação mais benéfica do art. 112 do CTN.
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
São insumos, para efeitos do PIS e Cofins não-cumulativos, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e à prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica.
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CREDITAMENTO. DESPESAS DE CONDOMÍNIO E TAXAS. MÓVEIS PARA ESCRITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Os custos, encargos e despesas sobre os quais são admitidos créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins foram listados pelo legislador nas normas de regência da matéria, não admitindo interpretação extensiva.
Despesas de condomínio e taxas de corpo de bombeiro de imóvel alugado não se confundem com despesas de aluguéis, sendo, portanto, incabíveis créditos sobre tais despesas. Igualmente, não se admitem créditos sobre pagamentos de aluguéis de móveis para escritório, que não são máquinas nem equipamentos.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO COM BASE NO VALOR DE AQUISIÇÃO OU CONSTRUÇÃO.
No regime da não cumulatividade, apenas os bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito calculado com base no valor de aquisição ou construção, nos termos do art. 6º da Lei nº 11.488, de 2007. Quanto aos demais bens do ativo imobilizado, somente são admitidos créditos sobre os correspondentes encargos de depreciação.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO ONERADOS PELO PIS E COFINS. POSSIBILIDADE.
Podem ser utilizados na apuração das contribuições não cumulativas as despesas referentes aos serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Nos presentes autos, porém, não foram tais dispêndios objeto de glosa pela fiscalização.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SOFTWARE.
Ensejam apuração de créditos de PIS e Cofins por uma pessoa jurídica industrial o valor relativo à aquisição de programa de computador, ou os correspondentes encargos de depreciação, tão-somente no caso de programa responsável pelo direto funcionamento de uma máquina ou de um equipamento que integra a sua linha de produção.
Numero da decisão: 3301-007.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior e Semiramis de Oliveira Duro, que votaram por conceder os créditos referentes às despesas de condomínio.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente de Turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. PRETERIÇÃO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. ART. 112 DO CTN. INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA. INAPLICABILIDADE. Não havendo dúvidas quanto à interpretação da legislação aplicável, nem quanto aos fatos comprovados nos autos, inexiste motivo que possa ensejar a pretendida interpretação mais benéfica do art. 112 do CTN. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. São insumos, para efeitos do PIS e Cofins não-cumulativos, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e à prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CREDITAMENTO. DESPESAS DE CONDOMÍNIO E TAXAS. MÓVEIS PARA ESCRITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos, encargos e despesas sobre os quais são admitidos créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins foram listados pelo legislador nas normas de regência da matéria, não admitindo interpretação extensiva. Despesas de condomínio e taxas de corpo de bombeiro de imóvel alugado não se confundem com despesas de aluguéis, sendo, portanto, incabíveis créditos sobre tais despesas. Igualmente, não se admitem créditos sobre pagamentos de aluguéis de móveis para escritório, que não são máquinas nem equipamentos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO COM BASE NO VALOR DE AQUISIÇÃO OU CONSTRUÇÃO. No regime da não cumulatividade, apenas os bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito calculado com base no valor de aquisição ou construção, nos termos do art. 6º da Lei nº 11.488, de 2007. Quanto aos demais bens do ativo imobilizado, somente são admitidos créditos sobre os correspondentes encargos de depreciação. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO ONERADOS PELO PIS E COFINS. POSSIBILIDADE. Podem ser utilizados na apuração das contribuições não cumulativas as despesas referentes aos serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Nos presentes autos, porém, não foram tais dispêndios objeto de glosa pela fiscalização. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SOFTWARE. Ensejam apuração de créditos de PIS e Cofins por uma pessoa jurídica industrial o valor relativo à aquisição de programa de computador, ou os correspondentes encargos de depreciação, tão-somente no caso de programa responsável pelo direto funcionamento de uma máquina ou de um equipamento que integra a sua linha de produção.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10480.724216/2011-23
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6105617
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-007.145
nome_arquivo_s : Decisao_10480724216201123.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
nome_arquivo_pdf_s : 10480724216201123_6105617.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior e Semiramis de Oliveira Duro, que votaram por conceder os créditos referentes às despesas de condomínio. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente de Turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2019
id : 8015225
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052651142250496
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-10T02:47:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-10T02:47:18Z; Last-Modified: 2019-12-10T02:47:18Z; dcterms:modified: 2019-12-10T02:47:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-10T02:47:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-10T02:47:18Z; meta:save-date: 2019-12-10T02:47:18Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-10T02:47:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-10T02:47:18Z; created: 2019-12-10T02:47:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; Creation-Date: 2019-12-10T02:47:18Z; pdf:charsPerPage: 2272; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-10T02:47:18Z | Conteúdo => S3-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10480.724216/2011-23 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-007.145 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2019 Recorrente ESTALEIRO ATLÂNTICO SUL S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. PRETERIÇÃO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. ART. 112 DO CTN. INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA. INAPLICABILIDADE. Não havendo dúvidas quanto à interpretação da legislação aplicável, nem quanto aos fatos comprovados nos autos, inexiste motivo que possa ensejar a pretendida “interpretação mais benéfica” do art. 112 do CTN. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. São insumos, para efeitos do PIS e Cofins não-cumulativos, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e à prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CREDITAMENTO. DESPESAS DE CONDOMÍNIO E TAXAS. MÓVEIS PARA ESCRITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos, encargos e despesas sobre os quais são admitidos créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins foram listados pelo legislador nas normas de regência da matéria, não admitindo interpretação extensiva. Despesas de condomínio e taxas de corpo de bombeiro de imóvel alugado não se confundem com despesas de aluguéis, sendo, portanto, incabíveis créditos sobre tais despesas. Igualmente, não se admitem créditos sobre pagamentos de aluguéis de móveis para escritório, que não são máquinas nem equipamentos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO COM BASE NO VALOR DE AQUISIÇÃO OU CONSTRUÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 42 16 /2 01 1- 23 Fl. 1370DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 No regime da não cumulatividade, apenas os bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito calculado com base no valor de aquisição ou construção, nos termos do art. 6º da Lei nº 11.488, de 2007. Quanto aos demais bens do ativo imobilizado, somente são admitidos créditos sobre os correspondentes encargos de depreciação. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO ONERADOS PELO PIS E COFINS. POSSIBILIDADE. Podem ser utilizados na apuração das contribuições não cumulativas as despesas referentes aos serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Nos presentes autos, porém, não foram tais dispêndios objeto de glosa pela fiscalização. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SOFTWARE. Ensejam apuração de créditos de PIS e Cofins por uma pessoa jurídica industrial o valor relativo à aquisição de programa de computador, ou os correspondentes encargos de depreciação, tão-somente no caso de programa responsável pelo direto funcionamento de uma máquina ou de um equipamento que integra a sua linha de produção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior e Semiramis de Oliveira Duro, que votaram por conceder os créditos referentes às despesas de condomínio. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente de Turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 14-86.651 - 11ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório por meio do qual foi reconhecido em parte o direito creditório objeto do pedido de ressarcimento constante do PER/DCOMP nº 02706.35369.300609.1.1.09- 0012 e homologada em parte a compensação declarada no PER/DCOMP nº 28955.83123.300609.1.3.09-9220. Fl. 1371DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 Por bem descrever os fatos, adoto, com as devidas complementações, o relatório constante da decisão de primeira instância, que reproduzo a seguir: Relatório Trata-se de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que reconheceu em parte, no valor de R$ 31.861,18, o direito creditório pleiteado no Pedido de Ressarcimento nº 02706.35369.300609.1.1.09-0012, e homologou parcialmente a declaração de compensação nº 28955.83123.300609.1.3.09-9220, vinculada ao referido direito creditório. O crédito alegado, no importe de R$ 45.844,35, refere-se à Cofins não cumulativa do 2º trimestre de 2008, vinculado a receitas de exportação. Os fundamentos da decisão encontram-se no Relatório de Fiscalização de fls. 1080/1107, cujo resumo apresentamos a seguir. No referido relatório, o Auditor-fiscal inicialmente informa que o procedimento fiscal foi realizado para análise dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos apurados pela contribuinte no período de abril/2008 a dezembro/2009, informados nos respectivos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – DACON, cujos saldos credores trimestrais foram objeto dos pedidos de ressarcimento que relaciona no quadro demonstrativo a seguir reproduzido: Apresenta informações gerais sobre a contribuinte, como capital social, objeto, gestão e filiais. A seguir, descreve detalhadamente o procedimento fiscal, informando acerca das intimações e pedidos de esclarecimentos feitos à contribuinte, bem como sobre as respostas, os esclarecimentos e os documentos por esta apresentados. Passa então à “ANÁLISE DOS CRÉDITOS”, esclarecendo inicialmente que a consistência dos valores dos créditos informados nos Pedidos de Ressarcimento e nos DACON foi analisada tanto no aspecto quantitativo, mediante “cruzamento com os valores constantes nos arquivos digitais das notas fiscais SINTEGRA/SEF, da contabilidade da empresa e da memória de cálculo”, quanto no aspecto qualitativo, “observando as permissões e vedações existentes na legislação tributária que trata do aproveitamento dos créditos das contribuições decorrentes do ramo de atividade da empresa fiscalizada”. Acrescenta que no período analisado a contribuinte apurou créditos de PIS e Cofins calculados sobre os custos, despesas e encargos a seguir relacionados: • Bens Utilizados como Insumos; • Serviços Utilizados como Insumos; Fl. 1372DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 • Despesas de Energia Elétrica; • Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica; • Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica; • Sobre Bens do Ativo Imobilizado com base no Valor de Aquisição ou de Construção; • Outras Operações com Direito a Crédito; • Créditos sobre Importações. A seguir, em tópico intitulado “CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS INFORMADOS NOS DACON'S”, informa (destaques no original): Os valores dos custos, despesas e encargos informados nos DACONs referentes ao período de 04/2008 a 12/2009, que serviram de base de cálculo dos créditos do PIS e da COFINS não-cumulativos apurados pelo contribuinte, foram confrontados com os valores constantes nos arquivos digitais das notas fiscais SINTEGRA/SEF, da contabilidade e da memória de cálculo apresentados pela pessoa jurídica. O resultado do confronto está demonstrado no ANEXO I - DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DO PIS E DA COFINS NÃO CUMULATIVOS. No ANEXO I, as colunas RTMI e RNTMI estão zeradas porque todo o crédito apurado pela empresa vinculado à receita de exportação, uma vez que o art. 11, § 9º da Lei nº 9.432/2007 preceitua que "a construção, a conservação, a modernização e o reparo de embarcações pré-registradas ou registradas no REB serão para todos os efeitos legais e fiscais, equiparadas à operação de exportação". O ANEXO I foi construído de forma que o saldo credor inicial de cada trimestre é zero e o saldo credor de um mês é transportado para o mês seguinte dentro do mesmo trimestre, pois o saldo credor sujeito a ressarcimento ou compensação é o saldo credor acumulado no final do trimestre, consoante preceituam o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, não podendo o saldo credor de um trimestre passar para o seguinte, na hipótese de ressarcimento. Isto só seria possível se fosse utilizado para desconto. No ANEXO I, os valores constantes da sub coluna "Total" da coluna "Valor Autorizado pela Fiscalização" são limitados àqueles informados/declarados pela empresa nos DACON's, estando estes descritos na coluna "Valor Total informado no DACON" do ANEXO I. Os valores constantes do Anexo I são provenientes de cada um dos ANEXOS III a X elaborados pela Fiscalização de acordo com cada rubrica abaixo. O ANEXO II não contribui para o ANEXO I em virtude da glosa total dos bens insumos pelos motivos fáticos e jurídicos mencionados no item 2. O ANEXO II é composto pela própria memória de cálculo apresentada pela empresa. ANEXO II - BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS; ANEXO III - SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS; ANEXO IV - DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA; ANEXO V - DESPESAS DE ALUGUÉIS DE PRÉDIOS LOCADOS DE PESSOA JURÍDICA; ANEXO VI - DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOA JURÍDICA; ANEXO VII - CRÉDITOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO COM BASE NO VALOR DE AQUISIÇÃO OU DE CONSTRUÇÃO - EDIFICAÇÕES; ANEXO VIII - OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO; Fl. 1373DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 ANEXO IX - CRÉDITO DE PIS/IMPORTAÇÃO - ABR/2009 a JUN/2009 e DEZ/2009; ANEXO X- CRÉDITO DE COFINS/IMPORTAÇÃO ABR/2009 a JUN/2009 e DEZ/2009. Além destes ANEXOS foi elaborado também o ANEXO XI, que relaciona fotos coletadas na web de alguns itens glosados constantes no ANEXO III (B). Passemos agora a analisar o crédito de cada uma das Rubricas/DACON. No tocante aos “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS”, menciona a previsão legal para a apuração de créditos, inscrita nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, salienta que tais dispositivos legais devem ser interpretados conjuntamente com outros, destaca que a própria Lei nº 10.833, de 2003, em seu art. 3º, § 2º, II, "impõe que não dará direito a crédito o valor das aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição", e prossegue (destaques no original): Assim, não geram crédito a aquisição de materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo em embarcações registradas ou pré-registradas no REB, pois estão sujeitas à alíquota zero, conforme determina o art. 28, inciso X da Lei nº 10.865/2004 cuja redação foi dada pelo art. 3º da Medida Provisória nº 428/2008 e pelo art. 3º da Lei nº 11.774/2008. Este dispositivo é específico para a atividade industrial exercida pelo sujeito passivo. Mas, além destes dispositivos específicos, há ainda o art. 40 também da Lei nº 10.865/2004, o qual determina que a incidência do PIS e da COFINS fica suspensa no caso de venda matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagens destinados à pessoa jurídica preponderantemente exportadora, que é o caso da pessoa jurídica fiscalizada. O fato de o fornecedor eventualmente tributar alguma das operações em comento, não tem o condão de permitir o crédito pelo adquirente. Seria o caso de repetição do indébito por parte do fornecedor, caso este prove que tributou com as contribuições tais operações. Ademais, por se tratar de hipótese de suspensão e exclusão do crédito tributário, deve- se interpretar literalmente, de acordo com o art. 111, inciso I do CTN, não comportando elasticidade conceitual quando envolver terceiro (o fornecedor). A análise desta rubrica foi composta pelo ANEXO II. O ANEXO II discrimina todas as aquisições listadas na memória de cálculo apresentada pela empresa, estando destacadas em amarelo as glosas. Trata, a seguir, dos créditos calculados sobre “SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS”, mencionando inicialmente sua previsão legal, arts. 3º, II, da Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Diz então que (destaques no original): A Solução de Divergência da Coordenação Geral de Tributação - COSIT nº 15, 30/05/2008, traz em sua ementa que: "Para efeito do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou serviço prestado". Tal decisão está em perfeita harmonia com o disposto no art. 8º, § 4º, inciso I, alínea b da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Nesta rubrica a empresa também incluiu operações geradoras de crédito da rubrica de locação de máquinas e equipamentos. Foi considerada pela Fiscalização, porque embora não esteja alocada na rubrica adequada, é geradora de crédito. Trata-se Fl. 1374DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 apenas de um erro na alocação na linha apropriada do DACON e isto, di per si, não tem o condão de tolher o direito ao crédito. A análise desta rubrica acarretou a elaboração dos ANEXOS III, III (A), III (B) e III (C). O ANEXO III contém as operações sujeitas a crédito. O ANEXO III (A) corresponde à memória de cálculo apresentada pela empresa, estando destacadas em amarelo as glosas e em branco as aquisições geradoras de crédito. O ANEXO III (B) lista somente as glosas. O ANEXO III (C) separa a base de cálculo correspondente ao PIS e a COFINS incidente na importação de serviços. Tais valores, quando geradores de crédito, foram considerados na linha Crédito a Descontar no PIS/Importação ou Crédito a Descontar na COFINS/Importação ambas do ANEXO I, e não na composição da base de cálculo. Tal procedimento tem base legal no art. 15, § 1º da Lei nº 10.865/2004, ou seja, aplica- se às contribuições efetivamente pagas na importação. Os pagamentos à SHI - SAMSUNG HEAVI INDUSTRIES não se enquadram no conceito de serviço utilizado como insumo estatuído no art. 8º, § 4º, inciso I, alínea b da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, uma vez que não se referem ao processo fabril em si, mas sim à tecnologia, assessoria e consultoria. E tais serviços não geram crédito como mencionam algumas jurisprudências listadas no item IV deste RELATÓRIO. Também foram aqui considerados os serviços de manutenção e montagem de máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção ou fabricação de bens sujeitos à incidência não-cumulativas, conforme Solução de Divergência nº 14, da Coordenação Geral de Tributação (COSIT) da Receita Federal do Brasil (RFB), datada de 31/10/2007. Menciona outras despesas cujos créditos não foram admitidos (destaques no original): Não foram consideradas aquisições de bens insumos inseridos nesta rubrica pelos fundamentos expostos no item 2. Também não foram consideradas aquisições de pessoas físicas devido à vedação expressa no art. 3º, § 2º, inciso I da Lei nº 10.833/2003. Exemplificativamente citamos alguns itens glosados cujas descrições extraídas da memória de cálculo são: assessoria e consultoria em informática; biombo com 3 faces para ambulatório; consultoria projeto; controle de pragas urbanas; controlstru (sistema de estrutura) - técnico de projeto de estruturas sênior; controlstru (sistema de estrutura)- projetista sênior de estrutura; elaboração de estudos para serviços de engenharia; elaboração de projetos básicos; exame de análise clínica (dosagem de creatinina); exame de raio-x de coluna cervical; exame oftalmológico; exames periódicos; filme para gamagrafia (controle de qualidade); locação de carros de passeio; máscara descartável mask face p2 air safety c/válvula de exalação pff2 - ca-10371; nf 21881 bureau veritas do brasil Itda ref:serviço de classificação p/fpu p55; planos de medicina e assist. médica.hospit, odonto; serviço de análise química; serviço de consultoria financeira; serviço de cópia; serviço de desembaraço aduaneiro; reembolso despesas; serviço de coleta de resíduos sólidos em caçamba estacionária; serviço gráfico: trena de 30 metros; trena de 5 metros; facão p/jardim, esquadro de aço 300mm - stanley, nível de bolha; diária de carro pipa, dentre outros. Sobre os créditos relativos a “DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA”, após mencionar a base legal, informa que sua apuração está demonstrada no ANEXO IV e acrescenta que “neste item não houve glosa”. Fl. 1375DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 No tocante aos créditos sobre “DESPESAS DE ALUGUÉIS DE PRÉDIOS EQUIPAMENTOS(sic) LOCADOS DE PESSOA JURÍDICA”, refere-se à base legal, informa que "o ANEXO V contém as aquisições sujeitas a crédito", que “o ANEXO V (A) corresponde à memória de cálculo apresentada pela empresa” estando nele “destacadas em amarelo as glosas e em branco as aquisições geradoras de crédito”. Informa ainda que no ANEXO V (B) estão listadas “somente as glosas de taxa de condomínio e taxa de Corpo de Bombeiros”. Trata a seguir das "DESPESAS DE ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOA JURÍDICA", dizendo: Os arts. 3º, inciso IV das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 prevêem o crédito sobre os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. O ANEXO VI contém os itens sujeitos a crédito. O ANEXO VI (A) corresponde à memória de cálculo apresentada pela empresa, estando destacadas em amarelo as glosas e em branco as aquisições geradoras de crédito. O ANEXO VI (B) lista as glosas de locação de máquina de café por não ser utilizado nas atividades da empresa e locação de móveis para escritório por não se enquadrar no conceito de máquinas e equipamentos. Passa aos “CRÉDITOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO COM BASE NO VALOR DE AQUISIÇÃO OU DE CONSTRUÇÃO”. Menciona a base legal e prossegue (destaques no original): De abril/2008 a maio/2009 só há valores de créditos de PIS/COFINS referentes às construções de edificações relativos aos seguintes prédios/áreas: Escritório Almoxarifado; Escritório Almoxarifado (climatizado); Escritório de Área (19 unidades); Escritório de Área (19 unidades) - parte 2; diversas áreas de PRÉDIOS ADMINISTRATIVOS, tais como Escritório Central, Portaria, Vestiários, Ambulatório, Recrutamento, Verba de/para Acionistas, Muros e cercas, Construção da nova portaria industrial e de terceiros, Construção de abrigos para relógio de ponto, Serviço de arquitetura p/ prédio da segurança patrimonial. Os gastos com tais prédios não foram considerados pela Fiscalização como inseridos no art. 6º da Lei nº 11.488/2007, pois este dispositivo permite a apuração/apropriação de créditos de PIS e COFINS em 24 meses (apuração/utilização acelerada) apenas sobre as edificações construídas para utilização na produção de bens destinados à venda. Assim, os demais tipos de edificações utilizadas nas atividades da empresa que não a da produção, como por exemplo os mencionados acima, têm seus créditos apurados na forma do art. 3º, VII c/c §1º, inciso III, todos da Lei nº 10.833/2003 e da Lei nº 10.637/2002, ou seja, sobre os encargos de depreciação. Esclarece que, nos termos do art. 3º, inciso III e § 1º, inciso III e art. 15, inciso II da Lei nº 10.833/2003, o crédito do PIS e da COFINS sobre as edificações utilizadas nas demais atividades da empresa não ligadas diretamente à produção têm por base o encargo de depreciação incorrido no mês. Acrescenta: Já o crédito do PIS e da COFINS a que se refere o art. 6º da Lei nº 11.488/2007 tem por base o custo de aquisição ou de construção das edificações utilizadas na produção de bens destinados à venda. Neste caso, as contribuições incidentes na aquisição de bens para a construção das edificações integram o custo de aquisição, consoante o art. 32 da Lei nº 10.865/2004, que acrescentou o §6º ao art. 41 da Lei nº 8.981/95. O ANEXO VII lista os valores das bases de cálculo dos créditos apurados pela Fiscalização, considerando os ANEXOS VII (A) e VII (B). Fl. 1376DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 O ANEXO VII (C) discrimina o custo das construções líquido de PIS e COFINS cujos valores das colunas REALIZADO e INÍCIO DA DEPRECIAÇÃO foram considerados na elaboração do ANEXO VII (A). O ANEXO VII (A) discrimina o somatório de créditos de PIS e COFINS relativos aos imóveis/prédios utilizados na produção. O ANEXO VII (B) discrimina a depreciação (base de cálculo dos créditos) dos prédios utilizados nas atividades da empresa, mas não no processo de produção. Os valores da coluna REALIZADO do ANEXO VII (A) são calculados da seguinte forma: 1) divide-se o valor ativado líquido de PIS e COFINS da coluna REALIZADO do ANEXO VII (C) por (1-9,25%) e calcula-se o valor do ativo bruto das contribuições, conforme art. 32 da Lei nº 10.865/2004. 2) Aplica-se o somatório das alíquotas de PIS e COFINS sobre o valor encontrado no item 1. Da mesma forma é calculado o valor da coluna REALIZADO do ANEXO VII (B). As linhas destacadas em marrom claro do ANEXO VII (A) se referem a edificações não utilizadas diretamente na produção de bens destinados à venda, tendo seus créditos calculados com base nos encargos de depreciação, conforme art. 3º, inciso III e § 1º, inciso III e art. 15, inciso II da Lei nº 10.833/2003. Estes itens integram o ANEXO VII (B) e os valores totais mensais do ANEXO VII (A) não os incluem. No tópico seguinte trata das “OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO”, nos seguintes termos: Esta rubrica contém aquisição de bens utilizados como insumos, que não geram direito a crédito como visto anteriormente, e os correspondentes serviços de frete. Como o principal não tem crédito, o seu frete também não tem, pois o acessório acompanha o principal. Nesta rubrica também foi glosada a aquisição cuja resumida descrição é software, sem a especificação das notas fiscais, data da operação e identificação do fornecedor. O ANEXO VIII menciona o item gerador de crédito. O ANEXO VIII (A) corresponde à memória de cálculo apresentada pelo contribuinte cujas glosas estão destacadas em amarelo. O ANEXO VIII (B) lista as glosas efetuadas. Trata-se de aquisição de bens insumos, que no presente caso, não gera crédito como vimos no item 2. Os itens destacados em marrom claro constam nesta rubrica e também na rubrica Bens Utilizados como Insumos, logo foram computados em duplicidade na memória de cálculo apresentada pela empresa. O item destacado em verde consta também na rubrica Serviços Utilizados como Insumos, logo consta em duplicidade, razão da glosa. Trata a seguir do “CRÉDITO DE PIS/IMPORTAÇÃO - ABR/2009 a JUN/2009 e DEZ/2009” dizendo que “O ANEXO IX discrimina os valores discrepantes com os informados pela empresa nos DACON's de abril/2009 a junho/2009 e dezembro/2009”. Quanto ao “CRÉDITO DE COFINS/IMPORTAÇÃO - ABR/2009 a JUN/2009 e DEZ/2009” informa que “O ANEXO X discrimina os valores discrepantes com os informados pela empresa DACON's de abril/2009 a junho/2009 e dezembro/2009”. A seguir, em tópico denominado “JURISPRUDÊNCIA”, transcreve farta jurisprudência administrativa acerca das matérias abordadas no Relatório de Fiscalização. Traz então a “CONCLUSÃO” de seu Relatório, na qual registra que “os créditos apurados/autorizados pela Fiscalização são os constantes do Anexo I – Fl. 1377DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 Demonstrativo de Apuração dos Créditos do PIS e COFINS Não-Cumulativos”, e apresenta “o confronto entre os valores de créditos autorizados pela Fiscalização e os valores solicitados nos Pedidos de Ressarcimento e as respectivas glosas” no quadro demonstrativo a seguir reproduzido: E conclui (destaques no original): Todos os Termos de Intimação Fiscal e respostas do sujeito passivo, este RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO, cada um dos ANEXOS utilizados na apuração dos créditos bem como todos os documentos inerentes à analise dos Pedidos de Ressarcimento (PERs) de abril/2008 a dez/2009 encontram-se em cada um dos respectivos processos administrativos fiscais digitais enumerados nos Quadros 1 e 2. Após o recebimento do(s) Despacho(s) Decisório(s) referentes aos PER's analisados neste procedimentos fiscal, o contribuinte poderá apresentar manifestação de inconformidade dentro do prazo legal, se entender cabível. Fica resguardado o direito da Fazenda Nacional realizar verificações posteriores no sujeito passivo fiscalizado, mediante a execução de programas relacionados, ou não, ao presente, em decorrência de fatos e circunstâncias não conhecidas nesta oportunidade. Neste ato são entregues em meio digital os ANEXOS I a X, incluindo os derivativos A, B, C, em pdf e em excel bem como o ANEXO XI em pdf. E, para constar e surtir os efeitos legais foi lavrado o presente Relatório assinado pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil em duas vias de igual teor e forma. Cientificada em 27/02/2013 (fls. 1131/1132), no dia 27/03/2013 a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 1135/1152. Após alegação de tempestividade faz breve introdução na qual refere-se ao seu objeto social, ao fato de estar sujeita à Cofins no regime da não cumulatividade, à isenção desta contribuição de que desfruta por força do art. 45 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, bem como ao fato de que, a despeito desta isenção, tem o direito aos créditos da não cumulatividade. Ainda nesta introdução, refere-se ao pedido de ressarcimento e à declaração de compensação apresentados, ao reconhecimento apenas parcial do direito creditório “sem qualquer fundamentação”, bem como à sua discordância do referido despacho, motivo pelo qual apresenta a Manifestação de Inconformidade. Fl. 1378DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 Como preliminar, sustenta a nulidade do Despacho Decisório, alegando ausência de fundamentação e preterição do direito de defesa. Neste ponto, além de discorrer de forma genérica sobre o tema, citando ainda doutrina e jurisprudência administrativa, apresenta, sobre o caso específico, as seguintes afirmações: (...) No presente caso houve claro cerceamento de defesa ao direito da Manifestante, haja vista que o Auditor Fiscal da RFB, no Despacho Decisório ora vergastado, não trouxe os elementos mínimos (motivação) para fundamentar o deferimento apenas parcial do Pedido de Ressarcimento de crédito apurado da Cofins não-cumulativa, formulado através do PER nº. 28955.83123.300609.1.3.09-9220. (...) Uma vez inexistente a fundamentação no Despacho Decisório em comento, as glosas realizadas são ilíquidas e não oferecem a garantia que requer a segurança jurídica, além de restringirem o contraditório e a ampla defesa da Manifestante. E conclui: Logo, (e com a devida vênia ao Ilustre Auditor Fiscal), impõe-se a declaração de nulidade do Despacho Decisório sob reproche, primeiro porque não há elementos suficientes para determinar, com segurança, a validade das glosas efetuadas; e, segundo, porque essa insegurança repercute no amplo direito de defesa da Manifestante. Passa então à defesa do direito aos créditos glosados pela fiscalização. A este respeito, trata inicialmente “DO DIREITO AO CRÉDITO DE COFINS SOBRE AS DEMAIS DESPESAS QUE ENGLOBAM O VALOR DO ALUGUEL: TAXA DE CONDOMÍNIO E DEMAIS DESPESAS PAGAS À ADMINISTRADORA”. Refere- se às glosas, transcreve o caput e o inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e afirma: Tais despesas não podem ser interpretadas tão somente como àquelas(sic) referentes ao pagamento do aluguel propriamente dito, mas igualmente aos demais valores pagos em virtude do contrato de locação. Ressalte-se, nesse ínterim, que o Tribunal Regional Federal da 4 a Região, ainda que se referindo ao inciso II do art. 3 o da Lei n°. 10.833/2003, possui o entendimento de que o crédito da Contribuição para o PIS e da Cofins deve ser apurado a todas as despesas realizadas junto a pessoa jurídicas, sujeitas àquelas contribuições: Transcreve ementa do acórdão mencionado, diz que “esse é o caso da taxa de condomínio, da taxa do corpo bombeiros e demais despesas advindas do aluguel de imóvel pagas pela Manifestante”, cita doutrina e conclui: Com efeito, devem ser considerados todos os valores pagos pela Manifestante à pessoa jurídica decorrente do contrato de locação, a título de despesas de aluguéis, para fins de reconhecimento do seu direito ao crédito. Defende, a seguir, o “DIREITO AO CRÉDITO DE COFINS SOBRE A LOCAÇÃO DE MÓVEIS”. Diz que o entendimento da fiscalização não pode prevalecer. Que, “para atingir os seus objetivos, a manifestante adquiriu diversas máquinas e equipamentos, algumas delas vinculadas a contratos de locação” e, “valendo-se do princípio da não-cumulatividade (§ 4 o , do art. 195, da CF/88), creditou-se da Cofins sobre aquelas operações, tendo a fiscalização acatado parcialmente o pedido de ressarcimento apenas para aceitar como possível a apropriação das determinadas operações”. Todavia, “os equipamentos locados pela manifestante a título de material de escritório foram inteiramente glosados pela fiscalização, sob o argumento de que tal rubrica não se enquadrava no conceito de ‘equipamento’ descrito no inciso IV, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003”. Acrescenta Fl. 1379DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 que, assim, “o cerne da questão está em saber se a locação de material de escritório está inserido no conceito de ‘equipamento’ referido naquele diploma legal”, transcreve novamente o caput e o inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e prossegue: Percebe-se que o auditor fiscal, numa interpretação restritiva e pessoal (pois não se tem notícia de que a RFB, em outras ocasiões, afastou esse crédito) limitou, ao que parece, o direito da manifestante ao creditamento da Cofins incidente sobre aquela rubrica (aluguel de material de escritório) no 2° trimestre de 2008. Aquela restrição ao creditamento, portanto, além de menoscabar o teor do inciso IV, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03 c de amesquinhar o princípio da não-cumulatividade da Cofins (§ 4º, do art. 195, da CF/88), fere garantia constitucional do contribuinte, o qual, amparado naqueles diplomas legais e agindo de acordo com o ordenamento jurídico, esperava que suas prerrogativas fossem atendidas. Entretanto, o que se viu foram teratológicas interpretações pessoais da autoridade fiscal que, ao seu talante, glosou o crédito de locação de material de escritório. Ora, aquele crédito em nada difere daqueles outros que foram reconhecidos pela própria autoridade fiscal, deixando a manifestante numa situação draconiana de insegurança jurídica. Isto porque não se vê distinção quanto à natureza jurídica dos créditos de locação de máquina de xerox, microcomputador, projetor e tela para reunião e central telefônica com aquela decorrente da locação de material de escritório. Ora, todas aquelas rubricas equivalem a equipamentos utilizados nas atividades da empresa. Sendo assim, deve ser reformado o despacho decisório sob reproche para que seja reconhecido o direito da manifestante creditar-se da Cofins incidente sobre a locação de material de escritório. No tópico seguinte, “III.III. DO DIREITO AO CRÉDITO DE COFINS SOBRE AS DEMAIS EDIFICAÇÕES QUE COMPÕEM O COMPLEXO INDUSTRIAL DA MANIFESTANTE, COM BASE NO ART. 6º DA LEI Nº. 11.488/2007”, defende o direito à apuração de crédito com base no valor de aquisição/construção relativamente a todas as edificações da pessoa jurídica. Transcreve o caput do art. 6º da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, e prossegue: A Manifestante, não diferente, ao finalizar a construção do seu estabelecimento físico, iniciou a utilização dos créditos da Cofins, contabilizando-os proporcionalmente para os 24 (vinte e quatro) meses seguintes, nos termos da legislação acima destacada. Não obstante, o Auditor Fiscal, ao que parece, entendeu que certas edificações não estariam abarcadas pelo prazo disposto Lei nº. 11.488/2007, mas sim por aquele determinado no art. 3º. Inciso VII, c/c § 1º, inciso III, todos da Lei nº. 10.833/2003 (encargo de depreciação), o que resultaria em 300 (trezentos) meses. Observe, Ilustre Julgador, que se trata de um complexo industrial portuário situado em SUAPE (v. foto abaixo) que engloba inúmeras edificações e todas elas fazem parte do processo produtivo da Manifestante, desde os prédios administrativos até os galpões onde as chapas de aço são cortadas e soldadas. Fl. 1380DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 Não há, portanto, como desconsiderar que tais edificações estão incorporadas ao ativo imobilizado da empresa e foram construídas para utilização, ainda que indiretamente, na produção de navios cargueiros, além de plataformas offshore, navios de perfuração e barcos de apoio à indústria petrolífera. Por tais motivos, deve ser reformado o Despacho Decisório, para reconhecer o direito ao creditamento da Cofins não-cumulativa, referente ao 2º trimestre de 2008, sobre os bens do ativo imobilizado (todas as edificações que compõem o complexo industrial da Manifestante), no prazo disposto no art. 6º da Lei 11.488/2007. A Manifestante ainda ressalta que o Auditor Fiscal deve considerar os créditos da Cofins nos meses referentes ao período em comento, ainda que considerássemos o prazo de 1/300 (um trezentos avos), o que no caso concreto não há informações suficientes sobre sua concretização. Depois, defende o “DIREITO AO CRÉDITO DE COFINS SOBRE SOFTWARE”. Alega ser legítimo o direito ao crédito da Cofins não cumulativa calculado sobre despesas com software “aplicado diretamente na produção”, crédito este que estaria assegurado tanto pelo inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, na condição de insumo utilizado diretamente no processo produtivo, como pelo inciso VI do mesmo artigo, “se considerarmos sua integração ao ativo imobilizado da empresa”. Invoca Solução de Consulta, cuja ementa transcreve, e prossegue: Exsurge da solução de consulta acima transcrita que os créditos não se restringem apenas a empresas específicas do ramo tecnológico, como TI ou telecomunicações, o que poderia ensejar a glosa de eventual compensação, mas englobam todas aquelas que fazem uso dos programas de computadores na produção ou prestação de serviços. E esse é o caso em discussão. A Manifestante, como indústria naval, utiliza-se de inúmeros produtos intermediários, como peças, blocos, sub-blocos, módulos, unidades de montagem etc, que devem ser necessariamente medidos e controlados, evitando-se, assim, eventuais desalinhamentos e posições defeituosas de tubulações, dutos, entre outros. É justamente nesse contexto que a Manifestante adquiriu, no 2º trimestre de 2008, programas de softwares - obtendo um controle (dimensional) mais exato do processo global de produção - do fornecedor Intereng Engenharia e Sistemas Ltda., nos termos da Nota Fiscal nº. 219, de 07/04/2008, Nota Fiscal nº. 228, de 07/05/2008, e Nota Fiscal nº. 243, de 30/06/2008, as quais requer desde já a juntada posterior. Dentro do Fl. 1381DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 contexto ora exposto, esses softwares integram o conceito de insumo, nos termos do inciso II, do art. 3º da Lei nº. 10.833/2003. Diante dessas considerações, deve ser reformado o Despacho Decisório de forma que os créditos da Cofins não-cumulativa, referentes ao 2º trimestre de 2008, sobre software, sejam reconhecidos em sua totalidade, ou, ao menos, os créditos correspondentes à sua depreciação. Por fim, apresenta seus “PEDIDOS”: Diante de todo o exposto, a Manifestante requer, preliminarmente, seja declarada a nulidade do Despacho Decisório que reconheceu apenas parcialmente o direito creditório da Manifestante, nos termos esposados. No mérito, acaso ultrapassada a preliminar suscitada, a Manifestante requer seja parcialmente reformado o Despacho Decisório ora impugnado, dando-se total procedência aos créditos da Cofins não-cumulativa, referente ao 2º trimestre de 2008, que compõem o Pedido de Ressarcimento da Manifestante, por ser esta medida da mais lídima Justiça. Protesta, por fim, por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive a realização de diligência e/ou perícia, caso entenda-se necessária - momento em que a Manifestante indica como assistente da perícia/diligência fiscal o Sr. Élvis Fábio Pereira Magalhães, contador, CRC/PE nº 15.965/O-0, que receberá intimações no endereço da sede da empresa -, bem como a juntada posterior de documentos. Requer, ainda, que na dúvida seja conferida a interpretação mais benéfica à Manifestante, tal como preconiza o art. 112 do CTN. Juntou à Manifestação de Inconformidade (fls. 1154/1261) cópias dos documentos mencionados na “Relação de Documentos” de fl. 1153, que reproduziremos a seguir, observando antes, porém, que o “Processo de Cobrança nº 10480.721.435/2013-12” mencionado na referida relação é, na verdade, apenas um extrato daquele processo, o qual encontra-se à fl. 1261: Posteriormente, em 23/05/2013, juntou as cópias de notas fiscais de fls. 1296/1298 acompanhadas de petição (fls. 1265/1267), procuração e documento de identificação da signatária (fls. 1293/1294), documentos societários (fls. 1269/1289) e comprovante de inscrição e de situação cadastral relativo ao CNPJ (fl. 1291). Fl. 1382DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 Regularmente processada a Manifestação de Inconformidade, a 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, por unanimidade de votos, julgou improcedente o recurso, em decisão cuja ementa consta a seguir reproduzida: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA. CRÉDITOS SOBRE IMPORTAÇÕES. No âmbito do processo administrativo fiscal não se admite a negativa geral, operando-se a preclusão processual relativamente à matéria que não tenha sido expressamente contestada na defesa apresentada. PROVA. DILIGÊNCIA. A prova documental deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, a menos que demonstrada, justificadamente, a ocorrência de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Indefere-se o pedido de diligência ou perícia quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, bem como quando presentes elementos suficientes para a formação da convicção da autoridade julgadora. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não-cumulativa os custos, encargos e despesas expressamente previstos na legislação de regência. Para efeito da apuração de créditos no regime não cumulativo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente como aqueles bens e serviços diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços a terceiros. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONDOMÍNIO E TAXAS DE ADMINISTRAÇÃO. MÓVEIS PARA ESCRITÓRIO. MÁQUINA DE CAFÉ. IMPOSSIBILIDADE. Os custos, encargos e despesas sobre os quais são admitidos créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins foram exaustivamente listados pelo legislador nas normas de regência da matéria, não admitindo interpretação extensiva. Despesas de condomínio e taxas de administração de imóvel alugado não se confundem com despesas de aluguéis, sendo, portanto, incabíveis créditos sobre tais despesas. Igualmente, não se admitem créditos sobre pagamentos de aluguéis de móveis para escritório, que não são máquinas nem equipamentos, ou com aluguéis de máquinas de café, as quais não são utilizadas nas atividades da empresa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO COM BASE NO VALOR DE AQUISIÇÃO OU CONSTRUÇÃO. No regime da não cumulatividade, apenas os bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito calculado com base no valor de aquisição ou construção, nos termos do art. 6º da Lei nº 11.488, de 2007. Quanto aos demais bens do ativo imobilizado, somente são admitidos créditos sobre os correspondentes encargos de depreciação. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SOFTWARE. Fl. 1383DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 Ensejam apuração de créditos de PIS e Cofins por uma pessoa jurídica industrial o valor relativo à aquisição de programa de computador, ou os correspondentes encargos de depreciação, tão-somente no caso de programa responsável pelo direto funcionamento de uma máquina ou de um equipamento que integra a sua linha de produção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada com a decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário, estruturado nos seguintes tópicos: 1. TEMPESTIVIDADE 2. OS FATOS 3. PRELIMINARES 3.1. A NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO – PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA 4. AS RAZÕES DE DIREITO – O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS/COFINS 4.1. O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS/COFINS SOBRE AS DEMAIS DESPESAS QUE ENGLOBAM O VALOR DO ALUGUEL: TAXA DE CONDOMÍNIO E TAXA DO CORPO DE BOMBEIROS 4.2. O DIREITO AO CRÉDITO DE COFINS SOBRE A LOCAÇÃO DE MÓVEIS 4.3. O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS/COFINS SOBRE AS DEMAIS EDIFICAÇÕES QUE COMPÕEM O COMPLEXO INDUSTRIAL DA RECORRENTE, COM BASE NO ART. 6º DA LEI Nº 11.488/2007 4.4. O DIREITO AO CRÉDITO SOBRE O FRETE DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO 4.5. O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS/COFINS SOBRE SOFTWARE Ao final, pugna pelo provimento do recurso, nos seguintes termos: 5. O PEDIDO Diante de todo o exposto, a Recorrente requer, preliminarmente, seja declarada a nulidade do Despacho Decisório que reconheceu apenas parcialmente o direito creditório da Recorrente, nos termos alhures esposados. No mérito, acaso ultrapassadas as preliminares suscitadas, a Recorrente requer seja reformado o v. Acórdão da DRJ, dando-se total procedência aos créditos da COFINS não-cumulativa, referente ao 2º trimestre de 2008, que compõem os Pedidos de Ressarcimento da Recorrente. Requer, ainda, que na dúvida seja conferida a interpretação mais benéfica à Recorrente, tal como preconiza o art. 112 do CTN. Termos em que pede e espera deferimento. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. I ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido e apreciado. Fl. 1384DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 II PRELIMINAR II.1 Nulidade A Recorrente suscita a nulidade do Despacho Decisório sob o argumento de ausência de fundamentação, o que acarretaria preterição do direito de defesa. Vejamos, nas palavras da Recorrente, os principais trechos deste tópico: No presente caso houve claro cerceamento de defesa ao direito da Recorrente, haja vista que o Despacho Decisório, ora vergastado, não trouxe os elementos mínimos (motivação) para fundamentar o deferimento apenas parcial do Pedido de Ressarcimento de crédito apurado da COFINS não-cumulativa, formulado através do PER nº. 28955.83123.300609.1.3.09-9220. Cumpre destacar que o ato administrativo elaborado pelo agente público deve estar devidamente fundamentado e motivado, de maneira que o administrado se encontre apto a proceder conforme sua disposição ou, ainda, confrontá-lo, sob pena de decretação de nulidade ou anulabilidade, uma vez que o administrado deve ter plena segurança acerca da legalidade de seus atos e sobre a sua consequente proteção jurídica. [...] Uma vez inexistente a fundamentação no Despacho Decisório em comento, as glosas realizadas são ilíquidas e não oferecem a garantia que requer a segurança jurídica, além de restringirem o contraditório e a ampla defesa da Recorrente. [...] Logo, impõe-se a declaração de nulidade do Despacho Decisório sob reproche, primeiro porque não há elementos suficientes para determinar, com segurança, a validade das glosas efetuadas; e, segundo, porque essa insegurança repercute no amplo direito de defesa da Recorrente. Não prosperam tais alegações. Nestes autos, o resultado dos trabalhos da fiscalização é composto, notadamente, pelo Relatório de Fiscalização, Termo de Informação Fiscal e o pelo próprio Despacho Decisório. Aqui, cumpre registrar que o Despacho Decisório tomou por fundamentos o Termo de Informação Fiscal e o Relatório de Fiscalização, conforme trechos a seguir (Grifei): DESPACHO DECISÓRIO [...] O processo foi encaminhado pelo Serviço de Fiscalização a este SEORT/DRF/Recife, com o termo de informação fiscal às fls. 1108/1109, onde, após diligência à empresa, foi comprovada parcialmente a existência do crédito da Cofins não-cumulativa, vinculado à receita de exportação, referente ao período de 2º trimestre de 2008, no valor de R$ 31.861,18. As planilhas demonstrativas de apuração do crédito se encontram anexadas às fls. 153/455. Desta forma, com base no crédito apurado pelo SEFIS, efetuamos a sua compensação com o débito relacionado na DCOMP às fls. 1112/1115, conforme planilhas do sistema de apoio operacional da Receita (SAPO) às fls. 1116/1118, resultando, ao final, que o crédito não foi suficiente para compensar todo o débito, Fl. 1385DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 conforme listagem de saldo de débitos remanescentes às fls. 1116, devendo ser efetuada a sua cobrança. Diante do exposto acima, no uso da competência conferida pelo Regimento Interno da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº Portaria MF nº 203/2012, e concordando com os fundamentos expostos no Termo de Informação Fiscal às fls. 1108/1109, que passa a integrar este ato, conforme o art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/99, resolvo: [...] TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL [...] Conforme descrito e demonstrado no Relatório de Fiscalização, Termos de Intimação e seus anexos (demonstrativos e planilhas), foram encontrados os saldos credores sujeitos a ressarcimento constantes da coluna Crédito Autorizado do quadro acima. Por esta razão propomos o DEFERIMENTO PARCIAL dos respectivos pedidos de ressarcimento referentes ao período analisado. [...] A análise dos documentos acima permite concluir que o trabalho fiscal desenvolvido foi bastante minucioso ao exibir os procedimentos e exames sobre cada componente de créditos de PIS e da Cofins não-cumulativos apurados pela empresa no período em comento. Neste ponto, merece destaque a composição do Relatório Fiscal, que engloba 11 anexos, incluindo os derivativos A, B, C, utilizados na apuração dos créditos, de forma a facilitar a compreensão de toda a fiscalização. A Recorrente recebeu ciência e cópia de toda essa documentação, bem como dos decorrentes demonstrativos de compensação relacionados à análise de seus pedidos de ressarcimento, como prova a Intimação acostada à fl. 1.131, descartando-se, assim, seu desconhecimento. Quanto à suposta deficiência do conteúdo de tais documentos (diga-se, nas palavras da Recorrente, ausência de fundamentação), a DRJ foi bastante precisa em sua análise ao expor - a partir da leitura do Despacho Decisório, Termo de Informação Fiscal e Relatório de Fiscalização - os fundamentos de todas as glosas, não apenas quanto ao pedido de ressarcimento deste processo, mas em relação a todo o período fiscalizado. Vejamos: • Bens Utilizados como Insumos: as glosas foram efetuadas porque não há direito aos créditos, uma vez que tais bens foram adquiridos com suspensão, conforme a legislação indicada; • Serviços Utilizados como Insumos: as glosas recaíram sobre despesas com serviços que, no entendimento da RFB expresso em instruções normativas e soluções de consulta, não se caracterizam como insumos, tendo a fiscalização chegado inclusive a discorrer sobre alguns deles, e também sobre serviços pagos a pessoas físicas; além disso, informa a fiscalização que os créditos relativos a importação de serviços não foram considerados nesta rubrica, mas “quando geradores de créditos, foram considerados na linha Crédito a Descontar no PIS/Importação ou Crédito a Descontar na COFINS/Importação”; • Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica: as glosas recaíram sobre taxas de condomínio e pagamentos feitos às administradoras, por entender a Fl. 1386DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 fiscalização – com base nos fundamentos devidamente expostos no Relatório de Fiscalização – que tais despesas não compõem o valor do aluguel; • Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica: a glosas recaíram tão somente sobre despesas com locação de máquinas para café e com locação de móveis para escritório, conforme afirmado pela fiscalização e, ainda, como se verifica no ANEXO VI (A), às fls. 376/378; explica a fiscalização que as glosas relativas à locação de máquina de café ocorreram por a mesma “não ser utilizada nas atividades da empresa” e quanto aos móveis para escritório “por não se enquadrar no conceito de máquinas e equipamentos”; • Bens do Ativo Imobilizado com base no Valor de Aquisição ou de Construção: as glosas recaíram sobre os prédios que não são utilizados na produção de bens destinados à venda pelos motivos e base legal apresentados no Relatório de Fiscalização, no qual foram também informados quais os prédios sobre os quais foram efetuadas as glosas; ainda, conforme exposto pelo Auditor-Fiscal, sobre tais prédios, embora glosados os créditos conforme apurados pela contribuinte, foram calculados no procedimento fiscal e autorizados créditos com base nos encargos de depreciação; • Outras Operações com Direito a Crédito: nesta rubrica foram glosados créditos sobre bens utilizados como insumos, pelas razões já apontadas no ponto em que tratados tais créditos, bem como as respectivas despesas de fretes, estas sob o fundamento de que “como o principal não tem crédito, o seu frete também não tem, pois o acessório acompanha o principal”; também foram glosadas despesas de “aquisição cuja resumida descrição é software, sem a especificação das notas fiscais, data da operação e identificação do fornecedor”; e foi ainda glosada despesa que consta também na rubrica Serviços Utilizados como Insumos que, portanto, consta em duplicidade, sendo esta a razão da glosa; • Crédito sobre Importações: conforme o Relatório de Fiscalização, os valores glosados, tanto de PIS/Importação como de Cofins/Importação correspondem aos “valores discrepantes com os informados pela empresa nos DACON’s de abril/2009 a junho/2009 e de dezembro/2009”; além destas discrepâncias, em dezembro/2009 houve glosa relativa a “pagamento referente à importação de serviços sem direito a créditos conforme descrito no Relatório de Fiscalização e Anexo III (C)”, como se verifica no ANEXO X (fls. 454/455). Resta claro que não houve uma única glosa nos autos sem fundamentação, o que permite concluir serem impertinentes as alegações quanto à falta de fundamentação e, consequentemente, preterição de direito de defesa. Por fim, sabe-se que as causas de nulidades são estipuladas art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, a saber: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não se verificou nesses autos, entretanto, qualquer das hipóteses acima previstas. III MÉRITO III.1 Considerações iniciais Fl. 1387DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 As glosas efetuadas pela fiscalização no trimestre tratado nestes autos recaíram sobres as seguintes rubricas, consoante “ANEXO I – Demonstrativos de Apuração dos Créditos do PIS e da COFINS não Cumulativos – 2º Trim/2008” do Relatório Fiscal: Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica; Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica; Bens do Ativo Imobilizado com base no Valor de Aquisição ou de Construção; Outras Operações com Direito a Crédito; e Crédito relativos à Cofins/Importação. Somente para a última rubrica não houve questionamento das glosas, mesmo que parciais, por parte da Recorrente. III.2 Conceito de insumo A Recorrente inicia o mérito do recurso com lições acerca do conceito de insumo e sua evolução até a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no bojo REsp nº 1.221.170/PR, em sede de repetitivo, no qual restou consignado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela contribuinte. Não há qualquer ressalva quanto ao exposto pela Recorrente atinente ao conceito de insumo. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil expediu o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, tendo como objetivo analisar as principais repercussões decorrentes da definição de insumos adotada pelo STJ e alinhar suas ações à nova realidade desenhada por tal decisão. No âmbito deste Colegiado, aplica-se ao tema o disposto no §2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF – RICARF : Art. 62. […] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei Nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Partindo-se da ampliação conceitual acima e demais normas relacionadas à tomada de créditos do PIS/Cofins não-cumulativos, passo a analisar os itens glosados pelo Fisco, para os quais a Recorrente apresentou sua irresignação. III.3 Taxa de condomínio e taxa de corpo de bombeiros A Recorrente aduz que as despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica não se resumem ao pagamento do aluguel propriamente dito, mas abrangem igualmente os demais valores pagos em virtude do contrato de locação, taxa de condomínio e taxa de corpo de bombeiros, eis que são valores inerentes ao contrato de locação por ela celebrado, sem o qual Fl. 1388DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 não poderia dar continuidade às suas atividades sociais, imperando aqui o conceito de insumo para efeito de creditamento do PIS/Cofins. Passo a analisar. Em relação às Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica, a fiscalização considerou válidos apenas os valores pagos a título de aluguel de prédios, glosando as taxas de condomínio e taxa de Corpo de Bombeiros. Vejamos os trechos do Relatório Fiscal nesta parte (Grifei): 5— DESPESAS DE ALUGUÉIS DE PRÉDIOS EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOA JURÍDICA Os arts. 30, inciso IV das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 prevêem o crédito sobre os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. O ANEXO V contém as aquisições sujeitas a crédito. O ANEXO V (A) corresponde à memória de cálculo apresentada pela empresa, estando destacadas em amarelo as glosas e em branco as aquisições geradoras de crédito. O ANEXO V (B) lista somente as glosas de taxa de condomínio e taxa de Corpo de Bombeiros. A enumeração de hipóteses específicas que autorizam o desconto de créditos das contribuições no art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 – neste caso, o inciso IV do art. 3º das referidas Leis - são regras de exceção que não comportam a interpretação extensiva. E sendo aluguel, condomínio e taxa de Corpo de Bombeiro despesas de natureza diferentes, não há que se falar, para o creditamento das despesas de condomínio e taxa de Corpo de Bombeiros, de aplicação do inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, que só prevê o desconto de créditos em relação às despesas de "aluguéis de prédios". Portanto devem ser mantidas as glosas. III.4 Locação de móveis/materiais para escritório Sustenta a Recorrente fazer jus ao credito de PIS/Cofins sobre os dispêndios a título de locação de material de escritório, por considerar que materiais locados, ainda que para utilização no escritório da Recorrente, e, portanto, para o cumprimento de atividades administrativas, também são passíveis de gerar direito de crédito de PIS/Cofins, posto que essenciais à consecução do desiderato social da empresa. A fiscalização assim se manifestou quanto à análise das Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica (Grifei): 6— DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOA JURIDICA Os arts. 3°, inciso IV das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 prevêem o crédito sobre os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. O ANEXO VI contém os itens sujeitos a crédito. O ANEXO VI (A) corresponde à memória de cálculo apresentada pela empresa, estando destacadas em amarelo as glosas e em branco as aquisições geradoras de crédito. Fl. 1389DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 O ANEXO VI (B) lista as glosas de locação de máquina de café por não ser utilizado nas atividades da empresa e locação de móveis para escritório por não se enquadrar no conceito de máquinas e equipamentos. Conforme se vê, a fiscalização glosou tais dispêndios sob o fundamento de que não se enquadram no conceito de “equipamento”. Acertado o procedimento do Fisco. Não é possível associar móveis para escritório a máquinas e equipamentos. Novamente aqui destaco que a enumeração de hipóteses específicas que autorizam o desconto de créditos das contribuições no art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 – neste caso, o inciso IV do art. 3º das referidas Leis - são regras de exceção que não comportam a interpretação extensiva. Portanto, esta glosa deve ser mantida. III.5 Demais edificações que compôem o complexo industrial, com base no art. 6º da Lei nº 11.488/2007 Entende a Recorrente que deve ser reconhecido o direito ao creditamento da Cofins não-cumulativa, referente ao período dos presentes autos, sobre os bens do ativo imobilizado (todas as edificações que compõem o seu complexo industrial), no prazo disposto no art. 6º da Lei nº 11.488, de 15/06/2007, a saber, 24 (vinte e quatro) meses: Art. 6º As pessoas jurídicas poderão optar pelo desconto, no prazo de 24 (vinte e quatro) meses, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam o inciso VII do caput do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e o inciso VII do caput do art. 3º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Grifei) Para a Recorrente, revelou-se errônea a conclusão fiscal de que certas edificações (prédios administrativos) não estariam abarcadas pelo prazo estipulados na Lei nº 11.488, de 2007, mas sim por aquele determinado no art.3º, VII, c/c §1º, III, todos da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, encargo de depreciação, o que resultaria em 300 (trezentos) meses. Afirma ela que seu complexo industrial portuário situado em SUAPE (foto abaixo) engloba inúmeras edificações e todas elas fazem parte do processo produtivo da Recorrente, desde os prédios administrativos até os galpões onde as chapas de aços são cortadas e soldadas. Fl. 1390DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 Conclui não haver, portanto, como desconsiderar que tais edificações estão incorporadas ao ativo imobilizado da empresa e foram construídas para utilização, ainda que indiretamente, na produção de navios cargueiros, além de plataformas offshore, navios de perfuração e barcos de apoio à indústria petrolífera. E, por fim, pleiteia supletivamente, caso o entendimento defendido não prevaleça, a validação dos créditos da Cofins nos meses referentes ao período em comento considerando o prazo de 1/300 (um trezentos avos). Passo a analisar. A fiscalização assim fundamentou o procedimento fiscal: 7 — CRÉDITOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO COM BASE NO VALOR DE AQUISIÇÃO OU DE CONSTRUÇÃO - EDIFICAÇÕES O arts. 3°, VII das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 permitem a apuração de créditos relativos a tais despesas. De abril/2008 a maio/2009 só há valores de créditos de PIS/COFINS referentes às construções de edificações relativos aos seguintes prédios/áreas: Escritório Almoxarifado; Escritório Almoxarifado (climatizado); Escritório de Área (19 unidades); Escritório de Área (19 unidades) - parte 2; diversas áreas de PRÉDIOS ADMINISTRATIVOS, tais como Escritório Central, Portaria, Vestiários, Ambulatório, Recrutamento, Verba de/para Acionistas, Muros e cercas, Construção da nova portaria industrial e de terceiros, Construção de abrigos para relógio de ponto, Serviço de arquitetura p/ prédio da segurança patrimonial. Os gastos com tais prédios não foram considerados pela Fiscalização como inseridos no art. 6º da Lei n° 11.488/2007, pois este dispositivo permite a apuração/apropriação de créditos de PIS e COFINS em 24 meses (apuração/utilização acelerada) apenas sobre as edificações construídas para utilização na produção de bens destinados à venda. Assim, os demais tipos de edificações utilizadas nas atividades da empresa que não a da produção, como por exemplo os mencionados acima, têm seus créditos apurados na forma do art. 30, VII c/c §1°, inciso III, todos da Lei n° 10.833/2003 e da Lei n° 10.637/2002, ou seja, sobre os encargos de depreciação. Fl. 1391DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 De acordo com o art. 3°, inciso III e § 1°, inciso III e art. 15, inciso II da Lei n° 10.833/2003, o crédito do PIS e da COFINS sobre as edificações utilizadas nas demais atividades da empresa não ligadas à produção têm por base o encargo de depreciação (coluna B acima) incorrido no mês. Já o crédito do PIS e da COFINS a que se refere o art. 6° da Lei n° 11.488/2007 tem por base o custo de aquisição ou de construção das edificações utilizadas na produção de bens destinados à venda. Neste caso, as contribuições incidentes na aquisição de bens para a construção das edificações integram o custo de aquisição, consoante o art. 32 da Lei n° 10.865/2004, que acrescentou o §6° ao art. 41 da Lei n° 8.981/95. O ANEXO VII lista os valores das bases de cálculo dos créditos apurados pela Fiscalização, considerando os ANEXOS VII (A) e VII (B). O ANEXO VII (C) discrimina o custo das construções líquido de PIS e COFINS cujos valores das colunas REALIZADO e INÍCIO DA DEPRECIAÇÃO foram considerados na elaboração do ANEXO VII (A). O ANEXO VII (A) discrimina o somatório de créditos de PIS e COFINS relativos aos imóveis/prédios utilizados na produção. O ANEXO VII (B) discrimina a depreciação (base de cálculo dos créditos) dos prédios utilizados nas atividades da empresa, mas não no processo de produção. Os valores da coluna REALIZADO do ANEXO VII (A) são calculados da seguinte forma: 1) divide-se o valor ativado líquido de PIS e COFINS da coluna REALIZADO do ANEXO VII (C) por (1-9,25%) e calcula-se o valor do ativo bruto das contribuições, conforme art. 32 da Lei n° 10.865/2004. 2) Aplica-se o somatório das alíquotas de PIS e COFINS sobre o valor encontrado no item 1. Da mesma forma é calculado o valor da coluna REALIZADO do ANEXO VII (B). As linhas destacadas em marrom claro do ANEXO VII (A) se referem a edificações não utilizadas diretamente na produção de bens destinados à venda, tendo seus créditos calculados com base nos encargos de depreciação, conforme art. 3°, inciso III e § 1°, inciso III e art. 15, inciso II da Lei n° 10.833/2003. Estes itens integram o ANEXO VII (B) e os valores totais mensais do ANEXO VII (A) não os incluem. Depreende-se do relato fiscal que o regramento do art. 6º da Lei nº 11.488, de 15/06/2007, foi adequadamente aplicado pela fiscalização, ou seja, somente às edificações utilizadas diretamente na produção de bens destinados à venda, conforme determina esse comando legal. Em relação às edificações não utilizadas diretamente na produção de bens destinados à venda, os créditos do PIS/Cofins foram calculados com base nos encargos de depreciação, conforme art. 3º, §1º, III, c/c o art. 15, II, da Lei nº 10.833, de 2003. Portanto, ressalte-se aqui, restar desprovido de objeto o pedido suplementar para apuração de créditos com base nos encargos de depreciação no prazo de 1/300 (um trezentos avos), visto que tal procedimento já fora realizado pela autoridade tributária, conforme Relatório Fiscal. Portanto, nada a ser retificado quanto a tais glosas. III.6 Frete de insumos adquiridos com alíquota zero Neste tópico, pleiteia a Recorrente o crédito da contribuição sobre os dispêndios com frete de insumos, independentemente de esses insumos serem sujeitos à alíquota zero. A glosa foi assim tratada pela fiscalização em seu Relatório Fiscal: Fl. 1392DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 8- OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO Esta rubrica contém aquisição de bens utilizados como insumos, que não geram direito a crédito como visto anteriormente, e os correspondentes serviços de frete. Como o principal não tem crédito, o seu frete também não tem, pois o acessório acompanha o principal. Nota-se que a fiscalização glosou os serviços de fretes relacionados a insumos que não geram direito a crédito, por entender que, como o principal (insumo) não gera crédito, o seu frete também não gera, visto o acessório acompanhar o principal. Assiste razão à Recorrente quanto à sua tese. Podem ser utilizados na apuração das contribuições não-cumulativas as despesas referentes aos serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Nesse sentido, foi decidida a matéria quando enfrentada pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 9303-007.562, cujo trecho da ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS [...] COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. [...] (Acórdão nº 9303-007.562 – 3ª Turma, Processo nº 13161.001369/2007-13, Relatora Tatiana Midori Migiyama) Portanto, independentemente da tributação dos produtos adquiridos, o frete na aquisição de insumos utilizados no processo produtivo também gera direito ao crédito. No entanto, em relação ao período destes autos (2º Trimestre de 2008) e à citada rubrica do Dacon (13. Outras Operações com Direito a Crédito), nota-se que não foi glosado pela fiscalização qualquer valor a título de frete, conforme prova o Anexo VIII (B) – OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO – GLOSAS. As glosas para esta rubrica limitaram-se a valores relativos à suposta aquisição de software, R$ 909,30 para cada um dos meses que compõem o trimestre (abril, maio e junho), item que será analisado no tópico seguinte deste voto. Portanto, nada a ser provido neste ponto. III.7 Aquisição de software Fl. 1393DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 A Recorrente informa que os valores glosados pela fiscalização referem-se à aquisição de software, do fornecedor Intereng Engenharia e Sistema Ltda, aplicado diretamente na fabricação de produto final, cujo crédito é assegurado expressamente pelo art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, tanto pelo inciso II quanto pelo inciso VI, este último se considerarmos sua integração ao ativo imobilizado da empresa. Diante de tais considerações, entende a Recorrente que deve ser reformado o Despacho Decisório de forma que os créditos da Cofins não-cumulativa, referente ao 2º Trimestre de 2008, sobre a aquisição de software, sejam reconhecidos em sua totalidade, ou, ao menos, os créditos correspondentes à sua depreciação. A fiscalização assim justificou a glosa destes valores em seu Relatório Fiscal: 8- OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO Esta rubrica contém aquisição de bens utilizados como insumos, que não geram direito a crédito como visto anteriormente, e os correspondentes serviços de frete. Como o principal não tem crédito, o seu frete também não tem, pois o acessório acompanha o principal. Nesta rubrica também foi glosada a aquisição cuja resumida descrição é software, sem a especificação das notas fiscais, data da operação e identificação do fornecedor. (Grifei) Esta questão foi analisada com bastante propriedade pela decisão de piso, a qual concluiu pela procedência da glosa. Assim, por concordar com o que fora decidido em primeira instância quanto ao tema, adoto neste julgado, como minhas, as razões de decidir firmadas no voto do Relator Lázaro Roberto Lança, transcritas a seguir: Segundo a fiscalização, na rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito” foram glosados créditos relativos a: bens utilizados como insumos “que não geram direito a crédito como visto anteriormente, e os correspondentes serviços de frete”; um item que “consta também na rubrica Serviços Utilizados como Insumos”, que portanto, consta em duplicidade, sendo esta a razão da glosa; e também “a aquisição cuja resumida descrição é software, sem a especificação das notas fiscais, data da operação e identificação do fornecedor”. Examinando o “Anexo I – Demonstrativos de Apuração dos Créditos do PIS e da COFINS não Cumulativos – 2º Trim/2008” (fl. 153) e o “Anexo VIII (B) – Outras Operações com Direito a Crédito - Glosas” (fls. 438/453) verificamos que no trimestre em exame somente foram glosados os valores relativos à suposta aquisição de software acima mencionada. A contribuinte contesta as glosas dizendo que o software em questão é utilizado diretamente na produção e que, portanto, o crédito estaria “assegurado expressamente pelo art. 3º da Lei nº 10.833/2003, tanto pelo inciso II (insumo utilizado diretamente no processo produtivo), como pelo inciso VI, este último se considerarmos sua integração ao ativo imobilizado da empresa”; utiliza em seu processo produtivo inúmeros produtos intermediários “que devem necessariamente ser medidos e controlados, evitando-se, assim, eventuais desalinhamentos e posições defeituosas de tubulações, dutos, entre outros”, por meio dos softwares adquiridos seria possível obter “um controle (dimensional) mais exato do processo global de produção”. Assim, referidos softwares integrariam o conceito de insumo. Protestou pela juntada posterior das notas fiscais nº 219, de 07/04/2008, nº 228, de 07/05/2008, e nº 243, de 30/06/2008, emitidas pelo fornecedor Intereng Engenharia e Sistemas Ltda., que comprovariam suas alegações. A juntada das referidas notas fiscais foi efetivamente promovida no dia 27/05/2013, encontrando-se tais documentos às fls. 1296/1298. Fl. 1394DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 Buscando robustecer sua argumentação a contribuinte citou ementa de Solução de Consulta (fls. 1149/1150), que entendemos oportuno trazer novamente à colação, porém, agora, com nossos destaques. Trata-se da Solução de Consulta SRRF08/Disit nº 120, de 27 de abril de 2012, assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS DIREITO A CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO DO VALOR DE PROGRAMAS ADQUIRIDOS POR INDUSTRIA. SERVIÇOS DE “MANUTENÇÃO” DE PROGRAMAS. Ensejam apuração de créditos de Cofins por uma pessoa jurídica industrial os encargos de depreciação de programa de computador tão-somente no caso de programa responsável pelo direto funcionamento de uma máquina ou de um equipamento que integra a sua linha de produção. Integram o valor do programa a depreciar os montantes despendidos com sua aquisição e licença de uso, ou desenvolvimento, com a aquisição de atualização e/ou extensão de licença de uso, com serviços de instalação e atualização, e com serviços de “manutenção” que impliquem aumento de vida útil do programa em mais de um ano. Os valores despendidos por pessoa jurídica industrial em serviços de “manutenção” de programas de computador lhe ensejam apuração de créditos de Cofins, na forma do art.3º, II, da Lei nº10.833, de 2003, tão-somente se tais programas tiverem o acima referido emprego em máquina ou em equipamento que integra a sua linha de produção e, cumulativamente, esses serviços de “manutenção” não tenham por efeito aumento de vida útil do programa que ultrapasse um ano. Dispositivos Legais: Art. 3º, II, VI, e §1º, III, da Lei nº 10.833, de 2003; art.301 do Decreto nº 3000 (RIR), de 1999; IN SRF nº 404, de 2004, art. 8º, I, b, III, a, e § 4º; art.2º, ADI SRF nº04, de 2007. (destacamos) Como se vê, a própria solução de consulta invocada pela contribuinte em defesa de sua tese não lhe socorre. Conforme alegado na manifestação de inconformidade, o software adquirido teria por objeto proporcionar “um controle (dimensional) mais exato do processo global de produção”. E no entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB expresso na Solução de Consulta SRRF08/Disit nº 120, de 2012, em se tratando de pessoa jurídica dedicada a atividade industrial, despesas com programa de computador somente dão direito a créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins em se tratando “de programa responsável pelo direto funcionamento de uma máquina ou de um equipamento que integra a sua linha de produção”, o que não é o caso dos presentes autos à vista da alegação da contribuinte e muito menos se considerarmos as notas fiscais juntadas. As notas fiscais mencionadas pela contribuinte e posteriormente juntadas às fls. 1296/1298 não asseguram direito a crédito nem comprovam o que a contribuinte afirmou na manifestação de inconformidade. Para melhor visualização, reproduzimos a seguir a cópia da Nota Fiscal nº 219 (fl. 1296): Fl. 1395DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 Como se vê, trata-se de Nota Fiscal de prestação de serviços discriminados como “SIGEDE – Serviço de Gerenciamento de Documentos Administração – Tráfego – Host”. E a natureza da operação constante na referida nota fiscal é “Consultoria”. O mesmo se verifica nas demais notas fiscais (fls. 1297/1298). Assim, estas notas fiscais não comprovam a alegada aquisição de software e, menos ainda, a alegada finalidade do software supostamente adquirido. Também os valores das notas fiscais de fls. 1296/1298 evidenciam que estas não guardam nenhuma relação com as glosas em exame. Conforme se verifica às fls. 153 e 438, no ANEXO I e no ANEXO VIII (B) já acima referidos, os valores glosados nesta rubrica, relativos à suposta aquisição de software, seriam de R$ 909,30 em cada um dos meses que compõem o trimestre (abril, maio e junho). E as notas fiscais de fls. 1296/1298 têm os valores de, respectivamente, R$ 945,06, R$ 1.212,19 e R$ 1.660,93. Assim, a contribuinte não comprovou sua alegação. Todavia, ainda que a alegação tivesse sido comprovada, não haveria o direito ao crédito pretendido, pois, como vimos, o software em questão não consiste em programa responsável pelo direto funcionamento de uma máquina ou de um equipamento que integra a sua linha de produção”. Deste modo, constata-se que também nesta rubrica foi correta a glosa. Fl. 1396DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 3301-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724216/2011-23 Portanto, deve ser mantida a glosa. III.8 Interpretação mais benéfica Ao final de seu recurso, a contribuinte “Requer, ainda, que na dúvida seja conferida a interpretação mais benéfica à Recorrente, tal como preconiza o art. 112 do CTN”. No entanto, o dispositivo invocado pela Recorrente não guarda qualquer relação com o tema sob análise, créditos da não-cumulatividade do PIS e da Cofins. Vejamos o referido dispositivo: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I - à capitulação legal do fato; II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. (Grifei) Percebe-se que o citado artigo faz parte de capítulo do CTN intitulado “Interpretação e Integração da Legislação Tributária”, sem qualquer aplicação concreta ao caso sob análise. Portanto, nada a ser provido quanto a este pedido. IV CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 1397DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.003598/2002-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Dec 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, a partir dos documentos que constam nos autos e de outros que entenda necessários, inclusive demandados pela RFB ao MCT, informe, conclusiva e individualizadamente, quais os requisitos de fruição do benefício que foram descumpridos pela empresa, com os respectivos fundamentos legais/normativos específicos, e se o descumprimento se alastra a todo o crédito demandado, em aparente oposição ao apurado inicialmente em termo de verificação fiscal, justificando as informações prestadas em relatório circunstanciado, permitindo a manifestação da recorrente em trinta dias, devolvendo, posteriormente, os autos ao CARF.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Vieira Kotzias - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: FERNANDA VIEIRA KOTZIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201910
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 06 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.003598/2002-39
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6103976
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Dec 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-001.877
nome_arquivo_s : Decisao_10580003598200239.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FERNANDA VIEIRA KOTZIAS
nome_arquivo_pdf_s : 10580003598200239_6103976.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, a partir dos documentos que constam nos autos e de outros que entenda necessários, inclusive demandados pela RFB ao MCT, informe, conclusiva e individualizadamente, quais os requisitos de fruição do benefício que foram descumpridos pela empresa, com os respectivos fundamentos legais/normativos específicos, e se o descumprimento se alastra a todo o crédito demandado, em aparente oposição ao apurado inicialmente em termo de verificação fiscal, justificando as informações prestadas em relatório circunstanciado, permitindo a manifestação da recorrente em trinta dias, devolvendo, posteriormente, os autos ao CARF. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Vieira Kotzias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
id : 8011016
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052651166367744
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-04T19:18:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-04T19:18:49Z; Last-Modified: 2019-12-04T19:18:49Z; dcterms:modified: 2019-12-04T19:18:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-04T19:18:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-04T19:18:49Z; meta:save-date: 2019-12-04T19:18:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-04T19:18:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-04T19:18:49Z; created: 2019-12-04T19:18:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2019-12-04T19:18:49Z; pdf:charsPerPage: 2051; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-04T19:18:49Z | Conteúdo => S3-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10580.003598/2002-39 Recurso Voluntário Resolução nº 3401-001.877 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2019 Assunto IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Recorrente SEMP TOSHIBA INFORMATICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, a partir dos documentos que constam nos autos e de outros que entenda necessários, inclusive demandados pela RFB ao MCT, informe, conclusiva e individualizadamente, quais os requisitos de fruição do benefício que foram descumpridos pela empresa, com os respectivos fundamentos legais/normativos específicos, e se o descumprimento se alastra a todo o crédito demandado, em aparente oposição ao apurado inicialmente em termo de verificação fiscal, justificando as informações prestadas em relatório circunstanciado, permitindo a manifestação da recorrente em trinta dias, devolvendo, posteriormente, os autos ao CARF. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Vieira Kotzias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Relatório Versa o presente processo sobre pedidos de compensação e ressarcimento referente a créditos de IPI relativos a insumos utilizados na fabricação de bens de informática e automação no período de 01/01/2002 e 21/03/2002, no valor de R$1.339.870,28 (fl.47), sob amparo da Lei n. 8.248/91 e da Portaria Interministerial MF/MCT n. 273/93. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .0 03 59 8/ 20 02 -3 9 Fl. 826DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3401-001.877 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.003598/2002-39 Diante do recebimento do pedido, foi determinada a realização de diligência pela fiscalização no estabelecimento do contribuinte em 29/12/2003. Conforme consta no Termo de Encerramento de Diligência (fls.137), após a realização dos trabalhos, a fiscalização constatou que “o contribuinte detém direitos à isenção sobre uma série de equipamentos, conforme explicitado na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n. 836, de 14/12/2001, originada do processo MCT n. 01200.004002/2001, de 1º de agosto de 2001”. Contudo, a fiscalização detectou dois tipos de operações irregulares: (i) saída de equipamentos de informática, em operações de venda de produção própria ou revenda de importações, sem o destaque do IPI em nota fiscal; e (ii) saída de equipamentos importados e revendidos, com erro de alíquota. Com efeito, o valor inicialmente pleiteado para ressarcimento foi ajustado pela fiscalização, subtraindo-se o valor do IPI não destacado, chegando-se ao montante confirmado de R$ 1.293.345,61. Ademais, as diferenças encontradas deram origem a apurações e lançamentos em auto de infração apropriado – o que não faz parte do presente processo. Apesar disso, em 18/02/2004 foi proferido despacho decisório (fl. 159), nos termos do Parecer SEORT n. 20/2004 (fls.157 a 159), indeferindo o pedido de ressarcimento, com base na IN SRF n. 210/02, sob os fundamentos de que a concessão do benefício estaria condicionada ao cumprimento dos requisitos e condições estabelecidas pelo Poder Executivo, o que não havia sido esclarecido nos autos, motivo pelo qual não assistiria razão ao pleito formulado pelo contribuinte. A ora recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls.165 a 170) alegando, em síntese, que o benefício estava vigente por força de Portaria Interministerial, não cabendo à fiscalização qualquer tipo de análise ou interpretação, bem como, apontando a existência de contradições da decisão da fiscalização, uma vez que não haveria qualquer previsão legal que exigisse que o pedido de ressarcimento possuísse idêntico valor ao saldo credor apurador no LAIPI. O processo foi então encaminhado à DRJ/REC, que em 20/05/2005, proferiu acórdão (fls.197 a 207) anulando a decisão da fiscalização e devolvendo os autos à origem para que fosse prolatada nova decisão, sob o fundamento de que houve cerceamento de defesa. Concluiu-se que a fiscalização não deu oportunidade à contribuinte para apresentar informações adicionais ou novos documentos que pudessem viabilizar o aperfeiçoamento da instrução do seu pleito num ponto essencial que é a comprovação do cumprimento dos requisitos para o gozo do beneficio fiscal. Além disso, verificou-se que o despacho decisório também se omitiu sobre o pedido de compensação requerido pela contribuinte. Quanto ao mérito, a DRJ se posicionou de forma contrária ao entendimento da fiscalização, afirmando que, além de terem sido usados dispositivos que não estavam em vigor à época do pedido de ressarcimento, os referidos dispositivos legais utilizados no despacho decisório não contém qualquer exigência quanto à coincidência entre o valor do pedido de ressarcimento e do saldo credor escriturado no LAIPI, como fez crer a fiscalização. Pelo contrário, entende que diante da determinação legal de que nem todos os créditos do IPI são passíveis de restituição, para que houvesse coincidência entre os valores do saldo credor do LAIPI e do pedido de ressarcimento haveria necessidade de, no mínimo, dois LAIPI, conforme alega o contribuinte, não existindo previsão legal para isso. Portanto, descabida a afirmação da autoridade fiscal. Fl. 827DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3401-001.877 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.003598/2002-39 Assim, o processo retornou à delegacia da RFB de origem, tendo novo despacho decisório sido proferido em 02/08/2006 (fls. 726 a 729), o qual designou o arquivamento do processo, não homologando o pedido de compensação, desta vez pelo não atendimento do contribuinte à intimação da fiscalização para apresentação de documentos. Em sua nova manifestação de inconformidade (fls. 733 a 719), a empresa afirma que respondeu a todas as intimações realizadas pela fiscalização, tendo juntado ao processo todos os documentos e esclarecimentos solicitados com exceção do laudo/certidão/parecer técnico do MCT. Justifica que isso se deve ao fato de que o MCT não emite laudo ou certidão de regularidade e que os pareceres técnicos para deferimento de projetos de P&D e sobre os investimentos de 2002 estariam atrasados – o que não depende da empresa. Todavia, destaca que buscou cooperar com a fiscalização juntando aos autos todas as tratativas com o MCT e pareceres técnicos e documentos em seu poder. Destaca ainda que tentou diversas vezes solicitar o documento requerido pela fiscalização junto ao MCT e que, em todas as oportunidades, o órgão salientou que a RFB possui canal direto de comunicação caso queira obter informações específicas. O processo foi então encaminhado à DRJ/BEL, que por meio de acórdão publicado em 11/12/2007 (fls. 752 a 764), manteve a decisão da fiscalização por entender que não restou comprovado o cumprimento das condições para isenção previstas no Decreto n. 3.800/01. O acórdão destaca como fundamentos para manutenção do indeferimento as seguintes razões: (i) o referido benefício é concedido por meio de portaria conjunta entre MCT e MF, mas compete à SRF fiscalizar o cumprimento das condições a que se obrigou o beneficiário - competência que tem fundamento em lei; (ii) mesmo que o MCT permaneça inerte frente ao dever de acompanhar o cumprimento das condições a que se obrigou o beneficiário do favor fiscal, ainda assim remanesceria incólume a competência da SRF quanto aos reflexos tributários que decorressem do inadimplemento, motivo pelo qual a atuação da fiscalização foi correta; e (iii) tendo em vista que a empresa não logrou comprovar o cumprimento das obrigações para a fruição do benefício de isenção do IPI, e sendo esta uma questão preliminar a qualquer outra questão, inclusive a questão relativa a valor, conclui-se, portanto, que não cabe analisar as alegações das partes relativas ao valor do crédito pleiteado. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 769 a 777) argumentando, em síntese, que a DRJ negou vigência a isenção já conferida por Portaria Interministerial por meio de mera decisão, sendo este ato jurídico inválido, uma vez que tanto o agente quanto o instrumento jurídico eram inadequados para este fim. Nestes termos, requereu ao CARF a anulação do acórdão com retorno dos autos à origem para análise do mérito. É o relatório. Conselheira Fernanda Vieira Kotzias, Relatora. O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação, de modo que admito seu conhecimento. Tal qual destacado no relatório, a discussão objeto da presente demanda versa sobre pedidos de compensação e ressarcimento referente a créditos de IPI relativos a insumos Fl. 828DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3401-001.877 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.003598/2002-39 utilizados na fabricação de bens de informática e automação sob amparo da Lei n. 8.248/91 (Lei de Informática) e da Portaria Interministerial MF/MCT n. 273/93. Avaliando o conteúdo dos autos, parece incontroverso que a recorrente é empresa habilitada sob a Lei de Informática e que suas atividades correspondem àquelas previstas em lei para fins da fruição dos benefícios fiscais de IPI. Esta é inclusive a conclusão da fiscalização em seu Termo de Encerramento de Diligência: Não obstante, a fiscalização e a DRJ entendem que a habilitação e a constatação presencial de que a empresa realiza as atividades previstas em lei em seu estabelecimento não são suficientes para garantir o direito à restituição/compensação do IPI, cabendo à empresa a demonstração inequívoca do cumprimento de todos os requisitos de fruição do benefício nos autos do processo, nos termos da IN SRF n. 21/97. De outro norte, a contribuinte defende que, diferente de situações gerais, a Lei de Informática funciona dentro de uma lógica própria, segundo a qual não caberia à RFB unilateralmente revogar ou negar vigência aos benefícios já em vigor por força da Portaria Interministerial que habilitou a empresa no programa. Assim, para se dirimir a controvérsia, faz-se necessário visitar os principais dispositivos que tratam dos benefícios da Lei de Informática e da sua regulamentação, senão vejamos: Lei 8.248/91 Art. 1º Para os efeitos desta lei e da Lei nº 7.232, de 29 de outubro de 1984, considera-se como empresa brasileira de capital nacional a pessoa jurídica constituída e com sede no Brasil, cujo controle efetivo esteja, em caráter permanente, sob a titularidade direta ou indireta de pessoas físicas domiciliadas e residentes no País ou de entidade de direito público interno. § 1º Entende-se por controle efetivo da empresa, a titularidade direta ou indireta de, no mínimo, 51% (cinqüenta e um por cento) do capital com direito efetivo de voto, e o exercício, de fato e de direito, do poder decisório para gerir suas atividades, inclusive as de natureza tecnológica. § 2º (Vetado) § 3º As ações com direito a voto ou a dividendos fixos ou mínimos guardarão a forma nominativa. Art. 2º As empresas produtoras de bens e serviços de informática no País e que não preencham os requisitos do art. 1º deverão, anualmente, para usufruírem dos benefícios instituídos por esta lei e que lhes sejam extensíveis, comprovar perante o Conselho Nacional de Informática e Automação (Conin), a realização das seguintes metas: I - programa de efetiva capacitação do corpo técnico da empresa nas tecnologias do produto e do processo de produção; Fl. 829DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3401-001.877 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.003598/2002-39 II - programas de pesquisa e desenvolvimento, a serem realizados no País, conforme o estabelecido no art. 11; e III - programas progressivos de exportação de bens e serviços de informática. Art. 4 o As empresas de desenvolvimento ou produção de bens e serviços de informática e automação que investirem em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação farão jus aos benefícios de que trata a Lei n o 8.191, de 11 de junho de 1991. § 1 o O Poder Executivo definirá a relação dos bens de que trata o § 1 o C, respeitado o disposto no art. 16A desta Lei, a ser apresentada no prazo de trinta dias, contado da publicação desta Lei, com base em proposta conjunta dos Ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Ciência e Tecnologia e da Integração Nacional. § 1 o C. Os benefícios incidirão somente sobre os bens de informática e automação produzidos de acordo com processo produtivo básico definido pelo Poder Executivo, condicionados à apresentação de proposta de projeto ao Ministério da Ciência e Tecnologia. § 4 o A apresentação do projeto de que trata o § 1 o C não implica, no momento da entrega, análise do seu conteúdo, ressalvada a verificação de adequação ao processo produtivo básico, servindo entretanto de referência para a avaliação dos relatórios de que trata o § 9 o do art. 11. Art. 9 o Na hipótese do não cumprimento das exigências desta Lei, ou da não aprovação dos relatórios referidos no § 9 o do art. 11 desta Lei, poderá ser suspensa a concessão do benefício, sem prejuízo do ressarcimento dos benefícios anteriormente usufruídos, atualizados e acrescidos de multas pecuniárias aplicáveis aos débitos fiscais relativos aos tributos da mesma natureza. Parágrafo único. Na eventualidade de os investimentos em atividades de pesquisa e desenvolvimento previstos no art. 11 não atingirem, em um determinado ano, o mínimo fixado, o residual será aplicado no fundo de que trata o inciso III do § 1 o do mesmo artigo, atualizado e acrescido de doze por cento. Art. 11. Para fazer jus aos benefícios previstos no art. 4 o desta Lei, as empresas de desenvolvimento ou produção de bens e serviços de informática e automação deverão investir, anualmente, em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação a serem realizadas no País, no mínimo cinco por cento de seu faturamento bruto no mercado interno, decorrente da comercialização de bens e serviços de informática, deduzidos os tributos correspondentes a tais comercializações, bem como o valor das aquisições de produtos incentivados na forma desta Lei, conforme projeto elaborado pelas próprias empresas, a partir da apresentação da proposta de projeto de que trata o § 1 o C do art. 4 o . § 9 o As empresas beneficiárias deverão encaminhar anualmente ao Poder Executivo demonstrativos do cumprimento, no ano anterior, das obrigações estabelecidas nesta Lei, mediante apresentação de relatórios descritivos das atividades de pesquisa e desenvolvimento previstas no projeto elaborado e dos respectivos resultados alcançados. § 21. Os procedimentos para o acompanhamento e a fiscalização das obrigações previstas nos arts. 9º e 11 desta Lei serão realizados conforme regulamento específico a ser editado pelo Ministro de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, que considerará os princípios da economicidade e eficiência da administração pública. Decreto n. 792/93 Art. 1° São isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), até 29 de outubro de 1999, com fundamento no disposto no art. 1° da Lei n° 8.191, de 11 de junho de 1991, e no art. 4° da Lei n° 8.248, de 23 de outubro de 1991, os bens de informática e automação, com níveis de valor agregado local compatíveis com as características de cada produto, fabricados no País por empresas que cumpram as exigências estabelecidas nos arts. 2° ou 11 do último diploma legal, e os respectivos acessórios, sobressalentes e ferramentas que, em quantidade normal, acompanham aqueles bens. Parágrafo único. São asseguradas a manutenção e a utilização do crédito do IPI relativo a matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados na industrialização dos bens referidos no caput deste artigo, conforme previsto no art. 1°, § 2°, da Lei n° 8.191/91. Fl. 830DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3401-001.877 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.003598/2002-39 Art. 4° Para ter direito à fruição dos benefícios previstos nos artigos anteriores, a empresa produtora de bens e serviços de informática e automação deverá requerer ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT): I - a concessão de incentivo de que trata o art. 1° para os bens de sua fabricação, justificando seu enquadramento nos critérios estabelecidos no art. 6°, § 1°; II - a sua habilitação para fruição do incentivo a que se refere o art. 2°, comprovando que atende às condições estabelecidas no art. 12; III - a sua habilitação à captação de recursos decorrentes do incentivo previsto no art. 3°, comprovando sua condição de sociedade por ações que preencha os requisitos do art. 1° da Lei n° 8.248/91 e que tenha como atividade, única ou principal, a produção de bens e serviços de informática e automação nos termos do disposto no art. 12. Parágrafo único. Os requerimentos deverão ser elaborados em conformidade com as instruções baixadas pelo MCT. Art. 5° Comprovado o atendimento das condições a que se referem os incisos II e III do artigo anterior, será publicada no Diário Oficial da União portaria conjunta do MCT e Ministério da Fazenda (Minifaz) certificando a habilitação da empresa à fruição do incentivo referido no art. 2° ou à captação dos recursos incentivados previstos no art. 3°. Art. 7° Para fazer jus aos benefícios previstos nos arts. 1° a 3°, as empresas que tenham como finalidade a produção de bens e serviços de informática e automação deverão aplicar, em cada ano-calendário, cinco por cento, no mínimo, do seu faturamento bruto decorrente da comercialização, no mercado interno, de bens e serviços de informática e automação, deduzidos os tributos incidentes, em atividades de pesquisa e desenvolvimento em informática e automação a serem realizadas no País, conforme elaborado pelas próprias empresas. § 2° Na eventualidade de a aplicação prevista no caput deste artigo não atingir o mínimo nele fixado e sem prejuízo do disposto no § 1°, o valor residual, corrigido monetariamente e acrescido de doze por cento, deverá ser obrigatoriamente aplicado no ano-calendário seguinte, respeitada a aplicação normal correspondente a esse mesmo período. Art. 9° A empresa beneficiária deverá, até a data fixada para a entrega da declaração anual, encaminhar ao MCT os relatórios demonstrativos do cumprimento, no ano anterior, das obrigações estabelecidas nos arts. 7° e 8°. § 1° As aplicações de que tratam o caput do art. 7° e seu § 1° deverão corresponder ao faturamento ocorrido a partir do início do mês da primeira fruição do benefício até o encerramento do correspondente ano-calendário, adotando-se esse mesmo período para o balanço comercial de que trata o art. 8°, § 1°. § 2° Os relatórios demonstrativos serão apreciados pelo MCT e Minifaz que publicarão o resultado da sua análise no Diário Oficial da União. § 3° Além dos relatórios especificados no caput deste artigo a empresa beneficiária deverá enviar ao MCT, no mesmo prazo: a) relatórios demonstrativos do faturamento decorrente da comercialização, no ano anterior, de bens contemplados com o incentivo do art. 1° e do atendimento às condições estabelecidas no art. 6°, § 1°; b) relatórios de execução físico-financeira das atividades de pesquisa e desenvolvimento realizadas no ano anterior e demonstrativo do atendimento às condições estabelecidas no art. 12, se beneficiária do incentivo referido no art. 2°; c) relatórios demonstrativos dos recursos captados no ano anterior e do atendimento às condições a que se refere o art. 4°, III, se habilitada à captação dos recursos de que trata o art. 3°.. § 4° Os relatórios referidos neste artigo deverão ser elaborados em conformidade com as instruções baixadas pelo MCT, de acordo com a orientação do Conin. Art. 10. A empresa que deixar de atender aos requisitos referidos no art. 4° ou descumprir as exigências estabelecidas nos arts. 7° a 9° perderá o direito à fruição dos benefícios, sem prejuízo do ressarcimento previsto no art. 9° da Lei n° 8.248/91. Art. 11. Caberá ao Conin, sem prejuízo das atribuições de outros órgãos da Administração Pública, realizar o acompanhamento e a avaliação da utilização dos incentivos referidos nos arts. 1° a 3°, da execução das atividades de pesquisa e Fl. 831DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 3401-001.877 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.003598/2002-39 desenvolvimento de que tratam os arts. 2° e 7° e dos programas especificados no art. 8°, bem como fiscalizar o cumprimento das obrigações estabelecidas neste decreto. Dos dispositivos transcritos acima, pode-se aduzir algumas conclusões importantes sobre o funcionamento dos benefícios da Lei de Informática e seu processo de creditamento, o qual destoa das regras gerais de benefício fiscal conferido em âmbito federal: a) O benefício é conferido formalmente por meio de declaração formal do MCT/MF realiza por meio de Portaria Interministerial empresa, habilitando-a à fruição e declarando o cumprimento das condições legais do programa; b) A concessão da habilitação para fruição dos benefícios, em um primeiro momento, e sua manutenção/extensão é vinculada a comprovação perante o MCT de investimentos relativos à P&D; c) As empresas deverão encaminhar anualmente relatórios técnicos com demonstrativos do cumprimento das obrigações ao MCT, que serão avaliados e publicados no DOU; d) Caso os investimentos em P&D não atinjam o valor mínimo fixado, é permitido à beneficiária que aplique o valor residual, corrigido monetariamente e acrescido de doze por cento, no ano-calendário seguinte, respeitada a aplicação normal correspondente a esse mesmo período; e e) O não cumprimento das obrigações e/ou a não aprovação dos relatórios técnicos poderá implicar na suspensão ou cancelamento da concessão do benefício, sem prejuízo do ressarcimento dos benefícios anteriormente usufruídos, atualizados e acrescidos de multas pecuniárias aplicáveis aos débitos fiscais relativos aos tributos da mesma natureza. Como se pode verificar, tais características – previstas expressamente em lei –, fazem com que a Lei de Informática, diferentemente dos demais benefícios que geram crédito de IPI, permita que as empresas habilitadas no programa possam fazer uso dos benefícios em momento anterior à devida comprovação de que as obrigações do referido ano-calendário foram cumpridas. Isto resta claro tanto pela possibilidade de se cumprir com as obrigações de modo alternativo caso a empresa não consiga realizar todos os investimentos em P&D que havia se comprometido, quanto pelo cuidado do legislador em prever que poderá haver necessidade de ressarcimento dos créditos usufruídos por parte da empresa caso seja constatado o não cumprimento das obrigações, conforme dispõe o art. 9º da Lei n. 8.248/91: Art. 9 o Na hipótese do não cumprimento das exigências desta Lei, ou da não aprovação dos relatórios referidos no § 9 o do art. 11 desta Lei, poderá ser suspensa a concessão do benefício, sem prejuízo do ressarcimento dos benefícios anteriormente usufruídos, atualizados e acrescidos de multas pecuniárias aplicáveis aos débitos fiscais relativos aos tributos da mesma natureza. Fl. 832DF CARF MF Fl. 8 da Resolução n.º 3401-001.877 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.003598/2002-39 Parágrafo único. Na eventualidade de os investimentos em atividades de pesquisa e desenvolvimento previstos no art. 11 não atingirem, em um determinado ano, o mínimo fixado, o residual será aplicado no fundo de que trata o inciso III do § 1 o do mesmo artigo, atualizado e acrescido de doze por cento. Ora, em outras circunstâncias, não haveria a necessidade desse tipo de previsão legal, visto que o crédito só é deferido e homologado quando o contribuinte realiza a comprovação do direito e cumprimento definitivo das obrigações em momento anterior. Assim, parece assistir razão à recorrente quando argumenta que a análise da fiscalização está em desacordo com as regras da Lei de Informática. Por outro lado, deve-se reconhecer que a Fazenda possui competência reconhecida constitucionalmente para exercer a atividade de fiscalização tributária de forma ampla, o que igualmente resta reconhecido no art. 11 do Decreto n. 792/93 que regulamenta a Lei de Informática quando dispõe que a caberá ao MCT realizar o acompanhamento e a avaliação da utilização dos incentivos referidos e fiscalizar o cumprimento das obrigações estabelecidas neste decreto, “sem prejuízo das atribuições de outros órgãos da Administração Pública”. Isso significa que a RFB, ainda que seja individualmente responsável pela concessão do benefício da Lei de Informática ou aprovação das prestações de conta, possui competência para fiscalizar e intervir sobre a matéria em virtude dos reflexos tributários existentes. Na prática, isso significa que, apesar de não poder se sub-rogar no lugar do MCT para autorizar a fruição ou suspender/revogar as habilitações, a RFB pode e deve verificar se a empresa faz jus ao benefício antes de autorizar as compensações/restituições de IPI. No caso em tela, todavia, o que se observa é que a RFB, ao invés de avaliar se a empresa fazia jus ao benefício para fins de análise do pedido de compensação/restituição, a fiscalização impôs exigências de que a empresa demonstrasse sua adequação por meio de documentos específicos emitidos pelo MCT e, ao não receber todas as provas solicitadas, decidiu pelo arquivamento do pleito por carência probatória, conforme se verifica no excerto do despacho decisório (fls.727 a 729): Como destaca a recorrente, a RFB solicitou, por meio da Intimação n. 090/2003- SEORT/DRF/SDR, “certidão de regularidade emitida pelo MCT”, documento que não possui amparo em previsão legal e que, como informado diversas vezes pela empresa, não é sequer emitido pelo MCT. Fl. 833DF CARF MF Fl. 9 da Resolução n.º 3401-001.877 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.003598/2002-39 Além disso, considerando que o Ministério da Fazenda também é parte envolvida nas atividades de concessão e fruição dos benefícios da Lei de Informática, e havendo a empresa por diversas vezes – e em momento oportuno – informado suas limitações no acesso ao documento solicitado, cooperado na medida do possível para demonstrar seu direito e solicitado que a RFB que oficiasse diretamente o órgão responsável do MCT para obtenção das informações, observa-se que a fiscalização e/ou a autoridade julgadora de origem poderiam ter dirimido as dúvidas existentes por meio de diligência, mas não o fizeram. Se, por um lado, as prerrogativas da fiscalização devem ser vistas como um bônus, dando à RFB autonomia e prevalência sobre outras autoridades que possuem competências concorrentes/paralelas, por outro, elas trazem consigo o dever da fiscalização em exercer sua atividade de forma completa e abrangente, não devendo se furtar da análise completa do processo e do uso das ferramentas ao seu dispor para garantir a busca pela verdade material. Diante disso, entendo que o processo deve ser convertido em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, a partir dos documentos que constam nos autos e de outros que entenda necessários, inclusive demandados pela RFB ao MCT, informe, conclusiva e individualizadamente, quais os requisitos de fruição do benefício que foram descumpridos pela empresa, com os respectivos fundamentos legais/normativos específicos, e se o descumprimento se alastra a todo o crédito demandado, em aparente oposição ao apurado inicialmente em termo de verificação fiscal, justificando as informações prestadas em relatório circunstanciado, permitindo a manifestação da recorrente em trinta dias, devolvendo, posteriormente, os autos ao CARF. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fernanda Vieira Kotzias Fl. 834DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900605/2006-49
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Nov 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser apresentada por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de a manifestante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior
Numero da decisão: 3001-000.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Redator Designado
(documento assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201910
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser apresentada por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de a manifestante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10850.900605/2006-49
anomes_publicacao_s : 201911
conteudo_id_s : 6100447
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Nov 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3001-000.994
nome_arquivo_s : Decisao_10850900605200649.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
nome_arquivo_pdf_s : 10850900605200649_6100447.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente e Redator Designado (documento assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2019
id : 8001861
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052651171610624
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-11-27T22:16:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-11-26T17:33:28Z; Last-Modified: 2019-11-27T22:16:55Z; dcterms:modified: 2019-11-27T22:16:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:c4f8c2c6-af3e-4750-b226-a3f5d949c982; Last-Save-Date: 2019-11-27T22:16:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-11-27T22:16:55Z; meta:save-date: 2019-11-27T22:16:55Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-11-27T22:16:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-11-26T17:33:28Z; created: 2019-11-26T17:33:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2019-11-26T17:33:28Z; pdf:charsPerPage: 1619; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-11-26T17:33:28Z | Conteúdo => S3-TE01 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10850.900605/2006-49 Recurso Voluntário Acórdão nº 3001-000.994 – 3ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 15 de outubro de 2019 Recorrente USINA MOEMA AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser apresentada por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de a manifestante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Redator Designado (documento assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Adoto, por transcrição, o sucinto e bem elaborado relatório constante do acórdão recorrido (fls. 120), verbis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 06 05 /2 00 6- 49 Fl. 228DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-000.994 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.900605/2006-49 Trata-se de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que homologou parcialmente PER/DCOMP nº 11315.06926.050704.1.5.019301, cujo crédito tem origem em ressarcimento do IPI relativo ao 1º trimestre de 2003. Conforme o Despacho Decisório de fl. 46, foi reconhecido o direito creditório de R$ 79.801,60, enquanto o montante do saldo credor solicitado é R$ 110.770,60. A ‘. No DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO (fl. 49) é possível verificar que a redução de R$ 110.770,60 para R$ 79.801,63, correspondendo à parte indeferida, se deu parte nos 2º e 3º trimestres de 2003 (uma parcela de R$ 25.766,43 foi utilizada no 1º decêndio de abril, a restante no 2º decêndio de junho de 2003). Na Manifestação de Inconformidade, tempestiva, a contribuinte alega terem sido desprezados créditos decorrentes de pagamentos do IPI, que não teriam sido computados no "DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO", de fl. 49. Afirma o seguinte (fls. 4/6, com negritos diferentes do original): O Auditor Fiscal, no "Demonstrativo da Apuração Após o Período do Ressarcimento", fez o confronto do saldo credor de IPI do 1° trimestre de 2003 com o saldo do imposto apurado nos trimestres subseqüentes, a fim de verificar se o saldo credor do 1° trimestre de 2003 poderia ser compensado com débitos de IPI apurados no mesmo exercício. Assim, o crédito a que faz jus a recorrente foi indevidamente, reduzido, para quitação de supostos débitos, relativos ao 1° decêndio de abril e ao 2° decêndio de junho, ambos de 2003. Nesse desiderato, com a devida vênia, o Auditor Fiscal não levou em consideração créditos da recorrente, decorrentes de pagamentos do IPI e de conseqüentes estornos de débitos informados no PER/DCOMP, resultando na glosa indevida que ora se combate. Com efeito, no 1° decêndio de abril de 2003, o Auditor Fiscal não computou nenhum crédito de IPI. No entanto, a recorrente faz jus, no 1° decêndio de abril de 2003, a um crédito de IPI no valor de R$ 43.075,91. Este crédito decorre da soma dos pagamentos de IPI referentes ao 3° decêndio de março de 2003, no valor de R$ 17.309,48, e ao 1° decêndio de abril de 2003, no valor de R$ 25.766,43, como comprovam os anexos DARF. (...) No mesmo sentido, o débito de R$ 25.766,43, do 1º decêndio de abril de 2003, foi pago via DARF (doc. anexo), não podendo ser quitado com os créditos da recorrente pleiteados no presente processo. 0 valor pago pela recorrente lhe deve ser creditado, em vez de ser desconsiderado pelo Auditor Fiscal. Para comprovar o afirmado, a recorrente pede vênia para trazer à colação cópia dos DARF de pagamento do IPI no 3° decêndio de março e do 1° decêndio de abril, ambos de 2003, bem como cópia do livro de apuração do IPI do período (docs. anexos). (...) Fl. 229DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-000.994 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.900605/2006-49 Já no 2º decêndio de junho de 2003, o Auditor Fiscal considerou apenas R$ 1.892,25 de crédito de IPI, sendo que a recorrente fazia jus ao montante de R$ 7.094,79. Isso porque não foi levado em consideração pelo Auditor Fiscal o valor de R$ 5.202,54, que já havia sido pago pela recorrente, e que também se refere a estorno de débitos declarado no PER/DCOMP. Assim, o referido valor foi considerado como devido no presente processo, diminuindo- se o crédito de IPI pleiteado. Porém, a recorrente havia feito um pagamento a maior de IPI, no 2° decendio de abril de 2003, no montante de R$ 7.853,71. A diferença favorável à recorrente foi utilizada para compensar o débito de R$ 5.202,54, apurado no 2° decêndio de junho de 2003, conforme o PER/DCOMP 03637.02839.300603.1.3.040603. Portanto, o débito de R$ 5.202,54, apurado no 2° decêndio de junho de 2003, não pode diminuir o crédito da recorrente pleiteado no presente processo, na medida em que já foi quitado, via compensação, com crédito oriundo do pagamento a maior de IPI efetuado no 2° decêndio de abril de 2003. Para comprovar o afirmado, a recorrente pede vênia para juntar aos autos cópias do DARF, do livro de apuração de IPI e do PER/DCOMP acima mencionado (docs. anexos). (Destaques do original). Requer, ao final, o deferimento integral dos créditos, homologando-se por consequência a compensação e, caso se entenda pela necessidade de produção de provas, “seja aberta oportunidade da Requerente se manifestar na instrução do feito e solicitar a produção das provas que se fizerem necessárias.” A empresa foi intimada do teor do acórdão recorrido (fls. 129/130), com ciência por AR em 25 de abril de 2014 (fls. 134), e ingressou com Recurso Voluntário em 26 de maio de 2014 (fls. 162/173), em que rememora todos os fatos (fls. 162/165), e insistindo que, ao contrário da glosa de R$ 30.968,97 possui é um crédito maior pelo valor total de R$ 43.075.91 (fls. 166/169), e acrescenta, verbis. Neste esteio, ainda que a Receita Federal tenha acesso irrestrito a todos os documentos fiscais e comprovantes de arrecadação da Recorrente, acosta ao presente recurso (i) as cópias dos DARRF de pagamento de IPI, referentes ao 3º decêndio de março de 2003, no valor de (a) R$ 17.309,48; ao 1º decêndio de abril de 2003, no valor de R$ 25.766,43; e ao 2º decêndio de abril, no valor de (c) R$ 7.853,71, documentos que além de acostados, também sequem colacionados abaixo; (ii) cópia do livro de apuração de IPI de 2003; e (iii) cópia do PER/DCOMP nº 03637.02839.300603.1.3.04.0603, para restar comprovado todo o direito aqui demonstrado Na sequência, faz juntada de DARF de R$ 17.309,48, com vencimento em 10.04.2003 (fls. 169); DARF no valor de R$ 25.766,43, com vencimento em 17.04.2003 (fls. 170); e, DARF no valor de R$ 7.853,71, com vencimento em 30.04.2003 (fls. 170), pugnando pelo recebimento de tais documentos mesmo que em sede de recurso voluntário, e arremata (fls. 170/171), verbis. Com efeito, deve se admitir o recebimento dos documentos ora acostados para afastar qualquer dúvida quanto ao direito da recorrente ao crédito pleiteado. Não se admite que um mero erro formal, ou o extravio de documentos, seja capaz de restringir o direito da Recorrente ao crédito pleiteado, considerando que tal ausência poderia ter sido sanada durante todo op curso deste processo administrativo com a intimação da Recorrente à apresentação de documentos, ou mesmo, poderiam ter sido obtidos de ofício pela Fl. 230DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-000.994 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.900605/2006-49 fiscalização, que detém pleno acesso aos documentos necessários à comprovação da questão. Após citar jurisprudência deste colegiado sobre o princípio da verdade material (fls. 172/173), requereu o provimento do seu apelo para o fim de reformar o v. acórdão recorrido, deferir o crédito perseguido e quitar os débitos objeto da compensação em comento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. O recurso é tempestivo, uma vez que a empresa foi notificada do teor da decisão recorrida no dia 25 de abril de 2014, uma sexta-feira (fls. 134) e ingressou com seu Recurso Voluntário em 26 de maio subsequente, uma segunda-feira (fls. 162), dentro, pois, do trintídio legal para tal mister. Presentes os demais pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do apelo do recorrente. Trata-se de pedido de ressarcimento de créditos presumidos de IPI, apurados no 1º trimestre de 2003, no valor de R$ 110.770,60, cumulado com declaração de compensação de débitos de IRPJ e CSLL do período de agosto e dezembro de 2003, respectivamente. A pretensão da empresa foi deferida parcialmente pelo montante de R$ 79.801,63, com glosa da diferença da ordem de R$ 30.968,97, por entender a Fiscalização que “houve a constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP”. Nada obstante os argumentos (fls. 2/7) e documentos (fls. 48/114) exibidos com a Manifestação de Inconformidade, o acórdão recorrido manteve o despacho decisório com a glosa acima referenciada, ao fundamento de que “tratando-se de ressarcimento ou restituição o ônus de provar a existência do direito creditório é do contribuinte, pelo que se mantém indeferimento parcial contra o qual o contribuinte alega recolhimentos que teriam sido desprezados, mas não os compova” (fls. 120/122), e arremata (fls. 122), verbis. Como se sabe, as provas devem ser apresentadas juntamente com a Manifestação de Inconformidade, salvo impossibilidade devidamente demonstrada (art. 16, § 4º, caput e alínea “a”, do Decreto 70.235/72). Na situação em análise não vislumbro qualquer impedimento para que tivessem sido apresentadas ao menos cópias dos DARF e do RAIPI. Fl. 231DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-000.994 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.900605/2006-49 Sem tais provas as alegações, apesar verossímeis, devem se rejeitadas. Afinal, em ressarcimento ou restituição o ônus de provar a existência do direito creditório é do contribuinte. Contrapondo-se aos argumentos do acórdão recorrido, insiste a recorrente no acerto de sua pretensão, documentalmente comprovados, ao fundamento de que a verdade material deve sempre prevalecer sobre a literalidade interpretativa das normas de regêncial. Por tal razão, sustenta a recorrente, “não pode ser mantida a decisão que indeferiu a Manifestação de Inconformidade única e tão somente em razão de não ter sido apresentado o comprovante de recolhimento do DARF, visto que as informações contidas sempre estiveram ao acesso da Receita Federal, cabendo ao fiscal acessá-las ou não”. E prossegue a recorrente (fls. 168/169), verbis. Portanto, vale repisar que em respeito ao princípio da verdade material, não poderia a Recorrente ser submetida a uma dupla incidência tributária em função de um extravio dos documentos, ou mesmo pela inércia do fiscal, já que as informações julgadas imprescindíveis sempre estiveram a seu dispor. ....................................................................(omissis)........................................................... Neste esteio, ainda que a Receita Federal tenha acesso irrestrito a todos os documentos fiscais e comprovantes de arrecadação da Recorrente, acosta ao presente recurso (i) as cópias dos DARRF de pagamento de IPI, referentes ao 3º decêndio de março de 2003, no valor de (a) R$ 17.309,48; ao 1º decêndio de abril de 2003, no valor de R$ 25.766,43; e ao 2º decêndio de abril, no valor de (c) R$ 7.853,71, documentos que além de acostados, também sequem colacionados abaixo; (ii) cópia do livro de apuração de IPI de 2003; e (iii) cópia do PER/DCOMP nº 03637.02839.300603.1.3.04.0603, para restar comprovado todo o direito aqui demonstrado. Cotejando os argumentos do acórdão recorrido com os argumentos do sujeito passivo, documentalmente ilustrados, entendo que se deva confirmar se os DARFs exibidos com o recurso em apreciação, realmente, correspondem aos créditos perseguidos pela empresa, pincipalmente tendo em vista a jurisprudência assentada neste Conselho e nesta Turma, a partir de precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que, em busca da verdade material, deve-se admitir todas as provas e documentos trazidos aos autos também em sede de Recurso Voluntário. Por isto mesmo, formalizei inicialmente proposta de Diligência à repartição de origem, rejeitada pelos demais membros desta Turma, com os seguintes quesitos: (i) – examinar a documentação e argumentos exibidos com o recurso, atestando a sua veracidade, inclusive quanto aos montantes recolhidos; (ii) – examinar os Livros Diário e Razão da empresa e comprovar (ou não) se tais pagamentos e documentos foram neles efetivamente lançados/registrados; (iii) – em virtude dos argumentos recursais e dos documentos dos autos constantes, examinar in loco e/ou requerer da empresa a exibição de outros documentos que entendam necessários parao melhor e mais adequado deslinde da controvérsia posta em debate; (iv) – elaborar relatório circunstanciado sobre o resultado da diligência; (v) – intimar o contribuinte sobre o teor e resultado da diligência para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias; e, (vi) – retornar os autos ao Carf, para prosseguir no julgamento da demanda. Fl. 232DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-000.994 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.900605/2006-49 Rejeitado mais uma vez o pedido de diligência do sujeito passivo, entendo que restou caracterizado o cerceamento ao direito de defesa do contribuinte para confirmar as provas materiais do seu alegado direito Por isto mesmo, o que me parece mais razoável é aceitar-se como verdadeiros os documentos exibidos pelo sujeito passivo, ou seja, o DARF de R$ 17.309,48, com vencimento em 10.04.2003 (fls. 169); o DARF no valor de R$ 25.766,43, com vencimento em 17.04.2003 (fls. 170); e, o DARF no valor de R$ 7.853,71, com vencimento em 30.04.2003 (fls. 170), exibidos em sede de recurso voluntário. Registre-se, por oportuno, que já é pacífico o entendimento neste colegiado, a partir de decisões da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais, a possibilidade de juntada de documentos em fase recursal, para comprovar argumentos sustentados desde a manifestação de inconformidade ou impugnação, em busca da verdade material e para homenagear o tão festejado princípio da ampla defesa constitucionalmente a todos assegurado, merecendo transcrição a ementa do Acórdão CSRF Nº 9303-005.065, proferido em 16 de maio de 2017, em que se deu provimento a Recurso Especial do contribuinte, em circunstâncias semelhantes àquela discutida nos presentes autos (juntada de documentos com o recurso voluntário), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. (Destaquei). Recurso especial do contribuinte provido O processo em que foi proferido o voto acima pela CSFR, foi redistribuído a este relator e unanimemente convertido em Diligência à Repartição de Origem, através da Resolução nº 3001-000.084, de 10 de julho de 2018, cujo voto assim concluiu, verbis. Registre-se, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinte-recorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinando-se o "retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, Fl. 233DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-000.994 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.900605/2006-49 no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : "Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário.". Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF (fls. 654/659), tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão (fls. 654), e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065 3ª Turma (fls. 654/664). Ressalte-se, por outro lado que, nesta e em outras Câmaras e Turmas do CARF, vem se consolidando o entendimento de que a verdade material deve sobrepor-se aos conceitos estritamente legalistas. Entre outros, podemos citar o Acórdão nº 1402-000.686, proferido em 05 de agosto de 2011 (Processo nº 11020.002050/0019), pela 4ª Câmara da 2ª Tuma Ordinária do CARF, assim ementado, verbis. ASSUNTO : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-Calendário : 1997, 1998 e 1999 BUSCA DA VERDADE MATERIAL. Nos processos administrativos predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador e se a obrigação teve o seu nascimento e regular constituição. Neste contexto, devem ser superados os erros de procedimentos dos contribuintes ou da fiscalização que não impliquem em prejuízo às partes, por conbsequência, ao processo. Diante do exposto, considerando que as normas legais devem ser interpretadas de forma a se buscar mais a intenção do legislador do que o sentido literal da linguagem (art. 112 do Código Civil de 2002); considerando a expressa recomendação constante da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (alteração introduzida pela Lei 12.376/2010) no sentido de que, “na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum” (art. 5º), bem assim, que, “quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito” (art. 4º); considerando que é pacifico neste colegiado o entendimento de que a verdade material deve sempre sobrepor-se à verdade estritamente formal; considerando que eventual erro do contribuinte não causou nenhum prejuízo ao erário; considerando que está evidenciado nos autos que existe grande probabilidade de que realmente existe o direito ao crédito alegado pelo recorrente; considerando que a divergência Fisco-Contribuinte reside na alegação do sujeito passivo de que possui os créditos decorrentes dos DARFs nos valores de R$ 17.309,48, com vencimento em 10.04.2003 (fls. 169); de R$ 25.766,43, com vencimento em 17.04.2003 (fls. 170); e, de R$ 7.853,71, com vencimento em 30.04.2003 (fls. 170), totalizando os alegados R$ 50.929,62, exibidos em sede de recurso voluntário e que motivaram a rejeitada proposta de diligência para confirmar a sua autenticidade e lançamento nos livros contábeis da recorrente; considerando que já é pacífico no Carf e na própria CSRF o entendimento de que se deva aceitar documentos exibidos em sede de recurso voluntário, em homenagem ao princípio da verdade material (Acórdão CSRF nº 9303-005.065, proferido em 16 de maio de 2017); considerando os precedentes desta própria 1ª Turma Extraordinária a partir das Resoluções nºs 3001-000.084 a 3001-000.213, proferidas na sessão de 10 de julho de 2018; considerando, ainda que, com o Recurso Voluntário, o recorrente exibiu Fl. 234DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-000.994 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.900605/2006-49 documentação que, por isto mesmo, não foram apreciadas pelos órgãos de 1ª instância (DARFs acima referidos no total de R$ 50.929,62); considerando que, por isto mesmo, fui vencido na proposta de diligência para comprovar (ou não) os argumentos do contribuinte de que tais DARFs garantem os créditos perseguidos neste processo, VOTO no sentido de reconhecer o alegado cerceamento ao direito de defesa da parte recorrente e, consequentemente, por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário da recorrente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante – Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcos Roberto da Silva – Redator Designado Considerando o bem redigido voto do ilustre Conselheiro Relator Francisco Martins Leite Cavalcante, ouso divergir do seu entendimento, como será visto a seguir. Conforme descrito no relatório, o presente processo tem origem no Despacho Decisório de e-fl. 8 que não homologou a compensação informada na DCOMP 11315.06926.050704.1.5.01-9301 em virtude de os créditos nela informados terem sido integralmente utilizados em períodos subseqüentes ao 1º trimestre de 2003, cujos débitos constam de PER/DCOMP transmitidas até a data do PER/DCOMP deste processo. Na Manifestação de Inconformidade a Recorrente alegou terem sido desprezados créditos decorrentes de pagamentos do IPI, que não teriam sido computados no "Demonstrativo da Apuração após o Período do Ressarcimento". Os pagamentos seriam de R$17.309,48 (3º decêndio de março/2003) e R$25.766,43 (1º decêndio de abril/2003) acarretando, assim, alterações no saldo credor dos referidos períodos. Afirmou que, para comprovar, apresentou cópias dos DARFs e do livro de apuração de IPI. O acórdão recorrido afirmou que a então manifestante não contestou os débitos dos citados decêndios, afirmando apenas que o auditor não considerou os créditos decorrentes de pagamentos do IPI. A decisão assim expôs: Como se sabe, as provas devem ser apresentadas juntamente com a Manifestação de Inconformidade, salvo impossibilidade devidamente demonstrada (art. 16, §4º, caput e alínea “a”, do Decreto 70.235/72). Na situação em análise não vislumbro qualquer impedimento para que tivessem sido apresentadas ao menos cópias dos DARF e do RAIPI. Sem tais provas as alegações, apesar verossímeis, devem se rejeitadas. Afinal, em ressarcimento ou restituição o ônus de provar a existência do direito creditório é do contribuinte. No Recurso Voluntário há novamente os argumentos relacionados aos créditos do 3º decêndio de março/2003 e 1º decêndio de abril/2003 afirmando que não foram levados em consideração os recolhimentos dos impostos por meio de DARF, acarretando assim uma redução Fl. 235DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3001-000.994 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.900605/2006-49 do crédito acumulado no período. Destaca também que a Receita Federal possui informações dos recolhimentos (DARFs) não juntados e que isto pode ter ocorrido por um equívoco de ordem material ou pelo próprio extravio da documentação, não podendo a entidade tributária ter indeferido o pedido somente por não ter sido apresentado o comprovante de recolhimento do DARF. Outro ponto suscitado pela Recorrente decorre do fato de que desde o início vem requerendo a produção de provas, entretanto a Receita não efetuou nenhuma intimação para isso. Por fim, requer a juntada dos citados DARFs (R$17.309,48 - 3º decêndio de março/2003 e R$25.766,43 - 1º decêndio de abril/2003), do livro de apuração do IPI e de cópia da PER/DCOMP no 03637.02839.300603.1.3.04-0603. Entendo que assiste razão à decisão vergastada. O Decreto no 70.235/72 é claro quando afirma em seu art. 16, §4º o seguinte: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Apesar de a Recorrente afirmar que a Receita Federal dispõe das informações concernentes aos DARFs não apresentados, é de suma importância a apresentação do livro de apuração do IPI para que se possa efetuar um confronto entre as informações prestadas em sede de manifestação de inconformidade, os registros constantes do citado livro fiscal e os recolhimentos dos DARFs. Portanto, entendo estar precluso o direito da recorrente de apresentar os documentos trazidos aos autos apenas em sede de Recurso Voluntário, visto que lhe foi oportunizado quando da Manifestação de Inconformidade na qual afirmou que estava anexando aos autos os citados documentos, mas não o faz. Também não demonstra em seu Recurso Voluntário qualquer motivo de força maior que impossibilitasse a apresentação destes documentos quando da Manifestação de Inconformidade. Destaco ainda que o ônus da prova em relação aos pedidos de direito creditório recai sobre a requerente, não procedendo o argumento de que cabia à Receita Federal intimar a recorrente a apresentar provas do seu direito. Portanto, dentro deste entendimento, a maioria do colegiado também entendeu que não caberia baixar o processo em diligência tal qual proposto pelo ilustre Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 236DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3001-000.994 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.900605/2006-49 Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13052.000381/2004-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Dec 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. PERDA DO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso voluntário objeto de desistência expressa por parte do contribuinte.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-007.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. Vencidas as Conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurentiis Galkowicz que conheciam do recurso por entender que inexistiria desistência expressa no processo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente).
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201910
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. PERDA DO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso voluntário objeto de desistência expressa por parte do contribuinte. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 06 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13052.000381/2004-03
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6104038
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Dec 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-007.062
nome_arquivo_s : Decisao_13052000381200403.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
nome_arquivo_pdf_s : 13052000381200403_6104038.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. Vencidas as Conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurentiis Galkowicz que conheciam do recurso por entender que inexistiria desistência expressa no processo. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
id : 8011572
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052651174756352
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-02T10:40:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-02T10:40:46Z; Last-Modified: 2019-12-02T10:40:46Z; dcterms:modified: 2019-12-02T10:40:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-02T10:40:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-02T10:40:46Z; meta:save-date: 2019-12-02T10:40:46Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-02T10:40:46Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-02T10:40:46Z; created: 2019-12-02T10:40:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-12-02T10:40:46Z; pdf:charsPerPage: 1599; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-02T10:40:46Z | Conteúdo => SS33--CC 44TT22 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS PPrroocceessssoo nnºº 13052.000381/2004-03 RReeccuurrssoo nnºº Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 3402-007.062 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 24 de outubro de 2019 RReeccoorrrreennttee CURTUME AIMORÉ IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. PERDA DO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso voluntário objeto de desistência expressa por parte do contribuinte. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. Vencidas as Conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurentiis Galkowicz que conheciam do recurso por entender que inexistiria desistência expressa no processo. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 03 81 /2 00 4- 03 Fl. 564DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-007.062 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13052.000381/2004-03 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 18-10.016, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Santa Maria/RS, que por unanimidade julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta, proferido com a seguinte Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 ASSERTIVAS. ILEGALIDADES. INCONSTITUCIONALIDADES. A apreciação de alegações que se refiram à existência de inconstitucionalidades ou ilegalidades. essas contidas em leis ou atos, está deferida ao Poder Judiciário, por força do texto constitucional. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO. PRAZO. Cabe ao contribuinte. no momento da apresentação da manifestação de inconformidade. trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COFINS. PIS. RESSARCIMENTO. GLOSA. BENEFICIO FISCAL. ICMS. COMERCIALIZAÇÃO. Mostra-se indevido o ressarcimento de suposto montante credor de PIS e de COFINS, se na base de cálculo daquelas contribuições não foram incluídos valores resultantes da comercialização de beneficio fiscal. COFINS. PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Do valor das contribuições apuradas segundo o regime da não-cumulatividad,. a pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos listados na legislação de regência. NÃO-CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos no regime da não-cumulatividade somente serão considerados insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833. de 2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de COFINS objeto de ressarcimento. Solicitação Indeferida. Como relatado pela decisão recorrida, trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e Pedido de Restituição de Créditos da COFINS, relativos ao terceiro trimestre de 2004, conforme fls. 01 e 13, depois retificados pelos documentos de fls. 70 e 74. Fl. 565DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-007.062 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13052.000381/2004-03 Foram apresentados diversos pedidos de compensação, além de cópias de atas, procuração, identificação e, posteriormente, documentos fiscais, os quais foram analisados pela equipe de Fiscalização, resultando no Termo de Verificação Fiscal de fls. 115-121. A Recorrente foi intimada da decisão de 1ª Instância pela via postal em data de 11/03/2009, conforme Aviso de Recebimento de fls. 516, apresentando tempestivamente o Recurso Voluntário por meio de protocolo físico em data de 06/04/2009, pelo qual pediu: i) a baixa do processo em diligência para que a autoridade administrativa se manifeste e apure a efetiva razão da diferença encontrada entre o Pedido de Ressarcimento apresentado e os valores deferidos, no sentido de corrigir erro material; ii) o reconhecimento da exclusão do valor das transferências do lCMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS, em face da decisão judicial proferida, bem como a disposição inserta na Medida Provisória n° 451/2008 e, iii) a procedência do recurso para deferimento do ressarcimento da contribuição para o PIS e COFINS objeto da glosa fiscal impugnada, acrescido da taxa SELlC. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora 1. Pressupostos legais de admissibilidade 1.1. Nos termos do relatório, o recurso foi interposto tempestivamente. 1.2. Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins e PIS/Pasep não cumulativos, cumulado com declarações de compensação, cujo Despacho Decisório acatou a Informação Fiscal de fls. 135-141, reconhecendo parcialmente o direito creditório e a legitimidade dos Pedidos de Ressarcimento/Compensação de créditos de PIS/PASEP e de créditos da COFINS vinculados à exportação, com homologação do valor de R$ 522.172,59 (quinhentos e vinte e dois mil, cento e setenta e dois reais e cinquenta e nove centavos), conforme Despacho Decisório DRF/SCS de fls. 143. A glosa de créditos realizada, objeto da contestação, ocorreu pelos seguintes motivos: a) Não inclusão, dentre as receitas submetidas à incidência da contribuição, dos valores correspondentes as transferências de créditos excedentes de ICMS, efetuadas pela recorrente em favor de seus fornecedores para fins de pagamento dos insumos adquiridos. b) Inclusão na base de cálculo da referida contribuição das despesas com: manutenção de máquinas e equipamentos; serviços de terceiros PJ; comissões; compra de material de consumo; programa alimentação do trabalhador; combustíveis de veículos; manutenção de veículos, laboratórios; assistência médica; embarques; programa vale transporte; manutenção de informática e Fl. 566DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-007.062 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13052.000381/2004-03 fretes e carretos e serviços prestados por pessoas jurídicas, pagos pela Recorrente. Diante da homologação parcial o pedido de crédito resultou no demonstrativo do valor consolidado de fls. 246 a 308. O Recurso Voluntário de fls. 517 a 545 foi apresentado em data de 06/04/2009 com os seguintes pedidos: a) determinem seja o presente processo baixado em diligência para que a autoridade administrativa se manifeste e apure a efetiva razão da diferença encontrada entre o Pedido de Ressarcimento apresentado e os valores deferidos, no sentido de ser corrigido o erro material constatado, conforme alegado na preliminar acima citada; b) seja reconhecido, imediatamente, a exclusão do valor das transferências do lCMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS, em face da decisão judicial proferida, bem como a disposição inserta na Medida Provisória n° 451/2008; c) que o presente recurso seja julgado procedente, com vistas a ser deferido o ressarcimento da contribuição para o PIS e COFINS objeto da glosa fiscal ora impugnada, correspondente à diferença entre o total do pedido de ressarcimento apresentado (R$ 786.952,35) menos o valor reconhecido pelo Fisco (R$ 522.172,59), sendo que isso importa a restituição do valor de R$ 264.779,76 (duzentos e sessenta e quatro mil, setecentos e setenta e nove reais e setenta e seis centavos) acrescido da taxa SELlC. Com a peça recursal foi anexada decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no Recurso de Apelação Cível nº 2005.71.11.004616-1 (fls. 547-552), publicada em data de 26/09/2007, pela qual foi reconhecido que não incide PIS e COFINS sobre as transferências de créditos de ICMS para terceiros. A Contribuinte não apresentou a peça vestibular do Mandado de Segurança em referência. Da análise do v. Acórdão trazido aos autos, é possível verificar no r.voto da Relatora Juíza Federal Cláudia Cristina Cristofani, que a demanda judicial versa sobre “definir se é legitima a inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores provenientes do creditamento do ICMS, recolhidos nas operações anteriores, que tenham sido transferidos a outros contribuintes do mesmo Estado, segundo a permissão legal do art. 25, §2°, inc. II, da LC n. 87/96”. Diante da constatação de que aquela ação judicial tem a mesma discussão jurídica deste processo administrativo, caberia a aplicação da Súmula CARF nº 01 1 por configuração de concomitância. Ocorre que, após a interposição do recurso, às fls. 556-562 dos autos eletrônicos, a Contribuinte apresentou a seguinte manifestação, instruída com cópia do acompanhamento processual e julgamento do RE 741906 (fls. 558-562),n o que fez nos seguintes termos: 1 Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 567DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-007.062 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13052.000381/2004-03 1. A impugnante teve reconhecido judicialmente o direito da empresa à não incidência de PIS/COFINS sobre as transferências de ICMS, sendo que a decisão do STF transitou em julgado (anexo 1), mas estava aguardando a análise de Recurso Extraordinário selecionado como Repercussão Geral sob n° 606.107 no Supremo Tribunal Federal. 2. Contudo, o processo que deu ensejo à repercussão geral foi julgado no dia 22 de novembro de 2013, reconhecendo a exclusão das transferências de ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS, motivo pelo qual não há mais motivos para manter o processo pendente de julgamento perante esse órgão (anexo 2). 3. Assim, considerando que a decisão proferida no processo administrativo não analisou a questão relativa as transferências de ICMS, sob o argumento de que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial — por qualquer modalidade processual-, antes ou posteriormente autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; 4. Considerando que a empresa obteve êxito perante o STF, e o recurso que estava sobrestando o trânsito em julgado da decisão foi decidido no STF, requer o imediato pagamento dos valores relativos às transferências de ICMS que estavam vinculados a esse processo administrativo. (sem destaque no texto original) Diante da manifestação com expressa de desistência, acima reproduzida e destacada, entendo que deve ser aplicada a previsão do artigo 78 do RICARF 2 . Por fim, igualmente não é possível conhecer o pedido de "imediato pagamento dos valores relativos as transferências de ICMS que estavam vinculados a esse processo administrativo", uma vez que cabe à Contribuinte proceder na forma legalmente prevista sobre restituição, compensação, ressarcimento e reembolso, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que na época da manifestação em referência era regida pela Instrução Normativa RFB nº 1425, de 19 de dezembro de 2013 e, atualmente, sob vigência da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, com alterações pela Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018. Desse modo, em razão do expresso pedido de desistência e, ante à inexistência de qualquer matéria controvertida remanescente, voto por não conhecer do recurso voluntário. 2 Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Fl. 568DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-007.062 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13052.000381/2004-03 2. Dispositivo Ante o exposto, não conheço do recurso voluntário por perda superveniente do objeto. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 569DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.943363/2009-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 28/03/2005
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Tendo sido interrompida pela unidade de origem a análise do direito creditório por premissa afastada em sede de recurso voluntário, deve-se retornar o processo àquela unidade para que seja ali examinado o mérito em sua íntegra.
Numero da decisão: 1001-001.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações e determinando o retorno do processo à DRF de origem para que seja ali examinado o mérito em sua íntegra.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201912
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/03/2005 COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Tendo sido interrompida pela unidade de origem a análise do direito creditório por premissa afastada em sede de recurso voluntário, deve-se retornar o processo àquela unidade para que seja ali examinado o mérito em sua íntegra.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15374.943363/2009-15
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6107030
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1001-001.557
nome_arquivo_s : Decisao_15374943363200915.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : SERGIO ABELSON
nome_arquivo_pdf_s : 15374943363200915_6107030.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações e determinando o retorno do processo à DRF de origem para que seja ali examinado o mérito em sua íntegra. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
id : 8018901
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052651177902080
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-08T14:50:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-08T14:50:31Z; Last-Modified: 2019-12-08T14:50:31Z; dcterms:modified: 2019-12-08T14:50:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-08T14:50:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-08T14:50:31Z; meta:save-date: 2019-12-08T14:50:31Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-08T14:50:31Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-08T14:50:31Z; created: 2019-12-08T14:50:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-12-08T14:50:31Z; pdf:charsPerPage: 1579; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-08T14:50:31Z | Conteúdo => S1-TE01 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 15374.943363/2009-15 Recurso Voluntário Acórdão nº 1001-001.557 – 1ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 05 de dezembro de 2019 Recorrente SEA WORLD OPERADORA PORTUÁRIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/03/2005 COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Tendo sido interrompida pela unidade de origem a análise do direito creditório por premissa afastada em sede de recurso voluntário, deve-se retornar o processo àquela unidade para que seja ali examinado o mérito em sua íntegra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações e determinando o retorno do processo à DRF de origem para que seja ali examinado o mérito em sua íntegra. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 94 33 63 /2 00 9- 15 Fl. 456DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-001.557 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.943363/2009-15 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 86/88) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 09, que não homologou a compensação constante da DCOMP 28013.87891.120606.1.3.04-1700, de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior no montante de R$ 5.993,25, tendo em vista que os valores do DARF informado como origem do crédito, de período de apuração 28/02/2005, data de arrecadação 28/03/2005, código de receita 5993 (IRPJ-OPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REAL-ESTIMATIVA MENSAL) e valor total de R$ 5.993,25, informado como origem do crédito, conforme art. 10 da IN SRF nº 600/2005, não podem ser utilizados em compensações que não tenham como crédito o saldo negativo do referido tributo ao final do período de apuração. Em sua manifestação de inconformidade (folhas 11/14), a contribuinte alega, em síntese do necessário, erro de fato no preenchimento do valor correspondente ao débito de estimativa de IRPJ de fevereiro de 2005 na DCTF original, a qual foi retificada, informando que tal débito está corretamente apurado na DIPJ relativa ao período. Anexa cópias das declarações para comprovação. No acórdão a quo, a não-homologação foi mantida por concordância com as razões do despacho decisório. Ciência do acórdão DRJ em 14/09/2011 (folha 454). Recurso voluntário apresentado em 04/10/2011 (folha 92). A recorrente, às folhas 92/98, em síntese do necessário, reitera suas alegações anteriores e reapresenta cópias das mencionadas declarações. É o relatório. Fl. 457DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-001.557 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.943363/2009-15 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. O Despacho Decisório emitido pela DRF de origem e o acórdão recorrido apresentam entendimento ultrapassado quando afirmam que foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratar-se de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Isto porque, tendo em vista a publicação da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5/12/2011, que homogeneizou o entendimento da RFB a respeito da possibilidade de restituição ou compensação de pagamentos indevidos de estimativas, conforme ementa transcrita a seguir, é cabível a análise da existência do direito creditório pleiteado pela contribuinte na DCOMP em análise. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracteriza-se como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplica-se inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Isto posto, verifica-se que, pela Solução de Consulta supra, restou decidido pela aplicação do disposto no art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que passou a permitir a compensação de pagamentos indevidos de estimativas, aos processos pendentes de decisão administrativa. Tal entendimento é consolidado na Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de Fl. 458DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-001.557 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.943363/2009-15 estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Assim, para que não haja supressão de instância no julgamento, deve o processo retornar à DRF que proferiu o Despacho Decisório em questão para que, afastada a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações, seja o mérito analisado na íntegra naquela unidade de origem. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento em parte ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações e determinando o retorno do processo à DRF de origem para que seja ali examinado o mérito em sua íntegra. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 459DF CARF MF http://portal.imprensanacional.gov.br/web/guest/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/40320339/do1-2018-09-11-ata-de-julgamento-40320301 http://portal.imprensanacional.gov.br/web/guest/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/40320339/do1-2018-09-11-ata-de-julgamento-40320301
score : 1.0
Numero do processo: 11128.008181/2006-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Nov 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 04/11/2002
IMPORTAÇÃO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. DESCRIÇÃO INCORRETA DA MERCADORIA. INFRAÇÃO POR IMPORTAR MERCADORIA SEM LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. LICENCIAMENTO AUTOMÁTICO. INOCORRÊNCIA.
O erro de enquadramento tarifário da mercadoria e/ou sua descrição incorreta na declaração de importação, nos casos em que a importação esteja sujeita ao procedimento de licenciamento automático, não constitui infração ao controle administrativo das importações por importação de mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente.
Numero da decisão: 9303-009.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Relator.
Participaram da Sessão de Julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/11/2002 IMPORTAÇÃO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. DESCRIÇÃO INCORRETA DA MERCADORIA. INFRAÇÃO POR IMPORTAR MERCADORIA SEM LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. LICENCIAMENTO AUTOMÁTICO. INOCORRÊNCIA. O erro de enquadramento tarifário da mercadoria e/ou sua descrição incorreta na declaração de importação, nos casos em que a importação esteja sujeita ao procedimento de licenciamento automático, não constitui infração ao controle administrativo das importações por importação de mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11128.008181/2006-04
anomes_publicacao_s : 201911
conteudo_id_s : 6100532
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Nov 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-009.792
nome_arquivo_s : Decisao_11128008181200604.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 11128008181200604_6100532.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
id : 8003067
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052651178950656
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-11-22T19:39:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-11-22T19:39:13Z; Last-Modified: 2019-11-22T19:39:13Z; dcterms:modified: 2019-11-22T19:39:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-11-22T19:39:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-11-22T19:39:13Z; meta:save-date: 2019-11-22T19:39:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-11-22T19:39:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-11-22T19:39:13Z; created: 2019-11-22T19:39:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-11-22T19:39:13Z; pdf:charsPerPage: 1554; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-11-22T19:39:13Z | Conteúdo => CSRF-T3 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11128.008181/2006-04 Recurso Especial do Procurador Acórdão nº 9303-009.792 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 12 de novembro de 2019 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AROMAT PRODUTOS QUÍMICOS LTDA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/11/2002 IMPORTAÇÃO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. DESCRIÇÃO INCORRETA DA MERCADORIA. INFRAÇÃO POR IMPORTAR MERCADORIA SEM LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. LICENCIAMENTO AUTOMÁTICO. INOCORRÊNCIA. O erro de enquadramento tarifário da mercadoria e/ou sua descrição incorreta na declaração de importação, nos casos em que a importação esteja sujeita ao procedimento de licenciamento automático, não constitui infração ao controle administrativo das importações por importação de mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 81 81 /2 00 6- 04 Fl. 489DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.792 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11128.008181/2006-04 Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no acórdão nº 3102-001.224, de 06 de outubro de 2011 (e-folhas 01 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 04/11/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. BETONE. Segundo laudo técnico laboratorial, o produto Betone é uma argila montmorilonita tratada com Alquilamônio, um derivado orgânico de argila, de constituição química não definida. Atesta o lado que não se trata de argila naturalmente ativada, esta tem como principal característica poder adsortivo, enquanto o produto em questão tem caráter oleofílico (hidrofóbico). O referido produto não é uma matéria mineral natural ativada e assim, com base na RGI nº 1 do SH, deve ser classificado na posição 3824.90.89. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação na hipótese em que a revisão da classificação fiscal não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada. Recurso Voluntário Provido em Parte A divergência suscitada no recurso especial (e-folhas 317 e segs) diz respeito à multa por falta de licença de importação, prevista no art. 169, I, “b”, do Decreto-Lei 37/1966, alterado pelo art. 2º da Lei 6.562/1978, aplicada nos casos de declaração incorreta da mercadoria e erro de classificação fiscal. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e- folhas 333 e segs. Contrarrazões do contribuinte às e-folhas 362 e segs. Pede que não seja admitido o recurso e, no mérito, que lhe seja negado provimento. É o Relatório. Fl. 490DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.792 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11128.008181/2006-04 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. Admissibilidade A contrarrazoante alega que o recurso não observou o art. 67, § 7º do Regimento Interno do CARF. Segundo entende, a recorrente deixou de apresentar cópia do inteiro teor do acórdãos. Sem razão a contrarrazoante. O § 9º do mesmo art. 67 faculta a reprodução das ementas no corpo do recurso. À e-folha 321 é possível atestar que isso foi feito. Mérito Tal como já tive a oportunidade de me manifestar em outras ocasiões, a jurisprudência a respeito da matéria controvertida nos autos já está há muito pacificada no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Pelo menos por meio dos acórdãos nº 9303- 004.640, de 15/02/2017, nº 930301.567, de 06/07/2011, 9303-001.706, de 05/10/2011 e 9303 002.780, de 22/01/2014, ela foi objeto de análise e decisão. Mais um vez, lanço mão do voto da lavra do i. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, em decisão proferida nos autos do processo administrativo n.º 11128.007425/9989, acórdão nº 9303-01.567, de 06/07/2011, cujos fundamentos adoto, in totum, como razão de decidir 1 . Como é cediço, o regime de licenciamento de importações é regido pelo Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações (APLI), negociado no âmbito da Rodada do Uruguai, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, em cujo artigo 1 se lê: Artigo 1 Disposições Gerais Fl. 491DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.792 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11128.008181/2006-04 1. Para os fins do presente Acordo, o licenciamento de importações será definido como os procedimentos administrativos utilizados na operação de regimes de licenciamento de importações que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador. (destaquei) Pois bem, na vigência do APLI, parte significativa das operações de comércio exterior deixa de ser alvo de licenciamento prévio, que somente passa a ser exigido de maneira residual. Com efeito, analisando os artigos 2 e 3 do já citado acordo, responsáveis, respectivamente, pelo disciplinamento do Licenciamento Automático e Não- Automático, vê-se que, em verdade, ambas as modalidades definidas naquele ato negocial alcançam o universo de mercadorias que estão sujeitas a alguma modalidade de controle administrativo. Nas hipóteses em que esse controle não é exercido não há que se falar em licenciamento. Veja-se a redação da alínea “b”, do item 2 do art. 2 do Acordo: (b) os Membros reconhecem que o licenciamento automático de importações poderá ser necessário sempre que outros procedimentos adequados não estiverem disponíveis. O licenciamento automático de importações poderá ser mantido na medida em que as circunstâncias que o originaram continuarem a existir e seus propósitos administrativos básicos não possam ser alcançados de outra maneira. Por outro lado, esclarece o art. 3: Artigo 3 Licenciamento Não Automático de Importações 1. Além do disposto nos parágrafos 1 a 11 do Artigo 1, as seguintes disposições aplicar-se-ão a procedimentos não automáticos para o licenciamento de importações. Os procedimentos não-automáticos para licenciamento de importações serão definidos como o licenciamento de importações que não se enquadre na definição prevista no parágrafo 1 do Artigo 2. Segundo a definição do parágrafo 1 do art. 2: 1. O licenciamento automático de importações será definido como o licenciamento de importações cujo pedido de licença é aprovado em todos os casos e de acordo com o disposto no parágrafo 2(a). Ou seja, o licenciamento automático é sempre concedido, desde que cumpridos os ritos definidos pela legislação do Estado-parte. O não-automático, normalmente utilizado para controle de cotas, pode ser concedido ou não. Comparando esses dispositivos com o contexto do licenciamento realizado no âmbito do Siscomex, disciplinado pela Portaria Secex nº 21, de 1996, cujos procedimentos 1 Todas as premissas adotadas no acórdão nº 9303-001.567 são aplicáveis à lide, uma vez que o sistema de licenciamento tenha sido alterado apenas em 01/12/2003, por meio da Portaria Secex nº 17. Fl. 492DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.792 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11128.008181/2006-04 foram alvo do Comunicado Decex nº 12, de 1997, chega-se à conclusão de que o regime que se convencionou denominar licenciamento automático, em verdade, representa a dispensa desse controle administrativo, o qual relembre-se, segundo o art. 1 do APLI, alcança exclusivamente controles que envolvem “a apresentação de um pedido ou de outra documentação diferente daquela necessária para fins aduaneiros”. Nesse aspecto, é importante trazer à colação o que dispõe o art. 4º da Portaria Interministerial nº 109, de 12 de dezembro de 1996, que trata do processamento das operações de importação no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Art. 4º Para efeito de licenciamento da importação, na forma estabelecida pela SECEX, o importador deverá prestar as informações específicas constantes do Anexo II. § 1º No caso de licenciamento automático, as informações serão prestadas por ocasião da formulação da declaração para fins do despacho aduaneiro da mercadoria. § 2º Tratando-se de licenciamento não-automático, as informações a que se refere este artigo devem ser prestadas antes do embarque da mercadoria no exterior ou do despacho aduaneiro, conforme estabelecido pela SECEX. § 3º As informações referidas neste artigo, independentemente do momento em que sejam prestadas, e uma vez aceitas pelo Sistema, serão aproveitadas para fins de processamento do despacho aduaneiro da mercadoria, de forma automática ou mediante a indicação, pelo importador, do respectivo número da licença de importação, no momento de formular a declaração de importação. Extrai-se do referido ato interministerial pelo menos três elementos que, a meu ver, corroboram com o entendimento ora defendido: a) no “controle” que os órgãos governamentais nacionais denominaram licenciamento automático, conforme consignado no § 1º, não se exige qualquer informação ou procedimento diverso da declaração de instrução do despacho de importação; b) quando necessárias, as providências inerentes ao controle administrativo, por definição, são sempre adotadas em data anterior ao embarque da mercadoria. Cabe aqui lembrar a multa especificada no art. 526, VI4 do regulamento aduaneiro vigente à época do fato. Se a LI automática tivesse realmente substituído a Guia de Importação todas as mercadorias sujeitas àquela modalidade de licenciamento estariam sujeitas à penalidade, já que a “LI” é “solicitada” juntamente com registro da Declaração de Importação que, regra geral, só ocorre após a chegada da carga; c) na hipótese do chamado licenciamento automático, não é gerado qualquer documento, físico ou informatizado, que o identifique, até porque, como se viu, nenhum órgão anuente intervém nesse processo. Fl. 493DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-009.792 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11128.008181/2006-04 Dessa forma, forçoso é concluir que, sob a égide da Portaria Secex nº 21, de 1996, aquilo que os atos administrativos licenciamento automático, em verdade, alcança as hipóteses em que a mercadoria não está sujeita a licenciamento. Nesse diapasão, não vejo como imputar a multa em questão à importação de mercadorias sujeitas exclusivamente a controle tarifário. Se a mercadoria não estava sujeita a controle administrativo, salvo melhor juízo, seria um contrasenso aplicar uma penalidade própria do descumprimento deste último controle. Outra discussão comumente travada no âmbito deste Colegiado diz respeito aos efeitos do erro de classificação sobre o licenciamento da mercadoria. Uma tese recorrentemente trazida à baila é a de o erro de classificação não seria suficiente para caracterizar o descumprimento do regime de licenciamento e, nessa condição, não haveria como se considerar que a mercadoria importada não estava licenciada. Na esteira do que se discutiu quando da diferenciação entre licenciamento automático e não-automático, em que se demonstrou que, a partir da Rodada do Uruguai, o Brasil passou a tratar o controle administrativo das importações de maneira seletiva, penso que essa interpretação, com o máximo respeito, não pode prosperar. Nesse novo contexto, o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento não-automático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Veja-se o que ditava o Comunicado Decex nº 12, de 06 de maio de 1997, vigente à época dos fatos: 2. Estão relacionados no Anexo II deste Comunicado os produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais no licenciamento automático, bem como os produtos sujeitos a licenciamento não-automático. 2.1 Quando os procedimentos listados no Anexo II referirem-se, genericamente, a Capítulo, posição ou subposição da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, deverá ser observado o tratamento administrativo específico por item tarifário consignado na tabela "Tratamento Administrativo" do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, aplicável ao produto objeto do licenciamento.(grifei) Ou seja, o erro de classificação, por si só, de fato não é suficiente para caracterizar a conduta sujeita a multa, é necessário que tal erro prejudique o tratamento administrativo da mercadoria, como ocorreria, v.g., na hipótese do código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a não-automática. Fl. 494DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-009.792 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11128.008181/2006-04 Neste caso, forçoso é concluir que a mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada desamparada de documento equivalente à Guia de Importação. Por outro lado, se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Da mesma forma, sem ao menos saber se a mercadoria estava sujeita a licenciamento, não se pode assumir que a descrição inexata, por si, tenha prejudicado tal controle administrativo. (...) Depreende-se dos fundamentos do voto supratranscrito, que nem a descrição incorreta da mercadoria, nem o erro de classificação fiscal constituem razão suficiente para imposição da penalidade de que se trata. De fato, é condição sine qua non que a mercadoria ou a importação esteja sujeita a licenciamento não automático. No caso concreto, a descrição dos fatos do auto de infração guerreado não faz qualquer menção à exigência de licenciamento não automático da importação objeto da lide. Da mesma forma, o demonstrativo de apuração da multa do controle administrativo das importações não informa o número da Guia/Licença de importação vinculada, o que indica tratar-se de importação com licenciamento automático. Com base em tais evidências e nos fundamentos do voto proferido no acórdão nº nº 9303-01.567, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 495DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721565/2017-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE.
Nos termos sedimentos pela Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, o que não se confunde com a análise de eventual ilegalidade praticada no ato administrativo de lançamento.
INTIMAÇÃO AO ADVOGADO.
No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Tema pacificado no âmbito do CARF, com a edição da súmula nº 110.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA.
Indefere-se o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação.
ANÁLISE DE TODOS OS ARGUMENTOS E PRECEDENTES CITADOS PELO SUJEITO PASSIVO. DESNECESSIDADE.
O julgador administrativo não é está obrigado a analisar e responder todos os questionamentos e julgados, administrativos ou judiciais, citados pelo sujeito passivo no Recurso Voluntário, mesmo após a entrada em vigor do artigo 489 do CPC/15. Entendimento em consonância com jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que entende pela necessidade de enfrentamento apenas das questões capazes de infirmar a conclusão da decisão recorrida.
Só existe efeito vinculante, no âmbito do julgamento administrativo federal, quando os julgados e eventuais atos administrativos, invocados ou não pelo contribuinte, tiverem sido proferidos nos contornos das decisões e dos atos listados no artigo 62, § 1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015).
TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL (TDPF).
Suposta inobservância de ato regulamentar, que visa ao controle interno, não implica nulidade dos trabalhos praticados sob sua égide, tendentes à apuração e lançamento do crédito tributário.
ABUSO DE AUTORIDADE. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
ABUSO DE AUTORIDADE. INCOMPETÊNCIA.
O julgador administrativo não tem competência para declarar o abuso de autoridade supostamente cometido em operação realizada pela Polícia Federal e pela Receita Federal do Brasil, com a devida autorização do Poder Judiciário. Assim, não há que se falar em nulidade do lançamento tributário que se baseou em provas e elementos colhidos em procedimento alegado como abusivo pelo sujeito passivo.
DA FALTA DE INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS ACERCA DAS MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS.
Não sendo o lançamento realizado com base no disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430/96, não há necessidade de intimação prévia do contribuinte para se manifestar acerca das movimentações bancárias em conta de sua titularidade mantida junto a instituições financeiras, que não estava devidamente contabilizada.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando a contribuinte demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla nos apelos apresentados.
MUDANÇA DA CRITÉRIO JURÍDICO. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Somente o erro de direito tem o condão de impedir a ajuste do lançamento tributário já devidamente formalizado. Eventual mudança de critério jurídico do lançamento, não implica nulidade do lançamento, e, sim, sua improcedência.
NULIDADE DE PROVAS OBTIDAS NO ÂMBITO DO PODER JUDICIÁRIO. PROVA EMPRESTADA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O julgador administrativo não tem competência para declarar a ilicitude de provas obtidas no bojo de processo judicial, cujo compartilhamento com a Receita Federal do Brasil foi devidamente autorizado pelo Poder Judiciário.
Não há empecilho para utilização das provas colhidas em âmbito judicial no processo administrativo fiscal, em especial quando há determinação de apuração de eventuais ilicitudes praticadas pelo sujeito passivo.
PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
A preclusão consumativa impede que o sujeito passivo inove nos argumentos após a apresentação da Impugnação Administrativa.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015
DECADÊNCIA
Constatado dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelas disposições do art. 173, I, do CTN, hipótese na qual o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015
OMISSÃO DE RECEITAS.
A práticas de atos, comissivos ou omissivos, praticados de forma dolosa, com intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, caracteriza-se como sonegação e autoriza a constituição do crédito tributário pelo agente competente.
LUCRO ARBITRADO. MEDIDA EXCEPCIONAL E OBRIGATÓRIA.
O arbitramento do lucro é medida excepcional e só se aplica nas restritas hipóteses elencadas na legislação, como por exemplo, quando há declaração de imprestabilidade das demonstrações contábeis do sujeito passivo. Como regra, deve-se apurar eventuais tributos devidos de acordo com a opção do contribuinte de tributação para o referido ano-calendário. Contudo, sendo identificada alguma das hipóteses legais de arbitramento, a apuração pelo lucro arbitrado se torna obrigatória.
LUCRO ARBITRADO. IMPRESTABILIDADE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS. OMISSÃO DE RECEITAS.
A omissão de receitas, que se mostra relevante e feita de forma reiterada, sendo comprovada, inclusive, quando da análise de controles e planilhas apreendidos pela fiscalização e que eram mantidos à margem das demonstrações contábeis, autoriza a declaração de imprestabilidade da contabilidade e, por consequência, o arbitramento do lucro do contribuinte .
MULTA QUALIFICADA.
Comprovadas condutas e omissões dolosas do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 72, da Lei 4.502/64, praticadas no sentido de ocultar, excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, correta a qualificação da multa, nos termos definidos pela legislação.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 124, INCISO I DO CTN.
Na imputação de responsabilidade tributária, com base no artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional, é dever da fiscalização comprovar o interesse comum dos responsáveis no nascimento da obrigação tributária. Não se admite a imputação de responsabilidade com base neste dispositivo apenas pelo fato da pessoa física ser sócia da entidade.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 124, INCISO I DO CTN. GRUPO ECONÔMICO.
Admite-se a imputação de responsabilidade tributária, com base no artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional, quando a fiscalização comprovar que a pessoa jurídica, pertencente ao mesmo grupo econômico do sujeito passivo, tiver praticado atos em conjunto com este, que deram causa ao nascimento da obrigação tributária.
RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. ART. 135, III DO CTN.
Cabe à fiscalização demonstrar e comprovar condutas praticadas pelo sócio-administrador, nos termos definidos no artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional, para que possa ser atribuída a esse a responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário. Não estando, no Auto de Infração lavrado, demonstradas aquelas condutas, deve ser afastada a responsabilidade atribuída pela fiscalização.
Numero da decisão: 1302-004.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário do contribuinte principal (Tudor SP); em rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida e do lançamento e, ainda, a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao recurso; e quanto aos recursos dos responsáveis solidários, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela empresa Indústria Tudor MG de Baterias Ltda; em dar provimento ao recurso dos responsáveis Milton José Tessari; Itamar Crivelli; Péricles José Ramos Mendes; Sérgio Luis Fioravante; Edson David Marques da Silva e Cezar Augusto Pereira Machado; e, em dar provimento parcial aos recursos dos responsáveis José Ricardo de Miranda; Dalilo Bilches Medinas e José Carlos Caminha, para afastar a imputação com base no art. 124, inc. I do CTN, mantendo a imputação de responsabilidade com base no artigo 135, inciso III do CTN.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10825.721565/2017-31
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6106947
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-004.096
nome_arquivo_s : Decisao_10825721565201731.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 10825721565201731_6106947.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário do contribuinte principal (Tudor SP); em rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida e do lançamento e, ainda, a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao recurso; e quanto aos recursos dos responsáveis solidários, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela empresa Indústria Tudor MG de Baterias Ltda; em dar provimento ao recurso dos responsáveis Milton José Tessari; Itamar Crivelli; Péricles José Ramos Mendes; Sérgio Luis Fioravante; Edson David Marques da Silva e Cezar Augusto Pereira Machado; e, em dar provimento parcial aos recursos dos responsáveis José Ricardo de Miranda; Dalilo Bilches Medinas e José Carlos Caminha, para afastar a imputação com base no art. 124, inc. I do CTN, mantendo a imputação de responsabilidade com base no artigo 135, inciso III do CTN. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
id : 8017783
ano_sessao_s : 2019
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Nos termos sedimentos pela Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, o que não se confunde com a análise de eventual ilegalidade praticada no ato administrativo de lançamento. INTIMAÇÃO AO ADVOGADO. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Tema pacificado no âmbito do CARF, com a edição da súmula nº 110. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. ANÁLISE DE TODOS OS ARGUMENTOS E PRECEDENTES CITADOS PELO SUJEITO PASSIVO. DESNECESSIDADE. O julgador administrativo não é está obrigado a analisar e responder todos os questionamentos e julgados, administrativos ou judiciais, citados pelo sujeito passivo no Recurso Voluntário, mesmo após a entrada em vigor do artigo 489 do CPC/15. Entendimento em consonância com jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que entende pela necessidade de enfrentamento apenas das questões capazes de infirmar a conclusão da decisão recorrida. Só existe efeito vinculante, no âmbito do julgamento administrativo federal, quando os julgados e eventuais atos administrativos, invocados ou não pelo contribuinte, tiverem sido proferidos nos contornos das decisões e dos atos listados no artigo 62, § 1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015). TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL (TDPF). Suposta inobservância de ato regulamentar, que visa ao controle interno, não implica nulidade dos trabalhos praticados sob sua égide, tendentes à apuração e lançamento do crédito tributário. ABUSO DE AUTORIDADE. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ABUSO DE AUTORIDADE. INCOMPETÊNCIA. O julgador administrativo não tem competência para declarar o abuso de autoridade supostamente cometido em operação realizada pela Polícia Federal e pela Receita Federal do Brasil, com a devida autorização do Poder Judiciário. Assim, não há que se falar em nulidade do lançamento tributário que se baseou em provas e elementos colhidos em procedimento alegado como abusivo pelo sujeito passivo. DA FALTA DE INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS ACERCA DAS MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS. Não sendo o lançamento realizado com base no disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430/96, não há necessidade de intimação prévia do contribuinte para se manifestar acerca das movimentações bancárias em conta de sua titularidade mantida junto a instituições financeiras, que não estava devidamente contabilizada. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando a contribuinte demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla nos apelos apresentados. MUDANÇA DA CRITÉRIO JURÍDICO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Somente o erro de direito tem o condão de impedir a ajuste do lançamento tributário já devidamente formalizado. Eventual mudança de critério jurídico do lançamento, não implica nulidade do lançamento, e, sim, sua improcedência. NULIDADE DE PROVAS OBTIDAS NO ÂMBITO DO PODER JUDICIÁRIO. PROVA EMPRESTADA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O julgador administrativo não tem competência para declarar a ilicitude de provas obtidas no bojo de processo judicial, cujo compartilhamento com a Receita Federal do Brasil foi devidamente autorizado pelo Poder Judiciário. Não há empecilho para utilização das provas colhidas em âmbito judicial no processo administrativo fiscal, em especial quando há determinação de apuração de eventuais ilicitudes praticadas pelo sujeito passivo. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. A preclusão consumativa impede que o sujeito passivo inove nos argumentos após a apresentação da Impugnação Administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015 DECADÊNCIA Constatado dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelas disposições do art. 173, I, do CTN, hipótese na qual o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015 OMISSÃO DE RECEITAS. A práticas de atos, comissivos ou omissivos, praticados de forma dolosa, com intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, caracteriza-se como sonegação e autoriza a constituição do crédito tributário pelo agente competente. LUCRO ARBITRADO. MEDIDA EXCEPCIONAL E OBRIGATÓRIA. O arbitramento do lucro é medida excepcional e só se aplica nas restritas hipóteses elencadas na legislação, como por exemplo, quando há declaração de imprestabilidade das demonstrações contábeis do sujeito passivo. Como regra, deve-se apurar eventuais tributos devidos de acordo com a opção do contribuinte de tributação para o referido ano-calendário. Contudo, sendo identificada alguma das hipóteses legais de arbitramento, a apuração pelo lucro arbitrado se torna obrigatória. LUCRO ARBITRADO. IMPRESTABILIDADE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS. OMISSÃO DE RECEITAS. A omissão de receitas, que se mostra relevante e feita de forma reiterada, sendo comprovada, inclusive, quando da análise de controles e planilhas apreendidos pela fiscalização e que eram mantidos à margem das demonstrações contábeis, autoriza a declaração de imprestabilidade da contabilidade e, por consequência, o arbitramento do lucro do contribuinte . MULTA QUALIFICADA. Comprovadas condutas e omissões dolosas do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 72, da Lei 4.502/64, praticadas no sentido de ocultar, excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, correta a qualificação da multa, nos termos definidos pela legislação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 124, INCISO I DO CTN. Na imputação de responsabilidade tributária, com base no artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional, é dever da fiscalização comprovar o interesse comum dos responsáveis no nascimento da obrigação tributária. Não se admite a imputação de responsabilidade com base neste dispositivo apenas pelo fato da pessoa física ser sócia da entidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 124, INCISO I DO CTN. GRUPO ECONÔMICO. Admite-se a imputação de responsabilidade tributária, com base no artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional, quando a fiscalização comprovar que a pessoa jurídica, pertencente ao mesmo grupo econômico do sujeito passivo, tiver praticado atos em conjunto com este, que deram causa ao nascimento da obrigação tributária. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. ART. 135, III DO CTN. Cabe à fiscalização demonstrar e comprovar condutas praticadas pelo sócio-administrador, nos termos definidos no artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional, para que possa ser atribuída a esse a responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário. Não estando, no Auto de Infração lavrado, demonstradas aquelas condutas, deve ser afastada a responsabilidade atribuída pela fiscalização.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052651184193536
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-04T23:29:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-04T23:29:34Z; Last-Modified: 2019-12-04T23:29:34Z; dcterms:modified: 2019-12-04T23:29:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-04T23:29:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-04T23:29:34Z; meta:save-date: 2019-12-04T23:29:34Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-04T23:29:34Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-04T23:29:34Z; created: 2019-12-04T23:29:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 78; Creation-Date: 2019-12-04T23:29:34Z; pdf:charsPerPage: 2472; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-04T23:29:34Z | Conteúdo => SS11--CC 33TT22 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10825.721565/2017-31 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 1302-004.096 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 11 de novembro de 2019 RReeccoorrrreennttee INDUSTRIAS TUDOR S.P. DE BATERIAS LTDA. IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Nos termos sedimentos pela Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, o que não se confunde com a análise de eventual ilegalidade praticada no ato administrativo de lançamento. INTIMAÇÃO AO ADVOGADO. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Tema pacificado no âmbito do CARF, com a edição da súmula nº 110. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. ANÁLISE DE TODOS OS ARGUMENTOS E PRECEDENTES CITADOS PELO SUJEITO PASSIVO. DESNECESSIDADE. O julgador administrativo não é está obrigado a analisar e responder todos os questionamentos e julgados, administrativos ou judiciais, citados pelo sujeito passivo no Recurso Voluntário, mesmo após a entrada em vigor do artigo 489 do CPC/15. Entendimento em consonância com jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que entende pela necessidade de enfrentamento apenas das questões capazes de infirmar a conclusão da decisão recorrida. Só existe efeito vinculante, no âmbito do julgamento administrativo federal, quando os julgados e eventuais atos administrativos, invocados ou não pelo contribuinte, tiverem sido proferidos nos contornos das decisões e dos atos listados no artigo 62, § 1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015). TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL (TDPF). Suposta inobservância de ato regulamentar, que visa ao controle interno, não implica nulidade dos trabalhos praticados sob sua égide, tendentes à apuração e lançamento do crédito tributário. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 15 65 /2 01 7- 31 Fl. 5380DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 ABUSO DE AUTORIDADE. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ABUSO DE AUTORIDADE. INCOMPETÊNCIA. O julgador administrativo não tem competência para declarar o abuso de autoridade supostamente cometido em operação realizada pela Polícia Federal e pela Receita Federal do Brasil, com a devida autorização do Poder Judiciário. Assim, não há que se falar em nulidade do lançamento tributário que se baseou em provas e elementos colhidos em procedimento alegado como abusivo pelo sujeito passivo. DA FALTA DE INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS ACERCA DAS MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS. Não sendo o lançamento realizado com base no disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430/96, não há necessidade de intimação prévia do contribuinte para se manifestar acerca das movimentações bancárias em conta de sua titularidade mantida junto a instituições financeiras, que não estava devidamente contabilizada. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando a contribuinte demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla nos apelos apresentados. MUDANÇA DA CRITÉRIO JURÍDICO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Somente o erro de direito tem o condão de impedir a ajuste do lançamento tributário já devidamente formalizado. Eventual mudança de critério jurídico do lançamento, não implica nulidade do lançamento, e, sim, sua improcedência. NULIDADE DE PROVAS OBTIDAS NO ÂMBITO DO PODER JUDICIÁRIO. PROVA EMPRESTADA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O julgador administrativo não tem competência para declarar a ilicitude de provas obtidas no bojo de processo judicial, cujo compartilhamento com a Receita Federal do Brasil foi devidamente autorizado pelo Poder Judiciário. Não há empecilho para utilização das provas colhidas em âmbito judicial no processo administrativo fiscal, em especial quando há determinação de apuração de eventuais ilicitudes praticadas pelo sujeito passivo. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. A preclusão consumativa impede que o sujeito passivo inove nos argumentos após a apresentação da Impugnação Administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015 DECADÊNCIA Constatado dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege- se pelas disposições do art. 173, I, do CTN, hipótese na qual o termo inicial do Fl. 5381DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015 OMISSÃO DE RECEITAS. A práticas de atos, comissivos ou omissivos, praticados de forma dolosa, com intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, caracteriza-se como sonegação e autoriza a constituição do crédito tributário pelo agente competente. LUCRO ARBITRADO. MEDIDA EXCEPCIONAL E OBRIGATÓRIA. O arbitramento do lucro é medida excepcional e só se aplica nas restritas hipóteses elencadas na legislação, como por exemplo, quando há declaração de imprestabilidade das demonstrações contábeis do sujeito passivo. Como regra, deve-se apurar eventuais tributos devidos de acordo com a opção do contribuinte de tributação para o referido ano-calendário. Contudo, sendo identificada alguma das hipóteses legais de arbitramento, a apuração pelo lucro arbitrado se torna obrigatória. LUCRO ARBITRADO. IMPRESTABILIDADE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS. OMISSÃO DE RECEITAS. A omissão de receitas, que se mostra relevante e feita de forma reiterada, sendo comprovada, inclusive, quando da análise de controles e planilhas apreendidos pela fiscalização e que eram mantidos à margem das demonstrações contábeis, autoriza a declaração de imprestabilidade da contabilidade e, por consequência, o arbitramento do lucro do contribuinte . MULTA QUALIFICADA. Comprovadas condutas e omissões dolosas do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 72, da Lei 4.502/64, praticadas no sentido de ocultar, excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, correta a qualificação da multa, nos termos definidos pela legislação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 124, INCISO I DO CTN. Na imputação de responsabilidade tributária, com base no artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional, é dever da fiscalização comprovar o interesse comum dos responsáveis no nascimento da obrigação tributária. Não se admite a imputação de responsabilidade com base neste dispositivo apenas pelo fato da pessoa física ser sócia da entidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 124, INCISO I DO CTN. GRUPO ECONÔMICO. Admite-se a imputação de responsabilidade tributária, com base no artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional, quando a fiscalização comprovar que a pessoa jurídica, pertencente ao mesmo grupo econômico do sujeito passivo, tiver praticado atos em conjunto com este, que deram causa ao nascimento da obrigação tributária. Fl. 5382DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. ART. 135, III DO CTN. Cabe à fiscalização demonstrar e comprovar condutas praticadas pelo sócio- administrador, nos termos definidos no artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional, para que possa ser atribuída a esse a responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário. Não estando, no Auto de Infração lavrado, demonstradas aquelas condutas, deve ser afastada a responsabilidade atribuída pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário do contribuinte principal (Tudor SP); em rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida e do lançamento e, ainda, a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao recurso; e quanto aos recursos dos responsáveis solidários, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela empresa Indústria Tudor MG de Baterias Ltda; em dar provimento ao recurso dos responsáveis Milton José Tessari; Itamar Crivelli; Péricles José Ramos Mendes; Sérgio Luis Fioravante; Edson David Marques da Silva e Cezar Augusto Pereira Machado; e, em dar provimento parcial aos recursos dos responsáveis José Ricardo de Miranda; Dalilo Bilches Medinas e José Carlos Caminha, para afastar a imputação com base no art. 124, inc. I do CTN, mantendo a imputação de responsabilidade com base no artigo 135, inciso III do CTN. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório O presente processo administrativo fiscal teve origem com a lavratura de Autos de Infração (fls. 02 a 210) em face do contribuinte Indústria Tudor S.P. de Baterias Ltda., ora Recorrente, em que foram constituídos créditos tributários de IRPJ, CSLL, COFINS, Contribuição ao PIS, CPRB e IPI. Também foi imputada a responsabilidade de tributária aos sócios-administradores da entidade e a empresa do grupo econômico - INDUSTRIAS TUDOR M. G. DE BATERIAS LTDA –, como se verifica dos termos de fls. 3.261 a 3.320. Pelo o que se depreende do Termo de Verificação Fiscal de fls. 211 a 221 e seus anexos (fls. 222 a 1217), bem como do Relatório Fiscal de fls. 1.218 a 1.269 e anexos (fls. 1.270 a 3.243), acusação fiscal é de que, em síntese, a Recorrente, nos anos calendários fiscalizados (2012 a 2015), engendrou esquema sofisticado de omissão de receitas, basicamente pela venda de produtos sem Nota Fiscal ou sub-faturados, com recebimento de diversas formas (caixa 02), Fl. 5383DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 inclusive com o recebimento de sucata de material dos produtos por ela comercializados, tendo em vista a determinação dos órgãos ambientais da chamada logística reversa. A fiscalização teve início com apreensão de documentos realizada pela operação denominada “Água Viva (Pólo Negativo)”, que fora capitaneada pelo Ministério Público, Polícia Federal e pela Receita Federal do Brasil, em que, como esclarecido no TVF, “foram cumpridos diversos mandados de buscas e apreensões nas sedes das citadas indústrias e nas residências de pessoas naturais a elas ligadas, abrangendo as cidades de Governador Valadares (MG), Cuiabá (MT), Bauru e Piracicaba (SP), exarados pela 1ª Vara da Subseção Judiciária da Justiça Federal de 1º Grau em Governador Valadares – MG – processo 545-24.2014.4.01.3813, bem como decretada a quebra do sigilo telefônico, telemático e fiscal” dos envolvidos. A investigação que, a princípio, desnudou as operações ilícitas praticadas pela Recorrente, foi motivada pela denúncia de ex-colaboradores da entidade, que, com apresentação de diversos documentos (notas fiscais, recebidos de entrega, boletos bancários, etc.) às autoridades policiais e às administrações tributárias estadual e federal, afirmaram haver “um esquema permanente de omissão de receitas.” Com base nestas denúncias, o juízo da 1ª Vara da Subseção Judiciária da Justiça Federal de Governador Valadares (MG) autorizou (fls. 1.270 a 1.271) a quebra do Sigilo Fiscal da Recorrente e de seus sócios, bem como o compartilhamento das informações e provas obtidas no âmbito daquela operação entre a Polícia Federal e a Receita Federal do Brasil. Assim, como se depreende do relatório fiscal (fls. 1.218 a 1.269), com base naquelas informações – obtidas com as buscas e apreensões, bem como com a quebra de sigilo telefônico, telemático e fiscal dos investigados – chegou-se ao entendimento de que “as Indústrias Tudor omitiram receitas tributáveis e, como consequência, deixaram de declarar e pagar a totalidade de tributos devidos durante o período fiscalizado – 2012 a 2015”. Em necessária e apertada síntese, a construção feita pelo agente autuante, que consta do Relatório Fiscal é de que, em primeiro lugar, no que tange à empresa Tudor SP, ora Recorrente, identificou-se que, logo após a deflagração da mencionada operação “Agua Viva (Polo Negativo)”, a “receita bruta extraída de suas NFEs, relativa ao ano 2016, na casa dos 235,9 milhões de reais, é bem maior do que as mesmas receitas declaradas de 2012 a 2015 (de 105 a 177 milhões), ao mesmo tempo que aparenta coerência com as receitas que foram extraídas dos citados controles paralelos e embasaram os lançamentos no mesmo período - 2012 a 2015 (de 173 a 230 milhões)”. Assim, a acusação fiscal é no sentido de que, pelo esquema arquitetado, antes da mencionada operação, rotineiramente, as empresas Tudor “omitiam receita tributável, basicamente, por meio da NÃO EMISSÃO de documento fiscal ou sua EMISSÃO COM VALOR INFERIOR ao real.” A omissão de receita perpetrada, pelo o que consta do Relatório Fiscal, era feita, basicamente, com a abertura de “empresas parceiras”, que eram denominadas depósitos de distribuição, bem como de “revendedores autorizados”. Aquelas empresas, contudo, como demonstrado pela fiscalização, tinham composição societária formada “especialmente funcionários e/ou ex-funcionários das indústrias” e seriam “controlados diretamente por estas [Indústrias].” Esta forma de autuação foi identificada pela fiscalização nas provas obtidas e compartilhadas pela Justiça Federal, em especial nos e-mails enviados por um dos sócios da Recorrente, em que se pode verificar, por exemplo, a ordem dada aos sócios/gerentes daquelas Fl. 5384DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 empresas parceiras para fazer “suas “retiradas”, como pró-labore e não como distribuição de lucros, para não dar reflexos no ‘DRD’”. E a acusação fiscal é no sentido de que “as indústrias, controlando os depósitos, decidiam ‘o quanto’ era ‘vendido’, para eles, com ou sem Notas Fiscais, com reflexos evidentes na tributação federal”. O agente autuante afirma, ainda, que mesmo naquelas vendas realizadas para outros distribuidores e revendedores, que não eram de alguma forma controlados pela Recorrente, havia operações realizadas sem a devida emissão do documento fiscal. Afim de corroborar com essa afirmação, a fiscalização demonstrou que “em 2016, quando há o aumento de emissão de Notas Fiscais, verifica-se um crescimento nas vendas destinadas às empresas parceiras, que, comparados aos valores declarados em 2015”, demonstram um crescimento expressivo nas operações (média de 50,21% de crescimento). A fiscalização afirma, assim, que as denúncias, realizadas por ex-funcionários da Recorrente, demonstram cabalmente a forma de agir, com o intuito de omitir as receitas e que a “a análise preliminar da denúncia, realizada pela Delegacia da Receita Federal em Governador Valadares- MG (DRF-GV), verificou consistência nas informações prestadas, o que foi ratificado pelas investigações que a sucederam.” Em resumo, houve a afirmação, pelos denunciantes, de que parte das vendas realizadas pela Recorrente era feita sem Nota Fiscal ou com Notas Fiscais abaixo do valor dos produtos comercializado e que o esquema de caixa dois era realizado com o recebimento dos valores à margem da contabilidade da entidade, em especial, com o recebimento em espécie. A forma de agir se daria da seguinte forma, in verbis: De acordo com a denúncia, parte das vendas das indústrias eram realizadas sem a emissão de Notas Fiscais ou com emissão de Notas Fiscais com valores subfaturados (“meia-nota”), adotando o seguinte procedimento básico: A - Para cada pedido era gerado um documento denominado Recibo de Entrega, conhecido pelos funcionários como “R”; B – O transportador recebia os Recibos de Entrega (e boletos, notas promissórias etc.) de todos os pedidos, com os valores reais das vendas, e as Notas Fiscais (quando emitidas) com valores subfaturados, em boa parte das vendas. Para demonstrar o subfaturamento, a denúncia foi instruída com diversos Recibos de Entregas acompanhados das respectivas Notas Fiscais, emitidas em 2012, com valores divergentes – os valores constantes nos Recibos são bem maiores do que os valores constantes nas Notas. Pela análise elaborada pela DRF – GV, a diferença total entre os valores constantes nas Notas Fiscais e nos Recibos alcança a casa dos 38%, conforme anexo 11. Ainda, transcrevendo trechos das conversas telefônicas interceptadas, a fiscalização demonstrou que o esquema envolvia também a emissão de um documento para acobertar diversas operações, que foi denominado “notas viajadas”, que consistiria, basicamente, na remessa das mercadorias com a Nota Fiscal em um envelope lacrado. Assim, caso o envelope com a Nota Fiscal não fosse aberto, se teria a certeza de que o documento não foi apresentado às autoridades fiscais e, por isso, poderia ser utilizado para acobertar outra operação ou até mesmo mais de duas. Por outro lado, em conclusão à análise dos relatórios denominados “RECEITAS EM ABERTO POR REPRESENTANTE”, “que foram juntados pela própria Tudor MG em Fl. 5385DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 processo judicial, com o objeto de demonstrar que um seu ex-funcionário, do setor financeiro, havia desviado, por um longo período de tempo, quantia expressiva de dinheiro, relativo a acertos de vendas de baterias e compras de sucatas efetuadas com clientes/fornecedores daquela região”, a fiscalização aduz que: (...) verificou-se uma diferença expressiva entre os valores que apareciam como devidos pelos clientes (R$ 2.685.962,16) e os valores constantes em documentos fiscais emitidos para estes clientes (R$ 646.666,52), inclusive com a existência de valores registrados como devidos por clientes, sem que fossem localizadas, no período, Notas Fiscais que corresponderiam aos citados créditos, conforme segue demonstrado no ANEXO 12 (planilha de cálculo e citados relatórios). Ainda, na análise dos documentos apreendidos nas buscas autorizadas pela Justiça Federal, denominados “RECEITAS EM ABERTO POR REPRESENTANTE SEM BANCO TUDOR CATEGORIA”, a fiscalização constatou “um elevado distanciamento entre os valores de venda (declarados em NFEs) e os valores devidos por clientes (muitos dos quais sem a correspondente emissão de NFEs), que, diante dos demais fatos apurados, evidentemente contribui para demonstrar a omissão de receitas”. Para corroborar as suas ilações, a fiscalização colaciona no Relatório Fiscal diversas transcrições das escutas telefônicas autorizadas pela Justiça Federal e e-mails interceptados com o respaldo do Poder Judiciário. Em especial, a fiscalização cita o teor de uma planilha, denominada “Comparativo Faturamento Tudor – Abril/2014”. Neste documento, a fiscalização constatou que a Recorrente separava as vendas em “Realizado”, “Não Realizada” ou “Ímola” e “orçado”, decifrando da seguinte forma tais termos: 1 “Realizado” ou “Tudor” ou “T” – informação contabilizada; 2 “Não Realizado” ou “Imola” ou “I”– informação não contabilizada; 3 “Orçado” total (real) de vendas; E, quando cotejou essas informações com a contabilidade da empresa Tudor MG, o agente fiscal afirmou que “‘Orçado’ (vendas totais) equivale a 100%; o ‘Realizado’ (vendas contabilizadas) equivale a 73%; e o ‘Não Realizado’ (vendas não contabilizadas) equivale a 27% das unidades de baterias vendidas em abril de 2014.” Portanto, da análise dos documentos coletados, das provas obtidas no âmbito do Poder Judiciário e dos livros contábeis e fiscais da Recorrente, o agente autuante afirmou que “não há dúvida de que as indústrias Tudor omitiram receitas tributáveis, durante o período fiscalizado (2012 a 2015), especialmente vendendo parte da produção sem o competente registro fiscal”. Como se não bastasse, a fiscalização afirmou que as “indústrias além de omitirem receitas, também omitiram custos e despesas de seus lançamentos contábeis, durante o período fiscalizado, os quais, tal qual àquelas, eram mantidos à margem da escrituração oficial”. Para corroborar com essa afirmação, citou-se trecho da denúncia realizada pelo ex-empregado da Recorrente, Antônio Francisco Xavier Filho, que confirmou “a existência de sistema paralelo de controle do faturamento “por fora”, intitulado “I”, de IMOLA” e “informou que o sistema também controlava as despesas e custos relacionados com tal faturamento, de forma a evitar o registro dos mesmos na contabilidade oficial”. Além disso, houve a analise, por parte da fiscalização, de planilhas e e-mails apreendidos, em que se identificou o “percentual de faturamento e despesas (e/ou custos), Fl. 5386DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 contabilizados (“Tudor T”) e não contabilizados (“Imola I”), dos anos 2005, 2006, 2007 e 2008.” (períodos, contudo, não objeto da autuação). A esta mesma constatação se chegou quando da análise daquela planilha denominada “Comparativo Faturamento Tudor – Abril/2014”, em que se verificou um “comparativo dos custos que estariam contabilizados (“Tudor”) e dos custos que não estariam contabilizados (“Imola”) de SUCATA, CHUMBO, BATERIAS SEMI-ACABADAS, BATERIAS ACABADAS entre outros, relativos a janeiro, fevereiro, março e abril de 2014.” Prosseguindo a análise da acusação fiscal, esta afirmou que os valores das receitas não contabilizadas seriam recebidos em formas distintas, quais sejam: (i) cobrança de boletos, que tinham com destino” a conta 219-4, agência 3502-5, do Banco Bradesco. Neste ponto, em que pese, em suas respostas, ambas as indústrias não terem informado a referida conta bancária, como sendo “utilizada para a movimentação de valores relacionados com sua atividade empresarial”, a fiscalização aduz que referida informação só pode ser confirmada após a emissão de intimação destinada àquela instituição financeira. Veja-se a afirmação neste sentido: De fato, devidamente oficiado, o banco Bradesco, informou que a citada conta bancária tinha como titular a indústria Tudor MG de Baterias Ltda. – CNPJ 20.278.271/0001-10, sendo que os documentos cadastrais demonstram que a mesma foi aberta em 21/07/2010, com efetivo movimento até meados de 2015, ou seja, deixou de ser movimentada logo após a Operação Água Viva – Pólo Negativo21 A fiscalização ainda transcreve trechos de conversas telefônicas interceptadas, em que “um colaborador da Tudor MG (Gleyton) e uma cliente da mesma (Salete), ocorrida no dia 03/09/2014, que deixa bem claro que a conta conta 219-4, agência 3502-5, do Banco Bradesco era utilizada para pagamentos de mercadorias que foram vendidas sem a emissão de Nota Fiscal”. (ii) pagamento de valores realizados diretamente a fornecedores da Recorrente. Para comprovar essas operações, transcreve-se, no Relatório Fiscal, trechos de e-mails interceptados, em que há orientação para que os clientes fizessem o pagamento diretamente a fornecedores da Recorrente. Desta feita, a fiscalização conclui que: Assim, relativamente aos créditos (receitas omitidas) extintos, pelos clientes, através deste tipo de operação, verifica-se que não há efetiva movimentação financeira nas contas bancárias das indústrias e, dado o volume de transações comerciais, tal prática, alcança, por certo, algumas dezenas de milhões de reais (com reflexos no registro dos custos/despesas). (iii) Créditos entre as indústrias, em que “parcela das receitas omitidas era proveniente de vendas subfaturadas realizadas entre a Tudor MG e a Tudor SP; vendas estas excluídas do faturamento declarado pelas mesmas”. (iv) valores recebidos em dinheiro em espécie, não contabilizado e através de sucata. Neste último caso, a fiscalização afirmou que, além da omissão das receitas, os “recebimentos com créditos de “sucatas”, quando oriundos de vendas não contabilizadas, as indústrias, também, por óbvio, não contabilizavam o custo da sucata.” Pois bem. Após toda a construção feita pela fiscalização para motivar o lançamento ora em análise, o agente autuante afirmou que as empresas Tudor (em MG e SP), para organizarem todo o esquema de omissão de receitas, custos e despesas decorrentes da sua atividade, “tinham que se Fl. 5387DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 valer de controles paralelos, capazes de registrar os fatos reais, à margem da contabilidade oficial”. Afirma, assim, que este controle era feito de forma ordenada, por controles paralelos denominados “SINTESE (Tudor MG) e RELATÓRIOS (Tudor SP)”, que “migravam para as APOSTILAS, que eram produzidas a cada quadrimestre.” Assim, afirma que “a última APOSTILA produzida, antes da Operação, apreendida na casa do senhor José Carlos Caminha, relativa ao quadrimestre 12/2014 a 03/2015, contém informações constantes da SINTESE e dos RELATÓRIOS relativos ao mês 03/2015, especialmente o total, real, faturado.” E, pela análise dos documentos apreendidos, cotejados com as informações prestadas pelos denunciantes ao Poder Público e com os documentos contábeis da Recorrente (análise detalhada no anexo 22 - fls. 1.726 a 1.734 dos autos), a fiscalização concluiu que “embora travestidas de APOSTILAS, a síntese dos controles paralelos, feita de maneira a parecer um amontoado de informações desconexas, após ser decifrada, revela uma lógica contábil-financeira básica. Tal lógica se assenta no encadeamento das informações que, divididas em capítulos, são apresentadas da forma analítica para a sintética.” Com base neste arrazoado, houve a declaração de imprestabilidade das demonstrações contábeis da Recorrente, uma vez que, aos olhos da fiscalização, “contêm evidentes indícios de fraudes, vícios e deficiências que as tornam imprestáveis para se determinar o lucro real (forma de apuração adotada pelas indústrias, nos citados períodos), sobretudo por não refletirem, verdadeiramente, dois elementos nucleares: receitas de vendas e custos/despesas”. Por isso, entendeu-se pelo arbitramento do lucro da entidade. No que tange à base de cálculo dos tributos constituídos de ofício, via Autos de Infração, a fiscalização assim se pronunciou: A base de cálculo mensal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), utilizada no lançamento, resulta do seguinte montante: Valor das NFEs (diminuído das exclusões legais, de acordo com a legislação pertinente, conforme especificado no Termo de Verificação Fiscal- TVF) + valor da receita omitida + outras receitas. A base de cálculo mensal da Contribuição Previdenciária Sobre a Receita Bruta (CPRB) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) utilizada no lançamento, consiste no valor da receita omitida. A base de cálculo mensal da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do Programa de Integração Social (PIS), utilizada no lançamento, resulta do seguinte montante: Valor das NFEs (diminuído das exclusões legais, de acordo com a legislação pertinente, conforme especificado no Termo de Verificação Fiscal- TVF) + valor da receita omitida. Para visualização geral, foi elaborada planilha contendo todos os valores, mensais, das bases de cálculos levantadas: Tudor SP (ANEXO 19); Tudor MG (ANEXO 20). Ainda, como mencionado alhures, a fiscalização entendeu pela imputação de responsabilidade aos sócios administradores da entidade e pela responsabilidade da empresa Tudor MG, por ser pertencente ao mesmo grupo econômico. Como se depreende do Relatório Fiscal, a fiscalização afirma que o núcleo diretivo das entidades, “mantinha, à margem da contabilidade oficial, controles paralelos, sintetizados em documentos intitulados APOSTILAS, que consolidavam os resultados da aliança operacional do Grupo. Tais resultados, em boa parte, eram provenientes do não pagamento dos Fl. 5388DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 tributos devidos, derivados da prática conjunta (pelas indústrias) de seus fatos geradores”. Por isso, entendeu-se pela responsabilização dos sócios-administradores e da empresa Tudor MG, com base no que dispõe o artigo 124, inciso I e 135, inciso III do CTN. Importante pontuar que, como se depreende dos Termos de Responsabilidade Tributária lavrados (fls. 3261 a 3320), deixou-se claro que “a descrição dos fatos que motivaram a responsabilidade tributária, a espécie de responsabilidade tributária, o enquadramento legal e as demais informações constam nos documentos de lançamento lavrados, especialmente no Relatório Fiscal – Operação Água Viva (Polo Negativo)”. Devidamente intimados, a Recorrente e os coobrigados apresentaram Impugnações Administrativas de forma apartada. As impugnações acostadas aos autos, em especial do contribuinte principal, são demasiadamente longas. Portanto, por economia processual, entende-se, para fins do presente relatório, como necessária apenas a indicação dos tópicos levantados pela Recorrente, deixando bem claro que, além de essas razões terem sido resumidas no acórdão recorrido, elas serão devidamente analisadas no decorrer do presente voto, uma vez que, quase a totalidade delas, foram reiteradas em sede de Recurso Voluntário. De toda forma, em sua Impugnação, após discorrer sobre sua atividade e afirmar que a motivação da fiscalização para promover a autuação foi a denúncia perpetrada por ex- funcionários, que respondem criminalmente pelo desvio de recursos da empresa, a Recorrente afirma que “o lançamento toma por base precárias e insustentáveis presunções com deturpação de dados e de realidades próprias e específicas pela atividade peculiar da empresa (tal como controle da logística reversa), impondo uma pena que, a permanecer, inviabilizará” a sua atividade econômica. A Recorrente afirma, ainda, que a sua contabilidade não seria imprestável e não poderia ser desconsiderada pela fiscalização, uma vez que esta não apontou e juntou “as indispensáveis provas, relativamente aos elementos robustos e contundentes quanto aos erros, irregularidades, deficiências e omissões, faltas graves, faltas de entrega de declarações etc, ou seja, sem demonstrar, cabalmente, as inelutáveis evidências viciadoras da escrituração para embasar a adoção do arbitramento do lucro.” Portanto, em sede preliminar, a Recorrente trouxe à discussão os seguintes tópicos: (i) Nulidade do Auto de Infração; 1) Abuso no procedimento da autoridade fiscal no início e durante o processo de fiscalização; 2) Início da fiscalização sem abertura do TDPF 3) Falta de intimação da impugnante para esclarecimentos sobre movimentações bancárias; 4) Falta de identificação individualizada dos depósitos da conta bancária; 5) Nulidade de todas as provas utilizadas no lançamento obtidas na medida cautelar fiscal - escutas telefônicas por período superior ao autorizado em lei; Fl. 5389DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 6) Intersecção entre o direito administrativo sancionador e o direito penal - nulidade de provas colhidas em detrimento ao princípio do contraditório e ampla defesa; 7) Nulidade das provas ilícitas colhidas em face as interceptações telefônicas e telemáticas; Em prejudicial de mérito, aduz pela (ii) decadência de parte do crédito tributário. Já, no (iii) mérito, aduz: 1) Vício de motivação e da ausência da individualização e comprovação detalhada das receitas omitidas e respectivos fatos geradores; 2) Ausência de individualização e comprovação detalhada das receitas omitidas e respectiva identificação de cada fato gerador em sua expressão; 3) Elementos de convicção trazidos pelo relatório fiscal com base na denúncia originada na medida cautelar penal; 4) Do suposto grupo econômico - Elementos de convicção trazidos pelo relatório fiscal com base em depoimento no processo cautelar penal pelo Sr Antônio Francisco Xavier Filho; 5) Da omissão de receitas - item 2 do relatório fiscal: 6) Da alegação de prática de vendas sem nota, subfaturada e controle paralelo de caixa dois: 7) Das receitas em aberto por representantes; 8) Da omissão de custos / despesas – item 3 do relatório fiscal 9) Da alegação de que a impugnante usava as receitas omitidas dentro da própria empresa na compra de matéria prima e outras despesas. 10) Da logística reversa no segmento de baterias automotivas: 11) Da baixa de pendências de clientes de vendas omitidas - item 4 do relatório fiscal. 12) Dos controles paralelos e da forma em que foram estimadas as receitas omitidas - item 5, 6 e 7 do relatório fiscal 13) Da insubsistência do auto de infração 14) Da improcedência do lançamento 15) Desconsideração da contabilidade – lucro arbitrado; 16) Do reconhecimento tácito pelo próprio fiscal da validade da contabilidade: 17) Da ilegalidade do critério de arbitramento usado – tributação muito além do lucro – lucro arbitrado é critério de aferição e não forma de aumentar base de cálculo imponível. 18) Da limitação econômica da base de cálculo a ser arbitrada; 19) Dos vícios do critério do arbitramento; Fl. 5390DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 20) Da exigência de tributo além da dimensão do elemento econômico do fato gerador previsto na lei; 21) Do extrapolamento temporal da aplicação do regime do lucro arbitrado; 22) Da modificação dos valores ilegalmente arbitrados; 23) Do imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro (CSLL); 24) Do PIS-COFINS; 25) Do ressarcimento do reintegra nas operações de exportação; 26) Da suspensão do PIS/COFINS conforme artigo 48, da lei 11.196/2005; 27) Da contribuição previdenciária sobre a receita bruta (desoneração); 28) Da exclusão do IPI, ICMS, ISS, PIS E COFINS da base de cálculo da CPRB; 29) Da exclusão das receitas oriundas de operações de venda para a Zona Franca de Manaus e áreas de livre comércio da base de cálculo da CPRB; 30) Do IPI; 31) Da impossibilidade de arbitramento da base de cálculo do IPI pelo valor geral das planilhas gerenciais; 32) Da não cumulatividade como princípio constitucional 33) Da multa qualificada 34) Incabível a aplicação da multa sobre a receita bruta escriturada pois considerada justificada pela autoridade fiscal. Os responsáveis, por sua vez, como mencionado, apresentaram Impugnações apartadas. Nos Autos de Infração observa-se que foram indicadas as seguintes pessoas físicas e jurídica como responsáveis (para fins didáticos, segue, tal como consta no acórdão recorrido, o número das fls. dos autos em que as Impugnações foram apresentadas): (1) Milton José Tessari (responsável): em 09/08/2017 (e-fls. 3.327/3.339); (2) Itamar Crivelli (responsável): em 09/08/2017 (e-fls. 3.391/3.403); (3) José Ricardo de Miranda (responsável): em 09/08/2017 (e-fls. 3.377/3.390); (4) Péricles José Ramos Mendes (responsável): em 09/08/2017 (e-fls. 3.340/3.362); (5) Dalilo Bilches Medinas (responsável): em 09/08/2017 (e-fls. 3.363/3.376); (6) José Carlos Caminha (responsável): em 10/08/2017 (e-fls. 3.406/3.419); (7) Sérgio Luis Fioravante (responsável): em 10/08/2017 (e-fls. 3.422/3.435); (...) (9) Indústria Tudor MG de Baterias Ltda (responsável): em 14/08/2017 (e- fls.3.579/3.586); Fl. 5391DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 (10) Cézar Augusto Pereira Machado (responsável): em 14/08/2017 (e-fls. 3.600/3.626); (11) Edson David Marques Da Silva (responsável): em 16/08/2017 (e-fls. 3.629/3.662). Em suas alegações, os responsáveis tributários alegam a falta de motivação na imputação da responsabilidade, uma vez que, como consta do acórdão recorrido, a autuação estaria fundada “em desarrazoadas e frágeis presunções, como provado pela defesa da empresa autuada e por eles expressamente ratificada, entendem que, ainda assim, inexiste a condição mínima para haver a inclusão dos impugnantes no pólo passivo do lançamento, nos termos do art. 135, III, do CTN”. Alegam, ainda, a falta de individualização das supostas condutas ilícitas praticadas, uma vez que a fiscalização não identificou as condutas omissivas e comissivas que, a princípio, teriam realizado cada um dos sócios da entidade, com o fim de omitir receitas. Assim, como transcrito no acórdão recorrido, “concluem ser impossível a inclusão de qualquer administrador como responsável, ante a falta de comprovação de quaisquer dos atos previstos no art. 135 do CTN”. Argumentam, também, pela impossibilidade de responsabilização com base no artigo 124, inciso I do CTN, uma vez que este dispositivo se prestaria “apenas a regular a relação entre contribuintes de determinado tributo que, em conjunto, praticaram o fato jurídico tributário, e não, propriamente, uma regra autônoma de responsabilização de terceiros, pois mencionado dispositivo, ao se reportar ao "interesse comum", não está tratando de um simples interesse econômico, sendo necessária a participação dos responsáveis na realização do fato gerador”. No que tange à responsabilidade atribuída à empresa Tudor MG, esta alega, ainda, “que, nos casos envolvendo empresas de mesmo grupo econômico, a constatação da existência do referido grupo pelas autoridades fiscais é feita a partir da identificação de indícios, não podendo, esses mesmos indícios, serem a própria justificativa da aplicação da regra da solidariedade, afinal referido raciocínio não garante a conclusão de que houve a participação de mais de uma pessoa jurídica na realização de determinado fato gerador”. Posteriormente à apresentação das Impugnações Administrativas, há de se ressaltar que, com base no “art. 41 do Decreto nº 7.574/2011, foram lavrados Autos de Infração Complementares do IRPJ - Outras Receitas (R$ 2.176.522,68) e da CSLL - Outras Receitas (R$ 762.745,91), no total de R$ 2.939.268,59, aí inseridos a multa de lançamento de ofício de 150% e juros de mora calculados até 11/2017, relativos aos mesmos fatos apurados nos anos- calendário de 2012 a 2015 e mediante a mesma apuração do resultado pelo lucro arbitrado, tendo sido arrolados idênticos responsáveis solidários, consoante fundamentos descritos no Termo de Verificação Complementar (TVFC) de e-fls. 3.764/3.769”. O lançamento complementar foi motivado pela identificação, pela fiscalização, de que “uma parcela da base de cálculo do lucro arbitrado, tanto do IRPJ quanto da CSLL, restou apurada incorretamente”. Assim, em atendimento ao princípio do contraditório e da ampla defesa, que norteiam o processo administrativo tributário, o contribuinte principal e responsáveis foram novamente intimados para apresentar suas defesas. Fl. 5392DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Nas novas peças apresentadas, basicamente, houve a reiteração dos argumentos apresentados nas Impugnações Administrativas, sendo que a Recorrente aduziu, em sede preliminar, pela nulidade do lançamento complementar, sob o entendimento de que “o lançamento regularmente notificado somente pode ser alterado nos termos do art. 145 do CTN. E que, segundo o art. 149 do mesmo Diploma Legal, a autoridade administrativa só pode revisar de ofício o lançamento nas hipóteses ali elencadas, desde que ainda não extinto o direito da Fazenda Pública.” Em julgamento realizado, contudo, a douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) entendeu por bem julgar como improcedentes as Impugnações apresentadas. O acórdão de fls. 4.129 a 4.334 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2012, 2013, 2014, 2015 PROVA. A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Indefere-se o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. ENDEREÇAMENTO DAS INTIMAÇÕES. É prevista a intimação do sujeito passivo apenas no domicílio tributário, assim considerado o do endereço postal ou eletrônico, pelo contribuinte fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL (TDPF). Suposta inobservância de ato regulamentar, que visa ao controle interno, não implica nulidade dos trabalhos praticados sob sua égide, tendentes à apuração e lançamento do crédito tributário, cuja atividade é vinculada à lei e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN. Somente a lei pode modificar a competência originária para o lançamento do crédito tributário. SIGILO FISCAL. Os direitos, as garantias e os princípios constitucionais não consistem em disposições absolutas, admitindo a ocorrência de situações de divergência entre si e, conseqüentemente, sua ponderação em cada caso concreto. Assim ocorre com o sigilo fiscal, dado como garantia individual, e o interesse público consubstanciado na apuração da ocorrência de ilícitos, na medida que aquele não pode ser invocado com vistas a impedir a apuração da verdade, protegendo o investigado e acobertando operações ilícitas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 5393DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando a contribuinte demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano- calendário: 2012, 2013, 2014, 2015 INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do lapso decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário Nacional. Constatado dolo, fraude ou simulação a contagem do prazo decadencial rege-se pelas disposições do art. 173, I, do CTN, hipótese na qual o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015 OMISSÃO DE RECEITA. SONEGAÇÃO. A prática reiterada de omissão de receita mediante artifício doloso tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais caracteriza sonegação e enseja a exigência dos tributos dela decorrentes. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. Correto o arbitramento do lucro quando a escrituração da pessoa jurídica se mostra imprestável para determinação do lucro real. A base de cálculo do lucro arbitrado corresponde à receita bruta conhecida, assim considerada aquela escriturada e/ou declarada acrescida da receita omitida. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. Fl. 5394DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Constatada a sonegação, caracterizada está a intenção de afastar do conhecimento da autoridade administrativa a real dimensão da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, condição necessária e suficiente para aplicação da penalidade qualificada (150%). SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. EMPRESA DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. PRÁTICA DE SONEGAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado; bem como as pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. CPRB. IPI Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, devendo as exigências reflexas seguirem a mesma orientação decisória daquela da qual decorrem. OMISSÃO DE RECEITA. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. PIS. COFINS. REGIME DE APURAÇÃO. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado ficam sujeitas às normas do regime cumulativo para apuração da contribuição para o Pis e a Cofins, em relação a toda receita auferida (declarada + omitida), não se prevendo a apuração de crédito em referida sistemática de tributação. CPRB. DEDUÇÕES LEGAIS. Inexiste previsão legal para exclusão do ICMS (cabível apenas a exclusão do ICMS cobrado na condição de substituto tributário), do ISS, do PIS e da Cofins, da base de cálculo da CPRB. Não sendo possível determinar a natureza da receita omitida, nos casos em que arbitrado o lucro, incabível a pretensão de se excluir da receita qualquer dedução legal prevista na base de cálculo da CPRB, pois impossível a sua aferição. IPI. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO FISCAL. Verificada omissão de receita de origem não comprovada, considerar-se-á proveniente de venda não registrada, sobre ela incidindo o imposto calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita da contribuinte. O arbitramento do lucro pela imprestabilidade da escrita impede seja aproveitado crédito do tributo, pois a apuração do crédito não prescinde de uma escrita regular. Impugnação Improcedente Fl. 5395DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Crédito Tributário Mantido Devidamente intimados, a Recorrente e os coobrigados apresentaram Recursos Voluntários, nos quais, em síntese, repisam os argumentos anteriormente apresentados nas Impugnações Administrativas. No extenso Recurso Voluntário da Recorrente (fls. 4425 a 4479), esta, após contextualizar a autuação e os motivos que deram ensejo à fiscalização, argumenta pela necessidade de realização de diligência, afirma que a decisão deve ser considerada como não fundamentada caso não enfrente “os precedentes invocados pela parte, mesmo que seja para a sua não aceitação no caso concreto” e que é dever do julgador administrativo analisar a legalidade de seus atos, mesmo que isso importe considerar como ilegal determinada norma. Entende-se, neste ponto, que a transcrição dos pedidos lançados no Recurso Voluntário são suficientes para resumir as colocações da Recorrente, até mesmo porque os fundamentos do seu apelo serão devidamente analisados no decorrer do voto abaixo. Os pedidos são os seguintes: I. Reconhecimento da total nulidade do presente Auto de Infração e lançamento face aos vícios insanáveis definitivamente comprovados, relativamente: I.a – Ao indeferimento do requerimento de provas, perícia e diligências por ter cerceado gravemente o direito de defesa desta Recorrente, impedindo a concreta e imparcial demonstração dos elementos e informações contidas da planilha Caminha; I . b – A não aceitação das jurisprudências trazidas pela Recorrente em sua impugnação por fundamentar não ser norma complementar do direito tributário, mas ter demonstrado em várias ocasiões da decisão recorrida o entendimento da Autoridade Julgadora baseado em jurisprudência que considera favorável ao Fisco; I.c – Ao afastamento da análise das alegações de ilegalidade trazidas pelo Recorrente, desrespeitando o princípio fundamental da legalidade que rege a atuação da Administração Pública; I. d – A não apreciação das nulidades demonstradas na impugnação por não estarem, supostamente, inseridas no artigo 59 do Decreto 70.235/72 (rol exemplificativo), sem ter analisado as normas que regem o processo administrativo tributário; I. e – Vício na emissão intempestiva do TDPF, baseando a fiscalização inicialmente somente na Medida Cautelar Penal; I.f – Utilização de informações unicamente contidas na Medida Cautelar Penal, sem a promoção de diligências e pericias no sentido de buscar a verdade material, 152 fundamentando o auto de infração somente m meras e fragmentadas informações; I.g – Arbitrariedade no lançamento, vez que para a presunção de omissão de receita o Contribuinte deve ser intimado para manifestação da conta bancária supostamente não contabilizada, além de não ter dado também a oportunidade de esclarecimentos acerca da planilha Caminha encontrada na residência de um único sócio; Fl. 5396DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 I.h – Não houve individualização dos créditos nas contas bancárias, de forma analítica e pormenorizada, não permitindo, assim, que o Contribuinte autuado tenha; conhecimento das conclusões da Fazenda Pública para poder se manifestar legitimamente, embora tenha apresentado e entregue para fiscalização um laudo pericial com toda movimentação bancaria cruzada com a contabilidade da empresa, sem qualquer diferença. I. i - Não há comprovação de forma técnica, individual e analítica, de que a contabilidade do Recorrente ser imprestável, somente dedução subjetiva pelo Fisco, devido a uma denúncia anônima realizada por ex-funcionário, sem qualquer respaldo jurídico, cerceando seriamente o direito de defesa do Recorrente; I.j - A mudança do critério jurídico ocorreu no elemento quantitativo da regra matriz de incidência tributária, demonstrando que não se trata apenas de mero erro de fato, como argumenta a autoridade julgadora “a quo”, porém que afetou o critério jurídico adotado para apuração de lucros tributáveis, maculando, por via reflexa, o lançamento original que simplesmente desconsiderou totalmente a contabilidade para a mesma apuração de base de cálculo tributável; I. k – Nulidade também do lançamento fiscal, tendo em vista estar alicerçado em provas advindas de interceptações telefônicas, e-mails e principalmente no depoimento prestado pelo senhor Antônio Francisco Xavier Filho, perante a Delegacia de Polícia Federal em Governador Valadares, depoimento esse realizado em forma de reinquirição e desacompanhado de advogado, demonstrando seu total caráter inquisitório, afrontando às garantias constitucionais do contraditório e da plenitude de defesa; I.l – Nulidade em relação a prova emprestada por não ter sido 153 oportunizada a manifestação desta Recorrente, o que gera o cerceamento do direito a ampla defesa e ao contraditório, além disso, ficou cabalmente demonstrado a realização das interceptações telefônicas e telemáticas fora do prazo previsto em lei, comprovando sua ilicitude; II. Caso possível de ser superada a nulidade, que seja reconhecida a total insubsistência do mesmo, vez que não comprovada efetiva e individualmente a omissão de receita e por consequência os respectivos fatos geradores; III. Caso ainda por hipótese distante, venha a ser superado as situações acima, no mérito seja reconhecido a improcedência total do mesmo, vez que não ocorreu o devido detalhamento e individualização das receitas omitidas e das alegadas despesas não declaradas, que supostamente eram pagas com tal valor. Ainda subsidiariamente no caso de mantido o lançamento: IV.a Seja reconhecida a contabilidade como idônea e considerada integralmente para nortear eventual lançamento que venha a ser mantido; IV.b Seja alterado o lançamento pelo Lucro Arbitrado, prevalecendo para tal fim, apenas a base de cálculo sobre a presumida receita omitida; Fl. 5397DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 IV.c Em relação ao IRPJ e CSSL seja o lançamento pautado com base na alíquota média experimentada pela impugnante no período sob fiscalização; IV.d Na hipótese de ser possível superar a condição acima, seja aplicada a alíquota do sistema cumulativo, na forma determinada em lei para os casos de lucro arbitrado (Leis 10.833/2003, artigo 10 e 10.637/2002, artigo 8º.(COFINS 3% e PIS 0,65%). IV.e Em relação ao PÍS/COFINS, seja aplicado a alíquota média das contribuições experimentadas pela impugnante no período de fiscalização; IV.f. Ainda em relação as contribuições PIS/COFINS sejam excluídas da base de cálculo os valores das notas fiscais de remessa com suspensão dos tributos, relativas ao envio de desperdícios para empresa Tudor MG, destacadas em azul no Anexo 5, do Relatório Fiscal; 154 IV.g Em relação aos valores lançados a título de Contribuição da Previdência Receita Bruta (CPRB), seja abatido na base de cálculo os valores das contribuições do PIS ,COFINS e ICMS, do período declarado e inclusive do período que vier a ser mantido a exigência em relação ao período fiscalizado e lançado (2012 a 2015); IV.h Em relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, seja cancelado o lançamento em decorrência da ilegal incidência sobre o total da suposta receita omitida, sem a necessária individualização das receitas decorrentes da venda de cada alíquota de produtos industrializados e das demais receitas não sujeitas a incidência do impostos; IV.i Caso mantido o lançamento do IPI, seja respeitado o Princípio da Não cumulatividade do imposto em tela, com abatimento dos créditos da Matéria Prima e Insumos, possível de ser aferido, pelo aplicação das alíquotas médias de incidência do IPI, experimentada pela Impugnante no período da fiscalização (2012 a 2015); No tocante ao lançamento complementar, requer a autorização para serem novamente aqui discutidas por não ter havido a preclusão conforme decidido na decisão “a quo” e também pela conexão da matéria jurídica em relação à nulidade dos lançamentos a título de IRPJ e CSLL havidos no auto original e, subsidiariamente, no reconhecimento da decadência; IV.j – Seja excluída a multa qualificada, pois carente de comprovação quanto ao intuito específico (doloso), apenas se baseando em fragmentadas acusações genéricas de supostas condutas ilícitas, sem a efetiva demonstração pela autoridade fiscal de provas concisas e aptas a comprovar a suposta omissão de receitas; IV. k – A desconsideração do grupo econômico por inexistir real e efetiva demonstração de afinidade de interesses, combinação de esforços e de dinheiro, além do dolo específico entre as pessoas jurídicas; IV. j – A exclusão dos sócios do polo passivo tributário por inexistir comprovação do interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo ou o dolo específico de cada pessoa jurídica apto a ensejar a responsabilidade solidária. V – Requer-se por derradeiro, pela SUSTENTAÇÃO ORAL, na respectiva sessão de julgamento do presente Recurso Voluntario. Fl. 5398DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Por outro lado, os seguintes responsáveis tributários, após o recebimento da intimação, apresentaram os competentes Recursos Voluntários: 1) Milton José Tessari; 2) Itamar Crivelli; 3) José Ricardo de Miranda; 4) Péricles José Ramos Mendes; 5) Dalilo Bilches Medinas; 6) José Carlos Caminha; 7) Sérgio Luis Fioravante; 8) Indústria Tudor MG de Baterias Ltda; 9) Cézar Augusto Pereira Machado; 10) Edson David Marques Da Silva. Nos respectivos Recursos Voluntários, os responsáveis repisaram os fundamentos apresentados em sede de Impugnação Administrativa. Deve-se ressaltar ainda que, no dia 25/09/2019, após a distribuição dos autos a este relator para julgamento, a Recorrente juntou ao processo 03 petições denominadas “memoriais”, além de documentos (fls. 4.895 a 5.346). Na primeira delas (fls. 4.895 a 4.909), a Recorrente discorre, basicamente, sobre as supostas inconsistência no arbitramento do lucro promovido pela fiscalização, bem como junta documentos (4.910 a 4.940) que, a princípio, teriam o condão de comprovar suas alegações. Já o teor da segunda petição (fls. 4.942 a 4.944) é no sentido de demonstrar as inconsistências da argumentação constante no “Anexo 11” do Relatório Fiscal, notadamente no ponto em que a fiscalização demonstra o subfaturamento na emissão das Notas Fiscais. Por fim, na terceira petição (fls. 4.947 a 4.953), também denominada de “memoriais”, a Recorrente discorre sobre o insumo - ácido sulfúrico - utilizado na produção de baterias e o controle da sua comercialização pela Polícia Federal. Argumenta, assim, pela fragilidade da autuação, na medida em que as quantidades de ácido sulfúrico adquirida no período autuado seria compatível com as baterias vendidas e declaradas em contabilidade. Para comprovar suas alegações, mais uma vez, junta documentos (fls. 4.954 a 5.346). Em apertada e necessária síntese, este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, Relator. DA TEMPESTIVIDADE. Como se denota dos autos, todos os recursos apresentados (da Recorrente e dos coobrigados) são tempestivos, uma vez que protocolizados dentro do prazo de 30 dias, nos Fl. 5399DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 termos que dispõe o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, como se denota dos comprovantes de intimação devidamente acostados aos autos. Portanto, sem maiores delongas, são tempestivos os Recursos Voluntários apresentados pela Recorrente e pelos coobrigados. E, por cumprirem os demais pressupostos, esses devem ser analisados por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1) DAS PRELIMINARES Como demonstrado alhures, a Recorrente, no Recurso Voluntário ora em análise, apresentou diversas preliminares de nulidade, tanto da decisão recorrida, como no ato de lavratura dos Autos de Infração. As razões e fundamentos apresentados serão analisadas individualmente a seguir. 1.1) DO SUPOSTO PEDIDO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. Em que pese a Recorrente não ter falado expressamente em “nulidade do acórdão recorrido”, quando traz, em seu Recurso Voluntário, considerações sobre a decisão proferida pela DRJ de Ribeirão Preto, de alguma forma aduz pela nulidade desta decisão. Por isso, entende-se que não se pode deixar de pronunciar acerca das colocações iniciais do acórdão recorrido e as argumentações lançadas pela Recorrente no apelo apresentado, no que tange, em especial, (i) à juntada de provas após a apresentação da Impugnação e o indeferimento do pedido de diligência, (ii) aos pedidos de intimação diretamente aos patronos da Recorrente e coobrigados, (iii) à análise dos julgados (jurisprudência) colecionados nos apelos; e, por fim, (iv) quanto a possibilidade de reconhecimento de ilegalidade e inconstitucionalidade no âmbito do processo administrativo tributário. De pronto, acredita-se que os pontos “ii” e “iv” não precisam de maiores divagações, uma vez que já houve a consolidação do entendimento no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com a edição do súmulas nº’s 02 e 110, que tem a seguinte redação, respectivamente: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. No que se refere à súmula 02, não se pode perder de vista, que ela é bem clara quanto à impossibilidade de reconhecimento de inconstitucionalidade da legislação no âmbito dos julgamentos do CARF, presumindo-se, assim, como constitucionais todas normas vigentes e válidas no ordenamento jurídico, até mesmo porque é de competência do Poder de Judiciário a análise de eventual incompatibilidade da legislação com o Texto Constitucional. De toda forma, pode ser verificada, no âmbito julgamento administrativo, eventual ilegalidade cometida pela fiscalização, em especial, quando esta, de alguma forma, age fora dos contornos previsto pela legislação em vigor. Existe uma diferença abissal entre declarar a inconstitucionalidade de determinada lei e verificar a correção do ato administrativo de lançamento. Ato este que deve, reitere-se, estar sempre baseado na legislação (princípio da legalidade). Fl. 5400DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 O próprio Supremo Tribunal Federal, com a edição das súmulas 346 e 473 – citadas no Recurso Voluntário – já consolidou o entendimento de que a administração pode rever seus atos e, inclusive, anulá-los, quando “eivados de vícios que os tornam ilegais”. Assim, não se coaduna com as colocação lançadas no acórdão recorrido neste sentido. Deixando bem claro, contudo, que essa discordância não se traduz na declaração de nulidade daquela decisão. Quando da análise da totalidade do acórdão, facilmente se percebe que esse entendimento não foi utilizado para negar provimento aos apelos apresentados. O que se fez, tão-somente, foi lançar alguns argumentos que, ao fim e ao cabo, não motivaram a decisão proferida. No que tange ao item “iii” – necessidade de análise dos julgados (jurisprudência) colecionados nos apelos – entende-se que não tem qualquer relevância ao caso concreto a “dialética” travada entre a Recorrente e DRJ de Ribeirão Preto, mas não se pode deixar de pontuar que não assiste razão a Recorrente em suas colocações. É que não se tem dúvidas de que eventuais julgados colecionados pelos contribuintes em suas defesas, como forma de demonstrar a plausibilidade dos seus argumentos, não vinculam o julgador administrativo e não o obriga a analisar cada um deles. Só existe efeito vinculante, no âmbito do julgamento administrativo federal, quando os julgados e eventuais atos administrativos invocados ou não pelo contribuinte tiverem sido proferidos nos contornos das decisões e dos atos listados no artigo 62, § 1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015). Assim, não se pode concordar com a Recorrente, quando afirma que, no âmbito do julgamento administrativo, deve ser respeitada a regra estampada no artigo 489, §1º, inciso VI do Código de Processo Civil, e, por isso, deveria ser considerada como não “fundamentada a decisão que não enfrentar os precedentes invocados pela parte, mesmo que seja para a sua não aceitação no caso concreto.” As únicas decisões que devem ser enfrentadas e cotejadas com o caso concreto são aquelas que, de alguma forma, vinculam a administração pública e até mesmo o Poder Judiciário. Nos casos dos julgamentos do CARF, o Regimento Interno do Tribunal listou expressamente quais seriam essas decisões. Portanto, afirmar, como fez a Recorrente, que a decisão que não enfrentar todos os precedentes invocados pelas partes deverá ser considerada como não fundamentada é, data venia, incorreto. O próprio Superior Tribunal de Justiça tem esse entendimento, com se observa do julgado abaixo: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. Fl. 5401DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 3. No caso, entendeu-se pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 0027812-80.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebe-se, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra DIVA MALERBI (DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO), PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2016, DJe 15/06/2016) (destacou-se) Portanto, não tem guarida, no presente caso, os argumentos da Recorrente, no que tange à necessidade de análise de todos os julgados (administrativos e judiciais) citados no seu longo Recurso Voluntário. Deve-se pontuar, contudo, que, quando da análise das razões recursais (que será feita na sequência do presente voto), caso se verifique eventual julgado proferido nos contornos do artigo 62, § 1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015), não se furtará da análise do precedente invocado e se este tem correlação com a discussão travada. Por fim, com relação à juntada de documentos após a apresentação da Impugnação Administrativa e a suposta necessidade de deferimento da diligência requerida, este relator tem o entendimento, já externado em diversos julgados, que a prova, caso necessária para aferição da realidade dos eventos, poderá ser apresentada a qualquer tempo, uma vez que o Processo Administrativo Federal é regido pelo Princípio da Verdade Material. Deve-se ressaltar, neste ponto, que o julgador deve pautar sua conduta no Princípio da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos de James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifou-se). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. - São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Há de se ressaltar, ainda, no que tange ao pedido de realização de diligência, que o seu deferimento ou não, por parte do julgador, deve estar fundamentado na análise dos argumentos e do conjunto probatório apresentado pelo contribuinte. Assim, caso o convencimento do julgador possa ser realizado com a análise do que consta dos autos, a diligência se mostra dispensável e não precisa ser deferida apenas e tão- Fl. 5402DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 somente porque requerida no apelo apresentado. É casuísta a análise do pedido de realização de diligência, não estando o julgador vinculado ao seu deferimento, caso não precise de mais elementos para formar o seu convencimento, além daqueles já constantes nos autos do processo administrativo. Por todo exposto, REJEITA-SE, desde já, as alegações da Recorrente no que concerne a suposta nulidade da decisão proferida pelo DRJ de Ribeirão Preto. 1.2) DAS NULIDADES DO LANÇAMENTO. No Recurso Voluntário apresentado, a Recorrente se manifesta acerca de diversas nulidades do lançamento, argumentando, logo de início, que as hipóteses elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não seriam taxativas e que “existem tantas outras causas de nulidades que não estão elencadas” no dispositivo em comento, que tem a seguinte redação: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Contudo, ao contrário do que defende a Recorrente, entende-se que as hipóteses de nulidade do procedimento administrativo são limitadas e, em muitos dos casos, há uma certa confusão das partes quando invocam a nulidade do procedimento, quando, na verdade, se está se aduzindo uma questão de mérito, como no caso, por exemplo, de uma interpretação equivocada da legislação por parte da fiscalização. Neste sentido, são precisas as colocações da Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio, na declaração de voto constante do acórdão de nº 1402-003.857 (Processo nº 16561.720171/2016-17). Veja-se: Sendo assim, esclarecedor o posicionamento de CELSO RIBEIRO BASTOS que enuncia ser nulo o ato "que apresenta vícios de legalidade atinentes à competência, ao objeto, ao motivo, à forma e à finalidade". (BASTOS, Celso Ribeiro Curso de direito administrativo, 2002, p. 163/164). Em outras palavras, não são quaisquer vícios de legalidade que acarretam a nulidade. O erro na interpretação dos dispositivos legais é matéria que será revista nos processos de controle do lançamento e terá como eventual consequência a improcedência do lançamento, não sua nulidade Por outro lado, este relator não tem dúvidas de que a expressão “preterição do direito de defesa”, constante no inciso II, do citado artigo 59, pode ter diversas interpretações e, por consequência, uma aplicação ampliada. Assim, qualquer ato da administração que, de alguma forma, dificulte ou inviabilize o direito de ampla defesa outorgado aos contribuintes, poderá macular o ato praticado, devendo este ser considerado nulo. E é justamente fincado nessas premissas que se analisará as preliminares levantadas pela Recorrente no Recurso Voluntário em apreço. 1.2.1) INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO SEM A ABERTURA DO TDPF. Fl. 5403DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente alega que a autuação promovida pela fiscalização seria nula, uma vez que, basicamente, não teria sido iniciada com a emissão do TDPF - Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal. Afirma, ainda, no sentido de que a “Medida Cautelar Penal não tem o condão de eliminar o vício da emissão intempestiva do TDPF, até porque todos os parcos e inconsistentes argumentos do Fisco ao frágil lançamento decorrem desta aludida Medida, tornaram-se parte integrante e determinante do procedimento fiscal e do regime de apuração dos tributos lançados nestes autos, o arbitramento”. Ao analisar esse mesmo argumento, a DRJ de Ribeirão Preto afastou a nulidade arguida, sob o entendimento de que, com base no que dispunha a Portaria RFB nº 1.687, de 17/09/2014, “tanto a fiscalização quanto a diligência constituem procedimento fiscal que pode resultar na apreensão de documentos e lavratura de auto de infração.” De fato, não há reparos a se fazer no que restou decido por aquela DRJ. Primeiro, não se pode perder de vistas que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem o entendimento consolidado no sentido de que, nos casos de lançamento de ofício, não se faz necessária a intimação prévia do contribuinte, quando o fisco tiver todos os elementos necessários para formalizar a constituição do crédito tributário. Esta é a inteligência da súmula CARF nº 46. Confira-se: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Por outro lado, não se pode concordar com o argumento da Recorrente, quando afirma que, para o início de qualquer fiscalização, se faz necessária a expedição do TDPF. É que, quando se analisa o disposto no artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, não se tem dúvidas de que o procedimento de fiscalização pode se iniciar de diversas maneiras, como, por exemplo, com a apreensão de documentos ou livros do contribuinte. Confira-se: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Ademais, no que tange ao TDPF, o entendimento que tem prevalecido no âmbito das Turmas de Julgamento do CARF é que a ausência de expedição prévia do referido Termo não traz qualquer prejuízo à defesa do contribuinte, uma vez que ele se presta para o controle interno dos trabalhos no âmbito da Receita Federal do Brasil. Neste sentido, veja-se as seguintes ementas: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 2013 Ementa:NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 5404DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. IRREGULARIDADES NO TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL-TDPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O TDPF constitui-se em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade de tais procedimentos eventuais falhas na sua emissão ou trâmite. (...) (Acórdão nº 1302-002.559 – Processo nº 10283.720238/2016-55) ... Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 07/08/2013 a 10/03/2014 TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. TDPF. VÍCIOS FORMAIS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. De acordo com a jurisprudência dominante do CARF, eventuais omissões ou vícios na emissão do Termo de Início de Ação Fiscal ou Mandado de Procedimento Fiscal não acarretam na automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. Esta jurisprudência se aplica ao novel documento com a mesma finalidade, o Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF). (...) (Acórdão nº 3402-005.377 – Processo nº 11050.720153/2016-73) Por fim, não se pode deixar de mencionar que o contribuinte, em seu apelo, afirma que “a finalidade da criação do TDPF foi justamente permitir ao fiscalizado assegurar-se da autenticidade da ação fiscal contra si instaurada, dando conhecimento do que será objeto de investigação, dos períodos a serem investigados, do prazo para a realização do procedimento fiscal e do agente que procederá à fiscalização.” Entretanto, ao longo do seu arrazoado, não demonstra qual prejuízo teve no exercício da sua defesa e em que medida a não expedição ou expedição tardia do TDPF lhe prejudicou. Desta feita, REJEITA-SE a preliminar de nulidade, no que tange a suposta expedição intempestiva do TDPF. 1.2.2) ABUSO NO PROCEDIMENTO DA AUTORIDADE FISCAL NO INÍCIO E DURANTE O PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO Nesta preliminar, a Recorrente alega que a operação desencadeada pelo Ministério Público, pela Polícia Federal e pela Receita Federal do Brasil, com o respaldo do Poder Judiciário, acarretou em imputações à Recorrente e seus sócios de crimes de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, sem que fossem respeitados os princípios do devido processo legal e da presunção de inocência, que são garantidos a todos os cidadãos pelo Texto Constitucional. Assim, após mencionar que houve ampla divulgação na mídia, inclusive com entrevistas dadas pelos agentes públicos envolvidos – Delegado da Polícia Federal e Auditores da Receita Federal do Brasil – invoca a redação do artigo 198 do CTN, afirmando que este dispositivo “veda a divulgação, para qualquer fim, por parte da Fazenda Pública ou de seus funcionários, de qualquer informação, obtida em razão do ofício, sobre a situação econômica ou financeira dos sujeitos passivos e de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades”. Fl. 5405DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Afirma, ainda, que, “além de ilícito administrativo, a quebra do dever de sigilo funcional constitui tipo penal, previsto no art. 325 do Código Penal. A lei penal visa proteger os bens jurídicos da ameaça de sofrerem qualquer tipo de lesão”. Contudo, ao longo do arrazoado desenvolvido pela Recorrente, não se verifica quais os motivos que a “exposição” na mídia dos acontecimentos poderiam, de alguma forma, acarretar na nulidade do lançamento. Não se tem dúvidas de que, se houve algum abuso por parte dos agentes públicos (e aqui não se faz qualquer juízo de valor sobre isso), aqueles agentes podem ser responsabilizados civil e criminalmente, dentro dos contornos legais. Mas a apuração destes abusos deve ser discutida no foro competente e não como forma de tornar nulo o lançamento tributário que teve origem com operação devidamente autorizada pelo Poder Judiciário e com respaldo de provas e documentos que foram devidamente acostados aos autos. Ademais, também não se pode admitir como nulidade do procedimento os argumentos do contribuinte, quando afirma pela fragilidade da autuação, que, supostamente, se baseou em presunções, “sem promover perícias e diligências a fim de certificar-se todos elementos e informações” nos documentos apreendidos. Esse argumento, data venia, não é preliminar de nulidade e sim mérito da discussão, devendo ser analisado no momento oportuno. Assim, REJEITA-SE a preliminar de nulidade, no que tange ao suposto abuso prática nos procedimentos realizados pela Receita Federal do Brasil e Polícia Federal. 1.2.3) DA FALTA DE INTIMAÇÃO DA RECORRENTE PARA ESCLARECIMENTOS ACERCA DAS MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS. Nesta preliminar, invocando o dispositivo do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, a Recorrente afirma que nunca foi intimada a “prestar esclarecimento de movimentações bancárias detectadas que levassem a questionamentos sobre sua contabilidade e que ao fim foi efetivamente utilizada como elemento econômico pelo fiscal na sustentação da existência de ‘caixa 2’ e por consequência do Lançamento de ofício.” Para fundamentar sua alegação de nulidade, além daquele dispositivo e do já citado artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, a Recorrente colaciona em seu Recurso Voluntário diversos julgados deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de que se faz necessária a intimação prévia do contribuinte, para que preste esclarecimentos sobre os créditos indicados nas suas contas bancárias, sob pena de nulidade do lançamento com base no artigo 42 da Lei nº 9.430. De fato, a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 42, presume que a existência de depósito bancários, sem que haja a comprovação da origem dos recursos por parte do contribuinte, pode ser considerada como omissão de receita pela fiscalização. É o que determina, expressamente, o artigo 42 da citada lei. Veja-se: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A adequação deste dispositivo aos comandos da Constituição Federal de 1988, notadamente aos princípios que balizam e limitam o poder de tributar dos entes competentes para instituir e cobrar tributos, é questionável. Tanto que o Supremo Tribunal Federal reconheceu, em 2015, a repercussão geral da discussão nos autos do RE 855.649/RS. Fl. 5406DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 De toda forma, o referido dispositivo continua válido e, por se tratar de uma presunção relativa de omissão de receitas, exige a intimação prévia do contribuinte para se manifestar acerca dos créditos identificados nas contas mantidas junto às instituições financeiras, nos exatos termos dos julgados colacionados pela Recorrente em seu apelo. Contudo, apesar de toda argumentação do contribuinte pela nulidade da autuação, por não ter sido previamente intimado a se manifestar a acerca dos supostos créditos identificados em sua conta bancária, quando se analisa os Autos de Infração lavrados (veja-se como exemplo, o AI de IRPJ, acostado às fls. 02 a 66), bem como o Relatório Fiscal, pode-se perceber que o citado artigo 42 da Lei nº 9.430/96 não foi utilizado como fundamento para a constituição dos créditos tributários. Em verdade, a fiscalização, com base em todo um conjunto probatório, dentre eles a existência de uma conta bancária junto ao Banco Bradesco, para qual eram direcionados os pagamentos dos boletos emitidos pela Tudor MG, entendeu pela imprestabilidade da contabilidade apresentada. Contabilidade esta, inclusive, que não contemplava aquela conta bancária, sendo que, como já mencionado, a titularidade desta só pode ser confirmada com a resposta dada pela própria instituição financeira (fls. 1441 e seguintes). Assim, com a declaração da imprestabilidade da contabilidade, o lucro da entidade foi arbitrado, nos termos do então vigente artigo 530, incisos I e II, do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) e no artigo 47, incisos I e II, alínea "b" da Lei 8.981/95. O acórdão recorrido deixou bem clara essa posição. Confira-se: No presente caso, contudo, não se utilizou de presunção, na constatação de omissão de receita, mas de prova direta da infração, mediante análise das informações constantes das notas fiscais e dos recibos de pagamentos emitidos pela Tudor MG em 2012 (provas trazidas na denúncia); da constatação do uso de conta bancária não escriturada para movimentação de receitas e despesas à margem de escrituração pela Tudor MG, conclusão atingida sem a necessidade do uso da presunção de omissão de receita constante do art. 42 da Lei nº 9.430/96, como adiante se demonstrará; do confronto da escrituração com o material apreendido e registros das interceptações telefônicas/telemáticas; bem como das informações prestadas na denúncia, como descrito no relatório, sendo oportuno registrar que tais documentos permitiram também concluir pela adoção de igual sistemática pela empresa Tudor SP. Não se pode perder de vista, ainda, que, como demonstrado no relatório alhures, a fiscalização, para fins de arbitramento do lucro, utilizou de planilhas apreendidas na casa de um dos sócios da entidade. Foi com base nesse documento e outras provas obtidas pelo Poder Judiciário, que se apurou a omissão de receitas e se arbitrou o lucro. Desta feita, não há que se falar em nulidade dos Autos de Infração, pela ausência de intimação prévia do contribuinte, uma vez que, reitere-se, a autuação não se deu com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, como tenta induzir o contribuinte na preliminar ora analisada. Portanto, REJEITA-SE mais esta preliminar de nulidade. 1.2.4) DA FALTA DE IDENTIFICAÇÃO INDIVIDUALIZADA DOS DEPÓSITOS DAS CONTAS BANCÁRIAS. Em mais uma preliminar, em que invoca a inteligência do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, a Recorrente afirma que em “não havendo a intimação e a individualização dos créditos, de forma analítica e pormenorizada, de modo a permitir que o Contribuinte autuado tenha conhecimento das conclusões da Fazenda Pública para poder se manifestar Fl. 5407DF CARF MF Fl. 29 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 legitimamente, para que não haja a preterição do direito de defesa, o que, infelizmente, não ocorreu no presente caso e é fato suficiente a ensejar a nulidade do lançamento.” Contudo, sem maiores delongas, utilizando-se dos fundamentos apresentados no tópico anterior, não assiste razão à Recorrente, uma vez que, reitere-se, o artigo 42 da Lei nº 9.430/96 não foi utilizado como embasamento legal para a constituição dos créditos tributários ora em discussão. A Recorrente tenta introduzir uma discussão que, data venia, não tem qualquer relação ou pertinência nos autos. A simples leitura dos Autos de Infração, como demonstrado, joga por terra toda a discussão levantada pela contribuinte. REJEITA-SE, assim, esta preliminar de nulidade 1.2.5) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Em outro tópico, a Recorrente sustenta, pelo o que se pode entender do que restou ali defendido, que houve cerceamento do seu direito de defesa, na medida em que, em suas palavras, “a autoridade fiscal NÃO apontou com clareza e objetividade quais foram os motivos e as causas de tornar a contabilidade da empresa fiscalizada imprestável, vez que esse foi o fundamento para o arbitramento do lucro no presente caso”. Pugna, assim, pela nulidade da autuação, afirmando que, “quando se existe a acusação de imprestabilidade, não se pode generalizar, incumbindo a fiscalização o dever de demonstrar individualmente a imprestabilidade” da contabilidade. Contudo, não se pode concordar com os argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo o que se denota dos autos, a fiscalização, em uma construção arrimada em diversas provas – e-mail’s e escutas telefônicas interceptadas com autorização do Poder Judiciário, documentos e planilhas apreendidas na empresa e com os sócios desta, denúncias realizadas por ex-colaboradores da entidade, dentre outros – concluiu pela prática de omissão de receitas, que transitavam à margem dos controles contábeis e fiscais do contribuinte, inclusive com o recebimento em espécie de valores nas vendas realizadas sem a devida emissão dos documentos fiscais. Não se tem dúvidas, quando se analisa os autos, notadamente o Relatório Fiscal (fls. 1.218 a 1.269), da motivação da fiscalização, que, com base em todo o conjunto probatório, entendeu que a contabilidade da entidade não se prestaria para determinar o lucro real. Neste sentido, importante transcrever um trecho daquele Relatório Fiscal, que deixa bem clara a posição da fiscalização e os motivos pelos quais a contabilidade foi declarada como imprestável. Veja-se: As inúmeras situações acima descritas demonstram, de maneira inequívoca, que as escriturações contábeis digitais (ECDs), relativas aos períodos fiscalizados, contêm evidentes indícios de fraudes, vícios e deficiências que as tornam imprestáveis para se determinar o lucro real (forma de apuração adotada pelas indústrias, nos citados períodos), sobretudo por não refletirem, verdadeiramente, dois elementos nucleares: receitas de vendas e custos/despesas. (destaques no original). Não se pode perder de vista ainda, que, para fundamentar a declaração de imprestabilidade da contabilidade da Recorrente, a fiscalização demonstrou, através de uma das escutas telefônicas interceptadas, que os balanços (entenda-se a contabilidade das entidades – Tudor MG e Tudor SP) eram, de alguma forma, ajustados, para “ir melhorando os resultados”. Fl. 5408DF CARF MF Fl. 30 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Observa-se também da escuta telefônica transcrita, que os balanços precisavam ser passados previamente para um dos sócios da entidade, para que este pudesse aprovar as demonstrações antes da divulgação. Há que se ressaltar, ainda, que não se tem dúvidas, como colocado pela própria Recorrente, de que o arbitramento é uma medida extrema e, em regra, a fiscalização, ao constituir o crédito tributário de ofício, deve se pautar na opção de tributação exercida originariamente pelo contribuinte. Contudo, como será melhor explorado ao longo do presente voto, uma vez constada a imprestabilidade das demonstrações contábeis da entidade, o arbitramento deve ser obrigatoriamente realizado. Neste passo, não se verifica qualquer cerceamento de defesa ao contribuinte, sendo que, nos autos, restou devidamente demonstrado os motivos para a declaração da imprestabilidade da contabilidade, o que possibilitou, o autuado, se defender de forma plena em face das ilações da fiscalização. Portanto, REJEITA-SE a preliminar de nulidade, uma vez que não se verificou, na declaração de imprestabilidade da contabilidade da entidade, qualquer cerceamento de defesa da Recorrente. 1.2.6) MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. Em mais uma preliminar de nulidade, a Recorrente alega que houve flagrante “mudança de critério jurídico”, quando a fiscalização, “na base de cálculo utilizada para o lançamento complementar (outras receitas) utilizou-se dos lançamentos contábeis e nos valores de receitas operacionais desconsiderou a contabilidade, relacionado integralmente ao lançamento original”. Afirma, assim, que a “mudança do critério jurídico ocorreu no elemento quantitativo da regra matriz de incidência tributária, demonstrando que não se trata apenas de mero erro de fato como argumenta a autoridade julgadora ‘a quo’, porém que afetou o critério jurídico adotado para apuração de lucros tributáveis, maculando, por via reflexa, o lançamento original que simplesmente desconsiderou totalmente a contabilidade para a mesma apuração de base de cálculo tributável”. Com base nestes argumentos, a Recorrente pede a declaração da nulidade do lançamento. De pronto, cumpre registrar que, no Recurso Voluntário, a Recorrente não se insurge com relação à impossibilidade de se fazer o lançamento complementar, como fez na Impugnação de fls. 3.859 a 3.882. A única discussão devolvida a este colegiado é com relação à suposta mudança do critério jurídico, quando a autoridade fiscal promoveu a retificação do lançamento. Pois bem. Sabe-se que a legislação, em especial o Código Tributário Nacional, autoriza a retificação do lançamento, inclusive para majorá-lo, naqueles casos em que há patente erro de fato. Erro de direito não autoriza a autoridade administrativa a promover a retificação do lançamento. Com precisão cirúrgica, Paulo de Barros Carvalho se posiciona neste norte. Confira- se: Fl. 5409DF CARF MF Fl. 31 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 “O erro da autoridade fiscal que justifica a alteração do ato de lançamento é apenas o ‘erro de fato’; nunca o ‘erro de direito’. Não obstante, ainda que nem sempre seja fácil distinguir esses dois tipos de erro, isso não nos impede de aplicar a discriminação nos pontos que enxergamos com clareza. Enquanto o ‘erro de fato’ é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, o ‘erro de direito’ é vício de feição internormativa, um descompasso entre a norma geral e abstrata e a individual e concreta”. (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. São Paulo: Noeses, 2008 – 2ª edição. págs. 445 e 446) E mais: o CTN, no seu artigo 146, preceitua que a mudança do critério jurídico introduzida de ofício ou em consequência de decisão de autoridade administrativa e judicial só pode ser realizada para fatos geradores ocorridos após a alteração do entendimento. Veja-se a redação do artigo: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A imutabilidade do lançamento é decorrente do princípio da segurança jurídica, que para alguns autores, dentre eles o próprio professor Paulo de Barros Carvalho, é um sobreprincípio que deve nortear todo o ordenamento jurídico. Contudo, no presente caso, não se vislumbra qualquer erro de direito que pudesse, de alguma forma, tornar nulo o lançamento do crédito tributário. Não houve mudança de critério jurídico quando foi realizado o lançamento complementar. São precisas as colocações do acórdão recorrido neste sentido. Veja-se: Trata-se, pois, de mero erro de fato (erro de cálculo) na determinação da base tributável, inexistindo inovação, não havendo de se falar em mudança de critério jurídico, pois não configurado erro de direito no lançamento originário, face ausência de mudança no enquadramento legal e/ou no fato jurídico tributário e/ou na relação jurídico tributária. Com efeito, inexistiu alteração de alíquota e/ou de base de cálculo, no que concerne ao agravamento. Os elementos integrantes do Anexo 3 (Acréscimos à base de cálculo) permaneceram os mesmos do lançamento original, cuja tributação sempre fora determinada pelo valor integral (100%). Trata-se de um acréscimo ao lançamento original. Somente com relação ao mês 12/2014 a autoridade fiscal exerceu, também, ação revisora, excluindo dos elementos integrantes do Anexo 3, dezenove lançamentos correspondentes a transferência de saldo para a apuração do resultado (identificados no Anexo 2 do TVF Complementar), portanto, retificando para menor o valor total das "Outras Receitas" no referido período, de R$ 5.765.356,32 para R$ 424.846,31, em benefício da contribuinte. Em consequência, o total das "Outras Receitas" do 4º trim/2014 passou de R$ 6.446.343,17 para R$ 1.105.833,16. Mesmo com esse entendimento, há que se ressaltar, contudo, que caso se admitisse que houve erro de direito e, por consequência, mudança do critério jurídico – e aqui se faz apenas para argumentar – não se estaria diante de uma nulidade, nos termos estampados no já citado e comentado artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Se estaria diante de matéria de mérito, em que se enfrentaria o erro na base de cálculo quando da aplicação do arbitramento, podendo causar a improcedência parcial ou total do lançamento e não na sua nulidade. Portanto, REJEITA-SE também esta preliminar. 1.2.7) NULIDADE DE TODAS AS PROVAS UTILIZADAS NO LANÇAMENTO OBTIDAS NA MEDIDA CAUTELAR FISCAL. Fl. 5410DF CARF MF Fl. 32 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Na última preliminar levantada pela Recorrente, esta afirma que as provas utilizadas para fundamentar o lançamento dos créditos tributários ora em discussão seriam nulas e, por consequência, eivaram de nulidade também o lançamento. Em longa explanação, a Recorrente discorre sobre as provas utilizadas, sobre a necessidade de haver uma interseção entre o “ Direito Administrativo Sancionador e o Direito Penal” e, em especial, sobre ilicitude das interceptações telefônicas e telemáticas, uma vez que teriam sido obtidas fora dos contornos da autorização judicial. Não assiste razão à Recorrente. Primeiro, não se pode olvidar que consta dos autos despacho (fls. 1.270 a 1.271) proferido pelo Juízo da Primeira Vara Federal da Subseção Judiciária de Governador Valadares (MG), (processo de nº 545.24.2014.4.01.3803), em que houve autorização expressa do Poder Judiciário, para que as provas colhidas no âmbito daquele processo fossem compartilhadas entre a Receita Federal do Brasil e a Polícia Federal. Veja-se o que constou naquele documento: “Determino, também, o compartilhamento de informações e provas relacionadas às investigações em questão entre a Polícia Federal e a Receita Federal do Brasil, vez que, em se tratando de um esquema criminoso que tem como objetivo principal a sonegação de tributos, tal medida mostra-se necessária para viabilizar o trabalho conjunto entre a Polícia Federal e a Receita Federal e tornar mais eficaz a colheita de elementos para comprovação da autoria e materialidade delitivas” (destacou-se) Por outro lado, o próprio STF já convalidou o entendimento de que o compartilhamento de provas é válido e que estas provas podem ser utilizadas em processos administrativos, como se observa do julgado cuja ementa segue abaixo transcrita: EMENTA: PROVA EMPRESTADA. Penal. Interceptação telefônica. Escuta ambiental. Autorização judicial e produção para fim de investigação criminal. Suspeita de delitos cometidos por autoridades e agentes públicos. Dados obtidos em inquérito policial. Uso em procedimento administrativo disciplinar, contra outros servidores, cujos eventuais ilícitos administrativos teriam despontado à colheira dessa prova. Admissibilidade. Resposta afirmativa a questão de ordem. Inteligência do art. 5º, inc. XII, da CF, e do art. 1º da Lei federal nº 9.296/96. Precedente. Voto vencido. Dados obtidos em interceptação de comunicações telefônicas e em escutas ambientais, judicialmente autorizadas para produção de prova em investigação criminal ou em instrução processual penal, podem ser usados em procedimento administrativo disciplinar, contra a mesma ou as mesmas pessoas em relação às quais foram colhidos, ou contra outros servidores cujos supostos ilícitos teriam despontado à colheita dessa prova .(Inq 2424 QO-QO, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Tribunal Pleno, julgado em 20/06/2007, DJe-087 DIVULG 23-08-2007 PUBLIC 24-08-2007 DJ 24-08-2007 PP-00055 EMENT VOL-02286-01 PP-00152 RTJ VOL-00205-02 PP-00656) (destacou-se) Portanto, não restam dúvidas, por ter a mesma natureza e finalidade do procedimento administrativo disciplinar, que tal entendimento também se aplica ao processo administrativo fiscal. Assim, desde que autorizado o compartilhamento, como no caso em tela, tais provas não só podem ser utilizadas no âmbito do processo administrativo fiscal, como é dever do agente fiscal apreciá-las e utilizá-las para embasar eventuais autuações. Neste sentido, inclusive, já se pronunciou esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Confira-se: (...) Fl. 5411DF CARF MF Fl. 33 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 PROVA EMPRESTADA. DIÁLOGOS DE ESCUTA TELEFÔNICA. COMPARTILHAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. VALIDADE. Não há impedimento legal para que a prova obtida licitamente por meio de quebra de sigilo telefônico e de dados, regularmente autorizada no âmbito do procedimento de investigação criminal, seja utilizada no processo administrativo fiscal, principalmente, se existe autorização judicial expressa para instrução do respectivo procedimento fiscal. (...) (Acórdão 3302-003.224 - 12782.000011/2010-07) ... PROVA EMPRESTADA. SIGILO BANCÁRIO Tendo a obtenção de documentos e extratos bancários sido realizada com base em ordem emanada do Poder Judiciário, não há empecilho para utilização das provas colhidas em âmbito judicial no processo administrativo fiscal, em especial quando há determinação de apuração de eventuais ilicitudes praticadas. (Acórdão nº 1302-002.637- Processo nº 10183.727555/2015-40) Assim, plenamente possível a utilização de provas colhidas no âmbito do Poder Judiciário, para embasar eventuais autuações de cunho tributário, como no presente caso. Não se pode dar acolhida, ainda, ao argumento da Recorrente de que algumas provas foram obtidas fora dos contornos determinados pelo juízo da Vara Federal da Subseção Judiciária de Governador Valadares (MG). É que, em que pese sua argumentação, a Recorrente não trouxe nenhuma comprovação de que, no âmbito do Poder Judiciário, aquelas provas foram declaradas ilícitas. Neste caso, seria temerário um julgador administrativo, no limitado campo de atuação do contencioso administrativo tributário, declarar a ilicitude de uma prova produzida por ordem do Poder Judiciário e que foi compartilhada com a Receita Federal do Brasil para apuração e “comprovação da autoria e materialidade delitivas”. Deve-se pontuar, que não se opõe à afirmação da Recorrente, no sentido de que “os direitos e garantias que informam o processo judicial não podem ser ignorados no âmbito administrativo”. A ampla defesa e o contraditório, por exemplo, são garantias fundamentais, estampadas no Texto Constitucional, e devem ser plenamente aplicáveis, tanto no âmbito judicial, como no administrativo. Mas a questão posta pela Recorrente é diferente. Ao pretender que, no âmbito do julgamento administrativo, se declare a nulidade de provas obtidas com autorização do Poder Judiciário, sem que haja a efetiva comprovação de que houve a declaração da ilicitude das provas por parte daquele Poder da República é temerário e não se pode admitir. Se, no exercício do seu direito de ampla defesa, a Recorrente tivesse efetivamente comprovado que houve a declaração da ilicitude das provas colhidas no âmbito do Poder Judiciário, não se teria dúvidas: o lançamento tributário não poderia ser motivado e embasado com provas ilícitas. Contudo, como mencionado, não consta dos autos nada além das argumentações da Recorrente quanto a ilicitude das provas. Reitere-se: sendo estas produzidas no âmbito do Poder Judiciário e havendo autorização deste para que as provas fossem compartilhadas com o fisco federal, não há que se falar em ilicitude das provas, a eivar de nulidade o lançamento tributário em questão, enquanto o próprio Poder Judiciário não declarar a nulidade (ilicitude) daquelas. Assim, REJEITA-SE também a última preliminar levantada pela Recorrente. Fl. 5412DF CARF MF Fl. 34 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 2) DA PREJUDICIAL DE MÉRITO 2.1) DA DECADÊNCIA Nesta prejudicial de mérito, após afirmar que todos os tributos ora em discussão estão sujeitos ao lançamento por homologação, a Recorrente aduz que a contagem do prazo decadencial deve se dar com base no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, na medida em que “apurou e pagou antecipadamente nos períodos relacionados no Auto de infração e Lançamento, conforme rigorosamente demonstrado em sua contabilidade valores do IRPJ\CSSL\PIS\COFINS e do IPI”. Assim, a Recorrente requer o “afastamento das exigências de todos os tributos lançados referentes aos meses de janeiro a junho de 2012, pelo reconhecimento da decadência do direito à constituição do crédito tributário”, afirmando, que não se poderia presumir o dolo em todo o período autuado, em especial, porque “há 25 anos vem gerando riquezas, tributos e principalmente empregos”. A Recorrente, em argumento subsidiário, afirma ainda, que, mesmo se considerando a contagem do prazo decadencial com base no artigo 173, I do CTN, houve a decadência de parte do crédito tributário constituído. Neste sentido, argumenta pela necessidade de se “flexibilizar o conceito de “exercício”, especialmente pelo fato dos tributos federais (exceto ITR) serem lançados por homologação, onde o Fisco toma conhecimento do fato gerador do tributo no mês seguinte à declaração, como o caso DCTF/SPED. Nestas hipóteses a contagem do prazo decadencial na regra geral, no caso do PIS, COFINS, IPI e CSRB, deve ter o seu termo inicial à partir do primeiro dia do mês seguinte, onde estaria portanto, decaido do direito de lançar os fatos geradores desses tributos dos meses de fevereiro a maio de 2012”. Não assiste razão à Recorrente. Como sabido, a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 146, inciso III, alínea b), determina que cabe ao legislador complementar estabelecer normas gerais em matéria tributária, inclusive aquelas que tratam da prescrição e decadência. No ordenamento jurídico pátrio, o Código Tributário Nacional é a norma geral a qual faz menção o Texto Constitucional. Mesmo tendo sido publicado antes da Constituição de 1988, o referido código foi recepcionado como Lei Complementar em matéria tributária e, por isso, é nele que se encontram as regras para contagem do prazo decadencial no Direito Tributário. Assim, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em que o contribuinte declara, calcula e recolhe os valores que entende devidos ao erário, o CTN determina que o fisco possui 05 anos, contados do fato gerador, para homologar a declaração e o pagamento realizado pelo contribuinte. Eis a sua redação: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. Fl. 5413DF CARF MF Fl. 35 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (destacou-se) Contudo, nos termos já decido pelo STJ, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, caso não haja pagamento (com ou sem declaração do contribuinte) ou caso haja a constatação de prática de condutas fraudulentas, aplica-se a regra geral para contagem do prazo decadencial, que está prevista no artigo 173, I do Código Tributário Nacional, que tem a seguinte redação: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A aplicabilidade do art. 150, § 4º ou do art. 173, I, ambos do CTN, foi objeto de decisão definitiva, como mencionado, proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC), no Recurso Especial nº 973.733/SC, tendo o julgado recebido a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). Fl. 5414DF CARF MF Fl. 36 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Contudo, o STJ, em julgado posterior, em que o relator cita expressamente o acórdão cuja ementa foi transcrita acima, acolhendo Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, "a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria", em caso muito semelhante ao que é aqui tratado, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Trata-se de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirando-se em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, tem-se por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 674.497/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, DJe 26/02/2010) (destacou- se) Cumpre ressaltar que esse posicionamento foi adotado pelo Superior Tribunal de Justiça foi tomado em sede de recursos repetitivos, o que impõe a sua adoção por este Conselho Fl. 5415DF CARF MF Fl. 37 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Administrativo de Recursos Fiscais (§ 2º do art. 62 do RICARF, com a redação dada pela Portaria MF nº 152/2016). Pois bem. No caso em apreço, em que pese o esforço argumentativo da Recorrente, a aplicação do artigo 173, I do CTN para fins de contagem do prazo decadencial se deu, em síntese, porque a fiscalização constatou diversas irregularidades no exercício da atividade da Recorrente, em especial a omissão de receitas. Por isso, restou caracterizado o dolo. Neste sentido, pela aplicação do artigo 173, em detrimento do que dispõe o § 4, do artigo 150 do CTN, o próprio CARF sedimentou o entendimento, como se observa da redação da súmula Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. Por outro lado, no que tange ao artigo 173, I do CTN, em especial quando se inicia a contagem do prazo decadencial – que se dá no início do exercício, como já decidiu o STJ - , a posição consolidada deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também já restou sumulada. Veja-se: Súmula CARF nº 101:Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Neste sentido, não se pode fazer reparos no acórdão recorrido quando afirma: Nestes termos, considerando que o lançamento (original e suplementar) se reporta aos fatos geradores ocorridos entre 31/03/2012 a 31/12/2015 (IRPJ/CSLL); entre 01/2012 a 12/2015 (PIS/COFINS); entre 08/2012 a 06/2015 (CPRB) e entre 01/2012 a 06/2015 (IPI), o término do prazo decadencial se deu em 31/12/2017, em relação ao fato gerador mais antigo. Tendo sido a contribuinte cientificada dos autos de infração em 14/07/2017, bem como dos autos de infração complementares em 04/12/2017, impõe-se reconhecer que não se operou a decadência relativamente ao crédito tributário constituído. Portanto, REJEITA-SE as argumentações da Recorrente, no que tange à suposta decadência parcial do crédito tributário ora em discussão. 3) DO MÉRITO Superadas as preliminares e a prejudicial de mérito trazidas à discussão pela Recorrente, passa-se, neste momento, a analisar os fundamentos de mérito apresentados no Recurso Voluntário. Após essa análise, é bom deixar claro, se verificará os argumentos apresentados pelos coobrigados, afirmando, desde já, que estes se insurgem, tão-somente, contra as imputações das responsabilidades pela fiscalização, não trazendo a este colegiado discussões relativas ao mérito (constituição do crédito tributário) propriamente dito da autuação. 3.1) DAS ALEGAÇÕES DA RECORRENTE. DA SUPOSTA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DA AUTUAÇÃO. DA NECESSIDADE DE FIXAÇÃO DE ALGUMAS PREMISSAS. No Recurso Voluntário apresentado, após suscitar preliminares, que supostamente tornariam nulos a decisão recorrida e o lançamento propriamente dito, e se manifestar pela decadência parcial do crédito tributário (pontos já enfrentados nos tópicos acima), a Recorrente traz inúmeros argumentos para desconstruir a acusação fiscal. Fl. 5416DF CARF MF Fl. 38 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 O primeiro destes argumentos – se é que se pode falar em um único, face os inúmeras páginas e manifestações apresentadas no Recurso Voluntário – é de que a fiscalização se baseou em presunções para motivar o lançamento de ofício dos créditos tributários em discussão. Segundo os argumentos lançados pela Recorrente, a fiscalização teria deixado de motivar a autuação, na medida em que se teria furtado da análise dos “fatos geradores da obrigação tributária de forma individualizada e comprovação detalhada das receitas omitidas e respectivos fatos geradores individualizados de cada tributo lançado.” Argumenta, neste sentido, que a autuação se deu com base em presunções, o que exigiria o “impossível da Recorrente”, que além da prova negativa de um fato, teria que ter o “poder de adivinhar qual fato lhe teria sido imputado”. Aduz, ainda, que a fiscalização cometeu “ofensa mortal aos princípios da tipicidade cerrada e da legalidade”, quando adotou “uma interpretação completamente distorcida sobre a realidade operacional da atividade econômica da Recorrente”. Neste passo, em seu longo arrazoado, a Recorrente traz inúmeras ponderações, no sentido de que faltou motivação ao lançamento tributário, que, aos seus olhos, se deu com base em presunções, completamente distorcidas da realidade da atividade da entidade, e que não houve auditoria e confirmação das provas utilizadas para embasar a autuação. Enfim, argumenta, a Recorrente, que o lançamento se deu com base “em informação de terceiros, em especial do denunciante” e que a fiscalização não trouxe provas suficientes aos autos para confirmar os fatos narrados na acusação fiscal. 3.2) DO ÔNUS DA PROVA. Face essas colocações, antes de se cotejar os argumentos apresentados pela Recorrente com a acusação fiscal, entende-se como necessária a fixação de uma premissa, no que tange ao ônus probatório quando há a constituição de ofício do crédito tributário por parte da fiscalização. É que, naqueles casos em que a administração constitui créditos tributários de ofício, quando identifica incorreções e/ou omissões nos lançamentos contábeis e fiscais previamente realizados pelo contribuinte, há que se entender de quem é o ônus probatório: do fisco ou do contribuinte? No presente contexto, afasta-se, de pronto, os casos de presunção relativa, como, por exemplo, o de omissão de receitas por depósitos bancários, nos termos do já citado artigo 42, da Lei 9.430/96. Nestes casos, em que pese a discutível constitucionalidade do dispositivo legal, o legislador entendeu que o ônus probatório é do contribuinte. Assim, sendo devidamente intimado acerca das informações financeiras levantadas pela fiscalização e caso não haja comprovação em contrário por parte do fiscalizado, a ele será presumida determinada conduta. Mesmo nestes casos, entretanto, não pode a fiscalização, de forma unilateral, afirmar a existência de renda omitida, por exemplo, sem que seja dada a oportunidade ao contribuinte de fazer prova em contrário. Fabiana Del Padre Tomé, refutando de forma veemente a possibilidade de existência, no ordenamento jurídico brasileiro, das chamadas presunções absolutas ou mistas, assim se pronuncia sobre as chamadas presunções relativas: Fl. 5417DF CARF MF Fl. 39 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Apesar de caracterizarem importante instrumento de que dispõe a Administração, auxiliando-a nas tarefas fiscalizatória e arrecadatória, as presunções têm seu emprego delimitado por normas constitucionais que traçam os contornos da competência tributária, além das que asseguram direitos dos contribuintes. Por tal razão, não encontram guarida em nosso ordenamento as presunções absolutas nem as chamadas presunções mistas. As primeiras são obstadas pela rígida repartição constitucional das competências para instruir tributos, bem como pelos princípios da estrita legalidade tributária, da tipicidade e da capacidade contributiva. Quanto às presunções mistas, violam não apenas os primados da tipicidade e capacidade contributiva, mas também o direito à ampla defesa, já que restringem as provas possíveis de serem utilizadas para ilidir o fato presumido. As presunções susceptíveis de serem empregadas pelo Fisco são apenas as relativas, por possibilitarem ao contribuinte a livre produção probatória em sentido contrário. (TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2008. Págs. 301 e 302) Contudo, excetuado os casos de presunção relativa (as únicas presunções que se pode admitir em direito tributário, diga-se), o dever de provar é da fiscalização. Há que se entender que, nos termos do artigo 142, do Código Tributário Nacional, a competência para apurar, constituir e calcular o crédito tributário, dentre outras, é da autoridade administrativa, de forma privativa, em especial quando é promovida a constituição de ofício do crédito tributário, quando presentes umas das hipóteses listadas no artigo 149 do mesmo Código. Assim, salvo naqueles casos em que há uma presunção relativa de determinadas condutas, reitere-se, é dever da administração tributária comprovar as suas alegações. Mais uma vez, se vale dos ensinamentos de Fabiana Del Padre Tomé que, após discorrer sobre as diferenças entre ônus, dever e faculdade na produção das provas, assim se manifesta: "(...) A existência do ônus pressupõe um direito subjetivo disponível, que pode ou não ser exercido, situação que não se verifica na esfera tributária, tendo em vista que os atos de lançamento e de aplicação de penalidades pelo descumprimento de obrigações tributárias e deveres instrumentais competem ao Poder Público, de modo privativo e obrigatório, tendo de fazê-lo com base nos elementos comprobatórios do fato jurídico e do ilícito tributário. Daí por que não tem a autoridade administrativa mero ônus de provar o fato jurídico ou o ilícito tributário que dá suporte aos seus atos, mas verdadeiro dever, (...)"(TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2008. Págs. 236 e 237) (destacou-se) E arremata a festejada professora: "Caso o ato de lançamento não se fundamente em provas, estará irremediavelmente maculado, devendo ser retirado do ordenamento. Na hipótese de o contribuinte deixar de apresentar os documentos comprobatórios do fato enunciado no antecedente da norma individual e concreta por ele emitida, sujeitar-se-á ao ato de lançamento a ser realizado pela autoridade administrativa e à aplicação das penalidades cabíveis, como adverte Geraldo Ataliba: 'o sistema de legislação vigente, quanto ao assunto, é claro: omissão do contribuinte, a sua falta de colaboração ou a colaboração maliciosa ou danosa, além de serem criminalmente reprimidos, não inibem o fisco no lançamento'. Opostamente, se o contribuinte fornecer os documentos que se referem ao objeto fiscalizado, as informações nele contidas farão prova a seu favor. Devidamente provado o fato enunciado pelo Fisco ou pelo contribuinte, as alegações que pretendam desconstituí-lo devem, igualmente, estar fundadas em elementos probatórios. Tudo, na esteira da regra segundo a qual o ônus/dever da prova cabe a quem alega, não se admitindo, na esfera tributária, convenções que alterem essa forma de distribuição. "(...) A existência do ônus pressupõe um direito subjetivo disponível, que pode ou não ser exercido, situação que não se verifica na esfera tributária, tendo em vista que os atos de lançamento e de aplicação de penalidades pelo descumprimento de Fl. 5418DF CARF MF Fl. 40 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 obrigações tributárias e deveres instrumentais competem ao Poder Público, de modo privativo e obrigatório, tendo de fazê-lo com base nos elementos comprobatórios do fato jurídico e do ilícito tributário. Daí por que não tem a autoridade administrativa mero ônus de provar o fato jurídico ou o ilícito tributário que dá suporte aos seus atos, mas verdadeiro dever, (...)"(TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2008. Págs. 239 e 240) Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se posicionou quanto a impossibilidade de se inverter o ônus probatório, quando a fiscalização tinha o dever de provar as ilações lançadas em Auto de Infração. Veja-se julgado neste sentido: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ - Ano-calendário: 2000 USUFRUTO DE AÇÕES. RECEITAS AUFERIDAS EM RAZÃO DA CESSÃO DOS DIREITOS DE FRUIÇÃO DOS ATIVOS. RECEITAS QUE NÃO SE CONFUNDEM COM A PERCEPÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS. TRIBUTAÇÃO. APROPRIAÇÃO PRO RATA DA RECEITA. A celebração de contrato oneroso de usufruto de ações importa na transferência, ao usufrutuário, do direito, inerente à posição acionária, de percepção de juros e dividendos. A remuneração estabelecida em decorrência da cessão do direito de fruição das ações não se confunde com a percepção de juros e dividendos, constituindo receita do cedente obrigatoriamente submetida à tributação pelo Imposto sobre a Renda. Nessas condições, a receita deve ser apropriada pro-rata, durante o período do contrato. RATEIO DE CUSTOS - GLOSA - INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA - IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Provado, pelos elementos constantes da escrituração mercantil, que a recorrente contabilizara despesas recebidas em rateio de sua controladora, pratica usual em se tratando de grupos financeiros, caberia à fiscalização provar a inexistência ou a não dedutibilidade das despesas que assumira, não simplesmente ter promovido a sua glosa, mediante ilegal inversão do ônus da prova. PERDAS DE CRÉDITO. DEDUÇÃO INDEVIDA. A dedução de perdas no recebimento de créditos está condicionada ao atendimento aos requisitos legais para a sua dedutibilidade, além da comprovação documental inequívoca da sua ocorrência. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2000 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL - Consoante Súmula Vinculante do STF é de cinco anos o prazo de decadência para o Fisco efetuar o lançamento das contribuições para custear a Seguridade Social (art. 45 da Lei nº 8.212/1991). PIS, CSLL E COFINS - LANÇAMENTOS DECORRENTES - Aplicam-se aos lançamentos decorrentes o decidido em relação ao principal. Mantida parcialmente as exigências de CSLL e exoneradas integralmente as exigências de PIS/Pasep e COFINS MULTAS ISOLADAS - DECADÊNCIA E PROVIMENTO NO MÉRITO DA MATÉRIA PRINCIPAL - As multas isoladas por falta ou insuficiência de estimativas mensais sujeitam-se ao prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dado provimento, no mérito, ao recurso na parte relativa ao IRPJ que motivou a aplicação de multa isolada, cancela-se a exigência remanescente da decadência. (Número do Processo 19740.000004/2006-56 - Acórdão 107-09.588 - Data da sessão: 17/12/2008) Por outro lado, como se verifica da ementa acima, inclusive, não se pode desprezar o "peso" da prova dos lançamentos contábeis do contribuinte. Desde que lastreados por documentação hábil e idônea que comprove eventual lançamento, a contabilidade feita nos ditames da legislação tem o condão de provar a ocorrência do evento escriturado. Não é por outro motivo que o Decreto 3.000/99 era categórico ao afirmar que os lançamentos contábeis fazem prova em favor do contribuinte, sendo dever da autoridade administrativa comprovar eventuais inveracidades. Neste sentido era a redação dos artigos 923, 924 e 925 do RIR/99. Veja-se: Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, Fl. 5419DF CARF MF Fl. 41 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Art.924.Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º). Art.925.O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração Portanto, o dever de comprovar as ilações lançadas na autuação fiscal é da fiscalização. Não se pode admitir a transferência desse ônus ao contribuinte, quando a legislação assim não autoriza. Sendo apresentada documentação que comprove e sustente os lançamentos na contabilidade, a fiscalização deve empreender as diligências necessárias para comprovar suas alegações. Contudo, uma vez instado, pela fiscalização, a comprovar os lançamentos contábeis, cabe ao contribuinte apresentar documentação hábil e idônea que dê suporte factível àqueles lançamentos. Não se pode admitir que o simples lançamento na contabilidade faz prova irrefutável ao contribuinte. É dever deste demonstrar e, principalmente, comprovar que a sua contabilidade é fidedigna e representa de forma correta a realidade dos fatos ocorridos. Não sendo apresentado nenhum documento para comprovar os lançamentos contábeis, não pode, o contribuinte, invocar os dispositivos legais acima, para indicar que o ônus probatório é da fiscalização. É temerária a interpretação do dispositivo de forma literal, até mesmo porque é dever do contribuinte a guarda dos documentos que dão suporte aos lançamentos contábeis. Feitas essas considerações, passa-se a analisar a acusação fiscal, os argumentos da Recorrente, cotejando-os com o que restou decidido pela DRJ de Ribeirão Preto (SP). 3.3) DA ACUSAÇÃO FISCAL E DOS ARGUMENTOS APRESENTADOS PELO RECORRENTE. Como já relatado alhures, o agente autuante, partindo de denúncia anônima feita por um de ex-empregado da Recorrente, obteve, com o devido respaldo do Poder Judiciário, inúmeras provas para demonstrar a operação de sonegação de tributos (omissão de receitas) que foi realizada pela Recorrente ao longo dos anos fiscalizados e que são objeto da autuação ora em análise. Ao contrário do que defende a Recorrente, o que se verifica da autuação é que a fiscalização conseguiu demonstrar o esquema arquitetado pelas entidades, que tinha como objetivo, basicamente, omitir vendas e, por consequência, receitas da fiscalização, ficando, assim, aquela entidades, livres do pagamento de diversos tributos que incidem sobre as operações por elas realizadas. Não se concorda com os argumentos da Recorrente de que a autuação se baseou em presunções para a constituição dos créditos tributários. É claro que, não se poderia esperar que a fiscalização trouxesse aos autos todas as operações omitidas – individualizadas, como fala a Recorrente – até mesmo porque, o que se verificou foi um esquema ardiloso e sofisticado para esconder, das fiscalizações estadual e federal, os eventos ocorridos. Eventos estes que, de alguma forma, fariam nascer a obrigação tributária. Fl. 5420DF CARF MF Fl. 42 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 De pronto, não se sustenta a afirmação da Recorrente no sentido de que não poderia ter validade a acusação de ex-empregado que responde judicialmente por crime de furto qualificado, justamente por ter subtraído valores da entidade. Primeiro, quando se analisa o Relatório Fiscal e a bem fundamentada motivação da fiscalização, pode-se verificar que esta não se utilizou apenas da denúncia de um ex- empregado da Recorrente para constituir o crédito tributário. É claro que a denuncia anônima de um ex-funcionário foi o ponto de partida para todo o trabalho da fiscalização. Não há dúvidas quanto a isso. Entretanto, o conjunto probatório acostado aos autos, além da denúncia do ex- empregado, é composto por e-mails trocados pelos funcionários e diretores da Recorrente, planilhas, controles paralelos que foram apreendidos pela Polícia Federal e auditores, em operação autorizada pelo Poder Judiciário, documentos fiscais emitidos pela própria Recorrente, confirmação de omissão de informações, inclusive na contabilidade, no que tange à existência de uma conta bancária mantida e movimentada junto ao Banco Bradesco, dentre outras provas citadas e apresentadas pela fiscalização. A esta mesma constatação chegou o acórdão recorrido. Confira-se trecho da decisão proferida pela DRJ de Ribeirão Preto: Como já ressaltado, in casu, a fiscalização não utilizou, pura e simplesmente, as informações prestadas na denúncia, a qual, aliás, reitere-se, veio acompanhada de provas (Recibos e Notas Fiscais do ano de 2012). Após longo período de investigação e mediante operação conjunta com a Polícia Federal e Ministério Público, com supedâneo em autorização judicial, a fiscalização buscou outros elementos de prova, tais como as interceptações telefônicas/telemáticas e o material apreendido por meio de medida judicial de busca e apreensão. (destacou-se) Por outro lado, o argumento da Recorrente utilizado para tornar sem credibilidade a denúncia realizada, uma vez que aquele ex-empregado, em verdade, estaria com o intuito de penalizar seu antigo empregador, cai por terra, quando se analisa o processo judicial penal citado pela própria Recorrente no Recurso Voluntário: processo nº 171557-14.2011.8.13.0105, com trâmite inicial na comarca de Governador Valadares (MG). É que, em consulta ao site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais 1 , pode-se verificar que, no dia 16/10/2018, o juízo estadual de 1ª instância entendeu por bem absolver o réu Jeferson Loubak Brandão, julgando como improcedente a “pretensão punitiva estatal”. Aqui, deve-se se ressaltar que, quando se analisa o Relatório Fiscal, o agente autuante sempre cita trechos da denúncia feita pelo “senhor Antonio Francisco Xavier Filho, ex- funcionário, de cargo de confiança - Chefe do Setor Financeiro, com mais de 25 anos de casa (1988 a 2014)”. Entretanto, ao longo do Recurso Voluntário, para sustentar a fragilidade da autuação, que supostamente teria sido baseada apenas em uma denúncia feita por um ex- empregado, a Recorrente cita o processo acima, que tem como Réu o senhor Jeferson Loubak Brandão, que também era funcionário da empresa Tudor MG. Não se pode verificar, assim, se o denunciante mencionado reiteradamente no Relatório Fiscal - Antonio Francisco Xavier Filho – de fato está respondendo criminalmente por 1 Consulta disponível no link: https://www4.tjmg.jus.br/juridico/sf/proc_movimentacoes.jsp?comrCodigo=105&numero=1&listaProcessos=11017 155 Fl. 5421DF CARF MF Fl. 43 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 furto qualificado e, em especial, se já houve um pronunciamento do Poder Judiciário quanto à suposta denúncia apresentada, uma vez que a Recorrente não trouxe prova neste sentido. De toda forma, o conjunto probatório é farto e, data venia, a Recorrente com os argumentos e poucos documentos apresentados nos autos, não conseguiu desconstruir as ilações da fiscalização. Veja-se alguns exemplos. Logo de início, no Relatório Fiscal, o agente autuante demonstrou que, após ser desencadeada a operação denominada “Água Viva (Polo Negativo)”, a receita bruta da Tudor SP, “extraída de suas NFEs, relativa ao ano 2016, na casa dos 235,9 milhões de reais, é bem maior do que as mesmas receitas declaradas de 2012 a 2015 (de 105 a 177 milhões), ao mesmo tempo que aparenta coerência com as receitas que foram extraídas dos citados controles paralelos e embasaram os lançamentos no mesmo período - 2012 a 2015”. A Recorrente, em sua Impugnação e no Recurso Voluntário apresentados, ignorando a afirmação da fiscalização de que as receitas declaradas após a referida operação (no de 2016) eram coerentes com as receitas extraídas dos controles paralelos para os anos de 2012 a 2015, pontua que a “autoridade fiscal utilizou somente de raciocínio para deduzir a omissão de receita, sem fazer um confronto real e analítico com a contabilidade da empresa.” Por outro lado, a Recorrente justifica o aumento significativo na receita tributável no ano de 2016, uma vez que, em suas palavras, a empresa “experimentou crescimento de seu produto no Mercado. O fato decorreu da conquista inédita de fornecimento a grande montadoras e fabricantes de autopeças: Mercedes, Chrysler, Bosch, Duracel, dentre outros.” Afirma, ainda, que, após ser deflagrada a denominada Operação “Água Viva (Polo Negativo)”, diversas alterações “operacionais e estratégicas de mercado” tiveram o condão de fazer crescer exponencialmente suas receitas, mas que, a princípio, essas alterações não teriam sido motivadas pela operação deflagrada. Contudo, quando se analisa os autos, pode-se verificar que essas afirmações da Recorrente foram lançadas nos apelos – Impugnação e Recurso Voluntário -, mas não houve a juntada de nenhuma prova para corroborar com as alegações apresentadas. Neste ponto, não se pode deixar de mencionar que, em que pese a extensa Impugnação Administrativa apresentada (fls. 3.438 a 3.566), a Recorrente não trouxe aos autos, em um primeiro momento, qualquer documento, além da procuração e documentos constitutivos (fls. 3.567 a 3.575). Quando da apresentação da Impugnação Complementar (fls. 3.859 a 3.882), face a retificação da autuação promovida pela fiscalização, a Recorrente apresentou apenas os documentos de fls. 3.883 a 4.007, que se prestariam para comprovar que houve valores indevidamente lançados como receitas pelo agente autuante, valores que seriam decorrentes de variações cambiais. Posteriormente, já tendo sido o processo distribuído a este relator, a Recorrente trouxe documentos aos autos, mas que teriam o condão de demonstrar supostos equívocos quando do arbitramento. Estes argumentos, deixa-se claro, serão analisados a seguir. Ou seja, em que pese alegar, a Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento de prova que pudesse ratificar os seus argumentos, em especial quando afirma que houve presunção da fiscalização na acusação de condutas ilícitas praticadas. Fl. 5422DF CARF MF Fl. 44 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 E aqui, é bom deixar claro, não se está falando de prova negativa, como afirmou a Recorrente. Partindo do ponto que a fiscalização apontou e comprovou um incremento nas receitas tributáveis após a operação realizada, a Recorrente poderia (ou deveria) ter demonstrado quais os contratos assinados – que ela afirma existir – que tiveram o condão de aumentar substancialmente sua receita. Ademais, quais seriam as mudanças operacionais e em que elas foram baseadas, a justificar tamanho incremento nas receitas da entidade? Não há qualquer prova neste sentido nos autos, apesar da superficial explicação lançada no Recurso ora em análise Prosseguindo no Relatório Fiscal, a fiscalização afirma que “restou evidenciado a existência de algumas empresas que trabalhavam em parceria com as indústrias Tudor, denominadas ‘centros de distribuição’ (ou distribuidores), bem como vários ‘revendedores autorizados’”, e que “alguns dos distribuidores (chamados pelo grupo de “depósitos”, ou “revendas”), foram formalizados com nomes “emprestados” de terceiras pessoas naturais, especialmente funcionários e/ou ex-funcionários das indústrias, sendo controlados diretamente por estas”. No Recurso Voluntário, ao refutar a existência de um “grupo econômico”, como afirmado pela fiscalização, a Recorrente não nega a existência dessas empresas e que algumas delas estariam em nome de funcionários ou ex-funcionários. Contudo, afirma que “o fato de alguns dos distribuidores (depósitos como são chamados) serem de propriedade de pessoas que anteriormente foram empregadas, ao contrário de ser um agravante contra a Recorrente, é um orgulho na sua história.” Aduz, assim, que o “vínculo de amizade, profissionalismo que sempre imperou na gestão da Recorrente propiciou a oportunização de parte de seus ex-empregados tornarem-se empreendedores e, certamente com todo apoio e satisfação da empresa Recorrente. De fato, notadamente pelo princípio da livre iniciativa, não há, na legislação, nada que impeça um empregado ou ex-empregado de criar uma empresa, para revenda de produtos do seu empregador. Isso se mostra, inclusive, salutar, na medida em que se conhece o ramo de negócio, os clientes, as peculiaridades e especificações dos produtos. Entretanto, além de não comprovar como se dava o estímulo aos seus empregados, para abertura dessas empresas (atingimento de metas, tempo de trabalho?), a Recorrente se olvidou que a fiscalização colacionou no relatório fiscal troca de e-mails interceptados, em que fica clara a ingerência que a entidade tinha sobre aquelas empresas, determinando, inclusive, como e quando deveriam serem feitos os pagamentos dos pró-labores dos gerentes, a distribuição dos lucros e, em especial, a necessidade de ratificação da contabilidade das empresas pelos “contadores das fábricas”. O único argumento que a Recorrente trouxe para desconstruir a afirmação de que aquelas empresas participavam do esquema montado para omitir receitas, foi de que a fiscalização deveria (ou poderia) ter verificado “aferir através das Notas Fiscais de venda da Recorrente a estes distribuidores ‘supostamente componente do grupo econômico’ que os preços de venda em geral são até maiores do que os praticados com outros distribuidores, pelas variações de quantidades adquiridas, forma de pagamento, etc.” Mais uma vez, contudo, a Recorrente alega, mas não traz qualquer elemento documental para comprovar suas afirmações. Questiona-se: por que não foram apresentadas as Notas Fiscais emitidas (mesmo que por amostragem) e um comparativo, com algum tipo de comprovação, dos preços praticados? Nada disso consta dos autos. Fl. 5423DF CARF MF Fl. 45 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Ainda, no Recurso Voluntário, a Recorrente insiste em afirmar que a fiscalização se baseou, tão-somente, no que restou declarado pelo denunciante, quando concluiu que a empresa, em síntese, não emitia Notas Fiscais por todas as operações realizadas. Alega, neste sentido, que toda a autuação se deu com presunções e que não poderia prevalecer, na medida em que a fiscalização não comprovou suas alegações. Mais uma vez, não se pode concordar com a Recorrente. No Relatório Fiscal, consta a transcrição de diversas escutas telefônicas, em que se pode verificar que havia todo um esquema, para que os produtos fossem comercializados sem Nota Fiscal. Em suas alegações, mais uma vez se esquecendo do que restou amplamente demonstrado pela fiscalização, a Recorrente afirma que não houve comprovação das práticas de vendas sem notas e/ou com notas fiscais subfaturadas e que as ilações da fiscalização estariam amparadas tão somente nas afirmações do denunciante. Aduz, ainda, a Recorrente, que seria operacionalmente impossível uma Nota Fiscal acoberta mais de uma entrega. Afirma, neste sentido, que: Também a presunção da omissão de receita repousa na existência das chamadas notas fiscais “viajadas”, onde uma nota acobertava várias entregas. Ora, a nota fiscal eletrônica tem um prazo máximo para circular de 3 (três) dias da data de sua emissão, observando-se que, para o percurso dos 100 km iniciais, o prazo não pode ser superior à 24 (vinte quatro) horas (art. 58, do RICMS/MG). Portanto, além da própria impossibilidade temporal e haver várias viagens, seria necessário ainda a identificação da quantidade, modelos e preços dos produtos, enfim um contexto muito difícil de ocorrer. Supor-se que esta afirmação do denunciante fosse verdadeira, é supor-se uma total conduta omissa pela fiscalização estadual. Nunca o fiscal trouxe aos autos qualquer ocorrência neste sentido, sequer procurou ouvir o denunciante, como obrigatoriamente exige o processo Administrativo caso nulidade acima tratada). Nunca relacionou um contingente possível de clientes/localidades onde tal pratica poderia ocorrer, considerando a distância do ponto de entrega. O critério da presunção novamente aqui é: “Segundo o denunciante”, simplesmente. (destaques no original) Entretanto, o que se percebe dos autos é o contrário. Nas transcrições das conversas constantes no Relatório Fiscal, a todo momento, os funcionários da Recorrente falam abertamente se o produto vai ser comercializado com ou sem nota, tratam de mercadorias (baterias) que seriam levadas aos distribuidores “naquele esquema”, afirmam, sem constrangimento, em “economia de imposto”, dentre outras colocações que não deixam dúvidas: havia um esquema montado para a comercialização de baterias sem a devida emissão do documento fiscal. Na última transcrição deste tópico do Relatório Fiscal, ressalte-se, o funcionário Gleyton deixa claro que as Notas Fiscais seriam emitidas em “uma viagem sim, a outra não... Uma coisa compensa, a outra não.” Mais adiante, na mesma conversa, aquele funcionário, se mostra preocupado quando afirma que “alguma coisinha eu tenho que tirar, um mínimo que seja, mas eu tenho que tirar”. Assim, questiona-se mais uma vez: face essas conversas, interceptadas e transcritas pela Polícia Federal, com o autorização do Poder Judiciário, ter-se-ia, ainda, alguma dúvida de que os funcionários da Recorrente tratavam com os distribuidores a venda de produtos Fl. 5424DF CARF MF Fl. 46 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 à margem dos controles fiscais e contábeis da entidade? Se não fossem neste sentido essas conversas, qual seria, então a finalidade destas “negociações”? Não se pode desprezar, ainda, a sentença proferida nos autos do processo judicial de nº 171557-14.2011.8.13.0105 (TJMG) (citado pela própria Recorrente nos apelos apresentados), em que um dos funcionários da Tudor MG foi denunciado por furto qualificado. Aquela sentença, diga-se, em que pese não constar nos autos, encontra-se disponível para consulta pública no site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. E nela pode-se verificar que uma das testemunhas arroladas, após ser devidamente compromissada, deixa bem claro o que restou demonstrado pela fiscalização quando afirma: A testemunha André Pereira Magalhães declarou que trabalhou na empresa vítima, na função de motorista do ano de 1995 até 2012. Sua função era transportar baterias até um certo destino e recolher as sucatas. No começo, ao receber notas fiscais repassadas pelo chefe do transporte estas iam abertas, depois, passaram a ser lacradas. Entregava tais notas em depósitos da própria empresa. Não trazia qualquer recibo de entrega da mercadoria e várias vezes já trouxe grandes somas em espécie. Também trazia muitos cheques, os quais eram repassados para Fábio, chefe do setor financeiro na época. Recebia ordens da empresa para desviar de postos fiscais e passar por caminhos alternativos, pois, se passasse o caminhão, o qual era rastreado, era bloqueado. (...) (destacou-se) Por outro lado, a argumentação da Recorrente de que a fiscalização não conseguiu comprovar que as vendas eram realizadas sem Nota Fiscal ou de que estas eram emitidas abaixo do preço dos produtos não se sustenta, quando se analisa o Anexo 11 do Relatório Fiscal (fls. 1.456 a 1.574). Neste sentido, são interessantes as colocações do acórdão proferido pela DRJ de Ribeirão Preto, quando analisa aquele documento dos autos. Veja-se: Conforme descrito no relatório, além da informação prestada na denúncia anônima de ex-funcionário e das provas que a acompanharam (recibos e notas fiscais do ano de 2012), ocorrida no ano de 2013, no âmbito da operação Água Viva (Pólo Negativo), deflagrada em 2015, foram ouvidas pessoas, apreendidos computadores, mídias portáteis e documentos impressos, cujas informações levantadas, analisadas em conjunto com os dados advindos das interceptações (efetuadas no ano de 2014) e demais diligências realizadas e informações extraídas dos sistemas informatizados da RFB, constituíram elementos de prova da infração aqui discutida, qual seja, omissão de receitas/despesas, decorrente da falta de emissão de nota fiscal e/ou sua emissão com valor inferior ao realmente praticado ("meia nota"), aliada a contabilidade paralela (caixa 2) e conta bancária não escriturada pela Tudor MG, empresa do mesmo grupo econômico, mesmos sócios e identidade de objetivo na prática de omissão de receita. Evidentemente que, para fins de apurar a própria omissão de receitas/despesas e a sua proporção, tais documentos foram confrontados com a escrituração levada a efeito pela contribuinte, inclusive no intuito de confirmar e/ou infirmar a imprestabilidade da escrita. O confronto dos recibos de pagamentos, dos boletos (ou notas promissórias) e das notas fiscais a eles correspondentes (ano de 2012), trazidos na denúncia e constantes do Anexo 11, evidencia, de fato, a emissão de nota fiscal com valor inferior ao praticado ("meia nota"), sinalizando a omissão de receita na ordem de 38% pela Tudor MG, que, como dito, constitui empresa do mesmo grupo econômico da autuada, com identidade de atividade e objetivos, como adiante se demonstrará. Vários são os documentos nesse sentido no referido Anexo 11. Fl. 5425DF CARF MF Fl. 47 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Assim, em que pese a insistência da Recorrente ao apontar supostas fragilidades da autuação, a construção da fiscalização, amparada em vasto conjunto probatório, aos olhos deste julgador, é suficiente para afirmar que, no período fiscalizado, foram comercializadas mercadorias sem a devida e necessária emissão do documento fiscal e, por consequência, houve omissão de receitas por parte da Recorrente. Não houve presunção e sim comprovação por parte da fiscalização. 3.3.1) DA OMISSÃO DE CUSTOS E DESPESAS. DA QUESTÃO DA LOGÍSTICA REVERSA. A Recorrente, em grande parte do seu Recurso Voluntário, tentando desconstruir as ilações da fiscalização, explica como seria a questão da chamada “logística reversa” no mercado de baterias automotivas. Basicamente, a Recorrente sustenta que não pode prevalecer a acusação fiscal, no sentido de que teria omitido receitas e, em especial, custos e despesas, uma vez que a legislação, em especial a ambiental, impõe a chamada logística reversa. Aponta que as planilhas apreendidas na casa de um dos sócios, na já citada operação “Água Viva (Polo Negativo)”, seriam um estudo dos impactos da logística reversa na operação das empresas – Tudor MG e Tudor SP. Neste sentido, em seu arrazoado, a Recorrente afirma que “com a resolução nº 257/99 do CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente, e alterada pela Resolução n º 408 em 05 de novembro de 2008, todos os fabricantes de Baterias, distribuidores, aplicadores e consumidores em cadeia, passaram a experimentar uma imposição legal, de aspecto de responsabilidade social constitucional, inclusive sujeito à sanções penais, que abrange tanto a recuperação das baterias inservíveis no usuário até as empresas ambientalmente habilitadas para descarte final na forma segura e definida na Lei.” Afirma, ainda, que, na prática, “todos envolvidos nesta logística reversa estão obrigados para cada kg de bateria colocado no mercado, coletar e conduzir ao destino autorizado por lei, o mesmo kg em baterias inservíveis” Aduz que, além dos benefícios ambientais, uma vez que os produtos acabam por ter uma destinação correta, a logística reversa viabiliza o retorno destes produtos “ao ciclo produtivo e de negócios, além de preservar recursos naturais quando se transforma resíduos em matéria-prima novamente.” Por outro lado, sob o argumento de que as baterias usadas não tem qualquer valor comercial, a Recorrente aduz que os insumos reciclados daqueles produtos (em especial, o chumbo e o plástico) fazem com que o custo médio da produção de baterias seja menor. E toda argumentação desenvolvida é para concluir que a logística reversa “resulta na redução do custo da principal da matéria prima: chumbo em média 78,42%. O reflexo desta redução do chumbo resulta no produto final (bateria) em média 43% menor.” 2 Assim, a Recorrente afirma que as ilações da fiscalização, notadamente quando se vale, para sustentar o lançamento, de planilhas apreendidas na casa de um dos sócios, não podem prevalecer, em especial porque aquelas planilhas seriam um estudo dos preços (“preço cheio”), sem a consideração da logística reversa. Em suas palavras: 2 Deve-se ressaltar que, na petição de fls. 4.947 a 4953, protocolizada após a apresentação do Recurso Voluntário, a Recorrente afirma que essa redução seria de 37,91% (em média). Fl. 5426DF CARF MF Fl. 48 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Pontualmente a planilha retrata isso. Caso não houvesse na obrigatoriedade legal do fabricante de baterias como a Recorrente à logística reversa, o preço de produção e o preço de venda deveriam ser mensurados em média com este acréscimo médio. Simples, lógico, pertinente a metodologia do estudo estampado na planilha. Caso tivesse a autoridade fiscal perquirido o mínimo sobre o assunto, antes de valer-se da presunção de omissão de receitas, e tivesse solicitado explicações encontraria o registro das notas fiscais de entrada de remessa de produtos inservíveis sem valor comercial de acordo com a legislação fiscal (Confaz) e ambiental (Conama) chegaria a esta conclusão. Aliás chegaria a aferir a exata simetria destes valores constantes na planilha. Quando da análise desse argumento desenvolvido pela Recorrente, contudo, a douta DRJ de Ribeirão Preto (SP) entendeu que não houve a comprovação das alegações, na medida em que a contribuinte não apresentou qualquer elemento de prova para sustentar sua defesa, se limitando à apresentação de uma planilha de cálculos. Veja-se o que constou daquele acórdão: A fim de contraditar as conclusões fiscais acerca das planilhas/apostilas, a impugnante alega que se trata de estudo mercadológico referente à influência da logística reversa no custo da mercadoria. E que se tivesse a fiscalização solicitado esclarecimentos poderia verificar, das notas fiscais de entrada de mercadorias inservíveis sem valor comercial (sucata), que a diferença verificada nas planilhas corresponde aos efeitos da logística reversa, ou seja, do estudo da redução do custo de obtenção do chumbo (Pb) pela sua reciclagem. Tal alegação não se sustenta à falta de comprovação mediante documentação hábil e idônea. Sequer logrou a contribuinte apresentar em sua defesa as mencionadas notas fiscais de entrada de mercadoria inservível sem valor comercial (sucata), de modo a quantificar o percentual de chumbo reciclável que deu entrada em seu estoque. Limitou-se a trazer uma tabela, também desacompanhada de documentação probatória, exemplificativa do custo da obtenção da matéria prima chumbo (Pb), inclusive reciclado (inservível), como se pode ver abaixo: Além dessa constatação, a Turma julgadora a quo demonstrou que a acusação fiscal foi justamente no sentido de que “uma das formas de pagamento das vendas se dava mediante crédito em sucata, destacando que, quando oriundos de vendas não contabilizadas, as indústrias também não contabilizavam o custo da sucata, o que foi confirmado em interceptações.” Pois bem. Em que pese toda argumentação da Recorrente, não se consegue vislumbrar, nos autos, a comprovação das suas alegações. É que, quando se analisa a acusação fiscal, como muito bem pontuado no acórdão recorrido, pode-se perceber que uma das formas de omitir as receitas de venda era justamente o recebimento de sucatas, Tudo feito à margem da contabilidade. Essas sucatas, como a própria Recorrente afirma, eram recicladas, sendo aproveitados, em especial, o chumbo e o plástico. Como se tratava de sucata, sem valor comercial, o preço desses insumos seria bem menor do que o usualmente o praticado no mercado. Na acusação fiscal, o agente autuante demonstrou a forma de agir da Recorrente, em especial, quando transcreve trechos das escutas telefônicas interceptadas, onde se pode perceber que os funcionários da Recorrente, abertamente, negociavam o recebimento de sucatas para o pagamento dos produtos pelos distribuidores. Em uma das conversas transcritas, mais uma vez o funcionário Gleyton deixa bem claro que “sucata, pra gente, entra como a vista, e tudo mais...”. Fl. 5427DF CARF MF Fl. 49 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Por outro lado, como muito bem alertado pelo acórdão recorrido, quando a empresa Tudor MG, nos autos processo administrativo de nº 10825.721567/2017-20, justificou a omissão da conta bancária mantida junto ao Banco Bradesco, foi afirmado que essa conta se prestaria à “logística reversa”, o que comprovaria, a princípio, as ilações da fiscalização. Veja-se o que constou do acórdão recorrido: Fugindo à coerência da própria linha de defesa acima, oportuno trazer a tona o argumento da impugnante Tudor MG de que a conta bancária não contabilizada teria sido mantida à margem de escrituração pelo fato de se tratar de simples conta de transição de valores pertencentes aos clientes, também vinculada a logística reversa, cujo excerto, abaixo, sinaliza a negociação com valor comercial das baterias inservíveis, toda mantida à margem de escrituração. Nas palavras da Tudor MG, constantes de sua impugnação apresentada no respectivo processo, de nº 10825.721567/2017-20, que trata dos mesmos fatos, e cuja defesa em tudo é semelhante àquela aqui apresentada: (...) o agente fiscal se apega a conta bancária do Banco Bradesco da cidade de Governador Valadares para infirmar que nesta conta ocorreria a circulação de valores de receitas supostamente omitidas. No entanto, como já esclarecido linhas atrás, tratou-se tal conta de valores, onde alguns clientes pontuais que não obtinham êxito de recuperação das baterias inservíveis, suficiente para cumprirem sua cota na contabilidade ambiental exigida na logística reversa acabavam enviando valores para que a impugnante otimizasse por elas a compra de lotes de baterias inservíveis, cumprindo assim a obrigação da lei ambiental. Realmente por ato falho deixou de ser contabilizada. (destaques acrescidos pelo relator do acórdão recorrido) Como mencionado, não há nos autos qualquer documento que possa rebater as colocações da acusação fiscal. Todos os argumentos lançados pela Recorrente, no que tange ao recebimento das sucatas como forma de pagamento dos produtos vendidos à margem da contabilidade, são colocações, sem qualquer lastro probatório. Há de se ressaltar, inclusive, que a própria DRJ se posicionou neste sentido, ou seja, que havia fragilidade no argumento, pela não apresentação de provas. Mesmo com esse “alerta”, quando da apresentação do Recurso Voluntário, não foram trazidas aos autos provas suficientes para confirmar as afirmações da Recorrente. O que se fez, no apelo apresentado, foi tão-somente transcrever os argumentos anteriormente apresentados. Deve-se ressaltar que, no Recurso Voluntário, a Recorrente argumenta que “mais uma vez no acórdão recorrido houve o cerceamento de defesa por parte da autoridade julgadora que sequer analisou todos os fundamentos e provas levadas a cabo na impugnação, nem mesmo solicitou perícia ou diligência para a comprovação do alegado pela Recorrente”. (destacou-se). Não se pode concordar com essa afirmação. Da análise dos autos, tal qual demonstrou a Turma Julgadora a quo, este relator não encontrou qualquer prova acostada pela Recorrente, que pudesse, de alguma forma, corroborar com as suas afirmações. No que tange à realização de diligência e/ou perícia, como esclarecido linhas acima, essas só se mostrariam factíveis se, diante das análises das provas apresentadas pelo contribuinte (o que não aconteceu no presente caso), o julgador não tivesse condições de chegar a uma conclusão, sem a análise e manifestação prévia de um técnico ou sem o cotejamento com outros elementos não constantes dos autos. Fl. 5428DF CARF MF Fl. 50 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Entretanto, não é o caso da presente discussão. Não há como confrontar as ilações da fiscalização, baseadas em farto conjunto probatório, apenas com os argumentos, sem provas, desenvolvidos pela Recorrente. Desta feita, são irreparáveis as conclusões do acórdão recorrido quando afirma que “a interessada não logrou êxito em infirmar a comprovação fiscal de que as planilhas/apostilas tratavam de um controle gerencial do real faturamento da Tudor MG, Tudor SP e depósitos controlados, corroborando não só a omissão de receita, mas também denotando a sua verdadeira dimensão”. 3.3.2) DA QUESTÃO DO ÁCIDO SULFÚRICO. INSUMO UTILIZADO NA PRODUÇÃO DE BATERIAS. No Recurso Voluntário, no tópico em que defende a nulidade do acórdão recorrido, por supostamente ter cerceado o seu direito de defesa, quando do indeferimento do pedido de realização de perícia ou diligência, a Recorrente sustenta ser “possível de forma prática analisar venda sem nota fiscal com a simples pesquisa do consumo de ácido sulfúrico por bateria em função de que esta matéria prima só pode ser adquirida com cadastro e controle do volume consumido mensal pela Polícia Federal, e não é possível adquirir sem documentação fiscal”. Posteriormente, no dia 25/09/2019, como já relatado acima, a Recorrente juntou aos autos 03 petições, às quais deu o nome de “memoriais”. Em uma delas (comprovante de juntada de fls. 4.946), a contribuinte apresentou laudo pericial por ela encomendado, que trata da questão do ácido sulfúrico (fls. 4.947 a 5.354). Nesta petição, a Recorrente defende, com base no que supostamente restou demonstrado no laudo pericial, que seriam irreais as ilações da fiscalização, em especial no que tange aos valores apurados como omissão de receita, uma vez que, na produção de baterias, o ácido sulfúrico é um insumo essencial e tem sua comercialização controlada pela Polícia Federal. Alega, assim, que não há respaldo na acusação fiscal, na medida em que todo o ácido sulfúrico “efetivamente adquirido e consumido pela empresa na produção de baterias”, estaria em consonância com as suas demonstrações contábeis, ou seja, a alegação da Recorrente é no sentido de que as vendas de baterias devidamente contabilizadas, juntamente com a aquisição e consumo daquele insumo (que é controlado pela PF), demonstrariam que não houve vendas à margem das demonstrações contábeis (omissão de receitas). De pronto, não se pode deixar de alertar que a Recorrente, quando da apresentação da Impugnação Administrativa não trouxe a presente discussão ao processo. Neste sentido, o acórdão recorrido não se posicionou sobre essa questão, uma vez que, reitere-se, não foi apresentada pelo contribuinte. Já no Recurso Voluntário consta apenas um parágrafo – transcrito acima - em que a Recorrente, aduzindo pela nulidade do acórdão recorrido, alega que uma perícia ou diligência poderiam facilmente confirmar suas colocações. Assim, no dia 25/09/2019, sem qualquer justificativa pela extemporaneidade, a Recorrente trouxe aos autos petição e prova documental para análise deste colegiado. Pois bem. Como demonstrado alhures, o posicionamento pessoal deste relator é por uma efetividade máxima do Princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo fiscal, o que impõe ao julgador buscar a realidade dos fatos efetivamente Fl. 5429DF CARF MF Fl. 51 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 ocorridos, para que não haja a incidência de tributação fora dos contornos definidos pelo legislador. Contudo, sabe-se que este entendimento, em diversas ocasiões, não é acompanhado pelos demais integrantes da Turma de Julgadora, na composição até então vigente. Assim, por lealdade processual, se faz esse alerta, até mesmo para não induzir os demais julgadores a decidirem de forma contrária ao posicionamento por eles adotado em outros julgamentos. De toda forma, a questão aqui não se resume, apenas, ao momento correto para a apresentação das provas nos autos. A discussão é o momento para se trazer os argumentos necessários para desconstruir as ilações da fiscalização, ou seja, se houve ou não preclusão consumativa da discussão. É que, quando se analisa o artigo 16 do Decreto 70.235/72, pode-se perceber que o inciso III do dispositivo legal deixa bem claro que, na Impugnação, o contribuinte deverá apresentar os “motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. Veja-se: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe- á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de Fl. 5430DF CARF MF Fl. 52 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) O professor James Marins assim se pronuncia acerca da preclusão consumativa: “A preclusão consumativa dá-se quando o ato processual já foi praticado e impede a repetição ou complementação do expediente processual. Assim, uma mesma impugnação fiscal não pode ser deduzida duas vezes nem tampouco pode ser formulada e posteriormente complementada (mesmo que dentro do prazo fixado em lei), pois a formulação inicial exaure, isto é, consuma em definitivo a prática do ato." (MARINS, Marins. Direito processual tributário brasileiro: administrativo e judicial. 11ª ed. revista e atualizada. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2018. Pág. 275) (destacou-se) No presente caso, pela análise dos autos, fica fácil perceber que a discussão em comento só foi trazida pela Recorrente, após a apresentação do Recurso Voluntário, oportunidade em que a contribuinte trouxe suas razões para demostrar a fragilidade da imputação de omissão de receitas, bem como acostou aos autos prova documental para corroborar os seus argumentos. De fato, pela literalidade do dispositivo acima, não se mostra factível, neste momento processual, se inovar no argumento e trazer uma discussão nunca aventada no processo. É temerária essa medida, uma vez que vai de encontro com várias regras que regem o processo administrativo, dentre elas, por exemplo, a necessidade do duplo grau de julgamento. Lembre-se que, como alertado acima, a DRJ não se pronunciou sobre esse argumento, porque não foi desenvolvido na Impugnação Administrativa apresentada. Esse colegiado já se posicionou sobre a impossibilidade de se trazer novos argumentos em sede de Recurso Voluntário. Veja-se: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 MATÉRIA NÃO TRAZIDA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não devem ser conhecidas matérias não aduzidas na defesa inicial em razão da preclusão consumativa. (...) (Acórdão nº 1302-003.887 – Julgamento em 15/08/2019) Assim, entende-se que não poderia, após a apresentação da sua Impugnação, a Recorrente trazer novos argumentos, que, de alguma forma, se prestariam a desconstituir o lançamento do crédito tributário. Desta feita, REJEITA-SE o argumento apresentado pelo Recorrente. 3.2) DO ARBITRAMENTO O Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, como sabido, admite três formas distintas de apuração: lucro real, lucro presumido e lucro arbitrado, nos termos do artigo 44, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66): Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Fl. 5431DF CARF MF Fl. 53 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Na apuração pelo lucro real, em alguns casos, há imposição de sua adoção na legislação em vigor, como preceitua o artigo 14, da Lei nº 9.718/98, mas também a adoção da apuração pelo lucro real pode resultar da opção do próprio contribuinte. E a adoção pelo lucro real, independentemente se for por imposição legal ou por opção do contribuinte, obriga este a manter escrituração fiscal regular e confiável, sob pena de ter arbitrado o seu lucro pela autoridade fiscalizadora. É o que determina o artigo 47, da 8.981/95. Confira-se: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o Decreto-Lei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV - o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V - o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VI - o contribuinte não apresentar os arquivos ou sistemas na forma e prazo previstos nos arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998) VII - o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2o do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2o do art. 8o do Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do Imposto de Renda correspondente com base nas regras previstas nesta seção. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior: a) a apuração do Imposto de Renda com base no lucro arbitrado abrangerá todo o ano- calendário, assegurada a tributação com base no lucro real relativa aos meses não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangido por aquela modalidade de tributação, observado o disposto no § 5º do art. 37; b) o imposto apurado com base no lucro real, na forma da alínea anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao de encerramento do referido período. (destacou-se) Como não poderia deixar de ser, esta também era a orientação do artigo 530 do RIR/99. Confira-se: Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: Fl. 5432DF CARF MF Fl. 54 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 I - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a)identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b)determinar o lucro real; III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV - o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V - o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI - o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Desta forma, pode-se afirmar que o arbitramento é medida excepcional e só deve ser utilizado pelo fisco quando ocorrer umas das hipóteses elencadas nos dispositivos legais acima transcritos, sendo uma dessas hipóteses, inclusive, quando o contribuinte não escriturar de forma correta a sua contabilidade ou quando for constatada que esta se mostra imprestável para determinação do lucro real. Em que pese ser uma medida excepcional, a apuração pelo arbitramento é obrigatória, caso a fiscalização constate a presença de um dos requisitos elencados nos dispositivos legais acima transcritos. E, diga-se: o arbitramento do lucro é uma modalidade de tributação que deve ser utilizada exatamente quando da impossibilidade de se realizar a apuração do lucro pela modalidade real ou presumida, a depender da opção do contribuinte ou da exigência legal. O CARF há muito tem se posicionado neste norte, como se observa das ementas dos julgados abaixo transcritas: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 BASE DE CÁLCULO. LUCRO ARBITRADO. Se o valor dos custos e despesas registrados na contabilidade é insignificante quando comparado ao valor da omissão de receita apurada pela fiscalização, é de se reconhecer que a escrituração da pessoa jurídica é imprestável à determinação do lucro real, sendo, nesse caso, obrigatório o arbitramento do lucro. LUCRO PRESUMIDO. O coeficiente de presunção aplicável às pessoas jurídicas dedicadas ao transporte rodoviário de cargas é de 8%. (Processo nº 10932.000677/2008- 46 - Acórdão nº 1201-000.898 - Sessão de 09/10/2013) (destacou-se) ...................... Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 NULIDADE. MPF. É cediço no âmbito desse Conselho que o MPF é instrumento de controle da Administração Pública, e não do contribuinte, razão pela qual eventuais vícios na sua edição não contaminam a lavratura do auto de infração, salvo se Fl. 5433DF CARF MF Fl. 55 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 relacionados a denúncia espontânea, restrição de consulta e prática de atos que exigem, como requisito legal, a sua regular constituição. DECADÊNCIA. No entanto, não tendo havido pagamento parcial por parte do contribuinte, aplica-se o art. 173, inciso I do CTN para contagem do prazo decadencial. ARBITRAMENTO. LUCRO REAL. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO FISCAL VÁLIDA. O arbitramento do lucro não é opção da Autoridade Lançadora, que está vinculada à lei na formalização do crédito tributário, nos exatos termos do art. 3º do CTN. Assim, na ausência de opção válida do contribuinte, não pode realizar o lançamento pelo lucro presumido. E na ausência de escrituração fiscal válida, não pode realizar o lançamento pelo lucro real imputando a totalidade das receitas como se fosse lucro. Trata-se, no caso, de lançamento obrigatório pela sistemática do lucro arbitrado. PIS E COFINS. LUCRO ARBITRADO. REGIME CUMULATIVO.Sendo o obrigatório o lucro arbitrado, equivocado o lançamento de PIS e COFINS pelo regime não cumulativo, próprio dos optantes pelo lucro real. (Processo nº 19515.002197/2006- 43 - Acórdão nº 1401-001.044 - Sessão de 11/04/2013) (Destacou-se) ...................... Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 CONTABILIDADE. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE IMPRESTÁVEL. NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa.O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Verificado que a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, impõe-se o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, bem como a apuração do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo.(Processo nº 13971.004154/2008-09 - Acórdão 1202-001.065 - Sessão de 07/11/2013) Ressalte-se, ainda, que, o regime de tributação pelo lucro arbitrado, em que parcela de custos e despesas é implícita e computada mediante a aplicação dos coeficientes de arbitramento sobre a receita da pessoa jurídica (regra geral), é o mais apropriado e realista. Neste passo, como se depreende dos autos e de tudo até aqui escrito, a fiscalização entendeu que a escrituração contábil da Recorrente se mostrava imprestável para se apurar o lucro da entidade. Veja-se o que constou do Termo de Verificação Fiscal, neste sentido: Diante do que ficou assentado no Relatório Fiscal - Operação Agua Viva (Polo Negativo), inúmeras situações demonstram, de maneira inequívoca, que a escrituração contábil, relativa ao período fiscalizado – 2012 a 2015, contém evidentes indícios de fraudes, vícios e deficiências que as tornam, imprestáveis para se determinar o lucro real (forma de apuração adotada pelo sujeito passivo, no citado período), sobretudo por não refletirem, verdadeiramente, seus elementos nucleares: receitas de vendas e custos/despesas; (destacou-se) No Recurso Voluntário apresentado, a Recorrente insiste na tese de que a fiscalização se baseou em “indícios oriundos de procedimentos investigatórios inseridos em Medida Cautelar Penal específica” para constituir o crédito tributário. Afirma assim que: No caso presente apenas com base em tímidas e abstratas presunções a fiscalização considerou a contabilidade inidônea e lançou mão do critério do Lucro arbitrado para constituir o credito tributário, no entanto. Fl. 5434DF CARF MF Fl. 56 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Aduz, ainda, que a “fiscalização tinha o dever de apontar com clareza os vícios que levaram ao lançamento por arbitramento, tendo em vista que não houve a subsunção do fato a norma contida no RIR, capaz de ensejar o arbitramento do lucro.” Neste passo, alega que sua contabilidade não pode ser declarada como imprestável, já que a própria a autoridade fiscal teria definido “a base de cálculo total para incidir o lucro arbitrado, na somatória dos valores contabilizados e dos valores supostamente sonegados, considerando a malsinada planilha onde alicerça sua presunção”. Além da alegada presunção de omissão de receitas, a argumentação, em síntese, da Recorrente, é de que, mesmo declarando como imprestável a contabilidade da entidade, a fiscalização se utilizou dos lançamentos contábeis para apurar os valores tributáveis, quando do arbitramento do lucro. Não se pode concordar com a Recorrente. O trabalho fiscal, em uma construção lógica e concatenada, deixou bem claro que o arbitramento seria realizado, porque, face a flagrante e reiteradas omissões de receitas, custos e despesas identificadas nos anos-calendários fiscalizados, não se poderia, apenas com base nas demonstrações contábeis da Recorrente, apurar o lucro real da entidade. Assim, alternativa não restou à fiscalização, se não, fazer o arbitramento. No acórdão proferido pela DRJ de Ribeirão Preto, no tópico em que se desenvolve as hipótese legais que autorizam (obrigam) o arbitramento do lucro das entidades, o julgador a quo foi preciso em suas colocações. Confira-se: À fiscalização cumpre investigar e concluir pela autenticidade, ou não, dos documentos, registros contábeis e fiscais e declarações prestadas à Fazenda Nacional, confirmando ou infirmando, inclusive, a pertinência da opção de lucro exercida pela contribuinte. No entanto, alcançada a conclusão da impertinência da opção do lucro, seja pela não apresentação, falta ou imprestabilidade da escrituração que não admita reparos, cumpre ao Fisco, tão-somente, desclassificar a modalidade do lucro exercida, adotando-se o arbitramento como única forma, com respaldo legal, para se apurar o resultado da pessoa jurídica, eis que as outras modalidades de apuração ensejam, necessariamente, como requisito legal, o apoio em escrituração e documentação regular, a qual deve ser mantida de acordo com a sistemática escolhida (Lucro Real). Não se pode perder de vista, por outro lado, como afirmado pelo acórdão recorrido, que a fiscalização, ao evidenciar “percentual significativo de receitas/despesas mantidas à margem da contabilidade oficial, de modo que a escrituração deixou de atender ao requisito da confiabilidade, tornando-se imprestável para a determinação do lucro real”, não teve alternativa, senão impor o arbitramento do lucro, “com supedâneo na receita conhecida (declarada + omitida)”. A Recorrente afirma, ainda, no apelo apresentado, que o “lucro arbitrado é critério de aferição e não forma de aumentar base de cálculo imponível”. Argumenta, assim, no que tange ao IRPJ e a CSLL, que o lançamento deve “limitar-se as exteriorizações de riquezas tributáveis, a suportar os indícios de que houve valores sonegados e quantitativo deste valor.” Prossegue, a Recorrente, em longo arrazoado, que às vezes se mostra bastante confuso, data venia, discorrendo sobre as inconsistências do arbitramento realizado, dos supostos erros cometidos pela fiscalização na quantificação dos valores, dentre outros argumentos. Neste ponto, não se tem dúvidas de que o arbitramento, como uma das formas de apuração do lucro – ao lado do lucro real e do presumido – não pode extrapolar os limites legais e tributar eventos que não caracterizem, de alguma forma, o acréscimo patrimonial da entidade, Fl. 5435DF CARF MF Fl. 57 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 no caso do IRPJ e da CSLL. Pensar de forma diferente, é tributar o patrimônio do contribuinte e não a sua renda. Não se pode perder de vista que, como ensina Fernando Daniel de Moura Fonseca, em recente obra publicada, "renda será sempre o resultado líquido positivo, decorrente da comparação entre receitas e despesas em um dado período". (FONSECA, Fernando Daniel de Moura. Imposto sobre a renda: uma proposta de diálogo com a contabilidade. Belo Horizonte: Fórum, 2018. pág. 91). Ora, se a competência dada à União pelo legislador da Constituição Federal de 1988 é para tributar o acréscimo patrimonial, representado, em última análise, pela renda auferida pelo contribuinte em um determinado período de tempo, não se pode admitir que o legislador ordinário e, o que é pior, o aplicador da lei façam incidir o Imposto de Renda sobre o que não é renda. Neste Norte, são precisas as lições de Roque Antonio Carrazza: "A Constituição, como já se viu, traça linha básica acerca do assunto, quem nem o legislador, nem o Fisco, nem muito menos, o intérprete pode ignorar: a base de cálculo do IRPJ deve ser uma medida da disponibilidade da riqueza nova realmente experimentada pela empresa, durante o período de apuração. (...) Como se vê, a Constituição distinguiu, perfeitamente, para fins de tributação, os conceitos de renda e patrimônio (capital). E, evidentemente, o que a Constituição distinguiu não pode o legislador da União confundir ou amalgamar. Se o fizer, estará incidindo em inconstitucionalidade. Nunca é demais recordar que renda, para fins de tributação por meio do imposto específico, é a parcela acrescida (plus) de riqueza de que o titular, sem diminuir seu patrimônio, pode efetivamente dispor. A renda das pessoas jurídicas deve ser tratada unitária e globalmente, para que apenas o efetivo acréscimo patrimonial venha tributado. A tributação em separado de rendimentos - isto é, sem que deles se deduzam as perdas ou prejuízos experimentados - atassalha o patrimônio da empresa, extravasando, destarte, as balizas erigidas pelos arts. 153, III, e 153, § 2º, I da CF. Nunca devemos perder de vista que as necessidades de caixa da Fazenda Nacional, posto respeitáveis, não tem força jurídica bastante para atropelar os ditames constitucional-tributários. Assim, se a base de cálculo do IRPJ mede algo que não é renda, está desvirtuando o tributo, levando-o ao inaceitável campo da inconstitucionalidade. De fora a parte não guarda sintonia com os princípios da capacidade contributiva e da não- confiscatoriedade, (...) (CARRAZZA, Roque Antônio. Imposto sobre a renda. Perfil Constitucional e Temas Específicos. 3ª ed. revista, ampliada e atualizada. São Paulo: Malheiros, 2009. págs. 102 e 110) (destacou-se) Contudo, no presente caso, em que pese as afirmações da Recorrente, esta não conseguiu demonstrar e comprovar que, quando do arbitramento, houve tributação além da sua capacidade contributiva e fora dos contornos legais. Primeiro, não convence o argumento de que os valores exigidos pela fiscalização nos Autos de Infração são irreais e vão muito além do que a empresa produziu de riqueza. Não se pode olvidar que, com o lançamento ofício, houve a aplicação de multa qualificada – cujos argumentos e pertinência serão analisados mais adiante -, além da imputação da SELIC como forma de correção do crédito tributário. Assim, falar que os valores cobrados não se coadunam com a realidade econômica financeira da Recorrente é não conhecer a realidade da constituição de ofício do crédito tributário, ainda mais quando se está diante multa no percentual de 150%. Fl. 5436DF CARF MF Fl. 58 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Por outro lado, quando a fiscalização, logo no início do Relatório Fiscal, demonstra que os valores apurados como receitas omitidas foram confirmados com as receitas declaradas no ano de 2016, após a deflagração da operação que desnudou as operações ilícitas da Recorrente, joga por terra esse argumento, que não conseguiu ser devidamente desconstruído nos apelos apresentados, como já restou demonstrado ao longo deste voto. Assim, não há dúvidas de que o arbitramento realizado pela fiscalização era necessário e não havia alternativa para o agente fiscal, uma vez que demonstrou e comprovou que as demonstrações contábeis da Recorrente se mostravam imprestáveis para apuração do lucro real, nos exatos termos legais transcritos acima. 3.2.1) DAS BASES UTILIZADAS PELA FISCALIZAÇÃO NO ARBITRAMENTO. Como se depreende do Termo de Verificação Fiscal, o agente autuante utilizou-se de documentos (planilhas) apreendidos na casa de um dos sócios da Recorrente, para apurar as receitas omitidas no período fiscalizado. Veja-se o que constou daquele Termo: Diante dos fatos apurados, verifica-se que somente parte das receitas proveniente das vendas, realizadas durante o período fiscalizado, consta nas Notas Fiscais Eletrônicas (NFEs) emitidas pelo sujeito passivo; outra parte, foi omitida. Tais receitas omitidas, no entanto, foram levantadas em documentos apreendidos durante a Operação; a completa análise destes documentos, bem como o detalhamento da extração da receita omitida encontram-se no Relatório Fiscal - Operação Agua Viva (Polo Negativo). E quando se analisa o Relatório Fiscal, pode-se verificar que a fiscalização, com base no depoimento de um dos denunciantes, que disse que “existia um programa de computador, utilizado pela INDUSTRIA TUDOR que emitia relatórios oficiais e relatórios relativos ao ‘caixa 2’”, constatou que, de fato, havia esse controle. É que, quando do cumprimento dos mandados de busca e apreensão determinados pelo Poder Judiciário, a fiscalização apreendeu, na casa de um dos sócios da entidade, documentos denominados “Apostilas”, que, na apuração da fiscalização, seriam a “Síntese dos controles paralelos da Tudor SP e da Tudor MG”. Veja-se o que constou daquele Relatório Fiscal: 5.3.APOSTILAS - Síntese dos controles paralelos da Tudor SP e da Tudor MG: Tratam-se de dois documentos, intitulados “APOSTILA PARA TREINAMENTO”, que, conforme já informado, foram apreendidos na casa do sócio, senhor José Carlos Caminha, quando das buscas; um deles relativo ao quadrimestre 08/2014 - 11/2014 (APOSTILA/2014) e outro relativo ao quadrimestre 12/2014 - 03/2015 (APOSTILA/2015). As APOSTILAS, conforme restou apurado, refletem as informações reais constantes dos controles paralelos, sintetizando os dados reais – tanto das Tudor SP, como da Tudor MG, bem como dos “depósitos controlados”. Apresentam tal síntese valendo-se de uma linguagem cifrada, com suas páginas, numeradas à mão. Tudo isso, evidentemente, visando assegurar o sigilo das reais informações, por meio, repita-se, das seguintes convenções, em especial: a) A Tudor SP é identificada como “002”; b) A Tudor MG é identificada como “001”; c) Os “depósitos controlados” como DDRs; Fl. 5437DF CARF MF Fl. 59 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 d) O Balanço anual apurado considera o período dezembro a novembro; Além disto, nas APOSTILAS os resultados dos exercícios são apresentados quadrimestralmente, sempre nos meses de março, julho e novembro, o que justifica o período compreendido entre uma apostila e outra, pois coincidentes com o término de cada quadrimestre: a) apostila de 31/03/2015, quadrimestre de dezembro/2014 a março/de 2015; b) apostila 31/11/2014, quadrimestre agosto/ 2014 a novembro/2014. Ambas, ainda, trazem informações reais de anos anteriores, especialmente as reais receitas de vendas, dos períodos fiscalizados, com valores muito superiores aos declarados oficialmente para este Fisco, que vão ao encontro dos valores constantes nos controles paralelos e apresentam simetria com os valores declarados em 2016. Assim, embora travestidas de APOSTILAS, a síntese dos controles paralelos, feita de maneira a parecer um amontoado de informações desconexas, após ser decifrada, revela uma lógica contábil-financeira básica. Tal lógica se assenta no encadeamento das informações que, divididas em capítulos, são apresentadas da forma analítica para a sintética. Os dados, por exemplo, contidos na APOSTILA/2015 (formalmente igual a APOSTILA/2014) foram organizados, por seus usuários, em 10 capítulos distintos, cada qual contendo informações contábeis e/ou financeiras das empresas relacionadas ao Grupo (TUDOR MG + TUDOR SP + “depósitos controlados”), os quais, identificados numericamente no quadro abaixo, partem dos que contém dados mais analíticos para os que contém dados mais sintéticos40: (...) Assim, o capítulo 1 (traz as informações analíticas da TUDOR MG - 001), o capítulo 2 (traz as informações analíticas da TUDOR SP - 002) e o capítulo 3 (traz as informações analíticas dos “depósitos controlados”). As informações (analíticas) apresentadas nos capítulos 1, 2 e 3, são sintetizadas nos capítulos 4, 5, 6, 7, 8 e 9 e resumidas no capítulo 10. Foram realizados suficientes testes inter-relacionando os dados constantes em todos os citados capítulos, que confirmaram tal disposição, sintetizados no ANEXO 22. (destacou-se) Há de se ressaltar que a fiscalização, como se percebe do trecho destacado acima, fez diversos “testes”, comparando os registros contábeis da Recorrente, com os dados constantes nas planilhas, concluindo, ao final, que estas traziam informações precisas daqueles registros contábeis, diga-se, oficiais e que os demais registros seriam exatamente as ocultações dos custos e das vendas realizadas, uma vez que não eram devidamente informadas aos fiscos estadual e federal. A Recorrente, em seu apelo, afirma, tão-somente, em diversas oportunidades, que a referida planilha, “localizada na residência de um dos sócios”, seria “de cunho único de estudo gerencial deste, sobre análises de custos/composição de preços da logística reversa e a realidade financeira da empresa”. Afirma, ainda, que não foi intimada pela fiscalização para se manifestar acerca do documento. Contudo, aos olhos deste julgador, com essa afirmação, a Recorrente não conseguiu demonstrar quais os equívocos da interpretação da fiscalização dos dados constantes Fl. 5438DF CARF MF Fl. 60 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 daquele documento, até mesmo porque não trouxe nenhuma prova para corroborar com as suas afirmações. Em verdade, o trabalho fiscal foi minucioso, cotejando de forma precisa as informações dos documentos (apostilas), com o que restou contabilizado pela Recorrente. Ainda, unindo as pontas das demais provas colacionadas nos autos – e-mails, interceptações telefônicas, depoimentos – restaram cabalmente demonstrados e decifrados os “códigos” utilizados nos controles paralelos adotados pelas entidades, chegando-se à conclusão inevitável que foram omitidas receitas tributáveis. As malfadas apostilas estão acostadas aos autos às fls. 2.766 a 3.024 (anexos 32 e 33 do Relatório Fiscal). Chama atenção, de pronto, a frase estampada na capa dos documentos: “Apesar das empresas serem hipotéticas os números foram apurados em exercícios de treinamento sequencial”. Por outro lado, quando se analisa aqueles documentos, com toda venia, não se consegue verificar que se tratavam de um estudo realizado para entender os impactos da “logística reversa” no mercado de baterias automotivas. Não há qualquer menção a isso, apesar de a Recorrente ter defendido este ponto em seus apelos. Ademais, a fiscalização, como mencionado, fez um trabalho minucioso de análise daqueles documentos, como se pode observar do Anexo 22 do Relatório Fiscal (fls. 1726 a 1734). O que se verifica dos comparativos realizados (testes) pela fiscalização, é que, de fato, havia um controle paralelo da contabilidade das entidades. Foram diversos pontos apontados, em que a fiscalização demonstrou, basicamente, reitere-se, um diálogo entre a contabilidade “oficial” da Recorrente e os controles paralelos. A fiscalização conseguiu demonstrar, ainda, que havia um controle (acompanhamento) dos resultados dos “depósitos controlados”, localizados em diversas cidades, que a Recorrente insiste em dizer que eram autônomos e não faziam parte da estrutura organizacional das entidades. Neste ponto, o acórdão recorrido deixou bem claro esse vínculo, como se percebe do seguinte trecho: A fiscalização logrou diligenciar no sentido de verificar a constituição societária de alguns desses depósitos controlados, assim como o domicílio dos sócios, sua capacidade econômica e seu vínculo com a autuada, constatando que: (i) haviam sócios dos depósitos na condição de funcionários da Tudor MG, ainda em atividade na empresa; (ii) havia sócio que não possuía o mesmo domicílio da localização dos depósitos; e (iii) havia sócio que efetuou empréstimo de capital junto a parente de um dos sócios da Tudor MG (mesmo sócio da Tudor SP) para sua integralização no capital social, entre outros. Confira-se a diligência constante do Anexo 10: Como se não bastasse, no Relatório Fiscal, quando se verifica a transcrição da conversa ao telefone entre dois sócios da Recorrente, fica evidente que estes se mostraram extremamente preocupados quando receberam, por erro no sistema da autoridade policial, a confirmação de leitura das mensagens pela Polícia Federal. Neste passo, combinaram de evitar o envio de informações por e-mail, até que o “CPD” da empresa identificasse o que estava acontecendo. Ora, se não havia controle paralelo, se a contabilidade “oficial” não tinha problemas, por que havia preocupação em circular informações por e-mail? Neste ponto, não se pode deixar de mencionar, que tem-se a consciência de que, no arbitramento, em especial quando se está diante de fortes indícios de omissão de receitas, a maior dificuldade da fiscalização está na identificação das bases de cálculo tributáveis. A Fl. 5439DF CARF MF Fl. 61 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 princípio, esse é o ponto nodal de toda discussão que envolve essa modalidade de apuração do lucro das entidades. Contudo, no presente caso, com a apreensão das denominadas “apostilas” na casa de um dos sócios da Recorrente e a análise e o cotejamento feito pela fiscalização, a mencionada dificuldade na fixação da base de cálculo não se apresenta. A própria Recorrente demonstrou quais seriam as bases tributáveis, em que pese de forma codificada, tendo a fiscalização decifrado de forma irreparável o que constava naqueles documentos. Assim, entende-se que não há reparo a se fazer no trabalho da fiscalização, em especial no ponto em que apontou a necessidade de arbitramento, por imprestabilidade das demonstrações contábeis da Recorrente, bem como quando decifrou as referidas apostilas e indicou quais seriam as omissões de receitas perpetradas nos anos calendários fiscalizados. 3.2.2) DOS SUPOSTOS ERROS COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. No que tange ao suposto erro da fiscalização levantado pela Recorrente, quando afirma que, no arbitramento, se teria somado os valores das receitas omitidas com as efetivamente declaradas, também não se pode dar guarida à defesa apresentada. Quando se analisa o Termo de Verificação Fiscal, pode-se perceber que, de forma correta, a fiscalização deixou claro que as receitas confessadas e detectadas em DCTF foram devidamente consideradas como redutores das bases. Veja-se, neste sentido, o que constou do TVF para cada um dos tributos: IRPJ Base de Cálculo: 9,6% da receita total (receita/declarada + receita/omitida) + outras receitas. Obs.: - Da receita/declarada foram excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos, o IPI e o ICMS/substituto tributário – ANEXO 05. - Todos os débitos confessados pelo sujeito passivo, detectados em DCTF, referentes ao IRPJ, relativos ao período 2012 a 2015, foram apropriados como parcelas redutoras dos débitos lançados. - ANEXO 04 contém a relação de todos os débitos confessados, considerados no cálculo. – As outras receitas, não provenientes das vendas, foram extraídas das informações fiscais e contábeis e encontramse discriminadas no ANEXO 03. CSLL Base de Cálculo: 12% da receita total (receita/declarada + receita/omitida) + outras receitas. Obs.: - Da receita/declarada foram excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos, o IPI e o ICMS/substituto tributário – ANEXO 05. - Todos os débitos confessados pelo sujeito passivo, detectados em DCTF, referentes à CSLL, relativos ao período 2012 a 2015, foram apropriados como parcelas redutoras dos débitos lançados - ANEXO 04 contém a relação de todos os débitos confessados, considerados no cálculo. – As outras receitas, não provenientes das vendas, foram extraídas das informações fiscais e contábeis e encontramse discriminadas no ANEXO 03. Fl. 5440DF CARF MF Fl. 62 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 IPI (reflexos) Base de Cálculo: a receita/omitida. CPRB Base de Cálculo: a receita/omitida. PIS/COFINS Base de Cálculo: a receita total (receita/declarada + receita/omitida). Obs.: – Da receita/declarada foram excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos, o IPI, o ICMS/substituto tributário, as receitas isentas e não alcançadas pela incidência, as receitas correspondentes a saídas com suspensão e as receitas sujeitas à alíquota zero – ANEXO 05. - Todos os débitos confessados pelo sujeito passivo, detectados em DCTF, referentes ao PIS e a COFINS, bem como todos os valores de retenção/fonte, dos citados tributos, constantes em DIRF, relativos ao período 2012 a 2015, foram apropriados como parcelas redutoras dos débitos lançados - ANEXO 03 contém a relação de todos os débitos confessados e retenções, considerados no cálculo. - A parcela da base de cálculo da Cofins e do PIS, derivada dos valores destacados, em NFEs, de ICMS (operações próprias), foi excluída do presente lançamento, e, com base nela, foram lançadas as citadas contribuições, com exigibilidade suspensa, no processo: 10825.721.566/2017-85, uma vez que a mesma está sendo discutida em processo judicial (nº 5684-65.2015.4.03.6108 - 1a Vara / Justiça Federal SP – Bauru). - A mudança do regime de apuração de Lucro Real para Lucro Arbitrado, nos anos 2012 a 2015, reflete na forma de apuração das contribuições do PIS e Cofins, no citado período, as quais passam do regime não-cumulativo para o cumulativo – Leis 10.833/2003 (artigo 10) e 10.637/2002 (artigo 8º). Tal mudança implica em redução das alíquotas incidentes sobre a receita/declarada derivadas de operações sem incidência monofásica de: 7,6% (Cofins) e 1,65% (PIS) para: 3% (Cofins) e 0,65% (PIS), mantendo-se as mesmas alíquotas utilizadas no caso de operações com incidência monofásica (7,6 ou 10,8% para Cofins e 1,65 ou 2,3% do PIS). - Basicamente observou-se o código da situação tributária (CST) atribuído pelo sujeito passivo às operações sujeitas à incidência da Cofins e do PIS provenientes da receita/declarada. Houve mudança, especialmente, no CST de algumas operações (relativas a desperdício de resíduos) as quais, destinadas à TUDOR MG, saíram com suspensão de incidência das citadas contribuições, uma vez que eram destinadas à pessoa jurídica que apurasse imposto de renda com base no lucro real, conforme condicionado pelo artigo 48 da Lei 11.196/2005. Acontece que a citada destinatária também teve, de ofício, mudado seu regime de apuração de Lucro Real para Lucro Arbitrado, nos anos 2012 a 2015, de modo que tais operações não mais cumprem a citada condição, tornando-se exigíveis à alíquota de 3% (Cofins) e 0,65% (PIS) – (ANEXO 05 – linhas azuis – destacam as NFEs que foram mudadas): (destacou-se) Assim, não pode ter qualquer respaldo a afirmação da Recorrente, quando diz que estaria incorreto o lançamento, uma vez que não se poderia “somar a base de cálculo do arbitramento aos valores já declarados e pagos”. Não foi isso que aconteceu! A esta mesma conclusão chegou a douta Turma Julgadora a quo. Confira-se: No presente caso, a fiscalização regularmente considerou nos cálculos o imposto declarado em DCTF (confessado), deduzindo de retenção na fonte, eis que localizada informações em DIRF, mediante consulta aos sistemas informatizados da RFB. Como se vê, a pretensão da impugnante em ver arbitrada apenas a parcela da receita omitida não encontra respaldo na legislação. Também não encontra respaldo a pretensão Fl. 5441DF CARF MF Fl. 63 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 de se considerar arbitrado o lucro apenas nos meses nos quais verificada receita omitida, fracionando-se o trimestre calendário. Conforme já observado neste voto, os valores omitidos foram possíveis de serem aferidos nas apostilas objeto de apreensão que representavam os valores reais do faturamento da autuada, em razão de que nem toda receita omitida circulava pelas contas bancárias da contribuinte e nem da empresa Tudor MG, que participava do mesmo grupo econômico. Como também se viu dos dispositivos acima colacionados, a receita omitida deve ser adicionada àquela que corresponder ao maior percentual, no caso de atividades diversificadas, quando não for possível a sua identificação. In casu, mostra-se incabível a pretensão da aplicação do disposto no art. 284 do RIR/99, invocado pela contribuinte, pois trata do arbitramento da receita, por indícios de omissão, quando mantida a tributação da pessoa jurídica na sistemática adotada, cumprindo à pessoa jurídica, nessa hipótese, emitir o correspondente documentário fiscal, bem como efetuar a escrituração que está obrigada, o que não se aplica aos presentes autos, dada a necessidade do arbitramento do lucro justamente pela imprestabilidade da escrita, diante da vultosa omissão de receita. Há de se ressaltar, por oportuno, que a Recorrente, além das suas argumentações, não trouxe aos autos provas, para demonstrar eventuais erros na quantificação dos créditos tributários. 3.2.3) DOS DEMAIS SUPOSTOS ERROS COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO NA CONSTITUIÇÃO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. No que tange à tributação reflexa, adota-se como razão de decidir, o que restou exposto no acórdão recorrido, conforme transcrição abaixo, tendo em vista que a Recorrente, em seu Recurso Voluntário, não trouxe qualquer elemento novo para rebater as conclusões da Turma Julgadora a quo. Deve-se ressaltar que, na petição de fls. 4.895 a 4.909, a Recorrente, invocando um precedente recente proferido por essa Turma de Julgamento (acórdão nº 1302.003484), aduz pelo erro da fiscalização na quantificação da contribuição ao PIS e da COFINS, sob o argumento de que, no arbitramento, por imposição legal, o regime de apuração deveria ser o cumulativo, em detrimento do não-cumulativo. Contudo, como se depreende da autuação e da transcrição abaixo, o regime adotado pela fiscalização foi, de fato, o cumulativo. Ressalta-se, ainda, que para fins de economia processual, na transcrição abaixo, omitiu-se os dispositivos legais e as telas e planilhas transcritas pelo d. julgador. Confira-se: DA CSLL, DO PIS, DA COFINS E DA CPRB REFLEXOS A exigência reflexa das contribuições ao Pis e a Cofins, bem como da CSLL e da CPRB, na hipótese da constatação de omissão de receita, vem disciplinada expressamente no art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, base legal do art. 528 do RIR/99: (...) Destaque-se, quanto ao Pis e à Cofins, que incidem sobre o faturamento (e não sobre o lucro, como se dá com o IRPJ e a CSLL), assim entendido a receita bruta da pessoa jurídica (arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998; arts. 1º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003). Por outro lado, as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado ficam sujeitas às normas do regime cumulativo para apuração da contribuição para o Pis e a Cofins, vigentes anteriormente às Leis nº 10.637, de 2002, e Fl. 5442DF CARF MF Fl. 64 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 nº 10.833, de 2003 (Lei nº 9.718, de 1998), a teor do art. 8º, inciso II, da Lei n° 10.637, de 2002, e art. 10, inciso II, da Lei 10.833, de 2003. O mesmo se aplica com relação às receitas tributadas na sistemática concentrada (monofásico), destacando-se, apenas, que tais receitas permanecem sujeitas à alíquota própria dessa sistemática concentrada, diferentes das usuais de 0,65% e 3% (regime cumulativo). Deveras, a tributação concentrada ou monofásica, consoante aludem diversos diplomas legais, diferencia-se da substituição tributária pela não existência de sujeito passivo responsável por fato gerador que venha a ocorrer futuramente. Caracteriza-se, sim, a tributação monofásica pela ocorrência da tributação uma única vez (CF, art. 149, § 4º) dentro de um ciclo de comercialização de um produto (geralmente no produtor ou no importador), oportunidade em que incide com alíquota concentrada. Nos demais elos do ciclo de comercialização (atacadistas e varejistas, por exemplo), a tributação ocorre com alíquota zero, ou seja, toda a tributação, de fato, ocorre no contribuinte produtor ou importador, sem que sejam substituídos os atacadistas e varejistas, e para os demais contribuintes ocorre a tributação à alíquota zero. É por esta razão que as alíquotas previstas na sistemática concentrada não sofrem alteração, seja em qualquer regime de apuração das contribuições em questão (não cumulativo ou cumulativo) a que se sujeite a pessoa jurídica. Na hipótese do arbitramento do lucro, a alteração do regime não cumulativo para o cumulativo, o qual não prevê o desconto de crédito, justifica-se porque o crédito de Pis e Cofins, passível de utilização na sistemática não cumulativa, é somente aquele regularmente escriturado e demonstrado nos registros contábeis e fiscais da pessoa jurídica, condição, por óbvio, não satisfeita, nas hipóteses do arbitramento, já que este é motivado justamente pelo atraso ou falta de apresentação da escrita ou, ainda, pela sua imprestabilidade. Portanto, descabida eventual pretensão em ver aproveitado qualquer crédito atinente às citadas contribuições, dado que tal procedimento só se opera na sistemática da não- cumulatividade, a qual, como dito, é afastada no caso do arbitramento. Enfatize-se que a base de cálculo da contribuição para o Pis e da Cofins não parte do lucro arbitrado, mas sim da própria receita auferida (faturamento). No presente caso, o arbitramento do lucro, regime de tributação ao qual se submeteu a pessoa jurídica em razão da ação fiscal aqui discutida (e não mais lucro real, como declarado), implicou que o total da receita auferida (declarada + omitida), inclusive as receitas tributadas na sistemática concentrada (monofásico), fosse levado à nova sistemática de tributação da contribuição para o Pis e da Cofins (regime cumulativo), por todo o anocalendário, regime cujas alíquotas distinguem-se daquelas da não cumulatividade e, ainda, sem direito a crédito. Nesse sentido, reproduz-se, mais uma vez, a base de cálculo e alíquotas utilizadas pela fiscalização, contidas no Relatório Fiscal: (...) Como se vê, em relação à parcela da receita omitida, a maior alíquota verificada, aplicável porque não passível de identificar a natureza da receita omitida (consoante previsto no art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, atrás transcrito), é aquela das receitas tributadas na sistemática concentrada (art. 3º, II, da Lei nº 10.485, de 2002), de 2,3% e 10,8%, decorrente de vendas para atacadistas ou varejistas. Pelas razões acima expostas, na hipótese de arbitramento do lucro, verificada omissão de receita, impõe-se recalcular também os valores das contribuições antes declaradas mediante a sistemática não cumulativa, diante da reclassificação da sistemática de tributação para o regime cumulativo, justificando-se a adoção da nova sistemática de tributação para os períodos não alcançados pela omissão de receita, inclusive. Fl. 5443DF CARF MF Fl. 65 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Como se vê, inexiste previsão legal para adoção de alíquotas médias do período, como pretendido pela interessada. No que concerne ao código da situação tributária (CST), a fiscalização observou aquele atribuído pela pessoa jurídica, em relação à receita declarada, alterando apenas aquele relativo a desperdício de resíduos (NF na planilha 05, identificadas nas linhas azuis), que saiu com suspensão da incidência da contribuição para o PIS e da Cofins para a empresa do mesmo grupo econômico, Indústria Tudor MG de Baterias Ltda. A citada alteração do CST se deu porque, conforme resultado da mesma ação fiscal, referida destinatária (Tudor MG) sofreu o arbitramento do lucro, nos períodos analisados, em detrimento do lucro real, condição sine qua non para a saída de desperdício de resíduos com suspensão: (...) Assim, tornaram-se exigíveis as contribuições incidentes sobre as saídas de desperdício de resíduos, mediante as alíquotas do regime cumulativo, nada havendo de se reparar quanto a este aspecto. A interessada ainda pretende ver deduzidos dos lançamentos do PIS e da Cofins os valores compensados com crédito do REINTEGRA, abaixo indicados: (...) Conforme descrito no relatório, a fiscalização considerou no lançamento as retenções e os valores declarados em DCTF, que foram levados a dedução do crédito tributário aqui constituído, como provam os demonstrativos de apuração que integram os autos de infração. Tome-se como exemplo a exigência do PIS, do PA 09/2013, no qual consta a dedução da importância de R$ 38.934,41, declarada em DCTF: (...) De fato, consultando-se a DCTF do referido período de apuração 09/2013, observa-se que a quantia deduzida do lançamento aqui guerreado, de R$ 38.934,41, corresponde à soma dos débitos de PIS declarados sob os códigos 1921 e 6912, nos valores respectivos de R$ 2.704,96 e R$ 36.229,45, sendo que neste último débito já se encontra computada a compensação com crédito do REINTEGRA de que trata a DCOMP nº 00724.42401.251013.1.3.17-0857. Confira-se: (...) Assim, a pretensão da impugnante já se encontra atendida no lançamento guerreado. Prosseguindo, a fiscalização registrou que a contribuinte industrializa o produto identificado pelo código NCM 85071090 –“Acumuladores elétricos e seus separadores, mesmo de forma quadrada ou retangular -De chumbo, do tipo utilizado para o arranque dos motores de pistão –Outros”. A Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta - CPRB, como a própria sigla esclarece, incide sobre a receita bruta auferida, nos termos do art. 8º da Lei nº 12.564, de 2011, com as alterações dadas pela legislação superveniente: (...) Por sua vez, as exclusões da base de cálculo da CPRB estão previstas no art. 9º da referida lei: (...) A questão foi regulamentada no Decreto nº 7.828, de 16/10/2012, e na Instrução Normativa RFB nº 1.436, de 30/12/2013, nesta última, do seguinte modo: (...) Da legislação citada, extrai-se que a CPRB incide em relação ao produto fabricado pela contribuinte a partir de 1º/08/2012 até 30/11/2015, à alíquota de 1,0%; e a partir de 1º/12/2015 a 31/12/2015, à alíquota de 2,5%. Fl. 5444DF CARF MF Fl. 66 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 E que, na determinação da base de cálculo, é permitida a exclusão da receita de exportações, das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, do IPI (se incluído na receita bruta), do ICMS, cobrado na condição de substituto tributário, da receita bruta reconhecida pela construção, recuperação, reforma, ampliação ou melhoramento da infraestrutura, cuja contrapartida seja ativo intangível representativo de direito de exploração, bem como do aporte de recursos, nos termos da Lei nº11.079, de 2004. Como se vê, inexiste previsão legal para exclusão do ICMS (cabível apenas a exclusão do ICMS cobrado na condição de substituto tributário), do ISS, do PIS e da Cofins, como pretendido pela impugnante. Incabível, também, a pretensão da impugnante em aplicar, no âmbito da CPRB, decisão proferida nos Recursos Extraordinários (RE) nº 574706 e nº 240.785/MG, com repercussão geral reconhecida, pois se referem à inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins. Deveras, são elementos da ação: a parte, a causa de pedir (fatos que deram origem a lide) e o pedido (objeto da ação). Não verificada a identidade de causa de pedir e de pedido, não há como se estender decisão proferida no âmbito da repercussão geral. Ademais, dada a inexistência de alteração de sistemática de tributação da CPRB, o citado tributo foi exigido nos presentes autos somente em relação à receita omitida, sobre a qual, como se viu do dispositivo atrás transcrito neste voto (art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995), incide a CPRB. Obviamente, nos casos em que arbitrado o lucro, em que não foi possível determinar a natureza da receita omitida, como é o aqui tratado, é incabível a pretensão de se excluir da parcela da receita omitida qualquer valor a título de receita oriunda de operações de venda para a zona Franca de Manaus e Áreas de Livre Comércio, que, segundo a impugnante, é equiparada a operação de exportação, pois é impossível de se fazer tal aferição. Da mesma forma e por igual razão (indeterminação da natureza da receita omitida), é incabível a pretensão de se excluir vendas canceladas, descontos incondicionais concedidos, IPI (se incluído na receita bruta), bem como ICMS cobrado na condição de substituto tributário. Considerando que a omissão de receita foi apurada no período compreendido entre 01/2012 e 06/2015, verifica-se correta a incidência e a aplicação da alíquota de 1% entre o período de 1º/08/2012 (data de início/período de vigência da CPRB) a 30/06/2015, nos termos das normas aqui citadas. Assim, nada há de se reparar quanto ao lançamento. DO IPI REFLEXO Aqui, da mesma forma que em relação à CPRB, foi exigido o IPI somente em relação à receita omitida (período entre 01/2012 a 06/2015), dada a inexistência de alteração na sistemática de tributação adotada pela contribuinte em relação ao mencionado tributo. Reitere-se que a receita omitida não foi arbitrada (apenas o lucro da pessoa jurídica foi objeto de arbitramento), mas sim conhecida mediante as provas coligidas nos autos, não tendo sido objeto de presunção, conforme já fartamente analisado neste voto. Constatada omissão de receita resta configurada a falta de lançamento do imposto pelo contribuinte, obrigação prescrita nos arts. 181 e 182, I, "b" e II, "c", do Regulamento do IPI - RIPI (Decreto nº 7.212, de 15/06/2010): (...) De fato, de acordo com o art. 522 do RIPI, verificada receita de origem não comprovada, considerar-se-á proveniente de venda não registrada, sobre ela incidindo o imposto calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita da contribuinte, hipótese a qual restou demonstrada nestes autos, diante da omissão de receita constatada e do arbitramento do lucro pela imprestabilidade da escrita. Confira-se: Fl. 5445DF CARF MF Fl. 67 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 (...) Nessas circunstâncias, o período de apuração do imposto é mensal, nos termos do art. 259 do mesmo Regulamento: (...) Obviamente, a falta de identificação da origem da receita omitida apurada, corroborada pelo arbitramento do lucro pela imprestabilidade da escrita, impede seja aproveitado crédito do imposto em operações anteriores, pois, como já explicado, a apuração do crédito não prescinde de uma escrita regular. A pretensão da impugnante em ver adotada receita presumida, pela média da relação entre receitas e despesas de cada período, não encontra respaldo na legislação de regência. Ademais, como dito, a receita omitida restou conhecida; além disso, a regular apuração de receitas e despesas do período se demonstrou comprometida pela imprestabilidade da escrita. Também, como se vê da legislação transcrita, inexiste previsão legal para adoção de alíquotas médias experimentada no período, como pretendido pela impugnante, incidindo a tributação pela maior alíquota, porque não possível distinguir os elementos da escrita do estabelecimento. Assim, nada há de se reparar no lançamento. Há que se ressaltar que o Recorrente argumenta que não é possível o ICMS compor a base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS e que, por isso, os valores do tributo de competência dos Estados-membros e do Distrito federal deveriam ser decotados na composição da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. De fato, durante o julgamento do RE nº 574.706 com Repercussão Geral reconhecida sob o tema 691, o Supremo Tribunal Federal - STF analisou o conceito constitucional de faturamento e receita para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, decidindo pela inconstitucionalidade da inclusão dos valores destacados a título de ICMS na base de cálculo daquelas contribuições. Veja ementa do Acórdão, publicado em 02/10/2017: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomando-se cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adota-se o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerando-se o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindo-se o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-223 DIVULG 29-09-2017 PUBLIC 02-10-2017) Fl. 5446DF CARF MF Fl. 68 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Na realidade, o mais importante desdobramento da fixação da tese acima ementada foi a criação de um precedente de grande importância para todo o sistema jurídico nacional, precedente esse que deve ser aplicado, inclusive em âmbito administrativo. É que, na visão do processualista Fredie Didier, “em sentido lato, o precedente é a decisão judicial tomada à luz de um caso concreto, cujo elemento normativo pode servir como diretriz para o julgamento posterior de casos análogos.” (DIDIER, Fredie. Curso de Direito Processual Civil: teoria da prova, direito probatório, ações probatórias, decisão, precedente, coisa julgada e antecipação dos efeitos da tutela - 10ª ed. - Salvador: Ed. Jus Podium, 2015). Isto significa que o precedente representa uma diretriz decisória à qual deve reportar-se o entendimento de qualquer juízo hierarquicamente inferior que julgar caso semelhante ao paradigma. Neste ponto, imperioso destacar que o precedente não se confunde com a decisão publicada, nem com a modulação de efeitos que porventura lhe siga, mas é, na verdade, a norma criada pelo julgador, a ratio decidendi na qual resulta o raciocínio jurídico empreendido, que deverá ser espelhada pela decisão do juízo prolator. Não se pode olvidar, ainda, o mandamento inscrito no art. 489, § 1º, inciso VI do CPC/2015, que determina que o juízo sentenciante está compelido à análise e aplicação do precedente invocado pela parte. Contudo, em que pese o Regimento Interno do CARF (artigo 62, parágrafo 1º, II, b) determinar a aplicação dos precedentes fixados pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, no caso em apreço, até a presente dada (data de elaboração do presente acórdão), não houve o trânsito em julgado do RE nº 574.706, tendo em vista o pedido de modulação de efeitos elaborado peal União Federal. Assim, mesmo que haja um precedente fixado, que vincula os órgãos judicantes, ainda não se sabe ao certo a extensão temporal da decisão do STF, sendo temerário, neste momento, aplicar, de forma precária, aquele precedente em fatos pretéritos. Não se pode perder de vista que o Recorrente não trouxe aos autos comprovação de que tenha ação judicial própria, com trânsito em julgado favorável, em que se discute a impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Desta feita, por tudo aqui exposto, NEGA-SE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário da Recorrente. 3.3) DA MULTA QUALIFICADA. O agente autuante, como se percebe do Relatório Fiscal, motivou a qualificação da multa de ofício aplicada, nos seguintes termos: Foi imputada multa de ofício de 150% sobre os tributos devidos, ora lançados, pois o sujeito passivo, através de seus administradores, conforme descrito no Relatório Fiscal - Operação Agua Viva (Polo Negativo), adotou conduta dolosa com a finalidade de impedir o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência de fatos geradores de obrigações tributárias relativas aos tributos IRPJ, CSLL, IPI, CSRB, PIS e COFINS, durante os anos 2012 a 2015, nos termos do inciso I e parágrafo 1º, do artigo 44 da lei 9.430/96. De fato, o sujeito passivo praticou, por meio de seus administradores, de forma reiterada, atos que excluíram ou modificaram as características essenciais dos fatos geradores dos citados tributos, de modo a reduzir o montante devido, omitindo, em sua escrituração fiscal e contábil, parte das receitas tributáveis provenientes de suas vendas. Fl. 5447DF CARF MF Fl. 69 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 A forma reiterada de omitir receitas de vendas, mediante ações organizadas, em conluio, pelos administradores do sujeito passivo, caracteriza intenção destes administradores de produzir resultado lesivo aos cofres públicos. Assim, a não declaração de boa parte das receitas tributáveis, retardou o conhecimento da ocorrência da totalidade dos fatos geradores pelo Fisco, pois antes de iniciadas as ações que culminaram com o presente lançamento, só era do conhecimento deste, o que o sujeito passivo havia, de forma dolosa, erroneamente, declarado. Não fossem as citadas ações, tais fatos geradores continuariam sonegados. No Recurso Voluntário, a Recorrente, com o objetivo de ver reduzida (desqualificada) a penalidade, mais uma vez, argumenta pela fragilidade da autuação, que teria se valido de presunções para constituir os créditos tributários ora em discussão. Argumenta, ainda, que a fiscalização não teria comprovado a “intenção lesiva dolosa de natureza tributária como está a exigir em matéria penal tributária”. Veja-se a suas argumentações: Bem se evidencia, novamente, as deduções lógicas subjetivas da autoridade fiscal, sem demonstrar cabalmente qual o nexo específico doloso que o conduziu a concluir pela qualificadora contra a Recorrente, simplesmente por se referir a indícios esparsos, subjetivos, unilaterais, fragmentados de ex-empregados e comunicações telefônicas ilegais e interceptações igualmente abusivas, além de planilhas apreendidas, devidamente justificadas no decorrer desta peça impugnatória, e somente se escorando em peça inquisitória inicial da Polícia Federal, sem qualquer comprovação efetiva e conclusiva de necessária e transparente intenção lesiva dolosa de natureza tributária como está a exigir em matéria penal tributária, quer contra a Recorrente, por seus administradores, quer contra as pessoas físicas no polo da responsabilidade solidária passiva. Da leitura do Recurso Voluntário, também pode-se depreender que a Recorrente, de alguma forma, se insurge com relação à imputação de responsabilidade aos sócios da entidade, tanto com relação ao artigo 124, inciso I, quanto com relação ao artigo 135, inciso III, ambos do CTN. Argumenta, inclusive, que a “responsabilidade tributária do administrador da sociedade, com base no artigo 135 do Código Tributário Nacional, não é solidária nem subsidiária em relação à sociedade, mas sim pessoal no sentido de ser exclusiva, configurando- se quando este praticar ato do qual decorra a obrigação tributária, que seja doloso e seja perpetrado em infração à lei societária, estatuto ou contrato social, praticado à revelia da sociedade”. Pois bem. Primeiro, não se pode dar guarida à argumentação da Recorrente, no que tange à falta de responsabilidade dos sócios e da empresa indicados na autuação como responsáveis tributários, uma vez que lhe falta legitimidade para requerer direito de terceiro (responsáveis). Há muito a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se posiciona neste sentido. Confira-se: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES. IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. No caso de pluralidade de sujeitos passivos, em que o lançamento é constituído em face da pessoa jurídica na condição de contribuinte e dos administradores na condição de responsáveis, a irresignação quanto à responsabilidade solidária dos administradores deve ser apresentada por meio de (1) petição conjunta da contribuinte com os responsáveis; (2) petição própria de iniciativa de cada um dos administradores da pessoa jurídica; ou (3) petição conjunta dos referidos administradores. A impugnação Fl. 5448DF CARF MF Fl. 70 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 apresentada pela pessoa jurídica, em que sustenta a ilegitimidade da inclusão dos seus administradores no polo passivo da relação jurídica tributária, não merece ser conhecida, por lhe faltar legitimidade. (Acórdão nº 3403-002.835 – Processo nº 13116.722754/2012-19) (destacou-se) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Os requisitos para a qualificação da multa de ofício estão presentes na hipótese do contribuinte omitir conscientemente percentuais elevados de suas receitas de maneira reiterada. LEGITIMIDADE PROCESSUAL. APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Ninguém pode pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. A pessoa jurídica não pode pleitear, em nome próprio, a exclusão de terceiros do pólo passivo da obrigação tributária. (Acórdão nº 9101-002.986 - 19515.001186/2010-22). (destacou-se) Há de se ressaltar, por oportuno, que, em que pese a posição pessoal deste relator, defendida, inclusive, em trabalho acadêmico produzido junto à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, no que tange à responsabilidade pessoal do administrador (que não seria solidária, tampouco subsidiária), como defende a Recorrente, este tema perdeu relevância, infelizmente, no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com a edição da súmula CARF nº 130, que tem a seguinte redação: Súmula CARF nº 130 A atribuição de responsabilidade a terceiros com fundamento no art. 135, inciso III, do CTN não exclui a pessoa jurídica do pólo passivo da obrigação tributária. Portanto, além da falta de legitimidade demonstrada acima, não há como acatar os argumentos da Recorrente quanto à suposta responsabilidade pessoal dos agentes, quando a atribuição desta responsabilidade se der com base no artigo 135, III do CTN. E também não se pode acatar os argumentos da Recorrente, no que tange à ausência de motivação para aplicação da multa de ofício qualificada, no patamar de 150%. Como demonstrado ao longo deste extenso voto, ficou patente a omissão de receitas, que era realizada de diversas formas, com declaração e emissão de documentos falsos, utilização de interpostas pessoas, dentre outras imputações já devidamente exploradas alhures. Ou seja, mais do que caracterizada a ilicitude das condutas praticadas em desfavor do erário. Neste passo, como sabido, o parágrafo 1º do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, determina a aplicação da penalidade em dobro quando constatada a prática de alguma das condutas previstas no artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Cita-se: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1 o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502, de 30 de novembro de 1964, Fl. 5449DF CARF MF Fl. 71 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Por sua vez, os dispositivos da Lei nº 4.502/64 que autorizam a qualificação da multa são os seguintes: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72 Não há dúvidas, aos olhos deste julgador, das condutas fraudulentas praticadas de forma dolosa pela Recorrente, no sentido de "impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento", nos exatos termos preconizados pelo artigo 72 da Lei nº 4.502/64. Neste ponto, são precisas as colocações do acórdão recorrido: Com efeito, depreende-se dos autos que a fiscalização constatou a prática reiterada de omissão de receita, mediante o artifício de retardar o conhecimento das reais dimensões do fato gerador pela autoridade fazendária, mediante a manutenção de receitas à margem da contabilidade e da existência de um controle paralelo. Desta feita, não há que se falar em afastamento da multa qualificada, uma vez que caracterizadas e comprovas as condutas fraudulentas praticadas, nos exatos termos dos dispositivos legais acima transcritos. Também não tem respaldo o pedido subsidiário da Recorrente para que a multa qualificada seja excluída “em relação aos valores dos tributos segundo [sic] declarados e pagos no período, tempestiva e legalmente”. É que, como restou esclarecido linhas acima, ao contrário do que defende a Recorrente, quando da constituição do crédito tributário, o agente autuante considerou (decotou) da autuação aqueles rendimentos que haviam sido declarados pela Recorrente. A presente autuação, reitere-se, não teve como objeto os rendimentos devidamente declarados, mas tão- somente os rendimentos omitidos pela Recorrente e identificados pela fiscalização. Portanto, NEGA-SE PROVIMENTO aos pedidos constantes no Recurso Voluntário, no que tange à multa qualificada. 4) DAS RESPONSABILIDADES TRIBUTÁRIAS Como relatado alhures, na constituição do crédito tributário, foram indicados diversos responsáveis tributários, com base nos artigo 124, I e 135, III do CTN. Os responsáveis apontados pela fiscalização são os seguintes: 1) Milton José Tessari; Fl. 5450DF CARF MF Fl. 72 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 2) Itamar Crivelli; 3) José Ricardo de Miranda; 4) Péricles José Ramos Mendes; 5) Dalilo Bilches Medinas; 6) José Carlos Caminha; 7) Sérgio Luis Fioravante; 8) Cézar Augusto Pereira Machado; 9) Edson David Marques Da Silva. Ainda, foi atribuída responsabilidade à empresa Indústria Tudor MG de Baterias Ltda, uma vez que seria do mesmo grupo econômico da Recorrente, compartilhando das mesma direção e, em especial, porque as omissões de receitas foram praticadas por ambas empresas, inclusive, com o compartilhamento da direção dos denominados “depósitos controlados”. A motivação para a imputação das responsabilidades pode ser verificada no Relatório Fiscal, nos seguintes termos: Os documentos e fatos apurados, descritos no presente Relatório, demonstram que a Tudor MG e a Tudor SP, durante o período fiscalizado, constituíam grupo econômico de fato, que combinavam recursos e esforços para realizarem seus objetivos comuns, todos voltados ao empreendimento das mesmas atividades econômicas: basicamente, industrialização e comercialização de baterias. Neste sentido, as indústrias se subordinavam a uma unidade diretiva comum, em que o controle central era exercido, tanto na Tudor SP49, como na Tudor MG50, pelos sócios administradores: 1 - José Carlos Caminha – CPF: 603.837.208-34; 2 - Péricles José Ramos Mendes – CPF: 558.608.428-72; 3 - Milton José Tessari – CPF 024.014.528-34; 4 – Cezar Augusto Pereira Machado – CPF: 118.069.478-38; 5 – Dalilo Bilches Medinas – CPF: 015.757.858-54; 6 – Itamar Crivelli – CPF: 012.473.368-91; 7 – José Ricardo de Miranda – CPF: 470.137.616-72; 8 – Sérgio Luis Fioravante – CPF: 027.398.088-28; 9 – Edson David Marques da Silva – CPF: 258.067.261-34. Tal unidade diretiva mantinha, à margem da contabilidade oficial, controles paralelos, sintetizados em documentos intitulados APOSTILAS, que consolidavam os resultados da aliança operacional do Grupo. Tais resultados, em boa parte, eram provenientes do não pagamento dos tributos devidos, derivados da prática conjunta (pelas indústrias) de seus fatos geradores. Assim, resta evidente que, ambas (Tudor MG e Tudor SP) têm interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores dos tributos lançados, em uma e em outra. Logo após o trecho acima transcrito, o agente fiscal cita os dispositivos legais que seriam aplicáveis na imputação da responsabilidade, notadamente: artigo 1.084 da Lei nº 10.406/2002 (Código Civil), artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964; artigos 1º e 2º da Lei 8.137/1990; artigo 12 da Decreto-lei 1.598/77 e, por fim, os artigos 124, inciso I e 135, inciso III, ambos do CTN. Fl. 5451DF CARF MF Fl. 73 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Como demonstrado alhures, foram apresentados Recursos Voluntários apartados, sendo que 08 responsáveis apresentaram a defesa com as mesmas argumentações, quais sejam: 1) Milton José Tessari; 2) Itamar Crivelli; 3) José Ricardo de Miranda; 4) Péricles José Ramos Mendes; 5) Dalilo Bilches Medinas; 6) José Carlos Caminha; 7) Sérgio Luis Fioravante; 8) Edson David Marques Da Silva. Nos apelos apresentados, os Recorrente demonstram a não caracterização do “interesse comum”, bem como a impossibilidade de atribuição das responsabilidade com base no artigo 135, III do CTN, uma vez não houve a individualização da conduta de cada um dos agentes por parte da fiscalização. Por outro lado, as peculiaridades de cada um dos Recursos dos responsáveis acima apontados foram bem resumidas pelo acórdão recorrido, que seriam, in verbis: - ao Sr. Itamar Crivelli é atribuída a função única de advogado trabalhista, sem qualquer poder de deliberação que poderia, de forma direta ou indireta, ensejar os supostos atos que redundaram na presumida omissão de receita; - o Sr. Péricles José Ramos Mendes não participa efetivamente na administração da sociedade, até porque possui empresa e residência na cidade de Ribeirão Preto/SP, inviabilizando, portanto, funções de qualquer nível dentro da empresa autuada; - ao Sr. Dalilo Bilches Medinas é atribuída a função de controle de seguros e relação consumerista, sem qualquer poder de deliberação que poderia, de forma direta ou indireta, ensejar os supostos atos que redundaram na presumida omissão de receita; - ao Sr. Sérgio Luis Fioravante é atribuída a função única de gerente industrial, sem qualquer poder de deliberação que poderia, de forma direta ou indireta, ensejar os supostos atos que redundaram na presumida omissão de receita; - o Sr. Edson David Marques da Silva não participa efetivamente na administração da sociedade, até porque possui empresa e residência na cidade de Cuiabá/MT, inviabilizando, portanto, funções de qualquer nível dentro da empresa autuada. Citado impugnante destaca que nunca recebeu pro labore e nunca assinou documentos, revestindo-se da condição de cliente sem exclusividade (distribuidor dos produtos da Tudor). E que a busca e apreensão em sua residência não logrou êxito de encontrar um único documento das empresas investigadas. O responsável Cézar Augusto Pereira Machado, em que pese utilizar outras palavras, defende basicamente o mesmo que os demais responsáveis. Contudo, alega que o ato administrativo seria nulo, por ausência de motivação e, por isso, requer o reconhecimento daquela nulidade. No mérito, argumenta que não restou comprovada qualquer conduta ilícita por ele praticada, não podendo lhe ser imputada uma responsabilidade com base naqueles dispositivos do CTN. Já a Indústria Tudor MG de Baterias Ltda, também arrolada como responsável, alega, em seu apelo, que não restou caracterizada a existência de grupo econômico, não podendo, Fl. 5452DF CARF MF Fl. 74 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 assim, ser mantida a sua responsabilidade pelo pagamento dos créditos tributários constituídos pela fiscalização. 4.1) DA ATRIBUIÇÃO DAS RESPONSABILIDADES COM BASE NO ARTIGO 124, INCISO I DO CTN. No que tange à imputação de responsabilidade tributária com base no artigo 124, inciso I do CTN, este julgador tem uma visão mais restrita para a aplicação do dispositivo em comento, que tem a seguinte redação: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; A leitura deste dispositivo leva o intérprete à conclusão de que o "interesse comum" está atrelado ao fato gerador da obrigação tributária. Assim, para ser responsável solidária pelos créditos tributários, a pessoa (seja ela física ou jurídica) tem que ter tido participação no fato que constitui a hipótese de incidência tributária. Ou seja, a expressão "interesse comum" se dirige às pessoas que, de alguma forma, participaram do fato (critério material) descrito no antecedente da regra matriz. O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento fixado neste sentido, como se observa do julgado, cuja ementa segue citada abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. SUJEIÇÃO PASSIVA. ARRENDAMENTO MERCANTIL. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. VERIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. "'Na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que por si só, não tem o condão de provocar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas' (HARADA, Kiyoshi. 'Responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador')" (AgRg no Ag 1.055.860/RS, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 17.2.2009, DJe 26.3.2009). 2. "Para se concluir sobre a alegada solidariedade entre o banco e a empresa de arrendamento para fins de tributação do ISS, seria necessária a reapreciação do contexto fático-probatório, providência inadmissível em sede de recurso especial, consoante a Súmula 7/STJ" (AgRg no AREsp 94.238/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 16/10/2012). No mesmo sentido: AgRg no Ag 1.415.293/RS, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 21/09/2012. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 603.177/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/03/2015, DJe 27/03/2015) (destacou-se) Assim, na imputação de responsabilidade com base no artigo 124, inciso I do CTN, é dever do agente que promove a autuação comprovar que os eventuais responsáveis, de alguma forma, tenham "interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal". No presente caso, com relação às pessoas físicas elencadas como responsáveis, data venia, a fiscalização não trouxe aos autos, tampouco comprovou, qual seria o “interesse comum” a ensejar aquelas responsabilizações. Assim, de acordo com as premissas acima colocadas, no que tange ao artigo 124, inciso I do CTN, deve ser afastada a responsabilidade dos sócios da Recorrente. Fl. 5453DF CARF MF Fl. 75 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Contudo, o mesmo não pode-se dizer com relação à empresa TUDOR MG. É que, em que pese o argumento em contrário desta Recorrente, entende-se que a fiscalização demonstrou e comprovou que as empresas – Tudor SP e Tudor MG – praticavam em conjunto os fatos geradores que deram origem ao nascimento da obrigação tributária, sendo autorizado, portanto, a imputação da responsabilidade tributária com base no artigo 124, inciso I do CTN. O que se depreende do conjunto probatório acostado aos autos, é de que as empresas atuavam sob a mesma direção, agindo sempre em conjunto, mantendo, inclusive, conta bancária, que era movimentada por ambas, apesar de a Tudor MG ser a titular perante a instituição financeira. Ademais, restou demonstrado pela fiscalização, que uma das formas de omissão de receitas, “era proveniente de vendas subfaturadas realizadas entre a Tudor MG e a Tudor SP; vendas estas excluídas do faturamento declarado pelas mesmas”. Por tudo até aqui exposto, DÁ-SE PROVIMENTO PARCIAL aos Recursos Voluntários apresentados pelas pessoas físicas, para afastar a responsabilidade destas com base no artigo 124, inciso I do CTN, e NEGA-SE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado pela empresa Indústria Tudor MG de Baterias Ltda. 4.1) DA ATRIBUIÇÃO DAS RESPONSABILIDADES COM BASE NO ARTIGO 135, INCISO III DO CTN. Aqui, deve-se pontuar que, pela leitura dos artigos do Código Tributário Nacional, a sujeição passiva (um dos critérios que compõe a Regra Matriz de Incidência Tributária) pode ser divida entre o contribuinte e o responsável. Neste sentido, é a redação do artigo 121 do CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. No caso do representante da sociedade, dentre eles os sócios-gerentes e adminsitradores, a responsabilidade pessoal pelo pagamento do crédito tributário se dará quando houver atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Esta é a inteligência do artigo 135, inciso III do CTN. Confira-se: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Como mencionado acima, este julgador tem convicção de que, quando o dispositivo legal fala em responsabilidade "pessoal" do agente, uma vez identificadas alguma das condutas elencadas no citado dispositivo, a responsabilidade pelo pagamento do tributo passa a ser apenas daquele agente, excluindo-se a responsabilidade da pessoa jurídica contribuinte, que, em última análise, é lesada pela conduta dolosa de quem a representa. Fl. 5454DF CARF MF Fl. 76 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Assim, não estaria correto em se falar em responsabilidade solidária, nem subsidiária e, sim, em responsabilidade pessoal, como a interpretação, não só literal, mas sistemática do ordenamento jurídico impõe. Independentemente dessa posição, que, diga-se, não prevalece nas decisões do Poder Judiciário e no âmbito do CARF (Súmula nº 130), no presente caso, entende-se que a fiscalização não conseguiu provar quais as condutas praticadas pela maioria sócios, que pudessem autorizar a responsabilização destes pelo pagamento dos créditos tributários. Explica-se. Quando se analisa o Termo de Verificação Fiscal e, especialmente o Relatório Fiscal, que foram, a princípio, suficientemente explorados no presente voto, o que se pode perceber é que as únicas condutas ilícitas, individualizadas e caracterizadas pela fiscalização, foram com relação aos sócios José Carlos Caminha, José Ricardo Miranda e Dalilo Bilches Medinas. De fato, com relação ao sócio José Carlos Caminha, a fiscalização demonstrou que as planilhas com os controles paralelos da contabilidade estavam em seu poder, além de ter transcritos diversas interceptações telefônicas, em que ficaram caracterizadas as condutas ilícitas praticadas pessoalmente por ele, com o fim de ocultar o nascimento da obrigação tributária. Não se pode perder de vista, inclusive, que naquelas escutas telefônicas ele era apontado pelos funcionários como a pessoa que dava o direcionamento de como a contabilidade deveria ser mascarada. Veja-se, neste sentido, o que constou do Relatório Fiscal: A interceptação da conversa telefônica entre os contadores das duas indústrias, Anderson (SP) e Vagno (MG), demonstra bem tal situação, na qual os balanços de ambas eram “maquiados”, de acordo com as ordens do “TIO”, que, conforme informação da Polícia Federal, parece ser o sócio José Carlos Caminha: Já com relação ao sócio José Ricardo Miranda, a fiscalização demonstrou as condutas por ele praticadas, em especial, quando restou afirmado por um dos denunciantes, ex- funcionário das entidades, para que ele abrisse, em seu nome, um dos depósitos de distribuição. Este fato ficou bem demonstrado pelo acórdão recorrido. Veja-se: O sócio administrador José Ricardo Miranda teria solicitado ao exfuncionário da Tudor MG, Antonio Francisco Xavier Filho, então chefe do Setor Financeiro, que "emprestasse" seu nome para constituição do depósito controlado Tudor Capital, conforme confissão deste último no termo de reinquirição nos autos do IPL, onde referido ex-funcionário Por fim, no que tange ao sócio Dalilo Bilches Medinas, a fiscalização demonstrou que este sócio que dava orientações e comandava dos depósitos de distribuição. Mais uma vez se vale do que restou demonstrado no acórdão da Turma Julgadora a quo. Confira-se: O sócio administrador Dalilo Bilches Medinas, por sua vez, conforme demonstrado acima, de acordo com as receptações autorizadas, teria determinado às empresas vinculadas ao Grupo Tudor orientações gerenciais de subordinação visando coibir inconsistências nas informações a serem prestadas à RFB pelos respectivos gerentes (sócios), a fim de não gerar reflexos indesejados nos depósitos controlados. Assim, entende-se que, com relação aos sócios José Carlos Caminha, José Ricardo Miranda e Dalilo Bilches Medinas houve a devida motivação no lançamento para imputação da responsabilidade com base no artigo 135, inciso III do CTN. Fl. 5455DF CARF MF Fl. 77 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Contudo, com relação aos demais sócios, com toda venia, a fiscalização, no trabalho minucioso que fez, deixou de apontar as condutas por eles praticadas, o que torna imperioso o afastamento da responsabilidade tributária com base no já mencionado artigo 135, inciso III do CTN. Há de se ressaltar que não se concorda com o acórdão recorrido, quando afirma que a responsabilidade dos demais sócios estaria suficientemente caracterizada, uma vez que alguns deles “constam da ficha cadastral” da conta junto ao Bradesco, “mantida à margem de escrituração”. É que entende-se que o fato de constar na ficha cadastral é bem diferente de movimentar a conta. Neste caso, deveria, a fiscalização, ter apontado em que medida os demais sócios contribuíram com a prática dos ilícitos apurados. Contudo, isso não consta do trabalho da fiscalização ora em análise. Desta feita, vota-se POR DAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntário dos responsáveis Milton José Tessari; Itamar Crivelli; Péricles José Ramos Mendes; Sérgio Luis Fioravante; Edson David Marques da Silva e Cezar Augusto Pereira Machado, para afastar também a imputação de responsabilidade com base no artigo 135, III do CTN. Por outro lado, vota-se POR NEGAR PROVIMENTO PARCIAL aos Recursos Voluntário dos responsáveis José Ricardo de Miranda; Dalilo Bilches Medinas e José Carlos Caminha, mantendo a imputação de responsabilidade com base no artigo 135, III do CTN. 5) CONCLUSÃO. Por todo exposto, no presente caso, vota-se no sentido de: Quantos às PRELIMINARES; - REJEITAR as preliminares de nulidade do acórdão proferido pela DRJ de Ribeirão Preto. - REJEITAR as preliminares de nulidade da autuação. No MÉRITO; - NEGAR PROVIMENTO integral ao Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente; - NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado pela empresa Tudor MG, mantendo a imputação de responsabilidade com base no artigo 124, inciso I do CTN; - DAR PROVIMENTO ao recurso dos responsáveis Milton José Tessari; Itamar Crivelli; Péricles José Ramos Mendes; Sérgio Luis Fioravante; Edson David Marques da Silva e Cezar Augusto Pereira Machado. - DAR PROVIMENTO PARCIAL aos recursos dos responsáveis José Ricardo de Miranda; Dalilo Bilches Medinas e José Carlos Caminha, para afastar a imputação com base no art. 124, inc. I do CTN, mantendo a imputação de responsabilidade com base no artigo 135, inciso III do CTN. É como voto! (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 5456DF CARF MF Fl. 78 do Acórdão n.º 1302-004.096 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.721565/2017-31 Fl. 5457DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.002217/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE IRRF SOBRE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO (JCP) COM DÉBITO DESTA MESMA NATUREZA. LIMITE TEMPORAL PARA SOLICITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. FLEXIBILIZAÇÃO.
O limite temporal para se compensar crédito de IRRF sobre JCP com débitos desta mesma natureza é o período de apuração do Lucro Real a que se refere o crédito. Tal limite decorre de uma exegese do texto legal, cujo sentido, por não ser evidente, necessitou de edição de Instrução Normativa que aclarasse a sua existência. O caso dos autos trata de situação anterior à referida Instrução Normativa em que a recorrente excedeu este limite em cerca de uma semana. Assim, flexibiliza-se, em caráter absolutamente excepcional para o caso concreto, tal limite, em respeito à confiança legítima e à vedação de enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública.
Numero da decisão: 1201-003.291
Decisão:
Vistos, discutidos e relatados os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento, reconhecendo o direito creditório pleiteado pela Recorrente no valor principal de R$ 40.641,29. Vencidos os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Efigênio de Freitas Junior e Lizandro Rodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
Allan Marcel Warwar Teixeira Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ALLAN MARCEL WARWAR TEIXEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE IRRF SOBRE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO (JCP) COM DÉBITO DESTA MESMA NATUREZA. LIMITE TEMPORAL PARA SOLICITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. FLEXIBILIZAÇÃO. O limite temporal para se compensar crédito de IRRF sobre JCP com débitos desta mesma natureza é o período de apuração do Lucro Real a que se refere o crédito. Tal limite decorre de uma exegese do texto legal, cujo sentido, por não ser evidente, necessitou de edição de Instrução Normativa que aclarasse a sua existência. O caso dos autos trata de situação anterior à referida Instrução Normativa em que a recorrente excedeu este limite em cerca de uma semana. Assim, flexibiliza-se, em caráter absolutamente excepcional para o caso concreto, tal limite, em respeito à confiança legítima e à vedação de enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 13005.002217/2008-11
anomes_publicacao_s : 202001
conteudo_id_s : 6117665
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 1201-003.291
nome_arquivo_s : Decisao_13005002217200811.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : ALLAN MARCEL WARWAR TEIXEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13005002217200811_6117665.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, discutidos e relatados os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento, reconhecendo o direito creditório pleiteado pela Recorrente no valor principal de R$ 40.641,29. Vencidos os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Efigênio de Freitas Junior e Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
id : 8039137
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052651210407936
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-13T16:09:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-13T16:09:20Z; Last-Modified: 2019-12-13T16:09:20Z; dcterms:modified: 2019-12-13T16:09:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-13T16:09:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-13T16:09:20Z; meta:save-date: 2019-12-13T16:09:20Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-13T16:09:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-13T16:09:20Z; created: 2019-12-13T16:09:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-12-13T16:09:20Z; pdf:charsPerPage: 2006; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-13T16:09:20Z | Conteúdo => S1-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13005.002217/2008-11 Recurso Voluntário Acórdão nº 1201-003.291 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2019 Recorrente HOELZEL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE IRRF SOBRE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO (JCP) COM DÉBITO DESTA MESMA NATUREZA. LIMITE TEMPORAL PARA SOLICITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. FLEXIBILIZAÇÃO. O limite temporal para se compensar crédito de IRRF sobre JCP com débitos desta mesma natureza é o período de apuração do Lucro Real a que se refere o crédito. Tal limite decorre de uma exegese do texto legal, cujo sentido, por não ser evidente, necessitou de edição de Instrução Normativa que aclarasse a sua existência. O caso dos autos trata de situação anterior à referida Instrução Normativa em que a recorrente excedeu este limite em cerca de uma semana. Assim, flexibiliza-se, em caráter absolutamente excepcional para o caso concreto, tal limite, em respeito à confiança legítima e à vedação de enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública. Vistos, discutidos e relatados os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento, reconhecendo o direito creditório pleiteado pela Recorrente no valor principal de R$ 40.641,29. Vencidos os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Efigênio de Freitas Junior e Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 22 17 /2 00 8- 11 Fl. 96DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.291 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13005.002217/2008-11 Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Trata o presente de pedido de compensação por pagamento indevido ou a maior de IRRF de juros sobre capital próprio transmitido em 07.01.2004. No mais, adoto relatório da DRJ por bem descrever a controvérsia: O motivo do não reconhecimento do crédito, correspondente a IRRF sobre juros sobre capital próprio recebidos em dezembro de 2003, foi que a compensação pleiteada se refere a débito de IRRF do mês de janeiro, quando já encerrado o período de apuração do IRPJ do ano-calendário de 2003. Nesse caso, o IRRF se constituía em antecipação do devido ao final do período de apuração, conforme disposto no art. 9°, § 3°, I, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. O contribuinte manifesta o seu inconformismo alegando que a Lei n° 9.430, de 1996, em nenhum de seus dispositivos impõe ao contribuinte a obrigação de compensar os créditos de IRRF sobre os juros sobre o Capital Próprio no mesmo exercício. Essa condição decorre de simples atos normativos, que ultrapassaram seus limites legais, não lhes competindo, pois, superar os comandos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Alega que a Lei n° 9.249, de 1995, concede o direito de compensar créditos com débitos de tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, descabendo à norma de hierarquia inferior - no caso, a Instrução Normativa – estabelecer regras restritivas a esse procedimento, não previstas na referida Lei. Diz que a Lei n°s 9.249, de 1995, e o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, alterado pelas Leis n°s 10.637, de 2002, 10.833, de 2003, e 11.051, de 2004, não condicionam que a compensação seja efetuada no mesmo exercício em que houver a retenção. Por fim, diz que a decisão combatida não deve prosperar, pois não possui amparo legal. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela autoridade julgadora a quo em acórdão assim ementado: Assumo: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano- calendário: 2003 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. IRRF. COMPENSAÇÃO A pessoa jurídica optante pela tributação da renda com base no lucro real pode compensar o imposto de renda retido na fonte, incidente sobre os valores recebidos a título de juros sobre capital próprio, com o imposto de renda a ser retido sobre os valores pagos por ela sob o mesmo título, desde que a compensação seja formalizada no mesmo período de apuração. Fl. 97DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.291 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13005.002217/2008-11 Assim, por se referir a compensação de crédito de IRRF de juros sobre capital próprio referente ao mês de dezembro de 2003 com débito desta mesma natureza referente a janeiro de 2004 – portanto, fora do período de apuração do crédito – foi confirmada pela DRJ a não homologação da compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira, Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão por que dele conheço. Mérito Questiona a Recorrente a legalidade da limitação de ordem temporal aplicada pelas instâncias anteriores a qual resultou na não homologação da compensação de crédito de IRRF de juros sobre capital próprio (JSCP) no valor de R$ 40.641,29 com débito da mesma natureza e valor referente ao início do exercício seguinte. A limitação de ordem temporal tem previsão expressa no art. 32 da IN SRF nº 460 de outubro de 2004: Art. 32. A pessoa jurídica optante pelo lucro real no trimestre ou ano-calendário em que lhe foram pagos ou creditados juros sobre o capital próprio com retenção de imposto de renda poderá, durante o trimestre ou ano-calendário da retenção, utilizar referido crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na compensação do IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pela pessoa jurídica na forma prevista no § 1º do art. 26. § 2º O crédito de IRRF a que se refere o caput que não for utilizado, durante o período de apuração em que houve a retenção, na compensação de débitos de IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio, será deduzido do IRPJ devido pela pessoa jurídica ao final do período ou, se for o caso, comporá o saldo negativo do IRPJ do trimestre ou ano-calendário em que a retenção foi efetuada. Fl. 98DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.291 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13005.002217/2008-11 § 3º Não é passível de restituição o crédito de IRRF mencionado no caput. O dispositivo legal que regula a matéria se encontra na redação original do art. 9º da Lei 9.249/95, caput e parágrafos 1º a 6º: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I - antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II - tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do Decreto-Lei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. Como se observa, a determinação legal é no sentido de que tais valores sejam considerados antecipação do devido na declaração de rendimentos no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no Lucro Real. Ao assim dispor, a lei acabou por circunscrever o aproveitamento deste crédito ao próprio período de apuração do Lucro Real. Não fosse desta forma, a faculdade prevista no §6º esvaziaria por completo o comando do §3º, ao se possibilitar, por exemplo, “guardar” o crédito de IRRF de JSCP para compensar com débitos desta natureza em até 5 (cinco) exercícios seguintes em que não se apurasse lucro. A observância à limitação temporal na faculdade de se compensar crédito de IRRF sobre JSCP com débitos da mesma natureza é também confirmada em julgados do CARF: Fl. 99DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-003.291 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13005.002217/2008-11 Numero do processo: 11080.724511/2010-74 Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS Câmara: 2ª SEÇÃO Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 BRT 2012 Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 IRRF INCIDENTE SOBRE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. COMPENSAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real pode optar por compensar o Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre verbas recebidas a título de juros sobre o capital próprio com o imposto de renda por ela retido sobre verbas pagas sob o mesmo título a seu titular, sócio ou acionista, devendo a opção ser feita até o final do seu período de apuração. O saldo não compensado deverá ser deduzido do IRPJ devido pela pessoa jurídica ao final do período em que a retenção foi efetuada ou, se for o caso, comporá o saldo negativo do IRPJ. (...) Numero da decisão: 2202-001.664 Numero do processo: 16098.000094/2007-08 Turma: Sexta Câmara Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 BRT 2012 Data da publicação: Wed Sep 05 00:00:00 BRT 2012 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2004 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DURANTE O ANO-CALENDÁRIO. LIMITE TEMPORAL PARA SOLICITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A pessoa jurídica optante pelo lucro real no trimestre ou ano-calendário em que lhe foram pagos ou creditados juros sobre o capital próprio com retenção de imposto de renda poderá, durante o trimestre ou ano-calendário da retenção, utilizar referido crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na compensação do IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. Sendo que o limite temporal para a solicitação da compensação é até o último dia previsto para o recolhimento do imposto relativo aquele ano-calendário. Assim, tendo o IRRF sido retido no dia 28/12/2004 e este imposto poderia ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à ocorrência do fato gerador, o prazo para a interposição do pedido de compensação foi até 05/01/2005. Numero da decisão: 2202-001.970 Por outro lado, à época dos fatos, não vigora ainda o disposto na IN SRF nº 460 de outubro de 2004 que pudesse deixar claro para os contribuintes a existência desta limitação de ordem temporal, a qual, embora decorresse de lei, requereria considerável esforço interpretativo para ser evidenciada. Observe-se ainda que o crédito em questão diz respeito a dezembro de 2003 e o débito, à primeira semana de janeiro de 2004. Portanto, embora fora do período de apuração, Fl. 100DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-003.291 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13005.002217/2008-11 trata-se de débito imediatamente subsequente à data-limite, separado por questão de poucos dias. Além disso, a Perdcomp também foi transmitida nesta mesma primeira semana de 2004. Assim, por não haver ainda previsão em Instrução Normativa que pudesse ter aclarado a existência desta limitação de ordem temporal à época da transmissão da declaração, e por se tratar também de compensação declarada logo na primeira semana seguinte ao exercício em questão, entendo que, em caráter excepcional, deve ser reconhecida a faculdade de aproveitamento do crédito na forma como endereçada pela Recorrente, em respeito à confiança legítima e à vedação ao enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento, reconhecendo o direito creditório pleiteado pela Recorrente no valor principal de R$ 40.641,29. É como voto. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira – Relator Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
