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Numero do processo: 10835.901967/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
Numero da decisão: 1302-002.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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IRPJ. ATIVIDADE HOSPITALAR. Recorrente LABORATÓRIO DE ANATOMIA PATOLÓGICA E CITOPATOLOGIA S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 19 67 /2 00 9- 98 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10835.901967/200998 Acórdão n.º 1302002.611 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso apresentado em relação ao Acórdão nº 1432.275, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional." O sujeito passivo apresentou o Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DComp) nº 21940.27632.150306.1.3.045428, por meio do qual compensa suposto crédito de sua titularidade, referente a pagamento indevido ou a maior a título de IRPJ, período de apuração de novembro de 2002, com débito(s) relativo(s) à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e à Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS/Pasep), período de apuração de fevereiro de 2006. Por meio do Despacho Decisório a citada compensação não foi homologada, por inexistência do alegado crédito. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo se limita a alegar a existência do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) que embasaria o crédito compensado via PER/Dcomp. O Acórdão recorrido entendeu que não foram comprovadas a liquidez e certeza necessárias para haver o reconhecimento do direito creditório. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual sustenta que: a) o motivo da compensação pelo contribuinte é o desenvolvimento de atividade hospitalar; b) o Fisco, ao homologar várias compensações promovidas sob os mesmos fundamentos, reconheceu o direito da Recorrente à aplicação da alíquota de 8% incidente sobre a receita bruta na apuração do IRPJ sobre o lucro Presumido; Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10835.901967/200998 Acórdão n.º 1302002.611 S1C3T2 Fl. 4 3 c) a Recorrente está cadastrada sob a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) 8640202 "Laboratórios clínicos"; d) tal atividade corresponde à designada na atribuição 4, mencionada no art. 27, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 539, de 25 de abril de 2005, que, por sua vez, reportase à Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), parte II, subitem 2.1, atribuição 4, tópico 4.4, "Anatomia patológica e citopatologia"; e) à luz dos documentos apresentados, a Recorrente atende à legislação relativa à definição de "serviços hospitalares"; f) o Acórdão recorrido "contraria as conclusões de procedimento fiscal realizado pela própria Receita Federal (Termo de Verificação Fiscal nº 0810500200700032 2), no qual se reconheceu que a Recorrente atende às exigências legais e regulamentares concernentes à referida condição e, portanto, faz jus ao percentual diferenciado para apuração do lucro presumido na prestação de seus serviços"; g) a exigência do Fisco de exigir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atender casos de internação de pacientes é ilegal e inconstitucional; h) eventuais dúvidas foram dissipadas com a edição de Instruções Normativas, da Solução de Divergência nº 11, de 21 de julho de 2003, e do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, que considerou "serviços hospitalares" aqueles prestados por pessoas jurídicas diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução, dentre outras atividades, da relativa à anatomia patológica; i) igualmente, considerarseia serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias, cujos serviços sejam prestados não apenas pelos sócios, mas provenham de uma atividade empresarial (organização de fatores intelectuais e materiais visando ao lucro); j) apenas nos casos em que a receita provém, unicamente, do trabalho intelectual e pessoa dos sócios, o percentual aplicável será o de 32%; k) as Instruções Normativas que regulamentaram a matéria em comento acabaram por imputar requisitos subjetivos contrários ao art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; l) ainda assim, a estrutura da Recorrente atende a todas as normas acima referidas, conforme citado Termo de Verificação Fiscal; m) o Superior Tribunal de Justiça, por meio do julgamento do REsp nº 1.141.299/SC, consolidou o seu posicionamento no sentido de que os arts. 15, §1º, III, "a", e 20, da Lei nº 9.249, de 1995, explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços prestados, e não no contribuinte que os executa; n) por fim, requer que, para contrapor fatos trazidos na decisão combatida, por ocasião do julgamento do recurso voluntário, sejam requisitadas informações ou cópias do Termo de Verificação Fiscal nº 08105002007000322 / DRF Presidente Prudente (SP). É o Relatório. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10835.901967/200998 Acórdão n.º 1302002.611 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.563, de 22.02.2017, proferido no julgamento do processo nº 10835.901867/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.563): O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 30 de março de 2011 (fl. 23), tendo apresentado recurso em 27 de abril de 2011 (fls. 24 a 56), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por sócioadministrador, com poder de representação, conforme fls. 48 a 55. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Ocorre que o cotejo entre a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo (fl. 11) e o recurso ora tratado permite a constatação de que todas as matérias contidas neste último apelo não foram trazidas naquela primeira peça. Nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão consumativa. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 770.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10835.901967/200998 Acórdão n.º 1302002.611 S1C3T2 Fl. 6 5 A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. Todas as conclusões acima expostas em relação à impugnação são aplicáveis à manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensação, em decorrência do art. 74, §§9º e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. É patente que as matérias e provas trazidas no recurso de fls. 24 a 56 não se encaixam nas exceções acima tratadas, de modo que se torna imperioso o reconhecimento da preclusão do direito do Recorrente em trazêla aos autos neste momento, quando deveriam ter sido alegadas na manifestação de inconformidade. Tratando da preclusão consumativa, Fredie Didier Jr (Curso de Direito .Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." É exatamente o caso dos presentes autos. Se o Recorrente se limitou, em sua Manifestação de Inconformidade, a alegar a existência do Darf que motivou a Declaração de Compensação, sem explicitar minimamente a composição do suposto crédito que ensejou a compensação, não pode, em sede de Recurso ao CARF, inovar completamente os seus argumentos de defesa, para traz matéria que poderia, e deveria, ter sido oposta naquele primeiro recurso. A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo dos recursos, sobre a qual o mesmo autor (Curso de Direito Processual Civil, 13a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3, p. 143) se manifesta nos seguintes termos: "A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum apellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)." Há diversos precedentes, no âmbito de todas as Seções deste Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluem pelo reconhecimento da preclusão consumativa em relação às matérias não apreciadas pelo julgado a quo. Apenas para citar algumas mais recentes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10835.901967/200998 Acórdão n.º 1302002.611 S1C3T2 Fl. 7 6 incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Não se conhece de recurso voluntário que traz exclusivamente argumentos novos, não aventados na manifestação de inconformidade.Recurso Voluntário Não Conhecido." (Acórdão nº 1401002.047 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção, de 16 de agosto de 2017, Relatora Conselheira Lívia de Carli Germano) "ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão." (Acórdão nº 3401004.146 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção, de 24 de outubro de 2017, Relator Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72." (Acórdão nº 9303005.208 3ª Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 20 de junho de 2017, Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello) Isto posto, voto pelo não conhecimento do recurso do sujeito passivo. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10835.901967/200998 Acórdão n.º 1302002.611 S1C3T2 Fl. 8 7 No presente processo a ciência da decisão de primeira instância deuse em 30 de março de 20111, e o recurso voluntário foi apresentado em 27 de abril de 2011. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679883/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 83 /2 00 9- 17 Fl. 118DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação formalizada por meio eletrônico e registrada sob o número 31360.16943.180607.1.3.046389, fl. 02 a 04, com a qual o contribuinte extinguiu, nos termos da legislação, débito com a utilização de suposto indébito tributário decorrente de pagamento efetuado a maior ou indevidamente. Tal documento foi analisado pelo Sistema da Controle de Créditos SCC, tendo sido emitido o Despacho Decisório de fl. 05, por meio do qual o Titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo não homologou a compensação declarada, detalhando os motivos que lastrearam tal decisão que, em apertada síntese, seria a inexistência de saldo disponível do suposto pagamento indevido ou a maior, integralmente utilizado para extinguir débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do Despacho Decisório de não homologação em 05/11/2009, fl. 07, não concordando com seus termos, o contribuinte apresentou, em 03/12/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 08 a 22. Os argumentos da defesa foram estruturados nos seguintes tópicos: Preliminar: do efeito suspensivo da presente manifestação de inconformidade; Pleiteia a atribuição de efeito suspensivo nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. da carência de fundamentação do Despacho Decisório; Sustenta a nulidade do Despacho Decisório por entender que a carência de sua motivação ofende aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa. Mérito: O mero preenchimento incorreto da declaração não gera direito à crédito em favor da fazenda nacional da necessária observância aos princípios da busca pela verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB. Afirma que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que houve tão somente um erro de preenchimento de declaração. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.679883/200917 Acórdão n.º 2201004.316 S2C2T1 Fl. 119 3 Cita precedentes judiciais e administrativos, além de conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Informa já estar levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF que demonstrará a existência do crédito indicado na DCOMP. Por fim, após ratificar os pedidos de atribuição de efeito suspensivo e de reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório, pugna pela conversão do julgamento em diligência para que seja efetivamente examinada sua escrita fiscal para confirmação do seu direito creditório e a consequente homologação da compensação declarada. Posteriormente, o contribuinte apresenta nova petição objetivando complementar sua manifestação de inconformidade, fl. 43 a 46, na qual afirma que detectou recolhimentos superiores aos valores efetivamente devidos a título de IRRF, CIDE e COFINS, nos exercícios de 2004 a 2007, no valor total de R$ 2.735.307,23. Reafirma que, a despeito de efetiva existência do crédito pleiteado, deixou de retificar as DCTF do período em que ocorreu o recolhimento a maior, do que teria surgido a suposta falta de créditos para homologação da compensação declarada e que tal equívoco teria sido sanado com a apresentação de DCTF retificadora (fl. 57/69). Debruçada sobre os termos da manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP consideroua improcedente, nos termos do Acórdão de fl. 71 a 77, cujas conclusões podem ser assim resumidas: (...) Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. (...) A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 03, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. (...) Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. (...) Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP , observase que a contribuinte limitase a declarar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. (...) Fl. 120DF CARF MF 4 Alias a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. (...) Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: Cientificado do Acórdão da DRJ em 26/11/2010, conforme AR de fl. 79, e ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 86 a 102, que, em sua essência, reafirma as alegações já produzidas na impugnação, e que serão detalhadas no curso voto abaixo. É o relatório necessário Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. DA CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO Após resumir os fatos, o recorrente contesta a conclusão do Acórdão recorrido de que a motivação do despacho decisório e os demais elementos do mesmo são suficientemente claros. Afirma que tal ato administrativo é absolutamente carente de fundamentação, do que resulta sua nulidade. Alega que, embora o avanço da tecnologia imponha o tratamento de demandas de forma eletrônica, não se pode admitir que sua agilidade viole direitos expressos na Constituição federal, resultando em prejuízo ao contraditório e à ampla defesa, já que desconhecidas as razões da negativa do crédito pleiteado. Não merecem acolhida as alegações recursais. A análise superficial do Despacho Decisório de fl. 05 não deixa nenhuma dúvida sobre os motivos que levaram à não homologação da compensação declarada. Tal documento indica claramente o número da DCOMP a que se refere, sua data de transmissão, o tipo de crédito pleiteado (pagamento indevido ou a maior), as características do DARF relativo ao suposto recolhimento em excesso, bem assim informa que tal recolhimento teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, indicando código de receita e data do vencimento de tal débito. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.679883/200917 Acórdão n.º 2201004.316 S2C2T1 Fl. 120 5 Diante de tais informações, não há necessidade de nenhuma outra motivação para se concluir pela inexistência de saldo disponível para lastrear a compensação pretendida. Portanto, presentes os elementos necessários ao pleno entendimento das razões que levaram à não homologação da compensação declarada, além de terem sido observados todos os requisitos de validade do ato administrativo, rejeito a preliminar de nulidade arguida. DA VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA ESTRITA LEGALIDADE, DA VERDADE MATERIAL, DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento destas com as informações prestadas via DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos. Afirma que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que não há justificativas válidas para a glosa ora em comento. Aduz que não merece amparo a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do Carf reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte. Cita precedentes administrativos e conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Afirma que a não homologação da compensação ofende ao Principio da Proporcionalidade, que impõe a adequação das medidas restritivas. Destaca que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada. Como é de elementar sabença, no exercício de seu mister, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso ora sob análise, temos que o contribuinte, utilizando de indébito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido, extinguiu débitos de sua responsabilidade, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 122DF CARF MF 6 § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Dentro do lapso temporal legal, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 05, por identificar que o pagamento que lastreava o crédito utilizado na compensação estaria integralmente comprometido com a liquidação de débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Por sua vez, o recorrente reconhece que houve erro nas informações prestadas na DCTF ativa na data análise da DCOMP, tendo apresentado a impugnação alegando que estaria levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF. Como se vê, pelas palavras do próprio recorrente, o crédito utilizado na DCOMP apresentada em junho de 2007 ainda não havia sido levantado na época da manifestação de inconformidade, em 2009. A DCTF retificadora foi apresentada em 02/12/2009, evidentemente após ciência do inteiro teor do Despacho Decisório ora sob análise. Assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Portanto, considerando que, no momento da ulterior homologação do procedimento compensatório, de fato, os valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência, não deixavam dúvidas da inexistência de crédito passível de restituição ou compensação. A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.679883/200917 Acórdão n.º 2201004.316 S2C2T1 Fl. 121 7 compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. Assim, não merece prosperar a alegação da defesa sobre a suposta incapacidade dos sistemas da RFB em cruzar informações. Ora, o sistema foi preciso em suas verificações e as alegações recursais sobre o erro no preenchimento da DCTF apenas corroboram a excelência do trabalho efetuado pelos sistemas da RFB. Afinal, nem mesmo o contribuinte havia apurado a efetiva existência do seu direito creditório quando da apresentação da DCOMP ou da impugnação. Menos procedente ainda é a argumentação recursal de que o contribuinte deveria ter sido instado a apresentar explicações à Fazenda Nacional. Se assim fosse, em particular nestes casos mais simples, do que teria adiantado a construção de um sistema eletrônico para tratamento de demandas dessa natureza, já que um simples cotejo de informações declaradas daria lugar a um lento e manual procedimento fiscal? Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Veja o que preceitua a Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, caso a retificação tivesse ocorrido antes do procedimento de homologação, decerto que caberia ao Fisco buscar elementos que apontassem eventual impropriedade na alteração para menor do débito anteriormente declarado. Contudo, efetuada a retificação em momento posterior àquele em que o Fisco exerce com precisão o seu direito, passa ser do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Ocorre que o contribuinte limitase a contestar a Decisão recorrida afirmando a ocorrência de mero erro de informação e que teria providenciando o levantamento do seu crédito e a retificação da DCTF. Ora, não merece prosperar tais conclusões. Não foi trazida aos autos nenhuma documentação que tenha sido produzida em tal levantamento e que pudesse lastrear a alegação de erro. Por outro lado, a DCTF retificadora, ainda que não haja impedimento para que seja apresentada após a não homologação de uma compensação, por si só não se constituiu em elemento capaz de confirmar a correção dos dados nela inseridos. As manifestações doutrinárias e os precedentes administrativos colacionados no recurso não vinculam a presente análise, sendo certo que tantas outras decisões em sentido oposto poderiam ser citadas, com se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO Fl. 124DF CARF MF 8 A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Quanto à alegação de que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada, bem assim quanto à sugestão para conversão do julgado em diligência, é evidente que não poderia a DRJ suspender o julgamento sobre a procedência de um crédito pleiteado em 2007, quando já deveria ter sido apurada a sua liquidez e certeza, para aguardar o contribuinte a efetuar o levantamento de seu suposto direito. Notase que, mesmo sabendo da necessidade de apresentação de elementos probatórios, do mesmo modo agiu o recorrente ao apresentar seu recurso voluntário, lastreando o suposto direito ao crédito unicamente no erro que teria levado à retificação da DCTF levada a termo após o Despacho Decisório de não homologação, quando já decorridos quase 5 anos do fato gerador que pretende ver alterado. É inegável que, comprovada a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em razão de infração à legislação tributária, ou mesmo negado direito pleiteado pelo contribuinte, pode a Administração, diante do seu dever de auto tutela, reconhecer efeitos de ofício. Contudo, não há nos autos nenhuma evidência da ocorrência de tal erro, que se mostra presente apenas nas alegações do recorrente. Assim, não tendo sido apresentado pelo recorrente elementos que justificassem a conversão do julgamento em diligência ou que comprovassem os supostos erros de fato que levaram à retificação da DCTF em momento posterior à Decisão administrativa, correta a decisão recorrida ao negar a conversão do julgamento em diligência e ao entender improcedente a manifestação de inconformidade. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos Princípios da Estrita Legalidade, da Verdade Material, da Razoabilidade ou da Proporcionalidade. Afinal, todo o procedimento foi efetuado de acordo com os elementos de fato e de direito disponíveis; não foi efetivamente comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Assim, nego provimento ao recurso voluntário neste tema. DO ESCORREITO PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO REALIZADO PELA ORA RECORRENTE Sustenta a defesa que, apresentada a DCTF retificadora, a qual corrigiria equívoco contido na DCTF ativa no momento da análise da compensação declarada, cai por terra qualquer dúvida quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. Afirma que tal equívoco é perfeitamente sanável até mesmo de ofício, já que o fisco que tem livre acesso à escrituração fiscal da recorrente. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.679883/200917 Acórdão n.º 2201004.316 S2C2T1 Fl. 122 9 Por fim, não tendo sido possível apresentar a manifestação de inconformidade com a instrução da documentação acostada ao recurso voluntário, requer sua apreciação. Ao contrário do que quer fazer crer a defesa, mesmo com o recurso voluntário, nenhuma documentação comprobatória do direito pleiteado foi apresentada. Os argumentos em tela foram aqui reproduzidos exclusivamente em respeito ao esforço argumentativo do recorrente, mas não merecem qualquer acolhida, devendo às questões do ônus da prova e do conteúdo probatório contido nos autos serem aplicadas as razões e fundamentos legais citados no item precedente, que adoto com razão de decidir para, da mesma forma, negar provimento ao recurso voluntário no tema em questão. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, nego provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.902362/2008-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO..
A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN).
Numero da decisão: 9303-006.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO.. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1396; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 202 1 201 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13896.902362/200815 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.267 – 3ª Turma Sessão de 26 de janeiro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LASER SYSTEMS SERVIÇOS DE INFORMÁTICA E MICROFILMAGEM LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO.. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 23 62 /2 00 8- 15 Fl. 202DF CARF MF 2 Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contribuinte contra o Acórdão nº 3802001.804, de 22/05/2013, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS, ASSIM COMO COM BASE EM CUSTOS E DESPESAS LEGALMENTE AUTORIZADOS. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não cumulativa do PIS/Pasep, a Lei no 10.637 de 2002 autoriza o desconto de créditos calculados com base em bens e serviços utilizados como insumos diretamente relacionados à atividade da empresa, bem como apurados a partir de custos e despesas passíveis de creditamento/desconto da contribuição, desde que satisfeitas as condições legais impostas pela norma em evidência. Realidade em que a documentação acostada aos autos alicerçou o reconhecimento apenas em parte do direito de crédito relativo aos custos e despesas tipificados nas hipóteses legais autorizativas do desconto, notadamente prescritas nos incisos II, IV, V, VI e IX do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, bem como no artigo 3o, § 1o, inciso III da mesma Lei, e ainda, no inciso IX do artigo 3o, combinado com o artigo 15 da Lei no 10.833/2003. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o provimento parcial do recurso voluntário, em que pese a retificação da DCTF retificadora somente após a prolação do despacho decisório. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 105 17.143 e 1202000.532. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 193/196. Intimada, a contribuinte não apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13896.902362/200815 Acórdão n.º 9303006.267 CSRFT3 Fl. 203 3 Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Conforme assentado no exame de sua admissibilidade, enquanto o acórdão recorrido admitiu a possibilidade de comprovação do direito creditório em momento posterior ao despacho decisório, os paradigmas adotaram entendimento diverso. A divergência, portanto, é manifesta. E, a nosso juízo, deve ser solucionada em desfavor da tese encartada no recurso especial. Em casos semelhantes, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impediria o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. E, segundo o acórdão recorrido, é como procedeu a contribuinte, conforme registrado nos seguintes parágrafos do seu voto condutor: Para comprovar o direito creditório reclamado a recorrente acosta aos autos planilha de apuração do crédito (fls. 45), cujos valores inerentes à contribuição sobre a receita bruta (aplicação da alíquota de 1,65 %) (R$ 4.215,24), crédito a descontar segundo regime da não cumulatividade (R$ 2.164,97) e PIS efetivamente devido (R$ 2.050,27) correspondem aos montantes declarados na DACON retificadora (fls. 46/55) e na DCTF retificadora (56/79) do período (quarto trimestre de 2003). Tais declarações, decerto, por terem sido apresentadas somente depois do indeferimento da compensação vislumbrada, deverão vir acompanhadas de documentos que alicercem as informações ali consignadas. Nesse sentido, a recorrente apresenta cópias de notas fiscais, cupons e recibos de bens e de serviços considerados como insumos, faturas de energia elétrica, de locação de equipamentos, extratos bancários (juros passivos), demonstrativos de depreciações e de amortizações, etc., os quais Fl. 204DF CARF MF 4 foram utilizados como base para apuração dos descontos segundo o regime não cumulativo (ver fls. 84 e ss.). Ante o exposto, e sem maiores delongas, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722888/2013-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO
Acolhem-se os embargos declaratórios para o erro material apontado quanto à base de cálculo tributável.
Numero da decisão: 2401-005.301
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para sanar o erro material apontado, passando a base cálculo tributável ao montante de R$ 44.273.741,12.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para sanar o erro material apontado, passando a base cálculo tributável ao montante de R$ 44.273.741,12. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
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OMISSÃO Acolhemse os embargos declaratórios para o erro material apontado quanto à base de cálculo tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 28 88 /2 01 3- 96 Fl. 11338DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para sanar o erro material apontado, passando a base cálculo tributável ao montante de R$ 44.273.741,12. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 11339DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401005.301 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas em São Paulo/SP, em face de decisão prolatada no Acórdão nº 2401004.565 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em sessão do dia 20 de janeiro de 2017 (fls. 11.235/11.267), que possui a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS A RFB. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001. ART. 145, §1º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. REPETITIVO STJ REsp 1134665/SP. PROCEDIMENTO FISCAL. REGIMENTO INTERNO DO CARF RICARF. A Constituição Federal facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva. O § 3°, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos. Conforme disposto no art. 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015: as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311, de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.174, de 2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 11340DF CARF MF 4 Exercício: 2009 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O deferimento do pedido de realização de perícia depende do livre convencimento da autoridade preparadora/julgadora, sendo que o seu indeferimento não implica nulidade da decisão, sobretudo quando os autos demonstram a sua prescindibilidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ART. 42 LEI 9.430, DE 1996. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF N° 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DO MESMO TITULAR. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO. Quando resta demonstrado que há valores que representam transferência entre contas correntes do mesmo titular, sobretudo quando o Contribuinte utilizase de contas correntes para administrar separadamente seus negócios, esses valores devem ser excluídos do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXCLUSÃO DE VALORES JÁ DECLARADOS. Os rendimentos recebidos de pessoas físicas e devidamente declarados pelo Contribuinte em sua declaração de ajuste tempestiva, devem ser excluídos do montante lançado a título de omissão de rendimentos pela não comprovação da origem dos depósitos bancários. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Fl. 11341DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401005.301 S2C4T1 Fl. 4 5 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Os Embargos de Declaração interpostos pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas em São Paulo/SP DERPF/SP (fls. 11.316/11.320), recebidos como Embargos Inominados, aponta erro material na decisão embargada quanto ao valor da autuação no mês de novembro de 2008, bem como por não ter o Acórdão considerado o valor exonerado pela DRJ/SDR. Em despacho do dia 14 de junho de 2017 (fls. 11.324/11.327), os Embargos foram admitidos, para que seja analisada a questão dos valores a serem excluídos da base de cálculo do imposto. O processo foi redistribuído a esta relatoria para inclusão em pauta e julgamento, tendo em vista que o Relator originário não mais compõe o Colegiado (despacho de fl. 11.328). É o relatório Fl. 11342DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade Conheço dos embargos inominados, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Mérito Alega o Embargante inexatidão material quanto aos valores apontados no Acórdão embargado, tendo em vista que: (i) no Quadro II, na coluna “Dep não comprov no AI” o valor mencionado em novembro é superior em R$ 1.000,00 (R$ 29.514.325,74) ao descrito no auto de infração (R$ 29.513.325,74); (ii) Tanto no Quadro II, quanto no Quadro III não foi considerado o valor exonerado na DRJ (R$ 1.232.806,72), assim, o valor da “Base de cálculo após este recurso” deveria ser R$ 44.273.741,12 (R$ 45.507.547,84 – R$ 1.232.806,72 – 1.000,00). Realmente assiste razão ao embargante. A DRJ excluiu da base de cálculo o montante de R$ 1.232.806,72, conforme se constata do trecho a decisão (fl. 11.174) abaixo transcrita: Foi possível confirmar apenas a origem do depósito correspondente aos rendimentos declarados pelo contribuinte como recebidos do Banco Ouroinvest, no valor de R$ 1.700.000,00 (IRFonte 466.859,00, previdência R$ 334,28). A DIRF da fonte pagadora informa que o pagamento ocorreu em outubro de 2010, a título de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício. O depósito do valor líquido (R$ 1.232,806,72) foi efetuado em 07/10/2008 no Banco Bradesco, como se pode verificar na planilha fls. 3967. Este depósito deve ser excluído, pois os rendimentos já foram declarados pelo contribuinte. Ocorre que referido valor exonerado pela Delegacia de Julgamento não foi considerado no Acórdão embargado, o que configura inexatidão material no julgado. Da mesma forma, ressai verificado o erro material quando o valor mencionado em novembro constante no Quadro II, na coluna “Dep não comprov no AI” (fl. 11.265) é de R$ 29.514.325,74, diferente do descrito no auto de infração no importe de R$ 29.513.325,74. Fl. 11343DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401005.301 S2C4T1 Fl. 5 7 Diante do exposto, deve ser sanado o erro material para excluir do montante da base de cálculo o valor exonerado na DRJ (R$ 1.232.806,72), e o valor de R$ 1.000,00 incluído a maior no mês de novembro/2008. Assim, a Base de cálculo tributável, após este recurso, a ser considerada deve ser de R$ 44.273.741,12 (R$ 45.507.547,84 – R$ 1.232.806,72 – 1.000,00). Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios, para DARLHES PROVIMENTO sanando o erro material apontado. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 11344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.001101/00-31
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2004
Ementa: FINSOCIAL RESTITUIÇÃO
INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS – Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte – Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomia.
DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – Sua não ocorrência ao caso face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN. Não aplicação também do Decreto nº 92.698/86 e Decreto-lei nº 2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória nº 1.110/95 e suas reedições, especificamente a MP. nº 1.621-36, de 10/06/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18, § 2º, culminando na Lei nº 10.522/02, do art.77 da Lei nº 9.430/96, do Decreto nº 2.194/97 e da IN SRF nº 31/97, do Decreto nº 20.910/32, art. 1º, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos e das teses doutrinárias predominantes.
COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES – Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos órgãos subordinados compete aos Conselhos de Contribuintes a aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei nº 8.429/92, art. 4º e Lei nº 9.784/99, art. 2º, caput e parágrafo único).
ANÁLISE DO MÉRITO – Afastada a preliminar de ocorrência da decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de cálculo, etc.
Numero da decisão: 301-31.008
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência, e devolver o processo à DRJ para julgamento do mérito, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Jose Lence Carluci
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ementa_s : FINSOCIAL RESTITUIÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS – Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte – Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomia. DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – Sua não ocorrência ao caso face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN. Não aplicação também do Decreto nº 92.698/86 e Decreto-lei nº 2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória nº 1.110/95 e suas reedições, especificamente a MP. nº 1.621-36, de 10/06/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18, § 2º, culminando na Lei nº 10.522/02, do art.77 da Lei nº 9.430/96, do Decreto nº 2.194/97 e da IN SRF nº 31/97, do Decreto nº 20.910/32, art. 1º, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos e das teses doutrinárias predominantes. COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES – Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos órgãos subordinados compete aos Conselhos de Contribuintes a aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei nº 8.429/92, art. 4º e Lei nº 9.784/99, art. 2º, caput e parágrafo único). ANÁLISE DO MÉRITO – Afastada a preliminar de ocorrência da decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de cálculo, etc.
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DRJ/CURITIBAlPR FINSOCIAL RESTITUIÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS - Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa ,em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte ,b contribuinte - Extensão do,s efeitos pela aplicação do princípio da Isonomia. DECADÊNCIA DO' DIREITO À, . RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - Su~ não ocorrência ao caso face a não aplicação da norma expressa~o art. 168 do CTN. Não aplicação também do Decreto n° 92.698/86 e Decreto-lei n° 2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário" d'a Medida Provisória nO 1.110/95 e suas reedições, especificament~ a MP. nO",1.621-36, de 10/06/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18, 92°, culminàndo na Lei nO 10.522/02, do art.77 da Lei n° 9.430/96, do Decreto n02.194/97 e da IN SRF n° 31/97, do Decreto n° 20.910/32, art. 1°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos e das teses doutrinárias predominantes. COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES - Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Gerai da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos órgãos subordinados compete aos Conselhos de Contribuintes a aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudênciã e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei n° 8.429/92, art. 4° e Lei n° 9.784/99, art. 2°, caput e parágrafô único). ANÁLISE DO MÉRITO - Afastada à preliminar de ocorrência da decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para a análise da matéria:. d.e mérito no tocante aos acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de cálculo, etc. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência, e devolver o processo à DRJ para julgamento do mérito, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 18 de fevereiro de 2004 ~. : DE MEDEIROS Presidente Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, ATALINA RODRIGUES ALVES, JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARI e LUIZ ROBERTO DOMINGO. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional. ,.' • MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 126.647 301-31.008 JOTAN IMPORTADORA DE PRODUTOS MANUFATURADOS LTDA. '. DRJ/CURITIBA/PR JOSÉ LENCE CARLUCI RELATÓRIO Trata o processo de pedido de restituição/compensação de contribuição ao FINSOCIAL, fi. 01, protocolizado pela interessada em 28/04/2000, em relação aos pagamentos a maior relativos ao períodÇ) de 11/1990 a 03/1992 (planilha - fi. 03), excedentes à alíquota de 0,5% (meio por cento), considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), O valor total do pedido importa R$ 100.619, 72 (cem mil, seiscentos e dezenove reais e setenta e dois centavos). 1. A declaração de fi. 22 esclarece' que se trata de pedido originário, que o valor pleiteado ainda não foi compensado e que a matéria não está sendo discutida judicialmente. 2. Os DARFs (Documentos de Arrecadação Fiscal da Receita Federal) relativos ao períodos de 03/1991 a 03/1992 estão às fis. 23/27 (cópias) 3. As cópias das Declarações Imposto de Renda Pessoa Jurídica - DIRPJ relativas aos exercícios 1991 a 1992, períodos-base 01/01/1990 a 31/12/1990 e 01/01/1991 a 31/12/1991, respectivamente, e aos anos-calendário 1992 a 1995, encontram-se às fis. 28/57. 4. Após analisar o pedido a Delegacia da Receita Federal em São Paulo/SP decidiu indeferi-lo (Despàcho Decisório s/n fis. 59/60 de 21/02/2001), cientificando a interessada em 28/03/2001, fis. 61/62, com base nos artigos 165,} e 168, I, ambos da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional - CTN e no Ato Declaratório da Secretaria da Receita Federal - AD SRF n° 96, de 26 de novembro de 1999, por já haver transcorrido o prazo decadencial de cinco anos cont~.do desde a data dos recolhimentos, o último dos quais .'ocorrido em 01/04/1992 (fis. 03 e 27) até a data de sua protocolização, no caso, 28/04/2000 (fi. 01).' 2 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 5. 6. 7. 126.647 301-31.008 Inconformada com a decisão proferida a interessada interpôs, tempestivamente, em 10/0412001, manifestação de inconformidade, fls. 63/65, cujo teor é sintetizado a seguir. Inicialmente, após breve relato dos fatos, afirma' ser distorcida a solução proposta pela Procuradoria - Geral da Fazenda Nacional, constante do Parecer PGFN/CAT nO1.538, de 28 de outubro de 1999, e adotada na decisão. Na seqüência faz remissão ao Ac?rdão do Conselho de Contribuintes n° 108-05.791, public'ado no DOU - Diário Oficial da União de 27/10/1999, e transcreve a respectiva ementa. 8. Prossegue, afirmando que, de acordo'~om.a ementa do aludido acórdão, o pagamento indevido, diante da inconstitucionalidade da lei criadora da contribuição, somente se materializaria com o reconhecimento da impertinência tributária, isto é, em 30/08/1995, data da edição da Medida Provisória 1.110. Conseqüentemente, requer a reforma da decisão. 9. Tendo em vista o disposto na Portaria do Ministério da Fazenda n° 416, de 21 de novembro .de 2000, o processo foi remetido para a Delegacia de Julgamento em Curitiba/PR . A DRJ/Curitiba-PR indeferiu a solicitação 'da contribuinte alegando que "O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior qu~ o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Inconformada com a decisão da' DRJ a contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes no qual reitera os argumentos expressos no pedido anterior e requer: • a reforma da decisão da DRJ/Curit~ba e o provirpento do presente recurso, cancelando o procedimento administrativo adotado pela DRF . . , 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 • a intimação do signatário para apresentar a sustentação oral por ocasião do julgamento do recurso. É o relatório. 4 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 VOTO A matéria aqui tratada é por demais polêmica, haja vista a pletora de normas, decisões judiciais e administrativas e vasta elaboração doutrinária nem sempre convergentes, exigindo uma análise aprofundada sob a ótica global do ordenamento jurídico vigente e num enfoque sistêmico desse mesmo ordenamento. Em última análise, o problema cinge-se em fixar juridicamente o dies a quo da contagem do prazo decadencial, para se pleitear a restituição das quantias pagas a título de tributo considerado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Superada que seja essa questão que coloco em sede de preliminar cabe examinar ou não nesta instância a questão de mérito em face da legislação substantiva e adjetiva específica da restituição/compensação de indébitos tributários à vista da documentação acostada aos autos. Assim colocado o problema, apresentarei nos tópicos a seguir os embasamentos jurídicos que, penso, irão orientar meu convencimento e dar sustentabilidade ao meu voto. I - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS ACERCA DOS ARTS. 165 E 168 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (restituição de tributos) O Anteprojeto do Código Tributário Nacional elaborado pelo professor Rubens Gomes de Souza nos trabalhos da Comissão Especial do CTN dispunha sobre a matéria em seus arts. 201 e 204, da seguinte forma: "Art. 201. Observado o disposto no art. 209, o contribuinte terá direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo pago, seja qual for a sua natureza ou a modalidade do seu pagamento, nos seguintes casos: I. Inconstitucionalidade da legislação tributária çm do ato administrativo em que se tenha fundado a cobrança, declarada por decisão judicial definitiva e passada em julgado, ainda que posterior ao pagamento; 5 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 lI. Cobrança ou pagamento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável e da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; lII. Erro da autoridade administrativa na identificação do contribuinte, no cálculo da alíquota ou da verba, ou na extração ou conferência da guia de pagamento; IV. Cobrança de crédito tributário prescrito; V. Reforma, anulação, revogação ou rescisão administrativa ou judicial condenatória; da decisão... VI. Na hipótese prevista nos arts. 136 e 137, parágrafo único, observado o disposto no art. 209. Art. 204. O direito de pleitear a restituição prescreve. no prazó de cinco anos contados: I. Na hipótese prevista na alínea I do art. 201, da data em que passar em julgado a decisão nela referida; lI. Nas hipóteses previstas nas alíneas lI, III e IV do art. 201, da data da extinção do crédito; lII. Na hipótese prevista na alínea V do art. 201, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial, que tenha reformado, anulado ou rescindido a decisão condenatória; IV. Na hipótese prevista na alínea VI do art. 201, da data da celebração do ato jurídico novo, referido no art. 136." .' Ao caso interessa-nos o inciso I de ambos os artigos. A Comissão analisou o Anteprojeto e; com referência aos artigos acima, apresentou a sugestão 446, a seguir: " 446. (A) Idem. (B) No art. 201, suprimir o inciso I. (Ç) A primeira hipótese de restituição, prevista no Anteprojeto (art. 201, item I), parece assentar no pressuposto de que. a decisão judicial, declaratória da inconstitucionalidade, prevalece não apenas "inter partes", senão também "erga omnes", sendo oponivel à Fazenda por todos os possíveis interessados, ainda que" estranhos à demanda. 6 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 Sim, porque a restituição, postulada por quem tenha sido parte no feito, isto é, por quem haja ingressado em juizo está assegurada no item V, do artigo em referência, de sorte que o ciúldo item I, assegura, positivamente, o direito de todos os contribuintes, por força de uma perigosa generalização dos efeitos da "coisa julgada". O assunto, como se vê, afiora um delicado tema de Direito Constitucional, tão proficientemente versado por juristas da estirpe de Pontes de Miranda, Castro Nunes, Francisco Campos, Lucio Bittencourt e outros. Não nos abalançamos a discutir tão magna questão, reservada ao debate dos mais doutos, sendo nosso propósito, tão-somente, tecer rápidas considerações derredor do assunto, tendo em vista certas conseqüências de ordem prática. Discorrendo sobre o assunto, eis como se manifesta o provecto Lucio Bittencourt: "É justamente por força da "eficácia na,tural" da sentença declaratória da inconstitucionalidade, que esta passa a atuar em relação a "todos", sem distinção, tenham ou não sido partes do processo, atingindo em cheio o ato visado, q\le se torna pela força do decreto judiciário, irrito, insubsistente, inoperante, ineficaz para todos os efeitos. É como se não fosse lei, - .diz Black - não confere direitos; não impõe deveres; não fornece proteção ..,.it confers no rights; it imposes no duties; it affords no protection" (O CONTROLE JURISDICIONAL DA CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS - Edição Revista Forense - 1-949 p. 142), Não nos convencem, data venia, as razões aduzidas .pelo festejado jurista, tanto mais que é o próprio Autor que, linhas atrás, ao falar dos efeitos indiretos da sentença, reconhece não terem os tratadistas americanos, assim como os brasileiros, "conseguido apresentar fundamento técnico, razoavelmente aceitável, para justificar essa extensão", sendo mister, prossegue o Autor, para explicar esse fenômeno de repercussão indireta da sentença - "partir de um conceito de coisa julgada diverso do dominante". As ponderações do insigne Professor, aliadas ao fato de, entre n.ós, incumbir ao Senado Federal "suspender a execução, no todo ou em parte, da lei ou decreto considerados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal" (Constituição Federal, art. 64), bastam a convencer de que os efeitos da "coisa julgada", em matéria de inconstitucionalidade, são os regulares, alcançados apenas os litigantes, reservada que está a outro Poder a incu~bência de, suspendendo a execução da lei fulminada pela Suprema Corte, generalizar os efeitos da decisão decla~~tória da inconstitucionalidade. Este é, com efeito, o mais robusto argumento que se pode opor à perigosa tese da generalização dos. efeitos da coisa julgada, pelo só fato da prolação da sentença, argumento que é tanto mais procedente quanto é certo que, se a simples decisão 7 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 judicial bastasse a invalidar a lei, suspendendo-lhe a execução, redundante ou inútil seria a provisão do art. 64, da Constituição Federal, entendimento que se pode admitir, máxime em se tratando de preceito constitucional, visto como é princípio assente que "verba cum effectu sunt accipienda". Concludente a este respeito, é o raciocínio do Dr. Othon Sidou, o qu~l, em bem elaborada monografia, recentemente dada à estampa, assim se externa: "Entendemos que se o Constituinte adotou (e já em duas Cartas políticas) a expressão "SUSPENDER A EXECUÇÃO", quis deixar expresso que, só a partir de então, o ato que vinha sendo adotado deixaria de o ser. A menos que incidíssemos no contra-senso de admitir que algum ato suspendesse o que já estivesse suspenso". (INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E REPARAÇÃO DE DANO POR MANDADO DE SEGURANÇA Editora "CÂMBIO" - 1953 - p. 45) Acresce que o ato senatorial não é irretratável, definitivo, sabido que, em face de novo pronunciamento do Pretório Excelso, poderá o Senado levantar a suspensão da execução da lei malsinada, que, assim, voltará a figurar no elenco dos diplomas legais sadios, tal como admite o eminente Pontes de Miranda, em seus lúcidos "Comentários à Constituição de 1946" - VoI. II - p. 58. Tal circunstância assaz relevante, é de molde a desaconse1har a adoção do dispositivo do art. 201, item I, o Anteprojeto, tendente a compelir a Fazenda a restituir tributos arrecadados com fundamento em lei acaso declarada inconstitucional, mas que, por força de novo pronunciamento, poderá convalescer. (D) Aprovada (111)." Em resultado da análise do Anteprojeto a Comissão aprovou a Sugestão 446 acima, culminando no texto do Projeto do Código Tributário Nacional cujos artigos correspondentes passaram a ser os números 130 e 134, respectivamente, no seguinte teor: >. "Art. 130. O contribuinte tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de seu pagamento nos seguintes casos: I. Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; lI. Erro na identificação da contribuinte, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do tributo, ou na 8 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; IH. Reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória; IV. Ulterior desaparecimento, modificação ou redução dos resultados efetivos do negócio ou ato jurídico que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal, em conseqüência: a) De nulidade declarada por decisão judicicii definitiva; b) Do inadimplemento de condição suspensiva; c) Do implemento da condição resolutória. Art. 134. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de seis meses quando o pedido se baseie em simples erro de cálculo, ou três anos nos demais casos, contados: I. Nas hipóteses previstas nas alíneas I e H do art. 130, da data da extinção do crédito tributário; ll. Na hipótese prevista na alínea IH do art. 130, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória; ill. Nas hipóteses previstas na alínea IV do artigo 130,da data em que transitar em julgado a sentença anulatória, ou em que se verificar o inadimplemento da condição suspensiva ou o implemento da condição resolutória." Vê-se, então, que pela aprovação da Sugestão 446, a Comissão elaborou o texto definitivo do Projeto, excluindo a hipótese dos incisos I, dos arts. 201 e 204 do Anteprojeto que dispunham sobre a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, declarada por decisão judicial. O Relatório da Comissão esclarece as razões da exclusãQ e aceitação da Sugestão 446, conforme exposto a seguir: . "As hipóteses de restituição enumeradas nàs alíneas I .a IV do art. 130, correspondem às das alíneas I a VI do art. 201 do Anteprojeto, com as seguintes modificações: 9 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 A referência expressa ao tributo inconstitucional (art. 201 nOI) foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela da alínea 11 do mesmo artigo (art. 130 n° I). Ficou, assim, implicitamente atendida a sugestão 446. (grifos. não são do original). Nos arts. 134 e 135, a Comissão modificou o sistema do correspondente art. 204 do Anteprojeto. Este, em concordância com o regime processual que instituía nos Livros VIII e IX, unificava os prazos de caducidade do direito à restituição e.de prescrição da ação correspondente àquele direito. Em conseqüência do destaque da matéria processual (supra: 8), a Comissão restabeleceu o sistema do vigente Decreto n° 20.910 de 1932, fixando, respectivamente nos arts. 134 e 135, o prazo de caducidade do exercício do direito à restituição, e da prescrição da ação destinada a efetivar. aquele direito, quando exercido em tempo hábil. (grifei) No cômputo dos prazos, entretanto, a Comissão, terido em vista a tendência moderna do direito para o encurtamento dos prazos extintivos, consagrou uma duração total de cinco anos, dividindo assim o prazo atualmente previsto no art. 1~ do Decreto n° 20.910 citado, à razão de três anos para a caducidade do direito, e de dois anos para a propositura da ação que o efetive. Distinguiu-se ainda, quanto ao primeiro desses prazos, as hípóteses em que a restituição decorra de simples erro de cálculo, a exemplo do que faz o art. 666 da Consolidação das Leis das Alfândegas (interpretado pelo Decreto nO20.230 de 1931), reduzido porém o prazo, em tais hipóteses, para seis meses, o que é suficiente por se tratar de matéria facilmente apurável." (grifei) o Projeto foi encaminhado ao Congresso Nacional resultando na Lei nO5.172/66, que materializa o Código Tributário Nacional vigente. Como sabemos, a Lei ao ser editada, adentra o mundo jurídico e desvincula-se dos fatos e condições que lhe deram origem, passando a regrar fatos concretos "ex nunc". A "mens legislatori" dá lugar à "mens legis". As considerações acima auxiliam a compreensão do texto da lei posta, cuja interpretação será então conforme os ditames do Direito, no magistério dos sempre festejados mestres Carlos Maximiliano e Alípio Silveira. Dessas considerações acima conclui-se que: 10 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • • 126.647 301-31.008 a Comissão do Código Tributário Nacional reconhece que a referência expressa ao tributo inconstitucional, prevista no art. 201, inciso I, do Anteprojeto foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela do inciso 11 do mesmo artigo, que corresponde ao art. 130, I, do Projeto e ao art. 165, I do Código Tributário Nacional; inseriu no Código Tributário Nacional o sistema do vigente Decreto nO 20.910/32, fixando o prazo de 5 anos, quando exercido em tempo hábil; o tempo hábil para o exercício desse direito começa a fluir da data em que se originou o direito, conforme prescreve o art. 1° do referido Decreto, ou seja, que todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 5 anos da data do ato ou fato, do qual se originaram. • esse direito, "in casu" se ongmou da declaração de inconstitucionalidade. • o Código Tributário Nacional vigente passou, ntãó, a albergar a hipótese de restituição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. 11- PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Preambularmente cabe destacar o comando do art. 4° da Lei nO 8.429, de 02/06/92 (DOU de 03/06/92), in verbis: "Art. 4° Os agentes públicos de qualquer nível ou ~erarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos." (grifei) E reafirmado no art. 2° da Lei n° 9.784/99, aplicável aos processos adminístrativos de qualquer natureza, in verbis: . "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, cóntraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." (grifei)... . 11 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 A matéria encontra-se com abundante elaboração doutrinária em face da Constituição Federal pelos juristas de escol de nosso País, pelo que me permito transcrever alguns excertos para deles extrair as conclusões para os casos concretos submetidos ao julgamento desta Câmara, a seguir. Quanto à aplicação dos princípios constitucionais pelos Conselhos de Contribuintes assim decidiu a Câmara Superior de Recursos Ficais, no Acórdão n° CSRF/ 01 - 03.620: . "MATÉRIA CONSTITUCIONAL - A jurisprudência dos Tribunais Superiores e a Doutrina reconhecem que o Poder Executivo pode deixar de aplicar a lei que contrarie a COJ:!stituiçãodo País. Os Conselhos de Contribuintes como órgãos judicantes do Poder Executivo encarregados da realização da justiça administrativa nos litígios fiscais, têm o dever de assegurar ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, analisando e mlaliando a aplicação de norma que implique em violação de pri~lcípios constitucionais estabelecidos na Lei Maior, afastando a exigência fiscal baseada em dispositivo constitucional". (grifei). . 1- CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Lenta e gradualmente o Supremo Tribunal Federal consolida-se como autêntica corte constitucional, que não somente possui o monopólio da censura em relação aos atos normativos federais ou estaduais em face da Constituição Federal no âmbito do controle abstrato de normas como também detém a última palavra sobre a constitucionalidade das leis na sistemática do controle incidental, pelo menos em última instância, através de recurso extraordinário. Se se admite que a declaração de inconstitucionalidade proferida no processo de controle abstrato de normas tem eficácia erga omnes, como justificar razoavelmente que a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, no caso concreto, deva ter eficácia limitada às partes? Por que condicionar a eficácia geral dessa decisão a um ato do Senado Federal se se admite hoje, até com certa naturalidade, que o Supremo Tribunal Federal pode suspender liminarmente a eficácia de qualquer ato normativo, inclusive de uma emenda constitucional, no processo de controle abstrato de normas? Os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão ou de impugnação não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade, (Gilmar Ferreira Mendes - Revista Trimestral de Direito Público nO 2/93, pp. 267/276). 12 ______________ 4. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 Pode o poder executivo deixar de cumprir a lei por considerá-la inconstitucional? o problema não é novo e há muito se tem discutido. O 'eminente Min. Themistocles Brandão Cavalcanti, ex-Procurador-Geral e ex-Consultor-Geral da República, com a sua autoridade em Direito Público, nos ministra, desde 1964, a seguinte lição: "O que se tem admitido é permitir aos responsáveis pela política administrativa, a não aplicação de leis inconstitucionais, usando do processo usual de interpretação, que consiste na aplicação da lei hierarquicamente superio;. que exclui, desde logo, a aplicação da lei menor que com ela vem colidir. ("Do Controle da Constitucionalidade", ed. Forense, Rio, 1966, p. 180). E mais adiante: "Os funcionários de categoria superior, responsáveis pela decisão podem e devem considerar a aplicação das normas, em função de sua categoria hierárquica." E acrescenta: "Nada justifica a aplicação de~ uma lei inconstitucional. Mesmo em caso de dúvida fundada, esta deve ser afastada por um exame judicial da controvérsia, desde que os interessados se insurjam contra a recusa do Executivo." Decidiu o STF que: "É lícito aos Poderes Legislativo e Executivo anularem os próprios atos, quando inconstitucionais" (recurso extra'Ofdinário nO 61.342. relator Min. Eloy da Rocha, in RDA 93/191). Sendo lícita ao Executivo a anulação de atos inconstitucionais, mais lícita será a recusa de praticá-los quando previamente constatada a inconstitucionalidade. (Orlando Miranda Aragão - Revista de Direito Público nO26, págs. 70/72) 2 - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS A doutrina, sobretudo do direito administrativo e do direito tributário, acentua a distinção entre princípio e norma. O princípio é mais"importante que a norma. Donde: violar princípio é algo muito mais grave que violar norma. O princípio é descrito por linguagem figurada ou metafórica: norte, vetor; ~;alicerce do sistema constitucional, é dizer: disposição capital diante da qual a exegese das outras normas insertas no sistema há de conformar-se. (José Souto Maior Borges - Revista Trimestral de Direito Público n° 1/93 - p. 143) 13 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 Ao prefaciar seu admirável Tratado de Direito Privado, averbou Pontes de Miranda que: "os sistemas jurídicos são sistemas lógicos, compostos de proposições que se referem a situações da vida, criadas pelos interesses mais diversos". A função social do Direito é dar valores a estas situações, interesses e bens, e regular-lhes a distribuição entre os homens. Na fecunda formulação de sua teoria tridimensional do Direito, demonstrou Miguel Reale que a norma jurídica é a síntese resultante de fatos ordenados segundo distintos valores. Com efeito, leciona ele. Onde quer que haja um fenômeno jurídico há, sempre e necessariamente, um fato subjacente (fato econômico, geográfico, demográfico, de ordem técnica, etc.); um valor que confere determinada significação a este fato; e finalmente uma regra ou norma que representa a relação ou medida que integra um daqueles elementos ao outro, o fato ao valor. Pois os princípios constitucionais são precisamente a síntese dos valores principais da ordem jurídica. A Constituição, como já vimos, é um sistema de normas jurídicas. Ela não é um simples agrupamento de regras que se justapõem ou que se superpõem. A idéia de sistema funda-se na harmonia de partes que convivem sem atritos. Em passagem que já se tornou clássica, escreveu Celso Antonio Bandeira de Mello: "Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundà,mental qu,e .se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para a exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico (",,)". (grifei) "Violar um princípio é muito mais grave do que trans,gredir uma norma. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. É a mais grave forma' de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão' do princípio atingido, porque representa insurgência contra todo ô sistema, subversão de seus valores fundamentais ..." (Luís Roberto Barroso - Revista Trimestral de Direito Público nO, . 1/93 pp. 171/172). . 3 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA 14 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° .1 126.647 301-31.008 A moralidade tem a função de limitar a atividade da administração. Exige-se com base nos postulados, que a forma, que o atuar dos agentes públicos atenda a uma dupla necessidade: a de justiça para os cidadãos e de eficiência para a própria administração, a fim de que consagrem os efeitos-fins do ato administrativo consagrados no alcance da imposição do bem comum. (grifei) . : Não satisfaz às aspirações da Nação a atuação do Estado de modo compatível só com a mera ordem legal. Exige-se muito mais. Necessário se torna que a administração da coisa pública obedeça a determinados princípios que conduzam à valorização da dignidade humana, ao respeito à cidadania e à construção de uma sociedade justa e solidária. Está, portanto, o administrador obrigado a se exercitar de forma que sejam atendidos os padrões normais de conduta que são considerados relevantes pela comunidade e que sustentam a própria existência social. Nesse contexto, o cumprimento da moralidade além de se constituir num dever 'que deve cumprir, apresenta-se como um direito subjetivo de cada administrado. (grifei). o que se afirma é que, tanto em situação de normalidade como em estado de anormalidade, o administrador não pode, sob qualquer pretexto, deixar de exercer as suas atribuições longe do princípio da moralidade. Nada justifica a violação desse dogma, por mais iminente que seja a necessidade da entrega da prestação da atividade administrativa. (grifei). Dificuldade maior se apresenta para o administrador, pois, terá que, com base em conceitos axiológicos, examinar qual a posição que deve prevalecer, em face do interesse público. O que é certo é a impossibilidade de praticar o ato com ruptura dos laços que envolvem o princípio da moralidade. (grifei). O valor jurídico do ato administrativo não pode ser afastado do valor moral. Isso implica um policiamento ético na aplicação das leis, o que não é proibido, porque o defendido é a lisura nas práticas administrativas, fi'm, também contido na norma legal. A administração pública não está somente sujeita à lei. O seu atuar encontra-se subordinado aos motivos e aos modos de agir, pelo que inexiste liberdade de agir. Deve, assim, vincular a gestão administrativa aos anseios e necessidades do administrado, mesmo que atue, por autorização legal, como senhor da conveniência e da oportunidade. Qualquer excesso a tais limites implica adentrar na violação do princípio da moralidade administrativa sempre exigindo uma cqrreta atividade. A moralidade é um atributo, ao lado da licitude, da possibilidade e da certeza, que deve presidir o nascimento e posterior desenvolvimento de qualquer ato administrativo. Este, conseqüentemente, não deve contrariar nenhum princípio de ordem ética que impere em determinado organismo social, sob pena de não lhe ser reconhecida validade. 15 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 A função da moralidade administrativa é de aperfeiçoar a atividade pública e de fazer crescer no administrado a confiança nos dirigentes da Nação. Ela visa o homem como administrado, em suas relações com o Estado, contribuindo para o fortalecimento das instituições públicas. A Constituição, sensível aos vícios identificados pela Nação na prática da administração pública, não deixou sem solução satisfatória tão grave problema de ajuste do atuar do agente público com a finalidade públiGa da ação produzida, fazendo com que o direito seja o reflexo de uma nova concepção de justiça compatível com a realidade social a que se destina. O amplo controle da atividade administrativa se exerce, assim, na atualidade, não só pelos administrados diretamente, como, também, pelo Poder Judiciário, em todos os atributos do ato administrativo. A Constituição de 1988, em vários de seus artigos, quer de modo explícito, quer de modo implícito, faz referência ao princípio da moralidade administrativa, sem confundi-lo com o da legalidade. Como idéia de dever para o administrador público e como um direito subjetivo da Nação é que o princípio da moralidade administrativa se impõe no caput do art. 37, da Carta Magna, da forma seguinte: " "A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estadas, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, também, ao seguinte" A moralidade se apresenta no texto da Carta Magna, conforme visto, com força de princípio imperativo. Pressupõe, conseqüentemente, que o administrador há de pautar, de modo obrigatório e permanente, a sua atuação pela ética da Administração Pública, que visa sempre o bem comum. (grifei). A obediência ao princípio da moralidade administrativa impõe ao agente público que revista todos os seus atos das características de boa fé, veracidade, dignidade, sinceridade, respeito, ausência de emulação, de fraude e de dolo. São qualidades que devem aparecer, de modo explícito, em todos os atos administrativos praticados, sob pena de serem considerados viciados e sujeitos aos efeitos da nulidade. É certo que a Constituição de 1988 percebeu, em atendimento ao coro da Nação, que a administração pública necessita ter a base nuclear dós seus atos na moralidade. Isso significa a negação de apoio para os atos praticados çom violação a esse princípio. (grifei). 16 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 • Há, assim, de reconhecer as fronteiras não só do lícito e ilícito, mas, também, do justo e do injusto, tudo visando a que o ato praticado, quer legislativo, quer administrativo, não seja atacado de não - moralidade. (grifei). o exame sistemático dos dispositivos' da Constituição Federal que tratam da aplicação do princípio da moralidade administrativa. estão a det~rminar que é necessário que impere na administração pública o referido postulado, exigindo-se de todos os agentes públicos, independentemente do grau hierárquico exerc'ido, de se vincularem a um dever geral de ótima administração, como conseqüência da sujeição ao interesse público. (grifei). A jurisprudência resulta do exame da lei e d'os fatos. Indispensável se toma que tudo seja feito de modo que o Juiz faça sua opção pela solução mais justa e consentânea com os valores reclamados pela Nação. Embora não seja a jurisprudência uma criadora do direito, na prática muito se aproxima dessa qualidade, na medida em que fixa entendimento sobre a relação existente entre o fato e a norma. (grifei). No Direito Brasileiro, há de se considerar como relev,a!?te a contribuição da jurisprudência para a construção do cónceito de moralidade administrativa. Através dos pronunciamentos reiterados dos juizes vêm se formando conceitos que expandem a abrangência dos efeitos do referido princípio, por vir detectando, em determinados dispositivos da Constituição Federal e de legislação hierarquicamente inferior, mesmo implicitamente, a obrigatoriedade' ,-do agente público ser fiel ao princípio da moralidade administrativa. o reconhecimento do cidadão ter direito subjetivo a ser exigido do administrador público para que se comporte com sustentáculo no princípio da moralidade administrativa, foi feito pelo então Tribunal Federal de Recursos, em voto da lavra do eminente Ministro Washington Bolívar de Brito, ao julgar o Agravo de Instrumento 44790, DF: "Se é certo que a Constituição assegura a todo cidadão o direito subjetivo ao governo honesto, não menos certo é que os governantes, cujos atos são atacados, em nome da moralidade administrativa, onde e quando essa moralidar;lefor posta em dúvida, que a sua atuação foi inspirada no bem comum e tem amparo legal, além de trazer benefícios, e não lesões à comunidade" . Constatada essa realidade constitucionaL resta que se tome eficaz e efetivo o princípio da moralidade administrativa, se exercendo '0 controle dos atos que o violarem sem quaisquer peias ou amarras. (grifei). (José Augusto Delgado - Revista Trimestral de Direito Público n° 1/93 pp. 209/222) t_ " 17 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 4 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE PÚBLICA A tese envolve reconhecimento de que o ordenamento jurídico impõe a compatibilidade da conduta do agente público com determinados parâmetros éticos. A existência de um princípio jurídico da moralidade significa que algumas valorações morais do grupo são recepcionadas pelo Direito Público. A existência de um princípio jurídico da moralidade pública não significa a incorporação da Moral pelo Direito. Os preceitos morais têm existência autônoma frente ao Direito, verificando-se apenas uma juridicização parcial deles. Quando se alude a um princípio jurídico da moralidade quer-se afirmar que a qualificação jurídica das condutas externas subordina-se aos parâmetros não só da lei jurídica como também da moralidade. Mas, há peculiaridade que diferencia o princIpIO da moralidade pública frente à quase totalidade dos demais princípios jurídicos. Trata-se da referência às vivências éticas predominantes na sociedade. O princípio da moralidade pública contempla a determinação jurídica da observância de preceitos éticos produzidos pela sociedade, variáveis segundo as circunstâncias de cada caso. A apuração do conteúdo jurídico do princípio da moralí'dade pública envolve, por isso, uma aproximação e uma dinâmica. Há um núcleo axiológico que produz desdobramentos mais ou menos indefinidos. . A essenCIa do princIpIO da moralidade pública consiste na invalidade de todos os atos praticados pelo Estado incompatíveis com a interpretação ética do sistema e das normas jurídicas (constitucionais ou não). Essa pluralidade de significados potenciais da norma jurídica encontra limites no sistema jurídico. Entre nós, o sistema jurídico - constitucional incorporou o princípio jurídico da moralidade pública. Por decorrência, o aplicador do Direito está obrigado a considerar também o fator ético ...,.a moralidade pública - ao definir a interpretação cabível para determinado dispositivo normativo. Entre diversas interpretações possíveis - ou mais precisamente, entre diversas condutas possíveis de ser validadas frente à Constituição - , o aplicador deverá optar por aquela conforme aos princípios jurídicos (inclusive ao princípio da moralidad~ pública). Enfim, não se concebe, frente à CF/88, uma solução eticamente reprovável, cuja adoção se fundasse em argumentos de técnica jurídica. (grifei). 18 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 o conteúdo jurídico da princípio da moralidade pública resulta da conjugação de dois conceitos básicos, que são a supremacia do interesse público e a boa-fé. A partir desse núcleo, agregam-se outras vivências consagradas eticamente. Não se confunde interesse público com interesse do aparato estatal. O Estado, como sujeito de direito, pode adquirir certas co.nveniências, de modo similar ao que se passa com qualquer sujeito de direito. Não significa, porém que tais circunstâncias se caracterizem como interesses públicos, para os fins da aplicação dos princípios ora examinados. Configura-se aqui a diferença apontada por Renato Alessi entre interesse público primário e interesse secundário, difundida entre nós por Celso Antonio Bandeira de Mello. Enfim, como afirmou Gordillo, "o interesse público não é o interesse da Administração Pública. Deve-se ter em vista que nenhum interesse público se configura como conveniência egoística da Administração Pública. O chamado interesse secundário (Ales si) ou interesse da Administração Pública não são públicos. Aliás, nem ao menos são interesses na acepçãó"jurídica do termo. São meras circunstâncias, alheias ao Direito. Ou seja, o Estado não possui interesses qualitativamente similares. O Estado não se encontra no mesmo plano dos particulares, mas não simplesmente por essa qualidade pessoal. É que a 'natureza dos interesses que titulariza é diversa dos interesses individuais, .particulares, egoísticos. Quando atua na tutela desses interesses, não se pode cogitar de fenômeno similar ao que ocorre com os interesses particulares. Ao aludir-se a moralidade pública, nesse terceiro aspecto, cogita-se da perfeição ética do relacionamento entre o Estado e os cidadãos. A moralidade significa que o Estado é instrumento de realização do bem público e, não de opressão social. A concentração de poderes e a superioridade do interesse público retratam, por assim dizer, a senJidão do Estado em face da comunidade. (grifei). Como ensina Bandeira de Mello, o Estado "poderia portanto ter o interesse secundário de resistir ao pagamento de indenizações, ainda que procedentes, ou de denegar pretensões bem fundadas que os administrados lhe fizessem, ou de cobrar tributos ou tarifas por valores exagerados. Estaria, por tal modo, defendendo interesses apenas "seus", enquanto pessoa, enquanto entidade animada do propósito de despender o mínimo de recursos e abarrotar-se deles ao máximo. Não estaria, entretanto, atendendo ao interesse público, ao interesse primário, isto é, àquele que a lei aponta como sendo o interesse da coletividade: o da observância da ordem jurídica estabelecida a título de bem curar o interesse de todos" (Curso de Direito Administrativo, 63 ed., Malheiros, 1995, p. 22). (grifei). O Estado de Direito Democrático tal como aquele consagrado pela CF/88, reconhece que a supremacia do interesse público não significa supressão de interesses privados. Um dos mais graves atentados à moralidade pública consiste no sacrificio prepotente, desnecessário ou desarrazoado de interesse privado. O Estado não existe contTa o particular, mas para o particular. Mas, além disso, a supremacia 19 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 do interesse público não conduz à supressão da pluralidade de interesses jurídicos tuteláveis. (grifei). A moralidade pública exclui não apenas o~beneficios e vantagens indevidos para os particulares ocupantes da função pública. Exclui, também, a obtenção de vantagens reprováveis ou abusivas pelo Estado para si próprio. Não se torna válida a espoliação dos particulares como instrumento de enriquecimento público. O Estado não existe para buscar satisfações similare~ às que norteiam a vida dos particulares. A tentativa de obter a maior vantagem possível é válida e lícita, observados os limites do Direito, mas apenas para os sujeitos privados. Não é conduta admissível para o Estado, que somente está legitimado a atuar para realizar o bem comum e a satisfação geral. O Estado não pode ludibriar, espoliar ou prevalecer-se da fraqueza ou da ignorância alheia. O princípio da moralidade indica sob. esse ângulo, lealdade do Estado frente aos cidadãos. A ação e a omissão do EstaQo devem ser cristalinas, inequívocas e destituídas de reservas, ressalvas ou seg\lndas-intenções. Não se legitima o ardil sob argumento de que se destina a abarrotar de recursos os cofres públicos. "A moralidade pública é compatível com a duplicidade de intentos normativos. Não se concilia com a moralidade que a lei tenha duplo conteúdo: um texto aparente e formalmente compatível com a Constituição e uma efetiva e real mens legis inconciliável com ela. Como asseverou José Eduardo Soares de Melo "A tributação implica intromissão do governo nas atividades dos particula~es, mediante substanciais desfalques em seus patrimônios. Assim, compreende-se que, a participação financeira - pela via tributária - há que ser certa, precisa, previamente conhecida, como corolário dos princípios da boa-fé e lealdade, que de~~in presidir a atividade administrativa" (ICMS - Teoria e Prática, Dialética, 1995, p. 98). A moralidade se relaciona, ademais, com a segurança jurídica. Ambos os princípios asseguram a previsibilidade da conduta estatal e a certeza sobre a disciplina normativa. Mas a moralidade representa algo' mais, por envolver um conteúdo ético para a disciplina jurídica. Ou seja, não é necessária apenas a segurança jurídica, mas se impõe que a disciplina jurídica (segura porque estável.~ previsível) seja também compatível com a moralidade. .. o Estado ao produzir a norma tributária ou ao aplicá-la não pode olvidar os princípios jurídicos nem atender apenas às palavras do; texto legaL buscando respaldo em prodígios de raciocínio para justificar desvios é~icos. Nesse ponto preciso é que se avoluma a relevância do princípio da:moralidade. pública. Não "I'. 20 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRTh1EIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 permite o Estado condutas viciadas por defeitos éticos. O Estado não está legitimado a produzir leis imorais nem a aplicar, de modo imoral, uma lei..(grifei). (Marçal Justen Filho - Revista trimestral de 'Direito Público nO11/95 pp.45/58) 5- PRINCÍPIO DO ENRIQUECIMENTo' SEM CAUSA É um princípio constitucional implícito que, ao lado do princípio da moralidade administrativa, também se aplica ao caso, impondo à União que o cumpra, restituindo ou compensando o que indevidamente se apropriou do contribuinte a título de tributo posteriormente desconstituído pela Suprema Corte, institucionalmente a competente para dizer a última palavra em matéria constitucional. Cria-se por lei um tributo sob a forma de contribuição, o contribuinte paga espontaneamente sob a presunção de ser a mesma cônstitucional. Via de regra entre o pagamento e a decisão do Supremo o lapso temporal ultrapassa cinco anos. Fixar-se o dies a quo, como a data do pagamento (crédito tributário) e não a data da publicação de decisão judicial no mais das vezes impossibilita o .contribuinte credor de reaver o que legitimamente lhe pertence, revelando-.se um enriquecimento ilícito do Poder Público além de afrontar o princípio da moralidade administrativa, traindo a sua boa-fé. Esse fato pode conduzir ao seguinte quadro. Da mesma forma como pode o Fisco lançar o tributo suspenso por uma das hipóteses legais, visando a prevenção da decadência, o contribuinte, em clima de desconfiança gerado, recolhe os tributos, pede a restituição dentro dos 5 (cinco) anos e judicialmente argúi a inconstitucionalidade m INTERESSE PÚBLICO VERSUS INTERESSE FAZENDÁRIO o interesse fazendário não se confunde muito menos sobrepaira o interesse público. Perante o Texto Constitucional, subordina-se ao interesse público e, por isso mesmo, só poderá prevalecer quando em perfeita sintonia com ele. Oportuna, a respeito, a preleção, sempre preciosa, de Celso Bandeira de Mello: "Interesse público ou primário é o pertinente à sociedade como um todo e só ele pode ser validamente objetivado, pois este é o interesse que a lei consagra e entrega à compita do Estado como representante do corpo social. Interesse secundário é aquele que atina tão só ao aparelho estatal enquanto entidade personalizada e que por isso 21 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 mesmo pode lhe ser referido e nele encarnar,.se pelo simples fato de ser pessoa". Estribados em tão sólidas lições doutrinárias, podemos ..proclamar, com toda a convicção, que o mero interesse arrecadatório - interesse secundário que - não pode fazer tábua rasa à legalidade, à isonomia e aos direitos constitucionais dos contribuintes." No mesmo sentido, Alberto Xavier pontifica: " ...num sistema econômico que tenha como princípios ordenadores a livre iniciativa, a concorrência e a propriedade privada torna-se indispensável eliminar, no maior grau possível, todos os fatores que possam traduzir-se em incertezas econômicas suscetíveis de prejudicar a expansão livre da empresa designadamente a insegurança jurídica". Segue-se, pois, que nenhuma justificativa extra jurídica (v.g., o aumento das receitas) poderá validamente subverter os princípios básicos do sistema constitucional brasileiro, iluminados, todos eles, pelo princípio da segurança jurídica. As garantias constitucionais limitam o poder de tributar e sancionar. O propósito de abastecer de dinheiro os cofres públicos não pode chegar, num Estado de Direito como o nosso, ao ponto de lesar direitos subjetivos das empresas e dos particulares que delas participam. Afinal predominância do interesse público não é sinônimo de lesão de direitos. .. Não podemos invocar o interesse fazendário (ou seja ..qual for o nome que lhe queiramos atribuir) para justificar qualquer iniciativa, quer no plano fático, que não se contenha estritamente nos lindes do texto constitucional. É que não há interesse maior do que o representado pelo respeito às exigências sistemáticas da ordem constitucional. . (Roque Antônio Carrazza - Revista Trimestral de Direitb. Público n° 13/96, pp. 16). o interesse público, no caso, é a realização do Direito' eda justiça através da satisfação plena dos princípios constitucionais atrás expostos." O interesse fazendário por certo restará satisfeito, pois, os recursos eventualmente re'~tituídos ao contribuinte certamente retornarão ao erário indiretamente sob a forma de outros tributos, após terem gerado novos investimentos, empregos, etc. .. 22 '. .. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 Em abono a esta tese vem a própria PGFN em lúcido Parecer n° 877/03, aprovado e publicado no D.O.V. de 02/09/03, in verbis: "Por conseguinte, se, por força da lei, a prescrição fulmina, elimina ou extingue o crédito tributário, vale dizer a "relação tributária", cabe ao administrador, por dever de perseguir o interesse público primário, mesmo atritando com o interesse público secundário, meramente patrimonial do Estado, reconhecer a prescrição no caso concreto posto às suas vistas". (grifei). IV - NASCIMENTO DO DIREITO À RESTITUICÃO /COMPENSACÃO DECORRENTE DE LEI INCONSTITUCIONAL o direito à restituição nasce com a declaração de inconstitucionalidade que faz as vezes de lei (norma individual) - não se aplicando, portanto, a norma do art. 165 C/C art. 168 do CTN. O renoma:do tributarista Hugo de Brito Machado citado no Parecer PGFN nO1.238/99 leciona: "O direito de pleitear a restituição, perante a autoridade administrativa de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF em ação direta. Ou com a suspensão pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Esta é a lição de Ricardo Lobo Torres, que ensina: "Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em ação direta ou da publicação da Res..olução do Senado que suspendeu a lei com base em decisão" proferida incidenter tantum pelo STF" (Restituição de Tributos, Forense, Rio de Janeiro, 1983, p. 169). Neste sentido é o Acórdão n° 1999.03.99.074347, do TRF 33 Região 63 T. e o Acórdão nOAMS 95.03.056070-5, da 43 T. do TRF 33 Região, no seguinte teor, que, apesar de se referir ao FINSOCIAL é aplicável pelos seus fundamentos jurídicos: "Quando fundado o pedido em inconstitucionalidade de norma reconhecida incidentalmente pela Corte Suprema, o termo inicial do prazo para fins de determinação do lapso prescricional deverá ser a data de publicação de primeira decisão proferida, posto ser fato inovador da ordem jurídica, suprimindo norma tributária até então válida e cogente, pois com força de lei. No' caso, o primeiro aresto 23 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 do Colendo Supremo Tribunal Federal foi publicado n"oDm de 02/04/93, devendo a partir desta data ter início o cômputo do lapso prescricional, pois não se pode considerar inerte o contribuinte que até então, em razão da presunção da constitucionalidade ,da lei, obedecera a norma indevidamente exigida, já que -a inércia é elemento indispensável para configuração do instituto da prescrição. (Acórdão n° 1999.03.074347-5-SP-TRF 33 Região" 63 T. - FINSOCIAL - Compensação tributária - Precedentes do STJ)" "I - Tributário. Finsocial. Majorações da alíquota. Compensação. Espécies tributárias. Cofins. PIS e CSL. 11 - Correção monetária. Critérios utilizados. IPC, INPC, UFIR e Selic. Limitação ao pedido. Aplicação do IPC, BTN e UFIR. 111 - Prescrição. Dies a quo. Reconhecimento jurídico do pedido (Decreto nO 1601, de 23 de agosto de 1995 e da Medida Provisória nO1110, de 30 de agosto de 1995 e suas reedições). 1. - É irrecusável a i~constitucionalidade da cobrança do Finsocial tal como reconhecida pelo STF (RE 150.764- 1 PE) e pela própria Administração Pública (Dec. 1.601195), quanto a majorações da alíquota da contribuição. 2 -"A aplicação dos juros, tomando-se por base a taxa Selic, a partir de 1° de janeiro de 1997, nos termos do art. 39 da lei 9.250/95, afasta a cumulação de qualquer índice de correção monetária ou de outros já que estes fatores de atualização de moeda já se encontram considerados nos cálculos fixadores da referida taxa. 3 - O exercício da compensação deve ser restrito a parcelas de Cofins, PIS E CSL. 4 - O dies a quo do prazo prescricional é a data do reconhecimento jurídico do pedido, manifestado pelo Senhor Chefe do poder Executivo, por meio do Decreto 1601 de 23 de agosto de 1995 e da Medida Provisória 1110, de 30 agosto de 1995 e suas reedições, com o que dispensa seus procuradores de atuarem, nas matérias ali apontadas, extraindo -se para o presente caso que ausente qualquer ato senatorial principia-se a contar um novo qüinqüênio prescricional para aferir o limite temporal em que a pretensão à repetição do indébito permanece acionável com fulcro nq art. 174, inc. IV, do mesmo CTN, tal como aconteceria se houvesse sido editado o ato senatorial. 5. - Matéria preliminar argüida pela impetrante acolhida. Apelação da impetrante parcialmente provida ..Apelação da União e remessa oficial às quais se dá parcial provimento." Ac un da 4° T do TRF da 33 R- AMS 95.03.056070-5 - ReI. Des. Fed. Andrade Martins - j 14.03.01 - Aptes.: Trancham S/A Ind. e Cl;)m.E União Federal! Fazenda Nacional; Apdos.: os mesmos - Dm: 02110/01 p. 159 - ementa oficial" 24 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 Além disso, houve pagamento indevido de 'algo que pela declaração de inconstitucionalidade perdeu a natureza de tributo passand,o a ser um crédito, uma dívida passiva contra a União, passando a se reger pelas normas do CTN que se referem a restituição de créditos tributários por força da inserção nele do' sistema do Decreto nO20.910/32 atrás explicitado. Assim, a norma a ser aplicável é a.do Dec. n° 20.910, de 06/01/32, vigente há mais de 60 anos, que reza em seu art. 1° que todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qua,l for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas prescrevem em 5 anos da data do ato ou fato do qual (direito) se originaram. Esse direito in casu se originou da declaração de inconstitucionalidade (o ato). i o art. 146, IH, "b", da C.F. estabelece que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais sobre "prescrição e decadência" tr.ibutárias e o CTN, com "status" de lei complementar dispõe a respeito nos arts. 1651i68. Aplicável, portanto, ao caso, pelas razões acima expostas, apesar de o montante indevidamente pago com a declaração de inconstitucionalidade passar a configurar um crédito financeiro do contribuinte. Tratando-se do FINSOCIAL, comungo com a linha adotada nos inumeráveis arestos do Segundo Conselho de Contribuintes no sentido de que inexistindo Resolução do Senado Federal suspendendo a execução da lei declarada inconstitucional na via indireta há de se fixar o termo inicial como a data da Medida Provisória n° 1110/95 (31/08/95), data essa em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela Administração Tributária, linha essa também adotada pelo TRF da 3a Região, nos Acórdãos acima transcritos. . . Porém, há ainda um fato a ser considerado, tendo em vista que as Medidas Provisórias mantinham sua eficácia, ou seja, capaci.dade de produzir efeitos jurídicos durante 30 (trinta) dias a partir de sua edição, perdendo-a se não fossem convertidas em Lei nesse período. Daí, a necessidade de suas constantes reedições, com o mesmo ou outro texto, nesse prazo, até a edição da Lei formal pelo Congresso, concretizada na Lei n° 10.522, de 19107/02, cujo texto em relação ao'FINSOCIAL repete. Ocorre que a MP. n° 1.110/95 e suas reedições posteriores até a MP. 1621 - 35, de 12/05/98 prescreviam que "o disposto neste artigo não implicará restituição de quantias pagas". . A partir da edição da MP. n° 1621 -36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98 o parágrafo 2° do artigo 18 passou a ser a~sim redigido: S 2° - O disposto neste artigo não implicará restituição, ex officio de quantias pagas. " . Ou seja, a Administração passou a reconhiéer o direito ao pedido de restituição, formulado pelo contribuinte. 25 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 A jurisprudência administrativa também tem' Se conduzido por essa linha jurisprudencial perfilhada pelo Judiciário, conforme se aquilata pelos inumeráveis Acórdãos das Câmaras dos três Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo os Acórdãos nOs201.76383,76291, 76382,76363,76258, 76337, 202-14121, 14304, 14337, 13973, 14442,14140, 107- 07031, CSRF/OI-03754, entre outros. ' Já, tratando-se da restituição/compensação da Cota de Contribuição na Exportação do Café, instituída pelo Decreto-lei nO2.295/86 a situação diverge dos tributos declarados inconstitucionais pela Corte Suprema, no que tange ao dies a quo para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição, É que neste caso, não houve declaração de inconstitucionalidade do referido Decreto-lei pelo STF, eis que o mesmo não foi recepcionado pela vigente Constituição Federal, porque, com ela incompatível, face ao se~ artigo 146. A declaração de inconstitucionalidade poderia ter evidentemente ocorrido, face à Constituição anterior, se pleiteada. Restou, portanto, revogado o referido .dispositivo legal, não adentrando o mundo jurídico a partir da vigente Constituição, r'azão porque, o STF se absteve de declarar inconstitucional um Decreto-lei que passou à condição de inexistente, Porém, reconheceu o STF sua revogação a partir desta Constituição, Assim, conclui-se que: • os efeitos desse reconhecimento retro agem, até a data da entrada em vigor da nova Constituição e não até a data da edição do Decreto-lei n° 2295/86, porque, o mesmo não foi declarado inconstitucional; e, por força do art. 34 do ADCT, a retro ação produzirá efeitos a partir de 01103/89 {primeiro dia do quinto mês seguinte a da: promulgação da Constituição). • o "dies a quo" para a contagem do prazo decadencial é o da decisão do STF que reconheceu a não recepção do Decreto-lei 2295/86 pela atual Constituição, V COMPETÊNCIA PARA INTERPRETAR A LEGISLAÇÃO NO ÂMBITO DOS MINISTÉRIOS A Lei Complementar n° 73, de 10/02/93, em seu art. 2° inciso lI, alínea "b", incluiu entre os órgãos de execução da Advocacia-Geral da União, as Consultorias Jurídicas dos Ministérios, 26 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 No art. 11 da mesma lei foram estabelecidas as competências das Consultorias Jurídicas, em seis incisos dos quais destaca-se o de n° IlI, verbis: "lII - fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos a ser uniformemente seguida em suas áreas de atuação e coordenação quando não houver orientação normativa do Advogado-Geral da União." Cabe assinalar que as competências da AGU e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios, já foi objeto do Parecer AGU/ MF - 06/98, adotado pelo Advogado Geral da União, aprovado pelo Presidente da República em 15/09/98 e publicado no D.O.U de 24/09/98. .: Há também o Parecer AGU nO02/99, no m~smo sentido (D.O.U de 07/05/99) Pela mesma legislação tais Pareceres, uma vez aprovados pelo Presidente da República ou pelos Ministros são normativos, vinculativos e cogentes para os administrados. VI - ANÁLISE DOS PARECERES -DA PROCURADORIA- GERAL DA FAZENDA NACIONAL QUE TRATAM DA MATÉRIA A validade jurídica dos Pareceres, seu alcance e vinculatividade aos órgãos e entidades da Administração Pública encontra amparo na Lei Complementar n° 73, de 10/02/93, que institui a Lei Orgânica da Advocacia-Geral da União, da qual participa a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional como órgão de direção superior. Neste sentido dispõem os artigos 4° incisos X e XI, 11, inc.iso III e arts. 39 a 44 da referida Lei. Os pareceres sob análise são os a seguir enumerados: 1- Parecer PGFN/CAT n° 1538/99, que mantém o Parecer PGFN/CAT n° 678/99 • Parecer PGFN/CAT n° 550/99 - termo a quo nos casos de leis declaradas inconstitucionais, nos controles difuso e concentrado é a data do pagamento -indevido (art. 165, I C/C art. 168 do CTN) divergindo dos entendimentos consagrados no STJ e TRF P Região que é a da publicação do Acórdão do STF em ADIN e a da publicação da Resolução. do Senado Federal na via incidental. 27 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • 126.647 301-31.008 Quanto ao item 43, do Parecer, observe-se que há lei dispondo a respeito (Lei n° 20910/32). Conclui pela atenuação ex tunc de leis declaradas inconstitucionais pelo STF para os casos de decisões judiciais já consolidadas. 439/96 2 - Parecer PGFN/CRE n° 948/98, que se refere ao PGFN/CRF • Confirma o entendimento do Parecer.PGFN/CRF n° 439/96, incluindo também as DRJ, além dos C.C., na obrigação de afastar a aplicação de normas declaradas inconstitucionais. • Esclarece o alcance da expressão "as decisões do STF que fixem de forma inequívoca e definitiva" ... constante do art. 1° do Dec. 2346/97, no seguinte sentido: 1- decisão do STF, ainda que única, em ADIN; 2- idem, se a execução for suspensa por Resolução do SENADO; 3- a decisão plenária, transitado em julgado, ainda que única e por maioria de votos, se nele foi expressamente conhecido e julgado o mérito da questão em tela. 3- Parecer PGFN/CRJ/ n° 3401/02 - FINSOCIAL • Trata dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade de lei em sede de controle difuso e não suspensa a execução pelo Senado Federal. • As sentenças transitadas em julgado favoráveis à Fazenda Nacional relativamente ao pedido de restituição/compensação de créditos do FINSOCIAL (majoração de alíquotas) são irreversíveis. • Efeitos da posterior declaração de inconstitucionalidade da norma em outras ações decididas pelo STF, não alcança os casos já definitivamente julgados (com trânsito em julgado de sentença favorável à União). • A coisa julgada é imutável, intangível (salvo em caso de ação rescisória). 28 0. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 '. • O Senado não conferiu a eficácia "erga omnes" à decisão do STF proferida no RE 150.764/PE. • O Senado não baixou Resolução suspensiva da aplicação de Lei inconstitucional conforme relator em decisão política (repercussão na economia nacional) e também tendo em vista que o acórdão do STF embora do pleno, ocorreu pelo voto de 6 contra 5 de seus membros. • Os efeitos "erga omnes" no caso, só fazem coisa julgada em relação às partes no processo, observada a coisa julgada, que deve ser cumprida favorável ou desfavorável às partes envolvidas. • O Parecer é vinculativo quanto ao seu objeto exposto nos itens 1° e 2° e 3° supra, apenas, não entrando no mérito do problema de prescrição e decadência. Da análise dos aludidos Pareceres entendo que nas decisões dos recursos atinentes a matéria, pelos Conselhos de Contri~uintes, estes. não devem interpretar a legislação que disciplina tal matéria quandQ há parecer da PGFN dispondo, porém, é de sua obrigação nas decisões aplicar a legislação em vigor, obedecendo aos ditames da Constituição, de seus princípios' expressos e implícitos e em especial a Lei 9.784/99, aplicável subsidiariamente, qÚe, no parágrafo único, inciso I, do seu artigo 2° prescreve: "Art. 2° :..~ : , . Parágrafo único - Nos processos administrativos serão:observados, entre outros, os critérios de: . I - Atuação conforme a lei e o Direito." Note-se que na expressão "a lei e o direito" contida no art. 2° - supra não há redundância eis que a legislação quer enfatizar que nas decisões não somente a lei (direito positivo) deve ser aplicada mas também a doutrina, a jurisprudência e os princípios que informam e embasam todo o ordenamento jurfdico, núcleos que são, do sistema jurídico. VIT- COMPETÊNCIAS INSTITUCIONAIS DOS ÓRGÃOS JUDICANTES ADMINISTRA TIVOS "! DE PRIM:EIRA E SEGUNDA INSTÂNCIAS (Delegacias' da Receita, Federal de Julgamento e Conselhos de Contribuintes) 29 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 Via de regra nos julgados das DRJ s, acertadamente, afirma-se a vinculatividade das mesmas aos atos emanados no âmbito da Secretaria da Receita Federal, entre eles, para o caso, o Parecer COSIT n° 58/98 e o Ato Declaratório SRF n° 96/99. . Além disso, o Dec. nO 2346/98 em seu art. 4° apresenta uma condicionante, conforme se constata: "Art. 4° Fica o Secretário da Receita Federal e o Procurador - Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei tratado ou ato normativo que: 1. não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II. não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; II1. sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV. sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal" Ora, o mencionado dispositivo é mandamental, uma.: Ordem do Chefe do Poder Executivo às autoridades nele mencionadas - Secretário"da Receita Federal e Procurador-Geral da Fazenda Nacional - para que cumpram o determinado em seus incisos I a IV cujos lindes se comportam dentro de dois marcos: 1. âmbito de suas competências; .~. 2. base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Penso que o dispositivo acima não comporta discricionariedade, sendo portanto, vinculativo para as autoridades a que se destinam. As competências da Secretaria da Receita Federal como órgão, e do Secretário da Receita Federal como dirigente estão previstas no. Regimento Interno da SRF aprovado pela Portaria MF n° 227/98 (revogada), artigos )0 e 190, e pela Portaria MF n° 259/01, artigos l° e 209. . Por elas vê-se que, no tocante aos procedimentos de determinação e exigências de créditos tributários sua competência fica adstrita ao comando das DRJs, órgãos afetos à sua estrutura administrativa (artigo 1°, inciso V e artigo 209, incisos 30 ~. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 XXVII e XXVIII, da Portaria :MF 259/01), não alcançando a atuação dos órgãos judicantes de Segunda Instância, cuja competência e desvinculação ao SRF foi preservada em homenagem ao princípio de ampla defesa, do artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, que estabelece o conhecido "tripé"(acusado, acusador e julgador), um dos pilares do Estado Democrático de Direito. Mormente no tocante ª restituição de indébitos tributários, que, no rol das competências, a portaria ministerial silencia. No Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que não se confunde com o da SRF, ambos expedidos pela mesma autoridade hiÚárquica, a matéria consta em artigos específicos cujos textos determinam a "apreciação de direitos creditórios relativos a tributos e contribuições" .de suas competências recursaIS. Ainda, na análise das competências, penso que a decisão da DRJ nesses casos está correta em seu entendimento no sentido de sua "incompetência para atender o pedido ou mesmo analisá-lo sob qualquer outra ótic.a que não seja aquela preconizada pelo Parecer COSIT n° 58/98", e AD SRF n086/99, uma vez que tal órgão está vinculado aos atos emanados dentro de sua linha hierárquica, revelada através da Portaria SRF nO 3608/94, item IV e do seu Regimento Interno. Isso não impede, entretanto, que os Conselhos possam analisar o problema à luz de todo o ordenamento jurídico, razão de sua existência institucional. . Vill- DECLARACÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI NO CONTROLE DIFUSO Uma última palavra acerca dos efeitos das decisões judiciais proferidas incidentalmente pelo Supremo Tribunal Federal e não objeto de Resolução do Senado Federal reconhecendo o efeito erga omnes dessas decisões. A Constituição é um todo orgânico, coerente e consistente, não se admitindo contradições entre seus diversos dispositivos. Assim, quando ela consagra o princípio da igualdade com todos os seus desdobramentos, neles. incluída a isonomia, ele é vetor para quaisquer outras normas constitucionais não erigidas à categoria de princípios. Assim, quando o art. 52 da C. F. prescreve que compete privativamente ao Senado Federal suspender a execução de lei' declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Trib~nal Federal, isto não significa que a omissão dessa formalidade irá ter o efeito de negar a aplicação do princípio para dar legitimidade a contribuintes que se encontrem na mesma situação daquele que provocou a manifestação do Supremo pela inconstitucionalidade da lei, conforme preceitua o artigo 150, inciso 11, da Constituição Federal. 31 • MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA . t., t .. RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 A lei, uma vez declarada inconstitucional pelo órgão que detém a competência exclusiva para tanto, não pode ser inconstitucional para uns e constitucional para outros que se encontrem na mesma situação fática mormente porque as justificativas para a omissão do Senado não se lastreiam em considerações jurídicas, como por exemplo, o fato de em plenário do Supremo a decisão não ter sido tomada por unanimidade e que, portanto, outra decisão em outro caso concreto poderá ser divergente. Enquanto isso não ocorrer a decisão é válida erga onmes em homenagem ao princípio da isonomia. (artigo 150,11, da C.F.) Ademais, o efeito erga omnes das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal nas ações em que se argúi a inconstitucionalidáde' de lei foi confirmado pela Lei n° 9882, de 03/12/99 que conferiu eficácia ao preceito do S IOdo art. 102 da Constituição Federal. . Senão vejamos. A ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal são processadas e julgadas originariamente pelo Supremo Tribunal Federal na forma da Lei nO9868, de 10/11/99. As causas decididas em única ou última instância quanlio a decisão recorrida declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal , serão julgadas pelo Supremo Tribunal Federal mediante recurso extraordinário, e, na forma da Lei n° 9882, de 03/12/99, quando for relevante o fundamento da contravérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição. . o S 30 do art. 10, da Lei nO9.882/99 prescreve que a decisão do STF exarada no processo e julgamento da argüição de descumprimento de preceito fundamental nos termos do S IOdo art. 102 da c.F. terá eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Público. . No caso concreto, a inconstitucionalidade da lei declarada pelo STF decorre de argüição, embora incidental, de lesão ou descumprimento de preceito fundamental da c.P. quais sejam os princípios da legalidade, igualdade, .moralidade administrativa e vedação ao enriquecimento sem causa. IX - CONSIDERAÇÕES COMPLEMENTARES RELATIVAS ÀFINSOCIAL I -: Tributos Lançados por homologação 32 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 No caso dos tributos lançados por homologação a tese prevalecente tanto no âmbito administrativo, quanto no judiciário é a de que, decorridos 5 (cinco) anos da data da ocorrência do fato gerador decai o direito. de o FISCO lançar ou rever o lançamento, tendo em vista ter ocorrido a homologação tácita e: a condição resolutória inerente a essa modalidade, extinguindo-se o crédito tributário, com o pagamento antecipado. Aplica-se, portanto, ao pleito de restituição, o prescrito no art. 156, inciso VII, do Código Tributário Nacional, combinado com o ar,tigo 1° do Decreto nO20.910/32, ainda vigente e incorporado ao CTN, segundo o qual, todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 5 (cinco) anos da data do ato pu fato, do qual se originaram, quando não se tratar de pleito fundado em lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 11- Necessidade de Lei Complementar Após o advento da Constituição Federal de 1988, as normas sobre prescnçao e decadências tributárias passaram a ser definidas por lei complementar (art. 146,111, "b"). A Carta Constitucional vigente, em seu art. 149 atribui competência à União instituir contribuições sociais, observado o disposto no seu artigo 146, 111. O FINSOCIAL, instituído pelo Decreto-lei nO 2.049/83, regulamentado pelo Decreto nO92.698/96, que estabelecia o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de pleitear a restituição de indébito, a partir da 'vigência da Constituição Federal passou a se amoldar aos ditames do Código Tributário Nacional, que tem o statusde lei complementar, cujo prazo estabelecido é de 5 (cinco) anos para a prescrição e a decadência. Inaplicável, portanto à referida contribuição o prazo decadencial/prescricional de 10 (dez) anos previsto no Decreto-lei nO'2.049/83 e Decreto n° 92.698/86. 111- Lei Declarada Inconstitucional Por sua vez, a inconstitucionalidade da majoração de alíquota do FINSOCIAL superior a 0,5%, para as empresas comerciais e mistas, foi declarado, ainda que em controle difuso, pelo STF e reconhecida pela Administração na edição da MP n° 1110/95, publicada a 31/08/95, considerando-se que a Administração passou a reconhecer o direito ao pedido de restituição formulado pelo contribuinte, a partir da edição da MP. n° 1.621 - 36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98 . CONCLUSÃO À vista do acima exposto, cujos fundamentos entendo solidamente lastreados nos princípios constitucionais, nas leis que determinam sua fiel 33 ..~. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.647 301-31.008 \ observância, na jurisprudência e nas correntes doutrinárias, voto pelo prqyimento do recurso voluntário relativo à FINSOCIAL, no sentido de ser acolhida a preliminar de não ocorrência da decadência do pedido de restituição e conseqüente devolução do processo ao órgão prolator da Decisão de Primeira Instântia, afastada que está a preliminar de decadência pelos seus fundamentos, devendo a mesma autoridade analisar o mérito quanto aos demais aspectos do pedido (pagamentos efetuados, documentos acostados, acréscimos legais, planilhas de cálculo, períodos de apuração, idoneidade dos documentos, certificação dos recolhimentos, DARFs originais, ou não autenticados, créditos já compensados com outros tributos, etc). " Sala das Sessões, em 18 de fevereiro de 2004 34 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033 00000034 00000035
score : 1.0
Numero do processo: 15504.000490/2007-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/2006
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL .
O artigo 150 do Código Tributário Nacional, em seu parágrafo 4º, determina regra especial para contagem do prazo dentro do qual é permitido ao Fisco a constituição de seus créditos, por meio do lançamento, no caso dos tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação. Aplicação da regra específica de contagem do prazo decadencial quando observado a existência de pagamento, mesmo que parcial, e da ausência de dolo, fraude ou simulação por parte do sujeito passivo.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESVINCULAÇÃO DA REMUNERAÇÃO. CUMPRIMENTOS DOS REQUISITOS LEGAIS APLICÁVEIS. NECESSIDADE.
Os valores pagos a título de PLR não integram o salário de contribuição quando observados os requisitos constantes da lei de regência do instituto. O descumprimento de qualquer dos ditames da norma legal afasta seu caráter isentivo, restabelecendo a incidência tributária sobre os valores pagos aos segurados. Inteligência do artigo 176 do CTN.
PAGAMENTO DE VALORES COMO PREMIAÇÃO POR IDÉIAS DOS SEGURADOS APROVADAS PELA EMPRESA. AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO DA VERBA.
Não integra o salário de contribuição os valores pagos, pela empresa aos segurados, por idéias consideradas boas e úteis relativas ao meio ambiente, processos industriais e de trabalho, desperdício de matérias e/ou matérias primas, em razão da ausência de caráter contraprestacional, de tempo à disposição ou por não se referir aos casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho, não integrando, portanto, as parcelas remuneratórias percebidas pelos segurados.
Numero da decisão: 2201-004.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/2006 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL . O artigo 150 do Código Tributário Nacional, em seu parágrafo 4º, determina regra especial para contagem do prazo dentro do qual é permitido ao Fisco a constituição de seus créditos, por meio do lançamento, no caso dos tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação. Aplicação da regra específica de contagem do prazo decadencial quando observado a existência de pagamento, mesmo que parcial, e da ausência de dolo, fraude ou simulação por parte do sujeito passivo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESVINCULAÇÃO DA REMUNERAÇÃO. CUMPRIMENTOS DOS REQUISITOS LEGAIS APLICÁVEIS. NECESSIDADE. Os valores pagos a título de PLR não integram o salário de contribuição quando observados os requisitos constantes da lei de regência do instituto. O descumprimento de qualquer dos ditames da norma legal afasta seu caráter isentivo, restabelecendo a incidência tributária sobre os valores pagos aos segurados. Inteligência do artigo 176 do CTN. PAGAMENTO DE VALORES COMO PREMIAÇÃO POR IDÉIAS DOS SEGURADOS APROVADAS PELA EMPRESA. AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO DA VERBA. Não integra o salário de contribuição os valores pagos, pela empresa aos segurados, por idéias consideradas boas e úteis relativas ao meio ambiente, processos industriais e de trabalho, desperdício de matérias e/ou matérias primas, em razão da ausência de caráter contraprestacional, de tempo à disposição ou por não se referir aos casos de interrupção dos efeitos do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 04 90 /2 00 7- 25 Fl. 787DF CARF MF 2 contrato de trabalho, não integrando, portanto, as parcelas remuneratórias percebidas pelos segurados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 7ª Turma da DRJ Belo Horizonte/MG que manteve, integralmente, o lançamento tributário relativo às contribuições devidas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, FNDE, incidente sobre pagamentos realizados ao segurados empregados a título de PLR e Prêmio Idéias, em desacordo com a legislação. O sujeito passivo tem convênio para recolhimento direto ao FNDE e portanto, o presente lançamento decorre da Lei nº 11.457/07, que prorrogou as disposições do Decreto nº 6.003/06 Tal crédito foi constituído por meio de NFLD que contém o Debcad 37.126.5045 (fls. 2 do processo digitalizado), devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário no valor de R$ 1.529.692,77, em valores consolidados em outubro de 2007. A ciência pessoal da NFLD, que contém o lançamento referente às contribuições devidas no período de fevereiro de 1997 de dezembro de 2006, ocorreu em 6 de novembro de 2007, conforme se verifica às folhas 02. Em 04 de dezembro de 2007, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls.628). Em 26 de março de 2008, a 7ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 0217.613 (fls. 714), de forma unânime, julgou improcedente a defesa administrativa apresentada. Tal decisão tem o seguinte relatório que, por sua clareza e precisão, reproduzo (fls. 101): De acordo com o desdito no referido relatório, a Participação nos Lucros ou Resultados — PLR, paga no período de 02/1997 a Fl. 788DF CARF MF Processo nº 15504.000490/200725 Acórdão n.º 2201004.070 S2C2T1 Fl. 788 3 11/2000, foi em desacordo com a legislação pertinente, pelas seguinte razões a empresa não convenciona com seus empregados., por meio de comissão por eles escolhida, a forma de participação daqueles em seus lucros ou resultados em nenhum dos acordos mencionados no item 2 I l do "Relatório Fiscal foram estipulados critérios quanto à fixação de 'índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa'', tampouco houve o estabelecimento de "programas e metas, resultados pactuados previamente" , tendo empresa, para fins de pagamento da PLR, de resultados já atingidos no exercício anterior" os pagamentos das parcelas da 'participação nos lucros ou resultados foram efetuados quase sempre. no mês da celebração dos acordos e após o encerramento do exercício a que se referiam; verificamos que, apesar dos acordos coletivos fixarem um valor para o pagamento da PLR ( geralmente 120% a 130%), o valor do salário nominal acrescido de valor variável de RS.500,00 a R$700,0 a empresa efetuou o pagamento da PLR de acordo com 'critérios próprios' A titulo de. de exemplo citamos o pagamento da PLR do segurado empregado registro 540609 José Luciano Duarte Penido (Diretor Presidente), que apesar de possuir salário nominal em torno de R$ 23.000,00, no ano 2000, recebeu 03/1997 (83.7103,40 ), em 06/1998 (R$ 93.931,15) em 03/1999 (R$61.599,30), cm 08/1999 (R$ 32.236, 80), em 04/2000 (R5149 776,48) e 04/2000 (R$.38 412,27) valores estes bem acima do estipulado nos acordos coletivos Ainda, de acordo com o aludido relatório, as remunerações pagas a segurados empregados, a título de Prêmio ldéias, foram constatados pela auditoria fiscal, através das folhas de pagamento nos períodos 12/1999 a 12/2006 (código rubrica .1926) e, através de lançamentos contábeis nas contas 91.,2001 Adiantamento s/ Folha (período de 12/1999 a.12/2006 e 5041 40003, Campo Idéias/Marcas e Patentes (período de 04/2004 a 12/2009) A ação fiscal comandada pelo Mandado de Procedimento Fiscal fl'i 0941 1472F00 e complementares de fls.,129/13I, para o período de apuração janeiro de :1097 a dezembro de 2006 A documentação foi solicitada através dos .Termos de Inicio da Ação Fiscal TIAF e do Teimo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, às folhas 132 e 134 O contribuinte. teve ciência pessoal do lançamento em 06/11/2007,. conforme assinatura aposta no documento de fls. 01, e, conforme informação prestada às fls. 712, apresentou impugnação tempestiva em 04/12/2007, peça processual ¡untada aos autos sob fls. de nº 628 a 710 Fl. 789DF CARF MF 4 Em suas alegações, o impugnante aludiu os argumentos a seguir, relatados em síntese: faz. um breve relato dos latos que ensejaram a lavratura a da presente NFLD, diz (crie a notificação foi recebida e,rn 06 de novembro de 2007, e sendo o prazo de defesa de. 30 dias contados, a parti] do primeiro dia útil seguinte. ao recebimento, e que protocolada na presente data (04 de dezembro de 2007), é, portanto, tempestiva decadência com relação às contribuições sociais, cujos supostos fatos geradores ocorreram antes de 06 de novembro de 2002, sob o fundamento de que o prazo decadencial das contribuições sociais somente pode sei aquele previsto no Código Tibutário Nacional, lei materialmente complementar, o que afasta a incidência prazo decadencial contido na Lei n" 8.212 de 1991 (transcreve o artigo 146 da CF/88, art. 150 § §4º do CTN e entendimento do Superior Tribunal de Justiça); No Mérito, alega que não há como prevalecer a presente ação fiscal, devendo ser julgada improcedente a presente NFLD, pelos seguintes motivos (...)" Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 25 de junho de 2008 (AR fls 737), o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário (fls.738) no qual, na essência, reproduz seus argumentos da impugnação, a saber: · ocorrência de decadência; · a CF expressamente desvincula a PLR da remuneração, o que segundo jurisprudência que colaciona, garante a autoaplicabilidade do direito constitucional; · com o advento da MP794/94 vigente à época dos fatos mais ainda acertada a posição da recorrente, posto que explicita a desvinculação entre a remuneração e a PLR. · que o STF já decidiu que a participação dos sindicatos é imprescindível em qualquer negociação coletiva, o que inviabializa a exigência fiscal de constituição de comissão de empregados para negociar a participação nos lucros; · que a estipulação de parâmetros para a percepção da PLR é fruto da autonomia da partes, segundo a MP 794/94, posto que sua redação denota um rol exemplificativo de formas de fixação; · que os pagamentos foram realizados nos termos determinados no acordo coletivo firmado, sendo certo que a empresa tem acompanhamento mensal dos resultados; · que o pagamento mensal dos altos empregados decorre de expressa previsão do acordo coletivo firmado; Fl. 790DF CARF MF Processo nº 15504.000490/200725 Acórdão n.º 2201004.070 S2C2T1 Fl. 789 5 · que o pagamento após o encerramento do exercício foi determinado pelo acordo coletivo; · que os valores pagos a título de premio Idéias não integra a remuneração posto que são eventuais e desvinculados do serviço prestado pelo empregado; · os valores pagos a título de Prêmio Idéia não decorrem de condições objetivas preestabelecidas, podendo o empregado apresentar a idéia e não ver o reconhecimento; · que as idéias não necessariamente se vinculam a produtividade do empregado o que, segundo a doutrina e jurisprudência trabalhistas, afasta o caráter remuneratório da verba; · desproporcionalidade das multas e juros aplicadas. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Passo a apreciálo na ordem de suas alegações. DECADÊNCIA Alega o Recorrente a decadência do direito do Fisco a constituição do crédito tributário. "Porém, como passase a demonstrar, ao contrário do disposto na r. decisão recorrida, operouse os efeitos da decadência com relação às contribuições referentes ao período anterior à 06 de novembro de 2002, razão pela qual merece reforma a r. decisão recorrida. Conforme ,já relatado, através do presente procedimento fiscal pretendese cobrar da recorrente, contribuições supostamente devidas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação referentes ao período de fevereiro de 1997 a dezembro de 2006. Ocorre que, considerando que a notificação do lançamento ocorreu no dia 06 de novembro de 2007, operouse os efeitos da decadência com relação às contribuições sociais, cujos supostos fatos geradores ocorreram antes de 06 de novembro de 2002, pelas razões a seguir expostas. Fl. 791DF CARF MF 6 (...) A determinação da lei é no sentido de que a autoridade administrativa tem o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do rato gerador para concordar com as atividades exercidas pelo sujeito passivo, ou, delas discordar, hipótese em que calcular,.) o montante do tributo devido, na forma (slo art. 142 do CTN, notificando o sujeito passivo para seu pagamento ou impugnação, nos termos do art. 145, do CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. E no presente caso, conforme se constara do próprio Relatório da Notificação não foi comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, razão pela qual, o prazo decadencial para a constituição da contribuição social, nos exatos termos do § 4', do art, 150 do CTN, é de cinco anos a contar da ocorrência do respectivo fato gerador da obrigação tributária. Portanto, no lançamento por homologação, decorridos cinco anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, sem manifestação do sujeito ativo do tributo, temse por definitivamente constituído e simultaneamente extinto o crédito tributário (§ 4' do art. 150 do CTN), hipótese em que não se cogita de prazo prescricional." Assiste razão ao Recorrente. Houve decadência de parte dos valores lançados. Vejamos. Pacífico hoje na doutrina tributária que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, assim entendidos aqueles em que a lei determina a antecipação do pagamento pelo sujeito passivo, se submetem à contagem do prazo decadencial pela regra contida no parágrafo 4º do artigo 150 do Código Nacional Tributário, CTN. Porém, mister ressaltar, com tintas fortes, que a regra geral para contagem do prazo decadencial é aquela esculpida no artigo 173 do CTN que determina que o prazo de cinco anos para que o Fisco proceda a constituição do crédito por meio do lançamento é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. A regra excepcional, como dito, se aplica somente aos tributos nos quais a Lei determina a antecipação do pagamento, chamados de tributos sujeitos ao auto lançamento ou lançamento por homologação, que como cediço, são a maioria dos tributos existentes em nosso ordenamento jurídico hodiernamente. Porém, não se aplica de imediato a regra excepcional de contagem do prazo decadencial. Exige, a jurisprudência pacífica do STJ (REsp 973733/SC, Rel Min Luiz Fux, Primeira Seção, julg em 12/08/09, recurso repetitivo), amparada na disposição constante do § 4º do artigo 150 do CTN, outras duas condições para a aplicação da regra excepcional: i) a existência de efetivo pagamento, ao menos que parcial, do tributo em análise e; ii) a inexistência de conduta dolosa, fraudulenta ou simulada. Em conclusão, aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando existente a devida antecipação do pagamento e não tendo ocorrido fraude, dolo ou simulação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos a partir da ocorrência do fato gerador. Fl. 792DF CARF MF Processo nº 15504.000490/200725 Acórdão n.º 2201004.070 S2C2T1 Fl. 790 7 Nesse sentido, consolidouse a jurisprudência no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A Súmula CARF nº 99 explicita tal posição: "Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." Assim, considerando que consta do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, TEAF, que houve verificação de guias de recolhimento (GPS) e de GFIP's, e mais, considerando que não houve constituição de crédito tributário de outras rubricas, com base na folha de pagamento de salários, considero aplicável a Súmula CARF nº 99 ao caso concreto. Logo, tendo o lançamento se aperfeiçoado com a ciência do sujeito passivo em 06 de novembro de 2007, e considerando a inexistência de fraude, dolo ou simulação, deve se contar o 'dies a quo' a partir do fato gerador, ou seja, verificase a decadência dos créditos tributário lançados anteriormente a outubro de 2002, inclusive. Do exposto, dou provimento ao recurso para reconhecer a decadência dos valores lançados relativos as competências de 02/1997 a 10/2002. VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR Constam do recurso voluntário, os seguintes argumentos sobre o pagamento dos valores a título de PLR. Tais argumentos são construídos a partir de uma visão panorâmica da legislação e jurisprudência, sendo combatido posteriormente pontos específicos da legislação. Vejamos os pontos principais da argumentação ( fls. 747): "O Colendo Superior Tribunal de Justiça, acolhendo o entendimento esposado pela doutrina majoritária, vem entendendo que o dispositivo constitucional suscitado, na parte em que determina que a participação nos lucros ou resultados é desvinculado da remuneração, é autoaplicável, conforme julgado transcrito a seguir: 'RECURSO ESPECIAL. ALÍNEA 'A' :TRIBUTÁRIO SALÁRIO DECONTRIBUICÃO. VERBAS PERCEBIDAS PELOS EMPREGADOS A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCR0S, NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO, PREVIDENCIÁRIA, ARTIGO 7', INCISO XI, DA CONS77T1:71VÁO FEDERAL NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA, APENAS EM PARTE A RT 28 § 9º, LETRA ',I ', DA LEI N 8 212/91, RECURSO NÃO CONHECIDO. A questão merece ser apreciada no âmbito exclusivamente infraconstitucional, 17010dOillellie à 1112 do Oi i 28, ,' 9", leira j', da Lei n. 8„ 212/91, com observância do inciso X/ do artigo 7º da Carta Magna, Deve prevalecer o entendimento segundo o Fl. 793DF CARF MF 8 qual a análise da aplicação de uma lei federal não é incompatível com o exame de questões constitucionais subjacentes ou adjacentes. A competência somente seria deslocado para a Máxima Corte se a v. decisão recorrida tivesse julgado o feito único e exclusivamente sob o prisma constitucional, o que se não verifica na espécie. A letra fria desse dispositivo da Carta Maior embora não totalmente autoaplicável ou de eficácia contida, é plenamente: eficaz num ponto, mesmo antes da Medida Provisória n. 794/94, de 29 de dezembro de 1994, ou seja, no que diz respeito à desvinculação entre participação nos lucros e remuneração do trabalhador. Recurso não conhecido." (Resp n''' 283.512, Rei, Min. Franciu1li Neito, D.1 de .31032003, p. 190). No mesmo sentido o Resp n" 381.246RS, Dl de 2362003, p. 312 e Resp 438.712RS, D,r, de 1252003, p. 284, ambos de relatoria do mesmo Min. Franciulli Netto, Os Tribunais Regionais Federais em diversos julgados também adota! aro o mesmo entendimento, conforme ementas abaixo transcritas: (...) Constatase da .jurisprudência supra citada que diversos Tribunais pátrios, em relação à desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração, sustentam a auto aplicabilidade Desta forma, resta demonstrado que, mesmo antes da regulamentação feita pela Medida Provisória n° 794/94, a maioria da jurisprudência de nossos 'Tribunais já entendia pela autoaplicabilidade do dispositivo constitucional quanto à desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração. No entanto, como o período da presente autuação fiscal é posterior à regulamentação feita pela Medida Provisória o' 794/94, ainda que se acolha o entendimento da r. decisão agravada de que o dispositivo constitucional suscitado não é autoaplicável, o que se. admite somente para fins de argumentação, em razão da referida MP, dúvida não resta quanto à eficácia plena da determinação constitucional que determina a desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração percebida pelos empregados. Destarte, é o próprio texto constitucional que exclui, de forma expressa, a natureza remuneratória das participações dos empregados nos lucros, ou resultados auferidos pela empresa. (...) Assentados tais pressupostos, passase a combater um a um. todos os argumentos expostos na r. decisão recorrida que, de forma equivocada, data máxima vênia levaram à manutenção do credito tributário exigido pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD) n° 37.126.5045. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 15504.000490/200725 Acórdão n.º 2201004.070 S2C2T1 Fl. 791 9 a) Da instituição da participação por acordo coletivo: As Medidas Provisórias, a exceção da primeira, não previam a possibilidade de fixação da participação nos lucros por meio de acordo coletivo. Destarte, baseada nessa questão a fiscalização entendeu que o fato da empresa não pagar a participação nos lucros com base em convenção rumada por meio de urna comissão de empregados, seria contrário ao diploma normativo regente da matéria. Ocorre que, o Supremo Tribunal Federal entendeu, liminarmente, que a disposição do art. 2', § 1' das MP's era inconstitucional, por violar o art, 8', VI da Carta Federai., que determina a imprescindibilidade dos sindicatos nas negociações coletivas. O acórdão da medida cautelar leva a seguinte ementa: (...) Constatase que, o Supremo Tribunal Federal, em decisão com eficácia erga omnes, entendeu que os acordos de participação nos lucros não poderiam ser pactuados por comissão interna. Portanto, a recorrente não poderia ter feito os acordos de participação nos lucros os através de comissão interna sem que incorresse em inconstitucionalidade e desrespeitasse a autoridade da decisão do Augusto Pretório. Vinculada que estava pela decisão da Corte Constitucional, a úmica solução que restou à recorrente foi fazer o acordo coletivo, Desse modo, não há como prevalecer a autuação, uma vez que a empresa respeitou a Constituição, as Leis e as decisões da Corte Suprema da República. In casu, a recorrente, ao pactuar a participação nos lucros através de acordo coletivo estava agindo no estrito cumprimento de dever legal. Em direito penal, o estrito cumprimento de dever legal é causa de excludente • ilicitude do fato típico , sendo que o mesmo, por analogia, deve se dar no direito tributário. Nas palavras de Fernando Gaivão: (...) As regras trabalhistas devem ser interpretadas favoravelmente ao emprcgado, nos termos do princípio da proteção. Segundo Maurício Godinho Delgado o princípio da proteção "seria inspirador amplo de todo o complexo de regras, princípios e institutos que compõem esse ramo jurídico especializado. Desse modo, a interpretação da regra do art, 2 0 das diversas MP's que regulam a matéria é no sentido de que a participação pode ser feita por acordo coletivo.. Não existe qualquer argumento legal para não se :aceitar a pactuação na participação nos lucros por acordo coletivo. Com Fl. 795DF CARF MF 10 eleito, se esse instrumento se presta a regular as relações de emprego de uma forma ampla, não há porque excluir do seu âmbito de normatividade a regulação da participação nos lucros.. Se o acordo coletivo pode suprimir vantagens trabalhistas, não existe motivo para lhe negar a possibilidade de instituílas. Quem pode o mais, pode o menos Ressaltese que o Tribunal Superior do Trabalho já decidiu diversas vezes tal como ora esposado, como no julgamento do Recurso de Revista n" 523.781, publicado no .Diário da Justiça de 06 de dezembro de 2002, entendendo que acordo coletivo, vigente entre setembro de 1996 a setembro de 1997, portanto anterior à Lei 10.10] /00, é instrumento hábil para fixação de regras para a participação de lucros. No mesmo sentido, ainda citase o RR. 792217 4" T. — Rel. Min, Antônio José de Barros Levenhagen I 12,12.2003. A doutrina não discrepa do entendimento jurisprudencial, Sérgio Pinto Martins, escrevendo sob a égide da Medida Provisória n° 1.619/97, entendia que: ".4 participação nos lucros pode ser decorrente de lei, do contrato de trabalho, do regulamento de eurresa, de acordos ou convenções coletivas ou outras determinações da empresa.' (...) b) Da não estipulação de critérios para participação dos empregados nos lucros: Conforme se depreende da r. decisão recorrida, a autoridade administrativa entende que para que o acordo de distribuição de lucros seja válido é necessário que ele estabeleça critérios como "índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa" ou que ele determine a criação de "programas de metas, resultados e prazos, pactuadas previamente" Cumpre dizer que inexiste na lei tal determinação. Em clara violação ao art. 5º, II e 37, caput da CF/88, a fiscalização transformou uma norma exemplificativa em cogente Conforme se depreende do art. §1º da Lei 10,101/00, que é o mesmo desde a primeira MP, o acordo que determina a forma de pagamento das participações no lucro devera ter regras claras, "podendo ser considerados, entre outros" os critérios que a fiscalização entende cogentes.. O que se depreende do §1" do art. 20 é que no acordo de participação nos lucros deverão constar regras claras referentes "à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo". A forma como tal dispositivo será cumprido, a lei deixa à autonomia das partes, sendo absolutamente certo que os critérios dos incisos 1 e II são meramente exemplificativos. (...) c) Pagamento das parcelas após o exercício a que se refiram: Tal argumento também é desprovido de razoabilidade, pois tal como demonstrado, a empresa efetuou o pagamento das Fl. 796DF CARF MF Processo nº 15504.000490/200725 Acórdão n.º 2201004.070 S2C2T1 Fl. 792 11 participações FIOS lucros, nos termos do que ficou determinado no acordo coletivo, Certo que a empresa tem acompanhamento mensal de resultados, base sobre as quais determina as participações dos altos empregados, que por ocuparem a peculiar situação de comando na empresa, recebem sua parte mensalmente, Ressaltese que não existiria, a princípio, óbice para que os empregados, de urna maneira geral, recebessem segundo a mesma toi tua, contudo, o acordo coletivo que rege a matéria, negociado livremente entre a recorrente e os sindicatos de seus trabalhadores, determina de forma diferente, Dessa forma, a participação nos lucros é paga a esses empregados após o fechamento do exercício, porque assim determinam as regras do acordo coletivo pertinente. Não existe motivo para que se entenda essa forma de pagamento inválida. Mesmo porque não existe, em qualquer lugar do Direito Pátrio, norma que determine que a participação nos lucros deva ser paga no mesmo exercício de sua apuração ou que todos os empregados devem receber a participação segundo os mesmo critérios, In casu a Administração, data maxima venia não está cumprindo fielmente a lei, mas a criando. (...) d). Do pagamento de participação nos lucros segundo critérios próprios: Do procedimento fiscal, depreendese ainda que, no entendimento da i. fiscalização, apesar dos acordos coletivos, a recorrente teria pago participação dos lucros segundo critérios próprios a alguns empregados, dando a entender que a empresa desrespeita os acordos celebrados, pagando as participações nos lucros de forma diferente do que acordado. Data maxima venia, não é absolutamente disso que se trata. O que ocorre é que certos empregados, como o Diretor Presidente citado pela NFLD, recebem segundo critérios que lhes são próprios, não havendo motivo, de qualquer ordem, que invalide tal procedimento, mesmo porque albergado pela LSA. O que ocorre é que em frontal violação ao caput do art. 37, aos princípios da legalidade e da moralidade administrativa, a i. fiscalização criou uma regra .jurídica, que inexiste em qualquer parte da legislação brasileira, segundo a qual todos os empregados da empresa devem receber segundo critérios semelhantes. O argumento da fiscalização, ora atacado, é inaceitável. "Não é possível que se aplique (não apenas quanto à participação nos lucros, como sobre qualquer prisma) o mesmo critério para trabalhadores operacionais e para o Diretor da empresa. Existe urna disparidade tão grande entre essas pessoas, de responsabilidade, envolvimento no negócio, etc., que é absurdo que se diga que a • empresa violou o Direito Pátrio por pagar, segundo critérios distintos, os trabalhadores operacionais e o Diretor Presidente." Fl. 797DF CARF MF 12 Recordemos a imputação fiscal (fls. 150): "2:1 Remunerações pagas a segurados empregados a título de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS — PLR 2 1.1 Foram solicitados da empresa, através de TIAD — Termo de Intimação para Apresentação de Documentos especifico datado de 25/09/2007, os acordos específicos de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR) A empresa apresentou apenas os Acordos Coletivos de Trabalho da categoria onde constam, entre outras, cláusula relativa ao pagamento de PLR. Em função destes acordos, e não dos específicos para o pagamento da PLR com todas as exigências legais, a empresa fez os pagamentos a seus empregados A seguir, citamos cláusulas referentes ao pagamento do PLR previstas em alguns dos acordos coletivos de trabalho firmados com os diversos Sindicatos: 2 1 11 — Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico no Estado do Espírito Santo ACORDO COLETIVO Assinado em 28/08/2000 Vigência: 01/08/2000 a 31/07/2001 Pagamento: 31/08/2000 (...) 2 1 2 Os valores pagos pela empresa a título de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS, no período de 02/1997 a 11/2000, integram o saláriodecontribuição, de acordo com o art 28, inciso I, e § 9° da Lei n.° 8212191, a seguir reproduzidos: (...) 2 1 3 Pelos dispositivos transcritos acima, a participação nos lucros ou resultados da empresa somente é excluída do salário decontribuição quando concedida nos termos de lei especifica A partir de 29/12/94, em face da Medida Provisória .794/94 e das suas reedições é que o § 9° do art 28 da Lei n ° 8 212/91 passou a ter eficácia plena. Os artigos 1°c 2° da citada Medida Provisória e reedições dispõem: . "Art 1'. Esta Medida Provisória regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7 0 , inciso XI, da Constituição Federal Fl. 798DF CARF MF Processo nº 15504.000490/200725 Acórdão n.º 2201004.070 S2C2T1 Fl. 793 13 Art 2' Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, por meio de comissão por eles escolhida, a forma de participação daqueles em seus lucros ou resultados Parágrafo 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras objetivas inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (grifamos) 2 1 4 A intitulada PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR) foi paga no período citado em desacordo com os artigos transcritos acima, como se pode observar pela análise das cláusulas do "ARTIGO SÉTIMO, INCISO XI DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL" dos acordos coletivos mencionados no item 2 1 1 devido a: A empresa não convenciona com seus empregados, por meio de comissão por eles escolhida, a forma de participação daqueles em seus lucros ou resultados Em nenhum dos acordos mencionados no item 2 1 1 deste Relatório Fiscal foram estipulados critérios quanto à fixação de "índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa", tampouco houve o estabelecimento de "programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente", tendo a empresa, para fins de pagamento da PER, se utilizado dos resultados já atingidos no exercício anterior; Os pagamentos das parcelas da "participação nos lucros ou resultados" foram efetuados quase sempre no mês da celebração dos acordos e após o encerramento do exercício a que se referiam; Verificamos que, apesar dos acordos coletivos fixarem um valor para o pagamento da PER (geralmente 120% a 130% do valor do salário nominal acrescido de valor variável de R$500,00 a R$ 700,00) a empresa efetuou o pagamento da PLR de acordo com "critérios próprios" A título de exemplo citamos o pagamento da PER do segurado empregado Registro n° 549609 José Luciano Duarte Penido (Diretor Presidente), que apesar de possuir salário nominal em torno de R$23 000,00 no ano de 2000, recebeu em 0311997 (R$83 710,40), em 06/1998 (R$93 931,15), em 03/1999 (R$61 599,30), em 08/1999 (R$32 236,80), em 04/2000 (R$149.776,48) e 08/2000 (R$38 412,27) valores estes bem acima do estipulado nos acordos coletivos 2 1 Fl. 799DF CARF MF 14 5 Pelos fatos explicitados no item anterior, constatase que os pagamentos efetuados pela empresa a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados não observaram a legislação específica Dessa forma o referido pagamento constitui em parcela salarial integrante do saláriodecontribuição, consoante art 37, § 10 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social, aprovado pelo Decreto 356/91, com alterações do Decreto n° 612/92, reproduzido a seguir: (...) A leitura dos excertos acima demonstra os pontos de divergência a serem aplainados. Se os valores pagos a título de PLR cumpriram os requisitos legais no tocante ao: i) instrumento de formalização dos programas de participação nos lucros; ii) a existência de metas predeterminadas que ensejassem o pagamento dos valores a titulo de PLR. E mais, adequação dos pagamentos realizados às metas estipuladas quanto: iii) ao momento desse pagamento; e iv) valores estipulados. Analisemos. Antes porém mister algumas considerações. Vejamos a incidência tributária no caso das verbas pagas como participação nos lucros e resultados. Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como Fl. 800DF CARF MF Processo nº 15504.000490/200725 Acórdão n.º 2201004.070 S2C2T1 Fl. 794 15 sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro Fl. 801DF CARF MF 16 resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra de dúvida, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições pré estabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a MP 794, de 29/11/1994, transformada na MP 1.982, e posteriormente na Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Fl. 802DF CARF MF Processo nº 15504.000490/200725 Acórdão n.º 2201004.070 S2C2T1 Fl. 795 17 Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Nesse sentido, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a Fl. 803DF CARF MF 18 exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à norma legal que disciplina tal matéria, seja a MP 794 ou a Lei nº 10.101, de 2000, que dispõem sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos legais para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Da disposição legal hoje vigente, podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Esses requisitos, os requisitos legais vigentes, que devemos interpretar literalmente, ou como preferem alguns, restritivamente. O alcance de um programa de PLR, ao reverso, não pode distinguir determinados tipos de trabalhadores, ou categorias de segurados. Não pode o Fisco valorar o programa de meta, ou mesmo emitir juízo sobre a participação sindical. A autoridade lançadora deve sim, verificar o cumprimento dos ditames da legislação de regência. Fl. 804DF CARF MF Processo nº 15504.000490/200725 Acórdão n.º 2201004.070 S2C2T1 Fl. 796 19 Votemos ao caso concreto, após a necessária digressão. Vigia, no período da atuação a MP 794/94, que continha a seguinte redação: Art. 1º Esta medida provisória regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal. Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva, a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário. § 1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente medida provisória, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. § 3º A periodicidade semestral mínima referida no parágrafo anterior poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 1995, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias ou previdenciárias. § 4º As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto. (destaquei) Fl. 805DF CARF MF 20 Tal medida provisória foi reeditada pela MP 860/1995, que assim se pronunciava: O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 62 da Constituição Federal, adota a seguinte medida provisória, com força de lei: Art. 1º Esta medida provisória regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos dos arts. 7º, inciso XI, da Constituição Federal. Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, por meio de comissão por eles escolhida, a forma de participação daqueles em seus lucros ou resultados. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente medida provisória, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. § 3º A periodicidade semestral mínima referida no parágrafo anterior poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 1995, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias ou previdenciárias. § 4º As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de Fl. 806DF CARF MF Processo nº 15504.000490/200725 Acórdão n.º 2201004.070 S2C2T1 Fl. 797 21 rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto." (negritei) Com o advento da Lei nº 10.101/00, assim, textualmente, dispõe a legislação hoje de regência: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos) A leitura da legislação aplicável nos demonstra a estabilidade de alguns requisitos e a ligeira alteração de outros. Observo, com clareza, que a forma da necessária e sempre presente exigência de negociação entre as partes oscilou entre as diversas normas legais, da exigência da negociação por instrumento coletivo, para a determinação da negociação por meio de comissão constituída especificamente para esse fim e chegando, posso dizer se assentando, na autodeterminação das partes entre um dos dois modelos e até mais, Fl. 807DF CARF MF 22 entre a utilização dos dois modelos, como hodiernamente se entende, quando se aceita que uma empresa firme mais de um programa de PLR com os segurados a seu serviço. Ora, por se tratar de uma legislação específica, claudicante ao longo do tempo no que toca a forma de negociação, se por instrumento coletivo ou se por comissão específica, forçoso reconhecer como faz a doutrina e a jurisprudências citadas no apelo que, havendo instrumento que comprove a existência de negociação entre as partes, há respeito às exigência legais existentes sobre esse ponto específico. Logo, necessário firmar que, no caso concreto, sendo o programa de PLR ajustado por meio de instrumento coletivos firmados com os sindicatos representativos das categorias profissionais dos trabalhadores da empresa, consoante se verifica às folhas 150 a 152 do relatório fiscal, houve cumprimento de tal requisito constante da legislação isentiva. Porém, a mesma razão não assiste ao recorrente quanto à determinação de metas. Não existem metas ajustadas nos instrumentos firmados entre a Recorrente e o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Espírito Santo; do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Mariana, e do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Belo Horizonte, Nova Lima, Sabará e Santa Luzia anexados às folhas 690 a 711. Mister ressaltar que tal ponto não é refutado pelo Recorrente, que defende que a existência de metas é somente um dos critérios, restando à autonomia das partes a definição das regras claras referentes à "fixação dos direitos substantivos da participação". Vejamos a reprodução de seus argumentos, com o perdão da repetição (fls. 757): O que se depreende do §1" do art. 20 é que no acordo de participação nos lucros deverão constar regras claras referentes "à Nação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo". A forma como tal dispositivo será entupi ido, a lei deixa à autonomia das partes, sendo absolutamente certo que os critérios dos incisos 1 e II são meramente exemplificativos. Sérgio Pinto Martins entende que: "O próprio inciso TI (no caso das !til' • alínea 19) do § 1' do art. 2" menciona programa de metas, resultadas e prazos, que deveriam ser pactuados previamente, como um dos critérios de distribuição a serem previstos nos sistemas de negociação Outras critérios., porém, podem ser utilizados, pois o ,§ 1º do art. 2º, usa a expressão 'entre outros denotando ser exemplificativa a enumeração que faz, e não taxativa (MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. .16a Ed., São Paulo: Ed. Atlas, 2002. p, 262) Os acordos coletivos trazidos à colação pela fiscalização estão plenamente de acordo com a referida regra legal, uma Ve7 que eles fixam os direitos substantivos dos empregados (recebimento de um percentual do salário, mais uma parcela fixa), as regra adjetivas (que estabelecem quando as verbas serão pagas), periodicidade da distribuição (uma vez por exercício social), período de. vigência (o período de vigência do acordo coletivo, Fl. 808DF CARF MF Processo nº 15504.000490/200725 Acórdão n.º 2201004.070 S2C2T1 Fl. 798 23 via de regra, um ano) e prazo para revisão do acordo (quando da negociação do próximo acordo coletivo). Dessa forma, estando fixados todos os parâmetros os não há porque se exigir os critérios colocados na lei como exemplo para determinar a participação, dado que, em sede de negociação coletiva, outros foram adotados, que atendem perfeitamente ao comando legal." Não se pode concordar com tais argumentos no caso concreto. Ainda que se entendesse como o Recorrente o que se alega somente por amor ao debate qual seria o parâmetro adotado? O que, qual condição, qual resultado ou meta, deveria atingir o empregado para fazer jus à participação. Não esqueçamos que como dito acima os valores percebidos a título de PLR se ajustam, em tudo e por tudo, aos bônus ajustados, assim entendidos os valores pagos quando o empregado cumpre uma meta pactuado com o empregador. Logo, a inexistência de prévio ajuste sobre o desempenho ou tarefa a ser realizada pelos empregadores ofende a lei isentiva que rege o pagamento de participação nos lucros ou resultados. Essa é a determinação observada no texto legal vigente à época dos fatos: MP 794/94: Art. 2º; ....." Parágrafo 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras objetivas inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente." (destaques nossos) Não há definição de regras claras e objetivas. Aliás, dos instrumentos acostados às folhas 690 a 711, não determinação de nenhuma regra, nenhum ajuste. Como explicitado acima, para que se goze do manto isentivo posto pela lei vigente sobre o tema, necessário que se cumpra as determinações constantes de tal diploma legal. O descumprimento de somente um dos requisitos para o gozo da isenção, afasta a norma tributária benéfica, atraindo 'in totum' a incidência tributária legalmente prevista. Esse é a inteligência do Código Tributário Nacional sobre o tema. Recordemos suas disposições: Fl. 809DF CARF MF 24 "Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração." Logo, despiciendo analisar as demais questões recursais no tocante às verbas pagas a título de Participação nos Lucros e Resultados. Muito embora todo o exposto, necessário recordar que o período do lançamento da PLR esta coberto pelo manto decadência apontada na preliminar de mérito. Recurso provido nessa parte VALORES PAGOS A EMPREGADOS A TÍTULO DE PRÊMIO IDÉIAS Sobre o tema, assim se insurge o Recorrente (fls. 764): "Ocorre que não há como prevalecer a pretensão Fiscal também quanto a este ponto, merecendo reforma a r. decisão 'ocorrida. O Campo de Idéias é um programa de estímulo, reconhecimento e recompensa às idéias dos empregados da I ocorrente. Também podem participai.. do programa Os estagiários e os empregados das empresas contratadas. É considerada "idéia" qualquer mudança que traga benefício à organização e seja implementável, incluindo reaproveitamento de idéias entre processos Ou de Outras empresas, Após a produção da idéia, esta é cadastrada em um sistema informatizado que faz o gerenciamento de todo o processo do Campo de Idéias„ Na seqüência, elas serão avaliadas e classificadas,. Todas as idéias são avaliadas e classificadas pelo chefe imediato, tratandose de idéias simples e pelo superior do chefe imediato, no caso de idéias complexas. É realizado um evento anual denominado "Evento Anual Campo de Idéias", através do qual são reconhecidas e. recompensadas as melhores ideais implementadas no ano anterior nas duas unidades da recorrente em Germano c Ubu. Pelas características do programa acima descritas e pela forma como é feito o pagamento do prêmio pelas melhores idéias, constatase que, em hipótese alguma, tais valores podem ser considerados como parcela integrante do saláriode contribuição, assim como quer fazer crer a autoridade administrativa." Sobre o ponto, a Autoridade Fiscal assim se manifestou em seu relatório (fls. 155): 2.2 Remunerações pagas a segurados empregados a título de PRÊMIO IDÉIAS. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 15504.000490/200725 Acórdão n.º 2201004.070 S2C2T1 Fl. 799 25 21 1 Mencionados pagamentos, foram efetuados pela empresa e constatados pela auditoria fiscal, através das folhas de pagamento durante o período 12/1999 a 12/2006 (cód Rubrica 1926), e, através de lançamentos contábeis a titulo de Prêmio Idéias nas contas 912001 — Adiantamento S/Folha (período de 12/1999 a 12/2003) e 50414003 — Campo Idéias/Marcas e Patentes (período de 01/2004 a 12/2006) 2 2 2 A empresa dispõe de um programa de estímulo, reconhecimento e recompensa às contribuições (idéias), denominado "Campo de Idéias" De acordo com norma do programa, apresentado pela empresa à auditoria fiscal, pode participar do programa Campo de Idéias, todos os empregados da Samarco, seus estagiários e empregados de contratadas O programa Campo de Idéias define idéia, como qualquer mudança que traga benefícios à organização e seja implementável, incluindo o reaproveitamento de idéias entre processos ou de outras empresas A recompensa por parte da empresa aos empregados, estagiários e empregados de contratadas é reconhecida e expressa em espécie monetária através de valores préestabelecidos para idéias simples, idéias complexas e idéias de alto impacto, além de premiação extra também expressa em valores monetários às idéias consideradas e julgadas periodicamente como as melhores do ano anterior. 2 2.3 Verificamos que os lançamentos contábeis correspondentes às operações relacionadas a Prêmio Idéias são efetuados como despesas pagas diretamente aos beneficiários, despesas antecipadas por adiantamentos sobre folha e por baixas de provisões de despesas, o que permite entender, que a empresa considera tal dispêndio, um custo operacional constante, passível de adiantamentos ou provisões 224 Verificamos também, que a rubrica 1926 (Prêmio Idéias) durante o período de 12/1999 a 12/2006, é presente de forma constante e inclusive se repete para os mesmos beneficiários em períodos seqüenciais, como demonstra os exemplos a seguir, extraídos dos arquivos digitais da folha de pagamento: (...) 2 25 As constatações relatadas nos subitens 2 2.3 e 2 2.4 deste relatório permitem considerar que os valores remunerados a titulo de Prêmio Idéias não podem ser entendidos como eventuais tanto para a empresa quanto para os empregados." (destaques não constam do original) Assiste razão ao Recorrente. Não integra a remuneração valores pagos aos trabalhadores que visem recompensar idéias desses sobre o ambiente de trabalho, o meio ambiente do trabalho, os meios e modos de produção, a redução de desperdício de materiais ou matérias primas, etc... Discorri longamente, como nota teórica sobre o conceito de remuneração, antes de analisar as verbas pagas a título de PLR. Em resumo, asseverei que se observa que a Fl. 811DF CARF MF 26 verba paga tem natureza remuneratória quando: presentes: i) o caráter contraprestacional; ii) o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, iii) o caráter de interrupção do contrato de trabalho; iv) ou o dever legal ou contratual do pagamento. Nesses, e somente nesses casos, a verba recebida diretamente do empregador terá natureza salarial. A essa verba, se acresce a gorjeta, e teremos assim, as verbas remuneratórias. Todo o resto, remuneração não é. Não se pode admitir que um valor pago quando o trabalhador tiver uma idéia, qualquer idéia seja ela sobre seu trabalho ou não e sendo essa idéia considerada boa e útil pelo seu empregador, tenha natureza remuneratória. Nítido caráter premial. Nítido caráter de fomento criativo. Cristalino incentivo a participação do indivíduo na sociedade, na empresa, na coletividade. Não é pagamento pelos serviços prestados por força do contrato de trabalho. Recurso provido nessa parte. DESPROPORCIONAI IDADE DA MULTA E DOS JUROS APLICADOS Alega o Recorrente (fls. 772): "Constatase que o dispositivo legal que fundamentou aplicação da multa, qual seja, art. 35, inciso II, da Lei IV 8,212/91, estabeleceu unia progressão de alíquotas em função do tempo decorrido para o pagamento do tributo exigido pelo fisco, sem qualquer proporção com a suposta infração cometida, o que atenta contra os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, bem como contra os princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo utilizado tal artifício para forçar a recorrente a pagar contribuições que, como demonstrado, não são devidas. Desvirtuado, desta forma, o papel da multa que não tem a função de coagir o contribuinte a recolhimento de tributo, ainda mais no presente caso, onde as contribuições sociais pretendidas são notoriamente indevidas, ficando evidenciado o caráter confiscatório das multas aplicadas. Destarte, a aplicação da referida multa à recua ente se torna alem de afrontar os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Ressaltese ainda que a recorrente faz jus à redução da multa no percentual de 50%, nos termos do § 4" do art. 35 da Lei a' 8.212/91, que estabelece que: (...) Noutro o norte, a Taxa Selic, conforme entendimento jurisprudencial dominante, não é instrumento hábil para o cômputo de juros moratórios em caso de créditos tributários, O entendimento sedimentado pela jurisprudência é no sentido de que "a Taxo Selic tem natureza remuneratória, ,sendo concebida Fl. 812DF CARF MF Processo nº 15504.000490/200725 Acórdão n.º 2201004.070 S2C2T1 Fl. 800 27 como forma de remuneração do capital empregado nas aquisições dos títulos da dívida, Não se pode equiparar os contribuintes com os aplicadores, estes praticam ato de vontade, aqueles são submetidos coercitivamente ao ato de império (TJMG, 7ª Câmara Cível, Apelação Cível nº 000.331,3096/00, voto do Rel.. Des. Edivaldo George dos Santos, data do acórdão 05/05/2003) A aplicação da Taxa Selic implica no aumento de tributo sem lei específica a respeito, razão pela qual não pode ser utilizada como taxa referencial para a cobrança dos juros" Sobre o tema, assim se pronunciou a decisão de piso (fls. 735): A fundamentação legal para as cobranças da contribuição e os acréscimos legais (multa e juros, estão no anexo de FLD (fls. 181/190), cuja cópia foi entregue à empresa como parte integrante. da NFLD, tendo a fiscalização se limitado a dar eletivo cumprimento à lei, uma vez que, seu ato é vinculado, não cabendo á mesma reduzir o valor da contribuição, ou dos acréscimos legais, logo não merece acolhida o pedido para que seja aplicado a redução da multa no percentual de 50%, nos termos do §4º do artigo 35 da 1ei nº 8.212 de 1991, pois as; contribuições não foram declaradas em GFIP (Guia de. Recolhimento do Fundo de. Garantia do Tempo de Serviço e Informações.s à Previdência Social),bem como a exclusão, dos juros aplicados com base, na taxa SELIC" Posto isso, não assiste razão a defendente, pois que cabe à fiscalização, de acordo com a reserva legal, formalizar o crédito tributário nos exatos termos do disposto na Lei." Não merece reparos a decisão de piso. Como bem assentado não cabe a redução prevista no § 4º do artigo 35 da Lei 8.212/91 no caso em tela posto que, como visto, não houve a informação dos valores constantes no lançamento tributário guerreado, na GFIP. A necessidade da inclusão dos valores em GFIP para a fruição do beneplácito legal é mencionada no próprio recurso. Vejamos: "Ressaltese ainda que a recorrente faz jus à redução da multa no percentual de 50%, nos termos do § 4" do art. 35 da Lei a' 8.212/91, que estabelece que: "§4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso .IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou empresa dispensada de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos reduzida elo cinqüenta por cento." Através da análise dos dispositivos suscitados constatase que a recorrente está dispensada da apresentação da GF1P, uma vez que conforme restou demonstrado, o pagamento da participação Fl. 813DF CARF MF 28 nos lucros ou resultados e do prêmio idéias não constitui fato gerador da contribuição social. Desta forma, na eventualidade de ser mantida a cobrança das contribuições sociais, a recorrente faz jus à redução de 50% da multa aplicada, nos exatos termos do § 4' do art., 35 da Lei ri' 8„212/91, unia vez que dispensada de apresentação do documento informador de dados relacionados com o fato gerador da contribuição social, no tocante as parcelas pagas a título de participação nos lucros e prêmio idéias" Ora, não houve o reconhecimento acima. Claro que, em face do provimento apontado, nada restará da sanção imposta. Por fim, no tocante ao cabimento da compensação moratória do crédito constituído com base na variação da taxa SELIC, me filio ao entendimento majoritário deste Conselho Administrativo. Recordemos. A incidência dos juros nos créditos tributários inadimplidos decorre de Lei. Não obstante, tal tema se encontra devidamente pacificado no âmbito deste colegiado. Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4, expressamente dispõe: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Corroborando tal entendimento, a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no voto condutor do Acórdão 9202002003.765, de 16/02/16, explicitou: "Ao contrário do que entende o recorrente, a aplicação de juros sobre multa de ofício é devida, na medida em que a penalidade compõe o crédito apurado. De acordo com o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN é autorizada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fazendo parte do crédito juntamente com o tributo, devem ser aplicados à multa os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Nesse sentido, já se manifestou esta Câmara, em outras oportunidades, como no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Recurso especial negado. Fl. 814DF CARF MF Processo nº 15504.000490/200725 Acórdão n.º 2201004.070 S2C2T1 Fl. 801 29 É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: Fl. 815DF CARF MF 30 "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN 2. Improvida a apelação.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Fl. 816DF CARF MF Processo nº 15504.000490/200725 Acórdão n.º 2201004.070 S2C2T1 Fl. 802 31 Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Conforme descrito acima, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário. Esse entendimento encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Destacase ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG)." CONCLUSÃO Diante do exposto e com base nos fundamentos apresentados, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Relator Carlos Henrique de Oliveira. Fl. 817DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.906464/2011-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/08/2002
COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
Numero da decisão: 3201-003.283
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/08/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 64 64 /2 01 1- 73 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10830.906464/201173 Acórdão n.º 3201003.283 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou o seguinte: a) promovera medida judicial e obtivera provimento para o fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que o obrigasse a recolher a contribuição (PIS/Cofins) a partir da base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98, no período sob comento, tendolhe sido autorizada a compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor; b) referida decisão judicial veio a ser objeto de recurso de apelação da Fazenda Nacional, o qual foi recebido simplesmente em seu efeito devolutivo; c) a própria PGFN já emitiu orientação para que tal matéria, uma vez submetida ao Poder Judiciário, não fosse mais objeto de contestação/recurso; d) a compensação declarada encontravase amparada em decisão judicial, em conformidade com o art. 170A do Código Tributário Nacional, e, tendo o recurso de apelação interposto pela PGFN sido recebido tão somente no efeito devolutivo, não havia que se falar em trânsito em julgado da decisão, a qual desde o seu nascimento gozava de liquidez e certeza quanto à forma; e) os valores objeto da compensação declarada são de fácil confirmação por parte da Secretaria da Receita Federal, uma vez que inúmeras informações constantes das DIPJs do período informam o montante das receitas operacionais sobre as quais o Contribuinte ou suas incorporadas recolheram indevidamente a título de PIS/COFINS; f) ao confeccionar a PERD/COMP para a devida compensação, deixara de mencionar referida informação, não sendo possível mais retificar a declaração pelo fato de que, quando se insere a informação de que o crédito é decorrente de ação judicial, o sistema entende que o tipo de crédito informado na PERD/COMP retificadora é diferente do tipo de crédito informado na PERD/COMP original, tratandose, portanto, de mero erro de fato. Nos termos do Acórdão nº 05039.394, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão sob o argumento de que a compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença, sem o que se rejeita a extinção de débitos por essa via. Além disso, a Delegacia de Julgamento consignou que o reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ele ser restituído ou utilizado em compensação. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário com os mesmos argumentos de defesa apresentados, aduzindo que a compensação realizada ocorrera em estrita conformidade com a decisão judicial proferida a seu favor. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10830.906464/201173 Acórdão n.º 3201003.283 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.276, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903744/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.276): Como se verifica pelo relato dos fatos, a Recorrente promoveu a compensação de débitos tributários utilizandose de crédito alegadamente decorrente do recolhimento indevido da COFINS nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (alargamento de base de cálculo). Ocorre que, tal compensação, ocorreu antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito de crédito do contribuinte, ou seja, em desconformidade com o art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Nesse aspecto, pontua o acórdão da DRJ: Não obstante, ao contrário do que pretende a contribuinte, tal decisão não lhe garante o direito à compensação administrativa do crédito que entende possuir. Em certo momento de sua manifestação, a contribuinte alega que a decisão judicial teria reconhecido o seu direito à compensação. No entanto, a própria sentença de primeiro grau que reconheceu a inconstitucionalidade condicionou a compensação ao trânsito em julgado. É o que se constata pelos termos da sentença conforme consta do sítio do Tribunal: Isto posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, extinguindo o feito com exame de mérito, nos termos do art. 269, I, CPC, para o fim de: a) declarar a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a impetrante a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9718/98, nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, devendo, para tais períodos serem observadas as LC 7/70 e 70/91; b) reconhecer o direito líquido e certo da impetrante em compensarse dos indébitos tributários, após o trânsito em julgado, em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, nos períodos supra, com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da fundamentação retro. Outrossim, declaro o direito da impetrante em corrigir monetariamente seus créditos, pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor, relativamente Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10830.906464/201173 Acórdão n.º 3201003.283 S3C2T1 Fl. 5 4 aos períodos supra. Deverá a impetrante, nos termos do 1º, do artigo 74, da Lei nº 9430/96, quando do procedimento da compensação, efetuar a entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Custas na forma da lei, sem honorários de advogado (Súmula nº 105, STJ). Sentença sujeita ao reexame necessário. Comuniquese ao eminente relator do agravo noticiado nos autos a prolação da presente sentença, para as providências cabíveis. (destaque acrescentado) Com efeito, em que pese a sabida declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, é certo que, na hipótese do contribuinte, detentor de ação judicial, se fazia imprescindível, no momento da transmissão das Declarações de Compensação, o trânsito em julgado da decisão judicial. Desse modo, correto o entendimento da DRJ ao indeferir a compensação nos termos do art. 170A do CTN. Não obstante, há um segundo aspecto a ser considerado na hipótese dos autos. Ainda que ultrapassada a questão instrumental, a Recorrente não logrou demonstrar que os créditos que pretende restituir correspondem, efetivamente, à diferença da COFINS recolhida indevidamente em razão do alargamento da sua base de cálculo: É como assinala o Acórdão da DRJ: Noutra vertente, o crédito também não resta demonstrado, de vez que a contribuinte não consegue evidenciar que, no documento de arrecadação indicado na Declaração de Compensação, haveria alguma parcela indevida e, portanto, haveria crédito passível de utilização. Efetivamente, ainda que se admita a existência de um crédito decorrente de inconstitucionalidade no normativo que presidiu o recolhimento, é imprescindível que a contribuinte comprove a existência e o montante do crédito que reivindica. No caso, a inconstitucionalidade atingiu apenas uma parte do tributo que seria exigível, pelo que a demonstração do montante do crédito reivindicado assume contornos mais importantes. Nesse sentido, não cabe aqui a tentativa da manifestante no sentido de atribuir à Administração Tributária a responsabilidade pela apuração de seu crédito a partir das declarações que teria apresentado. Esta é uma incumbência da contribuinte, proponente original da extinção de débitos pela via da compensação. Nesse sentido, o Tribunal ao reformar parcialmente o provimento de primeira instância no que se refere ao direito à compensação, em decisão dada em 23/07/2012, é explícito ao atribuir à contribuinte o dever de comprovar seu crédito: Por fim, observo, in casu, não merecer acolhida a pretensão formulada pela Impetrante, no sentido de reconhecerse o direito à compensação das parcelas do PIS e da COFINS exigidas com base no art. 3º, § 1º da Lei n. 9718/98, à vista da ausência de documentos que comprovem o efetivo recolhimento do aludido tributo, razão pela qual a sentença deve ser reformada nesse ponto. (destaque acrescentado) Assim, o próprio Poder Judiciário, que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, em benefício da contribuinte, não corroborou o pleito de autorização à compensação Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10830.906464/201173 Acórdão n.º 3201003.283 S3C2T1 Fl. 6 5 pela inexistência de provas do crédito. Tal prova não foi trazida a este processo administrativo pelo que, igualmente, é de ser negada a compensação por falta da prova da materialidade do crédito utilizado. Acrescento que, nesse aspecto, o Recurso Voluntário do Contribuinte restou silente. Seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixou de comprovar a materialidade do crédito que pretende ver reconhecido. Com efeito, ainda que tenha ocorrido o reconhecimento judicial do direito ao crédito, o valor a ser ressarcido deverá necessariamente ser liquidado, ou nos autos da ação judicial, ou por via administrativa. Nesta via, por meio do procedimento próprio de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial, cuja existência não foi sequer noticiada nos autos. Por todo o exposto, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido em sua integralidade, votando por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.010598/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA
A obrigação acessória relaciona-se às prestações positivas ou negativas constantes na legislação de regência, de interesse da arrecadação ou da fiscalização tributária.
As alegações de defesa não trazem nenhum fato novo ou argumentos jurídicos que possam afastar o conteúdo da exigência fiscal. Constatada a infringência aos dispositivos da infração com a cominação da multa aplicada.
BOLETIM DE OCORRÊNCIA. MOTIVO INSUFICIENTE
Quanto ao Boletim de Ocorrência nº 5124/2010, fls. 70/71, lavrado motivo de furto dentre outros pertences da pasta de documentos com folha de pagamento, documentos para a fiscalização de 2004 e 2005, guias de recolhimento de INSS e GFIP deve-se destacar que este documento isoladamente não faz prova a favor do contribuinte.
Numero da decisão: 2401-005.330
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A obrigação acessória relaciona-se às prestações positivas ou negativas constantes na legislação de regência, de interesse da arrecadação ou da fiscalização tributária. As alegações de defesa não trazem nenhum fato novo ou argumentos jurídicos que possam afastar o conteúdo da exigência fiscal. Constatada a infringência aos dispositivos da infração com a cominação da multa aplicada. BOLETIM DE OCORRÊNCIA. MOTIVO INSUFICIENTE Quanto ao Boletim de Ocorrência nº 5124/2010, fls. 70/71, lavrado motivo de furto dentre outros pertences da pasta de documentos com folha de pagamento, documentos para a fiscalização de 2004 e 2005, guias de recolhimento de INSS e GFIP deve-se destacar que este documento isoladamente não faz prova a favor do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A obrigação acessória relacionase às prestações positivas ou negativas constantes na legislação de regência, de interesse da arrecadação ou da fiscalização tributária. As alegações de defesa não trazem nenhum fato novo ou argumentos jurídicos que possam afastar o conteúdo da exigência fiscal. Constatada a infringência aos dispositivos da infração com a cominação da multa aplicada. BOLETIM DE OCORRÊNCIA. MOTIVO INSUFICIENTE Quanto ao Boletim de Ocorrência nº 5124/2010, fls. 70/71, lavrado motivo de furto dentre outros pertences da “pasta de documentos com folha de pagamento, documentos para a fiscalização de 2004 e 2005, guias de recolhimento de INSS e GFIP” devese destacar que este documento isoladamente não faz prova a favor do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 05 98 /2 01 0- 14 Fl. 10DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 11DF CARF MF Processo nº 10830.010598/201014 Acórdão n.º 2401005.330 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP (DRJ/CPS), que, por unanimidade de votos, considerou IMPROCEDENTE a impugnação ao auto de infração AIOA n° 37.255.6191, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 05 33.749 (fls. 350/356): Assunto; Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 INFRAÇÃO; GFIP. APRESENTAÇÃO COM OMISSÕES, INCORREÇÕEs. Constitui infração à Lei n° 8.212/91, deixar o contribuinte de declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma, prazo e condições estabelecidos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO FORA DO ESTABELECIMENTO DA EMPRESA. Não enseja nulidade a lavratura do Auto de Infração fora do estabelecimento do contribuinte. Entendese que o local da verificação da falta está vinculado à jurisdição e à competência da autoridade, sendo irrelevante o local físico da lavratura do auto. PROCEDIMENTO FISCAL. CONTRADITÓRIO. O princípio do contraditório não é assegurado quando do procedimento fiscal, mas quando do início do processo administrativo fiscal Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração DEBCAD nº 37.255.6191 (fls. 188/191), lavrado contra o Contribuinte em 10/08/2010, referente a infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941 de 27/05/2009, tendo em vista a apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP, com fatos geradores omissos, nas competências 01/2005 a 13/2006, conforme se observa no RELATÓRIO FISCAL de folhas 192 a 193. Foi deixado de informar o total dos valores pagos aos segurados empregados, conforme declarado em DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) e folha de pagamento, Contra o Contribuinte foi aplicada penalidade correspondente à multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações omitidas em guias GFIP, observada a Fl. 12DF CARF MF 4 multa mínima de R$ 500,00 por competência, totalizando a multa no valor de R$ 16.060,00, conforme previsto no artigo 32A, caput, inciso I e §§, da Lei n° 8.212/91, incluídos pela Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. Intimado para apresentar GFIP retificadora para sanar as divergências encontradas entre o valor declarado e o valor recolhido, o Contribuinte não atendeu a solicitação no prazo, razão pela qual a multa não poderá ser reduzida. Na aplicação da multa considerouse a penalidade mais benéfica ao Contribuinte, conforme previsto no artigo 106, inciso II, “c”, do Código Tributário Nacional/CTN. A multa não foi cumulada, em relação ao mesmo Fato Gerador, com a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. A Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, pessoalmente, em 13/08/2010 (fl. 188) e, em 03/09/2010, apresentou sua impugnação de fls. 184 a 187. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/CPS para julgamento, que, através do Acórdão nº 0533.749, julgou Improcedente a Impugnação, mantendo o Crédito Tributário exigido. A Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/CPS através da INTIMAÇÃO 728/2011 (fl. 377), via correio, em 06/06/2011 (AR fl. 378). Tempestivamente, em 06/07/2011, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 438 a 440, onde argumenta que: 1. O procedimento exercido pelo agente fiscal tomou por base as obrigações acessórias (DIRF, RAIS, GFIP, Arquivo MANAD e Folha de pagamento do recorrente); 2. Ao verificar as irregularidades encontradas pelo Agente Fiscal, o Recorrente verificou um erro em seu sistema, tendo em seguida informado ao fisco e solicitado a correção das informações para apresentar posições reais; 3. O questionamento na impugnação é que se o sistema de registro, lançamentos, apuração e confecção da folha de pagamento está com erros, ocasionando duplicidade de informações, todo o resto estará errado; 4. Não adianta consertar o MANAD se as obrigações, usadas como base para as aferições, não forem também consertadas; 5. É simples para o Agente Fiscal alegar falta de recolhimento sem conferir, auditar e fazer cruzamento dos documentos; 6. O Boletim de Ocorrência não foi utilizado para justificar a falta de documentos, eximindo o Recorrente de suas obrigações. Segue no seu Recurso Voluntário dizendose injustiçada e que a fiscalização foi falha, sem austeridade, sem imparcialidade e sem dar a devida atenção aos procedimentos, Fl. 13DF CARF MF Processo nº 10830.010598/201014 Acórdão n.º 2401005.330 S2C4T1 Fl. 4 5 ficando o fisco sem tempo hábil para uma efetiva e desejada fiscalização, tomando atitudes que visaram apenas a manutenção de prazos e não a real função da fiscalização. Finaliza requerendo a reforma da decisão que lhe foi desfavorável, cancelandose o débito fiscal reclamado. Alternativamente, solicita uma nova fiscalização com a devia auditoria para que se prove de todas as formas a veracidade das suas alegações. É o relatório. Fl. 14DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito O lançamento fiscal é referente a constatação de que a autuada apresentou Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, relativas às competências 01/2005 a 13/2006, com informações incorretas ou omissas, consumando dessa forma a infração disposta no artigo 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91. De acordo com o Relatório Fiscal, foi aplicada a penalidade prevista no artigo 32A, "caput", inciso II, da Lei nº 8.212, de 24.07.1991, respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n. 5.172, de 25.10.1966 CTN, com a imputação da multa correspondente a R$ 16.060,00 (dezesseis mil e sessenta reais). Cabe esclarecer que, com base no mesmo procedimento fiscal, foram lavrados autos de infração de obrigação principal que encontramse vinculados ao presente processo e serão julgados na mesma sessão de julgamento. Da análise do Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte, em face da manutenção do lançamento em sua integralidade, alega a Recorrente que ocorreram erros no sistema de registro, lançamentos, apuração e confecção da folha, ocasionando a duplicidade de informações. Aduz que os documentos estavam à disposição do Fiscal na sede da empresa, e que, caso tivessem sido retirados pelo Fiscal não teria ocorrido a consequência noticiada no Boletim de Ocorrência nº 5124/2010 com relação ao furto das pastas que continham a documentação necessária à fiscalização. Alega ainda injustiça, pelos autos impostos, e afirma que a fiscalização foi falha, sem austeridade e imparcialidade, pois não foi dada a devida atenção aos procedimentos, ficando o Fisco sem tempo hábil para uma efetiva fiscalização. Pois bem. A obrigação acessória relacionase às prestações positivas ou negativas constantes na legislação de regência, de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento deixar a contribuinte de informar em GFIP a totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. O artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 estabelece a obrigação de declarar os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos de contribuição previdenciária, in verbis: Fl. 15DF CARF MF Processo nº 10830.010598/201014 Acórdão n.º 2401005.330 S2C4T1 Fl. 5 7 Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; Ocorre que as alegações de defesa da contribuinte não trazem nenhum fato novo ou argumentos jurídicos que possam ilidir o conteúdo da exigência fiscal em comento. Em nenhum momento a contribuinte alega não ter incorrido na falta imputada, se limitando a questionar o mérito da autuação fiscal correlata e fazendo alegações genéricas quanto ao procedimento da fiscalização. Registrese ainda que o julgamento do Auto de Infração inserido no presente lançamento, encontrase diretamente relacionado ao resultado conferido aos Processos Administrativos números 10830.010593/201083 (empresa e RAT), 10830.010594/201028 (segurados), 10830.010595/201072 (terceiros), em que se questiona a exigência da obrigação principal. Dessa forma, uma vez mantida a exigência fiscal com relação aos processos principais, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, não há que se falar na improcedência da autuação sob análise, impondo seja mantida a exigência na forma como lançada. Assim, não assiste razão à recorrente quanto à insubsistência do levantamento fiscal. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 16DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003023/2006-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à conselheira Gisele Barra Bossa) e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausentes justificadamente os conselheiros: José Carlos de Assis Guimarães, Gisele Barra Bossa e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à conselheira Gisele Barra Bossa) e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausentes justificadamente os conselheiros: José Carlos de Assis Guimarães, Gisele Barra Bossa e Rafael Gasparello Lima. Relatório. Por economia processual e bem descrever os fatos adoto parte do Relatório da decisão recorrida, fls.4.544/4.565 que transcrevo a seguir: Contra a contribuinte CIA DE SANEAMENTO BÁSICO DE SÃO PAULO SABESP, em epígrafe, foram lavrados autos de infração no valor total de R$ 276.807.646,11, para exigência de IRPJ, CSLL e IR Fonte, além de multa regulamentar, relativos ao anocalendário de 2001. As infrações apuradas, em número de seis, são relacionadas a seguir, observando a ordem apresentada no auto de infração do IRPJ, uma vez que se trata do lançamento principal, do qual decorrem os demais RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 02 3/ 20 06 -0 6 Fl. 4687DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.642 2 (lançamentos decorrentes), em face da íntima relação de causa e feito entre eles. As duas primeiras infrações à legislação do IRPJ tiveram reflexos na apuração da CSLL. A terceira e a quarta infrações à legislação do IRPJ tiveram reflexos na apuração da CSLL e do IRFonte. Já a quinta infração à legislação do IRPJ não teve reflexos na apuração de outros tributos. Por fim, a sexta infração à legislação do IRPJ, que resultou na imposição da aludida multa regulamentar, integra apenas o auto de infração do IRPJ. I. DA FISCALIZAÇÃO I.1 Primeira Infração De acordo com o termo de intimação fiscal, a contribuinte foi intimada a apresentar: (1) notas fiscais de serviços ou mercadorias componentes de amostragem relativa às referidas despesas; (2) documentos capazes de provar a efetiva liquidação das faturas/duplicatas; (3) documentos capazes de provar a efetiva prestação dos serviços, sua necessidade e estrita relação com as atividades da empresa. Procedeu a autoridade fiscal à glosa de despesas no anocalendário de 2001, referentes à rubrica “Empreiteiros, Fornecedores, Honorários, Serviços, etc”, no montante de R$ 35.380.931,11, sob o fundamento de que a contribuinte, intimada, deixou de comprovar tais despesas quanto à efetividade da prestação dos correspondentes serviços, bem como quanto à liquidação dos títulos. No Termo de Verificação e Encerramento de Fiscalização (TVEF), o agente fiscal informa (fl. 504) que a mencionada amostra foi elaborada a partir da escrituração interna de pagamentos realizados, tomando por base valores (acima de R$ 80.000,00) e significância dos fornecedores, totalizando 678 pagamentos, envolvendo R$ 282.303.845,67. Informa também a autoridade fiscal (fl. 506) que, no caso da SABESP, os pagamentos são antecedidos por Solicitações de Pagamento (SP) e realizados por meio de Processos de Pagamento (PP). Os PP compõemse de formulário que informa seu número, data de vencimento dos títulos, nome do fornecedor e seu código na contabilidade, tipo de serviço ou produto, nº do contrato, valor aprovado, reajustes, valor cobrado, subtrações (impostos, etc.), codificação bancária do favorecido (banco, agência, nº da c/c), nº do borderô, nº da SP, posição atualizada do contrato, etc. Tais PP são instruídos com as Notas Fiscais e Faturas/Duplicatas. Concluiu, portanto, o agente fiscal pela glosa da mencionada parte das despesas, pois, segundo afirma (fl. 507), a empresa (1) não apresentou os processos de pagamento (2) nem as Notas Fiscais, além de (3) não haver prova de pagamentos na fita da CEF. Fl. 4688DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.643 3 Registrese que, por força de diligência determinada por esta Turma, por meio de despacho (fls. 3.335/3.337) exarado em 28/01/2008, da lavra do exJulgador Fabrício Ferreira Bechelany, a autoridade autuante elaborou planilha (fl. 3.350), em 13/03/2011, na qual identifica, de forma analítica, todos os valores objeto de glosa, com a indicação do nome dos fornecedores, nº dos PP, data de emissão dos PP e valores. A citada planilha ratifica o montante objeto de lançamento neste item (R$ 35.380.931,11), totalizando 76 PP. I.2 Segunda Infração De acordo com o termo de intimação fiscal, a contribuinte foi intimada a apresentar: (1) notas fiscais de serviços ou mercadorias componentes de amostragem relativa às referidas despesas; (2) documentos capazes de provar a efetiva liquidação das faturas/duplicatas; (3) documentos capazes de provar a efetiva prestação dos serviços, sua necessidade e estrita relação com as atividades da empresa. Procedeu a autoridade fiscal à glosa de despesas no anocalendário de 2001, referentes à rubrica “Empreiteiros, Fornecedores, Honorários, Serviços, etc”, no montante de R$ 19.917.892,73, sob o fundamento de que a contribuinte, intimada, deixou de comprovar tais despesas quanto à liquidação dos títulos. Concluiu também o agente fiscal, neste item, pela glosa da mencionada parte das despesas, pois, segundo afirma (fl. 507), a empresa (1) apresentou os processos de pagamento (2) e as Notas Fiscais, (3) mas não há prova de pagamentos na fita da CEF. Registrese da mesma forma que, por força de diligência determinada por esta Turma, por meio de despacho (fls. 3.335/3.337) da lavra do exJulgador Fabrício Ferreira Bechelany, de 28/01/2008, a autoridade autuante elaborou planilha (fl. 3.350 – frente e verso), em 13/03/2011, na qual identifica, de forma analítica, todos os valores objeto de glosa, com a indicação do nome dos fornecedores, nº dos PP, data de emissão dos PP e valores. A citada planilha retifica ligeiramente o montante objeto de lançamento neste item (de R$ 19.917.892,73 para R$ 19.917.894,17), totalizando 35 PP. I.3 Terceira Infração De acordo com o termo de intimação fiscal, a contribuinte foi inicialmente intimada a apresentar: (1) notas fiscais de serviços ou mercadorias componentes de amostragem relativa às referidas despesas; (2) documentos capazes de provar a efetiva liquidação das faturas/duplicatas; (3) documentos capazes de provar a efetiva prestação dos serviços, sua necessidade e estrita relação com as atividades da empresa. Procedeu a autoridade fiscal à glosa de despesas no anocalendário de 2001, referentes à rubrica “despesas de publicidade”, em particular as despesas com a empresa Loducca Publicidade Ltda, relativas ao Fl. 4689DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.644 4 Contrato nº 10755/99, no montante de R$ 13.062.456,62, sob o fundamento de que a contribuinte, intimada, deixou de comprovar tais despesas quanto à efetividade da prestação dos correspondentes serviços, mas comprovou a liquidação dos títulos. A SABESP apresentou as Notas Fiscais requisitadas, conforme afirma a autoridade fiscal à fl 510, do TVEF. Posteriormente, no que se refere às despesas com a referida empresa Loducca, a contribuinte foi também intimada a apresentar: (1) Notas Fiscais das empresas mencionadas como prestadoras de serviços correspondentes ao custo externo; (2) comprovantes da efetividade dos serviços prestados, por meio de orçamento, projeto e desenvolvimento da campanha publicitária, “briefings”, “layouts”, e outras provas hábeis para comprovar a efetividade dos serviços prestados; (3) comprovante do efetivo pagamento às empresas prestadoras de serviços correspondentes ao custo externo; 4) comprovante do recolhimento do imposto de renda na fonte por parte da agência de propaganda, por ordem e conta de SABESP. Ademais, a contribuinte foi também intimada a apontar como as informações prestadas pela agência de propaganda estavam discriminadas na DIRF anual da SABESP. Em resposta, a SABESP informou que estava encaminhando cópia dos documentos e que os originais poderiam ser obtidos na própria Loducca, em face de ter ocorrido a infestação por cupins em seus arquivos. Ademais, em relação ao tratamento das retenções realizadas pela Loducca, informou que esta realizou o recolhimento via DARF, em nome da Loducca, e que portanto tais valores se encontram declarados na DIRF da prestadora do serviço. Nesse contexto, concluiu a agente fiscal, neste item, pela glosa das mencionadas despesas, pois, segundo afirma (fl. 512), “os documentos apresentados por Loducca/SABESP são as cópias das Notas Fiscais que Loducca emitiu para SABESP e cópias de uns documentos internos de Loducca denominados AT – Autorização de Trabalho.” Ademais, informa a agente fiscal (fl. 512) que “há eventuais cópias de comprovantes de pagamentos, mas não há prova palpável da efetividade do serviço.” Registrese que, conforme consignado no preâmbulo deste voto, essa infração à legislação do IRPJ, além de gerar exigência reflexa na órbita da CSLL, também implicou em lançamento de IRFonte. Com efeito, a agente fiscal, com fulcro no art. 725 do RIR/99, promoveu a tributação exclusiva na fonte das importâncias pagas e considerou o total pago (R$ 13.062.456,62) como líquido, reajustando a base de cálculo do tributo para R$ 20.096.087,12, com fundamento na IN SRF nº 15, de 2001. Registrese também que, por força de diligência determinada por esta Turma, por meio de despacho (fls. 3.335/3.337) da lavra do ex Julgador Fabrício Ferreira Bechelany, de 28/01/2008, a autoridade autuante elaborou planilha (fls. 3.353/3.359 – frente e verso), em Fl. 4690DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.645 5 13/03/2011, na qual identifica, de forma analítica, todos os valores objeto de glosa, com a indicação do nº do PP, nº do borderô, data de vencimento, nº da fatura Loducca; nome do fornecedor da Loducca; nº da NF do Fornecedor de Loducca; valor da fatura, etc. Informa a autoridade fiscal diligenciante (fls. 3.352/3.353) que (1) todas as Notas Fiscais e demais documentos vinculados à matéria tributável de que trata este item estão contidos nos anexos I e II deste processo administrativo fiscal; e (2) quando da realização da diligência constatou a existência de alguns erros (p. ex., os valores lançados no mês de jan/2011 correspondem a valores de jan/2002). Em face da planilha elaborada, a autoridade fiscal elabora (fls. 3.359 – verso/ 3.360 – frente e verso) novo demonstrativo indicando as novas bases de cálculo das exigências de IRPJ, CSLL e IRFonte. I.4 Quarta Infração De acordo com o termo de intimação fiscal, a contribuinte foi intimada a apresentar: (1) notas fiscais de serviços ou mercadorias componentes de amostragem relativa às referidas despesas; (2) documentos capazes de provar a efetiva liquidação das faturas/duplicatas; (3) documentos capazes de provar a efetiva prestação dos serviços, sua necessidade e estrita relação com as atividades da empresa. Procedeu a autoridade fiscal à glosa de despesas no anocalendário de 2001, referentes à rubrica “Empreiteiros, Fornecedores, Honorários, Serviços, etc”, no montante de R$ 72.241.317,11, sob o fundamento de que a contribuinte, intimada, deixou de comprovar tais despesas quanto à efetividade da prestação dos correspondentes serviços, mas comprovou a liquidação dos títulos. Concluiu também o agente fiscal, neste item, pela glosa da mencionada parte das despesas, pois, segundo afirma (fl. 507), a empresa (1) não apresentou os processos de pagamento (2) nem as Notas Fiscais, mas (3) há prova de pagamentos na fita da CEF. Registrese que, conforme consignado no preâmbulo deste voto, essa infração à legislação do IRPJ, além de gerar exigência reflexa na órbita da CSLL, também implicou em lançamento de IRFonte. Com efeito, a agente fiscal, com fulcro no art. 725 do RIR/99, promoveu a tributação exclusiva na fonte das importâncias pagas e considerou o total pago (R$ 72.241.317,11) como líquido, reajustando a base de cálculo do tributo para R$ 111.140.487,86, com fundamento na IN SRF nº 15, de 2001. Registrese que, por força de diligência determinada por esta Turma, por meio de despacho (fls. 3.335/3.337) da lavra do exJulgador Fabrício Ferreira Bechelany, de 28/01/2008, a autoridade autuante elaborou planilha (fls. 3.349 – frente e verso e 3.350 frente), em 13/03/2011, na qual identifica, de forma analítica, todos os valores objeto de glosa, com a indicação do nome dos fornecedores, nº dos PP, data de emissão dos PP e valores. Fl. 4691DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.646 6 A citada planilha ratifica os montantes objeto de lançamento neste item, totalizando 188 PP. I.5 Quinta Infração A fiscalização detectou erro no cálculo dos juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio, dedutíveis na apuração do lucro real. A contribuinte deduziu a parcela de R$ 489.848.738,62, enquanto a agente fiscal apurou R$ 479.073.985,04, conforme demonstrativo elaborado à fl. 501 do TVEF. A diferença de R$ 10.774.753,58 foi objeto de lançamento de ofício. I.6 Sexta Infração A agente fiscal formalizou exigência de multa regulamentar equivalente a 112,5% sobre o valor do imposto, em face da não apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas relativos aos Livros Registro de Entradas de Mercadorias, com fundamento nos arts. 265, 266, § 1º, e 980, III, do RIR/99. Segundo a auditorafiscal, (1) não há norma legal federal que dispense a SABESP de escriturar o referido livro; (2) a SABESP não escriturou o livro e não apresentou os arquivos magnéticos; (3) a atividade da SABESP compreende múltiplas operações: (a) produção de água tratada (captação da água natural), desinfecção, coagulação, floculação, decantação, filtragem, cloração, correção do PH e fluoreção; (b) canalização; e (c) serviço de distribuição da mesma; (4) a atividade desenvolvida pela SABESP é claramente industrial, pois o campo de incidência do IPI abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, excluídos aqueles a que corresponde a notação NT – Não Tributável; (5) a atividade de produção de água tratada está sujeita ao IPI com alíquota zero, e não NT. II. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 540/581, instruída com os documentos de fls. 582/3.313, por meio da qual propugna pela improcedência dos lançamentos. Em suas razões de defesa, a impugnante sustenta, preliminarmente, a nulidade do feito em razão de cerceamento de defesa. Alega a contribuinte que por várias vezes esteve ao endereço indicado pela fiscalização, mas em nenhuma delas lhe foi franqueada vista do processo. Em 23/01/2007, formalizou pedido endereçado à Divisão de Fiscalização Indústria – DEFICSPOSP para que fosse providenciado o envio imediato do processo para a EQCOB/DICAT/DERATSP, conforme instrução contida na intimação dos autos de infração, para que, enfim, pudesse ter acesso aos autos. Fl. 4692DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.647 7 Em resposta a agente fiscal autuante emitiu telegrama, em 24/01/2007 (fl. 590), convocando a autuada a comparecer à repartição no dia 26/01/2007, para ter vista dos autos. Alega a suplicante que só recebeu o referido telegrama em 26/01/2007, e que o prazo para a impugnação se exauria em 29/01/2007, uma vez que tomou ciência dos autos de infração, via postal, em 28/12/2006. Sustenta que a elaboração de defesa adequada e com a devida comprovação por parte da impugnante se tornou impossível, mormente porque o feito fiscal contempla glosas parciais de valores, sem que a agente fiscal tenha indicado as operações, os pagamentos, os contratos, os fornecedores e outros elementos entendidos como irregulares, elementos esses que deveriam estar contidos no processo, limitandose aquela autoridade fiscal a apresentar o valor que entendeu deduzido de forma errônea . No mérito, apresentamse a seguir, em síntese, as razões de defesa da impugnante, na ordem em que foram descritas no auto de infração do IRPJ. II.1 Primeira e Segunda Infrações Reafirma a impugnante que a tentativa de defesa nestes tópicos sofre sérias limitações, por não terem sido indicados nos autos de infração quais os documentos e valores que a agente fiscal entendeu incomprovados os pagamentos ou despesas. Aponta para a falta de cuidado da agente fiscal no manuseio dos documentos que lhe foram franqueados, pois a maior parte deles não tinham qualquer relação com despesa dedutível que afetasse o resultado de 2001, tratandose, em verdade de comprovações de investimentos realizados pela empresa. Ou seja, mesmo que tais despesas não tivessem sido comprovadas, o reflexo nas bases de cálculo dos tributos jamais teria sido pelo valor integral, mas, no máximo, pelo seu percentual de depreciação. Para comprovar o alegado erro da fiscalização, a impugnante informa que elaborou detalhado levantamento de 3 (três) meses auditados pela fiscalização, a saber: janeiro, junho e dezembro de 2001, separados pelo tipo do pagamento, ou seja, agrupados em despesas ou investimento incorridos. Referido levantamento, que se compõe dos documentos nominados de doc. 04, doc. 05 e doc. 06, respectivamente, foram juntados aos autos, conforme constou do preâmbulo deste relatório. II.2 Terceira Infração Sustenta a impugnante que não há argumentos fáticos e legais que amparem a glosa de despesas de publicidade decorrentes da contratação da empresa Loducca,sob o fundamento de que há comprovação do pagamento, mas não há prova palpável da efetividade do serviço prestado por tal agência de publicidade. Fl. 4693DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.648 8 Alega a suplicante que não pode comprovar, de maneira clara e transparente, que os pagamentos efetuados à Loducca correspondem a despesas de propaganda, pois no termo de verificação fiscal há apenas um quadro genérico que tenta demonstrar que parte das despesas incorridas pela SABESP não tem causa e os serviços não foram efetivamente prestados. Segundo a impugnante, os documentos (doc. 08) por ela apresentados comprovam os pagamentos que a Loducca efetuou a vários meios de comunicação, como a Editora Globo S/A, Empresa Folha da Manhã S/A, Radio Panamericana S/A, TV Globo Ltda, etc, todos eles contratados pela agência de publicidade para efetuar a veiculação de propaganda e informes publicitários em nome da SABESP. Aduz a impugnante que não há nenhum documento que comprove qualquer irregularidade eventualmente cometida pela SABESP, nem qualquer prova de que os valores foram pagos por mera liberalidade. Conclui a impugnante que para que o lançamento pudesse subsistir a fiscalização deveria comprovar a inexistência de vínculo entre os pagamentos efetuados e os serviços prestados e os bens fornecidos. No mesmo sentido, sustenta a impugnante a improcedência da tributação exclusiva na fonte, como exigência reflexa para os casos de beneficiário não identificado, pois, além de a SABESP ter demonstrado de maneira clara e inequívoca para quem foram efetuados os pagamentos, a própria autoridade fiscal, em seu relatório, também aponta para esses mesmos nomes. Ademais, se assim não fosse, no que diz respeito a eventual não retenção na fonte por parte da impugnante, a sua responsabilidade teria cessado uma vez que a presente autuação ocorreu já em exercício seguinte (no caso em 2006) ao que o beneficiário do imposto teria que ter oferecido tais rendimentos à tributação. II.3 Quarta Infração Nesse item, reitera a impugnante que os autos de infração noticiam valores glosados como pagamento sem causa, sem, contudo, indicarem quais teriam sido, efetivamente, os pagamentos desconsiderados. Frisa, novamente, a falta de acesso ao conteúdo do processo e o cerceamento de defesa. Da mesma forma que no tópico precedente, a impugnante informa que efetuou levantamento de quais teriam sido os contratos ensejadores dos pagamentos e elaborou quadro contendo a data do pagamento efetuado; o nome do fornecedor, o número do contrato; o tipo de licitação; a data em que o aviso de licitação foi publicado no DOE; a data da publicação no DOE, com o nome do fornecedor que sagrouse vencedor da licitação e, ainda, a data em que circulou no DOE o extrato do contrato (com a indicação do seu número, objeto e empresa contratada). Indaga a impugnante como se pode cogitar de pagamento sem causa, se o amparo é notório, tendo em vista que os documentos fiscais refletem pagamentos de fornecedores escolhidos em processos públicos Fl. 4694DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.649 9 sob os auspícios da Lei das Licitações, dos quais foram emitidos avisos e extratos por meio dos Diários Oficiais. II.4 Quinta Infração Segundo a impugnante, o excesso de pagamento de juros sobre o capital próprio apurado pelo Fisco decorre do fato de a empresa ter utilizado, na apuração da base de cálculo, o patrimônio líquido em 31/12/2000, enquanto a autoridade fiscal utilizou a database de 31/12/2001. Sustenta a impugnante que, na hipótese de pagamento de juros sobre capital próprio referente às contas de patrimônio líquido efetivamente contabilizadas em 31/12/2000, deverão ser aplicadas, pro rata tempore, as taxas de juros de longo prazo verificadas ao longo do ano de 2001 sobre aquelas contas, acrescidas e diminuídas das mutações patrimoniais ocorridas no decorrer do ano de 2001, desconsiderando, contudo, os resultados apurados no próprio ano de 2001. II.5 Sexta Infração Sustenta a impugnante a desnecessidade de escrituração do Livro Registro de Entradas de Mercadorias, por não ser a SABESP indústria, mas sim concessionária de serviço público de saneamento básico. Assevera que o traço característico do serviço de saneamento básico é a implementação de metodologias que almejam a solução dos problemas das populações no que concerne à falta de abastecimento de água potável e respectiva coleta de esgotos. Aduz que não há incidência tributária de IPI sobre os serviços de saneamento básico, por serem estranhos à regra matriz desse imposto, e que eventual exação só seria possível se essas empresas realizarem, além do serviço típico de saneamento, atividade decorrente do serviço, como a fabricação de materiais para emprego em suas obras de água e esgoto. Alega, por outro lado, que, mesmo em se tratando de contribuintes efetivos do IPI, não é possível lavrarse auto de infração pela não apresentação do arquivo digital, caso tal livro não esteja em meio magnético. Ou seja, a penalidade prevista pelo art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, jamais poderia ser aplicada quando a situação demonstrada provasse a inexistência fática do livro cujos dados a fiscalização requereu. III. DA PRIMEIRA DILIGÊNCIA Por força da Portaria RFB nº 10.620, de 04/07/2007, publicada no DOU de 06/07/2007, fl. 3.334, foi feita a transferência para o julgamento deste processo da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo (SP) I, para a DRJ em Brasília (DF). Esta Turma, em face das alegações da impugnante, constatou que realmente não havia nos autos os demonstrativos analíticos citados pela autoridade fiscal no Termo de Verificação e Encerramento de Fl. 4695DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.650 10 Fiscalização, indicando detalhadamente quais despesas foram glosadas, mas tãosomente os valores totais, mês a mês. Assim, por meio de despacho (fls. 3.335/3.337) da lavra do exJulgador Fabrício Ferreira Bechelany, de 28/01/2008, os autos foram encaminhados em diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade autuante elaborasse planilhas discriminando detalhadamente quais despesas foram glosadas, bem como produzisse relatório circunstanciado sobre o resultado da diligência. O relatório da diligência, contendo as planilhas elaboradas, foi juntado às fls. 3.346/3.361. Intimada do relatório da diligência, por via postal (fl. 3.364), a contribuinte não se manifestou. IV. DA SEGUNDA DILIGÊNCIA Nesse cenário, considerando que o contribuinte juntou, fls. 603/3.313, com a peça de impugnação, mais de 2.700 (duas mil e setecentas) cópias de documentos (notas fiscais, extratos bancários, solicitações de pagamentos, processos de pagamentos, etc), com o intuito de comprovar as despesas glosadas pelo Fisco, em face das infrações detectadas, as quais nominei de primeira, segunda, terceira e quarta infrações; Considerando, ainda, (1) a alegação de cerceamento de defesa em face do tempo exíguo para a adequada comprovação das despesas, devido à tardia concessão de vista dos autos; (2) que não havia nos autos os demonstrativos analíticos citados pela autoridade fiscal no Termo de Verificação e Encerramento de Fiscalização, indicando detalhadamente quais despesas foram glosadas, mas tãosomente os valores totais, mês a mês; (3) a alegação de que a maior parte dos documentos não tinha qualquer relação com despesa dedutível que afetasse o resultado de 2001, tratandose, em verdade de comprovações de investimentos realizados pela empresa; (4) que não era do conhecimento deste órgão julgador se os aludidos documentos tinham sido, em algum momento, apresentados, parcial ou integralmente, à autora do procedimento fiscal; e (5) que, em face de todo o contexto já destacado, o contribuinte elaborou o que denominou de levantamento apenas para os meses de janeiro, junho e dezembro de 2001, separados pelo tipo do pagamento, ou seja, agrupados em despesas ou investimento incorridos; Este RELATOR PROPÔS, com vistas a garantir a ampla defesa do contribuinte, a conversão do julgamento em NOVA diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, para que a autoridade fiscal examinasse os mencionados documentos, promovendo ainda as diligências que entendesse cabíveis. Para tanto, a autoridade fiscal deveria: (1) elaborar relatório circunstanciado, emitindo parecer sobre os possíveis efeitos dessas provas (e, se fosse o caso, de outras provas, referentes aos mesmos ou outros períodos) nos lançamentos fiscais, fazendo referência às folhas do processo, justificando, ainda que em bloco, porque atendiam ou deixavam de atender as prescrições legais para a dedutibilidade de Fl. 4696DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.651 11 despesas; (2) elaborar, se fosse o caso, novas planilhas de cálculo dos tributos devidos; e (3) juntar outros termos e documentos que entendesse pertinentes. Tendo em vista que, após ser exarado o despacho de conversão do julgamento em diligência, foi providenciada a regularização do arquivo digital do presente processo, as referências que farei, doravante, aos números de folhas dizem respeito ao processo após sua digitalização. A autoridade fiscal, em cumprimento à nova solicitação desta Turma de Julgamento, elaborou o Relatório de Encerramento de Diligência de fls. 4.393/4.419. A contribuinte, por sua vez, intimada do teor do referido relatório, apresentou a manifestação de fls. 4.532/4.538. Sobre a mencionada diligência consta do voto condutor do acórdão recorrido (fls.4.555/4556) o seguinte: Durante a realização da citada segunda diligência, em face do grande volume de documentos juntados à peça de defesa, a contribuinte foi intimada a refazer todas as planilhas demonstrativas analíticas produzidas pela Fiscalização até o final da primeira diligência. Para tanto, a agente fiscal solicitou à contribuinte que procedesse às alterações que entendesse corretas, acrescentando coluna que contivesse o número do Volume/Anexo e folhas em que se encontrasse cada documento. Em atendimento à intimação fiscal, a contribuinte apresentou planilhas, inclusive com a inclusão de outras colunas, com informações adicionais, destacando, em especial, que os registros contábeis efetivados na contabilidade auxiliar de investimentos referemse a obras em andamento (investimentos), e que, portanto, não compuseram a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Durante a realização da citada segunda diligência, em face do grande volume de documentos juntados à peça de defesa, a contribuinte foi intimada a refazer todas as planilhas demonstrativas analíticas produzidas pela Fiscalização até o final da primeira diligência. Para tanto, a agente fiscal solicitou à contribuinte que procedesse às alterações que entendesse corretas, acrescentando coluna que contivesse o número do Volume/Anexo e folhas em que se encontrasse cada documento. Em atendimento à intimação fiscal, a contribuinte apresentou planilhas, inclusive com a inclusão de outras colunas, com informações adicionais, destacando, em especial, que os registros contábeis efetivados na contabilidade auxiliar de investimentos referemse a obras em andamento (investimentos), e que, portanto, não compuseram a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A autoridade fiscal, por seu turno, examinando essas novas planilhas apresentadas pela contribuinte, e confrontando as informações e Fl. 4697DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.652 12 esclarecimentos prestados pela empresa, elaborou demonstrativo (fls. 4.421/4.520), denominado “Análise da Planilha de SABESP out/2014”, no qual reexamina todas as glosas efetuadas e informa em colunas próprias quais despesas merecem ser restabelecidas, porque devem ser restabelecidas e quais as folhas em que se encontram os documentos que as comprovam. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (2ª Turma/ DRJ/Brasília/DF), por unanimidade de votos, mediante o Acórdão nº 0369.257, de 31 de agosto de 2015, julgou parcialmente procedente a impugnação, para manter em parte o crédito tributário exigido, considerandose devidos os tributos, em valores de principal, constantes do Quadro IV, ao final: QUADRO I – IRPJ E CSLL MATÉRIA TRIBUTÁVEL MANTIDA – ANO DE 2001: Infração Valor (R$) Primeira 28.059.299,86 Segunda 15.670.623,10 Terceira 13.062,456,62 Quarta 64.704,019,56 Quinta 0,00 Total 121.496.399,14 QUADRO II – MULTA REGULAMENTAR Integralmente cancelada QUADRO III – IRRF MATÉRIA TRIBUTÁVEL MANTIDA – MESES DO ANO DE 2001: Mês/Ano Rendimento Pago (R$) Rendimento Reajustado (R$) 01/2001 3.766.777,12 5.795.041,72 02/2001 3.709.952,81 5.707.619,71 03/2001 5.337.509,81 8.211.553,55 04/2001 6.130.460,12 9.431.477,11 05/2001 5.172.282,63 7.957.357,89 06/2001 3.213.754,32 4.944.237,42 07/2001 8.491.362,00 13.063.633,85 08/2001 10.154.279,01 15.621.967,71 09/2001 5.364.316,71 8.252.794,94 10/2001 8.985.366,00 13.823.640,00 11/2001 10.568.919,87 16.259.876,72 12/2001 512.973,49 789.189,98 12/2001 6.358.522,29 9.782.341,99 Total Anual 77.766.476,18 QUADRO IV TRIBUTOS MANTIDOS, EM VALORES DE PRINCIPAL: (1) IRPJ: R$ 30.374.099,79 [R$ 121.496.399,14 x 25%]; (2)CSLL: R$ 8.479.986,70 [(R$ 121.496.399,14 27.274.324,65) x 9%); Fl. 4698DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.653 13 (3) IRRF (35%): Período de Apuração Valor do Principal (R$) 01/2001 2.028.264,60 02/2001 1.997.666,90 03/2001 2.874.043,74 04/2001 3.301.016,99 O Acórdão recorrido está assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 NULIDADE. Rejeitase alegação de nulidade do feito fiscal, por cerceamento do direito de defesa, quando demonstrado nos autos que foi observado o devido processo legal que rege o processo administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, face à legislação do imposto de renda, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. CÁLCULO. Para efeito de cálculo dos juros sobre o capital próprio não deve ser computado, como integrante do patrimônio líquido, o lucro do próprio períodobase. ARQUIVO MAGNÉTICO. INEXISTÊNCIA. FALTA DE APRESENTAÇÃO. PENALIDADE. DESCABIMENTO. A norma legal (Lei nº 8.218, de 1991, artigos 11 e 12) visa a assegurar ao Fisco o direito de acesso, por meio do arquivo magnético, aos registros da pessoa jurídica, desde que esses registros tenham tido efetuados pelo contribuinte. Ou seja, não pretende a norma sancionar a falta de escrituração de livro, mas, sim, penalizar o contribuinte que promove embaraço à fiscalização, mediante a sonegação de informações que já possui. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2001 PAGAMENTOS SEM CAUSA. Fl. 4699DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.654 14 Comprovada a existência de pagamentos efetuados por pessoa jurídica a terceiros, que pressupõe a saída de valores da empresa, procede a exigência a título de IRRF, quando não comprovada a operação ou a sua causa. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ recorreu de ofício em relação ao crédito tributário exonerado. A contribuinte tomou ciência da referida decisão de 1ª instância, conforme o Aviso de Recebimento (AR), em 30/11/2015 (efl.4.574), e protocolizou Recurso Voluntário em 30/12/2015(efls.4.576/4.565). No recurso voluntário a autuada transcreve o quadro abaixo, "extraído da página 10 do Relatório de Encerramento de Diligência, datado em 18/03/2015", o qual demonstra quais despesas permanecem glosadas após o julgamento, e, discorre sobre todas as despesas consideradas incomprovadas no montante de R$ 121.496.399,14 itens (A/H): Itens Não prova Despesa Não prova Despesa e não prova Pagamento Não prova Pagamento Publicidade TOTAL A 272.290,83 272.290,83 B 569.218,50 682.411,16 1.513.289,32 2.764.918,98 C 50.973.228,04 19.147.122,59 6.546.488,07 76.666.838,70 D 2.704.530,78 2.704.530,78 E 10.081.851,41 2.270.722,37 6.724.582,71 19.077.156,49 F 102.900,00 102.900,00 G 5.959.043,74 886.263,00 6.845.306,74 H 13.062.456,62 13.062.456,62 TOTAL 64.704.019,56 28.059.299,86 15.670.623,10 13.062.456,62 121.496.399,14 Finalmente requer o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 4700DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.655 15 Resumo das infrações originariamente apuradas pela Auditoria Fiscal X Decisão de primeira instância: Primeira Infração Referese à rubrica "Empreiteiros, Fornecedores, Honorários, Serviços, etc", e diz respeito à glosa de despesas no montante de R$ 35.380.931,11, sob o fundamento de que a Recorrente, intimada, deixou de comprovar tais despesas quanto à efetividade da prestação dos correspondentes serviços, bem como quanto à liquidação dos títulos. A DRJ reduziu a glosa para o montante de R$ 28.059.299,86. Segunda Infração Referese à rubrica "Empreiteiros, Fornecedores, Honorários, Serviços, etc", diz respeito à glosa de despesas no montante de R$ 19.917.894,17, sob o fundamento de que a Recorrente, intimada, deixou de comprovar tais despesas quanto à liquidação dos títulos. A DRJ reduziu a glosa para o montante de R$ 15.670.623,10. Terceira Infração Referese à rubrica "Despesas de publicidade", em particular as despesas com a empresa Loducca Publicidade Ltda., relativas ao contrato n° 10755/99, diz respeito à glosa de despesas no montante de R$ 13.062.456,62, sob o fundamento de que a Recorrente, intimada, deixou de comprovar tais despesas quanto à efetividade da prestação dos correspondentes serviços, mas comprovou a liquidação dos títulos. Desta infração, houve reflexo para efeitos do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. A DRJ manteve a glosa no montante de R$ 13.062.456,62. Quarta Infração Referese à rubrica "Empreiteiros, Fornecedores, Honorários, Serviços, etc", diz respeito à glosa de despesas no montante de R$ 72.241.317,11, sob o fundamento de que a Recorrente, intimada, deixou de comprovar tais despesas à efetividade da prestação dos correspondentes serviços, mas comprovou a liquidação dos títulos. Desta infração, houve reflexo para efeitos do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. A DRJ reduziu a glosa para o montante de R$ 64.704.019,56. Quinta Infração Referese a suposto erro no cálculo dos juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio, dedutíveis na apuração do lucro real. A contribuinte deduziu a parcela de R$ 489.848.738,62, enquanto a agente fiscal apurou R$ 479.073.985,04. A diferença de R$ 10.774.753,58 foi objeto de lançamento de ofício. A DRJ cancelou a exigência. Sexta Infração Fl. 4701DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.656 16 Refere multa regulamentar equivalente a 112,5% sobre o valor do imposto por falta da apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas relativos aos Livros Registro de Entradas de Mercadorias. A DRJ cancelou a exigência. Enfim, após diligência, na decisão de primeira instância, as glosas de despesas promovidas pela Fiscalização, foram alteradas nos seguintes valores das matérias tributáveis: Primeira Infração: de R$ 35.380.931,11 para R$ 28.059.299,86; Segunda Infração: de R$ 19.917.892,73 para R$ 15.670.623,10; e Quarta Infração: de R$ 72.241.317,11 para R$ 64.704,019,56 Para a Terceira Infração (Despesas de Publicidade) a DRJ manteve a glosa no valor de R$ 13.062.456,62. No recurso voluntário, a Recorrente faz sua defesa invocando o quadro abaixo, "extraído da página 10 do Relatório de Encerramento de Diligência, datado em 18/03/2015", o qual demonstra quais despesas permanecem glosadas após o julgamento. Itens Não prova Despesa Não prova Despesa e não prova Pagamento Não prova Pagamento Publicidade TOTAL A 272.290,83 272.290,83 B 569.218,50 682.411,16 1.513.289,32 2.764.918,98 C 50.973.228,04 19.147.122,59 6.546.488,07 76.666.838,70 D 2.704.530,78 2.704.530,78 E 10.081.851,41 2.270.722,37 6.724.582,71 19.077.156,49 F 102.900,00 102.900,00 G 5.959.043,74 886.263,00 6.845.306,74 H 13.062.456,62 13.062.456,62 TOTAL 64.704.019,56 28.059.299,86 15.670.623,10 13.062.456,62 121.496.399,14 Verificase, pelo teor, que a 1ª coluna trata da Quarta Infração; a 2ª coluna da Primeira Infração; a 3ª coluna da Segunda Infração e a 4ª coluna da Terceira Infração. 1) Quanto à Quarta Infração (1a coluna) Não prova despesa R$ 64.704.019,56 a autoridade fiscal procedeu a glosa de despesas no anocalendário de 2001, referentes à rubrica “Empreiteiros, Fornecedores, Honorários, Serviços, etc”, sob o fundamento de que a contribuinte, intimada, deixou de comprovar tais despesas quanto à efetividade da prestação dos correspondentes serviços, mas comprovou a liquidação dos títulos. A Recorrente argúi que: o valor de R$ 272.290,83, o pagamento ao fornecedor ocorreu durante o ano de 2001, vez que a Auditoria Fiscal imputou esse gasto como uma despesa indedutível para efeitos do lucro real, mister se fazia comprovar sua imputação por parte da Recorrente àqueles resultado. Todavia, este gasto não foi registrado nesse período, seja para efeitos de estoque/despesa/investimento, de maneira que sob qualquer prisma não houve impacto na determinação da base de cálculo de tributos naquele período, objeto da fiscalização. Fl. 4702DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.657 17 o valor de R$ 569.218,50, entendido pela fiscalização como não comprovada a despesa, teve sua comprovação no processo das seguintes formas: O valor de R$ 215.873,00 referese ao valor total dos documentos emitidos pela Empresa ALTUS Sistema de Informática S/A. Foram emitidas as notas fiscais n° 793, 30713, 30720, 791, a primeira referente ao faturamento do mês e as outras três referentes a reajuste contratual. Além disso, foi emitida uma nota de débito n° 42/00, para pagamento dos valores retidos em notas fiscais anteriores, ou seja, valores que foram faturados nas notas fiscais de suas respectivas competências e foram retidos no pagamento determinados valores por motivos contratuais. Essa nota de débito configurou somente o pagamento desses valores retidos anteriormente. Todos os documentos foram apresentados no processo pelas fls. 986 a 995. O valor de R$ 353.345,50 referese ao pagamento à empresa PSI Engenharia S/C Ltda., Sociedade Uniprofissional dispensada de emissão de nota fiscal pela sua característica (uniprofissional), e a despesa foi comprovada com a apresentação da fatura n° 028/01, emitida em 30/11/2001, na fl. 2234 do processo. Diante disso, não há que se falar em falta de comprovação das despesas, haja vista os documentos solicitados estarem anexos ao processo. o valor de R$ 50.973.228,04 para as gastos em que a fiscalização entendeu como não comprovada a despesa... os valores aqui combatidos foram lançados em registros contábeis na contabilidade auxiliar de investimentos e referemse a valores relativos às obras em andamento. A Recorrente encaminhou os respectivos arquivos digitais identificando cada lançamento contábil de apropriação das notas fiscais vinculadas a esses valores. os valores em questão não compuseram a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social quando dos respectivos pagamentos e registros da apropriação contábil das notas fiscais, no entanto, somente afetaram o resultado da empresa, quando da entrada em operação dos bens construídos e, conforme já dissemos, caberia à Auditoria apontar quais teriam sido os encargos da DEPRECIAÇÃO eventualmente estornados, circunstância essa jamais apontada pela Auditoria no processo. o valor de R$ 2.704.530,78, é a totalização do pagamento de oito notas fiscais, ocorridos durante o ano de 2001, que a Auditoria Fiscal imputou esses gastos como despesas indedutíveis para efeitos do lucro real, sem comprovar sua imputação por parte da Recorrente Fl. 4703DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.658 18 àqueles resultado, ou seja, o aproveitamento da despesa para efeito da determinação do lucro real, não está devidamente comprovado; o valor de R$ 10.081.851,41 para as despesas em que a fiscalização entendeu como não comprovada, referese a lançamentos contábeis registrados em contas de estoques de materiais para investimento, e dessa forma, não compuseram a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social quando do pagamento e registro da apropriação contábil das notas fiscais. Somente afetaram o resultado quando do consumo ou aplicação nos ativos imobilizados. o valor de R$ 102.900,00, se refere ao pagamento de uma única nota fiscal, ocorrido durante o ano de 2001, que a Auditoria Fiscal imputou esses gastos como despesas indedutíveis para efeitos do lucro real, sem comprovar sua imputação por parte da Recorrente àqueles resultado, ou seja, o aproveitamento da despesa para efeito da determinação do lucro real, não está devidamente comprovado; 2) Quanto à Primeira Infração (2ª coluna) Não prova Despesa e não prova Pagamento R$ 28.059.299,86 a autoridade fiscal procedeu a glosa de despesas no ano calendário de 2001, referentes à rubrica “Empreiteiros, Fornecedores, Honorários, Serviços, etc”, sob o fundamento de que a contribuinte, deixou de comprovar tais despesas quanto à efetividade da prestação dos correspondentes serviços, bem como quanto à liquidação dos títulos. A Recorrente argúi que: o valor de R$ 682.411,16, referese a apenas uma única nota fiscal, de n° 2317, emitida pela empresa Crisciuma Comercial e Construtora Ltda em 29/11/1999, no valor de R$ 341.205,58. Os pagamentos em questão, para o período solicitado pela fiscalização, tiveram sua despesa e pagamento comprovados no processo (Volume 07 folhas 1333 e 1336). Esses casos se enquadram no procedimento de GLOSA realizado pela empresa. "A GLOSA consiste no valor retido de um pagamento efetuado a uma empresa contratada, motivado por alguma situação específica, como por exemplo, na superveniência de uma ação judicial trabalhista de um empregado da contratada em que a Sabesp seja arrolada como solidária, multas contratuais aplicadas pela Sabesp contra o fornecedor, etc. Na prática, a glosa serve como a garantia de um valor em que a Sabesp é credora do fornecedor. Quando ocorre a GLOSA, apenas contas patrimoniais são movimentadas, não havendo trânsito por despesas ou receitas." ... Sendo assim, é nítido o equívoco da fiscalização ao tributar o valor da nota fiscal, pois o pagamento efetuado no período fiscalizado não se refere ao fato que originou a emissão da nota fiscal, e sim, um valor de devolução de glosa. O procedimento é meramente financeiro e esse valor não transita pelo resultado da empresa. Para o valor de R$ 19.147.122,59, a Recorrente adota o mesmo argumento em relação ao valor de 50.973.228,04 (item 1, 1ª coluna, acima) de que: Fl. 4704DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.659 19 os valores aqui combatidos foram lançados em registros contábeis na contabilidade auxiliar de investimentos e referemse a valores relativos às obras em andamento. A Recorrente encaminhou os respectivos arquivos digitais identificando cada lançamento contábil de apropriação das notas fiscais vinculadas a esses valores. os valores em questão não compuseram a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social quando dos respectivos pagamentos e registros da apropriação contábil das notas fiscais, no entanto, somente afetaram o resultado da empresa, quando da entrada em operação dos bens construídos e, conforme já dissemos, caberia à Auditoria apontar quais teriam sido os encargos da DEPRECIAÇÃO eventualmente estornados, circunstância essa jamais apontada pela Auditoria no processo. Para o valor de R$ 2.270.722,37, a Recorrente adota o mesmo argumento em relação ao valor de 10.081.851,41 (item 1, 1ª coluna, acima) de que: referese a lançamentos contábeis registrados em contas de estoques de materiais para investimento, e dessa forma, não compuseram a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social quando do pagamento e registro da apropriação contábil das notas fiscais. Somente afetaram o resultado quando do consumo ou aplicação nos ativos imobilizados. Para o valor de R$ 5.959.043,74, a Recorrente adota o mesmo argumento, de que se refere a casos de GLOSA, cujo mecanismo foi explicado, acima, pertinente ao valor de R$ 682.411,16 (2ª coluna). Sua identificação é clara ao observar que o valor desembolsado é muito menor ao valor do PP (Processo de Pagamento), documento interno que controla e rastreia valores orçados e pagos a um mesmo fornecedor. 3) Quanto à Segunda Infração (3ª coluna) Não prova Pagamento R$ 15.670.623,10 a autoridade fiscal procedeu a glosa de despesas no anocalendário de 2001, referentes à rubrica “Empreiteiros, Fornecedores, Honorários, Serviços, etc”, sob o fundamento de que a Recorrente, intimada, deixou de comprovar tais despesas quanto à liquidação dos títulos. A Recorrente argúi que: Para o valor de R$ 1.513.289,32, os pagamentos foram comprovados com documentos enviados à Fiscalização quando solicitados, fls. 447 a 457 do processo, e o protocolo de recebimento foi efetuado pela própria fiscal, acusando o recebimento de 03 caixas contendo a documentação relacionada. Fl. 4705DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.660 20 Para o valor de R$ 6.546.488,07, a Recorrente adota o mesmo argumento em relação ao valor de 50.973.228,04 (item 1, 1ª coluna, acima) e R$ 19.147.122,59 (item 2 2ª coluna) de que: os valores aqui combatidos foram lançados em registros contábeis na contabilidade auxiliar de investimentos e referemse a valores relativos às obras em andamento. A Recorrente encaminhou os respectivos arquivos digitais identificando cada lançamento contábil de apropriação das notas fiscais vinculadas a esses valores. os valores em questão não compuseram a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social quando dos respectivos pagamentos e registros da apropriação contábil das notas fiscais, no entanto, somente afetaram o resultado da empresa, quando da entrada em operação dos bens construídos e, conforme já dissemos, caberia à Auditoria apontar quais teriam sido os encargos da DEPRECIAÇÃO eventualmente estornados, circunstância essa jamais apontada pela Auditoria no processo. Para o valor de R$ 6.724.582,71, a Recorrente adota o mesmo argumento em relação ao valor de 10.081.851,41 (item 1, 1ª coluna, acima) e de R$ 2.270.722,37 (item 2, 2ª coluna, acima) de que: referese a lançamentos contábeis registrados em contas de estoques de materiais para investimento, e dessa forma, não compuseram a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social quando do pagamento e registro da apropriação contábil das notas fiscais. Somente afetaram o resultado quando do consumo ou aplicação nos ativos imobilizados. Para o valor de R$ 886.263,00, a Recorrente adota o mesmo argumento de que se refere também a um pagamento de GLOSA, vinculado a uma nota fiscal de período anterior. (Tal argumento também adotado para o valor de R$ 5.959.043,74, e R$ 682.411,16 ( 2ª coluna). ... é nítido o equívoco da fiscalização ao tributar o valor da nota fiscal, pois o pagamento efetuado no período fiscalizado não se refere ao fato que originou a emissão da nota fiscal, e sim, um valor de devolução de glosa. O procedimento é meramente financeiro e esse valor não transita pelo resultado da empresa. 4) Quanto à Terceira Infração (4ª coluna) Não prova Pagamento R$ 13.062.456,62 referese à rubrica "Despesas de publicidade", em particular as despesas com a empresa Loducca Publicidade Ltda., relativas ao contrato n° 10755/99, diz respeito à glosa de despesas no montante de R$ 13.062.456,62, sob o fundamento de que a Recorrente, intimada, Fl. 4706DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.661 21 deixou de comprovar tais despesas quanto à efetividade da prestação dos correspondentes serviços, mas comprovou a liquidação dos títulos. Desta infração, houve reflexo para efeitos do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. No essencial, a Recorrente alega que, o termo de verificação fiscal encaminhado pela fiscalização não trouxe elementos que puderam atestar e comprovar a não efetividade dos serviços prestados pela Agência, só há a alegação de que parte das despesas incorridas pela Recorrente não tem causa e os serviços não foram efetivamente prestados, ou seja, uma presunção por parte da autoridade fiscal. Como visto, as infrações (Primeira, Segunda, Terceira e Quarta) tratam de glosa de despesas. Observase que, desde a impugnação, a manifestação de inconformidade de 13/04/2015, após o resultado da última Diligência requerida pela DRJ/Brasília (fls.4686/4.695), e, no presente recurso voluntário, a Recorrente insiste que nos lançamentos de ofício não restou aferido pela Auditoria Fiscal se os valores que entendeu indedutíveis ou merecedores de adição ao resultado realmente influenciaram o resultado (seja ele contábil ou tributário) do período em que auditava, especialmente daquilo que entendeu como despesas que deveriam ser adicionadas, quando, na verdade dos fatos, tais gastos jamais foram aproveitados pela Recorrente como despesas. A Recorrente argúi que, a maior parte dos documentos auditados não tinha qualquer relação com despesa dedutível que afetasse o resultado de 2001, tratandose, em verdade de comprovações de investimentos realizados pela empresa. Os argumentos da Recorrente não podem ser afastados de plano, na medida em que gastos podem ser realizados sem que na verdade tenham influenciado a base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, desde que comprovados pela Recorrente que foram ativados ou que não foram aproveitados na apuração do resultado do período, porque foram adicionados ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, por serem indedutíveis. Todavia, tal avaliação e análise deve ser feita à luz da escrituração contábil e fiscal da interessada. Para que não paire nenhuma dúvida, e dado a volumosa documentação, em razão dos valores apresentados, cabe verificar junto à contribuinte quais contas/valores contabilizados como despesa, acima referenciadas, ditas glosadas indevidamente, efetivamente não foram encerradas contra a conta de resultado em 31/12/2001, e, se, influenciaram o resultado do exercício, por serem indedutíveis foram adicionadas ao lucro real (base de cálculo do IRPJ) e, à base de cálculo da CSLL. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo para realizar a diligência com a finalidade acima, e, finalmente elaborar relatório circunstanciado, do que deve ser dado ciência à Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação da interessada ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 4707DF CARF MF Processo nº 19515.003023/200606 Resolução nº 1201000.324 S1C2T1 Fl. 4.662 22 Fl. 4708DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13634.720269/2013-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
PENDÊNCIAS. INGRESSO. INDEFERIMENTO.
Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
Numero da decisão: 1001-000.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 PENDÊNCIAS. INGRESSO. INDEFERIMENTO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1428; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 134 1 133 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13634.720269/201324 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.316 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 19 de janeiro de 2018 Matéria Simples Nacional Recorrente RÁDIO IMIGRANTES LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 PENDÊNCIAS. INGRESSO. INDEFERIMENTO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efls. 04/05) para o ano calendário 2013, tendose em vista a existência de débitos previdenciários e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 4. 72 02 69 /2 01 3- 24 Fl. 134DF CARF MF 2 não previdenciários com a Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), assim como débitos inscritos em Dívida Ativa da União, todos com exigibilidade não suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade alegando ter parcelado os débitos com a RFB e quitado os débitos inscritos em Dívida Ativa da União no prazo legal. A decisão de primeira instância (efls. 109/112) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que não houve a regularização das pendências dentro do prazo previsto na legislação, pois o parcelamento do débito previdenciário estava com pelo menos uma parcela em atraso e as inscrições na PGFN apresentavam parcelas em atraso: "Conforme consulta aos sistemas informatizados realizada em 05/06/2013, fls. 70/75 dos autos, o débito previdenciário listado foi incluído no PAEX e encontrase com as parcelas das competências out/2011 e Jan/2013 em aberto, ou seja, não há possibilidade de acatar o pedido da empresa, eis que o REDARF não foi alocado corretamente e, ainda que fosse, a empresa não explicou o débito na competência Jan/2013. (...) Outrossim, as inscrições na PGFN de nºs 60509021037680, 6051101159100, 6051101159444, 6051101159525, 6051101159878, 6041200744364 encontramse em atraso quanto ao recolhimento das parcelas, conforme consulta aos sistemas da PGFN, em anexo, e conforme parecer do SAORT/DRF/GVS/MG. Cientificada da decisão de primeira instância em 17/09/2014 (efl. 122) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 17/10/2014 (efls. 125/130), em que aduz, em resumo: os débitos que impediram a adesão ao sistema simplificado foram incluídos no parcelamento da Lei 11.941/2009 e Lei 12.865/2013; foi impedida de consolidar o parcelamento do débito previdenciário no parcelamento da Lei 11.941/2009 devido ao atraso de uma parcela, cujo DARF teria sido preenchida equivocadamente; os débitos referentes às inscrições na PGFN foram todos quitados por pagamento. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 04/05) para o ano calendário 2013. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 15, inciso XV, da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011: Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13634.720269/201324 Acórdão n.º 1001000.316 S1C0T1 Fl. 135 3 “Art. 15. Não poderá recolher os tributos na forma do Simples Nacional a ME ou EPP: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, caput): (...) XV que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, inciso V)”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela mesma Resolução CGSN nº 94/2011: Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) (...) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; O contribuinte não diligenciou de forma a regularizar as pendências no prazo legal. Isto porque não efetuou a consolidação do parcelamento da Lei 11941/2009, como confirma em seu recurso voluntário. Não houve a consolidação necessária para o deferimento do parcelamento requerido por falta de cumprimento, pelo contribuinte, das formalidades previstas na PGFN/RFB n. 2, de 03/02/2011 (no caso dois pagamentos, efls. 70/75), prescritas exclusivamente para o parcelamento da lei 11.941/2009. Os efeitos do deferimento retroagem à data do requerimento de adesão. Art. 12. Considerase deferido o parcelamento na data em que o sujeito passivo concluir a apresentação das informações necessárias à consolidação de que trata o art. 15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009. § 1º Os efeitos do deferimento retroagem à data do requerimento de adesão. § 2º No caso de que trata o inciso II do § 1º do art. 3º os efeitos do deferimento retroagem à data de 30 de novembro de 2009. Fl. 136DF CARF MF 4 No que se refere aos parcelamentos dos débitos inscritos em Dívida Ativa, os atrasos reportados (efl. 106) foram suficientes para a rescisão do parcelamento (conforme históricos de efls. 78 e 84), o que se reflete em sua não suspensão em 31/01/2013, apesar da posterior quitação dos débitos. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 137DF CARF MF
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