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Numero do processo: 10950.002642/2010-48
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
Numero da decisão: 9101-003.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto (relator), que não conheceu. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Jose´ Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Fla´vio Franco Corre^a, Luis Fla´vio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Arau´jo, Demetrius Nichele Macei, Jose´ Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rego (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto (relator), que não conheceu. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 26 42 /2 01 0- 48 Fl. 873DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flav́io Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rego (Presidente). Fl. 874DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em face do Acórdão nº 1401001.058 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), em que é interessada AUTORAMA AUTOMÓVEIS UMUARAMA LIMITADA. O recurso especial versa sobre a aplicação concomitante da multa isolada, prevista no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.448/07, e da multa de ofício de 75%, prescrita no inciso I do mesmo dispositivo da Lei n° 9.430/96. A exigência se refere ao anocalendário de 2007. O acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para canelar a multa isolada, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO DEFICIÊNCIA NA SUA FORMALIZAÇÃO É incabível a arguição de nulidade do lançamento se na sua formalização foram observados os preceitos do Art. 10 do Decreto n° 70.235/72. Ainda mais quando constatase que nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada c tipificada o que permitiu a impugnante articular perfeitamente a sua defesa, não demonstrando qualquer dúvida quanto ao ilícito fiscal que lhe foi imputado. APURAÇÃO ANUAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. POSTERIOR PARCELAMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. Procedente a autuação de ofício de débito de IRPJ, apuração anual, apurado em DIPJ entregue, porém não recolhido nem confessado pelo contribuinte, sendo que os valores das estimativas mensais extintas mediante parcelamento contratado depois da ciência do lançamento fiscal, devem ser considerados por ocasião da cobrança. DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. A falta ou insuficiência de recolhimentos IRPJ e CSLL, não confessados ou confessados não espontaneamente constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. MULTA ISOLADA CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO. Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que Fl. 875DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 5 4 prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada, seja pela ausência de base imponível, bem como pelo malferimento do princípio da não propagação das multas e da ao repetição da sanção tributária. A PFN interpôs recurso especial contra a aludida decisão, a fim de que seja restabelecida a exigência de multa isolada, mesmo que em concomitância com a multa de ofício (efls. 627 e seg.), o qual foi admitido por despacho (efls. 647 e seg.). O contribuinte apresentou contrarrazões, em que requer seja negado provimento ao recurso especial, tendo em vista que o acórdão recorrido estaria em consonância com a jurisprudência deste Tribunal (efls. 663 e seg.). O contribuinte também apresentou recurso especial (efls. 781 e seg.), ao qual foi negado seguimento (efls. 848 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Fl. 876DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator CONHECIMENTO O recurso especial interposto pela PFN foi tempestivo, fazendose necessário analisar se preenche os demais requisitos de admissibilidade. Ocorre que os acórdãos indicados pela recorrente como paradigmáticos de divergência, embora ainda não tenha sido objeto de reforma, encontrase em desacordo com a Súmula n. 105 do CARF, aprovada na sessão de 08.12.2014. No caso concreto, discutese a cumulação da multa de ofício com a multa isolada pela não apuração de estimativas, atinente a período posterior a vigência da Lei n. 11.488, de 15 de junho de 2007 (fruto da conversão da Medida Provisória 351/2007). Portanto, para que a conclusão quanto ao não conhecimento do recurso especial interposto pela PFN, é imperioso analisar se as alterações introduzidas pela aludida norma afetaram a própria incidência da súmula aos períodos lhe sucederam. Em sua redação original, o art. 44 da Lei n. 9.430/96 assim prescrevia: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...); IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Com a redação que lhe foi pela Lei n. 11.488/2007, o dispositivo passou a dispor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 7 6 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (…) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Tanto no RICARF vigente à época da enunciação da Súmula n. 105 do CARF (08.12.2014) quanto no atual, em uma espécie de julgamento por amostragem, são levados à apreciação dos Conselheiros deste Tribunal, determinado número de julgados sobre a matéria, consideradas capazes de possibilitar a “mais precisa percepção possível não apenas da questão de direito cuja relevância há de se aferir, como também do conflito em que ela se insere” 1. Os casos selecionados devem propiciar à ventilação dos mais relevantes argumentos no tocante a interpretação que deve ser atribuída à legislação federal, pois a norma decorrente da súmula deverá ser aplicada a todos os demais casos que apresentem questão de direito equivalente. Por esse arcabouço jurídico, atribuise à súmula do CARF, então, a feição de precedente com “força necessária para servir como ratio decidendi para o juiz subsequente”2. Com a súmula, os fundamentos adotados nos acórdãos paradigmáticos que provocaram a sua enunciação de todos os demais casos que vierem a ser submetidos ao CARF. Uma súmula do CARF é, portanto, veículo para ratio decidendi presente nos acórdãos paradigmáticos que provocaram a sua enunciação, para que este seja obrigatoriamente aplicado a todos os processos que tratem da mesma matéria, por quaisquer julgadores deste Tribunal. Nesse seguir, a norma enunciada pelo CARF, por meio de súmula, deverá ser aplicada à generalidade dos processos que forem conduzidos em massa perante este Tribunal, com a reprodução a decisões in concreto da ratio decidendi em questão. Tratase a súmula do CARF, portanto, de norma geral e concreta3. Para a solução do presente caso, é preciso compreender essa relação de complementariedade: a ratio decidendi dos acórdãos paradigmas se desprendem da respectiva súmula, nem esta deve ser aplicável a hipóteses que não estariam abrangidas pela ratio decidendi dos referidos paradigmas. Em outras palavras, como a súmula é norma geral e concreta que veicula a ratio decidendi outrora presente em reiterados acórdão individuais e concretos, a sua aplicação é restrita às situações que sejam equivalentes àquelas tratadas nos referidos acórdãos paradigmáticos. A aplicação de uma súmula a um caso concreto pressupõe 1 TALAMINI, Eduardo. Julgamento de recursos no STJ ‘por amostragem’. Informativo Justen, Pereira Oliveira e Talamini, 2008. Disponível em www.justen.com.br/informativo. 2 À semelhança do que ocorre com os recursos repetitivos do STJ. A respeito destes, vide: MESQUITA, José Ignácio Botelho et al. A repercussão geral e os recursos repetitivos: economia, direito e política, In: Revista de Processo, São Paulo, v. 38, n. 220, p. 1332, jun. 2013, p. 29. 3 Vide, sobre o tema: CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário: fundamentos jurídicos da incidência. 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 3541. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 8 7 que as premissas fáticas e as normas questionadas neste sejam equivalentes às premissas fáticas e as normas questionadas nos paradigmas que ensejaram a súmula. A compreensão dos acórdãos paradigmas da Súmula n. 105 do CARF é, portanto, fundamental para a correta aplicação desta. No caso, duas ratio decidendi podem ser abstraídas dos fundamentos dos paradigmas da Súmula n. 105 do CARF. A primeira delas é que pelo critério da consunção, nas autuações realizadas após o término do exercício fiscal, a penalidade atinente à multa isolada pela não apuração de estimativas mensais é absorvida pela multa de ofício. É o que se observa de suas respectivas ementas, a seguir transcritas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CSRF, 9101001.261, de 22/11/2011) Neste acórdão, houve a transcrição integral dos fundamentos adotados em outro julgamento da CSRF (acórdão CSRF/0105.838, de 15.04.2008), que restou assim ementado: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício. 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 9 8 calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Recurso especial negado. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1998 (...) MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CSRF, 9101001.307, de 24/04/2012) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. CARF, 3ª Turma Especial, 1ª Seção, 1803001.263, de 10/04/2012 A segunda ratio decidendi que se abstrair dos paradigmas da Súmula n. 105 do CARF é que não é cabível o lançamento de multa isolada, cuja base de cálculo seja Fl. 880DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 10 9 coincidente ou esteja está inserida na base de cálculo das multas de ofício. É o que se observa de suas respectivas ementas, a seguir transcritas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000, 2001 Ementa: MULTA ISOLADA. ANOSCALENDÁRIO DE 1999 e 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor das glosas efetivadas pela Fiscalização. Recurso Especial do Procurador conhecido e não provido. (CSRF, 9101001.203, de 17/10/2011) Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2001 IRFONTE. AFASTAMENTO. O próprio lançamento tributário em razão da desconsideração do planejamento fiscal já atribuiu as respectivas saídas de valores a causa e seus beneficiários. MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO DE 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Recurso especial do Procurador negado. (CSRF, 9101001.238, de 21.11.2011) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 (...) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 11 10 Devem ser exoneradas as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, uma vez que, cumulativamente foram exigidos os tributos com multa de ofício, e a base de cálculo das multas isoladas está inserida na base de cálculo das multas de ofício, sendo descabido, nesse caso, o lançamento concomitante de ambas. (...) (CARF, 1ªC/2ªTO, 110200.748, de 09.05.2012) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. A regra geral para contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, no caso de penalidades, está prevista no artigo 173, I do CTN, apresentandose regular a exigência formalizada dentro deste prazo. Por sua vez, em relação aos tributos, havendo antecipação de recolhimentos o prazo é contado na forma do art. 150, §4o. do CTN. MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base). (...) (CARF, 4ªC/2ªTO, 1402001.217, de 04.10.2012) Em todos esses julgados, portanto, compreendeuse não ser cabível o lançamento de multa isolada, quando: a sua base de cálculo seja coincidente ou esteja está inserida na base de cálculo das multas de ofício; pelo critério da consunção, nas autuações realizadas após o término do exercício fiscal, a penalidade atinente à multa isolada pela não apuração de estimativas mensais deva ser absorvida pela multa de ofício. A consequência que a introdução da Lei nº 11.488/07 trouxe em relação as multas isoladas aplicadas no caso de não recolhimento das estimativas foi a redução do seu percentual, por tratarse, de infração de menor potencial ofensivo. É o que de extrai da própria exposição de motivos da MP nº 351/07, a saber: (...) 8. A alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 12 11 ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora. Nesse cenário, compreendo que mesmo após as alterações introduzidas pelo referido documento normativo, ambos os fundamentos permanecem válidos, aplicandose a lógica da consunção e a base de cálculo da multa isolada está inserida na base de cálculo das multas de ofício. Concluise, portanto, a aludida alteração em nada afeta a imperiosidade da Súmula nº 105 que deve ser aplicada ao presente caso, o que impede seja conhecido o recurso especial interposto pela PFN, sob pena de ofensa ao art. 67 do RICARF. MÉRITO Por restar vencido quanto ao não conhecimento do recurso especial interposto pela PFN, passo à análise de seu mérito. O cerne da contenda consiste em saber se a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSL deve ser cobrada cumulativamente com a multa de ofício, na hipótese de auto de infração lavrado após o término do exercício fiscal. No caso, mesmo após as alterações introduzidas pela Lei n. 11.488/2007 no art. 44 da Lei n. 9.430/96, a questão deve ser analisada com vistas à teoria da consunção. Esse é o entendimento que vem sendo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça (doravante “STJ”). Recentemente, no REsp nº 1.496.354/PR, o STJ decidiu ser necessário aplicar o princípio da consunção na interpretação do art. 44 da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 11.488/2007, a fim de afastar a exigência da isolada, absorvida pela multa de ofício. A referida decisão restou assim ementada: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 13 12 declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (STJ, REsp 1496354/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2015, DJe 24/03/2015) Em seu voto, acompanhado pela unanimidade da Segunda Turma da 1a Seção do STJ, o i. Ministro HUMBERTO MARTINS, relator do referido julgado, assim explicitou os fundamentos, in verbis: “Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá́ ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, "a" e "b", em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativo tributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 14 13 Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo.” Em decisão posterior, no REsp 1.499.389/PB, o STJ novamente vivificou o princípio da consunção, para afastar a cumulação da multa de ofício com a multa isolada. A referida decisão restou assim ementada: TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTE. 1. A Segunda Turma desta Corte, quando do julgamento do REsp nº 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins, DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 somente poderá ser aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso I do referido dispositivo. 2. Na ocasião, aplicouse a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobra se apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. 3. Agravo regimental não provido. (STJ, AgRg no REsp 1499389/PB, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/09/2015, DJe 28/09/2015) É fundamental notar que a ratio decidendi presente nos referidos julgados do STJ, que se detiveram às aludidas normas sancionatórias após as alterações introduzidas pela Lei n. 11.488/2007, não é distinta das ratio decidendi adotada pelo CARF em seus reiterados julgados proferidos na vigência da redação original do art. 44 da Lei n. 9.430/96. Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 15 14 É o que se observa dos fundamentos do acórdão 0105.838, proferido pela CSRF em 15.04.2008, da relatoria do então Conselheiro MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, in verbis: “Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam ‘principio da consunção’. Segundo as lições de Miguel Reale Junior: ‘pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave...’. E prossegue ‘no crime progressivo portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave’. Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de oficio na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado no final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio por falta de recolhimento de tributo.” Nesse seguir, após as alterações introduzidas pela Lei n. 11.488/2007, o mesmo dilema quanto à consunção, anteriormente enfrentado pelo CARF, permanece presente e, conforme o entendimento mantido pelo STJ, deve ser solucionado da mesma forma: a impossibilidade de cobrança da multa isolada cumulada com a multa de ofício. Compreendo que a solução adotada pelo STJ é a mais adequada, não havendo razão para afastarse a ratio decidendi da Súmula n. 105 para fatos ocorridos após a edição da Lei n. 11.488/2007, especialmente por força do princípio da consunção. Fl. 886DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 16 15 Além disso, no acórdão 110200.748, referido acima entre os paradigmas da Súmula n. 105 do CARF, a então Conselheira ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA consignou que o fundamento para a proibição da cumulação da multa de ofício com a multa isolada se daria pelo fato da base de cálculo desta estar compreendida na base de cálculo daquela, in verbis: “No caso destes autos, constatase que o valor da base de cálculo da multa isolada está inserido na base de cálculo da multa de ofício. Levandose em conta que é o bem público que deve ser protegido, aplicar a multa proporcional cumulativamente com a multa isolada, por falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados, em procedimento fiscal, sobre base de cálculo de idêntico valor, implicaria admitir que, sobre o imposto apurado de oficio, se aplicaria duas punições, que significaria em relação à falta, a imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido. A ratio decidendi adotada nesse julgado, mesmo proferido com vistas à redação original da Lei n. 9.430/96, é perfeitamente aplicável às normas sancionatórios estabelecidas pela Lei n. 11.488/2007: enquanto na redação original a base de cálculo na multa isolada e da multa de ofício seria idêntica, com a redação vigente a partir de 2007, não haverá necessária coincidência, embora seja certo que “o valor da base de cálculo da multa isolada está inserido na base de cálculo da multa de ofício”. Compreendo, assim, que deve ser mantida a ratio decidendi que inspirou a prolação da Súmula n. 105 do CARF, inclusive nos fatos ocorridos sob a vigência da Lei n. 11.488/2007, como é o caso dos autos. Voto, portanto, pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso especial interposto pela PFN e, no mérito, para NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 887DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 17 16 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araújo Redator designado Abordo neste voto os pontos a respeito dos quais divirjo dos entendimentos expostos pelo i. Conselheiro Relator, com a devida vênia. O nobre Relator restou vencido quanto: (i) ao não conhecimento do recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN); e (ii) à negativa de provimento ao mesmo recurso, no que diz respeito à única matéria recorrida que obteve seguimento para apreciação por esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), relacionada à possibilidade de cobrança concomitante das multas isolada e de ofício relativas ao anocalendário 2007. Passo, então, a expor o entendimento que prevaleceu no Colegiado a respeito dos referidos temas. I) Conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional O recurso especial da PGFN narra que o acórdão recorrido teria afastado a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, II, alínea "b", da Lei nº 9.430/1996, em relação a período posterior ao advento da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), por considerar ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício. Assim teria se inaugurado dissenso jurisprudencial entre a decisão recorrida e os acórdãos paradigmas nº 1401000.761 e nº 910100.947, que defenderiam a legitimidade, a partir do anocalendário 2007, da aplicação cumulativa das duas multas de ofício (a devida pela falta de pagamento do tributo apurado ao final do anocalendário e a decorrente do não recolhimento das estimativas mensais, previstas respectivamente no inciso I e na alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996), uma vez que decorrem de infrações diversas e não configuram bis in idem. O i. Conselheiro Relator deste julgamento votou pelo não conhecimento do recurso especial fazendário em relação à matéria sob o argumento de que os acórdãos paradigmas indicados pela PGFN estariam em desacordo com a Súmula CARF nº 105. Analisando as decisões paradigmáticas que fundamentaram a edição da referida Súmula CARF, o nobre Relator defende que suas duas ratio decidendi não teriam sido afetados pela alteração que a Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.844/2007) promoveu na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Segundo a tese defendida, os fundamentos da Súmula CARF nº 105, que permaneceriam válidos para o anocalendário 2007, são: i) pelo critério da consunção, nas autuações realizadas após o término do exercício fiscal, a penalidade atinente à multa isolada pelo não recolhimento de estimativas mensais é absorvida pela multa de ofício pela falta de pagamento do tributo calculado ao final do período de apuração; e ii) não é cabível o lançamento de multa isolada porque sua base de cálculo é coincidente ou está inserida na base de cálculo da multa de ofício. Fl. 888DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 18 17 Divirjo de tal entendimento. A Súmula CARF nº 105 é explícita ao mencionar a impossibilidade de cobrança concomitante da "multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996" com a "multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual". Observese que o dispositivo legal que fundamenta a cobrança da multa de ofício não é mencionado. Sendo assim, é bastante provável que a intenção da 1ª Turma da CSRF tenha sido exatamente a de delimitar a vedação de aplicação concomitante à multa isolada fundamentada especificamente no inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Caso a menção ao dispositivo legal tivesse sido feito de forma despretensiosa, apenas com a intenção de identificar de que multa isolada a Súmula estaria tratando, provavelmente a referência à multa de ofício também viria acompanhada da identificação do dispositivo legal que a fundamenta. Além disso, tendo sido a Súmula editada pela 1ª Turma da CSRF apenas em 08/12/2014, muito tempo após a revogação do inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e o início da vigência da Lei nº 11.488/2007, seria esperado que ela fizesse alguma referência genérica como "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não pode ser exigida (...)" caso não desejasse se referir especificamente à multa isolada prevista no dispositivo revogado em 2007. A previsão legal da multa aplicada isoladamente foi significativamente alterada em janeiro de 2007. Na redação anterior, contida no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996, previase a exigência de multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, no caso de a pessoa jurídica sujeita ao pagamento do IRPJ e da CSLL, na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996, deixar de fazêlo, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL no anocalendário correspondente. O percentual da multa aplicável era de 75%. Já com a redação introduzida pela MP nº 351/2007 e pela Lei nº 11.488/2007, prevêse no art. 44, inciso II, alínea "b" da Lei nº 9.430/1996 a cobrança de multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL no anocalendário correspondente. Verificase, portanto, que houve alterações expressas e significativas na base de cálculo e nos percentuais aplicáveis à multa isolada. Desta forma, não é possível afirmar, em sede de análise do conhecimento do recurso e sem adentrarmos no mérito da discussão, que a Súmula CARF nº 105 abrangeria também o anocalendário de 2007 e posteriores. Diante do exposto, entendo inaplicáveis ao caso sob análise as restrições tipificadas no § 3º ou no inciso III do § 12 do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF/2015), razão pela qual CONHEÇO do recurso especial da PGFN em relação à cobrança concomitante das multas de ofício e isolada relacionada ao anocalendário 2007. Fl. 889DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 19 18 II) Mérito O recurso especial da Fazenda Nacional contesta o entendimento exposto no acórdão recorrido de que seria incabível a cobrança concomitante das multas de ofício e isolada após o encerramento do anocalendário objeto das antecipações de IRPJ e CSLL. Segundo aquele julgado, neste momento a base imponível para fins de aplicação de multa é somente aquela que suportará o tributo efetivamente devido ao final do anocalendário, sendo possível apenas a aplicação da multa de ofício prevista no inciso I do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Embora o voto vencedor do Acórdão nº 1401001.058 expressamente se refira, em sua fundamentação, à multa isolada tipificada no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/1996, supõese que a tese ali defendida apliquese também à multa isolada prevista na nova redação do art. 44 (na alínea "b" de seu inciso II), já alterada pela Medida Provisória nº 351/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), uma vez que os créditos tributários discutidos nos presentes autos referemse ao anocalendário 2007. O i. Conselheiro Relator votou por negar provimento ao recurso fazendário, defendendo que a ratio decidendi que fundamentou a edição da Súmula CARF nº 105 (a necessidade de aplicação do princípio da consunção e o fato de a base de cálculo da multa isolada estar inserida na base de cálculo da multa de ofício) continuou válida sob a nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 a partir de 2007. O voto do nobre Conselheiro Relator restou vencido, tendo prevalecido no Colegiado as razões que passo a expor. Até o advento da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, a multa isolada devida por ausência de pagamento das estimativa mensais de IRPJ e de CSLL tinha a seguinte previsão legal: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídicas sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa Fl. 890DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 20 19 para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano calendário correspondente; (...) Com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488/2007, passou a dispor a mesma Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (...) Observemse as alterações efetivas operadas pela mudança de redação: (i) a multa isolada não é mais calculada sobre "a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição", passando a incidir sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser recolhido na forma prevista no art. 2º da mesma lei; e (ii) o percentual aplicável no cálculo da multa passa de 75% para 50%. A antiga redação do art. 44 efetivamente não deixava tão clara a distinção entre as multas de ofício e isolada. A base sobre a qual as multas incidiam era prevista de forma conjunta, no caput do artigo ("calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"). O percentual aplicável para ambas as multas também era fixado no mesmo dispositivo, o inciso I do artigo ("setenta e cinco por cento"). Somente no inciso IV do § 1º é que existia a previsão específica da exigência de multa isolada pelo não pagamento de IRPJ ou CSLL na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996 (estimativas mensais com base na receita bruta do período). A falta de clareza na antiga redação do art. 44 e o fato de parte das previsões das duas multas constarem dos mesmos dispositivos (mesma base de cálculo, inclusive) foram, em grande medida, responsáveis pela sedimentação do entendimento desta Corte no sentido da impossibilidade de cobrança simultânea das multas isolada e de ofício. Por conta disso, editouse a já mencionada Súmula CARF nº 105: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Fl. 891DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 21 20 Com o advento da MP nº 351, de 22/01/2007, e sua posterior conversão na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, julgo terem sido extirpadas as fontes de dúbia interpretação do art. 44 no que diz respeito à previsão das multas isolada e de ofício. A nova redação é clara em relação às hipóteses de incidência de cada uma das multas, suas bases de cálculo e percentuais aplicáveis. Conforme expus no tópico relativo ao conhecimento do recurso especial da PGFN, não considero razoável a ilação de que possa ter sido casual a expressa menção, pela Súmula CARF nº 105, do dispositivo que tipificou a multa isolada ali mencionada. A Súmula foi editada pela 1ª Turma da CSRF em 08/12/2014, muitos anos após as mudanças redacionais introduzidas pela Lei nº 11.488/2007. Caso a egrégia Turma quisesse se referir indiscriminadamente a qualquer multa isolada, anterior ou posterior à alteração da redação do art. 44, o teria feito simplesmente deixando de mencionar o art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. Ao citar expressamente o dispositivo, a Súmula deixa claro que a cobrança concomitante a que se opõe é aquela que envolve a multa isolada fundamentada na antiga redação do art. 44, antes das alterações promovidas pela Lei nº 11.844/2007. Neste mesmo sentido já se manifestou esta 1ª Turma da CSRF, no recente Acórdão nº 9101003.597, cujo voto condutor trouxe: "Já em primeiro plano se verifica que a multa isolada, antes incidente sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição estimada, conforme a prescrição original do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a incidir sobre o valor do pagamento mensal que, na forma do artigo 2º da mesma lei, deixar de ser efetuado, caso a falta de pagamento não esteja justificada em balanços de suspensão ou redução, estabelecidos pelo artigo 35 da Lei nº 8.981/95. A alteração legislativa decorreu do claro propósito de contornar a jurisprudência dominante, ao trazer ao mundo jurídico que a multa isolada não mais incidirá sobre um tributo antecipado, como o próprio caput do artigo 44 sugeria, em sua redação original, ao estabelecer que, “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Com a Lei nº 11.488/2007, a multa isolada é aplicada sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento integral da estimativa que compõe o esperado fluxo de caixa da União, embora não mais incidente sobre a totalidade ou diferença da antecipação de tributo não recolhida, mas incidente sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao final do anocalendário, caso lhe falte o devido suporte em balanço de suspensão ou redução. A nova disposição do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não deixa dúvida a respeito de duas multas distintas: a primeira, no inciso I, de 75%, sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição (multa de ofício), aplicável nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata; a segunda, no inciso II, de 50% (multa isolada), calculada sobre o valor do pagamento de estimativa que deixar de ser efetuado, devida sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento da Fl. 892DF CARF MF Processo nº 10950.002642/201048 Acórdão n.º 9101003.830 CSRFT1 Fl. 22 21 totalidade da estimativa apurada na forma do artigo 2º, sem o apoio de balanço de suspensão ou redução. A ressalva constante da redação atual do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, no sentido de que a multa é exigida isoladamente do tributo devido ao final do anocalendário, já traduz, por outro lado, que a multa do inciso I sempre é exigida em conjunto com o tributo devido. Tanto é assim que a multa do inciso I não é aplicada em caso de apuração, no balanço do encerramento do anocalendário, de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao passo que a multa do inciso II independe da apuração de lucro ou prejuízo fiscal, ou de base de cálculo positiva ou negativa de CSLL. Esta última deve ser exigida se o contribuinte deixar de efetuar o pagamento integral da estimativa sem a cobertura de um balanço de suspensão ou redução, ainda que, ao final do anocalendário, seja apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. Podese ver que os fatos geradores dessas multas são distintos: para o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, falta de pagamento ou recolhimento do tributo apurado em declaração de ajuste, falta de declaração e declaração inexata; para o inciso II, falta de pagamento, ou pagamento insuficiente, das estimativas apuradas, desprovida de lastro em balanço de suspensão ou redução. Portanto, são infrações distintas, com graduações distintas e decorrentes de fatos geradores distintos. Não há, por conseguinte, bis in idem." (destaques no original) Diante de todo o exposto, não vislumbro óbice à cobrança cumulativa das multas isolada (art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430/1996) e de ofício (art. 44, inciso I, da mesma Lei) para infrações ocorridas a partir de janeiro de 2007, quando teve início a vigência da MP nº 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.844/2007. Portanto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional para restabelecer a exigência das multas isoladas exoneradas pelo acórdão recorrido, em relação ao anocalendário 2007. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 893DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13607.000466/2005-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
DCTF. MULTA POR ATRASO.
O contribuinte que está obrigado a entregar DCTF sujeita-se às penalidades previstas na legislação vigente, quando deixar de apresentá-la ou apresentála
em atraso.
Numero da decisão: 1001-000.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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MULTA POR ATRASO. O contribuinte que está obrigado a entregar DCTF sujeitase às penalidades previstas na legislação vigente, quando deixar de apresentála ou apresentála em atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 7. 00 04 66 /2 00 5- 41 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13607.000466/200541 Acórdão n.º 1001000.997 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 48) interposto contra o Acórdão nº 02 14.284, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (fls. 41 a 45), que, por unanimidade, julgou improcedente a Impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGACõES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 DCTF. MULTA POR ATRASO. O contribuinte que está obrigado a entregar DCTF sujeitase às penalidades previstas na legislação vigente, quando deixar de apresentála ou apresentála em atraso. Lançamento Procedente" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Contra o interessado acima identificado, foi lavrado o auto de infração de fl. 2, para formalizar exigência de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao segundo trimestre do anocalendário de 2004, no valor de R$ 500,00. Como enquadramento legal foram citados: § 3 0 do art. 113 e art. 160 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN); art. 4°, combinado com o art. 2°, da Instrução Normativa SRF n° 73, de 19 de dezembro de 1996; art. 2° e 6° da Instrução Normativa SRF n.° 126, de 30 de outubro de 1998, combinado com o item I da Portaria do Ministério da Fazenda n.° 118, de 26 de agosto de 1984; art. 5° do Decretolei n.°2.124, de 13 de junho de 1984; art. 7° da Media Provisória n.° 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei n.° 10.426, de 24 de abril de 2002. A ciência do lançamento se deu em 05/08/2005 (AR, fl. 16). Em 05/09/2005, foi apresentada a impugnação de fl. 1. Nela, alegase que: • no dia final del3/08/2004, data de encerramento do prazo para entrega da DCTF do 2° trim. de 2004, a contribuinte tentou transmitir a declaração por várias vezes, até as 18hs, mas o receitanet estava com problema; • no dia 17/08/2004, a impumante procurou se informar se o receitanet já estava funcionando, e ficou sabendo que s6 foi possível a transmissão após as 19 hs do dia 13/08/2004; • a empresa não tem culpa pelo atraso, pois a declaração não foi entregue no dia correto, por falha de transmissão da Receita Federal.”. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13607.000466/200541 Acórdão n.º 1001000.997 S1C0T1 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Impugnação, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise com base nos mesmos elementos que já havia apresentado em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Quanto ao mérito, os argumentos da impugnante não podem ser acolhidos. A circunstância invocada não tem o condão de afastar a responsabilidade pelo atraso. E fato não contestado que a DCTF só foi validamente entregue após o encerramento do prazo. Assim sendo, a multa foi aplicada conforme previsto na legislação tributária. De acordo com o inciso VI do art. 97 do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Não há lei que contemple a hipótese invocada, como razão para a dispensa da multa em lide. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13607.000466/200541 Acórdão n.º 1001000.997 S1C0T1 Fl. 5 4 Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720241/2014-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
São improfícuos os julgados administrativos trazidos ao conhecimento da Turma pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem que uma lei lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional.
CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO NORMATIVO.
Não cabe a Autoridades Administrativas apreciar a constitucionalidade de normas regularmente integradas ao ordenamento jurídico, função precípua do Poder Judiciário.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO.
Não se encontram presentes no feito elementos ensejadores de nulidade, seja por motivos de competência da autoridade lançadora, seja por violação a preceitos constitucionais.
DADOS VS. INFORMAÇÃO
O fato de haver apresentado dados em profusão apresentados em resposta a diversas intimações expedidas pela Autoridade Fiscal não exonera a contribuinte de prestar informações, pois essas não se confundem com aqueles; a informações é o dado tratado segundo algum critério lógico e compartilhável, o que não se verificou no caso em tela.
MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS.
Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir-se presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUIU O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 173 do CTN, conforme entendimento exarado pelo STJ no julgamento do Resp. n.º 973.733/SC.
MULTA QUALIFICADA
Observado que o contribuinte agiu com dolo e simulação, devida é a aplicação da multa qualificada.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
Andou bem a Autoridade Fiscal a quo ao aplicar o disposto na Portaria RFB n° 2.439, de 2010, aos fatos descritos no relatório.
Numero da decisão: 1302-003.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários do contribuinte e do responsável solidário Paulo Roberto Brunetti, nos termos do relatório e voto do relator, votando os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias pelas conclusões do relator quanto a manutenção da responsabilidade solidária.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGÉRIO APARECIDO GIL
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos ao conhecimento da Turma pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem que uma lei lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO NORMATIVO. Não cabe a Autoridades Administrativas apreciar a constitucionalidade de normas regularmente integradas ao ordenamento jurídico, função precípua do Poder Judiciário. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. Não se encontram presentes no feito elementos ensejadores de nulidade, seja por motivos de competência da autoridade lançadora, seja por violação a preceitos constitucionais. DADOS VS. INFORMAÇÃO O fato de haver apresentado dados em profusão apresentados em resposta a diversas intimações expedidas pela Autoridade Fiscal não exonera a contribuinte de prestar informações, pois essas não se confundem com aqueles; a informações é o dado tratado segundo algum critério lógico e compartilhável, o que não se verificou no caso em tela. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir-se presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUIU O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 173 do CTN, conforme entendimento exarado pelo STJ no julgamento do Resp. n.º 973.733/SC. MULTA QUALIFICADA Observado que o contribuinte agiu com dolo e simulação, devida é a aplicação da multa qualificada. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Andou bem a Autoridade Fiscal a quo ao aplicar o disposto na Portaria RFB n° 2.439, de 2010, aos fatos descritos no relatório.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 11.893 1 11.892 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.720241/201482 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.221 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria Irpj Recorrente LANCE CONSULTORIA EMPREENDIMENTOS E GESTÃO DE ATIVOS EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos ao conhecimento da Turma pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem que uma lei lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO NORMATIVO. Não cabe a Autoridades Administrativas apreciar a constitucionalidade de normas regularmente integradas ao ordenamento jurídico, função precípua do Poder Judiciário. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. Não se encontram presentes no feito elementos ensejadores de nulidade, seja por motivos de competência da autoridade lançadora, seja por violação a preceitos constitucionais. DADOS VS. INFORMAÇÃO O fato de haver apresentado dados em profusão apresentados em resposta a diversas intimações expedidas pela Autoridade Fiscal não exonera a contribuinte de prestar informações, pois essas não se confundem com aqueles; a informações é o dado tratado segundo algum critério lógico e compartilhável, o que não se verificou no caso em tela. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 02 41 /2 01 4- 82 Fl. 11921DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.894 2 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituirse presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUIU O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 173 do CTN, conforme entendimento exarado pelo STJ no julgamento do Resp. n.º 973.733/SC. MULTA QUALIFICADA Observado que o contribuinte agiu com dolo e simulação, devida é a aplicação da multa qualificada. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Andou bem a Autoridade Fiscal a quo ao aplicar o disposto na Portaria RFB n° 2.439, de 2010, aos fatos descritos no relatório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários do contribuinte e do responsável solidário Paulo Roberto Brunetti, nos termos do relatório e voto do relator, votando os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias pelas conclusões do relator quanto a manutenção da responsabilidade solidária. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Fl. 11922DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.895 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em tela, transcrevo o relatório do Acórdão 06058.954 – 1ª Turma da DRJ/CTA, complementandoo ao final: 2. Tratase de autos de infração, às fls. 10.44710.489, lavrados para exigir de LANCE CONSULTORIA EMPREENDIMENTOS E GESTÃO DE ATIVOS EIRELI, e do senhor Paulo Roberto Brunetti, na condição de responsável solidário, crédito tributário total de R$ 2.971.950,66, cf. discriminado abaixo, referente ao ano calendário de 2009, em razão de haverem sido apuradas omissão de receitas e pagamentos não identificados ou sem causa. 3. A Fiscalização, informa, no Termo de Descrição dos Fatos, lavrado em 08/12/2014, às fls. 10.49010.534, que o senhor Paulo Roberto Brunetti, advogado, Fl. 11923DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.896 4 estabelecido em São José do Rio PretoSP é o proprietário da empresa LANCE CONSULTORIA EMPREENDIMENTOS E GESTÃO DE ATIVOS EIRELI. 4. Acrescenta que o senhor Brunetti "em concurso com outras pessoas, utiliza se da pessoa jurídica, para adquirir e alienar a terceiros, títulos da dívida pública (.) referentes a apólices de títulos da dívida pública externa brasileira emitidos no início do Século XX". 5. O interesse na aquisição desses créditos decorre do fato de que eles supostamente serviriam para liquidar ou compensar débitos tributários federais. Para estabelecer uma ideia do montante envolvido, a Autoridade Fiscal a quo afirma: (..) A Lance/Consutec teve movimentação bancária a crédito quase R$ 140 milhões de 2008 a 2013. Declarou receita bruta em torno de R$ 120 milhões, acarretando o reconhecimento (confissão) de débitos de tributos e contribuições em mais de R$ 29 milhões (atualizados) (..). Destes milhões confessados, recolheu apenas R$ 274.000,00 (..) menos de 1% do que deve a Fazenda Pública Federal. (...) Para ter noção dos valores cedidos ou vendidos, firmou cerca de 400 contratos de cessão de direitos sobre títulos prescritos, ilíquidos e ou imprestáveis, cujos montantes negociados com os adquirentes ultrapassou a cifra de 2 bilhões de reais. 6. As cártulas e os laudos periciais apresentados nos negócios entabulados pela contribuinte eram, segundo a Fiscalização, de "autenticidade duvidosa". A sociedade empresária, ademais, repetidamente, declarou receitas com base no auto arbitramento, apesar de essa opção implicar um acréscimo de 20% no valor dos tributos a serem pagos. Omissão de receitas 7. A omissão de receita apurada encontrase sintetizada em duas tabelas às fls.10.49410.495, reproduzidas abaixo. Valores declarados pela contribuinte em DIPJ Valores apurados pela Fiscalização Fl. 11924DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.897 5 8.Informa a Autoridade Fiscal a quo: (.) conforme se verifica, nos três primeiros trimestres, entre o que o contribuinte declarou na DIPJ, comparados com os valores creditados em contas correntes, não há desconformidade, i.e., ofereceu à tributação todos os créditos que representaram disponibilidade econômica para a PJ (Fls. 1038/1051). Porém no quarto trimestre, os responsáveis pela empresa mencionaram todos os créditos havidos em conta bancária (os quais reproduzimos na tabela acima, colunas 1 a 5), entretanto, nos atos, de informar as receitas e consequentemente os valores dos tributos devidos, simplesmente omitiram 74% do faturamento, ou seja R$ 813.922,49 (..). Pagamentos com beneficiário não identificado ou sem causa 9. No que diz respeito aos pagamentos sem beneficiário identificado ou sem causa, a Autoridade Fiscal a quo exigiu, nos termos do art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, a comprovação de que todos os gastos da contribuinte estavam estritamente correlacionados com a geração das receitas de seu objeto social. Em seguida, descreveu com extrema minudência como foram levantados — a partir de 604 registros, do período que vai de 01/01/2009 a 31/12/2012 — os R$ 2.468.920,86 (de um volume total de R$ 107.573.347,23), que formaram a base de cálculo sobre a qual incidiu o IRRF do A/C de 2009. Fl. 11925DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.898 6 10. Toda a documentação analisada e as planilhas construídas a partir desses dados foi trazida ao conhecimento e se encontra juntada às fls. 1.1979.745 dos autos deste Processo Administrativo Fiscal PAF. Responsabilidade solidária 11. A Autoridade Fiscal a quo imputa responsabilidade solidária ao senhor Paulo Roberto Brunetti por considerálo o real administrador da sociedade empresária, desde o tempo em que os administradores nominais da entidade eram os senhores Carlos Alberto Brunetti (irmão de Paulo Roberto) e Valdeir Dias Prado. 12. A razão da imputação decorre da evidente incapacidade técnica e gerencial desses últimos; informa a Fiscalização: Anexamos as declarações de renda dos anos calendários de 2009 (época dos fatos) e a mais recente, afim de que fique demonstrada a capacidade patrimonial dos mesmos. Só existe uma Dirpf em nome de Carlos Alberto Brunetti apresentada nos últimos seis anos, quanto ao ac2013, declarou rendimentos de treze mil reais anuais e nenhum bem. Valdeir Dias Prado declarou em 2009, pouco mais de dez mil anuais e trinta e quatro mil em bens patrimoniais. Em 2011 teve R$ 18.500,00 de rendimento anual e seu patrimônio escasseou para R$ 26.500,00. Pelo que pudemos apurar, o primeiro processo de execução de título da dívida pública, foi peticionado na Justiça Federal em 23/04/2007, durante o período em que estiveram "à frente" da empresa os senhores Carlos Alberto Brunetti e Valdeir Dias Prado. Os patronos da ação de execução foram os Srs. Paulo Brunetti e Valter Dias Prado [irmão de Valdeir e associado a Paulo Roberto Brunetti em escritório de advocacia] entre outros. A data da distribuição do processo é relativamente coincidente com o início do negócio das vendas (cessões) aos empresários que tinham como interesse compensar tais créditos com os débitos constantes na RFB, (..) 13. Durante o período em que Carlos Alberto Brunetti e Valdeir Prado estiveram à frente da sociedade empresária, porém, a negociação dos títulos antes referidos gerou receitas de R$ 1.100.000,00, entretanto: (..) não foram localizados nos pagamentos da Lance/Consutec, qualquer menção sobre a distribuição de lucros aos "pretensos" sócios. Conforme se comprova, tais pessoas não tinham bem como hoje não possuem qualquer capacidade técnica, empresarial ou patrimonial para terem participação de sociedade conforme demonstrado. 14. De outra parte, a efetiva gestão da pessoa jurídica, segundo a Autoridade Fiscal a quo, desde o início das atividades de cessão onerosa de títulos públicos era exercida pelo proprietário de facto da sociedade empresária: senhor Paulo Roberto Brunetti, que se valia de interpostas pessoas para ocultar essa atuação. 15. Como elemento de convicção, afirma o AFRFB responsável pela lavratura dos Autos de Infração que, em 28/09/2009, os administradores de direito Carlos Alberto Brunetti e Valdeir Dias Prado outorgaram, por meio de procuração pública, à fl. 80, ao titular de fato Paulo Roberto Brunetti poderes para: (..) abrir, movimentar e encerrar contas correntes e ou poupança em quaisquer agencias do Banco Real, podendo emitir, endossar, receber cheques, requisitar talões, etc, enfim praticar tudo o mais necessário ao fiel cumprimento deste mandato. Fl. 11926DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.899 7 16. Ademais, a data desse negócio jurídico coincide com o início das movimentações no Banco Real (hoje Santander) e não há notícia de controle financeiro dos negócios da entidade por parte das interpostas pessoas. 17. Acrescenta que, o titular de fato atua como advogado da sociedade empresária em mais de 30 processos de execução de títulos públicos ajuizados perante a Justiça Federal/DF — cf. se pode observar no anexo II do Relatório, às fls. 10.536 10.540. 18. Houve, por um período, uma substituição dos representantes do real titular da entidade, haja vista que os sócios que sucederam os senhores Carlos Alberto Brunetti e Valdeir Dias Prado: Jinaldo Farias de Omena (sócio entre 09/02/2010 e 29/04/2011) e Geraldo Antônio Povoas (entre 22/12/2010 e 15/06/2011) também seriam interpostas pessoas do senhor Paulo Roberto Brunetti. 19. Informa a Autoridade Fiscal a quo: Verificando a movimentação da Lance/Consutec no ano da saída de Geraldo, haviam sido creditados até então mais de R$ 40.000.000,00 (Quarenta milhões de reais), os contratos de venda de títulos assinados até então montam a quantia de R$ 738.000.000,00. Se subtrairmos os valores creditados em contas, sobram R$ 675.000.000,00 de recebíveis relativas às obrigações dos adquirentes com a Lance/Consutec. Nos parece pouco provável, sair da empresa com R$ 276.000,00 por uma empresa extremamente lucrativa. Confusão patrimonial entre a Fiscalizada, Paulo Roberto Brunetti e Paulo Brunetti & Advogados Associados 20. O senhor Valter Dias Prado, irmão de Valdeir Dias Prado, era nominalmente sócio da sociedade de advogados de Paulo Roberto Brunetti, até 01/12/2009. 21. Salienta a Autoridade Fiscal a quo: Prova contundente sobre a unicidade relacionada a propriedade da Consultec, foi a obtida recentemente em uma visita realizada na sede da empresa Brunetti & Advogados Associados. Estivemos em 10/11/2014 naquela sede com o objetivo de entregar intimação em face da empresa de advocacia, bem como rever os documentos da Lance/Consutec que ali estavam guardados. Naquela data efetuamos a retenção de dois livros os quais contém informações sobre a movimentação financeira da Lance/Consutec de 2009 a 2011, conforme Termo de Fls. 1032/1033. Mas o que causou surpresa foi a constatação, na primeira parte do primeiro livro retido, que das folhas n° 01 a 47 haviam movimentação de uma conta, que até aquele momento nos era desconhecida. Tratavase da conta Banco Real/Santander Ag. 0997 n° 6016208. Nela encontramse informações (manuscritas) de movimentações da Paulo Brunetti & Advogados Associados, de 15/10/2009 a 25/04/2011. Pudemos certificar a propriedade da conta, verificando alguns débitos nas contas da Lance/Consutec com créditos para a 6016208. Como os valores a crédito nesta correspondiam aos débitos na conta da Consutec, tivemos certeza quanto ao efetivo detentor da mesma. Fl. 11927DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.900 8 O fato mais surpreendente ao passarmos os olhos nos créditos da conta de PBAA, foi a constatação de vários créditos de empresas que haviam adquirido títulos da dívida pública alienados pela Lance/Consutec. A cópia do mencionado livro pode ser visualizada às folhas de n°1090/1183. Vale ressaltar que nem todos os remetentes mencionados na tabela, tratamse de receitas da Lance/Consutec, porém são a maioria (só verificar os contratos de aquisição de títulos). Os nomes de Huam, Palestra, Roberto Biller, Thermocal, Solange são estranhos à nossa verificação fiscal, provavelmente clientes da Paulo Brunetti & Advogados Associados. É provável que os representantes da fiscalizada justifiquem trataremse de pagamentos de serviços da PBAA, entretanto conforme se verifica, existem valores consideráveis creditados como p. ex., Sertubos, Alcatrazes, Finfa, etc, e conforme se verifica nas cópias dos contratos, de fls. 10269/10346, são clientes da LANCE/CONSUTEC. Frisese que o contrato firmado entre Lance/Consutec, vigente a partir de 20/12/2009 até 30/04/2011, fls. 10380/85, estabelece no parágrafo primeiro da cláusula segunda, que os adquirentes de títulos públicos se utilizará dos serviços de PBAA, sem qualquer custo. Com base na norma, não se justificaria alegações de que tais créditos teriam como justificativa, prestações de serviços acessórios aos das compras dos títulos. 22. Por esse motivo, foi aplicado ao caso o disposto no art. 124, da Lei n° 5.72, de 1966, Código Tributário Nacional — CTN que trata de solidariedade. Qualificação da multa de oficio 23. Dada a existência de elementos dolosos, in casu, de ocultar do Fisco os fatos geradores e a identidade dos reais sujeitos passivos das obrigações tributárias, a multa de ofício foi qualificada nos termos do art. 44, I e §10, da Lei n°9.430, de 1996, c/c arts. 7173 da Lei n° 4.502, de 1964. Decadência 24. A Autoridade Fiscal antecipase em afastar eventuais alegações de decadência sustentado que justamente os elementos de dolo e fraude antes referidos atraem para a situação concreta a aplicação do art. 173, I, do CTN. Ciências e Impugnações 25. Regularmente cientificada em 09/12/2014, cf. assinatura aposta à fl. 10.543, Lance apresentou sua impugnação em 06/01/2015, às fls. 10.55510.651, por meio de representante com poderes constituídos por procuração, documentos pessoais e societários às fls. 10.65210.656, acompanham a peça impugnatória documentos comprobatórios às fls. 10.65711.323. 26. Havendo tomado ciência em 10/12/2014, conforme cópia de AR à fl. 10551, o senhor Paulo Roberto Brunetti, apresentou impugnação em 06/01/2015, cf. documento juntado às fls. 11.32411.340 dos autos. 27. Passa se a resumir o teor da impugnação apresentada pela pessoa jurídica Lance Consultoria Empreendimentos e Gestão de Ativos EIRELI, em seguida procedese ao relato da pessoa física Paulo Roberto Brunetti. Fl. 11928DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.901 9 Descrição dos Fatos 28. Ao momento em que descreve os fatos, a contribuinte já apresenta contrarrazões nos seguintes termos: · sua movimentação financeira seria compatível com o IRPJ recolhido no anocalendário de 2009; · as alegações da Autoridade Fiscal se baseiam em presunções temerárias; · todas as demandas de informação da Fiscalização foram atendidas. Responsabilidade Solidária 29. Em dois momentos na peça impugnatória, a contribuinte se insurge contra a imputação de responsabilidade solidária ao senhor Paulo Roberto Brunetti; a primeira delas ainda na descrição dos fatos, e a segunda no corpo da impugnação, por uma questão de economia processual, os argumentos serão consolidados neste momento. 30. Segundo a impugnante a Autoridade Lançadora de forma "totalmente ilegal/irregular" procurou responsabilizar apenas o sócio atual, isentando todos os anteriores com base tãosomente em depósitos bancários supostamente de origem não comprovada, sem observar as normas que regulamentam referido procedimento — arts. 134 e 135 do CTN. 31. O fundamento do lançamento é o de que Paulo Roberto Brunetti teria sido o administrador de facto da entidade desde 2007, exercendo continuamente poderes de gestão da sociedade empresária e, em assim sendo, seria responsável pelas dívidas da pessoa jurídica perante o Fisco, mesmo nos períodos em que sequer pertencia ao quadro social da Lance. 32. Sustenta que a responsabilidade deveria limitarse apenas aos casos em que a obrigação tributária exigida decorresse de atos praticados pelo suposto sócio, seja com excesso de poderes, seja com infração de lei, contrato social ou estatutos. Dado, porém, que Paulo Roberto Brunetti não era sócio da pessoa jurídica no período a que se refere o lançamento, a ele não pode ser imputada responsabilidade solidária. 33. Traz ao conhecimento notáveis doutrina e jurisprudência. Preliminares 34. Alega a impugnante que a Autoridade Fiscal não analisou extratos e planilhas reunidos juntados às fls. 10.75510.788, implicando, em tese, tributação indevida. 35. Acrescenta que o MPF "se arrasta há mais de 03 (três) anos" contrariando preceitos legais, que sempre se mostrou diligente em atender as intimações e considera ter havido violações ao contraditório e à ampla defesa. Mérito 36. Em seguida, sustenta que seriam nulas as imputações constantes na peça atacada, em razão da falta de clareza nas justificativas oferecidas pela Autoridade Fiscal. 37. Insiste que as informações por ela prestadas durante a Ação Fiscal não foram levadas em conta pela Fiscalização, o que culminou com um arbitramento apoiado em elementos presuntivos e em glosa de despesas, in verbis: Fl. 11929DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.902 10 (..) As informações obtidas através de suposições e outras igualmente superficiais, não se constituem elementos seguros de prova capazes de fazer florescer a exigência fiscal consagrada pelo lançamento. 38. Ademais, protesta que não foi chamada, durante a Ação Fiscal, a responder sobre fatos que vieram a constar do Relatório Fiscal. O crédito tributário assim constituído seria, no entender da impugnante, "descomunal" e produzido "à revelia" da pessoa jurídica. 39. Não lhe foi dado conhecer — sustenta — que toda a movimentação financeira seria considerada receita, sem levar em consideração valores de despesas no montante de R$ 864.122,30, e acrescenta que se por acaso: (..) tivesse tido a oportunidade de se manifestar sobre os lançamentos constantes das planilhas dos depósitos havidos durante todo o anocalendário de 2009, está glosa não ocorreria (..) como poderia a impugnante fornecer informações, analisar livros e documentos de outras empresas, outra administração, outro endereço e contabilidade distinta? 40. Repete sua irresignação contra suposto desrespeito às garantias da ampla defesa e do contraditório tutelados pela Constituição em vigor, e entende haver demonstrado — com base em respeitável doutrina — que, no caso concreto, haveria nulidade do lançamento tendo em vista a: (..) sequência de impropriedades, erros e omissões em defesa de um lançamento, consagrado por um auto de infração e uma atribuição de solidariedade que não resiste ao mais superficial nos exames. 41. Haveria, ademais, ausência de motivação para o lançamento fiscal posto que não foram atendidas exigências legais insuperáveis para a constituição do crédito tributário, em particular a motivação, haja vista que, a seu juízo, a Autoridade Fiscal: (..) não descreveu os depósitos de responsabilidade, como não os intimou em período hábil os sócios, nem as fontes e instituições bancárias sobre as quais o agente público se debruçou para atingir as conclusões alcançadas, a indicação dos motivos determinantes da suposta atribuição de receita não logrou demonstrada ao rigor das hipóteses contempladas pelas normas gerais e abstratas que regem o caso. 42. A Autoridade Fiscal não teria logrado demonstrar a presença do dolo necessário à imputação de fraude no caso concreto, assim, dado que a contribuinte recolheu os tributos no fim do anocalendário de 2009 (ainda uma vez segundo o regime do Lucro Arbitrado), o termo inicial da contagem do prazo decadencial deveria ser o dia 31/12/2009 e todos os tributos lançados até novembro de 2009 estariam, desse modo, decaídos. 43. Traz ao feito, respeitável jurisprudência. 44. Ainda teria havido – argumenta aplicação indevida do art. 116, § único, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, posto que a Autoridade Fiscal a quo não logrou comprovar a existência da suposta fraude tributária citada no contexto. 45. Com efeito, apesar de fundamentar, o lançamento nesse dispositivo, a Fiscalização teria englobado "diversas teorias" antes de arbitrar o lucro, sob fundamento do art. 116, §único, do CTN. Essa norma, contudo, caracterizase como de eficácia limitada, cf. notável doutrina trazida ao conhecimento deste Órgão Julgador. 46. Eis que a Autoridade Fiscal de uma parte: Fl. 11930DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.903 11 (..) desconsiderou toda a documentação apresentada, inclusive despesas, contratos, etc, caracterizando os seus atos como coligados, pela não apresentação de respostas e documentos convincentes por aqueles, sem conquanto demonstrar e comprovar a existência de dolo quaisquer para desconsiderar a apresentação feita pela impugnante. 47. E, de outra, deixou de levar em conta os art. 121, 124 e 128 do CTN que estipulam o sujeito passivo da obrigação tributária e a responsabilidade tributária. Segundo a impugnante, a Autoridade Fiscal não teve "o cuidado de comprovar a responsabilidade tributária da impugnante em relação ao crédito tributário". 48. Alega que a Fiscalização disporia de outros mecanismos por meio dos quais poderia conhecer o funcionamento da impugnante e, assim, apurar responsabilidade sobre os débitos que lhe foram imputados. Sugere então uma linha de fiscalização alternativa e hipotética e insiste que a única via impraticável era a de desconsiderar a contabilidade da sociedade empresária, com base no art. 116, §único, do CTN. 49. A impugnante argumenta em seguida sobre a suposta nulidade dos Autos de Infração em razão dos prazos de expedição e cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal MPF. 50. O MPF — afirma — busca revestir o lançamento tributário de certeza e segurança jurídica e a atender diversos princípios próprios do Direito Tributário tais como: legalidade, publicidade etc, em seguida, discorre sobre a legitimidade do MPF. Sustenta que: A indicação da autoridade, qual o tributo e qual o período fiscalizado por meio de Mandado de Procedimento Fiscal, como previsto em portaria, é norma garantidora da liberdade do Auditor Fiscal atuar. Caso ele verifique irregularidade fora dos limites autorizados nada obsta que ele represente ao seu superior para que amplie os poderes inicialmente conferidos. (...) O agente público só poderá agir nos específicos termos do mandato (sic) que lhe for conferido. 51. Refere, então, diversos dispositivos da Portaria SRF n° 6.087, de 21 de novembro de 2005, que estabelecem requisitos a serem observados na expedição e cumprimento de MPFs e faz referências aos aspectos temporais do procedimento fiscal constantes no Decreto do PAF. Naturalmente, conclui que um Procedimento Fiscal instaurado em desacordo com todas as normas administrativas está inquinado de vício insanável o que seria suficiente para tomálo nulo de pleno de direito. Nas palavras da impugnante: Consoante a Portaria que regula o MPF, o respectivo instrumento deverá conter o prazo em que deverá o mesmo ser executado, bem assim que o sujeito passivo deve ser cientificado da expedição e de todas as prorrogações do MPF. Mesmo na hipótese de que a prorrogação tenha sido procedida via Internet, ainda assim, a fim de convalidar o procedimento, no primeiro ato de oficio praticado pela autoridade o sujeito passivo deverá ser cientificado do respectivo fato: Art. 10. As alterações no MPF, decorrentes de inclusão, exclusão ou substituição de AFRF responsável pela sua execução, ou pela supervisão, bem assim as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de Fl. 11931DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.904 12 apuração, serão procedidas mediante emissão, pela autoridade outorgante do MPF originário, de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar (MPFC), conforme modelo constante do Anexo V, do qual será dada ciência ao sujeito passivo. (..) Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias. para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. §1° A prorrogação de que trata o caput farseá por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7o, inciso VIII §2° Após cada prorrogação, o AFRF responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de oficio praticado junto ao mesmo, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI [ Grifouse] 52. Salienta o teor do § 2° do art. 13 para argumentar que sua inobservância consiste em "grave desobediência aos requisitos essenciais da legislação tributária (..)o que resulta em tornar nulo o lançamento". No caso concreto, a contribuinte se insurge contra a lavratura do Auto de Infração que teria supostamente ocorrido após o prazo de validade do MPF que deflagrou a Ação Fiscal. 53. Nesses termos, a impugnante afirma que teria ocorrido hipótese de fiscalização que exigiria a expedição de outro MPF inaugurando uma nova Ação Fiscal conduzida por um outro AFRFB nos termos do art. 906 do RIR de 1999. 54. Traz ao feito notável jurisprudência em benefício de suas alegações e acrescenta que a adoção de presunções, viola a busca de verdade material, princípio que deveria sempre nortear a atuação da Administração Tributária. 55. Alternativamente, ad argumentandum tantum, contesta o "agravamento da multa" aplicada no caso concreto, devido à ausência de elemento de dolo cf. antes mencionado. 56. Insurgese contra o percentual supostamente abusivo da sanção e igualmente, contra a aplicação de juros SELIC no caso concreto. 57. Destaca que os mesmos argumentos aplicados ao IRPJ se irradiam para os tributos reflexos lançados pela Autoridade Fiscal. Petitório 58. Nesses termos, requer: a) em caráter preliminar, que seja decretada a nulidade do lançamento, em razão de cerceamento ao pleno exercício ao direito de defesa e do contraditório, e por não atender aos pressupostos legais; b) no mérito, ainda que não acolhidas as razões preliminares, que seja deferida a sua impugnação; Fl. 11932DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.905 13 c) caso não sejam acolhidas as preliminares e deferido o mérito, não seja aplicada a penalidade agravada de multa; d) que os mesmos argumentos sejam aplicados aos tributos lançados reflexamente; e) que, "sejam acolhidos os tributos na forma demonstrada pela IMPUGNANTE, ou seja, a determinação para recalcular os tributos, haja vista que foi considerado como receita bruta, pois foram considerados os valores totais dos contratos e não os recebimentos ocorridos naquele ano"; f) O por fim, alternativamente, que “ o reconhecimento parcial do auto de infração considerando as planilhas apresentadas pela Impugnante, quanto aos valores efetivamente recebidos dos contratos". Impugnação do senhor Paulo Roberto Brunetti 59. Em breve resumo, afirma o impugnante Paulo Roberto Brunetti que a Ação Fiscal foi desencadeada contra a sociedade empresária Lance em virtude de movimentações financeira supostamente incompatíveis com as receitas declaradas no ano calendário de 2009, em seguida repete argumentos da pessoa jurídica segundo os quais a receita declarada seria compatível com a DIPJ "daquele ano calendário, tendo como base de cálculo do imposto o lucro arbitrado". 60. Ataca, em seguida, representação fiscal para fins penais que caberia exclusivamente ao MPF e dependeria da comprovação de comportamento doloso, inexistente no caso em tela. 61. Repete então argumentos da sociedade empresária sobre presunção e ausência de prestação de informações, que serão omitidos neste momento por uma questão de economia processual. 62. No mérito também repete os argumentos da pessoa jurídica 63. Preliminarmente, alega que a Autoridade Fiscal, de maneira não fundamentada, responsabilizou solidariamente o titular sem respeitar o benefício de ordem, dado que a pessoa jurídica dispõe de patrimônio suficiente para fazer em face de suas obrigações tributárias e sem, tampouco, perceber que ele sequer era sócio nos anoscalendário em discussão. 64. No mérito, manuseia os art. 134 e 135 do C'TN, referindo os requisitos da norma para a imputação de responsabilidade solidária e alega que eles não estão presentes no caso concreto haja vista que o impugnante: (..) não é, nem de longe, sócio da empresa LANCE, NO PERÍODO FISCALIZADO, ou mesmo porque, ainda que fosse (de fato), o que se admite apenas por amor à argumentação, no presente caso não se constata nenhuma das hipóteses previstas em lei em que o sócio da pessoa jurídica supostamente devedora poderia ser responsabilizado pelo crédito. De fato, para que se pudesse incluir o Sr PAULO ROBERTO BRUNETTI OU OUTRO SÓCIO que seja no polo passivo da exigência fiscal em epígrafe, como pretende na questão de fundo a fiscalização, mister que tivesse a mesma obtido uma declaração eficaz de sua responsabilidade, o que somente teria sido possível mediante prévio procedimento judicial de cognição com obtenção de sentença condenatória transitada em julgado. Somente assim poderseia considerar tais pessoas físicas como co rresponsáveis pelo crédito tributário. Fl. 11933DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.906 14 A autoridade lançadora, portanto, para incluir e destacar como fez o Sr PAULO ROBERTO BRUNETTI no polo passivo da presente relação tributária para responderem pela dívida da pessoa jurídica supramencionada, poderia fazêlo, primeiramente, apenas se aquela fosse insolvente e não tivesse patrimônio, sendo certo, ademais, que, cumulativamente, tal procedimento só poderia ser levado a efeito na hipótese de obtenção de declaração eficaz da responsabilidade individual daquelas pessoas, tudo isso que, à evidência, nem de longe ocorreu na caso sub examine. 65. Traz ao conhecimento notáveis doutrina e jurisprudência. 66. Requer por fim que o acolhimento da impugnação e que ela seja julgada procedente para a fim de declarar a nulidade dos autos de infração e o cancelamento dos débitos exigidos. 67. É o que importa relatar. Da análise dos fatos, proferiu a DRJ decisão exposta nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PASSOA JURIDICA – IRPJ Ano calendário: 2009 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos ao conhecimento da Turma pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem que uma lei lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO NORMATIVO. Não cabe a Autoridades Administrativas apreciar a constitucionalidade de normas regularmente integradas ao ordenamento jurídico, função precípua do Poder Judiciário. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. Não se encontram presentes no feito elementos ensejadores de nulidade, seja por motivos de competência da autoridade lançadora, seja por violação a preceitos constitucionais. PORCENTUAL ABUSIVO DA MULTA APLICADA. APLICAÇÃO INDEVIDA DA TAXA SELIC NO CÁLCULO DOS JUROS DEVIDOS. Fl. 11934DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.907 15 Nos termos do art. 26A do Decreto n° 70.235, de 1972, não compete à Autoridade Administrativa afastar norma sob fundamento de inconstitucional idade. DADOS VS. INFORMAÇÃO O fato de haver apresentado dados em profusão apresentados em resposta a diversas intimações expedidas pela Autoridade Fiscal não exonera a contribuinte de prestar informações, pois essas não se confundem com aqueles; a informações é o dado tratado segundo algum critério lógico e compartilhável, o que não se verificou no caso em tela. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituirse presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUIU O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. EXISTÊNCIA DE FATOS GERADORES VÁLIDOS A descrição precisa dos fatos do mundo real comprova seu perfeito enquadramento na hipótese de Incidência da norma tributária. DECADÊNCIA NÃO VERIFICADA NO CASO CONCRETO. Não há decadência do direito de constituir os créditos referentes ao período fiscalizado, pois aos fatos examinados aplicase o disposto no art. 173, I, do CTN em função da autoridade lançadora ter demonstrado à existência fraude nas infrações praticadas. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Andou bem a Autoridade Fiscal a quo ao aplicar o disposto na Portaria RFB n° 2.439, de 2010, aos fatos descritos no relatório. Fl. 11935DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.908 16 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformados com o resultado do julgamento, o contribuinte e o responsável interpuseram Recursos Voluntários. O contribuinte Lance Consultoria Empreendimentos e Gestão de ativos – EIREILI – alegou, em síntese: a) Aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, CTN; b) Inaplicabilidade da multa qualificada, posto não caracterizado dolo ou máfé; c) Impossibilidade de cobrança do IRRF, por entender gerar bis in idem; d) Ausência de intimação do recebedor dos recursos; e) Comprovação de todos os pagamentos. O Sr. Paulo Roberto Brunetti, por sua vez, alegou: a) Preliminar de nulidade do auto, decorrente da irrazoável duração do procedimento fiscalizatório; b) Afastamento de sua responsabilidade tributária, tanto pela inaplicabilidade do art. 124, I, como do 135, III, CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço dos presentes Recursos Voluntários. Cabe frisar desde já, que a por mais que a recorrente tenha suscitado em suas razões de recurso voluntário argumento sobre a impossibilidade de ser exigido IRRF na presente autuação, não há lide no que diz respeito a esse argumento, haja vista que não foi objeto das impugnações interpostas pelas recorrentes, ocorrendo a preclusão consumativa. Primeiramente, é oportuno rejeitar a preliminar de nulidade por extrapolação do prazo da fiscalização arguida, em sede de recurso voluntário, responsável Sr. Paulo Roberto Brunetti, tendo em vista a inadequação deste fato à hipótese inscrita no art. 59, do Decretolei nº 70.235/72. Senão, vejamos: Art. 59. São nulos: Fl. 11936DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.909 17 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como visto, a extrapolação de prazo da fiscalização não se enquadra em nenhuma das hipóteses passíveis de impor a nulidade ao procedimento fiscal. Ademais, pontua se que o prazo fixado no MPF tem por propósito impingir eficiência à Administração Tributária de modo que eventual extrapolação não justificada pode culminar em responsabilização administrativa do agente da fiscalização não maculando a higidez do auto de infração lavrado. Com relação ao mérito do acórdão recorrido, entendo serem necessárias algumas considerações sobre a responsabilização solidária do sócio. No caso, a fiscalização destacou que a imputação da responsabilidade a Paulo Roberto Brunetti, nos termos do art. 124,I e 135, III do CTN, foi a existência de uma conta corrente – até então desconhecida – em que constavam movimentações financeiras de clientes da autuada, tal fato não foi explicado, nem durante a Ação Fiscal, nem tampouco neste momento litigioso do PAF. O evento indica uma triangulação fraudulenta em que o agente controlador atuando por intermédio de terceiros – popularmente conhecidos como “laranjas” – age em benefício próprio com o fito de burlar as normas societárias e fiscais, valendose das formalidades intrínsecas dessas normas. Em reforço a isso, somase como elemento de convicção a evidente incapacidade econômica e técnica dos titulares nominais da Lance e a contínua atuação do advogado Paulo Brunetti no ramos especializado de transações com Títulos da Dívida Pública TDP. Vejamos a passagem da decisão da DRJ, litteris: No caso concreto, resta cristalino que a aplicação do art. 124, I , do CTN em face de Paulo Roberto Brunetti é imperiosa dado seu interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Tal consequência decorre de sua condição condição de titular de facto, em virtude de seu conhecimento técnico, da sua capacidade econômica e, “last, but not least”, da procuração, reproduzida abaixo, por meio da qual seu irmão e o outro sócio usado como interposta pessoa lhe concederam poderes para atuar em nome da sociedade empresária. Observase que à época do procedimento fiscal que constatou tais irregularidades o Sr. Paulo Roberto Brunetti, nas linhas do já exposto no acórdão atacado, detinha condição de titular de facto, em virtude de seu conhecimento técnico, da sua capacidade econômica e, "last, but no, least", da procuração, reproduzida abaixo, por meio da qual seu irmão e o outro sócio usado como interposta pessoa lhe concederam poderes para atuar em nome da sociedade empresária. Em decorrência disso, era quem detinha poder de mando na empresa. Portanto, tendo em conta que o referido sócio não apresentou provas suficientes à comprovação de que não tenha participado na decisão da prática do ilícito, ou de que não poderia agir de forma diferente; bem como pela comprovação de que o ato infrator resultou em situação que constituiu fato gerador da obrigação tributária, é correta a imputação da responsabilidade solidária ao Sr. Paulo Roberto Brunetti. Fl. 11937DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.910 18 Vejase trecho extraído do acórdão recorrido, o qual é corroborado neste voto: Ademais, inconteste a responsabilidade deste pela aplicação do artigo 135, III, CTN, também não restam dúvidas de que também o é pelo artigo 124, I, do mesmo diploma legal. Nessas linhas, transcrevese trecho do acórdão atacado, que bem trata sobre o tema: Responsabilidade solidária e existência de dolo 92. Neste momento, cabe discutir a responsabilidade solidária imputada ao senhor Paulo Roberto Brunetti, elemento chave para a correta compreensão de importantes elementos desse PAF tais como: existência de dolo, termo de início da contagem do prazo de decadência e qualificação da multa, sem esquecer, naturalmente, a imputação de responsabilidade propriamente dita. 93. Não se reconhece legitimidade, nos termos do art. 18 do Novo Código de Processo Civil Lei n° 13.105, de 16 de março de 2015, à pessoa jurídica para questionar a imputação de responsabilidade à pessoa jurídica. 94. O fundamento da imputação de responsabilidade em tela é o art. 124, 1, do CTN, verbatim. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (..) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. 95. O art. 124, 1, versa sobre a solidariedade de fato, que se materializa quando há pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato Fl. 11938DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.911 19 gerador da obrigação principal, assim, apesar de a pessoa jurídica possuir personalidade própria e distinta de seus sócios ou acionistas, sendo capaz por si mesma de gozar de direitos ou contrair obrigações independentemente da vontade individual daqueles, ela é a responsável por seus atos somente se não for comprovado o vício de vontade desta. 96. Nesse sentido, há situações em que a vontade da pessoa jurídica se confunde com a de seus sócios, a ponto de possuírem interesses comuns nos atos praticados pela empresa. É o caso, por exemplo, em que o patrimônio do sócio se confunde com o da pessoa jurídica, de modo a impossibilitar a individualização do responsável pelas mutações patrimoniais. 97. O mesmo se aplica no caso de interposição fraudulenta de terceiros e controle efetivo de uma sociedade empresária por terceiros que não os sócios nominalmente indicados nos registros sociais da entidade. 98. A Fiscalização constatou, em diligência na sede de Paulo Roberto Brunetti e Advogados Associados, a existência de uma conta corrente — até então desconhecida — em que constavam movimentações financeiras de clientes da autuada, tal fato não foi explicado, nem durante a Ação Fiscal, nem tampouco neste momento litigioso do PAF. (...) 100. Em reforço a isso, somase como elemento de convicção a evidente incapacidade econômica e técnica dos titulares nominais da Lance e a contínua atuação do advogado Paulo Brunetti no ramo especializado de transações com Títulos da Dívida Pública TDP. 101. Para estas situações, a responsabilidade, para efeitos tributários, deverá ser solidária tendo em vista o interesse comum na situação que constitui o fato gerador do lançamento, cf. reza o art. 124, I, do CTN. 102. Segundo a doutrina amplamente majoritária, tomando por exemplo, Rubens Gomes de Souza in Compêndio de Legislação Tributária — 3a edição, RJ, Ed Financeiras, 1964, p. 67, é solidária a pessoa, fisica ou jurídica, que realiza, conjuntamente com outra ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação, ou seja, todas as pessoas que tiram uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributado, (...) 105. Outro não é o teor de julgados administrativos a respeito do assunto: SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Art. 124, I, do CTN. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário, pois os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes formais ou informais, posto que todos ganham com o fato econômico. Recurso provido em parte. (Acórdão 20312270 17/07/2007 2° CC 3° Câmara) Fl. 11939DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.912 20 SOLIDARIEDADE. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. (Acórdão 3° CC 2° Câmara n°30238369 de 2007) (grifouse) 106. É de se concluir, pois, que há responsabilidade pessoal e solidária do senhor Paulo Roberto Brunetti nos negócios de que a Consultec, hoje Lance, participou no anocalendário de 2009 e que essa decorre de ato doloso que, de modo fraudulento, buscou omitir do conhecimento da Autoridade Tributária o domínio real da sociedade empresária, desde que essa começou a negociar Títulos da Dívida Pública. Quanto aos demais pontos, não há reparos a fazer a decisão de 1ª instância. Assim, nos termos do art. 57, §3º, do RICARF, adoto as razões de decidir da DRJ que abaixo transcrevo: Responsabilidade solidária e existência de dolo 92. Neste momento, cabe discutir a responsabilidade solidária imputada ao senhor Paulo Roberto Brunetti, elemento chave para a correta compreensão de importantes elementos desse PAF tais como: existência de dolo, termo de início da contagem do prazo de decadência e qualificação da multa, sem esquecer, naturalmente, a imputação de responsabilidade propriamente dita. 93. Não se reconhece legitimidade, nos termos do art. 18 do Novo Código de Processo Civil – Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, à pessoa jurídica para questionar a imputação de responsabilidade à pessoa jurídica. 94. O fundamento da imputação de responsabilidade em tela é o art. 124, I, do CTN, verbatim: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. 95. O art. 124, I, versa sobre a solidariedade de fato, que se materializa quando há pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, assim, apesar de a pessoa jurídica possuir personalidade própria e distinta de seus sócios ou acionistas, sendo capaz por si mesma de gozar de direitos ou contrair obrigações independentemente da vontade individual daqueles, ela é a responsável por seus atos somente se não for comprovado o vício de vontade desta. Fl. 11940DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.913 21 96. Nesse sentido, há situações em que a vontade da pessoa jurídica se confunde com a de seus sócios, a ponto de possuírem interesses comuns nos atos praticados pela empresa. É o caso, por exemplo, em que o patrimônio do sócio se confunde com o da pessoa jurídica, de modo a impossibilitar a individualização do responsável pelas mutações patrimoniais. 97. O mesmo se aplica no caso de interposição fraudulenta de terceiros e controle efetivo de uma sociedade empresária por terceiros que não os sócios nominalmente indicados nos registros sociais da entidade. 98. A Fiscalização constatou, em diligência na sede de Paulo Roberto Brunetti e Advogados Associados, a existência de uma conta corrente – até então desconhecida – em que constavam movimentações financeiras de clientes da autuada, tal fato não foi explicado, nem durante a Ação Fiscal, nem tampouco neste momento litigioso do PAF. 99. O evento indica uma triangulação fraudulenta em que o agente controlador atuando por intermédio de terceiros – popularmente conhecidos como “laranjas” – age em benefício próprio com o fito de burlar as normas societárias e fiscais, valendose das formalidades intrínsecas dessas normas. 100. Em reforço a isso, somase como elemento de convicção a evidente incapacidade econômica e técnica dos titulares nominais da Lance e a contínua atuação do advogado Paulo Brunetti no ramos especializado de transações com Títulos da Dívida Pública TDP. 101. Para estas situações, a responsabilidade, para efeitos tributários, deverá ser solidária tendo em vista o interesse comum na situação que constitui o fato gerador do lançamento, cf. reza o art. 124, I, do CTN. 102. Segundo a doutrina amplamente majoritária, tomando por exemplo, Rubens Gomes de Souza in Compêndio de Legislação Tributária – 3ª edição, RJ, Ed Financeiras, 1964, p. 67, é solidária a pessoa, física ou jurídica, que realiza, conjuntamente com outra ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação, ou seja, todas as pessoas que tiram uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributado, 103. No caso concreto, resta cristalino que a aplicação do art. 124, I , do CTN em face de Paulo Roberto Brunetti é imperiosa dado seu interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Tal consequência decorre de sua condição condição de titular de facto, em virtude de seu conhecimento técnico, da sua capacidade econômica e, “last, but not least”, da procuração, reproduzida abaixo, por meio da qual seu irmão e o outro sócio usado como interposta pessoa lhe concederam poderes para atuar em nome da sociedade empresária. (...) 106. É de se concluir, pois, que há responsabilidade pessoal e solidária do Fl. 11941DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.914 22 senhor Paulo Roberto Brunetti nos negócio de que a Consultec, hoje Lance, participou no anocalendário de 2009 e que essa decorre de ato doloso que, de modo fraudulento, buscou omitir do conhecimento da Autoridade Tributária o domínio real da sociedade empresária, desde que essa começou a negociar Títulos da Dívida Pública. (...) Multa Qualificada 118. Conforme visto anteriormente, na seção em que se discutiu a responsabilidade solidária, restou comprovada a existência de dolo no caso concreto e no cometimento de sonegação e fraude nos termos definidos pelos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 119. A existência da sonegação e da fraude atraem a aplicação do art. 44, I e §1º, da Lei nº 9.430, de : Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007A) 120. Andou bem a Autoridade Fiscal a quo na aplicação precisa da Lei ao caso concreto. Apreciação indevida dos dados e Inexistência de Fato Gerador válido 123. O que se observa nos autos, da parte da Autoridade Fiscal, é um tratamento meticuloso dos valores apurados indicados por meio de tabelas com legendas, datas e valores, enquanto a contrapartida da impugnante se reveste exclusivamente de uma defesa retórica despida das explicações sonegadas desde a ação fiscal. Fl. 11942DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.915 23 124. Às questões: afinal qual a origem dos recursos que transitaram em sua conta corrente correspondente à primeira infração? Ou qual a natureza dos pagamentos para pessoas não identificadas ou sem causa? Foi sempre o silêncio. 125. Para uma empresa que agisse com idoneidade, não seria necessário acessar dados de terceiros para responder tais questionamentos. Bastaria apontar que contratos e que beneficiários correspondem, caso a caso, as fontes ou destinos dos recursos apontados pela Autoridade Fiscal a quo. 126. Ao contrário do que pretende a impugnante, na peça elaborada pela Autoridade Fiscal a quo restam efetivamente consignados todos os elementos configuradores da Norma Jurídico Tributária, cf. Lição de CARVALHO, P. de B., reproduzida abaixo — retirada de Curso de Direito Tributário, 17a ed., São Paulo: Saraiva, 2005, p. 348349. 127. Em que: Njt — Norma Jurídica Tributária; Ht = Hipótese Tributária; Cm = Critério Material; v = Verbo; c = Complemento; Ce = Critério espacial; Ct = Critério temporal; DSn =. Deverse neutro; DSm = Deverse modalizado; Cst = Consequência tributária; CP = Critério pessoal; As = Sujeito ativo; Sp = Sujeito passivo; Cq = Critério quantitativo; bc = Base de cálculo e ai = Alíquota. 128. Em brevíssimo resumo, o quadro indica que presente os elementos próprios da hipótese tributária: o critério material indicado por um verbo e seus complementos, um lugar e um espaço, seguese inexoravelmente a obrigação tributária apurada segundo um critério pessoal (sujeitos ativo e passivo) e outro quantitativo (base de cálculo x alíquota). 129. No caso em tela, em termos técnicos, a impugnante discute o critério material da hipótese tributária, alega que ele não existe. 130. Verificando com cuidado, porém, observase que o verbo: "caracteriza" e os complementos: "omissão de receita (...) os valores creditados em conta de depósito (...) relação aos quais o titular (...) não comprove (...) origem" previstos no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, são perfeitamente claros e foram precisamente descritos pela Autoridade Fiscal a quo. Fl. 11943DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.916 24 131. Insistase que, mesmo nesse momento processual, as comprovações não foram trazidas ao conhecimento desta Autoridade Julgadora. 132. O mesmo se aplica ao disposto no art. 673 do RIR de 1999, em relação a pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa. 133. Na ausência de argumentação consistente, não merece acolhida, assim, as alegações da impugnante em sentido contrário. (...) Mérito 141. Recapitulando, os impugnantes sustentam que todo o lançamento se apoia em presunções relativas, que houve quebra indevida de sigilo bancário e que, ao contrário do alegado pela Fiscalização, não houve sonegação de informações. 142. Em primeiro lugar, cabe esmiuçar um conceito que provém da Estatística e da Ciência da Computação, os especialistas desses ramos do conhecimento distinguem "dado" de "informação". 143. Dados são conjuntos de elementos dispersos que, por si mesmos, não veiculam espontaneamente informações, apesar de as trazerem embutidas. Informação, ao contrário, é o conhecimento que provém dos dados, depois que eles são racionalizados e organizados segundo algum critério inteligível. 144. No caso em tela, a Autoridade Fiscal chama atenção, em mais de uma ocasião que a contribuinte forneceu dados, mas não informação, não se desincumbindo, pois, da obrigação de colaborar com o andamento da Ação Fiscal. Presunção relativa — art. 42 da Lei n° 9.430 de 1996 145. Isso posto, vêse que aplicação do art. 42 no caso concreto não decorreu de atitude afoita da Fiscalização, mas em fato que se encontra consoante com a Legislação em vigor, dado que a exigência apurada com base na receita omitida tem fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, que define a infração de omissão de receitas tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada. 146. Repisese que os dados soltos com que a contribuinte pretendeu demonstrar a suposta origem desses recursos não lograram produzir tal efeito. Pois, a presunção que autorizou a exigência de oficio é de ordem legal, e encontra previsão no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, nos seguintes termos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante Fl. 11944DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.917 25 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 147. Esclareçase que, nessa forma de apuração, o que se tributa não são os depósitos bancários em si mesmos considerados, mas sim a omissão de receitas ou rendimentos que eles representam. Os depósitos são, na verdade, apenas a forma, o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de receitas objeto da tributação, porque não satisfatoriamente comprovada a origem financeira dos recursos utilizados. 148. Conforme se depreende do texto legal, tratase de presunção jurá tantum, que autoriza a caracterização de omissão de receita, suficiente para constituir o crédito tributário. É por força da própria lei, pois, que os depósitos bancários, de origem não comprovada — como se verifica no caso concreto — caracterizam omissão de receita ou de rendimentos, e não meros indícios de omissão. 149. Nesses termos, a presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Reitere se que a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados, conforme dicção literal da lei. 150. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido ser beneficiário de um depósito bancário sem origem comprovada e o fato desconhecido auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos não declarados. 151. A única forma de elidir a presunção legal é a apresentação de provas hábeis e idôneas que demonstrem a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários. E essas provas, se não apresentadas por ocasião da fiscalização, devem ser apresentadas junto com a peça de impugnação, o que não ocorreu. Tanto durante a ação fiscal como na peça impugnatória, a interessada abstevese de apresentar qualquer comprovação acerca dos depósitos efetuados em suas contas correntes, por meio de contratos, recibos ou outros meios meticulosamente detalhados e concatenados para refutar os elementos demonstrados pela Fiscalização, o que autoriza a caracterização da omissão de receitas. 152. Dada a falta de cooperação da contribuinte, a despeito das inúmeras intimações e reintimações ocorridas no curso da Ação Fiscal, tornouse a dever da Autoridade Fiscal a quo constituir o credito tributário mediante o arbitramento legal da respectiva base de cálculo, nos termos da legislação tributária anteriormente transcrita. Fl. 11945DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.918 26 153. Acrescentese que não procedem, em absoluto, as alegações da impugnante de que lhe teria sido impedido o conhecimento dos valores que viriam, por fim, compor o montante dos autos de infração. 154. Dado que a Ação Fiscal é inquisitória e dando de barato que não tenha compreendido o teor das demandas da Autoridade Fiscal a quo, cabe perguntar por que, na fase contraditória ora em curso, não espancou toda dúvida demonstrando de modo objetivo que o depósito X, provém do contrato Y? 155. Não merecem acolhida, tampouco, neste ponto, os argumentos da sociedade empresária. Arbitramento da base de cálculo 156. O arbitramento da base de cálculo malgrado a semelhança dos termos nada tem de arbitrário, eis que expressamente previsto na legislação tributária e apenas utilizado pela Autoridade Fiscal ou mesmo pelos contribuintes, como é o caso neste feito, à falta de apresentação, após intimação, de livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. 157. Por outro lado, o arbitramento traz, como consequência, o acréscimo de vinte por cento ao coeficiente originalmente estabelecido pela norma tributária ( 32%) , nos termos do art.532 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, que veicula o Regulamento do Imposto de Renda – RIR de 1999. Apesar de ser curioso que a sociedade empresária opte de maneira contumaz pelo auto arbitramento, tal peculiaridade não faz parte de lide. 158. Como se viu, porém, a opção da contribuinte foi pelo auto arbitramento pela aplicação do coeficiente de 32%, acrescido de 20%, a Autoridade Fiscal não inovou nesse aspecto, apenas acrescentou elementos omitidos pela sociedade empresária. 159. Não merece acolhida a argumentação apresentada sobre esse tema. Da decadência Alega a recorrente que grande parte do crédito tributário ora debatido está decaído, haja vista que no presente caso deve ser aplicado os ditames do §4º, do art. 150 do CTN. O argumento da recorrente cai por terra quando se comprova a existência do intuito doloso de sonegar tributos, o que desloca o prazo decadencial para o primeiro dia do exercício em que este poderia ser lançado, nos termos do art.173, inc. I do CTN, conforme entendimento exarado pelo STJ no julgamento do Resp. nº 973.733/SC, julgado no rito dos recursos repetitivos estabelecido no art. 543C do antigo CPC, verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO Fl. 11946DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.919 27 TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Desta feita, considerando que o lançamento se refere ao anocalendário 2009, o termo inicial da contagem é 01/01/2010 e tendo sido devidamente cientificado à contribuinte, ora recorrente, em 09/12/2014, há que se rejeitar a alegação de decadência. Fl. 11947DF CARF MF Processo nº 16004.720241/201482 Acórdão n.º 1302003.221 S1C3T2 Fl. 11.920 28 Assim, afasto a alegação de decadência. Conclusão Assim, frente aos argumentos expostos, rejeito a preliminar suscitada, para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários. mantendose na integralidade a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 11948DF CARF MF
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Numero do processo: 13973.000066/2005-67
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004
RELATOR. DILIGÊNCIA DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Rejeita-se a diligência proposta pelo Relator, de ofício, quando o Colegiado decide, por voto de qualidade, pela sua imprescindibilidade, impraticabilidade ou irrazoabilidade para o correto prosseguimento do feito e solução da lide, por ausência dos desígnios necessários a sua realização.
Numero da decisão: 3001-000.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelos conselheiros Renato Vieira de Avila (relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 RELATOR. DILIGÊNCIA DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Rejeita-se a diligência proposta pelo Relator, de ofício, quando o Colegiado decide, por voto de qualidade, pela sua imprescindibilidade, impraticabilidade ou irrazoabilidade para o correto prosseguimento do feito e solução da lide, por ausência dos desígnios necessários a sua realização.
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DILIGÊNCIA DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Rejeitase a diligência proposta pelo Relator, de ofício, quando o Colegiado decide, por voto de qualidade, pela sua imprescindibilidade, impraticabilidade ou irrazoabilidade para o correto prosseguimento do feito e solução da lide, por ausência dos desígnios necessários a sua realização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelos conselheiros Renato Vieira de Avila (relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 00 00 66 /2 00 5- 67 Fl. 190DF CARF MF 2 Relatório Pedido de Ressarcimento Tratase de pedido de ressarcimento de créditos (PER/DCOMP) de COFINS – Mercado Externo, apurados sob o regime da nãocumulatividade, relativo ao 1º trimestre do ano calendário de 2004, no valor de R$ 99.272,23 (noventa e nove mil duzentos e setenta e dois reais e vinte e três centavos). Intimação Receita Federal nº 1351/2007 A fim de instruir o processo, a Receita Federal intimou a contribuinte a apresentar os seguintes documentos: 1. Apresentar arquivos digitais de notas fiscais LRE e LRS, elaborados conforme disposições da Portaria DRF/J01 n.° 35, de 18 de julho de 2005(1), referentes a todos os estabelecimentos do contribuinte, matriz e filiais, relativos ao período entre o 4.° trimestre/2002 ao 4.0 trimestre/2004 ; 2. Apresentar memória de cálculo dos créditos de PIS/PASEP do 4.° trimestre/2002; 3. Apresentar os Balancetes mensais que demonstrem as receitas e despesas declaradas nos DACONs do período; 4. Apresentar demonstrativo das Despesas Financeiras de Empréstimos e Financiamentos Obtidos Junto a Pessoas Jurídicas utilizadas no cálculo dos créditos do período; 5. Apresentar demqnstrativo dos Despachos de Exportações Diretas e Indiretas desse trimestre, relacionando as respectivas notas fiscais de venda; 6. Apresentar Pedida de Ressarcimento de créditos de COFINS do 4.° trimestre/2004 via PGD PERDCOMP; 7. Apresentar cópia do Contrato Social de Sasse Alimentos Ltda.; 8. Apresentar cópia de documento de identidade do Sr. Errol Sasse, que subscreve os pedidos. O contribuinte apresentou os documentos dentro prazo estabelecido. Intimação Receita Federal n° 1459/2007 e n° 47/2008 Posteriormente, o contribuinte foi intimado novamente para apresentar cópias simples de diversas notas fiscais de saída e entrada do ano de 2003 a 2004, sob pena de ter seu pedido de ressarcimento indeferido. Atendendo a solicitação do fisco, o contribuinte apresentou as notas conforme solicitado. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13973.000066/200567 Acórdão n.º 3001000.620 S3C0T1 Fl. 191 3 Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal Em suma, o fisco considerou que, sob a rubrica empréstimos financeiros e financiamentos, não poderiam ser aproveitados créditos decorrentes de "atraso no pagamento de títulos, em cartório ou diretamente aos fornecedores, as despesas sobre contratos de câmbio e a faturização (a cessão de crédito na modalidade pro soluto, ou seja, sem responsabilização do cedente dos créditos, ou mera "compra e venda" de créditos, como se deduz claramente da leitura do art. 15, § 1°, inciso III, alínea 'd', da Lei n. 9.249/95, que define serviço de factoring)", na medida em que não configurariam "empréstimos nem financiamentos". Além disso, entendeu que os valores pagos "a título de COSIP, multas, correção monetária e juros de mora", não poderiam compor a base de cálculo do crédito nas faturas de energia elétrica, na medida em que "estranhos ao fornecimento e consumo" do estabelecimento. Por fim, entendeu que "despesas indiretas com pessoal — entre essas: alimentação, transporte para o local de trabalho, cestas básicas, despesas com viagens, remédios, uniformes e equipamentos de segurança — e despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial, honorários advocatícios, disposição final de resíduos da produção, serviços e telefonia fixa e móvel e vigilância de seus estabelecimentos, evidentemente não se enquadram no conceito de insumo e não podem ser considerados para fins de apuração dos créditos de PIS/PASEP e COFINS nãocumulativos". Encerrouse a análise do Pedido de Ressarcimento, de R$ 99.272,23, de que trata o processo do contribuinte. Por ela, dado todo o exposto e em decorrência das verificações executadas, concluiuse que é de se reconhecer ao interessado o direito creditório na monta de R$ 77.780,18 (setenta e sete mil setecentos e oitenta reais e dezoito centavos). Despacho Decisório Desta sorte, o presente despacho decisório, houve por bem, reconhecer PARCIALMENTE o direito creditório postulado, para considerar o valor de R$ 77.780,18 (setenta e sete mil, setecentos e oitenta reais e dezoito centavos) como o saldo dos créditos da COFINS, remanescente ao final do 1º trimestre de 2004, passível de ressarcimento sem a incidência de juros moratórios, nos termos do art. 52, §5.°, da IN SRF n.° 600/2005, homologamse as compensações até o limite do crédito reconhecido. Efetuadas as compensações, remanescem saldo devedor no valor original de RS 21.491,95. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente traz, em suma, os seguintes argumentos: Créditos decorrentes de financiamento Primeiramente, a manifestante rechaça a fundamentação do Despacho Decisório, que não poderia a Impugnante deduzir créditos relativos aos juros pagos pelo atraso de pagamento de títulos ou pela cessão de crédito. Fl. 192DF CARF MF 4 Aduz que, a norma que autorizou o crédito se referiu a empréstimos e financiamentos da pessoa jurídica, conceito no qual, sem dúvida alguma, incluemse os valores em questão, pagos a título de juros, os quais implicaram em custo das atividades operacionais da empresa. Acrescenta que, a lei, em sua redação original, não estabeleceu a distinção pretendida pelo Auditor Fiscal. Contribuição incidente sobre o custo total da energia elétrica consumida Por seu turno, alega que, da mesma forma, os valores pagos a título energia elétrica não poderiam ter sido restringidos à base de cálculo do ICMS, e que a lei não fez tal distinção, permitindo ao contribuinte creditarse da contribuição incidente sobre o custo total da energia elétrica consumida. A manifestante assevera que multas, juros e parcela COSIP são custos indissociáveis da fatura de energia elétrica, integrando o preço pago pelo contribuinte, e, portanto, custo empregado da sua produção. Bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda Ademais, alega que as demais despesas, consideradas indiretas pelo Auditor Fiscal, igualmente, consistem em "bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda" e que conceito de insumo não poderia ser restringido àqueles produtos e serviços que irão, efetivamente, compor o produto final. Tratase, no caso, como bem destacou o Auditor Fiscal, de despesas relativas à uniformes e equipamentos de segurança, ao custo de desenvolvimento de produtos, assessoria empresarial, entre outras, as quais, sem dúvida alguma, consistem em custos necessários ao desenvolvimento das atividades da Impugnante. Por fim, aduz que se o objetivo da concessão ao crédito da contribuição era o de dar efetividade ao princípio da nãocumulatividade, desonerando o custo da produção, não restam dúvidas de que a base de cálculo empregada pela Impugnante não poderia ter sido desconsiderada, visto referirse a despesas integralmente relacionadas a sua atividadefim, por isso, requer que seja deferido o crédito requerido. DRJ/CTA A manifestação de inconformidade foi julgada parcialmente procedente e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0621.191 3' Turma ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 COFINS NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS PERMITIDOS. Dão direito ao crédito da Cofins, no regime de incidência não cumulativa, os insumos que, comprovadamente, forem aplicados diretamente no produto, consumidos e/ou alterados no processo produtivo, podendo os créditos correspondentes à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica serem descontados. RESSARCIMENTO. NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS FINANCEIRAS. FACTORING. ATRASO PAGAMENTO DE TÍTULOS. DESPESAS E DESÁGIOS EM CONTRATOS DE CÂMBIO. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13973.000066/200567 Acórdão n.º 3001000.620 S3C0T1 Fl. 192 5 No sistema de nãocumulatividade, não geram créditos a serem descontados da Cofins, as despesas financeiras decorrentes de .factoring, de atraso no pagamento de títulos, em cartório ou diretamente aos fornecedores, e as despesas e deságios verificados em contratos de câmbio suportados pelo contribuinte, por não se caracterizarem como despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica. Solicitação Deferida em Parte Entendeu a DRJ, quanto às despesas decorrentes de empréstimos e financiamentos, que o atraso no pagamento de títulos, em cartório ou diretamente aos fornecedores, não configura empréstimo (tampouco financiamento, como verseá adiante), por isso, as despesas disso decorrentes não podem ser creditadas. Acrescenta que não há, no factoring, a rigor, empréstimo ou financiamento, mas mera "compra e venda" dos créditos. Inexiste, então, empréstimo ou financiamento nesse tipo de contrato, sendo descabido a contribuinte creditarse das despesas financeiras decorrentes. Quanto aos alegados créditos de energia elétrica, contrariando o que afirma a autoridade a quo à fl. 131, a DRJ aduz que os valores informados no Dacon não correspondem aos valores totais das faturas de energia elétrica, sendo que para os períodos de apuração fevereiro e março de 2004 são até inferiores. Dessa forma, concuiu que a glosa feita pela Saort/DRF/JoinvilleSC é indevida. Por fim, entendeu por manter a glosa de aquisições em itens de bens/serviços utilizados como insumos, no sentido de que os valores glosados dizem respeito a aquisições que não se enquadram no conceito de insumos utilizados na produção (dizem respeito à aquisição de material de expediente e a peças de vestuário de trabalhadores), não podendo servir para o creditamento da Cofins. Destacou também, que a interessada não apresentou argumentos específicos contra essa glosa, fazendo alegações genéricas sobre o conceito de insumo. Conclusão do voto Isso posto, deu parcial provimento à manifestação de inconformidade, para considerar indevidas as glosas das bases de cálculo de créditos da Cofins, relativas às despesas com energia elétrica no valor de R$ 3.584,96 (três mil, quinhentos e oitenta e quatro reais e noventa e seis centavos). Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, quais sejam: Despesas decorrentes de empréstimos e financiamentos A recorrente discorda da DRJ, no sentido que, as despesas financeiras não se restringem àquelas pagas a instituições financeiras ou relativas a contratos de mútuo, formalmente realizados nos termos do Código Civil. Aduz que a norma que autorizou o crédito Fl. 194DF CARF MF 6 se referiu a empréstimos e financiamentos da pessoa jurídica, conceito no qual, segundo a mesma, sem dúvida alguma, incluemse os valores em questão, pagos a título de juros, os quais implicaram em custo das atividades operacionais da empresa Bens e serviços utilizados como insumo A recorrente acrescenta que as demais despesas, consideradas indiretas pelo Auditor Fiscal, igualmente consistem em "bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda", de modo que legítimo o crédito aproveitado pela Recorrente. Complementa que o conceito de insumo não necessariamente compõe o produto final, mas vale, também, para despesas com o pessoal (transporte e alimentação, relativas a uniformes e equipamentos de segurança, ao custo de desenvolvimento de produtos, assessoria empresarial e entre outras), ou seja, aquelas que consistem em custos necessários ao desenvolvimento das atividades da recorrente. Por fim, requereu que seja recebido o presente Recurso Voluntário, dandolhe integral provimento, para o fim de que seja reformada a r. Decisão recorrida, com o deferimento do crédito não autorizado pela Turma julgadora “a quo”. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou parcialmente procedente o Pedido de Ressarcimento de COFINS – Mercado Externo, apurados sob o regime da nãocumulatividade. Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 13.04.2009, conforme Aviso de Recebimento AR, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 08.05.2009, conforme comprova o carimbo da DRF JOIVILLE, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13973.000066/200567 Acórdão n.º 3001000.620 S3C0T1 Fl. 193 7 Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: despesas decorrentes de empréstimos e financiamentos e bens e serviços utilizados como insumos. Despesas decorrentes de empréstimos e financiamentos A questão meritória relativa ao argumento da utilização das despesas decorrentes como empréstimo e financiamento será analisada em momento processual adequado, vez que, conforme a narrativa dos fatos a seguir, o encaminhamento a ser proposto será a conversão em diligência para verificar a existência de insumos, alegados em narrativa a parte deste argumento. Bens e serviços utilizados como insumos A seguir, tratarse das justificativas para a conversão em diligência, cujo objetivo será a comprovação da existência de créditos advindos da aquisição de bens e serviços classificáveis como insumos. DOS FATOS Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento relativo à COF1NS, apurado pelo regime da nãocumulatividade, referente ao período de apuração 1° trimestre de 2004, decorrentes das operações de exportação, no qual consta a indicação de um crédito de R$ 99.272,23, O ilustre Auditor Fiscal responsável pela análise dos créditos e respectivas compensações realizadas entendeu que, do valor de R$ 99.272,23, requerido pela Impugnante, somente R$ 77.780,18 seriam legítimos. A 3ª Turma da DRJ/CTA apreciou a contenda, emitindo o Acórdão n.° 06 21.191, fls. 152/158, que deferiu em parte a solicitação do contribuinte, reconhecendo o erro de fato na glosa efetuada na rubrica Despesas de Energia Elétrica do DACON nos períodos 02/2004 e 03/2004, abrindose crédito complementar da diferença em favor do interessado no valor de R$ 3.584,9, totalizando o crédito reconhecido na monta de R$ 81.365,14. Como demonstrado, o direito creditório foi parcialmente provido pelos órgãos “a quo”, argumentos tratados no Relatório acima. Diante disso, a recorrente busca o reconhecimento de créditos na monta de R$ 17.907,09. Da Conversão em Diligência A recorrente está submetida a Cofins não cumulativa e alega haver, em seu favor, créditos decorrentes de insumos, consoante prevê o artigo 3.º da Lei 10.833/03. Fl. 196DF CARF MF 8 Por este motivo, ante a alegada existência de documentos que comprovem haver insumos não considerados na formação da base de cálculo, justificase a conversão em diligência. Como expresso em votos anteriores, alterei meu entendimento pela preclusão da juntada de documentos fora dos limites temporais da impugnação. Isto porque, o tema de instrução probatória, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios em definição, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, se faz possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito, tal alternativa deve ser posta em prática. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Confirase a lição do Conselheiro Cássio Schappo: Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017 (fls. 654/664), deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte, "com o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655), e para determinar "o envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de Recurso voluntário" (fls. 659), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13973.000066/200567 Acórdão n.º 3001000.620 S3C0T1 Fl. 194 9 PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Fl. 198DF CARF MF 10 Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Das Conversões em Diligência A práxis processual administrativa considerada como apta à comprovação da existência do crédito tributário, vem sofrendo, conforme se demonstrou, diverso tratamento ao longo do tema, variando desde posições mais formalistas, na qual não há a possibilidade de apreciação de documentos após o protocolo da manifestação de inconformidade, da qual, repitase, este conselheiro já fora adepto. Precedente Análogo ao Caso Em evolução, demonstrouse que, além de polêmico, o tema vem se alterando para a aceitação de documentos após o Recurso Voluntário, até o entendimento atual, cuja compreensão se encontra na Resolução 3001000.020, de relatoria do Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, que converteu o julgamento do caso em diligência nos seguintes termos: O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13973.000066/200567 Acórdão n.º 3001000.620 S3C0T1 Fl. 195 11 O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Como o acórdão recorrido proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Assim, tem se encaminhado, nestes casos, oportunizar, ao recorrente, a apresentação dos documentos necessários à demonstração da origem do crédito, pois, conforme descrito na resolução de conversão em diligência: Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos ao crédito que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil fiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de Cofins, e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN.. Proposta de Conversão em Diligência Portanto, ante a tema que, por um lado, indica a existência de crédito por parte do contribuinte, mas que, por desapego, até inconsciente, no que tange aos critérios utilizados pelo fisco, a fim de aceitar a legitimidade dos créditos postos pela recorrente, e, por outro lado, a possibilidade de o Estado negar crédito regular, fazse justiça ao pleito em perfazimento à orientação acima exposta, e por entender que este PAF não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para: intimar a recorrente a apresentar planilha explicativa da formação da base de cálculo da contribuição, com a especificação segregada de quais bens e serviços são considerados insumos. Ainda, que traga Fl. 200DF CARF MF 12 aos autos documentos comprovantes da tomada destes serviços, tais quais notas fiscais, contratos, etc. Em complementação, que junte também, a contabilização da tomada destes bens e serviços, apontando os respectivos lançamentos em seus livros Razão e Diário. Após a autoridade preparadora deverá preparar relatório, minudente e concludente, acerca da formação da base de cálculo da contribuição, apontando todos os valores incluídos em sua base de cálculo, segregando os insumos acima discriminados. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Preâmbulo Com a devida licença aos I. Conselheiros Relator e Francisco Martins Leite Cavalcante, que entenderam que o caso sob exame é passível de conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência, tanto que a propuseram de ofício, posto que não tal intento não foi suscitado pelo recorrente, passo a seguir e resumidamente esclarecer meu entendimento contrário. Da desnecessidade da diligência De plano, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste Colegiado encontramse presentes nos autos; neste sentido cabe citar o artigo 18 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, que dispõe que a "autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Esclareço que, não obstante referido dispositivo faz referência ao colegiado de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que, como já mencionei, não ocorre no presente caso. Da fundamentação O caso sob exame perpassa a questão que diz respeito à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, cuja delimitação do respectivo ônus depende a definição da maior parcela das responsabilidades na relação jurídicotributária. Nesse contexto, é fato que a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, tratam do princípio fundamental do direito probatório, segundo o qual "quem acusa e/ou alega deve provar", obrigação, digase, que abarca tanto a autoridade fiscal, relativamente à demonstração da infração ensejadora do ilícito tributário, a teor do prescrito na parte final do caput do artigo 9º do Decreto nº 70.235 de 1972, quando Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13973.000066/200567 Acórdão n.º 3001000.620 S3C0T1 Fl. 196 13 determina que os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”, quanto o contribuinte, cuja mesma legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, conforme dispõe o inciso III do artigo 16 do referido diploma legal, ao determinar que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Porém, o caso sob exame é de repetição de indébito, impondose, entretanto, algumas modificações, como a veremos a seguir. É entendimento comezinho que nos casos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é dever do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito, exigindose deste a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do pleito. Ou seja, por óbvio, documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; pois sem referida evidenciação, o pedido repetitório resta prejudicado na sua origem. Não se duvide que as normas acima mencionadas, prevêem a realização de diligências e mesmo perícias, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos sujeitos passivos, mas é preciso deixar evidenciado que referida previsão não se presta para suprir o ônus da prova que incumbe as partes, posto que seu escopo é de ver elucidadas questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/recorrente; em outros termos, as diligências servem para esclarecer dúvidas específicas, e não para determinar que a autoridade fiscal competente, diante da falta de comprovação da existência de determinado crédito, venha suprir obrigação que cabia ao contribuinte. Em regra, no caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, ao contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, muitas vezes está associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que o respaldem. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar seu registro (escrituração formal e legal), mas também indicar a que documentos este está associado; bem como é de fundamental importância, neste contexto, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja objetiva e clara suficiente para possibilitar a perfeita caracterização do negócio que pretende demonstrar como existente de fato. Logo, me filio àqueles que entende que não é tarefa do julgador, ainda mais de instância recursal, contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio; pois como já explanado, quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos e prova que evidenciam o indébito. Respaldado no entendimento acima expresso que convém salientar que não deve, diante de um pleito repetitório apresentado, a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado; pois as normas regulamentares de regência da matéria faculta é a situação segundo a qual apresentado o pedido e constatado que Fl. 202DF CARF MF 14 o contribuinte, por exemplo, demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais, demandar por diligências para dirimir tais questões duvidosas, e não transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao sujeito passivo no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é, com a devida vênia, isso que ocorreria nestes autos, se fosse acatada e, por consequência, promovida a diligência proposta; pois, a meu ver, tal promoção, da forma como pretendida, serviria para suprir irregularmente a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível, na medida em que o contribuinte é quem deveria ter envidado esforço para comprovar/demonstrar/evidenciar que seu pleito é factível. Dito isto, convém também trazer à discussão o recorrente tema que povoa as peças recursais, qual seja, o da verdade material. É "lugar comum" as assertivas defensivas pautadas no chamado "princípio da verdade material", segundo o qual é dever da autoridade fiscal a busca da verdade real; nesse passo, cabe elucidar que não obstante o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada prejudica o que se expôs alhures. É dizer, referido princípio a busca da verdade que ultrapassa a "verdade" dos fatos alegados pelas partes, mas para obter êxito em tal desiderato impõese que referida "busca" ocorra num ambiente em que, efetivamente, as partes atuem proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probundi. De outra forma dizendo, este princípio dirigese mais especificamente ao julgador administrativo, autorizandoo a ir para além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando estes elementos induzem à suspeição segundo a qual determinados fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte alega, mas de uma outra qualquer, na medida em que, como sabese, o julgador não está vinculado às versões das partes. Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar, in casu, ao sujeito passivo recorrente, que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de transferir para a autoridade fiscal que analisa seu pleito repetitório, a obrigação por produzir prova que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pedido desde sua formalização inicial. Ainda de outro modo dizendo, da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é razoável se aceitar que um pleito, in casu, repetitório, seja proposto sem a minuciosa demonstração e comprovação da existência do indébito. Por fim, cabeme evidenciar, relativamente quanto aos documentos e feitos que o nobre Relator visa obter com sua proposta de diligência à autoridade fiscal competente, que a teor da legislação tributária, o que faz prova a favor do sujeito é, ex vi do artigo 923 do RIR de 1999, a escrituração mantida com observância das disposições legais, acompanhada dos documentos hábeis que atestem a ocorrência dos fatos nelas registrados; pois, eventual escrituração contábilfiscal, efetuada sem base nos documentos que lhe dão suporte, é incapaz de atestar o que quer que seja, o que, por si só, torna impossível a aferição da existência de quaisquer créditos. É como penso. Da conclusão Com base em tais considerações, relativamente ao presente voto vencedor, decidiu o Colegiado, por voto de qualidade, por rejeitar a proposta de diligência aventada, de ofício, pelo Relator. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13973.000066/200567 Acórdão n.º 3001000.620 S3C0T1 Fl. 197 15 (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.905279/2013-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
Numero da decisão: 3201-004.633
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AGT ARMAZÉNS GERAIS E TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 52 79 /2 01 3- 38 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.905279/201338 Acórdão n.º 3201004.633 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte. O presente processo trata de Per/Dcomp transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS. A unidade de origem indeferiu o pleito do contribuinte sob o fundamento de que, "a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp". Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro no preenchimento da DCTF, já retificada, após a ciência do despacho. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade por intermédio do Acórdão 02056.786. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2011 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.905279/201338 Acórdão n.º 3201004.633 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.621, de 12/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.660628/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.621): (...) "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem; constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.905279/201338 Acórdão n.º 3201004.633 S3C2T1 Fl. 5 4 de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.905279/201338 Acórdão n.º 3201004.633 S3C2T1 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.905279/201338 Acórdão n.º 3201004.633 S3C2T1 Fl. 7 6 É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003267/2007-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra –Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa BispoRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .0 03 26 7/ 20 07 -8 6 Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 10850.003267/200786 Resolução nº 3402001.718 S3C4T2 Fl. 2.180 2 Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fl. 078/079, em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Restituição em papel e não numerado (fls. 003), protocolado em 26/12/2007, por meio do qual a contribuinte pretende ter restituído o valor total de R$ 25.435,26. A solicitante esclarece em seu pedido que se utilizou do formulário em papel devido à impossibilidade de se utilizar do programa PER/DCOMP (art. 3º, §1º, da IN SRF nº 600/2005), por este não possuir os campos adequados. Conforme informado pela contribuinte em seu pedido, o valor a ser restituído seria correspondente à compensação a maior de valor de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins por meio da Declaração de Compensação original (fls. 008/016) entregue em 15/12/2003 utilizando crédito oriundo de restituição solicitada no processo nº 13804.000951/200164, que teria sido indevidamente apurado a maior sob o fundamento de inconstitucionalidade da parcela da receita que não se enquadra no conceito de faturamento incluída na base de cálculo. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 17/04/2009, emitiu Despacho Decisório em papel (fls. 060/066), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, com base nos seguintes fundamentos: não confirmação da existência do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior e impossibilidade de considerar exclusão da base de cálculo além das expressamente previstas nas normas aplicáveis, apenas em face de inconstitucionalidade não ampliável à contribuinte. Cientificada do Despacho Decisório, em 30/04/2009 (fl. 067), a contribuinte ingressou, em 01/06/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 068/077 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Preliminarmente pede a suspensão do presente processo até o julgamento do processo administrativo nº 13804.000951/200164, cujo objeto é a compensação que daria causa à presente restituição. Esclarece que aquele processo já teve o indeferimento proferido em Despacho Decisório, e que tal indeferimento foi anulado pelo CARF, resultando em novo Despacho Decisório que deferiu parcialmente o pedido, decisão que atualmente encontrase pendente de julgamento de manifestação de inconformidade apresentada. Em face dessa pendência de decisão definitiva em relação àquele processo, cuja matéria seria prejudicial em relação à presente, é que a contribuinte solicita a suspensão do presente processo, com fundamento no art. 265, inciso IV, alínea a, do Código de Processo Civil. Acrescenta ainda que não poderia aguardar o desfecho daquele processo para apresentar novo pedido de restituição, em virtude do prazo decadencial para apresentação desse novo pedido, estabelecido pela Lei Complementar nº 118, que seria de cinco anos a partir da extinção do crédito tributário. 2. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, referese à jurisprudência do STF, citando julgados, e à posição da 2ª instância administrativa, trazendo exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em especial o entendimento daquele órgão de que a posição Fl. 2180DF CARF MF Processo nº 10850.003267/200786 Resolução nº 3402001.718 S3C4T2 Fl. 2.181 3 do STF nos recursos extraordinários deve ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de sumula vinculante, conforme voto que transcreve. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, o débito total de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins apurado no período de novembro de 2003, no valor de R$ 29.117,60, conforme cópia da DCTF do 4ºT/2003 anexada aos autos, seria indevido o valor de R$ 25.435,26, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas financeiras, conforme comprovado por cópias do balancete, do Livro Razão e de planilha de cálculos, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 PAF. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento do processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. QUITAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO ESSENCIAL. A préexistência inequívoca de quitação líquida e certa é pressuposto essencial à restituição do valor eventualmente quitado indevidamente ou a maior e a ausência ou incerteza dessa quitação torna improcedente o pedido nela fundado. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 2181DF CARF MF Processo nº 10850.003267/200786 Resolução nº 3402001.718 S3C4T2 Fl. 2.182 4 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na manifestação de inconformidade. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos quanto a natureza das receitas auferidas pela empresa, bem como que fosse informado quais delas deveriam ser excluídas da base de cálculo das contribuições por força do RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral. Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim distribuído por sorteio, tendo em vista que o Conselheiro Relator originário, (Carlos Daniel) neste ínterim, foi nomeado Conselheiro de outra Seção de julgamento do CARF. É o relatório. VOTO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A matéria aqui discutida é costumeira aqui neste Colegiado, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. Visando comprovar o seu direito creditório, o contribuinte juntou ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam, supostamente, a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos a seguir indicados: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. Fl. 2182DF CARF MF Processo nº 10850.003267/200786 Resolução nº 3402001.718 S3C4T2 Fl. 2.183 5 II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. A DRF de origem analisou detalhadamente cada rubrica contábil reivindicada pela Recorrente que supostamente não comporia a base de cálculo das contribuições por força da declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98. Em suma, concluiu que dentre todas as rubricas analisadas, as referentes as contas contábeis 37201.00002 – ENTRADA DE PEÇAS P/ ESTOQUE, 37201.00003 – VENDA INTERNA, 3620100014 – REMUNERAÇÃO S/ CONSÓRCIO, 37201.00006 – RECEITAS DE INVEST. EM CONSÓRCIO e 37201.00007 – OUTRAS RECEITAS deveriam compor o faturamento para efeito de incidência das contribuições. Em seguida, foram refeitos os cálculos do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis que lhes foram apresentados, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo as receitas financeiras, estranhas ao conceito de faturamento, onde apurouse Cofins a pagar do período de apuração de novembro/03 no valor de R$ 32.948,90, fls. 2046 e 2047. Por fim, concluiu que não houve compensação a maior, na comparação entre a Cofins a pagar apurada na diligência com a compensação apontada como pagamento a maior (não homologada, permanece em discussão no CARF processo nº13.804.000951/200164), no Pedido de Restituição em análise. No entanto, a Recorrente, em sua manifestação sobre os resultados da diligência fiscal, afirma que, por equívoco seu e da Fiscalização, não foram considerados na apuração da COFINS devida a dedução os custos dos veículos usados vendidos (planilha de apuração de apuração da COFINS, fls. 2045), nos termos da IN SRF nº247/2002. Informa, ainda, que os documentos contábeis comprovantes dos custos de veículos usados foram juntados anteriormente ao processo. Como se sabe, a determinação da receita tributável na venda de veículos usados adquiridos para revenda se dá pela diferença entre o valor de venda e o valor de aquisição, de acordo com os §§ 4º e 5º do art.10, da IN SRF nº247/02, in verbis: Art.10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. Fl. 2183DF CARF MF Processo nº 10850.003267/200786 Resolução nº 3402001.718 S3C4T2 Fl. 2.184 6 § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Tendo em vista a legislação citada e uma vez que constam nos autos documentos que sugerem a existência do direito a dedução dos custos de veículos usados na apuração da COFINS devida, com reflexos no pedido de restituição ora analisado, entendo que há necessidade da conversão do processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem confirme a procedência da dedução proposta na apuração da COFINS. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP) realize os seguintes procedimentos: I) Que a DRF analise a documentação contábil já juntada aos autos para verificar se é suficiente para comprovar os custos na aquisição de veículos usados revendidos. Caso a referida documentação não seja suficiente, intimar a empresa a apresentar outros elementos necessários a comprovação dos custos citados. II) Após a análise da documentação, a Autoridade Fiscalizadora deverá elaborar relatório e refazer as planilhas constantes das fls.2045 a 2047, levando em consideração a dedução do custo na aquisição dos veículos usados revendidos, por ventura apurados; e III) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 2184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000344/99-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1996
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
PEDIDO GENÉRICO DE PERÍCIA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS.
O pedido genérico de perícia, sem a observância dos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72, não deve ser acolhido.
FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO DECLARADO E NÃO PAGO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ART. 149 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Tributos devidos e não recolhidos de forma espontânea devem ser exigidos de oficio pela autoridade administrativa nas hipóteses previstas no Art. 149 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3401-005.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente e, na parte conhecida, quanto ao mérito, negar provimento recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente o conselheiro Cássio Schappo.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1996 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PEDIDO GENÉRICO DE PERÍCIA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. O pedido genérico de perícia, sem a observância dos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72, não deve ser acolhido. FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO DECLARADO E NÃO PAGO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ART. 149 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Tributos devidos e não recolhidos de forma espontânea devem ser exigidos de oficio pela autoridade administrativa nas hipóteses previstas no Art. 149 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente e, na parte conhecida, quanto ao mérito, negar provimento recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 03 44 /9 9- 62 Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10240.000344/9962 Acórdão n.º 3401005.773 S3C4T1 Fl. 353 2 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente o conselheiro Cássio Schappo. Relatório 1. Tratase de auto de infração, situado às fls. 01 a 13, lavrado em razão da falta de recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), referente ao período de apuração compreendido entre 01/01/1994 e 31/12/1996, acrescido de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 18.803,68. 2. A contribuinte apresentou impugnação, na qual argumentou, em síntese: (i) que os documentos e livros comerciais e fiscais foram roubados, em conformidade com o Registro de Ocorrência nº 001/1998 da Delegacia de Itapuã D'Oeste (RO); (ii) que a escrituração foi efetuada nos termos do RIR/1994 e da legislação pertinente, tendo conservado os livros e demais comprovantes até a data do roubo, ocorrido em 09/01/1998, não tendo realizado a publicação do aviso concernente ao fato, nos termos do § 1º do art. 210 do RIR/1994 porque tinha esperança de encontrar os livros fiscais subtraídos e evitar a publicidade do roubo a seus clientes e fornecedores; (iii) requer diligência à unidade local para realização de perícia, bem como pugna pela improcedência do lançamento efetuado. 3. Em 12/04/2000, a Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Manaus (AM) proferiu a Acórdão DRJ nº 144, situado às fls. 311 a 315, de relatoria da AuditoraFiscal Maria de Fátima Oliveira Silva, que julgou parcialmente procedente a impugnação para exonerar de ofício a cobrança dos valores referentes ao fato gerador ocorrido em julho de 1994, no montante de R$ 9.958,11, mantendo o crédito tributário sobejante exigido, no importe de R$ 2.977,22, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10240.000344/9962 Acórdão n.º 3401005.773 S3C4T1 Fl. 354 3 Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10240.000344/9962 Acórdão n.º 3401005.773 S3C4T1 Fl. 355 4 4. A contribuinte foi intimada via postal em 10/05/2000, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 311 e, em 09/06/2000, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 320 a 327, no qual reiterou as razões de sua impugnação, à qual acresceu, ainda: (i) o argumento de cerceamento do direito de defesa em virtude de o termo de início de fiscalização não mencionar o objeto exato da ação fiscal ou a sua abrangência, restringindose à intimação para apresentação de livros e documentos fiscais, tendo sido a auditoria realizada fora das dependências da empresa, que apenas teve conhecimento do lançamento de ofício e de seus fundamentos com a intimação do auto de infração, sem que tivesse participado de cada etapa do procedimento fiscalizatório; (ii) carência probatória do auto lavrado e necessidade de realização de perícia contábil, uma vez que "(...) a empresa tem um fluxo de caixa perfeito", não havendo qualquer indício de fraude ou de sonegação; e (iii) a inconstitucionalidade da cobrança dos juros. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento, com a seguinte ressalva. 6. Quanto às alegações de inconstitucionalidade de leis, tratase de matéria que não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009: Decreto nº 70.235/1972 Art. 26. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 7. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10240.000344/9962 Acórdão n.º 3401005.773 S3C4T1 Fl. 356 5 8. Assim, não conheço do recurso voluntário interposto neste particular. 9. Preliminarmente, não se vislumbra cerceamento ou preterição do direito de defesa uma vez que a contribuinte foi regularmente intimada do auto de infração lavrado pela autoridade lançadora e a ela foi franqueado o prazo legal para impugnálo, como veio a fazêlo. A não participação da contribuinte durante o procedimento fiscalizatório não implica necessariamente nulidade da cobrança, sobretudo porque se está diante de lançamento na modalidade de ofício, realizado por autoridade competente, sendo de todo irrelevante ter sido lavrado pela unidade fiscal apontada. 10. Tampouco é possível se aceitar o argumento de que a acusação fiscal padece de falta de motivação, pois foram observadas todas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, em especial dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/1972, em conformidade com a descrição dos fatos e enquadramentos legais que integram o auto de infração lavrado pela DRF de Porto Velho. 11. O pedido de perícia contábil, por seu turno, foi realizado de maneira genérica e sem a exposição dos motivos que a justificam ou seu objeto específico, e sem a necessária formulação dos quesitos referentes aos exames desejados e, portanto, deve ser considerado não formulado nos termos do § 1º e do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, não havendo, no presente caso, necessidade de sua realização por determinação oficiosa do aplicador para a formação de seu livre convencimento sobre as matérias devolvidas à cognição por meio do manejo do recurso voluntário. 12. Neste sentido, irrelevante para o deslinde da matéria em apreço a alegada informação no sentido de que a contribuinte não pratica fraude ou sonegação, matérias estranhas ao julgamento do presente feito, que se volta à avaliação do lançamento efetuado em sua especificidade. 13. Por fim, tratase de cobrança de tributo devido e não pago, consistente na falta de pagamento da contribuição à Cofins nos exercícios de 1995 a 1997, apurado a partir dos valores declarados pela empresa autuada nas DIPJ correspondentes, não guardando a argumentação das razões recursais qualquer pertinência com a matéria dos presentes autos e que, por ser estranha à matéria devolvida ao conhecimento desta segunda instância administrativa, não serão conhecidos. 14. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer parcialmente e, na parte conhecida, quanto ao mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10240.000344/9962 Acórdão n.º 3401005.773 S3C4T1 Fl. 357 6 Fl. 357DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003982/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2004, 2005
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não se verifica nos autos qualquer tipo de cerceamento de defesa. O argumento da recorrente de que a autoridade administrativa não aceitou suas justificativas quanto à origem dos depósitos bancários mantidos à margem da escrituração, muito mais se assemelha ao inconformismo reservado ao mérito do recurso do que com vícios formais na decisão recorrida.
PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Considera-se, tendo em vista o artigo 42 da Lei n° 9.430/96, presunção legal de omissão de receita a manutenção de depósito bancário cuja origem, muito embora intimado, o contribuinte não comprova.
Numero da decisão: 1402-003.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2004, 2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não se verifica nos autos qualquer tipo de cerceamento de defesa. O argumento da recorrente de que a autoridade administrativa não aceitou suas justificativas quanto à origem dos depósitos bancários mantidos à margem da escrituração, muito mais se assemelha ao inconformismo reservado ao mérito do recurso do que com vícios formais na decisão recorrida. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Considera-se, tendo em vista o artigo 42 da Lei n° 9.430/96, presunção legal de omissão de receita a manutenção de depósito bancário cuja origem, muito embora intimado, o contribuinte não comprova.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não se verifica nos autos qualquer tipo de cerceamento de defesa. O argumento da recorrente de que a autoridade administrativa não aceitou suas justificativas quanto à origem dos depósitos bancários mantidos à margem da escrituração, muito mais se assemelha ao inconformismo reservado ao mérito do recurso do que com vícios formais na decisão recorrida. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Considerase, tendo em vista o artigo 42 da Lei n° 9.430/96, presunção legal de omissão de receita a manutenção de depósito bancário cuja origem, muito embora intimado, o contribuinte não comprova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 39 82 /2 00 8- 71 Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10950.003982/200871 Acórdão n.º 1402003.611 S1C4T2 Fl. 1.092 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 10950.003982/200871 Acórdão n.º 1402003.611 S1C4T2 Fl. 1.093 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impungação nº 14 21.669 3ª Turma da DRJ/RPO, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. " Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela contribuinte acima identificada, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurada falta de lançamento do IPI caracterizada pela saída do estabelecimento de produtos sem emissão de nota fiscal, apurada por meio de presunção de omissão de receitas – depósitos bancários de origem não comprovada. Apurouse, ainda, falta de lançamento do IPI relativa às receitas contabilizadas e não oferecidas à tributação. Foi lavrado o auto de infração (fls. 763 a 776) exigindo IPI no valor de R$ 211.322,72, juros de mora de R$ 97.663,40 e multa proporcional de R$ 158.491,95, totalizando um crédito tributário de R$ 467.478,07. O enquadramento legal da infração encontrase descrito à fl. 773 a 776. Notificada do lançamento em 17/07/2008, a contribuinte, representada pelo procurador Joatan de Carvalho Milan (fls. 14 e 20), ingressou, em 18/08/2008, com a impugnação de fls. 782 a 790, alegando, em suma: · Não ficou comprovada qualquer omissão de receita; · É empresa do Simples, tendo como atividade principal a confecção e reforma de sofás de um, dois e três lugares e comercialização nos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rio Grande do Sul e outros, por meio de venda a varejo, conforme notas fiscais e notas fiscais de devolução em anexo. Tais vendas eram feitas sob a responsabilidade do Sr. Valdecir Modesto da Silva que fazia os depósitos nos bancos, cujos extratos não foram contabilizados por estar devidamente enquadrada no Simples; · Foi prejudicada pelo fato de a sua exclusão do Simples ter sido efetuada em 30/07/2007 retroagindo aos anoscalendário de 2005 e 2006, pois, estando enquadrada no referido sistema, cumpriu todas as obrigações e recolheu todos os tributos gerados; · A movimentação dos valores a receber são comumente feitos da seguinte forma: a) os valores recebidos a vista são depositados nas contas bancárias da empresa, embora muitas vezes os cheques a vista e a prazo são colocados nominais ao Sr. Valdecir Modesto da Silva, em virtude de o mesmo ser o responsável pelas vendas foram do estado do Paraná; b) os valores recebidos Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10950.003982/200871 Acórdão n.º 1402003.611 S1C4T2 Fl. 1.094 4 em cheque e depositados nas contas bancárias, que originaram as supostas omissões de receitas, normalmente têm um alto teor de inadimplência, gerando com isso a cobertura dos cheques sem fundos pelo Sr. Valdecir, seja com recursos próprios ou com utilização de empréstimos de curto prazo junto aos familiares e amigos, fazendo seu resgate e providenciando a sua cobrança; c) referido Sr. Valdecir utilizase das contas bancárias para fazer a movimentação financeira particular, tendo um contrato tácito de honrar os cheques recebidos oriundos da comercialização dos produtos; d) seguem em anexo vários desses cheques oriundos dessa inadimplência, observando que muitas vezes esses cheques sem fundos são novamente depositados originando as diferenças que o auditor supõe ser omissão de receitas; · Assim, as diferenças não são receitas, simplesmente, movimentação financeira oriunda da inadimplência que gera depósitos em cascata, todas as vezes que são cobertos, cobrados, tornam a voltar e são depositados novamente; A contribuinte transcreve alguns julgados que alega serem do Conselho de Contribuintes para defender que os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos; que o lançamento baseado em depósitos bancários só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que representa omissão de rendimento; que o auto de infração é nulo, porque fundado em provas obtidas por meios ilegais, já que o sigilo bancário é inviolável, sendo essa cláusula pétrea em nosso ordenamento jurídico. Encerra afirmando que a quebra do sigilo bancário promovida pela Administração Tributária, sem a submissão à tutela do Judiciário, afigurase em contraste com a Carta Magna. A contribuinte anexou ao processo, juntamente com a impugnação, cópias dos autos de infração, do Termo de Devolução de Documentos, do Termo de Verificação Fiscal, de cheques (fls. 791 a 841), de declarações de várias pessoas informando que trabalham para Valdecir Martins da Silva e não têm qualquer vínculo com a E R Estofados (fls. 842 a 848), extratos da conta “venda de mercadorias” do período de janeiro de 2004 a dezembro de 2005 (fls. 849 a 886), que já constavam no processo e cópias de notas fiscais emitidas por ela em 2006 (fls. 970 a 990). É o relatório." Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10950.003982/200871 Acórdão n.º 1402003.611 S1C4T2 Fl. 1.095 5 O Acórdão de Impugnação nº 1421.669 3ª Turma da DRJ/RPO julgou o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário lançado, conforme a seguinte ementa: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 EXTRATOS BANCÁRIOS. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Se a própria contribuinte fornece os extratos bancários, não há que se falar em quebra de sigilo bancário." Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10950.003982/200871 Acórdão n.º 1402003.611 S1C4T2 Fl. 1.096 6 Recurso Voluntário Inconformada com a decisão a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, em que alega preliminarmente o cerceamento do direito de defesa e a nulidade da decisão, visto que a rejeição da documentação apresentada teve apenas como fundamento que "os valores relativos a cheques devolvidos, estornos de créditos já foram excluídos da tributação", sem que fosse feita uma análise criteriosa dos documentos ofertados na inicial do litígio. No mérito, ressalta que o simples depósito bancário, mesmo com o advento da Lei n° 9.430/96, não pode ser considerado como omissão de receita, sem uma verificação, mesmo que indiciária, da correlação entre as atividades da contribuinte e os valores creditados nas contas bancárias. Em seu pedido, requer o acolhimento da preliminar de nulidade da decisão recorrida, pela omissão na análise das provas apresentadas com a inicial do litígio. Caso seja ultrapassada essa prefacial, que seja cancelado integralmente a exigência e, porventura mantida qualquer parcela do lançamento, que seja determinada a exclusão dos juros de mora, cobrados com base na taxa SELIC, incidente sobre a multa de lançamento de oficio. Declinação de Competência Em sessão de 25/01/2012, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento prolatou o Acórdão nº 3402001.620 no qual declinouse da competência de julgamento à Primeira Seção do Carf, com o entendimento que " Cabe à Primeira Seção do Carf processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a exigência do IPI que esteja lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ". Transcrevese excertos do voto condutor do acórdão nº 3402001.620 que declinou da competência para a Primeira Seção do Carf: " O recurso é tempestivo, entretanto seu julgamento não está inserto na esfera de competência da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Tratase aqui de exigência tributário relativa ao IPI, que, em princípio, estaria alcançada pela competência regimental da 3ª Seção de Julgamento do Carf. Ocorre que tal exigência está lastreada em fatos cuja apuração prestouse a configurar prática de infração à legislação do IRPJ, inclusive com formalização de um mesmo processo para tratar da exigência desse imposto, da CSLL, do PIS e da Cofins. Em face disso, considerando a competência da 1ª Seção de Julgamento prevista no art. 2°, inc. IV, do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 – Regimento Interno do Carf, voto por não conhecer do recurso para declinar a competência à 1ª Seção. Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10950.003982/200871 Acórdão n.º 1402003.611 S1C4T2 Fl. 1.097 7 Verificase que foi suscitado um conflito de competência entre a 1ª e 3ª Seções de Julgamento, que foi solucionado no sentido de encaminhar o processo à Primeira Seção de Julgamento para apreciar o recurso voluntário do contribuinte (fls. 1086 a 1088). Em seguida o processo foi distribuído no âmbito da 1ª Seção. É o relatório. Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10950.003982/200871 Acórdão n.º 1402003.611 S1C4T2 Fl. 1.098 8 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Conforme já relatado, o recurso voluntário apresentado versa sobre autuação referente a IPI, mas efetuada diante de procedimento fiscal no qual foram ainda lançados IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Para a única matéria que não era decorrente do lançamento de IRPJ (diferença em relação às vendas contabilizadas no Livro Razão e não contabilizadas no Livro de Saídas) operouse a preclusão, diante da negativa de impugnação. Assim, resta a analisar no presente processo tão somente a matéria reconhecidamente reflexa da autuação de IRPJ, como atesta expressamente o próprio Termo de Verificação Fiscal (fls. 761 a 771): As omissões de receitas apuradas, nos anoscalendário de 2004 e 2005, conforme descrição dos fatos constantes dos subitens "02.1. Omissão de Receitas Contabilizadas e Não Oferecidas A. Tributação" e "02.2. Omissão de Receitas Caracterizadas por Depósitos de Origem Não Comprovada", deste Termo de Verificação Fiscal, estão sujeitas A. incidência do IPI, que foi apurado mediante a aplicação da alíquota do imposto, vigente nos períodos de apuração. [...] Face ao acima exposto, estamos constituindo de oficio o crédito tributário relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, não lançado pelo Sujeito Passivo quando das saídas de estofados do estabelecimento industrial. Verificase que o presente processo é reflexo do processo principal nº 10950.002755/200748, referente ao lançamento de lançados IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, que se encontra na fase de inscrição em dívida ativa da União. Ressaltase que no Acórdão nº 180200.751 – 2ª Turma Especial, proferido no processo nº 10950.002755/200748 , prevaleceram as seguintes conclusões: · Não há nos autos nada que indique, ainda que palidamente, tenha havido algum tipo de cerceamento de defesa. O argumento da recorrente de que a autoridade administrativa não aceitou suas justificativas quanto à origem dos depósitos bancários mantidos à margem da escrituração, muito mais se assemelha ao inconformismo reservado ao mérito do recurso do que com vícios formais na decisão recorrida. · Considerase, tendo em vista o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, presunção legal de omissão de receita a manutenção de depósito bancário cuja origem, muito embora intimado, o contribuinte não comprova. Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10950.003982/200871 Acórdão n.º 1402003.611 S1C4T2 Fl. 1.099 9 No presente caso, por tratar de processo que trata da exigência de crédito tributário fundamentado em fato idêntico ao processo administrativo fiscal nº 10950.002755/200748, adotase e aplicase os mesmos entendimentos daquele processo em relação à omissão de receita apurada quanto aos lançamentos de IPI. Diante disso, adotase o decido pela CARF sobre o tema, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, passando a reproduzir as razões de decidir do Acórdão nº Acórdão nº 180200.751 – 2ª Turma Especial: Preambularmente apresentase a questão relacionada à suposta nulidade da decisão recorrida, que estaria, no entender da recorrente, eivada de nulidade porquanto não teria cotejado os elementos de prova trazidos aos autos. Com efeito, não há nos autos nada que indique, ainda que palidamente, tenha havido algum tipo de cerceamento de defesa. O argumento da recorrente de que a autoridade administrativa não aceitou suas justificativas quanto à origem dos depósitos bancários mantidos à margem da escrituração, muito mais se assemelha ao inconformismo reservado ao mérito do recurso do que com vícios formais na confecção da autuação. Ora, se a recorrente discorda do entendimento que levou à autoridade administrativa a lavrar o auto de infração em seu desfavor (omissão de receitas lastreada em presunção legal), a via adequada é insurgirse, como de fato o fez a recorrente, contra a tal autuação. Ademais, do teor da decisão atacada colhese entendimento diverso daquele sustentado pela recorrente, observese oportuno trecho no qual seus argumentos são satisfatoriamente enfrentados, muito embora, tenham sido rejeitados ao final, (SIC! fl. 1.039): (...) Na impugnação, a contribuinte alega que os valores tributados são provenientes de cheques depositados nas contas bancárias, que normalmente têm um alto teor de inadimplência, sendo muitas vezes novamente depositados originando as diferenças que o auditor supõe serem omissão de receitas. Quanto a essa alegação, cabe ressaltar que, conforme demonstrativos elaborados pelo fiscal autuante às fls. 358 a 449 e como foi esclarecido no Termo de Verificação Fiscal de fls. 751 a 761, os valores relativos a cheques devolvidos, estornos de créditos já foram excluídos da tributação Todos os cheques apresentados juntamente com a impugnação já foram excluídos nos demonstrativos de apuração da infração. Não se pode admitir a alegação de que a pessoa física Valdecir Martins da Silva utiliza as contas bancárias da empresa para fazer a movimentação financeira particular. Há que se observar o princípio contábil da Entidade, segundo o qual o patrimônio da empresa não se confunde com aquele dos Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10950.003982/200871 Acórdão n.º 1402003.611 S1C4T2 Fl. 1.100 10 seus sócios ou administradores. Ou seja, os bens particulares de administradores não devem ser confundidos ou registrados na empresa. Cabe repisar que, se a contribuinte possuísse quaisquer documentos que comprovassem a origem dos depósitos, deveria têlos apresentado juntamente com a impugnação, o que não foi feito. Assim, não se altera o lançamento feito. (...) (meus os destaques) Verifico, portanto, que o processo não tem qualquer vício capaz de ensejar a decretação de sua nulidade, a decisão recorrida enfrentou toda a matéria envolvida na autuação e por esse motivo rejeito a preliminar formulada. No que toca ao mérito, apresentase para julgamento, situação em que a pessoa jurídica (recorrente) foi autuada por omissão de receitas com base na presunção legal de manutenção de depósitos bancários com origem não comprovada (artigo 42 da Lei n°. 9.430/96). Anoto, por oportuno, que os argumentos de defesa dão conta de que os valores que comprovada e inegavelmente circularam em sua conta corrente à margem da escrituração, não representariam parcela tributável pelo Imposto de Renda, bem como os meros depósitos bancários não teriam o condão de redundar na conclusão de omissão de receitas. Todavia, como assinalado no acórdão recorrido e em prejuízo dos argumentos sustentados pela recorrente, o argumento de pessoa física encarregada das vendas dos seus produtos movimentava suas contas é absolutamente ineficiente para afastar presunção legal que hospeda a autuação e ainda que assim não o fosse, sugestão dada para os fins de argumentar, tal fato, não teria, por si só, o condão de afastar a exigência fiscal. Para elidir a dita presunção era dever da recorrente alocar minudentemente ou ao menos ao ponto de criar um juízo de verossimilhança que permitisse atrelar à movimentação bancária uma origem, para que por meio dela, a Fiscalização aferisse tratarse ou não de parcela tributável, não bastando, destarte, somente demonstrar uma suposta origem (e aqui nem entro no mérito do argumento), cumprindolhe segregar as fontes dos depósitos de forma individualizada e outros elementos típicos. Como a recorrente nada esclareceu, efetivamente, quanto aos depósitos bancários não escriturados e com esse panorama dos fatos, incide o comando do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, que reputa presumivelmente omitida a receita lastreada em depósito cuja origem não se comprovar, observese: Artigo 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10950.003982/200871 Acórdão n.º 1402003.611 S1C4T2 Fl. 1.101 11 instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ora, a forma de a recorrente desabonar o lançamento seria provar a origem dos recursos, mas não o fez, sendo procedente o lançamento. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 1101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.004796/2003-74
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracteriza omissão de rendimentos a constatação de valores creditados em contas bancárias, cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, por meio de documentos hábeis e idôneos. Receitas e rendimentos isentos ou não tributáveis declarados somente podem ser excluídos da base de cálculo do lançamento mediante comprovação de que tais valores transitaram pelas contas bancárias.
Numero da decisão: 9202-007.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracteriza omissão de rendimentos a constatação de valores creditados em contas bancárias, cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, por meio de documentos hábeis e idôneos. Receitas e rendimentos isentos ou não tributáveis declarados somente podem ser excluídos da base de cálculo do lançamento mediante comprovação de que tais valores transitaram pelas contas bancárias.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracteriza omissão de rendimentos a constatação de valores creditados em contas bancárias, cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, por meio de documentos hábeis e idôneos. Receitas e rendimentos isentos ou não tributáveis declarados somente podem ser excluídos da base de cálculo do lançamento mediante comprovação de que tais valores transitaram pelas contas bancárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 47 96 /2 00 3- 74 Fl. 172DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de lançamento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física decorrente de omissão de rendimentos por depósitos bancários com origem não comprovada, para o anocalendário de 1998. Segundo destacado pela fiscalização, os valores apurados resultaram da análise efetivada sobre os extratos bancários da conta corrente conjunta mantida pela autuada e seu esposo, razão pela qual o presente lançamento se refere a 50% dos valores dos depósitos não comprovados. Após o trâmite processual, a 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para, afastando a decadência, excluir do lançamento o valor declarado pela Autuada como rendimento tributado. O acórdão 2102002.229 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº9.430/ 96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. SÚMULA CARF Nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. SÚMULA CARF Nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES DECLARADOS. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13884.004796/200374 Acórdão n.º 9202007.441 CSRFT2 Fl. 173 3 Os valores já tributados não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Recurso Voluntário Provido em Parte Intimada da decisão, a Contribuinte interpõe Recurso Especial. Citando como paradigmas os acórdãos 2801003.654 e 10614.427, defende a recorrente que todos os valores declarados, inclusive os isentos e não tributáveis, na respectiva DIRPF devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade razão pela qual, ratificando o despacho de fls. 163/166, dele conheço. Tratase de recurso interposto pela Contribuinte contra o entendimento de que apenas os valores declarados como tributáveis, na respectiva Declaração de Ajuste Anual, deveriam ser excluídos do lançamento. Segundo a conclusão do acórdão recorrido, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 obriga o contribuinte a comprovar a origem dos depósitos bancários, de forma individualizada, sob pena deles serem presumidos como rendimentos omitidos assim, o valor de rendimento isento e não tributável declarado não pode justificar os depósitos lançados sem provas claras que demonstrem o liame entre esses rendimentos e os respectivos depósitos. Ora, sabese que o lançamento é um procedimento administrativo privativo das autoridades fiscais que devem proceder nos termos da lei para sua formalização. Proceder nos termos da lei na hipótese de constituição do crédito tributário é observar a regra do artigo 142 do Código Tributário Nacional, pautandose a fiscalização nas seguintes premissas: i) verificar a ocorrência do fato gerador; ii) determinar o crédito tributário; iii) calcular o imposto devido; iv) identificar o sujeito passivo; e v) identificar a penalidade (propor a penalidade a ser aplicada de acordo com a norma legal própria). Excepcionalmente, presentes fortes indícios, vestígios e indicações claras da ocorrência do fato gerador sem o devido pagamento do tributo, admitese na atividade de lançamento o uso de presunções como meios indiretos de prova na impossibilidade de se apurar concretamente o crédito tributário. A presunção é uma ilação que se tira de um fato conhecido para se provar, no campo do Direito Tributário, a ocorrência da situação que se caracteriza como fato gerador do tributo. Fl. 174DF CARF MF 4 Notese que a utilização de presunção não fere os princípios da segurança jurídica ou da legalidade. Vale citar o entendimento da Professora Maria Rita Ferragut, em sua obra intitula Presunções no Direito Tributário (Quartier Latin, 2ª ed. 2005): A previsibilidade quanto aos efeitos jurídicos da conduta praticada não se encontra comprometida quando a presunção for corretamente utilizada para criação de obrigações tributárias. O enunciado presuntivo não altera o antecedente da regramatriz de incidência tributária, nem equipara, por analogia ou interpretação extensiva, fato que não é como se fosse, nem substitui a necessidade de provas. Apenas, e tão somente, prova o acontecimento factual relevante não de forma direta mas indiretamente, baseandose em indícios graves, precisos e concordantes, que levem à conclusão de que o fato efetivamente ocorreu. E acrescenta: A utilização das presunções para instituição de tributos é uma forma de atender ao interesse público, já que essas regras são passíveis de evitar que atos que importem evasões fiscais deixem de provocar as consequências jurídicas que lhe seriam próprias não fosse o ilícito. É, nesse sentido, instrumento que o direito coloca à disposição da fiscalização, para que obrigações tributárias não deixem de ser instauradas em virtude da práticas de atos ilícitos pelo contribuinte, tendentes a acobertar a ocorrência do fato típico. Por isso, ainda que a prova direta deva ser privilegiado, a indireta pode e deve ser sempre produzida (desde que, insistimos, corretamente) para garantirse a preservação de interesses públicos relevantes, tais como a arrecadação de tributos. Sendo indisponível o interesse perseguido de of´cio pela Administração, a supremacia do interesse público sobre o do particular conduz à busca da verdade material, que muitas vezes só pode ser alcançada mediante o emprego de presunções. Importante destacar que a utilização de presunção pelo Fisco não inibe a apresentação de provas por parte do Contribuinte em sentido contrário ao fato presumido. Antes pelo contrário, faz crescer a necessidade de apresentação de tal prova a fim de refutar a constatação presumida admitida em lei. As denominadas presunções legais relativas têm, portanto, o condão de transferir o ônus da prova da ocorrência de um dos elementos do fato gerador da Fiscalização para o Sujeito Passivo da relação jurídicotributária, cabendo a este comprovar a não ocorrência da infração presumida. Nos serve como exemplo exatamente o art. 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Diferentemente das presunções absolutas ou das denominadas qualificadas, onde, respectivamente, não se admite prova em contrário ou somente provas específicas, as Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13884.004796/200374 Acórdão n.º 9202007.441 CSRFT2 Fl. 174 5 presunções relativas podem ser afastadas a partir de quaisquer elementos apresentados pelo Contribuinte. Assim, o teor do disposto no art. 42 acima citado, nos leva a uma interpretação menos restrita do que a construída pela Fazenda Nacional para o caso concreto, isso porque, entendo que a origem dos depósitos pode ser verificada a partir das provas admitidas em direito, independente dessas demonstrarem no caso dos depósitos bancários uma exata coincidência entre datas e valores. Neste sentido os valores informados pelo Contribuinte na respectiva Declaração Anual devem ser considerados para justificar os valores tidos como rendimento omitido pelo Fisco, afinal os valores declarados estão, salvo prova em contrário da fiscalização, relacionados com aqueles que transitaram pelas contas bancárias. Devese concluir que se os valores omitidos transitaram pelas contas, com mais propriedade, os valores declarados. Pensamento diverso poderia levar, em alguns casos, até a uma dupla tributação dos valores. Assim, além do valor já excluído pelo acórdão recorrido, também deve ser abatido do lançamento o valor de R$ 50.000,00, declarado á título de recebimento de doação como "rendimentos isentos e nãotributáveis", conforme consta da declaração de fls. 04/05. Diante do exposto, dou provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Divergi do bem articulado voto da i. Relatora quanto ao entendimentos de que valores declarados, mesmo que não sejam tributáveis, devem ser considerados como comprovação de origens e depósitos bancários, mesmo que não seja feita a vinculação individual entre esses valores e os respectivos depósitos. O art. 42 da Lei nº 9.430, de 1.996 referese expressamente à comprovação das origens dos depósitos de forma individualizada. Confirase: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e Fl. 176DF CARF MF 6 contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). [...] (Destaquei) É preciso, pois,m que seja feita a correlação entre cada crédito na conta bancária e a procedência dos recursos. Rendimentos declarados sem a devida vinculação com os depósitos, em princípio, não comprovam as origens dos depósitos, pois não há nenhuma necessidade lógica de que tais rendimentos tenham transitado pelas contas bancárias, e se transitaram, o contribuinte não deveria ter dificuldade em comprovar esse fato. A Jurisprudência, entretanto, evoluiu no sentido de se aceitar como comprovação de origens, independentemente da correlação acima referida, os rendimentos tributáveis, e apenas os tributáveis, declarados. O sentido dessa jurisprudência é evitar um eventual bis in idem, na hipótese de, eventualmente, esses recursos terem transitado pela conta bancária, ainda que o sujeito passivo não logre comproválo. Tal possibilidade não ocorre em relação a rendimentos não tributáveis. Vejase, por exemplo, o seguinte julgado: IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracteriza omissão de rendimentos a constatação de valores creditados em contas bancárias, cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, por meio de documentos hábeis e idôneos. Receitas e rendimentos isentos ou não tributáveis declarados somente podem ser excluídos da base de cálculo do lançamento mediante comprovação de que tais valores transitaram pelas contas bancárias. (Acórdão nº 9202007.160, 30/08/2018) Não compartilho do entendimento da Relatora de que o fato de o contribuinte declarar certos rendimentos configurem por si só indícios de que tais recursos transitaram pela conta bancária. Ao contrário, se foram declarados certos rendimentos e o contribuinte não consegue vinculálo a sua movimentação bancária, o mais provável é que não tenha transitado pela conta. De qualquer forma, e apesar disso, se admite como comprovação de origem apenas os rendimentos tributáveis declarados; quanto aos demais é imprescindível a vinculação, de forma individualizada, dos rendimentos com os créditos nas contas bancárias. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13884.004796/200374 Acórdão n.º 9202007.441 CSRFT2 Fl. 175 7 Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.932413/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008
DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LIQUIDEZ.
A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008 DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LIQUIDEZ. A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008 DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LIQUIDEZ. A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada (DCOMP), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 24 13 /2 00 9- 69 Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10980.932413/200969 Acórdão n.º 3301005.464 S3C3T1 Fl. 3 2 pelo fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos do sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório “por erro na capitulação legal e dispositivo legal infringido” e, no mérito, arguiu que o crédito era decorrente de pagamento indevido da contribuição (PIS/Cofins), relativamente a receitas de vendas para o exterior que foram equivocadamente contabilizadas como vendas no mercado interno e submetidas indevidamente à tributação, dado que as receitas de exportação não sofrem a incidência das contribuições. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 06039.287, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando a alegação de nulidade do despacho decisório e, no mérito, não reconhecendo o crédito pleiteado por insuficiência de provas. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e, novamente, traz demonstrativos de cálculo da contribuição, bem como cópias do que informa ser o livro Razão. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.457, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10980.932407/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.457): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente alega que incluiu indevidamente na base de cálculo da COFINS de junho de 2007 receitas de exportação de mercadorias (inciso I do art. 6° da Lei n° 10.883/03). E, assim, teria um crédito (pagamento a maior da contribuição), o qual utilizou para liquidar débitos tributários federais vincendos. A fiscalização não homologou a compensação, porque o respectivo DARF estava vinculado a débito declarado em DCTF. A recorrente alegou que não teria sido considerada pela autoridade fiscal DCTF retificadora do débito original da COFINS, transmitida em data anterior (21/10/09) à do despacho decisório (26/10/09). Com efeito, em relação à última data, no AR (fl. 152) relativo à notificação do despacho decisório, consta carimbo com data de 19/10/09. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10980.932413/200969 Acórdão n.º 3301005.464 S3C3T1 Fl. 4 3 Porém, a data consignada "à mão", aparentemente também 19/10/09, realmente foi rasurada, tal qual informou a recorrente em seu recurso. Juntou aos autos cópias de demonstrativos das bases de cálculo antes e depois da exclusão da receita de exportação, com a apuração do crédito compensado. E cópias do razão da "conta 51000 produto das vendas no Brasil". Com a manifestação de inconformidade, carreou cópias de notas fiscais de venda, "telas" do SISCOMEX de operações de exportação e cópias dos DACON original e retificador.. Reputo não relevante para a solução da lide a controvérsia acerca da data da notificação do despacho decisório. Este colegiado admite DCTF entregue a destempo, desde que seja comprovada a legitimidade do crédito. Entretanto, nesta última e mais importante tarefa, falhou a recorrente. Deveria de ter trazido demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Diante disto, proporia uma diligência, para que a unidade de origem validasse as cópias apresentadas e a apuração do crédito. Contudo, em razão da ausência de tais conciliações, nego provimento ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 452DF CARF MF
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