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Numero do processo: 10680.017839/2003-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1991
Ementa: PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil para pedidos administrativos de restituição protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos previsto no art. 168, inciso I, do CTN só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4º, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em
um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento
antecipado.
Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre Programa de Demissão Voluntária (PDV) firmou-se no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste.
No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 04 de dezembro de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em 1991, por superar o prazo decenal.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-002.083
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Recorrente PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Interessado ALOYSIO SÁ FREIRE LIMA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1991 Ementa: PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil para pedidos administrativos de restituição protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos previsto no art. 168, inciso I, do CTN só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre Programa de Demissão Voluntária (PDV) firmouse no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 04 de dezembro de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em 1991, por superar o prazo decenal. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCELO OLIVEIRA, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, GUSTAVO LIAN HADDAD, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ELIAS SAMPAIO FREIRE, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, GONÇALO BONET ALLAGE, SUSY GOMES HOFFMANN. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.017839/200380 Acórdão n.º 920202.083 CSRFT2 Fl. 70 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 053, interposto pela nobre PGFN contra acórdão, fls. 044, que decidiu, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a decadência do direito de pedir da recorrente. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: IRPF — RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PDV — Contase a partir de 6 de janeiro de 1999, data da publicação da Instrução Normativa da Receita Federal n.° 165 o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos Planos de Desligamento Voluntário. IRPF — PDV — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — ALCANCE — Tendo a Administração considerado indevida a tributação dos valores percebidos como indenização relativos aos Programas de Desligamento Voluntário em 06/01/1999, data da publiCação da Instrução Normativa n.° 165, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. DUPLO GRAU DE :JURISDIÇÃO — Afastada a decadência, procede o julgamento de mérito em primeiro instância, em obediência ao Decreto n.° 70.235, de 1972. Decadência afastada. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, AFASTAR a decadência e, por conseqüência, determinar o retorno dos autos à 5' TURMA/DRJ BELO HORIZONTE/MG, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que a pleito do recorrente ocorreu após o prazo fixado no Art. 168 do Código Tributário Nacional (CTN) e por esse motivo solicita o provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 058, deuse seguimento ao recurso especial. O interessado, apesar de devidamente intimado, não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. A questão em discussão referese aos efeitos da decadência no direito do interessado em obter restituição de tributo pago. Cabe esclarecer, pois importante para o deslinde da questão, que o pedido de restituição, fls. 001, foi protocolado em 04/12/2003 e os pagamento do tributo ocorreu em 1991, fls. 001. Essa turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais (CSRF) já apreciou caso análogo, com voto extremamente qualificado do competente Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Processo 10830.009341/200382), que demonstro abaixo e utilizo como razões de decidir: “Inicio transcrevendo os artigos do Código Tributário Nacional que regem o assunto: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na Fl. 80DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.017839/200380 Acórdão n.º 920202.083 CSRFT2 Fl. 71 5 elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Apesar da aparente simplicidade dessas normas, sabese que a discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a doutrina e as jurisprudências administrativa e judicial há tempos. As divergências se iniciam na própria natureza desse prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. De toda a discussão sobre o tema, três soluções prevaleceram no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A primeira concede o prazo de cinco anos contado a partir do pagamento indevido e é o entendimento esposado pela Administração tributária. A interpretação decorre da determinação do art. 168, inciso I, do CTN, que ordena o início do prazo na data de extinção do crédito tributário, em conjunto com o art. 150, §1o, do CTN, que determina que o pagamento antecipado extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Como a extinção ocorre sob condição resolutória, ela opera efeitos imediatos, devendo se considerar o crédito tributário extinto a partir do recolhimento. A segunda, também conhecida como “teoria dos 5+5”, reconhece o prazo de dez anos a partir do pagamento indevido, e foi o entendimento que terminou por prevalecer após longa discussão no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Para se chegar a essa conclusão, considerouse que a extinção do crédito tributário só ocorre após a homologação do lançamento, que se não acontecer de forma expressa, darseá tacitamente após 5 anos do pagamento, quando se iniciaria novo período de 5 anos para o pedido de restituição. A terceira diz respeito apenas aos tributos declarados inconstitucionais com efeitos erga omnes, quando a contagem do Fl. 81DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 prazo para a repetição do indébito se iniciaria após essa declaração, ou então após o reconhecimento pela Administração Tributária da exação como indevida, entendimento que prevalecia na 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e que foi adotado no acórdão recorrido. Tentando resolver esse impasse, a Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, trouxe as seguintes determinações: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Isto é, o novo ato legal buscou fazer interpretação autêntica do art. 168 do CTN, pois determinou sua aplicação a fatos pretéritos, por se considerar expressamente interpretativo (art. 106, inciso I do CTN), optando pela primeira solução acima descrita. Diante na inovação legislativa, o STJ concluiu que a nova norma não tinha caráter meramente interpretativo, pois afastava interpretação há muito consolidada, e passou a aplicar a nova regra inicialmente apenas para as ações ajuizadas após a data de vigência da nova lei, em 09 de junho de 2005, mas terminou fixando o entendimento de que o novel regramento se aplica apenas aos pagamentos ocorridos após essa data. Pacificando essa discussão, o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, em 11 de outubro de 2011, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da Lei complementar nº 118, de 2005, mas definiu que a nova lei passa a ser aplicada para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, em 09 de junho de 2005, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.017839/200380 Acórdão n.º 920202.083 CSRFT2 Fl. 72 7 A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Como a decisão acima foi tomada na sistemática do art. 543B, § 3º, do CPC, os julgamentos do CARF devem adotar esse entendimento, por determinação do art. 62A do anexo II do RICARF. Entendo que, como o provimento judicial determina a manutenção da teoria dos 5+5 para as ação ajuizadas antes de 09 de junho de 2005, no âmbito do CARF, devemos utilizála para os pedidos administrativos protocolados antes dessa data. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 Penso que a adoção de uma interpretação extremamente literal, de que o entendimento não se aplicaria aos processos administrativos uma vez que o acórdão fala de ações judiciais, equivaleria a um descumprimento da essência da norma, que é o de garantir o direito à orientação consolidada no STJ para quem buscou exercer seu direito antes da vigência da nova lei. Outra questão relevante diz respeito ao fato do RE nº 566.621/RS ainda não ter transitado em julgado. De fato, em consulta ao sítio da Internet do STF na data deste julgamento, verificase que algumas pessoas entraram com questão de ordem e embargos infringentes, buscando retomar o entendimento do STJ de que a nova lei somente se aplicaria aos pagamentos ocorridos após sua vigência, o que estenderia seus efeitos para ações ajuizadas após essa época. Independentemente do difícil sucesso desses recursos, há que se observar que a Fazenda Nacional não recorreu contra a decisão, o que significa que ela transitou em julgado para a União. Assim, não é mais possível se alterar o entendimento de que ao presente caso deve se aplicar a teoria dos 5+5, pois a Fazenda Nacional não pode mais defender a retroatividade da Lei complementar nº 118, de 2005, e os recorrentes apenas desejam estender os efeitos da legislação anterior. Desse modo, creio ser fundamental a adoção do entendimento definitivo judicial sobre a matéria. Qualquer tentativa de se utilizar interpretação diversa feriria de morte a intenção do art. 62A do anexo II do RICARF, que busca a uniformização dos julgamentos administrativos e judiciais. Assim, no presente caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 12 de dezembro de 2003, ele somente poderia versar sobre pagamentos efetuados após 12 de dezembro de 1993. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmouse no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste, como demonstram as ementas dos acórdãos abaixo transcritas: RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE SOBRE PDV CORREÇÃO MONETÁRIA TERMO DE INÍCIO DA ATUALIZAÇÃO MOMENTO DA RETENÇÃO INDEVIDA Imposto retido na fonte sobre indenização recebida por adesão ao PDV não se caracteriza como antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, mas retenção e recolhimento indevidos, estando no campo da não incidência do imposto de renda. A declaração de ajuste anual não é meio hábil para restituir integralmente o imposto que incidiu na fonte sobre rendimentos isentos ou não tributáveis, pois somente corrige a restituição a partir do mês seguinte ao prazo de entrega da declaração, e não a partir do mês da efetiva retenção indevida Assim, a atualização monetária deve incidir a partir do mês do pagamento indevido e não do mês seguinte à data da entrega da Fl. 84DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.017839/200380 Acórdão n.º 920202.083 CSRFT2 Fl. 73 9 declaração. Ainda, a taxa Selic deve incidir somente a partir de janeiro de 1996. (Acórdão n° 10616.823, 6a Câmara/1o CC, sessão de 07/03/2008, Relator Giovanni Christian Nunes Campos) PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO A QUO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC Sobre as verbas indenizatórias recebidas por ocasião de rescisão de contrato de trabalho em função de adesão a PDV, não incide imposto de renda. Em sendo assim, da retenção indevida surge o direito para o contribuinte de apresentar regramatriz de repetição de indébito tributário (art. 165 do CTN), independente do ajuste formalizado pela entrega da declaração, de modo que os juros e correção monetária passam a correr já a partir da retenção indevida, sendo a SELIC aplicável a partir de janeiro de 1996. (Acórdão n° 10423.154, 4a Câmara/1o CC, sessão de 24/04/2008, Relator Gustavo Lian Haddad) PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO A QUO DA CORREÇÃO MONETÁRIA Sobre as verbas indenizatórias recebidas por ocasião de rescisão de contrato de trabalho, em função de adesão a PDV, não incide imposto de renda. Em sendo assim, da retenção indevida surge o direito do contribuinte de ser ressarcido do indébito tributário, devendo a correção monetária de seu crédito ser apurada já a partir da retenção indevida. (Acórdão n° 10248.131, 2a Câmara/1o CC, sessão de 24/01/2007, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) PDV. RESTITUIÇÃO. JUROS MORATÓRIOS. Os acréscimos legais incidentes sobre restituição de eventual imposto de renda retido na fonte sobre verbas de PDV, ainda que apurada em Declaração Anual de Ajuste Retificadora, são devidos desde o mês subseqüente à retenção: com atualização monetária pela UFIR, até 31/12/1995, e pela SELIC, a partir de 01/01/1996. (Acórdão n° 920201.370, 2a Turma/CSRF, sessão de 11/04/2011, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Como o objeto do pedido de restituição é imposto retido na fonte em 05 de outubro de 1992, há que se reconhecer que já estava extinto o direito. Portanto, adotando o voto acima no presente caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 04 de dezembro de 2003, ele somente poderia versar sobre pagamentos efetuados após 04 de dezembro de 1993. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 10 CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto em conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial da PGFN, a fim de reconhecer a decadência do direito de se pleitear a repetição do indébito, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 86DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10240.001850/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDARIA DO ADMINISTRADOR.
Cabível a atribuição da responsabilidade solidária ao gestor de fato da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de oficio decorrem de infração dolosa à lei.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a duplicação de multa de
oficio regulamentar quanto reste comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Incabível, por carência de previsão
legal, a majoração da multa de oficio pela metade quando a pessoa jurídica, por intermédio de seu administrador, simplesmente, no ato de responder as intimações fiscais, o faça de maneira insatisfatória à pretensão fiscal, pois o fundamento legal apenas descreve a omissão de respostas e não respostas genéricas ou incompletas.
Numero da decisão: 1202-000.716
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade não conheceram o
mérito por se tratar de matéria preclusa e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para desagravar a multa de ofício e reduzir seu percentual para 150% nos
termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner, que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDARIA DO ADMINISTRADOR. Cabível a atribuição da responsabilidade solidária ao gestor de fato da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de oficio decorrem de infração dolosa à lei. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a duplicação de multa de oficio regulamentar quanto reste comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Incabível, por carência de previsão legal, a majoração da multa de oficio pela metade quando a pessoa jurídica, por intermédio de seu administrador, simplesmente, no ato de responder as intimações fiscais, o faça de maneira insatisfatória à pretensão fiscal, pois o fundamento legal apenas descreve a omissão de respostas e não respostas genéricas ou incompletas.
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LTDA E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDARIA DO ADMINISTRADOR. Cabível a atribuição da responsabilidade solidária ao gestor de fato da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de oficio decorrem de infração dolosa à lei. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a duplicação de multa de oficio regulamentar quanto reste comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Incabível, por carência de previsão legal, a majoração da multa de oficio pela metade quando a pessoa jurídica, por intermédio de seu administrador, simplesmente, no ato de responder as intimações fiscais, o faça de maneira insatisfatória à pretensão fiscal, pois o fundamento legal apenas descreve a omissão de respostas e não respostas genéricas ou incompletas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade não conheceram o mérito por se tratar de matéria preclusa e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para desagravar a multa de ofício e reduzir seu percentual para 150% nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner, que negava provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Fl. 908DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202000.716 S1C2T2 Fl. 2 2 Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tomo a liberdade de reproduzir o relatório da decisão de primeira instância, por bem expor a matéria fática e os argumentos de defesa inicial, a saber: “Versa o presente processo sobre os Autos de Infração de: • Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Micro Empresas e Empresas de Pequeno PorteSIMPLES (fls. 18 75), relativo ao ano calendário 2005, com crédito total apurado no valor de R$ 6.706.429,77, incluindo o principal, a multa de oficio e os juros de mora, atualizados até 30/10/2009; • Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ; Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social Sobre o Lucro LiquidoCSLL (fls. 91134), relativos ao anocalendário 2006, com crédito total apurado no valor de R$ 4.184.992,39, incluindo o principal, a multa de oficio e os juros de mora, atualizados até 30/10/2009. Integra os Autos de Infração o Termo de Verificação de Infração Fiscal n° 0250100/2008/010335 e anexos (fls. 7689). Foi ainda responsabilizado pelo cumprimento da obrigação tributária o sujeito passivo JOSÉ GERALDO SANTOS ALVES PINHEIRO, CPF 288.230.00282, conforme Termo de Responsabilidade Tributária Solidária n° 0250100/2008/10335 (fls. 316 317). De acordo com os fatos narrados nos Autos de Infração e Termo de Verificação de Infração Fiscal, o(s) sujeito(s) passivo(s) incorreu(am) na(s) seguinte(s) infração(óes): • Anocalendário 2005: Omissão de receita de revendas de mercadorias; Insuficiência de recolhimento de tributos incidentes sobre a receita informada na Declaração Simplificada; • Anocalendário 2006: Omissão de receita de revendas de mercadorias; Fl. 909DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202000.716 S1C2T2 Fl. 3 3 Insuficiência de recolhimento de tributos incidentes sobre a receita informada na Declaração Simplificada. A infração de omissão de receitas é decorrente da divergência entre a receita informada nas Declarações Simplificadas e a receita declarada ao fisco estadual, através do Guia de Informa cão de Apuração Mensal do ICMS GIAM (fls. 7981). 0 contribuinte fora optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, durante os anoscalendário 2005 e 2006. Em decorrência da receita apurada no ano calendário 2005 ultrapassar a receita limite de permanência no SIMPLES, a pessoa jurídica foi excluída desta sistemática apuração, em 14/09/2009, com efeitos retroativos à 01/01/2006 (fl. 82). Sobre a exigência relativa à infração de omissão de receita foi aplicada a multa de oficio qualificada e agravada (225%). Sobre a exigência da infração de insuficiência de recolhimento, a multa de oficio regulamentar (75%). 0 lucro do contribuinte, no anocalendário 2006, foi arbitrado em razão da não apresentação dos livros e documentos da escrituração obrigatória. A qualificação e agravamento da multa de oficio tiveram a seguinte fundamentação fática: • A falsidade das informações prestadas nas Declarações Simplificadas, anos calendário 2005 e 2006, evidenciada pela substancial diferença entre a receita declarada e a efetivamente recebida; • 0 não atendimento das intimações durante o procedimento de fiscalização. A responsabilidade solidária da pessoa física JOSÉ GERALDO SANTOS ALVES PINHEIRO decorre do "interesse comum na situação que constituiu o fato gerador ocorrido na empresa RONDÔNIA MERCANTIL, haja vista o poder de gerência e administração sobre os negócios da empresa conferidos pelo Contrato Social e Primeira alteração cadastral, suficientes para decidir sobre o cumprimento ou não da legislação tributária, no período em que foram verificadas as omissões e a falta de recolhimento dos tributos/contribuições lançados" (fls. 8485). Os sujeitos passivos (contribuinte e responsável solidário) apresentaram, conjuntamente, suas impugnações ao lançamento em 11/12/2009 (fls. 338351), legando a improcedência da atribuição da responsabilidade solidária e da aplicação da multa de oficio qualificada e agravada, com base nos argumentos a seguir: Da responsabilidade solidária 1. Não há sustentação fática e jurídica para a responsabilização do sócio JOSÉ GERALDO SANTOS ALVES PINHEIRO, na forma do art. 124, inciso I, do CTN, porque a mera inclusão deste no contrato social não é suficiente para dizer que ele praticou os atos que culminaram no presente auto de infração; 2. A fiscalização não descreveu os atos de gerência praticados pelo sócio JOSÉ GERALDO SANTOS ALVES PINHEIRO que justificassem a responsabilidade solidária; 3. A ausência desta descrição ofende os princípios constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório; Fl. 910DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202000.716 S1C2T2 Fl. 4 4 4. Se houvesse responsabilização esta seria nos moldes no art. 135, III, do CTN, desde que fossem descritos os atos de gerência praticados pelo sóciogerente; 5. Não há nos autos elementos comprobatórios de que o sócio JOSÉ GERALDO SANTOS ALVES PINHEIRO tenha praticado atos de gestão empresarial a ponto de configurar como responsável solidário; Da multa agravada e qualificada 6. A multa de 225% tem efeito de confisco; 7. 0 agravamento da multa é improcedente porque as intimações foram atendidas no sentido de informar a autoridade fiscalizadora da impossibilidade de apresentação dos documentos solicitados face a apreensão da referida documentação pelo fisco estadual, conforme Processo Administrativo Fiscal n° 2008250060004; 8. Os documentos apreendidos constam da relação, e parte deles foi juntado a esse processo administrativo; 9. Também não houve comprovação do dolo por parte da autuada; 10. A multa aplicada também ofende os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.” A DRJ julgou o lançamento procedente, adotando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 Ementa: CARÁTER INQUISITÓRIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. POSSIBILIDADE DE IMPUGNAÇÃO. EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA. INÍCIO DO CONTENCIOSO. A ação fiscal tendente a apurar e constituir o crédito tributário é um procedimento administrativo que pode ter caráter inquisitório. 0 crédito tributário constituído, por meio de lançamento de oficio, não é definitivo, nem mesmo na esfera administrativa, porque o sujeito passivo tem o arbítrio de exercer o contraditório e a ampla defesa através da impugnação ao lançamento, quando instaurase o contencioso administrativo fiscal. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento, e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a duplicação de multa de oficio regulamentar quanto reste comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Cabível a majoração da multa de oficio pela metade quando a pessoa jurídica, por intermédio de seu administrador, Fl. 911DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202000.716 S1C2T2 Fl. 5 5 não presta os esclarecimentos necessários para o bom andamento do procedimento fiscal. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. Ê inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de oficio, que não se reveste do caráter de tributo. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. RESPONSABILIDADE SOLIDARIA DO ADMINISTRADOR. Cabível a atribuição da responsabilidade solidária ao gestor de fato da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de oficio decorrem de infração dolosa à lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” No que se refere a multa qualificada, esclarece a decisão supra que a conduta do contribuinte de prestar informações falsas nas declarações simplificadas, anoscalendário de 2005 e 2006, motivou a configuração da fraude/sonegação. Ou sem, no anocalendário de 2005, o contribuinte omitiu do fisco federal uma receita 21 vezes maior que a declarada e no ano seguinte, repetiu a conduta e omitiu a mesma proporção de receita. Quanto a multa agravada, com base na falta de atendimento das intimações, posto que, mesmo ciente da apreensão pela autoridade fiscal estadual, disse apenas que os documentos não estavam em seu poder, o que dificultou a fiscalização federal. Quanto a responsabilidade solidária, diz que o sócio –administrador não pode se eximir de sua responsabilidade contratual, nessa exclusiva condição administrativa. Assim, em nome do bom senso, não se poderia crer que terceira pessoa administrasse a sociedade à revelia do sócioadministrador, mantendo a solidariedade passiva. Tempestivamente, os contribuintes interpuseram os recursos voluntários, tanto o sujeito passivo como o responsável solidário, praticamente repisando os mesmos argumentos já expostos anteriormente, essencialmente se insurgindo contra a responsabilidade solidária e agravamento e qualificação das multas. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 912DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202000.716 S1C2T2 Fl. 6 6 Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, deles tomo conhecimento. Como relatado, tanto o recurso do sujeito passivo, como do responsável solidário se detém nos questionamentos de tal implicação, ou seja, dessa mesma solidariedade tributária nos lançamentos tributários, assim como sobre a qualificação e agravamento da penalidade. Desta feita cabe apreciar em conjunto os inconformismos. Portanto, primeiramente, cabe analisarse a questão da responsabilidade solidária de José Geraldo Santos Alves Pinheiro. A autoridade julgadora de primeira instância também fundamenta seu entendimento sobre o fato inconteste que o responsável é sócioadministrador do sujeito passivo. Tal situação jurídica do responsável está demonstrada cabalmente por documentos societários nos autos. Contudo assim seja, cabe uma consideração perante o argumento da gestão de fato dos negócios do sujeito passivo. O Recorrente reitera que faltou, no trabalho fiscal, comprovar que o responsável solidário agiu nas operações do sujeito passivo. Por seu lado, a Recorrente apenas se escora no argumento que incumbia à fiscalização provar a gestão da atividade econômica e obrigações fiscais, principais e acessórias do sujeito passivo, a fim de tentar o afastamento da configurada responsabilidade tributária solidária. Contudo assim seja, tanto a Recorrente, como o responsável tributário apenas sustentam, em tese, que a responsabilidade solidária não pode decorrer simplesmente de constar o nome do responsável como sócioadministrador do devedor principal, qual seja, a empresa RONDÔNIA. Isto é, constatase apenas um elemento de prova, de cunho contratual societário, que a ver dos defendentes, não seria suficiente para demonstrar o interesse comum nos termos do inciso I do art. 124 do CTN. Em face disso, consultando os autos, tanto as peças processuais com a impugnação, como as que instruem os recursos voluntários, somente se evidencia os contratos sociais e procurações, inexistindo qualquer outro elemento de prova que o sócioadministrador e responsável solidário, tenha outorgado poderes de representação a terceiro ou empregado para a gestão dos negócios e atividades operacionais do sujeito passivo, o que somente reforça a caracterização que o mesmo sujeito, pessoa física, e sócioadministrador, não delegou a ninguém sua atribuição de competência e responsabilidade societária, inclusive majoritária no contrato social, para cuidar integralmente dos negócios atinentes ao objeto da atividade empresarial do sujeito passivo. Nesse sentido, restou bem evidenciado que inexiste qualquer terceiro na administração dos negócios da autuada, apenas o seu sócio majoritário, Sr. José Geraldo Santos Alves Pinheiro, notadadamente como administrador da sociedade fiscalizada. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202000.716 S1C2T2 Fl. 7 7 Mesmo diante o argumento defensivo que a fiscalização deixou de apresentar provas de gestão tributária, não há como negar que , por outro lado, tanto o sujeito passivo, como o responsável solidário, também não elidiram, por prova em contrário, a evidência contratual de que a sociedade fiscalizada tem como sócioadministrador o responsável solidário, cabendo ao mesmo a atribuição de cuidar, sob todos os aspectos, do negócio social, aí incluídas as obrigações legais, principalmente tributárias e acessórias decorrentes da atividade econômica da contribuinte autuada. Desta feita, sob esse estrito ângulo societário e contratual, válido e considerado sobre prova legítima constituída pela fiscalização, não afastada pelo sujeito passivo e/ou responsável solidário, resta claro que, no caso concreto, o sócio majoritário, cumulado com a atribuição de administração dos negócios sociais, tem interesse comum nos resultados da empresa fiscalizada, mesmo porque inexiste nos autos qualquer outra prova que induza e/ou evidencie a existência de um terceiro, seja em que condição jurídica, interposta, preposto, mandatário,etc que pudesse justificar ausência de comando e gestão dos negócios da fiscalizada. Se ao sócio majoritário, inclusive administrador, não se nota interesse comum, sem qualquer intervenção de outro sócio ou de terceiro, o dispositivo do inciso I do art. 124 é absolutamente inócuo e vazio, com o que não se pode compadescer, em face ao entendimento que prima pela razoabilidade e veracidade relacionada aos fatos infracionais apurados na gestão dos negócios sociais da empresa fiscalizada. Diante disso, é de se reconhecer, inequivocamente, a aplicabilidade da responsabilidade solidária do sócioadministrador, Sr. José Geraldo Santos Alves Pinheiro sobre o objeto da autuação fiscal neste processo. Como inexiste argumentos defensivos relativamente ao mérito, tanto no que se refere ao recurso da contribuinte, como do responsável, neste aspecto, é de se negar provimento à pretensão de ambos. No que diz respeito a multa qualificada, insurgemse os recorrentes alegando inexistência de dolo específico para a caracterização dessa agravantes. Todavia, o mero fato comprovado pela fiscalização, de entregas reiteradas de de declarações fiscais expressando, formalmente, um movimento de receita tributável 21 (vinte e uma) vezes menor que a apurada no trabalho fiscal, pela documentação do ICMS, denota a clara intenção de omissão de receitas, passível, portanto, de enquadramento da conduta como cominada pela autoridade fiscalizadora. Sobre essa penalidade qualificada, pois, mantémse a exigência original. Contudo, no que concerne ao agravamento da multa, cabe uma ponderação sobre a motivação que a justificou. Diz a autoridade fiscal a fls. 79, no Termo de Verificação Fiscal : Em respostas as intimações, a empresa protocolizou duas petições, em 03.07.2009 e 24.07.2009, informando encontrarse em processo de inventário em virtude do falecimento do sócio Adrimar Dias dos Santos e ter alterado o endereço para "Avenida Capitão Silvio n. 3385, Setor das Grandes Áreas Especiais em Ariquemes/RO, CEP n. 76870020", por decisão judicial. Em relação aos documentos solicitados (Balanço Patrimonial, Demonstrativos de Resultados e Livros de Registros de Saídas e Entradas) justificou estar "impossibilitada no seu Fl. 914DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202000.716 S1C2T2 Fl. 8 8 atendimento, pois referidos documentos não se encontra em seu poder". Na ocasião, apresentou a Sexta Alteração Contratual e o Alvará Judicial com autorização de mudança de endereço. ... Em síntese, a empresa não apresentou os documentos solicitados, não comprovou a retenção/apreensão dos mesmos, não trouxe qualquer fato novo que justificasse o não atendimento as intimações e, ainda, seu representante legal não compareceu para prestar os esclarecimentos necessários, ficando totalmente inerte frente as intimações do Fisco Federal. Tais fatos impuseram a coleta de documentos e informações junto a outros órgãos públicos conforme abaixo: A Contrato Social e alterações fornecidas pela Junta Comercial do Estado de Rondônia; Relatório Sintético de GIAMGuia de Informação e Apuração do ICMS Mensal, Relatório de Demonstrativo de Entradas e Saídas de GIAM e Relatório de Notas Fiscais por Remetente/Destinatário relativos aos AC's 2005 e 2006, todos emitidos pela Secretaria de Estado de Finanças SEFIN/RO; Cópias dos Livros Registros de Apuração do ICMS — 2005 e 2006, apresentada pela S EFIN/RO ; Cópia do Processo Administrativo Fiscal — DFE n° 20082500600004, apresentada pela Secretaria do Estado de Finanças — RO; Ademais, a mesma autoridade fiscal conclui, em seu relatório, a fls. 81, o seguinte: Assim, não obstante o contribuinte ter deixado de apresentar os livros fiscais solicitados, a Fiscalização logrou êxito em apurar a Receita Bruta auferida com base na sua escrita fiscal oferecida, em cópia, pelo Fisco Estadual através de Convênio, restando por este meio comprovada a ocorrência de Receitas auferidas e não declaradas à Receita "Federal nos AC 's 2005 e 2006, aplicandose neste caso os termos dos art. 24 da Lei 9.249/95 e art. 18 da Lei 9.317/96 para fins de determinação da base de calculo dos tributos/contribuições devido. Assim, a fls. 84, do TVF se constata que a autoridade fiscal afirma, categoricamente, que a fiscalizada “deixou de atender as intimações da fiscalização” e também que o seu sócio administrador não prestou esclarecimentos, para agravar pela metade a já qualificada multa de ofício. Contudo sejam essas as conclusões pela autoridade fiscal, pela própria descrição do termo fiscal, transparece que, em verdade, a fiscalizada não deixou de atender as intimações, ou seja, omitiuse em respostas, mas as fez não satisfatoriamente à pretensão de elucidação fática da autoridade fiscal, o que configura situação diferente da prevista em lei, pois um acontecimento é a omissão, ou deixar em branco, sem quaisquer respostas o atendimento, e outro evento é responder sem, contudo, satisfazer o interesse fiscalizatório. A lei citada – 9.430/96 , art. 44, § 2º, inciso I – descreve somente a hipótese de omissão de atendimento e não o atendimento insatisfatório. No presente caso, denotase que a contribuinte e seu sócio responderam as intimações, mas não em conformidade ao pretendido pela autoridade fiscal. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202000.716 S1C2T2 Fl. 9 9 Por isso, carece de correta configuração e subsunção legal citada, as condutas imputadas a contribuinte e seu sócio administrador, posto que, como acima asseverado, em nada prejudicaram o resultado obtido pela fiscalização, como a mesma afirma em suas conclusões no TVF, acima transcrito. Mesmo porque, a insatisfação do atendimento pelas intimações, seja da contribuinte, seja do seu sócio administrador, foram devidamente supridas com as requisições de documentos pertinentes fiscais perante autoridade estadual, em processo administrativo, que constituem as provas principais da acusação fiscal de omissão de receitas, as quais, cabe lembrar, não foram questionadas pelas defesas apresentadas, em sede de primeira instância, assim como perante esta instância, tanto pela contribuinte, como pelo responsável solidário, o sócio administrador. Pela razão exposta, não há como reconhecer subsistente o agravamento da multa. Diante tudo, é de se dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de se desagravar a multa de ofício qualificada, reduzindo seu percentual de 225% para o percentual de 150%, mantendose a autuação principal, quanto ao mérito, por tratarse de matéria preclusa, e a imputação de responsabilidade solidária ao Sr. José Geraldo Santos Alves Pinheiro, para todos os efeitos fiscais. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 916DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
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Numero do processo: 10580.720758/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 30/04/2005 a 31/12/2008
DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI.
É inadmissível, por ausência de previsão legal, a apropriação créditos de IPI sobre as compras de insumos isentos, conforme posição consolidada do STF.
INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. ÓLEO HIDRÁULICO
Óleo hidráulico, ainda que consumido pelo estabelecimento industrial, não é considerado matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem para fins de crédito de
IPI.
MULTA DE OFÍCIO.
Tratando-se de lançamento de ofício decorrente de infração a
dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa
punitiva correspondente.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.988
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do
voto do relator.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/04/2005 a 31/12/2008 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por ausência de previsão legal, a apropriação créditos de IPI sobre as compras de insumos isentos, conforme posição consolidada do STF. INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. ÓLEO HIDRÁULICO Óleo hidráulico, ainda que consumido pelo estabelecimento industrial, não é considerado matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem para fins de crédito de IPI. MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 EDITADO EM: 12/06/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Judith do Amaral Marcondes Armando e Daniel Mariz Gudiño. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de Auto de Infração (fls. 02/27) lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI pertinente ao período compreendido entre abril de 2005 e dezembro de 2008. No Termo de Verificação (fls. 28/32), o auditor fiscal informa que a autuada, em 03/04/2002, impetrou o Mandado de Segurança nº 2002.33.00.0071995 pleiteando o direito aos créditos do IPI decorrentes das aquisições de insumos imunes, isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, calculados a partir da aplicação da alíquota incidente sobre as saídas dos produtos por ela fabricados. Conforme Certidão Narratória (fl. 122), em 03/07/2002 foi proferida sentença julgando parcialmente procedente o pedido da impetrante. Porém, segundo o autuante, em nenhum momento foi garantido judicialmente à contribuinte o direito de compensar como “outros créditos” em sua escrita fiscal (Livro de Registro de Apuração do IPI – RAIPI às folhas 47/100) os valores do IPI pleiteados no referido MS. A sentença (fls. 127/131) garantiu tãosomente o direito ao registro contábil dos créditos do IPI pleiteados em juízo, ou seja, o reconhecimento à margem da escrituração fiscal de um ganho contingente, correspondente ao aproveitamento futuro de créditos subjudice, encontrandose o processo judicial na 8ª Turma do Tribunal Regional Federal – TRF da 1ª Região para julgamento dos recursos de apelação interpostos pelas partes. Desta forma, considerando que o aproveitamento fiscal do crédito do IPI antes do trânsito em julgado da sentença é expressamente vedado pelo art. 170A do Código Tributário Nacional – CTN, os valores compensados como “outros créditos” no RAIPI foram glosados pelo autuante, conforme item 002 do Auto de Infração. Quanto ao item 001, o autuante informa que a contribuinte creditouse indevidamente do IPI pela entrada no estabelecimento de óleo hidráulico, em desacordo com o disposto no Parecer CST nº 65/79, visto que o óleo não entra em contato direto com o produto em fabricação, nem a ele se incorpora. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10580.720758/200984 Acórdão n.º 3201000.988 S3C2T1 Fl. 2 3 Cientificada do lançamento em 20/03/2009 (fl. 04), a contribuinte apresenta em 31/03/2009 a impugnação de folhas 187/201, alegando em sua defesa, em síntese: 1. Preliminarmente, optou pela adesão ao parcelamento previsto na Medida Provisória nº 449/2008, que possibilitou o pagamento ou parcelamento dos débitos relativos aos fatos geradores ocorridos até 31/05/2008 "decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI oriundos da aquisição de matérias primas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, com incidência de alíquota zero ou como não tributados"; 2. A glosa dos créditos pela entrada do óleo hidráulico não merece prosperar, pois o princípio constitucional da nãocumulatividade se realiza mediante o direito a crédito de todos os produtos que forem consumidos no processo de industrialização, não tendo sido efetuada ressalva quanto a sua efetiva integração ao produto final, ou mesmo quanto à necessidade de contato físico entre ambos, sendo que a única restrição de creditamento referese às aquisições destinadas ao ativo permanente; 3. O Parecer Normativo CST nº 65/79 invocado pela fiscalização, malgrado seja de aplicação obrigatória por parte da administração, não pode vincular os órgãos administrativos de julgamento, notadamente o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda; 4. No que tange à glosa dos créditos do IPI reconhecidos por decisão judicial, a contribuinte, após discorrer sobre a suposta legitimidade do creditamento em questão, alega que, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal reconheceu definitivamente o direito ao crédito na hipótese de isenção, o mesmo tratamento deve ser conferido aos produtos imunes, que possuem regime jurídico que se aproxima mais desta espécie jurídica do que a simples não tributação; 5. A impugnante alega que a decisão judicial não trata de recuperação de crédito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido de tributo, o que dispensa a formalização de pedidos de compensação ou ressarcimento junto à RFB; 6. No Mandado de Segurança nº 2002.33.00.0071995, discutese o direito ao creditamento contábil dos valores do IPI, vinculado integralmente ao princípio constitucional da nãocumulatividade, não estando sujeito às restrições que a Fazenda impõe ao procedimento adotado pela impugnante; 7. Os créditos escriturais, que possuem característica estritamente financeira, concorrem tãosomente para a formação do crédito tributário de IPI, não se confundindo com o imposto devido; Fl. 328DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 8. O procedimento adotado pela impugnante foi erroneamente equiparado à compensação tributária estabelecida no artigo 156 do CTN, pois guarda exclusiva consonância com aquela trazida no bojo do inciso II do § 3º do art. 153 da Constituição Federal, razão pela qual ao presente caso não se aplicam as regras dispostas no art. 170 do CTN, que cuidam de impor limitações à compensação engendrada para fins de extinção do crédito tributário advindo de pagamentos a maior ou indevido do tributo, ou seja, exclusivamente direcionado a ações de repetição de indébito, reputandose, assim, a tutela jurisdicional proveniente da segurança concedida no Mandado de Segurança irretocável e de aplicação imediata; 9. Ainda que a impugnante tenha, por equívoco, deixado de registrar os créditos garantidos na aludida sentença judicial no RAIPI, não há como ser desconsiderada a operação contábil realizada e, como demonstrado na impugnação, concluída a equação entre créditos e débitos, não resta saldo devedor remanescente; 10. Destarte, ainda que persista, ad argumentandum tantum, a autuação em relação ao valor principal do tributo que deixou de ser pago, e os respectivos juros, em razão da apropriação dos aludidos créditos do IPI, ilegítima é a aplicação da multa de ofício, haja vista que este aproveitamento de créditos está, indubitavelmente, abarcado pela decisão proferida no mandamus, cujos efeitos são imediatos. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/SDR n.º 20.741, de 16/09/2009: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/04/2005 a 31/12/2008 INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. Óleo hidráulico, ainda que consumido pelo estabelecimento industrial, não reveste a condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, cujos conceitos, admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangem os produtos que não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado. CRÉDITOS DECORRENTES DE AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS IMUNES, ISENTAS, NÃOTRIBUTADAS OU SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal de exigência de crédito tributário, implica a renúncia da discussão na esfera administrativa, tornandose ela definitiva. MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. Impugnação Improcedente. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10580.720758/200984 Acórdão n.º 3201000.988 S3C2T1 Fl. 3 5 Em face da decisão, o contribuinte é intimado, interpondo recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discutese nos autos o direito ao crédito de IPI das entradas de insumos isentos, da compra de óleo hidráulico e da multa aplicada. Dos insumos isentos O STF já se pronunciou sobre o tema, declarando não haver violação ao princípio da não cumulatividade a impossibilidade de creditamento de IPI na compra de insumos isentos, como vemos: DJe n° 115/2007 terçafeira, 02 de outubro Supremo Tribunal Federal RECURSO EXTRAORDINÁRIO 551.2444 (798) PROCED.: SANTA CATARINA RELATOR: MN. GILMAR MENDES RECTE.(S) : UNIÃO ADV.(A/S): PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : DANICA TERMOINDUSTRIAL LTDA ADV. (A/S): CELSO MEIRA JÚNIOR E OUTRO(A/S) ADV (A/S): JOÃO JOAQUIM MARTINELLI DECISÃO: Tratase de recurso extraordinário interposto em face de acórdão que reconheceu direito ao crédito de IPI nos casos de insumos adquiridos sob o regime de isenção, ou nãotributação ou sujeitos à alíquota zero. O acórdão recorrido divergiu do entendimento firmado por esta Corte. No julgamento dos RREE 370.682, Rei. limar Galvão, e 353.657, Rei. Marco Aurélio, sessão de 15.2.2007, decidiuse que a admissão do creditamento de IPI, nas hipóteses de produtos favorecidos pela alíquota zero, pela nãotribuiação e pela isenção, implica ofensa ao art. 153, §3°, II, da Carta Magna. O Plenário desta Corte decidiu, ainda, não ser aplicável ao caso a limitação de efeitos da declaração de inconstitucionalidade (REQO 353.657, Rei. Marco Aurélio, sessão de 25.6.2007). Assim, conheço do recurso e doulhe provimento (art. 557, caput, do CPC). Fixo os ônus da sucumbência em 5% (cinco por cento) sobre o valor da causa devidamente atualizado. Publiquese. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 6 Brasília, 10 de agosto de 2007. Ministro GILMAR MENDES Relator Esta Corte também possui entendimento sumulado sobre o assunto: Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Assim, não há como ser acolhida a pretensão da contribuinte neste tópico. Do óleo hidráulico O RIPI permite o crédito na compra de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem. Questão reside em saber se o óleo hidráulico pode ser enquadrado como tal. O óleo hidráulico, por não ser consumido em decorrência de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, não dá direito ao crédito de IPI, real ou ficto, por não se enquadrarem no conceito de matériaprima, produto intermediário e, por óbvio, material de embalagem. Este entendimento está exposto em diversos pareceres administrativos, como vemos: Parecer Normativo CST nº 65, de 1979 (...) 11 Em resumo, geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “stricto sensu”, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. 11.1 Não havendo tais alterações, ou havendo em função de ações exercidas indiretamente, ainda que se dêem rapidamente e mesmo que os produtos não estejam compreendidos no ativo permanente, inexiste o direito de que trata o inciso I do artigo 66 do RIPI/79. Parecer Normativo nº 181, de 1974 13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e Fl. 331DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10580.720758/200984 Acórdão n.º 3201000.988 S3C2T1 Fl. 4 7 lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc. O entendimento do CARF é no mesmo sentido: Segundo Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20218204 do Processo 10940000897200102 Data 19/07/2007 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. CRÉDITOS FICTOS. DECISÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. O direito do contribuinte limitase aos termos fixados na parte dispositiva da sentença, que compõe a coisa julgada. GLP, ENERGIA ELÉTRICA, QUEROSENE E ÓLEO DIESEL. O GLP, energia elétrica, querosene e outros produtos, que não sejam consumidos em decorrência de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, não dão direito ao crédito de IPI, real ou ficto, por não se enquadrarem no conceito de matériaprima e produto intermediário, nos termos definidos no Parecer Normativo CST n.º 65/79. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. CRÉDITOS ESCRITURAIS. CRÉDITOS FICTOS. Não há previsão legal para a correção monetária dos créditos escriturais de IPI e nem a sentença judicial reconheceu este direito. Recurso negado. Assim, não pode ser dado guarida ao crédito pretendido. Da multa Em todo o período lançado, sempre houve a previsão legal no art. 80 da Lei n.º 4.502/64 da imposição de multa de 75% nos casos de pagamento parcial de tributos, como é o caso. Assim, correta a multa lançada. Ante o exposto, voto por para negar provimento ao recurso voluntário. Sala de sessões, 23 de maio de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 332DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 8 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 10830.003177/2007-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. DEDUÇÃO.
Apresentada a documentação que comprove a despesa médica incorrida,
deve-se restabelecer a despesa glosada pela fiscalização.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.965
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica no montante de R$ 6.721,20.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. DEDUÇÃO. Apresentada a documentação que comprove a despesa médica incorrida, devese restabelecer a despesa glosada pela fiscalização. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica no montante de R$ 6.721,20. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 30/04/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Fl. 46DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Abaixo se transcreve o relatório da decisão recorrida, que espelha o objeto da autuação e as razões da impugnação (fl. 30): Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a notificação de lançamento de infração de fls. 03, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2003, ano calendário de 2.002, por meio do qual foi glosada parte da dedução a título de despesas médicas, reduzindo o valor da restituição de R$ 1.656,28 para R$ 648,10. 2. Conforme consta na notificação, as deduções foram reduzidas de R$ 27.905,91 para R$ 21.184,71, em face da glosa de R$ 6.721,20, referente pagamento a UNIMED CAMPINAS, por não ter sido apresentado comprovante quando solicitado. 3. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 01/02, acompanhada dos documentos de fls. 03 a 05, alegando, em síntese, que o Auditor Fiscal não solicitou referido comprovante e, se, não solicitou era porque já tinha concordado e/ou aceitado; se aceitou o informado na Declaração de IRPF/2002/2003, por que "glozou"(sic)? Por entender que a "apuração" a que chegou o Senhor Auditor Fiscal não tem apoio legal justificável, requer a restauração do valor a restituir para R$ 1.656,28. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 9ª Turma da DRJ/SPOII, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1732.291, de 02 de junho de 2009 (fls. 29 e seguintes). A decisão acima manteve a glosa da despesa médica por ausência de comprovação. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 14/07/2009 (fl. 33). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 05/08/2009 (fl. 34). No voluntário, o recorrente alega o que segue, verbis: (...) 1.3. O Contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação de fls.,alegando, em suma, que o Auditor Fiscal solicitou a apresentação do comprovante relativo às despesas médicas e não às despesas com plano de saúde. Assim, considerou sem apoio legal justificável a glosação do valor relativo às despesas com plano de saúde, na medida em que se considerou aceito quando que não se requereu sua comprovação. 1.4. Contudo, foi proferido acórdão no sentido de considerar o lançamento procedente, uma vez que "cabe ao contribuinte comprovar, nos termos da legislação de regência, as deduções pleiteadas na declaração de ajuste anual". 2. Das Explicações. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.003177/200723 Acórdão n.º 210201.965 S2C1T2 Fl. 2 3 2.1. Em primeiro lugar, é de suma importância ressaltar que a Unimed Campinas Cooperativa de Trabalho Médico é, como próprio nome diz, uma cooperativa. 2.2. A Unimed Campinas envia anualmente a todos os médicos cooperados documento, com o fito de que estes declarem os rendimentos auferidos sem vínculo empregatício no ano e descontem os gastos com plano de saúde. 2.3. Como o Contribuinte é cooperado há 25 (vinte e cinco anos), anexou tal documento em sua Declaração. 2.4. Espantase observar que o Auditor Fiscal aceitou parte desse documento, aquela que tange aos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, recusando, contudo, a parte relativa às deduções com plano de saúde. 2.5. Informa o Contribuinte que não é verdade a afirmação de que não consta na sua Declaração comprovação dos gastos com plano de saúde, na medida em que consta no documento supra os gasto relativos ao PAH (Piano Auxílio Hospitalar), no valor de R$4.560,00 (quatro mil e quinhentos e sessenta reais), ao PL Máster (Complemento Especial do Plano de Saúde Hospitalar), no valor de R$721,20 (setecentos e vinte e um reais e vinte centavos) e ao PE (Plano Enfermeira), no montante de R$ 1.440,00 (mil quatrocentos e quarenta reais), os quais foram diretamente descontados da produção do Contribuinte. Em virtude disso, foi lançado na Declaração do Contribuinte a dedução total de R$ 6.721,20 (seis mil e setecentos e vinte um e vinte centavos) como sendo despesas com plano de saúde. 2.6. O que pode ter ocorrido é um erro à época da Declaração por parte do Contribuinte por não ter deixado claro ao Auditor Fiscal o significado das siglas PAH, PL MASTER e PE que constavam no documento da Unimed anexado à época pelo Contribuinte. 2.7. Dessa forma, em momento algum a intenção do Contribuinte foi sonegar, motivo pelo qual anexa junto a presente Manifestação novo documento da Unimed Campinas, comprovando que este efetuou, no ano de 2002, pagamento mensal, referente ao PAH, PL Máster e PE, totalizando o valor de R$ 6.721,20 (seis mil e setecentos e vinte um e vinte centavos). (...) O recorrente juntou expediente da UnimedCampinas declarando o valor despendido por ele com a cobertura médica, no importe de R$ 6.721,20 (fl. 37). É o relatório. Voto Fl. 48DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 14/07/2009 (fl. 33), terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 05/08/2009 (fl. 34), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 13/08/2009, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Aparentemente, o contribuinte não compreendeu que tinha sido intimado pela autoridade fiscalizadora a comprovar todas as despesas médicas, inclusive com plano de saúde, situação somente apreendida a partir da decisão de primeira instância. Nessa linha, deve ser acatada a inovação probatória vinda com o recurso voluntário, pois necessária a esclarecimento de ponto debatido na decisão recorrida e, com a documentação emitida pela UnimedCampinas e acostada aos autos (fl. 37), restou demonstrada a idoneidade da despesa médica glosada de R$ 6.721,20, outrora declarada na declaração de ajuste anual do exercício fiscalizado (fl. 15), que deve ser restabelecida. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica no montante de R$ 6.721,20. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 49DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 37324.006605/2005-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
Ementa: MÃODEOBRA
EMPREGADA EM CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FÍSICA – REGULARIZAÇÃO O contribuinte é obrigado a recolher a contribuição previdenciária devida incidente sobre a mãodeobra
empregada em obra de construção civil de sua responsabilidade.
DECADÊNCIA PARCIAL – INOCORRÊNCIA
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Os documentos previstos na legislação previdenciária vigente à época do lançamento, apresentados pela recorrente, não comprovam a conclusão da obra em período abrangido pela decadência.
Numero da decisão: 2301-002.622
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 Ementa: MÃODEOBRA EMPREGADA EM CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FÍSICA – REGULARIZAÇÃO O contribuinte é obrigado a recolher a contribuição previdenciária devida incidente sobre a mãodeobra empregada em obra de construção civil de sua responsabilidade. DECADÊNCIA PARCIAL – INOCORRÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Os documentos previstos na legislação previdenciária vigente à época do lançamento, apresentados pela recorrente, não comprovam a conclusão da obra em período abrangido pela decadência.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37324.006605/200584 Recurso nº 247.797 Voluntário Acórdão nº 2301002.622 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2012 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente SOCIEDADE CAMPINEIRA DE EDUCAÇÃO E INSTRUÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 Ementa: MÃODEOBRA EMPREGADA EM CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FÍSICA – REGULARIZAÇÃO O contribuinte é obrigado a recolher a contribuição previdenciária devida incidente sobre a mãodeobra empregada em obra de construção civil de sua responsabilidade. DECADÊNCIA PARCIAL– INOCORRÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Os documentos previstos na legislação previdenciária vigente à época do lançamento, apresentados pela recorrente, não comprovam a conclusão da obra em período abrangido pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Bernadete de Oliveira Barros Relator. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37324.006605/200584 Acórdão n.º 2301002.622 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de processo que retorna de diligência determinada pela 1a Turma, da 3a Câmara, da Segunda Seção de Julgamento do CARF. O crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada refere se às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados empregados. Conforme Relatório Fiscal (fls. 38 e seguintes), que são fatos geradores das contribuições lançadas, a remuneração de mão de obra utilizada em obras de construção civil, apurada com base na área construída, padrão da obra, e tomando como base as tabelas CUB. A autoridade lançadora informa que a entidade, apesar de intimada por intermédio de TIAD, deixou de apresentar os documentos suficientes para a comprovação da realização das obras em período decadencial, conforme exigência do art. 496 da IN 100/2003, e que o débito, foi obtido mediante aferição pelo Custo Unitário Básico da Construção Civil (CUB), composto pela mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, conforme § 4°, art. 33, da Lei n° 8.212/91. A auditoria constatou que a contabilidade da entidade não registra mensalmente, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições sociais, de forma a identificar as rubricas integrantes e as nãointegrantes da remuneração, bem como as contribuições arrecadadas dos segurados, as da empresa as quantias retidas de empreiteira ou de subempreiteira e os totais recolhidos, referentes às obras objeto desta NFLD, conforme disposto no inciso II e no § 13 do art 225 do RPS. A empresa notificada impugnou o débito e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DecisãoNotificação nº 21.424.4/0744/2005 (fls. 671, volume III), julgou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 686), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega que houve cerceamento de defesa, pois não foram aceitas e apreciadas as provas ofertadas, e contradição no r. decisório, consubstanciado em reconhecer haver sido provado fato essencial, cujo efeito acarretaria a extinção do processo e conseqüente cancelamento do lançamento fiscal, porém não validar as provas pela simplista conclusão de não se tratar das elencadas em dispositivo de Instrução Normativa do INSS. Reitera a impossibilidade de cumulação de lançamentos, de acordo com artigo 9o, do Decreto n° 70.235/72, entendendo que a clareza do citado artigo não permite a interpretação extensiva, como o fez o Julgador, que entendeu que lançamentos distintos somente seriam para fatos geradores diversos. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Argumenta que o texto apresenta determinação expressa para que os autos de infração ou notificação de lançamentos sejam distintos, o que não ocorreu na Notificação, merecendo ser anulada. Reafirma que os lançamentos de débitos não podem subsistir, dado que o término das construções dos prédios ocorreu muito além do decênio legal, de forma a não autorizar a Notificação, nos termos do art. 45 da Lei 8212/91, o que pode ser comprovado pelos documentos exibidos à Fiscalização. Sustenta que, pela natureza da Instituição notificada, é indevida qualquer cobrança de possíveis contribuições previdenciárias, por força da garantia da imunidade expressamente consignada na Constituição Federal, ressaltando o direito que possui à imunidade. Insurgese contra o indeferimento do pedido de produção de prova pericial, alegando cerceamento de defesa e ratifica que a quota de contribuição social relativa ao segurado empregado que atuou na construção do prédio foi integralmente recolhida, e desde àquela oportunidade encontrase à disposição da Fiscalização. Por meio da Resolução nº 2301000.099, esta 1a Turma, da 3a Câmara, da 2a Seção do CARF, considerando a súmula vinculante nº 08, decidiu, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização solicitasse os documentos previstos nos normativos que tratam da matéria a fim de averiguar se as obras foram concluídas no período decadencial nos termos do art. 150, § 4o, do CTN Em cumprimento à determinação deste Carf, a autoridade fiscal diligenciou a empresa, solicitando os documentos por meio de TIAD, e informou que foram apresentados apenas a documentação juntadas às fls. 720 a 1035. É o relatório. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37324.006605/200584 Acórdão n.º 2301002.622 S2C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Tratase de processo que retorna de diligência determinada por esta 1a Turma, da 3a Câmara, da 2a Seção do CARF, conforme Resolução nº 2301000.099. Em cumprimento ao solicitado por esta Turma de julgamento, a fiscalização emitiu o competente TIAD, solicitando os documentos previstos na legislação para comprovar a conclusão das obras em período decadencial de que trata o art. 150, § 4o, do CTN. Contudo, verifica que, apesar da solicitação feita pelo agente fiscal, a empresa apresentou apenas a documentação de fls. 720 a 1.035, quais sejam, Procuração, Atas de nomeação da diretoria, Estatuto social, TIPF e Acórdãos da 2a CaJ do CRPS em relação aos Al's por descumprimento de obrigação acessória. Portanto, o notificado não comprovou o término da obra em período decadencial, já que não apresentou qualquer documento previsto na legislação previdenciária como necessário a esse fim, ou seja, aqueles listados no art. 496 da IN 100/2003, vigente à época do lançamento. Nesse sentido, voto por negar provimento ao recurso interposto pela empresa. É como voto Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 321DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000870/2005-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercícios: 2003, 2004
MULTA DE MORA E JUROS DE MORA RELATIVOS A IRRE NÃO RETIDO E NÃO RECOLHIDO POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL Cabe a cobrança, contra a pessoa jurídica beneficiária do rendimento, da multa de mora e juros de mora relativos ao imposto de renda incidente na fonte, como antecipação em relação ao período de apuração da pessoa
,jurídica, não retido e não recolhido pelos responsáveis tributários por força de liminar em mandado de segurança ou em ação cautelar, de tutela antecipada em ação de outra natureza, ou de decisão de mérito, posteriormente revogadas
Numero da decisão: 1103-000.155
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 3ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero.
Nome do relator: DECIO LIMA JARDIM
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Vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Fi ic Moraes de Castro e Silva e Hugo Corteia Sotero AL,aSIO S A SILVA - Presidente ÏTErTIO LIMA JARDIM YRelatoi . Editado 10 11 0 V 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio Jose Percinio da Silva (Presidente da Turma), Decio Lima Jardim, Marcos Shigueo Takata (Vice-Presidente), Eric Moraes de Castro e Silva e Gervasio Nicolau Recktenvakl. Ausente, justiticadamente, o Conselheiro Hugo Correia Sotero Relatório Trata-se de Auto de Infração, com ciência em 14 06,2005, relativo aos anos- calendário de 2002 e 2003, pata cobrança de multa de mora e juros de mora exigidos isoladamente da empresa beneticiiiria dos rendimentos, em virtude da não retenção do IR.RE pela instituição financeira pagador a em data própria, em face de decisão judicial., A recorrente impetrou dois mandados de segurança, ambos visando afastar a incidência do IRRE solme operações de swap, com finalidade de cobertura (hedge) pactuados com instituições financeiras Obteve resultado positivo nesses contratos mas, em firm* de liminares concedidas, os bancos envolvidos não fizeram a retenção do imposto na fonte quando da liquidação das operações, Posteriormente, as liminares foram cassadas e as seguranças denegadas. Ern face disso, a recorrente foi intimada a comprovar o recolhimento do tributo.. Ern atendimento a intimação, foi apresentada copia da - correspondencia emitida pelos bancos, comprovando a não retenção, por força de medida judicial Segundo o Termo de Verificação Fiscal, os rendimentos de swap foram oferecidos à tributação tempestivamente, nos encerramentos dos períodos-bases de 2002 e 2003, tendo sido feito lançamento de oficio, para exigência da multa de moia e clos ¡tiros moratórios, relativos ao lapso dc tempo entre as datas da liquidação das operações e as datas de encerramento dos exercícios. A exigência baseou-se no Parecer Normativo n° 1, de 24,09.2002,. segundo o qual, existindo provimento ,judicial que impeça a fonte pagadora de reter o imposto na fonte, de forma exclusiva ou corno antecipação, será efetuado lançamento de oficio contra o beneficiário do rendimento, pai a exigência da multa de mora e dos juros de mora, quando a obrigação de tributar o rendimento já estiver caracterizada. Inconfermada, a interessada apresentou impugnação, alegando que: a) A impugnante deixou de artier retenção porque obteve judicialmente decisão que afastava essa retenção no momento de liquidação da operação; b) As decisões só deixaram de viger após o ajuste anual em que houve o pagamento do imposto de renda do período base; c) Não pode ser apenada a empresa porque o tributo deixou de ser retido e recolhido por força de medida judicial; cl) Não é cabível no caso, como consta nos autos, aplicação do disposto no inciso 11 do § 1° do art 55 da Medida Provisória n°2 158-35/2001, donde se extrai que só é cabível a exigência de multa e juros de mora quando o tributo 2 Pi ocesso o" 1 8471 00087012005-11 Si -Cl T3 Aciod5o o " 1103-00_155 Fl 2 volta a ser exigível após a cassação da medida judicial e o contribuinte deixou de recolhê-lo; e) Quando o tributo, em tese, voltou a ser exigível, com a revogação das liminares, a receita dos swaps já havia sido oferecida A tributação no período-base respectivo; 1) Não tern cabimento a autuação, porque o tributo não voltou a set exigível corn a revogação das liminares, pois a receita dos contratos ,já for a oferecida tributação, nem a empresa praticou ato ilícito, já que a não-retenção ocorreu ao abrigo de decisão judicial; g) A multa de mora e os juros de mora tem natureza sancionadora e se vinculam a ilicitude, o que não é o caso dos autos; h) A retenção do IR não tem natureza de tributação definitiva; o imposto so se torna devido ao final do período-base; após o encerramento do período, estando o imposto reconhecidamente recolhido, não se pode mais exigir o imposto não antecipado e muito menos cobrar multa e juros ern razão da não antecipação; i) Como a autuação se deu em exercicio posterior ao da prática do fato gerador, a obrigação de antecipação deixou de existir; i ) As receitas foram lançadas no cálculo das estimativas no mesmo mês em que houve a liquidação dos contratos, não havendo que se falar em atraso no pagamento do imposto. Entretanto, a fiscalização, equivocadamente, entendeu que as receitas só foram submetidas A tributação ao final do ano- calendário. A DRJ, examinando as razões apresentadas na impugnação, considerou procedente o lançamento, pi olatando acórdão corn a seguinte ementa: Assunto Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte 1RRF Exercícios de 2003 e 2004 MULTA DE MORA ISOLADA Cabe a cobrança de multa de moia que ficou inter; ompida, devido interposição de ação judicial favorecida coin medida liminar, após ultrapassado o trigésimo dia da publicação de medida judicial que consider ou devido o II/RE .JUROS DE MORA PROCEDINCIA Os MI 05 moratórias não constituem penalidade e são scruple devidos quanto o tributo não tiver sido integralmente pago no vencimento, ainda que sua exigibilidade esteja suspensa por judicial. Lançamento Procedente 3 O ae6rdrio recoil ido aduziu que, não tendo a interessada realizado o depósito judicial previsto no art. 151, 11, do CI N, que tem por finalidade suspender a exigibilidade do crédito tributário, ela incorreu em mora desde a data do fato gerador dos rendimentos financeiros em questão Acrescentou que a Fazenda Pública ficou impedida de dispor dos recursos tinanceiros do imposto retido na fonte, o que .justifica a imposição da cobrança da multa de mora cimos de mora, citando o Parecer Normativo Cosit n° I, de 24L122002, como base de sua ilação, o qual tern a seguinte dicção: 14. Pot °taro lado, se somente após a data previsto pora a era; ego da declaragdo (le artiste anual, no caso de pessoa física, ou, cipós a data previsto polo o encerramento do periodo de opal ação em que o rendimento far tributado, seja Nimes!, al, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa juridica, fbr constatado que não houve retenção do imposto, o deStinatório da exigência passa a se, o connibuinte Com efiato, se a lei exige que o conbibuinte submeto os rendimento.s li ii ibutação, ignite 0 imposto efetivo, consider .ando todos os tendimentos, a par tir das datas rqferidas não se pode mais exigi! da One pagadora o imposto ) 19 .3 Em qualquer hipótese, os juros de mom sei fio devidos .sem qualquer interrupção desde o més seguinte ao vencimento estabelecido na legislação do imposto 20 Em relação as ações ajuizadas o porn, de I" de maio de 2001, independentemente de se natal.. de imposto de rendo incideme exchrsivamente na finte ou sujeito r'r antecipação, termo inicial dos ,jutos de mot a é contado a pai ti, da data do vencimento iginatio da obrigação, par .fill ça do que estabeleceu o ai t 55, .§. 1", I, da Medida .Provisória n" 2 158- 35, de 24 de agosto c/c 2001 21 Existindo provimento judicial que impeça a Ionic pagadora de Teter o imposto de renda incidente na finite, de firma mItisiva ou pai antecipação, sere', *tirade lançamento de oficio cor nome cio contribuinte beneficial lo do lendimento, quando a oln igação de Whom endimento já estiver caracterizado O ac6idão recorrido aduziu também que o art. 161 do CrTN estabelece a regra geral de incidência dos juros de mora e segundo ele, os juros são devidos em qualquer caso, ainda que haja suspensão da exigibilidade, transcrevendo trecho do Acórdão I' CC 103-19963, de 14 04.1999, no seguinte tem . : "JUROS DE MORA - TRIBUTOS' COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA 0.s juros de mora independem de firrinolização an ctvés de lançamento e se; ão devidos sempie que o pi incipal estiver sendo recolhido a destempo, salvo a hipótese de depósito do montante integral (Publicado no D 0 U de 28/05/1999 - n" 101 -E)." Isso posto, o acórdão recorrido negou provimento ao recurso. 4 Plocesso n" 18471 000570/2005-11 S1-C1 1 3 Acótao n " 1103-00.155 Fl 3 Cientificado do acórdão da DR.1 em 25 de outubro de 2008, conforme AR juntado em fls., 361, o contribuinte apresentou, em 26 de dezembro de 2008, o Recurso Voluntário, de fls. 362/371, acompanhado dos documentos de fis. 372/399.. Em seu recurso voluntário, a interessada reiterou que o tributo deixou de ser retido quando estava corn sua exigibilidade suspensa e, quando voltou a sei exigível , já estava qui tado Aduziu que o fato gerador do IR é complexiy°, agregando todas as receitas e despesas, para se apurar, ao final, um resultado, que pode ser, inclusive, negativo Assim, a antecipação não tem o caráter definitivo, devendo prevalecer o resultado final apurado.. Se os cieditos foram lançados no mesmo mês de sua liquidação, não houve atraso que justificasse a imposição da exigência. Repetindo os argumentos apresentados na fase impugnatória, pediu a reforma do acórdão hostilizado . o relatório. Voto Conselheiro Decio Lima Jardim, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento_ A exigência encontra-se fundamentada no fato de que a interessada realizou operações de swap para fazer cobertura de hedge e impetrou mandado de segurança, com pedido de liminar, para que, na eventual ocorrência de ganhos financeiros por ocasião da liquidação dos contratos, não viesse a sofrer a tributação do imposto de renda na fonte IRRF, com aliquota de 20%, a titulo de antecipação cio devido na declaração, nos termos do art. 5° da Lei 9_779/1999. Liquidados os contratos, apurou-se ganho, ficando as fontes pagador as impedidas de realizar a retenção ,. por força de estar em vigor medida liminar, depois cassada, assim como também foi negada a segurança. Ao caso em exame é aplicável o art. 55 da Medida Provisória n" 2 158-35, de 24 de agosto de 2001 que dispõe: Medida Provisória n" 2 158-35, de 24 de agosto de 2001 Art. 55. 0 imposto de ienda incidente na !brae como antecipação do devido na Declaração de Ajuste Antral da pessoa lid/ca ou em relação ao per iodo de apuração da pessoa jurídica, não retido e não recolhido pelos responsáveis ti ibutái iOS pom fbiça de liminar - em mandado de segurança ou em ação cautelar, de Intel(' antecipada em ação de outra natureza, ou de decisão de mérito, portei lo, inente ievogadas, snjeital-se-ti ao disposto neste cii ligo 5 I" Na hipótese deste artigo, a pessoa física ou fui idica beneficiebto do i endimento ficaro sujeita ao pagamento - de juros de inala, Mew) idas desde a data do vencimento da igação, 11 - de de mow ou de oficio, a pal iii do trigésimo dia .s-ubseqiiente ao da revogação da medida judicial 2" Os act éscimos I elei idos no 1" incidi; fio soln e imposto não retido nas condições del idas no capiti .3" O disposto neste artigo. 1 - não milli a incidência do impo.sto de ienda soln e os lespectivos I endimento.s, na Ibrina estabelecido pela legislação do referido imposto, Ii - aplica-se em relação fis ações impel; adas a pal ti, de I" de Indio de 2001 De fato, como ressaltou o acórdão recorrido, a Fazenda Pública .ficou impedida de dispor dos recuisos financeiros do imposto retido na fonte, relativos ao lapso de tempo untie a data de liquidação das operações e a data de encerramento dos exercícios, o que justifica a imposição da cobrança da multa de mora e .juros de mor a Lado outro, a concessão de medida liminar nAo afasta a incidênci a. dos juros fato que, ao apresentar a ação judicial e requerer a concessão de liminar, o contribuinte assume um risco: o de, ao final da ação, ficar decidido que o tributo é devido, ou que, como no caso em exame, é devida a retenção do imposto na fonte Sendo devida a retenção, o sujeito passivo da obrigação não pode pretender que a Fazenda deixe de receber a multa e os juros moiatórios calculados sobre o tributo que deixou de set retido. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oticio, Sala das Sessões, em 10 de março de 2010 ecio Lima Eardinu RIiJ4ítoi.. 6
score : 1.0
Numero do processo: 10830.009086/00-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES - SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES — EXCLUSÃO - ENSINO MÉDIO — ANO-CALENDÁRIO 2001 - A Lei n.° 10.034/2000 apenas excluiu da restrição de que trata o inciso XIII, do art. 9 0, da Lei n.° 9.317/96, as pessoas jurídicas que se dediquem as atividades de creche, préescola e estabelecimento de ensino fundamental, não incluindo o ensino médio. Apenas a partir da edição da Lei Complementar n° 128/2008 os estabelecimentos de ensino médio podem optar pela tributação na forma do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1101-000.731
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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Recorrida Fazenda Nacional SIMPLES - SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES — EXCLUSÃO - ENSINO MÉDIO — ANO- CALENDÁRIO 2001 - A Lei n.° 10.034/2000 apenas excluiu da restrição de que trata o inciso XIII, do art. 9 0, da Lei n.° 9.317/96, as pessoas jurídicas que se dediquem as atividades de creche, préescola e estabelecimento de ensino fundamental, não incluindo o ensino médio. Apenas a partir da edição da Lei Complementar n° 128/2008 os estabelecimentos de ensino médio podem optar pela tributação na forma do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Benedicto Celso Benicio Júnior, José Ricardo da Silva (Vice-Presidente) e Nara Cristina Takeda Taga. • Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto pela Ementa - Educacional S/C Ltda. - ME, (fls. 109/119, v. 1), contra decisão da la Turma da DRECPS, consubstanciada no Acórdão n° 05-23.845, de 21 de outubro de 2008 (fl. 99/103, v. 1), que indeferiu sua solicitação de permanência no Simples Federal. Conforme se constata dos autos, por intermédio de Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão A opção pelo Simples — SRF(fis. 03/04, v. 1), verificou-se que, nos termos do art. 90, XIII, da Lei 9.317/96 e do Ato Declaratório Normativo Cosit 29, a pessoa jurídica que presta serviços profissionais de professores ou assemelhados não podem optar pelo Simples. Assim, por constar no contrato social da Recorrente como sua atividade "Colégio de 10 e 2° grau (ensino médio)", atividade esta fora da abrangência da Lei 10.034/2000, presente estaria o motivo ensejador de sua exclusão. Cientificada de sua exclusão do SIMPLES, a Recorrente apresentou Impugnação, argumentando que: a) a matéria trazida a baila é de ordem constitucional e legal, não podendo ser apreciada e decidida com base em dispositivos normativos infraconstitucionais e infralegais; b) a constituição garante ao cidadão o direito de livre exercício de profissão, bem como a constituição de empresas, seja ela de qualquer porte; c) o art. 179 da CF garante As microempresas e de pequeno porte tratamento diferenciado; d) argüiu a inconstitucionalidade o art. 90, da Lei 9.317/96 por considerar que estabeleceu critério diverso do contido na Carta Magna, bem como por ferir o principio básico da isonomia (igualdade) tributária; e) a Entidade Mantenedora Educacional não é uma sociedade de profissionais para o exercício da profissão de professor; e sim uma sociedade entre empresários, sem exigência de qualificação profissional, sendo livre para contratar profissionais devidamente qualificados e habilitados para o exercício de suas profissões; f) superado este argumento, informa que a Recorrente não estaria inclusa no rol das vedações contidas na lei, já que não desempenha atividade de "professor ou assemelhado", tampouco de qualquer outra profissão cujo exercício dependa da habilitação profissional legalmente exigida; g) para que pudesse ser considerada assemelhada A profissão de professor, necessário se faria considera-la assemelhada A. tantas outras atividade, como, por exemplo, A atividade de limpeza, segurança, dentre outras, já . que suas atividades não se resumem a do professor; Processo n° 10830.009086/00-54 Sl-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.731 Fl. 2 A 1a Turma da DRJ/CPS, ao apreciar o mérito, julgou improcedente sua impugnação, conforme se extrai da ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Ano-calendário: 2001 LEGALIDADE. Cumpre el Administração aplicar a Lei de oficio, sem desbordar para criticas sobre sua constitucionalidade. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A eficácia de decisões administrativas alcança apenas aquele que originalmente figuraram na contenda. CIRCUNSTANCIAS NIPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES FEDERAL. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnico-cientifico próprio de professor é circunstancia que impede o ingresso ou a permanência no Simples Federal. Solicitação Indeferida Cientificada da decisão de primeira instância (fls. 106, v. 1), e com ela não se conformando, apresentou Recurso Voluntário a este Egrégio Conselho (fls. 109/119), com os seguintes fundamentos: h) de acordo com o art. 179 da CF, a. Lei Infraconstitucional caberia apenas a função de definir quantitativamente o que sejam microempresas e empresas de pequeno porte; i) contudo, como a Lei ern comento vedou a opção, entre outros, do professor e seus assemelhados, determinando referências qualitativas, ela discriminou certos seguimentos empresariais seguindo caminho diverso do permitido pela CF; j) não é porque se trata de um estabelecimento de ensino, que a recorrente não necessita da proteção dispensada as microempresas ou as empresas de pequeno porte; k) sendo o tratamento diferenciado um direito constitucional, havendo norma definidora para o exercício do mesmo e estando a escola enquadrada como tal, é imediato o seu direito de optar, pois a constituição determina um critério quantitativo, e não qualificativo; 3 1) pensar diferente é criar discriminação tributária em virtude da atividade exercida pela empresa, o que fere frontalmente o principio da igualdade; m) o inciso XIII, do art, 9°, da Lei 9.317/96, criou inegável tratamento diferenciado aos contribuintes ao vedar a opção pelo Simples as entidades educacionais, mesmo sendo elas microempresas ou empresas de pequeno porte, afrontando o inciso II, do art. 150 da CF; n) em momento algum o constituinte delegou ao legislador "comum" o poder de fixação ou até mesmo de definição de atividades "excluídas" do beneficio; o) a atividade do professor, pessoa fisica, começa e determina na educação ministrada, enquanto a escola, além de contratar o professor para este mister, presta o serviço de matricula, que constitui um ato solene de reflexo legal, e que se projeta por toda a vida do aluno; p) a matricula impõe a escola o estabelecimento de um departamento denominado Secretaria Educacional, que só pode ser exercida por pessoas que tenham cursos de Administração Escolar, uma vez que cabe a este registrar os fatos novos e examinar os anteriores; q) a habilitação legal exigida dos Secretários Escolares é totalmente distinta a exigida dos professores; r) a biblioteca, condição sine qua non, é necessária para autorizar o funcionamento de um curso, não se assemelhando a atividade de professor; s) por conta disto, independente de examinar a validade do art. 9°, da lei supra mencionada, como visto, não estão as escolas incluídas nas condições estabelecidas para considera-la como assemelhada a atividade de professor, sendo inaceitável exclui-la do direito de optar pelo Simples, pois o citado artigo não veda esta inscrição, uma vez que sua atividade não se assemelha a do professor; t) cita o Acórdão 104-9.223, da 4a Camara do extinto Conselho de Contribuinte, onde se consignou que Sociedade organizada para gerir estabelecimento de ensino, com professores e auxiliares regularmente contratados, se preenchidos os requisitos do Estatuto da Microempresa — Lei 7.256/94, não pode ser desenquadrado deste regime, sob o argumento de que a atividade se assemelha aquelas relacionadas no inciso VI, art. 3°, da referida Lei; u) o dispositivo legal em comento veda é a possibilidade de que profissionais, que no exercício da profissão, criem uma pessoa jurídica para exercer suas profissões e venham a se beneficiar do denominado Simples; v) a Entidade Mantenedora Educacional não é uma sociedade de profissionais para o exercício da profissão de professor, e sim uma sociedade entre empresários, sem exigência de qualificação profissional, e livre para contratar profissionais devidamente qualificados e habilitados para o exercício de suas profissões; 4 Processo n° 10830.009086/00-54 S1-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.731 Fl. 3 w) cita decisões proferidas no MAS 79350, pelo Tribunal Regional Federal da 55 Região, no processo 2005.61.09006336-2, pela 2a Vara Federal de Piracicaba, e no Processo 2002.02.01.029299-1, pelo Tribunal Regional Federal da 2a Região; x) como a constituição de um estabelecimento de ensino não encontra qualquer imposição legal, podendo ser realizada por meio de qualquer das formas de sociedade existentes, pode-se dizer que poderá ter a mesma composição societária que de um "bar da esquina que vende bebidas alcoólicas", ou de uma "loja que vende armas"; y) a própria Secretaria da Receita Federal, através de Instrução Normativa 26, de 22 de maio de 1995, adotou o Código Nacional de Atividades Econômicas — CNAE, qualifica os estabelecimentos de ensino na Area de Educação, mas em momento algum se refere aos "serviços de professor"; z) que deve ser observada a Lei 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional; aa) desde a implantação do sistema Simples, por força de dispositivo Constitucional, a Receita Federal tem flutuado na interpretação dos dispositivos legais que informam a matéria, principalmente quando envolve as disposições contidas no art. 9°, em especial as referentes aos incisos IV e seguintes; bb) diante de tamanha controvérsia foi editada a Lei 10.034/00, visando excluir da vedação contida no inciso XIII, do art. 9°, da Lei 9.317/96, as pessoas jurídicas que se dediquem As atividades de creche, pré-escola e de ensino fundamental; cc) a nova lei veio afirmar que a vedação contida no inciso XIII do art. 9°, da Lei 9.317/96 não é aplicável As pessoas jurídicas que exercem atividades de creches, pré-escola e ensino fundamental, portanto, estabelecimentos educacionais; dd) a Lei 10.034/00 não revogou qualquer dispositivo da Lei 9.317/96, mantendo-se a redação original da vedação contida no inciso XII, do seu art. 9°, ou seja, aquela destinada As pessoas jurídicas que exercem, dentre outras atividades vedadas, a de professor; ee) se as pessoas jurídicas que exercem atividades de creche, pré-escola e ensino fundamental não estão inseridas na atividade de professor, o mesmo pode ser afirmado em relação As pessoas jurídicas que exercem o ensino médio, superior, educação A distância, dentre outras formas de desenvolvimento da atividade educacional; fOcomo não hi. na Lei 10.034/00 qualquer revogação A. vedação contida no inciso XIII, do art. 9°, da Lei 9.317/96, conclui-se que tal vedação . jamais foi dirigidas aos estabelecimentos educacionais; gg) onde o legislador não distinguiu expressamente, não cabe ao intérprete faze-lo, pois não se deve interpretar regras restritivas de maneira intensiva ou ampliativa; hh) o estabelecimento de ensino que atenda as disposições da Lei 9.317/96 poderá optar pelo SIMPLES, por ausência de vedação especifica; ii) a Segunda Turma do TRF da 2' regido decidiu nesse sentido, conforme se pode verificar dos autos do Agravo de Instrumento 2000.02.01061377-4, 99.02.05217-7 e 99.02.05213-4; jj) ao final, pede o provimento de seu recurso. E o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo da Silva 0 recurso voluntário é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como visto do relato, trata-se de exclusão do Simples em decorrência do exercício de atividade econômica não permitida do âmbito da legislação federal, conforme disposto no art. 9°, MIL da Lei 9.317/1996 e do Ato Declaratório Normativo Cosit 29. 0 artigo 9° da Lei n°9.317/96, reza: "Art. 9°. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII — que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida." Posteriormente foi editada a Lei n° 10.034/2000, a qual possibilitou a algumas empresas anteriormente impedidas, a optarem pela tributação simplificada conforme disposto em seu artigo primeiro, abaixo transcrito: 6 Processo n° 10830.009086/00-54 Sl-C1 T1 Acórdão n.° 1101-00.731 Fl. 4 Art. 1° Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9° da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às seguintes atividades: (Redação dada pela Lei n°10.684, de 30.5.2003) I — creches e pré-escolas; (Incluído pela Lei n° 10.684, de 30. 5. 2003) — estabelecimentos de ensino fundamental; (Incluído pela Lei n°10.684, de 30.5.2003) III— centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga; (Incluido pela Lei n°10.684, de 30.5.2003) IV — agências lotéricas; (Incluido pela Lei n° 10.684, de 30.5.2003) V — agências terceirizadas de correios; (Incluido pela Lei n° 10.684, de 30.5.2003) O novo diploma legal autorizou o ingresso no Simples das atividades relacionadas a creches, pré-escolas e estabelecimentos de ensino fundamental, firmando, por conseguinte, o entendimento no sentido de que a regra estabelecida anteriormente pelo artigo 9°, XIII, da Lei n° 9.317/96, vedava a opção ao sistema para as empresas que exerciam as atividades de ensino, já que aquele diploma legal estabeleceu exceções especificas, tendo, posteriormente, sido autorizado, tab somente àquelas acima relacionadas. Do confronto entre o inciso XIII, do art. 9°, da Lei n° 9.317/96, com o inciso XI, do art. 17 da Lei Complementar n° 123/2006, constata-se que ao invés de nomear as profissões vedadas, no texto da lei complementar foi utilizada a expressão "serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual". Ou seja, o inciso XI, do art. 17 é muito mais abrangente, podendo ser incluídas todas as profissões em que ficasse configurado o "exercício de atividade intelectual". Cabe citar, nesse mesmo sentido a seguinte decisão judicial: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRATO SOCIAL QUE INDICA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE ENSINO NO NÍVEL MÉDIO. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO PELO SIMPLES. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS DAS LEIS N 9.317/96 E N 10.034/00. VIOLAÇÃO DO ART 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. AFERIÇÃO DA CORRETA ANÁLISE DAS PROVAS PRODUZIDAS NA ORIGEM IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N 5 E 7 DO ST1. I. E cediço nesta Corte que os estabelecimentos de ensino médio não podem se beneficiar da opção pelo SIMPLES em face da vedação contida no art. 9°, XIII, da Lei n. 9.317/96, uma vez que o art. 1° da Lei n. 10.034/2000 excluiu expressamente da restrição ao beneficio 7 fiscal apenas os estabelecimentos de ensino que se dediquem cis atividades de creche, pré escolas e ensino fundamental. Precedentes: REsp 612.127/RJ, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, DJ 07/02/2007; REsp 883. 625/RI, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 22/03/2007. (STJ, 2 Turma,AGA 200901355300, DJE: 28/09/2010). Com a edição da Lei Complementar n° 128/2008, as instituições de ensino médio passaram a ter autorização legal para optar pelo sistema simplificado de tributação conforme o artigo 3°, abaixo transcrito: Art. 3° A partir de lo de janeiro de 2009, a Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006, passa a vigorar com as seguintes modificações: § P-B. Sem prejuízo do disposto no § lo do art. 17 desta Lei Complementar, serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar as seguintes atividades de prestação de serviços: — creche, pré-escola e estabelecimento de ensino fundamental, escolas técnicas, profissionais e de ensino médio, de línguas estrangeiras, de artes, cursos técnicos de pilotagem, preparatórios para concursos, gerenciais e escolas livres, exceto as previstas nos incisos Ii e III do § 50-D deste artigo; Por outro lado, as informações, alegações e documentos carreados aos autos não deixam dúvidas de que o estabelecimento presta serviços educacionais de ensino médio, atividade não excepcionada da restrição imposta pelo artigo 9° da Lei 9.317/96. Nessas condições, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. José Ri „.■ _Arosr" elator IOW 8
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000518/2007-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ECONOMIA
PROCESSUAL, CELERIDADE, MOTIVAÇÃO, MORALIDADE Fiscalização
previamente realizada por unidade da Receita Federal
tecnicamente capaz de fiscalizar o contribuinte não pode ser sumariamente
ignorada pela autoridade competente para proferir despacho decisório,
especialmente se não houver qualquer fundamento ou motivação para tanto.
PRINCÍPIOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL EFICIÊNCIA
E VERDADE MATERIAL Documentos
não apresentados
pelo contribuinte, mas de posse da Receita Federal, devem ser analisados pela
Delegacia competente, em privilégio do princípio da verdade material.
Imperiosa a anulação de decisão que deixa de analisar a existência do crédito
pleiteado, sob a alegação de inexistência de documentos, quando os mesmos
estão de posse da Receita Federal, pois apresentados em fiscalização prévia
acerca do mesmo crédito, e de mesmo período.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.420
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ECONOMIA PROCESSUAL, CELERIDADE, MOTIVAÇÃO, MORALIDADE Fiscalização previamente realizada por unidade da Receita Federal tecnicamente capaz de fiscalizar o contribuinte não pode ser sumariamente ignorada pela autoridade competente para proferir despacho decisório, especialmente se não houver qualquer fundamento ou motivação para tanto. PRINCÍPIOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL EFICIÊNCIA E VERDADE MATERIAL Documentos não apresentados pelo contribuinte, mas de posse da Receita Federal, devem ser analisados pela Delegacia competente, em privilégio do princípio da verdade material. Imperiosa a anulação de decisão que deixa de analisar a existência do crédito pleiteado, sob a alegação de inexistência de documentos, quando os mesmos estão de posse da Receita Federal, pois apresentados em fiscalização prévia acerca do mesmo crédito, e de mesmo período. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 438DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000518/200727 Acórdão n.º 330201.420 S3C3T2 Fl. 439 2 Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de IPI (fls.01), relativo a créditos apurados no 1º Trimestre de 1999, protocolado pela ora Recorrente em (07/05/02), bem como Pedido de Compensação (16349.000525/200729). O pedido de ressarcimento foi protocolado em nome do estabelecimento matriz da Recorrente, no valor total de R$ 388.780,71, consolidando créditos apurados por diversos estabelecimentos da pessoa jurídica. O Termo de Início de Fiscalização (fls. 33) atesta a abertura de procedimento fiscalizatório, em 14/04/04, para verificação da existência de crédito de IPI, a ser ressarcido, relativo aos trimestres dos anos de 1999 a 2001. Embora o documento esteja anexado (por cópia nestes autos) tem origem no processo administrativo de nº 13804.002870/200280. De acordo com a documentação de referido processo, ora acostada, na ocasião da abertura da fiscalização foi requerida a apresentação de diversos documentos, em especial, Livro de Registro de Apuração de IPI, Livros de Registro de Entrada e Saídas dos estabelecimentos, Relação das classificações fiscais dos produtos produzidos e Notas Fiscais de compra de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que geraram os créditos pleiteados. Após a apresentação do referido Relatório Fiscal, encontramse apensados nestes autos alguns documentos relacionados ao processo de fiscalização que foi realizado pela autoridade fiscal nos anos de 2004 a 2005. Dentre tais documentos consta um Termo de Informação Fiscal (fls. 37/39), expedido em 28/02/05, relativo à fiscalização realizada e elaborado pela autoridade fiscal, constatando a existência e regularidade dos créditos pleiteados pela Recorrente em no Pedido de Ressarcimento de IPI originário (fls. 01). Cumpre salientar que através do Termo a autoridade fiscal afirma ter verificado os documentos cuja apresentação foi requisitada na abertura da fiscalização, e constatado a existência do crédito pleiteado, exceto pela glosa de um valor correspondente a R$ 9.667,40. A Fl. 439DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000518/200727 Acórdão n.º 330201.420 S3C3T2 Fl. 440 3 autoridade fiscal opinou, portanto, pelo reconhecimento parcial do crédito objeto do pedido de ressarcimento (no montante de R$ 379.113,31). Reconheceu, ainda, que foi juntado aos autos o Pedido de Compensação nº 11831.004754/200323, no valor de R$ 17.014,79. Na sequência, há nos autos despacho determinando o encaminhamento dos autos para a DERAT, “para providências de alçada, quanto ao direito creditório” (fls. 41), em 23/08/06. Em seguida foram anexados alguns documentos, como Livros de Registro de IPI, planilhas (fls. 32/59) e um demonstrativo analítico de compensação (datado de 26/11/07 – fls. 60/75), que demonstra a existência de um saldo positivo – em favor da Recorrente – no total de R$ 5.765,02, após as compensações efetuadas, reduzidas do montante de crédito a ser ressarcido, de acordo com o processo administrativo nº 13804.002870/200280 (Pedido de Ressarcimento original). Em 27/11/07, sobreveio despacho da DERAT (fls. 79/80) determinando o encaminhamento dos autos para a DRFLimeira, para análise do crédito de IPI, em razão da jurisdição daquela delegacia sobre a filial que apurou os créditos pleiteados. Após uma série de despachos de encaminhamento, os autos foram distribuídos para agente fiscal que em 12/03/2008 abriu nova fiscalização (Termos de Início de Fiscalização – fls. 83). Na ocasião o Fisco solicitou à Recorrente, novamente, a apresentação de diversos documentos relativos ao período de Janeiro/99 a Dezembro/02, que comprovariam a origem do crédito pleiteado (1º Trimestre de 1999). A Recorrente informa que não poderia promover a apresentação de tais documentos pois eles teriam sido incinerados (fls. 84). Contudo, informa que apresenta anexo o relatório de fiscalização do período (novamente sob fiscalização), elaborado pela própria autoridade fiscal (DIFIS São Paulo – fls. 86/100). Na sequência a fiscalização foi encerrada (fls. 85), por ausência de documentos. No Relatório de Informação Fiscal desta segunda fiscalização (fls. 102) a autoridade fiscal atesta que devido à não apresentação dos documentos requeridos não foi possível promover nenhuma verificação de regularidade do crédito pleiteado. Informa, ainda, que o relatório apresentado pela Recorrente, em substituição à documentação requerida, traz apenas a “Listagem de Notas com Crédito de IPI (livro)”, o que não atenderia à necessidade da fiscalização. Conclui pelo indeferimento do pedido de compensação da filial de Aguaí, em razão de a fiscalização ter ficado prejudicada, e não ter sido possível constatar a existência do crédito pleiteado. Importa notar que este é o primeiro documento dos autos em que se tem a identificação deste número de processo administrativo, e que este relatório não faz nenhuma menção à fiscalização anteriormente realizada pela Receita Federal, para verificação do crédito pleiteado, e que gerou o Relatório de Informação Fiscal original (fls. 37/39). O Despacho Decisório (fls. 105/107), exarado em 15/05/08, acatou as conclusões deste segundo Relatório de Informação Fiscal e não reconheceu o crédito apurado pela filial de Aguaí, no valor de R$ 15.837,07 , deixando de homologar a compensação realizada (no montante de R$ 15.014,97 – de débitos de IRRF e CPMF). Fl. 440DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000518/200727 Acórdão n.º 330201.420 S3C3T2 Fl. 441 4 O fundamento apresentado pela fiscalização, para indeferir o crédito e não homologar a compensação, foi de que a não apresentação dos documentos solicitados – embora os contribuintes tenham de manter em boa guarda seus documentos pelo prazo prescricional dos tributos – impossibilitou a conclusão sobre a liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Argumenta a autoridade administrativa que o contribuinte tem que manter os documentos enquanto perdurar a discussão judicial/administrativa sobre eles Intimado acerca do Despacho Decisório proferido a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 118/140), onde apresenta os seguintes argumentos: nulidade do despacho decisório que indeferiu o ressarcimento e não homologou as compensações, pois exarado por autoridade incompetente, na medida em que seria competente para manifestarse a autoridade com jurisdição sobre o estabelecimento que apurou o crédito, neste caso, o estabelecimento matriz – pois à época da apuração dos créditos a legislação determinava que a apuração se daria de forma centralizada no estabelecimento matriz, tendo assim agido a Recorrente; nulidade da segunda fiscalização e do despacho decisório, ambos derivados da DRF de Limeira, pois a autorização para nova fiscalização partiu de autoridade incompetente – seria o Delegado da DERAT/SP (jurisdição da matriz) e não o Delegado de Limeira – bem com porque é incompetente a autoridade fiscal que exarou o Despacho Decisório, já que o mesmo deveria ter sido expedido pelo Delegado e não por agente fiscal; nulidade do Despacho Decisório por ter desconsiderado o relatório e conclusões da primeira fiscalização realizada, em que foram analisados todos os documentos que embasam o direito creditório da Recorrente, conforme reconhecido pela própria autoridade fiscal; nulidade do Despacho Decisório por ter se baseado em nova fiscalização que não foi autorizada por Portaria expedida pelo Delegado da Receita Federal, como determina a jurisprudência administrativa anexada; nulidade do Despacho Decisório porque a fiscalização em que se baseou foi além do que autorizou a representação fiscal que deu origem ao desmembramento dos processos administrativos; nulidade do Despacho Decisório porque a fiscalização que o fundamenta desconsiderou toda documentação anteriormente apresentada pela Recorrente, que estava anexada aos autos daquele processo originário, bem como o relatório e conclusões da fiscalização anteriormente realizada; nulidade do Despacho Decisório porque o procedimento adotado não respeitou a norma que estabelece a necessária intimação do contribuinte para manifestar se sobre a fase de instrução do processo, após seu término (art. 44 da Lei nº 9.784/99); nulidade do Despacho Decisório porque a fundamentação apresentada para negar o direito ao crédito e não homologar a compensação – inexistência de documentos – não possui previsão legal. Vale dizer, só é possível afastar o Fl. 441DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000518/200727 Acórdão n.º 330201.420 S3C3T2 Fl. 442 5 direito ao crédito se comprovado que o mesmo não existe, fundamento este que não pode ser aplicado ao presente caso, considerando que equipe de fiscalização da Receita Federal atestou a existência do crédito em questão; nulidade do Despacho Decisório por erro em sua fundamentação já que a alegada “inexistência de documentos comprobatórios do crédito” é inverídica, na medida em que a própria Receita Federal, por meio de outros agentes, atestou não só a existência da documentação, como a legalidade do crédito, em fiscalização e relatórios prévios; nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa já que não informa ao contribuinte porque desconsiderou a fiscalização anteriormente realizada, bem como os documentos analisados e cujas cópias foram juntados ao processo administrativo originário; nulidade do Despacho Decisório por ofensa à verdade material, na medida em que os documentos foram anteriormente apresentados, analisados, bem como foi comprovada pela própria autoridade fiscal a existência do crédito sob análise; nulidade do Despacho Decisório por conta da precariedade da fiscalização realizada, que não considerou a documentação anteriormente analisada, bem como não conferiu prazo razoável para que o contribuinte apresentasse a vasta documentação requerida. Ademais, não foram respeitados os princípios da Proporcionalidade e Razoabilidade, na medida em que depois de passados mais de 05 anos da data da apresentação dos documentos comprobatórios do crédito foi requerida, novamente, a apresentação dos mesmos documentos; no mérito, não merece prosperar o Despacho porque (i) não poderia ter havido desmembramento dos processos, pois o crédito foi apurado em conformidade com a legislação vigente à época, centralizadamente pelo estabelecimento matriz; (ii) deveria ter sido considerada a fiscalização (e seu resultado) realizados anteriormente por autoridade competente; (iii) ainda que se desmembre os processos por filiais, o direito creditório originouse da matriz (pois esta o apurou em conformidade com a legislação vigente), devendo a Delegacia de São Paulo analisar sua procedência; (iv) caso entendase que a autoridade competente é a Delegacia de Limeira, esta deve promover novo julgamento, considerando os documentos que foram analisados e anexados aos autos originais, bem como o relatório de fiscalização correspondente àquela primeira fiscalização realizada; (v) alguns dos documentos que comprovam a origem do crédito foram localizados e estão disponíveis para perícia/análise, devendo também ser considerados; (vi) em relação à guarda de documentos, estes devem permanecer pelo prazo decadência dos tributos, ou seja, cinco anos da data do fato gerador, o que, no presente caso, seria em 2006, ou seja, antes da segunda fiscalização e (vii) a atualização dos créditos pleiteados, pela Taxa Selic; finaliza com pedido de diligencia fiscal e perícia não apenas dos documentos acostados no processo originário – em que foi fiscalizado o crédito em discussão, como também na documentação remanescente, que ainda está em poder da empresa e foi localizada; Fl. 442DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000518/200727 Acórdão n.º 330201.420 S3C3T2 Fl. 443 6 requer, por fim, (i) o cancelamento do Despacho Decisório e reconhecimento do direito creditório da Recorrente, com a correspondente homologação da compensação pleiteada; ou (ii) ao menos o reconhecimento do direito ao crédito atribuído à filial, com base no relatório da primeira fiscalização realizada (DIFIS/SP). Alternativamente, se entender não ser competente para analisar o pedido de ressarcimento requer que a DRJ (iii) reconheça a competência da DEFIS/SP para analisar o direito creditório de modo unificado ou, ainda que entenda que a DRFLimeira seria competente para a análise em tela, (iv) que cancele o Despacho Decisório, para que o mesmo somente seja exarado após analisada a documentação que comprova a existência do crédito, analisada e anexada pelo primeiro procedimento fiscalizatório realizado. Por fim, a Recorrente acostou à sua defesa uma série de documentos que foram apresentados à fiscalização realizada anteriormente, e que compunham o processo original nº 13804.002870/200280, que tratava do pedido de ressarcimento de créditos apurados no 1º Trimestre de 1999 (Livro Registro do IPI, Livro de Entradas e Saídas, Notas Fiscais de entradas/aquisições, planilhas e registros, dentre outros – fls. 157/378). Após analisar as razões trazidas na impugnação, a Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto – DRJ/RPO, proferiu acórdão (fls. 385/400), por meio do qual indeferiu o pleito da Recorrente, em especial por entender que não foi apresentada documentação comprobatória do crédito pleiteado. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 409/436), por meio do qual reiterou os argumentos trazidos em sua impugnação. Na sequência vieram os autos para decisão. É o relatório. Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O Recurso é tempestivo, e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito base de IPI, com fundamento na Lei nº 9.779/99. A discussão em tela é essencialmente processual. Conforme relatado, a Recorrente pleiteou o ressarcimento de forma centralizada pela matriz, obteve a análise de seu crédito pela Delegacia da Receita Federal responsável pela matriz, mas este procedimento não foi considerado. E é este o problema, porque a Recorrente apenas apresentou prova de seu crédito neste momento processual, ou seja, na primeira análise feita de seus créditos. Em defesa de seu procedimento a Recorrente alega: quando da apresentação do pedido de ressarcimento originário a norma vigente na época (IN 21/97) estabelecia a apuração centralizada, no estabelecimento matriz, dos créditos de IPI. Por Fl. 443DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000518/200727 Acórdão n.º 330201.420 S3C3T2 Fl. 444 7 esta razão foi apresentado um pedido único de ressarcimento, sem individualização por estabelecimento gerador do crédito (parcial). apenas com a edição da Instrução Normativa nº 600/05 é que surgiu a obrigação de cada estabelecimento apurar seu crédito de IPI, cujo ressarcimento seria requerido, de toda forma, de modo centralizado pelo estabelecimento matriz. Logo, a Recorrente agiu corretamente, em conformidade com as normas vigentes à época da apuração do crédito, bem como, no momento da apresentação de seu pedido de ressarcimento. Em relação ao procedimento de apuração centralizada, não assiste razão à Recorrente. A hipótese trazida pela Instrução Normativa 21/97 referese ao crédito presumido de IPI, não ao crédito base. Logo a repartição dos processos e transferência da análise pelas diversas Delegacias da Receita Federal do Brasil está correta. A despeito deste fato, entendo que a questão basilar destes autos é que a Receita Federal promoveu a fiscalização necessária à constatação da existência e regularidade dos créditos objeto do pedido de ressarcimento, ocasião na qual teriam sido apresentados todos os documentos solicitados pelos agentes fiscais. O procedimento de fiscalização culminou, naquela ocasião, com o reconhecimento do direito creditório no montante de R$ 379.113,31, conforme Termo de Informação Fiscal constante, inclusive, destes autos (fls. 37/39). Aos olhos da Recorrente aquela fiscalização promovida – mesmo sem ter sido proferido o despacho decisório foi válida, completa e adequada o que justificou, em sua compreensão, após passados 5 anos, incinerar os documentos que já haviam sido apresentados para a fiscalização. Por outro giro, após três anos da análise dos documentos, foi realizado o desmembramento do processo em diversos autos (correspondentes aos diversos estabelecimentos geradores de créditos), e a Delegacia de Limeira entendeu por bem abrir nova fiscalização para avaliar novamente os créditos pleiteados. Inexistindo documentos para análise, a autoridade administrativa indeferiu o pleito da Recorrente por falta de prova. Instalada a celeuma. A análise técnica realizada por agente administrativo incompetente territorialmente pode/deve ser considerada pela autoridade administrativa quando de sua decisão? A questão faz toda a diferença pois, a despeito do alegado na decisão recorrida, de que a fiscalização realizada havia sido considerado fato é que, pelo menos para o presente processo, não foi. O r. despacho decisório, e a informação fiscal estão bastante claros neste sentido, nos termos já relatados: “No Relatório de Informação Fiscal desta segunda fiscalização (fls. 102) a autoridade fiscal atesta que devido à não apresentação dos documentos requeridos não foi possível promover nenhuma verificação de regularidade do crédito pleiteado. Informa, ainda, que o relatório apresentado pela Recorrente, em substituição à documentação requerida, traz apenas a “Listagem de Notas com Crédito de IPI (livro)”, o que não atenderia à necessidade da fiscalização. Conclui pelo indeferimento do pedido de compensação da filial de Aguaí, em Fl. 444DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000518/200727 Acórdão n.º 330201.420 S3C3T2 Fl. 445 8 razão de a fiscalização ter ficado prejudicada, e não ter sido possível constatar a existência do crédito pleiteado. O Despacho Decisório (fls. 105/107), exarado em 15/05/08, acatou as conclusões deste segundo Relatório de Informação Fiscal e não reconheceu o crédito apurado pela filial de Aguaí, no valor de R$ 15.837,07 e não homologou a compensação realizada (no montante de R$ 15.014,97 – de débitos de IRRF e CPMF). O fundamento apresentado pela fiscalização, para indeferir o crédito e não homologar a compensação, foi de que a não apresentação dos documentos solicitados – embora os contribuintes tenham de manter em boa guarda seus documentos pelo prazo prescricional dos tributos – impossibilitou a conclusão sobre a liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Argumenta a autoridade administrativa que o contribuinte tem que manter os documentos enquanto perdurar a discussão judicial/administrativa sobre eles.” – destaquei. Inicialmente, vale destacar que a legislação estabelece que a autoridade fiscal de jurisdição sobre o estabelecimento gerador do crédito é competente para proferir o Despacho Decisório sobre os valores pleiteados. Assim, nada impede que a análise técnica (fiscalização) dos créditos seja realizada por outra unidade da Receita Federal – desde que, claro, a autoridade administrativa fiscalizadora tenha habilidades e conhecimento técnico para proceder à análise do crédito base de IPI. Neste aspecto existe uma diferença entre competência de análise técnica (material) e competência para proferir o Despacho Decisório (territorial). Significa dizer que, a princípio, a coleta e análise dos documentos, bem como o relatório fiscal retratando fiscalização ampla e detalhada realizada por outra unidade da Receita (competente materialmente para realizar tal fiscalização), podem (e devem) ser considerados para fundamentar o Despacho Decisório a ser proferido por outra unidade (aquele competente, de acordo com a jurisdição territorial), tomando por base a análise realizada, e as conclusões então apresentadas. Ou seja, o fato da competência para exarar o Despacho Decisório ser estabelecida de acordo com o território, não inibe a possibilidade de que tal decisão se baseie em fiscalização promovida por outra unidade da Receita Federal. Pelo contrário, entendo que tendo existido tal fiscalização, e não havendo nenhum fundamento razoável e expresso para desconsiderála, o procedimento fiscalizatório deve ser considerado, até por uma questão de economia processual, celeridade e eficiência. Assim, embora o relatório da fiscalização não seja vinculante (apesar de via de regra o Despacho Decisório adotar as conclusões da fiscalização, por razões óbvias, já que é na fiscalização que se dá a análise aprofundada dos documentos), ele tem de ser considerado, assim como os documentos que o embasaram, quando for exarado o Despacho Decisório. E, ainda que este seja de competência de uma determinada unidade da Receita Federal, nada impede que esta decisão seja balizada na fiscalização realizada por outra unidade, que possui habilidade técnica para tanto. Ressalvada, claro, a manifestação fundamentada e expressa de não serem consideradas as conclusões e análises realizadas o que, todavia, não é o caso dos autos. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000518/200727 Acórdão n.º 330201.420 S3C3T2 Fl. 446 9 Daí que, na realidade, a questão da competência para verificação da regularidade do crédito, parece tornarse secundária se analisarmos questão preliminar que se refere aos princípios que devem nortear a atuação da administração pública, e do processo administrativo, relacionados à economia processual, à celeridade e eficiência dos procedimentos fiscalizatórios e, até mesmo, à moralidade do agente público. Isto é, independentemente de qual unidade da Receita Federal detém a competência para verificar a existência do crédito pleiteado pela Recorrente, não há dúvidas de que foi realizado um longo procedimento fiscalizatório, no qual aparentemente e de acordo com Parecer Fiscal, foram apresentados todos os documentos requeridos pela autoridade administrativa. Pelas informações trazidas aos autos, tais documentos não apenas ficaram à disposição do Fisco, como suas cópias instruíram o processo administrativo que foi aberto para verificação da regularidade do crédito pleiteado – do qual parcela é objeto destes autos. Cumpre ressaltar que, de acordo com informação constante dos autos, por ocasião da primeira fiscalização realizada pela Receita Federal – em 2005 – quanto aos créditos ora sob análise, teriam sido requeridos (e obtidos) pela autoridade fazendária exatamente os mesmos documentos que vieram a ser solicitados, novamente, ao Recorrente, em 2008. Ou seja, não seriam novos documentos, ou documentos que porventura não tivessem sido anteriormente apresentados pelo Recorrente ou analisados pelo Fisco. Pelo contrário, seria exatamente a mesma documentação (Livro Registro de IPI, Livros de Entrada e Saída, Notas Fiscais de entrada/aquisição de produtos, dentre outros) que teria sido apresentada pela Recorrente e analisada pelo Fisco, nos termos do relatório da fiscalização – o qual atestou a regularidade de praticamente a integralidade do crédito pleiteado (salvo a glosa de cerca de 4% do valor requerido). Imperioso reiterar que a DRJLimeira não indeferiu o pedido da Recorrente por ter entendido, por exemplo, que os documentos apresentados anteriormente (à primeira fiscalização) seriam inconclusivos ou insuficientes. Também não apontou pontos eventualmente obscuros do relatório de fiscalização, nem qualquer outra razão relativa à necessidade de nova análise, ou de análise mais aprofundada daqueles documentos. Simplesmente intimou o contribuinte a apresentar toda documentação novamente – sem qualquer justificativa expressa. Ou seja, da decisão acostada aos autos está claro que a DRFLimeira desconsiderou, ou sequer tomou conhecimento da existência, de uma fiscalização prévia para verificação dos créditos em comento. Importante dizer, ainda, que com isso não estou validando o comportamento da Recorrente de incinerar os documentos relativos ao crédito pleiteado. É sim dever do contribuinte guardar todos os documentos que fundamentam seu crédito até o final do processo administrativo. Até porque, sem estes documentos, se a decisão definitiva do procedimento administrativo lhe for contrária, o contribuinte não poderá usufruir seu direito de levar a decisão do Conselho para o âmbito judicial, por meio de uma ação anulatória. Logo, não tem realmente sentido incinerar documentos que baseiam pedido de ressarcimento ainda não definitivamente julgado. Todavia, de idêntica forma, não é admissível que a Receita Federal deixe de aceitar provas que foram analisadas por um de seus agentes só porque aquele agente não teria competência territorial para a análise. O que importa, no caso, para a análise do crédito, é a competência material. Tratase de ato anulável, não nulo. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000518/200727 Acórdão n.º 330201.420 S3C3T2 Fl. 447 10 Aparentemente, a DRFLimeira deliberadamente desconsiderou os trabalhos realizados pela própria Receita Federal (através da DIFIS/SP), pois sequer os menciona do Despacho Decisório por ela proferido. Ou isso, ou então agiu sem a devida atenção (ignorando os procedimentos anteriormente realizados), partindo da premissa de que tais créditos jamais teriam sido fiscalizados e que, por isso, seria necessário iniciar uma fiscalização integral e completa daqueles valores. Ocorre que, em qualquer das hipóteses, além de equivocarse gravemente, a DRF ofendeu frontalmente o princípio da economia processual, bem como o da celeridade e da eficiência, que devem nortear a atuação do ente público. Tendo ocorrido uma fiscalização prévia por uma unidade da Receita Federal, é de meu entendimento que este procedimento deveria ter sido considerado. Afinal, todas as unidades da Receita Federal fazem parte de um mesmo organismo, e sua atuação não pode jamais ser ignorada. Além disso, não é demais destacar que a falta de competência a que nos referimos aqui é meramente territorial e não material. Isto é, sem qualquer sombra de dúvidas a DIFIS/SP é unidade competente, no que se refere ao necessário conhecimento técnico e procedimental, para promover uma fiscalização de créditos de IPI, como estes ora sob análise. Portanto, seu trabalho deve ser considerado pelas demais unidades da Receita Federal, de modo que qualquer questionamento quanto aos procedimentos adotados (sua adequação material, em especial), devem ser devidamente fundamentados. A este respeito, importa destacar que a Lei nº 9.784/99 – que rege o processo administrativo federal – estabelece (em seu artigo 2º) que os atos da administração pública serão realizados com observância dos princípios da motivação, razoabilidade, moralidade e eficiência. Desta forma, a desconsideração da fiscalização previamente realizada pela própria Receita Federal, e por órgão competente, somente poderia ser admitida se fosse motivada, o que não ocorreu no caso em apreço. Há, também, desrespeito à razoabilidade, no presente caso. Afinal, por ter existido fiscalização prévia por órgão da própria administração tributária federal, é de se admitir que a documentação que não está mais sob a guarda do contribuinte, tenha sido copiada e mantida sob a guarda da própria Receita Federal, ainda que em outro processo administrativo. Agrava a presente situação o fato de que o fundamento utilizado no Despacho Decisório para indeferir o pleito da Recorrente, qual seja, de que “Tendo em vista que as notas fiscais, bem como os livros fiscais, não foram apresentados, não se pode concluir que os créditos são líquidos e certos.” O princípio da verdade material rege a atuação da administração pública. É determinação basilar, que tem de ser respeitada, sopesandose, inclusive, sua aplicação em detrimento de outros princípios. Afinal, a finalidade principal do processo administrativo tributário é buscar a verdade dos fatos, que pode ser mais adequada e facilmente alcançada na esfera administrativa, pois se trata de instância onde há maior competência e habilidade técnica, para analisar e constatar a realidade dos fatos, diante de documentos que retratam as operações realizadas pelos contribuintes. No presente caso, em especial, é de se assumir, pelos fatos descritos nos autos, que a Recorrente apresentou a documentação comprobatória do crédito pleiteado à Fl. 447DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000518/200727 Acórdão n.º 330201.420 S3C3T2 Fl. 448 11 primeira fiscalização. E, na hipótese de estarse seguindo o procedimentos regulares da Receita Federal, não haveria razão para a total desconsideração da análise dos documentos. Frisese que é de meu entendimento que os agentes administrativos podem sim ter dúvidas quanto ao crédito, reanalisar documentos, discordar de conclusões de outros agentes. Mas não foi isso o que aconteceu in casu. Ademais, é a própria lei que permite ao contribuinte requerer a consideração dos documentos já apresentados, conforme disposição contida na Lei n 9.784/99, verbis: “Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, a obtenção dos documentos ou das respectivas cópias.” Do dispositivo em destaque constatase que, se os documentos necessários à instrução do processo estão sob a guarda da Receita Federal, estes devem ser considerados, analisados e o contribuinte, por sua vez, não pode ser penalizado por não têlos disponibilizado. Asseverase que, no presente caso, os fatos apresentados levam a crer que o dispositivo legal citado se aplica. Ademais, referida Lei estabelece, ainda, que além do órgão competente para instrução do processo ser obrigado a fazer constar dos autos os dados necessários para decisão do caso (e, no caso sob analise, repisese, tais documentos já estariam no processo administrativo nº 13804.003093/200291), a instrução processual, na parte que exige a participação do contribuinte interessado, será realizada da forma menos onerosa para ele, verbis: “Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizam se de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1o O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2o Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes.” Neste aspecto, a administração pública – de posse dos documentos – não pode prejudicar a instrução processual sob o argumento de não apresentação em duplicidade de documentação que está sob sua guarda. Logo, por todo exposto, entendo que a DRFLimeira não pode simplesmente desconsiderar a documentação comprobatória da existência e regularidade dos créditos objeto destes autos na medida em que tais documentos, embora não pudessem mais ser apresentados pela Recorrente, estavam de posse da administração tributária – tendo, inclusive, já sido objeto de análise por outra unidade da Receita Federal, habilitada do ponto de vista material, para realizar fiscalizações. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000518/200727 Acórdão n.º 330201.420 S3C3T2 Fl. 449 12 Ao ignorar tais documentos a DRFLimeira agiu em ofensa a diversos princípios que regem não apenas a atuação da administração pública – economia processual, eficiência, celeridade, moralidade, motivação – como princípios que orientam o próprio processo administrativo federal. Descumpriu o papel a ser desenvolvido na fase instrutória e não apenas onerou, como deliberadamente e sem qualquer fundamento, prejudicou a Recorrente. Entendo, portanto, que deve ser anulado o Despacho Decisório proferido pela DRFLimeira, para que esta promova a análise conclusiva da documentação anteriormente apresentada pela Recorrente, que comprova a regularidade do crédito pleiteado nos autos, e que está sob a guarda da Receita Federal, pois integrante do processo administrativo nº 13804.002870/200280 (que originou os presentes autos) assim como, neste momento, já faz parte destes autos, pois trazida pela Recorrente em sua Impugnação. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, decidindo pela anulação do Despacho Decisório (fls. 109/111), e determinado que a DRF Limeira se manifeste a respeito da documentação comprobatória da origem do crédito pleiteado (seja aquela constante no processo nº 13804.002870/200280, como aquela agora constante destes autos – fls. 157/378), bem como sobre o relatório da fiscalização já realizada (fls. 37/39), para que possa opinar conclusivamente, exarando decisão de mérito, sobre a existência e regularidade do crédito, tendo em vista que os documentos existem, estão na posse da Receita Federal e, portanto,devem ser avaliados. É como voto. Sala das Sessões, em 13 de fevereiro de 2012. (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 449DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13971.003958/2008-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2007
GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PELO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES COM A SEGURIDADE SOCIAL
As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social
MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento
administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS
ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL.
A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.233
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2007 GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PELO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES COM A SEGURIDADE SOCIAL As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado.
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SOLIDARIEDADE PELO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES COM A SEGURIDADE SOCIAL As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.003958/200882 Acórdão n.º 240102.233 S2C4T1 Fl. 202 3 Relatório O lançamento em questão diz respeito ao Auto de Infração – AI n.º 37.191.1265, no qual é apurada a contribuição dos segurados incidente sobre a remuneração paga aos trabalhadores que executaram obra de construção civil de propriedade da empresa autuada. O crédito, com data de consolidação em 17/10/2008, assumiu o montante de R$ 4. 949,59 (quatro mil novecentos e quarenta e nove reais e cinquenta e nove centavos). De acordo com o relato do Fisco, fls. 45/49, foi constatado mediante a análise da contabilidade a existência de lançamentos relativos à obra de construção civil não matriculada no INSS. Diante desse fato, a autuada foi intimada, por duas vezes, a apresentar a documentação relacionada à referida obra de construção, tendo apresentado somente os projetos da mesma. Isso levou a Auditoria a lavrar os AIs n°. 37.191.1184 e n°. 37.191.1109; o primeiro por não apresentar todos os documentos solicitados; o segundo por deixar de matricular a obra no Cadastro Específico do INSS — CEI. Diante da omissão da empresa de apresentar os elementos solicitados, a base de cálculo das contribuições foi obtida mediante aferição indireta da mãodeobra, proporcional à área construída (720,80 m2) e ao padrão da obra, conforme as tabela regionais do CUB — Custo Unitário Básico. Foram juntados aos autos, às fls. 87/89, os Termos de Sujeição Passiva Solidária n° 10. e n° 11, onde constam como sujeitos passivos solidários as empresas Tayka Confecções de Jeans Ltda. ME e Brasil Real Indústria de Confecções de Jeans Ltda. A empresa apresentou defesa, fls. 59/79, na qual alegou, em síntese: a) a inconstitucionalidade da multa de 150%, aplicada no Auto de Infração em lide, por ter caráter confiscatório e malferir o disposto no art. 150, inciso IV, da Lei Maior; b) a ilegalidade da SELIC, pelo caráter remuneratório e não moratório, o que atropela o disposto no art. 161, § 1°.do Código Tributário Nacional (CTN) e afronta à Constituição; c) a improcedência das tributações reflexas — PIS, COFINS e CSLL, referindose a pareceres no âmbito da SRF sobre a matéria, concluindo por dizer que, mantidas as tributações reflexas (PIS, COFINS e CSLL), o julgador deverá proceder de acordo com o disposto no art. 48 da Lei n°. 9430/96; d) que o fisco não constatou nenhuma omissão de receita, o que, no seu entendimento, prova e comprova a fragilidade e inconsistência do dolo imputado à impugnante; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 e) que houve ilegalidade na exclusão da empresa do SIMPLES, argumentando, em síntese, que este fere a legislação de regência, tanto na inadequação do ato, quanto aos efeitos retroativos; f) que a afirmação quanto à existência de sócio participando com mais de 10% do capital social de outra empresa, o que ultrapassaria o limite estabelecido em lei, é uma inverdade; g) que o Dr. Ari Salésio Brasil é procurador da empresa e não se enquadra na condição de "interposta pessoa". h) que a multa aplicada no patamar de 150% fere o princípio da proporcionalidade; i) que inexistiu nos autos à caracterização do grupo econômico; j) que não restou comprovada a ação dolosa dos sócios, ou que os mesmos pudessem ter a intenção deliberada de formar um grupo econômico; k) a prescrição do débito; Por fim, requer a nulidade dos lançamentos tributários, o reconhecimento da prescrição e o afastamento da caracterização de "grupo econômico". A DRJ em Florianópolis declarou procedente o lançamento, fls. 91/94. A empresa BRASIL REAL INDÚSTRIA DE CONFECÇÕES DE JEANS LTDA, chamada ao processo como devedora solidária, por supostamente integrar “grupo econômico de fato”, do qual também faz parte a autuada, apresentou recurso voluntário, fls. 102/122, no qual apresenta as mesmas alegações utilizadas pela autuada em sua defesa. Também a empresa TAYKA CONFECÇÕES DE JEANS LTDA ME interpôs o seu recurso, no qual também reprisa as argumentações expressas na defesa da autuada. A empresa autuada interpôs recurso voluntário, fls. 158/161, no qual, após relato dos fatos verificados no presente processo, insurgese unicamente contra o enquadramento da obra, efetuado pelo Fisco para obter por aferição indireta a remuneração envolvida na obra de construção civil. Alega que, a obra por ser um galpão com estrutura prémoldada deveria ter sido enquadrada no “tipo” 12 e não no “tipo” 11 como fez a Auditoria. Ao final, pede que o crédito seja recalculado, conforme o correto enquadramento da obra. Essa Turma de Julgamento resolveu baixar o processo em diligência, fls. 173/174, para que fossem acostados os documentos comprobatórios do transito em julgado das decisões administrativas que excluíram a recorrente do SIMPLES FEDERAL e do SIMPLES NACIONAL. Acostados os documentos comprobatórios e apresentadas notas explicativas, fls. 178/200, o processo retorna para julgamento. É relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.003958/200882 Acórdão n.º 240102.233 S2C4T1 Fl. 203 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos das devedoras solidárias merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Todavia, o recurso interposto pela empresa autuada não merece conhecimento, conforme veremos. Inicialmente há de se ter em conta que na impugnação a empresa não contesta a ocorrência dos fatos geradores, atacando apenas outros aspectos do lançamento, alguns até impertinentes, haja vista não guardarem relação sequer o com o tributo lançado, quando se reporta tributação reflexa. Também no recurso não se contestou a ocorrência da prestação de serviço na obra de construção civil, pelo contrário, reforçouse esse fato com a juntada de documentos relativos à obra. Pude observar que a decisão recorrida enfrentou todos os pontos trazidos na impugnação. No recurso, empresa inova totalmente seus argumentos, ou melhor, apresenta alegação única, contestando o enquadramento da obra efetuado pelo Fisco com vistas a apurar indiretamente a remuneração relativa à execução da obra de construção civil. Nos termos da legislação processual tributária, esse argumento recursal se encontra fulminado pela preclusão, uma vez que não foi suscitado por ocasião da apresentação da defesa, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto n. 70.235/72, senão vejamos: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Nessa toada, não merece conhecimento a matéria suscitada em sede de recurso voluntário, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação Passarei então a analisar os pontos trazidos à discussão pelas devedoras solidárias que apresentaram idêntico arrazoado, observandose que as matérias aventadas já foram tratadas na decisão de primeira instância, uma vez que os recursos são idênticos a peça de defesa apresentada pela empresa Terra Brasil. Vale lembrar que nos recursos que serão apreciados não se menciona qualquer insurgência contra os fatos geradores indicados pelo Fisco e contra a base tributável apurada por aferição indireta. O inconformismo das empresas prendese a exclusão do SIMPLES, a multa e os juros aplicados, a prescrição e a inexistência de conduta dolosa. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 A existência de grupo econômico Considerando que as devedoras solidárias apresentaram recursos contra a decisão da DRJ, embora não tenham alegado diretamente a inexistência de grupo econômico, entendo que devo fazer algumas considerações sobre a questão. Para tanto, transcrevo excerto do voto por mim proferido no julgamento do processo n.º 13971.003954/200802, ocorrido a minutos atrás. A responsabilidade solidária decorre da disposição do inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Vêse que a norma é enfática ao prescrever que, em se comprovando a existência de grupo econômico, seja de fato ou de direito, é automático o vínculo de solidariedade entre as empresas integrantes pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. É necessário, assim, que se busque o conceito de grupo econômico, o qual extraio do § 2.º do art. 2.º da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, assim redigido: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. (...) Inspirada no dispositivo acima, a IN SRP n.º 03/2005, vigente na data da autuação, tratava da questão nos seguintes termos: Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. A situação fática encontrada pela Auditoria, que inclusive motivou a exclusão das empresas do SIMPLES, foi a existência de empresas sob comando único que atuavam no sentido de partilhar o faturamento de modo a poderem se beneficiar de Fl. 206DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.003958/200882 Acórdão n.º 240102.233 S2C4T1 Fl. 204 7 tratamento tributário mais favorável, concedido às empresas optantes pelo regime simplificado de pagamento de tributos. Nas palavras do Fisco, a empresa Tayka Confecções de Jeans Ltda foi desmembrada, resultando na constituição das empresas Terra Brasil (autuada), Brasil Real e Dullay'n, para as quais, formalmente, constam sócios que eram vinculados à empresa desmembrada. Outra questão indicativa da formação do grupo de empresas é a divisão de faturamento que aparece nitidamente no demonstrativo trazido pela fiscalização no processo relativo à Representação Fiscal para Exclusão do SIMPLES, fls. 145/152, pois, à medida que este cresce na empresa Tayka, se aproximando do limite de exclusão, vão se formando as demais empresas, voltadas para o mesmo ramo de atividade, que passam a absorver parte do faturamento. Verificase ainda a ocorrência de transferências monetárias entre as empresas do "grupo", as quais demonstram a prática de ajustes financeiros entre as empresas. Tais fatos encontramse estampados em tabelas transcritas na Representação Administrativa Devo citar também as reclamatórias trabalhistas mencionadas pelo Fisco, onde o teor das peças vestibulares e dos termos de conciliação, não deixam dúvidas de que os reclamantes laboravam para um grupo de empresas. Verificouse,também,a existência de várias Procurações outorgadas pelas empresas ao Sr. Ari Salésio Brasil, conferindolhe amplos e ilimitados poderes para gerir e administrálas, evidenciando a unicidade de comando nas empresas. De todas essas evidência, sou forçado a concluir pela existência do grupo econômico de fato. Da exclusão da empresa do SIMPLES A autuada foi excluída do SIMPLES FEDERAL mediante o Ato Declaratório Executivo n.º 45/2008, tendo sido apresentada impugnação intempestiva, conforme comprovam os documentos de fls. 173/178. Portanto, comprovado o trânsito em julgado do processo administrativo de exclusão, é descabida a alegação recursal de que a sua exclusão do SIMPLES ainda estaria sendo discutida, fato que interferiria na lide que ora se analisa. A mesma conclusão se pode chegar quanto à exclusão da empresa do SIMPLES NACIONAL, haja vista que a impugnação contra o Ato Declaratório Executivo n.º 48/2008 também foi apresentada fora do prazo, conforme demonstram os documentos de fls. 161/170. Assim, não cabe a essa Turma de Julgamento rediscutir a matéria relativa às exclusões da empresa dos sistemas de pagamento simplificado de tributos, posto que tal oportunidade a recorrente já teve quando da tramitação dos processos específicos consubstanciados nos Atos Declaratórios Executivos de n.º 45/2008 e de n.º 48/2008, os quais já ganharam caráter de definitividade, tendo sido determinadas as exclusões com efeitos retroativos a 30/08/2004 (SIMPLES FEDERAL) e 01/07/2007 (SIMPLES NACIONAL). Nesse sentido não me cabe apreciar as questões que levaram a lavratura da Informação Fiscal que redundou nas exclusões dos sistemas simplificados de pagamento de tributos, tais como: o interrelacionamento entre as empresas, a interposição de pessoas, o Fl. 207DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 controle do suposto grupo econômico, a distribuição de faturamento, a confusão entre os patrimônios e atividades das empresas envolvidas, etc. Todavia, devemos ter em conta que no crédito ora discutido estão sendo exigidas as contribuições dos segurados empregados, portanto, a exclusão da empresa autuada do SIMPLES nada interfere no destino da lide. Decadência Embora as recorrentes usem o termo prescrição para se referir a perda do direito do Fisco de constituir o crédito em razão do transcurso do tempo, devo analisar a questão sob a ótica da decadência, uma vez que é esse o instituto aplicável quando da constituição do crédito, sendo a prescrição cabível somente após o crédito estar definitivamente constituído. É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições ou para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.003958/200882 Acórdão n.º 240102.233 S2C4T1 Fl. 205 9 Na situação sob enfoque, verifico que, embora não haja relatórios discriminando as guias de recolhimento apresentadas ou o abatimento de créditos do contribuinte no Discriminativo Sintético do Débito, os autos levamme a concluir que havia guias de recolhimento para o período, uma vez que o Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, fl. 26, traz a informação de que foram analisadas guias de recolhimento durante a auditoria. Assim, seguindo a jurisprudência majoritária do CARF, entendo que deva ser aplicada a norma do art. 150, § 4.º, do CTN, para a contagem do prazo de decadência, mesmo verificando que o sujeito passivo não reconheceu a incidência de contribuições sobre as bases de cálculo apuradas. Considerandose que os fatos geradores presentes no lançamento ocorreram no período de construção da obra, 04/2006 a 06/2007, e que a empresa foi cientificada da autuação em 22/10/2008, não há o que se falar em transcurso do prazo decadencial, qualquer que seja a norma do CTN adotada para a sua contagem. Caráter confiscatório da multa Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo Sintético do Débito, em que são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento. Ao contrário do que afirma a recorrente a multa foi aplicada no patamar de quize por cento, conforme previa o revogado art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, vigente na data da ocorrência dos fatos geradores. Inexistiu na espécie a aplicação de multa agravada pela ocorrência de conduta dolosa ou de sonegação fiscal. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o Fisco tãosomente utilizou os instrumentos legais de que dispunha. Juros SELIC Quanto a inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Diante de todo o exposto, conhecer dos recursos e por negarlhes provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo (...) Fl. 210DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10166.906400/2009-38
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 31/07/2006
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia
retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que
jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-000.867
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/07/2006 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa em epígrafe transmitiu Per/Dcomp para restituição/compensação de IRPJ/CSLL paga a título de estimativa mensal, a maior ou indevida. Pelo Despacho Decisório, eletrônico, de fls. 37 a Per/Dcomp foi considerada improcedente e não homologada, por tratarse de pagamento de estimativa. A empresa manifestouse contrariamente ao despacho denegatório por tratar se de vedação prevista em Instrução Normativa e não de natureza legal. Ataca veemente a redação do artigo 10 da IN SRF nº 600/05, por falta de substrato legal. Às fls. 80 e seguintes, a Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF exarou o Acórdão nº 0339.172/10 mantendo o indeferimento do pedido de restituição e conseqüente compensação, por tratarse de estimativa mensal, consoante ementa do aresto ora transcrita: IRPJ POR ESTIMATIVA. RECOLHIMENTO A MAIOR. ANTECIPAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO. O IRPJ recolhido a título de estimativa é considerado antecipação no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente podendo ser utilizado na dedução do imposto de renda devido no ajuste anual, momento em que se aperfeiçoa o fato gerador. Somente saldo credor porventura gerado é passível de restituição. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. Uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos, devendo, por conseguinte, não ser homologada a compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Sendo os documentos acostados aos autos claros, permitindo um adequado julgamento, tornase prescindível a realização de perícia ou diligência para a solução da controvérsia. Tempestivamente a empresa interpôs o Recurso de fls. 91 e seguintes reprisando os termos da defesa inicial, requerendo a nulidade do despacho decisório por fundamentarse em ato infralegal, sem respaldo em norma tributária vigente. Fez sustentação oral pela recorrente o dr. João Marques Neto, OAB/BA nº 22.082. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906400/200938 Acórdão n.º 180100.867 S1TE01 Fl. 152 3 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Trata o presente litígio de não reconhecimento de direito creditório e conseqüente não homologação de compensação entre crédito e débitos, oriundo de estimativa de tributo paga a maior ou indevidamente. Esta turma julgadora já se defrontou com a matéria e firmou posição bem retratada em voto da conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que passo a transcrever1: “A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada ano calendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. 1 Processo nº 19647.010657/200610, Acórdão nº 180100.597, em 28/06/11. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Entretanto, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906400/200938 Acórdão n.º 180100.867 S1TE01 Fl. 153 5 estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906400/200938 Acórdão n.º 180100.867 S1TE01 Fl. 154 7 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. [...] É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, conclui se que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906400/200938 Acórdão n.º 180100.867 S1TE01 Fl. 155 9 A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.906400/200938 Acórdão n.º 180100.867 S1TE01 Fl. 156 11 Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Aproveito, ainda, o desfecho do retro mencionado acórdão, adotandoo neste voto, mutatis mutandis, em virtude de ser outro o valor da estimativa ora discutido nos autos: Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 “Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 3.328,31 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação.” Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade do pedido de restituição/compensação cujo objeto é o pagamento de estimativas em valor indevido, ou a maior do que o devido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo ao final do anocalendário etc. Voto, pelo exposto, em dar provimento parcial ao recurso e determino o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito da Per/Dcomp objeto deste litígio. Observo que a empresa tem outros processos que versam sobre Per/Dcomp cujos créditos tributários são estimativas recolhidas durante o mesmo anocalendário, devendo ser analisados conjuntamente pela autoridade a quo. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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