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Numero do processo: 10880.658131/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 58 13 1/ 20 12 -1 8 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.658131/201218 Resolução nº 1201000.426 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “1. Trata o presente processo de Despacho Decisório (DD) de nº [...], emanado pela Autoridade Administrativa que analisou a DCOMP nº [...] e não deferiu a compensação declarada, em razão da localização de um ou mais pagamentos integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando, quanto ao DARF apresentado, crédito disponível a ser aproveitado na presente DCOMP. O referido DARF, conforme os sistemas da Receita Federal do Brasil RFB possui: período de apuração – 30/09/2010; data de arrecadação – 17/12/2010; código de receita – 2089 (IRPJ LUCRO PRESUMIDO) e valor original utilizado R$ 52.160,51. 1.1. A transmissão da DCOMP ocorreu em 22/11/2012. 2. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, [...] alegando, em síntese, que: (...) I DOS FATOS A empresa tem sua tributação baseada na sistemática do lucro presumido. No segundo e terceiro trimestres do ano civil de 2010, apurou receitas em duas modalidades: prestação de serviços e venda de imóveis. Na apuração do imposto de renda (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) dos referidos trimestres, foram consideradas as duas modalidades de receita como sendo somente de prestação de serviço. Isto posto, as receitas de vendas de imóveis tiveram suas bases de redução calculadas à alíquota de 32% ao invés de 8% para fins de IRPJ, e no caso da CSLL à alíquota de 32% ao invés de 12%. (...) Em razão desses créditos fiscais, a partir de maio de 2011 foram solicitados pedidos de compensações, através de PER/DCOMPs para quitação de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL vincendos a partir daquela data que estão sendo objetos de questionamento de Despachos Decisórios. Lamentavelmente, quando da elaboração e apresentação da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), não foram configurados os referidos créditos fiscais na ficha 14A linha 07 e 18A linha 03, correspondente à apuração do IRPJ e da Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.658131/201218 Resolução nº 1201000.426 S1C2T1 Fl. 4 3 CSLL do segundo e terceiro trimestres de 2010, uma vez que as cifras ficaram apresentadas na linha 07 da ficha 14A (IRPJ) receita bruta sujeita ao percentual de 32% e linha 03 ficha 18A (CSLL) receita bruta sujeita ao percentual de 32%, ao invés da segregação entre as receitas sujeitas ao percentual de 32% e aquelas sujeitas ao percentual de 8%, para fins de IRPJ, e sujeitas ao percentual de 12% para fins de CSLL. Com isto, os saldos a pagar de IRPJ, bem como o da CSLL, ficaram idênticos aos valores recolhidos através de DARF não configurando a demonstração do crédito, pois se os valores apresentados na DIPJ como saldos a pagar fossem efetivamente menores do que os recolhidos, ficaria evidente o direito de crédito por recolhimento a maior. II – DO DIREITO (...) II. 2 DO MÉRITO Conforme explicado anteriormente, a empresa agiu de boa fé, utilizando os preceitos e fundamentos legais para denunciar o seu crédito e a respectiva utilização através dos instrumentos de compensação, e, em sendo assim, a empresa não pode ter o seu direito cerceado pelo equívoco que cometeu no preenchimento da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), e dessa forma não ter a homologação através de Despacho Decisório de seus créditos fiscais legítimos por recolhimento a maior. III DOCUMENTOS ANEXADOS Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (...) 8. Razão contábil do segundo e terceiro trimestres de 2010 das receitas de vendas de imóveis (Contas contábeis 3.1.02.01.0004 abril/2010 e 310301001 de maio a setembro de 2010). (...) 11. Controle de utilização dos créditos fiscais. IV DO PEDIDO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do Despacho Decisório, espera e requer a impugnante que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade para revisão da decisão e consequente cancelamento do Despacho Decisório rastreamento n° [...], consideração da existência do crédito fiscal e a homologação para compensação/quitação do débito no valor de [...]." 2. Em sessão de 26 de agosto de 2014, a 4ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade pela ausência dos elementos de prova capazes de atestar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação, conforme Acórdão nº 1660.810, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.658131/201218 Resolução nº 1201000.426 S1C2T1 Fl. 5 4 Anocalendário: 2010 DCOMP. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. A alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” 3. A DRJ/SPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Embora a Recorrente tenha juntado cópias do razão contábil e planilha própria de utilização dos créditos fiscais, ambas referentes aos segundo e terceiro trimestres de 2010, constatou que a) as cópias do Livro Razão não estão acompanhadas dos respectivos documentos de respaldo (contrato de venda e compra do imóvel; comprovante de recebimento da respectiva receita, etc); b) também não estão acompanhadas de cópias dos lançamentos correspondentes no Livro Diário, devidamente registrado na Junta Comercial. Portanto, o direito creditório pleiteado não pode ser considerado líquido e certo. 3.2. Sustenta que, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a Manifestação de Inconformidade, sob pena de precluir o direito da Recorrente fazêlo em outro momento processual. 4. Cientificada da decisão em 03/03/2016 , a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 21/03/2016, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que a prova documental produzida nos autos já seria suficiente para comprovar seu direito creditório, mas, para que não pairem dúvidas, juntou a seguinte documentação complementar: (i) escritura pública definitiva de compra e venda do imóvel (doc. 02); (ii) matrícula do imóvel de nº 179.301, do 4º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (doc. 03); (iii) cópia das DCTFS retificadoras (doc. 04); (iv) cópia do livro diários correspondente aos referidos lançamentos (doc. 05); e (v) comprovante de recebimento da receita de venda do imóvel (doc. 06). 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de receber os documentos complementares anexos e converter o julgamento em diligência baixando os autos para que a autoridade preparadora examine os documentos novos juntados que complementam a prova do crédito da Recorrente utilizado nessa DCOMP, ou dignese acolher o recurso para o fim de homologar a presente declaração de compensação. É o relatório. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.658131/201218 Resolução nº 1201000.426 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.425, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658130/201273, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.425): " 6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Em primeiro lugar, há de se ressaltar a plausibilidade jurídica do pleito da Recorrente acerca da juntada de documentação complementar em sede de Recurso Voluntário. 8. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 9. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 10. No mais, de acordo com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, é possível a juntada de provas complementares para contrapor às 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.658131/201218 Resolução nº 1201000.426 S1C2T1 Fl. 7 6 razões do julgamento de primeira instância à luz dos princípios da verdade material, ampla defesa e contraditório efetivo, verbis: " (...) PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual.Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1a instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos.E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo. (...)" (Processo nº 16327.001040/200891, Acórdão nº 1102000.940, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 08.10.2013, Relator: José Evande Carvalho Araujo) 11. Notese que, cabe a autoridade julgadora verificar a necessidade e a utilidade do recebimento da prova de forma a harmonizar valores e princípios constitucionais e processuais, verbis: " PRINCÍPIOS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. OFICIALIDADE. VERDADE MATERIAL. APRESENTAÇÃO DAS PROVAS. CONSIDERAÇÃO. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (...)" (Processo nº 10880.008207/200611), Acórdão nº 2801003.682, 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento, Sessão de 09.09.2014, Relator: Carlos César Quadros Pierre) 12. Portanto, acolho o pedido da Recorrente no sentido de admitir as provas acostadas em sede de Recurso Voluntário por considerálas úteis e necessárias para devida apreciação do processo. 13. No mais, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.658131/201218 Resolução nº 1201000.426 S1C2T1 Fl. 8 7 14. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 15. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto)(grifos nossos) 16. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 17. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 18. Tendo essas premissas em mente, passamos à análise do caso concreto. 19. A Recorrente exerce a atividade de compra e venda de imóveis próprios, bem como a locação de imóveis próprios. 20. Como é sabido, na venda de imóveis próprios a alíquota de presunção do lucro é de 8% (IRPJ) e 12% de CSLL, sendo que na locação, esta alíquota é de 32% 21. Entre abril de 2010 e setembro de 2010 a Recorrente vendeu um imóvel próprio e apurou IRPJ e a CSLL como locação. Portanto, tributou à alíquota de 32% ao invés de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL), daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ e CSLL no segundo e terceiro trimestres do anocalendário de 2010. 22. No presente caso, não há controvérsia acerca do preenchimento dos requisitos (i) e (ii) constantes do item 16, mas do (iii). A DRJ [...] considerou que as provas apresentadas em sede de Manifestação de Inconformidade [...] não foram suficientes para que o crédito pleiteado fosse considerado líquido e certo. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.658131/201218 Resolução nº 1201000.426 S1C2T1 Fl. 9 8 23. Ocorre que, a ora Recorrente tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto, complementarmente, em seu Recurso Voluntário [...], apresentou vasta documentação probatória hábil a demonstrar a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo, tais como: (i) doze DARFs de recolhimento de IRPJ e da CSLL referente ao segundo e terceiro trimestre de 2010 [...]); (ii) fichas 14A e 18A do segundo e terceiro trimestre de 2010 da DIPJ Original [...]; (iii) fichas 14A e 18A do segundo e terceiro trimestre de 2010 da DIPJ Retificadora transmitida em 21/11/2012 e seu recibo [...]; (iv) razão contábil do segundo e terceiro trimestre de 2010 das receitas de vendas de imóveis (contas contábeis 3.1.02.01.0004 abril/2010 e 310301001 de maio a setembro de 2010,[...]); (v) escritura pública definitiva de compra e venda do imóvel (doc. 02, [...]); (vi) matrícula do imóvel de nº 179.301, do 4º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (doc. 03, [...]); (vii) cópia das DCTFS retificadoras (doc. 04, [...]); (viii) cópia do livro diários correspondente aos referidos lançamentos (doc. 05, [...]); e (ix) comprovante de recebimento da receita de venda do imóvel (doc. 06, [...]). 24. A priori, a documentação fiscal e contábil trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 25.Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 26. Em face do exposto, diante de toda a documentação acostada aos autos, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo aos períodos sob apreciação; (ii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ e CSLL, anocalendário 2010, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 27. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 28. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.658131/201218 Resolução nº 1201000.426 S1C2T1 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 156DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720043/2013-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE DIREITO CREDITÓRIO. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é possível a aplicação do instituto da decadência, tampouco da homologação tácita, em relação a direito creditório requerido por contribuinte. Os institutos dizem respeito à inércia do Estado em constituir o crédito tributário, do que resulta perda do direito por decurso do tempo. Por outro lado esses mesmos institutos não se coadunam com a aquisição de crédito do contribuinte contra o Estado pela passagem do tempo, uma vez que este último tem o poder/dever de averiguar a liquidez e a certeza do crédito requerido.
Numero da decisão: 1302-002.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, para, no mérito negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto do relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível a aplicação do instituto da decadência, tampouco da homologação tácita, em relação a direito creditório requerido por contribuinte. Os institutos dizem respeito à inércia do Estado em constituir o crédito tributário, do que resulta perda do direito por decurso do tempo. Por outro lado esses mesmos institutos não se coadunam com a aquisição de crédito do contribuinte contra o Estado pela passagem do tempo, uma vez que este último tem o poder/dever de averiguar a liquidez e a certeza do crédito requerido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, para, no mérito negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto do relator. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 00 43 /2 01 3- 46 Fl. 608DF CARF MF 2 Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Empresa apresentou Dcomp pleiteando um direito creditório de R$50.921.374,02, relativo a saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005. No Despacho Decisório (DD) de folhas 43/45, a autoridade administrativa não confirmou o IRRF no valor de R$283.566,21 (retenção contribuições, CSLL, PIS, Cofins, sobre pagamento de PJ a PJ, CNPJ 27.240.092/000133) e reconheceu o valor de R$29.758,68 relativo à retenção de R$32.652,47 (CSLL pagamento Pj a PJ, CNPJ 16.628.281/000161). Por outro lado, a compensação de estimativa de 11/2005, vinculada à Dcomp 32948.60744.291205.1.3.024093, não foi homologada por inexistência de crédito, assim, o valor foi ser abatido do total das estimativas que compõem o saldo negativo. Valor da estimativa: R$1.599.444,40. Valor remanescente de estimativas: R$379.721.367,22. Os demais pagamentos de estimativa foram confirmados. Conforme extrato de folha 4, há dois processos de auto de infração referentes ao mesmo tributo: 18471.001243/200769 e 18471.000141/200815. A análise dos autos de infração no DD concluiu: 10. Às fls. 05/06 verificamos que o auto de infração n.º 18471.001243/200769 somente alterou a base de cálculo da CSLL do ano calendário 2002, mas o outro auto de infração de n.º 18471.000141/200815 alterou a base de cálculo da CSLL do ano calendário de 2005, do valor de R$ 4.297.093.241,19 para R$ 8.423.975.241,19. 11. Por isso, recalculamos o saldo do período da seguinte forma: Fl. 609DF CARF MF Processo nº 16682.720043/201346 Acórdão n.º 1302002.902 S1C3T2 Fl. 609 3 Deste valor ainda foi excluído o IRRF não confirmado de R$286.460,00 sendo confirmado um saldo negativo, restando uma CSLL a pagar de R$378.447.600,80. Assim, o direito creditório não foi reconhecido e não foram homologadas as compensações. A VALE apresentou Manifestação de Inconformidade cujas alegações estão bem retratadas no acórdão recorrido, in verbis: já decaiu o direito do fisco revisar as declarações fiscais apresentadas no exercício de 2006, relativas ao anocalendário de 2005; a estimativa de novembro de 2005 já foi integralmente paga nos autos do processo administrativo nº 15374.940200/200891; o ajuste de base de cálculo da CSLL devida no anocalendário de 2005, realizado pelo processo administrativo nº 18471.000141/200815, não pode ser considerado nesse momento para alterar as informações contempladas em sua DIPJ; primeiro porque o fisco jamais promoveu os correspondentes ajustes na DIPJ, in concreto, de modo a recompor a base de cálculo da CSLL e ajustar a base negativa de CSLL, pelo que a declaração que apurou base negativa de CSLL no ano calendário de 2005 restou homologada tacitamente pelo fisco, tendo em vista o decurso do prazo decadencial de cinco anos; segundo porque existe causa suspensiva da exigibilidade desses valores de CSLL consubstanciados no processo administrativo nº 18471.000141/200815, cobrados atualmente nos autos da execução fiscal nº 002395911.2012.4.025101; existe ordem emanada nos autos da ação cautelar nº 3141, em trâmite no Supremo Tribunal Federal, que expressamente suspende a exigibilidade do crédito discutido no processo administrativo nº 18471.000141/200815, sendo que qualquer entendimento contrário a essa decisão – como é o caso da decisão ora contestada – indica descumprimento da decisão judicial e da própria causa suspensiva da exigibilidade por ela imposta; a origem desse novo cálculo, que culminou com a ilação de que não existiria base negativa de CSLL, está vinculada à adição de lucros de sua controlada direta na Dinamarca, que não lhe foram distribuídos por ato de disposição de vontade da empresa estrangeira; a fiscalização não levou em consideração a uma disposição bastante específica do Tratado contra a dupla tributação Brasil/Dinamarca, que expressamente impede a tributação no Brasil de lucros não distribuídos pela entidade Dinamarquesa à investidora Brasileira; essa regra especial não foi analisada pela decisão recorrida, aliás, em nenhum procedimento administrativo ou judicial envolvendo o interessado, o que demonstra que esse aspecto deveria ter sido considerado pelo despacho decisório, na medida em que o ajuste proposto pela autoridade fiscal é indevido. 6. Posteriormente, o interessado requereu a juntada do acórdão de fls.436/441, recentemente proferido por esta Turma de Julgamento, que reconheceu a validade de crédito por ele utilizado em situação análogo à presente. Fl. 610DF CARF MF 4 Em decisão de 17 de julho de 2013, a 2ª Turma da DRJ/RJ1, reconheceu o direito creditório no valor de R$50.634.914,02, homologando as compensações até o limite do crédito. Em seu voto, o I Relator assim fundamentou sua decisão: sobre a não comprovação da retenção de R$286.460,00, ante a não apresentação de nenhum documentos comprobatório, afastou a alegação de decadência com base na Solução de Consulta Interna (SCI) nº 16 COSIT, de caráter vinculante para aquele Órgão, que atesta a obrigatoriedade da autoridade administrativa verificar a liquidez e certeza do direito creditório. Assim, manteve a glosa do valor no cálculo da base negativa. Quanto à estimativa cuja compensação não foi homologada, relativa à novembro de 2005, o documento de folha 444 comprova que houve o quitação no processo de compensação, pelo que restabelece o valor no montante do saldo; No que se refere ao procedimento de ofício, concluiu: 24. Verificase que o lançamento foi impugnado, e em razão de concomitância entre a matéria tratada naquele processo e no mandado de segurança nº 2003.51.01.0029370, o crédito tributário foi considerado constituído definitivamente na esfera administrativa e encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para a inscrição na Dívida Ativa da União. 25. Atualmente a exigibilidade do crédito tributário encontrase suspensa por força de recurso extraordinário interposto pelo interessado contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, prolatado na apelação cível nº 000293709.2003.4.025101. 26. Caso a decisão judicial seja favorável à Fazenda Pública, o interessado será instado a recolher naquele processo, entre outros valores, a CSLL do ano calendário de 2005 no montante de R$ 371.419.380,00. Desta forma, procede a alegação de que a dedução da CSLL no presente processo corresponde, na verdade, à duplicidade da exigência. Além do que, caracteriza descumprimento de ordem judicial, em face da exigibilidade suspensa supramencionada. Feitas essas considerações, refez o cálculo do saldo negativo de CSLL: Inconformada, a Empresa apresentou Recurso Voluntário (RV), com as alegações assim resumidas no relatório da Resolução de folhas 549: Fl. 611DF CARF MF Processo nº 16682.720043/201346 Acórdão n.º 1302002.902 S1C3T2 Fl. 610 5 Ciente da decisão de primeira instância em 18/09/2013, conforme documento de fl. 465, e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário em 17/10/2013 (autenticação digital no rodapé do documento, razões de recurso às fls. 471/496), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Após historiar o ocorrido, por sua ótica, a recorrente ressalta que, do direito creditório originalmente pleiteado de R$ 50.921.374,02, a decisão de primeira instância reconheceu R$ 50.634.914,02. Portanto, somente R$ 286.460,00 não teriam sido reconhecidos, com a cobrança de R$ 7.063.353,62 acrescidos de multa e juros, totalizando R$ 10.489.080,12, o que não guardaria qualquer consonância com o teor da decisão proferida. Sustenta que não haveria nos autos qualquer memória de cálculo ou esclarecimento da metodologia adotada, que permitisse a compreensão de como se chegou ao valor da exigência. Com isso restaria prejudicado seu direito à ampla defesa e ao contraditório, pois não haveria como impugnar especificamente algum ato ou ponto. Pede, então, a nulidade ou reforma do ato da Autoridade Preparadora. A recorrente acrescenta que efetuou os cálculos, segundo seu entendimento, do crédito reconhecido em primeira instância, e concluiu que os créditos atualizados seriam suficientes para extinguir os débitos compensados, conforme memória de cálculo e planilha que faz anexar. Alternativamente, caso assim não se entenda, a recorrente pede a baixa dos autos em diligência, para que a Autoridade Preparadora acoste ao presente processo a memória de cálculo que conduziu ao valor devedor de R$ 7.063.353,62. No que toca às retenções de CSLL na fonte que não teriam sido integralmente confirmadas, a recorrente afirma que não seria possível à Autoridade Fiscal revisitar as declarações fiscais do anocalendário 2005, e que já teria ocorrido a homologação tácita da base negativa de CSLL. Em Resolução datada de 22 de outubro de 2014, os autos foram baixados em diligência à Unidade de Origem, para que: 1. A Autoridade Preparadora faça acostar aos autos cópias das DCOMPs nº 02728.33146.140110.1.7.034675 (retificadora), nº 09311.04427.210206.1.3.030565 (retificada), nº 41014.56723.140110.1.7.030023 (retificadora), nº 11239.51931.030407.1.3.031368 (retificada) e nº 40772.31941.310810.1.3.038079. As cópias devem permitir a perfeita identificação da data de transmissão de cada declaração. 2. A Autoridade Preparadora faça acostar aos autos demonstrativo detalhado e analítico da compensação levada a efeito com base no Acórdão nº 1257.827, de 17/07/2013 (fls. 445/453) , no qual estejam claramente discriminados, no mínimo: (i) os créditos e débitos objeto da compensação, em valores originais; (ii) as datas de valoração dos débitos e créditos, para fins de compensação; (iii) os percentuais e valores de juros e multas incidentes sobre os débitos e créditos, se for o caso; (iv) outros aspectos indispensáveis à perfeita compreensão dos cálculos e à apuração do saldo devedor não homologado, ao final da compensação. 3. A Autoridade Preparadora se manifeste sobre os critérios, cálculos, índices e datas que a recorrente entende corretos, em especial itens 38 e 39 da peça recursal à fl. 486, e sobre a planilha de fl. 529. Fl. 612DF CARF MF 6 Concluída a diligência, deve ser dada ciência de seu conteúdo à interessada, ofertandolhe prazo de trinta dias para, se assim desejar, se pronunciar nos autos. Na sequência, o processo deve retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. A autoridade administrativa apresentou Relatório de Diligência, no qual se verifica: 1) a identificação das datas de transmissão das Dcomp (fl. 591); 2) a informação de que os cálculos da compensação são realizados automaticamente pelos sistemas informatizados da RFB, mas que, apresenta os cálculos elaborados separadamente com base no Sistema de Apoio Operacional (SAPO) (fls. 584/586), encontrando um saldo devedor de R$3.994,86 a título de IRPJ do período de apuração de 07/2010. Registra que este é o correto saldo devedor decorrente das compensações levadas a efeito com base no Acórdão nº 1257.827, de 17/07/2013 (DRJ). 3) aponta como responsável pela diferença de saldo devedor o dado "data da valoração", em especial relativa à data de apresentação da Dcomp 09311.04427.210206.1.3.03 0565, considerada como 21/06/2006, não sabendo informar, contudo, a razão pela qual ocorreu o erro; 4) quanto à análise dos cálculos apresentados pelo Recorrente, registra: 6. Relativamente ao quanto solicitado no subitem “c” do primeiro parágrafo do presente relatório, confrontei as alegações constantes dos itens “38” e “39” da peça recursal (fls. 486) com os dados constantes da tabela acostada às fls. 529. De plano, devese registrar que, contrariamente ao afirmado no item “38” de fls. 486, o valor do crédito utilizado na tabela de fls. 529 não corresponde a R$ 50.634.914,02, mas, sim, a R$ 50.921.374,00. No que diz respeito aos demais dados inseridos na planilha de fls. 529, cumpre observar: a) há uma incorreção no valor da taxa Selic utilizado na 1ª compensação, na medida em que a taxa Selic a ser utilizada deveria ser 2,43% (fls. 585), e não 1,00%, conforme ali consignado; b) o contribuinte deixou de considerar a incidência do percentual de 20% de multa de mora (0,33% ao dia, limitado a 20%) em relação à 2ª compensação, haja vista que o débito já havia vencido (em 31/07/2006) por ocasião da transmissão da Declaração de Compensação nº 11239.51931.030407.1.3.031368 (em 03/04/2007); E encerra o relatório: Em conclusão, não é possível levar em consideração os cálculos demonstrados pelo contribuinte, os quais apontariam a existência de saldo de crédito a seu favor, no montante de R$ 232.374,28. De forma contrária, ainda há saldo devedor, no valor de R$ 3.994,86 a título de IRPJ do período de apuração 07/2010, conforme anteriormente abordado no item “4” do presente relatório. Em sua manifestação relativa à diligência realizada, a Recorrente aceita os cálculos que apuraram um saldo de R$3.994,86, e não R$7.063.353,62, requerendo que os apresentados anteriormente sejam retificados. Ressalva que os cálculos partem de um valor que não considera os R$286.460,00, relativo à retenção não comprovada, para o qual entende, conforme RV, que já ocorreu a homologação tácita da base negativa de CSLL apurada em 2005. É o relatório. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 16682.720043/201346 Acórdão n.º 1302002.902 S1C3T2 Fl. 611 7 Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator O recurso é tempestivo, a representação é regular. Conheço do Recurso Voluntário. A lide se restringe ao não reconhecimento da parcela de R$286.460,00, relativo às retenções na fonte não comprovadas em comparação com as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras e à inconformidade da Contribuinte em relação aos cálculos da execução do acórdão da DRJ, que apresentam uma saldo de R$7.063.353,62 de débitos não compensados, quando os cálculos por ela realizados não apresentam saldo a pagar. Sobre o primeiro aspecto alega que já foi homologado tacitamente o saldo negativo da CSLL, nos moldes do § 4º do artigo 150 do CTN, sem apresentar argumentos ou documentos relativos à comprovação do IRRF. Não tem razão a Recorrente. A autoridade administrativa tem dever de analisar a liquidez e a certeza do direito creditório apontado pelos contribuintes passíveis de restituição ou compensação, forte no artigo 170 do CTN, e o contribuinte tem o dever de guardar e apresentar toda a documentação que respalda o direito alegado. O instituto da decadência pune a inércia do Estado em não constituir o crédito tributário em tempo razoável, atribuindo segurança ao sistema, pois o contribuinte não pode esperar ad aeternum a tomada de atitude estatal. Contudo, o instituto não se presta à aquisição de direito creditório por decurso do tempo. São duas situações totalmente distintas: a limitação temporal de o Estado agir para cobrar o que lhe seria devido, na constituição do crédito tributário; e a aquisição de direito a crédito contra o Estado, sem que este tenha a possibilidade de exigir qualquer comprovação, por conta do decurso de prazo. Esse entendimento já foi consagrado nesta Turma Ordinária, conforme se lê da ementa do acórdão nº 1302002.328, da relatoria do I. Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, proferido em 27 de julho de 2017: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. DECADÊNCIA DO DIREITO DE REVISAR. INEXISTÊNCIA. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o poder/dever de constituir o crédito tributário estaria obstado. Não se submetem à decadência do direito de fisco revisar seus assentamentos contábeis e fiscais os saldos negativos de CSLL apurados direta ou indiretamente nas declarações apresentadas a serem regularmente comprovados quando objeto de pedido de restituição ou declaração de compensação. Fl. 614DF CARF MF 8 De resto, precedentes deste CARF corroboram o entendimento, se não vejamos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002 DECADÊNCIA. É inócua discussão acerca da decadência do direito ao lançamento de ofício que altera o saldo de prejuízos do contribuinte, se apenas foi efetuada análise e apuração, porém não foi efetuado o lançamento de ofício. (Acórdão nº 1201001.987 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2018); Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. VERIFICAÇÃO. DECADÊNCIA. CTN, ARTIGOS 150, § 4º, ou 173, I. IMPROCEDÊNCIA. A certificação da certeza e liquidez do crédito decorrente de saldo negativo de CSLL não se submete às regras de decadência dos artigos 173, I, e 150, § 4º, do CTN. (Acórdão 1301002.595 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2017). Assim tem entendido, também, a CSRF: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO ORIGINADO EM ANOS ANTERIORES. APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. GLOSA DE SALDO NEGATIVO SEM TRIBUTO A PAGAR. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Quando o crédito utilizado na compensação tem origem em saldos negativos de anos anteriores, há que se proceder com análise da apuração de cada um dos anoscalendário pretéritos, que serviram para a composição do saldo negativo utilizado como direito creditório. Tratase de apreciação no qual não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário. Caso resulte em glosa de saldo negativo sem desdobramento em tributo a pagar, não se constitui em lançamento de ofício, razão pela qual não se submete à contagem do prazo decadencial. Tratase de situação complemente diferente daquela em que a glosa do saldo negativo tem como resultado tributo a pagar, ocasião na qual o correspondente lançamento de ofício só poderá ser efetuado caso esteja dentro do prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Acórdão nº 9101003.156 – 1ª Turma Sessão de 05 de outubro de 2017). Assim, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a glosa dos valores de IRRF não confirmados no DD. Com relação à execução do acórdão recorrido, cujos cálculos foram impugnados pela Recorrente, é de se notar que ultrapassam os limites desta lide, pelo que não deve ser conhecido do recurso neste ponto. Todavia, ante a acurada diligência realizada, que apontou equívoco nos cálculos anteriores que representavam prejuízo substancial ao Recorrente, recomendo à Unidade de Origem que observe estes cálculos, evitando prorrogação desnecessária da solução desta querela. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 16682.720043/201346 Acórdão n.º 1302002.902 S1C3T2 Fl. 612 9 Feitas essas considerações, conheço parcialmente o Recurso Voluntário, e negolhe provimento, não reconhecendo as retenções na fonte no valor de R$286.460,00. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 616DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.001879/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONJUNTO PROBATÓRIO ILÍCITO. DECISÃO JUDICIAL. NULIDADE
Tendo em vista a existência uma decisão judicial que considera o conjunto probatório dos processos principais ilícito e outra que anula o processo administrativo originário, não há como se manter o lançamento de ofício presente no procedimento administrativo acessório.
Assim, diante da insubsistência dos procedimentos administrativos fiscais originários, que deram origem ao processo administrativo acessório e estão diretamente atrelados a este, o lançamento de ofício merece ser cancelado.
Numero da decisão: 2401-005.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para declarar nulo o lançamento por vício material.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente)
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONJUNTO PROBATÓRIO ILÍCITO. DECISÃO JUDICIAL. NULIDADE Tendo em vista a existência uma decisão judicial que considera o conjunto probatório dos processos principais ilícito e outra que anula o processo administrativo originário, não há como se manter o lançamento de ofício presente no procedimento administrativo acessório. Assim, diante da insubsistência dos procedimentos administrativos fiscais originários, que deram origem ao processo administrativo acessório e estão diretamente atrelados a este, o lançamento de ofício merece ser cancelado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento para declarar nulo o lançamento por vício material. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 18 79 /2 01 0- 75 Fl. 627DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente) Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração – AI DEBCAD nº 37.277.8496 de fl. 2, lavrado em decorrência do não recolhimento de contribuições sociais previdenciárias, que apurou o crédito tributário no montante de R$ 165.367,83 (cento e sessenta e cinco mil e trezentos e sessenta e sete reais e oitenta e três centavos), já acrescido de juros e multa moratória, referente às seguintes competências de lançamento do crédito tributário: 01/2005 a 03/2005; 06/2005 a 09/2005; 12 e 13/2005; 01/2006 a 03/2006 06/2006 a 09/2006; 13/2006; 01/2007 a 03/2007; e 06/2007. Consta do Relatório Fiscal (fls. 52/74) o que segue: “[...] 7 DA EXCLUSÃO DO SIMPLES [...] 7.3. À parte a discussão judicial, que, por ora, garante sua inscrição no CNPJ e permanência no SIMPLES, em 2009 a empresa foi submetida à ação fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 10.1.06.002009003129, de que resultaram os processos n° 11020.003765/200926 e 11020.003766/200971, relativos, o primeiro, a Autos de Infração de Imposto de Renda sobre o Lucro Arbitrado IRPJ, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, de contribuição para o Programa de Integração Social PIS e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, bem como à sua exclusão do SIMPLES e, o segundo, a Auto de Infração de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. 7.3.1. Diante da constatação da emissão de notas fiscais com valores abaixo do efetivamente negociado e da não escrituração da real movimentação bancária, o que caracterizaria prática reiterada de infração à legislação tributária notadamente o art. 14, inciso V, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, que dispõe sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte e institui o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, assim como o art. 195, inciso V, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 , a ora autuada foi excluída da sistemática simplificada de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o art. 3 o da já Fl. 628DF CARF MF Processo nº 11020.001879/201075 Acórdão n.º 2401005.547 S2C4T1 Fl. 3 3 citada Lei n° 9.317, de 1996, tendo a exclusão, com efeitos retroativos a 1° de janeiro de 2004, sido formalizada através do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL n° 95, de 30 de novembro de 2009. [...] 8 DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS EM RAZÃO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES 8.1. Em que pese ainda não ter se tornado definitiva, a exclusão da empresa do regime simplificado faz restabelecer a exigibilidade dos impostos e contribuições antes nele abrangidos, notadamente as contribuições patronais previdenciárias, como se vê dos arts. 3o e 16 da Lei n° 9.317, de 1996, e transcritos a seguir: [...] 8.2. As contribuições para a Seguridade Social, a cargo da ora autuada, devidas em razão de sua exclusão do SIMPLES, e não recolhidas, são aquelas previstas no art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, que instituiu o Plano de Custeio, reproduzido a seguir: [...] 8.3. No que diz respeito à contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão dos riscos ambientais do trabalho, contemplada no inciso I I do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, à atividade preponderante é dado, até maio de 2007, enquadramento conforme CNAE, e grau de risco conforme Anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999; a partir de junho de 2007, o enquadramento passa a ser dado conforme CNAE 2.0, e, o grau de risco, conforme redação dada ao Anexo V do RPS pelo Decreto n° 6.042, de 12 de janeiro de 2007. 8.3.1. Nesse sentido, a atividade preponderante desenvolvida pela ora autuada enquadrase, de janeiro de 2005 a maio de 2007, no código 36.919 da CNAE lapidação de pedras preciosas e semipreciosas, fabricação de artefatos de ourivesaria e joalheria e, de junho de 2007 em diante, no código 32116/02 da CNAE 2.0 fabricação de artefatos de joalheria e ourivesaria , sendo que, ao primeiro enquadramento, corresponde grau de risco máximo, com contribuição calculada à razão de 3%, e, ao segundo, grau de risco mínimo, com contribuição calculada à razão de 1% da remuneração paga, devida ou creditada a segurados empregados e trabalhadores avulsos a serviço da empresa. 8.4. Além de incluir no pagamento mensal unificado as contribuições patronais previdenciárias, o SIMPLES dispensava microempresas e empresas de pequeno porte do pagamento das demais contribuições instituídas pela União, assim consideradas aquelas destinadas a Fl. 629DF CARF MF 4 entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical e demais entidades de serviço social autônomo. Com a exclusão da empresa do regime simplificado, restabelecemse igualmente as contribuições destinadas a tais entidades e fundos, as quais, contudo, são objeto do Auto de Infração DEBCAD n° 37.277.8500. [...] 12 DAS CONTRIBUIÇÕES PAGAS 12.1. As contribuições devidas à Seguridade Social a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, arrecadadas pela empresa mediante desconto da remuneração paga aos mesmos, foram recolhidas em Guias da Previdência Social GPS, em época própria, exceção feita àquelas devidas pelos representantes comerciais pessoas físicas (Cremilson da Costa Lima, Elvls Afonso Fogaça, José Fernando Heck e Luis Antonio de Andrade), deles não descontadas, sendo que as respectivas remunerações, como já mencionado, não foram declaradas em GFIP. 12.2. A despeito da apropriação dos valores correspondentes às contribuições patronais previdenciárias incluídas no SIMPLES, regime do qual a ora autuada veio a ser excluída em 2009, com efeitos retroativos a I o de janeiro de 2004, cumpre registrar que não houve qualquer recolhimento em GPS das contribuições a seu cargo, previstas no art. 22, incisos I, I I e I I I , da Lei n° 8.212, de 1991. [...] 13 DA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES RELACIONADAS À GFIP [...] 13.2. Não obstante a exclusão do SIMPLES, a ora autuada, que informava ser "Optante" do regime simplificado, não procedeu à retificação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência SocialGFIP documento por meio do qual, a teor do no art. 3 2 , inciso IV, da Lei n° 8.212, de 1991, incluído pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, e alterado pela Lei n° 11.941, de 2009, as empresas declaram, mensalmente, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos de contribuição previdenciária, para fins de cobrança pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e de concessão de benefícios por parte do Instituto Nacional do Seguro Social , o que implica omissão das contribuições patronais previdenciárias por ela devidas no período de janeiro de 2005 a junho de 2007. 13.3. O cálculo do valor da multa, efetuado com base na legislação anterior e posterior à Lei n° 11.941, de 2009, a partir das contribuições apuradas em razão da exclusão da ora autuada do SIMPLES das quais abatidos os valores correspondentes às Fl. 630DF CARF MF Processo nº 11020.001879/201075 Acórdão n.º 2401005.547 S2C4T1 Fl. 4 5 contribuições patronais previdenciárias antes incluídas no regime simplificado, conforme item 9 , está explicitado nos Demonstrativos do Cálculo do Valor da Contribuição Previdenciária Apurada (Empresa + Segurados SIMPLES) e do Cálculo do Valor da Multa Aplicada, em anexo, tendo sido aplicada, em observância ao art. 106, inciso I I , alínea V , do Código Tributário Nacional, a penalidade mais benéfica, que vem a ser aquela prevista na legislação posterior à citada Medida Provisória. 13.4. Para fins de cobrança do tributo devido no período, das contribuições apuradas em razão da exclusão da ora autuada do SIMPLES, no valor de R$ 156.987,97, foram diminuídas as contribuições patronais previdenciárias antes incluídas no regime simplificado, até o limite das contribuições devidas, competência a competência, no valor de R$ 82.989,16, resultando no total de R$ 73.998,83, conforme colunas "H", "3" e "K", respectivamente, do Demonstrativo do Cálculo do Valor da Contribuição Previdenciária Apurada (Empresa + Segurados SIMPLES). Para fins de cobrança da multa pela apresentação de declaração inexata, no entanto, das contribuições omitidas em GFIP, no valor de R$ 156.987,97, não foram diminuídas quaisquer parcelas, estando o referido valor sujeito apenas ao limite a que se referia o § 4 o do art. 32 da Lei n° 8.212, de 1991, depois revogado pela Lei n° 11.941, de 2009. 13.5. Tendo em vista que a empresa possuía de 16 a 50 segurados no período, conforme informações retiradas das GFIP por ela apresentadas, o valor da multa estaria limitado, por competência, a duas vezes o valor mínimo, ou seja, a R$ 2.863,58, a teor do art. 8 o , inciso V, da Portaria Interministerial MPS/MF n° 333, de 29 de junho de 2010. 13.6. Assim, observados a legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e o valor das contribuições previdenciárias devidas e não declaradas em GFIP, a multa isolada, correspondente a 100% (cem por cento) das contribuições devidas e não declaradas considerado o limite mencionado no subitem anterior , mais a multa de 2 4% (vinte e quatro por cento) das contribuições em atraso, em todas as competências, de R$ 109.394,28, conforme coluna "3" do Demonstrativo do Cálculo do Valor da Multa Aplicada, seria mais gravosa que a multa do lançamento de ofício, de 7 5% (setenta e cinco por cento) do tributo devido, de R$ 55.499,12, conforme coluna "K" do mesmo Demonstrativo, pelo que a penalidade ora aplicada, por ser mais benéfica ao autuado, é a multa do lançamento de ofício. 14 DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO 14.1. Pelos fatos apurados, fica imputada ao sujeito passivo ícaro Artefatos de Metais Ltda. a responsabilidade pelo crédito previdenciário constituído pelo presente Auto de Infração, no montante Fl. 631DF CARF MF 6 consolidado de R$ 165.367,83 (cento e sessenta e cinco mil, trezentos e sessenta e sete reais e oitenta e três centavos), relativo às contribuições destinadas à Seguridade Social, a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, bem como das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho [...] Devidamente cientificada do lançamento em 05/07/2010 (fl. 338), a Interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 339/414), alegando, em síntese: (i) Preliminarmente, a necessidade de suspensão do presente procedimento administrativo, pois não havia decisão definitiva nos Autos de Infração nº 11020.003766/2009/71 e 11020.003765/200926, que deram origem ao presente procedimento administrativo, onde a interessada apresentou seu inconformismo contra o ato que a excluiu do SIMPLES; (ii) No mérito, que a base de cálculo da contribuição previdenciária em discussão deve ser composta apenas de verbas de natureza salarial ou remuneratória, conforme previsão legal. Assim, deveria ser reconhecida a inexigibilidade da contribuição previdenciária patronal referente às competência de 01/2005 a 06/2007, incidentes sobre os valores pagos a título de terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e dos primeiros quinze dias pagos a empregados enfermos em decorrência de afastamentos das atividades laborais; (iii) Que a contribuição destinada ao custeio do Seguro Acidente do Trabalho – SAT não poderia ser exigida pelo fisco até que seja editada lei ordinária que venha a definir o conceito de atividade preponderante e os conceitos de risco leve, médio e grave, delimitando, inclusive, os parâmetros necessários para a apuração do valor devido pelas empresas contribuintes a este título; (iv) Que, subsidiariamente, seria inexigível a SAT em percentual superior a 1% sobre a remuneração dos empregados enquanto a legislação não regular a referida matéria. (v) Que a contribuição SAT não pode ser exigida com base na Lei 9732/98, pois esta é inconstitucional. Além do mais, a exigência da referida contribuição é destinada ao custeio de benefício previdenciário incerto, pois, com exceção das profissões especializadas (mineiros, enfermeiros e outras), o fato de um trabalhador exercer atividade não qualificada permanecer exposto a agentes nocivos à saúde não gera a presunção de que o mesmo terá direito ou irá requerer uma aposentadoria especial. Portanto, tendo em vista a incerteza do destino da contribuição, esta seria inexigível para evitar o locupletamento do ente previdenciário. (vi) Que os valores arbitrados a título de multa se encontram fora dos parâmetros da proporcionalidade e da razoabilidade, violando, assim, princípios legais e constitucionais. Assim, a multa é inexigível; e (vii) Que a aplicação da taxa SELIC para os cálculos dos juros moratórios seria ilegal, pois deveria ser aplicada a taxa de juros moratórios de 1% ao mês, conforme fixado no artigo 161, § 1º, do CTN. (viii) Ao final requer: (a) seja recebida e devidamente processada a presente Impugnação, imediatamente, suspendendose a apreciação do presente auto de Fl. 632DF CARF MF Processo nº 11020.001879/201075 Acórdão n.º 2401005.547 S2C4T1 Fl. 5 7 infração em tela, até decisão definitiva nos autos de infração ns. 11020.003766/2009 71 e 11020.003765/200926, nos termos do artigo 151, III do CTN; e (b) alternativamente, acaso julgados definitivamente indeferidos os autos de infração ns. 11020.003766/200971 e 11020.003765/200926, seja desconstituído o Auto de Infração ora impugnado, nos termos de toda argumentação acima despendida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0933.871 da 5ª Turma da DRJ/JFA, às fls. 432/444, julgando procedente em parte a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido em parte. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBI ÍÇÕES SOCIAIS PREVIDENCÍÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007 CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS. A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis c atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido pagamento antecipado, o prazo decadcncial é contado a partir da ocorrência do lato gerador. Impugnação Procedente em Parte Credito Tributário Mantido em Parte” Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 454/496, argumentando o que segue: (i) Que sua exclusão do SIMPLES ocorreu apenas em 2009 e, portanto, a decisão que a excluiu não poderia retroagir ao ano de 2005. Assim, a exclusão deveria surtir efeitos a partir do mês subsequente da respectiva decisão. Nesse sentido, como a exclusão foi formalizada por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 95 de 30 de novembro de 2009, a aplicação de seus efeitos com referência a ano anterior feriria o princípio da irretroatividade. Nesse sentido, juntou jurisprudência. (ii) Que a alíquota aplicada para o Risco de Acidente de Trabalho deveria ser reduzida de 3% para 1%, pois sua atividade preponderante é de risco leve, conforme disciplina o Decreto nº 6.042/07, anexo V. Fl. 633DF CARF MF 8 (iii) Que as contribuições destinadas ao custeio da seguridade social são incidentes apenas sobre verbas remuneratórias, excluindose, portanto, aquelas de natureza indenizatória, conforme disposto na Lei nº 8.212/91. Assim, não poderia haver a incidência das referidas contribuições nos primeiros quinze dias em que o empregado está afastado por motivo de auxíliodoença ou auxílioacidente, no terço constitucional de férias, nos valores pagos a título de participação nos lucros e resultados e no aviso prévio indenizado. Nesse sentido, apresentou jurisprudências. (iv) Que não deve ser aplicada a taxa SELIC para fins de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada e que tal entendimento já foi reconhecido pelo próprio CARF. Ao final, requer: “a) seja o presente Recurso Voluntário, recebido eis que preenchidos os pressupostos legais; b) quando da análise do pleito, sejam todas as postulações veiculadas nas razões recursais analisadas sob o ponto de vista do principio da verdade material (verdade real), que se vincula diretamente ao princípio da legalidade, bem como da legalidade processual e, por isso mesmo, aplicável ao feito em voga; c) seja decretada a nulidade da totalidade do Auto de Infração n.°: 37.277.8496, cancelandose o crédito tributário nele consubstanciado, processo administrativo de n.°: 11020.001879/201075, eis que a empresa não pode ser excluída do simples, pois não há nos autos elementos capazes de amparar esta exclusão; caso esta exclusão seja aceita como valida, o que não se acredita, neste caso os efeitos da exclusão só poderiam gerar efeitos após o ato de exclusão, ou seja após 2009 e não no passado (2005 a 2007); d) caso não declaradas as nulidades acima citadas e que fulminam a peça fiscal ‘in tótum’, seja reduzida a alíquota do Risco de Acidente de Trabalho para 1% (um por cento), bem como seja excluída a incidência sobre as seguintes parcelas: d.l) sobre as verbas pagas pelo empregador nos primeiros 15 que antecedem a concessão do auxíliodoença e ou acidente; d.2) horas extras e seu adicional;d.3) 1/3 sobre as férias e férias indenizadas; d.4) sobre distribuição de lucros e resultados, d.5) aviso prévio indenizado; em conformidade com os argumentos acima expostos; e) A exclusão dos juros sobre a multa, com julgamento isonômico com a decisão proferida no Primeiro Conselho de Contribuintes, da Terceira Câmara, no Recurso de n°: 161331, processo n°: 10680.002472/200723, Acórdão n.°: 10323428.” Após a interposição do Recurso Voluntário, a 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária decidiu, em 17/04/2012, por meio do Despacho nº 2403.044 (fls. 505/506), converter o julgamento em diligência, determinando o seguinte: “Considerando que a grande celeuma do caso em tela referese ao fato da auditoria ter lavrado auto de infração cujo objeto é a cobrança de valores referentes às contribuições patronais e as relativas ao SAT decorrente da exclusão da empresa do SIMPLES (período 01/2005 a 06/2007), por ter sido constatada a emissão de nota fiscal com o valor abaixo do negociado na realidade acompanhada da falta de escrituração na real movimentação bancária, configurandose como prática reiterada de infração à legislação tributária Fl. 634DF CARF MF Processo nº 11020.001879/201075 Acórdão n.º 2401005.547 S2C4T1 Fl. 6 9 Considerando que o ato que determinou a exclusão do SIMPLES deve possuir caráter definitivo. Considerando que de acordo com as informações trazidas aos autos, o ADE n 95 de 30/11/2009, que excluiu a recorrente do regime simplificado de arrecadação, provocou a insatisfação do contribuinte mediante impugnação e o consequente início de um processo administrativo tributário (13018.000174/200203). Entendo, portanto, que seja imprescindível verificar se a empresa estar definitivamente excluída do regime simplificado de tributação, o que só pode ser confirmado com a decisão de última instância do referido processo. Nesse processo, segundo os autos e conforme informações obtidas do sítio do Ministério da Fazenda de consulta processual <comprot.fazenda.gov.br>, só houve o julgamento por parte da DRJ, ou seja, não há como saber se uma das turmas da 1 Seção de Julgamento do CARF, competentes para apreciar situações que envolvam a inclusão/exclusão da empresa do SIMPLES, já se pronunciou acerca da matéria. Além disso, há dois processos em discussão neste Contencioso cuja autuação é decorrente também da exclusão da empresa do SIMPLES, os processos 11020.003766/200971 e 11020.003765/200926. O primeiro encontrase ainda para ser julgado pela 2 Turma Ordinária da 3 Câmara da 3 Seção de Julgamento, já o segundo, foi julgado pela 1 Turma Ordinária da 3 Câmara da 1 Seção de Julgamento, tendo ficado decidido que o lançamento deverá ser mantido. Assim, para que haja um julgamento mais acertado, tornase imprescindível saber a situação da recorrente perante o regime simplificado de tributação, o que só será possível com a realização de diligência que tenha como objetivo verificar a atual posição do processo 13018.000174/200203, inclusive se o mesmo já foi apreciado pelo CARF, pois é este o processo que visa ratificar ou anular o Ato Declaratório Executivo 95, de 30 de novembro de 2011.” Ao atender à diligência determinada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Caxias do SUL/RS apresentou Informação Fiscal (fls. 513), expondo o seguinte: “1) que, em 16/09/02, ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA. protocolizou, sob processo nº 13016.000174/2002/03, pedido de adesão ao SIMPLES FEDERAL, retroativamente a 05/06/01 (data de inscrição no CNPJ) 2) que, em 06/06/03, em vez de cientificada do indeferimento desse pedido de adesão ao SIMPLES FEDERAL, a denominada pessoa jurídica foi cientificada do ADE DRF/CXL nº 25 , de 27/05/03 (DOU de 29/05/03), com base no qual fora determinada a baixa (cancelamento) de sua inscrição no CNPJ, por inexistência de fato; 3) que, em 13/06/03, ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA. impetrou mandado de segurança, sob processo nº 2003.71.07.0081833, pedindo a nulidade do ADE DRF/CXL nº 25, de 27/05/03; Fl. 635DF CARF MF 10 4) que a decisão judicial definitiva , não concessiva da segurança pleiteada, relativamente ao referido mandado de segurança, ocorreu no julgamento do recurso especial – RESP nº 1.214.382; 5) que, em 12/04/04, a mencionada pessoa jurídica protocolizou ação de rito ordinário, sob nº 2004.71.04.0036532, pedindo a nulidade do ADE DRF/CXL nº 25, de 27/05/3, e sua adesão ao SIMPLES FEDERAL, retroativamente a 05/06/01; 6) que a decisão judicial nessa ação ordinária no ano de 2004, embora não definitiva, visto que, sob recurso especial – RESP nº 1.277.129, foino sentido de nulificar o ADE DRF/CXL nº 25, de 27/05/03, e de inclusão da ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA no SIMPLES FEDERAL, retroativamente a 05/06/01; e 7) que há decisão judicial em execução provisória de sentença contra a Fazenda Nacional no sentido de restabelecimento da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ.” Após a apresentação da referida Informação Fiscal, a Interessada requereu o adiamento do julgamento do presento Recurso Voluntária marcado para o dia 14/05/2013, sob o argumento de estava pendente de julgamento os processos que deram causa ao presente procedimento, quais sejam: 11020.003766/200971 e 11020.003765/200926 (fls.519/521). Dessa forma, a 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária, por meio da Resolução nº 2403000.144 (fls. 522/536), decidiu converter o processo em diligência sob os seguintes argumentos: “Conforme o Relatório Fiscal, os processos de exclusão do SIMPLES se referem ao processo n º 13018.000174/200203 e ao processo n º 11020.003765/200926: [...] A Diligência Fiscal requerida por esta Colenda Turma foi no sentido de se informar o resultado do processo de exclusão do SIMPLES, processo nº 13018.000174/200203, posto que a competência para tal julgamento é da 1 ª Seção do CARF: [...] A seguir, a Informação Fiscal emitida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Caxias do Sul / RS não aborda diretamente tal requerimento feito, ou seja, a de informar qual o resultado do julgamento no âmbito do CARF do processo de exclusão do SIMPLES, processo nº 13018.000174/200203. Outrossim, A Recorrente apresentou tanto em sede de Impugnação quanto em sede de Recurso Voluntário, dentre outros argumentos, o de que os processos administrativos nº 11020.003766/200971 e 11020.003765/200926, de exclusão do SIMPLES encontramse em fase de Recurso no âmbito do CARF. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar o resultado do julgamento dos processos administrativos, processo nº 13018.000174/2002 03 e ao processo nº 11020.003765/200926, de exclusão do SIMPLES, posto Fl. 636DF CARF MF Processo nº 11020.001879/201075 Acórdão n.º 2401005.547 S2C4T1 Fl. 7 11 que tais processos produzem efeitos diretamente no presente processo nº 11020. 001879/201075 veiculado pelo AIOP nº 37.277.8496. [...] CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe: (i) o resultado final dos julgamentos dos processos administrativos nº 13018.000174/200203 e nº 11020.003765/200926, de exclusão do SIMPLES, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, com a conseqüente coisa julgada administrativa; (ii) bem como, se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativotributário. Posteriormente, a Recorrente apresentou aditamento ao Recurso Voluntário (537/540) arguindo, em síntese, o seguinte: (i) Que, em 09/12/2008, a autoridade fiscal, juntamente com a Polícia Federal de Passo Fundo/RS, com base no mandado de busca e apreensão decorrente da Medida Cautelar nº 2008.71.13.0017933, comparecerem à sua sede para buscar e apreender todos os documentos que ali se encontravam, o que ocorreu, também, nas residências de seus sócios e gerentes. Contudo, o STJ, no julgamento do HC 211.393/RS, anexado aos autos (fls. 541/557) anulou a medida cautelar indicada anteriormente, determinou a devolução dos documentos e objetos apreendidos e reconheceu a ilicitude da prova obtida e a ilegalidade de sua utilização para fins de dar início a ação fiscal; Desta forma, requer: “a) o recebimento da presente manifestação e seu anexo; b) por força da decisão judicial do STJ, em decorrência dele, se há nulidade no processo de constituição do crédito tributário pela ilegalidade na forma de obtenção das 'supostas' provas que consubstanciaram os autos de infração (as quais devem ser devolvidas), e da quebra do sigilo bancário, é de ser declarado nulo o lançamento, sendo cancelada integralmente a pega fiscal.” Após, em cumprimento à diligência determinada na Resolução nº 2403 000.144 (fls. 522/536), a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Caxias do Sul/RS apresentou a seguinte informação fiscal: “1) que a decisão definitiva quanto ao pedido objeto do processo administrativo fiscal nº 13016.000174/200203 ocorreu na data do trânsito em julgado (18/04/13) da decisão judicial na ação ordinária ajuizada pela pessoa jurídica ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA., sob nº 2004.71.04.0036532 (recurso especial RESP nº 1.277.129), através da qual o poder judiciário determinou: Fl. 637DF CARF MF 12 1.1) o cancelamento do ADE DRF/CXL nº 25, de 27/05/03, então instrumento formal do cancelamento da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ: e, 1.2) a inclusão da pessoa jurídica no regime de tributação denominado SIMPLES FEDERAL, relativamente ao anocalendário de 2001 (05/06/01 a 31/12/01), exercício 2002; 2) que, portanto, a decisão definitiva no processo nº 13016.000174/200203, não guarda relação direta com os lançamentos objetos dos processos administrativos fiscais nº 11020.003765/200926 (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS), 11020.003766/200971, (IPI), 11020.001879/201075 (contribuições previdenciárias), e 11020.001880/201008 (contribuições sociais gerais terceiros), haja vista que tal decisão judicial referese ao anocalendário de 2001 (05/06/01 a 31/12/01), exercício 2002; 3) que o ADE DRF/CXL nº 95, de 30/11/09, através do qual formalizouse a exclusão da pessoa jurídica ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA. do regime de tributação denominado SIMPLES FEDERAL, relativamente aos anoscalendários de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, o qual guarda relação direta com os lançamentos objetos deste processo e do processo nº 11020.001880/201008, está sob julgamento nos processos administrativos fiscais nº 11020.003765/200926 (aguardando decisão em recurso voluntário) e 11020.003766/2009 –71 (aguardando decisão em recurso especial); e, 4) que, no hábeascorpus nº 211393/STJ objeto do processo nº 2011/01501154/STJ, o poder judiciário pronunciouse acerca de provas apreendidas e carreadas para os processos administrativos fiscais.” Ao tomar ciência acerca da referida informação fiscal, a 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária, em 22/01/2014 por meio da resolução nº 2403000.216 (fls. 561/580) decidiu converter, mais uma vez, o julgamento em diligência, sob os mesmos fundamentos da resolução anterior. Assim, determinou o seguinte: “DA NECESSIDADE DE NOVA DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar o resultado do julgamento dos processos administrativos, processo nº 11020.003765/2009 26 e nº 11020.003766/2009 –71 posto que tais processos produzem efeitos diretamente no presente processo nº 11020.001879/201075 veiculado pelo AIOP nº 37.277.8496. [...] CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente: (i) Anexe aos autos o resultado final dos julgamentos dos processos administrativos nº processo nº 11020.003765/200926 e nº 11020.003766/2009 –71, de exclusão do SIMPLES, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, com a conseqüente coisa julgada administrativa; Fl. 638DF CARF MF Processo nº 11020.001879/201075 Acórdão n.º 2401005.547 S2C4T1 Fl. 8 13 (ii) bem como, se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativotributário.” Recentemente, a Recorrente juntou nova petição (fls 584/595) apresentando fatos supervenientes ao Recurso Voluntário. Desta forma, alegou, em síntese, o seguinte: (i) Que o processo administrativo nº 11020.003765/200926 foi anulado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região em julgamento, no dia 05/07/2016, nos autos do processo nº 503827074.2015.4.04.7100, conforme acórdão juntado aos presentes autos (fls. 614/622). Assim, tendo em vista a decisão judicial, não poderiam permanecer os lançamentos do presente procedimento administrativo. Desta forma, requer: “a) o recebimento da presente manifestação e seus anexos; b) por força da decisão judicial do STJ, bem como pela decisão do TRF da 43 Região, o reconhecimento da nulidade do crédito tributário constante dos processos relativos à contribuições previdenciárias, de nºs. 11020.001879/201075 e 11020.001880/201008, pela ilegalidade na forma de obtenção dos documentos que consubstanciaram estes autos de infração, cancelandose integralmente tais lançamentos.” É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 03/05/2011 conforme AR juntado às fls. 453, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 24/05/2011, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1 Da nulidade do lançamento Após a interposição do Recurso Voluntário, a Recorrente apresentou informações relevantes para o deslinde do presente processo, quais sejam: a decisão do STJ (HC 211.393/RS), que reconheceu a ilicitude da concessão da medida cautelar de busca e apreensão de documentos em sua sede e na de seus representantes e gerentes, onde houve, portanto, a quebra de sigilo fiscal de forma ilegal, e a decisão do TRF4, nos autos do processo nº 503827074.2015.4.04.7100, que anulou o processo administrativo nº 11020.003765/2009 26 (Auto de Infração de Obrigação Principal). Fl. 639DF CARF MF 14 Nesse diapasão, impende destacar que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Caxias do Sul/RS, em cumprimento à diligência determinada na Resolução nº 2403 000.144 (fls. 522/536), apresentou a seguinte informação fiscal: “1) que a decisão definitiva quanto ao pedido objeto do processo administrativo fiscal nº 13016.000174/200203 ocorreu na data do trânsito em julgado (18/04/13) da decisão judicial na ação ordinária ajuizada pela pessoa jurídica ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA., sob nº 2004.71.04.0036532 (recurso especial RESP nº 1.277.129), através da qual o poder judiciário determinou: 1.1) o cancelamento do ADE DRF/CXL nº 25, de 27/05/03, então instrumento formal do cancelamento da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ: e, 1.2) a inclusão da pessoa jurídica no regime de tributação denominado SIMPLES FEDERAL, relativamente ao anocalendário de 2001 (05/06/01 a 31/12/01), exercício 2002; 2) que, portanto, a decisão definitiva no processo nº 13016.000174/200203, não guarda relação direta com os lançamentos objetos dos processos administrativos fiscais nº 11020.003765/200926 (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS), 11020.003766/200971, (IPI), 11020.001879/201075 (contribuições previdenciárias), e 11020.001880/201008 (contribuições sociais gerais terceiros), haja vista que tal decisão judicial referese ao anocalendário de 2001 (05/06/01 a 31/12/01), exercício 2002; 3) que o ADE DRF/CXL nº 95, de 30/11/09, através do qual formalizouse a exclusão da pessoa jurídica ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA. do regime de tributação denominado SIMPLES FEDERAL, relativamente aos anoscalendários de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, o qual guarda relação direta com os lançamentos objetos deste processo e do processo nº 11020.001880/201008, está sob julgamento nos processos administrativos fiscais nº 11020.003765/200926 (aguardando decisão em recurso voluntário) e 11020.003766/2009 –71 (aguardando decisão em recurso especial); e, 4) que, no hábeascorpus nº 211393/STJ objeto do processo nº 2011/01501154/STJ, o poder judiciário pronunciouse acerca de provas apreendidas e carreadas para os processos administrativos fiscais.” Ao compulsar os autos, percebese que a análise do mérito do presente Recurso Voluntário dependia, diretamente, do julgamento dos processos administrativos fiscais nº 11020.003765/200926 e 11020.003766/2009 –71. Contudo, conforme se verifica da documentação acostada pela Recorrente, o processo nº 11020.003765/200926 foi anulado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, cujo trecho do Acórdão abaixo se reproduz: “[...] Não obstante a reprobabilidade das práticas adotadas pela empresa, o artigo 5°, LVI, da CF/88 veda, incondicionalmente, provas obtidas por meios ilícitos, as quais contaminam, inclusive, o procedimento fiscal delas decorrente. Neste caso, o disposto no artigo 195 do CTN e no artigo 7°, lI, do Decreto n° 70.235/72, esbarram nesta garantia constitucional, cujos efeitos limitam, inclusive, o poder fiscalizatório do Estado em face do administrado. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 11020.001879/201075 Acórdão n.º 2401005.547 S2C4T1 Fl. 9 15 De outro lado, cabe referir, ‘obiter dictum’, que o STJ não fez qualquer ressalva no que toca aos efeitos da declaração de ilicitude. Assim, segundo o Direito pátrio, os lançamentos de ofício de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS consubstanciados no PAF n° 11020.003.765/200926 ,estão eivados de nulidade.” Em face do exposto, aa Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (Resp 164.1635/RS), que, por sua vez, teve a seguinte decisão monocrática proferida pelo eminente Ministro Gurgel de Faria, em 21/05/2018. Confirase: “[...] RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Como acima se observa, o fundamento do acórdão recorrido é no sentido de que as disposições dos arts. 195 do CTN e 7º, II, do Decreto nº 70.235/72 encontram limite no artigo 5º, inciso LVI, da Constituição Federal, razão pela qual estariam vedadas, incondicionalmente, provas obtidas por meios ilícitos no processo administrativo tributário. Nesse contexto, não há violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, pois o órgão judicial externou fundamentação adequada, coerente e suficiente à solução da controvérsia, não sendo obrigado, por isso, à manifestação a respeito de teses recursais sobre os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e sobre a "teoria da fonte independente", uma vez que estas ficam prejudicadas ante a norma constitucional que impõe a não admissão de provas obtidas por meios ilícitos. De outro lado, considerada a natureza constitucional do fundamento do acórdão recorrido, verificase que o recurso especial não serve à sua revisão, nos termos do art. 105, III, da Constituição Federal. Entretanto, em razão de o recurso especial ter sido interposto na vigência do CPC/2015, possível a invocação do princípio da fungibilidade, sendo imperiosa a concessão de prazo de 15 dias para a Fazenda Nacional adequar suas razões recursais, nos termos do art. 1.032 do CPC/2015. Ante o exposto, com base no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, NÃO CONHEÇO do recurso especial de ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA; e, com base no art. 1.032 do CPC/2015, determino a intimação da Fazenda Nacional para que, no prazo de 15 dias, demonstre a existência de repercussão geral e se manifeste sobre a questão constitucional indicada. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 21 de maio de 2018. MINISTRO GURGEL DE FARIA Relator” Fl. 641DF CARF MF 16 De outra banda, com relação ao processo nº 11020.003766/200971, vale destacar que a 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária do CARF decidiu dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o lançamento discutido naquele processo. Vejamos: “Acórdão: 1402002.469 Número do Processo: 11020.003766/200971 Data de Publicação: 23/06/2017 Contribuinte: ICARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA Relator(a): LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROVA ILÍCITA. DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. NULIDADE. Havendo decisão judicial, transitada em julgado, considerando ilícito o mesmo conjunto probatório utilizado pela Autoridade Fiscal para constituir o crédito tributário, deve ser anulado o lançamento de ofício.” Ora, percebese que em virtude da decisão emanda pelo egrégio TRF da 4ª Região e da decisão do próprio CARF, nos autos do processo 11020.003766/200971, não há como manter o lançamento de ofício dos presentes autos, pois seria necessária a existência de decisão em desfavor da Recorrente nos processo principais, haja vista a relação direta do objeto daqueles com relação a este, conforme informação apresentada pela própria Delegacia da Receita Federal do Brasil de Caxias do Sul/RS. Ademais, merece destaque o fato de que o STJ, no julgamento do HC 211.393/RS considerou ilícito o conjunto probatório que deu base aos processos principais, o que foi destacado inclusive pelo CARF quando do julgamento do Processo Administrativo Fiscal nº 11020.003766/200971, situação que não pode, jamais, ser desconsiderada por este órgão julgador. Se o presente processo está diretamente atrelado a outro principal, a existência de ilicitude reconhecida pelo Poder Judicial com relação a este último impede o prosseguimento do acessório, já que a ilicitude se estende aos demais processos advindos do primeiro, pois influenciado pelo conjunto probatório ilícito. A C. 2ª Turma Ordinária deste CARF já decidiu no mesmo sentido em processo que versava sobre essa matéria. Confirase a ementa e trechos do Acórdão nº 1402.001.510,de relatoria do I. Conselheiro Paulo Roberto Cortez, publicado em 10/02/2014: Assunto:Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IRPJ.PIS.COFINS. CSLL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE E/OU INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. Na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173,inciso I, do Código Fl. 642DF CARF MF Processo nº 11020.001879/201075 Acórdão n.º 2401005.547 S2C4T1 Fl. 10 17 Tributário Nacional. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, §4° e do artigo156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO NORMAS PROCESSUAIS. PROVA ILÍCITA. DECISÃO JUDICIAL. Havendo decisão judicial, transitada em julgado, considerando ilícitas as provas representadas por documentos e/ou informações, utilizadas pela autoridade fiscal para constituir o crédito tributário, é de se considerar nulo os lançamentos efetuados. (...) Assim, de acordo com os documentos trazidos pela Diligência, resta comprovado que a) o auto de infração se baseia integralmente nas provas obtidas na busca e apreensão realizada pelas operações“PistaLivre/Cevada”; b)tais provas foram integralmente declaradas ilícitas pelo judiciário; e c) as decisões judiciais (STJ e 1ª Vara Federal de Itaboraí) são definitivas. Diante disso, entendo que, s.m.j, a este órgão administrativo cabe curvarse às citadas decisões judiciais, o que implica fatalmente na insubsistência do presente auto de infração. Desta forma, deve ser acolhido o pleito do Recorrente para cancelar integralmente os lançamentos discutido nestes autos, em face de sua nulidade. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para no mérito DARLHE PROVIMENTO , nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 643DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.910746/2009-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO.
O conhecimento do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. É essencial que as decisões comparadas tenham identidade fática e jurídica entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não serve de paradigma apto a confrontar decisão que considerou intransponível outra norma processual, diferente da que foi relaxada pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 9303-007.171
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente LOJAS DE DEPARTAMENTOS MILIUM LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO. O conhecimento do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. É essencial que as decisões comparadas tenham identidade fática e jurídica entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não serve de paradigma apto a confrontar decisão que considerou intransponível outra norma processual, diferente da que foi relaxada pela decisão recorrida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 07 46 /2 00 9- 41 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10920.910746/200941 Acórdão n.º 9303007.171 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3403002.444, de 24 de setembro de 2013, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PROVAS. É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. Recurso Voluntário Negado A divergência suscitada no recurso especial referese à prevalência da verdade material e da instrumentalidade das formas sobre as regras processuais que estabelecem a preclusão do direito à comprovação dos fatos alegados. O recurso especial foi admitido mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF. Contrarrazões da Fazenda Nacional foram apresentadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.165, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10920.910094/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.165): "Conhecimento do Recurso Especial Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10920.910746/200941 Acórdão n.º 9303007.171 CSRFT3 Fl. 4 3 O recurso especial não deve ser conhecido. A decisão recorrida não recusou as provas apresentadas em sede de recurso voluntário por considerar o direito precluso. No vertente processo, as provas do direito alegado não foram apresentadas em momento algum. Nem na apresentação do pedido de restituição, nem na impugnação, nem em sede de recurso voluntário e tampouco agora. Observese excerto extraído do voto do aresto recorrido. Desse modo, não tendo a recorrente, tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, se desincumbido do ônus de trazer aos autos a documentação comprobatória do crédito alegado em compensação, não há como se aferir a certeza e a liquidez do indébito, requisitos essenciais à compensação tributária (art. 170 do CTN). O paradigma apresentado jamais admitiu a hipótese de que um processo, que não fora em momento algum instruído com as provas do direito alegado pudesse ser convertido em diligência para que a falta fosse suprida. Em lugar disso, aborda uma matéria bem mais suscetível de controvérsia, que diz respeito à possibilidade de apreciação das provas carreadas aos autos pelo contribuinte somente em segunda instância de julgamento. Observese como se manifesta o relator da decisão paradigma. Em primeira mão destaco que comungo do entendimento dos I. Colegas Julgadores que defendem a tese de que as provas materiais carreadas para os autos, seja fase recursória ou em qualquer outra, devem ser levadas em consideração, analisadas com o devido cuidado, investigadas inclusive por intermédio de diligências, se for o caso, para apuração da verdade material que, efetivamente, deve nortear os julgamentos nesta esfera administrativa. (grifos acrescidos) Ora, o relator referese à admissão das provas apresentadas em qualquer momento processual. Na sua opinião, considera até mesmo a possibilidade de que sejam realizadas diligências para apuração da verdade material, à luz dos elementos de prova carreados tardiamente aos autos. Não é o caso deste processo. Não foram recusadas provas apresentadas em segunda instância por preclusão temporal, foi rejeitado pedido de diligência para inclusão nos autos das provas que o contribuinte jamais se interessou em apresentar oportuna e espontaneamente. São questões rigorosamente distintas! Como disse antes, a mitigação do rigor processual expresso no art. 161 do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores é matéria que comporta controvérsias. Contudo, decidir pela 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10920.910746/200941 Acórdão n.º 9303007.171 CSRFT3 Fl. 5 4 conversão do julgamento em diligência para instrução do processo porque o contribuinte não se desincumbiu em momento algum do dever fazêlo, parece a mim uma decisão de outro jaez, que, me arrisco a dizer, haveria de se notabilizar pelo ineditismo. Importante frisar que é incontroverso que o contribuinte não carreou aos autos os documentos contábeis e fiscais com os quais poderia demonstrar o direito alegado. Em sua próprias palavras: Por evidente, era e é absolutamente inviável à Recorrente juntar ao seu Recurso e a esses autos toda a documentação pertinente, como arguído na decisão recorrida para justificar a denegação de seu acolhimento, porquanto isso implica em milhares de papéis, considerado todo o período referenciado... (grifos no original) Embora não pretenda adentrar ao mérito, é inescapável uma reflexão acerca do pleito da recorrente, para que fique claro o quanto ele destoa da decisão paradigma e transborda os limites do que lá se debateu e do que, em regra, se apresenta para discutir em situações análogas. Por certo, a litigante não é de dimensões tais que se veja impedida de apresentar as provas do direito alegado, como, sabidamente, é exigido de qualquer contribuinte em quaisquer circunstâncias (em especial quando se trata de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação). Significa dizer, o reconhecimento do direito reclamado pela recorrente ultrapassaria em muito a discussão acerca do momento em que ocorre a preclusão temporal para comprovação dos fatos alegados. Admitiria uma regra de exceção exclusiva para um determinado caso específico, e sem qualquer razão aparente para tanto, já que não é possível vislumbrar elementos materiais e perceptíveis que justifiquem tal distinção. A despeito disso, do excerto antes transcrito resta inequívoca a circunstância fática versada nos autos. Ao contrário do que aconteceu no paradigma, neste processo nunca foram apresentadas as provas que dariam amparo à pretensão da parte, apenas uma planilha de cálculo assinada pelos administradores da empresa e pelo contador. Não há qualquer possibilidade de considerar que as decisões deram à lei tributária interpretações divergentes. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do recurso especial." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo "nunca foram apresentadas as provas que dariam amparo à pretensão da parte, apenas uma planilha de cálculo assinada pelos administradores da empresa e pelo contador". a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10920.910746/200941 Acórdão n.º 9303007.171 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.928986/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA.
O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolando-se em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.525
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.915297/2008-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolando-se em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido
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RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolandose em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.915297/200861, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 89 86 /2 00 8- 35 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.928986/200835 Acórdão n.º 3302005.525 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal da Administração Tributária em São Paulo/SP pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que os valores referentes ao período foram recolhidos a maior gerando direito a compensar, sendo que os dados da DCTF foram corrigidos posteriormente por meio de DCTF retificadora, sendo os débitos devidamente compensados, requerendo o acolhimento da manifestação de inconformidade e homologação da compensação declarada. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16031.387. Após ciência ao acórdão de primeira instância apresentou o recurso voluntário , sem argüições preliminares, no que concerne à tempestividade. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.928986/200835 Acórdão n.º 3302005.525 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.517, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.915297/200861, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.517): "Examinando os elementos componentes dos autos, constato que a ciência da decisão recorrida efetuouse por via postal em 17/06/2011, sexta feira, com o Aviso de Recebimento AR de fl. 108. O recurso voluntário, por seu turno, foi protocolado em 21/07/2011 (fl. 53), quintafeira. Procedendo à contagem do prazo recursal na forma dos arts. 5º e 23 do Decreto nº 70.235/72, verifico que o prazo legal de 30 (trinta) dias esgotouse em 19/07/2011, na terçafeira anterior, ao do protocolo recursal, em 21/07/2011. Nesta senda, inobservado o prazo estipulado pelo art. 33 do já referido Decreto nº 70.235/72, resta indiscutível a intempestividade da peça interposta. Em face de todo o exposto, considerando que a peça não atende a requisito essencial de admissibilidade, a tempestividade, voto por não conhecê la." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo restou configurada a intempestividade do Recurso Voluntário não atendendo a requisito essencial de admissibilidade. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724227/2011-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2301-004.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos apresentados, para rerratificar o Acórdão embargado, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto.
Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria. Embargos Acolhidos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos apresentados, para rerratificar o Acórdão embargado, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto. Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
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score : 1.0
Numero do processo: 19991.000538/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DECISÃO RECORRIDA.
Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida, a qual analisou a documentação apresentada pela contribuinte por ocasião da manifestação de inconformidade para comprovação do direito creditório alegado.
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. ÔNUS DA PROVA.
As diligências e perícias não existem para suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas pelo confronto de elementos de provas já trazidos pelas partes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de diligência e negar provimento ao recurso.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Assinatura Digital
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DECISÃO RECORRIDA. Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida, a qual analisou a documentação apresentada pela contribuinte por ocasião da manifestação de inconformidade para comprovação do direito creditório alegado. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. ÔNUS DA PROVA. As diligências e perícias não existem para suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas pelo confronto de elementos de provas já trazidos pelas partes. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de diligência e negar provimento ao recurso. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim - Presidente Assinatura Digital Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DECISÃO RECORRIDA. Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida, a qual analisou a documentação apresentada pela contribuinte por ocasião da manifestação de inconformidade para comprovação do direito creditório alegado. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. ÔNUS DA PROVA. As diligências e perícias não existem para suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas pelo confronto de elementos de provas já trazidos pelas partes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de diligência e negar provimento ao recurso. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente Assinatura Digital Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 1. 00 05 38 /2 00 9- 73 Fl. 375DF CARF MF 2 Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte, mediante o Acórdão nº 0939.304 2ª Turma da DRJ/JFA, de 29 de fevereiro de 2012, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS CONSIDERADAS INAPTAS. A adquirente faz jus aos créditos em relação às compras para revenda somente quando apresentadas as notas fiscais referentes às operações e quando comprovado o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias comercializadas, independentemente de haver contra os fornecedores declaração de inaptidão. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Versa o processo sobre o PER nº 29511.64921.030809.1.1.085407, mediante o qual a contribuinte pleiteou ressarcimento de crédito referente ao PIS/Pasep não cumulativo Exportação relativo ao 4º trimestre de 2007, no valor total de R$ 21.081,66, com fundamento no §1º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002. Mediante a DECISÃO SARAC/DRF/PCS nº 055/2010, a autoridade administrativa decidiu pelo não reconhecimento do direito creditório mercado externo de PIS/PASEP não cumulativo, relativo ao 4º trimestre/2007, nos seguintes termos: I Considerações gerais 3. O pleito do contribuinte, de 03/08/2009, está amparado nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e na IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008. 4. O crédito pleiteado referese ao período já informado no DACON como determina a legislação pertinente (fls. 04 a 24). II Análise do crédito de PIS/PASEP não cumulativo exportação 4º Trimestre/2007 5. Esta análise foi efetuada no processo de ressarcimento COFINS nº 19991.000528/200938 (cópia de fls. 25 e 26) em que foi reconhecido parcialmente o valor da base de cálculo do crédito pleiteado. Porém, o crédito reconhecido foi utilizado integralmente na dedução da COFINS a pagar apurada no período. 6. Será reconhecido, portanto, no presente processo o valor de R$ 2.317,99 para PIS/PASEP exportação que será utilizado Fl. 376DF CARF MF Processo nº 19991.000538/200973 Acórdão n.º 3402004.185 S3C4T2 Fl. 376 3 para ser deduzido do PIS/PASEP apurado de R$ 7.318,72, resultando no valor remanescente a pagar de R$ 4.747,29, como demonstrado abaixo. (...) DECISÃO 8. Resolvo, com base no art. 280, inciso VI do Regimento Interno da RFB aprovado pela Portaria no 125 do Ministério da Fazenda de 4 de março de 2009, o não reconhecimento do direito creditório mercado externo de PIS/PASEP não cumulativo, 4º trimestre/2007 e a representação à SAFIS com finalidade de lançamento de PIS/PASEP nãocumulativo remanescente, 4º trimestre/2007, no valor principal de R$4.747,29. (...) Foi anexada, nas efls. 47/50, cópia da DECISÃO SARAC/DRF/JPCS nº 045/2010, proferida no processo nº 19991.000528/200938, de não reconhecimento do direito creditório de Cofins não cumulativa mercado externo referente ao 4º trimestre de 2007, sob os seguintes fundamentos: 1. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento Eletrônico de Créditos da COFINS, PA 4° T/2007, no valor de R$ 97.103,43 (fl. 03) PER N° 30416.59428.030809.1.1.09 3792. (...) 5. Da verificação do DACON 4o Trimestre/2007, ficha 16A de fls. 05, 12 e 19, o contribuinte pleiteou valores dos seguintes itens que compuseram a base de cálculo dos créditos: 01 Bens para revenda, 03 Serviços utilizados como insumo (novembro e dezembro) e 07 Despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. 6. Demonstrou na linha 26, a apuração do crédito presumido agroindústria que vem sendo utilizado na dedução da COFINS apurada nos trimestres. III Análise do crédito ordinário 7. Cabe ressaltar, inicialmente, que toda a documentação apresentada para comprovação do direito aos créditos de PIS/COFINS não cumulativos exportação está acostada ao processo n° 19991.000525/200902. Portanto ao se remeter o número das folhas, estas se referem ao citado processo. 8. Da relação das mercadorias adquiridas para revenda e despesas de armazenagem e frete nas operações de venda, de Fl. 377DF CARF MF 4 outubro a dezembro/2007 fls. 58 a 64, o contribuinte foi intimado (fl. 237) a apresentar todas as notas fiscais cujos valores compuseram a base de cálculo dos créditos pleiteados, inclusive conhecimentos de transportes do período. Foi solicitado também a apresentar comprovantes de pagamento das notas fiscais cujo valor seja superior a R$ 10.000,00. 9. As notas fiscais solicitadas bem como os comprovantes de pagamento foram conferidos e acostados nos autos às fls. 462 a 517 e 837 a 864. 10. As aquisições para revenda das empresas abaixo citadas serão glosadas por existirem contra elas Processos de Representação Fiscal para inaptidão dos seus CNPJ. As irregularidades detectadas com relação a estas empresas são tais que deverão ser considerados inidôneos, nos termos do art. 48 da IN RFB n° 748/2007, e não produzam efeitos tributários em favor de terceiros interessados, os documentos por elas emitidos, ou seja, que tais documentos, conforme § 1o do art. 48 da IN RFB n° 748/2007, não possam ser utilizados por terceiros para gerar créditos das contribuições para o PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) não cumulativos: Timbu Comércio de Café Ltda (processo n° 19.991.000.523/200913) Caixeta e Scalco (processo n° 19.991.000.511/200981) Alexandre Alves de Brito (processo n° 19.991.000.428/200910) 11. Após verificações da regularidade fiscal dos demais fornecedores (CNPJ, DIPJ e pagamentos no SINAL) concluise que o contribuinte faz jus aos demais créditos ordinários pleiteados. IIII Considerações sobre o credito presumido agroindústria 12. Embora o contribuinte não tenha pleiteado o crédito presumido agroindústria, com relação a este crédito (linha 26, ficha 16A), temse no art. 8o da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, (...) (...) § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído peia Lei n° 11.051, de 2004) 13. Da descrição do seu processo de produção de fl. 13 depreendese que a atividade do contribuinte não contempla o exercício cumulativo descrito no § 6o acima, especificamente no que se refere à compra de café cru definido como já beneficiado segundo Resolução CNNPA n° 12, de 1978. Se o contribuinte adquire café beneficiado, não cumpre (não beneficia) um dos requisitos exigidos para que se enquadre nas condições de agroindústria. Adicionalmente, da verificação das notas fiscais de compra de produtores rurais de fls. 1141 a 1461, observase que, em todas as notas, o produto adquirido foi de café Fl. 378DF CARF MF Processo nº 19991.000538/200973 Acórdão n.º 3402004.185 S3C4T2 Fl. 377 5 beneficiado e a mercadoria ou foi entregue ou continua armazenada, preponderantemente, no Armazéns Gerais Carapina, CNPJ 27.980.960/000464. Esse fato demonstra que os produtos adquiridos não transitaram pelo estabelecimento do contribuinte em epígrafe, descaracterizandoo como produtor de mercadorias de origem animal definido no art. 8o da Lei n° 10.925. Portanto o contribuinte não faz jus ao crédito presumido referente às mercadorias adquiridas cujos valores compuseram as bases de cálculo das linhas 26, ficha 16A, para ser deduzido da COFINS apurada em cada trimestre. 14. A informação de fl. 236 demonstra que nos meses de outubro a dezembro/2007 houve exportações pelo contribuinte em epígrafe. 15. Em vista de todo o acima exposto, o crédito reconhecido de COFINS exportação 4°T/2007 é no valor de R$ 10.676,82. Esse valor será utilizado na dedução da COFINS apurada do período, resultando em COFINS a pagar remanescente no valor R$ 21.856,33 como abaixo demonstrado. (...) Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: a) Deve ser declarada a nulidade parcial da decisão recorrida, haja vista que a mesma não se demonstrou suficientemente fundamentada, nem motivada. b) É legítimo o direito creditório pleiteado proveniente das aquisições de mercadorias através de cooperativas, visto que, eventual restrição ao seu aproveitamento somente seria cabível acaso fosse prevista em norma específica, que excepcionasse a regra geral. c) Em relação às aquisições das empresas inidôneas, houve a efetiva comprovação de que a empresa adquirente, ora Impugnante, promoveu o pagamento do valor acordado para aquisição das mercadorias, bem como efetivamente recebeu as mercadorias adquiridas, o que, consequentemente, ensejava o crédito, conforme demonstra a farta documentação apresentada na presente peça de defesa. Ressaltese, ainda, que as notas fiscais relativas às compras de empresas consideradas inaptas, se encontram acostadas nos volumes I a VIII, do Processo Administrativo n° 19991.000525/200902. d) Tanto as empresas que efetuam o rebeneficiamento do café, que corresponde à classificação do café cru (limpo) por tipo peneiras, como as empresas que realizam o próprio beneficiamento do café, previsto no código 1081301, da Classificação Nacional de Atividades Econômicas — CNAE, incontestavelmente, se qualificam como sociedades agroindustriais, para fins de usufruir do crédito presumido previsto na legislação de regência. e) Inclusive, se necessário for, requer a Impugnante que seja realizada a diligência fiscal pertinente, no sentido de verificar não apenas o caráter agroindustrial da atividade exercida por ela exercida, como também a correção do direito creditório constante do documentário já anexado aos presentes autos, face à necessária busca pela verdade material no caso em tela. O julgador de primeira instância acatou parcialmente as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos: A decisão foi devidamente fundamentada e motivada. O processo em que se encontram todos os documentos aos quais se reporta a decisão combatida tem a própria empresa como interessada e, em assim sendo, o seu acesso ao mesmo é amplo e irrestrito. Além do que, no arrazoado Fl. 379DF CARF MF 6 apresentado em sua defesa, verificase que houve compreensão por parte da reclamante sobre todos os fatos e atos que originaram a glosa, bem como da legislação aplicada, pois, a contribuinte a eles se contrapôs demonstrando perfeito entendimento. Quanto às glosas dos créditos oriundos de aquisições de empresas consideradas inaptas, para parte delas, a manifestante obteve êxito em demonstrar o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias, o que não se efetivou relativamente aos documentos das efls. 856 e 857 do processo administrativo nº 19991.000525/200902, para os quais não foram encontrados quaisquer documentos capazes de demonstrar o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias e, relativamente às notas fiscais de fls. 863, 868 e 877 desse processo, para as quais a entrega não restou comprovada. Nas notas fiscais acostadas ao processo em resposta à intimação (fls. 1.141/1461 numeração em papel) e verificadas por amostragem, consta que o café adquirido pela empresa é beneficiado, fato em relação ao qual a reclamante não se contrapôs. Dessa forma, a discussão se restringe a definir se o rebeneficiamento, por encomenda, do café adquirido já beneficiado se enquadra nos requisitos exigidos pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 que determina as condições para fruição do direito ao crédito presumido de PIS, sobre produtos adquiridos de pessoa física e de cooperativas. Da leitura da norma legal acima, inferese que para fazer jus ao crédito presumido a pessoa jurídica tem que produzir, ela mesma, a mercadoria que revende, considerandose produção no caso concreto, o exercício cumulativo das atividades discriminadas no §6º, que inclui o beneficiamento, mas não o rebeneficiamento por encomenda. A manifestante compra café já beneficiado entregue em outras empresas, o que mostra claramente que ela não exerce cumulativamente as atividades que caracterizam a produção de café para fins de utilização do benefício legal, não se enquadrando na condição de pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal. Assim, forçoso concluir que a requerente não realizou o beneficiamento do café conforme exigência do art. 8º, não podendo usufruir do crédito presumido em questão. A reclamante solicita a realização de diligência para verificar não apenas o caráter agroindustrial da atividade exercida por ela exercida, como também a correção do direito creditório. Contudo, o direito em discussão foi analisado e formada a convicção à vista dos elementos trazidos ao presente processo e ao de nº 19991.000525/200902 e do contido na legislação de regência e, da mesma forma restou definido que a empresa não é agroindústria para fins de utilização do crédito presumido tornandose prescindível o procedimento requerido. E que, em relação às parcelas do crédito não legitimados, a reclamante não logrou trazer ao processo quaisquer documentos capazes de comprovar a sua existência. Assim sendo, concluise pelo indeferimento do pedido de diligência. Cientificada em 13/03/2012, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário em 12/04/2012, mediante o qual alega: (...) II DA EFETIVA COMPROVAÇÃO DO REBENEFICIAMENTO DAS MERCADORIAS ADQUIRIDAS PELA RECORRENTE. DO LEGÍTIMO DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. Destarte, alega a autoridade fiscal que a Contribuinte não apresentou a comprovação do pagamento e da entrega das mercadorias nas notas fiscais de fls. 856, 857, 863, 868 e 877, pelo que, então, não cumpriria um dos requisitos contidos no §5° do art. 48 IN RFB n° 748, de 2007. Porém, tal assertiva não deve prosseguir, tendo em vista o Princípio da Verdade Material, já que apresentados os documentos pertinentes, necessários à comprovação do pagamento das mercadorias, bem como da efetiva entrega das mesmas, com relação às operações objeto de glosa, a saber: Alexandre Alves de Brito CPF n° 06347129/000157 (fls. 856, 857, 863; Fl. 380DF CARF MF Processo nº 19991.000538/200973 Acórdão n.º 3402004.185 S3C4T2 Fl. 378 7 Comércio e Corret. Café Monte CNPJ n° 7.508.067/000180 (fls. 868); e c) Coop. R. Caf. Guaxupé CNPJ n° 1.893.896/000148 (fls. 877) Isto porque, com relação às operações com os fornecedores acima discriminados, a documentação apresentada pela Contribuinte efetivamente se reveste de todos os requisitos que legitimam o direito ao crédito, em nada se justificando as glosas efetuadas sobre as mesmas, bastando, inclusive, um simples cotejo destes com os demais documentos aceitos pela própria autoridade fazendária. Ademais, ainda de acordo com o Princípio da Verdade Material, se dúvidas ainda persistirem, deverão ser consideradas todas as provas e fatos novos, ainda que desfavoráveis contra a Fazenda Pública, desde que sejam provas lícitas. Interessa à Administração que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos (verdade material). (...) Desta forma, a fim de alcançar a verdade material exigida e necessária no presente procedimento, há que se consignar a possibilidade da realização de diligência, na forma como previsto no artigo 65, da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, verbis. (...) Isto porque, eventual diligência a ser realizada poderá não apenas atestar a correção dos procedimentos adotados pela Recorrente, como também tornará evidente a legitimidade do crédito tributário em exame. Isto posto, a Recorrente, uma vez comprovados os pagamentos e a entrega das mercadorias nas notas fiscais acostadas nos autos de de fls. 856, 857, 863, 868 e 877, assim como pela possível apuração realizada através da diligência requerida, requer que seja reformada a decisão, de modo que seja reconhecido o seu direito ao crédito presumido a ser deduzido quando da apuração trimestral do PIS, e, por decorrência, homologado o pedido integral de ressarcimento formulado, já que todo o direito está comprovado nestes autos. IV CONCLUSÃO Por todo o exposto, espera a Recorrente ter demonstrado através de todo o seu arrazoado, a legitimidade do direito creditório informado no Pedido de Ressarcimento em exame, pelo que deve ser dado provimento ao recurso, para a reforma da decisão recorrida, com o conseqüente deferimento da totalidade do ressarcimento pleiteado. (...) Mediante a Resolução nº 3403000.575 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 16 de setembro de 2014, o julgamento foi convertido em diligência, nos seguintes termos: (...) O recurso voluntário foi protocolado em 12/04/2012 (fl. 127), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 13/03/2012 (fl. 105). Fl. 381DF CARF MF 8 Por ser tempestivo e por conter fundamentos para a reforma do acórdão da DRJ, conheço do recurso. No mérito, a discussão gira em torno de saber se houve a comprovação do pagamento dos valores e do recebimento das mercadorias a que se referem as notas fiscais apresentadas pelo recorrente, que se referem a aquisições que realizou de pessoas jurídicas que vieram a ser declaradas inaptas. Mais especificamente, tratase das notas fiscais que se encontram as fls. 856, 857, 863, 868 e 877 do Processo Administrativo nº 19991.000525/200902. Ocorre que nem o referido Processo Administrativo foi apensado ao presente processo, nem as referidas notas fiscais encontram se juntadas aos autos do presente processo, tanto menos a documentação que serviria de prova do pagamento dos valores e do recebimento das mercadorias referentes a estas mesmas notas. Destarte a necessidade de converter o presente julgamento em diligência. Voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem promova as seguintes providências: 1) promova a apensamento ou anexação aos presentes autos de cópia integral do PA nº 19991.000525/200902; 2) intime o contribuinte a demonstrar, por meio de sua escrituração contábil ou outros documentos (cheques, conhecimento de transporte etc) o efetivo pagamento do valor de cada nota fiscal e o efetivo recebimento da mercadoria; 3) lavre termo final de diligência; 4) intime o contribuinte a, querendo, apresentar manifestação quanto ao termo final de diligência e, 5) devolva os autos a este Conselho para julgamento. Em 29/12/2014, os autos foram encaminhados à Unidade de Origem para a execução das providências requeridas na diligência. A Unidade de Origem juntou os documentos das efls. 159/168 e solicitou esclarecimentos no despacho de encaminhamento ao CARF, nos seguintes termos: Os documentos de folhas 856, 857, 863, 868 e 877 do PAF nº 19991.000.525/200902 não são notas fiscais como consta em vosso pedido de diligência, assim sendo solicito esclarecer se o pedido de diligência se refere as notas fiscais das empresas Timbu Comércio de Café Ltda, Caixeta e Scalco, Alexandre Alves de Brito e Armazéns Gerais Carapina constante nas planilhas de folhas 159, 160, 161, 162 e 165 e após retornar a esta SAORT para realizar a requerida diligência. (...) O processo foi sorteado a esta Conselheira e distribuído em 29/01/2017. É o relatório. Voto Fl. 382DF CARF MF Processo nº 19991.000538/200973 Acórdão n.º 3402004.185 S3C4T2 Fl. 379 9 Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Por ocasião da conversão do julgamento em diligência foi efetuado o juízo de admissibilidade do recurso voluntário, tendo sido ele conhecido por aquele Colegiado. Como se observa na decisão recorrida, foi acatado parcialmente o pleito da manifestante no sentido de reverter as glosas relativas às aquisições dos fornecedores irregulares para as quais foi comprovado o pagamento ao fornecedor e a efetiva entrega/recebimento das mercadorias, com o carimbo do armazém que recebeu as mercadorias, sendo que, em relação às notas fiscais das efls. 856 e 857 do processo nº 19991.000525/2009 02, não foram encontrados quaisquer documentos capazes de demonstrar o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias e, relativamente às notas fiscais das efls. 863, 868 e 877, a entrega não restou comprovada, nesses termos: (...) Quanto a linha de defesa apresentada em relação à glosa das aquisições para revenda das empresas “por existirem contra elas Processos de Representação Fiscal para inaptidão dos seus CNPJ”, temse que a Delegacia de origem se baseou em irregularidades detectadas capazes, segundo ela, de enquadrar os documentos emitidos no §1º do art. 48 da IN RFB nº 748, de 2007, in verbis: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos ... Porém, pelas notas fiscais trazidas ao processo pela reclamante, mais especificamente as de fls. 854, 859, 861, 866, 869, 870 e 875 (volume V) do processo administrativo nº 19991.000525/200902, temse que houve a comprovação do pagamento das aquisições objeto da glosa em comento e da efetiva entrega das mercadorias adquiridas caracterizada pelo carimbo da empresa responsável pelo recebimento das mesmas. Além disto, a existência das operações, em alguns casos, foi corroborada pelo carimbo da fiscalização estadual que é encontrado em algumas das notas fiscais. Em assim sendo, aplicase às notas fiscais de fls. 854, 859, 861, 866, 869, 870 e 875 (volume V), o disposto no §5º do mesmo art. 48 da IN RFB nº 748, de 2007, abaixo transcrito: § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. Fl. 383DF CARF MF 10 Ressaltese que os dispositivos citados da IN SRF nº 748, de 2007 tem como base o art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996. No entanto, algumas notas fiscais devem ser excluídas por falta de apresentação de documentos hábeis a evidenciar “o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços”. No que se refere às notas fiscais de fls. 856 e 857 não foram encontrados quaisquer documentos capazes de demonstrar o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias e, relativamente às notas fiscais de fls. 863, 868 e 877 a entrega não restou comprovada. A demonstração de apenas um dos requisitos contidos no §5º acima transcrito é necessária mas não é suficiente para afastar a aplicação do caput do artigo 82 já mencionado, pois da leitura da norma ressalta que é imprescindível o cumprimento de ambas as exigências. Portanto, concluise que há de ser legitimado o crédito originário das notas fiscais consideradas inidôneas pela autoridade a quo, conforme abaixo demonstrado: Os documentos juntados na diligência não correspondem aos documentos mencionados na decisão recorrida, a qual se refere à numeração do processo digital nº 19991.000525/200902 (efls). Foram ora juntados ao presente processo as cópias do Volume V do processo nº 19991.000525/200902 nas efls. 173/374. Os documentos mencionados pela decisão recorrida (efls. 854/8771 do processo nº 19991.000525/200902) constam especificamente nas efls. 211/234 do presente processo. Em seu recurso voluntário, a recorrente nada trouxe de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida para comprovação do crédito alegado e solicita diligência, o que não encontra respaldo na legislação. Em conformidade com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e art. 36 da Lei nº 9.784/99, abaixo transcritos, caberia à recorrente se contrapor adequadamente à decisão recorrida no sentido de reformála, no caso, apresentando os elementos de prova do efetivo recebimento das mercadorias e do pagamento objeto das notas fiscais constantes nas efls. 856 e 857 do processo nº 19991.000525/200902 (efls. 213/214 do presente processo), bem como comprovando o efetivo recebimento das mercadorias referentes às notas fiscais das efls. 863, 868 e 877 (efls. 220, 225 e 234 do presente processo): Art. 16. [Decreto nº 70.235/72]A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 1 Numeração original em papel: fls. 838/861 do processo nº 19991.000525/200902. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 19991.000538/200973 Acórdão n.º 3402004.185 S3C4T2 Fl. 380 11 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Art. 36. [Lei nº 9.784/99]Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir motivadamente as prescindíveis ao julgamento, nos termos do art. 28 desse Decreto. Há que se ter em conta, entretanto, que as diligências e perícias não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pela impugnante/manifestante ou recorrente. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impossível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Assim, não cabe à autoridade julgadora diligenciar ou determinar a realização de perícia para fins de, de ofício, promover a produção de prova da legitimidade do crédito alegado pela contribuinte, que deixou de produzir a prova adequada para se contrapor à decisão recorrida. Ademais, o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada altera o acima exposto, eis que a busca da verdade material não desincumbe as partes de seus encargos probatórios. Conforme já decidido no Acórdão nº 3201 002.316 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24 de agosto de 2016, Relator: José Luiz Feistauer de Oliveira, "A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados". Com relação ao mencionado art. 65 da Instrução Normativa SRF nº 900/2008, ele nada diz sobre a obrigatoriedade de diligência ou de intimação para analisar pleitos de reconhecimento de direito creditório, pelo contrário, dispõe que, em determinados casos, em que, pela análise do pedido remanesça dúvidas sobre o crédito alegado, o seu reconhecimento poderá ser feito somente após a apresentação dos documentos pela requerente que o comprovem cabalmente. Fl. 385DF CARF MF 12 Assim, entendo que deve ser indeferido o pedido de diligência e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 386DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.902741/2010-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 27 41 /2 01 0- 64 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.902741/201064 Acórdão n.º 1301002.306 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16327.902741/201064 Acórdão n.º 1301002.306 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16327.902741/201064 Acórdão n.º 1301002.306 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16327.902741/201064 Acórdão n.º 1301002.306 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16327.902741/201064 Acórdão n.º 1301002.306 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 241DF CARF MF Processo nº 16327.902741/201064 Acórdão n.º 1301002.306 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 242DF CARF MF Processo nº 16327.902741/201064 Acórdão n.º 1301002.306 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13876.000520/2002-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Não se pode ter como paradigma acórdão que se assente em fatos que não coincidem com os do acórdão objurgado.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-005.099
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Andrada Márcio Canuto Natal, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Não se pode ter como paradigma acórdão que se assente em fatos que não coincidem com os do acórdão objurgado. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Andrada Márcio Canuto Natal, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 632 1 631 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13876.000520/200235 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.099 – 3ª Turma Sessão de 16 de maio de 2017 Matéria IPI PEDIDO DE RESSARCIMENTO CRÉDITOS BÁSICOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALCOA ALUMÍNIO S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Não se pode ter como paradigma acórdão que se assente em fatos que não coincidem com os do acórdão objurgado. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Andrada Márcio Canuto Natal, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidase de Recurso Especial (fls. 555 a 5651) interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 340300.412, de 30 de junho de 2010 (fl. 549 a 552), com fulcro 1 A numeração das folhas reportase à atribuída nos autos digitais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 05 20 /2 00 2- 35 Fl. 632DF CARF MF Processo nº 13876.000520/200235 Acórdão n.º 9303005.099 CSRFT3 Fl. 633 2 no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. O acórdão recorrido está assim ementado: Assunto: Ressarcimento de IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. É permitida a utilização como crédito, do valor pago de IPI na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados ou consumidos diretamente no processo produtivo. Em resumo, a decisão deu provimento parcial do recurso voluntário para que fossem considerados os créditos do IPI decorrente das aquisições dos produtos relacionados no relatório técnico do INT, na apuração do saldo credor de IPI do período. No recurso especial, a Fazenda Nacional suscita dissídio jurisprudencial quanto à subsunção ao conceito de insumos esposado pela legislação do IPI de partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos, mesmo se constatado o desgaste ou consumo. No mérito, argúi a nulidade da decisão, por afronta ao sistema de distribuição do ônus probatório adotado no Processo Administrativo Fiscal, ao determinar diligência para a produção de prova que tocaria à parte produzir. No mérito, contesta a subsunção no conceito de insumo das partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos, mesmo se constatado o desgaste ou consumo, haja vista fazerem parte do Ativo Permanente. Lembra que o art. 82 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982 RIPI/82, cuja redação foi reproduzida pelo art. 147, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25 de Junho de 1998 RIPI/98, dispõe que se inclui entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles bens que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente, o que corroboraria a conclusão de que é incabível o ressarcimento dos valores pagos em partes e peças de máquinas ou equipamentos. Por meio do Despacho s/nº 4ª Câmara, de 5 de maio de 2015 (fls. 596 a 598), o Presidente da 4ª Câmara admitiu o apelo. O feito foi contrarrazoado (fls. 612 a 622). O interessado impugnou a admissibilidade do pleito por ausência de divergência. No mérito, em síntese, repetindo os fundamentos da decisão recorrida, argumenta que o efetivo desgaste dos produtos intermediários em decorrência do contato físico contínuo com o material em fabricação, atestado em laudo técnico do I.N.T., autoriza o creditamento do imposto na entrada desses bens. É o Relatório. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 13876.000520/200235 Acórdão n.º 9303005.099 CSRFT3 Fl. 634 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Admissibilidade A Fazenda Nacional foi intimada do acórdão recorrido, em 14/03/2011 (cfe. Termo de Intimação pessoal do Procurador, fl. 553). O apelo formulado na mesma data (cfe. RM nº 10918, fl. 595) é tempestivo. Ademais, o instrumento recursal foi adequadamente instruído, mediante cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigma. Nada obstante, compulsando os acórdãos paragonados, pareceme impossível estabelecer base de comparação para a dedução do dissídio suscitado. Observese que o Acórdão nº 20180.424 (fls. 568) debruçouse sobre pedido de ressarcimento, formulado por estabelecimento industrial têxtil, de créditos básicos tomados sobre a entrada de componentes entendidos pela Fiscalização como formadores de peças e partes de máquinas, que não tinham contato direto com o produto fabricado, quais sejam: (i) os produtos químicos control, optisperse, inhibitor, percol, sidertex AE, praestol e zetag; (ii) os cartões jacquard; (iii) as correias e esteiras de transporte. O Acórdão nº 20311.519 (fl. 583), por sua vez, também analisando pleito de indústria têxtil, indeferiu a tomada de créditos básicos nas entradas de (i) Vibatex FPT (cola utilizada para fixar tapetes sobre os quais são colocadas as máquinas de estamparia); (ii) Esmalte poliuretano (verniz para acabamento de quadros para estamparia); (iii) Lockthome (verniz para acabamento de quadros para estamparia) e (iv) outras peças departes e peças de máquinas, inclusive correias, que não entravam em contato direto com o produto em fabricação. A decisão recorrida analisou caso de insumos empregados na fabricação de carbeto de silício e de óxido de alumínio, que, embora não se integravam ao produto final, segundo laudo técnico, sofriam desgaste ou perda das propriedades físicas ou químicas em contato com o produto em fabricação, E em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, o Acórdão no CSRF/010.956, de 27/11/89: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Fl. 634DF CARF MF Processo nº 13876.000520/200235 Acórdão n.º 9303005.099 CSRFT3 Fl. 635 4 Portanto, voto pelo não conhecimento do apelo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 635DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.723523/2012-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
Os rendimentos provenientes de aposentadoria são isentos do imposto sobre a renda, desde que comprovada a moléstia grave, restrita às hipóteses previstas em lei, relativamente ao ano-calendário a que se refere os proventos, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte.
Matéria não discutida na peça impugnatória é atingida pela preclusão, não mais podendo ser debatida na fase recursal.
Numero da decisão: 2401-004.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 12/05/17.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 12/05/17. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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ISENÇÃO. Recorrente JAIRTON OLIVEIRA SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Os rendimentos provenientes de aposentadoria são isentos do imposto sobre a renda, desde que comprovada a moléstia grave, restrita às hipóteses previstas em lei, relativamente ao anocalendário a que se refere os proventos, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Matéria não discutida na peça impugnatória é atingida pela preclusão, não mais podendo ser debatida na fase recursal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 35 23 /2 01 2- 73 Fl. 124DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negarlhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 12/05/17. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10510.723523/201273 Acórdão n.º 2401004.833 S2C4T1 Fl. 124 3 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF no valor de R$ 9.730,01, acrescido de multa de ofício e juros de mora (fls. 8/15), referente a omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 95.144,18, recebidos pelo titular de Sergipe Secretaria de Administração. Foram também glosados o valor de R$ 11.092,20, deduzido indevidamente a título de dependentes, e o valor de R$ 9.405, 70, deduzido indevidamente a título de despesas médicas, e o valor de R$ 12.403,30, deduzido indevidamente a título de despesas com instrução, todos por falta de comprovação. Em impugnação apresentada às fls. 58/60, o contribuinte alega, em síntese: · Que em 31/1/11 pediu isenção do pagamento de imposto de renda por ser portador de moléstia grave neoplasia maligna epitelial glandular desde 2003. Diz que apresentou documentos que comprovam a sua doença, demonstrando que se encontra inativo desde 5/12/2000, na situação de reserva remunerada, porém a Receita Federal não reconhece a isenção, entendendo que para obtêla seria a condição de reformado. · Que do Laudo de Inspeção de Saúde, de 9/11/09, emitido pela Secretaria de Estado da Administração do Estado de Sergipe, se extrai que o recorrente é isento do imposto de renda IR desde 18/8/03. · Que não está curado, sendo ainda portador de neoplasia maligna de próstata. · Que não se pode distinguir o inativo da reserva remunerada com o inativo reformado, pois ambos possuem status de inativo, nas mesmas condições. Cita decisão do STJ e decisão do então Conselho de Contribuintes. A DRJ/SDR, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme acórdão 1532.747 de fls. 77/85, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO DO IRPF. RESERVA REMUNERADA. O benefício da isenção prevista no Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR) não se estende aos proventos recebidos por militares transferidos para a reserva remunerada. DEDUÇÃO. INADMISSIBILIDADE. Fl. 126DF CARF MF 4 Todas as deduções da base de cálculo do imposto estão sujeitas à comprovação, a critério da autoridade lançadora. Admitida a dedução apenas quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Consta do voto do acórdão de impugnação: A documentação acostada aos autos atesta que o contribuinte foi transferido para a reserva remunerada através do Decreto Estadual de fl. 65, datado de 05 de dezembro de 2000. Por seu turno, a isenção prevista no art 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, bem como no art. 39, inciso XXXIII, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), acima transcritos, não se estende aos proventos recebidos por militares transferidos para a reserva remunerada. Cumpre esclarecer, conforme acertadamente argumentado na decisão da Unidade Local, que a interpretação da legislação tributária quando da outorga de isenção deve ser literal, vedase qualquer entendimento que vise a estender o alcance do texto legal, a teor do disposto no artigo 111, II, da Lei n. 5.172/66 (Código tributário nacional – CTN). Destarte, não pode a isenção ser estendida aos proventos da reserva remunerada, como requer o impugnante. Ademais, no que tange ao fato de ser portador de moléstia grave, o Laudo Medico Pericial de fl. 72, emitido pela Secretaria de Estado da Administração, atesta que o impugnante é portador de moléstia tipificada no texto legal, mas somente a partir de 10 de outubro de 2008. Portanto, o período objeto da presente lide (anocalendário 2007) não está abrangido pela possível isenção. Consta ainda que o impugnante não trouxe aos autos os documentos que comprovassem as deduções com dependentes, despesas médicas e instrução, mantendose as glosas efetuadas. Cientificado do Acórdão em 23/7/13 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 86), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/8/13, fls. 88/, no qual apresenta novamente os argumentos apresentados na impugnação e acrescenta, em síntese: Alega que sendo portador de neoplasia maligna, e de acordo com a súmula 43 desse conselho, a cobrança já nasce morta, por ter o recorrente direito à isenção do IR, como também qualquer cobrança de IR não pago desde a data da comprovação da moléstia. Diz que se tem direito à isenção do IR, as deduções consideradas indevidas não têm legitimidade, já que o recorrente se enquadra na Súmula 43 deste conselho. Entende que os valores pagos a título de IR sobre o décimo terceiro salário em 2003, 2004 e 2005 devem lhe ser devolvidos. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10510.723523/201273 Acórdão n.º 2401004.833 S2C4T1 Fl. 125 5 Afirma que o Laudo de Inspeção de Saúde, emitido em 17/9/09, renova a isenção ao pagamento do IR por mais cinco anos, ou seja, até outubro/2013, quando o recorrente passará por uma nova avaliação médica. Cita a Lei 7.713/88, art. 6º, XIV, decisão do STJ e súmula CARF 43. Requer o reconhecimento da isenção do pagamento do IR do contribuinte a partir de 2003, com a devida devolução dos valores já pagos. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF 6 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. ISENÇÃO Quanto a isenção, assim dispõe o CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; [...] Sobre o gozo da isenção do imposto sobre a renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, a Lei 7.713/88 determina que: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No mesmo sentido, o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), Decreto 3.000/99, assim dispõe: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10510.723523/201273 Acórdão n.º 2401004.833 S2C4T1 Fl. 126 7 conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Sendo assim, verificase que para a fruição da isenção, exigese o preenchimento cumulativo de três requisitos: a) que o rendimento seja proveniente de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o rendimento seja recebido por portador de moléstia grave relacionada em lei; e Fl. 130DF CARF MF 8 c) que a moléstia seja comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Acrescentese a isso o enunciado da Súmula Carf nº 63, aprovada em 29/11/10: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (destaque nosso) Dos documentos juntados aos autos, verificase no de fl. 22 que o contribuinte foi transferido para a reserva remunerada em 5/12/2000. Assim, nos termos da súmula Carf nº 63, se comprovado que o contribuinte é portador de moléstia grave, o rendimento percebido a partir de tal data seria isento. Resta então analisar se o contribuinte é, comprovadamente, portador de moléstia grave. Em relatório médico juntado à fl. 68 consta que o paciente, portador de neoplasia maligna de próstata, foi submetido à prostatectomia em 2003 e que evoluiu com recidiva da doença a partir de julho de 2008. O Laudo Médico Pericial de fl. 72, emitido pela Secretaria de Estado da Administração, atesta que o impugnante é portador de moléstia tipificada no texto legal, mas somente a partir de 10 de outubro de 2008. Portanto, como bem analisado na decisão de primeira instância, o período objeto da presente lide (anocalendário 2007) não está abrangido pela possível isenção. Não consta nos autos nenhum outro laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que ateste a moléstia grave do sujeito passivo para o anocalendário 2007. Diante do exposto, em que pese os rendimentos serem provenientes de reserva remunerada, não restou comprovado que o contribuinte era portador de moléstia grave relacionada em lei, requisito essencial para o gozo da isenção pleiteada. Quanto às despesas glosadas, mantémse a glosa, pois o sujeito passivo sequer impugnou referido lançamento, sendo considerada não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte, ocorrendo a preclusão. Acrescentese que o presente processo se refere ao lançamento de imposto de renda do anocalendário 2007, estando fora do objeto de análise valores de outros anos calendário que o contribuinte entende que lhe devem ser restituídos. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10510.723523/201273 Acórdão n.º 2401004.833 S2C4T1 Fl. 127 9 CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, NEGANDOLHE provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
