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Numero do processo: 13739.000157/88-40
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 1995
Numero da decisão: 105-00.854
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em
diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Afonso Celso Mattos Lourenço
1.0 = *:*
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Numero do processo: 10675.905177/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.171
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual se confirmou o seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DComp era suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu, ainda, a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 05 17 7/ 20 12 -6 7 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10675.905177/201267 Resolução nº 3201001.171 S3C2T1 Fl. 130 2 A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. Apontou a autoridade julgadora de primeira instância que a simples retificação da DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não era hábil à modificação do Despacho Decisório. Cientificado da decisão de piso, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e, sucintamente, reiterou a existência do crédito postulado, anexando documentação complementar com vista à comprovação do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.164, de 27/02/2018, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.164): Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Visando recuperar o crédito tributário acima apontado, a Manifestante providenciou a retificação da DCTF em 04/02/2011, conforme atesta o recibo de entrega nº 35.35.13.86.29.00, e a retificação do DACON em 27/01/2011, consoante atesta o recibo de entrega nº 1078177135. Diante da regular constituição do crédito tributário, através da retificação das obrigações acessórias acima mencionadas, a Manifestante transmitiu o PER/DCOMP nº 33828.46086.280111.1.3.042016 para a Receita Federal do Brasil em 28/01/2011 para compensar o seu lídimo crédito tributário com outros débitos tributários de sua titularidade. Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10675.905177/201267 Resolução nº 3201001.171 S3C2T1 Fl. 131 3 A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10675.905177/201267 Resolução nº 3201001.171 S3C2T1 Fl. 132 4 despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Da mesma forma que ocorreu no paradigma, neste processo, o contribuinte retificou a DCTF depois da transmissão do PER/DComp mas antes da ciência do despacho decisório. Apesar de o processo paradigma se referir apenas à Cofins, o mesmo raciocínio desenvolvido se aplica também à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise da Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entender necessários. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.901046/2012-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/06/2004
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza.
Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.150
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/06/2004 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini.
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente IRMÃOS GONCALVES COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/06/2004 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 10 46 /2 01 2- 87 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13227.901046/201287 Acórdão n.º 3301004.150 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF JIPARANÁ emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório. A empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: · vende mercadorias também para clientes estabelecidos na Zona Franca de Manaus, saídas estas sujeitas à alíquota zero para incidência de PIS e Cofins por força da norma prescrita no artigo 2º da Lei 10.996, de 2004; · refez sua apuração de PIS e Cofins em face da tributação indevida de receita tributada à alíquota zero e apurou novos valores de débitos, todos demonstrado em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarado sua DCTF à época revelaramse maiores que os efetivamente devidos; · não efetuou a retificação das DCTFs para que ficasse também demonstrado nela o pagamento efetivamente efetuado. A DRJ em Juiz de Fora (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 09054.484. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, com o fito de comprovar o direito ao crédito, derivado de pagamento indevido de PIS e COFINS sobre receitas com vendas de mercadorias para a Zona franca de Manaus, carreia aos autos cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13227.901046/201287 Acórdão n.º 3301004.150 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.146, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.901042/201207, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.146): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A recorrente alega que o crédito objeto do Pedido de Restituição (PER) deriva de pagamentos indevidos de PIS sobre vendas para a Zona Franca de Manaus, cuja alíquota se encontrava reduzida a zero (art. 2° da Lei n° 10.996/04). Confessa que, realmente, não retificou a DCTF, para reduzir o valor do débito declarado a maior. Porém, informa que retificou o DACON, onde a apuração estaria demonstrada. Aduz que o DACON encontrase no banco de dados do Fisco, por onde pode ser consultado. E traz cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109 ("Venda de produção do estabelecimento, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio"). Em despacho Eletrônico (fl.05), a unidade de origem indeferiu o PER, sob a alegação de que está vinculado a débito devidamente declarado em DCTF. A DRJ ratificou este argumento e frizou que o DACON é um mero informativo, sendo a DCTF o instrumento de formalização do lançamento. Que o contribuinte, diante do erro em seu preenchimento, deveria têlo retificado. Conclui pela improcedência do PER, destacando que a peça de defesa não trouxe demonstração da apuração do crédito, lastreada em documentação hábil. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). O fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13227.901046/201287 Acórdão n.º 3301004.150 S3C3T1 Fl. 5 4 Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração do PIS, devidamente conciliada com os livros contábeis, e, ao menos, significativa amostra das notas fiscais das vendas que alega terem sido realizadas sob o amparo do benefício de redução a zero da alíquota. Ainda que se encontrasse disponível nos autos o DACON, este informativo, combinado com as cópias do livro de Apuração do ICMS, não se me afigurariam como suficientes para comprovação do crédito. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720169/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO.
O ICMS e o ISS integram os valores contidos no conceito de receita bruta, conforme legislação, e compõem a base de cálculo do Pis e da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR e Resp 133073/SP .
COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBCONTRAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE.
A subcontratação de serviços de transporte, prestados por pessoa física ou pessoa jurídica optante pelo Simples, gera direito de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, aplicando-se alíquota correspondente a 75% da alíquota cheia, conforme §20 do artigo 3º, e artigo 15, II, da Lei 10.833/2003.
COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO SOBRE DESPESAS DE PEDÁGIO.
As despesas de pedágio, como dispêndio necessário à prestação de serviços de transporte, podem gerar direito de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, sob o conceito de insumos, inciso II do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO.
O ICMS e o ISS integram os valores contidos no conceito de receita bruta, conforme legislação, e compõem a base de cálculo do Pis e da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR e Resp 133073/SP .
PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBCONTRAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE.
A subcontratação de serviços de transporte, prestados por pessoa física ou pessoa jurídica optante pelo Simples, gera direito de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, aplicando-se alíquota correspondente a 75% da alíquota cheia, conforme §20 do artigo 3º, e artigo 15, II, da Lei 10.833/2003.
PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO SOBRE DESPESAS DE PEDÁGIO.
As despesas de pedágio, como dispêndio necessário à prestação de serviços de transporte, podem gerar direito de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, sob o conceito de insumos, inciso II do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há nulidade do Auto de Infração quando revestido de todas as formalidades legais, e quando todas as infrações apontadas são fundamentadas juridicamente e os cálculos detalhados são cientificados ao contribuinte, oportunizando o contraditório e a ampla defesa.
ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE.
Não incide em nulidade o acórdão que não conhece de matéria não impugnada.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JUÍZO DE CONHECIMENTO
Não se conhece de matéria não impugnada, por preclusão material, conforme artigo 17 do PAF, Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-003.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso. Da parte conhecida, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar as glosas dos créditos referentes a despesas de pedágio. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinícius de Andrade, que davam provimento para exclusão do ICMS da base de cálculo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO. O ICMS e o ISS integram os valores contidos no conceito de receita bruta, conforme legislação, e compõem a base de cálculo do Pis e da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR e Resp 133073/SP . COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBCONTRAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE. A subcontratação de serviços de transporte, prestados por pessoa física ou pessoa jurídica optante pelo Simples, gera direito de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, aplicandose alíquota correspondente a 75% da alíquota cheia, conforme §20 do artigo 3º, e artigo 15, II, da Lei 10.833/2003. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO SOBRE DESPESAS DE PEDÁGIO. As despesas de pedágio, como dispêndio necessário à prestação de serviços de transporte, podem gerar direito de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, sob o conceito de insumos, inciso II do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO. O ICMS e o ISS integram os valores contidos no conceito de receita bruta, conforme legislação, e compõem a base de cálculo do Pis e da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR e Resp 133073/SP . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 69 /2 01 3- 31 Fl. 287DF CARF MF 2 PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBCONTRAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE. A subcontratação de serviços de transporte, prestados por pessoa física ou pessoa jurídica optante pelo Simples, gera direito de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, aplicandose alíquota correspondente a 75% da alíquota cheia, conforme §20 do artigo 3º, e artigo 15, II, da Lei 10.833/2003. PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO SOBRE DESPESAS DE PEDÁGIO. As despesas de pedágio, como dispêndio necessário à prestação de serviços de transporte, podem gerar direito de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, sob o conceito de insumos, inciso II do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há nulidade do Auto de Infração quando revestido de todas as formalidades legais, e quando todas as infrações apontadas são fundamentadas juridicamente e os cálculos detalhados são cientificados ao contribuinte, oportunizando o contraditório e a ampla defesa. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. Não incide em nulidade o acórdão que não conhece de matéria não impugnada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JUÍZO DE CONHECIMENTO Não se conhece de matéria não impugnada, por preclusão material, conforme artigo 17 do PAF, Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso. Da parte conhecida, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar as glosas dos créditos referentes a despesas de pedágio. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinícius de Andrade, que davam provimento para exclusão do ICMS da base de cálculo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 19515.720169/201331 Acórdão n.º 3201003.254 S3C2T1 Fl. 287 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Autos de Infração de Pis e Cofins, lavrados pelo AuditorFiscal da Receita Federal Rocio Kunihiro Hirata, em decorrência de auditoria na empresa. O autuante aponta duas infrações: 1 insuficiência de recolhimentos em função de confissão a menor, na DCTF, em relação aos valores devidos apurados em Dacon; 2 – Créditos descontados indevidamente. Os créditos descontados indevidamente foram relativos a: pagamentos efetuados a pessoas físicas; subcontratação de transporte de cargas, para os quais o contribuinte apurou 100% do crédito, quando o devido seria 75% cf. art. 23 da Lei 11.051/04; depreciação de Ativo Imobilizado adquiridos anteriormente a 01/08/2004; créditos calculados sobre despesas com impostos incidentes sobre a Receita – ICMS e ISS; despesas com pedágio, tanto aqueles valores cobrados de clientes nas faturas (art. 2 da Lei 10.209/01), quanto os valores da conta de Despesas Diretas da Frota (4113007); Informa o autuante, ainda, que corrigiu, a favor do contribuinte, a base de cálculo apurada, excluindo as receitas financeiras, que haviam sido incluídas pelo contribuinte. Cientificada do lançamento, a empresa apresentou Impugnação, onde sustenta: a empresa dedicase ao transporte intermodal, urbano, interurbano e internacional de encomendas e cargas em geral; informa outras características de perfil da empresa; o lançamento deveria ser declarado nulo, por falta de clareza e vinculação entre os fatos descritos e a legislação indicada; que não houve apontamento da regra jurídica aplicada, item a item, especialmente os itens 4.1 e 4.4; entende que isso cerceia seu direito de defesa; o ISS e o ICMS não se inseririam no conceito legal de faturamento, e como tais, não se conformariam como base de cálculo de Pis e Cofins; que todas as despesas glosadas são necessárias à sua atividade; Fl. 289DF CARF MF 4 que a multa aplicada deveria ser de 20%, e não de 75%; que deve ser aplicada a decadência do período de janeiro de 2008, contandose o prazo a partir do fato gerador, posto que não houve acusação de fraude; A DRJ/Belém/PA – 3ª Turma, por meio do acórdão 0128.797, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento.Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 EXCLUSÃO DO ISS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a exclusão do ISS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. CONTRIBUIÇÕES. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. REQUISITOS. A apuração e aproveitamento de créditos no âmbito da apuração nãocumulativa de contribuições exige a observância das hipóteses e condições fixadas pela legislação, dentre as quais o conceito de insumo. Inexistente a previsão legal ou incompatível o gasto com as definições legais, correta a glosa imposta aos valores utilizados pelo sujeito passivo. PRAZO DECADENCIAL Nos termos da Súmula Vinculante nº 08 do STF, a contagem do prazo decadencial das contribuições sociais regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Assim, na hipótese em que não há recolhimento parcial antecipado, o lustro decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na forma do artigo 173, I, do Estatuto Tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 EXCLUSÃO DO ISS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a exclusão do ISS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 19515.720169/201331 Acórdão n.º 3201003.254 S3C2T1 Fl. 288 5 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. PRAZO DECADENCIAL Nos termos da Súmula Vinculante nº 08 do STF, a contagem do prazo decadencial das contribuições sociais regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Assim, na hipótese em que não há recolhimento parcial antecipado, o lustro decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na forma do artigo 173, I, do Estatuto Tributário. CONTRIBUIÇÕES. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. REQUISITOS. A apuração e aproveitamento de créditos no âmbito da apuração nãocumulativa de contribuições exige a observância das hipóteses e condições fixadas pela legislação, dentre as quais o conceito de insumo. Inexistente a previsão legal ou incompatível o gasto com as definições legais, correta a glosa imposta aos valores utilizados pelo sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PRELIMINAR DE NULIDADE. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Rejeitase a preliminar de nulidade por violação do princípio da legalidade e de cerceamento do direito de defesa, quando a descrição dos fatos leva a uma perfeita compreensão da infração cometida e esta corresponde à hipótese de incidência referida no enquadramento legal, considerando que foram dados à autuada todos os meios e prazos para sua ampla defesa. MULTA DE OFÍCIO. Tendo havido a infração, cominase a multa respectiva prevista na legislação de regência. A empresa então apresentou o Recurso Voluntário, no qual reforça as razões de defesa da Impugnação, com exceção da arguição quanto à decadência. Acrescenta pedido de nulidade da decisão recorrida, entendendo que a DRJ não enfrentou a matéria relativa aos itens 2 e 3 – insuficiência de recolhimentos de Pis e Cofins, e que teria expressamente impugnado todas as matérias. Fl. 291DF CARF MF 6 Aduz que as despesas com armazenagem e aluguéis pagas a pessoas físicas não seriam consideradas mãodeobra pessoa física; que o crédito presumido não seria aplicável porque o conceito de insumo, como semelhante ao utilizado na legislação do IRPJ, abarcaria todas as despesas necessárias; quanto à glosa das despesas de depreciação, diz que a fiscalização não demonstrou que os bens seriam aquisições anteriores a 01/08/2004; que as despesas de pedágio inseremse no conceito de insumos na prestação de serviços, conforme documentos da própria Receita Federal; reitera que o ICMS e ISS não fariam parte do conceito de faturamento. Finalmente, defende que os juros não incidem sobre a multa de ofício, colacionando precedentes do Carf. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. O recurso é tempestivo. Delimitação do litígio A Impugnação da empresa inicialmente concentrase em sustentar a nulidade do lançamento. No mérito, conduz argumentação geral relacionada ao conceito de insumos e direito de crédito, e não contesta a infração de insuficiência de recolhimento, por ausência ou confissão a menor na DCTF. O Auditor, de sua parte, à fl. 118 relata a infração relativa à insuficiência de recolhimentos (item 2 e 3). Os documentos de folhas 66, 67 e 68 demonstram a diferença entre o Dacon e a DCTF, relativos ao mês de fevereiro. O documento de folhas 69 e 70 mostra a ausência de qualquer valor declarado no mês de dezembro. A decisão recorrida não conhece dessa matéria, considerando que não foi impugnada (fl. 200): “Matéria não impugnada Cabe observar inicialmente que em relação à insuficiência de recolhimentos da COFINS e do PIS, itens 2 e 3 do Termo de Verificação, fls. a defesa nada apresentou e nada contestou. Logo se o contribuinte não contestou o mérito, tal matéria reputase incontroversa, ao teor do do contido nos artigos 16 e 17 do Decreto n. 70.235/72, que rege o contencioso administrativo fiscal, in verbis (...)” Com efeito, não tendo sido impugnada, não pode ser conhecida também nesta segunda instância administrativa, cf. artigo 17 do PAF. As matérias relativas à incidência de juros sobre multa de ofício, e glosa de despesas de depreciação de bens adquiridos anteriormente a 30/04/2003, trazidas no Recurso Voluntário, também não foram objeto de defesa na Impugnação, e, do mesmo modo, não devem ser conhecidas, por preclusão material. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 19515.720169/201331 Acórdão n.º 3201003.254 S3C2T1 Fl. 289 7 Preliminar de nulidade do lançamento A recorrente reclama que o lançamento sofreria de falta de motivação, porque não apontaria com precisão os motivos e respectivos fundamentos jurídicos de cada item glosado. Não é o que se observa. À fl. 118 relatase a infração relativa à insuficiência de recolhimentos (item 2 e 3). Os documentos de folhas 66, 67 e 68 demonstram a diferença entre o Dacon e a DCTF, relativos ao mês de fevereiro. O documento de folhas 69 e 70 mostra a ausência de qualquer valor declarado no mês de dezembro. Às fls. 118 e 119 descrevese cada glosa efetuada: Verificase a relação de todas as glosas, com a explicação do motivo de glosa: pagamentos efetuados a pessoas físicas; subcontratação de transporte de cargas, para os quais o contribuinte apurou 100% do crédito, quando o devido seria 75% cf. art. 23 da Lei 11.051/04; depreciação de Ativo Imobilizado adquirido anteriormente a 01/08/2004; créditos calculados sobre despesas com impostos incidentes sobre a Receira – ICMS e ISS; despesas com pedágio, tanto aqueles valores cobrados de clientes nas faturas (art. 2 da Lei 10.209/01), quanto os valores da conta de Despesas Diretas da Frota (4113007). Ainda à fl. 119 apontamse os dispositivos legais que tratam do direito de crédito. Às fls. 125 e 126 consta o enquadramento legal da exigência, desde a base de cálculo, alíquota e direito de crédito; às fls. 42 a 65, encontramse as planilhas de cálculo detalhadas, complementadas pelos demonstrativos de fls. 128 e seguintes. Portanto, ao contrário do que alega a recorrente, o lançamento está bem fundamentado e é, inclusive, de fácil entendimento. Desse modo, não há espaço para alegação de cerceamento de defesa por falta de clareza do lançamento. A reclamação da recorrente, de que a cada item glosado deverseia apontar cada enquadramento legal, é formalismo inexistente no PAF. Não se verifica, aliás, a ausência de qualquer requisito formal exigido pelo art. 10 do PAF. Desse modo, não há como acatar a alegada nulidade. Preliminar de nulidade da decisão recorrida Em vista do que foi exposto no item “Delimitação do litígio”, a alegação da recorrente de que a decisão recorrida não teria enfrentado as infrações 2 e 3 – insuficiência de recolhimento, não se sustenta. Conforme excerto citado, a matéria não foi conhecida porque não impugnada. Portanto, não acato a preliminar suscitada. Mérito Créditos sobre pagamentos a pessoas físicas Fl. 293DF CARF MF 8 Em relação a esta despesa, a recorrente sustenta que o pagamento a pessoas físicas, decorrente de aluguéis e armazenagem, não se subsumiria ao conceito de mãodeobra, e, sim no conceito de insumos aplicados na prestação dos serviços. Todavia, é pacífico o entendimento de que qualquer pagamento a pessoa física não gera direito a crédito básico, porque somente custos e despesas pagos a pessoa jurídica podem gerar crédito básico, nos termos do §3º do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.822/20031. Não acato as razões de defesa nesta matéria. Créditos integrais sobre subcontratação de frete A recorrente reconhece que a Lei prevê o crédito presumido limitado a 75% no caso de subcontratação de serviços de transporte, prestados por pessoas físicas ou pessoas jurídicas optantes pelo Simples. Porém, sustenta que, no conceito alargado de insumos, qualquer despesa deveria gerar crédito integral. Ora, tal interpretação faz letra morta do artigo 3º, §§19 e 202 da Lei 10.833/2003, combinados com artigo 15, II da mesma Lei3. Tal disposição legal específica não pode ser afastada, a título de interpretação do conceito de insumos, porque, conforme o princípio da especificidade, a norma específica prevalece sobre a norma geral. Desse modo, o tratamento a ser dado a esta despesa é o tratamento que a lei prevê especificamente, o citado artigo 3º, §§ 19 e 20. Portanto, não acato o pedido nesta matéria. Créditos sobre pedágio 1 § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. 2 § 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I – pessoa física, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) 3 Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 294DF CARF MF Processo nº 19515.720169/201331 Acórdão n.º 3201003.254 S3C2T1 Fl. 290 9 O Fisco glosou as despesas de pedágio contabilizadas na conta 4113007. Alega a recorrente que o conceito de insumos na prestação de serviços abrange esta despesa. Concordo com a recorrente neste ponto. A despesa de pedágio conformase como dispêndio necessário à prestação de serviços de transporte. Ao contrário do que afirma o autuante, o pedágio corresponde ao pagamento de um serviço prestado pela concessionária aos usuários, na manutenção das rodovias e outras responsabilidades, nos termos das políticas de concessões governamentais. Portanto, as despesas de pedágio podem gerar direito a crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. ICMS e ISS como despesas A recorrente apurou crédito sobre despesas de impostos incidentes nas vendas, contabilizadas nas contas 3211001 e 3211010. Tal procedimento é totalmente impertinente. Os impostos não são insumos em qualquer sentido plausível. Não há qualquer previsão legal para a apropriação de crédito sobre despesas com impostos. Assim, não acato as razões de defesa nesta matéria. ICMS e ISS na base de cálculo A recorrente sustenta que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições nãocumulativas, apresentando jurisprudência a respeito. A base de cálculo do Pis e da Cofins, nos termos da legislação vigente, é a totalidade das receitas, cf. artigo 1º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. A Receita Bruta, evidentemente inserida no conceito da base de cálculo referida, é definida pelo art. 12 do Decretolei 1.598/77, com a redação então vigente: Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. Como se vê, a exclusão dos tributos incidentes somente se faz para encontrar o valor da receita líquida, conforme §1º. Portanto, na Receita Bruta devem ser considerados incluídos os impostos incidentes sobre vendas, conforme expressa previsão legal. Fl. 295DF CARF MF 10 O Carf não pode afastar a aplicação da Lei sob considerações de inconstitucionalidade, de acordo com a Súmula 24 e artigo 26A do Decreto 70.235/725: As exceções do §6º não estão caracterizadas. Também não se verificam as exceções tratadas no §1º do artigo 62 do Regimento Interno do Carf – RICARF. Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 626 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. 4 Súmula 2: O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 5 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. 6 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 296DF CARF MF Processo nº 19515.720169/201331 Acórdão n.º 3201003.254 S3C2T1 Fl. 291 11 Pelo exposto, voto por não conhecer das matérias relacionadas à insuficiência de recolhimento por confissão a menor em DCTF, juros sobre multa de ofício e direito de crédito sobre despesas de depreciação de bens adquiridos anteriormente a 01/08/2004. Da parte conhecida, voto por dar parcial provimento, para afastar a glosa do crédito calculado sobre despesas de pedágio. Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 297DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.901999/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2002
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.250
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente RICAL RACK INDUSTRIA E COMERCIO DE ARROZ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2002 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 19 99 /2 01 1- 64 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13227.901999/201164 Acórdão n.º 3301004.250 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP, transmitido eletronicamente. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que, em revisão realizada nos cálculos, a empresa identificou que havia recolhimentos a maior de PIS e Cofins decorrentes de inclusão de receitas isentas na base de cálculo, fato que lhe possibilitaria a restituição e compensação com outros débitos. Constatando que o crédito havia sido indeferido, o contribuinte identificou que isto ocorreu pelo fato de não terem sido retificadas as DCTF, embora o crédito seja totalmente devido. Acrescentou que a resolução das divergências encontradas no cruzamento de informações no sistema da Receita Federal do Brasil que gerou o indeferimento do crédito poderia ser resolvido com uma simples retificação de DCTF. Porém, em função de terem transcorridos mais de cinco anos desde o fato gerador do crédito, o contribuinte fica impossibilitado de retificar as informações. Por isso, requereu a correção da informação prestada em DCTF, a fim de sanar os motivos que ensejaram o indeferimento, se colocando à disposição para comprovar a existência do crédito da forma que a autoridade fiscal entender necessário, e ainda que: a) sejam corrigidos os valores dos tributos devidos em função da impossibilidade do contribuinte retificar as DCTF da época; b) caso entenda a autoridade fiscal necessária a comprovação das bases de cálculo, informe a forma e os documentos que deseja que sejam apresentados; c) sejam declarados homologados os pedidos de restituição; d) sejam declaradas homologadas as compensações. A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, sob fundamento da não comprovação da existência e suficiência do crédito postulado, nos termos do Acórdão nº 02051.136. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, nos seguintes termos: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13227.901999/201164 Acórdão n.º 3301004.250 S3C3T1 Fl. 4 3 2.1 DA DECADÊNCIA DA POSSIBILIDADE DE RETIFICAR A DCTF INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA DO CREDITO; 2.2 DA INEXISTÊNCIA DE FALTA DE COMPROVAÇÃO INAPLICABILIDADE DO ART 333 DO CPC POSSIBILIDADE DE DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIAS; 2.3 DA INVIABILIDADE DA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO ECONOMIA PROCESSUAL E EFICIÊNCIA. Além de requerer o provimento do seu pleito, requer alternativamente a realização de diligências a fim de que a Recorrente seja intimada a apresentar os documentos comprobatórios do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.237, de 02 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.900822/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.237): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto à decadência, adotase o entendimento da decisão recorrida de que ao pedido de retificação de informações da DCTF em razão da impossibilidade de o contribuinte retificála transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, ainda que fosse possível transmitir a DCTF retificadora, a mera retificação, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se prestaria para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Ademais, conforme se consignou na decisão de piso, a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, vigente na época). Atualmente o art. 9º, § 5o, da Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015 é cristalino: § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13227.901999/201164 Acórdão n.º 3301004.250 S3C3T1 Fl. 5 4 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. Portanto, adotase a conclusão constante da decisão recorrida de que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). Dessa forma, é dever da Recorrente comprovar seu crédito e ele teve ampla oportunidade. Assim, tal oportunidade que se encontra precluída em razão de não ter apresentado provas de seu crédito quer na manifestação de inconformidade, quer no Recurso Voluntário. Dessarte, denegase por incabível, o pedido de diligências da Recorrente. Anotese que o fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração, devidamente conciliado com os livros contábeis. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 59DF CARF MF
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Numero do processo: 36202.004132/2006-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara, para que este processo seja apensado aos de n° 12045.000643/2007-09, 12045.000648/2007-23, 36202.003743/2006-14, 36202.003784/2006-01 e 36202.001127/2006-11. Após o julgamento de todos os recursos voluntários, que se encontram pendentes, retornem-se os autos ao conselheiro relator, para julgamento conjunto dos recursos especiais, caso aplicável.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara, para que este processo seja apensado aos de n° 12045.000643/200709, 12045.000648/200723, 36202.003743/200614, 36202.003784/200601 e 36202.001127/200611. Após o julgamento de todos os recursos voluntários, que se encontram pendentes, retornemse os autos ao conselheiro relator, para julgamento conjunto dos recursos especiais, caso aplicável. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2402003.555, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 14 de maio de 2013 (efls. 1329 a 1337). Ali, por unanimidade de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 62 02 .0 04 13 2/ 20 06 -8 5 Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 36202.004132/200685 Resolução nº 9202000.165 CSRFT2 Fl. 1.591 2 votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2006 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 173, I, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já fora julgadas por este Conselho a NFLD na qual foi efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, oportunidade na qual estas foram consideradas como devidas, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção do auto de infração pela ausência de informação dos respectivos fatos geradores em GFIP. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32A da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social GFIP com informações que não compreendiam todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica Enviados os autos à Fazenda Nacional em 05/07/2013 (efl. 1338) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresenta, em 08/07/2013 (efl. 1352), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 1339 a 1351). Alegase, no pleito, quanto à matéria de retroatividade benéfica da multa, divergência em relação ao decidido, em 06/05/2009, no Acórdão 240100.127, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF e, ainda, em relação ao decidido pela mesma 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, em 02/12/2009, no âmbito do Acórdão no. 240100.784, de ementas e decisões a seguir transcrita Acórdão 240100.127 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRLAS Fl. 1591DF CARF MF Processo nº 36202.004132/200685 Resolução nº 9202000.165 CSRFT2 Fl. 1.592 3 Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 150, § 4º, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA APLICAÇÃO Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Decisão: I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas ate a competência 11/2000; II) Por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira (relatora), que votaram por declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; e III) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa de acordo com o disciplinado 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a titulo de multa nas NFLD correlatas. Designado para redigir o voto vencedor, na Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 36202.004132/200685 Resolução nº 9202000.165 CSRFT2 Fl. 1.593 4 parte referente à decadência o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Acórdão 240100.784 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 30/11/2006 PREVIDENCIÁRIO.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP. INFRAÇÃO. A empresa é obrigada a declarar mensalmente na Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social(GFIP) os dados cadastrais, a totalidade dos fatos geradores ocorridos eoutras informações de interesse para a Previdência Social. OBRIGATORIEDADE DE CONCESSÃO PELO FISCO DE PRAZO PARA O SUJEITO PASSIVO CORRIGIR A INFRAÇÃO ANTES DE EFETUAR A LAVRATURA. INEXISTÊNCIA. Não há previsão legal para que a autoridade fiscal, antes de aplicar a penalidade, faculte ao sujeito passivo corrigir infração verificada durante a ação fiscal. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA.APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.Tendose em conta a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, devese aplicar anorma superveniente aos processos pendentes de julgamento. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. IRRELEVÂNCIA PARA FINS DE APLICAÇÃO DA MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. A responsabilidade por infração à legislação tributária independe da intenção do agente ou do resultado da conduta. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2003 a 30/11/2006 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA.INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME POR ÓRGÃO ADMINISTRATIVO DE JULGAMENTO. Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 36202.004132/200685 Resolução nº 9202000.165 CSRFT2 Fl. 1.594 5 À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Decisão: Por unanimidade de votos deuse provimento parcial ao recurso para, recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas , para as competências nas quais ocorreu lançamento da obrigação principal e o nos termos do art. 32A, II, da Lei n.º 8.212/1991, para as competências em que não houve lançamento da obrigação principal. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) O ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; b) Nessa linha, constatase que antes das inovações da MP 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei 8.212/91 (multa isolada). Com o advento da MP 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei 8.212/91. b.1) O art. 32A citado trata de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91. O atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. b.2) Contudo, a MP 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35 A, que corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). Por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 36202.004132/200685 Resolução nº 9202000.165 CSRFT2 Fl. 1.595 6 Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91; c) houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito. Logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei 9.430/96). Nessa linha de raciocínio, a NFLD e o Auto de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP no. 449. Requer, assim, quanto à matéria, que seja conhecido e dado total provimento ao presente recurso, quanto à matéria, para reformar o acórdão recorrido, para que seja adotada a tese esposada do acórdão paradigma, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP 449/2008. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 1354 a 1355. Cientificada em 18/09/13 (efls. 1358), a contribuinte apresentou, em 02/10/2013: a) Contrarrazões ao pleito fazendário de efls. 1361 a 1372, onde: a.1) Inicialmente, ressalta que a presente autuação fiscal (DEBCAD 35.776.420 0 foi lavrada em face da Recorrida em razão de suposto descumprimento de obrigações acessórias cujas obrigações principais estão sendo discutidas nas seguintes 08 (oito) NFLDs: (I) 35.776.4218: Remuneração de empregados à título de Assistência Médica; (II) 35.776.4226: Remuneração de empregados à título de Previdência Privada; (III) 35.776.4234: Remuneração de empregados à título de Cursos de Capacitação e Qualificação Profissionais; (IV) 35.776.4242: Remuneração de empregados à título de Participação nos Lucros e Resultados; (V) 35.776.4250: Remuneração de empregados à título de Seguro de Vida em Grupo; (VI) 35.776.4269: Remuneração de empregados à título de Ajuda de Custo; (VII) 35.776.4277: Remuneração de contribuintes individuais por serviços prestados à empresa; e (VIII) 35.776.4285: Remuneração dos diretoresempregados a título de empréstimo sem a comprovação da origem da devolução. Ocorre que, conforme inclusive já reconhecido na decisão recorrida, parte das NFLD's que originaram o lançamento em questão já foram julgadas, tendo a Recorrida Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 36202.004132/200685 Resolução nº 9202000.165 CSRFT2 Fl. 1.596 7 sagradose vitoriosa nos seguintes casos: (i) 35.776.4218: Remuneração de empregados à título de Assistência Médica Julgado totalmente improcedente; (ii) 35.776.4226: Remuneração de empregados à título de Previdência Privada Reconhecida a decadência parcial; (iii) 35.776.4234: Remuneração de empregados à título de Cursos de Capacitação e Qualificação Profissionais Reconhecida a decadência parcial; e (iv) 35.776.4250: Remuneração de empregados à título de Seguro de Vida em Grupo Reconhecida a decadência parcial. Observese, ainda, que em relação aos itens "ii", "iii" e "iv" (conforme parágrafo acima) a Recorrida apresentou os recursos cabíveis com relação à discussão do mérito, sendo que referidos recursos ainda estão pendentes de julgamento. Ademais, importante ressaltar que ainda consta pendente de solução a NFLD 35.776.4285 (Processo 12045.000643/200709), relativa aos empréstimos concedidos aos diretoresempregados, cujo Recurso interposto pela empresa ainda encontrase aguardando análise. Assim, considerando que o resultado do julgamento das NFLD's pendentes irá determinar o cálculo da multa lançada nestes autos, é imperioso que se determine a suspensão do presente feito até que as NFLD's 35.776.4226, 35.776.4234. 35.776.4250, e 35.776.4285 sejam definitivamente julgadas. Isto porque, considerando que a obrigação acessória segue a principal, restando confirmado que a ora Recorrida não deve nenhuma quantia à título de contribuição previdenciária sobre as rubricas discutidas naqueles autos, não há que se falar no descumprimento das respectivas obrigações acessórias cobradas nos presentes autos. a.2) Quanto à matéria de retroatividade benigna, entende não haver dúvidas, de que a multa específica para o caso dos autos suposto descumprimento de obrigação acessória relativa à apresentação de GFIP com informações inexatas é aquela constante do artigo 32A da Lei 8.212/91, incluído pela Lei 11.941, de 2009, já que além de tratar especificamente da entrega de GFIP com incorreções ou omissões, atende o quanto disposto no artigo 106, II, "c" do CTN. Ressalta que diante da tentativa equivocada de desconsiderar o artigo 32A da Lei 8.212/91, para aplicar a regra do artigo 44 da Lei 9.430/96, reproduzida no artigo 35A da Lei 8.212/91, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, amparado na retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional CTN, examinou diversas vezes a questão e entendeu que a penalidade lançada contra o contribuinte prevista no artigo 32, $ 5°, da Lei n° 8.212/91 restou substituída pela multa do artigo 32A, da Lei 8.212/91, que deverá ser aplicada inclusive nos casos de descumprimento de obrigação acessória anteriores à vigência da Lei n° 11.941/09, citando diversos julgados administrativos neste sentido. Requer, assim, sem sede de contrarrazões que: · Preliminarmente, seja determinada a suspensão do presente feito até que as NFLD's 35.776.4226, 35.776.4234, 35.776.4250, e 35.776.4285 sejam definitivamente julgadas; · Outrossim, com relação ao mérito, tendo em vista a correta aplicação do artigo 32A da Lei 8.212/91, consoante previsto no artigo 106, II, "c" do Código Tributário Nacional e jurisprudência firmada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela União, mantendose incólume o Acórdão recorrido quanto à determinação de recálculo da multa aplicada. Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 36202.004132/200685 Resolução nº 9202000.165 CSRFT2 Fl. 1.597 8 b) Recurso Especial de sua iniciativa de efls. 1434 a 1446 e anexos, que teve sua admissibilidade negada na forma de despachos de efls. 1545 a 1553. Cientificado o contribuinte em 04/12/15 (efl. 1557), este reitera suas contrarrazões no que tange à necessidade de aplicação da multa na forma realizada pelo Acórdão Recorrido, na forma de expediente de efls. 1571 a 1574, tendo, por fim, apresentado pleito de efls. 1580 a 1583 e anexos, no sentido de que lhe seja devolvido valor de depósito recursal realizado e incabível. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Inicialmente, não me manifesto quanto à solicitação da devolução de sepósito recursal, por se tratar de matéria totalmente estranha a este Conselho. Ainda, verifico, após análise individual de cada um dos processos listados no Acórdão recorrido às efls. 1334/1335, que a infração que deu azo ao descumprimento da obrigação acessória em testilha no presente processo encontrase intrinsicamente vinculada à apreciação de eventual(is) obrigação(ões) principal (is) relacionadas, a ser realizada no âmbito dos seguintes feitos, ainda em trâmite neste Conselho Administrativo de Recurso Fiscal, na forma do seguinte quadro resumitivo: PROCESSO DEBCAD MATÉRIA ESTÁGIO ATUAL 36202.003743/200614 35.776.4218 Remuneração à título de Assistência Médica Recurso Especial da Fazenda Nacional admitido, com petição de devolução de depósito recursal Se encontra no SEDIS CSRF 36202.003784/200601 35.776.4226 Remuneração à título de Previdência Privada Recurso Especial do Contribuinte admitido Se encontra no SEDIS CSRF 36202.001127/200611 35.776.4234 Remuneração à título de Cursos de Capacitação e Qualificação Profissionais; Recurso Especial do Contribuinte admitido Se encontra no SEDIS CSRF 12045.000648/200723 35.776.4250 Remuneração à título de Seguro de Vida em Grupo; Recurso Especial do contribuinte Nacional admitido, Fl. 1597DF CARF MF Processo nº 36202.004132/200685 Resolução nº 9202000.165 CSRFT2 Fl. 1.598 9 com petição de devolução de depósito recursal Foi restituído à preparadora para fins de apreciação da devolução do depósito recursal se encontra na Equipe de Restituição da DRF/Vitória. 12045.000643/200709 35.776.4285 Remuneração dos diretores a título de empréstimo sem a comprovação da origem da devolução. Pendente de apreciação de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário SEDIS CEGAP Conforme já mencionado também pelo Acórdão recorrido, as NFLDs de DEBCADs 35.776.4242, 35.776.4269 e 35.776.4277 já tiveram seus feitos vinculados mantidos, não havendo mais litígio, por desistência com parcelamento ou por pagamento. Dessa forma, a referida decisão, a ser prolatada no âmbito dos processos constantes do quadro resumitivo acima, pode ter consequência direta sobre o presente e, por essa razão, entendo que os feitos devem ter seus eventuais Recursos Especiais, caso aplicável, ser futuramente apreciados em conjunto por esta Turma da CSRF. Ainda, notese que permanece um dos feitos (de no. 12045.000643/200806) pendente de apreciação de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário, não tendo havido sequer sua distribuição no âmbito das Turmas Ordinárias. Diante do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara, a fim de que este processo seja apensado aos de n° 12045.000643/2007 09, 12045.000648/200723, 36202.003743/200614, 36202.003784/200601 e 36202.001127/200611. Após o julgamento de todos os recursos voluntários, que se encontram pendentes, retornemse os autos ao conselheiro relator, para julgamento conjunto dos recursos especiais, caso aplicável. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1598DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13047.720004/2014-27
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.SÚMULA CARF Nº 02
É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais. Aplicação Súmula CARF nº 02.
INÍCIO DE ATIVIDADE. SOLICITAÇÃO DE OPÇÃO.
Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte (com exceção de empresa em início de atividade) poderá: regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional. (Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94, de 29 de novembro de 2011, Art.6o, §2o e §3o).
Numero da decisão: 1001-000.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.SÚMULA CARF Nº 02 É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais. Aplicação Súmula CARF nº 02. INÍCIO DE ATIVIDADE. SOLICITAÇÃO DE OPÇÃO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte (com exceção de empresa em início de atividade) poderá: regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional. (Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94, de 29 de novembro de 2011, Art.6o, §2o e §3o).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.SÚMULA CARF Nº 02 É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais. Aplicação Súmula CARF nº 02. INÍCIO DE ATIVIDADE. SOLICITAÇÃO DE OPÇÃO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte (com exceção de empresa em início de atividade) poderá: regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional. (Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94, de 29 de novembro de 2011, Art.6o, §2o e §3o). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 04 7. 72 00 04 /2 01 4- 27 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13047.720004/201427 Acórdão n.º 1001000.266 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 38 a 42) interposto contra o Acórdão nº 0131.185, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 30 a 34), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL ANOCALENDÁRIO: 2013 Ementa: INÍCIO DE ATIVIDADE. SOLICITAÇÃO DE OPÇÃO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte (com exceção de empresa em início de atividade) poderá: regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional. (Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94, de 29 de novembro de 2011, Art.6o, §2o e §3o). Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio " Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " 1. Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte em início de atividade acima identificado contra o TERMO DE INDEFERIMENTO, fl.05, que impediu sua adesão ao Simples Nacional 2013, com data de registro em 23/12/2013. 2. A solicitação de enquadramento foi realizada em 29/11/2013, fl.05. 3. O motivo do indeferimento foi a existência de: 4. Em sua Manifestação de Inconformidade em 30/12/2013, fls.2, o contribuinte alega que: Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13047.720004/201427 Acórdão n.º 1001000.266 S1C0T1 Fl. 4 3 Houve erro na inclusão da atividade vedada, o qual foi corrigido com a alteração da Junta Comercial do Rio Grande do Sul. 5. Requer sua inclusão no SIMPLES NACIONAL 2013. " Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário calcado basicamente em duas premissas: (i) que a previsão feita pelo §3ª do art. 6º da Resolução CGSN nº94/2011 violaria a Constituição Federal, porquanto quebraria a igualdade jurídica; e (ii) que a empresa jamais teria praticado efetivamente as atividades vedadas ao regime do SIMPLES, tendo inclusive promovido a retificação de seus registros. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos aventados pelo recurso. Conforme relatado, a Recorrente alega em seu recurso que a previsão feita pela §3ª do art. 6º da Resolução CGSN nº 94/2011, qual seja de vedar a concessão de prazo para regularização de pendência no caso das empresas em início de atividade, violaria a Constituição Federal em seu art. 5º caput, que estabelece o princípio da igualdade. Ocorre que é vedado aos julgadores administrativos analisarem a inconstitucionalidade de lei. Tal entendimento já foi sumulado por meio do enunciado CARF de nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, tal impeditivo impossibilita o acolhimento das razões da parte enquanto aos argumentos de inconstitucionalidade, razão pela qual afastoos de plano, sem a necessidade de maiores analises quanto ao tema. Seguindo na análise dos demais argumentos da Recorrente, cabe tecer algumas linhas sobre a regularização fiscal do contribuinte na ocasião de sua opção pelo regime simplificado. Compulsando os autos, verifico que, nos termos já apontados pela decisão de piso, a Recorrente tinha em seus registros atividade vedada no momento da opção pelo SIMPLES. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13047.720004/201427 Acórdão n.º 1001000.266 S1C0T1 Fl. 5 4 Primeiramente, é de se dizer que a responsabilidade pela fiel descrição de suas atividades em seus registros públicos é de responsabilidade única e exclusiva da própria contribuinte. Outrossim, vez que não há expressa previsão legal para qualquer tipo de comprovação efetiva da atividade, é perfeitamente regular que a análise do pedido de adesão ao regime seja feita com base nas informações e registros prestados pela própria contribuinte, não podendo se imputar à administração eventual inconveniente causado por erro que não era de sua responsabilidade. Ainda, é de se dizer que a Resolução 94/2011 institui expressamente que a concessão de prazo para regularização de pendências não se aplica às pessoas jurídicas em início de atividade. Até se pode questionar a razoabilidade e o interesse público por trás de tal dispositivo, mas devese ter em mente que tal discussão é de ordem política, cabendo aos órgãos competentes dos Poderes Executivos e Legislativos eventual revisão da norma. A este órgão de julgamento, cabe tão somente aplicar a legislação vigente aos fatos a ele submetidos. Por fim, como bem asseverou a decisão ora combatida, o presente feito administrativo se volta a analisar tão somente a correição do ato que indeferiu o primeiro pedido realizado em 29/11/2013, assim, para o presente julgamento pouco significa as alterações fáticas e jurídicas ocorridas posteriormente aos fatos ora impugnados. Assim, após estas considerações, entendendo que a decisão da DRJ de origem analisou a questão corretamente, tomo a liberdade de reproduzir e adotar os termos exarados na decisão de piso: " 7. A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94, de 29 de novembro de 2011: Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94, de 29 de novembro de 2011 Dos Procedimentos Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput ) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5 º . (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2 º ) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput ) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13047.720004/201427 Acórdão n.º 1001000.266 S1C0T1 Fl. 6 5 § 3º O disposto no § 2º não se aplica às empresas em início de atividade. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput ) 8. O § 3º do art.6o da Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94, de 29 de novembro de 2011 dispõe que o disposto no §2º do art.6o não se aplica às empresas em início de atividade. Isto significa que enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte (com exceção de empresa em início de atividade) poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional para ter deferido o seu pedido original. 9. Tal possibilidade de correção de irregularidades contidas no Termo de Indeferimento não é conferida às empresas em início de atividade, de acordo com a legislação acima apresentada. 10. No presente caso, observase que no Requerimento de Empresário, fl.24, registrado em 01/10/2013, constava a atividade secundária de CNAE 4616 8/00, que ocasionou o impedimento da adesão do contribuinte ao SIMPLES NACIONAL. Posteriormente, o contribuinte apresentou novo requerimento de empresário, fl.25, com registro em 17/12/2013, já sem a atividade vedada. 11. Ocorre que a apresentação do segundo Requerimento de Empresário, fl.25, foi posterior à solicitação de inclusão no SIMPLES NACIONAL, que se deu em 29/11/2013. Tal possibilidade de correção, no mesmo pedido, da atividade vedada para empresas em início de atividade, não está contemplada pela legislação acima apresentada. 12. Desta forma, o contribuinte em início de atividade deve fazer um novo pedido, caso tenha regularizado eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional. Nos presentes autos se julga o pedido inicial, efetuado em 29/11/2013, que, por disposição legal, não pode mais ser deferido. " Assim, resta claro que os argumentos trazidos pela Recorrente não merecem acolhida, devendo a decisão supracitada prevalecer. Em face a todo o exposto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13047.720004/201427 Acórdão n.º 1001000.266 S1C0T1 Fl. 7 6 Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10494.000296/2008-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 15/12/2003 a 08/09/2006
DRAWBACK. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. RETIFICAÇÃO. APÓS AVERBAÇÃO DE EMBARQUE. POSSIBILIDADE. CIRCULAR SECEX nº 39/2007. PORTARIA SECEX Nº 33/2007.
Não havendo, à época das exportações sob análise, restrição legal ou infralegal à retificação do Registro de Exportação (RE) para fins de enquadramento no regime de drawback suspensão, não pode a fiscalização desconsiderar para fins de adimplemento do regime os Registros de Exportação com suas correspondentes alterações.
No âmbito das Portarias da Secex não havia vedação expressa de retificação do RE averbado relativamente ao enquadramento do regime de drawback até a publicação Portaria Secex nº 33/2007, que alterou a Portaria Secex nº 35/2006. Ademais, a Circular Secex nº 39/2007, depois revogada pela Portaria Secex nº 33/2007, dispunha sobre a aceitação, até 5 de outubro de 2007, das solicitações de alteração de RE efetivados e averbados com vistas à comprovação do regime de drawback suspensão.
Recurso Voluntário provido em parte
Crédito Tributário mantido em parte
Numero da decisão: 3402-004.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 15/12/2003 a 08/09/2006 DRAWBACK. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. RETIFICAÇÃO. APÓS AVERBAÇÃO DE EMBARQUE. POSSIBILIDADE. CIRCULAR SECEX nº 39/2007. PORTARIA SECEX Nº 33/2007. Não havendo, à época das exportações sob análise, restrição legal ou infralegal à retificação do Registro de Exportação (RE) para fins de enquadramento no regime de drawback suspensão, não pode a fiscalização desconsiderar para fins de adimplemento do regime os Registros de Exportação com suas correspondentes alterações. No âmbito das Portarias da Secex não havia vedação expressa de retificação do RE averbado relativamente ao enquadramento do regime de drawback até a publicação Portaria Secex nº 33/2007, que alterou a Portaria Secex nº 35/2006. Ademais, a Circular Secex nº 39/2007, depois revogada pela Portaria Secex nº 33/2007, dispunha sobre a aceitação, até 5 de outubro de 2007, das solicitações de alteração de RE efetivados e averbados com vistas à comprovação do regime de drawback suspensão. Recurso Voluntário provido em parte Crédito Tributário mantido em parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1804; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 491 1 490 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10494.000296/200873 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.872 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria Drawback Recorrente STEMAC GRUPOS GERADORES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 15/12/2003 a 08/09/2006 DRAWBACK. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. RETIFICAÇÃO. APÓS AVERBAÇÃO DE EMBARQUE. POSSIBILIDADE. CIRCULAR SECEX nº 39/2007. PORTARIA SECEX Nº 33/2007. Não havendo, à época das exportações sob análise, restrição legal ou infralegal à retificação do Registro de Exportação (RE) para fins de enquadramento no regime de drawback suspensão, não pode a fiscalização desconsiderar para fins de adimplemento do regime os Registros de Exportação com suas correspondentes alterações. No âmbito das Portarias da Secex não havia vedação expressa de retificação do RE averbado relativamente ao enquadramento do regime de drawback até a publicação Portaria Secex nº 33/2007, que alterou a Portaria Secex nº 35/2006. Ademais, a Circular Secex nº 39/2007, depois revogada pela Portaria Secex nº 33/2007, dispunha sobre a aceitação, até 5 de outubro de 2007, das solicitações de alteração de RE efetivados e averbados com vistas à comprovação do regime de drawback suspensão. Recurso Voluntário provido em parte Crédito Tributário mantido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 02 96 /2 00 8- 73 Fl. 491DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 03/06/2008 Drawback. Falta de vinculação nos registros de exportação. Registros de exportação não enquadrados como exportação drawback suspensão quando de sua averbação, que é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque da mercadoria, impedem que a fiscalização constate possíveis exigências decorrentes do princípio da vinculação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Versa o processo sobre a exigência de Imposto sobre a Importação (II), IPI, Cofinsimportação, PIS/Pasepimportação, juros de mora e multas de ofício, no valor de R$260.515,72, em face do descumprimento das obrigações assumidas por ocasião da aplicação do regime aduaneiro especial de drawback na modalidade suspensão. Constatou a fiscalização que não restou comprovado o adimplemento dos Atos Concessórios em relação a 35 Registros de Exportação (RE's) sem vinculação a ato concessório de drawback até o momento do embarque das mercadorias, sendo que estas foram exportadas com um tratamento fiscalizatório muito diferente daquele aplicado em exportações drawback. Além disso, o RE n° 04/1738491001 estava vinculado a dois Atos Concessórios de drawback. A interessada apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) As Portarias Secex não fazem referência a prazo para a vinculação ou vedação da retificação de RE após sua averbação, sendo que a Notícia SISCOMEX 28/2007 definiu prazo para solicitação de alteração de RE efetivados e averbados quando envolver enquadramento de Drawback. b) No caso, há vinculação dos registros de exportação aos respectivos Atos Concessórios de Drawback, ainda que posteriormente através da retificação desses registros. c) Houve o cumprimento do compromisso de exportação assumido, sendo que eventuais falhas apontadas poderiam ser suficientes para penalidades administrativas, mas não para configurar o inadimplemento do regime. O julgador de primeira instância não acatou as alegações da impugnante, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10494.000296/200873 Acórdão n.º 3402004.872 S3C4T2 Fl. 492 3 A mera comprovação de que exportações ocorreram não pode ser considerada como argumento suficiente para ensejar o cumprimento das obrigações assumidas em um determinado Ato Concessório de Drawback. É necessário que importação e exportação estejam vinculadas de tal forma a permitir o pleno controle pelo Fisco do emprego e destinação dos bens, autorizando, por conseguinte, a exigência dos tributos suspensos caso não sejam atendidas as condições que levaram à concessão do regime. No regime de drawback, só podem ser aceitas como comprobatórias as exportações efetivamente ocorridas, cujo benefício tenha sido devidamente anotado no respectivo documento, e cujo embarque tenha se verificado dentro do prazo de validade registrado no Ato Concessório. A vinculação do registro de exportação após o desembaraço carece de elemento essencial, qual seja: fazer a verificação física da mercadoria para atestar que ela incorpora os insumos importados com amparo no ato concessório, ou em outras palavras, confirmar a ocorrência da vinculação física. Cabe o ônus da prova ao beneficiário do regime, de forma que, na falta de comprovação das exportações perante o órgão competente, subsiste a conclusão da fiscalização acerca do seu inadimplemento. Cientificada em 22/06/2015, a interessada apresentou recurso voluntário em 22/07/2015, alegando, em síntese, que: Ao não analisar a alegação da impugnante de que não seria aplicável ao caso a Portaria Secex nº 36/2007, o acórdão recorrido acabou restando em nulidade por preterição ao direito de defesa. É incontroverso nos autos que os RE's foram efetivamente retificados e que estas alterações foram aceitas pelo órgão fiscalizador. De acordo com o art. 390, III do Regulamento Aduaneiro/2009 (art. 342 do RA/2002), no caso de descumprimento de outras condições previstas no Ato Concessório, o contribuinte pode proceder à regularização junto ao órgão concedente. A instrução Normativa nº 28/94, em seu art. 40, permite a retificação de dados após a averbação. Aos registros de exportação deve ser aplicada a legislação vigente à época de sua efetiva realização, não podendo ser utilizada legislação ulterior (Portaria Secex nº 36/2007) a fatos pretéritos (RE já registrados), sob pena de ofensa ao princípio da segurança jurídica. As Portarias Secex vigentes por ocasião dos Registros de Exportação, de 05/01/2004 a 25/04/2007, não veiculavam a restrição disposta no art. 124, §2º da Portaria Secex nº 36/2007, no sentido de que não seria permitida a inclusão de Ato Concessório ou de código de enquadramento de drawback após a averbação do RE. A Notícia Siscomex nº 28, de 1º de agosto de 2007, estabeleceu o prazo de 05.10.2007 para a solicitação de alteração de RE efetivados e averbados para fins de inclusão, exclusão ou alteração de informações nos campos 2a (códigos de enquadramento de Drawback) e 24 (comprovação do regime). Inexiste fundamento legal ou infralegal para o tratamento fiscalizatório diferenciado entre uma exportação normal e uma sob regime de drawback. Não houve prejuízo ao controle fiscal. À autoridade administrativa não é dado fazer ilações acerca das normas disciplinadoras da relação jurídicotributária entre fisco e contribuintes, mormente quando tal implica revogação de benefício isencional, como é o caso do drawback. A utilização da analogia não pode resultar na exigência de tributo não previsto em lei, nem na recusa de benefício concedido por lei ao contribuinte. Fl. 493DF CARF MF 4 Fazendose simples verificação entre os Registros de Exportação desconsiderados pela fiscalização e as respectivas Notas Fiscais juntadas, é fácil perceber que a recorrente efetivamente exportou as mercadorias neles constantes, tendo adimplido o regime. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Da análise dos autos, verificase que não há controvérsia acerca da obrigatoriedade de vinculação do Registro de Exportação (RE) ao Ato Concessório de Drawback na modalidade suspensão, bem como de informação nos campos 2a (código de enquadramento no regime) e 24 (dados do fabricante) do RE. Assim, no presente caso, a discussão limitase à possibilidade de retificação do RE averbado para fins de inclusão do código de enquadramento do Drawback suspensão. Sobre a possibilidade de alteração dos dados do Registro de Exportação (RE) após a averbação do embarque, assim dispunha o art. 40 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994, DOU de 28.04.94, no âmbito da Receita Federal, à época dos fatos: Art. 40. Concluída a averbação, na forma dos arts. 46 a 49, as alterações nos dados de registro de embarque relativos à quantidade de volumes, peso e identificação da mercadoria embarcada, somente poderão ser efetuadas com autorização da fiscalização aduaneira. Parágrafo único. Enquanto não implantada, no Sistema, função que contemple o disposto neste artigo, os pedidos de alteração deverão ser apresentados, por escrito, pelo responsável pelo registro, no SISCOMEX, do dado a ser alterado acompanhados da respectiva documentação comprobatória, à unidade da SRF de embarque que, após análise e emissão de parecer, os encaminhará à CoordenaçãoGeral do Sistema de Controle AduaneiroCOANA, para as providências cabíveis. Dessa forma, como se vê, estava regulamentada a retificação do RE somente no que concerne à alteração relativa à quantidade, ao peso e à identificação da mercadoria após a averbação do embarque, nada havendo, entretanto, no âmbito da Receita Federal, acerca da possibilidade/impossibilidade de retificação de RE averbado para fins de inclusão, exclusão ou alteração de informações nos campos 2a, envolvendo código de enquadramento referente a drawback, e 24, com vistas à comprovação desse regime. No âmbito das Portarias da Secex não havia vedação expressa de retificação do RE averbado relativamente ao enquadramento do regime de drawback até a publicação Portaria Secex nº 33/2007 (D.O.U. de 31/10/2007), que alterou o art. 131 da Portaria SECEX nº 35, de 24 de novembro de 2006, como se vê abaixo: PORTARIA SECEX Nº 12, DE 03 DE SETEMBRO DE 2003 DOU 04/09/2003 Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10494.000296/200873 Acórdão n.º 3402004.872 S3C4T2 Fl. 493 5 (Revogada pelo art 73 da PortariaSecex nº 15, DOU 23/11/2004) Art. 10. Poderão ser efetuadas alterações no RE, exceto durante o curso dos procedimentos para despacho aduaneiro. PORTARIA Nº 15, DE 17 DE NOVEMBRO DE 2004 (Publicada no DOU de 23/11/2004) Art. 10. Poderão ser efetuadas alterações no RE, exceto durante o curso dos procedimentos para despacho aduaneiro. PORTARIA Nº 35, DE 24 NOVEMBRO DE 2006 (Publicada no DOU de 28/11/2006) Redação Original Art. 131. Na modalidade suspensão, as empresas deverão comprovar as importações e exportações vinculadas ao Regime, por intermédio do módulo específico Drawback do Siscomex, no prazo de até 60 (sessenta) dias contados a partir da data limite para exportação. (...) Art. 167. Poderão ser efetuadas alterações no RE, exceto durante o curso dos procedimentos para despacho aduaneiro. (...) ANEXO “F” EXPORTAÇÃO VINCULADA AO REGIME DE DRAWBACK 1. As exportações vinculadas ao Regime de Drawback estão sujeitas às normas gerais em vigor para o produto, inclusive no tocante ao tratamento administrativo aplicável. 2. Um mesmo RE não poderá ser utilizado para comprovação de Atos Concessórios de Drawback distintos de uma mesma beneficiária. 3. É obrigatória a vinculação do RE ao Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão. 4. Somente será aceito para comprovação do Regime, modalidade suspensão, RE contendo, no campo 2a, o código de enquadramento constante da Tabela de Enquadramento da Operação do SISCOMEXExportação, bem como as informações exigidas no campo 24 (dados do fabricante). (...) PORTARIA SECEX N° 33, DE 30 DE OUTUBRO DE 2007 (publicada no D.O.U. de 31/10/2007) Art. 4º O art. 131 da Portaria SECEX nº 35, de 24 de novembro de 2006, passa a vigorar com a seguinte redação, com os parágrafos que se seguem, revogandose o atual § 4º: “Art. 131. Na modalidade suspensão, as empresas deverão comprovar as importações e exportações vinculadas ao regime, por intermédio do módulo específico de Drawback do Siscomex, no prazo de até 60 (sessenta) dias contados a partir da data limite para exportação. Fl. 495DF CARF MF 6 § 1º As DI e os RE indicados no módulo específico Drawback do SISCOMEX deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório. § 2º. Não será permitida a inclusão de AC no campo 24, bem como no campo 2a de código de enquadramento de drawback, após a averbação do registro de exportação, exceto nas operações cursadas em consignação. § 3º Poderão ser admitidas alterações, solicitadas no Siscomex e por meio de processo administrativo, para modificar dados constantes do campo 24, desde que mantido o código de enquadramento do drawback.”(NR) (...) Art. 7º Fica alterada a redação do art. 167 da Portaria SECEX nº 35, de 24 de novembro de 2006, para a que se segue: “Art. 167. Poderão ser efetuadas alterações no RE, exceto quando: I envolverem inclusão de ato concessório no campo 24, bem como de código de enquadramento de drawback, após a averbação do registro de exportação; ou II – realizadas durante o curso dos procedimentos para despacho aduaneiro.”(NR) Art. 8º Fica revogada a Circular n° 39, de 3 de agosto de 2007, da Secretaria de Comércio Exterior, publicada no Diário Oficial da União de 8 de agosto de 2007. Art. 9º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. [negritei] Inclusive, conforme alertado pela recorrente, o teor da Circular SECEX nº 39 de 03/08/2007, abaixo transcrita, posteriormente revogada pela Portaria Secex nº 33/2007, revela que a Secex vinha, até então, aceitando retificações de RE para fins de enquadramento no regime de drawback suspensão: Circular SECEX nº 39 de 03/08/2007 (Revogada pela Portaria SECEX nº 33, de 30.10.2007, DOU 31.10.2007) (...) 2. Para tanto, considerandose o previsto nos itens 3 e 4 do Anexo "F" da Portaria Secex nº 35, de 24 de novembro de 2006, fica limitado em 5 de outubro de 2007 o prazo para solicitação de alteração de RE efetivados e averbados para fins de inclusão, exclusão ou alteração de informações nos campo 2a, quando envolver código de enquadramento referente a drawback, e 24, com vistas à comprovação do regime. 3. Os RE efetivados e/ou averbados, a partir da mesma data, deverão conter nos campos 2a e 24 as informações necessárias para comprovação do regime, conforme estabelecido na legislação citada no parágrafo anterior, uma vez que não será aceito pedido de alteração de RE após a averbação para esse fim. [grifos e negritos meus] Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10494.000296/200873 Acórdão n.º 3402004.872 S3C4T2 Fl. 494 7 No caso específico dos autos, todos os Registros de Exportação são anteriores a 31.10.2007 (Portaria Secex nº 33/2007), e também anteriores a 05.10.2007 (Circular SECEX nº 39/2007), eis que foram registrados no período de 05/01/2004 a 25/04/2007. Dessa forma, à época dos Registros de Exportação não estava vigente a restrição de retificação para fins de enquadramento no regime de drawback. Assim, não obstante as relevantes ponderações do AuditorFiscal relativamente a diferença de fiscalização entre uma exportação normal e uma relativa ao regime de drawback suspensão no momento do despacho de exportação das mercadorias, o fato é que tais questões não estavam previstas em nenhum norma legal ou infralegal à época das exportações, devendo ser afastado o entendimento da fiscalização de que não deveriam ser aceitas retificações de RE's, para fins de enquadramento no regime, após a averbação do embarque. Dessa forma, tendo em vista o provimento no mérito nesta parte do recurso, deixo de apreciar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, nos termos do art. 59, §3° do Decreto nº 70.235/72, relativamente a ausência de análise de alegação da então impugnante de que não seria aplicável ao caso as restrições veiculadas pela Portaria Secex nº 36/2007. No entanto, com relação ao RE nº 04/1738491001, que foi desconsiderado pela fiscalização também pelo fato de estar vinculado a dois Atos Concessórios de drawback, como a recorrente não apresentou qualquer elemento modificativo ou extintivo da autuação nessa parte, a respectiva exportação não deve mesmo ser considerada para fins de adimplemento do regime, nos termos do item 19.4 do Comunicado Decex nº 21/1997, art. 86 da Portaria Secex nº 11/2004, art. 142 da Portaria Secex nº 14/2004 (Publicada no DOU de 23/11/2004) e art. 134 da Portaria Secex nº 35/2006. 1 Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário a fim de que a Unidade de Origem considere as exportações com Registros de Exportação (RE) retificados após a averbação de embarque, com exceção da exportação objeto 1 19.4 Não serão aceitos para comprovação do Regime, Registros de Exportação (RE) que possuam um único CGC vinculado a mais de um Ato Concessório de Drawback. Art. 86. Não serão aceitos para comprovação do Regime, RE que possuam um único CNPJ vinculado a mais de um Ato Concessório de Drawback. Art. 142. idem Art. 134. idem Fl. 497DF CARF MF 8 do RE nº 04/1738491001, para fins de adimplemento do compromisso de exportar dos Atos Concessórios, exonerando as parcelas correspondentes da autuação. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 498DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.000112/2006-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado Digitalmente
Waldir Navarro Bezerra-Presidente Substituto
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente substituto), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (suplente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta CâmaraTerceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Waldir Navarro BezerraPresidente Substituto Assinado Digitalmente Pedro Sousa BispoRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente substituto), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (suplente). RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de contestação à não homologação de compensação, via DCTF – Declaração de Créditos e Tributos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 00 11 2/ 20 06 -2 9 Fl. 389DF CARF MF Processo nº 13971.000112/200629 Resolução nº 3402001.209 S3C4T2 Fl. 390 2 Federais, cujos créditos pleiteados decorrem de provimento judicial, em que a contribuinte acima identificada obteve, via Mandado de Segurança nº 98.20060826 (PAJ n° 13971.001026/9890), o afastamento dos DecretosLei nº 2.445/88 e 2.449/88, bem como o direito a compensação de eventual crédito resultante com débitos do próprio PIS. No citado Mandado de Segurança, com pedido de liminar, as impetrantes pretendiam ver declarada a inexigibilidade da Contribuição para o PIS, nos moldes, dos DecretosLei n°s 2.445/88 e 2.449/88, em decorrência da inconstitucionalidade desses Decretos Lei, bem como o direito à compensação de valores pagos a maior, com débitos apurados da mesma contribuição e de outros impostos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Em 17 de novembro de 1998, o pedido de liminar foi indeferido. Em 25 de fevereiro de 1999, foi proferida sentença que, preliminarmente, declarou prescrito o direito de compensação relativo aos valores recolhidos a título de Contribuição para o PIS anteriores a 16 de novembro de 1988, e, no mérito, concedeu parcialmente a segurança para reconhecer a inconstitucionalidade dos DecretosLei nºs 2.445/88 e 2.449/88; declarar a existência de crédito das impetrantes em relação a União/Fazenda Nacional, referente aos valores recolhidos a maior a titulo de Contribuição para o PIS nos moldes dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88; e reconhecer o direito das impetrantes de compensarem o que recolheram indevidamente a título de Contribuição para o PIS com parcelas do próprio PIS e/ ou outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não foi interposto recurso pelas partes. Os autos subiram ao TRF4ª Região para reexame necessário. A Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, deu parcial provimento à remessa oficial declarando o direito à utilização de tais créditos na compensação de débitos da mesma espécie, isto é, que possuam a mesma destinação orçamentária, acrescentando que para a compensação alcançar outros tributos, seria necessária a autorização da Secretaria da Receita Federal, nos termos da Lei n° 9.430/96. O Acórdão transitou em julgado em 03 de dezembro de 1999. A interessada apresentou planilha discriminando os pagamentos referentes aos períodos de apuração 07/88 a 09/95 acompanhada das cópias dos Darf correspondentes a esses pagamentos, com informação das bases de calculo do citado período. Em 27 de setembro de 2004, a SACAT/EQPAJ efetuou, no sistema CTSJ, os cálculos de compensação dos valores da Contribuição para o PIS devidos nos moldes da LC nº 07/70 (utilizando o critério da semestralidade, ou seja, base de cálculo equivalente ao sexto mês anterior) com os valores da Contribuição para o PIS recolhidos de acordo com os DecretosLei nºs 2.445/88 e 2.449/88. Com base nesses cálculos, essa Equipe concluiu pela inexistência de crédito. O processo foi encaminhado à SAORT/DRF/Blumenau para que fosse dada ciência à impetrante sobre a inexistência de crédito a ser utilizado na compensação. E, com base nas informações fornecidas pela SACAT/EQPAJ, em 10 de maio de 2006, a Chefe da Fl. 390DF CARF MF Processo nº 13971.000112/200629 Resolução nº 3402001.209 S3C4T2 Fl. 391 3 SAORT/DRF/Blumenau proferiu o Despacho Decisório, nos seguintes termos: Sendo assim, fazendo uso das competências definidas nos artigos 140, inciso III e 250, inciso XXI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 30, de 25/02/2005 (DOU 04/03/2005), esta última delegada pela Portaria DRF/Blumenau n° 27, de 01/06/2005, DECLARO que o provimento judicial decorrente dos pedidos contidos no MS 98.20060826 não resultou em direito creditório em benefício da interessada que possa ser utilizado para compensação de PIS. i) Intimese o contribuinte para ciência. ii) Em face desta decisão é facultado ao contribuinte apresentar Manifestação de Inconformidade dirigida à Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, no prazo de 30 dias a contar do recebimento da mesma, conforme o disposto no art. 35 da Instrução Normativa SRF n° 460/05. Cientificada em 07 de fevereiro de 2006 a contribuinte, inconformada, ingressou, em 21 de fevereiro de 2006, com manifestação de inconformidade na qual expõem suas razões de contestação. Inicialmente, a contribuinte alega que a base de cálculo adotada pela autoridade fiscal está equivocada porque não foi utilizado o faturamento do sexto mês anterior. Explica que em seus cálculos, a autoridade fiscal considerou como base de cálculo da Contribuição os valores informados nos Darf apresentados pelo próprio contribuinte correspondentes à receita operacional bruta do mesmo mês da competência quando deveria ter considerado os valores do faturamento do sexto mês anterior. Afirma, em síntese, que os valores recolhidos em vista de normas inconstitucionais, devem ser devolvidos ao contribuinte, uma vez que não envolvem valores estranhos, cabendo ao fisco proceder ao cálculo correto, nos moldes da LC nº 07/70 e alterações posteriores, lançando os valores, se não atingidos pela decadência, e não os cobrando de forma direta, utilizandose indevidamente dos créditos da manifestante. Defende a interessada que as alterações posteriores válidas da LC nº 07/70 apenas modificaram o prazo de recolhimento da Contribuição para o PIS, e não a sua base de cálculo, sendo que o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de não haver correção da base de cálculo. A contribuinte argumenta, ainda, que de acordo com o artigo 74, §§ 7° a 11º, da Lei nº 9.430/96, deverá ser determinada a suspensão do crédito tributário, diante da presente manifestação de inconformidade apresentada, em relação a todos os débitos. No tópico – Da Compensação, a contribuinte afirma que procedeu à compensação com base nos artigos 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, norma legal autorizadora; nos artigos 1° e 2° do Decreto n° 2.138/97, e nos artigos 12, §§ 1° e 14, § 7°, da Instrução Normativa/SRF n° 21/97, normas procedimentais, já que a compensação do artigo 66 da Lei n° Fl. 391DF CARF MF Processo nº 13971.000112/200629 Resolução nº 3402001.209 S3C4T2 Fl. 392 4 8.383/91 não lhe trazia perspectivas de saldar o seu débito com demais tributos administrados pela RFB. Argumenta a interessada que, além dos dispositivos legais, conta ainda a seu favor o fato de ter declarado a compensação na DCTF, encerrando todo o procedimento de reconhecimento do crédito (via sentença) utilização e informação à Receita Federal (via DCTF). Por fim, relata que foram proferidos acórdãos no TRF e STJ concluindo ser perfeitamente possível a compensação do PIS recolhido indevidamente com impostos federais administrados pela RFB, ainda que sejam de espécimes diferentes e naturezas jurídicas diversas, sem autorização expressa da receita federal, em virtude da alteração do art. 74 , §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96; promovida pelo art. 49 da MP nº 66, de 29/08/2002, e pela Lei nº 10.637/02. Sob o título Da Retroatividade de Lei Mais Benéfica, a contribuinte alega que a alteração na Lei nº 9.430/96, pela Lei nº 10.637/02, veio para beneficiar os contribuintes, no que se refere às compensações de créditos advindos de sentença judicial, com demais tributos administrados pela RFB. Ressalta que a própria RFB em resposta às Consultas de n°s 54 e 36, de 08 e 10 de março de 2004, respectivamente, se manifestou sobre a possibilidade de o sujeito passivo compensar créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente, sendo que a compensação deverá ser efetuada por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). No tópico – Do Trânsito em Julgado, a contribuinte argumenta que não se aplica o artigo 170A do Código Tributário Nacional quando se trata de tributos reconhecidamente inconstitucionais, em manifestação pacífica do Supremo Tribunal Federal. A contribuinte afirma ainda que: [...]não há qualquer determinação judicial, seja na sentença ou nos acórdãos postergando as compensações ao trânsito em julgado do processo, o que por si só já leva ao entendimento de que a compensação deve ser plenamente considerada. Ato contínuo, a DRJSANTA CATARINA (SC) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/1988 a 31/12/1995 Crédito Reconhecido por Decisão Transitada em Julgado. Inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e nº 2.449/88. O cálculo do montante do crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado em favor de contribuinte que reconhece a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e nº 2.449/88 exige a aplicação dos critérios da LC 07/70 seja para fins de apuração Fl. 392DF CARF MF Processo nº 13971.000112/200629 Resolução nº 3402001.209 S3C4T2 Fl. 393 5 do crédito a compensar, seja para fins de determinação de eventuais débitos em caso de recolhimento a menor. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso pleiteando a reforma do acórdão. A Recorrente, em sua defesa, repisou os mesmos argumentos utilizados na sua Manifestação de Inconformidade quanto ao seu direito creditório É o relatório. VOTO Conselheiro Pedro Sousa Bispo. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. No processo se discute a não homologação de compensação, via DCTF – Declaração de Créditos e Tributos Federais, cujos créditos pleiteados decorrem de provimento judicial que afastou os DecretosLei nº 2.445/88 e 2.449/88. Uma das matérias discutidas no presente processo trata da forma dos cálculos do quantum a repetir da empresa, atinente a correção ou não da base de cálculo do sexto mês anterior do fato gerador do PIS faturamento. Essa matéria já se encontra pacificada pelo STJ no sentido da impossibilidade de correção monetária sobre a base de cálculo do sexto mês anterior, in verbis: TRIBUTÁRIO – PIS – SEMESTRALIDADE – BASE DE CÁLCULO – CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. O PIS semestral, estabelecido na LC 07/70, diferentemente do PIS REPIQUE – art. 3°, letra “a” da mesma lei – tem como fato gerador o faturamento mensal. 2. Em benefício do contribuinte, estabeleceu o legislador como base de cálculo, entendendose como tal a base numérica sobre a qual incide a alíquota do tributo, o faturamento de seis meses anteriores à ocorrência do fato gerador – art. 6°, parágrafo único da lei LC 07/70. 3. A incidência da correção monetária, segundo posição jurisprudencial, só pode ser calculada a partir do fato gerador. 4. Corrigirse a base de cálculo do PIS é prática que não se alinha à previsão da lei e à posição da jurisprudência. Recurso especial improvido (STJ, 1ª Seção, REsp 144.708, j. em 29/05/2001, DJU de 08/10/2001). (grifei) Fl. 393DF CARF MF Processo nº 13971.000112/200629 Resolução nº 3402001.209 S3C4T2 Fl. 394 6 Da mesma forma no CARF a questão também foi pacificada com a Súmula CARF nº 15 (vinculante), in verbis: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Na planilha denominada "Demonstrativo de Apuração de Débitos Semestralidade (8109 PIS Faturamento", fls 193 a 201, constatase que, aparentemente, foi aplicada a correção monetária na base de cálculo do sexto mês anterior ao do fato gerador do PIS Faturamento, em desacordo com o entendimento pacificado na Justiça e nesta Instância Administrativa, conforme já demonstrado acima. Devido a isso, após o encontro de contas entre o PIS apurado com base nos Decretoslei nº 2.445/88 e 2.449/88 e o apurado pela Lei Complementar 7/70, não restou crédito a compensar, levando a não homologação de todas as compensações realizadas pela empresa. Ainda, sob o fundamento de inexistência de crédito compensável, a instância a quo deixou de analisar algumas questões suscitadas pelo Contribuinte em sua defesa, tais como: o direito de compensar créditos de PIS com débitos vencidos ou vincendos da mesma espécie ou diferente espécie, sem necessitar de pedido específico, e o direito a compensação imediata (sem trânsito em julgado) quando a ilegalidade ou inconstitucionalidade do tributo se encontra pacificada pelos Tribunais Superiores. Dessa forma, o julgamento dessas matérias restou dependente da existência ou não de crédito a ser utilizado nas compensações, que somente poderá ser analisada após a DRF de origem informar se restou direito creditório a compensar com a aplicação do entendimento exposto nesta Resolução quanto a não correção monetária sobre a base de cálculo do sexto mês anterior, conforme analisado anteriormente. Diante do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Autoridade Tributária da DRF preparadora realize os procedimentos a seguir: a) esclarecer se o campo denominado "base de cálculo corrigida" constante da planilha "Demonstrativo de Apuração de DébitosSemestralidade (8109PIS Faturamento)" representa mera conversão de moeda ou se foi aplicada correção monetária na base de cálculo; b) no caso de ter sido aplicada correção monetária na base de cálculo, refazer a planilha "Demonstrativo de Apuração de DébitosSemestralidade (8109PIS Faturamento)" excluindo a incidência de correção monetária sobre a base de cálculo do sexto mês anterior ao fato gerador do PIS Faturamento; c) elaborar os demais demonstrativos que se fizerem necessários à apuração do crédito e compensações; d) relizar quaisquer outras verificações que entender necessárias para esclarecer as questões postas; e e) elaborar relatório fiscal conclusivo detalhando os procedimentos realizados, anexar todos os documentos gerados na diligência e facultar à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 13971.000112/200629 Resolução nº 3402001.209 S3C4T2 Fl. 395 7 Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto. Assinatura Digital Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 395DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.005591/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra.
Numero da decisão: 2401-005.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 55 91 /2 00 7- 83 Fl. 2178DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 10120.005591/200783 Acórdão n.º 2401005.341 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório MAIA E BORBA S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0332.787/2009, às efls. 2.036/2.106, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, referente à`s contribuições destinadas à Seguridade Social, referentes às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, à parte dos segurados empregados e as destinadas a outras entidades e fundos, em relação a competência 09/2006, conforme Relatório Fiscal, às fls. 99/110 e demais documentos que instruem o processo. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 99/110, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída na obra denominada Edificio Firense, matricula GET é 39.380.00415/75, correspondendo a 10.823,97 m2. Tendo em vista contrato de empreitada global entre a notificada, a responsabilidade pela execução corresponde a 86,99%, equivalente a 9.415,77 m². Conforme relatado pela autoridade fiscal, a desconsideração da contabilidade determinou o procedimento de arbitramento, pelas razões a seguir aduzidas: a) A empresa deixou de exibir diversos livros e documentos em sua integralidade relacionados com as contribuições previdenciárias tais como: (Livro "Diário" do exercício de 2006; folhas de pagamento relativas às obras, planilha fls. 112/117; Livros de Inspeção do Trabalho, planilha fls. 118; notas fiscais de empreiteiras e cooperativas de trabalho, planilha fls. 120/289; notas fiscais dos prestadores de serviços mediante cessão de mão de obra, contratados pela empresa; notas fiscais de serviços prestados pela empresa mediante cessão de mão de obra; b) No período abrangido pelos exercícios do ano de 2002 a 2005 (Livros Diários n° 51 a 62; 64 a 66; 69 a 78), a empresa não escriturou sua contabilidade com a identificação por centros de custo que, no caso das construtoras, representa cada uma das obras realizadas, prejudicando a precisa apuração da real movimentação de remuneração dos trabalhadores de cada obra edificada. Além disso, após reconhecer a irregularidade praticada, não logrou êxito em corrigir a situação, tendo em vista não ter observado o disposto na Instrução Normativa n° 002, de 2006, do Departamento Nacional de Registro de Comércio, cópia da legislação às fls. 291/293; c) Nos exercícios de 2003 e 2004 constatouse que a empresa possui uma terceira escrituração contábil referente a uma reratificação da retificação (Livros Diários n° 63, 67 e 68). Também nesses documentos houve escrituração em títulos impróprios (custos de uma obra registrados em outras); d) Em diversos exercícios foram identificados lançamentos incorretos em relação às rubricas que deveriam ter sido escriturados, fls. 295/305; Fl. 2180DF CARF MF 4 e) Nos exercícios de 2003 e 2005 identificouse escriturações de despesas relativas a obras lançadas nas contas de despesas administrativas (5.02.42) e administração do terminal rodoviário de Goiânia (5.02.40), conforme planilha, n°. 308; f) Nos exercícios de 2004 e 2005 apurouse lançamentos de despesas com mãodeobra administrativa contratada para trabalho junto à entidade Obras Sociais do Centro Espírita Irmão Áureo (menores aprendizes), lançadas na obra de reforma e ampliação do terminal rodoviário de Goiânia, conforme planilha, fls. 313; g) No exercício de 2000 a empresa deixou de registrar em sua contabilidade as notas fiscais n°s 2551 a 2555, emitidas pela prestação de serviços ao Consórcio Rodoviário Intermunicipal S/A CRISA, alegando tratarse de substituição de faturamento de exercícios anteriores, em função de extravio de notas fiscais emitidas em 1998; h) Nas competências 10/2000 a 01/2001 detectouse resumos de folhas de pagamentos contendo discriminação de rubricas não encontradas nas folhas de pagamentos ordinárias e sem os descontos previstos. na legislação previdenciária. Tais documentos foram apreendidos mediante a lavratura do AGD; i) Nos exercícios de 2000 a 2005 identificouse inúmeras folhas de pagamentos com divergência na contabilização, conforme planilha, fl. 378, tendo sido anexadas diversas cópias das folhas correspondentes, fls. 380/430; j) Nos exercícios de 2000, 2001 e 2003, constatouse diversas obras com competências em que foram efetuados pagamentos de concreto usinado sem, entretanto, qualquer lançamento de remuneração da mãodeobra relacionada ao evento, planilha fls. 492; k) Nos exercícios de 2000 a 2006 diversas notas fiscais relativas a materiais e serviços empregados na execução de várias obras ou serviços, contudo, não foram identificados, na contabilidade, os correspondentes registros do faturamento destas obras, conforme cópias de diversos documentos, fls. 493/554; l) Nos exercícios de 2000 a 2004 verificouse que a empresa mantém registro de pequenas obras DPOGR. Tais controles, entretanto, apresentam incoerência, pois há competências com lançamentos de vale transporte e auxílio alimentação (PAT) sem, contudo, registrar folhas de pagamentos, conforme planilha fls. 556/558; m) Nos exercícios 2000 a 2002 apurouse a mesma ocorrência citada no item anterior, isto é, lançamentos de vale transporte e auxílio alimentação sem registro de folhas de pagamento em diversas obras, conforme planilha, 559/565; n) Nos exercícios 2000 a 2002 a empresa efetuou diversos lançamentos, registrando custos em obras com carta de habitese já emitida, isto é, encerradas, tendo sido observados registros de salários, vales transportes e auxílio alimentação, conforme planilha e fotocópias das cartas de habitese, fls. 567/578; Uma vez constatadas as irregularidades apontadas, a autoridade lançadora, considerando que tais procedimentos comprometeram a avaliação da real movimentação da remuneração paga aos segurados empregados, aferiu a base de cálculo das contribuições de acordo com a previsão legal contida no § 40 do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, bem como o § 3° e 6°. Conforme já mencionado, o critério adotado para aferição da base calculo foi o cálculo proporcional à área construída da obra do "Edificio Firense", matricula CEI n° Fl. 2181DF CARF MF Processo nº 10120.005591/200783 Acórdão n.º 2401005.341 S2C4T1 Fl. 4 5 39.380.00415/75, de acordo com os procedimentos previstos na legislação previdenciária, executada pela notificada em regime de empreitada global, correspondendo à 10.823,97 m² (responsabilidade pela execução equivalente a 86,99%, 9.415,77 m²), de acordo com o relatório fiscal, devidamente evidenciado pelo Aviso de Regularização de Obra — ARO, fls. 581/589, tendo sido deduzidos da notificação os valores recolhidos pela empresa e identificados em seu conta corrente na matricula da obra, fls. 590/591; bem como as notas fiscais relacionadas ao uso de concreto usinado, planilha à fl. 592/593; e os valores recolhidos e relacionados aos prestadores de serviços (empreiteiros e cooperativas), planilhas às fls. 594/596. A notificada apresentou defesa administrativa tempestivamente, fls. 600/618, em 30/07/2007, referindose aos itens do relatório fiscal da NFLD, requerendo, em síntese, a declaração de invalidade do lançamento tributário ou sua retificação, tendo em vista os erros de cálculos praticados pela não dedução dos valores relativos à mãodeobra terceirizada. Em 21/09/2007, os autos do processo foram baixados em diligência, fls. 980/982, com o objetivo de a autoridade lançadora manifestarse, de forma conclusiva, acerca das alegações proferidas pela empresa, especificamente o fato de a fiscalização ter deixado de considerar as notas fiscais (mão de obra terceirizada, artigos 447 e 448 da Instrução Normativa SRP n" 3, de 2005) para efeito de dedução do valor apurado no lançamento, superestimando, assim, o valor devido pelo contribuinte (planilha As 11. 613/614, cópias de notas fiscais e guias de recolhimento, NFLD's 37.096.6562 e 37.055.3454), bem como acerca da alegação de .não terem sido aplicados os percentuais de redução previstos nos artigos 444 e 449 da Instrução Normativa SRP n° 3, de 2005. Ressaltese que no tocante aos valores relacionados na planilha à fl. 613/614, elaborada pela defendente, não foram apresentados quaisquer comprovantes de recolhimentos das retenções, nem as GFIP's tendo sido observado que estes valores e aqueles representados pelas cópias de notas fiscais e guias apresentadas na impugnação não constam dos lançamentos efetuados nas NFLD's n°s 37.096.6562 e 37.055.3454. Em resposta à diligência determinada, em 29/10/2007, a autoridade lançadora elaborou a informação fiscal de fls. 1161/1168. (vide) Conforme consta à fl. 1183, a empresa tomou conhecimento das informações prestadas pela autoridade lançadora, tendo sido devolvido o prazo para que apresentasse novas manifestações, em obediência aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Em 01/12/2008, fls.1185/1193, a defendente manifestouse. Em 25/09/2007 o processo foi baixado em diligência a fim de que a autoridade fiscal promovesse novo cálculo no lançamento aplicando o prazo decadencial qüinqüenal estabelecido pela Súmula Vinculante n°8 do STF, fls. 1200/1201. As fls. 1205, as autoridades lançadoras informaram o novo valor (de R$ 192.215,98para R$ 133.072,56). O procedimento foi descrito à fl. 1205. Pelo fato de o lançamento ter sido retificado mais unia vez, foi dado conhecimento à empresa, razão pela qual esta teve nova oportunidade para manifestarse nos autos, fls. 1206, contudo nada apresentou, razão pela qual o processo foi reencaminhado a DRJ. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 2.118/2.170, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo as mesmas razões da impugnação e aditamentos, quais sejam: Fl. 2182DF CARF MF 6 (i) Requer a nulidade do Acórdão. A decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento . de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente. (ii) Cerceamento de defesa. Reafirma o cerceamento de defesa, pois o fato de pessoas ligadas à impugnante terem acompanhado parte da atividade de investigação da junta fiscal, não a exime de informar, em relatório, a discriminação clara, precisa dos fatos geradores (art. 37, da lei n. 8.212/91), e circunstanciada e transparente fundamentação legal, correta subsunção dos fatos à norma e lógica na apuração da base de cálculo. (iii) Contabilização por centro de custo A interpretação dos fatos que levaram os nobres auditores a desconsiderarem a contabilidade da recorrente não se consubstancia em situações materiais efetivas. Uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente ,foram" rebatidas nas impugnações. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram,'acatados incondicionalmente; já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. A circunstância .da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que examinaramlhe a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos,,os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. Os agentes do fisco afirmam no subitem 5.9 do relatório fiscal anexo à NFLD que "os indícios levam ao entendimento de que obras ou serviços foram executados sem os devidos registros contábeis"(sgo). Indícios, Senhores julgadores, indícios. A presunção de legitimidade dos atos do fisco é limitada, relativa, não é absoluta. Indícios no Direito Tributário não são figuras aptas a produzir resultados. (iv) Princípio da imparcialidade Resistiram, sob a complacência da DRJ/BSB, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. Os autos de infração citados pelo relator como procedentes foram julgados apenas na primeira instância, ainda não foram avaliados por este Colendo Conselho cuja imparcialidade é reconhecida. Por que o órgão julgador de primeira instância administrativa não julga importante registrar os diversos erros cometidos pela junta fiscal, que fizeram com que os autos fossem baixados em diligência mais de uma vez, e o crédito lançado retificado várias vezes? Porque o órgão julgador não observa, o PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE. A junta fiscal errou quando não cumpriu o que determina o art. 449 da IN 3, não reduzindo as áreas, mas isso não e importante para a DRJ/BSA registrar. Aliás, foi registrado como erro da recorrente: Fl. 2183DF CARF MF Processo nº 10120.005591/200783 Acórdão n.º 2401005.341 S2C4T1 Fl. 5 7 Apenas mais um: no item 5.9.1. do relatório fiscal afirmam: "evidenciando a utilização de empregados, sem contudo, haver registro de escrituração de folhas de pagamento. O registro de pequenas obras — conta DPOGR, existe exatamente para registrar, dentre outros fatos menores, quantificados em função do porte da empresa, serviços de curto prazo prestados por empregados a terceiros sem que se complete o ciclo mensal, especificamente em serviços realizados em obras e que terminam muito ante do final do mês. Em outras palavras: prestam serviços a várias obras dentro do mês. Essa mão de obra, conforme art. 162 de IN 3, abaixo transcrito, é escriturada na folha de pagamento da Administração, pois não há como registrar estes serviços em folhas específicas, como quer entes do fisco. (v) Arquivos digitais da ação fiscal — Ausência de Motivação O item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários; não foi apreciado no voto. Foi somente citado no relatório, fl. 1.110, item 2. Esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. A não entrega dos arquivos digitais contendo a planilha com dados e informações sobre a apuração de valores que dizem respeito à recorrente é outra prova contundente do evidente cerceamento de defesa. 0 fisco cria normas obrigando o contribuinte a entregar arquivos digitais de seu interesse, mas esquece das normas que obrigam todos'os servidores públicos (art. 116, Lei 8.112/90) e Princípios constitucionais, dentre eles o da Moralidade. (vi) Inversão do ônus da prova: dever da prova A previsão legal de arbitrar o crédito não dispensa o dever do fisco de produzir prova e não cria presunção de onipotência. A regra, tanto no processo judicial quanto no administrativo é a de que o autor tem o ônus de provar o fato constitutivo. Assim, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. (vii) Princípio da ampla competência decisória apreciação de inconstitucionalidades "Sobre as diversas alegações de afronta às leis e à Constituição" (acórdão, fls. 884) é sempre bom lembrar que "todo aquele que exerce função pública está subordinado a concretizar os valores jurídicos fundamentais e deve nortear seus atos segundo esse postulado". (viii) Aplicação Retroativa da Legislação Tributária Princípio da Segurança Jurídica Fl. 2184DF CARF MF 8 Quanto à aplicação da IN 3, a recorrente não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. ix) BIS IN IDEM Após digressões, onde se comenta que a IN 03/05 tem "o intuito de reguLamentar a lei que a construção civil "sempre apresentou inúmeras dificuldades...; fazse ensinamentos de como "deva submeterse ao regime de aferição indireta, citação e transcrição de dispositivos da IN 03, escrevese que "Conforme pode ser observado na legislação aplicável, no período de 02/11/1999 a 09/12/2002, os critérios para que o valor eventualmente recolhido a título de retenção pudesse se aproveitado e deduzido no arbitramento da são:...". (sgo) A leitura do trecho de onde se extraiu as pérolas acima, fl. 886/888, e outros trechos do acórdão n° 0332.792, deixa a impressão de que se trata de mais um complemento ao Relatório Fiscal Anexo a NFLD e não de uma decisão. De acordo com o órgão julgador administrativo de primeira instância (DRJ/BSA) uma instrução normativa do fisco tem o intuito de regulamentar a lei! Que lei uma instrução normativa regula? Em nosso ordenamento jurídico a competência para regulamentar lei é privativa do Presidente da Republica mediante a edição de Decreto (art. 84, IV, da CF).' 11. A primeira questão é a que configura inadmissível bis in idem quanto às contribuições de terceiros, relativas a esta, obra quê também foram lançadas nas NFLD n° 37.096.6554, 37.096.6562 e 37.055.3454. A segunda questão é a do aproveitamento de recolhimentos efetuado por terceiros para a obra e seus requisitos impostos por norma infralegal (instrução normativa). Em um momento o acórdão se refere à conversão em área regularizada e seus critérios (art.447 da IN3), para depois, copiando a junta fiscal, afirmar que "em relação às notificações relacionadas a retenção dos 11% destacado na emissão das notas fiscais dos prestadores NFLD 37.055.3454, 37.096.6554, 37.096.6542, todas as notas fiscais e quaisquer documentos que puderam ser vinculados a quaisquer das obras analisadas durante o procedimento fiscal, foram deduzidas daquela notificação" (sgo). A qual notificação se refere o julgador? Quais notas fiscais? Quais documentos? De qualquer forma não foi deduzido nesta NFLD nenhum dos valores lançados nas três NFLD por retenção. Vejase ainda que a legislação aplicável no período de 05/1999 a 09/2003, na interpretação da DRJ/BSA, é a IN 3 de 2005, que, segundo o relator, além do poder de regulamentar uma lei, tem o poder de retroagir e ;criar obrigações acessórias e fixar critérios para que o valores lançados em dobro possam ser corrigidos (?). O bis in idem ocorreu porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos como CAIPE, foi lançada nesta NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados co base de cálculo da contribuição previdenciária lançada nas NFLD 37.055.3454, 37.096.65 e 37.096.6554. (x) Notas fiscais com guias de recolhimento Fl. 2185DF CARF MF Processo nº 10120.005591/200783 Acórdão n.º 2401005.341 S2C4T1 Fl. 6 9 A DRJ/BSA também se recusa a retificar o crédito tributário até mesmo quando se apresenta guias de recolhimento que comprovam o recolhimento da retenção. As notas fiscais envolvendo período a partir de outubro de 2002, com vinculação inequívoca à obra, não foram consideradas para efeito de retificação do valor da notificação É absurdo e afronto à inteligência esse procedimento abusivo, inconstitucional de se manter, em lançamento, tributo que já foi recolhido, ao condicionar a regularização ao cumprimento de obrigação acessória de responsabilidade do prestador de serviço originariamente contribuinte. Requerse seja dado, às competências a partir de outubro o mesmo tratamento dado às competências anteriores convertendo em área regularizada a remuneração recolhida relativa à mão de obra terceirizada, com vinculação inequívoca à obra. (xi) Não aplicação do inciso I do art. 448 da IN 3/05 A DRJ/BSA lê e interpreta os dispositivos legais a seu talante sem compromisso com o sentido e significado das palavras ou finalidade da norma. A palavra somente colocada no texto do acórdão, não existe no inciso. Somente existe na forte e inabalável vontade de prestigiar o trabalho dos colegas da junta fiscal. (xii) Aplicação do art. 474 da IN 03/05 De novo interpretação fora do texto da norma. Em lugar algum da IN 3 está escrito "todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar. Não é recomendável em redação de texto legal este tipo rasteiro de generalização. O tema em debate não é nota fiscal, não é recolhimento, É BIS IN IDEM: COBRANÇA DE TRIBUTO EM DUPLICIDADE. (xiii) Bitributação Afirmações desconexas com a realidade é a moda do acórdão da DRJ/BSA. A cada tópico se depara com frase deste tipo: "não ocorreu o bis in idem, pois as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra (..) foram consideradas para efeito de redução do lançamento...'. 4. Repetese: o bis in idem existe porque todas as contribuições (próprias e de terceiros) relativas às obras foram lançadas por aferição indireta com base na área construída e CUB. Ainda assim, por outros métodos iníquos de aferição indireta, com base em mão de obra de terceiros contidas em notas fiscais das obras, foram lançadas novamente as contribuições de terceiros. Nada a ver com nota fiscal vinculada à obra. A junta fiscal ao contrário, atesta taxativamente que não. O relatório do acórdão reproduz, fl. 949, item f, a informação da junta fiscal, que não contesta o bis in idem, porém justifica que os levantamentos representados pelas NFLD (esqueceram de citar a NFLD 37.096.6554) não foram aproveitados porque as circunstâncias necessárias não ocorrem. Fl. 2186DF CARF MF 10 Os levantamentos representados pelas NFLD 37.096.6562 e 37.055.3454 somente poderiam ser aproveitados para reduzir o lançamento da presente notificação mediante a comprovação do recolhimento da retenção incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mão de obra, bem como da vinculação inequívoca com a obra executada e a remuneração constante das GFIP dos prestadores de serviços a cada obra, a serem comprovados nos autos, circunstâncias que não ocorrerem'. (sgo) (xiv) Perícia A contabilidade da. empresa apor "mais de vinte anos foi considerada regular e correta por agentes fiscais dos: fiscos federal, estadual e municipal, em interpretação sem explicação plausível, foi desconsiderada. Esta situação, conforme já alegado e esmiuçado nas impugnações, impõe que peritos façam uma avaliação para dirimir com quem está a razão. (xv) Caracterização de excesso de exação O excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Foram lançados créditos tributários na ordem de 27 milhões de reais já retificados para 12 milhões. A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mão de obra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar (xvi) Competências maio e junho de 2002 devem ser excluídas. O reconhecimento de "que parte do crédito previdenciário lançado"decaiu está incorreto porque as competências maio e junho de 2002, alcançadas pela decadência, não foram consideradas na retificação. (xvii) Retificação inaceitável A alegação de que a retificação não obedeceu ao mesmo critério de apuração do tributo por deficiência do fisco que não providenciou a adaptação e atualização de seus programas quanto à determinação de súmula vinculante é estarrecedora, inaceitável, quase inacreditável. As deficiências do fisco não podem prejudicar o contribuinte, nem justifica a alteração da realidade dos fatos. A obra não foi realizada em um único mês. Requerse, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência e nulidade do lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 2187DF CARF MF Processo nº 10120.005591/200783 Acórdão n.º 2401005.341 S2C4T1 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINARES DAS INCONSTITUCIONALIDADES Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. NULIDADE DO LANÇAMENTO O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT/ RAT, à parte dos segurados empregados e as destinadas a Terceiros outras entidades e fundos, lançado na competência 09/2006. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 99/110, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída na obra denominada Edificio Firense, matricula GET é 39.380.00415/75, correspondendo a 10.823,97 m2. Tendo em vista contrato de empreitada global entre a notificada, a responsabilidade pela execução corresponde a 86,99%, equivalente a 9.415,77 m². Fl. 2188DF CARF MF 12 Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPFF, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); Fl. 2189DF CARF MF Processo nº 10120.005591/200783 Acórdão n.º 2401005.341 S2C4T1 Fl. 8 13 c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de Representantes Legais; g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Fl. 2190DF CARF MF 14 Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. NULIDADE DA DECISÃO DE 1° INSTÂNCIA A recorrente alega que a decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente, portanto devese decretar a sua nulidade. Não obstante o entendimento da Recorrente, não há como aderir a tal porque a AuditoriaFiscal não está vinculada a posicionamento de outra AuditoriaFiscal que tenha realizado procedimento de fiscalização anterior no contribuinte. Ademais, o art. 6° , I, a da na Lei 10.593/2002 dispõe acerca das atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre as quais constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo:(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) Além do mais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes, mormente quando já encontrou motivos suficientes e relevantes para fundamentar a decisão. Portanto, afasto a preliminar. MÉRITO CONTABILIZAÇÃO POR CENTRO DE CUSTO A contribuinte aduz que a interpretação dos fatos que levaram os nobres auditores a desconsiderarem a contabilidade da recorrente não se consubstancia em situações materiais efetivas. Uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente, foram rebatidas nas impugnações e recurso. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram, acatados incondicionalmente; já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. Fl. 2191DF CARF MF Processo nº 10120.005591/200783 Acórdão n.º 2401005.341 S2C4T1 Fl. 9 15 A circunstância .da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que examinaramlhe a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos, os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. Os agentes do fisco afirmam no subitem 5.9 do relatório fiscal anexo à NFLD que "os indícios levam ao entendimento de que obras ou serviços foram executados sem os devidos registros contábeis (sgo). Indícios, Senhores julgadores, indícios. A presunção de legitimidade dos atos do fisco é limitada, relativa, não é absoluta. Indícios no Direito Tributário não são figuras aptas a produzir resultados. Pois bem. Conforme relatado pela autoridade fiscal, a própria empresa procurou corrigir algumas das faltas apresentadas (ausência de contabilização por centro de custo), contudo, não logrou êxito em assim proceder, haja vista ter utilizado procedimento inadequado, em desconformidade com o ato normativo do Departamento de Contabilidade, que exige a correção no exercício em que se constatou o erro, e não a mera substituição, tal como informado pela fiscalização. Nesse ponto, foi anexada a Instrução Normativa n° 102, do Departamento Nacional de Registro do Comércio, fls., que orienta o procedimento ao ser adotado nos casos de retificação dos livros contábeis, norma desconsiderada pela impugnante. Verificando e analisando o Relatório Fiscal da Infração (fls. 99/110) vislumbrase que o Auditor apresenta com clareza os fatos que ocorreram durante a ação fiscal, caracterizando diversas obrigações acessórias descumpridas, qual seja: escrituração contábil não identificada por centros de custo; não apresentação de documentos (folhas de pagamentos) requisitados pela autoridade, notas fiscais não contabilizadas. Ademais, em solicitação de Diligência Fiscal abordouse este tópico: (v) em relação à ausência de contabilização por centro de custos, em quais períodos dos exercícios 2004 a 2006 tal fato ocorreu e se tais fatos fundamentam a desconsideração da contabilidade. O Pronunciamento Fiscal mantém o posicionamento do Relatório Fiscal: 5. O item 5.2 do Relatório Fiscal Inicial — fls. 100/101 do presente processo responde tal quesito. Ora, diante das provas colacionadas nos autos, não prospera a argumentação da recorrente, mantenho o entendimento da decisão de primeira instância. BIS IN IDEM, BITRIBUTAÇÃO, IMPARCIALIDADE E NOTAS FISCAIS Insurgese, sob a complacência da DRJ/BSB, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. Fl. 2192DF CARF MF 16 O bis in idem ocorreu porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos, foi lançada nesta NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados como base de cálculo da contribuição previdenciária lançada nas NFLD 37.055.3454, 37.096.65 e 37.096.6554. Tal argumentação da recorrente se circunscreve a valoração de prova fática, posto devese verificar se houve ou não o lançamento duplicado de contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD. Este ponto também foi objeto de solicitação de Diligência Fiscal, e, em resposta, após reanálise da documentação fornecida na impugnação, mantém o posicionamento do Relatório Fiscal demonstrando que não houve lançamento de contribuições de forma duplicada: e) Para melhor entendimento do procedimento fiscal adotado, foi elaborada planilha "Análise de NFS apresentadas na defesa" integrante da presente in formação, fls. 1019/1022, contendo detalhamento das notas fiscais c valores apropriados como mão deobra empregada, conforme define a legislação previdenciária, a serem convertidos em área regularizada para retificação do débito. A mesma planilha detalha os documentos não considerados, bem como seus respectivos motivos. f) Os levantamentos representados pelas NFLD 37.096.6562 e 37.055.3454 somente poderiam ser aproveitados para reduzir o lançamento da presente notificação, mediante a comprovação do recolhimento da retenção incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, bem como da vinculação inequívoca com a obra executada e a remuneração constate das GFIP dos prestadores de serviços pertinentes a cada obra, a serem comprovados nos autos; circunstáncias que não ocorreram; i. O débito constante da NFLD 37.096.6562 referese aos valores de retenção (11% sobre o valor bruto das notas fiscais) não recolhidos, que foram identificados a partir de relação fornecida pela própria empresa, devidos em função da contratação de serviços terceirizados mediante cessão de mão deobra. O referido processo, acompanhado das respectivas impugnações, foi devidamente analisado e retificado, sendo a empresa cientificada, via postal, mediante AR Aviso de Recebimento; ii. A NFLD 37.055.3454 referese aos valores de retenções sobre notas fiscais apresentadas (documentos fisicos vistos pela fiscalização durante a ação fiscal), porém, da mesma forma, sem recolhimentos da retenção efetuada. iii. Em ambos os casos, de acordo com a Instrução Normativa acima transcrita, para o aproveitamento dos mencionados documentos para transformação em área regularizada dependem da comprovação do recolhimento da retenção para as competências até setembro de 2002 (Art. 447, II, c) e da remuneração constante na GNP do prestador de Fl. 2193DF CARF MF Processo nº 10120.005591/200783 Acórdão n.º 2401005.341 S2C4T1 Fl. 10 17 serviço, referente à obra em questão, a partir de outubro de 2002 (Art. 447, III). No caso sob análise, não ocorreu o bis in idem, pois todas as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra objeto do presente lançamento, conforme determina a Instrução Normativa SRP n° 03, de 2005, foram consideradas para efeito de redução do lançamento, conforme atestado pela autoridade fiscal e verificado por este órgão julgador. Dessa forma, não se verifica a bitributação nem tão pouco qualquer ausência de prejuízo em desfavor da recorrente no sentido de não ter sido efetuado algum credito eventual de alguma retenção. Em verdade, todas as notas fiscais e respectivas guias de recolhimento da previdência social que puderam ser vinculadas a cada uma das obras para aproveitadas pela autoridade lançadora. Observase que não houve afronta ao princípio da imparcialidade, bem como não houve bis in idem, uma vez que fora observado os requisitos legais. Assim, não prospera a argumentação da contribuinte. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO O item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários", não foi apreciado no voto. Foi somente citado no relatório, item 2. Esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. O fundamento da obrigação da Administração motivar seus atos, dentre eles o ato de lançamento e as decisões, está previsto no art. 50 da Lei 9.784/99, que determina que os atos administrativos deverão ser motivados de modo explicito, claro e congruente (§ 1°); assim como no art. 31 do Decreto 70.235/72, ignorados pelo órgão administrativo de julgamento de primeira instância apenas imbuído de preservar o lançamento fiscal, abdicando se de sua função precípua de controle da legalidade do lançamento. Passamos a analise. A controvérsia está centrada na ausência da apreciação da entrega dos arquivos digitais da recorrente No decorrer da ação fiscal, por várias vezes, a empresa foi informada da necessidade de apresentação de tais documentos (Notas Fiscais, GI'S e GFIP) para verificação da mãodeobra tomada de prestadores de serviços (terceirizados). Não tendo a empresa atendido as solicitações da fiscalização, não foi possível à época da ação fiscal, apurar todos os valores relativos aos créditos das obras de construção civil. As dificuldades impostas pela empresa durante todo o período que envolveu a ação fiscal, foram desenvolvidos esforços para que a empresa apresentasse na integralidade Fl. 2194DF CARF MF 18 documentação necessária ao completo e normal processo de auditoria fiscal. Tendo em vista a morosa e deficiente apresentação dos documentos solicitados, foram necessárias as lavraturas de diversos autos de infração, especialmente, os que registraram o descumprimento de obrigações acessórias, previstas em Lei, que tratam da falta de apresentação de documentos tais como, folhas de pagamento e notas fiscais de prestadores de serviços (AI Debcad n° 37.055.3381), bem como dos arquivos digitais (AI Debcad 37.055.3390). Não é dificil o entendimento que documentos como folhas de pagamento são imprescindíveis no trabalho de fiscalização das contribuições previdenciárias. Portanto, nego provimento neste tópico. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Explicita que, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. Registrese que não há dúvidas de que a legislação previdenciária, no caso sob análise, dadas as condições fáticas ocorridas durante o procedimento fiscal, autoriza a fiscalização a promover o arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme previsão, inclusive do artigo 148 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim, a conseqüência jurídica disso, portanto, nos termos dos parágrafos 3°, 4° e 6° do art. 33, é a imediata e consequente inversão do ônus da prova. Tal circunstância determina que a simples manifestação de contrariedade do impugnante não tem o condão de afastar o ato administrativo dotado de presunção de legitimidade, legalidade e veracidade. Em que pese a recorrente ter apresentado inúmeras cópias de guia recolhimento e notas fiscais, fls. 600/973 e 986/1160, observase, conforme manifestado pela autoridade lançadora, fls. 1169/1173, muitos documentos foram repetidos, outros não possuem vinculação com a obra e outros não foram acompanhadas pelas GFIP's dos prestadores, conforme determina o art. 425 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Contudo, após análise individualizada de todos as provas apresentadas pela impugnante, os documentos que permitiram retificar o lançamento foram aproveitados, conforme informação às fls. 1169/1173, bem corno elaboração de novo ARO, fls. 1174/1182. Pelo exposto, não acolho o pleito da recorrente. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEGISLAÇÃO Indaga quanto à aplicação da IN 3, a recorrente não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Fl. 2195DF CARF MF Processo nº 10120.005591/200783 Acórdão n.º 2401005.341 S2C4T1 Fl. 11 19 Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos, racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. Ora, a recorrente, quando faz alegações quanto a irretroatividade das leis, não se refere às normas de natureza processual. Analisemos. Inicialmente, a Lei n° 11.457, de 2007, que criou a Receita Federal do Brasil assim disciplinou, em seu artigo 48: Art. 48. Fica mantida, enquanto não modificados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a vigência dos convênios celebrados e dos atos normativos e administrativos editados: 1 pela Secretaria da Receita Previdenciária; 11 pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS relativos a administração das contribuições a que se refere os arts. 2° e 3° desta Lei. III pelo Ministério da Fazenda relativos à administração dos tributos e contribuições de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil; 1V pela Secretaria da Receita Federal. Sendo assim, verificase que foi mantida a vigência dos atos normativos da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, a Instrução Normativa da SRP n° 03/05, vigente época da feitura do presente lançamento, não contendo, portanto, qualquer vicissitude em sua aplicação, razão pela qual as orientações e determinações nela contidas devem ser observadas, lendo cm vista, conforme já manifestado, o lançamento ser procedimento vinculado. Nessa esteira, ressaltese o inciso I do art. 100 do Código Tributário Nacional, que determina a complementaridade dos atos normativos expedidos velas autoridades administrativas, razão pela qual, em momento algum, tanto a autoridade lançadora quanto Os administrados (contribuintes e responsáveis tributários) podem deixar de obedece los. No caso sob analise, não se tem a aplicação retroativa da legislação. Em verdade, a lei aplicável ao lançamento, em relação aos fatos geradores é a 8.212/91, plenamente vigente à época dos fatos geradores, nos moldes do art. 144, caput, do CTN. Art. 144. 0 lançamento reportase ã data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Dessa forma, agiu com acerto a fiscalização na medida em que, ao promover o lançamento tributário em relação ao cálculo da remuneração paga à mãodeobra utilizada na construção da. obra objeto da notificação, valeuse dos critérios instituídos pela Instrução Normativa n° 03, de 2005, vigente no momento do lançamento. Nesse sentido, todos os requisitos e condições presentes no referido ato normativo foram obedecidos, bem como deveriam ter sido observados pela recorrente. Fl. 2196DF CARF MF 20 NÃO APLICAÇÃO DO ART. 448, INC. I DA IN 03/2005 Afirma que a dicção do artigo acima e seu inciso não é no sentido de que somente será aproveitada remuneração contida em NFLD ou LDC com base em folha de pagamento ou por responsabilidade solidária. A expressão do inciso "quer seja apurado"não tem caráter restritivo, mas exemplificativo. Vejamos o que diz o inciso I do artigo 448 da IN 03 de 2005: Art. 448. Será, ainda, convertida em área regularizada a remuneração: I contida em NFLD ou LDC, relativos à obra, quer seja apurado com base em folha de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária; Como a recorrente repisa as mesma alegações da impugnação, não trazendo nenhum novo elemento, peço vênia para transcrever excerto da decisão a quo, adotando como razão de decidir: Por sua vez, eventuais valores contidos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) ou LDC, relativos A obra, de acordo com o inciso I do art. 448 da Instrução Normativa SRI' n" 3, de 2005, somente são convertidos em área regularizada, cm relação aos valores apurados com base em folhas de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária. Nesse sentido, considerando que as NFLD n° 37.096.6554, 37.096.6562 e 37.055.3454 referemse a lançamentos relacionados à retenção, isto é, obrigação principal do contratante na qualidade de responsável tributário, novamente resta demonstrada a insubsistência do pedido do contribuinte. Pelas razões encimadas, nego provimento. APLICAÇÃO DO ART. 474 DA IN 03/2005 A contribuinte, mais uma vez, repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Portanto, acompanho integralmente o posicionamento da decisão de primeira instância pelas razões expostas a seguir: Quanto A aplicação dos dispositivos contidos no art. 474 da IN 3, estes devem ser compreendidos cm harmonia com o restante da normalização, isto é, todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar inequivocamente vinculadas à obra sob análise, bem como ter a copia da GFIP apresentada pelo prestador, condições essas que não foram atendidas durante a ação fiscal pela empresa notificada. Além disso, registrese que o art. 474 trata, especificamente da segmentação em relação aos fatos geradores, determinando que haja lançamentos distintos, conforme a sua natureza. Dessa forma, serão lavrados documentos separados para as contribuições referentes à aferição da mãodeobra total; as referentes à remuneração da mãodeobra própria da empresa Fl. 2197DF CARF MF Processo nº 10120.005591/200783 Acórdão n.º 2401005.341 S2C4T1 Fl. 12 21 fiscalizada; as apuradas por responsabilidade solidária e retenção. De acordo com o §2° do art. 474, no lançamento da base de cálculo da aferição indireta da mãodeobra total, devem ser deduzidos os lançamentos das bases de cálculo referente As contribuições de mão de obra própria, bem como solidariedade e retenção. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. EXCESSO DE EXAÇÃO A contribuinte relata que o excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Foram lançados créditos tributários na ordem de 27 milhões de reais já retificados para 12 milhões. A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mão de obra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar. Entretanto três outros lançamentos f r m efetuados com base em notas fiscais de serviços prestados nas obras. A desconsideração a contabilidade com base em indícios. Não há espaço aqui para continuar a enumerar as incongruências resultantes do procedimento fiscal e inteiramente apoiadas, sustentadas pela DRJ/BSA. Este ponto já foi debatido em sede de decisão de primeira instância na qual se conclui que a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n°'8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem: Em relação ao cometimento em tese de ilícito penal pelas autoridades lançadoras e considerando o dever de oficio, verificase que a alegação de que a fiscalização cometeu excesso de exação é improcedente insubsistente, circunstância que implica em tese, o cometimento de crime de calúnia, em que pese não ser a autoridade administrativa para declarar tais circunstâncias. De acordo com o § '1° do art. 316 do Código Penal Brasileiro, o excesso de exação é caracterizado pela exigência de tributo ou contribuição social, praticada por servidor público, sendo que este sabe, ou deveria saber, que tal cobrança é indevida, ou, se devida, foi empregado, na cobrança, meio vexatório ; ou gravoso, que a lei não autoriza. A insubsistência da alegação fica demonstrada pelo fato de, conforme até o momento se pode observar pelo teor do presente acórdão (mas ao contrário do que afirma a impugnaste) a cobrança da contribuição previdenciária está amparada pelos requisitos legais que estabelecem os procedimentos da fiscalização, demonstrando, sem qualquer sombra de dúvida que os valores lançados são devidos pelo simples fato de o Fl. 2198DF CARF MF 22 contribuinte ter descumprido as obrigações principais relacionadas às contribuições previdenciárias. É dizer, a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n°'8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Nesse sentido, agiu com acerto a autoridade fiscal, sem qualquer sombra de dúvida que possa cogitar excesso de exação. Ora, o contribuinte repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Ademais, em tópico encimado, concluímos que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. PERÍCIA Observo que houve Solicitação de Diligência por parte do órgão julgador de primeira instância. Ademais, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. Desta forma, não considero pertinente o pedido de Diligência pois todos os elementos de prova acostados aos autos já foram analisados no transcurso do Processo administrativotributário. Portanto, não merece acolhimento o pleito do contribuinte. RETIFICAÇÕES Requer, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Pois bem. Conforme informação fiscal, às fls. 1161/1168, as autoridades fiscais realizaram a conferencia de todos os levantamentos efetuados, considerando tanto os documentos apresentados na defesa, quanto outros verificados posteriormente pela auditoria. Alem disso, também foi aplicado o instituto da decadência quinquenal, conforme determinado na última diligencia, tendo sido realizada nova apuração dos débitos previdenciários, de acordo com a in formação prestada à fl. 1205. Fl. 2199DF CARF MF Processo nº 10120.005591/200783 Acórdão n.º 2401005.341 S2C4T1 Fl. 13 23 Dessa forma, considerouse como base de cálculo para os "salários de contribuição" informados no DISO os documentos (valores) relativos a prestadores de serviço (Planilha Levantamento Prestadores de Serviços, fls. 1169/1173), tendo sido todos os levantamentos e respectivos lançamentos instruídos de acordo com o disposto no capitulo IV da IN/SRP n° 03/2005, que regulamenta a regularização de obra por aferição indireta com base na área construída e no padrão de construção. Da leitura da informação fiscal prestada pela autoridade lançadora, observa se que a retificação parcial do valor do débito resultou da aplicação do principio da verdade material, tendo cm vista que, durante a ação fiscal, a empresa notificada, em diversas oportunidades faltou com seu dever de colaboração, circunstância que, entre outras conseqüências, determinou o arbitramento, bem como a maior complexidade na conclusão do procedimento fiscal. Como pode ser observado nas planilhas anexadas às fls. 11619/1173, dentre os documentos apresentados pelo contribuinte, não foram considerados, para efeito de retificação, apenas as notas fiscais sem vinculação inequívoca à obra. Alem disso, também foram consideradas as notas fiscais, a partir da competência 09/2002, desacompanhadas das MP's dos prestadores, conforme exige o inciso 11 do art. 447 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Ressaltese que mio tocante aos valores relacionados na planilha à fl. 619/620 elaborada pela defendente, não foram apresentados quaisquer comprovantes de recolhimentos das retenções, nem as MP's tendo sido observado que estes valores e aqueles representados pelas cópias de notas fiscais e guias apresentadas na impugnação não constam dos lançamentos efetuados nas NFLD's n°s 37.096.6562 e 37.055.3454. Foram aplicados os percentuais de redução de 50%, tendo em vista a recorrente ter apresentado parcialmente os documentos que permitiram à fiscalização analisar as áreas para as quais estes percentuais deveriam ser aplicados. Portanto, sem razão a contribuinte. DECADÊNCIA COMPETÊNCIAS ATÉ JUNHO/2002 Aduz está decadente as competência até junho de 2002. Nesse aspecto não assiste razão ao impugnante, pois, o fato de ter sido reaberto o prazo pela substituição dos documentos, não implica em nova notificação, sendo certo que a data inicial a ser considerada para efeito da contagem do período decadencial é a da primeira notificação regular ao sujeito passivo, uma vez que o lançamento foi ali perfectibilizado Nesse sentido, a .simples substituição dos relatórios não determina a irregularidade do lançamento. Assim, a notificação feita no dia 22/06/2007 foi o último ato do procedimento de constituição formal do crédito tributário, tomandoo oponível a contribuinte, razão pela qual as competências abrangidas pela decadência referemse ao prazo indicado à fls. 1205, ou seja, os meses decadentes e excluídos da notificação referemse ao período abrangido pelas competências 01/1996 a 04/2002, devendo ser mantidas as competências 05 e 06/2002, haja vista a substituição dos relatórios ter tido apenas o efeito de dilatar o prazo da impugnação, subsistindo a validade da notificação efetuada no dia 22/06/2007. Fl. 2200DF CARF MF 24 Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para rejeitar as preliminares, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 2201DF CARF MF
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