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Numero do processo: 13819.001833/2009-61
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Não se conhece da irresignação ofertada pelo Contribuinte fora do prazo legal. Recurso a que se nega conhecimento.
Recurso Voluntário não Conhecido
Numero da decisão: 2802-003.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos NÃO CONHECER o recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado ad hoc.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO Não se conhece da irresignação ofertada pelo Contribuinte fora do prazo legal. Recurso a que se nega conhecimento. Recurso Voluntário não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos NÃO CONHECER o recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado ad hoc. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO Não se conhece da irresignação ofertada pelo Contribuinte fora do prazo legal. Recurso a que se nega conhecimento. Recurso Voluntário não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos NÃO CONHECER o recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Redator Designado ad hoc. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 18 33 /2 00 9- 61 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13819.001833/200961 Acórdão n.º 2802003.345 S2TE02 Fl. 67 2 O Relator originário, Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, está impossibilitado de formalizar o presente acórdão, razão pela qual fui designado como Redator ad hoc, conforme despacho de fls. 65. Reproduzo o conteúdo lido em sessão pelo Relator e disponibilizado no repositório oficial do CARF. Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF (fls. 15/19) lavrada em face da revisão de declaração de ajuste anual do exercício 2005, anocalendário 2004, em razão das seguintes supostas infrações: dedução indevida de livrocaixa, por falta de comprovação ou de previsão legal, e compensação indevida de IRRF. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02 e ss., na qual, em síntese, alega que em relação ao IRRF a fonte pagadora constou de sua DIRPF, sendo relativa a alugueis de pessoa jurídica, sendo que a mesma pagava os valores brutos, ficando o próprio contribuinte encarregado de recolher o IRRF, anexando os DARFs; que quanto às deduções de livrocaixa os valores estão corretos, mas o contribuinte só encontrou em seus arquivos a documentação relativa aos meses de janeiro a março de 2004, que anexa. Em julgamento, a 11ª Turma da DRJ/SP2, em sessão realizada no dia 17/05/2011, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, aos fundamentos de que, quanto às deduções de livrocaixa, o próprio contribuinte reconhece não ter conseguido carrear os documentos comprobatórios necessários, como é seu ônus legal, razão pela qual se mantém as glosas respectivas; que, quanto à compensação indevida de IRRF, não consta da DIRF 2004 em nome do contribuinte, como beneficiário, entrada para a empresa Modelação Florida Ltda. locatária de seu imóvel; que os DARFs em nome da empresa, código de recolhimento 3208, apresentados pelo contribuinte não são acompanhados de prova de efetivo pagamento pelo contribuinte, tampouco que sejam relativos ao contrato de locação de que se trata, mantendose a glosa. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 52 (numeração CARF), em 05/09/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 06/10/2011, a fl. 53, atacando a decisão exarada pela DRJ, repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação e juntando documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado ad hoc O Relator originário, Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, está impossibilitado de formalizar o presente acórdão. Tendo sido nomeado ad hoc para formalização do acórdão, registro que não necessariamente concordo com a conclusão ou com os fundamentos do Relator. Reproduzo o conteúdo lido em sessão pelo Relator e disponibilizado no repositório oficial do CARF. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13819.001833/200961 Acórdão n.º 2802003.345 S2TE02 Fl. 68 3 Em sede preliminar, o recurso não deve ser conhecido, por intempestivo, de vez que o prazo recursal expirou em 05/10/2011, tendo sido interposto o recurso em 06/10/2011. Isto posto, nego conhecimento ao recurso. É como voto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado ad hoc Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13975.001178/2008-68
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, encaminhar o presente processo para apensação ao de n° 13975.000044/2003-15, para ser julgado juntamente com aquele, em razão de dependência processual, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, encaminhar o presente processo para apensação ao de n° 13975.000044/200315, para ser julgado juntamente com aquele, em razão de dependência processual, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 75 .0 01 17 8/ 20 08 -6 8 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 11/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13975.001178/200868 Resolução nº 1802000.501 S1TE02 Fl. 43 2 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração aplicando multa pela não entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais – DCTF dos períodos relativos ao 1° e 2° semestres de 2005. Pela não entrega da referida obrigação acessória, ficou o contribuinte sujeito à sanção no valor de R$ 1.000,00 (R$ 500,00 para cada obrigação acessória descumprida). Intimado do lançamento, apresentou sua impugnação alegando que a sociedade empresária era optante pelo SIMPLES no período e estaria desobrigada à entrega da DCTF e sujeita tão somente à entrega da PJSI, atestando desde logo que esta se encontra entregue no prazo legal. Alega ainda que houve exclusão indevida do sistema simplificado de pagamentos de tributos federais (SIMPLES) e que o processo administrativo fiscal 13975.000044/200315 trata de sua reinclusão. Incitada a se manifestar do reclamo, assim concluiu a 3a turma julgadora da Delegacia Regional de Julgamento (DRJ) em Florianópolis (efls. 21/22): O lançamento fiscal foi efetuado nos termos do inciso II do § 3º do art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, devido à falta de apresentação das DCTF relativas aos dois primeiros trimestres de 2005. Conforme relatado, a Contribuinte alega que no período em questão “era optante do Simples Federal, estando assim desobrigada a entrega da DCTF”. Informa, ainda, que foi excluída do Simples, e que requereu sua reinclusão por meio do processo nº 13975.000044/200315. A partir do Acórdão no processo indicado pela Contribuinte, bem assim da informação extraída do Sistema Sivex (que controla as exclusões do Simples), concluise que a Impugnante encontravase enquadrada no regime simplificado apenas entre 1º de janeiro de 2003 e 31 de dezembro de 2004. Portanto, no período abrangido pelas multas ora impugnadas (1º e 2º trimestres de 2005) a Contribuinte encontravase obrigada à apresentação da DCTF, razão pela qual é de se julgar improcedente a presente impugnação, para manter crédito tributário exigido. Intimada do Acórdão que julgou improcedente a impugnação em 02/03/2012 (e fls. 26) apresentou Recurso Voluntário em 03/04/2012 (efls 27/35) alegando que os supostos débitos que motivaram a exclusão do SIMPLES estavam parcelados pelo REFIS, havendo reconhecimento judicial de que inclusive, estavam decaídos. Alega que, dos valores pagos no parcelamento evidenciase que o recorrente pagou até mais do que o saldo devedor efetivo, devendo a autoridade determinar a extinção da dívida e manter a sociedade empresária no SIMPLES, excluindose a imposição da multa em tela. É o relato do essencial. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 11/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13975.001178/200868 Resolução nº 1802000.501 S1TE02 Fl. 44 3 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, passo a tomar conhecimento. Como se extrai do relatório, a recorrente ficou sujeita à imposição de multa por falta na entrega da obrigação acessória DCTF por ter sido excluída do programa simplificado de pagamento de impostos e tributos federais SIMPLES. Ocorre que, o processo n° 13975.000044/200315 que discute sobre a exclusão do SIMPLES da recorrente ainda não está definido, restando a este Conselho efetuar o julgamento. Ressaltase que a Delegacia de origem já reconheceu a reinclusão no programa simplificado nos períodos de 2003 e 2004, restando o litígio na esfera administrativa em relação ao anocalendário de 2005 naqueles autos, justamente o período em que se exigem as multas em tela. Vejase que se tratam de situações dependentes; caso se mantenha a exclusão da recorrente do SIMPLES naqueles autos, a multa pela não entrega da DCTF restará consolidada e caso se reverta a decisão recorrida da DRJ, a multa será declarada indevida, eis que estaria o contribuinte sujeito a entrega de obrigação acessória diversa, denominada “PJ Simplificada PJSI” que está devidamente comprovada nos autos como entregue. Assim, não há como julgar o ato decorrente (multa pela não entrega da DCTF, caracterizado como obrigação acessória de pessoa jurídica do regime de tributação “normal”) de um principal, (o regime de tributação a que está sujeito o contribuinte no período de apuração) fato último, que está indefinido. Ante o exposto, determino a juntada dos presentes autos por dependência aos autos do processo 13975.000044/200315 em atenção ao princípio da segurança jurídica. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 44DF CARF MF Impresso em 11/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900020/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2010
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR MEIO DE SENTENÇA JUDICIAL. HABILITAÇÃO. NECESSIDADE.
Na hipótese de o direito de crédito ter sido reconhecido por sentença judicial é imprescindível sua habilitação prévia à transmissão dos Perdecomps.
HABILITAÇÃO DO CRÉDITO. ILEGALIDADE.
A prévia exigência habilitação do crédito para a transmissão de Perdecomp não é ilegal, pois esse procedimento não suprime e nem limita o exercício do direito de compensação estabelecido pela lei.
Numero da decisão: 3402-002.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Ivo Oliveira Lima, OAB/PE 25.263.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.relatados e discutidos os presentes autos.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2010 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR MEIO DE SENTENÇA JUDICIAL. HABILITAÇÃO. NECESSIDADE. Na hipótese de o direito de crédito ter sido reconhecido por sentença judicial é imprescindível sua habilitação prévia à transmissão dos Perdecomps. HABILITAÇÃO DO CRÉDITO. ILEGALIDADE. A prévia exigência habilitação do crédito para a transmissão de Perdecomp não é ilegal, pois esse procedimento não suprime e nem limita o exercício do direito de compensação estabelecido pela lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Ivo Oliveira Lima, OAB/PE 25.263. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.relatados e discutidos os presentes autos.
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DIREITO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR MEIO DE SENTENÇA JUDICIAL. HABILITAÇÃO. NECESSIDADE. Na hipótese de o direito de crédito ter sido reconhecido por sentença judicial é imprescindível sua habilitação prévia à transmissão dos Perdecomps. HABILITAÇÃO DO CRÉDITO. ILEGALIDADE. A prévia exigência habilitação do crédito para a transmissão de Perdecomp não é ilegal, pois esse procedimento não suprime e nem limita o exercício do direito de compensação estabelecido pela lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Ivo Oliveira Lima, OAB/PE 25.263. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 00 20 /2 01 3- 11 Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor de escrita do IPI relativo ao 1º Trimestre de 2010, cumulado com declarações de compensação, transmitido em 19/04/2010. Por meio de informação fiscal e despacho decisório notificado ao contribuinte em 09/05/2014 o pedido de ressarcimento foi indeferido e as compensações declaradas não foram homologadas. Segundo a autoridade administrativa, a maior parte do saldo credor da escrita fiscal é formada por créditos decorrentes de aquisições de insumos isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus. Esses créditos foram escriturados com base em decisão judicial transitada em julgado, mas o contribuinte não cumpriu as exigências contidas nas IN SRF nº 517/2005; 600/2005; 900/2008 e 1300/2012, uma vez que deixou de solicitar a habilitação prévia do crédito e deixou de informar nos Perdecomp que o crédito tinha origem em decisão judicial transitada em julgado. Inconformado com o indeferimento do seu pleito, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: 1) a decisão judicial obtida em mandado de segurança não se enquadra nas hipóteses de habilitação de crédito, pois não houve condenação da União a restituir nenhum valor, apenas houve a emissão de ordem judicial no sentido de que a Administração Tributária não efetuasse o estorno dos créditos decorrentes de aquisições isentas da ZFM; 2) houve mudança de critério jurídico por parte do fisco, pois outros pedidos formalizados anteriormente na mesma condição foram processados sem que houvesse exigência de prévia habilitação; 3) as instruções normativas que exigem a prévia habilitação do crédito são ilegais, por afrontarem o art. 74 da Lei nº 9.430/96; 4) afastar o direito de crédito com base no descumprimento de questões procedimentais configura afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, previstos no art. 2º da Lei nº 9.784/99. Por meio do Acórdão nº 47.722, de 17/09/2014 a DRJRecife julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O julgado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PEDIDO DE HABILITAÇÃO. NECESSIDADE. Quando o crédito do contribuinte é reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, é necessário que haja um procedimento prévio de habilitação deste crédito na esfera administrativa. O pedido de ressarcimento e as declarações de compensação somente podem ser processados após esta habilitação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.900020/201311 Acórdão n.º 3402002.813 S3C4T2 Fl. 6 3 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade de atos insertos no ordenamento jurídico. Regularmente notificado da decisão de primeira instância em 28/10/2014 (fls. 100/101), o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual reprisou as alegações oferecidas na impugnação, acrescentando a alegação de nulidade do despacho decisório. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. É ponto incontroverso nos autos que o contribuinte está amparado por decisão judicial transitada em julgado em 15/10/1998, que lhe garantiu o direito de escriturar créditos de IPI sobre a aquisição de concentrados para a produção de refrigerantes, isentos por força do art. 45, XXI do Regulamento do IPI, em virtude de serem produzidos na Zona Franca de Manaus (fls. 48/126). O art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.637/2002, garante aos contribuintes o direito de compensação, inclusive de créditos que sejam decorrentes de decisões judiciais transitadas em julgado. O § 14 do referido artigo autorizou a Receita Federal a disciplinar o procedimento da compensação. Com base nessa autorização legal, foram baixadas as Instruções Normativas que exigiram a prévia habilitação do crédito reconhecido em processos judiciais para que o contribuinte pudesse utilizálo em Perdecomps. A defesa alegou, basicamente, que o provimento judicial que obteve não se enquadra na exigência das Instruções Normativas e que essa exigência de habilitação prévia é ilegal. Não existe ilegalidade alguma na exigência da habilitação prévia, pois nenhuma das instruções normativas emitidas pela Administração Tributária ao longo do tempo suprimiu ou limitou direitos do contribuinte que estejam previstos na lei. O que essas instruções normativas fizeram foi disciplinar o exercício do direito de compensação, pois é necessário que a Receita Federal tenha controle sobre os créditos utilizados pelos contribuintes. Existem contribuintes que nem possuem crédito e mesmo assim transmitem declarações de compensação. Existem outros casos em que os contribuintes alegaram que Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 desconheciam a existência de compensações declaradas em seus nomes porque terceiros de máfé teriam transmitido as decomp com o fim de prejudicálos. Certamente, a recorrente não se enquadra em nenhum desses casos, pois agiu como devem agir os bons contribuintes: ao sentir que a Administração estava ferindo seu direito, ajuizou o mandado de segurança e logrou êxito na sua pretensão. Mas embora tenha garantido seu direito de escriturar os créditos pelas aquisições dos concentrados isentos da ZFM, deixou de solicitar a habilitação do crédito, conforme exigia o art. 71 da IN SRF nº 900/2008, vigente ao tempo de transmissão do pedido de ressarcimento. Ao contrário do alegado, para os fins da habilitação do crédito, não existe distinção entre provimentos judiciais de cunho condenatório e provimentos judiciais de cunho mandamental. O fato de o mandado de segurança ter concedido ordem no sentido de que a Administração Tributária não estornasse os créditos sobre os concentrados isentos, não significa que não havia crédito a ser habilitado. Isso porque a palavra "crédito" utilizada na legislação possui sentido equívoco, pois ora é utilizada com o sentido de "valor do crédito" e ora com o sentido de "direito de crédito". No caso concreto, a decisão no mandado de segurança não assegurou o valor do crédito, mas sim o direito de crédito. E o procedimento de habilitação do crédito regula justamente a habilitação do "direito de crédito". Vejamos. Observem senhores conselheiros, que o art. 71, § 4º da IN SRF nº 900/2008, estabelece que: § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. Ora, as verificações que a Administração executa nesse procedimento, são sumárias, nem de longe se cogita de investigar ou de se conferir o "valor do crédito". Apenas é investigado se existe o "direito ao crédito". Observem, ainda, que os incisos IV e V do referido parágrafo ressalvam a hipótese em que a decisão judicial tem cunho condenatório, o que Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.900020/201311 Acórdão n.º 3402002.813 S3C4T2 Fl. 7 5 significa que o processo de habilitação do crédito abrange também as decisões de cunho meramente mandamental, como a que beneficia a recorrente neste processo. A Instrução Normativa não faz a distinção alegada pela defesa, porque o que se habilita não é o "valor do crédito", mas sim o "direito de crédito". Não há violação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade em negar o pleito do contribuinte pela falta de habilitação do direito de crédito, pois no pedido de ressarcimento o contribuinte informou a existência de um saldo credor acumulado passível de ressarcimento no valor de R$ 10.791.643,64. É justo e razoável esperar que a Administração, antes de deferir um valor dessa magnitude, se certifique da presença dos requisitos estabelecidos no art. 71, § 4º da IN nº 900/2008. A defesa alegou que houve mudança de critério jurídico. Contudo, entendo que não configura a mudança de critério jurídico proibida pelo art. 146 do CTN o fato de em processos anteriores ter havido o deferimento do pedido de ressarcimento, mesmo porque a fiscalização narrou que o contribuinte vinha omitindo nos Perdecomp o fato de que o crédito tinha origem em decisão judicial transitada em julgado. A negativa do direito ao ressarcimento ora pleiteado não gera prejuízo algum ao contribuinte, pois ele poderá a qualquer tempo habilitar o direito conquistado perante o Poder Judiciário sem o óbice da prescrição, não só por se tratar de ação mandamental, mas também pelo fato de os créditos sobre o concentrado já terem sido escriturados na época própria. Não se olvide que o saldo credor escriturado no livro de IPI pode ser transferido para os períodos de apuração subsequentes de modo indefinido, sem problema algum de prescrição. Entendo também, que a ausência do pedido de habilitação e a omissão da informação no Perdecomp de que o crédito tinha origem em processo judicial, contaminaram todo o Perdecomp, mesmo porque o saldo credor acumulado que foi pleiteado é composto tanto dos créditos oriundos da ação judicial, quanto dos demais créditos tomados com base na legislação de regência. Sendo assim, não existe a nulidade alegada no despacho decisório. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13971.003291/2002-22
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
EMBARGOS INOMINADOS. PROVIMENTO.
As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção. Dá-se provimento aos embargos opostos e admitidos como inominados, a fim de que a parte dispositiva do acórdão reflita toda a sua fundamentação de "provimento integral" do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, sanando-se o lapso manifesto ou mesmo erros de escrita que indicaram o seu "parcial provimento".
Numero da decisão: 9101-002.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, embargos conhecidos e acolhidos para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator, sem efeitos infringentes
Conselheiro CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
Conselheiro LUÍS FLÁVIO NETO - Relator.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 17/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRÉ MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 EMBARGOS INOMINADOS. PROVIMENTO. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção. Dá-se provimento aos embargos opostos e admitidos como inominados, a fim de que a parte dispositiva do acórdão reflita toda a sua fundamentação de "provimento integral" do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, sanando-se o lapso manifesto ou mesmo erros de escrita que indicaram o seu "parcial provimento".
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, embargos conhecidos e acolhidos para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator, sem efeitos infringentes Conselheiro CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) Conselheiro LUÍS FLÁVIO NETO - Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 17/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRÉ MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
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(SUCESSORA DE POSTHAUS PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS LTDA) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 EMBARGOS INOMINADOS. PROVIMENTO. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção. Dáse provimento aos embargos opostos e admitidos como inominados, a fim de que a parte dispositiva do acórdão reflita toda a sua fundamentação de "provimento integral" do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, sanandose o lapso manifesto ou mesmo erros de escrita que indicaram o seu "parcial provimento". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, embargos conhecidos e acolhidos para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator, sem efeitos infringentes Conselheiro CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) Conselheiro LUÍS FLÁVIO NETO Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 17/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 32 91 /2 00 2- 22 Fl. 825DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 FLÁVIO NETO, ANDRÉ MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pelo Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau – SC (doravante "DRF" ou "embargante"), em face do acórdão n. 9101002.117 (doravante "acórdão embargado"), proferido na sessão de 25.02.2015, pela Primeira Turma desta Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante "CSRF"), em que foi julgado recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante "PFN"). Por oportuno, o relatório do referido recurso especial bem sintetizou as questões submetidas à análise deste Tribunal: "Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de n° 180500.001, proferido pela Oitava Turma Especial do então Primeiro Conselho de Contribuintes, que acolheu a preliminar de decadência e cancelou o lançamento. Originariamente, o processo versa sobre Auto de Infração (fls. 116/121), cuja notificação foi em 20/12/2002 (fls. 124), para exigência de IRPJ, decorrente de adição supostamente não realizada ao lucro líquido no período de lucro inflacionário realizado no montante de 10% no anocalendário de 1997. Impugnado o lançamento (fls. 125/133), a Delegacia de Julgamento de Fortaleza/CE proferiu acórdão nº 0810.605, que julgou improcedente a Impugnação, em acórdão que restou ementado da seguinte forma (fls. 265/275): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANO CALENDÁRIO: 1993. COMPENSAÇÃO. Para ter direito à compensação não basta o sujeito passivo entender que pagou ou recolheu o tributo ou contribuição federal indevidamente ou a mais que o devido, necessitando que o seu respectivo crédito tenha sido reconhecido pela Administração Fazendária ou por decisão judicial com trânsito em julgado, tendo em vista que o art. 170 do CTN exige, para que seja possível a compensação, que o crédito do sujeito passivo contra o Fisco seja líquido e certo. LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO DECADÊNCIA. No que respeita à realização do lucro inflacionário, o prazo decadencial não pode ser contado a partir do exercício em que se deu o diferimento, mas a partir de cada exercício em que deve ser tributada sua realização. Lançamento Procedente O contribuinte, então, interpôs Recurso Voluntário (fls. 298/318) em que alegou em síntese: (i) que o direito do fisco de homologar o encontro de contas “crédito ILL x débito IRPJ” já havia decaído; (ii) que o imposto lançado encontravase extinto pela compensação, conforme art. 156, inciso III, do Código Tributário Nacional, compensação que também estava alcançada pela decadência; (iii) que a legislação à época permitia a compensação de créditos de ILL, com débitos do IRPJ, independente de haver decisão judicial ou administrativa (art. 66 da lei nº 8.383/91); (iv) que o próprio acórdão recorrido concordou com a viabilidade do encontro de contas realizado, discordando apenas da legitimidade do crédito tomado, vez que entendeu que à época o crédito de ILL não era líquido e certo, tendo em vista não haver nenhuma decisão judicial ou administrativa que lhe outorgasse legitimidade. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.003291/200222 Acórdão n.º 9101002.168 CSRFT1 Fl. 826 3 Sobreveio o acórdão nº 180500.001 (fls. 346/354), proferido pela Oitava Turma Especial do então Primeiro Conselho de Contribuintes, que acolheu a preliminar de decadência e cancelou o lançamento. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Exercício: 1998. LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO INTEGRAL OPCIONAL DECADÊNCIA Manifestada pelo contribuinte na DIPJ a opção pela realização integral opcional do saldo do lucro inflacionário, conforme previsto no artigo 31 da Lei n. 8541, de 1992, o Fisco tinha cinco anos de prazo para contestar a extinção do crédito tributário por compensação e não por efetivo pagamento. Em face dessa decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 354/372), alegando que: (i) o acórdão recorrido está em contrariedade com a lei tributária; (ii) a extinção do crédito tributário pela compensação não pode ser admitida para o benefício da realização antecipada e incentivada do lucro inflacionário, vez que a interpretação do benefício deve ser restrita e a expressão “pagamento” no § 4º, art. 31, da Lei nº 8.541/92, não admite que seja realizada a compensação; e (iii) caso admitida a compensação para manifestar a opção pelo benefício, a compensação em si não merece guarida, tendo em vista que não foi comprovado o direito creditório do contribuinte, que só seria comprovado após a declaração de inconstitucionalidade do tributo, que veio a ocorrer após a compensação; e (iv) antes da Medida Provisória nº 135/2003, não havia prazo para a homologação dos pedidos de compensação, o que vai de encontro à alegação de decadência do acórdão recorrido. No Despacho nº 120000.235/2010 foi dado seguimento ao recurso fazendário. O contribuinte, notificado do r. recurso apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial, argumentando que: (i) o Recurso Especial não deve ser admitido, vez que foi interposto com base no Regimento antigo deste Conselho (decisão não unânime e contrariedade à lei, conforme art. 7º, inciso I, do Regimento Interno antigo deste Conselho), e o novo Regimento, já vigente na interposição do r. recurso, dispõe que só serão admitidos os Recurso Especiais que demonstrarem haver divergência jurisprudencial; (ii) a decisão recorrida não contraria a lei, visto que foi reconhecida a decadência, em conformidade com a jurisprudência deste Conselho; (iii) no âmbito judicial, a jurisprudência era pacífica acerca da aplicação do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, para homologação das compensações, o que contraria o argumento da Fazenda, que menciona não haver prazo para homologação de compensações à época da compensação; (iv) o vocábulo “pagamento” utilizado no §4º, art. 31, da Lei nº 8.541/92, deve ser entendido em consonância com a Legislação Tributária; (v) não houve ofensa ao art. 66, da Lei nº 8.383/91, na medida em que este artigo autorizava a compensação à época." Do julgamento do referido recurso especial da PFN, resultou a seguinte ementa e proclamação de resultado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 Fl. 827DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INCENTIVADA. OPÇÃO. A opção pela realização incentivada do lucro inflacionário só se concretiza com o pagamento efetuado sob a égide do art. 31, da Lei nº 8.541/92. Para efeitos do dispositivo legal em comento a compensação não se confunde com o pagamento, eis que norma regulamentando benefício fiscal deve ser interpretada literalmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial do Procurador, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Júnior e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado)." (grifos acrescidos ao original) Cientificada do aludido acórdão, a DRF opôs embargos, com fundamento nos arts. 65 e 66 RICARF, aduzindo, in verbis: "Na data de 25/02/2015, a Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu o acórdão nº 9101002.117, através do qual, no último parágrafo de sua primeira página (eprocesso, fls.799), decide “DAR PARCIAL PROVIMENTO” ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. Ao analisarmos o voto vencedor, em seus últimos dois parágrafos (eprocesso, fls.808), verificamos que o texto é o seguinte: “Sob essa ótica, a compensação efetuada pelo sujeito passivo não preenche os requisitos para caracterizar a opção pela realização incentivada. Do exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional e restabelecer a exigência, deduzindose a parcela quitada mediante compensação”.(grifo nosso) Tendo em vista a aparente contradição descrita acima, e com base nos artigos 65 e 66, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (Regulamento Interno do CARF), proponho a devolução dos autos àquela CSRF para sanar que seja esclarecido se foi dado provimento parcial ou total ao Recurso da Fazenda Nacional e a que compensações se refere o último parágrafo da decisão proferida ao mencionar “a parcela quitada mediante compensação”. Em 25.11.2015, os embargos foram admitidos como inominados pela presidência desta Turma, com fundamento no art. 66, do anexo II, do RICARF. Concluise, com isso, o relatório. Voto Fl. 828DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.003291/200222 Acórdão n.º 9101002.168 CSRFT1 Fl. 827 5 Conselheiro Relator Os embargos inominados preenchem os requisitos de admissibilidade e, por isso, os conheço. Além disso, diante de "lapso manifesto" ou mesmo de "erros de escrita" presentes no acórdão n. 9101002.117, os embargos opostos pela DRF/BLUMENAU/SC também devem ser providos, a fim de que se corrijam as imperfeições neles suscitadas. De fato, há lapso manifesto ou erros de escrita que reclamam correções no acórdão embargado. Ocorre que: A Oitava Turma Especial do então Primeiro Conselho de Contribuintes acolheu a preliminar de decadência e cancelou o lançamento; a PFN interpôs recurso especial em face dessa decisão; A relatora do acórdão, Conselheira Karem Jureidini Dias, votou pelo conhecimento e não provimento do recurso especial da Fazenda Nacional, por compreender configurada a decadência. No entanto, tal entendimento foi vencido por voto de qualidade, que entendeu por dar provimento integral ao recurso fazendário, de forma que o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto foi designado para redigir o voto vencedor. No voto vencedor, o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto expõe os seus fundamentos para compreender não configurada a decadência e, então, conclui com a seguinte parte dispositiva: "Do exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional e restabelecer a exigência, deduzindose a parcela quitada mediante compensação". Como se pode observar, então, por voto de qualidade, foi dado integral provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, o que deveria ser refletivo na minuta do voto vencedor e, naturalmente, na proclamação de resultado. Há, assim, lapso manifesto ou mesmo erros de escrita na parte a seguir grifada do acórdão embargado, que veicula a proclamação de resultado do julgado: "Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial do Procurador, (...)". Nesse seguir, voto no sentido de dar provimento aos embargos inominados opostos pela DRF, a fim de sanar o lapso manifesto ou erros de escrita existentes no acórdão embargado, verificados especialmente na parte em que veicula a proclamação de resultado do julgado. Proponho, assim, que a proclamação de resultado do julgado, inserta no referido acórdão, passe a conter a seguinte redação: Fl. 829DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Procurador, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Júnior e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado)." É como voto. Conselheiro LUÍS FLÁVIO NETO Relator (assinado digitalmente) Fl. 830DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16327.720476/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2010
DESMUTUALIZAÇÃO DA CETIP.
A desmutualização da CETIP, da maneira peculiar em que foi realizada, implicou a extinção fática dessa associação civil sem fins lucrativos. Extinta faticamente a CETIP, o patrimônio da entidade foi devolvido a seus associados que, assim, submeteram-se ao disposto no art. 17 da Lei nº 9.532/97.
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.
Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada "empresa veículo".
Numero da decisão: 1201-001.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para:
a) manter o ganho de capital na devolução do patrimônio da CETIP apurado no ano de 2008, devendo este valor, no entanto, ser integralmente deduzido do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da contribuição social apurados no mesmo ano, conforme item 3 do voto, parte final. Vencidos, neste item, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Ronaldo Apelbaum que lhe davam provimento. Caberá à unidade de origem promover os ajustes no sistema de acompanhamento do prejuízo fiscal e da base de cálculo da contribuição social.
b) afastar a glosa das despesas com amortização do ágio levadas ao resultado no ano de 2010. Vencida, neste item, a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa que lhe negava provimento. O conselheiro Luis Fabiano acompanhou o relator pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, Ester Marques Lins de Sousa e Ronaldo Apelbaum (Vice-presidente).
Nome do relator: Relator
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A desmutualização da CETIP, da maneira peculiar em que foi realizada, implicou a extinção fática dessa associação civil sem fins lucrativos. Extinta faticamente a CETIP, o patrimônio da entidade foi devolvido a seus associados que, assim, submeteramse ao disposto no art. 17 da Lei nº 9.532/97. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada "empresa veículo". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para: a) manter o ganho de capital na devolução do patrimônio da CETIP apurado no ano de 2008, devendo este valor, no entanto, ser integralmente deduzido do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da contribuição social apurados no mesmo ano, conforme item 3 do voto, parte final. Vencidos, neste item, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Ronaldo Apelbaum que lhe davam provimento. Caberá à unidade de origem promover os ajustes no sistema de acompanhamento do prejuízo fiscal e da base de cálculo da contribuição social. b) afastar a glosa das despesas com amortização do ágio levadas ao resultado no ano de 2010. Vencida, neste item, a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa que lhe negava provimento. O conselheiro Luis Fabiano acompanhou o relator pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 04 76 /2 01 1- 89 Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, Ester Marques Lins de Sousa e Ronaldo Apelbaum (Vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1634.081, exarado pela 10ª Turma da DRJ 1 em São Paulo. Conforme relatado em seus termos de verificação fiscal (fl. 1125 e ss. e fl. 1133 e ss.), a autoridade administrativa acusa a contribuinte de haver cometido as seguintes infrações à legislação tributária: a) omissão, no ano de 2008, do ganho auferido com a devolução, a seus associados, do patrimônio da CETIP Câmara de Custódia e Liquidação, associação civil sem fins lucrativos que sofreu processo de desmutualização e cujas atividades passaram a ser exercidas pela CETIP S/A; b) dedução indevida, no ano de 2010, de despesas com amortização de ágio. No que concerne à formação do ágio e sua amortização, é elucidativa a transcrição do seguinte trecho contido no TVF (fl. 1144): Em 30/11/2007, o Societê Brasil aportou capital na Trancoso, no valor exato de R$ 930.523.599, permitindo então que fosse pago por esta empresa, na mesma data do aporte, o valor total de R$ 888.372.854,00 pela aquisição das quotas (100%) da CACIPAR, as quais tinham valor de patrimônio líquido de R$ 317.809.235,16 resultando um ágio de R$ 570.563.618,89. Além disto, aportou um aumento de capital na Trancoso, no valor de R$ 37.000.000,00 utilizados para pagamento de uma dívida que a CACIPAR tinha, resultando que o valor aportado pelo Societê Brasil na Trancoso foi o exato valor utilizado pela Trancoso na aquisição da CACIPAR. Em passo seguinte, em 31/10/2008, com base em balanço de 30/09/2008, a CACIPAR é incorporada pela investida Banco Cacique que também incorpora na mesma data a Trancoso. Tendose então por resultado, após as duas sucessivas operações de incorporações reversas, que o controle societário do Banco Cacique é transferido para o Societê Brasil e que o ágio pago pela Trancoso na aquisição da Cacipar é transferido por incorporação ao patrimônio do Banco Cacique, sendo amortizado no mesmo a uma razão de 1/120 mensais, sem adição ao lucro real. Muito importante tornase ressaltar que, conforme consta DOS FATOS, não ficou suficientemente comprovado a esta Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 4 3 fiscalização que tal ágio, pago em 30/11/2007, foi resultante de Rentabilidade Futura, uma vez que o demonstrativo exigido por lei como comprovação desta rentabilidade, apresentado pelo contribuinte, foi elaborado posteriormente a referida data, em julho de 2008, com base em balanço levantado em 31/12/2007, ambas as datas posteriores ao pagamento do referido ágio. Além disto, ficou comprovado que na verdade o adquirente do controle societário do Banco Cacique foi o Societê Brasil, sendo que as citadas operações de incorporação reversas tinham como intuito, única e exclusivamente, levar para a empresa investida Banco Cacique, parte do ágio, procedendo esta, em seguida, às conseqüentes amortizações do mesmo levando a uma diminuição indevida dos resultados nos próximos anos; Ou seja, embora esta fiscalização reconheça a existência de um ágio, pago quando da aquisição do controle societário da CACIPAR, ficou fartamente comprovado que o uso da empresa Trancoso, como empresa veículo, deuse sem qualquer finalidade negocial, apenas com o intuito de tornar o ágio fiscalmente dedutível, podendo este ser amortizado pelo Banco Cacique. Sendo que, além disto, não houve suficiente comprovação que tal ágio fundamentavase exclusivamente em rentabilidade futura, condição exigida para permissão da amortização dedutível do mesmo. Dos trabalhos fiscais objetos do citado MPF também resultou autuação fiscal no Societê Brasil, da qual não teceremos maiores considerações pois não tiveram reflexo no presente trabalho, o qual referese exclusivamente aos reflexos em 2010, da amortização do ágio no Banco Cacique. Em sendo assim, confirmado a repetição em 2010 da amortização do ágio oriundo da mesma operação, necessário tornase a lavratura de Autos de Infração, referente à Glosa deste ágio lançado no Banco Cacique (Vide matéria tributável no presente Termo), desta feita referente ao anocalendário de 2010. (...) Em virtude do acima exposto a autoridade tributária promoveu o lançamento de ofício para exigência de IRPJ, contribuição para o PIS, Cofins e CSLL sobre a falta de tributação do ganho advindo da desmutualização da CETIP (item “a” retro), bem como para exigir IRPJ e CSLL sobre a dedução indevida de despesas com amortização de ágio (item “b” retro). Inconformada com a exigência a interessada propôs impugnação ao lançamento alegando, em síntese, o seguinte (fl. 1187 e ss.): a) o lançamento deve ser liminarmente cancelado em razão da falta de liquidez e certeza dos tributos exigidos, haja vista que o auditor pressupôs a inexistência de saldos de prejuízo fiscal e de base negativa da contribuição social para os anos de 2008 e 2010, os quais dependem de decisão definitiva no âmbito do processo nº 16327.001743/201034; Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 5 4 b) é inaplicável ao processo de desmutualização da CETIP o art. 17 da Lei nº 9.532/97, pois não houve devolução do patrimônio daquela associação à contribuinte, e sim a substituição de seus títulos patrimoniais perante a CETIP por ações da CETIP S/A; c) embora o auditor tenha alegado que está tributando a devolução do patrimônio da CETIP, em verdade está tributando a atualização dos aludidos títulos patrimoniais, o que é vedado pelos arts. 225 e 389 do RIR/99; d) conforme já decidido pelo STF, é inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, daí porque o PIS/Cofins não incide sobre a alegada devolução do patrimônio da CETIP à contribuinte; e) quanto à amortização do ágio há que se dizer, em primeiro lugar, que ao contrário do afirmado pela autoridade fiscal, o demonstrativo de rentabilidade futura da empresa Cacipar já existia antes de sua aquisição pela empresa Trancoso em 30/11/2007. De fato, em fevereiro de 2007 foi realizado estudo pelo Banco UBS Pactual onde está demonstrada a rentabilidade futura da empresa Cacipar. O estudo feito pela KPMG, em outubro de 2008, aludido pela fiscalização, somente veio corroborar a análise feita pelo UBS Pactual; f) não houve, no caso, utilização de “empresa veículo”, ao menos nos termos em que essa expressão foi cunhada no âmbito do acórdão nº 10323.290. Veja que se as ações da Cacipar não houvessem sido adquiridas pela Trancoso, mas sim diretamente pela Société, o ágio poderia ser por esta amortizado bastando para isso que incorporasse a Cacipar. Fica clara, assim, que a aquisição por intermédio da Trancoso não se revestia em condição necessária ao aproveitamento fiscal do ágio; g) não há previsão legal para adição das despesas com amortização de ágio à base de cálculo da CSLL; h) é ilegal a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem decidiu pela parcial procedência da impugnação para afastar a exigência do PIS/Cofins sobre o ganho auferido pela contribuinte na desmutualização da CETIP. Irresignada com a parcela da exigência mantida, a contribuinte interpôs recurso voluntário onde reproduz as alegações trazidas na impugnação ao lançamento, e ainda: a) preliminarmente, pede seja sobrestado o julgamento da lide até que seja proferida decisão definitiva no âmbito do processo nº 16327.001743/201034, caso não seja acolhida a preliminar, já aduzida na impugnação, de nulidade do lançamento por falta de certeza e liquidez do crédito; b) a alusão feita pela DRJ de origem sobre “operações estruturadas em sequência”, as quais deram origem ao ágio e a possibilidade de sua amortização pela recorrente, não implicaram em planejamento tributário abusivo. Apreciados os argumentos da recorrente esta Turma, em 31/07/2014, constatando a prejudicialidade do processo nº 16327.001743/201034 sobre a decisão que seria tomada no presente processo, resolveu suspender o andamento do feito até que fosse proferida decisão definitiva no âmbito do referido processo. Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 6 5 Em 30/04/2015, por meio de despacho, a Secretaria desta 2ª Câmara devolveu os autos a este Relator com informação de que já havia sido proferida decisão definitiva no aludido processo. Referida decisão, materializada no acórdão nº 1301001.505, possui o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação às despesas não necessárias, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior; por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação às despesas não comprovadas; por maioria de votos, dado provimento ao recurso em relação à amortização de ágio, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas; por maioria de votos, negar provimento ao recurso em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. (...) Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Preliminar de Nulidade do Lançamento Alega a defesa que deve o lançamento ser cancelado em razão da ausência de liquidez e certeza do crédito tributário exigido, uma vez que o auditor pressupôs a inexistência de saldos de prejuízo fiscal e de base negativa da contribuição social para os anos de 2008 e 2010, os quais estão sob discussão no âmbito do processo nº 16327.001743/201034. Não assiste razão à recorrente. O lançamento deve ser realizado pela autoridade segundo as informações de que dispuser. Nesse sentido, se em razão de procedimento fiscal anterior houve alteração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anos de 2008 e 2009, tais informações devem ser levavas em conta pela fiscalização no presente lançamento, relativo aos anos de 2008 e 2010. 3) Da Desmutualização da CETIP A autoridade fiscal, com base no art. 17 da Lei nº 9.532/97, acusa a contribuinte de não haver oferecido à tributação do IRPJ e da CSLL o ganho de capital auferido com a devolução do patrimônio aos associados da CETIP Associação, quando da desmutualização desta pessoa jurídica sem fins lucrativos. Em sua defesa a recorrente alega que não houve devolução do patrimônio da pessoa jurídica sem fins lucrativos a seus associados, e sim mera substituição dos títulos Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 7 6 patrimoniais da CETIP Associação por ações da CETIP S/A, sendo portanto inaplicável o art. 17 da Lei nº 9.532/97. Pois bem, acerca da incidência do IRPJ e da CSLL sobre o ganho de capital auferido pelos respectivos associados quando da desmutualização das bolsas de valores este relator já teve a oportunidade de manifestar seu entendimento em outras oportunidades. Por não haver alterado meu entendimento sobre o assunto, a seguir transcrevo o voto proferido no âmbito do processo nº 19740.720017/201021, relativo à desmutualização da BM&F, cujas questões relevantes são as mesmas encontradas no presente processo. 2.1) Da Extinção Fática da BM&F É incontroverso o fato de que, imediatamente antes do assim chamado processo de desmutualização, a BM&F, associação civil sem fins lucrativos, e, por isso mesmo, isenta do pagamento do IRPJ e da CSLL, possuía patrimônio líquido registrado contabilmente no valor total de R$ 1.282.418.686,50. Esse patrimônio era empregado pela BM&F com vistas à realização dos objetivos pelos quais esta associação civil foi criada, quais sejam, aqueles estabelecidos no art. 1º da Resolução nº 2.690/2000, do Conselho Monetário Nacional, in verbis: Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: I manter local ou sistema adequado à realização de operações de compra e venda de títulos e/ou valores mobiliários, em mercado livre e aberto, especialmente organizado e fiscalizado pela própria bolsa, sociedades membros e pelas autoridades competentes; II dotar, permanentemente, o referido local ou sistema de todos os meios necessários à pronta e eficiente realização e visibilidade das operações; III estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de preços e liquidez ao mercado de títulos e/ou valores mobiliários; IV criar mecanismos regulamentares e operacionais que possibilitem o atendimento, pelas sociedades membros, de quaisquer ordens de compra e venda dos investidores, sem prejuízo de igual competência da Comissão de Valores Mobiliários, que poderá, inclusive, estabelecer limites mínimos considerados razoáveis em relação ao valor monetário das referidas ordens; V efetuar registro das operações; VI preservar elevados padrões éticos de negociação, estabelecendo, para esse fim, normas de comportamento para as sociedades membros e para as companhias abertas e Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 8 7 demais emissores de títulos e/ou valores mobiliários, fiscalizando sua observância e aplicando penalidades, no limite de sua competência, aos infratores; VII divulgar as operações realizadas, com rapidez, amplitude e detalhes; VIII conceder, à sociedade membro, crédito para assistência de liquidez, com vistas a resolver situação transitória, até o limite do valor de seus títulos patrimoniais ou de outros ativos especificados no estatuto social mediante apresentação de garantias subsidiárias adequadas, observado o que a respeito dispuser a legislação aplicável; e IX exercer outras atividades expressamente autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários. Parágrafo único. As bolsas de valores que se constituírem como associações civis, sem finalidade lucrativa, não podem distribuir a sociedades membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto se houver expressa autorização da Comissão de Valores Mobiliários. É também incontroverso o fato de que com o processo de desmutualização o patrimônio líquido da BM&F, agora sob a denominação de BM&F Associação, foi reduzido para R$ 1.282.549,72, ou seja, ínfimos 0,1% do patrimônio líquido existente antes do evento, e que seu objetivo social sofreu profunda alteração, passando meramente ao exercício de atividades de cunho assistencial, educacional e desportivo. Por fim, também está fora de discussão nos presentes autos o fato de que, com a chamada desmutualização, 99,9% do patrimônio líquido da antiga BM&F foram transferidos à BM&F S/A, e que tal patrimônio passou a ser empregado por essa sociedade com vistas à consecução dos mesmos objetivos perseguidos pela antiga BM&F. Ora, tendo em vista os fatos acima expostos é forçoso concluir que a cisão parcial da BM&F, principal ato jurídico do processo de desmutualização, não passou de um ato jurídico simulado, por meio do qual pretendeuse encobrir a dissolução fática da BM&F. Realmente, os idealizadores da desmutualização das bolsas procuraram sustentar, tal como agora faz a recorrente, que não houve dissolução da BM&F. Afirmam que, como a cisão da BM&F foi apenas parcial, essa pessoa jurídica continuou a existir, agora sob a denominação de BM&F Associação. Entretanto, como visto acima, a antiga BM&F e a BM&F Associação quase nada têm em comum além de seu CNPJ. A BM&F Associação, não resta dúvida, é meramente um simulacro da antiga BM&F. Embora tenha como objetivo declarado a realização de atividades de cunho assistencial, educacional e desportivo, seu objetivo prático, obviamente não declarado, é ocultar a dissolução fática da BM&F. Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 9 8 Pois bem, tendo havido a dissolução fática da BM&F, e não a propalada cisão parcial, seus associados receberam parcela do patrimônio daquela associação proporcionalmente ao valor dos títulos patrimoniais que detinham, momento em que se sujeitaram à incidência do IRPJ e da CSLL, nos termos do já aludido art. 17 da Lei nº 9.532/97. Somente após é que utilizaram esses recursos para aumentar o capital da BM&F S/A, sociedade que havia sido constituída com capital de insignificantes R$ 500,00. 2.2) Da Ilegalidade da Cisão Parcial do Patrimônio da BM&F para a BM&F S/A Para aqueles que entendem que a verdade formal deva prevalecer sobre a verdade material, não acolhendo assim a tese da extinção fática da BM&F descrita no tópico anterior, há ainda um outro argumento que deve ser tido em consideração. Tratase aqui do fato de ser ilegal, conforme será visto em seguida, a transmissão total ou parcial, por qualquer forma jurídica, do patrimônio das associações civis sem fins lucrativos à pessoa jurídica com fins lucrativos (sociedades). Sendo ilegal o ato de transmissão, feito aqui sob a roupagem de cisão parcial, não pode ele ser oposto ao Fisco. Assim, inadmitida a cisão parcial, é de se concluir que o patrimônio da BM&F foi primeiro devolvido a seus associados, ensejando assim a incidência do art. 17 da Lei nº 9.532/97, para só então ter sido por eles empregado no aumento do capital da BM&F S/A. Pois bem, como é cediço, a principal distinção entre as associações civis e as sociedades é a finalidade que perseguem. Enquanto essas últimas visam atender aos interesses econômicos de seus sócios ou acionistas, as primeiras têm como finalidade atender interesses não econômicos de um grupo de pessoas, e não apenas de seus associados. Em razão de serem constituídas para atender o interesse econômico dos próprios sócios ou acionistas, o patrimônio líquido das sociedades é formado: (i) pelo aporte de recursos de seus sócios ou acionistas; (ii) pelo lucro líquido obtido com o empreendimento, reinvestido na própria pessoa jurídica, após deduzidos o IRPJ e a CSLL devidos ao Estado. E uma vez que o patrimônio líquido das sociedades é formado por aportes de recursos seus sócios ou acionistas bem como pelo reinvestimento dos lucros gerados a partir desses aportes, podem os sócios ou acionistas dispor livremente sobre o patrimônio da sociedade, observadas as disposições contidas no contrato social ou estatuto. Por outro lado, por serem constituídas para atender interesses não econômicos de um grupo de pessoas, sejam elas associadas ou não, o patrimônio líquido das associações civis é formado: (i) pelo aporte de recursos de seus associados; (ii) pelo superávit obtido pela própria associação, decorrente de atividades econômicas eventualmente por ela realizadas, com vistas à Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 10 9 manutenção de suas atividades essenciais; (iii) pelo IRPJ e pela CSLL que seriam devidos ao Estado, acaso inexistente a isenção desses tributos sobre o mencionado superávit; (iv) pelo aporte direto de recursos do Estado, quando previsto em lei; (v) pelo aporte de recursos de particulares que eventualmente contribuam para o aumento do patrimônio da associação (doações). Assim, diferentemente do que ocorre com as sociedades, os associados não podem livremente dispor sobre o patrimônio das associações civis, sob pena de enriquecimento sem causa, uma vez que tal patrimônio não foi formado exclusivamente por aportes de recursos daqueles associados. Isso é o que se depreendo do art. 61 da Lei nº 10.406/2002, Novo Código Civil: Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1º Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2º Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. E embora a norma acima transcrita regule apenas a destinação do patrimônio das associações civis no momento de sua dissolução, deve ela ser interpretada extensivamente para alcançar também as hipóteses de destinação de parcelas do patrimônio das associações civis ao longo de sua existência, como no caso da cisão parcial. Isso porque a razão à vedação à livre destinação do patrimônio das associações civis pelos associados, tanto no momento de sua dissolução, quanto ao longo de sua existência, é a mesma: a ordem jurídica não admite o enriquecimento sem causa. É então sob esse regime jurídico que deve ser interpretado o abaixo transcrito art. 16, parágrafo único, da Lei nº 9.532/97, o qual admite a incorporação, fusão e cisão de associações civis: Art. 16. Aplicamse à entrega de bens e direitos para a formação do patrimônio das instituições isentas as disposições do art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995. Fl. 1972DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 11 10 Parágrafo único. A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, deverá ser efetuada pelo valor de sua aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação. Nesse sentido, não é sequer necessário admitirse aqui, tal como defendido pela Solução de Consulta Cosit nº 10/2007, ser inválida cisão parcial de associação civil. Para o caso dos presentes autos é suficiente a defesa de uma tese mais modesta, qual seja, a de que ainda que seja válida cisão parcial de associação civil sem fins lucrativos, a parcela do patrimônio vertida somente poderá ser destinada a uma outra associação civil sem fins lucrativos. Portanto é de se concluir ser manifestamente ilegal, e, por conseguinte, juridicamente inválida, a cisão parcial da BM&F, com versão de 99,9% de seu patrimônio à BM&F S/A, uma vez que esta última constituise em sociedade, e não em associação civil. Sendo inválida a cisão parcial do patrimônio de associação civil para sociedade, não há como sustentarse, como quer a recorrente, ter havido mera substituição dos títulos patrimoniais da BM&F por ações da BM&F S/A. Houve, como afirma a fiscalização, a devolução de 99,9% do patrimônio da BM&F a seus associados, momento em que se sujeitaram à incidência do IRPJ e da CSLL, nos termos do já aludido art. 17 da Lei nº 9.532/97. Somente após é que utilizaram esses recursos para aumentar o capital da BM&F S/A. 2.3) Das Jurisprudências Administrativa e Judicial sobre a Desmutualização das Bolsas A jurisprudência do CARF é farta e uníssona sobre a validade da tributação do IRPJ e da CSLL nas assim chamadas operações de desmutualização das bolsas. Veja a seguir, a título exemplificativo, as ementas a duas de suas decisões: ACÓRDÃO Nº 1202000.813 – 1ª SEÇÃO / 2ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 12/06/2012 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 (...) DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. AVALIAÇÃO PELO CUSTO DE AQUISIÇÃO. A operação de desmutualização das bolsas de valores, sob a forma de cisão parcial seguida de incorporação, não se faz possível, em razão do disposto no art. 61 do Código Civil de 2002, que veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio de associações a entes com finalidade lucrativa. Fl. 1973DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 12 11 A inoponibilidade ao Fisco da operação de desmutualização das bolsas de valores atrai a incidência do IRPJ calculado sobre a diferença entre o valor nominal das ações das sociedades (Bovespa Holdings e da BM&F S.A.) recebidas pelas corretoras associadas e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das associações (Bovespa e BM&F). Aplicase o art. 17 da Lei nº 9.532/97, e não o art. 16 da mesma lei, à operação de desmutualização, visto que a transferência de bens das bolsas de valores para outras pessoas jurídicas configura uma devolução de capital em razão da transferência dos títulos representativos do seu capital aos seus associados (sociedades corretoras), sem que as novas sociedades (Bovespa Holdings e da BM&F S.A) passem a integrar seu quadro social. Os títulos patrimoniais das bolsas de valores (associações) devem ser avaliados por seu custo de aquisição, e não pelo Método de Equivalência Patrimonial (MEP). ACÓRDÃO Nº 1301001.225 – 1ª SEÇÃO / 3ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 12/06/2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 INSTITUIÇÃO ISENTA. TÍTULOS PATRIMONIAIS. RESERVA DE ATUALIZAÇÃO AINDA NÃO TRIBUTADA. REALIZAÇÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. Em face da entrega dos títulos patrimoniais da BM&F à contribuinte, em devolução de capital, deve ser adicionado ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, o valor da reserva de atualização desses títulos que não sofreram tributação do imposto. AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência do imposto de renda, computandose na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. No mesmo sentido é, também, a jurisprudência dos Tribunais. De fato, embora nem o STF nem o STJ tenham se debruçado sobre o assunto, os TRFs da 2ª e 3ª Regiões, em todos os casos que encontrei em pesquisa junto aos respectivos sítios na internet (argumento de pesquisa “desmutualização”), vêm decidindo pelo cabimento da tributação do IRPJ e da CSLL nas operações de desmutualização das bolsas. Confirase abaixo as ementas a dois desses acórdãos: Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 13 12 TRF2 PROCESSO Nº 2008.51.01.0065590 TERCEIRA TURMA ESPECIALIZADA APELAÇÃO CÍVEL ACÓRDÃO PUBLICADO EM 16/10/2012: TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSSL. BOVESPA OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO. TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17, INCIDÊNCIA. A Bovespa, em reestruturação societária datada de 28.08.2007, iniciou a “desmutualização”, deixando de ser uma sociedade civil e convertendose em sociedade anônima, a Bovespa Holding S/A. Nesse processo de transformação societária, os títulos patrimoniais da impetrante foram substituídos por ações da Bovespa e da BM&F. Tal processo de desmutualização trouxe, efetivamente, ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da Bovespa à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia dispendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido devidamente corrigido, repisase em razão da desmutualização. O fato apto a desencadear a incidência dos tributos, nesse caso, é o ganho obtido pela impetrante com a devolução de valores, ou seja, com a própria operação de desmutualização, na forma como foi efetuada. O artigo 17 da Lei 9.532/97 constitui supedâneo legal para a inclusão da diferença entre o que foi investido para a formação do capital social de entidade isenta e a devolução do que foi aportado na determinação do lucro da pessoa jurídica, uma vez que constitui, indubitavelmente, acréscimo patrimonial, sujeitandose à incidência do imposto de renda, nos termos dos artigos 43 e 44 do Código Tributário Nacional. Não prospera a tese da apelante de que a avaliação dos ativos em questão se dá pela equivalência patrimonial, sistemática que estima o valor do investimento de uma sociedade em outra de acordo com as oscilações do patrimônio da empresa investida e cujos resultados positivos, de acordo com o artigo 225 do Regulamento do Imposto de Renda, não acarretam incidência dos tributos. A avaliação pela equivalência patrimonial, consoante previsto no art. 248 da Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas), aplicase exclusivamente aos casos de “coligadas sobre cuja administração [a empresa] tenha influência significativa, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante, em controladas em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum (redação dada pela Lei nº 11.638/2007), não sendo este o caso dos autos que trata, na verdade, de avaliação de títulos patrimoniais que a impetrante detém nas bolsas de valores. Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 14 13 Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta nº 13 de 10/11/97, o Parecer CST nº 2.254/81 e a Portaria MF 785/77, porquanto a referida Portaria, assim como os atos administrativos mencionados são anteriores à entrada em vigor da Lei 9.532/97, de 10/12/97, originária da conversão da Medida Provisória nº 1.602, de 14/11/97, sendo esta quem regula as relações ora em análise. Recurso desprovido. TRF3 PROCESSO Nº 2008.61.00.0081218 TERCEIRA TURMA APELAÇÃO CÍVEL ACÓRDÃO PUBLICADO EM 14/01/2013: MANDADO DE SEGURANÇA. INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSSL. BOVESPA E BM&F. OPERAÇÃO DE "DESMUTUALIZAÇÃO". TÍTULOS PATRIMONIAIS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. PORTARIA MF 785/77. DECRETOLEI 1.109/70. CTN: ART. 111. LEI 9.532/97, ART. 17. 1. Com a operação de "desmutualização" das Bolsas, ocorrida no ano de 2007 em que as mesmas deixaram de ser associações civis sem fins lucrativos e passaram a se constituir em sociedades anônimas, ocorreu a substituição dos títulos patrimoniais dos associados, detidos pelos impetrantes por ações da Bovespa Holding S/A e BM&F S/A, alterando a situação jurídicotributária então existente. 2. De fato, superando o biênio inicial de vigência do NCC não mais se viabilizaria a transformação de entidades associativas em sociedades, ante o silêncio do seu art. 1.113, quanto àquelas, destinadas a extinção, nos casos da espécie, facultado o retorno das contribuições vertidas ao patrimônio associativo (NCC: art. 61, §§ 1º e 2º), o que se operou através da substituição dos títulos patrimoniais dos associados pelas ações das novas sociedades, estas com e aquelas sem finalidade lucrativa. 3. Hipótese em que opera efeitos a previsão do art. 177 e § 2º da Lei nº 6.404, de 1976, desde sua redação original, exsurgindo as conseqüências tributárias advindas dos novos lineamentos civis, sem que necessário perquirir acerca da validade das deliberações sociais tomadas em prol da "desmutualização" operada. 4. Daí porque remanesce integra a Solução de Consulta nº 10/2007, incidindo na espécie, tanto o IRPJ com a CSL, a teor da Lei 9.532 de 10/12/97, art. 17, §§ 3º e 4º. 5. Não tem lugar a utilização do Método de Equivalência Patrimonial, já que o mesmo somente é viável nas hipóteses de investimentos em controladas e coligadas, nos termos do que dispõe os arts. 384, 387, 388, do Decreto 3000/99. 6. Precedente desta Corte. 2007.03.00.1051159. Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 15 14 7. Tampouco incide a Portaria MF 785/77, restrita ao acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais não distribuídos e segregados contabilmente para compulsória incorporação ao capital associativo (CTN: art. 111) 8. Apelo da União e remessa oficial a que se dá provimento. Dito isso, devese considerar como tributável o ganho de capital auferido pela contribuinte no ano de 2008, no valor de R$ 1.011.679,62, fruto da devolução do valor das quotas que possuía junto ao patrimônio da CETIP Associação, decorrente da desmutualização desta pessoa jurídica sem fins lucrativos, ocorrida no ano de 2008. Todavia, devese considerar, também, que em razão do definitivamente decidido no processo nº 16327.001743/201034, a contribuinte apurou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL 2008, ambos no montante de R$ 5.436.035,57, conforme consulta aos formulários SAPLI e FACS 2008 contidos nos autos daquele processo. Isso posto, o ganho de capital oriundo da desmutualização da CETIP em 2008 deverá ser integralmente deduzido do resultado negativo apurado pela contribuinte no próprio ano de 2008, não havendo que se falar em exigência de IRPJ e CSLL neste período. 4) DAS DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO De acordo com o TVF (fl. 1133 e ss.), a operação que gerou o ágio em questão pode ser assim descrita, em síntese: a) em 25/02/2007 o Banco Société Générale Brasil S/A, na condição de comprador, e quatro pessoas físicas, na condição de vendedores, celebraram "Contrato de Compra de Quotas sob Condições Precedentes e Outras Avenças" (fl. 144 e ss.), com vistas à compra e venda de 100% das quotas representativas do capital da empresa Cacipar Participações Ltda., a qual detinha 100% das ações do Banco Cacique S/A bem como 100% das quotas da empresa Cacique Promotora de Vendas Ltda. De ver que, como as partes se obrigaram mutuamente a cumprir as condições previstas no próprio contrato ou em lei, ficou acertado que o "fechamento do contrato" ocorreria em data futura, quando todas as condições fossem cumpridas; b) em 07/03/2007 o Société Brasil cedeu à empresa Trancoso Participações Ltda. todos os direitos e obrigações de que cuida o acima referido "Contrato de Compra de Quotas sob Condições Precedentes e Outras Avenças" (fl. 191 e ss.); c) Trancoso Participações Ltda. é a nova denominação da empresa Marigane Participações Ltda., constituída em 16/01/2007 com capital de R$ 1.000,00 e cujos sócios eram uma pessoa jurídica e uma pessoa física, esta última, sócia de outras 23 empresas que possuíam o termo "Participações" em sua razão social (fl. 118 e ss.). Por meio da 1ª alteração de seu contrato social, datada de 07/03/2007 (mesma data da cessão referida no item anterior), promoveuse a alteração na denominação da empresa, de Marigane para Trancoso, bem como a saída dos antigos sócios, passando Société Brasil a deter 100% de suas quotas (fl. 124 e ss.); d) em 30/11/2007, por meio da 3ª alteração do contrato social de Trancoso, o sócio Société Brasil efetivamente aportou ao capital daquela empresa o montante de R$ 930.523.599,00, conforme lançamentos contábeis comprovados pelo extrato bancário; Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 16 15 e) no mesmo dia, 30/11/2007, ocorreu o "fechamento do contrato" referido no item "a" retro, por meio do pagamento no montante de R$ 888.372.854,00 feito por Trancoso aos vendedores das quotas de Cacipar. Desse montante, Trancoso registrou R$ 570.563.618,89 a título de ágio na aquisição de investimento em Cacipar, uma vez que o valor de patrimônio líquido da investida era de R$ 317.809.235,11; f) intimada a informar o fundamento do ágio, a fiscalizada explicou ser ele decorrente da rentabilidade futura da investida, conforme atestado em Relatório de Avaliação Econômico Financeira emitido pela KPMG em 23/10/2008; g) em 30/07/2008 Cacipar transferiu à sua controladora indireta, Société Brasil, a totalidade de suas ações do Banco Cacique, até então sua controlada direta (fl. 681); h) em 31/10/2008 o Banco Cacique incorporou Cacipar e Trancoso, passando a amortizar o ágio pago por Trancoso pela aquisição das quotas de Cacipar. Tendo em vista os fatos acima sintetizados, a fiscalização concluiu o seguinte (vide TVF às fls. 1142/1143): 2) DAS CONCLUSÕES: (...) Considerando que o ágio pago na aquisição de uma participação societária deverá ser registrado segregado do seu valor de patrimônio líquido, não devendo ter efeitos fiscais antes da alienação ou baixa do investimento, e considerando que em caso da incorporação a lei faculta benefício fiscal que propicia a amortização do ágio pago com fundamento em rentabilidade futura, temos que, se o Societê Brasil tivesse contabilizado diretamente em sua escrituração o negócio realizado com ágio, não poderia este ser amortizado com o benefício fiscal concedido pelo artigo 7° da Lei 9.532/97. Dos fatos anteriormente exposto, não restou dúvida que se tratou de um investimento feito pelo Banco Societê Brasil, consistente na aquisição do controle societário da CACIPAR e conseqüentemente do Banco Cacique. Entretanto, visando alterar as condições do fato gerador, tratou de adquirir, em 07/03/2007, uma empresa veículo, denominada "MARIGANE", com capital social de R$1.000,00, constituída em 16/01/2007, aparentemente transferindo para a mesma os direitos da transação efetuada, que montava na ordem de R$850.000.000,00, com o único intuito de posteriormente utilizá la, no âmbito de uma seqüência de operações societárias, que culminariam, ao término de duas incorporações reversas, com a transferência do Banco Cacique para seu controle. (...) Muito importante tornase ressaltar que, conforme consta DOS FATOS, não ficou suficientemente comprovado a esta fiscalização que tal ágio, pago em 30/11/2007, foi resultante de Rentabilidade Futura, uma vez que o demonstrativo exigido por Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 17 16 lei como comprovação desta rentabilidade, apresentado pelo contribuinte, foi elaborado posteriormente a referida data, em julho de 2008, com base em balanço levantado em 31/12/2007, ambas as datas posteriores ao pagamento do referido ágio. Além disto, ficou comprovado que na verdade o adquirente do controle societário do Banco Cacique foi o Societê Brasil, sendo que as citadas operações de incorporação reversas tinham como intuito, única e exclusivamente, levar para a empresa investida Banco Cacique, parte do ágio, procedendo esta, em seguida, às conseqüentes amortizações do mesmo levando a uma diminuição indevida dos resultados nos próximos anos; Ou seja, embora esta fiscalização reconheça a existência de um ágio, pago quando da aquisição do controle societário da CACIPAR, ficou fartamente comprovado que o uso da empresa Trancoso, como empresa veículo, deuse sem qualquer finalidade negocial, apenas com o intuito de tornar o ágio fiscalmente dedutível, podendo este ser amortizado pelo Banco Cacique. Sendo que, além disto, não houve suficiente comprovação que tal ágio fundamentavase exclusivamente em rentabilidade futura, condição exigida para permissão da amortização dedutível do mesmo. Dos trabalhos fiscais objetos do citado MPF também resultou autuação fiscal no Societê Brasil, da qual não teceremos maiores considerações pois não tiveram reflexo no presente trabalho, o qual referese exclusivamente aos reflexos em 2010, da amortização do ágio no Banco Cacique. Em sendo assim, confirmado a repetição em 2010 da amortização do ágio oriundo da mesma operação, necessário tornase a lavratura de Autos de Infração, referente à Glosa deste ágio lançado no Banco Cacique (Vide matéria tributável no presente Termo), desta feita referente ao anocalendário de 2010. (...) Como visto acima, o ágio foi registrado na contabilidade da contribuinte no ano de 2008 e passou a ser por ela amortizado a partir daquele mesmo ano. No âmbito do processo nº 16327.001743/201034 a fiscalização lavrou auto de infração para exigência do IRPJ e da CSLL relativamente aos fatos geradores ocorridos nos anos de 2008 e 2009, pela dedução indevida das despesas com amortização do ágio. No presente processo foi lavrado auto de infração para exigência do IRPJ e da CSLL relativamente aos fatos geradores ocorridos nos ano de 2010. Conforme já assentado no relatório e no item 3 do presente voto, transitou em julgado a decisão administrativa exarada no processo nº 16327.001743/201034, havendo a 1ª Turma da 3ª Câmara decido ser cabível, no caso, a dedutibilidade das despesas com amortização do ágio, conforme ementa ao acórdão 1301001.505, a seguir transcrita: Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 18 17 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO INOCORRÊNCIA. No contexto das Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 mediante utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. Obviamente que a coisa julgada objeto do acórdão 1301001.505 não alcança o litígio ora em discussão. De fato, enquanto lá se decidiu sobre a dedutibilidade das despesas com amortização do ágio nos anos de 2008 e 2009, aqui o objeto da lide é o ano de 2010. Não custa recordar que, de acordo com o abaixo transcrito art. 469, I, do Código de Porcesso Civil, não fazem coisa julgada os motivos que leveram aquela Turma a decidir pela legalidade da despesa, daí porque esta Turma poderia, com base em motivos diversos, entender o oposto. Art. 469. Não fazem coisa julgada: I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; (...) Em outras palavras, os fundamentos que alicerçaram a decisão da 1ª Turma da 3ª Câmara, que afastou a exigência nos anos de 2008 e 2009, não vinculam a decisão desta Turma quanto ao exame referente ao ano de 2010. Passandose então ao exame da matéria, observase nas conclusões do autor da ação fiscal, anteriormente transcrita, que são três as razões para a glosa de despesas com amortização do ágio: a) se o Société Brasil tivesse contabilizado diretamente em sua escrituração o negócio realizado com ágio, não poderia este ser amortizado com o benefício fiscal concedido pelo art. 7° da Lei 9.532/97; b) com vistas a aproveitar o referido benefício, a autuada utilizouse da "empresa veículo" denominada Trancoso; c) não restou suficientemente comprovado que o ágio, pago em 30/11/2007, foi resultante de rentabilidade futura, uma vez que o demonstrativo apresentado pelo contribuinte foi elaborado posteriormente a referida data, em julho de 2008, com base em balanço levantado em 31/12/2007, ambas as datas posteriores ao pagamento do mencionado ágio. Pois bem, primeiramente devese ressaltar que, conforme reconhecido pela própria autoridade fiscal, a formação do ágio sob exame não é fruto negócios realizados entre empresas do mesmo grupo econômico Ao contrário, o ágio decorreu de uma transação entre Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 19 18 partes independentes e em pé de igualdade (arm's length transaction), quais sejam, Trancoso Participações Ltda., como adquirente, e as quatro pessoas físicas detentoras das ações de Cacipar Participações Ltda., como alienantes. Resumindo, não se trata aqui do chamado “ágio interno”. Dito isso, começando nossa análise pelo argumento exposto no item "c" retro, resta claro que o ponto questionado pela fiscalização diz respeito à data em que foi emitido pela KPMG o Relatório de Avaliação EconômicoFinanceira da Cacipar. Segundo o autor da ação fiscal, referido relatório somente foi emitido em 23/10/2008, ou seja, posteriormente à data de aquisição das quotas de Cacipar, ocorrida em 30/11/2007, daí porque não poderia sustentar a alegação de rentabilidade futura de Cacipar. Ocorre que a interessada trouxe aos autos (fl. 1331 e ss.) um documento elaborado pelo UBS Pactual denominado Project Harley, emitido em fevereiro de 2007, contemporâneo portanto à celebração do "Contrato de Compra de Quotas sob Condições Precedentes e Outras Avenças", e cujo conteúdo é a avaliação econômicofinanceira das duas empresas controladas pela Cacipar, quais sejam, o Banco Cacique e a Cacique Promotora de Vendas. Poderseia questionar a veracidade e contemporaneidade deste laudo, somente apresentado pela autuada quando da impugnação ao lançamento e, ainda assim, apenas no idioma inglês. Entretanto, após o recurso voluntário foram juntados aos autos documentos complementares, tais como (fl. 1686 e ss.): (i) a tradução juramentada do laudo para o português; (ii) ata notarial onde o escrevente do 26º Tabelionato de Notas de São Paulo confirma a existência de um email enviado pelo UBS Pactual, no dia 08/02/2007, acerca do mencionado Project Harley. De ver que tais documentos são fruto de pedido de diligência levado a efeito pela 1ª Turma da 3ª Câmara nos autos do já aludido processo nº 16327.001743/201034. A pedido da recorrente os documentos lá produzidos foram também anexados ao presente processo. Pelo exame desses documentos firmo meu convencimento de que a avaliação contida no denominado Project Harley é anterior ao "fechamento do contrato" de aquisição das quotas de Cacipar. Ademais, entendo que o referido documento traz a avaliação econômico financeira de Cacipar, razão pela qual rejeito o argumento da fiscalização descrito no item "c" retro. Em relação ao argumento exposto no item "a", é de se notar que a autoridade fiscal não expôs as razões pelas quais entendeu que acaso o Société Brasil houvesse adquirido diretamente as quotas de Cacipar, não poderia se beneficiar do disposto no art. 7° da Lei 9.532/97. Salvo melhor juízo, Société Brasil poderia, sim, incorporar Cacipar beneficiandose da dedutibilidade, para fins fiscais, das despesas com amortização do ágio, conforme autorizado pelo art. 7° da Lei 9.532/97. Para tanto, bastaria que observasse o disposto na Lei nº 4.595/64 e as normas expedidas pelo Banco Central do Brasil, em especial a Resolução Bacen nº 2.723/2000. Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 20 19 Société Brasil preferiu, no entanto, capitalizar a empresa Trancoso a fim de que esta adquirisse as quotas de Cacipar. E, de acordo com a recorrente, Société Brasil não incorporou Cacipar porque, sob o ponto de vista econômico, entendeu que não seria adequado reunir em uma única instituição financeira negócios de banco de investimento (Société Brasil) com negócios de banco de varejo (Banco Cacique). Tal motivação, a meu juízo, é perfeitamente crível e razoável. E isso nos leva ao exame das razões da autuação expostas no item "b" retro. A questão que se discute aqui é a seguinte: o emprego de "empresa veículo", por sí só, é motivo para afastarse a dedutibilidade da despesa com amortização de ágio? Antes mesmo de examinarmos essa questão cumpre destacar que a expressão "empresa veículo" tem sido utilizada pela fiscalização de uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal em si mesmo". No entanto, como é cediço, não é possível sustentarse uma autuação fiscal lastreada na simples acusação de emprego de "empresa veículo", até porque o simples emprego de "empresa veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária. Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego da "empresa veículo" (Trancoso) e a prática de alguma infração à legislação tributária. E, no caso dos autos, como o autor da ação fiscal não se desincumbiu de seu ônus, isso já seria razão suficiente para afastarse, de pronto, a autuação. Todavia, tendo em vista que existem algumas decisões do CARF mantendo a glosa da amortização do ágio justamente pelo emprego de "empresa veículo" (vide, por exemplo, o Acórdão 1101001.113), entendo cabível o exame da matéria. Em breve síntese, aqueles que defendem a impossibilidade do aproveitamento do ágio nestas condições sustentam que o emprego de empresa veículo, que ao fim incorpora ou é incorporada pela investida, “oculta” o verdadeiro investidor, qual seja, aquele que fornece os recursos para que a empresa veículo faça o investimento. Desse modo, dizem eles, não há incorporação entre o “verdadeiro investidor” (no caso, Société Brasil) e a investida (no caso, Cacipar), sendo portanto inaplicável os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Pois bem, quanto a este argumento devese ter em conta que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foram originalmente criados com a finalidade de incentivo à aquisição de empresas públicas ou sociedades de economia mista por particulares, no âmbito do chamado Programa Nacional de Desestatização (Lei nº 9.491/97). E uma vez que pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras têm direito a adquirir até 100% das ações ou quotas da empresa nacional objeto de desestatização (vide art. 12 da referida Lei nº 9.491/97), é de se perguntar: como poderia um investidor estrangeiro se beneficiar dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 senão por meio da constituição e capitalização de uma pessoa jurídica nacional que fizesse o investimento na empresa objeto da desestatização? Esse foi, de fato, o caminho adotado pelos investidores estrangeiros (vide caso Celpe, Acórdão nº 120100.689). Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 21 20 Ocorre que, de acordo com a teoria da "empresa veículo", ora sob exame, nem assim os investidores estrangeiros poderiam se beneficiar dos disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois a pessoa jurídica nacional por eles constituída e capitalizada não seria considerada o "verdadeiro investidor" na empresa objeto de desestatização. Na mesma situação de impossibilidade de aproveitamento do disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 estaria, por exemplo, um grupo de pessoas físicas nacionais que desejasse adquirir as ações ou quotas de uma empresa objeto de desestatização. Se fizessem o investimento diretamente, as pessoas físicas não poderiam se beneficiar das referidas normas (por óbvio, pessoa física não incorpora nem é incorporada por pessoa jurídica). A solução seria, novamente, a constituição e capitalização de uma pessoa jurídica justamente para que esta fizesse o investimento. Entretanto, de acordo com a aludida teoria da "empresa veículo", nem assim a pessoa jurídica criada pelo grupo de pessoas físicas poderia se beneficiar do disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois não seria considerada o "verdadeiro investidor" na empresa objeto de desestatização. Também em idêntica situação de impossibilidade de aproveitamento do disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 estariam as pessoas jurídicas nacionais que em razão de vedação contida em norma legal ou infralegal estejam impedidas de exercer atividades econômicas diversas daquelas previstas naquelas normas. Seria o caso, por exemplo, de um banco comercial adquirir as ações ou quotas de uma concessionária de energia elétrica. Tal aquisição é possível, desde que autorizada pelo Banco Central. O que não é juridicamente possível é a absorção do patrimônio da concessionária pelo banco comercial (ou viceversa) uma vez que o Banco Central proíbe que os bancos comercias exerçam atividades distintas daquelas previstas em Regulamento. A solução, mais uma vez, seria o banco comercial constituir e capitalizar uma pessoa jurídica a fim de que esta adquira as ações ou quotas da empresa objeto de desestatização. Ocorre que, segundo a mencionada teoria da "empresa veículo", nem assim a pessoa jurídica criada pelo banco comercial poderia se beneficiar do disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois não seria considerada o "verdadeiro investidor". Os exemplos acima, que a outros poderiam se somar, demonstram que a propalada teoria da "empresa veículo" aplicada aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ensejaria uma interpretação restritiva dessas normas no tocante à idéia de "verdadeiro investidor". Todavia, a interpretação restritiva, tal como as demais espécies interpretativas, não é fruto da vontade do intérprete. Ao contrário, deve ser juridicamente fundamentada. No caso dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 tal interpretação restritiva reduziria significativamente as hipóteses de aproveitamento fiscal da amortização do ágio ali prevista, algo que vai de encontro (e não ao encontro) à finalidade do Programa Nacional de Desestatização, o qual, como dito antes, incentiva a aquisição de empresas públicas ou sociedades de economia mista por particulares. Em outras palavras, a teoria da "empresa veículo" defendida por alguns é frontalmente contrária à finalidade para à qual foram criados os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, daí porque não pode ser acolhida. 5) CONCLUSÃO Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720476/201189 Acórdão n.º 1201001.242 S1C2T1 Fl. 22 21 Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso voluntário para: a) manter o ganho de capital na devolução do patrimônio da CETIP apurado no ano de 2008, devendo este valor, no entanto, ser integralmente deduzido do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da contribuição social apurados no mesmo ano, conforme item 3 do voto, parte final. Caberá à unidade de origem promover os ajustes no sistema a acompanhamento do prejuízo fiscal e da base de cálculo da contribuição social; b) afastar a glosa das despesas com amortização do ágio levadas ao resultado no ano de 2010. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 13227.000700/2004-23
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/1998, 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL.
Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
Numero da decisão: 9101-002.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: por unanimidade de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e, no mérito, dado provimento.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LÍVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Prazo. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ODILON & RIBEIRO LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/1998, 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999 DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: por unanimidade de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e, no mérito, dado provimento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 00 07 00 /2 00 4- 23 Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13227.000700/200423 Acórdão n.º 9101002.156 CSRFT1 Fl. 2.451 2 (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LÍVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) em 09/11/2009 (fls. 2417/2428), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), alegando divergência jurisprudencial em relação à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. 2. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 120200.099, de 18/06/2009, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, acolheu preliminar de decadência para afastar exigências de IRPJ e CSLL com fatos geradores acontecidos até o terceiro trimestre de 1999, e também exigências de PIS e COFINS com fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 1999. 3. O acórdão recorrido foi assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PRESSUPOSTOS As obscuridades, dúvidas, omissões, contradições e inexatidões materiais contidas no acórdão podem ser saneadas através de Embargos de Declaração, conforme previsão no artigo 57 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. SIMULAÇÃO MULTA QUALIFICADA A tentativa de simulação não chega a produzir efeitos e, portanto, não se encontra prevista nas condutas descritas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502/64, que exigem do sujeito passivo a prática de dolo, com a obtenção de resultado a seu favor. DEPÓSITOS BANCÁRIOS MULTA QUALIFICADA A omissão de receitas caracterizada pela existência de depósitos bancários cuja origem não restou comprovada, por se tratar de presunção legal, por si só, não autoriza a imposição da multa qualificada. IRPJ CSLL PIS COFINS LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO A natureza do lançamento, se por homologação ou não, não se identifica com o pagamento, pois o objeto da homologação engloba toda a cadeia de atos interligados tais como a escrituração de lançamentos, apresentação de declarações e, se apurado resultado, o Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13227.000700/200423 Acórdão n.º 9101002.156 CSRFT1 Fl. 2.452 3 recolhimento de tributos. Considerando que o lançamento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS se dá por homologação, o prazo para o fisco efetuálo, quando não ficar comprovado o evidente intuito de fraude, é de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, sob pena de decadência nos termos do art. 150, § 4o, do CTN. Recurso especial (PFN) negado. (Ac. CSRF/0105.644, de 27/03/2007). 4. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que foi dada pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, especificamente quanto à definição do termo inicial para a contagem do prazo decadencial. 4.1. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: a Câmara a quo entendeu que por serem tributos recolhidos mediante o sistema de "lançamento por homologação", o auto de infração somente poderia ser lavrado dentro do prazo estipulado no art. 150, §4°, do CTN. Assim, à data em que o contribuinte fora cientificado do auto de infração, haveria caducado o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário, cujos fatos geradores mensais ocorreram no período supramencionado; quando o sujeito passivo da obrigação tributária antecipa o pagamento, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador, conforme o disposto no art. 150, §4° do CTN; por outro lado, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo contido no art. 173,1, do CTN; a respeito do prazo para o lançamento dos tributos sujeitos a homologação, o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do adotado pelo acórdão recorrido, e está representado no acórdão paradigma emanado da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com a seguinte ementa: Acórdão CSRF/0202.288 PIS. DECADÊNCIA. Por ter natureza tributária, na hipótese de ausência de pagamento antecipado, aplicase ao PIS a regra de decadência prevista no art. 173,1, do CTN. Recurso especial negado. a similitude entre os casos reside na modalidade do lançamento. Ambos estão, em regra, sujeitos ao chamado lançamento por homologação. E, de forma diversa da que ocorreu no presente caso (aplicação do art. 150, § 4º, do CTN), no paradigma se entendeu que, na falta de pagamento do tributo, se está diante de lançamento de ofício, aplicandose a regra do artigo 173, I, do CTN; no presente caso, assim como no paradigma, verificase a falta de pagamento do tributo; o entendimento desta Procuradoria é que o art. 150, § 4º, do CTN só se aplica no caso de ter havido efetivo pagamento adiantado do crédito tributário. Em não havendo recolhimento, não há o que se homologar, tratando a questão de simples lançamento ex officio Fl. 2452DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13227.000700/200423 Acórdão n.º 9101002.156 CSRFT1 Fl. 2.453 4 a ser feito com espeque no artigo 149, V, do CTN, sendo o termo inicial do prazo decadencial aquele previsto no artigo 173, I, do CTN; tal distinção é particularmente importante no presente caso porque, considerando o termo inicial previsto no artigo 173, I, a decadência do direito de lançar relativa aos fatos geradores ocorridos em 1998 (4º Trimestre) e em 1999 (três primeiros trimestres) do IRPJ, fatos geradores ocorridos em 1998 e em 1999 (três primeiros trimestres) da CSLL e fatos geradores de dezembro de 1998 a novembro 1999 do PIS e COFINS, darseia em 01 de janeiro de 2005, contandose a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, de modo que teria sido indevido o reconhecimento da decadência pela Câmara a quo. compulsando os autos, verificase que o tributo não foi recolhido. Não havendo pagamento antecipado, aplicase o dies a quo previsto no artigo 173, I, uma vez que não se trata mais de lançamento por homologação, mas simples lançamento ex officio. A rigor, sequer existe montante a ser homologado. Assim, é indevida a aplicação do artigo 150, § 4º, na espécie. Merece reforma, portanto, a decisão ora recorrida; outro não é o entendimento firmado pelo STJ, no sentido de que não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo disposto no art. 173, I, do CTN, conforme se depreende do Informativo n° 250 do STJ (transcrito no recurso); esse posicionamento já está pacificado no âmbito do STJ, de acordo com recente decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (sessão de julgamentos do dia 12.08.2009) no Recurso Especial 973.733/SC, de Relatoria do Min. Luiz Fux, representativo de divergência, nos termos do procedimento do art. 543C do CPC; o art. 173, I do CTN dispõe que o prazo decadencial para o lançamento de ofício é de cinco anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, para os fatos geradores de PIS e COFINS ocorridos de dezembro de 1998 a novembro de 1999, fatos geradores de IRPJ ocorridos no 4º trimestre do anocalendário 1998 e nos três primeiros trimestres do anocalendário 1999, e fatos geradores de CSLL ocorridos em 1998 e nos três primeiros trimestres do anocalendário 1999, verificase que somente no dia 1º de janeiro de 2000 iniciou a contagem do prazo decadencial. Computandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria em 01/01/2005. Como a ciência do auto se deu em 08/12/2004, os lançamentos não aconteceram a destempo; em face do exposto, requer a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) seja conhecido e provido o presente recurso, para afastar a decadência do direito de constituir o crédito tributário acima mencionado, uma vez que o mesmo foi efetuado dentro do prazo legalmente fixado (art. 173,1, do CTN). 5. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial (fls. 2430/2431), a Presidente da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1200 0.411/2009, de 25/11/2009, admitiu o recurso especial pelas seguintes razões: Confrontando os acórdãos, constato que o acórdão indicado como paradigma realmente diverge do ora recorrido, no que tange à contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, pois reconheceu que não Fl. 2453DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13227.000700/200423 Acórdão n.º 9101002.156 CSRFT1 Fl. 2.454 5 ocorrendo o pagamento antecipado do tributo sujeito à homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário se dará com fulcro no disposto no art. 173, I do CTN; por outro lado, a decisão recorrida entendeu que o prazo de decadência do crédito tributário seria o regido pelo art. 150, §4° do CTN. 6. Intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, a contribuinte não apresentou contrarrazões. 7. É o relatório. Fl. 2454DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13227.000700/200423 Acórdão n.º 9101002.156 CSRFT1 Fl. 2.455 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. 2. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. 3. O presente processo tem por objeto inicial lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS, e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1998 e 1999. 3.1. As autuações fiscais decorreram da constatação de omissão de receitas apuradas a partir de depósitos bancários sem comprovação de origem. 3.2. O lançamento foi realizado em 08/12/2004. A apuração de IRPJ/CSLL se deu pelo regime do lucro arbitrado trimestral, enquanto que as contribuições PIS/COFINS foram apuradas sobre bases de cálculo mensais (receita bruta mensal). 3.3. Desde o início, a contribuinte alegou em suas peças de defesa uma preliminar de decadência, e também trouxe outros argumentos visando o cancelamento dos autos de infração. 3.4. Na primeira fase processual, a Delegacia de Julgamento considerou parcialmente procedente o lançamento, e afastou as exigências de IRPJ relativas aos três primeiros trimestres de 1998, em razão de decadência. 3.5. A Delegacia de Julgamento não reconheceu a decadência para as contribuições CSLL, PIS e COFINS, em razão do prazo decadencial de 10 anos previsto no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. 3.6. Na seqüência, o exame do recurso voluntário apresentado pela contribuinte resultou no Acórdão nº 120200.099, de 18/06/2009, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, aplicando o § 4º do art. 150 do CTN, ampliou o reconhecimento da decadência para afastar as exigências de IRPJ e CSLL com fatos geradores ocorridos até o terceiro trimestre de 1999, e também as exigências de PIS e COFINS com fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 1999. 3.7. A referida decisão manifestou o entendimento de que nos tributos submetidos a lançamento por homologação, quando não ficar comprovado o evidente intuito de fraude, o prazo decadencial é o previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Também sustentou que o objeto de homologação, nesse caso, não é o pagamento, mas sim toda a cadeia de atos interligados tais como a escrituração de lançamentos, apresentação de declarações e, se apurado resultado, o recolhimento de tributos. 3.8. O recurso especial da PGFN voltase exatamente para essa questão, e defende a idéia de que a aplicação do prazo decadencial mais curto, previsto no art. 150, § 4º, do CTN depende sim da presença ou ausência de pagamento (ainda que parcial), e não apenas da atividade exercida pelo contribuinte para apuração da base de cálculo do tributo. Fl. 2455DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13227.000700/200423 Acórdão n.º 9101002.156 CSRFT1 Fl. 2.456 7 4. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC firmou o seguinte entendimento em relação à matéria em pauta: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). 4.1. Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 4.2. De acordo com o STJ, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. 4.3. No sentido inverso, há duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia que constitua crédito tributário. 4.4. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. 5. No caso em análise, o acórdão recorrido, ao tratar da decadência das exações fiscais, considerou irrelevante verificar a presença ou ausência de pagamento, pelo que essa decisão merece ser reformada. 5.1. Com efeito, está comprometido o seu fundamento, amparado no entendimento de que o que interessa é a atividade exercida pelo contribuinte, e não a presença ou ausência de pagamento. Fl. 2456DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13227.000700/200423 Acórdão n.º 9101002.156 CSRFT1 Fl. 2.457 8 5.2. Como o lançamento ocorreu em 08/12/2004, há diferentes resultados para a decadência dos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram no 4º trimestre de 1998 e nos três primeiros trimestres de 1999 (no caso de IRPJ e CSLL), e nos meses de dezembro de 1998 a novembro de 1999 (no caso de PIS e COFINS), conforme se aplica o prazo previsto no art. 150, §4º, ou no art. 173, I, ambos do CTN. 5.3. É que para esses fatos geradores, o termo inicial para a contagem da decadência pela regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" seria o dia 01/01/2000, e nesse caso o lançamento realizado em 08/12/2004 deixa de estar fulminado pela decadência. 5.4. Compulsando os autos, observase que durante os trabalhos de auditoria fiscal a contribuinte recebeu intimações para, entre outras informações e documentos, apresentar DARFs de todos os recolhimentos feitos pela empresa a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, nos anoscalendário de 1996 a 2000. 5.5. Em resposta a essas intimações, a contribuinte apresentou apenas DARFs recolhidos nos anos de 1996 e 1997. 5.6. A Descrição dos Fatos contida no Auto de Infração registra ainda que a contribuinte não havia apresentado DCTFs para os períodos em questão. 5.7. Nesse caso, não havendo pagamento e nem confissão dos referidos débitos, deve ser aplicada a regra do art. 173, I, do CTN, o que resulta no afastamento da decadência que havia sido reconhecida para eles. 6. Assim, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para afastar a decadência em relação aos débitos de IRPJ e CSLL cujos fatos geradores ocorreram no 4º trimestre de 1998 e nos três primeiros trimestres de 1999, e também em relação aos débitos de PIS e COFINS com fatos geradores apurados nos meses de dezembro de 1998 a novembro de 1999. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Fl. 2457DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 13854.000255/2004-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. TEMA SOBRE O QUAL DEVERIA O COLEGIADO SE MANIFESTAR. MANIFESTAÇÃO IMEDIATA. MÉRITO. PONTO OMISSO.
Os embargos de declaração prestam-se ao questionamento omissão sobre tema em relação ao qual deveria o colegiado se manifestar, e não a questionamentos sobre temas colaterais ou secundários ao julgamento do processo. Apurada, no entanto, a omissão, cabe a manifestação imediata, pelo colegiado, do mérito em relação ao ponto omisso.
Numero da decisão: 3401-003.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração apresentados, no que se refere à omissão relativa à análise da alegação de erro da fiscalização na glosa de créditos decorrentes de aquisições de insumos de pessoas físicas, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar as glosas existentes neste processo decorrentes de notas fiscais de complemento de preços emitidas em fevereiro e março de 2004.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (presidente da turma), Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. TEMA SOBRE O QUAL DEVERIA O COLEGIADO SE MANIFESTAR. MANIFESTAÇÃO IMEDIATA. MÉRITO. PONTO OMISSO. Os embargos de declaração prestamse ao questionamento omissão sobre tema em relação ao qual deveria o colegiado se manifestar, e não a questionamentos sobre temas colaterais ou secundários ao julgamento do processo. Apurada, no entanto, a omissão, cabe a manifestação imediata, pelo colegiado, do mérito em relação ao ponto omisso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração apresentados, no que se refere à omissão relativa à análise da alegação de erro da fiscalização na glosa de créditos decorrentes de aquisições de insumos de pessoas físicas, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar as glosas existentes neste processo decorrentes de notas fiscais de complemento de preços emitidas em fevereiro e março de 2004. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 02 55 /2 00 4- 13 Fl. 531DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (presidente da turma), Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 502 a 519) opostos pela empresa, em relação ao Acórdão nº 3403003.601, de 26/02/2015, no qual fui designado como redator em relação ao tema do cômputo, nas receitas de exportação da empresa (utilizada para o rateio proporcional), das receitas de exportações de terceiros (mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, e remetidas ao exterior), em período posterior a 1o de fevereiro de 2004. Alega a embargante que a turma de julgamento incorreu em omissão em relação à alegação de erro da fiscalização na glosa de créditos decorrentes de aquisições de insumos de pessoas físicas, vez que tais valores não compuseram o cálculo do crédito presumido de junho de 2004, e também no que se refere às provas por ela colacionadas de que apurou perdas cambiais em contratos de CAA, PPE e mútuos. Os embargos foram admitidos pelo despacho de fls. 529/530, em 10/08/2015, e a mim distribuídos para inclusão em pauta de julgamento e apreciação pelo colegiado, no mérito. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de fls. 529/530, passase diretamente à análise das omissões objetivamente apontadas. Como se destacou no exame de admissibilidade, lá não se estava a verificar efetivamente se houve omissões, mas se estas haviam sido objetivamente apontadas. Relevante ainda destacar que em tal exame se recordou que com o novo RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015, mais precisamente com seu art. 65, § 8º, passou a existir expressa previsão de sustentação oral pelas partes no julgamento de embargos de declaração. São duas as omissões apontadas pela empresa como ensejadoras dos embargos interpostos: uma referente às provas por ela colacionadas e outra sobre a alegações de erro da fiscalização na glosa referente a aquisições de pessoas físicas. Destaco, por oportuno, que nenhuma delas se refere ao voto vencedor de minha lavra (como redator designado), mas a temas unanimemente ou majoritariamente acordados pela turma. Não há margem para identificar qualquer omissão no voto condutor em relação ao primeiro tema, que é irrelevante para o julgamento, conforme se extrai do excerto de fls. 488/489: Fl. 532DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000255/200413 Acórdão n.º 3401003.079 S3C4T1 Fl. 532 3 "Enquadramento ou não como receitas financeiras de títulos na base de cálculo da COFINS A Recorrente insurgese contra o enquadramento realizado pela Autoridade Fazendária de valores correspondentes a variações monetárias ativas, que a Recorrente denomina como receitas financeiras relativas a adiantamentos de contratos de câmbio, pré pagamento de exportação e mútuos realizados com controlada no exterior. A Autoridade Fazendária julga esse tema em conjunto com a alegação de imunidade, observando que a Recorrente adota o regime de competência na contabilização das variações monetárias ativas e passivas em função da taxa de câmbio, e que por essa razão, diversamente do alegado pela Recorrente, o resultado não deve ser observado somente na liquidação da operação. Observa ainda que não há como reconhecerse tais variações monetárias como receita de exportação justamente porque, como constou na Decisão de primeira instância, as receitas de exportação são apurados até o momento do embarque e, por essa razão, que a Decisão considerou o complemento cambial havido entre a data da saída do estabelecimento e a data do embarque como receita de exportação, o que, inclusive contrariaria a própria tese defendida pela Recorrente, adverte. Pois bem. O Parágrafo 1, do artigo 30 da Medida Provisória n. 1.85810/99 (atual art. 20 da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001) dispõe sobre a possibilidade do (sic) contribuinte adotar o regime de caixa ou de competência na apuração das receitas de variação cambial: (...) Contudo, restou demonstrado nos autos, e a Recorrente sequer discute tal ponto, que ela adota o regime de competência na apuração das variações monetárias ativas e passivas, sujeitandose, ao registro como receita das variações monetárias ativas, e despesa, das passivas. Por outro lado, a tese defendida pela Recorrente de que a variação cambial positiva não importaria receita, não traduzindo riqueza nova, apenas espelhando a mutação de seu direito de crédito, não posso deixar de observar que o artigo 9o da Lei n 9.718/1998 a enquadra como receita ou despesa financeira, conforme o caso: (...) Por essa razão, qualquer reconhecimento, ainda que tangencial à tese da Recorrente, implicaria na negativa de vigência a dispositivo de Lei em vigor, o que é expressamente vedado ao CARF. Dessa forma, os valores relativos à variação monetária de direitos e obrigações detidos pela Recorrente constitui, por determinação legal, receita financeira para fins de cálculo das Contribuições ao PIS e COFINS." (grifo nosso) Fl. 533DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Pelo excerto transcrito, percebese nitidamente que não é relevante para o julgamento se os lançamentos decorrentes de ajustes cambiais e contratos constituíam contabilmente e de fato receitas, visto que o art. 9o da Lei no 9.718/1998, comando legal que não pode ser afastado pelo julgador administrativo, expressamente os classifica juridicamente como tal. Assim, desnecessária qualquer análise sobre a planilha apresentada pela empresa, que segundo ela "demonstra a variação cambial em alguns contratos existentes no período" (fl. 362). Não há, assim, uma omissão a respeito de tema que devesse ser objeto de análise no julgamento que resultou no acórdão embargado. Devem assim ser rejeitados os embargos em relação a este tópico. Sobre a outra omissão, em relação à alegação de erro fiscal na glosa de créditos decorrentes de aquisições de insumos de pessoas físicas, vez que tais valores não compuseram o cálculo do crédito presumido de junho de 2004, registrase aqui que o acórdão embargado efetivamente traz o assunto só no relatório (fls. 480/481): "Sobre a exclusão do complemento do preço das laranjas adquiridas de pessoas físicas antes de 1o/02/2004, alegou que a fiscalização não teria mencionado o período em que os valores constantes no Demonstrativo das Notas Fiscais de Complemento de Preço das Aquisições de Insumos (Laranjas) de Pessoas Físicas para Industrialização Entregues até 31/01/2004, foram excluídos da base de cálculo do crédito presumido. Contudo, da análise do quadro demonstrativo (‘Demonstrativo de Apuração de Créditos da Contribuição para o COFINS Não Cumulativa’), inferese que tal ajuste ocorreu no mês de junho de 2004. Isso porque os ajustes realizados pela fiscalização, no cálculo do crédito presumido, nos meses de abril e maio de 2004, limitaram se tão somente à aplicação do percentual existente entre a receita de exportação e a receita bruta total, sobre o valor das aquisições de laranjas informado pela requerente. Deduz que, na determinação da base de cálculo do crédito presumido, relativo ao mês de junho de 2004, o Sr. AFRFB procedeu a exclusão de R$ 2.080.338,38, por entender que esse valor se refere a aquisições de matéria prima realizadas antes da entrada em vigor do art. 3o, parágrafo 5o, da Lei n. 10833/03. Ocorre que o argumento da fiscalização está equivocado, uma vez que os valores glosados se referem a notas fiscais, que não compuseram o cálculo do crédito presumido, apurado no mês de junho de 2004. Para tanto, basta verificar a anexa planilha elaborada pela requerente, na qual estão relacionadas as notas fiscais que entraram naquele cálculo. Com efeito, se se comparar os dados das notas fiscais, que constam no demonstrativo da fiscalização e na anexa planilha, verificar que o valor glosado não integrou o cálculo do crédito presumido, referente ao período em questão.(sic) Por outro lado, a somatória das notas fiscais relacionadas no documento elaborado pela requerente corresponde, exatamente, Fl. 534DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000255/200413 Acórdão n.º 3401003.079 S3C4T1 Fl. 533 5 a R$ 5.142.946,66, que foi o montante considerado na apuração da base de cálculo do referido crédito. Observese que todas as notas fiscais, que compõem a base de cálculo do crédito presumido, relativo ao mês de junho de 2004, correspondem a matérias primas adquiridas de pessoas físicas após 31.1.2004, ou seja, na vigência da Lei no 10833. Desse modo, não procede a alegação fiscal de que, no cálculo do crédito presumido da requerente, foram considerados valores correspondentes ao complemento de prego das matérias primas adquiridas de produtores rurais, pessoas físicas, em período anterior à vigência daquela lei." No voto, o relator, provavelmente por equívoco, decorrente da análise de múltiplos processos semelhantes da mesma recorrente, trata de tema diverso do especificamente questionado pela empresa, fazendo menção ao momento em que os contratos se aperfeiçoam (fls. 485 a 488): "A Decisão da DRJ manteve o procedimento adotado pela Fiscalização, que excluiu do cálculo do crédito presumido os valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, inclusive produtores rurais, por terem sido realizadas anteriormente à vigência da Lei n 10.833/2003. Por entender que o complemento de preço pago pela Recorrente aos produtores rurais, no mês de julho de 2004, referiase às matériasprimas, laranjas, adquiridas antes de 31 de dezembro de 2004, o Fisco procedeu à exclusão do correspondente crédito presumido, previsto originalmente no parágrafo 5 , do artigo 3 da Lei n 10.833/2003. De acordo com a Recorrente, a Fiscalização não analisou os contratos relativos a tais aquisições, que contêm regras acerca da determinação do preço da laranja, ocorrida apenas em momento futuro, sujeitas ao momento da comercialização ou da industrialização da laranja. Segundo a Recorrente, seria apenas nesse momento que a compra e venda se completaria, pois o preço final do produto seria de conhecimento de comprador e vendedor e, por essa razão, como o preço final das caixas de laranja da safra 2003/2004 foi determinado em julho de 2004, momento em que a aquisição se torna efetiva, não haveria justificativa válida nem para a Fiscalização e sequer para a Decisão negarem o crédito presumido sobre os respectivos valores. (...) Dessa maneira, a aquisição das caixas de laranja entregues anteriormente a 31 de janeiro de 2004, não se materializou em julho de 2004, que se refere apenas à determinação final do preço da laranja, mas sim anteriormente, quando as partes acordaram acerca das obrigações contrapostas de entregar a laranja antes mesmo da própria entrega da laranja e de pagar o preço avençado." Fl. 535DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Assim, há que se reconhecer que o voto foi omisso em relação à matéria. Buscando sanar tal omissão, passase, a seguir, à análise do tema. A Informação Fiscal que embasa o despacho decisório que denegou o crédito em discussão dá conta de que (fls. 207/208): "8 CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO AS AQUISIÇÕES DA AGROINDÚSTRIA. Inclusão indevida na determinação da base de cálculo de créditos de insumos adquiridos até 31/01/2004 (antes de vigência da Lei n° 10.833/2003): Laranja adquirida de pessoa física: A fiscalização, com suporte nos livros e documentos fiscais apresentados pela contribuinte, constatou, nos termos do Inciso I, do artigo 93, da Lei no 10.833/2003, que a empresa computou, indevidamente, na base de cálculo dos créditos para a COFINS nãocumulativa, bem como apurou e utilizou o crédito presumido decorrente de aquisições de insumos (laranjas adquiridas de pessoas físicas) da agroindústria, efetuadas antes da instituição da contribuição para a COFINS incidência nãocumulativa. Os valores dos insumos, conforme constam nas notas fiscais, correspondem ao complemento de preços de frutas (laranjas) adquiridas antes da instituição da COFINS incidência não cumulativa. Na data de 25/08/2009, mediante Termo de Intimação Fiscal (fls. 53/56), a empresa foi intimada a apresentar Demonstrativo em meio magnético (planilha excel), com totais mensais, contendo a relação das notas fiscais de complemento de preços relativamente às aquisição de insumos (laranjas) de Pessoas Físicas para Industrialização entregues até 31/01/2004 e cópia, por amostragem, das referidas notas fiscais de complemento de preços. Junto ao documento datado de 01/09/2009, a fiscalizada apresentou o demonstrativo e os documentos solicitados (fls. 68 e 166/185). Da análise dos documentos e informações apresentadas pela contribuinte, constatase que os valores constantes do demonstrativo de fls. 166/185, referemse a complemento de preço na aquisição de laranja de produtores pessoas físicas, efetuadas até a data de 31/01/2004, portanto, antes da vigência da Lei no 10.833/2003. Considerando, nos termos do Inciso I, do artigo 93, da Lei no 10.833/2003, que o cálculo de créditos da COFINS incidência nãocumulativa tem vigência a partir de FEVEREIRO de 2004, concluise, que o direito ao crédito decorrente de aquisições de insumos empregados na industrialização tem como termo inicial a data de 01/02/2004. As Notas Fiscais relativas ao complemento de preço de laranjas encontramse discriminadas no demonstrativo de fls. 166/185. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000255/200413 Acórdão n.º 3401003.079 S3C4T1 Fl. 534 7 Anexamos à fls. 104/110, por amostragem, cópia das referidas notas fiscais de complemento de preço. Tendo em vista os fatos relatados, em cumprimento aos mandamentos da legislação vigente, esta fiscalização efetuou os devidos ajustes e recalculou os valores dos créditos presumidos da COFINS devidos sobre as aquisições de insumos da agroindústria, conforme demonstrativos de fls.144/185 e 194." E a empresa se defende em relação à matéria, junto à instância de piso, alegando que (fls. 254/255): "De acordo com a informação fiscal, o complemento do preço das laranjas adquiridas de pessoas físicas, antes de 1o.2.2004, não pode ser considerado no cálculo do crédito presumido, de que trata o parágrafo 5o do art. 3o da Lei n. 10833/03. No entanto, a fiscalização não mencionou, em suas informações, o período em que os valores constantes no "Demonstrativo das Notas Fiscais de Complemento de Prego das Aquisições de Insumos (Laranjas) de Pessoas Físicas para Industrialização Entregues até 31/01/2004" (fls. 166 a 185) foram excluídos da base de cálculo do crédito presumido. Contudo, da análise do quadrodemonstrativo de fls. 194 ("Demonstrativo de Apuração de Créditos da Contribuição para o COFINS NãoCumulativa"), inferese que tal ajuste ocorreu no mês de junho de 2004. Isso porque os ajustes realizados pela fiscalização, no cálculo do crédito presumido, nos meses de abril e maio de 2004, limitaramse tão somente à aplicação do percentual existente entre a receita de exportação e a receita bruta total, apurado no quadro "Cálculo de proporcionalidade entre a Receita de Mercado Interno (planilha 1), Receita de Exportação Total (planilha 2 + planilha 3) e Receita Bruta Total (planilha 1 + planilha 2 + planilha 3)" (fl. 190), sobre o valor das aquisições de laranjas informado pela requerente. Deduzse que, na determinação da base de cálculo do crédito presumido, relativo ao mês de junho de 2004, o Sr. AFRFB procedeu a exclusão de R$ 2.080.338,38, por entender que esse valor se refere a aquisições de matériaprima realizadas antes da entrada em vigor do art. 3o, parágrafo 5o, da Lei n. 10833/03. Ocorre que o argumento da fiscalização está equivocado, uma vez que os valores glosados se referem a notas fiscais, que não compuseram o cálculo do crédito presumido, apurado no mês de junho de 2004. Para tanto, basta verificar a anexa planilha elaborada pela requerente (doc. 31), na qual estão relacionadas as notas fiscais que entraram naquele cálculo. Com efeito, se se comparar os dados das notas fiscais, que constam no demonstrativo da fiscalização (fls. 166 a 185) e na anexa planilha (doc. 31), verificarseá que o valor glosado não integrou o cálculo do crédito presumido, referente ao período em Fl. 537DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 questão. Por outro lado, a somatória das notas fiscais relacionadas no documento elaborado pela requerente corresponde, exatamente, a R$ 5.142.946,66, que foi o montante considerado na apuração da base de cálculo do referido crédito. Observese que todas as notas fiscais, que compõem a base de cálculo do crédito presumido, relativo ao mês de junho de 2004, correspondem a matériasprimas adquiridas de pessoas físicas após 31.1.2004, ou seja, na vigência da Lei n. 10833. Desse modo, não procede a alegação fiscal de que, no cálculo do crédito presumido da requerente, foram considerados valores correspondentes ao complemento de preço das matériasprimas adquiridas de produtores rurais, pessoas físicas, em período anterior à vigência daquela lei. Diante disso, forçoso reconhecer que deve ser modificado o r. despacho decisório, determinandose a inclusão dos valores excluídos pela fiscalização, constantes no demonstrativo de fls. 166 a 185, no cálculo do crédito presumido do mês de junho de 2004." (grifo nosso) Vêse, assim, que a linha de defesa não se refere ao momento de aperfeiçoamento do contrato, mas efetivamente a quais notas foram utilizadas na composição da base de cálculo no mês de junho de 2004. E, principalmente, percebese que a empresa não mostra conclusividade alguma em suas observações, afirmando que da planilha "inferese" ou "deduzse" que houve a exclusão, sem qualquer demonstração numérica que aponte precisamente o alegado. A DRJ aprecia o tema, ainda que sucintamente, e conclui que os valores relativos a complemento de preço foram fornecidos pela própria empresa, e que o fato de a fiscalização ter deduzido o crédito no mês de junho não ocasiona prejuízo algum ao contribuinte (fl. 334): "(...) o valor relativo ao complemento de preço de insumos adquiridos até 31/01/2004 foi fornecido pela própria contribuinte, e não foi objeto de contestação na manifestação. A insurgência da interessada limitouse à alegação de que a fiscalização deduziu tais valores do crédito presumido do mês de junho de 2004, sendo que as referidas notas fiscais (de complemento de preço de aquisições) não teriam composto a apuração desse crédito presumido. Para comprovar, apresentou uma relação de notas fiscais que teria servido de base para tal apuração, na qual não estariam as referidas notas de complemento. Ocorre que a apuração do direito creditório passível de ressarcimento tem como base valores trimestrais. Assim, os valores relativos a complemento de preço de aquisições anteriores a 1o/02/2004 compuseram as apurações de crédito presumido dos períodos do primeiro e segundo trimestres, uma vez que são acumulados mês a mês até sua utilização. Portanto, a exclusão desses valores no final do segundo trimestre, para o qual está sendo solicitado o ressarcimento, não implica em (sic) prejuízo algum para a contribuinte, pois se eles compuseram o crédito presumido de meses anteriores, ao fim e ao cabo estavam Fl. 538DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000255/200413 Acórdão n.º 3401003.079 S3C4T1 Fl. 535 9 incluídos no crédito objeto do pedido de ressarcimento, sendo procedente a exclusão efetuada pela fiscalização." Percebase que a DRJ sequer verifica de fato se realmente ocorreu o abatimento integral das notas de complemento (fev/2004 a abr/2004) em junho de 2004, limitandose a informar que não haveria irregularidade em tal abatimento. Em seu recurso voluntário, a empresa reitera as alegações externadas na manifestação de inconformidade sobre o tema, agregando ainda que (fls 357/358): Analisando o Razão Analítico apresentado (fls. 406 a 450), confesso não ter encontrado vestígios da observação da empresa no sentido de que foram excluídos em junho/2004 os R$ 2.080.338,38 indicados na planilha que trata das notas fiscais de complemento de preço (fls. 166 a 185 originais, ou 170 a 189 da numeração eletrônica). Não encontrei tal montante, nem seus valores mensais parciais, no referido livro. A própria empresa, no entanto, afirma textualmente que o valor total de R$ 2.080.338,38 foi utilizado para apuração de crédito presumido de períodos anteriores a junho/2004, e que "apenas o valor de R$ 18.215,88 foi aproveitado pela recorrente para apuração do crédito presumido objeto da análise no presente processo". Assim, tornase Fl. 539DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 incontroversa essa parcela, visto que se trata de valor referente ao próprio trimestre que a empresa utilizou indevidamente como crédito recordando que o acórdão inequivocamente decidiu que "que o crédito não se dá quando da liquidação ou pagamento da operação, mas sim quando a operação de compra e venda, da qual decorre a aquisição, pelo titular do crédito, se concretiza" (fl. 487). A admissão expressa pela empresa de que utilizou o montante de R$ 2.080.338,38 para apuração de crédito presumido (R$ 1.941.077,75 em fevereiro de 2004, R$ 121.044,82 em março de 2004, e R$ 18.215,88 em abril de 2004) chocase com a conclusão expressa no voto, que revela ser indevido tal crédito, derivado de notas fiscais de complemento de preços de operações realizadas em período anterior a 31/01/2004. Assim, após as alegações expressas no recurso voluntário, e que são reiteradas nos embargos de declaração, é possível visualizar de forma mais precisa que efetivamente a empresa utilizou créditos presumidos referentes a complementos de preço de operações realizadas em períodos anteriores. E tais utilizações se deram nos meses de fevereiro, março e abril de 2004, meses diversos daquele para o qual a indica a empresa que fiscalização promoveu as exclusões (junho de 2004). Revelese, no entanto, que no presente processo se analisa somente o segundo trimestre de 2004 (abril a junho), tendo sido o primeiro trimestre objeto de fiscalização e de processo administrativo específico (de no 13854.000161/200436). Em nome da verdade material, informase que o processo no 13854.000161/200436 (relativo ao primeiro trimestre de 2004) foi objeto de julgamento pela mesma turma e na mesma sessão de 26/02/2015, chegandose ao Acórdão no 3403003.600, que resulta no provimento parcial do recurso voluntário, somente para exclusão dos valores referentes a venda de ativo imobilizado. Já no início do voto do relator (neste aspecto, acolhido pela turma), percebese que a questão referente a complementação de preços, naquele processo, sequer foi analisada, em função de preclusão: Antes de adentrar nas matérias acima relacionadas, não posso deixar de tratar do questionamento levando (sic) pela Recorrente, de que pelo princípio da verdade material as complementações de receitas constituiriam receita de exportação, não alegadas em sua Manifestação de Inconformidade, e por essa razão poderiam ser analisadas no presente Recurso Voluntário. Como efeito, incidiu a preclusão sobre essa matéria, que não pode ser objeto de inovação nessa fase recursal, vez que a Recorrente não se dignou a discutir a natureza das receitas, limitandose a questionar pontos específicos do despacho decisório tratados como "acusação", o que implica aceitação da matéria não contestada que deixa de ser objeto de litígio. Em virtude da preclusão operada sobre tal matéria, deixo de analisar o argumento da Recorrente de que, na realidade, tais valores se referem a complemento de receita de exportação e que, por essa razão, devem ser incluídos no cálculo do crédito de PIS a ser ressarcido. (voto do relator no Acórdão n. 3403 003.600 fls. 254 e 255 do processo n. 13854.000161/200436) Assim, não se tem dúvida de que a empresa não possui os referidos créditos, referentes a complemento de preços, seja em relação aos meses de fevereiro e março de 2004 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000255/200413 Acórdão n.º 3401003.079 S3C4T1 Fl. 536 11 (em matéria sequer discutida no processo no 13854.000161/200436, por ter operado preclusão), seja em relação ao mês de abril de 2004, no qual expressamente se entende indevido o crédito. Daí ter a DRJ afirmado que a exclusão desses valores no final do segundo trimestre, para o qual está sendo solicitado o ressarcimento, não implicou prejuízo algum para a contribuinte. Não estamos, no entanto, necessariamente, de acordo com tal afirmação da DRJ, nem matemática nem juridicamente. Matematicamente, não resulta comprovado que a exclusão no mês de junho das notas fiscais de complemento resulte no mesmo montante de crédito que seria cabível se a exclusão fosse feita ao final de cada trimestre (na periodicidade que a própria fiscalização decidiu adotar, em processos distintos), com as consequentes repercussões nos cálculos de rateio. Ademais, reiterese que não se logrou demonstrar matematicamente que os valores referentes a créditos decorrente de notas fiscais de complemento de preço de fevereiro, março e abril de 2004 foram efetivamente abatidos em junho de 2004. E, juridicamente, estáse aqui a analisar somente os créditos apurados no segundo trimestre de 2004. Apesar de a turma ter deixado claro neste processo que considera indevido o crédito apurado no segundo trimestre de 2004 em relação a complemento de preço (no caso, referente às notas fiscais que totalizam R$ 18.215,88, em abril de 2004), o processo não versa sobre créditos apurados no primeiro trimestre (matéria tratada no processo no 13854.000161/200436). E é no bojo de tal processo, referente ao primeiro trimestre, que deveria ter sido excluído o crédito decorrente das notas fiscais de complemento de preço emitidas em fevereiro e março de 2004. Tudo aponta, assim, para ter o fisco efetuado equivocadamente glosas em relação a créditos apurados no primeiro trimestre de 2004, no bojo do presente processo, que trata do segundo trimestre de 2004, especificamente em relação a créditos decorrentes de notas fiscais de complemento de preços emitidas em fevereiro (notas em valor total de R$ 1.941.077,75) e março de 2004 (notas em valor total de R$ 121.044,82). Tais glosas equivocadas, existindo de fato, devem ser afastadas na execução/liquidação do julgamento pela unidade local. Pelo exposto, restou ausente a primeira omissão apontada (referente às provas colacionadas), que, em verdade, tratavase de questionamento sobre tema colateral ou secundário ao julgamento do processo, e configurouse efetivamente a segunda omissão (relativa à análise da alegação de erro da fiscalização na glosa de créditos decorrentes de aquisições de insumos de pessoas físicas). Voto, assim, pela rejeição dos embargos em relação ao primeiro tópico, referente às provas colacionadas. No mérito, apreciando o ponto sobre o qual o colegiado foi omisso, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, para afastar as glosas existentes neste processo decorrentes de notas fiscais de complemento de preços emitidas em fevereiro e março de 2004. Rosaldo Trevisan Fl. 541DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 15375.005029/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/07/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 69. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91.
Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I, do CTN.
Encontra-se extinta pela Decadência parte das obrigações tributárias apuradas pela Fiscalização.
OBRIGAÇÕES ACESSORIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA.
O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária.
Nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido qualquer fato gerador de obrigação tributária principal, ou este, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida a obrigação principal decorrente, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária.
MULTA DE MORA. PENALIDADE PECUNIÁRIA DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ABSORÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A inflição de multa de mora decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal aviada em lançamento de ofício não impede a lavratura, em uma mesma ação fiscal, de Autos de Infração de Obrigação Acessória, quantos que sejam, desde que estes tenham por fundamento infrações tributárias de obrigações acessórias de natureza distinta, com Códigos de Fundamentação Legal diversos.
CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP anexa ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente em face da pessoa jurídica não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 69. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, para: i) reconhecer a decadência das obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/1999, em razão da decadência, nos termos do art. 173, I, do CTN; ii) que o valor da penalidade pecuniária a ser aplicada seja recalculado, tomando-se em consideração as disposições inscritas no art. 32-A, inciso I e §3º, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário por entenderem correto o critério de aplicação da multa estipulado na Portaria PGRF/RFB nº 14/2009.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 11/07/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 69. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. Encontra-se extinta pela Decadência parte das obrigações tributárias apuradas pela Fiscalização. OBRIGAÇÕES ACESSORIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido qualquer fato gerador de obrigação tributária principal, ou este, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida a obrigação principal decorrente, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. MULTA DE MORA. PENALIDADE PECUNIÁRIA DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ABSORÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A inflição de multa de mora decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal aviada em lançamento de ofício não impede a lavratura, em uma mesma ação fiscal, de Autos de Infração de Obrigação Acessória, quantos que sejam, desde que estes tenham por fundamento infrações tributárias de obrigações acessórias de natureza distinta, com Códigos de Fundamentação Legal diversos. CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A Relação de Co-Responsáveis - CORESP anexa ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente em face da pessoa jurídica não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 69. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, para: i) reconhecer a decadência das obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/1999, em razão da decadência, nos termos do art. 173, I, do CTN; ii) que o valor da penalidade pecuniária a ser aplicada seja recalculado, tomando-se em consideração as disposições inscritas no art. 32-A, inciso I e §3º, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário por entenderem correto o critério de aplicação da multa estipulado na Portaria PGRF/RFB nº 14/2009. André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
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CFL 69. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. Encontrase extinta pela Decadência parte das obrigações tributárias apuradas pela Fiscalização. OBRIGAÇÕES ACESSORIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido qualquer fato gerador de obrigação tributária principal, ou este, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida a obrigação principal decorrente, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 5. 00 50 29 /2 00 9- 43 Fl. 999DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 MULTA DE MORA. PENALIDADE PECUNIÁRIA DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ABSORÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A inflição de multa de mora decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal aviada em lançamento de ofício não impede a lavratura, em uma mesma ação fiscal, de Autos de Infração de Obrigação Acessória, quantos que sejam, desde que estes tenham por fundamento infrações tributárias de obrigações acessórias de natureza distinta, com Códigos de Fundamentação Legal diversos. CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A “Relação de CoResponsáveis CORESP” anexa ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente em face da pessoa jurídica não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 69. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para: i) reconhecer a decadência das obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/1999, em razão da decadência, nos termos do art. 173, I, do CTN; ii) que o valor da penalidade pecuniária a ser aplicada seja recalculado, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, inciso I e §3º, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário por entenderem correto o critério de aplicação da multa estipulado na Portaria PGRF/RFB nº 14/2009. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator ad hoc. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 999 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Relatório Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2005 Data da lavratura do Auto de Infração: 11/07/2005. Data da Ciência do Auto de Infração: 11/07/2005. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 35.758.3841, Código de Fundamentação Legal nº 69, lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social, em virtude do preenchimento e entrega de GFIP com informações inexatas, incompletas e omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, no período de 01/1999 a 04/2005, conforme descrito no Relatório Fiscal do Auto de Infração, a fls. 28/62. CFL 69 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. A multa aplicada é a prevista no art. 32, IV e §6º, da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 284, III, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, sendo de 5% do valor mínimo por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos na tabela do §4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, em função do número de segurados. O valor mínimo a partir de 01/05/2005 é de R$ 1.101,75 , conforme art. 8° da Portaria MPS nº 822, de 11/05/2005, com vigência a partir de 01/ 5/2005. O número de segurados da empresa está situado na faixa de 101 a 500 segurados no período de 01/1999 a 04/2005, sendo a multa limitada a 10 vezes o valor mínimo, por competência, não tendo ultrapassado este valor em nenhuma competência, de acordo com o Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fls. 64/70. Relata a Autoridade Lançadora que a empresa foi autuada por ter apresentado GFIP com erro nos campos: salário família, nas competências 02/1999, 08/1999 a 05/2000, 07/2000 a 05/2001, 07/2001, 02/2002, 01/2003, 04/2003 e 05/2003; alíquota RAT, de 01/1999 a 05/2003; código pagamento da Guia da Previdência Social GPS, de 01/1999 a O2/2000, 11/2003, 12/2003 e 03/2005; Código de outras entidades, de 01/1999 a 04/2004, 06/2004 e 03/2005; Código FPAS, de 01/1999 a 02/2002, 11/2003 e 12/2003; e Código de categoria, de 01/1999 a O3/1999, 05/1999 a 05/2001, 07/2001 a 02/2002, 01/2003 a 05/2003, como consta do relatório fiscal e anexo, a fls. 28/62. Inconformado com a autuação, o Sujeito Passivo apresentou impugnação administrativa a fls. 74/149. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1000 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada na DecisãoNotificação nº 11.401.4/0261/2005, a fls. 283/293, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 16/11/2005, conforme Aviso de Recebimento a fl. 297. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 299/377, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Impossibilidade de se desmembrar o julgamento do auto de infração referente à obrigação principal do julgamento do presente auto de infração; · Obrigatoriedade da lavratura de apenas um auto para cada tipo de infração; · Inaplicabilidade da multa em decorrência do recolhimento do tributo. Aduz que a multa pelo não recolhimento absorve a multa pelo descumprimento de obrigação tributária acessória; · Inexistência de contribuições devidas ou declaradas – inocorrência de infração; · Os Autos de Infração 35.758.3825 e 35.758.3841 foram lavrados com base no mesmo artigo 32, IV, da Lei 8.212/91; · Ilegalidade do mínimo adotado como mínimo da multa. Aduz que o valor mínimo deveria ter sido fixado por Lei ou por Decreto; · Limitação por competência do valor da multa; · Decadência; · Que é indevida a extensão de responsabilidade tributária aos sócios da empresa; Considerando que a obrigação principal correspondente aos mesmíssimos fatos geradores tratados neste Auto de Infração foi objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.758.3833, lavrada na mesma ação fiscal, e que o Sujeito Passivo, ora recorrente, ofereceu impugnação à NFLD acima referida, como medida de reconhecida prudência, almejando esquivarmos de decisões contraditórias, o julgamento do feito houvese por convertido em diligência fiscal, até que se consumasse o Trânsito em Julgado da decisão administrativa relativa à NFLD n° 35.758.3833, conforme Resolução nº 2302000.233 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 20 de junho de 2013, a fls. 442/445. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Despacho SACAT/DRF/DIV, a fls. 449/481, aviando revisão de ofício da NFLD nº 35.758.3833, tendo em vista o teor da Súmula Vinculante nº 8 do STF. O Sujeito Passivo houvese por cientificado do resultado da Diligência Fiscal acima referida em 14/03/2014, conforme documento a fl. 488, não se manifestando nos autos do processo. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1001 7 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator ad hoc. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 16/11/2005. Havendo sido o recurso recebido pelo órgão fazendário em 14/12/2005, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O Recorrente alega decadência da obrigação principal. O Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. A decadência tributária conceituase como a perda do poder potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante o lançamento, em razão do exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º, do CTN. De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido no parágrafo anterior, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, comunga a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1002 9 Excelsior, curvome ao entendimento majoritário deste Sodalício, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Consoante o entendimento prevalecente neste Colegiado, em sua escalação titular, sujeitamse sempre ao regime referido no art. 173 do CTN os lançamentos tributários de penalidade pecuniária decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, eis que o crédito tributário dele consequente é sempre oriundo de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no §4º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nessas hipóteses, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tem condições a Administração Tributária de apurar a ocorrência de eventual infração a dispositivos da Lei Previdenciária de Custeio e, em consequência, proceder à lavratura do competente Auto de Infração de Obrigação Acessória. Cumpre ressaltar que a eventual extinção da obrigação tributária principal, por qualquer de suas modalidades, seja mediante pagamento, seja em razão de homologação tácita do crédito tributário, não irradia efeitos sobre as obrigações tributárias acessórias, as quais ainda subsistem de observância obrigatória pelo Sujeito Passivo até que sobrevenha a decadência. Anotese que o regime do lançamento por homologação, conforme expressamente consignado no caput do art. 150 do CTN, somente ocorre quanto aos tributos (obrigação tributária principal) cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, jamais quanto às penalidades Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 pecuniárias decorrentes do descumprimento de obrigação tributária acessória, estas, sempre formalizadas mediante lançamento de ofício. Nessa perspectiva, diante do tratamento diferenciado relativo ao lançamento de obrigação principal, há que se reconhecer a existência de discrimen na apreciação da decadência em relação a cada espécie de lançamento. Assim, uma coisa é a extinção do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante Auto de Infração de Obrigação Principal, em razão de os correspondentes fatos geradores terem ocorrido em período já alcançado pela decadência. Outra coisa distinta é a extinção do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante Auto de Infração de Obrigação Acessória decorrente do descumprimento objetivo de obrigação acessória. Nessa perspectiva, a análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício mediante a lavratura do competente auto de Infração sempre que a fiscalização constatar o descumprimento de obrigação tributária acessória. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (grifos nossos) Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, sendo de 01/01/1999 a 30/04/2005 o período de apuração do crédito tributário e tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento aviado no Auto de Infração em debate em 11/07/2005, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/1999, inclusive, nos termos do Inciso I do art. 173 do CTN, restando fulminadas pela decadência todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro a novembro de1999, inclusive esta. Há que se reconhecer que, à luz da Súmula Vinculante nº 8 do STF, na data da lavratura do presente lançamento, já se encontravam caducas todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/1999, nos termos do art. 173, I, do CTN, circunstância que se configura óbice intransponível ao Fisco para o exercício do seu direito de constituir o crédito tributário em relação a essas competências, dada a sua extinção legal, nos termos do art. 156, V, in fine, do Código Tributário Nacional, consoante entendimento do STJ aviado na sistemática dos recursos repetitivos. Código Tributário Nacional CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1003 11 (...) Dessarte, o crédito tributário relativo às competências atingidas pela decadência encontrase extinto, e não nulo, sendo por aquele motivo, e não por este, excluído do presente lançamento. 2.2. DO JULGAMENTO DO FEITO O Recorrente alega impossibilidade de se desmembrar o julgamento do auto de infração referente à obrigação principal do julgamento do presente auto de infração. Sem razão. Consoante o art. 9º do Dec. nº 70.235/72, a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada devem ser formalizados mediante notificações de lançamento ou autos de infração distintos para cada tributo ou penalidade. Nada obstante, tais autos de infração e notificações de lançamento, quando formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, PODEM ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, a teor do §1º do mesmo dispositivo legal suso citado. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. §1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) §2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) §5o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em decorrência de Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 fiscalização relacionada a regime especial unificado de arrecadação de tributos, poderão conter lançamento único para todos os tributos por eles abrangidos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica às contribuições de que trata o art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Deflui da exegese do preceito legal supra mencionado que a formalização da exigência de crédito tributário e a aplicação de penalidade pecuniária em um único Processo Administrativo Fiscal, lançados em desfavor de um mesmo sujeito passivo, em situações em que a comprovação dos ilícitos dependa dos mesmos elementos de prova, constituise numa faculdade da Administração Tributária, não numa obrigação legal, sujeita, portanto, à discricionariedade da Autoridade Lançadora. Dessarte, nas situações em que houver o lançamento conjunto, mediante um mesmo Processo Administrativo Fiscal, de exigência de crédito tributário e de aplicação de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de Obrigação Acessória, inexiste qualquer óbice legal para que se promova o desmembramento de tais lançamentos em PAF distintos, sempre que tal operação convergir aos interesses de conveniência e oportunidade do Fisco Federal. No caso em apreciação, existe flagrante relação de prejudicialidade entre o vertente Auto de Infração de Obrigação Acessória com a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.758.3833, lavrada na mesma ação fiscal, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10665.000194/201063. Por tal razão, como medida de reconhecida prudência, e almejando evitar a prolação de decisões conflitantes, houvese o julgamento do presente feito convertido em diligência fiscal, nos termos da Resolução nº 2302000.233 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 20 de junho de 2013, a fls. 442/445, sobrestando o julgamento do presente feito até que se consumasse o Trânsito em Julgado da decisão administrativa relativa à NFLD n° 35.758.383 3. Fruto de tal incidente processual, reporta a Autoridade Fazendária que o lançamento formalizado mediante a NFLD nº 35.758.3833 houvese por julgado parcialmente procedente, sendo apropriadas ao levantamento FPG, Guias de Recolhimento da Previdência Social GRPS, FPAS 531, não consideradas inicialmente, referentes às competências de janeiro a junho/1999, as quais, por se referirem a período já decadente, nos termos do item 2.1. supra, não irão irradiar efeitos sobre o veredicto a ser proferido no presente julgado. A decisão proferida na NFLD nº 35.758.3833 também procedeu à retificação da apropriação da Guia da Previdência Social – GPS, CNPJ. 16.505.554/000261, Valor INSS = 1.349,71 ; Outras Entidades = 71,50; juros = 71,06; total = 1.492,27, inicialmente apropriada no levantamento “FPG – Folha de Pagamento”, como cod. 2100 e Competência 02/2000, passando então a ser apropriada no Levantamento “PRG – Produção Rural”, cod. 2607 e competência 01/2000. A decisão proferida na NFLD nº 35.758.3833 manteve inalterados os demais lançamentos. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1004 13 O Crédito Tributário constituído mediante a NFLD acima citada encontrase em fase de cobrança judicial via Execução Fiscal junto ao Juízo de Direito da Comarca de Abaeté MG, nos autos do Processo Judicial nº 0002 06 0115702, cuja distribuição Ocorreu em 18/ 12/2006. Posteriormente, Despacho SACAT/DRF/DIV, a fls. 449/483, aviou revisão de ofício da NFLD nº 35.758.3833, tão somente para que se fizesse incidir os efeitos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, sendo, por tal motivo, excluídos da Dívida Ativa da União os créditos decorrentes dos fatos geradores ocorridos em competências atingidas pela decadência. Nesse contexto, havendo sido os fatos jurídicos a que se refere a NFLD nº 35.758.3833 considerados, pelo Órgão Julgador Administrativo, em decisão definitiva, como fatos geradores de contribuições previdenciárias, estes deveriam ter sido, necessariamente, por força de lei, declarados nas GFIP correspondentes, Porém não o foram. Nada obstante, o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória houve se por lavrado em razão de a empresa Auditada ter procedido à entrega de GFIP com erros de preenchimentos nos campos: salário família, alíquota RAT, código pagamento da Guia da Previdência Social GPS, Código de outras entidades, Código FPAS, e Código de categoria, incorreções essas que, conforme demonstrado, não guardam relação com o veredicto referente à NFLD nº 35.758.3833 aviado no PAF nº 10665.000194/201063. Citese, aliás, que a Auditada, em seus instrumentos de bloqueio, não ofereceu qualquer contestação específica referente à incursão em tais erros de preenchimento de GFIP, optando por limitar seu inconformismo em alegações centradas à distância galáctica do núcleo sensível do qual se irradiou a motivação do vertente lançamento. A conduta omissiva perpetrada pelo sujeito passivo representou ofensa ao dispositivo legal encartado no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 225, IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Daí a procedência do vertente Auto de Infração de Obrigação Acessória. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Em razão do reconhecimento da decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/1999, inclusive, as alegações recursais referentes a fatos jurígenos Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 tributários ocorridos nessas competências não serão igualmente debatidas, em virtude da perda do objeto. Dessarte, o exame a ser empreendido por este Colegiado limitarseá às contestações referentes aos fatos geradores ocorridos a contar da competência dezembro/1999, inclusive. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA O Recorrente alega ser inaplicável a presente multa em decorrência do recolhimento do tributo. Aduz que a multa pelo não recolhimento absorve a multa pelo descumprimento de obrigação tributária acessória. Sem razão. A Constituição Federal de 1988 fixou a competência da lei complementar para o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento e crédito tributários, a teor do art. 146, III, ‘b’ da CF/88, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Atendendo ao comando constitucional, estatuindo normas gerais sobre obrigações tributárias, o 113 do Código Tributário Nacional CTN estabeleceu o discrimen entre obrigações tributárias principal e acessórias, assim conformando seus traços definidores: Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1005 15 §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Realçadas as normas legais supracitadas, cumpre chamar atenção, na sequência lógica da demonstração de raciocínio, ao fato de as naturezas jurídicas das obrigações em destaque serem absolutamente distintas e inconfundíveis. A primeira, consistindo numa obrigação de dar. A segunda, aperfeiçoada numa obrigação de fazer, não fazer ou permitir, sempre estipulada no interesse da arrecadação ou da fiscalização tributária. Aquela, sendo criada necessariamente por lei formal. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrentes diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, requerendo para sua instituição mera previsão na legislação tributária, nos moldes engendrados no art. 96 do CTN. Nessa perspectiva, não carece de elevada mestria a interpretação do texto inscrito no art. 113 do CTN, o qual aponta para a total independência e autonomia entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Nesse contexto, são cabíveis de serem estatuídas obrigações acessórias as quais não se encontram vinculadas a nenhuma obrigação principal. Exemplo emblemático do que findou de ser dito é o caso das obrigações acessórias previstas no art. 68 da Lei nº 8.212/91, que impõe ao Titular do Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais a obrigação acessória de comunicar ao INSS, até o dia 10 de cada mês, o registro dos óbitos ocorridos no mês imediatamente anterior, devendo da relação constar a filiação, a data e o local de nascimento da pessoa falecida, sob pena de sujeição à penalidade prevista no art. 92 do mesmo Diploma Legal. Corrobora o entendimento acima esposado as disposições insculpidas no §3º do art. 113 do citado codex, o qual reza que, o simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária, de onde se conclui que a aplicação de Auto de Infração tem natureza objetiva. Tal compreensão caminha em perfeita sintonia com as disposições expressas no art. 136 do reverenciado código tributário, o qual declara que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, revelando assim, através de uma outra lente, o caráter objetivo e independente da imputação em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 16 independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido qualquer fato gerador de obrigação tributária principal, ou este, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida a obrigação principal decorrente, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. Assim, a inobservância do cumprimento da obrigação principal até a data do seu vencimento sujeita o sujeito passivo ao pagamento de penalidade pecuniária pela demora no pagamento, batizada na Lei de Custeio da Seguridade Social, em sua redação de berço, de “multa de mora”, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei, a teor do art. 161 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifos nossos) Não procede, portanto, a alegação de que a multa pelo não recolhimento de tributo absorve a multa pelo descumprimento de obrigação tributária acessória. A ressalva acima destacada no texto do art. 161 do CTN (“sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”) demonstra a existência de rachaduras comprometedoras no alicerce da tese advogada pelo Recorrente, que fazem colapsar os argumentos nesse sentido por ele aviados em seu instrumento de Recurso Voluntário. Deflui das regras matrizes acima desfraldadas que a incidência de multa moratória em lançamento de ofício e a penalidade pecuniária stricto sensu incidem não sobre os mesmos fatos jurídicos, mas, sim, em razão do descumprimento de obrigação tributária principal ou acessória, respectivamente, independentemente dos fatos jurídicos de per se considerados, que podem, até, dar ensejo a uma e a outra, simultaneamente. No caso presente, a obrigação tributária principal decorrente dos fatos geradores de contribuições previdenciárias objeto do vertente Auto de Infração de Obrigação Acessória foram lançadas mediante a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.758.3833, lavrada na mesma ação fiscal, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10665.000194/201063, a qual foi julgada parcialmente procedente, nos termos já consignados no item 2.2. supra, sendo certo que todos os fatos jurígenos apurados pela Fiscalização foram definitivamente julgados, na Instância Administrativa, como Fatos Geradores de Contribuição Previdenciária. Merece ser destacado que o Despacho SACAT/DRF/DIV, a fls. 449/483, apenas efetivou revisão de ofício da NFLD nº 35.758.3833, para aplicar, somente e tão somente, os efeitos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, inexistente à data da publicação do referido Acórdão. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1006 17 Não procede, portanto, a alegação de inexistência de contribuições devidas ou declaradas. Nesse contexto, havendo sido os fatos jurídicos a que se refere a NFLD nº 35.758.3833 considerados, pelo Órgão Julgador Administrativo, em decisão definitiva, como fatos geradores de contribuições previdenciárias, estes deveriam ter sido, necessariamente, por força de lei, declarados nas GFIP correspondentes, e não o foram. Aditese que a vertente autuação decorre do fato de a empresa ora recorrente ter apresentado GFIP com erro nos campos: “salário família”, nas competências 02/1999, 08/1999 a 05/2000, 07/2000 a 05/2001, 07/2001, 02/2002, 01/2003, 04/2003 e 05/2003; “alíquota RAT”, de 01/1999 a 05/2003; “código pagamento da Guia da Previdência Social – GPS”, de 01/1999 a O2/2000, 11/2003, 12/2003 e 03/2005; “Código de outras entidades”, de 01/1999 a 04/2004, 06/2004 e 03/2005; “Código FPAS”, de 01/1999 a 02/2002, 11/2003 e 12/2003; e “Código de categoria”, de 01/1999 a O3/1999, 05/1999 a 05/2001, 07/2001 a 02/2002, 01/2003 a 05/2003, fatos esses não contestados pelo Recorrente, ajustandose taylor made à conduta típica insculpida no §6º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. No caso em consideração, pelo descumprimento de obrigação principal, houvese por lançada em desfavor do Recorrente a penalidade pecuniária pelo não recolhimento de tributos, mediante lançamento de ofício, nos termos assentados no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99. Simultaneamente, pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no Inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, o Recorrente foi autuado com as penalidades pecuniárias previstas nos parágrafos 5º e 6º do art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social, respectivamente pela apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias (Auto de Infração nº 35.758.3625 CFL 68) e pela apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias (Auto de Infração nº 35.758.3841 CFL 69). Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 18 art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528/97) 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97) §6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no §4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97) §7º A multa de que trata o §4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). §8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). §9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no §4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). §10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). §11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528/97). Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Dessarte, o fato de a empresa ter sido acoimada, numa mesma ação fiscal, com multa de mora pelo descumprimento de obrigação tributária principal não impede que ela seja igualmente castigada, nos termos da lei, pelo descumprimento de uma ou mais obrigações tributárias acessórias, sem que tal multiplicidade de autuações represente bis in idem. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1007 19 Deuse, portanto, a lavratura de apenas um auto de infração para cada tipo de infração cometida pelo Recorrente, a saber: a) A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias sujeitou o Recorrente à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo quarto do art. 32 da Lei nº 8.212/91, conforme estatuído no §5º deste mesmo Dispositivo Legal, apurado mediante o Auto de Infração nº 35.758.3625 CFL 68. b) A apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias sujeitou o Recorrente à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92 da Lei de Custeio da Seguridade Social, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no parágrafo quarto do art. 32 da Lei nº 8.212/91, conforme estatuído no §5º deste mesmo Dispositivo Legal, apurado mediante o Auto de Infração nº 35.758.3841 CFL 69. Não procede a alegação de “Limitação por competência do valor da multa”. A limitação estatuída na lei é por cada multa, em cada competência. Dessarte, ao ser aplicada a multa prevista no §5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, o valor desta penalidade será limitada, em cada competência, aos valores previstos no §4º do mesmo dispositivo legal. Da mesma forma, ao ser aplicada a multa prevista no §6º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, o valor desta penalidade será limitada, também, em cada competência, aos valores previstos no §4º do aludido dispositivo legal. Sendo a inflição da penalidade prevista no §5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91 totalmente distinta, independente e autônoma em relação àquela prevista no §6º do citado artigo de lei, os limites de que tratam os §§ 5º e 6º acima mencionados incidem indistintamente no cálculo de cada uma das multas, eis que previstos taxativamente na memória de cálculo de cada infração estabelecida na lei. A conduta omissiva assim perpetrada pelo sujeito passivo representou ofensa ao dispositivo legal encartado no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 225, IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada, o §5º do art. 32 do Pergaminho Legal em foco, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, aviou norma sancionatória, prevendo a punição do obrigado, em caso de entrega de GFIP contendo incorreções ou omissões relacionadas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, mediante a inflição de pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do mesmo dispositivo legal. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 20 No mesmo sentido, assim dispõem os artigos 225, IV e 284, II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social. Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IVinformar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Assentada que a obrigação de prestar informações mediante GFIP se renova mensalmente, dessumese de forma hialina que cada apresentação de GFIP com omissões/incorreções representa uma infração independente, a qual sofrerá a punição prevista na lei de forma isolada das demais. Assim, ainda que a sanção a todas as infrações representativas de cada uma das competências apuradas pela fiscalização seja lançada mediante um único Auto de Infração, o valor da multa a ser estipulada para cada infração (competência) tem que ser calculada mediante a aplicação, na íntegra, da memória de cálculo estabelecida no §5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, e , ao fim, devidamente somadas. É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente capaz de manter sua Moeda Corrente a salvo da corrosão imposta pela inflação. Ante a iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1008 21 legal com um mecanismo arquitetado adrede, visando a minimizar os efeitos devastadores de tal ocorrência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713/2001). §1º O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Revelase auspicioso salientar que o CTN não inclui em sua reserva legal a atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais não se qualificam, por expressa disposição legal, como majoração de tributos, a teor do §2º do art. 97 do CTN. Nessa perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito por qualquer outro instrumento normativo aquilatado no conceito de legislação tributária estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. §1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. §2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. (grifos nossos) Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 22 IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. O valor mínimo da multa em exame encontrase, de fato, fixado no art. 92 da Lei nº 8.212/91, atendendo o apelo do Recorrente, o qual será reajustado nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social, conforme assim estabelecido no art. 102, caput, do mesmo Diploma Legal. Na hipótese ora tratada, os índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: (...) II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; Nesse contexto, em 12 de maio de 2005 foi publicada no Diário Oficial da União a Portaria MPS nº 822/2005, que atualizou o valor mínimo da penalidade pecuniária prevista no art. 92 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 283, I, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, equivalente a R$ 1.101,75 (um mil cento e um reais e setenta e cinco centavos), conforme informado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fl. 28. PORTARIA MPS nº 822, de 11 de maio de 2005 Art. 8º A partir de 1º de maio de 2005: (...) V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.101,75 (um mil cento e um reais e setenta e cinco centavos) a R$ 110.174,67 (cento e dez mil cento e setenta e quatro reais e sessenta e sete centavos); Como resultado, subsiste inabalada a obrigação tributária objeto do Auto de Infração em apreço. 3.2. DOS CORRESPONSÁVEIS Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1009 23 O Recorrente alega ser indevida a extensão de responsabilidade tributária aos sócios da empresa. Sem razão. Cumpre, de plano, esclarecer que a responsabilidade pelas obrigações decorrentes da vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito é da empresa, e não dos seus representantes legais arrolados no relatório intitulado "RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS", não integrando estes o polo passivo da autuação. O anexo "Relação de Coresponsáveis" possui apenas caráter informativo, prestandose como mero subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional, caso haja a necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, após a preclusão do contencioso administrativo, nas estritas hipóteses em que vingue configurada a responsabilidade pessoal de terceiros pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos estatuídos no inciso III do art. 135 do CTN. Tal entendimento encontrase consolidado no Verbete da Súmula CARF nº 88, conforme se vos segue: Súmula CARF nº 88: A “Relação de CoResponsáveis – CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Nesse sentido, o art. 2º da Portaria PGFN nº 180, de 25 de fevereiro de 2010, dispõe que, a inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações elencadas a seguir: I excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica. Na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, os sóciosgerentes e os terceiros não sócios, com poderes de gerência à época da dissolução, bem como do fato gerador, deverão ser considerados responsáveis solidários. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 24 De acordo com a citada Portaria, para fins de responsabilização com base no inciso III do art. 135 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional entendese como responsável solidário o sócio, pessoa física ou jurídica, ou o terceiro não sócio, que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária objeto de cobrança judicial. Cumpre ressaltar, por relevante, que a atividade fiscal tem caráter plenamente vinculado, característica que impinge ao Auditor Fiscal a atenção aos procedimentos de fiscalização fixados na legislação tributária. Nesse sentido, a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14/07/2005, vigente por ocasião da lavratura da NFLD em tela, assim dispõe: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação"; Avulta, portanto, que a atuação do auditor fiscal notificante, no que tange à constituição da Relação de corresponsáveis, não se encontra impregnada de qualquer discricionariedade nem, tampouco, ilegalidade. Ela decorre, pura e simplesmente, da natureza vinculada do seu atuar de oficio. 3.3. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Urge, inicialmente, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1010 25 Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 26 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1011 27 II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma legal que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessórias, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Cada macaco no seu galho. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35 A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 28 I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1012 29 dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 30 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. 4. CONCLUSÃO: Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1013 31 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do presente lançamento todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/1999, inclusive, em razão da decadência, nos termos do art. 173, I, do CTN. Outrossim, o valor da penalidade pecuniária a ser aplicada deve ser recalculado, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, inciso I e §3º, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator ad hoc. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001138/2009-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1101-000.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente
JOSÉ RICARDO DA SILVA - Relator.
JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora ad hoc designada para formalização de acórdão.
Participaram desse julgamento os Conselheiros:Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Benedicto Celso Benício Júnior e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes..
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator. JOSELAINE BOEIRA ZATORRE – Relatora ‘ad hoc’ designada para formalização de acórdão. Participaram desse julgamento os Conselheiros:Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (VicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Benedicto Celso Benício Júnior e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes.. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 13 8/ 20 09 -0 9 Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.001138/200909 Resolução nº 1101000.076 S1C1T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foram apuradas receitas decorrentes da venda de produtos de fabricação própria, auferidas no ano de 2005 e não declaradas à SRF, assim como, depósitos bancários de origem não comprovada. Consta do Relatório da DRJ o seguinte: Tendo em vista que o contribuinte não atendeu as intimações para apresentar o comprovante de entrega da DIPJ do exercício de 2006, anocalendário 2005 e os livros contábeis e fiscais, o IRPJ foi apurado com base no lucro arbitrado, a partir dos valores registrados no Livro Registro de Saídas de Mercadorias do estabelecimento 04.872.265/000998, subtraído das devoluções de vendas registradas no Livro Registro de Entradas de Mercadorias, somado aos valores de depósitos de origem não identificada creditados em conta corrente, resultando na 111 lavratura do auto de infração de fls. 555/565. Para os fatos geradores referentes às receitas de fabricação própria omitidas, os créditos tributários foram lançados com aplicação de multa qualificada (150%), e para os fatos geradores relativos aos depósitos bancários, os créditos tributários foram lançados com a aplicação de multa de ofício de 75%, ambas agravadas em 50%, tendo em vista que a interessada não atendeu às intimações fiscais no decorrer da fiscalização. Foram exigidos os valores de R$ 6.122.043,06 de imposto, R$ 2.922.858,11 de juros de mora calculados até 31/03/2009; e R$ 8.367.994,62 de multa proporcional, perfazendo um crédito tributário total de R$ 17.412.895,79 Enquadramento legal: Lei n° 9.430, de 1996 arts. 27, I, e 42; Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR199), retificado em 17/06/1999, arts. 532 e 537. O demonstrativo e a base legal da penalidade aplicada e dos encargos moratórios encontramse às fls. 559/560. Como a infração apurada apresenta reflexos nos valores devidos às contribuições sociais, foram lavrados autos de infração referentes ao Programa de Integração Social — PIS (fls. 566/576), com crédito tributário de R$ 4.765.313,55; à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins (fls. 577/587), com crédito tributário de R$ 21.993.756,89; e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 588/596), com crédito tributário de R$ 7.873.459,86. O Termo de Verificação Fiscal n° 02, fls. 545 a 554, nos dá conta de toda a ação fiscal desenvolvida. O autuante destaca que procedeu a análise dos extratos bancários da contascorrentes de titularidade da empresa — excluindo os créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria contribuinte e referentes a resgates de aplicações financeiras, devoluções de cheques depositados, etc. — intimando o fiscalizado a comprovar a origem desses depósitos, deixando ele de fazêlo, autorizando a presunção de omissão de receitas, de acordo com o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.001138/200909 Resolução nº 1101000.076 S1C1T1 Fl. 4 3 Enfatiza as reiteradas intimações para que fossem apresentados pelo fiscalizado os livros obrigatórios pela legislação comercial e fiscal e os documentos que serviram de suporte para escrituração, entretanto ele nada justificou ou apresentou para atender a exigência. Entendendo que o procedimento do contribuinte de omitir receitas de vendas, de movimentar valores à margem da escrituração, não apresentar DCTF e D1PJ, e não apresentar os livros obrigatórios e documentos de escrituração correspondentes, enquadrase na descrição feita no art. 1° da Lei n° 8.137, de 1990, o autuante aplicou a multa qualificada de 150% sobre as receitas declaradas nas GIA's e não declaradas à RFB, além de formalizar processo administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Regularmente intimado em 06/05/2009 o interessado apresentou em 05/06/2009, a impugnação de fls. 602 a 607. • Na impugnação apresentada, instruída apenas com documentos que embasam a representação e com cópias do termo de verificação n° 02, e dos autos de infração, alega em síntese, que " o arbitramento é indevido, pois a presente autuação decorre e é continuidade do MPF 081900.2006.012069, do qual resultou a autuação fiscal por arbitramento nos autos do Processo n° 19515.0003969/200745, e naquela oportunidade durante toda a ação fiscal provou com documentos oficiais expedidos pela Justiça Federal que sua documentação fiscal e mercantil, incluindo arquivos magnéticos, livros Diário e todos os livros fiscais foram apreendidos pela Polícia Federal, o que impossibilitou, pelos efeitos da força maior, a apresentação dos documentos solicitados." Assevera que bastaria à Receita Federal requisitar a documentação à Polícia Federal, com o que estaria suprida a obrigação imposta ao contribuinte, impedido de cumprila pelos efeitos da força maior. Acrescenta que não se trata de descumprimento das intimações, mas, por ato de força maior, naquelas datas encontravase impossibilitada de atender às intimações referidas, não havendo por isso, razão plausível para o não atendimento, caso estivesse na guarda daqueles indigitados documentos. Cita a Lei n° 3.470/58, art. 19, § 2°, e a MP 2.15835/2001, art. 71, que trata da matéria, e reproduz ementa de um acórdão cuja • origem não identifica. Combate, também, a exigência sobre os valores constantes dos depósitos/ bancários considerados de origem não comprovada. Alega que o próprio Relatório Fiscal faz incontroverso que os valores que transitaram pela contacorrente bancária, são precisamente aqueles que formaram ou que compuseram a receita bruta conhecida da pessoa jurídica, já tributada na modalidade do arbitramento. Aduz que na condição de exportadora, parcela significativa de sua receita, para efeito de PIS, Cofins e CSLL, estão protegidas pela imunidade prescrita no inciso I, do § 2° do art. 149, da Constituição Federal. Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.001138/200909 Resolução nº 1101000.076 S1C1T1 Fl. 5 4 Insurgese contra a multa qualificada, que só se justifica diante de situação reguladora das hipóteses prescritas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/64. Para reforçar sua argumentação, reproduz ementas do Conselho de Contribuintes que trata de multa sobre depósitos bancários. A Delegacia de Julgamento de São Paulo acabou por julgar improcedente a impugnação do contribuinte, sob os seguintes argumentos: Alega o impugnante que " o arbitramento é indevido, pois a presente autuação decorre e é continuidade do MPF 081900.2006.012069, do qual resultou a autuação fiscal por arbitramento nos autos do Processo n° 19515.003969/200745, e já naquela oportunidade durante toda a ação fiscal provou com documentos oficiais expedidos pela Justiça Federal que sua documentação fiscal e mercantil, bem como todos os arquivos 4111 magnéticos existentes em seus computadores, incluindo se o Livro Diário e Razão e todos os livros fiscais foram indiscriminadamente apreendidos, o que impossibilitou, pelos efeitos da força maior, a apresentação dos documentos solicitados." Ora, tal alegação revelase falaciosa. De acordo com o Acórdão n° 17.448,de 12 de junho de 2008, da lavra da 1' Turma de Julgamento desta DRJ, nos autos do Processo n° 19515.003969/200745, citado pelo contribuinte em sua defesa, extrai se o seguinte excerto: Acórdão n° 17.448, Processo n° 19515.003969/200745 "Como se lê acima no relatório, a impugnante afirma que o arbitramento é indevido, pois não apresentou seus livros e documentos fiscais e comerciais, inclusive o Livro Diário, apenas porque estes foram apreendidos por ordem da Justiça Federal, mas os Termos de Apreensão apenas foram lavrados posteriormente. 7. Apesar da afirmação da contribuinte de que existem Termos da apreensão de documentos e de todos os seus livros fiscais e comerciais, como também já foi escrito acima no relatório, a impugnação veio acompanhada apenas de documentos que embasam a representação (fls. 233 a 243) e de uma relação de DCTFs entregues (ti. 232). 8. Compulsandose os autos, de fato encontramse cópias do Mandado de Busca e Apreensão n° 418/2004SCO3, subscrito pelo juiz federal substituto da 3° Vara de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, em 26 de novembro de 2004 ffl. 99), Termo Circunstanciado e Auto de Apreensão, referentes à apreensão de materiais ocorrida em 01 de dezembro de 2004 em endereço localizado no município de Hidrolândia, Goiás, ambos subscritos por Delegado da Polícia Federal, por testemunhas e por representante legal da contribuinte (fls. 100 a 104). Outras cópias destes documentos se encontram de fls. 115 a 120.Além destes documentos de apreensão, também se encontram no presente processo: cópia do Mandado de Busca e Apreensão n° 419/2004SCO3 e do anexo Auto de Apreensão Equipe 04 e 05 (fls. 121 a 124), Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.001138/200909 Resolução nº 1101000.076 S1C1T1 Fl. 6 5 cópia do Mandado de Busca e Apreensão n° 420/2004SCO3 e do anexo Auto de Apreensão Mandado de Busca n° 420/2004 — 3' VF/MS (fls. 125 a 130) e cópia do Mandado de Busca e Apreensão n° 428/2004SCO3 e dos anexos Auto de Arrecadação e Auto de Apreensão «is. 131 a 137). 9. Contudo, nenhum dos mencionados documentos de apreensão, bem como o Auto de Entrega de fls. 138 a 140, afirma que foram apreendidos os Livros Diário ou Razão da fiscalizada. (destaque não é do original). Como se vê da transcrição acima, o impugnante repete agora as mesmas alegações apresentadas na impugnação anterior, ou seja, mais uma vez, insiste no fato de que não teve acesso aos livros contábeis e fiscais pois, os mesmos teriam sido apreendidos pela Polícia Federal em obediência à mandado judicial. Entretanto, conforme item 9 do acórdão supratranscrito não houve a apreensão, por parte da Policia Federal dos citados livros. A Lei n° 9.784 de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seu Capítulo III, ao tratar dos deveres dos administrados assim prescreve: Art. 4' São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: 1 expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. Da leitura dos autos verificase que, em nenhum momento, a impugnante demonstrou interesse em colaborar com a autoridade fiscal. Ora, a interessada foi reiteradamente intimada a apresentar os livros contábeis e fiscais, não o fazendo sob a alegação de que os mesmos encontravamse em poder da Polícia Federal, face à sua apreensão, em cumprimento a Mandado Judicial. Tal alegação, como acima demonstrado não se coaduna com a verdade dos fatos. Além disso, a fiscalização intimou por diversas vezes o interessado a/ comprovar a origem dos valores creditados em suas contas bancárias no ano de 2005, e apesar' de reiteradamente intimado o contribuinte não apresentou nenhum documento ou esclarecimento que comprovasse a origem dos valores questionados. O sujeito passivo teve duas oportunidades para apresentar a documentação e os livros. A primeira oportunidade foi durante a fiscalização. A segunda, com o prazo concedido para impugnação. Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.001138/200909 Resolução nº 1101000.076 S1C1T1 Fl. 7 6 Conforme deflui dos autos, as duas oportunidades foram desperdiçadas. Desse modo, face a inércia da impugnante, que intimada a apresentar documentação e escrituração, não se manifestou, está configurado fato determinante para a adoção do arbitramento da base de cálculo, com base na receita conhecida, por força do art. 530, III, do RIR/99, verbis: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n 2 8.981, de 1995, art. 47, e Lei ,i2 9.430, de 1996, art. 12): (..); III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Assim, o arbitramento foi obediente às determinações legais, nada havendo a ser reformado nesse aspecto. Alega, ainda, o impugnante que teria havido bitributação, em razão de os valores que compuseram ou formaram a receita bruta são precisamente aqueles que transitaram pela contacorrente. É conveniente frisar que, as infrações cometidas pelo requerente denotam que os depósitos bancários questionados pelo agente fiscal, configuramse como presunção legal, sendo admitido que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira em nome do impugnante, constituem receita omitida, se não houver prova em contrário alicerçada em documentação hábil e idônea. Desta forma, sendo o auto de infração a peça acusatória do processo administrativo, deve ele trazer, necessariamente, todos os elementos de prova a embasar a exigência fiscal, ou, então, fundamentarse em presunção legalmente autorizada, cabendo, neste caso, ao autuado, elidir a imputação por meio de prova hábil e idônea. (...) Portanto, vêse que a presunção permite que a prova do fato gerador ocorra de maneira indireta. Confirmada a situação autorizadora da presunção, considerase evidenciada a ocorrência do fato. Enfim, podese dizer que a fiscalização realmente procedeu a construção probatória do fato que pretendeu imputar à contribuinte, qual seja, a omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada. Como é cediço as presunções legais relativas provocam a chamada "inversão do ônus da prova", cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito, este é o entendimento expresso pelo Código de Processo Civil, art. 333, II. Fl. 1898DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.001138/200909 Resolução nº 1101000.076 S1C1T1 Fl. 8 7 No caso dos autos, o interessado não apresentou qualquer registro contábil, com a documentação correspondente, de que os valores depositados em suas contas correntes bancárias eram oriundas de suas operações mercantis/comerciais. Sequer apresentou as notas fiscais de vendas para comprovar que os créditos registrados nas contas bancárias, seriam de vendas anteriores. Ou seja, não apresentou à fiscalização quaisquer documentos que/ embasassem o que afirma, nem os trouxe, agora, nesta fase de impugnação. Em verdade, o impugnante procurou justificar os depósitos bancários por meio de generalidades, deixando de observar que a comprovação da sua origem deve ser feita, individualizadamente, com a documentação hábil e o registro contábil correspondente, de forma a evidenciar que, embora transitando em sua conta corrente, tais valores pertenciam a operações mercantis/comerciais da empresa devidamente contabilizada e oferecida à tributação. Da mesma forma, as informações disponíveis nas GIA's do contribuinte não são suficientes para comprovar a origem dos depósitos bancários, individualizadamente identificados pela autoridade fiscal. Não basta, alegar que os depósitos existentes em suas contas bancárias são decorrentes de recebimentos de vendas anteriores; é necessário apresentar documentos que identifiquem as transações, para que haja um ponto de partida para a investigação fiscal. Cumpre destacar que o autuante elaborou planilha, que acompanhou o termo de intimação fiscal fiscal de fl. 187, discriminando os referidos depósitos individualizadamente (fls. 239/311), dando oportunidade para que fosse comprovada a origem desses depósitos pelo contribuinte. Portanto, mais uma vez, infrutíferas as alegações do autuado. Reclama o contribuinte que, em relação ao PIS, Cofins e CSLL, na condição de exportador, parcela significativa de sua receita estaria protegida pela imunidade prescrita no inciso I, do § 2° do art. 149 da Constituição Federal. Quanto às receitas de exportação, o art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional n° 33, de 11 de dezembro de 2001, determina que: (...) E a imunidade tributária, embora consista em benefício de dignidade constitucional, não deixa de ser uma disposição excepcional, abrandando o ônus da tributação em proveito de indivíduos ou corporações. Assim, também nessa hipótese, a interpretação deve ocorrer em estrito respeito aos limites impostos pela investigação sintática. De acordo com a norma em questão, estariam excluídas da tributação pelas contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico as "receitas decorrentes de exportação". Essa expressão não consiste em Fl. 1899DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.001138/200909 Resolução nº 1101000.076 S1C1T1 Fl. 9 8 inovação introduzida pelo legislador constituinte derivado, pelo contrário, ela foi utilizada com a tranqüilidade característica dos conceitos já consagrados pelo uso. Vejase: A Lei n° 6.404/1976 discrimina em seu art. 187 a forma como deve ser apurado o resultado do exercício. Desse dispositivo, destacase: Art. 187 — A demonstração do resultado do exercício discriminará: 1— a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II — a receita líquida das vendas e serviços, custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III — as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; (..) Comentando esse dispositivo, mais especificamente o inciso I supra, Iudícibus, Martins e Gelbcke (in "Manual de contabilidade das sociedades por ações —aplicável também às demais sociedades", Atlas, 1993:500) aconselham a segregação entre as contas de vendas de produtos e serviços no mercado interno e externo, e acrescentam, mais adiante, que o momento do reconhecimento dessas receitas deve ser o do fornecimento de bens. Por outro lado, ao tratar das operações relativas a vendas para exportação, assim dispõe a Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, que regulamenta o Despacho de Exportação: Art. 8° A declaração para despacho de exportação será apresentada à unidade da Secretaria da Receita Federal SRF com jurisdição sobre: § 1° A declaração de que trata este artigo será feita através de terminal de computador conectado ao SISCOMEX, em qualquer ponto do território nacional, e consistirá na indicação.. III dos números e série das Notas Fiscais que instruem o despacho, por estabelecimento exportador; (...) Art. 16. O despacho de exportação será instruído com os seguintes documentos: I primeira via da Nota Fiscal; (ressaltei) Da leitura atenta dos artigos 8° e 16 da IN 28/94, inferese que o exportador deve relacionar todas as notas fiscais que instruem o despacho e que só se considera exportada a mercadoria cujo despacho de exportação estiver averbado no Siscomex, com os dados constantes do referido despacho. Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.001138/200909 Resolução nº 1101000.076 S1C1T1 Fl. 10 9 Portanto, para fazer jus ao benefício da imunidade pela exportação, o/ interessado deveria apresentar o despacho aduaneiro com a relação das notas fiscais respectivas, segregando contabilmente as contas de vendas de produtos e serviços no mercado externo. Entretanto, como provado nos autos, o interessado não possui nenhum • livro contábil/fiscal e tampouco documentação, o que a impede de usufruir de tal benefício. Quanto a multa qualificada, conforme Termo de Verificação Fiscal n° 02(fl. 554), a aplicação da multa de 150% deuse pela seguintes razões: o contribuinte não apresentou a DIPJ, do exercício de 2006, anocalendário 2005; por ter havido omissão de receita operacional, contida nas GIA's, no livro fiscal e não declaradas ao fisco federal; não apresentou DCTF; não contabilização da movimentação financeira bastante expressiva; e conduta omissiva do contribuinte de prestar informações à autoridade fazendária. Tais razões, entendo, são suficientes para a aplicação da multa qualificada. Por sua vez, afigurase correto o agravamento da multa pelo não atendimento às reiteradas intimações feitas no procedimento fiscal (as provas de recebimento encontramse juntadas aos autos), dado que o intuito protelatório implícito na atitude do sujeito passivo indica, de forma inquestionável, tentativa de opor embaraços e dificuldades à fiscalização. Assim dispõe o § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996: "Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente." Resulta, assim, que o agravamento da multa deve ser mantido, dado que presente a configuração da recusa e/ou resistência por parte do contribuinte em presta"r esclarecimentos, tendendo a dificultar a ação fiscal. Por fim, há que se ressaltar que o decidido para o lançamento de IRPJ se/ estende às contribuições de CSLL, PIS e Cofins, que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso, pela íntima relação de causa e efeito. Destarte, não merecem guarida as argumentações apresentadas pelo impugnante, pelo que voto por considerar improcedente a impugnação mantendo os Autos de Infração como constituídos. O contribuinte foi intimado da Acórdão n.º 1623.125 da DRJ/SP 1, através da intimação n. 4362/2009 (fls. 698) enviada por AR n. 47.910.5774 BR, recebida em 23 de Novembro de 2009 (f.701). No dia 21 de Dezembro de 2009, a contribuinte apresentou suas razões de recurso ordinário (fls. 702/710), sob os seguintes argumentos: Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.001138/200909 Resolução nº 1101000.076 S1C1T1 Fl. 11 10 1) Repisou o argumento esposado na impugnação, de que a entrega dos livros fiscais e mercantis solicitados no curso da ação fiscal somente não foram apresentado por motivo de força maior; 2) Ressaltou ainda, que consta do TVF que o respectivo MPF era decorrente da continuidade do MPF n. 081900.2006.012069; que originouse também da autuação fiscal por arbitramento relativa aos autos n. 19515.003969/200745, no qual ficou comprovado, de que a impugnante teve apreendidos seus documentos fiscais e mercantis, juntamente com todos seus computadores, o que a impossibilitou de apresentar a documentação exigida pela Receita Federal; 3) Sustenta que tal situação, a própria legislação prevê o procedimento, qual seja, diante da comprovação inequívoca da busca e apreensão, bastava o órgão [Receita Federal do Brasil] requisitar ao outro órgão [Polícia Federal] a entrega dos documentos. 4) Que a própria decisão recorrida, ao tomar como suas as razões de decidir do Acórdão n 17.488, proferido nos autos do Processo n. 19515.003969/200745, reconhece a apreensão por cumprimento de Mandados de Busca e Apreensão; 5) Alega que os livros Diário e Razão não foram mencionados na apreensão, mas que foram efetivamente arrecadados pela autoridade policial, que fez a apreensão de forma indiscriminada, e os Termos somente foram lavrados posteriormente. 6) Ressalta que ainda assim, consta no Auto de Apreensão datado de 12 de dezembro de 2004, que dentre os livros arrecadados, contou a apreensão de ‘quatro (04) livros de capa preta”, que poderiam corresponder aos livros mercantis, tidos como não apreendidos, o que afastaria a força maior; 7) Sustenta que, nessa condição, a legislação civil como a tributária afasta a responsabilidade do contribuinte, por disposição expressa do § 2ª, art. 19, da Lei 3.470/58, na redação do art. 71 da MP n . 215835/2001. Nesse sentido, cita jurisprudência administrativa – Acórdão n. 10515194 do 1º CC – 5ª Câmara – Recurso 140737. 8) Consta da defesa que a fiscalização apurou a origem dos depósitos bancários, considerados não comprovados a origem pela decisão recorrida. De que os valores que transitaram pela conta corrente são os mesmo que compuseram a receita bruta conhecida da pessoa jurídica e que já havia sido tributada na modalidade de arbitramento. Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.001138/200909 Resolução nº 1101000.076 S1C1T1 Fl. 12 11 9) Sustenta que na condição de exportadora, parcela significativa da receita decorrente, para efeito de PIS, COFINS e CSLL, está protegida pela imunidade garantida no inciso I, do § 2º do art. 149 da Constituição Federal. Alega ainda que o PIS e a COFINS, na medida em que representam mero reflexo do IRPJ, cuja exigência demonstrouse insubsistente, terão o mesmo destino. 10) Por fim, a legitimidade da exigência da multa qualificada está condicionada à demonstração das hipóteses prescritas nos artigos n. 71, 720e 73 da Lei n. 4.502/64, e que sequer houve comprovação de evidente intuído de fraude, como reiteradamente decido pelo CARF. É o relatório. Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.001138/200909 Resolução nº 1101000.076 S1C1T1 Fl. 13 12 VOTO Conselheira José Ricardo da Silva – Relator O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão que manteve a autuação fiscal de IRPJ e reflexos, bem como os créditos tributários exigidos. Antes de adentrar na análise do caso em concreto, fazemse necessárias algumas observações sobre os argumentos da contribuinte acerca da imunidade do lucro da exportação à CSLL após a Emenda Constitucional n. 33/201. acho mais razoável invocar a discussão do leading case RE 564.413, acerca da imunidade do lucro da exportação à CSLL após a Emenda Constitucional nº 33/2001, A constitucionalidade da imunidade do lucro da exportação à CSLL tem sido questionada em Recurso Extraordinário com repercussão geral, estando pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. De acordo com o previsto no art. 62A, § 1º do Regimento Interno deste Conselho RICARF (Portaria MF nº 256/2009), reconhecida a repercussão geral em sede de Recuso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, os julgamentos dos recursos devem ser sobrestados. Confirase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. (grifei) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que desde 05/12/2007, o STF reconheceu a existência de repercussão geral sobre o tema no julgamento do RE 564413 conforme se verifica na decisão a seguir: “O Tribunal, por unanimidade, reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada”. Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.001138/200909 Resolução nº 1101000.076 S1C1T1 Fl. 14 13 O Supremo Tribunal Federal em 12/08/2010, julgou o mérito do RE 564413 – tema com repercussão geral o qual foi publicado em 03/11/2010 Ata n. 36/2010, tendo sido assim ementado: IMUNIDADE – CAPACIDADE ATIVA TRIBUTÁRIA. A imunidade encerra exceção constitucional à capacidade ativa tributária, cabendo interpretar os preceitos regedores de forma estrita. IMUNIDADE – EXPORTAÇÃO – RECEITA – LUCRO. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do artigo 149 da Carta Federal não alcança o lucro das empresas exportadoras. LUCRO – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – EMPRESAS EXPORTADORAS. Incide no lucro das empresas exportadoras a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Todavia, essa decisão preferida pelo Supremo Tribunal Federal está pendente de julgamento dos Embargos de Declaração com natureza infringente interposto pela parte. Destarte, entendo que os processos em tramite neste Conselho que versem sobre Imunidade das receitas de exportação, em conformidade com o previsto no RICARF, deveriam ficar sobrestados aguardando o transito em julgado do julgamento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, tendo em vista que cabe a este Tribunal a última palavra sobre inconstitucionalidade no nosso ordenamento jurídico. É como voto. JOSÉ RICARDO DA SILVA – Relator. JOSELAINE BOEIRA ZATORRE – Relatora ‘ad hoc’ designada para formalização de acórdão. Ressalto que não estou vinculada ao conteúdo dessa decisão. Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
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Numero do processo: 10665.000563/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa.
Relatório
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados em decorrência de omissão de receitas, nos anoscalendário de 2004 e 2005, para exigência do IRPJ e reflexos, com multa qualificada de 150% e demais acréscimos legais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 65 .0 00 56 3/ 20 09 -8 4 Fl. 3783DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 3 2 A questão fática debatida nos autos é bastante extensa e foi assim descrita no relatório da decisão ora recorrida, com excertos retirados do Termo de Verificação Fiscal (grifos no original): Em síntese, os fatos mais relevantes são os seguintes: A As contas bancárias mantidas na Caixa Econômica Federal (CEF) e na Credipeu em nome de Glauciane Maria de Sousa foram movimentadas para efetuar operações de empréstimos a terceiros, tendo como financiador (emprestador) Glauciane e/ou Jamir de Souza Machado. B Essas contas bancárias eram movimentadas com assinaturas da correntista Glauciane ou seus procuradores, muito embora o Sr. Jamir também possuísse procuração específica e ampla para movimentar essas contas. Na realidade, as movimentações dessas contas atendiam aos interesses da correntista e do Sr. Jamir, não sendo possível identificar a propriedade dos recursos de cada um, embora Glauciane nunca tenha demonstrado condições econômicas e financeiras para movimentar e possuir tais recursos, conforme dados das Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física. Assim sendo, pela falta de informação das partes, foram rateados proporcionalmente aos dois utilizadores dos benefícios das contas bancárias, os créditos bancários sujeitos à comprovação e caracterizados como omissão de receita nos termos do art. 42 e seus parágrafos da Lei n° 9.430, de 1996, principalmente os parágrafos 5° e 6°, incluídos pela Lei n° 10.637, de 2002. C Essas operações de empréstimos são atividades de pessoas jurídicas e sujeitam o responsável à inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ, voluntariamente ou de ofício. D As operações deverão ser escrituradas, com base em documentos, obedecidas as demais normas de controle e autorizações do Banco Central do Brasil (Bacen) estabelecidas pela Lei n° 4.595, de 1964. A tributação dessa atividade é pelo regime do lucro real ou pelo lucro arbitrado. E Glauciane foi intimada várias vezes, não tendo apresentado nenhum documento ou escrituração, o que motivou o arbitramento do lucro. A tributação é feita com a base apurada em cada tipo de origem dos créditos, quando identificados, ou pelo arbitramento com aplicação do maior percentual relativo às atividades desenvolvidas, quando não é possível apurar cada atividade em separado, sobre os créditos relacionados com os valores dos empréstimos pagos pelos clientes, conforme preceituam os arts. 841 e 845 c/c art. 530, incisos I, III e VI, arts. 532, 533 e 537 e seu parágrafo único do RIR/1999. F — A multa de ofício cabível é de 150%, tendo em vista: o montante omitido; a ocorrência, smj, de sonegação, fraude e conluio; o exercício de atividades financeiras sem autorização do Bacen. Em decorrência da omissão de receitas, também foram lavrados os autos de infração abaixo especificados, cujos valores indicados representam o montante da contribuição lançada, multa de ofício de Fl. 3784DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 4 3 150% e juros de mora calculados até 31/03/2009, abrangendo fatos geradores compreendidos nos exercícios de 2005 e 2006: • Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) R$ 376.982,64 fls. 14/25; • Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) R$ 2.319.896,27 fls. 26/37; • Contribuição Social s/ Lucro Líquido (CSLL) R$ 623.602,66 fls. 38/49. O Termo de Encerramento foi juntado às fls. 51/52, enquanto o Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 001 foi anexado às fls. 53/55, no qual constam arroladas como responsáveis solidários as pessoas físicas Glauciane Maria de Sousa e Jamir de Souza Machado. No TVF anexado às fls. 56/85, foram relatados os procedimentos fiscais, com destaque para a ciência do Termo de Início de Ação Fiscal, as intimações expedidas, além das respostas e documentos apresentados pelo contribuinte. Foi feita ainda a análise da documentação bancária, consubstanciada nos demonstrativos fiscais de apuração de fls. 86/181 (Anexos 1 a 3), contendo a motivação para a equiparação da pessoa física como pessoa jurídica em razão da atividade desempenhada pelo contribuinte, nos casos especificados, além das justificativas para o arbitramento do lucro e para a qualificação da multa de ofício aplicada ao lançamento. Constam também registros acerca da formalização da Representação Fiscal para Fins Penais, da lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária e sobre o arrolamento de bens e direitos. Os demais documentos que fundamentam a exigência fiscal constam das fls. 182/1661. Consoante despacho de fl. 1662, o competente processo de representação fiscal para fins penais foi formalizado sob n° 10665.000567/200962. Glauciane Maria de Sousa e Jamir de Souza Machado foram cientificados do lançamento em 06/05/2009, conforme Aviso de Recebimento — AR (doc. fls. 1663 e 1668). Às fls. 1664/1667 e 1669/1676 consta solicitação de cópia de documentos e pedido do contribuinte, com o registro de deferimento da autoridade competente, a respeito de dilação de prazo para impugnação. Glauciane Maria de Sousa, por intermédio de seus procuradores, apresentou a impugnação em 05/06/2009, anexada às fls. 1677/1895, cujo resumo se passa a explicitar. I. DA TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO A impugnante sustenta a tempestividade da impugnação tendo ressaltado que recebeu, via carta com AR, o Auto de Infração ora impugnado no dia 06/05/2009 (quartafeira). Fl. 3785DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 5 4 Assim, a contagem do prazo de 30 dias se iniciou no dia 07/05/2009 (quintafeira), findando no dia 05/06/2009. II. DOS FATOS A impugnante faz referência às intimações fiscais expedidas, tendo destacado que envidou esforços na tentativa de obter os documentos e informações solicitadas. Nesse sentido, ressalta que entendeu abusiva a conduta da fiscalização na obtenção dos extratos bancários e, em relação aos termos fiscais especificados, dá ênfase às providências tomadas e aos esclarecimentos prestados no curso da ação fiscal, inclusive no tocante a aspectos acerca das operações mantidas com Jamir e das procurações outorgadas. Apresentouse, portanto, a descrição pormenorizada dos fatos, necessária pela conduta da fiscalização, que distorceu alguns fatos ocorridos no curso do procedimento fiscal, principalmente em relação à acusação de que a impugnante não estaria colaborando com a fiscalização. Outrossim, todos os pedidos de dilação de prazo requeridos foram feitos devidamente justificados, bem como foram realizados no intuito de se obter as informações necessárias junto às instituições bancárias, o que, posteriormente, não se mostrou viável em sua plenitude. Ressaltase, por outro lado, que a RFB poderia ter solicitado tais informações utilizando de suas prerrogativas, mas preferiu não fazêlo, donde se conclui que a impugnante colaborou sim durante todo o procedimento fiscal, contudo a fiscalização não tomou nenhuma providência a fim de permitir a comprovação das afirmações feitas pela impugnante, preferindo a via mais fácil da presunção e do arbitramento. Assim, passa a impugnante a demonstrar que a equiparação à pessoa jurídica não se mostra viável no presente caso, bem como a utilização do arbitramento é procedimento incompatível com os autos, uma vez que é possível a apuração do eventual lucro obtido com as operações. Além disso, ficará demonstrado que a vinculação das operações realizadas pela impugnante a Jamir de Souza Machado decorre de interpretação casuística dos auditores fiscais. Por fim, se concluirá que a aplicação da multa majorada de 150% não se molda ao caso dos autos, todos estes argumentos que resultarão na nulidade do auto de infração, como se passa a demonstrar. III. DO DIREITO III.1. Impossibilidade de Equiparação da impugnante à Pessoa Jurídica Instituição Financeira É totalmente absurda e equivocada a pretensão da Receita Federal em considerar como Instituição Financeira pessoa física que jamais realizou as atividades previstas na legislação (art. 17 da Lei n° 4.595, de 1964), quais sejam: intermediação ou aplicação de recursos Fl. 3786DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 6 5 financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Como se passa a demonstrar, o enquadramento da impugnante como empresa financeira contradiz tudo que foi dito no curso do procedimento fiscal, inclusive no TVF. Afirmou a fiscalização que as operações de empréstimos exercidas pela contribuinte eram atividades comerciais: "as operações de empréstimos, factoring, mútuos e similares, quando habituais São atividades comerciais e/ou civis". As factoring não são instituições financeiras, nos termos da Lei n° 4.595, de 1964, possuindo, inclusive, tratamento próprio, previsto no art. 58 da Lei n° 9.430, de 1996, para fins de imposto de renda. Assim, tendo sido constatado, no curso da ação fiscal, que a impugnante exercia atividades de "factoring", estranhamente, só no TVF, último ato do procedimento fiscal, os auditores fiscais, depois de afirmar que devem aplicar o maior percentual possível no arbitramento, mudam de idéia. Essa contradição é evidenciada especialmente quando se considera que os auditores fiscais declaram que pretendem aplicar o maior percentual do arbitramento (45%) próprio das instituições financeiras, enquanto que as factoring, mesmo em caso de arbitramento, estão sujeitas a percentual inferior. Os mútuos realizados, conforme confirmado pela auditoria fiscal nas inúmeras diligências realizadas, em relação aos mutuários da impugnante, eram praticados por meio da emissão de cheques ou transferências pela impugnante para os mutuários, em troca de cheques dos mutuários ou de terceiros, ou seja, a impugnante realizava verdadeira troca de títulos, o que enquadra perfeitamente na previsão do art. 58 da Lei n° 9.430, de 1996, que estabelece o conceito de operações de factoring. Como relatado no procedimento fiscal, a impugnante troca cheques, "prédatados" para curto ou médio prazo, apresentados pelos mutuários, cheques estes de terceiros, obtidos pelos mutuários certamente em decorrência de vendas mercantis, por recursos à vista. Considerando que os cheques são direitos creditórios e decorrem de operações mercantis fica caracterizada a Operação de factoring, afastando a possibilidade de equiparação à instituição financeira. III.2. Impossibilidade de exigência de escrituração contábil nos termos do art. 160 do RIR Como já relatado, a fiscalização equiparou a impugnante à instituição financeira, com base nos arts. 150 e 160 do RIR, contudo o art. 160 não se adequa ao caso dos autos. Verificase que o mencionado art. 160 do RIR/1999 referese tão somente à hipótese de equiparação de pessoas físicas a "Empresas Individuais Imobiliárias" (Capítulo II Seção II), ou seja, atividade absolutamente estranha à atividade desenvolvida pela impugnante. Fl. 3787DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 7 6 Concluise, assim, que a aplicação do art. 160 do RIR à impugnante é flagrantemente ilegal, pois a norma não se amolda à espécie dos autos. Logo, todas aquelas consequências que os fiscais querem imputar à impugnante de que haveria obrigação de manutenção de escrituração contábil deve ser afastada. Constatase, novamente, que a fiscalização deveria ter utilizado de suas prerrogativas legais para requerer as informações necessárias às instituições financeiras, ao invés de pretender imputar à impugnante a responsabilidade por provar o impossível a ela, pois, agora, não resta alternativa senão julgar improcedente o combatido auto de infração. Frisase que o afastamento da aplicação do art. 160 do RIR põe por terra a aplicação do arbitramento, nos termos do art. 530, III do mesmo dispositivo. III.2.1. Impossibilidade do Arbitramento Possibilidade de Apuração do eventual Ganho na Atividade de Empréstimo O suporte legal adotado pelos fiscais para aplicar a tributação com base no arbitramento não merece prevalecer. Em primeiro lugar, durante todo o procedimento, os fiscais jamais apontaram qual livro precisariam para verificar a regularidade, ou seja, se precisaria do livro caixa, do livro diário, ou qualquer outro. Em segundo lugar, não se pode negar que outro elemento passível de utilização deve ser considerado, ou seja, no caso aqui em análise os comprovantes de todas as movimentações bancárias extratos. Nesse sentido, somente poderia ocorrer o arbitramento do lucro para fins de imposto de renda, quando efetivamente outro meio hábil não possa ser utilizado. Sendo assim, não se pode olvidar o flagrante equívoco do lançamento fiscal ao desconsiderar os aspectos corretos do caso, que se encontram à disposição da fiscalização. Se ela fez diligência nas Instituições Financeiras para pegar uma série de informações e cópia de documentos, porque não exigiu a apresentação de todos os detalhes da movimentação, se a própria impugnante comprovou que realizou o pedido e não foi atendida. III.2.2. Vedação à utilização do Arbitramento em Razão da Possibilidade de se apurar o Lucro Real Ficará demonstrado ainda que é possível a apuração da eventual renda da impugnante pela sistemática do lucro real, determinandose sua renda efetiva, o que afastaria por completo a possibilidade de utilização do arbitramento. Tal assertiva foi confirmada inúmeras vezes pela própria fiscalização, como, por exemplo, na descrição dos fatos e fundamentos legais do auto de infração, onde afirma: "A forma de tributação desta atividade é o Lucro Real ou na impossibilidade da apuração por esta forma, o Lucro Arbitrado;". Sem rodeios, a jurisprudência citada demonstra que, ainda que seja o último recurso passível de utilização, não se pode olvidar que a movimentação bancária pode ser importante instrumento para tributação de Imposto de Renda. Em miúdos, para afastar a malfadada Fl. 3788DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 8 7 tributação de arbitramento, que só tem vez em última instância, até mesmo a sistemática acima apontada pode ser utilizada. III.2.2.A Da possibilidade de apuração do ganho obtido nas operações de mútuo Impossibilidade do arbitramento Como se constata, não há dúvida de que a movimentação da impugnante decorre das operações de mútuo realizada por esta. Assim, como é notório e presumido, pelo art. 591 do CC/2002, que o mútuo de dinheiro é oneroso, ou seja, incidem juros, devese concluir que os juros cobrados pela impugnante são os ganhos (o lucro) obtidos na realização das operações. Diferentemente do entendimento da fiscalização, sendo as operações de mútuo realizadas através de emissão de cheques, transferências, TEDs e DOCs e do recebimento de Cheques e depósitos, fica evidente que é possível calcular o montante dos empréstimos realizados e, por consequência, aplicar os juros cobrados sobre tal montante para se apurar os ganhos. Em seguida, a impugnante passa a explicitar o procedimento que tornaria possível a apuração do lucro real, com base nos juros cobrados nas operações de mútuo, afastando por completo a possibilidade do arbitramento. Para demonstrar a funcionalidade desse método de apuração do lucro real, a impugnante elaborou uma planilha seguindo o passo a passo por ela descrito (documento anexo). Verificase, pelo resultado apurado, que o valor obtido é infinitamente inferior aos 45% utilizado na apuração da base de cálculo a partir do equivocado arbitramento realizado, distanciado do rendimento real da impugnante e da previsão legal para sua utilização. Enquanto na apuração pela sistemática do arbitramento a base de cálculo do Imposto de Renda atingiu a vultuosa e surreal quantia de R$ 38.032.359,19, a apuração com base no lucro real, considerado o valor dos juros cobrados nas operações de mútuo não ultrapassou 5% do valor supra mencionado. Não espera a impugnante que a planilha apresentada seja aceita como valor definitivo; pelo contrário, a impugnante deseja e requererá que seja realizada perícia técnica para a apuração precisa dos ganhos obtidos através da cobrança de juros nas operações de mútuos, até porque acredita que um técnico poderá colaborar com a certeza esperada de todo procedimento fiscal. Vale ressaltar que a demonstração, acima explicitada, da forma de apuração da base de cálculo (ganho) do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido deixa claro que os auditores fiscais não primaram pela busca da verdade material. III.2.2.B. Da possibilidade da apuração do lucro real mediante a consideração das "entradas" como receitas e das "saídas" como Fl. 3789DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 9 8 despesas, como admitido pela própria fiscalização Impossibilidade do arbitramento. A fiscalização, durante o procedimento fiscal, afirmou que "Nas operações de empréstimos, factoring ou mútuo, os pagamentos dos clientes representam as receitas, enquanto que os valores repassados a eles representam os custos." Sendo assim, pressupondo que a impugnante se equipare a factoring ou mesmo instituição financeira, o que faz para argumentar, os valores recebidos pela impugnante dos mutuários representam a receita, enquanto que os valores emprestados representam os custos, ou seja, as despesas. Vale ressaltar que os extratos bancários disponibilizados à fiscalização durante o procedimento fiscal podem e devem ser considerados como a própria escrituração fiscal da impugnante, uma vez que todas as operações de mútuo eram realizadas mediante movimentação bancária, sendo que os extratos são o próprio livro caixa da impugnante, estando neles registradas todas as operações. Para demonstrar como seria simples a apuração do lucro real (ganho) considerando as "entradas" de recursos nas contas bancárias como receitas e as "saídas" de recursos como despesas, assim como foi feito no tópico anterior, a impugnante fez uma breve exposição dos procedimentos para se chegar à base de cálculo do imposto de renda (documentos anexos), tendo ressaltado que, pelo resultado apurado, o valor obtido é infinitamente inferior ao arbitramento realizado, demonstrando a incorreção deste. III.3. Solidariedade entre Glauciane e Jamir Impropriedade Falta de previsão legal Violação à legalidade tributária Conforme se pode auferir no relatório fiscal e na vasta documentação anexada, as transações realizadas entre Jamir e Glauciane são extremamente reduzidas e de valor monetário ínfimo, comparandose com todas as demais operações praticadas, a ponto de poderem ser mencionadas uma a uma pelos auditores fiscais, enquanto as operações realizadas com terceiros nem sequer puderam ser identificadas. Ora, dentre inúmeras operações realizadas pela impugnante, bastaram apenas cerca de quatro com Jamir para se rotular uma sociedade? Ademais, o argumento trazido à baila perde força principalmente pelo fato de a fiscalização desconsiderar totalmente outras operações realizadas pela Sra. Glauciane com terceiros ou seja, não o Sr. Jamir, em quantidade muito maior e com movimentação financeira também mais elevada. E isso ganha ainda maior plausibilidade pelo fato de Jamir assentar na sua DIRPF a realização de mútuo com a ora impugnante. Outro fundamento apresentado pela fiscalização para anotar a existência de solidariedade tem supostamente suporte no fato de Jamir ser procurador da impugnante, assim como, ambos possuírem procuradoresprepostos em comum. Fl. 3790DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 10 9 Mais uma vez, imperioso destacar que ambos vivem em uma cidade do interior. Atuam na mesma área. Assim, a impugnante achou por bem, a título de prudência, outorgar Procuração para Jamir, pessoa de sua inteira confiança e com a qual mantém relacionamento pessoal, no caso de alguma medida urgente. É de se destacar com grande ênfase que, muito embora Jamir possua procuração outorgada pela impugnante, ele jamais realizou qualquer ato sequer em nome dela. No que se refere a ambos possuírem procuradorpreposto em comum, a sustentação supra se encaixa aqui. Essas pessoas são das poucas na cidade que têm capacidade ou que prestam essas espécies de serviço, com desenvoltura, tendo ressaltado que os serviços praticados foram meramente superficiais. Segundo os fiscais, algumas operações bancárias realizadas foram praticadas em conjunto com Jamir. No entanto, tal conduta não pode significar parceria ou sociedade. Qualquer pessoa que passe os olhos na presente peça poderá verificar que os fatos e argumentos se entrelaçam e estão em perfeita sintonia. Ora, como os prepostosprocuradores são, em algumas oportunidades, comuns, podem, por praticidade, realizar o ato de forma conjunta. Em síntese, pode até ser que ocorra coincidência de transferência financeira do Sr. Jamir e a impugnante em uma mesma operação em favor de terceiro. Isso se deve pela suposta praticidade do funcionário que realiza o ato, que no caso é um preposto em comum. Vale lembrar que, tanto Jamir quanto a impugnante, realizam seus mútuos através do recebimento de cheques do mutuário ou de terceiros; logo, apesar da operação de empréstimo ser, eventualmente, realizada em conjunto, por praticidade do executor da transferência dos recursos, que é o mesmo, os recebimentos dos empréstimos se dá de forma totalmente isolada, uma vez que Jamir deposita os cheques que recebeu, que somados compreendem o valor do empréstimo por ele realizado, e Glauciane deposita aqueles que estão em seu poder trocados com o mutuário. Os fiscais apresentam outro argumento para justificar a solidariedade entre Jamir e a impugnante. Desta feita, assinalam que a impugnante passou a aumentar a sua capacidade econômica substancialmente, enquanto Jamir, ao seu turno, passou a reduzir. Não existe nenhum suporte lógico e coerente que fundamente essa conclusão. Talvez, essa premissa possa ser concluída de outras formas. A começar, ela é falha porque se pauta em presunções e não em provas. Em seguida, porque, conforme é cediço, Jamir tem outras atividades, sendo certo que, em alguns períodos pode ter reduzido o trabalho de mútuo por estar necessitando de recursos para suas outras atividades. Sempre importante ressaltar que outro fundamento relevante é o que a impugnante é uma forte concorrente e pode ter atraído mais interessados que Jamir, por exemplo, por praticar taxas menores. Logo, mais sensata tal conclusão para justificar o progresso de um e regresso de outro. Fl. 3791DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 11 10 Por fim, alega a impugnante que, como não existe previsão legal, para não aparecer absurda a conclusão alcançada, a fiscalização assentou a suposta solidariedade nos artigos 134 e 135 do CTN. Nessa esteira, algumas considerações devem ser observadas. A primeira e mais importante, é que não existe sociedade entre Jamir e a impugnante. Impossível alcançar tal conclusão fática ou juridicamente. A propósito, a própria fiscalização reconhece tal fato na medida em que criou CNPJ separadamente para Jamir e a impugnante. Se é o caso de sociedade, por que não um CNPJ único? Por exclusão lógica, a hipótese que o Sr. Jamir e a impugnante poderiam se enquadrar seria no art. 134, VII e 135, I do CTN, ou seja, sócios. Nessa esteira argumentativa, inexiste qualquer possibilidade de, no caso concreto, sociedade de pessoas. Ora, tudo gira em torno de capital, recursos, mútuo etc. A sociedade de pessoas passou a ser denominada no Código Civil de 2002, como sociedade simples, caracterizando pela realização de atividade intelectual, científica, literária ou artística, o que certamente se diferencia da atividade de mútuo, realizada pela impugnante. Ademais, a responsabilidade subsidiária somente terá vez no caso de liquidação. Destaquese novamente que inexiste sociedade. E, se ela existisse, não se pode afirmar, evidentemente, que ela estaria em sede de liquidação. Refutada, portanto, a alegação do art. 134, VI do CTN. Logo, o art. 135, que fala em responsabilidade pessoal, também não tem aplicabilidade no caso concreto. Isso porque a fiscalização não demonstrou cabalmente qual seria a lei, ou Contrato social, ou estatuto ou os excessos de poderes que teriam sido violados. Além disso, o art. 135 não trata de responsabilidade solidária, trata de responsabilidade pessoal do sócio em relação à pessoa jurídica e não de solidariedade entre supostos sócios de empresa que nunca existiu. Por fim, não se pode olvidar que outra falha gritante da fiscalização foi deixar de observar que, relativamente à penalidade, com exceção à de caráter moratório, esta jamais poderá ser alvo de solidariedade, sob pena, inclusive, de violação expressa de disposição normativa art. 134, parágrafo único do CTN. III.4 Multa Aplicada III.4.1 Multa de 150% art. 44, II da Lei n° 9.430/96 Falta de previsão legal A penalidade aplicada teria previsão legal no art. 44, II da Lei n° 9.430, de 1996. Nessa linha, exsurge a primeira questão: como os fiscais chegaram à conclusão de que se deveria pagar multa no importe de 150% do valor do tributo, de acordo com a redação atual do art. 44, II da Lei 9.430, de 1996? Principalmente, pelo fato de o lançamento tributário ter sido concretizado em maio de 2009, ou seja, cerca de três anos após as multas de 150% terem sido excluídas do referido diploma normativo? Fl. 3792DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 12 11 Evidentemente, a conduta adotada está desamparada de suporte legal, em total ausência de sintonia com os princípios da legalidade e da tipicidade tributárias, positivadas no texto constitucional. Nesse sentido, pois, não deve prevalecer a penalidade imposta, devendo ser imediatamente afastada. III.4.2 Inaplicabilidade do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 Efeito confiscatório da penalidade aplicada Violação do art. 150, IV da CRFB A penalidade deve ser afastada de plano, pois além de atualmente não existir previsão legal para sua aplicação, ela tem evidente efeito confiscatório. Em reiteradas decisões, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem utilizado o enunciado normativo do art. 150, inciso IV, da Constituição da República para afastar multa tributária exorbitante decorrente de descumprimento de obrigação tributária. Destaquese: tributo e penalidade tributária não podem ter efeito confiscat6rio. Logo, multa correspondente a uma vez e meia ao tributo a ser pago, viola o direito à propriedade e, consequentemente, possui caráter de confisco. III.4.3 Inaplicabilidade do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 Tipicidade cerrada tributária flagrantemente violada Violação ao postulado da coerência Conforme restou consignado durante todo o curso da ação fiscal, todas as intimações enviadas para a impugnante traziam em seu corpo que, em caso de falta de atendimento, ou quiçá, reiteração das requisições apresentadas, ensejaria aplicação da penalidade prevista no art. 968 do RIR. Assim, a partir do momento em que a fiscalização insere em uma carta oficial de intimação que, em caso de descumprimento, ensejará multa nos termos do art. 968 do RIR, indubitavelmente, até mesmo em respeito ao postulado da coerência, que o Auditor Fiscal não pode se valer de outros mecanismos para aplicar penalidade mais severa. Isso é quebrar com os princípios da segurança jurídica e o da boafé na relação Estadocontribuinte. Portanto, caso não seja afastada a penalidade imposta, em primeiro lugar, porque inexiste conduta típica; em segundo, em razão de o dispositivo legal utilizado como suporte inexistir no ordenamento jurídico; em terceiro lugar, porque resta flagrante o efeito confiscatório do ato, em total falta de sintonia com art. 150, IV da CRFB, seja a penalidade desqualificada e, por conseguinte, aplicado o enunciado previsto no art. 968 do RIR, conforme previsto no ordenamento jurídico brasileiro e inserido no corpo do texto de todas as cartas. III.4.4. Eventualidade: inaplicabilidade do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 Inexistência de fraude Retroatividade benigna Lei n° 11.488/2007. Fl. 3793DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 13 12 Talvez os Auditores Fiscais tenham observado indevidamente a legislação em vigência à época da concretização dos supostos fatos geradores. No entanto, ela não terá aplicabilidade ao caso concreto, quer em razão da inexistência de fraude, dolo etc; quer em virtude da aplicação da retroatividade benigna da lei com relação às penalidades, nos termos do art. 106 do CTN. Nessa linha argumentativa, pois, devese destacar que em nenhum momento o impugnante teve como escopo agir com fraude, isto é, visando prejudicar o fisco. E mais, os Auditores Fiscais responsáveis não assinalaram isso com veemência e, muito menos, comprovaram verdadeiro intuito de fraude. Passase a discorrer. III.4.5.1 Inexistência de fraude no caso concreto Inaplicabilidade da antiga redação do art. 44, II da lei n° 9.430/1996 A fiscalização pressupôs uma série de condições, sem levar em consideração as condutas corretas e realmente praticadas pela contribuinte, totalmente em sentido contrário àquelas que visam agir com fraude. Vejase, pois, alguns exemplos: a) a contribuinte sempre apresentou declaração de Imposto de Renda; b) ela sempre teve como escopo atender às solicitações deste renomado órgão federal, comprovando documentalmente que estava diligenciando junto às instituições financeiras; c) apresentou informações relativas ao seu patrimônio, quando solicitada; d) quando teve acesso a informações junto às instituições bancárias relativamente à origem de recursos, sempre compartilhou informações com a RFB; e) todas as indagações formuladas ao longo da fiscalização foram respondidas. Então, a partir dessa conduta realizada pela impugnante e que deveria ter sido detectada pela fiscalização, questionase: (i) existe fraude no caso concreto? (ii) O contribuinte teve realmente intenção de macular? Ora, todos esses fatos e provas em conjunto demonstram evidentemente a boafé na conduta da impugnante ao longo dos anos, por conseguinte, faltando elemento essencial para se caracterizar a fraude: o animus. Sem a existência do elemento subjetivo, devidamente presente e comprovado, não há que se falar em fraude e/ou sonegação. Conforme exaustivamente debatido e decidido pelo Conselho de Contribuintes, a fraude, para ser configurada, dependerá de prova inequívoca ou ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos pela fiscalização. No caso dos autos, não se pode esquecer que existem três situações evidentes que afastam a fraude: (i) a autoridade fiscalizadora não atendeu aos requisitos legais, isto é, ela não apontou de forma minuciosa e não houve prova nenhuma em relação à suposta conduta fraudulenta; (ii) a autoridade administrativa fundamentou e apurou o Fl. 3794DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 14 13 crédito tributário por meio de presunções, equivocadas, no entanto; e (iii) voluntariamente, a contribuinte demonstrou a seriedade dos seus atos, comprovando e fundamentando a sua interpretação da legislação tributária, inclusive atendendo todas as solicitações realizadas durante o processo de fiscalização. Ocorre que se, por suposição, a interpretação da legislação tributária feita pelo contribuinte estiver equivocada, ou seja, mera omissão de receita porventura existente, isso, por si só, não resulta necessariamente em fraude. Assim sendo, não se pode olvidar que o instituto da fraude não se caracterizou no caso concreto, devendo, por conseguinte, ser afastada a multa qualificada aplicada e as demais consequências. III.4.5.2 Aplicação da lei em vigência quando da constituição do suposto crédito tributário Lançamento tributário art. 144 CTN Amparandose na antiga redação da Lei n° 9.430/1996, a fiscalização aplicou multa qualificada de 150%. Ocorre, entretanto, que a referida lei, que sustenta a aplicação da mencionada multa, foi revogada pela Lei n° 11.488/2007 com vigência a partir da sua publicação. Portanto, mais do que evidente que o dispositivo sofreu alteração substancial na sua redação, conforme anteriormente exposto. De acordo com art. 144 do CTN, o lançamento tributário deverá ser regido pela lei vigente à época da ocorrência do fato jurígeno. Entretanto, tal regra é aplicada tãosomente no que se refere à obrigação tributária principal de pagar tributo. Logo, em relação às penalidades por descumprimento de obrigação tributária, a regra será outra. O Capítulo III do Livro II do CTN, especificamente os arts. 105 e 106, dispõem acerca da aplicação da legislação tributária. O diploma legal, inspirado no direito penal, ao tratar das sanções em matéria tributária, determina a aplicação da lei mais favorável ou mais branda em favor do contribuinte. Já foi sustentada acima a inexistência de fraude no caso concreto, motivo pelo qual a multa aplicada deve ser afastada. Entretanto, em respeito ao princípio da eventualidade, a penalidade deverá ser reduzida e ser pautada de acordo com a legislação atual Lei n° 11.488/2007. E, assim sendo, em sede de conclusão, a penalidade não deverá permanecer porque: (i) inexiste conduta atípica que faça incidir multa ou qualquer penalidade tributária; (ii) a penalidade aplicada no Auto de Infração não possui previsão legal no ordenamento jurídico; (iii) a penalidade aplicada não está em sintonia com o texto constitucional, sendo mais do que evidente a existência de caráter confiscatório; (iv) simples omissão de receita, que não é a hipótese dos autos, não corresponde necessariamente à fraude, motivo pelo qual totalmente imprópria a aplicação da redação antiga da Lei; (v) diante da flagrante inexistência de fraude, conforme salientado, caso tenha que ser mantida penalidade, que, ao invés de 150% do valor do tributo, seja aplicada a penalidade prevista no art. 968 do RIR, conforme Fl. 3795DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 15 14 destacado pelo fiscal em todos os termos de intimação, ou, quiçá a redação atual da Lei n° 11.488, de 2007. IV Dos PEDIDOS Por tudo quanto exposto, requer seja julgado improcedente o Auto de Infração, por conseguinte, extinto o lançamento tributário e afastado o pretenso crédito tributário tributo e multa. Em respeito à eventualidade, caso não seja acolhido o pedido supra, que seja afastada a possibilidade de aplicação do arbitramento, e apurado o ganho efetivo e real das operações de mútuo, para que tais valores sirvam de base de cálculo para a tributação. Requer, ainda, que seja afastada a penalidade aplicada 150% do valor do tributo , pois esta não existe no ordenamento jurídico brasileiro, bem como pelo fato de inexistir fraude, dolo ou sonegação no caso concreto e, principalmente, por não ter sido devidamente demonstrada pela autoridade fiscal; por ter evidente caráter confiscatório. Ainda em respeito à eventualidade, caso seja considerado típico qualquer ato praticado, que a penalidade seja aplicada, de acordo com a legislação nacional em vigência e asseverada nos termos de intimações fiscais, ou seja, o disposto no art. 968 do RIR. Por fim, caso nenhuma das alternativas acima seja admitida, requer que, em última instância, seja aplicada a penalidade prevista no art. 44, II da Lei n° 9.430/1996, redação atual, em respeito ao disposto no art. 106 do CTN. Requer, também, a produção de prova documental, ainda não disponibilizada pelas instituições financeiras, mas, especialmente, produção de prova pericial, considerando a necessidade de comprovação de que é possível apurar o ganho da impugnante pela sua movimentação bancária (Quesitos em anexo). Foram juntados ao contraditório apresentado os documentos de fls. 1726/1895. Por sua vez, a impugnação apresentada por Jamir de Souza Machado foi anexada às fls. 1898/2098, tendo sido postada em 15/06/2009, conforme documento de fls. 2099/2100. I. DA TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO O impugnante recebeu a notificação do Auto de Infração ora impugnado no dia 06/05/2009 (quartafeira), tendo solicitado cópia integral do Procedimento Fiscal. Considerando que a Delegacia Regional pediu um prazo de 10 dias para fornecer as cópias solicitadas, imprescindíveis à defesa do impugnante, foi requerido o restabelecimento do prazo para impugnação pelo menos em idêntico período, ou seja, de 10 dias, em razão do manifesto cerceamento de defesa, o que foi deferido pelo Delegado da Receita Federal. Fl. 3796DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 16 15 Assim, tendo a intimação do Auto de Infração ocorrido no dia 06/05/2009, e considerando o restabelecimento de mais 10 dias para se tentar minimizar o cerceamento de defesa, temse que o prazo final para apresentação da impugnação encerrouse em 17/06/2009, estando demonstrada a tempestividade da presente impugnação, interposta em 15 de junho do corrente ano. II. DA REDUÇÃO DO PRAZO LEGAL DE IMPUGNAÇÃO, DA IMPRESTABILIDADE DA CÓPIA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO E O DIREITO DE DEFESA DO IMPUGNANTE Conforme relatado, o impugnante requereu cópia integral do Processo Tributário Administrativo (PTA) a fim de exercer seu direito ao contraditório e à ampla defesa garantidos constitucionalmente. Tendo em vista a redução do prazo de defesa garantido legalmente pelo art. 15 do Decreto n° 70.235, 1972, em razão da burocracia da RFB para se obter simples cópias do PTA, bem como em razão das cópias fornecidas estarem praticamente imprestáveis, verificase que o direito de defesa do impugnante sofreu visível abalo. Devese reconhecer que, em razão da limitação do prazo de defesa do impugnante, outras provas que não foram obtidas pela escassez de tempo de defesa deverão ser admitidas oportunamente, assim como alguns argumentos aqui apresentados poderão ser complementados para uma melhor compreensão da questão colocada nos autos ao longo do procedimento fiscal, sob pena de tornar inválido o presente processo tributário administrativo, já que demonstrado o cerceamento do direito de defesa do impugnante. III. DOS FATOS O impugnante faz referência aos fatos que motivaram a autuação, tendo salientado que a fiscalização conduziu o procedimento fiscal, sempre tentando vincular o impugnante à Sra. Glauciane Maria de Souza. Logo, a partir da condução subjetiva e do préjulgamento realizado pelos auditores fiscais, desde o início dos trabalhos, concluiu a fiscalização de acordo com sua mera convicção inicial, em absoluto desprezo do conjunto probatório. A presente impugnação tem como intuito combater as conclusões equivocadas da fiscalização em relação ao PTA n° 10665.000563/200984, enquanto os demais PTAs serão impugnados por meio de peças processuais autônomas. IV. DO DIREITO IV.1. PréJulgamento Presunção de Inocência No que tange à parte do direito da presente peça, afirma que as condutas praticadas pelos fiscais estão em total dessintonia com os princípios basilares do Estado Democrático de Direito. A começar pelo fato de se afastar do princípio da legalidade, previsto no art. 5°, II, art. 37 e 150, I, todos da Constituição. A busca pela verdade material foi Fl. 3797DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 17 16 deixada de lado e; em seu lugar, foram incluídas presunções, ou melhor, ficções não jurídicas. Nessa linha, não se pode olvidar que, além de violar o princípio da legalidade, outro, basilar do Estado de Democrático de Direito, também o foi: "presunção da inocência". Portanto, a partir do momento em que os fiscais se afastaram de princípios basilares do ordenamento jurídico, o da presunção da inocência, não se pode olvidar flagrante vício em todo o procedimento fiscalizatório. IV.2 Vinculação do Impugnante à Sra. Glauciane e o Sr. Jamir Impropriedade Falta de previsão legal Violação à legalidade tributária IV.2.1 Da inexistência de fundamentação legal para atribuir ao impugnante a movimentação realizada na contada Sra. Glauciane. O impugnante faz a transcrição do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, com destaque dos §§ 5° e 6°. Em seguida, ressalta que o parágrafo 5° aplicase exclusivamente aos casos de interposição de terceiros, ou seja, quando "provados que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro", o que não ocorreu no presente caso. A ausência de provas foi reconhecida pela própria fiscalização, que apenas afirmou que haveriam indícios da interposição de terceiro, mas não provas, tanto que fundamentou a imputação da movimentação bancária da Sra. Glauciane ao impugnante por outros argumentos. No tocante ao parágrafo 6°, salienta o impugnante que este se aplica, exclusivamente, "Na hipótese de contas de depósito ou de investimento MANTIDAS EM CONJUNTO", em trecho adiante tal fato é ressaltado "o valor dos rendimentos ou receitas será imputado' a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de TITULARES." Ora, o impugnante e a Sra. Glauciane nunca tiveram contas conjuntas, ou seja, nunca foram titulares de uma mesma conta bancária. Como, apesar de todos os esforços da fiscalização, as provas coletadas levavam a conclusão diversa daquela tomada em préjulgamento, a fiscalização, para não aceitar o equívoco cometido e para justificar todo o trabalho realizado, forçou a aplicação dos dispositivos supramencionados, sem qualquer correlação lógicalegal. Ademais, impossível não admitir que as provas coletadas não demonstram a ocorrência de interposição de terceiros. Dessa forma, imperioso o cancelamento do Auto de Infração lavrado contra o impugnante, uma vez que não há fundamento legal que lhe dê suporte. Além disso, como ficará comprovado a seguir, não há fundamento fático também, pois as movimentações bancárias da Sra. Glauciane são exclusivamente dela. IV.2.2. Da existência de recursos próprios da Sra. Glauciane que justificam a movimentação bancária por ela apresentada. Fl. 3798DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 18 17 Salienta o impugnante que, ao contrário do que afirmou a fiscalização, a Sra. Glauciane possuía bem mais do que R$ 53.791,11 para a realização das operações de mútuo. Além desse valor, verificase que a Sra. Glauciane efetuou um saque o valor de R$ 891.000,00 em sua conta corrente n° 4.7195 da CEF, no dia 30/12/2003. Considerando que seria impossível que todo esse valor fosse gasto pela Sra. Glauciane antes da virada do ano, tornase lógico que esse valor também estava disponível para a Sra. Glauciane realizar suas operações de mútuo. Além disso, como a Sra. Glauciane realizava empréstimos para recebimento futuro, é certo que vários créditos em suas contas bancárias, realizados nos primeiros meses de 2004, referemse a recursos que já eram de propriedade da Sra. Glauciane e que se encontram emprestados a terceiros. Por fim, vale ressaltar que o montante movimentado nas contas bancárias depende muito mais do prazo em que os empréstimos são realizados do que propriamente do valor disponível para tanto. Ademais de ser absurda a hipótese de que os empréstimos realizados pela Sra. Glauciane seriam feitos com prazo de 1 dia, se considerarmos que na verdade ela teria a sua disposição R$ 1,4 milhões, e que a movimentação real nas contas bancárias nas quais a fiscalização constatou as operações de empréstimos, excluindose as devoluções de cheques, alcança tãosomente R$ 38 milhões e não R$ 60 milhões, como alegado pela fiscalização, os valores parecem mais compatíveis. Não se tem a pretensão de sustentar ou comprovar a disponibilidade financeira da Sra. Glauciane, bem como a possibilidade ou não de tais recursos justificarem sua movimentação financeira. Pretendeuse tão somente demonstrar que as afirmações vagas da fiscalização, desprovidas de qualquer demonstração metodologicamente compreensível, não podem sustentar que a Sra. Glauciane não teria recursos para realizar a movimentação bancária constante de suas contas correntes, e, menos ainda, de demonstrar a vinculação com o impugnante. Constatase, portanto, que se trata de mera alegação de que a Sra. Glauciane não teria recursos suficientes para justificar sua elevada movimentação bancária, mera suposição da fiscalização. Mesmo que assim o fosse, isso em nada a vincula ao impugnante, que, digase de passagem, na lógica da fiscalização também não teria recursos para justificar sua movimentação bancária, quem dirá, a sua e da Sra. Glauciane. IV.2.3. Das Supostas operações comerciais entre o impugnante e a Sra. Glauciane. Conforme se pode auferir no relatório fiscal e na vasta documentação anexada, as transações realizadas entre Jamir e Glauciane são extremamente reduzidas e de valor monetário ínfimo, comparandose com todas as demais operações praticadas, a ponto de poderem ser Fl. 3799DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 19 18 mencionadas uma a uma pelos auditores fiscais, enquanto as operações realizadas com terceiros, nem sequer puderam ser identificadas na sua integralidade. Ora, dentre inúmeras operações realizadas pelo impugnante, bastaram algumas poucas, cerca de dez operações com a Sra. Glauciane para se rotular uma sociedade? Ademais, o argumento trazido à baila perde força principalmente pelo fato de a fiscalização desconsiderar totalmente outras operações realizadas pela Sra. Glauciane com terceiros ou seja, não o Sr. Jamir , em quantidade muito maior e com movimentação financeira também mais elevada, conforme exemplos citados. Ocorre que, em meio a essas tantas operações, a fiscalização de forma casuística pretende sustentar que o impugnante movimentou recursos através das contas da Sra. Glauciane, porque não os demais? Vale ressaltar que o impugnante não ocultou as operações de mútuo realizadas com a Sra. Glauciane. Pelo contrário, estas foram declaradas na sua DIRPF, sendo as movimentações bancárias entre o impugnante e a Sra. Glauciane decorrentes desta operação de mútuo. IV.2.4. Dos procuradores comuns Outro fundamento apresentado pela fiscalização para anotar a existência de sociedade entre o impugnante e a Sra. Glauciane seria a existência de procuração dela para ele movimentar suas contas bancárias e dela para o Sr. Anderson e o Sr. Frank, que também são procuradores do impugnante. Com relação à procuração outorgada pela Sra. Glauciane para o impugnante, como informado durante o procedimento fiscal, o impugnante é pessoa de confiança da Sra. Glauciane, tendo esta solicitado que ele figure como seu procurador junto a instituição financeira para numa eventual necessidade representar a Sra. Glauciane. Ocorre que o impugnante nunca utilizou tal procuração, ou seja, não foi realizada nenhuma operação pelo impugnante em nome da Sra. Glauciane, uma vez que esta nunca o solicitou. No que se refere a ambos possuírem procuradorpreposto em comum, a sustentação supra se encaixa aqui. Essas pessoas são das poucas na cidade que têm capacidade ou que prestam essas espécies de serviço, com desenvoltura. Em verdade, o impugnante utilizase dos serviços do Sr. Anderson e do Sr. Frank há mais tempo para a realização das citadas operações de mútuo, sendo estes pessoas de absoluta confiança do mesmo, tendo indicado essas pessoas, quando a Sra. Glauciane passou a exercer tal atividade e com o crescimento do volume de movimentações. Verificase que tal fato em nada compromete as operações realizadas pelo impugnante ou pela Sra. Glauciane, bem como não vincula uma pessoa a outra, pelo contrário, demonstra que ambos realizam operações de mútuo, mas cada um seus negócios individualmente (necessário nesta atividade), sendo os prepostosprocuradores os responsáveis pela operacionalização. Fl. 3800DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 20 19 IV.2.5. Das supostas transferências comuns de recursos entre o impugnante e a Sra. Glauciane. O defendente afirma que a fiscalização distorceu as informações prestadas por terceiros apenas para tentar justificar a sua conduta abusiva de vinculação do impugnante à Sra. Glauciane. Inicia a explanação pelas informações prestadas pelas instituições financeiras e pelos documentos apresentados por estas, conforme foi registrado às fls. 37 a 41 do Termo de Verificação Fiscal. Com relação à alegação da fiscalização de que teriam sido efetuados saques na conta da Sra. Glauciane e depositados nas contas do impugnante, verificase, no ANEXO 1 do Termo de Verificação Fiscal, que foram identificados duas operações dessa natureza, uma no importe de R$ 5.000,00 de 18/05/2004 e outra de R$ 3.842,00 do dia 12/04/2004. Como já afirmado anteriormente, o impugnante realizou operação de mútuo com a Sra. Glauciane, tendo tal fato sido, inclusive, registrado em sua DIRPF. Assim, a realização dessas duas únicas transferências em valores módicos, comparativamente com as demais operações realizadas pela Sra. Glauciane, deixa evidente que tal fato em nada demonstra que o impugnante utilizavase das contas bancárias desta. Além dessas duas operações, consta do mesmo ANEXO 1 do Termo de Verificação Fiscal, algumas operações (identificadas pelos documentos de n. 39 a 58) descritas pela fiscalização como sendo "CH a Glauciane p/finalidades de utilizações diversas, c/possivel depósito em dinheiro p/Jamir". Na realidade, a fiscalização não sabe para que foram utilizados os recursos, por isso afirmou que seriam destinados a "utilizações diversas", aproveitando a impossibilidade de se determinar o destino dos recursos supôs que teriam sido destinados ao impugnante. Isto resta claro pelo próprio termo utilizado "c/possível" , fica evidente que se trata de suposição sem qualquer comprovação. Ademais, verificando os documentos identificados como de n. 39 a 58; não se vê nenhuma menção ao impugnante, sequer há indicio de que os valores teriam sido depositados nas contas bancárias deste. Foram identificadas algumas operações realizadas pela Sra. Glauciane com o Sr. Murilo Ribeiro Reis, sócio do impugnante em algumas empresas. Como demonstrado anteriormente, a Sra. Glauciane realiza muitas operações de mútuo, com diversas pessoas, dentre elas também com o Sr. Murilo Ribeiro Reis, por acaso sócio do impugnante. Não há no relatório da fiscalização qualquer indício de que as operações realizadas pela Sra. Glauciane com o Sr. Murilo Ribeiro Reis merecessem tamanho destaque, a não ser pelo fato de o mesmo ser sócio do impugnante, ou seja, as operações não alcançam valores diferentes dos comumentes operados pela impugnante; as operações não são realizadas com maior frequência do que com outras pessoas; o modus operandi também não se diferencia, ou seja, não há qualquer razão para se destacar tais operações, a não ser a subjetividade e imparcialidade da fiscalização em tentar demonstrar alguma Fl. 3801DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 21 20 vinculação entre a Sra. Glauciane e o impugnante, mesmo que, para isso, fuja de qualquer critério de razoabilidade, beirando o absurdo. O último indicativo da suposta vinculação entre a Sra. Glauciane e o impugnante, apontado pela fiscalização, seria a realização de saque, débitos autorizados no caixa etc. na conta da Sra. Glauciane, cujos recursos foram utilizados para envio pelo Sr. Jamir a terceiros e vice versa, bem como a realização da mesma operação com complementação de recursos da Sra. Glauciane e do Sr. Jamir para realização uma única transferência para terceiro. Mais uma vez, como já esclarecido acima, o que se verifica, de fato, é que os documentos acostados nos autos não comprovam as afirmações feitas pela fiscalização. Conforme ANEXO 1 do Termo de Verificação Fiscal, na tabela "Débitos autorizados realizados na conta corrente da Glauciane Maria de Souza", os documentos n. 42 a 61, 64, 66, 67, 68, 71, 85, 124 e 126 seriam os comprovantes da realização das operações em conjunto pelo impugnante e pela Sra. Glauciane. As operações representadas pelos documentos estão registradas unicamente em nome de uma delas, algumas em nome do impugnante, outras vezes, em nome da Sra. Glauciane. Não há qualquer indício de que o recurso sacado na conta de um tenha sido utilizado pelo outro para a realização de TEDs e DOCs. Os comprovantes de saques possuem a identificação precisa da conta sacada; bem como do titular desta, não havendo qualquer menção a outra pessoa. Da mesma forma, os documentos relativos às transferências realizadas identificam perfeitamente o sacado (conta e nome) e o beneficiário do recurso, não havendo nenhuma informação que indique que o recurso provém da conta bancária da Sra. Glauciane e foi realizada a transferência pelo impugnante, ou viceversa. A alegação da fiscalização de que haveria saque na conta de um e utilização dos recursos por outro, ou complementação de recurso do impugnante e da Sra. Glauciane para realização de uma única operação em nome de apenas um deles, simplesmente foi presumida pela fiscalização, não havendo sequer um documento que demonstre tal operação, nem mesmo que contenha o nome dos dois (salvo as operações realizadas diretamente entre eles, já explicadas). Acreditase que, a partir de anotações manuscritas, teria a fiscalização concluído que a identificação do nome da Sra. Glauciane e de valores seria prova de que houve a alegada complementação de valores entre o Sra. Glauciane e o Sr. Jamir. Inicialmente, vale destacar que anotações sem identificação de autoria, praticamente incompreensíveis não apenas quanto à leitura, mas também no que estariam relacionadas às operações representadas nos documentos, não podem ser admitidas como prova de nada. Afinal, qualquer um poderia ter realizado tal anotação, utilizando do documento, inclusive como uma forma de rascunho. Ademais, poderiam tais anotações ter sido realizadas em momento distinto da Fl. 3802DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 22 21 realização das operações representadas nos documentos, estando desvinculadas destas. Ora, como os prepostosprocuradores são, em algumas oportunidades, comuns, podem, por praticidade, realizarem o ato de forma conjunta. Em outros termos e em síntese, pode até ser que ocorra coincidência de transferência financeira do impugnante e da Sra. Glauciane em uma mesma operação em favor de terceiro, mas isso se deve, exclusivamente, pela suposta praticidade do funcionário que realiza o ato. Encerrada a demonstração que as diligências realizadas nas instituições financeiras em nada corroboraram com a alegação da fiscalização de que o impugnante utilizaria as contas correntes da Sra. Glauciane para operações de mútuo, passase à análise das diligências realizadas junto a terceiros, que receberam ou enviaram recursos à Sra. Glauciane, descritas no ANEXO 2 do Termo de Verificação Fiscal. Ressalta que, das 33 diligências realizadas pela fiscalização, em apenas 11 houve suposta relação com o impugnante, tendo todas as outras comprovado que a Sra. Glauciane realizava autonomamente operações de mútuo com terceiros. IV.2.6. Análise das 11 diligências em que, supostamente, teria vinculado o impugnante às movimentações nas contas bancárias de titularidade da Sra. Glauciane. Prossegue o defendente com a análise das 11 diligências em que, supostamente, teria se vinculado às movimentações nas contas bancárias de titularidade da Sra. Glauciane. Ao final conclui o impugnante que o resultado das diligências foi distorcido pela fiscalização a fim de tentar demonstrar que o impugnante teria participação nestas movimentações, contudo, ponto a ponto foi demonstrado que as conclusões da fiscalização não merecem crédito. Assim, inexiste qualquer possibilidade de imputação ao impugnante da movimentação bancária da Sr. Glauciane, motivo pelo qual requer o cancelamento do auto de infração combatido. IV.2.7. Impropriedade da atribuição de solidariedade Falta de previsão legal Alega o impugnante que, como não existe previsão legal, para não aparecer absurda a conclusão alcançada, a fiscalização assentou a suposta solidariedade nos artigos 134 e 135 do CTN. Nessa esteira, algumas considerações devem ser observadas. A primeira e mais importante, é que não existe sociedade entre o Sr. Jamir e a Sra. Glauciane. Impossível alcançar tal conclusão fática ou juridicamente. A propósito, a própria fiscalização reconhece tal fato na medida em que criou CNPJ separadamente para a Sra. Glauciane e o impugnante. Se é o caso de sociedade, por que não um CNPJ único? Por exclusão lógica, a hipótese que o Sr. Jamir e a impugnante poderiam se enquadrar seria no art. 134, VII e 135, I do CTN, ou seja, sócios. Nessa esteira argumentativa, inexiste qualquer possibilidade Fl. 3803DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 23 22 de, no caso concreto, sociedade de pessoas. Ora, tudo gira em torno de capital, recursos, mútuo etc. A sociedade de pessoas passou a ser denominada no Código Civil de 2002, como sociedade simples, caracterizando pela realização de atividade intelectual, científica, literária ou artística, o que certamente se diferencia da atividade de mútuo, realizada pelo impugnante. Ademais, a responsabilidade subsidiária somente terá vez no caso de liquidação. Destaquese novamente que inexiste sociedade. E, se ela existisse, não se pode afirmar, evidentemente, que ela estaria em sede de liquidação. Refutada, portanto, a alegação do art. 134, VI do CTN. Logo, o art. 135, que fala em responsabilidade pessoal, também não tem aplicabilidade no caso concreto. Isso porque a fiscalização não demonstrou cabalmente qual seria a lei, ou contrato social, ou estatuto ou os excessos de poderes que teriam sido violados. Além disso, o art. 135 não trata de responsabilidade solidária, trata de responsabilidade pessoal do sócio em relação à pessoa jurídica e não de solidariedade entre supostos sócios de empresa que nunca existiu. Por fim, não se pode olvidar que outra falha gritante da fiscalização foi deixar de observar que, relativamente à penalidade, com exceção a de caráter moratório, esta jamais poderá ser alvo de solidariedade, sob pena, inclusive, de violação expressa de disposição normativa art. 134, parágrafo único do CTN. Os fiscais apresentam outro argumento para justificar a solidariedade entre o Sr. Jamir e a impugnante. Desta feita, assinalam que a impugnante passou a aumentar a sua capacidade econômica substancialmente, enquanto o Sr. Jamir, ao seu turno, passou a reduzir. Não existe nenhum suporte lógico e coerente que fundamente essa conclusão. Talvez, essa premissa possa ser concluída de outras formas. A começar, ela é falha porque se pauta em presunções e não em provas. Em seguida, porque, conforme é cediço, o Sr. Jamir tem outras atividades, sendo certo que, em alguns períodos pode ter reduzido o trabalho de mútuo por estar necessitando de recursos para suas outras atividades. Sempre importante ressaltar que outro fundamento relevante é o que a impugnante é uma forte concorrente e pode ter atraído mais interessados que o Sr. Jamir, por exemplo, por praticar taxas menores. Logo, mais sensata tal conclusão para justificar o progresso de um e regresso de outro. Assim, diante de todos esses argumentos expostos que, faticamente, inexiste qualquer possibilidade de imputação de solidariedade e, juridicamente, tal conclusão não possui suporte legal. IV.3. Equiparação do Impugnante à Instituição Financeira A fiscalização equiparou o impugnante à Instituição Financeira, com base nos arts. 150 e 160 do RIR/1999. Fl. 3804DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 24 23 Nos termos legais, são atividades das instituições financeiras a "intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros." As atividades das instituições financeiras em nada se confundem com as operações realizadas pelo impugnante que, como foi afirmado durante todo o procedimento fiscal e comprovado pela própria fiscalização, consistiam na realização de empréstimos por meio da troca de títulos de crédito de terceiros. Para que não reste dúvidas, vale rememorar que os empréstimos realizados pelo impugnante eram feitos por meio da compra de títulos de crédito, ou seja, o impugnante recebia dos mutuários "cheques pré datados", próprios ou de terceiros, e notas promissórias disponibilizando o recurso financeiro representado por esses títulos de forma imediata através da emissão de cheques ou realização de transferências bancárias para os mutuários. Assim, quando do vencimento dos "cheques prédatados", estes eram depositados nas contas do imPugnante e as notas promissórias eram resgatadas pelos mutuários pela entrega de cheques, dinheiro ou transferências para as contas do impugnante. A realização de empréstimos ou mútuos tem regulamentação pela lei civil e não pela legislação das instituições financeiras, podendo ser praticada por qualquer pessoa física ou jurídica nos termos do Código Civil. Assim demonstrado, tornase impossível a aplicação do arbitramento nos termos do art. 533 do RIR/1999 como pretende a fiscalização, uma vez que tal previsão se aplica exclusivamente a instituições financeiras que realizem as operações elencadas no referido dispositivo. Como se verifica de trecho do "Termo de Verificação Fiscal" do PTA n° 10665.000564/200929, os auditores expressamente afirmam que o arbitramento deve ser realizado "com aplicação do maior percentual para se apurar o lucro". Esse trecho demonstra que a fiscalização não estava preocupada em aplicar o arbitramento adequado ao caso, mas tãosomente aplicar o maior percentual para se apurar o lucro, mesmo que para tanto tivesse que inventar que as operações do impugnante tratavamse de operações próprias de instituições financeiras, apenas para aplicar o maior percentual possível para apuração do lucro no arbitramento, no caso, 45% para definição da base de cálculo. O enquadramento do impugnante como instituição financeira contradiz tudo que foi dito no curso do procedimento fiscal tanto pelo impugnante quanto pela fiscalização. Afirmou a fiscalização, por diversas vezes, como se depreende dos TIF n. 003, 004, 005 e 006, que as operações de empréstimos exercidas pelo contribuinte seriam operações comerciais de factoring. As factoring não são instituições financeiras, nos termos da Lei n° 4.595, de 1964, possuindo, inclusive, tratamento próprio, previsto no art. 58 da Lei n° 9.430, de 1996, para fins de imposto de renda. Assim, Fl. 3805DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 25 24 tendo durante todo o procedimento fiscal ficado demonstrado que as operações de mútuo realizadas pelo impugnante se equivalem à atividade de "factoring", não poderia a fiscalização, no TVF, último ato do procedimento fiscal, sem a ocorrência de nenhum fato novo, alterar o seu entendimento apenas para aplicar o maior percentual possível do arbitramento, ou seja, apenas para arrecadar mais. Inclusive, corroborando todas essas afirmações e a configuração da operação de factoring, a título exemplificativo, o impugnante faz referência à diligência 06.1.07.002008004327 realizada pela fiscalização junto à Bonet Madeiras e Papéis Ltda., tal contribuinte esclareceu a finalidade dos recebimentos de recursos como sendo decorrentes das operações; de factoring; e à diligência n° 06.1.07.00 2008004211, realizada junto ao Sr. Nelson Adriano dos Santos, que também deixaria claro que as operações eram realizadas mediante já troca de cheques, o que descaracteriza totalmente as operações realizadas como operações de instituições financeiras, pois, como se sabe, estas são impedidas de realizar estes negócios jurídicos, estando obrigadas a sempre realizar a compensação dos cheques. Considerando que os cheques são direitos creditórios e decorrem de operações mercantis, fica caracterizada a operação de factoring, afastando a possibilidade de equiparação à instituição financeira. Assim, ainda que o órgão julgador entenda ser hipótese de arbitramento, as operações realizadas devem ser consideradas de factoring e não como próprias de instituições financeiras. IV.4. Impossibilidade da Realização do Arbitramento IV.4.1.Impossibilidade de exigência de escrituração contábil nos termos do art. 160 do RIR, como fundamento jurídico para a realização do arbitramento Como já relatado, a fiscalização equiparou o impugnante à instituição financeira, utilizandose da previsão do art. 150 do RIR/1999. Apesar de confusa a fundamentação apresentada pela fiscalização para sustentar a realização do arbitramento, com muito exercício hermenêutico, é possível concluir que tal sistemática foi adotada em razão da ausência de escrituração contábil, nos termos do art. 160 do RIR. Ocorre que o art. 160 do RIR, fundamento legal para exigência da escrituração contábil, que, por sua vez, foi o fundamento para a realização do arbitramento, não se adequa ao caso dos autos, sendo certo que a mesma não está obrigada ao cumprimento das determinações do referido dispositivo, como sustentaram os Auditores Fiscais. Verificase que o mencionado art. 160 do RIR/1999 referese tão somente à hipótese de equiparação de pessoas físicas a "Empresas Individuais Imobiliárias" (Capítulo II— Seção II), ou seja, atividade absolutamente estranha à atividade desenvolvida pelo impugnante. Como ficou demonstrado, não se aplicando o art. 160 do RIR ao impugnante e, por consequência, não estando o mesmo obrigado à Fl. 3806DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 26 25 manutenção de escrituração fiscal, afastase por completo todas as hipóteses legais para a utilização do arbitramento como forma de determinação da base de cálculo do tributo, uma vez que tais hipóteses pressupõem a exigência de manutenção da escrituração fiscal. IV.4.2 Vedação à utilização do Arbitramento em Razão da Possibilidade de se apurar o Lucro Real, ou seja, a renda efetiva Ficará demonstrado, ainda, que é possível a apuração da eventual renda do impugnante pela sistemática do lucro real, determinandose sua renda efetiva, o que afastaria por completo a possibilidade de utilização do arbitramento. Tal assertiva foi confirmada inúmeras vezes pela própria fiscalização, como, por exemplo, na descrição dos fatos e fundamentos legais do auto de infração, onde afirma: forma de tributação desta atividade é o Lucro Real ou na impossibilidade da apuração por esta forma, o Lucro Arbitrado". Assim, passase a demonstrar as possibilidades de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL a partir do ganho efetivo nas operações de mútuo, que pode ser determinado pela movimentação bancária do impugnante. IV.4.2.1. Da possibilidade de apuração do ganho obtido nas operações de mútuo Impossibilidade do Arbitramento Como se constata, não há dúvida de que a movimentação do impugnante decorre das operações de mútuo realizada por este. Assim, como é notório e presumido, pelo art. 591 do CC/2002, que o mútuo de dinheiro é oneroso, ou seja, incidem juros, devese concluir que os juros cobrados pelo impugnante são os ganhos (o lucro) obtidos na realização das operações e devem ser apurados para determinar a base tributável. As operações de mútuo eram realizadas através de emissão de cheques, transferências, TEDs e DOCs e do recebimento de cheques de terceiros. Logo, fica evidente que é possível calcular o montante dos empréstimos realizados e, por conseqüência, aplicar o juros cobrados sobre tal montante para se apurar os ganhos. Em seguida, o impugnante passa a explicitar o procedimento que tornaria possível a apuração do lucro real, com base nos juros cobrados nas operações de mútuo, afastando por completo a possibilidade do arbitramento. Para demonstrar a funcionalidade desse método de apuração do lucro real, o impugnante elaborou uma planilha seguindo o passo a passo por ele descrito (documentos anexo). Verificase, pelo resultado apurado, que o valor obtido é infinitamente inferior aos 45% utilizado na apuração da base de cálculo a partir do equivocado arbitramento realizado, distanciado do rendimento real do impugnante e da previsão legal para sua utilização. Enquanto na apuração pela sistemática do arbitramento a base de cálculo do Imposto de Renda atingiu a vultuosa e surreal quantia de aproximadamente R$ 7,5 milhões, apenas das duas contas consideradas pela fiscalização, o levantamento efetuado com base no Fl. 3807DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 27 26 lucro real, apurado sobre o valor dos juros e correção monetária cobrados nas operações de mútuo, não ultrapassou 5% do valor supra mencionado. Não espera o impugnante que a planilha apresentada seja simplesmente acolhida e aceita como valor definitivo. Pelo contrário, o impugnante deseja e requererá que seja realizada perícia técnica para a apuração precisa dos ganhos obtidos através da cobrança de juros nas operações de mútuos, até porque acredita que um técnico poderá colaborar com a certeza esperada de todo procedimento fiscal. Vale ressaltar que a fiscalização pode confirmar o montante dos juros e correção monetária com a verificação das próprias diligências realizadas no curso do procedimento, já que alguns contribuintes que realizaram operações com o impugnante informaram exatamente o valor dos títulos trocados e o valor pago na liquidação do mútuo, tornando evidente a possibilidade de apuração dos valores. IV.4.2.2. Escrituração das operações com base nos extratos bancários Além da possibilidade de apuração do valor do juros cobrados como acima demonstrado, o impugnante, em um trabalho minucioso a partir dos extratos bancários, buscou identificar algumas operações para determinar qual o montante emprestado e o valor recebido. Como ressaltado durante o procedimento fiscal, o impugnante só teria condição de identificar cada uma das operações, com valor emprestado, valor recebido e beneficiário, a partir da obtenção da microfilmagem dos cheques emitidos e recebidos. Porém, diante da dificuldade de obtenção nas instituições financeiras das microfilmagens dos cheques (conforme informado durante o procedimento fiscal e solicitação feita após a autuação doc. anexo), o impugnante buscou identificar cada uma das operações, por meio de "borderôs". Em cada borderô foi identificado o cheque ou transferência que representa a realização do empréstimo ao mutuário e, em contrapartida, foram identificados os depósitos que representam a quitação do referido empréstimo, a título de amostragem. A partir desse levantamento, ficará cabalmente comprovado o lucro/ganho real em cada uma das operações, afastando por completo a necessidade e possibilidade de realização do arbitramento. Vale ressaltar que se tratando de um trabalho minucioso e sendo as operações em grande número, o que é agravado pela falta dos cheques que demonstram a operação, ainda não foi possível o levantamento completo das informações, o que se pretende concluir ao longo do processo administrativo. Assim, a partir dessas operações identificadas tornase possível o cálculo do juros médios das operações e, aplicandose esses juros médios sobre os demais empréstimos realizados terseá a base de cálculo da tributação do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro. Fl. 3808DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 28 27 Tais fatos deixam claro que a fiscalização não primou pela busca da verdade material, ficando evidenciado o interesse de apenas aumentar a arrecadação dos tributos, mesmo que, para isso, tenha que se afastar da legalidade e da razoabilidade, o que torna impossível a realização do arbitramento. Ainda que se admita o arbitramento, não se pode olvidar que os elementos disponibilizados durante todo o procedimento de fiscalização devem ser observados, conforme exposto acima. O presente caso concreto não é de instituição financeira, mas sim de factoring, cujo tratamento legislativotributário é específico. Nessa linha, pois, devese ter em mente que, ao contrário do que foi estipulado pelos fiscais, nem todas as entradas na empresa de factoring devem ser equiparadas à receita/faturamento e renda, para fins de tributação. Isso reflete não só para fins de IR, mas também e em mesmo grau, para CSLL, PIS e Cofins. Fazendo referência a disposições do Ato Declaratório SRF n° 9, de 23/02/2000 e à jurisprudência, ressalta o impugnante que o lançamento deverá observar os preceitos normativos elencados, enfatizando que somente os ganhos (diferença entre saída e entrada de recursos) devem ser observados. IV.4.2.3. Da possibilidade da apuração do lucro real mediante a consideração das "entradas" como receitas e as "saídas" como despesas, como admitido pela própria Fiscalização Impossibilidade do arbitramento. A fiscalização em praticamente todos os Termos de Intimação Fiscal, afirmou que "Nas operações de empréstimos, factoring ou mútuo, os pagamentos dos clientes representam as receitas, enquanto que os valores repassados a eles representam os custos." (TIF n. 006, pg.1). Sendo assim, pressupondo que o impugnante se equipare a factoring ou mesmo instituição financeira, o que faz para argumentar, os valores recebidos pelo impugnante dos mutuários representam a receita, enquanto que os valores emprestados representam os custos, ou seja, as despesas. Vale ressaltar que os extratos bancários disponibilizados à fiscalização durante o procedimento fiscal podem e devem ser considerados como a própria escrituração fiscal do impugnante, uma vez que todas as operações de mútuo eram realizadas mediante movimentação bancária, sendo que os extratos são o próprio livro caixa do impugnante, estando neles registradas todas as operações. Para demonstrar como seria simples a apuração do lucro real (ganho) considerando as "entradas" de recursos nas contas bancárias como receitas e as "saídas" de recursos como despesas, assim como foi feito no tópico anterior, o impugnante fez uma breve exposição dos procedimentos para se chegar a base de cálculo do imposto de renda (documentos anexos), tendo ressaltado que, pelo resultado apurado, o valor obtido é infinitamente inferior ao arbitramento realizado, demonstrando o equívoco, quer pelo seu distanciamento no tocante à Fl. 3809DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 29 28 verdade material, ao efetivo ganho do impugnante, quer pela ausência, repitase, de previsão legal para sua utilização. V MULTA APLICADA V.1 Multa de 150% art. 44, II da Lei n° 9.430/96 falta de previsão legal A penalidade aplicada teria previsão legal no art. 44, II da Lei n° 9.430, de 1996. Nessa linha, exsurge a primeira questão: como os fiscais chegaram à conclusão de que se deveria pagar multa no importe de 150% do valor do tributo, de acordo com a redação atual do art. 44, II da Lei 9.430, de 1996? Principalmente, pelo fato de o lançamento tributário ter sido concretizado em maio de 2009, ou seja, cerca de três anos após as multas de 150% terem sido excluídas do referido diploma normativo? Evidentemente, a conduta adotada está desamparada de suporte legal, em total ausência de sintonia com os princípios da legalidade e da tipicidade tributárias, positivados no texto constitucional. Nesse sentido, pois, não deve prevalecer a penalidade imposta, devendo ser imediatamente afastada. V.2 Inaplicabilidade do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 Efeito confiscatório da penalidade aplicada Violação do art. 150, IV da CRFB A penalidade deve ser afastada de plano, pois além de atualmente não existir previsão legal para sua aplicação, ela tem evidente efeito confiscatório. Em reiteradas decisões, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem utilizado o enunciado normativo do art. 150, inciso IV, da Constituição da República para afastar multa tributária exorbitante decorrente de descumprimento de obrigação tributária. Destaquese: tributo e penalidade tributária não podem ter efeito confiscatório. Logo, multa correspondente a uma vez e meia ao tributo a ser pago, viola o direito à propriedade e, consequentemente, possui caráter de confisco. V.3 Inaplicabilidade do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 Tipicidade cerrada tributária flagrantemente violada Violação ao postulado da coerência Conforme restou consignado durante todo o curso da ação fiscal, todas as intimações enviadas para o impugnante traziam em seu corpo que, em caso de falta de atendimento, ou quiçá, reiteração das requisições apresentadas, ensejaria aplicação da penalidade prevista no art. 968 do RIR. Assim, a partir do momento em que a fiscalização insere em uma carta oficial de intimação que, em caso de descumprimento, ensejará multa nos termos do art. 968 do RIR, indubitavelmente, até mesmo em respeito ao postulado da coerência, que o Auditor Fiscal não pode se valer de outros mecanismos para aplicar penalidade mais severa. Isso Fl. 3810DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 30 29 é quebrar com os princípios da segurança jurídica e o da boafé na relação Estadocontribuinte. Portanto, caso não seja afastada a penalidade imposta, em primeiro lugar, porque inexiste conduta típica; em segundo, em razão de o dispositivo legal utilizado como suporte inexistir no ordenamento jurídico; em terceiro lugar, porque resta flagrante o efeito confiscatório do ato, em total falta de sintonia com art. 150, IV da CRFB, seja a penalidade desqualificada e, por conseguinte, aplicado o enunciado previsto no art. 968 do RIR, conforme previsto no ordenamento jurídico brasileiro e inserido no corpo do texto de todas as cartas. V.4 Eventualidade: inaplicabilidade do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 Inexistência de fraude Retroatividade benigna Lei n° 11.488/2007. Talvez os Auditores Fiscais tenham observado indevidamente a legislação em vigência à época da concretização dos supostos fatos geradores. No entanto, ela não terá aplicabilidade ao caso concreto, quer em razão da inexistência de fraude, dolo etc; quer em virtude da aplicação da retroatividade benigna da lei com relação às penalidades, nos termos do art. 106 do CTN. Nessa linha argumentativa, pois, devese destacar que em nenhum momento o impugnante teve como escopo agir com fraude, isto é, visando prejudicar o fisco. E mais, os Auditores Fiscais responsáveis não assinalaram isso com veemência e, muito menos, comprovaram o verdadeiro intuito de fraude. Passase a discorrer. V.5 Inexistência de fraude no caso concreto Inaplicabilidade da antiga redação do art. 44, II, da Lei n° 9.430/1996 A fiscalização, quando impingiu a multa qualificada, pressupôs uma série de condições, sem levar em consideração as condutas corretas e realmente praticadas pelo contribuinte, totalmente em sentido contrário àquelas que visam agir com fraude. Vejase, pois, alguns exemplos: a) o contribuinte sempre apresentou declaração de Imposto de Renda; b) ele sempre teve como escopo atender às solicitações deste renomado órgão federal, comprovando documentalmente que estava diligenciando junto às instituições financeiras; c) apresentou informações relativas ao seu patrimônio, quando solicitado; d) quando teve acesso a informações junto às instituições bancárias relativamente à origem de recursos, sempre compartilhou informações com a RFB; e) todas as indagações formuladas ao longo da fiscalização foram respondidas. Então, a partir dessa conduta realizada pelo impugnante e que deveria ter sido detectada pela fiscalização, questionase: (i) existe fraude no caso concreto? (ii) O contribuinte teve realmente intenção de macular? Fl. 3811DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 31 30 Ora, todos esses fatos e provas em conjunto demonstram evidentemente a boafé na Conduta do impugnante ao longo dos anos, por conseguinte, faltando elemento essencial para se caracterizar a fraude: o animus. Sem a existência do elemento subjetivo, devidamente presente e comprovado, não há que se falar em fraude e/ou sonegação. Conforme exaustivamente debatido e decidido pelo Conselho de Contribuintes, a fraude, para ser configurada, dependerá de prova inequívoca ou ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos pela fiscalização. No caso dos autos, não se pode esquecer que existem três situações evidentes que afastam a fraude: (i) a Autoridade Fiscalizadora não atendeu aos requisitos legais, isto é, ela não apontou de forma minuciosa e não houve prova nenhuma em relação à suposta conduta fraudulenta; (ii) a Autoridade Administrativa fundamentou e apurou o crédito tributário por meio de presunções, equivocadas, no entanto; e (iii) voluntariamente, o impugnantecontribuinte demonstrou a seriedade dos seus atos, comprovando e fundamentando a sua interpretação da legislação tributária, inclusive atendendo todas as solicitações realizadas durante o processo de fiscalização. Desde da primeira manifestação, o impugnante vem afirmando que realizava operações de mútuo, tendo sido tal fato confirmado pela fiscalização. Também afirmou que não 'possuía nenhum documento de controle das operações, uma vez que elas eram controladas pelos próprios títulos (cheques). Ressaltese que em diligências realizadas pelos Auditores Fiscais nas instituições financeiras e mutuários, os fatos foram integralmente confirmados. Verdadeiramente, o que se verifica nos autos é que tudo que foi dito pelo contribuinte foi !demonstrado, justificado e comprovado pela própria fiscalização. Logo, como imputar ao impugnante a condição da fraude, em razão de não manter escrituração fiscal, se este entendia que não estava obrigado e afirmou textualmente esta condição quando questionado. Assim sendo, não se pode olvidar que o instituto da fraude não se caracterizou no, caso concreto, devendo, por conseguinte, ser afastada a multa qualificada aplicada e as demais consequências. V.6 Aplicação da lei em vigência quando da constituição do suposto crédito tributário Lançamento tributário art. 144 CTN Amparandose na antiga redação da Lei n° 9.430/1996, a fiscalização aplicou multa qualificada de 150%. Ocorre, entretanto, que a referida lei, que sustenta a aplicação da mencionada multa, foi revogada pela Lei n° 11.488/2007 com vigência a partir da sua publicação. Portanto, mais do que evidente que o dispositivo sofreu alteração substancial na sua redação, conforme anteriormente exposto. De acordo com art. 144 do CTN, o lançamento tributário deverá ser regido pela lei vigente à época da ocorrência do fato jurígeno. Entretanto, tal regra é aplicada tãosomente no que se refere à obrigação tributária principal de pagar tributo. Logo, em relação às penalidades por descumprimento de obrigação tributária, a regra será outra. Fl. 3812DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 32 31 O Capítulo III do Livro II do CTN, especificamente os arts. 105 e 106, dispõem acerca da aplicação da legislação tributária. O diploma legal, inspirado no direito penal, ao tratar das sanções em matéria tributária, determina a aplicação da lei mais favorável ou mais branda em favor do contribuinte. Já foi sustentada acima a inexistência de fraude no caso concreto, motivo pelo qual a multa aplicada deve ser afastada. Entretanto, em respeito ao princípio da eventualidade, a penalidade deverá ser reduzida e ser pautada de acordo com a legislação atual Lei n° 11.488/2007. E, assim sendo, em sede de conclusão, a penalidade não deverá permanecer i porque: (i) inexiste conduta atípica que faça incidir multa ou qualquer penalidade tributária; (ii) a penalidade aplicada no Auto de Infração não possui previsão legal no ordenamento jurídico; (iii) a penalidade aplicada não está em sintonia com o texto constitucional, sendo mais do que evidente a existência de caráter confiscatório; (iv) simples omissão de receita, que não é a hipótese dos autos, não corresponde necessariamente à fraude, motivo pelo qual totalmente imprópria a aplicação da redação antiga da Lei; (v) diante a flagrante inexistência de fraude, conforme salientado, caso tenha que ser mantida penalidade, que, ao invés de 150% do valor do tributo, seja aplicada a penalidade prevista no art. 968 do RIR, conforme destacado pelo fiscal em todos os termos de intimação, ou, quiçá. VI DOS PEDIDOS Por tudo quanto exposto, requer seja julgado improcedente o Auto de Infração, por conseguinte, extinto o lançamento tributário e afastado o pretenso crédito tributário tributo e multa. Em respeito à eventualidade, caso não seja acolhido o pedido supra, que seja afastada a possibilidade de aplicação do arbitramento, e apurado o ganho efetivo e real das operações de Mútuo, para que tais valores sirvam de base de cálculo para a tributação. Requer, ainda, que seja afastada a penalidade aplicada 150% do valor do tributo , pois esta não existe no ordenamento jurídico brasileiro. Ademais, deve ser afastada pelo fato de inexistir fraude, dolo ou sonegação no caso concreto e, principalmente, por não ter sido devidamente demonstrada pela Autoridade Fiscal; além de possuir evidente caráter confiscatório. Ainda em respeito à eventualidade, caso seja considerado típico qualquer ato praticado; que a penalidade seja aplicada, de acordo com a legislação nacional em vigência e asseverada nos termos de intimações fiscais, ou seja, o disposto no art. 968 do RIR. Por fim, caso nenhuma das alternativas acima seja admitida, requer que, em última instância, seja aplicada a penalidade prevista no art. 44, II da Lei n° 9.430/1996, redação atual, em respeito ao disposto no art. 106 do CTN. Requer, também, a produção de prova documental, ainda não disponibilizada pelas instituições financeiras, mas, especialmente, produção de prova pericial, considerando a necessidade de Fl. 3813DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 33 32 comprovação de que é possível apurar o ganho do impugnante pela sua movimentação bancária (Quesitos em anexo). Os documentos anexados à impugnação constam das fls. 1977/2098. O documento de fls. 2047/2096 tratase de cópia de impugnação apresentada por Glauciane pertinente ao processo n° 10665.000564/200984. Em sessão de 11 de agosto de 2009, a 2a Turma da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte, por unanimidade de votos, decidiu pela improcedência da impugnação, com a manutenção integral dos montantes lançados e afastou, ainda, o pedido de perícia formulado. Com a ciência da decisão, a interessada interpôs recurso, no qual repisou, basicamente, os argumentos da impugnação, acrescidos de farta documentação, notadamente cópias de borderôs e de cheques. Em 05 de agosto de 2010, esta Turma, a partir da relatoria do Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, resolveu converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora informasse se foi dada ciência ao responsável Jamir de Souza Machado, posto que não fora encontrado, nos autos, recurso voluntário em seu nome. Consta ainda dos autos, embora fora de ordem cronológica, manifestação de Glauciane Maria de Souza, pela qual requer a juntada de documentos obtidos a partir das cautelares impetradas contra instituições financeiras e cooperativas, com o objetivo de obter dados que comprovassem as suas alegações. A copiosa documentação foi acostada às fls. 3.229 e seguintes. Por força da Resolução exarada neste Conselho, a autoridade preparadora promoveu a ciência da decisão de primeira instância ao responsável solidário Jamir de Souza Machado, que, por seu turno, interpôs o correspondente Recurso Voluntário (fls. 3.682 e ss.), no qual repisou, em síntese, os argumentos formulados na impugnação. Posteriormente, o Voluntário em nome do Sr. Jamil foi emendado, para que o julgamento dos autos fosse sobrestado até que o STF se manifestasse no RE 389.808/PR, em que se discute o acesso a dados bancários sem ordem judicial. Depois de diversos trâmites internos neste Conselho, os autos foram distribuídos, por conexão, a este Relator, em 04 de agosto de 2015. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Os recursos são tempestivos e atendem aos pressupostos legais, razão pela qual deles conheço. Fl. 3814DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 34 33 Antes da análise da longa questão fática que o caso enseja, entendo que há questão preliminar que merece atenção. A leitura dos autos nos leva a concluir que a autoridade fiscal foi bastante diligente durante os trabalhos, ao emitir diversos termos de intimação, que foram apenas parcialmente atendidos. Contudo, a interessada Glauciane Maria de Souza, já na fase recursal, apresentou manifestação para a juntada de documentos, notadamente cheques, extratos e borderôs, que foram obtidos a partir de cautelares impetradas e deferidas pela Justiça de Minas Gerais, que tinham como objetivo atender às solicitações do Fisco e comprovar suas alegações. Embora entenda que a aceitação de novos documentos, na fase do Recurso Voluntário, deva ser vista com parcimônia, principalmente porque muitas vezes a medida se constitui em verdadeira deslealdade para com a autoridade fiscal, que não teve a oportunidade de apreciálos durante os procedimentos de auditoria, no presente caso, conforme reconhecido pela Justiça, o pedido cautelar foi formulado para que os bancos atendessem à solicitação da Recorrente. O pedido tem como fundamento o artigo 16, § 4o, a, do Decreto n. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (grifamos) Nesse sentido, em homenagem ao princípio da verdade material, que deve nortear o processo administrativo e, por decorrência, as decisões deste Conselho, aliado ao fato de que a Justiça Estadual reconheceu liminarmente a pretensão da Recorrente quanto à apresentação dos documentos, entendo conveniente a baixa dos autos em diligência, para que a autoridade competente: a) Analise toda a documentação acostada aos autos, por força das liminares concedidas, e elabore parecer conclusivo, com os cálculos pertinentes, sobre: se os documentos possuem ou não o condão de alterar os lançamentos efetuados ou qualquer dos seus fundamentos; se, à luz dos documentos, deve ser promovida qualquer alteração no que tange à responsabilidade solidária imputada às pessoas físicas. b) Intime, nos termos e na forma que julgar convenientes, os sujeitos passivos, contribuintes e responsáveis, para que estes prestem, caso necessário, esclarecimentos adicionais ou apresentem documentos complementares. Fl. 3815DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10665.000563/200984 Resolução nº 1201000.176 S1C2T1 Fl. 35 34 c) Ao final, promova a ciência dos interessados acerca das conclusões, abrindo lhes prazo para manifestação. Ressaltese que o processo deverá tramitar em conjunto com os autos de n. 10665.000564/200929, que discutem a mesma matéria fática e jurídica, razão pela qual o presente feito foi distribuído a este Relator, por conexão. Assim, ambos deverão ser encaminhados às autoridades de jurisdição do contribuinte e, após a adoção das providências solicitadas em diligência, deverão retornar a este Conselho, para apreciação e julgamento em conjunto. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por CONVERTER o julgamento em diligência, para a adoção das medidas propostas. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 3816DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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