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Numero do processo: 11065.003100/2005-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002, 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITA INFORMADA A MENOR. PIS NÃO- CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO.
As receitas não operacionais integram a base de cálculo do PIS não-cumulativo, consoante artigo 1º, da Lei nº 10.637/2002.
NOTA FISCAL. COMPRAS. COMPROVAÇÃO. DILIGÊNCIA.
A partir do resultado da diligência, comprovando a existência das compras, por meio da análise de notas fiscais, desfaz-se a glosa, tendo como fundamento o princípio da verdade material.
OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTO NÃO CONTABILIZADO.
Os pagamentos não contabilizados e que não são provados, são considerados como receita omitida.
MATÉRIA NÃO-IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
A matéria que não for expressamente contestada torna-se definitiva na esfera administrativa.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A multa pelo lançamento de ofício de 75% é aplicada com fundamento no artigo 44, da Lei nº 9.430/1996.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF 4.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-005.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas constantes no Relatório de Diligência Fiscal de e-fls. 558 a 563.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITA INFORMADA A MENOR. PIS NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. As receitas não operacionais integram a base de cálculo do PIS não cumulativo, consoante artigo 1º, da Lei nº 10.637/2002. NOTA FISCAL. COMPRAS. COMPROVAÇÃO. DILIGÊNCIA. A partir do resultado da diligência, comprovando a existência das compras, por meio da análise de notas fiscais, desfazse a glosa, tendo como fundamento o princípio da verdade material. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTO NÃO CONTABILIZADO. Os pagamentos não contabilizados e que não são provados, são considerados como receita omitida. MATÉRIA NÃOIMPUGNADA. PRECLUSÃO. A matéria que não for expressamente contestada tornase definitiva na esfera administrativa. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A multa pelo lançamento de ofício de 75% é aplicada com fundamento no artigo 44, da Lei nº 9.430/1996. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 00 /2 00 5- 72 Fl. 568DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas constantes no Relatório de Diligência Fiscal de efls. 558 a 563. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo. Relatório Tratase de auto de infração para lançamento da contribuição para o PIS/Pasep. Do Relatório Fiscal, fls. 9/171, extraise: Em conformidade com o Mandado de Procedimento Fiscal n° 10.1.07.002005000947, a fiscalização se refere a apuração da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/PASEP nãocumulativo relativamente aos períodos dezembro/2002 e abril a setembro de 2003. Cabe destacar que, relativamente ao período fiscalizado, em função da apuração de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP, passíveis de ressarcimento em espécie ou compensação com débitos próprios relativos a outros tributos e contribuições administrados pela SRF, a fiscalizada protocolizou pedidos de ressarcimento e/ou declarações de compensação de que tratam os artigos 22 e 26 da IN SRF n° 460/04. (...) 2 DIVERGÊNCIAS DACON X PROCESSO Os processos protocolados pelo contribuinte apresentam inconsistências relativamente aos valores informados na DACON. Adicionalmente, ao preencher a DACON, o contribuinte, além de não deduzir dos créditos os débitos do imposto correspondente, também efetuou o preenchimento de formas a contar os créditos de forma cumulativa. Ainda, os valores informados nos pedidos de ressarcimento constantes dos processos não contemplam os cálculos demonstrados nas DACON's. Desta forma, primeiramente a fiscalização efetuou a correção das DACON's para (a) suprimir a cumulatividade 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 11065.003100/200572 Acórdão n.º 3302005.088 S3C3T2 Fl. 3 3 valores solicitados, e (b) para deduzir os débitos dos créditos respectivos. Posteriormente, fezse o comparativo dos valores ajustados das DACON's com os valores solicitados nos processos respectivos. As diferenças foram glosadas (VALOR A MAIOR NO PROCESSO) tendo em vista os valores solicitados nos processos serem sistematicamente maiores que os comprovados através das DACON's. Contudo, observase que nos meses agosto e setembro de 2003, a fiscalizada declarou o débito em DCTF (cópias em anexo). 3 DESCRIÇÃO DAS IRREGULARIDADES FISCAIS CONSTATADAS 3.1 Irregularidades Relativas aos Débitos 3.1.1 Receita Informada a Menor A fiscalizada informou na DACON receita divergente da que foi contabilizada nos balancetes dos meses de julho, e agosto de 2003, conforme a seguir: (...) 3.2 Irregularidades Relativas aos Créditos 3.2.1 Dedução Indevida de Estoque de Abertura No mês dezembro de 2003, a fiscalizada deduziu indevidamente o valor relativo ao estoque de abertura a que se refere o art. 11 da Lei 10.637/02. (...) 3.2.2 Deduções Indevidas de Compras A fiscalizada informou na DACON, compras relativas a notas fiscais cujo original, mesmo com as prorrogações de prazo concedidas (aproximadamente cinco meses), não conseguiu apresentar a fiscalização. A tabela a seguir relaciona as notas que no foram apresentadas a fiscalização (muito embora estejam registradas na contabilidade da empresa) e o valor relativo ao PIS incluído a maior pela fiscalizada em cada mês. (...) 3.3 Omissão de Receita 3.3.1 Pagamentos não contabilizados Durante o processo de verificação da quitação das notas fiscais de insumos, foi verificada a existência de diversos documentos de quitação em moeda corrente nacional ao fornecedor que não foram registrados no livro Diário da Empresa. A contribuinte apresentou impugnação, fls. 188/211, onde alegou em síntese: Fl. 570DF CARF MF 4 1. Aponta que a irregularidade do item 3.1.1 não condiz com a realidade, pois uma simples análise do valor correto, devidamente informado em DCTF e balanço anual, bem como DIPJ, confere com o valor registrado na DACON; 2. Quanto ao item 3.2.2, fls. 04, apresentou para a fiscalização fotocópias das respectivas notas fiscais e informou que as originais estavam no processo de fiscalização, movido pela Receita Estadual, sendo que outros documentos estavam com o novo contador, apresentou o Livro registro apuração ICMS, para fim de comprovar a entrada da mercadoria, bem como as duplicatas quitadas relativo aos pagamentos daquelas mercadorias; 3. Em relação ao item 3.3.1, argumenta que a fiscalização partiu de premissas incorretas, que não condiz com os fatos jurídicos efetivados. Ela não solicitou e também não quis verificar, quando lhe oferecido, os livros diários auxiliar, onde constam as baixas de pagamento e recebimentos individualizados, que facilmente comprovariam os procedimentos da empresa; 4. Entende que pela verdade material e a prova indiciária, é necessária a formação de um juízo de certeza quanto aos fatos tributários, não bastando apenas a sua verossimilhança; 5. Afirma que o direito ao crédito é da própria essência do sistema da não cumulatividade; 6. Que o ônus de provar é da fiscalização e discorre sobre a nulidade dos atos administrativos irregulares; 7. No tocante à multa, afirma que a legislação é clara que deve ser comprovado o intuito de fraudar do contribuinte para que lhe seja imposta a multa ao percentual de 75%, devendo a multa ser no máximo de 20%; 8. Afirma que a Taxa Selic não tem reflexos no âmbito tributário; 9. Pleiteia pela aplicação da regra tributária mais benigna e pela produção de prova pericial. Sobreveio o acórdão da DRJ/Porto Alegre, que julgou improcedente, fls. 231, e cuja ementa é transcrita abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003 NOTA FISCAL COMPRAS COMPROVAÇÃO Indispensável apresentação de nota fiscal, documento que comprova a operação de aquisição, para que as compras efetuadas dêem direito ao crédito de PIS nãocumulativo. OMISSÃO DE RECEITAS PAGAMENTO NÃO CONTABILIZADO SALDO CREDOR DE CAIXA Verificada a inexistência de registro na contabilidade da empresa de pagamento efetuado e havendo reconstituição da conta caixa para inclusão de referido registro, a qual resultou em saldo credor, caracterizada está a omissão de receita, acaso não haja prova em contrário. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 11065.003100/200572 Acórdão n.º 3302005.088 S3C3T2 Fl. 4 5 PIS NÃO CUMULATIVO BASE DE CALCULO As receitas não operacionais integram a base de cálculo do PIS não cumulativo, exceção apenas para aquelas decorrentes de venda do ativo imobilizado. MATÉRIA NÃOIMPUGNADA A matéria que não for expressamente contestada tornase definitiva na esfera administrativa. A contribuinte, então, apresentou Recurso Voluntário, fls. 246, onde repisou a argumentação da impugnação. Os autos subiram a este Egrégio Tribunal Administrativo, onde por meio da resolução nº 3801000.807, Relator Sidney Eduardo Stahl, o feito foi convertido em diligência, para, fls. 545/546: São cinco os pontos apontados no Auto de Infração que devem ser examinados por essa Turma: (i) Divergências entre os valores constantes da DACON apresentada pela empresa e o montante solicitado nos pedidos de ressarcimento e/ou declaração de compensação; (ii) receitas informadas a menor pela falta de inclusão de receitas nãooperacionais; (iii) dedução indevida do estoque de abertura; (iv) omissão de receita — saldo credor de caixa; e, (v) dedução indevida de compras. (...) Assim, e com base no princípio da verdade material entendo que o exame deveria ter se estendido também ao livro auxiliar. Considerados esses pontos tenho também que o presente processo não se encontra pronto para julgamento devendo a Delegacia de origem em procedimento de auditoria subsidiar essa Turma com informações para que possamos julgar o presente processo. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Intime a contribuinte para apresentar prova dos pagamentos apontados como não registrados. b) Apure o valor devido da contribuição lançada fazendo as devidas exclusões decorrentes das notas fiscais apresentadas e dos pagamentos que forem localizados nos livros fiscais da Recorrente. Sobreveio o relatório fiscal, fls. 558, posteriormente, houve a intimação da contribuinte para se manifestar, fls. 565, mas não houve manifestação a respeito do resultado da diligência. É o relatório. Fl. 572DF CARF MF 6 Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Divergências entre os valores constantes do DACON apresentada pela empresa e o montante solicitado nos pedidos de ressarcimento e/ou declaração de compensação Quanto ao referido item, a Recorrente alega que ele não condiz com a realidade, pois uma simples análise do valor correto, devidamente informado em DCTF e balanço anual, bem como DIPJ, confere com o valor registrado no DACON. Afirma que os valores informados no DACON estão corretos. Ela afirma que, que por ocasião da impugnação, apresentou para a fiscalização as fotocópias das respectivas notas fiscais e informou que as originais estavam no processo de fiscalização movido pela Receita Estadual, entregando inclusive a intimação do referido auto por parte da Delegacia da Fazenda Estadual — Novo Hamburgo RS — proc. Adm. n° 0012536911, sendo que outros documentos estavam na ocasião com o novo contador, apresentou o Livro registro apuração ICMS, para fins de comprovação da entrada da mercadoria, livro de inventário e de estoque, bem como as duplicatas quitadas relativo aos pagamentos daquelas mercadorias. Quanto a esta divergência, assim explicitou o Relatório Fiscal, fls. 9/10: Os processos protocolados pelo contribuinte apresentam inconsistências relativamente aos valores informados na DACON. Adicionalmente, ao preencher a DACON, o contribuinte, além de não deduzir dos créditos os débitos do imposto correspondente, também efetuou o preenchimento de formas (sic) a contar os créditos de forma cumulativa. Ainda, os valores informados nos pedidos de ressarcimento constantes dos processos não contemplam os cálculos demonstrados nas DACON's. Desta forma, primeiramente a fiscalização efetuou a correção das DACON's para (a) suprimir a cumulatividade dos valores solicitados, e (b) para deduzir os débitos dos créditos respectivos. Posteriormente, fezse o comparativo dos valores ajustados das DACON's com os valores solicitados nos processos respectivos. As diferenças foram glosadas (VALOR A MAIOR NO PROCESSO) tendo em vista os valores solicitados nos processos serem sistematicamente maiores que os comprovados através das DACON's. Contudo, observase que nos meses agosto e setembro de 2003, a fiscalizada declarou o débito em DCTF (cópias em anexo). Tais confissões de dívidas foram consideradas nos cálculos. As irregularidades fiscais constantes na parte 3 deste relatório estão tendo como parâmetro inicial os valores ajustados da DACON (em anexo) e Fl. 573DF CARF MF Processo nº 11065.003100/200572 Acórdão n.º 3302005.088 S3C3T2 Fl. 5 7 os valores do processo, cujo resumo esta apresentado na tabela a seguir. Observase pelo relatório da fiscalização, que as divergências na DACON não se resumem apenas às notas fiscais não consideradas pela fiscalização, mas ela vai além disso como: a cumulatividade dos valores solicitados, dedução dos débitos dos créditos respectivos, além da própria confissão de dívida por parte da contribuinte nos meses de agosto e setembro de 2003. Durante a realização da diligência, solicitada por este Egrégio Tribunal Administrativo, foi solicitado para revisão dos valores de dois itens: as notas fiscais e o livro diário auxiliar. Observase que somente as notas fiscais, que já estavam nos autos, foram analisadas pela fiscalização, mas o chamado livro diário auxiliar não foi apresentado como consta do relatório da diligência, fls. 560: Solicitamos, ainda, um Demonstrativo com detalhamento que indicasse no Livro Diário Auxiliar os recebimentos considerados como não registrados na contabilidade e que ensejaram o lançamento por omissão de receita devido à conseqüente existência de saldo credor na conta caixa. A interessada tomou ciência do referido Termo em 24/06/2015, conforme Aviso de Recebimento AR juntado às fls. 552. Em 24/07/2015, por meio de Correio eletrônico (fls. 553), solicitou a prorrogação do prazo inicialmente concedido para atendimento da Intimação. Na ausência de qualquer resposta por parte do contribuinte, foi encaminhado Termo de Diligência Fiscal nº 002 (fls. 554 a 556), em que foram solicitados os mesmos documentos do Termo de Diligência nº 001. Conforme AR juntado às fls. 557, o interessado tomou ciência do Termo de Diligência nº 002 em 10/09/2015 e até o presente momento não apresentou resposta. No transcorrer do voto, algumas notas fiscais foram aceitas pela fiscalização, quando da realização da diligência, que retirarão, por conseguinte, algumas glosas, melhor analisadas posteriormente, contudo, algumas subsistirão, mantendo, portanto, em grande parte as divergências, apontadas pela fiscalização. 2.2. Irregularidades Relativas aos Débitos Receita informada a menor Pelo Relatório Fiscal, fls. 11, percebese uma diferença de valores entre a receita, informada no DACON, e a receita, informada no balancete. Em relação a tal item, sobre a divergência de informações entre a informação no DACON e a do balacente, a Recorrente diz que tal fato não condiz com a realidade, pois uma simples análise do valor correto, devidamente informado em DCTF e balanço anual, bem como DIPJ, confere com o valor registrado no DACON. O acórdão da DRJ/Porto Alegre assim fundamentou, fls. 234: 14. Com efeito, se analisarmos os balancetes de verificação da empresa (fls. 109/119), podemos concluir que a divergência entre o valor declarado na DACON pela empresa e o apurado pela fiscalização advém da não inclusão na base de cálculo do PIS das receitas não operacionais (despesas recuperadas fls.113 Fl. 574DF CARF MF 8 e 119). Essa é uma receita tributável, pois conforme dispõe a Lei n° 10.637/2002, o PIS nãocumulativo tem como base de cálculo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação. A interessada deixou de incluir esta receita na base de cálculo do tributo sem qualquer justificativa para tanto. Portanto, correto o procedimento adotado pela fiscalização, não assistindo razão à interessada. Portanto, considerou que a não inclusão das despesas não operacionais resultou na divergência entre o valor declarado no DACON e o apurado na fiscalização. Ademais, a fiscalização também considerou a omissão de receita pela falta de escrituração de pagamentos efetuados, resultando em saldo credor de caixa, fls. 13: Observamos que esta irregularidade decorre de a empresa ter apresentado documentos que comprovam paqamentos que foram contabilizados à margem da escrituração oficial. Os cômputos desses pagamentos nos dias referenciados nos recibos revelam, nos registros contábeis, a existência de saldo credor de caixa e, portanto clara evidência de omissão de receita. Durante a realização da diligência, foi solicitado o Livro Diário Auxiliar para verificar os recebimentos considerados como não registrados na contabilidade, mas tal requisito não foi atendido, dessa forma, mantémse a autuação no que concerne a este aspecto. 2.3. Irregularidades Relativas aos Créditos 2.3.1. Dedução Indevida de Estoque de Abertura Quanto à dedução indevida de estoque de abertura, não houve nenhuma alegação por parte da Recorrente, tornando a matéria definitiva em esfera administrativa. 2.3.2 Deduções Indevidas de Compras No que concerne às deduções indevidas de compras, houve a realização de diligência com a análise das notas fiscais consideradas. Retirase do relatório fiscal, fls. 560: O item "b" do trecho da Resolução já transcrito solicita que recalculemos a Contribuição lançada "fazendo as devidas exclusões decorrentes das notas fiscais apresentadas". Em análise ao Relatório Fiscal e aos documentos fiscais juntados aos autos, verificamos que a maioria das compras glosadas tiveram as respectivas notas fiscais trazidas aos autos no decorrer do processo. As que ainda não tinham sido apresentadas foram solicitadas nos Termos de Diligência Fiscal nº 001 e 002 mas, conforme já discorrido, nenhum dos Termos foram respondidos. Assim, a fiscalização recalculou os valores e apresentou o seguinte quadro, fls. 563: Mês a) Valor Lançado b) Exclusão Calculada c) Diferença (c=ab) Valor Lançamento após Exclusões dez/02 643,1 710,31 67,21 abr/03 575,74 1.547,45 971,71 mai/03 1.871,68 2.787,82 916,14 Fl. 575DF CARF MF Processo nº 11065.003100/200572 Acórdão n.º 3302005.088 S3C3T2 Fl. 6 9 jun/03 1.573,39 2.109,52 536,13 jul/03 9.781,68 2.381,09 7.400,59 7.400,59 ago/03 1.349,58 708,39 641,19 641,19 set/03 2.789,97 2.183,82 606,15 606,15 out/03 2.856,99 3.138,31 281,32 nov/03 642,9 2.057,31 1.414,41 dez/03 24.286,42 6.564,34 17.722,08 17.722,08 Quanto às deduções indevidas de compras, desfazse a glosa nos exatos termos da diligência. 2.4. Omissão de Receita Pagamentos não contabilizados Em relação ao item de omissão de receita, pagamentos não contabilizados, a Recorrente pleiteia a reforma com fundamento no chamado Livro Diário Auxiliar. Ocorre que o chamado livro diário auxiliar não foi apresentado como consta do relatório da diligência, fls. 560, e expressado anteriormente, mantendose a autuação no que concerne a este aspecto. 2.5. Princípio da verdade material A Recorrente argumenta que é impraticável exigir tributação por simples verossimilhança, mera probabilidade ou verdade material aproximada. O objetivo, em qualquer caso, tem de ser sempre perseguido: a descoberta da verdade material. Entretanto, as naturais limitações na fixação da verdade material não podem induzir a autoridade a supor que uma simples probabilidade constitui espeque para a ocorrência do fato típico do ilícito tributário. No caso em análise, observase que o procedimento de fiscalização buscou justamente a verdade material, com uma fiscalização que solicitou uma série de documentos, fls. 20, na tentativa de proceder à verificação da legitimidade de saldos credores de PIS não cumulativos, objetos de pedidos de ressarcimento/compensação. Ademais, houve conversão do feito em diligência, fls. 541, tendo como fundamento o princípio da verdade material e sua observância dentro do processo administrativo. Não há que se falar que a fiscalização ocorre com base em probabilidade, pois ela se fundamentou nos registros contábeis da própria Recorrente. Assim, diante dos fatos, a argumentação da Recorrente que não houve observância da verdade material é insubsistente. 2.6. Direito ao crédito A Recorrente argumenta que o direito ao crédito é da essência do sistema nãocumulativo, sendo uma garantia constitucional, e afirma que apenas a idoneidade dos documentos e a observação das normas concernentes à escrituração são exigidas para seu gozo. Que não cabe o lançamento de mérito efetuado e principalmente a imputação da conduta dolosa, face à aplicação de multa qualificada. Ademais discorre que o ônus da prova é do fisco e não do contribuinte, cita doutrina e jurisprudência para tentar respaldar sua convicção, afirmando que é descabida a presunção fiscal do ilícito tributário. Quanto ao direito ao crédito ou não, como a própria Recorrente expôs, cabe à fiscalização apurar a sua idoneidade ou não. Ao longo do processo administrativo, observase Fl. 576DF CARF MF 10 que a Recorrente não conseguiu provar algumas divergências entre a DACON e o balancete, portanto, a autuação é subsistente naquilo que não foi justificado o porquê da divergência. A fiscalização glosou os créditos pleiteados pela falta probatória, ônus que cabe à Recorrente nos termos do artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/2015, e não à fiscalização. Portanto, improcedente a argumentação da Recorrente. 2.7. Dos atos administrativos A Recorrente tece considerações sobre os agentes públicos e o deverpoder na Administração Pública. Ela afirma que quando os funcionários fiscais tentam cobrar do contribuinte mais do que este efetivamente deve, ou se utilizam de meios impróprios para o desiderato, praticam atos sem nenhuma eficácia. O mesmo se pode afirmar quando praticam eles atos de ofício inquinados por sofismas ou inverdades. Apesar de discorrer longas considerações a respeito do que seria ato nulo e ato anulável, a Recorrente não apresenta nenhum fato específico que demonstra qual tipo de ato poderia ser considerado nulo no caso em apreço, tornandoa sua argumentação inócua. 2.8. Multas aplicadas, juros e taxa Selic A Recorrente diz que para ser aplicada a multa de 75% deve haver o intuito de fraudar por parte do contribuinte e ser comprovado o dolo, afirmando que a multa aplicada possui caráter confiscatório, devendo limitarse a 20% no máximo. Tal argumentação não merece prosperar, a legislação é clara, quanto ao que preceitua o artigo 44, da Lei nº 9.430/1996: Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis A situação amoldase, perfeitamente, ao caso, no qual não houve o pagamento de tributos, portanto, quando há lançamento de ofício a multa aplicada é de 75%, que teve como origem a declaração inexata. O percentual agravado é de 150%, quando há comprovação de dolo, fraude ou simulação. Ela se insurge também em relação à multa de mora, explicando que são os juros que recompõem o patrimônio estatal lesado pelo tributo não pago. A multa é para punir, assim como a correção monetária é para garantir, atualizandoo, o poder de compra da moeda. Portanto, multa e indenização não se confundem. Insurgese também em face da aplicação da taxa Selic e diz que os valores devem ser atualizados pela UFIR. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 11065.003100/200572 Acórdão n.º 3302005.088 S3C3T2 Fl. 7 11 Na realidade, não se trata de multa de mora, mas sim dos chamados juros de mora. O Código Tributário Nacional versa sobre a aplicação da atualização de valores, que, no caso, é acrescido de juros de mora: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A legislação deixa claro que, caso não haja legislação sobre o percentual dos juros de mora, será aplicada a taxa de um por cento ao mês. Diante de tal determinação, a legislação infraconstitucional, determina no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, que: Lei nº 9.430/1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Realizase uma remissão, então, ao art. 5º, § 3º, da Lei 9.430/1996: Art. 5º. (...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Ademais, prevê a Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 578DF CARF MF 12 Assim, observase a existência de legislação infraconstitucional que dispõe sobre o índice a ser aplicado em caso de impontualidade no pagamento, recaindo em juros moratórios, amoldandose, portanto, ao presente caso. 2.9. Regra benigna e necessidade de prova pericial A Recorrente pleiteia pela aplicação de retroatividade benigna, contudo, não aponta onde deseja tal retroatividade, tornando a argumentação inócua. Quanto à necessidade de prova pericial, tal argumentação encontrase superada, tendo em vista a conversão do feito em diligência. 3. Conclusão Por todo exposto, conheço do recurso voluntário, concedendo parcial provimento nos exatos termos da diligência. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 579DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005600/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DECADÊNCIA - RESP Nº 973.733/SC DO STJ - ART. 150, § 4º DO CTN
Havendo pagamento ainda que parcial de valores apurados no ano-calendário investigado pelo Fisco, e não se identificado a prática de atos fraudulentos, conta-se o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, consoante entendimento consolidado no REsp 973.733/SC, julgado sob o rito de recursos repetitivos.
OMISSÃO DE RECEITAS - SIMPLES FEDERAL
Constatada a omissão de receitas por empresa optante pelo Simples Federal, é correto o procedimento adotado pela autoridade lançadora que as acresce às receitas já declaradas, aplicando-se as alíquotas respectivas para, ao final, abater os valores já recolhidos pelo contribuinte
Numero da decisão: 1302-002.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado) , Carlos César Candal Moreira Filho, , Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA RESP Nº 973.733/SC DO STJ ART. 150, § 4º DO CTN Havendo pagamento ainda que parcial de valores apurados no anocalendário investigado pelo Fisco, e não se identificado a prática de atos fraudulentos, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, consoante entendimento consolidado no REsp 973.733/SC, julgado sob o rito de recursos repetitivos. OMISSÃO DE RECEITAS SIMPLES FEDERAL Constatada a omissão de receitas por empresa optante pelo Simples Federal, é correto o procedimento adotado pela autoridade lançadora que as acresce às receitas já declaradas, aplicandose as alíquotas respectivas para, ao final, abater os valores já recolhidos pelo contribuinte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 56 00 /2 00 9- 39 Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 19515.005600/200939 Acórdão n.º 1302002.550 S1C3T2 Fl. 1.100 2 Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado) , Carlos César Candal Moreira Filho, , Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de autos de infração lavrados para, dentro da Sistemática do Simples Federal, regrada pela Lei 9.713/96, exigir o recolhimento do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e Contribuição Previdenciária sobre Folha CPP. Adiantandome, aqui, esclareço que, por se tratar de demanda que revolve a omissão de receias caracterizada pela constatação de depósitos bancários de origem não comprovada, houve a lavratura de "Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira RMF" a fim de obter, junto às instituições financeiras, os dados e movimentos bancários do contribuinte. Tendo em conta esta "quebra de sigilo bancário", quando o processo chegou a este Conselho, a 2ª Turma Ordinária da Extinta 2ª Câmara converteu o julgamento em diligência a fim de sobrestar o feito até que ocorresse o julgamento, pelo STF, do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, em que se analisava, justamente, a constitucionalidade das regras encartadas na LC 105/01. Ocorrido o julgamento do Recurso Extraordinário, os autos foram, então redistribuídos para este colegiado. No caso, por ocasião da prolação da proposta de resolução acima tratada, a então Relatora, Viviane Vidal Wagner elaborou relatório conciso e suficientemente completo sobre o caso, razão pelo qual adotoo integralmente: De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, os motivos da autuação, resumidamente, foram os que se seguem: (i) o contribuinte foi intimado a apresentar os livros contábeis e fiscais, bem como os extratos da movimentação financeira realizada no anocalendário 2004; (ii) a apresentação incompleta dos extratos bancários ensejou a "Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação FinanceiraRMF", fls. 35 a 38, com amparo no art. 3o, inciso XI, do Decreto n° 3.724/2001; (iii) a partir dos extratos das contas correntes bancárias mantidas pela fiscalizada, após a exclusão das transferências entre contas de mesma titularidade e os empréstimos obtidos, quando identificados (fls. 40 a 348), constatouse que foram realizados depósitos e/ou créditos nas contas no valor de R$ 15.836.602,78 (quinze milhões,oitocentos e trinta e seis mil, seiscentos e dois reais e setenta e oito centavos), no ano calendário de 2004; Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 19515.005600/200939 Acórdão n.º 1302002.550 S1C3T2 Fl. 1.101 3 (iv) intimado a comprovar a origem dos recursos depositados e/ou creditados em suas contas correntes bancárias, fls. 349, o contribuinte apresentou um Instrumento Particular de Outorga de Mandato, fls. 362 e 363, justificando que a fiscalizada realizava compras de produtos agrícolas por conta e ordem de Terceiros e, assim, recebia mediante transferências bancárias, recursos para serem utilizados no pagamento das compras de verduras, frutas e legumes realizadas para Andorinha Supermercados Ltda; (v) confrontandose as cópias das notas fiscais emitidas pelos fornecedores nas vendas para o Supermercado Andorinha Ltda. e as cópias dos cheques emitidos pela D P VALE VERDE LTDA., para pagamentos desses fornecedores (parte juntados às fls. 364/595), verificouse a compatibilidade com as transferências recebidas pela D P Vale Verde Ltda. do Andorinha Supermercados Ltda; (vi) todavia, mesmo após excluídos os valores relativos às transferências efetuadas pelo Andorinha Supermercados Ltda., ainda restaram diferenças mensais cuja origem não foi comprovada, nem escrituradas no Livro Diário, fls. 598 a 698, caracterizandose tal fato como omissão de receitas nos termos dos artigos 287 e 849 do RIR/99; (vii) verificouse, ainda, que se deixou de computar na base de cálculo do imposto simplificado, e em sua escrituração contábil, valores mensais de receitas operacionais, caracterizando omissão de receitas nos termos dos artigos 199 e 288, do RIR/99. Na impugnação, o contribuinte alegou, em síntese: (i) decadência quanto aos tributos apurados no período de 01de janeiro de 2004 a 30 de novembro de 2004, por força da homologação tácita prevista na norma do caput e §§ 1o e 4o, do art. 150, do CTN; (ii) que o AuditorFiscal não considerou na apuração a dedução da quantia de R$. 1.066.879,73, o que faria com que a movimentação financeira tributável, para efeito de lançamento de ofício, seria de R$. 5.762.434,49, e não de R$ 6.829.314,22, concluindo que a não exclusão dos valores lançados por homologação, pelo contribuinte, da base de cálculo do crédito tributário lançado de ofício resulta na cobrança indevida de valores, afirmando que tais valores já foram objeto de lançamento por homologação e respectivo recolhimento do crédito tributário apurado, pedindo a anulação do Auto de Infração para que se proceda à retificação do Termo de Constatação Fiscal, para fins de dedução dos valores indevidamente cobrados; (iii) que o Ato Declaratório Executivo DERAT/SPO n° 03/2010 relativo à sua exclusão do SIMPLES (fls. 836/846), foi fundamentado no Termo de Constatação Fiscal relativo ao auto de infração n° 0819000/04451/09 e, uma vez que ambos foram impugnados, estes não servem de fundamento para decisão sobre Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 19515.005600/200939 Acórdão n.º 1302002.550 S1C3T2 Fl. 1.102 4 o ato declaratório de exclusão do SIMPLES, a qual deve aguardar a decisão do recurso administrativo anteriormente interposto. Por fim, requereu a anulação do ato declaratório de exclusão do SIMPLES e, alternativamente, a suspensão de sua aplicação até final decisão decorrente do procedimento fiscal n° 08.1.90.002007009932. A 13ª turma de julgamento da DRJ SPOI decidiu julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido e julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Ato Declaratório Executivo DERAT/SPO n° 03/2010, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em decadência nos lançamentos de ofício efetuados dentro do prazo previsto no art. 173, inciso I, do CTN e de acordo com o Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de listado da Fazenda em 18/08/2008. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/1996, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. LANÇAMENTOS. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento do IRPJ implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) da Contribuição para a Seguridade Social INSS Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 19515.005600/200939 Acórdão n.º 1302002.550 S1C3T2 Fl. 1.103 5 Simples, também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. SIMPLES. EXCLUSÃO. A pessoa jurídica será excluída do SIMPLES se, na condição de empresa de pequeno porte, tiver auferido receita bruta superior àquela estabelecida na legislação de regência. A exclusão surtirá efeito a partir do ano calendário subsequente àquele em que for ultrapassado o referido limite. Cientificado dessa decisão em 15/05/2012, o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário em 14/06/2012 (fls.937 e ss.), em que, basicamente, repisa as razões da impugnação. Aqui cabe, apenas, uma observação; na verdade o recurso voluntário, diferentemente do apontado no relatório acima, não repete, ipsis literis, os termos da impugnação já que, neste apelo, o contribuinte não discute a questão afeita à sua exclusão do Simples. Este o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e preenche os pressupostos de cabimento, razão pela qual, dele conheço. I Do problema da quebra de sigilo. A despeito do problema da quebra de sigilo não ter sido aventada no recurso voluntário, é prudente aqui, até porque o processo ficou sobrestado por esta razão, que haja uma manifestação sobre o tema. À época da oposição da impugnação e, inclusive, deste próprio recurso voluntário, a validade ou não, em especial, dos preceitos dos arts. 5º e 7º da Lei Complementar 105/01 não tinha ainda encontrado uma solução definitiva, ao menos, não no Poder Judiciário. Daí a existência de inúmeros recursos e discussões neste Conselho versando sobre a temática. Em fevereiro do ano passado, todavia, o Supremo Tribunal Federal pôs um ponto final no assunto ao julgar, sob regime de repercussão geral, o Recurso Extraordinário de nº 601.314/SP, relatado pelo Min. Edson Fachin, entendendo, então, pela plena constitucionalidade da Lei Complementar supra. E aqui, inclusive para atender ao comando inserto no art. 62, §2º, do RICARF, transcrevo a seguir a respectiva ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 19515.005600/200939 Acórdão n.º 1302002.550 S1C3T2 Fl. 1.104 6 FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento (RE 601.314/SP, Relator Min. Edson Fachin, sessão de 24/02/2016, Tribunal Pleno, publicado no DJe198, divulgado em 1509 2016 e Publicado em 16092016). Roma locuta questio finita. Não há mais o que se discutir acerca das disposições da Lei Complementar em análise, muito menos neste Conselho, em especial a vista dos preceitos do já citado art. 62, § 1º, II, "b", do RICARF. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 19515.005600/200939 Acórdão n.º 1302002.550 S1C3T2 Fl. 1.105 7 II. Decadência. O contribuinte sustenta ter ocorrido a decadência do direito do fisco de exigir os créditos objetos deste processo, relativos ao período compreendido entre janeiro e novembro de 2004, mormente por ter se verificado, na espécie, o decurso do prazo preconizado pelo art. 150, § 4º, do CTN. A DRJ afastou esta alegação sob o argumento de se aplicar, ao caso concreto, as regras preconizadas pelo art. 173, I, do CTN e não aquelas descritas no citado art. 150, §4º, calcando o seu entendimento no Parecer PGFN/CAT de nº1.617/2008, afirmando, neste passo, que a exigência de diferenças apuradas se sujeitaria à modalidade de lançamento de ofício. A meu ver, venia concessa, tal entendimento conflita não só com o próprio Parecer suscitado pela decisão primerva, como com a decisão do STJ prolatada nos autos do Recurso Especial de nº 973.733/SC, julgado sob o rito dos artigos 543B e 543C, do antigo CPC, cuja ementa transcrevo a seguir,até atender ao comando inserto no já citado art. 62, § 2º, do RICARF: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 19515.005600/200939 Acórdão n.º 1302002.550 S1C3T2 Fl. 1.106 8 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 (REsp 973733/SC; Relator Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 12/08/2009 e publicado em no DJe de 18/09/2009, RDTAPET vol. 24 p. 184). Isto porque, na hipótese, houve pagamento, ainda que parcial, de valores concernentes ao simples federal (fato atestado pela própria fiscalização e pelo acórdão da DRJ ao promover, inclusive, a exclusão das parcelas pagas do cômputo do tributos exigidos fls. 704v/707); lado outro, vejam bem, não houve constatação de fraude, simulação ou dolo, não tendo sido exigida multa qualificada e, por fim, que a exigência dos valores relativos ao Simples Federal se sujeita à modalidade de lançamento por homologação, não há dúvidas sérias (basta, para tanto, se observar que o contribuinte efetuará o recolhimento do tributo independentemente de qualquer ato específico da administração fazendária) Daí se aplicar, à espécie, a regra do art. 150, § 4º e não aquela contemplada no art. 173, I, do CTN. Neste particular, vejase o que dispõe o aludido art. 150, § 1º: § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 19515.005600/200939 Acórdão n.º 1302002.550 S1C3T2 Fl. 1.107 9 Como dito, o contribuinte pagou antecipadamente o tributo, ainda que não no valor que, entendeu a Fiscalização, deveria têlo feito. A teor do art. 5º da Lei 9.317/96 o fato gerador dos tributos versados neste regime era mensal, assim como também o era a obrigação de se antecipar o seu recolhimento: Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais (...). Como os pagamentos do Simples Federal eram feitos mensalmente (como ocorre na atual sistemática), vencendose até o 10 dia do mês subsequente ao da ocorrência do fato gerador, a inação fiscal encerrou a sua homologação tácita e, por conseguinte, extinção, ao menos dos meses de janeiro a novembro de 2004, na forma do art. 156, V, do CTN, especialmente à vista do fato do recorrente ter sido comunicado da lavratura dos autos de infração ora polemizados em 30 de novembro de 2009 (doc. de fl. 782). Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário neste ponto. III Mérito. Cumpre desde logo pontuar, como, aliás, muito apropriadamente o fez a decisão recorrida, que o contribuinte não se insurge contra os fatos apurados pela Fiscalização. Isto é, nem a impugnação, nem tampouco o recurso, questionam a ocorrência de "omissão de receitas", deixando, também, de trazer provas ou argumentos que pudessem ilidir a presunção surgida a partir da identificação de depósitos de origem não comprovada. Como dito no relatório acima, o contribuinte também não atacou, por meio de seu recurso voluntário, a questão afeita à sua exclusão do Simples, matéria quanto a qual, portanto, operouse o trânsito em julgado administrativo. A discussão travada, pois, pelo recorrente cinge à questão afeita à composição da base de cálculo e à alegada desconsideração dos valores por ele suportados. E, quanto, isso, a questão foi correta e exaustivamente esclarecida pela DRJ, tal qual se extrai do trecho abaixo transcrito: 10.2. O Termo de Constatação Fiscal contém três planilhas: a primeira, fls. 698v, é mero comparativo entre os valores informados na declaração (SIMPLES) relativos às receitas não decorrentes da prestação de serviços em confronto com os valores depositados ou creditados nas contas bancárias de titularidade da fiscalizada (constatados durante o procedimento fiscal); a segunda, fl. 699, demonstra os recursos que não tiveram sua origem comprovada, apesar do contribuinte ter sido intimado para tanto, nem forma escrituradas, ou seja, as diferenças mensais consideradas como omissão de receitas. Para tanto, parte do total dos valores depositados nas contas correntes bancárias do fiscalizado (2ª coluna da primeira planilha) e Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 19515.005600/200939 Acórdão n.º 1302002.550 S1C3T2 Fl. 1.108 10 exclui dos valores relativos às transferências efetuados pelo Andorinha Supermercados Ltda.. a terceira, fls. 699, apresenta o cálculo da omissão de receitas operacionais, relativas às comissões auferidas. 10.3. O anexo denominado "Demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta", fls. 700/700v, mostra a composição da receita bruta considerando a receita bruta mensal declarada somada às diferenças apuradas para fins de recálculo do SIMPLES, mês a mês incidente sobre a receita bruta decorrente das omissões de receita constatadas pela fiscalização que gerou novo enquadramento quanto aos percentuais dos tributos que compõem o SIMPLES> 10.3.1. O referido anexo considera os valores declarados pelo contribuinte e as diferenças apuradas (estas correspondem à soma dos valores não comprovados, a última colina da 2ª planilha do Termo, com as comissões auferidas, última coluna da 3ª planilha do referido Termo). 10.4. Ainda, o anexo "Demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos", fl. 701/704, não deixa dúvidas quanto à consideração dos valores pagos pelo contribuinte: contém, mês a mês, a receita bruta declarada e o valor dos tributos englobados pelo SIMPLES que foram pagos, assim como o valor recalculado dos tributos e a diferença que é o valor ainda devido, não pago. Esta diferença decorre do recálculo dos percentuais incidentes sobre a receita bruta efetiva (denominada "acumulada" no anexo de fls. 700/700v, composta pela receita declarada somada com a receita omitida). De fato, a Fiscalização não abateu do crédito as receitas já declaradas pelo contribuinte. O que fez, contudo, foi recompor a receita bruta excluindo ao final, apenas, os valores já recolhidos. Não há vícios aqui e nem exigência de valores indevidos; adotouse, tão só, forma de cálculo que, ao fim, leva ao mesmo resultado que se observaria caso tivesse o Fisco abatido dos valores apurados os montantes já recolhidos (a ordem dos fatores não altera o produto). Neste passo, corretos tanto os autos de infração como o acórdão recorrido, pelo que nego provimento, neste tópico, ao recurso voluntário. IV Conclusão. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para, reconhecendose a decadência do fisco constituir as exigências em relação aos meses de janeiro a novembro de 2004, cancelar a exigência fiscal quanto a este período. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 19515.005600/200939 Acórdão n.º 1302002.550 S1C3T2 Fl. 1.109 11 Fl. 1110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.730561/2012-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9303-000.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conceder vistas dos autos à PGFN. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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MULTA Recorrentes BRASAL REFRIGERANTES S/A FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conceder vistas dos autos à PGFN. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência interpostos tempestivamente pela contribuinte e pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3402 002.994, de 26/04/2016, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 30 56 1/ 20 12 -4 0 Fl. 2251DF CARF MF Processo nº 10166.730561/201240 Resolução nº 9303000.107 CSRFT3 Fl. 2.252 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2007, 2008, 2010 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. COISA JULGADA. EFICÁCIA. A coisa julgada formada em mandado de segurança coletivo só alcança os substituídos domiciliados no âmbito territorial do órgão judiciário que proferiu a decisão. DECISÕES DO STF. APLICABILIDADE. À luz do art. 62 do RICARF, o RE 212.484 tornouse inaplicável no âmbito do CARF desde a decretação da repercussão geral no RE 592.891. CRÉDITOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. Não existe amparo legal para a tomada de créditos fictos de IPI em relação a insumos adquiridos com a isenção prevista no art. 9º do DecretoLei nº 288/67. CRÉDITOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. Comprovado que o fornecedor dos insumos descumpriu o Processo Produtivo Básico e que não aplicou matériasprimas regionais de origem vegetal na produção dos concentrados, é ilegítimo o crédito tomado com amparo no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75. MULTAS. EXCLUSÃO. CONDUTA DO CONTRIBUINTE CONSOANTE DECISÃO IRRECORRÍVEL NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Conquanto o art 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 não tenha sido recepcionado pelo art. 100, II, do CTN, o art. 486, II, do RIPI/2002 determinou a não aplicação de penalidades aos que, enquanto prevalecer o entendimento, tiverem agido ou pago o imposto de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN. Recurso voluntário provido em parte. Fl. 2252DF CARF MF Processo nº 10166.730561/201240 Resolução nº 9303000.107 CSRFT3 Fl. 2.253 3 Contra a decisão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados (fls. 1843/1846). Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra a exclusão da penalidade aplicada com fundamento no art. 76, II, “a” da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, por ter o contribuinte observado as decisões administrativas da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF que, no passado, reconheceram o direito de crédito sobre insumos isentos. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 3403003.323. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 1736/1740. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 1801/1814). E também apresentou recurso especial, por meio do qual suscita divergência de interpretação com relação ao entendimento adotado noutras turmas de julgamento quanto às seguintes matérias: (i) decadência; (ii) competência da Suframa para aprovar projeto industrial de concessão de benefícios fiscais e da validade do ato administrativo emitido pelo referido órgão; (iii) conceito de matériaprima para fins de fruição do benefício fiscal previsto no art. 6º do Decretolei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975; (iv) aplicação da coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo MSC nº 91.00477834 a fabricantes de cocacola domiciliados em outro ponto do território nacional que não o Rio de Janeiro; (v) possibilidade de creditamento do IPI decorrente da aquisição de insumos isentos oriundos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus ZFM. O exame de admissibilidade do recurso, que admitiu apenas as matérias (i), (ii) e (v), encontrase às fls. 2150/2160. Agravada a decisão, esta restou mantida pelo presidente do CARF (fls. 2217/2220). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator A contribuinte acostou aos autos, nesta data, documentos que, segundo alega, comprovariam o seu direito de aproveitarse de créditos de IPI relativos à aquisição de insumo isento oriundo de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus. Tratase de decisão judicial, proferida no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834. Assim, e sem maiores delongas, entendemos imprescindível ouvir a douta PFN sobre a referida ação judicial, que, aliás, a contribuinte alega já ter transitado em julgado. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2253DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.002406/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 04/06/2004 a 04/10/2004
REVISÃO DO LANÇAMENTO. CABIMENTO. INTELIGÊNCIA DO ART. 146 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
A interpretação sistemática do artigo 146 CTN permite concluir que a alteração de critério jurídico se refere a expressa homologação do procedimento do contribuinte ou lançamento anterior, que não podem ser alterados em relação a um mesmo sujeito passivo e a um mesmo fato gerador em outro lançamento. Não comprovada a existência de lançamento anterior ou homologação expressa do procedimento do contribuinte, não se aplica o artigo 146 do CTN.
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO ARGÜIDA EM IMPUGNAÇÃO.
Não deve ser conhecida matéria não argüida em sede de impugnação, por aplicação do art. 17 do PAF - Decreto 70.235/72.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 04/06/2004 a 04/10/2004
IPI. SUSPENSÃO NA IMPORTAÇÃO. INDÚSTRIAS PREVISTAS NO CAPUT DO ART. 29 DA LEI 10.637/2002.
Nos termos expressos da legislação, a suspensão de que se trata somente pode ser efetivada, no caso de importação, quando feita diretamente pelo estabelecimento produtor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Ficou de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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CABIMENTO. INTELIGÊNCIA DO ART. 146 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. A interpretação sistemática do artigo 146 CTN permite concluir que a alteração de critério jurídico se refere a expressa homologação do procedimento do contribuinte ou lançamento anterior, que não podem ser alterados em relação a um mesmo sujeito passivo e a um mesmo fato gerador em outro lançamento. Não comprovada a existência de lançamento anterior ou homologação expressa do procedimento do contribuinte, não se aplica o artigo 146 do CTN. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO ARGÜIDA EM IMPUGNAÇÃO. Não deve ser conhecida matéria não argüida em sede de impugnação, por aplicação do art. 17 do PAF Decreto 70.235/72. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 04/06/2004 a 04/10/2004 IPI. SUSPENSÃO NA IMPORTAÇÃO. INDÚSTRIAS PREVISTAS NO CAPUT DO ART. 29 DA LEI 10.637/2002. Nos termos expressos da legislação, a suspensão de que se trata somente pode ser efetivada, no caso de importação, quando feita diretamente pelo estabelecimento produtor. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 24 06 /2 00 7- 13 Fl. 388DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Ficou de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Auto de Infração de IPI, no valor original total de R$ 14.499,86. Conforme o relatório fiscal, o estabelecimento em foco importou, em três DI´s, a mercadoria Eudragit L 100, NCM 3906.90.49, com suspensão de IPI, indicando a motivação da suspensão como o art. 45, IV, combinado com Art. 44, I, do Regulamento do IPI – Decreto 4.544/2002: Art. 44. Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do imposto: I as MP, PI e ME, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, 7 a 9, 11, 12, 15 a 20, 30 e 64, no código 2209.00.00, e nas posições 21.01 a 2105.00, da TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 31, e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 30); (...) Art. 45. Serão desembaraçados com suspensão do imposto: (...) IV – MP, PI e ME, importados diretamente por estabelecimento de que trata os incisos I a III do artigo 44 (Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 31, § 4º). Informa o autuante que o estabelecimento importador, sujeito passivo deste processo, é apenas um escritório, sendo que a mercadoria é transferida totalmente para outros estabelecimentos da empresa, em outros estados, que são as verdadeiras fabricantes dos produtos cujo insumo foi importado. Diante desse contexto, entendeu, com base na Solução de Consulta Interna Disit 5ª RF 08/2006, que a suspensão não acoberta a importação efetuada por estabelecimento que não seja o próprio fabricante, e efetuou o lançamento, por aplicação do art. 41 do Regulamento: Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10510.002406/200713 Acórdão n.º 3201003.255 S3C2T1 Fl. 388 3 Art. 41. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. Parágrafo único. Se a suspensão estiver condicionada à destinação do produto e a este for dado destino diverso do previsto, estará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a suspensão não existisse (Lei nº 9.532, de 1997, art. 37, inciso II). Cientificada, a recorrente interpôs Impugnação, na qual alega, em resumo: que já houvera procedimento fiscal anterior sobre uma das DI´s (MPF 0520100200400002254), sem qualquer lançamento; que a autoridade fiscalizadora não pode alterar o critério jurídico para efetuar lançamento, ao teor do art. 146 do CTN; que a Solução de Consulta Interna 08/2006 deve ter aplicação restrita aos fatos geradores posteriores a ela; entende que o procedimento fiscal revisional previsto no art. 149 não pode abranger o presente, no qual não haveria as condições permissivas; Que não teria havido nenhum dolo, fraude ou simulação; Pede pela nulidade do lançamento, porque, conforme alega: i) a empresa agiu dentro dos limites da lei vigente, utilizando os permissivos constantes do Art. 44 do RIPI (Decreto 4.544/2002); ii) não foi marcado por dolo, fraude ou simulação; iii) foi homologado pelo MPF 0520100 20040002254; iv) que a impugnante não foi parte do processo que culminou na Resposta a Consulta n° 08/2006, da 5ª Região Fiscal;: Pede por diligência, a fim de que o exercício da defesa seja o mais amplo e regular, e que possa demonstrar a lisura de seu procedimento. A DRJ/Fortaleza/CE, por meio do acórdão 0833.511, de 09/04/2015, decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o lançamento. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 04/06/2004 a 04/10/2004 PRODUÇÃO DE PROVA. PROTESTO GENÉRICO. APRESENTAÇÃO“ A POSTERIORI” .INADMISSIBILIDADE. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA NÃO FORMULADO. O protesto genérico pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos não produz efeitos no processo administrativo fiscal. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. Em caso de obtenção de provas por meio de diligências ou perícias, estas devem ser expressamente solicitadas, especificando o seu objeto e atendendose os requisitos previstos em lei, sob pena de considerarse não formulado o pedido. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. Fl. 390DF CARF MF 4 A competência do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para o lançamento tributário tem origem na lei. O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal e eventuais falhas na sua execução não configuram motivo suficiente para abalar a constituição do crédito tributário, se esta se deu conforme os ditames dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 142 do CTN. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 04/06/2004 a 04/10/2004 DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. INAPTIDÃO. O desembaraço aduaneiro não representa a homologação do lançamento, pois além da falta de previsão legal para tanto, tratase de procedimento sumário, cujo foco é o controle administrativo das importações. REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A autuação em sede de revisão aduaneira não configura mudança no critério jurídico adotado pelo Fisco no exercício do lançamento, uma vez que é justamente nesse momento que tal prerrogativa é exercida. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A instância administrativa não possui competência para afastar a aplicação da norma sob fundamento de inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 04/06/2004 a 04/10/2004 SUSPENSÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. EXIGÊNCIA DO TRIBUTO SUSPENSO NA IMPORTAÇÃO. Constatado o descumprimento de requisitos relativos à suspensão do IPI, impõese o lançamento desse tributo suspenso, com multa de ofício e juros de mora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente então interpôs o Recurso Voluntário, no qual reapresenta os argumentos de defesa, acrescentando que os estabelecimentos equiparados a industrial, tais como a recorrente, também fazem jus à suspensão de IPI de que se trata.: É o relatório. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10510.002406/200713 Acórdão n.º 3201003.255 S3C2T1 Fl. 389 5 Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator Preliminar de Conhecimento O recurso é tempestivo, porém, veicula matéria que não deve ser conhecida. Tratase da discussão de mérito acerca da validade da suspensão do IPI, prevista no art. 45, IV, do Decreto 4.544/2002, nos casos de estabelecimentos equiparados a industrial. É que tal matéria não foi objeto de defesa na impugnação, incidindo, portanto, a preclusão material consumativa, nos termos do art. 17 do PAF – Decreto 70;.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Revisão de Critério Jurídico – artigo 146 do CTN Tendo havido fiscalização anterior, relativa à DI 04/05376221, que não imputara nenhuma infração à recorrente, ela entende que, agora, não poderia o Fisco autuar a mesma mercadoria nas mesmas situações, porque se estaria vulnerando a segurança jurídica e o art. 146 do CTN: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Divirjo de tal entendimento. O artigo 146 do CTN visa a dar segurança jurídica ao contribuinte, quanto a um determinado lançamento referente a um determinado fato gerador, para evitar que, em sendo cancelado, seja repetido em reiteradas tentativas de ajuste de critério. Tal procedimento seria reprovável, ante o princípio da segurança jurídica, nos termos do artigo 146 do CTN. Porém, no presente caso, não há notícia de que tenha havido, no âmbito do MPF 0520100 20040002254, homologação expressa do procedimento da recorrente. Com efeito, o lançamento por homologação exige a expressa manifestação da autoridade quanto à legalidade do procedimento, para que se configure como adoção de critério jurídico, art. 150 do CTN1. 1 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 392DF CARF MF 6 Observo, ainda, que tal homologação expressa difere dos desembaraços aduaneiros per se, que não se conformam como homologações, mas como meros controles administrativos prévios. Com efeito, a homologação expressa do despacho se dá com a revisão aduaneira, expressamente prevista no art. 54 do DL 37/662 e no Regulamento Aduaneiro, art. 6383: A observância, tanto do art. 146 do CTN quanto do art. 54 do DL 37/66, tendo como pressuposto obrigatório a validade de ambos, implica que o despacho aduaneiro não se conforma como homologação da DI, independentemente do canal. Essa interpretação que importa em acatar a ambos os dispositivos, em interpretação sistemática, converge com a realidade prática, na medida em que a necessária rapidez dos procedimentos aduaneiros, interesse de todos, exige um despacho sem o aprofundamento completo. Uma fiscalização completa e aprofundada somente pode ser feita no âmbito da revisão, nos casos de interesse da autoridade aduaneira, no prazo decadencial de 5 anos. Suspensão do IPI A suspensão do IPI, no desembaraço aduaneiro, prevista no artigo 29, §4, da MP 66/2002, somente é cabível quanto a importação é efetuada pelo próprio estabelecimento fabricante, por expressa dicção legal: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003). (...) 2 Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) 3 Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2oA revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I do registro da declaração de importação correspondente (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10510.002406/200713 Acórdão n.º 3201003.255 S3C2T1 Fl. 390 7 § 4o As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, importados diretamente por estabelecimento de que trata o caput e o § 1º serão desembaraçados com suspensão do IPI. (realcei) A utilização do termo “diretamente”, no texto legal, não permite a extensão de entendimento para o estabelecimento não industrial. Ausência de Dolo O elemento do dolo é prescindível para o lançamento, nos termos do artigo 136 do CTN4. Desse modo, tendo o contribuinte agido de modo destoante da legislação, correto o lançamento de ofício para exigir o tributo que deixou de ser recolhido, juntamente com a multa de ofício e juros de mora. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Marcelo Giovani Vieira, Relator. 4 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Declaração de Voto Manifestome, nos presentes autos, para consignar meu entendimento pela necessidade de realização de diligência para verificação do indicado MPF 0520100 200400002254. É forte a alegação do contribuinte no sentido de que DI 04/05376221, autuada no presente feito, fora objeto de verificação fiscal anterior e que, portanto, o atual lançamento questionado consiste em revisão de ofício. E, em sendo este o caso, é necessário verificar que a indicada revisão ocorreu dentro dos parâmetros legais. Fl. 394DF CARF MF 8 Em que pese o fato de o contribuinte não ter apresentado aos autos uma cópia do referido MPF 0520100200400002254, é de se notar que a alegação é trazida aos autos desde o início da lide. Nesse aspecto, importante trazer à lume o disposto na Lei Geral do Processo Administrativo Federal (Lei n 9.784/99): Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizam se de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. (...) § 2oOs atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Na hipótese dos autos, entendo que a alegação do contribuinte não apenas poderia, mas deveria ter sido averiguada ainda em sede de Fiscalização. E, a contrário, o que noto é que a Administração Fiscal apenas se pautou na alegação de inexistência de prova do alegado, quando, por dever de ofício, e por se tal prova de obtenção muito mais facilitada a ela, deveria ter apresentado a cópia do referido MPF ou, ainda, afirmado inexistir tal documento fiscal, uma vez que detêm fé pública em suas manifestações. Tal verificação por mim proposta a despeito de expressa disposição na lei específica do processo administrativo federal encontra fundamento também no atual Código de Processo Civil Brasileiro Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1oNos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos docaput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10510.002406/200713 Acórdão n.º 3201003.255 S3C2T1 Fl. 391 9 fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Ademais, não é excesso ressaltar que, dentro do princípio da legalidade estrita ao qual se submete o lançamento tributário, devese dar primazia à busca pela verdade material, acrescentando que, na hipótese dos autos, entendo que a alegação do contribuinte configura indício mínimo acerca da prova que pretende ter produzida. Pelo exposto, registro minha proposta de realização de diligência para que a Autoridade Preparadora preste informações acerca do indicado MPF 0520100200400002254, propiciando aos julgadores a adequada apreciação das alegações de direito formulados pela parte. Ausente tal verificação, contudo, forçoso acompanhar o bem fundamentado voto do i.Relator. Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 396DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15885.002347/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/01/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE IMPUGNAÇÃO INSTÂNCIA A QUO.
Conforme explicita o Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo administrativo tributário, em seu art. 56 e § 2.º, a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento. No presente caso, a preliminar de tempestividade foi suscitada nas razões do recurso voluntário, situação em que é cabível o julgamento da tempestividade argüida.
Numero da decisão: 2401-005.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/01/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE IMPUGNAÇÃO INSTÂNCIA A QUO. Conforme explicita o Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo administrativo tributário, em seu art. 56 e § 2.º, a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento. No presente caso, a preliminar de tempestividade foi suscitada nas razões do recurso voluntário, situação em que é cabível o julgamento da tempestividade argüida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 5. 00 23 47 /2 00 8- 11 Fl. 422DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 15885.002347/200811 Acórdão n.º 2401005.179 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) debcad nº 37.080.9025, que constitui o crédito relativo às contribuições sociais relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), incidentes sobre remunerações pagas a empregados e contribuintes individuais, a segurados caracterizados como empregados, e ainda sobre salário de contribuição aferido na construção civil (CUB – Custo Unitário Básico), perfazendo, inicialmente, o montante de R$ 1.743.288,69 (incluindo multa e juros vide fl. 03), abrangendo o período de 08/1998 a 01/2007. Consoante o Relatório Fiscal (fls. 37/44), apuraramse os fatos geradores a partir de remunerações de mão de obra empregada na execução de obras de construção civil ( conjuntos habitacionais), contratada por mutuários ( com recursos próprios) com a autuada SAT ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA., sob a fora de empreitada total. Analisaramse folhas de pagamento, recibos, notas fiscais, relatórios financeiros, folhas de pagamento de obras, rescisões trabalhistas, GFIP´s e outros documentos, além de ter havido caracterização de segurados a partir da constatação dos requisitos legais. A presente NFLD foi lavrada em separado em face da suspensão de exigibilidade, decorrente do Mandado de Segurança nº 2003.61.080001498, que tramitava na 2ª Vara Federal de Bauru/SP. Tendo em vista que a contabilidade não registra o real movimento das remunerações e dos faturamentos, conforme relatório de análise contábil constante dos autos, foi adotado o expediente da aferição indireta, com base na área construída e padrão, com as deduções regularmente previstas, convertidas em área regularizada. Impende salientar que ainda foram analisados documentos apreendidos judicialmente, nos autos do processo nº 2003.61.08.0126184 da 3.ª Vara Federal de BauruSP. Os valores apurados estão demonstrados, por estabelecimento, em diversos relatórios, conforme recibo de arquivos entregues ao contribuinte (fls. 32/33), fazendose referência ainda ao relatório Fundamentos Legais do Débito (FLD), e à emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP). Ressaltese ainda que foram anexadas cópias de: consultas processuais judiciais, especialmente decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) em apelação (fls. 65/67) no processo nº 2007.61.08.0042401, datada de 11/03/2011 que trata de Medida Cautelar cujo objeto era a devolução de todos os documentos apreendidos e ainda retidos pela fiscalização , procuração, contrato social e alterações, dentre outros. Consta despacho de 25/08/2011, da SACAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em BauruSP, às fls. 81/82, dando notícia de que: Fl. 424DF CARF MF 4 a) na apelação, o Tribunal decidiu que o prazo para interposição de defesa administrativa tivesse início a partir da data de conclusão do procedimento de devolução do material apreendido ou da data da intimação daquela decisão, o que ocorresse por último; b) a fiscalização informou que todos os documentos foram devolvidos; c) a data de da intimação da decisão do TRF3 nos autos nº 2007.61.08.0042401 ocorreu em 28/03/2011, não havendo registro, no sistema de protocolo de documentos e processos (Cdoc e Comprot), de interposição de recurso administrativo até a presente data; e, por fim; d) sugeriu a aplicação da Súmula Vinculante n.º 8 do Supremo Tribunal Federal (STF), com posterior cobrança do crédito remanescente. Diante do acima exposto, consta às fls. 85/87 Despacho Decisório (DD) reconhecendo parcialmente a decadência, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF e Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, pelo que, com base no art. 150 e § 4º do CTN, foram excluídas as competências de 08/1998 a 03/2002. assim, foi emitido o Discriminativo Analítico do Débito Retificado (DADR) fls. 90/97, remanescendo o crédito em R$ 142.379,49, corrigidos até 19/04/2007. Nessa esteira dos acontecimentos, por intermédio de Despacho (DD) a empresa foi intimada a regularizar o débito (quitar ou parcelar) no prazo legal de cobrança administrativa, em 29/10/2011, conforme se verifica às fls. 98/99. Inconformada, a empresa autuada, apresenta IMPUGNAÇÃO em 22/12/2011, às fls. 100/142, alegando em síntese: a) em sede preliminar – a tempestividade da defesa administrativa tendo em vista que, nos termos do acórdão na ação judicial n.º 2007.61.08.0042401, o prazo para interposição da defesa iniciase a partir da efetiva entrega da documentação apreendida ou da data da intimação da decisão prolatada. Como não foram devolvidos todos os documentos apreendidos – em especial as DISO –, as quais seriam imprescindíveis para a defesa do contribuinte, alega que não iniciou o prazo para defesa. que a presente impugnação/manifestação é feita por cautela, para não se ver imputada de omissa ou inerte em sua defesa administrativa, apesar da não entrega das DISO à impugnante. No mérito alega que: a contribuição do SAT/RAT está com a exigibilidade suspensa. que os embargos de declaração na ação judicial nº 2007.61.08.0042401 impõem efeito suspensivo em sua decisão. que a fiscalização realizada foi irregular e precária, devendo ser anulada. que não foram devolvidas as DISO à empresa, impossibilitando a verificação dos dados apurados e lançados pela fiscalização. que foi irregular o procedimento e critérios de cálculo dos valores devidos por aferição indireta, para as obras que relaciona; Fl. 425DF CARF MF Processo nº 15885.002347/200811 Acórdão n.º 2401005.179 S2C4T1 Fl. 4 5 que é indevida a inclusão dos sócios da empresa como solidários, no pólo passivo da execução fiscal. que é indevida a imposição de multa superior a 20%. que deve ser cancelada a NFLD. que deve ser permitida a juntada posterior de documentos. Assim, às fls. 166/167 consta despacho da DRF/BAURU/SACAT, de 30/01/2012, informando que em relação ao Acórdão proferido pelo TRF3 no processo nº 2007.61.08.0042401, entende que: a) o procedimento de devolução dos documentos apreendidos foi concluído em 23/09/2009, tendo o sujeito passivo recebido em 07/10/2009 a comunicação da devolução mencionada; e b) a data de intimação dessa decisão ocorreu o dia 28/03/2011. Ato contínuo, os presentes autos são encaminhados ao setor de fiscalização, para apreciação das alegações da autuada, e para ratificar ou retificar as informações quanto à devolução dos documentos apreendidos. Em resposta, consta a Informação Fiscal de fls. 169/170, de 29/02/2012, informando que as alegações acerca da não devolução de todos os documentos já haviam sido feitas no processo judicial, e ali respondidas, atendendo ao ofício da Procuradoria (PRFN). Em síntese, transcreve a Informação Fiscal da época (05/11/2009), segundo a qual “não consta relacionadas nas atas de abertura de todas as caixas objeto de apreensão judicial a descrição DISO’S de obras”. Em anexo, consta o Ofício 75/2009 PRFN/SP, a Informação Fiscal da época e todos os elementos comprobatórios relativos à apreensão e à devolução dos documentos (vide fls.171/350). Por fim, consta despacho de encaminhamento do processo à DRJ, ante as alegações do sujeito passivo quanto à tempestividade da impugnação, pela suposta falta de devolução das DISO. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1445.993 7ª Turma da DRJ/RPO, às fls. 358/364, não conhecendo da Impugnação oposta, em face de sua intempestividade. Recordese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/01/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. PRAZO LEGAL. TERMO DE INÍCIO. ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. EFEITOS. Fl. 426DF CARF MF 6 A impugnação deve ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do procedimento a ser impugnado. A defesa apresentada fora do prazo legal estipulado somente instaura a fase litigiosa se for suscitada a sua tempestividade, observandose que a negativa de seu acolhimento afasta a apreciação das demais questões argüidas. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado do resultado do julgamento em 22/05/2014, conforme AR de fls. 370/371 e inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário tempestivo às fls. 373/412, em 18/06/2014, reprisando os mesmos argumentos já lançados em sua peça de impugnação, inclusive no mérito, e reiterando a preliminar de tempestividade aos argumentos a seguir expostos: Fl. 427DF CARF MF Processo nº 15885.002347/200811 Acórdão n.º 2401005.179 S2C4T1 Fl. 5 7 Após, ratifica toda a alegação de mérito, embora, ressaltese, a matéria submetida para análise perante este E. CARF, referese somente à preliminar de arguição da tempestividade. Repisa ainda a necessidade de aplicação da Súmula nº 8 do STF, para ver reconhecida a total improcedência de todos os lançamentos das contribuições realizadas anteriormente a março de 2002, ou seja, anterior a cinco anos, conforme descrito no CTN, uma vez que ocorreu nas presente competências pagamento de valores à Secretaria Previdenciária, podendo ser facilmente constatado pela NFLD e pelo sistema. É o relatório. Fl. 428DF CARF MF 8 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate, no dia 22/05/2014, conforme AR de fl. 370/371, e apresentou seu recurso voluntário em 18/06/2014. Assim, CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES 2.1 TEMPESTIVIDADE O Recorrente alega em suas razões recursais que a impugnação apresentada às fls. 100/142 é tempestiva, tendo em vista que, de acordo com o Acórdão do processo judicial nº 2007.61.08.0042401, o início do prazo para interposição da defesa contarseia a partir da efetiva entrega de documentação apreendida ou da data da intimação da decisão prolatada. Como não teriam sido devolvidos todos os documentos apreendidos – em especial as DISO – ,reputadas imprescindíveis para a defesa do contribuinte, não teria se encerrado, ainda, o prazo para impugnação. Em que pese os argumentos de defesa apresentados, os mesmos não podem prosperar, conforme restará demonstrado a seguir: Conforme amplamente esclarecido no v. Acórdão a quo (fls. 358/364), o termo inicial para apresentação da defesa administrativa, conforme r.decisão proferida nos autos do processo nº 2007.61.08.0042401 – Medida Cautelar do TRF da 3ª Região, restou definido como sendo a data de conclusão do procedimento de devolução do material apreendido ou a data da intimação daquela decisão, o que ocorresse por último. Nesse diapasão, em que pese a ciência da NFLD ter ocorrido em 27/04/2007, em face da decisão judicial supramencionada, o desdobramento visando a devolução dos documentos apreendidos pela fiscalização – postergou tal início, já que o procedimento de devolução dos documentos apreendidos foi encerrado em 23/09/2009, com ciência à interessada em 07/10/2009, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fls. 69/71. Também foi informado desse encerramento o Juízo pertinente, em 05/01/2010, conforme Ofício de fls. 72/73. Nessa mesma esteira dos acontecimentos, a data de intimação da decisão do TRF3 nos autos n.º 2007.61.08.0042401 ocorreu em 28/03/2011, conforme atestado às fls. 81/82; assim, este foi considerado o marco inicial para a interposição de defesa administrativa relativa à NFLD lavrada. Notese ainda que em relação às alegações da autuada de que não houve devolução da totalidade dos documentos apreendidos, em especial as DISO, necessárias para promover sua defesa, as mesmas também não podem prosperar, senão vejamos:. A Informação Fiscal de fls. 169/170 e seguintes, reportandose ao ocorrido na época, vem esclarecer a questão. De acordo com tais expedientes e anexos comprobatórios, Fl. 429DF CARF MF Processo nº 15885.002347/200811 Acórdão n.º 2401005.179 S2C4T1 Fl. 6 9 não constava a descrição de DISOs nas atas de aberturas de todas as caixas de documentos apreendidos. Ou seja, não se registrou DISO`s nos "termos de comparecimento e abertura de volumes” ou em “atas de devolução e retenção de volumes”, os quais discriminam o conteúdo das caixas. Destacase que os trabalhos de abertura, triagem e posterior devolução do material apreendido foram notificados à empresa e acompanhados por seus representantes, devidamente habilitados, mediante procurações, conforme se depreende do contido nos presentes autos, incluindo “listas de comparecimento para a retirada da documentação apreendida”, e planilhas de “controles da retirada das caixas e documentos apreendidos”, todas rubricadas por representantes da empresa. Somase ainda que naquela Informação Fiscal já era consignada a improcedência das alegações de cerceamento de defesa, haja vista não constar no material relacionado nenhuma DISO de obra; além do registro de que todos os documentos foram devolvidos à empresa, sejam os originais, sejam as cópias daqueles que ficaram retidos. Em síntese, quanto ao aspecto da devolução, resta claro que foram efetivamente devolvidos todos os documentos da empresa, com regular finalização do procedimento de devolução, e que não havia DISO`s integrando o rol dos referidos documentos, afastandose, assim, qualquer possibilidade de prejuízo procedimental ou cerceamento de defesa para o Contribuinte. Dessa feita, diante dos fatos acima articulados e com fulcro nos artigos 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72 (DOU de 07/03/1972), a impugnação deveria ter sido apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias da data de intimação da exigência 28/04/2011 , instaurandose assim a fase litigiosa do procedimento, o que de fato não ocorreu, já que a petição apresentada pela empresa, a pretexto de IMPUGNAÇÃO, foi protocolizada somente em 21/11/2011, ou seja, muito depois do prazo legal supracitado; concluindose – de forma inequívoca – pela sua intempestividade. Conforme explicita o Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo administrativo tributário, em seu art. 56 e § 2.º, a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, exceto se a preliminar de tempestividade for suscitada, situação em que será cabível o julgamento da tempestividade da impugnação argüida pelo Impugnante, in verbis: Art.56. (omissis) (...) §2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. (grifos nossos) Razão pela qual não merece reforma o v. Acórdão recorrido, bem como a presente decisão também limitarseá a julgar a preliminar de tempestividade da impugnação Fl. 430DF CARF MF 10 apresentada, a qual, assim como na 1ª instância, deve ser rejeitada, haja vista a absoluta extemporaneidade da peça impugnatória. Nessa esteira de entendimento, deixase de apreciar as demais matérias tratadas no recurso voluntário, para as quais não se instaurou a fase litigiosa do procedimento. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume o v. Acórdão proferido pela instância a quo. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 431DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910170/2009-36
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE.
A retificação da DCTF não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a demonstração da ocorrência de erro na DCTF original.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 3002-000.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a demonstração da ocorrência de erro na DCTF original. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 2 1 1 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.910170/200936 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.050 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 15 de março de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente H J SANTA FÉ COMERCIAL E AGRÍCOLA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a demonstração da ocorrência de erro na DCTF original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 01 70 /2 00 9- 36 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.910170/200936 Acórdão n.º 3002000.050 S3C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o processo de declaração de compensação (Per/Dcomp), na qual a contribuinte informa a ocorrência de pagamento indevido de Cofins, por meio de Darf no valor de R$ 5.717,41, relativo ao período de apuração de agosto/2004, e na qual solicita compensar R$ 2.264,32 com débito de CSLL relativo ao 2º trimestre de 2006. Por meio de despacho decisório à fl1. 4, a unidade de origem indeferiu o pedido porque concluiu que o crédito relativo ao Darf havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para a realização de compensação da CSLL. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 7 a 32), na qual alegou haver cometido erro no preenchimento de sua DCTF. Entretanto, sua impugnação consistiu nessa alegação, acompanhada de cópia da DCTF original e da retificadora (fls. 14 e 15), sem outro documento que se prestasse a comprovar o alegado erro no preenchimento da declaração ou o seu direito creditório. A Delegacia de Julgamento proferiu o acórdão nº 1634.812 (fls. 34 a 39), por meio do qual decidiu pela improcedência da impugnação, tendo em vista a inexistência de prova do alegado direito de crédito, nos termos da ementa que se transcreve a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/09/2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão que não homologou a compensação. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, demonstrando a liquidez e certeza do crédito informado na DCOMP, se mantém a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Administração 1 A numeração informada segue a que foi atribuída pelo eprocesso, e não a realizada manualmente. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.910170/200936 Acórdão n.º 3002000.050 S3C0T2 Fl. 4 3 Tributária em São Paulo, que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 37 a 77), no qual apresentou as seguintes alegações: · a contribuinte pagou indevidamente a Cofins, uma vez que a alíquota da contribuição havia sido reduzida a zero, por meio da Lei nº 10.925, de 2004, e tal pagamento "não se fazia mais idôneo em virtude de Lei anterior que beneficiava a recorrente"; · apesar de a DCTF constituir uma confissão de dívida, não poderia a DRJ afastar o direito da contribuinte à compensação, tendo em vista sua boafé em declarar o débito e pagar uma contribuição que já não devia mais, mas o fez por desconhecimento da alteração de alíquota; · o fato de a contribuinte ter retificado a DCTF após o pedido de compensação não pode ser utilizado como fundamento para negar o pedido de compensação, uma vez que o direito existe; · em relação à alegação pela DRJ de que a DCTF retificadora, por si só, não é suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado, juntase ao recurso voluntário "cópia das fls. 64 e 65 do Livro Diário n. 12 da empresa (DOCUMENTO N. 5) e fls. 20, 39 e 54 do Livro Diário n. 13 (DOCUMENTO N. 6) que atestam a veracidade das retificações realizadas"; · entende haver demonstrado seu direito creditório tanto pelo aspecto legal quanto pelo documental, o que não estava suficientemente claro neste processo até então; e · a contribuinte entende que não deve prosperar o entendimento de que a prova documental só pode ser apresentada no momento da impugnação, tornando precluso o direito de fazêlo em momento posterior, tendo em visto os princípios que regem o processo administrativo. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Como abordado pelo próprio contribuinte no recurso voluntário, apenas nesta fase processual esclareceuse qual seria a natureza do alegado direito creditório, com a Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.910170/200936 Acórdão n.º 3002000.050 S3C0T2 Fl. 5 4 explicação de que o equívoco no preenchimento de sua DCTF consistiu em informar um débito de Cofins que já não era mais devido desde a publicação da Lei nº 10.925/2004 (conversão da MP nº 183/2004), que reduz a zero a alíquota da contribuição incidente sobre a receita de venda no mercado interno de adubos, sementes e outros produtos utilizados na atividade agropecuária, relacionados no art. 1º. Quanto à documentação comprobatória, agiu a recorrente da mesma forma, providenciando somente agora, nesta fase processual, a juntada de cópias do Livro Diário, referentes ao consolidado do mês 08/2005 (fls. 73 e 74), 03/2006 (fls. 77), 05/2006 (78) e 07/2006 (fl. 79). Cumpre destacar que algumas folhas estão parcialmente ilegíveis e que parecem não abranger toda a movimentação do mês. Protesta a recorrente para que não se entenda precluso o seu direito à juntada de provas, sem apresentar qualquer justificativa para o fato de fazêlo tardiamente – apenas invoca princípios do processo administrativo. Por certo que está precluso o direito de juntar provas, bastando que se leia os dispositivos legais pertinentes para que se adote tal conclusão. O Decreto nº 70.235/1972 (PAF) assim dispõe quanto à impugnação ou manifestação de inconformidade: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) No presente caso, tanto as provas quanto os motivos de direito só vieram a ser apresentados no recurso voluntário. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.910170/200936 Acórdão n.º 3002000.050 S3C0T2 Fl. 6 5 Acrescentese que nos pedidos de restituição, ressarcimento e compensação o ônus de provar a certeza e liquidez do que se pleiteia é do requerente, estando tal disposição presente nas instruções normativas da RFB que tratam do tema e em diversos diplomas legais, tais como: Código de Processo Civil (CPC) Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Lei nº 9.874, de 1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Dito isso, ressalvase que haveria situações em que se poderia aceitar a juntada intempestiva. Para tanto, iria concorrer o fato de o contribuinte ter providenciado uma manifestação de inconformidade bem fundamentada, já com algum elemento de prova efetivo, tudo isso somado à existência de forte indício de direito da recorrente, demonstrado pelos documentos que pretende sejam conhecidos tardiamente. Visando a identificar a ocorrência de algum desses elementos, procedeuse a uma análise preliminar da documentação juntada ao recurso, concluindose que os documentos não atendem a seu propalado objetivo. Vejamos. O crédito que se discute referese ao período de apuração agosto/2004. As cópias do Livro Diário trazem montantes consolidados (total mensal) de certos meses de 2005 e de 2006, o que seria a primeira discrepância. Em relação ao conteúdo, temos, como exemplo dos valores constantes desses documentos, despesa mensal com depreciação de máquinas, despesa com previdência social, devoluções de compras, total das duplicatas a receber, caixa (vendas a vista), provisão para pagamento de salários, despesas trabalhistas e previdenciárias, etc. Exceto pela rubrica duplicatas a receber ou caixa (vendas à vista), nenhum outro item guarda relação com o tipo de operação beneficiada pela Lei nº 10.925, de 2004. Entretanto, mesmo essas rubricas não trazem qualquer informação relevante sobre o tema, visto que são o consolidado mensal e não nos permitem conhecer a natureza das transações, não nos permitem saber se estamos diante de receita proveniente da venda de um bem contemplado pela Lei ou sujeito a pagamento normal. Seria necessário juntar aos autos registros das movimentações de agosto/2004 que nos permitissem ter certeza de tratarse de venda dos bens relacionados no art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. A análise preliminar da documentação demonstrou que ela nada prova. Tendo em vista a fragilidade do que foi apresentado, somado à omissão na fase anterior, aceitar a juntada de documentação probatória neste momento seria protelar desnecessariamente esta lide. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.910170/200936 Acórdão n.º 3002000.050 S3C0T2 Fl. 7 6 Quanto à DCTF retificadora apresentada a título de prova, tal declaração desacompanhada de documentação que demonstre inequivocamente a efetiva ocorrência de erro também não prova o direito. A DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984. Assim, eventual retificação dessa confissão de dívida deve estar necessariamente amparada por suporte probatório, sendo tal obrigação afirmada, entre outros dispositivos, pelo art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN), nos seguintes termos: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Dessa forma, cabe à contribuinte comprovar o erro em sua declaração ou, dito de outra forma, comprovar a liquidez e certeza do crédito que pleiteia, sendo tal responsabilidade confirmada por previsão no art. 373 do CPC. O crédito para o qual não se comprova a liquidez e certeza não pode ser objeto de compensação, conforme estabelece o art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) Assim, uma vez que a recorrente não logrou comprovar seu direito creditório, deve ser mantida a decisão de primeira instância na sua integralidade. Pelo exposto, voto por conhecer o recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.910170/200936 Acórdão n.º 3002000.050 S3C0T2 Fl. 8 7 Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901891/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO.
Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1402-002.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese pedido de perícia ou diligência quando sua realização revelese impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 18 91 /2 00 8- 16 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10983.901891/200816 Acórdão n.º 1402002.928 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, buscando extinguir por compensação de débito próprio. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC – DRF Florianópolis proferiu o Despacho Decisório, o qual não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento arrolado como crédito já teria sido integralmente utilizado. Conseqüentemente, foi promovida a cobrança do débito arrolado na compensação, com os acréscimos legais decorrentes da mora (multa de mora e juros). Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com a autuação, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que foi entregue retificadora da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica referente ao exercício 2003, anocalendário de 2002, e também DCTF retificadora, sendo informados os débitos correspondentes ao exercício. Complementa dizendo que não merece prosperar o entendimento exarado pela autoridade fiscal, posto tratarse de compensação devida e que houve pagamento a maior/indevido. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, entendeu que não há elementos suficientes para concluir que o pagamento arrolado como crédito é maior que o devido, devendo, por isso, ser mantido o que foi decidido através do Despacho Decisório e ser considerada não homologada a compensação. Fundamentou a sua decisão que a recorrente admite que apresentou a DCTF retificadora, somente após a ciência do Despacho Decisório. Portanto, a conclusão a que chegou o Despacho Decisório advém das informações contidas nos sistemas de controle da RFB, que foram prestadas pela própria interessada através da DCTF original. Destarte, é certo, porém, que a retificação da DCTF promovida através da mera apresentação de declaração retificadora, sem a comprovação documental do erro anteriormente cometido, não tem o condão de, de pronto, alterar o débito anteriormente informado e, conseqüentemente, fazer surgir crédito para ser utilizado em compensação. Neste sentido, deve ser levado em conta que a interessada apresentou retificação da DCTF somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação e, ainda, sem a devida comprovação de que o valor do débito anteriormente confessado não é devido, o que seria obrigatório na hipótese ora analisada, dada a perda de espontaneidade. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos: Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10983.901891/200816 Acórdão n.º 1402002.928 S1C4T2 Fl. 4 3 O art. 1º da IN nº 166/99 reconhece a possibilidade de restituição e/ou compensação de tributos a partir da DIPJ retificadora, sem condicionar a necessidade de DCTF retificadora; Os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade, sendo ônus da fiscalização solicitar documentos, nos termos do art. 9º, caput, do Decreto nº 70.235/72; A apresentação da DCTF retificadora apresentada após o início do MPF não constituiria motivo por si só para indeferimento do pedido de restituição; Aplicarseia a verdade material, pois um erro material no envio da DCTF retificadora não poderia prevalecer sobre o direito do crédito, este decorrente de pagamento indevidamente efetuado, e informado na DIPJ. Cita alguns acórdãos e ementas pertinentes para corroborar seu raciocínio; Se houvesse dúvida, poderia ser convertido o julgamento em diligência, para análise do direito creditório e da compensação; Dispõe posteriormente sobre a formalidade moderada e da verdade material que regem o processo administrativo fiscal para justificar a apresentação da DIPJ e demais documentos que demonstram o direito ao crédito; Disto pede que seja julgado procedente o presente recurso, e alternativamente, seja determinada a conversão em diligência para apuração da compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.926, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.901701/200941. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.926): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pela recorrente, para apuração da compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos. Destarte, aplicase o art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10983.901891/200816 Acórdão n.º 1402002.928 S1C4T2 Fl. 5 4 diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. Embora o comando legal inserido no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Destarte, INDEFIRO o pedido de diligência. Da questão material Conforme relatado, o Despacho Decisório cerne da peça recursal declarou a inexistência do direito creditório pleiteado pela recorrente, em razão do pagamento indicado encontrarse totalmente utilizado, vinculado a débito de mesmo valor. Irresignada, a recorrente alega que no ano de 2004 retificou a DIPJ do período, informando os verdadeiros débitos correspondentes ao exercício. Em análise aos elementos constantes nos autos, no período pertinente ao tributo em discussão no presente processo, foi apresentada a DCTF original, no prazo legal para tanto. Igualmente, foi apresentada, no seu prazo devido, a DIPJ original, referente ao anocalendário do tributo e respectivo período de apuração do tributo em questão neste processo. Percebese que o pagamento efetuado pelo contribuinte mostra se compatível com o que fora declarado na DCTF e na DIPJ originais. Destarte, em algum tempo depois, considerando o débito que consta na DIPJ última entregue, e sem ter retificado a DCTF original, a recorrente apresentou a DCOMP pleiteando a compensação ora em exame, que não foi homologada pela autoridade fiscal. Somente no ano de 2009, após tomar ciência do Despacho Decisório, a recorrente retificou a DCTF original, informando nesta o valor então apurado na DIPJ última entregue. Aqui, há que se atentar que é por meio da DCTF, e não pela DIPJ, que o débito do sujeito passivo considerase juridicamente constituído. A DIPJ tem caráter meramente informativo, distinto da DCTF, que tem caráter declaratórioconstitutivo, significando uma confissão de débitos apurados pela pessoa jurídica. Destarte, na data da apresentação da DCOMP não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF original ainda não tinha sido retificada, o que significa que o crédito utilizado pela recorrente em sua compensação, juridicamente, não existia. No caso que se examina, não há dúvidas que a recorrente retificou sua DCTF somente após a ciência da decisão administrativa que não homologou a compensação pretendida. Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10983.901891/200816 Acórdão n.º 1402002.928 S1C4T2 Fl. 6 5 liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Há ainda que se destacar que a retificação da DCTF ocorreu já com o decurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito ali declarado, nos termos do art. 168, caput, do CTN, de forma que a referida retificação não poderia produzir quaisquer efeitos tributários. Com este entendimento, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeito a solicitação de diligência e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.903165/2008-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1229.679, proferido pela 4ª Turma da DRJ/RJ1, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, rejeitála, não reconhecendo o direito creditório. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório proferido por ocasião do julgamento de primeira instância: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 03 16 5/ 20 08 -9 4 Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10783.903165/200894 Resolução nº 1301000.481 S1C3T1 Fl. 318 2 Versa o presente processo sobre a DCOMP eletrônica de n° final 2216 (fls.21/26), transmitida em 16/12/2004, através da qual a interessada declara a compensação de débito de estimativa mensal de Contribuição Social (período de apuraçãoset/2004, vencimento em 31/10/2004 e valor principal de R$ 74.993,51), com a utilização de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. 0 referido pagamento teria sido efetuado em 30/09/2004, sob o código 2484 (CSLL — Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal), no total de R$ 264.590,11 (fl.24). Através de Despacho Decisório (fl.146), a DRF Vitória não reconheceu a existência do crédito pleiteado, não homologando, em conseqüência, a compensação declarada, por ter sido verificado que o valor recolhido através do DARF indicado já fora integralmente utilizado. Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 21/08/2008 (fl.151), a interessada apresenta, em 22/09/2008, manifestação de inconformidade (fls.01/04), invocando, preliminarmente, a anulação do despacho decisório, em face das seguintes razões: a) o despacho decisório de que se trata é extremamente sucinto, carecendo de informações elementares para sua procedência, não atendendo as condições do art.9° do Decreto n° 70.235/1972; e b) a ausência de informações relevantes para a elaboração da manifestação de inconformidade restringe o direito a ampla defesa, consagrado na Lei n° 9.784/1999, art.2°. Quanto ao mérito, a interessada aduz que o despacho decisório em causa deve ser reformado, com a expressa homologação integral da compensação correspondente, em face das seguintes razões: a) a afirmação do auditor fiscal de que o crédito utilizado era de valor insuficiente para fazer frente ao débito compensado, devese exclusivamente a um erro material que a interessada cometeu no preenchimento da DCTF referente ao 3° trimestre de 2004; b) conforme pág.14 da D1PJ/2005 (anocalendário 2004) o valor original do débito de CSLL era de R$ 149.479,33 (fl.71); c) contudo, realizou a quitação do tributo mencionado por meio de um DARF no valor de R$ 264.590,11 (fl.131), apurando um crédito referente ao pagamento a maior da CSLL no valor de R$ 115.110,78; e d) no entanto, ao preencher a DCTF referente ao 3° trim/2004 (fl.47), em patente erro material, indicou, no campo onde deveria constar o valor do débito apurado de CSLL do mês de agosto/2004 (R$ 149.479,33), o valor referente ao DARF recolhido a maior, qual seja, R$ 264.590,11. É O RELATÓRIO Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10783.903165/200894 Resolução nº 1301000.481 S1C3T1 Fl. 319 3 Anocalendário: 2004 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Uma vez atendidos os princípios do contraditório, do amplo direito de defesa e do devido processo legal, com obediência a todos os passos determinados pela legislação de regência, fica afastada a hipótese de ocorrência de nulidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. CONDIÇÕES DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Somente pode ser reconhecido o direito creditório pleiteado pela pessoa jurídica junto à Fazenda Nacional, quando sejam atendidos os requisitos de liquidez e certeza. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. A partir da edição da INSRF n° 460/2004, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuasse pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a título de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houvesse o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, com documentos que supostamente validam seu direito creditório, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10783.903165/200894 Resolução nº 1301000.481 S1C3T1 Fl. 320 4 No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em seu recurso, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo, que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Por outro lado, ainda que não se aceite a aplicação da regra estatuída no inciso "c", do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 ao caso presente, entendo que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas em sua defesa. Aceitandoas, privilegiase tanto o princípio da verdade material, como o princípio da formalidade moderada, entre outros, além do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, pois os documentos apresentados podem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do crédito pleiteado. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101 002.781, que ocorreu na sessão de 06 de abril de 2017, onde foi reconhecida a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, em observância a estes princípios e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por entender pertinente, colaciono trechos extraídos do voto vencedor deste mesmo acórdão, exarado pela I. Conselheira Cristiane Silva Costa, cujos argumentos evidenciam o atual posicionamento da CSRF sobre a matéria: Com a devida vênia ao Ilustre Relator, divirjo da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Como mencionado pelo Ilustre Relator, prescreve o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10783.903165/200894 Resolução nº 1301000.481 S1C3T1 Fl. 321 5 No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10783.903165/200894 Resolução nº 1301000.481 S1C3T1 Fl. 322 6 Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte. Assim, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça ser regra geral para efeito de preclusão que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, isso não impede, segundo meu juízo, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial princípio da verdade material e formalidade moderada, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dessa forma, os documentos apresentados e colacionados juntamente com o recurso voluntário devem ser admitidos e apreciados, de forma a verificar se eles se prestam a comprovar o direito creditório alegado. Da Conversão do Julgamento em Diligência Consoante relatado, por meio de DCOMP eletrônica, o contribuinte informou a existência de crédito no valor de R$ 115.110,78, correspondente a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de CSLL, correspondente ao mês agosto/2004, em face de ter efetuado o recolhimento do tributo devido via DARF no valor de R$ 264.590,11, quando o correto deveria ser R$ 149.479,33. Da análise da decisão recorrida, verificase que a DRJ não homologou a compensação pleiteada sob dois fundamentos. O Primeiro: Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10783.903165/200894 Resolução nº 1301000.481 S1C3T1 Fl. 323 7 Na sua manifestação, a interessada afirma que a conclusão a que chegou a fiscalização deveuse a um erro material que ela, a interessada, cometera no preenchimento da DCTF referente ao 3° trimestre de 2004. Ocorre que a fiscalização efetua a análise e a validação dos créditos informados em PER/DCOMP, mediante o confronto dos dados desse PER/DCOMP com as informações constantes nos sistemas da RFB. Esses sistemas são alimentados pelas diversas declarações apresentadas pelos próprios contribuintes, que constituem obrigações acessórias, como DCTF, DIPJ, DIRF, etc, e pelos recolhimentos efetuados através dos documentos de arrecadação pertinentes, com o preenchimento de diversos dados, também pelos contribuintes, para a sua perfeita identificação. Tratandose de pagamentos declarados como indevidos ou a maior, pleiteados em restituição ou utilizados em declaração de compensação, a análise é realizada considerandose os saldos disponíveis dos pagamentos nos sistemas de cobrança. No presente caso, a interessada pleiteia, como crédito, o saldo remanescente de R$ 115.110,78, relativo ao recolhimento efetuado em 30/09/2004, a titulo de estimativa mensal de CSLL, correspondente a agosto/2004, código 2484, no valor de R$ 264.590,11, uma vez que o valor do débito seria de somente R$ 149.479,33. Acontece que não há saldo disponível relativamente ao pagamento informado, conforme pesquisa no sistema SIEF (fl.173), uma vez que o valor recolhido está totalmente vinculado ao valor declarado na DCTF pela própria interessada, relativamente estimativa mensal de CSLL (código: 2484, PA: agosto/2004, débito apurado: R$ 264.590,11), fls.171/172. O fato de ter sido declarado, posteriormente, o valor de R$ 149.479,33, na DIPJ/2005 — AC 2004 (fl.161) não é suficiente para retificar a DCTF, uma vez que o procedimento correto para tal fim teria sido a apresentação oportuna de uma DCTF retificadora. (...) Dessa forma, entendo que o crédito pleiteado de CSLL sob análise não atende os requisitos de liquidez e certeza de que trata o art.. 170 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: O Segundo: Além do mais, é relevante observar que o assunto de que se trata pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal e sua utilização em compensação pode ser, também, analisado sob outro aspecto, como se verá a seguir. A declaração de compensação foi instituída por intermédio da Medida Provisória n° 66/2002, posteriormente convertida na Lei 10.637/2002, a qual alterou o artigo 74 da Lei 9.430/96. No plano infralegal, foi publicada a INSRF210/2002, a qual lançou as sementes para o sistema de restituição, ressarcimento e Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10783.903165/200894 Resolução nº 1301000.481 S1C3T1 Fl. 324 8 compensação que se conhece atualmente. Após algumas mudanças ocorridas em matéria de restituição, ressarcimento e compensação, fezse necessária a aprovação de uma nova Instrução Normativa, que passou a consolidar a matéria, além de introduzir algumas novidades a esse cenário. Assim, em 29/10/2004, a INSRF n° 210/2002 foi revogada pela INSRF n° 460/2004. O artigo 10 da INSRF n° 460/2004 estabeleceu: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (destaque no original) Portanto, a partir de 29/10/2004, por força do dispositivo acima reproduzido, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuasse pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que tivesse ocorrido o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, à época da transmissão da DCOMP de que se trata 16/12/2004 era vedada a compensação na forma como foi efetuada pela interessada, sendo esta mais uma razão para que a compensação em foco não possa ser homologada. Ou seja, o não reconhecimento do direito creditório pleiteado teve como fundamento: i) não haver saldo disponível relativamente ao pagamento informado, uma vez que o valor recolhido foi totalmente vinculado ao valor declarado na DCTF, relativamente à estimativa mensal de CSLL, PA: agosto/2004 e, por isso, o crédito pleiteado não atendeu aos requisitos de liquidez e certeza de que trata o art. 170 do CTN; ii) a impossibilidade do pleito, em face do dever de observar a vedação estabelecida no art. 10 da Instrução Normativa nº 460, de 18 de outubro de 2004, que estabelecia que qualquer recolhimento a título de estimativa, fosse utilizado apenas para redução do CSLL devido no final do período, ou para composição do eventual saldo negativo. O contribuinte, por sua vez, se insurge quanto ao primeiro fundamento, sustentando ter ocorrido equívoco no preenchimento da DComp e divergência desta última com as informações contidas em DIPJ, além de entender que os documentos juntados comprova a ocorrência de recolhimento indevido aos cofres públicos, no valor do crédito pleiteado. Analisando as provas dos autos, verifico que a fiscalização desprezou completamente a DIPJ apresentada pelo contribuinte. Penso não ser possível negar validade a informações originadas de envio de DIPJ por mera divergência com as informações colhidas em DCTF, mesmo porque aquelas informações poderiam ter sido verificadas perante o sistema da RFB. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10783.903165/200894 Resolução nº 1301000.481 S1C3T1 Fl. 325 9 A Fiscalização não pode se limitar, em sua análise, apenas às informações prestadas em Dcomp. e DCTF, já que existiam informações provenientes de outra declaração nos bancos de dados da Receita que permitiam a análise quanto ao crédito pleiteado, cabendo à Fiscalização, ao menos, questionar a divergência existente entre as declarações transmitidas e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma delas. Compulsando os autos, não encontro comprovação de ter sido intimado o contribuinte para proceder a retificação de quaisquer das declarações. Por conseqüência lógica, também não existe prova nos autos que o contribuinte quedouse inerte, em face de eventual intimação para correção da divergência existente entre suas declarações. À propósito, o procedimento da Administração Tributária em emitir os Despachos Decisórios eletronicamente, sem a intimação prévia dos contribuintes para justificarem as Per/Dcomp rejeitadas pelo sistema, tem causado vários transtornos. De um lado, indeferese o pedido de restituição porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram em DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta. Por outro lado, impedese simultaneamente que, ao ser notificado do Despacho Decisório emitido de forma sumária, o contribuinte possa retificar ou até mesmo cancelar a Per/Dcomp para adequála de forma devida. A Administração Tributária consciente destes problemas modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento. Atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório, intima o contribuinte para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, no prazo de trinta dias, contados do recebimento, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Acrescentese ainda que no caso de erro de fato no preenchimento de declarações, a própria Receita Federal tem se manifestado no sentido de que é possível rever de ofício lançamento ou despacho decisório na hipótese de ocorrência de erro de fato no preenchimento de declaração. Nesse sentido, transcrevo parcialmente ementa do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DEDÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam:quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10783.903165/200894 Resolução nº 1301000.481 S1C3T1 Fl. 326 10 A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato nopreenchimento da declaração. REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOUCOMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais– DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. [...]Assim, se a própria Administração Pública revisa de ofício atos que se basearam em declarações com erros de fato no preenchimento, não há porque se negar a adoção do mesmo critério em sede de julgamento do litígio administrativofiscal. Por outro lado, para negar reconhecimento ao crédito pleiteado, a DRJ utilizase de um outro fundamento consubstanciado no entendimento de que, tratandose de antecipação obrigatória (estimativa), o eventual pagamento a maior ou indevido só pode ser aproveitado na determinação do resultado correspondente ao final do período de apuração. Em virtude desse entendimento, hoje superado em face do que prevê a Súmula CARF nº 84, e aquele outro, nenhum juízo foi feito acerca do pagamento efetuado pela Recorrente representar, efetivamente e à época em que foi realizado, pagamento a maior ou indevido. Nos termos do preconizado pelo art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real tem a opção de promover o pagamento do imposto mensalmente, de forma estimada, com base na receita bruta. O art. 35 da Lei nº 8.891, de 1995, recepcionado pela Lei nº 9.430/96, admite que o recolhimento com base na receita bruta possa ser suspenso ou reduzido, desde que o contribuinte demonstre, por meio de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o calculado com base no lucro real do período em curso. Resta evidente, assim, que, para que o pagamento reste caracterizado como tendo sido feito a maior ou indevidamente, é necessário, primeiro, definir qual a forma adotada pelo contribuinte para calcular o recolhimento mensal, se com base na receita bruta ou com suporte em balanços ou balancetes de suspensão ou redução, e, depois, confrontálo com o que foi apurado à época em que a estimativa era devida Obviamente, se o contribuinte Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10783.903165/200894 Resolução nº 1301000.481 S1C3T1 Fl. 327 11 recolhe a estimativa com base na receita bruta e, em momento posterior, levanta um balanço de suspensão e redução que aponta para prejuízo fiscal no período acumulado, descabe falar em pagamento a maior ou indevido, eis que o recolhimento foi efetuado com base na legislação de regência. No caso, o contribuinte simplesmente deixou de exercer a opção prevista pelo art. 35 da Lei nº 8.981/95 (elaboração de balanço de suspensão/redução). No caso vertente, embora o contribuinte tenha alegado recolhimento a maior, ele não informa qual teria sido esse erro ou equívoco. Por outro lado, as instâncias administrativas precedentes rejeitaram o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação pleiteada, utilizandose de fundamentos, já apreciados, sem, portanto, examinarem a existência (ou não) do alegado pagamento à maior de estimativas. Assim, restando, entendo razoável oportunizar à interessada trazer novos elementos e esclarecimentos que possam demonstrar que tratase de erro de fato na apuração do imposto que resultou em pagamento indevido e não mera reapuração de estimativa promovida após a sua determinação e recolhimento regulares. Conclusão Ante ao exposto, conduzo meu voto, no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Administrativa da Unidade de Origem: a) Intimar a recorrente a esclarecer e comprovar o erro que levou ao alegado recolhimento a maior de estimativa mensal de CSLL, PA: agosto/2004, facultando a oportunidade de apresentar outros documentos, conforme o caso. b) Elabore relatório conclusivo acerca das alegações e documentos apresentados pelo contribuinte, seja quando da apresentação de sua impugnação, seja quando do seu recurso ou quando intimado em sede de diligências, manifestando ao final sobre a existência, ou não, de recolhimento em valor maior do que o devido de estimativa mensal de CSLL, PA: agosto/2004, além de apresentar outras considerações relevantes para o deslinde da questão. Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 327DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.907548/2009-69
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
O prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento.
IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL.
Uma vez que a mercadoria elaborada pela recorrente está fora do campo de incidência do imposto, não há que se falar em sistema de crédito e débito do imposto, e via de consequência, de direito a ressarcimento de IPI.
Numero da decisão: 3001-000.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. O prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento. IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL. Uma vez que a mercadoria elaborada pela recorrente está fora do campo de incidência do imposto, não há que se falar em sistema de crédito e débito do imposto, e via de consequência, de direito a ressarcimento de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 75 48 /2 00 9- 69 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10665.907548/200969 Acórdão n.º 3001000.282 S3C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/JFA, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte, na data de 20/12/2006, transmitiu PER/DCOMP nº 02227.87018.201206.1.5.016340 referente pedido de ressarcimento de crédito de IPI acumulado do 1º Trimestre de 2004, no valor de R$ 2.039,63. Do Despacho Decisório A DRF de Divinópolis, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.79), pelo não reconhecimento do crédito, tendo por base o que ficou demonstrado no Termo de Verificação Fiscal (efls.72). Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.87), justificando que o não reconhecimento do crédito está embasado em premissas equivocadas, por desconsideração à legislação aplicável, além de vários princípios tributários; que está configurada a decadência, pois a transmissão da PER/DCOMP foi realizada na data de 20/12/2006 e o ciente do despacho decisório só ocorreu na data de 15/02/2012. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/JFA, esta decidiu pelo não reconhecimento do crédito tributário pleiteado e pela não homologação da compensação realizada, cujos fundamentos foram sintetizados na ementa assim elaborada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 RESSARCIMENTO DE CRÉDITO. PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a crédito de IPI em relação às aquisições de MP, PI e ME aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT, pelo que cabe indeferir o pedido de ressarcimento que se funda no citado direito creditório não reconhecido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 1. DECADÊNCIA/ANÁLISE DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10665.907548/200969 Acórdão n.º 3001000.282 S3C0T1 Fl. 4 3 Por falta de previsão legal, o prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. 2. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. Não cabe à esfera administrativa questionar ou negar aplicação às normas e determinações da legislação tributária que se encontram revestidas validade e eficácia. Sendo assim, as arguições que, direta ou indiretamente, versem sobre matéria atinente à inconstitucionalidade ou de ilegalidade da legislação tributária válida e eficaz não se submetem à competência de julgamento da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário Em grau de recurso voluntário a recorrente limitase a repisar todos os argumentos e teses de sua Manifestação de Inconformidade, com o qual espera ver reformada a decisão recorrida em prol do reconhecimento do crédito pretendido e homologadas as compensações requeridas. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Discutese no presente processo preliminar de decadência por inércia do Ente Público de não se manifestar no prazo estabelecido por lei, nos casos de pedidos de compensação. De acordo com o entendimento da Recorrente teria ultrapassado o prazo de 05 (cinco) anos da data de transmissão da PER/DCOMP (20/12/2006) e a data de cientificação do despacho decisório (15/02/2012). Primeiramente cabe aqui destacar que o presente processo trata de PER/DCOMP nº 02227.87018.201206.1.5.016340 referente pedido de ressarcimento de crédito de IPI acumulado do 1º Trimestre de 2004 e não há vinculação de compensação de débito sendo mencionada. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10665.907548/200969 Acórdão n.º 3001000.282 S3C0T1 Fl. 5 4 Sobre esse tema, decadência por homologação tácita, a 3ª Turma da DRJ/JFA vem reproduzindo decisões proferidas em processos da mesma recorrente, das quais destaco o seguinte excerto: O contribuinte apresenta argumento preliminar acusando a decadência do Pedido de Ressarcimento. A interpretação é de que há um paralelo entre o exame do lançamento por homologação e o exame de Pedido de Ressarcimento. Para ambos, foi estipulado o prazo de cinco anos. Para o lançamento por homologação, no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional, CTN. Para o pedido de Ressarcimento, no art. 74, §5º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. O ato foi redigido com o seguinte teor: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Da leitura do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, é fácil deduzir a confusão feita pelo contribuinte. O prazo de que trata o referido dispositivo é para a homologação da compensação, a que se dá o nome de homologação tácita, isto é, homologação pelo decurso do prazo de cinco anos da apresentação da declaração de compensação, sem que sobre ela tenha havido a oportuna manifestação da autoridade competente. Não trata o dispositivo legal de prazo para o exame do Pedido de Ressarcimento, que obviamente é objetivo distinto da compensação, não obstante a declaração de compensação ser precedida de análise de crédito, no caso presente, saldo credor de IPI. Só se dispensará o exame de Pedido de Ressarcimento, ou melhor, do saldo credor, se coincidirem em seus montantes crédito requerido e débitos a compensar. Contrário senso, o pedido de ressarcimento sempre será examinado, independentemente do momento em que o faça a autoridade competente, o que não ocorre com a declaração de compensação que poderá ser homologada tacitamente. Se o interesse do contribuinte é de que seja declarada a homologação tácita, há de se verificar a ocorrência do instituto previsto na Lei nº 9.430, de 1996, ainda mais porque é questão de ordem pública e deve sempre ser apreciada pela autoridade administrativa, ainda que não mencionada pelo contribuinte. Em não havendo previsão legal para a homologação tácita de pedidos de ressarcimento e provado que não houve homologação tácita em relação a compensação, que neste processo não foi declarada, válido é o Despacho Decisório. DO RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI Em questão de mérito, a discussão gira em torno do direito a manutenção do crédito de IPI incidente nas aquisições de matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) e Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10665.907548/200969 Acórdão n.º 3001000.282 S3C0T1 Fl. 6 5 materiais de embalagens (ME), utilizados na produção (beneficiamento) de produtos que possui anotação N/T na TIPI, no caso dos autos “pedra britada” classificada na posição 2517.10.00.00 da TIPI. A recorrente apurou crédito de IPI sobre aquisições de MP, PI e ME ocorridas no 1º trimestre de 2004 e buscou a compensação com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779/99, cuja redação assim se apresenta: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. Importante destacar que o Ato Declaratório Interpretativo nº 5/2006 veio consignar que: Art. 1° Os produtos a que se refere o art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei n° 9. 779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5° do Decretolei n° 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5° do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior." A muito que o entendimento firmado em nível de CARF é no sentido contrário ao interesse do contribuinte, tanto que a matéria veio a ser simulada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10665.907548/200969 Acórdão n.º 3001000.282 S3C0T1 Fl. 7 6 Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, pelo não reconhecimento do crédito pleiteado na PER/DCOMP (ressarcimento). (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 171DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.001831/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE APRESENTAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. INTEMPESTIVADADE.
Não se conhece do recurso voluntário apresentado intempestivamente.
Numero da decisão: 2201-004.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em face de sua intempestividade. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho e Douglas Kakazu Kushiyama.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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PRAZO DE APRESENTAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. INTEMPESTIVADADE. Não se conhece do recurso voluntário apresentado intempestivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em face de sua intempestividade. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho e Douglas Kakazu Kushiyama. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 18 31 /2 00 9- 71 Fl. 4344DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 4327/4342) apresentado em face do Acórdão nº 0358.131, da 5ª Turma da DRJ/BSB (fls. 4327/4342), que deu parcial provimento à impugnação do sujeito passivo (fls. 87/102) ao auto de infração pelo qual se exige crédito tributário relativo a contribuições destinadas ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, incidente sobre a remuneração dos empregados, aferida com base nos valores dos serviços de vigilância e de transporte de valores prestados pela empresa fiscalizada (AIOP 37.043.9163 fls. 2/83). Segundo o relatório da fiscalização (fls. 74/83), foi aferida a remuneração dos empregados com base na receita obtida através da prestação de serviços de vigilância e de transporte de valores, sendo aplicado o percentual de 40% (quarenta por cento) no primeiro e de 20% (vinte por cento) no segundo. Do valor assim apurado, teriam sido deduzidas as remunerações constantes das folhas de pagamento apresentadas pela empresa e sobre a diferença obtida nessa operação foi aplicada a alíquota correspondente. A aferição indireta realizada teria por base legal o art. 33, § 3º, da Lei nº 8.212, de 1991, e os arts. 600, I, e 603 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005. O fundamento fático para esse procedimento seria a não apresentação de parte dos livros e dos documentos solicitados pela fiscalização através de termos de intimação, bem como por ter deixado de prestar informações contábeis, financeiras e cadastrais de interesse da Receita Federal do Brasil, condutas que teriam justificado a imposição de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias (AIOA nº 37.165.7568 e 37.165.7571). Em benefício da clareza, transcrevo abaixo trecho do relatório fiscal onde são detalhadas as irregularidades apuradas pela fiscalização: • Não foram apresentados os livros Razão referentes aos exercícios de 2005 e de 2006. • Nos livros Diários apresentados, verificouse a existência de lançamentos relativos a despesas com fardamento, combustíveis, manutenção de veículos, material de escritório, material utilizado no serviço, viagens, cestas básicas, sem referência a documento fiscal, conforme cópias xerográficas anexadas ao AIOP DEBCAD 37.209.9602. • A partir de 2005, o histórico das despesas acima citadas passou a referenciar o número do documento fiscal. Por se tratarem de despesas de valor elevado, principalmente no que tange a compra de fardamento, material de escritório e utilizado no serviço, e por terem sido anteriormente escrituradas sem referência A nota fiscal, concluiuse quanto à indispensabilidade do exame de alguns desses comprovantes no sentido de determinar se tais gastos se referiam efetivamente à finalidade consignada nos títulos contábeis. • Solicitados os documentos fiscais comprobatórios das despesas escrituradas, apenas parte dos mesmos foi apresentada à Fl. 4345DF CARF MF Processo nº 10380.001831/200971 Acórdão n.º 2201004.265 S2C2T1 Fl. 4.345 3 fiscalização, tendo os comprovantes sido retidos e posteriormente, apreendidos. • Os documentos fiscais apresentados pela empresa continham indícios de inautenticidade, tais como selo fiscal sem talho doce e numeração de notas apostas com numerador manual. • Tais indícios determinaram a intimação dos fornecedores para apresentação das vias das notas fiscais com a mesma numeração e relativas aos mesmos períodos das apresentadas pela CORPVS. • Examinadas as Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores, verificouse que: • as notas com a mesma numeração apresentada pela CORPVS não tinham sido emitidas contra este cliente ou sequer tinham sido emitidas ainda pelo fornecedor; • tanto as datas de emissão das Notas quanta os valores das mesmas eram diferentes das contidas nas apresentadas pela CORPVS; • o layout das Notas apresentadas pelos fornecedores não era compatível com o das vias encontradas na CORPVS. • Solicitadas informações A Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará acerca das empresas para quem teriam sido emitidas as Autorizações para Impressão de Documentos Fiscais AIDF, constatouse que as Autorizações constantes das Notas Fiscais apresentadas pela CORPVS como sendo de seus fornecedores foram emitidas pela SEFAZ para outras empresas. • Foi solicitada ainda a Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará a identificação dos contribuintes para quem foram emitidas a Autorizações para Impressão dos Selos apostos em Notas Fiscais apresentadas pela CORPVS. Também nesse caso verificouse terem sido as Autorizações emitidas para empresas diferentes daquelas constantes das Notas apresentadas pela CORPVS. • Tais constatações determinaram a conclusão quanto A apresentação deficiente de documentos bem como quanto A tese de crime de falsificação de documento público, conforme previsto no art. 297 do DecretoLei 2.848/40 Código Penal. • No caso dos selos apostos nas Notas Fiscais, deve ser levantada a tese de crime de falsificação de papéis públicos, conforme previsto no art. 293, inciso I, do Código Penal. Pelos fatos acima narrados, foi realizada aferição indireta tendo por base os valores de venda de serviços escriturados na conta identificada no item 3.5 do Relatório Fiscal. Fl. 4346DF CARF MF 4 O lançamento foi impugnado pelo sujeito passivo, o que deu origem ao Acórdão ora atacado, que foi precedido pela realização de duas diligências determinadas pela autoridade julgadora de 1ª instância (fls. 3295/3299 e 3318/3321) para fins de averiguação de irregularidades apontadas pela impugnante nos cálculos realizados pela fiscalização. Realizados os ajustes determinados pela DRJ (fls. 4285/4290), foi proferida decisão consubstanciada em documento que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. À esfera administrativa não cabe conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. As contribuições lançadas sujeitamse ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando houver a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. VERDADE MATERIAL. A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização, no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. LANÇAMENTO. IRREGULARIDADE, INCORREÇÕES OU OMISSÕES. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do PAF não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Segundo o documento que consta à fl. 4324, a ciência dessa decisão ocorreu por decurso de prazo em 15/10/2014, e o sujeito passivo apresentou seu recurso voluntário em 20/01/2016 (fls. 4327/342), após ter acessado os documentos em 05/01/2016 (fl. 4325). Em suas razões recursais, alega, em síntese, que: 1. As deficiências apontadas pela fiscalização limitamse à contabilização de notas fiscais tidas como inidôneas e a falta de apresentação dos Livros Razão de 2005 e 2006. Fl. 4347DF CARF MF Processo nº 10380.001831/200971 Acórdão n.º 2201004.265 S2C2T1 Fl. 4.346 5 2. Como foi apresentada toda a documentação relacionada a apuração da contribuição previdenciária, o lançamento por aferição indireta é nulo, por vício formal, uma vez que lhe faltou fundamentação legal. 3. Há também nulidade por vício material, uma vez que restou demonstrado erro na apuração da base de cálculo. 4. As competências anteriores a abril de 2014 já se encontravam atingidas pela decadência quando o lançamento foi realizado. 5. É inconstitucional e ilegal o arbitramento das contribuições ao INCRA com base no faturamento. 6. A presunção utilizada deve ceder diante da verdade material. A recorrente apresentou documentos capazes de elidir a presunção fustigada demonstrando o montante real da remuneração paga aos seus empregados e contribuintes individuais. 7. A decisão de piso errou ao determinar que fossem deduzidos dos valores apurados por aferição indireta apenas as folhas de pagamento dos empregados diretamente ligados à prestação dos serviços, pois este procedimento não é razoável e nem proporcional. 8. Como o lançamento se reporta a fatos geradores anteriores a dezembro de 2008, entende que a multa deve se limitar à multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991. Pelas razões expostas acima, pede a reforma da decisão de primeira instância para que seja cancelado o lançamento materializado no AIOP nº 37.043.9163. Chegando a este Colegiado, o processo foi distribuído a esta Conselheira em sessão pública. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece as seguintes regras em relação à intimação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; Fl. 4348DF CARF MF 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e Fl. 4349DF CARF MF Processo nº 10380.001831/200971 Acórdão n.º 2201004.265 S2C2T1 Fl. 4.347 7 a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (...) De acordo com o documento de fl. 4324, em atenção ao que estabelece o art. 23, III, 'a', foi disponibilizado à contribuinte o acórdão da impugnação na data de 30/09/2014. Nesse caso, não tendo ela efetuado consulta ao seu meio eletrônico em data anterior, por aplicação do art. 23, § 2º, III, 'a', considerase realizada a intimação 15 dias após a disponibilização do documento, o que fixa a data da intimação em 15/10/2014. O prazo para interposição do recurso é de trinta dias (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 33, caput), contudo ele foi protocolado apenas em 20/01/2016 e não foi apresentado qualquer argumento em defesa de sua tempestividade. Pelas razões expostas, não tendo sido observado o prazo legal para interposição do recurso, ele não merece ser conhecido. Conclusão Pelos motivos expostos, voto por não conhecer do recurso voluntário apresentado. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 4350DF CARF MF
score : 1.0
