Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 19515.720414/2013-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
A omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica não restou comprovada. No lançamento tributário, salvo no caso das presunções legais, cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária, no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incertezas. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA INDICIÁRIA.
Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Assim, considerando que a apuração do imposto baseou-se em omissão de rendimentos oriundos recebidos de pessoas jurídicas, desprovidas de provas, o Auto de Infração, neste item não pode prosperar.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a exigência consubstanciada no item 002 do lançamento, referente a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. A omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica não restou comprovada. No lançamento tributário, salvo no caso das presunções legais, cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária, no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incertezas. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA INDICIÁRIA. Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Assim, considerando que a apuração do imposto baseou-se em omissão de rendimentos oriundos recebidos de pessoas jurídicas, desprovidas de provas, o Auto de Infração, neste item não pode prosperar. Recurso Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.720414/2013-18
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5424804
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2102-003.223
nome_arquivo_s : Decisao_19515720414201318.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ALICE GRECCHI
nome_arquivo_pdf_s : 19515720414201318_5424804.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a exigência consubstanciada no item 002 do lançamento, referente a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
id : 5808802
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474567905280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2450; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 738 1 737 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720414/201318 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102003.223 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2015 Matéria IRPF Recorrente LÚCIO BOLONHA FUNARO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. A omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica não restou comprovada. No lançamento tributário, salvo no caso das presunções legais, cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária, no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incertezas. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA INDICIÁRIA. Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Assim, considerando que a apuração do imposto baseouse em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 04 14 /2 01 3- 18 Fl. 752DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI 2 omissão de rendimentos oriundos recebidos de pessoas jurídicas, desprovidas de provas, o Auto de Infração, neste item não pode prosperar. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a exigência consubstanciada no item 002 do lançamento, referente a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 05/02/2013 (fls. 689/693), contra o contribuinte acima qualificado, relativo ao Anocalendário 2008, que exige crédito tributário no valor de R$ 41.865.763,14, incluída multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, calculados até 31/01/2013. Conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” às fls. 691/692, o Fisco apurou as seguintes infrações: I Omissão de Rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito, mantidas em instituições financeiras em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; II Omissão de Rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, em relação aos créditos depositados nas contas do contribuinte e vinculados com as saídas das contas correntes da empresa, que apesar de ter sua origem justificada, o contribuinte não apresentou documentação para comprovar a que título recebeu tais valores. Em fls. 679/686, consta o Termo de Verificação Fiscal, o qual demonstra o procedimento fiscal que resultou na constituição do crédito tributário acima referido. No item “Análise da Documentação Apresentada” o Fisco apresenta uma análise da respectiva documentação, em relação as transferências entre contas correntes, por serem da mesma titularidade considerou justificadas; as transferências da corretora Novinvest, também entendeu que restaram justificadas; o Mútuo Bancário foi considerado justificado, os recursos próprios entendeu o fisco em não considerar sob o argumento de que: “Considerando que o dinheiro em poder do contribuinte pode ter sido gasto para cobrir outras despesas e que nenhuma documentação foi apresentada vinculandoo de maneira inequívoca aos créditos em suas contas corrente, esta fiscalização não considera a origem destes créditos justificados.”; a liberação de depósito judicial, o Fisco considerou justificados; os depósitos de cheque pré datados, o fisco não considerou justificados, face ao seguinte argumento: “cabe ressaltar que não foi Fl. 753DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI Processo nº 19515.720414/201318 Acórdão n.º 2102003.223 S2C1T2 Fl. 739 3 apresentada documentação vinculando estes cheques aos créditos em suas contas corrente e nem a origem destes cheques.” No que tange ao contrato de mútuo com a empresa Cingular Fomento Mercantil Ltda, fundamenta o Fisco que: “os créditos depositados nas constas do contribuinte e justificados por ele, como liquidação de parcela do mútuo com a empresa puderam ser vinculados com as saídas das contas corrente da empresa. Portanto, os créditos enquadrados nesta situação, estão relacionados no demonstrativo “mútuo com correspondente” e foram considerados justificados. Contudo, apesar de ter sua origem justificada, não foi apresentada nenhuma documentação para comprovar a que título o contribuinte recebeu estes valores, tendo em vista que os lançamentos contábeis da Pessoa Jurídica não foram apresentados. Com isso, estes créditos foram considerados como Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica.” Relativamente ao contrato de mútuo com a empresa Gallway Projetos e Energia S/A, a fiscalização analisando a documentação apresentada pelo contribuinte, qual seja, extratos de movimentação de mútuo juntamente com extratos bancários, verificou que “os créditos depositados nas contas do contribuinte e justificados por ele como liquidação de parcela do mútuo com a empresa não puderam ser vinculados com saídas das contas corrente da empresa. Outra dificuldade para aceitar as alegações do contribuinte devese ao fato de, apesar de termos intimadoo a apresentar os registros contábeis dos lançamentos efetuados pela empresa Gallway Projetos, referentes ao mútuo, não fomos atendidos. Portanto, os créditos enquadrados nesta situação, estão relacionados no demonstrativo “mútuo sem correspondente” e não foram considerados justificados.” Quanto ao contrato de mútuo com a empresa Gallway S/A Securitizadora de Créditos Financeiros, o fisco de posse dos documentos apresentados pelo contribuinte (extratos bancários – fls. 406/449 e extratos de movimentação de mútuo), constatou que “os créditos depositados nas contas do contribuinte e justificados por ele como liquidação de parcela do mútuo com a empresa não puderam ser vinculados com saídas das contas corrente da empresa. Outra dificuldade para aceitar as alegações do contribuinte devese ao fato de, apesar de termos intimadoo a apresentar os registros contábeis dos lançamentos efetuados pela empresa Gallway Projetos, referentes ao mútuo, não fomos atendidos. Portanto, os créditos enquadrados nesta situação, estão relacionados no demonstrativo “mútuo sem correspondente” e não foram considerados justificados.” E quanto ao mútuo com a empresa Royster Serviços S/A, o fisco constatou uma divergência entre o contrato de mútuo e os extratos de mútuo, posto que no contrato aparece o contribuinte como mutuário e no extrato como mutuante, e intimado a esclarecer a incoerência, o contribuinte informou que houve um equívoco nos documentos enviados para análise, em que o mesmo figura como mutuário ao invés de mutuante, e apresentou novos extratos de mútuos. Ao confrontar os extratos de mútuos com os extratos bancários, a autoridade fiscal verificou que “os créditos depositados nas contas do contribuinte e justificados por ele como liquidação de parcela do mútuo com a empresa não puderam ser vinculados com saídas das contas corrente da empresa. Outra dificuldade para aceitar as alegações do contribuinte devese ao fato de, apesar de termos intimadoo a apresentar os registros contábeis dos lançamentos efetuados pela empresa Royster Serviços, referentes ao mútuo, não fomos atendidos.” E que os créditos depositados nas contas do contribuinte e justificados por ele, Fl. 754DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI 4 como liquidação de parcela do mútuo com a empresa Royster Serviços puderam ser vinculados com as saídas das contas corrente da empresa. Portanto, os créditos enquadrados nesta situação, estão relacionados no demonstrativo “mútuo com correspondente” e foram considerados justificados. Contudo, apesar de ter sua origem justificada, não foi apresentada nenhuma documentação para comprovar que realmente os valores tiveram origem no contrato de mútuo, tendo em vista que os lançamentos contábeis da Pessoa Jurídica não foram apresentados. Com isso, estes créditos foram considerados como Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica.” Cientificado da exigência tributária em 08/02/2013 (fls. 695), e irresignado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresentou impugnação em 08/03/2013 (fls. 702/709), desacompanhada de documentos, que em síntese, alega o que segue, conforme relatório da decisão a quo: 1. conquanto esteja a pessoa física obrigada a manter em seu poder, pelo período de cinco anos, toda a documentação necessária à comprovação das suas operações financeiras, não está, todavia, obrigada a manter escrituração contábil, ainda que simplificada dessas operações e, por este motivo, a realização da prova, em procedimentos fiscais de pessoas físicas, via de regra, não é tão robusta quanto no caso das pessoas jurídicas, estas últimas obrigadas a manter escrituração fiscal e contábil rigorosa; 2. a maioria das operações encetadas pelo sujeito passivo tiveram origem em mútuos financeiros, representados por contratos de cessão de crédito devidamente lançados em sua declaração de rendimentos, consoante comprovado mediante farta documentação carreada para os autos, demonstrando de forma inconteste a origem dos recursos tidos por omitidos. 3. ao analisar as operações de mútuo, a fiscalização considerou justificada a origem de parte dos créditos bancários, mas, como não foram apresentados os lançamentos contábeis das pessoas jurídicas mutuantes, tais créditos foram considerados como omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica; 4. ocorre que o impugnante não tem acesso à contabilidade das empresas e jamais conseguirá fazer tal prova e, portanto, trata se de uma prova impossível; 5. destarte, estando os depositantes e a origem dos recursos identificados, caberia à autoridade lançadora aprofundar sua investigação, intimando aquelas empresas a apresentar a documentação contábil em questão, questionando a razão pela qual efetuaram os depósitos, procurando detectar possíveis omissões de receitas/rendimentos por parte dos depositantes e por parte do titular das contas bancárias recebedoras dos depósitos e não cobrar tais documentos de quem jamais poderia entregálos; 6. caso contrário, deveria ter descaracterizado os contratos de mútuo em questão e, ai sim, efetuar o lançamento como sendo omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI Processo nº 19515.720414/201318 Acórdão n.º 2102003.223 S2C1T2 Fl. 740 5 7. assim, o lançamento deve ser cancelado, seja por falta de aprofundamento das investigações, seja por capitulação legal incompatível com a situação fática apresentada; 8. de igual forma, para os contratos de mútuo para os quais, embora identificadas as origens, a fiscalização não conseguiu efetuar a vinculação entre os créditos depositados na conta do sujeito passivo e as liquidações de parcelas de mútuo com as saídas das contas corrente da empresa, denotase a toda evidencia que a fiscalização também deixou de aprofundar sua auditoria, uma vez que não deu o passo seguinte, que seria o de requisitar das empresas mutuantes os seus registros contábeis, visto que tal prova, ainda que solicitada ao sujeito passivo, para ele seria impossível fazêlo, eis que não tem poderes para tal; 9. nesse passo, esse item deve também ser cancelado por falta de aprofundamento na fiscalização. 10. quanto ao item Recursos Próprios, no valor de R$ 190.500,00, a fiscalização não considerou justificada a importância de R$155.736,25, constante da declaração de ajuste do sujeito passivo como créditos em contas corrente, porquanto o valor em questão poderia ter sido consumido para cobrir outras despesas; 11. todavia, esqueceuse que o impugnante teve outros rendimentos em aplicações financeiras que superam os R$ 800.000,00 e que facilmente cobririam o valor de R$ 190.000,00, suprindo também as despesas pessoais do sujeito passivo; 12. em vista disso, tal item deve ser excluído da tributação. 13. assim, a autoridade fiscal incorreu em erro material ao determinar com inexatidão a base tributável e, conseqüentemente, quanto ao montante do tributo devido, tornando o crédito tributário carecedor de liquidez e certeza; 14. à vista da legislação, dos fatos e das provas acostadas ao processo, a exigência fiscal não pode prosperar sob pena de se considerar desrespeitado o princípio da legalidade e o da tipicidade cerrada, inclusive, porque, sendo o ato administrativo do lançamento vinculado, a Administração Tributária não deve deixar de observar o disposto no art. 142 do CTN para que o lançamento de ofício possa produzir efeitos tributários válidos; 15. no caso destes autos, os mencionados vícios tornam o lançamento nulo de pleno direito; 16. requer sejam acatadas as alegações e as provas produzidas, para o reexame da matéria tributária, face ao equivocado lançamento, e, ao final, seja declarada a nulidade do lançamento por vício material; nos termos do art. 142 do CTN. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: Fl. 756DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI 6 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não restando comprovada a incompetência do autuante nem a ocorrência de preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA DA ORIGEM. A demonstração da origem dos depósitos deve se reportar a cada depósito, de forma individualizada, de modo a identificar a fonte do crédito, o valor, a data e a natureza da transação, se tributável ou não. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Para que um rendimento escape da tributação não basta a demonstração da fonte do crédito ocorrido na conta corrente do sujeito passivo, devendo restar evidenciada também a natureza da operação que o gerou. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1647.274 da 16ª Turma da DRJ/SP1 em 09/10/2013 (fl. 728). Sobreveio Recurso Voluntário em 06/11/2013 (fl. 729/736), desacompanhado de documentos, no qual o contribuinte ratificou as razões da impugnação quanto ao mérito, sendo que em seu recurso, deixou de alegar a nulidade do lançamento. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, é tempestivo, motivo pelo qual conheçoo e passo ao exame da preliminar e do mérito. Tratamse os presentes autos acerca de omissão de rendimentos caracterizada através de depósitos bancários de origem não comprovada e Omissão de Rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI Processo nº 19515.720414/201318 Acórdão n.º 2102003.223 S2C1T2 Fl. 741 7 Preliminarmente, sustenta o recorrente que a maioria das operações realizadas pelo sujeito passivo tiveram origem em mútuos financeiros, representados por contratos de cessão de crédito (fls. 42/59), devidamente lançados em sua declaração de rendimentos, e que estando os recursos identificados, caberia à autoridade fiscal intimar as empresas mutuárias à apresentar os correspondentes registros contábeis e não exigir do contribuinte tal providência. Compulsando os autos, no que tange ao contrato de mútuo com a empresa Cingular Fomento Mercantil Ltda., verificase que o contribuinte apresentou instrumento particular de concessão de crédito (fls. 161/162), assinado em 02/01/2007, em que o mesmo figura como mutuante e a empresa como mutuária, a qual foi representada pelo seu Diretor Lúcio Bolonha Funaro, isto é, pelo próprio recorrente, bem como apresentou todos os extratos bancários, apresentou ainda extrato de movimentação de mútuo com a empresa Cingular (fls. 163/186). Relativamente ao contrato de mútuo com a empresa Gallway Projetos e Energia S/A, o contribuinte apresentou instrumento particular de concessão de crédito com a empresa (fls. 77/78), assinado em 02/01/2008, em que a mesma figura como mutuante e o contribuinte como mutuário, embora conste que a mutuante seria representada pelo Sr. Sérgio Guaraciaba Martins Reinas, o contrato não está assinado pela mutuante. Mesmo assim fora apresentado pelo contribuinte extratos de movimentação de mútuo (fls. 79/84), sendo o saldo inicial em 01/10/2008 de R$ 0,00, e final em 02/12/2008 de R$ 2.120.000,00, cujo mútuo não consta declarado na DAA de 2008. Faram apresentados, ainda, os extratos bancários. Da empresa Gallway S/A Securitizadora de Créditos Financeiros, verificase que o contribuinte não declarou o mutuo na DAA 2008, apresentando em fls. 59 e seguintes extrato da movimentação de mútuo e em fls. 406/449 os extratos bancários. E finalmente, quanto ao mútuo com a empresa Royster Serviços S/A, o contribuinte apresentou instrumento particular de concessão de crédito (fls. 86/87), sendo o mesmo denominado mutuário e a empresa mutuante, cujo contrato fora assinado em 02/01/2007, sendo que consta do referido que a empresa fora representada pelo próprio recorrente, o qual assinou como mutuante e mutuário. O contribuinte apresentou extratos de movimentação de mútuo (fls. 88/109) o qual fora declarado na DAA 2008. O fisco constatou uma divergência entre o contrato de mútuo e os extratos de mútuo, posto que no contrato aparece o contribuinte como mutuário e no extrato como mutuante, e intimado a esclarecer a incoerência, o contribuinte informou que houve um equívoco nos documentos enviados para análise, em que o mesmo figura como mutuário ao invés de mutuante, e apresentou novos extratos de mútuos. Apresentando, ainda, os extratos bancários. Quanto a alegação do contribuinte de que não dispunha de meios para obter os registros contábeis das supramencionadas empresas, argumenta que inobstante tenha relação com as empresas, tais documentos são de responsabilidade destas, as quais não tem qualquer obrigação de apresentar seus lançamentos ao contribuinte. Contudo, da análise dos documentos acostados pelo interessado, verificase que havia condições de o mesmo acostar tais documentos contábeis, uma vez que o próprio contribuinte trouxe aos autos os extratos de mútuo e extratos bancários das respectivas empresas, os quais são protegidos por sigilo, dependendo de autorização das respectivas para obtêlos, logo, a apresentação dos registros contábeis para fazer prova a favor do contribuinte, também poderiam e deveriam ter sido Fl. 758DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI 8 juntados pelo interessado, até porque, em regra ele assinava os contratos na condição de mutuante e mutuário, o que comprova seu livre acesso a todo e qualquer documento. Assim, deixase de converter o presente julgamento em diligência, pois não assiste razão ao recorrente em argumentar, que no caso concreto, caberia à autoridade fiscal intimar as empresas mutuárias à apresentar os correspondentes registros contábeis, podendo sim, intimar o próprio contribuinte, como ocorreu, para tal providência. Razões pelas quais rejeito a preliminar. 001 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA No mérito, relativamente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, tal omissão respaldase no art. 42, caput da Lei nº 9.430/96, que dispõe: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. No regime jurídico do art. 42 da Lei 9.430/1996 há uma presunção legal relativa, vez que, intimado à comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada. A presunção em favor do Fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento, analisar a respectiva declaração de ajuste anual e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Portanto, verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, de que o contribuinte recebeu depósitos e eximiuse de comprovar, depósito por depósito, mediante documentação hábil e idônea a sua origem, correta é a autuação. Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o deposito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. No caso dos autos, relativamente ao item “DRecursos Próprios”, constante do Termo de Verificação Fiscal em fls. 680/681, o Fisco fundamenta o lançamento tecendo as seguintes considerações, conforme excertos extraídos do Relatório Fiscal: “O contribuinte apresentou como justificativa de alguns créditos, o depósito em suas contas corrente de recursos próprios mantidos em dezembro de 2007. O contribuinte informou em sua declaração de IRPF/Ex.2008, na declaração de bens e direitos, ter em seu poder em 31/12/2007 a quantia de R$ Fl. 759DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI Processo nº 19515.720414/201318 Acórdão n.º 2102003.223 S2C1T2 Fl. 742 9 155.736,25. Os Créditos que o contribuinte justifica com esse recurso, totalizam R$ 190.500,00, valor superior ao mantido pelo contribuinte. Além disso, apenas esta informação não é suficiente para vincular este valor aos depósitos efetuados em suas contas corrente. Considerando que o dinheiro em poder do contribuinte pode ter sido gasto para cobrir outras despesas e que nenhuma documentação foi apresentada vinculandoo de maneira inequívoca aos créditos em suas contas corrente, esta fiscalização não considera a origem destes créditos justificados.” Neste tocante, ratifico a decisão a quo por seus próprios fundamentos, tendo em vista que não foi apresentada documentação hábil e idônea que vinculasse os rendimentos declarados e os depósitos bancários objeto da tributação. Como bem asseverou a DRJ/SP1, “o fato de o contribuinte declarar o recebimento de rendimentos de valor superior ao depósito que pretende comprovar, sejam eles tributáveis, isentos ou não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte, não basta para justificar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. Não é demais reforçar que a origem dos depósitos deve ser comprovada mediante documentação que vincule cada um deles aos valores efetivamente recebidos.” A posse de numerário em espécie, informada na relação de bens da Declaração de Ajuste Anual, não se presta a justificar a origem de depósitos bancários, tendo em vista que, além de não ter sido apresentado nenhum documento comprobatório da efetiva existência de tais recursos em caixa, o interessado tampouco estabeleceu a vinculação entre a disponibilidade em dinheiro informada e os depósitos/créditos efetuados em suas contas bancárias. No que tange aos demais valores constantes do presente item do lançamento, compulsando os autos, verificase que o contribuinte em momento algum, quer no procedimento fiscal, na impugnação ou no presente recurso, logrou comprovar a origem dos rendimentos que circularam por suas contas bancárias. Portanto, tais omissões devem ser mantidas. 002 – OMISSÃO DE RENDIMENTOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Extraíse do Termo de Verificação Fiscal em fls. 679/686, que “a presente ação fiscal restringiuse na análise da movimentação financeira do exercício 2009”. No entanto, conforme comprovam os documentos acostados ao processo, e o respectivo Auto de Infração, a movimentação financeira analisada referese ao anocalendário de 2008. No que concerne aos contratos de mútuos, considerou o Fisco que em relação à empresa Cingular Fomento Mercantil Ltda, “os créditos depositados nas contas do contribuinte e justificados por ele, como liquidação de parcela de mútuo com a empresa puderam ser vinculados com saídas das contas corrente da empresa. Portanto, os créditos enquadrados nesta situação, estão relacionados no demonstrativo “mútuo com Fl. 760DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI 10 correspondente” e foram considerados justificados. Contudo, apesar de ter sua origem justificada, não foi apresentada nenhuma documentação para comprovar a que titulo o contribuinte recebeu estes valores, tendo em vista que os lançamentos contábeis da Pessoa Jurídica não foram apresentados. Com isso, estes créditos foram considerados como Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídica.” Relativamente à empresa Royster Serviços S.A., o Fisco entendeu que “os créditos depositados nas contas do contribuinte e justificados por ele, como liquidação de parcela do mútuo com a empresa Royster Serviços puderam ser vinculados com as saídas das contas corrente da empresa. Portanto, os créditos enquadrados nesta situação, estão relacionados no demonstrativo “mútuo com correspondente” e foram considerados justificados. Contudo, apesar de ter sua origem justificada, não foi apresentada nenhuma documentação para comprovar que realmente os valores tiveram origem no contrato de mútuo, tendo em vista que os lançamentos contábeis da Pessoa Jurídica não foram apresentados. Com isso, estes créditos foram considerados como Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica.” Em suma, para fundamentar o lançamento quanto à tais omissões, no tópico “II OMISSÃO DE RENDIMENTOS – RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA” constante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 685/686), restringiuse o Fisco a argumentar que os mútuos com correspondente, “se referem aquelas origens que foram justificadas, mas não foram apresentados documentos para justificar a que título o contribuinte recebeu estes valores”. Com isso, a fiscalização considerou tais valores como “omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, conforme art. 45 do RIR/99 e art. 1º da Lei 11.482/07”. A decisão a quo, manteve o crédito tributário, com o seguinte fundamento, conforme excertos extraídos da ementa: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Para que um rendimento escape da tributação não basta a demonstração da fonte do crédito ocorrido na conta corrente do sujeito passivo, devendo restar evidenciada também a natureza da operação que o gerou.” Portanto, resta inequívoco que os presentes autos no que tange à Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, teve por base os valores depositados, nas contas correntes do recorrente e das empresas supracitadas. Através dos depósitos bancários, entendeu o Fisco que as origens restaram justificadas pelo contribuinte, no entanto, não foram apresentados documentos para justificar a que título o mesmo recebeu estes valores. Embora todas os ditos rendimentos oriundos de pessoa jurídica apurados resultaram da análise dos depósitos bancários, o Fisco optou por não utilizar a presunção legal, prevista no art. 42, supracitado, e autuou o contribuinte com base em omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, sem no entanto, apresentar qualquer prova de que efetivamente ocorreu tal omissão. Por ser assim, abrindo mão da presunção legal, cabia ao Fisco comprovar a efetiva omissão de receita. Não bastava a este alegar que o contribuinte não comprovou a que titulo o contribuinte recebeu estes valores. O simples crédito em conta corrente bancária, com a respectiva origem comprovada, não autoriza o Fisco considerar como omissão de rendimentos recebidos de Fl. 761DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI Processo nº 19515.720414/201318 Acórdão n.º 2102003.223 S2C1T2 Fl. 743 11 pessoas jurídicas, sem comprovar que tais origens deveriam ser submetidas a tributação. Neste caso, não há inversão do ônus da prova, pois não tratase de presunção legal, uma vez que cabia à autoridade fiscal provar que tais movimentações financeiras efetivamente seriam fatos geradores do imposto sobre a renda de pessoa física. No lançamento tributário, salvo no caso das presunções legais, cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária, no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incertezas. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. Ademais, para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Por ser assim, considerando que a apuração do imposto baseouse em omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, desprovidas de provas, o Auto de Infração não pode prosperar neste item. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso para, excluir na íntegra o valor consubstanciado no item 002 que trata de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 762DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI
score : 1.0
Numero do processo: 15374.901511/2008-35
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO APURADO.
Estando evidenciada a existência de erro de preenchimento na Declaração de Compensação, consistente em se indicar, como direito creditório, pagamento a maior de estimativa em vez do respectivo saldo negativo apurado, deve a repartição de origem reexaminar o pleito, considerando aquele direito creditório como componente do saldo negativo correspondente.
Numero da decisão: 1803-002.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO APURADO. Estando evidenciada a existência de erro de preenchimento na Declaração de Compensação, consistente em se indicar, como direito creditório, pagamento a maior de estimativa em vez do respectivo saldo negativo apurado, deve a repartição de origem reexaminar o pleito, considerando aquele direito creditório como componente do saldo negativo correspondente.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15374.901511/2008-35
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5404407
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-002.459
nome_arquivo_s : Decisao_15374901511200835.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SERGIO RODRIGUES MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 15374901511200835_5404407.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5748841
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474601459712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1302; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 76 1 75 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.901511/200835 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.459 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de novembro de 2014 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO Recorrente O BICHO COMEU BIJOUTERIAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO APURADO. Estando evidenciada a existência de erro de preenchimento na Declaração de Compensação, consistente em se indicar, como direito creditório, pagamento a maior de estimativa em vez do respectivo saldo negativo apurado, deve a repartição de origem reexaminar o pleito, considerando aquele direito creditório como componente do saldo negativo correspondente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 15 11 /2 00 8- 35 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.901511/200835 Acórdão n.º 1803002.459 S1TE03 Fl. 77 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.901511/200835 Acórdão n.º 1803002.459 S1TE03 Fl. 78 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 45 a 47): Em 12/11/2003, a Interessada transmitiu a Declaração de Compensação n° 05978.19230.121103.1.3.043108 (fls. 02/06), na qual é informado: crédito referente a pagamento indevido, em 30/12/2002 (DARF com período de apuração em 30/11/2002, código de receita 5993, vencimento em 30/12/2002, valor do principal R$ 2.775,16 e de zero o valor da multa e dos juros, sendo que a data de arrecadação se deu em 30/12/2002), de Estimativa mensal de IRPJ (código 59931), no valor de R$ 2.775,16, tendo sido utilizado R$ 865,26 nesta Declaração de Compensação para compensar débito de Estimativa mensal de IRPJ (código 59931), período de apuração de setembro de 2003, vencimento em 31/10/2003, no valor de R$ 1.019,36. 2. Em 05/05/2008 (fls. 07, 09 e 42), a Interessada foi cientificada do Despacho Decisório de n° de rastreamento 757788244 (fl. 08), emitido em 24/04/2008, no qual a DERAT RJO, com fulcro no que dispõem os arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172/1966 (CTN) e o art. 74 da Lei n° 9.430/1996, não homologou a referida compensação declarada, diante da inexistência do crédito, uma vez que, a partir das características do DARF discriminado na Declaração de Compensação, foi localizado o pagamento n° 1355760401, arrecadado em 30/12/2002, no valor original de R$ 2.755,16, o qual foi integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. 3. Inconformada, a Interessada apresentou, em 30/05/2008, a Manifestação de Inconformidade de fls. 10/11, com anexos de fls. 12/33, na qual alega o seguinte: “O BICHO COMEU BIJOUTERIAS LTDA., inscrita no CNPJ sob o número 31 523 566/000121 estabelecida na Av. Rio Branco, 45, Sala 1105 a 1109, Centro, Rio de Janeiro, RJ Cep 20.090003, vem, muito respeitosamente, apresentar a sua manifestação de inconformidade com o despacho decisório com rastreamento número 757788244, de 24/04/2008, pelos fatos abaixo relacionados: 1 No anocalendário de 2002, o contribuinte optou pelo recolhimento mensal do Imposto de Renda e Contribuição Social Sobre Lucro Líquido, POR ESTIMATIVA. 2 Foram recolhidos mensalmente o IRPJ por estimativa com base na receita bruta, conforme legislação em vigor, no total nominal de R$ 29.491,38 (cópias das guias em anexo) 3 Foram recolhidos mensalmente o CSLL por estimativa com base na receita bruta, conforme legislação em vigor, no total nominal de R$ 22.868,56 (cópias das guias em anexo). 4 Ao Final do Exercício foi efetuado o balanço anual onde se apurou o Lucro Real Anual tributável de R$ 79.067,93, que gerou um IRPJ de R$ 11.875,51 (Ficha 06A) e CSLL de R$ 7.116,11 (Ficha 17) da DIPJ 2003. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.901511/200835 Acórdão n.º 1803002.459 S1TE03 Fl. 79 4 5 Como o contribuinte recolheu de IRPJ, durante o anocalendário, a importância de R$ 29.491,38 (cópias das guias em anexo) e o valor do IRPJ apurado com base no Lucro Real anual foi de R$ 11.875,51 (Ficha 06A da DIPJ 2003), foi gerado um CRÉDITO nominal para o contribuinte de R$ 17.615,87 6 – Com o crédito, o contribuinte teria 02 caminhos a seguir: a) solicitaria a devolução do pagamento efetuado a maior; b) faria compensação através da PER/DCOMP. Então o contribuinte optou pelo segundo caminho, ou seja, compensou os recolhimentos efetuados a maior no anocalendário de 2003. 7 – Assim, o recolhimento de R$ 2.775,16, efetuado através do DARF código 5993, apuração 30/11/2002 e vencimento em 30/12/2002, e recolhido em 30/12/2002, foi parcialmente usado para compensar o débito do IRPJ sobre lucro presumido do período de apuração Setembro/2003, com vencimento em 31/10/2003, conforme PER/DCOMP numero 05978.19230.121103.1.3.043108, transmitida em 12/11/2003. 8 – A empresa esclarece que o recolhimento de R$ 2.775,16, citado no item 7 acima, referese às quitações abaixo, conforme PER/DCOMP 25878.02068.271103.1.3.048845 e PER/DCOMP 05978.19230.121103.1.3.04 3108, não constando em nosso poder qualquer outro débito que vinculasse tal recolhimento. 9 – No despacho decisório não foi mencionado o débito em que teria sido utilizado o crédito gerado pelo recolhimento do DARF, código 5993, apuração 30/11/2002 e vencimento em 30/12/2002, no valor de R$ 2.775,16, arrecadado em 31/12/2002, com valor total de R$ 2.775,16.” 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 44): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003 DCOMP. PAGAMENTO INTEGRALMENTE UTILIZADO PARA PAGAMENTO DE ESTIMATIVA. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO DECLARADA. NÃO SE HOMOLOGA. Comprovado que o pagamento foi integralmente utilizado para quitar débito de estimativa de IRPJ, não restando deste pagamento crédito disponível para compensação de débito informado na DCOMP, não se homologa a compensação declarada na mesma. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.901511/200835 Acórdão n.º 1803002.459 S1TE03 Fl. 80 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 25/01/2010 (fls. 52), a tempo, em 09/02/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 55, instruído com os documentos de fls. 56 a 71, nele argumentando, em síntese, que o débito de Estimativa mensal de IRPJ (código 5993 1), período de apuração de setembro de 2003, vencimento em 31/10/2003, no valor de R$ 1.019,36, é inexistente, ficando sem efeito a Declaração de Compensação nº 05978.19230.121103.1.3.043108. Em mesa para julgamento. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.901511/200835 Acórdão n.º 1803002.459 S1TE03 Fl. 81 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Constou da decisão recorrida o seguinte (fls. 49): 15. O que interessa que fique claro é que, se a Interessada tinha saldo negativo de IRPJ em 31/12/2002, era esse o crédito que ela tinha que utilizar para fazer as compensações com débitos seus, e não considerar, como créditos seus, determinados pagamentos de estimativas, como, no presente caso, o da estimativa de IRPJ de novembro de 2002, no valor de R$ 2.775,16, para o qual inexiste qualquer direito creditório da Interessada. 5. Assim, flagrantemente reconhecido, pela própria decisão recorrida, o erro de preenchimento da Recorrente na respectiva DComp, deve ser o direito creditório de R$ 865,26, pleiteado neste processo, reexaminado, pela repartição de origem, como componente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. 6. Por outro lado, não se trata – como quer fazer crer aquela decisão – de “retificar de ofício a DComp em foco” (fls. 49), mas de reconhecer a existência de erro em seu preenchimento (indicação de valor de estimativa paga, componente de saldo negativo, como “pagamento a maior”). 7. Vejase que, nas duas jurisprudências mencionadas pela decisão recorrida, de fls. 50, houve “tentativa de alteração de exercício de apuração do saldo negativo de IRPJ informado”, o que não é o presente caso, em que, equivocadamente, pleiteouse a parte (estimativa paga) em vez do todo (saldo negativo correspondente). Fl. 81DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.901511/200835 Acórdão n.º 1803002.459 S1TE03 Fl. 82 7 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que o direito creditório de R$ 865,26, pleiteado neste processo, seja reexaminado, pela repartição de origem, como componente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, devendo ser observada, ainda, a eventual utilização de outros direitos creditórios, em outros processos, também sujeitos a serem reexaminados, pelo mesmo órgão, como saldo negativo de IRPJ do mesmo ano calendário, ou já tacitamente homologados, sendo que, nesse último caso, esses direitos creditórios não podem mais fazer parte daquele saldo negativo. Eventualmente, pode a autoridade local, desde logo e de ofício, e em face do alegado no recurso voluntário apresentado, reconhecer a inexistência de débito a ser compensado com a DComp objeto deste processo – se comprovada aquela alegação , resultando, nessa hipótese, na insubsistência daquela DComp para quaisquer efeitos. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 82DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.014496/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário interposto após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância (art. 33 do Decreto nº 70.235/72).
Recurso não conhecido, face à intempestividade.
Numero da decisão: 2202-002.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos do relator. Tendo em vista a intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
.
Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: Antônio Lopo Martinez, Márcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio De Oliveira Barbosa, Fábio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário interposto após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância (art. 33 do Decreto nº 70.235/72). Recurso não conhecido, face à intempestividade.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.014496/2008-38
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5407379
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2202-002.911
nome_arquivo_s : Decisao_11080014496200838.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PEDRO ANAN JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11080014496200838_5407379.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos do relator. Tendo em vista a intempestividade. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez - Presidente. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator . Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: Antônio Lopo Martinez, Márcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio De Oliveira Barbosa, Fábio Brun Goldschmidt.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5762311
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474616139776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1459; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 712 1 711 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.014496/200838 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.911 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de dezembro de 2014 Matéria Omissão de Rendimentos Recorrente Olinto Pereira da Luz Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário interposto após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância (art. 33 do Decreto nº 70.235/72). Recurso não conhecido, face à intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos do relator. Tendo em vista a intempestividade. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 44 96 /2 00 8- 38 Fl. 713DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: Antônio Lopo Martinez, Márcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio De Oliveira Barbosa, Fábio Brun Goldschmidt. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.014496/200838 Acórdão n.º 2202002.911 S2C2T2 Fl. 713 3 Relatório O contribuinte supraidentificado foi autuado por omitir rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica nos valores discriminados nas folhas 5 e 6. O presente lançamento decorre da omissão de salários recebidos da Associação Encarnacion Blaya AEB, CNPJ nº 92.675.586/000102 com atividade na área de psiquiatria, onde o autuado exercia a função de Assistente Administrativo e, também, procurador da entidade. Verificou a fiscalização que o autuado exercia o cargo de Diretor da entidade, conforme descrito no Relatório Fiscal (fl.13), além de remunerar, mensalmente, outras pessoas jurídicas das quais o titular era o autuado. Foi identificado que a AEB fazia pagamentos regulares à pessoa jurídica Olinto Pereira Luz – ME, cujo nome fantasia era Fase Instalações Elétricas, CNPJ nº 94.360.898/000152, prestando serviços exclusivamente à empresa AEB. Fato idêntico ocorria com a pessoa jurídica OLP Arquitetura e Construção Ltda, CNPJ nº 01.211.159/000118, cujo quadro societário era formado pelo contribuinte e sua esposa (Beatriz Blaya Luz), também auferindo todos os rendimentos da AEB. Destaca a fiscalização que a totalidade do lucro distribuído nos anoscalendário 2004 e 2005 ao Sr. Olinto, corresponde ao valor líquido das notas fiscais emitidas pelas empresas contra a AEB. Em 04/07/2008 o autuado ajuizou reclamatória trabalhista nº 00679200600804000 contra a AEB para que fosse reconhecida sua condição de Diretor Administrativo e o salário percebido de R$15.000,00, mensais. A associação na posição de reclamada não apresentou defesa e celebrou acordo, pagando ao reclamante a quantia de R$141.000,00. Com base nestas informações a fiscalização demonstra que o autuado recebia valores superiores aos declarados, conforme quadro da folha 15. Segundo o relatório fiscal o autuado teria efetuado transações imobiliárias no ano de 2005 através da AEB, auferindo lucro de R$198.000,00 em 02/2005. O mesmo documento identifica operações circularizadas com outras empresas que indicam fraude na contabilidade da AEB, identificando depósitos feitos por pessoas jurídicas como se fossem do autuado. Em 28/07/2006 foi celebrado contrato de Dação em Pagamento de imóvel para quitar dividas da associação com o Sr. Olinto Pereira da Luz e Srª Beatriz Blaya da Luz, demonstrando débitos da entidade com o casal em valor superior aos informados na contabilidade o que seria evidência de que a divida jamais teria existido. Ainda, segundo o relatório (fl. 19) o autuado teria recebido graciosamente da AEB um direito no valor de R$536.129,47, valor pago a construtora do imóvel objeto de dação em pagamento. Da constatação de que o autuado foi beneficiário de rendimentos recebidos da pessoa jurídica AEB não informados nas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios de 2005 a 2007, anoscalendário 2004 a 2006 foi feito o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (cód. 2904) no valor de R$273.953,61. O autuado apresentou impugnação em 13/02/2009. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre – DRJ/POA ao analisar a impugnação negou provimento através do Acórdão DRJ/POÁ 1038.098 de 25 de abril de 2012, consubstanciado na ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 SIMULAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. Comprovada a simulação por meio do conjunto indiciário convergente, cabe à Fazenda Pública desconsiderar os efeitos dos atos viciados, para que se operem conseqüências no plano da eficácia tributária, independentemente de prévia manifestação judicial a respeito da validade do ato viciado. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Descabida a utilização da contabilidade da AEB como prova das alegações quando comprovado nos autos que as mesmas não refletem as operações da empresa. FATO GERADOR DO IRPF. O fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade jurídica ou econômica dos rendimentos, independente do tipo de atividade, dos serviços prestados e da forma como estes chegam ao beneficiário. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. Os valores acordados em reclamatória trabalhista devem ser discriminados e homologados judicialmente. Acordos extrajudiciais não comprovam a natureza das verbas pactuadas perante o fisco Devidamente cientificado dessa decisão em 09 de maio de 2012, o contribuinte apresenta recurso voluntário em 20 de junho de 2012. É o relatório. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.014496/200838 Acórdão n.º 2202002.911 S2C2T2 Fl. 714 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Antes de mais nada devemos analisar se o recurso apresentado pelo contribuintes atende aos pressupostos de admissibilidade. Nos termos do artigo 33 do Decreto n° 70.235/72 o contribuinte tem o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância para ingressar com o recurso voluntário: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão Podemos verificar que o Recorrente foi devidamente cientificado da decisão da DRJ/POA em 09 de maio de 2012, ingressando com recurso voluntário em 20 de junho de 2012, ou seja o recurso foi intempestivo. Desta forma, não conheço do recurso pela sua intempestividade (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 717DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10580.912656/2009-93
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/01/2006
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 31/01/2006 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10580.912656/2009-93
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5404857
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-003.763
nome_arquivo_s : Decisao_10580912656200993.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SOLON SEHN
nome_arquivo_pdf_s : 10580912656200993_5404857.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5751477
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474619285504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1841; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 79 1 78 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.912656/200993 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.763 – 2ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria COFINSCOMPENSAÇÃO Recorrente PROMÉDICA PATRIMONIAL S.A. PROMAT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/01/2006 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 26 56 /2 00 9- 93 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (São Paulo I)/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. O Recorrente, nas razões de fls. 60 e ss., alega que a existência de decisão judicial seria suficiente para comprovar do crédito objeto da compensação. Após reproduzir parte da decisão liminar, confirmada em sentença, sustenta que esta teria reconhecido o direito dos substituídos processuais dentre os quais o Recorrente de compensar todos os valores indevidamente recolhidos à título de PIS/Pasep e de Cofins sobre a receita de medicamentos, nos termos da Lei nº 10.147/2000. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 13/02/2014 (fls. 67), interpondo recurso tempestivo em 14/02/2014 (fls. 69). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.912656/200993 Acórdão n.º 3802003.763 S3TE02 Fl. 80 3 contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.912656/200993 Acórdão n.º 3802003.763 S3TE02 Fl. 81 5 CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples afirmação de que existiria decisão judicial reconhecendo suposto direito de crédito – formulada apenas por ocasião da interposição do recurso voluntário e omitida no campo dos “dados inicias” do PER/Dcomp– é insuficiente para a reforma da decisão recorrida, quando não demonstrada documentalmente a efetiva liquidez e certeza do direito creditório. Na data da transmissão dos PER/Dcomps, vigorava a Instrução Normativa RFB nº 600/2005, que, como se sabe, exige a prévia habilitação do crédito como requisito indispensável para a transmissão válida de pedido de compensação lastreado em decisão judicial: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I – o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II – a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 III – a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV – cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V – a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VI – a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. O Recorrente, além de omitir a suposta existência de decisão judicial na manifestação de inconformidade, sequer fez indicação deste fato nos “dados iniciais” do PER/Dcomp, preenchendo negativamente o campo “crédito oriundo de ação judicial”. Tal fato além de induzir em erro a autoridade julgadora a quo inviabiliza o reconhecimento da homologação, uma vez que o PER/Dcomp, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, pressupõe a correta identificação do crédito, inclusive e principalmente no tocante ao fato de ser decorrente de suposta decisão judicial. Com efeito, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Tais modalidades foram substituídas pela autocompensação, que – ao lado da compensação deofício e ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e aos débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.912656/200993 Acórdão n.º 3802003.763 S3TE02 Fl. 82 7 A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais. (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque não foi identificada corretamente a origem do crédito nem demonstrada a sua liquidez e certeza. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911870/2009-22
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 30/11/2004
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 30/11/2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10580.911870/2009-22
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5404870
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-003.743
nome_arquivo_s : Decisao_10580911870200922.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SOLON SEHN
nome_arquivo_pdf_s : 10580911870200922_5404870.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5751503
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474629771264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1841; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 84 1 83 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.911870/200922 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.743 – 2ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria COFINSCOMPENSAÇÃO Recorrente PROMÉDICA PATRIMONIAL S.A. PROMAT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 30/11/2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 18 70 /2 00 9- 22 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (São Paulo I)/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. O Recorrente, nas razões de fls. 65 e ss., alega que a existência de decisão judicial seria suficiente para comprovar do crédito objeto da compensação. Após reproduzir parte da decisão liminar, confirmada em sentença, sustenta que esta teria reconhecido o direito dos substituídos processuais dentre os quais o Recorrente de compensar todos os valores indevidamente recolhidos à título de PIS/Pasep e de Cofins sobre a receita de medicamentos, nos termos da Lei nº 10.147/2000. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 13/02/2014 (fls. 67), interpondo recurso tempestivo em 14/02/2014 (fls. 69). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911870/200922 Acórdão n.º 3802003.743 S3TE02 Fl. 85 3 contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911870/200922 Acórdão n.º 3802003.743 S3TE02 Fl. 86 5 CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples afirmação de que existiria decisão judicial reconhecendo suposto direito de crédito – formulada apenas por ocasião da interposição do recurso voluntário e omitida no campo dos “dados inicias” do PER/Dcomp– é insuficiente para a reforma da decisão recorrida, quando não demonstrada documentalmente a efetiva liquidez e certeza do direito creditório. Na data da transmissão dos PER/Dcomps, vigorava a Instrução Normativa RFB nº 600/2005, que, como se sabe, exige a prévia habilitação do crédito como requisito indispensável para a transmissão válida de pedido de compensação lastreado em decisão judicial: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I – o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II – a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; Fl. 88DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 III – a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV – cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V – a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VI – a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. O Recorrente, além de omitir a suposta existência de decisão judicial na manifestação de inconformidade, sequer fez indicação deste fato nos “dados iniciais” do PER/Dcomp, preenchendo negativamente o campo “crédito oriundo de ação judicial”. Tal fato além de induzir em erro a autoridade julgadora a quo inviabiliza o reconhecimento da homologação, uma vez que o PER/Dcomp, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, pressupõe a correta identificação do crédito, inclusive e principalmente no tocante ao fato de ser decorrente de suposta decisão judicial. Com efeito, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Tais modalidades foram substituídas pela autocompensação, que – ao lado da compensação deofício e ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e aos débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 89DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911870/200922 Acórdão n.º 3802003.743 S3TE02 Fl. 87 7 A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais. (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque não foi identificada corretamente a origem do crédito nem demonstrada a sua liquidez e certeza. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000651/00-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSULTA GENÉRICA. EFEITOS. AUSÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA. POSSIBILIDADE.
A apresentação de consulta sobre a correta interpretação da legislação tributária impede a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da decisão que a soluciona, desde que considerada eficaz. Para ser considerada eficaz, exige-se, dentre outros, que a consulta esteja circunscrita a fato determinado, descrevendo suficientemente o seu objeto e indicando as informações necessárias à elucidação da matéria e, ressalvada a hipótese de matérias conexas, não suscite questões sobre mais do que um tributo ou contribuição. Recurso Negado.
Numero da decisão: 9303-002.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator), Nanci Gama, Daniel Mariz Gudiño, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Joffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva - Relator
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSULTA GENÉRICA. EFEITOS. AUSÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA. POSSIBILIDADE. A apresentação de consulta sobre a correta interpretação da legislação tributária impede a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da decisão que a soluciona, desde que considerada eficaz. Para ser considerada eficaz, exige-se, dentre outros, que a consulta esteja circunscrita a fato determinado, descrevendo suficientemente o seu objeto e indicando as informações necessárias à elucidação da matéria e, ressalvada a hipótese de matérias conexas, não suscite questões sobre mais do que um tributo ou contribuição. Recurso Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11128.000651/00-35
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5424136
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9303-002.449
nome_arquivo_s : Decisao_111280006510035.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 111280006510035_5424136.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator), Nanci Gama, Daniel Mariz Gudiño, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Joffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva - Relator Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
id : 5806687
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474678005760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2260; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 319 1 318 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11128.000651/0035 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.449 – 3ª Turma Sessão de 8 de outubro de 2013 Matéria Auto de Infração – II e IPI Recorrente COSTA CRUZEIROS AGÊNCIA MARÍTIMA E TURISMO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSULTA GENÉRICA. EFEITOS. AUSÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA. POSSIBILIDADE. A apresentação de consulta sobre a correta interpretação da legislação tributária impede a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da decisão que a soluciona, desde que considerada eficaz. Para ser considerada eficaz, exigese, dentre outros, que a consulta esteja circunscrita a fato determinado, descrevendo suficientemente o seu objeto e indicando as informações necessárias à elucidação da matéria e, ressalvada a hipótese de matérias conexas, não suscite questões sobre mais do que um tributo ou contribuição. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator), Nanci Gama, Daniel Mariz Gudiño, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Joffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 06 51 /0 0- 35 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Em Recurso Especial de fls. 271/280, recebido pelo Despacho nº 3100006 de fl. 307, insurgese a Contribuinte contra o acórdão de fls. 135/138, retificado pelo acolhimento dos Embargos de Declaração à fls. 257/261, que, unanimemente, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário da Contribuinte para excluir do auto de infração os bens e provisões de bordo destinados ao uso e consumo da tripulação. O acórdão recorrido traz a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Importação – II Data do fato gerador: 05/04/1999 Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO — BENS TRAZIDOS A BORDO PARA MANUTENÇÃO DA TRIPULAÇÃO — Os bens e provisões de bordo destinados ao uso e consumo da tripulação não se enquadram no conceito de produto importado para fins de tributação. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO” Salientese que por ocorrência do acolhimento dos Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte, foi sanada a contradição arguida, alterando o texto em que o acórdão negou provimento ao Recurso Voluntário para conceder Provimento Parcial ao Recurso Voluntário, tendo em vista a fundamentação do voto condutor contradizerse com o dispositivo do acórdão recorrido. Aduz a Recorrente, que além de ter recolhido o tributo discutido, o auto de infração não poderia ter sido lavrado em razão de à época ainda pender solução de consulta em face da IN nº 137/98, realizada sobre a tributação objeto do lançamento. Neste sentido, traz aos autos acórdão paradigma do Recurso nº 128.613. Segue aduzindo que a teor do artigo 48 do Decreto nº 70.235/72, transcrito à fl. 277, a autoridade fiscal somente poderia autuar a Contribuinte sobre tributos objetos de consulta a partir de 30 (trinta) dias da ciência da sua solução. Transcreve julgado paradigmático à fl. 278. Por fim, pede requer a reforma do acórdão recorrido para declarar nulo o auto de infração vergastado. Contrarrazões às fls. 310/316. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.000651/0035 Acórdão n.º 9303002.449 CSRFT3 Fl. 320 3 Argumenta a Fazenda Nacional que a consulta feita pela contribuinte nem sequer fora considerada eficaz pela administração tributária. Isto porque o Despacho Provisório SRRF 08/Disit, anexo às fls. 105/109, cujo trecho encontrase transcrito à fl. 312, declarou a ineficácia da consulta realizada pela contribuinte, tendo em vista não tratar de questões relativas à interpretação de dispositivos da legislação aplicáveis às circunstâncias descritas e, não obstante, visa atingir todos os tributos e contribuições a que se encontra sujeita a interessada por força da IN SRF nº 137. de 1998. Neste passo, transcreve à fl. 314 art. 52 do Decreto nº 70.235/72. Com efeito, transcreve julgado do Processo nº 11128.000653/0061, da mesma contribuinte, cujo não provimento do Recurso intentado teve a mesma fundamentação argüida nessas Contrarrazões. Finalmente, requer a mantença do acórdão recorrido e o não provimento do Recurso Especial. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como mencionado no relatório, foram interpostos Embargos de Declaração sob o pálio da contradição já que o Acórdão nº 30132.576/2006 não concatena logicamente os fundamentos da decisão e o seu resultado, tornando infringentes, a unanimidade, os efeitos, para considerar os bens e provisões de bordo destinados ao uso e consumo da tripulação, passageiros e terceiras pessoas, como não enquadrados no conceito de produto importado para fins de tributação. A Recorrente, tendo como atividade principal a realização de cruzeiros marítimos nacionais com fins turísticos, comercializa produtos em lojas de conveniência, bares e restaurantes presentes no navio além de prover a própria tripulação de líquidos e comestíveis. Os produtos lançados no Auto de Infração de fls.01/13 dizem respeito às Bebidas da Lei nº 7.798/89 e do Decreto nº 97.976/89 correspondentes a refrigerantes e refrescos. Alega a Recorrente que o Auto de Infração não poderia ter sido lavrado, uma vez que na época de sua lavratura ainda não havia sido respondida consulta de que trata o art. 48 do Decreto nº 70.235/72 formulada com base na IN nº 137/98. A solução da consulta se deu em 26.04.2002 e o Auto de Infração foi lavrado em 18.02.2000. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 De fato, a consulta fiscal formulada somente produzirá efeitos se não infringir o contido nos incisos do art. 51 do Decreto nº 70.235/72 e, no caso presente, observo das fls. 39/42 que a mesma se lastreia em dirimir dúvidas quanto a adequação da IN nº 137/98 aos procedimentos de consumo decorrentes das atividades de cruzeiros marítimos com fins turísticos. Os incisos V e VI do Decreto nº 70.235 esclarecem a não produção de efeitos para a consulta formulada quando o fato estiver disciplinado em ato normativo e/ou em disposição literal de lei publicados anteriormente à sua apresentação. São peculiares e pontuais as dúvidas articuladas pela consulente haja vista que, receita, consumo e responsabilidade, assumem características diferenciadas das incidências ocorridas em estabelecimentos fixos nacionais, mesmo assim a IN nº 137/1998 que serviu de base para a consulta, tem o seguinte objeto: “Art. 1º A entrada de navio estrangeiro no território nacional e a sua movimentação pela costa brasileira, em viagem de cruzeiro eu incluir escala em portos nacionais, bem assim a as atividades de prestação de serviços e comerciais, inclusive relativas a mercadorias de origem estrangeira, destinadas ao abastecimento da embarcação e à venda a passageiros, serão submetidos ao tratamento tributário e ao controle aduaneiro estabelecidos nesta Instrução Normativa.” Nesse passo, é de fácil constatação que o objeto da IN se enquadra perfeitamente à atividade da ora recorrente, restando saber se o Despacho Provisório SRRF 08/Disit, anexo às fls. 105/109, cujo trecho encontrase transcrito à fl. 312, teve de fato pertinência ao declarar a ineficácia da consulta por ser genérica. A consulta formulada foi destinada à interpretação e aplicação da IN nº 137/98, como já mencionado, e requer resposta para a forma de apuração dos tributos IRPJ; IRF; CSSL; II, PIS e COFINS. Transcrevo parte da consulta que possibilitará o entendimento quanto a sua eficácia ou não, fls. 40/41: “IV) Tais serviços colocados à disposição dos passageiros, não são de titularidade do armador do navio, mas sim de terceiros que, via de regra, possuem contrato mundial com a armadora, para a exploração de serviços nos navios. Por exemplo, a titular da loja de conveniência é uma empresa americana, que possui uma concessão para toda a frota de propriedade do grupo italiano a que pertence a consulente. Os prazos de tais concessões vão além da temporada brasileira, em média 4 meses por ano. (...) existem cruzeiros diferenciados, sendo alguns de cabotagem e outros internacionais; (...) ocorre em alguns casos, uma curta permanência da embarcação em Costa Brasileira, em prazo inferior, ao prazo de Fl. 377DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.000651/0035 Acórdão n.º 9303002.449 CSRFT3 Fl. 321 5 recolhimento dos tributos, restringindo a apresentação, por ocasião da saída da embarcação dos documentos solicitados; a apuração, individual, por concessionário deverá requerer a permanência, na embarcação, de uma administração e contabilidade independentes; dentre os vários grupos concessionários, existem aqueles, cujo país firma acordo com o Brasil, objetivando evitar a bitributação, os quais deverão requerer, na forma aplicável, tratamento tributário específico;”. Transcrevo igualmente algumas perguntas: “1º) Devemos efetuar controles solicitados de forma individualizada, por concessionário? (...) 4º) Como tratar os serviços prestados entre estrangeiros? (...) 7º) Dentre as despesas dedutíveis do concessionário, relativos a mão de obra, aluguel, etc, quais serão os documentos aceitos?” Constato, portanto, que os aspectos consultados merecem consideração do Fisco em razão da consistência lógica que representam e porque, sob minha ótica, a IN nº 137/98 não explicita completamente as dúvidas arguidas. Diante do exposto, voto no sentido de conceder provimento ao Recurso Especial articulado pela Contribuinte. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado A teor do relatado, a matéria que se apresenta a debate cingese à questão dos efeitos protetivos da consulta apresentada pelo Sujeito Passivo. Segundo entendimento da Parte e do i. Relator do Processo, vez que versasse sobre matéria coincidente com a que fundamenta o Auto de Infração, a apresentação da consulta impediria o Fisco de instaurar qualquer procedimento fiscal contra o consulente, e, por conseguinte seria nulo o auto de infração lavrado nessas circunstâncias. Desse entendimento, com o devido respeito e as desculpas de estilo, ouso divergir, pelas razões a seguir aduzidas. É de sabença geral que, nos termos da Lei, a consulta eficaz impede a instauração de procedimento fiscal contra o consulente, relativamente à espécie consultada. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Para ser considerada eficaz, a consulta deverá, dentre outros requisitos, referirse a dispositivos da legislação tributária aplicáveis a (i) fato determinado, (ii) não definidos em disposição literal de lei, (iii) nem disciplinado em ato normativo. O conceito aberto encontrado no artigo 46 Decretolei 70.235/72 sob o signo “fato determinado” foi especificado no texto da Instrução Normativa nº 02/97, vigente à época, nos seguintes termos. Art. 3º (...) § 1º A consulta será feita mediante petição e deverá atender os seguintes requisitos: (...) III circunscreverse a fato determinado, descrevendo suficientemente o seu objeto e indicando as informações necessárias à elucidação da matéria; IV indicação dos dispositivos que ensejaram a apresentação da consulta, bem assim dos fatos a que será aplicada a interpretação solicitada. (...) Art. 5º Ressalvada a hipótese de matérias conexas, não poderão constar, de uma mesma petição, questões sobre mais de um tributo ou contribuição. Encontrase nos autos a consulta protocolada pela interessada (folhas 106 (121 eProc) e seguintes). Nela buscase esclarecimentos acerca do (i) dever de efetuar os controles forma individualizada ou por concessionário, (ii) requerer tradução juramentada à documentação que suporta as operações (iii) periodicidade da apuração e levantamentos de mercadorias, (iv) forma de tratamento dos serviços prestados a estrangeiros, local de manutenção dos controles e documentos e (v) espécies de despesas dedutíveis. Mais do que um aspecto merece ser examinado. Primeiro, como já se vinha delineando, a teor do disposto no artigo 5º da Instrução Normativa nº 02/97, que, como disse, atribuiu conteúdo normativo específico ao conceito aberto encontrado no Decreto 70.235/72, não poderão constar, de uma mesma petição, questões sobre mais de um tributo ou contribuição. No caso concreto, os diversos Tributos e Contribuições relacionados no artigo 1º, parágrafo 4º, da Instrução Normativa nº 137/98 têm relação de dependência com os questionamentos apresentados na Consulta. A seguir o texto do parágrafo 4º do artigo 1º da IN 137/98: § 4º Os impostos e contribuições devidos em virtude do disposto nesta Instrução Normativa serão pagos mediante Documentos de Arrecadação de Tributos e Contribuições Federais DARF, com os seguintes códigos de receita: a) IRPJ 7756; b) CSLL 7837; c) II 7730; Fl. 379DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.000651/0035 Acórdão n.º 9303002.449 CSRFT3 Fl. 322 7 d) IPI 7743; e) PIS/PASEP 7797; f) COFINS 7784; g) IRF 7769. O artigo 10 da Instrução Normativa 02/97, cuja base legal encontrase no artigo 48 do DecretoLei 70.235/72, afasta a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, desde que a consulta seja eficaz, o que, por sua vez, depende da observância do disposto no artigo 5º. Art. 5º Ressalvada a hipótese de matérias conexas, não poderão constar, de uma mesma petição, questões sobre mais de um tributo ou contribuição. (...) Art. 10. A consulta eficaz impede a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da decisão que a soluciona, desde que o pagamento ocorra neste prazo, quando for o caso. (...) Art. 11. Não produz efeitos a consulta formulada: I com inobservância dos arts. 2º a 5º; Tratase de uma razão material e insofismável a determinar a ineficácia da Consulta interposta, subtraindolhe os efeitos pretendidos. Noutro giro, relendo os questionamentos feitos pela Recorrente na Consulta correspondente, encontro grande dificuldade em não compreendêlos como generalidades, dissociados de uma dúvida específica sobre a legislação tributária aplicável ao caso concreto. Perceboos, em lugar disso, muito mais como indagações acerca da forma de organização apropriada para atender o que determinado na Norma Legal. Quanto a isso, andou muito bem a decisão de origem ao esclarecer porque a consulta interposta pela Recorrente não atendia à condição de eficácia estabelecida na legislação tributária. A seguir excerto extraído do Despacho Decisório SRRF08/Disit, folha 116 (131 – eProc). Primordialmente, há que se considerar que a interessada ora não apresenta propriamente questões sobre a interpretação dos dispositivos da legislação tributária aplicáveis As situações a que se refere na inicial e que, em principio, não lhe seriam claros. Ao contrário, suas indagações, que bem por isso achou se oportuno acima transcrever literalmente, reportamse basicamente a aspectos operacionais, em particular quanto ao registro, escrituração contábil e procedimentos correlatos aplicáveis às operações realizadas a bordo dos navios, expressando apenas suas dificuldades para adaptarse as Fl. 380DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 exigências da IN SRF n° 137, de 1998, adaptação essa, ressalte se, até tardia, pois já há alguns anos deveria estar agindo como previsto naquele diploma. Não são, porém, ressaltese, dúvidas quanto à interpretação da legislação tributária aplicável, descabendo sua apreciação em processo de consulta. Seguindo adiante, quero crer que as questões suscitadas pela Consulente possam também ser reconhecidas como fatos já definidos na legislação tributária1 e no direito privado. Isso pode ser deduzido das considerações finais do Despacho Decisório SRRF08/Disit, quando refere que a escrituração deve obedecer aos princípios aplicáveis ao registro e escrituração contábeis das operações próprias, conforme RIR/99, artigos 268, 269, bem assim, as normas gerais relativas conservação de documentos, papéis e comprovantes em que se fundamentem os referidos registros, conforme RIR/99, artigo 264. Outra ponderação que merece ser feita, é que, a todo rigor, não é o Processo Administrativo Fiscal o expediente apropriado para discutir a condição de eficácia da consulta interposta pelo administrado. Pelo menos é o que depreendo das disposições do artigo 7º da Instrução Normativa nº 02/97. Art. 7º A solução da consulta ou a declaração de sua ineficácia, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, compete à: (Redação dada pela IN SRF n º 83/97, de 31/10/1997) I Superintendência Regional da Receita Federal, exceto nas hipóteses dos incisos II e III; (Redação dada pela IN SRF n º 83/97, de 31/10/1997) II CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, nos casos de consultas formuladas por órgão central da Administração Federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional, exceto na hipótese referida no inciso seguinte; (Redação dada pela IN SRF n º 83/97, de 31/10/1997 ) III CoordenaçãoGeral do Sistema Aduaneiro, nos casos de consultas sobre classificação fiscal de mercadorias, formuladas por órgão central da Administração Federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional, independentemente da sua finalidade se relacionar a tributo interno ou sobre o comércio exterior. (Redação dada pela IN SRF n º 83/97, de 31/10/1997) Com efeito, o que deve ser decidido aqui diz respeito à regularidade das ações praticadas pelo contribuinte à luz das disposições normativas vigentes à época dos fatos. Se existiam normas que determinassem os procedimentos exigidos pelo Fisco no Auto de Infração e se eles estavam suficientemente esclarecidos na legislação. Salvo melhor juízo, os efeitos em si da consulta ineficaz não podem mais ser revistos. Tratase de outro rito processual. Por fim, necessário acrescentar que a legislação tributária previne a instauração de procedimento fiscal contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada. acontece, porém, que segundo informa o Auto de Infração, a Fiscalização Federal apurou a 1 Art. 52. Não produzirá efeito a consulta formulada: V quando o fato estiver disciplinado em ato normativo, publicado antes de sua apresentação; VI quando o fato estiver definido ou declarado em disposição literal de lei; Fl. 381DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.000651/0035 Acórdão n.º 9303002.449 CSRFT3 Fl. 323 9 utilização de alíquota incorreta e acréscimo de mercadoria em ato de conferência documental das Declarações Simplificadas de Importação, infrações que não parecem guardar estrita relação com o objeto genérico especificado na consulta interposta. Com essas considerações, voto por negar provimento ao Recurso Especial apresentado pelo Sujeito Passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 382DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904222/2009-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSOS. TEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso interposto após o trintídio estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3403-003.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso por intempestivo.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegrettirelatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegrettirelatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSOS. TEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso interposto após o trintídio estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso voluntário não conhecido.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11030.904222/2009-17
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5427138
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3403-003.505
nome_arquivo_s : Decisao_11030904222200917.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 11030904222200917_5427138.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso por intempestivo. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegrettirelatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegrettirelatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti
dt_sessao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
id : 5817627
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474682200064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1573; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 2 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.904222/200917 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.505 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2015 Matéria Decomp Recorrente AUTO POSTO VERONA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSOS. TEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso interposto após o trintídio estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso por intempestivo. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegrettirelatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 42 22 /2 00 9- 17 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegrettirelatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti Relatório Tratase de despacho de nãohomologação de compensação pela autoridade administrativa, em razão da não confirmação da existência do crédito informado, pois o pagamento consubstanciado no DARF discriminado pelo contribuinte no PER/DCOMP, foi utilizado integralmente para quitar débito anterior. Em sede de manifestação de inconformidade, alegou, em síntese, que os valores que pretende compensar se originaram de recolhimentos indevidos sobre valores repassados a terceiros (art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98). Disse que não havia necessidade de norma regulamentadora para que o dispositivo em questão tivesse eficácia. A DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a manifestação de inconformidade, sob o argumento de que o art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, foi revogado sem nunca ter sido regulamentado, sendo descabido o reconhecimento do direito de crédito com base nesse dispositivo porque ele nunca teve eficácia. Regularmente notificado da decisão de primeira instância, o contribuinte recorreu a este Conselho, alegando, em síntese, que: 1) a exigibilidade do crédito tributário está suspensa, em face dos recursos interpostos; 2) inexigibilidade do arrolamento de bens; 3) não concorda com a necessidade de habilitação prévia do crédito, nos termos da IN 517/2005, pois tal exigência não consta da Lei nº 9.430/96; 4) discorreu sobre o histórico das normas que regularam a compensação e afirmou seu direito à compensação do PIS recolhido com base nos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11030.904222/200917 Acórdão n.º 3403003.505 S3C4T3 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator Conforme se verifica nos autos, o contribuinte foi notificado da decisão de primeira instância em 28/09/2011. O art. 33 do Decreto nº 70.235/72 estabelece que o prazo para recurso voluntário é de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Considerando que o recurso foi postado nos Correios apenas em 03/11/2011, ele é manifestamente intempestivo. Com esses fundamentos, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13362.720684/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ALIENAÇÃO DE PARTE DO IMÓVEL. INCIDÊNCIA SOMENTE SOBRE A PARTE REMANESCENTE.
Tendo a Contribuinte comprovado satisfatoriamente a alienação de parte da área do imóvel, por meio de documentação válida - Certidões emitidas pelo Cartório de Registro de Imóveis competente -, oImposto sobre a Propriedade Territorial Rural deverá incidir apenas sobre a extensão territorial remanescente.
Recurso de Ofício Negado.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2101-002.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 15/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, ANTONIO CESAR BUENO FERREIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ITR. ALIENAÇÃO DE PARTE DO IMÓVEL. INCIDÊNCIA SOMENTE SOBRE A PARTE REMANESCENTE. Tendo a Contribuinte comprovado satisfatoriamente a alienação de parte da área do imóvel, por meio de documentação válida - Certidões emitidas pelo Cartório de Registro de Imóveis competente -, oImposto sobre a Propriedade Territorial Rural deverá incidir apenas sobre a extensão territorial remanescente. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Mantido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13362.720684/2009-49
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414853
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2101-002.608
nome_arquivo_s : Decisao_13362720684200949.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : EDUARDO DE SOUZA LEAO
nome_arquivo_pdf_s : 13362720684200949_5414853.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator. EDITADO EM: 15/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, ANTONIO CESAR BUENO FERREIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5779166
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474708414464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 2 1 1 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13362.720684/200949 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2101002.608 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de novembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado KR AGROPECUÁRIA E COMÉRCIO LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. ALIENAÇÃO DE PARTE DO IMÓVEL. INCIDÊNCIA SOMENTE SOBRE A PARTE REMANESCENTE. Tendo a Contribuinte comprovado satisfatoriamente a alienação de parte da área do imóvel, por meio de documentação válida Certidões emitidas pelo Cartório de Registro de Imóveis competente , oImposto sobre a Propriedade Territorial Rural deverá incidir apenas sobre a extensão territorial remanescente. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 15/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, ANTONIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 36 2. 72 06 84 /2 00 9- 49 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 CESAR BUENO FERREIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso de Ofício em face do Acórdão de nº 03044.460 da 1ª Turma da DRJ/BSB (fls. 36/43), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada pela Contribuinte, mantendose, em parte, o crédito tributário lançado. No caso, consta nos autos que, mesmo após ser regularmente intimado, o sujeito passivo não apresentou os documentos que confirmassem o Valor da Terra Nua (VTN) lançado na DITR/2005, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Santa Teresa”, cadastrado perante a RFB sob o NIRF 6.389.5757, localizado no Município de Bom Jesus (PI). Em consequência, a fiscalização alterou o valor do VTN no citado imóvel, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB, restando arbitrado em R$ 6.676.223,40, disto resultando o imposto suplementar de R$ 1.334.744,68. Neste sentido foi emitida a competente Notificação de Lançamento nº 03302/00041/2009 contra a Interessada/Contribuinte, por meio da qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2005, acrescido de juros moratório e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 3.019.592,88. Na Impugnação, a Contribuinte legal juntou documentos e apresentou seus argumentos de defesa, que foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “(...) o ITR/2005 que está sendo cobrado da contribuinte referesea imóvelconstituído por duas fazendas (Fazenda Santa Teresa, com área de 48.220,0 ha e FazendaLagoa dos Patos III, com área de 15.200,0 ha); Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13362.720684/200949 Acórdão n.º 2101002.608 S2C1T1 Fl. 3 3 partes dessas fazendas foram vendidas e parcialmente readquiridas, de forma que, no exercício 2003, a área total do imóvel rural em nome da empresa era de 33.683,9ha e não 63.420,0 ha; comoa área do imóvel rural em nome da empresa passou a ser de 33.683,9 ha, a partir do exercício 2003, de acordo com as escrituras de compra e venda apresentadas, o recolhimento dos valores lançados seria desproporcional; Por fim, requereu: sejarecalculado o imposto com a área de 33.683,9 ha; nãoseja cobrado o débito fiscal e seja retirada a respectiva multa. (...)” (fls. 38). A decisão proferida pela da 1ª Turma de Julgamento daDelegacia da Receita Federal em Brasília(DF),restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 DA ÁREA TOTAL DO IMÓVEL Cabe reduzir a área total inicialmente declarada, em razão de alienaçõesparciais, as quais foram comprovadas com documentação hábil, nosmoldes da legislação pertinente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Consubstanciada nas provas juntadas aos autosque confirmavama alienação de 13.100,0 ha da área do imóvel,o Colegiado de Primeira Instância admitiu a reduçãoda sua área total para 50.320,0 hectares, situação que refletiu na diminuição doimposto suplementar apurado, restando mantido o valor do VTN/ha arbitrado, que sequer foi impugnado. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Desta feita, apenas em face de Recurso Oficial o procedimento foi submetido à apreciação deste Colendo Conselho, tendo sido distribuído para nossa relatoria, razão pela qual coloco o feito em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O Recurso de Ofício preenche os requisitos de admissibilidade. Diante dos elementos de prova acostados aos autos, o julgador de primeira instância entendeu que houve a efetiva alienação de parte do imóvel denominado inicialmente de “Fazenda SantaTeresa”, localizado no município de Bom Jesus – PI, razão pela qual a incidência do Imposto sobre a PropriedadeTerritorial Rural – ITR, exercício de 2005, só deveria ser mantida sobre a área remanescente. No caso, restou alterada a área total atribuída ao imóvel, de 63.420,0 hectares para 50.320,0 hectares, em face da comprovaçãoda alienação de 13.100,0 ha, reduzindose, assim, o imposto suplementar apurado pela fiscalização do montante de R$ 1.334.744,68 para R$ 635.162,37, acrescido de juros de mora da multa de 75%, inobstante mantido o valor do VTN/ha arbitrado. Na verdade, observando as certidões de inteiro teor dos imóveis rurais juntadas ao feito (fls. 16/20), referentes às Fazendas “Lagoa dos Patos” e “Santa Tereza II”, apresentadas como desmembramentos do imóvel inicialmente verificado (Fazenda SantaTeresa), constatamos que houveram sucessivas alienações (no montante de17.700 ha) e uma posterior aquisição (de 4.600 ha) em tais imóveis – até o ano/exercício fiscalizado, culminando no total de 13.100,0 hectares a serem abatidos da área declarada de 63.420,0 ha. Por outro lado, a Contribuinte não juntou aos autos qualquer documento que comprovasse a alienação inicial da“Fazenda Santa Teresa”, correspondendo a áreade 48.219,98 ha, e aquisição posterior de 31.583,98 hectares, que supostamente conformaria a “Fazenda Santa Tereza II”, impedindo aanálise das alegações quanto a estas operações. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13362.720684/200949 Acórdão n.º 2101002.608 S2C1T1 Fl. 4 5 Ora, sendo o ônus da prova da Contribuinte, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária, não se concebe alegativas desprovidas do respectivo respaldo assecuratório. Destarte, verificase que foram carreados aos autos Certidões emitidas pelo Cartório de 1º Ofício do Município de Bom Jesus, no Estado do Piauí (fls. 16/20) onde não se observa histórico da alienação daárea de 48.219,98 ha e posterior aquisição de 31.583,98 ha no imóvel rural denominado Fazenda Santa Tereza. De todo modo, restando comprovada a alienação de parte da área do imóvel, cerca de 13.100,0 hectares, por meio de documentação válida – Certidões emitidas pelo Cartório de Registro de Imóveis competente –, o tributo deverá incidir apenas sobre a extensão territorial remanescente, correspondendo a 50.320,0 hectares. Vejamos algumas ementas deste Colendo Conselho, neste sentido: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2007 ITR. ALIENAÇÃO DE PARTE DO IMÓVEL. INCIDÊNCIA SOMENTE SOBRE A PARTE REMANESCENTE. Comprovada a alienação de parte da área do imóvel, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR incide apenas sobre a parte remanescente. Recurso de ofício negado. (Acórdão nº 2101002.503, Processo nº 13362.720686/200938, Relator Cons. ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, 1ªTO/1ªCÂMARA/2ªSEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 07/08/2014); Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA LANÇADO COM BASE EM LAUDO TÉCNICO. Sendo o valor fundiário do imóvel considerado no lançamento foi determinado por Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, apresentado pelo contribuinte, descabe qualquer impugnação acerca desse aspecto no lançamento. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR). ALIENAÇÃO PARCIAL DE IMÓVEL. COMPROVAÇÃO. A alienação de imóvel e consequente redução da área tributável para fins de ITR se prova pelos meios admitidos em direito, não sendo para tanto meio exclusivo a averbação A. margem da inscrição da matricula do imóvel, no registro competente, notoriamente porque tanto a propriedade quanto a posse de imóvel materializam a hipótese de incidência do tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 2102002.470, Processo nº 10384.720190/200756, Relator Cons. RUBENS MAURICIO CARVALHO, 2ªTO/1ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 08/07/2014 grifamos); Assunto: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2003 ITR ILEGITIMIDADE PASSIVA Comprovada a alienação, e o respectivo registro em cartório do imóvel objeto do lançamento, acompanhado do fato de não constar do título de aquisição a prova de quitação dos tributos, para os efeitos do art.130 do Código Tributário Nacional, ficou transferida para os adquirentes a responsabilidade tributária sucessória pelo ITR devido. (Acórdão nº 2202002.522, Processo nº 10540.720156/200731, Relator Cons. FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, 2ªTO/2ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 14/02/2014); Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 1990 SUJEIÇÃO PASSIVA. Comprovado nos autos que a alienação do imóvel que serviu de base para a exigência do ITR foi realizada em data anterior ao lançamento, este se torna insubsistente por figurar o alienante no polo passivo da obrigação tributária. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 2802002.069, Processo nº 10880.042022/9081, Relator Cons. JACI DE ASSIS JUNIOR, 2ªTE/2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 25/02/2013). Fl. 63DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13362.720684/200949 Acórdão n.º 2101002.608 S2C1T1 Fl. 5 7 Acompanhando os precedentes deste Conselho com mesmo posicionamento em casos similares, não há reparos a fazer à decisão recorrida. Ante todo o exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentindo de negar provimento ao recurso de oficio. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10665.721803/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO.
Na determinação da base de cálculo da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade. (Inteligência do art. 3º, § 9º-A, da Lei n.º 9.718, de 1998, introduzido pela Medida Provisória - MP n.º 619, de 2013, convertida na Lei n.° 12.873, de 2013).
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.319
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira - Presidente.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. Na determinação da base de cálculo da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade. (Inteligência do art. 3º, § 9º-A, da Lei n.º 9.718, de 1998, introduzido pela Medida Provisória - MP n.º 619, de 2013, convertida na Lei n.° 12.873, de 2013). Recurso voluntário provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10665.721803/2011-01
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5404360
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-001.319
nome_arquivo_s : Decisao_10665721803201101.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10665721803201101_5404360.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira - Presidente. Charles Mayer de Castro Souza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5748439
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474711560192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 1.188 1 1.187 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.721803/201101 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.319 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de setembro de 2014 Matéria PIS. COFINS. MULTA Recorrente UNIMED DIVINÓPOLIS COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. Na determinação da base de cálculo da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade. (Inteligência do art. 3º, § 9ºA, da Lei n.º 9.718, de 1998, introduzido pela Medida Provisória MP n.º 619, de 2013, convertida na Lei n.° 12.873, de 2013). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. Na determinação da base de cálculo da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade. (Inteligência do art. 3º, § 9ºA, da Lei n.º 9.718, de 1998, introduzido pela Medida Provisória MP n.º 619, de 2013, convertida na Lei n.° 12.873, de 2013). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 18 03 /2 01 1- 01 Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira Presidente. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, referente a períodos de apuração compreendidos nos anoscalendário de 2007 e 2008, nos valores respectivos de R$ 1.767.823,70 e R$ 8.159.100,80, incluídos multa proporcional e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Contra a interessada acima qualificada foram lavrados os autos de infração de fls. 02/22 e 23/43, relativos ao PIS/Pasep e à COFINS, nos respectivos montantes de R$ 1.767.823,70 e R$ 8.159.100,80, incluídos tributo, multa proporcional e juros de mora, estes calculados até junho de 2011. Consoante o procedimento fiscal, no período compreendido entre janeiro de 2007 e dezembro de 2008, teria a contribuinte indevidamente deduzido da base de cálculo das aludidas contribuições as despesas ou custos relacionados com os atendimentos médicos e demais eventos realizados em seus próprios beneficiários/clientes, enquanto o art. 3.º, §9.º, III, da Lei n. 9.718, de 1998, autorizaria somente a dedução do valor referente às indenizações efetivamente pago, correspondente aos eventos relativos a beneficiários/clientes pertencentes a outra operadora, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. Destarte, a partir da reconstituição da base de cálculo das contribuições no regime cumulativo, a autoridade fiscal Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10665.721803/201101 Acórdão n.º 3202001.319 S3C2T2 Fl. 1.189 3 procedeu, através dos autos de infração em referência, ao lançamento dos tributos devidos em cada período de apuração, não pago e não declarado em DCTF. Inconformada, em 16 de agosto de 2011, apresenta a interessada impugnação (fls. 1041/1048), por meio da qual, em síntese, assevera que a interpretação pela autoridade fiscal levada a efeito acerca do art. 3.º, §9.º, III, da lei n. 9.718, de 1998, seria manifestamente equivocada, posto que não existiria no referido dispositivo qualquer elemento que autorizasse o intérprete a inferir que o valor a ser deduzido seria apenas aquele correspondente aos eventos ocorridos com usuários de outras operadoras. Segundo a impugnante: A expressão que corresponde à primeira parte do texto citado, “o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos, ...”, é que constitui a regra geral, e não a segunda parte do texto. Se o texto do dispositivo não contivesse a outra parte, “deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades.”, poderseia facilmente concluir que o valor a ser deduzido da base de cálculo do PIS e da Cofins seria o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos relativos a usuários da própria operadora. Não haveria no texto nada que permitisse concluir que os valores se referissem a eventos com usuários de outras operadoras. Haveria a certeza de que o valor a ser deduzido seria o referente aos eventos com usuários da própria operadora, mas haveria uma dúvida razoável se o legislador quisera incluir também os eventos com usuários de outras operadoras. E prossegue: Mas o legislador, ao completar o texto com a expressão “deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”, afastou esta dúvida, para lembrar que existem também os eventos relativos a usuários de outras operadoras e que, em relação a estes também, haverá dedução da base de cálculo. O anunciado da primeira parte do dispositivo, portanto, teria existência autônoma. A segunda parte, contudo, não faria sentido caso inexistente a primeira. Ou seja, a primeira parte seria subordinante da segunda, e esta, subordinada à primeira. Poderseia concluir, assim, que o legislador quisera se referir tanto aos eventos com usuários da própria operadora, como a usuários de outras operadoras. Ao agir assim, alega que o legislador, sem compromisso com os conceitos de faturamento e de resultado, teria querido diminuir a carga tributária do setor, optando por manipular as bases de cálculo das contribuições em vez de estabelecer alíquotas diferenciadas. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 Aduz que os termos utilizados pelo legislador por ocasião do art. 3.º, §9.º, III, da Lei n. 9.718, de 1998, equivaleriam aos utilizados no plano de contas estabelecido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, motivo porque o conteúdo, sentido e alcance das expressões extraídas de precitado plano deveriam ser neste buscadas. Ao final, requer sejam julgados improcedentes os créditos tributários exigidos através dos autos de infração impugnados. Para tanto, carreia os autos os documentos de fls. 1049/1120. É o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/BEL n.º 0126.847, de 14/8/2013 (fls. 1124 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PIS/PASEP. DEDUÇÕES. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. ART. 3.º, §9.º, III, DA LEI N. 9.718/1998. A teor do art. 3.º, §9.º, III, da Lei n. 9.718, de 1998, reconhecese como dedução da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep a diferença entre duas quantias: aquela efetivamente paga pela operadora de plano de assistência à saúde cessionária aos seus conveniados, profissionais e/ou empresas, relativamente aos eventos ocorridos com associados das operadoras cedentes; e a correspondente às importâncias recebidas, pela cessionária, das operadoras cedentes, a título de transferência de responsabilidade e/ou intercâmbio. Com efeito, para que a dedução em causa seja permitida, a diferença entre a primeira e a segunda deve, necessariamente, ser positiva. Caso contrário, os recebimentos da cessionária cobrem os dispêndios com os eventos ocorridos com os clientes das cedentes, restando esvaziado o sentido da referida dedução. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 COFINS. DEDUÇÕES. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. ART. 3.º, §9.º, III, DA LEI N. 9.718/1998. A teor do art. 3.º, §9.º, III, da Lei n. 9.718, de 1998, reconhecese como dedução da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep a diferença entre duas quantias: aquela efetivamente paga pela operadora de plano de assistência à saúde cessionária aos seus conveniados, profissionais e/ou empresas, relativamente aos eventos ocorridos com associados das operadoras cedentes; e a correspondente às importâncias recebidas, pela cessionária, Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10665.721803/201101 Acórdão n.º 3202001.319 S3C2T2 Fl. 1.190 5 das operadoras cedentes, a título de transferência de responsabilidade e/ou intercâmbio. Com efeito, para que a dedução em causa seja permitida, a diferença entre a primeira e a segunda deve, necessariamente, ser positiva. Caso contrário, os recebimentos da cessionária cobrem os dispêndios com os eventos ocorridos com os clientes das cedentes, restando esvaziado o sentido da referida dedução. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 1140/1152, por meio do qual repete os mesmos argumentos já delineados em sua impugnação. Às fls. 1181/1182, noticia que, em 25 de outubro de 2013, foi publicada a Lei n° 12.873, de 24 de outubro de 2013 (conversão da Medida Provisória MP nº 619, de 6 de junho de 2013), que acrescentou o §9A ao art.3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, veiculando norma expressamente interpretativa que findou a discussão a respeito da matéria em litígio. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Segundo noticia a fiscalização, a Recorrente deduziu, da base de cálculo do PIS e da Cofins, despesas ou custos relacionados com atendimentos médicos e demais eventos realizados com seus próprios beneficiários/clientes, o que estaria em descompasso com o art. 3º, § 9º, III, da Lei n.º 9.718, de 1998, que autorizaria a dedução somente do valor correspondente às indenizações efetivamente pagas em relação aos eventos ocorridos com os beneficiários/clientes pertencentes a outras operadoras, neste caso deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. O entendimento da fiscalização lastreouse no art. 3.º, § 9º, III, da Lei n.º 9.718, de 1998, incluído pela Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001, cuja redação, pelo que se encartou no final do dispositivo, permitia, de fato, essa interpretação. Vejamos: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...) § 9o. Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (g.n.). Ocorre que a MP n.º 619, de 2013, convertida na Lei n.° 12.873, de 2013, introduziu, no mesmo art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998, o § 9ºA, segundo o qual, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluemse não apenas os despedidos com seus próprios beneficiários, mas também com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade. Eis a sua redação: § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) (g.n.). Como a referida lei tem natureza expressamente interpretativa, aplicase a ato ou fato pretérito, nos termos do art. 106, inciso I, do CTN, de modo que o lançamento, ao menos nesta parte, é de todo improcedente. No Termo de Verificação de fls. 36/41, a fiscalização consignou, em dois de seus parágrafos, a impossibilidade de se deduzirem as indenizações com usuários de outros planos de saúde quando o valor recebido a título de transferência de responsabilidade lhe for superior: 18) A Fiscalização apurou ainda os valores recebidos pelo contribuinte de outras operadoras a título de transferências de responsabilidade/intercâmbios, lançados a crédito nas contas 1.2.3.7.3 (até maio/2007) e 1.2.3.4.1 (a partir de junho/2007), também apresentados no Anexo ao Termo de Intimação Fiscal de 05/07/2011. 19) Da análise dos valores apurados verificase que, para todos os meses do período fiscalizado, os valores recebidos pelo contribuinte de outras operadoras a título de transferências de responsabilidade/intercâmbios foram superiores aos valores das indenizações pagas correspondentes aos eventos ocorridos relativos a clientes de outras operadoras. Assim sendo, não há diferenças a serem deduzidas da receita bruta, na apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins, em virtude do que permite o inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. (g.n.). Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10665.721803/201101 Acórdão n.º 3202001.319 S3C2T2 Fl. 1.191 7 Isso está a indicar que, ao reconstituir a apuração da base de cálculo do PIS/Cofins no regime cumulativo, a fiscalização também glosou a dedução dos custos correspondentes aos eventos ocorridos com outras operadoras, uma vez que os valores recebidos pela Recorrente, a título de transferências de responsabilidade, lhes foram superiores, o que está em harmonia com a parte final do disposto no art. 3.º, § 9º, III, da Lei n.º 9.718, de 1998, e não foi contestado pela Recorrente. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir das bases de cálculo do PIS e da Cofins os custos assistenciais decorrentes da utilização dos beneficiários da própria operadora e dos beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/10/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10384.006504/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/08/2007
RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS.
A Súmula CARF nº 88 dispõe que A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
RGPS. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. SERVIDORES. PÚBLICOS. VINCULAÇÃO.
Na ausência de regime próprio de previdência social os servidores públicos vinculam-se automaticamente ao regime geral. Os servidores públicos ocupantes exclusivamente de cargos em comissão são segurados obrigatórios do regime geral de previdência social.
INCONSTITUCIONALIDADE.
A Súmula CARF nº 2 prevê que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SELIC.
A Súmula CARF nº 4 preceitua que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS.
A Súmula CARF nº 28 dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
MULTA. RETROATIVDADE BENIGNA
Há de se aplicar o artigo 35 caput da Lei 8.212/91, com a redação da Lei nº 11.941/09 se essa for mais benéfica ao contribuinte, em homenagem ao artigo 106 do CTN.
Numero da decisão: 2301-003.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 06/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR E MAURO JOSE SILVA.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/08/2007 RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. A Súmula CARF nº 88 dispõe que A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. RGPS. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. SERVIDORES. PÚBLICOS. VINCULAÇÃO. Na ausência de regime próprio de previdência social os servidores públicos vinculam-se automaticamente ao regime geral. Os servidores públicos ocupantes exclusivamente de cargos em comissão são segurados obrigatórios do regime geral de previdência social. INCONSTITUCIONALIDADE. A Súmula CARF nº 2 prevê que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SELIC. A Súmula CARF nº 4 preceitua que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. A Súmula CARF nº 28 dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. MULTA. RETROATIVDADE BENIGNA Há de se aplicar o artigo 35 caput da Lei 8.212/91, com a redação da Lei nº 11.941/09 se essa for mais benéfica ao contribuinte, em homenagem ao artigo 106 do CTN.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10384.006504/2007-12
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5424115
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2301-003.615
nome_arquivo_s : Decisao_10384006504200712.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10384006504200712_5424115.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator. EDITADO EM: 06/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR E MAURO JOSE SILVA.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5806096
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474714705920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2147; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 130 1 129 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.006504/200712 Recurso nº 99.999 Voluntário Acórdão nº 2301003.615 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de julho de 2013 Matéria RGPS Recorrente MUNICÍPIO DE CABECEIRAS DO PIAUÍ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/08/2007 RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. A Súmula CARF nº 88 dispõe que “A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. RGPS. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. SERVIDORES. PÚBLICOS. VINCULAÇÃO. Na ausência de regime próprio de previdência social os servidores públicos vinculamse automaticamente ao regime geral. Os servidores públicos ocupantes exclusivamente de cargos em comissão são segurados obrigatórios do regime geral de previdência social. INCONSTITUCIONALIDADE. A Súmula CARF nº 2 prevê que “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” SELIC. A Súmula CARF nº 4 preceitua que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 65 04 /2 00 7- 12 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 A Súmula CARF nº 28 dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. MULTA. RETROATIVDADE BENIGNA Há de se aplicar o artigo 35 caput da Lei 8.212/91, com a redação da Lei nº 11.941/09 se essa for mais benéfica ao contribuinte, em homenagem ao artigo 106 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 06/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR E MAURO JOSE SILVA. Relatório Trata a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) 37.052.5531, cadastrada no sistema de protocolo do Ministério da Fazenda (COMPROT) sob o número 10384.006504/200712, de crédito constituído contra o Município de Cabeceiras do Piauí — Câmara Municipal, CNPJ 04.390.663/000110, relativo a contribuições para o financiamento da Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do Trabalho RAT, conforme previsto no artigo 22, incisos I e II da Lei 8.212/91. No relatório fiscal, fls. 24/29, é informado que o lançamento incidiu sobre remunerações de vereadores e de empregados comuns do município, dado que o mesmo não possui regime próprio de previdência. Da apuração dos valores devidos pelo Contribuinte resultou o lançamento de R$ 31.343,78 (trinta e um mil, trezentos e quarenta e três reais e setenta e oito centavos), consolidado em 19111/2007, conforme Discriminativo Analítico de Débito (DAD), fls. 04/07, Discriminativo Sintético de Débito (DSD), fls. 08/09, e Relatório de Lançamentos, fls. 10/11. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10384.006504/200712 Acórdão n.º 2301003.615 S2C3T1 Fl. 131 3 A competência para julgamento do processo foi transferida para a Delegacia da da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). A competência para julgamento do processo foi transferida para a Delegacia da da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de Julgamento em Recife através da Portaria RFB 564, de 04/04/2008 (DOU de 07/04/2008). Da impugnação Feita a ciência por via postal em 23111/2007 (uma sexta feira), o Recorrente apresentou impugnação tempestiva em 26 /12/2007, fls. 50/66, protocolo 10384 . 007444/2007 47, trazendo, em síntese, os seguintes argumentos: a) Seria inconstitucional a cobrança sobre remunerações de detentores de mandatos eletivos feita com base no § 1.° do art. 13 da Lei 9 . 506/97, como já reconhecido pelo STF. Isso porque se trata de nova fonte , que não foi estabelecida mediante lei complementar, contrariando o disposto no art . 195 da Constituição. b) Não poderia a contribuição previdenciária incidir sobre remunerações de trabalhadores autônomos, operários da construção civil e prestadores de serviços, que não constituem `salário', dado que esse pressupõe a existência de vínculo empregatício. Salário seria a contraprestação devida pelo empregador ao empregado em virtude de contrato de trabalho, motivo pelo qual tais remunerações não poderiam ser reputadas, tecnicamente, como salários. Dito de outra forma, prestadores de serviços não poderiam ser equiparados a empregados (conforme conceito do art. 3.° da CLT) e, como tal, considerados segurados obrigatórios; c) Assim sendo, por não incidir sobre a folha de salários, seria inconstitucional a ampliação da base de cálculo da contribuição previdenciária devida pelo município feita a partir da promulgação da Lei 7.787/89, em especial do art. 3.° de tal norma, por ofensa ao art. 195 da Constituição. d) Além disso, a contribuição criada pela Lei 7.787/89 seria similar à Contribuição Social sobre o Lucro das Pessoas Jurídicas (CSLL), dado que os valores retirados periodicamente pelos sócios constituem o lucro da pessoa jurídica. e) A cobrança de contribuições incidentes sobre pagamentos a autônomos, avulsos e administradores já teria, inclusive, sido suspensa pela Resolução do Senado Federal de n.° 14, publicada no DOU de 28/04/1995, que suspendeu a execução da expressão "avulsos, autônomos e administradores" do citado art. V' da Lei 7.787/89 Por outro lado, sendo da competência do município a elaboração do estatuto de seus servidores e a legislação sobre a sua previdência social, não restaria dúvida de que Fl. 131DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 também lhe compete tratar sobre a previdência social de seus prestadores de serviço. Logo, a vinculação obrigatória dos servidores do município ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS) seria uma invasão à competência municipal, vedada pelo § 1.° do art. 149 da Constituição Alega também o Recorrente que município não pode ser equiparado a empregador ou empresa, por ser ente da federação, pessoa jurídica de direito público interno que não aufere lucro nem faturamento, que não se confunde com empregador, cuja definição se encontra no art. 2.° da CLT. f) Por fim, o Impugnante alega não poder ser aplicado ao caso o § 13 do art. 40 da Constituição Federal — que trata da vinculação obrigatória de servidores ocupantes de cargos temporários e empregados públicos ao RGPS — por carecer o mesmo de edição de lei que fixe o valor a ser recolhido: enquanto a lei regulamentadora não for publicada não haverá meios de os municípios quantificarem o valor a ser recolhido ao INSS, não podendo ser utilizado o percentual aplicado às empresas privadas e aos empregados desta; g) Não poderia incidir a contribuição previdenciária sobre funções gratificadas, por não se incorporarem ao salário, tendo inclusive órgãos como o TCU, Senado, Câmara, STJ e STF devolvido a seus servidores os descontos que haviam feito a título de contribuição sobre o valor recebido por desempenho de função; h) O Impugnante também informa ter ocorrido infração ao princípio da proibição do excesso', ou da proporcionalidade, por estarem sendo cobrados valores indevidos; i) Não teria ocorrido o crime de sonegação previdenciária. j) Seria ilegal a aplicação da taxa SELIC, por contrariar o disposto no art.406 do Código Civil e no art., 161 do CTN. A interpretação do § 1º do art. 161 do CTN, combinado com o art. 146, III, `b', da Constituição Federal faria com que apenas através de lei complementar pudesse ser instituída cobrança de juros superiores à taxa de 1 % (um por cento) ao mês, dado que crédito tributário é matéria reservada a tal tipo de norma , como, aliás, já reconhecido pelos tribunais superiores . A falta de criação da taxa SELIC por lei complementar afrontaria a Constituição e o CTN, caracterizando a ilegalidade da aplicação de tal taxa. Ademais, a aplicação da taxa SELIC teria efeito confiscatório, afrontando a Constituição (150, IV). O ora Recorrente alega que o próprio INSS já teria pleiteado junto ao STJ — Resp 823216SC e outros julgados — a inaplicabilidade da taxa SELIC como índice para Fl. 132DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10384.006504/200712 Acórdão n.º 2301003.615 S2C3T1 Fl. 132 5 atualização dos débitos previdenciários, por entender que tal incidência seria contrária ao CC e ao CTN, devendo as decisões administrativas seguir o entendimento que o INSS defende na esfera judicial. Tal entendimento estaria correto, na medida em que na taxa SELIC estariam embutidos simultaneamente juros moratórios , remuneratórios e correção monetária , tornando inadequada tal taxa para aplicar os efeitos da mora, pois de tal forma estarseia penalizando em duplicidade (bis in idem). Em 29/05/2008, foi prolatado Acórdão n. 1122.477 6° Turma da DRJ/REC que julgou procedente o lançamento: Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/08/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. RECONHECIMENTO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da inconstitucionalidade de Lei nas decisões administrativas só pode ser feito após manifestação, nesse sentido, do STF, do Senado Federal ou da Justiça Federal. RGPS. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. SERVIDORES. PÚBLICOS. VINCULAÇÃO. Na ausência de regime próprio de previdência social os servidores públicos vinculamse automaticamente ao regime geral. Os servidores públicos ocupantes exclusivamente de cargos em comissão são segurados obrigatórios do regime geral de previdência social. TAXA SELIC. É pacífico o..entendimento de que é legal a aplicação da taxa SELIC aos débitos para a Previdência em atraso. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. É incompetente a Delegacia de Julgamento para decidir pela ocorrência ou não de crime. Lançamento Procedente. Irresignado com o decisum, o Município interpôs recurso voluntário [fls. 90 108] que repisa os mesmos argumentos dispostos na impugnação. É o relatório. Voto Fl. 133DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade [ciência: 15/07/2008 e interposição: 14/08/2008], conheço do recurso e passo ao seu exame. I CORESPONSÁVEIS Argüi a recorrente a exclusão do nome do Prefeito da relação de coresponsáveis e da relação de vínculos, haja vista que o quadro de coobrigados será repetido na eventual e futura Certidão da Dívida Ativa. Cumpre esclarecer que os anexos CORESP e relação de vínculos foram claros em afirmar que o relatório trazido é apenas uma lista dos representantes legais do sujeito passivo, indicando a qualificação e o período de atuação, não estabelecendo nenhuma responsabilidade às pessoas nele relacionadas. Ademais, os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, em conformidade com disposto pelo art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005, que determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativo fiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativo fiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Nesse sentido, o CARF já emitiu enunciado de Súmula que consolidou o entendimento acima manifestado: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Portanto, não acolho a preliminar suscitada. II REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL Fl. 134DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10384.006504/200712 Acórdão n.º 2301003.615 S2C3T1 Fl. 133 7 Das contribuições incidentes sobre os valores pagos a detentores de mandatos eletivos assiste razão ao Recorrente quando afirma ser inconstitucional a cobrança sobre remunerações de detentores de mandatos eletivos feita com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei 8.212/91, introduzida pela Lei 9.506, de 3011011997, dado que devido a tal vício essa norma já teve sua. execução suspensa pelo Senado Federal. Ocorre que nessa NFLD o lançamento dessas contribuições abrangeu apenas as competências de 01/2007 e seguintes, sendo que a cobrança está sendo feita com base na alínea "j" do mesmo inciso 1 do art. 12 da Lei n° 8.212191, acrescentada pela Lei n° 10.887, de 18/06/2004, que incluiu os detentores de mandatos eletivos no rol de segurados obrigatórios do RGPS, e não com base no dispositivo declarado inconstitucional. Tal alínea foi introduzida quando o art. 195, I, "a", da Constituição, com a redação dada pela Emenda 20/1998, já permitia a cobrança de contribuições sobre quaisquer "rendimentos do trabalho", expressão que abrange também os valores recebidos por vereadores, não padecendo, portanto, do vício que motivou o reconhecimento da inconstitucionalidade da alínea “h”. São devidas, portanto, as contribuições para o financiamento da Seguridade Social incidentes sobreos subsídios de vereadores lançadas. As alegações sobre a inconstitucionalidade da Lei 7.787189 são totalmente inócuas. De há muito tal Lei deixou de ser usada, por ter sido substituída pela Lei 8.212/91 e, posteriormente, no tocante a empresários, trabalhadores autônomos e avulsos, pela Lei Complementar n. 84, de 18/01/1996 e, por fim, pela Lei 9.876, de 26/11/1999, que alterou a 8.212/91. Cabe dizer também que nesta NFLD foram incluídas apenas contribuições descontadas de empregados, aí incluídos os vereadores, previstas no art. 20 da Lei 8.212/91. São sem sentido, portanto, as alegações trazidas na impugnação sobre inconstitucionalidade de cobrança de contribuições sobre remunerações de trabalhadores autônomos, empresários, prestadores de serviços, avulsos etc., por estranhas ao lançamento. O Recorrente também menciona os operários da construção civil, mas não foram lançadas contribuições incidentes sobre segurados de tal categoria: os únicos cinco segurados cujos descontos deram origem ao lançamento e que não são vereadores foram listados no Relatório de Fatos Geradores, não consta que nenhum deles seja operário da construção civil. Foi juntada aos autos a folha de pagamentos do mês de 01/2007, fl. 34. Na folha o município chama os segurados cujas contribuições foram lançadas em outras competências (em 01/2007, especificamente, os recolhimentos foram suficientes para quitar o valor descontado desses segurados) de `funcionários comissionados'. Com essa expressão certamente o município se refere a servidores efetivos que exercem funções gratificadas ou a ocupantes de cargos em comissão. Quanto aos efetivos, cabe notar que a competência do município para legislar sobre a previdência social de seus servidores nunca foi negada. Ocorre que ela também não foi exercida pelo Recorrente: o relatório fiscal informa claramente que o município não dispõe de regime próprio de previdência social (RPPS), fato não contestado na impugnação. Na ausência de regime próprio, aplicase o RGPS aos ocupantes de cargos efetivos, conforme art. 13 da Lei 8.212/91: Fl. 135DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social. consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio. de previdência social (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 26/11/99) Vêse que a Lei 8.212191 prevê que na ausência de norma municipal que assegure pensão e aposentadoria aos servidores e respectivos dependentes os mesmos não podem ficar desamparados, ocorrendo então a vinculação automática e obrigatória ao RGPS. Já em relação aos ocupantes de cargos em comissão, os mesmos estariam vinculados ao RGPS ainda que o município dispusesse de RPPS, por conta do disposto no § 13 do art. 40 da Constituição, que veda a vinculação de tais servidores a regimes próprios: 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 20, de 15112/98) Ressaltese que alegação de que o citado § 13 necessitaria de regulamentação não tem embasamento nenhum: a Constituição determina a aplicação do RGPS sem ressalvas, deixando claro que todas as normas relacionadas a tal regime valem para os referidos servidores, não havendo motivo para se falar em nova regulamentação, até porque se fosse necessário emitir novas normas a Constituição estaria prevendo a vinculação de servidores a um regime especial, com regras próprias, e não ao geral. O simples fato de o Recorrente ter a opinião de que não poderiam ser aplicados ao mesmo os percentuais devidos pelos empregadores da iniciativa privada não faz com que isso se torne verdade. O Município até chega a dizer que não pode ser equiparado a empregador ou empresa, citando os artigos 2.° e 3.° da Consolidação das Leis do Trabalho, aparentemente esquecendo que o direito previdenciário é autônomo, estando tal assunto disciplinado no art. 15 da Lei 8.212/91, de forma a espancar qualquer dúvida: Art. 15. Considerase: I empresa – a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Tanto o direito previdenciário é autônomo que, por exemplo, os exercentes de mandato eletivo são enquadrados como empregados pela Lei 8.212/91, deixando claro que os conceitos da CLT — no caso, o art. 3.°, que define `empregado' — só se aplicam subsidiariamente ao direito previdenciário: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10384.006504/200712 Acórdão n.º 2301003.615 S2C3T1 Fl. 134 9 j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regi .me próprio de previdência social; (Incluído pela Lei n° 10.887, de 2004) Especificamente em relação aos valores recebidos por funcionários efetivos por conta do exercício de funções comissionadas, cabe dizer que as decisões judiciais que • reconhecem não incidir contribuições para a aposentadoria sobre as respectivas gratificações foram todas embasadas no regime jurídico único dos servidores da União, regrado pela Lei 8.112, de 11/12/1990, ou em regimes jurídicos que o copiaram. Tais normas e os entendimentos delas decorrentes não se aplicam ao caso, dado que não se está discutindo o custeio de aposentadorias concedidas por regime próprio de previdência, mas sim o financiamento da Seguridade Social. No âmbito do RGPS a incidência das contribuições é ditada, basicamente, pelo art. 28 da Lei 8.212191,.que.traz o seguinte conceito de saláriodecontribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuiçdo: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a. qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo .de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10112/97) Vêse que o conceito de saláriodecontribuição abrange as quantias recebidas a título de função gratificada, dado que elas são sem dúvida rendimentos pagos em retribuição ao trabalho. As exceções ao enquadramento no conceito de saláriodecontribuição são apenas as trazidas no § 9.° do mesmo artigo, e dentre elas não se encontram valores recebidos a título de gratificação por exercício de função. Tal gratificação, portanto, integra o saláriodecontribuição, sendo, em conseqüência, levada em conta no cálculo do valor dos benefícios do RGPS. O mesmo não acontece no regime dos servidores públicos federais, pois a Lei 9.527, de 10/1211997, modificou o art. 62 da Lei 8.112/90, que previa que as gratificações integrariam os proventos da aposentadoria, sendo essa a razão de ser de as gratificações recebidas por exercício de • função comissionada por servidores federais terem deixado de compor a base de cálculo das contribuições para o financiamento da aposentadoria prevista na Lei 8.112/90. Como, no entanto, no âmbito do RGPS a gratificação é levada em conta no cálculo dos benefícios, é justo e necessário que sobre a mesma incidam as contribuições. III INCONSTITUCIONALIDADE, SELIC E REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS Fl. 137DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 10 Em relação as demais matérias tratadas no Recurso Voluntário, devem ser aplicados os enunciados das Súmulas deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. [...] Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. [...] Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. IV MULTA Ressaltase que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10384.006504/200712 Acórdão n.º 2301003.615 S2C3T1 Fl. 135 11 Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. V DISPOSITIVO Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para aplicar, se mais benéfica ao contribuinte, a multa prevista no art. 35 caput da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, sendo que no mais fica mantida a r. decisão recorrida. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 139DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
