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Numero do processo: 10880.900629/2014-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 06 29 /2 01 4- 51 Fl. 67DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.345 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900629/2014-51 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 68DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.345 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900629/2014-51 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 69DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.345 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900629/2014-51 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 70DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.345 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900629/2014-51 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 71DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.345 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900629/2014-51 Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.907002/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2001 a 01/01/2002
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3302-007.171
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo das contribuições e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do crédito apurada pela Recorrente. Vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que excluía o valor do ICMS destacado nas notas fiscais.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2001 a 01/01/2002 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo das contribuições e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do crédito apurada pela Recorrente. Vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que excluía o valor do ICMS destacado nas notas fiscais. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo das contribuições e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do crédito apurada pela Recorrente. Vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que excluía o valor do ICMS destacado nas notas fiscais. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 70 02 /2 01 1- 03 Fl. 108DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.171 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.907002/2011-03 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e manteve integralmente o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição objeto dos autos. Na decisão proferida pela DRJ, foi consignado, inicialmente, que o julgador da esfera administrativa deve limitar-se a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. A decisão recorrida considera ainda que, inexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. Em essência, o colegiado de piso julgou incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor seria parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Irresignada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde sustenta que a decisão recorrida não deve ser mantida, posto que seu crédito é oriundo da indevida inclusão do valor do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. É relatório. Fl. 109DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.171 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.907002/2011-03 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.164, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10935.906995/2011-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.164): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a demanda cinge-se na análise quanto a possibilidade de não incluir o ICMS na base de cálculo da. A respeito da inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, matéria está incontroversa no RE 574.706, temos a Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de Fl. 110DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.171 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.907002/2011-03 cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, faz-se necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devem-se preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFD-ICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFD-ICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, faz- se necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devem-se preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do Fl. 111DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.171 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.907002/2011-03 ICMS e do IPI (EFD-ICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFD-ICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de calculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo das contribuições e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do crédito apurada pela Recorrente. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo das contribuições e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do crédito apurada pela Recorrente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.912645/2009-22
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO (CIDE)
Ano-calendário: 2006
CIDE. INCIDÊNCIA. LEI nº. 10.168/2000. LEI nº. 10.332/2001.
A partir de 1º de janeiro de 2002, a CIDE é devida pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e assistência técnica a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2006
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. MP nº. 2.159-70/2001. LEI nº. 10.332/2001. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA.
A alíquota do imposto de renda incidente sobre o pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior a título de royalties ou contraprestação por serviços técnicos e assistência técnica prestados, foi reduzida de 25% para 15% a partir do início da cobrança da CIDE.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2006
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO.
Não tendo sido comprovado o pagamento indevido ou a maior, deixa-se de reconhecer o direito creditório pleiteado pela recorrente, considerando-se não homologada a compensação declarada.
Numero da decisão: 3003-000.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente), Vinícius Guimarães, Müller Nonato Cavalcanti Silva e Márcio Robson da Costa.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO (CIDE) Ano-calendário: 2006 CIDE. INCIDÊNCIA. LEI nº. 10.168/2000. LEI nº. 10.332/2001. A partir de 1º de janeiro de 2002, a CIDE é devida pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e assistência técnica a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2006 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. MP nº. 2.159-70/2001. LEI nº. 10.332/2001. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. A alíquota do imposto de renda incidente sobre o pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior a título de royalties ou contraprestação por serviços técnicos e assistência técnica prestados, foi reduzida de 25% para 15% a partir do início da cobrança da CIDE. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Não tendo sido comprovado o pagamento indevido ou a maior, deixa-se de reconhecer o direito creditório pleiteado pela recorrente, considerando-se não homologada a compensação declarada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente), Vinícius Guimarães, Müller Nonato Cavalcanti Silva e Márcio Robson da Costa.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO (CIDE) Ano-calendário: 2006 CIDE. INCIDÊNCIA. LEI nº. 10.168/2000. LEI nº. 10.332/2001. A partir de 1º de janeiro de 2002, a CIDE é devida pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e assistência técnica a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2006 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. MP nº. 2.159-70/2001. LEI nº. 10.332/2001. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. A alíquota do imposto de renda incidente sobre o pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior a título de royalties ou contraprestação por serviços técnicos e assistência técnica prestados, foi reduzida de 25% para 15% a partir do início da cobrança da CIDE. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Não tendo sido comprovado o pagamento indevido ou a maior, deixa-se de reconhecer o direito creditório pleiteado pela recorrente, considerando-se não homologada a compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 26 45 /2 00 9- 22 Fl. 108DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.354 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.912645/2009-22 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente), Vinícius Guimarães, Müller Nonato Cavalcanti Silva e Márcio Robson da Costa. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo da Declaração de Compensação de nº 33570.00944.291106.1.3.04-0744, a qual utilizou em suas compensações suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de CIDE, período de apuração de maio de 2006, no valor total original de R$ 35.093,20 (fls. 52-56). Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu o Despacho Decisório Eletrônico de fl. 48, explicando que o pagamento indicado já havia sido integralmente utilizado para a quitação do próprio débito de CIDE, código 8741, período de apuração de maio de 2006, não restando crédito a ser utilizado na compensação em questão, a qual foi não homologada. O interessado foi cientificado da decisão em 15/09/2009 (fl. 49), e, em 15/10/2009 apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02-10) com as seguintes alegações que exponho a seguir. Após fazer um breve histórico da legislação da compensação, o contribuinte adentra o mérito explicando que durante o ano de 2006 a empresa vinha recolhendo o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de forma equivocada, pois estava aplicando a alíquota de 15% a título de IRRF sobre royalties e assistência técnica (código 0422) e 10% a título de CIDE, quando o correto seria tão-somente o pagamento de IRRF a alíquota de 25%. Assim, visando regularizar sua situação perante o Fisco, a Recorrente promoveu a denúncia espontânea deste tributo [IRRF], tendo recolhido em 31/10/2007 (doc. 06), a diferença de 10 % (dez por cento) do Imposto de Renda retido na fonte sobre Royalties e assistência técnica (Cód. 0422), devidamente corrigido, não recolhido à época oportuna. Observe-se que o valor do principal equivocado da CIDE (doc. 05) é igual ao recolhido posterior (Doc.06), em vista deste pagamento equivocado. Desta forma, estando regularizado o pagamento relativo ao Imposto de Renda sobre Royalties e assistência técnica, e considerando o recolhimento indevido da CIDE (Cód. 8741) no importe de R$ 35.093,20, a Recorrente teve a seu favor, a totalidade deste crédito, razão pela qual, fora utilizado para compensar com o IRPJ, Maio/2006, objeto da PER/DCOMP não homologada pela Receita Federal. Assim, solicita a reforma total do Despacho Decisório, para que seja homologada a Declaração de Compensação em litígio. A 15ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I proferiu decisão, negando provimento à manifestação de inconformidade, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2006 Fl. 109DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.354 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.912645/2009-22 A partir de 1o de janeiro de 2002, a CIDE é devida pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e assistência técnica a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2006 A alíquota do imposto de renda incidente sobre o pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior a título de royalties ou contraprestação por serviços técnicos e assistência técnica prestados, foi reduzida de 25% para 15% a partir do início da cobrança da CIDE. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Não tendo sido comprovado o pagamento indevido ou a maior, deixa-se de reconhecer o direito creditório pleiteado pelo interessado e nega-se homologação à compensação declarada. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reafirmando as alegações trazidas na manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento por esta Turma. A compensação tributária - uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional -, pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostra-se fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitando-se, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu o PER/DCOMP descrito no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, apurou-se que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito, tendo sido emitido, eletronicamente, o Despacho Decisório cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados. Fl. 110DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.354 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.912645/2009-22 Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual sustentou, em síntese, que efetuava, em 2006, o recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de forma errônea, com alíquota inferior à devida: ao invés de recolher o imposto sob a alíquota de 25%, recolhia o IRRF à alíquota de 15% e a CIDE à alíquota de 10%. Nessa esteira, em maio de 2006, a recorrente alega que teria efetuado recolhido R$ 61.929,18 a título de IRRF, e R$ 35.093,20 a título de CIDE. Buscando regularizar a situação, a recorrente assinala que realizou, mediante denúncia espontânea, o recolhimento, em 31/10/2007, a diferença de 10% atinente ao IRRF sobre royalties e assistência técnica, decorrendo, daí, o direito creditório em relação ao suposto recolhimento indevido relativo à CIDE, em maio de 2006. Apreciando a manifestação de inconformidade, a decisão recorrida assim se pronunciou (grifei partes): Em sua defesa o contribuinte alega que não deveria ter recolhido a CIDE sobre royalties e assitência técnica, e, sim, ter pago IRRF à alíquota de 25% ao invés de 15%. Tal argumento não procede. Primeiramente, porque a CIDE é devida sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior a título de remuneração pelos serviços técnicos e assistência técnica prestados, bem como sobre o pagamento, crédito, entrega ou remessa de valores a título de royalties a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Porém, com a instituição desta contribuição pela Lei nº 10.168/2000, houve a elevação da tributação sobre estes valores, pois, além do pagamento de IRRF à alíquota de 25%, deveria também recolher 10% de CIDE. Por este motivo, entendeu por bem o legislador reduzir para 15% a alíquota de IRRF, através da MP nº 2.159-70/2001 e Lei nº 10.332/2001, a fim de desonerar o contribuinte desta majoração de tributação que havia ocorrido com o advento da CIDE, conforme segue: MEDIDA PROVISÓRIA No 2.159-70, DE 24 DE AGOSTO DE 2001. (...) Art. 3º Fica reduzida para quinze por cento a alíquota do imposto de renda incidente na fonte sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a título de remuneração de serviços técnicos e de assistência técnica, e a título de róialties, de qualquer natureza, a partir do início da cobrança da contribuição instituída pela Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000. LEI No 10.168, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2000. Art. 1º Fica instituído o Programa de Estímulo à Interação Universidade- Empresa para o Apoio à Inovação, cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) (...) Fl. 111DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.354 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.912645/2009-22 § 2º A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) (...) Art. 2º-A. Fica reduzida para 15% (quinze por cento), a partir de 1º de janeiro de 2002, a alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a título de remuneração de serviços de assistência administrativa e semelhantes.(Incluído pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) Portanto, percebe-se que o contribuinte incorreu em erro ao pagar 10% a mais de IRRF a fim de consolidar um total pago correspondente a 25% dos valores pagos/creditados a título de royalties ou remuneração pela prestação de assistência técnica, visto que a alíquota certa é, de fato, de 15% nestes casos. No entanto, ainda que o impugnante tenha aplicado a alíquota equivocada de 25%, conforme diz, e, conseqüentemente, recolhido o IRRF a maior, tal situação não afasta sua obrigação de apurar e recolher a CIDE incidente sobre tais remessas. Neste aspecto, deve-se observar a Lei nº 10.168/2000 que instituiu a CIDE, da qual transcrevo a seguir trechos que entendo serem pertinentes ao caso em análise: “Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (...) § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. (grifou-se) § 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). (grifou-se) § 5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador. (grifou-se) (...) Art. 3º Compete à Secretaria da Receita Federal a administração e a fiscalização da contribuição de que trata esta Lei. (grifou-se) Parágrafo único. A contribuição de que trata esta Lei sujeita-se às normas relativas ao processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários federais, previstas no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, bem como, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, especialmente quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis.” CONCLUSÃO Portanto, constata-se que não houve pagamento indevido de CIDE. Fl. 112DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.354 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.912645/2009-22 Os fundamentos da decisão recorrida são precisos, de maneira que os adoto integralmente como razões de decidir no presente voto. Como bem asseverou a decisão recorrida, é devida a CIDE incidente sobre as remessas realizadas pela recorrente, à alíquota de 10%, ex vi do art. 2º, §2º da Lei nº 10.168/2000, de maneira que o pagamento efetuado, a título de CIDE, período de apuração 05/2006, apontado como origem do direito creditório na declaração de compensação, não pode ser considerado indevido. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000565/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2003
PREVIDENCIÁRIO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
A legislação determina no § 3º do art. 31 da Lei nº 8.212 e § 1º do Decreto 3.048/99 que para caracterizar a cessão de mão de obra se impõe a colocação dos segurados empregados à disposição da empresa contratante.
Cabe afastar o lançamento fiscal quando a relação contratual entre as partes não confirma a colocação dos trabalhadores à disposição da empresa contratante na execução de serviços de transporte de cargas, indispensável para a caracterização da cessão de mão de obra.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. NÃO EXIGÊNCIA DE RETENÇÃO.
Os serviços de transportes de cargas deixaram de ser passíveis de retenção, com a alteração do Decreto nº 3.048/1999, realizada pelo Decreto nº 4.729/2003.
Numero da decisão: 2402-007.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento integral ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Maurício Nogueira Righetti (Relator), Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, que deram provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencido. Votou pelas conclusões o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gregório Rechmann Junior.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira (presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatinic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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CESSÃO DE MÃO DE OBRA. A legislação determina no § 3º do art. 31 da Lei nº 8.212 e § 1º do Decreto 3.048/99 que para caracterizar a cessão de mão de obra se impõe a colocação dos segurados empregados à disposição da empresa contratante. Cabe afastar o lançamento fiscal quando a relação contratual entre as partes não confirma a colocação dos trabalhadores à disposição da empresa contratante na execução de serviços de transporte de cargas, indispensável para a caracterização da cessão de mão de obra. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. NÃO EXIGÊNCIA DE RETENÇÃO. Os serviços de transportes de cargas deixaram de ser passíveis de retenção, com a alteração do Decreto nº 3.048/1999, realizada pelo Decreto nº 4.729/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento integral ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Maurício Nogueira Righetti (Relator), Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, que deram provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencido. Votou pelas conclusões o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gregório Rechmann Junior. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 05 65 /2 00 7- 15 Fl. 519DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.299 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000565/2007-15 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira (presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatinic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face de acórdão que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem relatar o caso, valho-me do relatório da decisão acima citada: Regularmente impugnado o lançamento, a instância de piso julgou-o procedente, consoante acórdão a seguir ementado (fls. 469/488): Em seu recurso voluntário de fls.494/517 sustentou o recorrente: Em preliminar e prejudicial de mérito: - Da nulidade do lançamento e da decisão de piso: - Que teriam sido pautados apenas em presunção. - Que a decisão recorrida, ao colher "novos fundamentos" do autuante para que justificasse seu entendimento de que o caso tratava-se de cessão de mão de obra, não reabriu o prazo de 15 (quinze) dias para defesa, mas sim, o prazo de 10 (dez) como se fosse mera manifestação ao final da instrução probatória. Fl. 520DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.299 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000565/2007-15 - Que a falta de apresentação de documentos não autorizaria entender que houvera a cessão de mão de obra, mas justamente o contrário. - Que haveria decadência das competências anteriores a março de 2001. Quanto ao mérito: - Que no caso concreto não teria havido a cessão de mão de obra com relação ao serviço prestado de "transporte de carga", na medida em que o ajuste entre a recorrente e a prestadora de serviços, não se limitava ao simples fornecimento de mão de obra, sob controle e orientação do contratante do serviços, mas de pacto envolvendo típica obrigação de resultado, resultando, assim, em um escopo definido, por conta e risco da empresa contratada, do qual dependia o seu pagamento. - Que teria faltado o pressuposto essencial dos serviços prestados sob o regime de cessão de mão de obra, que seria o "fazer em si", sem estar dirigido para qualquer resultado. - Cita Jurisprudência que lhe favorece. - Que o Decreto 4.729/03, que alterou o Regulamento da Previdência Social, deve ser aplicado retroativamente, ante o seu caráter interpretativo, a teor do artigo 106, I, do CTN. - Que a empresa prestadora de serviços seria optante do SIMPLES desde janeiro de 2003 e, assim sendo, a recorrente estaria dispensada de efetuar a retenção dos 11%. - Que a IN SRP nº 3/2005, ao restringir a dispensa de retenção a determinado período, teria ultrapassado os limites de sua competência regulamentadora. - Que seriam inaplicáveis os juros Selic. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 4.2.08, consoante se denota de fls. 490, e apresentou seu Recurso Voluntário, tempestivamente, em 11.2.08, conforme fl. 494. Observados os demais requisitos para admissibilidade, dele passo a conhecer. Da nulidade do lançamento e decisão recorrida. Sobre essa matéria, aduz o autuado que tanto o lançamento quanto a decisão de piso teriam sido pautados apenas em presunção. E que a decisão recorrida, ao colher "novos fundamentos" do autuante para que justificasse seu entendimento de que o caso tratava-se de cessão de mão de obra, não teria reaberto o prazo de 15 (quinze) dias para defesa, mas sim, o prazo de 10 (dez) como se fosse mera manifestação ao final da instrução probatória. E mais, que a falta de apresentação de documentos não autorizaria entender que houvera a cessão de mão de obra, mas justamente o contrário. Não obstante o brio demonstrado neste tema, não comungo desse entendimento. Fl. 521DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.299 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000565/2007-15 O lançamento fiscal valeu-se da escrituração contábil/fiscal do recorrente, bem como de parte das notas fiscais de sua emissão para assentar que o serviço que lá especificavam se enquadraria, a rigor, no disposto no artigo 31 da Lei 8.212/91, já que não teriam sido apresentados, durante o procedimento fiscal, o competente Contrato de Prestação de Serviços, bem como parte das notas fiscais arroladas, o que acabou prejudicando, naquele momento, a determinação das condições e forma e execução dos serviços contratados, que pudessem acarretar qualquer redução na base imponível. Não significa dizer que tanto o lançamento quanto a decisão recorrida tivessem se pautado em presunções, na medida em que os elementos de que dispunha o autuante asseguravam-no, a seu juízo, a prestação do serviço sob o regime da cessão de mão de obra. Tampouco há de se dizer que houvera uma indevida inversão do ônus da prova. Os elementos carreados aos autos pelo Fisco, não tão robustos se é que assim pode dizer, só se deu dessa forma em função do não atendimento a intimações fiscais por parte do autuado. Entender de forma diversa equivaleria, ao meu ver, em fazer tabula rasa do princípio pelo qual a ninguém é dado o direito de valer-se da própria torpeza. Confira-se o TIAD de fls. 100. Prosseguindo, foi somente quando da instauração do contencioso é que a autuada apresentou, dentre outros documentos, referido contrato (fls. 321/330). Com isso, o julgador de primeira instância houve por bem colher a manifestação do autuante acerca da prova somente agora produzida. Assim sendo, em 19/1/07 o autuante produziu a informação de fls. 407/409 acerca das informações trazidas tardiamente pelo sujeito passivo. Perceba-se, com isso, que não se trataram de "novos fundamentos" do autuante a ensejar a reabertura do, à época, prazo de 15 (quinze) dias para recorrer, mas sim, de simples manifestação do Fisco acerca dos documentos apresentados tardiamente pelo autuado, findo o procedimento fiscal e que justificou o prazo de 10 (dias) para manifestação do interessado, com fulcro no artigo 44 da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 1 Registre-se que o recorrente apresentou - no prazo assinalado - sua manifestação em substanciais 6 (seis) laudas, quando comparadas com as 3 (três) produzidas pelo Fisco (417/422), fazendo-me concluir pela inexistência de qualquer prejuízo em sua defesa. Nesse contexto, em prestígio ao principio pas de nullité sans grief , pelo qual é assentado inexistir nulidade processual sem que dela decorra prejuízo às partes, tenho por, neste ponto, mantidos o lançamento e a decisão recorrida. Da decadência. Quanto à decadência suscitada, penso assistir parcial razão ao recorrente. A decisão recorrida, ao afastá-la, valeu-se do já superado prazo decenal. Hoje, temos por quinquenal o prazo para o fisco constituir o crédito tributário. 1 LEI 9.784/99 Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestar-se no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. Fl. 522DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-007.299 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000565/2007-15 Como é cediço, há de se aplicar, para a contagem desse prazo quinquenal, a regra geral determinada pela artigo 173, I do CTN quando demonstrada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação OU quando inexistente o pagamento antecipado a que alude o artigo 150 daquele diploma. Nesse rumo, impõe-se verificar se há evidências, nos autos, de que tenha havido pagamento antecipado com relação a tais retenções. O DAD - Discriminativo Analítico de Débito de fls. 6/14 não traz o aproveitamento, no lançamento, de qualquer recolhimento. Em seu Recurso Voluntário a recorrente não é categórica em afirmar que promovera qualquer recolhimento com relação a tal prestador de serviço. Muito pelo contrário, sua tese é alicerçada justamente na dispensa dessas retenções. Da mesma sorte, o "Demonstrativo de Pagamentos e Apuração das Retenções Devidas" de fls. Relatório Fiscal de fls.115/164 não noticia o aproveitamento de qualquer recolhimento a atrair a aplicação da regra especial ditada pelo artigo 150 do CTN, muito embora contivesse os seguintes campos: Com isso, a considerar que a ciência do lançamento deu-se em 27.4.06, (fls. 2), há de se reconhecer decaídas as competências compreendidas até novembro de 2000, inclusive, à luz do artigo 173, I, do CTN. Do prestador de serviços optante pelo SIMPLES. Nesse ponto, aduz a recorrente que a empresa prestadora de serviços seria optante do SIMPLES desde janeiro de 2003 e, assim sendo, a recorrente estaria dispensada de efetuar a retenção dos 11%. Além do quê, a IN SRP nº 3/2005, ao restringir a dispensa de retenção a determinado período, teria ultrapassado os limites de sua competência regulamentadora. Penso assistir razão a recorrente. Por meio do Ato Declaratório PGFN nº 10/2011, declarou-se que "fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante. Nas ações judiciais que discutam a retenção da contribuição para a Seguridade Social pelo tomador do serviço , quando a empresa prestadora e optante pelo SIMPLES, ressalvadas as retenções realizadas a partir do advento da Lei Complementar nº128, de 19 de dezembro de 2008, nas atividades enumeradas nos incisos I e VI do § 5º- C do art. 18 da Lei Complementar nº123, de 14 de dezembro de 2006. Fl. 523DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-007.299 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000565/2007-15 Referido Ato Declaratório foi editado a partir do Parecer PGFN/CRJ nº 2.122/2011, no qual constou o seguinte: Ocorre que o Poder Judiciário entendeu diversamente, tendo sido pacificado no âmbito do STJ que as empresas optantes pelo SIMPLES não estão sujeitas à retenção de 11% de contribuição previdenciária sobre a fatura de serviços, uma vez que o sistema de arrecadação destinado às microempresas e empresas de pequeno porte não é compatível com o regime de substituição tributária imposto pelo art. 31 da Lei nº 8.212/91. Isso porque a retenção, pelo tomador de serviços, de contribuição sobre o mesmo título e com a mesma finalidade, na forma do art. 31 da Lei nº 8.212/91 e no percentual de 11%, implicaria supressão do benefício de pagamento unificado destinado às pequenas e microempresas. Ademais, aplicar-se-ia o princípio da especialidade, visto que haveria incompatibilidade técnica entre a sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária instituída pela Lei 9.711/98, que elegeu as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, e o regime de unificação de tributos do SIMPLES, adotado pelas pequenas e microempresas. Observe-se que a referida matéria já foi julgada pelo regime previsto no art. 543-C do CPC, tendo prevalecido o entendimento ora esposado. Confira-se trecho do referido acórdão proferido no RESP 1.112.467/DF a seguir: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO OPTANTES PELO SIMPLES. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ILEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA. PRECEDENTE DA 1ª SEÇÃO (ERESP 511.001/MG). 1. A Lei 9.317/96 instituiu tratamento diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte, simplificando o cumprimento de suas obrigações administrativas, tributárias e previdenciárias mediante opção pelo SIMPLES - Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições. Por este regime de arrecadação, é efetuado um pagamento único relativo a vários tributos federais, cuja base de cálculo é o faturamento, sobre a qual incide uma alíquota única, ficando a empresa optante dispensada do pagamento das demais contribuições instituídas pela União (art. 3º, § 4º). 2. O sistema de arrecadação destinado aos optantes do SIMPLES não é compatível com o regime de substituição tributária imposto pelo art. 31 da Lei 8.212/91, que constitui "nova sistemática de recolhimento" daquela mesma contribuição destinada à Seguridade Social. A retenção, pelo tomador de serviços, de contribuição sobre o mesmo título e com a mesma finalidade, na forma imposta pelo art. 31 da Lei 8.212/91 e no percentual de 11%, implica supressão do benefício de pagamento unificado destinado às pequenas e microempresas. 3. Aplica-se, na espécie, o princípio da especialidade, visto que há incompatibilidade técnica entre a sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária instituída pela Lei 9.711/98, que elegeu as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, e o regime de unificação de tributos do SIMPLES, adotado pelas pequenas e microempresas (Lei 9.317/96). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1.112.467/DF, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/8/2009, DJe 21/8/2009) – sem destaques no original [...] De se notar que a questão não tem natureza constitucional, pois se trata de indiscutível interpretação de norma infraconstitucional, motivo pelo qual não caberá ao Supremo Tribunal Federal manifestar-se sobre a mesma. Nesses termos, não há dúvida de que futuros recursos que versem sobre o mesmo tema, apenas sobrecarregarão o Poder Judiciário, sem nenhuma perspectiva de sucesso para a Fazenda Nacional. Portanto, continuar insistindo nessa tese significará apenas alocar os recursos colocados à disposição da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, em causas nas quais, previsivelmente, não se terá êxito. Fl. 524DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-007.299 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000565/2007-15 Outrossim, deve-se buscar evitar a constituição de novos créditos tributários que levem em consideração interpretação diversa daquela adotada pelo STJ nessa matéria No mesmo sentido, o acórdão 9202-006.033, de 28.9.17, que contou com o seguinte dispositivo: Nessa linha, havendo informação nos autos, em especial da autoridade autuante, no sentido de que o prestador de serviço é optante pelo SIMPLES a partir de 1/1/03, é de se concluir que as competências a partir dessa data a saber, de 1/1/03 a 31/5/03, devem ser extirpadas do lançamento. Mérito Sobre esse tema, sustenta a recorrente que no caso concreto não teria havido a cessão de mão de obra com relação ao serviço prestado de "transporte de carga", na medida em que o ajuste entre a recorrente e a prestadora de serviços não se limitava ao simples fornecimento de mão de obra, sob controle e orientação do contratante do serviços, mas de pacto envolvendo típica obrigação de resultado, redundando, assim, em um escopo definido, por conta e risco da empresa contratada, do qual dependia o seu pagamento. E prossegue ao afirmar que teria faltado o pressuposto essencial dos serviços prestados sob o regime de cessão de mão de obra, que seria o "fazer em si", sem estar dirigido para qualquer resultado. Por fim, aduz que o Decreto 4.729/03, que alterou o Regulamento da Previdência Social, deve ser aplicado retroativamente, ante o seu caráter interpretativo, a teor do artigo 106, I, do CTN. Pois bem. O artigo 31 a Lei 8.212/91 assim dispunha à época dos fatos: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5 o do art. 33. [...] § 3 o Para os fins desta Lei, entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4 o Enquadram-se na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I - limpeza, conservação e zeladoria; II - vigilância e segurança; III - empreitada de mão-de-obra; Fl. 525DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-007.299 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000565/2007-15 IV - contratação de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974 Nota-se do dispositivo acima algumas definições que são suficientes à caracterização do que vem a ser cessão de mão de obra . Vamos a elas: I - A cessão de mão de obra pode se dar em regime de trabalho temporário; II - A mão de obra cedida deve estar à disposição do contratante em suas dependências ou não; III - Os serviços realizados devem ser contínuos, independentemente de se referirem, ou não, às atividades fins da contratante. IV - Pouco importa a natureza e forma da contratação. Dos itens acima podem-se destacar as expressões "à disposição do contratante" e "serviços contínuos". A Instrução Normativa SRP 3/2005, muito embora com vigência posterior ao período de que trata o lançamento, dá-nos um estimado auxílio na compreensão da segunda expressão. Vejamos: Art. 143.... [...] § 2º Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. Quanto ao segundo, não há dúvidas quanto à continuidade dos serviços prestados, consubstanciados nas dezenas de notas fiscais emitidas no período fiscalizado. Por sua vez, quanto ao primeiro, a Solução de Consulta nº 112/2017 - Cosit informa que a cessão de mão de obra necessariamente envolve uma transferência, ainda que em parte, do comando, orientação e coordenação dos empregados da empresa prestadora de serviço para a empresa contratante (colocação à disposição). Ressalte-se que esta transferência parcial de comando, orientação e coordenação dos segurados deve ser - no caso in concreto - entendida com bastante cautela, de forma a não exigir a presença de circunstancias que caracterizassem subordinação direta na relação entre o contratante e os empregados da contratada, típico do vínculo empregatício. Assim, esse comando, orientação e coordenação devem ser tomados, invariavelmente e sob determinado aspecto, de forma direta no que toca ao serviço prestado, ao seu modus operandi. Apenas por via indireta e por decorrência lógica, é que tais condutas repercutirão na relação segurado e contratante. E nesse ponto, o contrato apresentado já no contencioso (fls. 321/330) conduz-me ao entendimento de que, efetivamente, estavam presentes tais circunstâncias. Confira-se: Cláusula 10ª: Fl. 526DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-007.299 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000565/2007-15 Cláusula 14ª: Perceba-se que diferentemente da contratação por empreitada ou, como bem colocou o recorrente, sob o regime da locatio operis, em que o objeto do ajuste é, em última análise, um resultado contratado, pouco importando como serão previamente desenvolvidos os serviços necessários à sua consecução, no caso em tela deu-se importância decisiva ao "como fazer". O fato de haver a especificação dos serviços contratados, que no caso referiram-se aos continuados de "Coleta, Carga, Transporte e Entrega de Materiais de Materiais em todo o Território Nacional", não significa dizer, por si só e penso eu, que a contratação não se dera sob a sistemática da cessão de mão de obra, em especial pelo peso dado à operacionalização dos serviços, como acima mencionado. E mais, como muito bem colocou a autoridade autuante, não foram trazidos aos autos os anexos integrantes do referido contrato, conforme sua cláusula 3ª, em especial o Anexo II que se referiria às Especificações - Transportes Rodoviários, sem o qual teria havido a impossibilidade de identificar as demais características e especificidades do serviço. Ressalte-se que segundo a Cláusula 4ª do instrumento, sua vigência seria por prazo indeterminado, iniciando-se na data de sua assinatura, podendo ser rescindido a qualquer tempo, independentemente de notificação judicial ou extrajudicial, mediante prévio aviso de notificação de 60 (sessenta) dias. Com isso, resta bastante claro, no meu entender, que o serviço contratado não se dera sob a modalidade de empreitada, como no exemplo em que se contrata o transporte de determinada carga para ser entregue à destinatário, local e dia pré-determinados. Nesse prisma, penso que o fato de o serviço ter se dado de forma incontestavelmente continuado passa a ser o elemento preponderante para a determinação da cessão de mão de obra, como, inclusive, se depreende do acórdão 2301-005.012 a diante ementado: RETENÇÃO. COBRANÇA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA NÃO CARACTERIZADA. A continuidade na prestação de serviços deve ser comprovada para caracterização da cessão de mão de obra, visto que a cessão de mão-de-obra é definida como a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, nos termos do artigo 219, parágrafo 1º, do Decreto 3.048/99, e do artigo 31, §2º, da Lei nº 8.212/91. Fl. 527DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-007.299 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000565/2007-15 Voltando à norma, veja-se que a própria lei estabelece, de forma exemplificativa, alguns serviços que, por sua natureza ou por política fiscal, se enquadrariam - presumidamente - como cessão de mão de obra, dentre eles o de empreitada de mão de obra. Seu parágrafo §4º funcionaria, mutatis mutandi e a exemplo do que se tem no Direito Penal, como uma espécie de Norma Tributária em Branco em sentido estrito 2 , na medida em que o próprio dispositivo se reportaria a outra norma - editada no âmbito do Poder Executivo - no intuito de determinar o enquadramento de outros tipos de serviço ao regime da cessão de mão de obra. Tem-se com isso, assim penso eu, uma espécie de delegação legislativa a que o chefe do executivo possa definir qual ou quais os serviços, que por sua natureza ou política fiscal, se amoldariam aos requisitos daquele § 3º, transferindo ao contribuinte, assim sendo, o ônus da comprovação de que determinado serviço, ainda que integrante daquele rol, estaria sendo prestado em condições diversas daquelas estabelecidas no § 3º encimado. Por outro lado, caso determinado serviço não estivesse lá enumerado, caberia ao Fisco a comprovação de que sua prestação observara o disposto naquele parágrafo. É como vejo. E assim foi feito. O Decreto 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social, trouxe para o mundo jurídico, em novo rol exemplificativo, a presunção de que outros 23 tipos de serviços, dentre eles encontra-se o de transporte de cargas, se amoldariam, por sua natureza, ao regime da cessão de mão de obra. Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão-de-obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no §5º do art. 216. § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entende-se como cessão de mão- de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. [...] XIX - operação de transporte de cargas e passageiros; Não vejo, por todo o acima exposto, que referido dispositivo, notadamente seu § 1º, estaria interpretando o conceito de cessão de mão de obra, mas sim pré-determinando situações fáticas que, dada a sua natureza, presumiria sua subsunção àquele conceito legal (§ 3º do art 31 da Lei 8.212/99. Daí entender, nesse diapasão, não ser possível empregar efeitos pretéritos ao Decreto 4.729, de 9/6/03, que excluiu o "transporte de cargas" do inciso XIX encimado. 2 NORMA PENAL EM BRANCO É um preceito incompleto, genérico ou indeterminado, que precisa da complementação de outras normas. A doutrina distingue as normas penais em branco em sentido lato e em sentido estrito. As normas penais em branco em sentido lato são aquelas cujo complemento é originário da mesma fonte formal da norma incriminadora. Nesse caso, a fonte encarregada de elaborar o complemento é a mesma fonte da norma penal em branco, há, portanto, uma homogeneidade de fontes legislativas. As normas penais em branco em sentido estrito, por sua vez, são aquelas cuja complementação é originária de outra instância legislativa, diversa da norma a ser complementada, e aqui há heterogeneidade de fontes, ante a diversidade de origem legislativa. Fonte: https://www.direitonet.com.br/dicionario/exibir/1417/Norma-penal-em-branco Fl. 528DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2402-007.299 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000565/2007-15 Por fim, impõe-se destacar que matéria semelhante foi julgada por esta Turma em 5/7/18, oportunidade em que, pelo voto de qualidade, decidiu-se por devida a retenção de 11% sobre valor pago em função do Transporte de Cargas. Período de apuração: 01/08/2000 a 01/07/2003, 31/10/2003 a 01/12/2003, 01/07/2004 a 31/07/2004, 01/10/2004 a 31/10/2004 TRANSPORTE DE CARGAS. RETENÇÃO DE 11%. NOTA FISCAL. Até a competência 05/2003, inclusive, o contratante de serviço de transporte de cargas deveria reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviço e recolher o valor retido em nome da empresa contratada. Acórdão 2402-006.442 Assim sendo, sem reparos no lançamento quanto a esse aspecto. Juros Selic No que toca a essa matéria, trago à colação o enunciado da Súmula CARF nº 4, nos termos a seguir: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso, REJEITAR a preliminar de nulidade, para DAR-LHE parcial provimento, com vistas a extirpar do lançamento, em virtude da decadência, as competências compreendidas até novembro de 2000, inclusive; bem como aquelas a partir de janeiro de 2003, data da opção pelo SIMPLES por parte do prestador do serviço. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Voto Vencedor Conselheiro Gregorio Rechmann Junior, redator designado. Não obstante as bem lançadas razões de decidir do relator, peço venia para delas discordar no que tange ao mérito da autuação. Conforme sinalizado no voto do eminente relator, trata-se a presente demanda de crédito previdenciário lançado pela Autoridade Fiscal da Previdência Social, através da Notificação de Lançamento de Débito - NFLD n.° 35.509.187-9, de 27/04/2006, referente às contribuições sociais arrecadadas pelo INSS, destinadas à Seguridade Social, relativas à retenção de 11%, instituída pela Lei n. 9.711/98, incidentes sobre as Notas Fiscais, Faturas ou Recibos de Serviços Prestados, sob a modalidade de Cessão de mão-de-obra, emitidas pela empresa L.R.L.TRANSPORTES LTDA, no período de 199902 A 200305. Nos termos do Relatório Fiscal (fl. 105 e seguintes), tem-se que, a partir de 01/02/99, a empresa contratante de serviços prestados sob cessão de mão de obra ou empreitada, deve efetuar a retenção prevista no art. 31 da Lei 8.212/91. Fl. 529DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2402-007.299 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000565/2007-15 Ocorre que, da análise do susodito relatório fiscal, verifica-se que a Fiscalização lavrou o auto de infração com base exclusivamente na previsão legal de retenção sobre os serviços de transporte de cargas, sem análise quanto ao cumprimento dos critérios previstos em lei para configuração da cessão de mão de obra. Tal tarefa, a rigor, foi realizada pelo d. relator do presente caso, que no seu voto supra, buscou caracterizar o que vem a ser “cessão de mão obra”. Neste iter, transcrevendo o artigo 31 a Lei 8.212/91, destacou o douto Relator que, da análise do referido dispositivo legal, extrai-se algumas definições que são suficientes à caracterização do que vem a ser cessão de mão de obra . Vamos a elas: I - A cessão de mão de obra pode se dar em regime de trabalho temporário; II - A mão de obra cedida deve estar à disposição do contratante em suas dependências ou não; III - Os serviços realizados devem ser contínuos, independentemente de se referirem, ou não, às atividades fins da contratante. IV - Pouco importa a natureza e forma da contratação. E, com base nos itens acima, destacou o nobre Relator as expressões "à disposição do contratante" e "serviços contínuos", com vistas a caracterizar o verbete “cessão de mão de obra”. Ocorre que, em que pese os esforços do relator, neste sentido, fato é que o lançamento não se fez acompanhar de elementos probantes de que os empregados das contratadas estiveram efetivamente à disposição do contratante, o que caracterizaria de modo inequívoco a cessão de mão de obra. Nos termos dos dispositivos que tratam da matéria, para que se configure a cessão de mão de obra, independentemente da natureza do serviço, necessário que o pessoal utilizado (segurados empregados das contratadas) fique à disposição exclusiva do tomador sendo este último quem determina o que, como e quando fazer, gerenciando de forma efetiva a realização do serviço. A cessão de mão de obra, portanto, não pode ser presumida. Há que restar materialmente comprovada. A previsão contida nos dispositivos mencionados pela fiscalização por si só não demonstra a obrigação da Recorrente em reter os 11%, vez que não comprovado, como mencionado, que a mão de obra esteve à disposição da empresa tomadora em caráter de subordinação. Neste ponto, destaque-se, o douto Relator destacou que: A Solução de Consulta nº 112/2017 - Cosit informa que a cessão de mão de obra necessariamente envolve uma transferência, ainda que em parte, do comando, orientação e coordenação dos empregados da empresa prestadora de serviço para a empresa contratante (colocação à disposição). Ressalte-se que esta transferência parcial de comando, orientação e coordenação dos segurados deve ser - no caso in concreto - entendida com bastante cautela, de forma a não exigir a presença de circunstancias que caracterizassem subordinação direta na relação entre o contratante e os empregados da contratada, típico do vínculo empregatício. Fl. 530DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2402-007.299 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000565/2007-15 Assim, esse comando, orientação e coordenação devem ser tomados, invariavelmente e sob determinado aspecto, de forma direta no que toca ao serviço prestado, ao seu modus operandi. Apenas por via indireta e por decorrência lógica, é que tais condutas repercutirão na relação segurado e contratante. E nesse ponto, o contrato apresentado já no contencioso (fls. 321/330) conduz-me ao entendimento de que, efetivamente, estavam presentes tais circunstâncias. Confira-se: Cláusula 10ª: Cláusula 14ª: Neste particular, cumpre inicialmente destacar que a Solução de Consulta lançada mão pelo nobre Relator - Solução de Consulta nº 112/2017 – não era vigente nem na época dos fatos, tampouco na época da fiscalização. No que tange aos excertos do contrato de prestação de serviço trazidos à baila, os mesmos, por si próprios, não tem o condão de caracterizar, no caso concreto, a cessão de mão de obra, hábil a incidir a retenção de 11%, conforme pretendido pela fiscalização. De fato, no caso em análise, não se depara com simples colocação de empregados da contratada à disposição da contratante, mas de prestação de resultado. Neste ponto, não se pode ignorar que, todo contrato de prestação de serviço, pela sua própria natureza, demanda certa transferência parcial de comando, orientação e coordenação, nos termos empregados pelo Relator. E nem poderia ser diferente, já que o contratante almeja, com a prestação de serviço contratada, obter determinado resultado. O que não se pode fazer – e foi isso que a fiscalização fez no caso concreto – é concluir que, pela natureza do serviço prestado, há cessão de mão de obra, obrigando, assim, ao contratante, proceder à retenção de 11%. Sendo assim, não demonstrado o cumprimento dos critérios que configurariam a cessão de mão de obra, quais sejam: i) colocação do empregado da contratada à disposição do contratante, ii) em suas dependências ou de terceiros; iii) realização de serviços contínuos relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, não há que se falar em obrigação tributária por parte da Recorrente. Por fim, mas não menos importante, no que tange à aplicação do Decreto nº 4.729/2003, a Colenda Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais desse Egrégio Conselho já consolidou entendimento nos seguintes termos: Fl. 531DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2402-007.299 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000565/2007-15 Acórdão nº 9202-01.731 Por questão lógica, será analisada primeiramente a questão da retenção tendo em vista o lançamento referir-se em sua integralidade ao período anterior ao Decreto nº 4.729, de 09/06/2003. Em relação à matéria, não acolho a pretensão da Fazenda Nacional nos termos que passo a aduzir. Em breve resumo, a retenção dos 11% foi instituída pela Medida Provisória nº 1.66315, de 22/10/1998, convertida na Lei nº 9.711, de 20/11/1998, e passou a ser exigida a partir da competência 02/1999, isto é, 90 dias após a sua instituição. A redação alterada do art. 31 da Lei nº 8.212/91 pela Lei nº 9.711/98, não inovou nem alterou a fonte de custeio da previdência social, nem elegeu novo contribuinte. Em verdade, a alteração promovida pela Lei nº 9.711, de 1998, foi apenas da sistemática de recolhimento, permanecendo o cálculo da contribuição previdenciária submetido ao regime da folha de pagamento, inaugurando o sistema de substituição tributária no âmbito da previdência social para o setor de prestação de serviços, elegendo a empresa prestadora como contribuinte de direito e a empresa tomadora como contribuinte de fato com status de responsável tributário, autorizando o prestador de serviços, compensar os valores por si devidos com os valores retidos e recolhidos pelos tomadores de serviços. O § 4º do art. 31 indicava algumas atividades submetidas ao regime de retenção e remetia ao regulamento a indicação de outras. Em um primeiro momento foram indicados diversos serviços. Alguns deles (limpeza, conservação, zeladoria, vigilância e segurança, construção civil, serviços rurais, digitação e preparação de dados para processamento), na oportunidade em que a nota fiscal fosse emitida, tanto cessão de mão-de-obra quanto empreitada, deveria ocorrer a retenção e o recolhimento pelo tomador. Diversas outras atividades indicadas em um rol previsto no art. 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999, contudo somente seriam submetidas ao regime de retenção caso fosse caracterizada a prestação mediante cessão de mão-de-obra. Nesse breve histórico da legislação, a redação inicial do artigo 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, previa em seu inciso XIX que as operações de transporte de cargas e passageiros estariam submetidas ao regime de retenção, desde que prestadas em regime de cessão de mão-de-obra. A contrário senso, caso fossem prestadas em regime de empreitada, não haveria retenção. Posteriormente, em 9 de junho de 2003, o Decreto nº 4.729, alterou o Regulamento da Previdência Social, excluindo o transporte de cargas dos serviços inseridos no regime de retenção. A dúvida reside na definição dos efeitos que advêm desta exclusão, haja vista a Lei ter autorizado o Regulamento estabelecer outros serviços sujeitos à retenção, desde que prestados em regime de cessão de mão-de-obra. Segundo penso, a solução da controvérsia apresentada pela Fazenda Nacional exige o entendimento relacionado a qual seria o efeito de uma alteração no Regulamento sem a respectiva alteração na lei. O art. 97 do Código Tributário Nacional estabelece que somente a lei, pode estabelecer a instituição de tributos, a majoração, a definição do fato gerador, etc. Por sua vez, o artigo 84, IV, da Constituição Federal estabelece que os Decretos são atos normativos expedidos pelo Presidente da República com o objetivo de explicar a aplicação da lei. Assim, o regulamento não pode ir além do que a lei prevê, pois tem seu alicerce de validade na própria lei que pretende explicar a correta aplicação. Pois bem, dada a natureza regulamentadora do Decreto Presidencial cujo objetivo é permitir a fiel execução da lei, verifica-se que tais atributos revelam em alguma medida Fl. 532DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2402-007.299 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17546.000565/2007-15 uma natureza interpretativa do ato normativo cujo escopo maior é definir o alcance da lei que está sendo regulamentada. Nesse sentido, segundo penso, especificamente em relação aos serviços de transporte de cargas, a exclusão dessa atividade do rol de atividades submetida ao regime da retenção implica na aplicação retroativa, na medida em que a regulamentação considerou que tais serviços não atendiam ao critério estabelecido pela lei, isto é, em regime de cessão de mão de obra. Tal entendimento tem como fundamento lógico o fato de ser insustentável que um serviço seja considerado submetido ao regime de retenção em um período anterior à publicação do decreto e, no momento seguinte, a mesma atividade não mais ser considerada submetida a este regime sem qualquer alteração da lei. A única condição para que um serviço fosse submetido ao regime de retenção era a sua prestação ocorrer no regime de cessão de mão-de-obra, em conformidade com a definição do § 3º do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991: § 3º Para os fins desta Lei, entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Segundo penso, a razão mais provável para que o serviço de transporte de carga fosse excluído do rol de serviços submetidos à retenção, foi a compreensão de que tal atividade não se enquadrava no conceito legal de cessão de mão de obra e, portanto, não poderia estar submetida ao regime de retenção. Por sua vez, se o transporte de carga não era cessão de mão-de-obra no período posterior ao Decreto, tão pouco seria no período anterior, razão pela qual não caberia a retenção. Inexistindo previsão de retenção para o futuro, conclui-se que para o passado ela também não é devida, por força do regulamento (destaquei). Neste mesmo sentido, confira-se o Acórdão nº 2402-004.076 deste Colegiado, com outra composição. Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e, no mérito, dou-lhe integral provimento para tornar insubsistente o crédito tributário da notificação de lançamento. (assinado digitalmente) Gregorio Rechmann Junior Fl. 533DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.932176/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/10/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 21 76 /2 01 3- 41 Fl. 72DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.419 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932176/2013-41 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 73DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.419 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932176/2013-41 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 74DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.419 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932176/2013-41 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 75DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.419 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932176/2013-41 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 76DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.419 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932176/2013-41 Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.926646/2016-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/06/2012
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.375
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 66 46 /2 01 6- 36 Fl. 47DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10680.926646/201636 Acórdão n.º 3401006.375 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 49DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10680.926646/201636 Acórdão n.º 3401006.375 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 51DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.010460/2002-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1990 a 30/09/1995
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-006.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 04 60 /2 00 2- 90 Fl. 1374DF CARF MF 2 Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Tratam os autos de pedidos de restituição de créditos de PIS, pedidos de compensações, apresentados em 11/06/2002 (fls. 2), 24/07/2002 (fls. 1), 07/08/02 (fls. 151), 20/11/2002 (fls. 152) e 24/03/2003 (fls. 154), que abrangem débitos de '03/2000 a 12/2002. Também estão sendo apreciadas declarações de compensação abrangendo débitos de 01/2003 a 07/2004, transmitidas por meio eletrônico e baixadas para tratamento manual no presente processo – fls. 331/382. Os créditos pleiteados pela empresa são decorrentes de recolhimentos indevidos ou a maior, nos períodos de apuração de agosto de 1990 a setembro de 1995, com base em decisão judicial transitada em julgado que negou a aplicação dos DecretosLeis n°s 2.445/88 e 2.339/88 no citado período, e reconheceu o direito ao indébito. Atualizado até o mês de dezembro de 1995, o montante do crédito solicitado é de R$ 189.268,17 (conforme planilha de fls. 57 a 60), e o montante dos débitos declarados nas DCOMPs perfaz R$ 806.831,19 (conforme planilha de fls. 432 a 434). O processo de n° 11080.0071571200714 foi apensado a este por se tratar de pretensões da sociedade deduzidas em Juízo que versam sobre o mesmo crédito. Em 21/11/95, o contribuinte protocolou ação ordinária (fls. 213 215) de n° 95.00.219930, visando a declaração da inconstitucionalidade dos DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449/88, a condenação da União à repetição do indébito e a utilização do crédito na compensação de débitos de PIS. Consoante a petição inicial, o crédito corresponderia à diferença entre os pagamentos realizados na forma dos DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449/88 nos períodos de apuração entre agosto de 1990 e setembro de 1995 e o devido, na sistemática de apuração da Lei Complementar n° 7/70. O direito à compensação do crédito com débitos de PIS, com atualização monetária pela BTN, INPC, UFIR e SELIC, acrescida do "expurgo inflacionário" do mês de fevereiro/91 (referido pela Súmula n° 37, do TRF da 4 Região) foi declarado na sentença de 1º grau (fls. 3044). Nesta foi estabelecido que, em face da decadência qüinqüenal, não poderia haver compensação dos recolhimentos anteriores à data de 21/11/1990. A decisão de 1º grau foi mantida pelo acórdão do TRF da 4a Região (fls. 45 a 52) em apelação de n° 97.04.740387, exceto em relação à decadência, a qual foi afastada de todos os pagamentos formadores do crédito, conforme o pleito do Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 11080.010460/200290 Acórdão n.º 3301006.436 S3C3T1 Fl. 3 3 contribuinte. Irresignada, a União apresentou Recurso Extraordinário, ao qual foi negado seguimento (fls. 216 e 217), tendo a decisão judicial transitado em julgado em 10/0312004 (fls. 219 e 220). Os débitos da sociedade relativos a PIS e à COFINS, dos períodos de apuração de janeiro a dezembro/2005 (fls. 410421), estão em aberto, tendo sido encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União (fls. 422431). A empresa ingressou com a Ação Ordinária n° 2007.71.000055395 alegando ter utilizado o direito creditório reconhecido na referida decisão judicial para compensar esses débitos em aberto, e a fim de obter uma certidão negativa de débitos, uma vez que esses débitos não representariam óbice ao fornecimento da certidão por terem sido compensados. O fornecimento da certidão de regularidade fiscal foi determinado em decisão de antecipação de tutela enquanto não for constatado, em processo administrativo, ter havido compensação indevida de tais débitos (PIS e COFINS, de janeiro a dezembro de 2005), com a utilização do crédito reconhecido na decisão judicial transitada em julgado no processo n° 95.00219930. A sociedade não transmitiu declaração de compensação para esses débitos de 2005 e nem informou as compensações das DCTFs, alegando ter efetuado as compensações diretamente em sua escrita fiscal. Posteriormente, o Juízo determinou a produção de prova pericial contábil para apurar eventuais créditos a favor do contribuinte ou do Fisco (fls. 228 e 229), a fim de "evitar repetição de ações que não resolvem efetivamente a lide". Foi efetivado pela DRF P. Alegre o levantamento dos valores de Pis pagos no período (fls. 281 a 311) planilhas com valores atualizados (de fls. 327 a 330) e demonstrativos de imputação de pagamentos (encontro de contas pelo sistema Sicalc) a fis. 312/320. Também foram juntadas ao processo Declarações de Compensação (fls. 331/382) enviadas eletronicamente pela interessada, nas quais buscou extinguir débitos dos períodos de 01/2003 a 07/2004. Analisando a situação, a DRF Porto Alegre, através do Despacho Decisório DRF Poa 512, de 8 de outubro de 2008 (fls. 435/439), reconheceu totalmente o direito creditório postulado, tal como decidido pelo Poder Judiciário, no valor de R$ 197.241,62 até 01/01/1996, atualizandoo pela taxa Selic até o encontro de contas. Assim, foram homologadas as compensações conforme pedidos por formulário e meio eletrônicos até o limite do direito creditório reconhecido, o que gerou a cobrança de valores não extintos pelo encontro de contas a partir do período 03/2000 (extrato a fls. 565/569). A interessada foi cientificada dos procedimentos em 26/1112008, conforme AR a fls. 571. Irresignada, a sociedade tempestivamente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 572576) alegando que o valor de seu crédito oponível é bastante superior aos R$ 189.268,17 (valor atualizado até o mês de dezembro de 1995) referidos na decisão de fls. 435439, alcançando, na realidade, o montante de R$ 465.955,51 (valor atualizado até outubro de Fl. 1376DF CARF MF 4 1999). Reitera seu argumento indicando laudo pericial emitido nos autos da ação de rito ordinário n° 2007.71.00.0055395, em tramitação perante a Ia Vara Federal Tributária da Subseção Judiciária de Porto Alegre, nos quais, o valor encontrado pelo perito do juízo, foi equivalente a R$ 1.111.190,34 (atualizado até agosto de 2008) — sendo que tal valor não poderia ser alcançado caso o crédito equivalesse a R$ 189.268,17 em dezembro de 1995. Afirma que a nãohomologação de parte dos pedidos de compensação/declarações de compensação decorreu exclusivamente de suposta insuficiência do crédito do contribuinte e que isto foi equivocado. Portanto, com a correção do valor do crédito, deverá haver a homologação dos pedidos de compensação/declarações de compensação. Sustenta que as compensações realizadas pelo contribuinte em sua escrita fiscal, a partir da competência de 2005, podem e devem ser examinadas pela autoridade fiscal, ao contrário do declarado na decisão de fls. 435439. Tais compensações não foram incluídas em declarações de compensação até então realizadas, em virtude da superveniente exigência de habilitação da sentença, objeto da Instrução Normativa SRF n° 51712005, a qual passou a exigir a denominada "habilitação do crédito" junto a Secretaria da Receita Federal para o recebimento da declaração. Todavia, não era imponível à empresa adotar o procedimento de habilitação para proceder nas compensações, visto que o crédito desta decorre de decisão judicial cujo trânsito em julgado antecede a vigência dessa IN e da IN que a sucedeu (IN SRF n° 600/2005, art. 51). Destarte, o contribuinte alega não ter agido indevidamente ao deixar de apresentar declarações de compensação após a instauração da "habilitação de crédito". Argumenta, ainda, que houve decisão judicial (autos da já referida, ação de rito ordinário n° 2007.71.00.0055395) determinando que a autoridade fazendária procedesse na apuração das compensações realizadas pelos contribuintes, de forma a identificar se houve erro ou incorreção. O agravo de instrumento interposto pela Fazenda Nacional não reformou a decisão, sendo mantida sua validade e vigência até a presente data. Frente ao exposto, o contribuinte requer que seja recebida a manifestação de inconformidade, com efeito suspensivo em face da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes das compensações nãohomologadas, na forma do art. 151, III do CTN e do art. 74, § 110 da Lei n° 9.430/96 e que seja reformada a decisão impugnada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1990 a 30/09/1995 Ementa: MONTANTE CREDITÓRIO CÁLCULO Constando do cálculo efetuado pela DRF de origem a totalidade dos pagamentos efetivados e respeitados os provimentos judiciais Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 11080.010460/200290 Acórdão n.º 3301006.436 S3C3T1 Fl. 4 5 atinentes ao crédito tributário em litígio, esvaziado o litígio manifestado pela empresa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando que os valores apurados pelo Despacho Decisório são inferiores aos valores que entende seriam os créditos da Recorrente. O recurso voluntário detalho seus argumentos da seguinte forma: Ao contrário do asseverado no acórdão ora recorrido, o crédito da empresa, relativo aos pagamentos indevidos a título de PIS Repique, não foi tomado em sua integralidade, quando do processamento dos pedidos/declarações de compensação. O acórdão reputa que o crédito do contribuinte seria equivalente a R$ 189.268,17 (cento e oitenta e nove mil, duzentos e sessenta e oito reais e dezessete centavos), atualizado até o mês de dezembro de 1995 (fl. 03). Reportase à planilha de fls. 5760, anexada pela empresa. O valor do crédito do contribuinte, porém, é bastante superior a essa cifra. Conforme a referida planilha, o valor do crédito, atualizado até outubro de 1999, alcança R$ 465.966,51 (quatrocentos e sessenta e cinco mil, novecentos e sessenta e seis reais e cinqüenta e um centavos). A atualização, pela SELIC do valor de R$ 189.268,17 (cento e oitenta e nove mil, duzentos e sessenta e oito reais e dezessete centavos), de dezembro de 1995 a outubro de 2009, não alcança o valor consignado no • referido levantamento, de R$ 465.966,51 (quatrocentos e sessenta e cinco mil, novecentos e sessenta e seis reais e cinqüenta e um centavos). Ademais, nos autos da ação de rito ordinário n.° 2007.71.00.0055395, em tramitação perante a 1. 8 Vara Federal Tributária da Subseção Judiciária de Porto Alegre, foi emitido laudo pericial, em que apurado o valor do crédito do contribuinte. Na ocasião, o valor encontrado pelo perito do juízo, atualizado até agosto de 2008, foi equivalente a R$ 1.111.190,34 (um milhão, cento e onze mil, cento e noventa reais e trinta e quatro centavos). Cópia do laudo foi juntada com a manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 1378DF CARF MF 6 O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade afirmou a existência do direito líquido e certo dos créditos pleiteados, entretanto, a decisão de piso entendeu por não confirmar os créditos por ausência de documentos e informações fiscais que comprovassem o seu direito creditório. Conforme consta do trecho abaixo, extraído do Acórdão recorrido. Ante o exposto, diante da inexistência de qualquer documentação que suporte suas alegações em detrimento dos cálculos e relatórios corretamente efetivados pela DRF Porto Alegre, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade da empresa, não homologando as compensações em litígio, devendo ser continuada a cobrança dos valores indevidamente extintos (e indicados regularmente no presente processo), com os acréscimos legais próprios.(grifo nosso) A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a restituição do indébito. Autorizar a restituição de créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega a existência de erros no cálculo dos créditos realizados pela Delegacia da Receita Federal, sem apresentar documentos e informação para comprovar as suas alegações. A decisão de piso foi cristalina ao afirmar que o indeferimento da homologação ocorreu por falta de documentação comprobatória do erros de cálculo alegado. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho exarado pela Unidade de Origem promoveu os cálculos referentes ao crédito obtido pela Recorrente em ação judicial. Os cálculos foram mantidos pela decisão de piso. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência dos erros na apuração dos créditos. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 11080.010460/200290 Acórdão n.º 3301006.436 S3C3T1 Fl. 5 7 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1380DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.100389/2007-39
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2006 a 30/12/2006
RECURSO ESPECIAL. NÃO COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO.
Para comprovação da divergência jurisprudencial necessária ao prosseguimento do recurso especial, necessário que as situações fáticas postas nos acórdãos recorrido e paradigma sejam semelhantes. Havendo diferenças significativas de tratamento entre os tributos constantes nos referidos julgados - como é o caso do ressarcimento do crédito presumido de IPI e das contribuições não-cumulativas para o PIS e a COFINS, por possuírem regramentos distintos - não há como se aferir o dissenso interpretativo. Por essa razão, não se conhece do recurso especial.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2006 a 30/12/2006
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS A TERCEIROS. NÃO INCLUSÃO.
Não devem ser incluídas as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo do PIS/Pasep não-cumulativo.
TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF.
Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
Numero da decisão: 9303-008.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 30/12/2006 RECURSO ESPECIAL. NÃO COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO. Para comprovação da divergência jurisprudencial necessária ao prosseguimento do recurso especial, necessário que as situações fáticas postas nos acórdãos recorrido e paradigma sejam semelhantes. Havendo diferenças significativas de tratamento entre os tributos constantes nos referidos julgados - como é o caso do ressarcimento do crédito presumido de IPI e das contribuições não-cumulativas para o PIS e a COFINS, por possuírem regramentos distintos - não há como se aferir o dissenso interpretativo. Por essa razão, não se conhece do recurso especial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 30/12/2006 PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS A TERCEIROS. NÃO INCLUSÃO. Não devem ser incluídas as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo do PIS/Pasep não-cumulativo. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 30/12/2006 RECURSO ESPECIAL. NÃO COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO. Para comprovação da divergência jurisprudencial necessária ao prosseguimento do recurso especial, necessário que as situações fáticas postas nos acórdãos recorrido e paradigma sejam semelhantes. Havendo diferenças significativas de tratamento entre os tributos constantes nos referidos julgados - como é o caso do ressarcimento do crédito presumido de IPI e das contribuições não-cumulativas para o PIS e a COFINS, por possuírem regramentos distintos - não há como se aferir o dissenso interpretativo. Por essa razão, não se conhece do recurso especial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 30/12/2006 PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS A TERCEIROS. NÃO INCLUSÃO. Não devem ser incluídas as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo do PIS/Pasep não-cumulativo. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 03 89 /2 00 7- 39 Fl. 313DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.551 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.100389/2007-39 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratam-se de recursos especiais de divergência interpostos pela FAZENDA NACIONAL e pela Contribuinte REICHERT CALÇADOS LTDA. com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3403-00.712 proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 25/08/2010, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DO ICMS A TERCEIROS. Não incide Pis e Cofins na cessão de créditos de ICMS, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. Fl. 314DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.551 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.100389/2007-39 Dada a expressa determinação legal vedando a atualização de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos é inadmissível a aplicação de correção monetária e incidência de juros aos créditos objeto de pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte No julgamento do recurso voluntário, portanto, decidiu o Colegiado a quo por dar provimento parcial ao recurso afastando a tributação sobre as transferências de créditos de ICMS a terceiros e por negar o pedido de correção monetária sobre os valores a serem ressarcidos a título de PIS e COFINS não-cumulativos. Nessa oportunidade, a FAZENDA NACIONAL alega divergência com relação à ilegalidade da incidência da contribuição sobre as receitas referentes às transferências de créditos de ICMS a terceiros. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigma o acórdão 103-22.937. Foi dado seguimento ao recurso especial, nos termos do despacho de admissibilidade, por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões requerendo a negativa de provimento ao recurso especial. De outro lado, o Sujeito Passivo também apresentou recurso especial de divergência, buscando a reforma do acórdão recorrido no que tange à possibilidade de correção monetária dos valores a serem ressarcidos de créditos de PIS e COFINS não-cumulativos. Para comprovar a divergência, colacionou como paradigma o acórdão n.º 9303-001.726. O recurso especial apresentado pela Contribuinte teve seguimento, nos termos do despacho s/nº, por entender como comprovada a divergência jurisprudencial, ainda que o julgado paradigmático trata-se de IPI, pois considerou que em ambos os acórdãos houve análise sobre a mesma matéria - correção monetária no ressarcimento. Devidamente intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, postulando a negativa de provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. O processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. É o Relatório. Fl. 315DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.551 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.100389/2007-39 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora. Admissibilidade Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora. Admissibilidade Recurso especial da Fazenda Nacional O recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Recurso especial do Contribuinte De outro lado, o recurso especial de divergência interposto pelo Contrbuinte REICHERT CALÇADOS, embora tempestivo, não atende a todos os pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em especial, não houve a adequada comprovação da divergência jurisprudencial. No acórdão recorrido, restou decidido, dentre outros pontos, que “dada a expressa determinação legal vedando a atualização de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos é inadmissível a aplicação de correção monetária e incidência de juros aos créditos objeto de pedido de ressarcimento”. Em sua insurgência, portanto, pretende o Sujeito Passivo ver reconhecida a possibilidade de incidência de correção monetária sobre os valores a serem ressarcidos a título de contribuições para o PIS e para a COFINS do sistema não-cumulativo. Para comprovar a divergência, colaciona como paradigma o acórdão n.º 9303-001.726, cuja ementa segue transcrita: RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas bem como a Fl. 316DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-008.551 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.100389/2007-39 aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de "atualização monetária" do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164). (Acórdão n. 9303-001.726, Processo n. 10280.001746/2005-16, Recurso n. 250.083, Rei. Cons. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS, 3a TURMA da CSRF, julgado em 07/11/2011, editado em 16/01/2012) (grifou-se) Depreende-se da leitura da ementa do paradigma, ter sido reconhecida a possibilidade de atualização monetária para o ressarcimento do crédito presumido de IPI, entendimento consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos. Para o ressarcimento do crédito presumido de IPI, não há vedação legal quanto à possibilidade do valor a ser restituído ao Contribuinte. No entanto, para as contribuições não-cumulativas do PIS e da COFINS a legislação aplicável enseja tratamento jurídico diferente, no sentido de vedar a atualização monetária, sendo relevante, no caso, a diferença dos tributos tratados no paradigma e no recorrido. Não se podendo submeter as contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativas ao mesmo tratamento dispensado ao ressarcimento do crédito presumido de IPI, não há a necessária divergência jurisprudencial para ter prosseguimento o apelo especial. Além disso, reforçando a normatização diversa entre os tributos, foi editada a Súmula CARF n.º 125, segundo a qual não incide correção monetária sobre o ressarcimento dos créditos de PIS e de COFINS no regime não-cumulativo. Portanto, ausente a divergência jurisprudencial em razão da dessemelhança fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, não se conhece do recurso especial do Contribuinte. Mérito No mérito, tendo prosseguimento tão somente o recurso especial da Fazenda Nacional, cinge-se a controvérsia à possibilidade de incidência do PIS/Pasep e da COFINS não- cumulativo sobre as receitas referentes às transferências de créditos de ICMS a terceiros. Ilegalidade da incidência do PIS sobre as receitas referentes às transferências de créditos de ICMS a terceiros Com relação à não inclusão das receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo do PIS/Pasep e COFINS não-cumulativos, a matéria restou decidida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, pela sistemática da repercussão geral, consoante art. 543-B da Lei nº 5.869/1973 - Código de Processo Civil vigente à época do Fl. 317DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-008.551 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.100389/2007-39 julgado, declarando a inconstitucionalidade da inclusão, na base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos, dos valores de créditos de ICMS oriundos de exportação cedidos onerosamente a terceiros. O acórdão de relatoria da Ministra Rosa Weber recebeu a seguinte ementa: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I - Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar-lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II - A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, trata-se de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV - O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos -, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI - O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuida-se de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII - Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditar-se do ICMS anteriormente Fl. 318DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-008.551 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.100389/2007-39 pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificam-se como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII - Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX - Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicando-se aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543-B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-231 DIVULG 22-11-2013 PUBLIC 25-11-2013) (grifou-se) Nos termos do art. 62, §2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria nº 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recurso no âmbito do CARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 319DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-008.551 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.100389/2007-39 d) Parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (grifou-se) Deve ser mantido, assim, o afastamento da incidência do PIS não-cumulativo sobre os valores das transferências de ICMS a terceiros decorrentes das operações de exportação. Dispositivo Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte; e nega-se provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 320DF CARF MF
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Numero do processo: 10235.000685/2007-79
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2004
AUSÊNCIA DE EXAME DAS RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO.
Não tendo sido apreciados todos os argumentos da impugnação, é de se cancelar a decisão de primeira instância, com retorno dos autos para que seja proferida nova decisão, abarcando toda a defesa apresentada.
Numero da decisão: 2002-001.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para anular a decisão proferida e determinar o retorno dos autos para que a DRJ profira nova decisão, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e redatora designada
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 AUSÊNCIA DE EXAME DAS RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO. Não tendo sido apreciados todos os argumentos da impugnação, é de se cancelar a decisão de primeira instância, com retorno dos autos para que seja proferida nova decisão, abarcando toda a defesa apresentada.
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Não tendo sido apreciados todos os argumentos da impugnação, é de se cancelar a decisão de primeira instância, com retorno dos autos para que seja proferida nova decisão, abarcando toda a defesa apresentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para anular a decisão proferida e determinar o retorno dos autos para que a DRJ profira nova decisão, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e redatora designada (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 04 a 09), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$489,42, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 00 06 85 /2 00 7- 79 Fl. 46DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.221 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10235.000685/2007-79 Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, que conforme decisão da DRJ: 2. Cientificado em 17.04.2007 (AR fi. 10) o interessado apresentou, tempestivamente, em 24.04.2007, impugnação na qual apenas informa que houve erro na entrega da sua declaração de rendimentos, a qual deveria ser de isento, motivo pelo qual solicita o cancelamento da mesma. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BEL que, por unanimidade, em 26/05/2009, no acórdão 01-14.072, às e-fls. 26 a 27, não conheceu da impugnação, vez que o contribuinte não atacou o objeto da autuação fiscal. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, às e-fls. 35 a 37 no qual alega, em síntese, que cometeu erro no preenchimento de sua DAA. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni - Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 10/06/2009, e-fls. 34, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 19/06/2009, e-fls. 35. Conforme os autos, trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 04 a 09), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. A DRJ entendeu pelo não conhecimento da impugnação, sob os seguintes fundamentos: 3. Verifica-se que o contribuinte não se manifestou sobre a omissão apontada relativa a rendimentos recebidos do Governo do Amapá ou sobre a glosa do IRRF, sendo que somente o rendimento do Banco do Brasil (R$ 13.950,00) declarado já supera o limite para obrigatoriedade de entrega da declaração, e rendimentos . 4. Dessa forma, resta considerar como não impugnado o lançamento. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte limita-se a apresentar razões genéricas, não enfrentando o mérito da lide. Logo, conheço do presente Recurso Voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 47DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.221 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10235.000685/2007-79 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redatora designada Peço venia ao I. relator no tocante à leitura do recurso voluntário apresentado. O colegiado de primeira instância decidiu por não conhecer da impugnação, entendendo que o contribuinte não se manifestara contra as infrações a ele imputadas. Em seu recurso, ele recorre desse posicionamento. Segue trecho da defesa apresentada (fl.35): ...a impugnação foi clara quanto ao erro da informação do rendimento do Banco do Brasil, pois informei que houve engano da pessoa que fez a declaração. ... O pedido foi feito para desconsiderar o valor erroneamente informado do BB, o que restaria apenas o valor do Governo do Estado, o qual estaria dentro do limite de isenção. Por seu turno, da leitura da impugnação, extraio os seguintes trechos: ....venho junto a RECEITA FEDERAL, informar que houve engano da pessoa que fez a declaração. Pois devido este erro, resultou multa a qual não tenho condições de pagar, confesso a Vossa Senhoria que não possuo renda de empresa privada e nem de órgãos governamentais, sou apenas autônomo. Da defesa apresentada, verifica-se que, de fato, o recorrente não contestou a omissão de rendimentos ou a glosa do IRRF. Entretanto, depreende-se que ele requereu a retirada dos rendimentos associados ao IRRF glosado, aduzindo que sua inclusão se dera por erro da pessoa responsável pela elaboração de sua Declaração de Ajuste e ele não teria qualquer vínculo com a fonte pagadora. Tal argumento não foi apreciado na decisão recorrida. A sua apreciação por este colegiado representaria supressão de instância e violação ao duplo grau de jurisdição administrativo, além de cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Dessa forma, entendo que os autos devem retornar para a Delegacia de Julgamento, para que a questão seja enfrentada por aquele colegiado. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão de primeira instância administrativa, determinando o retorno dos autos para que seja proferida nova decisão. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.722525/2015-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/03/2010 a 30/06/2013
SUJEIC¸A~O PASSIVA SOLIDA´RIA. INTERESSE COMUM NA SITUAC¸A~O QUE CONSTITUI O FATO GERADOR DA OBRIGAC¸A~O TRIBUTA´RIA. NA~O CARACTERIZAC¸A~O.
O mero recebimento de valores cuja causa na~o se revela adequadamente justificada, na~o e´ suficiente, a` mi´ngua de outros elementos, para caracterizar o interesse comum na situac¸a~o que constitui o fato gerador da obrigac¸a~o tributa´ria, a ensejar a responsabilidade solida´ria prevista no art. 124, inc. I do CTN.
RESPONSABILIDADE TRIBUTA´RIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIC¸A~O FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO.
Cabe a imposic¸a~o de responsabilidade tributa´ria em raza~o da pra´tica de atos com excesso de poderes ou infrac¸a~o de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fa´ticos convergentes, que os responsabilizados na~o mais ostentavam a condic¸a~o de administradores da autuada, bem como que houve interposic¸a~o fraudulenta de pessoa em seu quadro societa´rio, na~o cabe responsabiliza´-los.
RESPONSABILIDADE SOLIDA´RIA. REQUISITO ESSENCIAL PODER E EFETIVIDADE DE GESTA~O ADMINISTRATIVA DE SO´CIO. EXCLUSA~O SO´CIO ANTES DA OCORRE^NCIA DOS FATOS GERADORES.
A responsabilidade solida´ria, para fins tributa´rios, somente se mante´m se provado o vi´nculo administrativo e gerencial sobre os fatos juri´dicos tributa´rios, sem o que na~o se sustenta a implicac¸a~o legal, notadamente no presente caso restou provado que os so´cios recorrentes se retiraram da sociedade antes do peri´odo dos fatos geradores.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-006.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos recurso interpostos por Eugênio Nabuco dos Santos Filho; Antonio da Silva Alves; SKN do Brasil Importação e Exportação; FAF Empreendimentos e Participações (FAF); Alliance Empreendimentos e Participações Ltda (Alliance) e ENAAX Empreendimentos Imobiliários Ltda (ENAAX), para afastar a responsabilidade solidária. Declarou-se suspeita de participar do julgamento a conselheira Semiramis de Oliveira Duro, substituída conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Müller Nonato Cavalcanti Silva e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O mero recebimento de valores cuja causa não se revela adequadamente justificada, não é suficiente, à míngua de outros elementos, para caracterizar o interesse comum na situacã̧o que constitui o fato gerador da obrigação tributária, a ensejar a responsabilidade solidária prevista no art. 124, inc. I do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposicã̧o de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não mais ostentavam a condicã̧o de administradores da autuada, bem como que houve interposiçaõ fraudulenta de pessoa em seu quadro societário, não cabe responsabilizálos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. REQUISITO ESSENCIAL PODER E EFETIVIDADE DE GESTÃO ADMINISTRATIVA DE SÓCIO. EXCLUSÃO SÓCIO ANTES DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. A responsabilidade solidária, para fins tributários, somente se mantém se provado o vínculo administrativo e gerencial sobre os fatos jurídicos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 25 25 /2 01 5- 14 Fl. 15296DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.189 2 tributários, sem o que não se sustenta a implicacã̧o legal, notadamente no presente caso restou provado que os sócios recorrentes se retiraram da sociedade antes do período dos fatos geradores. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos recurso interpostos por Eugênio Nabuco dos Santos Filho; Antonio da Silva Alves; SKN do Brasil Importação e Exportação; FAF Empreendimentos e Participações (FAF); Alliance Empreendimentos e Participações Ltda (Alliance) e ENAAX Empreendimentos Imobiliários Ltda (ENAAX), para afastar a responsabilidade solidária. Declarouse suspeita de participar do julgamento a conselheira Semiramis de Oliveira Duro, substituída conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Müller Nonato Cavalcanti Silva e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente de três Recursos Voluntários interpostos pelos Responsáveis Solidários, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1461.732 (fls. 13559 a 13599), de 30 de junho de 2016, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedentes as Impugnações (fls. 11569 a 11660) apresentadas pelos responsáveis solidários. Apresentaram Recursos Voluntários os Responsáveis Solidários Eugênio Nabuco dos Santos Filho e Antonio da Silva Alves (fls. 14736 a 14751), em 15 de novembro de 2016; SKN do Brasil Importação e Exportação (fls. 14873 a 14893), em 15 de de novembro; FAF Empreendimentos e Participações (FAF), Alliance Empreendimentos e Participações Ltda (Alliance) e ENAAX Empreendimentos Imobiliários Ltda (ENAAX) (fls. 14837 a 14867), em 21 de novembro de 2016. Visando a elucidação do caso e por economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Fl. 15297DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.190 3 CBI INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. (contribuinte autuado), ANTÔNIO DA SILVA ALVES, EUGENIO NABUCO DOS SANTOS FILHO, MÁRCIA VELLOSO DE ARAÚJO, SKN DO BRASIL IMPORTAÇAÕ E EXPORTAÇÃO DE ELETROELETRÔNICOS LTDA, ALLIANCE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA ME, ENAAX EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, FAF EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A. (Responsabilizados) com fulcro no art. 15 do Decreto no 70.235 de 1972 (PAF), apresentam impugnações à exigência tributária consubstanciada no presente processo. Tratamse de autos de infração, lavrados em 23/3/2015, fls. 912947, relativos ao Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), março de 2010 a junho de 2013, no valor total de R$ 100.918.052,14 (inclusos multas de oficio de 75% ou 150% e juros de mora à taxa Selic, calculados até março/2015, conforme resumo no Termo de Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal à fl. 7171). Também foram lavrados, na mesma ação fiscal, autos de infraca̧õ para exigen̂cia do IRPJ e Reflexos, dos anoscalendário de 2010/2011/2012, no regime do lucro arbitrado ( processo 12448.722548/201529), no valor total de R$ 65.025.863,18. I) DA AUTUAÇAÕ No Termo de Verificacã̧o Fiscal (TVF), às fls. 948seguintes, a Fiscalizacã̧o assim descreve suas apurações e constatações: Em 31 de julho de 2013 foi lavrado o termo de início e a Fiscalização compareceu ao domicílio eleito pela empresa CBI INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA (doravante apenas CBI), à Rua Guilherme Maxwell n° 516, sala 606, no bairro de Bonsucesso, nesta cidade do Rio de Janeiro, na tentativa de cientificála do início da ação fiscal programada. No domicílio da CBI não foram encontramos funcionários naquele endereço indicado. Tratase de um pequena sala, o que despertou atenção do Fisco, haja vista que a empresa faturou dezenas de milhões de reais nos anos fiscalizados. Pesquisa no cadastro do CNPJ da empresa apontou que nos últimos anos a mesma havia, desde 2008, alterado o endereço do seu estabelecimento matriz por diversas vezes, alternandoos, em curtos espaços de tempo, entre Serra (ES), Rio de Janeiro (RJ), Aparecida de Goian̂ia (GO), novamente Rio de Janeiro (RJ), Queimados (RJ) até chegar no endereço constante no cadastro do CNPJ, ja ́ citado. Tudo isso em pouco mais de 4 (quatro) anos. No dia 02 de agosto de 2013 foi postado o termo de início para a empresa, ao domicílio por ela eleito, e para seus dois "sócios" atuais, conforme constava no cadastro do CNPJ, senhora ANA LÚCIA VELLASCO FERRERO (doravante apenas ANA LÚCIA) e senhor ROBERTO LUIZ CARDOSO (doravante apenas ROBERTO), ambos domiciliados, segundo dados constantes do cadastro do CPF, à Rua José Pinto Nunes n° 470, no Centro da cidade de Brasilândia, estado de Mato Grosso do Sul (MS). O termo enviado ao domicílio da pessoa jurídica foi recebido em 05 de agosto de 2013, conforme consta do Aviso de Recebimento (AR) dos Correios, sendo esta a data do efetivo início da aca̧õ fiscal. Fl. 15298DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.191 4 As corresponden̂cias contendo os termos enviados aos dois "sócios" foram devolvidas pelos Correios. Através de resposta datada de 20 de agosto de 2013, a CBI solicitou a prorrogação do prazo para atendimento do termo de início por 30 (trinta) dias. Transcorrido todo prazo dado através do termo de início, e mais o solicitado pela fiscalizada, não houve atendimento ao intimado. Em 20 de agosto de 2013 foram lavrados diversos termos de circularizaçaõ, onde intimamos diversas pessoas físicas, relacionada à CBI a prestarem informações. A partir das informações prestadas por Secretarias de Segurança Pública, a Fiscalização apurou que os 4 (quatro) cidadãos que haviam sido sócios da CBI não existiam de fato, não passavam de criações, fantasias, meras obras de ficção. Segundo o Fisco, isso explicava o fato do senhor ROBERTO e da senhora ANA LÚCIA, atuais "sócios" da empresa, nunca comparecerem à Delegacia da Receita Federal, quando intimados. Após essas procedimentos, a Fiscalização conclui que (verbis): "Resumindo tudo o que temos até o momento: A empresa tem seu domicílio, constante do cadastro do CNPJ, numa sala de um prédio em Bonsucesso, onde não possui funcionário fixo, ou se o tem, o mesmo não é assíduo. Temos uma intrincada e atípica seqüência sucessória no seu quadro societário. Inicialmente, a empresa era controlada por treŝ sócios: EUGÊNIO, CPF n° 196.700.52734, detentor de 40% das cotas; ANTÔNIO, CPF n° 174.261.977 00, também detentor de 40% das cotas; e MÁRCIA, CPF n° 466.422.93720, detentora de 20% das cotas. Dos 6 (seis) cidadãos que os sucederam como cotistas da sociedade, e os que os sucederam consecutivamente, 4 (quatro) deles (MAURO, NEUZA, ROBERTO E ANA LÚCIA) surgiram do nada, não tinham CPF (foram tirados próximo às datas de aquisiçaõ das cotas) e nem títulos de eleitor (o senhor ROBERTO e a senhora ANA LÚCIA tiraram o documento poucos dias antes de se inscreverem no CPF, sendo que os outros dois nunca o requereram), os documentos de identidade informados nas alterações contratuais não lhes pertencem, são desconhecidos tanto dos endereços residenciais constantes nos documentos da sociedade, bem como no local constante do cadastro de seus CPFs, também não possuíam capacidade econômica para adquirir as cotas que supostamente adquiriram. Apresentam patrimônio em suas declarações sem origem, patrimônio falso, pueril, composto de dinheiro em mãos, sem lastro para têlo, e objetos sem maior valor, quinquilharias, porém valiosos em suas declaracõ̧es. Para os "sócios" atuais, nem a preocupaçaõ de criar um patrimônio anterior tiveram. As aquisicõ̧es/alienações de cotas da CBI efetuadas em 02 de agosto de 2010, 16 de junho de 2011, 13 de novembro de 2012 e 30 de dezembro de 2012, abaixo relacionadas, as quais foram consideradas fictícias, ou seja, 'fabricadas' por meio de alienacõ̧es/aquisições forjadas e que não reproduziam a realidade dos fatos: 1. A alienação, em 02 de agosto de 2010, das cotas da CBI INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, que pertenciam a EUGÊNIO NABUCO DOS SANTOS FILHO ( n° 196.700.52734), ANTÔNIO DA SIL V A AL VES (CPF n° 174.261.97700), e MÁRCIA VELLOSO DE ARAÚJO (CPF n° Fl. 15299DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.192 5 466.422.937 20), para MAURO AP ARECIDO DA SIL V A (CPF n° 416.276.37800) e NEUZA MARIA SOARES (CPF n° 074.042.84970); 2. A alienaca̧õ, em 16 de junho de 2011, das cotas da CBI INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, que pertenciam a MAURO APARECIDO DA SILVA (CPF n° 416.276.37800) e NEUZA MARIA SOARES (CPF n° 074.042.849 70), para, respectivamente, ROBERTO LEONARDO DA SILVA (CPF n° 068.440.12748) e WESLEY RABELO DE OLIVEIRA (CPF n° 087.166.91709); tal modificação no quadro societário da CBI INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA foi registrada pela 28a Alteraçaõ Contratual, datada de 31 de maio de 2011; 3. A alienação, em 13 de novembro de 2012, das cotas da CBI INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, que pertenciam a WESLEY RABELO DE OLIVEIRA (CPF n° 087.166.91709), para ANA LÚCIA VELLASCO FERRERO (CPF n° 058.812.73109); 4. A alienação, em 30 de dezembro de 2012, das cotas da CBI INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, que pertenciam a ROBERTO LEONARDO DA SILVA (CPF n° 068.440.12748), para ROBERTO LUIZ CARDOSO (CPF n° 455.024.91889); tal modificação no quadro societário da CBI INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA foi registrada pela 32a Alteraçaõ Contratual, datada de 30 de dezembro de 2012. No entanto, conforme apurado durante a acã̧o fiscal na empresa CBI, e vastamente mencionado neste termo de verificação, as pessoas físicas MAURO APARECIDO DA SILVA, NEUZA MARIA SOARES, ANA LÚCIA VELLASCO FERRERO e ROBERTO LUIZ CARDOSO foram consideradas inexistentes de fato, e, em conseqüência, as transações em que estas "pessoas" figuram ora adquirindo participação na empresa CBI, ora cedendo participaca̧õ na mesma empresa, foram consideradas fictícias e que não reproduziam a realidade dos fatos. Por conseguinte, a senhora MÁRCIA e os senhores EUGÊNIO E ANTÔNIO, na realidade, nunca cederam, de fato, suas cotas na empresa CBI. Fora isso tudo já citado anteriormente, conseguimos nas instituicõ̧es financeiras onde a CBI mantém, ou mantinha, contascorrentes os dados cadastrais, e na maioria deles não constam os atuais sócios, consta como sede da empresa, para as instituições financeiras que tenham essa informaçaõ nos cadastros enviados, o endereço à Rua General Venâncio Flores nº 305, sala 1001, 11º andar, com exceção do Banco Bradesco. Nas informações constantes no cadastro do Banco do Brasil, constam duas autorizações para duas funcionárias da SKN DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE ELETROELETRÔNICOS LTDA, senhoras FABIANA BRAZ PINTO e ELLEN SALES DE OLIVEIRA poderem solicitar saldos, extratos e comprovantes da empresa CBI. Como já relatado anteriormente, a empresa SKN pertenceu a ANTON̂IO DA SIL V A AL VES e EUGÊNIO NABUCO DOS SANTOS FILHO, no período de 23/11/2010 a 03/09/2012, e, atualmente, tem como sócios MÁRCIA VELLOSO DE ARAÚJO e os filhos de EUGÊNIO, os senhores ALEX NABUCO DOS SANTOS e FELIPE NABUCO DOS SANTOS Essa empresa realiza as mesmas atividades empresariais da CBI. Fl. 15300DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.193 6 Temos ainda valiosa informação prestada pelo BANCO TRIÂNGULO S/A: consta FICHA PROPOSTA DE ABERTURA DE CONTA CORRENTE PESSOA JURÍDICA em nome da empresa CBI INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, onde figuram como sócios os senhores EUGÊNIO NABUCO DOS SANTOS FILHO e ANTÔNIO DA SILVA ALVES, aleḿ da senhora MÁRCIA VELOSSO DE ARAÚJO, sendo a proposta datada de 17 de outubro de 2011 e assinada pelo senhor ANTÔNIO DA SILVA ALVES, o que vem corroborar com a certeza de que a empresa CBI nunca foi de fato vendida, continua de fato pertencendo aos três sócios originais, indicados nessa proposta de abertura de contacorrente do BANCO TRIÂNGULO S/A. A única instituição financeira onde aparecem o senhor ROBERTO LUIZ CARDOSO e a senhora ANA LÚCIA VELLASCO FERRERO na qualidade de "sócios" é no BANCO BRASDESCO S/A, mas lá também aparece o senhor ROBERTO LEONARDO DA SILVA, com poderes para, isoladamente, ter como realizar todas as transações necessárias à empresa, lembrando sempre que este mesmo senhor ROBERTO LEONARDO DA SILVA era funcionário da CBI, foi um dos adquirentes da empresa, e consta como prestador de serviços à SKN, anteriormente citada. (..) Os pressupostos sob análise nos permitem qualificar fraude a constituicã̧o de pessoas jurídicas, através de falsa declaraçaõ da sua composição societária, com a utilizaçaõ dos chamados "laranjas" ou "testasdeferro" ou "fantasmas", por exemplo, uma vez que a parte que figura no contrato não é a pessoa que deve aproveitar os resultados do mesmo, mas sim outra pessoa, um titular "fingido". Convém, aqui, frisar, diferentemente do que afirmou o senhor EUGÊNIO, em sua resposta datada de 15 de maio de 2014, que aquela intimação enviada, tanto a ele quanto à senhora MÁRCIA, uma vez que não mais localizamos naquela ocasião o senhor ANTÔNIO, onde a ambos foi atribuída a qualidade de "RESPONSÁVEL" que ali não estávamos imputando absolutamente nada a ninguém, muito menos julgamos ou executamos sentenca̧, uma vez que naõ são atribuicõ̧es que nos competem, como também não estávamos desconsiderando nada do que foi afirmado ou considerandoos sócios solidários. Também não avançamos na competência da justiça. Apenas quisemos dar cien̂cia aq̀uelas pessoas do que solicitamos à empresa CBI, dandolhes a oportunidade de se manifestarem, o que fizeram, cada qual ao seu modo. Salientamos que a fase de fiscalização é apenas uma fase de coleta de informações, de provas e de análise. No lançamento é que há a imputação, tanto de tributos, como de quaisquer desvios observados, e que serão comunicados às autoridades competentes. Portanto, os contribuintes devem ter a certeza de que todo o procedimento legal e regimental está sendo observado, e que no momento adequado, no lanca̧mento tributário através de auto de infraçaõ, este que estamos lavrando, terão eles o conhecimento das imputações, bem como de todas as provas amealhadas, e que terão o prazo legal para se manifestarem, através da impugnação, se julgarem conveniente. Fl. 15301DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.194 7 Alguns outros dados importantes são necessários para que toda essa trama se torne cristalina. A empresa SKN DO BRASIL IMPORT AÇAÕ E EXPORT AÇÃO DE ELETROELETRÔNICOS LTDA (doravante apenas SKN), CNPJ n° 13.013.655/000146, foi constituída em 13 de outubro de 2010, tendo como sócios EUGÊNIO (CPF n° 196.700.52734) e ANTON̂IO (CPF n° 174.261.977 00), e como endereço social a Rua Cândido Leão n° 45, cj. 708, Centro, Curitiba (PR); posteriormente, em 01 de junho de 2011, os sócios fundadores foram substituídos por FELIPE NABUCO DOS SANTOS (doravante apenas FELIPE) (CPF n° 052.277.73769), ALEX NABUCO DOS SANTOS (doravante apenas ALEX) (CPF n° 089.049.92761] e MÁRCIA (CPF n° 466.422.93720), e sua sede social foi transferida para a Rua Venâncio Flores n° 305, sala 1001, parte, Leblon, Rio de Janeiro (RJ), mesmo endereço da sede social da CBI nos períodos de 20 de julho de 2009 a 03 de agosto de 2010 e de 29 de abril de 2011 a 26 de julho de 2012. A análise das informações acerca das receitas de vendas auferidas e do CNAE principal, contidas nas DIPJ apresentadas pela CBI e pela SKN, desde o ano calendário de 2007 até o anocalendário de 2013, está resumida no quadro abaixo: Relativamente à DIPJ/2011 (anocalendário de 2010) temos os seguintes fatos quando da apuracã̧o do lucro líquido: Deve ser ressaltado que a receita de vendas da CBI, no que se refere ao ano calendário de 2012, apurada com base nas notas fiscais de vendas emitidas pela empresa, excluindose as vendas canceladas e as devolucõ̧es de venda, visto que a mesma não apresentou a DIPJ, totalizou o valor de R$ 116,320,832,15. Cabe ainda ser salientado que, apesar da CBI ter informado, na DIPJ relativa ao anocalendário de 2011, o CNAE de 27.597/99 (fabricaca̧õ de outros aparelhos eletrodomésticos não especificados anteriormente, peca̧s e acessórios), na realidade, neste ano, a 'receita da revenda de mercadorias no mercado interno', que seria referente à atividade representada pelo CNAE de 46.931/00 (comércio atacadista de mercadorias em geral, sem predominância de alimentos ou de insumos agropecuários), representou um percentual de 80% (oitenta por cento) do total da receita auferida, enquanto que a 'receita de venda de produtos de fabricação própria no mercado interno', a qual se adequaria à atividade relativa ao CNAE de 27.597/99, representou um percentual de somente 20% (vinte por cento). Fl. 15302DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.195 8 Deve também ser destacado que, de acordo com o CNPJ, o 'nome fantasia' da empresa CBI é NKS, ou seja, SKN invertido. Consultas efetuadas nos CNPJ da CBI e da SKN mostram coinciden̂cias entre os endereco̧s das filiais das empresas,(...) A análise das informações, obtidas por meio de pesquisas efetuadas nos sistemas da RFB, contidas nas notas fiscais eletrônicas de vendas emitidas pela CBI, no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2013, e pela SKN, no período de janeiro de 2013 a junho de 2014, constatou a existência de 200 (duzentos) clientes comuns às duas empresas, conforme sintetizado na planilha a seguir: (...) A análise das informações, obtidas através de pesquisas efetuadas nos sistemas da RFB, contidas nas notas fiscais eletrônicas, emitidas por outras pessoas jurídicas, situadas no Brasil e no exterior, que representavam as vendas destas empresas para a CBI, no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2013, e para a SKN, no período de janeiro de 2013 a junho de 2014, constatou a existência de 23 (vinte e três) fornecedores comuns às duas empresas, conforme sintetizado na planilha a seguir: (...) O endereço eletrônico informado no cadastro das empresas CBI e SKN é o mesmo: contábil@nksonline.com.br. Pesquisas efetuadas aos sistemas da Receita Federal do Brasil constataram coinciden̂cias de transmissão de diversas DIRPF através de dois 'MAC Adress' (o endereço MAC media access control é um endereço físico associado à interface de comunicação, que conecta um dispositivo à rede; o MAC é um endereço único, não havendo duas portas com a mesma numeração, é usada para controle de acesso em redes de computadores; sua identificaca̧õ é gravada em hardware, isto é, na memória ROM da placa de rede de equipamentos como desktops, notebooks, roteadores, smartphones, tablets, impressoras de rede etc), conforme demonstrado nos quadros abaixo: (...) Entre 06/2010 e 01/2013 foram transmitidas DCTF retificadoras, relativas à empresa CBI, com redução total de débitos no valor de R$ 59.374.015,77, sendo que, na quase totalidade dos meses em que houve apresentaca̧õ de DCTF retificadora com redução de débitos, os débitos declarados em DCTF foram reduzidos a zero ou a valores próximos de zero. (...) Ainda fomos no SPED (Sistema Público de Escrituração Digital) procurar pela escrituração da fiscalizada referente àquele ano de 2009. O que encontramos? Uma escrituraçaõ dada como INDEFERIDA. Ainda assim fomos buscar naquela escrituração indícios de veracidade e legitimidade no que foi dito pela CBI. O que obtivemos? Vejamos. Fl. 15303DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.196 9 Primeiramente, a escrituração se refere apenas ao 1 o semestre de 2009. Segundo consta no balancete levantado, temos que a CBI teria o total de R$ 63.917.423,06 de lucros acumulados, tendo um saldo inicial de R$ 4.906.793,48, saldo este idêntico ao citado como saldo inicial na linha "Outras Reservas" da DIPJ/2010. Pela leitura das informações constantes da DIPJ/2010, a fiscalizada jamais poderia ter um lucro acumulado no valor constante da sua escrituração INDEFERIDA. No balancete temos: > Receitas de vendas: R$ 231.104.959,13 > Custos: R$ 34.876.991,30 > Despesas: R$ 36.038.982,95 Além de INDEFERIDA, pelos valores constantes do balancete podemos ter a certeza da inutilidade, da imprestabilidade daquela escrituração constante do SPED. Também consta da escrita uma distribuição de lucros em torno de R$ 500.000,00, quando naquele ano de 2009, conforme declaracõ̧es de imposto de renda de ANTONIO, EUGENIO e MÁRCIA, estes receberam em torno de 5,6 milhões de reais (respectivamente, R$ 2.275.264,77, R$ 2.275.264,77 e R$ 1.132.543,75), valor este acumulado em 2008, conforme DIPJ 2009. Isso revela dois fatos: o primeiro, que o que foi escriturado em 2009 não merece fé; e o segundo que , no início de 2010, o que a empresa poderia ter de lucros acumulados seria o lucro de 2009, todavia em nenhum momento demonstrou têlo. Com a não apresentação pela fiscalizada de qualquer escrituraçaõ contábil (ou por que não a possui, ou porque é imprestável, ou até mesmo porque não tem o interesse de apresentála), embora fartamente intimada, não houve a comprovação de que a distribuição de lucros ocorrida em 2010 era relativa a lucros formados em períodos anteriores, por isso consideramos os lucros distribuídos referentes ao anocalendário de 2010 foram formados no próprio anocalendário. Por tal fato, o lucro da empresa está sendo arbitrado, verificandose um excesso de lucros distribuídos da ordem de R$ 23.806.067,89 para uma distribuica̧õ total de R$ 26.885.846,25. " Consolidadas essas constatacõ̧es a fiscalização passou a apurar os tributos devidos pelas empresas e pessoas envolvidas nessas complexas operações, a seguir descritos. 1 Falta de declaração e recolhimento de débitos de IPI "(...) O presente auto de infração se dá em virtude da falta de declarações de débitos de IPI em diversas, quase totalidade, das DCTFs apresentadas de janeiro de 2010 a dezembro de 2012, onde, em muitos casos, a fiscalizada retificou DCTFs onde constavam débitos declarados para zerálos, fazendo desaparecer valores de IPI a serem recolhidos. Fl. 15304DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.197 10 Apuramos os débitos de IPI através dos valores lançados nas notas fiscais eletrônicas (Nfe) baixadas do SPED, conforme a própria fiscalizada indicou em sua resposta datada de 28 de outubro de 2014. Todas as notas fiscais emitida pela CBI com destaque do IPI constam nos relatórios denominados "RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS COM DESTAQUE DO IPI" e "RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS PRÓPRIAS COM DESTAQUE DE IPI", anexos Nesta segunda relaçaõ, listamos todas as notas fiscais emitidas de um estabelecimento para outro da empresa com destaque de IPI. Os créditos de IPI da fiscalizada, apuramos também através das notas fiscais emitidas por terceiros e pela própria empresa, conforme planilha "APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DE IPI", uma vez que de acordo com o inciso V do artigo 54 do CONVÊNIO S/N°, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1970 o contribuinte é obrigado a emitir nota fiscal de entrada. (..) Os valores dos créditos de IPI apurados estão traduzidos no relatório denominado "APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DE IPI", anexo. Com base nos créditos e débitos de IPI, apurados através das notas fiscais eletrônicas, conforme descrito acima, e com os Registros de Apuraçaõ do Imposto sobre Produtos Industrializados (RAIPI), disponibilizados pela CBI no SPED, confeccionamos o relatório denominado "RAIPI E NFs CONSOLIDAÇAÕ POR CFOP", anexo, onde descrevemos os débitos e créditos de IPI por CFOP, tomando como ponto de partida o saldo inicial disponibilizado pela fiscalizada em seu RAIPI. De posse de todos esses dados, confeccionamos o relatório "RECONSTITUIÇÃO DOS SALDOS MENSAIS", anexo, onde a partir de um saldo inicial em janeiro de 2010 reconstituímos os valores devidos mensalmente, levando sempre o saldo credores, quando existentes, para o saldo inicial do período seguinte. Através do relatório "SALDO FINAL DEVIDO", anexo, apuramos os débitos de IPI devido mensalmente no ano de 2010. Com o relatório "COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DEVIDOS X DECLARADOS", anexo, apuramos os efetivos débitos de IPI a serem lanca̧do através de auto de infração mensalmente. Como o IPI é apurado pelos estabelecimentos industriais, e os a eles equiparados, e em virtude de termos todos os estabelecimentos filiais da fiscalizada terem sido extintos, o auto de infração foi lavrado contra o estabelecimento matriz, porém separamos, até mesmo para um melhor entendimento, os autos por estabelecimentos. (...)" 2 Multa de Oficio Fl. 15305DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.198 11 A multa de ofício foi qualificada em em 150% nos períodos identificados na no TVF, com fulcro no art. 80, caput e § 6o , inciso II, da Lei n° 4.502/64, com a redacã̧o dada pelo art. 13 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007. Isso porque, os sujeitos passivos (contribuintes e responsáveis) procuraram se eximir do pagamento do tributo com as seguintes acõ̧es dolosas: 1. Fraude nas DCTFs (Declaracõ̧es de Contribuicõ̧es e Tributos Federais) com inserção de informacõ̧es falsas relacionadas ao tributo devido ou omissão de tais informações nessas declarações, com o fim de reduzir ou até mesmo zerar o tributo devido. 2. Operações de venda fictícias e simultâneas, com a intenção de excluir do quadro societário da empresa os verdadeiros sócios, incluindo no mesmo quadro societário laranjas ou pessoas inexistentes de fato, com o fim último de prejudicar terceiros, em especial a União, ao dificultar a cobranca̧ dos deb́itos de responsabilidade da empresa. 3 Responsabilizacõ̧es Tendo em vista os fatos descritos no TVF, com base nos artigos 124 e 135 do CTN foi atribuída responsabilidade solidária às seguintes pessoas físicas e jurídicas devidamente identificadas nos autos, as quais tiveram cien̂cia dos Autos de Infração e do Termo de Verificaca̧õ Fiscal, por via postal com Aviso de Recebimento conforme a seguir: ANTONIO DA SILVA ALVES, MÁRCIA VELLOSO DE ARAÚJO; EUGENIO NABUCO DOS SANTOS FILHO; ENAAX EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA; FAF EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A; ALLIANCE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA – ME SKN DO BRASIL IMP. E EXP. DE ELETROELETRÔNICOS LTDA. Os motivos de tais atribuições de responsabilidade tributária estão devidamente descritos no referido TVF e termos de responsabilidade. II) DA IMPUGNAÇAÕ Ciente dos lançamentos em 27/03/2015, a contribuinte autuada apresentou impugnação de fls. 12011/12014 do processo 12448.722548/201529 (IRPJ e Reflexos), em 29/04/2015, na qual aduziu o que a seguir se transcreve: "(...) 1. Da regular Atividade Empresarial Fl. 15306DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.199 12 Inicialmente cabe ressaltar que o auto de infração em comento, causou grande estranheza à Impugnante, tendo em vista que as atividades empresárias estão sendo desenvolvidas normalmente, ou seja, a empresa está em plena atuaca̧õ. Além disto, a Impugnante sempre atendeu prontamente às fiscalizações que recebe em seu estabelecimento. Em outras palavras, não há o que se falar em inatividade, bem como inexistem sócios "fictícios", pois a administradora da Impugnante sempre praticou os atos negociais necessários, seja perante esta Receita ou relativamente aos demais órgãos públicos. 2. Da compensaçaõ tributária Outra questão absolutamente relevante é que, ao contrário do narrado no auto de infraca̧õ, a Impugnante não realizou nenhuma retificação de DCTF, com o intuito de zerar os respectivos débitos tributários. Na realidade, conforme se verifica na documentaca̧õ anexa, a Impugnante adquiriu créditos tributários através a empresa AMP SERVIÇOS TRIBUTAŔIOS. É cediço que a empresa acima mencionada, intermediadora da compensação, ficou responsável por tais atos de extincã̧o do crédito tributário. Não é demais esclarecer que esta prestadora de serviços enviou os comprovantes da realização dos serviços, quais sejam, a utilizaçaõ do crédito para compensação com a obrigação que lastreia este auto de infração, de acordo com os documentos anexos. Temse, ainda, que a intermediadora se responsabilizou pela feitura da comunicação das compensações nas DCTF's. cabe frisar que tais operações foram realizadas, como se depreende das cópias das PER/DCOMP's anexas, que foram extraídas do Ml DAS da RFB. 3. Das Demais Fiscalizações Além do presente procedimento, a Impugnante foi fiscalizada pela Fazenda Estadual da Bahia no de 2014, concernentemente ao período em que manteve filial nesta Unidade Federativa, entre 01/01/2010 à 31/12/2011, apresentando toda a documentaçaõ solicitada, recebendo ao final a autuação pela módica quantia de R$ 11.066,11, considerando que este valor é relativo ao movimento de dois exercícios financeiros. Dos Pedidos Em face do exposto, é hialino que inexiste qualquer fraude perpetrada pela Impugnante e, por conseguinte, absolutamente descabida a multa aplicada, sendo imperioso o cancelamento do auto de infração e respectiva multa, uma vez que inexiste fraude e, muito menos, retificadoras com fins de zerar débitos, devendo ser considerados os procedimentos realizados para compensação tributária dos débitos que ensejaram o procedimento em tela. Para instrução processual a impugnante CBI apresentou os documentos que fazem as fls. 12018/12039. Em 28/04/2015, todas as pessoas físicas e jurídicas às quais foi imputada responsabilidade tributária manifestaramse contra os débitos lançados e a responsabilidade, mediante representaçaõ legal. Os Responsabilizados ingressaram Fl. 15307DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.200 13 com a impugnação de fls. 11569 e seguintes, na qual alegam de inicio as seguintes preliminares: Nulidade. Cerceamento do direito de defesa. Juntada de documentos pelo Fisco no curso do prazo de impugnação. Em que pese os impugnantes terem recebidos as notificacõ̧es relativas aos autos de infração nos dias 27 e 28 de marco̧, respectivamente uma sextafeira e um sábado, os seus advogados só tiveram acesso aos documentos que embasaram o presente auto de infração no dia 06/04/2015, uma semana após o início do curso do prazo para impugnação. Os Doutos Auditores precisaram de 20 meses para concluir parcialmente a fiscalização; os impugnantes não puderem utilizar nem mesmo os 30 dias regulamentares de prazo. Tal fato demonstra a forma pela qual a presente fiscalização foi conduzida durante todo o seu curso,. Vale ressaltar que a citada fiscalização resultou em dois autos de infração, autuados nos seguintes processos: 12448.722.525/201514 e 12448 722.548/201529. No primeiro processo, a peca̧ protocolada pelos impugnantes foi juntada aos autos após toda a documentação acostadas pelos auditores. No segundo, sequer foi juntada a petica̧õ. Tais fatos importam em flagrante arbitrariedade e prejuízo para a defesa dos impugnantes. A juntada a destempo de peças pelo fisco importa em preclusaõ do direito de prova, sob pena de, a qualquer tempo, e para rebater qualquer alegação do contribuinte, a Fazenda anexar documentos novos. Por força do exposto, requer preliminarmente que todos os documentos anexados pelos auditores sejam desconsiderados pelos julgadores, e desentranhados dos autos. Autuaçaõ sem encerramento do procedimento de fiscalização. Nulidade. Cerceamento do direito de defesa. Como se verifica nos autos, os auditores lavraram o auto de infração, e juntamente com o mesmo o "Termo de Cien̂cia de Lançamentos e Encerramento Parcial do Procedimento FiscalResponsabilidade tributária". Ora, está evidente que o procedimento fiscal não se encerrou, mas créditos tributários foram lançados, o que não se admite e caracteriza flagrante nulidade. Não pode o fisco lavrar o auto de infraca̧õ sem encerrar o procedimento fiscal, sob pena de a cada argumentação do contribuinte em sede de impugnação, novos autos de infração serem lavrados em complemento aos anteriores, seja com base em fatos novos, seja sanando irregularidades existentes naqueles. Tal procedimento viola o processo legal, e importa em grave cerceamento de defesa o que macula todo o procedimento. Legitimidade dos impugnantes para contestação total do auto de infraçaõ. Os impugnantes, como mencionado, foram injustamente apontados como responsáveis pela sociedade empresária, sujeito passivo do lançamento tributário. Fl. 15308DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.201 14 Peremptoriamente, afirmam que não respondem pela mesma, ou por seus débitos. Contudo, em razão de terem sido incluídos como responsáveis solidários, possuem plena legitimidade para impugnar o presente auto de infração, não só no que tange às razões atinentes à sua responsabilização em si; como também às questões de direito relacionadas com o próprio lanca̧mento tributário, quais sejam, questões de mérito que deveriam ser apresentadas pela própria sociedade empresária CBI. Os impugnantes o fazem, sobretudo, a fim de evitar eventual preclusão de direito. O procedimento fiscalizatório Vale, contudo, acrescentar que o presente procedimento fiscalizatório tem sido conduzido de forma bastante invasiva e sempre próxima aos limites legais de atuaca̧õ do fisco, após os quais o procedimento de ofício se transforma em ato arbitrário. A lavratura de um auto de infracã̧o sem encerramento do procedimento fiscal, e a notificacã̧o do mesmo sem sequer a juntada de documentos no processo eletrônico, saõ apenas exemplos do que tem̂ enfrentado os contribuintes. ...Não obstante a disponibilização que todos fizeram de seus extratos bancários Requisições de Movimentacã̧o Financeira (RMF) foram enviadas aos Bancos onde possuem contas correntes, em uma clara afronta ao disposto no art. 6 da LC 105/2001. Após discorrer sobre as constatações fiscais, contestando as conclusões do fisco, a peça impugnatória traz as seguintes conclusões e pedidos (verbis): "(...) 22 Dos pontos incontroversos. De tudo o que foi exposto, restou incontroverso o seguinte: a) Não há prova, apenas indícios de que os sócios sucessores de EUGÊNIO, ANTONIO e MÁRCIA sejam inexistentes de fato. b) Por outro lado, há vários outros indícios de que existem, posto que compareceram a atos presencialmente como a expedição do certificado digital da empresa inclusive junto à RFB. c) Não há prova de qualquer ligação entre os sócios sucessores e EUGÊNIO, ANTONIO e MÁRCIA. d) Não há prova da realização de qualquer ato de gestão posterior à venda de suas quotas por parte de EUGÊNIO, ANTONIO e MÁRCIA. e) Os únicos valores transferidos de CBI para EUGÊNIO, ANTONIO e MÁRCIA apurados pelos auditores somam R$26milhões durante o ano de 2010, e referem se a lucros acumulados até 2009, e adiantados de 2010. f) Os lucros distribuídos foram declarados tanto na DIPJ da empresa quanto nas DIRPFs dos três exsócios. Fl. 15309DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.202 15 g) O fisco não encontrou qualquer transferência de valores naõ declarados entre as partes acima citadas. h) CBI já possuía os R$26milhões em caixa antes das vendas das quotas de EUGÊNIO, ANTONIO e MÁRCIA. i) Os R$60milhõers supostamente sonegados referemse a competen̂cias posteriores à saída de EUGÊNIO, ANTONIO e MAŔCIA da sociedade j) A primeira retificação de DCTF ocorreu em 04/2011, quase um ano após a saída dos três exsócios, e no ano seguinte ao pagamento dos lucros acima mencionados, ou seja, a suposta fraude se ocorreu, foi em época muito posterior ao recebimento de valores por parte dos exsócios. k) Considerando que CBI já possuía R$26mihões em seu patrimônio antes da saída dos treŝ exsócios da sociedade, o fisco não conseguiu demonstrar a transferência de qualquer valor relativo aos R$60milhões supostamente sonegados em datas posteriores para os mesmos. I) SKN e CBI coexistem, faturam para alguns clientes de fato em comum, porém no mesmo período, ou seja, atuam em segmentos diversos ou, pior, são concorrentes. m) SKN e CBI utilizam a marca de um terceiro, e pagam royalties ao mesmo proprietário; contudo, utilizam tal marcar com aplicações e mercados diversos. n) CBI funciona até a presente data, realizando aquisições e faturamento, como mostra o relatório do SERASA anexado. Partindo do incontestável acima demonstrado, concluise que além de faltar provas, falta mais ainda sentido lógico para que três pessoas utilizassem "laranjas" em uma empresa a fim de sonegar R$60milhões que não usufruíram. Também não se pode conceber que SKN tenha sucedido CBI quando ambas funcionam concomitantemente: por definição, não se pode conceituar tal fato como sucessão. Em relaca̧õ à FAF, ALLIANCE e ENAAX, não há condicõ̧es de sustentar uma responsabilidade solidária por conta de valores integralizados pelo sócios, visto que o capital social é patrimônio do sócio, e não da sociedade. Tal absurdo traz para a responsabilização todos os bens dessas sociedades, as quais pertencem também a outras pessoas, ou seja, resultaria em responsabilização de pessoas que sequer foram citadas no presente feito.. 23 Dos requerimentos Por forca̧ do exposto, requerem os impugnantes o que se segue: i) O deferimento da primeira preliminar apresentada, e o desentranhamento do anexado pelos auditores aos autos, visto que realizado após a ciência dos impugnantes. Fl. 15310DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.203 16 ii) O deferimento da segunda preliminar para que seja o presente procedimento julgado nulo, dada a lavratura de auto de infração e aplicação de multa sem o encerramento do procedimento fiscal Na remota hipótese de indeferidas as preliminares apresentadas, requer adicionalmente: iii) A improcedência do Termo de Sujeiçaõ Passiva Solidária em relação a todos os impugnantes, dada a inexisten̂cia de qualquer liame entre os mesmos e a sociedade CBI, em razão de todos os fatos e fundamentos anteriormente expostos. iv) Requer a nulidade da autuaçaõ fiscal, tendo em vista a não apresentaçaõ e preclusão, pelo fisco das notas fiscais passíveis de apuraca̧õ dos débitos e créditos do IPI e que embasaram a sua apuração, bem como a omissão dos valores recolhidos quando das operações de importação, e ainda a ocultação da íntegra das DIPJs apresentadas pela empresa, sobretudo no que concerne às informações relativas a todos os períodos de apuração quanto ao informado pela CBI a t í t u lo de débitos e créditos de IPI. v) Requer, alternativamente, seja o processo baixado em diligência para obtenção das notas fiscais de entrada e saída passíveis de apuraçaõ dos débitos e créditos de IPI, bem como as informações quanto ao recolhido quando das operações de importaçaõ, de modo a ser realizada nova apuraca̧õ relativa ao período apurado e objeto da presente autuaçaõ, por p e r i t o / i s e n t o e nomeado pelos julgadores, com o acompanhamento do assistente técnico nomeado pelos impugnantes. vi) Requer ainda de forma alternativa, e na remota hipótese de manutenção de qualquer dos valores autuados, a reduçaõ da multa qualificada de 150% para a multa mínima de ofício de 75%, dada a inexisten̂cia de comprovação de qualquer dolo por parte de quem quer que seja, sócio de direito ou suposto sócio de fato. vii) Requer ainda a realização de perícia contábil, bem como a produção suplementar de provas, e a apresentação de razões aditivas no curso da instruçaõ processual baseadas em fatos novos ou documentos supervenientes, bem como diligen̂cias em outros procedimentos em curso administrativo no âmbito na própria Receita Federal do Brasil. (...)" Em 22/09/2015 os sujeitos passivos apresentaram "razões aditivas à impugnação, fls. 1347213479, alegando que (verbis): "(...) Fatos novos objeto da presente. Conforme já notificado no presente feito, os fiscais autuadores anexaram vários documentos após o termo de vista do processo dos impugnantes, o que fez com que sua impugnação fosse elaborada e juntada sem a análise de aproximadamente 4.000 documentos juntados intempestivamente pelo fisco. Somase a isso o segundo fato novo, qual seja, a juntada de defesa da própria CBI, sobre a qual desejam os impugnantes se manifestarem através da presente peça, seguindo o que dispõe o art. 16, parágrafo 4º , alíneas a e b do Decreto n° 70.235/72. Fl. 15311DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.204 17 2 Documentos e a defesa da CBI autuada. primeira Felizmente para os impugnantes, assim como os documentos anexados até 06/04/2015 os quais se teve acesso para elaboração da impugnação , os juntados em data posterior em nada contribuem para comprovar o alegado no Termo de Verificação Fiscal. (...) Tais fatos novos, aliados aos que já foram trazidos ao presente feito, demonstram com absoluta clareza a inexistência de qualquer vinculação ou relação de interposição entre os impugnantes e a citada empresa. 3 Do histórico de constituição das peticionantes, e a absurda responsabilização solidária por conta de supostos atos de um sócio. Os documentos intempestivos anexados pelos auditores fiscais, e a defesa da empresa CBI demonstram a inexistência de qualquer responsabilidade de EUGENIO, ANTONIO e MÁRCIA. Tal fato, por si só, já isenta de responsabilidade as ora peticionantes. Contudo, vale acrescentar algumas breves considerações quanto à absurda inclusão das peticionantes no rol de terceiros responsabilizados pelos débitos de CBI. (...) Todos os valores acima demonstrados foram mencionados pelos próprios fiscais em seu Termo de Verificação, bem como foi anexado pelos mesmos o livro razão da FAF com os aportes realizados pelo sócio EUGENIO. O valor do seu patrimônio está discriminado em suas DIPJs, também nos autos. Para uma melhor elucidaçaõ da evolução de valores, anexamos demonstrativos detalhados à presente. A responsabilizacã̧o da RAF significa dispor de 100% do seu patrimônio (e indiretamente alcançar o patrimônio de outros sócios que compõem 5 7% do seu capital) para garantir um débito que não lhe pertence, e nem a si está relacionado. Como demonstrado, ainda que passíveis d e contestaçaõ os valores aportados por EUGENIO o que não são , tal fato não é suficiente para responsabilizaR a FAF, e nem constranger o seu patrimônio. Se contestáveis os valores, sei/iam passíveis de constricã̧o as quotas de EUGENIO, jamais todo o patrimônio de uma empresa que lhe recebeu investimentos, sem ter o dever legar de investigar a sua origem. Com ALLIANCE, a situaca̧õ é idêntica, visto que foi constituída em 13 de maio de 2007. 4 Dos requerimentos. Por forca̧ do exposto, reforçam os impugnantes o pedido de deferimento da primeira preliminar apresentada na impugnação, e o desentranhamento do anexado pelos auditores aos autos. Fl. 15312DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.205 18 Na remota hipótese de indeferidas as preliminares apresentadas, requer o prosseguimento do feito, a análise das presentes razões em conjunto com a impugnação, e a procedência da mesma com o indeferimento total do auto de infraçaõ. (...)" Foi juntado ao processo Parecer de Paulo de Barros Carvalho, de 5 de novembro de 2015, às fls. 14752 a 14816. Consta dos autos Despacho de Suspeição (fls. 15021 e 15027), um de 25 de maio de 2018 e outro de 6 de outubro de 2018, em que a il. Conselheira Relatora Semíramis de Oliveira Duro declara suspeição frente ao presente feito. Com isso o processo foi redistribuído para este Relator. O Contribuinte apresentou Requerimento em 22 de março de 2019 para a juntada de documentos e reforça que seja julgado procedente o recurso (fls. 15032 a 15043). É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Os Recursos Voluntários interpostos pelos Resposáveis Solidários, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1461.732, são tempestivos e atendem os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual devem ser conhecidos. Os recusos visam reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/03/2010 a 30/06/2013 IPI/IRPJ. LANÇAMENTOS CONEXOS. Aplicase ao lançamento do IPI conexo ao IRPJ, idêntica solução dada a esse já submetido a decisão em primeira em instância, quanto as mesmas matérias em litígio, haja vista a estreita relação dos fatos apurados em ambos. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. A apresentação de provas, sobretudo quanto a matéria de fato, deve ser feita no corpo dos autos, juntamente com a apresentação da peça impugnatória, não podendo o contribuinte pretender suprir mediante perícia o que era obrigação de sua parte. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. Comprovada a prática de atos visando ocultar do Fisco o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária, aplicase a multa de ofício no percentual de 150%. AUTO DE INFRAÇÃO PARA EXIGÊNCIA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DECLARADOS EM DCTF RETIFICADA ANTES DO INICIO DA AÇÃO FISCAL. PROCEDÊNCIA. Fl. 15313DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.206 19 Comprovado que os tributos lançados no auto de infração foram anteriormente declarados pelo contribuinte em DCTF, mas objeto de declaração retificadora, apresentada antes da ação fiscal, tendo sido cancelado os débitos da declaração original, mantémse os lançamentos de ofício. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APURAÇÕES MEDIANTE RECONSTITUIÇÃO FISCAL. Diante da imprestabilidade ou não fornecimento do Livro de Apuração do IPI, correto o procedimento fiscal de reconstituir a apuração dos valores devidos, cabendo ao contribuinte apontar precisamente eventual equívoco fiscal nesse procedimento, cuja análise pode implicar em ajuste nas bases de cálculo tributadas. SUCESSÃO EMPRESARIAL. IRREGULARIDADES E FRAUDES COMPROVADAS. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA PASSIVA DOS RESPONSÁVEIS E SUCESSORES. Correto o procedimento fiscal que imputa sujeição tributária às pessoas responsáveis por atos fraudulentos em sucessão empresarial visando a sonegação dos tributos devidos pela empresa sucedida, bem como de outras empresas e pessoas que se beneficiaram dessas irregularidades em detrimento da Fazenda Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em julgar improcedentes as impugnações interposta por CBI Industria e Comercio Ltda. (Contribuinte Autuada) e por Antônio da Silva Alves, Eugenio Nabuco dos Santos Filho, Márcia Velloso de Araújo, SKN do Brasil Importação e Exportação de Eletroeletrônicos Ltda., Alliance Empreendimentos e Participações Ltda ME, ENAAX Empreendimentos Imobiliários Ltda, FAF Empreendimentos e Participações S.A. (Responsabilizados), para manter integralmente as exigências tributárias de que trata o presente processo, bem como os termos de responsabilização tributária solidária, conforme o relatório e voto do presente julgado. Nos recursos apresentados, os Responsáveis Solidários do Contribuinte CBI Indústria e Comércio, requerem a exclusão do pólo passivo da obrigação tributária. O presente processo decorre dos mesmos fatos e da mesma fiscalização do Processo nº 12448.722548/201529, que teve como objeto o IRPJ e reflexos. No Processo nº 12448.722548/201529 foi proferida decisão por unanimidade, em 10 de abril de 2018, por intermédio do Acórdão nº 1401002.346 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara da Primeira Seção do CARF, afastando a responsabilidade solidária de Antônio da Silva Alves, Eugenio Nabuco dos Santos Filho, Márcia Velloso de Araújo, SKN do Brasil Importação e Exportação de Eletroeletrônicos Ltda, Alliance Empreendimentos e Participações Ltda – ME, ENAXX Empreendimentos Imobiliários Ltda e FAF Empreendimentos e Participações S.A. Por entender correta a decisão proferida no Acórdão nº 1401002.346, da il. Conselheira Relatora Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin cito trechos como razões para decidir: Fl. 15314DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.207 20 O Recurso Voluntário interposto pelos sujeitos passivos solidários, preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento para reapreciar a decisão recorrida apenas no limite da matéria préquestionada, a qual diz respeito tão somente a imputação das responsabilidades solidárias imputadas as pessoas físicas e as empresas patrimoniais e a SKN.. Na decisão recorrida, os julgadores, à unanimidade, formaram pleno convencimento de que os Srs. Eugênio Nabuco dos Santos Filho, Antônio da Silva Alves e Marcia Velloso de Araújo praticaram diversos atos dolosos, em conluio, visando fraudar o Fisco, para eximiremse do recolhimento dos tributos devidos pela empresa CBI, dentre os quais i) forjar a alienação de suas cotas na empresa para pessoas inexistentes de fato, ii) transmitiram DCTF em nome da empresa para "zerar" os débitos já constituídos, iii) "esvaziaram" a empresa CBI, antes da alienação ficta, mediante mudanças de endereços e transferências patrimoniais para outras empresas do grupo; iv) abriram uma nova empresa, SKN, para suceder de fato a CBI e continuar suas atividades; Razão pela qual entenderam por correta, portanto, a exigência do IRPJ/CSLL/PIS/Cofins/IRFonte devidos pela CBI nos anos de 2010 a 2012, na sistemática do lucro arbitrado, em face da desclassificação da escrita contábil e fiscal da empresa, bem como a aplicacã̧o da multa de ofício qualificada e a responsabilização de Antônio da Silva Alves, Eugenio Nabuco dos Santos Filho, Márcia Velloso de Araújo, SKN do Brasil Importação e Exportação de Eletroeletrônicos Ltda., Alliance Empreendimentos e Participações Ltda ME, ENAAX Empreendimentos Imobiliários Ltda e FAF Empreendimentos e Participacõ̧es S.A pelos créditos tributários devidos pela empresa CBI DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS PESSOAS FÍSICAS: Antônio da Silva Alves, Eugenio Nabuco dos Santos Filho e Márcia Velloso de Araújo interpuseram Recurso Voluntário questionando sua responsabilização fundada no art. 135, III, do CTN, arguindo a improcedencia da acusação fiscal de que eles teriam alienado propositadamente as cotas da CBI para dois sócios inexistentes Mauro Aparecido da Silva e Neusa Maria Soares. Isto porque, tal alienacã̧o se deu em dois momentos, primeiro em 30/06/2010 (23a. alteração contratual) Marcia vende a totalidade de suas quotas e sai da sociedade, bem como Eugênio e Antônio alienam parte de suas quotas e deixam a administração da sociedade; posteriormente em setembro de 2010 (25a. alteração contratual) Eugênio e Antônio vendem o que restava de suas quotas e retiramse da sociedade. Notase que o crédito tributário decorre de retificações realizadas nas DCTFs da CBI que compreedem o período de junho/2010 a janeiro/2013, no total de aproximadamente R$ 60.000.000,00. O procedimento, segundo informa o fisco, foi no sentido de "zerar" débitos através de declarações retificadoras, depois de corretamente declarados nas declarações originais, destacandose que as retificadores foram realizadas de 26/04/2011 em diante, ou seja, quase um ano após a saída de Eugênio, Antônio e Maŕcia da empresa. Desta forma, percebese que o crédito tributário em questão referese a valores, cujo fato gerador e vencimento se deram após a saída dos recorrentes da sociedade, como o ato causador da suposta fraude (transmissão de declarações retificadoras) se deu muito tempo após referida retirada deles da empresa. De outro lado, observase que os sócios que lhes sucederam (Mauro e Neusa) foram constados pessoas inexistentes e usuárias de documentos forjados, que por sua vez alienaram subsequentemente suas quotas à Roberto Leonardo da Silva e Wesley Rabelo de Oliveira, que as repassaram para outras pessoas também apontadas como Fl. 15315DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.208 21 inexistentes Roberto Luiz Cardoso e Ana Lúcia Vellasco Ferreiro, sendo que esta embora reconhecidamente inexistente, representou a empresa perante o procedimento de fiscalização e até interpos Impugação pela CBI, assinandoa de próprio punho como sua representante legal. Impugnação que por sua vez aponta para um terceiro prestador de serviços AMP serviços tributários, a retificação das DCTFs para que nelas constasse um crédito tributário adquirido para compensaçaõ com o débito que lastreia essa autuação. Destacase que Ana Lúcia Vellasco Ferreiro também foi considerada inxistente, de maneira que diante dos elementos dos autos em embora não fosse possível afirmar com certeza absoluta quem de fato praticou o ato (retificação das DCTFs), do qual gerou essa autuação, tudo leva a crer que o ato tenha sido praticado pelo Sr. WESLEY, já que as transmissões eletrônicas se deram em nome dele. Desta forma, não podendo a penalidade de multa e sua qualificaca̧õ não restarem configuradas, a não ser pela descrição expressa, da conduta violadora de lei, contrato social ou estatuto e tendo sido verificado que os atos de infracã̧o à lei foram praticados em período no qual os Recorrentes não mais pertenciam ao quadro societário da empresa, e há indícios de que os ato infracional haveria sido praticado pelo sr. Wesley, não verifico como imputarlhes qualquer responsabilidade. Conforme demonstrado através das cópias dos Contratos Sociais anexados aos autos, os exsócios recorrentes, retiraramse da sociedade em 2010, quando foram substituídos por pessoas posteriormente constatadas como "inexistentes". NEUSA MARIA SOARES e MAURO APARECIDO DA SILVA, ao que tudo indica, pessoas "inexistentes", sucederam MÁRCIA VELOSO DE ARAÚJO, ANTÔNIO ALVES DA SILVA e EUGÊNIO NABUCO DOS SANTOS FILHO entre 02/08/2010 e 16/06/2011 (23a. alteracã̧o dos atos constitutivos). Em 16/06/2011, duas das pessoas inexistentes (NEUSA MARIA SOARES e MAURO APARECIDO DA SILVA), supostamente teriam vendido suas cotas societárias (pelo prazo de 24 meses 28a. alteração dos atos constitutivos) aos sócios ROBERTO LEONARDO DA SIVA e WESLEY RABELO DE OLIVEIRA, que ainda teriam se comprometido a integralizar outro valor adicional ao capital social da CBI, até 31/12/2012. Os dois sócios que compraram as cotas sociais de "pessoas inexistentes" venderamas "à vista" em 2013, suas respectivas cotas para outras pessoas inexistentes. Todavia, faltam provas no sentido de que os exsócios tenham atuado "nos bastidores", no dia 24/06/2011 quando foram transmitidas DCTF retificadoras envolvendo o período de entre 06/2010 e 01/2013, relativas à empresa CBI, com reduçaõ total de débitos no valor de R$ 59.374.015,77, sendo que, na quase totalidade dos meses em que houve apresentaca̧õ de DCTF retificadora com redução de débitos, os débitos declarados em DCTF foram reduzidos a zero ou a valores próximos de zero. Mais que isso, conforme consta nas DCTFs retificadoras (fls.), o responsável por elas era o Sr. Wesly Rabelo de Oliveira, ocupou a posicã̧o de sócio da CBI no período de 16/06/2011 e 18/03/2013, justamente no período em que foram transmitidas. Destacase que mesmo após a RMF na citada empresa, não se encontrou qualquer registro da presença dos recorrentes nos negócios ou na movimentaca̧õ financeira da CBI. Conforme narrado em petição acostada aos autos pelos recorrentes, em busca de qualquer prova negativa de que os exsócios jamais administraram a referida Fl. 15316DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.209 22 empresa após a entrada dos novos sócios, dirigiramse até as instituicõ̧es financeiras para obter documentos que comprovassem a inexistência de atos de gestão por parte dos mesmos, como não o obtiveram voluntariamente, acionaram o Poder Judiciário, através da Ação de Exibição de Documentos, cujo processo foi autuado com o número 008678394.2017.8.19.0001, em trâmite na 29a. Vara Cível do Estado do Rio de Janeiro. Após deferimento da liminar, o Banco Brasdesco apresentou: Contrato de Alteraçaõ de Pessoa Jurídica acompanhado com documento dos Sr. Mauro Aparecido da Silva e Dra. Neusa Maria Soares (pessoas inexistentes). Cartão de Assiantura de conta corrente assinados por MAURO APARECIDO DA SILVA e NEUSA MARIA SOARES. Além disso, o Representante da instituição bancária afirmou de modo claro e expresso, conforme se depreende de petição firmada por seu representante legal, que jamais fora outorgada qualquer procuracã̧o a terceiros com a finalidade de promover a movimentação das contas bancárias relacionadas à CBI, de modo a permitir a constação de que a informação anteriormente prestada pelo Banco Bradesco, indicando que os exsócios figuravam como responsáveis pelas contas da CBI lá registradas, diziam respeito à período precedente aos fatos ensejadores da autuação, ou seja, limitaramse ao período pelo qual eles efetivamente eram sócios. Nas hipóteses contidas no artigo 135 vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relaca̧õ ao terceiro que não participa da relaca̧õ jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação) (RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543B do CPC). A responsabilidade de terceiro, por pressupor duas normas autônomas: a regramatriz de inciden̂cia tributaŕia e a regramatriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios, nos casos de responsabilidade tributária por atos ilícitos, o auto de lançamento deve descrever, de forma direta e objetiva, a conduta do agente e a norma de inciden̂cia. Outro detalhe importante é ter presente que o terceiro ou o sócio é responsável não por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce a geren̂cia, e por praticar ato que caracteriza infraçaõ descrita em lei. Ademais, em face das controvérsias surgidas em relação ato tema, diferentemente do que entendem alguns Conselheiros, penso que “o simples fato de colocar terceira pessoa no contrato social não é o suficiente para atribuir a solidariedade ao sócio de fato”. Ao meu sentir, a solidariedade não decorre do fato de alguém ser sócio de fato ou de direito, mas sim do ato de praticar conduta que resulta no inadimplemento do crédito tributário. A título de exemplo, citase a retirada de recursos em favor dos sócios de fato, em prejuízo do pagamento dos tributos devidos. Em síntese, é preciso ter presente que a solidariedade entre uma pessoa física e uma pessoa jurídica ou entre duas pessoas jurídicas ou duas pessoas físicas somente ocorre quando ambas participam da relação jurídico tributária. Nada impede, por exemplo, que uma empresa regularmente constituída celebre parceria com profissional, pessoa física, para realizarem pesquisa encomendada por terceiro, ou ainda, que uma empresa ligada à construção civil, junto com engenheiro não integrante da empresa, se unam para executar determinado projeto. Nestes casos, em relação à receita advinda dos servico̧s prestados haverá solidariedade. O mesmo pode ocorrer em relaçaõ ao comércio ou à indústria. Por outro lado, em atenção aos debates que esta matéria costuma suscitar, registro que o sócio de fato não é responsável pelo simples fato de ser sócio de fato, mas sim Fl. 15317DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.210 23 por praticar conduta comissiva ou omissiva relacionada a fato gerador do qual decorra tributo que resulte inadimplido. Isto se aplica, igualmente, nas situações em que o sócio de fato ou de direito apropriase dos lucros da empresa sem que esta, por primeiro, tenha pago os tributos devidos. Ademais, o artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infraçaõ à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Feitas essas consideracõ̧es, verificase que a atribuição de responsabilidade solidária se deu pura e simplesmente em razão de constataçaõ posterior ocorrência dos fatos geradores da autuação de que as pessoas responsabilizadas foram as únicas localizadas, tendo sido constatado que aqueles que os sucederam eram pessoas inexistentes, sem que houvesse sido demonstrada, por parte deles, a prática efetiva de conduta comissiva ou omissiva relacionada a fato gerador do qual decorra tributo que resulte inadimplido, o que não pode prevalecer. Como fundamento da aplicação da responsabilidade prevista no art. 124, I, do CTN, o fisco alega o fato de EUGÊNIO, ANTÔNIO e MÁRCIA terem recebido, ao longo do ano de 2010, o valor de R$ 26,8 milhões da empresa CBI, o que denotarai o proveito econômico necessário a justificar a responsabilidade solidária. No entanto, conforme demonstrado por eles, tal valor referese a lucros acumulados da empresa até 2009 e que estavam depositados nas contas da CBI antes das vendas das cotas às pessoas posteriormente reconhecidas inexistentes, ou seja, prescindiase de qualquer sonegaca̧õ para que fossem pagos. A distribuição dos lucros foi devidamente declarada na DIPJ da CBI, bem como na DIPF dos sócios, assim como foi deliberada em ata registrada na Junta Comercial à época dos fatos (fls. 734/741), em 30/06/2010, antes de qualquer supressão de tributo. Isto porque, restou apurado que parte desse valor foi pago em dinheiro e parte através de transferen̂cia de um imóvel de propriedade da CBI, préexistentes no ativo da sociedade antes da alienação. O saldo em dinheiro préexistente nas contas correntes restou demonstrado pela somas dos valores localizados nos extratos bancários anexados às fls. , dos Bancos: Mercantil, Triangulo, Itau, do Brasil, HSBC e Real e o imóvel devidamente registrado na sua propriedade, que demonstram a origem lícita do patrimônio da empresa. Ante o exposto, voto no sentido afastar a responsabilidade das pessoas físicas. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS PESSOAS JURÍDICAS FAF, ALLIANCE e ENAAX (art. 124, I e II do CTN): Fl. 15318DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.211 24 FAF, Alliance e Enax, são empresas patrimoniais responsáveis por administrar seus bens próprios, que vieram a ser responsabilizadas a pretexto de terem supostamente terem sido utilizadas para receber o objeto da sonegação praticada pela CBI, cuja responsabilidade foi atribuída às pessoas físicas delas titulares. FAF foi constituída em 01/09/1989, ou seja, 21 anos antes de EUGÊNIO alienar suas cotas na CBI. Alliance foi constituída em 18/07/2007 e ENAAX em 13/05/2007, ambas de igual modo, anteriores à alienação das cotas da CBI. A ENAAX recebeu o imóvel, que já havia sido adquirido pela CBI em 29/10/2007, como demonstra a certidão do RGI (fls.) tres anos antes da suposta sonegação de tributos. Já FAF e ALLIANCE foram responsabilizadas tão somente porque um dos sócios aportou valores provenientes de suposta sonegaca̧õ, contudo, tais valores foram declarados na DIPJ de todas as empresas e nas DIRFs dos sócios. A solidariedade, que não se confunde com responsabilidade de terceiros, decorre das situações previstas no artigo 124, I e II, do CTN, sendo que o interesse comum de que trata o inciso I não se confunde com as situações contidas no inciso II em que a lei pode atribuir a condição de solidário. As hipóteses previstas no artigo 124, I, do CTN (interesse comum), tratam da solidariedade de quem tem qualidade para ser contribuinte direto ou sujeito passivo da obrigaca̧õ tributária (devedor originário art. 121, I). Ex. IPTU entre co proprietários; Por sua vez, o artigo 124, II, contempla situaca̧õ em que a lei pode atribuir responsabilidade solidária a pessoas que não revestem a condição de contribuintes, mas por estarem vinculadas ao fato gerador praticado pelo contribuinte podem vir a ser chamadas a responderem pelo crédito tributário, como ocorre, por exemplo, na importação por conta e ordem de terceiros (o artigo 32 do Decretolei no 37, de 1966, com a redaca̧õ atribuída pelo artigo 77 da MP no 2.15835, de 2001), ou nos casos de retenção de imposto de renda na fonte. O interesse comum de que trata o artigo 124, I, não é o interesse econômico, mas sim na questão relacionada à prática do fato gerador. Empresas de um mesmo grupo tem interesse econômico no resultado de suas operações, mas este interesse não serve para atribuir a uma delas a condica̧õ de solidária, visto que o interesse apto a qualificar a solidariedade é o interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, como ocorre, por exemplo, em caso de co propriedade, com a exigen̂cia do IPTU e ITR. A solidariedade de que trata o artigo 124, incisos I e II, não está relacionada a atos ilícitos e se aplica a quem tem a qualidade para ser sujeito passivo da obrigação tributária, ainda que por responsabilidade decorrente de expressa disposição legal, como é dos exemplos já apontados (situações previstas no artigo 32 do Decretolei no 37, de 1966, com a redação atribuída pela MP no 2.11535, de 2001 e Lei no 11.281, de 2006). Por isso, não se confunde com a situaçaõ trazida à lide, em relaca̧õ à FAF, ENAAX e ALLIANCE, assim, dou procedência ao Recurso Voluntaŕio quanto à este ponto. afastar a responsabilidade delas. Da responsabilização da SKN apontada como sucessora. Reclamam os recorrentes a impossibilidade de responsabilizaca̧õ da SKN, a pretexto de que ela pertence a dois filhos de EUGÊNIO e da MARCIA. Conforme descrito pela autoridade fiscalizadora: Fl. 15319DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.212 25 Verificase que a empresa SKN foi constituída em 13/10/2010, com capital social de R$ 1.000.000,00 totalmente integralizado em moeda corrente, tendo como sócios EUGÊNIO NABUCO DOS SANTOS FILHO e ANTONIO DA SILVA ALVES, ambos administradores. A atividade econômica da empresa relacionase à importação, exportação e comercialização por atacado de mercadorias em geral; comércio atacadista de equipamentos elétricos de uso pessoal e doméstico; comércio atacadista de aparelhos eletrônicos de uso pessoal e doméstico; comércio atacadista de mercadoria em geral; comércio atacadista de equipamentos de informática; comércio atacadista de suprimentos de informática; reparação e manutençaõ de equipamentos eletrônicos de uso pessoal e doméstico. Na 1 a Alteraca̧õ Contratual, de 01/06/2011, foram admitidos os sócios FELIPE NABUCO DOS SANTOS, ALEX NABUCO DOS SANTOS, ambos filhos de EUGÊNIO NABUCO DOS SANTOS FILHO, e MÁRCIA VELLOSO DE ARAÚJO, e o capital foi elevado de R$ 1.000.000,00 para R$ 11.000.000,00. Houve a criação da filial 1, com domicílio na Rua E, Lote 1, Quadra 3 (parte), Campo Alegre, Queimados, RJ. Esse domicílio é o mesmo utilizado pela CBI (filiais 3 e 5). Na 2 a Alteração Contratual de 23/05/2012 foi alterada a sede da matriz para Rua General Venâncio Flores, 1001, parte, Leblon. ANTONIO e EUGÊNIO retiramse da sociedade. Esse domicílio é o mesmo utilizado pela CBI (matriz). Criase a filial 2, com domicílio na Rua Oliveira Viana, 1739, sobrado 06, Boqueirão, Curitiba, PR. Na 3a Alteraçaõ Contratual de 21/11/2012, criouse a filial 3, com domicílio na Alameda Ministro Rocha Azevedo, n° 882, Grupo 71/72, Cerqueira Cesar, São Paulo, SP. Esse domicílio é o mesmo utilizado pela CBI (filial 2). Mais uma filial é criada, em 20/05/2013, com domicílio na Rua B, quadra 3, lotes 01 a 11, Setor de Serviços do Parque Industrial CIA/SUL, Simões Filho, Bahia, conforme 4 a Alteração Contratual. É bom ressaltar que os recursos utilizados por FELIPE para a aquisição das quotas da CBI tiveram como origem recursos advindos de MÁRCIA, ANTONIO (empréstimos conforme DIRPF 2011 quadro "DÍVIDAS E ÔNUS REAIS) e EUGÊNIO (redução do direito conforme DIRPF 2011quadro "DECLARAÇAÕ DE BENS E DIREITOS"), que inicialmente foram utilizados na aquisiçaõ de quotas da GMX DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA CNPJ n° 12.029.874/0001 50, no valor de R$ 3.690.000,00, conforme DIRPF 2011, e depois na venda dessas quotas e aquisição de quotas da CBI, também, no valor de R$ 3.690.000,00, conforme DIRPF 2012. Já os recursos utilizados por ALEX para a aquisição das quotas da CBI tiveram como origem recursos advindos de EUGÊNIO e ANTONIO (empréstimos conforme DIRPF 2011 quadro "DÍVIDAS E ÔNUS REAIS), que inicialmente foram utilizados na aquisica̧õ de quotas da GMX DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA CNPJ n° 12.029.874/000150, no valor de R$ 3.690.000,00, conforme DIRPF 2011, e depois na venda dessas quotas e aquisição de quotas da CBI, também, no valor de R$ 3.690.000,00, conforme DIRPF 2012. Como demonstrado acima, a atividade exercida pela SKN é a mesma da CBI. O endereço dos estabelecimentos são os mesmos. Os sócios são comuns. E mais, como já descrito neste termo, os clientes e fornecedores também são os mesmos, e os empregados são os que trabalharam na CBI. A empresa só não é a mesma porque tem outro nome e CNPJ. Assim, em relação à SKN, pelos atos praticados pelos sócios comuns à CBI, imputa se a responsabilidade do art. 124, II, c/c art. 132, do CTN. (...) Fl. 15320DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.213 26 A responsabilidade da empresa SKN do Brasil Importaca̧õ e Exportacã̧o de Eletroeletrônicos Ltda se dá, portanto, pelas que seguem abaixo: • Mesmo quadro societário da empresa CBI EUGÊNIO, ANTÔNIO e MÁRCIA; • Funciona no mesmo estabelecimento matriz que a CBI funcionava antes da transferência das cotas para interpostas pessoas, à RUA GENERAL VENÂNCIO FLORES N° 305 SALA 1001, PARTE; • Tem estabelecimentos filiais nos mesmos endereços onde funcionavam algumas filiais da CBI; • Comercializa os produtos utilizando a mesma marca de fantasia "NKS", alugada à empresa FAF EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A; • Possui em comum com a CBI diversos clientes e fornecedores de mercadorias; • Houve uma migração de funcionários da empresa CBI para esta (SKN) em 2013, conforme fica demonstrado pela análise de dados da GFIP, anexa. • O fato das duas funcionárias da SKN receberem em fevereiro de 2014 autorizações para solicitarem saldos, extratos e comprovantes da CBI, quando não haveria relação alguma entre as duas empresas, demonstra que a SKN é uma continuaçaõ da CBI. • A sucedida (CBI), devido ao sucateamento patrimonial, ficou sem qualquer possibilidade financeira de arcar com qualquer dívida, além de não possuir mais atividade" Por outro lado, defende o Recorrente que: i) a marca NKS jamais pertenceu à CBI, mas a FAF e foi alugada para ambas as empresas aos mesmo tempo (contratos e comprovantes de recebimentso anexados nos autos); ii) imóveis ocupados pela CBI pertenciam, de igual modo, à FAF e quando a mesma se mudou para GOIAS, antes de retornar ao RJ, quando a mesma se mudou de Estado, no entanto, no mesmo ano mantinha 124 funcionarios, ou seja, mais da metade jamais teve qualquer relação com CBI e por fim; iv) os próprios auditores fiscais, ao anexarem as notas fiscais da CBI e da SKN para demonstrarem colidência de alguns clientes, acabaram ajudando os Recorrentes que não tinha acesso as NF de CBI, demonstrando que CBI e SKN coexistiam, posto que vendiam de fato, para alguns clientes comuns ao mesmo tempo, pois tratamse de importantes varejistas (Casa e Video, Magazine Luiza, Lojas Americanas, dentre outros, para os quais não só CBI e SKN tinham como cliente comum, mais outros diversos fornecedores. Destacouse que a SKN vende produtos de iluminação (lâmpadas elétricas, LED, luminárias etc.), enquanto CBI vende produtos eletroportateis e de cuidados pessoais (cafeteira, secador de cabelo, prancha alisadora, dentre outros). De modo que conforme aduz a recorrente, a única relaca̧õ entre as mesmas é o acesso ao proprietário dos imóveis (FAF, cujo responsável é parente dos sócios da SKN) e o acesso aos funcionarios demitidos quando da saída do RJ da CBI, em razão de Márcia ter trabalhado com os eles à época que era integrante do quadro societário da CBI. Nesse contexto, realmente demonstrada a impossibilidade de responsabilidade por sucessão, para a qual, é exigida a ocorren̂cia mínima de transformação, cisão ou incorporação de uma pela outra, o que não se verificou já que as empresas tratadas CBI (apontada como sucedida) e SKN (apontada como sucessora) continuaram atuando no mercado enquanto concorrentes, situação que não se enquadra no art. 132 do CTN, que fundamentou a acusaçaõ de sucessão. "Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporacã̧o de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à Fl. 15321DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.214 27 data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploracã̧o da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual". No mais, remanesce contra a SKN, a acusação de que no caso específico que sobressai do exame do processo é que a empresa CBI foi informalmente sucedida pela empresa SKN que, alem de incorporar parte do patrimônio da CBI, continuou a mesma atividade empresarial da CBI, inclusive tendo os mesmos clientes e fornecedores, instalouse nos endereços anteriormente ocupados pelos estabelecimentos da CBI, absorveu muitos empregados da CBI, tem exsócia da CBI e dois sócios filhos de um exsócio da CBI. Logo, consoante asseverado pela Fiscalização, a circunstan̂cia de naõ ter sido formalizada a sucessão é irrelevante, haja vista que os elementos fáticos permitam inferir a continuidade da exploracã̧o da atividade econômica. Além disso, paralelamente ao processo de esvaziamento da CBI e de surgimento da SKN, a Fiscalização apontou terem sido realizados procedimentos com o objetivo diminuir significativamente o montante de tributos federais a ser recolhido pela CBI, além de transferir vultosas quantias do patrimônio da CBI para o patrimônio dos sócios que iniciaram este processo, quais sejam seja, EUGÊNIO NABUCO, ANTÔNIO ALVES e MÁRCIA ARAÚJO. Isso mediante sucessivas alterações contratuais para transferir o controle societário da CBI para pessoas inexistentes de fato ou de pouca capacidade financeira, de modo a impedir ou dificultar a cobrança, pelo Fisco, dos tributos sonegados, atos que caracterizam verdadeira extinção fraudulenta da CBI. Fatos que segundo a acusação fiscal, tornariam a SKN e a todos os demais acima tratados solidariamente obrigados nos termos do art. 124, I do CTN, isto porque, segundo as razões de decidir contidas na decisão recorrida: A constituição e uso da empresa SKN para ocultar vultosos valores tributáveis da CBI dos quais se beneficiaram outras pessoas jurídicas e físicas, com a utilização de pessoa interposta, denota que o não recolhimento de tributos resultou de ação dolosa. Lembro que a sonegação de tributos é da ordem de 60 (sessenta) de milhões de reais, no período de três anos. Ja ́a interposição de pessoas tem por fim eximir da cobrança dos tributos não recolhidos dolosamente pela pessoa jurídica os verdadeiros sócios e beneficiários de seu lucro. Ocorre que mesmo diante da riqueza de detalhes levantados pela fiscalização durante todo o processo administrativo, em nenhum momento entendo verificada a existência de interesse comum por parte da SKN, bem como por parte das demais pessoas físicas e jurídicas quanto ao proveito econômico resultado da sonegaca̧õ praticada, cuja origem se deu a partir da transmissão de DCTFs retificadoras a partir de 26/04/2011, período após o qual Eugênio, Antônio e Márcia, não possuiam sobre ela quaisquer poderes de administração ou gerência. Notase que a SKN detinha maior atuação no mercado em relaçao a CBI. Há nos autos relatório de venda apontado que CBI estava regular na época da venda, bem como que sobre o imóvel cuja alienação é questionada, havia certidões de regularidade fiscal. Além disso, as empresas patrimoniais FAF, ALLIANCE e ENAAX, foram precisas em demonstrar a origem de seu patrimônio, de forma a comprovar que em nada se Fl. 15322DF CARF MF Processo nº 12448.722525/201514 Acórdão n.º 3301006.376 S3C3T1 Fl. 15.215 28 relacionou com a prática dos fatos geradores que deram ensejo a autuaçaõ, por outro lado a fiscalização também não obteve ex̂ito em demonstrar qualquer proveito econômico aos recorrentes em decorrência das operações praticadas. Ante o exposto dou provimento aos recursos para excluir as responsabilidades das pessoas físicas e das empresas apontadas como solidárias. É como voto. Salientase que no Processo nº 11762.720093/201581, Acórdão nº 3401 006.000, de 27 de março de 2019, da 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da Terceira Seção do CARF, referente ao mesmo Contribuinte, se afastou a responsabilidade solidária desta forma: Por todo o exposto concluo por conhecer o recurso de ofício e darlhe provimento parcial para manter a autuação no período de 17/06/2011 a 17/03/2013, e manter a decisão recorrida que afastou a responsabilidade solidária das pessoas físicas dos ex sócios Márcia, Antônio e Eugênio. E por conhecer do Recurso Voluntário e negar lhe provimento. Assim, com esse entendimento, voto por dar provimento aos recursos interpostos por Eugênio Nabuco dos Santos Filho; Antonio da Silva Alves; SKN do Brasil Importação e Exportação; FAF Empreendimentos e Participações (FAF); Alliance Empreendimentos e Participações Ltda (Alliance) e ENAAX Empreendimentos Imobiliários Ltda (ENAAX), para afastar a responsabilidade solidária. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 15323DF CARF MF
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