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Numero do processo: 10680.725137/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
AUTÔNOMO. TRABALHO NÃO ASSALARIADO. LIVRO-CAIXA. REMUNERAÇÃO PAGA A TERCEIRO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. DEDUÇÃO COMO DESPESA DE CUSTEIO. POSSIBILIDADE.
O contribuinte que obtém rendimentos do trabalho não assalariado pode deduzir no livro-caixa a remuneração paga a terceiro sem vínculo empregatício quando caracterize despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, cabendo à fiscalização justificar a glosa realizada.
Numero da decisão: 2401-005.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator), Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa., Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 AUTÔNOMO. TRABALHO NÃO ASSALARIADO. LIVRO-CAIXA. REMUNERAÇÃO PAGA A TERCEIRO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. DEDUÇÃO COMO DESPESA DE CUSTEIO. POSSIBILIDADE. O contribuinte que obtém rendimentos do trabalho não assalariado pode deduzir no livro-caixa a remuneração paga a terceiro sem vínculo empregatício quando caracterize despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, cabendo à fiscalização justificar a glosa realizada.
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DEDUÇÃO. DESPESAS DE LIVROCAIXA Recorrente SERGIO BASSI GOMES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009 AUTÔNOMO. TRABALHO NÃO ASSALARIADO. LIVROCAIXA. REMUNERAÇÃO PAGA A TERCEIRO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. DEDUÇÃO COMO DESPESA DE CUSTEIO. POSSIBILIDADE. O contribuinte que obtém rendimentos do trabalho não assalariado pode deduzir no livrocaixa a remuneração paga a terceiro sem vínculo empregatício quando caracterize despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, cabendo à fiscalização justificar a glosa realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator), Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 51 37 /2 01 0- 01 Fl. 760DF CARF MF Processo nº 10680.725137/201001 Acórdão n.º 2401005.740 S2C4T1 Fl. 761 2 (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa., Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte que, por unanimidade de votos, julgou improcedente Impugnação apresentada contra Auto de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Física, anoscalendário 2007, 2008 e 2009, tendo sido apuradas as seguintes infrações: (1) Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoa Jurídica: Fato Gerador 31/12/2007 Valor de R$ 6.800,00 Multa de 75%, Fato Gerador 31/12/2008 Valor de R$ 10.600,00 Multa de 75% e Fato Gerador 31/12/2009 Valor de R$ 1.705,00 Multa de 75%; e (2) Dedução Indevida de Despesas de LivroCaixa: Fato Gerador 31/12/2007 Valor de R$ 314.799,00 Multa de 75%, Fato Gerador 31/12/2008 Valor de R$ 333.444,00 Multa de 75% e Fato Gerador 31/12/2009 Valor de R$ 166.290,00 Multa de 75%. O contribuinte apresentou impugnação parcial, considerada tempestiva, alegando, em síntese: a) Não reconhece a omissão do rendimento informado pela Prefeitura Municipal de Morro do Pilar /MG para o anocalendário de 2007, pois o rendimento em questão é pertinente ao anocalendário 2006, devidamente declarado na retificadora recibo n° 37.47.62.63.3590. b) As despesas lançadas no Livro Caixa como pagamento a terceiros autônomos, sem vínculo empregatício, caracterizamse como despesas de custeio necessárias à manutenção da receita e à manutenção da fonte produtora, logo passíveis de dedução Lei 8.134, de 1990, art. 6°, III; IN SRF n° 15, de 2001, art. 51, III; Regulamento do Imposto de Renda RIR, art. 75, III; Perguntas e Respostas, item 400; Parecer Normativo CST nº 392, de 1972; e Ato Declaratório Normativo CST nº 16, de 1979). Como prova, junta contrato de prestação de serviços com a Prefeitura Municipal de Grão Mogol, contratos com os prestadores de serviço e comprovantes de rendimento pagos. c) Pede a desconsideração do lançamento dos rendimentos da Prefeitura Municipal de Morro do Pilar relativos a 2006 e a declaração de nulidade do lançamento das despesas relativas ao pagamento de terceiros sem vínculo empregatício. Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10680.725137/201001 Acórdão n.º 2401005.740 S2C4T1 Fl. 762 3 Do Acórdão prolatado pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, em síntese, se extrai: a) A Prefeitura Municipal de Morro do Pilar, CNPJ 18.303.214/000100, informou em Declarações de Imposto Retido na Fonte o pagamento de R$6.800,00 para o impugnante, nos anos calendário 2006 e 2007. Logo, há omissão dos rendimentos. b) Admitese a dedução de despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6, III). Nos contratos juntados pelo impugnante, firmados com diversos Municípios do Estado de Minas Gerais, consta a informação de o mesmo prestar serviços de auditoria e consultoria contábil e financeira, utilizandose da mão de obra de diversos profissionais autônomos. Logo, não se tratam de despesas de custeio, mas de exercício das atividades inerentes ao ramo de atividade do impugnante em afronta ao inciso I do art. 6º da Lei nº 8.134, de 1990. Segundo o Perguntas e Respostas IRPF 2008, considerase despesa de custeio aquela indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo. Cientificado em 27/03/2012, o contribuinte interpôs em 25/04/2012 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) Tempestividade. Intimado em 27/03/2012, requer o recebimento do recurso voluntário. b) A Prefeitura Municipal de Morro do Pilar deve ter informado em duplicidade. Logo, requer que a Prefeitura seja intimada a retificar ou ratificar o pagamento, vez que se trata de notória prestação de informação em duplicidade. c) O Acórdão tomou a exemplificação do Perguntas e Respostas como taxativa, terminando por negar o constante da resposta. O Recorrente é especialista na organização de concursos e licitações públicas em geral, prestação de contas públicas, planos de cargos e salários, Estatuto de Servidores Públicos e presta serviços nessa área a diversos municípios. Os contratos prevêem a terceirização de parte do objeto, serviços auxiliares ou complementares. Para tanto, contratou profissionais especializados, terceirizando parte do objeto contratado, como levantamento dos funcionários públicos, coleta de dados, cálculos, planilhamento, sistematização, levantamentos econômicos no setor público etc. Dado o volume, o Recorrente não tem como executálos pessoalmente, necessitando auxilio especializado para tanto. Inegável tratarse de pagamentos necessários à percepção dos rendimentos, sem o que a execução dos trabalhos contratados seria impossível, não se tratando de deleite ou assuntos pessoais (Lei 8.134, de 1990, art. 6º, III; RIR, art. 75, III; Parecer Normativo Cosit nº 392, de 1970; Ato Declaratório Cosit nº 16, de 1979; e Perguntas e Respostas nº 400 do site da Receita). d) A atuação vinculada não autoriza a aplicação de convicções pessoais, subjetivismos ou preferências dos agentes fiscalizadores/julgadores, nem tampouco de arbítrio. Não se pode exigir tributo por analogia ou interpretação extensiva (CTN, art. 108, §1º). A aplicação e interpretação das regras jurídicas não pode ofender ao princípio da oficialidade e nem conduzir ao absurdo ao ponto de se glosar despesas reais e necessárias à percepção dos Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10680.725137/201001 Acórdão n.º 2401005.740 S2C4T1 Fl. 763 4 rendimentos, apenas por não se ter vínculo empregatício, quando o fisco em suas instruções via site assim faculta. Ao aplicar as normas, o julgador não pode desprezar as condições e situações ensejadoras do pleito, sob o risco de iniquidade. Não há justificativa plausível para imposição tão severa e desproporcional, absurda, confiscatória e atentória ao exercício das funções sociais do empreendedor privado. e) Pede a reforma do Acórdão de piso para se declarar insubsistente/improcedente a exigência e, subsidiariamente, o cancelamento ou redução das multas e penalidades, por se tratar de um imperativo de justiça. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Considerandose a intimação em 27/03/2012 e a interposição em 25/04/2008, o recurso voluntário é tempestivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 33). A confrontação entre a impugnação e as razões do recurso voluntário revela inovação ao se pedir subsidiariamente o cancelamento ou redução das multas e penalidades sob o fundamento de ser um imperativo de justiça. A impugnação instaura (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 14) e delimita (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III, e 17) a lide administrativa e a competência do Conselho Administrativo de Recuros Fiscais limitase ao julgamento de recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 25, II), logo não há como se conhecer de recurso que pretenda a apreciação pedido e causa de pedir não mencionados na impugnação e não submetidos à primeira instância administrativa. Assim, operouse a preclusão consumativa e a apreciação por esse Conselho da matéria não deliberada pela Delegacia de Julgamento ensejaria ofensa aos dispositivos legais citados em evidente supressão de instância1 e violação do princípio da congruência2. Logo, conheço em parte do recurso voluntário, deixando de apreciar o pedido subsidiário. Segundo o recorrente, seria notório que o Município de Morro do Pilar teria prestado informação em duplicidade ao informar remuneração para o contribuinte no anobase de 2007. Contudo, isso não se trata de fato notório, mas de fato alegado em defesa e que demanda prova do contribuinte. Além disso, é incontroverso nos autos que a Prefeitura informou tal rendimento em DIRF pertinente ao anocalendário 2007, tanto que o próprio contribuinte em sede de recurso requer diligência para que a fonte pagadora seja instada a retificar ou ratificar a DIRF. Não se justifica a conversão do julgamento em diligência, eis que já se operou a preclusão probatória (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°). 1 Lei n° 5.869, de 1973, art. 515; e Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15 e 1.013. 2 Lei n° 5.869, de 1973, arts. 128, 183, 294 e 460; e Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15, 141, 223, 329 e 492. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10680.725137/201001 Acórdão n.º 2401005.740 S2C4T1 Fl. 764 5 Discordando do entendimento veiculado no Acórdão de piso, o recorrente sustenta que, com lastro nos contratos firmados com seus contratantes, terceirizava parte dos serviços contratados para trabalhadores autônomos; seriam serviços auxiliares ou complementares. Logo, no seu entender, incorreria em despesas de custeio, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora (Lei n° 8.134, de 1990, art. 6°, III). Em razão desse enquadramento, o contribuinte invoca o Perguntas e Respostas, item 400; o Parecer Normativo CST nº 392, de 1972; e o Ato Declaratório Normativo CST nº 16, de 1979. A leitura dos contratos constantes dos autos revela que os trabalhadores autônomos prestaram serviços inerentes ao objeto dos contratos firmados com os clientes do recorrente. Logo, não estamos diante de despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora (Lei n° 8.134, de 1990, art. 6°, III; Perguntas e Respostas 2008, 3853; Perguntas e Respostas 2009, 3884; e Perguntas e Respostas 2010, 3895), mas de pagamento pelo exercício da própria atividade geradora de receita, hipótese em que só se admite a dedução da remuneração paga para empregado (Lei n° 8.134, de 1990, art. 6°, I). A legislação do imposto de renda não impede que o contribuinte contrate terceiro autônomo para o auxiliar no exercício da própria atividade geradora de receita (atividadefim). Se o fizer, não o toma por empresa (Parecer Normativo Cosit nº 392, de 1970). Mas, se o fizer, os pagamentos não poderão ser deduzidos a título de livrocaixa. Se contratar para atividademeio, poderá deduzir (Ato Declaratório Normativo Cosit nº 16, de 1979). O entendimento veiculado no Perguntas e Resposta constante do site da Receita Federal, a partir das normas invocadas pelo contribuinte, não ampara a leitura efetuada pela defesa, mas a aqui explicitada, como podemos verificar: Perguntas e Respostas Exercício 2008 PAGAMENTOS EFETUADOS A TERCEIROS 397 — São dedutíveis os pagamentos efetuados por profissional autônomo a terceiros? Sim. O profissional autônomo pode deduzir no livro Caixa os pagamentos efetuados a terceiros com quem mantenha vínculo empregatício. Podem também ser deduzidos os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício, desde que caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 6º, incisos I e III; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do 3 DEDUÇÕES LIVRO CAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO 385 — O que se considera e qual o limite mensal da despesa de custeio passível de dedução no livro Caixa? Considerase despesa de custeio aquela indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo. 4 DEDUÇÕES LIVRO CAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO 388 — O que se considera e qual o limite mensal da despesa de custeio passível de dedução no livro Caixa? Considerase despesa de custeio aquela indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo. 5 DEDUÇÕES LIVRO CAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO 389 — O que se considera e qual é o limite mensal da despesa de custeio passível de dedução no livro Caixa? Considerase despesa de custeio aquela indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10680.725137/201001 Acórdão n.º 2401005.740 S2C4T1 Fl. 765 6 Imposto sobre a Renda (RIR), art. 75, incisos I e III; Parecer Normativo Cosit nº 392, de 9 de outubro de 1970; Ato Declaratório Normativo Cosit nº 16, de 1979) Perguntas e Respostas Exercício 2009 PAGAMENTOS EFETUADOS A TERCEIROS 400 — São dedutíveis os pagamentos efetuados por profissional autônomo a terceiros? Sim. O profissional autônomo pode deduzir no livro Caixa os pagamentos efetuados a terceiros com quem mantenha vínculo empregatício. Podem também ser deduzidos os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício, desde que caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 6º, incisos I e III; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), art. 75, incisos I e III; Parecer Normativo Cosit nº 392, de 9 de outubro de 1970; Ato Declaratório Normativo Cosit nº 16, de 1979) Perguntas e Respostas Exercício 2010 PAGAMENTOS EFETUADOS A TERCEIROS 401 — São dedutíveis os pagamentos efetuados por profissional autônomo a terceiros? PAGAMENTOS EFETUADOS A TERCEIROS 401 — São dedutíveis os pagamentos efetuados por profissional autônomo a terceiros? Sim. O profissional autônomo pode deduzir no livro Caixa os pagamentos efetuados a terceiros com quem mantenha vínculo empregatício. Podem também ser deduzidos os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício, desde que caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 6º, incisos I e III; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), art. 75, incisos I e III; Parecer Normativo Cosit nº 392, de 9 de outubro de 1970; Ato Declaratório Normativo Cosit nº 16, de 1979) Portanto, para não se negar validade ao inciso I e nem ao inciso III, ambos do art. 6° da Lei n° 8.134, de 1990, impõese a adoção de interpretação literal/declarativa no sentido de que pode ser deduzida a remuneração paga ao terceiro autônomo tão somente quando restar caracterizada despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, ou seja, despesas como remuneração de contabilista autônomo pela escrituração do livrocaixa do contribuinte, aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo. Logo, a remuneração de terceiro por atividade inerente ao trabalho Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10680.725137/201001 Acórdão n.º 2401005.740 S2C4T1 Fl. 766 7 do próprio contribuinte (prestações de serviços integrantes do objeto contratual devido pelo contribuinte a seus clientes) não se constitui em despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, sendo dedutível apenas se a remuneração for devida para empregado. O entendimento em tela não se apresenta subjetivo, absurdo, desproporcional, iníquo, severo, confiscatório, ofensivo à vedação da exigência de tributo por analogia ou interpretação extensiva ou ao princípio da oficialidade etc. Isso porque, simplesmente se interpretou a legislação nos estritos limites do art. 111 da Lei n° 5.172, de 1966. Isso posto, voto por conhecer do recurso voluntário, indeferir o pedido de conversão do julgamento em diligência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para discordar do seu voto, na parte em que manteve a glosa de despesas escrituradas em livrocaixa referentes a pagamentos a terceiros (autônomos). De início, uma breve síntese dos fatos. O Termo de Verificação Fiscal está juntado às fls. 11/12. Segundo a autoridade fiscal, o contribuinte apresentou recibos de pagamentos a autônomos dentre as despesas de livrocaixa, porém tais valores foram glosados por falta de previsão legal, tendo em vista que só é dedutível a remuneração paga a terceiros quando existente vínculo empregatício (art. 6º, inc. I, da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990). O voto do I. Relator, Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, abonou o ponto de vista do acórdão de primeira instância, ora recorrido, no sentido de que os pagamentos a terceiros se efetivaram por atividades inerentes ao trabalho do próprio contribuinte, ou seja, prestações integrantes do objeto contratual pactuado com os clientes do profissional autônomo, não se constituindo em despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, sendo dedutível apenas quando há vínculo de emprego. Pois bem. Em primeiro lugar, o fundamento da autuação fiscal é bastante frágil, levando em consideração a legislação de regência. Aparentemente, para o agente lançador é irrelevante o tipo de serviço prestado pelos terceiros, já que a dedução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física em relação a pagamento de remuneração a prestador de serviço exige o indispensável vínculo empregatício (fls. 11/12). Além de equivocada, tal interpretação da legislação tributária é contrária à própria orientação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, segundo a publicação "Perguntas Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10680.725137/201001 Acórdão n.º 2401005.740 S2C4T1 Fl. 767 8 e Respostas" disponível no sítio da Internet, a qual afirma que podem ser deduzidos os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício, desde que caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora (art. 6º, inc. III, da Lei nº 8.134, de 1990). Em segundo lugar, observo que a decisão de piso manteve o lançamento por considerar que as pessoas físicas contratadas, sem vínculo empregatício, prestaram serviços de auditoria e consultoria contábil e financeira, ou seja, inerentes ao ramo de atividade do contribuinte autuado. O I. Relator, Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, desenvolveu um raciocínio semelhante, embora com aprimoramento da densidade conceitual, sugerindo fazer a distinção entre atividademeio e atividadefim na contratação de terceiros, para fins de produção de efeitos tributários. Dado que, no caso dos autos, a contratação de terceiro autônomo se deu com a finalidade de auxiliar o exercício da própria atividadefim geradora de receita, a consequência é a indedutibilidade da despesa nos rendimentos decorrentes do exercício da respectiva atividade do contribuinte. Contudo, novamente não me parece uma solução apropriada, ainda mais para dar respaldo à glosa das despesas com remuneração de terceiros nos moldes em que realizada pela fiscalização. Segundo consta, o recorrente é profissional liberal, com formação em contabilidade, especialista em atividades ligadas ao serviço público (fls. 561/588 e 673/680). Como sabido, a tributação como rendimentos do imposto de renda na pessoa física pressupõe o exercício individual da profissão, mesmo que com auxiliares. Cuidase de prestação de serviços. Por outro lado, se a exploração da atividade é colegiada, mediante a participação habitual de outros profissionais, haverá uma venda de serviços, independentemente de vínculo empregatício ou não. Nessa situação, fica configurada a condição de empresa individual equiparada à pessoa jurídica, nos termos do art. 150, inciso II, c/c § 1º, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Além do mais, quando da equiparação à pessoa jurídica, é permitida a dedução de despesas operacionais, tais com serviços prestados por terceiros, desde que necessários à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (art. 299 do RIR/99). Ora, se evidenciada a habitualidade de outras pessoas físicas na prestação de serviços integrantes do objeto contratual devido pelo contribuinte a seus clientes, como expõe o I. Relator, estão presentes, a priori, os requisitos da legislação do imposto de renda para a equiparação à pessoa jurídica. Nesse cenário potencial, caberia à autoridade fiscal, e não à instância julgadora, avaliar as condições do exercício da atividade pelo contribuinte, mediante o aprofundamento da investigação dos fatos, para, caso fosse a hipótese, providenciar a constituição do crédito tributário com base nas normas de tributação específica da pessoa jurídica. Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10680.725137/201001 Acórdão n.º 2401005.740 S2C4T1 Fl. 768 9 Acrescento, ainda, que a documentação carreada aos autos aponta para um vasto campo de atividades desenvolvidas pelo recorrente junto aos municípios contratantes de seus serviços profissionais, desde a participação na organização da estrutura administrativa e de pessoal até a consultoria contábil e financeira (fls. 25/560 e 616/651). Tal circunstância reforça a necessidade de um trabalho fiscal mais bemfeito antes do lançamento, de maneira a identificar a real situação do exercício da atividade do recorrente nos respectivos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009. Inclusive, a princípio, não é possível descartar que as contratações de terceiros, sem vínculo empregatício, para coleta de dados, serviços na área de informática e serviços advocatícios, conforme alguns recibos apresentados, se enquadrem em despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora (fls. 47/61, 73/82 e 96/107). Em suma, tendo em conta a fundamentação da autoridade lançadora, que justificou a glosa das despesas com remuneração paga a terceiros pelo só fato da inexistência do vínculo empregatício, sem nenhum comentário adicional, cabe declarar a improcedência da autuação fiscal. Registro, por fim, que a decisão no contencioso administrativo fiscal não deve extrapolar a fundamentação da glosa das despesas escrituradas em livrocaixa, sob pena de caracterizar inovação da motivação do lançamento, invadindo a função da autoridade lançadora. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer as despesas escrituradas em livrocaixa referentes a pagamentos a terceiros (autônomos). (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 768DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720686/2017-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2009
DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. ATIVIDADE VINCULADA.
O dispositivo da sentença é o ato que realiza a coisa julgada, não havendo imposição temporal ao reconhecimento judicial, reconhece que os efeitos serão terão validade até que novo fato jurídico o modifique.
Aplicabilidade do art. 62§2º do Regimento Interno do CARF.
REPERCUSSÃO GERAL. ART. 62, §2º, DO RICARF.
RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.(RE 585235 QO-RG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-227 DIVULG 27-11-2008 PUBLIC 28-11-2008 EMENT VOL-02343-10 PP-02009 RTJ VOL-00208-02 PP-0087
Numero da decisão: 3201-004.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em na~o conhecer da mate´ria concernente a` recomposic¸a~o da base de ca´lculo do IRPJ e da CSLL e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao Recurso, para que a unidade preparadora, superada a questa~o preliminar (limitac¸a~o temporal da decisa~o judicial), aprecie o me´rito do liti´gio.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (presidente da turma), Laércio Cruz Uliana Junior, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, ausente justificadamente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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TRÂNSITO EM JULGADO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. ATIVIDADE VINCULADA. O dispositivo da sentença é o ato que realiza a coisa julgada, não havendo imposição temporal ao reconhecimento judicial, reconhece que os efeitos serão terão validade até que novo fato jurídico o modifique. Aplicabilidade do art. 62§2º do Regimento Interno do CARF. REPERCUSSÃO GERAL. ART. 62, §2º, DO RICARF. “RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.(RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL00208 02 PP0087 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria concernente à recomposição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao Recurso, para que a unidade preparadora, superada a questão preliminar (limitação temporal da decisão judicial), aprecie o mérito do litígio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 86 /2 01 7- 62Fl. 926DF CARF MF 2 CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (presidente da turma), Laércio Cruz Uliana Junior, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, ausente justificadamente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do Acórdão proferido pela DRJ, que assim relatou o feito: Cuida o presente de inconformidade (fls. 4/24) contra despacho decisório (fls. 843/845) por intermédio do qual restaram consideradas não declaradas as compensações levadas a efeito através do Per/Dcomp n. 29509.25367.140617.1.3.572891 (fls. 847/850), no valor de R$ 6.863.199,55. Tratarseia de direito creditório oriundo de ação judicial objeto de trânsito em julgado, cujo montante inicial do crédito somaria R$ 294.252.912,01. Consigna a autoridade fiscal: Considero não declaradas as compensações apresentadas no PER/DCOMP acima identificado, uma vez que se trata de matéria já apreciada pela autoridade administrativa e não foi reconhecido direito creditório suficiente para extinção de novos débitos por compensação. Nº ação judicial: 00120604320094058300. PER/DCOMP do mesmo crédito objeto de despacho decisório proferido pela autoridade administrativa: 04921.99745.300715.1.7.579908. Ciência do ato administrativo em 29 de junho de 2017 (fl. 842). Inconformado, em 31 de julho de 2017 (fls. 2/3), apresentou o interessado a manifestação de fls. 4/24, por meio da qual, em síntese, requer sejam integralmente homologadas as compensações veiculadas pelo PER/Dcomp n. 29509.25367.140617.1.3.57 2891; alternativamente, requer seja(m): recalculado o valor dos créditos reconhecidos no Fl. 927DF CARF MF Processo nº 16327.720686/201762 Acórdão n.º 3201004.176 S3C2T1 Fl. 155 3 despacho decisório proferido no processo administrativo n. 16327.720338/201795, tendo em vista que teria restado aplicada a taxa Selic em 0,04 ponto percentual inferior ao devido e não teriam sido considerados os créditos constantes das declarações de compensação que elenca; recompostas as bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, excluindo se o montante de R$ 139.108.767,20, equivalente ao somatório de créditos submetidos à tributação dos referidos tributos por ocasião do seu reconhecimento. Pleiteia, por fim, sejam os presentes autos apensados ao processo administrativo n. 16327.720338/201795 e seja consignada a suspensão da exigibilidade dos débitos até o encerramento da discussão administrativa, nos termos do art. 151, III, do Código Tributário Nacional (CTN) e legislação correlata. Assevera que teria impetrado, antes da apresentação da presente inconformidade, mandado de segurança visando à viabilização da discussão administrativa relacionada à declaração de compensação considerada não declarada e a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários respectivos. Defende que a autoridade fiscal teria considerado não declaradas as compensações porque o crédito discriminado no PER/Dcomp n. 04921.99745.300715.1.7.57 9908 teria sido apenas parcialmente reconhecido, ensejando a suposta inexistência do direito creditório acusado na declaração de compensação em causa, bem assim a apresentação de manifestação de inconformidade no âmbito do processo administrativo n. 16327.720338/2017 95. Referido crédito decorreria do trânsito em julgado de decisão judicial reconhecedora da inconstitucionalidade do chamado alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Pis e da Cofins promovido pela Lei n. 9.718, de 1998, decisão a qual, segundo a autoridade PA BELEM DRJ Fl. 860 Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0818.11307.IK1U. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo 16327.720686/201762 Acórdão n.º 0135.016 DRJ/BEL Fls. 4 4 administrativa, não teria reconhecido o direito à compensação atinente a períodos posteriores à propositura da ação correspondente. Alega que a decisão transitada em julgado, diferentemente do entendimento da autoridade fiscal, não impediria a compensação de créditos apurados após o ajuizamento do mandado de segurança. Seria, isto sim, inferência lógica da referida decisão o reconhecimento de que pagamentos futuros com base no dispositivo inconstitucional seriam indevidos, representando o despacho decisório afronta aos princípios da segurança jurídica e da coisa julgada, além de violação ao direito à compensação inscrito no art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996. Assim, quaisquer importâncias recolhidas tomandose a base de cálculo majorada Fl. 928DF CARF MF 4 pela Lei n. 9.718, de 1998, constituiriam créditos passíveis de compensação, ressalvados aqueles alcançados pela decadência, dos quais não teria o contribuinte aproveitadose. Posteriormente, seguindo a marcha processual normal foi proferido o Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2009 DECISÃO JUDICIAL. ALCANCE. DIREITO CREDITÓRIO. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. ATIVIDADE VINCULADA. O dispositivo da sentença constitui o comando que exprime a solução conferida pelo juiz às questões principais a ele submetidas. Evidencia, portanto, o imperativo da decisão, traduzindo a aplicação jurisdicional da norma ao caso concreto e fazendo a coisa julgada. Percebida a ocorrência de obscuridade, contradição, omissão ou mesmo erro material, abrese espaço à interposição de embargos declaratórios. Na falta destes, diante da coisa soberanamente julgada que não determina expressamente a compensação em face de direito creditório proveniente de recolhimentos eventualmente levados a efeito após a prolação da sentença, vêse a autoridade fiscal impedida de fazêlo. Uma vez vinculada e obrigatória a atividade administrativa, inexiste alternativa ao agente fazendário, limitado que se encontra, consoante parágrafo único ao art. 142 do CTN, ao estrito cumprimento da legislação tributária, expressão que compreende leis, tratados, convenções internacionais, decretos e normas complementares. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2009 DECISÃO JUDICIAL. ALCANCE. DIREITO CREDITÓRIO. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. ATIVIDADE VINCULADA. O dispositivo da sentença constitui o comando que exprime a solução conferida pelo juiz às questões principais a ele submetidas. Evidencia, portanto, o imperativo da decisão, traduzindo a aplicação jurisdicional da norma ao caso concreto e fazendo a coisa julgada. Percebida a ocorrência de obscuridade, contradição, omissão ou mesmo erro material, abrese espaço à interposição de embargos declaratórios. Na falta destes, diante da coisa soberanamente julgada que não determina expressamente a compensação em face de direito creditório proveniente de recolhimentos eventualmente levados a efeito após a prolação da sentença, vêse a autoridade fiscal impedida Fl. 929DF CARF MF Processo nº 16327.720686/201762 Acórdão n.º 3201004.176 S3C2T1 Fl. 156 5 de fazêlo. Uma vez vinculada e obrigatória a PA BELEM DRJ Fl. 858 Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0818.11307.IK1U. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo 16327.720686/201762 Acórdão n.º 0135.016 DRJ/BEL Fls. 2 2 atividade administrativa, inexiste alternativa ao agente fazendário, limitado que se encontra, consoante parágrafo único ao art. 142 do CTN, ao estrito cumprimento da legislação tributária, expressão que compreende leis, tratados, convenções internacionais, decretos e normas complementares. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não ReconhecidoInconformada com a r. decisão, o contribuinte apresentou Recuso Voluntário, repisando os mesmo argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade para DRJ, buscando reforma para não se limite o reconhecimento do crédito até o trânsito em julgado da decisão judicial e devendo reconhecer o valor integral pleiteado do crédito; recalculo dos valores para correta aplicação da taxa SELIC; e ad argumentandum homologação das bases de cálculo do IRPJ e CSL; É o relatório. Voto Conselheiro Relator Laércio Cruz Uliana Junior O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Para melhor compreensão do caso se faz necessário compreender o que foi ficado no Processo Judicial, inicialmente a sentença foi parcialmente procedente fixando: I determinar que os recolhimentos do PIS e da COFINS deverão ter por base de cálculo o faturamento decorrente da prestação de serviços bancários (Leis Complementares nrs. 07/70 e 70/91); II após o trânsito em julgado da presente Ação (art. 170A11 do CTN, com redação dada pela LC 104/2001), reconhecer o direito creditório da Impetrante efetuar a compensação de parcelas vencidas do PIS e da COFINS com parcelas vincendas e vencidas de tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, desde que sejam próprios, com o cumprimento das diretivas do art. 74 da Lei n° 9430/9612,mediante a chancela do Fisco Federal, que poderá exercer o poder de fiscalização na empresa a fim de averiguar a Fl. 930DF CARF MF 6 regularidade dos recolhimentos dos valores recolhidos indevidamente demonstrados às fls. 45/356; III) aplicar ao crédito apurado, correção monetária e juros de mora pela taxa SELIC até a publicação da Lei n° 11.960/29.06.2009, e, a partir de 30.06.2009 (data da publicação da indicada lei), haverá a incidência, uma única vez até a efetiva compensação, dos índices oficiais de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança Diante de tal fato, a Fazenda Nacional e o Contribuinte apresentaram Recurso de Apelação perante ao TRF5, que julgou: Ademais, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 357.950, sob a relatoria do Ministro Marco Aurélio, entendeu pela constitucionalidade do então impugnado art. 80 da Lei no 9.718/98 (majoração da alíquota da contribuição de 2% para 3%), bem assim pela desnecessidade de edição de lei complementar para a majoração de contribuição cuja instituição se deu com base no art. 195, I, da Constituição Federal. É de se registrar ainda que, diante do caráter declaratório do direito à compensação ora assegurado, bem como a limitação temporal decorrente da prescrição qüinqüenal, entendo que se deva afastar a restrição imposta pela sentença de a compensação se limiar ao que demonstrado através dos DARF's de fls. 45/356, haja vista que a efetiva comprovação do montante a compensar deve se dar na própria esfera administrativa, a partir do reconhecimento do direito a compensar. Quanto à correção monetária e juros de mora do indébito tributário, entendo inaplicável o disposto no art. 10F da Lei n. 9.494, sendo o caso de incidência dos índices da Taxa Selic, conforme reiterada jurisprudência. Ante o exposto, nego provimento à apelação do autor e dou provimento ao apelo da União para declarar prescritos todos os valores que antecedem o qüinqü.nio anterior ao ajuizamento da ação, de modo que somente podem ser objeto de compensação aqueles concernentes ao qüinqü.nio que antecede a propositura da demanda. Apelação do particular parcialmente provida para afastando a limitação imposta na sentença relativa aos DARF's de fls. 45/356, reconhecer que os juros de mora e correção monetária do indébito tributário se dão pelos índices da Taxa Selic. Nessa esteira, foi apontada algumas falhas pela Fazenda Nacional e o Contribuinte em Relação ao Acórdão proferido, que foram devidamente sanados pelo Relator, vejamos: Fl. 931DF CARF MF Processo nº 16327.720686/201762 Acórdão n.º 3201004.176 S3C2T1 Fl. 157 7 Onde se lê (fl. 610) "Ante o exposto, nego provimento à apelação do autor e dou provimento ao apelo da União para declarar prescritos todos os valores que antecedem o qüinqü.nio anterior ao ajuizamento da ação, de modo que somente podem ser objeto de compensação aqueles concernentes ao qüinqü.nio que antecede a propositura da demanda.", leiase "Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO À REMESSA OFICIAL E DOU PROVIMENTO AO APELO DA UNIÃO para declarar prescritos todos os valores que antecedem o qüinqü.nio anterior ao ajuizamento da ação, de modo que somente podem ser objeto de compensação aqueles concernentes ao qüinqü.nio que antecede a propositura da demanda.". Onde se lê (fl. 615) "Apelação da União provida para declarar prescritos todos os valores que antecedem o qüinqü.nio anterior ao ajuizamento da ação, de modo que somente podem ser objeto e compensação aqueles concernentes ao qüinqü.nio que antecede a propositura da demanda.", leiase "REMESSA OFICIAI PARCIALMENTE PROVIDA E APELAÇÃO DA UNIÃO PROVIDA para declarar prescritos todos os valores que antecedem o qüinqü.nio anterior ao ajuizamento da ação, de modo que somente podem ser objeto de compensação aqueles concernentes ao qüinqü.nio que antecede a propositura da demanda.". Onde se lê (616) "Decide a. Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 5a Região, por 'unanimidade, dar provimento à apelação da União e dar parcial provimento à apelação do particular, nos termos do voto do Relator, na forma do relatório e notas taquigráficas que passam a integrar o presente julgado.", leiase "(...) DAR PARCIAL PROVIMENTO À REMESSA OFICIAL, DAR PROVIMENTO À APELAÇÃO DA UNIÃO E DAR PARCIAL PROVIMENTO À APELAÇÃO DO PARTICULAR (...).". Diante do exposto, dou parcial provimento aos embargos declaratórios para corrigir omissão no relatório e para excluir do voto parte do texto que discorre sobre a Lei 10.637/02 e a Lei 10.833/03 e para, de ofício, incluir no julgado anterior o parcial provimento à remessa oficial. Seguindo a marcha processual normal, ocorreu o trânsito em julgado, ficando fixada a seguinte tese: I. declarou a inconstitucionalidade do § 1°, do art. 3", da Lei n° 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS; (sentença) II. que somente após o trânsito em julgado em reconhecer o direito do Contribuinte realizar compensações; Fl. 932DF CARF MF 8 III. o Fisco poderá realizar fiscalização para verificar as regularidades dos recolhimentos; (sentença) IV. correção monetária pela taxa SELIC (acórdão) V. que encontrase prescritos os valores que antecedem o quinquênio anterior ao ajuizamento do Mandado de Segurança; VI. que deve ser comprovado na própria esfera Administrativa o direito de compensar; (Acórdão) Com isso o Contribuinte se insurge em razão da decisão da DRJ que limitou o direito dos créditos até o trânsito em julgado. Ocorre, que compulsando os autos, notase, que na peça exordial do Mandado de Segurança foi requerido que fosse realizada a declaração de inconstitucionalidade do § 1°, do art. 3º., da Lei n° 9.718/98, mantendo os efeitos para o futuro e não se limitando apenas aos créditos gerados até o trânsito em julgado. Pois bem! É claro que quando proferida decisão judicial à Administração Pública vinculase a tal ato, não podendo Administrativamente extrapolar os limites que foram estabelecidos na decisão Judicial. Ademais, se atendo detalhadamente as decisões judicias proferidas, conclui que não foi limitado qual o período que cessaria os efeitos da decisão judicial, ou seja, pode se compreender que tratase de período indeterminado. É de ressaltar se fosse o caso de à sentença ter limitado o período da eficácia da sentença, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, encontrase vinculado nos termos do art. 62, §1º., II, b, do Regimento Interno, devendo observar os julgamentos em Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal, nesse sentido: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL02343 10 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Ainda corroborando, notase que § 1º. foi revogado em 2009, pela Lei 11.941. Concluo que é de reconhecer que os efeitos da decisão judicial não se limitou ao trânsito em julgado, tendo o Contribuinte o direito ao crédito até que ocorra mudança fática Fl. 933DF CARF MF Processo nº 16327.720686/201762 Acórdão n.º 3201004.176 S3C2T1 Fl. 158 9 jurídica, diante disso, deve ser anulado o despacho decisório da DEINF/SPO para analisar o período não homologado, verificando a regular constituição do crédito; ainda, verificando se existe suficiência de créditos para quitação dos débitos e recalculado pela taxa SELIC, de qualquer sorte, vislumbro que restou prejudicada analisar o pedido da recomposição de cálculo do IRPJ e CSL. Ante o exposto, VOTO POR DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator (assinado digitalmente) Fl. 934DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.003068/2010-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 12/04/2003
ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
NULIDADE DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Não tendo sido identificada qualquer nulidade no procedimento administrativo fiscal, há de ser afastada esta preliminar suscitada.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO.
A súmula CARF nº 126, de observância obrigatória por parte deste Colegiado, sedimentou que a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
MULTA ADMINISTRATIVA. SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA.
As multas dispostas no art. 107 do Decreto-lei nº 37/1966 deverão ser aplicadas sempre que houver subsunção do fato à norma.
Numero da decisão: 3002-000.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 12/04/2003 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. NULIDADE DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Não tendo sido identificada qualquer nulidade no procedimento administrativo fiscal, há de ser afastada esta preliminar suscitada. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. A súmula CARF nº 126, de observância obrigatória por parte deste Colegiado, sedimentou que a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. MULTA ADMINISTRATIVA. SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. As multas dispostas no art. 107 do Decreto-lei nº 37/1966 deverão ser aplicadas sempre que houver subsunção do fato à norma.
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AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. NULIDADE DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Não tendo sido identificada qualquer nulidade no procedimento administrativo fiscal, há de ser afastada esta preliminar suscitada. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. A súmula CARF nº 126, de observância obrigatória por parte deste Colegiado, sedimentou que a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. MULTA ADMINISTRATIVA. SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. As multas dispostas no art. 107 do Decretolei nº 37/1966 deverão ser aplicadas sempre que houver subsunção do fato à norma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 30 68 /2 01 0- 19 Fl. 255DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 73 dos autos: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 26/04/2010, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa regulamentar, no valor de R$ 5.000,00, em virtude dos fatos a seguir descritos. Empresa de transporte internacional/prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta/agente de carga, deixou de prestar as informações sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executou, identificadas em Tabela anexa, parte constante deste Auto, na forma e no prazo estabelecidos pela RFB, na Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007 e Ato Declaratório Executivo Corep n° 3, de 28 de março de 2008. O Siscomex Carga (Sistema Integrado de Comércio Exterior) da Receita Federal do passou, a partir de 31 de março de 2008, a registrar eletronicamente o controle de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidade de carga em todos os portos alfandegados do pais, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB n.° 800, editada em 27 de dezembro de 2007. O autuado deixou de cumprir o prazo estabelecido para prestação de informações relativas a chegada de veículo procedente do exterior, o que ensejou a aplicação de penalidade prevista na legislação em vigor. De acordo com o relato da autoridade aduaneira, em 18/12/2010, foi protocolado o PCI Eqvib de n° 09/802.253 solicitando o desbloqueio, no Sistema CARGA dos CE relacionados às fls. 7, relativo ao Manifesto de n°. 1519502329611 e Escala 09000376691. Por ter sido registrado fora do prazo estabelecido em norma, foi gerado o bloqueio automático pelo sistema. Desta forma, lavrouse o auto de infração em face da empresa responsável pela prestação de informações à Receita Federal do Brasil, multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/66, com nova redação dada pela Lei n°. 10.833/2003, tendo em vista a não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 01/06/2010 (fls. 20), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 01/07/2010, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 21 à 30, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante em sua defesa alegou os seguintes pontos: Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11128.003068/201019 Acórdão n.º 3002000.532 S3C0T2 Fl. 255 3 Tendo em vista que dois fatos têm origem na mesma escala de um único navio, os Autos de Infração supra devem ser apensados por força do princípio da conexão ou da continência. Posto isto, e em face da suposta infração que sujeita a defendente ao recolhimento da multa de R$ 5.000,00, os processos fiscais retro mencionados devem ser julgados simultaneamente pelos Ilustres Julgadores, de modo que seja analisada a incidência da suposta multa numa única vez, considerando os termos da defesa que se faz a seguir, sob pena de nulidade. É notório que a defendente não deixou de prestar informação sobre o veículo ou carga nele transportada, porque os fatos dizem mais do que as palavras. O pedido feito pela defendente, na data de 18/12/2010, para desbloqueio de vários CE’s no sistema CARGA, que fora protocolado sob n°. PCI Eqvib n°. 09/802.253 e 09/802.254, teve por objetivo em primeiro lugar prestar as informações necessários ao fisco de que as cargas condizentes aos CE's foram mantidas a bordo do navio “M/V PLUTO LEADER” Viagem SB995, diante da impossibilidade de movimentá las para descarga em Santos, quando aqui atracou, o que somente veio a acontecer na viagem de retorno à Santos, quando então mediante a expedição de conhecimento “em serviço” ocorreu a descarga dos volumes retidos a bordo. Esse tipo de ocorrência de extrema necessidade operacional ocorreu em momento que não permitia ao Operador de Carga, Agente Marítimo ou Armador atender o dispositivo legal na forma e tempo exigida em lei, diante da imprevisibilidade do fato. A dificuldade para descarregar a carga em Santos surgiu justamente no momento de realizar a dita operação neste porto, tendo o Agente Marítimo se obrigado de mantêla a bordo para descarregála em Santos no retomo da embarcação por impossibilidade técnica. É o que ocorreu neste caso, quando o navio se encontrava atracado no porto de Santos ao pretender descarregar a carga previamente destinada ao referido porto, não pôde realizar tal operação porque nesse momento a descarga das mercadorias estava obstruída por outras de outra destinação. Em razão disso, as cargas permaneceram a bordo da embarcação para serem descarregadas no retorno da embarcação à Santos, e nesse interregno solucionou o problema da obstrução que existia anteriormente. Ora, situação como esta, por óbvio, irá esbarrar nos exíguos prazos estabelecidos na lei específica, não permitindo, inclusive, ao operador de carga, dispor de alternativa que não lhe acarrete a multa pretendida pelo fisco. possa desobrigar a parte tida como infratora da multa prevista.. Tratase, pois, de navio de características próprias (conteinerizado), de modo que tais imprevistos somente serão conhecidos justamente no momento de descarga, quando então o fator operacional fica impossibilitado de dar sequência à faina. Como se vê, não havia outra alternativa ao Agente Operador de Carga senão aquela providência que fora tomada na época dos fatos que pudesse garantir a descarga das mercadorias destinadas à Santos. Não sendo, portanto, admissível que fato desta natureza, ainda assim, possa ser passível de multa por infringência ao texto legal supra, que serviu de esteio para Fl. 257DF CARF MF 4 lavra dos Autos de Infração, por se tratar de procedimento impossível de ser atendido no prazo estabelecido. A pretensão da penalidade imposta pelo poder público, se contrapõe aos fatos produzidos à época, que bem demonstram que estã havendo um excesso na aplicação da lei. Por essa razão, não se pode interpretar a inclusão do dito conhecimento “em serviço” (retorno da carga), como embaraço ou empecilho à fiscalização, situações totalmente distintas do que efetivamente ocorreu. Não havendo, como de fato não há, de parte da defendente deliberada ação dolosa ou criado embaraço/empecilho com o fim precípuo de dificultar à fiscalização, nenhuma penalidade poderá lhe ser imposta. Como a infração apontada foi comunicada ao Órgão Fazendãrio ANTES do início de qualquer procedimento fiscal, não se pode falar na aplicação da multa prevista na Lei 10.833/2003, pois foi a própria defendente quem deu ciência a essa r. repartição das alterações de descarga das mercadorias, apresentando, logo em seguida, as informações pertinentes para que o procedimento tomasse o curso normal. Ademais, a denúncia espontânea da infração exclui o pagamento de qualquer penalidade, nos exatos termos do art. 138 Portanto, como a infração apontada foi comunicada ao Órgão Fazendãrio ANTES do início de qualquer procedimento fiscal, não se pode falar na aplicação da multa prevista na Lei 10.833/2003, pois foi a própria defendente quem deu ciência a essa r. repartição das alterações de descarga das mercadorias, apresentando, logo em seguida, as informações pertinentes para que o procedimento tomasse o curso normal. Ademais, a denúncia espontânea da infração exclui o pagamento de qualquer penalidade, nos exatos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional, combinado com o art. 102 do Dec.Lei 37/66. Por todo o exposto, a defendente, invocando os doutos suplementos dos Ilustres Julgadores, requer de Vossa Senhoria se digne de determinar o apensamento dos autos de infração em atenção aos termos da preliminar argüida, e, ato contínuo julgar insubsistente o auto de infração em tela em face dos termos da defesa retro mencionados, com supedãneo na jurisprudência emanada dos eminentes Órgãos Julgadores da instância administrativa, e na prova documental registrada por meio de petitório protocolado sob n°. EQVIB 09/802.25, de 18.12.2010, que clamam pelo cancelamento definitivo da autuação e o seu arquivamento, por ser medida de lídima justiça. A 23ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo decidiu baixar os presentes autos em diligência, através da Resolução nº 16.000.296, de 26 de fevereiro de 2013, indagando à autoridade preparadora o seguinte: · Esclarecer se os fatos constitutivos neste processo são originários do mesmo navio, viagem e data de escala daqueles constituídos no processo n°. 11128.002889/201020. Às folhas 67/68 do processo digital, a autoridade preparadora esclareceu que: · O processo 11128.002889/201020 trata de Auto de Infração lavrado em razão do descumprimento do prazo previsto no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/1966, em relação ao manifesto eletrônico 1509502329425, o qual estava vinculado à escala n° 09000376691, do navio PLUTO LEADER, viagem 006N. · Já o processo 11128.003068/201019 trata de Auto de Infração lavrado em razão do descumprimento do prazo previsto no artigo Fl. 258DF CARF MF Processo nº 11128.003068/201019 Acórdão n.º 3002000.532 S3C0T2 Fl. 256 5 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/1966, em relação ao manifesto eletrônico 1509052329611, o qual estava vinculado à escala n° 09000376691, do navio PLUTO LEADER, viagem 006N. O contribuinte juntou aos autos sua impugnação (fls. 21/30) acompanhada de procuração e cartão de identificação do Ministério da Fazenda (fls. 31/32). Intimado (fls. 34 e 51) a apresentar os documentos de constituição e representação da empresa, o contribuinte juntou os documentos de fls. 36/50 e 53/57. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO:OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 12/04/2003 A empresa de transporte internacional deixou de prestar informação sobre carga transportada. Por expressa disposição legal, quaisquer pessoas, físicas ou jurídicas, que, de qualquer forma, contribuam para a prática do ilícito devem responder solidariamente. Em momento algum a exigência ora discutida viola os princípios da legalidade e hierarquia das normas, pois não está calcada em Portaria, mas sim em artigo de Lei. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé e ocorrência de efetivo dano ao Erário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Além dos fundamentos consignados na ementa, o acórdão (fls. 72/101) acolheu a arguição de que as multas aplicadas neste processo e no processo 11128.002889/201020 possuem a mesma origem e decidiu manter a multa aplicada no presente e exonerar a aplicada no outro processo. Afirmou a importância do controle aduaneiro não apenas para fins tributários, mas também para atender a outros interesses da sociedade, como a segurança nacional, razão pela qual tal controle não constitui faculdade, mas poderdever para as artes envolvidas. Afastou a arguição de denúncia espontânea, por entender que houve um ato da fiscalização que motivou o agir do contribuinte, qual seja, o bloqueio do sistema. Afirmou, também, ser objetiva a responsabilidade por infrações aduaneiras. O contribuinte apresentou petição às fls. 105/117, na qual informou uma lista de processos nos quais é interessado e juntou uma série de documentos às fls. 118/180 com a finalidade de regularizar a sua representação processual em cada um dos processos. Acerca do acórdão, o contribuinte foi intimado em 19/12/17 (vide AR à fl. 186/187 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor interpôs, tempestivamente (vide registro de solicitação de juntada à fl. 191 dos autos, com data de 13/01/18), Recurso Voluntário (fls. 192/226). Fl. 259DF CARF MF 6 Em seu recurso, o contribuinte argumentou, preliminarmente: i) ilegitimidade passiva por inexistência de responsabilidade do agente marítimo pelo pagamento de multas, pois o responsável seria o transportador; ii) inexistência de responsabilidade solidária e inafastabilidade da aplicação do princípio in dubio pro contribuinte; iii) nulidade do procedimento por violação aos princípios constitucionais da legalidade, do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, pois a autoridade autuante não teria juntado ao processo os anexos que baseiam suas afirmações, bem como demais elementos de comprovação do ilícito, em prejuízo de sua defesa. No mérito, argumentou: i) necessidade de considerarse o elemento subjetivo da conduta, pois a multa teria caráter penal, e não teria havido qualquer impedimento ao exercício da fiscalização; ii) a aplicação do instituto da denúncia espontânea seria de rigor, seja porque a única exceção prevista para a aplicação é a do caso de perdimento de mercadorias, não sendo este o caso dos autos, seja porque as multas aplicadas por atraso na prestação de informações não teriam natureza acessória. Citou decisões judiciais e administrativas. Pediu, ao fim, que o lançamento seja julgado improcedente, bem como o cancelamento e o arquivamento da autuação. Juntou uma série de decisões administrativas (fls. 215/225) e documento de identificação (fls. 226). O contribuinte foi intimado (fl. 227) a apresentar documentos de representação e identificação. Juntou, assim, a petição e os documentos de fls. 233/250. Consta dos autos, ainda, à fl. 251, certidão com o seguinte teor: Trata o presente de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte em 10/01/2018, fls.192 a 226, (ciência em 19/12/2017). Cabe ressaltar que o recurso foi assinado por procurador na data de 10/01/2018 e a procuração constante do processo possuía prazo de validade até 31/12/2017. Intimado a apresentar documentação que o habilitasse para firmar o ato, enviou procuração com data de 01/02/2018, ou seja, na data que apresentou o recurso, o procurador não dispunha de poderes de representação. Encaminho o processo para análise. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: De início, há de se analisar a regularidade da representação processual da Recorrente. Consoante acima narrado, o Recurso Voluntário fora interposto em 10/01/2018, tendo sido anexada aos autos, nesta oportunidade, procuração com prazo de validade em 31/12/2017. Intimado para fins de regularização da representação processual, a Recorrente anexou aos autos nova procuração, esta datada de 01/02/2018. Ao analisar o caso, entendo que a nova procuração apresentada nos presentes autos é suficiente para suprir a falha de representação indicada. Isso porque, não é coerente se exigir do contribuinte que, diante da intimação recebida para fins de regularização da Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11128.003068/201019 Acórdão n.º 3002000.532 S3C0T2 Fl. 257 7 representação processual, em razão da expiração do prazo de validade da procuração anteriormente outorgada, produzisse nova procuração com data retroativa. O fato de o advogado não possuir, à época da interposição do recurso voluntário, poderes de representação da empresa, no meu entender, encontrase superado por meio da juntada aos autos de uma nova procuração, outorgandolhe tais poderes. Nesse contexto, uma vez juntada aos autos procuração específica para fins de representação do outorgante nos autos do processo em referência, ainda que com data posterior à assinatura do Recurso Voluntário interposto, entendo sanada a falha identificada pelo CARF quanto à representação processual da empresa Recorrente. Logo, entendo que o Recurso Voluntário, além de tempestivo, reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, o contribuinte argumentou, em seu recurso voluntário: 1. preliminarmente: i) ilegitimidade passiva por inexistência de responsabilidade do agente marítimo pelo pagamento de multas, pois o responsável seria o transportador; ii) nulidade do procedimento por violação aos princípios constitucionais da legalidade, do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, pois a autoridade autuante não teria juntado ao processo os anexos que baseiam suas afirmações, bem como demais elementos de comprovação do ilícito, em prejuízo de sua defesa; 2. no mérito: i) necessidade de considerar se o elemento subjetivo da conduta, pois a multa teria caráter penal, e não teria havido qualquer impedimento ao exercício da fiscalização; ii) a aplicação do instituto da denúncia espontânea seria de rigor, seja porque a única exceção prevista para a aplicação é a do caso de perdimento de mercadorias, não sendo este o caso dos autos, seja porque as multas aplicadas por atraso na prestação de informações não teriam natureza acessória. Passo, então, à análise de cada um dos argumentos acima delineados. 1. Preliminarmente 1.1. Ilegitimidade passiva De início, argumenta a contribuinte que seria parte ilegítima para figurar no polo passivo da presente demanda, em razão da inexistência de responsabilidade do agente marítimo pelo pagamento de multas, pois o responsável seria o transportador. Defende que, diante da inexistência de responsabilidade solidária, seria inafastável aa aplicação do princípio in dubio pro contribuinte. Em sua defesa, Traz à colação, ainda, julgados do STJ e o teor da súmula nº 192 do TFR. Entendo que não assiste razão ao contribuinte em seus fundamentos, consoante restará devidamente esclarecido em sucessivo. A súmula nº 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos assim dispõe: O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei n° 37, de 1966. Sabese, contudo, que o conteúdo desta súmula já foi há muito superado pela jurisprudência pátria. Fl. 261DF CARF MF 8 Sobre o tema objeto da presente contenda, inclusive, foi proferida pelo STJ decisão em sede de recursos repetitivos (REsp 1.129.430), que tratou sobre a legitimidade da solidariedade tributária do agente marítimo em relação ao transportador estrangeiro. Por meio da referida decisão, o STJ assentou que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei nº 2.472/88 (que alterou o art. 32, do DecretoLei nº 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, porque inexistente previsão legal para tanto. Entretanto, concluiu que, a partir da vigência do Decreto Lei nº 2.472/88, já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário. Isso porque, foi o DecretoLei nº 2.472/1988 que instituiu a responsabilidade do transportador, como se vê do teor do art. 32 do Decretolei nº 37/66: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988); II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) E, nos moldes do inciso II do parágrafo único acima transcrito, responde solidariamente o representante, no país, do transportador estrangeiro. Logo, não resta dúvidas que, no caso vertente, que versa sobre fato gerador ocorrido em 2003, não há mais óbice para que o agente marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no país, seja responsabilizado solidariamente com este, em relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11128.003068/201019 Acórdão n.º 3002000.532 S3C0T2 Fl. 258 9 Nesse mesmo sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, a exemplo do Acórdão nº 9303003.276, oriundo de julgamento realizado em 05/02/2015, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE IMPORTAÇÃO Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO.O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis. Recurso Especial da Fazenda provido. E, uma vez verificada a inexistência de qualquer dúvida acerca da responsabilidade do agente marítimo no caso concreto aqui analisado, decorrente, inclusive, de expressa previsão legal, não há que falar em aplicação do princípio do in dubio pro contribuinte. Há de ser afastada, portanto, a alegação de ilegitimidade passiva do Recorrente. 1.2. Nulidade do procedimento administrativo ausência de juntada ao processo dos anexos que embasam a autuação Ainda preliminarmente, defende a recorrente nulidade do procedimento por violação aos princípios constitucionais da legalidade, do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, pois a autoridade autuante não teria juntado ao processo os anexos que baseiam suas afirmações, bem como demais elementos de comprovação do ilícito, em prejuízo de sua defesa. De início, importante mencionar que este argumento não fora objeto da impugnação originalmente apresentada pelo contribuinte, tendo sido trazido à baila tão somente por meio do Recurso Voluntário interposto. Contudo, em que pese tal constatação, entendo que este Colegiado deverá se pronunciar sobre esta matéria nesta oportunidade, dado o conteúdo da argumentação apresentada (nulidade do procedimento administrativo). Até porque, é cediço que eventual nulidade do procedimento administrativo poderia ser reconhecida inclusive de ofício. Ultrapassada esta questão preliminar, passo, então, à análise deste argumento. Entendo que não assiste razão ao contribuinte. Isso porque, consoante se extrai da análise dos autos, verificase que o auto de infração encontrase fundamentado nos seguintes fatos: Fl. 263DF CARF MF 10 (...). Da transcrição acima, extraise que o auto de infração em tela encontrase embasado em requerimento apresentado pelo próprio contribuinte por meio do qual requer o desbloqueio dos CE listados, tendo em vista a emissão de manifesto de serviço fora do prazo. Nesse contexto, entendo que a juntada aos autos do referido requerimento, às fls. 15/16 dos autos, é suficiente à instrução do auto de infração combatido. Como se não bastasse, do conteúdo da impugnação e do recurso voluntário interposto no presente caso, é possível constatar que o contribuinte não teve qualquer dificuldade em compreender o conteúdo do auto de infração lavrado, nem teve, em nenhum momento, cerceado o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Nesse contexto, entendo que este argumento preliminar não deve ser acolhido. 2. Do mérito 2.1. Necessidade de considerar o elemento subjetivo da conduta No mérito, defende o contribuinte a necessidade de se considerar o elemento subjetivo da conduta, pois a multa teria caráter penal, e não teria havido qualquer impedimento ao exercício da fiscalização. Entendo que não assiste razão ao contribuinte, consoante será devidamente analisado em sucessivo. In casu, foi aplicada da multa disposta no art. 107, IV, e, do Decretolei 37/66, in verbis: Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11128.003068/201019 Acórdão n.º 3002000.532 S3C0T2 Fl. 259 11 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Omissis) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Omissis) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Como se vê, o referido disposto tipifica a não prestação de informações na forma e no prazo estabelecidos pela SRF. Logo, a prestação de informações fora do prazo encontra expressa previsão legal. E, para tanto, não é preciso que se verifique a existência de dolo específico para esta conduta, ou mesmo efetivo prejuízo ou resultado negativo para fins de justificar a autuação. Como é cediço, a responsabilidade pela prática da infração aqui analisada é objetiva, não sendo necessário atender ao preceito da culpabilidade, ou mesmo se averiguar se houve eventual prejuízo ao erário, ao controle aduaneiro ou à Administração Pública. Nenhum desses elementos, ainda que restassem confirmados, possuiria o condão de afastar a incidência do dispositivo legal em tela, aplicável a todos os casos em que a prática infracional tenha ocorrido, independentemente das condições específicas do caso concreto. Nesse sentido, assim dispõe o Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Esse mesmo entendimento encontra previsão no Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), conforme transcrição a seguir: Art. 673. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, caput). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, § 2º). Logo, uma vez constatado que o contribuinte deixou de cumprir o prazo disposto na legislação de regência, a aplicação da penalidade disposta na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei nº 37, de 1966 apresentase imperativa para a autoridade fiscal. Até porque, sabese que, por força do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade da autoridade autuante é vinculada e obrigatória, sob pena de Fl. 265DF CARF MF 12 responsabilidade funcional. Logo, a legislação pertinente deverá ser aplicada sempre que se verificar a sua hipótese de incidência, tal qual na situação analisada nos presentes autos. Sendo assim, não merece acolhida a fundamentação da contribuinte neste particular. 2.2. Aplicação do instituto da denúncia espontânea. Sustenta o contribuinte em seu Recurso Voluntário, ainda, que estaria configurada no caso concreto a denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do CTN, pois as informações teriam sido prestadas pelo próprio recorrente antes da lavratura de auto de infração. Acontece que, consoante restou pacificado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais por meio da súmula nº 126, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Como se vê, a referida súmula, cuja aplicação vincula este Colegiado, afasta a possibilidade de reconhecimento da denúncia espontânea no caso concreto aqui analisado. 3. Da conclusão Diante das razões supra expedidas, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 266DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13702.000873/2005-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2000
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A entrega da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
Numero da decisão: 1001-000.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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Recorrente MECANICA CERTA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2000 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 2. 00 08 73 /2 00 5- 70 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13702.000873/200570 Acórdão n.º 1001000.919 S1C0T1 Fl. 54 2 mediante o Acórdão nº 1219.681, de 24/06/2008 (efls. 22/25), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) Versa o presente processo sobre o auto de infração (AI) de fl. 4, no qual é exigida da interessada acima identificada multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada DS, relativa ao exercício de 2000, anocalendário de 1999, no valor de R$ 200,00. 2. O lançamento, formalizado no AI nº 483341575, tem o seguinte fundamento legal: art. 106, II, "c", da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (CTN); art. 88 da Lei n° 8.981/95, art. 27 da Lei n° 9.532/97; art. 7° da Lei n° 10.426/2002 e Instrução Normativa SRF nº 166/99 — vide quadro 5. 3. Inconformada com a exigência, a interessada requereu o cancelamento do auto de infração ao interpor a petição de fls. 1 a 3, de difícil entendimento, na qual alega, em síntese, que: i A DS é referente ao ano calendário 1999 e foi feita pelo impugnante em 8/10/2001; ii Se a data limite para entrega da DIPJ é 31/05/2000, a impugnada teria até 31/05/2005 para notificar a impugnante; como a data do lançamento foi em julho/agosto de 2005, transcorreu o prazo prescricional de 5 anos, sendo improcedente e insubsistente a autuação; iii Na apresentação da declaração eletrônica do IR, o contribuinte tornase denunciante do crédito tributário, ficando impedido de questionar quaisquer irregularidade relativo ao mesmo; iv Por força da legislação vigente, o denunciante desiste e renuncia expressa e irrevogavelmente do direito de defesa, ao efetuar o pagamento do auto de infração com desconto; v A multa cobrada como obrigação acessória é indevida pois a remessa de dados feita pelo contribuinte de maneira eletrônica foi feita de forma espontânea, sendo ilegal e inconstitucional o crédito fiscal assim constituído; vi O fisco estadual e municipal não penalizam o contribuinte infrator que espontaneamente cumpre obrigação acessória a destempo; vii Somente a autoridade administrativa tem o poder de lançar obrigação acessória, sendo temerário reconhecêlo a partir de uma simples declaração eletrônica; viii Transferir o procedimento administrativo ao contribuinte é inverter a ordem dos procedimentos, afrontando diretamente o CTN, cerceandolhe o direito de defesa; ix 0 procedimento afronta diretamente os princípios constitucionalmente garantidos, como o do contraditório e o amplo direito de defesa. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13702.000873/200570 Acórdão n.º 1001000.919 S1C0T1 Fl. 55 3 A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento, cujos excertos do voto condutor do acórdão recorrido transcrevese, verbis: 6. A interessada invoca a prescrição do crédito tributário por haver se passado mais de cinco anos entre a constituição do mesmo e a data limite para entrega da DS, sendo improcedente e insubsistente o lançamento. 7. No entanto, não há que se falar em prescrição porque a constituição do crédito tributário se deu em 19/08/05, com ciência da interessada, que se equivocou quanto ao instituto da prescrição, pois se há questão temporal, é sobre decadência. Resta saber se houve o esgotamento do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. 8. Reza o CTN em seu art. 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 9. Ao entregar sua DS intempestivamente em 08/10/2001, a interessada ficou sujeita ao lançamento de oficio pela Fazenda Pública para constituição da multa por atraso na entrega da declaração. Esse lançamento de oficio é direito da Fazenda Pública e tem seu termo inicial no primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (item I do art. 173 do CTN), ou seja, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do ano calendário de 2001 e o termo final do prazo decadencial é 5 anos depois, ou seja, em 31/12/2005. Destarte, não ha que se falar, seja em prescrição seja em decadência. 10. Ao argumento de que, por força da legislação vigente, o denunciante desiste e renuncia expressa e irrevogavelmente do direito de defesa, ao efetuar o pagamento do auto de infração com desconto, opõese o fato de que o impugnante não pagou, seja total ou parcialmente o crédito tributário, pois preferiu exercer o seu direito de ampla defesa através do contraditório, questionando o lançamento. 11. O procedimento fiscal sob ataque não afronta o CTN, à Constituição da República Federativa do Brasil de 1998, e suas Emendas, que se encontram em vigor, ou a qualquer outra lei. Todo ele está pautado na legalidade e a fundamentação para o lançamento é descrito no item 2 acima. 12. Os argumentos de ampla defesa exercida pela interessada, constantes dos subitens i a ix do item 3, acima, não podem ser oponíveis A exigência fiscal, haja vista o caráter estritamente vinculado do lançamento de tributos previsto no parágrafo único do art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tende te a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13702.000873/200570 Acórdão n.º 1001000.919 S1C0T1 Fl. 56 4 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 13. Portanto, uma vez que, segundo consta do AI, a declaração foi apresentada em 08/10/2001, posteriormente a 31/05/2000, data limite para entrega da Declaração Simplificada relativa ao exercício de 2000, anocalendário de 1999, é cabível a multa por atraso exigida. 14. Por todo o exposto, entendo que é procedente o lançamento efetuado. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2000 MULTA POR APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO DA DIPJ. O sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica nos prazos fixados, ou a entregar após o prazo, sujeitarseá à multa por atraso na entrega. Lançamento Procedente. Ciente da decisão de primeira instância em 25/07/2008, conforme Aviso de Recebimento à efl. 28, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/08/2008 (efls. 29/30), conforme carimbo aposto à efl. 29. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso a recorrente alega que foi multada quatro vezes por descumprimento de obrigação acessória, sendo os seus argumentos acolhidos em dois processos. Pede o reexame da questão por entender que as decisões contrárias foram contraditórias às decisões favoráveis. Anexa o acórdão referente ao processo 13702.000873/200570. Tratase novo argumento apresentado em sede de segunda instância, no entanto, analisando o referido acórdão que a recorrente apresenta como decisão favorável ao seu pedido, observase que os fatos relatados divergem dos fatos do presente processo. Assim, não há como comparálos e, consequentemente, não há como existir contradição. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13702.000873/200570 Acórdão n.º 1001000.919 S1C0T1 Fl. 57 5 Quanto ao pedido de reexame da questão, significa uma reapresentação dos argumentos manifestados na impugnação, argumentos estes fundamentadamente afastados, conforme voto condutor do acórdão recorrido transcrito no relatório, o qual entendo que não merece reparos. Portanto, por concordar com todos os seus termos e conclusões, adoto como minha as razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 11844.000029/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2004
EXCLUSÃO DO SIMPLES. LIMITE DA RECEITA BRUTA. EFEITOS.
Confirmada a exclusão da empresa do SIMPLES, em virtude da superação do limite da receita bruta anual para a opção pelo Sistema, os efeitos dessa exclusão, por iniciativa da pessoa jurídica ou de ofício, serão considerados a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que ocorreu a situação
excludente, conforme determinado no inciso IV do art. 15 da Lei nº 9.317/96.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1202-000.927
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Nelson Lósso Filho
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. LIMITE DA RECEITA BRUTA. EFEITOS. Confirmada a exclusão da empresa do SIMPLES, em virtude da superação do limite da receita bruta anual para a opção pelo Sistema, os efeitos dessa exclusão, por iniciativa da pessoa jurídica ou de ofício, serão considerados a partir do anocalendário subseqüente àquele em que ocorreu a situação excludente, conforme determinado no inciso IV do art. 15 da Lei nº 9.317/96. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 84 4. 00 00 29 /2 00 7- 61 Fl. 31DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por 71453814787 - CPF não encontrado. - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/03/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11844.000029/200761 Acórdão n.º 1202000.927 S1C2T2 Fl. 32 2 Tratase de exclusão do SIMPLES da empresa JM Transportes Ltda. pelo Ato Declaratório Executivo nº 05, de 14/03/2007, da DRF em Palmas, TO, fls.07, a seguir transcrito: “Ato Declaratório Executivo — ADE n. 5, de 14 de março de 2007. Declara excluído de oficio do Simples à contribuinte abaixo identificada. O DELEGADO DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL em PalmasTO, no uso da atribuição prevista no art. 250 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n.30, de 25 de fevereiro de 2005; com base na competência que lhe confere o § 3° do art. 15 da Lei n. 9.317, de dezembro de 1996; tendo em vista o disposto nos artigos 9°, 12 a 15 da mesma lei e o contido no processo n.11844.000029/2007 61, declara: Art. 1° Fica o contribuinte, a seguir identificado, excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) a partir de 1° de janeiro de 2005, pela ocorrência da situação excludente abaixo indicada: Contribuinte: J M Transportes Ltda. CNPJ: 03.883.613/000102 Data de opção pelo Simples: 2/6/2000 Evento de exclusão: código 304 — Exclusão do Simples por ultrapassar os limites de receita bruta. Data da ocorrência: 31/12/2004 Fundamentação legal: arts. 9°, 12 a 15 da Lei n. 9.317/96. Art.2° A exclusão do Simples surtirá efeito previsto no inciso IV do art. 15 da Lei n° 9.317/96. Art.3° Poderá o contribuinte, dentro do prazo de trinta dias, apresentar recurso à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n. 70.235, de 6 de março de 1972. Art. 4º Não havendo manifestação no prazo previsto no artigo anterior a exclusão do Simples tornarseá definitiva.” A pessoa jurídica apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 10/12, questionando a edição do ato declaratório excludente, “porque a comunicação e a exclusão devem ocorrer até o último dia útil do mês de janeiro do anocalendário subseqüente àquele em que se deu o excesso de receita bruta, nas hipóteses dos incisos I do art. 9º da Lei nº 9.317/96. A recorrente recebeu o despacho decisório em 20 de março de 2007, portanto, posterior ao prazo fixado em lei”. Em 30 de junho de 2009 foi prolatado o Acórdão nº 0331.902, da 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília, fls. 20/22, que indeferiu a solicitação apresentada, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: Fl. 32DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por 71453814787 - CPF não encontrado. - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/03/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11844.000029/200761 Acórdão n.º 1202000.927 S1C2T2 Fl. 33 3 “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO. LIMITE DE RECEITA BRUTA. EFEITOS. Na hipótese de superação do limite de receita bruta anual permitido para opção pelo Simples Federal, os efeitos da exclusão da sistemática reportamse ao ano calendário subseqüente, tanto se essa exclusão ocorrer por comunicação obrigatória da interessada como por Ato da autoridade competente decorrente da falta dessa comunicação. Solicitação Indeferida” Cientificada em 16/10/09, AR de fls. 25, e novamente irresignada com o acórdão de primeira instância, apresenta seu recurso voluntário protocolado em 23/10/09, em cujo arrazoado de fls. 26/28 reprisa os mesmos argumentos expendidos na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A matéria em litígio diz respeito apenas a validade do Ato Declaratório excludente do SIMPLES de empresa que excedeu o limite da receita bruta no ano anterior, haja vista que em sua defesa a pessoa jurídica acatou a exclusão efetuada, não se manifestando a esse respeito. O despacho Decisório da DRF em Palmas propôs a exclusão da empresa do Simples Federal, com seus efeitos a partir de 01/01/2005, anocalendário subseqüente ao da superação do limite de receita bruta anual permitido para opção pelo SIMPLES, nos termos do item IV do art. 15 da Lei nº 9.317/96. Do Despacho Decisório DRF/PAL nº 113, acostado aos autos às fls. 05/06, extraio o seguinte excerto: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Anocalendário: 2004 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES — Pessoa Jurídica que tenha auferido receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 no ano calendário de 2004 está impedida de permanecer no Simples a partir de 1° de janeiro de 2005. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por 71453814787 - CPF não encontrado. - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/03/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11844.000029/200761 Acórdão n.º 1202000.927 S1C2T2 Fl. 34 4 Fundamentação: Lei n. 9.317/96, art. 9°, inciso I A Lei n. 9.317/96, que trata do regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte, estabelece: Art. 9º Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: 1 na condição de microempresa, que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior à opção, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais); na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: 1 por opção; II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º; Em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal (fls. 2/4), verificase que a sociedade auferiu no anocalendário de 2004 a receita bruta de R$ 1.682.795,88, ultrapassando o limite de R$ 1.200.000,00 permitido às empresas de pequeno porte. Dessa forma proponho que a contribuinte seja excluída da sistemática do Simples com efeitos a partir de 1° de janeiro de 2005”. Os fundamentos apresentados no acórdão de primeira instância para indeferir a Manifestação de Inconformidade da empresa foram os seguintes: “A contribuinte não questiona o fundamento de sua exclusão do Simples Federal, requerendo apenas sua nulidade em razão de suposto equívoco quanto à data a que se reportam seus efeitos. A exclusão em tela foi fundamentada no inciso II do art. 9° da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e seus efeitos são os estabelecidos no inciso IV do art. 15 da mesma lei, in verbis (redação vigente época da ocorrência do motivo da exclusão): Art. 9° Não poderá optar pelo Simples a pessoa jurídica: Fl. 34DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por 71453814787 - CPF não encontrado. - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/03/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11844.000029/200761 Acórdão n.º 1202000.927 S1C2T2 Fl. 35 5 I microempresa, a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais); II empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica que tenha auferido, no anocalendário, receita bruta superior a R$120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$720.000,00 (setecentos e vinte mil reais),II empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano calendário, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) (Redação dada pela Lei n" 9.732, de 11.12.1998) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção. II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º; Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º; A DRF de origem constatando que a contribuinte, no ano calendário 2004, ultrapassou aquele limite de receita bruta válido às empresas de pequeno porte, e não tendo comunicado sua exclusão obrigatória, nos termos previstos no artigo 13 acima transcrito, procedeu à sua exclusão de oficio da sistemática, conforme determina o artigo 14. Nessas circunstâncias, os efeitos da exclusão são determinados pelo artigo 15, inciso IV, ou seja, a interessada fica excluída do Simples a partir de 01/01/2005. A contribuinte equivocase em sua defesa ao confundir a comunicação que ela deveria efetuar obrigatoriamente à Receita Federal do Brasil quando verificou o excesso de receita bruta com a comunicação deste órgão sobre sua exclusão (de oficio) da sistemática. De toda forma, fato é que, em face da situação impeditiva constatada, os efeitos da exclusão reportamse a 01/01/2005 em qualquer das hipóteses, consoante artigo 15 da Lei n° 9.317/96. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por 71453814787 - CPF não encontrado. - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/03/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11844.000029/200761 Acórdão n.º 1202000.927 S1C2T2 Fl. 36 6 Nesse contexto, carece de respaldo a argumentação de nulidade do Ato de exclusão do Simples Federal por incorreção na data a que se reportam seus efeitos.” Sem reparos o posicionamento adotado no acórdão de primeira instância. Incabíveis as alegações apresentadas pela empresa em seu recurso, de que a Receita Federal do Brasil deveria já no ano de 2005 excluíla de ofício do SIMPLES, por esse motivo seria nulo o ato declaratório excludente. Confundese a recorrente com a obrigação imputada a ela pela legislação tributária, quando da verificação da ocorrência de excesso de receita bruta, a comunicação ao Fisco desse fato e a exclusão voluntária do Sistema. Contrariamente ao seu entendimento, a exclusão de ofício pode ser realizada a qualquer momento, por ato declaratório executivo próprio e seus efeitos seguem o determinado no inciso IV do artigo 15 da Lei nº 9.317/96. O art. 15, IV, da Lei nº 9.317/96, prevê que no caso dos autos, cujo fato excludente aconteceu em 31/12/2004, a exclusão do SIMPLES deva refletir seus efeitos a partir do ano subseqüente àquele em que aconteceu a irregularidade. Auferida receita bruta no ano calendário de 2004 em montante superior a R$1.200.000,00, os efeitos da exclusão devem acontecer a partir de 01/01/2005, podendo o ato de ofício acontecer no ano de 2007. Tendo a exclusão de ofício sido realizada em conformidade com o art. 15, IV, da Lei nº 9.317/96, ou seja, “a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido nos itens I e II do art. 9º” da referida lei, não assiste razão à recorrente quando a sua alegação de nulidade do Ato Declaratório Executivo nº 05. Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Relator Fl. 36DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por 71453814787 - CPF não encontrado. - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/03/2013 p or NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 11020.905347/2015-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 53 47 /2 01 5- 13 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11020.905347/201513 Acórdão n.º 3402005.777 S3C4T2 Fl. 0 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório considerou que o crédito informado no PER/DCOMP foi parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida ou a maior e o despacho decisório, que não reconheceu o direito creditório e deixou de homologar a compensação deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11020.905347/201513 Acórdão n.º 3402005.777 S3C4T2 Fl. 0 3 ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.167 manteve o despacho decisório. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.753, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900612/201658, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.753): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11020.905347/201513 Acórdão n.º 3402005.777 S3C4T2 Fl. 0 4 Preliminar A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11020.905347/201513 Acórdão n.º 3402005.777 S3C4T2 Fl. 0 5 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11020.905347/201513 Acórdão n.º 3402005.777 S3C4T2 Fl. 0 6 preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Mérito Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11020.905347/201513 Acórdão n.º 3402005.777 S3C4T2 Fl. 0 7 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11020.905347/201513 Acórdão n.º 3402005.777 S3C4T2 Fl. 0 8 ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11020.905347/201513 Acórdão n.º 3402005.777 S3C4T2 Fl. 0 9 Recurso Voluntário Negado. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratarse de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11020.905347/201513 Acórdão n.º 3402005.777 S3C4T2 Fl. 0 10 acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Taxa Selic A Recorrente questiona a aplicação da Taxa Selic na correção do crédito tributário, argumentando pela ilegalidade do cálculo de juros moratórios sobre débitos tributários. Não assiste razão à Recorrente, considerando a incidência da Súmula CARF 108, que assim dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11020.905347/201513 Acórdão n.º 3402005.777 S3C4T2 Fl. 0 11 Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13841.720404/2017-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2001-000.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 72 04 04 /2 01 7- 10 Fl. 88DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2015, anocalendário de 2014, em que foi apurada omissão de rendimentos. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Curitiba. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 42/54. Em síntese, informa que apresenta Laudo, subscrito por médico pertencente ao Serviço Oficial de Saúde, comprovando a moléstia grave (alienação mental). Anexa documentação comprobatória da natureza dos rendimentos. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13841.720404/201710 Acórdão n.º 2001000.771 S2C0T1 Fl. 3 3 “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” O lançamento, assim como o faz a decisão de primeira instância, fundamenta o não reconhecimento da isenção, ao argumento de que o Laudo não atente o disposto na legislação (não havia ficado claro que o Laudo teria sido emitido por serviço médico oficial) e Fl. 90DF CARF MF 4 de que não foi provado que os proventos recebidos do Município de Espírito Santo do Pinhal são oriundos de aposentadoria. Com o recurso, a recorrente apresenta documentação complementar, suprindo as falhas apontadas pelas autoridades lançadora e julgadora. À f. 59, foi anexada Declaração do Município de Espírito Santo do Pinhal, atestando que o médico que emitiu o Laudo pertence ao quadro de servidores da prefeitura desde 1995. Ademais, comprova a condição de que recebe pensão do mesmo município desde 1978 (documentos de f. 60/63). Desta forma, devem ser aceitos os documentos. Portanto, devese reconhecer o direito à isenção pleiteado pela recorrente, haja vista que foi feita prova neste processo. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014085/2004-97
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
MULTA POR ATRASO.DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1003-000.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 MULTA POR ATRASO.DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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score : 1.0
Numero do processo: 13766.720179/2012-57
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 6. 72 01 79 /2 01 2- 57 Fl. 122DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0736.284 da 3ª Turma da DRJ/FNS, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos fiscais, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Trata o presente processo de Impugnação ao Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional de fls. 8, registrado em 13 de fevereiro de 2012, em face de a interessada ter incorrido na seguinte situação impeditiva: ... Em sua impugnação a Interessada alega que parcelou, em tempo hábil, os débitos motivadores do indeferimento à opção pelo SIMPLES NACIONAL. Tendo inclusive expedida CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA, em 2512012 Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator O presente processo tratase de retorno de diligência, conforme decisão deste egrégio Conselho, proferida em 17 de janeiro de 2018 (fl 102). Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. No Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional foram listados os débitos existentes para os quais a Recorrente juntou a documentação necessária para tentar fazer prova da sua opção por parcelamentos e/ou recolhimentos dos débitos, tempestivamente (até 31/01/2012). A DRJ julgou improcedente a impugnação pelo fato de Em consulta a sistema corporativo da RFB, constatase que dos 6 [seis] débitos apontados no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, somente os de nºs 400538873 e 400538881 foram parcelados, como se vê abaixo: Em seu Recurso, a Recorrente reitera que apresentou a comprovação dos pedidos e termos de parcelamentos bem como anexou cópia destes, além de Certidão Positiva com efeitos de negativa. Assim, em sessão realizada em 17 de janeiro, essa turma concluiu pela conversão em diligência, como segue: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que esta confirme que as provas apresentadas são suficientes para se concluir que os débitos constantes do Termo de Indeferimento estavam com a exigibilidade suspensa em 31/01/2012. A diligência foi realizada e concluída nos seguintes termos (fl 107): Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13766.720179/201257 Acórdão n.º 1001000.900 S1C0T1 Fl. 3 3 ... Com efeito, o inciso V, ao artigo 17, da LC 123/2006, dispõe que a existência de débitos, com a exigibilidade não suspensa, para com as Fazendas Federal, Estadual ou Municipal e para com a Previdência Social, impede a opção pelo Simples Nacional, o que não se comprovou existir, no caso da Recorrente. Portanto, dou provimento ao Recurso Voluntário, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720121/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
Depósitos Bancários. Origem não Comprovada. Presunção de Omissão de Receita.
Os valores creditados em contas bancárias geram presunção juris tantum de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, deixar de comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações.
Confisco. Ofensa a Princípios Constitucionais. Controle de Constitucionalidade. Processo Administrativo Fiscal.
As alegações de confisco e de violação a princípios constitucionais não podem ser examinadas no âmbito do processo administrativo fiscal quando implicar o controle de constitucionalidade de lei ou de ato normativo.
Multa Qualificada. Comprovação do Dolo.
Caracterizado o dolo pela presença de atos simulados e declarações deliberadamente inexatas é cabível a multa qualificada.
Multa Agravada. Livros e Documentos. Falta de Apresentação. Arbitramento do Lucro.
A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando a omissão tenha motivado o arbitramento dos lucros.
CSLL, PIS e Cofins. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão.
Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-003.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao patamar de 150%.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 Depósitos Bancários. Origem não Comprovada. Presunção de Omissão de Receita. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção juris tantum de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, deixar de comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. Confisco. Ofensa a Princípios Constitucionais. Controle de Constitucionalidade. Processo Administrativo Fiscal. As alegações de confisco e de violação a princípios constitucionais não podem ser examinadas no âmbito do processo administrativo fiscal quando implicar o controle de constitucionalidade de lei ou de ato normativo. Multa Qualificada. Comprovação do Dolo. Caracterizado o dolo pela presença de atos simulados e declarações deliberadamente inexatas é cabível a multa qualificada. Multa Agravada. Livros e Documentos. Falta de Apresentação. Arbitramento do Lucro. A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando a omissão tenha motivado o arbitramento dos lucros. CSLL, PIS e Cofins. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão. Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao patamar de 150%. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção “juris tantum” de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, deixar de comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. CONFISCO. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. As alegações de confisco e de violação a princípios constitucionais não podem ser examinadas no âmbito do processo administrativo fiscal quando implicar o controle de constitucionalidade de lei ou de ato normativo. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO DOLO. Caracterizado o dolo pela presença de atos simulados e declarações deliberadamente inexatas é cabível a multa qualificada. MULTA AGRAVADA. LIVROS E DOCUMENTOS. FALTA DE APRESENTAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando a omissão tenha motivado o arbitramento dos lucros. CSLL, PIS E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 21 /2 01 4- 11 Fl. 985DF CARF MF Processo nº 19515.720121/201411 Acórdão n.º 1301003.427 S1C3T1 Fl. 986 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao patamar de 150%. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros. Fl. 986DF CARF MF Processo nº 19515.720121/201411 Acórdão n.º 1301003.427 S1C3T1 Fl. 987 3 Relatório Tratase de recurso interposto por GERVÁSIO CAVALCANTI DE MACEDO e MARIA DOS ANJOS BRITO DE MACEDO, contra o Acórdão nº 0650.110, da 2ª Turma da DRJ Curitiba, que negou provimento à impugnação de ambos os recorrentes, mantendoos no polo passivo da autuação como responsáveis pelo crédito tributário juntamente com a autuada SUPERMERCADO E PADARIA ALBUQUERKES LTDA. ME. A Fiscalização apurou omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nas contas da pessoa jurídica SUPERMERCADO E PADARIA ALBUQUERKES LTDA. ME, cuja existência seria meramente formal, e cujos sócios seriam pessoas físicas destituídas de qualquer capacidade econômica, interpostas de forma simulada a fim de ocultar os recorrentes, verdadeiros responsáveis pelos recursos movimentados. A essa conclusão chegou a autoridade lançadora a partir de documentos fornecidos pelas instituições financeiras, em especial procurações passadas em favor dos recorrentes. A controvérsia foi bem resumida na peça recursal, nos seguintes termos: O Termo de Constatação Fiscal emitido em 12/11/2013 narra, em apertada síntese, os seguintes fatos. No acompanhamento e supervisão das ações fiscais realizadas pela DEFIS/SPO, foram apuradas situações irregulares em comum (notadamente a expressiva movimentação financeira não informada ao fisco) de dez empresas do ramo de restaurante, lanchonete e afins, listadas em um mesmo relatório do COAF. Eis a relação das referidas empresas: Lanchonete e Restaurante Baraosk Ltda; Casa de Chá e Restaurante Republyka Ltda; Restaurante e Lanchonete Itapetininka Ltda ME; Lanchonete Nosso Lanche Ltda. ME; Supermercado e Padaria Albuquerkes Ltda; Lanchonete Rosaliska Ltda ME; Restaurante e Casa de Lanches Novask Ltda; Lanchonete e Padaria Edvaldosque Ltda; JL & JP Lanchonete Ltda ME; Supermercado Rafaesk Ltda; No prosseguimento das diligências, não se constataram indícios de que essas pessoas jurídicas tenham efetivamente se estabelecido em seus endereços cadastrais e operado nas atividades que constituem os objetos sociais registrados (lanchonete, restaurante, bar etc.). As empresas e os respectivos sócios não foram localizados em Fl. 987DF CARF MF Processo nº 19515.720121/201411 Acórdão n.º 1301003.427 S1C3T1 Fl. 988 4 seus domicílios, sendo que a ciência dos atos fiscais deuse por meio de editais afixados em locais de acesso ao público nas Delegacias Tributárias. De posse dos dados, informações e extratos bancários requisitados diretamente das instituições financeiras (por meio de RMFs), o fisco entendeu haver conexão entre as dez empresas, com a formação de um "grupo econômico de fato" que serviria apenas "de fachada" aos reais propósitos dos recorrentes, considerados os controladores e "reais beneficiários da movimentação financeira". Com base em outras diligências e nas informações prestadas pelas administradoras de valerefeição e operadoras de cartões magnéticos, apurouse que o "objeto real de autuação do grupo econômico era o comércio destes vales" ou seja, um sistema de factoring informal. Os recorrentes foram meramente cientificados do "Termo de Constatação Fiscal" e as empresas, intimadas (via edital) a justificar e demonstrar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos movimentados nas contas bancárias mantidas em seus nomes em instituições financeiras. Lavraramse, então, contra as dez empresas Autos de Infração relativos a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em que houve o arbitramento do lucro com base nos valores depositados nas contas bancárias, com acréscimo de juros de mora e multa de ofício à razão de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento). Conforme expressamente consignado no TCF todos os lançamentos foram "apensados uns aos outros para que tenham contenciosos administrativos em comum". Intimados dos "Termos de Sujeição Passiva Solidária", os recorrentes formularam impugnação àquelas peças impositivas, na qual sustentam, em resumo, que: i) os lançamentos de ofício são nulos por conta da ausência de intimação na fase de fiscalização, com o consequente cerceamento do direito de defesa e violação ao devido processo legal; ii) as autuações também são nulas por estarem escoradas em elementos obtidos mediante a ilegal quebra de sigilo bancário e, assim, desprovidos de eficácia probatória; iii) não ficaram caracterizadas as hipóteses previstas no CTN que autorizam a responsabilidade solidária dos recorrentes quanto aos débitos lançados contra as pessoas jurídicas; iv) é inconsistente a presunção em que se baseiam as exações, haja vista a impossibilidade de se estabelecer uma correlação direta entre a movimentação de recursos em contas bancárias e a percepção de receitas; v) o Sr. Gervásio é comerciante (sendo a Sra. Maria dos Anjos uma mera funcionária) que agregou às suas atividades a de comercialização de tíquetes refeição/alimentação, cuja receita se restringe ao valor correspondente ao pequeno percentual de deságio que é cobrado por ocasião da compra desses tíquetes (e nunca ao montante total dos depósitos bancários); vi) a multa de oficio aplicada é abusiva e possui índole confiscatória; bem como é ilegítima a utilização da taxa SELIC como juros de mora em matéria tributária, os quais não incidem sobre a multa de ofício. Fl. 988DF CARF MF Processo nº 19515.720121/201411 Acórdão n.º 1301003.427 S1C3T1 Fl. 989 5 Ao final, os recorrentes pugnaram pelo cancelamento de todas as exigências, com o arquivamento dos autos dos processos administrativos correspondentes, ou que lhes fosse afastada a condição de sujeitos passivos solidários. Ocorre que a E. 2ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA não acolheu nenhuma daquelas razões impugnatórias. Com isso, manteve os lançamentos de ofício e a imputação de responsabilidade solidária em acórdãos com a seguinte ementa: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. AUDIÊNCIA PRÉVIA DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. Sendo o procedimento de lançamento privativo da autoridade lançadora, não há qualquer nulidade ou sequer cerceamento do direito de defesa o fato de a fiscalização lavrar um auto de infração após apurar o ilícito, mesmo sem consultar o sujeito passivo ou sem intimálo a se manifestar, já que esta oportunidade é prevista em lei para a fase de contencioso administrativo. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS OBTENÇÃO. SIGILO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Atribuise a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, I, do CTN. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. Constatado que os ora impugnantes agiram com interesse comum na concretização da hipótese de incidência, ensejando o nascimento da obrigação tributária, havendo ainda concorrido para a prática da infração ou dela se beneficiado, não há que se falar em ilegitimidade passiva. PEDIDO DE AFASTAMENTO DOS INDICADOS COMO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. Indeferese o pedido de afastamento dos indicados como responsáveis solidários da relação tributária, posto que os mesmos além de admitirem a participação no esquema que teve por objetivo máximo lograr o Fisco, não lograram afastar a imputação. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n°9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado Fl. 989DF CARF MF Processo nº 19515.720121/201411 Acórdão n.º 1301003.427 S1C3T1 Fl. 990 6 (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário). Cabe ao Fisco simplesmente provar ocorrência do fato indiciário (depósito bancário); e ao contribuinte cumpre provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. ADEQUAÇÃO DA PRESUNÇÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não cabe ao julgador administrativo discutir se a presunção estabelecida em lei é apropriada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (artigo 116, inciso III, da Lei n° 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de rendimentos (artigo 42, caput, da Lei n°9.430/1996). MULTA AGRAVADA E QUALIFICADA. É exigível a multa de 225% nos casos de evidente intuito de fraude em que o contribuinte deixa de atender seguidamente as intimações da Fiscalização para prestar esclarecimentos. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Os juros de mora são devidos sobre os débitos de qualquer natureza com a União, não liquidados nos devidos prazos, dentre os quais se inclui a multa de ofício. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC. LEGALIDADE. Correta a exigência dos juros de mora, em percentuais equivalentes à taxa Selic, posto que feita com amparo em expressa previsão legal. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO PROCURADOR. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Não resignados, Gervásio Cavalcanti de Macedo e Maria dos Anjos Brito de Macedo recorreram da decisão. Alegaram preliminarmente que houve uma quebra indevida de sigilo bancário, já que as informações foram obtidas diretamente das instituições financeiras, sem qualquer autorização judicial. Não importa se o direito violado é dos recorrentes ou de terceiros, as provas assim obtidas são imprestáveis. Frisaram que as operações bancárias, por projetarem a personalidade do correntista, têm seu sigilo resguardado pela Constituição Federal, não podendo a legislação infraconstitucional dispensar o crivo do Poder Judiciário na quebra do sigilo bancário. Está evidenciado no caso concreto que os créditos tributários constituídos contra as dez empresas encontramse essencialmente fundamentados em informações desprovidas de eficácia probante. Sendo, por essa razão, flagrante o equívoco da DRJ ao não reconhecer a nulidade de todos os lançamentos. Fl. 990DF CARF MF Processo nº 19515.720121/201411 Acórdão n.º 1301003.427 S1C3T1 Fl. 991 7 Os lançamentos não merecem prosperar em virtude de estarem lastreadas em presunção de omissão de receitas baseada em simples depósitos bancários. O conceito de renda é delineado na Constituição Federal e não pode ser ultrapassado pela legislação infraconstitucional. A percepção de receita ou rendimento não se materializa com um simples depósito bancário. Inadmissível, portanto, que se presuma omissão de receitas tão somente a partir de depósitos bancários nas contas do sujeito passivo. Segundo jurisprudência firmada pelo extinto Tribunal Federal de Recursos, na Súmula n° 182, é ilegítimo o lançamento de Imposto de Renda baseado apenas em extratos bancários. A autoridade lançadora não observou as formalidades exigidas pela lei. Existem vícios procedimentais insanáveis nas autuações. A Fiscalização concluiu que as dez pessoas jurídicas autuadas eram apenas empresas "de fachada", sem nenhuma evidência de que tivessem de fato operado nos locais indicados como domicílio tributário. Por conseguinte, se impunha que, antes da lavratura de qualquer autuação com base no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, fossem intimados os recorrentes, para justificar a origem dos valores depositados nas contas bancárias das respectivas pessoas jurídicas, já que eles foram considerados os reais beneficiários da movimentação financeira do grupo. Diante da constatação de que as pessoas jurídicas titulares das contas correntes não possuíam atividade comercial em seus estabelecimentos, era imprescindível que as pessoas físicas consideradas como beneficiárias dos depósitos bancários fossem instadas a esclarecer a origem dos respectivos valores. Isso, entretanto, não ocorreu. Somente as empresas foram intimadas, por edital, a prestar esclarecimentos. Os recorrentes sustentam, ademais, que essa exigência legal não foi suprida pelo envio do Termo de Ciência Fiscal, pois esse documento limitavase a dar ciência da emissão do Termo de Constatação Fiscal TCF, em que eram os recorrentes arrolados como reais beneficiários dos resultados econômicos das dez empresas ali relacionadas. Entretanto, não fazia qualquer menção de que os recorrentes deveriam esclarecer e comprovar a origem dos depósitos realizados nas contas bancárias das pessoas jurídicas, sob pena de os valores serem consideradas como receitas tributáveis. Houve, portanto, um descumprimento do próprio dispositivo legal que serve de fundamento jurídico às autuações. Por outro lado, se os recorrentes foram considerados os verdadeiros beneficiários dos valores, os autos de infração deveriam ter sido lavrados no nome dos recorrentes, como determina o § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, e não no das pessoas jurídicas. Não teria sido observada a forma específica de tributação. Isso porque quando identificada a origem dos depósitos bancários, a apuração da base de cálculo do IRPJ e dos demais tributos deve observar as normas de tributação específicas aplicáveis às receitas omitidas. No caso concreto, a Fiscalização relatou no Termo de Constatação Fiscal que a origem dos valores depositados nas contas bancárias das empresas do grupo não era o exercício das atividades que constavam dos respectivos contratos sociais. Fl. 991DF CARF MF Processo nº 19515.720121/201411 Acórdão n.º 1301003.427 S1C3T1 Fl. 992 8 O Fisco constatou que as empresas não operavam efetivamente atividades de bar, lanchonete, restaurante e congêneres. Estas serviam apenas de fachada para que os recorrentes recuperassem das administradoras de cartões magnéticos de valealimentação e de valerefeição os valores dos cartões, anteriormente adquiridos, com deságio, de comerciantes e usuários. Os recorrente atuariam como uma "factoring informal". Entretanto, a despeito dessa compreensão, ao constituir o crédito tributário, a autoridade lançadora não observou as regras próprias de apuração da base de cálculo para as factorings, reconhecidas pela própria Receita Federal. No caso, a receita bruta é apenas o deságio representado pela diferença entre o valor recebido dos emitentes dos títulos (os vale alimentação e valerefeição) e o valor pago por sua aquisição. Existem precedentes do CARF no sentido de que, na hipótese de exercício da atividade de compra e venda de títulos representativos de direitos creditórios (factoring), somente se considera receita omitida, ainda que se aplique a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, o resultado da subtração dos valores de compra e recebimento dos títulos. Independentemente de se tratar ou não do exercício regular e formal da atividade de factoring, o Fisco deveria ter levado em conta as especificidades dessa atividade ao efetuar o lançamento de ofício. Também foram ignoradas pela Fiscalização diversas transferências de recursos entre as próprias empresas autuadas (item 12 do TCF), quantias que não deveriam ter sido incluídas na autuação, pois resultam em dupla tributação. Tais erros tornam nulo o lançamento, não se admitindo qualquer tipo de revisão a fim de preservar o ato administrativo, mediante eliminação dos vícios, pois isso implicaria modificação de critério jurídico não admitido pela lei. No mais, existe ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da proporcionalidade e da razoabilidade, tendo em vista que as exigências são nitidamente confiscatórias. Isso porque incidirem sobre o próprio valor de face dos vales alimentação e refeição comercializados, e não sobre a receita resultante da operação. Especificamente quanto à penalidade, alegou ser inaplicável a multa de 150%, porquanto a exigência do crédito tributário está lastreada na mera presunção legal de omissão de receitas com base em extratos bancários. Seria igualmente incabível, em relação aos recorrentes, o agravamento da multa para 225%. A multa agravada se justifica apenas na hipótese de não atendimento às intimações do Fisco, conduta que não pode ser imputada aos recorrentes, já que não receberam qualquer intimação durante o procedimento fiscal. Aduziram que lhes foi endereçado exclusivamente o Termo de Ciência Fiscal, que se restringia a dar notícia da emissão do Termo de Conclusão Fiscal, em que os recorrente foram identificados como reais beneficiários dos resultados econômicos das empresas, porém sem intimálos a exibir qualquer elemento. Simplesmente foram informados de que poderiam apresentar impugnação e esclarecimentos que entendessem pertinentes. Fl. 992DF CARF MF Processo nº 19515.720121/201411 Acórdão n.º 1301003.427 S1C3T1 Fl. 993 9 Não houve por parte dos recorrentes conduta reiterada de não atender às intimações da autoridade fiscal. No único documento que lhes enviou, a Fiscalização não formalizou qualquer pedido de exibição de documentos. Com essas razões, pugnou pela nulidade dos lançamentos. A pessoa jurídica autuada, Supermercado e Padaria Albuquerkes Ltda. ME, não interpôs recurso. É o relatório. Fl. 993DF CARF MF Processo nº 19515.720121/201411 Acórdão n.º 1301003.427 S1C3T1 Fl. 994 10 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Os fatos Sublinho os fatos que são a base do lançamento tributário e sobre os quais não há controvérsia relevante, já que os recorrentes se limitaram a questionar aspectos formais do lançamentos e a arguir inconstitucionalidades. Segundo descrito no Termo de Constatação Fiscal, verificouse que diversas empresas tinham em comum as mesmas situações e irregularidades. Todas foram incluídas em um relatório do COAF Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que dava conta da existência de operações financeiras que deveriam ser esclarecidas. A Receita Federal constatou a incompatibilidade das operações financeiras com o porte das empresas que figuravam no relatório do COAF, pois, a julgar pela atividade econômica informada nos respectivos cadastros, todas deveriam ser de pequeno porte. Além disso, os valores movimentados não se encontravam declarados em DIPJ e tampouco em DCTF. O procedimento fiscal revelou que as empresas tinham como objeto atividades de lanchonete, restaurante e afins; que nenhuma delas foi encontrada no endereço constante do CNPJ; e que não havia DIPJ e DCTF para o período. As intimações enviadas, por via postal, para os endereços das pessoas físicas que figuravam no quadro societário, retornaram com a indicação de que os destinatários eram desconhecidos. O Fisco, aprofundando a verificação, percebeu que os sócios eram pessoas físicas destituídas de capacidade econômica para figurar no quadro societário das empresas, sobretudo considerando os valores expressivos das operações financeiras detectadas pelo COAF. Mais que isso, o Fisco constatou que os recorrentes, com procurações que lhes outorgavam amplos poderes de administração, movimentavam os recursos que transitaram pelas contas das empresas indicadas no relatório do COAF. Esses fatos são incontroversos, pois não foram contestados pelos recorrentes, que preferiram, na peça recursal, se ater a questões formais pertinentes ao lançamento e a questões relativas a inconstitucionalidade. Omissão de receitas A infração colhida no procedimento fiscal foi a omissão de receitas, caracterizada pela existência de depósitos bancários de origem não comprovada. O lançamento se fez com fulcro na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, assim redigido: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 994DF CARF MF Processo nº 19515.720121/201411 Acórdão n.º 1301003.427 S1C3T1 Fl. 995 11 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratase de presunção legal de omissão de receitas, de eficácia relativa, podendo ser afastada por prova em contrário a cargo do contribuinte. Instaurase a presunção quando presentes os seguintes requisitos: a) existência de depósitos bancários cuja origem a Fiscalização, pelo exame das informações de que disponha, não conseguir identificar (discrepância entre movimentação financeira e receitas declaradas); b) intimação regular ao sujeito passivo para esclarecer as operações que deram causa aos depósitos; e c) ausência ou insuficiência de esclarecimento. Reunidos tais requisitos, nasce a presunção de omissão de receitas, a qual, sem necessidade de prova de qualquer outro fato ou circunstância, pode dar ensejo ao lançamento de Imposto de Renda e demais tributos. É o que ocorre no caso em exame, em que nenhum dos sujeitos passivos forneceu informações e documentos capazes de esclarecer a origem dos valores depositados nas contas bancárias. Os recorrentes, reportandose implicitamente a uma legislação já superada, disseram não ser juridicamente possível lançar tributo com base em depósitos bancários, sem que a autoridade fiscal aprofundasse a investigação, a fim de demonstrar a existência de outros indícios de omissão de receitas. Com o advento da Lei nº 9.430/1996, deixou de ser necessário, para viabilizar o lançamento com base em depósitos bancários, reunir outros indícios de omissão de receita ou sinais exteriores de riqueza. O art. 42 acima citado veio substituir, no que tange à utilização de extratos bancários, a sistemática prevista no art. 6º da Lei 8.021/1990, que assim dispõe: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. §1° Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. §2° Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. §3° Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. §4° No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. §5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem Fl. 995DF CARF MF Processo nº 19515.720121/201411 Acórdão n.º 1301003.427 S1C3T1 Fl. 996 12 dos recursos utilizados nessas operações. (Revogado pela lei nº 9.430, de 1996) §6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. O caput do art. 6º da Lei nº 8.021 emprega a expressão sinais exteriores de riqueza. A partir desse texto, construiuse a interpretação segundo a qual a faculdade prevista no §5º, que autorizava a utilização de depósitos bancários ou aplicações financeiras para lançar tributo, não prescindia da vinculação de tais depósitos ou aplicações a outros indícios de omissão de receitas. A exigência de conjugar depósitos bancários com outros sinais exteriores de riqueza foi superada com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430. A alteração legislativa veio instituir em favor da Fazenda uma presunção relativa de omissão de receitas, para a qual basta a presença dos requisitos acima apontados. Criouse, portanto, nova sistemática, afastando a prevista no art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021. É possível, de tudo quanto se disse, inferir que a aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430 dispensa qualquer outra prova direta ou indiciária da omissão de receitas. Portanto, podese afirmar que está superada a Súmula 182 do extinto TFR. Quanto à alegação de inconstitucionalidade na obtenção dos extratos bancários, porque requisitados pela autoridade administrativa sem intervenção do Poder Judiciário, cabe lembrar que a questão já foi examinada pelo E. Supremo Tribunal Federal, na ADI nº 2.859DF, ocasião em que se reconheceu a constitucionalidade da norma que permite ao Fisco o acesso aos dados bancários do sujeito passivo. A ementa, naquilo que diz respeito à matéria aqui discutida, foi assim redigida: 4. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Tratase de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § lº, da Constituição Federal. 5. A ordem constitucional instaurada em 1988 estabeleceu, dentre os objetivos da República Federativa do Brasil, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a erradicação da pobreza e a marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais. Para tanto, a Carta foi generosa na previsão de direitos individuais, sociais, econômicos e culturais para o cidadão. Ocorre que, correlatos a esses direitos, existem também deveres, cujo atendimento é, também, condição sine qua non para a realização do projeto de sociedade esculpido na Carta Federal. Dentre esses deveres, consta o dever fundamental de pagar tributos, visto que são eles que, majoritariamente, financiam as ações estatais voltadas à concretização dos direitos do cidadão. Nesse quadro, é preciso que se adotem mecanismos efetivos de Fl. 996DF CARF MF Processo nº 19515.720121/201411 Acórdão n.º 1301003.427 S1C3T1 Fl. 997 13 combate à sonegação fiscal, sendo o instrumento fiscalizatório instituído nos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/ 2001 de extrema significância nessa tarefa. 6. O Brasil se comprometeu, perante o G20 e o Fórum Global sobre Transparência e Intercâmbio de Informações para Fins Tributários (Global Fórum on Transparency and Exchange of Information for Tax Purposes), a cumprir os padrões internacionais de transparência e de troca de informações bancárias, estabelecidos com o fito de evitar o descumprimento de normas tributárias, assim como combater práticas criminosas. Não deve o Estado brasileiro prescindir do acesso automático aos dados bancários dos contribuintes por sua administração tributária, sob pena de descumprimento de seus compromissos internacionais. Os recorrentes alegaram vícios no lançamento em virtude da inobservância de regras específicas fixadas no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. A primeira delas é a falta de intimação específica dos recorrentes para esclarecer, antes da realização do lançamento, a origem dos valores depositados nas contas bancárias. Em primeiro lugar, os titulares das contas bancárias formalmente eram as pessoas jurídicas e estas foram intimadas. Os recorrentes, que geriam as pessoas jurídicas, também o foram através do Termo de Constatação Fiscal. Observese que o termo se destinava exatamente a permitir que todos os implicados pudessem apresentar esclarecimentos, antes da lavratura do auto de infração. O requisito legal, portanto, foi atendido. É importante que se diga que a lei não estabelece uma denominação específica para a intimação. Basta que, por meio dela, se ofereça ao sujeito passivo a oportunidade de esclarecer a origem dos depósitos, antes da realização do lançamento. Essa exigência, como se disse, foi atendida no caso concreto. Os recorrentes alegaram que, se eles foram considerados os verdadeiros beneficiários dos valores depositados, os autos de infração deveriam ter sido lavrados no nome deles e não no da pessoa jurídica. Essa alegação em nada aproveita aos recorrentes, porque, se acolhida, implicaria apenas excluir do polo passivo a empresa, sem alterar a posição jurídica dos demais autuados. A propósito da sujeição tributária, cumpre esclarecer que, em situações em que se constata a prática de atos com violação de lei pelo administrador ou gerente de pessoa jurídica, esta não deve ser incluída no polo passivo se o ilícito tiver sido praticado em seu desfavor, ou seja, se a infração tiver sido cometida pelo administrador em prejuízo da pessoa a quem representava. Ao contrário, quando a pessoa jurídica for instrumento da fraude, ela tem de figurar no polo passivo, para viabilizar a penhora e execução de seu eventual patrimônio. Contra o lançamento também se disse que a Fiscalização, embora tendo identificado a origem dos depósitos como resultante de operações de factoring, não submeteu os respectivos valores às normas de tributação específica, como exige o § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Em primeiro lugar, não parece que a Fiscalização tenha identificado, de forma clara e precisa, a origem dos depósitos. O que existe é uma conjectura, um esforço para entender a lógica do procedimento que envolvia a utilização pelos recorrentes de dez pessoas jurídicas, de existência meramente formal, todas do mesmo ramo de atividade. Fl. 997DF CARF MF Processo nº 19515.720121/201411 Acórdão n.º 1301003.427 S1C3T1 Fl. 998 14 A Fiscalização, entretanto, não conseguiu identificar, com razoável segurança e de forma individual, a origem dos valores depositados nas contas bancárias da pessoa jurídica. Por isso, o lançamento foi feito com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Ademais, para dar tratamento tributário próprio da atividade de factoring era necessário que a pessoa jurídica tivesse sido constituída com esse objeto, e que o Fisco tivesse meios para apurar os valores pelos quais os valesalimentação haviam sido adquiridos. Esses dados, se é que existem, não foram trazidos pelos recorrentes. Por fim, alegouse que a Fiscalização não excluiu do rol dos depósitos sem origem comprovada os valores decorrentes de transferências entre as pessoas jurídicas que, no entender da autoridade fiscal, formavam um grupo econômico. A exclusão pretendida pelos recorrentes só poderia ser feita se a Fiscalização tivesse efetuado um único lançamento, englobando as contas de todas as dez pessoas jurídicas. Entretanto, como os lançamentos foram individuais, tendo cada pessoa jurídica como entidade autônoma, a exclusão pretendida fica inviabilizada. Também foi arguida a ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da proporcionalidade, da razoabilidade e do não confisco. O exame da ofensa a esses princípios não pode ser feita na esfera administrativa, quando isso implica negar vigência à norma legal. É que, no processo administrativo tributário, não é dado exercer controle de constitucionalidade, como dispõe o art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 e a Súmula CARF nº 2. Multa qualificada e agravada Existem precedentes do CARF que rechaçam a aplicação de multa qualificada em lançamento de ofício por omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O CARF, entretanto, mitigou a rigidez daquele entendimento, ao decidir que, na hipótese de interposição de pessoas, a multa qualificada poderia ser imposta, a despeito da utilização de depósitos bancários. Nesse sentido, editou a Súmula 34, hoje com eficácia vinculante. Daí se conclui que é possível, ainda que o lançamento se baseie em depósitos bancários, a qualificação da multa, bastando para tanto que, na situação concreta, se comprove de forma cabal e inequívoca a presença do dolo. No caso dos autos, os resultados econômicos e a movimentação financeira foram ocultados do Fisco, mediante declarações falsas e atos simulados, condutas essas reiteradas ao longo do período, demonstrando a clara intenção dos recorrentes. Portanto, deve ser mantida a multa qualificada. Quanto ao agravamento da multa, o CARF também consolidou o entendimento dominante em verbete de súmula. Tratase da Súmula 96, que assim dispõe: Súmula CARF nº 96 A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Fl. 998DF CARF MF Processo nº 19515.720121/201411 Acórdão n.º 1301003.427 S1C3T1 Fl. 999 15 Neste processo, tanto o IRPJ, quanto a CSLL foram apurados pelo lucro arbitrado. O arbitramento se deu pela falta de esclarecimentos, de apresentação de livros e de documentos. Portanto, à luz da Súmula CARF 96, é inadmissível, no caso em tela, o agravamento da multa do IRPJ e da CSLL. Afastada a multa agravada para o IRPJ e a CSLL, o mesmo se há de fazer para o PIS e a COFINS. Em suma, afastandose o agravamento, a multa fica reduzida ao percentual de 150% sobre o valor do tributo devido e não pago. CSLL, PIS e Cofins Quando os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, como ocorre no caso em tela, há de ser dada a todos a mesma decisão, ressalvados apenas os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe parcial provimento, afastando o agravamento da multa, de modo a reduzir o percentual a 150% do valor do tributo que deixou de ser recolhido em face da omissão de receita. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 999DF CARF MF
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