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Numero do processo: 10530.720014/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO.
Acolhem-se os embargos como inominados para corrigir a inexatidão material devida a lapso manifesto na parte dispositiva do acórdão embargado, a qual deixou de fazer alusão à necessidade de observar, por ocasião da execução do julgado, a determinação para a suspensão do pagamento do imposto.
Numero da decisão: 2401-005.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, na parte em que foram admitidos, e acolhê-los, sem efeitos infringentes, para corrigir a inexatidão material no Acórdão nº 2101-002.392, de 19/02/2014, através de acréscimo na parte dispositiva do acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. Acolhem-se os embargos como inominados para corrigir a inexatidão material devida a lapso manifesto na parte dispositiva do acórdão embargado, a qual deixou de fazer alusão à necessidade de observar, por ocasião da execução do julgado, a determinação para a suspensão do pagamento do imposto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, na parte em que foram admitidos, e acolhê-los, sem efeitos infringentes, para corrigir a inexatidão material no Acórdão nº 2101-002.392, de 19/02/2014, através de acréscimo na parte dispositiva do acórdão embargado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
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INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. Acolhemse os embargos como inominados para corrigir a inexatidão material devida a lapso manifesto na parte dispositiva do acórdão embargado, a qual deixou de fazer alusão à necessidade de observar, por ocasião da execução do julgado, a determinação para a suspensão do pagamento do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, na parte em que foram admitidos, e acolhêlos, sem efeitos infringentes, para corrigir a inexatidão material no Acórdão nº 2101002.392, de 19/02/2014, através de acréscimo na parte dispositiva do acórdão embargado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 00 14 /2 00 8- 74 Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10530.720014/200874 Acórdão n.º 2401005.564 S2C4T1 Fl. 434 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, conforme fls. 346/350, contra o Acórdão nº 2101002.392, de 19/02/2014, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual está juntado às fls. 269/287. 2. Alega o embargante que o acórdão contém os seguintes vícios: (i) inexatidão material, por falta de menção, no resultado do julgamento, ao acolhimento pelo colegiado da determinação para a suspensão do pagamento do imposto, de acordo com o Processo Administrativo nº 0009207 57.2013.8.05.0000, com tramitação perante o Tribunal de Justiça do Estado da Bahia; (ii) erro de fato, porque a decisão no Processo Administrativo nº 000920757.2013.8.05.0000 transitou em julgado antes da sessão de julgamento em que proferido o acórdão embargado; e (iii) erro de fato, porquanto o acórdão embargado deixou de reconhecer como pertinente para tomada de decisão os efeitos do reconhecimento no Processo Administrativo nº 000920757.2013.8.05.0000 da inexistência da matrícula nº 5817, originária das matrículas nº 1879 e 1927. 3. O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 11/11/2014, com interposição dos embargos de declaração em 14/11/2014 (fls. 314 e 346). 4. Tendo em conta que os embargos foram opostos contra decisão de Turma extinta, assim como o redator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a sua admissibilidade foi analisada pelo Presidente da 2ª Seção, a qual o referido colegiado estava subordinado. 5. Os aclaratórios foram parcialmente admitidos por despacho do Presidente da 2ª Seção de Julgamento, tão somente quanto à ocorrência de inexatidão material, com determinação para a sua inclusão em pauta de julgamento, após novo sorteio de relatoria, para a devida apreciação no que tange ao saneamento da inexatidão material apontada pelo contribuinte (fls. 427/432). É o relatório Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10530.720014/200874 Acórdão n.º 2401005.564 S2C4T1 Fl. 435 3 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 6. Cingese a análise dos embargos opostos pelo contribuinte à alegação de existência de erro material no acórdão embargado, na medida em que os demais vícios apontados no recurso pelo embargante foram rejeitados, em caráter definitivo, pelo Presidente da 2ª Seção de Julgamento (fls. 427/432). 7. Na parte devolvida a exame do colegiado, uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos, passo à avaliação de mérito (art. 65, § 1º, e art. 66, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 8. Pois bem. Ao final do seu voto, a relatora do acórdão embargado, conselheira Célia Maria de Souza Murphy, manifestouse a respeito da decisão proferida nos autos do Processo Administrativo nº 000920757.2013.8.05.0000, conforme reproduzido a seguir (fls. 287): (...) Salientamos, por fim, que a decisão proferida nos autos do processo administrativo nº 000920757.2013.8.05.0000 determinou a suspensão do pagamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR correspondente aos imóveis cujas matrículas foram bloqueadas, decisão esta que deve ser cumprida pela repartição de origem, nos termos em que foi exarada. Conclusão Ante todo o exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso voluntário, para restabelecer o valor da terra nua declarado. 9. Em meu ponto de vista, o parágrafo copiado da fundamentação do voto condutor do acórdão embargado diz respeito tão somente a uma observação para chamar a atenção da unidade da RFB responsável pela liquidação e execução do acórdão sobre a existência de decisão proferida pelo Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, com caráter de obrigatoriedade, não atraindo, por outro lado, a necessidade de deliberação do colegiado. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10530.720014/200874 Acórdão n.º 2401005.564 S2C4T1 Fl. 436 4 9.1 Com efeito, consistindo em decisão de cumprimento obrigatório, como dá a entender o voto condutor do acórdão, caberia à unidade da RFB observála quando da execução do julgado, independentemente de qualquer comando em sede do contencioso administrativo. 10. Por tais razões, a falta de alusão na parte dispositiva do acórdão não é resultado de lapso material, tampouco representa algum vício no julgado passível de correção via embargos. 11. Entretanto, na sessão do dia 4 abril de 2018, esta Turma examinou questão idêntica, relativamente ao mesmo contribuinte, no Processo nº 10530.720016/200863, referente ao exercício de 2005. 12. Na ocasião, restei vencido, haja vista que prevaleceu o entendimento entre os conselheiros pelo acolhimento dos embargos, sem efeitos modificativos, para sanar a inexatidão material e alterar a parte dispositiva do acórdão embargado, dada a existência de uma questão a ser decidida no âmbito do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça da Bahia, nos autos do Processo Administrativo nº 000920757.2013.8.05.0000. 13. Em respeito ao colegiado e a própria eficiência da atuação da administração pública, evitandose a elaboração de voto vencedor, acompanho a decisão proferida naquela oportunidade, para o fim de alterar a parte do dispositivo do acórdão embargado, mediante inclusão da informação referente à suspensão do pagamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, nos termos abaixo: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a alegação de nulidade do auto de infração, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para restabelecer o valor da terra nua declarado, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva, que votou por dar provimento ao recurso, devendo a unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de jurisdição adotar as providencias cabíveis, nos termos da decisão do Tribunal de Justiça da Bahia no Processo Administrativo nº 000920757.2013.8.05.0000, que suspendeu o pagamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR. (DESTAQUE DA PARTE ACRESCIDA) Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10530.720014/200874 Acórdão n.º 2401005.564 S2C4T1 Fl. 437 5 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO parcialmente dos embargos, nos limites admitidos pelo despacho do Presidente da 2ª Seção de Julgamento e, no mérito, ACOLHO os aclaratórios, sem efeitos infringentes, para corrigir a inexatidão material no Acórdão nº 2101 002.392, de 19/02/2014, através de acréscimo na parte dispositiva do acórdão embargado, conforme redação transcrita acima. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 437DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.905716/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO
Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
Numero da decisão: 1302-002.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 PROCESSUAL ADMINISTRATIVO NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "nãodeclarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondose, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 57 16 /2 01 2- 17 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10840.905716/201217 Acórdão n.º 1302002.885 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação de crédito resultante de pretenso indébito concernente à CSLL trimestral recolhida no ano de 2012, para quitação do mesmo tributo devido no mesmo ano calendário. Este pedido não foi homologado pela Unidade de Origem, cujo despacho decisório consignou a seguinte motivação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte opôs a sua manifestação de inconformidade para deduzir alegações de nulidade de praxe, comumente apresentadas em processos como o ora analisado, afirmando ser desmotivado o despacho decisório e, mais, ter ocorrido cerceamento de defesa por não ter sido franqueado, à empresa, a produção de provas concernentes ao crédito cuja compensação se postulava. No mérito, afirmou que o crédito teria origem numa genérica assertiva de que a empresa teria incluído na base de cálculo receitas que, a teor de "algumas teses tributárias já julgadas pelo Suprem Tribunal Federal de favorável aos contribuinte, a exemplo (!?) a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinas despesas, etc (?!?). Pediu, ao fim, a produção de prova pericial, sem, inclusive, declinar os quesitos necessários à análise de validade do pedido, a teor dos preceitos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Instada a analisar as razões de insurgência do contribuinte, a DRJ de Ribeirão Preto, inovando o despacho decisório, houve por bem considerar não declarada a compensação deixando, consequentemente, de conhecer da aludida manifestação. Cientificado do conteúdo do acórdão em 04/02/2014, a empresa interpôs seu recurso voluntário em 28/02/2014, por meio do qual, a par de uma "preliminar" de tempestividade totalmente estranha ao feito, basicamente reiterou os argumentos deduzidos em sua manifestação de inconformidade. Este é o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10840.905716/201217 Acórdão n.º 1302002.885 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.872, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.905696/2012 76, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.872): Aos meus pares, vale o destaque: este processo é, virtualmente, idêntico ao PA de nº 3851.903041/201222, cujo acórdão de nº 1302002.642 já foi, inclusive, objeto de publicação. Assim, peço vênia, antes mesmo de me pronunciar sobre a tempestividade e os requisitos de cabimento do RV, para reproduzir todas as razões que lá expus, já que integralmente aplicável ao caso em análise: I Da análise do cabimento do RV e de questão de ordem pública prejudicial. Antes mesmo de me pronunciar sobre o cabimento do recurso, é necessário dirimir questão de relevo surgida apenas com o advento da decisão de primeira instância. Tal como descrito no relatório, a DRJRPO não conheceu da manifestação de inconformidade por entender que o crédito, cuja compensação se postulava, decorreria, a seu ver, de discussão judicial, o que, em tese, atrairia, ao caso, a aplicação da regra encartada no artigo 74, § 12, II, “f”, da Lei n.º 9.430, de 1996. Como a decisão primerva considerou como "não declarada" a compensação, entendeu descabida a manifestação de inconformidade já que, nesta hipótese, caberia tão só o recurso hierárquico a que alude o art. 56 da Lei 9.784/96 (por força da determinação constante do art. 39, § 2º, da IN 900/08, vigente à época da transmissão da declaração de compensação). O grande problema, todavia, é que, a teor do art. 74, § 10, da citada Lei 9.430, só caberia recurso a este Conselho para o caso de improcedência da manifestação inconformidade: § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10840.905716/201217 Acórdão n.º 1302002.885 S1C3T2 Fl. 5 4 Demais disso, reprisese, que, uma vez considerada como "nãodeclarada" a compensação, como já dito, descabe manifestação de inconformidade e, por conseguinte, recurso voluntário; o rito que se segue, neste passo, é, e apenas, aquele descrito na anteriormente citada Lei 9.784. Ou seja, em tese, não nos seria cabível conhecer do recurso voluntário. Todavia, entendo, particularmente, que a DRJ incorreu, no caso, em dois erros, data venia... Primeiramente, o crédito postulado pelo contribuinte não advinha de decisão judicial ou de alegação de inconstitucionalidade, já que, da DECOMP de nº (...), que efetivamente descreve o crédito, a sua origem e natureza, informa, explicitamente, que a pretensão deduzida pelo recorrente não estava fundada em discussão judicial. Insistase, a alegação, por demais genérica, de que haveria ocorrido um indébito em decorrência de eventual discussão judicial ou alegação de inconstitucionalidade de norma adveio, apenas, na manifestação de inconformidade. Por isso, inclusive, que a Unidade de Origem apenas deixou de homologar o pedido da empresa. Como não o fez, à DRJ competia, tão só, se pronunciar sobre a existência ou não do crédito, pena de, inclusive, incorrer em reformatio in pejus (como de fato o fez, já que ao considerar como nãodeclarada a compensação, o órgão Colegiado a quo tornou muito mais gravosa a situação do contribuinte). Vejam bem, a DRF não reconheceu o direito creditório pleiteado porque o contribuinte não cuidou de informálo! Não há, nos autos, notícias de que o recorrente tenha retificado eventuais declarações (DCTF) a fim de permitir à Unidade de Origem inferir a existência de um indébito restituível; tivesse a parte tomado tal providência a DRF cuidaria de intimálo para explicar tal retificação e, apresentadas as considerações constantes da manifestação de inconformidade, aí sim, considerar a aplicação dos preceitos do art. 74, § 12, da Lei 9.430/96. Como tais procedimentos não foram adotados, a DRF, corretamente, deixou de homologar a compensação pela razão já apontada no relatório acima: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10840.905716/201217 Acórdão n.º 1302002.885 S1C3T2 Fl. 6 5 Este o limite da atuação da DRJ; este o limite do objeto da manifestação de inconformidade que deveria ter sido observado pela instância a quo. Uma vez que não homologado o pedido de compensação, o cabimento da citada manifestação de inconformidade é decorrência estrita e lógica da Lei 9.430 (art. 74, § 7º,) e cabia à DRJ dela conhecer para, se assim entendesse cabível, julgála improcedente. No entanto, vale o destaque, o recurso voluntário não atacou o fundamento específico da DRJ; o contribuinte, digase, não se insurgiu, por seu apelo, contra o não conhecimento da sua manifestação de inconformidade nem tampouco questionou as razões que levaram ao colegiado de primeira instância a considerar não declarada a sua compensação. O recorrente, pois, não devolveu à este Conselho a matéria (que, na minha concepção, não encerra, neste ponto, o conhecimento de ofício), tendo, pois, se operado a preclusão neste particular (inteligência do art. 33 do Decreto 70.235/72). Resta a análise do segundo equívoco incorrido pela DRJ. E aqui, a discussão ganha um realce bastante diferente. Ainda que não disponha de artigo específico para determinar a competência para a análise das Declarações de Compensação transmitidas à DRF, a Lei 9.430 a todo momento deixa, quando menos, implícita tal competência (vejase, por exemplo, os preceitos do § 4º do art. 74). Nada obstante, a IN 1.300 (que revogou a IN 900, vigente à época da transmissão da DECOMP objeto deste feito), é suficientemente clara ao dispor, em seu art. 46, caput¸ "a autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 41". O § 8º, deste mesmo preceito, põe um pedra de toque sobre o assunto: O lançamento de ofício da multa isolada de que tratam os §§ 6º e 7º será efetuado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação. A competência, portanto, para considerar não declarada eventual compensação é exclusiva da DRF, cabendo ao Auditor Fiscal o mister de efetuar o lançamento da multa isolada preconizada pelos §§ 6º e 7º. Em linhas gerais, a DRJ não detém competência para considerar não declarada eventual compensação por ventura transmitida pelo contribuinte (até mesmo pelos motivos já suscitados anteriormente, já que as situações descritas no § 12 do art. 74 devem ser apuradas pela Auditoria Fiscal no curso da análise das DECOMP). Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10840.905716/201217 Acórdão n.º 1302002.885 S1C3T2 Fl. 7 6 Atentem, agora, para os preceitos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A luz de tais premissas, temse no caso, hipótese clara e inegável de nulidade do acórdão da DRJ que, inadvertidamente, proferiu decisão sobre matéria que não lhe competia analisar. E a nulidade descrita no art. 59, supra, é, esta sim, matéria de ordem pública conhecível em qualquer grau ou instância, conforme art. 64, §1º, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo por força dos preceitos do art. 15 do mesmo digesto processual civil. Dito isto, a anulação do acórdão ora recorrido é medida que se impõe. II Conclusão. Diante disto, voto por conhecer do recurso voluntário (porque tempestivo) e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau pelas razões expostas anteriormente, determinandose o retorno dos autos à DRJRPO a fim de que proceda à análise do mérito do pedido de compensação objeto desta demanda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 10384.900869/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, o produtor/exportador de produto que não tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo (art. 46 do CTN). Ausência de Provas.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. NÃO APLICÁVEL.
Nos pedidos de ressarcimento acompanhado de declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Numero da decisão: 3401-005.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votavam pelo provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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EXPORTAÇÃO. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, o produtor/exportador de produto que não tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo (art. 46 do CTN). Ausência de Provas. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. NÃO APLICÁVEL. Nos pedidos de ressarcimento acompanhado de declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votavam pelo provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 08 69 /2 01 2- 94 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10384.900869/201294 Acórdão n.º 3401005.121 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/BEL, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos A Contribuinte buscou via PER/DCOMP o ressarcimento de crédito presumido de IPI apurado nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2009 (4º trimestre), no valor de R$ 13.228,99. Em ato contínuo declarou, também, via PER/DCOMP a compensação desse crédito com débitos de IRPJ e CSLL do 3º Trimestre de 2009. Do Despacho Decisório A DRF de Teresina em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório pela não homologação da compensação declarada, pela inexistência de crédito a ser utilizado (rastreamento nº 031029605 de 04/09/2012) e procedeu com a intimação da contribuinte para efetuar o pagamento do débito indevidamente compensado. O Despacho vem fundamentado nos seguintes termos: "Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho". Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com a resposta a ela endereçada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade da qual se destaca os seguintes pontos: (i) que tem direito ao montante do crédito presumido de IPI requerido, pois a Lei nº 9.363/96 não faz restrição ao fato de o produto exportado ser ou não tributado pelo IPI, além da jurisprudência de nossos tribunais ser uníssona nesse sentido e transcreve diversos julgados; (ii) contesta a redução da base de cálculo do crédito presumido com a glosa das aquisições de pessoa física, cooperativa e transferência entre matriz e filial, porque o benefício tem como escopo principal desonerar os produtos finais para exportação, compensandose as contribuições do PIS/Pasep e da COFINS embutidos nos preços das matériasprimas e insumos usados no processo de fabricação, inclusive os recebidos de outro estabelecimento da mesma empresa, acrescidos do material de embalagem. Transcreve vasta jurisprudência a seu favor sobre a matéria. (iii) requer, ainda, o reconhecimento da correção monetária de seu crédito pela SELIC, desde a data do pedido de ressarcimento. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/BEL, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elaborada: Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10384.900869/201294 Acórdão n.º 3401005.121 S3C4T1 Fl. 4 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS “NT”. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Cabe destacar do voto, com relação as demais matérias relacionadas a aquisições de cooperativa, de pessoas físicas e de transferências entre estabelecimentos da mesma empresa, que a decisão de piso atevese ao motivo para o indeferimento, citando a seguinte parte: “Não obstante as considerações anteriores, nos deparamos com impedimento legal para a concessão do Crédito Presumido do IPI requerido nas Per/Dcomps acima discriminadas, tendo em vista que toda a receita de exportação da empresa, no período 01/2009 a 09/2011 seja proveniente do produto quartzito mourisca, classificado sob o código 2506.20.00, da Tabela de Incidência do IPI, classificado NT, que, nos termos do art. 21 § 1º da Instrução Normativa SRF nº 420/2004, não dá direito ao Crédito Presumido do IPI” Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido. Repisa os fatos e argumentos da manifestação de inconformidade, em sua literalidade e pugna por seu acolhimento, julgandose ao final improcedente a glosa realizada. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10384.900869/201294 Acórdão n.º 3401005.121 S3C4T1 Fl. 5 4 A peça recursal limitase a reproduzir aquilo que foi dito na Manifestação de Inconformidade, sem contestar nenhum ponto das razões que fundamentaram a decisão recorrida. A contribuinte, com base em seus registros fiscais, ingressou com pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, nos termos conferidos pela Lei nº 9.363 de 13 de dezembro de 1996, instituído para compensar valores de PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de Matéria Prima, Produto Intermediário e Material de Embalagem utilizados no processo produtivo de produtos destinados ao mercado externo. Estabelece a Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) Vimos, portanto, que a mencionada lei contempla um incentivo fiscal e assim deverá ser tratada, respeitando a literalidade de seus termos, a fim de se evitar eventual prejuízo as partes por falha de interpretação, mesmo que se adote suporte conceitual de outros dispositivos legais. Partindo do texto da Lei nº 9.363/96, art. 1º, temos que quem faz jus ao crédito presumido de IPI é o produtor e exportador de mercadorias nacionais, tendo por finalidade a compensação do PIS e COFINS incidentes nas operações de aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, para utilização no processo produtivo. Já a forma de se calcular o crédito presumido de IPI, art. 2º da Lei nº 9.363/96, dividese em três partes: a 1ª é estabelecer o percentual correspondente a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor/exportador; a 2ª é fazer incidir o percentual encontrado na 1ª etapa sobre o valor total das aquisições de MP, PI e ME adquiridas no mercado interno, cujo resultado podemos chamar de base de cálculo; e a 3ª é aplicar o percentual previsto no § 1º (5,37%) sobre a base de cálculo encontrada na 2ª etapa. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10384.900869/201294 Acórdão n.º 3401005.121 S3C4T1 Fl. 6 5 Quanto a verificação fiscal realizada, embora sendo por amostragem, sobre os documentos fiscais de compra de insumos no período e sua correta escrituração, efetuando glosas referente aquisições de pessoas físicas, de cooperativa e também, de produtos objeto de transferência entre estabelecimentos da mesma empresa, a interessada preferiu defender simplesmente a tese de que o crédito é presumido e todos os custos de produção atinentes a matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, devem ser, irrestritamente, considerados. A lide, portanto, restringese a discussão sobre o enquadramento do produto exportado denominado “quartzitos”, classificado sob o código 2506.20.00 da tabela TIPI, considerada como produto NT, tido como único produto exportados no período, afastando, dessa forma, a totalidade do crédito pretendido. Os argumentos colocados no voto da decisão de piso tem por definição que estabelecimento produtor é todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto (IPI), excluídos aqueles a que correspondem a notação “NT” (nãotributado). Esse, inclusive, foi o entendimento externado pela CSRF 3º Turma, contido no voto vencedor do acórdão nº 9303 004.890 (23/03/2017), que ao analisar os art. 2º e 8º do RIPI/2002, fez a seguinte colocação: Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Com relação a recorrente não há dúvida que a mesma seja estabelecimento industrial, pois o próprio fisco atesta que outros produtos são industrializados por ela e assim foram reconhecidos. A incidência do IPI não se dá pela classificação do estabelecimento, mas sim, se o produto foi ou não industrializado, se passou por alguma etapa do processo de industrialização. O conceito de produto industrializado está definido no art. 3º do Decreto 7.212/2010: “Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida no RIPI como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária”. O que caracteriza industrialização, está definido no art. 4º do mesmo Decreto: Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: I – a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10384.900869/201294 Acórdão n.º 3401005.121 S3C4T1 Fl. 7 6 IV – a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); V – a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Mais adiante, no art. 5º do Decreto 7.212/2010, está relacionado tudo que “Não se considera industrialização” e nenhum de seus itens relaciona o produto de classificação 2506.20.00, ou dos produtos classificados na TIPI como “NT”. Vem contribuir para a presente discussão o julgado a seguir transcrito: O IPI incide sobre o produto, não sobre a produção. Incide sobre o produto industrializado, não sobre a industrialização. Ou, como salientou o Ministro José Delgado, "não é o ato de industrialização que gera a incidência do IPI, posto que este recai no produto objeto da industrialização" (STJ, REsp 216.217/SP, 1ª Turma, DJ de 29/11/1999, p. 130) Em suma, a Constituição não estabelece a tributação da industrialização, mas prevê a incidência do imposto sobre a operação que tem produto industrializado como objeto. Não há, pois, óbice de natureza constitucional de que o contribuinte do IPI seja pessoa diversa daquela que realizou o processo de industrialização. A limitação contida no art. 153, IV, da Constituição diz respeito apenas ao alcance das expressões "produto" e "industrializado". Produto é aquilo que é criado, gerado, elaborado. É o bem com expressão econômica, destinado ao comércio ou consumo. E para estar sujeito à incidência do tributo, o produto deve ser industrializado, o que significa nos termos do art. 46 do CTN, ter sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. (TRF4 501375927.2011.4.04.7108, PRIMEIRA TURMA, Relator JORGE ANTONIO MAURIQUE, juntado aos autos em 08/08/2013). Até aqui poderíamos atribuir razão a recorrente, caso o fato restringisse apenas ao enquadramento do produto objeto da glosa, na classificação em código da TIPI na condição de NT – nãotributado. Mas o que afasta a pretensão da recorrente, do direito de se apropriar de crédito presumido de IPI nas exportações de “quartzitos”, classificação NCM 2506.20.00, é a completa ausência de provas de que o produto passou por algum processo ou submetido a qualquer operação que lhe modificasse sua natureza. Nada foi trazido aos autos em matéria de prova da submissão do produto “quartzitos” ao processo de industrialização. Diante da ausência de qualquer material informativo sobre o produto exportado, objeto de glosa de crédito presumido de IPI, levome a concluir que efetivamente realizouse a exportação de “quartzito” embalado em seu estado natural, na forma como Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10384.900869/201294 Acórdão n.º 3401005.121 S3C4T1 Fl. 8 7 extraído da mina, sem ser submetido a nenhuma operação que o modificasse, impedindo seu enquadramento como produto industrializado. Com relação a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o crédito requerido, a partir do seu pedido, não assiste razão à recorrente. O pedido de ressarcimento veio acompanhado de declaração de compensação, que independentemente do resultado da análise fiscal e do resultado desse julgamento, não restará crédito a ser restituído. Totalmente despiciendo esse pedido. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 103DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.720931/2016-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO CABIMENTO.
Incabível o arbitramento do lucro quando a fiscalização possuir meios hábeis de apuração direta do Lucro Real.
Numero da decisão: 1201-002.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 29/06/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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NÃO CABIMENTO. Incabível o arbitramento do lucro quando a fiscalização possuir meios hábeis de apuração direta do Lucro Real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 29/06/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 09 31 /2 01 6- 79 Fl. 470DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário de 2012. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF fls. 218/228): 1. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, nos termos dos arts. 904, 910, 911, 913, 915, 926, 927 e 928 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), em face da apuração das infrações aos dispositivos legais mencionados nesta peça fiscal. 2. A Fiscalizada é sociedade empresária limitada, presta serviços de logística, CNAE 4930/201 Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigososo e mudanças, municipal; CNAE 4930/202 Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional; 4930/203 Transporte rodoviário de produtos perigosos; 5211/799 Depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guardamóveis; 5212/500 Carga e descarga; e 5250/804 Organização logística do transporte de carga. 3. Com a finalidade de dar início ao procedimento fiscal, expedimos o Termo de Início do Procedimento Fiscal via postal, cuja ciência se deu em 27/03/2015, por meio do qual intimamos a Fiscalizada a atender nos prazos respectivos, dentre outros, os seguintes itens: 1. Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), relativo ao ano calendário de 2012; 2. Recibo de transmissão da Escrituração Contábil Digital ECD; 3. Detalhar mês a mês em planilha nos formatos ".pdf e ".xls" a rubrica "outras despesas operacionais", no valor de R$ 25.063.004,37, conforme linha 34, Ficha 05A, da DIPJ AC 2012 e indicar os registros contábeis correspondentes; 4. No dia 07/04/2015, a Fiscalizada protocola pedido de prorrogação de prazos para o atendimento da intimação para o dia 04/05/2015. Como nada do que foi intimado foi apresentado no prazo solicitado, expedimos Termo de Intimação Fiscal N° 1, com ciência em 20/05/2015, por meio do qual reintimamos a apresentar, dentre outros, os seguintes itens: 1. Detalhar mês a mês em planilha nos formatos ".pdf" e ".xls" a rubrica "outras despesas operacionais", no valor de R$ 25.063.004,37, conforme linha 34, Ficha 05A, da DIPJ AC 2012 e indicar os registros contábeis correspondentes 5. A Fiscalizada apresentou planilha detalhando mês a mês a rubrica "outras despesas operacionais", contudo em nenhum dos Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10882.720931/201679 Acórdão n.º 1201002.262 S1C2T1 Fl. 3 3 trimestres os valores constantes da planilha conferem com os valores informados em sua DIPJ. Destarte, expedimos o Termo de Intimação Fiscal N° 2, ciência em 08/07/2015, demonstrando as diferenças encontradas, para que a Fiscalizada esclareça as divergências encontradas na distribuição dessas despesas nos respectivos trimestres. Outrossim, intimamos a apresentar em planilha no formato ".pdf" e ".xls" detalhando mês a mês as demais despesas operacionais no valor de R$ 46.783.906,82 constante da sua DIPJ AC 2012. Por fim, intimamos a apresentar documentação hábil e idônea de suporte a comprovar as despesas de várias contas contábeis. 6. Em sua resposta, apresentada no dia 03/08/2015, a Fiscalizada confessa que na resposta ao Termo de Intimação N° 1 continha arquivos com nomenclatura e classificação errônea na conta e solicitando que as referidas informações sejam invalidadas e solicita autorização para substituição da DIPJ 2012 e prorrogação de prazo para a apresentação da documentação solicitada. Apresentou a planilha "Memória DIPJ 2012 JOSE MARCOS FERRAREZI.xlsx" cujos valores de "outras despesas operacionais" nos trimestres não conferem com os da DIPJ nem com os valores das planilhas apresentadas anteriormente. 7. Em cotejo das informações contábilfiscais apuradas na escrituração contábil digital SPED Contábil e as correspondentes declaradas na DIPJ e na planilha apresentada foram identificadas diversas diferenças (embora o resultado líquido dos 3 primeiros trimestres estejam iguais), razão pela qual expedimos o Termo de Intimação Fiscal N° 3 para que a Fiscalizada justificasse a diferença. 8. Em resposta a esse Termo, a Fiscalizada apenas esclarece que o SPED Contábil entregue originariamente estava com dados do quarto trimestre zerados e que, portanto, fez novo envio. Nesta ocasião, entrega vários CDs contendo cópia de documentos sem nenhuma organização aparente, os quais foram juntados ao processo. 9. Em análise mais detida sobre a última Escrituração Contábil Digital ECD transmitida, constatamos inúmeros vícios e erros patentes que a tornam imprestável para, por exemplo, identificar a efetiva movimentação bancária. Assim expedimos o Termo de Intimação Fiscal N° 4, ciência em 20/10/2015, para que a Fiscalizada possa de alguma forma justificar e esclarecer vários pontos que pesam sobre sua ECD, que a tornam imprestável, dentre outros, os seguintes itens: [...] 10. Em resposta a este Termo, apresentada em 10/11/2016, a Fiscalizada não afasta a imprestabilidade de sua escrituração contábil por ferirem frontalmente normas e princípios contábeis basilares, notadamente o Princípio da oportunidade e o Princípio da competência descritos nos arts. 6° e 9° da Resolução CFC n° 750/93, porque reconhecem a receita somente no fim de cada mês, além de outros erros mencionados que, de Fl. 472DF CARF MF 4 forma alguma, podem ser aceitos como justificativas satisfatórias para a validação da ECD. Tendo isso em vista, reunimonos com os representantes da empresa e foi acordado o refazimento de toda a escrituração contábil no prazo de um mês, expirado no fim de dezembro de 2015. 11. Enquanto aguardávamos a entrega da nova ECD, expedimos o Termo de Intimação Nº 5, com intuito de identificar o total de sua receita bruta, para que a Fiscalizada apresente os seguintes itens a cumprir: [...] 13. Em 16/11/2015, a Fiscalizada formaliza pedido para entrega da nova Contabilidade. 14. Como não identificamos ainda a receita bruta efetiva da Fiscalizada, expedimos o Termo de Intimação Fiscal N° 6 por meio do qual o reintimamos a apresentar: 1. Apresentar os livros ORIGINAIS abaixo relacionados, relativos ao anocalendário 2012: 1.1 LIVRO DE REGISTROS DE APURAÇÃO DO ISS COM DADOS DA MATRIZ E DE TODAS AS FILIAIS; 2. Cópia em PDF do Livro Registro de Apuração do ISS relativo ao anocalendário de 2012, DA MATRIZ E DE TODAS AS FILIAIS; 3. Arquivos digitais das notas fiscais de serviço emitidas pela pessoa jurídica, DA MATRIZ E DE TODAS AS FILIAIS, em meio magnético, conforme item 4.3 (subitem 4.3.5) do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo (ADE) COFIS N° 25/2010, em extensão .txt, relativos ao ano calendário 2012. 4. FICA INTIMADO a apresentar planilha com totais de receita bruta anual da matriz e filiais para o anocalendário de 2012. 15. Em 11/02/2016, a Fiscalizada apresenta: (i) relação de notas fiscais de serviços da Prefeitura do Município de Itapevi, juntamente com planilhas de totalização mensal dessas notas fiscais e as do Município de São Paulo; (ii) vários arquivos ".txt" que pelo conteúdo são Livros de Registro de Saídas Modelo 2 A relativos a diversos estabelecimentos; (iii) planilha com totalização mensal de receita por filial, totalização trimestral geral de receita "fiscal" e totalização trimestral geral de receita "Razão"; (iv) reapresenta as duas páginas que seriam do LALUR, parte A e B, e recibo de entrega de nova escrituração contábil digital com data de 05/02/2016. 16. Do resultado da análise de tudo o que fora apresentado em resposta ao último Termo de Intimação expedido, vimos a necessidade de expedição de Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 07. [...]: 1. Apresentar os livros ORIGINAIS abaixo relacionados, relativos ao anocalendário 2012: 1.1. LIVRO DE REGISTROS DE NOTAS FISCAIS DE SERVIÇOS (MATRIZ E DE TODAS AS FILIAIS); Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10882.720931/201679 Acórdão n.º 1201002.262 S1C2T1 Fl. 4 5 1.2. Cópia em PDF do LIVRO DE REGISTROS DE NOTAS FISCAIS DE SERVIÇOS relativo ao anocalendário de 2012, DA MATRIZ E DE TODAS AS FILIAIS; 2. Tendo em vista que na planilha apresentada em resposta ao Termo de Intimação anterior constam três valores para a receita bruta (líquida, fiscal e razão), apresentar nova planilha com totais de receita bruta mensalmente, assim considerada a que compreende o total do valor dos serviços prestados conforme redação original do art. 12 do DecretoLei 1.598/77, da matriz e filiais para o anocalendário de 2012, segregadas por tipo de atividade. Outrossim, observase que não constam dados da receita bruta relativa à filial sediada no Município de Pouso Alegre MG, CNPJ 01.125.797/000540, em operação desde 27/10/2001. Explicar e justificar esse fato. 3. Informar dados dos lançamentos contábeis (número do lançamento, data, códigos das contas etc) correspondentes às notas fiscais de serviços emitidas abaixo relacionadas: Para: CREMER S/A, CNPJ 82.641.325/004539, NF 878, Data emissão: 11/06/2012; Valor R$ 42.632,00; Para: CREMER S/A, CNPJ 82.641.325/004539, NF 900, Data emissão: 04/07/2012; Valor R$ 55.305,02; Para: CREMER S/A, CNPJ 82.641.325/004539, NF 903, Data emissão: 18/07/2012; Valor R$ 286.254,72; Para: CREMER S/A, CNPJ 82.641.325/004539, NF 910, Data emissão: 06/08/2012; Valor R$ 44.991,39; Para: GRB DISTRIBUIDORA FARMACEUTICA, CNPJ: 85.295.250/000392, Data emissão: 04/10/2012; Valor R$ 60.666,63; (Dados obtidos junto à Prefeitura de Itapevi). 17. Os itens 1 e 2 dessa intimação visam a confirmar a receita bruta, bem como verificar se a Fiscalizada possui os livros contábeis e fiscais exigidos por lei. Já o item 3, visa a identificar se a escrituração contábil permite conhecer lançamentos individualizados relativos à geração de receita, ou seja, lançamentos de emissão de notas fiscais de serviços. 18. Em 16/03/2016, a Fiscalizada responde a intimação, apresenta o LALUR 2012, contendo praticamente nenhuma informação a respeito de adições e exclusões, somente dado sobre prejuízo no período. Justifica os lançamentos efetuados em conta bancária da CEF, cuja titular é uma filial e não a matriz. E como esperado não atende ao item 3 da intimação fiscal, relativo aos dados sobre lançamentos de emissão de notas fiscais de serviços, simplesmente porque não há esses lançamentos em sua ECD. Da imprestabilidade da Escrituração Contábil Digital ECD 19. Como visto anteriormente, existem várias contas contábeis devedoras do Ativo com saldo credor. No entanto, as causas desses fatos são por nós conhecidas. Primeiramente, porque a Fiscalizada não respeita princípios contábeis basilares em sua ECD tais como os Princípios da oportunidade e da competência porque não reconhece os fatos contábeis quando ocorrem, mas Fl. 474DF CARF MF 6 quando há recebimento de valores ou quando há pagamentos de despesas; ou porque faz uso de lançamentos agregados semanalmente, como admitido pela Fiscalizada, ou mensais como sugerem os históricos de alguns lançamentos que identificamos: "Serviços prestados CTRCS mm/aa". 20. Essa situação não é controversa, é admitida pela Fiscalizada conforme podemos observar em sua resposta apresentada em 16/03/2016. Vejamos. Sobre saldos credores em contas devedoras do Ativo assim justifica em sua resposta: "... alguns lançamentos contábeis devido à importação acabaram gerando num determinado em contas com saldo invertidos no ativo circulante que em seguida, após lançamentos, volta a ter natureza devedora no decorrer do mês e no fechamento trimestral...". Continua a Fiscalizada em sua tentativa de justificar os saldos credores do Ativo: "... o lançamento entrou em momento diferente do desencaixe no caso da conta caixa e em seguida voltou a ter natureza devedora." 21. Num certo modo, a Fiscalizada, em sua resposta, detalha a situação de sua ECD por nós mencionada, como pode ser observado nos trechos aqui reproduzidos, "5 O regime de competência de acordo com a Resolução do CFC 750/93, não esta acima da lei e não tem força de Lei, portanto, o reconhecimento da receita pode ser diário a cada lançamento, semanal ou mensal, desde que o contribuinte tenha razão auxiliar". Ocorre que intimidado para identificar lançamentos de emissão de notas fiscais em sua ECD, a Fiscalizada não o fez, porque não existem essas informações, tanto para lançamentos relativos a receitas quanto para despesas, não sendo possível, portanto, a confrontação concreta de receitas e despesas de forma individualizada. 22. Noutro ponto mais esclarecedor, a Fiscalizada confessa, ipsis litteris, "Desta forma solicitamos a essa fiscalização que leve em consideração os lançamentos semanais versus os recebimentos diários, pois em contrário teríamos saldo credor até o fechamento do mês o que não faria sentido." 23. Em outro ponto conclusivo acerca da imprestabilidade da escrituração contábil para determinar o lucro real, a Fiscalizada assim descreve: "Temos razão auxiliar desta conta que é o próprio livro fiscal desmembrado (sic).."... Fica claro então que somente pela escrituração contábil, pela confrontação concreta individualizada de lançamentos contábeis de receitas e despesas, não é possível determinar o lucro real. [...] Do arbitramento do Lucro e da Apuração do Crédito Tributário do IRPJ e reflexos 25. Assim, ante todo o exposto, restanos o arbitramento do lucro com fundamento no art. 47, inciso II, b, da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, a seguir transcrito, e o consequente cálculo do imposto sobre a renda e das contribuições sociais reflexas com base nos critérios legalmente estabelecidos. Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10882.720931/201679 Acórdão n.º 1201002.262 S1C2T1 Fl. 5 7 II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: b) determinar o lucro real. 26. O lucro arbitrado, como dispõe o art. 1° da Lei 9.430/96, será apurado trimestralmente. A Fiscalizada tem por objeto social, no período ora fiscalizado, a prestação de serviço de transportes de cargas. O lucro arbitrado será determinado mediante a aplicação do percentual de oito por cento, acrescido de vinte por cento, sobre o valor da receita bruta auferida, conforme disposto nos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.249/95: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1° Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento. 27. De acordo com as informações prestadas pela Fiscalizada em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 7, sua receita bruta está assim totalizada mensalmente. Mês CRTC NF Total jan/12 6.244.258,54 440.452,76 6.684.711,30 fev/12 7.100.354,62 312.032,50 7.412.387,12 mar/12 9.314.267,38 367.056,64 9.681.324,02 abr/12 8.304.312,79 312.210,43 8.616.523,22 mai/12 8.395.711,16 317.465,37 8.713.176,53 jun/12 7.788.511,41 263.314,05 8.051.825,46 jul/12 8.497.874,79 293.070,11 8.790.944,90 ago/12 9.290.437,99 348.030,84 9.638.468,83 set/12 8.661.425,52 592.903,44 9.254.328,96 out/12 9.527.030,60 383.750,91 9.910.781,51 nov/12 9.217.300,72 590.112,92 9.807.413,64 dez/12 8.715.636,80 396.592,14 9.112.228,94 Total 101.057.122,32 4.616.992,11 105.674.114,43 28. Calculado o IRPJ devido, cumpre deduzir para fins de apuração dos valores a serem exigidos, as quantias do imposto sobre a renda retido na fonte pelas empresas contratantes, relativos aos rendimentos informados em DIRF, que, no caso, há Fl. 476DF CARF MF 8 apenas o valor de R$ 15,17 relativo ao mês de outubro de 2012. Registrese que não há valores pagos em 2012 a título de IRPJ. 29. Como consequência da apuração do IRPJ pelo Lucro Arbitrado, devemos exigir ainda os valores devidos a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com supedâneo nos arts. 55 da Lei 8.981/95 e 20 da Lei 9.249/95, e da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, pelo regime cumulativo, conforme reza o art. 8°, inciso II, da Lei 10.637/2002 e art. 10, inciso II, da Lei 10.833/2003 respectivamente. [...] Após cientificada a contribuinte apresentou impugnação (fls. 277/328). Alega, em síntese, que o arbitramento é medida excepcional, não podendo ter sido aplicado nessa situação particular. A empresa apresentou inúmeros livros e documentos contábeis e fiscais e atendeu todos os termos de intimação prévios ao lançamento, razão pela qual a adoção do critério eleito constituiria ato ilegal. Aduz que pretendeu retificar a DIPJ no curso da ação fiscal, mas que houve ilegal negativa por parte da autoridade fiscal responsável; que as informações prestadas ao fisco municipal de Itapevi/SP possibilitariam a realização plena de auditoria da base de cálculo dos tributos; que sempre atendeu as intimações fiscais; que a causa da autuação suposta divergência entre a movimentação bancária e a fiscal não prospera; e que o CARF possui o entendimento no sentido de não cabimento do arbitramento do lucro quando constatados meros erros ou equívocos pontuais na contabilidade apresentada. Em Sessão de 26 de janeiro de 2017, a 3a Turma da DRJ/RPO julgou a impugnação improcedente por meio de Acórdão fls. 347/380, que possui a seguinte ementa: ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO DEFICIENTE. APLICABILIDADE. Impõese o arbitramento do lucro quando a escrituração contábil e fiscal do contribuinte (inclusive o LALUR) contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável à determinação o lucro real. LANÇAMENTOS DECORRENTES. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicarseão igualmente no julgamento de todas as exações. O contribuinte foi intimado da decisão de primeiro grau em 16/02/2017 (fl. 385) e interpôs recurso voluntário (fls. 388/466) no dia 09/03/2017, por meio do qual reitera as alegações de defesa. É o relatório. Voto Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10882.720931/201679 Acórdão n.º 1201002.262 S1C2T1 Fl. 6 9 Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. A Contribuinte optou, em relação ao ano calendário de 2012, à sistemática do lucro real trimestral, tendo apurado prejuízo fiscal e base negativa. Entretanto, o fisco procedeu ao arbitramento dos lucros para fins de cobrança de IRPJ e CSLL, sob a alegação de que a ECD (Escrituração Contábil Digital) restaria imprestável à apuração do Lucro Real, assim concluindo: 24. Esta Fiscalização reconhece que esgotou todos os meios para a apuração do lucro real dando oportunidade a Fiscalizada de transmitir nova ECD. Ao longo desta Ação Fiscal nos deparamos com diversas divergências entre as informações fornecidas pela Fiscalizada em suas respostas e os dados obtidos de sua ECD; entre as informações constante de sua DIPJ e a obtidas em sua ECD; além das falhas contábeis apontadas. Outrossim, a Fiscalizada intimada e reintimada não apresentou os arquivos digitais das notas fiscais de serviço emitidas conforme Ato Declaratório Executivo COFIS N° 25/2010. Tudo isso somado evidencia a falta de controle contábil da Fiscalizada de modo a assegurar com segurança a determinação do lucro real. No presente caso, cumpre ressaltar que a ECD apresentada no inicio da ação fiscal foi considerada deficiente e substituída a pedido da contribuinte. Outra ECD foi transmitida no curso da ação fiscal, ECD esta que, embora tenha sido recepcionada, também foi considerada imprestável. Ao final do trabalho fiscal após 12 meses de auditoria , a fiscalização manteve o entendimento de que a escrita contábil da contribuinte não reuniria condições para determinação do lucro real. Na impugnação, o contribuinte sustenta que a contabilidade apresentada e os esclarecimentos oportunamente realizados são suficientes para apuração do lucro real, ainda que sujeita a ajustes de oficio em face de erros ou equívocos pontuais. Em seguida o contribuinte buscou infirmar uma a uma as constatações fiscais. Após confrontar as razões de ambas as partes, a DRJ assim concluiu: [...] as razões do arbitramento são muito mais amplas do que a motivação apontada pela Impugnante acima destacada. Aliás, conforme já exposto no relatório e inicio do voto deste Acórdão. Tais razões encontramse objetivamente abordadas no TVF, dentre elas: i) a falta de Livro Razão contendo a escrituração individualizada de todas as despesas (com observância da legislação comercial), Fl. 478DF CARF MF 10 ii) a não comprovação e inviabilidade para verificar a maior parte das despesas deduzidas; iii) a falta de confiabilidade da escrituração das receitas, na qual não se observou o principio da competência; aliás, a omissão de receitas na DIPJ, reconhecida pela própria Contribuinte ao atender a Fiscalização foi de R$ 3.996.311,96 (R$ 105.245.625,23 apontado na auditoria, contra R$ 101.249.313,27 declarada na DIPJ), somente essa diferença é maior que todo o prejuízo declarado; iv) a imprestabilidade do LALUR apresentado, o qual não contem uma adição sequer. Pois bem. Observando tudo que consta dos autos, não tenho como concordar com a decisão de piso, uma vez que o arbitramento é método excepcional que só deve ser utilizado quando restar demonstrada a imprestabilidade ou inexistência de escrituração, o que não ocorreu. O lucro da pessoa jurídica deverá ser arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis regulamentares, ou deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos obrigatórios da escrituração comercial e fiscal. O arbitramento é uma das formas de determinação do lucro previstas no artigo 44 do CTN1, cabível apenas quando restar comprovada que a escrituração não permite a apuração do Lucro Real. A jurisprudência deste Colegiado, aliás, já se consolidou no sentido de que a aplicação do método de arbitramento constitui medida extrema que só deve ser utilizada como último recurso, ou seja, na ausência absoluta de outro meio de apuração direta da base tributável. Nesse caso concreto, todavia, entendo que um exame acurado de como a fiscalização se desenvolveu até culminar com a lavratura do Auto de Infração em análise demonstra a impropriedade de adoção do método de arbitramento. Isso porque, em relação à comprovação dos custos e despesas, a fiscalização emitiu apenas dois termos iniciais, termos estes que foram respondidos pela contribuinte dentro do prazo que lhe foi concedido e em momento anterior à retificação da ECD. Especialmente em relação ao segundo termo, o fisco questiona determinadas diferenças, mas a própria Recorrente esclareceu que entregaria nova ECD de fato entregue , mas depois disso nunca mais foi chamada a esclarecer seus custos ou despesas. Em outras palavras, a fiscalização nunca solicitou, mesmo que por amostragem (como no início da ação fiscal), informações sobre a natureza e comprovação dos dispêndios escriturados a fim de conferir se os "problemas diagnosticados" se repetiriam com a nova transmissão da ECD. 1 "Artigo 44 A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis." Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10882.720931/201679 Acórdão n.º 1201002.262 S1C2T1 Fl. 7 11 O argumento de ausência de comprovação de despesas para legitimar o arbitramento em tela, a bem da verdade, acabou sendo levantado exclusivamente na decisão de primeiro grau, mas nunca foi argüido na peça acusatória. Essa inclusão de motivo até então nunca argüido pela DRJ, além de caracterizar indevida inovação no Auto de Infração, parte ainda de uma falsa premissa, qual seja, a de que não teria havido entrega de nova ECD pela contribuinte. Veja a seguinte passagem do decisium: Ocorre que apresentar uma DIPJ retificadora durante a auditoria é procedimento inócuo,[...] O adequado teria sido a Contribuinte apresentar uma nova ECD, tal qual solicitado pela Fiscalização, dessa feita observando os princípios contábeis e apurando corretamente o lucro líquido e o lucro real, viabilizando a auditoria desse resultado. Mas isso não foi feito. Portanto, não merece prosperar a alegação da Impugnante no sentido de que foi prejudicada por não ter sido aceita a apresentação de DIPJ retificadora, sendo que o mais importante, que seria apresentar nova ECD, conforme devidamente intimada e aceito (TVF , fl.4, item 10 ), a contribuinte não cumpriu [...] A decisão de piso, com a devida vênia, labuta em evidente equívoco quando aduz que a Escrituração Contábil Digital/ECD apresentada pela Recorrente não poderia ser considerada apta a permitir a determinação do Lucro Real, uma vez que restou demonstrado que houve entrega de "versão final", transmitida durante o procedimento fiscalizatório após comum acordo entre fisco e contribuinte, mas que acabou sendo indevidamente desconsiderada. Ora, no momento em que o contribuinte apresentou "nova" escrituração contábil, e buscou esclarecer as divergências com a DIPJ, deveria a fiscalização auditar esta nova documentação, apresentando motivação específica sobre sua natureza, conteúdo e validade, o que nunca ocorreu em relação aos custos e despesas. Já com relação às receitas estas sim objeto efetivo de fiscalização , o foco da autoridade fiscal responsável sempre foi o de buscar confrontar a movimentação bancária com a DIPJ e respectiva escrituração contábil, tanto antes como depois da apresentação da "versão final" da ECD. A DRJ, inclusive, rechaçou a existência de divergências entre a movimentação financeira e a escrituração do contribuinte, conforme atesta o seguinte trecho do Acórdão recorrido: De fato, a Fiscalização, ao expedir o Termo de Intimação nº. 4, não observou que havia conta bancária aberta com o CNPJ de filial da empresa (...) Observase pois que todas as questões relativas à movimentação bancária estão narradas até o item 18 do TVF, sendo que a Fl. 480DF CARF MF 12 Fiscalização acatou os esclarecimentos e até reconhece tacitamente que conseguiu superar as dúvidas quanto a conciliação bancária Além disso, o próprio TVF, conforme item 7 abaixo, indica expressamente que não houve apuração de diferenças no resultado líquido dos primeiros três trimestres do ano fiscalizado, constatação esta que, segundo eu penso, é mais um fator contrário ao critério de arbitramento empregado. 7 Em cotejo das informações contábilfiscais apuradas na escrituração contábil digital SPED Contábil e as correspondentes declaradas na DIPJ e na planilha apresentada foram identificadas diversas diferenças (embora o resultado líquido dos 3 primeiros trimestres estejam iguais), razão pela qual expedimos o Termo de Intimação Fiscal N° 3 para que a Fiscalizada justificasse a diferença. Nesse ponto, cumpre ressaltar, ainda, que a receita tomada como parâmetro pela fiscalização de R$ 105.674.114,43 realmente supera ao que havia sido declarado originariamente em DIPJ (R$ 101.249.313,27). Ocorre que a diferença apurada receita omitida de R$ 4.424.801,16 representa apenas 4,37% do que foi declarado, fato este que também evidencia que não há contabilidade imprestável, mas potenciais erros e ajustes que não maculariam uma apuração direta do lucro. O que se verifica nos autos, pois, é que a fiscalização teve acesso a documentação apta a apurar a base tributável efetiva (ainda que disponibilizada após ajustes e retificações, mas sem qualquer embaraço causado) e comparar com a DIPJ, mas mesmo assim optou por proceder com o arbitramento do lucro. Nessa hipótese, entendo que deveria o auditor fiscal responsável pelo lançamento glosar os custos e despesas que não tivessem lastro documental e daí apurar o lucro real pelo caminho ordinário. E, mais ainda, poderia caracterizar a hipótese como de omissão de receitas por presunção legal em face dos saldos credores que identificou. É certo que a Recorrente deixou de cumprir com todas as formalidades na entrega de seus arquivos digitais e LALUR, bem como deixou de comprovar alguns lançamentos credores pontuais, mas daí a afirmar com segurança que a contabilidade seria imprestável entendo existir uma enorme distância. Feitas essas considerações, forçoso concluir que revelase incabível o arbitramento do lucro no caso em tela, razão pela qual JULGO PROCEDENTE o RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10882.720931/201679 Acórdão n.º 1201002.262 S1C2T1 Fl. 8 13 Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 482DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679891/2009-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/12/2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Numero da decisão: 9303-006.939
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente TIM CELULAR S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/12/2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 91 /2 00 9- 63 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10880.679891/200963 Acórdão n.º 9303006.939 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3803004.419, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que negou provimento ao recurso voluntário. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao entendimento da decisão recorrida de que a comprovação do erro, com a respectiva juntada de documentação comprobatória, após o despacho decisório que indeferiu a compensação, deve ser feita no momento da manifestação de inconformidade/impugnação. Visando comprovar o dissenso apresentou o acórdão de número 330201.406. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões defendendo o não provimento do recurso especial do contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10880.679891/200963 Acórdão n.º 9303006.939 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.937, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 10880.679890/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.937): "Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho fls. 273 a 275. Do Mérito A questão trazida a debate em Recurso Especial versa sobre o entendimento se a DCTF retificadora, após o despacho decisório comprova o direito creditório. Ou seja, a questão de mérito se restringe à certeza e liquidez do crédito. Segundo o despacho decisório eletrônico, cientificado pela contribuinte em 5/11/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Segundo o consta nos autos, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF. Verificase também que a contribuinte apenas trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. No caso dos autos, embora tenha sido apresentada a DCTF retificadora, a principal fundamentação do acórdão recorrido depreendese pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, pela falta de apresentação de outros documentos fiscais e contábeis da empresa, que comprovaria seu direito creditório, conforme abaixo: (....) Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10880.679891/200963 Acórdão n.º 9303006.939 CSRFT3 Fl. 5 4 contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchido da DCTF. Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábil fiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Nada há nos autos que demonstre esses fatos alegados pelo Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrasse em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada violação do princípio. Quanto a esse tema, compartilho do entendimento exposto no voto trazido pela ilustre Conselheira Vanessa Marini Cecconello, no Acordão n.º 9303005.469, a qual peço licença para transcrever e, por se tratar de fatos similares, adoto seus fundamentos como minhas razões de decidir no presente processo: (...) a. Possibilidade de apreciação e deferimento do pedido de compensação independentemente da apresentação de DCTF retificadora A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.300/2012. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10880.679891/200963 Acórdão n.º 9303006.939 CSRFT3 Fl. 6 5 “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10880.679891/200963 Acórdão n.º 9303006.939 CSRFT3 Fl. 7 6 Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442. No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ser este o entendimento explicitado naquela ocasião pelo Colegiado a quo, não tendo sido homologada a compensação, embora também não apresentada a DCTF retificadora, mas sim e principalmente pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, por meio de outros documentos fiscais e contábeis da empresa. Por estas razões, não pode ser acolhido o pleito da Recorrente de serem homologadas as compensações. b. Ônus da prova para comprovação da certeza e liquidez do crédito Pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para início dessa comprovação. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Vale ressaltar ainda, que aqui não estamos tratando de compensação não homologada pela falta da retificação da DCTF. Nestes casos, entendo que, quando esta é suprida pelo Contribuinte na apresentação da manifestação de inconformidade, constituindose em primeiro indício de prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devendo então ensejar nova análise do pedido de compensação pela Autoridade Fiscal. Assim, nestes caso, mediante a apresentação da DCTF retificadora, que substitui a original, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, cabível oportunizar ao Contribuinte a apresentação de provas quanto à certeza e liquidez do crédito tributário, por meio de documentos contábeis e fiscais. Ou seja, entendo que não há óbice, portanto, à apresentação da DCTF retificadora e sua aceitação após a prolação do despacho decisório. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10880.679891/200963 Acórdão n.º 9303006.939 CSRFT3 Fl. 8 7 No entanto, apresentação de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de reverter a não homologação da compensação. No caso em exame, o Contribuinte limitouse a trazer aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Diante do exposto, negase provimento ao Recurso Especial do Contribuinte." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também não juntou aos autos nenhum documento hábil a comprovar o direito creditório alegado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 234DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.001880/2010-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONJUNTO PROBATÓRIO ILÍCITO. DECISÃO JUDICIAL. NULIDADE
Tendo em vista a existência uma decisão judicial que considera o conjunto probatório dos processos principais ilícito e outra que anula o processo administrativo originário não há como se manter o lançamento de ofício presente no procedimento administrativo acessório.
Assim, diante da insubsistência dos procedimentos administrativos fiscais originários, que deram origem ao processo administrativo acessório e estão diretamente atrelados a este, o lançamento de ofício merece ser cancelado.
Numero da decisão: 2401-005.546
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para declarar nulo o lançamento por vício material.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para declarar nulo o lançamento por vício material. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONJUNTO PROBATÓRIO ILÍCITO. DECISÃO JUDICIAL. NULIDADE Tendo em vista a existência uma decisão judicial que considera o conjunto probatório dos processos principais ilícito e outra que anula o processo administrativo originário não há como se manter o lançamento de ofício presente no procedimento administrativo acessório. Assim, diante da insubsistência dos procedimentos administrativos fiscais originários, que deram origem ao processo administrativo acessório e estão diretamente atrelados a este, o lançamento de ofício merece ser cancelado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento para declarar nulo o lançamento por vício material. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 18 80 /2 01 0- 08 Fl. 250DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração – AI DEBCAD nº 37.277.8500 de fl. 2, lavrado em decorrência do não recolhimento de contribuições sociais previdenciárias, que apurou o crédito tributário no montante de R$ 63.593,96 (sessenta e três mil e quinhentos e noventa e três reais e noventa e seis centavos), já acrescido de juros e multa moratória, referente às seguintes competências de lançamento do crédito tributário: 01/2005 a 06/2007. Consta do Relatório Fiscal (fls. 28/37) o que segue: “[...] 7 DA EXCLUSÃO DO SIMPLES [...] 7.3. À parte a discussão judicial, que, por ora, garante sua inscrição no CNPJ e permanência no SIMPLES, em 2009 a empresa foi submetida à ação fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 10.1.06.002009003129, de que resultaram os processos n° 11020.003765/200926 e 11020.003766/200971, relativos, o primeiro, a Autos de Infração de Imposto de Renda sobre o Lucro Arbitrado IRPJ, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, de contribuição para o Programa de Integração Social PIS e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, bem como à sua exclusão do SIMPLES e, o segundo, a Auto de Infração de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. 7.3.1. Diante da constatação da emissão de notas fiscais com valores abaixo do efetivamente negociado e da não escrituração da real movimentação bancária, o que caracterizaria prática reiterada de infração à legislação tributária notadamente o art. 14, inciso V, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, que dispõe sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte e institui o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, assim como o art. 195, inciso V, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 , a ora autuada foi excluída da sistemática simplificada de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o art. 3 o da já citada Lei n° 9.317, de 1996, tendo a exclusão, com efeitos retroativos a 1° de janeiro de 2004, sido formalizada através do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL n° 95, de 30 de novembro de 2009. [...] Fl. 251DF CARF MF Processo nº 11020.001880/201008 Acórdão n.º 2401005.546 S2C4T1 Fl. 3 3 8 DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS EM RAZÃO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES 8.1. Em que pese ainda não ter se tornado definitiva, a exclusão da empresa do regime simplificado faz restabelecer a exigibilidade dos impostos e contribuições antes nele abrangidos, notadamente as contribuições patronais previdenciárias, como se vê dos arts. 3o e 16 da Lei n° 9.317, de 1996, e transcritos a seguir: [...] 8.2. Além de dispensar microempresas e empresas de pequeno porte do pagamento das demais contribuições instituídas pela União, o SIMPLES incluía no pagamento mensal unificado as contribuições patronais previdenciárias. Com a exclusão da empresa do regime simplificado, restabelecemse igualmente as contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social, as quais são objeto do Auto de Infração DEBCAD n° 37.277.8496. [...] 9 DOS LEVANTAMENTOS [...] 9.2.1. Em razão da exclusão da empresa do SIMPLES, este levantamento engloba as contribuições destinadas a outras entidades e fundos, correspondentes a seu enquadramento no Fundo de Previdência e Assistência SocialFPAS sob o código 507 aplicável, a exemplo da autuada, às indústrias em geral , quais sejam Salário Educação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE, a cargo da empresa, relativamente às competências 01/2005 a 06/2007, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados a seu serviço. 11 DA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES RELACIONADAS À GFIP [...] 12. Não obstante a exclusão do SIMPLES, a ora autuada, que informava ser "Optante" do regime simplificado, não procedeu à retificação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência SocialGFIP documento por meio do qual, a teor do no art. 32, inciso IV, da Lei n ° 8.212, de 1991, incluído pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, e alterado pela Lei n ° 11.941, de 2009, as empresas declaram, mensalmente, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos de contribuição previdencíária e outras informações, para fins de cobrança pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e de concessão de benefícios por parte do Instituto Nacional do Seguro Social , o que implica Fl. 252DF CARF MF 4 omissão das contribuições destinadas a outras entidades e fundos por ela devidas, de resto não recolhidas. 13 DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO 13.1. Pelos fatos apurados, fica imputada ao sujeito passivo ícaro Artefatos de Metais Ltda. a responsabilidade pelo crédito tributário constituído pelo presente Auto de Infração, no montante consolidado de R$ 63.593,96 (sessenta e três mil, quinhentos e noventa e três reais e noventa e seis centaovs),relativo às contribuições sociais destinadas outras entidades e fundos SalárioEducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE , incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados a seu serviço [...] [...]” Devidamente cientificado do lançamento em 05/07/2010 (fl. 41), a Interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 42/83), alegando, em síntese: (i) Preliminarmente, a necessidade de suspensão do presente procedimento administrativo, pois não havia decisão definitiva nos Autos de Infração nº 11020.003766/2009 71 e 11020.003765/200926, que deram origem ao presente procedimento administrativo, onde a interessada apresentou seu inconformismo contra o ato que a excluiu do SIMPLES; (ii) No mérito, que as contribuições destinadas ao SEBRAES e ao INCRA são ilegais e inexigíveis. Nesse sentido, junta jurisprudências; (iii) Que os valores arbitrados a título de multa se encontram fora dos parâmetros da proporcionalidade e da razoabilidade, violando, assim, princípios legais e constitucionais. Assim, a multa é inexigível; e (iv) Que a aplicação da taxa SELIC para os cálculos dos juros moratórios seria ilegal, pois deveria ser aplicada a taxa de juros moratórios de 1% ao mês, conforme fixado no artigo 161, § 1º, do CTN. Ao final requer: (a) seja recebida e devidamente processada a presente Impugnação, imediatamente, suspendendose a apreciação do presente auto de infração em tela, até decisão definitiva nos autos de infração ns. 11020.003766/2009 71 e 11020.003765/200926, nos termos do artigo 151, III do CTN; e (b) alternativamente, acaso julgados definitivamente indeferidos os autos de infração ns. 11020.003766/200971 e 11020.003765/200926, seja desconstituído o Auto de Infração ora impugnado, nos termos de toda argumentação acima despendida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0933.872 da 5ª Turma da DRJ/JFA, às fls. 98/103, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido na sua integralidade. Recordese: “Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007 CONTRIBUIÇÕES A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11020.001880/201008 Acórdão n.º 2401005.546 S2C4T1 Fl. 4 5 A empresa é obrigada a recolher as contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos, nos termos da legislação tributária. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Não cabe apreciação, pela instancia administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 107/142, argumentando o que segue: (i) Preliminarmente, que fosse reconhecida a decadência do lapso temporal compreendido entre 01/01/2005 e 04/07/2005, conforme raciocínio exarado no processo 11020.001879/201075. Argumento, reiterado, inclusive, no mérito; (ii) No mérito, que a exigência da cobrança do INCRA seria ilegítima, seja por sua substituição por uma contribuição patronal que a englobaria, seja por onerar os contribuintes vinculados à Previdência Urbana; (iii) Que a cobrança do SEBRAE é inconstitucional pelo fato de ser a instituição de contribuição sobre outras contribuições. Ademais, inexiste lei complementar para tratar de sua criação, o que seria exigido pelo artigo 149 da Constituição Federal; (iv) Que não deve ser aplicada a taxa SELIC para fins de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada e que tal entendimento já foi reconhecido pelo próprio CARF. Ao final, requer: “a) seja considerada a preliminar suscitada, aplicandose o raciocínio exarado no processo 11020.001879/201075, no que diz respeito a decadência no presente feito reconhecendose a decadência do lapso temporal compreendido entre 01.01.2005 e 04.07.2005; b) por ocasião do julgamento do mérito, seja dado TOTAL PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, reformandose integralmente o Acórdão n". 09 33.872 5° Turma da DRJ/JFA, com o fito de que seja declarado totalmente nulo o a peça fiscal do Auto de Infração DEBCAD n°. 37.277.8500 (inclusive no que concerne a juros, correção monetária e multa), processo n°. 11020.001880/201008, eis que: b. 1) os efeitos da exclusão do SIMPLES da ora recorrente somente podem surtir seus efeitos a partir do ato formalizador da exclusão in casu, o Ato Declaratório DRF/CXL n°. 95, de 30.11.2009, sendo o período autuado compreendido entre 01/2005 a 06/2007; b.2) ser a contribuição ao INCRA descabida no caso em comento; Fl. 254DF CARF MF 6 b.3) ser a contribuição ao SEBRAE externa ao nosso ordenamento pátrio, em vista de não observância de questões constitucionais para sua instituição e exigência; c) caso não julgado integralmente procedente o Recurso Voluntário ora interposto, sejalhe, então, dado parcial provimento, objetivando: c l ) o reconhecimento da decadência do lapso temporal compreendido entre 01.01.2005 e 04.07.2005 aplicandose o raciocínio exarado no processo 11020.001879/201075 (apenso a este feito), e; c.2) a exclusão dos juros sobre a multa, por força do julgamentoparadigma proferido pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, da Terceira Câmara, no Recurso de n°; 161331, processo n°: 10680.002472/200723, Acórdão n.°; 10323428 – em decorrência da observância ao princípio constitucional da isonomia.” Após a interposição do Recurso Voluntário, a 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária decidiu, em 17/04/2012, por meio do Despacho nº 2403.045 (fls. 148/149), converter o julgamento em diligência, determinando o seguinte: “Considerando que a grande celeuma do caso em tela referese ao fato da auditoria ter lavrado auto de infração cujo objeto é a cobrança de valores referentes às contribuições patronais e as relativas ao SAT decorrente da exclusão da empresa do SIMPLES (período 01/2005 a 06/2007), por ter sido constatada a emissão de nota fiscal com o valor abaixo do negociado na realidade acompanhada da falta de escrituração na real movimentação bancária, configurandose como prática reiterada de infração à legislação tributária Considerando que o ato que determinou a exclusão do SIMPLES deve possuir caráter definitivo. Considerando que de acordo com as informações trazidas aos autos, o ADE n 95 de 30/11/2009, que excluiu a recorrente do regime simplificado de arrecadação, provocou a insatisfação do contribuinte mediante impugnação e o consequente início de um processo administrativo tributário (13018.000174/200203). Entendo, portanto, que seja imprescindível verificar se a empresa estar definitivamente excluída do regime simplificado de tributação, o que só pode ser confirmado com a decisão de última instância do referido processo. Nesse processo, segundo os autos e conforme informações obtidas do sítio do Ministério da Fazenda de consulta processual <comprot.fazenda.gov.br>, só houve o julgamento por parte da DRJ, ou seja, não há como saber se uma das turmas da 1 Seção de Julgamento do CARF, competentes para apreciar situações que envolvam a inclusão/exclusão da empresa do SIMPLES, já se pronunciou acerca da matéria. Além disso, há dois processos em discussão neste Contencioso cuja autuação é decorrente também da exclusão da empresa do SIMPLES, os processos 11020.003766/200971 e 11020.003765/200926. O primeiro encontrase ainda para ser julgado pela 2 Turma Ordinária da 3 Câmara da 3 Seção de Julgamento, já o segundo, foi julgado pela 1 Turma Ordinária da 3 Câmara da 1 Seção de Julgamento, tendo ficado decidido que o lançamento deverá ser mantido. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11020.001880/201008 Acórdão n.º 2401005.546 S2C4T1 Fl. 5 7 Assim, para que haja um julgamento mais acertado, tornase imprescindível saber a situação da recorrente perante o regime simplificado de tributação, o que só será possível com a realização de diligência que tenha como objetivo verificar a atual posição do processo 13018.000174/200203, inclusive se o mesmo já foi apreciado pelo CARF, pois é este o processo que visa ratificar ou anular o Ato Declaratório Executivo 95, de 30 de novembro de 2011.” Ao atender à diligência determinada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Caxias do SUL/RS apresentou Informação Fiscal (fls. 150), expondo o seguinte: “1) que, em 16/09/02, ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA. protocolizou, sob processo nº 13016.000174/2002/03, pedido de adesão ao SIMPLES FEDERAL, retroativamente a 05/06/01 (data de inscrição no CNPJ) 2) que, em 06/06/03, em vez de cientificada do indeferimento desse pedido de adesão ao SIMPLES FEDERAL, a denominada pessoa jurídica foi cientificada do ADE DRF/CXL nº 25 , de 27/05/03 (DOU de 29/05/03), com base no qual fora determinada a baixa (cancelamento) de sua inscrição no CNPJ, por inexistência de fato; 3) que, em 13/06/03, ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA. impetrou mandado de segurança, sob processo nº 2003.71.07.0081833, pedindo a nulidade do ADE DRF/CXL nº 25, de 27/05/03; 4) que a decisão judicial definitiva , não concessiva da segurança pleiteada, relativamente ao referido mandado de segurança, ocorreu no julgamento do recurso especial – RESP nº 1.214.382; 5) que, em 12/04/04, a mencionada pessoa jurídica protocolizou ação de rito ordinário, sob nº 2004.71.04.0036532, pedindo a nulidade do ADE DRF/CXL nº 25, de 27/05/3, e sua adesão ao SIMPLES FEDERAL, retroativamente a 05/06/01; 6) que a decisão judicial nessa ação ordinária no ano de 2004, embora não definitiva, visto que, sob recurso especial – RESP nº 1.277.129, foino sentido de nulificar o ADE DRF/CXL nº 25, de 27/05/03, e de inclusão da ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA no SIMPLES FEDERAL, retroativamente a 05/06/01; e 7) que há decisão judicial em execução provisória de sentença contra a Fazenda Nacional no sentido de restabelecimento da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ.” Após a apresentação da referida Informação Fiscal, a Interessada requereu o adiamento do julgamento do presento Recurso Voluntária marcado para o dia 14/05/2013, sob o argumento de estava pendente de julgamento os processos que deram causa ao presente procedimento, quais sejam: 11020.003766/200971 e 11020.003765/200926 (fls.151/153). Desta forma, a 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária, por meio da Resolução nº 2403000.152 (fls. 154/166), decidiu converter o processo em diligência sob os seguintes argumentos: Fl. 256DF CARF MF 8 “Conforme o Relatório Fiscal, os processos de exclusão do SIMPLES se referem ao processo n º 13018.000174/200203 e ao processo n º 11020.003765/200926: [...] A Diligência Fiscal requerida por esta Colenda Turma foi no sentido de se informar o resultado do processo de exclusão do SIMPLES, processo nº 13018.000174/200203, posto que a competência para tal julgamento é da 1 ª Seção do CARF: [...] A seguir, a Informação Fiscal emitida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Caxias do Sul / RS não aborda diretamente tal requerimento feito, ou seja, a de informar qual o resultado do julgamento no âmbito do CARF do processo de exclusão do SIMPLES, processo nº 13018.000174/200203. Outrossim, A Recorrente apresentou tanto em sede de Impugnação quanto em sede de Recurso Voluntário, dentre outros argumentos, o de que os processos administrativos nº 11020.003766/200971 e 11020.003765/200926, de exclusão do SIMPLES encontramse em fase de Recurso no âmbito do CARF. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar o resultado do julgamento dos processos administrativos, processo nº 13018.000174/2002 03 e ao processo nº 11020.003765/200926, de exclusão do SIMPLES, posto que tais processos produzem efeitos diretamente no presente processo nº 11020.001880/201008 veiculado pelo AIOP nº 37.277.8500. [...] CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe: (i) o resultado final dos julgamentos dos processos administrativos nº 13018.000174/200203 e nº 11020.003765/200926, de exclusão do SIMPLES, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, com a conseqüente coisa julgada administrativa; (ii) bem como, se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativotributário. Posteriormente, a Recorrente apresentou aditamento ao Recurso Voluntário (167/170) arguindo, em síntese, o seguinte: (i) Que, em 09/12/2008, a autoridade fiscal, juntamente com a Polícia Federal de Passo Fundo/RS, com base no mandado de busca e apreensão decorrente da Medida Cautelar nº 2008.71.13.0017933, comparecerem à sua sede para buscar e apreender todos os documentos que ali se encontravam, o que ocorreu, também, nas residências de seus sócios e gerentes. Contudo, o STJ, no julgamento do HC 211.393/RS, anexado aos autos (fls. 173/189) anulou a medida cautelar indicada anteriormente, determinou a devolução dos documentos e Fl. 257DF CARF MF Processo nº 11020.001880/201008 Acórdão n.º 2401005.546 S2C4T1 Fl. 6 9 objetos apreendidos e reconheceu a ilicitude da prova obtida e a ilegalidade de sua utilização para fins de dar início a ação fiscal; Desta forma, requer: “a) o recebimento da presente manifestação e seu anexo; b) por força da decisão judicial do STJ, em decorrência dele, se há nulidade no processo de constituição do crédito tributário pela ilegalidade na forma de obtenção das 'supostas' provas que consubstanciaram os autos de infração (as quais devem ser devolvidas), e da quebra do sigilo bancário, é de ser declarado nulo o lançamento, sendo cancelada integralmente a pega fiscal.” Após, em cumprimento à diligência determinada na Resolução nº 2403 000.152 (fls. 154/166), a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Caxias do Sul/RS apresentou a seguinte informação fiscal (fls. 190): “1) que a decisão definitiva quanto ao pedido objeto do processo administrativo fiscal nº 13016.000174/200203 ocorreu na data do trânsito em julgado (18/04/13) da decisão judicial na ação ordinária ajuizada pela pessoa jurídica ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA., sob nº 2004.71.04.0036532 (recurso especial RESP nº 1.277.129), através da qual o poder judiciário determinou: 1.1) o cancelamento do ADE DRF/CXL nº 25, de 27/05/03, então instrumento formal do cancelamento da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ: e, 1.2) a inclusão da pessoa jurídica no regime de tributação denominado SIMPLES FEDERAL, relativamente ao anocalendário de 2001 (05/06/01 a 31/12/01), exercício 2002; 2) que, portanto, a decisão definitiva no processo nº 13016.000174/200203, não guarda relação direta com os lançamentos objetos dos processos administrativos fiscais nº 11020.003765/200926 (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS), 11020.003766/200971, (IPI), 11020.001879/201075 (contribuições previdenciárias), e 11020.001880/201008 (contribuições sociais gerais terceiros), haja vista que tal decisão judicial referese ao anocalendário de 2001 (05/06/01 a 31/12/01), exercício 2002; 3) que o ADE DRF/CXL nº 95, de 30/11/09, através do qual formalizouse a exclusão da pessoa jurídica ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA. do regime de tributação denominado SIMPLES FEDERAL, relativamente aos anoscalendários de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, o qual guarda relação direta com os lançamentos objetos deste processo e do processo nº 11020.001880/201008, está sob julgamento nos processos administrativos fiscais nº 11020.003765/200926 (aguardando decisão em recurso voluntário) e 11020.003766/2009 –71 (aguardando decisão em recurso especial); e, 4) que, no hábeascorpus nº 211393/STJ objeto do processo nº 2011/01501154/STJ, o poder judiciário pronunciouse acerca de provas apreendidas e carreadas para os processos administrativos fiscais.” Fl. 258DF CARF MF 10 Ao tomar ciência acerca da referida informação fiscal, a 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária, em 22/01/2014 por meio da resolução nº 2403000.217 (fls. 191/208) decidiu converter, mais uma vez, o julgamento em diligência, sob os mesmos fundamentos da resolução anterior. Assim, determinou o seguinte: “DA NECESSIDADE DE NOVA DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar o resultado do julgamento dos processos administrativos, processo nº 11020.003766/2009 – 71 e ao processo nº 11020.003765/200926, de exclusão do SIMPLES, posto que tais processos produzem efeitos diretamente no presente processo nº 11020.001880/201008 veiculado pelo AIOP nº 37.277.8500. [...] CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente: (i) Anexe aos autos o resultado final dos julgamentos dos processos administrativos nº processo nº 11020.003765/200926 e nº 11020.003766/2009 –71, de exclusão do SIMPLES, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, com a conseqüente coisa julgada administrativa; (ii) bem como, se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativotributário.” Recentemente, a Recorrente juntou nova petição (fls 210/221) apresentando fatos supervenientes ao Recurso Voluntário. Desta forma, alegou, em síntese, o seguinte: (i) Que o processo administrativo nº 11020.003765/200926 foi anulado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região em julgamento, no dia 05/07/2016, nos autos do processo nº 503827074.2015.4.04.7100, conforme acórdão juntado aos presentes autos (fls. 614/622). Assim, tendo em vista a decisão judicial, não poderiam permanecer os lançamentos do presente procedimento administrativo. Desta forma, requer: “a) o recebimento da presente manifestação e seus anexos; b) por força da decisão judicial do STJ, bem como pela decisão do TRF da 43 Região, o reconhecimento da nulidade do crédito tributário constante dos processos relativos à contribuições previdenciárias, de nºs. 11020.001879/201075 e 11020.001880/201008, pela ilegalidade na forma de obtenção dos documentos que consubstanciaram estes autos de infração, cancelandose integralmente tais lançamentos.” É o relatório. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11020.001880/201008 Acórdão n.º 2401005.546 S2C4T1 Fl. 7 11 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 03/05/2011 conforme AR juntado às fls. 106, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 27/05/2011, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 3. DO MÉRITO 3.1 Da nulidade do lançamento Após a interposição do Recurso Voluntário, a Recorrente apresentou informações relevantes para o deslinde do presente processo, quais sejam: a decisão do STJ (HC 211.393/RS), que reconheceu a ilicitude da concessão da medida cautelar de busca e apreensão de documentos em sua sede e na de seus representantes e gerentes, onde houve, portanto, a quebra de sigilo fiscal de forma ilegal, e a decisão do TRF4, nos autos do processo nº 503827074.2015.4.04.7100, que anulou o processo administrativo nº 11020.003765/2009 26. Nesse diapasão, impende destacar que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Caxias do Sul/RS, em cumprimento à diligência determinada na Resolução nº 2403 000.144 (fls. 522/536), apresentou a seguinte informação fiscal: “1) que a decisão definitiva quanto ao pedido objeto do processo administrativo fiscal nº 13016.000174/200203 ocorreu na data do trânsito em julgado (18/04/13) da decisão judicial na ação ordinária ajuizada pela pessoa jurídica ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA., sob nº 2004.71.04.0036532 (recurso especial RESP nº 1.277.129), através da qual o poder judiciário determinou: 1.1) o cancelamento do ADE DRF/CXL nº 25, de 27/05/03, então instrumento formal do cancelamento da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ: e, 1.2) a inclusão da pessoa jurídica no regime de tributação denominado SIMPLES FEDERAL, relativamente ao ano calendário de 2001 (05/06/01 a 31/12/01), exercício 2002; 2) que, portanto, a decisão definitiva no processo nº 13016.000174/200203, não guarda relação direta com os lançamentos objetos dos processos administrativos fiscais nº 11020.003765/200926 (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS), 11020.003766/200971, (IPI), 11020.001879/201075 (contribuições previdenciárias), e 11020.001880/201008 (contribuições sociais gerais terceiros), haja vista que tal decisão judicial referese ao anocalendário de 2001 (05/06/01 a 31/12/01), exercício 2002; Fl. 260DF CARF MF 12 3) que o ADE DRF/CXL nº 95, de 30/11/09, através do qual formalizouse a exclusão da pessoa jurídica ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA. do regime de tributação denominado SIMPLES FEDERAL, relativamente aos anoscalendários de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, o qual guarda relação direta com os lançamentos objetos deste processo e do processo nº 11020.001880/201008, está sob julgamento nos processos administrativos fiscais nº 11020.003765/200926 (aguardando decisão em recurso voluntário) e 11020.003766/2009 –71 (aguardando decisão em recurso especial); e, 4) que, no hábeascorpus nº 211393/STJ objeto do processo nº 2011/01501154/STJ, o poder judiciário pronunciouse acerca de provas apreendidas e carreadas para os processos administrativos fiscais.” Ao compulsar dos autos, percebese que a análise do mérito do presente Recurso Voluntário dependia, diretamente, do julgamento dos processos administrativos fiscais nº 11020.003765/200926 e 11020.003766/2009 –71. Contudo, conforme se verifica da documentação acostada pela Recorrente, o processo nº 11020.003765/200926 foi anulado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, cujo trecho do Acórdão abaixo se reproduz: “[...] Não obstante a reprobabilidade das práticas adotadas pela empresa, o artigo 5°, LVI, da CF/88 veda, incondicionalmente, provas obtidas por meios ilícitos, as quais contaminam, inclusive, o procedimento fiscal delas decorrente. Neste caso, o disposto no artigo 195 do CTN e no artigo 7°, lI, do Decreto n° 70.235/72, esbarram nesta garantia constitucional, cujos efeitos limitam, inclusive, o poder fiscalizatório do Estado em face do administrado. De outro lado, cabe referir, ‘obiter dictum’, que o STJ não fez qualquer ressalva no que toca aos efeitos da declaração de ilicitude. Assim, segundo o Direito pátrio, os lançamentos de ofício de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS consubstanciados no PAF n° 11020.003.765/200926 ,estão eivados de nulidade.” Em face do exposto, aa Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (Resp 164.1635/RS), que, por sua vez, teve a seguinte decisão monocrática proferida pelo eminente Ministro Gurgel de Faria, em 21/05/2018. Confirase: “[...] RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Como acima se observa, o fundamento do acórdão recorrido é no sentido de que as disposições dos arts. 195 do CTN e 7º, II, do Decreto nº 70.235/72 encontram limite no artigo 5º, inciso LVI, da Constituição Federal, razão pela qual estariam vedadas, incondicionalmente, provas obtidas por meios ilícitos no processo administrativo tributário. Nesse contexto, não há violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, pois o órgão judicial externou fundamentação adequada, coerente e suficiente à solução da controvérsia, não sendo obrigado, por isso, à manifestação a respeito de teses recursais sobre os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e sobre a "teoria da fonte independente", uma vez que Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11020.001880/201008 Acórdão n.º 2401005.546 S2C4T1 Fl. 8 13 estas ficam prejudicadas ante a norma constitucional que impõe a não admissão de provas obtidas por meios ilícitos. De outro lado, considerada a natureza constitucional do fundamento do acórdão recorrido, verificase que o recurso especial não serve à sua revisão, nos termos do art. 105, III, da Constituição Federal. Entretanto, em razão de o recurso especial ter sido interposto na vigência do CPC/2015, possível a invocação do princípio da fungibilidade, sendo imperiosa a concessão de prazo de 15 dias para a Fazenda Nacional adequar suas razões recursais, nos termos do art. 1.032 do CPC/2015. Ante o exposto, com base no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, NÃO CONHEÇO do recurso especial de ÍCARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA; e, com base no art. 1.032 do CPC/2015, determino a intimação da Fazenda Nacional para que, no prazo de 15 dias, demonstre a existência de repercussão geral e se manifeste sobre a questão constitucional indicada. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 21 de maio de 2018. MINISTRO GURGEL DE FARIA Relator” De outra banda, com relação ao processo nº 11020.003766/200971, a 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária do CARF decidiu dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o lançamento discutido naquele processo. Vejamos: “Acórdão: 1402002.469 Número do Processo: 11020.003766/200971 Data de Publicação: 23/06/2017 Contribuinte: ICARO ARTEFATOS DE METAIS LTDA Relator(a): LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROVA ILÍCITA. DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. NULIDADE. Havendo decisão judicial, transitada em julgado, considerando ilícito o mesmo conjunto probatório utilizado pela Autoridade Fiscal para constituir o crédito tributário, deve ser anulado o lançamento de ofício.” Ora, percebese que em virtude da decisão emanda pelo egrégio TRF da 4ª Região e da decisão do próprio CARF, nos autos do processo 11020.003766/200971, não há como manter o lançamento de ofício dos presentes autos, pois seria necessária a existência de decisão em desfavor da Recorrente nos processo principais, haja vista a relação direta do objeto daqueles com relação a este, conforme informação apresentada pela própria Delegacia da Receita Federal do Brasil de Caxias do Sul/RS. Fl. 262DF CARF MF 14 Ademais, merece destaque o fato de que o STJ, no julgamento do HC 211.393/RS, considerou ilícito o conjunto probatório que deu base aos processo principais, o que foi destacado inclusive pelo CARF quando do julgamento do Processo Administrativo Fiscal nº 11020.003766/200971, situação que não pode, jamais, ser desconsiderada por este órgão julgador. Se o presente processo está diretamente atrelado a outro principal, a existência de ilicitude reconhecida pelo Poder Judicial com relação a este último impede o prosseguimento do acessório, já que a ilicitude se estende aos demais processos advindos do primeiro, pois influenciado pelo conjunto probatório ilícito. A C. 2ª Turma Ordinária deste CARF já decidiu no mesmo sentido em processo que versava sobre essa matéria. Confirase a ementa e trechos do Acórdão nº 1402.001.510,de relatoria do I. Conselheiro Paulo Roberto Cortez, publicado em 10/02/2014: Assunto:Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IRPJ.PIS.COFINS. CSLL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE E/OU INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. Na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173,inciso I, do Código Tributário Nacional. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, §4° e do artigo156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO NORMAS PROCESSUAIS. PROVA ILÍCITA. DECISÃO JUDICIAL. Havendo decisão judicial, transitada em julgado, considerando ilícitas as provas representadas por documentos e/ou informações, utilizadas pela autoridade fiscal para constituir o crédito tributário, é de se considerar nulo os lançamentos efetuados. (...) Assim, de acordo com os documentos trazidos pela Diligência, resta comprovado que a) o auto de infração se baseia integralmente nas provas obtidas na busca e apreensão realizada pelas operações“PistaLivre/Cevada”; b)tais provas foram integralmente declaradas ilícitas pelo judiciário; e c) as decisões judiciais (STJ e 1ª Vara Federal de Itaboraí) são definitivas. Diante disso, entendo que, s.m.j, a este órgão administrativo cabe curvarse às citadas decisões judiciais, o que implica fatalmente na insubsistência do presente auto de infração. Desta forma, deve ser acolhido o pleito do Recorrente para cancelar integralmente os lançamentos discutido nestes autos, em face de sua nulidade. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11020.001880/201008 Acórdão n.º 2401005.546 S2C4T1 Fl. 9 15 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.911764/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato.
Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabe a devolução do saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabe a devolução do saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 17 64 /2 00 9- 14 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10983.911764/200914 Acórdão n.º 1301003.051 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase do Recurso Voluntário contra o Acórdão da 3ª Turma da DRJ/Florianópolis que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente ao deixar de homologar a compensação tributária informada na DCOMP objeto dos autos. Primeiro, o Despacho Decisório da unidade local da RFB denegou o direito creditório pleiteado pela contribuinte com fundamento no art. 10 da IN SRF 600, de 2005. Vale dizer, o direito creditório utilizado no PER/DCOMP não foi reconhecido, por se tratar de mera antecipação de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, caso em que o recolhimento a maior ou indevido somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devidos no final do anocalendário ou para compor respectivo saldo negativo. Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, aduzindo, em síntese, nas suas razões: que tem direito à restituição e compensação imediata do pagamento indevido da estimativa mensal, à luz da legislação de regência; que o pagamento a maior ou indevido do IRPJ ou CSLL decorreu de erro de fato na base de cálculo, pela inclusão indevida na receita bruta de valores da: a) Conta Consumo de Combustível — CCC; e, b) Conta de Desenvolvimento Energético — CDE; que a Conta Consumo de Combustível — CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético — CDE têm como objetivo subsidiar a energia elétrica gerada nas usinas termoelétricas, de forma que a tarifa da energia elétrica fosse equalizada com a dos consumidores servidos por geração hidráulica, sobretudo nos instantes de baixa "hidraulicidade" dos sistemas interligados (em que a energia produzida pelas hidroelétricas estavam com capacidade baixa); que a inclusão de valores dessas Contas pela Agência Nacional de Energia Elétrica — ANEEL no cálculo da conta dos consumidores situados nas regiões Sul, Sudeste, CentroOeste e Nordeste , mediante incremento nas tarifas das concessionárias distribuidoras, e repassados à Eletrobrás que administra esses recursos , não configura receita da impugnante; que muito embora a cobrança da Conta Consumo de Combustível — CCC e da Conta de Desenvolvimento Energético — CDE possam, em tese, caracterizar como receitas das empresas distribuidoras de energia, de forma peculiar, para impugnante, que é Geradora de Energia Elétrica interligada ao sistema, tais rubricas não são receitas. Isto porque a geradora está impossibilitada de auferir qualquer recurso dessas fontes como "receita" própria ou como "faturamento", conforme as prescrições da ANEEL. Ou seja, por meio da Nota Técnica n° 116, de 24 de março de 2006, e Despacho n° 657/2006, a ANEEL Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10983.911764/200914 Acórdão n.º 1301003.051 S1C3T1 Fl. 4 3 orientou as alterações introduzidas no Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, para equacionar a distorção decorrente da inadequada contabilização dos valores da CCC/CDE como "Receitas de Subvenção" pelas concessionárias geradoras como a impugnante; que a ANEEL esclareceu que os valores, outrora contabilizados como "Receitas de Subvenção CCC/CDE", deveriam ser contabilizados como "Recuperação de Custos", em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos, pois jamais integraram a receita de concessionárias geradoras, como a impugnante; que os valores da Conta Consumo de Combustível — CCC e da Conta de Desenvolvimento Energético — CDE não representam propriedade e, conseqüentemente, incremento patrimonial da impugnante, já que somente são repassados para que se propicie o pleno funcionamento do Sistema Elétrico Nacional, tendo, inclusive, a sua aplicação passível de auditoria pelo Tribunal de Contas da União. Por último, a DRJ, assim como ocorrera no Despacho Decisório da unidade de origem da RFB, também denegou o direito creditório pelo mesmo fundamento declinado no referido Despacho Decisório, ou seja, que o valor pago indevidamente ou a maior de IRPJ ou de CSLL, a título de estimativa mensal, no âmbito do regime de tributação pelo lucro real anual, não pode ser objeto de compensação, pois esse valor só pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido, ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que efetuou o pagamento a maior ou indevido do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e da contribuição social sobre o lucro líquido a título de estimativa mensal, por erro de fato; que efetuou imediata compensação tributária, utilizando como crédito os valores pagos indevidamente do imposto e contribuição federais através de declaração de compensação, via sistema PER/DCOMP; que, tanto o Despacho Decisório da unidade de origem da RFB, quanto o Acórdão recorrido, com mesmo fundamento, denegaram o crédito pleiteado, conforme já mencionado anteriormente; que o pagamento indevido é feito à margem da lei e, portanto, não se subsume a qualquer regime de repetição que não aquele previsto no art. 165, do CTN, ou seja, o direito a repetição surge de forma imediata; que o pagamento por regime de estimativa é previsto em lei, na forma dos §§ 2° e 3°, da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e, deste modo, qualquer pagamento a maior do que o fixado no dispositivo legal é considerado indevido, e não adiantamento; que o disposto no art. 10 da Instrução Normativa n.° 600, de 2005, na parte atinente ao pagamento a maior, tão somente objetiva protelar o pagamento dos juros devidos a partir da ocorrência do pagamento indevido, e, assim prevendo, colide com o disposto no §4°, do art. 39, da Lei nº 9.250/95, de modo a tornálo inaplicável, pois cediça a regra de que o Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10983.911764/200914 Acórdão n.º 1301003.051 S1C3T1 Fl. 5 4 conteúdo e o alcance dos decretos restringese aos das leis em função das quais sejam expedidos (CTN, art. 99), ou seja, para fiel cumprimento da lei (CF, art. 84, IV); que citou precedente do CARF pelo afastamento, inaplicabilidade, do art. 10 da Instrução Normativa n° 460/04, reiterado na IN nº 600/05, que vedava a compensação de pagamento à maior das estimativas mensais do IRPJ ou da CSL, antes de findo o período de apuração; que o direito a repetição do pagamento indevido ou a maior de tributo surge no momento de sua efetivação à margem da lei, e evidente, pois, a possibilidade de compensação imediata do pagamento indevido da estimativa mensal. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.049, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.911762/2009 17, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.049): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade; por isso, dele conheço. A recorrente rebelase contra a decisão recorrida que denegou o direito creditório pleiteado e não homologou a DCOMP objeto dos autos. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo diretamente à análise do mérito. Direito de repetição do indébito tributário ou de compensálo com outro débito vencido ou vincendo. O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10983.911764/200914 Acórdão n.º 1301003.051 S1C3T1 Fl. 6 5 Nacional, ou seja, encontro de contas informado na declaração de compensação informada. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal (processo de compensação tributária), compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional, utilizado para encontro de contas com débito próprio vencido ou vincendo objeto da DCOMP, para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. O momento da apresentação das provas, sua produção, está previsto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois ainda dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não, no prazo legal de até cinco anos. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação. No caso, a recorrente alegou nos autos: que efetuara pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal do IRPJ ou CSLL por erro de fato na base de cálculo, pela inclusão indevida na receita bruta de valores relativos a Conta Consumo de Combustível — CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético — CDE; que valores cobrados dos clientes consumidores a título dessas rubricas não seriam receitas, mais sim mera "Recuperação de Custos", conta retificadora dos custos; que, nesse sentido, invocou esclarecimento da ANEEL, conforme atos normativos citados no relatório, que os valores outrora contabilizados como "Receitas de Subvenção para Custeio CCC/CDE", devem ser contabilizados como "Recuperação de Custos", em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos, pois valores repassados a título dessas rubricas não seriam receitas. Ocorre que a questão do erro de fato alegado, se existente ou não, na apuração da base de cálculo do IRPJ ou da CSLL, por conta dos registros contábeis dos valores repassados à recorrente nas rubricas Conta Consumo de Combustível — CCC e Conta de Desenvolvimento Energético — CDE remete a outra questão não resolvida nos autos, ou seja: os valores auferidos a título das referidas rubricas são tributáveis ou não? Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10983.911764/200914 Acórdão n.º 1301003.051 S1C3T1 Fl. 7 6 A contribuinte alega, invocando a ANEEL, que seriam meros repasses a título de "Recuperação de Custos" para registro em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos. Esses pontos controvertidos, portanto, não foram enfrentados, no mérito, pela decisões anteriores nestes autos, pois se limitaram a denegar o direito creditório com base no óbice do art. 10 da IN SRF 460/04, reiterado pela IN SRF nº 460/05. Ocorre que o óbice do art. 10 da Instrução Normativa n° 460/04, reiterado na IN nº 600/05, ficou superado a partir da edição da IN SRF 900/2008 que suprimiu a vedação do da repetição imediata, aproveitamento ou utilização em compensação tributária de pagamento a maior ou indevido de estimativas mensais do IRPJ ou da CSLL antes de findo o período de apuração, desde que reste comprovado, de forma cabal, o erro de fato na apuração da base de cálculo ou pagamento totalmente desvinculado da base de cálculo que deu origem ao crédito pleiteado. No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 84, cujo verbete transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, a comprovação do erro de fato é condição sine qua non para configuração do pagamento indevido das estimativas mensais e repetição imediata. Caso contrário, tratase mero antecipação de pagamento do IRPJ e da CSLL na forma da legislação de regência, podendo somente ser utilizada na declaração de ajuste anual, para dedução do débito apurado ou para formação do saldo negativo. No caso, não há como prosseguir na análise de mérito nesta instância de julgamento para evitar prejuízo à defesa, ou seja evitar supressão de instância de julgamento, pois as questões do alegado erro de fato e da natureza das receitas, valores repassados à recorrente nas rubricas Conta Consumo de Combustível — CCC e Conta de Desenvolvimento Energético — CDE não foram enfrentadas, no mérito, pelas decisões anteriores nestes autos. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84; e, b) para evitar prejuízo à defesa, ou seja, supressão de instância de julgamento, devolver os autos à unidade de origem da RFB, no caso, a DRF/Florianópolis para que proceda análise Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10983.911764/200914 Acórdão n.º 1301003.051 S1C3T1 Fl. 8 7 de mérito do direito creditório pleiteado pela contribuinte, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.902312/2015-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 8%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA.
A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 8%.
O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior.
Numero da decisão: 1201-002.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 8%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 8%. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 8%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 8%. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 23 12 /2 01 5- 46 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 13005.902312/201546 Acórdão n.º 1201002.194 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo gerado para tratamento manual, a partir de Representação do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil na qual relata que fora apresentada pelo Contribuinte pedido indevido de restituição de IRPJ. Como conseqüência, foi emitido Despacho Decisório com o seguinte teor: 20. Logo, o pedido de restituição há que ser indeferido por inexistência de pagamento indevido de IRPJ para o 4º trimestre/2011, eis que o contribuinte não se sujeita ao percentual favorecido incidente sobre a receita bruta de 8% para apuração da base de cálculo do IRPJ por não atender as normas da Anvisa em vista de não apresentar alvará sanitário vigente no período de apuração em seu nome e endereço cadastral. [...] 22. No uso da competência delegada pelo artigo 2°, inciso IV, da Portaria DRF/SCS nº 17, de 10 de abril de 2014, e da competência atribuída pelos artigos 241, inciso I, 302, inciso VI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 203, de 14 de maio de 2012, na forma da fundamentação, DECIDO: (I) NÃO RECONHECER o direito creditório do contribuinte frente à Fazenda Pública da União a título de pagamento indevido de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ relativo ao 4º trimestre de 2011, para INDEFERIR o pedido eletrônico de restituição 07515.23331.030915.1.2.046087. O contribuinte foi cientificado do referido despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade, contrapondose contra o Despacho Decisório DRF/SCS/Saort com base nos fundamentos a seguir sintetizados. A Manifestante é uma sociedade de responsabilidade limitada, segundo se vê no seu Contrato Social (doc. 01), estabelecida junto ao Hospital Santa Cruz, com o objetivo social de prestação de “serviços de análises clínicas”. Isto é, a Manifestante nasceu para prestar serviços de análises clínicas junto ao órgão hospitalar. Desde a sua constituição está em exercício regular de sua atividade e está adequada às regras da vigilância sanitária. Desta forma, entende ter havido grave equívoco por parte da Autoridade Fiscalizadora, e pede a desconstituição do Despacho Decisório da DRF/SCS/Saort. Do Enquadramento da Manifestante como atividade de prestação de serviço hospitalar. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13005.902312/201546 Acórdão n.º 1201002.194 S1C2T1 Fl. 4 3 Alega a manifestante que a própria Receita Federal em seu Despacho Decisório reconheceu o seu enquadramento exerce atividade de prestação de serviço hospitalar. Quanto ao requisito de enquadramento da atividade exercida não carece de maiores digressões em vista da literal disposição legislativa. Quanto ao requisito de estar constituída sob a forma de sociedade empresária, analisandose o contrato social e alterações, vêse que o contribuinte consta como sociedade empresária desde a sua constituição. Assim, resta claro que atende os preceitos normativos para exercer atividade de prestação de serviço hospitalar, reconhecida pela própria Receita Federal em sua análise. Da Regularidade da Manifestante. Preocupada com a situação, mesmo que tenha cumprido com a solicitação da Receita Federal de apresentar seu Contrato Social e a sua Regularidade de funcionamento, a Manifestante procurou a Prefeitura local e requereu a expedição do Alvará de Saúde, que atestasse não só sua regularidade no atendimento às normas de saúde, mas também a aptidão para exercer sua atividade. Em virtude de o alvará ter sido expedido após o término do prazo do requerimento da Receita Federal, não foi possível anexálo naquele momento. Entende que foi equivocado o posicionamento da fiscalização. A Lei Federal nº 9.249/95, especificamente o seu artigo 15, § 1º, inciso III, alínea ‘a’ (redação alterada pela Lei 11.727/08), estabeleceu que a base de cálculo do imposto, que apuram sob o Regime de Apuração do Lucro Presumido, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Vejase, a parte final da redação da alínea ‘a’, estabelece como requisito para que os contribuintes sejam tributados pelo IRPJ sobre a base de 8% da receita bruta desde que atendam às normas da Vigilância Sanitária. O dispositivo é claro, não estabelece como critério, que para os contribuintes terem o direito ao beneficio de serem tributados pelo IRPJ sobre a base de 8% da receita bruta, somente com a apresentação do “alvará de saúde”, mas sim que atendam às suas normas. E nesse sentido, assim que requerido pela Receita Federal, a Manifestante imediatamente apresentou sua regularidade de funcionamento. Aliás, nesse aspecto não foi apontada nenhuma irregularidade por parte da Receita Federal. Se a Manifestante não estivesse cumprindo com as normas de saúde, não lhe seria expedido o alvará de regularidade de funcionamento. Ainda, para dirimir qualquer dúvida de que efetivamente estava regular perante a vigilância sanitária, foilhe expedido o Alvará de Saúde atestando o cumprimento das normas por parte da Manifestante desde sua constituição. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13005.902312/201546 Acórdão n.º 1201002.194 S1C2T1 Fl. 5 4 Ademais, seria impossível à Manifestante não atender as normas de saúde previstas na Legislação, isso porque, realiza suas atividades junto ao Hospital Santa Cruz, local periodicamente analisado, seja por meio de órgão federal, estadual ou municipal. Portanto, não é legítimo, por parte da Fiscalização, não reconhecer que a Manifestante atende às normas de saúde, uma vez que está em exercício regular de sua atividade, fato esse atestado por meio da Secretaria da Saúde, através da expedição do Alvará de saúde. Nesse sentido, os nossos Tribunais em diversos julgados, rechaçam as exigências da Fiscalização que vão além do preceituado pelo Legislador Ordinário. O que importa é que o serviço prestado seja de natureza hospitalar, pois foi apenas essa a circunstância imposta pela Lei. Foi esse o entendimento do STJ no REsp nº 1.116.399, julgado pelo rito do Recurso Repetitivo, ao julgar a aplicação da alíquota de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido aos contribuintes prestadores de Serviços Hospitalares, oportunidade na qual consignou que os regulamentos emanados da Receita Federal não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei para a obtenção do benefício. Decisão da DRJ A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme ementa abaixo: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DE 8%. LUCRO PRESUMIDO. NECESSIDADE DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. 1. Para determinação do lucro presumido com base na alíquota no percentual de 8% é necessário que a empresa que presta serviços hospitalares seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. 2. Como atendimento às normas da Anvisa deve ser entendido, dentre outros requisitos, que os serviços sejam prestados em ambientes desenvolvidos de acordo com a Resolução de Diretoria Colegiada Anvisa nº 50, de 2002, cuja comprovação deve ser feita mediante alvará expedido pelo órgão de vigilância sanitária competente." Recurso Voluntário Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual ratifica seu termos de defesa apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13005.902312/201546 Acórdão n.º 1201002.194 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.174, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13005.720774/2016 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou o direito creditório do contribuinte decorrente de pagamento indevido de IRPJ Lucro Presumido Código de Receita 2089, relativo a trimestres de apuração dos anoscalendário de 2011, 2012, 2013 e 2014. O presente processo referese à análise de direito creditório com origem em pagamento indevido de IRPJ, relativo ao 4º trimestre/2011. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.174): "Admissibilidade O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos previstos legais, assim, merece ser apreciado. Mérito Em apertada síntese, o tema aqui tratado referese à possibilidade do Alvará da Vigilância Sanitária ou sua ausência definir a alíquota do IRPJ do Lucro Presumido a ser utilizada pelo contribuinte que presta serviços hospitalares, se de 8% ou 32%. A DRJ decidiu no sentido de que a ausência do citado alvará pressupõe que o contribuinte não atende as normas da ANVISA o que é um requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 8%. O entendimento da DRJ me parece razoável. Contudo, seus efeitos devem ser avaliados. Conforme mencionado no relatório, no julgamento do Resp. nº 1.081.441, a 2ª Turma do STJ definiu o que são “serviços hospitalares” para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ART. 15, § 1º, III, "A" DA LEI Nº 9.249/95. RADIOLOGIA, ULTRASSONOGRAFIA E DIAGNÓSTICO DE IMAGENS. INCLUSÃO NO Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13005.902312/201546 Acórdão n.º 1201002.194 S1C2T1 Fl. 7 6 CONCEITO DE SERVIÇO HOSPITALAR. PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Precedente da Primeira Seção. 6. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se está diante de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de "serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte. 7. A redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens excluídas as simples consultas e atividades de cunho administrativo. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13005.902312/201546 Acórdão n.º 1201002.194 S1C2T1 Fl. 8 7 8. Recurso especial provido em parte. Em apertada síntese, decidiram os ministros do STJ que os serviços hospitalares são aqueles relacionados ás atividades desenvolvidas pelos hospitais e que tenham por finalidade a promoção da saúde da população. Posteriormente, a RFB publicou a IN n.1.234/12 que assim define os serviços hospitalares: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinados a atender à internação de pacientes humanos, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente humano, durante 24 (vinte e quatro) horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos.” Mais adiante, já no ano de 2015, foi publicada a Instrução Normativa n. 1.540/15 que assim dispõe: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde que desenvolvem as atividades previstas nas atribuições 1 a 4 da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa” (NR) A Resolução RDC n. 50 da Anvisa, dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Na mencionada resolução é possível perceber que o item 3 trata do Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes da Parte II Programação FísicoFuncional dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde da Resolução RDC nº 50/12. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal. No caso em tela, além de evidenciar a ora Recorrente que, de fato, presta serviços hospitalares, trouxe também documento que julgo de extrema importância e que já fora analisado pela DRJ que é o Alvará de Saúde emitido pela Secretaria Municipal Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13005.902312/201546 Acórdão n.º 1201002.194 S1C2T1 Fl. 9 8 de Santa Cruz do Sul que comprova a regularidade de sua situação e por consequência o atendimento às normas da Anvisa: Contudo, a DRJ entendeu que não poderia acolher tal documento como elemento de prova, dado que foi emitido em 04/02/2016, posteriormente ao fato gerador em análise, ao passo que a Lei Estadual RS n° 6.503/1972 estabelece no §1º do art. 43 que o alvará a que se refere este artigo só terá validade durante o ano civil de sua concessão. É neste ponto que entendo que a Contribuinte perde seu argumento. Isso porque, ainda que defenda que do ponto de vista de essência já vinha prestando serviços hospitalares e que não o podia fazer se não estivesse regularizada, temos que do ponto de vista formal, a interpretação conjunta das normas acima mencionadas nos leva à conclusão de que a evidência de cumprimento das normas da Anvisa somente poderia ser feita por meio do respectivo alvará de vigilância sanitária e que o alvará apresentado é datado de 2016, produzindo efeitos, portanto, somente para este ano segundo a mencionada lei estadual. Aliás, o próprio alvará acima apresentado traz a previsão expressa de validade de 01 ano (válido até 03/02/17). Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13005.902312/201546 Acórdão n.º 1201002.194 S1C2T1 Fl. 10 9 Assim, entendo que para os anosbase não cobertos pelo alvará apresentado pelo Contribuinte, ora Recorrente, não há que se falar em alíquota presumida de 8% uma vez que não foram preenchidos os requisitos legais e formais para gozo de tal benefício, especificamente, o atendimento às normas da Anvisa cuja evidência restou falha em razão da ausência de alvará de vigilância sanitária para os anos ora em discussão. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto!" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000004/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2005
Baixa de Obrigações do Passivo. Falta de Comprovação de Pagamento. Presunção de Omissão de Receita. Invalidade.
É inválida a presunção de omissão de receitas com base na falta de registro de pagamento de obrigações, quando a Fiscalização não demonstrar a efetiva existência do pagamento.
Passivo não Comprovado.
Considera-se caracterizado o passivo não comprovado quando o contribuinte, depois de intimado, não conseguir comprovar a existência e a exigibilidade das obrigações registradas no passivo, na data do balanço.
Numero da decisão: 1301-003.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer o lançamento no que concerne à infração descrita como manutenção em conta de passivo de obrigações cuja existência não fora comprovada, no montante de R$ 46.848.134,42.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2005 Baixa de Obrigações do Passivo. Falta de Comprovação de Pagamento. Presunção de Omissão de Receita. Invalidade. É inválida a presunção de omissão de receitas com base na falta de registro de pagamento de obrigações, quando a Fiscalização não demonstrar a efetiva existência do pagamento. Passivo não Comprovado. Considera-se caracterizado o passivo não comprovado quando o contribuinte, depois de intimado, não conseguir comprovar a existência e a exigibilidade das obrigações registradas no passivo, na data do balanço.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1556; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 4.407 1 4.406 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12897.000004/200976 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1301003.230 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria IPI OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CIBRAPEL S/A INDÚSTRIA DE PAPEL E EMBALAGENS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2005 BAIXA DE OBRIGAÇÕES DO PASSIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. INVALIDADE. É inválida a presunção de omissão de receitas com base na falta de registro de pagamento de obrigações, quando a Fiscalização não demonstrar a efetiva existência do pagamento. PASSIVO NÃO COMPROVADO. Considerase caracterizado o passivo não comprovado quando o contribuinte, depois de intimado, não conseguir comprovar a existência e a exigibilidade das obrigações registradas no passivo, na data do balanço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer o lançamento no que concerne à infração descrita como manutenção em conta de passivo de obrigações cuja existência não fora comprovada, no montante de R$ 46.848.134,42. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 00 04 /2 00 9- 76 Fl. 4407DF CARF MF Processo nº 12897.000004/200976 Acórdão n.º 1301003.230 S1C3T1 Fl. 4.408 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de recurso de ofício em face do Acórdão nº 0926.441, da 2ª Turma da DRJ Juiz de Fora, que exonerou integralmente o crédito tributário, no montante de R$ 27.129.009,49, constituído contra CIBRAPEL S/A INDÚSTRIA DE PAPEL E EMBALAGENS. A Fiscalização havia constatado a prática de duas infrações imputadas à contribuinte, assim descritas no auto de infração (fls. 1.955 a 1.960): 001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL VENDA SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL APURADA EM DECORRÊNCIA DE RECEITA NÃO COMPROVADA Omissão de receita caracterizada pela manutenção em conta do passivo, de obrigações que a empresa não logrou comprovar conforme demonstrado no Termo e Verificação de Infração, em anexo que fica fazendo parte integrante do presente auto de infração. Valor tributável R$ 46.848.134,42. (g.n.) 002 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL VENDA SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL (DEMAIS CASOS) Omissão de receita caracterizada por baixa do passivo sem que a empresa apresentasse provas do seu pagamento, conforme demonstrado no Termo de Verificação de Infração, em anexo que fica fazendo parte integrante do presente auto de infração. Valor tributável R$ 26.000.000,00. (g.n.) No Termo de Verificação de Infração (fls. 1.948 a 1.954), a autoridade fiscal detalhou os fatos: Omissão de receitas caracterizada por falta de escrituração de pagamentos efetuados. Em 31/12/2005 a empresa reduziu do seu passivo o valor de R$ 26.000.000,00, debitando a conta "Fornecedores" e creditando a conta de "Custo de Fabricação"... (...) Considerando que a importância foi baixada da conta Fornecedores conforme transcrição do lançamento efetuado em 31/12/2005, e tendo em vista que as mercadorias foram adquiridas, conforme consta nos versos das diversas notas Fl. 4408DF CARF MF Processo nº 12897.000004/200976 Acórdão n.º 1301003.230 S1C3T1 Fl. 4.409 3 fiscais, anexas às fls. 226/1230, carimbos com a inscrição "Mercadorias Recebidas em __/__/__" (datas diversas) e que as mesmas não foram devolvidas pela empresa, se deduz que, as duplicatas correspondentes àquelas notas fiscais foram devidamente pagas com recursos não registrados na contabilidade da empresa caracterizando desta maneira omissão de receitas, conforme determina o artigo 281 inciso II do Regulamento de Imposto de Renda de 1999, cujo teor abaixo transcrevemos: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 40): II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; (g.n.) (fls. 1948 a 1950) Passivo não comprovado Assim sendo o total das duplicatas relacionadas e que foram comprovados seus respectivos pagamentos, era inferior ao valor constante do balanço da empresa em 31/12/2005, conforme demonstrado abaixo: TOTAL DA CONTA "FORNECEDORES" SEGUNDO CONSTA NO BALANÇO DE 31/12/2005 R$ 49.272.138,51 () TOTAL COMPROVADO P/EMPRESA R$ 2 424 004,09 (=)TOTAL NÃO COMPROVADO R$ 46.848.134,42 Da diferença acima mencionada a maior parte, isto é, R$ 31.134.394,65 referese a compras efetuadas a empresa FLEXPACK Indústria de Embalagens Ltda., e não pagas até 31/12/2005. Foram apresentadas as notas fiscais anexa às fls. 226/1230, entretanto apesar de intimada várias vezes, não foram apresentados os comprovantes de pagamentos, das mesmas. (fl. 1.951) Inconformada, CIBRAPEL S/A INDÚSTRIA DE PAPEL E EMBALAGENS impugnou o lançamento, fazendo com que os autos fossem remetidos à DRJ JFA, que veio a dar integral provimento à impugnação, em acórdão assim resumido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO NÃO COMPROVADO. Afastase a tributação a título de omissão de receita fundamentada na presunção simples que os valores mantidos no Passivo, discriminados pela empresa já haviam sido pagos ou não tinham sua exigibilidade comprovada. Tais premissas têm que ser comprovadas pelo Fisco para instaurarse a presunção legal de omissão de receita. OMISSÃO DE RECEITA. NÃO ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS. Não subsiste a presunção de omissão de receita se não se comprova a manutenção no PASSIVO de obrigação já pagas, mormente quando o lançamento de baixa e posterior estorno não forem minuciosamente comprovados. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Por força do art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, a decisão havia de ser reexaminada pelo CARF. Para esse fim, foram os autos remetidos à 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que, no Acórdão nº 3302000.454 (fls. Fl. 4409DF CARF MF Processo nº 12897.000004/200976 Acórdão n.º 1301003.230 S1C3T1 Fl. 4.410 4 4.203 a 4.208), declinou da competência em favor da Primeira Seção, alegando conexão com o processo de Imposto de Renda, do qual este seria reflexo. Vindo os autos a esta Turma, foi deliberado, no Acórdão nº 1301.000.405, a conversão do julgamento em diligência, para que fossem juntadas algumas peças do processo principal nº 12897.000007/200918. Atendida a diligência, os autos retornaram ao CARF, para prosseguir o julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Admissibilidade O art. 1º da Portaria MF nº 63/2017 fixa em R$ 2.500.000,00 o valor de exoneração de crédito tributário, a partir do qual o recurso de ofício é obrigatório. No caso, o crédito tributário de R$ 27.129.009,49 foi inteiramente exonerado, o que impõe o reexame da decisão pelo CARF. Portanto, é de ser admitido o recurso de ofício. Omissão de receitas baixa do passivo sem comprovação de pagamento Duas foram as situações fáticas que motivaram o lançamento. Uma delas foi a baixa do passivo, sem que a empresa apresentasse provas de seu pagamento (R$ 26.000.000,00). A DRJ, com estes fundamentos, considerou insubsistente o crédito tributário no que concerne à referida infração: No termo de Verificação Fiscal de fls. 1231/1237 a fiscalização relata que a empresa reduziu seu Passivo em R$ 26.000.000,00, debitando a conta Fornecedores (Flexpack Ind. de Embalagens R$ 24.734.054,66 e outras não identificadas R$ 1.265.945,34) e creditando várias contas de Custo de Fabricação, tais como Materiais, Mão de Obra, Des. Ind. de Fabricação, Combustíveis e Lubrificantes. Produtos Intermediários. Como a autuada não logrou justificar o lançamento o Fisco concluiu que "Considerando que a importância foi baixada da conta Fornecedores conforme transcrição do lançamento efetuado em 31/12/2005, e tendo em vista que as mercadorias foram adquiridas,... se deduz que, as duplicatas correspondentes aquelas notas foram devidamente pagas com recursos não registrados na contabilidade da empresa caracterizando desta maneira omissão de receitas, conforme determina o art. 281, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda...'' (grifo do original) O impugnante alega que o Fisco não pode "deduzir, ao seu bel prazer e ao arrepio da legislação que as duplicatas foram pagas" e ainda que deve obediência Fl. 4410DF CARF MF Processo nº 12897.000004/200976 Acórdão n.º 1301003.230 S1C3T1 Fl. 4.411 5 aos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada e salienta que parte desse lançamento, R$ 24.734.054,66, referente à Flexpack, foi estornado em 02/01/2006. Como já dito anteriormente para que se configure a presunção legal a Fiscalização tem que, primeiro, provar a ocorrência do fato determinante falta de escrituração do pagamento. Uma vez provado a ocorrência do fato, instalase a presunção legal de omissão de receita, cabendo então ao contribuinte fazer prova em contrário. Como o autuante se limitou a deduzir que os pagamentos teriam sido efetuados, não há como prosperar a exigência a título de omissão de receita com fulcro no inciso II do artigo 281 do RIR/99. (fls. 4.192 e 4.193) Correta a decisão da DRJ. O lançamento foi feito com base em presunção legal, que, no caso concreto, não se sustenta em fato conhecido e provado, mas em mera ilação. É precisamente neste ponto que reside o problema: a presunção só é válida se construída a partir de fato conhecido e provado. Nesse sentido, ensina o professor Gilberto de Ulhôa Canto: Na presunção tomase como sendo a verdade de todos os casos aquilo que é a verdade da generalidade dos casos iguais, em virtude de uma lei de frequência ou de resultados conhecidos, ou em decorrência da previsão lógica do desfecho. Porque na grande maioria das hipóteses análogas determinada situação se retrata ou define de um certo modo, passase a entender que desse mesmo modo serão retratadas e definidas todas as situações de igual natureza. Assim, o pressuposto lógico da formulação presuntiva consiste na redução, a partir de um fato conhecido, da consequência já conhecida em situações verificadas no passado; dada a existência de elementos comuns, concluise que o resultado conhecido se repetirá. Ou, ainda, inferese o acontecimento a partir do nexo causal lógico que o liga aos dados antecedentes. (g.n.) As presunções podem ser, segundo a sua origem, a) simples ou comuns, quando inferidas pelo raciocínio do homem a partir daquilo que ordinariamente acontece, ou b) legais ou de direito, quando estabelecidas na lei. Em ambos os casos terá de haver nexo causal entre as duas situações (a atual e a sua consequente); a diferença entre elas consiste apenas em que no segundo é a lei que recorre à presunção, enquanto que no primeiro é o seu aplicador ou intérprete que a formula. Daí, a consequente distinção entre as duas figuras possíveis da presunção, a que incide na própria elaboração da norma (direito substantivo) e a que constitui modalidade probatória (direito adjetivo). (Presunções no Direito Tributário. Caderno de Pesquisas Tributárias Vol 9. São Paulo: Editora Resenha Tributária. 1991, pp. 3 e 4) Acerca do mesmo tema, o jurista Gustavo Miguez de Mello afirma: Covelo assim conceitua presunção jurídica: "convencimento antecipado da verdade provável a respeito de um fato desconhecido obtido mediante fato conhecido e conexo", observando que o "fato que se prova por meio de presunção é sempre desconhecido e incerto" e se baseia em "fato conhecido e provado". Fl. 4411DF CARF MF Processo nº 12897.000004/200976 Acórdão n.º 1301003.230 S1C3T1 Fl. 4.412 6 (g.n.) (Presunções no Direito Tributário. Caderno de Pesquisas Tributárias Vol 9. São Paulo: Editora Resenha Tributária. 1991, p. 83) A presunção, seja comum ou legal, parte sempre de um fato conhecido e provado para inferir a existência de um outro fato que, não sendo conhecido, nem provado, tem sua existência presumida a partir de um regra de frequência. O fato base ou indiciário há de ter sua existência efetivamente provada; ademais, o fato base e o presumido devem estar ligados por uma relação lógica, pela qual a presença do primeiro indique fortemente a do segundo, tal como a fumaça evidencia o fogo. No caso, a autoridade fiscal constatou que houve a baixa de determinado valor da conta Fornecedores, com lançamento a crédito de contas de custos. Considerando que as mercadorias foram adquiridas, e que não houve devolução, deduziu a autoridade fiscal que as duplicatas correspondentes teriam sido pagas. E, se foram pagas, o foram com recursos não registrados na contabilidade. O pagamento das duplicatas é mera ilação. É presunção comum e juridicamente frágil em face da inexistência de nexo causal entre as duas situações. Baseado nesse duvidoso raciocínio, a autoridade fiscal tomou o pagamento das obrigações como um fato conhecido e provado, e dele presumiu a omissão de receitas. A omissão de receitas, considerada existente por presunção legal, está amparada em outra presunção. Esta última uma presunção simples, firmada em frágil nexo causal. Em suma, temse aqui dois níveis de presunção, tornando insustentável o lançamento. Considerar o lançamento insubsistente, nessa parte, não significa dizer que não havia problemas na situação da recorrida. Como bem assinalou a decisão da DRJ, a baixa das obrigações, da forma como foi feita, indica a existência de irregularidades. Entretanto, caberia à Fiscalização aprofundar a investigação, a fim de identificar o ilícito tributário, o que não foi feito. Omissão de receitas manutenção de obrigações não comprovadas A outra infração, manutenção no passivo de obrigações não comprovadas (R$ 46.848.134,42) foi afastada pela DRJ com os seguintes motivos: O Passivo Fictício/não comprovado aflora pela constatação, em auditoria contábilfiscal de pagamento de obrigação dentro do ano calendário, ou em período anterior, cuja baixa foi dada no ano seguinte ou não foi dada ou ainda quando as obrigações não forem comprovadas. Nestes casos, presente as premissas da presunção legal, está caracterizada a omissão de receita, cabendo ao contribuinte fazer prova em contrário. Entretanto, cabe a Fiscalização provar cabalmente a existência das premissas legais, ou seja. tem que estar comprovado nos autos que a empresa deixou de contabilizar pagamentos de obrigações durante o período base ou anterior para só fazêlo em período posterior ou que o saldo da conta Fornecedor constante do balanço não foi demonstrado ou não corresponde à realidade. Uma vez provada a ocorrência dessas hipóteses caracterizada está a presunção de omissão de receita, cabendo ao contribuinte, a partir de então, afastála. Fl. 4412DF CARF MF Processo nº 12897.000004/200976 Acórdão n.º 1301003.230 S1C3T1 Fl. 4.413 7 No presente caso o contribuinte apresentou ao Fisco relação de saldos da conta Fornecedores em 31/12/2005, bem como, demonstrativo por Fornecedor, das obrigações pagas (fls. 51/219). Teria juntado inclusive, as notas fiscais das aquisições e alguns comprovantes de pagamentos que perfizeram o valor de R$ 2.424.004,09, aceitos pelo autuante. O Fisco, em momento algum, demonstrou ter constatado que as obrigações relacionadas não corresponderiam às aquisições feitas ou que as mesmas já haviam sido pagas, portanto, neste aspecto assiste razão ao contribuinte. A prova da existência da presunção é do Fisco. A autoridade lançadora construiu uma presunção simples e imprecisa as obrigações estariam pagas para com base nela aplicar uma presunção legal. NÃO PROCEDE ASSIM, A EXIGÊNCIA. (g.n.) (fls. 4.190 e 4.191) Nesse ponto, a decisão da DRJ deve ser reformada. O art. 40 da Lei nº 9.430/1994 prevê duas situações fáticas distintas às quais o dispositivo legal vincula a mesma consequência, ou seja, a presunção de omissão de receita. Confirase: Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. A lei presume omissão de receita com base em dois fatos distintos, a saber: a) a falta de registro de pagamentos de obrigações, situação conhecida como passivo fictício; e b) a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, conhecida por passivo inexistente. Na primeira hipótese, a obrigação existia e foi paga, mas não se registrou o pagamento. A ideia subjacente à presunção legal é de que o registro do pagamento evidenciaria a existência de receitas à margem da contabilidade. Na segunda hipótese, uma obrigação inexistente seria mantida no passivo a fim de encobrir uma receita ou um acréscimo patrimonial. No caso concreto, tanto o termo de verificação, quanto o auto de infração deixam claro que o ilícito tributário que rendeu ensejo ao lançamento foi a manutenção em conta do passivo, de obrigações que a empresa não logrou comprovar. Portanto, não cabe falar em "passivo fictício" (no sentido que se dá aqui à expressão, indicando uma obrigação já extinta por pagamento, mas não baixada na contabilidade). O trabalho de fiscalização buscou, todo o tempo, a comprovação da existência do passivo. Assim já havia entendido esta Turma no Acórdão nº 130100.809, do processo nº 12897.000007/200918, que recaía sobre a mesma base fática, tendo, porém, como objeto o IRPJ. Do voto condutor daquela decisão, da lavra do ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha, podese extrair o seguinte trecho: Fl. 4413DF CARF MF Processo nº 12897.000004/200976 Acórdão n.º 1301003.230 S1C3T1 Fl. 4.414 8 Tratase, como é cediço, de presunção relativa, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a existência de obrigações escrituradas no passivo da recorrente. Além disso, para que se configure a presunção legal, é preciso que a contribuinte, regularmente intimada, não apresente provas de que tais obrigações sejam existentes e exigíveis na data do encerramento do período de apuração (no caso, em 31/12/2005). Ou, em outras palavras, que a contribuinte não se desincumba do ônus que lhe cabe, da apresentação de provas capazes de ilidir a presunção. (...) Especificamente sobre a acusação de passivo fictício, a recorrente não discorda da Autoridade Julgadora em primeira instância quando aquela afirma que o pagamento é uma prova efetiva da exigibilidade de obrigações. Mas discorda de que essa seria a única forma de comprovação. Sustenta que jamais houve, por parte do Fisco, a alegação de obrigações já pagas e mantidas no passivo. Quanto à outra hipótese da presunção legal (obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada), também o fisco não se teria pronunciado, limitandose a exigir a comprovação do pagamento das obrigações e afastandose, assim, da presunção legal. Equivocase mais uma vez a recorrente. A acusação de manutenção, no passivo, de obrigações já pagas e/ou incomprovadas é cristalina, à fl. 1242, e decorre de todo o procedimento de fiscalização, em que a então fiscalizada foi intimada a especificar as obrigações integrantes de seu passivo e apresentar as correspondentes duplicatas e comprovantes de pagamentos. A conferir os termos das intimações dirigidas à então fiscalizada: • Termo de Intimação n° 0002, de 23/07/2008: l) Apresentar relação das duplicatas que compunha o saldo da conta FORNECEDORES em 31/12/2005, devendo constar desta relação o nome do fornecedor, o número da duplicata, as datas de emissão, vencimento e pagamento e o respectivo valor; 2) Apresentar as duplicatas que forem relacionadas no item acima; • Termo de Intimação n° 0003, de 27/08/2008: reintimação, nos mesmos termos. • Termo de Intimação n° 0004, de 08/10/2008: reintimação, nos mesmos termos. Os pagamentos das obrigações adquirem enorme relevância nesse contexto, visto que, se correspondentes a obrigações contraídas até 31/12/2005 e comprovadamente quitadas em data posterior, atestariam a existência e exigibilidade do passivo na data do balanço, afastando a presunção legal. A simples apresentação da nota fiscal ou duplicata registrada como obrigação no passivo, dentro das circunstâncias fáticas aqui delineadas, é insuficiente para comprovar sua exigibilidade, como bem decidido em primeira instância. Além disso, a recorrente passa ao largo do fato de que a maior parte dos valores autuados (R$ 31.134.394,65, de um total de R$ 46.848.134,42, ou 66,5%) corresponde a supostas compras efetuadas a uma única empresa, a Flexpack Indústria de Embalagens Ltda. O seguinte excerto do Termo de Verificação de Infração (fl. 1236/1237) é esclarecedor: Fl. 4414DF CARF MF Processo nº 12897.000004/200976 Acórdão n.º 1301003.230 S1C3T1 Fl. 4.415 9 Da diferença acima mencionada a maior parte, isto é, R$ 31.134.394,65 referese a compras efetuadas a empresa FLEXPACK Indústria de Embalagens Ltda., e não pagas até 31/12/2005. Foram apresentadas às notas fiscais anexa às fls. 220/1226 entretanto apesar de intimada várias vezes, não foram apresentados os comprovantes de pagamentos, das mesmas. [...] Esta fiscalização encaminhou por via postal com Aviso de Recebimento (AR), Termo de Intimação para o domicílio fiscal da empresa Flexpack, para a mesma apresentar relação das notas fiscais relativas as vendas efetuadas a CEBRAPEL, no ano calendário de 2005, e a informar os valores que foram pagos no referido período, no entanto não houve atendimento à intimação. Efetuamos então diligencia no endereço constante das notas fiscais da Flexpack, isto é, na Rodovia Washington Luiz n 3968, Jardim Primavera Duque de Caxias RJ, este mesmo endereço consta no cadastro da empresa junto a SRF, encontramos naquele local a empresa Aparas Boa Esperança de Papéis Ltda CNPJ 31.617.046/000188, tendo o sócio da mesma, informado que esta empresa funciona naquele endereço desde 19/09/2002, apresentando como prova, cópia do contrato social, alvará de localização, etc., os quais se encontram anexados às fls. 1260/1267. Intimada, a fiscalizada, em 04/12/2008, Termo de Intimação n° 0006, anexo às fls. 1227/1228, a justificar a diferença acima mencionada, bem como apresentar os comprovantes de pagamentos, em especial os da empresa FLEXPACK Indústria de Embalagens Ltda e a informar a localização da referida Flexpack, tendo em vista que na diligência efetuada no endereço da mesma foi constatado que desde 19/09/2002, a mesma já não funcionava naquele local, e que apesar disto a empresa ora autuada continuou efetuando compras de mercadorias em 2003, 2004 e 2005. Tendo em vista que a empresa não atendeu ao Termo de Intimação n° 0006, intimamos a sócia Srª Rosanne da Silva Oliveira CPF 759.377.277/20, e o sócio Sr. Rogério da Silva Oliveira CPF 814.076.377/20, Termos de Intimações n°s 007 e 008, anexo às fls. 1229/1232 a apresentar os mesmos documentos e informações solicitados naquele termo. Também não foi apresentada nenhuma resposta a estes novos termos de intimação. Apenas estes fatos já seriam suficientes para lançar sérias dúvidas sobre as obrigações com esse fornecedor, registradas no passivo da interessada. As provas a seu encargo deveriam ser ainda mais contundentes, no sentido da efetiva aquisição e recebimento dos produtos e dos correspondentes pagamentos. No entanto, encontro às fls. 131 e segs. meros recibos, produzidos em papel sem qualquer timbre, firmados por pessoa não identificada. Quanto às notas fiscais, conforme excerto acima, o Fisco constatou que a suposta emitente Flexpack não se encontra em seu endereço cadastral, no mínimo, desde 2002, não havendo notícia sobre se ou onde continuou suas operações. A interessada aduz que pode haver obrigações exigíveis e não pagas, a exemplo de uma hipotética empresa atravessando dificuldades financeiras e que devido a isso deixa de honrar compromissos com fornecedores ou, ainda, empresas concordatárias e em processo de falência. É verdade. No entanto, cabe a ela, recorrente, a prova de que obrigações anteriormente assumidas restariam ainda exigíveis e em aberto, anos após, sem qualquer acordo com o credor ou sem que este Fl. 4415DF CARF MF Processo nº 12897.000004/200976 Acórdão n.º 1301003.230 S1C3T1 Fl. 4.416 10 tenha adotado as providências legais para a satisfação de seu direito. Ainda mais fora do usual seria que o credor continuasse os fornecimentos, sem o recebimento de vendas anteriores, por longo período. Diante disso, não se pode aceitar sua afirmação de que todo o seu passivo estaria demonstrado, desde a impugnação. Os documentos até então acostados aos autos foram exaustivamente analisados pelo julgador de primeira instância, e fundamentadamente tidos por insuficientes a comprovar a existência e/ou a exigibilidade das obrigações registradas no passivo em 31/12/2005. Em sede de recurso, a interessada aduz que somente agora teria localizado alguns pagamentos efetuados, e faz acostar aos autos nova planilha intitulada "Relação dos Pagamentos a Fornecedores" (Doc. 05) detalhadas através de Planilhas Analíticas (Docs. 06 a XX), mediante os quais estariam comprovados pagamentos no montante de R$ 7.193.325,06. Observa que alguns dos valores teriam sido baixados mediante encontro de contas, visto que alguns dos credores também seriam simultaneamente devedores da interessada. Ressalta, ainda, que "os valores que compõem o passivo e que não tiveram os documentos relativos aos pagamentos anexados, efetivamente ainda não foram pagos e jamais poderiam ser considerados como passivo fictício". Ainda sobre a comprovação dos pagamentos, a recorrente afirma que "a exaustiva busca em seus arquivos revelou também a existência de alguns pagamentos efetuados no curso do anocalendário 2005 que, por equívoco, deixaram de ser registrados, acarretando, em virtude disto, uma majoração indevida do saldo da conta 'Fornecedores' em 31/12/2005". Discorda, no entanto, de que tal fato pudesse caracterizar a existência de passivo fictício, visto que os pagamentos teriam sido feitos com recursos próprios existentes e que a empresa possuía saldo mais que suficiente para suportar a baixa de tais valores e seu registro. Tratarseia de mera falha, sem efeitos tributários e sem prejuízo ao erário. O exame da extensa documentação, no entanto, não socorre as pretensões da recorrente. Tomemos, como exemplo, a planilha intitulada Documento 001 (fl. 3514). Ali é mencionada a conta contábil 210101.2.2059, correspondente ao fornecedor Berty Derivados do Petróleo Ltda. A planilha relaciona data de entrada, nota fiscal, data do pagamento e valor pago, fazendose acompanhar por documentos as fls. 3515/3761. Tais documentos, a princípio, seriam os comprovantes dos pagamentos que constam da planilha. No entanto, não há coincidência entre os números dos documentos, datas e valores. Por exemplo, o comprovante de fl. 3515 registra o número de documento 5191/D, valor R$ 7.709,00 e pagamento em 02/01/2006. O exame da planilha de fl. 3514 não revela nenhuma nota fiscal ou duplicata com essa numeração, nenhum pagamento nesse valor ou com essa data. O mesmo se repete, com algumas variações, ao longo de toda a documentação apresentada. Além dessa falta de correspondência específica entre os documentos e as planilhas, também não é possível fazer a correspondência entre as notas fiscais ou duplicatas e os saldos do passivo que foram objeto de autuação. Melhor explicando, não é possível saber se os documentos agora trazidos não seriam aqueles apresentados e aceitos pelo Fisco ainda durante o procedimento de fiscalização ou mesmo se integrariam o saldo em 31/12/2005. Vejase que essa conta contábil 210101.2.2059, correspondente ao fornecedor Berty Derivados do Petróleo Ltda., não se encontrava na relação originalmente apresentada ao Fisco (Resumo Saldo de Fornecedores, fls. 51/54). Fl. 4416DF CARF MF Processo nº 12897.000004/200976 Acórdão n.º 1301003.230 S1C3T1 Fl. 4.417 11 Prosseguindo na análise, encontramos a planilha intitulada Documento 002 (fl. 3762). Ali é mencionada a conta contábil 210101.2.1588, correspondente ao fornecedor Brasivit Com. Import. Export. Ltda. Mais uma vez, a planilha relaciona data de entrada, nota fiscal, data do pagamento e valor pago, fazendose acompanhar por documentos às fls. 3763/3784. Neste caso, não obstante haja coincidência de datas e valores com relação aos pagamentos e notas fiscais apontados, todos os pagamentos foram feitos antes de 31/12/2005, o que somente confirma o fato de sua inexigibilidade na data do balanço. Repetese, aqui, a observação feita anteriormente, sobre a impossibilidade de saber, ao certo, se as notas fiscais aqui relacionadas eram, de fato, aquelas que compunham o passivo em 31/12/2005. As demais planilhas e documentos apresentados repetem, com pequenas variações, o acima exposto, e considero desnecessário tecer considerações específicas sobre cada documento acostado aos autos, bastando registrar sua insuficiência para os fins de comprovar a existência e exigibilidade das obrigações registradas no passivo. Três argumentos, no entanto, merecem atenção especial: • Nos casos em que a própria interessada reconhece que não conseguiu trazer aos autos os comprovantes de pagamentos, até a presente data, afirmando os débitos ainda exigíveis, sem qualquer evidência de que tais débitos tenham sido renegociados junto aos credores, entendo que se mantém a presunção legal de omissão de receitas. A inversão do ônus da prova, já mencionada neste voto, impõe à interessada essa comprovação. • A alegação de quitação de parte dos débitos mediante encontro de contas (débitos e créditos recíprocos) é absolutamente carente de comprovação, restam incomprovados os débitos e seus pagamentos. Igualmente, mantémse a presunção legal. • Em terceiro lugar, nas situações em que a documentação trazida pela própria interessada dá conta de pagamentos efetuados em datas anteriores a 31/12/2005, resta confirmada a manutenção de obrigações não mais exigíveis no passivo, mantendose também a presunção de omissão de receitas. Ressalto que essa presunção prescinde da recomposição do caixa, como parece entender a recorrente, pelo que se toma irrelevante sua alegação de que possuía disponibilidades para os pagamentos. Finalmente, cabe verificar a alegação de teria havido erro na data de ocorrência do fato gerador, visto que parte significativa do saldo da conta Fornecedores, em 31/12/2005, teria sua origem em exercícios anteriores e, desta forma, não poderia ser imputado como passivo fictício no exercício objeto de fiscalização e lançamento. Mais uma vez, as provas dos autos não são favoráveis à recorrente, especialmente o exame do que segue: • (1) Fls. 1322/1350 RESUMO DE SALDOS DA CONTA FORNECEDORES planilha com o saldo de cada conta integrante do passivo, totalizando R$ 49.272.138,50. • (2) Fls. 1355/1370 RELATÓRIO REFERENTE FORNECEDORES COM SALDO CREDOR planilhas com o saldo de cada conta em 31/12/2004, para as contas da matriz (total R$ 4.361.965,95), filial (total R$ 34.455.135,78) e exterior (total R$ 482.657,78). Fl. 4417DF CARF MF Processo nº 12897.000004/200976 Acórdão n.º 1301003.230 S1C3T1 Fl. 4.418 12 • (3) Fls. 1428 e segs. planilhas, para cada conta, com a respectiva movimentação e saldos. Ocorre que o fato de que diversas contas, em tese, já registravam um saldo no final do período anterior (2) não significa que a movimentação de 2005 deva, necessariamente, ser o saldo no final desse ano (1) subtraído do saldo no ano anterior (2). É perfeitamente possível que todas as obrigações do final do ano de 2004 tenham sido quitadas ao longo de 2005 e que novas obrigações tenham sido contraídas, o que faria com que o saldo ao final desse ano fosse integralmente composto por obrigações contraídas no mesmo ano. Considero que a prova cabal de suas afirmações não pode ser extraída das planilhas apresentadas, como quer a recorrente. Desta forma, não vislumbro erro, também aqui, capaz de macular o lançamento. Diante do exposto, no que tange ao recurso voluntário, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negolhe provimento. (fls. 4.291 a 4.298) Com base nesses fundamentos, deve ser restabelecido o lançamento relativamente à omissão de receitas por manutenção em conta de passivo de obrigações cuja exigibilidade não ficou comprovada, no valor de R$ 46.848.134,42. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso de ofício, para, no mérito, darlhe parcial provimento, a fim de restabelecer o lançamento no que concerne à infração descrita como manutenção em conta de passivo de obrigações cuja existência não fora comprovada, no montante de R$ 46.848.134,42. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 4418DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.009135/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 08/03/2004
REVISÃO ADUANEIRA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MERCADORIAS PARAMETRIZADAS PARA OS CANAIS VERDE, AMARELO E VERMELHO DE CONFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. INSTITUTO ADUANEIRO.
A Revisão Aduaneira é um típico instituto aduaneiro, sob a matriz legal do artigo 54 do Decreto-lei nº 37/1966, na qual todo o procedimento aduaneiro da importação executado pela administração aduaneira ou sob seus controles são revistos, dentro do prazo decadencial, e não se encontra limitada pelo artigo 146 e 149 do CTN.
DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
O desembaraço aduaneiro, nas importações parametrizadas para os canais verde, amarelo e vermelho, não homologa, nem tem por objetivo central homologar os atos praticados pelo sujeito passivo na importação. Tal homologação ocorre apenas com a revisão aduaneira (homologação expressa), ou com o decurso de prazo (homologação tácita).
MULTA ADUANEIRA. SANÇÃO EQUIVALENTE A 30% DO VALOR ADUANEIRO NA HIPÓTESE DE AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO BEM LICENCIADO, MAS PERFEITA DESCRIÇÃO DO MESMO. INEXISTÊNCIA DE SUBSUNÇÃO. CONSONÂNCIA COM ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT N. 12/1997.
O erro na classificação fiscal do bem importado fiscalizado com a sua correta descrição foi incapaz de alterar a forma de controle aduaneiro e, por conseguinte, impedir a atividade fiscalizatória da aduana, razão pela qual não se amolda ao tipo prescrito no art. 633, inciso II, alínea "a" do Decreto n. 4.543/02, sob pena, inclusive, de ofensa ao princípio da legalidade e seu consectário lógico, o princípio da tipicidade cerrada.
Numero da decisão: 3402-005.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a multa aduaneira por falta de licenciamento de importação (art. 633, inciso I, alínea "a" do Regulamento Aduaneiro/2002). Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à revisão aduaneira para fins de classificação fiscal. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro (Relator), Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MERCADORIAS PARAMETRIZADAS PARA OS CANAIS VERDE, AMARELO E VERMELHO DE CONFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. INSTITUTO ADUANEIRO. A Revisão Aduaneira é um típico instituto aduaneiro, sob a matriz legal do artigo 54 do Decretolei nº 37/1966, na qual todo o procedimento aduaneiro da importação executado pela administração aduaneira ou sob seus controles são revistos, dentro do prazo decadencial, e não se encontra limitada pelo artigo 146 e 149 do CTN. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O desembaraço aduaneiro, nas importações parametrizadas para os canais verde, amarelo e vermelho, não homologa, nem tem por objetivo central homologar os atos praticados pelo sujeito passivo na importação. Tal homologação ocorre apenas com a revisão aduaneira (homologação expressa), ou com o decurso de prazo (homologação tácita). MULTA ADUANEIRA. SANÇÃO EQUIVALENTE A 30% DO VALOR ADUANEIRO NA HIPÓTESE DE AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO BEM LICENCIADO, MAS PERFEITA DESCRIÇÃO DO MESMO. INEXISTÊNCIA DE SUBSUNÇÃO. CONSONÂNCIA COM ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT N. 12/1997. O erro na classificação fiscal do bem importado fiscalizado com a sua correta descrição foi incapaz de alterar a forma de controle aduaneiro e, por conseguinte, impedir a atividade fiscalizatória da aduana, razão pela qual não se amolda ao tipo prescrito no art. 633, inciso II, alínea "a" do Decreto n. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 91 35 /2 00 8- 16 Fl. 208DF CARF MF 2 4.543/02, sob pena, inclusive, de ofensa ao princípio da legalidade e seu consectário lógico, o princípio da tipicidade cerrada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a multa aduaneira por falta de licenciamento de importação (art. 633, inciso I, alínea "a" do Regulamento Aduaneiro/2002). Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à revisão aduaneira para fins de classificação fiscal. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro (Relator), Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório 1. Por bem retratar o caso, adoto como meu parte do relatório desenvolvido no acórdão n. 0737.926 (fls. 175/184), proferido pela DRJ de Florianópolis/SC, o que passo a fazer nos seguintes termos: O presente processo referese aos Autos de Infração de fls 06/53 lavrados para exigência de Imposto de Importação, IPI, com os respectivos juros de mora e multa de ofício, bem como de multa por importação sem licença de importação e multa por erro de classificação fiscal, totalizando um crédito tributário no valor de R$1.103.857,49. Segundo relato da fiscalização, o importador, por meio da DI n.º 04/02122814, registrada em 08/03/2004, submeteu a despacho mercadorias por ele descritas como "SISTEMA DE RAIO X DIGITAL, SELENIA COM WORKSTATION" e "SISTEMA DE RAIO X DIGITAL, SELENIA SEM WORKSTATION", do fabricante LORAD HOLOGIC (EUA), classificandoas na NCM no código 9022.14.90 ("Outros aparelhos de raios X, para usos médicos, cirúrgicos ou veterinários"), com alíquotas de IPI (0%) e de Imposto Importação de (5 %). Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10314.009135/200816 Acórdão n.º 3402005.395 S3C4T2 Fl. 209 3 Todavia os equipamentos importados são mamógrafos que se classificam no código 9022.14.11 ("Outros aparelhos de raios X de diagnóstico para mamografia"), sujeito a alíquotas de Imposto de Importação de 14% e de IPI de 5%. A fiscalização concluiu pela nova classificação com base em pesquisas feitas no Sítio da ANVISA, onde consta a descrição do produto como "SISTEMA DE MAMOGRAFIA SELENIA", do fabricante Lorad Hologic Company. Obteve também informações do responsável pelo registro do "Sistema de Mamografia Selenia" junto à ANVISA, a Pyramid Medical Systems Ltda, e boletins informativos sobre a instalação dos mamógrafos. Do Sítio do fabricante, www.hologic.com, também foram extraídas informações dos aparelhos Selenia como equipamentos para mamografia. Assim, a fiscalização considerou comprovada a identificação do produto como sendo destinado a mamografia, promovendo a reclassificação tarifária, exigindo os tributos devidos com base nas alíquotas previstas para a nova classificação fiscal e na reconstituição da base de cálculo do IPI. Também está sendo exigida a multa prevista no art. 169, I, alínea "b" e § 2.º, inciso I do DecretoLei no 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n ° 10.833/03, correspondendo a 30% sobre o valor aduaneiro, pela importação sem licença de importação, não se aplicando a ADN Cosit n.º 12/1997, pois o produto não estava corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Pela declaração inexata, foi exigida a multa de 75% sobre o valor dos tributos, nos termos do art. 44 da Lei n.º 9.430/96. Finalmente foi exigida também a multa por erro de classificação fiscal, no percentual de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no art. 84, I, da Medida Provisória n.º 215835/01 combinado com o art. 69 e art. 81, IV, da Lei n ° 10.833/03. Documentos anexados pela fiscalização para comprovação das alegações às fls. 81/95. (...) (grifos nosso). 2. Uma vez intimado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 114/125, oportunidade em que, sinteticamente, alegou o que segue: (i) que a presente exigência é indevida, uma vez que a mercadoria importada sujeitouse ao canal vermelho de conferência aduaneira, motivo pela qual seria inviável a correlata revisão fiscal, sob pena de ofensa ao disposto no art. 149 do CTN; (ii) a multa de 30% (trinta por cento) sobre o valor aduaneiro, capitulada no art. 633, inciso II do RA/2002 também seria indevida, uma vez que a mercadoria em comento Fl. 210DF CARF MF 4 estava amparada por licença de importação registrada sob o n. 04/03040075, o que implica a inexistência de subsunção dos fatos apurados ao tipo legal. 3. Devidamente processada, a citada impugnação foi julgada improcedente pelo acórdão já referido, conforme se observa da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/03/2004 DESEMBARAÇO. LANÇAMENTO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. Não constitui mudança de critério jurídico o lançamento resultante de revisão aduaneira que apurou erro na classificação tarifária adotada pela importadora em importação já desembaraçada. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/03/2004 MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. É devida a multa por falta de LI quando o produto não esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 193/205, momento processual em que repisou os fundamentos deduzidos em impugnação. 5. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da revisão aduaneira para fins de classificação fiscal 7. Como já mencionado no relatório do presente voto, o principal fundamento convocado pelo recorrente em suas razões recursais é no sentido que os bens por ele importados (sistema de raioX digital Selenia com 'workstation' e "sistema de raioX digital Selenia sem 'workstation') foram submetidos ao canal vermelho de parametrização, ou seja, foram sujeitos à conferência documental e física por parte dos agentes da aduana no momento do correlato desembaraço. 8. Assim, ainda segundo preconiza o contribuinte, promover uma revisão aduaneira em situações como a aqui narrada implicaria ofensa ao disposto no art. 149 do CTN, uma vez que os fatos aqui apurados não se amoldariam a nenhum daqueles descritos no citado Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10314.009135/200816 Acórdão n.º 3402005.395 S3C4T2 Fl. 210 5 prescritivo legal, o qual traria um rol exaustivo de fatos aptos a gerar a revisão do lançamento tributário. Ademais, alega ainda que a revisão aqui perpetrada redundaria em alteração de critério jurídico, o que, por seu turno, atentaria contra a garantia constitucional do ato jurídico perfeito, bem como aos princípios da confiança e da segurança jurídica. 9. Tenho para mim que, a depender da situação fática que permeia o caso, tais fundamentos podem ser validados. Registrese, desde logo, que não ignoro o disposto no art. 54 do DecretoLei nº 37/1966, c.c. o art. 570 do Decreto nº 4.543/2002, os quais prevêem, após o desembaraço, a possibilidade dos agentes aduaneiros promoverem a revisão para fins de apuração de regularidade do pagamento dos tributos, bem como o acertamento das informações prestadas pelo importador na DI. 10. Acontece que tais prescritivos legais não andam só, devendo ser interpretados em compasso com outros dispositivos do ordenamento jurídico nacional, dentre os quais destacase o art. 146 do CTN, além de princípios que permeiam este mesmo ordenamento, com especial ênfase aos princípios da moralidade da Administração Pública, da proteção da confiança do administrado e, ainda, ao sobreprincípio da segurança jurídica. 11 Assim, em princípio, a revisão aduaneira seria possível para aquelas hipóteses em que a mercadoria importada não foi sujeita ao canais de parametrização que impliquem a conferência física dos bens importados ou, ainda, quando se está diante de um erro de fato (e não de direito), em especial quando este erro decorre de uma indução (ainda que culposa) promovida pelo contribuinte por conta de equívocos no preenchimento dos documentos atinentes aos produtos importados. 12. Neste mesmo sentido, transcrevo trecho de preciso voto da lavra do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, proferido quando do julgamento do processo administrativo n. 11829.720034/201249, in verbis: (...) A revisão aduaneira prevista pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002 permanece hígida no ordenamento, porém conhece a limitação imposta pelo Código Tributário Nacional, diploma recepcionado como lei complementar pela Constituição da República de 1988. Assim, prestase a revisar os erros de fato, mas jamais os erros de direito. Ao se propor a alterar os termos da relação que mantém com o contribuinte, o Estado deverá fazêlo apenas com relação aos fatos geradores ainda a serem praticados, sem alcançar aqueles já praticados, pois o passado prossegue resguardado: sob o crivo dos novos critérios, de uma nova política fiscal, decidirá o contribuinte se continuará ou não a realizar importações, resguardado o direito de organizar os seus negócios. (...). 13. Neste sentido é a uníssona jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO IMPORTAÇÃO DESEMBARAÇO ADUANEIRO RECLASSIFICAÇÃO DA MERCADORIA REVISÃO DE LANÇAMENTO POR ERRO DE DIREITO IMPOSSIBILIDADE SÚMULA 227 DO EXTINTO TFR. Fl. 212DF CARF MF 6 1. É permitida a revisão do lançamento tributário, quando houver erro de fato, entendendose este como aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. Não se admite a revisão quando configurado erro de direito consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. 2. A jurisprudência do STJ, acompanhando o entendimento do extinto TRF consolidado na Súmula 227, tem entendido que o contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito. 3. Hipótese em que o contribuinte atribuiu às mercadorias classificação fiscal amparada em laudo técnico oficial confeccionado a pedido da auditoria fiscal, por profissional técnico credenciado junto à autoridade alfandegária e aceita por ocasião do desembaraço aduaneiro. 4. Agravo regimental não provido. (STJ; AgRg no REsp 1347324/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2013, DJe 14/08/2013) (g.n.). TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. EQUÍVOCO NA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. ALÍQUOTA. ERRO DE DIREITO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Hipótese em que se discute se a indicação, pelo contribuinte, de legislação errônea na Declaração de Importação devidamente recebida pela autoridade alfandegária consiste em erro de fato e, portanto, pode dar ensejo à posterior revisão, pela Fazenda, do tributo devido; ou se tratase de mudança de critério jurídico, cuja revisão é vedada pelo CTN. 2. A jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que o erro de direito (o qual não admite revisão) é aquele que decorre da aplicação incorreta da norma. Precedentes. Por outro lado, o erro de fato é aquele consubstanciado "na inexatidão de dados fáticos, atos ou negócios que dão origem à obrigação tributária" (EDcl no REsp 1174900/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 09/05/2011). 3. Da análise dos autos, verificase que ocorreu a indicação de legislação equivocada no momento da internalização da mercadoria, o que culminou com o pagamento da alíquota em valor reduzido, de sorte que não houve engano a respeito da ocorrência ou não de determinada situação de fato, mas sim em relação à norma incidente na situação, como, aliás, registrou o acórdão recorrido. Assim, não há falar em possibilidade de revisão do lançamento no caso dos autos, mormente porque, ao desembaraçar o bem importado, o fisco tem, ao menos em tese, a oportunidade de conferir as informações prestadas pelo contribuinte em sua declaração. 4. Agravo regimental não provido. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10314.009135/200816 Acórdão n.º 3402005.395 S3C4T2 Fl. 211 7 (STJ; AgRg no Ag 1422444/AL, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/10/2012, DJe 11/10/2012) (g.n.). 14. É exatamente esse o caso dos autos. Conforme se observa do presente processo, o contribuinte importou sistemas de raioX digital submetidos ao canal vermelho de parametrização e que, posteriormente mais precisamente após mais de 04 (quatro) anos do desembaraço , a fiscalização, com base em informações prestadas na internet pelo fabricante dos bens importados, promoveu a revisão aduaneira com a consequente reclassificação fiscal. 15. O que se tem aqui, portanto, não é um erro de fato, já que as mercadorias importadas sujeitaramse ao canal vermelho de parametrização, ou seja, foram objeto de análise física e documental no ato do desembaraço. Não há, pois, erro na apuração do fato, mas sim da sua qualificação jurídica, o que, por conseguinte, impede a revisão fiscal pretendida pela fiscalização, sob pena de ofensa ao disposto no art. 146 do CTN. 16. Assim, voto no sentido de exonerar a exigência fiscal aqui questionada. II. Da multa aduaneira por falta de licenciamento de importação 17. Conforme destacado no relatório do presente voto, além da exigência tributária, também foi imposto ao contribuinte a sanção capitulada no art. 633, inciso I, alínea "a" do Regulamento Aduaneiro vigente à época, in verbis: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas: (...) II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação; e (...). (grifos nosso). 18. O tipo legal é claro ao prescrever que será sancionado com a multa de 30% do valor aduaneiro aquele que importar mercadoria sujeita à licença de importação sem o cumprimento desta exigência. Referido dispositivo tem por escopo tutelar, viabilizando de forma substancial, o deverpoder da Administração Aduaneira em fiscalizar as importações realizadas no país, de modo a evitar a ocorrência de burlas aduaneiras e também fiscais. 19. No presente caso, por seu turno, o contribuinte promoveu a presente importação com a presença de LI registrada sob o n. 04/03040075 (fls. 61/62), ou seja, a fiscalização teve plena oportunidade de efetuar previamente o controle aduaneiro da mercadoria importada, o que de fato ocorreu, ao ponto, inclusive, dos bens importados terem se sujeitados ao canal vermelho de parametrização. 20. Não há, portanto, subsunção do fato apurado àquele descrito no antecedente da norma sancionadora, uma vez que repitase as mercadorias aqui tratadas Fl. 214DF CARF MF 8 foram objeto de licença de importação. Ademais, tais bens foram devidamente descritos, havendo aqui apenas uma discrepância quanto ao seu enquadramento legal para fins de classificação fiscal, o que impossibilita a incidência da multa aqui tratada, como aliás vem reconhecendo este Tribunal Administrativo: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 21/07/2004 (...). Multa por Ausência de Licença de Importação. Inaplicabilidade. O exclusivo erro de classificação não é suficiente para atrair a aplicação da multa capitulada na atual redação do art. 169, I do Decretolei nº 37, de 1966. É necessário que se demonstre que tal erro prejudicou o exercício do controle administrativo das importações. (Acórdão 310200.708). Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Negados. (Acórdão n. 9303003.842) (g.n.). 21. No último acórdão citado, ao tratar da sanção aqui analisada, o Relator do caso, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, assim se manifestou em seu voto: (...) Desta feita, se ficar demonstrado erro na indicação da classificação tarifária e o item tarifário apontado como correto estiver sujeito a controle administrativo não previsto para a classificação original (v.g. o código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática), forçosamente, mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada em violação ao controle administrativo das importações, bem jurídico expressamente tutelado pelo art. 633 anteriormente transcrito. Ocorre que, por outro lado, se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Ou seja, se tanto o código tarifário indicado pelo Fisco, quanto o defendido pelo sujeito passivo estiverem sujeitos ao mesmo tratamento administrativo, não vejo como considerar que a mercadoria deixou de ser licenciada em razão do erro de classificação. (...) (g.n.). 22. Este também é o teor do Ato Declaratório COSIT n. 12/1997, in verbis: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10314.009135/200816 Acórdão n.º 3402005.395 S3C4T2 Fl. 212 9 art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. 23. É exatamente este o caso dos autos, uma vez que a descrição indicada pela fiscalização não implicou a alteração da forma de controle aduaneiro. Logo, o suposto erro na classificação fiscal dos bens importados pode redundar em um pretenso prejuízo ao erário (caráter fiscal da autuação), mas não ao controle aduaneiro (caráter administrativo da exigência). 24. Ademais, convém sublinhar que a classificação fiscal da mercadoria apresentada pelo contribuinte não foi propositadamente pensada para burlar o controle aduaneiro. Não houve aqui a substituição da descrição dos bens importados e retratados na LI de, v.g., aço por batatas. Em verdade, o suposto erro classificatório passou por uma linha muito tênue, ao ponto da fiscalização desembaraçar as mercadorias nos exatos termos em que classificada pelo contribuinte após sujeitálas ao canal vermelho de parametrização. 25. Por fim, a inexistência de subsunção aqui mencionada é reforçada quando se observa que, para a conduta promovida pela recorrente, qual seja, erro da descrição das mercadorias importadas, existe uma sanção especialmente prevista para punir al prática, retratada no art. 84, inciso I da MP n. 2.15835/01, in verbis: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou (...). 26. Há, portanto, um tipo especialmente previsto para a conduta realizada pelo recorrente, tipo este que, digase de passagem, foi convocado em concreto para sancionar o contribuinte em questão, mas que não foi objeto de insurgência por parte do contribuinte. 27. Diante deste quadro, por inexistência de subsunção dos fatos aqui tratados àqueles descritos no art. 633, inciso I, alínea "a" do Regulamento Aduaneiro vigente à época, encaminho meu voto para afastar a sanção correlata. Dispositivo Fl. 216DF CARF MF 10 28. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto. 29. É como voto. (assinado digitalmente) Relator Diego Diniz Ribeiro. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10314.009135/200816 Acórdão n.º 3402005.395 S3C4T2 Fl. 213 11 Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Redator Designado. O voto vencedor reportase sobre a possibilidade e limites da revisão aduaneira para fins de classificação fiscal. O ilustre Relator não admite a revisão aduaneira na hipótese de mercadoria sujeita ao canal vermelho de parametrização, por entender que tal situação configuraria erro de direito, o que inviabiliza a reclassificação fiscal para fins de lançamento tributário, sob pena de alteração do seu critério jurídico. Não é o nosso entendimento. Da Revisão Aduaneira De acordo com o disposto no artigo 44 do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo Decretolei nº 2.472/1988, toda mercadoria procedente do exterior deverá ser submetida a despacho aduaneiro, que será processado com base em declaração do importador apresentada à repartição aduaneira no prazo e na forma prescritos em regulamento, mesmo aquelas não sujeitas ao pagamento do imposto de importação. O artigo 542 do Regulamento Aduaneiro (RA), aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009, define despacho aduaneiro de importação como “o procedimento mediante o qual é verificada a exatidão dos dados declarados pelo importador em relação à mercadoria importada, aos documentos apresentados e à legislação específica”. Tratase de um procedimento composto de quatro fases: (i) Processamento da declaração de importação, através de seu preenchimento pelo importador e registro pela administração aduaneira; (ii) Conferência aduaneira, de acordo com a parametrização da declaração de importação; (iii) Desembaraço aduaneiro e entrega da mercadoria ao importador; e (iv) Revisão Aduaneira, fase posterior ao desembaraço aduaneiro, na qual é apurada a regularidade de todo o procedimento aduaneiro de importação. O conceito de desembaraço aduaneiro na importação é encontrado no artigo 571 do RA, com base no artigo 51 do Decretolei nº 37/1966. Segundo o dispositivo regulamentar, tratase do ato pelo qual é registrada a conclusão da conferência aduaneira. Nesta etapa do despacho aduaneiro temse o encerramento daquela fase de conferência, com a liberação da mercadoria ao importador. Após o desembaraço aduaneiro, será autorizada a entrega da mercadoria ao importador, mediante a comprovação do pagamento ou exoneração do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) e do ICMS. O desembaraço aduaneiro constitui apenas a conclusão de uma etapa dentro do universo do Fl. 218DF CARF MF 12 controle aduaneiro, e não um ato isolado com efeitos definitivos sobre a operação de importação. Já a Revisão Aduaneira é assim conceituada pelo RA, verbis: Art. 638. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o; e Decretolei no 1.578, de 1977, art. 8o). Sua base legal é o artigo 54 do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo Decretolei n 2.472/1988, in verbis: Seção II Conclusão do Despacho Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decretolei. (Redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 01/09/1988) O Capítulo III (Normas Gerais de Controle Aduaneiro das Mercadorias), do Título II (Controle Aduaneiro), do Decretolei no 37/1966, após a alteração processada pelo Decretolei no 2.472/1988, é constituído de duas seções: (i) Seção I Despacho Aduaneiro, arts. 44 a 53; e (ii) Seção II Conclusão do despacho, art. 54, que trata da Revisão Aduaneira, conforme definição regulamentar. Portanto, a Revisão Aduaneira na importação faz parte do procedimento aduaneiro de despacho de importação, devendo ser caracterizada como seu ato final, conclusivo. A Revisão Aduaneira é um típico instituto aduaneiro, não tributário, com previsão legal expressa no Decretolei nº 37/1966, na qual também estão presentes seus limites: (i) sujeição ao prazo decadencial; e (ii) execução na forma prevista no regulamento aduaneiro. Tratandose de um típico instituto aduaneiro, devemos decompor seus elementos, previstos no RA, para extrairmos seu real alcance: (i) É um ato administrativo; (ii) Realizado após o desembaraço aduaneiro; (iii) Tendente a verificar a regularidade do pagamento dos impostos e os demais gravames devidos à Fazenda Nacional; (iv) Tendente a verificar a aplicação de benefício fiscal; (v) Tendente a verificar a exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação; Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10314.009135/200816 Acórdão n.º 3402005.395 S3C4T2 Fl. 214 13 (vi) Deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data do registro da declaração de importação correspondente e do registro de exportação. O primeiro elemento define a Revisão Aduaneira como um ato administrativo. Portanto, a revisão da declaração efetuada pelo sujeito passivo após a constatação de algum erro em seu preenchimento não é caracterizada como Revisão Aduaneira. Apenas o ato praticado por servidor competente, no caso por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, após o desembaraço aduaneiro (segundo elemento, temporal), é caracterizado como Revisão Aduaneira. Como ato administrativo, especificamente ato administrativoaduaneiro, deve revestirse de formalidades previstas em regulamento ou atos inferiores. A norma prevê a Revisão Aduaneira como um ato administrativo, mas poderíamos admitila como um procedimento administrativo, com vários atos preparatórios tendentes à verificação cabível. Revisão Aduaneira seria tanto o procedimento de fiscalização como também o seu ato final. O procedimento fiscal prévio à Revisão Aduaneira consiste numa fase inquisitória, na qual o importador e outros intervenientes ligados à operação de importação são fiscalizados na busca por elementos que comprovam a real situação fática da importação, que requer as formalidades previstas no Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal) e nas normas que regulamentam as atividades de fiscalização. Já o ato de Revisão Aduaneira propriamente dito pressupõe as verificações do procedimento aduaneiro prévio (demais etapas do despacho aduaneiro), e finalizase com a lavratura de auto de infração, no caso de apuração de irregularidades no procedimento anterior, ou no encerramento do procedimento fiscal sem resultado. Mas, o que é verificado na Revisão Aduaneira? Em uma resposta direta, afirmamos que é verificado todo o procedimento aduaneiro em questão, cuja análise pode ser feita individualmente (determinada operação de importação), ou no conjunto de declarações de importação de um mesmo sujeito passivo, o que é mais comum. A primeira verificação prevista na norma é a regularidade do pagamento dos impostos e os demais gravames devidos à Fazenda Nacional. Aqui, o ato aduaneiro (ou procedimento aduaneiro) estaria também (mas não exclusivamente) a serviço da função tributária da Aduana, mesmo em sua natureza extrafiscal, com a verificação do pagamento do quantum devido na operação de importação, além de sua correta quantificação (base de cálculo e alíquota). Notese que não se trata apenas da verificação da regularidade do pagamento dos impostos, mas também dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, como por exemplo os direitos comerciais incidentes na operação. Nesse ato administrativoaduaneiro ocorre a homologação do pagamento dos tributos e demais gravames devidos à Fazenda Nacional, ou a constituição de crédito tributário através da lavratura de auto de infração. Verificase, também, a efetiva regularidade de benefícios fiscais porventura aplicados na operação de importação, com a análise dos requisitos formais e materiais previstos na norma de regência e sua adequação à situação concreta. Aqui, o ato administrativo aduaneiro também estaria a serviço da função tributária da Aduana, mas em seu viés mais voltado ao Direito Econômico, através de intervenção estatal na economia, mesmo que na forma indutora. Outra verificação prevista na norma é a confrontação da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação com a operação real, cujo extensão alcança todas as funções aduaneiras: controle, aplicação de restrições e tributação. Fl. 220DF CARF MF 14 Informações incorretas, omissões, descrições incompletas das mercadorias podem causar diferenças na base de cálculo, nas alíquotas aplicadas, na aplicação de restrições ou na incidência de direitos antidumping na importação, ou mesmo na impossibilidade da importação no caso de mercadorias proibidas. Aqui, a função de controle aduaneiro tem um destaque: a apresentação da declaração de importação com dados incorretos ou incompletos é a maior afronta ao controle aduaneiro. Mesmo em importações cuja divergência apurada não resulta em diferença de tributos, o controle aduaneiro na importação foi violado. Extraise da análise das verificações previstas no ato de Revisão Aduaneira que seu alcance é tipicamente aduaneiro, em suas diversas funções, extrapolando a simples análise tributária, ainda que de fundamental importância, culminando na função de controle, a principal do Direito Aduaneiro. Na Revisão Aduaneira, quando não ocorre a constituição do crédito tributário através da lavratura do auto de infração, ocorre a homologação dos atos praticados pelo sujeito passivo por ocasião da importação: o pagamento dos tributos e demais gravames devidos à Fazenda Nacional; a regularidade de benefício fiscal aplicado; e as informações prestadas pelo importador na declaração de importação. O último elemento é seu limitador temporal: o prazo decadencial. A Revisão Aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data do registro da declaração de importação. Mesmo que no ato de Revisão Aduaneira ocorra o lançamento tributário, tratase de lançamento de ofício, não de revisão de lançamento tributário, exceto nos casos de parametrização ao canal cinza e sujeitos ao procedimento especial de controle, não se confundindo tais institutos e matrizes legais. Devemos apreciar o instituto aduaneiro também dentro do princípio da autotutela. Considerando a Revisão Aduaneira na importação como um ato revisional de todo o procedimento aduaneiro da importação executado pela administração aduaneira ou sob seus controles, podemos inserilo também como um procedimento de revisão dos atos administrativos, dentro do princípio da autotutela, para aquelas declarações de importação parametrizadas nos canais amarelo, vermelho e cinza. Para as importações parametrizadas nesses canais, o ato da conferência física e posterior desembaraço aduaneiro pode ser revisto. O referido princípio determina a anulação ou revogação dos próprios atos pela Administração Pública em casos de ilegalidade, inoportunidade e inconveniência, desde que obedecido o prazo decadencial de cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé, de acordo com o previsto nos artigos 53 e 54 da Lei n 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal: Lei nº 9.784/1999. [...] Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10314.009135/200816 Acórdão n.º 3402005.395 S3C4T2 Fl. 215 15 anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má fé. [...] Esse princípio está consagrado em duas súmulas do Supremo Tribunal Federal, abaixo transcritas: Súmula 346 A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula 473 A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Importante destacar que a súmula 473 do STF menciona a anulação de atos ilegais praticados pela administração pública, não originando direitos por parte do particular. No caso da Revisão Aduaneira na importação, todo o procedimento aduaneiro de importação de mercadorias pode ser revisto caso se apure alguma irregularidade procedimental ou mesmo ilegalidade praticada, ou pela autoridade aduaneira ou mesmo pelo importador, não podendo ser alegado o direito adquirido desse em relação ao ato praticado pela administração. Logicamente, o ato revisional deverá ser motivado, como todo ato administrativo. Do Lançamento dos tributos aduaneiros Saindo do campo de estudo exclusivamente aduaneiro, importanos, nesse momento, extrair da normativa tributária, especialmente o CTN e o Decretolei nº 37/1966, elementos para melhor caracterizarmos o lançamento do imposto de importação, dentro de uma concepção tributária, logicamente considerando os institutos próprios e procedimentos específicos aduaneiros. A matriz legal do imposto de importação considera a Declaração de Importação como o momento de ocorrência do seu fato gerador, para efeito de cálculo do imposto de importação, a partir das informações prestadas pelo importador naquela declaração, ainda que submetidas à conferência aduaneira. Com o advento do SISCOMEX, constatase que o pagamento do imposto de importação é efetuado simultaneamente à prestação das informações no sistema, mas anteriormente à conclusão do registro da Declaração de Importação, e sem a efetiva participação da autoridade fiscal no ato. Mesmo considerando que a base para a efetivação do pagamento são as informações constantes da Declaração de Importação apresentada, esse pagamento é efetuado previamente a qualquer ato de ofício, não caracterizando o lançamento por declaração. O lançamento por declaração pressupõe um ato administrativo com base na declaração apresentada, e a notificação ao sujeito passivo para que este efetue pagamento. Nas operações de importação regulares para consumo, ocorre a modalidade de lançamento por homologação, previsto no artigo 150 do CTN: Fl. 222DF CARF MF 16 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Portanto, podemos afirmar seguramente que o lançamento do imposto de importação ocorre na modalidade por homologação, previsto no artigo 150 do CTN. Resta agora conhecermos, no caso do imposto de importação, se efetivamente ocorre a homologação expressa do lançamento e em qual momento ela porventura ocorre. O artigo 150 do CTN prevê a ocorrência do lançamento por homologação para os tributos em relação aos quais a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, através de um expresso ato administrativo homologatório daquela atividade exercida pelo obrigado, ou seja, a homologação expressa do pagamento efetuado pelo obrigado, no caso, pelo importador. Eis o ponto central de nossa posição: se a homologação do lançamento tributário ocorre de forma expressa no desembaraço aduaneiro ou se a mesma ocorre apenas na Revisão Aduaneira. Em caso de não ocorrência da homologação expressa, operase a homologação tácita, conforme previsto no parágrafo quarto do artigo 150 do CTN. Do escasso material doutrinário produzido no Brasil sobre o tema, extraemse três correntes: (i) O desembaraço aduaneiro não configura homologação expressa do lançamento, o que somente ocorre com a revisão; (ii) Não ocorre a homologação expressa no desembaraço aduaneiro somente no caso de declarações de importação parametrizadas para o canal verde de conferência aduaneira; e (iii) Independentemente do canal de conferência aduaneira, o desembaraço aduaneiro sempre configura homologação expressa do lançamento. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10314.009135/200816 Acórdão n.º 3402005.395 S3C4T2 Fl. 216 17 Analisaremos as referidas correntes doutrinárias com base no disposto no artigo 142 do CTN, que dispõe sobre o lançamento: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. A corrente que afirma não ser o desembaraço aduaneiro a homologação expressa do lançamento fundamentase nos seguintes pontos principais: (i) Que o despacho de importação não se encerra com o desembaraço das mercadorias importadas, o que só ocorre com a Revisão Aduaneira; (ii) Na distinção entre o ato do desembaraço aduaneiro e o ato tributário do lançamento; (iii) Que o desembaraço aduaneiro não homologa, nem tem por objetivo homologar integralmente os atos praticados pelo sujeito passivo na importação, cuja homologação expressa apenas ocorre na Revisão Aduaneira. Filiamonos a essa corrente. O primeiro ponto é fundamentado pela própria matriz legal do imposto de importação. O procedimento aduaneiro de despacho de importação possui quatro fases: o processamento da declaração de importação, através de seu preenchimento pelo importador e registro pela administração aduaneira; a conferência aduaneira, de acordo com a parametrização da declaração de importação; o desembaraço aduaneiro e entrega da mercadoria ao importador; e a Revisão Aduaneira, fase posterior ao desembaraço aduaneiro, na qual é apurada a regularidade de todo o procedimento aduaneiro de importação. Portanto, claro está que o procedimento de despacho aduaneiro de importação não se encerra com o desembaraço aduaneiro. Esse ato apenas registra a conclusão da conferência aduaneira e autoriza a entrega da mercadoria ao importador, sujeito ainda a fase posterior de Revisão Aduaneira, conforme previsão legal. O segundo ponto distingue corretamente o ato aduaneiro de desembaraço das mercadorias importadas do ato tributário do lançamento. O desembaraço aduaneiro na importação, assim como todo o despacho aduaneiro, é um típico instituto aduaneiro, previsto em sua lei de regência. O desembaraço aduaneiro é apenas o ato pelo qual é registrada a conclusão da conferência aduaneira, e autorizada a entrega ao importador. Nada mais do que isso. Ele encerra uma fase do controle aduaneiro, na qual a mercadoria ainda está sob o controle primário da Aduana, mas ainda se sujeita ao controle a posteriori, na Revisão Aduaneira. O terceiro e fundamental ponto baseiase na distinção firmada acima entre o ato aduaneiro e o ato tributário: o desembaraço aduaneiro não homologa, nem tem por objetivo homologar os atos praticados pelo sujeito passivo na importação, cuja homologação expressa apenas ocorre na Revisão Aduaneira. O desembaraço aduaneiro remete à conferência aduaneira, e essa pode ser efetuada de quatro formas: nenhuma conferência, conferência documental, verificação física, ainda que por amostragem e por métodos indiretos, e Fl. 224DF CARF MF 18 procedimento especial de controle (canal cinza). Mesmo se considerássemos que o ato de desembaraço aduaneiro tem por finalidade a conferência do pagamento efetuado pelo importador e sua consequente homologação, com o que não concordamos, ainda assim devese distinguir o nível de conferência aduaneira dispendida em cada canal de parametrização. No canal verde, nenhuma conferência é efetuada; no canal amarelo não há verificação da mercadoria, não se podendo confirmar a total veracidade da operação; no canal vermelho as verificações são feitas por amostragem, com a possibilidade de método indireto de conferência. Apenas no canal cinza a análise é completa: no procedimento especial de controle, instaurado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pelo procedimento, efetuase uma análise completa da operação de importação, com a realização do completo exame documental, verificação da mercadoria e dos elementos indiciários de fraude, inclusive no que se refere ao preço declarado da mercadoria, capacidade econômicofinanceira, entre outros, conforme estabelecido em norma específica. Concluído o procedimento especial e comprovados os ilícitos, será lavrado o correspondente auto de infração com proposta de aplicação da pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos da legislação vigente. No caso de não comprovação dos indícios de fraude, que motivaram a instauração do procedimento especial de controle, também deve ser lavrado o Termo de Constatação, com descrição do procedimento realizado e constatações. Para esses casos, o desembaraço aduaneiro das declarações de importação parametrizadas para o canal cinza configurase como homologação expressa. Em nenhum outro canal, nem mesmo no canal vermelho, a conferência obrigatoriamente é completa, não podendo ser firmada a premissa de que houve o lançamento, considerado aqui a homologação expressa dos atos praticados pelo sujeito passivo na importação, através da completa determinação da matéria tributável e cálculo do montante do tributo devido. Repitase: o desembaraço aduaneiro na importação não tem esse objetivo, mas apenas registrar a conclusão da conferência aduaneira e autorizar a entrega da mercadoria ao importador. A própria previsão legal (artigo 54 do Decretolei nº 37/1966) e regulamentar (artigo 638) prevê o ato pelo qual é apurada a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional: a Revisão Aduaneira, que ocorre após o despacho aduaneiro. Portanto, a homologação se dará após a efetiva análise pela autoridade fiscal, confirmando a integridade das informações prestadas pelo importador e o valor recolhido com a previsão legal e com a situação fática, através da Revisão Aduaneira, na qual ocorrerá a homologação expressa, ou pelo decurso do prazo para fazêlo, na forma de homologação tácita. Uma segunda corrente doutrinária afirma que não ocorre a homologação expressa no desembaraço aduaneiro de declarações de importação parametrizadas somente no âmbito do canal verde de conferência aduaneira. Essa corrente não considera a distinção entre o ato aduaneiro de desembaraço da mercadoria importada e o ato tributário do lançamento, considerando o ato como fiscaltributário. Também supera a limitação do ato aduaneiro de desembaraço, considerandoo como uma expressa homologação dos atos praticados pelo sujeito passivo, após a conferência processada. Nessa linha, em relação a todas as mercadorias parametrizadas para canais de conferência aduaneira diferentes do verde houve um ato administrativo que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo e propôs a aplicação da Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10314.009135/200816 Acórdão n.º 3402005.395 S3C4T2 Fl. 217 19 penalidade cabível se fosse o caso, atendendo ao disposto no artigo 142 do CTN que conceitua o lançamento. Dessa forma, a conferência aduaneira, mesmo por amostragem ou através de exame documental, se caracterizaria como o procedimento descrito no citado dispositivo do CTN. Apenas no caso do canal verde de conferência aduaneira não haveria qualquer exame da autoridade fiscal acerca dos elementos de fato e de direito declarados pelo sujeito passivo, não caracterizando, portanto, a homologação expressa, de acordo com essa corrente doutrinária. Essa corrente doutrinária acerta quando diferencia a análise efetuada no canal verde da conferência aduaneira dos demais canais. Não resta a menor dúvida quanto à precariedade do desembaraço aduaneiro de importação das mercadorias cujas declarações de importação foram parametrizadas para o canal verde de conferência aduaneira. Nesse caso, nenhuma análise fiscal foi feita pela administração, nem na vertente tributária nem na vertente aduaneira, sujeitando aquelas declarações de importação a uma análise posterior (Revisão Aduaneira). Ocorre que consideramos também que a análise das mercadorias cujas declarações de importação foram parametrizadas para os canais amarelo e vermelho de conferência aduaneira também não são completas, especialmente quanto à correção do pagamento efetuado pelo sujeito passivo, por expressa determinação legal, que determina que o ato pelo qual será apurada a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional é a Revisão Aduaneira. O procedimento do despacho também para as declarações parametrizadas para os canais amarelo e vermelho é precário, sujeito a revisão posterior. Apenas no canal cinza de conferência aduaneira temos uma análise completa da operação de importação, com a realização do completo exame documental, verificação da mercadoria e a aplicação de procedimento especial de controle aduaneiro, no qual são verificados elementos indiciários de fraude, inclusive no que se refere ao preço declarado da mercadoria, conforme estabelecido em norma específica. Por fim, temos uma terceira corrente doutrinária que, afirma que independentemente do canal de conferência aduaneira, o desembaraço aduaneiro configura homologação expressa do lançamento. Para essa corrente, o desembaraço constitui a etapa final do despacho aduaneiro de importação. Com a conclusão do despacho, no ato do desembaraço, a administração tributária expressamente homologa a atividade empreendida pelo sujeito passivo na importação de mercadorias, ou seja, homologa o pagamento efetuado pelo importador com base na sua declaração de importação. De acordo com esse entendimento, se o fisco desembaraçou as mercadorias, concordou com as informações declaradas pelo importador e com o crédito tributário da forma posta pelo sujeito passivo. Discordamos desse entendimento inicialmente por entender a diferença entre o ato aduaneiro e o ato tributário; também por entender que o desembaraço aduaneiro de importação não encerra o procedimento de despacho aduaneiro de importação; por entender que as análises processadas na conferência aduaneira não são completas, cabendo sua verificação posterior no procedimento de Revisão Aduaneira, conforme expressa determinação legal; e por entender que o objetivo do ato de desembaraço aduaneiro não é a homologação dos atos praticados pelo importador. Mesmo reconhecendo que o dispositivo infralegal aduaneiro que trata da conferência aduaneira poderia dar margem à interpretação na qual, em relação às declarações Fl. 226DF CARF MF 20 de importação parametrizadas para os canais diferentes do verde, ocorreriam os procedimentos similares ao descrito no artigo 142 do CTN, não podemos aceitar suas conclusões pela precariedade da análise efetuada nos canais amarelo e vermelho, pelo formalismo exigido para o ato do lançamento tributário que o ato do desembaraço aduaneiro não possui, e pelo objetivo distinto entre o ato do lançamento e o ato do desembaraço aduaneiro. Em resumo de nossa posição, consideramos que o desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas não se caracteriza como homologação expressa dos atos praticados pelo sujeito passivo (importador), exceto quando parametrizada para o canal cinza e realizado o procedimento especial de controle de que trata a Instrução Normativa RFB nº 1.169/2011, por considerar que nesse canal de conferência aduaneira é realizado um outro procedimento fiscal, muito mais abrangente, cuja conclusão, no caso de não comprovação dos indícios de fraude motivadores do procedimento, caracterizase como homologação do lançamento. Fundamentamos nossa posição na diferença existente entre o procedimento aduaneiro de desembaraço e o procedimento tributário do lançamento, e na expressa determinação legal da Revisão Aduaneira que, em nosso entendimento, configura o momento em que ocorre a homologação dos atos praticados pelo sujeito passivo na importação, inclusive o pagamento efetuado. Entendendo que o lançamento tributário no imposto de importação não ocorre no desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, exceto no caso de Declarações de Importação parametrizadas para o canal cinza de conferência e sujeitas ao procedimento especial de controle, concluise que o procedimento de Revisão Aduaneira não significa revisão do lançamento tributário, visto que este (o lançamento) ainda não ocorreu. Nos procedimentos fiscais prévios à Revisão Aduaneira (fase inquisitória) que culminam com o ato de Revisão Aduaneira, a autoridade fiscal pode concluir pela irregularidade do procedimento de importação, a partir de informações falsas ou insuficientes na declaração de importação, por divergência na classificação tarifária adotada pelo importador, por descumprimento de requisitos para a fruição de benefícios ou incentivos fiscais, ou mesmo pela constatação de fraudes da operação (valor, quantidade, sujeição passiva, origem, entre outras), resultando na lavratura de auto de infração. Nesse caso, o lançamento efetuado é de ofício, e não revisão de lançamento anterior. No caso do ato de Revisão Aduaneira não resultar em auto de infração, com o encerramento do procedimento fiscal sem resultado, ocorrerá a homologação expressa do pagamento efetuado pelo sujeito passivo, caracterizando o lançamento por homologação. Da Conclusão Conforme acima exposto, o lançamento tributárioaduaneiro ocorre na modalidade por homologação, previsto no artigo 150 do CTN, através dos seguintes atos: (i) na Revisão Aduaneira, para as Declarações de Importação parametrizadas para os canais verde, amarelo e vermelho de conferência aduaneira; (ii) na conclusão do procedimento especial de controle de que trata a IN RFB 1.169/2011, para as Declarações de Importação parametrizadas para o canal cinza de conferência, no caso de não comprovação de fraude e não sujeição à pena de perdimento; e (iii) pelo decurso do prazo para fazêlo, na forma de homologação tácita. O desembaraço aduaneiro não representa a homologação expressa do lançamento, exceto nas Declarações de Importação parametrizadas para o canal cinza de Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10314.009135/200816 Acórdão n.º 3402005.395 S3C4T2 Fl. 218 21 conferência e sujeitas ao procedimento especial de controle, no caso de não comprovação de fraude, com a lavratura de Termo de Constatação, pelas seguintes constatações: (i) que o despacho de importação não se encerra com o desembaraço das mercadorias importadas, o que só ocorre com a Revisão Aduaneira; (ii) na distinção do ato aduaneiro do desembaraço aduaneiro em relação ao ato tributário do lançamento; (iii) que o desembaraço aduaneiro não homologa, nem tem por objetivo homologar integralmente os atos do sujeito passivo por ocasião da importação, inclusive o pagamento efetuado, cuja homologação expressa apenas ocorre na Revisão Aduaneira. Dessa forma, a homologação se dará após a efetiva análise pela autoridade fiscal, confirmando a integridade das informações prestadas pelo importador e o valor recolhido com a previsão legal e com a situação fática, através da Revisão Aduaneira, na qual ocorrerá a homologação expressa, ou pelo decurso do prazo para fazêlo, na forma de homologação tácita. Apenas naquelas Declarações de Importação parametrizadas para o canal cinza de conferência ocorrerá, no procedimento de Revisão Aduaneira, também a revisão do lançamento tributário. Para os demais canais de parametrização, como não ocorreu o lançamento tributário no desembaraço aduaneiro, o lançamento derivado do procedimento de Revisão Aduaneira não significa revisão do lançamento tributário, mas sim lançamento de ofício, efetuado pela primeira vez. Em caso da Revisão Aduaneira não resultar em auto de infração, com o encerramento do procedimento fiscal sem resultado, ocorrerá a homologação expressa do pagamento efetuado pelo sujeito passivo, caracterizando o lançamento por homologação. Concluise, portanto, que o instituto da Revisão Aduaneira é um típico instituto aduaneiro, sob a matriz legal do artigo 54 do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo Decretolei n 2.472/1988, no qual todo o procedimento aduaneiro da importação executado pela administração aduaneira ou sob seus controles são revistos, dentro do prazo decadencial, e não se encontra limitada pelo artigo 146 e 149 do CTN. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto, quanto à revisão aduaneira para fins de classificação fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes. Fl. 228DF CARF MF
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