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Numero do processo: 10980.916027/2011-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.544
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente SANPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de PIS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 60 27 /2 01 1- 44 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10980.916027/201144 Acórdão n.º 3302004.544 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06040.429. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10980.916027/201144 Acórdão n.º 3302004.544 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10980.916027/201144 Acórdão n.º 3302004.544 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10980.916027/201144 Acórdão n.º 3302004.544 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.916027/201144 Acórdão n.º 3302004.544 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.916027/201144 Acórdão n.º 3302004.544 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 49DF CARF MF
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Numero do processo: 13811.002991/2005-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em converter o julgamento em diligência para aferir a divergência entre a data de carimbo aposta no recurso voluntário e a data relativa ao termo de juntada do recurso voluntário.
[assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
RELATÓRIO
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em converter o julgamento em diligência para aferir a divergência entre a data de carimbo aposta no recurso voluntário e a data relativa ao termo de juntada do recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. RELATÓRIO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em converter o julgamento em diligência para aferir a divergência entre a data de carimbo aposta no recurso voluntário e a data relativa ao termo de juntada do recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. RELATÓRIO Tratamse de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte com o objetivo de sanar suposta obscuridade no acórdão embargado nº 3302.002.928, de 09 de dezembro de 2015, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. PEREMPÇÃO CARACTERIZADA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 11 .0 02 99 1/ 20 05 -8 5 Fl. 828DF CARF MF Processo nº 13811.002991/200585 Resolução nº 3302000.661 S3C3T2 Fl. 829 2 Efetivase a ciência do Contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico DTE por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, se esse for o evento que ocorrer primeiro nos termos do inciso III, "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido Através de Embargos de Declaração, argui a Embargante suscitando obscuridade, visto que o voto condutor, valendose da redação atribuída pela Lei n° 12.844/13 à alínea "b", do inciso III, do § 2o, do art. 23, do Decreto n° 70.235/72, considerou que a intimação do acórdão da DRJ teria ocorrido quando a Embargante acessou a decisão em sua caixa postal, em 25/02/2013, iniciandose o prazo para interposição do recurso em 26/02/2013, de forma que sua apresentação em 02/04/2013 estaria intempestiva. Destaca ainda que são obscuras as razões do voto condutor do r. acórdão, tendo em vista que a Lei n° 12.844/13 passou a vigorar apenas em 19/07/2013, portanto, posteriormente à interposição do recurso voluntário em análise que, frisese, ocorreu em 02/04/2013. Ao final pleiteia a embargante que seja sanada a obscuridade, atribuindose efeitos infringentes aos presentes embargos, para seja reconhecida a tempestividade do recurso voluntário interposto e consequentemente, apreciadas as razões recursais. Com base nas razões aduzidas, com fundamento no art. 65, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 259/2009 (RICARF/2009), o Presidente da 2ª TO/3ª Seção/CARF admitiu os embargos de declaração opostos pelo contribuinte. É o relatório. VOTO Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade Uma vez cumpridos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise do alegado vício de obscuridade. Assiste razão à Embargante, visto que embora esteja registrado que o contribuinte tenha tomado ciência do Acórdão de Manifestação de Inconformidade no dia 25/02/2013 (segundafeira), fl.506, prevalece no caso a ciência por decurso de prazo que ocorreu em 01/03/2013, conforme o Termo de Ciência por Decurso de Prazo de fl.507 visto que a Lei nº 12.844, de 2013 que dispôs sobre a efetividade da intimação na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto no 1inciso III, alínea "a" do § 2º do art. 23 do 1 III se por meio eletrônico:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 829DF CARF MF Processo nº 13811.002991/200585 Resolução nº 3302000.661 S3C3T2 Fl. 830 3 Decreto nº 70.235, de 1972, foi publicada no DOU de 19/07/2013, sendo portanto incabível a geração pelo sistema do Termo de Abertura de Documento, fl. 506 para fins de efetividade da ciência nele consignada Ocorre que observase dos autos as seguintes datas conforme os atos processuais indicados: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO fl.507: Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 14/02/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 01/03/2013 TERMO DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA fl.508: Solicito a juntada dos documentos seguintes ao processo supracitado: RECURSO VOLUNTÁRIO DATA DE EMISSÃO: 09/05/2013 09:59:40 por TATIANE DA SILVA GUIMARAES CERQUEIRA Com efeito, à fl.510 consta um carimbo de recepção, com data de 02/04/2013 do Recurso Voluntário pelo CAC/PAULISTA/DERAT/SP. Cumpre destacar as disposições normativas, quanto às formas de intimação e a efetivação destas para fins de contagem dos prazos processuais, vigentes à época dos atos processuais acima citados: · Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais a que se refere o caput deste artigo poderão ser encaminhados de forma eletrônica ou apresentados em meio magnético ou equivalente, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)(grifei). “Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. (grifei). a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013)(grifei). Fl. 830DF CARF MF Processo nº 13811.002991/200585 Resolução nº 3302000.661 S3C3T2 Fl. 831 4 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 23. Farseá a intimação: (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005)(grifei). (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)(grifei). § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifei). · Portaria MF nº 527, de 09 de novembro de 2010: Art. 1º A elaboração e o encaminhamento de atos e termos processuais em forma eletrônica serão realizados, no âmbito do Ministério da Fazenda (MF), conforme o disposto nesta Portaria. Art. 3º Será considerada como data de protocolo da impugnação, do recurso e dos documentos apresentados eletronicamente a data e hora Fl. 831DF CARF MF Processo nº 13811.002991/200585 Resolução nº 3302000.661 S3C3T2 Fl. 832 5 de recebimento dos dados pelo centro virtual dos órgãos do MF disponível na Internet.(grifei) § 1º O recebimento pelo centro virtual a que se refere o caput será efetuado das 8 às 20 horas, horário de Brasília. § 2º A tempestividade da impugnação ou do recurso será aferida pela data e hora referida no caput.(grifei) Estando demonstrado que o contribuinte tomou ciência do Acórdão de Impugnação em 01/03/2013, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo, fl. 507, correspondente ao 15º (décimo quinto dia) contado da data da disponibilização na Caixa Postal em 14/02/2013, conforme prevê o art. 23, § 2º, III, "a" do nº 70.235, de 1972, norma vigente à época da apresentação do Recurso Voluntário, a apresentação em 09/05/2013 do referido recurso de fls. 509/640 através do Termo de Solicitação de Juntada, fl. 508 é extemporâneo ao prazo legal estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim prevê: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.(grifei). No entanto, à fl.510 consta um carimbo de recepção, com data de 02/04/2013 do Recurso Voluntário pelo CAC/PAULISTA/DERAT/SP. Assim, diante da divergência de datas e em face das disposições do art. 3º e §§ 1º e 2º da Portaria MF nº 527, de 2010 acima transcritos, para aferição da tempestividade do recurso voluntário apresentado eletronicamente, VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora, no âmbito de sua competência, conferida pelos artigos 224 e 35 do Decreto nº 70.235, de 1972, justifique a divergência acima constatada. Após ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação de inconformidade no tocante às conclusões da diligência proposta, devolvase o processo a este E. Conselho para a conclusão do julgamento. É como voto. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar 2 Art. 24. O preparo do processo compete à autoridade local do órgão encarregado da administração do tributo. Parágrafo único. Quando o ato for praticado por meio eletrônico, a administração tributária poderá atribuir o preparo do processo a unidade da administração tributária diversa da prevista nocaputdeste artigo.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 832DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720614/2014-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 61 4/ 20 14 -7 2 Fl. 411DF CARF MF Processo nº 16327.720614/201472 Resolução nº 1402000.448 S1C4T2 Fl. 412 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado em face de decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ/SP1, em sessão de 12 de maio de 2016 (fls. 306/310)1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada perante aquela Turma Julgadora, não reconhecendo o “Pedido de Restituição – PER” (PER/DCOMP nº 35752.98246.271213.1.2.026538 fls. 281), em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório vedase ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de contribuição social apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo o DD (fls. 281), a manifestação da Autoridade competente foi assim expressa: “Indefiro o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no PER/DCOMP acima identificado, uma vez que se trata de matéria já apreciada pela autoridade administrativa e não foi reconhecido direito creditório suficiente para atendimento deste pedido”. Confirase: Irresignado, o interessado acostou manifestação de inconformidade (fls. 142/151) alegando tratarse de direito creditório remanescente do PER/DCOMP nº 27681.09281.300909.1.3.020788, com valor total de R$ 11.906.909,79, do qual só teria 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 412DF CARF MF Processo nº 16327.720614/201472 Resolução nº 1402000.448 S1C4T2 Fl. 413 3 aproveitado R$ 4.090.829,54, restando a seu favor o montante de R$ 7.816.080,25 (todos em valores originais, sem Selic). Para comprovar suas alegações, apresentou documentos que entendeu pertinentes e resumiu o pleito (fls. 143): Sequencialmente, refutou os dizeres do DD de que teria se aproveitado em duplicidade do mesmo crédito e apresentou novo quadro demonstrativo (fls. 144): Destacou, ainda, ter recolhido a estimativa de dezembro de 2008 com o código 2430, quando o correto deveria ser 2362, o que teria gerado inconsistência no momento da análise do pedido formulado. Apreciando a MI, a DRJ pontuou (fls. 306/310): “O presente pleito foi indeferido, pois o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no PER/DCOMP, tratou de matéria já apreciada pela autoridade administrativa e não foi reconhecido direito creditório suficiente para atendimento deste pedido. Apenas, os créditos líquidos e certos, conforme determina o art.170 do CTN podem ser deferidos pela autoridade fiscal, não cabendo qualquer acréscimo no direito creditório sem a prova inequívoca de sua existência. (...) Qualquer inconsistência na informação de dados nas declarações deverá ser comprovada por meio de documentação hábil e idônea. A contribuinte alega que o presente pedido faz referência ao valor remanescente de direito creditório de IRPJ do anocalendário de 2008, pois apenas parte do saldo negativo foi informado na PER/DCOMP do crédito original. O direito creditório total do ano calendário de 2008 foi apreciado pela autoridade administrativa em Fl. 413DF CARF MF Processo nº 16327.720614/201472 Resolução nº 1402000.448 S1C4T2 Fl. 414 4 pedido pertinente, conforme exposto no Despacho Decisório, portanto, não cabendo qualquer apreciação neste PAF. Quanto à questão da estimativa do PA de 12/2008 ter sido erroneamente informado com o código 2430, quando, na verdade, deveria ter sido preenchido com o código 2362 bem como sua respectiva DCTF não cabe manifestação neste PAF. O acréscimo de direito creditório não poderia ser efetuado no PAF, o qual trata do crédito original”. Finalmente, acerca da jurisprudência juntada, asseverou o voto condutor não ser possível estendêla ao caso concreto, “eis que são estritamente aplicáveis ao contencioso administrativo dos processos administrativos relacionados aos referidos acórdãos e tãosomente se vinculam aos fatos e as partes envolvidas naqueles litígios”. Para concluir: “Diante dos fatos acima expostos, VOTO no sentido de JULGAR IMPROCEDENTE a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE bem como NÃO HOMOLOGAR AS COMPENSAÇÕES correlatas ao crédito remanescente de IRPJ ora não reconhecido”. Mais uma vez insatisfeito com o desfecho do pleito, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 337/352) articulando basicamente as mesmas linhas de defesa e juntando mais documentos que entendeu cabíveis, finalizando por requerer o provimento do pedido ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência para melhor elucidação dos fatos. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 16327.720614/201472 Resolução nº 1402000.448 S1C4T2 Fl. 415 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 01/06/2016 – fls. 317 – protocolização do RV em 21/06/2016 – fls. 408), a representação do recorrente está corretamente formalizada (fls. 353/365), e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. O litígio diz respeito a possível saldo remanescente de direito creditório do recorrente, não reconhecido pela Autoridade que exarou o DD, e se resumiriam à seguinte posição (MI fls. 144): Segundo o DD, o pedido foi indeferido porque “se trata de matéria já apreciada pela autoridade administrativa e não foi reconhecido direito creditório suficiente para atendimento deste pedido”. De seu turno, a decisão recorrida assentou que “O direito creditório total do ano calendário de 2008 foi apreciado pela autoridade administrativa em pedido pertinente, conforme exposto no Despacho Decisório, portanto, não cabendo qualquer apreciação neste PAF” e, “Quanto à questão da estimativa do PA de 12/2008 ter sido erroneamente informado com o código 2430, quando, na verdade, deveria ter sido preenchido com o código 2362 bem como sua respectiva DCTF não cabe manifestação neste PAF. O acréscimo de direito creditório não poderia ser efetuado no PAF, o qual trata do crédito original”. Em contraponto, o recorrente argui que, do valor original presente no Processo Administrativo nº 16327.901495/201376 PER/DCOMP nº 27681.09281.300909.1.3.020788 (R$ 11.906.909,79), teria se aproveitado tão somente de R$ 4.090.829,54, restando a seu favor o montante de R$ 7.816.080,25 (todos em valores originais, sem Selic). Compulsando os autos, confirmamse algumas das colocações feitas pelo recorrente, como, por exemplo, o valor do saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2008 (DIPJ – fls. 200 – Ficha 12A linha 20): Fl. 415DF CARF MF Processo nº 16327.720614/201472 Resolução nº 1402000.448 S1C4T2 Fl. 416 6 No mesmo caminho PER/DCOMP (fls. 404): Ibidem (fls. 405): Em suma, o recorrente sustenta que o saldo negativo seria de R$ 11.906.909,79, do qual teria aproveitado somente R$ 4.090.829,54, restando R$ 7.816.080,25 (sempre em valores originais) a seu favor. Para dar suporte às suas alegações, acrescenta que as estimativas pagas/compensadas teriam sido suficientes para adimplir o IRPJ apurado – R$ 8.154.953,10 (quadro abaixo – RV – fls. 348) remanescendo, portanto, o montante supra de 11,9 milhões (fruto de retenções na fonte) como valor indevido e passível de ser compensado com outros débitos de sua responsabilidade junto à Fazenda Federal. Também posiciona ter incorrido em “erro na indicação de código de recolhimento no DARF preenchido para quitação da estimativa referente a dezembro, de vultoso valor (R$ 3.372.043,48). Em lugar de indicar o código de recolhido de estimativa nº 2362, o documento seguiu com o código nº 2430, que diz respeito ao pagamento do IRPJ de ajuste anual” Informações coletadas e resumidas no quadro que o recorrente estampou em seu recurso voluntário (fls. 348): Fl. 416DF CARF MF Processo nº 16327.720614/201472 Resolução nº 1402000.448 S1C4T2 Fl. 417 7 Número consistente com a DIPJ (fls. 200): Ø R$ 3.406.395,22 (+) R$ 4.748.557,88 (=) R$ 8.154.953,10 Pois bem, com todas estas variáveis presentes, vejo que não são suficientes para o deslinde do litígio, as informações e documentos presentes nos autos, exigindo maior aprofundamento nas pesquisas junto aos bancos de dados da RFB, atividade vedada aos Conselheiros do CARF, mas plenamente permitida à Unidade de origem e à DRJ. Nesse sentido, é imperioso definir de vez se as alegações do recorrente têm sustentação e se – REALMENTE – ainda seria detentor de direito creditório remanescente surgido por saldo negativo de IRPJ no AC/2008 no valor original de R$ 7.816.080,25 como por ele sustentado ou se, como consta do DD, tratarseia de “matéria já apreciada pela autoridade administrativa e não foi reconhecido direito creditório suficiente para atendimento deste pedido”. Para tanto, indispensável a conversão do presente julgamento em diligência a fim de que a Autoridade responsável pela apreciação do pedido, no caso, a Unidade de origem que jurisdiciona o recorrente, esclareça: i) se o recolhimento que teria feito o recorrente R$ 3.372.043,48 .sob o código 2430 realmente existiu e, se positivo, se deveria ter sido realizado sob código 2362; ii) ainda em caso de resposta positiva no item precedente, se seria possível sua alocação correta como estimativa paga e permitido seu Fl. 417DF CARF MF Processo nº 16327.720614/201472 Resolução nº 1402000.448 S1C4T2 Fl. 418 8 aproveitamento para adimplir o IRPJ apurado no anocalendário de 2008 (Ficha 12A – linha 18); iii) da mesma forma, se as compensações informadas de R$ 4.748.557,88 restariam confirmadas e, em caso de resposta positiva, se seria possível seu aproveitamento para adimplir o IRPJ apurado no anocalendário de 2008 (Ficha 12A – linha 18); iv) se, do importe original requerido de R$ 11.906.909,79, ainda restariam valores remanescentes favoráveis ao recorrente e, se positivo, qual o montante; v) caso entendido necessário, seja intimado o recorrente para apresentar esclarecimentos e documentos devidos; vi) após estas providências, elabore relatório circunstanciado detalhando todas as informações possíveis e juntando documentos comprobatórios; vii) do procedimento de diligência, inclusive do relatório referido no item “vi” (anterior), cientificar o contribuinte, com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para que, querendo, venha a se manifestar exclusivamente sobre os fatos articulados e narrados na referida diligência, sendo desconsideradas manifestações de outra espécie. Transcorrido o prazo de trinta dias da ciência, com ou sem nova intervenção do contribuinte, o presente processo deverá retornar a esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Sejul para prosseguimento de seu julgamento. É como voto. Brasília (DF), 17 de agosto de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 418DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000515/2006-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 07/06/2006, 12/06/2006, 14/06/2006
AUSÊNCIA OBJETO RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS.
Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário que não apresenta divergência quanto à decisão recorrida.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-004.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/06/2006, 12/06/2006, 14/06/2006 AUSÊNCIA OBJETO RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário que não apresenta divergência quanto à decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 05 15 /2 00 6- 18 Fl. 241DF CARF MF 2 De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados para a cobrança de Imposto de Importação II, de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, de COFINS Importação e de PIS/PASEP Importação, com acréscimo de juros de mora e multa de ofício, além de multas pela apresentação de fatura comercial em desacordo com as indicações do regulamento e pela prestação inexata de informação de natureza administrativo tributária. Como indicado pela fiscalização no Relatório Fiscal, deixou a empresa importadora de incluir no cômputo do valor aduaneiro os valores relativos ao direito de licença (royalties). Conforme indicado na informação fiscal das efls. 66/67, a empresa procedeu com o depósito administrativo dos valores autuados para a liberação das mercadorias retidas, conforme guias de depósito realizadas em 07/07/2006 às efls. 48/52 e complementações em 19/07/2006 às efls. 58/65. Como indicado naquela informação: "Tratase de processo administrativo fiscal de acompanhamento do crédito tributário lançado por meio do Auto de Infração no 0117600/00007/06, contra o interessado acima discriminado. O crédito em questão foi apurado durante o despacho aduaneiro de três Declarações de Importação. O interessado apresentou os comprovantes de depósito administrativo anexados As fls. 46 a 50 e solicitação de entrega das mercadorias. Os depósitos foram comprovados no Sistema Sinal (fls.51 a 55) e perfazem os valores exigidos no auto, já consideradas as reduções de multas previstas na legislação, mas sem o acréscimo de juros de mora, previsto no artigo 61, § 3° da Lei n° 9.430/96. 0 texto de intimação do auto de infração previa que os débitos teriam seus montantes recalculados na data do efetivo pagamento, de acordo com a legislação aplicável. Orientado a sanar esta insuficiência, o interessado apresentou os depósitos administrativos de fls. 56 a 59. (...) Assim, encaminhese ao Gabinete, com sugestão de autorização de entrega." (efls. 66/67) Após a liberação das mercadorias, foi apresentada Impugnação Administrativa parcial, julgada improcedente pelo Acórdão n.º 0825.550 da 5ª Turma da DRJ/FOR: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 07/06/2006, 12/06/2006, 14/06/2006 VALOR DA TRANSAÇÃO. ACRÉSCIMO DAS QUANTIAS PAGAS A TITULO DE ROYALTIES E DIREITOS DE LICENÇA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Na determinação do valor aduaneiro com base no método do valor de transação deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada os royalties e os direitos de licença relacionados com a mercadoria objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessa mercadoria. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, consolidandose administrativamente o correspondente crédito tributário (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 17). Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10111.000515/200618 Acórdão n.º 3402004.315 S3C4T2 Fl. 242 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 186) Intimada desta decisão em 14/06/2013, a empresa apresentou Recurso Voluntário em 12/07/2013 no qual concorda com os termos da decisão recorrida, mostrando irresignação somente quanto ao valor atualizado do processo, por desconsiderar a existência dos depósitos administrativos. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Atentandose para o Recurso Voluntário, vislumbrase que inexiste matéria controvertida nos presentes autos, não cabendo o seu conhecimento. Com efeito, a Recorrente reconhece a validade da decisão recorrida, não apresentando qualquer irresignação jurídica quanto à autuação. Sua inconformidade se respalda apenas no valor do extrato atualizado do processo. Vejamos pelo seguinte trecho da peça (efl. 206): Ora, uma vez realizado o depósito administrativo do valor integral autuado em julho/2006, devidamente complementado com o valor dos juros devidos conforme Fl. 243DF CARF MF 4 orientação fiscal para a liberação das mercadorias, cabe agora apenas a conversão dos valores depositados em renda na forma do art. 156, VI, do Código Tributário Nacional: " Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) VI a conversão de depósito em renda;" Na fase de liquidação do presente processo, os valores depositados administrativamente serão considerados para quitar a autuação. Ainda que o depósito interrompa os efeitos da mora na forma do art. 9º, §4º da Lei n.º 6.830/80 (Lei de Execuções Fiscais), os valores autuados somente serão extintos após a conclusão do processo administrativo e a efetiva conversão em renda. Desta forma, inexistindo matéria controvertida nos presentes autos, tendo a Recorrente concordado com os termos da decisão recorrida, não conheço do Recurso Voluntário, devendo o presente processo retornar a origem para liquidação considerando os depósitos administrativos acostados aos presentes autos. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722556/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009
INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida.
INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. VALIDADE. DATA DA CIÊNCIA.
É válida a intimação por meio eletrônico quando o contribuinte regularmente opta pela utilização do Domicílio Tributário Eletrônico.
Considera-se feita a intimação, por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, ou na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes (art. 23, § 2º, III, do Decreto 70.235/72).
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2202-004.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. VALIDADE. DATA DA CIÊNCIA. É válida a intimação por meio eletrônico quando o contribuinte regularmente opta pela utilização do Domicílio Tributário Eletrônico. Considera-se feita a intimação, por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, ou na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes (art. 23, § 2º, III, do Decreto 70.235/72). Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
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PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. VALIDADE. DATA DA CIÊNCIA. É válida a intimação por meio eletrônico quando o contribuinte regularmente opta pela utilização do Domicílio Tributário Eletrônico. Considerase feita a intimação, por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, ou na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes (art. 23, § 2º, III, do Decreto 70.235/72). Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 25 56 /2 01 2- 21 Fl. 568DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 569 2 Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 19515.722556/201221, em face do acórdão nº 1656.705, julgado pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), na sessão de julgamento de 1º de abril de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: "DA AUTUAÇÃO 1. Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD nº 51.013.4491, lavrado pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, relativo às contribuições devidas à Seguridade Social para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), previstas no inciso II do artigo 22 da Lei nº 8212/91. 1.1 O montante lançado, incluindo juros e multa, é de R$ 7.012.876,91 (sete milhões, doze mil e oitocentos e setenta e seis reais e noventa e um centavos), abrangendo as competências 12/2009 e 13/2009, consolidado em 29/11/2012. 1.2 O Relatório Fiscal de fls. 62 a 65 informa, em síntese, que: 1.2.1 Na fiscalização designada através do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.190.002012041512, foi detectado que o Contribuinte recolheu, para as competências 12/2009 e 13/2009, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) com alíquota de 1% incidente sobre o salário de contribuição dos segurados empregados, da matriz e filiais; 1.2.2 Entretanto, a alíquota correta é de 3%, de acordo com seu enquadramento referente à atividade desenvolvida pela empresa – Transporte aéreo de passageiros e cargas; 1.2.3 Deste modo, sobre a base de cálculo foi aplicada a alíquota de 2%; Fl. 569DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 570 3 1.2.4 Os documentos examinados foram as GFIP´s – Guias de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social, e Guias de Recolhimento; 1.2.5 A situação descrita configura, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso III, do Código Penal – DecretoLei nº 2848/1940, com redação dada pela Lei nº 9983/2000. Portanto, será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais, com comunicação à autoridade competente para providências cabíveis; 1.2.6 Além da presente autuação foram lavrados o Auto de Infração nº 37.313.7427, referente a contribuições destinadas ao Fundo Aeroviário, e a RFFP – Representação Fiscal para Fins Penais. 1.3 Complementam o Relatório Fiscal, e encontramse anexos ao Auto de Infração de fl. 27: Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização, de fls. 02 a 03; Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, de fl. 04; Termos de Início de Fiscalização, de Reintimação, e de Informação Fiscal, de fls. 05 a 07; IPC – Instruções para o Contribuinte, de fls. 24 a 25; Relatório de Vínculos, de fl. 26; DD – Discriminativo do Débito, de fls. 28 a 46; FLD – Fundamentos Legais do Débito, de fls. 47 a 48; RL – Relatório de Lançamentos, de fls. 49 a 61; Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF, fl. 66. DA IMPUGNAÇÃO 2. Tendo sido cientificada do Auto de Infração em 30/11/2012, fl. 27, a Autuada, por meio de seu procurador, interpôs tempestivamente, conforme despacho de fl. 103, a Impugnação de fls. 69 a 92, com a juntada de documentos de representação, fls. 93 a 96, e Atas de Assembléia, fls. 97 a 99. 2.1 Requer, nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto do Auto de Infração até o julgamento final e definitivo do processo administrativo. 2.2 Após, alega, em síntese, que: Da Tempestividade 2.2.1 A Impugnante tomou ciência do Auto de Infração em 30/11/2012, sextafeira, com termo final do prazo para apresentação da defesa em 02/01/2013, quartafeira, nos termos do artigo 15 do Decreto nº 70.235/72. 2.2.2 Por esta razão, a defesa é claramente tempestiva, vez que sua apresentação foi realizada dentro desse período. Resumo dos Fatos e da Autuação 2.2.3 Cita o artigo 22, inciso II, da Lei nº 8212/91, e afirma que a referida ordem legal é muitas vezes mal interpretada, causando insegurança ao Contribuinte no tocante à forma de Fl. 570DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 571 4 aferição de sua atividade preponderante, e ainda equívoca da autoridade fiscal. 2.2.4 De acordo com a legislação pertinente, a Impugnante realizou o autoenquadramento no grau de risco leve (1%), para fins de recolhimento do SAT. 2.2.5 Contudo, após ação fiscalizatória promovida pela Receita Federal do Brasil, foi indevidamente lavrado o presente Auto de Infração, que aponta irregularidades da empresa no tocante aos recolhimentos realizados a título de SAT nas competências 12/2009 e 13/2009. 2.2.6 A fim de resguardar o direito do Contribuinte, indispensável trazer à tona a correta forma de aferição do grau de risco da atividade dos contribuintes para o recolhimento da contribuição em comento, bem como a nulidade da exigência fiscal, com o que o Auto de Infração restará insubsistente. Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração 2.2.7 O inciso II do artigo 22 da Lei nº 8.212/91 indica três alíquotas de SAT – 1%, 2% ou 3% identificadas pelo grau de risco da atividade preponderante do estabelecimento. Enquanto que os estabelecimentos com grau leve são tributados em 1%, aqueles com graus médios e graves contribuem, respectivamente, com 2% e 3% para o SAT. 2.2.8 O sentido “atividade preponderante” utilizado no art. 22 da Lei nº 8.212/91 foi definido pelo Decreto nº 3.048/99 em seu art. 202, que através do §3º considerou “atividade preponderante” a atividade que ocupa, no estabelecimento, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. 2.2.9 Estas prescrições também foram regulamentadas internamente pela IN RFB nº 971/2009. 2.2.10 O art. 72 da referida IN revela a intenção da RFB em atribuir ao contribuinte a responsabilidade pela realização de seu autoenquadramento. 2.2.11 De outro lado, a definição do sujeito passivo do GILRAT coube ao Superior Tribunal de Justiça, que através da Súmula nº 351, atribuiu a condição de contribuinte do SAT ao estabelecimento da empresa, desde que dotado de CNPJ próprio (transcreve). 2.2.12 Assim, a posição jurisprudencial confirmou o dado legal, que impõe deveres instrumentais ao estabelecimento dotado de CNPJ. Fosse o contribuinte do SAT a empresa, como um todo, não haveria razoabilidade em atribuir deveres instrumentais ao estabelecimento. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 572 5 2.2.13 Com isso, temos que a definição da alíquota do SAT pressupõe, portanto, duas etapas: i) identificação do estabelecimento pelo CNPJ próprio; ii) aferição da atividade econômica que prepondera, em quantidade de empregados e trabalhadores avulsos, no estabelecimento identificado na primeira etapa. 2.2.14 Contudo, em sentido diverso, prevê a alínea “c” do inciso I do §1º do art. 72 da IN 971/2009, a sujeição tributária à empresa, apesar da existência de estabelecimentos com CNPJ próprio, o que contradiz o entendimento firmado pelo STJ (Súmula 351) sobre o Decreto nº 3.048/99. 2.2.15 A IN altera drasticamente a forma legal de aferição e de enquadramento das alíquotas GILRAT/SAT, além de desfigurar o princípio da independência dos estabelecimentos para aferição da alíquota de SAT, invade a competência legislativa, mais uma vez, excluindo os funcionários empregados em atividades meio do cálculo para verificação da atividade preponderante do contribuinte. 2.2.16 A diferença entre os métodos legal e administrativo (IN) enseja insegurança jurídica, e culmina na aplicação, pelo Fisco, do método previsto na IN RFB nº 971/09, em detrimento do método legal, como ocorreu na presente autuação. 2.2.17 A IN que avança o limite do texto regulamentado, criando princípio de direito material, estendendo ou restringindo benefício, taxando proibição exemplificativa e viceversa, transformando dispositivo interpretativo em regra impositiva, é ilegal, senão inconstitucional (transcreve renomado jurista). 2.2.18 A interpretação utilizada na regulamentação deve observar o método inerente ao contexto regulado. O CTN é que cuida da definição do método, restringindo quando a ampliação importar em majoração. Assim, inadmissível a utilização de método que negligencie a lei, ainda que esteja previsto em norma infralegal. 2.2.19 Não há que se falar, portanto, em recolhimento a menor a título de SAT, posto que o AI não apresenta fundamentação legal aplicável ao caso, devendo ser considerado nulo. Da Identificação da Atividade Preponderante 2.2.20 A imputação refletida no Auto de Infração não representa uma pormenorização dos enunciados legais. Sequer é capaz de demonstrar que a Impugnante deixou de seguir o modelo de apuração de alíquota do SAT previsto na lei. 2.2.21 Nesse passo, impõese a constatação pelo Fisco de que, na forma da legislação pertinente, o grau de risco legalmente aplicável à Impugnante no período apontado pelo presente AI é leve, sujeito, portanto, à alíquota de 1%. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 573 6 2.2.22 Conforme já explicitado, o Decreto nº 3.048/99 determina que a atividade preponderante será identificada pela atividade que ocupa o maior número de empregados e trabalhadores avulsos. 2.2.23 O método enunciado permite que a atividade preponderante seja diversa da atividade econômica. Tal observação é crucial no caso em tela, sobretudo conquanto a lei e o decreto conferem à atividade preponderante, essa tarefa. 2.2.24 Na forma prescrita pelos parágrafos 4º e 5º do art. 202 do RPS, temos que o Anexo V, que introduziu a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco tem caráter exemplificativo, servindo a instruir o contribuinte na realização do autoenquadramento. 2.2.25 De outra forma não poderia ser, conclusão que se constata a partir de uma simples reflexão sobre a referida lista. Nela, o Executivo pretendeu elencar todas as atividades desenvolvidas pelas empresas em território nacional, imputando a cada uma determinado grau de risco. 2.2.26 Importante destacar que no referido anexo não foram informados quaisquer critérios que instruíram essa imputação, sobretudo as centenas de laudos técnicos especializados que seriam imperativamente necessários para embasar tal associação. 2.2.27 Os critérios técnicos que informam a determinação do grau de risco não podem ser presumidos pelo INSS, ou se forem, devem respeitar o princípio da verdade material e da razoabilidade. 2.2.28 A conclusão inexorável é de que é impossível aferir a existência de qualquer critério técnico quando da determinação dos graus de risco inerentes às diferentes atividades constantes da lista. 2.2.29 Em consequência, é dever do contribuinte se auto enquadrar em uma das três hipóteses prescritas, Porém, não apenas seguindo a alíquota correspondente à atividade fim da empresa, mas através do enquadramento jurídico ora ventilado. 2.2.30 Por tais razões, a Impugnante realizou o auto enquadramento lastreado nas já mencionadas Instruções Normativas e nos decretos previdenciários que cuidam da matéria, a partir de estudo detalhado da normatização em questão e com a constatação pormenorizada das atividades desenvolvidas por seus empregados e a respectiva preponderância, conforme demonstra a documentação anexa. 2.2.31 Apresenta Gráfico Geral de Funções e respectivos graus de risco, à fl. 81, e aduz que mesmo segregandose cada um dos estabelecimentos, a maioria dos empregados da empresa (67,81%) estão alocados em departamentos e funções que os Fl. 573DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 574 7 expõem a um grau leve de risco, o que determina a atividade preponderante para fins previdenciários. 2.2.32 Pelo demonstrado, na forma da legislação pertinente, o grau de risco legalmente aplicável à totalidade dos valores que compõem a base de cálculo da ora Impugnante é leve, sujeito à alíquota de 1%. 2.2.33 Convém mencionar que o autoenquadramento realizado pela Impugnante encontrase em perfeita consonância com o entendimento dos tribunais administrativos (transcreve julgados). 2.2.34 No mesmo sentido é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 2.2.35 Ressaltese que este entendimento deve ser obrigatoriamente seguido pelas autoridades administrativas, visto que o Ministério aprovou, no final de 2010, alterações no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dentre as quais se destaca a obrigatoriedade de aplicação do entendimento exarado pelos tribunais superiores às decisões dos processos administrativos. 2.2.36 Portanto, não há como prosperar o Auto de Infração, devendo ser reconhecida a possibilidade de compensação dos valores recolhidos a maior referentes ao GILRAT, bem como o recolhimento à alíquota de 1% no período questionado. Dos Laudos Técnicos 2.2.37 Discorre sobre as características do LTCAT e argumenta que da análise dos laudos elaborados para a matriz e suas filiais, observase que as atividades exercidas pela empresa, em geral, não expõem seus funcionários a agentes nocivos. 2.2.38 E nas hipóteses em que se verifica a existência deste agentes, como por exemplo ruído e radiação, a exposição é neutralizada pelas medidas de controle existentes, pois com a utilização de equipamentos de proteção individual, os funcionários não ficam sujeitos a qualquer tipo de risco no ambiente de trabalho. 2.2.39 Assim, os laudos técnicos demonstram que o enquadramento da empresa deve ser de risco leve, sendo insubsistente o Auto de Infração. O Ônus da Prova no Processo Administrativo 2.2.40 Consoante restou demonstrado, a Impugnante efetuou o autoenquadramento nos graus de risco do GILRAT com base em estudo detalhado da legislação atinente à matéria, bem como a partir da constatação pormenorizada das atividades por meio de laudos previdenciários (LTCAT). 2.2.41 Importante frisar que, no presente caso, não existe a necessidade de produção destas provas pela Impugnante, visto que se trata de autoenquadramento, cabendo à autoridade fiscal Fl. 574DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 575 8 somente a revisão do lançamento, conforme prescrito pelo §5º do art. 202 do RPS. 2.2.42 Distinta, contudo, é a posição da Fazenda, à qual incumbe realizar a produção de prova em contrário sempre que discordar do autoenquadramento realizado pelo contribuinte. 2.2.43 Transcreve doutrina sobre o ônus probatório, cita o artigo 9º do Decreto nº 70235/72, e conclui que incumbe à Fazenda o dever de consubstanciar suas alegações. 2.2.44 Não foi o que ocorreu. Em nenhum momento a autoridade administrativa trouxe aos autos qualquer elemento comprobatório capaz de demonstrar, de maneira contundente, o enquadramento da atividade preponderante da empresa no grau de risco médio do GILRAT, seja pela elaboração de organograma e a devida alocação de funcionários e seus respectivos graus de risco, seja pela elaboração de um laudo similar ao LTCAT. 2.2.45 Imperioso, portanto, o cancelamento do Auto de Infração. A Verdade Material no Processo Administrativo 2.2.46 Consoante demonstrado, foram verificadas algumas irregularidades que devem ser sanadas, sem prejuízo para quaisquer das partes. A Impugnante manifesta sua crença no processo administrativo e acredita no seu funcionamento justo e imparcial, nos estritos lineamentos demarcados pelo Direito. 2.2.47 Mas disso não decorre que fatos inexistentes ou erros evidentes prosperem em detrimento da verdade material, devendo ser sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pela Fiscalização. Transcreve doutrina sobre o princípio da verdade material. 2.2.48 Assim, pleiteia a correção de erros formais e matérias. Reproduz ementa de julgado do CRPS. 2.2.49 Por essa razão, considerando que a Autoridade Autuante lavrou o presente Auto de Infração deixando de observar as diretrizes da legislação atinente ao GILRAT, e equivocandose na capitulação das irregularidades apontadas, impõese a correta interpretação da matéria que redundará no cancelamento do Auto de Infração. Do Pedido 2.3 Assim, requer a Impugnante: a) O acolhimento da preliminar suscitada, para que seja declarada a nulidade do Auto de Infração; b) Quanto ao mérito, requer o integral provimento da impugnação, para que seja julgado improcedente o Auto de Infração, com o consequente cancelamento do crédito tributário lançado; Fl. 575DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 576 9 c) Alternativamente, requer, principalmente, em atendimento ao art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72, seja determinada a conversão em diligência do presente processo, a fim de que seja aferida a atividade preponderante da empresa no período que compreende o objeto do presente AI, uma vez que para o esclarecimento de tais pontos duvidosos, exigese conhecimentos especializados, a fim de se constatar o enquadramento jurídico da mesma, nos moldes da Lei nº 8.212/91 e Decreto nº 3.048/99, e com base no Ato Declaratório da PGFN nº 11/2011; d) Sem prejuízo de todo o alegado, a Impugnação protesta pela posterior juntada de documentação que eventualmente não tenha sido acostada à presente, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72; e) Que as intimações sejam expedidas sejam endereçadas ao advogado Dr. Marcos Paulo Caseiro, estabelecido na Rua Líbero Badaró, nº 293, 28º andar, Centro, São Paulo, CEP 01009000. DA DILIGÊNCIA FISCAL 3. Os autos foram convertidos em diligência, através dos despachos de fls. 104 a 118, para pronunciamento do Auditor Fiscal Autuante, quanto às alegações da empresa, devendo ser o Parecer/PGFN/CRJ/Nº 2120/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU em 15/12/2011 e o Ato Declaratório nº 11, emitido pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e publicado em 20/12/2011. 3.1 Como resultado da diligência fiscal, foi elaborado o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 133/172, e o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal de fl. 176, concluindose pela necessidade de retificação do lançamento relativo aos estabelecimentos CNPJ´s 02.012.862/000917, 02.012.862/0061 09, e 02.012.862/008578. DA COMUNICAÇÃO DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA FISCAL AO CONTRIBUINTE E DA ABERTURA DE PRAZO PARA SUA MANIFESTAÇÃO 4. O resultado da diligência fiscal foi, então, comunicado à empresa, em 24/01/2014 (fls. 172 e 176), tendo sido concedido prazo de 30 (trinta) dias para a sua manifestação. DA MANIFESTAÇÃO DA EMPRESA 5. A empresa apresentou, em 24/02/2014, a manifestação de fls. 179 a 192, acerca da diligência fiscal, deduzindo as alegações a seguir sintetizadas. Da Tempestividade 5.1 A Impugnante tomou ciência do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal no dia 24 de janeiro de 2014, sextafeira. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 577 10 5.2 Conforme determina o artigo 35 do Decreto nº 7.574/11, o prazo para apresentar manifestação contra a Diligência Fiscal em referência é de 30 dias, excluindose o dia do começo e incluindose o do vencimento. 5.3 Concluise, portanto, que o termo final do prazo pra apresentação da presente defesa expira no dia 24 de fevereiro de 2014, segundafeira. 5.4 Por essa razão, a presente manifestação é claramente tempestiva, vez que sua apresentação foi realizada dentro desse período. Da Diligência Fiscal Dos Fatos 5.5 Após breve relato sobre o procedimento de diligência fiscal, alega que apesar da Fiscalização entender pela necessidade de retificação do lançamento para os estabelecimentos 02.012.862/000917, 02.012.862/006109, e 02.012.862/008578, não houve a produção pericial requerida pela Impugnante em sua defesa, a fim de demonstrar, de forma técnica, o risco a que seus funcionários estão submetidos. 5.6 Sendo assim, considerando a autuação em trâmite, a fim de resguardar o direito do contribuinte, indispensável trazer à tona a correta forma de aferição do grau de risco da atividade dos contribuintes para o recolhimento da contribuição em comento. Do Direito Da Determinação do Grau de Risco e AutoEnquadramento 5.7 O Anexo V do Decreto nº 3048/99 buscou instruir o Contribuinte na realização do autoenquadramento. 5.8 Transcreve o artigo 202 do referido decreto e afirma que, para fins do enquadramento do grau de risco do GILRAT, é totalmente irrelevante a atividade fim desempenhada pelo Contribuinte, e sim sua atividade preponderante. Apresenta jurisprudência administrativa. 5.9 Assim, é possível a empresa analisar qual atividade ocupa maior número de funcionários, a fim de determinar sua atividade preponderante para efeito da incidência do GILRAT, segregados por estabelecimento. 5.10 Salienta que conforme demonstrado nos laudos que aferem as condições ambientais de trabalho da empresa, mesmo sendo constatada a existência de agentes nocivos, estes são neutralizados de maneira eficaz pelos equipamentos de proteção fornecidos pela empresa. Tal situação é totalmente convergente com o previsto no artigo 203 do Decreto nº 3048/99 (transcreve). 5.11 Deste modo, diante da prerrogativa conferida pela lei, em dezembro de 2009 a empresa realizou seu autoenquadramento no grau de risco, submetendose, então, a alíquota de 1%. Os Fl. 577DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 578 11 Anexos que acompanham o presente (Doc. 02) demonstram, de forma inequívoca, que o grau de risco dos estabelecimentos é leve, o que justifica a aplicação de 1% do SAT. 5.12 Afirma que a Diligência Fiscal não considerou a perícia técnica realizada pela Impugnante. O Ônus da Prova no Processo Administrativo 5.13 No presente caso, a Impugnante não necessita produzir provas , pois se trata de autoenquadramento (parágrafo 5º do artigo 202 do Decreto 3048/99). 5.14 Entretanto, cabe à Fazenda realizar a produção de prova em contrário sempre que discorde do autoenquadramento realizado pelo Contribuinte. Transcreve renomado jurista e cita o artigo 9º do Decreto nº 70235/72, para corroborar suas alegações. 5.15 No caso em tela, porém, a Autoridade Administrativa não trouxe elemento probatório capaz de demonstrar o enquadramento da atividade preponderante da empresa no grau de risco grave. 5.16 Assim, deve ser desconsiderada a Diligência Fiscal, por não estarem substanciadas as alegações do Fisco quanto ao autoenquadramento realizado pela Impugnante. Do Pedido 6. Ante todo o exposto, requer a Impugnante seja desconsiderada a Diligência Fiscal como instrumento para aferição do correto grau de risco de sua atividade, relativo ao recolhimento do SAT, sendo necessário, para tanto, verificar que: 6.i. a maioria dos funcionários estão alocados em departamentos sujeitos a um grau leve de exposição ao risco de acidentes do trabalho, conforme a própria presunção do INSS pelo Decreto 6.042/2007; 6.ii. a prova técnica elaborada pela Impugnante demonstra que as atividades exercidas pela empresa não expõem os seus funcionários a agentes nocivos, e quando remotamente ocorre, todos estão neutralizados pelo apropriado EPI – equipamento de proteção individual, ou pelo EPC – equipamento de proteção coletiva; 6.iii. o documento produzido na diligência fiscal não comprova o efetivo grau de risco, não se traduz em uma prova técnica como a elaborada pela Impugnante; é de suma importância a correta aferição do grau de risco com base em medições que aferem se há ou não a presença e/ou ação de determinado agente nocivo; e 6.iv. a RFB deve nomear um perito hábil a comprovar o exato grau de risco da Impugnante. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 579 12 7. A empresa anexa, à manifestação de inconformidade, os seguintes documentos: • Comprovantes de Inscrição e de Situação Cadastral – CNPJ, fls. 233/235; • Planilhas e análise do LTCAT, relativas a dezembro de 2009, para os diversos estabelecimentos da empresa, às 236/455. É o relatório." A DRJ de origem julgou procedente em parte a impugnação apresentada. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 522/553, reiterando, quanto ao que foi vencido, as alegações expostas em impugnação, bem como apresentou preliminar quanto a tempestividade do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Tempestividade No presente caso, a ciência se deu por ciência eletrônica, conforme se verifica pelo Termo de Ciência por Decurso de Prazo de fl. 497: "Data da disponibilização na Caixa Postal: 23/07/2014 Data da ciência por decurso de prazo: 07/08/2014" Ainda, consta nos autos o Temo de Abertura de Documento, à fl. 496, o qual possui o seguinte teor: TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 25/07/2014 17:39h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Intimação de Resultado de Julgamento Relação de Créditos Tributários do Processo Darf Acórdão de Impugnação Comunicação Outros Reabertura da Lei 11941 de 27/05/2009 em 2014" Fl. 579DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 580 13 Em razão da não interposição de recurso no trintídio legal, foi encaminho o débito para inscrição em dívida ativa. No entanto, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 522/553, protocolizado em 27/02/2015, onde alega, em suas razões, preliminar de tempestividade. Sustenta que, conforme determina o art. 1º, § 3º da Portaria SRF 259/06, o contribuinte deve ser informado da possibilidade de serem praticados atos, de forma eletrônica, no processo administrativo. Refere, ainda, que a suposta intimação do resultado do julgamento teria se dado em 07/08/2014, cujo prazo para interposição de recurso voluntário teria sido encerrado em 08/09/2014. Assim, pugna pela insubsistência da intimação tácita realizada de modo eletrônico mediante Domicílio Tributário Eletrônico. Não assiste razão à contribuinte. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 580DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 581 14 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 581DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 582 15 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. A ciência da decisão de primeira instância deuse em 07/08/2014, por meio eletrônico. Assim, ao apresentar o recurso voluntário somente em 27/02/2015, estava exaurido o prazo legal de trinta dias. Entendo que o argumento da contribuinte de que não havia autorizado a intimação por meio eletrônico não prospera. Ocorre que a contribuinte aderiu ao Domicílio Tributário Eletrônico, o que inclusive é referido pela própria em recurso voluntário. Assim, não procede a linha argumentativa da contribuinte de que no lançamento houve intimação pessoal, porém para a decisão foi feita uma intimação por meio eletrônico, causando insegurança jurídica ou nulidade de intimação, pois ciente a contribuinte de que, por ser optante do Domicílio Tributário Eletrônico poderiam as intimações deste processo serem realizadas também por meio eletrônico. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 582DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720835/2013-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas.
Numero da decisão: 9202-005.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Recorrente CHINA CONSTRUCTION BANK (BRASIL) BANCO MÚLTIPLO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 08 35 /2 01 3- 60 Fl. 1427DF CARF MF 2 Oliveira Santos. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (DEBCAD 51.020.5763) para cobrança de contribuição previdenciária incidente sobre valores considerados pela fiscalização como remuneração indireta. Os pagamentos foram efetuados no período de 01/2009 a 12/2011 e os fatos geradores caracterizados da seguinte forma: 1) Participação nos lucros atribuídas aos administradores (diretores estatutários), 2) Complementação de honorários de administradores, denominado de "14º salário Diretoria", e 3) Diferenças de remuneração pagas a contribuintes individuais e não justificadas pelo contribuinte, detectada após o cruzamento entre a GFIP e a DIRF. Contribuinte apresentou impugnação (fls. 84) onde, preliminarmente, reconhece a procedência do lançamento em relação aos créditos tributários referidos nos itens 2 e 3 acima, fazendo juntar os respectivos comprovantes de pagamento dos valores. Assim, o mérito se restringiu ao questionamento da incidência do tributo sobre os valores pagos a título de PLR aos diretores estatutários, no entender do contribuinte tratase de verba fora do campo de incidência da contribuição previdenciária nos termos do art. 28, §9º, j da Lei nº 8.212/91 c/c Lei nº 6.404/76. Os argumentos de defesa foram reiterados em petição juntada às fls. 397, oportunidade em que foi apresentado laudo pericial que confirmaria a natureza não remuneratória da verba: contabilmente são valores não considerados como despesas necessárias e, portanto, são tributados pelo IRPJ. A Delegacia de Julgamento manteve o lançamento. Ao recurso voluntário de fls. 909, foi negado provimento. A 4ª Câmara / 2ª Terma Ordinária desta Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, entendeu que somente com o advento da Medida Provisória (MP) 794/94, convertida na Lei 10.101/2000, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores empregados no lucro das sociedades empresárias, não servindo a Lei nº 6.404/76 para este propósito. Vale citar que no entendimento daquele Colegiado a matéria já estaria pacificada em razão do RE 569.441/RS, julgado sob a sistemática de repercussão geral. O acórdão 2402004.498: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 REMUNERAÇÃO DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INCIDÊNCIA DE Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 16327.720835/201360 Acórdão n.º 9202005.675 CSRFT2 Fl. 1.428 3 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000. DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8.212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é necessária à previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Inteligência do art. 28, § 9º da Lei 8.212/91. Não havendo subordinação jurídica nem natureza pessoal da relação empregatícia, os administradores da companhia (Diretores e Conselheiros) serão qualificados como segurados contribuintes individuais, a teor do art. 12, V, alínea “f”, da Lei 8.212/1991. PAGAMENTOS A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR) A ADMINISTRADORES. INEXISTÊNCIA DE LEI REGULAMENTADORA. IMPOSSIBILIDADE GOZO IMUNIDADE CONDICIONAL. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA. ALINHAMENTO COM DECISÃO JUDICIAL. A regra constitucional do art. 7o, XI possui eficácia limitada, dependendo de lei regulamentadora para produzir a plenitude de seus efeitos, pois ela não foi revestida de todos os elementos necessários à sua executoriedade. Inteligência dos entendimentos judiciais manifestados no RE 505597/RS, de 01/12/2009 (STF), e no AgRg no AREsp 95.339/PA, de 20/11/2012 (STJ). Somente com o advento da Medida Provisória (MP) 794/94, convertida na Lei 10.101/2000, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores empregados no lucro das sociedades empresárias. Inteligência do RE 569441/RS, de 30/10/2014 (Info 765 do STF), submetido a sistemática de repercussão geral. Por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as Turmas deste Conselho devem reproduzir o mesmo entendimento em seus acórdãos. Na ausência lei regulamentadora quanto ao pagamento de participação nos lucros e resultados (PLR) dos administradores, configurados como contribuintes individuais, a imunidade condicionada constitucionalmente não pode produzir efeitos para os administradores da companhia (Diretores e Membros do Conselho de Administração). PRÓLABORE INDIRETO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 1429DF CARF MF 4 É devida contribuição sobre remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais a serviço da empresa. Recurso Voluntário Negado. Contra o acórdão o contribuinte apresentou Embargos de Declaração (fls. 1.034). Defende que o acórdão ora embargado incorreu em obscuridade ao aplicar o RE n° 569.441/RS como ratio decidendi, pois o referido precedente trata de situação diversa da analisada nos autos e, em momento algum, versou sobre a incidência de Contribuições Previdenciárias sobre a PLR paga a administradores estatutários. Por meio da "Informação nº 2402027" (fls. 1203), os embargos foram rejeitados. Segundo despacho: Cumpre esclarecer que o fundamento do acórdão embargado é delineado no sentido de que a única lei a regular a imunidade condicionada prevista no inciso XI do art. 7º da CF/88 seria a Lei 10.101/2000, a qual, por tratar apenas do pagamento de PLR a empregados, não exoneraria da tributação as verbas pagas a título de PLR aos contribuintes individuais (Diretores e Conselheiros), que foi o caso dos autos. O acórdão embargado registrou, ainda, que a distribuição de lucros aos contribuintes individuais (Diretores e Conselheiros) nos moldes da Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades por Ações – LSA, art. 152, § 1o) está sujeita à incidência de contribuição previdenciária, pois configuraria um pro labore indireto, a teor do inciso III do art. 22 da Lei 8.212/1991, e, além disso, a Lei 6.404/1976 não regulamentou a imunidade condicionada prevista no inciso XI do art. 7º da CF/88, nem regulamentou o art. 28, alínea “j”, § 9º, da Lei 8.212/1991. Tempestivamente o contribuinte apresentou Recurso Especial. Citando como paradigmas os acórdãos 2803004.090 e 2401003.811, defende o caráter não remuneratório da PLR paga a administradores estatutários nos termos da Lei nº 6.404/1976 e a inaplicabilidade ao caso concreto do RE nº 569.441/RS. Contrarrazões da Fazenda Nacional requerendo a manutenção do acórdão. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Antes de analisarmos o mérito, julgo necessário tecer comentários quanto ao conhecimento do recurso. O Recorrente afirma existir divergência jurisprudencial na medida em que, ao contrário do acórdão recorrido, os paradigmas 2403004.090 e 2401.003811 entenderam que o pagamento de PLR a administradores estatutários, na forma da Lei nº 6.404/76, enquadrase na Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 16327.720835/201360 Acórdão n.º 9202005.675 CSRFT2 Fl. 1.429 5 hipótese de não incidência das contribuições previdenciárias previstas no art. 28, §9º, alínea 'j' da Lei nº 8.212/91. Ocorre que, embora a Recorrente tenha feito a correta digressão acerca da divergência jurisprudencial alegada, entendo que o fundamento da decisão recorrida possui como razão de decidir situação não enfrentada nos acórdãos paradigmas. Isso porque, não obstante o voto condutor tenha enfrentado toda a matéria de mérito manifestandose pela inaplicabilidade da Lei nº 6.404/1976 como base legal para aplicação da exceção prevista na alínea 'j' do §9º do art. 28 da lei nº 8.212/91 e ainda se manifestado pelo caráter remuneratório da verba, a razão de decidir leva em consideração a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 569.441/RS. Segundo a decisão tendo o recurso extraordinário sido julgado na sistemática da repercussão geral, ao caso aplicarseia o art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF. Vejamos: Aplicação Lei nº 6.404/76: "Percebese, então, que, se o STF entendeu que não havia lei regulamentando o pagamento de PLR antes da edição da MP nº 794/1994, não há como acolher o entendimento de que a expressão “lei específica” contida na alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/1991 também se refere a outras leis extravagantes, tal como a Lei 6.404/1976 que dispõe sobre as Sociedades por Ações (companhia), inclusive o seu art. 152, § 1o, estabeleceu que o estatuto da companhia pode atribuir aos administradores participação nos lucros da companhia, desde que sejam atendidos dois requisitos: (i) a fixação dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro líquido; e (ii) o total da participação estatutária não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros, prevalecendo o limite que for menor. ... O Supremo Tribunal Federal (STF) pacificou esse entendimento por meio do RE 569441/RS, rel. orig. Min. Dias Toffoli, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, de 30/10/2014 (Info 765), submetido a sistemática de repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), nos seguintes termos: ... Por força do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC), devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF." Natureza de remuneração: "A Recorrente alega que não se poderia equiparar a concessão da PLR paga a administradores estatutários ao pro labore, tal afirmação não será acatada, já que não houve equiparação de Fl. 1431DF CARF MF 6 verbas e sim a incidência de contribuição previdenciária sobre os rendimentos pagos aos contribuintes individuais administradores concedidos de forma indireta, intitulados participação nos lucros ou participação estatutária (pro labore indireto). ... Extraise ainda que o conceito de remuneração auferida, registrado no inciso III do artigo 28 da Lei 8.212/91, não se encontra circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador por meio de folhas de pagamento ou em razão direta dos recibos de pagamento de pro labore registrados pela Recorrente. A remuneração tem de ser interpretada de forma mais abrangente, abarcando todas as verbas recebidas, a qualquer título, pelos administradores, na qualidade de contribuintes individuais, em razão do contrato de trabalho com ele firmado, seja configurada como pro labore direto ou como pro labore indireto. Em outros termos, há modos diversificados de remuneração paga aos contribuintes do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial. ... Com relação à indedutibilidade da PLR paga a administradores estatutários, para fins de IRPJ, em Razão de seu caráter não remuneratório, entendo que não assiste razão à Recorrente, pois a permissão ou não da dedutibilidade das participações estatutárias no resultado do cálculo do IRPJ como custos ou despesas operacionais é matéria que compete ao ente tributante, no caso a União, legislar o que seja resultado operacional, aquele referente à atividade normal da empresa em seu aspecto usual ou normal no tipo de transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, e resultados não operacionais, que são os ganhos e perdas determinados pelo Regulamento do Imposto de Renda RIR (art. 161 e ss. do Regulamento do Imposto de Renda RIR, Decreto 3.000/1999). Em outros termos, disciplinar tais deduções da base de cálculo é questão de política fiscal da União, a qual leva em consideração a atividade normal ou não da empresa. ... Dentro do contexto jurídico, a Recorrente cita vários acórdãos (Acórdãos 2401003.107, de 16/07/2013; 2402002.883, de 10/06/2013; e 240202.699, de 15/05/2012, proferidos pelas Turmas do CARF, que adotaram o entendimento das alegações da Recorrente no sentido de que não incide contribuição previdenciária sobre a verba paga aos administradores (contribuintes individuais) a título de participação estatutária nos moldes da Lei 6.404/1976 (art. 152, § 1o). Entendo que esse entendimento não pode ser acatado, já que houve uma superação jurídica da matéria no momento em que o STF afirmou que o inciso XI do art. 7º da CF/88 é norma de eficácia limitada (RE 569441/RS, de 30/10/2014, Info 765 do STF, sistemática de repercussão geral) e, com isso, extraise que a única lei regulamentadora desse dispositivo constitucional é a Lei 10.101/2000, que dispõe sobre a Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 16327.720835/201360 Acórdão n.º 9202005.675 CSRFT2 Fl. 1.430 7 participação nos lucros e resultados exclusivamente para os segurados empregados e não contribuintes individuais. A razão de decidir do Colegiado foi reforçada em manifestação do Relator que rejeitou o recurso de Embargos de Declaração apresentados pelo Contribuinte no intuito de sanar obscuridade na decisão: A Embargante aponta uma suposta obscuridade no acórdão embargado ao aplicar o RE n° 569.441/RS como ratio decidendi, pois o referido precedente trata de situação diversa da analisada nos autos e, em momento algum, versou sobre a incidência de Contribuições Previdenciárias sobre a PLR paga a administradores estatutários. Cumpre esclarecer que o fundamento do acórdão embargado é delineado no sentido de que a única lei a regular a imunidade condicionada prevista no inciso XI do art. 7º da CF/88 seria a Lei 10.101/2000, a qual, por tratar apenas do pagamento de PLR a empregados, não exoneraria da tributação as verbas pagas a título de PLR aos contribuintes individuais (Diretores e Conselheiros), que foi o caso dos autos. ... Na prática, a Embargante pretende que seja efetuada uma nova valoração jurídica da aplicação das regras contidas na Lei 6.404/1976 (art. 152, § 1o) no presente acórdão embargado, o que não se traduz em omissão ou em obscuridade sanável pela via estreita dos embargos de declaração, tampouco ocorreu um suposto erro material no acórdão ora embargado ao manifestar o entendimento de que o inciso XI do art. 7º da CF/88 é norma de eficácia limitada (RE 569441/RS, de 30/10/2014, Info 765 do STF, submetido à sistemática de repercussão geral), e, com fundamento nisso, houve a aplicação da regra imperativa do § 2o do art. 62 do Regimento Interno do CARF (RICARF), inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, verbis: Em que pese manifestação do Supremo Tribunal Federal no RE nº 636.899 e sem analisar o acerto da decisão recorrida quanto a abrangência do RE nº 569.441, no entender desta Relatora a razão de decidir da turma a quo passa pela aplicação do art. 62, §2º do RICARF em razão da tese firmada em sede de repercussão geral, situação não apreciada nos acórdãos paradigmas já que ambos foram proferidos em data anterior ao trânsito em julgado do citado RE nº 569.441/RS, que se deu em 23/02/2015. Considerando a fundamentação do acórdão recorrido, somente poderia ser aceito como paradigma acórdão proferido após o trânsito em julgado do Recurso Extraordinário e ainda que, no caso, o colegiado tenha deixado de aplicar art. 62 do RICARF. Diante desta questão, entendo haver uma discrepância entre as situações fáticas dos acórdãos que impede o estabelecimento da divergência pretendida pela Recorrente razão pela qual deixo de conhecer do Recurso Especial. Fl. 1433DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1434DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.907611/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
IPI. CRÉDITO INEXISTENTE. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO.
Comprovado que o crédito invocado em DCOMP é inexistente, incabível a compensação.
Numero da decisão: 3401-003.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITO INEXISTENTE. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Comprovado que o crédito invocado em DCOMP é inexistente, incabível a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre a DCOMP no 22378.77287.281105.1.3.017403 (fls. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 76 11 /2 00 9- 91 Fl. 1924DF CARF MF 2 3 a 285, 289 a 557, 561 a 802, 806 a 1083, e 1087 a 1379)1, transmitida em 28/11/2005, buscando a compensação de créditos de IPI, referentes ao 4o trimestre de 2002, no valor de R$ 1.093.203,01, e indicando como créditos passíveis de ressarcimento R$ 1.618.062,81. No despacho decisório eletrônico de fl. 1433, datado de 19/04/2010, a compensação não foi homologada, pelas seguintes razões: (a) “constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado”; e (b) “ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal”. No processo administrativo no 13971.003293/200998, apensado ao presente, constam dados sobre o procedimento fiscal que resultou nas glosas, como intimações e reintimações (em função de reiterados não atendimentos por parte da postulante ao crédito), respostas, e cópias documentos fiscais e peças de processo judicial (AMS no 2000.72.05.0008104 – fls. 897 a 937 daqueles autos). No Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 1125 a 1132 daqueles autos), narrase que: (a) em análise do PER/DCOMP transmitido, observouse, na ficha Notas Fiscais de Entrada/Aquisição, que a recorrente informou derivar o crédito de 9.876 notas, das quais 9.866 notas tinham a mesma data de emissão e entrada (10/10/2002, apesar de se referirem a aquisições nos anos de 1998/1999), e que metade do valor provém de aquisições de um único fornecedor, cujo sóciogerente no período de 1998/1999 foi o atual gerente da recorrente; (b) foi verificado, na análise de notas apresentadas, em cotejo com as informadas no PER/DCOMP, que os valores totais e os valores destacados de IPI foram alterados na transcrição; (c) a própria recorrente admitiu, em declaração prestada ao fisco em 03/09/2009, que o suposto crédito não se referia ao período informado no PER/DCOMP; (d) foram inseridos no PER/DCOMP dados falsos sobre operações realizadas no 4o trimestre de 2002, simulando a existência desses créditos no período apurado; (e) a recorrente escriturou ainda valores referentes a “outros créditos”, justificados inicialmente como “estorno de débitos”, mas que, depois, revelou a empresa que terem tais valores sido informados por equívoco; e (f) os valores requeridos na DCOMP não foram estornados no Livro de Registro de Apuração do IPI, no período, descumprindo o disposto na IN SRF no 460/2004 (art. 17). Em sua manifestação de inconformidade (fls. 1383 a 1421), alega a empresa que: (a) apurou seu saldo credor com base nas notas fiscais de entrada apresentadas, relativas a aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, conforme permite o art. 11 da lei no 9.779/1999; (b) não há fundamentação para a exigência, com base na ausência de comprovação da origem dos créditos, sendo “nulo o lançamento tributário”, e a imputação de multa e juros; (c) todo procedimento de apuração de crédito teve por base o processo judicial no 2000.72.05.0008104, no qual o TRF da 4ª Região concedeu à empresa o direito ao crédito; (d) a Constituição Federal não criou nenhuma restrição à nãocumulatividade do IPI, devendo sua aplicação ser de forma ampla; (e) o art. 74 da Lei no 9.430/1996 permite a compensação com créditos judiciais; (f) em análise do detalhamento da DCOMP, verificouse que “os valores” declarados já haviam sido anteriormente declarados em DCTF (relativas ao 4o trimestre de 2002, aos quatro trimestres de 2003 e ao 1o trimestre de 2004), e os débitos de COFINS de 10/2002 a 03/2004 já haviam sido inscritos em dívida ativa, sendo “exigidos em duplicidade” (restando na execução fiscal decidido que tais débitos estavam sendo exigidos indevidamente, sem ampla defesa e contraditório), e, comprovada a duplicidade de exigência, a segunda deveria ser declarada nula; (g) como “a maioria dos” valores declarados em DCOMP já havia sido anteriormente declarada em DCTF (tabela às fls. 1409/1410), ocorreu decadência, tendo em vista que o despacho decisório somente foi cientificado à empresa em 28/04/2010; (h) ocorreu prescrição 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1925DF CARF MF Processo nº 13971.907611/200991 Acórdão n.º 3401003.890 S3C4T1 Fl. 1.925 3 para cobrança dos créditos, conforme art. 174 do Código Tributário Nacional (CTN); e (i) aplicase ao caso, alternativamente, o parágrafo único do art. 100 do CTN, que determina a exclusão da imposição de penalidades e de juros de mora. Em 28/04/2015 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 1720 a 1735), no qual se decide unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) a defesa provavelmente está a confundir o procedimento de análise do direito creditório com o de constituição do crédito tributário e de aplicação de penalidades (no que se refere a alegações que versam sobre multa/exigência de crédito), mas, no processo em análise, não houve lançamento nem aplicação de penalidades, mas simplesmente o não reconhecimento do direito de crédito, pelo despacho decisório, com base no citado Relatório de Auditoria Fiscal, de conhecimento da empresa; (b) o processo judicial no qual a defesa alega ter fundamento o pedido trata de direito de crédito em relação a aquisições de produtos com alíquota zero, tendo o TRF da 4ª Região autorizado a compensação com o próprio IPI, “dispensado o requerimento administrativo”, a ser levada a efeito mediante “creditamento dos valores em conta gráfica”, ou com outros tributos federais, mediante os arts. 73 e 74 da Lei no 9.430/1996, “condicionada a requerimento do contribuinte” à RFB, que deverá proceder ao exame fiscal determinado em suas normas internas e, se atendidos os marcos normativos, deferila; (c) o art. 74 da Lei no 9.430/1996 exige, previamente à compensação, o trânsito em julgado e a habilitação do crédito junto à RFB; (d) no caso dos autos, o contribuinte não escriturou os créditos de IPI no livro de apuração do imposto para compensar com o IPI devido nas saídas de seus produtos, mas, apresentou DCTF (anos 2003/2004) informando compensação de débitos com créditos de processo judicial, para algumas, sem especificação do crédito ou do tipo de decisão judicial, e, em 28/11/2005, apresentou declaração para a compensação dos mesmos débitos com saldo credor de IPI do 4o trimestre de 2002, sem informar que se tratava de crédito deferido judicialmente, ou que se referia a crédito acumulado dos anos de 1989 a 1999 (crédito extemporâneo), contrariando o que lhe foi deferido no mandamus; (e) o STF, no referido Mandado de Segurança, deu provimento ao recurso extraordinário da União, não reconhecendo o direito de crédito, denegando a segurança, sendo, então, inexistente o crédito e indevidas as compensações; e (f) não havendo contestação em relação ao estorno de débitos escriturados indevidamente (R$ 61.358,15), deixa o fato de ser controvertido; (g) a extinção da execução fiscal deveuse justamente à alegação da empresa de que ainda estava a discutir as compensações em relação a tais valores, e que a cobrança não poderia ser efetuada antes do contencioso, pois isso ocasionaria violação ao contraditório e à ampla defesa; e (h) o presente processo não trata de lançamento, não havendo que se falar em decadência, não se configurando, ainda, prescrição para cobrança dos débitos, tendo sido respeitado o prazo de que trata o art. 174 do CTN, sendo interrompida a prescrição pela confissão (inciso IV do parágrafo único do referido art. 174). Cientificada da decisão em 11/05/2015 (fl. 1745), a empresa interpôs recurso voluntário em 04/06/2015 (fls. 1750 a 1763), reproduzindo as razões expostas na manifestação de inconformidade, exceto a relativa à decadência, alterando apenas as alegações sobre a prescrição, afirmando que deve ser contada da data de apresentação das DCTF (anexando cópias das DCTF). Por ocasião do julgamento do processo referente à multa decorrente da compensação não homologada (no 13971.000959/201090), em 27/09/2016, foi proferida a Resolução no 3401000.956, determinado a apensação dos presentes autos àqueles, para julgamento conjunto, na forma em que decidido anteriormente pelo próprio colegiado, Fl. 1926DF CARF MF 4 preservando a apensação já existente entre o processo de no 13971.003293/200998 e o presente. O processo foi apreciado pelo CARF, que resolveu, unanimemente, pela conversão do julgamento em diligência, na Resolução no 3401000.956 (fls. 827 a 832), para fosse apensado ao presente o processo de no 13971.907611/200991, para julgamento conjunto, na forma em que decidido anteriormente pelo próprio colegiado. Na ocasião, recordouse que devia também ser preservada a apensação já existente entre o processo de no 13971.003293/200998 e o de no 13971.907611/200991. O termo de fl. 1923 registra a apensação, em 20/02/2017. Em 07/04/2017 o processo retornou a este relator. Em abril e maio de 2017, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. É preciso advertir, desde já, em função de reiterada confusão, presente nos argumentos de defesa, na manifestação de inconformidade e, ainda que de forma menos incisiva, no recurso voluntário, que o presente processo não trata de lançamento/exigência de crédito tributário ou penalidade, mas, simplesmente, da não homologação de compensação efetuada pela empresa. A empresa alega, inicialmente, que apurou seu saldo credor com base nas notas fiscais de entrada apresentadas, relativas a aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, conforme permite o art. 11 da lei no 9.779/1999. E sequer discute se as aquisições dos materiais para os quais demanda crédito ocorreram, v.g., com alíquota zero. Agora se sabe que tal discussão era travada em juízo, mas, na DCOMP, foi informado que o crédito NÃO era oriundo de ação judicial (fl. 3): Fl. 1927DF CARF MF Processo nº 13971.907611/200991 Acórdão n.º 3401003.890 S3C4T1 Fl. 1.926 5 Ademais, como registrou a unidade local da RFB, observouse, na ficha Notas Fiscais de Entrada/Aquisição, que a recorrente informou derivar o crédito de 9.876 notas, das quais 9.866 notas tinham a mesma data de emissão e entrada (10/10/2002, apesar de se referirem a aquisições nos anos de 1998/1999), e que metade do valor provém de aquisições de um único fornecedor, cujo sóciogerente no período de 1998/1999 foi o atual gerente da recorrente; sendo que, na análise de notas apresentadas, em cotejo com as informadas no PER/DCOMP, percebeuse que os valores totais e os valores destacados de IPI foram alterados na transcrição, tendo a própria recorrente admitido, em declaração prestada ao fisco em 03/09/2009, que o suposto crédito não se referia ao período informado no PER/DCOMP. Nenhuma dessas informações prestadas pela RFB sequer é contestada pela defesa, que passa a argumentar que o crédito deriva de ação judicial, com decisão favorável do TRF da 4ª Região. A DRJ, em nome da verdade material, verifica que a ação judicial foi julgada em desfavor da empresa, pelo STF, inexistindo o direito ao crédito invocado na compensação. Também sobre tal verificação silencia a defesa, no recurso voluntário, que se limita a reproduzir o texto da manifestação de inconformidade, agregando um único parágrafo no início, intitulado “da Decisão de Primeiro Grau”, afirmando que tal decisão não considerou os argumentos apresentados pela empresa. Ao final do recurso voluntário, sequer o pedido é alterado, mantendose nele a demanda por provimento da “manifestação de inconformidade”. Como relatado, as únicas alterações na peça recursal em apreço foram referentes à prescrição, suprimindose o tópico relativo à decadência. A decisão do presente processo, sobre a compensação pleiteada, resta, então, extremamente simplificada, visto que inexistente o direito ao crédito. E, se inexistente o direito ao crédito, incabível a compensação. É exatamente pela existência de situações como a aqui narrada que o artigo 74 da Lei no 9.430/1996 exige o trânsito em julgado da ação judicial para a compensação, medida não observada pela empresa no presente processo. Nada mais a discutir sobre os créditos, que, como exposto, são inexistentes. Os argumentos de defesa, no entanto, se estendem aos débitos declarados na DCOMP. A empresa, não bastasse informar, na DCOMP, ausência de origem em ação judicial (quando o crédito era em tal ação fundado) e dados incorretos relativos aos créditos, também reconhece ter incluído como débitos valores que já haviam sido declarados em DCTF, e, portanto, confessados. Os débitos (cf. fls. 1327 a 1356) declarados na DCOMP são referentes a IRPJ (dez./2002, mar. a dez./2003, jan. a set. e nov./2004), Contribuição para o PIS/PASEP (out. a dez./2002, jan. a dez./2003, jan. a mai./2004), CSLL (dez./2002, mar. a dez./2003, jan. a nov./2004) e COFINS (out. a dez./2002, jan. a dez./2003, jan. a out./2004). E, como a DCOMP foi transmitida em 28/11/2005, ela já representava, segundo a legislação vigente, confissão de dívida em relação a tais débitos, não havendo necessidade de lançamento de ofício para cobrança. Fl. 1928DF CARF MF 6 A defesa afirma, tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário (fl. 1756), que os valores declarados em PER/DCOMP já constavam em DCTF, e alguns, inclusive, já haviam sido inscritos em dívida ativa: Parecia a defesa, com tal afirmação, informar que todos os valores declarados em DCOMP como débitos haviam sido previamente declarados em DCTF, e que, entre tais valores, haveria, inclusive, débitos inscritos em dívida ativa a executados judicialmente (precisamente os relativos a COFINS, no período de out./2002 a mar./2004). Contudo, ainda na manifestação de inconformidade, quando tratou de decadência (excerto suprimido no recurso voluntário), destacou a empresa que (fl. 1402): Já não seriam todos os valores compensados declarados em DCTF, mas apenas “a maioria dos valores”, conclusão corroborada pela tabela apresentada às fls. 1409/1410, que traz indicações de entrega de DCTF para os seguintes tributos/períodos indicados na compensação: IRPJ (mar. a nov./2003, jan. a mar./2004), Contribuição para o PIS/PASEP (out. a dez./2002, abr. a dez./2003, fev./2004), CSLL (mar. a nov./2003, jan. a mar./2004) e COFINS (out. a dez./2002, mar. a dez./2003). Assim, há, em tese, dois grupos de débitos no presente processo: (a) aqueles confessados na DCOMP não homologada, e que não constavam em DCTF; e (b) aqueles que restaram em aberto após a não homologação da DCOMP, mas já estavam confessados em DCTF. Para a primeira situação (débitos confessados na DCOMP não homologada, não constantes em DCTF), não efetuado o pagamento em 30 dias da ciência do despacho decisório, o débito pode ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União (cf. Lei no 9.430/1996, art. 74, §§ 7o e 8o), cabendo destacar que, de acordo com o § 11 do mesmo artigo, está suspensa a exigibilidade dos valores indicados como débito na compensação. Embora se esteja, aqui, a analisar somente o direito de crédito, e não a cobrança dos débitos, a legislação, como exposto, não apresenta óbice à cobrança desde que encerrado o contencioso administrativo (que suspende a exigibilidade, cf. art. 151, III do CTN). Fl. 1929DF CARF MF Processo nº 13971.907611/200991 Acórdão n.º 3401003.890 S3C4T1 Fl. 1.927 7 E foi o desrespeito, pela Fazenda, a esse iter, previsto nos parágrafos o art. 74 da Lei no 9.430/1996, que levou o Poder Judiciário a rechaçar a exigibilidade direta, em juízo, dos débitos, a partir da não homologação das compensações, pelo despacho decisório. Narra a recorrente que os débitos referentes a COFINS, de outubro de 2002 a março de 2004 acabaram sendo efetivamente inscritos em dívida ativa, no processo no 2008.72.13.0005210/SC, e que, ao fim e ao cabo, decidiu o juízo (fl. 1762) que: Consultei, em nome da verdade material, o referido processo de execução, no sítio do TRF da 4ª Região (www.trf4.gov.br), encontrando, para o julgamento efetuado pelo TRF, e publicado no D.E. de 27/08/2009, a seguinte ementa: “EXECUÇÃO FISCAL. DCTF. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. HONORÁRIOS. 1. Os créditos tributários confessados em DCTF, ou instrumento equivalente, podem ser exigidos imediatamente, nos termos do artigo 5º do DecretoLei nº 2.124/84. 2. Caso distinto é aquele em que o sujeito passivo procedeu à compensação do crédito tributário, informando em DCTF saldo a pagar igual a "zero". Assim, caso não homologue a compensação, a Administração Tributária não está dispensada de constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, nos termos do artigo 142 do CTN. Precedentes desta Corte e do STJ. 3. Desde a MP nº 135/2003 não é mais necessário o lançamento de ofício nos casos de compensação nãohomologada, sendo suficiente a declaração para a constituição do crédito tributário e cobrança, desde que observado o devido processo legal. 4. É abusiva a imediata cobrança e inscrição em dívida ativa de débitos confessados como compensados na sistemática anterior da DCTF sem a prévia observância dos §§ 6º a 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Fl. 1930DF CARF MF 8 5. Conforme o entendimento desta Turma, os honorários advocatícios deverão ser fixados em 10% sobre o valor da causa. Entretanto, não é vedada a fixação em valor diverso, sendo necessária a análise do grau de complexidade da causa e do trabalho despendido pelos advogados.” (grifo nosso) Não obstou, em momento algum, o Poder Judiciário, a cobrança posterior de tais débitos. O que rechaçou foi a cobrança imediata, antes do devido processo legal administrativo, com direito a contraditório e a ampla defesa (exatamente a tarefa que se está aqui a empreender). A mescla entre declaração em DCTF e declaração em DCOMP, perpetrada pela empresa, da mesma forma que não permite a cobrança em duplicidade, não permite a dispensa de cobrança em duplicidade, como deseja a defesa. Assim, a decisão judicial em nada afeta o que se está aqui a apontar. Como afirmou a DRJ, já não existe cobrança em duplicidade, pois toda a cobrança agora está vinculada às DCOMP, apresentadas pela empresa. A solução, em termos de cobrança, para o grupo de débitos que aqui referenciamos como “b” (aqueles que restaram em aberto após a não homologação da DCOMP, mas já estavam confessados em DCTF), portanto, não é distinta, como esclareceu o juízo. A transmissão das DCOMP em 2005 (invocando créditos para saldar os débitos que alega a recorrente já estarem declarados em DCTF nos anos de 2002 e 2003) foi ato de inequívoco reconhecimento dos débitos pelo devedor, interrompendo a prescrição, conforme artigo 174, parágrafo único, III do CTN. Destarte, da mesma forma que não são procedentes os argumentos da recorrente em relação aos créditos, comprovadamente inexistentes, não merecem acolhida as alegações referentes aos débitos. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 1931DF CARF MF
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Numero do processo: 11070.002360/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZADA.
Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado.
A omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito apenas à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3402-004.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZADA. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado. A omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito apenas à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 23 60 /2 00 9- 85 Fl. 865DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) em 10/05/2017, em face do Acórdão nº 3402003.984, de 29/03/2017, cuja ementa segue abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário (...) RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INCLUSÃO NO CÁLCULO. Todos os créditos normais do contribuinte devem integrar a base de cálculo do rateio proporcional para fins de ressarcimento das exportações, independente de ser ou não o mesmo vinculado ao mercado externo. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA. A legislação que regulamentou o sistema não cumulativo das contribuições sociais previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para o cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal especificados, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004. A concessão do crédito presumido à cerealista estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no § 5º do artigo 3º da Lei 10.833/03, então vigente. A partir de agosto de 2004, o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial nas condições especificadas no art. 8º da Lei n 10.925/2004. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NAS VENDAS COM TRIBUTAÇÃO SUSPENSA, ISENTAS OU NÃO TRIBUTADAS. IMPOSSIBILIDADE. Não é permitido o aproveitamento de crédito pelas cooperativas agropecuárias em relação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa. A norma contida no § 4º do art. 8º da Lei n 10.925/04 dispõe especificamente acerca das pessoas enumeradas nos incisos de I a III do §1 do art. 8º da Lei n 10.925/2004, enquanto o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 traz uma regra geral. Como uma norma geral não revoga uma norma específica, a vedação do §4º do artigo 8º permanece em vigor. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei n 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. Recurso Voluntário parcialmente provido Fl. 866DF CARF MF Processo nº 11070.002360/200985 Acórdão n.º 3402004.333 S3C4T2 Fl. 866 3 Nos termos do art. 7º, §5º da Portaria MF nº 527/2010 e do art. 79 do Anexo II do Regimento Interno do CARF1, na redação dada pela Portaria MF nº 39, de 12/02/2016, o Procurador da Fazenda Nacional é considerado cientificado pessoalmente 30 dias após a remessa dos autos à Procuradoria da Fazenda, que se deu no caso em 06/04/2017. A embargante sustenta ter havido omissão no acórdão recorrido, nos termos seguintes: (...) Assim, a glosa dos créditos do PIS nãocumulativo do processo sob exame se deu, basicamente por três motivos: 1 A utilização indevida das alíquotas da nãocumulatividade, quando a legislação determina a utilização das alíquotas de 0,65% e 3% para o PIS e a COFINS, respectivamente; 2 Os créditos foram calculados sobre bens adquiridos para revenda, bens e serviços utilizados como insumo, crédito presumido e estoque de abertura, e não sobre os custos, despesas e encargos vinculados às receitas de vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência;e 3 A inclusão da receita de atos cooperados no cálculo dos créditos. Contudo, ao compulsar o teor do voto condutor do aresto ora embargado, foi possível constatar que a ilustre relatora não tratou de nenhuma dessas questões em seu voto. Vejamos: (...) Ao que se observa, a ilustre relatora tratou basicamente da possibilidade de utilização do método de rateio proporcional para uso dos créditos e da impossibilidade de se utilizar os dois métodos previstos na legislação (apropriação direta e rateio proporcional) ao mesmo tempo. Ao final, concluiu pela aplicação do método do rateio proporcional para apuração dos créditos vinculados aos três tipos de receita (exportação, mercado interno e mercado interno nãotributado) sem, contudo, manifestarse sobre os reais motivos utilizados pela fiscalização para glosar os créditos, acima enumerados. O colegiado não se utilizou de qualquer argumento para refutar as irregularidades apontadas pela fiscalização. É dizer, concluiuse que o contribuinte calculou corretamente os créditos, que as glosas da fiscalização eram indevidas, mas não se explicou o porquê. Revelase, portanto, evidente a omissão do acórdão embargado, na medida em que não se manifestou sobre as irregularidades apontadas pela fiscalização na apuração do crédito de COFINS nãocumulativo pleiteado em ressarcimento pelo contribuinte. (...) Os embargos foram admitidos pelo Presidente deste Colegiado, na seguinte forma: (...) 1 Art. 79. O Procurador da Fazenda Nacional será considerado intimado pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN, salvo se antes dessa data o Procurador se der por intimado mediante ciência nos autos. (NR) Fl. 867DF CARF MF 4 Compulsando a decisão embargada, constatase que o Colegiado, apoiandose nos acórdãos nº 3202001.618 e nº 330201.339, bem como na orientação constante no Dacon, decidiu reformar parcialmente a decisão de julgamento de 1ª instância, para que fosse “...recalculado o direito creditório da recorrente com base no método do rateio proporcional adotado pelo contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação; à receita não tributada e à receita tributada no mercado interno.” (sublinhei). Contudo, a decisão deixou de esclarecer em que medida os critérios adotados pela Fiscalização e pelo recorrente, respectivamente, dissentiam e concordavam com os fundamentos dos acórdãos adotados como fundamentação e com a orientação do Ajuda do DACON. Ao omitir esses fundamentos, a decisão cerceia o direito de defesa da Fazenda Nacional e obstaculiza eventual recurso contra ela. O vício reclama saneamento. Conclusão Com essas considerações, forte no § 3° do art. 65 do RICARF, acolho os embargos interpostos, para que o Colegiado 3402 colmate a lacuna de fundamentação, esclarecendo em que medida os cálculos do contribuinte estão corretos. (...) É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Tomase conhecimento dos embargos admitidos pelo Presidente do Colegiado. No presente caso, no que concerne ao método de rateio proporcional dos créditos, o Colegiado assim se pronunciou no acórdão embargado: 1) Do critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas No que diz respeito ao critério de apropriação dos créditos do mercado interno e das importações vinculados à receita de exportação, entendeu a fiscalização que: (...) Para a fiscalização os créditos apurados em relação à aquisição de bens para revenda ou utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, bem como em relação à importação de trigo utilizado como matériaprima na produção de farinha, não têm nenhuma vinculação com a receita de exportação, portanto, não cabe a mesma pleitear a restituição/ressarcimento de tais créditos, tendo em vista que a legislação prescreve que podem ser objeto de restituição ressarcimento os créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, conforme §3º do art. 6º do diploma legal em questão, o qual transcrevemos a seguir: (...) Fl. 868DF CARF MF Processo nº 11070.002360/200985 Acórdão n.º 3402004.333 S3C4T2 Fl. 867 5 Para a fiscalização a alocação dos créditos do PIS e da COFINS pelo método da proporcionalidade, conforme inciso II do § 8º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, tem aplicação somente para as pessoas jurídicas que possuam receita sujeita a cumulatividade e a não cumulatividade, o que não é o caso da COTRISA, que tem a integralidade da receita sujeita a não cumulatividade do PIS e da COFINS. Ademais, verificamos ainda que o rateio proporcional dos créditos aplicase aos custos, despesas e encargos comuns, ou seja, somente podem ser rateados os créditos comuns. No caso de custos, despesas e encargos específicos o entendimento da fiscalização é que eles devem ser alocados diretamente aos setores a que pertencem. (...) De outra parte entende a recorrente que seria vedado pela legislação a utilização de dois métodos para segregar os custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito, como efetuado pela fiscalização, utilizando o critério do rateio proporcional para os créditos comuns e o da apropriação direta para os demais créditos, ferindo o art. 15 da Lei nº 9.779/99 que determina a apuração das contribuições de forma centralizada no estabelecimento matriz. Essa questão já foi abordada no Acórdão nº 3202001.618 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 19 de março de 2015, de forma favorável ao entendimento da recorrente, conforme voto da Relatora Tatiana Midori Migiyama, abaixo transcrito: (...) Data venia, em relação ao método de cálculo, considerando que a base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins, é a receita bruta total, e que todos os custos despesas e encargos são comuns e necessários para o desempenho da atividade da contribuinte, estes custos despesas e encargos devem ser apropriados pelo método de rateio proporcional da receita bruta de exportação em relação da receita bruta total. O critério de rateio deve servir para a mesma proporcionalidade para todos os custos, despesas e encargos passíveis de realização de crédito e, que são necessários para o desempenho das atividades da contribuinte. Ora, o art. 6º, § 3º da Lei 10.833/2003, vigente à época dos fatos em dissídio, diz que a compensação dos créditos com débitos administrados pela RFB, pela exportadora de mercadorias, só se aplica aos créditos apurados em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. O art. 3º, § 8º, da Lei 10.833/2003 dispõe: sobre critério do rateio: relação percentual entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total auferidas em cada mês. O art. 3º, § 9º, da mesma lei dispõe: critério escolhido tem de ser consistente em todo o anocalendário. É de hialina clareza o sentido da lei, qual seja, só se podem compensar créditos de custos, despesas e encargos vinculados a receita de exportação. E, para se saber quais são esses créditos vinculados a receita de exportação, a lei previu dois métodos. A única interpretação possível, lógica e condizente com o sentido da norma legal é a de que o critério de rateio é somente o método: a relação deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, para aplicála sobre os custos e despesas, na definição dos créditos vinculados à exportação, i.e., para quantificar os créditos que podem ser usados para compensação. (...) Daí, a remissão aos §§ 8º e 9º do art. 3º feita pelo art. 6º, § 3º, todos da Lei 10.833/2003, diz respeito ao método de cálculo para definição de Fl. 869DF CARF MF 6 créditos vinculados a receitas de exportação. No caso do método de rateio, a apuração do crédito devese dar pela relação entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicar essa relação sobre os custos e despesas, chegandose à determinação do crédito vinculado à exportação, que é compensável com débitos administrados pela RFB. O art. 20, § 2º, da IN SRF 404/2004 (não revogado) confirma essa inteligência, ao dizer que os créditos compensáveis são somente os apurados sobre custos e despesas vinculados à receita de exportação, observados "os métodos" de apropriação previstos no art. 21 (o art. 21, § 2º, II, da IN 404/04 repete a dicção do art. 3º, § 8º, II, da Lei 10.833/2003). O método é que é aplicável. A relação percentual deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicála sobre os custos e despesas, para definição do valor do crédito compensável. (...) No mesmo sentido foi o entendimento constante no Acórdão nº 330201.339– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 10 de novembro de 2011, citado pela recorrente, conforme voto do Relator Walber José da Silva que segue abaixo: (...) Assim, a apuração do crédito vinculado à receita de exportação seria feita por um sistema híbrido: parte por apropriação direta e parte por rateio proporcional. Tal modo de apuração não encontra respaldo legal. São claras as disposições do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 de que o crédito será determinado por apropriação direta ou por rateio proporcional. Não há opção de combinar os dois métodos para determinar o crédito vinculado à receita de exportação. O entendimento da recorrente, que concordo, é que todas os custos, despesas e encargos, com direito a crédito normal, que concorreram para a formação da Receita Bruta Total, devem ser incluídos no rateio proporcional e, neste caso, o valor do crédito apurado é exatamente o crédito vinculado à receita de exportação, a que se refere o § 3º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, porque esta é a forma de se apurar o dito crédito vinculado à receita de exportação. Pelo método de rateio proporcional, uma vez determinado a participação relativa da receita de exportação na receita bruta total, não vejo como deixar de aplicar o percentual encontrado nos custos, despesas ou encargos tidos como exclusivamente vinculado às operações no mercado interno e no mercado externo, fazendo incidir somente sobre os custos, despesas e encargos que tenham alguma vinculação tanto com as operações no mercado interno como as operações no mercado externo. (...) Conforme esclarecido na própria decisão recorrida, a RFB, por meio do Ajuda do programa Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon MensalSemestral 2.6), definiu que o método de rateio para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, de mercado interno não tributada e tributada seria idêntico ao estabelecido para as pessoas jurídicas que auferem receitas sujeitas às incidências não cumulativa e cumulativa das contribuições, nesses termos: Ficha 01 Dados Iniciais (...) Método de Determinação dos Créditos O programa possibilita o preenchimento do campo "Método de Determinação dos Créditos", conforme o regime de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins adotado. I) no caso do Regime NãoCumulativo: Fl. 870DF CARF MF Processo nº 11070.002360/200985 Acórdão n.º 3402004.333 S3C4T2 Fl. 868 7 a) Vinculados à Receita Auferida Exclusivamente no Mercado Interno Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir apenas receitas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes exclusivamente de atividades no mercado interno. b) Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir receitas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e efetuar concomitantemente: I operações de vendas de produtos ou prestação de serviços no mercado interno; e II exportação de produtos para o exterior ou prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, ou vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Neste caso, a pessoa jurídica deve indicar o método por ela escolhido, dentre os seguintes: b.1) Com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados – que consiste na determinação dos créditos através do método de apropriação direta previsto no inciso I do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b.2) Com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida – que consiste na determinação dos créditos através do método de rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Atenção: 1) O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito deve ser: a) aplicado consistentemente por todo o anocalendário; b) adotado para todos os custos, despesas e encargos comuns; e c) adotado igualmente na apuração dos créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins nãocumulativa. 2) Deve também selecionar este campo a pessoa jurídica que auferir receitas nãotributadas no mercado interno que geram direito a crédito, concomitantemente, com receitas tributadas e/ou com exportação. (não grifado no original) (...) Assim, adotando os mesmos fundamentos dos Acórdãos acima referidos, bem como da orientação constante no Dacon acima transcrita, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, a decisão recorrida deve ser reformada nesta parte para que seja recalculado o direito creditório da recorrente com base unicamente no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação; à receita não tributada e à receita tributada no mercado interno. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja recalculado o direito creditório da recorrente com base no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos Fl. 871DF CARF MF 8 custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, à receita tributada e à receita não tributada no mercado interno. (...) Na leitura dos trechos acima do acórdão embargado, restou evidenciada a delimitação da lide no seguinte sentido: A fiscalização rejeitou o método de rateio utilizado pela contribuinte, pois entendia que: i) não caberia a alocação dos créditos pelo método da proporcionalidade no caso de contribuinte com a integralidade da receita sujeita a não cumulatividade do PIS e da Cofins como a contribuinte; e ii) o rateio proporcional dos créditos só se aplicaria aos custos, despesas e encargos comuns, mas não aos custos, despesas e encargos específicos, para os quais seria cabível a apropriação direta De outra parte, entendia a recorrente que a legislação vedaria a utilização de dois métodos para segregar os custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito, como efetuado pela fiscalização, utilizando o critério do rateio proporcional para os créditos comuns e o da apropriação direta para os demais créditos. Também se depreende dos trechos transcritos acima que, entre os dois posicionamentos, o Colegiado optou pelo da contribuinte, adotando, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, os mesmos fundamentos dos Acórdãos nºs 3202001.618 e 330201.339 e da orientação constante no Dacon, todos devidamente transcritos no acórdão embargado, os quais traziam, em síntese, os seguintes ensinamentos: A interpretação do art. 6º, § 3º da Lei 10.833/2003 em conjunto com o art. 3º , §§ 8º e 9º dessa Lei é a de que o critério de rateio é somente o método: a relação deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, para aplicála sobre os custos e despesas, na definição dos créditos vinculados à exportação. A apuração do crédito vinculado à receita de exportação por um sistema híbrido parte por apropriação direta e parte por rateio proporcional não encontra respaldo legal, pois são claras as disposições do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 de que o crédito será determinado por apropriação direta ou por rateio proporcional. Método de Determinação dos Créditos2 I) no caso do Regime NãoCumulativo > b) Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação: Neste caso, a pessoa jurídica deve indicar o método por ela escolhido, dentre os seguintes: b.1) Com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados ou b.2) Com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida. Conforme também consta ao final da orientação do Dacon, deve selecionar também a opção b.2) "a pessoa jurídica que auferir receitas nãotributadas no mercado interno que geram direito a crédito, concomitantemente, com receitas tributadas e/ou com exportação". Dessa forma, o Colegiado refutou motivadamente a decisão da fiscalização que rejeitou o método de rateio da contribuinte, não assistindo razão à embargante na alegação de que o Colegiado não teria utilizado de qualquer argumento para refutar as irregularidades apontadas pela fiscalização. Muito menos ainda poderia prosperar a assertiva da embargante de que o Colegiado teria concluído que a contribuinte calculou corretamente os créditos, que as glosas da fiscalização eram indevidas, mas não se explicou o porquê. Nesse ponto, há que se esclarecer à embargante que o provimento do recurso foi parcial, apenas no que concerne na aceitação do método do rateio proporcional para a apropriação dos créditos, tendo sido as glosas expressamente contestadas objeto de análise na parte restante do acórdão embargado. Também não se observa nesta parte do Acórdão recorrido cerceamento no direito de defesa da Fazenda Nacional, vez que o posicionamento do Colegiado restou 2 Ajuda do programa Dacon MensalSemestral 2.6 Fl. 872DF CARF MF Processo nº 11070.002360/200985 Acórdão n.º 3402004.333 S3C4T2 Fl. 869 9 devidamente fundamentado dentro da delimitação da lide posta no recurso voluntário, mormente quando a fiscalização pouco havia discorrido sobre a razão de seu entendimento para não aceitar o rateio proposto pela contribuinte. Conforme assentado na jurisprudência, a omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado. Assim, entendo que não restou caracterizada a omissão apontada pela embargante e voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 873DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.901902/2008-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO.
O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal.
PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO.
Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.070
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Recorrente AUTOTRAC COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇOES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 19 02 /2 00 8- 91 Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10166.901902/200891 Acórdão n.º 9303005.070 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803000.948, de 28/10/2008, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA AUSÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO A ausência nos autos de material comprobatório consistente na escrituração contábil e fiscal que justifique a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, impede formar convicção sobre as alegações de existência de crédito. Contra a decisão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, que, acolhidos, mas sem modificação do julgamento, resultou em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Embargos Acolhidos Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10166.901902/200891 Acórdão n.º 9303005.070 CSRFT3 Fl. 4 3 A contribuinte, então, apresentou novos embargos, aos quais, todavia, foi negado seguimento. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto à inadmissibilidade da prova apresentada pela Recorrente, apenas no recurso voluntário, tendo sido aplicado ao caso o princípio da preclusão, à luz do que reza o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido no Acórdão nº 902001.634. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela contribuinte. Cientificada, a Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.065, de 16/05/2017, proferido no julgamento do processo 10166.900706/200808, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.065): Da Admissibilidade "Com a devida vênia ao bem fundamento voto do Ilustre Conselheiro Relator, a maioria dos membros do Colegiado divergiu do seu entendimento quanto à admissibilidade do recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte, prevalecendo o entendimento pelo prosseguimento do apelo especial. O presente processo administrativo originouse de pedido de compensação transmitido pela Contribuinte, em 11/03/2004, de créditos de COFINS decorrentes de pagamento indevido ou a maior, para liquidação de débitos próprios. Sobreveio despacho decisório não homologando o pedido de compensação, sob o fundamento de inexistência de crédito disponível para compensação com os débitos informados. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10166.901902/200891 Acórdão n.º 9303005.070 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendose insurgido a Contribuinte por meio de manifestação de inconformidade, a DRJ entendeu por manter a não homologação da compensação em razão do saldo insuficiente para compensar e, ainda, acrescentou os seguintes argumentos: a Contribuinte não trouxe aos autos elemento de prova de erro material no preenchimento da DCTF; e a simples apresentação das cópias da DIPJ e da DCTF, bem como de planilha elaborada pelo Sujeito Passivo, sem a devida escrituração, não são suficientes para comprovar as suas alegações. Em sede de julgamento de recurso voluntário, sobreveio o acórdão nº 380300.949, ora recorrido, que lhe negou provimento em razão da ausência de provas nos autos, consistente na escrituração contábil e fiscal da empresa, que justificassem a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, conforme trecho destacado acima pelo nobre Relator, in verbis: [...] No entanto, a contribuinte não trouxe aos Autos material probatório que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao DARF recolhido, bem como a possibilidade de utilizálo para quitar os débitos apurados em outros períodos. Apresentar apenas cópias da DIPJ, da DCTF e da planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não é suficiente para comprovar as alegações da contribuinte, não sendo, portanto, capaz de "desconstituir o que foi constituído". [...] Opostos embargos de declaração pela Contribuinte, a decisão de negativa de provimento ao recurso voluntário foi complementada, nos termos do acórdão nº xxx, para acrescentar considerações quanto aos documentos e esclarecimentos trazidos aos autos sobre o equívoco das informações prestadas em DCTF, in verbis: [...] Compulsando o voto condutor da decisão embargada, há que se dar razão à Embargante, já que, aparentemente, o relator limitou se a refutar o poder probante das provas acostadas aos autos até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, sem nada acrescentar quanto aos documentos e esclarecimentos trazidos aos autos no recurso voluntário, no sentido de evidenciar o erro cometido nas informações prestadas em DCTF. [...] Talvez tal omissão expliquese pela preclusão temporal que se operou. É que, de acordo com as normas processuais, é na manifestação de inconformidade que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10166.901902/200891 Acórdão n.º 9303005.070 CSRFT3 Fl. 6 5 As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. [...] Este colegiado já teve oportunidade de manifestarse nesse sentido, por meio do Acórdão nº 380302.042, de 6 de outubro de 2011: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004 ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Ainda que, por liberalidade injustificada, se conhecesse dos documentos aportados aos autos intempestivamente, o recorrente o recorrente não se preocupou em identificar, inequivocamente, a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, limitandose a apresentar planilha de demonstração do valor recolhido a maior de cálculo e demonstrativos outros, sem resguardo de qualquer formalidade e, principalmente, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada. [...] Conforme se depreende da fundamentação do acórdão que acolheu os embargos de declaração, não houve alteração do resultado do julgamento do recurso voluntário, nem mesmo acréscimo de argumentos à decisão, mas sim restou esmiuçado e detalhado o entendimento de que a não apresentação das provas do crédito tributário em momento oportuno implica na preclusão de o contribuinte fazêlo. Além disso, no acórdão de embargos de declaração não houve a apreciação dos documentos juntados com o recurso voluntário, conforme pretendia o Recorrente, mas simplesmente foram listados e concluiu o julgador, nos mesmos termos do acórdão então embargado, ser imprescindível a juntada de escrita fiscal e contábil para comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pretendido compensar. A Contribuinte interpôs, ainda, novos embargos de declaração por entender que permanecia a omissão no julgado quanto à documentação apresentada, e a existência de contradição e obscuridade, tendo sido os mesmos rejeitados consoante despacho nº 3803000.154, de 21/09/2012 (fls. 581 a 584), de cujo inteiro teor extraise que: Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10166.901902/200891 Acórdão n.º 9303005.070 CSRFT3 Fl. 7 6 [...] Inexiste no acórdão embargado qualquer omissão a reclamar o acolhimento dos presentes embargos, pois tanto os fatos quanto os fundamentos da decisão foram expostos de forma clara, concisa e nítida. Digno de nota, a decisão recorrida enfrentou expressamente a questão, ao declinar que os documentos apresentados na manifestação de inconformidade não eram hábeis e suficientes para atestar a liquidez e certeza dos créditos opostos em compensação e que a documentação aportada aos autos juntamente com o recurso voluntário, ainda insuficiente para o mesmo fim, não seria conhecida em razão de sua intempestividade. Inexiste vício a sanar na decisão embargada. [...] Portanto, com a devida vênia ao entendimento contrário, um único fundamento prevaleceu para negar provimento ao recurso voluntário: a não apresentação de documentos hábeis a comprovar a pretensão compensatória da empresa quando da apresentação da manifestação de inconformidade, nesses compreendidos a escrita fiscal e contábil, acarreta a preclusão e impede o julgador de formar convicção quanto ao direito creditório. Não há de se falar, assim, em fundamentos autônomos e suficientes, cada um por si só, para manutenção da decisão recorrida. O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte face à negativa de provimento ao recurso voluntário, atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e reproduzido na Portaria MF nº 343/2015, devendo ter prosseguimento. Ao invocar a existência de dissenso jurisprudencial quanto à "inadmissibilidade da prova apresentada pela Recorrente, apenas no recurso voluntário, tendo sido aplicado ao caso o princípio da preclusão", colacionou o acórdão paradigma nº 902001.634, comprovando a divergência de entendimentos, conforme se extrai da ementa do julgado paradigmático: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999 APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL E PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10166.901902/200891 Acórdão n.º 9303005.070 CSRFT3 Fl. 8 7 No entanto, a noção de preclusão não pode ser levada às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material. Recurso especial negado. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. Diante do exposto, entendeu a maioria do Colegiado por conhecer do recurso especial da Contribuinte, nos termos do voto que me coube redigir apenas quanto à admissibilidade do recurso." Do Mérito (...) Todavia, como este não foi o entendimento da Turma, aderimos à tese prevalecente quanto ao mérito do litígio, uma vez que, no caso, a Recorrente sequer foi intimada a apresentar provas do direito que alegava seu antes de proferido o Despacho Decisório, em desconformidade com o que preceitua o art. 3º, III, da Lei nº 9.784, de 1999. Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, determinando o envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 642DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.720830/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
Ementa:
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA.
Os rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) devem ser tributados em separado. Incorreto o lançamento que inclui tais valores no bojo da tributação geral recebida no ano-calendário.
Numero da decisão: 2202-004.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. Os rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) devem ser tributados em separado. Incorreto o lançamento que inclui tais valores no bojo da tributação geral recebida no anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 08 30 /2 01 2- 01 Fl. 147DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de lançamento realizado para constituir crédito de IRPF. Intimado, o Contribuinte protocolou Impugnação, que foi julgada improcedente pela DRJ. Ainda inconformado, interpôs Recurso Voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 16/01/2012 foi lavrada Notificação de Lançamento (fls. 21/25), na qual se constituir crédito de IRPF suplementar em função da constatação de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em processo trabalhista judicial. Intimado em 31/01/2012 (fl. 54 e 58), o Contribuinte protocolou Impugnação em 23/02/2012 (fls. 2/18 e docs. anexos fls. 19/53). Chegando à DRJ, foi proferido o acórdão nº 0439.957, de 05/10/2015 (fls. 82/87), que negou provimento à defesa e que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 Rendimentos Recebidos Acumuladamente Tributação Rendimentos acumulados, inclusive juros e atualização monetária, tributamse pela totalidade no mês do efetivo recebimento, na forma da legislação então vigente. Rendimentos Tributáveis Cálculo Judicial com Erro de Classificação A natureza dos rendimentos de isentos ou tributáveis são definidos em lei e os cálculos judiciais que classificou de forma equivocada essa natureza não tem o condão de alterar tal definição legal. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado em 18/12/2015 (fls. 91/92), o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 94/95 e docs. anexos fls. 97/142) em 15/01/2016 (fl. 93 e 96), argumentando, em síntese, que: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10510.720830/201201 Acórdão n.º 2202004.022 S2C2T2 Fl. 148 3 · Recebeu rendimentos acumuladamente, inclusive juros e atualização monetária, referente ao período de 10/1995 a 10/2000 no bojo de processo trabalhista; · Os juros são indenização pela mora na quitação das verbas trabalhistas, não tendo natureza remuneratória e, portanto, não servindo como base de cálculo para incidência do IRPF; · O STJ, TST e STF têm entendimento no sentido de que os juros têm natureza indenizatória; · Não houve omissão, e sim declaração segregada dos valores tributáveis daqueles tidos como isentos; e · Ainda que se trate de rendimento tributável, o correto seria a tributação exclusiva na fonte, com restituição de R$ 12.216,32, superior à pleiteada de R$ 4.437,30. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Dos RRA forma de apuração: A verdade é que o lançamento foi efetuado para constituir IRPF sobre RRA, especificamente sobre valores supostamente omitidos. Acontece que o lançamento, posto que efetuado em 2012 sobre a DAA do exercício 2011, recaiu sobre valores recebidos em atraso e que se referiam a anoscalendário anteriores. Efetivamente, conforme se constata da memória de cálculo do processo trabalhista, a lide judicial teve como objeto, entre outros, valores pagos a menor entre 10/1995 a 10/2000. Por outro lado, o lançamento simplesmente incluiu esses valores no ajuste anual, somandoos aos rendimentos totais recebidos e apurando, a partir daí, o imposto devido, como se constata da notificação de lançamento, especificamente do demonstrativo de apuração do imposto devido (fl. 24). O lançamento não foi efetuado em separado, considerando as tabelas e alíquotas aplicáveis ao período em que efetivamente devidos os rendimentos. Com razão, portanto, o Contribuinte: o lançamento deveria ser sido efetuado em separado, com tributação exclusiva na fonte. Inclusive, esse já era o entendimento da Fazenda Pública à época, como se observa da existência de linha especifica para declaração de RRA no tópico "Rendimentos sujeitos à tributação exclusiva / definitiva" da DAA, bem como da redação do art. 2º da IN nº 1.127/2011, vigente à época do lançamento: Fl. 149DF CARF MF 4 Art. 2º Os RRA, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, quando decorrentes de: (...) II rendimentos do trabalho. Registrase, outrossim, que o Alvará Judicial determinando o levantamento dos recursos, constante nos autos, é datado de 20/08/2010 (fl. 42), sendo que o recebimento foi efetuado em 25/08/2010 (fl. 44). Por essa razão, é necessário dar provimento ao recurso voluntário, cancelando o lançamento por erro na apuração do tributo. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 150DF CARF MF
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