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Numero do processo: 10283.010075/2001-12
Data da sessão: Mon Jun 30 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Jun 30 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. VALOR A REPETIR. NECESSIDADE DE APURAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO NA VIA JUDICIAL. NECESSIDADE DE PROCESSO ADMINISTRATIVO.
A sistemática de compensação introduzida pela redação original do art. 74 da Lei n. 9.430/96 exige necessariamente prévio requerimento administrativo do contribuinte.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-03.211
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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Numero do processo: 15374.001284/99-11
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/06/1996 a 31/12/1998
Ementa:
COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL COM COFINS. LEI Nº 8.383/91, ART. 66. LEI Nº 9.430/96. ART. 74. TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. POSSIBILIDADE
Pela inteligência do art. 66, §1º, da Lei nº 8.383/91, e também pelo art. 74, da Lei nº 9.430/96, sendo o FINSOCIAL e a COFINS tributos de mesma espécie, podem ser compensadas as importâncias pagas à maior a título de FINSOCIAL com valores devidos de COFINS em períodos posteriores.
REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. POSSIBILIDADE.
Um dos preceitos da Administração Pública é a busca pela verdade material dos fatos alegados, de modo que a produção de prova pelo Fisco para amparar direito do contribuinte é completamente possível.
DILIGÊNCIA FISCAL. RETORNO. ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE COMPROVADAS PARCIALMENTE.
Comprovado que os créditos utilizados pelo contribuinte para compensação com débitos de COFINS são parcialmente procedentes, há de se reconhecer a exoneração do crédito tributário lançado no Auto de Infração
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3402-001.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator.
EDITADO EM: 23/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator) Mário César Fracalossi Bais (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 30/06/1996 a 31/12/1998 Ementa: COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL COM COFINS. LEI Nº 8.383/91, ART. 66. LEI Nº 9.430/96. ART. 74. TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. POSSIBILIDADE Pela inteligência do art. 66, §1º, da Lei nº 8.383/91, e também pelo art. 74, da Lei nº 9.430/96, sendo o FINSOCIAL e a COFINS tributos de mesma espécie, podem ser compensadas as importâncias pagas à maior a título de FINSOCIAL com valores devidos de COFINS em períodos posteriores. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. POSSIBILIDADE. Um dos preceitos da Administração Pública é a busca pela verdade material dos fatos alegados, de modo que a produção de prova pelo Fisco para amparar direito do contribuinte é completamente possível. DILIGÊNCIA FISCAL. RETORNO. ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE COMPROVADAS PARCIALMENTE. Comprovado que os créditos utilizados pelo contribuinte para compensação com débitos de COFINS são parcialmente procedentes, há de se reconhecer a exoneração do crédito tributário lançado no Auto de Infração Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator. EDITADO EM: 23/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator) Mário César Fracalossi Bais (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva
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FINSOCIAL COM COFINS. LEI Nº 8.383/91, ART. 66. LEI Nº 9.430/96. ART. 74. TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. POSSIBILIDADE Pela inteligência do art. 66, §1º, da Lei nº 8.383/91, e também pelo art. 74, da Lei nº 9.430/96, sendo o FINSOCIAL e a COFINS tributos de mesma espécie, podem ser compensadas as importâncias pagas à maior a título de FINSOCIAL com valores devidos de COFINS em períodos posteriores. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. POSSIBILIDADE. Um dos preceitos da Administração Pública é a busca pela verdade material dos fatos alegados, de modo que a produção de prova pelo Fisco para amparar direito do contribuinte é completamente possível. DILIGÊNCIA FISCAL. RETORNO. ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE COMPROVADAS PARCIALMENTE. Comprovado que os créditos utilizados pelo contribuinte para compensação com débitos de COFINS são parcialmente procedentes, há de se reconhecer a exoneração do crédito tributário lançado no Auto de Infração Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 12 84 /9 9- 11 Fl. 682DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator. EDITADO EM: 23/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator) Mário César Fracalossi Bais (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva Fl. 683DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.001284/9911 Acórdão n.º 3402001.909 S3C4T2 Fl. 683 3 Relatório Versa este processo de Auto de Infração no valor originário de R$ 738.763,78 (setecentos e trinta e oito mil, setecentos e sessenta e três reais e setenta o oito centavos), decorrente de falta/insuficiência de recolhimento de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS no período de 07/1996 a 12/1998, apurados por meio de ação fiscal realizada junto à empresa, onde se constatou, conforme documentos fiscais de fls. 01/26, as irregularidades que deram origem ao lançamento. DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA Cientificado do lançamento em 07/07/1999, conforme documento de fls. 26, o contribuinte apresentou Impugnação Administrativa (fls. 28/39), aduzindo essencialmente que: a) Propôs ação judicial na 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro (cópia da inicial às fls. 49/58) para garantir o seu direito à compensação dos valores recolhidos a maior da contribuição para o Finsocial com a Cofins, demanda esta que está conclusa para sentença; b) Os valores compensados são inclusive inferiores ao direito da impugnante, conforme planilhas apresentadas às fls. 59/75; c) O 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade, vem autorizando a compensação administrativa do Finsocial com a Cofins; d) Transcreve ementa de acórdão da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes com o entendimento de que as importâncias devidas a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, introduzido pela Lei Complementar n° 70/91, podem ser compensadas com os valores recolhidos a maior a título de Contribuição para o Fundo de Investimento Social Finsocial, a teor do disposto no art. 66 da Lei n° 8.383/91, por terem a mesma natureza; e) Cita doutrina do eminente professor e juiz federal do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Hugo de Brito Machado, sobre a compensação tributária criada pela Lei n° 8.383/91 em seu art. 66; f) Cita posicionamento pacificador da 1ª e 2ª Turmas, que compõem a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de terem sido acolhidos os Embargos de Divergência para declarar que os valores excedentes da alíquota de 0,5%, recolhidos como Contribuição para o Finsocial são compensáveis com os valores devidos a título de contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofíns, assegurados à Administração Pública a fiscalização e controle do procedimento efetivo da compensação; Fl. 684DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Ao final, requer, com fulcro nas argumentações expostas, a improcedência total do auto de infração com sua consequente anulação por ser medida que se torna imperiosa em nome da manutenção do coerente ordenamento jurídico nacional. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pela Recorrente em sua defesa, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJOII), houve por bem em considerar procedente o lançamento, proferindo o Acórdão de nº. 5.357, ementado nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/1998 Ementa: COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. Somente se considera para fins de extinção da obrigação tributária a compensação efetivamente efetuada mediante os lançamentos contábeisfiscais próprios. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. É cabível o lançamento quando não efetivamente comprovada a compensação. PROTESTO PELA JUNTADA DE NOVAS PROVAS DOCUMENTAIS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvado o disposto nas alíneas "a" a " c " do § 4 o do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972. Lançamento Procedente Em apertada síntese a DRJ competente para o julgamento entende que a compensação somente pode ser considerada quando efetuados todos os lançamentos fiscais e contábeis atinentes ao procedimento, capaz de comprovar que a compensação efetivamente ocorreu. Não sendo comprovada a compensação realizada, tornase possível o lançamento que ora é discutido. A DRJ entende ainda não ser possível a apresentação de provas após a impugnação. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 16/06/2004, conforme AR de fls. 86, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 233/244) em 16/07/2004, aduzindo os fundamentos que foram muito bem sintetizados pelo Relator, já no âmbito do extinto Conselho de Contribuinte, o qual passo a reproduzir abaixo: Fl. 685DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.001284/9911 Acórdão n.º 3402001.909 S3C4T2 Fl. 684 5 a) existência de discrepância entre a motivação do auto de infração e os fundamentos da decisão recorrida. O primeiro reportase à falta de recolhimento do tributo e a segunda reportase à ausência de demonstração de existência de lançamentos contábeis da compensação, matéria não aventada pelos auditores fiscais autantes; b) efetuou a compensação do Finsocial com a Cofins, inclusive havendo declarado a referida compensação em DCTF na qual foi identificado o número do processo respectivo; c) efetuou a escrituração das compensações que realizou e a essa matéria não se reportou em face de não ser este o fundamento da autuação; d) apuração dos créditos tributários efetuada a partir da ausência de pagamento da Cofins detectada pela SRF e não a partir de compilação de seus diários ou de sua contabilidade; e) todas as compensações encontramse devidamente registradas nos Livros Diários de ns 53, 54, 55 e 62, os quais foram entregues aos auditores fiscais autuantes que não tiveram dificuldade ou embaraço para sua obtenção; f) existência de ação judicial impetrada pela recorrente, da qual alega possuir decisão favorável; g) reportase à jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e à doutrina sobre a questão da compensação tributária para arrimar seu direito à compensação realizada e refutada pela fiscalização; e h) existindo créditos disponíveis à época, suficientes para atender a exigência, deverá a utilização dos mesmos ser bloqueada nos sistemas da Secretaria da Receita Federal até o deslinde do presente litígio. Ao final, requer sejam admitidas as provas relativas à contabilização das compensações em sua escrita fiscal e contábil e a anulação da decisão recorrida. DA DILIGÊNCIA Em sessão realizada em data de 10/08/2005, o Segundo Conselho de Contribuintes resolveu, por meio da Resolução nº 20200.840, converter o julgamento em diligência, haja vista não haver, nos autos, comprovação das compensações alegadas pela Recorrente. Em virtude das alegações trazidas pela Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, de que a compensação efetuada decorre de sentença judicial favorável e que a contribuição exigida, referente ao mês de competência 06/1996, no valor de R$ 10.111.20, foi devidamente quitada em 10/07/1997, por meio de DARF, o julgamento foi convertido em diligência para apurar se: Fl. 686DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 1. os débitos constantes do auto de infração correspondem aos débitos extintos por compensação; 2. a compensação encontrase devidamente escriturada nos livros fiscais e contábeis da recorrente, bem como devida e tempestivamente declarada em DCTF, nos termos da legislação de regência; 3. a compensação está acobertada por decisão judicial já transitada em julgado favorável à recorrente e se foi efetuada com observância dos termos da referida decisão; e 4. o crédito tributário referente ao mês de competência, junho de 1996, foi extinto por pagamento efetuado através de DARF, devendo o mesmo ser validado pela repartição competente. Em resposta à diligência requerida, a Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro II emitiu o seguinte parecer (fls. 664) que passo a transcrever: Em atendimento à Resolução do Segundo Conselho de Contribuintes de fls. 338 a 343 e complementando o relatório fiscal de fls. 533 e 534 apresento as seguintes informações. O DARF do mês de competência de junho de 1996, de fls. 92, foi confirmado por documento ora anexado. No demonstrativo de fls. 476 foram relacionados os pagamentos de FINSOCIAL apurados na diligência efetuada na sede do contribuinte. Trata se de pagamentos descentralizados da matriz e de diversas filiais. Às fls. 536 a 591, foram anexados diversos documentos de confirmação destes pagamentos. Alguns pagamentos mais antigos não puderam ser confirmados. Em seguida, outros pagamentos puderam ainda ser confirmados. Dentre eles, alguns efetuados em 29/01/92, referentes ao período de apuração de novembro de 1991, os quais não haviam sido detectados na diligência. Estes pagamentos foram incluídos em outro demonstrativo ora anexado. Considerando que todos os pagamentos dos períodos que puderam ser verificados foram confirmados, os demais pagamentos também foram computados na apuração do montante do indébito de R$ 231.337,25, atualizado até 01/08/96, conforme decisão judicial transitada em julgado de fls. 508 a 532. O crédito em favor do contribuinte suporta as compensações efetuadas no período de julho de 1996 a junho de 1998 neste último mês apenas em parte , conforme demonstrativos ora anexados. O contribuinte foi cientificado do retorno da diligência em 14/06/2012 e não se manifestou acerca dos seus termos. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.001284/9911 Acórdão n.º 3402001.909 S3C4T2 Fl. 685 7 DA DISTRIBUIÇÃO Tendo sido cumprida a diligência proposta, o processo foi distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 03 (três) Volumes, numerado até a folha 681 (seiscentos e oitenta e um), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento, passando a análise dos fatos articulados pela recorrente. I. Do direito à compensação de FINSOCIAL com tributos de mesma espécie: Pretende a Recorrente realizar a compensação de indébitos tributários adquiridos em virtude do pagamento a maior de FINSOCIAL, com débitos de COFINS, relativos à períodos posteriores. Acerca da possibilidade de se proceder tal modalidade de compensação, vem o art. 66, da Lei nº 8.383/91, que em seu parágrafo único, regulamenta esta situação, como vemos: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. Em complemento à esta norma, veio a Lei nº 9.430/96, que permitia a compensação de indébitos tributários com qualquer tributo administrado pela então Secretaria da Receita Federal, nos termos do seu art. 74, como vemos, em sua redação original e vigente à época dos fatos: Fl. 688DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Sendo o FINSOCIAL e a COFINS tributos de mesma espécie, ou seja, contribuições sociais, há de se reconhecer o direito à compensação pretendida pelo contribuinte, já que não há qualquer óbice para o procedimento. Assim entende a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Ementa PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. ART. 4º DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NOS ERESP 644.736/PE. MATÉRIA DECIDIDA SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. COMPENSAÇÃO DO FINSOCIAL. POSSIBILIDADE. FINSOCIAL E CONFINS. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos embargos de divergência no REsp 435.835/SC, em 24.3.2004, adotou o entendimento segundo o qual, para as hipóteses de devolução de tributos sujeitos à homologação, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, a prescrição do direito de pleitear a restituição ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 2. O STJ, por intermédio da sua Corte Especial, no julgamento da AI nos EREsp 644.736/PE, declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar 118/2005, a qual estabelece aplicação retroativa de seu art. 3º, porquanto ofende os princípios da autonomia, da independência dos poderes, da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada. 3. Entendimento reiterado pela Primeira Seção em 25.11.2009, por ocasião do julgamento do recurso especial repetitivo 1.002.932/SP, oportunidade em que a matéria foi decidida sob o regime do art. 543c do CPC, e da Resolução STJ 8/2008. 4. "Admitese a compensação dos indébitos recolhidos a título de FINSOCIAL, com os valores devidos referentes à COFINS, em razão de possuírem a mesma natureza jurídicotributária e destinaremse ambas ao custeio da Previdência Social, pelo que não há violação ao § 1º, do art. 66, da Lei n.º 8.383/91." (REsp 775.241/SP, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 9.10.2007, DJ 25.10.2007 p. 127). Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para sanar omissão apontada e não conhecer do recurso especial da FAZENDA NACIONAL. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.001284/9911 Acórdão n.º 3402001.909 S3C4T2 Fl. 686 9 Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, acolheu os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para não conhecer do recurso da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." (EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 931579 / MS, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 09/11/2010) Ressalto, ainda, que o direito ao indébito tributário já foi reconhecido em favor da Recorrente, nos autos da Ação Ordinária nº 96.00072779, que tramitou perante a 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro Desta forma, resta somente a discussão acerca da comprovação da real existência de créditos em favor do contribuinte e também a verificação se os créditos existentes correspondem e suportam os valores declarados. Como a Administração Pública tem o dever de buscar a verdade material dos fatos alegados, completamente possível que a diligência realizada seja utilizada como prova para a instrução deste julgamento, de forma que passamos à sua análise. II. Da análise da prova do indébito tributário: Realizada a diligência ordenada pelo Conselho de Contribuintes, restaram solucionados os quesitos formulados, deixando o processo apto a ser julgado de forma justa e correta. Desta forma, retornam os autos para julgamento e aplicação dos resultados obtidos pela diligência realizada. Inicialmente, cumpre indicar que o pagamento referente ao período de apuração 06/1996 foi devidamente comprovado, como se extrai dos relatórios de verificação produzidos durante a diligência, e pelo DARF anexados às fls. 92, devendo ser excluído, portanto, este valor do lançamento. Superada esta etapa, resta verificar as compensações realizadas por meio de DCTF, fundamentadas em decisão transitada em julgado e favorável ao contribuinte. No decorrer da diligência, foi possível confirmar, efetivamente, a existência de uma ação judicial, com decisão transitada em julgado e favorável ao contribuinte, conforme se verifica dos documentos acostados aos autos em fls. 508/532, apurandose um indébito tributário que, atualizado até a data de 01/08/1996, somava o valor nominal de R$ 231.337,25 (duzentos e trinta e um mil, trezentos e trinta e sete reais e vinte e cinco centavos). Este valor é originado de pagamentos indevidos realizados pelo contribuinte, e devidamente confirmados pela autoridade preparadora por meio da diligência realizada à comando do extinto Conselho de Contribuintes, referente à períodos compreendidos entre os anos de 1989 e 1992. O Auditor Fiscal, responsável pela diligência realizada no estabelecimento do contribuinte, realizou o batimento dos valores devidos com o saldo apurado de indébito, Fl. 690DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 identificando que o crédito em favor do contribuinte comporta as compensações efetuadas no período compreendido entre 06/1996 e 06/1998, salientando que no mês 06/1998 somente parte do débito pode ser compensado. Por se tratar de decisão judicial reconhecendo o direito creditório do contribuinte, resta à este Conselho limitarse à aplicar o comando judicial, adequando os termos deste julgamento aos que foram expostos em decisão transitada em julgado, sob pena de afronta à coisa julgada. Desta forma, como restou cabalmente comprovado, por meio de diligência, que o contribuinte faz jus à compensação realizada, mesmo que de forma parcial, e que o débito representante do período de 06/1996 encontrase devidamente adimplido, não resta outra solução senão dar parcial provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, à fim de considerar totalmente extinto o lançamento referente aos períodos compreendidos entre 06/1996 e 05/1998, já que devidamente comprovadas as causas de sua extinção, e considerar parcialmente extinto o lançamento realizado referente ao período de 06/1998, tudo nos termos dos Relatórios Fiscais e documentos constantes dos autos às fls. 533/664. Assim, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente para exonerar o crédito tributário lançado, nos termos dos Relatórios Fiscais e documentos constantes dos autos às fls. 533/664. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 691DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 19515.001898/2007-46
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRETENSÃO DE REEXAME.
Deve-se desprover os Embargos Declaratórios ao se verificar que a decisão recorrida não contém omissão, obscuridade e contradição, observando-se que a pretensão da Embargante é reexaminar, por meio de Embargos de Declaração, o mérito da decisão.
Numero da decisão: 1301-001.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em REJEITAR os Embargos de Declaração nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Valmir Sandri, substituído pela Conselheira Suplente Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRETENSÃO DE REEXAME. Deve-se desprover os Embargos Declaratórios ao se verificar que a decisão recorrida não contém omissão, obscuridade e contradição, observando-se que a pretensão da Embargante é reexaminar, por meio de Embargos de Declaração, o mérito da decisão.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRETENSÃO DE REEXAME. Devese desprover os Embargos Declaratórios ao se verificar que a decisão recorrida não contém omissão, obscuridade e contradição, observandose que a pretensão da Embargante é reexaminar, por meio de Embargos de Declaração, o mérito da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em REJEITAR os Embargos de Declaração nos termos do voto do Relator. Declarouse impedido de votar o Conselheiro Valmir Sandri, substituído pela Conselheira Suplente Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 98 /2 00 7- 46 Fl. 725DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela contribuinte acima identificada contra o acórdão nº 130100810, por meio do qual se negou provimento ao Recurso Voluntário nº 167.240. Os mencionados Embargos foram manejados com base no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sendo que Embargante sustenta, de início, o cabimento do feito e salienta que o acórdão embargado padeceria de diversas imperfeições, defendendo, em razão disso, a possibilidade de atribuição de efeitos infringentes nos Embargos Declaratórios, citando abalizada doutrina e diversos precedentes. Quanto ao cerne do seu inconformismo, após relatar os fatos sucedidos na operação que desencadeou o processo administrativo em questão, a Embargante arrematou que “a acusação fiscal é de que a NSK efetuou venda de ativos para a Lille, dissimulandoa como transferência de bens, motivo pelo qual a NSK deveria ter reconhecido ganho de capital tributável, o qual seria a diferença entre o valor da conferência e o valor da redução de capital da Lille, após o aporte feito na Lille pela Norske”. Após rememorar os fatos, cuidou a Embargante de reputar omisso o acórdão fustigado, que não teria acolhido suas justificativas no sentido de não ter havido qualquer simulação, já que os atos praticados foram os efetivamente desejados e adequados às causas jurídicas, reafirmando que a ausência de haveria prova material ou indiciária de simulação e que nada fora escondido do Fisco pois a estruturação do negócio firmado, em alternativa a uma compra e venda pura e simples, se revestiu do conceito de “negócio jurídico indireto”, e que não existiriam dois dos principais indícios de simulação, traduzidos no desfazimento dos efeitos dos atos simulados e o motivo para simular. Feitas estas considerações, a Embargante extraiu fragmentos da decisão recorrida para os fins de demonstrar os pontos que reputou omissos e/ou contraditórios, destacando que ao abordar o caso concreto o acórdão embargado registou ser tênue a linha divisória entre simulação e negócio jurídico indireto, concluindo a Embargante, que ao pender para a conclusão de ter havido simulação e não negócio jurídico indireto, a decisão embargada “equivocouse”, contrariando, segundo afirma, julgados que representariam a jurisprudência deste Conselho. Seguiu arrazoando que o acórdão embargado, equivocouse ainda, ao rebater a defesa da Embargante, pois teria reconhecido que sua intenção foi sempre a de realizar o negócio jurídico indireto da forma menos onerosa do ponto de vista tributário, e mesmo assim reconhecido a simulação. Afirmou a Embargante, nessa mesma ordem de ideias e fragmentos isolados da decisão, que haveria um erro crasso, que prejudicou a aferição dos fatos, já que a decisão embargada reconheceu, em conclusão, que a intenção de realizar uma operação menos onerosa não foi flagrantemente demonstrada em momento anterior a glosa, reputando que na realidade isso se achava descrito em cláusula contratual desde 25/02/2000. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 1301001.124 S1C3T1 Fl. 3 3 Prosseguiu a Embargante procurando demonstrar o desacerto da decisão, reiterando que os fatos não foram abordados em sua inteireza e que o engano da decisão embargada se encontra precisamente ao não apreciar o fato real e o direito aplicável, apontando três equívocos que textualmente reproduzo abaixo: Página 16 dos Declaratórios (SIC!) (...) Nisto, exatamente, reside o engano do julgado ora embargado, e sua omissão em apreciar o fato real e o direito aplicável, a justificar ao presentes embargos, como se passa a demonstrar sob diversos aspectos em torno do mesmo ato jurídico, os quais são: o primeiro equívoco, apontado acima, de isolar a constituição da Lille e a retirada da Klabin, para dizer que foi ato simulado em que não havia interesse de associação; o consequente equívoco quanto à compreensão exata da questão da incongruência entre os meios e fim pretendido, que viciou a avaliação da distinção entre simulação e negócio jurídico indireto; a não percepção de que a inexistência do motivo para simular elimina decisivamente a alegação de simulação, aspecto este essencial no recurso voluntário da recorrente, a propósito do qual o acórdão embargado também é omisso. Insistiu ainda, com detida argumentação não haver motivos para a simulação, afirmando ainda, que a decisão de mérito influenciou decisivamente a qualificação da multa, razão pela qual este ponto precisaria ser revisto, fazendo extenso e bem articulado arrazoando para afastar a multa aplicada. É o relatório. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Atestada nos autos a tempestividade dos Embargos Declaratórios, e presentes as condições genéricas de recorribilidade, deles tomo conhecimento. Como registrado no relatório acima minudenciado, a contribuinte opôs Embargos Declaratórios alegando omissão no acórdão nº 130100810, fundamentando seu inconformismo no artigo 65, do Regimento Interno do CARF, cujo teor, por oportuno, transcrevo: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. (...) Vêse, portanto, que na esfera administrativa, a exemplo do que se dá no âmbito do Poder Judiciário, a viabilidade dos Embargos Declaratórios está adstrita à verificação de uma das hipóteses de: contradição, omissão ou obscuridade. Atento ao que dispõe o conteúdo da peça recursal da Embargante, anoto que sua pretensão, conquanto repute que conteúdo fático foi ignorado, é flagrantemente a de ver reexaminada a matéria submetida a julgamento por ocasião da apreciação do Recurso Voluntário. Com efeito, malgrado a Embargante tenha extraído trechos esparsos do acórdão impugnado, pretendendo conferir aparente omissão e/ou contradição, nada há que hospede os fundamentos dos Declaratórios, valendo registrar que a operação tida por simulada foi considerada e debatida integralmente nos autos, chegandose à conclusão de que a manifestação de vontade (associarse), apresentouse viciada, na medida em que o rela propósito era a transferência do negócio em questão. Pretender revisitar a conformação dos fatos ao conceito de simulação ou negócio jurídico indireto é tarefa seguramente vedada nesta estreita via, porém, além de vedada apresentase completamente desnecessária porquanto o acórdão embargado o fez de forma satisfatória e fundamentada, se o fez de maneira contrária ao que sustenta a contribuinte, data máxima vênia, ao ilustre patrono da contribuinte, é fato que não se confunde com os pressupostos dos Embargos de Declaração. Registrese, por oportuno, que a decisão recorrida ao considerar tênue a linha divisória entre a qualificação de simulação e negócio jurídico indireto, o fez num contexto de dar fundamento à sua conclusão, jamais por não compreender os fatos ou claudicar no seu mister. Ademais, diversamente do que sustenta a Embargante a decisão recorrida jamais reconheceu que ela praticou um negócio jurídico indireto, o trecho citado nos Embargos se acha suprimido e descontextualizado, a bem da verdade, o que o acórdão afirma é que a contribuinte sempre assim o sustentou, confirase o trecho da decisão: Fl. 728DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 1301001.124 S1C3T1 Fl. 4 5 (...) A considerada simulação teria ocorrido no ano de 2003 na medida em que, resumidamente, o grupo Klabin e um grupo de origem norueguesa (grupo Norske), teriam se associado com o único fim de transferir ao citado grupo norueguês, a produção e comercialização de papel jornal até então pertencente à Recorrente, expediente este, que segundo sustenta a Fiscalização, seria alcançado com uma simples “compra e venda” (na qual o ganho de capital seria tributável). Verificase pelas imputações da Fiscalização, cuja materialidade fática não é negada pela Recorrente, que o Grupo Klabin, por intermédio de suas controladas, adquiriu uma empresa (Lille Holdings) e em momento posterior promoveu um aumento de capital no valor de R$ 31.250.900,00, integralizando bens e direitos. Ainda nas circunstâncias dos fatos tidos por simulados, vêse que cerca de 30 dias após o citado aumento de capital na empresa adquirida (Lille) o grupo norueguês, por meio de sua controlada Norske, realizou por igual turno nova subscrição e integralização de capital (na Lille) no valor de R$ 88.280.486,00, sendo R$ 11.158.843,00 como capital e R$ 77.121.643,00 a título de ágio. Na sequência dos acontecimentos, e aqui entende a Fiscalização ter residido o cerne da simulação, a Recorrente retirouse da sociedade Lille Holdings, mediante o cancelamento de suas ações e o recebimento de R$ 88.027.000,00, ou seja, quase a totalidade do capital e da reserva integralizados pelo grupo norueguês. Nessa toada, ante a considerada simulação, entende o ente tributante ter havido ganho de capital no valor de R$ 56.296.134,08 (R$ 88.027.000,00 valor recebido pelo GRUPO KLABIN menos R$ 31.730.865,92 valor da Lille Holdings, ou seja, dos bens repassados ao grupo norueguês), ganho de capital que por sua vez, considerada a simulação, não teria sido tributado, surgindo aí a presente autuação por inaplicável que seria o disposto no artigo 428 do RIR/99. De se observar, portanto, que o deslinde da questão passa pela análise da validade do negócio jurídico aqui versado, por um lado alega o Fisco que tudo não passou de simulação para encobrir o real propósito das partes, sendo certo, também, que a Recorrente não nega a materialidade dos fatos descritos, argumentando por seu turno, que não houve qualquer simulação porquanto tudo foi escriturado e levado ao conhecimento do Fisco, não negando, sequer, que procurou dar vazão ao seu objetivo de forma a evitar a ocorrência do fato gerador do tributo exigido, valendose nesse mister de planejamento tributário lícito que manifestou por meio de negócio jurídico indireto. No tocante às conclusões de ter havido de fato a simulação, apenas para pontuar, convém mencionarse que a decisão recorrida utilizouse um critério muito claro e Fl. 729DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 6 objetivo, consistente no vício da declaração de vontade contido no negócio jurídico entabulado, tornese a conferir os oportunos trechos: Pelo que se pode extrair da citada conceituação, simular é o ato de camuflar o objetivo de um negócio jurídico valendose de outro eis que o objetivo intentado seria alcançado por negócio diverso, daí o motivo de o artigo 167 do Código Civil dispor que o negócio jurídico simulado será nulo, porém, subsistirá o que se dissimulou, se for válido na substância e na forma. (...) Resta saber, destarte, se os fatos praticados pela Recorrente se amoldam ao conceito de simulação, hipótese em que os autos de infração hão de ser julgados procedentes e a decisão recorrida prevalecerá por inaplicáveis os efeitos do negócio jurídico praticado pela Recorrente, situação que evidenciaria o ganho de capital, ou, se por outra vertente, a Recorrente teria praticado um negócio jurídico indireto e, portanto, válidos os fins ulteriores e mediatos para todos os efeitos pretendidos, inclusive, obstar a ocorrência do fato gerador, sendo precisamente essa a análise a ser realizada no tópico seguinte. (...) Com efeito, já noticiei no início do presente voto ser muito tênue a linha de aferição entre um legítimo procedimento de elisão fiscal, no qual em absoluta conformidade com a lei o contribuinte procura evitar a ocorrência do fato gerador do tributo, e aquele procedimento travestido de aparente legalidade, mas, que em sua essência comporta falseamento na declaração de vontade das partes a se configurar em nula simulação e ao revelar hipótese de incidência tributária, seus efeitos, os do ato simulado, são desconsiderados para dar lugar à tributação. Sendo tênues os caminhos investigativos para análise do intérprete, no caso concreto muito mais estreita me parece a linha divisória de tais condutas, ao analisar o presente processo – confesso – oscilei por diversas vezes minha interpretação dos fatos sucedidos. Pela peculiaridade do caso concreto, ante a lisura com que a Recorrente defendeuse, sem tergiversar ou omitirse ao enfretamento das imputações que lhe foram feitas, pela ampla publicidade dada aos seus atos, jamais negando que pretendeu realizar uma operação da forma menos onerosa do ponto de vista tributário, chegase de fato a considerar regulares as operações realizadas com o indigitado grupo Norske. No entanto, em prejuízo destas primeiras impressões, após analisar e refletir sobre as circunstâncias envolvidas na tantas vezes referida operação, não me parece legítimo concluir senão pela ocorrência de simulação. Com efeito, ao lerse o Termo de Verificação Fiscal e a sucessão dos negócios envolvidos na operação com o grupo norueguês, aflorase a conclusão inarredável de que tudo não passou de simulação para que se transferisse, como de fato se transferiu, ao aventado grupo econômico, a produção e comercialização do papel jornal que pertencia à Recorrente. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 1301001.124 S1C3T1 Fl. 5 7 Ao se proceder uma análise detida do que argumenta a Recorrente, mormente à luz dos conceitos de simulação e de negócio jurídico indireto, não há como concluirse pela ocorrência de negócio jurídico indireto, tampouco, caso o admitíssemos, convalidar seus efeitos para os fins de afastar a incidência tributária e conferirlhe consequente caracterização como se legítima elisão fiscal fosse. Digo isso porquanto ainda que não se negue ser admissível ao contribuinte utilizarse de quaisquer meios lícitos para esquivar se da tributação e, por decorrência, considerese como legítima a implementação de planejamento tributário o que deve ser investigado é se a estrutura adotada em determinado caso concreto foi legítima e se o seu regime jurídico foi observado. Em outras palavras, impende confirmar na circunstância concreta se o negócio jurídico realizado pelas partes é autorizado pelo direito privado e se revelam às verdadeiras intenções das partes, pois se assim não for, é dever das autoridades fiscais coibir práticas de utilização no ordenamento jurídico por meio de estratagemas, formalizados por negócios simulados ou dissimulados, com o objetivo de causar prejuízo ao Erário. Diante disso e, guardados os conceitos delineados no tópico anterior temse que na simulação há declaração não verdadeira, sendo certo que a falsidade reside na declaração das partes, motivo pelo qual, ao verificarse o que se deu na espécie, não se tem como afastarse do fato de que a Recorrente pretendeu transferir ao grupo Norske toda a estrutura de produção do chamado “papel jornal” e o fez por meio de expediente impregnado de falseamento na declaração de vontade, eis que as partes estabeleceram para tanto (transferir a unidade de produção), negócio jurídico no qual exteriorizavam a vontade de se associar, sendo certo que a retirada quase imediata da Recorrente, revelou a real (e falseada) vontade das partes. Ora, falseada a declaração da vontade das partes, que manifestaram formal intenção em firmar parceria, mas, a bem da verdade pretendiam resultado absolutamente diverso, resultado que por seu turno, implicaria na incidência tributária, tenho por configurada inarredável hipótese de simulação e na mesma situação, presente o argumento da Recorrente no sentido de ter praticado negócio jurídico indireto, verificase que nele, falo do negócio indireto, todas as declarações são verdadeiras, sendo incompatível com tal definição, o fato de se pretender, por exemplo, uma compra e venda e realizar naquele intuito de comprar e vender, uma suposta parceria associativa. Ao meu sentir, não prospera o argumentos da Recorrente pela inexistência de simulação porquanto não teria havido falseamento na adoção de estrutura jurídica típica, conquanto não se tenha adotado a mais usual, todas as cláusulas do negócio se aperfeiçoaram de forma verdadeira e não se teve na espécie, a realização de um negócio jurídico para encobrir o Fl. 731DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 8 resultado que seria alcançado por negócio diverso, contrário disso, observo que a declaração de vontade foi enganosa, revelando aos expectadores e ao próprio Fisco, uma situação que perdurou por menos de trinta dias. Ainda que impressione positivamente as afirmações inequívocas da Recorrente, que desde os seus primitivos arrazoados afirmou que sua intenção sempre foi realizar um negócio jurídico da forma menos onerosa do ponto de vista tributário, valendose, nesse mister, de um negócio com incongruência entre os meios e o fim pretendido, em clara subsunção ao conceito de negócio jurídico indireto, não observo essa intenção tão flagrantemente declarada em momento anterior à glosa. Ou seja, quando realizou a operação, no momento exato em que se deu por aperfeiçoado o fato capaz de gerar a tributação, afastado por simulação, a vontade manifestada pela Recorrente era inequivocamente enganosa. Diante dessas conclusões de ordem fática, não se pode olvidar que o Código Tributário Nacional estatui que “a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose a validade jurídica dos atos efetivamente praticados, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos”, presente a norma contida no artigo 118 do citado código. Em outras palavras, numa perspectiva de interpretação meramente literal seria desnecessário até mesmo o esforço investigativo feito acima para identificar a real vontade das partes na consecução do ato tido por simulado, reconhecendose que o fato gerador decorre da identificação da realidade e dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos, e não de vontades formalmente declarada pelas partes contratantes ou pelos contribuintes, sendo essa, contudo, uma afirmação lateral, eis que já identificada a real intenção do contribuinte. No tocante à qualificação, conquanto tenha votado pela sua redução, restou prevalente posição por sua majoração de sorte que para esta questão, igualmente inexiste omissão, obscuridade ou contradição, vedandose novo enfrentamento em sede Embargos de Declaração. Por todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de REJEITAR os Embargos Declaratórios, ausentes os pressupostos de regência. Sala das Sessões, em 05 de dezembro de 2012 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 1301001.124 S1C3T1 Fl. 6 9 Fl. 733DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 10/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10880.030354/99-41
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 31/12/1987 a 27/02/1992
FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5)
Numero da decisão: 9900-000.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 26/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Lima (presidente da turma), Marcia Silveira (vice-presidente), Luis de Souza, João da Silva e Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão Manoel Pereira.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 31/12/1987 a 27/02/1992 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5)
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 31/12/1987 a 27/02/1992 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 26/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Lima (presidente da turma), Marcia Silveira (vicepresidente), Luis de Souza, João da Silva e Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 03 03 54 /9 9- 41 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão Manoel Pereira. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (doc. a fls. 186 e segs.), com fundamento no arts. 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007, em face do Acórdão n° 03 05.787, que negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o fundamento de que o prazo prescricional da pretensão à restituição de valores pagos a título de Finsocial começou a correr com a edição da MP n˚ 1.110/95, por meio da qual a Fazenda Nacional teria reconhecida a inconstitucionalidade da exação. Em breve síntese, a recorrente sustenta que: “pelo exame dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN, constatase que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, EXTINGUESE COM O DECURSO DO PRAZO DE CINCO ANOS, CONTADOS DA DATA DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. Em apoio ao seu argumento, sustenta que: “Esse entendimento, conforme ensina Leandro Paulsen, já se firmou na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: ‘A Primeira Seção do STJ, quando do julgamento dos Embargos de Divergência no REsp 435.835SC, em março de 2004, reconsiderou entendimento anterior para firmar posição, agora, no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade não influi na contagem do prazo para repetição ou compensação. Entendemos que prevaleceu a melhor orientação. Isso porque o prazo não se altera em função do fundamento do pedido de repetição, de modo que a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo, não tem implicação na sua contagem. Efetivamente, o direito à repetição não se origina da decisão do STF. Cada contribuinte, antes mesmo de qualquer decisão do STF, tem a possibilidade de buscar no Judiciário, o reconhecimento do direito à repetição ou à compensação com fundamento em inconstitucionalidade forte no controle difuso’(Grifou se). O posicionamento adotado no EREsp acima mencionado já se encontra pacificado naquela Corte. Foi inclusive reiterado, recentemente, pelo voto condutor do eminente Ministro Teori Albino Zavascki, no REsp 747.091/SC. Vejase: ‘Considerouse ser irrelevante, para efeito da contagem do prazo prescricional, a causa do recolhimento indevido (v.g., pagamento a maior ou declaração de inconstitucionalidade Fl. 220DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10880.030354/9941 Acórdão n.º 9900000.489 CSRFPL Fl. 218 3 do tributo pelo Supremo), eliminandose a anterior distinção entre repetição de tributos cuja cobrança foi declarada em controle concentrado e em controle difuso, com ou sem edição de resolução pelo Senado Federal (...)’ (Grifouse).” Em despacho a fls. 209, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais admitiu o Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, por entender que atendia aos pressupostos de recorribilidade. Cientificada do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, conforme informa o despacho a fls. a 216, contribuinte não apresentou contrarrazões. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Ao analisar mais detidamente o acórdão paradigma (Acórdão n˚ 0202.088) aduzido pela recorrente, verifico que, embora o Relator tenha feito menção a posição predominante à época neste Colegiado, qual seja, a de que o dies a quo do prazo prescricional se desloca para a data da publicação da Resolução Senatorial, essa não foi a ratio decidendi do julgado, mas sim, mero obiter dictum. Tanto é assim que na ementa do acórdão sequer qualquer menção foi feita acerca desse entendimento. Aliás, o Relator não poderia sustentar as duas posições ao mesmo tempo, ainda que, naquele caso, elas levassem ao mesmo resultado, pois elas são excludentes, razão que demonstra ainda mais o caráter acessório do comentário feito sobre a posição majoritária então vigente. Assim, a verificação da divergência deve ser feita à luz do posicionamento que efetivamente foi adotado no acórdão paradigma, qual seja, que o dies a quo do prazo prescricional é aquele indicado no art. 168, I, do CTN. Por essa razão conheço do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, pois resta presente o dissídio jurisprudencial. Por força do disposto no art. 62A do RICARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, reproduzo o que fora decidido no REsp nº 1.110.578/SP, representativo de controvérsia julgado pela sistemática do art. 543 do CPC, cuja ementa a seguir transcrevo: REsp 1110578 /SP RECURSO ESPECIAL 2009/00083134 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador S1 PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 12/05/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 21/05/2010RT vol. 900 p. 204 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART.543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO Fl. 221DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 4 PÚBLICA.TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI,PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp.732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO,julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel.Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008."[grifo nosso] Do julgado acima transcrito, de plano já se conclui que o acórdão recorrido merece reforma, pois, como ali decidido, "declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício". Resta, então saber qual o prazo prescricional, quando se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação, pois a posição adotada no item 1 do acórdão acima transcrito referese unicamente aos lançamentos de ofício. Sobre tal questão, já decidiu o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS; como também o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o recurso representativo Fl. 222DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10880.030354/9941 Acórdão n.º 9900000.489 CSRFPL Fl. 219 5 de controvérsia REsp n. 1.269.570MG. Tal posição jurisprudencial foi muito bem sintetizada na ementa do REsp 1089356/PR, a qual assim dispõe: REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09.06.2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI N. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09.06.2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09.06.2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei n. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, Fl. 223DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 6 via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Em suma, temos que: a) para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e b) para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Todavia, o julgado acima transcrito foi além do decidido nos recursos representativos de controvérsia retro citados, pois sustentou que tais conclusões se aplicariam também em caso de pedido administrativo, ou seja, as mesmas considerações acerca da data do ajuizamento da ação de repetição de indébito, para fins de determinação do dies a quo do prazo prescricional, seriam também aplicáveis em caso de restituição pedida diretamente à Administração Tributária. Sobre tal ponto, embora não seja caso de aplicação do art. 62A, já que o referido recurso especial não foi julgado pela sistemática do art. 543C do CPC, adoto tal entendimento para então concluir que: a) para os pedidos administrativos de restituição relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação protocolizados de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e b) para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). In casu, como o pedido foi protocolizado em 08/10/1999, aplicase a cumulação dos prazos do art. 150, § 4˚, com o do art. 168, I, do CTN, ou seja, dez anos contados do fato gerador. Razão pela qual entendo atingido pela prescrição apenas a pretensão à restituição de valor pago a título de Finsocial relativos aos fatos geradores de 12/1987 a 09/1989, e concluo ser tempestivo o pedido de restituição dos pagamentos a título de Finsocial relativos aos fatos geradores de 10/1989 a 02/1992. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, para acolher a preliminar de prescrição da pretensão à restituição de valor pago a título de Finsocial relativo aos fatos geradores de 12/1987 a 09/1989, e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para Fl. 224DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10880.030354/9941 Acórdão n.º 9900000.489 CSRFPL Fl. 220 7 enfrentamento do mérito do pedido de restituição dos pagamentos a título de Finsocial relativos aos fatos geradores de 10/1989 a 02/1992. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 225DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
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Numero do processo: 16542.000011/2004-34
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
RESTITUIÇÃO VIA COMPENSAÇÃO. CINCO MAIS CINCO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05.
O Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.908-7/RS reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente aos pedidos protocolados depois do decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal.
Numero da decisão: 1803-001.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Selene Ferreira de Moraes
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta
Relator
(Assinado Digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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INDUSTRIA DE TELECOMUNICACAO ELETRONICA BRASILEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 RESTITUIÇÃO VIA COMPENSAÇÃO. “CINCO MAIS CINCO”. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. O Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.9087/RS reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente aos pedidos protocolados depois do decurso da “vacatio legis” de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 54 2. 00 00 11 /2 00 4- 34 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 27/1 1/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16542.000011/200434 Acórdão n.º 1803001.500 S1TE03 Fl. 182 2 Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, passo a adotar parte do relato do contido no Acórdão nº 0714.944 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis SC, constante das fls. 118 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Tratase de manifestação da companhia requerente (f. 91 a 99) de inconformidade com o Despacho de f. 79 a 81, pelo qual a autoridade administrativa fiscal decidiu não homologar, com base no instituto da decadência, as Declarações de Compensação protocolizadas a partir de 12 de janeiro de 2004 (f. 81), cujos débitos representam o valor, original de R$ 162.623,66. Inconformada, a contribuinte argumenta, em síntese, que: 1) o que extingue o crédito tributário (e, assim, serviria de termo inicial de contagem do prazo decadencial/prescricional do direito à repetição do indébito) é a combinação dos eventos, PAGAMENTO e HOMOLOGAÇÃO (f. 96), que compreenderia o prazo combinado de dez anos, eis que o fisco teria cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que já poderia ser efetuado o lançamento, para proceder à homologação (ou ocorreria a "homologação tácita", no mesmo prazo), termo a partir do qual passaria a correr o prazo, a seu ver de natureza prescricional (f. 98), de cinco anos, do direito de pleitear a restituição, no caso, do pagamento espontâneo indevido ou maior do que o devido; é inconstitucional o art. 32 da Lei Complementar nº 118, de 2005, como conclui à f. 98: Desta forma, além de ilegal e inaplicável ao caso, ante a sua temporalidade, o art. 32 da Lei Complementar nº 118/05, é inconstitucional, devendo prevalecer o prazo prescricional de 10 anos para a repetição de indébito dos tributos lançados por homologação”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis SC, na sessão de 23/01/2009, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, proferiu o Acórdão nº 0714.944 entendendo “Julgamento, por unanimidade de votos, em INDEFERIR AS SOLICITAÇÕES nos termos do relatório e do voto do relator”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 182DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 27/1 1/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16542.000011/200434 Acórdão n.º 1803001.500 S1TE03 Fl. 183 3 Anocalendário: 1997 DIREITO À REPETIÇÃO DE INDÉBITO POR MEIO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Extinguese com o decurso do prazo de cinco anos o direito de pleitear a restituição, mesmo por meio de compensação. CONTAGEM DE PRAZO. TERMO INICIAL. Para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4° do art. 150 do CTN. Para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação devese aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN. COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Entres outras hipóteses previstas na legislação tributária é vedada a compensação, por meio de Declaração de Compensação, dos créditos relativos a ,/ tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE Arguições de inconstitucionalidade refogem, à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. Solicitação Indeferida”. Cientificada da decisão de primeira instância em 10/02/2009, (AR constante das fls. 124) a INTELBRAS S.A. INDUSTRIA DE TELECOMUNICACAO ELETRONICA BRASILEIRA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0714.945, recorreu em 19/02/2009 (125 e segs) a esse Conselho, objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da manifestação de inconformidade. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 27/1 1/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16542.000011/200434 Acórdão n.º 1803001.500 S1TE03 Fl. 184 4 Porém, tenho antes de adentrar no mérito da questão e constatar se a Recorrente possui ou não credito a ser restituído, vejo que trata de pedido de compensação (fls. 01), protocolado em 11/01/2004, conforme visto abaixo: Segundo consta dos autos, a Declaração de Compensação acima visava extinguir crédito tributário referente ao débito de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ (Cod. 2362), período de apuração de outubro de 2002, tendo como origem do crédito utilizado saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do ano calendário de 1995. Porém, O referido pedido teve em 21/11/2008 (fls 79 a 81 dos autos) o despacho decisório com a seguinte fundamentação: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 27/1 1/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16542.000011/200434 Acórdão n.º 1803001.500 S1TE03 Fl. 185 5 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 27/1 1/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16542.000011/200434 Acórdão n.º 1803001.500 S1TE03 Fl. 186 6 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 27/1 1/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16542.000011/200434 Acórdão n.º 1803001.500 S1TE03 Fl. 187 7 Constato que a fundamentação do decisório acima, e também a decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis – SC consubstanciada através do Acórdão nº 0714.944 estão em rota de colisão com o que decidiu o Superior Tribunal de Justiça, quando fixou entendimento de que o prazo de restituição dos tributos pagos no âmbito do regime de lançamento por homologação deveria ser contado, para os pedidos realizados após 9 de junho de 2005. Isso porque a Lei Complementar nº 118/05 que, a título interpretativo, previu que, nos casos de pedido de restituição, o prazo prescricional para postular a restituição deveria ser contado da data do pagamento; e não da data da homologação do pagamento. Surgiu, então, questionamento acerca da aplicação retroativa de referida lei, que foi julgada definitivamente pelo Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal no processo nº 566.621/RS, em repercussão geral, reconhecida no RE nº 561.9087/RS, tendo ficado assentado o seguinte: “(...)1) Para as ações e pedidos de repetição realizados antes da vigência da lei complementar nº 118/05 (considerado, aqui, a vacatio legis de 120 dias da sua publicação), o prazo prescricional para restituição de tributos deve ser contado da data da homologação do pagamento, nos termos da “tese dos cinco mais cinco”; Fl. 187DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 27/1 1/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16542.000011/200434 Acórdão n.º 1803001.500 S1TE03 Fl. 188 8 2) Para as ações e pedidos de restituição realizados após a vigência da lei complementar nº 118/05, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de cinco anos, contados do pagamento. Transcrevo a ementa do julgado do Excelso Pretório, in litteris: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se auto proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido” (Referida decisão transitou em julgado no dia 27 de fevereiro de 2012). E, segundo consta do relatório do Despacho decisório a Recorrente solicitou a compensação, originalmente em 11/01/2004, retificando tal pedido em 07/04/2005; ou seja, ambos os pedidos aconteceram antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 27/1 1/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 16542.000011/200434 Acórdão n.º 1803001.500 S1TE03 Fl. 189 9 Desta forma para os pagamentos realizados pela Recorrente nos exercícios de 1995 não foram alcançados pela decadência do direito de a Recorrente pleitear a restituição, isso porque, somente após a vigência da Lei Complementar nº 118/05, depois de 9 de junho de 2005, que, a título interpretativo, previu que, nos casos de pedido de restituição, o prazo prescricional para postular a restituição deveria ser contado da data do pagamento; e não da data da homologação do pagamento. Neste sentido, é imperativo reconhecer a plausibilidade do direito da Recorrente em pleitear a compensação do saldo negativo de CSLL do exercício de 1995, tendo em vista que a Recorrente respeitou o prazo fixado por lei para o exercício de seu direito. Já no que se refere à alegada inconstitucionalidade levantada pela Recorrente, aplicase a Súmula Carf nº 2, assim redigida: “Súmula Carf nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para superar a preliminar de decadência e determinar que a DRF aprecie o mérito do pleito Recorrente, verificando a compensação do saldo negativo de CSLL do exercício de 1997. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 189DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 27/1 1/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
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Numero do processo: 13405.000126/2002-43
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2004
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS — NULIDADE FORMAL — ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO AUTUADO. Não configura erro na identificação do sujeito passivo quando, embora o lançamento tenha sido formalizado em nome da empresa incorporada, não se evidencie qualquer prejuízo
ao exercício do direito de defesa da recorrente, representada pelo mesmo funcionário em todas as fases do processo, desde a
fiscalização até o julgamento de segunda instância. A irregularidade no preenchimento dos requisitos estabelecidos no art. 10 do Decreto n° 70.235/72 só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do lançamento quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida.
Recurso provido.
Numero da decisão: CSRF/01-05.113
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Gonçalves Nunes (Relator), Maria Goretti de Bulhões Carvalho, Cândido Rodrigues Neuber, Victor Luis de Salles Freire, Leila Maria Scherrer Leitão, José Clovis Alves, Wilfrido Augusto Marques, Dorival Padovan que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Vinícius Neder
de Lima.
Nome do relator: Carlos Alberto Gonçalves Nunes
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MINISTÉRIO DA FAZENDA- • CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS ~. PRI MEI RATURMA Processo n° : 13405.000126/02-43 Recurso n° : RP/103-131.971 Matéria : IRPJ - EXS: 1994 E 1995 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : 3a CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada :GENERAL ELECTRIC DO NORDESTE S.A. PRODUTOS. ELÉTRICOS (Suc. por GENERAL ELECTRIC DO BRASIL LTDA.) Sessão de : 19 de outubro de 2004 Acórdão n° : CS RF/01-05.113 NORMAS PROCESSUAIS — NULIDADE FORMAL — ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO AUTUADO. Não configura erro na identificação do sujeito passivo quando, embora o lançamento tenha sido formalizado em nome da empresa incorporada, não se evidencie qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da recorrente, representada pelo mesmo funcionário em todas as fases do processo, desde a fiscalização até o julgamento de segunda instância. A irregularidade no preenchimento dos requisitos estabelecidos no art. 10 do Decreto n° 70.235/72 só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do • lançamento quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, • ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório .e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Gonçalves Nunes (Relator), Maria Goretti de Bulhões Carvalho, Cândido Rodrigues Neuber, Victor Luis de Salles Freire, Leila Maria Scherrer Leitão, José Clovis Alves, Wilfrido Augusto Marques, Dorival Padovan que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima: rcs Processo n° : 13405.000126/2002-43 Acórdão n° : CSRF/01-05.113 -ír — - MANOEL ANTã O GADELHA DIAS PRESIDEN E 'a- MAS INICIUS NEDER DE LIMA REI á O DESIGNADO FORMALIZADO EM: 0 9 MAR 2Cm Participaram ainda do presente julgamento, os Conselheiros: ANTONIO DE FREITAS DUTRA, REMIS ALMEIDA ESTOL, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, JOSÉ RIBAMAR BARROS PENHA, JOSÉ HENRIQUE LONGO e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. 2 Processo n° : 13405.000126/2002-43 Acórdão n° : CSRF/01-05.113 Recurso n° : RP/103-131.971 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : 3a CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada :GENERAL ELECTRIC DO NORDESTE S.A. PRODUTOS. ELÉTRICOS (Suc. por GENERAL ELECTRIC DO BRASIL LTDA.) RELATÓRIO A Fazenda Nacional, por seu douto Procurador junto à Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com fundamento no artigo 5 0 , inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, recorre a este Coiegiado contra o Acórdão n° 103- 21.218, de 13/05/2003 (fls. 413/444), que, por maioria de votos, acolheu a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo. O aresto recorrido tem a seguinte ementa: "LANÇAMENTO — INCORPORAÇÃO — EFEITOS JURÍDICOS — A incorporação determina a extinção da pessoa jurídica de tal maneira que, em verificada sua ocorrência na data da constituição do lançamento de ofício, há evidente erro na identificação do sujeito passivo na medida em que o lançamento se volta para a entidade incorporada ao invés de para a sociedade incorporadora." O ilustre Procurador da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara foi intimado do aresto recorrido em 19/04/2004 (fls.445), e, em 27 seguinte, apresentou o seu recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls.446). A Douta Procuradoria da Fazenda Nacional insurgiu-se contra o aresto, por entender que êle contrariou o artigo 142 do Código Tributário Nacional e a prova constante dos autos. A letra da lei porque, como se sabe, o mencionado artigo da lei nacional atribui ã autoridade administrativa o dever de identificar o sujeito passivo da obrigação tributária. Or I /(f 3 Processo n° : 13405.000126/2002-43 Acórdão n° : CSRF/01-05.113 Admite que a fiscalização errou, pois estava ciente da incorporação à data da lavratura do auto de infração, como se verifica do Termo de Encerramento, pois deveria ter lançado o tributo contra a sucessora e não contra a sucedida. No referido termo, apesar de apontar como contribuinte a empresa incorporada, o fiscal autuante declara que a General Electric do Nordeste S/A incorreu em obrigações tributárias, mas que foi incorporada pela General Electric do Brasil S/A. No Termo que constitui o auto de infração está identificada a incorporadora. Ela compareceu no processo administrativo, apresentando os recursos cabíveis, não sofrendo prejuízo algum no exercício do seu direito de defesa. A recorrente traz à colação o Ac. 106-10.297, que diz não ser nulo o auto de infração lavrado contra a empresa incorporada, se a incorporação, ocorrida após o fato gerador, for noticiada na peça acusatória e dela tenha sido intimada a empresa incorporadora. O Presidente da Terceira Câmara deu seguimento ao recurso, com fundamento no inciso I do artigo 32 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, determinando o encaminhamento dos autos à repartição de origem para ciência do sujeito passivo, assegurando-lhe o prazo de 15 (quinze) dias para apresentação de contra-razões. (fls. 456/457). Notificado em 21/05/2004 (fls. 457, "in fine"), o sujeito passivo apresentou contra-razões ao recurso, em 28/05/2004 (fls. 461/464), sustentando o acerto do acórdão recorrido e contraditando a recorrente, apresentando, outrossim, ')400precedentes administrativos em favor de sua sustentação. É o relatório. / 4 Processo n° : 13405.000126/2002-43 Acórdão n° : CSRF/01-05.113 VOTO VENCIDO Conselheiro CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, Relator: Recurso tempestivo e assente no art. 5°, incisos I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado no Anexo I da Portaria MF n°55, de 16/03/98. As contra-razões oferecidas pelo sujeito passivo têm fulcro no art. 8° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e foram apresentadas no prazo ali previsto. Tomo, pois, conhecimento do recurso da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, e das contra-razões do sujeito passivo. Dispõe o § 3° do artigo 227 da Lei n° 6.404/76, Lei da S/A: "§ 3° - Aprovados pela assembléia geral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extingue-se a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação." A aprovação do laudo de avaliação e da incorporação da General Eletric do Nordeste S/A.-Produtos Elétricos foi feita pela Assembléia Geral Extraordinária da General Eletric do Brasil S/A., realizada em 31/07/94, conforme certidão da Junta Comercial do Estado de São Paulo, registrado pela referida Junta em 02/09/94. /.1? 5 Processo n° : 13405.000126/2002-43 Acórdão n° : CSRF/01-05.113 Portanto em 31/07/94 foi extinta a General Eletric do Nordeste S/A.- Produtos Elétricos, sucedida pela General Eletric do Brasil S/A. O Termo de Início, datado de 06/05/96, fls. 42, o Termo de Encerramento, datado de 01/10/96, fls. 198, e Auto de Infração de fls. 3, também de 01/10/96, foram todos lavrados em nome de General Eletric do Nordeste S/A-Produtos Elétricos, no domicílio da empresa extinta, ou seja, na BR 101 KM 51,7-Jaguaribe, Município do Paulista-PE. Embora o auto de infração tenha sido lavrado contra a empresa extinta, a General Eletric do Brasil S/A , sucessora , com domicílio à Av. Nove de Julho, 5229, 5° ao 8° andares, em São Paulo-SP, compareceu aos autos em 30/10/96 (fls. 309), para impugnar o lançamento, levantando, desde logo, o erro na identificação do sujeito passivo. O fato de, no Termo de Encerramento, a fiscalização deixar claro que, àquela data já havia ocorrido a incorporação, não milita em favor do fisco, mas em seu desfavor, uma vez que demonstra de forma irretorquível que o auto de infração foi lavrado contra a pessoa jurídica errada, inexistente, e que houve erro na determinação do sujeito passivo. Com efeito, diz o Código Tributário Nacional: "Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual." , 6 Processo n° : 13405.000126/2002-43 Acórdão n° : CS RF/01-05.113 A lei ordinária, Decreto-lei n° 1.598, de 26/12/1977, assim dispõe sobre a matéria: Art. 5° Respondem pelos tributos das pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas: "omissis" II "omissis" III - a pessoa jurídica que incorporar outra ou parcela do patrimônio de sociedade cindida; O aresto recorrido está em conformidade com a lei de regência e com os precedentes citados nas contra-razões, ou sejam, Ac.101-93.686, 101-93.587, 102- 21.223, 107-05.687, 107-07.484 e 201-73.050, dentre outros, e não merece reproche, razão pela qual o acompanho, pedindo vênia ao seu relator para adotar a ementa do acórdão recorrido. Nesta ordem de juízos, nego provimento ao recurso da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões/DF, Brasília 19 de outubro de 2004. CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES 7 Processo n° : 13405.000126/2002-43 Acórdão n° : CSRF/01-05.113 VOTO VENCEDOR Conselheiro - MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA Exsurge do relatório que o recurso especial foi interposto pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional com base no inciso I do art. 32 do Regimento Interno contra acórdão da 3a Câmara do Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, acolheu a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo. O ilustre Conselheiro-relator aduz que houve erro na identificação do sujeito passivo, eis que foi lavrado auto de infração acusação contra a empresa extinta por incorporação e não sua sucessora. Sustenta que a fiscalização já tinha conhecimento no momento da feitura do lançamento fiscal e, mesmo assim, indicou na peça acusatória o nome da empresa sucedida. Com a devida permissão, ouso discordar desse respeitável entendimento por entender que tal interpretação privilegia o aspecto formal do processo sem dar a devida atenção a finalidade da instituição dos requisitos do lançamento fiscal previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235/72. Ressalte-se, prima facie, que o vício discutido nos autos é apenas formal, eis que foi desatendida a norma processual prevista no art. 10 do Decreto n° 70.235/72. Não se trata de erro na aplicação da norma de incidência do tributo, apenas houve falha na exteriorização do ato do lançamento. É bem verdade que o ato administrativo contrário a lei, ao ser reapreciado pela autoridade administrativa, poderá ser desfeito. Os vícios de ilegalidade podem dizer respeito a qualquer dos elementos ou pressupostos do ato administrativo. No capítulo das nulidades, o Decreto n° 70.235/72 organiza o sancionamento administrativo imposto a esses atos viciados. Nele, são definidos 8 ít7;2 Processo n° :13405.000126/2002-43 Acórdão n° : CSRF/01-05.113 critérios que devem orientar os julgadores na apreciação das alegações de nulidade dos atos processuais. Nessa análise, contudo, tenho defendido que o julgador antes de declarar a nulidade deve perquirir sobre se o ato, mesmo irregular, atende a finalidade almejada pela lei processual que estabeleceu o requisito para o ato processual.1 Cândido Rangel Dinamarco sustenta, com muita propriedade, que "a ciência processual deste fim de milênio propugna por um processo civil de resultados. A terceira das conhecidas ondas renovatórias, de que fala a doutrina moderna, tende a produzir seus efetivos resultados práticos, especialmente, com a Reforma do Código de Processo Civil brasileiro, repensando e redesenhando os tradicionais conceitos de Direito Processual, suas estruturas e institutos, à luz das ideologias tidas por legítimas e em face da consciência da eficácia do sistema. Como vem sendo dito, cumpre, agora, revisitar as velhas técnicas e moldá-las segundo as premissas teleolágicas que passaram a dominar, ou seja: tornar a elas com a consciência de que o processo não é fim em si mesmo nem mero instrumento técnico, nem ligado com exclusividade à ordem jurídico-material e obsessivamente voltado à preservação da letra da lei ."2 As palavras do renomado autor, embora se refiram ao processo civil, se aplicam, perfeitamente, ao processo administrativo. Dentro deste espírito, deve-se dar maior atenção aos valores pretendidos pelo processo, entre os quais, incluem-se os valores justiça, paz social, segurança e efetividade. O valor justiça relaciona-se com a finalidade jurídica do processo, o da paz social insta a que se tente solucionar com presteza os conflitos, o da segurança refere-se à preservação do direito objetivo como um todo, enquanto a efetividade é consentânea à realização dos direitos e das reais necessidades da sociedade atual. Estes valores devem ser considerados conjuntamente, sempre com a atenção voltada para as finalidades do processo e o interesse público. I Ver a respeito in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, São Paulo:editora Dialética, 2 ed, 2004, II. 116. 2 DINAMARCO, Cândido Rangel. "Os Gêneros de Processo e o Objeto da Causa", Revista Consulex, 46-2000, p. 46. 9 Processo n° : 13405.000126/2002-43 Acórdão n° : CSRF/01-05.113 Assim, antes de se anular o ato processual, é preciso examinar a possibilidade de se aproveitar o ato realizado, eliminando-se ou superando-se o vício que, sobre ele, pesa. Para Ada Pellegrini Grinover, "a decretação da nulidade implica perda da atividade processual já realizada, transtornos ao juiz e às partes e demora na prestação jurisdicional almejada, não sendo razoável, dessa forma, que a simples possibilidade de prejuízo dê lugar à aplicação da sanção; o dano deve ser concreto e efetivamente demonstrado em cada situação". Com efeito, é inútil, do ponto de vista prático, anular-se ou se decretar a nulidade de um ato, não tendo havido prejuízo da parte. Afirma, ainda, a renomada autora que "o princípio do prejuízo constitui, seguramente, a viga mestre do sistema das nulidades e decorre da idéia geral de que as formas processuais representam tão-somente um instrumento para a correta aplicação do direito; sendo assim, a desobediência a formalidades estabelecidas pelo legislador só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida".3 Com efeito, a atipicidade do ato não conduz necessariamente ao pronunciamento de sua nulidade. Se o ato defeituoso alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo às partes e ao sistema de modo que o torne inaceitável, ele deve permanecer valido. São atos meramente irregulares que não sofreram a sanção de ineficácia. Nessa linha, a nulidade não deve ser declarada em todos os casos em que o julgador se defronta com vício formal no ato de lançamento, só nos casos em que está configurado prejuízo às partes ou ao sistema processual. Firmadas essas premissas passo a análise do caso concreto. De fato, em 01/10/96, foi lavrado auto de infração contra a empresa GENERAL ELETRIC DO NORDESTE S/A PRODUTOS ELÉTRICOS ao invés de ter sido feito na sua controladora GENERAL ELETRIC DO BRASIL S.A (detentora de 99,99% de seu capital) que se tornou sua sucessora por incorporação conforme mencionado em Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada 01/08/94. Cumpre, 3 GRINOVER, Ada Pellegrini e outros. As Nulidades no Processo Penal, 60 ed., RT, São Pado, 1997, pp. 26/27. 10 Processo n° : 13405.000126/2002-43 Acórdão n° : CSRF/01-05.113 então, verificar se essa irregularidade na feitura do lançamento quanto a qualificação do autuado ocasionou prejuízo ao direito de defesa da recorrente. Primeiro, verifica-se que referida sucessão está descrita no Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 198) que é parte integrante do auto de infração conforme descrito no próprio texto desse ato. Dessa forma, no conjunto de termos e demonstrativos que compõe a autuação, a sucessão estava perfeitamente descrita e o Sr Paulo de Amorim Salgado, Gerente de Contadoria da recorrente, tomou ciência desse fato, tanto que apresentou impugnação dentro do prazo legal. Nessa peça impugnatória, defende-se plenamente a recorrente General Eletric do Brasil S/A da exigência de crédito tributário descrita no lançamento. Importante constatar, nesse passo, que o Gerente Sr. Paulo Amorim Salgado aparece representando às fls 77 a empresa controladora General Eletric do Brasil S/A em correspondência enviada a Secretaria da Receita Federal em 10/09/94, data anterior a lavratura do lançamento. Ressalte-se ainda que a fiscalização se iniciou na empresa GENERAL ELETRIC DO NORDESTE S/A em 06/05/96 e a empresa foi cientificada na figura de seu representante legal: o Sr. Paulo de Amorim Salgado (fls 1 e 2). No transcorrer dos quase cinco meses de auditoria, o mesmo Gerente atendeu a fiscalização, assinando diversos recebimentos de intimações e as respectivas respostas em nome da empresa. A impugnação (fls 209/222) também foi assinada pelo mesmo gerente de contadoria Sr. Paulo de Amorim Salgado e também pelo Sr. Joaquim Moreira representante legal da empresa General Eletric do Brasil S/A. A Diligência determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, na fase de instrução probatória, foi também cientificada e respondida pelo Sr Paulo de Amorim Salgado, representando a empresa sucessora General Eletric do Brasil S/A. O recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes foi também firmado pelo mesmo representante da empresa. Desse breve relato de fatos extraídos do processo, verifica-se que não houve qualquer descontinuidade no exercício do direito de defesa da recorrente. O mesmo funcionário graduado da empresa, ocupando cargo de gerência, participou de todas as fases do processo, desde a fiscalização até o julgamento de segunda instância. As duas empresas pertencem ao mesmo grupo societário e, pelas evidências 11 Processo n° : 13405.000126/2002-43 Acórdão n° : CSRF/01-05.113 dos autos, têm o mesmo gerente de contadoria. A recorrente, em que pese ter alegado preterição do seu direito de defesa, apresentou a impugnação dentro do prazo legal e defendeu-se plenamente. Não vislumbro, portanto, qualquer prejuízo a parte que enseje a declaração de nulidade do lançamento. Dado o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para que o processo retorne a Câmara recorrida para que se prossiga no julgamento de mérito. Sala das Sessões, e, de outubro de 2004. zitiz MAR•0 f NICIUS NEDER DE LIMA IV 12 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1
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Numero do processo: 36980.004065/2006-89
Data da sessão: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2000
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N ° 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE E RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 79 da Lei n° 11.941 de 2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a revogação perpetrada pelo art. 79 da Lei n° 11.941 deixou de definir o ato de descumprimento de obrigação acessória, como ato infincional. Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-000.647
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a)
Nome do relator: Leonardo Henrique Pires Lopes
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REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N ° 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE E RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 79 da Lei n° 11.941 de 2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a revogação perpetrada pelo art. 79 da Lei n° 11.941 deixou de definir o ato de descumprimento de obrigação acessória, como ato infincional. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado. Át Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3* Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). w40 JULIO s 1 IRA GOMES — Presidente LEON:00111r1 • PI LOPES - Relator parricip :_,411111r- •5 . -.ente julgamento, os Conselheiros Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo si Lopes, Edgar Silva Vida! (suplente), Leôncio Nobre de Medeiros (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado em face de João Mendes Sobrinho (Presidente da Câmara Municipal de Rio Pardo de Minas — MG), por não ter contemplado na GFIP os dados correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei 8.2121/91, art. 32, inciso IV e parágrafo 5°. A infração ocorreu entre janeiro de 1999 e dezembro de 2000. O fundamento legal da multa aplicada foi o art. 284, inciso H, e art. 373, do Regulamento da Previdência Social. Inconformado com a autuação, o ora Recorrente apresentou defesa (fls. 27/40) intempestiva, alegando em síntese: a) decadência do direito de constituir o crédito; A Decisão/Notificação de fls. 45/49 julgou procedente o lançamento. Inconformado com a Decisão, foi interposto Recurso tempestivo (fls. 54/57), requerendo a reforma da Decisão, ratificando os termos argüidos em sua Defesa. Contra-razões as fls. 60/61, pugnando pela manutenção do lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Relator Sendo o recurso tempestivo, passo ao exame do seu mérito. PRELIMINARMENTE Há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 79 da Lei n° 11.941 de 2009. 2 Processo e 36980.004065/2006-89 52-C3T2 Acórdão n.° 2301-00.647 Fl. 62 Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. fRevoeado pela Lei n° 11.941, de 2009) Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conforme previsão expressa do Código Tributário Nacional, em seu art. 106, alíneas "a" e "c", a Lei nova deverá retroagir e ser aplicada a ato ou fato pretérito, na hipótese de ato não definitivamente julgado, quando deixe de defini-lo como infração, verbis: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 1- em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; 11 - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a)quando deixe de defini-lo como infração; b)quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e tule tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c)quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Corroborando com entendimento suso aludido, segue abaixo o entendimento dos Tribunais Superiores Pátrios acerca da questão, literris: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - MULTA - RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, "C", DO CTN - 1-A posterior alteração do valor da multa aplicada à cobrança de tributos, mais benéfica ao contribuinte, deve retroagir. Aplicação do art. 106, II, "c", do CTN. Precedentes do STJ. 2- Agravo Regimental não provido.(STJ - AgRg-REsp 922.984 - (2007/0023457-2) - 7 T. - Rd Min. Herman Benjamin - DJe 11.03.2009 -p. 309) / 3 TRIBUTÁRIO - MULTA - ART. 61, DA LEI N°9.430/96 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEI mnvoR - 1- A ratio essendi do art. 106 do CTN implica que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica vigente no momento da execução, pelo que, independendemente de o fato gerador do tributo tenha ocorrido em data anterior a vigência da norma sancionatória 2- A Lei que determina a multa pelo não recolhimento do tributo deve ser menor do que a anteriormente aplicada, a novel disposição beneficia as empresas atingidas e por isso deve ter aplicação imediata, vedando-se, conferir à Lei uma interpretação tão literal que confiite com as normas gerais, obstando a salutar retroatividade da Lei mais benéfica. (Lex Mitior). 3- , In casu, não se revela obstada a aplicação do art. 61, da Lei n° 9.430/96, se o fato gerador decorrente da multa tenha ocorrido em período anterior à 01.01.1997, pelo que, ante o disposto no art. 106, inc. II, letra "c", em se tratando de norma punitiva, aplica-se a legislação vigente no momento da infração. 4- O Código Tributário Nacional, ao não distinguir os casos de aplicabilidade da Lei mais benéfica ao contribuinte, afasta a interpretação literal do art. 61, da Lei n° 9.430/96, que determina a redução do percentual alusivo à multa incidente pelo não recolhimento do tributo, no caso, de 30% para 20%, por ter status de Lei Complementar,. 5- A redução da multa aplica-se aos fatos futuros e pretéritos por força do princípio da retroatividade da ler mitior consagrado no art. 106 do CTN. 6- Agravo regimental desprovido. (STJ - AgRg-Al 902.697 - (2007/0137134-1) - Rei Min. Luiz Fux - DJe 19.06.2008 - p. 153) TRIBUTÁRIO - PROCESSUAL CIVIL - EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - REDUÇÃO DA MULTA FISCAL - ART. 35 DA LEI 8212/91 E ART. 106,1!, C, DO CTN - APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA AO DEVEDOR - ACÓRDÃO - CON7'RADIÇÃO - IIVEXISTÊNCL4 - CDA - REQUISITOS - APRECIAÇÃO - SÚMULA 7ISTJ - 1- Inexiste contradição em acórdão que fixa o entendimento pela necessidade de pagamento para que ocorresse a retroatividade benigna em favor do contribuinte quando a fundamentação do aresto segue no mesmo diapasão. 2- Inviável na sede extraordinária perquirir a presença dos requisitos formais de validade de certidão de dívida ativa, ainda mais quando já declarada válida pela instância ordinária. Inteligência da Súmula 7/STJ. 3- Ainda não definitivamente julgado o feito, o devedor tem direito à redução da multa, nos termos do art. 35 da Lei 8.212/91, com a nova redação dada pela Lei 9.528/97. 4- No confronto entre duas normas, aplica-se a 4 Processo n° 36980.004065/200649 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.647 Fl. 63 regra do art. 106, II "c" do CTN, por ser a dívida previdenciária de natureza tributária. 5- Recurso especial parcialmente provido. (STJ - REsp 1.053.735 - (2008/0095239-0) - 7 T. - Rela Eliana Calmon - DJe 26.11.2008 - p. 1032) PROCESSUAL CIVIL - EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - REDUÇÃO DA MULTA - APLICAÇÃO DO ART. 106, "C", DO CTN - RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA - I- "É plenamente aplicável lei superveniente que preveja a redução de multa moratória dos débitos tributários. Aplicação do art. 106, II, "c", do Código Tributário NacionaL " (REsp 624.536/RS, Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 13.02.2001 DJ 06.03.2007p. 248). 2- Recurso Especial não provido. (STJ - REsp 628.077 - (2004/0013099-0) - 2° 7'. - ReL Min. Herman Benjamin - DJe 17.10.2008 -p. 637) Entendo que há cabimento do ml. 106, inciso II, alíneas "a" e "b" do CTN. A Lei n° 11.941 de 2009, ao revogar o art. 41 da Lei n ° 8.212, implica a não responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a Lei n° 11.941, de 2009, deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracionaL Basta uma análise singela, caso a fiscalização fosse autuar o Presidente da Câmara Municipal de Rio Pardo de Minas — MG na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia fazê-lo em função justamente do art. 79 da Lei n° 11.941 de 2009. Assim, em relação ao dirigente a referida Lei é, sem dúvida, mais benéfica; se antes a autuação era em nome do dirigente, após a vigência da Lei n° 11.941/09 não cabe tal autuação. Além do mais, a Lei n° 11.941/09 deixou de tratar o ato do dirigente como contrário à exigência de ação ou omissão. In casu, não houve configuração de fraude pelo dirigente no relatório fiscal. A repercussão da retroatividade em relação às obrigações acessórias, como na hipótese de haver uma obrigação sem responsável, não cabe a este Colegiado apreciar; quem fez a escolha por não autuar o dirigente do órgão público foi o legislador pátrio por meio de Lei 2,V Ordinária, se é justo ou injusto nâo interessa, como esse órgão é componente do Poder Executivo cabe apenas a aplicação objetiva dos atos normativos sem realizar juízo de valor. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito CONCEDER- LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 29 rui • o de 2009 LEON 410H • r.íe,, • 1 . PES - Relator 41r,
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Numero do processo: 10580.010785/00-36
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000
Ementa:
ESTIMATIVA MENSAL. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA.
Ausentes nos autos elementos capazes de demonstrar que a antecipação obrigatória foi extinta por meio de compensação com saldo negativo de período anterior, há de se negar o eventual direito creditório dela decorrente.
PAGAMENTO FORA DO PRAZO LEGAL. ENCARGOS LEGAIS.
Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Sobre os referidos débitos incidirão juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INAPLICABILIDADE.
À evidência, o prazo estampado no parágrafo quarto do art. 150 do Código Tributário Nacional, não obstante representar termo fatal para constituição de créditos tributários nos casos por ele alcançados, não se aplica aos pedidos de reconhecimento de direito creditório, que, no caso de pessoa jurídica, dependem de provocação do interessado.
VARIAÇÃO CAMBIAL. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. LEGISLAÇÃO ANTERIOR.
Nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações, deveriam ser incluídas na determinação do lucro operacional, de acordo com o regime de competência (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei nº 9.249, de 1995, art. 8º).
LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 60 da Lei nº 9.430, de 1996, as entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial, enquanto perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo, se submetem às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 1301-001.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. Ausentes nos autos elementos capazes de demonstrar que a antecipação obrigatória foi extinta por meio de compensação com saldo negativo de período anterior, há de se negar o eventual direito creditório dela decorrente. PAGAMENTO FORA DO PRAZO LEGAL. ENCARGOS LEGAIS. Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Sobre os referidos débitos incidirão juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INAPLICABILIDADE. À evidência, o prazo estampado no parágrafo quarto do art. 150 do Código Tributário Nacional, não obstante representar termo fatal para constituição de créditos tributários nos casos por ele alcançados, não se aplica aos pedidos de reconhecimento de direito creditório, que, no caso de pessoa jurídica, dependem de provocação do interessado. VARIAÇÃO CAMBIAL. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. LEGISLAÇÃO ANTERIOR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 07 85 /0 0- 36 Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.676 2 Nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações, deveriam ser incluídas na determinação do lucro operacional, de acordo com o regime de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei nº 9.249, de 1995, art. 8º). LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 60 da Lei nº 9.430, de 1996, as entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial, enquanto perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo, se submetem às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Cristiane Silva Costa. Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.677 3 Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição, cumulado com o de compensação, consubstanciados em crédito relativo a Imposto de Renda Pessoa Jurídica do anocalendário de 1999. A Delegacia da Receita Federal em Salvador, unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados, emitiu Despacho propondo o encaminhamento do processo à Fiscalização (fls. 856/857). No referido Despacho consta indicação das inconsistências a seguir indicadas, apuradas a partir da análise empreendida: i) ausência de cômputo de multa nos recolhimentos realizados fora do prazo das estimativas referentes aos meses de janeiro a abril de 1999; ii) dedução na determinação da estimativa do mês de janeiro de 1999, a título de saldo negativo de IRPJ de exercícios anteriores, da importância de R$ 778.972,91, acrescida de atualização (R$ 588.747,72), cuja origem não restou comprovada; iii) existência de notificações relativas à restituição de IRPJ do exercício de 1989 (194.792,70 UFIR), cujo pedido de repetição foi efetuado por meio do processo nº 10580.001741/9883, que, à época, encontravase sob apreciação (esclareceu a Delegacia da Receita Federal em Salvador que o valor em questão seria destinado à compensação de ofício de débitos porventura existentes em nome da contribuinte, uma vez que no pedido de compensação integrante do processo nº 10580.001741/9883 não haviam sido indicados débitos passíveis de compensação); iv) inexistência de saldo negativo de IRPJ nos exercícios de 1995 a 1999 que pudesse ser destinado à compensação no exercício 2000. Tomando por base informações trazidas pelo setor de fiscalização, a Delegacia da Receita Federal em Salvador emitiu o Parecer de fls. 1.163/1.164, em que propôs a não homologação das compensações pleiteadas, haja vista a inexistência do crédito apontado para o encontro de contas. Por bem sintetizar os fundamentos que serviram de suporte para a proposição acima referenciada, reproduzo abaixo o Parecer em questão. BANCO ECONÔMICO S/A. comparece perante esta unidade da Secretaria da Receita Federal, fl. 01/02, apresentando pedido de restituição/compensação de débitos relativos a CSLL, IRPJ, PIS e COFINS, totalizado em R$ 23.438.715,59 (vinte e três milhões, quatrocentos, trinta e oito mil, setecentos e quinze reais, cinqüenta e nove centavos), com saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 1999 e anteriores. Na oportunidade foram anexados Declaração que a instituição financeira em referência não efetuou compensações utilizando o crédito objeto do presente Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.678 4 processo, exceto o valor informado no Pedido de fl. 02 (docs. fl. 03); cópia do CNPJ e Estatuto Social (fls. 05 a 13); Atos do Presidente do Banco Central n°s 000352 e 000561 (fls. 17 e 18); procuração (fl. 20), balancetes mensais de cálculo do IRPJ e CSLL por estimativa referentes ao ano de 1999 (fls. 23 a 75); cópias de notificações que tratam de IRPJ a restituir, relativas ao exercício de 1989, com CNPJ diferentes, objetos também de outro processo de compensação formalizado sob o n° 10580.001741/9883 (fls. 76 e 77); DARF de recolhimento do IRPJ, código 2319, e CSLL, código 2469, referentes ao período de apuração de 05/99 a 12/99 (fls. 78 a 84); DCTF retificadoras do 1º ao 4º trimestre de 99 (fls. 85 a 430); DIPJ/2000 (fls. 431 a 511); cópia do Livro de Registro de Apuração da Contribuição Social, n° 09, referente a dezembro/99 (fls. 512 a 531); Pedidos de Compensação juntados em 02/2001 e 07/2001(fls. 534 a 547). Examinadas as declarações relativas aos anos de 95 a 99, fls. 548 a 810, com fim de identificar saldos negativos de IRPJ utilizados na compensação do próprio imposto devido em 1999, conforme ilustrado nos demonstrativos de fls. 23 a 48, foi verificado inexistência de valores de IRPJ a recuperar, dentre outras inconsistências, devidamente relacionadas no despacho de fls. 856 e 857, dando encaminhamento do presente ao Serviço de Fiscalização dessa DRF para diligência fiscal. Aberta diligência fiscal em 08/07/2004, conforme Termo de fl. 877, foram juntados os docs. de fls. 878 a 1.127, cujo exame revelou que a instituição financeira excluiu para efeito de apuração do lucro real, base de cálculo da CSLL anual e base de cálculo das estimativas mensais referentes ao ano calendário de 1999, variação cambial sobre NTNssérie A3, registrada à conta 7.1.9.60.007. Acrescenta que quanto aos juros calculados sobre as NTNssérie A3, contabilizados à mesma conta, foram excluídos apenas para efeito de apuração da base de cálculo do IRPJ, permanecendo na base de cálculo da CSLL (vide despacho de fl. 1128). Tendo em vista o despacho supra, para realizarmos o julgamento, foi solicitado ao SEFIS/DRF/SDR que especificasse o valor da base de cálculo do IRPJ referente ao ano calendário de 1999 (doe. fl. 1.152). Em resposta foi encaminhado tabela relacionando os valores que foram excluídos da base de cálculo do IRPJ e CSLL (vide doc. fls. 1.153) extraídos dos registros contábeis apresentados pelo interessado. Consultas revelam que não existe amparo legal para exclusão da base de cálculo do IRPJ e CSLL dos valores lançados a título de variação cambial e juros sobre notas do Tesouro Nacional subsérie A3, conforme MP n° 185810, de 1999, art. 30 e reedições posteriores, MP n° 199112, de 1999, e reedições. Dessa forma, retirado o valor excluído indevidamente da base de cálculo do IRPJ, totalizado em R$ 1.565.618.126,99, conforme registrados nos demonstrativos de fls. 923 e 929, saldo da conta rendas de créditos vinculados ao Banco Central em 30/06/99 e 31/12/99, o Lucro real resultaria em resultado positivo de R$ 1.529.330.353,71, apurado conforme abaixo: FICHA 10B DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL INST. FINANCEIRAS DIPJ/2000 APURAÇÃO ANUAL Valor 01. Lucro Líquido antes do IRPJ 1.256.290.972,10 ADIÇÕES Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.679 5 02 A 12 13. Soma das Adições 3.902.307.852,83 EXCLUSÕES 16.() Lucros Div. Deriv. Invest. Aval. p/ custo de aquis. 352.489,68 17.() Ajustes por aumento valor de invest. Aval. p/ PL 8.190.214,59 20.() outras exclusões 1.108.143.822,75 21. Soma das exclusões 1.116.686.527,02 22 a 23 24. Lucro Real 1.529.330.353,71 Cabe acrescentar que a ficha acima foi recomposta com valores extraídos da DIPJ/2000, processada sob o n° 1085658, com cópia às fls. 718 e 719, exceto o valor da linha 20, assim considerado pela flagrante ilegalidade das exclusões realizadas, tal como acima especificado. Prosseguindo na análise, o resultado positivo apurado implicaria em IR de R$ 229.399.553,10 e adicional de R$ 152.909.035,37, portanto os valores recolhidos de IRPJ em 1999, código 2319, confirmados no sistema SIEFI, conforme docs. de fls. 1.155 e 1.156, foram insuficientes para liquidar o IRPJ devido no ajuste anual, inexistindo, portanto, saldo negativo a recuperar no exercício de 2000. Em conclusão, pelo exposto, inexistindo crédito na forma prevista pela IN SRF 21/97, alterada pela 73/97, revogada pela 210/2002, revogada pela art. 78 da IN SRF 460 de 18/10/2004, proponho a não homologação das compensações de fls. 02, 534, 538, 539, 860 e 867, cadastradas no sistema PROFISC conforme extrato de fls. 1.157 a 1.162, devendo o sujeito passivo ser cientificado do presente Parecer e intimado a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com o respectivos acréscimos legais. Na oportunidade acrescento que os valores do IRPJ devidos mensalmente seguem em cobrança através do processo 10580.0021241/9994. Com base no referido Parecer, o Delegado da Receita Federal em Salvador emitiu o Despacho Decisório de fls. 1.165, não homologando as compensações pleiteadas. Inconformada, a autuada interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 1.175/1.204), momento em que trouxe os seguintes argumentos: que o Fisco não poderia alterar o resultado de períodobase já atingido pela decadência, ainda que tal resultado seja negativo; que, considerando que as DCTF de 1999 foram retificadas por meio do processo nº 10580.010976/0034, no qual estavam anexadas as bases de cálculo, o LALUR e a DIPJ, tendo sido proferido, em 26/12/2003, o Despacho nº 3.149/2003, que aprovou as retificações requeridas, outra conclusão não seria admissível senão considerarse que, ao deferir as alterações, tornaramse homologadas expressamente as bases de cálculo de 1999; que, quer pela ofensa à tipicidade cerrada (que imputou o fato gerador com base numa MP que trata de variação cambial, quando o procedimento está escorado em lei), quer por se tratar de nítida hipótese de isenção, deve ser afastada qualquer intenção de serem Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.680 6 adicionados, na determinação da base de cálculo do IRPJ, os juros que remuneram os títulos NTNA3; que não se conformava com a inclusão da multa e dos juros, uma vez que está sob regime de liquidação extrajudicial; que mesmo admitindo a caracterização de LUCRO decorrente da valorização dos títulos NTNA3, ao modificar a forma de registro da dívida do PROER, apuraria uma base de cálculo negativa para o IRPJ e para a CSLL; que, a título de esclarecimento, informava: a) que, relativamente à antecipação obrigatória de janeiro de 1999, foi utilizado o saldo negativo apurado na declaração de rendimentos do exercício de 1990, cujo valor foi objeto da notificação recebida somente em 19 de dezembro de 1994; b) que tal compensação se revelava matéria incontroversa, uma vez que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador já teria acatado tal pleito, conforme despacho decisório proferido nos autos do processo nº 10580.021241/9994; e c) que o processo administrativo nº 10580.021241/9994 tem por objeto a restituição de FINSOCIAL pago a maior e não a cobrança de eventuais parcelas complementares relativas às antecipações obrigatórias (alegou: “...o Fisco, desvirtuando o devido processo administrativo, indeferiu a restituição de FINSOCIAL, determinando a cobrança dos tributos mensais com base nas DCTF ORIGINAIS RETIFICADAS, AO ARREPIO DOS DÉBITOS CONTIDOS NAS DCTF RETIFICADORAS HOMOLOGADAS NO PROCESSO Nº 10580.010976/0034, como se fossem instrumentos hábeis para cobrança, já a DRJ, alterando o entendimento, determinou a cobrança com base nos pedidos de compensação, sobre os quais foram apresentados e deferidos os pedidos de desistência.” (GRIFO DO ORIGINAL). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, por meio de despacho (fls. 1.456/1.457), propôs a realização de diligência para que fosse verificado na contabilidade da contribuinte se havia registros de compensações de débitos de IRPJ com o suposto crédito correspondente ao saldo negativo do anocalendário de 1999, no período entre a retificação da DIPJ/2000 e o término da vigência da IN/SRF nº 21/97 (possibilidade de compensação sem requerimento). Em atendimento, foi produzido o Relatório de fls. 1.483, no qual resta consignado que a diligenciada não atendeu às intimações formalizadas, alegando, entre outras razões, que não havia sido cientificada do despacho proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador. Assim, diante da ausência de elementos capazes de viabilizar as averiguações requeridas, o procedimento (diligência) foi encerrado. Às fls. 1.484, consta o seguinte despacho: Tendo em vista a falta de atendimento às intimações do SEFIS, mesmo depois da contribuinte obter cópia do processo, fls. 1476, evidenciando falta de interesse em esclarecer o solicitado pela DRJ, inviabilizando, deste modo, o cumprimento desta diligência pela fiscalização, sugiro o encaminhamento deste processo à DRJ para prosseguimento. (GRIFEI) A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, Bahia, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº 15 Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.681 7 13.276, de 26 de julho de 2007, pelo deferimento parcial dos pedidos veiculados pela Manifestação Inconformidade impetrada. O referido julgado restou assim ementado: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS SUPERIORES AOS DECLARADOS EM DCTF RETIFICADORA. INEXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO. Devem ser homologadas as compensações declaradas, até o limite do crédito reconhecido em favor da contribuinte, relativo à diferença entre os recolhimentos efetuados de estimativas IRPJ, no anocalendário 1999, e aqueles consignados nas DCTF Retifícadoras, considerados no cálculo do IRPJ anual, apurado em Auto de Infração. Demonstrada a inexistência de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, indeferese o pleito da empresa para utilizálo na compensação de outros débitos. Por relevante, reproduzo o inteiro teor do resultado do julgamento na instância a quo. Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar PARCIALMENTE PROCEDENTE a manifestação de inconformidade para RECONHECER o direito creditório em favor da contribuinte, no valor original de R$16.580.222,00 (dezesseis milhões quinhentos e oitenta mil e duzentos e vinte e dois reais), correspondente à diferença entre os recolhimentos efetuados por meio dos DARF de fls.78/80 e o das estimativas efetivamente declaradas na DCTF Retificadora e consideradas no ajuste anual apurado no Auto de Infração formalizado no processo n° 10580.011897/200590 e para HOMOLOGAR a compensação dos débitos discriminados nos pedidos de compensação de fls. 02, 534, 538, 539, 860, ATÉ o LIMITE DO CRÉDITO RECONHECIDO, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (GRIFO DO ORIGINAL) Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1557/1.579), por meio do qual argumenta: que renova a argumentação trazida em sede de Manifestação de Inconformidade acerca da compensação da estimativa relativa a janeiro de 1999 com saldo negativo apurado na declaração de rendimentos do exercício de 1989; que é fato inconteste que as estimativas mensais, declaradas em DCTF, apuradas no período de janeiro/1999 a novembro/1999, sobretudo no que se refere à extinção de sua exigibilidade, configuram matéria totalmente estranha ao feito; que, relativamente ao saldo negativo, a questão se prende a um lançamento de ofício em revisão que carece de fundamentos jurídicos e fáticos, devidamente contestado e ainda pendente de decisão final vale dizer, sobre o qual inexiste certeza para a cobrança, motivo pelo qual nunca poderia obstar o reconhecimento da existência de saldo negativo de IRPJ no ajuste anual do respectivo anocalendário (1999) e o conseqüente direito à compensação pleiteada, conforme demonstrado às fls. 540/547; Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.682 8 que o próprio reconhecimento do direito à compensação de R$ 16.580.222,20 (valor resultante dos reparos efetuados no acórdão, com os quais já disse não concordar) é, por si só, a prova eloqüente de que as estimativas foram recolhidas a maior; que não é possível o acórdão aceitar a compensação apenas de uma parte das estimativas, utilizando como argumento para impedir a compensação do "saldo" (R$ 18.084.563,90), a existência de processo administrativo em que se discute exigência superveniente imposta pelo Fisco; que, em respeito ao princípio da eventualidade, na hipótese de serem superadas as questões até aqui explanadas e remanescerem débitos, salienta que não se conforma com a inclusão de multa e juros, uma vez que se encontra em regime de liquidação extrajudicial. É o Relatório. Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.683 9 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Penso que se deve definir, em primeiro lugar, os contornos da lide. A contribuinte, por meio do documento de fls. 01, pediu restituição do montante de R$ 23.438.715,59, que, nos exatos termos do descrito no quadro 2 do formulário (MOTIVO DO PEDIDO), referese a “pagamento a maior do que o devido relativo à antecipação obrigatória de IRPJ, conforme declarado na DIPJ/2000...” . No DEMONSTRATIVO DO CÁLCULO DA RESTITUIÇÃO (Quadro 3 do formulário), a contribuinte indicou: (R$ 18.084.563,92) – valor devido de IRPJ Estimativa Mensal (R$ 342.447,99) – Juros moratórios até a data dos efetivos recolhimentos R$ 36.100.425,14 – Antecipações do IRPJ, realizada em 1999 R$ 736.570,05 – Atualização das antecipações até data da utilização R$ 778.972,91 – Crédito de IRPJ – Saldo negativo em períodos anteriores R$ 588.747,72 – Atualização do saldo negativo em períodos anteriores de IRPJ até a utilização em 1999 R$ 19.777.703,91 – Antecipação a maior do que a devida em 1999 (PRINCIPAL) Conforme demonstrativo de fls. 23, os montantes de R$ 778.972,91 e R$ 588.747,72 referemse, respectivamente, a saldos negativos de períodos anteriores e atualização, utilizados para compensar a estimativa relativa ao mês de janeiro de 1999. Cumulativamente, foi apresentado pedido de compensação no valor de R$ 9.360.952,71 (fls. 02). Posteriormente, outros pedidos de compensação foram aportados ao processo. Diante da constatação de inúmeras inconsistências, a Delegacia da Receita Federal em Salvador, por meio de Despacho (fls. 856/857), propôs a realização de diligência fiscal para fins de confirmação dos fatos apurados. Amparada nas averiguações promovidas por meio da Diligência Fiscal requerida, a Delegacia da Receita Federal em Salvador emitiu o Parecer/SEORT nº 431/2005 Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.684 10 (fls. 1.163/1.165), no qual esclareceu que a contribuinte excluiu, para efeito de apuração do lucro real, da base de cálculo da CSLL e da base de cálculo das estimativas mensais do anocalendário de 1999, variação cambial sobre NTN – série A3. Os juros calculados sobre referidos títulos foram excluídos, apenas, para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda. Concluiu a referida unidade administrativa no sentido da inexistência de suporte legal para a exclusão das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos valores relativos à variação cambial e aos juros sobre Notas do Tesouro Nacional – subsérie A3, conforme Medida Provisória nº 1.85810, art. 30, e reedições posteriores, e Medida Provisória nº 1.99112, de 1999, e reedições. Recalculando a base de cálculo do imposto de renda, a partir da desconsideração das exclusões promovidas pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal em Salvador concluiu pela inexistência de crédito no anocalendário de 1999, pois, diante do recálculo, o resultado final foi imposto a pagar. O Parecer/SEORT nº 431/2005 resultou na emissão de Despacho Decisório pelo Delegado da Receita Federal em Salvador (fls. 1.165). Cuidou, ainda, a Delegacia da Receita Federal em Salvador, de representar ao setor competente para que fossem averiguados os fatos descritos no Parecer/SEORT nº 431/2005 em referência (fls. 1.166). Cabe destacar que a Delegacia da Receita Federal em Salvador, de início, tratou o pedido da contribuinte, acertadamente, como recolhimento a maior no ano de 1999, eis que no Despacho de fls. 856/857 assinalou: Trata o presente processo do pedido de restituição do valor de R$23.438.715,59 ( vinte e três milhões, quatrocentos e trinta e oito mil, setecentos e quinze reais e cinquenta e nove centavos), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica recolhido a maior pela empresa supra qualificada durante o ano calendário de 1999. (GRIFEI) Contudo, no Parecer de fls. 1.163/1.165, a referida unidade recepcionou o pedido de restituição da contribuinte como se fosse relativo a saldos negativos do ano calendário de 1999 e de períodos anteriores, eis que nele registrou consignado: BANCO ECONÔMICO S/A. comparece perante esta unidade da Secretaria da Receita Federal, fl. 01/02, apresentando pedido de restituição/compensação de débitos relativos a CSLL, IRPJ, PIS e COFINS , totalizado em R$ 23.438.715,59 (vinte e três milhões, quatrocentos, trinta e oito mil, setecentos e quinze reais, cinqüenta e nove centavos), com saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 1999 e anteriores. (GRIFEI) A contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 1.175/1.204). Diante da interposição da defesa pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador decidiu converter o julgamento em diligência (Despacho DRJ/SDR nº 003, fls. 1.456/1.458), para que fosse verificado na contabilidade da requerente se havia registros de compensações de débitos de imposto de renda com o suposto crédito correspondente a saldo negativo do anocalendário de 1999, no período entre a retificação da DIPJ/2000 e o término da vigência da IN/SRF nº 21/97 (30 de setembro de 2002), caso em que referidas compensações deveriam ser discriminadas. Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.685 11 Do Despacho acima referenciado releva destacar os seguintes elementos: i) o pedido de restituição (R$ 23.438.715,59) seria correspondente a antecipações recolhidas a maior do que a devida no ano de 1999 (principal no montante de R$ 19.777.703,91, atualizado até dezembro de 2000); ii) em virtude da Representação formalizada anteriormente, foi lavrado auto de infração (processo nº 10580.011897/200590), no qual foi apontada redução indevida do lucro real relativo ao anocalendário de 1999 em razão da apuração, entre outras infrações, da exclusão indevida da variação cambial e dos juros sobre as Notas do Tesouro Nacional – subsérie A3; iii) a contribuinte efetuou recolhimentos de estimativas por meio dos DARF no total de R$ 36.670.555,45, e declarou em DCTF retificadoras valores devidos de estimativa mensal de IRPJ, no anocalendário de 1999, no montante de R$18.084.563,92; iv) o valor de R$ 18.084.563,92 foi deduzido do IRPJ apurado como devido no ajuste anual demonstrado no Auto de Infração para fins de determinação do montante a ser lançado de ofício; v) a partir de tais conclusões, a contribuinte teria direito, a princípio, à parcela significativa do direito creditório pleiteado, correspondente a antecipações recolhidas a maior do que a devida nas DCTF Retificadoras; vi) considerando, porém, que até 30/09/2002 estava em vigor a IN/SRF n° 21/1997, que permitia a compensação de tributos da mesma espécie e mesma destinação constitucional, independentemente de requerimento, existia possibilidade de a contribuinte ter utilizado o suposto crédito de R$18.084.563,92 para compensar débitos subseqüentes de IRPJ de sua titularidade, no período da vigência da referida Instrução Normativa. Notese que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, acertadamente, aprecia o pedido de reconhecimento de direito creditório formalizado pela contribuinte como referente a PAGAMENTO A MAIOR de estimativas (antecipações obrigatórias) do anocalendário de 1999. A diligência fiscal requerida, contudo, foi inconclusiva, vez que a contribuinte não atendeu as intimações formalizadas (Relatório às fls. 1.483). A Decisão exarada em primeira instância assinala que, para compensar os débitos apontados nas Declarações de Compensação anexadas às fls. 538/539, a contribuinte utilizou, além do crédito de R$ 23.438.715,50 indicado no pedido de fls. 01, o montante de saldo negativo apurado na DIPJ/2000 no valor de R$ 18.084.563,90. Do referido ato decisório, extraio as seguintes conclusões: a) o valor correspondente à diferença entre os valores recolhidos a título de estimativas de IRPJ referentes ao anocalendário de 1999 e aqueles declarados na DCTF (retificadora) é passível de ser restituído ou utilizado para compensação com débitos do contribuinte relativos a tributos ou contribuições sob a administração da Receita Federal; Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.686 12 b) a compensação de parte do IRPJ devido por estimativa no mês de janeiro de 1999 com créditos de períodos anteriores não restou comprovada nos autos; c) a contribuinte deixou de computar a multa de mora por atraso nos recolhimentos das estimativas referentes aos meses de janeiro a abril de 1999; d) o saldo negativo apurado no ano de 1989 que teria sido utilizado para extinguir parcela da estimativa de janeiro de 1999, conforme decisão exarada em primeira instância nos autos do processo administrativo nº 10580.021241/9994 (acórdão DRJ/SDR nº 6.647, de 08 de março de 2005), foi utilizado para a compensação de débitos relativos aos períodos de apuração de 2002 e de 2003; e) são devidos a multa de mora e os juros de mora sobre o valores do IRPJ devido mensalmente por estimativa, vencidos e não pagos nos respectivos vencimentos; f) o saldo negativo de R$ 18.084.563,90, apurado na DIPJ/2000, é inexistente, vez que o acórdão nº 1511.853 da 1ª Turma de Julgamento daquela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, rejeitando a preliminar de decadência, manteve parcialmente o lançamento promovido nos autos do processo administrativo nº 10580.011897/200590, para considerar devido o IRPJ no montante de R$ 189.360.022,33; e g) o voto condutor da decisão de primeiro grau ainda assinala: Quanto à informação de que, em virtude dos "Fatos Novos de Alta Relevância" que dizem respeito à necessidade de adequação da sua contabilidade aos ajustes determinados pelo Banco Central do Brasil, e para fins de interrupção do prazo prescricional, a impugnante protocolou pedidos de restituição de todos os valores compensados no presente feito, cumpre informar que não será objeto de análise, por ser matéria alheia ao presente processo, cuja competência originária para apreciação é da DRF/Salvador. Com base em tais fundamentos, a autoridade julgadora de primeira instância reconheceu o direito creditório no valor de R$ 16.580.222,00, correspondente à diferença entre os recolhimentos efetuados por meio de DARF e o montante das estimativas declaradas em DCTF (retificadora), e homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido. Em apertada síntese, os limites da controvérsia instaurada no presente processo estão representadas pelas conclusões descritas nas letras “a” a “g” acima, e é contra elas que a contribuinte se insurge em sua peça recursal. Aprecio, pois, os argumentos expendidos pela ora Recorrente. COMPENSAÇÃO DA ESTIMATIVA DE JANEIRO DE 1999 A Recorrente reafirma que na determinação do valor da estimativa de janeiro de 1999 utilizou saldo negativo apurado na declaração de rendimentos do exercício de 1989. Diz que a compensação é matéria incontroversa, vez que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, por meio do acórdão nº 6.647/2005 (processo administrativo nº 10580.021241/9994) expressamente a admitiu. Alega que a própria decisão recorrida concluiu que o direito à restituição/compensação foi reconhecido. Sustenta que a afirmação constante na decisão de primeiro grau de que os débitos cuja compensação foi homologada não se referem à Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.687 13 parte da estimativa do mês de janeiro de 1999, mas, sim, a períodos de apuração de 2002 e de 2003, não resiste sequer ao exame da documentação acostada aos autos (DCTF retificadora). A afirmação a que faz referência a Recorrente, tomou por base análise empreendida no acórdão DRJ/SDR nº 6.647, proferido no processo administrativo nº 10580.021241/9994, juntado aos autos às fls. 1.485/1.494, e em cópias de algumas peças do referido processo (fls. 1.446/1.448). Do referido julgado, reproduzo os seguintes excertos: [...] 33. Quanto ao pedido de homologação da compensação, verificase que não há mais como fazer referência ao Pedido de fl. 01, ante o Pedido de Desistência formal apresentado pelo contribuinte em 12/11/2002 (fl.199), requerida em data de 11/11/2002, no prazo legal previsto para desistência (art. 1º da IN SRF n° 233, de 29 de outubro de 2002). 34. Assim, é oportuno observar que para efeito de compensação deverá ser considerado o pedido relativo à Declaração de Compensação de fls. 1077/1079 entregue pela interessada em 30/07/2003 em substituição ao de fls.202/204, uma vez que àquela data o pedido de restituição dos créditos encaminhado a SRF se encontrava pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da "Declaração de Compensação"( IN SRF n° 360, de 24 de setembro de 2003, em seu art. 4º) . 35. Em consonância com este mesmo entendimento, há que ser esclarecido ainda, que não se apreciará as razões pelas quais houve alteração nos valores relacionados no pedido de compensação de fl. 01, e, em decorrência, a retificação nas DCTF, porque os débitos ali discriminados já não são objeto do presente processo, não se relacionando ao litígio ora posto: a análise do pedido de restituição e a não homologação da compensação (fl. 1077). (GRIFEI) Às fls. 1.448 consta cópia do Pedido de Compensação, que constituiu a folha 01 do processo administrativo nº 10580.021241/9994 e que, de acordo com a decisão de primeira instância nele exarada, não foi objeto de apreciação em virtude de a contribuinte ter formalizado pedido de desistência. Observese que o pedido em questão trata, entre outras, de compensação de débito de antecipação obrigatória (estimativa) de IRPJ de janeiro de 1999. Correta, pois, à luz da documentação que serviu de suporte, a decisão de primeira instância no sentido de que não se pode acolher a pretensão da contribuinte. MULTA DE MORA SOBRE AS ESTIMATIVAS VENCIDAS Alega a Recorrente que na composição do valor recolhido a maior do que o devido foi trazida, apenas, a compensação da estimativa mensal apurada no mês de dezembro de 1999, isto é, os períodos de apuração de janeiro a novembro de 1999 “sequer compõem a matéria tratada neste processo”. Equivocase a Recorrente. Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.688 14 Com efeito, os próprios demonstrativos aportados ao processo pela contribuinte às fls. 23/75 demonstram que os pagamentos realizados a maior em outubro de 1999 objetivaram quitar, ao menos em parte, antecipações obrigatórias que já se encontravam vencidas. Referidos demonstrativos, inclusive, guardam inteira relação com o DEMONSTRATIVO DE IMPUTAÇÃO de fls. 831/833, onde encontramse devidamente detalhados os débitos, suas datas de vencimento, os pagamentos efetuados e os encargos legais cabíveis. Na linha do sustentado pela decisão recorrida, diante das disposições do art. 60 da Lei nº 9.430, de 1996, as entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. Tratandose, pois, de extinção de débito após o vencimento legal da obrigação, são aplicáveis as disposições do art. 61 do diploma referenciado no parágrafo anterior, abaixo transcritas. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. SALDO NEGATIVO DE IRPJ DO ANOCALENDÁRIO DE 1999 Argumenta a Recorrente que a questão se prende a um lançamento de ofício em revisão que carece de fundamentos jurídicos e fáticos, devidamente contestado e ainda pendente de decisão final. Diz que, em virtude de tal fato, o referido feito, objeto do processo administrativo nº 10580.011897/200590, não poderia obstar o reconhecimento da existência do saldo negativo em questão. Sustenta que o próprio reconhecimento do direito à compensação de R$ 16.580.222,20 é, por si só, prova de que as estimativas foram recolhidas a maior. Afirma que, na hipótese de vir a ser confirmado em decisão final, o auto de infração será objeto de cobrança final. De início, algumas considerações. O processo administrativo nº 10580.011897/200590 já foi objeto de decisão final, conforme acórdão nº 10196.514 da Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, vez que o Recurso Especial impetrado pela Fazenda Nacional não foi conhecido Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.689 15 pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdão nº 910100.342, de 25 de agosto de 2009). Os referidos julgados restaram assim ementados: Acórdão nº 10196.514 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IRPJ PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Consoante jurisprudência firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, após o advento da Lei no 8.383/91, o Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas é lançado na modalidade de lançamento por homologação e a decadência do direito de constituir crédito tributário regese pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO DECADÊNCIA Por se tratar de tributo cuja modalidade de lançamento é por homologação, expirado cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Acórdão nº 910100.342 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de recurso especial de divergência, quando a decisão do acórdão paradigma não deu a lei tributária interpretação divergente da que lhe foi dado pelo acórdão recorrido, mas ao contrário, convergem na mesma direção. O reconhecimento, pela Turma Julgadora de primeira instância, do direito à compensação de R$ 16.580.222,20, por sua vez, decorreu da efetiva constatação de PAGAMENTO A MAIOR das antecipações obrigatórias, não guardando relação, portanto, com o saldo negativo apurado ao final do período de apuração, que deriva, entre outras possíveis origens, da estimativa devida e recolhida nos termos da legislação de regência. Analisando o decidido pela Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes nos autos do processo administrativo nº 10580.011897/200590, verifico que o recurso voluntário impetrado foi provido, vez que foi acolhida a preliminar de decadência. A meu ver, na medida em que a questão de mérito impeditiva do reconhecimento do direito creditório representado pelo saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999 não foi apreciada em segunda instância, eis que decretada, liminarmente, a caducidade do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, ela deve ser apreciada neste momento, única e exclusivamente como forma de aferir a liquidez e certeza do crédito utilizado nas compensações tributárias. Esclareço, primeiramente, que a análise da legislação que disciplina o instituto da compensação no âmbito tributário conduz a conclusões que demonstram de forma inequívoca que não se pode aplicar as normas relativas à constituição do crédito tributário ao instituto da compensação, senão vejamos: 1. o Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a matéria, estabeleceu (art. 170, caput): a) que compete à lei autorizar a compensação; b) que a lei pode atribuir à autoridade administrativa poderes para estipular condições e garantias para que a compensação Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.690 16 seja deferida; c) que a compensação de débitos do contribuinte envolve, necessariamente, créditos líquidos e certos desse mesmo sujeito passivo contra a Fazenda Pública; 2. a Receita Federal está autorizada pela lei a expedir instruções necessárias à efetivação da compensação (Lei nº 8.383/91, art. 66, parágrafo 4º); 3. a compensação submetese a procedimento homologatório, ainda que pela via tácita (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafos 2º e 5º); 4. o procedimento de homologação da compensação se submete a prazo, e o início de sua contagem se dá a partir do momento em que a compensação é requerida nos termos e condições estabelecidos pela lei (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafo 5º); 5. a não homologação da compensação pleiteada faculta ao contribuinte a apresentação de manifestação de inconformidade e eventual recurso, nos exatos termos do Decreto nº 70.235, de 1972 (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafos 9º, 10 e 11); 6. a manifestação de inconformidade e o recurso eventualmente apresentados suspendem a exigibilidade do débito tido como indevidamente compensado nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafo 11, in fine); A legislação referenciada deixa fora de dúvida de que à COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA são aplicadas normas especiais no que tange à competência para a apreciação dos pedidos correspondentes, à necessária homologação dos citados pedidos, ao prazo para a efetivação da homologação e ao rito processual aplicável à matéria. Aceitar tese contrária, qual seja, a de que a aferição da liquidez e certeza do crédito indicado para compensação se submete à regra de decadência estampada pelo parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, significaria, em última análise, afastar, por desnecessária, a norma estampada no parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Obviamente, tal entendimento não encontra ressonância na legislação de regência, eis que, como já disse, o instituto da compensação é regido por um conjunto próprio de normas, e, no que diz respeito a prazo para homologação, a regra não pode ser outra senão a prevista no parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Recepcionada sob outra ótica, poderseia afirmar que o entendimento sob apreciação não afastaria, necessariamente, a aplicação do prazo previsto no parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, sendo que este seria aplicável à homologação da compensação e o previsto no parágrafo 4º do art. 150 do CTN deveria ser observado na aferição da liquidez e certeza do crédito apontado para o encontro de contas. A meu ver, tal raciocínio revelase, da mesma forma, absolutamente equivocado, eis que não se pode admitir homologação de compensação sem que a certeza e liquidez dos créditos sejam aferidas, pois, do contrário, estarseá deixando de observar requisito imposto pela norma de regência (caput do art. 170 do Código Tributário Nacional). Em síntese: a homologação da compensação pleiteada pelo contribuinte está representada, em essência, pela verificação da certeza e liquidez dos créditos indicados no pedido. Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.691 17 Em conclusão, penso que, não obstante o crédito tributário constituído a partir da Representação formalizada pela Delegacia da Receita Federal em Salvador tenha sido cancelado em razão do decurso do prazo decadencial, devemos nos debruçar sobre os fundamentos do Despacho Decisório de fls. 1.165, estampados no Parecer/SEORT nº 431/2005 (fls. 1.163/1.165). Neste particular, por entender que não é digna de reparo e por não ter os seus fundamentos contraditados por meio do recurso voluntário interposto no processo administrativo que cuidou do lançamento tributário (10580.011897/200590)1, acolho por inteiro as razões de decidir esposadas no acórdão nº 1511.853, proferido pela Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, no sentido de julgar indevida a exclusão, na determinação do lucro real, da variação cambial sobre as Notas do Tesouro Nacional – subsérie A3. Reproduzo, abaixo, excertos do julgado em referência. [...] Variação Cambial das NTN A impugnante alegou que as NTN objeto da autuação terão seus vencimentos implementados no ano de 2024, por isso seria impossível estimar a taxa cambial em que se darão suas liquidações, e que toda e qualquer mutação decorrente do câmbio até o dia do vencimento e efetivo resgate seria mera expectativa de renda, ou de lucro ou de prejuízo. Desta forma, caso não fosse afastada a tributação da renda fictícia produzida pelas oscilações do câmbio flutuante ocorridas no câmbio em 1999, ela teria um efeito de confisco, e considerando que a empresa estava em processo de liquidação extrajudicial, não seria razoável que efetuasse um recolhimento apurado sobre meras expectativas de receitas provisórias, precárias, fictas e indisponíveis e, após dois meses o valor principal do imposto fosse considerado como recolhimento a maior do que o devido. Inicialmente, cabe frisar que é obrigação decorrente de preceito legal, inserido tanto na lei comercial como na legislação fiscal, a utilização do regime de competência no registro contábil dos fatos ocorrentes numa empresa. Consiste tal regime de escrituração na apropriação de receitas e despesas no momento de ocorrência desses eventos, independentemente do recebimento ou pagamento dos valores. No ano calendário de 1999, período base autuado, a legislação em vigor determinava expressamente que as variações monetárias ativas, em função da taxa de câmbio, deveriam ser tributadas como receitas financeiras de acordo com o regime de competência, conforme art. 375 do RIR/1999, abaixo transcrito: Art. 375. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no 1 O Relatório do acórdão nº 10196514 da Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, prolatado nos autos do processo administrativo nº 10580.011897/200590, assinala que a contribuinte limitouse a reprisar, em sede de recurso voluntário, a argumentação expendida na peça impugnatória. Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.692 18 pagamento de obrigações (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei nº 9.249, de 1995, art. 8º) Parágrafo único. As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei nº 9.718, de 1998, art. 9º). Somente a partir de 1º de janeiro de 2000, foi alterada a forma de tributação das referidas variações monetárias, devendo ser considerada no momento da liquidação da correspondente operação, conforme estabelecido no art. 30 da Medida Provisória n° 1.85810, de 26 de outubro de 1999, abaixo transcrito: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. Quanto à alegação de que a tributação segundo o regime de competência no período autuado teria efeito de confisco ou não seria razoável por estar a empresa em processo de liquidação extrajudicial, foge à competência da autoridade administrativa apreciar a arguição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento pátrio, por se tratar de prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, nos termos do art. 102 da Constituição Federal. A norma jurídica, regularmente editada, goza da presunção de legitimidade e constitucionalidade, cabendo a autoridade administrativa tãosomente zelar pelo seu fiel cumprimento, até que seja excluída do mundo jurídico por uma outra norma superveniente ou por resolução do Senado Federal, a partir de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF) declarando sua inconstitucionalidade. Foi alegado, ainda, que os referidos títulos nunca permaneceram para negociação na carteira da impugnante, estando, sempre e ininterruptamente, vinculados ao BACEN, em garantia do PROER. Desta forma, a renda proveniente da variação cambial somente seria tributável após o real acréscimo patrimonial, face sua indisponibilidade jurídica e econômica. Tal entendimento estaria respaldado em resposta a consulta formulada ao BACEN, às fls. 574, onde foi esclarecido que os ganhos decorrente da variação cambial em foco seriam auferidos por ocasião do vencimento da aplicação, por integrarem o valor de face ou de resgate dos títulos, conforme Oficio do Banco Central do Brasil DEPAD/CONEP n° 99/0016, de 18/03/1999, às fls. 575. Além disso, o fato dos títulos estarem custodiados e vinculados ao BACEN para garantia da dívida por ela assumida, consistiria uma condição suspensiva, cujo implemento dependeria de evento futuro, qual seja, o pagamento da dívida, com a existência de saldo remanescente em seu favor. Assim somente com implemento desta condição poderseia exigir o tributo, pois somente então ocorreria o seu fato gerador. Conforme verificado em diligência fiscal, as NTN foram de fato vinculadas em garantia aos empréstimos concedidos pelo Banco Central do Brasil sob o amparo Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.693 19 do PROER, entretanto, os referidos títulos permaneceram na esfera patrimonial da impugnante, configurando assim a disponibilidade jurídica dos seus rendimentos. A característica essencial de uma garantia é a entrega voluntária do bem para guarda ou vigilância de terceiro, com o objetivo de prevenir os riscos da operação, e não a transferência de propriedade do bem ou de seus rendimentos. Os títulos, assim como seus rendimentos, somente deixariam de pertencer à impugnante no caso da execução da garantia pelo inadimplemento do empréstimo, o que ainda não ocorreu. Conforme já analisado, a legislação em vigor determinava expressamente que as variações monetárias ativas, em função da taxa de câmbio, fossem tributadas como receitas financeiras de acordo com o regime de competência, portanto, o pagamento da dívida não configura uma condição suspensiva à ocorrência do fato gerador do tributo, como pretende a impugnante. Diante do exposto, mantenho o lançamento fiscal referente à variação cambial incidente sobre as Notas do Tesouro Nacional (NTN), no valor de R$ 1.221.332.132,61. Despesa Financeira Não Contabilizada A impugnante alegou que no período autuado deixou de contabilizar parcela das despesas financeiras relativas aos contratos de mútuo celebrados junto ao Banco Central do Brasil sob a égide do PROER, e que tinham como garantia reais as NTN cujos rendimentos foram objeto de autuação. As despesas contabilizadas teriam sido calculadas com base na Taxa Referencial TR, quando deveriam ter sido calculadas nos moldes contratuais, ou seja, a remuneração dos títulos dados em garantia acrescido de 2% ao ano. Em decorrência, a despesa dedutível que teria deixado de ser contabilizada no período autuado totalizaria R$ 2.063.827.633,00. Desta forma, qualquer lucro que em tese tivesse sido auferido pela valorização dos títulos seria anulado pelo prejuízo decorrente da atualização da dívida por eles garantidos. Primeiramente, cabe observar que para efeitos fiscais a dedução de uma despesa dedutível é uma faculdade que compete ao contribuinte, nos termos do art. 377 do RIR/1999, e para exercer tal faculdade o contribuinte deve contabilizála e incluíla em sua declaração de rendimentos. A impugnante não pode pretender deduzir uma despesa quando ela própria não a reconhece como despesa em sua contabilidade. Somente para demonstrar os efeitos patrimoniais no caso em concreto, transcrevo matéria veiculada através do jornal Valor Econômico, em 3 de novembro de 2006: BC pode ter de pagar bilhões a donos de banco liquidado O Banco Central sofreu nesta semana uma importante derrota. A pedido do Ministério Publico, a Justiça da Bahia desbloqueou os bens dos controladores e exadministradores do Banco Econômico, entre eles Ângelo Calmon de Sá. Não há mais como recorrer. Os bens estavam bloqueados desde a intervenção no Econômico, em agosto de 1995. Como na época o patrimônio líquido do banco estava negativo em cerca de R$ 1,8 bilhão, imóveis e carros foram arrestados para cobrir eventuais prejuízos a credores ao final da liquidação. A ação de arresto havia sido proposta pelo próprio MP. Agora, no pedido de encerramento do processo, o MP criticou a lentidão da liquidação do Econômico e se baseou em balanços do banco que indicam equilíbrio entre ativos e passivos. Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.694 20 Há, porém, divergências sobre os números do balanço. Na contabilidade apresentada pelo liquidante do Econômico até maio, foi utilizada a TR para corrigir a dívida da instituição com o Banco Central, conforme determina a Lei 8.177. Mas o BC entende que a Lei de Falências (6.024) permite a correção pelo custo das garantias neste caso, as NTNA3 (variação cambial mais 6% ao ano). Cabe observar, ainda, que a decisão da autoridade julgadora concentrase na análise do mérito e legalidade do procedimento do lançamento, que no caso concreto está focalizada na exclusão não autorizada na apuração do lucro real de rendimentos financeiros vinculados às Notas do Tesouro Nacional e na falta da adição da realização mínima do Lucro Inflacionário. A despesa financeira que teria deixado de ser computada na apuração do resultado não foi objeto da autuação, nem constituiu despesa necessária para obtenção dos rendimentos em litígio. Desta forma, deixo de acolher a referida argumentação INEXIGIBILIDADE DE MULTA E JUROS DE MORA Afirma a Recorrente que não se conforma com a inclusão de multa e juros, uma vez que se encontra em regime de liquidação extrajudicial. Embora o caso apreciado verse sobre processo de falência, tomo por empréstimo os argumentos expendidos pelo ilustre Conselheiro Antônio Bezerra Neto no acórdão nº 20311076, eis que, por analogia, os fundamentos ali esposados aplicamse à liquidação extrajudicial. No referido acórdão restou consignado: [...] Do cabimento de multa e juros contra a massa falida Argúi a impugnante o descabimento de multa de ofício e dos juros de mora, em face do que dispõem os artigos 23 e 26 do DecretoLei nº 7. 661, de 21 de junho de 1945 – Lei de Falências, bem assim das Súmulas nº 192 e nº 565 do STF. Reproduzemse os dispositivos invocados pela defendente: “Art . 23. Ao juízo da falência devem concorrer todos os credores do devedor comum, comerciais ou civis, alegando e provando os seus direitos. Parágrafo único. Não podem ser reclamadas na falência: (...) III – as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas. (...) Art . 26 . Contra a massa não correm juros, ainda que estipulados forem, se o ativo apurado não bastar para o pagamento do principal. (g. n) Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.695 21 (...)” A respeito da matéria, o Supremo Tribunal Federal editou as Súmulas 192 e 565, que preceituam: “Súmula 192 – Não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa. ” “Súmula 565 – A multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência. ” Por outro lado, a Lei n 6.830, de 22 de setembro de 1980 – Lei de Execuções Fiscais, estabelece que: “Art . 5º. A competência para processar e julgar a execução da Dívida Ativa da Fazenda Pública exclui a de qualquer outro Juízo, inclusive o da falência, da concordata , da liquidação, da insolvência ou do inventário. (...) Art . 29. A cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública não é sujeita a concurso de credores ou habilitação em falência, concordata, liquidação, inventário ou arrolamento. (...) Art . 31. Nos processos de falência, concordata, liquidação, inventário, arrolamento ou concurso de credores, nenhuma alienação será judicialmente autorizada sem a prova de quitação da Dívida Ativa ou a concordância da Fazenda Pública. (...)” Acerca da questão, assim se pronunciou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em Parecer de n 1.400/99: “Em assim sendo, tornouse pacífico nos tribunais pátrios que o dispositivo da Lei de Falências, analogamente aplicado ao da Lei nº 6.024/74 (art. 18, alínea ‘f’), não atinge os créditos, cuja cobrança é regida pela Lei das Execuções Fiscais, em cumprimento ao comando emergente do seu art. 29. ” A análise mais acurada dos preceptivos legais até aqui colacionados revela que, a rigor, não são eles de maior relevância para a hipótese dos autos, pois seus comandos regulam uma fase posterior à da constituição do crédito tributário, qual seja, a sua cobrança. A constituição do crédito tributário, cuja legitimidade se está a examinar na presente demanda, incluiu a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora com amparo nos artigos 44, I, e 61, § 3º, da Lei nº 9 .430, de 27 de dezembro de 1996 c/c artigos 5º e 29 da Le i nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, não havendo nenhuma disposição legal que exima tais gravames do contribuinte com falência decretada. Em conseqüência, não poderia a autoridade fiscal autuante furtarse a aplicálos, ante o caráter obrigatório e vinculado de que se reveste o lançamento (art. 142, parágrafo único, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN). Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.696 22 Clara está, portanto, a imposição legal para a inclusão da multa de ofício e dos juros de mora na constituição do crédito tributário, independentemente da decretação da falência do contribuinte. Como já visto, o diploma legal de que se socorreu a impugnante não infirma este entendimento, vez que não se reporta à fase da constituição do crédito, e sim da sua cobrança, ocasião em que aí sim será discutida a exigência perante o juízo competente. Nem poderia ser diferente, pois, a priori, nada impede que se reverta o estado falimentar, antes do trânsito em julgado da falência, hipótese em que a Fazenda Pública não poderia exigir os acréscimos legais se já os houvesse excluído quando do lançamento. Por outras palavras, à autoridade fiscal cabe, por dever de ofício , nos termos do art. 142 do CTN, constituir, pelo lançamento, o crédito tributário em sua totalidade, não lhe sendo atribuída qualquer faculdade discricionária que lhe permitisse se abster de aplicar as penalidades aos dispositivos infringidos. Ao juiz, nos casos de falência, compete, por sua vez, habilitar os créditos reclamados contra a massa falida e, a í sim, nessa oportunidade, obstruir aquelas parcelas cujo seguimento fosse legalmente vedado. Apenas como argumento subsidiário, pois a recorrente não se subsume ao regramento da nova Lei de Falências, essa polêmica não mais subsiste, pois, com a edição da Lei n º 11. 101, de 2005, que, revogou o Decretolei nº 7.661, de 1945, vindo a regular a “recuperação judicial, deixou isso bem assente, conforme se verifica da redação de seus arts. 83 e 8 4, litteris: “Art . 83 . A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem: I – os créditos derivados da legislação do trabalho, limitados a 150 (cento e cinqüenta) salários mínimos por credor, e os decorrentes de acidentes de trabalho; II – créditos com garantia real até o limite do valor do bem gravado; III – créditos tributários, independentemente da sua natureza e tempo de constituição, excetuadas as multas tributárias; IV – créditos com privilégio especial, a saber : a) a c ) ... omissis ...; V – créditos com privilégio geral, a saber: a) a c ) ... omissis ...; VI – créditos quirografários, a saber: a) a c ) ... omissis ...; VII – as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, inclusive as multas tributárias; VIII – créditos subordinados, a saber : a) e b) ... o missis .. .; § 1º a 4º... omissis .. . Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.697 23 Art. 84 . Serão considerados créditos extraconcursais e serão pagos com precedência sobre os mencionados no art. 83 desta Lei, na ordem a seguir, os relativos a: I a V. .. omissis ... ” Deixou, portanto, bastante assente a falta de qualquer impedimento legal a que sejam reclamadas, na falência, as multas tributárias, sejam as de ofício ou as de mora, devendo elas, apenas, obedecer à primazia de créditos de outras naturezas (créditos extraconcursais, créditos trabalhistas, com garantia real, tributários, com privilégios especiais, com privilégios gerais, e quirografários). Relativamente aos juros de mora , a dicção do art. 124 da mesma Lei n º 11.101, de 2005, é a seguinte, litteratim: “Art . 124. Contra a massa falida não são exigíveis juros vencidos após a decretação da falência, previstos em lei ou em contrato, se o ativo apurado não bastar para o pagamento dos credores subordinados. ” Como se observa, tanto pela Lei 11.101/ 2005 quanto pela antiga Lei de Falências, a decretação de falência não impede que se cobrem juros de mora da massa falida, por isso que a sua exigibilidade ficará condicionada ao fato de a futura realização do ativo superar, ou não, o passivo da entidade (suficiência do ativo). A despeito de que as decisões judiciais não sejam vinculantes, vale realçar que as súmulas e os acórdãos trazidos a lume pela impugnante confirmam que os mencionados dispositivos da Lei de Falências referemse à fase de cobrança, e não à fase administrativa. Acerca da exigibilidade da multa de ofício e dos juros de mora no lançamento, assim se manifestaram a Câmara Superior de Recursos Fiscais e os Conselhos de Contribuintes: “FALÊNCIA – Multa de lançamento ‘ex officio ’ – A multa de lançamento ‘ex officio ’ é exigível de empresas falidas, sobre o imposto apurado em procedimento de ofício .” (Ac. CSRF nº 0101.187, sessão de 26/ 11/81) “IPI MASSA FALIDA ENCARGO S LEGAIS. I) MULTA E JUROS Integram o crédito tributário tendo a fiscalização o direito à exigência. Jurisprudência deste Colegiado. ” ( Ac. n 20300766, sessão de 19/10 /93) “ MULTA DE OFÍCIO. FALÊNCIA. A multa de lançamento de ofício deve ser aplicada às empresas falidas sobre o imposto apurado em procedimento de ofício, podendo ser excluída, apenas, em juízo, nos termos do art. 23 do Decretolei n 7.661/45 (Lei de Falências). ” ( Ac. n 10806212, sessão de 17/ 08/2000) (...) Na mesma linha, a ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, em recente pronunciamento nos autos do processo administrativo nº 16682.720072/201065, assinalou: Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.698 24 [...] Nos autos do processo administrativo n° 19740.000573/200359, ao analisar exigência de CSLL pertinente ao anocalendário 2002, assim se manifestou o Conselheiro Maurício Prado de Almeida, consoante voto inserido no Acórdão n° 10321.849: MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA Em relação à multa de oficio e os juros de mora, objeto do Auto de Infração de que trata o presente processo, o recorrente alega que pelo fato de se encontrar em regime de liquidação extrajudicial, os mesmos não poderão ser cobrados, fundamentadose no artigo 18, letras "d " e "f", da Lei n° 6.024, de 1974. Ratifico o entendimento do julgado de primeira instância, de que a multa de oficio de 75% e os juros de mora são previstos em lei, devendo ser aplicados quando em decorrência de autuação com apuração de valor recolhido a menor a titulo de CSLL. Segundo o já mencionado artigo 60 da Lei n° 9.430, de 1996, a partir de 1° de janeiro de 1997, as entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. E, relativamente à multa de oficio e aos juros de mora, aplicáveis às pessoas jurídicas, a legislação tributária não prevê nenhuma exceção para as empresas que se encontram em regime de liquidação extrajudicial. A Lei n° 6.024, de 1974, que dispõe sobre a intervenção e a liquidação extrajudicial de instituições financeiras, estabelece no artigo 18, letra "b", citado pelo recorrente, sobre a não fluência de juros, enquanto não integralmente pago o passivo. A mesma Lei n° 6.024/74 prevê no artigo 19 que a liquidação extrajudicial cessará, se os interessados, apresentando as necessárias condições de garantia, julgadas a critério do Banco Central do Brasil, tomarem a si o prosseguimento das atividades econômicas da empresa (letra "a") e, também, se decretada a falência da entidade (letra "d"). O DecretoLei n° 7.661, de 1945, dispõe no artigo 23, parágrafo único, inciso III, que "não podem ser reclamadas na falência as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas." E, também, a Súmula do Supremo Tribunal Federal n° 192, estabelece que "não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa." Referindose à citada legislação, estabelecem os itens 30 a 32 do voto condutor do Acórdão desta 3ª Câmara n° 10320.994: Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.699 25 30. A Lei n° 6024/74, em seu art. 18, alínea "b", dispõe sobre a não fluência de juros "enquanto não integralmente pago o passivo", e o D.L. n° 7661/45, art. 23, III, estabelece que "não podem ser reclamadas na falência" as penas pecuniárias por infração de leis penais e administrativas. 31. Como se vê, a questão sobre a exigibilidade ou não das multas ou juros deve ser tratada na fase de execução, no foro competente, conforme bem ressaltado em julgado deste Primeiro Conselho, (Acórdão n° 10190.612) "verbis": "MULTAS E ENCARGOS As regras do art. 23, inciso III, do Dec.Lei 7.661, de 21/06/45, sobre exigência da multa de lançamento ex officio da massa falida e demais encargos financeiros somente devem ser examinadas na fase de execução, até mesmo porque o estado falimentar pode ser superado até aquela oportunidade." 32. A Súmula 192 do STF dispõe sobre a nãoinclusão de multa fiscal, com efeito de pena administrativa, no rol de créditos habilitados, em processo de falência, a evidenciar que a matéria deve ser enfrentada na fase de execução." Com base nos mencionados artigos 18 e 19 da Lei n° 6.024/74, artigo 23, parágrafo único,inciso III,do DecretoLei n° 7.661/45, Súmula do STF n° 192, e nas conclusões constantes dos itens 30 a 32 do voto condutor do Acórdão n° 10320.994, que ratifico, evidenciase que a questão sobre a exigibilidade ou não da multa de oficio e dos juros de mora das empresas em regime de liquidação extrajudicial deve ser tratada somente na fase de execução e no foro competente, até mesmo porque a situação de liquidação extrajudicial ou falência pode ser cessada.antes da realização da execução. Destarte, não cabe ao julgador declarar indevida a aludida exigência de multa e juros, quando configurados os pressupostos legais para sua imposição. No âmbito deste 1° Conselho de Contribuintes, corroboram o aludido entendimento, além dos Acórdãos acima citados, também, dentre outros, os de nºs 10190.612,10321.055, 104 20.300, e 10706.135, cujas ementas transcrevo abaixo: Acórdão n°10190.612 "MULTAS E ENCARGOS As regras do art. 23, inciso III, do Dec.Lei 7.661, de 21/06/45, sobre exigência da multa de lançamento ex oficio da massa falida e demais encargos financeiros somente devem ser examinadas na fase de execução, até mesmo porque o estado falimentar pode ser superado até aquela oportunidade. Acórdão n°10321.055 "LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL ACRÉSCIMOS LEGAIS A decretação da liquidação extrajudicial de instituição financeira Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.700 26 não exclui, do lançamento de oficio, a imposição de multa e juros, cujas exigências devem ser examinadas na fase de execução." Acórdão n° 10420.300 "LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL ACRÉSCIMOS LEGAIS A decretação da liquidação extrajudicial de instituição financeira não exclui, do lançamento de oficio, a imposição de multa e juros, cujas exigências devem ser examinadas na fase de execução." Acórdão n° 10706.135 "MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA É procedente a exigência de multa de oficio e de juros de mora no lançamento de oficio levado a efeito contra instituição financeira em fase de liquidação" A Câmara Superior de Recursos Fiscais igualmente confirma o aludido entendimento de exigibilidade da multa de oficio de empresas falidas, conforme Acórdão CSRF/010.187, cuja ementa transcrevo abaixo: Acórdão CSRF/010.187 "FALÊNCIA Multa de lançamento "exofficio" — A multa de lançamento "exofficio" é exigível de empresas falidas, sobre o imposto apurado em procedimento de oficio" O Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva adotou este entendimento ao redigir os votos condutores dos Acórdãos n° 10321.942 e 10321.951, relativos aos processos administrativos n° 10768.001669/200351 e 10768.001668/2003 15, que veicularam exigências de IRPJ e CSLL pertinentes ao anocalendário 2001. 0 I. Conselheiro também invocou estas decisões para fundamentar o voto condutor do Acórdão n° 103 23.291, relativo ao processo administrativo n° 19740.000234/200615, que veiculou exigência de IRPJ pertinente ao anocalendário 2003. De forma semelhante posicionouse a Conselheira Sandra Maria Faroni, no voto condutor do Acórdão n° 110200.0085, que teve por objeto exigência de CSLL pertinente ao anocalendário 2003, formalizada nos autos do processo administrativo n°19740.000233/200671: A questão da reclamação de multa das empresas em processo de liquidação extrajudicial diz respeito à fase de execução. Tendo se configurado os pressupostos legais para imposição da multa por lançamento de oficio, não cabe ao julgador declarála indevida. E, recentemente, o Conselheiro Eduardo de Andrade manteve o mesmo entendimento nos votos condutores dos Acórdãos n° 130200.596 e 130200.597, ao apreciar exigências de IRPJ e CSLL pertinentes ao anocalendário 2004, formalizadas nos Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.701 27 autos dos processos administrativos n° 19740.000006/200815 e 19740.000007/200851: (e) Aplicação de juros de mora e multa de oficio após decretação de liquidação extrajudicial de instituição financeira – Lei n° 6.024/74 – Nota PGFN/PAG/722/2006, aprovada pelo Ministro da Fazenda. O art. 18, "d", da Lei n° 6.024/76 determina, como efeito da decretação de liquidação extrajudicial, que não fluem juros contra a massa, enquanto não integralmente pago o passivo. Tal norma, de alcance geral, passou a encontrar limite a partir de 1997, em face do art. 60 da Lei n° 9.430/96, que expressamente estende às entidades em situação de liquidação extrajudicial as normas gerais sobre tributos e contribuições, no período em que perdurarem os procedimentos para realização do ativo e pagamento do passivo. Assim, é correta a aplicação da multa de oficio de 75% e a fluência de juros Selic sobre o crédito constituído. Não há reparos a tais conclusões, motivo pelo qual expressase a divergência em face do voto do I. Relator, que propôs a exclusão da penalidade aqui aplicada. Em que pese o fato desses inúmeros julgados fazerem referência à multa de ofício, resta evidente que, com maior propriedade, o entendimento neles estampados aplicase, de igual forma, às multas moratórias. Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.002675/96-99
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2003
Ementa: PROCESSUAL. LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. NULIDADE.
É nula a Notificação de Lançamento emitida sem o nome do órgão que a expediu, sem identificação do chefe desse órgão ou outro servidor autorizado e sem a indicação do seu respectivo cargo e matrícula, em flagrante descumprimento às disposições do art. 11, IV, do Decreto n° 70.235/72.
Precedentes da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais.
Negado provimento ao Recurso Especial.
Numero da decisão: CSRF/03-03.873
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao Recurso, nos
termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda e João Holanda Costa.
Nome do relator: Paulo Roberto Cuco Antunes
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T14:48:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T14:48:19Z; Last-Modified: 2009-07-08T14:48:19Z; dcterms:modified: 2009-07-08T14:48:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T14:48:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T14:48:19Z; meta:save-date: 2009-07-08T14:48:19Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T14:48:19Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T14:48:19Z; created: 2009-07-08T14:48:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-07-08T14:48:19Z; pdf:charsPerPage: 1447; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T14:48:19Z | Conteúdo => MINIS"T"ÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n° : 10980.002675/96-99 Recurso n° : 301-124755 Matéria : I.T.R. LANÇAMENTO - NULIDADE Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessado(a) : MUTUM AGROPECUÁRIA S/A Sessão de : 04 DE NOVEMBRO DE 2003 Acórdão n° : CSRF/03-03.873 PROCESSUAL. LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. É nula a Notificação de Lançamento emitida sem o nome do órgão que a expediu, sem identificação do chefe desse órgão ou outro servidor autorizado e sem a indicação do seu respectivo cargo e matrícula, em flagrante descumprimento às disposições do art. 11, IV, do Decreto n° 70.235/72. Precedentes da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Negado provimento ao Recurso Especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao Recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda e João Holanda Costa. 5 ON PEREIRA RODm'IGUES PRESIDENTE eu t p //11 PS P. - ,o• I 0 e 1, PAUL() ROB,/ CUCO ANTUNES RELATOR FORMALIZADO EM: O 2 MAH 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES; MOACYR ELOY DE MEDEIROS; MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ e NILTON LUIZ BARTOLL Processo n° : 10980.002675/96-99 Acórdão n° : CSRF/03-03.873 Recurso n° : 301-124755 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Recorre a Procuradoria da Fazenda Nacional a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma do Acórdão n° 301-30.422, proferido em sessão do dia 07/11/2002, pela C. Primeira Câmara do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, cuja Ementa, ora transcrita, retrata, em síntese, a decisão adotada, "verbis" "ITR NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. IDENTIFICAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. É nula, por vicio formal, a Notificação de Lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu, requisito essencial previsto em Em seu Recurso tempestivo a D. Procuradoria pretende a reforma do citado "decisum', trazendo como paradigma cópia do Acórdão n° 302-34.831, prolatado em 07 de junho de 2001, pela C. Segunda Câmara, do mesmo Conselho, que se colocou em posição completamente contrária. A Interessada apresentou contra-razões ao Recurso Especial de que se trata, pleiteando a manutenção do Acórdão recorrido. É o Relatório. 2 Processo n° : 10980.002675/96-99 Acórdão n° : CSRF/03-03.873 VOTO Conselheiro PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES, Relator: O Recurso é tempestivo, reunindo os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O lançamento do crédito tributário que aqui se discute, constituído pela Notificação de Lançamento de fls. 06, está inquinado pela nulidade, uma vez que a referida Notificação foi emitida por processo eletrônico, não contendo a indicação do cargo ou função, nome e número de matrícula do chefe do órgão expedidor, ou de outro servidor autorizado a emitir tal documento. Com efeito, o Decreto n° 70.237/72, dispõe: "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: IV --- a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula: É inquestionável que o lançamento tributário cuja notificação que o constituiu não guarde observância ao disposto no mencionado art. 11, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72 é nulo de pleno direito, devendo assim ser declarado, inclusive de ofício, pela autoridade competente ou pelo julgador administrativo, conforme o caso. Esse é o entendimento já ratificado por este Colegiado, através de copiosa jurisprudência, podendo-se citar, apenas como exemplo, os Acórdãos n°s. CSRF/03.150, 03.151, 03.153, 03.154, 03.156, 03.158, 03.172, 03.176, 03.182, dentre muitos outros. 3 Processo n° : 10980.002675/96-99 Acórdão n° : CSRF/03-03.873 Igualmente decidiu o PLENO desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão inédita realizada no dia 11/12/2001 quando, em julgamento do Recurso RD/102-0.804 (PLENO), proferiu o Acórdão n° CSRF/PLENO-00.002, assim ementado: "IRPF --- NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO --- AUSÊNCIA DE REQUISITOS --- NULIDADE --- VÍCIO FORMAL --- A ausência de formalidade intrínseca determina a nulidade do ato. Lançamento anulado por vício formal." Para finalizar, também é certo que tal entendimento se coaduna com as determinações da própria Administração, como se depreende do Ato Deciaratório COSIT n° 002, de 03/02/1999 e da IN SRF n° 094, de 24/12/1997. Por tais razões e considerando que a Notificação de Lançamento do ITR apresentada nestes autos não preenche os requisitos legais, especificamente aqueles estabelecidos no art. 11, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72, não merecendo reparos o Acórdão recorrido, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial aqui em exame. Sala das Sessões-DF, em 04 de novembro de 2003. PAULO RO:-1 O À TUNES RELATO" 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10930.005900/2003-57
Data da sessão: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL
Exercício: 1999
Ementa:
Numero da decisão: 1802-000.158
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar competência em favor da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em virtude de conexão com o processo nº 10930.005878/2003-45, nos termos do relatório e voto que
integram o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Leonardo Lobo de Almeida
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar competência em favor da 3" Turma Ordinária da 1" Câmara da 1" Seção do CARF, em virtu& de conexão com o processo IV 10930.005878/2003-45, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. sidente - LEONARDO LOBO D LMEIDA Relator EDITADO EM: 2 8 JAN 2 0,fr Participararri da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Leonardo Lobo de Almeida, Nelso Kichel(Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Joao Francisco Bianco (Vice Presidente de Turma). Pmccsso n" 10930 005900/2003-57 SI-I ER Acái dZio n " 1802-00,158 Fl 2 Relatório Origina-se o presente processo em auto de infração (fls. 91/92) relativo multa isolada no percentual de 75% sobre o valor da CSLL devida por estimativa no ano- calendário de 1998, no valor de RS 34.617,36. A razão da autuação foi a verificação da omissão de rendimentos oriundos da atividade operacional da empresa com base em depósitos bancários sem a comprovação da origem dos iecursos. Em 22.12.2003, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 98/117), alegando, ern síntese, que: - a conta bancária objeto da 'fiscalização pertencia à AramOveis Indústrias Reunidas de Móveis Ltda, CNPJ: 78.343.647/0001-03, que foi incorporada pela Imprignante em 28/02/98, e que tal conta apresentou disparidades em razão da sucessora ter continuado movimentá-la; - apesar da conta estar devidamente contabilizada, a não coincidência entre datas e valores dos depósitos com os das respectivas notas fiscais, levou a autoridade fiscal a considerar os depósitos e saques da conta como de origem não comprovada, resultando, assim, no lançamento do 1PRJ, CSLL, PIS e CORNS e, ainda, multa isolada de 75% sobre eventuais diferenças mensais de IRPJ, tudo objeto do processo administrativo n.°10.930.005878/2003-45; - já houve o lançamento de CSLL acrescida de multa proporcional de 75% sobre a dita 'receita omitida' nos autos do processo supracitado, cuja cópia integral apresenta juntamente com a Impugnação e cujos termos requer sejam apreciados como impugnação ao auto de infração objeto do presente processo; - invalidade do lançamento da multa isolada, haja vista que sobre os valores utilizados já houve a aplicação de multa proporcional, cobrada juntamente com o IRPJ; - necessidade de interpretação sistemática dos incisos I e II do artigo 44 da Lei n.9.430/96, com os incisos I a IV do parágrafo único do mesmo dispositivo legal, sob pena da clausula penal ultrapassar o valor da obrigação tributária, o que configuraria verdadeiro confisco e bis in idem punitivo; - impossibilidade de aplicação de qualquer penalidade por infração cometida pela empresa incorporada, da qual é sucessora, conforme estabelece o artigo 132 do CTN e jurisprudência deste 1" Conselho; - todos os depósitos tributados foram contabilizados, debitando-se o banco respectivo e creditando-se a conta duplicatas a receber, cheques a depositar e outra conta bancos, cujos lançamentos são os únicos que não se originam em receitas declaradas por se tratarem de transferencias bancárias; Process() n" 10930.0059W/2003-57 si -TEo2 Acórdiio n" 1802-00158 H 3 - que os valores arrolados como 'omissão de receita' não representam mais que 5,24% de toda a sua receita bruta declarada e correspondem Aqueles créditos a receber de grande dificuldade, considerando ser injusta a exigência de que todos os depósitos correspondessem exatamente a determinada duplicata; e - que os lançamentos efetuados da forma como o foram são inválidos pot total impropriedade técnica em sua apuração e falta de previsão legal. A l a Turma da DIU em Curitiba - PR acordou (lis. .304/322), por unanimidade, em rejeitar as preliminares argüidas de decadência e de nulidade do lançamento por incabíveis e, no mérito, considerar parcialmente procedente a ação fiscal, reduzindo a multa de oficio isolada da CSLL, de R$ 34.617,36 para RS 23.078,24, cm face da retroatividade benigna, sob a égide dos seguintes argumentos: que o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4", do CTN so é aplicável quando não houver lei especifica sobre a hipótese, o que não ocorre no presente caso. A teor do estabelecido no artigo 195, 1, da CRFB, deve-se aplicar o prazo prescricional estabelecido no artigo 45 da Lei n." 8.212/91, ou seja, de 10 anos, a contar cio exercício seguinte Aquele em que os respectivos créditos poderiam ter sido constituídos; - que só se pode cogitar da nulidade de auto de infração quando lavrado or pessoa incompetente, eis que quaisquer irregularidades, incorreções e omissões podem ser sanadas quando resultarem prejuízo ao sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa; - existência de jurisprudência consolidada deste Primeiro Conselho e do Superior Tribunal de Justiça no sentido da possibilidade de cruzamento de dados refetentes arrecadação de CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos; - a existência de depósitos bancários não escriturados por mais que não seja prova de aferição de rendimento ou receita, constitui indicio de provável existência de lucro omitido à tributação. Tal indicio converte-se em comprovação de renda se o contribuinte não explica a origem da disponibilidade econômica.. Dessa forma, tem-se que os lançamentos fiscais não foram efetuados sobre os depósitos bancários, mas sim sobre os rendimentos omitidos à declaração; - o lucro real é apurado na escritut ação contábil abatendo-se das receitas os custos e despesas que lhe são correspondentes, ou seja, o pressuposto é de que todos os custos e despesas incorridos tenham sido apropriados contras as receitas declaradas, ficando margem apenas a receita omitida. A existência de omissão de custos e despesas pressupõe redução de tais valores da receita sonegada, no entanto tais valores podem implicar em nova omissão no registro de receita; - o artigo 44 da Lei n." 9430/96 estabelece que a multa de oficio seja calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo, o que não se confunde corn o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Isto porque, na sistemática anual de apuração do tributo ou contribuição social, há detenninacão legal de recolhimento, por estimativa, a titulo de antecipação, do imposto ou contribuição, de forma que a multa isolada vem justamente punir a falta ou insuficiência de recolhimento da estimativa - a multa isolada incidente sobre o valor das estimativas não recolhidas ou sabre a insuficiência de recolhimentos mensais visa a dar efetivada à norma legal que exige as 3 L.,/ P rocesso n" 10930 005900/2003-57 S1-TE02 Acõrdüo n° 1802-00.158 Fl 4 antecipações mensais de IRPJ e CSLL, quando a empresa, por exclusiva iniciativa, adota a sistemática de apuração anual do lucro; - a presunção legal de omissão de receitas, prevista no artigo 42 da Lei n."9430/96, por depósitos bancários fundamenta-se não na falta de escrituração da conta bancária, mas sim na ausência de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados.. No caso, as notas fiscais e duplicatas apontadas como origem dos depósitos bancários foram pagas ou no ano anterior, ou no próprio ano do depósito, porém em montante menor que o afirmado, motivo pelo qual houve o lançamento; ausência de prova quanto ao fato da relação percentual entre a omissão de receita apurada e o total da receita bruta derivar de créditos a receber de grande dificuldade; - numa interpretação isolada, literal, verbal, gramatical, lingüística, semântica, filológica do artigo 132 do CTN não seria cabível a exigência de multas dos sucessores. No entanto, considerando-se uma interpretação sistemática do artigo 132 com o 129, ambos do CTN, tem-se que o artigo 132 refere-se apenas ao credito tributário, não excluindo a responsabilidade pelas multas; - se houvesse a intenção do legislação em eximir a sucessora da responsabilidade por infrações, certamente haveria disposição expressa neste sentido, como ocorre no caso da denúncia espontânea; e - redução da multa isolada ao percentual de 50%, em razão do disposto no artigo 18 da Medida Provisória n." 303/2006, cc. artigo 106, II, "c", do CTN (retroatividade benigna). Devidamente cientificado, o recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 338/377), pretendendo A. reforma da decisão recorrida, reportando-se ao argumentos aduzidos na Impugnação, além de ressalatar que: - em sendo o IRPJ tributo sujeito ao lançamento por homologação, deve-se aplicar o disposto no artigo 150, §§ 1° e 4', do MN, estando, portanto decaídos os lançamentos efetuados no período anterior a dezembro de 1998, em razão de ter sido a recorrente notificada do lançamento em dezembro de 2003; inaplicabilidade do artigo 45, I, da Lei n.°8212/91, por cuidar esta do prazo para lançamento de oficio.. Assim, em sendo a CSLL, PIS e COFINS tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplicável h hipótese o artigo 150, § 4' do CTN; - impossibilidade de lei ordinária vir a dispor sobre prescrição e decadência, sendo tal matéria reservada A lei complementar; - impossibilidade de exigência da multa de oficio A sucessora, sendo este o posicionamento d Câmara Superior de Recursos Fiscais; e os valores sujeitos A multa isolada foram lançados pela multa proporcional cobrada juntamente com o IRPJ, o que demonstra o caráter confiscatório e arbitrário de sua aplicação, 4 Pt ocesso n" 10930.005900/2003-57 SI-TE02 Acórdlio n." 1802-00.158 Fl 5 Importante registrar que o Recorrente, em 10/04/2007, requereu a anulação do arrolamento de bens, em razão das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (ADI 1976/DF e ADI 1922/DF), sendo seu requerimento indeferido sob o fundamento de no estar ainda formalizada a decisão do STE o relatório, 5 Processo n" 10930 005900/2003-57 S1-T02 Acárclilo n." 1802-00.158 Fl 6 Voto Conselheiro Relator Leonardo Lobo de Almeida, Relator 0 recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. De plano, importante salientar no que tange ao arrolamento de bens corno condição de admissibilidade do recurso, não há o que prover, pois essa exigência não mais se aplica no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal após a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, na Ação Direta de Inconstitucionalidade 1.976-7, publicada no DOU de 5 de junho de 2007. Como visto, trata o pi esente processo de autuação para exigir multa isolada por não recolhimento da CSLL em regime de estimativa nos meses de janeiro a abril de 1998 e setembro a novembro de 1998. Dentre os diversos argumentos apresentados pelo contribuinte no Recurso Voluntário interposto, tem-se que o objeto principal do recurso é a possibilidade ou não da aplicação cumulativa da multa proporcional com a multa de oficio.. Isto porque, conforme se verifica dos documentos de fls. 165/167, foi lavrado Auto de Infração constituindo crédito de CSLL, em razão da constatação de omissão de receita, no valor de R$ 97238,72, valor este acrescido de juros de mora e de multa proporcional. Importante registrar que o referido Auto de Infração é objeto do processo administrativo n.° 10930.00587812003-45, que está pendente de julgamento pela 3" Turma Ordinária da 1" Camara desta 1" Seção do CARE. Neste sentido, considerando-se que o processo administrativo que trata do crédito de CSLL, acrescido de juros e multa proporcional, encontra-se pendente de julgamento, pertinente é a reunião dos feitos, procedendo-se ao julgamento simultâneo dos mesmos. Diante do exposto, entendo, com base no principio da economia processual e com objetivo de evitar decisões conflitantes, a remessa do presente à 3" Turma Ordinária da I" Camara da 1" Seção do CARF par a julgamento simultâneo do presente processo corn o de n.° 10930.005878/2003-45, de relatoria do ilustre Conselheiro Marcos Shigueo Takata, Relator Leonar obo-cle 1 eia 6
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