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Numero do processo: 16327.901148/2018-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 1402-001.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Jandir José Dalle Lucca Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Mauricio Novaes Ferreira, Luciano Bernart, Jandir Jose Dalle Lucca e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: JANDIR JOSE DALLE LUCCA
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Jandir José Dalle Lucca – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Mauricio Novaes Ferreira, Luciano Bernart, Jandir Jose Dalle Lucca e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório 1.Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 404/421) interposto em face do v. acórdão de fls. 378/386, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade de fls. 135/140 e 144/150, aviada pela interessada contra o Despacho Decisório exarado pela Delegacia de Instituições Financeiras da Receita Federal do Brasil em São Paulo (Deinf) às fls. 03, que, não reconhecendo o direito creditório pretendido, não homologou a compensação declarada nos PER/DCOMPs 12331.88467.231115.1.7.04-8864, 09295.71911.251115.1.3.04-0717 e 12379.83321.231215.1.3.04-6306. 2.O Despacho Decisório com os valores e razões de decidir está abaixo reproduzido: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 01 14 8/ 20 18 -5 8 Fl. 596DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 1402-001.769 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.901148/2018-58 3.Para melhor compreensão a respeito da matéria versada nos autos e por bem descrever os fatos, consulte-se o Relatório da r. decisão recorrida: Tratam os autos de análise das Declarações de Compensação (Dcomps) nºs 12331.88467.231115.1.7.04-8864, 09295.71911.251115.1.3.04-0717 e 12379.83321.231215.1.3.04-6306, com cópias às fls. 25 a 43, por intermédio das quais o contribuinte compensou débitos diversos com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no montante de R$ 11.001.642,88 na data de transmissão, decorrente de Darf no valor de R$ 30.442.689,95, relativo a dezembro de 2014, arrecadado em 30/01/2015. 2.O despacho decisório às fls. 20 a 23, decidiu por não reconhecer o direito creditório pretendido e, por conseguinte, não homologar as compensações declaradas. Consoante fundamentação, o Darf objeto da Dcomp encontra-se integralmente alocado a débito declarado pelo contribuinte, não havendo saldo a restituir/compensar. 3.Cientificado da decisão em 11/04/2018 conforme fl. 19, em 08/05/2018 o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 135 a 140, instruída com os documentos às fls. 46 a 134, onde argumenta o que segue: 3.1.Apurou R$ 30.442.689,95 a título de IRPJ a ser recolhido em dezembro de 2004 (estimativa - cód. rec. 2662), conforme Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) original, o qual foi quitado em 30/01/2005 consoante Darf em anexo; 3.2.Em revisão interna, verificou que não havia aproveitado a totalidade do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), especificamente o relativo a aplicações financeiras, razão pela qual retificou a apuração do imposto a pagar, reduzindo-o para R$ 19.441.047,08. Apresentou DCTF retificadora com este valor (informes de rendimento e declaração em anexo), além do que transmitiu sua Escrituração Contábil Fiscal (ECF) do ano-calendário 2014 já com os valores corretos (ECF em anexo); Fl. 597DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 1402-001.769 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.901148/2018-58 3.3.Com a redução do imposto a pagar, passou a ter direito a crédito de recolhimento indevido ou a maior de R$ 11.001.642,87 (=R$ 30.442.689,95 - R$ 19.441.047,08), objeto das Dcomps transmitidas. 4.Posteriormente, em 12/06/2018, apresentou a petição às fls. 144 a 150, instruída com os documentos às fls. 151 a 376, onde carreou razões aditivas à manifestação de inconformidade, resumidas a seguir: 4.1.Vale lembrar que na manifestação de inconformidade apresentou cópia dos informes de rendimentos comprobatórios das retenções do IRRF efetuadas pelas fontes pagadoras (fl. 101); 4.2.Assim, tendo sido comprovadas as retenções, resta demonstrar que os rendimentos sujeitos ao IRRF foram oferecidos à tributação. Para tanto, junta planilhas com a relação de cada operação que gerou rendimentos financeiros, separadas por tipo de investimento (Renda Fixa, Renda Fixa - Box e Fundo de Investimento Curto Prazo); balancetes Cosif de 2009 a 2014, que comprovam que os rendimentos financeiros indicados nas planilhas compuseram o resultado em cada exercício; e Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e ECF de 2009 a 2014, que comprovam que os rendimentos financeiros indicados nas planilhas compuseram a base de cálculo do IRPJ em cada exercício. 4.A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) houve por bem julgar improcedente a MI em decisão lastreada nos fundamentos assim resumidos: o contribuinte alega que esqueceu de deduzir na apuração original da estimativa de dezembro as retenções de aplicação financeira (excluída a caderneta de poupança) que totalizam R$ 11.863.272,63. com base nas DCTFs e na ECF, verifica-se que o contribuinte reduziu a estimativa a pagar em R$ 11.001.642,87, porém o IRRF que supostamente teria deixado de ser deduzido na apuração da estimativa é de R$ 11.863.272,63. Tais informações são incompatíveis, já que, a nova estimativa a pagar deveria ser R$ 11.863.272,63, inferior ao montante anteriormente apurado, caso a divergência decorresse exclusivamente da falta de dedução do IRRF das aplicações apontadas pelo contribuinte. assim, a alegação do contribuinte não procede. Ou ele já havia deduzido parte do IRRF detalhado nas planilhas na apuração original, o que não corresponde ao alegado, ou a diferença a maior apurada e recolhida não decorreu da falta de dedução do IRRF ou exclusivamente dela, havendo outros elementos envolvidos. como a DCTF não apresenta detalhamento da apuração da estimativa, mas apenas o seu saldo a pagar, e já que a ECF não permite verificar como foi feita a apuração originária da estimativa, não há como fazer um comparativo para identificar a origem do crédito. Pode ter decorrido da dedução de benefícios fiscais anteriormente não deduzidos, de alteração da base de cálculo, ou de um conjunto de modificações juntamente com possível alteração do IRRF. Em suma, resta considerar, pois, que o contribuinte não logrou comprovar que o crédito decorreu da dedução de IRRF anteriormente não aproveitado pelo contribuinte. não obstante o exposto acima ser motivo suficiente para não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações declaradas, haja vista que o ônus probatório do crédito é do contribuinte e os documentos carreados não se prestam para comprovar a origem do crédito pretendido, entende-se pertinente fazer algumas considerações Fl. 598DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 1402-001.769 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.901148/2018-58 adicionais que demonstrarão que, mesmo que hipoteticamente a origem do crédito restasse demonstrada como sendo do IRRF detalhado nas planilhas, o que não é o caso, ainda assim não seria possível considerar procedente a manifestação de inconformidade. consoante o § 4º, III, do artigo 2º da Lei nº 9.430/1996, o IRRF é dedutível na determinação do saldo de imposto a pagar/restituir quando o respectivo rendimento tiver sido computado na determinação do lucro real. a possibilidade de dedução do IRRF mês a mês resta clara no disposto nos arts. 42 e 44 da Instrução Normativa (IN) nº 1.700, de 2017. da simples leitura do citado art. 44, é evidente que o entendimento da Receita Federal é no sentido de que a dedução do IRRF está condicionada aos rendimentos correspondentes terem sido computados na respectiva base de cálculo, ou seja, na base de cálculo sobre a qual se apurou o imposto devido a ser deduzido pelo IRRF. Ou seja, pode ser deduzido no mês X o IRRF incidente sobre o rendimento tributado no mês X. por sua vez, as regras de apuração do lucro real impõem que as receitas e despesas sejam apropriadas segundo o regime de competência, a teor do que determinam o art. 7º, caput, do Decreto-Lei nº 1.598/1977, c/c o art. 177, caput, da Lei nº 6.404/1976. a partir dessas disposições normativas antes tratadas, não resta dúvida de que o IRRF é dedutível no mesmo período de apuração no qual o rendimento correspondente integrou a base de cálculo do imposto, e que, por conseguinte, não é compatível a escrituração do rendimento pelo regime de competência e a escrituração do IRRF pelo regime de caixa. o contribuinte pretende deduzir na apuração de estimativa de IRPJ o IRRF incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e em fundos de investimento. Em vista disso, é devido mencionar o disposto o §1º, do art. 44 da IN RFB nº 1.700, de 2017, que veda a dedução para este tipo de rendimento. todavia, o dispositivo excepciona dessa vedação as atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras discriminadas no art. 33, §1º, III, da mesma IN. uma vez que, conforme CNAE-Fiscal (6630400) e a cláusula 4º do contrato social consolidado à fl. 51, o contribuinte é administradora de fundos, a dedução do IRRF incidente sobre aplicações financeiras na apuração de estimativa de IRPJ está autorizada. no caso concreto há ainda que se considerar que o contribuinte alega que tributou as receitas decorrentes das aplicações financeiras pelo regime de competência, ou seja, à medida em que eram auferidas, independentemente de sua realização (resgate), mas deduziu o IRRF pelo regime de caixa, na data em que realizada a retenção (no resgate); conforme já tratado, a dedução do IRRF deve ocorrer no mesmo período de apuração em que a receita correspondente foi tributada. Assim, a princípio, caberia glosar parcialmente a dedução do IRRF relativa à parte dos rendimentos que foi tributada em anos anteriores, conforme demonstrativos trazidos pelo contribuinte. Fl. 599DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 1402-001.769 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.901148/2018-58 entretanto, há que se considerar que aplicações de renda fixa e em fundos de investimentos estão sujeitas a variação de alíquota de IR em função do tempo de permanência do investimento sem resgate, e que, nesses casos, a determinação prévia da retenção a ser realizada apenas quando do resgate, proporcionalmente ao rendimento de cada mês, torna-se inviável. assim, é razoável aceitar a dedução da retenção pelo regime de caixa quando todo o rendimento correspondente ao valor resgatado tiver sido tributado, ainda que em períodos anteriores ao da dedução (regime de competência). na prática, a comprovação da tributação antecipada dos rendimentos das aplicações financeiras se torna bastante complexa, vez que o rendimento de um determinado mês (ou período de apuração) é composto por parcela do rendimento resgatado no próprio mês, mais parcela de rendimento que somente será resgatado em períodos seguintes (caso não haja resgate integral). Já o rendimento resgatado corresponde a rendimentos mensais de períodos anteriores (total ou parcialmente) e do rendimento do mês do resgate (ou de parcela, caso o resgate não seja integral). Para tanto, cabe ao contribuinte trazer aos autos os registros contábeis de períodos anteriores, os extratos de aplicações financeiras mensais, bem assim planilhas demonstrativas de que o rendimento correspondente ao resgate efetuado foi tributado no mesmo período ou em períodos anteriores, para permitir um link detalhado entre os lançamentos contábeis e os extratos financeiros. Além disso, necessária a apresentação de cópias das DIPJs (ou ECFs, conforme o caso) relativas aos períodos em que os rendimentos foram tributados, que permitam fazer a verificação da inclusão dos rendimentos escriturados na base de cálculo do tributo. no presente caso o contribuinte carreou o informe de rendimentos, os registros contábeis, bem assim demonstrativos onde pretendeu identificar em que anos- calendário as parcelas do rendimento resgatado foram tributadas. conforme pode ser observado no informe às fls. 101, os rendimentos foram resgatados em diversos meses no transcorrer do ano-calendário 2014, e, por conseguinte, as retenções ocorreram nesses mesmos meses, já que a fonte pagadora adota o regime de caixa para preencher a Dirf. Contudo, o contribuinte deduziu todo o IRRF no mês de dezembro de 2014. como já tratado, o IRRF a ser deduzido no mês de dezembro é aquele referente ao rendimento tributado na base de cálculo de dezembro. Mas, excepcionalmente, este colegiado entende ser possível aceitar que o rendimento tenha composto a base de cálculo em períodos anteriores pelo regime de competência e que a dedução do IRRF seja pelo regime de caixa, ou seja, no período em que ocorreu a retenção (o resgate). Assim, a dedução no mês de dezembro deveria ter se limitado ao montante do IRRF incidente sobre os rendimentos resgatados nesse mês. O contribuinte não adotou nem o regime de competência, nem o regime de caixa para registrar o IRRF, criando um regime próprio. atentando para o informe de rendimentos, verifica-se que em dezembro ocorreu retenção total de R$ 1.006.345,58 (= R$ 694.571,43 ref. a Fundo Fl. 600DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 1402-001.769 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.901148/2018-58 de Investimento Curto Prazao + R$ 198.177,11 ref. a Aplicações de Renda Fixa + R$ 113.597,04 ref. a Aplicações em Renda Fixa - BOX), porém o contribuinte deduziu o montante de R$ 11.863.329,27, correspondente a todas as retenções ocorridas durante o ano-calendário 2014. logo, mesmo que o contribuinte tivesse logrado comprovar que o IRRF de aplicações financeiras foi a origem do crédito (da divergência entre a DCTF original e a DCTF retificadora), o que não ocorreu como verificado anteriormente neste voto, e mesmo que a tributação dos rendimentos respectivos em períodos anteriores e no próprio período restasse comprovada, seria passível de validação apenas dedução de IRRF no valor de R$ 1.006.345,58. isto ensejaria validar apenas um direito creditório de 1.006.345,58 [= imp. recolhido de R$ 30.442.689,95 - (imp. devido de R$ 31.304.376,35 - IRRF validado de R$ 1.006.345,58)]. ademais, os demonstrativos trazidos, imprescindíveis para a confirmação dos registros dos rendimentos junto à escrituração, são documentos elaborados pelo próprio contribuinte, e, por conseguinte, não têm valor probatório algum quando desacompanhados dos extratos das aplicações financeiras em que se alicerçaram. Nesse sentido, entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que exige que os documentos de lavra do próprio contribuinte estejam acompanhados de documentos emitidos por terceiros. a ausência dos extratos das aplicações financeiras enseja considerar não comprovada a tributação dos rendimentos respectivos, ainda que em períodos anteriores, e, portanto, não ser dedutível o IRRF correspondente na apuração do saldo de imposto a pagar, vez que descumprido o disposto no art. 2º, §4º, III, da Lei nº 9.430, de 1996. 5.Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário via do qual reedita e reforça os argumentos da sua manifestação de inconformidade de fls. 135/140, complementada às fls. 144/150, bem como infirma os fundamentos que conduziram às conclusões adotadas pela r. decisão recorrida, instruindo o apelo com os seguintes documentos: fls. 422/426: demonstrativos da base de cálculo apurada em todos os meses do ano base 2014; fls. 428/431: extratos de aplicações – BOX; fls. 433/441: extratos de aplicações – CDB; fls. 443/458: extratos de aplicações – DPGE; fls. 460/466: extratos de aplicações – Fundo Marte; fls. 468/473: extratos de aplicações - Letras Financeiras; fls. 474/527: CDB, DPGE e LF - demais boletos de operações referentes às receitas financeiras que compuseram a base de cálculo do IRPJ entre os anos de 2009 e 2014, e que não foram resgatadas no ano-calendário de 2014. Fl. 601DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 1402-001.769 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.901148/2018-58 6.Posteriormente, a Recorrente deduziu a petição de fls. 532/540, instruída com os documentos de fls. 541/595, noticiando que, após a interposição do Recurso Voluntário, levou a efeito nova retificação da sua EFD do ano-calendário 2014, com o fito de refletir: (i) o aproveitamento de mais uma retenção de fonte anteriormente não aproveitada no valor de R$ 168.912,50 (retenção realizada pelo Banco Industrial e Comercial S/A); (ii) a dedução da despesa de R$ 961.000,00, referente ao valor investido na produção de obras audiovisuais brasileiras, valor este que havia sido indevidamente adicionado à base de cálculo do IRPJ na apuração anterior; e (iii) ajuste no montante de R$ 34.792,29 (R$ 961.000,00 - R$ 926.207,71), referente ao valor deduzido diretamente do IRPJ a pagar em virtude do valor investido na produção de obras audiovisuais brasileiras. 7.É o relatório. Voto Conselheiro Jandir José Dalle Lucca, Relator. 8.O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais de admissibilidade. 9.Cuidam os autos de PER/DCOMPs cuja compensação não foi homologada, uma vez que o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados. 10.A r. decisão recorrida, prestigiando o DD, entendeu que o contribuinte não comprovou que o crédito decorreu da dedução de IRRF anteriormente não aproveitado. Isso porque foi identificada discrepância entre a redução da estimativa pagar em R$ 11.001.642,87 e o IRRF que supostamente teria deixado de ser deduzido na apuração da estimativa, de R$ 11.863.272,63. Como a DCTF não apresentou detalhamento da apuração da estimativa, mas apenas o seu saldo a pagar, e já que a ECF não permite verificar como foi feita a apuração originária da estimativa, não haveria como fazer um comparativo para identificar a origem do crédito. 11.Apesar de entender que a referida divergência dos valores seria motivo suficiente para não reconhecer o direito creditório, o v. acórdão recorrido acrescentou que, nos termos do inciso III do § 4º do artigo 2º da Lei nº 9.430, de 1996, o IRRF é dedutível na determinação do saldo de imposto a pagar/restituir quando o respectivo rendimento tiver sido computado na determinação do lucro real, divagando sobre a aplicação dos artigos 42 e 44 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.700, de 2017, no sentido de que a dedução do IRRF está condicionada aos rendimentos correspondentes terem sido computados na respectiva base de cálculo, ou seja, na base de cálculo sobre a qual se apurou o imposto devido a ser deduzido pelo IRRF, sendo que as regras de apuração do lucro real impõem que as receitas e despesas sejam apropriadas segundo o regime de competência (art. 7º, caput, do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, c/c o art. 177, caput, da Lei nº 6.404, de 1976), de modo que o IRRF é dedutível no mesmo período de apuração no qual o rendimento correspondente integrou a base de cálculo do imposto, e que, por conseguinte, não é compatível a escrituração do rendimento pelo regime de competência e a escrituração do IRRF pelo regime de caixa. 12.Não obstante, a r. decisão recorrida expôs que o §1º do art. 44 da IN RFB nº 1.700, de 2017, veda a dedução de IRRF incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras Fl. 602DF CARF MF Original Fl. 8 da Resolução n.º 1402-001.769 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.901148/2018-58 de renda fixa e em fundos de investimento na apuração de estimativa de IRPJ, mas que a Recorrente, por exercer atividades próprias de instituições financeiras discriminadas no art. 33, §1º, III da mesma IN, estaria excepcionada dessa vedação. Todavia, destaca que a contribuinte alega que tributou as receitas decorrentes das aplicações financeiras pelo regime de competência, ou seja, à medida em que eram auferidas, independentemente de sua realização (resgate), mas deduziu o IRRF pelo regime de caixa, na data em que realizada a retenção (no resgate), o que não é possível, já que a dedução do IRRF deve ocorrer no mesmo período de apuração em que a receita correspondente foi tributada. Desse modo, caberia glosar parcialmente a dedução do IRRF relativa à parte dos rendimentos que foi tributada em anos anteriores, conforme demonstrativos trazidos pelo contribuinte. Entretanto, ressalta que como as aplicações de renda fixa e em fundos de investimentos estão sujeitas a variação de alíquota de IR em função do tempo de permanência do investimento sem resgate, e que, nesses casos, a determinação prévia da retenção a ser realizada apenas quando do resgate, proporcionalmente ao rendimento de cada mês, esta torna-se inviável. Por isso, entende ser razoável aceitar a dedução da retenção pelo regime de caixa quando todo o rendimento correspondente ao valor resgatado tiver sido tributado, ainda que em períodos anteriores ao da dedução (regime de competência). 13.Prossegue a r. decisão recorrida lembrando que a comprovação da tributação antecipada dos rendimentos das aplicações financeiras se torna bastante complexa, vez que o rendimento de um determinado mês (ou período de apuração) é composto por parcela do rendimento resgatado no próprio mês, mais parcela de rendimento que somente será resgatado em períodos seguintes (caso não haja resgate integral). Já o rendimento resgatado corresponde a rendimentos mensais de períodos anteriores (total ou parcialmente) e do rendimento do mês do resgate (ou de parcela, caso o resgate não seja integral). E conclui que cabe ao contribuinte trazer aos autos os registros contábeis de períodos anteriores, os extratos de aplicações financeiras mensais, bem assim planilhas demonstrativas de que o rendimento correspondente ao resgate efetuado foi tributado no mesmo período ou em períodos anteriores, para permitir um link detalhado entre os lançamentos contábeis e os extratos financeiros. Além disso, necessária a apresentação de cópias das DIPJs (ou ECFs, conforme o caso) relativas aos períodos em que os rendimentos foram tributados, que permitam fazer a verificação da inclusão dos rendimentos escriturados na base de cálculo do tributo. 14.Em adição, observou que, segundo, o informe de fls. 101, os rendimentos foram resgatados em diversos meses no transcorrer do ano-calendário 2014, e, por conseguinte, as retenções ocorreram nesses mesmos meses, já que a fonte pagadora adota o regime de caixa para preencher a Dirf. Contudo, o contribuinte deduziu todo o IRRF no mês de dezembro de 2014, sendo que o IRRF a ser deduzido no mês de dezembro é aquele referente ao rendimento tributado na base de cálculo de dezembro. Mas, excepcionalmente, entende ser possível aceitar que o rendimento tenha composto a base de cálculo em períodos anteriores pelo regime de competência e que a dedução do IRRF seja pelo regime de caixa, ou seja, no período em que ocorreu a retenção (o resgate). Assim, a dedução no mês de dezembro deveria ter se limitado ao montante do IRRF incidente sobre os rendimentos resgatados nesse mês. No caso dos autos, o contribuinte não teria adotado nem o regime de competência, nem o regime de caixa para registrar o IRRF, criando um regime próprio. 15.Desse modo, a r. decisão recorrida, atentando para o informe de rendimentos, verificou que em dezembro ocorreu retenção total de R$ 1.006.345,58 (= R$ 694.571,43 ref. a Fundo de Investimento Curto Prazo + R$ 198.177,11 ref. a Aplicações de Renda Fixa + R$ 113.597,04 ref. a Aplicações em Renda Fixa - BOX), porém o contribuinte deduziu o montante Fl. 603DF CARF MF Original Fl. 9 da Resolução n.º 1402-001.769 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.901148/2018-58 de R$ 11.863.329,27, correspondente a todas as retenções ocorridas durante o ano-calendário 2014. Assim, conclui que, mesmo que o contribuinte tivesse logrado comprovar que o IRRF de aplicações financeiras foi a origem do crédito (da divergência entre a DCTF original e a DCTF retificadora) e mesmo que a tributação dos rendimentos respectivos em períodos anteriores e no próprio período restasse comprovada, seria passível de validação apenas dedução de IRRF no valor de R$ 1.006.345,58, o que ensejaria validar apenas um direito creditório de 1.006.345,58 [= imp. recolhido de R$ 30.442.689,95 - (imp. devido de R$ 31.304.376,35 - IRRF validado de R$ 1.006.345,58)]. E acrescenta que os demonstrativos trazidos, imprescindíveis para a confirmação dos registros dos rendimentos junto à escrituração, são documentos elaborados pelo próprio contribuinte, e, por conseguinte, não têm valor probatório algum quando desacompanhados dos extratos das aplicações financeiras em que se alicerçaram, de modo que a ausência dos extratos das aplicações financeiras enseja considerar não comprovada a tributação dos rendimentos respectivos, ainda que em períodos anteriores, e, portanto, não ser dedutível o IRRF correspondente na apuração do saldo de imposto a pagar, vez que descumprido o disposto no art. 2º, §4º, III, da Lei nº 9.430, de 1996. 16.Como é cediço, nos termos do artigo 76, inciso I e § 2º da Lei nº 8.981, de 1995, o IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, poderá ser deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, devendo os respectivos rendimentos integrar o lucro real, litteris: Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) I - deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real; (...) § 2º Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos produzidos a partir de 1º de janeiro de 1995 integrarão o lucro real. (...) 17.A propósito do tema, confira-se a Súmula CARF nº 80, assim enunciada: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. 18.A Recorrente insiste que, em procedimento de revisão interna, verificou que não havia aproveitado a totalidade do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável no ano-calendário de 2014, tendo retificado sua EFD para incluir o valor total do IRRF, o que resultou na apuração do montante de R$ 19.441.047,08 a título de IRPJ a pagar, ou seja, um valor inferior aquele originalmente apurado e pago. Sustenta, ainda, que em 29.09.2015 transmitiu sua Escrituração Contábil Fiscal já com os valores corretos (débito de IRPJ de dezembro de 2014 no valor de R$ 19.441.047,08 e IRRF a ser deduzido na apuração do Lucro Real no valor total de R$ 11.863.329,27) e, em 23.10.2015, a DCTF retificadora, informando que o valor do débito de IRPJ de dezembro de 2014 (originalmente declarado como R$ 30.442.689,95) passou para R$ 19.441.047,08. Fl. 604DF CARF MF Original Fl. 10 da Resolução n.º 1402-001.769 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.901148/2018-58 19.Nesse contexto, apresenta, em breve síntese, os seguintes argumentos: é preciso esclarecer que a Recorrente, na qualidade de empresa administradora ou gestora de fundos de investimento, não é Instituição Financeira equiparada, visto não se enquadrar no disposto na alínea “b” do inciso III do § 1º do art. 33 da IN RFB nº. 1.700/2017, citada pela decisão recorrida. Da mesma forma, tais empresas não se encontram listadas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8212/1991 ou no inciso I do § 6º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98. a decisão recorrida sugere que, caso a diferença entre a apuração original e a apuração retificada fosse o aproveitamento do IRRF, o valor do crédito de pagamento indevido a maior deveria ser igual ao valor total do IRRF constante do Informe de Rendimento (R$ 11.863.272,63). Ocorre que os valores não são idênticos, pois na apuração original a Recorrente já havia aproveitado uma parte do IRRF referente ao ano base 2014. Portanto, apenas a diferença (o IRRF que não havia sido aproveitado) foi incluída na apuração retificada. na apuração original que ensejou o pagamento de dezembro, a Recorrente já havia aproveitado uma parte do IRRF, no valor de R$ 861.686,41. Posteriormente, já em posse do Informe de Rendimentos, verificou que o valor aproveitado estava a menor e retificou sua apuração para aproveitar o valor total de R$ 11.863.272,63. não merecem respaldo as alegações da decisão recorrida nesse ponto, devendo ser confirmado o crédito de pagamento indevido a maior, visto que foi comprovada (i) a retenção do IRRF no valor de R$ 11.863.272,63 (que já foi comprovada pelo Informe de Rendimentos à fl. 101); e (ii) a tributação das respectivas receitas financeiras. no que toca à comprovação da tributação das receitas financeiras cujo IRRF foi aproveitado pela Recorrente, em que pese a vasta documentação apresentada, tal foi considerada insuficiente pela decisão recorrida, segundo a qual os documentos apresentados foram elaborados pela própria Recorrente, de forma que não teriam valor probatório desacompanhados dos extratos das aplicações financeiras. para sanar quaisquer dúvidas sobre a tributação das receitas financeiras cujo IRRF foi aproveitado no ano-calendário 2014, a Recorrente apresenta, nessa oportunidade, os referidos extratos de aplicações financeiras. por outro lado, a decisão recorrida afirmou que a Recorrente não poderia deduzir todo o IRRF no mês de dezembro de 2014, devendo ter realizada a dedução nos respectivos meses em que se deram o resgate das aplicações financeiras e, consequentemente, a contabilização das receitas financeiras. Para alcançar tal conclusão, a decisão recorrida elabora uma arrazoado confuso, que além de enquadrar a Recorrente como Instituição Financeira equiparada - o que, como visto, não prospera -, balizando erroneamente o seu entendimento, invoca dispositivos que sequer são aplicáveis à apuração do ano-calendário sub judice (2014), à exemplo do disposto nos Fl. 605DF CARF MF Original Fl. 11 da Resolução n.º 1402-001.769 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.901148/2018-58 artigos arts. 42 e 44 da Instrução Normativa nº 1.700/2017 (citado às fls. 382). à vista disso, primeiro é necessário esclarecer que nos termos do inciso I do artigo 76 da Lei nº. 8.981/1995, o IRRF sobre receitas de aplicação financeira pode ser deduzido do imposto apurado no encerramento do período no caso de pessoa jurídica tributada com base no Lucro Real. além disso, as Instruções Normativas que vigiam à época também previam o aproveitamento do IRRF na apuração do Lucro Real (IN 93/1997 e IN 1515/2014, que revogou a IN 93/1997). da leitura dos normativos se extrai que os rendimentos e ganhos líquidos produzidos por aplicação financeira de renda fixa e de renda variável não compõe a base de cálculo do IRPJ mensal pago por estimativa com base na receita bruta. Porém, tais valores integram a apuração do Lucro Real quando precedida pela apuração do lucro líquido, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação. resta evidente que a Recorrente, tendo optado pelo regime de tributação com base no Lucro Real e apurado os valores devidos no mês de dezembro com base em balancete de suspensão ou redução do imposto, fazia jus ao aproveitamento do IRRF incidente sobre as receitas financeiras que estavam sendo computadas em sua base de cálculo. a decisão recorrida parece não ter identificado que apenas o imposto devido nos meses de janeiro a novembro foi pago sobre base de cálculo estimada com base na receita bruta auferida mensalmente, enquanto o imposto devido em dezembro foi pago com base em balancete de suspensão ou redução apurado contabilmente e ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação. para que não restem dúvidas a respeito da forma de apuração do IRPJ em cada mês, a Recorrente anexa, nesta oportunidade, os demonstrativos da base de cálculo apurada em todos os meses do ano base 2014. portanto, tendo a Recorrente incluído na base de cálculo do mês de dezembro as receitas de aplicações financeiras, em sua totalidade, contabilizada de janeiro a dezembro, é certo que ela poderia deduzir no mês de dezembro, do imposto devido, os valores retidos durante o ano- calendário pelas fontes pagadoras. como a totalidade das receitas de aplicações financeiras auferidas no ano- calendário 2014 foi incluída na base de cálculo de dezembro, a totalidade do imposto retido na fonte referente a tais aplicações foi deduzida nesse mesmo mês. a decisão recorrida parece não ter se atentado para o fato de que a totalidade das receitas de aplicações financeiras do ano-calendário 2014 compôs a base de cálculo do mês de dezembro. não prosperam as alegações da decisão recorrida no sentido de que a Recorrente não poderia ter aproveitado a totalidade do IRRF no mês de dezembro ou que teria ocorrido infração ao regime de competência. Fl. 606DF CARF MF Original Fl. 12 da Resolução n.º 1402-001.769 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.901148/2018-58 a análise dos documento na forma roteirizada permite constatar que as receitas financeiras tributadas pelo IRRF que originou o crédito da Recorrente foram devidamente incluídas na base de cálculo do IRPJ. 20.Pois bem, como se vê, sobre a divergência apontada pela r. decisão recorrida relativa à redução da estimativa a pagar em R$ 11.001.642,87 e o IRRF de R$ 11.863.272,63, a Recorrente esclareceu que os valores realmente não são idênticos, pois na apuração original já havia sido aproveitada uma parte do IRRF referente ao ano base 2014, sendo que apenas a diferença (o IRRF que não havia sido aproveitado) foi incluída na apuração retificada. Como prova, juntou com o RV demonstrativos da base de cálculo apurada em todos os meses do ano base 2014 (fls. 422/426). 21.Já quanto aos demais fundamentos tutelados pelo v. aresto vergastado, notadamente quanto à falta de comprovação da tributação dos rendimentos sobre os quais incidiu o IRRF em questão, a Recorrente agregou diversos documentos ao Recurso Voluntário, consistentes em demonstrativos da base de cálculo apurada em todos os meses do ano base 2014; extratos de aplicações - BOX; extratos de aplicações - CDB; extratos de aplicações - DPGE; extratos de aplicações - Fundo Marte; extratos de aplicações - Letras Financeiras; e CDB, DPGE e LF - demais boletos de operações referentes às receitas financeiras que compuseram a base de cálculo do IRPJ entre os anos de 2009 e 2014, e que não foram resgatadas no ano-calendário de 2014 (fls. 422/527). 22.Ademais, após a interposição do RV, a Recorrente compareceu aos autos às fls. 532/540 para informar nova retificação da sua EFD do ano-calendário 2014, tendo apresentado novos documentos, a saber: fls. 542/570: ECF retificada – Ficha N620 (Apuração do IRPJ mensal por estimativa), Ficha N630 (Apuração do IRPJ com base no Lucro Real) e Ficha Y570 (Demonstrativo do IR e da CSLL retidos na fonte); fls. 572/573: DIRF e Informe de rendimentos - retenção de R$ 168.912,50; fls. 575/584: Documentos comprobatórios das quantias investidas na produção de obras audiovisuais brasileiras – despesa de R$ 961.000,00; e fls. 586/595: Pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 374.370,21 (PER 04764.68702.301219.1.2.02-9540). 23.No que concerne à produção de documentos após a apresentação da impugnação, registre-se que a previsão contida no § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235, de 1972, principalmente considerando o disposto na sua alínea “c” 1 , deve ser interpretada à luz dos princípios orientadores do processo administrativo-tributário, em especial o princípio da verdade material, em relação ao qual Vitor Hugo Mota de Menezes 2 ensina que “Deve ser buscado no processo, desprezando-se as presunções tributárias, ficções legais, arbitramentos ou outros procedimentos que procurem atender apenas à verdade formal, muitas vezes atentando contra a 1 Decreto 70.235/1972: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (...) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...)”. 2 Teoria Geral do Processo Administrativo Tributário, in Direito Processual Tributário, Manaus: Fiscal Amazonas, Roberta Ferreira de Andrade -coord., 2002, p. 22. Fl. 607DF CARF MF Original Fl. 13 da Resolução n.º 1402-001.769 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.901148/2018-58 verdade objetiva, devendo a autoridade administrativa promover de ofício as investigações necessárias à elucidação da verdade material”. 24.Nessa ordem de ideias, também a jurisprudência do CARF consolidou-se no sentido de que a regra insculpida no §4º do artigo 16 do Decreto 70.235, de 1972, deve ser interpretada à luz do princípio da verdade material, admitindo-se, diante das peculiaridades do caso concreto, a produção de provas em momentos processuais distintos, No que concerne aos documentos em apreço, verifica-se que sua juntada aos autos foi realizada em caráter complementar às provas produzidas por ocasião da MI, com o fito de serem contrapostos aos fundamentos trazidos pela r. decisão recorrida, que identificou a necessidade da sua apresentação. 25.Dessa forma, diante das alegações recursais e da essencialidade dos documentos que foram apresentados em complemento, exsurge a necessidade de se verificar se os mesmos são suficientes a comprovar a higidez e disponibilidade do direito creditório, na forma exposta nas razões recursais. 26.Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, remetendo-se os autos à Unidade Local, para: a) Pronunciar-se, de forma conclusiva, sobre a procedência das alegações deduzidas pela Recorrente no seu Recurso Voluntário, especialmente com base nos documentos de fls. 422/527 e na petição e documentos de fls. 532/595, verificando se os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável auferidos no ano-calendário de 2014 e sobre os quais incidiu o Imposto de Renda Retido na Fonte objeto do direito creditório pleiteado, foram oferecidos à tributação, no próprio período ou em períodos anteriores; b) Elaborar relatório, trazendo a fundamentação das constatações alcançadas, com justificativas e explicações claras; c) Após a formulação e juntada do Relatório de Diligência, deverá ser cientificada a Recorrente, para que, querendo, exclusivamente sobre ele se manifeste no prazo de trinta dias; e d) Findo tal prazo, com ou sem manifestação da Recorrente, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Jandir José Dalle Lucca - Relator Fl. 608DF CARF MF Original
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Numero do processo: 12448.729061/2011-43
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2009
NORMAS GERAIS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO.
A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 da Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2003-005.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO. A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 da Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 56 e ss.), interposto contra o Acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (e-fls. 45 e ss.) que considerou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação do contribuinte apresentada diante de Notificação de Lançamento (e-fls. 27 e ss.), lavrada pela constatação de Rendimentos indevidamente considerados como Isentos por Moléstia Grave. Por retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Trata o presente processo de notificação de lançamento (fls. 27/31), emitida em nome da contribuinte acima identificada, em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda (DIRPF), referente ao exercício de 2009, ano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 90 61 /2 01 1- 43 Fl. 63DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-005.223 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.729061/2011-43 calendário de 2008, tendo sido apurado IR suplementar no valor de R$ 6.993,18, acrescido de multa de ofício e juros de mora, calculados até 06/2011. Conforme descrição dos fatos, foi constatada omissão de rendimentos tributáveis indevidamente considerados como isentos por moléstia grave no valor de R$ 56.172,16 recebidos da fonte pagadora Fundação dos Economiários Federais - FUNCEF. O contribuinte não apresentou laudo pericial emitido por serviço médico oficial, especificando a moléstia grave e quando esta se manifestou (mês e ano), conforme solicitado na intimação. Cientificado da notificação em 21/06/2011 (fl. 32), o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, alegando, resumidamente, que foi declarado isento por processo judicial e está anexando cópia do laudo médico apenso ao processo judicial. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2009 MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Cientificado da decisão de primeira instância em 26/05/2014 (e-fls. 53), o sujeito passivo interpôs, em 26/06/2014 (e-fl. 56), Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, repisando seus argumentos impugnatórios. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Ricardo Chiavegatto De Lima - Relator(a) De pronto, embora o Recurso Voluntário interposto revista-se de requisitos necessários, deve o mesmo ter sua tempestividade apreciada. Nos termos do art. 23, inc. II, e § 2º, inc. II, do Decreto nº 70.235/1972 – PAF (art. 10, inc. II, e art. 11, inc. II, do Decreto nº 7.574/2011), a intimação realizada por via postal se considera feita na data do recebimento da correspondência acompanhada de Aviso de Recebimento – AR, no endereço tributário indicado pelo contribuinte. Tal disposição é também cristalinamente apontada na Súmula CARF n. 09, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Na espécie, o Aviso de Recebimento – AR (e-fl. 53) indica que a correspondência foi entregue no domicílio tributário eleito pelo recorrente em 26/05/2014, segunda-feira, quando então considera-se cientificada o recorrente da decisão de Primeira Instância. Fl. 64DF CARF MF Original http://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-005.223 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.729061/2011-43 De acordo com os arts. 5º e 33 do PAF, o prazo de trinta dias para a interposição de recurso voluntário é contínuo, excluindo na sua contagem, o dia de início, e incluindo o do vencimento. Os prazos se iniciam ou expiram no dia de expediente normal no órgão em que tramite o processo ou deva ser praticado o ato. Assim, o prazo de 30 dias começou a fluir em 27/05/2014, findando em 25/06/2014, quarta-feira, tido então como o prazo fatal de apresentação do recurso. Como o recurso voluntário foi interposto somente em 26/06/2014, quinta-feira (protocolo de e-fl. 56), conclui-se por sua intempestividade, não podendo ser o mesmo conhecido. Dessa forma, verifica-se que o recurso não deve ser conhecido em nenhum de seus aspectos, por claramente intempestivo, caracterizando-se como perempto. Dispositivo Isso posto, voto em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 65DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13794.000762/2010-49
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2009
NORMAS GERAIS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. PRECLUSÃO.
A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 da Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2003-005.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade do recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade do recurso. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. PRECLUSÃO. A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 da Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade do recurso. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 58 e ss.), interposto contra o Acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (e-fls. 49 e ss.) que considerou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação do contribuinte apresentada diante de Notificação de Lançamento (e-fls. 04 e ss.), lavrada pela constatação de Dedução Indevida de Dependente, de Dedução Indevida de Despesas com Instrução e de Dedução Indevida de Despesas Médicas. Por retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Trata este processo administrativo de Notificação de Lançamento, nº 2009/756480125362574, expedida em 22/02/2010, relativa ao Imposto de Renda Pessoa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 79 4. 00 07 62 /2 01 0- 49 Fl. 97DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-005.251 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13794.000762/2010-49 Física – IRPF, exercício 2009, ano-calendário 2008, formalizando a exigência a seguir discriminada, com valores expressos em reais (fls. 4 e seguintes). ... A exigência decorre de: a) dedução indevida de dependentes no valor de R$ 3.311,76; b) dedução indevida de despesas com instrução, no valor de R$ 5.184,58, c) dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 10.886,00, por falta de comprovação. Cientificado em 05/03/2010 (sexta-feira), fl. 40, o sujeito passivo apresentou, em 06/04/2010, a impugnação às fls. 2 e 3, instruída com os documentos às fls. 4 a 23, alegando, em síntese, que a exigência merece ser revista, conforme documentos anexados. Requer o restabelecimento das quantias de R$ R$ 1.655,88 (dependentes), R$ 1.490,62 (despesas com instrução) e R$ 10.115,16 (despesas médicas). A autoridade a quo promoveu revisão de ofício da exigência, concluindo pela procedência parcial do débito fiscal e reduziu a exigência ao valor de R$ 3.271,62, em virtude do restabelecimento parcial das deduções de dependentes (R$ 1.655,88) e despesas com instrução (R$ 1.490,62) _ fls. 37 a 39. Cientificado dessa revisão em 10/10/2011, o sujeito passivo não voltou a comparecer aos autos (fls. 42 e seguintes). A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2009 DEDUÇÕES. DEPENDENTES. São admitidas as deduções pleiteadas a título de dependentes se ficar comprovada, mediante apresentação de documento hábil e idôneo, a relação de dependência nos moldes estabelecidos na legislação tributária. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São admitidas as deduções pleiteadas a título de despesas com instrução se ficar comprovado, mediante apresentação de documento hábil e idôneo, pagamento efetuado a estabelecimentos de ensino relativamente à educação do contribuinte e de seus dependentes, nos moldes estabelecidos na legislação tributária. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Somente são admitidas as deduções pleiteadas a título de despesas médicas que atendam a legislação de regência da matéria. Cientificado da decisão de primeira instância em 14/02/2015 (e-fls. 77 e 58), o sujeito passivo interpôs, em 17/04/2015 (e-fls. 58), Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que é portadora de cardiopatia grave desde 14/11/2003 e pede reabertura de prazo para apresentação dos documentos que eram necessários na impugnação (junta novos documentos na oportunidade, cf. e-fls. 59 e ss.). Na data de 10/07/2015, volta a manifestar-se (e-fls. 89), alegando apresentação no prazo legal entendendo ser indevido o imposto de renda do período de 12/05/2005 a 14/02/2008 por acometimento de cardiopatia grave (anexa documentos, cf. e-fls. 90 e ss.). É o relatório. Voto Conselheiro(a) Ricardo Chiavegatto De Lima - Relator(a) Fl. 98DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-005.251 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13794.000762/2010-49 O Recurso Voluntário deve, de antemão ser apreciado quanto ao conhecimento, pois mais atenção deve ser dada à análise da tempestividade do mesmo. Nos termos do art. 23, inc. II, e § 2º, inc. II, do Decreto nº 70.235/1972 – PAF (art. 10, inc. II, e art. 11, inc. II, do Decreto nº 7.574/2011), a intimação realizada por via postal se considera feita na data do recebimento da correspondência acompanhada de Aviso de Recebimento – AR, no endereço tributário indicado pelo contribuinte. Tal disposição é também cristalinamente apontada na Súmula CARF n. 09, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Na espécie, o Aviso de Recebimento – AR (e-fl. 77) indica que a correspondência foi entregue no domicílio tributário eleito pela recorrente em 13/02/2015, quando então considera-se cientificada a recorrente da decisão de Primeira Instância. A própria contribuinte confirma o recebimento em suas manifestações: “... Intimação n.10, datada de 27/01/2015 e por mim recebida em 14/02/2015.” (e-fls.58) e “... não se conformando com ... a decisão de primeira instância da qual foi cientificada em fevereiro de 2015,...” (e-fls. 88). De acordo com os arts. 5º e 33 do PAF, o prazo de trinta dias para a interposição de recurso voluntário é contínuo, excluindo na sua contagem, o dia de início, e incluindo o do vencimento. Os prazos se iniciam ou expiram no dia de expediente normal no órgão em que tramite o processo ou deva ser praticado o ato. Como o recurso voluntário foi interposto somente em 17/04/2015 (protocolo de e-fl. 76), conclui-se por sua intempestividade, não podendo ser o mérito conhecido por claramente perempto. Ademais, tanto os argumentos quanto as provas documentais devem ser apresentados na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual, cf. disposto no Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III e § 4º, inexistindo previsão legal para reabertura de prazo de impugnação/recurso. Dispositivo Isso posto, voto em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto De Lima Fl. 99DF CARF MF Original http://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf
score : 1.0
Numero do processo: 10735.004012/2008-38
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2006
PAF. DRJ. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. VIOLAÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não se pode admitir que o julgamento de primeira instância inove nos fundamentos para manutenção da autuação, ampliando exigências além daquelas solicitadas pela autoridade lançadora, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório.
IRRF. AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. COMPROVAÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE.
O IRRF que incide sobre as parcelas pagas decorrentes de acordo trabalhista, poderá ser compensado pelo beneficiário na declaração de ajuste anual.
Afasta-se a glosa quando os elementos de prova que fundamentam as alegações recursais prestam-se a confirmar os rendimentos auferidos e a retenção na fonte do imposto deduzido na declaração de ajuste anual, cujo montante recolhido, aliás, foi atestado e reconhecido pela própria decisão recorrida.
Numero da decisão: 2003-005.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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DRJ. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. VIOLAÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não se pode admitir que o julgamento de primeira instância inove nos fundamentos para manutenção da autuação, ampliando exigências além daquelas solicitadas pela autoridade lançadora, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório. IRRF. AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. COMPROVAÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE. O IRRF que incide sobre as parcelas pagas decorrentes de acordo trabalhista, poderá ser compensado pelo beneficiário na declaração de ajuste anual. Afasta-se a glosa quando os elementos de prova que fundamentam as alegações recursais prestam-se a confirmar os rendimentos auferidos e a retenção na fonte do imposto deduzido na declaração de ajuste anual, cujo montante recolhido, aliás, foi atestado e reconhecido pela própria decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 40 12 /2 00 8- 38 Fl. 110DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-005.155 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.004012/2008-38 Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 80/84): Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2006, por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu (RJ). O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais). O referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte Glosa da compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, conforme Dirf entregues pelas fontes pagadoras. Valor: R$ 26.849,69. Fonte Pagadora: Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região. Motivo: o contribuinte não apresentou a documentação necessária para formar convicção do valor retido. A base legal do lançamento encontra-se nos autos. O contribuinte teve ciência do lançamento em 25/08/2008, conforme documentos de fl. 16 e, em 19/09/2008, apresentou impugnação, em petição de fls. 39-41, acompanhada dos documentos de fls. 42-60, alegando, resumidamente, o que se segue: - que apresentou os documentos solicitados pela fiscalização, inclusive o Darf com o recolhimento do imposto de renda retido na fonte; - que entregou no dia 30/01/2008 todos os documentos solicitados no Termo de Intimação Fiscal. Portanto, não procede a Notificação de Lançamento; - solicita que sejam analisadas as Declarações dos exercícios 2005 e 2006, pois o Darf de recolhimento do IRRF no valor de R$ 26.849,69 refere-se ao imposto de renda retido dos valores pagos pela Justiça do Trabalho. Acrescenta que tinha elementos suficientes para ratear o valor correspondente a cada ano, uma vez que o valor foi retido num único Darf; - que não pode ser penalizado pela falta de comunicação entre a Justiça do Trabalho e a RFB, nem prejudicado por não poder esclarecer pessoalmente os fatos ocorridos. Por fim, solicita a improcedência do lançamento. É o relatório. A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve parcialmente o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2006 IRRF. RENDIMENTOS. BASE DE CÁLCULO Fl. 111DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-005.155 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.004012/2008-38 O imposto de renda retido na fonte a ser considerado no cálculo do ajuste anual deve ser correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo, por expressa determinação legal. Cientificado da decisão, em 03/10/2013 (fls. 91), o contribuinte, por procurador habilitado interpôs, em 01/11/2013, recurso voluntário (fls. 100/101), alegando, preliminarmente, que não incide o imposto de renda sobre os juros em reclamação trabalhista dado o seu caráter indenizatório, não refletindo acréscimo patrimonial, ao teor do art. 43 do CTN, sendo certo que não teve a oportunidade de apresentar a declaração de ajuste retificadora visando adequar os rendimentos isentos e não tributáveis, em face do procedimento fiscal instaurado. No mérito, alega que a decisão recorrida acolheu parcialmente a impugnação para reconhecer os rendimentos tributáveis e isentos provenientes da demanda judicial, contudo não retificou a declaração de ajuste para adequar os rendimentos tributáveis apurados. Requer, ao final, seja procedida a retificação dos rendimentos tributáveis declarados, visando ajustá-los ao deliberado na decisão proferida. Instrui a peça recursal com os documentos de fls. 102/106. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares As alegações trazidas em sede preliminar, a bem da verdade se confundem com as razões de mérito, e com ele serão apreciadas. Mérito Da compensação indevida do imposto de renda retido na fonte – do pedido de retificação da declaração de ajuste anual: O litígio recai sobre a compensação indevida do IRRF remanescente, no valor de R$ 680,35, referente aos valores recebidos no processo trabalhista nº 0192-1998-059-01-00-7, por falta de comprovação necessária para formar a convicção acerca do valor retido, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do processado, no sentido da retificação da declaração de ajuste para contemplar o valor tributável apurado na decisão recorrida. Assim, passo ao cotejo dos documentos constantes dos autos, em relação aos fundamentos motivadores da manutenção parcial da autuação traçados na decisão recorrida (fls. 82/84): Fl. 112DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-005.155 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.004012/2008-38 Trata-se de lançamento referente à infração de compensação indevida do imposto de renda retido na fonte. O contribuinte discorda do lançamento e requer o cancelamento do débito fiscal. Os argumentos do sujeito passivo e os documentos anexados aos autos, serão a seguir analisados. Antes, porém, é importante mencionar que os documentos entregues pelo contribuinte no dia 30/01/2008 (fl. 47) em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal foram analisados pela fiscalização e considerados insuficientes para a convicção do valor retido. No presente caso, o contribuinte foi beneficiário de rendimentos decorrentes da ação trabalhista nº 01962-1998-053-01-00-7, conforme planilha abaixo: O Alvará nº 0417/04 foi levantado no dia 30/08/2004 pelo valor atualizado de R$ 129.515,65, conforme autenticação mecânica de fl. 76. Já o Alvará nº 0511/04 foi levantado em 27/10/2004, mas a autenticação mecânica do valor pago está ilegível. Por isso, será considerada a atualização até o dia 30/08/2004, data do levantamento do alvará nº 0417/04, pois até esta data é possível apurar o índice de atualização. Também o valor do Alvará nº 0349/05 no valor de R$ 28.520,41 foi atualizado para R$ 36.033,76, tendo em vista a informação de fl. 51, 57 e 78. O valor de R$ 36.033,76 foi informado pelo contribuinte na DIRPF/2006. Entretanto, ele considerou-o como rendimento bruto e não como rendimento líquido (valor do alvará atualizado). O imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 26.849,69 foi recolhido no dia 01/03/2006, conforme Alvará Judicial nº 78/06 (fl. 49) e Darf de fl. 50. Portanto, será apurado o valor bruto recebido pelo contribuinte, conforme planilha abaixo: Analisando os documentos da contadoria da Justiça Trabalhista, verifico que o contribuinte recebeu rendimentos não-tributáveis (fls. 54-55): Assim sendo, apresento a planilha abaixo para consolidar os rendimentos recebidos pelo contribuinte nos anos-calendários 2004 e 2005 e o respectivo imposto de renda retido na fonte: No exercício 2006 (ano-calendário 2005), o contribuinte deveria ter informado na Declaração de Ajuste Anual rendimentos tributáveis auferidos da Reclamação Trabalhista no montante de R$ 41.336,57. Fl. 113DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-005.155 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.004012/2008-38 Entretanto, segundo consta da DIRPF/2006 apresentada pelo contribuinte, parte dos rendimentos tributáveis foi omitida, uma vez que o total informado, como rendimento tributável oriundo da ação trabalhista, foi de R$ 36.033,76 (fl. 71). Neste ponto, é importante salientar que a infração de omissão de rendimentos não será objeto de lançamento tributário, tendo em vista que o período em questão foi atingido pelo instituto da decadência. No tocante ao imposto de renda retido na fonte, o art. 12 da Lei nº 9.250/95, prescreve que do imposto apurado poderá ser deduzido o imposto retido ou o pago, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo.O assunto foi regulamentado pelo artigo 87 do Decreto nº 3.000/99- Regulamento do Imposto de Renda, que assim dispõem: (...) O contribuinte, embora tenha auferido rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual no montante de R$ 41.336,57, conforme comprovado pelos documentos acostados ao processo, somente ofereceu à tributação a quantia de R$ 36.033,76. Assim, em observância à legislação transcrita, há de se restabelecer somente o imposto de renda retido na fonte correspondente aos rendimentos efetivamente incluídos na base de cálculo. A parcela de rendimentos tributáveis declarados na DIRPF/2006 foi de R$ 36.033,76, que corresponde a 87,17% do total que deveria ter sido declarado. Portanto, há de se considerar o montante de IRRF correspondentes aos rendimentos declarados, conforme planilha abaixo: Assim, será restabelecido o imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 4.622,46. Pois bem. Feito o registro acima e após detida análise dos autos, entendo que a pretensão recursal merece prosperar, porquanto o Recorrente se desincumbiu do ônus que lhe competia. Da análise dos autos, constato que se trata de tributação sobre rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes do processo trabalhista nº 0192-1998-059-01-00-7, movido contra as empresas Distribuidora de Bebidas Lydantar e Indústria de Bebidas Antártica do Sudeste S/A, onde foi realizada a retenção IR Fonte sobre os valores recebidos e ajustados pela decisão recorrida, oportunizando assim ao Recorrente compensar o imposto comprovadamente retido, montante em que efetivamente recolhido no ano-calendário autuado, ao teor dos cálculos judiciais elaborados. Vale salientar que, com base no art. 121 do CTN, cabe ao contribuinte, sujeito passivo da obrigação principal, independentemente de a fonte pagadora ter recolhido o imposto, a responsabilidade de oferecer à tributação os rendimentos recebidos no decorrer do ano- calendário e, por conseguinte, deduzir o IRRF quando efetivamente comprovada sua retenção. Isso se dá porque a partir da edição a Lei nº 8.134/90, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora pela retenção e recolhimento do IR Fonte, também se estabeleceu que a apuração definitiva do imposto se dará na declaração de ajuste, sob responsabilidade exclusiva do contribuinte, pessoa física. Portanto, restando certificada pela própria decisão recorrida a disponibilidade econômica – levando-se em conta que, por força dos arts. 12 da Lei nº 7.713/88 e 56 do RIR/99, o rendimento bruto a ser levado à tributação na DAA é aquele obtido antes da exclusão do valor Fl. 114DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-005.155 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.004012/2008-38 do imposto retido na fonte, cuja dedução deve ser informada no ajuste e só efetuada após o cálculo do imposto devido, e sendo certo que o contribuinte alega que cometeu equívoco na informação dos rendimentos obtidos, porém restou impossibilitado de promover a retificação da DAA pelo início do procedimento fiscal, e que a decisão recorrida apurou o efetivo recolhimento do IRRF no ano-calendário de 2005, restando assim comprovada a retenção – indene de dúvida acerca da ocorrência da obtenção de rendimentos no ano de 2005, com a consequente comprovação da retenção tributária certificada na decisão recorrida, possibilitando-lhe assim promover o respectivo aproveitamento total do valor retido/recolhido, ao teor do art. 87, § 2º do RIR/99. Por outro giro, embora a decisão recorrida aponte a necessidade da adequação do IRRF retido ao percentual dos rendimentos tributáveis declarados, da leitura da autuação constata-se que tal requisito não consta na motivação da exigência, ao teor da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do lançamento (fls. 43), cuja autuação lastrou-se exclusivamente na compensação indevida do IR Fonte, por falta de apresentação de documentação necessária para formar convicção do valor retiro. Portanto, diante de outras irregularidades suscitadas pela fiscalização, e constatando que a adequação dos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente no processo trabalhista não foi exigida no curso da ação fiscal, entendo que a decisão piso inovou neste ponto – vinculando o IRRF aos rendimentos declarados e não aos efetivamente obtidos, conforme aliás, restou apurado com base dos documentos acostados aos autos e discriminados na própria decisão recorrida – violando o direito à ampla defesa e do contraditório, não podendo, via de consequência, ser acatado. Assim como não é dado ao contribuinte inovar em sede recursal não se pode conceber que a manutenção parcial do lançamento também se dê por fundamentos não cogitados na autuação, devendo tal exigência ser afastada. Portanto, restando comprovada a disponibilidade econômica e apurada a ocorrência da retenção/recolhimento tributário no ano-calendário autuado, ao teor da legislação de regência (art. 87, § 2º do RIR/99), no valor total de R$ 5.302,81 (e não do percentual apurado sobre o montante dos rendimentos recebidos e declarados equivocadamente no ajuste anual, os quais não foram objeto de autuação), deverá ser afastada a glosa sobre o imposto remanescente em litígio. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso, para restabelecer a compensação remanescente do IRRF, no valor de 680,35, na base de cálculo do imposto de renda. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 115DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-005.155 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.004012/2008-38 Fl. 116DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10865.001084/2004-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 16/10/1989 a 18/08/1991
COMPENSAÇÃO - JUROS INCIDENTES - SELIC
Após 1º de janeiro de 1996, aplica-se a taxa SELIC desde o recolhimento indevido, não podendo ser cumulada com nenhum outro índice, seja de atualização monetária, seja de juros, porque a SELIC inclui, a um só tempo, o índice de inflação do período e a taxa de juros real.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-000.838
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 16/10/1989 a 18/08/1991 COMPENSAÇÃO - JUROS INCIDENTES - SELIC Após 1º de janeiro de 1996, aplica-se a taxa SELIC desde o recolhimento indevido, não podendo ser cumulada com nenhum outro índice, seja de atualização monetária, seja de juros, porque a SELIC inclui, a um só tempo, o índice de inflação do período e a taxa de juros real. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 16/10/1989 a 18/08/1991 COMPENSAÇÃO JUROS INCIDENTES SELIC Após 1º de janeiro de 1996, aplicase a taxa SELIC desde o recolhimento indevido, não podendo ser cumulada com nenhum outro índice, seja de atualização monetária, seja de juros, porque a SELIC inclui, a um só tempo, o índice de inflação do período e a taxa de juros real. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) SIDNEY EDUARDO STAHL Relator. EDITADO EM: 26/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Daniela Ribeiro de Gusmão e José Luiz Bordignon. Fl. 280DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra acórdão que confirmou despacho decisório da DRF de Campinas – SP, o qual, apesar de reconhecer a existência dos créditos de FINSOCIAL do Recorrente oriundos de ação judicial, apurou não serem os mesmos suficientes para absorver os débitos de COFINS objeto de compensação. O Contribuinte transmitiu as PER/DCOMPS de fls. 02/28 entre as datas de 13/11/2003 à 13/08/2004, objetivando a compensação de débitos de COFINS com créditos de FINSOCIAL provenientes de ação judicial com trânsito em julgado (fls.39/58), tendo, inclusive, pleiteado a desistência da execução judicial dos valores a que fazia jus para a efetiva compensação dos valores na esfera administrativa (fls. 61/78). A Delegacia da Receita Federal de Limeira – SP não homologou as compensações acima referidas, porquanto declarou ter ocorrido a prescrição da pretensão do Contribuinte para tanto, uma vez que o trânsito em julgado do processo judicial acima aludido se deu em 11/06/1996, tendo as compensações em tela ocorrido nos anos de 2003 e 2004 como acima mencionado (fls. 88/90). O referido relatório informa que para os débitos de COFINS dos meses outubro, novembro e dezembro/2003 foram apresentadas 02 declarações de compensação. O contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 27/06/2005. Em 11/05/2009 o contribuinte apresentou solicitação para desconsiderar as declarações de compensação apresentadas em 13/02/2004, alegando que os débitos nelas declarados já haviam sido compensados conforme declarações de compensação anteriores (fls. 161/162). Inconformado, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 93/136, a qual foi julgada procedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, afastando a prescrição acerca da utilização de tal crédito, considerando que tal prazo deveria ser contado desde a homologação do pedido de desistência de execução do crédito pela via judicial, o que apenas ocorreu em 2005 (fls. 137/141), determinando à DRF de origem que apurasse a regularidade das compensações realizadas pelo Contribuinte, conforme a ementa a seguir: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 16/10/1989 a 15/08/1991 CRÉDITO FINANCEIRO. DECISÃO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. COMPENSAÇÃO NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A prescrição do direito à compensação na instância administrativa de crédito financeiro, em discussão na, esfera judicial, com débitos fiscais vencidos de responsabilidade do mesmo sujeito passivo, ocorre depois de cinco anos contados do trânsito em julgado da decisão que homologou a desistência execução do título judicial. Fl. 281DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10865.001084/200414 Acórdão n.º 380100.838 S3TE01 Fl. 225 3 CRÉDITO FINANCEIRO. DECISÃO JUDICIAL. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO NA ESFERA 411 ADMINISTRATIVA. O crédito financeiro reconhecido judicialmente, com, decisão transitada em julgado, é passível de repetição/ compensação na esfera administrativa. CRÉDITO FINANCEIRO. DECISÃO JUDICIAL. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária de crédito financeiro e o cálculo dos respectivos juros compensatórios, reconhecido judicialmente, deverão ser efetuados segundo a decisão judicial, sendo esta silente, pelos mesmos índices utilizados pelo Fisco para atualização de seus créditos tributários. PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. Comprovada a certeza e liquidez do crédito financeiro indicado no Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp) compete à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do montante apurado por ela. Solicitação Deferida O despacho decisório proferido pela DRF em Limeira – SP (fls. 149/155) reconheceu os pagamento indevidos de FINSOCIAL e homologou a compensação realizada, no entanto, até o limite dos créditos a que fez jus o Contribuinte, do seguinte modo: Tendo em vista as determinações contidas no artigo 165,da Lei n° 5.172, de 25de outubro de 1966, e no uso da competência prevista no inciso VI do artigo 280 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria M.F. nº 125,de 04 de março de 2009, DECLARO anulada e sem efeito a Decisão SEORT/DRF/LIMEIRA/SP, de 24/05/2005, de folhas 88 a 90, para homologar a compensação do débito da COFINS (código 2172 e 5856), PA 12/2003 a 08/2004,com aproveitamento dos créditos de recolhimentos maior do FINSOCIAL, nos PA 09/1989 a 07/1991, conforme planilha supra. Ao Setor carregado da implementação da compensação autorizada para os procedimentos estabelecidos a IN 900/2008. Por sua vez, o Contribuinte apresentou às fls. 156/163 manifestação tendente a retificar as PERD/COMPS apresentadas inicialmente com o fito de ajustar às determinações finais. Às fls. 178 foi emitida intimação cientificando a Recorrente tanto em relação ao acórdão de fls. 137/141 da DRJ de origem que julgou procedente sua Manifestação de Inconformidade, quanto em relação ao despacho decisório que apurou as compensações realizadas resultando em crédito em seu desfavor, considerandose, inclusive, as manifestações de retificação das PER/DCOMPS apresentadas pelo mesmo. Fl. 282DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL 4 Pela presente, dáse ciência do inteiro teor do Acórdão DRJ/RPO n° 1416.864 de Em cumprimento ao referido acórdão foi apurado o crédito emitindose o despacho decisório de 15104/2009. Segue em anexo cópia do Despacho e do demonstrativo de apuração dos créditos (fls. 143 a 148). Os créditos apurados não foram suficientes para a homologação das compensações, conforme Demonstrativo Analítico de Compensação em anexo. Assim sendo, solicitamos efetuar, dentro do prazo de 30 dias contados a partir do recebimento desta, o recolhimento dos débitos indevidamente compensados, conforme guias DARF em anexo, ressalvado o direito de apresentação de Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do MF, no mesmo prazo, nos termos do § 10º do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Ressaltamos que caso o pagamento seja efetuado após a data de validade indicada nas guias DARF, o montante de juros deve ser atualizado nos termos do artigo 61, § 3º da Lei 9.430/96 (taxa SELIC). Expirado o prazo de 30 dias, sem recolhimento ou apresentação de Recurso, os débitos serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva Novamente inconformado, interpõe o Contribuinte o presente Recurso Voluntário, insurgindose contra o acórdão que lhe foi favorável e a posterior decisão da DRF de Limeira SP que apurou crédito em seu desfavor, porquanto alega que aquela DRF de origem não acatou o quanto decidido em aludido acórdão, ao deixar de considerar a inclusão de juros compensatórios sobre os valores recolhidos indevidamente, razão pela qual pleiteia o cancelamento do débito apurado. É o Relatório Fl. 283DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10865.001084/200414 Acórdão n.º 380100.838 S3TE01 Fl. 226 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A controvérsia constante do presente Recurso restringese a saber se é aplicável ou não juros compensatórios de 1% (um por cento) ao mês, após o trânsito em julgado da sentença da Recorrente, nos termos do seu pedido e dos cálculos apresentados pela mesma às fls. 223/226. Expressa a Recorrente às fls. 191: Em acatamento ao Acórdão superior da DRJ/RPOSP, a D.R.F./Limeira homologou as compensações declaradas com aproveitamento dos créditos recolhidos a maior do FINSOCIAL. No entanto, ao realizar a apuração do crédito financeiro do Recorrente NÃO APLICOU, COMO DETERMINADO, OS JUROS COMPENSATÓRIOS e, arbitrariamente, sob o fundamento de que os créditos apurados não foram suficientes para a homologação das compensações, o intimou para que efetuasse o recolhimento dos débitos indevidamente compensados, conforme guias anexas, sob pena de atualização dos juros e, até mesmo, de inscrição em dívida ativa da união para cobrança executiva. O acórdão da DRJ de fls. 137/143 decidiuse pelo direito da parte em compensar os valores aqui pleiteados do seguinte modo: Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos constam, voto pela procedência da presente manifestação de inconformidade, cabendo à DRF em Limeira, SP, apurar os créditos financeiros a que a interessada faz jus, decorrentes de recolhimentos efetuados, a título de Finsocial, a alíquotas superiores 0,5 % (meio por cento), atualizar monetariamente os valores apurados, desde as datas dos recolhimentos indevidos até a data da respectiva compensação, pelos mesmos índices utilizados pela Secretaria da Receita Federal para atualização dos créditos tributários administrados por ela, acrescerlhes juros compensatórios a partir de janeiro de 1996, segundo a legislação tributária vigente, homologando a compensação dos débitos fiscais declarados nos Per/Dcomp, objeto deste processo administrativo, até limite do montante dos créditos apurados. Na prática determinou que a administração corrigisse os valores recolhidos pelos mesmos índices de correção dos tributos – SEGUNDO A LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA VIGENTE. Fl. 284DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL 6 Em nenhum momento a decisão da DRJ ou qualquer outra decisão no presente processo determina que serão aplicáveis juros compensatórios de 1% ao mês após janeiro de 1996. Temse hoje como pacífico que os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos Federais. Nos casos de compensação, a orientação prevalente quanto aos juros é de que, após a edição da Lei nº 9.250/95, aplicase a taxa SELIC desde o recolhimento indevido, não podendo ser cumulada com nenhum outro índice, seja de atualização monetária, seja de juros, porque a SELIC inclui, a um só tempo, o índice de inflação do período e a taxa de juros real, ou seja, sendo a SELIC natureza dúplice (juros + correção monetária), nenhum outros juros a ela devem ser adicionados. Os juros compensatórios, como pretende a Recorrente, são descabidos na compensação de tributos. Cito os seguintes precedentes do Superior Tribunal de Justiça, que demonstram a tendência desse entendimento (sem destaques no original): TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A REMUNERAÇÃO DE ADMINISTRADORES, AUTÔNOMOS E AVULSOS – COMPENSAÇÃO – EXPURGOS INFLACIONÁRIOS – TAXA SELIC – INCIDÊNCIA A PARTIR DE JANEIRO DE 1996 – JUROS COMPENSATÓRIOS – NÃO INCIDÊNCIA – PRECEDENTES. É pacífico neste Sodalício, ainda, que os juros compensatórios não incidem na restituição ou compensação de crédito tributário. Precedentes. Agravo regimental improvido (AgRg no Ag 628.232/SP, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 28.08.06). PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA – LEI N. 10.637/2002, QUE ALTEROU O ART. 74 DA LEI N. 9.430/96 – INAPLICAÇÃO – NORMA DE REGÊNCIA FIRMADA NO MOMENTO DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO – PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM – JUROS COMPENSATÓRIOS – NÃOINCIDÊNCIA – SUCUMBÊNCIA MANTIDA. 1. Aplicase ao regime das compensações tributárias a legislação vigente à época do ajuizamento da demanda. São descabidos juros compensatórios em repetição de indébito e na compensação de tributos. Precedentes. 2. No estágio atual da demanda, verificase a sucumbência recíproca. Mantida a decisão recorrida no tocante aos honorários. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 881.342/SP, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 29/10/2009) Fl. 285DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10865.001084/200414 Acórdão n.º 380100.838 S3TE01 Fl. 227 7 RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO. JUROS COMPENSATÓRIOS. NÃO CABIMENTO. TAXA SELIC E JUROS MORATÓRIOS. CUMULAÇÃO. NÃOOCORRÊNCIA. CORREÇÃO MONETÁRIA. ÍNDICES. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. 1. Não incidem juros compensatórios na restituição do indébito tributário. 2. É iterativo o entendimento de que, no período de incidência da taxa Selic, não podem ser aplicados cumulativamente juros moratórios. 3. Na compensação tributária admitese a incidência apenas da taxa Selic para decisão que ainda não transitou em julgado. Precedentes. (...) (REsp 198.943/SP, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/02/2005, DJ 21/03/2005 p. 304) Em igual sentido temos, ainda os seguintes: REsp 904433 / SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 23/03/2007; REsp 853186 / RS, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Zavascki, DJ de 11/09/2006; EREsp 769312 / RS, 1ª Seção, Rel. Min. José Delgado, DJ de 02/10/2006; REsp 876126 / SP , 1ª Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 19/03/2007; REsp 604967 / RJ; 2ª Turma, Rel. Min. João Otávio Noronha, DJ de 30/10/2006). Assim, aplicamse os juros de mora de 1% ao mês, a partir do trânsito em julgado, nos termos do artigo 161 combinado com o artigo 167 do Código Tributário Nacional até o advento da Lei 9.250/95 e com a Lei 9.250/95, aplicase somente a taxa SELIC, que compreende correção monetária e juros de mora, a partir de 01/01/1996. Para o presente caso, não tendo ocorrido o trânsito em julgado até 31/12/1995, aplicase somente a taxa SELIC a partir de 01/01/1996, como de fato o fez a administração nas apurações realizadas. Desta forma, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 286DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL 8 Fl. 287DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL
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Numero do processo: 10845.722448/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 3402-003.588
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido na Resolução nº 3402-003.587, de 27 de junho de 2023, prolatada no julgamento do processo 10845.722439/2011-70, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Luis Cabral, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Renata da Silveira Bilhim, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos, Alexandre Freitas Costa e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido na Resolução nº 3402- 003.587, de 27 de junho de 2023, prolatada no julgamento do processo 10845.722439/2011-70, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Luis Cabral, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Renata da Silveira Bilhim, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos, Alexandre Freitas Costa e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, conforme Ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 45 .7 22 44 8/ 20 11 -6 1 Fl. 2307DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3402-003.588 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10845.722448/2011-61 créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando-se os negócios fraudulentos. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitando-se peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. No regime não-cumulativo, somente são considerados insumos, para fins de creditamento, os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra a qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. DELEGACIAS DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar, depois de instaurado o litígio, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa disposição legal, não incide atualização monetária sobre créditos de Cofins e de PIS/Pasep objeto de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Por reproduzir com exatidão os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo parcialmente o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento 40024.02609.270109.1.1.08-9430 e Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito relativo ao PIS não-cumulativo associado a operações de exportação, referente ao 4º trimestre de 2008, no montante de R$ 3.448.474,02. Fl. 2308DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3402-003.588 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10845.722448/2011-61 A DRF-STS exarou o despacho decisório de fl. 38/99, decidindo deferir parcialmente o pedido de ressarcimento (R$447.485,67) e homologar as declarações de compensação até o limite reconhecido. Reportando-se ao despacho decisório, cite-se os fundamentos para reconhecimento parcial do crédito, conforme abaixo transcrito: “A contribuinte é exportadora de café e produtora agrícola que exerce, cumulativamente; as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de grãos para"criar o "blend" (mistura). De acordo com o relatório emitido pela autoridade fiscal, encarregada da conferência e da procedência dos créditos, sua análise concentrou-se na rubrica Bens para Revenda, informada no Dacon, por abranger os valores mais relevantes. Assim, foram analisadas as aquisições realizadas e seus fornecedores, tendo sido constatado que foram aproveitados créditos oriundos de empresas, discriminadas no mesmo Relatório Fiscal, cuja situação cadastral perante a RFB está registrada como inapta, suspensa, ou baixada. Alguns dos motivos que levaram ao cancelamento dessas empresas são: inexistência de fato, ausência de apresentação da DIRPJ ou apresentadas com receita zerada, declaração de inatividade, etc. Todas as pessoas jurídicas mencionadas no relatório não recolheram, nos períodos em estudo, nenhum valor a título de Pis/Pasep e Cofins. Tais indícios corroboram as notícias de irregularidades, já confirmadas nas Operações Tempo de Colheita e Robusta, desencadeadas pela RFB, em conjunto com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, cuja fraude foi descrita como vendas de café, realizadas efetivamente por pessoas físicas, mas dissimuladas através da constituição de interpostas pessoas jurídicas, as quais, na verdade, atuavam como “empresas laranjas” ou “noteiras”, de maneira a adequar suas operações ao disposto no artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, gerando créditos de Pis e Cofins. ... Tais ações foram largamente praticadas no Espírito Santo e Minas Gerais, endereços de muitas das empresas fantasmas, as quais mantinham, inclusive, endereços próximos, mas todas sem estrutura logística ou financeira capaz de amparar a quantidade de mercadorias transacionadas e o montante de dinheiro envolvido. Como bem detalha o mencionado Termo, as movimentações ilegais envolveram altas somas de dinheiro e bens, motivo pelo qual não se pode alegar simplesmente a “boa fé” quanto às aquisições, já que uma condição perfeitamente atendida pelos envolvidos diz respeito ao pagamento regular que era feito às pessoas jurídicas “laranjas”. Desta forma, conhecedora do seu mercado, verifica-se que a contribuinte deixou de agir com a prudência própria dos negócios vultosos e deveria, também, assumir a responsabilidade de ter que diligenciar criteriosamente seus fornecedores, posto que a consequência legal, além de constituir infração à legislação tributária, não incluem, os atos praticados, naqueles previstos na legislação que dão direito ao crédito do Pis/Pasep e da Cofins. ... Desta feita, sob o amparo dessa convicção, construída pela análise das divergências encontradas e ao abrigo do princípio da responsabilidade objetiva, estabelecida no artigo 136 do CTN, acima transcrito, resguardando sua responsabilidade funcional, a autoridade fiscal, responsável pela ação fiscal, glosou os créditos indevidos. Outros créditos, contabilizados como integrais, foram transformados pela autoridade fiscal em presumidos, pelo fato de que se originaram de pessoas jurídicas, não atacadistas, mas incluídas na definição legal do artigo 8º da Lei nº 10.925/04. .... Outro item que mereceu atenção, diz respeito às compras realizadas de cooperativas, em face das regras específicas, estabelecidas no artigo 15 da MP 2.158/2001, abaixo, tendo sido necessário intimá-las para que informassem que parte de sua receita foi Fl. 2309DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 3402-003.588 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10845.722448/2011-61 excluída da tributação dessas contribuições, por ter sido repassada aos associados, finalidade precípua desse tipo de instituição. “Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2° e 3o da Lei n° 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da Cofins e do Pis/Pasep: I – os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa;” Conforme detalhado no relatório, as cooperativas de produção geraram crédito presumido para a contribuinte, enquanto que as compras realizadas de cooperativas de produção agropecuária, por terem elas próprias se beneficiado do crédito presumido, nos termos do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, não resultaram em crédito. Neste caso, diante do indevido aproveitamento integral pela interessada., eles foram desconsiderados. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, foram glosados créditos apurados sobre fretes na compra de mercadorias e créditos de competências anteriores, bem como outros oriundos de bens e serviços não definidos como insumos.” Consta às 52/63, Termo de Verificação Fiscal exarado no processo nº 15983.720309/2013-01 que foi supedâneo para o despacho decisório com análise dos créditos do PIS e Cofins nos períodos de apuração 07/2004 a 12/2004, 07/2005 a 12/2005, e 01/2008 a 06/2010. A Contribuinte recebeu a intimação sobre a decisão de primeira instância pela via eletrônica, apresentando o Recurso Voluntário, pelo qual pediu a insubsistência e improcedência dos fundamentos que levaram à improcedência da Manifestação de Inconformidade, com os seguintes requerimentos, em síntese: A) A nulidade do acórdão recorrido por vício quanto ao seu motivo, caracterizado pelo descompasso com a realidade fática e por configurar flagrante preterição do direito de defesa (cf. artigo 59, II, Decreto nº, 70.235/72). B) Caso se entenda possível decidir o mérito favoravelmente à Recorrente, a despeito da manifesta nulidade do acórdão recorrido, nos termos do parágrafo 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72: após a necessária congruência dos fatos ao direito, o reconhecimento do direito ao crédito fiscal nas aquisições de pessoas jurídicas inaptas, suspensas, baixadas, declaradas após o período de aquisições, e; inclusive, com CNPJ ativo; C) Reconhecer o direito ao crédito fiscal integral em relação às aquisições de “café cru” das sociedades cooperativas, classificadas equivocadamente como “agropecuárias” (GRUPO 1), inclusive as pessoas jurídicas e cerealistas, fornecedoras do período; D) Reconhecer o direito ao crédito fiscal integral em relação às aquisições de insumos; E) Reconhecer o direito ao crédito fiscal integral com relação aos gastos de aluguel de máquinas empregadas em atividades operacionais; F) Reconhecer o direito à atualização monetária pela Taxa SELIC, com relação aos créditos da contribuição em destaque já deferidos (incontroversos), bem como dos créditos deferidos por ocasião da reforma da decisão ora recorrida; G) Reconhecer o direito à compensação com outros tributos administrados pela SRFB e/ou o ressarcimento em espécie dos créditos presumidos reconhecidos e incontroversos, nos termos do artigo 7º-A da Lei nº. 12.599, de 2012, devendo-se suprir a omissão do acordão recorrido; É o Relatório. Fl. 2310DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 3402-003.588 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10845.722448/2011-61 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Da necessária conversão do julgamento do recurso em diligência Conforme relatório, versa o presente litígio sobre Pedido de Ressarcimento de crédito da Contribuição para o PIS não-cumulativo, associado a operações de exportação, referente ao 4º trimestre de 2005. Em síntese, a controvérsia remanescente neste litígio versa sobre o direito creditório sobre as seguintes despesas: i) Despesas com aquisições de café cru em grão de pessoas jurídicas; ii) Despesas com aquisições de café cru em grão adquirido de sociedades cooperativas, classificadas erroneamente como "agropecuárias"; iii) Gastos com insumos essenciais empregados na atividade da Recorrente; iv) Direito à atualização monetária pela Taxa SELIC, pela perda da natureza escritural. A DRF de origem homologou parcialmente as declarações de compensação até o limite do crédito reconhecido, sendo que o deferimento parcial decorreu da constatação de crédito originados de aquisições de fornecedores cuja situação cadastral perante a RFB estaria registrada como inapta, suspensa ou baixada. Diante de tais constatações, reforçadas pelas irregularidades confirmadas nas Operações Tempo de Colheita e Robusta, desencadeadas pela RFB, em conjunto com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, cuja fraude foi descrita como vendas de café, realizadas efetivamente por pessoas físicas, mas dissimuladas através da constituição de interpostas pessoas jurídicas, as quais, na verdade, atuavam como “empresas laranjas” ou “noteiras”, de maneira a adequar suas operações ao disposto no artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, gerando créditos de Pis e Cofins. Não obstante a controvérsia sobre as irregularidades acima, igualmente neste litígio estão sendo questionadas as glosas de créditos originados dos seguintes insumos que a Recorrente indica como essenciais às suas atividades: i) Frete na aquisição; ii) Materiais de embalagem e para transporte e armazenagem; iii) Peneiras, parafusos, correias e demais peças de reposição; iv) Aluguel de máquinas e equipamentos. Fl. 2311DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 3402-003.588 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10845.722448/2011-61 Da análise dos autos, constata-se que a Fiscalização não reconheceu o direito creditório em razão do conceito restritivo de insumos, na forma prevista pela IN SRF n° 247/2002 e IN SRF nº 404/2004. A decisão de primeira instância manteve o conceito de insumo adotado pelas Instruções Normativas em referência, restringindo o direito de crédito aos insumos que fossem diretamente agregados ao produto final, ou que se desgastassem através do contato físico com o produto ou serviço final. Todavia, o C. Superior Tribunal de Justiça concluiu através do julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, processado em sede de recurso representativo de controvérsia, que o conceito de insumo, para efeito de tomada de crédito das contribuições na forma do artigo 3º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando a imprescindibilidade ou a importância de determinado item (bem ou serviço) para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Ao julgar a questão, o Egrégio Tribunal Superior destacou que a interpretação do termo “insumo” de forma restritiva pela Fazenda desnatura o sistema não cumulativo. Em síntese, a partir da decisão definitiva do STJ, restou pacificado que no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS, o crédito é calculado sobre os custos e despesas sobre bens e serviços intrínseco à atividade econômica da empresa, e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou impeça a atividade ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Por sua vez, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em data de 03/10/2018 a Nota Explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, acatando o conceito de insumos para crédito de PIS e Cofins fixado pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme Ementa abaixo transcrita: Documento público. Ausência de sigilo. Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Transcrevo os itens 14 a 17 da SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF: "14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotara uma interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria Fl. 2312DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 3402-003.588 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10845.722448/2011-61 como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques." (sem destaques no texto original) Destaco, ainda, o Parecer Normativo Cosit nº 5, de17 de dezembro de 2018, proferido com a seguinte Ementa: Assunto. Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Nos termos previstos pelo artigo 62, § 2º do Anexo II do RICARF, deve ser aplicado o entendimento do STJ, de forma a adotar o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, como todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou impeça a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Fl. 2313DF CARF MF Original Fl. 8 da Resolução n.º 3402-003.588 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10845.722448/2011-61 Diante dos argumentos acima demonstrados, entendo que o direito creditório ainda em controvérsia deve ser reapreciado pela DRF de origem sob os critérios de essencialidade e relevância, motivo pelo qual faz-se necessário submeter à reanálise os itens indicados no recurso voluntário sob julgamento. Esclareço que esta Relatora não afasta a necessária aplicação da regra do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, uma vez que realmente cabe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Todavia, diante da alteração dos critérios adotados no Despacho Decisório pela DRF, deveria ter sido oportunizado à Contribuinte trazer aos autos a comprovação na forma adotada após julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR. É importante atentar ao Princípio da Verdade Material, pelo qual a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, devendo prevalecer a possibilidade de apresentação de todos os meios de provas necessários para demonstração do direito pleiteado. Neste sentido, destaco a lição de Leandro Paulsen 1 : O processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, segundo o qual a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, conforme ocorrida, e para tal, ao formar sua livre convicção na apreciação dos fatos, poderá julgar conveniente a realização de diligência que considere necessárias à complementação das provas ou ao esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos no processo. Para tanto, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, bem como em atenção à necessária busca pela verdade material, proponho a conversão do julgamento do recurso em diligência, para que a Unidade Preparadora tome as seguintes providências: a) Intimar a Recorrente para, dentro de prazo razoável, demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação: a.1) O enquadramento das despesas que deram origem aos créditos glosados pela Fiscalização e mantidos pela DRJ, considerando o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, delimitados no r. voto da Eminente Ministra Regina Helena Costa em julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, bem como na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, e Parecer Normativo Cosit nº 5, de17 de dezembro de 2018; a.2) A participação dos itens identificados como bens (partes e peças de reposição) em cada etapa do processo industrial, bem como o tempo de vida útil de tais itens, esclarecendo se há alguma contribuição quanto ao aumento de vida útil das máquinas ou equipamentos aos quais são aplicados e cujas manutenções são realizadas (em quanto tempo); b) Realizar eventuais diligências que julgar necessárias para a constatação especificada nesta Resolução; c) Elaborar Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas no Item “a”, manifestando sobre os documentos apresentados pela 1 PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 5ª edição, Porto Alegre, Livraria do Advogado. Fl. 2314DF CARF MF Original Fl. 9 da Resolução n.º 3402-003.588 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10845.722448/2011-61 Recorrente, bem como analisando o enquadramento de cada bem e serviço no conceito de insumo delimitado em julgamento ao REsp nº 1.221.170/PR, se for o caso; d) Recalcular as apurações e resultado da diligência; e) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Concluída a diligência, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º , 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 2315DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10280.900500/2008-63
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3801-000.680
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ARNO JERKE JUNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. Arno Jerke Junior Relator. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator designado ad hoc. EDITADO EM: 08/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo (Presidente), Flávio de Castro Pontes, Andréia Dantas Lacerda Moneta, Arno Jerke Junior, José Luiz Bordignon AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 05 00 /2 00 8- 63 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 21.07.2004, através do qual foi efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada, com crédito de PIS/Pasep referente a pagamento indevido, no valor de R$ 34.957,9, recolhido através de DARF em 13.02.2004. A DRF/Belém, através de despacho decisório eletrônico, considerou não homologada a referida compensação, em virtude do DARF apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa. Cientificada em 05.05.2008 (fl. 19) a interessada apresentou manifestação de inconformidade na qual informa que, após haver confessado em DCTF e quitado o débito, constatou que o valor real a ser pago seria menor, motivo pelo qual efetuou a retificação de sua declaração e de seu Dacon, utilizando o crédito resultante no PER/DCOMP ora em análise. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base no seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Não concordando com essa decisão a recorrente apresenta Recurso Voluntário apontando as mesmas razões que as apontadas na Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10280.900500/200863 Acórdão n.º 3801000.680 S3TE01 Fl. 144 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Redator Designado ad hoc. Deixo consignado, de plano, que fui designado redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, conforme despacho abaixo colacionado, fls.: Tendo sido constatado pela Secretaria da Câmara que o acórdão referente ao processo acima especificado está pendente de formalização e com base na atribuição deferida pela art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 RICARF, designo o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl redator ad hoc para formalizar o Acórdão nº 380100.675, de 28/02/2011, tendo em vista que o relator, Conselheiro Arno Jerke Junior, não mais compõe o colegiado. O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. É verdade, conforme tenho e manifestado reiteradamente, que os malfadados “despachos eletrônicos” não correspondem ao mais adequado mecanismo de prestação de informações ao contribuinte/cidadão. Sabemos que as decisões devem ser suficientemente motivadas, não bastando que nelas se tenha um ‘porque sim’ ou um ‘porque não’ para darlhes validade, ou, como em casos semelhantes em “tem” ou “não tem” crédito. Entretanto, no caso em concreto, não é o que se opera. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte, no mínimo, informar a origem de seu crédito, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente, apesar de ter apresentado Recurso Voluntário muito bem redigido, não apresentou sequer um demonstrativo de cálculo do seu crédito, de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Nesse sentido voto por julgar improcedente o presente Recurso Voluntário, Sidney Eduardo Stahl – Relator ad hoc Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15504.731281/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 1302-000.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do presente junto à Cojul/Dipro deste CARF, até a conclusão das diligências e o retorno do processo nº 15504.722697/2011-31 a este colegiado para julgamento conjunto.
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Relatório
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do presente junto à Cojul/Dipro deste CARF, até a conclusão das diligências e o retorno do processo nº 15504.722697/201131 a este colegiado para julgamento conjunto. Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 31 28 1/ 20 12 -9 4 Fl. 13329DF CARF MF Original Processo nº 15504.731281/201294 Resolução nº 1302000.732 S1C3T2 Fl. 13.330 2 Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício interpostos em face do Acórdão nº 0245.030 da 3ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, proferido em 31 de maio de 2013, que julgou procedente em parte a impugnação e manteve parcialmente os créditos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF sobre Pagamentos sem Causa ou a Beneficiários não identificados, nos termos sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 GLOSA FISCAL CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS Sujeitamse a glosa fiscal os custos e as despesas com aquisição de mercadorias e serviços cuja efetiva realização não é comprovada por meio de documentação hábil e idônea. OMISSÃO DE RECEITA PASSIVO FICTÍCIO Caracteriza omissão de receita a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. OMISSÃO DE RECEITA RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS Considerase omitida a receita correspondente a valores que, embora tenham sido contabilizados a débito da conta de clientes a receber, não se comprova que tenham sido paralelamente contabilizados a crédito de nenhuma conta de resultado. MULTA DE OFÍCIO PERCENTUAL DE APLICAÇÃO Aplicase a multa de ofício no percentual de 150% desde que estejam comprovadas as circunstâncias previstas na lei como caracterizadoras de infração qualificada. LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL PIS COFINS O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Sujeitase à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. Também o são os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica de direito privado pelas obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Fl. 13330DF CARF MF Original Processo nº 15504.731281/201294 Resolução nº 1302000.732 S1C3T2 Fl. 13.331 3 O acórdão recorrido descreve as infrações imputadas e os respectivos enquadramentos legais, verbis: Auto de infração de IRPJ A autuante, fazendo remissão ao termo de verificação fiscal a folhas 117 a 184, atribui à autuada as infrações de cuja descrição adiante se faz uma síntese. 1. OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS – Omissão de receitas conforme relatório fiscal anexo. Os fatos geradores ocorreram em diversas datas, situadas entre 31.01.2008 e 31.12.2009. Enquadramento legal: artigo 3º da Lei nº 9.249, de 1995; artigos 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280 e 288 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda 1999 – RIR 1999. 2. OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL – PASSIVO FICTÍCIO – Omissão de receitas caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigações não comprovada. Data do fato gerador: 31.05.2009. Enquadramento legal: artigo 3º da Lei nº 9.249, de 1995; artigos 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280 e 288 do RIR 1999. 3. COMPROVAÇÃO INIDÔNEA DE DESPESAS – Contabilização de despesas com base em documentos inidôneos. Datas do fato gerador: 31.01.2007, 28.02.2007, 30.03.2007, 30.04.2007, 30.05.2007, 30.06.2007, 30.08.2007, 30.09.2007, 30.10.2007, 30.11.2007, 31.12.2007. Enquadramento legal: artigo 3º da Lei nº 9.249, de 1995; artigos 217, 247, 248, 249, inciso I, 251, 256, 277, 278 e 299 do RIR 1999. Auto de infração de CSLL A autuante, fazendo remissão ao termo de verificação fiscal a folhas 117 a 184, atribui à autuada as infrações de cuja descrição adiante se faz uma síntese. 1. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE RECEITAS OMITIDAS – Omissão de receitas conforme relatório fiscal anexo. Omissão de receitas caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigações não comprovada. Os fatos geradores ocorreram em diversas datas, situadas entre 31.01.2008 e 31.12.2009. Enquadramento legal: artigo 2º da Lei nº 7.689, de 1988, com alterações introduzidas pelo artigo 2º da Lei nº 8.034, de 1990; artigo 57 da Lei nº 8.981, de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 1995; artigo 2º da Lei nº 9.249, de 1995; artigo 1º da Lei nº 10.637, de 2002; artigo 28 da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 37 da Lei n° 10.637, de 2002; artigo 3º da Lei nº 7.689, de 1988, com a redação dada pelo artigo 17 da Lei nº 11.727, de 2008. 2. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO COMPROVADOS –Contabilização de despesas com base em documentos inidôneos. Datas do fato gerador: 31.01.2007, 28.02.2007, 30.03.2007, 30.04.2007, 30.05.2007, 30.06.2007, 30.08.2007, 30.09.2007, 30.10.2007, 30.11.2007, 31.12.2007. Enquadramento legal: artigo 2º da Lei nº 7.689, de 1988, com alterações introduzidas pelo artigo 2º da Lei nº 8.034, de 1990; artigo 57 da Lei nº 8.981, de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 1995; artigos 2º e 19 da Lei nº 9.249, de 1995; artigo 1º da Lei nº 10.637, de 2002; artigo 28 da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 37 da Lei n° 10.637, de 2002. Auto de infração de Cofins A autuante, fazendo remissão ao termo de verificação fiscal a folhas 117 a 184, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. OMISSÃO DE RECEITA – Omissão de receitas conforme relatório fiscal anexo. Omissão de receitas caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigações não comprovada. Os fatos geradores ocorreram em diversas datas, situadas entre 31.01.2008 Fl. 13331DF CARF MF Original Processo nº 15504.731281/201294 Resolução nº 1302000.732 S1C3T2 Fl. 13.332 4 e 31.12.2009. Enquadramento legal: artigo 1º da Lei Complementar nº 70, de 1991; artigo 5º da Lei nº 10.833, de 2003; artigo 24, §2º, da Lei nº 9.249, de 1995, com suas alterações subseqüentes; artigo 2º da Lei nº 10.833, de 2003; artigo 1º da Lei nº 10.833, de 2003, com as alterações introduzidas pelo artigo 21 da Lei nº 10.865, de 2004; artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003, com as suas alterações subseqüentes. Auto de infração de contribuição para o PIS A autuante, fazendo remissão ao termo de verificação fiscal a folhas 117 a 184, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. OMISSÃO DE RECEITA – Omissão de receitas conforme relatório fiscal anexo. Omissão de receitas caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigações não comprovada. Os fatos geradores ocorreram em diversas datas, situadas entre 31.01.2008 e 31.12.2009. Enquadramento legal: 1º da Lei Complementar nº 70, de 1991; artigos 1º, 2º, 3º e 4º da Lei nº 10.637, de 2002, com suas alterações subseqüentes. Auto de infração de IRRF A autuante, fazendo remissão ao termo de verificação fiscal a folhas 117 a 184, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. IRRF SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO – IRRF incidente sobre os pagamentos a beneficiários não identificados nos valores especificados no auto de infração. Os fatos geradores ocorreram em diversas datas, situadas entre 02.01.2008 e 18.12.2009. Enquadramento legal: artigos 674 e 675 do RIR 1999. O Termo de Verificação descreve extensamente diversas situações que, segundo seu entendimentos, caracterizariam operações de blindagem patrimonial perpetrada pelos sócios da contribuinte, Srs. Marcos Aurélio de Guilherme Silva e Mara Lucia Tavares Barbosa Silva, apuradas no âmbito da Operação Castelhana, deflagrada em 23/11/2006 para investigar esquema de blindagem patrimonial, em cumprimento aos Mandados de Busca e Apreensão expedidos pelo Juízo Federal da 4a Vara Criminal da Seção Judiciária de Minas Gerais. No TVF, a autoridade fiscal descreve a existência de um grupo econômico conhecido como "Grupo Nacional" que atua em Minas Gerais desde 1995, ininterruptamente, no segmento de vendas de máquinas e suprimentos de informática, desenvolveu e desenvolve suas atividades sob o manto jurídico das seguintes empresas Nacional TeleInformática Importadora Ltda, CNPJ 01.425.110/000168, constituída em 14/06/1995, com domicílio fiscal em Belo Horizonte; Nacional Mercantil Computadores e Suprimentos de Informática Ltda, CNPJ 03.913.348/000168, constituída em 05/07/2000, com domicílio fiscal em Belo Horizonte e posteriormente transferida para São Paulo/SP; Informática "Nacional S/A, CNPJ 05.600.297/000140, constituída EM 07.04.2003, com domicílio fiscal em Belo Horizonte. Destaca que estas empresas acima sucederamse umas às outras em seus negócios sociais, após apresentarem irregularidades perante a Secretaria de Estado da Fazenda de Minas GeraisSEF/ MG. Após relatar uma série de eventos que corroborariam a existência de blindagem patrimonial, mediante a transferência meramente formal da participação dos reais proprietários das empresas para interpostas pessoas, procura demonstrar que a empresa Informática Nacional sucedeu a empresa Nacional Mercantil em todas as suas atividades, caracterizada pela sucessão de estabelecimentos e no próprio faturamento declarado, além das transferências de estoques Fl. 13332DF CARF MF Original Processo nº 15504.731281/201294 Resolução nº 1302000.732 S1C3T2 Fl. 13.333 5 de mercadorias, também está evidenciada pela transferência da mãodeobra necessária à sucessão. O acórdão recorrido traz uma síntese da conclusão do TVF quanto à caracterização de simulação sucessória nas empresas, verbis: Conclusão: simulação da sucessão societária • Não obstante os proprietários do "Grupo Nacional", Marcos Aurélio e sua esposa Mara Lúcia, terem simulado a venda da Nacional Mercantil, na tentativa de desvincularse das obrigações tributárias decorrentes de suas atividades, a continuidade dos negócios dessa empresa pela Informática Nacional é inequívoca e está caracterizada pelo prosseguimento das atividades, sem interrupção, nos mesmos endereços comerciais, usando os mesmos nomes fantasia (Max Computadores, Info 2 e Multimídia), os mesmos empregados e também os mesmos estoques de mercadorias. • Da mesma forma que a Nacional Mercantil deu continuidade aos negócios sociais do "Grupo Nacional", após a transferência da TeleInformática para sócios "laranjas", a Informática Nacional, por sua vez, também deu continuidade aos negócios do grupo com a transferência da Nacional Mercantil para empresas com sócios "laranjas" e após ter suas inscrições estaduais bloqueadas em decorrência de "irregularidades apuradas em ação fiscal". • Não deixa dúvidas quanto à sucessão da Nacional Mercantil pela Informática Nacional o fato de o principal estabelecimento dessas empresas, nos meses de abril e maio de 2007, sob duas versões diferentes no CNPJ (filial 13 da Nacional Mercantil e filial 12 da Informática Nacional), terem ambos desenvolvido suas atividades no. mesmo endereço comercial (Rua da Bahia, 1.700, loja 01), usando o mesmo nome fantasia (Multimídia), e compartilhando as mesmas instalações, empregados e estoques. [...] O TVF também informa que a contribuinte, ora recorrente fora submetida a procedimento fiscal nos anos de 2006 e 2007 e que, no curso da ação fiscal que deu ensejo à presente apuração, foi autorizado o reexame do período fiscalizado relativo ao anocalendário 2007. Foi imputada a responsabilidade solidária aos sóciosgerentes da contribuinte, Srs. Marcos Aurélio de Guilherme Silva e Mara Lucia Tavares Barbosa Silva, com base nos arts. 124, inc. I e 135, III do CTN. O acórdão recorrido exonerou parcialmente as exigências, mediante o cancelamento da qualificação da multa de ofício aplicada as infrações referentes à omissão de receitas (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) e sobre as exigência de IRRF s/Pagamentos Sem Causa, exceto às relacionadas aos pagamentos referentes à glosa de despesas relativas às aquisições de mercadorias da empresa Nacional Mercantil. Também foi reconhecido erro na apuração da CSLL exigida no 1º e 3º trimestre de 2007, tendo em vista a não consideração, por ocasião do lançamento, do saldo negativo apurado. Cientificados do acórdão recorrido em 13 de junho de 2013, a contribuinte e responsáveis solidários apresentaram seus recursos voluntários em 15 de julho de 2013. O contribuinte apresentou as seguintes alegações em seu recurso voluntário: Fl. 13333DF CARF MF Original Processo nº 15504.731281/201294 Resolução nº 1302000.732 S1C3T2 Fl. 13.334 6 a) que a autoridade fiscal lavrou "de forma inútil e descabida um termo de verificação fiscal de 68 folhas em que exatamente 51 folhas se prestam a tratar de diversos fatos que não têm qualquer relação com auto de infração e envolvem pessoas jurídicas que sequer constam no pólo passivo do feito fiscal" pretendendo trazer para o PAF discussões travadas no campo penal, envolvendo fatos ocorridos em momento muito anterior ao próprio período objeto da fiscalização, baseados na Operação Castelhana, deflagrada em 2006, anteriormente, portanto, ao período fiscalizado; b) que, em apreço aos princípios constitucionais tributários, insiste que o presente PAF deve ser analisado exclusivamente sob o prisma da existência ou não dos créditos tributários exigidos e ora discutidos, desconsiderandose qualquer fato descrito que não tenha relação direta com o fato imponível supostamente identificado; c) que a empresa autuada já tinha sido fiscalizada e autuada nos períodos objeto da fiscalização que resultou no auto de infração em discussão e que o objeto da fiscalização atual encampou exatamente o mesmo objeto da fiscalização anterior, conforme se pode inferir do confronto entre os mandados de procedimento fiscal que resultou no presente auto de infração (06.1.01.002012003140) e o anterior que fiscalizou naquela oportunidade o período de 01/2006 a 12/2007 (06.1.01.002009016511); d) que a fiscalização não poderia ter lavrado qualquer auto de infração exigindo tributo sobre os períodos de apuração 2007 e 2008, que já tinha sido objeto de fiscalização anterior (da qual resultou na lavratura de dois autos de infração diversos, cujas cópias foram anexadas aos autos), devido à evidente homologação tácita dos procedimentos realizados pela recorrente. e) que "a partir do momento em que o fisco federal realiza estudo dos períodos de apuração relacionados a determinados tributos em relação aos procedimentos realizados pelo contribuinte e o autua em algum período considerando a existência de determinados fatos não ofertados a tributação, logicamente está considerando todos os outros períodos fiscalizados como regulares, mesmo que de forma tácita" e que o contribuinte não pode "permanecer refém das convicções e impressões interpretativas de diferentes autoridades fiscais de forma indefinida", sob pena de afrontar o princípio da segurança jurídica; f) que o caso em tela não se refere à retificação de lançamento anteriormente realizado, nos termos do art. 145 do Código Tributário Nacional, mas sim de nova autuação fundamentada no mesmo período e tributo já objeto de fiscalização anterior que levaram o fisco a lavrar um Auto de Infração precedente, fato que não se pode admitir, inexistindo qualquer tipo de previsão legal para tanto; g) que não se pode admitir que o Estado proceda inúmeras fiscalizações no contribuinte em relação aos mesmos períodos de apuração, conferindose por cada agente fiscalizador entendimento que lhe aprouver para identificação de fatos geradores supostamente existentes, pois é o Estado que realiza a fiscalização e homologação dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação e não o agente fiscal; h) que o argumento encontra respaldo no art. 150 do CTN, que foi interpretado de forma distorcida pela decisão recorrida, tendo a Fazenda Pública se pronunciado no prazo legal fixado no dispositivo temse a hipótese de homologação, nesse caso não pelo decurso de prazo, mas pela existência do próprio ato de pronunciamento da Fazenda Pública não existindo Fl. 13334DF CARF MF Original Processo nº 15504.731281/201294 Resolução nº 1302000.732 S1C3T2 Fl. 13.335 7 outra forma de pronunciamento da Fazenda Pública senão pela própria atividade fiscalizadora que resultará em auto de infração; i) que "só não estaria expressamente homologado, no encerramento de uma fiscalização que tudo examinou e lavrou auto de infração em relação as incongruências encontradas aquilo que o auditor fiscal expressamente declare não ter fiscalizado, em relação a este ou àquele tributo, a esta ou àquela atividade, o que no caso em comento não ocorreu"; j) que não foi observada pela autoridade fiscal a busca da verdade material para a lavratura do auto de infração, inobservando o dever constitucional de investigação e prova da realização dos fatos tributáveis e invertendo, indevidamente, o ônus da prova em seu desfavor; k) que ocorreu a decadência do direito da Fazenda de efetuar o lançamento relativo aos fatos geradores de janeiro a dezembro de 2007; l) que houve erro na determinação da CSLL, tendo em vista a inexistência de previsão legal para a adição de despesas tachadas como não comprovadas à base de cálculo da contribuição (só há lei nesse sentido em relação ao IRPJ), devendo ser cancelado o auto de infração; m) que, quanto às glosas de despesas relacionadas às notas fiscais emitidas pela empresa Nacional Mercantil em favor da recorrente, consideradas inidôneas pela autoridade fiscal, inexiste qualquer declaração prévia de inidoneidade relacionada ao dito fornecedor com o fito de desconstituir as operações glosadas; n) que a infração em discussão teve suas bases fundamentais extraídas substancialmente dos documentos e registros contábeis da recorrente, não se admitindo a glosa pretendida se o Fisco não trouxe qualquer elemento suficiente a descaracterizar a operação de aquisição de mercadorias em que sequer há qualquer declaração de inidoneidade do fornecedor; o) que o STJ já se manifestou, inclusive em sede de recurso repetitivo (art. 543 C do CPC) no sentido de que, comprovada a ocorrência da operação comercial, não se pode responsabilizar o adquirente de boafé (que se presume nesses casos) sobre qualquer irregularidade de seu fornecedor; p) que tendo sido provada contabilmente e via pagamentos a efetiva ocorrência das operações, não há que se falar em desconsideração de despesas, pois própria escrituração contábil foi o único lastro utilizado pelo Fisco para mensurar e calcular o suposto tributo exigido no auto de infração e que a robustez da prova do pagamento é inquestionável, na medida em que o Fisco utilizou esses pagamentos para exigir sobre eles a incidência do IRRF, como se realizados a beneficiário sem causa; q) que a ausência de certeza quanto ao fato tributável ocorrida com a análise das provas juntadas pelo contribuinte durante a ação fiscal e ainda diante da ausência de provas trazidas pelo Fisco, necessárias para a sustentação da acusação fiscal, exige a aplicação do art. 112, inciso II, do CTN; r) que tendo sido comprovada a aquisição das mercadorias do fornecedor Nacional Mercantil, não restam dúvidas sobre a destinação dos pagamentos realizados a esse Fl. 13335DF CARF MF Original Processo nº 15504.731281/201294 Resolução nº 1302000.732 S1C3T2 Fl. 13.336 8 fornecedor, devidamente registrados e escriturados na contabilidade do contribuinte, inexistindo base para a exigência de IRRF em face de pagamentos sem causa; s) que somente se aplica o art. 674, do RIR/99 quando há pagamento e quando esse pagamento é considerado sem causa e o ônus probatório desses dois requisitos é do Fisco, de forma que não restando comprovados estes pressupostos, não há que se falar em autuação do IRRF, conforme jurisprudência do CARF que indica; t) que, quanto à comprovação dos pagamentos realizados a fornecedores no ano calendário 2009, que ensejaram a cobrança do IRRF com base no art. 674, do RIR/99, sustenta que o questionamento fiscal se resume nas liquidações contabilizadas à débito da conta fornecedores diversos (código 2.01.02.01) e a crédito na conta disponibilidades, especificamente em janeiro, fevereiro e maio de 2009, entendendo o Fisco que em razão de não ter havido a individualização dos fornecedores os pagamentos teriam sido realizados a beneficiários não identificados; u) que durante toda a ação fiscal, desenvolveu tarefa hercúlea de demonstrar ao Fisco Federal que inexiste qualquer incongruência na situação acima descrita, pois os lançamentos questionados equivalem a meros ajustes contábeis realizados em razão de metodologia especifica de contabilização que era adotada pela Recorrente na época dos fatos; v) que, ao contrário do entendimento fiscal, os lançamentos contábeis reproduzidos não significavam qualquer tipo de pagamento realizado em dinheiro naquela oportunidade, tratandose, em verdade, de ajustes mensais dos saldos das contas fornecedores, decorrente da metodologia contábil adotada pela Recorrente à época dos fatos mediante a utilização da conta contábil Disponibilidades como conta auxiliar, sendo que seus créditos não representavam necessariamente pagamentos em dinheiro realizados; x) que a fim de demonstrar o mecanismo contábil utilizado, o perito contábil responsável pela elaboração do laudo pericial anexado ao recurso comprovou de forma objetiva e direta que inexiste qualquer pagamento realizado a beneficiário não identificado, trabalho simples e objetivo que deveria ter sido desenvolvido pelo agente autuante; z) que, se o Fisco tivesse procedido a uma auditoria completa nos documentos entregues, de forma global, constataria a inexistência de qualquer incongruência nos lançamentos contábeis, que, repitase, importam apenas em ajustes de saldos, sem qualquer evidencia de pagamentos em dinheiro realizados; aa) que, quanto à infração relativa à acusação de passivo fictício demonstrou, durante ação fiscal, a essência do lançamento contábil questionado que tratavase apenas de ajuste mensal de saldo nas contas equivalendo "clientes a receber" e "empréstimos" tratandose apenas de ajustes realizados entre contas patrimoniais, apenas permutativos, o que não é suficiente a gerar presunção de omissão de receita, especialmente se ocorrida durante o ano calendário; bb) que no laudo pericial juntado ao recurso o perito identificou a essência dos lançamentos, identificando e anexando ao laudo todos os empréstimos que lastreiam os lançamento apontados como passivo fictício; cc) que mesmo que assim não fosse, há que se considerar que houve completo equívoco na forma de apuração da suposta omissão de receita por passivo fictício, tendo sido a Fl. 13336DF CARF MF Original Processo nº 15504.731281/201294 Resolução nº 1302000.732 S1C3T2 Fl. 13.337 9 análise realizada durante o ano calendário, antes do encerramento, conforme entendimento do CARF que transcreve; e, que não é possível a admissão da figura do passivo fictício se analisado apenas o exercício de forma parcial, não havendo que se cogitar que a autuada teria incorrido em omissão de receita se não houve encerramento de balanço em 31.05.2012, mas apenas em 31.12.2009, quando foram apurados e recolhidos os tributos incidentes pelo lucro real; dd) que inexiste omissão de receita relacionada aos lançamentos contábeis das contas "Clientes a Receber" e "Disponibilidades" nos anos calendário 2008 e 2009, conforme demonstrado objetivamente no laudo pericial anexado ao recurso voluntário, pois decorre da utilização de metodologia "atípica" de contabilização com a utilização da conta "disponibilidade" como conta transitória e permutativa; ee) que o laudo pericial demonstra que a forma de lançamento contábil realizada pelo contribuinte e a forma de lançamento contábil idealizada como correta pelo Fisco não traz qualquer alteração efetiva no resultado final; ff) que, em relação as vendas a prazo, todas as vendas foram comprovadas pelas notas fiscais emitidas, devidamente escrituradas no Livro de Registro de Saídas, e contabilizadas pelos totais mensais como Receitas de Vendas, e ao final do exercício levadas a conta de Resultado; gg) que a fiscalização considerou como omissão de receita todos os lançamentos realizados a débito na conta clientes a receber, alcançando montante de R$ 108.000.380,79, ignorando completamente de outro lado, que a conta contábil analisada possui créditos que anulariam parte dos lançamentos a débito, o que, em obediência aos princípios contábeis, deveria ter sido considerado pela fiscalização; hh) que, de acordo com as apurações realizadas no laudo pericial, que seriam corretas, a conclusão é de a suposta base tributável (acaso exista alguma) seria de R$ 5.251.227,74, ao invés de R$ 108.000.380,79, apurados pela fiscalização; ii) que, o crédito tributário apurado não deve prevalecer da forma como apurado pelo Fisco que, além de desconsiderar de modo irregular a metodologia contábil adotada pela Recorrente em relação a utilização da conta "disponibilidades" como transitória, ainda procedeu análise completamente equivocada da conta clientes a receber, majorando em mais de 20 vezes a suposta base tributável, que deve ser apenas o saldo da conta contábil e não apenas os lançamentos efetuados a débito na referida conta; jj) que não existem elementos para a aplicação da multa qualificada, pois a recorrente não é reincidente na suposta infração, nem agiu com máfé perante o Fisco e, que não restaram comprovada quaisquer das circunstâncias qualificadoras, e que não houve nenhuma ação da recorrente ou de seus sócios tendente a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador, o que implicaria na sonegação. kk) que, em vista da complexidade dos argumentos contábeis trazidos,que dão conta de justificar a ausência de qualquer incongruência suficiente a gerar tributo a presente caso, a fim de demonstrar e comprovar toda a higidez da contabilidade da contribuinte é imperioso que seja realizada diligência técnica, para a qual formula os respectivos quesitos e indica o assistente técnico. Fl. 13337DF CARF MF Original Processo nº 15504.731281/201294 Resolução nº 1302000.732 S1C3T2 Fl. 13.338 10 Ao final requer que o recurso seja provido, cancelandose a autuação, ou, sucessivamente, seja cancelada a multa de ofício ou reduzida ao seu patamar mínimo. Os responsáveis solidários, tal como na impugnação, insurgiramse apenas quanto à imputação de responsabilidade solidária, trazendo as seguintes alegações no recurso voluntário interposto: a) que a decisão recorrida, ao tratar da responsabilidade tributária não abordou, sob o prisma jurídico tratado na impugnação, nenhum dos argumentos trazidos pelos recorrentes, limitandose apenas a reafirmar e transcrever as condutas supostamente ilícitas, já descritas no Termo de Verificação Fiscal e no Relatório Fiscal; b) que os recorrentes foram trazidos ao pólo passivo da presente autuação sem qualquer demonstração efetiva da sua condição de coobrigados pelo crédito tributário ora exigido; c) que não cabem as discussões envolvendo a estruturação societária de suposto grupo que os autuantes julgam existir, bem como a legalidade ou ilegalidade a esse respeito faltando ao Fiscal autuante, inclusive, competência para avaliação de tais condições; d) que a única outorga atribuída legalmente aos ilustres Fiscais são a apuração dos fatos geradores supostamente verificados e a existência, fundamentandose exclusivamente nas disposições legais, de coobrigados pelos supostos débitos apurados, não podendo julgar, com base em suas convicções subjetivas, a existência de um "encadeamento societário" (como lançou o Fisco) e concluir que em razão disso, estariam as pessoas físicas e jurídicas mencionadas qualificadas como coobrigadas pela suposta obrigação tributária apurada em relação a autuada principal. E muito menos os d. julgadores podem proceder dessa forma, como o fizeram no caso presente; e) que não há qualquer demonstração cabal sobre eventual conduta praticada pelos Recorrentes que possibilitasse a aplicação da responsabilidade solidária a teor do que dispõe o art. 124 do CTN; f) que a decisão recorrida tratou a questão de responsabilidade tributária de uma forma global, sem aterse as especificidades de cada sujeito passivo que teria sido enquadrado nessa condição pelo auto de infração combatido e tal generalidade dificulta o próprio exercício da ampla defesa que deve ser garantida aos sujeitos de um processo tributário administrativo; g) que no caso em tela é evidente a inaplicabilidade do art. 124, do Código Tributário Nacional, pois ao contrário do que pretende o Fisco, tal dispositivo legal não visa instituir uma nova espécie de responsabilidade indireta, ou seja, não pretende determinar que toda e qualquer pessoa que eventualmente tenha interesse na situação que constitua o fato gerador seja responsável solidário pelo crédito tributário; h) que ainda que não se entenda o art. 124,1, do CTN como sendo mecanismo de graduar a responsabilidade daqueles que já estavam efetivamente incluídos no pólo passivo da obrigação tributária em caso de pluralidade de obrigados, ainda assim tal dispositivo não pode ser aplicado à hipótese dos autos porque a expressão "interesse comum" utilizada no dispositivo somente pode ser entendida como sendo aqueles que necessariamente praticaram em conjunto os negócios jurídicos ensejadores do fato gerador; Fl. 13338DF CARF MF Original Processo nº 15504.731281/201294 Resolução nº 1302000.732 S1C3T2 Fl. 13.339 11 i) que no caso em comento, a respeito dos Recorrentes, o Fisco sequer demonstrou qual teria sido a relação fática estabelecida entre eles e a autuada principal que dariam azo a aplicação da solidariedade e que no TVF não há uma linha sequer correlacionando a conduta dos Recorrentes com a solidariedade pelo débito tributário exigido pela presente autuação fiscal; j) que houve apenas a indicação de uma série de atos societários sem a demonstração efetiva do interesse jurídico dos recorrentes, cuja demonstração é exigida pelo artigo 124 do CTN e que o Fisco, portanto, simplesmente fez lançar, sem qualquer comprovação e correlação, a idéia de que os recorrentes seriam os proprietários e gestores de toda a suposta cadeia societária apontada, fatos estes suportados apenas em convicções subjetivas sem a demonstração objetiva dos requisitos necessários a configuração da sujeição passiva solidária; k) que mesmo considerando que os recorrentes tivessem alguma relação com os fatos geradores imputados a autuada principal, não podem os mesmos ser considerados responsáveis solidários pelo adimplemento dos créditos tributários exigidos, uma vez que somente poderiam ser considerados com "interesse comum", portanto supostamente responsáveis solidários, aqueles que efetivamente atuaram participando das supostas operações (e realizando os supostos fatos geradores!) que geraram o suposto recolhimento a menor dos tributos ora exigidos. l) que ainda que, também com base nos arts. 134 e 135 do CTN, não se sustentaria o feito fiscal, pois, em verdade, os recorrentes não são sócios e nem diretores e /ou administradores da autuada principal; m) que a legislação vigente permite o direcionamento da autuação fiscal contra diretores, gerentes ou representantes legais da pessoa jurídica, desde que comprovada a prática de atos com excesso de poderes, infração da lei, contrato social ou estatutos, e, neste caso a Fiscalização se eximiu de comprovar suas alegações, arrolando os responsáveis, ora recorrentes, para integrar a demanda sem a demonstração de um elemento sequer que autorizaria tal fato; n) que, ainda que na hipótese imaginada pelo Fisco Federal de existir qualquer relação de gestão das Impugnantes com a autuada principal, o critério para atribuição de responsabilidade previsto no art. 135 do CTN não se resume ao simples fato de eventual gestão da sociedade sendo necessário estar presente a culpa subjetiva (violação de lei, violação de estatuto ou contrato social ou excesso de mandato), e isso a Fiscalização não cuidou de comprovar; o) que não basta, para tipificar a responsabilidade do gestor, o inadimplemento da sociedade (quando identificado), eis que isto pode ser uma decorrência do risco natural de todo negócio risco, aliás, pressuposto da própria natureza societária; p) que esta também é a orientação firme do Superior Tribunal de Justiça, que se pacificou no sentido de admitir a coresponsabilização dos gestores por dívidas tributárias somente nos casos em que reste comprovada a prática efetiva de atos com infração da lei ou estatuto, ou se comprovada a dissolução irregular da sociedade; q) que a exigência do crédito tributário deve restringirse em relação a pessoa jurídica que efetivamente teve participação na ocorrência do suposto fato gerador, o que não é Fl. 13339DF CARF MF Original Processo nº 15504.731281/201294 Resolução nº 1302000.732 S1C3T2 Fl. 13.340 12 o caso dos Recorrentes, sendo vedado estenderlhes ilegalmente a responsabilidade pelo adimplemento do crédito tributário. Ao final requerem o provimento integral do recurso voluntário, com a consequente exclusão do polo passivo da obrigação tributária exigida nestes autos. É o relatório. Fl. 13340DF CARF MF Original Processo nº 15504.731281/201294 Resolução nº 1302000.732 S1C3T2 Fl. 13.341 13 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Portanto, deve ser conhecido. A discussão de algumas matérias nestes autos tem estreita relação com o Processo Administrativo Fiscal nº 15504.722697/201131, que trata de lançamentos contra si realizados, relativos aos anoscalendário 2006 e 2007. É o que se depreende do despacho de fls. 13326/13327, que determinou a distribuição por conexão daqueles autos a este relator, para julgamento conjunto, verbis: Tendo recebido o presente processo que trata da constituição de créditos tributários em face da contribuinte epigrafada, relativos aos anoscalendário 2007 a 2009, identifiquei, ao analisar o seu recurso voluntário, a alegação de situação prejudicial concernente ao processo nº 15504.722697/201131, o qual trata de lançamentos contra si realizados, relativos aos anoscalendário 2006 e 2007. A alegação de existência de prejudicial em face daquele processo, trazida pelo sujeito passivo em seu recurso voluntário, consiste na impossibilidade da realização de novo lançamento relativo a período que já foi fiscalizado anteriormente, no caso em apreço, o anocalendário 2007. Com efeito, independente do entendimento a ser adotado pelo colegiado, em face das alegações trazidas no recurso voluntário objeto deste processo, dada a estreita relação entre os lançamentos relativos ao citado anocalendário 2007, impõese a análise conjunta dos recursos voluntários interpostos pela contribuinte. Tanto é que o referido processo nº 15504.722697/201131 fora anteriormente distribuído ao Conselheiro Antonio Bezerra Neto, que determinou o sobrestamento daquele feito para aguardar "a redistribuição do processo conexo (15504.731281/2012 94), para que sejam julgados em conjunto" (despacho fls. 1102 daqueles autos). O PA nº 15504.722697/201131 encontrase sobrestado, atualmente, na DIPRO/COJUL/CARF1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA. Considerando que o Conselheiro Relator sorteado para relatar os recursos voluntário e de ofício interpostos naquele processo, Antonio Bezerra Neto, que seria prevento para examinar os recursos constantes dos presentes autos, teve seu mandato extinto junto ao colegiado da 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção, entendo que o referido processo nº 15504.722697/201131 deva ser redistribuído a este relator para julgamento conjunto com o presente, nos termos do art. 6º, inc. I, § 2º do Anexo II do Ricarf. A Presidente Substituta da 1ª Seção acolheu a proposição e determinou a distribuição do PA nº 15504.722697/201131 para julgamento conjunto. Assim, ambos os processos foram trazidos à pauta de julgamento desta sessão. Ocorre que este colegiado, ao iniciar o julgamento do processo 15504.722697/201131, houve por bem acolher a proposição de diligências formuladas por Fl. 13341DF CARF MF Original Processo nº 15504.731281/201294 Resolução nº 1302000.732 S1C3T2 Fl. 13.342 14 este relator, determinando a adoção de providências da autoridade preparadora na unidade de origem. Por oportuno, observo que a recorrente suscita em seu recurso que, em vista da complexidade dos argumentos contábeis trazidos, que dão conta de justificar a ausência de qualquer incongruência suficiente a gerar tributo a presente caso, a fim de demonstrar e comprovar toda a higidez da contabilidade da contribuinte é imperioso que seja realizada diligência técnica, para a qual formula os respectivos quesitos e indica o assistente técnico. Não obstante, analisando os argumentos e novos documentos apresentados pela recorrente, rejeito a solicitação, pois não vislumbro a necessidade de conversão do presente julgamento em diligência, na medida em que todos os elementos necessários ao deslinde da controvérsia estão nos autos e em condições de serem analisados e compreendidos por este relator, e pelo colegiado, na oportunidade em que forem trazidos a julgamento, não demandando, a meu ver, novas análises ou considerações por parte da autoridade fiscal autuante. Ante ao exposto, e tendo em conta as premissas mencionadas no despacho supra citado, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente junto à Cojul/Dipro deste CARF, até a conclusão das diligências e o retorno do processo nº 15504.722697/201131 a este colegiado para a conclusão do julgamento, em conjunto com este. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 13342DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13003.001165/2007-03
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/10/2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO PLEITEADO. INDEFERIMENTO
Nos pedidos de restituição cabe ao contribuinte demonstrar de forma inequívoca seu direito creditório. A não comprovação dos valores trazidos no pedido formulado, nos termos e condições estabelecidos pela Administração Tributária, bem como inconsistências nos documentos apresentados, justifica
o indeferimento da restituição pleiteada, com fulcro no art. 89 da lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.001
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado Oseas Coimbra Junior. Vencidos Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1945; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 228 1 227 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13003.001165/200703 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.001 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria RESTITUIÇÃO: EMPRESAS EM GERAL Recorrente AUTELSERVSUL TELECOMUNICAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/10/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO PLEITEADO. INDEFERIMENTO Nos pedidos de restituição cabe ao contribuinte demonstrar de forma inequívoca seu direito creditório. A não comprovação dos valores trazidos no pedido formulado, nos termos e condições estabelecidos pela Administração Tributária, bem como inconsistências nos documentos apresentados, justifica o indeferimento da restituição pleiteada, com fulcro no art. 89 da lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado Oseas Coimbra Junior. Vencidos Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Natanael Vieira dos Santos. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Oseas Coimbra Junior – Redator para acórdão Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13003.001165/200703 Acórdão n.º 2803002.001 S2TE03 Fl. 229 2 Relatório A empresa acima identificada solicitou restituição de contribuições previdenciárias, com lastro em créditos decorrentes das diferenças entre os valores retidos, no percentual de 11% incidentes sobre as notas fiscais de prestação de serviço, na forma do art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, e os valores das contribuições previdenciárias devidas sobre a folha de pagamento, referentes às competências de 06/2006 a 10/2006. A DRF em Porto Alegre, por meio do Despacho Decisório DRF/POA/SEFIS nº 509/2010, fls. 148/151, indeferiu a solicitação da requerente, tendo em vista as seguintes constatações: a) lançamentos referentes a serviços prestados por outras pessoas físicas não incluídas nas folhas de pagamento, de acordo com planilha de fls. 152/167, b) lançamentos na conta 216004 – “salários a pagar” referentes a serviços prestados por pessoas físicas não computadas em folha de pagamento que receberam valores a título de “adiantamento de vale refeição” na rubrica 113019, c) folhas de pagamento sem valores de prólabore, férias e rescisões contratuais de trabalho, d) ausência, na maioria das ocorrências de lançamentos de férias, rescisões no Livro Diário, e) conta de serviços de terceiros pessoa física (311557) sem movimento no período, exceto na competência de setembro de 2007, referente ao serviço prestado por Denise Maria Rocha, f) segurados declarados em GFIP, não contemplados em folha de pagamento, conforme demonstrativo. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO Regularmente cientificado em 29/04/2010 o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O contribuinte foi cientificado da decisão em 14/05/2012, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: a restituição de valores recolhidos a maior é direito do contribuinte. A lei não faz qualquer alusão à necessidade prévia de liquidez e certeza no que tange ao pedido de restituição de saldo credor decorrente da retenção de 11% prevista no art. 31 da Lei 8.212/91. Eventual inexatidão de valores não pode ser traduzida como inexistência do direito de crédito, nem de fundamento para o seu nãoreconhecimento. O art. 170 do CTN não é aplicável à espécie, pois trata de modalidade de extinção do crédito tributário, mas sim o art. 165, I do CTN que trata do direito à restituição; deve ser repudiada a decisão que denega restituição de diferença de valores recolhidos a maior pelo contribuinte, ainda que se possam apurar valores devidos diferentes do cálculo inicialmente pleiteado. A decisão deve ser reformada. Toda a documentação solicitada foi entregue. Eventuais valores a recolher pela empresa deve ser descontados do valor a restituir; Fl. 229DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13003.001165/200703 Acórdão n.º 2803002.001 S2TE03 Fl. 230 3 eventual irregularidade na contabilidade formal pode ser alvo de sanção específica, mas não causa extintiva de direito de restituição de crédito. Eventual não reconhecimento deve ser fundamentado e demonstrada a inexistência de saldo credor a seu favor, e não indeferido de modo genérico porque há suposta irregularidade na escrita contábil, especialmente quando as irregularidades são passíveis de verificação e quantificação. Os pagamentos a título de adiantamento de viagem foram realizados a pessoas jurídicas e não ultrapassam a 50% da remuneração mensal. Na planilha apresentada pelo fisco "Serviços prestados por pessoas físicas" tratase de despesas de pessoa jurídica sem incidência. Os valores supostamente levantados pelo fisco e alvo de contribuição previdenciária perfazem o montante de R$ 10.472,00 que seriam a base de cálculo do tributo não inseridas nas GFIP. O valor da contribuição previdenciária (20%) supostamente incidente sobre essa quantia é de R$ 2.094,40. Mesmo sendo cobrados todos os valores, ainda assim haveria valores a restituir; o fisco deve demonstrar a inexistência da restituição especificamente e não de forma genérica e a míngua da Lei. Inexistência de crédito difere de inexatidão de crédito. A mera inexatidão dos valores, especialmente quando passíveis de apuração por parte do fisco não pode ser argumento para o indeferimento de restituição e reconhecimento de crédito em prol do contribuinte; por fim, requer a decadência de eventuais valores a serem cobrados para o período a restituir, ou, de maneira subsidiária, seja descontada a contribuição previdenciária da empresa, incidente sobre os valores constantes na planilha "serviços prestados por pessoa física" e restituído o saldo credor à empresa. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13003.001165/200703 Acórdão n.º 2803002.001 S2TE03 Fl. 231 4 Voto Vencido Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. A restituição não é uma situação que se viabiliza automaticamente. Para a implementação do instituto, a parte interessada deverá cumprir as regras dispostas no ordenamento jurídico. A Lei 8.212/91, art. 31 e parágrafos, estabelece a obrigatoriedade da retenção de 11% sobre o valor bruto dos serviços prestados por cessão de mão de obra e seu recolhimento à Seguridade Social, que será compensado com as contribuições devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a serviço do prestador. Na impossibilidade de compensação do valor total retido, o saldo remanescente poderá ser objeto de restituição, como segue: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5odo art. 33 desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009).(Produção de efeitos). §1oO valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §2oNa impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §3oPara os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). (...) O art. 89 da Lei 8.212/91 dispõe que as contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração dos segurados (ex. empregado e contribuinte individual), as Fl. 231DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13003.001165/200703 Acórdão n.º 2803002.001 S2TE03 Fl. 232 5 contribuições instituídas a título de substituição (ex. retenção de 11% NFS), somente poderão ser restituídas nas hipóteses de recolhimento indevido ou a maior que o devido, nos termos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, como segue: Lei 8.212/91 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: (...) Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço;(Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005) b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição;(Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005) (...) Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 5o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 6o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 7o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 8oVerificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). Fl. 232DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13003.001165/200703 Acórdão n.º 2803002.001 S2TE03 Fl. 233 6 § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e saláriomaternidade o rito previsto no Decreto no70.235, de 6 de março de 1972.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Como se pode notar, o pedido de restituição trata de contribuições previdenciárias instituídas a título de substituição e houve contribuição sobre a remuneração de segurados. Resta saber se o recolhimento foi indevido ou a maior que o devido, conforme normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. O parágrafo 8o do art. 89 da Lei 8.212/91 estabelece que verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação, na redação dada pela Lei 11.196, de 2005. Corrobora o entendimento o art. 170 do CTN que estabelece que a lei pode autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Desse modo, há necessidade da análise do pleito para saber se o recolhimento foi a maior ou não. Assim, o contribuinte tem o direito de ter analisado os documentos trazidos aos autos em seu pedido de restituição (folhas de pagamento, GFIP’s, notas fiscais de serviços do prestador, GPS, livros e documentos contábeis, outros), de conformidade com as normas estabelecidas pela RFB, observando eventuais débitos a compensar do contribuinte, nos termos do art. 165, inciso I do CTN. Não é de bom alvitre o indeferimento do pedido de restituição tendo como justificativa eventuais irregularidades do contribuinte. Se existem créditos decorrentes de obrigação principal e/ou acessória, que sejam apurados e confrontados com os valores pleiteados na restituição. O que não se pode é indeferir o pleito da restituição sob alegação de que existem possíveis irregularidades sem precisar seu valor. Assim sendo, entendo que o contribuinte sem saber o valor correto das contribuições sociais devidas teria cerceado seu direito de confrontar o valor devido das contribuições sociais com o valor pleiteado a título de restituição. Só é possível saber se existe valor a restituir ou não se houver o confronto de tais valores. O confronto desses valores atende o princípio da razoabilidade e da verdade material. CONCLUSÃO: Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso para que a Delegacia de origem (DRF em Porto Alegre) faça a análise dos documentos trazidos aos autos pelo contribuinte em seu pedido de restituição (folhas de pagamento, GFIP’s, notas fiscais de serviços do prestador, GPS, livros e documentos contábeis, e outros necessários), de Fl. 233DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13003.001165/200703 Acórdão n.º 2803002.001 S2TE03 Fl. 234 7 conformidade com as normas estabelecidas pela RFB, apurando o valor da contribuição social devida e confrontando com o valor pleiteado a título de restituição, compensando eventuais débitos do contribuinte, concluindo pelo deferimento ou não do pleito com sua fundamentação legal. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 234DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13003.001165/200703 Acórdão n.º 2803002.001 S2TE03 Fl. 235 8 Voto Vencedor Conselheiro Oseas Coimbra Júnior, Redator para acórdão. Do que trazido aos autos, resta demonstrado que a DRF Porto Alegre bem examinou a documentação apresentada e enumerou diversas inconsistências, como: a) lançamentos referentes a serviços prestados por outras pessoas físicas não incluídas nas folhas de pagamento, de acordo com planilha de fls. 85/102, b) lançamentos na conta 216004 – “salários a pagar” referentes a serviços prestados por pessoas físicas não computadas em folha de pagamento que receberam valores a título de “adiantamento de vale refeição” na rubrica 113019, c) folhas de pagamento sem valores de prólabore, férias e rescisões contratuais de trabalho, d) ausência, na maioria das ocorrências de lançamentos de férias, rescisões no Livro Diário, e) conta de serviços de terceiros pessoa física (311557) sem movimento no período, exceto na competência de setembro de 2007, referente ao serviço prestado por Denise Maria Rocha, f) segurados declarados em GFIP, não contemplados em folha de pagamento, conforme demonstrativo. Os pedidos de restituição devem ser devidamente instruídos consoantes os atos normativos da administração tributária. As diversas irregularidades apontadas não foram sanadas, tampouco o recurso interposto trouxe elementos que afastassem as razões do r. acórdão. Ao contrário, sugere que há irregularidades, mas que estas deveriam ser objeto de auto de infração específico. Sem a efetiva demonstração do direito à restituição pleiteada, tenho que a decisão denegatória esta correta e devidamente fundamentada, razão pela qual o r. acórdão, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade interposta, não merece reparos. (Assinado digitalmente) Oseas Coimbra Júnior Fl. 235DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 15586.720016/2011-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. PIS/COFINS. SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO
Para caracterizar as receitas como decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação e, conseqüentemente, usufruir da isenção da contribuição para o PIS, faz-se necessário comprovar que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS
O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos firmou entendimento sobre o conceito de insumo PIS/COFINS.
Numero da decisão: 3301-013.241
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, 1) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas sobre a operação de manutenção de aterro industrial e controle e consultoria ambiental. 2) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas sobre serviços de gerenciamento, elaboração e consultoria de projetos de engenharia. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, que negava a reversão das glosas de crédito destas despesas. Vencido o Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, que revertia as glosas de crédito em maior extensão, incluindo a locação de andaimes e serviços topográficos. Vencida a Conselheira Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, que revertia as glosas ainda em maior extensão, incluindo a locação de andaimes; sanitários químicos; serviços topográficos; serviços de desenvolvimento de softwares; compra de bens de uso e consumo, informações de indicadores econômicos; assessoria econômico-financeiro e contábil e planos de saúde para os funcionários. 3) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, quanto à natureza das receitas, pela ausência de comprovação das operações de exportação. Vencidos os Conselheiros Laercio Cruz Uliana Junior e Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, que davam provimento ao recurso voluntário neste aspecto, apenas em relação aos casos para os quais foram apresentadas cartas de correção das notas fiscais, em conjunto com os Memorandos de Exportação. 4) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas sobre os serviços utilizados como insumos indicados como Fator K e Fator Y. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Juciléia de Souza Lima - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Júnior, José Adão Vitorino de Morais, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (suplente convocada), Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente) e Juciléia de Souza Lima (Relatora). Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa.
Nome do relator: JUCILEIA DE SOUZA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 1) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas sobre a operação de manutenção de aterro industrial e controle e consultoria ambiental. 2) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas sobre serviços de gerenciamento, elaboração e consultoria de projetos de engenharia. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, que negava a reversão das glosas de crédito destas despesas. Vencido o Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, que revertia as glosas de crédito em maior extensão, incluindo a locação de andaimes e serviços topográficos. Vencida a Conselheira Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, que revertia as glosas ainda em maior extensão, incluindo a locação de andaimes; sanitários químicos; serviços topográficos; serviços de desenvolvimento de softwares; compra de bens de uso e consumo, informações de indicadores econômicos; assessoria econômico-financeiro e contábil e planos de saúde para os funcionários. 3) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, quanto à natureza das receitas, pela ausência de comprovação das operações de exportação. Vencidos os Conselheiros Laercio Cruz Uliana Junior e Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, que davam provimento ao recurso voluntário neste aspecto, apenas em relação aos casos para os quais foram apresentadas cartas de correção das notas fiscais, em conjunto com os Memorandos de Exportação. 4) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas sobre os serviços utilizados como insumos indicados como Fator K e Fator Y. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente (documento assinado digitalmente) Juciléia de Souza Lima - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Júnior, José Adão Vitorino de Morais, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (suplente convocada), Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente) e Juciléia de Souza Lima (Relatora). Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa.
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PIS/COFINS. SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO Para caracterizar as receitas como decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação e, conseqüentemente, usufruir da isenção da contribuição para o PIS, faz-se necessário comprovar que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos firmou entendimento sobre o conceito de insumo PIS/COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 1) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas sobre a operação de manutenção de aterro industrial e controle e consultoria ambiental. 2) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas sobre serviços de gerenciamento, elaboração e consultoria de projetos de engenharia. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, que negava a reversão das glosas de crédito destas despesas. Vencido o Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, que revertia as glosas de crédito em maior extensão, incluindo a locação de andaimes e serviços topográficos. Vencida a Conselheira Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, que revertia as glosas ainda em maior extensão, incluindo a locação de andaimes; sanitários químicos; serviços topográficos; serviços de desenvolvimento de softwares; compra de bens de uso e consumo, informações de indicadores econômicos; assessoria econômico-financeiro e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 16 /2 01 1- 37 Fl. 767DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-013.241 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720016/2011-37 contábil e planos de saúde para os funcionários. 3) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, quanto à natureza das receitas, pela ausência de comprovação das operações de exportação. Vencidos os Conselheiros Laercio Cruz Uliana Junior e Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, que davam provimento ao recurso voluntário neste aspecto, apenas em relação aos casos para os quais foram apresentadas cartas de correção das notas fiscais, em conjunto com os Memorandos de Exportação. 4) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas sobre os serviços utilizados como insumos indicados como Fator K e Fator Y. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente (documento assinado digitalmente) Juciléia de Souza Lima - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Júnior, José Adão Vitorino de Morais, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (suplente convocada), Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente) e Juciléia de Souza Lima (Relatora). Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Relatório Trata o presente de Pedido de Ressarcimento nº 37306.02960.310107.1.1.082406, relativo ao PIS não cumulativo– Exportação, do 2º trimestre de 2006, no valor de R$ 3.446.190,40, a qual não foi homologada pelas seguintes razões: 1- Houve a desconsideração das vendas efetuadas ao CNPJ 33.592.510/0220-42, pertencente à coligada Companhia Vale do Rio Doce- CVRD, sob os CFOPs 5101, como vendas com o fim específico para exportação; 2- Glosa de créditos da não cumulatividade de rubricas classificadas como insumos, sendo as seguintes: a) serviços de operação e manutenção de equipamentos da produção- NSAC (serviços de gerenciamento, elaboração e consultoria de projetos de engenharia; operação de manutenção de aterro industrial; controle e consultoria ambiental; informações de indicadores econômicos; assessoria econômico-financeiro e contábil; planos de saúde para os funcionários; locação de andaimes; sanitários químicos; serviços topográficos; serviços de desenvolvimento de softwares; compra de bens de uso e consumo); b) Despesas gerais de operações de usina, identificados como Fator K e Y. Fl. 768DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-013.241 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720016/2011-37 b.1) Identificados como serviços Fator K (incluindo, mas não se limitando aos seguintes itens: telex e outras formas de comunicação; elaboração e processamento de dados, treinamento de pessoal, departamento pessoal e de compras, assistência legal e fiscal. Estatísticas, serviços de contabilidade e de custo, etc, que não estejam incluídos em nenhum outro componente da compensação); b.2) Identificados como serviços Fator Y- identificado por remuneração do capital de giro provido pela CVRD, com a finalidade de compensá-la pela operação e manutenção das usinas através da manutenção em estoque sobressalente e de materiais de consumo). Notificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada improcedente através do Acordão nº 12-61.147, a qual julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Cientificada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário perante o CARF, em sua defesa, dentre outras alegações, afirma: (i) a recorrente alega que não realizou venda de pelota de minério de ferro que não seja destinada ao mercado externo; (ii) que para aproveitamento da imunidade das receitas de exportação não importa que a venda seja destinada a recinto alfandegado ou que seja diretamente enviado ao embarque para exportação; (iii) que as vendas efetuadas à CVRD são destinadas exclusivamente para exportação; (iv) o conceito de insumo não pode ser considerado restritivo como entendeu a autoridade fiscal, devendo ser interpretado à luz do regime não cumulativo imposto pelo artigo 195, §12 da Constituição Federal; os serviços de frete bem como os demais serviços de operação da usina de pelotização geram créditos. A glosa de créditos da contribuição é indevida, uma vez que os serviços de operação e manutenção de equipamentos de produção (NSAC) são diretamente utilizados na produção do produto, sendo descabida a glosa efetuada, bem como, as identificadas como fatores K e Y. Em suma, é o Relatório. Voto Conselheira Juciléia de Souza Lima, Relatora. Fl. 769DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-013.241 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720016/2011-37 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, razões pelas quais deve ser conhecido. Entretanto, ante a ausência de preliminares prejudiciais de mérito, passo a analisar o mérito. 1- Da caracterização das vendas com fim de exportação Cumpre destacar que a presente lide não reside na discussão quanto a não incidência das contribuições com fins específicos de exportação, mas pelo fato da Autoridade Fiscal não ter reconhecido tais operações. No caso dos presentes autos, relativamente à infração acima apontada, o entendimento do autuante, exposto no Termo de Verificação Fiscal, baseou-se em 02 pontos assim resumidos: i. O CFOP utilizado nas Notas Fiscais de venda emitidas pela a contribuinte e no registro das entradas do produto pela Vale S.A caracterizam operações de venda no mercado interno, em vez, de externo; ii. Os produtos vendidos foram entregues, segundo declaração da Vale S.A, no pátio da Nibrasco (área não alfandegada), não se enquadrando, portanto, na definição de vendas com fim específico de exportação dada pela IN SRF 247/2002, Lei nº 9.532/1997 e Decreto 1.248/72. Relata que em verificação feita no estabelecimento da Nibrasco, constata-se que o “modus operandi” das usinas de pelotização continua sendo o mesmo, qual seja, as mercadorias são retiradas no pátio da Nibrasco. Em sua defesa, pugna a Recorrente, por ser matéria idêntica, a aplicação das decisões proferidas nos processos administrativos nºs 15586.0001584/2010-54 e nº 15586.001601/2010-53. O pleito da Recorrente não merece prosperar. Pois, no que pese a matéria já ter sido decidida, em grau de Recurso Especial do Contribuinte, pela Câmara Superior deste Tribunal a respeito da mesma contribuinte, é mister, primeiro, distinguir as súmulas da jurisprudência (precedente). Pois como é sabido, o sistema legal brasileiro é o da civil law, que não se confunde com o sistema common law, como é sabido. Não obstante, o crescente interesse em conferir força à jurisprudência, registra-se que, no sistema brasileiro, jurisprudência é fonte do direito que se manifesta como forma de revelação do direito através do exercício da jurisdição, em virtude de uma sucessão harmônica de decisões dos tribunais. As súmulas, por sua vez, se diferenciam do precedente, pois a súmula representa uma decisão que provocará repercussão no julgamento de casos futuros, de observância obrigatória por este Colegiado a teor do art. 72 do Regimento Interno do CARF. Fl. 770DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-013.241 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720016/2011-37 Segundo, cumpre registrar que as decisões administrativas são, sempre, proferidas em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa a partir do exame da consistência do conjunto dos elementos probatórios trazido aos autos, as quais de acordo com o princípio do livre convencimento motivado desta julgadora, todavia, é facultado à Contribuinte o exercício do direito do duplo grau de jurisdição, o qual poderá, em grau de recurso, rever a decisão proferida neste Voto. Por derradeiro, a Recorrente atua na produção e comercialização de pelotas de minério de ferro, com sua planta industrial situada no complexo CVRD Ponta de Tubarão, em Vitória/ES. Sua produção é comercializada tanto no mercado interno, com vendas para Companhia Vale do Rio Doce – CVRD, como no mercado externo. Em suas operações, a Contribuinte adquire minério de ferro bruto da Vale S/A S.A (nova denominação Companhia Vale do Rio Doce-VALE) e em seu estabelecimento fabril (Usina de Pelotização), transforma esse minério em pelotas, destinando-as à venda ao mercado externo. Conforme registrado nos Livros Balancete (fls. 20/25) e nas Notas Fiscais de Venda (fls. 65/102), no período analisado a NIBRASCO destinou grande parte de sua produção ao estabelecimento de CNPJ 33.592.510/0220-42, pertencente à coligada Companhia Vale do Rio Doce, registrando-as com o Código 5.101 (a partir de jan/03), código este destinado à venda de produtos no mercado interno. Da mesma forma, na escrituração contábil os lançamentos fazem menção a vendas no mercado interno e não a vendas para o exterior. As saídas de produção do estabelecimento para trading company ou para empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, deveriam ter sido identificadas pelos códigos 5.501, cujo registro nos livros do destinatário das mercadorias/produtos correspondem ao código 1.501. Notificado, o contribuinte apresentou os Memorandos de Exportação (Anexo I), todavia, entendeu a autoridade fiscal, ratificada pelo julgador a quo, que os memorandos de exportação, tratam-se de documentação de efeito declaratório, de emissão particular, por si só não constitui meio de prova, cabendo à contribuinte o ônus de comprovar que a mercadoria vendida foi remetida diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Como se sabe, o Memorando de Exportação (ou Documento Comprobatório da Exportação Indireta) é um documento declaratório, padronizado, vinculado à legislação do Estado, de emissão particular, sem fé pública, que, para o período em questão, foi estabelecido por meio do Convênio ICMS nº 113, de 1993, firmado pelos Secretários de Fazenda, Finanças ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal, na 84ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Política Fazendária, constituindo-se num mecanismo de controle de operações de mercadorias desoneradas de ICMS, nas remessas com o fim específico de exportação. Pois bem. Fl. 771DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-013.241 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720016/2011-37 Contudo, como documento declaratório, de emissão particular, a sua exibição não constitui meio de prova. Isto porque não basta apenas exibi-lo. Mister se faz comprovar o seu conteúdo com a apresentação da Nota Fiscal emitida pelo o exportador, o conhecimento de embarque e o comprovante de exportação emitido pelo órgão competente. Entendo assim, que os memorandos de exportação produzidos pela Vale S.A, atendem à legislação estadual e apenas declaram a exportação dos produtos que lhe foram remetidos com a suspensão do ICMS, para fins de controle estaduais. Contudo, não comprovam o atendimento à legislação federal, segundo a qual, como já ressaltado, para o usufruto da isenção do PIS e COFINS a empresa produtora/vendedora tem o ônus de comprovar que a mercadoria vendida foi remetida diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Cumpre destacar que a não incidência da contribuição para o PIS não cumulativo para operações destinadas a exportação tem fundamento no art. 5º da Lei n.º 10.637, de 2002, que se encontra redigido nos seguintes termos: Art. 5- A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...); III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. A mesma redação, embora no artigo seguinte, foi conferida, pela Lei n.º 10.833, de 2003, à COFINS não cumulativa, conforme previsto no dispositivo que a seguir transcrito: Art. 6º- A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Neste passo, o legislador ainda dispôs que são isentas do PIS/COFINS as vendas realizadas às empresas comerciais exportadoras, nos termos do art. 46 da IN SRF n.º 247, de 2002: Fl. 772DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-013.241 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720016/2011-37 Art. 46. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas: (...) VIII – de vendas realizadas pelo produtor vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto Lei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; e (...) § 1o Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. E ainda, o Decreto lei nº 1.248/1972, ao dispor sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno, por empresa comercial exportadora, para o fim específico da exportação, deu a seguinte disciplina às operações por ela realizadas: “Art. 1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste Decreto-lei. Parágrafo único. Consideram-se destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor vendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Art. 3º São assegurados ao produtor vendedor, nas operações de que trata o artigo 1º deste Decreto-lei, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação.” Todavia, entendo que os memorandos de exportação apresentados não comprovam a exportação dos produtos vendidos pela Recorrente- a NIBRASCO, daí, como não existe a prova da efetiva exportação, não é possível, sequer, reconhecer para a CVRD a isenção de que tratam os artigos 5º da Lei 10.6372002 e 6º da Lei 10.833/2003. Fl. 773DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-013.241 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720016/2011-37 Não obstante o fato de que a CVRD declare, por meio dos memorandos de exportação acima analisados, que para os produtos constantes em algumas das notas fiscais emitidas pela NIBRASCO, foi efetuada, posteriormente, a exportação dos mesmos, a utilização do código CFOP inadequado comprova que, inicialmente, a empresa efetuou a compra para comercialização no mercado interno. Por fim, verifica-se que a contabilidade das empresas envolvidas também não reflete a operação específica para fins de exportação, consoante regra constante na legislação tributária federal, por isso, não há reforma a fazer no acórdão recorrido. 2- DOS INSUMOS Insurge-se a contribuinte contra a manutenção das glosas. Adianto-me que minha razões de decidir se alinharão, para fins do conceito de insumos de PIS/COFINS, com o decidido no RESP 1.221.170, pelo Superior Tribunal de Justiça. Pois bem. Como é sabido, em fevereiro de 2018, a 1ª Seção do STJ ao apreciar o Resp 1.221.170 definiu, em sede de repetitivo, decidiu pela ilegalidade das instruções normativas 247 e 404, ambas de 2002, sendo firmada a seguinte tese: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. No resultado final do julgamento, o STJ adotou interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, pretendeu-se que seja considerado insumo o que for essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vejamos excerto do voto da Ministra Assusete Magalhães: “Pela perspectiva da zona de certeza negativa, quanto ao que seguramente se deve excluir do conceito de ‘insumo’, para efeito de creditamento do PIS/COFINS, observa-se que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 trazem vedações e limitações ao desconto de créditos. Fl. 774DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-013.241 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720016/2011-37 Quanto às vedações, por exemplo, o art. 3º, §2º, de ambas as Leis impede o crédito em relação aos valores de mão de obra pagos a pessoa física e aos valores de aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Já como exemplos de limitações, o art. 3º, §3º, das referidas Leis estabelece que o desconto de créditos aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e aos custos e despesas pagos ou creditados a pessoas jurídicas também domiciliadas no território nacional.” Restou pacificada no STJ a tese que: “o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. O conceito de insumo também foi consignado pela Fazenda Nacional, vez que, em setembro de 2018, publicou a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018, in verbis: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." A Nota clarifica e orienta, internamente, a definição do conceito de insumos na “visão” da Fazenda Nacional: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade Fl. 775DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-013.241 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720016/2011-37 da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Com tal nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou obste a atividade principal da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Tal ato ainda reflete que o “teste de subtração” deve ser utilizado para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota PGFN: “15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. Fl. 776DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-013.241 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720016/2011-37 2.1- Dos Insumos: glosa de créditos oriundos de despesas relativas aos serviços para as operações das usinas No tocante às despesas gerais de operações de usina, identificados como Fator K e Y, respectivamente: b.1) Identificados como serviços Fator K (incluindo, mas não se limitando aos seguintes itens: telex e outras formas de comunicação; elaboração e processamento de dados, treinamento de pessoal, departamento pessoal e de compras, assistência legal e fiscal. Estatísticas, serviços de contabilidade e de custo, etc, que não estejam incluídos em nenhum outro componente da compensação); b.2) Identificados como serviços Fator Y- identificado por remuneração do capital de giro provido pela CVRD, com a finalidade de compensá-la pela operação e manutenção das usinas através da manutenção em estoque sobressalente e de materiais de consumo). Partindo da análise da natureza destas despesas, entendo que as mesmas não dizem respeito a atividade produtiva da recorrente, mas, correspondem às despesas administrativas e financeiras, as quais não geram direito a créditos do PIS no regime não cumulativo por não se enquadrarem na condição insumos para produção nos termos do inciso II, do art. 3º de ambas as leis da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins - Lei nº 10.637, de 2003, e da Lei nº 10.833, de 2003. Portanto, tais glosas não merecem ser revertidas. 2.2- Dos Insumos: glosa da contratação de serviços de operação e manutenção de equipamentos da produção- NSAC Alega a contribuinte que a autoridade fiscal utilizou-se do conceito mais restritivo para glosar os créditos decorrentes da contratação de serviços operação e manutenção de equipamentos da produção- NSAC dizem respeito: - serviços de gerenciamento, elaboração e consultoria de projetos de engenharia são serviços incorridos para elaboração de projetos para produção de pelotas; e - operação de manutenção de aterro industrial; controle e consultoria ambiental são serviços relacionados com os efeitos decorrentes da produção das pelotas que impactam o meio ambiente, necessários sob o ponto de vista de proteção ao meio ambiente, aplicados ou consumidos na produção de pelotas; Entendo que as glosas acima merecem ser revertidas por se tratarem de despesas necessárias à operacionalização de suas atividades, as quais se enquadram na condição insumos para produção nos termos das leis da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins - Lei nº 10.637, de 2003, e da Lei nº 10.833, de 2003. Todavia, no que cerne a: Fl. 777DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-013.241 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720016/2011-37 - a locação de andaimes; sanitários químicos; serviços topográficos; serviços de desenvolvimento de softwares; compra de bens de uso e consumo, são atividades de apoio, acessórias e não inerentes à produção de pelotas e - as informações de indicadores econômicos; assessoria econômico-financeiro e contábil; planos de saúde para os funcionários também são atividades não inerentes à atividade produtiva da Recorrente. Sendo assim, as glosas supra mencionadas não merecem ser revertidas por não se enquadrarem na condição insumos para produção nos termos das leis da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins - Lei nº 10.637, de 2003, e da Lei nº 10.833, de 2003. Por fim, salvo melhor juízo, entendo que não é caso de conversão do julgamento em Diligência, para complementação do conjunto probatório, eis que esta não se presta a este fim, mas tão somente para prover esclarecimentos sobre o que já se encontra nos autos. Portanto, voto dar parcial provimento ao recurso para reverter as glosas decorrentes dos serviços de gerenciamento, elaboração e consultoria de projetos de engenharia; operação de manutenção de aterro industrial e controle e consultoria ambiental. É como voto. (documento assinado digitalmente) Juciléia de Souza Lima Fl. 778DF CARF MF Original
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