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Numero do processo: 10540.000330/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF.
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 - SC (2007/0176994-0), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos).
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
Quando não configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e havendo antecipação do pagamento do imposto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo se inicia na data de ocorrência do fato gerador (CTN, Art. 150, § 4º), esclarecendo-se que o fato gerador do imposto sobre a renda se completa e se considera ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário.
DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Numero da decisão: 2102-003.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente.
Assinado digiltamente
CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA - Relator.
EDITADO EM: 10/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 03 30 /2 00 9- 98 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 334 2 decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. Quando não configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e havendo antecipação do pagamento do imposto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo se inicia na data de ocorrência do fato gerador (CTN, Art. 150, § 4º), esclarecendose que o fato gerador do imposto sobre a renda se completa e se considera ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário. DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digiltamente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 10/09/2014 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 335 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 291 a 318, interposto contra decisão da DRJ em Salvador/BA, de fls. 282 a 285, que julgou procedente em parte o lançamento de IRPF de fls. 04 a 19 dos autos, lavrado em 03/03/2009, relativo aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, com ciência do RECORRENTE em 06/03/2009 (fl. 230). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 1.027.005,85, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 112,50%, aplicada com base no art. 44, I, §2º, da Lei nº 9.430/96. De acordo com a descrição dos fatos às fls. 11 a 13, o lançamento teve origem na seguinte infração: “001 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Relatório Fiscal em anexo. Fato Gerador 31/01/2004 29/02/2004 31/03/2004 30/04/2004 31/05/2004 30/06/2004 31/07/2004 31/08/2004 30/09/2004 30/11/2004 31/12/2004 31/01/2005 28/02/2005 31/03/2005 30/04/2005 31/05/2005 30/06/2005 Valor Tributável ou Imposto R$ 3.424,84 R$ 47.500,00 R$ 28.950,00 R$ 16.175,27 R$ 18.924,00 R$ 34.200,00 R$ 7.170,00 R$ 10.000,00 R$ 19.731,30 R$ 77.817,46 R$ 56.967,50 R$ 82.689,25 R$ 87.701,50 R$ 46.675,50 R$ 107.920,50 R$ 116.618,07 R$ 114.999,81 Multa(%) 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 336 4 31/07/2005 31/08/2005 30/09/2005 31/10/2005 30/11/2005 31/12/2005 31/01/2006 28/02/2006 31/03/2006 30/04/2006 31/05/2006 30/06/2006 31/07/2006 31/08/2006 30/09/2006 31/10/2006 30/11/2006 31/12/2006 R$ 8.676,10 R$ 1.446,10 R$ 25.376,10 R$ 40.376,40 R$ 18.785,40 R$ 66.937,20 R$ 4.516,10 R$ 54.900,95 R$ 18.103,97 R$ 36.946,32 R$ 27.475,00 R$ 28.670,00 R$ 32.472,05 R$ 56.857,85 R$ 76.076,35 R$ 37.940,35 R$ 65.611,35 R$ 46.385,00 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 Enquadramento legal: Art. 849 do RIR/99; Art. 1º da Medida Provisória nº 22/2002 convertida na Lei nº 10.451/2002; Art. 1º da Lei nº 11.119/05; Art. 1º da Lei nº 11.311/06.” De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 14 a 17, a fiscalização teve início com a ciência via postal do Termo de início de Ação Fiscal em 27/12/2007 quando foram solicitados ao contribuinte: (i) Extratos bancários de todas as contas correntes de sua titularidade, referentes ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006; e (ii) Documentos hábeis que comprovem os rendimentos isentos da atividade rural e demais rendimentos isentos e nãotributáveis declarados nas DIRPFs 2005, 2006 e 2007 (anoscalendário 2004, 2005 e 2006, respectivamente). Foram apresentados os documentos que comprovam a atividade rural e documentos referentes a rendimentos isentos e nãotributáveis. No entanto, os extratos não foram apresentados porque, segundo o contribuinte, as instituições financeiras não os forneceram; o que levou a fiscalização a solicitálos via Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, nos termos do artigo 6° da Lei Complementar n° 105/2001. De posse dos extratos bancários do RECORRENTE, a fiscalização observou irregularidades na declaração do contribuinte, na medida em que o mesmo declarou ter recebido rendimentos isentos e nãotributáveis, alegando tratarse de distribuição de dividendos de empresas em que ele é sócio, com os seguintes valores: 2004: R$410,000,00; Fl. 336DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 337 5 2005: R$ 516,952,46; 2006: R$ 56.000,00, Contudo, não foi possível à fiscalização identificar nos extratos bancários os depósitos referentes a estes pagamentos. O RECORRENTE alegou também que no anocalendário de 2005 a sociedade Soares e Botelho Ltda, na qual ele figurava como sócio, recebeu bens e direitos do ativo desta pessoa jurídica, entregues a ele a título de devolução de sua participação no capital social. Da venda destes bens do ativo pelo valor contábil auferiu receitas que foram declaradas como rendimentos isentos e não tributáveis. Todavia, a fiscalização constatou que o RECORRENTE ainda figura como sócio na base de dados CNPJ da Receita Federal. Neste sentido, a autoridade fiscal intimou novamente o RECORRENTE para: 1. Comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a efetiva transmissão dos recursos declarados como rendimentos isentos e não tributáveis decorrentes de distribuição de lucros; 2. Identificar nos extratos bancários os depósitos referentes aos valores declarados como rendimentos isentos e não tributáveis decorrentes de distribuição de lucros; 3. Apresentar os contratos sociais e alterações posteriores e cópias dos assentamentos contábeis que registram a devolução de sua participação no capital social da empresa Soares e Botelho Ltda. Contudo, não houve manifestação por parte do RECORRENTE. Ademais, o RECORRENTE foi intimado a comprovar a origem e tributação dos depósitos bancários listados na planilha de fls. 215 a 223. No entanto, não houve manifestação do contribuinte. Diante deste fato, a fiscalização apurou os montantes de depósitos bancários mês a mês, excluiu destes montantes as receitas de atividade rural declaradas e os demais rendimentos tributáveis declarados, conforme planilha de fl. 17 (replicada abaixo), procedendo ao lançamento de ofício do Imposto de Renda de Pessoa Física sobre o montante apurado. Os rendimentos isentos e nãotributáveis não foram excluídos pelo fato de o contribuinte não ter fornecido os documentos comprobatórios solicitados pela fiscalização. Ademais, a autoridade fiscal aplicou a multa de ofício agravada em 50%, com base no art. 44, I, §2º, da Lei nº 9.430/96, pelo fato de o RECORRENTE não ter atendido às intimações para prestar esclarecimentos. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 338 6 Assim, considerou como rendimentos omitidos os valores das diferenças não justificadas e autuou a RECORRENTE, de acordo com o art. 849 do RIR/99. DA IMPUGNAÇÃO Em 06/04/2009, o RECORRENTE apresentou, tempestivamente via Correios, sua impugnação de fls. 236 a 263, através de procurador habilitado à fl. 264, por meio da qual expôs, em síntese, a seguinte matéria de defesa: I. Estariam decadentes os créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram antes da ciência do RECORRENTE (que aconteceu em 06/06/2004), nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, pois o IRPF é devido mensalmente; Fl. 338DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 339 7 II. Depósitos bancários, por si só, não autorizam o lançamento efetuado, já que não constituem fato gerador do imposto de renda, haja vista não caracterizar disponibilidade de renda e proventos, não podendo, por consequência, caracterizar sinais exteriores de riqueza; III. Cabe a autoridade administrativa a prova da efetiva renda do recorrente com estes depósitos e qual o rendimento que o mesmo proporcionou; IV. A movimentação financeira não traz nem uma presunção relativa, porque não se deposita somente renda. Entender diferente é aceitar que para se obter rendimento não é necessário qualquer investimento, custeio ou despesas de qualquer natureza. Uma pessoa pode movimentar R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) e ter rendimento de apenas R$ 12.000,00 (doze mil reais); V. Que todos os rendimentos auferidos nos anos em tela, tributários e isentos, estariam informados em sua declaração de ajuste anual e justificam a movimentação financeira no período; VI. Em relação ao anocalendário 2004, afirmou que os depósitos considerados como de origem não justificada (R$ 320.860,37) estariam totalmente acobertados pelo valor de R$ 410.000,00 que recebeu a título de distribuição de lucros da empresa Casa Silva Calçados LTDA., conforme declarado em DIRPF e constatado através do informe de rendimentos de fl. 267. Assim, a fiscalização não poderia tratar tais depósitos como de origem não justificada. VII. Quanto ao anocalendário 2005, afirmou que o caso se assemelha ao ano de 2004, pois recebeu e declarou, a título de distribuição de lucros, o importe de R$ 516.952,46, sendo R$ 100.000,00 da Casa Silva Calçados LTDA. e R$ 416.952,46 da Soares e Botelho LTDA., conforme se verifica em sua declaração e informes de rendimentos (fls. 61 e 62). Ademais, outra origem de recurso foi a venda de um terreno pela quantia de R$ 61.664,58, conforme informado em sua declaração de imposto de renda (fl. 34), tendo sido inclusive apurado ganho de capital. Tais valores, adicionados ao valor já aceito pela fiscalização (que foi de R$ 26.000,00) justificaria a movimentação em sua conta corrente no ano calendário 2005, que foi de R$ 718.201,93; VIII. Os valores recebidos de lucros das empresas nos anos 2004 e 2005 foram retirados a cada mês do ano, pegando no financeiro da empresa cheques de terceiros recebidos pela mesma, como antecipação de distribuição de lucros, fazendo o acerto contábil no final do exercício, o que faz até hoje, utilizando esses valores para os pagamentos da sua vida particular. Esses valores foram depositados em sua conta, mensalmente, justificando os valores depositados; IX. Em relação ao anocalendário 2006, afirmou que recebeu da empresa Criativa Calçados Ltda., CNPJ n° 07.791.433/000151, o valor de R$ Fl. 339DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 340 8 14.000,00 (quatorze mil reais) a titulo de distribuição de lucro, conforme comprova informe de fl. 270, além dos rendimentos tributáveis de R$ 27.050,00, já aceitos pela fiscalização. X. Contudo, além dos valores tribudos e isentos, o impugnante recebeu e declarou, a titulo de empréstimo, da empresa Criativa Calçados LTDA, o importe de R$ 471.731,54, conforme se verifica em sua declaração (fl. 39), balanço da empresa (fl. 271) e contrato de mútuo (fls. 272/273); XI. Durante todo o ano de 2006, o impugnante retirou na empresa Criativa Calçados Ltda. o valor de R$ 485.731,54, como se fosse antecipação de lucro. Ocorre que quando foi fazer o acerto contábil, a empresa tinha a distribuir de lucro de R$ 14.000,00 (quatorze mil reais), os quais foram distribuídos. O restante do valor retirado, de R$ 471.731,54, foi considerado então como empréstimo ao impugnante, sendo assim lançado na contabilidade da empresa, sendo assinado um contrato de mútuo; XII. Nesse sentido, alegou que a soma de tais valores que não foram aceitos pela fiscalização (R$ 485.731,54) justificaria os depósitos considerados como de origem não comprovada em sua conta corrente no ano calendário 2006, que foi de R$ 485.955,29; XIII. Assim, afirmou que os esclarecimentos prestados acerca da origem dos depósitos bancários, fundamentado com documentos (informe de rendimentos, contratos, demonstrativos contábeis, etc.), não podem ser liminarmente descartados, exceto por indício veemente de sua falsidade ou inexatidão (Decreto Lei n° 5.844, de 1943, art. 79, § 1º; RIR/99, art. 845, § 1º), o que não existe no caso. Neste sentido, deveria ser cancelado o lançamento em questão; XIV. Sobre a multa majorada aplicada, entendeu que a mesma era totalmente abusiva, porque os esclarecimentos foram todos prestados, contudo não foram acatados, o que são coisas bem diferentes, tanto é que a fiscalização refuta as alegações do impugnante. Ademais, mesmo que não fossem prestados os esclarecimentos sobre os depósitos, a penalidade é a presunção de omissão de receitas, descabendo essa majoração da multa. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 282 a 285 dos autos, julgou procedente em parte o lançamento, apenas para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%, conforme acórdão com a seguinte ementa: Fl. 340DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 341 9 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Presumemse rendimentos omitidos os depósitos bancários cuja origem não tenha sido comprovada com documentação hábil e idônea. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA INAPLICÁVEL. A falta de apresentação de provas da origem de depósitos bancários não justifica o agravamento da multa para 112,5%. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora esclareceu o seguinte: I. É tempestivo o lançamento notificado em 06/03/2009, pois, no caso dos rendimentos obtidos em 2004, ainda que se admita que o lançamento de ofício pudesse ser efetuado antes da entrega da declaração, a contagem do prazo decadencial se inicia no ano seguinte, ou seja em janeiro de 2005, concluindose em dezembro de 2009; II. De acordo com o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; III. Entende que o RECORRENTE não comprova qualquer correlação entre os depósitos e os lucros declarados. Alega que foram distribuídos por meio de cheques de terceiros faturados pelas pessoas jurídicas, e diretamente depositados em sua conta pessoal. Também isto não foi comprovado, nem comprova que estes valores tenham sido regularmente registrados, declarados e tributados na pessoa jurídica, mesmo porque os lucros isentos que informa em sua declaração não correspondem aos dados declarados pelas empresas, como se pode verificar pelos extratos de fls. 276/281; IV. Não há a previsão de agravamento da multa pela falta de apresentação de provas das origens de depósitos bancários, nem mesmo pela falta de apresentação de qualquer outro documento que não aqueles especificados nos incisos II e III do art. 959 do Decreto nº 3.000/99, que não se aplicam ao caso. Se a presunção de rendimentos omitidos é a Fl. 341DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 342 10 consequência da falta de provas, a sua aplicação afasta a necessidade destas mesmas provas, não se justificando o agravamento da multa por não haver sido comprovada a origem dos depósitos. Portanto, concluiu que a multa de 112,5% deve ser reduzida para 75%. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 10/01/2012, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 288, postou nos Correios o seu recurso voluntário de fls. 291 a 318 em 09/02/2012 (fl. 290). Em suas razões de recurso, o RECORRENTE reiterou as afirmações de sua impugnação, e alegou ainda o seguinte: I. O julgador de primeira instância diz que não teria sido provada a existência dos lucros recebidos, o que não é verdade, tendo em vista juntada de informe de rendimentos da empresa. Para reforçar essa prova, juntou aos autos os balanços patrimoniais das empresas Casa Silva Calçados Ltda. e Soares botelho Ltda., demonstrando a existência do Lucro distribuído, assim como folhas dos livros fiscais em que foram contabilizadas essas distribuições (fls. 319 a 331); II. Para aceitar os rendimentos tributáveis como origem dos depósitos na conta do recorrente, tanto rural como prólabore, a fiscalização não se preocupou em exigir coincidência de datas e valores. Simplesmente pegou o valor declarado na totalidade e diminuiu dos depósitos encontrados. Esse mesmo procedimento deve ser tomado com relação aos lucros que recebeu e declarou, devendo seus valores serem aceitos para justificar a sua movimentação bancária, sob pena de se aceitar um procedimento com dois pesos e duas medidas. Por todo o exposto, requereu fosse cancelado o lançamento. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 342DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 343 11 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Preliminar: decadência O RECORRENTE alega em seu recurso que os créditos tributários que tiveram origem em fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro e maio de 2004 foram atingidos pela decadência, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, haja vista a ciência do lançamento ter ocorrido somente em 06/03/2009. Contudo, não merece prosperar a alegação do RECORRENTE. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), em 12 de agosto de 2009, com acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 343DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 344 12 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” O RECORRENTE, no caso, apresentou sua declaração de rendimentos referente ao anocalendário 2004 e havia pago imposto no respectivo anocalendário. Sendo assim, aplicase ao caso a regra do art. 150, § 4º, do CTN, devendo a contagem do prazo decadencial se iniciar na data de ocorrência do fato gerador. O CARF possui o entendimento firme de que o fato gerador do imposto sobre a renda sujeito ao ajuste anual se completa e se considera ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário, conforme excertos abaixo: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos Fl. 344DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 345 13 legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. PRESCRIÇÃO. ART. 174 DO CTN. TERMO INICIAL. DATA DA CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO. A ação para cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data de sua constituição definitiva. Tornase definitivo o lançamento quando o contribuinte, notificado, deixa de impugnar, intimado da decisão, deixa de recorrer, ou é intimado da decisão final não mais sujeita a recurso. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Existindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial da contagem do prazo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, Art. 173, I). Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, I, do CTN Quando não configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e havendo antecipação do pagamento do imposto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo se inicia na data de ocorrência do fato gerador (CTN, Art. 150, § 4º), esclarecendo se que o fato gerador do imposto sobre a renda se completa e se considera ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário. DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. RIR/1999. Conforme comanda o Regulamento do Imposto de Renda/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), todas as deduções estão sujeitas a comprovação, a juízo da autoridade administrativa. Regularmente intimado, compete ao contribuinte trazer a documentação hábil e idônea, específica para cada caso, na forma da legislação aplicável, a fim de comprovar que faz jus às deduções pleiteadas. (arts. 73, 77, 78 e 80) MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. AUMENTO EM CASO DE NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Os percentuais de multa serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. MULTA AGRAVADA DE 150%. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO POR PRESUNÇÃO É a espécie de multa que tem por conteúdo a agravação da penalidade. É aplicada quando a Administração demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de Fl. 345DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 346 14 atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. A autuação com base em presunção de dolo não autoriza o Fisco ao agravamento da multa proporcional, ao percentual de 150%. O ônus, neste caso, quanto à situação fática que consubstancie o agravamento da multa, é da Administração Fiscal. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte. (processo nº 10980.725701/201183,1ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, julgado em 18/02/2014) No presente caso, deve ser considerada como data do fato gerador o dia 31/12/2004, uma vez que o lançamento mais remoto referese ao anocalendário 2004. Tendo em vista que o RECORRENTE tomou ciência do presente auto de infração em 06/03/2009 (fl. 230), resta nítido que não ocorreu a decadência do crédito tributário, uma vez que a constituição do mesmo poderia ser realizada até o dia 31/12/2009. Assim, entendo que o crédito tributário relativo ao anocalendário 2004 não foi atingido pela decadência. Ultrapassadas as razões preliminares, passo a analisar o mérito da questão. Presunção de omissão de receitas (art. 42 da Lei nº 9.430/96) Em princípio, devese esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” A presunção de omissão de receita estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza o lançamento, quando a autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato previsto, não sendo necessária a comprovação do consumo dos valores. A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 26 Fl. 346DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 347 15 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Portanto, ao contrário do que defende o RECORRENTE, é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário, o que não aconteceu no presente caso. A única forma de elidir a tributação é a comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas correntes, mediante documentação hábil e idônea. Neste sentido, o RECORRENTE dividiu sua defesa em relação a cada ano calendário objeto do lançamento, conforme detalhado adiante. Anocalendário 2004: O RECORRENTE afirma ter recebido R$ 410.000,00 a título de distribuição de lucros da empresa Casa Silva Calçados LTDA., conforme declarado em DIRPF e constatado através do informe de rendimentos de fl. 267. Neste sentido, afirma que tal valor justifica totalmente os depósitos considerados como de origem não comprovada, que foi no valor de R$ 320.860,37 no anocalendário em questão. Contudo, o RECORRENTE deixou de comprovar a efetividade do recebimento dos valores. Neste sentido, a DIRPF de fl. 267 e parte do livro razão da empresa (fl. 320) não são provas cabais de que o RECORRENTE recebeu R$ 410.000,00 a título de distribuição de lucros, sobretudo porque a fiscalização consultou as declarações de IRPJ da empresa Casa Silva Calçados LTDA. e verificou que, no banco de dados da Receita Federal, consta a informação de que o RECORRENTE não recebeu rendimentos isentos, tendo apenas recebido R$ 24.000,00 de rendimentos tributáveis (fl. 276). Anocalendário 2005: Quanto ao fato de o contribuinte alegar que recebeu, em 2005, o importe de R$ 516.952,46 de rendimentos isentos, sendo R$ 100.000,00 a título de distribuição de lucros da Casa Silva Calçados LTDA. e R$ 416.952,46 da Soares e Botelho LTDA. (este último decorrente da venda de estoque pelo valor contábil, em razão de sua retirada da sociedade), também entendo que tal alegação não deve prosperar por falta de provas. Assim, como em relação ao anocalendário 2004, a DIRPF de fl. 61 e parte do livro razão da empresa (fl. 324) não são provas cabais de que o RECORRENTE recebeu R$ 100.000,00 a título de distribuição de lucros. Não há qualquer documentação que comprove a vendas pelo valor contábil, muito menos a retirada do contribuinte da Soares e Botelho LTDA. Muito pelo contrário. A autoridade lançadora constatou que o RECORRENTE ainda era sócio da empresa quando da lavratura do auto de infração, conforme exposto no Relatório Fiscal (fl. 15). Ademais, no demonstrativo fiscal da Soares e Botelho LTDA., extraído do banco de dados da Receita Federal, consta a informação de que a empresa não teve qualquer receita no anocalendário 2005 (fls. 279/280). Fl. 347DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 348 16 No que diz respeito ao rendimento auferido com a venda de imóvel por R$ 61.664,58, que o contribuinte alega ter declarado no demonstrativo da apuração do ganho de capital no anocalendário 2005 (fl. 34), também carece de provas tal operação. É inviável se embasar nas informações prestadas em DIRPF para se socorrer às acusações do presente lançamento, quando o que está sob julgamento e análise são, justamente, as informações prestadas pelo RECORRENTE em sua DIRPF. Portanto, a declaração não serve como meio de prova. Caberia ao mesmo acostar aos autos outros documentos comprobatórios da operação, como contrato de compra e venda, recibo de pagamento, averbação e registro da operação em cartório, etc. Nada disso foi acostado aos autos. Outrossim, o importe de R$ 516.952,46, somado à quantia de R$ 61.664,58 e ao valor já aceito pela fiscalização (que foi de R$ 26.000,00), perfaz o resultado de R$ 604.617,04, o que não justifica a totalidade dos depósitos na conta bancária do RECORRENTE no anocalendário 2005, que foi de R$ 718.201,93. Anocalendário 2006: Em relação ao ano 2006, assim como nos anos anteriores, não há provas concretas de que o RECORRENTE recebeu R$ 14.000,00 de distribuição de lucros da empresa Criativa Calçados LTDA., devendo ser desconsiderada a DIRPF de fl. 270, sobretudo porque a fiscalização consultou as declarações de IRPJ da referida empresa e verificou que, no banco de dados da Receita Federal, consta a informação de que o RECORRENTE não recebeu rendimentos isentos nem rendimentos tributáveis da mesma no anocalendário 2006 (fl. 281). O RECORRENTE se defende afirmando que recebeu, a titulo de empréstimo da empresa Criativa Calçados LTDA., o importe de R$ 471.731,54, conforme se verifica em sua declaração (fl. 39), balanço da empresa (fl. 271) e contrato de mútuo (fls. 272/273). Alegou que a origem de tal mútuo devese ao fato de que, durante todo o ano de 2006, o contribuinte retirou na empresa Criativa Calçados Ltda. o valor de R$ 485.731,54, como se fosse antecipação de lucro (operação que fazia costumeiramente em relação às outras duas empresas nos anoscalendário 2004 e 2005). Ocorre que quando foi fazer o acerto contábil, a Criativa Calçados Ltda. teve de lucros a distribuir no ano apenas o valor de R$ 14.000,00, sendo o restante do valor retirado (de R$ 471.731,54) considerado então como empréstimo e, assim, lançado na contabilidade da empresa, conforme contrato de mútuo. Ocorre que o mútuo deve ser desconsiderado, pois não há indícios de que se tratou de verdadeiro empréstimo. Não há comprovação de pagamento de IOF decorrente da operação. Ademais, se fosse um mútuo real, o contribuinte poderia demonstrar a quitação do mesmo nos anos subsequentes, tendo em vista que o empréstimo ocorreu em 2006, o contribuinte foi autuado em 2009 (três anos depois). Ou seja, poderia o RECORRENTE juntar aos autos documentos que comprovariam o pagamento do mútuo e dos encargos, o que não ocorreu. Ademais, de acordo com o art. 48, § 3º, da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de Dezembro de 1997, a parcela dos rendimentos pagos a sócio da pessoa jurídica a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, ficará sujeita ao imposto de renda, verbis: Fl. 348DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 349 17 Art. 48. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. (...) § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. Neste sentido, desconsiderase o suposto mútuo realizado entre o RECORRENTE e a empresa Criativa Calçados Ltda., razão porque devese tributar o valor de R$ 471.731,54. Considerações Gerais Em relação a todos os anoscalendários já observados, o contribuinte deve ter em mente que a escrita fiscal, publicada ou não publicada, deve estar em conformidade com as informações declaradas ao Fisco federal. No caso dos autos, aparenta que o contribuinte elaborou os documentos contábeis e fiscais apenas para tentar comprovar suas alegações, haja vista serem documentos elaborados pela própria empresa, não publicados, não auditados e nem registrados em órgão competente. Assim, os informes de rendimentos e registros contábeis apresentados pelo RECORRENTE não servem como prova do efetivo recebimento de lucros/dividendos (rendimentos isentos), sobretudo quando não há a comprovação de que tais rendimentos foram tributados na pessoa jurídica. Deveria o RECORRENTE ter apresentado a prova efetiva do recebimento dos valores, como transferência da conta da empresa, cheques da própria empresa etc. A alegação de que depositava em sua conta cheques que terceiros forneciam às empresas não socorre as suas alegações. É que não há prova de que tais cheques foram, efetivamente, ordens de pagamento para as sociedades e que foram, posteriormente, endossados ao contribuinte. Não há cópia de sequer um cheque demonstrando que o mesmo era, inicialmente, nominal à empresa. Desse modo, aparenta que o contribuinte ajustou a escrita contábil e fiscal das empresas para bater com as informações prestadas em DIRPF. Ademais, como sócio administrador das empresas, o RECORRENTE tinha totais condições de fornecer todas as documentações necessárias para comprovar suas alegações. Mas não o fez. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 350 18 Quando o contribuinte é autuado para comprovar a origem de depósitos bancários não justificados, o mesmo deve demonstrar suas alegações por meio de documentos hábeis e idôneos. Não basta alegar que os recursos em conta são oriundos de cheques de terceiros fornecidos como ordens de pagamento às empresas das quais é sócio. Deveria ser provada tal alegação. Contudo, o RECORRENTE não apresentou nenhum documento que comprovasse a origem dos recursos, conforme constatado no Relatório Fiscal (fls. 14 a 17). Durante a fase litigiosa, também não forneceu documentação hábil, pois as DIRFs e os documentos contábeis fornecidos não gozam de idoneidade, conforme já exposto. O art. 15 do Decreto nº 70.235/72 determina que a defesa do contribuinte deve estar acompanhada de toda a documentação em que se fundamentar: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. O art. 16, § 4º, do mesmo Decreto, prevê que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: “a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Como o caso do RECORRENTE não se encaixa em nenhuma das hipóteses acima indicadas, deveria ter comprovado a origem dos recursos depositados na suas contas bancárias durante a ação fiscal, ou quando da apresentação de sua impugnação/recurso, pois o crédito em seu favor é incontestável. Sobre o mesmo tema, importante transcrever acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1998 PERÍCIA OU DILIGÊNCIA NÃO COMPROVAÇÃO DA IMPRESCINDIBILIDADE REJEIÇÃO A prova pericial surge como meio para suprir a carência de conhecimentos técnicos do julgador para solução do litígio. Afinal, não é admissível que o julgador seja detentor de conhecimentos universais para examinar cientificamente todos os fenômenos possíveis de figurar na seara tributária. Por seu turno, a diligência objetiva trazer luzes sobre algum ponto obscuro apreendido nos autos. Não comprovada a necessidade da diligência ou perícia para Fl. 350DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 351 19 subsidiar a solução da controvérsia, devese rejeitar a pretensão do recorrente. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI Nº 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ATIVIDADE RURAL E ATIVIDADE ECONÔMICA DESENVOLVIDA POR FIRMA INDIVIDUAL AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO ALEGADO REJEIÇÃO DA COMPROVAÇÃO Não basta simplesmente alegar que os depósitos bancários de origem não comprovada são provenientes da atividade rural ou de atividade econômica desenvolvida por firma individual. Ausente a prova do alegado, cujo ônus era do recorrente, hígida a presunção de omissão de rendimento estribada no art. 42 da Lei nº 9.430/96. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DO DEPOSITANTE PELA FISCALIZAÇÃO DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetê los, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos depósitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA CRÉDITOS BANCÁRIOS EXCLUÍDOS PELA FISCALIZAÇÃO MATÉRIA ESTRANHA AO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE LITÍGIO Excluídos determinados créditos bancários pela autoridade autuante, não remanesce qualquer controvérsia a ser solucionada no rito do contencioso administrativo fiscal. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 352 20 Recurso voluntário provido em parte. (recurso voluntário nº 159994; 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009)” Esclareçase, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 102 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Assim, considero insubsistentes as alegações do RECORRENTE, devendo o lançamento ser mantido. Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o julgamento da DRJ de origem. Assinado digiltamente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 352DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 16004.001701/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Caracteriza omissão de receita decorrente de presunção legal a ausência de comprovação da origem de depósitos mantidos em conta corrente bancária.
PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ONUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO.
A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova e dispensa a autoridade lançadora de provar que o fato indiciário corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos, cabendo ao Fisco apenas demonstrar a ocorrência do fato indiciário e ao contribuinte cumpre comprovar que o fato presumido inexistiu na situação concreta.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM.
Caracteriza a solidariedade prevista no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, a existência de interesse comum entre o contribuinte e o responsável na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA. EXCESSO. ANO-CALENDÁRIO SUBSEQUENTE.
O contribuinte cuja receita bruta ultrapassa o limite estabelecido pela legislação do Simples deve ser excluído desse sistema de tributação no ano-calendário subseqüente àquele em que ocorrer o excesso de receita.
MULTA QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO. CONFIGURAÇÃO.
Se o conjunto fático-probatório trazido aos autos permite aferir o intuito doloso do sujeito passivo de tentar ocultar ao Fisco a real receita auferida, de forma reiterada e em valores vultuosos, revela-se correta a imposição da multa de ofício qualificada.
Numero da decisão: 1301-001.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento,. 1) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação à multa qualificada. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. 2) Por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares argüidas. 3) Por maioria de votos, negar provimento em relação à sujeição passiva solidária. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier. O Conselheiro Valmir Sandri votou pelas conclusões em relação à sujeição passiva solidária. 4) Por unanimidade de votos, negar provimento quanto às demais matérias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto convocado). Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente).
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto convocado), Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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Recorrente DE SOUZA & LIMA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracteriza omissão de receita decorrente de presunção legal a ausência de comprovação da origem de depósitos mantidos em conta corrente bancária. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ONUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova e dispensa a autoridade lançadora de provar que o fato indiciário corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos, cabendo ao Fisco apenas demonstrar a ocorrência do fato indiciário e ao contribuinte cumpre comprovar que o fato presumido inexistiu na situação concreta. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. Caracteriza a solidariedade prevista no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, a existência de interesse comum entre o contribuinte e o responsável na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA. EXCESSO. ANOCALENDÁRIO SUBSEQUENTE. O contribuinte cuja receita bruta ultrapassa o limite estabelecido pela legislação do Simples deve ser excluído desse sistema de tributação no ano calendário subseqüente àquele em que ocorrer o excesso de receita. MULTA QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO. CONFIGURAÇÃO. Se o conjunto fáticoprobatório trazido aos autos permite aferir o intuito doloso do sujeito passivo de tentar ocultar ao Fisco a real receita auferida, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 17 01 /2 00 8- 21 Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 p or LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 2 forma reiterada e em valores vultuosos, revelase correta a imposição da multa de ofício qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento,. 1) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação à multa qualificada. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. 2) Por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares argüidas. 3) Por maioria de votos, negar provimento em relação à sujeição passiva solidária. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier. O Conselheiro Valmir Sandri votou pelas conclusões em relação à sujeição passiva solidária. 4) Por unanimidade de votos, negar provimento quanto às demais matérias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto convocado). Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente em exercício (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior – Relator (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto convocado), Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. Depreendese do presente processo administrativo que mediante o procedimento fiscal instituído pelo MPF nº 0810700200802037 constatouse omissão de Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 p or LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16004.001701/200821 Acórdão n.º 1301001.556 S1C3T1 Fl. 3 3 receita decorrente de depósitos bancários cuja origem não fora justificada, relativamente aos anoscalendário de 2003 a 2007. No que se refere ao anocalendário de 2003, em que a contribuinte optou pela tributação do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples, o valor dos depósitos bancários cuja origem não fora justificada totalizou R$ 10.504.917,57, superior ao limite de R$ 1.200.000,00 para permanência no sistema, sendo que essa importância serviu de base de cálculo para lançamento de tributo no PA nº 16004.001643/200836. Em virtude do excesso de receita decorrente da omissão dos depósitos bancários lavrouse a representação fiscal com proposta de exclusão do Simples, para surtir efeitos a partir de 1/1/2004, baseada nos artigos 14, I e 15, IV, da Lei nº 9.317/96 (fls. 1 5), sendo expedido o Ato Declaratório Executivo nº 120, de 5/12/2008, que excluiu a contribuinte do sistema por ter excedido durante o anocalendário de 2003 o limite de receita bruta estabelecido para permanência no sistema, com efeitos a partir de 1/1/2004 (fl. 175), sendo que o pedido de revisão da exclusão do Simples foi denegado por não ter sido apresentada qualquer razão ou documento que ensejasse a pretendida revisão (fl. 220). Depreendese ainda, que do procedimento fiscal deflagrado após a edição do Ato Declaratório resultou a lavratura de auto de infração que lhe exigiu os tributos acrescidos de juros de mora e multa de ofício, cuja capitulação legal achase descrita nos termos de apuração respectivos (fls. 755 827), salientandose que ocorreu arbitramento do lucro porquanto após a exclusão do Simples a contribuinte ficou sujeita à tributação com base no lucro real e sendo intimada a exibir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, a autuada nada apresentou. De acordo com o Termo de Constatação e Descrição dos Fatos (fls. 742 754) a contribuinte alterou seu objeto social, de intermediação de mercadorias em geral para transporte rodoviário de cargas, além de ter sofrido alteração do corpo societário estaria diretamente ligada com as empresas envolvidas na denominada “Operação Grandes Lagos”, particularmente com Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda. e Frigoríficos Ouroeste Ltda. e seus sócios de direito e de fato, senhores Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, José Roberto de Souza, Antonio Martucci, Luiz Ronaldo Costa Junqueira, Oswaldo Antonio Arantes, José Ribeiro Junqueira Neto e João Francisco Naves Junqueira. Segundo a Fiscalização, o modus operandi das empresas envolvidas na citada operação é a interposição de pessoas com objetivo de comercialização de produtos do ramo frigorífico sem o pagamento dos tributos devidos, e duas anotações de mudança contratual mereceriam ser destacadas: i) a que registra a mudança da sede da contribuinte para a Rua Rio Grande do Sul, 243B, centro, em Bálsamo/SP, endereço do imóvel pertencente ao pai do contador responsável pela sua contabilidade, local para onde, segundo apurado em diligência, ela nunca se mudou de fato (fls. 11 12, 32 33); ii) a alteração do corpo societário que incluiu a senhora Joana Garcia Martinez de Lima e o senhor Manoel dos Reis de Oliveira, que não detinham condição de dirigir a atividade empresarial, circunstância comprovada pela concessão de mandato ao senhor Edson Garcia de Lima, atribuindolhe amplos poderes de gestão. Ainda de acordo com a Fiscalização outro fato que mereceria destaque foi o recebimento de três cheques de R$ 26.666,66, que o senhor José Roberto de Souza alega originaremse de empréstimo efetuado para a contribuinte, sendo que tais importâncias foram repassadas a ele por outra coligada, Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda. Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 p or LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 4 Atestouse que a contribuinte foi devidamente intimada a apresentar livros contábeis e fiscais, contrato social e extratos bancários e exibiu Livro Caixa com registro de algumas receitas e despesas, sem a movimentação financeira ou bancária, bem assim o Livro de Saídas, contrato social e extratos bancários da Nossa Caixa relativos à conta n. 4.000.2791, agência 4341. Com base nas informações constantes dos extratos a contribuinte foi instada em duas oportunidades a justificar débitos e créditos lançados em sua conta corrente e, posteriormente, fora novamente intimada a apresentar referidas informações além dos livros contábeis e fiscais e extratos bancários relativos aos anoscalendário 2004 a 2007 e, novamente não houve atendimento da intimação, sendo que neste interregno verificouse que além da conta bancária acima a contribuinte manteve outra na Nossa Caixa, agência Vila Maceno, em São José do Rio Preto e no Banco Mercantil do Brasil S.A. Assentou a Fiscalização, que as intimações não foram atendidas e procedeu se requisição da movimentação financeira diretamente das instituições bancárias. De posse dos extratos a autoridade fiscal elaborou a planilha de fls. 529 563, capeada pela intimação de folhas 527 a 528, que instou a contribuinte a comprovar os créditos que ingressaram nas contas bancárias. Mencionouse que dada a inércia da contribuinte, a autoridade fiscal elaborou a intimação de fls. 565/604 e a remeteu para o endereço do senhor Edson Garcia de Lima, intimandoo a justificar a origem dos recursos que ingressaram nas contas, sendo que ele mantevese silente e, relativamente ao anocalendário 2003, houve lançamento de crédito tributário cujo processo foi autuado sob nº 16004.001643/200843. Em vista de que os valores de receita considerada omitida extrapolaram os limites de permanência no Simples, a contribuinte foi excluída do sistema com efeitos a partir de 1/1/2004 e o pedido de revisão de exclusão que apresentou foi indeferido. Considerando sua exclusão do Simples, a contribuinte foi intimada duas vezes a apresentar livros comerciais e fiscais dos anoscalendário de 2004 a 2007 escriturados m conformidade com a legislação, além das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Em face de não ter atendido as intimações houve arbitramento de seu lucro, com base no art. 530, I, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Atestou a Fiscalização que a receita bruta conhecida utilizada para arbitramento do lucro foi obtida dos valores lançados nas Declarações Simplificadas de Pessoa Jurídica e dos créditos bancários cuja origem não fora justificada, após a dedução de transferências, devoluções de cheques e estornos, constando às folhas 747 a 749 demonstrativos de apuração mensal. A multa de ofício foi agravada ao fundamento de que houve intuito doloso com o objetivo de fraudar a Fazenda Pública Federal e por entender que os sócios de fato da contribuinte são os senhores José Roberto de Souza, Dorvalino Francisco de Souza e Edson Garcia de Lima foilhes imputada responsabilidade solidária com base no art. 124, I, do CTN. Consta do termo (fls. 752) que o senhor Edson Garcia Lima detinha mandato com amplos poderes de representação e juntamente com o sócio Dorvalino Francisco de Souza era responsável pela movimentação bancária e, além disso, no interrogatório na Polícia Federal o senhor Edson declarou ser proprietário de 50% da empresa, sendo os outros 50% de propriedade de Dorvalino Francisco de Souza (fls. 630 632). Quanto ao senhor José Roberto Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 p or LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16004.001701/200821 Acórdão n.º 1301001.556 S1C3T1 Fl. 4 5 de Souza, a responsabilização decorreu do recebimento dos três cheques, no valor de R$ 26.666,66, antes mencionados. Foi formalizada representação fiscal para fins penais em face do entendimento de ter existido situação que, em tese, configura crime contra a ordem tributária. Intimada da exclusão do Simples a contribuinte ingressou com as impugnações de fls. 179/216 e 222/260 e, posteriormente, intimada do lançamento tributário, a interessada e os responsáveis tributários ingressaram com as impugnações de fls. 835 a 877, 973 a 1026 e 1031 a 1068. Na impugnação de fls. 179 a 216, preliminarmente, pleiteou a suspensão dos efeitos do Ato Declaratório nº 120 até decisão final da impugnação interposta no processo nº 16004.001643/200836, que trata de omissão de receita relativa ao anocalendário 2003 e alegou em preliminar que por se tratar de lançamento por homologação, em que vige a regra do art. 150, § 40, do CTN, ocorreu a decadência do direito de o Fisco proceder ao lançamento para o período de janeiro a novembro de 2003, em vista de que houve a entrega das informações respectivas e o recolhimento dos tributos apurados, aliado ao fato de que a existência de dolo ou simulação não fora comprovada. Defendeu que a imposição tributária padece de clareza, materializada na falta de explicação sobre a origem das importâncias lançadas, pois não foi demonstrada a existência de vínculo ou correlação entre os valores depositados nas contas bancárias e a atividade de transporte desenvolvida pela contribuinte e no mérito, alegou que o lançamento efetuado não pode se basear em suposições, conjecturas ou presunções, à luz da regra prevista no art. 142 do CTN que exige fatos concretos para sua efetivação, admitindose a dispensa de sua comprovação apenas nas hipóteses das ditas presunções legais, tal como prevê o art. 334, IV, do Código de Processo Civil (CPC). Asseverou que os depósitos bancários listados pela autoridade fiscal e que serviram de base de cálculo para o lançamento pertencem à sociedade empresária Continental Ouroeste Carnes e Derivados Ltda., que à época dos fatos utilizavase de contas correntes da contribuinte em face da falta de crédito e limites operacionais, listando uma série de providências que a autoridade fiscal deveria ter tomado para demonstrar que os recursos depositados efetivamente decorreriam de rendimentos de transporte e destacando que os valores que serviram de base de cálculo para a constituição do crédito tributário já foram objeto de outro procedimento fiscal deflagrado perante a empresa Continental Ouroeste Ltda., cuja imposição foi lançada em desfavor de Frigorifico Ouroeste Ltda. Aduziu ser improcedente a imposição de multa qualificada em vista de que não existe certeza acerca do lançamento nem comprovação de ter havido evidente intuito de fraude, conluio ou sonegação e ao final, pleiteou que fosse revista a decisão que a excluiu do Simples, bem assim a suspensão dos efeitos do Ato Declaratório n. 120 até decisão final da impugnação interposta no processo n. 16004.001643/200836 e requereu o apensamento do processo relativo à emissão do ato declaratório ao de lançamento do tributo, haja vista de que as provas foram apresentadas no âmbito daquele processo fiscal. Na impugnação ao despacho decisório que indeferiu o pedido de revisão (fls. 222/260) além de declinar as mesmas alegações apresentadas na impugnação antes apresentada, a contribuinte arguiu a nulidade do despacho decisório em vista de que o prolator Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 p or LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 6 do ato seria incompetente para emitir decisão acerca de ato lavrado pelo delegado da Delegacia da Receita Federal, seu superior hierárquico. Em relação à Impugnação de fls. 835 a 877, arguiu a nulidade da exclusão do Simples pela inépcia da decisão que apreciou o pedido de revisão do desligamento, decorrente de ausência de argumentação da autoridade prolatora e a nulidade da decisão que apreciou o pedido de revisão do desligamento em razão da incompetência do Chefe da Sacat para apreciar ato decisório proferido pelo Delegado da Receita Federal em São José do Rio Preto, novamente aduzindo que a imposição tributária padece de clareza, materializada na falta de explicação sobre a origem das importâncias lançadas e tampouco demonstrou a existência de vínculo ou correlação entre os valores depositados nas contas bancárias e a atividade de transporte desenvolvida pela contribuinte. No mérito, tornou a arguir os fundamentos já relatados e ao final requereu fosse acolhida a preliminar de nulidade da exclusão do Simples ou a improcedência da autuação. Os responsáveis Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza também apresentaram Impugnação (fls. 973 1026), reiterando os argumentos já relatados e após descreverem as alterações contratuais ocorridas, notadamente a saída dos sócios Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza e a readmissão do primeiro, alegaram que a contribuinte continuou a exploração das atividades, em consequência, não houve sucessão da empresa a justificar a imposição de responsabilidade solidária aos sócios que se retiraram e seria inaplicável a solidariedade baseada no interesse comum a que alude o art. 124, I, do CTN, em vista de que o lançamento efetuado não pode se basear em suposições, conjecturas ou presunções, à luz da regra prevista no art. 142 do CTN que exige fatos concretos para sua efetivação; admitese a dispensa de sua comprovação apenas nas hipóteses das presunções legais, tal como prevê o art. 334, IV, do Código de Processo Civil (CPC). Reiteraram que os valores que serviram de base de cálculo para a constituição do crédito tributário já foram objeto de outro procedimento fiscal deflagrado junto à empresa Continental Ouroeste Ltda., cuja imposição foi lançada em desfavor de Frigorifico Ouroeste Ltda. e que seria ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos bancários, conforme enunciado da Súmula 182 do TFR e a presunção de que os depósitos bancários constituem omissão de receita, da qual se valeu a autoridade fiscal, afronta o principio da verdade material, um dos sustentáculos do processo administrativo fiscal, que não admite a chamada inversão do ônus da prova para ser desconstituída e que defenderam que o arbitramento do resultado, medida extrema a ser adotada em casos de total imprestabilidade da escrita contábil e absoluta impossibilidade de apuração da receita e despesa, requer prova de que a escrituração apresenta vícios ou omissões capazes de comprometêla, o que não foi demonstrado pela fiscalização, sendo improcedente a imposição de multa qualificada e agravada em vista de que não existe certeza acerca do lançamento, tampouco comprovação de ter havido evidente intuito de fraude, conluio ou sonegação. O responsável José Roberto de Souza (fls. 772/805), apresentou Impugnação versando basicamente os mesmos argumentos, e declinando que jamais participou dos quadros societários da autuada. A 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, nos termos doa acórdão e voto de folhas 1.096 a 1.116, julgou o lançamento procedente, assentando que caracteriza omissão de receita decorrente de presunção legal a ausência de comprovação da origem de depósitos mantidos em conta corrente bancária cuja origem o contribuinte intimado a fazêlo, não comprova, sendo a presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova e dispensa a Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 p or LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16004.001701/200821 Acórdão n.º 1301001.556 S1C3T1 Fl. 5 7 autoridade lançadora de provar que o fato indiciário corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos, cabendo ao Fisco apenas demonstrar a ocorrência do fato indiciário e ao contribuinte cumpre comprovar que o fato presumido inexistiu na situação concreta. Mantevese a multa qualificada por considerar demonstrada a intenção dolosa que autorizaria a imposição de multa de ofício qualificada e a testouse que sujeitase ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária livros e documentos da escrituração fiscal, sendo que em relação à tributação reflexa conferiu o mesmo entendimento, bem como assentou configurada a hipótese de solidarização das pessoas físicas aludidas, bem como o fato de terse excedido o limite de permanência no Simples o que ensejou sua exclusão. Devidamente intimada a recorrente apresentou Recurso Voluntário versando, basicamente, as mesmas razões já relatadas, aduzindo ser nula a decisão recorrida porquanto não apreciou a questão ventilada, relativamente à incompetência da autoridade que apreciou o pedido de revisão quanto à sua exclusão do SIMPLES. As pessoas físicas solidarizadas igualmente apresentaram Recursos Voluntário com os argumentos já relatados. É o relatório. Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 p or LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 8 Voto Vencido Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Os Recursos Voluntário apresentados, pela contribuinte pessoa jurídica, e pelas pessoas físicas solidarizadas, são tempestivos e dotados dos pressupostos de recorribilidade. Admitoos para julgamento. Analisarei as questões de mérito envolvendo o lançamento, a aferição de eventuais nulidade e a viabilidade material da exigência, a partir do cotejo das razões recursais apresentadas pela contribuinte “De Souza & Lima”, cuidando dos Recursos das pessoas físicas solidarizadas pelo viés da sujeição passiva apenas. Neste passo, assinalo que o presente processo administrativo contém em seu bojo duas questões preponderantes, a exclusão da contribuinte da sistemática do SIMPLES, em vista de ter excedido, no anocalendário 2003, o limite de receita para permanência do aludido regime, e as exigências fiscais constantes de autos de infração relativos aos anoscalendário 2004 a 2007, apurados pelo lucro arbitrado, ante a exclusão referida e o fato de a empresa não ter apresentado a escrituração para apuração mediante o lucro real, arbitramento que a seu turno, levou em conta dos depósitos bancários, cuja origem, intimada a fazêlo, a contribuinte não comprovou. Tratandose da primeira questão, relativa à exclusão, impende salientar que o Ato Declaratório nº 120/08, foi expedido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em São Jose do Rio Preto/SP (fl. 175), sendo fundado na Representação Fiscal para Exclusão do SIMPLES contida às folhas 01 a 04, na qual se relata o procedimento utilizado na apuração de omissão de receitas relativas ao AC 2003, apuradas mediante a verificação de depósitos bancários de origem não comprovada, de sorte que após exporse as conclusões relativas à omissão de receitas, assinalouse que aqueles valores foram objeto de lançamento, por meio de Auto de Infração do SIMPLES, controlados no processo administrativo nº 16004.001643/2008 36, de sorte que, em razão da base ajustada, ficaria claro que a empresa infringiu o art. 9º da Lei nº 9.317/96, então vigente, com a redação dada pela Lei nº 11.307/06, impedindo sua permanência permanecer no Simples nos anoscalendário de 2004 a 2007, sujeitandose à exclusão do Simples, conforme dispõe o art. 14, I, da Lei nº 9.317/96. Neste ponto em particular, a contribuinte defende que a decisão recorrida, proferida pela 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, seria nula, pois não se manifestou acerca da preliminar que aventou em sede de Impugnação, no tocante à competência da autoridade que proferiu o Despacho Decisório (fl. 220), já que entende a contribuinte que Chefe da SACAT, que subscreve o Despacho, não teria competência para decidir uma insurgência contra ato do Delegado da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, porquanto só poderia revisar o ato a Autoridade que o expediu, não o servidor subalterno. A rigor a decisão recorrida, proferida pela 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, enfrentou a matéria trazida pela contribuinte, quanto à nulidade advinda da incompetência da autoridade que proferiu o Despacho Decisório de folha 220, aliás, a própria recorrente reproduz na página 9 de seu Recurso Voluntário o teor do enfrentamento, que se deu nos seguintes termos (vide fl. 1.105): [...] Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 p or LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16004.001701/200821 Acórdão n.º 1301001.556 S1C3T1 Fl. 6 9 Considero superada a alegação de incompetência do chefe da Sacat para decidir sobre a revisão do procedimento de exclusão do Simples pelo fato de que o inconformismo da contribuinte, manifestado na peça impugnat6ria, é objeto de apreciação nesta assentada. [...] Conquanto a recorrente alegue que não foi apreciada a sua preliminar, e malgrado não tenha a decisão recorrida explicitado com maior clareza, extraise do conteúdo decisório citado acima que a DRJ entendeu que a alegação de nulidade, por alegada incompetência, não acarretaria prejuízo eis que a instância superior, ela DRJ, faria naquela assentada a análise material do pedido de revisão. A decisão da DRJ, além de fundamentada, me parece absolutamente consentânea com o escopo de um processo, que se traduz em marcha avante, para a frente, de sorte que não fazia nenhum sentido, como ainda não o faz, anular o Despacho Decisório primitivo, quando o órgão revisor e superior, podia fazer uma análise material da exclusão do SIMPLES. Sem razão, portanto, a recorrente ao propagar que a questão da incompetência da autoridade que proferiu o Despacho Decisório não foi apreciada pela decisão recorrida. Foi sim, e o foi para os fins de considerarse desnecessário pronunciarse a nulidade. Em vista do exposto, impõese a rejeição da preliminar invocada. Quanto à segunda preliminar suscitada, agora mais precisamente quanto aos autos de infração contidos neste processo, reputa a contribuinte que seriam nulas as exigências fiscais por “falta de clareza na autuação”, eis que o Fisco não teria explicado de quais contas contábeis, documento constante da escrituração, ou terceiras empresas foram extraídas as importâncias lançadas. Também neste aspecto não assiste razão à contribuinte, nada há de obscuro ou que reclame maior clareza, o procedimento da Fiscalização foi sobremodo detalhado ao identificar a matéria tributável nos valores lançados a crédito nas contas correntes de titularidade da empresa sem que tivessem origem comprovada, conforme previsão legal expressa no art. 42, da Lei nº 9.430/96, de sorte que após a exclusão do SIMPLES, intimada a apresentar a escrita pertinente e justificar os depósitos bancários identificados pela Fiscalização, mediante requisição às instituições financeiras, não tendo a contribuinte apresentado os elementos ou justificado os tais depósitos, à Fiscalização restou arbitrar o lucro, já que excluída do SIMPLES e não dispondo de escrituração baseada no Lucro Real, e valerse dos depósitos bancários, por presunção legal de que gozam, para exigir a diferença, caracterizada como omissão de receitas. Não há de obscuro ou confuso, sendo improcedente a preliminar da contribuinte. Quanto ao mérito das duas questões, da exclusão e das exigências, importa consignar em relação à primeira, como já o fiz no enfrentamento da preliminar que a contribuinte foi excluída do Simples por ter a receita extrapolado, no AC 2003, o limite estabelecido para microempresa e não ter alterado sua situação cadastral, sendo que a receita Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 p or LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 10 excedente foi apurada após a lavratura de auto de infração controlado no PA nº 16004.001643/200336. O que se julga nesta via, portanto, é apenas a viabilidade da exclusão considerada a lavratura de auto de infração que tornou a base, no AC 2003, superior ao limite legal de permanência no SIMPLES. Situação que me parece inarredável do ponto de vista formal. Eventual prevalência do auto de infração apurado no PA nº 16004.001643/200336, é fato que poderá repercutir na apuração do quanto devido, e até em eventual improcedência do auto de infração, que como diz a própria recorrente, encontrase com exigibilidade suspensa ante a pendência de recurso administrativo. Tal fato, contudo, apenas reforça que a autoridade administrativa, movida pela estrita legalidade, estava mesmo compelida a excluir a contribuinte do SIMPLES, exclusão que a seu turno também ficou suspensa neste processo, ante a igual insurgência por recurso. Ou seja, tanto o fato que desencadeou a exclusão, quanto os autos de infração dela decorrentes, foram constituídos em observância à vinculação da autoridade ao lançamento, porém, estão todos com exigibilidade suspensa, até final decisão administrativa, lógica que esvazia o argumento da contribuinte. Em vista do exposto, considero acertada a exclusão promovida e decisão recorrida que igualmente a reconheceu assim. Tratandose dos lançamentos contidos no presente processo, de acordo com o disposto no Termo de Constatação e Descrição dos Fatos (fls. 742 754) a contribuinte alterou seu objeto social, de intermediação de mercadorias em geral para transporte rodoviário de cargas, além de ter sofrido alteração do corpo societário estaria diretamente ligada com as empresas envolvidas na denominada “Operação Grandes Lagos”, particularmente com Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda. e Frigoríficos Ouroeste Ltda. e seus sócios de direito e de fato, senhores Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, José Roberto de Souza, Antonio Martucci, Luiz Ronaldo Costa Junqueira, Oswaldo Antonio Arantes, José Ribeiro Junqueira Neto e João Francisco Naves Junqueira. Segundo a Fiscalização, o modus operandi das empresas envolvidas na citada operação é a interposição de pessoas com objetivo de comercialização de produtos do ramo frigorífico sem o pagamento dos tributos devidos, e duas anotações de mudança contratual mereceriam ser destacadas: i) a que registra a mudança da sede da contribuinte para a Rua Rio Grande do Sul, 243B, centro, em Bálsamo/SP, endereço do imóvel pertencente ao pai do contador responsável pela sua contabilidade, local para onde, segundo apurado em diligência, ela nunca se mudou de fato (fls. 11 12, 32 33); ii) a alteração do corpo societário que incluiu a senhora Joana Garcia Martinez de Lima e o senhor Manoel dos Reis de Oliveira, que não detinham condição de dirigir a atividade empresarial, circunstância comprovada pela concessão de mandato ao senhor Edson Garcia de Lima, atribuindolhe amplos poderes de gestão. Ainda de acordo com a Fiscalização outro fato que mereceria destaque foi o recebimento de três cheques de R$ 26.666,66, que o senhor José Roberto de Souza alega originaremse de empréstimo efetuado para a contribuinte, sendo que tais importâncias foram repassadas a ele por outra coligada, Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda. Atestouse que a contribuinte foi devidamente intimada a apresentar livros contábeis e fiscais, contrato social e extratos bancários e exibiu Livro Caixa com registro de algumas receitas e despesas, sem a movimentação financeira ou bancária, bem assim o Livro Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 p or LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16004.001701/200821 Acórdão n.º 1301001.556 S1C3T1 Fl. 7 11 de Saídas, contrato social e extratos bancários da Nossa Caixa relativos à conta n. 4.000.2791, agência 4341. Com base nas informações constantes dos extratos a contribuinte foi instada em duas oportunidades a justificar débitos e créditos lançados em sua conta corrente e, posteriormente, fora novamente intimada a apresentar referidas informações além dos livros contábeis e fiscais e extratos bancários relativos aos anoscalendário 2004 a 2007 e, novamente não houve atendimento da intimação, sendo que neste interregno verificouse que além da conta bancária acima a contribuinte manteve outra na Nossa Caixa, agência Vila Maceno, em São José do Rio Preto e no Banco Mercantil do Brasil S.A. Assentou a Fiscalização, que as intimações não foram atendidas e procedeu se requisição da movimentação financeira diretamente das instituições bancárias. De posse dos extratos a autoridade fiscal elaborou a planilha de fls. 529 563, capeada pela intimação de folhas 527 a 528, que instou a contribuinte a comprovar os créditos que ingressaram nas contas bancárias. Mencionouse que dada a inércia da contribuinte, a autoridade fiscal elaborou a intimação de fls. 565/604 e a remeteu para o endereço do senhor Edson Garcia de Lima, intimandoo a justificar a origem dos recursos que ingressaram nas contas, sendo que ele mantevese silente. Considerando sua exclusão do Simples, a contribuinte foi intimada duas vezes a apresentar livros comerciais e fiscais dos anoscalendário de 2004 a 2007 escriturados m conformidade com a legislação, além das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Em face de não ter atendido as intimações houve arbitramento de seu lucro, com base no art. 530, I, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Atestou a Fiscalização que a receita bruta conhecida utilizada para arbitramento do lucro foi obtida dos valores lançados nas Declarações Simplificadas de Pessoa Jurídica e dos créditos bancários cuja origem não fora justificada, após a dedução de transferências, devoluções de cheques e estornos, constando às folhas 747 a 749 demonstrativos de apuração mensal. Vêse assim, que a sistemática da Fiscalização, deuse por apurar o crédito tributário a partir das presunções baseadas em depósitos bancários, adotandose tal forma de tributação em vista de que a contribuinte não atendeu as intimações e não apresentou escrituração regular que justificasse outra forma de apuração do resultado. Diante disso, não há falar em impossibilidade de autuação mediante presunção, porquanto esta restrição não atinge as presunções legais e no caso, o art. 42, da Lei 9.430/96, estabelece a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada, tornando legítima a exigência das informações bancárias eis que transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Assim verificado, entendo descabida a simples alegação de que os depósitos pertenceriam a terceiros, sem o lastro da documentação comprobatória, coincidente em datas e valores, de sorte que as exigências são rigorosamente procedentes. Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 p or LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 12 No que toca à multa qualificada, todavia, considerando que todas as receitas foram apuradas, mediante os valores lançados nas Declarações Simplificadas de Pessoa Jurídica e dos créditos bancários cuja origem não fora justificada, após a dedução de transferências, devoluções de cheques e estornos, constando às folhas 747 a 749 demonstrativos de apuração mensal, entendo que não se justifica a qualificação da multa imposta, já que todos os elementos foram obtidos da própria escrituração da contribuinte ou de suas contas bancárias. Importante registrar que diferentemente da prevalência da autuação, que se funda em presunção legal, a qualificação da multa exige efetiva prova da fraude, conluio ou simulação, ou seja, a lei faculta à autoridade o poder de presumir ocorrida omissão de receitas, mas a fraude não se presume, devendose aprofundar a análise dos indícios apurados. Aliás, confirase o que dispõe a Súmula CARF nº 14: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Relembrese que as questões alusivas à interposição de pessoa, as alterações societárias e coisa que o valha, podem até indicar a responsabilização de determinadas pessoas físicas, mas nada têm a ver com a qualificação da multa por omissão de receitas, a qual foi apurada, repitase, mediante a declaração simplificada da contribuinte e seus depósitos bancários. Em vista dos exposto, é improcedente a multa qualificada, devendo ela incidir em seu patamar mínimo de 75%. Por fim, devese verificar a questão da solidariazação levada a efeito, registrando nesse propósito, que José Roberto de Souza apresentou Recurso Voluntário separadamente, e conjuntamente recorreram Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza. Como assinalei no início deste voto, as questões de mérito da autuação e as preliminares de nulidade, cujo entendimento é indivisível em relação à pessoa jurídica e às pessoas físicas solidarizadas, foram apreciados no âmbito do recurso da empresa, sendo improcedentes as preliminares de nulidade, cabível a autuação por omissão de receitas e descabida a multa majorada. Sendo assim, remanesce apenas a questão relacionada à solidarização, de sorte que me parece importante registrar que a situação deve ser brevemente analisada pelo viés da responsabilidade e da solidariedade tributária. Hugo de Brito Machado, em artigo intitulado “A Solidariedade na Relação Tributária e a Liberdade do Legislador no Art. 124, II, do CTN, publicado recentemente na Revista Dialética de Direito Tributário, cuidadosamente assentou que “para que seja cabível o lançamento com a consequente cobrança do tributo e da penalidade pecuniária correspondente, o sujeito passivo há de ter, além do dever de pagar o tributo, que não cumpriu, também a responsabilidade, assim compreendido como o estado de sujeição, de sorte que não se situará a discussão na esfera da liberdade, mas na esfera da coerção”. (Revista Dialética de Direito Tributário, edição 195, página 61). Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 p or LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16004.001701/200821 Acórdão n.º 1301001.556 S1C3T1 Fl. 8 13 Ora, do raciocínio acima deduzido, vêse que para que se possa exigir a obrigação tributária de determinada pessoa, imperioso que se afira o estado de sujeição passiva para análise do consequente dever e responsabilidade. A questão que se põe, no entanto, dáse em panorama um tanto distinto, precisase aferir a sujeição passiva decorrente da solidarização, de sorte que alguns elementos extras, necessariamente, precisarão ser analisados. Como bem se sabe, tratandose de solidariedade no contexto da obrigação tributária, presente a unicidade da sujeição ativa do tributo, podese definila, falo da solidariedade, como vínculo estabelecido entre os sujeitos passivos da respectiva obrigação, que os une de tal forma que os aspectos matérias oponíveis a um (ou por um) aproveita os demais. Dito isso, não é despiciendo lembrar que o Código Tributário Nacional estabeleceu duas espécies de sujeição passiva, os ditos contribuintes, e os responsáveis tributários. Para os casos de solidarização, a exemplo do que aqui se analisa, interessa a modalidade de sujeição passiva “contribuinte”, também chamado de sujeito passivo por excelência. Tratando, portanto, de sujeição passiva por solidarização na modalidade contribuinte, de bom alvitre visitar o que dispõe o artigo 121 do CTN, consagrador de que é contribuinte, a pessoa que tenha relação direta e pessoal com o fato gerador do tributo, sendo este o liame que se terá de atingir para classificação de determinada pessoa como contribuinte, não sendo diferente para o contribuinte solidarizado. Verificado que o norte para caracterização do contribuinte é a sua relação direta e pessoal com o fato gerador, devese mencionar que o artigo 124 do CTN, dispõe em seu inciso I, que o são solidariamente responsáveis as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Comungando ambas as regras, podese dizer que a figura da solidariedade não se afasta daquela contida no Código Civil, Livro I, Título I, Capítulo VI, “Das Obrigações Solidárias”, ou seja, há solidariedade quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com um direito, ou obrigado, à dívida toda. Sendo assim, caso se tenha pluralidade de pessoas que tenham interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação, apresentase possibilidade de solidarização. Luiz Antonio Caldeira Miretti in Comentários ao Código Tributário Nacional, 6ª edição, editora Saraiva, pág. 242 em diante, assevera que o instituto da solidariedade em matéria tributária, assegura o interesse do Fisco para a busca de seu direito de exigir do sujeito passivo o cumprimento da obrigação tributária, ocorrendo a solidariedade, consoante afirma o indigitado autor, sempre que se der a presença de mais de um sujeito passivo na mesma relação tributária, destacandose como premissa a existência de “interesse comum” das pessoas que participam da situação fática geradora da obrigação. Importante registrar, na ordem daquilo que argumentaram os recorrentes responsabilizados, que a solidariedade advinda do interesse comum, tal como esquadrinhada acima e prevista no CTN, dispensa previsão específica na lei que regular o determinado tributo, para apontar os devedores solidários, porquanto a distinção do CTN é de caráter geral, aplicandose aos tributos contidos no sistema tributário nacional. Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 p or LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 14 Pois bem, com estas premissas gerais, passo a verificar a questão de cada um dos solidarizados, iniciando por José Roberto de Souza. Segundo apurou a Fiscalização, o senhor José Roberto de Souza é um dos proprietários de fato da empresa, juntamente com os demais solidarizados, Dorvalino Francisco de Souza e Edson Garcia de Lima, sendo estes os principais beneficiários dos fatos apurados, notadamente pela transferência de valores da empresa De Souza e Lima Ltda., diretamente para sua constas correntes ou para as contas correntes das empresas da qual são sócios (Continental Ouroeste Carnes e Frios Lida., Frigorifico Ouroeste Ltda. e Transportadora Sulera Ltda). Tenho para mim que a decisão recorrida está correta ao apontar que a Fiscalização demonstrou que o senhor José Roberto de Souza, satisfaz os requisitos para a imposição da sujeição passiva solidária, ou seja, ficou provado o interesse na omissão das receitas da empresa e manteve relação direta e pessoal nesta circunstância. Com efeito, ficou assentado no autos, como bem reconheceu a decisão recorrida, que senhor José Roberto de Souza emprestou três cheques à “De Souza & Lima”, a fim de que esta os descontasse na instituição financeira, com o compromisso de reembolsálo quando os cheques fossem compensados, sendo que o reembolso se deu por meio de cheques emitidos pela Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda., ou seja, a evidência contida nos autos, dá conta de que em nenhum momento o senhor José Roberto de Souza esclarece porque emprestou os três cheques à “De Souza & Lima”, figurando como garantidor de operação de crédito, sendo correta a conclusão de decisão recorrida de que a motivação negocial da operação somente pode se justificar com a vinculação entre a “De Souza & Lima” e as demais empresas integrantes do mesmo grupo econômico, com as pessoas fisicas, dentre as quais o senhor José Roberto de Souza, com o fim de comercialização de produtos do ramo frigorifico, sem o pagamento dos tributos devidos (omissão de receitas). Com estas razões, de rigor a manutenção da decisão recorrida e a sujeição passiva solidária do senhor José Roberto de Souza. A situação dos demais solidarizados, Dorvalino Francisco de Souza e Edson Garcia de Lima, não se distancia igualmente das conclusões propagadas pela decisão recorrida. Com efeito, ficou caracterizado que no caso presente o interesse comum encontrase ante a circunstância de os responsáveis solidários continuarem na gestão da sociedade, pela interposição de pessoas e pelo mandato outorgado, tudo configurando participação societária efetiva. Em vista de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade, desprover os Recursos Voluntários das pessoas físicas solidarizadas e dar parcial provimento ao Recurso da contribuinte unicamente para os fins de reduzir a multa de ofício ao seu patamar de 75%, mantendo inalteradas as demais disposições, inclusive quanto à exclusão do SIMPLES. Sala das Sessões, em 04 de junho de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 p or LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16004.001701/200821 Acórdão n.º 1301001.556 S1C3T1 Fl. 9 15 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Designado. Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa no tocante a aplicação da multa qualificada, tendo decidido o colegiado, por voto de qualidade, manter a exasperação da multa. Ocorre que, em que pese o ilustre relator tenha sustentado em seu voto que não ficou configurada a existência do intuito doloso na omissão das receitas, entendeu o colegiado, em sua maioria qualificada, diante do contexto fático estavam presentes os elementos reveladores da intenção dolosa do sujeito passivo em ocultar a receita efetivamente auferida. Um dos indícios destacados no Termo de Verificação Fiscal (fls. 756/757 – do eprocesso) consiste na colocação de pessoas interpostas, sem nenhuma condição financeira, como sócias da pessoa jurídica, o que por si só revela a inidoneidade dos reais proprietários e o objetivo claro de se evadir da responsabilidade pelos créditos tributários que viessem a ser apurados pelo Fisco contra a pessoa jurídica em face da omissão de receitas. Destacou, ainda, o Fisco que tal prática se repetiu em outros empreendimentos dos “verdadeiros sócios” das pessoas jurídicas fiscalizadas no bojo da chamada Operação Grandes Lagos. Outro aspecto evidenciado pela Fiscalização foi a apresentação, após regular intimação, de apenas uma das contas bancárias movimentadas pela pessoa jurídica, ocultando a existência de outras duas que representavam a maior parte das movimentações financeiras realizadas. Isto, aliado ao fato de que o livro Caixa escriturado, relativo ao ano de 2003 (único livro contábil apresentado), não conter registros da movimentação financeira e, ainda, à negativa de apresentação de livros e documentos relativos aos demais períodos examinados, revelam o intuito claro de ocultar ao Fisco a real receita auferida. Por fim, a enorme discrepância entre os valores movimentados nas contas bancárias e os valores informados nas declarações de rendimentos, verificada em períodos sucessivos, conforme demonstrado às fls. 755, completa o quadro revelador do intuito de sonegação, na medida em que, não se pode imputar uma omissão de tal grandeza a um mero equivoco ou descuido por parte dos reais responsáveis pela gestão da pessoa jurídica. Por todo o exposto, entendeu o colegiado, por voto de qualidade, que deve ser mantida a qualificação da multa de ofício. Sala das Sessões, em 04 de junho de 2014. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Designado Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 p or LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 16 Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 p or LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000044/2007-17
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2005
DCTF/2004. IMPOSSIBILIDADE DE ENTREGA NA DATA FIXADA. FALHA NOS SERVIÇOS DE RECEPÇÃO E TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES. CULPA DA ADMINISTRAÇÃO. NÃO CABIMENTO DE MULTA.
É incabível a imposição de multa pelo atraso na entrega da DCTF, quando este ocorre em razão do congestionamento de dados no site da RFB.
Numero da decisão: 9101-001.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(assinado digitalmente)
OTACILIO DANTAS CARTAXO Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, VALMIR SANDRI, ANDRÉ MENDES DE MOURA (Suplente Convocado), KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado).
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IMPOSSIBILIDADE DE ENTREGA NA DATA FIXADA. FALHA NOS SERVIÇOS DE RECEPÇÃO E TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES. CULPA DA ADMINISTRAÇÃO. NÃO CABIMENTO DE MULTA. É incabível a imposição de multa pelo atraso na entrega da DCTF, quando este ocorre em razão do congestionamento de dados no site da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (assinado digitalmente) OTACILIO DANTAS CARTAXO – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, VALMIR SANDRI, ANDRÉ MENDES DE MOURA (Suplente Convocado), KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 00 44 /2 00 7- 17 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 76/86) interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Insurgiuse a Recorrente contra o acórdão nº 180300.651 proferido pelos membros da 3ª Turma Especial, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho que, por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso voluntário. O voto condutor do acórdão recorrido foi no sentido de que é indevida a incidência da multa de oficio por atraso na entrega da DCTF, em razão da existência de problemas técnicos na sua transmissão. O acórdão recorrido foi assim ementado: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. TENTATIVA DE ENVIO PROCEDIDA TEMPESTIVAMENTE. EXCLUSÃO DA MULTA. Para efeito de exclusão da multa por atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), admitese a comprovação da tentativa de envio dessa declaração por meio dos computadores da Receita Federal do Brasil (RFB), na impossibilidade, reconhecida pela própria RFB, de sua transmissão e recepção pela Internet.” Cumpre, aqui, a transcrição de trechos do voto condutor do acórdão: “(...) No presente caso, menciona a Recorrente os nomes de dois funcionários da DRF de Sete LagoasMG, a saber, "funcionária pública de nome Branca" e "funcionário público de nome Péricles Gomes Luz". Conforme teve ensejo de verificar este Relator, ambos os funcionários são servidores do Poder Executivo Federal, conforme telas a seguir, estando, ao que tudo indica, lotados naquela DRF à época dos fatos relatados (pesquisa positiva no Google) (...) Por outro lado, afirma a Recorrente, em sua impugnação, que o disquete utilizado na época para transmissão da DCTF encontra se em anexo (fls. 3) e que tentou fazer a sua transmissão por meio dos sistemas eletrônicos da própria Receita Federal, afirmação reiterada em seu Recurso (fls. 43). Fl. 141DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13609.000044/200717 Acórdão n.º 9101001.921 CSRFT1 Fl. 272 3 Temse que, se os fatos realmente se sucederam como afirma a Recorrente, fica patente a sua intenção de entregar a DCTF dentro do prazo, embora malograda essa intenção. (...) Por fim, se é certo que, conforme afirma o acórdão recorrido, “não há lei que contemple as hipóteses alegadas como razão para a dispensa da multa em lide” (fls. 32), não é menos verdadeiro que também não há lei que preveja qualquer procedimento alternativo na circunstância sob exame, a qual, por isso, deve ser devidamente sopesada, atendendose aos princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade. (...)” Em suas razões recursais afirmou que, apesar da ocorrência de falha no sistema eletrônico da RFB, a forma de cumprimento da obrigação acessória foi estabelecida no Ato Declaratório SRF nº 24 de 08/04/2005, o qual dispôs que as declarações entregues entre 16 a 18 de fevereiro de 2005, seriam consideradas como entregues em 15 de fevereiro de 2005, sem prejuízo ao contribuinte, entretanto, no caso, não existe comprovante de entrega da DCTF no período mencionado. Trouxe como paradigma o acórdão 30238.631, assim ementado: “Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004 Ementa: DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS — DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. 0 atraso pelo contribuinte na entrega da declaração além do prazo estipulado pela Receita Federal, em razão do congestionamento de dados em seu site, acarreta a aplicação da multa prevista na legislação de regência. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” Por fim, pugnou pela reforma do acórdão recorrido. Submetido ao exame de admissibilidade (fls. 90/92) foi dado seguimento ao recurso. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 94 a 118. Preliminarmente, pugnou pelo não conhecimento do recurso por inexistência de divergência, já que os acórdãos recorrido e paradigma tratam de situações fáticas diversas. No mérito, pugnou pela manutenção do acórdão recorrido, pois tentou fazer a entrega da DCTF dentro do prazo e não teve responsabilidade pela não transmissão da declaração no prazo determinado. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimeto. O cerne da questão referese à verificação da legitimidade ou não da imposição da multa por atraso na entrega da DCTF (4º trimestre de 2004) diante da existência de situação peculiar, qual seja, falha no sistema eletrônico da RFB. No caso dos autos, o contribuinte demonstrou a sua intenção de entregar a DCTF dentro do prazo, sendo o atraso decorrente de falha no sistema da Receita Federal para transmissão da declaração. Cumpre observar, nesse ponto, que a legislação aplicável à espécie não previa nenhuma forma alternativa para entrega da declaração, apenas a internet. Nesse contexto, a própria administração reconheceu os problemas técnicos para envio da declaração e passou a admitir a sua entrega extemporânea, via internet, nos três dias seguintes ao do prazo, como se tempestiva fosse. O Ato Declaratório SRF 24 de 8 de abril de 2005, teve a seguinte redação: “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, tendo em vista o disposto na Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002 , e considerando os problemas técnicos ocorridos, em 15 de fevereiro de 2005, nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para a recepção e transmissão de declarações, declara: Artigo único. As Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas ao 4º trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, serão consideradas entregues no dia 15 de fevereiro de 2005.” Ocorre que, ainda que a administração tributária tenha flexibilizado a entrega da declaração pela internet nos três dias posteriores, isso só se deu quase dois meses após a data para entrega da DCTF (15/02/2005), já que o Ato Declaratório Executivo n° 24, de 08 de abril de 2005 foi publicado no dia 12 de abril de 2005. Assim, no período de 15/02/2005 a 12/04/2005, o contribuinte não teve qualquer orientação oficial sobre o cumprimento da obrigação acessória, razão pela qual verificase, no período, a adoção de diversos meios alternativos para o cumprimeto de tal obrigação. Diante da lacuna da lei verificada no caso em análise, cumpre transcrever o que dispõe o artigo 108 do CTN: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13609.000044/200717 Acórdão n.º 9101001.921 CSRFT1 Fl. 273 5 “Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade.” Nesse passo, merece destaque o princípio da segurança jurídica, o qual baliza o sistema jurídio e é essencial ao Estado Democrático de Direito, pois visa proteger e preservar as expectativas das pessoas e, para tanto, veda a adoção de medidas legislativas, administrativas ou judiciais capazes de frustrarlhes a confiança que depositam no Poder Público. Ora, para garantir a proteção da segurança jurídica, não pode o contribuinte arcar com o ônus decorrente de uma falha no sistema da própria receita federal. Além disso, merece atenção a “equidade”, citada no artigo transcrito. No dicionário aurélio, a palavra é assim definida: “Disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um; justiça”. Vejase, ainda, que não é possível admititr que o ato declaratório SRF nº 24 de 08/04/2005 possa retroagir para restringir direitos. Ora, não se pode aceitar que após deixar o contribuinte quase 60 (sessenta) dias sem qualquer orientação acerca do procedimento que deveria adotar, a Receita possa editar norma capaz de restringir direitos. Do exposto, temse que não é possível admititr que o ato declaratório SRF nº 24 de 08/04/2005 possa retroagir para restringir direitos. Ora, não se pode aceitar que após deixar o contribuinte quase 60 (sessenta) dias sem qualquer orientação acerca do procedimento que deveria adotar, a Receita possa editar norma com capacidade de restringir direitos. Desse modo, tendo em vista que: (i) houve falha na entrega da declaração por culpa exclusiva da Secretaria da Receita Federal do Brasil; (ii) a legislação que regula a entrega da DCTF não previu meio alternativo para a sua entrega em caso de falha no sistema e (iii) no período de 15/02/2005 a 12/04/2005, o contribuinte não poderia prever com a necessária certeza qual seria a solução adotada pela RFB; entendo que, no caso, não é possível concluir que houve atraso da entrega da declaração, isto porque, não é razoável apenar o contribuinte em decorrência de falha no sistema da própria administração tributária, especialmente quando não é dado a ele uma opção alternativa ou sucessiva, para cumprimento da obrigação em situações excepcionais como a da hipótese em debate. Nesse mesmo sentindo é a jurisprudência deste Conselho: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/02/2005 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 DCTF/2004. IMPOSSIBILIDADE DE ENTREGA NA DATA FIXADA. FALHA NOS SERVIÇOS DE RECEPÇÃO E TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES. CULPA ADMINISTRATIVA. EMPREGO DA EQÜIDADE AO CASO. INCABÍVEL A IMPOSIÇÃO DE MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DAS RESPECTIVAS DCTF's. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (processo 10950.002385/200587. Ac. 30335.453). Diante do exposto, nego prvimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13881.000286/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
Os embargos de declaração são cabíveis nas hipóteses de obscuridade, omissão ou contradição.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 2101-002.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para rerratificar o Acórdão 2101-002.515, mantendo-lhe o resultado, apenas e tão somente para fazer constar seu correto dispositivo: Acordam os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso para considerar comprovada a despesa médica no valor de R$ 15.100,00, vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: Alexandre Naoki Nishioka
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Os embargos de declaração são cabíveis nas hipóteses de obscuridade, omissão ou contradição. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para rerratificar o Acórdão 2101002.515, mantendolhe o resultado, apenas e tão somente para fazer constar seu correto dispositivo: “Acordam os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso para considerar comprovada a despesa médica no valor de R$ 15.100,00, vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negavam provimento ao recurso.” (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 00 02 86 /2 00 9- 43 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13881.000286/200943 Acórdão n.º 2101002.605 S2C1T1 Fl. 177 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de embargos de declaração (efls. 174/175) interposto em face do acórdão de efls. 168/172, que teve o seguinte dispositivo: “ACORDAM os Membros do Colegiado: (a) por voto de qualidade, afastar a preliminar de nulidade do auto por inexistência da comprovação documental da acusação, vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo de Souza Leão e Eivanice Canário da Silva e (b) por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso para considerar comprovada a despesa médica no valor de R$ 15.100,00, vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negavam provimento ao recurso. Designada para redação do voto vencedor, quanto à preliminar de nulidade, a Conselheira Maria Cleci Coti Martins.” Vislumbrando possível omissão, obscuridade ou contradição, este relator opôs embargos de declaração, admitidos por meio da decisão de efls. 174/175. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O texto do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, mais especificamente em seu art. 65, caput, admite a interposição do referido recurso, semelhantemente ao quanto estabelecido pelo art. 535 do Código de Processo Civil pátrio, apenas e tãosomente quando demonstrada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” No presente caso, existe obscuridade, omissão ou contradição, motivo pelo qual o recurso foi processado, com a conseqüente inclusão em pauta para julgamento. De fato, na última sessão de julho, constou da ata, por equívoco meu, o seguinte: “ACORDAM os Membros do Colegiado: (a) por voto de qualidade, afastar a preliminar de nulidade do auto por inexistência da comprovação documental da acusação, vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo de Souza Leão e Eivanice Canário da Silva e (b) por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso para considerar comprovada a despesa médica no valor de R$ 15.100,00, vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo Fl. 177DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13881.000286/200943 Acórdão n.º 2101002.605 S2C1T1 Fl. 178 3 de Oliveira Santos, que negavam provimento ao recurso. Designada para redação do voto vencedor, quanto à preliminar de nulidade, a Conselheira Maria Cleci Coti Martins.” Na realidade, não houve, no presente caso, qualquer discussão quanto a preliminares, discussão essa adstrita ao Processo 13881.000285/200907, instaurado em face do mesmo contribuinte e julgado na mesma sessão. Assim, o resultado correto seria o seguinte: ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso para considerar comprovada a despesa médica no valor de R$ 15.100,00, vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negavam provimento ao recurso. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de ACOLHER os embargos, para rerratificar o Acórdão 2101002.515, mantendolhe o resultado, apenas e tão somente para fazer constar seu correto dispositivo: “Acordam os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso para considerar comprovada a despesa médica no valor de R$ 15.100,00, vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negavam provimento ao recurso.” (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 178DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10831.000853/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 13/09/1999 a 07/01/2004
MULTA. ART. 633, II, "A", do Decreto 4:543/2002. REGULAMENTO ADUANEIRO. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. ADN COSIT Nº 12/97
Não é cabível a multa do art. 633, II, “a”, do RA, quando o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má-fé por parte do declarante.
MULTA. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. ART. 84 da MP 2.158-35/2001 E ART. 636, I, DO RA/2002.
Constatado o erro na classificação fiscal, é aplicável a multa do art. 84, I, da MP 2.158-35/2001.
PENALIDADES TRIBUTÁRIAS. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 2.
Os argumentos, que passam pela defesa da inconstitucionalidade da legislação utilizada para fundamentar o auto de infração, por ofensa ao princípio da razoabilidade/proporcionalidade, não merecem ser conhecidos, consoante encartado na Súmula CARF nº 2:
Conhecer parcialmente o recurso voluntário. Na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
Numero da decisão: 3202-000.805
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente o recurso voluntário. Na parte conhecida, negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Thiago Moura de Albuquerque Alves
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 13/09/1999 a 07/01/2004 MULTA. ART. 633, II, "A", do Decreto 4:543/2002. REGULAMENTO ADUANEIRO. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. ADN COSIT Nº 12/97 Não é cabível a multa do art. 633, II, “a”, do RA, quando o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má-fé por parte do declarante. MULTA. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. ART. 84 da MP 2.158-35/2001 E ART. 636, I, DO RA/2002. Constatado o erro na classificação fiscal, é aplicável a multa do art. 84, I, da MP 2.158-35/2001. PENALIDADES TRIBUTÁRIAS. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 2. Os argumentos, que passam pela defesa da inconstitucionalidade da legislação utilizada para fundamentar o auto de infração, por ofensa ao princípio da razoabilidade/proporcionalidade, não merecem ser conhecidos, consoante encartado na Súmula CARF nº 2: Conhecer parcialmente o recurso voluntário. Na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 13/09/1999 a 07/01/2004 Ementa: MULTA. ART. 633, II, "A", do Decreto 4:543/2002. REGULAMENTO ADUANEIRO. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. ADN COSIT Nº 12/97 Não é cabível a multa do art. 633, II, “a”, do RA, quando o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. MULTA. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. ART. 84 da MP 2.15835/2001 E ART. 636, I, DO RA/2002. Constatado o erro na classificação fiscal, é aplicável a multa do art. 84, I, da MP 2.15835/2001. PENALIDADES TRIBUTÁRIAS. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 2. Os argumentos, que passam pela defesa da inconstitucionalidade da legislação utilizada para fundamentar o auto de infração, por ofensa ao princípio da razoabilidade/proporcionalidade, não merecem ser conhecidos, consoante encartado na Súmula CARF nº 2: Conhecer parcialmente o recurso voluntário. Na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 91 16 /2 00 4- 17 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente o recurso voluntário. Na parte conhecida, negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A fiscalização considerou ter ocorrido importação sem guia ou documento equivalente e com classificação fiscal diferente da correta que, em seu entendimento, deveria ser na posição 3002.30.90, relativa às "Outras vacinas para medicina veterinária”, e não na posição 3002.90.91 adotada pela empresa, alusiva a "Outras toxinas, culturas de microrganismos e produtos semelhantes’. Desta forma, foi lavrado o auto de infração às folhas 01 a 31 e cobradas a multa de controle administrativo (R$ 5.115.583,35), multa proporcional ao valor aduaneiro (R$ 97.818,98) e multa regulamentar (R$ 1.204,36), previstas respectivamente no artigo 526, II, do Decreto 91.030/85, com nova redação dada pelo artigo 633, II, "a", do Decreto 4:543/2002 e 636, I, do mesmo Decreto 4.543/2002; no art. 84 da MP 2.15835/2001; e no art. 84 da MP 2.15835/2001 c/c o art. 69 e 81, IV, da Lei nº 10.833/2003. Inconformada com a autuação, a empresa apresentou impugnação, pedindo que fosse julgado totalmente improcedente a autuação (fls. 68 e ss.). Conclusos os autos, a DRJ julgou parcialmente procedente o auto de infração (fls. 91 e ss.). De fato, o acórdão recorrido rejeitou a alegação da contribuinte quanto à classificação do seu produto, na seguintes palavras: A interessada declara a mercadoria como sendo um antígeno e traz em suas razões de defesa a alegação de que o antígeno é o nome técnico utilizado para vacina. [...] Se considerarmos a mercadoria como vacina, sua classificação se dá na posição 3002.30, relativa a “Vacinas para medicina veterinária”. Já no caso de não ser considerada uma vacina, a mercadoria seria classificada na posição 3002.90, pretendida pela interessada e relativa a “Outras toxinas e culturas semelhantes”. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10831.009116/200417 Acórdão n.º 3202000.805 S3C2T2 Fl. 154 3 De qualquer forma, do ponto de vista merceológico, é inconteste que o produto declarado é uma vacina. Resta saber, da forma que se encontra, é suficiente para classificarse na posição 3002.30. A Regra Geral nº 2 “a’ de Interpretação do Sistema Harmonizado assim dispõe: “2.a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo, completo ou acabado. Abrange, igualmente, o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar”. Analisando o laudo técnico e as próprias declarações da interessada em sua impugnação, resta claro que a mercadoria importada, da maneira que se encontra, possuí todas as características essenciais de uma vacina, exceto em razão de seu envase em ampolas próprias para a aplicação nos animais. O produto químico em si já está fabricado, restando apenas à importadora a operação de esterilização dos recipientes, envase e acondicionamento em embalagens comerciais. Não se trata aqui de avaliar se o procedimento realizado é de natureza industrial ou não. Para fins merceológicos o que importa é que o produto importado já possui as características essências de vacina acabada e deve ser classificada como tal. Assim, considero correta a reclassificação das mercadorias em questão na posição 3002.30.90 por tratarse de uma outra vacina de uso veterinário. Em conseqüência, é devida a multa prevista no artigo 636, I, do Regulamento Aduaneiro. Porém, quanto à multa de controle administrativo (R$ 5.115.583,35), prevista no artigo 526, II, do Decreto 91.030/85, o acórdão recorrido acolheu as assertivas da empresa, para anular a referida penalidade, nos termos do ADN COSIT nº 12/97, porque “a interessada possibilitou o detalhado conhecimento do produto que estava sendo importado, bastando a um perito a mera análise dos elementos constitutivos para concluir que se tratar de vacina pronta”. Cientificada do acórdão, acima destacado, a contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando suas razões para julgar improcedente a autuação (fls. 102 e ss.). O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido conjuntamente com o recurso de ofício. Em primeiro lugar, apreciou o recurso de ofício contra a anulação realizada pela DRJ da quanto à multa de controle administrativo (R$ 5.115.583,35), prevista no art. 633, II, “a” do Regulamento Aduaneiro de 2002, antigo artigo 526, II, do Decreto 91.030/85. In verbis: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): [...] II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei no37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e b) pelo embarque de mercadoria antes de emitida a licença de importação ou documento de efeito equivalente (Decretolei no37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); Como narrado no relatório, o acórdão recorrido destacou que a referida penalidade não é aplicável, por força do ADN COSIT nº 12/97, quando o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. Observese: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso VI do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e noart. 112, inciso IV, do Código Tributário NacionalLei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação da mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10831.009116/200417 Acórdão n.º 3202000.805 S3C2T2 Fl. 155 5 Examinado o presente processo, ratifico o entendimento da DRJ, de que a mercadoria importada foi corretamente descrita pela recorrente. Colhase, nesse aspecto, o seguinte excerto do acórdão recorrido: A interessada não declarou textualmente tratarse de produto de um produto que, no aspecto químico, não iria ser mais benefeciado. No entanto, informou todos os elementos que compõem a preparação analisada (anatoxina de clostridium tetani, hidróxido de alumínio, formaldeido e solução de cloreto de sódio e anacultutra de clostridium chauvoel e anatoxinas de clostridium perfringens (beta epsilon) do clostridium novyl e do clostidium sordelli). [...] Entendo que exigir do contribuinte o detalhamento do processo produtivo no campo “descrição de mercadoria” na DI seria um exagero, tendo em vista que estavam presentes todos os elementos necessários a correta identificação e classificação da mercadoria. Pelas mesmas razões acima transcritas, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo o acórdão recorrido nessa parte. No que diz respeito às demais multas, objeto do recurso voluntário e mantidas pelo acórdão recorrido, estão disciplinadas no art. 84 da MP 2.15835/2001 e do art. 69 e 81, IV, da Lei nº 10.833/2003: Art.84.Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: Iclassificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. §1oO valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. §2oA aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. ****** Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. ****** Art. 81. A redução da multa de lançamento de ofício prevista no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, não se aplica: [...] IV às multas previstas nos arts. 67 e 84 da Medida Provisória nº2.15835, de 24 de agosto de 2001; À luz dos enunciados normativos acima reproduzidas, é preciso verificar se o pressuposto da sua cominação (mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul) ocorreu ou não, para saber da correção das multas aplicadas. A DRJ entendeu que houve classificação equivocada, uma vez que a vacina (antígeno) importada está pronta para uso. Se considerarmos a mercadoria como vacina, sua classificação se dá na posição 3002.30, relativa a “Vacinas para medicina veterinária”. Já no caso de não ser considerada uma vacina, a mercadoria seria classificada na posição 3002.90, pretendida pela interessada e relativa a “Outras toxinas e culturas semelhantes”. Contra a assertiva do acórdão recorrido, de que se tratava de vacina com suas características prontas para o uso, a recorrente alegou o seguinte: ...Ocorre que os antígenos são recebidos do exportador, em bombonas de 50 litros e técnicocientificamente é impossível retirarse pequenas doses do produto dessas bombonas e aplicá lo diretamente nos animais. Esse procedimento (retirada direta da bombona para uso direto e imediato) implicaria na perda total do produto constante da bombona por pura e simples contaminação. Por esse motivo é que se torna absolutamente imprescindível, todo o procedimento Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10831.009116/200417 Acórdão n.º 3202000.805 S3C2T2 Fl. 156 7 industrial citado nas páginas 3 a 6 do Termo de Constatação, ou seja, esterilização externa das bombonas, esterilização dos equipamentos por onde circula o antígeno, envase asséptico, acondicionamento em embalagens comercial, de transporte, e controle de qualidade a ser certificada pelo MAPA (Ministério da Agricultura Pesca e Abastecimento) sem o qual o produto está proibido de ser colado no mercado. De acordo com a recorrente, portanto, o processo produtivo realizado pela empresa é imprescindível para não haver contaminação do produto. Ou seja, como bem assentou a decisão recorrida, o beneficiamento é feito, justamente, para manter as características essenciais da mercadoria, o que, ipso facto, atrai a classificação da posição 3002.30, por força da Regra Geral nº 2 “a’ de Interpretação do Sistema Harmonizado que assim dispõe: 2.a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo, completo ou acabado. Abrange, igualmente, o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. Notese, ademais, que o fato de o processo produtivo se enquadrar ou não como industrialização é desimportante para os fins da classificação fiscal sob análise. O que interessa, como visto, é a mercadoria ter ou não as características essenciais do artigo completo e acabado – o que foi reconhecido no presente voto. Por fim, os argumentos da recorrente, que passam pela defesa da inconstitucionalidade da legislação que lastreia o auto de infração, por ofensa ao princípio da razoabilidade/proporcionalidade, não merecem ser conhecidos, consoante encartado na Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente o recurso voluntário. Na parte conhecida, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13609.902943/2011-32
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. RELAÇÃO ENTRE GASTOS INCORRIDOS E PROCESSO PRODUTIVO. PROVA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
O conceito de insumo, ressalvadas as exceções legais abrange o custo de produção (Decreto-Lei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Para ter direito ao crédito reconhecido, o interessado deve esclarecer - e, sobretudo, provar - a relação existente entre os gastos incorridos e o processo produtivo. A simples formulação de pedido assentado na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo - que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte - mostra-se insuficiente para tal fim, até porque não é essa a orientação adotada pela Jurisprudência do CARF.
REEMBOLSO DE TAXA FLORESTAL. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque esta não integra o custo de aquisição, sendo cobrada em função do exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo do produto.
MATERIAL REFRATÁRIO. FORNOS DE ALTA TEMPERATURA. INSUMO. INDUSTRIAL. REQUISITOS PARA O CREDITAMENTO NÃO DEMONSTRADOS.
O material refratário utilizado no revestimento dos fornos de alta temperatura constitui insumo da atividade industrial, quando demonstrado o consumo ou desgastade no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação; e vida útil inferior a trezentos e sessenta e cinco dias. Não tendo sido apresentada prova da presença desses requisitos, não cabe o reconhecimento do direito ao crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-003.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: SOLON SEHN
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REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. RELAÇÃO ENTRE GASTOS INCORRIDOS E PROCESSO PRODUTIVO. PROVA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções legais abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Para ter direito ao crédito reconhecido, o interessado deve esclarecer e, sobretudo, provar a relação existente entre os gastos incorridos e o processo produtivo. A simples formulação de pedido assentado na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte mostrase insuficiente para tal fim, até porque não é essa a orientação adotada pela Jurisprudência do CARF. REEMBOLSO DE TAXA FLORESTAL. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque esta não integra o custo de aquisição, sendo cobrada em função do exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo do produto. MATERIAL REFRATÁRIO. FORNOS DE ALTA TEMPERATURA. INSUMO. INDUSTRIAL. REQUISITOS PARA O CREDITAMENTO NÃO DEMONSTRADOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 29 43 /2 01 1- 32 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O material refratário utilizado no revestimento dos fornos de alta temperatura constitui insumo da atividade industrial, quando demonstrado o consumo ou desgastade no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação; e vida útil inferior a trezentos e sessenta e cinco dias. Não tendo sido apresentada prova da presença desses requisitos, não cabe o reconhecimento do direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. No cálculo da Cofins Não Cumulativa somente podem ser computados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. CRÉDITOS. NÃOCUMULATIVIDADE. REFRATÁRIOS. Materiais refratários são bens que se incorporam ao Ativo Imobilizado da empresa, ficando sujeitos à depreciação própria Fl. 97DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902943/201132 Acórdão n.º 3802003.577 S3TE02 Fl. 97 3 dos bens imóveis, não sendo considerados insumos para fins de creditamento. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. TAXA FLORESTAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Valores recolhidos a título de Taxa Florestal não integram o custo de aquisição dos produtos e subprodutos de origem florestal e não são passíveis de creditamento, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O pedido de ressarcimento tem por objeto saldo credor acumulado da contribuição em decorrência de operações de exportação. A DRJ não reconheceu o direito ao crédito relativo aos materiais refratários utilizados como revestimento interno do altoforno na siderurgia, por entender que as aquisições de bens e serviços aplicadas sobre o ativo imobilizado da empresa não geram créditos de PIS/Pasep e Cofins como insumos, em face da vedação do § 4º, alínea “a” do art. 8º da IN SRF nº 404/2004. Também negou o direito ao crédito relativo ao pagamento de taxas florestais, por falta de previsão de creditamento na legislação, bem como de gastos com a aquisição de outros bens e serviços. Neste último caso, por entender que não se enquadram no conceito de insumo, bem como outros gastos com serviços de exportação diversos daqueles previstos no inc. II, alínea “e” do art. 8º da IN SRF nº 404/2004 (armazenagem e frete). O Recorrente, nas razões de fls. 67 e ss., sustenta que o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins deve ser irrestrito, abrangendo “qualquer dispêndios necessários a manutenção da atividade econômica do contribuinte”, nos termos do que foi decidido no acórdão relativo ao processo n° 11020.001952/200622. Afirmou ainda que a homologação da compensação não traria prejuízo aos cofres públicos, à medida que o direito ao creditamento seria integral. Requer o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 06/08/2013 (fls. 65), ao passo que o recurso foi protocolizado, por meio postal, em 04/09/2013 (fls. 67), dentro do prazo legal (cf. ADN nº 19/1997, item “a”1). Assim, estando a matéria em debate inserida no âmbito da competência da Terceira Seção de Julgamento e presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso pode ser conhecido. 1 “a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente;” Fl. 98DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 A amplitude do conceito de insumos, para efeitos de creditamento de PIS/Pasep e de Cofins,vem sendo fonte de inúmeras controvérsias no âmbito do Carf, desde os primeiros julgados do então Segundo Conselho de Contribuintes (acórdãos nº 20312.469 e n° 20312.741,da 3ª C.). Dentre as decisões que versaram sobre a matéria, destacamse, mais recentemente, os acórdãos nº 930301.036 (Rel. Henrique Pinheiro Torres), nº 930301.740 (Rel. Nanci Gama), da Câmara Superior de Recursos Fiscais; e, da Terceira Seção, os acórdãos nº 320200.226 (Rel. Gilberto de Castro Moreira Junior), 2ª C./2ª TO; nº 310101.109, 1ª C./1ª TO(Rel. Tarásio Campelo Borges); nº 310201.148, 1ª C./2ª TO (Rel. Luis Marcelo Guerra de Castro); nº 3201000.959, 2ª C./1ª TO (Rel. Daniel Mariz Gudiño); nº 3202000.411, 2ª C./2ª TO; nº 3302001.781, 3ª C./2ª TO (Rel. Desig. Fabiola Cassiano Keramidas); nº 340101.715, 4ª C. /1ª TO (Rel. Odassi Guerzoni Filho); nº 3402001.661, 4ª C./2ª TO (Rel. Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça); nº 3403001.766, 4ª C./3ª TO (Rel. Antonio Carlos Atulim). A partir do exame dos julgados em referência, identificamse três correntes, consoante síntese encontrada em declaração de voto da eminente Conselheira Susy Gomes Hoffmann (cf. acórdão nº 930301.740): [...] em rápida síntese podemos verificar três correntes de entendimento sobre o tema: a) O termo insumo (na verdade bens e serviços, utilizados como insumos...) referido na legislação do PIS e da COFINS deve ser interpretado de acordo com a legislação do IPI. Nesta esteira cito o Acórdão 20312.469 da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (Relator Cons. Odassi Guerzoni Filho), que tem a seguinte ementa: O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc.), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias; cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, e manutenção predial. No caso do insumo "água", cabível a glosa pela ausência de critério fidedigno para a quantificação do valor efetivamente gasto na produção. b) O termo “insumo” indicado na legislação do PIS e da COFINS deve seguir a legislação do IRPJ e neste caso cito o Acórdão n° 320200.226 da Terceira Seção de julgamento do CARF (Relator Cons. Gilberto de Castro Moreira Júnior) que trouxe em parte da sua ementa o seguinte texto: O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Neste caso os insumos referiamse aserviços efetuados sob encomenda para empresa preponderantemente exportadora, materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, energia elétrica, crédito sobre estoques de abertura existentes no momento do ingresso no sistema não cumulativo; e, a atividade da empresa era no setor de fabricação de móveis. c) Os bens e serviços que geram os insumos previstos na legislação do PIS e da COFINS não podem ser assumidos como similares ao da legislação do IPI e, tampouco, estão inseridos nos conceitos de custos ou despesas previstos na legislação do IRPJ. Tais insumos (bens e serviços classificáveis como insumos) devem ser definidos por critérios próprios. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902943/201132 Acórdão n.º 3802003.577 S3TE02 Fl. 98 5 A primeira exegese que equipara o conceito de insumo ao da legislação do IPI, restringindoo nos moldes da IN SRF nº 404/2004 já se encontra superada entre as Turmas da Terceira Seção de Julgamento. A segunda, por sua vez, foi afastada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, no acórdão nº 930301.740, entendeu ser inviável a equiparação de insumo a todo e qualquer custo ou despesa necessário à atividade da empresa. Atualmente, a tendência é o acolhimento da interpretação que, sem se restringir às legislações do IPI e do Irpj, busca a construção do conceito de insumo a partir de critérios próprios do PIS/Pasep e da Cofins. Insumo, nessa linha, abrangeria o custo de produção e, dependendo das particularidades do caso concreto, despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Entendese, assim, que o conceito de insumo, ressalvadas as exceções da Lei nº 10.833/2003, compreende o custo de produção, ou seja, os gastos incorridos na produção dos bens que serão comercializados, consoante previsto de forma exemplificativa na legislação do imposto de renda (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291)2. Essa conclusão, segundo ressalta Ricardo Mariz de Oliveira, decorre do art. 12, § 1º, que trata do crédito relativo ao estoque de abertura dos bens previstos nos incisos I e II do art. 3º, por ocasião da data do início da vigência do regime não cumulativo: “Outro elemento subsidiário está no art. 11 da Lei n. 10.637 e art. 12 da Lei 10.833, que outorgam o direito a um ‘crédito’ de PIS e outro de COFINS sobre os estoques de abertura quando da introdução dos respectivos regimes de ‘não cumulatividade’, dizendo que os mesmos devem ser calculados sobre o ‘valor do estoque’. Ora, no valor do estoque de produtos acabados estão inseridos todos os custos diretos e indiretos de produção, e não apenas os valores das matériasprimas, dos produtos intermediários, dos materiais de embalagem e de outros bens que sofram alteração, de modo que não haveria nenhuma razão sistemática para os ‘créditos’ relativos a insumos adquiridos após a entrada em vigor do sistema ‘não cumulativo’ serem considerados apenas sobre aqueles três tipos de componentes da produção ou outros bens que sofram qualquer alteração”3. O mesmo também foi sustentado por Natanael Martins: “[...] o conceito de insumo pode se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria contábil, visto que necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo. É dizer, ‘bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços’, na acepção da lei, referese a todos os dispêndios em bens e serviços relacionados ao processo fabril ou de prestação de serviços, ou seja, insumos seriam aqueles bens e serviços contabilizados como custo de produção, nos termos do art. 290, do Regulamento do Imposto de Renda”4. 2 SEHN, Solon. PISCofins: não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 315 e ss. 3 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Aspectos relacionados à “não cumulatividade” da COFINS e da contribuição ao PIS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 4748. 4 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 207. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Feito esse registro, ingressando no exame do caso concreto, entendo que deve ser mantida a decisão recorrida. Isso porque, embora esta tenha adotado o conceito de insumo da IN SRF nº 404/2004, o Recorrente não esclareceu nem tampouco fez prova da relação entre os gastos incorridos e o processo produtivo. Ao invés disso, fundamentou o pedido de revisão do acórdão da DRJ na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo, que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte. Ora, como se viu, não é essa a orientação adotada pelo CARF. Na verdade, ainda que fosse, o Recorrente deveria ter feito prova de que os gastos incorridos são efetivamente necessários à manutenção da atividade da empresa. Portanto, pela falta de prova da relação entre o gasto e o processo produtivo, descabe o crédito no tocante aos seguintes itens: peças/manutenção de veículos; peças/manutenção de instalações; peças/manutenção elétrica, gastos com consultorias, material de laboratório, assistência técnica, alimentação, assistência médica e social, treinamento de pessoal, convênio/farmácia, cesta básica, viagens, estadias, estacionamentos; gastos com equipamentos de segurança; gastos com telefone; material de escritório, gastos com bens de natureza permanente (carrinhos de mão, marretas, etc); gastos com combustíveis; outros gastos não considerados insumos. O mesmo se aplica às despesas com outros serviços de exportação, sobretudo porque o Recorrente, nas razões recursais ou na manifestação de inconformidade, sequer especifica quais seriam os serviços em questão. Da mesma forma, não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque, como destacado na decisão recorrida, esta não integra o custo de aquisição do produto, sendo cobrada em função do “exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo desse tipo de produto”. Por fim, no tocante ao material refratário utilizado no revestimento dos fornos de alta temperatura, estes podem ser considerados insumos (material intermediário), desde que demonstrado que: (i) são consumidos ou desgastados no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação; e (ii) não apresentem vida útil superior a trezentos e sessenta e cinco dias. Presentes os requisitos acima, o direito ao crédito decorre do próprio art. 8º, § 4º, I, “a”, da IN SRF nº 404/2004: “Art. 8º. [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;” Portanto, não é necessário o consumo integral e imediato do bem no processo produtivo. Tais requisitos foram aplicáveis apenas ao IPI no período de vigência do art. 32, I, Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902943/201132 Acórdão n.º 3802003.577 S3TE02 Fl. 99 7 do Decreto nº 70.162/1972 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados), que restringia expressamente o direito ao crédito aos insumos que fossem “consumidos, imediata e integralmente, no processo de industrialização”: “Art. 32. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse do imposto; I Relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, importados ou de fabricação nacional, recebidos para emprego na industrialização de produtos tributados, por estabelecimento industrial ou pelo estabelecimento a que se refere o inciso III do § 1º do artigo 3º, compreendidos, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, imediata e integralmente, no processo de industrialização;” Desde o Decreto nº 83.263/1979, inclusive à luz do Regulamento do IPI em vigor (Decreto nº 7.212/2010, art. 226, I), não há mais exigência de consumo integral e imediato: “Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;” Nesse linha, cumpre destacar o seguinte julgado da 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, que reconheceu o direito ao crédito em relação ao IPI: “TRIBUTARIO. IPI. MATERIAIS REFRATARIOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. OS MATERIAIS REFRATARIOS EMPREGADOS NA INDUSTRIA, SENDO INTEIRAMENTE CONSUMIDOS, EMBORA DE MANEIRA LENTA, NÃO INTEGRANDO, POR ISSO, O NOVO PRODUTO E NEM O EQUIPAMENTO QUE COMPOE O ATIVO FIXO DA EMPRESA, DEVEM SER CLASSIFICADOS COMO PRODUTOS INTERMEDIARIOS, CONFERINDO DIREITO AO CREDITO FISCAL.” (STJ. 2ª T. REsp 18.361/SP, Rel. Min. Hélio Mosimann. DJ 07/08/1995, p. 23026) É por esse motivo que, mesmo para quem interpreta o conceito de insumo a partir da IN SRF nº 404/2004, não cabe condicionar o crédito ao consumo integral e imediato do produto intermediário. Apesar disso, no presente caso, o Recorrente não apresentou qualquer laudo técnico ou documento que comprove o prazo de vida útil do material refratário utilizado ou ainda a periodicidade de realização desses gastos. Tratase de prova imprescindível, porque, Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 como bem ressaltou a DRJ, o desgaste de refratários pode variar em função do tipo do material ou mesmo da região em que o mesmo se encontra. Votase, assim, pelo conhecimento e desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979182/2009-85
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/05/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 91 82 /2 00 9- 85 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979182/200985 Acórdão n.º 3801004.554 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de PIS/PASEP cód. 8109, no montante de R$ 19,52, ocorrido em 15/05/2003, com débito próprio de PIS cód. 8109. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 16/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciarias. Portanto os valores recebidos a título de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a título de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 2490839705. 141105. 1.2. 049422,, relativo ao período de apuração abr/2003. Nesse período, Fl. 31DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979182/200985 Acórdão n.º 3801004.554 S3TE01 Fl. 5 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 3.003,19, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/05/2003 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, solicitando ainda que o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente. É o Relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979182/200985 Acórdão n.º 3801004.554 S3TE01 Fl. 6 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins que teriam sido pagos a maior. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na inclusão na base de cálculo de PIS e COFINS de valores recebidos a título de pedágio pela Requerente mas que por força do artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001 não é considerado como receita operacional ou rendimento tributável da empresa, não constituindo base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. De fato, o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, previa a exclusão da receita bruta das empresas transportadoras de carga do valor recebido a título de ValePedágio instituído pela Lei nº 10.209, de 2001, in verbis: Art. 34. As empresas transportadoras de carga, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor recebido a título de ValePedágio, quando destacado em campo específico no documento comprobatório do transporte (Lei nº 10.209, de 23 de março de 2001, art. 2º , alterado pelo art. 1º da Lei nº 10.561, de 13 de novembro de 2002). Parágrafo único. As empresas devem manter em boa guarda, à disposição da SRF, os comprovantes de pagamento dos pedágios cujos valores foram excluídos da base de cálculo. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito ou mesmo cópia dos conhecimentos de transporte, nos quais estivessem destacados os Fl. 33DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979182/200985 Acórdão n.º 3801004.554 S3TE01 Fl. 7 5 valores recebidos do ValePedágio, conforme prevê o artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001. Se limitou, tãosomente, a apresentar uma planilha na qual estaria a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados, porém sem nenhum documento que a embasasse. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 34DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13609.902950/2011-34
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. RELAÇÃO ENTRE GASTOS INCORRIDOS E PROCESSO PRODUTIVO. PROVA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
O conceito de insumo, ressalvadas as exceções legais abrange o custo de produção (Decreto-Lei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Para ter direito ao crédito reconhecido, o interessado deve esclarecer - e, sobretudo, provar - a relação existente entre os gastos incorridos e o processo produtivo. A simples formulação de pedido assentado na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo - que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte - mostra-se insuficiente para tal fim, até porque não é essa a orientação adotada pela Jurisprudência do CARF.
REEMBOLSO DE TAXA FLORESTAL. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque esta não integra o custo de aquisição, sendo cobrada em função do exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo do produto.
REEMBOLSO DE ICMS. DIREITO AO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há previsão legal para o creditamento de reembolso de Icms. O direito ao crédito restringe-se ao Icms que integra o custo de aquisição do insumo ou da mercadoria adquirida para revenda (art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 404/2005).
PAGAMENTO À PESSOA FÍSICA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002.
LINGOTEIRA. INSUMO. REQUISITOS PARA O CREDITAMENTO NÃO DEMONSTRADOS.
A lingoteira, para que possa ser considerada insumo, é necessária a demonstração de que não se trata de bem do ativo imobilizado. Não havendo qualquer laudo te´cnico ou documento que comprove o prazo de vida útil da lingoteira utilizada ou ainda a periodicidade de realização desses gastos, não cabe o reconhecimento do direito ao crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-003.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: SOLON SEHN
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REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. RELAÇÃO ENTRE GASTOS INCORRIDOS E PROCESSO PRODUTIVO. PROVA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções legais abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Para ter direito ao crédito reconhecido, o interessado deve esclarecer e, sobretudo, provar a relação existente entre os gastos incorridos e o processo produtivo. A simples formulação de pedido assentado na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte mostrase insuficiente para tal fim, até porque não é essa a orientação adotada pela Jurisprudência do CARF. REEMBOLSO DE TAXA FLORESTAL. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque esta não integra o custo de aquisição, sendo cobrada em função do exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo do produto. REEMBOLSO DE ICMS. DIREITO AO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para o creditamento de reembolso de Icms. O direito ao crédito restringese ao Icms que integra o custo de aquisição do insumo ou da mercadoria adquirida para revenda (art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 404/2005). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 29 50 /2 01 1- 34 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 PAGAMENTO À PESSOA FÍSICA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. LINGOTEIRA. INSUMO. REQUISITOS PARA O CREDITAMENTO NÃO DEMONSTRADOS. A lingoteira, para que possa ser considerada insumo, é necessária a demonstração de que não se trata de bem do ativo imobilizado. Não havendo qualquer laudo técnico ou documento que comprove o prazo de vida útil da lingoteira utilizada ou ainda a periodicidade de realização desses gastos, não cabe o reconhecimento do direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. No cálculo do PIS Não Cumulativo somente podem ser computados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. LINGOTEIRAS Fl. 112DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902950/201134 Acórdão n.º 3802003.584 S3TE02 Fl. 112 3 Lingoteiras são bens que se incorporam ao Ativo Imobilizado da empresa, ficando sujeitos à depreciação própria dos bens imóveis, não sendo considerados insumos para fins de creditamento. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. TAXA FLORESTAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Valores recolhidos a título de Taxa Florestal não integram o custo de aquisição dos produtos e subprodutos de origem florestal e não são passíveis de creditamento, por falta de previsão legal. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. REEMBOLSO DE ICMS. Valores pagos a título de “reembolso de ICMS” não são passíveis de creditamento, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. O pedido de ressarcimento tem por objeto saldo credor acumulado da contribuição em decorrência de operações de exportação. A DRJ não reconheceu o direito ao crédito relativo aos materiais refratários utilizados como revestimento interno do altoforno na siderurgia, por entender que as aquisições de bens e serviços aplicadas sobre o ativo imobilizado da empresa não geram créditos de PIS/Pasep e Cofins como insumos, em face da vedação do § 4º, alínea “a” do art. 8º da IN SRF nº 404/2004. Também negou o direito ao crédito relativo a supostos reembolsos de ICMS, ao pagamento de taxas florestais, por falta de previsão de creditamento na legislação, bem como de gastos com a aquisição de outros bens e serviços. Neste último caso, por entender que não se enquadram no conceito de insumo, bem como outros gastos com serviços de exportação diversos daqueles previstos no inc. II, alínea “e” do art. 8º da IN SRF nº 404/2004 (armazenagem e frete). O Recorrente, nas razões de fls. 80 e ss., sustenta que o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins deve ser irrestrito, abrangendo “qualquer dispêndios necessários a manutenção da atividade econômica do contribuinte”, nos termos do que foi decidido no acórdão relativo ao processo n° 11020.001952/200622. Afirmou ainda que a homologação da compensação não traria prejuízo aos cofres públicos, à medida que o direito ao creditamento seria integral. Requer o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Fl. 113DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 A ciência da decisão recorrida ocorreu em 22/07/2013 (fls. 78), ao passo que o recurso foi protocolizado, por meio postal, em 21/08/2013 (fls. 84), dentro do prazo legal (cf. ADN nº 19/1997, item “a”1). Assim, estando a matéria em debate inserida no âmbito da competência da Terceira Seção de Julgamento e presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso pode ser conhecido. A amplitude do conceito de insumos, para efeitos de creditamento de PIS/Pasep e de Cofins,vem sendo fonte de inúmeras controvérsias no âmbito do Carf, desde os primeiros julgados do então Segundo Conselho de Contribuintes (acórdãos nº 20312.469 e n° 20312.741,da 3ª C.). Dentre as decisões que versaram sobre a matéria, destacamse, mais recentemente, os acórdãos nº 930301.036 (Rel. Henrique Pinheiro Torres), nº 930301.740 (Rel. Nanci Gama), da Câmara Superior de Recursos Fiscais; e, da Terceira Seção, os acórdãos nº 320200.226 (Rel. Gilberto de Castro Moreira Junior), 2ª C./2ª TO; nº 310101.109, 1ª C./1ª TO(Rel. Tarásio Campelo Borges); nº 310201.148, 1ª C./2ª TO (Rel. Luis Marcelo Guerra de Castro); nº 3201000.959, 2ª C./1ª TO (Rel. Daniel Mariz Gudiño); nº 3202000.411, 2ª C./2ª TO; nº 3302001.781, 3ª C./2ª TO (Rel. Desig. Fabiola Cassiano Keramidas); nº 340101.715, 4ª C. /1ª TO (Rel. Odassi Guerzoni Filho); nº 3402001.661, 4ª C./2ª TO (Rel. Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça); nº 3403001.766, 4ª C./3ª TO (Rel. Antonio Carlos Atulim). A partir do exame dos julgados em referência, identificamse três correntes, consoante síntese encontrada em declaração de voto da eminente Conselheira Susy Gomes Hoffmann (cf. acórdão nº 930301.740): [...] em rápida síntese podemos verificar três correntes de entendimento sobre o tema: a) O termo insumo (na verdade bens e serviços, utilizados como insumos...) referido na legislação do PIS e da COFINS deve ser interpretado de acordo com a legislação do IPI. Nesta esteira cito o Acórdão 20312.469 da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (Relator Cons. Odassi Guerzoni Filho), que tem a seguinte ementa: O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc.), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias; cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, e manutenção predial. No caso do insumo "água", cabível a glosa pela ausência de critério fidedigno para a quantificação do valor efetivamente gasto na produção. b) O termo “insumo” indicado na legislação do PIS e da COFINS deve seguir a legislação do IRPJ e neste caso cito o Acórdão n° 320200.226 da Terceira Seção de julgamento do CARF (Relator Cons. Gilberto de Castro Moreira Júnior) que trouxe em parte da sua ementa o seguinte texto: O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Neste caso os insumos referiamse aserviços efetuados sob encomenda para empresa preponderantemente exportadora, 1 “a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente;” Fl. 114DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902950/201134 Acórdão n.º 3802003.584 S3TE02 Fl. 113 5 materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, energia elétrica, crédito sobre estoques de abertura existentes no momento do ingresso no sistema não cumulativo; e, a atividade da empresa era no setor de fabricação de móveis. c) Os bens e serviços que geram os insumos previstos na legislação do PIS e da COFINS não podem ser assumidos como similares ao da legislação do IPI e, tampouco, estão inseridos nos conceitos de custos ou despesas previstos na legislação do IRPJ. Tais insumos (bens e serviços classificáveis como insumos) devem ser definidos por critérios próprios. A primeira exegese que equipara o conceito de insumo ao da legislação do IPI, restringindoo nos moldes da IN SRF nº 404/2004 já se encontra superada entre as Turmas da Terceira Seção de Julgamento. A segunda, por sua vez, foi afastada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, no acórdão nº 930301.740, entendeu ser inviável a equiparação de insumo a todo e qualquer custo ou despesa necessário à atividade da empresa. Atualmente, a tendência é o acolhimento da interpretação que, sem se restringir às legislações do IPI e do Irpj, busca a construção do conceito de insumo a partir de critérios próprios do PIS/Pasep e da Cofins. Insumo, nessa linha, abrangeria o custo de produção e, dependendo das particularidades do caso concreto, despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Entendese, assim, que o conceito de insumo, ressalvadas as exceções da Lei nº 10.833/2003, compreende o custo de produção, ou seja, os gastos incorridos na produção dos bens que serão comercializados, consoante previsto de forma exemplificativa na legislação do imposto de renda (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291)2. Essa conclusão, segundo ressalta Ricardo Mariz de Oliveira, decorre do art. 12, § 1º, que trata do crédito relativo ao estoque de abertura dos bens previstos nos incisos I e II do art. 3º, por ocasião da data do início da vigência do regime não cumulativo: “Outro elemento subsidiário está no art. 11 da Lei n. 10.637 e art. 12 da Lei 10.833, que outorgam o direito a um ‘crédito’ de PIS e outro de COFINS sobre os estoques de abertura quando da introdução dos respectivos regimes de ‘não cumulatividade’, dizendo que os mesmos devem ser calculados sobre o ‘valor do estoque’. Ora, no valor do estoque de produtos acabados estão inseridos todos os custos diretos e indiretos de produção, e não apenas os valores das matériasprimas, dos produtos intermediários, dos materiais de embalagem e de outros bens que sofram alteração, de modo que não haveria nenhuma razão sistemática para os ‘créditos’ relativos a insumos adquiridos após a entrada em vigor do sistema ‘não cumulativo’ serem considerados apenas sobre aqueles três tipos de componentes da produção ou outros bens que sofram qualquer alteração”3. O mesmo também foi sustentado por Natanael Martins: “[...] o conceito de insumo pode se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria contábil, visto que 2 SEHN, Solon. PISCofins: não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 315 e ss. 3 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Aspectos relacionados à “não cumulatividade” da COFINS e da contribuição ao PIS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 4748. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo. É dizer, ‘bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços’, na acepção da lei, referese a todos os dispêndios em bens e serviços relacionados ao processo fabril ou de prestação de serviços, ou seja, insumos seriam aqueles bens e serviços contabilizados como custo de produção, nos termos do art. 290, do Regulamento do Imposto de Renda”4. Feito esse registro, ingressando no exame do caso concreto, entendo que deve ser mantida a decisão recorrida. Isso porque, embora esta tenha adotado o conceito de insumo da IN SRF nº 404/2004, o Recorrente não esclareceu nem tampouco fez prova da relação entre os gastos incorridos e o processo produtivo. Ao invés disso, fundamentou o pedido de revisão do acórdão da DRJ na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo, que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte. Ora, como se viu, não é essa a orientação adotada pelo CARF. Na verdade, ainda que fosse, o Recorrente deveria ter feito prova de que os gastos incorridos são efetivamente necessários à manutenção da atividade da empresa. Portanto, pela falta de prova da relação entre o gasto e o processo produtivo, descabe o crédito no tocante aos seguintes itens: peças/manutenção de veículos; peças/manutenção de instalações; peças/manutenção elétrica, gastos com consultorias, material de laboratório, assistência técnica, alimentação, assistência médica e social, treinamento de pessoal, convênio/farmácia, cesta básica, viagens, estadias, estacionamentos; gastos com equipamentos de segurança e outros gastos não considerados insumos. O mesmo se aplica às despesas com outros serviços de exportação, sobretudo porque o Recorrente, nas razões recursais ou na manifestação de inconformidade, sequer especifica quais seriam os serviços em questão. Tampouco há direito ao crédito de reembolso de Icms. O direito ao crédito da Cofins restringese ao Icms que integra o custo de aquisição do insumo ou da mercadoria adquirida para revenda (art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 404/2005). Da mesma forma, não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque, como destacado na decisão recorrida, esta não integra o custo de aquisição do produto, sendo cobrada em função do “exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo desse tipo de produto”. Além disso, não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002: “Art. 3º. [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;” Por fim, no tocante a lingoteira, para que esta possa ser considerada insumo, é necessária a demonstração de que não se trata de bem do ativo imobilizado. No presente caso, entretanto, o Recorrente não apresentou qualquer laudo técnico ou documento que comprove o 4 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 207. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902950/201134 Acórdão n.º 3802003.584 S3TE02 Fl. 114 7 prazo de vida útil da lingoteira utilizada ou ainda a periodicidade de realização desses gastos. Portanto, sem essa prova, não há como se reconhecer o direito ao crédito. Votase, assim, pelo conhecimento e desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10660.001404/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
COFINS. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI N° 9.718/98. CONCEITO DE FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade, por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, do § 1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento para fins de tributação do PIS/PASEP e da COFINS, deve ser cancelado o lançamento referente às receitas advindas da cessão de crédito, conforme permissivo introduzido no art. 26-A do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1102-001.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e Ricardo Marozzi Gregório.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e. João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE DIREITOS. PRECATÓRIOS. Os ganhos de capital decorrentes de cessão de direitos não constituem receita operacional, devendo ser adicionados à base de cálculo do IRPJ no regime do lucro presumido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 COFINS. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI N° 9.718/98. CONCEITO DE FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade, por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, do § 1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento para fins de tributação do PIS/PASEP e da COFINS, deve ser cancelado o lançamento referente às receitas advindas da cessão de crédito, conforme permissivo introduzido no art. 26A do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e Ricardo Marozzi Gregório. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 14 04 /2 00 9- 47 Fl. 959DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e. João Otávio Oppermann Thomé. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0928.939 exarado pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG, fls. 846 e segs., em sessão de 08/04/2010, que julgou parcialmente procedente o lançamento nos termos da Ementa que ora transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 VALIDADE DOS ATOS PRATICADOS Os negócios formalizados a título de "planejamento fiscal" ou "negócio jurídico indireto" não são válidos por si mesmos, devendo sua validade ser verificada à luz da teoria dos fatos jurídicos; e se constatada a presença de simulação, configurada pela divergência entre a vontade manifestada e a vontade real, devem ser desconsiderados. SOLIDARIEDADE PASSIVA E RESPONSABILIDADE PESSOAL. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Nos casos de fraude, simulação e prática de outros atos ilícitos os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelas obrigações tributárias e penalidades. MULTA QUALIFICADA Ocorrendo simulação com evidente intuito de fraude, cabível o agravamento da multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 COFINS. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI N° 9.718/98. CONCEITO DE FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade, por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, do § 1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento para fins de tributação do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser cancelado o lançamento referente às receitas advindas da cessão de crédito, conforme permissivo introduzido no art. 26A do Decreto n° 70.235/72. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 4 3 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 1a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação. À DRF/VAR/MG para ciência, ressaltandose o direito de interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. Io da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002, e demais providências cabíveis. (...) O Relatório do referido Acórdão assim dispôs: Relatório Para a empresa EXPORTADORA VARGINHA LTDA foram lavrados, em 10/12/2009, os Autos de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$1.657.986,00 (fls. 02 a 04), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$622.897,33 (fls. 05 a 08), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$207.632,35 (fls. 09 a 11) e da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep, no valor de R$44.986,93 (fls. 12 a 14), totalizando crédito tributário no montante de R$2.533.502,61, com juros de mora calculados até 30/11/2009. As infrações apontadas nos autos de Infração são: IRPJ 001 RECEITA NÃO OPERACIONAL OMITIDA A PARTIR DO AC 93 OMISSÃO DE RECEITA DEMAIS RESULTADOS AC 2005 CSLL sobre omissão de receita não operacional CSLL sobre omissão de receita não operacional a partir do AC 97 COFINS Omissão de Receita PIS PIS sobre omissão de Receita Falta/Insuficiência do PIS A multa aplicada foi de 150%. Às fls. 16 a 32, encontrase o Termo de Verificação Fiscal TVF, do qual se destacam os trechos a seguir: 2. A diligência fiscal na Exportadora Varginha (MPFDiligência n° 06.1.06.002008005903) que posteriormente foi convertida em fiscalização, resultou do procedimento fiscal nos seus sócios ALYSON CARVALHO ROCHA, CPF 984.440.42668, e ADRIANO FERREIRA SODRÉ, CPF 860.582.66653, relativo aos lucros e dividendos distribuídos por essa empresa. (...) 6. Da análise do Contrato Social e das respectivas alterações contratuais da EXPORTADORA VARGINHA, constatouse a realização de um procedimento de Fl. 961DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 5 4 cisão parcial envolvendo esta empresa e a empresa COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ LTDA (mesmos sócios da Exportadora Varginha ), CNPJ 20.694.816/000170, relativo ao anocalendário de 2005, conforme literalmente descrito abaixo: "Os sócios resolvem e deliberam, por acordo unânime, cindir o patrimônio da EXPORTADORA VARGINHA LTDA em R$ 3.318.816,00 (três milhões, trezentos e dezoito mil e oitocentos e dezesseis reais) vertendoo para as sociedades EMBRASIL EMPRESA BRASILEIRA DISTRIBUIDORA LTDA, estabelecida na Rodovia BR 040 s/n, KM 517, Bairro Liberdade, Ribeirão da Neves/MG, CNPJ 19.166.917/000199, conforme laudo de avaliação e protocolo de cisão parcial firmado entre as sociedades em 12/12/2003" (3° Alteração EXPORTADORA VARGINHA)." "Os sócios resolvem e deliberam, por acordo unânime, cindir o patrimônio da COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFE LTDA em R$ 1.708.545,00 (um milhão setecentos e oito mil quinhentos e quarenta e cinco reais) vertendoo para a sociedade EMBRASIL EMPRESA BRASILEIRA DISTRIBUIDORA LTDA, estabelecida na Rodovia BR 040 s/n, KM 517, Bairro Liberdade, Ribeirão da Neves/MG, CNPJ 19.166.917/000199, conforme laudo de avaliação e protocolo de cisão parcial firmado entre as sociedades em 10/05/2005" (18a Alteração contratual da COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ LTDA.). 20. Em resumo, com base nas informações analisadas nos tópicos anteriores acerca da distribuição de lucros no anocalendário de 2005, concluímos que: 1° A comprovação da distribuição de lucros pela empresa EXPORTADORA VARGINHA se efetuou através de transferências on line depositadas diretamente na conta corrente conjunta dos sócios da referida empresa, ALYSON CARVALHO ROCHA e ADRIANO FERREIRA SODRÉ, não oriundas da EXPORTADORA VARGINHA, que segundo o contribuinte distribuiu lucros aos mesmos, mas sim originárias da empresa EMBRASILEMPRESA BRASILEIRA DISTRIBUIDORA, de acordo com os esclarecimentos prestados e documentos bancários apresentados pelo próprio contribuinte, fls. 89 a 105. 2° Da análise dos livros contábeis da EXPORTADORA VARGINHA constatamos que os valores recebidos da EMBRASIL no anocalendário de 2005, não transitaram por sua contabilidade, já que foram depositados diretamente na conta corrente conjunta dos sócios, caracterizando uma omissão de receita, de acordo com os arts. 521 e 528 do RIR/99, considerando que essa receita se originou de uma real cessão de crédito e não de uma suposta cisão parcial. Concluiuse também pela caracterização da sujeição passiva solidária dos sócios da interessada Adriano Ferreira Sodré, CPF 860.582.66653, e Alyson Carvalho Rocha, CPF 984.440.42668, nos termos do CTN, arts. 124, e 135, tendo sido lavrado o termo correspondente (fls. 43/44). Inconformados com o presente lançamento, do qual tiveram ciência, por via postal, conforme Aviso de Recebimento ARs, fls. 664/665, a contribuinte e os sócios, na condição de responsáveis solidários, apresentaram, em conjunto, as alegações expendidas na peça impugnatória, fls. 668 a 728, distribuídas conforme tópicos abaixo: TEMPESTIVIDADE DOS FATOS Fl. 962DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 6 5 DA INEXISTÊNCIA DE FRAUDE NOS ATOS DE CISÃO PARCIAL DA EMPRESA IMPUGNANTE E A IMPOSSIBILIDADE DE AGRAVAMENTO DA MULTA DE 150% 3.1. DA LEGALIDADE DO PROCEDIMENTO DE CISÃO SEGUIDA DE INCORPORAÇÃO. Da inexistência de simulação. Da ausência de fundamentação para desconsideração das operações de reorganização societária praticadas licitamente pela impugnante C) Do ato jurídico perfeito e do planejamento tributário D) Da inexistência de razões para agravamento da mulata no percentual de 150% da exação fiscal 3.2 DA UTILIZAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO PELA EMPRESA CESSIONÁRIA/INCORPORADORA. DA INEXISTÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS LEGAIS PARA A RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E PESSOAL DOS SÓCIOS DA SOCIEDADE AUTUADA. DAS QUESTÕES DE MÉRITO DOS EFEITOS FISCAIS DA RECUPERAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS INDEVIDAMENTE DA TRIBUTAÇÃO PREVISTA NO ADI SRF 25/2003 DOS JUROS COMPENSATÓRIOS E MORATÓRIOS DA INCONSTITUCIONALIDADE DA AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS RECONHECIDA PELO STF CONCLUSÃO DA ANÁLISE DE MÉRITO 6. DA ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DO ARROLAMENTO ADMINISTRATIVO DE BENS 7. CONCLUSÃO E PEDIDO Nesse último tópico assim concluem e requerem as impugnantes: "Com suporte em suas razões de fato e de direito retroexpostas em que se demonstrou a ilegalidade e a nulidade do lançamento, a Impugnante pede aos Ilustres Julgadores de primeira instância a procedência de sua impugnação para decretar o cancelamento dos Autos de Infração, bem como a extinção do crédito indevidamente constituído e arquivamento deste processo e dos processos dele decorrentes, tais como a representação fiscal para fins penais e o arrolamento de bens.” Foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, que recebeu o n° 10660.001715/200914. É o relatório. No voto, assim decidiu a DRJ: A impugnação é tempestiva e dotada dos pressupostos de admissibilidade, pelo que dela se conhece. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 7 6 Das arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade De início esclareçase que, de acordo com art. 7o da Portaria MF n.° 58, de 17 de março de 2006, que disciplinou o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, o julgador deve observar as normas legais e regulamentares (art. 116, III, da Lei n.° 8.112/90), bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal SRF, hoje RFB, expresso em atos normativos. É vedada, então, a extensão administrativa a partes não integrantes do processo judicial, quando aquelas decisões forem contrárias às normas e atos que vinculam os julgados desta instância, haja vista o disposto nos arts. 468 e 472 do Código de Processo Civil. E mais, citações de doutrinadores e acórdãos do então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, embora inestimáveis fontes de consulta, igualmente não obrigam esta relatora. (...) Súmula CARF n" 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, está prejudicada a análise de alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas contidas na legislação tributária Da inexistência de fraude nos atos de cisão parcial da empresa impugnante e a impossibilidade de agravamento da multa de 150% Contra a impugnante foi constituído auto de infração por insuficiência de recolhimento e omissão de receitas, em razão da desconsideração de operação de reorganização societária, cisão seguida de incorporação, por se tratar de negocio jurídico simulado. Sustenta a impugnante que não há como acolher os argumentos de que as cisões parciais seguidas de incorporação teria sido "uma manobra para encobrir a real operação, que na verdade foi a cessão de crédito", afinal o negócio jurídico praticado pela Impugnante reuniu todos os elementos necessários à sua formação, debaixo de uma lei válida e lícita, e, portanto, gozam da proteção constitucional ao ato jurídico perfeito artigo 50, XXXVI, e que cabe ainda ser trazido à baila, o fato do presente Auto de Infração não trazer qualquer fundamentação legal que permitisse a mesma "desconsiderar" as operações de cisão seguida de incorporação, bem como de qual teria sido a suposta simulação e conluio que esta usou como pano de fundo para arbitrar de forma grosseira a multa impugnada. (...) Alega ainda que pretendeu transferir parte do seu patrimônio, legalmente contabilizado em seus documentos fiscais, consistente no direito aos créditos oriundos de recolhimento indevido a recuperar junto ao Fisco Federal, para a empresa Embrasil – Empresa Brasileira Distribuidora Ltda.. E uma vez transferido o patrimônio e este incorporado no patrimônio da empresa sucedida a ela cabe dar o destino que melhor lhes aprouver. Na realidade foi outra a constatação da fiscalização, conforme se extrai do Termo de Verificação Fiscal TVF, de fls 16 a 32. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 8 7 18. Na verdade, o que se constata é apenas uma alteração qualitativa no patrimônio da cindida, já que o patrimônio vertido a EMBRASIL créditos a recuperar (ainda pendentes de decisão definitiva na Receita Federal) retorna ao patrimônio da cindida na mesma data e no mesmo ato na forma de numerário, com a imediata entrega do mesmo a seus sócios a título de lucro distribuído. O que se constata via de regra em procedimentos de cisão parcial, é a divisão de parte do patrimônio de uma empresa que se verte para empresa. A contrapartida dessa cisão parcial é a participação dos sócios da empresa cindida proporcionalmente ao patrimônio incorporado no capital social da outra empresa. No entanto, se a empresa cindida recebe de volta o correspondente a essa participação, na mesma data e no mesmo ato da cisão, é como se a cisão de fato não existisse, mas sim uma cessão do patrimônio, no caso os créditos a recuperar. Em resumo, se torna evidente, que a aquisição dessas empresas não tiveram como intuito principal continuar com as suas atividades próprias, e sim a obtenção do reconhecimento final dos seus créditos junto à Receita Federal, visando uma futura negociação dos mesmos com terceiros. 56.7 No Instrumento particular de Cessão de Créditos Tributários fica evidente que a suposta cisão parcial realizada seria uma opção, caso a cessão de crédito não viesse a ser concluída com sucesso, deixando clara a sua intenção original de cessão desses créditos. Cláusula Sétima — Condições Gerais — Parágrafo Terceiro Instrumento Particular de Cessão de Créditos Tributários e outras Avenças "A PROMITENTE CEDENTE (EXPORTADORA VARGINHA) autoriza a PROMITENTE CESSIONÁRIA (EMBRASIL), optar pela realização de incorporação dos referidos créditos, mediante comunicação formal e expressa, ficando a PROMITENTE CEDENTE obrigada a providenciar, em conjunto com a PROMITENTE CESSIONÁRIA, toda a documentação necessária à realização da cisão de parte dos créditos da PROMITENTE CEDENTE e de sua incorporação ao patrimônio das PROMITENTES CESSIONÁRIAS" (grifo nosso) 56.8 A diferença entre os valores recebidos da EMBRASIL e o valor nominal dos créditos transferidos, é oriunda de deságio, comum nesses tipos de negócio. No que concerne aos negócios formalizados a título de "planejamento fiscal" ou "negócio jurídico indireto", temse que eles não são válidos por si mesmos, devendo sua validade ser verificada à luz da teoria dos fatos jurídicos; e se constatada a presença de simulação, configurada pela divergência entre a vontade manifestada e a vontade real, devem ser desconsiderados. A substancia dos atos deve prevalecer sobre a sua aparência ou sobre a forma em que se apresentam. Assim, é de se verificar que no caso concreto não havia realmente a intenção de cindir a empresa, mas apenas ceder os créditos, cuja utilização na compensação com débitos de terceiros é vedada em função do que dispõe o art. 74 da Lei n° 9430/96. Alega a impugnante que '''conforme reconhece seguidamente o Termo de Verificação Fiscal (item 56 do TVF), que no protocolo de cisão datado de 10/05/2005, há a redação expressa de que a Exportadora Varginha (cedente) não tendo como aproveitálo (os créditos) por intermédio próprio decidiu transferilo Fl. 965DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 9 8 para a Embrasil vertendo este ativo para a mesma já que não possuía débitos próprios suficientes para compensálos". Apesar do alegado, configurase como simulação, esse comportamento do contribuinte em que se detecta uma discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para a exteriorização dessa vontade, revelada pela inadequação ou inequivalência da forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta. Isso porque o propósito jurídico de uma reorganização societária é a sua conseqüente reorganização, o que não ocorreu, visto que os sócios saíram da sociedade no mesmo ato em que se deu a cisão seguida da incorporação, recebendo de volta o correspondente a essa participação, na mesma data e no mesmo ato da cisão, caracterizando a operação intitulada "casa/separa". Cita o posicionamento da 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acórdão proferido no processo n° 10882.002039/200398, em sessão realizada no mês de março de 2010 onde a Câmara recorrida afastou a multa aplicada no percentual de 150%, mesmo reconhecendo expressamente a ocorrência da operação conhecida como "casa/separa". (...) O negócio jurídico, para traduzirse em um comportamento elisivo, legalmente aceito, não pode fraudar o sistema normativo em que foi erigido. Sendo o propósito do negócio entabulado a economia tributária, revelada pela fiscalização, e burlar a vedação contida na norma legal, devese ignorar o negócio realizado. E nesse ponto se apoia a fiscalização para imputação do dolo na operação realizada pela impugnante. Sobre os motivos que levaram a impugnante a realizar os procedimentos de cisão parcial apresentados pela a autoridade fiscal, destacamse os seguintes: 22. A COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ, representada ainda pelos antigos sócios, em 08/01/2002, nomeou como seus procuradores os advogados ALYSON CARVALHO ROCHA e ADRIANO FERREIRA SODRÉ, fls. 575, para especificamente promover processo administrativo de restituição/compensação de créditos relacionados às quotas de contribuição sobre a exportação de café,cuja inconstitucionalidade foi declarada pelo STF. 23. Em 16/01/2002, os procuradores acima referidos protocolaram, em nome da empresa, pedido de restituição dos pagamentos feitos a título de quota de contribuição ao Instituto Brasileiro do Café (IBC), conforme processo administrativo no 10660.000339/200266. 24. Paralelamente, em 16/02/2002, os mesmos procuradores impetraram Mandado de Segurança Preventivo com Pedido de Medida Liminar n° 2002.38.00.002053, no Juízo de Varginha, no sentido de determinar que o Delegado da Receita Federal de Varginha não aplicasse os dispositivos da IN SRF 41/2000 ao processo n° 10660.000339/200266, e que recebesse os formulários "Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros". previstos no Art. 15 da IN SRF 21/97, na época já alterada pela IN SRF 41/2000 Em 24/01/2002, a Liminar foi concedida, fls. 1001 a 1015. 25. A Receita Federal em Varginha, através do Despacho Decisório referente ao processo administrativo n" 10660.000339/200266, fls. 602 a 607, em 04/04/2002, indeferiu o pedido referente ao item 27 por ter considerado decaído o direito de pleitear tal restituição. Dessa decisão foi apresentada manifestação de inconformidade junto à DRJ. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 10 9 32. De acordo com a 15a alteração contratual da empresa, fls , em 19/11/2002, os antigos sócios se retiraram da sociedade, cedendo e transferindo suas quotas para os advogados até então procuradores da COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ ALYSON CARVALHO ROCHA e ADRIANO FERREIRA SODRÉ, na proporção de 50%, passando ambos a exercer a administração da sociedade. (...) 28 No âmbito judiciário, a União interpôs Apelação em Mandado de Segurança, e o Tribunal Regional Federal da 1a Região, em 15/02/2004, deu provimento ao apelo com a consequente reforma da sentença e denegação da segurança. Inconformados, os agora novos sócios impetraram no Superior Tribunal de Justiça, o Recurso Especial no 653553/MG, que teve seu provimento negado em 14/08/2007, fls a, e depois Embargos de declaração no Recurso Especial, julgado em 27/11/2007, fls. a, e Embargos nos Embargos de declaração no Recurso Especial, julgado em 11/03/2008, fls 580 a 601. Atualmente o Recurso Extraordinário no 597668/MG aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal. (...) 32. Diante da falta de êxito quanto ao recebimento do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros" pela Receita Federal, da vedação contida na alínea "a" do inciso II do parágrafo 12 do art. 74 da Lei 9.430/96 e na IN SRF 41/2000 em relação à impossibilidade de compensação desses créditos com débitos de terceiros, os novos sócios, ALYSON CARVALHO ROCHA e ADRIANO FERREIRA SODRÉ, resolvem em 12/12/2003, de acordo com a 17a alteração contratual, fls , por uma via mais rápida de se obter indiretamente a cessão desses créditos, cindir o patrimônio da COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ em RS 11.055.000,00 (onze milhões e cinqüenta e cinco mil reais) vertendoo para as sociedades: EMBRASILEMPRESA BRASILEIRA DISTRIBUIDORA LTDA, CNPJ 19.166.917/000199 e EMBRAEX TRADING IMPORT EXPORT LTDA, CNPJ 05.525.999/000106, atualmente denominada COBIMEX CONNECT BRASIL IMPORT EXPORT LTDA, conforme laudo de avaliação e protocolo de cisão parcial firmado entre as partes, fls. 2. 33. E de acordo com a 18° alteração contratual, em 10/05/2005, fls., os sócios acima referidos resolvem, mais uma vez, em uma 2a Cisão parcial, dita complementar, cindir o patrimônio da empresa COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ em RS 1.708.545,00 (um milhão, setecentos e oito mil e quinhentos e quarenta e cinco reais) vertendoo, desta vez, apenas para a sociedade EMBRASIL EMPRESA BRASILEIRA DISTRIBUIDORA, CNPJ 19.166.917/000199, conforme laudo de avaliação e protocolo/justificação de cisão parcial complementar firmado entre as partes, fls. . 34. Dos fatos acima narrados, ressaltamos que os antigos sócios antes de transferirem a COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ para os novos sócios, reduziram o seu capital social a um valor inferior em comparação ao seu valor original, havendo uma desativação quase que total da empresa, restando apenas em seu ativo a possibilidade de recuperação desses créditos referentes à Contribuição sobre Exportação de café, no valor de RS 8.476.868,29 (oito milhões quatrocentos e setenta e seis mil oitocentos e sessenta e oito reais e vinte e nove centavos), gerando como contrapartida desse pretenso direito um registro em conta de patrimônio líquido. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 11 10 38. Em resumo, se torna evidente, que a aquisição dessas empresas não tiveram como intuito principal continuar com as suas atividades próprias, e sim a obtenção do reconhecimento final dos seus créditos junto à Receita Federal, visando uma futura negociação dos mesmos com terceiros. 39. É importante destacar, que independentemente do reconhecimento ou não desses créditos pela Receita Federal, o que se questiona é a realização de dois procedimentos de cisão parcial para, na verdade, encobrir uma real cessão desses créditos. 40. Ressaltamos, que tanto a COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ quanto a EXPORTADORA VARGINHA encontramse atualmente, desde o ano calendário de 2006, inativas, corroborando ainda mais a idéia de que a aquisição das mesmas foi exclusivamente com intuito de negociação dos seus créditos. Acerca da conduta dolosa, afora todas as doutrinas e controvérsias existentes, podese satisfatoriamente colherse no direito positivo brasileiro o conceito jurídico de dolo. O Código Penal (DecretoLei n° 2.848/40) prevê as figuras do dolo direto e do dolo eventual; tendo adotado a "teoria da vontade" em relação ao dolo direto e a "teoria do assentimento" em relação ao dolo eventual. Segundo a teoria da vontade, age dolosamente quem pratica a ação consciente e voluntariamente. São elementos do dolo (a) a consciência, isto é, o conhecimento do fato, a ciência de que a conduta é a conduta típica; e (b) a vontade de realizar a conduta típica. Eis o "dolo direto": a vontade consciente de realizar a conduta típica. Em outras palavras, age dolosamente (dolo direto) quem age sabendo que está agindo e querendo agir dessa maneira, mesmo que ignore completamente o caráter ilícito dessa ação. (...). Devese divisar aqui que o dolo é um dolo natural e não se confunde com o chamado "dolus malus". A consciência da ilicitude não é elemento interno ao dolo. Não se exige o conhecimento de que a conduta é uma conduta típica; não se perscruta, aqui, se o sujeito tem consciência da ilicitude, se sabe que a conduta é criminosa (ou, in casu, se a conduta é ou não sonegação/fraude qualificadora da multa proporcional de ofício). Apenas se exige que o sujeito tenha consciência de que a conduta é a conduta. Já o dolo eventual, conforme a teoria do consentimento, existe quando o sujeito tem a previsão da possibilidade de acontecimento do resultado e ainda assim realiza a conduta, ainda que não queira o resultado. O agente consente em realizar o resultado, mesmo que não o queira (irrelevância da vontade, substituída pelo assentimento). E aqui a diferença fundamental em relação à "culpa consciente", que acontece quando o sujeito prevê a possibilidade do resultado, mas com ele não assente, porque ele acredita sinceramente que o resultado não acontecerá. Pois bem. Simulação e fraude são condutas dolosas (dolo direto ou eventual). Para qualificar a multa qualificada, a autoridade fiscal deve identificar e comprovar a ocorrência da conduta dolosa do sujeito passivo. Diante de tudo que foi exposto no TVF, transcrições acima, constatase a intenção inequívoca de aquisição da empresa somente para recuperação do crédito e como, judicial ou administrativamente, resultou infrutífera a utilização do crédito para compensação com débitos de terceiros, em razão da vedação contida na Lei n° 9.430/96, a impugnante resolveu simular a reorganização societária para encobrir a cessão onerosa do crédito para outras, se furtando a recolher os tributos ora exigidos e burlando a legislação vigente. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 12 11 Comprovada a prática dolosa, visto que a impugnante agiu consciente e voluntariamente, a Fiscalização aplicou corretamente a multa de ofício qualificada, nos termos do art. 44,1 e § 1o, da Lei 9.430/1996, que determina a incidência do percentual de 150% nos lançamentos de ofício, nos casos definidos nos art. 71 a 73 da Lei 4.502/64. (...) Da leitura do ato normativo é de dizer que a vedação contida na IN SRF n° 41, de 2000, permaneceu quando das alterações na sistemática da compensação, veiculadas pela MP n° 66, convertida na Lei n° 10.637, ambas de 2002, e passou a constar expressamente do art. 74, § 12, II, da lei n° 9.430/96. Não é diferente o entendimento adotado no voto proferido no Recurso Especial n° 653.553 MG (2004/00575251) interposto junto ao STJ pela Comercial Beneficiadora de Café Ltda, na Ação de Mandado de Segurança, processo n° 2002.38.00.0020533/MG . Tal decisão assim dispõe: (...) Assim, é imperioso concluir que não há ilegalidade na vedação contida no art. 1o da Instrução Normativa 41/2000 da SRF, porquanto amparada no art. 74 da Lei 9.430/96 (redação vigente à época da impetração). Por fim, cabe frisar no tocante à nova redação do artigo acima referido, que "será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito seja de terceiros" (art. § 12, II, "a", da Lei 9.430/96, com as alterações promovidas pela Lei 11.051/2004).Diante do exposto, deve ser negado provimento ao recurso especial. É o voto. Dessa forma, desde a edição da IN SRF 41, de 2000, a compensação intentada pela impetrante, de débitos de terceiros com créditos a ela pertencentes, é vedada. As mudanças acarretadas com a alteração promovida pela Lei 11.051/94 foram quanto aos efeitos, advindos da entrega da Declaração de Compensação após a edição da citada lei, que são consideradas não declaradas, e entre outros efeitos, não se submetem ao rito do Decreto n° 70.235, de 1972. Da utilização do direito creditório pela empresa cessionária/incorporadora. No que tange às alegações acerca de Despacho Decisório aos DCOMPS apresentadas pela incorporadora, que foram trazidas à colação apenas como notícia a corroborar com a tese da impugnante de que não houve intenção dolosa na suposta cisão parcial, cumpre esclarecer que, embora o referido Despacho seja em virtude da compensação indevida dos créditos cedidos na referida operação, as matérias não guardam relação de causa e efeito entre si, razão pela qual não serão aqui apreciadas. Da inexistência dos pressupostos legais para a responsabilidade solidária e pessoal dos sócios da sociedade autuada A fiscalização imputou aos sócios responsabilidade solidária e pessoal em razão do interesse comum dos sócios, assim fundamentando no TVF: 59. Como os sócios da empresa ora fiscalizada, exercem a administração da sociedade em conjunto, ambos tiveram interesse comum na situação que constituiu Fl. 969DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 13 12 o fato gerador e por conseqüência tiraram o mesmo proveito econômico, devendo, portanto, serem incluídos na relação jurídico tributária solidariamente com a empresa que "produziu " o mesmo fato gerador. Dentro do ponto de vista da nãoexclusividade, a responsabilidade pessoal, de acordo com o inciso III do art. 135 do CTN (Lei 5.172/66), não exclui a responsabilidade solidária. Pois conforme os fatos apresentados, depreendese que os atos praticados pelos sócios em nome da sociedade, na. realização dessas operações elaboradas 63. Pois conforme os fatos apresentados, depreendese que os atos praticados pelos sócios em nome da sociedade, na. realização dessas operações elaboradas pelos mesmos, foram derivados comprovadamente de uma má gestão. Com o intuito deliberado de ocultar, de impedir total ou parcialmente o conhecimento por parte da Fazenda da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, através de procedimentos de cisões parciais para encobrirem reais cessões de créditos, neutralizando, assim, indiretamente a vedação imposta pela alínea "a" do inciso lido parágrafo 12 do art. 74 da Lei 9.430/96 e pela IN SRF 41/2000 e conseqüentemente lesando os cofres públicos. Esses fatos, portanto, configuram atos praticados com excesso de poderes, e, principalmente, com infração à lei, fundamentando a hipótese de responsabilidade prevista no art. 135 do CTN abaixo citado 64. O que se agrava ao considerarmos que nessas operações houve beneficio exclusivo dos sócios administradores, que receberam as receitas oriundas das cessões de créditos da empresa via isenção de lucros distribuídos. E que agindo de forma dolosa, se utilizaram da sociedade em seu detrimento, reduzindo seu patrimônio praticamente em sua totalidade, praticando assim um ilícito societário grave, que motiva a responsabilidade pessoal dos mesmos. Conforme ensinamento de José Eduardo Soares de Melo, no seu Livro Curso de Direto Tributário (3a edição, Dialética, 2002, pag.200): "A solidariedade tributária (na linha do direito privado art. 896, parágrafo único, do Código Civil) consiste na possibilidade de a Fazenda poder exigir o tributo de mais de uma pessoa vinculada ao fato gerador. Embora o natural devedor do tributo seja o contribuinte, em face de sua vinculação pessoal e direta com a materialidade do tributo, podem existir pessoas a ela vinculadas, e que tenham interesse no respectivo ônus". O conceito de responsabilidade previsto no CTN tem um sentido de garantir o crédito tributário, uma responsabilidade patrimonial exclusivamente processual, decorrente não da prática do fato gerador ou de sua designação por lei como sujeito passivo, mas apenas da necessidade de viabilizar a persecução do crédito e garantir seu adimplemento. O art. 124 do CTN determina que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Na medida em que o interesse dos sócios administradores era somente a recuperação do crédito e que os rendimentos provenientes da cessão dos créditos foram parar nas contas desses sócios, por meio de operação de reorganização societária para encobrir a real cessão do crédito, não resta dúvida do interesse comum dos sócios no fato gerador da obrigação tributária revelada pela fiscalização. De outro lado, os sócios, sem interesse na continuidade das atividades da empresa, deliberaram por simular uma cisão parcial, conforme amplamente descrito Fl. 970DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 14 13 nos autos, recebendo as receitas oriundas do negócio realizado via distribuição de lucros. Na presente situação, em que se utilizou fraudulentamente a empresa, os sócios respondem pessoalmente pelos danos causados, nos termos art. 135, III, do CTN. Por tudo que foi exposto, não se pode afastar a sujeição passiva, pessoal e solidária dos sócios Alyson Carvalho Rocha e Adriano Ferreira Sodré. Das questões de mérito dos efeitos fiscais da recuperação de tributos pagos indevidamente Nesse tópico serão examinados em conjunto os subitens "DA TRIBUTAÇÃO PREVISTA NO ADI SRF 25/2003" e "DOS JUROS COMPENSATÓRIOS E MORATÓRIOS" em razão de constituírem desdobramento do mesmo assunto. Acerca do citado Ato Declaratório Interpretativo ADI, ressalta a autuada que: A edição do Ato Declaratório Interpretativo da SRF n° 25/2003 trouxe alguns esclarecimentos sobre os efeitos patrimoniais decorrentes da devolução de tributos pagos indevidamente, inclusive dos valores relativos aos juros recebidos. Há entendimento no sentido de que a restituição será tributada pelo IRPJ e pela CSLL se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Isto porque embora não configurem receita propriamente dita devem ser adicionados ao Lalur (Livro de Apuração do Lucro Real) funcionando, na verdade, como neutralizadores de despesas anteriormente consideradas para fins de tributação do IRPJ e da CSLL. E tomando por base o referido ADI, a impugnante conclui que o lançamento deve ser refeito, afastandose o principal, com base no seguinte argumento: "O Ato Declaratório Interpretativo n° 25/2003 é omisso a respeito do tratamento que deve ser dado sobre essa matéria pelos contribuintes do IRPJ e CSLL calculados com base no lucro presumido ou lucro arbitrado. Em tais casos entende a Impugnante que prevalece o entendimento de que os valores relativos ao principal não são tributáveis se o sujeito passivo não se beneficiou anteriormente da dedução da despesa, como no caso da Impugnante". A impugnante alega ainda que é duvidosa a exigência de tributos sobre o montante dos juros recebidos e computados sobre os valores relativos a tributos pagos ou recolhidos indevidamente. Ressalta que o pagamento a maior ou indevido se assemelha a uma desapropriação e que a indenização paga pelo bem expropriado, que decorre do direito fundamental à propriedade, nada mais é do que a restituição, em dinheiro, do exato valor deste, nem mais, nem menos, não havendo espaço para se falar em ágio ou deságio. E certo também que, dentro do "justo preço" pago na indenização, estão considerados eventuais juros moratórios e compensatórios, dada a natureza indenizatória que os permeia. Para deslinde da questão cumpre examinar o Ato Declaratório SRF n° 25, de 24 de dezembro de 2003, abaixo transcrito: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 53 da Lei n9.430, de 1996, e o que consta do processo n 13603.001166/200276, declara: Fl. 971DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 15 14 Art 1o Os valores restituídos a título de tributo pago indevidamente serão tributados pelo Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Art 2o Não há incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente. Art. 3o . Os juros incidentes sobre o indébito tributário é receita nova e, sobre ela, incidem o IRPJ, a CSLL, a Cqfins e a Contribuição para o PIS/Pasep. Art. 4o No caso de reconhecimento das receitas pelo regime de caixa, o indébito e os juros passam a ser receita tributável do IRPJ e da CSLL no momento do pagamento do precatório. Art. 5o Pelo regime de competência, o indébito passa a ser receita tributável do IRPJ e da CSLL no trânsito em julgado da sentença judicial que já define o valor a ser restituído. § 1 No caso de a sentença condenatória não definir o valor a ser restituído, o indébito passa a ser receita tributável pelo IRPJ e pela CSLL: na data do trânsito em julgado da sentença que julgar os embargos à execução, fundamentados no excesso de execução (art. 741, inciso V, do CPC); ou na data da expedição do precatório, quando a Fazenda Pública deixar de oferecer embargos à execução. § 2 A receita decorrente dos juros de mora devidos sobre o indébito deve compor as bases tributáveis do IRPJ, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para PIS/Pasep, observado o seguinte: I se a sentença que julgar a ação de repetição de indébito já definir o valor a ser restituído, é, no seu trânsito em julgado, que passam a ser receita tributável os juros de mora incorridos até aquela data e, a partir dali, os juros incorridos em cada mês deverão ser reconhecidos pelo regime de competência como receita tributável do respectivo mês; II se a sentença que julgar a ação de repetição de indébito não definir o valor a ser restituído, é no trânsito em julgado da sentença dos embargos à execução fundamentados em excesso de execução (art. 741, inciso v, do Código de Processo Civil), que passam a ser receita tributável os juros de mora incorridos até aquela data e, a partir dali, os juros incorridos em cada mês deverão ser reconhecidos pelo regime de competência como receita tributável do respectivo mês; III se a sentença que julgar a ação de repetição de indébito não definir o valor a ser restituído e a Fazenda Pública não apresentar embargos à execução, os juros de mora sobre o indébito passam a ser receita tributável na data da expedição do precatório. Da leitura do citado ato, verificase as disposições nele contidas tratam da tributação de valores restituídos a título de tributo pago indevidamente e, por isso, referido ato não é aplicável ao presente caso, já que o presente lançamento cuida matéria tributável diversa, qual seja, a exigência de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep Fl. 972DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 16 15 sobre o recebimento de outras receitas, oriundas da cessão dos créditos pertencentes à impugnante, para outras empresas. A devolução desses créditos cedidos é objeto do processo de restituição n° 10660.000339/200266 e das Declarações de Compensação a ele vinculadas. Do mesmo modo, não cabe aqui discorrer sobre as alegações acerca da validade ou não da exigência de tributos sobre juros incidentes sobre o indébito tributário, já que não é esse o fato gerador da presente autuação. Quanto a isso não há reparos a fazer no presente lançamento. Da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS e do PIS reconhecida pelo STF Os lançamentos de oficio relativos à Cofins e ao PIS/Pasep decorrem da tributação de receitas advindas da cessão de crédito relacionados às quotas, de contribuição sobre a exportação de café, cuja inconstitucionalidade foi declarada pelo STF. Contra o lançamento, a impugnante alega a inconstitucionalidade da base de cálculo da Cofins determinada pela Lei 9.718/98, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS é a receita bruta, considerada como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme disposto na Lei n° 9.718/1998, nos seguintes termos Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3° O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1° Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, No entanto, no julgamento dos RE n°s 390.840, 346.084, 358.273 e 357.950, o STF considerou inconstitucional a alteração trazida pelo § Io do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, relativamente à definição da base de cálculo das contribuições, mantendo se, portanto, para este fim, o texto das normas anteriormente aplicáveis. Abaixo, transcrevemse as respectivas ementas: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3o, § Io, DA LEI N° 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1o DO ARTIGO 3o DA LEI N° 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior Fl. 973DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 17 16 à Emenda Constitucional n" 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, Jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. E inconstitucional o § 1o do artigo 3o da Lei n" 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Sobre tal questão, aquele Tribunal, em decisão recente, manifestouse no seguinte sentido O Tribunal resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência da Corte acerca da inconstitucionalidade do § 1°do art. 3o da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, e negar provimento a recurso extraordinário interposto pela União. Vencido, parcialmente, o Min. Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Min. Cezar Peluso, relator, para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões. Vencido, também nesse ponto, o Min. Marco Aurélio, que se manifestava no sentido da necessidade de encaminhar a proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Eilen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. (Grifouse) DJE n°119, divulgado em 26/06/2009 ' Leading case: RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso. Acerca da aplicação, no âmbito administrativo, das decisões proferidas pelo Poder Judiciário, o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que rege o procedimento administrativo fiscal no âmbito da RFB, recentemente alterado pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, determina que: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6a O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (...) Analisandose as decisões acima transcritas, proferidas pelo plenário do STF, concluise que o entendimento fixado no julgamento dos RE n°s 390.840, 346.084, 358.273 e 357.950, relativamente à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) definido pelo § Io do artigo 3o da Lei n° 9.718/98, encontrase pacificado naquela Corte, reconhecendo o Tribunal tratarse de matéria de repercussão geral, e reafirmando expressamente a jurisprudência acerca da questão, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante. O entendimento manifestado pelo STF autoriza, inclusive, a sua adoção pelos tribunais Fl. 974DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 18 17 inferiores, retratandose ou declarando prejudicados os recursos pendentes relativos à mesma matéria, nos termos da Lei n° 11.418, de 19 de dezembro de 2006. Observese, por fim, que, em consonância com o entendimento pacificado no âmbito do Poder Judiciário, foi editada a já citada Lei n° 11.941/2009, revogando expressamente o § 1o do artigo 3o da Lei n° 9.718/98: Art. 79. Ficam revogados: (...) XII o§l° do art .30 da Lei n0 9.718, de 27de novembro de 1998; (...) Assim, devem ser cancelados os créditos tributários constituídos de ofício relativos à Cofins e ao PIS, apurados sobre as receitas oriundas da cessão de crédito, em razão das decisões proferidas pelo STF relativas à inconstitucionalidade do § Io do artigo 3o da Lei n° 9.718/98, nos termos da legislação acima transcrita. Da ilegalidade e inconstitucionalidade do arrolamento administrativo de bens A contribuinte alega que "É patente a inconstitucionalidade do artigo 64 da Lei 9.532/97 e sua respectiva normatização administrativa (Instrução Normativa 264/02), relativo ao dever de arrolar os bens do contribuinte previamente, antes da constituição definitiva do crédito tributário, caracterizada como uma verdadeira constrição patrimonial administrativa, como conseqüência a ilegalidade do registro nos assentamentos administrativos imóveis e veículos arrolados, impossibilitando sua comercialização, ferindo o princípio da propriedade, devido processo legal, ampla defesa e contraditório.'''' Conforme dito no início do voto é defeso ao julgador de 1a instância manifestarse acerca de ilegalidade ou inconstitucionalidade de ato normativo em vigor. Registrese ainda que o arrolamento e a representação fiscal para fins penais são formulados em apartado e não compõem o presente processo de exigência de crédito tributário, não se inserindo no âmbito de competência deste colegiado, definida no art. 174 da Portaria MF n° 95, de 2007, o pronunciamento acerca da regularidade do procedimento de arrolamento efetivado pela autoridade lançadora. Da tributação reflexa Aplicase às contribuições sociais reflexas (CSLL), no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Da conclusão Diante do exposto, voto pela parcial procedência parcial da impugnação para: exonerar o crédito tributário referente aos Autos de Infração de COFINS e PIS/PASEP exigir o crédito tributário referente aos autos de Infração de IRPJ e CSLL; e, manter os Srs. Alyson Carvalho Rocha e Adriano Ferreira Sodré como responsáveis solidários pela exigência fiscal. Em 16/04/2010 a empresa foi notificada da decisão (fls. 860) apresentando tempestivamente Recurso Voluntário – (fls. 861 e segs.) em 14/05/2010, em conjunto com os sócios Alyson e Adriano, reiterando os termos da exordial. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 19 18 Em data de 21/09/2010, a Recorrente e os sócios nas condições de responsáveis solidários apresentam Razões de Aditamento ao Recurso Voluntário juntando aos autos inteiro teor do Acórdão 0226.996 da 1a Turma da DRJ/BHE, sessão de 31 de maio de 2010, exarado no PTA no. 13609.001603/200978, de interesse da empresa Embrasil Empresa Brasileira Distribuidora Ltda. (a qual adquiriu os créditos tributários da Recorrente via cisão da mesma), que, ao analisar os negócios realizados entre a Embrasil e a recorrente, entendeu por não estar configurada a evidência do intuito de fraude, exigência legal para agravamento da penalidade, em total desacordo com o Acórdão recorrido no presente processo, que manteve o agravamento da multa em 150% ao considerar os mesmos fatos. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, Relator Conheço do recurso interposto pela Recorrente e por seus sócios, mantidos como responsáveis através de Termo de Sujeição Passiva Solidária, por ser tempestivo. A preliminar de nulidade dos Autos de Infração deve ser rejeitada, uma vez que não configurada qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, pela não ocorrência de cerceamento ao direito de defesa, tampouco se discute a competência para prática dos atos administrativos relacionados com a constituição dos créditos tributários. As demais preliminares (ausência de fundamentação legal para desconsideração da cisão; ausência de indicação do fato gerador, pela tributação de base negativa na cessão de crédito; ausência de prova da fraude para qualificação da multa) são matérias que se confundem com o exame de mérito e, dessa forma, serão consideradas no contexto da essência da controvérsia. Como se vê do relatório, a acusação que pesa contra a Recorrente – e também contra seus sócios,em relação aos quais foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária – é de ter omitido receitas no ano de 2005, relacionada com os valores recebidos pelos sócios naquele ano, proveniente da cessão de ativos– direitos de créditos de pagamento indevido da contribuição denominada quota de exportação de café que foi julgada inconstitucional pelo STF. Cumprindo o que estava ajustado em contrato particular firmado em 20/04/2005, por meio de cisão parcial realizada em 10/05/2005 esses ativos da autuada foram transferidos e incorporados ao patrimônio da cessionária, a pessoa jurídica EMBRASIL – Empresa Brasileira Distribuidora Ltda, com simultâneo aumento de capital pelo patrimônio vertido, cujas novas quotas foram atribuídas aos sócios da empresa cindida (Exportadora Varginha Ltda) que, simultaneamente se retiraram da sociedade incorporadora mediante alienação de suas quotas aos sócios remanescentes da EMBRASIL. Portanto, a controvérsia gira em torno do valor recebido pelos sócios ser proveniente da cessão de direitos pela pessoa jurídica, ou dos efeitos da cisão com posterior alienação da participação societária. A essência de todos os fatos acontecidos e da acusação Fiscal pode ser extraída do próprio Termo de Verificação Fiscal, que a seguir transcrevo: Fl. 976DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 20 19 “56.2. No protocolo de Cisão apresentado, datado de 10/05/2005, fls. /, há a redação expressa de que a EXPORTADORA VARGINHA “não tendo como aproveitálos (os créditos) por intermédio próprio decidiu transferilos para a EMBRASIL vertendo esse ativo para a mesma (...)”, já que não possuía débitos próprios suficientes para compensálos. 56.3. A comprovação de existir uma Cessão de Crédito ao invés de uma cisão parcial, é confirmada, de forma inconteste, pelo Instrumento Particular de Cessão de Créditos Tributários e outras Avenças, datado de 20/04/2005 (data anterior ao respectivo Protocolo de Cisão datado de 10/05/2005, reafirmando ainda mais a intenção original de cessão desses créditos), firmado entre as empresas abaixo citadas, que literalmente assim dispõe: “A PROMITENTE CEDENTE (Exportadora Varginha) deseja vender, e a PROMITENTE CESSIONÁRIA (Embrasil) deseja adquirir os referidos créditos para compensálos com seus próprios débitos ou mesmo com débitos de terceiros junto à União Federal.”(sublinhados são do original) Pelo que se vê do próprio relato fiscal, nada foi ocultado e não há qualquer subterfúgio na operação de transferência de ativos, seja ela considerada concretizada por cessão de direitos, ou pela questionada cisão parcial. Pelo contrário, extraise do próprio relato fiscal a transparência do negócio jurídico realizado e a clareza da intenção das partes, convergente com os atos firmados. Procurando dar relevância ao efeito da cessão de crédito pela pessoa jurídica, o AuditorFiscal transcreve a cláusula do mencionado Instrumento Particular de 20/04/2005 que confirma a possibilidade de cisão, como uma “opção” da cessionária, manifestandose o Fisco nos seguintes termos no referido Termo de Verificação Fiscal: “56.7. No Instrumento Particular de Cessão de Créditos Tributários fica evidente que a suposta cisão parcial realizada seria uma opção, caso a cessão de crédito não viesse a ser concluída com sucesso, deixando clara a sua intenção de cessão desses créditos.” (grifos são do original) E, em seguida, o AuditorFiscal transcreve a cláusula do Instrumento Particular de Cessão de Créditos Tributários que tem a seguinte redação: Cláusula Sétima – Condições Gerais – Parágrafo Terceiro Instrumento Particular de Cessão de Créditos Tributários e Outras Avenças “A PROMITENTE CEDENTE (EXPORTADORA VARGINHA) autoriza a PROMITENTE CESSIONÁRIA (EMBRASIL) optar pela realização de incorporação dos referidos créditos, mediante comunicação formal e expressa, ficando a PROMITENTE CEDENTE obrigada a providenciar, em conjunto com a PROMITENTE CESSIONÁRIA, toda a documentação necessária à realização da cisão de parte dos créditos da PROMITENTE CEDENTE e de sua incorporação ao patrimônio das PROMITENTES CESSIONÁRIAS”. (fls. 16/18 do TVF grifos são do original) Portanto, os documentos atestam negociação às claras, pelo que está afastada qualquer intenção dolosa das partes na formatação do negócio jurídico efetivamente realizado. Não se pode esquecer que o instituto da cisão deve ser legitimado como instrumento hábil para alocação de patrimônio de empresa cindida – no caso, ativos tributários Fl. 977DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 21 20 – que podem ser transferidos para outra pessoa jurídica que os incorpora em seu patrimônio, conforme previsto no art. 229 da Lei 6.404/76, verbis: “Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão.” Portanto, ainda que exista compromisso particular para cessão de ativos de uma pessoa jurídica à outra, nada impede que essa cessão de parcela do patrimônio possa ser implementada pela via da cisão, dependendo dos ajustes firmados pelas partes. No caso dos autos, esse ajuste está expresso, tanto no contrato particular, como no próprio instrumento de cisão parcial. A propósito, esse Tribunal Administrativo já deliberou sobre essa possibilidade de transferência via cisão, como se vê do Acórdão 1401000.692 de 24/11/2011 que tem a seguinte ementa: “CISÃO. RESTITUIÇÃO DE CRÉDITOS DE TRIBUTOS PAGOS A MAIOR. POSSIBILIDADE. A cisão é uma das formas de sucessão, pelo que não há restrição de transferência de créditos da empresa originária para a empresa cindida, desde que devidamente discriminados nos atos societários que formalizaram a cisão”. Não cabe discutir nestes autos se os “créditos tributários” podem ou não ser transferidos de uma pessoa jurídica para outra, pois, sob o prisma eminentemente jurídico, são ativos sobre os quais se admite a livre disponibilização. Tampouco é pertinente questionar se esses créditos tributários podem, ou não, ser utilizados pela pessoa jurídica que os recebe (cessionária), se há ou não regra jurídica que veda a pretendida compensação, pois essa matéria está relacionada com a conduta da cessionária dos créditos, sem qualquer implicação para a pessoa jurídica que faz a transferência (cedente) que é a interessada autuada neste processo. Cabe registrar que há nos autos informação de que a pessoa jurídica cessionária (Embrasil) foi simultaneamente autuada pela Receita Federal, sob a acusação de indevida compensação desses créditos transferidos, impondo o Fisco igualmente a multa agravada de 150% com o mesmo fundamento de suposta conduta dolosa na compensação. Em razões aditivas protocolizadas em 21/09/2010, a Recorrente traz aos autos o inteiro teor do Acórdão 0226.996 da 1ª. Turma da DRJ/Belo Horizonte, que em sessão de 31 de maio de 2010 afastou a multa agravada de 150% aplicada à cessionária, reduzindoa para 75%, concluindo aquela Turma Julgadora que não houve dolo nem fraude, pois “os processos de cisão não foram omissos em relação às cessões de créditos previamente contratadas”. Tem peso essa avaliação efetuada pela DRJBelo Horizonte, ainda que relacionada com a conduta da empresa cessionária (Embrasil), pois envolveu análise do conteúdo do mesmo negócio jurídico tratado nestes autos, só que na perspectiva da empresa que recebeu os créditos. Logo, o atestado da DRJBelo Horizonte no sentido de que na operação não houve dolo, nem fraude, vale para ambas as partes, ou seja, também para a Cedente, e não só para a Cessionária. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 22 21 Saneado o problema da licitude e da possibilidade da operação de transferência de ativos, cabe analisar os efeitos da mencionada negociação e a exigência dos tributos (IRPJ e CSLL) formalizada pelo Fisco pelos questionados Autos de Infração. Relembrese que a Exportadora Varginha Ltda (autuada) estava submetida à tributação pela sistemática do Lucro Presumido, pelo que o AuditorFiscal concluiu a fiscalização incluindo na base de cálculo do IRPJ e da CSLL todo o valor recebido pelos sócios, acusandoa de omissão de receitas, como se transcreve do Termo de Verificação Fiscal: “IX – Da infração Fiscal Apurada na Exportadora Varginha Da Omissão de Receita no AnoCalendário de 2005 67. As receitas relativas à suposta “cisão parcial” (real cessão de crédito) ocorrida em 10/05/2005, efetivamente recebidas da EMBRASIL no anocalendário de 2005, foram tributadas como omissão de receita, visto não terem transitado pela contabilidade da empresa EXPORTADORA VARGINHA., com base nos arts. 521 e 528 do RIR/99.” Nesse ponto, tem sentido a objeção da Recorrente, pois se os valores foram creditados nas contas correntes dos sócios que consideraram como provenientes de alienação de quotas de capital obtidas no processo de cisão, como atestado pelo Fisco, é natural que nem poderiam transitar pela contabilidade. Por outro lado, se o Fisco desconsidera os efeitos da cisão para acusar que houve negociação de ativos (“cessão de direitos”), o valor recebido na operação não se qualifica como “receita”. Pelo contrário, na alienação de bens e direitos de titularidade da autuada é pertinente a apuração de “ganho” ou “perda” de capital. Sendo a tributação pelo Lucro Presumido, só o eventual ganho apurado na negociação é que seria possível de ser adicionado na base de cálculo, nos termos do mesmo art. 521 do RIR/99 que está indicado no Auto de Infração do IRPJ. Essa é também a clara orientação da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, como se depreende da Solução de Consulta publicada nos seguintes termos: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 137 de 12 de Novembro de 2012 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE DIREITOS. PRECATÓRIOS. Os ganhos de capital decorrentes de cessão de direitos referentes a precatórios não constituem receita operacional da consulente, devendo ser integralmente adicionados à base de cálculo do IRPJ, no regime do lucro presumido. Importante observar o enfrentamento do tema por este Tribunal,a saber (Acórdão nº 130200.919, de 12/06/, 2ª. T.O. / 3ª C. / relator Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado): Fl. 979DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 23 22 [...] RESULTADOS POSITIVOS DECORRENTES DA CESSÃO DE DIREITOS CREDITÓRIOS. NATUREZA DOS RENDIMENTOS. ACRÉSCIMOS À BASE DE CÁLCULO DO LUCRO PRESUMIDO. O estatuto social define de modo preciso e completo o objeto social da pessoa jurídica. A cessão de direitos creditórios decorrentes de ações transitadas em julgado, adquiridos de terceiros, além de não integrar o objeto social da recorrente, não tem a natureza de serviços prestados. Os créditos judiciais foram adquiridos e incorporados ao patrimônio da recorrente e revendidos a terceiros com ganhos. Assim, não compõem a receita bruta operacional. O ganho efetivo apurado nas respectivas operações deve ser tributado na forma estabelecida no art. 521 do Regulamento do Imposto de Renda.” Vêse que o resultado de alienação de um direito / ativo deva ser tratado através de tributação que incida sobre o efetivo ganho de capital, ou seja custo menos valor da operação de venda. E, no caso dos autos, ainda que prevalecesse a visão do agente fiscal, considerando referida “cessão de direitos” como outras receitas, somente o resultado positivo de tal operação (custo menos valor de venda = lucro) deveria ser tributável. No entanto, não foi esse o tratamento adotado pelo Fisco nos Autos de Infração do IRPJ e da CSLL. Com efeito, relata o AuditorFiscal no mencionado Termo de Verificação que: “36. De acordo com a 3ª. Alteração contratual da EXPORTADORA VARGINHA, fls. –a , em 10/05/2005, os sócios ALYSON CARVALHO ROCHA e ADRIANO FERREIRA SODRÉ, na busca de uma via mais rápida de obter indiretamente também a cessão dos créditos dessa empresa, resolvem cindir o patrimônio da sociedade em R$ 3.318.816,00 (três milhões, trezentos e dezoito mil e oitocentos e dezesseis reais), vertendoo para a sociedade EMBRASIL EMPRESA BRASILEIRA DISTRIBUIDORA, conforme laudo de avaliação e protocolo/justificação de cisão parcial firmado entre as partes.” Interessante observar que os ativos transferidos tinham como valor contábil registrado R$ 3.318.816,00. A incorporadora de tais ativos – EMBRASIL – teria pago por esses o valor de R$ 2.292.437,40, ou seja, foi aplicado um deságio. Mesmo que fosse entendido como uma mera transação entre empresas para a venda de ativos, e não uma operação societária, o resultado reconhecido para essa foi negativo. Este fato vêse apontado no Termo de Verificação Fiscal, descrito como: “ocorrendo, no negócio, um deságio [...] correspondente a aproximadamente a 31% do patrimônio vertido” (item 16.2 do TVF).Concluiu o AuditorFiscal no mesmo Termo de Verificação: “56.8. A diferença entre os valores recebidos da EMBRASIL e o valor nominal dos créditos transferidos, é oriunda de deságio, comum nesses tipos de negócios.” Fl. 980DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10660.001404/200947 Acórdão n.º 1102001.037 S1C1T2 Fl. 24 23 Como é conhecido, operações desta natureza ocorrem sem haver um ganho tributável pra quem vende. Digase, mesmo o agente fiscal reconhece isto como acima exposto. No quesito agravamento da multa, em meu sentir, os fatos foram todos postos e facilmente conhecidos pelo simples manuseio dos registros contábeis e societários da Recorrente. Quando muito, uma possível divergência de entendimento entre o agente fiscal (pela forma estima ser tributada tal operação) e o aplicado pela Recorrente. Mas mantendome sob o entendimento de que ocorreu uma operação de cunho societário onde temos uma cisão seguida de incorporação por terceira empresa, ficaria prejudicada a aplicação da multa. Na mesma esteira, entendo que não cabe aqui a manutenção dos Termos de Sujeição Passiva Solidária relacionados aos sócios Adriano Ferreira Sodré e Alyson Carvalho Rocha, (i) seja em decorrência da legitimidade da operação (cisão seguida de incorporação); (ii) seja porque todos os atos praticados estão registrados na Recorrente (empresa cindida ou “vendedora” de crédito declarado), não sendo constituída a figura delituosa. Tenham as cobranças de contribuições sociais reflexas, no que couber, o que está sendo aqui decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Por todo o exposto, voto em dar provimento integral ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 981DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
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Numero do processo: 19515.008056/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. É DEFINITIVA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUANDO NÃO INTERPOSTO NO PRAZO LEGAL. Interposto o recurso voluntário fora do prazo, por força de lei deve dele não admitir e tomar conhecimento.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Configura-se omissão de receita os valores creditados em conta bancária cuja origem não tenha sido comprovada mediante documentação hábil e idônea, pelo contribuinte regularmente intimado. Todavia, deve-se exonerar a impugnante da exação correspondente a parcela que se comprovou origem e oferecimento a tributação, portanto indevidamente incluído na base tributável.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação.
RECURSO DE OFÍCIO- Não merece reparos a decisão que enfrentou as questões com propriedade e dentro dos parâmetros da legislação pertinente, excluindo do acréscimo patrimonial valores não comprovados nos autos.
Numero da decisão: 1102-000.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo, e negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antônio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório e Manoel Mota Fonseca
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. É DEFINITIVA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUANDO NÃO INTERPOSTO NO PRAZO LEGAL. Interposto o recurso voluntário fora do prazo, por força de lei deve dele não admitir e tomar conhecimento. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configura-se omissão de receita os valores creditados em conta bancária cuja origem não tenha sido comprovada mediante documentação hábil e idônea, pelo contribuinte regularmente intimado. Todavia, deve-se exonerar a impugnante da exação correspondente a parcela que se comprovou origem e oferecimento a tributação, portanto indevidamente incluído na base tributável. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. RECURSO DE OFÍCIO- Não merece reparos a decisão que enfrentou as questões com propriedade e dentro dos parâmetros da legislação pertinente, excluindo do acréscimo patrimonial valores não comprovados nos autos.
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OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADAS Recorrentes FAZENDA NACIONAL INTELIREDES LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. É DEFINITIVA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUANDO NÃO INTERPOSTO NO PRAZO LEGAL. Interposto o recurso voluntário fora do prazo, por força de lei deve dele não admitir e tomar conhecimento. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configurase omissão de receita os valores creditados em conta bancária cuja origem não tenha sido comprovada mediante documentação hábil e idônea, pelo contribuinte regularmente intimado. Todavia, devese exonerar a impugnante da exação correspondente a parcela que se comprovou origem e oferecimento a tributação, portanto indevidamente incluído na base tributável. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. RECURSO DE OFÍCIO Não merece reparos a decisão que enfrentou as questões com propriedade e dentro dos parâmetros da legislação pertinente, excluindo do acréscimo patrimonial valores não comprovados nos autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 80 56 /2 00 8- 04 Fl. 4728DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo, e negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antônio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório e Manoel Mota Fonseca Relatório Tratase recurso voluntário interposto pela INTELIREDES LTDA. contra o Acórdão nº 1634.197, proferido pela 6ª Turma da DRJ/SP1 na sessão de 11 de outubro de 2011, o qual julgou pela PROCEDÊNCIA EM PARTE do crédito tributário formalizado através do processo nº 19515.008056/200804, conforme ementa a seguir: Acórdão 1634.197 6ª Turma da DRJ/SP1 Sessão de 11 de outubro de 2011 Processo 19515.008056/200804 Interessado INTELIREDES LTDA. CNPJ/CPF 03.310.518/000110 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2003, 2004, 2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 4729DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 4 3 Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configurase omissão de receita os valores creditados em conta bancária cuja origem não tenha sido comprovada mediante documentação hábil e idônea, pelo contribuinte regularmente intimado. Todavia, devese exonerar a impugnante da exação correspondente a parcela que se comprovou ter integrado indevidamente na base tributável. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplicase aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O caso foi assim relatado pela autoridade julgadora a quo: A pessoa jurídica acima identificada foi submetida a procedimento de auditoria que redundou na lavratura de autos de infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS do anocalendário de 2003 a 2005, cuja exigência fiscal totalizou R$ 9.848.704,78, incluindo multa e juros calculados até 28/11/2008 (autos de infração e respectivos demonstrativos de cálculo encontramse anexados às fls. 1501/1539 as folhas do processo mencionadas neste relatório e no voto se referem à numeração digital). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1493/1500, a fiscalizada foi intimada e reintimada a identificar a origem dos valores lançados a crédito em suas contas correntes do HSBC Bank Brasil Ag.1652 Conta 16520941442, do Banco Bradesco Ag. 33804 Conta 165832, do Banco Daycoval Ag. Matriz Conta 0007009471, do Unibanco Ag. 7145 Conta 2623276 e do Banco Indusval Ag. 0001 – Conta 1647050000. No entanto, os esclarecimentos e documentos apresentados pela interessada não se afiguraram suficientes para comprovar a origem dos créditos lançados nas contas bancárias ou, quando comprovada a origem, evidenciaram não terem sido oferecidos à tributação, razão pela qual foram efetuados os lançamentos de ofício. As disposições legais encontramse citadas nos atos administrativos mencionados acima. A interessada tomou ciência desses autos de infração em 10/12/2008 (fl. 1541) e, em 09/01/2009, apresentou a impugnação de fls. 1545/1579, alegando, em síntese, que: Fl. 4730DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 5 4 a) O procedimento de apuração fiscal é absolutamente nulo, pois peca pela presunção generalizada em detrimento da realidade fática demonstrada pelo contribuinte. b) Não só o procedimento é nulo, como a autuação em si, a qual é tomada por flagrante vício formal. Da leitura do auto de infração e também do termo de verificação e constatação fiscal que o acompanha, não épossível aferir quais efetivamente os valores tidos por omitidos pela empresa. O Auditor Fiscal apresenta um total mensal de receitas omitidas, sem se ocupar na individualização dos valores que comporiam esse total. Das informações apresentadas, não é possível identificar quais exatamente foram os lançamentos extraídos dos extratos bancários que deram azo à precipitada conclusão de omissão de receita. c) A falha é ainda mais inaceitável, ao lembrarmos que a empresa, optante do lucro real, está obrigada ao registro de suas receitas e despesas por regime de competência, de modo que não necessariamente as movimentações verificadas em suas contas bancárias representam receitas ou despesas do período. d) Certo é que se presumem verdadeiros os atos da administração, tais como autos de infração, por exemplo. Contudo, tais atos devem estar pautados pela total transparência, para possibilitar aos administrados apresentarem sua defesa, suas razões, seus documentos, etc. Tal transparência não ocorreu no presente caso, posto que esta sociedade está tendo que se defender de acusação cujo teor desconhece no detalhamento necessário; esta sociedade tem que impugnar o valor de R$ 1.670.528,06, por exemplo, mas não sabe como a Fiscalização chegou no mesmo, não sabe quais valores que foram somados para chegar a tal número. e) Do folhear destes autos, observase que há várias intimações lavradas pela Fiscalização solicitando esclarecimentos acerca de valores contidos nas contas correntes desta empresa; há também esclarecimentos prestados pela empresa em atenção a tais intimações; porém, não é possível compreender quais os esclarecimentos foram acatados e quais não foram. Não é possível averiguar quais os documentos apresentados foram aceitos e quais foram descartados na comprovação da origem dos ingressos apontados nos extratos bancários e, pior, o motivo de terem sido descartados. f) Uma vez que não permite o justo conhecimento dos fatos e elementos que levaram à conclusão da omissão da receita, especialmente porque a autuação sequer aponta individualmente as entradas que compuseram o saldo tido por omitido, temsepor certa a nulidade da autuação, a qual, da forma como apresentada, não possibilita que esta sociedade exerça sua defesa, ferindo, a toda evidência, o disposto no artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal de 1988, o qual deve ser observado pela Administração, no caso, pela Receita Federal. g) Resta evidente, dessa forma, que o auto de infração combatido não tem condições de prosseguimento, pois que, da forma como apresentado, prejudica o exercício do direito de defesa da Impugnante. Ora, sem valores precisos e individualizados e sem as datas certas dos lançamentos, não há como a Impugnante se defender, com propriedade, sobre a origem dos valores tidos por omitidos. Nesse sentido, impera, pois, que seja reconhecida a sua nulidade formal. h) Caso, porém, a preliminar aqui suscitada venha a ser superada, o que somente se admite a título de argumentação, certo que é o lançamento perpetrado em desfavor da Impugnante ainda assim deverá ser anulado. Fl. 4731DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 6 5 i) No tocante à imputação atrelada às vendas diretas, é importante destacar que a autuação sequer se ocupa em segregar a origem da suposta omissão de receitas em (i) omissão de receitas de vendas diretas e (ii)omissão de outras receitas de origem não comprovada; sendo, pois, impossível à Impugnante fazer tal identificação. Veja que, se as vendas foram comprovadas por meio da exibição de notas, então a origem das receitas a elas atinentes também são certas, logo, se é admitido pelo próprio fiscal que "a empresa mantém a escrituração contábil de forma regular ", não há que se cogitar qualquer omissão nesse ponto específico. j) Quanto aos contratos de mútuo, a Impugnante, por mais de uma ocasião, apresentou cópia de todos os contratos de mútuo firmados no período de 2003 a 2005, juntamente com planilha explicativa da origem de cada um dos lançamentos bancários questionados pelo Auditor Fiscal, bem como apresentou registro contábil. k) É importante dizer que os mútuos celebrados tiveram como justificativa a cooperação financeira e administrativa entre as empresas integrantes do Grupo Prolan, que à época enfrentavam período de sérias dificuldades financeiras. O fato de uma empresa ter emprestado dinheiro a outra para fazer frente às necessidades imediatas de caixa não significa que o dinheiro mutuado tenha representado acréscimo patrimonial à mutuária, pois esta última sempre se obrigou à devolução do dinheiro. Os valores recebidos a título de mútuo, portanto, embora tenham representado entradas no Caixa da Impugnante, não configuraram, em momento algum, receita própria desta, de modo que não podem ser considerados na base tributável da empresa, até porque já foram oferecidos à tributação pelas mutuantes. l) A Administração é regida por Princípios Básicos, como o da Oficialidade, da Verdade Material, da Moralidade, da Informalidade, da Eficiência, da Gratuidade e do Formalismo Moderado, além de outros. Em obediência a tais princípios, todos previstos na Constituição Federal e em outros diplomas legais, consoante já citado, devia a Fiscalização ter analisado, com calma e diligência, a documentação e as explicações fornecidas. m) Exemplificativamente, apresentamse planilha e documentos comprobatórios da efetiva remessa dos recursos ingressados em razão de mútuos. Também são juntados os extratos das contas contábeis de mútuos registradas nos Livros Razões da Impugnante. n) A fiscalização também não apontou quais as transferências entre contas que estariam sem a devida comprovação. Assim, a Impugnante se viu obrigada a fazer prova ampla de todas as transferências entre contas realizadas, o que toma tempo e exige o auxílio das instituições financeiras, que devem fornecer os extratos bancários pertinentes. o) Em relação aos valores não localizados na contabilidade, primeiramente, a fiscalização interpretou mal as explicações da autuada, pois o que se quis dizer é que não se sabia de onde os valores elencados pela fiscalização haviam sido tirados, já que não constavam do extrato bancário. p) Em nova análise das intimações e exigências, percebeuse que parte dos valores listados pela fiscalização como entradas/créditos, na verdade, era saldo do período, portanto, inaceitável a autuação. Por fim, a impugnante requer que seja reconhecida a nulidade dos autos de infração, pois, segundo seu entendimento, estariam maculados por vícios formais, Fl. 4732DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 7 6 bem como teriam sido lavrados em desrespeito ao princípio da verdade material. Pede, ainda, que seja autorizada a posterior juntada de documentos e planilhas e que seja o julgamento convertido em diligência fiscal. Em 23/04/2009, a interessada , por meio da petição de fls. 1765/1770, requereu a juntada e apreciação dos documentos de fls. 1771/1813, 1816/2012 e 2015/2155 que, segundo alega, se refere a toda documentação que comprova a ocorrência dos mútuos citados, bem como a origem dos valores. Argumenta que alguns valores tomados como base de cálculo na autuação não são encontrados nos extratos apresentados, conforme tabela de fl. 1768, bem como é apresentado um detalhamento adicional de alguns lançamentos de acordo com a tabela de fls. 1768/1769. Em 15/10/2009, o processo foi baixado em diligência (fls. 2157/2162). O resultado dessa diligência encontrase consignado no Relatório de Atividades Fiscais de fls. 4132/4135 e nas planilhas de fls. 4136/4157. Concedido o prazo de 30 dias para a contribuinte se pronunciar, esta apresentou a manifestação de fls. 3792/3810, juntamente com documentação adicional. A fiscalização elaborou novo Relatório de Atividades Fiscais, onde observa que em face da manifestação da impugnante, com a inclusão de uma vasta quantidade de novos documentos, foi efetuada uma reanálise, ocasião em que se verificou algumas comprovações, sendo o resultado final apresentado nos Anexos integrantes a esse relatório (fls. 4158/4181). A impugnante apresentou aditamento (fls. 4182/4192) à manifestação anteriormente protocolada, bem como novos documentos (fls. 4193/4390), com o intuito de demonstrar a inexistência de omissão de receitas. Alegou ainda que aguardava os comprovantes bancários relativos ao Unibanco S/A (atual Banco Itaú S/A), razão pela qual protestou pela posterior juntada desses documentos. Em 22/08/2011, a impugnante protocolizou a petição de fls. 4394/4398, acompanhada dos documentos relativos ao Unibanco S/A (fls. 4399/4437). Finda a transcrição, continuase o relatório: No acórdão de 1ª instância, a DRJ/SP1 afasta as preliminares levantadas pela empresa quanto à (i) nulidade da ação fiscal embasada em presunção generalizada; (ii) vício formal por falta de individualização dos valores apresentados; considerando não estarem configuradas as hipóteses de nulidade na forma dos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, bem como pelo permissivo de presunção legal contido no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ademais, assevera que a alegada dificuldade encontrada pela defendente na identificação dos créditos apontados pelo fisco como não comprovados deve ser considerada totalmente superada pelo trabalho fiscal efetuado quando da realização da diligência, posto que a autoridade tributária elaborou um levantamento detalhado, com a especificação da data, histórico e valor de cada um dos lançamentos analisados, além da menção dos documentos apresentados pela impugnante que foram analisados, distinção dos que foram aceitos e daqueles que deixaram de ser aceitos, bem como explanação do(s) motivo(s) de ter(em) ou não sido acatado(s). Fl. 4733DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 8 7 Afasta a força probante dos contratos de mútuos apresentados pela recorrente, sob o argumento de que, de acordo com a norma emanada do art. 221 do Código Civil Brasileiro de 2002, para que um instrumento particular produza efeitos perante terceiros, este deverá possuir transcrição no registro público, requisito esse não observado na documentação acostada aos autos (fls. 4447). Ainda aduz que afigurase insuficiente a juntada de planilha de sua própria confecção e de livro contábil, cabendo lembrar que a escrituração faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, a teor do DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º (matriz legal do art. 923 do RIR/1999) (fls. 4447). Logo mais, esclarece que considerase prejudicada a análise das demais alegações apresentadas pela defendente na impugnação de fls. 1545/1579, em face desse reexame realizado pela fiscalização, cujo resultado encontrase consignado no Relatório de Atividades Fiscais e seguintes anexos (fls. 4158/4180) (fls. 4447): ANEXO I – Créditos baseados em emissão de Nota Fiscal ANEXO II – Créditos baseados em mútuo da empresa Prolan Soluções Integradas ANEXO III Créditos baseados em mútuo da empresa ALTA – América LatinaSoluções Avançadas ANEXO IV Créditos baseados em mútuo da empresa Prolan Equipamentos ANEXO V – Créditos/depósito não comprovados ANEXO VI – Nova base de cálculo do AI Em razão da diligência efetuada, exonera a recorrente da imposição fiscal correspondente de acordo com o demonstrado no Anexo VI (fls. 4180). Depois analisa um a um os períodos os quais restaram valores a comprovar: mar/03, abr/03, mai/03, jun/03, jul/03, nov/03, jan/05, fev/05, mar/05, jun/05, jul/05, nov/05, compondo nova base de cálculo para o auto de infração. A recorrente, em seguida, apresenta Recurso Voluntário, alegando (i) nulidade do lançamento por vício no procedimento, haja vista a não individualização dos valores e a temeridade do lançamento tributário com base em tão somente extratos bancários; (ii) a improcedência do lançamento sobre os valores tidos como não comprovados, considerando sua comprovação através da apresentação de todos os contratos de mútuo firmados , juntamente com planilha explicativa da origem de cada um dos lançamentos bancários questionados, bem como apresentou registro contábil dos mútuos formalizados. Contra os valores remanescentes, a recorrente reapresenta as provas que aduz serem comprovantes dos depósitos bancários. É o relatório. Fl. 4734DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso não satisfaz os pressupostos recursais, uma vez que é intempestivo, portanto, dele não se toma conhecimento. O processo administrativo fiscal foi regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972 e tem status de lei ordinária. O prazo para a interposição do recurso voluntário está estabelecido no art. 33, deste diploma legal, in verbis: Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 33 Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão"(... )(grifouse) Diversamente do alegado no recurso voluntário interposto, como apontado pelo despacho de encaminhamento (fls. 4727), o contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 30/01/2012 (segundafeira), conforme aviso de recebimento constante da fl. 4677 e extrato dos Correios presente às fls. 4720. Contandose o prazo a partir de 31/01/2012 (terçafeira), primeira dia útil seguinte, temse que o prazo findou em 29/02/2012 (quartafeira). O recurso voluntário foi interposto em 01/03/2012, conforme carimbo de protocolo constante da fl. 4472, razão pela qual resta intempestivo e, portanto, impossibilitado de conhecimento. Dessa forma, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, tendo em vista que foi apresentado intempestivamente. RECURSO DE OFÍCIO Sendo o crédito exonerado em 1ª instância superior ao valor de alçada de R$ 1.000.000,00 determinado pela Portaria MF nº 3/2008, conhecese do recurso de ofício interposto. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1493/1500, a fiscalizada foi intimada e reintimada a identificar a origem dos valores lançados a crédito em suas contas correntes: · HSBC Bank Brasil Ag.1652 Conta 16520941442; · Banco Bradesco Ag. 33804 Conta 165832; · Banco Daycoval Ag. Matriz Conta 0007009471; Fl. 4735DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 10 9 · Unibanco Ag. 7145 Conta 2623276; · Banco Indusval Ag. 0001 – Conta 1647050000. Analisando toda a documentação acostada pela contribuinte como comprobatória dos depósitos bancários apontados, através das petições interpostas (fls. 504/984, fls. 985/1456, fls.1469/1492 fls.1765/2155, fls.2528/3791, fls.3792/4130), o Relatório de Atividades Fiscais final (fls. 4158/4181) conclui a comprovação parcial da origem dos depósitos, exonerando parcialmente a contribuinte dos créditos tributários impostos. O trabalhou foi didaticamente dividido em seis anexos, pelo quais se analisa um a um os depósitos das contas bancárias suprareferidas e a documentação comprobatória juntada pela contribuinte, conforme a seguir: ANEXO I – Créditos baseados em emissão de Nota Fiscal (fls. 4159 – 1469) ANEXO II – Créditos baseados em mútuo da empresa Prolan Soluções Integradas(fls. 4170 – 4176) ANEXO III Créditos baseados em mútuo da empresa ALTA – América Latina Soluções Avançadas(fls. 4177) ANEXO IV Créditos baseados em mútuo da empresa Prolan Equipamentos (fls. 4178) ANEXO V – Créditos/depósitos não comprovados (fls. 4179) ANEXO VI – Nova base de cálculo do AI (fls. 4180) Como apontou a autoridade administrativa, o ANEXO V identifica o montante mensal dos créditos/depósitos não comprovados, por instituição financeira, ao passo que o ANEXO VI apresenta, na coluna "NOVA BASE DE CÁLCULO DO AUTO DE INFRAÇÃO", os valores da nova base de cálculo apurada pela fiscalização. A autoridade fiscal explica que, para definição dessa base de cálculo, considerou o montante apurado como origem não comprovada, descontado da Receita Bruta declarada pelo contribuinte. Esclarece ainda que os valores comprovados pela emissão de Nota Fiscal foram considerados como integrantes da Receita Bruta declarada. Assim, uma vez que, em razão da diligência efetuada, a fiscalização considerou parte da autuação como indevida (ANEXO VI), compete exonerar a impugnante da imposição fiscal correspondente. Neste ponto, considerando que a contribuinte apresentou documentação hábil e idônea para comprovação dos depósitos efetuados e tendo o acórdão recorrido se baseado em relatório de diligência fiscal no qual foi analisada e avalizada a documentação comprobatória dos depósitos, não há como subsistir os lançamentos tributários quanto a essas parcelas, razão pela qual se nega provimento ao recurso de ofício. Fl. 4736DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 11 10 O Relatório de Atividades Fiscais (fls. 4132 – 4157 / 4158 – 4181) demonstra com clareza e fundamentação a origem e natureza de cada depósito, havendo a coincidência de datas e valores dos documentos apresentados, quanto a: · Operações albergadas por notas fiscais; · Mútuos efetuados com a Prolan Soluções Integradas – PSI; · Mútuos efetuados com a ALTA – América Latina Soluções Avançadas Ltda.; · Mútuos efetuados com a PE Prolan Equipamentos Ltda. Entretanto, a impugnante contestou o trabalho fiscal (fls. 4182/4192) e apresenta, para cada um dos lançamentos bancários, sua justificativa acerca da comprovação da origem e destino dos valores. Como a maioria dos valores já havia sido aceita pela fiscalização, a análise do Acórdão de 1ª Instância se restringiu aos valores considerados não comprovados, que se encontram relacionados no ANEXO V (fl. 4179), com exceção dos períodos de apuração em que, em decorrência dos ajustes efetuados e demonstrados no ANEXO VI, não se constatou base tributável. Considerando a análise tão somente do recurso de ofício, o qual tem como único objeto as parcelas exoneradas do lançamento fiscal, e a acolhida das exonerações decorrentes do relatório de diligência fiscal, verificarseá tão somente a competência em que o acórdão recorrido reduziu ainda mais o feito. Baseandose no ANEXO VI, o Acórdão de 1ª Instância procedeu em reduções somente na competência de abril/2003. PERÍODO DE APURAÇÃO : abr/03 VALOR EM REAIS : 287.303,34 Este lançamento foi composto pelo depósito no HSBC Bank Brasil S. A. de R$ 146.303,34 e pelos depósitos de R$ 18.000,00, 111.000,00 e 12.000,00, efetuados na conta do Unibanco S/A. Quanto ao depósito de R$ 146.303,34, entendeuse que não restava devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, razão pela qual não merece mais comentários Por outro lado, os demais lançamentos que compõem o montante acima são (depósitos de R$ 18.000,00, 111.000,00 e 12.000,00, efetuados na conta do Unibanco S/A), foram devidamente comprovados, conforme se destacou no acórdão recorrido: Embora a interessada alegasse serem proveniente de empréstimos concedidos pela Prolan Soluções Integradas S/A, a fiscalização os considerou como não comprovados (ANEXO II – fl. 4175), pois os extratos de fls. 2110, 2112 e 2113, respectivamente, não identificam o destinatário. Fl. 4737DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 19515.008056/200804 Acórdão n.º 1102000.925 S1C1T2 Fl. 12 11 Contudo, a interessada juntou os demonstrativos de lançamentos (fls. 4409/4411), emitidos pelo Unibanco, em que se verifica que esses valores foram, de fato, transferidos para a impugnante por meio do HSBC, agência 1652, conta corrente 0384896, cuja titularidade é da pela Prolan Soluções Integradas S/, CNPJ 65.668.311/000179, conforme atestam os extratos de fls. 3548, 3551 e 3554, respectivamente. Destarte, em face da comprovação parcial, a base tributável desse período de apuração deve ser alterada para R$ 146.306,34, exonerandose o valor de R$ 143.000,00, haja vista a comprovação pelo contribuinte de sua origem mediante documentação hábil e idônea. Por estas razões, voto por não conhecer do recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, mantendose o acórdão recorrido incólume. (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Fl. 4738DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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